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FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ 1
2 FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ
DEMOCRACIA
“O poder está nas ruas e não nas urnas”
A verdadeira democracia é medida, na 
verdade, pela possibilidade dada ao poder 
instituinte popular de manifestar-se e criar 
novas regras e instituições. Não é somente 
pelas eleições que tal poder se manifesta.
Vladimir Safatle, A Esquerda Que Não Teme Dizer Seu Nome, p. 55
A democracia é comumente entendida como a forma 
de governo em que a soberania é exercida pelo povo. 
Significa que a vontade do povo (coletiva) deve 
prevalecer sobre as decisões individuais. No decorrer 
de seu desenvolvimento conceitual e prático, várias 
modalidades de democracia foram elaboradas: elas 
divergem entre si no que se refere ao modelo de 
exercício da soberania popular, ao modo como colher, 
mensurar, a vontade coletiva. As modalidades mais 
evidenciadas são:
A democracia representativa/indireta é aquela em 
que a participação popular restringe-se ao ato de 
votar nos representantes para o Parlamento e para 
o Executivo. Neste, aos representantes é conferido o 
poder de tomar as decisões.
A democracia participativa/direta é aquela em 
que a participação popular é mais ativa, efetiva, 
em que a vontade coletiva é mensurada através de 
instrumentos participativos de tomada de decisões e 
deliberações conjuntas.
Apenas na democracia o desejo de todos é 
contemplado, como disse Espinosa: a vontade de 
governar e não ser governado.
DEMOCRACIA:
JEAN-JACQUES 
ROUSSEAU E 
HABERMAS
Jean-Jacques Rousseau, um teórico do iluminismo 
francês e defensor da soberania popular e 
o Habermas, idealizador da Teoria do Agir 
Comunicativo, cuja teoria pretende aplicar nas 
sociedades democráticas, caracterizadas por uma 
esfera pública denominada pelo discurso e pela 
argumentação de interesse coletivo, propondo uma 
participação igualitária de todos os cidadãos nas 
discussões em torno da coisa pública. Desta análise 
decorre a ideia de uma Democracia Deliberativa 
que tem como objetivo promover a legitimidade 
das decisões coletivas, encorajando a população a 
participar dos assuntos públicos. Habermas e Jean-
Jacques Rousseau através de suas teorias defendiam 
que a democracia ideal é aquela em que os cidadãos 
têm livre arbítrio para escolherem o que será melhor 
para a sociedade, tendo uma postura ativa em todas 
as decisões.
Rousseau fala sobre uma Democracia onde a soberania 
deve ser do povo, o povo deve exercer diretamente 
essa soberania na esfera Legislativa, onde ela não 
pode ser Representativa, no entanto essa soberania 
seria limitada a uma esfera, sendo o Poder Executivo 
FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ 3
sujeito a Representatividade. Segundo ele cabia ao 
povo criar as leis que os próprios deveriam obedecer.
Em contrapartida Habermas foi mais além e defendia 
um modelo de Democracia Deliberativa, onde povo 
deveria participar na esfera Legislativa e Executiva; 
na criação de leis e na formulação e implementação 
de Políticas Públicas.
DEMOCRACIA X SOCIEDADE DE 
PRIVILÉGIO
A democracia é então muito mais profunda que 
a eleição presidencial de quatro em quatro anos. 
Ela é muito maior que a alternância do poder. Ela 
com certeza não se resume à escolha de ministros 
para os cargos do Executivo. Democracia significa: 
a soberania pertence aos cidadãos. Trata-se aqui de 
uma forma de potência coletiva. Onde há a decisão 
soberana da multidão de governar a si mesma. Uma 
atividade social e histórica aberta para construção 
contínua da participação popular.
Dizemos, então, que uma sociedade – e 
não um simples regime de governo – é 
democrática quando, além de eleições, 
partidos políticos, divisão dos três poderes 
da república, respeito à vontade da maioria 
e das minorias, institui algo mais profundo, 
que é condição do próprio regime político, 
ou seja, quando institui direitos e essa 
instituição é uma criação social, de tal 
maneira que só há democracia com a 
ampliação contínua da cidadania.
Marilena Chaui, Sobre a Violência
A democracia é o completo oposto da sociedade de 
privilégios, pois institui que o poder não está em uma 
figura de representatividade, mas o tempo todo com a 
multidão. Ela opõe-se ao autoritarismo porque exige a 
convivência social e coletiva, nas suas mais diversas 
matizes e diferenças. 
A democracia é a admissão de que a 
sociedade está internamente dividida, 
que as divisões são legítimas e que elas 
devem expressar-se publicamente. A 
democracia é o único regime político que 
considera o conflito legítimo e institui 
meios para que ele possa se exprimir.
Marilena Chaui, Sobre a Violência
A CRISE DA DEMOCRACIA
A queda do muro de Berlim, em 1989, simbolizou 
o colapso dos regimes estabelecidos na Europa do 
Leste, o que levou a se imaginar que a democracia 
se estenderia amplamente a partir desse momento, 
especialmente com a participação ativa da cidadania 
na tomada de decisões políticas. Apesar disso, as 
coisas não ocorreram bem assim. Numa análise 
macro podemos apontar dois fatores:
A integração europeia ou latino-americana fez com 
que o cidadão fosse levado cada vez para mais longe 
do lugar onde se tomam as decisões que diretamente 
o afetam; assim, sua participação no processo de 
tomada de decisão se tornou cada vez menor; 
O processo de globalização fez com que a economia 
essa fugisse do controle dos Estados e, portanto, do jogo 
político onde são chamados a participar os cidadãos.
Numa visão micro, os seguintes fatores assumiram 
papeis de destaque na fragilidade das democracias.
a) Falta de transparência e de legitimidade dos 
partidos políticos; 
b) O declínio de filiações e identificação dos cidadãos 
com os partidos políticos; 
c) A crescente volatilidade eleitoral;
d) A diminuição da participação política em geral e 
em particular a abstenção eleitoral; 
e) A ausência de relação e de responsabilidade 
dialética entre os eleitos e eleitores; 
f) A falta de receptividade da classe política das 
demandas dos cidadãos; 
g) Os problemas de governabilidade no contexto 
da globalização e a chamada ‘crise do Estado’;
h) Falta de autênticas lideranças da classe política.
4 FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ
EXERCÍCIO
1. (Enem 2012) É verdade que nas democracias o 
povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política 
não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em 
mente o que é independência e o que é liberdade. 
A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis 
permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que 
elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os 
outros também teriam tal poder.
MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis. São Paulo: Editora Nova 
Cultural, 1997 (adaptado).
A característica de democracia ressaltada por 
Montesquieu diz respeito
a) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao 
tomar as decisões por si mesmo.
b) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à 
conformidade às leis.
c) à possibilidade de o cidadão participar no poder e, 
nesse caso, livre da submissão às leis.
d)ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é 
proibido, desde que ciente das consequências.
e) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo 
com seus valores pessoais.
2. (Enem 2015) A Justiça Eleitoral foi criada em 1932, 
como parte de uma ampla reforma no processo eleitoral 
incentivada pela Revolução de 1930. Sua criação foi 
um grande avanço institucional, garantindo que as 
eleições tivessem o aval de um órgão teoricamente 
imune à influência dos mandatários.
TAYLOR, M. Justiça Eleitoral. ln: AVRITZER, L.; ANASTASIA, F. 
Reforma política no Brasil. Belo Horizonte: UFMG, 2006 (adaptado).
Em relação ao regime democrático no país, a 
instituição analisada teve o seguinte papel:
a) Implementou o voto direto para presidente.
b) Combateu as fraudes sistemáticas nas apurações.
c) Alterou as regras para as candidaturas na ditadura.
d) Impulsionou as denúncias de corrupção 
administrativa.
e) Expandiu a participação com o fim do critério 
censitário.
3. (Enem 2016) A democracia deliberativa afirma queas partes do conflito político devem deliberar entre si 
e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a 
um acordo sobre as políticas que seja satisfatório para 
todos. A democracia ativista desconfia das exortações 
à deliberação por acreditar que, no mundo real da 
política, onde as desigualdades estruturais influenciam 
procedimentos e resultados, processos democráticos 
que parecem cumprir as normas de deliberação 
geralmente tendem a beneficiar os agentes mais 
poderosos. Ela recomenda, portanto, que aqueles que 
se preocupam com a promoção de mais justiça devem 
realizar principalmente a atividade de oposição crítica, 
em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta 
estruturas de poder existentes ou delas se beneficia.
YOUNG, 1. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista 
Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan.-abr. 2014.
As concepções de democracia deliberativa e de 
democracia ativista apresentadas no texto tratam 
como imprescindíveis, respectivamente:
a) a decisão da maioria e a uniformização de direitos.
b) a organização de eleições e o movimento anarquista.
c) a obtenção do consenso e a mobilização das minorias.
d) a fragmentação da participação e a desobediência 
civil.
e) a imposição de resistência e o monitoramento da 
liberdade.
4. (Enem 2017) O conceito de democracia, no 
pensamento de Habermas, é construído a partir de 
uma dimensão procedimental, calcada no discurso e 
na deliberação. A legitimidade democrática exige que o 
processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir 
de uma ampla discussão pública, para somente então 
decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um 
processo coletivo de ponderação e análise, permeado 
pelo discurso, que antecede a decisão.
VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia 
deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado).
O conceito de democracia proposto por Jürgen 
Habermas pode favorecer processos de inclusão 
social. De acordo com o texto, é uma condição para 
que isso aconteça o(a):
a)participação direta periódica do cidadão.
b) debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
c) interlocução entre os poderes governamentais.
d) eleição de lideranças políticas com mandatos 
temporários.
e) controle do poder político por cidadãos mais 
esclarecidos.
FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ 5
5. (UFPR 2015 - C. Gerais) Ao fazer o elogio à 
democracia, o autor aponta, também, defeitos do 
regime. Tendo isso em vista, considere as seguintes 
afirmativas:
1. A democracia apresenta grandes incoerências 
internas.
2. O sistema econômico tem grande poder sobre as 
decisões.
3. O regime democrático tem, na sua contraparte, 
muitas alternativas.
4. As articulações entre os partidos são pouco claras, 
dada sua indefinição.
Comprovam a afirmação de que o autor tanto elogia 
quanto critica o regime democrático as afirmativas:
a) 1 e 4 apenas.
b) 1 e 3 apenas.
c)2 e 3 apenas.
d) 2, 3 e 4 apenas.
e) 1, 2 e 4 apenas.
6. (Enem 2018) Um dos teóricos da democracia 
moderna, Hans Kelsen, considera elemento essencial 
da democracia real (não da democracia ideal, que não 
existe em lugar algum) o método da seleção dos líderes, 
ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é a afirmação 
de um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, por 
ocasião de uma eleição de 1902: “A cabine eleitoral é o 
templo das instituições americanas, onde cada um de 
nós é um sacerdote, ao qual é confiada a guarda da arca 
da aliança e cada um oficia do seu próprio altar.
BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: EIsevier, 2000 
(adaptado)
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma 
concepção de democracia fundamentada no(a)
a) Justificação teísta do direito.
b) Rigidez da hierarquia de classe.
c) Ênfase formalista na administração.
d) Protagonismo do Executivo no poder.
e) Centralidade do indivíduo na sociedade.
7. (UEMA) Em um Estado democrático de direito, 
cidadania é um conceito chave, muito recorrente. Em 
linhas gerais, ao longo da história, ser cidadão era 
ser membro da cidade, civitas. Considerando-se que 
cidadania é um direito e dever constitucional, pode-
se então afirmar que são princípios de cidadania:
a) Participação política; democracia; liberdade 
econômica; pertencimento; voto.
b) Liberdade absoluta; eleições; igualdade; participação 
política; direitos civis.
c) Igualdade política; liberdade política; participação 
política e pertencimento.
d) Pertencimento; propriedade; igualdade; fraternidade; 
liberdade econômica.
e) Eleições; igualdade política; liberdade absoluta; 
participação; pertencimento.
8. (ENEM)
TEXTO I
A ação democrática consiste em todos tomarem parte 
do processo decisório sobre aquilo
que terá consequência na vida de toda coletividade.
GALLO, S. et al. Ética e Cidadania. Caminhos da Filosofia. 
Campinas: Papirus, 1997 (adaptado).
TEXTO II
É necessário que haja liberdade de expressão, 
fiscalização sobre órgãos governamentais e
acesso por parte da população às informações trazidas 
a público pela imprensa.
Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br. 
Acesso em: 24 abr. 2010.
Partindo da perspectiva de democracia apresentada 
no Texto I, os meios de comunicação, de acordo 
com o Texto II, assumem um papel relevante na 
sociedade por
a) orientarem os cidadãos na compra dos bens 
necessários à sua sobrevivência e bem-estar.
b) fornecerem informações que fomentam o debate 
político na esfera pública.
c) apresentarem aos cidadãos a versão oficial dos fatos.
d) propiciarem o entretenimento, aspecto relevante 
para conscientização política.
e) promoverem a unidade cultural, por meio das 
transmissões esportivas.
9. (UENP) Amy Gutmann e Dennis Thompson em 
texto intitulado “Why Deliberative Democracy?” 
conceituam democracia deliberativa como: “uma 
forma de governo na qual cidadãos livres e iguais (e 
seus representantes) justificam suas decisões, em um 
processo no qual apresentam uns aos outros motivos 
que são mutuamente aceitos e geralmente acessíveis, 
com o objetivo de atingir conclusões que vinculem 
6 FILOSOFIA COM VIVIANE CATOLÉ
Anotações:
no presente todos os cidadãos, mas que possibilitam 
uma discussão futura.”
GUTMANN, Amy; THOMPSON, Dennis. O que significa democracia 
deliberativa. Revista Brasileira de Estudos Constitucionais – RBEC. 
Belo Horizonte: Editora Fórum. jan./mar. 2007, v. 1., p. 23
Sobre o conceito de democracia, analise as afirmativas.
I. A democracia é a forma de organização do estado 
que assegura maior participação formal dos 
cidadãos por meio da possibilidade periódica de 
aprovação ou reprovação dos governos. 
II. A democracia assegura a possibilidade de 
expressão do pensamento sem quaisquer limites. 
III. Governos democráticos não são pautados 
por regras e submetem todas as suas ações à 
deliberação pública. 
Está(ão) incorreta(s) a(s) afirmação(ões):
a) apenas I. 
b) apenas I e II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) todas.
10. (UFU) Uma premissa essencial da conquista 
de direitos civis, sociais e políticos é o seu caráter 
ativo, ou seja, seu vínculo com a ação organizada dos 
participantes da sociedade civil. A democracia é uma 
condição indispensável para o exercício da cidadania, 
contudo, na sociedade capitalista ocorre um fato que 
favorece apenas formas passivas de cidadania, em que 
os sujeitos não gozam de uma verdadeira autonomia. 
Assinale a alternativa que corresponde a esse fato.
a) A expressão das particularidades dos grupos ou 
classes sociais. 
b) A emergência da subjetividade individual no seio 
dos movimentos. 
c) A transformação dos trabalhadores em consumidores.
d) As relações dos movimentos com o Estado e suas 
instituições.
GABARITO:
1.B
2.B
3.C
4.B
5.B
6.E
7.C
8.B
9.D
10.C

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