Prévia do material em texto
Medicina - 6º Semestre - Ana Paula Cuchera e Eduarda Costa Profº Carlos 9 de out. de 2023 Introdução - A osteomielite é uma condição inflamatória\infecciosa do osso causada por um organismo infectante, bactéria ou fungo (mais comumente Staphylococcus aureus) - Acomete um ou mais ossos - De forma geral, a infecção óssea é: hematogênica (originada de bacteremia), inoculação direta (fraturas expostas) ou de foco contíguo (originada de um foco de infecção adjacente à área da osteomielite - Abscesso no dente e entra na maxila) - A despeito dessas causas diferentes, todas as formas de osteomielite aguda podem evoluir e se tornar crônicas, compartilhando uma fisiopatologia final comum, com um invólucro de tecido mole comprometido ao redor do osso novo morto, infectado e reativo. - Infecção óssea → infecção ruim, já que o osso é tecido pouco vascularizados em relação aos outros, o que dificulta a chegada do antibiótico - Tem que lavar as infecções, tirar parte infectada - Infecção difícil de curar ● Em alguns casos o que ocorre é a diminuição das bactérias → osteomielite sede e a pessoa fica sem infecção, mas quando tem uma baixa da imunidade essa pessoa pode desenvolver osteomielite 1- Hematogênica Aguda - Foco distante que chega no osso através do sangue - Processo infeccioso intra ósseo, devido a foco infeccioso distante e disseminação do germe via sanguínea - É considerada urgência e o tratamento deve ser hospitalar. - Mais comum em crianças – que podem ser acometidas em qualquer idade – osso mais vascularizados - Subnutridos e desnutridos têm mecanismos de defesa mais baixos favorecendo a infecção, assim como portadores de leucoses, diabetes, hemoglobinopatias, HIV e etc - Geralmente com porta de entrada à distância: piodermites, otites, amigdalites. 1 - Nas metáfises de ossos longos, especialmente nas próximas ao joelho e ombro. ● Começa na metáfise porque tem os sinusóides ● Ocorrem nessas áreas, pois tem mais sangue (na fise de crescimento) - Nas metáfises ocorrem lagos venosos sinusoidais, com fluxo lento e baixa concentração de monócitos que favorecem a fixação bacteriana ● Região metafisária é a propícia para crescimento bacteriana (por causa dos sinusóides) ● Depois da metáfise ela se expande para outras áreas Epidemiologia - 21.8 casos por 100,000 pessoas-ano entre 1969 e 2009. - Durante o período do estudo, as taxas de incidência permaneceram estáveis entre crianças e adultos jovens (com menos de 50 anos de idade), mas quase triplicaram entre os idosos, sobretudo em decorrência de um aumento secular nos casos relacionados à diabetes - Em crianças: meninos > meninas Fisiopatologia ● Bacteremia ● Artéria Nutrícia ○ entra na parte medular do osso e se divide para proximal e distal ● Capilares sinusóides ● Multiplicação bacteriana - Formação de abscesso intra ósseo, este tampa a cortical (abscesso subperiosteal) → infecção entre a cortical e o periósteo → rompe periósteo e com isso faz abscesso nos tecidos moles (músculos) ● Se não tratado gera fístula na pele (característica osteomielite crônica) - Como tratar abscesso: drenar ● Depois que forma o abscesso na osteomielite, tem que fazer cirurgia para drenar, pois antibiotico nao chega no abscesso (está encapsulado) 2 Quadro clínico ● Depende da localização e da idade. ● Manifestações sistêmicas: febre, calafrios ● Dor localizada, claudicação antálgica, pseudoparalisia ● Aumento de volume local, calor (maiores quanto maior for acometimento) ● Rubor estará presente já no início se o osso for superficial ● Palpação revela dor na zona metafisária (e não na articulação) ● Se quadro progride, rompe abscesso e melhora dor OBS! Celulite → quando o quadro de vermelhidão é exagerado 3 Laboratório ● Hemograma: leucocitose com desvio à esquerda ● VHS aumentado ● Proteína C reativa eleva-se nas primeiras 6hs e é mais específica ● Hemocultura positiva em 50% casos ● Raio X - normal OBS! VHS aumentado → inespecífico - ele é bom para saber se o antibiótico está fazendo efeito (con trole do tratamento) - Diagnóstico é clínico !! ● Pois o exame de sangue é inespecífico e raio x é normal Estudo radiográfico - Raio X: ● Primeiros dias revela alteração partes moles ● 7-14 dias - Levantamento periosteal com formação de osso lamelar (casca de cebola) – abscesso subperiosteal, pus passa cortical. ● 14-21 dias – rarefação óssea OBS! Imagem 1 = casca de cebola - Reação de periósteo → de vários tipos ocorre na casca de cebola - Casca de cebola → ficar várias marcas pela formação de pus e cicatrização que ocorre OBS! Imagem 2: periósteo levanta → ossifica → forma raios de sol → buraco (pus ou tumor) - Cintilografia óssea de corpo inteiro: para diagnóstico precoce ● Hipercaptação dentro das primeiras 24hs. ● Baixa especificidade, reflete aumento do fluxo e atividade osteoblástica (lesões tumorais ou pós trauma). ● Identificação de múltiplos focos 4 OBS! Radiografia de criança, pois a metáfise está muito preta (muito sangue e divisão celular nas fises de crescimento) - Partes pretas: fise de crescimento captam muitas células novas - RM: ● Precoce. ● Útil na suspeita de osteomielite vertebral, discite e esqueleto axial e pelve. ○ Porém é de difícil acesso , tem que marcar em outro local, etc. ● Abscesso subperiosteal aparece como hipossinal em T1 e hipersinal em T2. ● Injeção de contraste paramagnético (gadolínio) facilita diferenciação entre inflamação e infecção. Tratamento - Tratamento precoce adequado é o principal fator para um desfecho positivo - antes da instalação do abscesso. - Internar e avaliação completa clínica e laboratorial de urgência - Conservador com ATB parenteral, repouso e proteção do membro pode ter sucesso se iniciado nas primeiras 24-48hs. - Melhora deve ocorrer em 24-48hs (diminuição temp, dor, edema e hiperemia), controle com VHS e PCR - Caso contrário, tto cirúrgico com descompressão óssea (perfuração ou janela) e lavagem abundante do abscesso (furadeira e drena) - Antibióticos, inicialmente de amplo espectro, de acordo com faixa etária (e depois de acordo com gram e cultura) - RN: Estafilo Aureus, estrepto grupo B e bacilos gram neg. Penicilina semi-sintética efetiva para os 2 primeiros; na suspeita de bacilos gram neg, aminoglicosídeo - 2m – 3a: Haemophilus influenzae aparece associado ao Estafilo em 10% (se não vacinadas – meningite) cefuroxima (cefalosporina de 2°) - Maiores de 3 anos: Estafilo Aureus e Estrepto grupos A e B penicilina semi-sintética ou cefalosporina de 1° EV por pelo menos 2 semanas e VO por mais 3-6 semanas - Seriar VHS e prot C reativa (esta última é mais sensível, específica e precoce) 5 2- Osteomielite Por Inoculação Direta - Fraturas expostas - maior chance da bactéria entrar no osso (inoculação direta) - Germes domiciliares – porém com risco de contaminação secundária por bactérias hospitalares - Tempo de chegada ao hospital tem influência no prognóstico (6 hs) OBS! Fratura Exposta Tratamento ortopédico - URGÊNCIA ● Complexo – difícil – alto índice de complicações e sequelas ● Exposição atrapalha e atrasa a consolidação ● Lesão partes moles = diminui vascularização dos tecidos ● Necrose favorece a infecção 6 ● Infecção óssea é grave e de difícil resolução ● TRATAMENTO ESTADIADO - Sinais Clínicos: ● Ferida úmida ● Flogose local ● Dor local piorando ● Secreção - Second look → colher cultura - Tratamento: ● Se germe identificado ○ antibiograma OBS! PROFESSOR DEU ATÉ AQUI 7 3- Infecção por Foco Contíguo - Pós operatórias - Foco = implante contaminado Fisiopatologia - Fig. 2. Modelo estrutural do biofilme bacteriano. Notar a presença de lâmina superficial bacteriana aderida ao material metálico, a estrutura proteica de torres com bactérias em trânsito em seu interior, o fluido líquido na base das torres, e as fitas proteicas que permitem o trânsito bacteriano. Há a presença de bactérias planctônicas em volta do biofilme. Quadro clínico - Sintomas: ● Infecção localizada – pouca bacteremia ● Sem febre ● Vermelhidão ● Edema ● Fístula na cicatrizcirúrgica com secreção purulenta 8 Tratamento - Clínico: ● Antibiótico – paliativo – não debela a infecção ● Curativos ● Aceitar a fístula ● Aguardar a consolidação da fratura – se possível - Cirúrgico: ● Se consolidar – Retirar implante ● Se não consolidar – trocar por Síntese externa ● Mas sempre retirar o biofilme 4- Artrite Séptica - Pioartrite - Vias de Contaminação: ● As bactérias, assim como outros microrganismos, podem atingir a articulação de diversas formas 9 - Disseminação Hematogênica (Bacteremia): ● Esta é a forma mais frequente de invasão articular. ● A bactéria atinge os capilares sinoviais pela corrente sanguínea, provindo de um foco infeccioso à distância, como otites, amigdalites, endocardites, infecções do trato urinário, entre outros, ou ainda devido ao uso de drogas ilícitas por via intravenosa. ● A instalação ou não da infecção depende diretamente dos fatores locais da articulação e da defesa imunológica do hospedeiro, visto que nem todos os pacientes que apresentam a bacteremia evoluem com pioartrites. - Inoculação Direta: ● Os traumatismos perfurocortantes da articulação, assim como os procedimentos diagnósticos (punção articular) ou terapêuticos (artroscopia, artrotomia), podem propiciar a introdução direta da bactéria na articulação - Contiguidade: ● A partir de um foco infeccioso adjacente, como infecção de partes moles, celulites, abscessos ou osteomielite da metáfise, as bactérias podem invadir a cápsula articular diretamente, chegando em alguns casos a criar trajetos fistulosos Agentes etiológicos ● S.aureus é a bactéria mais comumente encontrada (40-60%) ● H. influenza (2-31%), Estreptococo do grupo B (12-26%) e Gram negativos são vistos comumente em neonatos ● Em crianças de um mês a três anos de idade encontraram-se H. influenzae em 31%, Streptococcus em 12%, S. aureus em 11% e gram-negativos em 10% ● Nas crianças acima de três anos de idade, S.aureus é o agente mais comum (33 a 50%), seguido do Streptococcus (18 a 25%) ● Gonococo, Pseudomonas, Salmonela,etc. ● De 19 a 46 % permanecem sem agente definido Patogenia - A via hematogênica representa a principal fonte de contaminação e permite acesso de bactérias à articulação através dos vasos transepifisários nos indivíduos menores que um ano de idade ou através da circulação sinovial (quadril); - Essa bacteremia pode ser secundária a embolia séptica e geralmente está relacionada com história de traumas, hematomas, infecções a distância e baixa imunidade 10 - As portas de entrada mais frequentes em crianças menores de dois anos de idade são cateteres umbilicais (instalados em recém-nascidos) ou infecções de ouvido - A via indireta representa contaminação por sítio vizinho. ● Entre 18 meses e 16 anos de idade, a infecção da metáfise proximal do fêmur é a principal via de contaminação da articulação do quadril por disseminação subperiosteal Quadro clínico ● No recém-nascido e criança mais nova a reação sistêmica à septicemia pode não ser evidente. ● A criança pode não ter febre. ● Há sinais de irritação, recusa alimentar, não ganho de peso ● Procura de foco infeccioso (otite média), exame dos membros inferiores ● Na criança mais velha o início da febre e da dor articular é agudo. ● Criança se recusa a sustentar peso nas pernas ou anda com claudicação antálgica. ● Há aumento da temperatura local e tumefação (anterior no quadril) ● Pela distensão da cápsula e pressão hidrostática aumentada, o quadril assume a posição de flexão de 30- 60°, rotação externa de 10-15°, e 10° de abdução. ● Dor porção anterior joelho em flexão de 20-30° ● Muita dor em qualquer tentativa de mobilização da articulação - Celulite X Pioartrite Laboratório ● Leucocitose com desvio à esquerda ● Aumento de VHS: aumenta em 24 h (50 -90mm por hora) ○ Retorna lentamente ao normal após o inicio do tratamento (1 mês) ● PCR: aumenta em 8 h com pico em 48 h ○ Reduz rapidamente com o tratamento ○ Volta ao normal em 1 semana ● No recém-nascido podem estar normais Diagnóstico por imagem - Rx: NADA - Ultra-sonografia: mostra coleção intra-articular precocemente - Cintilografia (Tc-99): mostra área de hipercaptação muito precocemente, sendo de alta sensibilidade e baixa especificidade Diagnóstico - Punção articular 11 Tratamento ● Passo fundamental para o tratamento é a drenagem cirúrgica ● Limpeza articular com lavagem abundante e retirada de grumos ● Via de acesso conforme experiência do cirurgião (anterior, lateral e posterior para o quadril; parapatelar medial e lateral para joelho) ● Após drenagem cirúrgica, ATB via parenteral ● Recém-nascido: oxacilina e gentamicina ● 4m a 4 anos: oxacilina e ceftriaxone ● Adulto: Cipro e clinda ● Acompanhamento clínico e laboratorial deve ser feito ● Hemograma, VSG, PCR ● Tempo de uso do ATB ainda é controverso ● 1- 2 semanas EV ● Após mais 2-3 semanas de ATB VO ● Avaliar resposta clínica e laboratorial 12