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HISTÓRIA MÓDULO 07
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Independência Afro-Asiática
Descolonização?
É muito comum encontrarmos em livros didáticos, jornais, textos da
internet ou até mesmo em provas, a expressão descolonização para
demarcar o processo em que transcorreu após a Segunda Guerra Mundial
nos continentes africano e asiático e que começaram a romper com a
dominação imperialista iniciada no século XIX. Contudo, os historiadores
tem cada vez mais questionado o uso desse termo, defendendo haver um
eurocentrismo implícito que prejudica o real entendimento desse
processo histórico. Quando se utiliza esse conceito, parte-se da
premissa que africanos e asiáticos receberem a independência de seus
territórios de bom grado dos europeus. O povo europeu teria se
conscientizado de tamanha crueldade que promoveram ao longo de mais
de 100 anos de dominação e passou a buscar a “descolonização” dessas
áreas. Em outras palavras, os europeus colonizaram e depois, eles
próprios, decidiram descolonizar.
É evidente que esse entendimento retira toda ação política feita pelos
africanos e asiáticos, desconsiderando todo o esforço que fizeram
através de mobilizações, manifestações, passeatas e luta armada. Esses
povos efetivamente lutaram pela sua liberdade e não a receberam de
bom grado dos europeus. Por isso, os cientistas sociais tem buscado
utilizar a expressão “independência Afro-asiática” no lugar de
descolonização. Essa simples mudança de conceito demonstra que
esses homens e mulheres não ficaram passivos no processo, como se
esperassem uma “luz divina europeia” para libertá-los. Pelo contrário.
Lutaram e guerrearam (literalmente) para alcançar a sua autonomia
política.
A conferência de Bandung (1955)
Conferência de Bandung é o nome com o qual ficou conhecido
historicamente o encontro ocorrido nesta cidade indonésia entre 18 e 24
de abril de 1955 e que reuniu os líderes de 29 estados asiáticos e
africanos. O objetivo era promover uma cooperação econômica e cultural
de perfil afro-asiático, buscando fazer frente ao que na época se percebia
como atitude neocolonialista das duas grandes potências, Estados
Unidos e União Soviética, bem como de outras nações influentes que
também exerciam o que consideravam imperialismo, ou seja, promoção
indiscriminada de seus próprios valores em detrimento dos valores
cultivados pelos povos em desenvolvimento.
Uma importante ideia saída desta conferência é a concepção de
Terceiro Mundo, além dos princípios básicos dos países não-alinhados,
o que se traduz em uma postura diplomática geopolítica de equidistância
das duas super-portências. Assim, a "inspiração" para a implementação
do movimento dos não-alinhados surge nesta conferência, sendo que sua
fundação se dará na Conferência de Belgrado de 1961.
A autodeterminação dos povos: Carta da ONU e Carta do
Atlântico
A autodeterminação dos povos é o princípio que garante a todo povo
de um país o direito de se autogovernar, realizar suas escolhas sem
intervenção externa, exercendo a sua soberania e o direito de determinar
o próprio estatuto político. Em outras palavras, é o direito que o povo de
determinado país tem de escolher como será legitimado o direito interno
sem influência de qualquer outro país.
No ano de 1941, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos aprovaram a Carta
do Atlântico, na qual constava o esse princípio que foi fundamental para
a expansão do desejo de autogoverno dos países africanos e asiáticos
durante a Guerra Fria. Além das diretrizes a serem seguidas pelas nações
no pós-guerra e definição de diversos princípios. Um ano depois, os
países que formavam o bloco dos Aliados também concordaram com o
conteúdo da mesma carta. No ano de 1945, vinte e seis nações
ratificaram as diretrizes ao assinarem a Carta da ONU ou a Declaração
das Nações Unidas. Após esse acordo entre os países, ao final da
Segunda Guerra Mundial, a autodeterminação dos povos tornou-se um
direito dentro dos âmbitos diplomáticos.
O Nacionalismo Afro-asiático
É no contexto do pós Segunda Guerra Mundial que algumas ideologias
libertárias ganham força nos continentes africano e asiático. São
exemplos dessas ideologias o Pan-Africanismo e o Pan-Arabismo.
Os principais idealizadores da teoria pan-africanista foram Edward
Burghardt Du Bois e Marcus Musiah Garvey. Pan-africanismo é o nome
dado a uma ideologia que acredita que a união dos povos de todos os
países do continente africano na luta contra o preconceito racial e os
problemas sociais é uma alternativa para tentar resolvê-los. A partir
dessa ideologia foi criada a Organização de Unidade Africana (1963),
que tem sido divulgada e apoiada, majoritariamente, por
afrodescendentes que vivem fora da África.
Dentre as propostas da ideologia está a estruturação social do
continente por meio de um remanejamento étnico na África, unindo
grupos separados e separando grupos rivais, por exemplo, tendo em vista
que isso aconteceu durante a divisão continental imposta pelos
colonizadores europeus. Além do resgate de práticas religiosas, como
culto aos ancestrais e o incentivo ao uso de línguas nativas,
anteriormente proibidas pelos colonizadores.
Quando o assunto é Pan-Arabismo destaca-se a figura do egípcio
Gamal Abdel Nasser. Era o principal articulador dessa ideologia. Ele
propunha a união de todos os países de maioria árabe-muçulmana, como
forma de fortalecer a cultura e a causa islâmica frente ao mundo
ocidental. Em função da identificação do Egito com o Islã, o país estava
mais próximo do Oriente Médio, do ponto de vista cultural e político, do
que dos países da África Negra. De qualquer forma, o pan-arabismo de
Nasser foi de grande importância para a causa pan-africanista, já que as
duas iniciativas tinham em comum a luta contra os interesses
estrangeiros em seus países.
Outra iniciativa importante para acelerar o processo de independência
foi a realização, em 1958, da 1ª Conferência dos Povos da África, em
Acra, capital de Gana. Na ocasião, os países fecharam um acordo de
ajuda mútua contra a Grã-Bretanha, França, Bélgica e Portugal. Àquela
altura, a independência do continente já estava em andamento. Em 56,
Marrocos e Tunísia, colônias da França, haviam conquistado a
independência.
Os diferentes processos de Independência
Causas gerais
- Enfraquecimento Europeu
- Disputas por áreas de influência na Guerra Fria
- Nacionalismos
- Incentivo à autodeterminação dos povos
Após a Segunda Guerra Mundial, chega ao fim o período em que as
principais potências econômicas do mundo buscavam assegurar seus
interesses econômicos por meio da exploração de regiões africanas e
asiáticas.
Além de contabilizar o enfraquecimento europeu, devemos ainda falar
sobre a situação dos EUA e da União Soviética após a Segunda Guerra.
Depois de 1945, essas duas nações se fortaleceram enormemente e
apresentavam condições de disputarem entre si as várias áreas de
influência econômica deixadas pela Europa. Contudo, ambas sabiam que
o conflito direto seria um preço alto demais a ser pago em um cenário
internacional desgastado por grandes agitações.
Não por acaso, temos o início da Guerra Fria, tempo em que norte-
americanos e soviéticos buscaram se aproximar dos governos
independentes que se formavam nas regiões antes dominadas pela
antiga política imperialista. Somente entre as décadas de 1950 e 1960,
mais de quarenta novos países surgiam no interior do território afro-
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asiático. Nesse meio tempo, EUA e URSS participaram direta ou
indiretamente dos conflitos que resolveriam o novo poder a ser instalado
em tais países.
Por fim, vale ressaltarque esses processos se deram de maneiras
diferentes, respeitando a especificidade de cada país. Aqui,
trabalharemos os casos mais recorrentes nas provas: Índia, África do Sul,
Israel, e a África portuguesa
Índia
Durante o século XIX iniciou-se um processo de caráter predatório
conhecido como Imperialismo. Esse movimento, impulsionado pelo
neocolonialismo, baseava-se na tentativa de exploração de recursos
naturais e implantação de mercado dos povos africanos e asiáticos pelos
países europeus. Vale ressaltar que França e Inglaterra foram os mais
beneficiados nesse processo, devido sua proeminência política no
contexto internacional do período.
No caso específico da Índia, a ocupação europeia existia desde o
período das Grandes Navegações dos séculos XV e XVI, quando os
portugueses aportaram no local para obter o controle das preciosas
especiarias orientais. Tempos depois, os holandeses também tiveram
interesse em explorar as riquezas no território.
Contudo, foram os ingleses que a partir do século XVIII dominaram de
forma efetiva a região a partir de uma concessão da rainha britânica
Elizabeth I. Ela permitiu que uma companhia de comércio privada
(Companhia das Índias Orientais) tivesse o monopólio da exploração dos
recursos da região. No ano de 1858 a própria coroa passou a ser a
gestora da Companhia, intensificando ainda mais sua atuação no
território indiano. Esse fato se relaciona com a expansão industrial
inglesa que intensificou sua exportação de tecidos para a Índia,
dificultando o desenvolvimento da indústria local e tomando conta do
mercado consumidor indiano.
A dominação inglesa na Índia era muito prejudicial a maior parte da
sociedade indiana. Isso porque a elite indiana era beneficiada pelos
comerciantes e banqueiros ingleses, além de receberem apoio da coroa
britânica para a manutenção do seu status quo.
Além disso, a Índia adotava um sistema rígido de hierarquização social
baseado no hinduísmo, uma das religiões predominantes no país,
conhecido como sistema de castas. Para agravar a situação, os hindus
dividiam o território com os muçulmanos, fato esse que muitas vezes
causava tensões, rivalidades e intolerância religiosa, impedindo uma
união dos indianos para combater a opressão britânica.
Com o advento da revolução industrial e ascensão da burguesia, a elite
indiana conseguiu enviar seus filhos para estudar nas escolas e
universidades britânicas. Depois de anos de estudos, muitos desses
filhos da aristocracia indiana retornam com ideias de liberdade e
independência. Insatisfeitos e cansados da dominação colonial inglesa,
os intelectuais fundam o Partido do Congresso em 1885.
Em 1919, a coroa britânica resolveu ampliar o poder administrativo dos
ingleses residentes na Índia e restringir a atuação de ministros e
conselheiros locais. Foi nesse contexto que figuras como Jawaharlal
Nehru e Mohandas Karamchand Gandhi ganharam proeminência
política.
Mais famoso, Mahatma (“grande alma”) Gandhi era de uma família de
comerciantes e se formou em Direito na Grã-Bretanha. Viajou até a África
do Sul e viu de perto o sistema de segregação racial conhecido como
Apartheid. Lá, começou a desenvolver as bases de algo que seria de vital
importância para a independência de seu país anos depois: a
desobediência civil. A ideia de Gandhi era promover uma resistência
pacífica, desobedecendo as normas e leis impostas pelos ingleses,
fazendo boicote dos seus produtos, greves de fome e ocupação de
praças públicas. Tudo isso sem lançar mão de medidas violentas.
O ápice da desobediência civil se deu no ano de 1930. Gandhi decidiu
marchar 400 quilômetros de Sabarmati Ashram a Dandi para pegar sal.
Isso porque a coroa britânica havia determinado que os ingleses teriam
o monopólio da extração, produção e comércio do produto. Ao longo da
caminhada milhares de pessoas passaram a seguir e acompanhar
Gandhi. Esse episódio ficou conhecido como a Marcha do Sal.
Estimativas apontam que cerca de 45 mil pessoas foram presas,
incluindo Gandhi. Na prisão Gandhi iniciou uma greve de fome em 1932
após ser informado de que a coroa britânica decidiu separar o sistema
eleitoral a partir do sistema de castas.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial o governo britânico já não
conseguia mais manter a mesma rigidez e controle social do país
asiático. Depois de muitas manifestações e reivindicações comandadas
por Nerhu e pelo Partido do Congresso, a Índia conseguiu sua
independência em 1947. Todavia, o país continuava dividido. As disputas
religiosas entre hindus e muçulmanos alavancaram muitos conflitos e
deixaram muitos rastros de sangue. Inclusive o de Gandhi. Em de janeiro
de 1948, ele realizou um jejum para unir hindus e muçulmanos. Em 30 de
janeiro, menos de duas semanas depois, Gandhi foi assassinado por um
extremista hindu que discordava da sua tentativa de unir as duas
religiões.
As divergências entre as duas religiões após a independência levaram
a fragmentação do território. Assim, a maioria hindu ficou com a Índia,
enquanto a minoria muçulmana formou um novo país em 1971, o
Paquistão. Contudo, esse novo território era separado por uma extensa
faixa de terra (algo próximo de 1600 km) que pertencia à Índia. A parte
oriental do Paquistão também pleiteou sua independência, adquirida no
mesmo ano de 1971. Desde então, o Paquistão Oriental passou a se
chamar Bangladesh, um país independente com maioria também
islâmica.
Israel
Os judeus foram expulsos da Palestina pelos romanos no século I da
Era Cristã e, durante séculos, sonharam com o retorno à “Terra
Prometida”. O Império Romano dominou essa área e, ao eliminar várias
rebeliões judaicas, destruiu o templo judaico em Jerusalém, matou uma
grande quantidade de judeus e forçou outros a deixarem a sua terra –
êxodo denominado diáspora. Nessa ocasião, o Império Romano mudou
o nome da região de Terra de Israel para Palestina. Alguns judeus
permaneceram na região, outros só retornaram nos séculos XIX e XX. No
século VII, a Palestina foi invadida pelos árabes muçulmanos.
Após a derrota do Império Otomano na 1ª Guerra Mundial, a Palestina
ficou sob o domínio dos ingleses, que se comprometeram a ajudar na
construção de um estado livre e independente para os judeus. Os
britânicos permitiram que os judeus comprassem terras na Palestina, e
essa maciça migração recebeu o nome de Sionismo, fazendo referência
à Colina de Sion, em Jerusalém. A partir desse episódio o movimento
sionista foi se expandindo, passando a representar inicialmente a defesa
da criação do Estado de Israel e nos dias de hoje os interesses desse
Estado. Com a realização do Primeiro Congresso Sionista, em 1897, os
sionistas marcaram seu nome na história.
No entanto, as áreas de assentamento de árabes – grupo étnico que
ocupava a região quando ocorreu a primeira onda sionista- e israelenses
(dois grupos de características étnicas e religiosas bastante distintas)
no mesmo território não foram delimitadas e os violentos conflitos
tiveram início.
Soma-se a isso o fato de que a constante perseguição aos judeus e o
massacre deste povo nos campos de concentração durante a 2ª Guerra
Mundial movimentou a comunidade internacional, que passou a apoiar
abertamente a criação de um Estado judaico. Vale ressaltar que esse
apoio advém das grandes potencias ocidentais, inclusive dos Estados
Unidos, principal aliado de Israel na região até os dias de hoje.
Em 1947, a recém-criada ONU (Organização das Nações Unidas)
estabeleceu a divisão do território palestino entre judeus (ocupariam 56%
das terras com seus 700 mil habitantes) e palestinos, que ocuparia o
restante do território. O Estado de Israel foi proclamado no ano seguinte.
Insatisfeitos, a Liga Árabe (Egito, Líbano, Jordânia, Síria e Iraque)
invadiu Israel, em 1948, com o objetivo de reconquistar o território,
iniciando a Guerra de Independência. Os israelenses saíram vitoriosos e
aumentaram a ocupação da área para 75%. Nesse mesmoperíodo, o
Egito assumiu o controle da Faixa de Gaza e a Jordânia criou a
Cisjordânia.
Após a Guerra de 48, ainda vieram vários outros conflitos, como crise
no Canal do Suez em 1956, quando o presidente egípcio Abdel Nasser
proibiu potências estrangeiras pró-Israel de utilizarem esse importante
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canal localizado no Egito; a Guerra dos Seis dias em 1967, que foi uma
forte ofensiva dos países árabes contra Israel que provocou uma derrota
gigantesca às forças árabes; A Guerra do Yom Kippur em 1973 quando
Síria e Egito atacaram Israel de surpresa no dia de comemoração
religiosa. A vitória de Israel foi assegurada ao final do ano, provocando a
ira árabe e a retaliação através da OPEP (Organização dos Países
Produtores de Petróleo) que decidiu aumentar o preço do barril do
petróleo causando o primeiro grande choque do petróleo. Vale lembrar
que os países membros da OPEP são majoritariamente árabes.
África do Sul
É importante relembrar que os territórios africanos – e americanos –
já eram habitados antes da chegada dos europeus. Os povos nativos
eram muitos e cada um tinha um sistema de organização e de crenças
rico, o que faz os estudos de períodos pré-coloniais interessantes e
relevantes. Entretanto, como mencionado, é impossível abordar toda a
história da África do Sul. Por conta disso, partiremos do período de
colonização, o qual impactou e ainda impacta o modo de vida sul-
africano.
Estima-se que o navegador português Bartolomeu Dias deu a volta no
Cabo da Boa Esperança em 1488. Já em 1497, Vasco da Gama teria
descoberto ser possível chegar à Índia contornando o sul da África. Na
época, o objetivo principal dos europeus, especialmente dos
portugueses, era buscar especiarias na Índia – como cravo, canela e noz-
moscada – para que fossem comercializadas na Europa. Por conta disso,
não houve ocupação do território africano em um primeiro momento. Só
no século XVII holandeses, alemães e franceses começaram a se
estabelecer na região. Essa ocupação ocorreu pelo fato de a Cidade do
Cabo ser um porto conveniente para quem fazia a rota Ocidente-Oriente.
Nesse momento, houve confronto entre holandeses e o povo Khoikhoi,
vencido pelos europeus, que estabeleceram colônias no local.
Quando os holandeses fecharam a Companhia das Índias, em 1795, os
ingleses tomaram controle da região do Cabo. Nesse processo, outra
tribo local – os Xhosa – foi violentamente expulsa. Além de ser um ponto
geográfico estratégico, os europeus descobriram minas de pedras
preciosas na África do Sul, como o diamante. Esse novo interesse levou
à expansão do território dominado pelos ingleses.
Tecnicamente, o período colonial na África do Sul acabou em 1910,
quando os ingleses fundaram a União da África do Sul. Diz-se
“tecnicamente” porque o território continuou sob o domínio do Império
Britânico. Em 1931, a União tornou-se independente da metrópole por
meio do Estatuto de Westminster. O documento, elaborado pelo
Parlamento do Reino Unido, concedeu aos seus domínios independentes
a posição de igualdade em relação a outros domínios do Império
Britânico e ao próprio Reino Unido.
Em 1961 aconteceu a proclamação da república e a saída da África do
Sul da Commonwealth. Essa decisão foi tomada em um referendo, no
qual só a comunidade branca do país votou, já que desde 1938 vigorava
o apartheid no país.
Apartheid significa “separação” em africâner, língua falada na África
do Sul cujas origens remetem ao idioma neerlandês, dos holandeses. O
Apartheid foi um sistema de segregação racial instituído na África do Sul
em 1948 pelas elites brancas que controlavam o país e sustentava-se no
mito da superioridade racial europeia. Baseando-se na crença de que os
brancos europeus eram superiores aos negros e outras etnias, os
brancos acreditavam que deveriam viver separados.
Entre os séculos XVII e XIX, o território sul-africano foi alvo de disputas
entre Holanda e o Reino Unido, interessados principalmente nas minas
de ouro e diamantes existentes na região. O país foi dominado
primeiramente pelos holandeses e posteriormente pelos britânicos, que
assumiram o poder na região em 1902, após vencer a Guerra dos Bôeres.
Foi em 1910 que Louis Botha, o então Primeiro-Ministro da União da
África do Sul, adotou as primeiras leis de segregação racial.
Entre as primeiras leis de segregação e a instituição do apartheid – que
transformou o racismo em lei – algumas normas foram adotadas e
contribuíram para a construção do que viria a ser um dos ordenamentos
jurídicos mais truculentos da humanidade. Native Land Act (1913):
determinou que apenas 7% do território sul-africano seria destinado aos
negros, que representavam 75% da população; Native Urban Act (1923):
restringia a instalação de negros e outras etnias em áreas consideradas
dos brancos; Immorality Act (1927): proibiu relações sexuais fora do
casamento entre brancos e não brancos.
Em 1948 o Partido Nacional vence as eleições utilizando o slogan
“Apartheid”. Isso significava que o grupo que estava assumindo o
controle tinha claras intenções de aprofundar a política de segregação
racial na região. Mas em um país de maioria negra, como foi possível
esse partido eleger-se? Como você talvez já tenha imaginado,
participavam das eleições apenas os brancos – os negros e as outras
etnias não descendentes de europeus não tinham o direito ao voto. É
nesse momento que o regime de segregação apartheid é oficialmente
adotado no país.
A principal organização política de representação dos negros e de
combate ao apartheid foi o Congresso Nacional Africano (CNA), fundado
em 1912. A princípio, o CNA adotava uma estratégia de resistência não
violenta e de diálogo. Em 1955, a organização publicou a Carta da
Liberdade, um documento que pedia o fim do regime racista e defendia
a distribuição da riqueza no país.
Nelson Mandela fazia parte de uma das alas mais radicais de
resistência dentro do CNA e, junto com outros colegas, acabou
assumindo o controle dessa organização. Tanto o CNA quanto outros
movimentos políticos anti-racistas foram postos na ilegalidade e em
1962 ele foi preso pela primeira vez por incentivar greves e viajar ao
exterior sem autorização. Em 1964, foi condenado à prisão perpétua por
participar de movimentos armados.
Em 1973, esse sistema de segregação racial foi condenado pela
Organização das Nações Unidas e no ano seguinte o país foi retirado da
Assembleia Geral. Essas medidas em nada mudaram a violência dentro
do país e alguns anos mais tarde aconteceria um dos mais violentos
episódios de repressão contra os negros. Em 1976, o chamado Levante
de Soweto, uma manifestação pacífica contra a inferioridade das escolas
de negros, foi repreendido violentamente pela polícia, levando à morte de
dezenas ou centenas de manifestantes – há divergências sobre esse
número.
A partir da década de 80 algumas legislações foram sendo abolidas e
o regime começa efetivamente a mudar em 1989, quando Frederik Klerk
assume a presidência do país. Em 1990 Klerk anuncia a legalização dos
partidos políticos banidos e liberta Nelson Mandela e centenas de outros
presos políticos. Livre e com seu partido na legalidade, Mandela pode
concorrer às eleições e vencedor, assume a presidência em 1994. Essas
foram as primeiras eleições nas quais os negros puderam participar.
Nesse mesmo ano foram realizadas as primeiras eleições multirraciais
da África do Sul – nas quais negros e brancos votaram –, acabando por
eleger Nelson Mandela, do partido Congresso Nacional Africano (CNA),
como presidente.
África Portuguesa
A Revolução dos Cravos foi o movimento que derrubou o regime
salazarista em Portugal, o regime fascista que persistiu até o no ano de
1974. Buscando estabelecer liberdades democráticas e com o intuito de
promover transformações sociais no país, o movimento derrubou a
ditadura de Antônio Miguel Salazar, que se estabeleceu no poder em
1926 após um golpe militar.Em 1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro-ministro das
finanças e ditador. Salazar instaurou então um regime inspirado no
fascismo italiano, cujas liberdades de reunião, de organização e de
expressão foram suprimidas com a Constituição de 1933. O movimento
representou aos portugueses: democratização, descolonização e
desenvolvimento.
Esse caos político em Portugal contribui para as colônias portuguesas
na África aproveitarem essa fragilidade para começar a clamar pela
independência. Pelo fato de Portugal ser o último país a manter colônias
no modelo imperialista desde o século XIX, essas independências são
classificadas como independências tardias. Os portugueses enfrentaram
os movimentos de libertação em diversas colônias como: Angola,
Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor
Leste.
HISTÓRIA MÓDULO 07
4
O caso angolano
Em 11 de novembro de 1975, Angola se torna independente de
Portugal. O novo governo revolucionário português iniciou negociações
com os três principais movimentos de libertação: o MPLA (Movimento
Popular de Libertação de Angola), liderado por Agostinho Neto, a Frente
Nacional de Libertação de Angola, chefiada por Holden Roberto e a
UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), liderada
por Jonas Savimbi, no período de transição e do processo de
implantação de um regime democrático em Angola e nos marcos dos
Acordos de Alvor de janeiro de 1975. independência de Angola não foi o
início da paz, e sim de uma guerra aberta. Muito antes do Dia da
Independência, quando Agostinho Neto exclamou, "diante de África e do
mundo proclamo a Independência de Angola”, culminando assim a
campanha independentista, iniciada em 4 de fevereiro de 1961, os três
grupos nacionalistas que tinham combatido o colonialismo português
lutavam entre si pelo controle do país, e em particular da capital, Luanda.
Cada um deles era apoiado por potências estrangeiras, dando ao conflito
uma dimensão internacional.
A União Soviética, e principalmente Cuba, apoiavam o MPLA, que
controlava a capital e algumas regiões da costa, em especial Lobito e
Benguela. Os cubanos não tardaram em desembarcar em Angola em 5
de outubro de 1975. A África do Sul do apartheid apoiava a UNITA, tendo
invadido Angola em 9 de agosto de 1975. A FNLA contava também com
o apoio da China, mercenários portugueses e ingleses e até da África do
Sul. Os Estados Unidos, que apoiaram inicialmente apenas a FNLA, não
tardaram a ajudar também a UNITA. Este apoio se manteve até 1993. A
sua estratégia foi durante muito tempo dividir Angola.
Em outubro de 1975, o transporte aéreo de quantidades enormes de
armas e soldados cubanos, organizado pelos soviéticos, mudou a
situação, favorecendo o MPLA. As tropas sul-africanas e zairenses
retiraram-se e o MPLA conseguiu formar um governo socialista uni-
partidário. Em 1976 as Nações Unidas reconheceram o governo do MPLA
como o legítimo representante de Angola, o que não foi seguido nem
pelos EUA, nem pela África do Sul.
Em 27 de maio de 1977, um grupo do MPLA, encabeçado por Nito Alves,
desencadeou um golpe de Estado que ficou conhecido como
“fraccionismo”, terminando num banho de sangue que se prolongou por
dois anos. Em dezembro, no rescaldo do golpe, o MPLA realizou o seu 1º
Congresso, onde se proclamou como sendo um partido marxista-
leninista, adotando o nome de MPLA-Partido do Trabalho. A UNITA e a
FNLA juntaram-se então contra o MPLA. Começou então uma guerra
longa e devastadora contra o governo do MPLA. A UNITA apresentava-se
como sendo antimarxista e pró-ocidental, mas tinha também raízes
regionais.]
O caso moçambicano
Fundada no exílio, o FRELIMO iniciou a luta armada pela libertação
nacional de Moçambique a partir de 1964. Sua estratégia era a criação
das “zonas libertadas”, áreas do território moçambicano fora do controle
da administração portuguesa. Assim, os revolucionários criavam seu
próprio sistema de administração, como se fosse um Estado dentro de
outro.
O combate propriamente dito foi lançado oficialmente em 25 de
Setembro de 1964, com o ataque ao posto administrativo de Chai, em
Cabo Delgado. O conflito contra as forças coloniais se expandiu para
outras províncias como Niassa e Tete e durou cerca de 10 anos. Assim
que as forças revolucionárias assumiam um território, elas estabeleciam
as zonas libertadas, para garantir bases seguras, abastecimento em
víveres e vias de comunicação.
A guerra findou-se com a assinatura dos “Acordos de Lusaka”, em
Setembro de 1974. Nesse período foi estabelecido um governo provisório
composto por representantes da FRELIMO e do governo português, até
que no dia 25 de Junho de 1975, foi proclamada oficialmente a
independência nacional de Moçambique.
Após a independência e com a saída “brusca” do aparato português, o
país começou a passar por sérias dificuldades para preencher os lugares
deixados pelos portugueses. Nessa época, Moçambique tinha uma
população com uma porcentagem de 90% de analfabetos, além disso,
empresas e bancos portugueses procederam ao repatriamento do ativo
e dos saldos existentes, criando assim um rombo na economia de
Moçambique.
Exercícios
1. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) conta
hoje com a adesão da maioria dos estados-nacionais. O conteúdo desse
documento, no entanto, permanece como um ideal a ser alcançado.
Observe o que está disposto em seu artigo XV:
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do
direito de mudar de nacionalidade.
portal.mj.gov.br
Desde a década de 1960, em virtude de conflitos, o direito expresso
nesse artigo vem sendo sonegado à maior parte da população
pertencente ao seguinte povo e respectivo recorte espacial:
a) árabe – regiões ocupadas pela Índia
b) esloveno – distritos anexados pela Sérvia
c) palestino – territórios controlados por Israel
d) afegão – províncias dominadas pelo Paquistão
2. O grafite é uma manifestação artística com múltiplas expressões,
dentre elas a crítica político-social, bastante presente nas obras de
Banksy, por exemplo. Em um evento na cidade de Belém, ao sul de
Jerusalém, Banksy e outros artistas grafitaram parte do muro que
envolve a Cisjordânia e seus arredores, tendo o contexto local como tema
comum, como ilustram as obras abaixo.
O lugar escolhido e as imagens grafitadas são evidências da oposição
do artista ao seguinte aspecto do conflito nessa região:
a) radicalismo de posições no embate de sistemas religiosos
b) assimetria de poder no processo de segregação territorial
c) ausência de legalidade no enfrentamento de forças militares
d) excesso de burocracia no encaminhamento de negociação
diplomática
3.
A variação da curva do gráfico entre os anos de 1950 e 1975 é explicada
pelo seguinte evento histórico:
HISTÓRIA MÓDULO 07
5
a) integração do bloco socialista
b) fragmentação do leste europeu
c) democratização latino-americana
d) descolonização asiático-africana
4. (Uerj 2010) Veja bem, este país, em seus dias de glória, parecia até
um zoológico. Um zoológico limpinho e bem arrumado. Todos tinham o
seu lugar e viviam felizes. Quem era chamado de halwai fazia doces.
Quem era chamado de criador de gado criava gado. Os intocáveis
limpavam latrina.
Até que, em 1947, quando os britânicos foram embora, todas as jaulas
foram abertas. Aí a lei da selva substituiu a lei do zoológico. Os mais
ferozes devoraram os demais e ficaram barrigudos.
Resumindo: antigamente havia mil castas e destinos na Índia. Hoje só há
duas castas: a dos homens barrigudos e a dos homens sem barriga.
ARAVIND ADIGA. Adaptado de O tigre branco. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2008.
O fragmento de texto acima faz referência a uma das transformações
ocorridas na Índia, a partir de 1947.
Essa transformação explicita a relaçãoentre as seguintes características
na sociedade indiana:
a) diversidade de etnias – liberdade de expressão
b) divisão do trabalho – hierarquização dos grupos
c) centralização do Estado – eliminação da censura
d) racionalização da produção – preservação das tradições
5. (Uerj 2006) A imagem acima focaliza manifestantes palestinos
protestando contra o assassinato do xeque Ahmed Yassin, destacado
líder palestino.
Um fator preponderante que deu origem às tensões e lutas entre
palestinos e israelenses é apresentado na seguinte alternativa:
a) diáspora palestina ocorrida a partir de 1945, acarretando a migração
de palestinos para os kibutzin israelenses
b) movimento sionista surgido a partir de 1917, definindo a Palestina
como o "lar nacional" de judeus e palestinos
c) fundação da Organização para a Libertação da Palestina na década de
1950, iniciando o processo de luta liderado por Yasser Arafat
d) partilha da Palestina aprovada pela Organização das Nações Unidas
na década de 1940, provocando rejeição pelos países árabes
6. (Uerj 2004)
Caricatura de Carlos Brito (http://www.uc.pt)
A política portuguesa na África, a partir dos anos 50, ao substituir o
conceito de colônia por "províncias ultramarinas", pretendia, sobretudo,
mostrar que o caso português era diferente da situação em que se
encontravam os domínios das restantes potências coloniais. Tal recurso,
no entanto, não impediu a organização de movimentos nacionais que
recorreram à guerrilha como arma de combate.
Um fator que contribuiu para a conclusão do processo de descolonização
na África portuguesa foi a:
a) Revolução dos Cravos
b) atuação da OTAN em Angola
c) Organização da Unidade Africana
d) imposição de sanções a Portugal pela ONU
7. (Uerj 2003) ISRAEL QUER PÔR ARGENTINOS EM TERRITÓRIOS
OCUPADOS POR PALESTINOS
O governo de Israel está aproveitando o momento de crise vivido na
Argentina para incentivar a imigração de argentinos membros da
comunidade judaica ao país.
No entanto, gera polêmica em Buenos Aires o fato de duas cidades
propostas para a fixação de argentinos estarem localizadas na
Cisjordânia e nas colinas de Golã, territórios que se encontram ocupados
por palestinos e têm sido palco de intensos conflitos nos últimos meses.
(SANDRINI, João. "Folha Online", 18/02/02.)
A intenção de Israel em localizar os estrangeiros justamente em áreas de
intenso conflito pode ser, do ponto de vista político, interpretada como:
a) resposta à emigração palestina nas terras mencionadas
b) tentativa de assentar mediadores para o conflito no local
c) estratégia de afirmação da presença judaica nas áreas contestadas
d) promoção de maior diversidade social em um espaço culturalmente
indefinido
8. (Uerj 2002) "(...) é de assustar o número de partidos que vêm se
formando e ganhando apoio popular em diversos países muçulmanos,
usando muitas vezes a violência para alcançar seus objetivos. A Argélia
e o Afeganistão são apenas os exemplos mais evidentes desta situação,
e a contínua existência de grupos fundamentalistas entre a população
palestina é prova da vitalidade de suas ideias.
Da mesma forma, Israel, hoje, vive as consequências do profundo
dissenso ideológico e cultural entre judeus seculares e
fundamentalistas. Acirrando um conflito que teve origem no próprio
momento de fundação do Estado, opostos à paz com os árabes e à
pluralidade política e religiosa, os judeus fundamentalistas são a maior
ameaça à consolidação da democracia em Israel.
(...) Isto muda completamente a situação com a qual israelenses e
árabes estavam acostumados a lidar há quase um século, quando o
inimigo era o vizinho. Agora, o inimigo está do lado de dentro."
(CRINBERG, Keila. In: REIS FILHO, D. e outros (org.). "O século XX: o tempo das
dúvidas". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.)
Segundo a ideia central deste texto, as dificuldades para a consolidação
da paz, neste momento, no Oriente Médio, estão relacionadas de forma
mais geral com:
a) permanência de divergências entre árabes e judeus
b) disputas internas no mundo muçulmano e em Israel
c) dissolução do fundamentalismo religioso na Argélia e no Afeganistão
d) enfrentamento entre os partidos da esquerda na Argélia e em Israel
9. (Uerj 1999) A charge a seguir, publicada antes das primeiras
negociações do processo de paz iniciado no final dos anos 70, retratava
a postura dos Estados Unidos em relação a seu apoio a Israel.
("Jornal do Brasil", 15/06/97)
HISTÓRIA MÓDULO 07
6
A oposição norte-americana de ajuda a Israel, desde sua criação em
1948, em oposição ao mundo árabe, é explicada pelo seguinte fato:
a) constituição de Israel como um estado democrático, situado num
território concedido aos palestinos pela ONU
b) situação estratégica de Israel como baluarte do ocidente, encravado
numa região de conflitos, como o Oriente Médio
c) desempenho de Israel como ponto de apoio para o mundo capitalista,
localizado numa área alinhada ao mundo comunista
d) formação de um Estado Livre Palestino como sustentáculo do mundo
árabe, num região pertencente, por direito, a Israel
10. (Uerj 1997) A África subsaariana conheceu, ao longo dos últimos
quarenta anos, trinta e três conflitos armados que fizeram no total mais
de sete milhões de mortos. Muitos desses conflitos foram provocados
por motivos étnico-regionais, como os massacres ocorridos em Ruanda
e no Burundi.
(Le Monde Diplomatique, maio/1993 - com adaptações.)
Das alternativas abaixo, aquela que identifica uma das raízes históricas
desses conflitos no continente africano é:
a) a chegada dos portugueses, que, em busca de homens para
escravização, extinguiram inúmeros reinos existentes
b) a Guerra Fria, que, ao provocar disputas entre EUA e URSS, transformou
a África num palco de guerras localizadas
c) o Imperialismo, que, ao agrupar as diferentes nacionalidades segundo
tradições e costumes, anulou direitos de conquista
d) o processo de descolonização, que, mantendo as mesmas fronteiras
do colonialismo europeu, desrespeitou as diferentes etnias e
nacionalidades
11. (Fuvest 2015) Examine a seguinte imagem, que foi inspirada pela
situação da Índia de 1946.
A leitura correta da imagem permite concluir que ela constitui uma crítica
a) à passividade da ONU e dos países do chamado Terceiro Mundo diante
do avanço do fundamentalismo hindu no sudeste asiático.
b) à oficialização da religião muçulmana na Índia, diante da qual seria
preferível sua manutenção como Estado cristão.
c) ao colonialismo britânico, metaforicamente representado por animais
ferozes prontos a destruir a liberdade do povo hindu.
d) aos políticos que, distanciados da realidade da maioria da população,
não seriam capazes de enfrentar os maiores desafios que se impunham
à união do país.
e) à desesperança do povo hindu, que deveria, não obstante as
dificuldades pelas quais passara durante anos de dominação britânica,
ser mais otimista.
12. Se, por um lado, a Guerra Fria significou a inexistência de um
conflito direto entre as superpotências, por outro, a disputa entre elas por
áreas de influência em todo o mundo deu-se de forma intensa. Uma
conferência internacional, que reuniu 29 nações africanas e asiáticas, em
1955, teve a intenção de ser uma alternativa à bipolarização mundial
entre os Estados Unidos e União Soviética. Esta conferência foi realizada
em
a) Bandung.
b) Teerã.
c) Yalta.
d) Pan Munjon.
e) Varsóvia.
13. (Unesp 2020) Dois fatores que contribuíram para os processos de
emancipação política na África e na Ásia no pós-Segunda Guerra Mundial
foram:
a) a defesa chinesa de uma política de neutralidade ante os conflitos
regionais e o fim da Guerra Fria, que opunha Estados Unidos e União
Soviética.
b) a partilha europeia do continente africano e a crise dopetróleo, que
obrigou os países ricos a negociar com lideranças políticas da África e
do Oriente Médio.
c) o nacionalismo de organizações civis dentro das colônias e o princípio
da autodeterminação dos povos, que era defendido pela ONU.
d) a crescente autossuficiência econômica dos países africanos e o
surgimento do pan-africanismo, que unificou as lutas no continente.
e) a ascensão econômica dos países do chamado Terceiro Mundo e a
ação vietcongue, que expulsou os colonizadores da Indochina francesa.
14. (G1 - cftmg 2020) O texto a seguir apresenta reformulações
curriculares na área de História produzidas pelo governo do Estado de
Israel, na década de 1970, quando já haviam decorrido intensos conflitos
com os países árabes.
Um estudo ainda superficial do curso de História revela que ele é feito
para enaltecer a história dos judeus e apresentá-la sob a melhor luz
possível, ao passo que a visão da história árabe é a tal ponto deturpada
que beira a mentira. A história árabe é apresentada como uma série de
revoluções, massacres e disputas intermináveis, de modo a obscurecer
as conquistas árabes. Do mesmo modo, o tempo dedicado à história
árabe é curto. No quinto ano, por exemplo, alunos de dez anos passam
dez horas (ou períodos) estudando os “hebreus” e somente cinco a
“Península Arábica”. E, mesmo quando estudam a Península Arábica, sua
atenção é atraída para as comunidades judaicas, como estipulado no
programa. [...]
JIRYIS, S. The Arabs in Israel. Trad. Inea Englet. New York: Monthly Review Press,
1976, p. 210-2 Apud SAID, Edward. A Questão da Palestina. São Paulo: Editora
Unesp, 2012, p. 147.
Nesse contexto, o ensino de História em Israel assumiu o papel de
a) promover sentimento de pertencimento e lealdade por meio da
educação.
b) valorizar conteúdos que abordassem a diversidade religiosa presente
na região.
c) desenvolver uma consciência que favorecia o isolamento dos
israelenses no território.
d) utilizar a educação como ferramenta de assimilação das diferenças
entre árabes e palestinos.
HISTÓRIA MÓDULO 07
7
15. (Famema 2019) Os anos de 1945 a 1960 foram marcados pela
explosão do sentimento nacional nas dezenas de países da Ásia, da
África e do Oriente Médio. É na modificação das relações de força no
seio de cada colônia ou em cada grupo de colônias que se devem
procurar as causas do enfraquecimento do velho sistema de dominação.
Nenhum movimento de libertação nacional podia esperar a vitória se não
contasse com o apoio total de sua população.
Uma das consequências da Segunda Guerra Mundial foi o
enfraquecimento da Europa e a emergência de duas grandes potências:
a União Soviética e os Estados Unidos da América. As duas tomaram
posições anticolonialistas.
(Carlos Serrano e Kabengele Munanga. A revolta dos colonizados, 1995.
Adaptado.)
De acordo com o excerto, esses movimentos de independência
conjugavam
a) a unificação política das colônias e a ascensão de partidos
comunistas.
b) a conscientização dos povos coloniais e as tensões da Guerra Fria.
c) o pacifismo nas colônias e o desenvolvimento dos países capitalistas.
d) a ação de elites coloniais e os confrontos militares entre as
superpotências.
e) o nacionalismo dos dominados e a hegemonia das potências
europeias.
16. (Uece 2019) A crise do Canal de Suez se iniciou em julho de 1956
quando o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser nacionalizou o canal, a
única ligação entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho e principal via para
transporte de petróleo dos países árabes para a Europa. Além da perda
econômica muito significativa para a França e a Inglaterra, a crise de
Suez demonstrou de modo definitivo
a) a força da manobra de motivação colonialista junto aos EUA.
b) o fim da hegemonia colonial europeia no mundo.
c) a união com vistas a reforçar o colonialismo europeu nos países
árabes.
d) um desestímulo aos movimentos de independência nas possessões
coloniais francesas.
17. (Uerj simulado 2019)
De acordo com o mapa, a maior concentração de processos de
descolonização na África, em determinados períodos, está relacionada à
seguinte conjuntura histórica:
a) hegemonia das políticas norte americanas
b) bipolaridade das relações internacionais
c) globalização das economias regionais
d) crise das metrópoles europeias
18. (G1 - ifpe 2019) MARCHA DO SAL
Quando a escolha de Gandhi de protestar pelo sal foi anunciada, jornais
da Índia Colonial trataram o assunto com um tom cômico e até mesmo o
vice-rei, lorde Irwin, escreveu: “No momento, a perspectiva de uma
campanha de sal não me mantém acordado à noite”.
Entretanto, o líder da marcha tinha uma visão diferente sobre o produto:
entendia que o item, por ser de uso diário, poderia afetar todas as classes
de cidadãos, e declarou que “ao lado do ar e da água, o sal talvez seja a
maior necessidade da vida”. Ao observar a dimensão do ato, as
autoridades perceberam o poder do alimento como o símbolo principal.
Disponível em:
<https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/marcha-do-sal-ha-
89-anos-gandhi-liderava-uma-multidao-para-um-ato-de-desobediencia-civil-nao-
violenta.phtml>. Acesso em: 09 maio 2019 (adaptado).
De acordo com o TEXTO 11, a afirmação do vice-rei inglês, lorde Irwin,
contrapõe-se à declaração do líder indiano Mahatma Gandhi. No
momento em que suas reflexões foram elaboradas, a Marcha do Sal
representava para Irwin e Gandhi, respectivamente,
a) um conflito entre etnias indianas rivais e uma oposição à dominação
inglesa.
b) um acontecimento minúsculo e um combate aos efeitos da
globalização na Índia.
c) um movimento inexpressivo e uma luta contra o monopólio
imperialista inglês.
d) uma disputa de minorias religiosas e uma defesa pela descolonização
indiana.
e) uma contestação separatista tribal e um ataque ao neoliberalismo
britânico.
19. (G1 - ifpe 2019) Nossa luta é contra privações reais e não privações
imaginárias. Lutamos, basicamente, contra duas marcas características
da vida africana na África do Sul defendidas por uma constituição que
buscamos abolir. Essas marcas são a pobreza e a ausência de dignidade
humana.
MANDELA, Nelson. In: BENSON, Mary. Nelson Mandela: o homem e o movimento.
Rio de Janeiro: Brasiliense, 1987. p. 168 (adaptado).
O texto acima contém um fragmento escrito por Nelson Mandela, que,
como advogado, elaborou sua própria defesa perante um tribunal que o
acusava de subversão. A luta de Mandela pela independência sul-
africana está associada
a) à oposição ao macarthismo, perseguição aos comunistas.
b) ao fim do apartheid, regime de segregação.
c) ao combate aos gulags, campos de trabalhos forçados.
d) à aplicação do foquismo, teoria revolucionária.
e) ao ataque à satyagraha, princípio de não violência.
20. (Usf 2018) A Carta das Nações Unidas, assinada em 1945,
reconhecia o direito dos povos, que habitavam “territórios sem governo
próprio”, à autonomia política. As metrópoles teriam a obrigação de
tomar medidas para que esses direitos se efetivassem, respeitando as
identidades culturais desses povos o que facilitaria a descolonização
afro-asiática.
NAPOLITANO, Marcos e VILLAÇA, Mariana. História para o Ensino Médio: volume
único. São Paulo: Atual 2013, p. 688 (Adaptado).
A respeito do contexto histórico mencionado, é correto afirmar que
a) os Estados Unidos e a União soviética estimularam a independência
das colônias, objetivando aumentar sua influência política e econômica,
antes exclusiva das metrópoles da Europa ocidental.
b) a independência da Índia ocorreu embalada pelas pregações de
Ghandi, que conseguiu reunir os povos indianos em um único partido,
concorrendo para uma emancipação de forma pacífica, sem perder a
unidade religiosa.
c) a Conferência de Bandung reuniu 29 nações afro-asiáticas, que
decidiram peloalinhamento automático com os Estados Unidos, e a
discussão sobre as formas de superar a pobreza e de combater o
racismo.
HISTÓRIA MÓDULO 07
8
d) as colônias portuguesas do continente africano foram pioneiras no
processo de descolonização, pois conquistaram sua independência na
primeira metade do século XX, apoiadas militarmente por Antônio de
Oliveira Salazar.
e) a independência da Argélia, também conhecida como Revolução de
Veludo, ocorreu de forma pacífica, no momento em que o presidente
Charles de Gaulle retirou as tropas e reconheceu a independência.
21. (Espm 2018) Depois do período de transição, em 11 de novembro de
1975, o MPLA, sob a direção de Agostinho Neto, proclamou a inde-
pendência, reconhecida pelo governo português.
A primeira guerra de independência estava terminada. Mas a
continuidade das divisões internas logo transformou-se em uma segunda
guerra civil, disputada entre MPLA e UNITA. Esta contou com a partici-
pação direta dos EUA e da África do Sul. Quanto ao MPLA, teve apoio
logístico e humano da URSS, da China e sobretudo de Cuba.
(Leila Hernandez. A África na sala de aula)
O texto faz menção à independência de:
a) Angola;
b) Moçambique;
c) Guiné-Bissau;
d) Cabo Verde;
e) Argélia.
22. (G1 - ifpe 2018) TUTSIS E HUTUS
Ruanda e Burundi são dois países vizinhos, habitados por duas etnias
historicamente rivais: os tutsis e os hutus. No século XIX, a região foi
colonizada pelos alemães, e os tutsis, que eram minoria, ganharam
status de elite privilegiada, com acesso às Forças Armadas, à educação
e à administração colonial. Após a derrota da Alemanha na Primeira
Guerra Mundial, esses territórios passaram para o domínio belga, que
fomentou a criação de uma elite hutu.
Ruanda tornou-se uma república governada pelos hutus; Burundi, uma
monarquia tutsi. Os dois países se tornaram independentes em 1962.
Perseguidos em Ruanda, os tutsis se refugiavam no Burundi. Com a
derrubada da monarquia em 1965, Burundi também se tornou uma
república, ainda sob o poder dos tutsis.
A rivalidade entre os dois povos atingiu o apogeu na década de 1990. Em
abril de 1994, os presidentes de Ruanda e de Burundi – ambos da etnia
hutu – morreram na queda do avião em que viajavam. A suspeita de que
o acidente tenha sido provocado por um atentado aumentou a tensão,
levando o conflito entre hutus e tutsis a assumir proporções
devastadoras. Em Ruanda, 800 mil tutsis foram mortos entre abril e julho
de 1994; outros 2,3 milhões refugiaram-se em países vizinhos.
AZEVEDO, Gislaine; SERIACOPI, Reinaldo. História: passado e presente. São Paulo:
Ática, 2016. Vol. 3. p. 160.
A partir de seus conhecimentos a respeito dos processos de
descolonização no continente africano, é possível afirmar que o texto
aborda
a) o acirramento de conflitos étnicos pelo jogo de interesses das
potências imperialistas europeias, que arbitrariamente definiram linhas
de fronteiras durante a colonização.
b) o genocídio praticado pelas nações europeias contra os grupos
étnicos africanos que se rebelaram em prol da independência de seus
países.
c) a rivalidade entre duas nações que conviveram em harmonia durante
o período de dominação europeia e que passaram a disputar o poder
após suas independências.
d) o desenvolvimento de movimentos nacionalistas separatistas, do
ponto de vista externo, e unificadores, sob a ótica interna.
e) o crescimento do número de refugiados em países africanos,
provocado por guerras civis estabelecidas entre grupos étnicos
diferentes, sem relação com a conjuntura europeia.
23. (Ufjf-pism 3 2018) A imagem abaixo corresponde à entrada do Museu
do Apartheid, localizado em Johanesburgo, na África do Sul. Esta entrada
é dividida em duas portas. Sobre uma das portas, se lê a placa “Brancos”,
enquanto sobre a outra se lê a placa “Não brancos”.
Sobre o Apartheid, implantado oficialmente na África do Sul em 1948, é
CORRETO afirmar:
a) apesar de algumas restrições, o Apartheid manteve em funcionamento
um sistema democrático aberto para toda a população.
b) como decorrência das derrotas das forças de oposição ao regime, o
Apartheid permanece até os dias atuais como política oficial do governo
sul-africano.
c) pelo fato de o Apartheid ter deixado marcas profundas na sociedade
sul-africana, diversos setores buscaram constituir formas de rememorar
aquele período.
d) se conformou como um regime político que contribuiu para a
aproximação entre os europeus e os sul africanos, possibilitando a
convivência pacífica em locais públicos e privados.
e) se configurou como uma exceção no século XX, permanecendo como
o único regime político de segregação racial existente entre os países
ocidentais.
24. (Ufpr 2017) Considere o seguinte trecho do discurso de Nehru
durante a conferência de Bandung em 1955:
Hoje, no mundo, devo sugerir, não somente por causa da presença
desses dois colossos, mas também em função da chegada da era
atômica e da bomba de hidrogênio, os próprios conceitos de guerra, de
paz, de política, mudaram. Pensamos e agimos nos termos da era
passada. [...] Agora não faz diferença se um país é mais poderoso do que
outro no uso da bomba atômica ou da de hidrogênio. Um é mais poderoso
em sua ruína do que o outro. Isso quer dizer que o ponto de saturação foi
alcançado. Se um país é poderoso, o outro também é […]. Se há agressão
em algum lugar do mundo, isso é o limite que resulta em guerra mundial.
Não importa de onde parta a agressão. Se um comete agressão, há
guerra mundial.
(Tradução de trecho do discurso do Primeiro-Ministro indiano Nehru na
Conferência de Bandung. Disponível em:
<http://sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1955nehru-bandung2.html>.
Acesso: 30 de agosto de 2016.)
Na conferência realizada em Bandung, na Indonésia, de 18 a 24 de abril
de 1955, os países afro-asiáticos participantes acordaram uma série de
medidas políticas, econômicas e culturais. De acordo com esse trecho e
com os conhecimentos sobre o período de descolonização afro-asiática,
assinale a alternativa que apresenta alguns acordos resultantes desse
encontro.
HISTÓRIA MÓDULO 07
9
a) A conferência condenou o racismo e o colonialismo como formas de
opressão que atentam contra os direitos humanos contidos na carta das
Nações Unidas; defendeu a autodeterminação dos povos e uma política
de não alinhamento perante a polarização que enfrentava o mundo pós-
guerra.
b) A conferência manteve uma política de não alinhamento perante o
conflito da Palestina, assim como exigiu a participação de cada nação
em um dos blocos em formação durante o período como forma de sair
do subdesenvolvimento e da dependência.
c) A conferência acordou respeitar as políticas de direitos humanos de
cada país mediante um acordo de não interferência e de não
alinhamento, garantindo a autodeterminação política e econômica dos
blocos em formação.
d) Cada país participante manifestou sua orientação política em relação
aos blocos em formação, exigindo o respeito a suas diferenças culturais
e à preferência em relação ao modelo de desenvolvimento econômico
que cada um escolheu. Tudo isso foi possível pelo acordo de não
alinhamento assinado por todos.
e) Para a conferência, os acordos de intercâmbio econômico e cultural
foram prioritários na perspectiva de sair da dependência e promover a
autodeterminação política.
25. Preto e branco a cores
Destino a minha vida
Minha luta pela liberdade (...)
Eu tenho raça e a cada farsa, a cada horror
O meu empenho, meu braço, meu valor (...)
O nosso herói Mandela éSenhor da fé, clamou o povo
E o tigre encontra no leão
A maior inspiração de um mundo novo (...)
Liberdade pelo amor de DeusLiberdade a este céu azul
É minha terra, orgulho meu
Porto da Pedra canta a África do Sul
escola de Samba do Porto da Pedra, RJ
A letra do samba-enredo homenageia Nelson Mandela,líder da luta
vitoriosa contra o regime de apartheid na África do Sul. Porém, tal como
no caso da escravidão brasileira, as conseqüências do longo período de
segregação não se deixaram apagar com facilidade.
O elemento que identifica corretamente uma herança importante desses
dois regimes do passado, ainda presente nas formações sociais de
ambos os países, é:
a) desigualdade de renda
b) legislação discriminatória
c) exclusão cultural das minorias
d) ausência de representação política
Gabarito
1. C
2. B
3. D
4. B
5. D
6. A
7. C
8. B
9. B
10. D
11. D
12. A
13. C
14. A
15. B
16. B
17. D
18. C
19. B
20. A
21. A
22. A
23. C
24. A
25. A