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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Anna Cabral 
@profannacabral 
Ruth Guimarães - Àgua Funda. 
 
estretegiavestibulares.com.br vestibulares.estrategia.com 
Literárias 
Exasi
u 
PDF DE ANÁLISE 
Obras 
Exasiu 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 2 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 3 
1. ÁGUA FUNDA ............................................................................................................ 3 
1.1. ...........................................................................................................A história por trás
 4 
A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que ......... 12 
5. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES.................................................................... 17 
2. O LIVRO................................................................................................................... 18 
3. RELAÇÃO ENTRE OS MOVIMENTOS LITERÁRIOS .................................................. 19 
4. CAI NA PROVA ........................................................................................................ 21 
5. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES.................................................................... 31 
5.1. GABARITO .................................................................................................................. 31 
6. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES RESOLVIDAS E COMENTADAS .................. 31 
A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que .... Erro! 
Indicador não definido. 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 44 
8. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 45 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 3 
INTRODUÇÃO 
Fala, Maravitop! 
Para entendermos uma obra literária é preciso saber o que se passa em tal 
época, afinal as obras, sejam quais forem, são um retrato da realidade vivida. 
Então vamos lá! 
Ruth Guimarães faz parte da literatura modernista, mais especificamente da 
geração de 45, composta por nomes como Graciliano Ramos e Jorge Amado. 
Dessa forma, aproxima-se da renovação da linguagem poética, a partir da 
consciência sobre o a importância da denúncia da escrita, o que garante ao leitor 
um eu lírico que nasce do enfrentamento de desafios. Logo, podemos esperar da 
obra algumas características que são intrínsecas ao movimento de 30, tais como: 
um olhar crítico sobre a realidade social, a preocupação com o fazer poético, a 
construção lúcida e objetiva dos textos e a reflexão sobre o povo brasileiro. 
Meu povo, é preciso ter o entendimento de que uma obra literária sempre irá 
refletir as perspectivas da realidade na qual o autor estava inserido, uma vez que 
a arte, por vezes, é uma representação verossímil da atual sociedade. Assim, como 
o livro foi escrito e publicado em meados dos anos de 1940 e 1950, temos indícios 
de uma linguagem mais trabalhada, ou seja, é possível observar o cuidado 
realizado pela autora para a escrita do seu livro, o que lhe garantiu a alcunha de 
“mulher reacionista”, é possível observar o olhar crítico para a realidade social, o 
que garante uma leitura fluida com reflexões sobre a sociedade brasileira. 
Veremos agora, com a análise dessa obra, ÁGUA FUNDA! 
 
 
1. Água Funda 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 4 
1.1. A história por trás 
É de suma importância ressaltar os ocorridos que o Brasil passou na década 
de 40 e 50 e em diversos momentos. Em 1942, o Brasil vivia um período marcado 
por acontecimentos significativos relacionados à Segunda Guerra Mundial. O 
governo de Getúlio Vargas, que estava no poder desde 1930, enfrentava desafios 
políticos e econômicos. Nesse contexto, Vargas buscava manter uma política de 
neutralidade em relação ao conflito, mas, em 1942, rompeu relações diplomáticas 
com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e alinhou-se aos Aliados. 
A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças 
importantes, como a necessidade de reorganização econômica para apoiar os 
esforços de guerra. O país experimentou transformações na indústria e na 
infraestrutura, buscando se modernizar para atender às demandas internas e 
externas. 
O contexto histórico do Brasil em 1942 também envolveu questões sociais e 
culturais, marcadas por desigualdades e tensões. Nesse período, a população 
enfrentava desafios ligados ao desenvolvimento econômico, urbanização e 
migrações internas. 
Ao relacionar esse contexto com o enredo do livro "Água Funda" de Ruth 
Guimarães, é importante considerar que a autora aborda questões sociais e 
culturais, explorando a vida no Estado baiano e as relações entre diferentes grupos 
étnicos e sociais. O livro apresenta um olhar sensível sobre a diversidade cultural 
e as transformações que ocorrem na sociedade. A protagonista, Anastácia, 
enfrenta desafios e vivencia experiências que refletem as complexidades do Brasil 
da época. 
Além disso, "Água Funda" é conhecido por ser um dos primeiros romances 
de temática afro-brasileira, explorando a identidade e as questões raciais no 
contexto da sociedade brasileira da primeira metade do século XX. A obra de Ruth 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 5 
Guimarães contribui para a compreensão da diversidade cultural e das dinâmicas 
sociais do Brasil na época de 1942. 
 
 
 
VEJA NA OBRA 
[...] Ao vento que por suas folhas, 
De navalha a navalha, soa 
Vento que o dia e a noite toda 
O folheia, e nele se esfola. 
 
Mas, Anna, nos fala o porquê de você estar falando isso? 
Maravitop, olha a nossa volta e veja que até hoje as regiões Norte e 
Nordeste sofrem com a discriminação social, étnica e racial, o que reflete 
diretamente em suas sociedades. Percebe que MUITO dos que lemos nas 
obras de autores modernistas, românticos e contemporâneos (claro), refletem 
o que vivemos hoje? Com isso, é possível dizer que a história está se 
repetindo, e que o conteúdo das artes será o mesmo, porém com data 
atualizada. É preciso que tomemos atitudes passíveis de mudança benigna 
para a sociedade. 
 
CAI NA PROVA 
1. (ENEM MEC/1999) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 6 
Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função 
de seus textos: 
"Falo somente com o que falo: a linguagem enxuta, contato denso; Falo somente 
do que falo: a vida seca, áspera e clara do sertão; Falo somente por quem falo: o 
homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua. Falo somente para 
quem falo: para os que precisam ser alertados para a situação da miséria no 
Nordeste." 
Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário, 
a) A linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato 
social para determinados leitores. 
b) A linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser 
imparcial para que seu texto seja lido. 
c) O escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da 
perspectiva do leitor. 
d) A linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato 
social para todos os leitores. 
e) A linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor 
para convencer o leitor. 
 
2. (ENEM MEC) 
TEXTO I 
O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, 
que é santo de romaria, deram então de me chamarSeverino de Maria; como 
há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do 
finado Zacarias, mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa 
de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta 
sesmaria. Como então dizer quem fala ora a vossas senhorias? 
MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1994 (fragmento) 
TEXTO II 
João Cabral, que já emprestara sua voz ao rio, transfere-a, aqui, ao retirante 
Severino, que, como o Capibaribe, também segue no caminho do Recife. A 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 7 
autoapresentação do personagem, na fala inicial do texto, nos mostra um 
Severino que, quanto mais se define, menos se individualiza, pois seus traços 
biográficos são sempre partilhados por outros homens. 
SECCHIN, A. C. João Cabral: a poesia do menos. Rio de Janeiro, Topbooks, 
1999 (fragmentos) 
Com base no trecho de Morte e Vida Severina (Texto I) e na análise crítica 
(Texto II), observa-se que a relação entre o texto poético e o contexto social a 
que ele faz referência aponta para um problema social expresso literariamente 
pela pergunta: "Como então dizer quem fala / ora a vossas senhorias?". A 
resposta à pergunta expressa no poema é dada por meio da 
a) Descrição minuciosa dos traços biográficos do personagem-narrador. 
b) Construção da figura do retirante nordestino com um homem resignado com 
a sua situação. 
c) Representação, na figura do personagem-narrador, de outros Severinos que 
compartilham sua condição. 
d) Apresentação do personagem-narrador como uma projeção do próprio 
poeta em sua crise existencial. 
e) Descrição de Severino, que, apesar de humilde, orgulha-se de ser 
descendente do coronel Zacarias. 
 
3. (ENEM MEC/2017) 
Dois parlamentos 
Nestes cemitérios gerais 
não há morte pessoal. 
Nenhum morto se viu 
com modelo seu, especial. 
Vão todos com a morte padrão, 
em série fabricada. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 8 
Morte que não se escolhe 
e aqui é fornecida de graça. 
Que acaba sempre por se impor 
sobre a que já medrasse. 
Vence a que, mais pessoal, 
alguém já trouxesse na carne. 
Mas afinal tem suas vantagens 
esta morte em série. 
Faz defuntos funcionais, 
próprios a uma terra sem vermes. 
MELO NETO, J. C. Serial e antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 
(fragmento). 
A lida do sertanejo com suas adversidades constitui um viés temático muito 
presente em João Cabral de Melo Neto. No fragmento em destaque, essa 
abordagem ressalta o(a) 
a) inutilidade de divisão social e hierárquica após a morte. 
b) nivelamento do anonimato imposto pela miséria na morte. 
c) aspecto desumano dos cemitérios da população carente. 
d) indiferença do sertanejo com a ausência de seus próximos. 
e) tom de ironia para com a fragilidade dos corpos e da terra. 
4. (UEPB) 
“(...) Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces 
secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, 
pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? (...)” 
Carlos Drummond de Andrade, Procura da Poesia 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 9 
“(...) E as vinte palavras recolhidas nas águas salgadas do poeta e de que 
servirá o poeta na sua máquina útil. Vinte palavras sempre as mesmas de 
que conhece o funcionamento a evaporação, a densidade menor que a do 
ar.” 
João Cabral de Melo Neto, A lição de Poesia 
As estrofes destacadas revelam que, para Drummond e João Cabral, a 
criação poética centra-se no (a): 
a) Tratamento estético dado à matéria- prima da poesia: a palavra. 
b) Inspiração. 
c) Nos aspectos formais do poema: metro, ritmo e rima. 
d) Na desmontagem da palavra, ao gosto dos concretistas. 
e) Na dissociação entre signcificante e significado. 
5- (ENEM MEC/2016) 
 
Antiode 
Poesia,não será esse 
o sentido em que 
ainda te escrevo: 
flor! (Te escrevo: 
flor! Não uma 
flor, nem aquela 
flor-virtude — em 
disfarçados urinóis). 
Flor é a palavra 
flor; verso inscrito 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 10 
no verso, como as 
manhãs no tempo. 
Flor é o salto 
da ave para o voo: 
o salto fora do sono 
quando teu tecido 
se rompe; é uma explosão 
posta a funcionar, 
como uma máquina, 
uma jarra de flores. 
(MELO NETO, J.C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
1997) 
A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, 
sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo 
Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de 
(A) uma palavra, a partir de imagens com as quais ela pode ser comparada, a fim 
de assumir novos significados. 
(B) um urinol, uma referência às artes visuais ligadas às vanguardas do início do 
século XX. 
(C) uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma imagem historicamente 
ligada à palavra poética. 
(D) uma máquina, levando em consideração a relevância do discurso técnico-
científico pós-Revolução Industrial. 
(E) um tecido, visto que sua composição depende de elementos intrínsecos ao 
eu lírico. 
6. (ENEM MEC/2009) 
Canção amiga 
Eu preparo uma canção, 
em que minha mãe se reconheça 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 11 
todas as mães se reconheçam 
e que fale como dois olhos. 
[...] 
Aprendi novas palavras 
E tornei outras mais belas. 
Eu preparo uma canção 
que faça acordar os homens 
e adormecer as crianças. 
ANDRADE, C. D. Novos Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (fragmento) 
A linguagem do fragmento acima foi empregada pelo autor com o objetivo 
principal de 
a) transmitir informações, fazer referência a acontecimentos observados no 
mundo exterior. 
b) envolver, persuadir o interlocutor, nesse caso, o leitor, em um forte apelo à sua 
sensibilidade. 
c) realçar os sentimentos do eu lírico, suas sensações, reflexões e opiniões frente 
ao mundo real. 
d) destacar o processo de construção de seu poema, ao falar sobre o papel da 
própria linguagem e do poeta. 
e) manter eficiente o contato comunicativo entre o emissor da mensagem, de um 
lado, e o receptor, de outro. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 12 
7. (ENEM MEC/2017) 
Fim de semana no parque 
Olha o meu povo nas favelas e vai perceber 
Daqui eu vejo uma caranga do ano 
Toda equipada e o tiozinho guiando 
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque 
Eufóricos brinquedos eletrônicos 
Automaticamente eu imagino 
A molecada lá da área como é que tá 
Provavelmente correndo pra lá e pra cá 
Jogando bola descalços nas ruas de terra 
É, brincam do jeito que dá 
[…] 
Olha só aquele clube, que da hora 
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha 
Olha quanta gente 
Tem sorveteria, cinema, piscina quente 
[…] 
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo 
Pra molecada frequentar nenhum incentivo 
O investimento no lazer é muito escasso 
O centro comunitário é um fracasso 
RACIONAIS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 
(fragmento) 
A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços 
de lazer que 
a) retrata a ausência de opções de lazer para a população de baixa renda, por 
falta de espaço adequado. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 13 
b) ressalta a irrelevância das opções de lazer para diferentes classes sociais, que 
o acessam à sua maneira. 
 
 
c) expressa o desinteresse das classes sociais menos favorecidas 
economicamente pelas atividades de lazer. 
d) implica condições desiguais de acesso ao lazer, pela falta de infraestrutura e 
investimentos em equipamentos. 
 
e) aponta para o predomínio do lazer contemplativo, nas classesfavorecidas 
economicamente; e do prático, nas menos favorecidas. 
 
8. (ENEM MEC/2012/2ª Aplicação) 
TEXTO I 
A canção do africano 
Lá na úmida senzala, 
Sentado na estreita sala, 
Junto ao braseiro, no chão, entoa o escravo o seu canto, 
E ao cantar correm-lhe em pranto 
Saudades do seu torrão... 
De um lado, uma negra escrava 
Os olhos no filho crava, 
Que tem no colo a embalar... 
E à meia-voz lá responde 
Ao canto, e o filhinho esconde, 
Talvez p’ra não o escutar! 
“Minha terra é lá bem longe, 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 14 
Das bandas de onde o sol vem; 
Esta terra é mais bonita, 
Mas à outra eu quero bem.” 
(ALVES, C. Poesias completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995) 
 
TEXTO II 
No caso da Literatura Brasileira, se é verdade que prevalecem as reformas 
radicais, elas têm acontecido mais no âmbito de movimentos literários do que de 
gerações literárias. A poesia de Castro Alves em relação à de Gonçalves Dias 
não é a de negação radical, mas de superação, dentro do mesmo espírito 
romântico. 
(MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003) 
O fragmento do poema de Castro Alves exemplifica a afirmação de João Cabral 
de Melo Neto porque: 
a) mantém o canto saudosista da terra pátria, mas renova o tema amoroso. 
b) inova na abordagem de aspecto social, mas mantém a visão lírica da terra 
pátria. 
c) exalta o nacionalismo, embora lhe imprima um fundo ideológico retórico. 
d) explora a subjetividade do eu lírico, ainda que tematize a injustiça social. 
e) canta a paisagem local, no entanto, defende ideais do liberalismo. 
9. (ENEM MEC/2017/ 2ª Aplicação) 
Sou um homem comum 
brasileiro, maior, casado, reservista, 
e não vejo na vida, amigo 
nenhum sentido, senão 
lutarmos juntos por um mundo melhor. 
Poeta fui de rápido destino 
Mas a poesia é rara e não comove 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 15 
nem move o pau de arara. 
Quero, por isso, falar com você 
de homem para homem, 
apoiar-me em você 
oferecer-lhe meu braço 
que o tempo é pouco 
e o latifúndio está aí matando 
[...] 
Homem comum, 
igual a você, 
[...] 
Mas somos muitos milhões de homens 
comuns 
e podemos formar uma muralha 
com nossos corpos de sonhos e margaridas. 
(FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 
2013 - fragmento) 
No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade social e o fazer 
poético, frequente no Modernismo. Nessa aproximação, o eu lírico atribui à 
poesia um caráter de: 
a) agregação construtiva e poder de intervenção na ordem instituída. 
b) força emotiva e capacidade de preservação da memória social. 
c) denúncia retórica e habilidade para sedimentar sonhos e utopias. 
d) ampliação do universo cultural e intervenção nos valores humanos. 
e) identificação com o discurso masculino e questionamento dos temas 
líricos. 
10. (ENEM MEC/2013/2ª Aplicação) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 16 
Meu povo, meu poema 
Meu povo e meu poema crescem juntos 
Como cresce no fruto 
A árvore nova 
No povo meu poema vai nascendo 
Como no canavial 
Nasce verde o açúcar 
No povo meu poema está maduro 
Como o sol 
Na garganta do futuro 
Meu povo em meu poema 
Se reflete 
Como espiga se funde em terra fértil 
Ao povo seu poema aqui devolvo 
Menos como quem canta 
Do que planta 
(FERREIRA GULLAR. Toda poesia. José Olympio: Rio de Janeiro, 2000) 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 17 
O texto Meu povo, meu poema, de Ferreira Gullar, foi escrito na década de 
1970. Nele, o diálogo com o contexto sociopolítico em que se insere 
expressa uma voz poética que: 
a) precisa do povo para produzir seu texto, mas se esquiva de enfrentar as 
desigualdades sociais. 
b) associa o engajamento político à grandeza do fazer poético, fator de 
superação da alienação do povo. 
c) dilui a importância das contingências políticas e sociais na construção de 
seu universo poético. 
d) reconhece, na identidade entre o povo e a poesia, uma etapa de seu 
fortalecimento humano e social. 
e) afirma que a poesia depende do povo, mas esse nem sempre vê a 
importância daquela nas lutas de classe. 
5. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES 
5.1. GABARITO 
1) A 2) C 3) B 
4) A 5) A 6) D 
7) D 8) B 9) A 
10) D 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 18 
2. O livro 
 Introdução a Água Funda: 
A história se desenrola em Água Funda, uma comunidade marcada por uma 
rica herança afro-brasileira, onde as tradições culturais e mitos ancestrais são parte 
integrante da vida cotidiana. Água funda é um bairro do Estado da Bahia, assim 
retrata de forma criteriosa e incisiva a realidade ali vivida, incluindo o preconceito 
por parte dos próprios moradores e afrodescendentes. Uma vez que a 
protagonista, filha de uma fazendeira vinda deste povo, sofre represálias sociais 
ao se apaixonar pelo filho do capataz e isso não ser bem-visto pela matriarca que 
também passou por este mesmo processo. Portanto, caímos num processo de 
hipocrisia e renúncia à origem que pertence. Assim, nota-se a relação cada vez 
mais interiorana de culto à ancestralidade, fazendo referência às religiões de matriz 
africana. 
Realismo Mágico e Elementos Fantásticos: 
A narrativa é impregnada de realismo mágico, com eventos e personagens 
que transcendem a realidade comum, criando uma atmosfera onde o místico e o 
cotidiano se entrelaçam. Afinal de contas, Ruth Guimarães tem também traços 
fantásticos para trazer à tona essa noção de que o próprio pertencente, por conta 
dos preconceitos vividos, não quer fazer parte dessa árvore ancestral, negando 
então qualquer possibilidade. Uma questão que se deve ficar atento é o conflito 
existente entre a fala e atitude das personagens com o sentimento delas. Afinal, 
por dentro sentem a necessidade de sim, lutar contra essas discriminações, mas 
já tentaram tanto e foram frustrados, que a opção mais fácil é negar sua própria 
identidade. 
Exploração do Folclore e Mitologia: 
O folclore aqui existente perceba que não é aquela questão de “saci pererê” 
e tal (risos), mas a percepção da própria religião como algo inato ao povo preto, 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 19 
entretanto negado por eles mesmos. Já parou para pensar se é algo que eles 
realmente queiram fazer? Pois é, dentro de toda a narrativa, Ruth Guimarães deixa 
bem expresso que, na verdade, eles têm receio de sempre sofrerem com as 
percepções alheias e estarem sempre errados. Além disso 
Simbolismo da Água: 
A água assume um papel simbólico significativo na história, representando 
purificação, renovação e, possivelmente, conectando-se aos eventos-chave que 
moldam o destino dos personagens. 
Desafios Sociais e Identidade Cultural: 
A trama aborda questões sociais e desafios ligados à identidade cultural, 
fornecendo uma perspectiva crítica sobre a diversidade e as lutas enfrentadas por 
comunidades marginalizadas. 
Desfecho e Reflexões: 
O livro culmina em um desfecho que pode incluir reflexões sobre a 
importância da preservação cultural, aceitação individual e a dinâmica em evolução 
de comunidades tradicionais em um mundo em transformação. 
 
 
3. Relação entre os movimentos literários 
 
A partir das perspectivas apresentadas, é necessário ressaltar a importância 
das escolas literárias Modernismo e Concretismo, pois observe: 
O Concretismo foi um movimento que introduz na Literatura Brasileira uma 
abolição da linguagem poética tradicional, para que haja uma comunicação que 
privilegie o trabalho artesanal do poema. Com isso, houve a intenção para o fim do 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA1 – Água Funda – Ruth Guimarães 20 
verso e da sintaxe tradicional que predominava na escrita. A partir disso, novas 
formas de comunicação poética começaram a surgir, com a valorização dos 
aspectos visuais e sonoros das palavras. O Concretismo foi um movimento que 
influenciou diferentes artistas, inclusive Ruth Guimarães, que tinha uma grande 
preocupação com a forma dos seus textos, pensando, com cuidado, o uso de cada 
palavra e expressão para a construção de seus poemas, o que nos demonstra a 
influência da escola literária, pois o autor assume o poema como uma construção 
artesanal. 
Além disso, o movimento Modernista também contribuiu para esta obra, uma 
vez que gerou diferentes reações na sociedade brasileira. Uma vez que, dividido 
em três gerações, gerou na sociedade um mix de sentimentos. Nas artes, 
principalmente na literatura, trouxe a importância da construção de uma escrita 
nacional, com a valorização da Língua Portuguesa, bem como a conquista da 
liberdade formal para a construção dos textos. Na 1° geração, aquela que veio para 
enfraquecer o movimento Parnasiano, para isso a Semana da Arte Moderna, 
ocorrida em 1922, foi essencial para o primeiro “choque” a ser dado na sociedade 
brasileira, a partir das polêmicas, a originalidade e o deboche presentes nas obras 
de Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Mesmo com uma organização, os 
escritores dessa fase ainda não tinham em detalhes o que queriam, mas sabiam 
que queriam mudança, mudança para a construção de obras genuinamente 
brasileiras. Para isso, davam preferência a conteúdos nacionais e à vida cotidiana 
dos brasileiros, sempre com uma linguagem clara e com a liberdade formal. Então, 
os principais autores são: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Alcântara 
Machado e Graça Aranha. 
Todavia, o movimento Modernista foi amadurecendo e os artistas começaram 
a perceber outras necessidades. Dessa forma, temos a 2° fase, mais madura, 
também chamada de fase da construção. Os escritores também escreviam com a 
liberdade formal e valorizavam a Língua Portuguesa. Entretanto, os olhares dos 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 21 
escritores também se voltaram aos problemas sociais e políticos do país, iniciando 
o período de crítica social. A 2° geração se divide em poesia. A poesia, com nomes 
como Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade, esteve preocupada com o 
sentimento humano em relação aos acontecimentos do mundo. Já na prosa, com 
nomes como Jorge Amado, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano 
Ramos, há a crítica social, com olhos voltados principalmente para o Nordeste do 
Brasil. 
Para encerrar, a 3° geração do movimento modernista já demonstra para nós 
a liberdade do autor, evidenciada pela transparência. Nomes como Clarice 
Lispector e Guimarães Rosa são representantes desta geração que não buscava 
continuar somente com temas brasileiros, bem como o uso da linguagem ser 
sempre próximo do popular, exemplos disso são os neologismos (novas palavras), 
criadas por Guimarães Rosa e escrita marcada pela análise psicológica de Clarice 
Lispector. Por conseguinte, os principais autores são: Clarice Lispector, Guimarães 
Rosa, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes. 
Com isso, evidencia-se a importância de ser ter uma noção sobre a literatura 
brasileira, pois ela traz evidências importantes sobre as questões sociais no Brasil, 
bem como o fazer literário no Brasil. Assim, é perceptível que Ruth Guimarães 
bebeu de duas fontes essenciais para sua obra: sempre preocupada com a 
realidade social, evidenciando a sua representatividade dentro do contexto da obra. 
4. CAI NA PROVA 
 
CAI NA PROVA 
1.Sprint ENEM – EV 2021 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 22 
Mas nada disso vale fala, porque a estória de um burrinho, como a história de um homem 
grande, é bem dada no resumo de um dia de sua vida. E a existência de Sete-de-Ouros 
cresceu toda em algumas horas — seis da manhã à meia-noite — nos meados do mês de 
janeiro de um ano de grandes chuvas, no vale cio Rio das Velhas, no centro de Minas Gerais. 
 
O burrinho permanecia na coberta, teso, sonolento e perpendicular ao cocho, apesar de estar 
o cocho de-todo vazio. Apenas, quando ele cabeceava, soprava no ar um resto de poeira de 
farelo. Então, dilatava ainda mais as crateras das ventas, e projetava o beiço de cima, como 
um focinho de anta, e depois o de baixo, muito flácido, com finas falripas, deixadas, na pele 
barbeada de fresco. E, como os dois cavos sobre as órbitas eram bem um par de óculos 
puxado para a testa, Sete-de-Ouros parecia ainda mais velho. Velho e sábio: não mostrava 
sequer sinais de bicheiras; que ele preferia evitar inúteis riscos e o dano de pastar na orilha 
dos capões, onde vegeta o cafezinho, com outras ervas venenosas, e onde fazem voo, 
zumbidoras e mui comadres, mosca do berne, a lucília verde, a varejeira rajada, e mais aquela 
que usa barriga azul. 
 
ROSA, Guimarães. O burrinho pedrês (trecho). In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
2017. 
 
Na obra modernista de Guimarães Rosa, destaca-se o aspecto afetivo na construção de 
personagens que são animais. No fragmento, esse viés se verifica no(a) 
A) rebaixamento do personagem, que se encontra decrépito, mas prova seu valor. 
B) rejeição do zoomorfismo naturalista ao dispensar figuras humanas no conto. 
C) humanização de Sete-de-Ouros, que se mostra sagaz na percepção do ambiente. 
D) adjetivação exacerbada, o que ajuda a construir uma imagem embaçada de Sete-de-
Ouros. 
E) ironia, porque logo o burrinho aposentado vai ser convocado a participar de uma missão. 
 
 
 
2.Sprint Enem EV – 2021 
TEXTO I 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 23 
JOGOS FLORAIS [TRECHO] 
 
Cacaso 
 
Minha terra tem Palmares 
memória cala-te já. 
Peço licença poética 
 
Belém capital Pará. 
Bem, meus prezados senhores 
dado o avançado da hora 
errata e efeitos do vinho 
o poeta sai de fininho. [...] 
 
Disponível em: https://tinyurl.com/y2kmf98b. Acesso em: 21 jul. 2021. 
 
TEXTO II 
 
CANÇÃO DO EXÍLIO 
 
Gonçalves Dias 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar – sozinho, à noite – 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Disponível em: https://tinyurl.com/3p26k4t7. Acesso em: 21 jul. 2021. 
 
No contexto da poesia marginal, no cenário de resistência cultural durante o regime militar, resgatar 
um ícone da literatura nacional revela-se ainda mais importante, no sentido de 
 
a) provocar um debate intertextual o qual ia de encontro à proposta tropicalista. 
 
b) usar a espontaneidade de sua geração como meio de contornar silenciamentos. 
 
c) conduzir um projeto de preservação da identidade nacional que fosse inclusivo. 
 
d) inserir uma reflexão metalinguística que se distanciava da épica indianista romântica. 
 
e) questionar uma visão de mundo idealista quando a realidade exigia mais pragmatismo. 
 
https://tinyurl.com/y2kmf98b
https://tinyurl.com/3p26k4t7
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 24 
 
3.SPRINT EV - 2021 
Eu etiqueta 
 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
Minha gravata e cinto e escova e pente, 
Meu copo, minha xícara, 
Minha toalha de banho e sabonete, 
Meu isso, meu aquilo. 
Desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
São mensagens, 
Letras falantes, 
Gritos visuais, 
Ordens de uso, abuso, reincidências. 
Costume, hábito, permanência, 
Indispensabilidade, 
E fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
Escravo da matéria anunciada. 
Estou, estou na moda. 
 
ANDRADE, C. D. Disponível em: http://pensador.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2011 
(fragmento). 
 
Carlos Drummond de Andrade é um poeta modernista conhecido pelas suas críticas. Dos 
versos acima, infere-se que a voz poética 
A) lança mão da primeirapessoa para enfatizar a subjetividade. 
B) incorpora-se voluntariamente no processo de mercantilização. 
C) incomoda-se com o bombardeio de informações ultrapassadas. 
D) rotula obcecadamente as coisas e se perde no processo. 
E) valoriza os objetos que tem e que foram conquistados com luta. 
 
 
4.Sprint Enem EV - 2021 
VIGÍLIA 
O terror noturno decepou a minha mão 
quando ia pegar minha roupa de dormir. 
Parei no meio do quarto, uma lucidez tão grande, 
que tudo se tornava incompreensível. 
O contorno da cama, de tal jeito quadrado e expectante, 
o cabo de um serrote mal guardado, minha nudez 
em trânsito entre a porta e a cadeira. 
http://pensador.uol.com.br/
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 25 
Claramente legíveis e insolúveis, uma campina 
de sol e ar sem nuvens, a risada dos meninos 
no campo retalhado de trator, as bodas de prata 
do homem que fala sempre. ‘Qual é o meu erro que 
minha vontade é estar morto?’ 
Uma família fez sua casa no morro, 
se eu mover o meu pé, a casa despenca. 
O Espírito de Deus, movendo o que lhe apraz, 
move a moça — que jurei não ser poeta — 
a dizer cheia de graça: ‘coisa mais engraçada deve ser 
o Presidente chupando laranja!’ 
o Espírito de Deus é misericordioso, 
vai desertar de mim pra eu poder descansar, 
vai me deixar dormir. 
 
PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2003. 
 
Esse poema integra o livro “Bagagem” (1975) da poetisa contemporânea Adélia Prado. No 
poema, o eu lírico elabora todo um trabalho mental na preparação para ir dormir, processo 
que foi motivado pelo(a) 
A) choque de consciência na constatação da realidade. 
B) busca obstinada pela construção de sua identidade. 
C) cuidado em reconstituir as suas lembranças íntimas. 
D) recuperação da reminiscência de diálogos e paisagens. 
E) amadurecimento catártico depois dos costumes diários. 
 
 
5. Sprint Enem EV – 2021 
 
OS OBEDIENTES 
 
Cronologicamente a situação era a seguinte: um homem e uma mulher estavam casados. Já 
em constatar este fato, meu pé afundou dentro. Fui obrigada a pensar em alguma coisa. 
Mesmo que eu nada mais dissesse, e encerrasse a história com esta constatação, já me teria 
comprometido com os meus mais desconhecíveis pensamentos. 
 
Já seria como se eu tivesse visto, risco negro sobre fundo branco, um homem e uma mulher. 
E nesse fundo branco meus olhos se fixariam já tendo bastante o que ver, pois toda palavra 
tem a sua sombra. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 26 
Esse homem e essa mulher começaram — sem nenhum objetivo de ir longe demais, e não 
se sabe levados por que necessidade que pessoas têm — começaram a tentar viver mais 
intensamente. À procura do destino que nos precede? e ao qual o instinto quer nos levar? 
instinto?! 
 
A tentativa de viver mais intensamente levou-os, por sua vez, numa espécie de constante 
verificação de receita e despesa, a tentar pesar o que era e o que não era importante. Isso 
eles o faziam a modo deles: com falta de jeito e de experiência, com modéstia. Eles 
tateavam. Num vício por ambos descoberto tarde demais na vida, cada qual pelo seu lado 
tentava continuamente distinguir o que era do que não era essencial, isto é, eles nunca 
usariam a palavra essencial, que não pertencia a seu ambiente. Mas de nada adiantava o 
vago esforço quase constrangido que faziam: a trama lhes escapava diariamente. Só, por 
exemplo, olhando para o dia passado é que tinham a impressão de ter — de algum modo e 
por assim dizer à revelia deles, e por isso sem mérito — a impressão de ter vivido. Mas então 
era de noite, eles calçavam os chinelos e era de noite. 
 
LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 
 
Essa narrativa aponta para alguns riscos que correm os relacionamentos na era 
moderna/contemporânea, que são os de 
A) busca por adrenalina e exaustão da rotina. 
B) anonimato e resignação frente à vida. 
C) descaracterização e nulidade dos papéis. 
D) mecanização do cotidiano e registro da estafa. 
E) compensação de faltas e conservação da energia. 
 
 
6. Leia com atenção o poema de João Cabral de Melo Neto para responder a 
questão: 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 27 
É possível identificar, nesse poema: 
a) a concisão objetiva da poesia de João Cabral. 
b) a técnica exuberante de composição do poeta. 
c) a ausência de ritmo na construção do verso de Cabral. 
d) a construção idealizada do intimismo. 
e) o lirismo alucinado presente em sua obra. 
 
7. Sprint ENEM EV - 2021 
TEXTO I 
 
Segunda pancada no relógio. Uma hora? uma e meia? Só vendo. Erguia-me, pisava com força. 
Madalena continuava a dormir. 
 
Destrancava e trancava a porta do corredor. Tornava a destrancar, tornava a trancar. E examinava o 
rosto de Madalena. Que sono! Ali descansada, e eu me roendo por dentro. Descansada como se tudo 
estivesse muito direito. Tinha desejo de acordá-la, recomeçar a contenda em que vivíamos. Dormir 
assim, quando eu estava preocupado, seriamente preocupado, não era justo. Preocupado com quê? 
 
Afinal que fazia ali, com a mão na chave e os olhos esbugalhados para Madalena? 
 
— Por que diabo estou mexendo nisto? Ah! sim! ver as horas. Empurrava a porta, atravessava o 
corredor, entrava na sala de jantar. Sempre era alguma coisa saber as horas. 
 
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009. 
 
TEXTO II 
 
Esse narrador afirma que sua primeira intenção era escrever um livro sobre sua vida por um moderno 
processo de divisão de tarefas; porém, é incapaz de dividir tarefas para a elaboração do seu livro, o 
que é sintomático na personalidade da personagem, considerando seu domínio sobre todas as coisas. 
Por isso, o fazendeiro arruinado que agora tenta escrever um livro sobre sua vida com a ajuda dos 
colegas tenta em vão tal empreitada. O método de elaboração do livro, pretendido em primeiro lugar, 
demonstra seu domínio sobre o trabalho alheio, sua necessidade de controle do produto final e a 
mesma exploração da mão de obra que impõe aos seus trabalhadores braçais. Tanto os trabalhadores 
do campo quanto os que lhe ajudariam a escrever seu livro perdem em parte seu valor quando Paulo 
Honório ignora a natureza humana dos que o servem em detrimento de seus projetos pessoais. 
 
MARQUES, Graciele. São Bernardo: caminho de desilusão. In: MARQUES, Graciele. Geografias do 
drama humano: leituras do espaço em São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Pedro Páramo, de Juan 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 28 
Rulfo. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. (SciELO Books, p. 18). 
Disponível em: https://tinyurl.com/vkypdbeh. 
 
Paulo Honório, um típico narrador não confiável em primeira pessoa, é responsável por contar sua 
vida, de maneira retrospectiva, no romance de 30 de Graciliano Ramos. Na exploração dos tipos 
humanos e a partir do confronto entre os dois excertos, é correto afirmar que ele 
A) impõe-se sem premeditação pela força bruta contra as pessoas, a quem acaba afastando. 
B) nunca precisou trabalhar, por isso é que abusava de sua mão de obra, a quem considerava 
inferior. 
C) arquiteta linguagem elíptica para mascarar o fato de ser semianalfabeto, mesmo se lançando 
na escrita. 
D) é marcado por um medo insuperável, especialmente pelo receio de ser rejeitado pela esposa. 
E) mostra-se despreparado para lidar com emoções humanas, porque sofre com a crise de 
consciência. 
 
8. Sprint ENEM EV - 2021 
inverno europeu Daqui é mais difícil: país estrangeiro, onde o creme de leite é desconjunturado e a 
subjetividade se parece com um roubo inicial. Recomendo cautela. Não sou personagem do seu livro 
e nem que você queira não me recorta no horizonte teórico da década passada. Os militantes 
sensuais passam a bola: depressão legítima ou charme diante das mulheres inquietas que só elas? 
Manifesto: seguraa bola; eu de conviva não digo nada e indiscretíssima descalço as luvas (no 
máximo), à direita de quem entra. CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Companhia das Letras, 
2016 (p. 15). 
 
Escrito em forma de diário, essa prosa poética é centrada no cotidiano de uma personagem 
ficcionalizada (espelhando a própria autora), que se sente: 
A) deprimida, pois a família concordou em enviá-la para passar uma temporada na Europa a fim 
de arrefecer os ânimos. 
B) equilibrada, deixando para trás a sua pátria e buscando encontrar a sua identidade em outro 
cenário onde se encaixasse mais. 
C) desajustada, já que encontra dificuldades para se adaptar no estrangeiro pela sua condição de 
mulher depressiva. 
D) substituída, porque decide abandonar os manifestos vanguardísticos do início do século para 
experimentar algo novo. 
E) deslocada, usando uma linguagem predominantemente nominal para expor suas necessidades 
e estranhamento. 
 
https://tinyurl.com/vkypdbeh
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 29 
 
 
9. Spritn ENEM Ev – 2020 
Paulo Leminski ficou conhecido por seus poemas breves, usando com frequência o haicai. Teve 
ligação com a tendência concretista e seus poemas costumam brincar com várias tipografias 
diferentes. Leve em consideração seu poema a seguir. 
 
de repente descobri 
não digo américa nem pólvora 
obra de tantos 
conta perdida 
ficar na ponta dos pés 
 
além de nobre exercício 
a mais sábia medida 
para subir na vida 
 
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013 (p. 24). 
 
Nesse texto, a consciência crítica do eu lírico cria o efeito de 
A) debochar com ironia dos desbravadores que descobriram o Brasil. 
B) Realçar com humor o contraste entre o progresso histórico e o pessoal. 
C) estabelecer vínculo intertextual com os primeiros coloniais quinhentistas. 
D) usar jargões que denotam sua preocupação com o registro formal da linguagem. 
E) empregar expressões idiomáticas no caráter de sugerir características subjetivas. 
 
 10- Sprint Enem EV - 2021 
ACIMA DO SOL 
Skank 
 
Assim ela já vai 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 30 
Achar o cara que lhe queira 
Como você não quis fazer 
Sim, eu sei que ela só vai 
Achar alguém pra vida inteira 
Como você não quis 
 
Tão fácil perceber 
Que a sorte escolheu você 
E você, cego, nem nota 
Quando tudo ainda é nada 
Quando o dia é madrugada 
Você gastou sua cota 
 
Oh, não posso te ajudar 
Esse caminho não há outro, não 
Que por você faça 
Eu queria insistir 
Mas o caminho só existe 
Quando você passa [...]. 
 
SKANK. Acima do sol. Disponível em: https://tinyurl.com/9ypum5wb. Acesso em: 20 jul. 2021. 
 
Na lógica constitutiva do texto, o título se justifica porque 
A) a mulher se emancipou frente a um relacionamento no qual o parceiro não a valorizava. 
B) o eu lírico se mostra preocupado ao aconselhar o amigo depois do término de seu namoro. 
C) é o próprio eu lírico quem passa por um relacionamento fracassado, já que se sentia superior. 
D) a dissipação de laços afetivos é de responsabilidade igualitária entre as partes envolvidas. 
E) o eu lírico se apresenta apenas como moderador em uma união comprometida por esfriamento. 
 
 
 
https://tinyurl.com/9ypum5wb
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 31 
 
 
 
5. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES 
5.1. GABARITO 
1) C 2) B 3) D 
4) A 5) C 6) A 
7) E 8) E 9) B 
10) A 
 
6. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES RESOLVIDAS E COMENTADAS 
CAI NA PROVA 
1° BLOCO DE QUESTÕES 
1.Sprint ENEM – EV 2021 
Mas nada disso vale fala, porque a estória de um burrinho, como a história de um homem 
grande, é bem dada no resumo de um dia de sua vida. E a existência de Sete-de-Ouros 
cresceu toda em algumas horas — seis da manhã à meia-noite — nos meados do mês de 
janeiro de um ano de grandes chuvas, no vale cio Rio das Velhas, no centro de Minas Gerais. 
 
O burrinho permanecia na coberta, teso, sonolento e perpendicular ao cocho, apesar de estar 
o cocho de-todo vazio. Apenas, quando ele cabeceava, soprava no ar um resto de poeira de 
farelo. Então, dilatava ainda mais as crateras das ventas, e projetava o beiço de cima, como 
um focinho de anta, e depois o de baixo, muito flácido, com finas falripas, deixadas, na pele 
barbeada de fresco. E, como os dois cavos sobre as órbitas eram bem um par de óculos 
puxado para a testa, Sete-de-Ouros parecia ainda mais velho. Velho e sábio: não mostrava 
sequer sinais de bicheiras; que ele preferia evitar inúteis riscos e o dano de pastar na orilha 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 32 
dos capões, onde vegeta o cafezinho, com outras ervas venenosas, e onde fazem voo, 
zumbidoras e mui comadres, mosca do berne, a lucília verde, a varejeira rajada, e mais aquela 
que usa barriga azul. 
 
ROSA, Guimarães. O burrinho pedrês (trecho). In: Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
2017. 
 
Na obra modernista de Guimarães Rosa, destaca-se o aspecto afetivo na construção de 
personagens que são animais. No fragmento, esse viés se verifica no(a) 
A) rebaixamento do personagem, que se encontra decrépito, mas prova seu valor. 
B) rejeição do zoomorfismo naturalista ao dispensar figuras humanas no conto. 
C) humanização de Sete-de-Ouros, que se mostra sagaz na percepção do ambiente. 
D) adjetivação exacerbada, o que ajuda a construir uma imagem embaçada de Sete-de-
Ouros. 
E) Ironia, porque logo o burrinho aposentado vai ser convocado a participar de uma 
missão. 
 
GABARITO: ALTERNATIVA C 
 
Questão de interpretação de texto literário/conhecimento de autores e obras do cânone. Questão inspirada na 
prova do ENEM 2019 – 2ª aplicação. 
A) rebaixamento do personagem, que se encontra decrépito, mas prova seu valor. 
Alternativa A: incorreta. Sete-de-Ouros não é rebaixado; pelo contrário, suas qualidades são enaltecidas, sendo 
até mesmo antropomorfizadas. 
B) rejeição do zoomorfismo naturalista ao dispensar figuras humanas no conto. 
Alternativa B: incorreta. Há personagens humanas no conto também, apenas não nesse trecho. Mas já desde o 
parágrafo constata-se a aproximação entre ser humano e animal. 
C) humanização de Sete-de-Ouros, que se mostra sagaz na percepção do ambiente. 
Alternativa C: correta – gabarito. Sete-de-Ouros é um burrinho que, embora já tenha sido útil para vários 
donos, agora encontra-se inativo. Estava esquecido na fazenda de Seu Saulo, quando é escalado para uma 
travessia, ajudando no transporte do gado. Nessa perigosa passagem, todos morrem, exceto os bois sob os 
cuidados do burrinho: Francolim e Badu. A história representa um enredo de adaptações, superação e 
esperança. 
D) adjetivação exacerbada, o que ajuda a construir uma imagem embaçada de Sete-de-Ouros. 
Alternativa D: incorreta. Pelo contrário: a imagem formada tende à precisão e não ao embaçamento. 
E) ironia, porque logo o burrinho aposentado vai ser convocado a participar de uma missão. 
Alternativa E: incorreta. Não há ironia no trecho, que é predominantemente descritivo. 
 
 
2.Sprint Enem EV – 2021 
TEXTO I 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 33 
 
JOGOS FLORAIS [TRECHO] 
 
Cacaso 
 
Minha terra tem Palmares 
memória cala-te já. 
Peço licença poética 
 
Belém capital Pará. 
Bem, meus prezados senhores 
dado o avançado da hora 
errata e efeitos do vinho 
o poeta sai de fininho. [...] 
 
Disponível em: https://tinyurl.com/y2kmf98b. Acesso em: 21 jul. 2021. 
 
TEXTO II 
 
CANÇÃO DO EXÍLIO 
 
Gonçalves Dias 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar – sozinho, à noite – 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Disponível em: https://tinyurl.com/3p26k4t7. Acesso em: 21 jul. 2021. 
 
No contexto da poesia marginal, no cenário de resistênciacultural durante o regime militar, resgatar 
um ícone da literatura nacional revela-se ainda mais importante, no sentido de 
 
A) provocar um debate intertextual o qual ia de encontro à proposta tropicalista. 
 
B) usar a espontaneidade de sua geração como meio de contornar silenciamentos. 
 
C) conduzir um projeto de preservação da identidade nacional que fosse inclusivo. 
 
D) inserir uma reflexão metalinguística que se distanciava da épica indianista romântica. 
 
E) questionar uma visão de mundo idealista quando a realidade exigia mais pragmatismo. 
 
GABARITO: ALTERNATIVA B 
https://tinyurl.com/y2kmf98b
https://tinyurl.com/3p26k4t7
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 34 
 
Questão de interpretação de texto literário; conhecimento do movimento literário e literatura comparada. 
Cacaso é um poeta marginal que já caiu nas provas do ENEM 2015 e 2012. 
A) provocar um debate intertextual o qual ia de encontro à proposta tropicalista. 
Alternativa A: incorreta. "Ao encontro de" significa ir contra. A intertextualidade era comum na Tropicália, um 
movimento artístico-cultural da década de 60 que incluiu artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil entre 
outros. 
B) usar a espontaneidade de sua geração como meio de contornar silenciamentos. 
Alternativa B: correta – gabarito. A partir de expressões coloquiais e bem-humoradas como "sair de fininho", o 
poeta usa uma atitude debochada e anárquica, típica do movimento, para enaltecer a memória quilombola e 
denunciar as censuras típicas do contexto, como apontado no verso: " memória cala-te já". Mesmo no texto de 
Gonçalves Dias demonstra-se que o fato de estar sozinho não impede o poeta de se expressar. 
C) conduzir um projeto de preservação da identidade nacional que fosse inclusivo. 
Alternativa C: incorreta. Não necessariamente um projeto que passou por uma idealização, premeditação 
consciente. 
D) inserir uma reflexão metalinguística que se distanciava da épica indianista romântica. 
Alternativa D: incorreta. A metalinguagem, de fato, não era um tema tão presente na estética romântica, mas o 
texto II. não se classifica como épica indianista. 
E) questionar uma visão de mundo idealista quando a realidade exigia mais pragmatismo. 
Alternativa E: incorreta. Cuidado com absolutismos como "exigia". 
 
 
3.SPRINT EV - 2021 
Eu etiqueta 
 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
Minha gravata e cinto e escova e pente, 
Meu copo, minha xícara, 
Minha toalha de banho e sabonete, 
Meu isso, meu aquilo. 
Desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
São mensagens, 
Letras falantes, 
Gritos visuais, 
Ordens de uso, abuso, reincidências. 
Costume, hábito, permanência, 
Indispensabilidade, 
E fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
Escravo da matéria anunciada. 
Estou, estou na moda. 
 
ANDRADE, C. D. Disponível em: http://pensador.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2011 
(fragmento). 
 
Carlos Drummond de Andrade é um poeta modernista conhecido pelas suas críticas. Dos 
versos acima, infere-se que a voz poética 
http://pensador.uol.com.br/
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 35 
A) lança mão da primeira pessoa para enfatizar a subjetividade. 
B) incorpora-se voluntariamente no processo de mercantilização. 
C) incomoda-se com o bombardeio de informações ultrapassadas. 
D) rotula obcecadamente as coisas e se perde no processo. 
E) valoriza os objetos que tem e que foram conquistados com luta. 
 
 
GABARITO: ALTERNATIVA D 
 
Questão de interpretação de texto literário inspirada na prova do ENEM 2014 – 3ª aplicação. 
A) lança mão da primeira pessoa para enfatizar a subjetividade. 
Alternativa A: incorreta. O texto não é subjetivo; pelo contrário, acentua a perda de subjetividade do 
sujeito moderno em meio a processos mercadológicos. 
B) incorpora-se voluntariamente no processo de mercantilização. 
Alternativa B: incorreta. Não é voluntariamente, apenas é engolido pelo sistema. 
C) incomoda-se com o bombardeio de informações ultrapassadas. 
Alternativa C: incorreta. Não são ultrapassadas, mas sim sendo constantemente renovadas. O 
bombardeio se autorrecicla. 
D) rotula obcecadamente as coisas e se perde no processo. 
Alternativa D: correta – gabarito. A noção de perdição se encontra na escravidão que sente o eu lírico 
a se submeter aos objetos, perdendo a sua autonomia no caminho. 
E) valoriza os objetos que tem e que foram conquistados com luta. 
Alternativa E: incorreta. Não há dados no poema que indicam como os objetos foram consumidos. 
 
 
 
 
4.Sprint Enem EV - 2021 
VIGÍLIA 
O terror noturno decepou a minha mão 
quando ia pegar minha roupa de dormir. 
Parei no meio do quarto, uma lucidez tão grande, 
que tudo se tornava incompreensível. 
O contorno da cama, de tal jeito quadrado e expectante, 
o cabo de um serrote mal guardado, minha nudez 
em trânsito entre a porta e a cadeira. 
Claramente legíveis e insolúveis, uma campina 
de sol e ar sem nuvens, a risada dos meninos 
no campo retalhado de trator, as bodas de prata 
do homem que fala sempre. ‘Qual é o meu erro que 
minha vontade é estar morto?’ 
Uma família fez sua casa no morro, 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 36 
se eu mover o meu pé, a casa despenca. 
O Espírito de Deus, movendo o que lhe apraz, 
move a moça — que jurei não ser poeta — 
a dizer cheia de graça: ‘coisa mais engraçada deve ser 
o Presidente chupando laranja!’ 
o Espírito de Deus é misericordioso, 
vai desertar de mim pra eu poder descansar, 
vai me deixar dormir. 
 
PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2003. 
 
Esse poema integra o livro “Bagagem” (1975) da poetisa contemporânea Adélia Prado. No 
poema, o eu lírico elabora todo um trabalho mental na preparação para ir dormir, processo 
que foi motivado pelo(a) 
A) choque de consciência na constatação da realidade. 
B) busca obstinada pela construção de sua identidade. 
C) cuidado em reconstituir as suas lembranças íntimas. 
D) recuperação da reminiscência de diálogos e paisagens. 
E) amadurecimento catártico depois dos costumes diários. 
 
 
GABARITO: ALTERNATIVA A 
 
Questão de interpretação de texto literário. 
A) choque de consciência na constatação da realidade. 
Alternativa A: correta – gabarito. O que se depreende a partir do trecho: "uma lucidez tão grande". O 
eu lírico se aterrorizar ao pegar a roupa de dormir. Isso porque olha para o quarto e começa a 
constatar a existência das coisas, o que a choca. 
B) busca obstinada pela construção de sua identidade. 
Alternativa B: incorreta. Não é a pretensão do eu lírico. 
C) cuidado em reconstituir as suas lembranças íntimas. 
Alternativa C: incorreta. As lembranças aparecem involuntariamente, pois o eu lírico sai de um 
pensamento 
D) recuperação da reminiscência de diálogos e paisagens. 
Alternativa D: incorreta. Cuidado: esses aspectos são parte do processo, e não a sua motivação. 
E) amadurecimento catártico depois dos costumes diários. 
Alternativa E: incorreta. O eu lírico passa por uma epifania (revelação) e não catarse (expurgação dos 
sentidos). 
 
 
5. Sprint Enem EV – 2021 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 37 
 
OS OBEDIENTES 
 
Cronologicamente a situação era a seguinte: um homem e uma mulher estavam casados. Já 
em constatar este fato, meu pé afundou dentro. Fui obrigada a pensar em alguma coisa. 
Mesmo que eu nada mais dissesse, e encerrasse a história com esta constatação, já me teria 
comprometido com os meus mais desconhecíveis pensamentos. 
 
Já seria como se eu tivesse visto, risco negro sobre fundo branco, um homem e uma mulher. 
E nesse fundo branco meus olhos se fixariam já tendo bastante o que ver, pois toda palavra 
tem a sua sombra. 
 
Esse homem e essa mulher começaram — sem nenhum objetivo de ir longe demais, e não 
se sabe levados por que necessidade que pessoas têm — começaram a tentar viver mais 
intensamente. À procura do destinoque nos precede? e ao qual o instinto quer nos levar? 
instinto?! 
 
A tentativa de viver mais intensamente levou-os, por sua vez, numa espécie de constante 
verificação de receita e despesa, a tentar pesar o que era e o que não era importante. Isso 
eles o faziam a modo deles: com falta de jeito e de experiência, com modéstia. Eles 
tateavam. Num vício por ambos descoberto tarde demais na vida, cada qual pelo seu lado 
tentava continuamente distinguir o que era do que não era essencial, isto é, eles nunca 
usariam a palavra essencial, que não pertencia a seu ambiente. Mas de nada adiantava o 
vago esforço quase constrangido que faziam: a trama lhes escapava diariamente. Só, por 
exemplo, olhando para o dia passado é que tinham a impressão de ter — de algum modo e 
por assim dizer à revelia deles, e por isso sem mérito — a impressão de ter vivido. Mas então 
era de noite, eles calçavam os chinelos e era de noite. 
 
LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 
 
Essa narrativa aponta para alguns riscos que correm os relacionamentos na era 
moderna/contemporânea, que são os de 
A) busca por adrenalina e exaustão da rotina. 
B) anonimato e resignação frente à vida. 
C) descaracterização e nulidade dos papéis. 
D) mecanização do cotidiano e registro da estafa. 
E) compensação de faltas e conservação da energia. 
 
GABARITO: ALTERNATIVA C 
 
Questão de interpretação de texto literário/conhecimento de autores e obras do cânone. 
A) busca por adrenalina e exaustão da rotina. 
Alternativa A: incorreta. O narrador diz que o casal queria viver mais intensamente, mas foi vago quanto às 
resoluções. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 38 
B) anonimato e resignação frente à vida. 
Alternativa B: incorreta. Anonimato, sim, pois o casal é composto por um homem e uma mulher que são 
anônimos. Porém, cuidado: resignação não. O casal, pelo menos, tenta viver e sair do círculo vicioso. 
C) descaracterização e nulidade dos papéis. 
Alternativa C: correta – gabarito. Essa parte do conto, que se chama "Os obedientes', expõe como um casal se 
reinventa em seu relacionamento, mas ainda encontram limitações. Tanto é que terminam o dia tentando se 
convencer de que viveram, viveram realmente e tiveram experiências significativas, quando no fundo retomam 
a mesma rotina de sempre, descaracterizada e nula, retornando para a zona de conforto, simbolizada pelos 
chinelos. 
D) mecanização do cotidiano e registro da estafa. 
Alternativa D: incorreta. Não há dados suficientes que expressam a vida mecanização. O próprio narrador põe 
em dúvida o fato de o casal agir por instinto ou não. Também não se sabe se estão estafados, ou mesmo se 
têm consciência. 
E) compensação de faltas e conservação da energia. 
Alternativa E: incorreta. Compensação de faltas, sim, mas não se conserva a mesma energia. Caso contrário, o 
casal não sentiria a necessidade de precisar achar modos para viver intensamente. 
 
6. Leia com atenção o poema de João Cabral de Melo Neto para responder a 
questão: 
 
É possível identificar, nesse poema: 
a) a concisão objetiva da poesia de João Cabral. 
b) a técnica exuberante de composição do poeta. 
c) a ausência de ritmo na construção do verso de Cabral. 
d) a construção idealizada do intimismo. 
e) o lirismo alucinado presente em sua obra. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 39 
 
7. Sprint ENEM EV - 2021 
TEXTO I 
 
Segunda pancada no relógio. Uma hora? uma e meia? Só vendo. Erguia-me, pisava com força. 
Madalena continuava a dormir. 
 
Destrancava e trancava a porta do corredor. Tornava a destrancar, tornava a trancar. E examinava o 
rosto de Madalena. Que sono! Ali descansada, e eu me roendo por dentro. Descansada como se tudo 
estivesse muito direito. Tinha desejo de acordá-la, recomeçar a contenda em que vivíamos. Dormir 
assim, quando eu estava preocupado, seriamente preocupado, não era justo. Preocupado com quê? 
 
Afinal que fazia ali, com a mão na chave e os olhos esbugalhados para Madalena? 
 
— Por que diabo estou mexendo nisto? Ah! sim! ver as horas. Empurrava a porta, atravessava o 
corredor, entrava na sala de jantar. Sempre era alguma coisa saber as horas. 
 
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009. 
 
TEXTO II 
 
Esse narrador afirma que sua primeira intenção era escrever um livro sobre sua vida por um moderno 
processo de divisão de tarefas; porém, é incapaz de dividir tarefas para a elaboração do seu livro, o 
que é sintomático na personalidade da personagem, considerando seu domínio sobre todas as coisas. 
Por isso, o fazendeiro arruinado que agora tenta escrever um livro sobre sua vida com a ajuda dos 
colegas tenta em vão tal empreitada. O método de elaboração do livro, pretendido em primeiro lugar, 
demonstra seu domínio sobre o trabalho alheio, sua necessidade de controle do produto final e a 
mesma exploração da mão de obra que impõe aos seus trabalhadores braçais. Tanto os trabalhadores 
do campo quanto os que lhe ajudariam a escrever seu livro perdem em parte seu valor quando Paulo 
Honório ignora a natureza humana dos que o servem em detrimento de seus projetos pessoais. 
 
MARQUES, Graciele. São Bernardo: caminho de desilusão. In: MARQUES, Graciele. Geografias do 
drama humano: leituras do espaço em São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Pedro Páramo, de Juan 
Rulfo. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. (SciELO Books, p. 18). 
Disponível em: https://tinyurl.com/vkypdbeh. 
 
Paulo Honório, um típico narrador não confiável em primeira pessoa, é responsável por contar sua 
vida, de maneira retrospectiva, no romance de 30 de Graciliano Ramos. Na exploração dos tipos 
humanos e a partir do confronto entre os dois excertos, é correto afirmar que ele 
A) impõe-se sem premeditação pela força bruta contra as pessoas, a quem acaba afastando. 
B) nunca precisou trabalhar, por isso é que abusava de sua mão de obra, a quem considerava 
inferior. 
C) arquiteta linguagem elíptica para mascarar o fato de ser semianalfabeto, mesmo se lançando 
na escrita. 
https://tinyurl.com/vkypdbeh
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 40 
D) é marcado por um medo insuperável, especialmente pelo receio de ser rejeitado pela esposa. 
E) mostra-se despreparado para lidar com emoções humanas, porque sofre com a crise de 
consciência. 
GABARITO: ALTERNATIVA E 
 
Questão de interpretação de texto literário; conhecimento de autores e obras do cânone e crítica literária. 
A) impõe-se sem premeditação pela força bruta contra as pessoas, a quem acaba afastando. 
Alternativa A: incorreta. Por mais impulsivo que possa parecer, Paulo Honório mescla momentos racionais em 
suas atitudes. Não acaba por provocar o afastamento de todos; há casos mais graves, como a provocação do 
suicídio da esposa, Madalena 
B) nunca precisou trabalhar, por isso é que abusava de sua mão de obra, a quem considerava inferior. 
Alternativa B: incorreta. Paulo Honório não é privilegiado nem membro da elite, mas sim é um menino órfão 
que vende cocada para sobreviver. 
C) arquiteta linguagem elíptica para mascarar o fato de ser semianalfabeto, mesmo se lançando na 
escrita. 
Alternativa C: incorreta. Sua linguagem é elíptica porque ele é um homem perturbado. Ele aprende a ler na 
prisão com Joaquim Sapateiro. 
D) é marcado por um medo insuperável, especialmente pelo receio de ser rejeitado pela esposa. 
Alternativa D: incorreta. O medo domina sua vida, sim, como é indicado no primeiro trecho, mas de ter sua 
conduta moral revelada, pois teve que cometer crimes – e até assassinatos – para chegar aonde chegou: na 
conquista da fazenda São Bernardo. 
E) mostra-se despreparado para lidar com emoções humanas, porque sofre com a crise de consciência. 
Alternativa E: correta – gabarito. É incapaz de entender como a esposa consegue dormir em paz, enquanto ele 
se preocupa. Isso porquenão enxerga os seu próprios problemas, ou ao menos tem dificuldade ao admiti-los, o 
que demonstra seu despreparo emocional. O fato é que se embruteceu pelo caminho 
 
8. Sprint ENEM EV - 2021 
inverno europeu Daqui é mais difícil: país estrangeiro, onde o creme de leite é desconjunturado e a 
subjetividade se parece com um roubo inicial. Recomendo cautela. Não sou personagem do seu livro 
e nem que você queira não me recorta no horizonte teórico da década passada. Os militantes 
sensuais passam a bola: depressão legítima ou charme diante das mulheres inquietas que só elas? 
Manifesto: segura a bola; eu de conviva não digo nada e indiscretíssima descalço as luvas (no 
máximo), à direita de quem entra. CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Companhia das Letras, 
2016 (p. 15). 
 
Escrito em forma de diário, essa prosa poética é centrada no cotidiano de uma personagem 
ficcionalizada (espelhando a própria autora), que se sente: 
A) deprimida, pois a família concordou em enviá-la para passar uma temporada na Europa a fim 
de arrefecer os ânimos. 
B) equilibrada, deixando para trás a sua pátria e buscando encontrar a sua identidade em outro 
cenário onde se encaixasse mais. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 41 
C) desajustada, já que encontra dificuldades para se adaptar no estrangeiro pela sua condição de 
mulher depressiva. 
D) substituída, porque decide abandonar os manifestos vanguardísticos do início do século para 
experimentar algo novo. 
E) deslocada, usando uma linguagem predominantemente nominal para expor suas necessidades 
e estranhamento. 
 
GABARITO: ALTERNATIVA E 
 
Questão de interpretação de texto literário/conhecimento de autores e obras do cânone. 
A) deprimida, pois a família concordou em enviá-la para passar uma temporada na Europa a fim de 
arrefecer os ânimos. 
Alternativa A: incorreta. Cuidado com informações extratextuais: não há nada no texto aludindo à família da 
personagem nem quanto às suas reais motivações de estar na Europa. 
B) equilibrada, deixando para trás a sua pátria e buscando encontrar a sua identidade em outro cenário 
onde se encaixasse mais. 
Alternativa B: incorreta. Pelo contrário: a personagem se sente desnorteada e não equilibrada. 
C) desajustada, já que encontra dificuldades para se adaptar no estrangeiro pela sua condição de mulher 
depressiva. 
Alternativa C: incorreta. Ana Cristina Cesar, de fato, é uma escritora depressiva, que se suicida aos 31 anos de 
idade. Mas o texto não deixa claro que foi a sua depressão a real motivação para a sua dificuldade de 
adaptação no exterior. 
D) substituída, porque decide abandonar os manifestos vanguardísticos do início do século para 
experimentar algo novo. 
Alternativa D: incorreta. O uso da palavra "manifesto" no texto não diz respeito ao gênero textual, mas sim ao 
tom de desabafo. 
E) deslocada, usando uma linguagem predominantemente nominal para expor suas necessidades e 
estranhamento. 
Alternativa E: correta – gabarito. A linguagem nominal é centrada em nomes (substantivos), como "creme de 
leite", "roubo", "cautela", "militantes", "bola" etc. A personagem está passando o inverno no exterior e 
estranha até mesmo o fato de o creme de leite ser diferente lá. 
 
 
 
9. Sprint ENEM Ev – 2020 
Paulo Leminski ficou conhecido por seus poemas breves, usando com frequência o haicai. Teve 
ligação com a tendência concretista e seus poemas costumam brincar com várias tipografias 
diferentes. Leve em consideração seu poema a seguir. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 42 
de repente descobri 
não digo américa nem pólvora 
obra de tantos 
conta perdida 
ficar na ponta dos pés 
 
além de nobre exercício 
a mais sábia medida 
para subir na vida 
 
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013 (p. 24). 
 
Nesse texto, a consciência crítica do eu lírico cria o efeito de 
A) debochar com ironia dos desbravadores que descobriram o Brasil. 
B) realçar com humor o contraste entre o progresso histórico e o pessoal. 
C) estabelecer vínculo intertextual com os primeiros coloniais quinhentistas. 
D) usar jargões que denotam sua preocupação com o registro formal da linguagem. 
E) empregar expressões idiomáticas no caráter de sugerir características subjetivas. 
GABARITO: ALTERNATIVA B 
 
Questão de interpretação de texto literário; Gramática aplicada à Literatura e conhecimento de movimentos 
literários. 
A) debochar com ironia dos desbravadores que descobriram o Brasil. 
Alternativa A: incorreta. Ironia é o contrário do que se quer dizer. O eu lírico não quer se igualar aos 
descobridores da América (não necessariamente o Brasil), como se fosse algo comum, "obra de tantos". 
B) Realçar com humor o contraste entre o progresso histórico e o pessoal. 
Alternativa B: correta – gabarito. A partir de expressões coloquiais "ficar na ponta dos pés" e "subir na vida", o 
eu lírico marca o contraste entre poder, ele próprio, ficar na posição da ponta dos pés e literalmente subir, no 
sentido de ficar mais alto, como se esse ato fosse páreo para o descobrimento de terras geográficas (América) 
e até mesmo de grandes invenções como a pólvora. 
C) estabelecer vínculo intertextual com os primeiros coloniais quinhentistas. 
Alternativa C: incorreta. Não há tal intertextualidade (diálogo). 
D) usar jargões que denotam sua preocupação com o registro formal da linguagem. 
Alternativa D: incorreta. Cuidado: jargão é um termo técnico e o eu lírico usa o registro informal (e não formal) 
da linguagem. Até pelo uso de letras minúsculas, tudo condiz com a linguagem fluida e típica da Literatura 
Contemporânea. 
E) empregar expressões idiomáticas no caráter de sugerir características subjetivas. 
Alternativa E: incorreta. Por mais que o eu lírico se expresse na primeira pessoa do singular, o texto em 
particular não é subjetivo (sentimental, psicológico). 
 
 10- Sprint Enem EV - 2021 
ACIMA DO SOL 
Skank 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 43 
 
Assim ela já vai 
Achar o cara que lhe queira 
Como você não quis fazer 
Sim, eu sei que ela só vai 
Achar alguém pra vida inteira 
Como você não quis 
 
Tão fácil perceber 
Que a sorte escolheu você 
E você, cego, nem nota 
Quando tudo ainda é nada 
Quando o dia é madrugada 
Você gastou sua cota 
 
Oh, não posso te ajudar 
Esse caminho não há outro, não 
Que por você faça 
Eu queria insistir 
Mas o caminho só existe 
Quando você passa [...]. 
 
SKANK. Acima do sol. Disponível em: https://tinyurl.com/9ypum5wb. Acesso em: 20 jul. 2021. 
 
Na lógica constitutiva do texto, o título se justifica porque 
A) a mulher se emancipou frente a um relacionamento no qual o parceiro não a valorizava. 
B) o eu lírico se mostra preocupado ao aconselhar o amigo depois do término de seu namoro. 
C) é o próprio eu lírico quem passa por um relacionamento fracassado, já que se sentia superior. 
D) a dissipação de laços afetivos é de responsabilidade igualitária entre as partes envolvidas. 
E) o eu lírico se apresenta apenas como moderador em uma união comprometida por esfriamento. 
 
GABARITO: ALTERNATIVA A 
 
Questão de interpretação de letra de música. 
A) a mulher se emancipou frente a um relacionamento no qual o parceiro não a valorizava. 
Alternativa A: correta – gabarito. Nessa letra de música contemporânea, ainda que o lugar de fala não seja 
feminino (pois o eu lírico não é a mulher que se emancipou), é retratada uma situação na qual o eu lírico fala 
de uma mulher que vai encontrar alguém que a valorizasse. Pressupõe-se que ela deixou uma relação em busca 
de alguém que a valorizasse, emancipando-se portanto. 
B) o eu lírico se mostra preocupado ao aconselhar o amigo depois do término de seu namoro. 
Alternativa B: incorreta. Não aconselha, pois diz que nada pode fazer para ajudar. 
C) é o próprio eu lírico quem passa por um relacionamento fracassado, já quese sentia superior. 
Alternativa C: incorreta. O eu lírico conta a história de um casal de fora, de um ponto de vista externo. 
https://tinyurl.com/9ypum5wb
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 44 
D) a dissipação de laços afetivos é de responsabilidade igualitária entre as partes envolvidas. 
Alternativa D: incorreta. Não é igualitária nesse sentido: foi o homem, por não valorizar devidamente a mulher, 
o principal motivador do término 
E) o eu lírico se apresenta apenas como moderador em uma união comprometida por esfriamento. 
Alternativa E: incorreta. Infere-se que o motivo do desentendimento na relação foi a falta de atenção do 
homem em relação à mulher, o que não é sinônimo exato de esfriamento. 
 
 
 
 
 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Então é isso, Maravitop. Conseguimos compreender mais uma obra de uma 
forma beeeem mais tranquila! 
Complemente seus estudos com postagens de minhas redes sociais e qualquer 
dúvida é só chamar: 
 
 
 
 
 
@profannacabral 
 
 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Obra literária 
 
AULA 1 – Água Funda – Ruth Guimarães 45 
8. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
GUIMARÃES Ruth. Água Funda.

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