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03 27 (Lista - Aula 4)

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Vera Lucia

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Questões resolvidas

1. "Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança." Qual é a função das descrições que compõem esse trecho considerando o tema do texto?

2. ". Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre" Identifique e interprete as adjetivações feitas nesse trecho e explique: elas são produtos de um mesmo recurso expressivo?

3. "Era um choro delgadinho, um fio de água, um chilrear de morcego." A palavra destacada possui sentido denotativo ou conotativo? Qual efeito é produzido por meio do uso do diminutivo?

4. Explique o processo das adjetivações feitas e as interprete. "Eu estava pressentimental, incapaz de me guardar no leito" "O seu rosto assomou à penumbra doce que pairava no ar".

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1. "Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança." Qual é a função das descrições que compõem esse trecho considerando o tema do texto?

2. ". Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre" Identifique e interprete as adjetivações feitas nesse trecho e explique: elas são produtos de um mesmo recurso expressivo?

3. "Era um choro delgadinho, um fio de água, um chilrear de morcego." A palavra destacada possui sentido denotativo ou conotativo? Qual efeito é produzido por meio do uso do diminutivo?

4. Explique o processo das adjetivações feitas e as interprete. "Eu estava pressentimental, incapaz de me guardar no leito" "O seu rosto assomou à penumbra doce que pairava no ar".

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Profª. Natália 
Inglês 
 
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Aula 4 – Descrição e Literatura 
 
TEXTO I 
Observe a imagem e leia o texto, para responder. 
 
 
 
O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para 
o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição. 
[...] 
Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam. 
A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco 
para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se 
individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o 
homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a 
claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o 
tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida. 
[...] 
Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera 
no seu elemento verde. 
Pepetela, Mayombe. 
Considerando-se o excerto no contexto de Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da 
natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma 
a) reflexão relacionada ao próprio Comandante Sem Medo e a seu dilema característico entre a valorização do 
indivíduo e o engajamento em um projeto eminentemente coletivo. 
b) caracterização flagrante da dificuldade de aceder ao plano do raciocínio abstrato, típica da atitude pragmática do 
militante revolucionário. 
c) figuração da harmonia que reina no mundo natural, em contraste com as dissensões que caracterizam as 
relações humanas, notadamente nas zonas urbanizadas. 
d) representação do juízo do Comissário a respeito da manifesta incapacidade que tem o Comandante Sem Medo 
de ultrapassar o dogmatismo doutrinário. 
e) crítica esclarecida à mentalidade animista - que tende a personificar os elementos da natureza - e ao tribalismo, 
ainda muito difundidos entre os guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª. Natália 
Inglês 
 
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TEXTO II) Nascimento de Iracema 
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, 
que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era 
doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a corça 
selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação 
tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um 
dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que 
o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os 
pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou 
em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da 
mata, pousado no galho próximo, o canto agreste. Iracema, José de Alencar. 
 
 
TEXTO III) Nascimento de Macunaíma 
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve 
um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma 
criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou 
mais de seis anos não falando. Sio incitavam a falar exclamava: If — Ai! que preguiça!. . . e não dizia mais nada."] Ficava 
no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que 
tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado 
mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia 
tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos 
gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a água-doce por lá. No mucambo si alguma cunhatã se aproximava 
dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. 
Porém respeitava os velhos, e freqüentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacorocô a cucuicogue, todas essas 
danças religiosas da tribo 
 
 
TRECHO IV) Lucíola, José de Alencar 
Sabes que terrível coisa é uma cortesã, quando lhe vem o capricho de apaixonar-se por um homem! Agarra-se a ele 
como os vermes, que roem o corpo dos pássaros, e não os deixam nem mesmo depois de mortos. Como não tem amor, 
e não pode ter, como a sua inclinação é apenas uma paixão de cabeça e uma excitação dos sentidos, orgulho de anjo 
decaído mesclado de sensualidade brutal, não se importa de humilhar seu amante. Ao contrário sente um prazer novo, 
obrigando-o a sacrificar-lhe a honra, a dignidade, o sossego, bens que ela não possui. São seus triunfos. Fá-lo 
instrumento da vingança ridícula, que todas essas mulheres prosseguem surdamente contra a boa sociedade, porque 
não as aplaude. O seu ciúme é fome apenas; se o amante tem alguma afeição honesta, ela torna-se confidente de seus 
amores, encoraja-o, serve-o mesmo, para ter o gosto de mais tarde disputar a presa. Então não há excesso que não 
cometa. Se for necessário aviltar o homem, ela o fará, à semelhança desses torpes glutões que cospem no prato para 
que os outros não se animem a tocá-lo. 
 
 
TEXTO V) O cortiço, Aluísio Azevedo 
 Cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. 
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na 
indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da 
aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia. 
A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As 
pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostrava uma palidez 
grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas. 
Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar 
das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, 
suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons dias; reatavam-se 
conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de 
crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, 
sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíram mulheres 
que vinham dependurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, 
cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia. 
 
 
 
 
 
Profª. Natália 
Inglês 
 
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TEXTO VI) Buscando a Cristo, Gregório de Matos 
A vós correndo vou, braços sagrados, 
Nessa cruz sacrossanta descobertos, 
Que, para receber-me, estais abertos, 
E, por não castigar-me, estais cravados. 
 
A vós, divinos olhos, eclipsados 
De tanto sangue e lágrimas cobertos, 
Pois, para perdoar-me, estais despertos, 
E, por não condenar-me, estais fechados. 
 
A vós, pregados pés, por não deixar-me, 
A vós, sangue vertido, para ungir-me, 
A vós, cabeça baixa,pra chamar-me. 
 
A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me, 
Para ficar unido, atado e firme. 
 
 
 
 
 
 Inundação - Mia Couto 
 
Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. 
Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de 
nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança. 
A casa, aquela casa nossa, era morada mais da noite que do dia. Estranho, dirão. Noite e dia não são metades, folha e 
verso? Como podiam o claro e o escuro repartir-se em desigual? Explico. Bastava que a voz de minha mãe em canto se 
escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos 
meninos para sempre. 
Certa vez, porém, de nossa mãe escutamos o pranto. Era um choro delgadinho, um fio de água, um chilrear de morcego. 
Mão em mão, ficamos à porta do quarto dela. Nossos olhos boquiabertos. Ela só suspirou: 
– Vosso pai já não é meu. 
Apontou o armário e pediu que o abríssemos. A nossos olhos, bem para além do espanto, se revelaram os vestidos 
envelhecidos que meu pai há muito lhe ofertara. Bastou, porém, a brisa da porta se abrindo para que os vestidos se 
desfizessem em pó e, como cinzas, se enevoassem pelo chão. Apenas os cabides balançavam, esqueletos sem corpo. 
– E agora – disse a mãe -, olhem para estas cartas. 
Eram apaixonados bilhetes, antigos, que minha mãe conservava numa caixa. Mas agora os papéis estavam brancos, 
toda a tinta se desbotara. 
– Ele foi. Tudo foi. 
Desde então, a mãe se recusou a deitar no leito. Dormia no chão. A ver se o rio do tempo a levava, numa dessas 
invisíveis enxurradas. Assim dizia, queixosa. Em poucos dias, se aparentou às sombras, desleixando todo seu volume. 
– Quero perder todas as forças. Assim não tenho mais esperas. 
– Durma na cama, mãe. 
– Não quero. Que a cama é engolidora de saudade. 
E ela queria guardar aquela saudade. Como se aquela ausência fosse o único troféu de sua vida. 
Não tinham passado nem semanas desde que meu pai se volatilizara quando, numa certa noite, não me desceu o sono. 
Eu estava pressentimental, incapaz de me guardar no leito. Fui ao quarto dos meus pais. Minha mãe lá estava, envolta 
no lençol até à cabeça. Acordei-a. O seu rosto assomou à penumbra doce que pairava. Estava sorridente. 
– Não faça barulho, meu filho. Não acorde seu pai. 
– Meu pai? 
– Seu pai está aqui, muito comigo. 
Levantou-se com cuidado de não desalinhar o lençol. Como se ocultasse algo debaixo do pano. Foi à cozinha e serviu-
se de água. Sentei-me com ela, na mesa onde se acumulavam as panelas do jantar. 
– Como eu o chamei, quer saber? 
Tinha sido o seu cantar. Que eu não tinha notado, porque o fizera em surdina. Mas ela cantara, sem parar, desde que 
ele saíra. E agora, olhando o chão da cozinha, ela dizia: 
– Talvez uma minha voz seja um pano; sim, um pano que limpa o tempo. 
 
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No dia seguinte, a mãe cumpria a vontade de domingo, comparecida na igreja, seu magro joelho cumprimentando a 
terra. Sabendo que ela iria demorar eu voltei ao seu quarto e ali me deixei por um instante. A porta do armário 
escancarada deixava entrever as entranhas da sombra. Me aproximei. A surpresa me abalou: de novo se enfunavam os 
vestidos, cheios de formas e cores. De imediato, me virei a espreitar a caixa onde se guardavam as lembranças de 
namoro de meus pais. A tinta regressara ao papel, as cartas de meu velho pai se haviam recomposto? Mas não abri. 
Tive medo. Porque eu, secretamente, sabia a resposta. 
Saí no bico do pé, quando senti minha mãe entrando. E me esgueirei pelo quintal, deitando passo na estrada de areia. 
Ali me retive a contemplar a casa como que irrealizada em pintura. Entendi que por muita que fosse a estrada eu nunca 
ficaria longe daquele lugar. Nesse instante, escutei o canto doce de minha mãe. Foi quando eu vi a casa esmorecer, 
engolida por um rio que tudo inundava. 
 
http://www.carlaportugues.com.br/site/wp-content/uploads/2013/03/COUTO-Mia-O-Fio-das-missangas.pdf 
 
 
1.” Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da 
corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção 
de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança.” Qual é a função das descrições que compõem esse trecho 
considerando o tema do texto? 
2. “. Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá 
fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre” Identifique e interprete as adjetivações feitas 
nesse trecho e explique: elas são produtos de um mesmo recurso expressivo? 
3. “Era um choro delgadinho, um fio de água, um chilrear de morcego.” A palavra destacada possui sentido denotativo 
ou conotativo? Qual efeito é produzido por meio do uso do diminutivo? 
4.Explique o processo das adjetivações feitas e as interprete. “Eu estava pressentimental, incapaz de me guardar no 
leito” 
“O seu rosto assomou à penumbra doce que pairava no ar”.

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