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Romance Romântico Prof. Mariana Neto Página 1 de 7 1. (Ita 2019) Senhora, de José de Alencar, é uma obra representativa do Romantismo porque apresenta a) um par romântico que, para se casar, enfrenta a rivalidade de suas famílias. b) personagens masculinas cuja retidão de caráter é sempre inabalável. c) importantes cenários naturais, circunscritos ao ambiente urbano. d) o protagonista moldado irreversivelmente pela educação e pelo meio social. e) uma protagonista virtuosa e movida sobretudo pelo sentimento amoroso. 2. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) A alegria ainda morou na cabana, todo o tempo que as espigas de milho levaram para amarelecer. Uma alvorada, caminhava o cristão pela borda do mar. Sua alma estava cansada. O colibri sacia-se de mel e perfume; depois adormece em seu branco ninho de cotão, até que volta no outro ano a lua das flores. Como o colibri, a alma do guerreiro também satura-se de felicidade, e carece de sono e repouso. A caça e as excursões pelas montanhas em companhia do amigo, as carícias da terna esposa que o esperavam na volta, e o doce carbeto no copiar da cabana, já não acordavam nele as emoções de outrora. Seu coração ressonava. Quando Iracema brincava pela praia, os olhos do guerreiro retiravam-se dela para se estenderem pela imensidade dos mares. Viram umas asas brancas, que adejavam pelos campos azuis. Conheceu o cristão que era uma grande igara de muitas velas, como construíam seus irmãos; e a saudade da pátria apertou-lhe no seio. O trecho acima integra o romance Iracema, de José de Alencar. Dele não se pode afirmar que a) revela o arrefecimento das emoções do personagem, acometido por um sentimento que o distancia das ações cotidianas de seu grupo. b) indicia a duração e a passagem do tempo, marcadas por fenômeno da natureza. c) revela mudança dos humores causada pelo sentimento de saudade por um bem antigo e distante. d) caracteriza um texto cuja linguagem se marca pela função emotiva, já que trata dos sentimentos do personagem. 3. (Fuvest 2018) Leia o texto e responda ao que se pede. – Não veem teus olhos lá o formoso jacarandá, que vai subindo às nuvens? A seus pés ainda está a seca raiz da murta* frondosa, que todos os invernos se cobria de rama e bagos vermelhos, para abraçar o tronco irmão. Se ela não morresse, o jacarandá não teria sol para crescer tão alto. José de Alencar, Iracema. *murta: arbusto, árvore pequena. a) É possível relacionar a imagem da murta ao destino de Iracema no romance? Explique. b) A frase “Se ela não morresse, o jacarandá não teria sol para crescer tão alto” pode ser entendida como uma alegoria do processo de colonização do Brasil? Explique. 4. (Enem PPL 2018) Talvez julguem que isto são voos de imaginação: é possível. Como não dar largas à imaginação, quando a realidade vai tomando proporções quase fantásticas, quando a civilização faz prodígios, quando no nosso próprio país a inteligência, o talento, as artes, o comércio, as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e se desenvolve? Na ordem dos melhoramentos materiais, sobretudo, cada dia fazemos um passo, e em cada passo realizamos uma coisa útil para o engrandecimento do país. ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013. No fragmento da crônica de José de Alencar, publicada em 1854, a temática nacionalista constrói-se pelo elogio ao(à) a) passado glorioso. b) progresso nacional. c) inteligência brasileira. d) imponência civilizatória. e) imaginação exacerbada. 5. (Unesp 2018) Esse autor introduziu no romance brasileiro o índio e os seus acessórios, aproveitando-o ou em plena selvageria ou em comércio com o branco. Como o quer representar no seu ambiente exato, ou que lhe parece exato, é levado a fazer também, se não antes de mais ninguém, com talento que lhe assegura a primazia, o romance da natureza brasileira. (José Veríssimo. História da literatura brasileira, 1969. Adaptado.) Tal comentário refere-se a a) Aluísio Azevedo. b) José de Alencar. c) Manuel Antônio de Almeida. d) Basílio da Gama. e) Gonçalves Dias. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para responder à(s) questão(ões), considere o texto abaixo. Os poetas do nosso Romantismo atestam diferentes estações do nosso nacionalismo e das ideias, dominantes ou libertárias, que vicejaram ao longo do século XIX. Há em Gonçalves Dias uma exaltação do índio, que não hesitou em dotar de algumas virtudes aristocráticas caprichosamente combinadas com as da vida natural; há em Castro Alves o voo de condor para ideais humanistas, em combate aos horrores da escravidão. Mesmo o lirismo intimista de um Álvares de Azevedo não deixa de ecoar algo dos mestres europeus que, como Byron ou Victor Hugo, ampliam os contornos da vida subjetiva para que ela venha a ocupar o centro de um palco público, interpretando sentimentos e aspirações da época. DOMIGUES, Alaor, inédito. 6. (Puccamp 2018) O que nesse texto se afirma sobre Gonçalves Dias é extensivo à prosa de a) Manuel Antônio de Almeida, quando se pensa na inflexão histórica que este deu à sua obra. b) Machado de Assis, em cujos livros expandiu-se igualmente o anseio de afirmação nacional. c) José de Alencar, quando se pensa em sua ficção voltada para os mitos fundadores e para a natureza. d) Raul Pompeia, por conta do caráter intimista e autobiográfico de seu principal romance. e) Bernardo Guimarães, tendo em vista a dura análise que fez este dos costumes burgueses Página 2 de 7 7. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2017) Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jatí não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Do trecho acima que integra o romance Iracema, de José de Alencar, não se pode afirmar que a) a caracterização de Iracema, da forma como é feita no romance, revela, acima de tudo, sua alma e o fino tratamento psicológico de uma personagem feminina o qual lhe é atribuído pelo autor. b) as sucessivas comparações servem para idealizar a protagonista, e em todas elas a personagem Iracema é dada como superior. c) a profusão de linguagem figurada, usada ao longo do romance, tanto para caracterizar a personagem quanto suas ações, pode dar a ele o estatuto de um poema em prosa. d) as inúmeras comparações de seus atos com o comportamento de diferentes animais e vegetais na selva, demonstram que a personagem é pura aparência, reveladora de sua beleza original. 8. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2017) “Os olhos de Iracema, estendidos pela floresta, viram o chão juncado de cadáveres de seus irmãos; e longe o bando dos guerreiros tabajaras que fugia em nuvem negra de pó. Aquele sangue que enrubescia a terra, era o mesmo sangue brioso que lhe ardia nas faces de vergonha. O pranto orvalhou seu lindo semblante. Martim afastou-se para não envergonhar a tristeza de Iracema.” O trecho acima integra a obra Iracema, publicada em 1865 por José de Alencar. Considerando este romance em sua inteireza, do trecho em questão, NÃO É CORRETO afirmar que a) revela o desfecho da luta entre os pitiguaras e os tabajaras, tribos inimigas, no meio da qual Iracema sofre as consequências de uma opção amorosa. b) configura o dilema afetivo da virgem posta entre o amor do esposo, amigo dos inimigos de sua tribo e a lealdade aos irmãos vencidos em guerra pelos pitiguaras. c) desvela as imagens trágicas que os olhos de Iracemarefletem e o sentimento de vergonha que a faz corar e que a acomete pela escolha inescapável que fizera. d) indicia o choro de arrependimento e remorso pela aventura amorosa vivida entre Iracema e Martim, cujo desenrolar pressagia um destino final trágico para o par romântico. 9. (Pucsp 2017) Desde então os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os campos onde serpeja o rio. O trecho acima integra o romance Iracema, de José de Alencar. Considerando a obra como um todo, o trecho em pauta se refere a) à morte de Iracema após o nascimento de Moacir e seu sepultamento junto a uma carnaúba, na fronde da qual canta ainda a jandaia. b) às consequências das guerras entre as tribos pitiguara e tabajara pela conquista e manutenção da terra brasileira contra o domínio dos invasores franceses. c) ao desfecho trágico do relacionamento amoroso de Iracema e Martim, provocado pela vingança de Irapuã, pretendente preterido pela virgem. d) ao castigo recebido por Iracema, guardadora dos segredos da jurema, por quebra do voto de castidade ao tornar-se esposa de Martim. 10. (Unifesp 2017) Caracterizou-o sempre um sincero amor pelas coisas de sua terra, pela sua gente, e se existe obra que possa ser chamada de brasileira, é a dele. Se seus assuntos eram o homem e a terra do Brasil, apanhados no Norte, no Sul, no Centro, a forma por que os explorava era também brasileira, pela sintaxe que empregava e pelos modismos que introduzia. O Brasil do campo e o das cidades está presente em sua obra, assim como o homem da sociedade, o homem da rua e o trabalhador rural. Abarcou os aspectos mais variados da nossa sensibilidade e da nossa formação, constituindo sua obra um painel a que nada falta, inclusive o índio, que nela tem participação considerável. (José Paulo Paes e Massaud Moisés (orgs). Pequeno dicionário de literatura brasileira, 1980. Adaptado.) Tal comentário refere-se ao escritor a) Machado de Assis. b) Manuel Antônio de Almeida. c) José de Alencar. d) Aluísio Azevedo. e) Guimarães Rosa. 11. (Upe-ssa 2 2017) O Romantismo não é só um período literário, ele também é um movimento que abarca as artes plásticas. Assim, analise as imagens a seguir. Página 3 de 7 Acerca dos textos acima, assinale com V as afirmativas Verdadeiras e com F as Falsas. ( ) É possível afirmar que esses textos têm em comum complexos valores ideológicos, próprios da expressão plástica romântica. ( ) A Imagem 1 expressa uma das temáticas do Romantismo, isto é, a liberdade contra a tirania. ( ) A Imagem 2 dialoga com o Romantismo por tratar de uma temática cara aos românticos, que é a exaltação do passado histórico e de caráter nacionalista. ( ) A Imagem 3 expressa, de forma dramática, a tragédia de um naufrágio. Nessa obra, é possível identificar uma das características do Romantismo, a hipervalorização dos sentimentos, tanto as do mundo físico natural como as emoções pessoais. ( ) A Imagem 4 dialoga com a obra de José de Alencar, O Uraguai, cuja protagonista é Iracema. A sequência CORRETA, de cima para baixo é: a) V – V – V – V – F b) F – F – V – V – F c) F – V – V – F – F d) V – V – V – F – V e) V – F – V – F – V 12. (Ita 2017) Na ficção romântica, em geral, o destino das personagens femininas é a felicidade pelo casamento ou a morte trágica. Nesse aspecto, Til, de José de Alencar, traz um final inovador, resultante do amadurecimento de Berta após conhecer a história de Besita, sua mãe. Podemos afirmar isso acerca do romance em questão, pois Berta a) recusa-se a se casar com Miguel quando descobre ser filha incógnita de Luís Galvão. b) abre mão do casamento, ainda que com algum sofrimento, optando por cuidar de Zana e Brás. c) aceita ser reconhecida legalmente como filha por Luís Galvão, mostrando- se mais flexível que a mãe. d) enfrenta o assédio de Jão Fera, que violentou Besita. e) assassina Ribeiro, como vingança pela morte da mãe. 13. (Unesp 2018) De fato, este romance constitui um dos poucos romances cômicos do romantismo nacional, afastando-se dos traços idealizantes que caracterizam boa parte das obras “sérias” dos autores de então. O modo pelo qual este romance pinta a sociedade, representado-a a partir de um ângulo abertamente cômico e satírico, também era relativamente novo nas letras brasileiras do século XIX. (Mamede Mustafa Jarouche. “Galhofa sem melancolia”, 2003. Adaptado.) O comentário refere-se ao romance a) O cortiço, de Aluísio Azevedo. b) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. c) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. d) Iracema, de José de Alencar. e) Macunaíma, de Mário de Andrade. 14. (Upe-ssa 2 2017) Texto 1 Amor Amemos! Quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão! Na tu‘alma, em teus encantos E na tua palidez E nos teus ardentes prantos Suspirar de languidez! Quero em teus lábios beber Os teus amores do céu, Quero em teu seio morrer No enlevo do seio teu! Quero viver d´esperança, Quero tremer e sentir! Na tua cheirosa trança Quero sonhar e dormir! Vem, anjo, minha donzela, Minh‘alma, meu coração! Que noite, que noite bela! Como é doce a viração! E entre os suspiros do vento Da noite ao mole frescor, Quero viver um momento, Morrer contigo de amor! Álvares de Azevedo Página 4 de 7 Texto 2 Era no tempo do rei. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo – O canto dos meirinhos –; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo. Daí sua influência moral. Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Sobre os textos 1 e 2, analise as proposições a seguir e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas. ( ) O Texto 1 tematiza o amor como sentimento da ação interior do sujeito, deixando transparecer seu estado afetivo; revela a intimidade de um amor irresoluto e ambivalente. ( ) O poeta Álvaro de Azevedo transita entre um amor humano e um amor divino, numa tentativa de equacionar seus desejos pela mulher amada e pela imagem de mulher divinizada. ( ) A obra Memórias de um Sargento de Milícias caracteriza-se como uma novela, ao apresentar uma sequência de células dramáticas, ou episódios semelhantes a capítulos, posicionados numa ordem linear temporal. ( ) O Texto 2, fragmento de Memórias de um Sargento de Milícias, caracteriza-se como um romance, e é baseado nos valores sociais, contemporâneos ao autor da obra. A sequência CORRETA, de cima para baixo, é: a) F – V – V – F b) V – V – V – F c) V – F – V – V d) V – V – F – V e) V – V – F – F 15. (Ufrgs 2016) Assinale a alternativa correta sobre autores do Romantismo brasileiro. a) Gonçalves Dias, autor dos célebres Canção do exílio e I-Juca-Pirama, dedicou a maioria de seus poemas à temática da escravidão.b) Joaquim Manuel de Macedo, em A Moreninha, afasta-se da estética romântica em muitos pontos, especialmente no tom paródico adotado pelo narrador que ridiculariza a sociedade burguesa fluminense. c) Álvares de Azevedo, em A noite na taverna, desvincula-se do nacionalismo paisagista e indianista e ingressa no universo juvenil da angústia, do erotismo e do sarcasmo. d) Manuel Antônio de Almeida, em Memórias de um sargento de milícias, vincula-se à estética romântica, em especial porque se centra em personagens da classe média urbana fluminense. e) Castro Alves é o principal poeta do indianismo romântico, pois toma o índio como figura prototípica da nacionalidade. 16. (Enem PPL 2013) — Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque o velho militar não tirava os olhos de vós; ora, conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria esperar um instante no jardim... MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento). O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, há um diálogo entre dois personagens. A fala transcrita revela um falante que utiliza uma linguagem a) informal, com estruturas e léxico coloquiais. b) regional, com termos característicos de uma região. c) técnica, com termos de áreas específicas. d) culta, com domínio da norma padrão. e) lírica, com expressões e termos empregados em sentido figurado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O diplomata ajusta, com um copo de champagne na mão, os mais intrincados negócios; todos murmuram, e não há quem deixe de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo, e o moço goza todos os regalos da sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu; estão no seu elemento: aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais surde, às vezes, um bravíssimo inopinado, que solta de lá da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida no écarté, mesmo na ocasião em que a moça se espicha completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e marchando em seu passeio, mais a compasso que qualquer de nossos batalhões da Guarda Nacional, ao mesmo tempo que conversam sempre sobre objetos inocentes que movem olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de uma gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de doces que veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que, diz, lhe ficaram em casa. Ali vê-se um ataviado dandy que dirige mil finezas a uma senhora idosa, tendo os olhos pregados na sinhá, que senta- se ao lado. Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos. E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis conduziram da corte para a ilha de... senhoras e senhores, recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra em toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto. Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que com aturado empenho se esforçam para ver qual delas vence em graças, encantos e donaires, certo sobrepuja a travessa Moreninha, princesa daquela festa. (Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha, 1997.) 17. (Unifesp 2013) Levando em conta o contexto em que floresceu a literatura romântica, as informações textuais refletem, com a) ufanismo, uma vida social de bem-aventurança. b) desprezo, a cultura de uma sociedade poderosa. c) entusiasmo, uma sociedade frívola e hipócrita. d) nostalgia, os valores de uma sociedade decadente. e) amenidade, uma visão otimista da realidade social. 18. (Uel 2019) Leia a seguir o fragmento retirado da obra O demônio familiar, de José de Alencar. CENA XIII - Alfredo, Azevedo Alfredo – É raro encontrá-lo agora, Sr. Azevedo. Já não aparece nos bailes, nos teatros. Azevedo – Estou-me habituando à existência monótona da família. Alfredo – Monótona? Azevedo – Sim. Um piano que toca; duas ou três moças que falam de modas; alguns velhos que dissertam sobre a carestia dos gêneros alimentícios e a diminuição do peso do pão; eis um verdadeiro tableau de família no Rio de Janeiro. Se fosse pintor faria um primeiro prix au Conservatoire des Arts. Alfredo – E havia de ser um belo quadro, estou certo; mais belo sem dúvida do que uma cena de salão. Azevedo – Ora, meu caro, no salão tudo é vida; enquanto que aqui, se não fosse essa menina que realmente é espirituosa, D. Carlotinha, que faríamos, senão dormir e abrir a boca? Página 5 de 7 Alfredo – É verdade; aqui dorme-se, porém sonha-se com a felicidade; no salão vive-se, mas a vida é uma bem triste realidade. Em vez de um piano há uma rabeca; as moças não falam de modas, mas falam de bailes; os velhos não dissertam sobre a carestia, mas ocupam-se com a política. Que diz deste quadro, Sr. Azevedo, não acha que também vale a pena de ser desenhado por um hábil artista, para a nossa “Academia de Belas-Artes”? Azevedo – A nossa “Academia de Belas-Artes”? Pois temos isto aqui no Rio? Alfredo – Ignorava? Azevedo – Uma caricatura, naturalmente... Não há arte em nosso país. Alfredo – A arte existe, Sr. Azevedo, o que não existe é o amor dela. Azevedo – Sim, faltam os artistas. Alfredo – Faltam os homens que os compreendam; e sobram aqueles que só acreditam e estimam o que vem do estrangeiro. Azevedo (Com desdém) — Já foi a Paris, Sr. Alfredo? Alfredo – Não, senhor; desejo, e ao mesmo tempo receio ir. Azevedo – Por que razão? Alfredo – Porque tenho medo de, na volta, desprezar o meu país, ao invés de amar nele o que há de bom e procurar corrigir o que é mau. [...] ALENCAR, J. O demônio familiar. 4.ed. São Paulo: Martin Claret, 2013. p.90-92. Com base na obra O demônio familiar, de José de Alencar, responda aos itens a seguir. a) A cena ressalta uma temática comumente explorada por José de Alencar. Indique qual é essa temática e explique como a cena a aborda. b) De acordo com a temática indicada no item a), aponte a personagem que mais se aproxima das concepções defendidas por Alencar. Justifique sua resposta. Página 6 de 7 Gabarito: Resposta da questão 1: [E] [A] Incorreto. Seixas e Aurélia não pertencem a famílias rivais. [B] Incorreto. Seixas é um personagem com caráter duvidoso, uma vez que, até certo momento, preocupa-se bastante em obedecer ao padrão elitista de vida. [C] Incorreto. Senhora é um romance urbano. [D] Incorreto. O protagonista tem seus hábitos alterados a partir do surgimento do amor verdadeiro. [E] Correto. Aurélia mostra retidão de caráter e tem suas ações guiadas pelo amor que sente em relação a Seixas. Resposta da questão 2: [D] [A] Verdadeiro. “Como o colibri, a alma do guerreiro também satura-se de felicidade, e carece de sono e repouso” indica o arrefecimento do personagem. [B] Verdadeiro. A passagem de tempo é medida pela natureza, como se verifica em “A alegria ainda morou na cabana, todo o tempo que as espigas de milho levaram para amarelecer”. [C] Verdadeiro. A saudade é revelada em “A caça e as excursões pelas montanhas em companhia do amigo, as carícias da terna esposa que o esperavam na volta, e o doce carbeto no copiar da cabana, já não acordavam nele as emoções de outrora”. [D] Falso. Há predomínio da função poética, uma vez que o autor emprega expressões metafóricas para ilustrar não apenas a passagem do tempo como também os sentimentos das personagens.Resposta da questão 3: a) Sim, a imagem da murta que, ao morrer, permite que o jacarandá se desenvolva e cresça pode ser associado ao destino de Iracema, que se sacrifica e definha até a morte para salvar o homem amado. b) Sim, a frase “Se ela não morresse, o jacarandá não teria sol para crescer tão alto” pode ser entendida como uma alegoria do processo de colonização do Brasil. Sob essa perspectiva, a murta representaria o povo indígena que se sacrifica para que o povo brasileiro pudesse ser beneficiado com a colonização europeia, representada, na alegoria, pela imagem do jacarandá. Resposta da questão 4: [B] No fragmento da crônica de José de Alencar, “Ao correr da pena”, publicada em 1854, são inúmeras as referências ao crescimento cultural, social e econômico experimentado pela sociedade brasileira da época, o que permite deduzir que a temática nacionalista vai sendo construída pelo elogio ao progresso nacional, como se transcreve em [B]. Resposta da questão 5: [B] O comentário de José Veríssimo refere-se, genericamente, à trilogia indianista de José de Alencar, “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”. Estes três romances obedecem a um projeto estético-ideológico de fundar uma identidade nacional na qual o nativo da terra teria cumprido papel fundamental nos primórdios da colonização (“Iracema” e “O guarani”) e mesmo em tempo anterior à chegada do elemento europeu (“Ubirajara”). Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 6: [C] As opções [A], [B], [D] e [E] citam autores cujas obras não desenvolvem temática indianista como a de Gonçalves Dias, pois [A] Manuel Antônio de Almeida, em “Memórias de um sargento de milícias”, retrata as classes média e baixa, algo muito incomum para a época, quando os romances retratavam os ambientes aristocráticos e da burguesia local; [B] a de Machado é extensa e variada, abrangendo eventos de sua época ou de cunho universal e intemporal, dissecando os mais intricados conflitos da condição humana; [D] Raul Pompeia, em “O ateneu”, critica a sociedade brasileira do final do século XIX, tomando como metáfora o colégio, um lugar onde vence sempre o mais forte; [E] Bernardo de Guimarães, representante do Romantismo regionalista brasileiro e autor de “A Escrava Isaura”, foca a escravidão dos negros no Brasil. Assim, é correta a opção [C], pois, nas obras de José de Alencar, o índio, pela bondade, nobreza e valentia de suas atitudes, ganha tons lendários e míticos à semelhança de "o bom selvagem" de Rousseau ou do cavaleiro medieval europeu, na tentativa de afirmação de identidade nacional. Resposta da questão 7: [A] No trecho em destaque, vemos uma descrição física de Iracema, “a virgem dos lábios de mel”. Por meio de uma série de metáforas que a comparam com elementos da natureza, temos um quadro físico da protagonista do romance de José de Alencar. O mesmo não se pode afirmar do psicológico ou da “alma” de Iracema: não há um tratamento psicológico dado à personagem. Resposta da questão 8: [D] A alternativa [D] está incorreta, uma vez que Iracema chora pela perda de seus irmãos que haviam sido mortos, e não por ter se arrependido. Pelo contrário, apesar de sofrer as contradições de seu amor, ela continua fiel a Martim até o final da narrativa, quando o casal é separado definitivamente pela morte de Iracema. Resposta da questão 9: [A] Este trecho faz parte do desfecho do romance, no qual Iracema morre, deixando seu filho recém-nascido Moacir. A jandaia, desde então, começou a cantar sobre o “túmulo” de Iracema na carnaúba e assim “os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza”. Resposta da questão 10: [C] A amplitude temática e espaço-temporal, assim como a preocupação em representar a cultura brasileira através da sintaxe e modismos que introduzia nas suas obras a que o texto de José Paulo Paes e Massaud Moisés fazem referência estão patentes no conjunto de obras de José de Alencar. Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 11: [A] Verdadeira. As imagens representam valores caros ao Romantismo. As imagens 1 e 3 fazem menção ao combatido estilo de arte clássico: Delacroix Página 7 de 7 retrata o elemento feminino em um contexto violento, ressaltando a liberdade pós contexto de tirania, e Géricault retoma a questão da violência pela ocorrência de canibalismo após o naufrágio que o inspirou, no típico exagero sentimental romântico; já as imagens 2 e 4 representam o Nacionalismo no Brasil, nação recém-independente. Verdadeira. Delacroix retrata o elemento feminino em um contexto violento, ressaltando a liberdade pós contexto de tirania. Verdadeira. A Batalha dos Guararapes foi um episódio brasileiro marcado pelo embate de brasileiros contra invasores holandeses no século XVII. Verdadeira. Géricault retoma a questão da violência pela ocorrência de canibalismo após o naufrágio que o inspirou, no típico exagero sentimental romântico. Falsa. Iracema é um romance indianista de José de Alencar, retratado por José Maria de Medeiros. Resposta da questão 12: [B] A protagonista Berta apresenta características de grande humildade, abnegação e amor ao próximo, típicas de personagens descritos e cultuados em textos hagiográficos. É correta a opção [B], pois Berta abre mão de seu amor por Miguel para cuidar de Zana, uma escrava, e de Brás, um deficiente. Resposta da questão 13: [C] A caracterização de um romance inserido na estética romântica da época, mas que escapa às características típicas desse mesmo movimento, permite deduzir que o autor se refere a “Memórias de um sargento de milícias” (malandro como personagem principal, apresentação do cotidiano das classes média e baixa do Rio de Janeiro, linguagem simples e o tom de comicidade, entre outros). Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 14: [B] Verdadeira. No Texto 1, o eu lírico mostra sua intenção de viver o amor com sua amada, porém mostra ambiguidades, ao mencionar fazer referência a um amor simultaneamente idealizado e carnal e, finalmente, afirmar: “Quero viver um momento, / Morrer contigo de amor!” Verdadeira. Tal ambivalência de Álvares de Azevedo é muito bem ilustrada em “Quero em teus lábios beber / Os teus amores do céu, / Quero em teu seio morrer / No enlevo do seio teu!”. Verdadeira. Publicado originalmente em folhetim, Memórias de um Sargento de Milícias relata a formação do malandro Leonardinho, desde criança até se tornar Sargento de Milícias. Falsa. Memórias de um Sargento de Milícias foi publicado em 1852, porém refere-se ao Brasil Colonial, uma vez que sua oração inicial é “Era no tempo do Rei.”. Resposta da questão 15: [C] A alternativa [A] está incorreta, pois Gonçalves Dias ficou conhecido por dedicar-se ao indianismo. Está incorreta também a alternativa [B], já que A moreninha é justamente um dos primeiros romances do Romantismo brasileiro por trazer vários elementos desse movimento, como a idealização do amor puro, a cultura nacional (por meio da lenda da gruta), o registro de costumes (e não a sua ridicularização) e o final feliz. Quanto à alternativa [D], embora a obra Memórias de um sargento de milícias possa ser vinculada à estética romântica pelo registro de costumes, a impulsividade dos personagens e o final feliz, de fato promove uma inversão do Romantismo. O humor ocupa o centro da narrativa e o herói romântico sofre uma “carnavalização”. Por isso é considerada uma obra que faz a transição para o Realismo, e isso se dá justamente por centrar-se em personagens de classes sociais mais baixas. Já a alternativa [E] não está correta porque Castro Alves se dedicou à temática dos negros escravizados e ficou conhecido como o “poeta dos escravos”. Resposta da questão 16: [D] A concordância entre o sujeito (vós) e overbo (podíeis), o emprego do objeto direto e indireto a partir da contração entre “lhe” e “o” e a colocação pronominal seguindo o padrão da Gramática Normativa indicam que a linguagem empregada seja culta – como bem defendiam os autores românticos ao retratar a elite do país. Resposta da questão 17: [E] Publicado em 1844, o romance “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, atende ao interesse do público leitor da época, constituído sobretudo por uma burguesia alienada e ávida por uma literatura que correspondesse às projeções dos seus anseios pessoais em frequentar ambientes luxuosos e conviver com a nata da sociedade. Assim, as descrições detalhadas do sarau e a idealização dos personagens ofereciam condições e qualidades que despertavam sensação de prazer e bem-estar, expressando uma visão otimista da realidade social, como se afirma em [E]. Resposta da questão 18: a) Observa-se a presença do nacionalismo predominante nesta cena. Alfredo e Azevedo dialogam sobre o convívio familiar e os bailes de salão e, neste primeiro momento, notam-se termos pronunciados em francês por Azevedo, que mostra apreço pelos bailes, pela França e pela cultura francesa em geral, em detrimento da cultura brasileira. O diálogo segue, e sobressai, na fala de Alfredo, a necessidade de valorização do país, como nos fragmentos: “Faltam os homens que os compreendam; e sobram aqueles que só acreditam e estimam o que vem do estrangeiro.” ou “Porque tenho medo de, na volta, desprezar o meu país, ao invés de amar nele o que há de bom e procurar corrigir o que é mau.”. b) O nacionalismo e a necessidade de valorização do Brasil estão explícitos nas falas de Alfredo. Essa preferência é reforçada na discussão entre as personagens; enquanto Alfredo enaltece a “Academia de Belas-Artes” no Rio de Janeiro, Azevedo diz não saber de sua existência e considera que não existam arte e artistas no Brasil, demonstrando preferir o estrangeiro. Alfredo representa a personagem nacionalista.