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Exercícios 
Angústia, Graciliano Ramos 
Profª Mari Neto 
 
 
Página 1 de 2 
 
1. (Fuvest 2020) O que eu precisava era ler um romance fantástico, um 
romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações 
absurdas, não andassem magoando‐se, traindo‐se. Histórias fáceis, sem 
almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. 
 
Graciliano Ramos, Angústia. 
 
Se o discurso literário “aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o”, 
pode‐se dizer que Luís da Silva, o narrador-protagonista de Angústia, já 
não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” 
porque 
a) rejeita, como jornalista, a escrita de ficção. 
b) prefere alienar‐se com narrativas épicas. 
c) é indiferente às histórias de fundo sentimental. 
d) está engajado na militância política. 
e) se afunda na negatividade própria do fracassado. 
 
2. (Fuvest 2020) Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, 
povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao 
gosto do público. Solilóquio doido, enervante. 
 
Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro 
Angústia. 
 
Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público 
na medida em que compõe uma atmosfera 
a) dramática, ao representar as tensões de seu tempo. 
b) grotesca, ao eliminar a expressão individual. 
c) satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso. 
d) ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo. 
e) alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira. 
 
3. (Fuvest 2020) Observe as seguintes capas que o artista Santa Rosa 
desenhou para o livro Angústia, de Graciliano Ramos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a) Comente o episódio figurado na capa de 1941 (primeira imagem), 
analisando a posição de Luís da Silva na cena. 
 
b) Comente o episódio figurado na capa de 1947 (segunda imagem), 
analisando a posição de Luís da Silva na cena. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: [E] 
 
O romance “Angústia”, narrado pelo personagem principal, o funcionário 
público Luís da Silva, apresenta estrutura autobiográfica de um homem 
atormentado por acontecimentos do presente e lembranças confusas do 
passado, isolamento e complexo de inferioridade, que vai confessando, 
para si mesmo, a história de um amor mal resolvido e de um crime. De 
mestre-escola em propriedades rurais, mendigo na capital, revisor de 
jornal e até funcionário público, é marcado pelo fracasso a ponto de se 
sentir incapaz de vencer as adversidades que lhe vão surgindo. Assim, o 
relato traça o perfil psicológico de um indivíduo atormentado pela traição, 
pelo sentimento de perda e baixa autoestima, o que explica o fato de o 
personagem se ter tornado insensível ao sentimentalismo das “histórias 
fáceis, sem almas complicadas”, afundando-se na negatividade própria do 
fracassado, como mencionado em [E]. 
 
Resposta da questão 2: [A] 
 
A referência a romances escritos com o intuito de agradar ao público leitor 
alude aos folhetins românticos com cenários e personagens idealizados 
que não se coadunavam com a realidade dramática do momento histórico 
dos anos trinta no Brasil. Em “Angústia”, embora a narrativa se prenda à 
análise do mundo interior dos personagens, apresenta, paralelamente, o 
contexto sócio-político em que vive cada um, representando as tensões 
daquele tempo, como se afirma em [A]. 
 
Resposta da questão 3: 
a) A capa da segunda edição retrata o momento em que Luís da Silva se 
encontra com Marina, sua vizinha, separados por uma cerca que 
simbolizaria a inviabilidade do relacionamento amoroso entre ambos. 
 
b) Na capa de 1947, a figura central é o rosto aterrorizado de Julião 
Tavares sendo estrangulado por alguém que não se vê. Luís da Silva, o 
assassino, é apenas representado por um braço, o que reforça a ação 
violenta de um homem em completa ausência de racionalidade e portador 
de sérios transtornos emocionais.

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