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1 UFRGS 2017 Assinale a alternativa correta sobre Men-
sagem, de Fernando Pessoa.
A Mensagem traz as marcas da vanguarda sensacio-
nista, na medida em que busca articular a história
de Portugal ao mito, em um mesmo poema.
b A imagem do mar expressa simbolicamente a
busca do infinito, que poderia apaziguar as almas
atormentadas de Fernando Pessoa e de seus he-
terônimos.
 Fernando Pessoa, nessa obra publicada em vida,
deu voz a seus heterônimos para expor uma visão
poética e múltipla sobre a história portuguesa.
d Dom Sebastião é uma figura central para com-
preender Mensagem e a expectativa de uma
possível redenção de Portugal.
E Os heróis da navegação portuguesa, símbolos do
processo civilizacional, cristão, levado aos povos
colonizados, são euforicamente celebrados em
Mensagem.
2 Uespi 2012 Sobre A Confissão de Lúcio, de Mário de
Sá-Carneiro, é correto afirmar:
A Ricardo de Loureiro, português assim como Lúcio,
era conhecido como o poeta das Brasas.
b No primeiro encontro entre Lúcio e Gervásio Vila-
-Nova, este lhe fala de uma nova escola literária: o
“Banalismo”.
 O principal traço psicológico de Gervásio Vila-Nova
era jamais falar da sua obra.
d Gervásio Vila-Nova é um personagem que se ca-
racteriza pelo intenso otimismo com a vida.
E Como escultor, a obra de Gervásio Vila-Nova se ca-
racteriza por perseguir uma estética realista.
3 Uespi 2012 Mário de Sá-Carneiro, ao lado de Fernando
Pessoa, Almada-Negreiros e Tomás de Almeida, entre
outros, fundou em 1915, em Portugal, a revista Orpheu.
Além de ser uma revista de princípios estetizantes e
esotéricos, qual outro traço programático se pode re-
conhecer nesta publicação?
A Os colaboradores da revista Orpheu perseguiam
uma poesia realista e de cunho social.
b A busca por uma poesia científica terminou por
caracterizar toda a produção poética da geração
Orpheu.
 Há visivelmente nesta geração influências do hu-
manismo e do racionalismo renascentista.
d A poesia veiculada pela revista Orpheu é alucina-
da, chocante e irreverente.
E A geração Orpheu exalta o progresso de Portugal e
defende apaixonadamente o seu regime monárquico.
4 Unifesp 2013 Leia o poema “Prece”, de Fernando Pessoa.
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
PESSOA, Fernando. Mensagem, 1995.
Extraído do livro Mensagem, o poema pode ser con-
siderado nacionalista, na medida em que o eu lírico:
A apresenta Portugal como uma nação decadente, que
não faz jus ao seu passado de heroísmo e glórias.
b inspira-se no passado de heroísmo do povo portu-
guês que, no presente, já não acredita na sua história.
 busca reviver o sonho de uma nação grandiosa, can-
tando um Portugal almejado por seus feitos gloriosos.
d reconhece o desejo de o povo português glorificar
seus heróis, o que não foi possível até o seu presente.
E descreve o Portugal de seu tempo como uma na-
ção gloriosa e marcada por histórias de heroísmo.
Instrução: Para a próxima questão, marque V (verda-
deiro) ou F (falso).
5 UFPE 2014 Mensagem foi o único livro que Fernan-
do Pessoa publicou em vida. Nele, estão reunidos
poemas de caráter nacionalista, que compõem uma
unidade significativa. Sobre essa obra e seu autor,
analise as afirmações a seguir.
J 0-0 Mensagem é uma obra que trata do caráter
heroico do povo português e está composta
em versos regulares. Dessa forma, é possível
classificá-la como uma epopeia.
J 1-1 Fernando Pessoa era adepto do sebastianismo e
evocou o rei D. Sebastião em seu livro, no afã de
transformar Portugal no Quinto Império, o que re-
vela o sentimento monárquico do poeta português.
J 2-2 Em Mensagem, Fernando Pessoa deixa claro
seu nacionalismo fervoroso, pois acreditava que
Portugal pudesse voltar a ser o grande império
de outrora, exercendo seu poder político-eco-
nômico sobre o mundo.
J 3-3 “Mar Português” é um dos poemas presentes na
obra em análise. Nele, o poeta personifica o mar,
que há de reconhecer a disposição dos portu-
gueses para enfrentar todos os tipos de revezes,
no ideal de conquistar as terras do além-mar.
J 4-4 Nos versos de Mensagem, pode-se perceber
que a Pátria é de natureza espiritual. Pessoa
procura fazer renascer Portugal através dos mi-
tos nacionais, particularmente o da Saudade,
“sangue espiritual da Raça”.
Exercícios propostos
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 11 Modernismo em Portugal: o começo340
6 UFGD 2014 Leia o poema de Fernando Pessoa, pre-
sente em Ficções do interlúdio:
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
A propósito do poema apresentado, é correto armar
que:
A O poema é de autoria do heterônimo Ricardo Reis,
como provam a atitude contemplativa e as referên-
cias a personagens da mitologia greco-latina.
b O eu lírico defende que pensar e teorizar sobre a
realidade é melhor do que vivenciá-la e senti-la, já
que seus “pensamentos são todos sensações”.
 O poema é de autoria do heterônimo Alberto
Caeiro, autor de “O guardador de rebanhos”, e um
entusiasta da modernidade e da tecnologia viven-
ciadas nas grandes cidades.
d O poema é de autoria do heterônimo Álvaro de
Campos, autor da série “O guardador de reba-
nhos”, e defensor de uma reflexão metafísica sobre
a natureza.
E O eu lírico defende que é mais importante vivenciar
a natureza, através do culto dos sentidos, do que
estabelecer um discurso racional sobre ela.
7 UEL 2012 “Uma noite, porém, finalmente, uma noite
fantástica de branca, triunfei! Achei-A... sim, criei-A!...
criei-A... Ela é só minha – entendes? – é só minha!...
Compreendemo-nos tanto, que Marta é como se fora a
minha própria alma. Pensamos da mesma maneira; igual-
mente sentimos. Somos nós-dois... Ah! e desde essa noite
eu soube, em glória soube, vibrar dentro de mim o teu
afeto – retribuir-to: mandei-A ser tua! Mas, estreitando-te
ela, era eu próprio quem te estreitava... Satisfiz a minha
ternura: Venci! E ao possuí-la, eu sentia, tinha nela, a
amizade que te devera dedicar – como os outros sentem
na alma as suas afeições. Na hora em que a achei – tu
ouves? – foi como se a minha alma, sendo sexualizada,
se tivesse materializado. E só com o espírito te possuí
materialmente! Eis o meu triunfo... Triunfo inigualável!
Grandioso segredo!...” [...]
Tínhamos chegado. Ricardo empurrou a porta bru-
talmente...
Em pé, ao fundo da casa, diante de uma janela, Marta
folheava um livro...
A desventurada mal teve tempo para se voltar...
Ricardo puxou de um revólver que trazia escondido no
bolso do casaco e, antes que eu pudesse esboçar um ges-
to, fazer um movimento, desfechou-lho à queima-roupa...
Marta tombou inanimada no solo... Eu não arredara
pé do limiar...
E então foi o mistério... o fantástico mistério da minha
vida...
Ó assombro! Ó quebranto! Quem jazia estiraçado
junto da janela, não era Marta – não! –, era o meu amigo,
era Ricardo... E aos meus pés – sim, aos meus pés! – caíra
o seu revólver ainda fumegante!...
Marta, essa desaparecera, evolara-se em silêncio,
como se extingue uma chama...
SÁ-CARNEIRO, Mário de. A confissão de Lúcio.
São Paulo: Princípio, 1994. p. 93-5.
Em A conssão de Lúcio, o narrador inicia a histó-
ria dizendo que escrevia o livro com o intuito de se
defender da acusação de assassinato que pesava
sobre ele.
A partir do texto, considere as armativas a seguir.I. Lúcio tenta provar a sua inocência, revelando que
a verdadeira assassina era Marta, cujo desapare-
cimento fez recair a culpa sobre ele.
II. Lúcio envolve o leitor em uma aura de mistério,
deixando em aberto o final da história, e indica
uma possível relação homossexual entre ele e
Ricardo.
III. O narrador desiste de provar a sua inocência e
confessa ter matado o amigo após uma violenta
briga causada por ciúmes da amante.
IV. O narrador acena com a possibilidade de Marta
não existir fisicamente, sendo apenas uma proje-
ção dos dois amigos.
Assinale a alternativa correta.
A Somente as afirmativas I e II são corretas.
b Somente as afirmativas II e IV são corretas.
 Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
8 Fuvest 2014 Considere o seguinte texto, para atender
ao que se pede:
O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso
próprio mérito; a vaidade, a consciência (certa ou errada)
da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um
homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser
ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois
tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso.
É difícil à primeira vista compreender como podemos ter
consciência da evidência do nosso mérito para os outros,
sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza
humana fosse racional, não haveria explicação alguma.
Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e
mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na
evolução da mente, a noção de causa interior desse mes-
mo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que
não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a
vaidade em ação.
Fernando Pessoa, Da literatura europeia.
F
R
E
N
T
E
 2
341
a) Considerando-a no contexto em que ocorre, ex-
plique a frase “o homem vive a princípio uma vida
exterior, e mais tarde uma interior”.
) Reescreva a frase “O homem prefere ser exaltado
por aquilo que não é, a ser tido em menor conta
por aquilo que é”, substituindo por sinônimos as
expressões sublinhadas.
9 Unicamp 2016 Leia o poema “Mar Português”, de Fer-
nando Pessoa.
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/fpesso03.html.
Acesso em: 18 dez. 2017.
No poema, a apóstrofe, uma gura de linguagem, indi-
ca que o enunciador
A convoca o mar a refletir sobre a história das nave-
gações portuguesas.
b apresenta o mar como responsável pelo sofrimen-
to do povo português.
 revela ao mar sua crítica às ações portuguesas no
período das navegações.
d projeta no mar sua tristeza com as consequências
das conquistas de Portugal.
10 Unesp 2017 Carpe diem: Esse conhecido lema, extraído
das Odes do poeta latino Horácio (65 a.C.-8 a.C.), sinte-
tiza expressivamente o seguinte motivo: saber aproveitar
tudo o que se apresente de positivo (mesmo que pouco)
e transitório.
Renzo Tosi. Dicionário de sentenças latinas e gregas, 2010. Adaptado.
Das estrofes extraídas da produção poética de Fernando
Pessoa (1888-1935), aquela em que tal motivo se manifes-
ta mais explicitamente é:
A Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
b Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
 Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
d Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
E Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
11 Unesp 2018 Ricardo Reis é, assim, o heterônimo clássico,
ou melhor, neoclássico: sua visão da realidade deriva da
Antiguidade greco-latina. Seus modelos de vida e de poe-
sia, buscou-os na Grécia e em Roma.
(Massaud Moisés. “Introdução”. In: Fernando Pessoa. O guardador de
rebanhos e outros poemas, 1997.)
Levando-se em consideração esse comentário, per-
tencem a Ricardo Reis, heterônimo de Fernando
Pessoa (1888-1935), os versos:
A Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas
Com a sua poesia também, e todo o novo gênero
de vida
Comercial, mundana, intelectual, sentimental,
Que a era das máquinas veio trazer para as almas.
b Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
 Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente temos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
d À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da
fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos
antigos.
E O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a ngir que é dor
A dor que deveras sente.
12 PUC-SP
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 11 Modernismo em Portugal: o começo342

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