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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 2 Trovadorismo, Humanismo e Classicismo: as origens da Literatura em Língua Portuguesa250
22 Identifique a que movimento literário pertence cada
um dos textos.
23 IFSP 2013 São características das obras do Classicismo:
A o individualismo, a subjetividade, a idealização, o
sentimento exacerbado.
b o egocentrismo, a interação da natureza com o eu,
as formas perfeitas.
 o contraste entre o grotesco e o sublime, a valori-
zação da natureza, o escapismo.
D a observação da realidade, a valorização do eu, a
perfeição da natureza.
E a retomada da mitologia pagã, a pureza das for-
mas, a busca da perfeição estética.
24 Enem
Texto I
XLI
Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004. (Fragmento).
Texto II
Transforma-se o amador na cousa amada
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
CAMÕES. Sonetos. Disponível em: <www.jornaldepoesia.jor.br>.
Acesso em: 3 set. 2010. (Fragmento).
Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Ca-
mões, a temática comum é:
A o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que
se realiza por meio de uma espécie de fusão de
dois seres em só.
b a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos
versos de Hilda Hilst, a afirmação do eu lírico de
que odeia a si mesmo.
 o “outro” que se confunde com o eu lírico, verifi-
cando-se, porém, nos versos de Camões, certa
resistência do ser amado.
D a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o
ódio ou o amor se produzem no imaginário, sem a
realização concreta.
E o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados,
nos textos I e II, respectivamente, o ódio e o amor.
25 Enem 2012
LXXVIII (Camões, 1525?-1580)
Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;
Presença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;
Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:
Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.
CAMÕES, L. Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.
R. Sanzio (1483 1520). A mulher com o unicórnio. Roma, Galleria Borghese.
Disponível em: <www.arquipelagos.pt>. Acesso em: 29 fev. 2012.
A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas
linguagens artísticas diferentes, participaram do mes-
mo contexto social e cultural de produção pelo fato
de ambos
A apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo
unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos
usados no poema.
b valorizarem o excesso de enfeites na apresentação
pessoal e na variação de atitudes da mulher, evi-
denciadas pelos adjetivos do poema.
 apresentarem um retrato ideal de mulher marcado
pela sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela
postura, expressão e vestimenta da moça e os ad-
jetivos usados no poema.
D desprezarem o conceito medieval da idealização
da mulher como base da produção artística, evi-
denciado pelos adjetivos usados no poema.
E apresentarem um retrato ideal de mulher marcado
pela emotividade e o conflito interior, evidenciados
pela expressão da moça e pelos adjetivos do poema.
F
R
E
N
T
E
 2
251
26 Mackenzie
Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
“Trovas”. SÁ DE MIRANDA, poeta português do século XVI.
No texto,
A tematiza-se a angústia de uma identidade dilacera-
da entre o eu e o mim.
b tematiza-se o anseio do poeta no sentido de ascen-
der a um plano espiritual, livre do perigo mundano.
 o poeta associa o tema do “desconcerto do mun-
do” aos conflitos do amor, revelando a notória
influência que sofreu da poesia camoniana.
D o poeta lamenta a crise por que passa o homem
quinhentista, caracterizada pela dicotomia entre
corpo e espírito: “Comigo me desavim”.
E Sá de Miranda, marcado pelo egocentrismo típico
de sua época, denuncia a luta entre o indivíduo e
o meio em que vive: “sou posto em todo perigo”.
27 Mackenzie 2015
Sete anos de pastor Jacob servia
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
CAMÕES, Luís de.
Sobre o Classicismo, movimento literário surgido na
época do Renascimento, ao qual a crítica vincula Luís de
Camões, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
A destaca-se o predomínio da razão sobre o senti-
mento nas composições artísticas.
b há a libertação dos dogmas da Igreja, mas sem o
desaparecimento, por completo, da religiosidade.
 destaca-se a presença da mitologia greco-latina
nas composições artísticas.
D há a preocupação e valorização da perfeição for-
mal nas composições literárias.
E destaca-se o relato realista, por vezes com enfoque
determinista, sobre os eventos narrados nas compo-
sições artísticas.
28 IFSP 2014 Leia a letra da canção “De volta pro aconchego”.
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero,
Um abraço para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade.
Que bom poder tá contigo de novo
Roçando teu corpo e beijando você
Pra mim tu és a estrela mais linda
Teus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter.
É duro ficar sem você vez em quando,
Parece que falta um pedaço de mim.
Me alegro na hora de regressar,
Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim.
DOMINGUINHOS; CORDEL, Nando.
Um barzinho, um violão: novelas anos 80.
Universal Music e Zecapagodiscos, 2013.
Em “De volta pro aconchego”, o eu lírico expressa a
intensidade de seus sentimentos pela mulher amada.
Semelhante situação ocorre em poemas escritos por
Camões, o que se comprova pelos versos:
A A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra.
b Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
 Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
D O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.
E Vossos olhos, Senhora, que competem
Co Sol em formosura e claridade,
Enchem os meus de tal suavidade,
Que em lágrimas, de vê-los, se derretem.
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 2 Trovadorismo, Humanismo e Classicismo: as origens da Literatura em Língua Portuguesa252
29 Uepa 2012 A questão estética, na passagem de um es-
tilo para o outro, pode conter certo tipo de violência
simbólica. A estética em vigor costuma não admitir a
utilização das formas da anterior. Porém, o Classicis-
mo português em Camões consegue a superação
desse procedimento ao utilizar a medida velha em
seus poemas. Diante do exposto, examine as alterna-
tivas e marque aquela que demonstre tal afirmação.
A Agora Tu, Calíope, me ensina
O que contou ao Rei o Ilustre da Gama;
Inspira imortal, canto e voz divina
b Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
 Chove nela graça tanta,
Pois Meus olhos não cansam de chorar
Tristezas, que não cansam de cansar-me
D Pois não abranda o fogo em que abrasar-me
Três fermosos outeiros se mostravam,
Erguidos com soberba graciosa,
Que de gramíneo esmalte lhe adornavam,
E Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda a confiança;Todo mundo é composto de mudança.
Textos para as questões 30 e 31.
Texto I
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
(CAMÕES, Luís de. Rimas: Primeira parte, Sonetos. In: Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 284.)
Texto II
XXXII
Se os poucos dias, que vivi contente,
Foram bastantes para o meu cuidado,
Que pode vir a um pobre desgraçado,
Que a ideia de seu mal não acrescente!
Aquele mesmo bem, que me consente,
Talvez propício, meu tirano fado,
Esse mesmo me diz, que o meu estado
Se há de mudar em outro diferente.
Leve pois a fortuna os seus favores;
Eu os desprezo já; porque é loucura
Comprar a tanto preço as minhas dores:
Se quer, que me não queixe, a sorte escura,
Ou saiba ser mais firme nos rigores,
Ou saiba ser constante na brandura.
(COSTA, Cláudio Manoel da. In: A poesia dos inconfidentes. Org.
Domício Proença Filho. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 65)
30 UFJF 2015 Na última estrofe do soneto de Camões
(texto I), o eu lírico constata que:
A a mudança cotidiana de valores gera espanto.
b tudo se transforma diariamente no mundo.
 o bem e o mal deixam marcas eternas.
D o próprio processo de mudança é instável.
E o tempo converte o verde em neve e o canto em
choro.
31 UFJF 2015 Quanto à conclusão, em que diferem os tex-
tos I e II?
A enquanto o eu-lírico do texto I demonstra resigna-
ção, o do texto II reclama.
b enquanto o eu-lírico do texto I demonstra apatia, o
do texto II se rebela.
 enquanto o eu-lírico do texto I demonstra impaciên-
cia, o do texto II espera.
D enquanto o eu-lírico do texto I demonstra tristeza, o
do texto II se alegra.
E enquanto o eu-lírico do texto I demonstra fé, o do
texto II duvida.
32 UFJF 2016
O dia em que nasci moura e pereça
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
CAMÕES, Luis Vaz de. 200 sonetos. Porto Alegre: L&PM, 1998.
No poema de Camões a visão de mundo expressa
pelo eu lírico está baseada na ideia de:
A alegria de viver.
b valorização da natureza.
 sentimento órfico.
D manifestação divina.
E desconcerto do mundo.
33 Unicamp 2018
Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

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