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INSTRUMENTAÇÃO W BA 07 57 _v 1. 1 22 © 2019 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Rosana Yasue Narazaki Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Lopes, Giancarlo Michelino Gaeta L864i Instrumentação/ Giancarlo Michelino Gaeta Lopes, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019. 130 p. ISBN 978-85-522-1496-0 1. Medição. 2. Indústria. I. Lopes, Giancarlo Michelino Gaeta. II. Título. CDD 620 Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ mailto:editora.educacional%40kroton.com.br?subject= http://www.kroton.com.br/ 3 3 INSTRUMENTAÇÃO SUMÁRIO Apresentação da disciplina 4 Parâmetros e terminologia de instrumentação 6 Métodos e características de medição 24 Medição de grandezas físicas em processos industriais 41 Válvulas de controle de pressão e vazão 59 Atuadores 74 Aquisição e interpretação de dados 90 Aplicações de sensores na indústria 110 44 Apresentação da disciplina Dentro de um processo industrial, a medição das grandezas físicas ali presentes é essencial para que o controle e automação do processo funcionem satisfatoriamente. Assim, conhecer os sensores e transdures que podem ser utilizados na automação, sabendo determinar qual tecnologia utilizar em cada aplicação, é fundamental para aquele profissional que trabalha na indústria. Desta forma, essa disciplina vem apresentar desde a terminologia e representação gráfica utilizada para a representação dos instrumentos de medição até os modelos de equipamentos que podem ser utilizados para a medição das mais diversas grandezas pertinentes a um processo industrial, passando pelos tipos de atuadores e válvulas que podem ser utilizadas para o controle desse processo. O foco dos estudos da disciplina se dá sobre os equipamentos que são utilizados para uma medição, porém também são apresentadas noções de eletrônica que permitem o condicionamento de sinais de sensores, por exemplo. Portanto, conhecendo os tipos e tecnologias de sensores para as mais diversas medições, você estará apto a montar o seu próprio sensor e realizar a instrumentação de qualquer processo. No decorrer da disciplina são apresentados os principais tipos de sensores utilizados na indústria para medição de temperatura, nível, pressão, força, vazão, proximidade/posição, dentre outros. Além disso, são apresentadas metodologias para a instalação desses sensores, bem como o tipo de sinais que eles podem gerar e a forma em que esses dados coletados podem ser visualizados dentro da automação. É fundamental para o estudo da disciplina que você tenha uma noção geral da operação de uma indústria e consiga perceber como a medição de alguns parâmetros é obrigatória em alguns casos. Desta forma, você conseguirá fazer analogias entre os conceitos estudados e a sua aplicabilidade dentro de um sistema de controle. 55 5 Não deixe de resolver os exercícios ao final de cada tema e consultar as leituras complementares, pois elas são fundamentais para o seu futuro profissional. Também tente resolver os problemas propostos no Teoria em Prática antes de assistir aos vídeos para você comparar o resultado que chegou com aquele apresentado na aula. Bons estudos! 666 Parâmetros e terminologia de instrumentação Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Adquirir conhecimento da terminologia básica relacionada à instrumentação industrial. • Reconhecer os principais parâmetros físicos de processos industriais. • Conhecer as principais classificações dos instrumentos. • Identificar a simbologia associada aos instrumentos e equipamentos. 77 7 1. Introdução A instrumentação utiliza-se de instrumentos que medem, indicam, registram, transmitem, monitoram e controlam processos industriais. Neste sentido, compreender os diferentes conceitos que concernem à instrumentação é de grande relevância estratégica, pois, segundo Amaral (2012), permitem, entre outras características: • Otimizar processos; • Incrementar e controlar a qualidade de produtos de forma mais econômica e rápida; • Aumentar a produção; • Reduzir nocividades ao meio ambiente; • Substituir o trabalho humano em tarefas repetitivas ou perigosas. Neste estudo serão abordados os principais parâmetros físicos envolvidos no processo de controle industrial. Também serão expostas a terminologia e simbologia básica utilizada em instrumentação. 2. Parâmetros físicos Formalmente, um parâmetro, ou grandeza física, pode ser definido como a “propriedade de um fenômeno, de um corpo ou de uma substância que pode ser expressa quantitativamente sob a forma de um número e de uma referência” (INMETRO, 2012, p.2). Tais parâmetros físicos possuem normalmente um valor numérico, uma indeterminação e uma unidade. Por exemplo, uma temperatura pode ser indicada por 500 ± 3 °C e uma pressão pode ser denotada como 200 ± 2 bar (FIALHO, 2010). Em todos os processos industriais, conhecer e controlar parâmetros físicos como pressão, vazão, temperatura, nível, pH, condutividade, velocidade, umidade, dimensão, concentração de gases e massa são altamente desejáveis, ou até mesmo indispensáveis. 88 ASSIMILE Conhecer a indeterminação da grandeza física é de extrema importância em processos que exigem grande precisão. Neste caso, é necessária a adoção de equipamentos especiais. Por exemplo, em medições de dimensão, o uso de um paquímetro pode ser preferível ao uso de uma régua ou trena. Por sua vez, um micrômetro pode ser preferível a um paquímetro. Outro exemplo seria a adoção de uma balança analítica para a medição de massa em casos em que a precisão de uma balança semianalítica não é suficiente. Nas indústrias, os parâmetros físicos são normalmente denominados variáveis de processo. Os instrumentos que verificam e controlam as variáveis permitem mantê-las constantes, objetivando o aumento de produção, a melhor qualidade e a diminuição dos riscos. Uma possível classificação dessas variáveis é de acordo com relação a suas características físicas, conforme (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011): • Variáveis térmicas: associadas às características dependentes da energia térmica do material. Por exemplo: temperatura, entropia, calor específico; • Variáveis de força: associadas com modificações dos corpos em relação ao movimento (ou repouso). Por exemplo: peso, momento de torque, pressão, vácuo; • Variáveis de radiação: associadas aos fenômenos de absorção, emissão, propagação e reflexão, energia no espaço, em materiais ou de forma corpuscular. Por exemplo: radiações nuclear e eletromagnética, raios X, raios cósmicos; • Variáveis de quantidade: associadas à porção de material presente em determinado momento ou entre limites particulares. Por exemplo: massa a uma gravidade local, mols de material, volume; truckDestacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 99 9 • Taxa de variáveis: associadas ao afastamento ou à aproximação de um material em relação a uma referência ou à repetição de um evento. Por exemplo: vazão de um fluido, aceleração, vibração mecânica, frequência, velocidade angular; • Variáveis de propriedades físicas: como o próprio nome diz, estão associadas às características físicas do material, com exceção de quando se referem à composição química ou massa. Por exemplo: dureza, densidade, viscosidade, características estruturais; • Variáveis elétricas: associadas às características de eletricidade. Por exemplo: corrente, tensão, impedância, indutância, capacitância; • Variáveis de composição química: associadas ao exame de substâncias químicas, bem como de suas propriedades. Por exemplo: análise quantitativa de CH4, NOx, CO2, pH, solventes. 3. Classificação dos instrumentos Segundo o Vocabulário Internacional de Metrologia (INMETRO, 2012), um instrumento de medição consiste em um dispositivo designado para efetuar medições, de forma individual ou em conjunto com outros dispositivos. Um instrumento de medição pode ser um sistema eletrônico, mecânico ou eletromecânico, que abrange um ou mais sensores (ou um ou mais transdutores) a dispositivos com funções específicas de processamento de determinada variável (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011). Há diferentes métodos de classificação de instrumentos. Uma sugestão é sua classificação por: • Localização; • Função; • Tipo de sinal. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 1010 3.1 Localização Em relação à localização, os instrumentos podem ser classificados em 2 categorias: • Instrumentos de painel ou uso interno; • Instrumentos de campo ou uso externo. 3.2 Função Para que seja realizada uma tarefa específica, pode ser necessária a combinação de diferentes instrumentos. A composição dos instrumentos é denominada malha e seus instrumentos são classificados de acordo com a função exercida (VIANA, 1999). As diferentes funções que proporcionam o funcionamento de uma malha de forma esperada são executadas por instrumentos para controle de processos (ALVES, 2017). Segundo Alves (2017) e NBR 8190 (ABNT, 1983), de acordo com a função desempenhada, os instrumentos mais comumente encontrados numa malha de controle são: • Elemento primário, sensor ou detector: parte de uma malha ou de um instrumento que primeiro percebe o ambiente e pelo qual pode-se detectar as modificações do valor da variável de processo; • Transmissor: dispositivo que percebe uma variável por meio de um elemento primário e produz uma saída no instrumento receptor de valor geralmente proporcional ao valor da variável de processo; • Indicador: dispositivo que mostra o valor de uma variável de processo, sem interferir no processo; • Registrador: dispositivo que armazena os valores de uma variável de processo de forma digital ou gráfica; • Controlador: dispositivo cuja função é manter uma variável de processo em um valor predeterminado. O dispositivo geralmente compara os valores medidos e predeterminado e, baseado na diferença, envia um sinal para corrigir a variável manipulada até que a diferença seja nula; truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 1111 11 • Unidade aritmética: dispositivo que efetua operações nos sinais de entrada baseado em expressões e gera uma saída que exprime o resultado da operação; • Integrador: dispositivo que integra quantidades medidas em relação ao tempo e indica o valor resultante; • Conversor: dispositivo que gera uma saída padronizada, diferente do sinal de entrada; • Elemento final de controle: dispositivo que modifica o valor de uma variável de processo, levando-o ao valor desejado. Válvulas são os exemplos mais comuns desse tipo; • Chave: dispositivo que conecta, desconecta ou transfere circuitos de forma automática ou manual. Sua saída pode ser usada para atuar alarmes, lâmpadas-piloto, intertravamento ou sistema de segurança. PARA SABER MAIS Controladores lógicos programáveis (CLPs) integram algumas das funcionalidades descritas acima e são muito utilizados por sua robustez e praticidade. Esses dispositivos possuem entradas e saídas (analógicas ou digitais), memória, unidade de processamento, visores, permitem comunicação, entre outras vantagens. Há diferentes formas de programá-los, entre elas linguagens textuais – lista de instruções (IL) e texto estruturado (ST) – e linguagens gráficas – de blocos funcionais (FBD), diagrama sequencial (SFC ou Grafcet) e diagrama de escada (Ladder). Normalmente, cada fabricante permite a utilização de algumas delas. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 1212 3.3 Tipo do sinal Os principais tipos de sinais transmitidos em processos de instrumentação resumem-se em pneumático, hidráulico, elétrico analógico e digital, conforme apresentado em Viana (1999) e Amaral (2012). Tipo pneumático Em um instrumento do tipo pneumático, a pressão de um gás comprimido é modificada com o objetivo de atender ao valor a ser representado. A variação da pressão do gás é realizada de forma linear em uma faixa específica, padronizada internacionalmente, para representar a variação de uma grandeza partindo de seu limite inferior até atingir seu limite superior. As principais vantagens e desvantagens desse sinal encontram-se no Quadro 1. Quadro 1 – Vantagens e desvantagens do tipo de sinal pneumático. Vantagens Desvantagens Pode-se operar com segurança em áreas de risco de explosão (centrais de gás ou refinarias de petróleo, por exemplo). Necessita de tubulação de ar comprimido (ou outro gás) para seu funcionamento e suprimento. Equipamentos auxiliares como compressor, filtro, desumidificador e unidade de tratamento são necessários para o fornecimento de ar seco e sem partículas sólidas aos instrumentos. Não pode ser enviado à longa distância (acima de 100 m) devido ao atraso que ocorre na transmissão do sinal, tornando necessário o uso de reforçadores. Há uma dificuldade na detecção de vazamentos ao longo da linha de transmissão ou mesmo nos instrumentos. Não permite conexão direta a computadores. É um fluido compressível. Fonte: Baseado em Viana (1999) e Amaral (2012). Tipo hidráulico Em um instrumento do tipo hidráulico, a variação de pressão exercida em óleos hidráulicos é utilizada para transmitir o sinal. Esse tipo de sinal é especialmente solicitado em aplicações onde é necessário um torque elevado ou quando o processo envolve pressões elevadas. As principais vantagens e desvantagens desse sinal encontram-se no Quadro 2. truck Destacar 1313 13 Quadro 2 – Vantagens e desvantagens do tipo de sinal hidráulico Vantagens Desvantagens Podem acionar equipamentos de grande peso e dimensão. Possuem resposta rápida. Fluido incompressível. Tubulações de óleo para transmissão e suprimento são necessárias. Necessita de troca e inspeção periódica do nível de óleo. Equipamentos auxiliares, tais como reservatório, filtros e bombas são necessários. Fonte: Baseado em Viana (1999) e Amaral (2012). Tipo elétrico analógico Em um instrumento do tipo elétrico analógico, o sinal é linearmente modulado em uma faixa padronizada de corrente ou tensão, representando o conjunto de valores de uma variável partindo de seu limite inferior até atingir seu limite superior. As principais vantagens e desvantagens desse sinal encontram-se no Quadro 3. Quadro 3 – Vantagens e desvantagens do tipo de sinal elétrico analógico Vantagens Desvantagens Permite transmissão para longas distâncias sem atenuações. A alimentação de instrumentos pode ser feita pelos próprios condutores que levam o sinal de transmissão. Necessita de poucos equipamentos auxiliares. Permite fácil conexão aos computadores. Fácil implantação de circuitos para a realizaçãode operações matemáticas. Instalações localizadas em áreas de riscos exigem a utilização de instrumentos e cuidados especiais. É necessária proteção dos cabos de sinal contra ruídos elétricos. Fonte: Baseado em Viana (1999) e Amaral (2012). Tipo elétrico digital Em um instrumento do tipo elétrico digital, o sinal correspondente a informações sobre a variável medida ou relacionadas ao processo são enviados para uma estação receptora através de sinais digitais modulados e padronizados, utilizando protocolos de comunicação (por exemplo Hart, Fieldbus, Profbus, Modbus e CAN). As principais vantagens e desvantagens desse sinal encontram-se no Quadro 4. 1414 Quadro 4 – Vantagens e desvantagens do tipo de sinal elétrico digital Vantagens Desvantagens Pode utilizar diferentes meios (cabos elétricos, fibra óptica, wireless) para a transmissão dos dados. É relativamente imune a ruídos externos. Permite diferentes configurações, identificação de falhas e reparos em qualquer ponto da malha. Existência de vários protocolos e tecnologias no mercado, dificultando a comunicação entre equipamentos de marcas diferentes. No caso de rompimento no cabo de comunicação sem redundância, pode-se perder a informação ou controle de malha. Fonte: Baseado em Viana (1999) e Amaral (2012). 4. Terminologia e simbologia dos instrumentos A norma NBR 8190, elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1983), apresenta uma simbologia gráfica para representar os instrumentos e suas funções nas malhas de controle e instrumentação (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2011). Conhecer tal simbologia é importante, pois permite a identificação de todos os instrumentos presentes em um sistema quando analisamos o seu diagrama. Segundo essa norma, a identificação funcional de cada instrumento ocorre primariamente por um conjunto de letras para classificá-lo funcionalmente. O significado de cada letra pode ser observado no Quadro 5. Quadro 5 – Identificação funcional de cada instrumento Le tr as Primeira letra Letras subsequentes Variável medida ou inicial Modificadora Função de Informação ou passiva Função Final Modificadora A Analisador - Alarme - - B Chama de queimador - Indefinida Indefinida Indefinida C Condutividade Elétrica - - Controlador - 1515 15 D Densidade ou massa específica Diferencial - - - E Tensão elétrica - Elemento primário - - F Vazão Razão (fração) - - - G Medida dimensional - Visor - - H Comando manual - - - Alto I Corrente elétrica - Indicador - - J Potência Varredura ou seletor - - - L Nível - Lâmpada piloto - Baixo M Umidade - - - Médio N Indefinida - Indefinida Indefinida Indefinida O Indefinida - Orifício de restrição - - P Pressão ou vácuo - Ponto de teste - - Q Quantidade ou evento Integrador ou totalizador - - - R Radioatividade - Registrador - - S Velocidade ou frequência Segurança - Chave - T Temperatura - - Transmissor - U Multivariável - Multifunção Multifunção Multifunção V Viscosidade - - Válvua - W Peso ou força - Poço - - X Não classificada - Não classificada Não classificada Não classificada Y Indefinida - - Relé ou computação - Z Posição - - Elemento final de controle não classificado - Fonte: ABNT (1983, p. 53). 1616 Conforme o Quadro 5, a primeira letra de identificação está relacionada à variável medida pelo instrumento. Por exemplo, E indica tensão elétrica, F indica vazão e M indica umidade. A primeira letra pode estar acompanhada de uma modificadora, que pode ser diferencial (D), Razão/Fração (F), Varredura do seletor (J), Integrador/Totalizador (Q) ou Segurança (S). As letras subsequentes indicam, nesta ordem, a função de informação ou passiva e a função final. Esse par de letras também pode ser acompanhado de uma letra modificadora. Adicionalmente, pode-se seguir um número para identificar a malha a qual determinado instrumento pertence e, se há mais de um instrumento com a mesma função em uma mesma malha, adota-se um sufixo. O Quadro 6 mostra um exemplo dessa notação. Quadro 6 – Exemplo do uso da identificação funcional de um instrumento I IC 1 A Primeira letra (passível de uma segunda letra modificadora) Letras subsequentes Número da malha Sufixo (opcional) Identificação funcional Identificação da malha Fonte: Elaborado pelo autor baseado em ABNT (1983, p.6). O instrumento no exemplo do Quadro 6 representa um controlador e indicador de corrente elétrica, localizado na malha 1. Nessa malha há mais de um instrumento desse tipo, por isso foi necessário o acréscimo do sufixo A após o número da malha. Além da identificação por letras e números quanto à funcionalidade do instrumento, há diferentes símbolos utilizados. Para linhas de instrumentos, adota-se a referência apresentada na Figura 1. 1717 17 Figura 1 – Símbolo dos sinais de instrumentação. Fonte: Alves (2017, p. 17). Além disso, diagramas de Piping and Instrumentation (P&I) são amplamente utilizados para ilustrar as etapas em um processo de instrumentação, descrevendo os elementos de medida utilizados, tipos de controle e interconexão com o processo propriamente dito (ROURE, 2018). ou 1818 Pela convenção da norma Instrumentation Symbols and Identification (ISA) -S5.1 (ANSI, 2009), o formato do símbolo (círculo, círculo com quadrado, hexágono, losângulo com quadrado) identifica o tipo de instrumento. Por sua vez, de acordo com os elementos internos do símbolo, é possível determinar sua localização, como mostra a Figura 2. Figura 2 – Símbolos gerais de instrumentos Fonte: Alves (2017, p.18). A identificação do instrumento por letras e números convencionalmente situa-se internamente dos símbolos de P&I. Por exemplo, um transmissor de densidade conectado externamente na malha 3 se simboliza tal qual na Figura 3. 1919 19 Figura 3 – Exemplo de símbolo de instrumento externo DT 3 Fonte: Elaborada pelo autor. Por outro lado, um registrador de densidade localizado no painel é simbolizado como na Figura 4. Figura 4 – Exemplo de símbolo de instrumento interno. DR 3 Fonte: Elaborada pelo autor. Nesses exemplos foi possível verificar a utilização da terminologia e simbologia básica de instrumentação. Além disso, nessa leitura fundamental foram apresentadas as principais classificações de instrumentos (quanto à localização, função e tipo de sinal). Não obstante, verificou-se a importância de parâmetros físicos em processos industriais e sua classificação quanto às características físicas, mostrando a relevância da instrumentação dentro de um processo industrial. TEORIA EM PRÁTICA Considere que você foi recém contratado para ser o responsável pelo sistema de automação de uma indústria química. A sua primeira tarefa é realizar a manutenção em uma malha de controle de pressão, que possui o diagrama conforme o apresentado na Figura 5. 2020 Figura 5 – Malha de controle de pressão industrial. Fonte: Adaptada de Trierweiler (S.N., p.9). Para que consiga prestar a manutenção, você deve conhecer todos os dispositivos que integram essa malha de controle. Quais são os dispositivos presentes nessa automação? Qual a instrumentação utilizada? Como é feita a ligação desses dispositivos? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Diferentes parâmetros físicos podem estar envolvidos em um processo de controle industrial. De acordo com Balbinot e Brusamarello (2011), assinale a alternativa que relaciona corretamente o tipo de variável com seu exemplo: a. Térmica – entropia truck Destacar 2121 21 b. Força – dureza c. Quantidade – densidade d. Composição química – raios X e. Elétricas – frequência 2. Os instrumentos podem ser classificados em relação ao tipo de sinal transmitido, sendo os sinais pneumático, hidráulico, elétrico e digital os principais entre eles. Das alternativas a seguir, qual representa uma desvantagem do tipo de sinal digital? a. Possibilidade de transmissão de dados por diferentes meios. b. Existência de diferentes protocolos no mercado. c. Possibilidadede diferentes configurações do instrumento. d. Sensibilidade a ruídos relativamente alta. e. Necessidade de tubulações com fluidos. 3. A NBR 8190 propõe uma norma para a identificação de instrumentos, que é considerada o padrão na indústria. Qual seria a nomenclatura de um registrador controlador de umidade localizado na malha 2? a. RCU2. b. U2CR. c. 2RCU. d. MRC2. e. M2RC. truck Destacar truck Destacar 2222 Referências bibliográficas ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8190/1983. Disponível em: http://www.unifieo.br/files/20134249941.pdf. Acesso em: 02 mar. 2019. ALVES, J. L. L. Instrumentação, Controle e Automação de Processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. AMARAL, C. Conceitos Básicos de Instrumentação. 2012. Disponível em: http:// paginapessoal.utfpr.edu.br/camaral/instrumentacao-industrial/2%20-%20 Simbologia.pdf/view. Acesso em: 05 mar. 2019. ANSI. American National Standard. ISA-5.1-2009, Instrumentation Symbols and Identification. Disponível em: https://www.academia.edu/29405724/ Instrumentation_Symbols_and_Identification. Acesso em: 18 mar. 2019. BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, J. V. Instrumentação e Fundamentos de Medidas. v. 1. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. FIALHO, A. B. Instrumentação Industrial - Conceitos, Aplicações e Análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. ROURE, M. de. Instrumentação Industrial – Entenda de uma vez por todas. 2018. Disponível em: https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial- guia-completo/. Acesso em 02 mar. 2019. THOMAZINI, D.; ALBUQUERQUE, P. U. B. de. Sensores Industriais - Fundamentos e Aplicações. 8. ed. São Paulo: Érica, 2011. VIANA, U. B. Instrumentação Básica – Pressão e Nível – Instrumentação. Departamento Regional do Espírito Santo, SENAI, Espírito Santo, 1999. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Vocabulário Internacional de Metrologia: Conceitos fundamentais e gerais e termos associados. Duque de Caxias, RJ, 2012. TRIERWEILER, J. O. Instrumentação na indústria química. GIMSCOP, Departamento de Engenharia Química, UFRGS. Disponível em: http://www. producao.ufrgs.br/arquivos/disciplinas/492_pei_3.pdf. Acesso em 08 mar. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: A Dureza se refere a variáveis de propriedades físicas, bem como densidade (portanto, (b) e (c) estão erradas). Raios X se enquadram na categoria variáveis de radiação na classificação apresentada. Frequência se refere a uma taxa de variável, não a uma propriedade elétrica. Entropia é uma variável térmica, de tal forma que a leta (a) é a correta. http://paginapessoal.utfpr.edu.br/camaral/instrumentacao-industrial/2%20-%20Simbologia.pdf/view http://paginapessoal.utfpr.edu.br/camaral/instrumentacao-industrial/2%20-%20Simbologia.pdf/view http://paginapessoal.utfpr.edu.br/camaral/instrumentacao-industrial/2%20-%20Simbologia.pdf/view https://www.academia.edu/29405724/Instrumentation_Symbols_and_Identification https://www.academia.edu/29405724/Instrumentation_Symbols_and_Identification https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial-guia-completo/ https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial-guia-completo/ http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/disciplinas/492_pei_3.pdf http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/disciplinas/492_pei_3.pdf truck Destacar 2323 23 Questão 2 – Resposta: B As letras (a) e (c) indicam vantagens do sinal digital. A letra (d) não é uma verdade sobre o sinal digital, que na realidade é relativamente imune a ruídos. A letra (e) é uma desvantagem dos sinais pneumáticos e hidráulicos. A alternativa (b) de fato representa uma desvantagem dos sistemas digitais, pois a existência de diferentes protocolos dificulta a comunicação entre equipamentos de marcas diferentes. Questão 3 – Resposta: D A primeira letra da nomenclatura indica a variável controlada pelo instrumento, umidade nesse caso que é representada pela letra M. Em seguida, a função de informação (registrador, R) e a função final (controlar, C). Após a indicação funcional, acrescenta-se a indicação de malha. Portanto, a letra (d) é a alternativa correta. truck Destacar truck Destacar 242424 Métodos e características de medição Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Reconhecer os fatores envolvidos em processos de medição; • Tomar conhecimento das principais unidades internacionais de medida; • Definir os principais métodos de medição; • Compreender a caracterização metrológica de sistemas de medição. 2525 25 1. Introdução O processo de medição pode ser definido como a aquisição experimental do valor momentâneo de uma grandeza física (mensurando), envolvendo a comparação de grandezas com um padrão ou a contagem de entidades (INMETRO, 2012; ALBERTAZZI; SOUZA, 2008). Assim, é possível afirmar que medir traz grandes vantagens como a possibilidade de monitorar grandezas, controlá-las e ainda investigar novos fenômenos. Quanto mais rápidas, precisas e exatas forem as medições, maior o poder de controle sobre processos e maior a eficiência. Neste estudo serão abordados os fatores envolvidos no ato de medir e os principais métodos de medição. Também serão expostas as principais características metrológicas de sistemas de medição. 2. Sistema internacional de unidades Muito antes da existência de instrumentação industrial, a preocupação em medir já fazia parte da humanidade, mas apenas a partir do século XVIII começou-se a adotar um sistema padronizado de pesos e medidas a fim de evitar fraudes e promover o desenvolvimento científico (LIRA, 2014). Em 1799, a Academia de Ciência da França apresentou o Sistema Métrico Decimal, que inicialmente consistia de três unidades básicas: o metro, o quilograma e o segundo. O avanço na ciência e tecnologia causou a necessidade de medições mais precisas e diversificadas, culminando no Sistema Internacional de Unidades (SI), mundialmente aceito nas relações internacionais, no ensino e na ciência (INMETRO, 2012). O SI é baseado em 7 unidades principais: comprimento, massa, tempo, corrente elétrica, temperatura, quantidade de substância e intensidade luminosa. As unidades e definições correspondentes são mostradas na Tabela 1. 2626 Tabela 1 – Unidades de base do Sistema Internacional de Unidades Grandeza Unidade Símbolo Definição Comprimento metro m Comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante o tempo de 1/299.792.458 de segundo. Massa quilograma ou kilograma kg Massa do protótipo internacional do quilograma. Tempo segundo s Duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondentes à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133. Corrente elétrica ampere A Intensidade de uma corrente elétrica constante mantida em dois condutores paralelos, retilíneos, de comprimento infinito, seção circular desprezível, situados à distância de 1 metro entre si, no vácuo, produz entre estes condutores uma força igual a 2 x 10-7 newton por metro de comprimento. Temperatura termodinâmica kelvin K Fração 1/273,16 da temperatura termodinâmica do ponto triplo da água. Quantidade de substância mol mol Quantidade de substância de um sistema que contém tantas entidades elementares quantos átomos existem em 0,012 kilograma de carbono 12. Intensidade Luminosa candela cd Intensidade luminosa numa dada direção, de uma fonte que emite uma radiação monocromática de frequência 540 x 1012 hertz e que tem uma intensidade radiante nessa direção de 1/683 watt por esferorradiano. Fonte: Adaptada de INMETRO, 2013b, p. 2. PARA SABER MAIS As unidades de base do SI, bem como as unidades derivadas e fora do SI, podem ser encontradas a partir do documento Unidades Legais de Medidas (INMETRO, 2013a). O documento também apresenta os múltiplos e submúltiplos decimais das unidades, além de regras e símbolos associados às grandezas. 2727 27 3. Processo de medição O processo de medição envolve um conjunto de métodos e meios: adefinição do mensurando, o procedimento de medição, as condições ambientais, o operador e o sistema de medição (Figura 1). Dessa forma, é possível afirmar que a confiabilidade de um resultado de medição depende desses fatores e de como eles foram levados em consideração durante a realização de uma medida. Figura 1 – Fatores envolvidos no processo de medição Fonte: Elaborada pelo autor baseada em (ALBERTAZZI; SOUSA, 2008, p. 169). Esses elementos possuem uma grande importância para a medição e podem ser determinantes para caracterizar e diferenciar um bom processo de medição de um ruim. A importância de cada um desses elementos está elencada a seguir (ALBERTAZZI; SOUZA, 2008): • Definição do mensurando: para que o resultado de uma medição esteja de acordo com a grandeza que se deseja mensurar, a definição do mensurando deve ser específica e enunciada de forma clara. Exemplo: ao se medir velocidade, especificar se se trata de velocidade mínima, máxima, média, instantânea, entre outros. truck Destacar 2828 • Procedimento de medição: a preparação da medição, o planejamento da sequência de operações, a quantidade de amostras a serem tomadas, os cálculos envolvendo a medição, entre outros, pode otimizar o processo de medição e permitir que outro operador reproduza o procedimento. Exemplo: ao planejar a medição, o operador percebe a falta de algum componente ou que inverter a ordem de certos procedimentos pode agilizar a medição. • Condições ambientais: medições em diferentes condições ambientais podem influenciar no resultado de medição. Exemplo: a mudança de temperatura do ambiente pode dilatar ou contrair o mensurando, e também modificar o sistema de medição. • Operador: saber usar corretamente os sistemas de medição, as formas de operar os instrumentos e o cuidado ao realizar uma medição podem influenciar grandemente nos resultados da medida. Além das habilidades de operação, as condições físicas do operador também podem influenciar. Exemplo: se o operador está cansado, sua acuidade visual e concentração diminuem, em especial quando estiver operando um instrumento analógico. • Sistema de medição: como normalmente os sistemas de medição são calibrados em laboratório, diferentemente das condições normais de uso, erros sistemáticos e aleatórios advém de sua utilização. Os elementos apresentados podem ser fonte de incerteza para o resultado em maior ou menor grau. É importante que os erros sistemáticos sejam reduzidos ao máximo pelo controle e compensação deles. Quando se trata de sistemas de medição, três elementos são comuns à maioria deles: transdutor (ou sensor), unidade de tratamento de sinal e um dispositivo mostrador (ou registrador) (ALBERTAZZI; SOUSA, 2008), como visto na Figura 2. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 2929 29 Figura 2 – Elementos comuns a sistemas de medição Fonte: Elaborada pelo autor baseada em (ALBERTAZZI; SOUSA, 2008, p. 99). O transdutor é o elemento do sistema que está em contato com a grandeza a ser medida, gerando um valor proporcional ao mensurando. O sinal de saída do transdutor normalmente necessita de condicionamento. A unidade de tratamento de sinais é responsável pela amplificação do sinal obtido no transdutor. Ela também pode realizar o processamento e o tratamento do sinal (como, por exemplo, filtrar). O dispositivo mostrador é responsável pela tradução do sinal em forma tangível ao usuário de forma analógica ou digital. Nos casos em que a variação do mensurando ocorre muito rápida são utilizados registradores que apresentam de forma gráfica a medição do sinal. 4. Métodos de medição Os métodos de medição podem ser classificados em: método por indicação (ou deflexão); método por comparação (ou zeragem) e método diferencial. A ideia geral deles é encontrar “o número de vezes em que a unidade de medição está contida dentro do mensurando” (ALBERTAZZI; SOUSA, 2008, p.91). truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3030 Os sistemas baseados no método de indicação mostram de forma visual e proporcional o valor do mensurando. Comumente esses sistemas incrementam mostradores digitais ou produzem deflexão em ponteiros (sugerindo o nome alternativo ao método de indicação). Exemplo: termômetro de bulbo. Por outro lado, os sistemas baseados no método de comparação utilizam um artefato de referência para comparar com o mensurando. Esse método utiliza medidas materializadas de valor conhecido e um comparador: quando o comparador indica diferença zero entre o mensurando e a medida materializada, o valor da medida materializada é o resultado da medição. Exemplo: balança de prato. Uma variação desse método é o método de medição por substituição, em que o mensurando é substituído por um elemento de valor conhecido e que cause no sistema de medida o mesmo efeito do mensurando. Além disso, sistemas baseados no método diferencial combinam características da zeragem e da deflexão: uma medida materializada é utilizada para comparação com o mensurando. A saída da diferença do comparador é então mostrada ao usuário pelo método da indicação. A Tabela 2 compara diferentes características desses 3 métodos de medição. Tabela 2 – Comparação dos métodos de medição de acordo com algumas características Característica Comparação Indicação Diferencial Velocidade de medição Muito lento Muito rápido Rápido Possibilidade de medição computadorizada Muito difícil Muito fácil Muito fácil Incerteza e sua estabilidade com o tempo Muito estável Instável Estável truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3131 31 Custo Elevado Moderado a elevado Moderado Principal local de utilização Laboratórios de calibração Industrias de pequeno e médio porte Industrias de grande porte Fonte: Adaptada de ALBERTAZZI; SOUSA, 2008, p. 98. Os métodos de medição ainda podem ser classificados em medição direta ou indireta. Em uma medição direta, o próprio sistema de medição indica o valor do mensurando. Exemplos: a utilização de uma régua para medir o comprimento de uma borracha ou de uma balança para medir a massa de um objeto. Em uma medição indireta, medidas referentes a diferentes características dos mensurandos são utilizadas como termos de cálculos matemáticos. Como neste método não é necessário o contato com o mensurando, é frequentemente usado em situações em que a medição direta seria difícil ou perigosa. Exemplo: a determinação de resistência de um componente pela razão entre queda de tensão sobre ele e a corrente que passa por ele ou o volume de um paralelepípedo pela multiplicação da altura pelo comprimento e pela profundidade. 5. Caracterização metrológica de sistemas de medição O comportamento e o desempenho de sistemas de medição podem ser descritos em um conjunto de parâmetros denominados características metrológicas (ALBERTAZZI; SOUSA, 2008). Essas características podem ser estáticas ou dinâmicas, e diferentes autores discorrem sobre elas (INMETRO, 2012; BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011; ALVES, 2017; FRANCHI, 2015; AGUIRRE, 2013; CARR; BROWN, 2001). O conhecimento delas é essencial ao profissional que trabalha com instrumentação e serve como base aos estudos seguintes da disciplina. Desta forma, estão elencadas a seguir as características metrológicas pertinentes à instrumentação: truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3232 Faixa de indicação: valores contidos entre limites que o instrumento pode indicar (caso a indicação seja analógica) ou o número de dígitos que um indicador pode mostrar (caso a indicação seja digital). Exemplo: uma régua comum possui faixa de indicação de 0 a 30 cm ou um mostrador de 0 a 99 possui faixa de indicação de 2 dígitos. Faixa nominal: valores contidos entre duas indicações extremas obtidos a partir do posicionamento de comandos de um sistema de medição. Exemplo: a seleção em um voltímetro de faixas de -2 a 2 V ou -20a +20 V. Faixa de medição: valores que podem ser medidos por um instrumento, mostrando a sua capacidade. Exemplo: sensor de temperatura que detecta variações de 1 a 20 ºC. A faixa de indicação e de medição podem – mas não necessariamente devem – coincidir. Entretanto, para que um instrumento seja aproveitado de melhor forma possível, é necessário que a faixa de indicação seja maior que ou igual a faixa de medição. Valor de uma divisão (de escala): diferença entre duas marcas de indicação consecutivas. Exemplo: em uma régua comum de 30 cm, o valor de divisão é 1 cm. Incremento digital: menor variação que um mostrador digital consegue apresentar. Resolução: menor variação entre indicações de um indicador que pode ser percebido. Em sistemas de indicação digital, a resolução e o incremento digital são correspondentes. Sensibilidade: razão entre a variação na saída (resposta) e a variação na entrada (entrada). Também pode ser entendida como a derivada parcial da função que representa a entrada-saída em estado estacionário em relação à variação da entrada. Exemplo: a sensibilidade de um termômetro pode ser expressa por 0,1 mm/ºC. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3333 33 Zona morta: intervalo máximo de valores em que uma grandeza pode variar em qualquer sentido sem variar a resposta na indicação do instrumento de medição. Rangeabilidade (largura de faixa): razão entre os valores máximo e mínimo lidos com a mesma exatidão na escala de um instrumento. Exemplo: uma rangeabilidade de 5:1 com exatidão de 1% para um sensor de temperatura de 1 a 20 ºC, a exatidão é mantida entre os valores de 4 a 20 ºC. Linearidade: máxima diferença entre uma reta que melhor descreve os pontos reais e uma curva correspondente à relação entre a entrada e saída. Histerese: máxima diferença entre as leituras de um mesmo mensurando em uma excursão de entrada crescente ou decrescente. Deriva (drift): mudança que ocorre no instrumento ao longo do tempo, devido a fatores externos ou intrínsecos ao sistema, levando à desconfiguração da característica metrológica. Exemplo: uma variação de 0,01 ºC a cada ano. Estabilidade: de forma complementar à deriva, indica a capacidade de um instrumento manter no decorrer do tempo suas características metrológicas. Confiabilidade: período em que um instrumento funciona sem a ocorrência de falhas. Relação sinal-ruído (SNR): razão entre a potência do sinal e a potência do ruído contido nesse sinal. Normalmente é expressa em decibéis. Tendência: diferença entre a média de medidas tomadas repetitivamente e o valor verdadeiro de referência da grandeza medida. Correção: valor que ao ser somado ao resultado original da medição, buscando compensar o erro sistemático. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3434 Repetitividade: capacidade de repetir o valor de saída em medições consecutivas de uma mesma grandeza e estímulo de entrada, com fatores de medição mantidos constantes e curto período entre medições. Reprodutibilidade: variação entre medições do mesmo mensurando com o mesmo instrumento a partir de condições de medição variadas. Erro: diferença entre o valor medido e o valor real da grandeza. Todas as medições e instrumentos de medida estão sujeitos a erros, que não devem ser entendidos como falhas ou descuido ao se tomar uma medida. Erro máximo admissível: valor de erro aceito por regulamentações ou especificações para determinado sistema de medição. Precisão: concordância entre valores medidos consecutivamente. Um sistema com alta precisão apresenta dispersão pequena entre as diferentes medidas. Exatidão: concordância entre o valor medido e o valor real da grandeza de interesse. Um sistema com alta exatidão apresenta pequeno erro. ASSIMILE Algumas das características podem parecer bastante similares e até serem usadas como sinônimos erroneamente no cotidiano. Exatidão e precisão são termos que são comumente utilizados como sinônimos, mas possuem significados diferentes: um instrumento exato não é necessariamente preciso, nem um instrumento preciso é necessariamente exato. Dentro da instrumentação, o conhecimento da diferença entre esses dois termos é fundamental. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3535 35 Além dessas, as características metrológicas exclusivamente dinâmicas são (mas não se restringem a elas): Tempo de resposta: intervalo de tempo necessário para que a resposta atinja e permaneça em determinada faixa de valor após uma variação abrupta de um estímulo. Tempo de subida: tempo em que a saída demora para atingir certa porcentagem do seu valor final. Frequência de corte: frequência em que há uma atenuação (frequência de corte inferior) ou um ganho (frequência de corte superior) de 3 dB. Os valores das características metrológicas podem ser expressos tanto em forma absoluta quanto relativa. Quando representada de forma absoluta, o valor possui a mesma unidade do mensurando (por exemplo, um erro máximo de 0,05 cm ou 0,002 ºC). Quando representada em termos relativos, podem ser apresentados em relação a um valor de referência (fundo final de escala, faixa de indicação, valor prefixado ou valor verdadeiro convencional). Exemplo: erro máximo de 0,01% do valor final de fundo de escala ou da faixa de indicação. A vantagem de utilizar o primeiro é a identificação imediata do desempenho do sistema. A vantagem de utilizar a segunda forma é a facilidade de comparação de sistemas com faixas de medida distintas. Nesta leitura fundamental foram abordadas as principais características metrológicas de sistemas de medição. Além disso, foram discutidos os principais métodos de medição (direto e indireto; por indicação, por comparação e diferencial) e os principais elementos de um processo de medição. Também foram apresentadas a importância de medir e as principais unidades de medida do SI. truck Destacar truck Destacar truck Destacar 3636 TEORIA EM PRÁTICA Considere que você é um profissional que trabalha na manutenção preditiva de uma linha de produção de uma indústria e no seu dia a dia, a medição de grandezas elétricas é algo básico. Para realizar essas medições você utiliza um alicate amperímetro para aferir tensão e corrente das máquinas e motores. Sabendo de sua experiência no manuseio de instrumentos de medição e realização de medidas, um colega de trabalho da equipe de desenvolvimento o questionou sobre a precisão e exatidão dos instrumentos. Ele gostaria de saber se é mais importante um equipamento ser exato ou preciso e se é possível corrigir a inexatidão de um equipamento por meio de algum processo. Como responder aos questionamentos do seu colega de trabalho? Seria possível ter na prática um equipamento que seja somente exato ou somente preciso? Como essas duas características podem interferir em uma medida? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Os métodos de medição podem ser baseados nos princípios de comparação ou indicação, ou ainda a combinação dos dois. Considere as afirmações a seguir: ( ) O método da comparação também é conhecido por zeragem; 3737 37 ( ) O método de indicação também pode ser chamado de diferencial; ( ) O método de zeragem determina o valor comparando o mensurando com um artefato de referência; ( ) Os sistemas baseados no método de deflexão indicam visual e proporcional o valor do mensurando. Qual das sequências a seguir indica, respectivamente, quais afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)? a. F-F-V-F. b. F-V-F-V. c. F-V-F-F. d. V-F-V-F. e. V-F-V-V. 2. Considerando os conceitos de precisão e exatidão, analise a Figura 3, em que os pontos pretos representam medidas e o centro do alvo representa o valor real: Figura 3 – Exemplificaçãodo resultado de medições i) ii) Fonte: Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Incerteza_de_ medi%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 13 mar. 2019. https://pt.wikipedia.org/wiki/Incerteza_de_medi%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Incerteza_de_medi%C3%A7%C3%A3o truck Destacar 3838 Qual alternativa melhor descreve as Figuras 3.i) e 3.ii)? a. As medidas apresentadas na Figura 3.i) são mais exatas do que as medidas da Figura 3.ii). b. As medidas apresentadas na Figura 3.i) são mais precisas do que as medidas da Figura 3.ii). c. Ambas as figuras são exemplos de alta precisão. d. Ambas as figuras são exemplos de alta exatidão. e. A Figura 3.ii) apresenta alta precisão. 3. Diferentes parâmetros caracterizam sistemas de medição. A razão entre a variação na saída e a variação na entrada corresponde à definição de: a. Sensibilidade. b. Relação sinal-ruído. c. Resolução. d. Alcance. e. Linearidade. Referências bibliográficas AGUIRRE, L. A. Fundamentos de Instrumentação. 1. ed. São Paulo: Pearson, 2013. ALBERTAZZI, A.; SOUSA, A. R. de. Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial. 1. ed. Barueri, SP: Manole, 2008. ALVES, J. L. L. Instrumentação, Controle e Automação de Processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. truck Destacar truck Destacar 3939 39 BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, J. V. Instrumentação e Fundamentos de Medidas. v. 1. 2.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. CARR, J. J.; BROWN, J. M. Introduction to Biomedical Equipment Technology. 4. ed. Pearson Prentice Hall, 2001. FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Vocabulário Internacional de Metrologia: Conceitos fundamentais e gerais e termos associados. Duque de Caxias, RJ, 2012. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Portaria nº 590, de 02 de dezembro de 2013 – aprova a atualização do Quadro Geral de Unidades de Medida adotado pelo Brasil. 2013a. Disponível em: http://www. inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf. Acesso em: 02 abr. 2019. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Quadro Geral de Unidades de Medida no Brasil. 2013b. Disponível em: http://www.inmetro.gov. br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf. Acesso em: 15 mar. 2019. LIRA, F. A. de. Metrologia - Conceitos e Práticas de Instrumentação. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. Gabarito Questão 1 – Resposta: E A afirmação I é verdadeira. A afirmação II é falsa: o método de indicação pode ser chamado de deflexão; o método diferencial é uma combinação dos métodos de indicação e comparação. A afirmação III é verdadeira, pois apresenta uma definição do método de comparação (ou zeragem). A afirmação IV também é verdadeira, pois apresenta a definição do método de indicação (ou deflexão). Assim, a sequência correta, em ordem, é V-F-V-V. Questão 2 – Resposta: B A Figura 3.i) mostra os pontos bem agrupados, indicando uma alta precisão, porém não estão tão próximos do centro, i.e., não são tão exatos. Por sua vez, a Figura 3.ii) mostra os pontos espalhados (baixa precisão), porém mais próximos do centro – maior exatidão - do que a Figura 3.i). Assim, a alternativa b) é a que melhor descreve as Figuras. http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf http://www.inmetro.gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002050.pdf truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 4040 Questão 3 – Resposta: A A sensibilidade é a razão entre a variação da saída e da entrada, sendo, portanto, a alternativa correta. A relação sinal-ruído, como o próprio nome indica, é a razão entre a potência do sinal e a potência do ruído presente nesse sinal. A resolução indica a menor variação na grandeza de entrada, que resulta em uma modificação perceptível no indicador. O alcance é a diferença entre extremos superior e inferior da faixa de medição do instrumento. A linearidade é a máxima diferença entre uma reta que melhor descreve os pontos reais e uma curva correspondente à relação entre a entrada e saída. truck Destacar truck Destacar 4141 41 Medição de grandezas físicas em processos industriais Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Reconhecer os princípios físicos das principais grandezas relacionadas ao controle de processos industriais; • Identificar os princípios construtivos e operacionais dos sistemas de medição dessas grandezas; • Associar as unidades de medida relacionadas às variáveis; • Verificar características comuns envolvidas na especificação dos sistemas medição. 4242 1. Introdução A medição e o monitoramento de grandezas físicas em processos industriais são tarefas inerentes à instrumentação. Por meio dos valores indicados por essas medições, é possível, entre outros: • Contabilizar a produção; • Obter informação sobre estoque; • Manter os processos industriais de acordo com critérios específicos. Nesse estudo serão abordadas as grandezas físicas mais medidas em processos industriais e será verificado como estão relacionadas a outras grandezas. Também serão apresentadas as principais abordagens utilizadas pelos seus respectivos sistemas de medição. 2. Medição de grandezas físicas Para a escolha e especificação do melhor tipo de medição para determinada aplicação (FRANCHI, 2015), em geral, é necessário estarem claros e definidos: • A grandeza a ser medida; • Os valores máximos e mínimos da grandeza; • A exatidão, o erro máximo admitido, tempo de resposta e outras características metrológicas desejadas; • O ambiente em que estará instalado; • As condições de operação; • As vantagens e desvantagens dos sistemas de medição; • Os sinais de saída e de entrada; • O orçamento destinado à compra dos componentes necessários para realizar a medição. 4343 43 Existem diferentes grandezas medidas nos processos industriais: pressão, vazão, temperatura, nível, pH, condutividade, velocidade, umidade, dimensão, massa. As grandezas pressão, temperatura, vazão e nível são as mais importantes e comumente utilizadas (ROURE, 2018), motivando abordá-las de forma mais detalhada. 2.1 Temperatura Temperatura (T) pode ser definida, em um sistema em equilíbrio termodinâmico, como a derivada parcial da energia interna (U) em relação à entropia (S), isto é: Suas principais unidades de medida são o K (Kelvin), ºC (graus Celsius) e o ºF (graus Fahrenheit). A Figura 1 mostra um exemplo de medição nas 3 unidades. Figura 1 – Exemplo de medição de temperatura em Kelvin, graus Celsius e graus Fahrenheit Fonte: KAMURAN AĞBABA/iStock.com. truck Destacar truck Destacar 4444 Para converter da escala Celsius para Kelvin (ou de Kelvin para Celsius), basta utilizar a relação: K = oC + 273 Para converter da escala Celsius para Fahrenheit (e vice-versa), é possível utilizar a expressão: oF = 1,8 oC + 32 Por fim, a conversão de Kelvin para Farenheit se dá por: oF – 32 9 K – 273 5 = Segundo Franchi (2015, p. 51), temperatura é “uma variável crítica para plantas de processamento químico, petroquímico, polímeros, plásticos, alimentícia, entre outras”, pois grande parte dos processos químicos necessitam do controle de temperatura. De fato, diferentes características fisico-químicas são modificadas pela temperatura, tais como dimensão, densidade, condutividade, pH, estado físico e resistência mecânica (ROURE, 2017). Os sistemas de medição dessa grandeza baseiam-se na dilatação ou compressão de materiais (sejam eles líquidos, gases ou sólidos) ou por termoresistores, conforme apresentado em Gonçalves (2003) e Alves (2017): • Sistemas baseados na dilatação de líquidos: utilizam o princípio de expansão volumétrica do conteúdo presente em um recipiente fechado de vidro ou metal. No caso do recipiente de vidro, existe um reservatório soldadoa um tubo capilar fechado na parte superior. Tanto o reservatório quanto o capilar são preenchidos com um líquido (mercúrio, tolueno, álcool ou acetona). A parede do tudo capilar é graduada de forma a mostrar o valor da temperatura. No caso do recipiente de metal, o líquido preenche todo o recipiente, e conforme ele se dilata/ comprime com o aumento da temperatura, muda a indicação de um elemento extensível, como um ponteiro; 4545 45 • Sistemas baseados na dilatação de gases: possuem um bulbo, um elemento de medição e um capilar, responsável pela conexão entre eles. Um gás de alta pressão preenche o recipiente. Com a variação da temperatura, a pressão do gás varia. Como o volume é constante, por meio da lei dos gases perfeitos e um medidor de pressão, é possível calcular a variação na temperatura; • Sistemas baseados no princípio bimetálico: possuem dois metais sobrepostos com diferentes coeficientes de dilatação, formando uma só peça com apenas uma extremidade livre. Ao variar a temperatura, um dos metais ficará mais dilatado do que o outro, fazendo com que ocorra uma flexão por temperatura na extremidade livre. Normalmente são utilizadas lâminas bimetálicas no formato de espiral ou helicoidal; • Sistemas baseados em termoresistência: utilizam a propriedade de mudança de resistência elétrica com a mudança de temperatura. Os bulbos de resistência são fabricados principalmente de platina, níquel ou cobre. Dentre as termoresistências, é possivel elencar dois grandes grupos de elementos: RTDs (resistance temperature detectors), que possuem uma resposta praticamente linear, faixa de operação entre -200 ºC e 850 ºC e o modelo mais utilizado é o PT-100; e termistores, que se dividem em duas categorias, os NTCs (negative temperature coeficient) e PTCs (positive temperature coeficient) e possuem uma grande estabilidade térmica e sensibilidade, limitados a faixa de operação entre -100 ºC e 300 ºC; • Sistemas baseados em termopar: um termopar é construído por dois metais distintos unidos em uma junta de medição (ou junta quente), na qual estão soldados fios. A variação de temperatura na junção gera uma força eletromotriz na outra extremidade (junta de referência), que possui um elemento capaz de medi-la. 4646 PARA SABER MAIS Os termopares possuem ótimo custo-benefício, levando- os a serem utilizados de forma ampla. Eles possuem variados tipos: K, E, J, N, B, R, S e T, que são compostos de combinação de diferentes duplas de metais (por exemplo, cromel/alimel ou cobre/constantan). Essa variedade de combinações permite distintas faixas de medição de temperatura, tolerâncias e faixas de tensão de saída. 2.2 Pressão Pressão (P) pode ser definida como a força perpendicular (F) exercida em uma determinada área (A), isto é: P = F A Além de ser a variável mais medida no controle de processos, pressão serve como base para medir volume e densidade, por exemplo (ROURE, 2018). Suas principais unidades de medida são kgf/cm² (quilograma- força por centímetro quadrado), lbf/in² (libra-força por polega quadrada, psi), N/m² (newton por metro quadrado, ou Pa, pascal), bar (do grego barys, pesado) ou alturas de colunas líquidas, como é o caso de mmHg (milímetros de mercúrio) e m.c.a. (metros de coluna d’água). ASSIMILE Apesar da existência do sistema internacional de medidas, instrumentos que medem a mesma grandeza física podem possuir saídas em unidades diferentes, principalmente se são originários de países que adotam sistemas métricos 4747 47 distintos entre si. Um exemplo claro disso é um manômetro que permite a visualização da pressão medida em escalas de diferentes unidades. Assim, ele pode exibir a pressão em Pa (pascal), a unidade padrão do sistema internacional de unidades, adotado no Brasil, e também em psi, derivado do sistema imperial, adotado nos Estados Unidos. Alves (2017) e Fialho (2010) apresentam alguns termos intrisecamente associados à pressão: • Pressão absoluta: pressão que representa a diferença da pressão medida em um ponto específico em relação à pressão zero absoluto (vácuo absoluto); • Pressão atmosférica: pressão resultante do peso das camadas de ar existentes na atmosfera, a qual os corpos na Terra estão sujeitos. A pressão atmosférica no nível do mar é de 760 mmHg absolutos, que equivale a 1 bar; • Pressão manométrica (ou pressão relativa): pressão obtida relativamente à pressão atmosférica do local em que se efetua a medida. Suas unidades normalmente possuem a letra g no final; • Pressão diferencial: pressão que representa a diferença da pressão medida em dois pontos que não sejam a pressão atmosférica. Existem diferentes tipos de sistemas de medição dessa grandeza de forma direta ou indireta, conforme abordado por Gonçalves (2003) e Alves (2017): • Sistemas baseados na deformação elástica dos materiais: o principal representante desse tipo é o tubo de Bourdon (Figura 2). Ele é constituído de um tubo com uma extremidade aberta e outra fechada. Quando uma pressão é exercida sobre o tubo, truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 4848 sua extremidade fechada é movimentada. A transmissão do movimento é feita a um ponteiro que indica o valor da pressão. Os manômetros, que indicam a pressão local, baseiam-se nesse princípio e podem ser encontrados em dois modelos, o convencional e o preenchido com gel em seu visor, que possui uma maior imunidade a vibrações se comparado ao modelo convencional sem gel. Figura 2 – Exemplo de aplicação do tubo de Bourdon em um manômetro Fonte: scanrail/iStock.com. • Sistemas baseados na capacitância elétrica: possuem uma célula capacitiva, que consiste de uma câmara de baixa e outra câmara de alta pressão. A diferença entre as câmeras move um diafragma isolador, deformação que muda a capacitância entre o diafragma sensor e as placas isoladas, gerando um sinal eletrônico proporcional à pressão diferencial capacitiva; • Sistemas baseados em condutores elétricos distendidos (extensômetro ou, do inglês, strain gauge): utilizam a propriedade de variação de resistência de um condutor com a variação da dimensão. O sensor é montado no formato de uma tira truck Destacar 4949 49 extensiométrica. Uma das extremidades do sensor é fixa, ao passo que na outra é aplicada a força. A deformação causada pela força muda o comprimento do fio fixado, alterando a resistência; • Sistemas baseados em coluna de líquido: um tubo é preenchido por um líquido com massa específica conhecida (água ou mercúrio, por exemplo), sendo o formato em U a configuração mais comum. Quando uma pressão é aplicada em um lado da coluna, ocorre o deslocamento do líquido de forma proporcional à pressão aplicada; • Sistemas baseados em piezoelétricos: baseado no acúmulo de cargas elétricas em áreas específicas de uma estrutura cristalina ao sofrer uma deformação causada por pressão. A saída do cristal é linear em relação à variação de pressão. 2.3 Nível A grandeza de nível está associada à avaliação da altura do conteúdo armazenado em um reservatório ou tanque, seja de líquidos, sólidos, gases ou vapores. Exemplos de aplicação dessa grandeza são a medição de nível de grãos em silos, quantidade de combustível ou água em reservatórios e o nível de oceanos e lagos (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011). Suas principais unidades de medida são lineares como o metro, polegadas e seus derivados. Os sistemas de medição dessa grandeza baseiam-se em métodos diretos, indiretos ou de forma descontínua (GONÇALVES, 2003; ALVES, 2017; FIALHO, 2010): • Sistemas baseados em régua (ou gabarito): uma régua graduada é introduzida no conteúdo do reservatório cujo nível deseja ser medido, como exemplificado na Figura 3. A marcação de maior valor que teve contato com o líquido é definada como a altura do conteúdo; 5050 Figura 3 – Exemplo de medidor de nível baseado em gabarito Fonte: lesterbee/iStock.com. • Sistemasbaseados em visor de nível: é composto de uma estrutura de aço ligada a dois pontos do vaso de processo e um visor de vidro reflex ou transparente. O nível é obtido pela observação do visor; • Sistemas baseados em boia: uma boia é ligada a um cabo com um contra-peso. É possível obter o valor da medição pela existência de um um ponteiro conectado ao contrapeso. Esse sistema de boia também é utilizado em conjunto com um sensor resistivo ou indutivo, onde a boia fica presa em um eixo que permite o seu deslocamento conforme a presença ou não de líquido. Esse deslocamento é detectado pelo sensor, que gera um sinal lógico conforme a posição da boia. • Sistemas baseados em pressão diferencial (ou hidrostática): utiliza um transmissor de pressão diferencial para obter a diferença de pressão entre as câmaras de alta e baixa pressão; 5151 51 • Sistemas baseados em borbulhador: utiliza um gás ou ar e uma pressão superior à máxima pressão hidrostática do líquido que se deseja medir o nível. A vazão de gás ou ar é ajustada até que haja algumas bolhas. Essa vazão de gás é transportada ao fundo do vaso por meio de um tubo que contém um indicador de pressão; • Sistemas baseados em capacitância: um eletrodo é colocado no líquido e conforme o nível do tanque varia, o valor da capacitância também varia, pois o isolante do capacitor troca de ar para líquido (se o nível aumenta) ou de líquido para ar (se o nível diminui). Também pode ser utilizada uma sonda de proximidade capacitiva para a realização da medição sem a necessidade de contato; • Sistemas baseados em ultrassom: uma onda de frequência superior à faixa audível pelo ouvido humano é enviada na direção do conteúdo. Por meio do tempo de excursão de ida e volta da onda, é possível determinar a distância entre o emissor e o conteúdo, com a vantagem de não necessitar contato entre o medidor e o mensurando; • Sistemas baseados em empuxo (ou deslocador): um corpo flutuante (deslocador) é disposto no líquido. O empuxo varia de forma proporcional ao nível, fazendo com que o movimento seja transmitido a um tubo de torção; • Sistemas baseados em descontinuidade: indicam a medição apenas de níveis fixos. Um dos principais exemplos é por meio de condutividade, em que eletrodos de comprimentos diferentes são submersos no material, e quando passa a haver condução entre os eletrodos, determina-se a altura do último eletrodo atingido pelo líquido. 2.4 Vazão A vazão (Q) pode ser definida como o produto da velocidade (v) de um fluido que passa por uma determinada área (A) de seção, isto é, Q = V x A. 5252 Essa grandeza também pode ser entendida como o volume ou quantidade de massa que passa por determinada área em um período de tempo. Suas principais unidades de medida são m³/s (metro cúbico por segundo), L/s (litro por segundo), kg/s (kilograma por segundo), GPM (galões por minuto), Nm³/h (normal metro cúbico por hora) e SCFH (normal pé cúbico por hora). A fim de comparação, 1m³ equivale a 1000 litros, 1 galão a 3,785 litros, 1 libra a 0,453592 kg e 1 pé cúbico a 0,0283168 m3. Os sistemas de medição dessa grandeza baseiam-se em (GONÇALVES, 2003; ALVES, 2017): • Sistemas baseado em placa de orifício: uma placa com um orifício específico (por exemplo, concêntrico, segmental ou excêntrico) é colocada na tubulação em que se deseja medir a vazão do fluido. A inserção da placa gera uma pressão diferencial relacionada à vazão; • Sistemas baseados em tubo de Venturi: como mostrado na Figura 4, nesse sistema uma garganta estreita é construída entre seções de maior diâmetro, de forma que, ao diminuir a área de seção transversal, a velocidade do fluido aumenta. Ao aumentar novamente a área, a velocidade do fluido é reduzida, voltando aos valores anteriores ao estreitamento. Com a inserção de tubos em forma de U conectando as seções larga e estreita, e analisando a diferença das alturas, é possivel determinar a vazão; Figura 4 – Exemplo de tubo de Venturi Fonte: Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/54/ Venturifixed2.PNG/300px-Venturifixed2.PNG. Acesso em: 24 mar. 2019. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/54/Venturifixed2.PNG/300px-Venturifixed2.PNG https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/54/Venturifixed2.PNG/300px-Venturifixed2.PNG 5353 53 • Sistemas baseados em eletromagnetismo: um campo magnético é gerado no tubo de medição de forma que, quando o fluido passa por ele, ocorre uma variação de tensão, captada por eletrodos; • Sistemas baseados em turbina: um rotor composto por pás é colocado na tubulação, de forma que a vazão gera pulsos elétricos, permitindo a medição de frequência dos pulsos e, consequentemente, a determinação da vazão; • Sistemas baseados em vazão por pressão diferencial: elementos distintos são colocados na tubulação para diminuir a seção transversal e ocorrer queda de pressão. Pela diferença de pressão, é possível determinar a vazão; • Sistemas baseados em rotâmetros: um flutuador é disposto em um tubo que possui vazão da base (de menor área) para o topo (de área maior). Conforme a vazão do fluido aumenta, o flutuador é deslocado por combinações de empuxo e pressão diferencial. A posição do flutuador indica um valor de vazão, que pode ser determinada visualmente caso haja uma escala calibrada. Na escolha do medidor de fluxo deve ser considerado o local em que a medida será apresentada (à distância ou no próprio local), o tipo e as características do fluido (limpeza, viscosidade, condutividade), temperatura e pressão do processo (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011; FRANCHI, 2015). Tais parâmetros são muito importantes, pois a utilização de um medidor não ideal irá gerar uma medição sem confiabilidade e com um grande erro associado. Neste conteúdo foram abordados os principais sistemas de medição de grandezas físicas de processos industriais: temperatura, pressão, nível e vazão. Também foram abordadas suas definições físicas, as principais medidas em que podem ser expressas e características 5454 genéricas que devem ser observadas na especificação dos sistemas de medição. Perceba que não foram tratados modelos específicos de um determinado medidor, mas as tecnologias de medição possiveis, para que você esteja apto a selecionar a mais adequada conforme a aplicação. Como a seleção de um modelo de medidor não depende somente da escolha do sistema de medição a ser utilizado, mas também é dependente de parâmetros como precisão, exatidão, faixa de medição, dentre outros tratados nos temas anteriores, você já está apto a especificar qualquer tipo de medidor, sensor ou transdutor utilizando como base um catálogo de um fabricante, por exemplo. TEORIA EM PRÁTICA A especificação de um sensor para determinada aplicação passa pela determinação da tecnologia utilizada pelo sistema de medição. Considere que você é o engenheiro responsável pelo sensoriamento de um processo produtivo de uma indústria cervejeira e está tendo problemas para a medição do nível de cerveja presente dentro de um reservatório, semelhante ao apresentado na Figura 5. Como o produto armazenado no reservatório é a cerveja, ela possui além do liquido, a espuma, que é justamente a fonte dos problemas. Todos os sensores que já foram testados são acionados pela espuma, assim, o resevatorio não é preenchido corretamente com aquilo que importa para a indústria, que é o líquido da cerveja. A sua função é encontrar um sensor para ser colocado no reservatório que detecte o nível do líquido e não seja influenciado pela espuma. 5555 55 Figura 5 – Reservatórios de uma cervejaria Fonte: slovegrove/iStock.com. Qual sistema de medição de nível que pode ser utilizado para essa medição? Existe algum sensor com uma tecnologia que consiga diferenciar a espuma do líquido para solucionar o problema? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. As quatro principais grandezas medidas em processos industriais são pressão, temperatura, vazão e nível.Considere as afirmações a seguir sobre seus conceitos relacionados: ( ) Pressão atmosférica representa a diferença da pressão medida em um ponto específico em relação à pressão de vácuo. ( ) Uma das desvantagens do sistema baseado em ultrassom é o fato de não haver contato do medidor com o material a ser medido. 5656 ( ) Sistemas baseados em capacitância podem ser utilizados tanto para medir pressão quanto nível. ( ) O tubo de Venturi é um típico exemplo de sistema utilizado para verificar o nível de um fluido. Qual das sequências a seguir indica, respectivamente, de cima para baixo, quais afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)? a. V-F-V-F. b. F-V-F-V. c. F-F-V-F. d. V-F-V-V. e. F-F-V-V. 2. Diferentes sistemas de medição podem ser utilizados para obter valores de pressão, que pode ser compreendida como a força exercida em uma determida área. Das alternativas abaixo, qual não se refere a um elemento com a finalidade de medir a grandeza física supracitada? a. Coluna de líquido. b. Condutor distendido. c. Piezoelétrico. d. Célula capacitiva. e. Placa bimetal. truck Destacar truck Destacar 5757 57 3. A vazão diz respeito à quantidade de material que passa por um local em determinado intervalo de tempo. Dada uma área de seção transversal de 10 cm², pela qual um fluido passa a uma velocidade de 0,5 m/s, qual deverá ser a medida de vazão? a. 5 cm³/s. b. 5 cm²/s. c. 500 cm³/s. d. 500 cm²/s. e. 50 cm³/s. Referências bibliográficas ALVES, J. L. L. Instrumentação, Controle e Automação de Processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, J. V. Instrumentação e Fundamentos de Medidas. v. 2. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. FIALHO, A. B. Instrumentação Industrial - Conceitos, Aplicações e Análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. GONÇALVES, M. G. Monitoramento e controle de processos. Rio de Janeiro: Petrobrás; Brasília: SENAI/DN, 2003. ROURE, M. de. Instrumentação Industrial – Entenda de uma vez por todas. 2018. Disponível em: https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial- guia-completo/. Acesso em: 02 mar. 2019. https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial-guia-completo/ https://instrumentacaoecontrole.com.br/instrumentacao-industrial-guia-completo/ truck Destacar 5858 Gabarito Questão 1 – Resposta: C A afirmação I é falsa, pois equivale à definição de pressão absoluta, não atmosférica. A afirmação II também é falsa: o fato de não haver necessidade de contato do sensor com o material a ser medido é uma vantagem do sistema ultrassom. A afirmação III é verdadeira. A afirmação IV é falsa, pois o tubo de Venturi está associado à medição de vazão. Assim, a sequência correta é F-F-V-F. Questão 2 – Resposta: E As alternativas de (a) e (d) representam elementos utilizados para medir pressão. A placa bimetálica é utilizada para medir temperatura, pois consiste de dois metais de coeficiente de dilatação diferentes, de forma que com a variação de temperatura, um dos metais esteja mais dilatado do que outro. Questão 3 – Resposta: C A vazão pode ser calculada pelo produto da área (A) pela velocidade (v) do fluido. Com os dados do exercício, em que A = 10 cm² e v = 0,5 m/s = 50 cm/s, a vazão resultante é de 500 cm³/s (alternativa c)). Medidas em dimensões de cm²/s não podem corresponder à vazão e as outras alternativas apresentam valor incorreto da multiplicação dos valores. truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 5959 59 Válvulas de controle de pressão e vazão Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Identificar os princípios construtivos e operacionais de válvulas de controle de processos industriais; • Verificar características comuns envolvidas na especificação de válvulas de controle de vazão e pressão; • Reconhecer os principais tipos de válvulas de controle de vazão e pressão. 6060 1. Introdução Válvulas são elementos de circuitos pneumáticos e hidráulicos que possuem a função dar direção ao suprimento, bloquear o fluxo e regular a intensidade de pressão ou de vazão. Desta forma, podem ser categorizadas, respectivamente, em válvulas de controle direcional, válvulas de bloqueio (anti-retorno), válvulas de controle de pressão e válvulas de controle de vazão. Neste estudo serão abordados os princípios construtivos e operacionais das principais válvulas de controle e de pressão utilizadas em processos industriais. Também serão apresentadas as principais considerações na seleção destes tipos de válvulas. 2. Características de construção e operação das válvulas de controle A válvula é denominada elemento final de controle pelo fato de receber o comando de um controlador e agir sobre um fluido de um processo, mantendo em valores desejados grandezas envolvidas em processos industriais, como temperatura, vazão, nível e pressão (FRANCHI, 2015). A Figura 1 apresenta o símbolo genérico de uma válvula de controle, conforme ABNT (1983). Figura 1 – Símbolo genérico de uma válvula de controle de duas vias Fonte: Elaborada pelo autor. Em relação à construção, as válvulas possuem os seguintes elementos (ALMEIDA, 2018; FRANCHI, 2015): 6161 61 • Corpo: vaso de pressão que executa o comando de controle recebido, regulando a passagem de fluído com um obturador ligado à ponta de uma haste. • Castelo: estrutura que faz a ligação entre o corpo e algum atuador. • Materiais: a parte externa do corpo é normalmente metálica (por exemplo aço-carbono cadmiado, ferro fundido, bronze ou aço inoxidável) a fim de que resistam com o mínimo de desgaste possível as condições de corrosão, abrasão, altas temperaturas e pressões. A parte interna é adotada conforme o fluido que terá contato com suas partes. • Conexões terminais: elemento que conecta a válvula à tubulação, sendo comumente utilizadas conexões rosqueadas, flangeadas ou soldadas. Além das características construtivas, as válvulas de controle possuem algumas características de operação, como mostra a Figura 2. Franchi (2015) e Oliveira (1999) descrevem essas características: Figura 2 – Características operacionais de uma válvula de controle Fonte: Elaborada pelo autor. 6262 • Rangeabilidade (R): expressa a razão entre a vazão para uma abertura de válvula máxima (comumente 95%) e a vazão para uma abertura mínima (comumente 5%). Por exemplo, para uma válvula com vazão de 3% na abertura mínima e 96% de vazão na abertura máxima, a rangealibilidade é de 32:1; • Ganho: expressa a razão entre a variação da vazão relativa em relação à variação da posição da haste que regula a abertura; • Coeficiente de vazão: expressa a capacidade de vazão de uma válvula de acordo com seu tamanho. Quanto maior o coeficiente, maior sua capacidade de vazão. Outra definição de coeficiente de vazão é o número de galões de água em condições normais que passam através da válvula em um minuto, mantida uma queda de pressão de 1 psi; • Abertura linear: expressa a proporcionalidade direta entre a abertura da válvula e sua vazão. Se uma válvula possui característica linear, seu ganho é constante para toda amplitude de vazão. Por exemplo, uma válvula que possui ganho unitário de tal forma que para 10% de abertura, apresenta 10% de vazão e para 90% de abertura, apresenta 90% de vazão; • Abertura rápida: expressa uma grande capacidade de variação de vazão como resposta a um pequeno aumento na abertura. Como consequência, para grandes aberturas, o aumento de vazão apresenta ganho menor. Por exemplo: uma válvula varia sua vazão de 2 a 90% com variação de 0 a 30% de abertura; o restante da vazão é obtida de 30 a 100% de abertura; • Igual porcentagem: expressa uma proporcionalidade exponencial da vazão em relação à abertura, de tal forma que o ganho aumenta conforme o aumento de abertura de acordo com a expressão: em que Q representa avazão, Q0 a vazão inicial, X o curso e K = logR xmáx . 6363 63 A escolha de válvulas de acordo com a sua abertura necessita de uma análise do sistema em relação às suas características dinâmicas. Entretanto, para o controle de pressão e vazão, algumas regras práticas podem ser adotadas conforme o Quadro 1. Quadro 1 – Regras práticas para a escolha do tipo de abertura Variável Descrição do processo Tipo de abertura sugerido Pressão Líquido Gases • Sistemas rápidos, com pequeno volume e pequena distância de tubulação • Sistemas lentos, com grande volume e longa distância de tubulação, em que a queda de pressão com vazão máxima é maior do que 20% da queda de pressão com vazão mínima • Sistemas lentos, com grande volume e longa distância de tubulação, em que a queda de pressão com vazão máxima é menor do que 20% da queda de pressão com vazão mínima Igual porcentagem Igual porcentagem Linear Igual porcentagem Vazão Sinal do elemento primário de medição proporcional ao fluxo: • Grandes variações de fluxo • Pequenas variações de fluxo e grande queda de pressão com o aumento da vazão Sinal do elemento primário de medição proporcional ao quadrado do fluxo: • Grandes variações de fluxo - Elemento primário em série com a válvula - Elemento primário no contorno da válvula • Pequenas variações de fluxo e grande queda de pressão com o aumento da vazão Linear Igual porcentagem Linear Igual porcentagem Igual porcentagem Fonte: Adaptado pelo autor de Oliveira (1999, p.55 e 56). Nota-se que para o controle de pressão e vazão, a abertura rápida não foi sugerida nenhuma vez. Este tipo de abertura é indicada para o controle de nível quando a queda de pressão com vazão máxima é menor do que 200% da queda de pressão com vazão mínima. 6464 Para a escolha e especificação do melhor tipo de válvula para determinada aplicação, também é necessário considerar os seguintes aspectos: • Perda de carga: a alteração no fluxo normal ocasiona uma perda de carga; • Tipo do material transportado: o tipo de material transportado, como, por exemplo, se hidráulico ou pneumático, deve ser considerado na seleção da válvula. As propriedades como corrosão e viscosidade do material devem ser observadas também; • Pressão e temperatura do fluido: materiais feitos a partir de borracha não resistem a altas temperaturas, de tal forma que válvulas compostas por esses materiais devem ser evitadas em ambientes com essas características; • Bitola da tubulação do circuito: determinadas válvulas são mais adequadas para determinada dimensão de tubulação; • Tipo de conexão da válvula: por exemplo, se rosqueadas, flangeadas ou soldadas; • Custo da válvula: se mais de uma válvula for indicada para determinada aplicação, os custos de aquisição e de manutenção devem ser considerados; • Ação desejada: por exemplo, se reversão, estabilização na última posição ou ação direta; • Pressão de ar disponível; • Saída desejada: se saída em corrente, tensão ou algum protocolo específico; • Características da válvula: apresentadas na Figura 2; • Classe de vazamento: indica o limite de vazamento mesmo na situação de válvula completamente fechada. 6565 65 ASSIMILE As válvulas de controle não são elementos isolados de processo. No projeto de válvulas também devem ser considerados outros elementos em série com a válvula, como trocadores de calor, bombas e filtros. Escolher uma válvula que influencie ao máximo o processo resulta na diminuição tanto das perdas de carga quanto da queda de pressão. Em relação à classe de vazamento, uma válvula pode se enquadrar em uma das 6 classes de vazamento determinadas pela ANSI/FCI 70-2 (ANSI, 2006), conforme mostradado no Quadro 2. Especificamente em relação à classe VI, para a determinação do vazamento máximo permissível, deve-se observar os valores do Quadro 3. Quadro 2 – Classes de vazamento de válvulas de controle Classe de Vazamento Vazamento Máximo Permitido Meio de Teste Pressão de Teste Testes Necessários I - - - Não há a necessidade de testes desde que haja comum acordo entre fornecedor e usuário II 0,5% da capacidade máxima Ar ou água a 10-52 °C 45 a 60 psig ou máxima diferencial de operação, o que for menor Pressão aplicada à entrada da válvula com saída aberta para a atmofera ou conectada a um dispositivo de medição de perda de carga de fechamento normal completo fornecido pelo atuador 6666 III 0,1% da capacidade máxima Ar ou água a 10-52 °C 45 a 60 psig ou máxima diferencial de operação, o que for menor Pressão aplicada à entrada da válvula com saída aberta para a atmofera ou conectada a um dispositivo de medição de perda de carga de fechamento normal completo fornecido pelo atuador IV Vazamento de até 0,01% da capacidade máxima de vazão Ar ou água a 10-52 °C 45 a 60 psig ou máxima diferencial de operação, o que for menor Pressão aplicada à entrada da válvula com saída aberta para a atmofera ou conectada a um dispositivo de medição de perda de carga de fechamento normal completo fornecido pelo atuador V 0,0005 mL por minuto de água, por polegada de diâmetro de orifício, por psi de pressão diferencial Água a 10-52 ºC Máxima queda de pressão ao longo da conexão da válvulasem exceder o determinado pela ANSI Pressão aplicada à entrada da válvula depois de preencher completamente a cavidade do corpo, conectar a tabulação com água e fechamento da válvula. Usar o máximo impulso do atuador especificado pela rede sem exceder esse valor. Permitir que o fluxo de fuga se estabilize. VI Varia conforme diâmetro do orifício de passagem Ar ou nitrogênio a 10-52 °C 50 psig ou máxima pressão diferencial ao longo da conexão da válvula, o que for menor O atuador deve ser ajustado para as condições de operação especificadas dom fechamento total normal aplicado à válvula. Permitir que o fluxo de fuga se estabilize e usar equipamento de medição apropriado. Fonte: Adaptado pelo autor de Gemco (2015) e Franchi (2015, p. 270). 6767 67 Quadro 3 – Vazamento máximo permissível nas válvulas de controla de classe VI. Diâmetro do orifício de passagem (em polegadas) Vazamento Máximo Permissível cm³/minuto Bolhas/minuto 1 0,15 1 1 ½ 0,30 2 2 0,45 3 2 ½ 0,60 4 3 0,90 6 4 1,70 11 6 4,00 27 8 6,75 45 Fonte: Adaptado pelo autor de Oliveira (1999, p. 57). Algumas outras características que os diversos tipos de válvulas de controle podem apresentar são o tipo de deslocamento: linear e rotativo. Exemplos de válvulas do primeiro grupo são as válvulas globo, diafragma e gaveta; do segundo são válvulas borboleta e esfera (FRANCHI, 2015; OLIVEIRA, 1999): • Válvula globo: possui formato semelhante a uma esfera (globular) e pode ser de sede simples ou dupla, conforme a quantidade orifícios; • Diafragma (saunders): possui um diafragma ligado ao castelo e ao corpo que flexiona durante o controle do fluxo; • Gaveta: possui uma porta, normalmente redonda ou retangular, que se move para fora do fluxo do fluido, realizando o seu controle; • Borboleta: possui um corpo no formato de anel circular. Quando a válvula está totalmente aberta ou fechada, não há resultante de força tensora para nenhum lado. Quando está parcialmente aberta, surge uma força tensora que tende a fechar a válvula; • Esfera: possui um obturador em formato esférico, sendo vazado de acordo com o fluido que o atravessará para permitir sua passagem parcial ou plena. 6868 3. Válvulas de controle de pressão As válvulas de controle de pressão funcionam buscando encontrar o equilíbrio entre força da mola que a constitui e a pressão. Elas possuem diversas finalidades, entre elas manter a pressão máxima em um limite e regular a redução de pressão em determinado ponto do circuito (PARKER, 2016). Esse tipo de válvula é bastante utilizado em pontos do circuito em que uma pressão acima da permitida ou desejadarepresente um risco ou emergência. A classificação desse tipo de válvula pode ser dada em termos de tamanho, tipo de conexão, faixa de operação e sua função no circuito. Alguns tipos de válvulas de controle de pressão são válvulas limitadoras de pressão, de sequência, de contrabalanço, redutora de pressão, de descarga (FIALHO, 2005; FRANCHI, 2015). • Válvula limitadora de pressão (ou de alívio): é utilizada para controlar a pressão máxima. A via primária de uma válvula é ligada à pressão e a via secundária é ligada ao tanque. O corpo da válvula é acionado por um nível de pressão prefixado, em que ambas vias estão conectadas e o tanque recebe o fluxo. No caso de uma linha de ar comprimido, por exemplo, o excesso de ar é liberado para a atmosfera; • Válvula de sequência: é utilizada para controlar a ordem das operações, garantido que uma ação ocorra após a outra; • Válvula de contrabalanço: é utilizada para proporcionar o equilíbrio ou o contrabalanço de um peso; • Válvula redutora de pressão: é utilizada para fixar a pressão do circuito no valor ajustado por ela. O excesso de pressão é transformado em calor, e caso a pressão depois da válvula diminua, o carretel é aberto para que a pressão atinja o valor desejado; • Válvula de descarga: é utilizada para encaminhar o fluxo para o tanque caso em uma parte remota do circuito a pressão esteja acima de um valor preestabelecido. 6969 69 4. Válvulas de controle de vazão As válvulas de controle de vazão diminuem o fluxo em alguma via do sistema por meio de uma restrição. Dessa forma, é possível controlar a velocidade do fluido que chega a um atuador, por exemplo. O controle da vazão se dá primariamente pela existência de um orifício na linha do circuito em que o fluido passa e quanto menor for seu diâmetro, maior a diminuição da vazão. O orifício pode ser fixo, em que o tamanho da abertura da válvula não pode ser modificado, ou variável, em que o tamanho da abertura da válvula pode ser ajustado para a aplicação. Existem ainda fatores que influenciam na taxa de vazão, como o tipo de fluido a ser controlado, a sua temperatura e a diferença de pressão por meio do orifício. A partir desses fatores, existem diferentes modelos de válvulas de controle de vazão, com as diferentes características, sendo elas a de vazão variável e de vazão variável com retenção integrada, onde os tipos mais utilizados são a gaveta e globo. • Válvula controladora de vazão variável: o fluido deve passar por uma curva em ângulo reto e prosseguir para a sede da haste que possui uma ponta em formato de cone. A vazão é determinada pela distância entre o cone e a sede. • Válvula controladora de vazão variável com retenção integrada: acrescenta à válvula de vazão variável a funcionalidade de retenção em by pass, obtendo fluxo reverso livre. PARA SABER MAIS As válvulas de controle direcional também são de bastante relevância, sendo utilizada, por exemplo, no acionamento de cilindros hidráulicos. Elas permitem o deslocamento do 7070 fluido ou do gás por diferentes vias e apresentam bastante diversidade, sendo variáveis o número de posições (relativo ao número de manobras), número de vias (relativo ao número de conexões úteis, podendo ser de bloqueio, passagem ou a combinação entre elas), a posição normal (relativa à posição da válvula sem ser acionada) ou o tipo de acionamento (elétrico, pneumático, mecânico, hidráulico ou por ação humana). Nesta leitura fundamental foram apresentadas as principais características construtivas e operacionais de válvulas de controle. Também foram observadas as principais características que devem ser observadas na especificação de uma válvula de controle, bem como os principais tipos de válvulas de controle de vazão e pressão. TEORIA EM PRÁTICA Um dos tipos de válvula que possui melhor resolução é válvula globo, permitindo o controle fino da vazão de determinado fluido. Elas são utilizadas para o controle de líquidos em geral, vapores, gases, substâncias corrosivas e lodo. Considere que você trabalha como responsável da automação em uma indústria de produtos de limpeza e necessita fazer o controle da vazão do líquido refrigerante que é aplicado em um trocador de calor. Como o controle da vazão deve ser preciso, você deve utilizar uma válvula globo. Porém, o atuador que será utilizado para o acionamento dessa válvula já foi adquirido e possui uma forca relativamente baixa para abrir e fechar a válvula. Existe algum modelo de válvula globo que exige uma força menor que os modelos convencionais para a abertura e fechamento e possa ser utilizado nessa aplicação? 7171 71 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Uma das características de operação que uma válvula de controle pode apresentar é em relação a sua abertura, podendo ser linear, abertura rápida ou igual porcentagem. Em relação ao tipo de igual porcentagem, seu qual das seguintes aplicações não é a mais recomendada? a. Controle de pressão de líquidos. b. Controle de vazão com pequenas variações de fluxo e grande queda de pressão com o aumento da vazão. c. Controle de pressão de gases em sistemas rápidos, com pequeno volume e pequena distância de tubulação. d. Controle de vazão quando o sinal do elemento primário de medição é proporcional ao fluxo e existe grande variação de fluxo. e. Controle de pressão de gases em sistemas lentos, com grande volume e longa distância de tubulação, em que a queda de pressão com vazão máxima é menor do que 20% da queda de pressão com vazão mínima. 2. As válvulas de controle de pressão possuem diversas finalidades, entre elas manter a pressão máxima em um limite e regular a redução de pressão em determinado ponto do circuito. Qual das alternativas abaixo apresenta um exemplo de válvula que controla a pressão baseada em um valor de pressão remoto do circuito? truck Destacar 7272 a. Válvula de sequência. b. Válvula de contrabalanço. c. Válvula de descarga. d. Válvula de alívio. e. Válvula controladora de vazão variável. 3. Existem diferentes tipos de válvula de controle, a presença de algumas características construtivas é comum a todas elas. Qual das alternativas não representa uma característica construtiva de válvula? a. Coeficiente de vazão. b. Materiais. c. Castelo. d. Conexões terminais. e. Haste. Referências bibliográficas ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8190/1983. Disponível em: http://www.unifieo.br/files/20134249941.pdf. Acesso em: 02 mar. 2019. ALMEIDA, C. F. M. Válvulas de Controle. 2018. Disponível em: https://edisciplinas. usp.br/pluginfile.php/4334174/mod_resource/content/1/Aula%207%20-%20 V%C3%A1lvulas%20de%20Controle.pdf. Acesso em: 02 abr. 2019. FIALHO, A. B. Automatismos Pneumáticos - Princípios Básicos, Dimensionamentos de Componentes e Aplicações Práticas. São Paulo: Érica, 2015. http://www.unifieo.br/files/20134249941.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4334174/mod_resource/content/1/Aula%207%20-%20V%C3%A1lvul https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4334174/mod_resource/content/1/Aula%207%20-%20V%C3%A1lvul https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4334174/mod_resource/content/1/Aula%207%20-%20V%C3%A1lvul truck Destacar truck Destacar 7373 73 FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. GEMCO. ANSI Valve Leakage Standards. 2015. Disponível em: https://gemcovalve. com/wp-content/uploads/2015/01/ANSI-VALVE-LEAKAGE-STANDARDS-Gemco-Valve. pdf. Acesso em: 05 abr. 2019. OLIVEIRA, A. L. de L. Elementos Finais de Controle. Departamento Regional do Espírito Santo, SENAI, Espírito Santo, 1999. PARKER. Tecnologia Eletrohidráulica Industrial. Jacareí, 2016. ANSI. American National Standard Institute. Control Valve Seat Leakage 70-2-2006. 2016. Disponível em: https://www.techstreet.com/mss/products/preview/1261166. Acesso em: 25 abr. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: D A alternativa (d) é a que apresenta uma aplicação em que umaabertura de igual porcentagem não é a mais recomendada, pois apresenta uma aplicação que, de acordo com a Tabela 1, seria recomendada uma válvula de controle com abertura linear. As demais alternativas representam recomendações de válvula com igual porcentagem de acordo com a mesma tabela. Questão 2 – Resposta: C A alternativa (c) está correta, pois em uma válvula de descarga, o fluxo é dirigido para o tanque caso em uma parte remota do circuito a pressão esteja acima do desejado. Questão 3 – Resposta: A O coeficiente de vazão, apesar de ser influenciado pelas características constrututivas da válvula, é uma característica operacional. Portanto, a alternativa (a) é a que não representa uma característica construtiva. https://gemcovalve.com/wp-content/uploads/2015/01/ANSI-VALVE-LEAKAGE-STANDARDS-Gemco-Valve.pdf https://gemcovalve.com/wp-content/uploads/2015/01/ANSI-VALVE-LEAKAGE-STANDARDS-Gemco-Valve.pdf https://gemcovalve.com/wp-content/uploads/2015/01/ANSI-VALVE-LEAKAGE-STANDARDS-Gemco-Valve.pdf https://www.techstreet.com/mss/products/preview/1261166 truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 747474 Atuadores Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Identificar os princípios operacionais de atuadores utilizados em processos industriais; • Verificar suas principais classificações; • Expor fatores envolvidos na especificação de atuadores; • Introduzir aplicações de posicionadores. 7575 75 1. Introdução Quando estamos nos referindo a processos industriais, atuadores são dispositivos que transformam a energia contida em circuitos elétricos, pneumáticos e hidráulicos em outro tipo de energia. Essa energia de saída comumente resulta em movimento. Nesse estudo serão abordados diferentes tipos de atuadores, mostrando algumas das vantagens e desvantagens envolvidas na escolha destes. Também dará noções de posicionadores, elementos que se relacionam a atuadores e válvulas de controle. Note que nesse estudo você terá contato com modos de acionamento das válvulas de controle estudadas anteriormente, conhecendo as possibilidades existentes e sabendo aplicá-las de forma correta. 2. Classificação de atuadores Os atuadores podem ser classificados de diferentes formas, considerando critérios como: • Princípio de funcionamento: manual, elétrico, hidráulico, pneumático; • Energia de saída: mecânica, ótica, térmica; • Tipo de movimento: rotativo, oscilante ou linear. Essas classificações não são mutuamente exclusivas, de tal forma que, por exemplo, um atuador pode ser elétrico e gerar movimento do tipo linear. Além disso, para determinadas aplicações, atuadores elétricos e hidráulicos podem ser utilizados concomitantemente. Os atuadores manuais requerem força humana para a realização de movimento, podendo ser feita utilizando botões, alavancas ou pedais, por exemplo. Esse tipo de atuação é empregada em circunstâncias nas 7676 quais a operação depende do julgamento do operador. Um exemplo claro de atuador manual é de um registro hidráulico, onde a rotação do atuador gera uma variação no posicionamento da válvula que controla a vazão, regulando a passagem do fluido. Por questões de segurança e com o desenvolvimento da automação industrial, os atuadores manuais são cada vez mais substituídos por atuadores automáticos, que podem ser pneumáticos, elétricos ou hidráulicos. Esses atuadores são comumente controlados via CLP (controlador lógico programável), integrando o sistema de automação e permitindo o seu monitoramento via sistema supervisório. 3. Atuadores pneumáticos Os atuadores pneumáticos produzem movimento como resultado da pressão de ar de comando. Entre os principais atuadores desse tipo, estão o atuador mola e diafragma e o atuador cilindro. O atuador tipo mola e diafragma é constituído de um diafragma que divide o atuador em duas câmaras. Além disso, possui uma mola que exerce uma força, culminando em uma pressão de carga no diafragma. Conforme descrito por Oliveira (1999), nesse tipo de atuador pode ocorrer duas formas de ação: • Ação indireta (ou reversa), em que a pressão que age no diafragma força a haste para cima, e a mola também empurra para cima; • Ação direta, em que a pressão de carga que age no diafragma força a haste para baixo ao passo que a mola empurra a haste para cima. Por sua vez, no atuador tipo cilindro, o ar é deslocado para o pistão produzindo movimento (FIALHO, 2015). Esse movimento pode resultar em deslocamento linear ou em deslocamento rotativo, dependendo da válvula a que está conectado. Eles são dispositivos comuns a atuadores 7777 77 pneumáticos e hidráulicos (PARKER, 2016; PARKER, 2007). Em relação à construção, eles possuem externamente uma estrutura cilíndrica e interiormente um pistão móvel ligado a uma haste. Os cilindros dividem-se em dois tipos básicos: de simples ação e dupla ação. No primeiro, a pressão do fluido ou ar é aplicada em apenas um local, fazendo com que o pistão se mova em uma direção. No caso de cilindro de dupla ação, a pressão pode ser aplicada em duas partes, de tal forma que o cilindro se mova em uma das duas direções, opostas entre si. A Figura 1 mostra o símbolo de um cilindro de dupla ação. Figura 1 – Símbolo de um cilindro de dupla ação. Fonte: elaborada pelo autor. Algumas das informações envolvidas no dimensionamento do cilindro são a força que ele deve fornecer (F), a pressão em que operará (P) e a determinação de sua área de êmbolo (A). A expressão que relaciona esses parâmetros é dada pela Equação 1: (1) A área, por sua vez, é obtida pela Equação 2: (2) Em que R representa o raio e D o diâmetro do êmbolo. Definida a área, é possível obter a velocidade (V) em que ocorre o deslocamento, que é dependente da vazão (Q) e da área do lado que recebe o ar ou fluido, conforme a Equação 3. ou (3) 7878 ASSIMILE Caso se trate de um cilindro de dupla ação, a velocidade em que a haste se move dependente do lado que o cilindro é acionado. Tomando como referência a Figura 1, se aplicado ar ou fluido no lado esquerdo, considera-se no cálculo da área o diâmetro interno do cilindro. Caso o lado que receba o ar ou o fluido seja o lado direito, na área deve-se adotar a área da coroa circular correpondente ao espaço entre a área de seção transversal interna do cilindro (Ac) e a área de seção transversal da haste ligada ao pistão (Ah), ou seja, A = Ac – Ah. Vale ressaltar que uma velocidade será menor que a outra, pois necessitará de menos conteúdo para promover o deslocamento. O Quadro 1 identifica algumas vantagens e desvantagens decorrentes da utilização de atuadores pneumáticos. Quadro 1 – Vantagens e desvantagens de atuadores pneumáticos Tipo Vantagens Desvantagens Mola e diafragma Comparativamente barato Simples Possui posição de segurança por falha intrínseca Precisa de baixa pressão de ar disponibilizada pelo suprimento Ajustável Simplicidade de manutenção Opera sem precisar de posicionador Baixo tempo de resposta Segurança em aplicações em que eletricidade oferece risco Torques restritos Restrição de uso em altas temperaturas Inflexível para mudar as circunstâncias de serviço Necessidade de instalação de ar comprimido Ruído com o escape de ar 7979 79 Cilindro Alto torque Ocupa pouco espaço Leve Flexível para uso em altas temperaturas Adequa-se às mudanças de torque exigidas pela válvula Baixo tempo de resposta Segurança em aplicações em que eletricidade oferece risco Necessidade de elementos adicionais para posição de segurança por falha Precisa de posicionador em aplicações de controle modulado Mais caro do que o atuador do tipo mola e diafragma Precisa de alta pressão de ar disponibilizada pelo suprimento Fonte: Oliveira (1999, p. 104) e Franchi (2015, p. 262). 4. Atuadores hidráulicos Os atuadores hidráulicos recebem um fluido, comumente óleo, que quando escoado, desloca-o e produz uma força motriz. Os cilindros hidráulicos, como já mencionado,são exemplos de atuadores hidráulicos e as equações apresentadas para os cilindros pneumáticos também valem para eles. Outro tipo de atuador hidráulico é o motor hidráulico, que pode ser do tipo turbina, palheta, engrenagem, pistão radial ou pistão axial. Para um motor hidráulico, o torque (T) é dado pela multiplicação da força (F) exercida pela carga pela distância em relação ao eixo (r), conforme a Equação 4. T kgfm = F kgf · r m (4) A velocidade no eixo do motor (Ve), por sua vez, pode ser obtida pela Equação 5. (5) Em que d representa o deslocamento do motor. 8080 O Quadro 2 identifica algumas vantagens e desvantagens decorrentes da utilização de atuadores hidráulicos. Quadro 2 – Vantagens e desvantagens de atuadores hidráulicos Vantagens Desvantagens Torque muito elevado Robusto Características dinâmicas estáveis em reação às forças exercidas pelo fluido Baixo tempo de resposta Pode ser operado em ambientes explosivos, corrosivos e de alta temperatura Comparativamente caro Uso complexo Dimensões e peso elevados Necessidade de elementos adicionais para posição de segurança por falha Fonte: Oliveira (1999, p. 104) e SE (2014). 5. Atuadores elétricos Os atuadores elétricos consistem em elementos eletromecânicos, comumente ligados a engrenagens, que ao receberem o sinal de controle culminam em movimento linear ou rotativo. Exemplos de atuadores que podem ser utilizados são motores de corrente contínua, motores de corrente alternada, motores de passo e servo-motores. Outra categoria de atuador elétrico é o atuador de solenoide, que movimenta uma válvula pelo movimento do núcleo de uma bobina. Em um solenoide, o campo magnético gerado pela energização de seus enrolamentos é capaz de movimentar um material ferromagnético alocado no centro da bobina. Dessa forma, havendo uma mola que mantem o material deslocável fixo quando a solenoide não está acionada, é possivel controlar o processo. Um exemplo desse atuador é a válvula solenoide aplicada ao controle de um fluido, que normalmente se encontra fechada, quando a mola presente no solenoide força um pino da válvula de forma a bloquear a passagem de fluido. Ao passo que o solenoide é acionado, ele desloca o pino para cima, liberando a passagem de fluido. 8181 81 Os elementos principais de motores elétricos são o estator, que fica fixo junto à carcaça da máquina, e o rotor, que se move junto ao eixo. A Figura 2 exibe um motor de indução, no qual visualiza-se as estruturas do rotor e o estator. Figura 2 – Vista em corte de um motor de indução Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rotterdam_Ahoy_Europort_2011_(14).JPG. Acesso em 15 abr. 2019 Tendo em vista as diferentes opções deste tipo de atuador, Alciatore e Histand (2014) apresentam alguns critérios que devem ser considerados na seleção de um motor elétrico: • A suficiência em relação à partida e aceleração do motor; • A velocidade máxima que o motor pode alcançar; • A razão cíclica da operação; • A potência que deve ser entregue à carga; • O tipo de alimentação do sistema; • A inércia da carga; • Se a carga é acionada a velocidade constante; • Precisão de posição; • A velocidade de funcionamento do motor; https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rotterdam_Ahoy_Europort_2011_(14).JPG 8282 • Se é necessário controle de velocidade; • Se é necessária uma caixa de transmissão ou caixa de engrenagem; • Se a curva de carga está adaptada à curva de torque- velocidade do motor; • Se é preciso inverter o sentido de giro do motor; • Restrições relacionadas a tamanho e peso. Em linhas gerais, as vantagens e desvantagens advindas da utilização de atuadores elétricos estão apresentadas no Quadro 3. Quadro 3 – Vantagens e desvantagens de atuadores elétricos Vantagens Desvantagens Ocupa pouco espaço Pode ser utilizado em aplicações remotas Alto rendimento Relativamente caro Não possui posição de segurança por falha Possui limitações para ser usado em sistemas de controle modulado Alto tempo de resposta Inflexível Não pode ser operado em ambientes explosivos, corrosivos e de alta temperatura Fonte: Oliveira (1999, p. 104) e SE (2014). PARA SABER MAIS Em projetos de instrumentação industrial, a utilização de programas computacionais que permitem simular os circuitos hidráulicos, pneumáticos e elétricos é bastante recomendada. Nesses tipos de software é possível, por exemplo, selecionar diferentes tipos de atuadores e acompanhar a velocidade e a força em pontos específicos, verificando se o dimensionamento dos elementos resulta em uma ação de acordo com o esperado. 8383 83 6. Posicionadores Os atuadores e as válvulas de controle possivelmente necessitam de posicionadores, que podem ser definidos como elementos que transmitem para o atuador a pressão exercida pela carga, fazendo com que a haste da válvula se mova de acordo com o sinal enviado pelo controlador. Para que funcione de forma adequada, os tempos de resposta do posicionador e da válvula somados deve ser inferior ao tempo de atuação exigido pelo processo. As principais aplicações em que é recomendado o uso de posicionadores são (OLIVEIRA, 1999): • Neutralização da força de atrito: quando a vedação da válvula é apertada para evitar vazamentos ou o processo está sujeito a alta pressão, surge um atrito na haste, e consequentemente o tempo morto e a histerese aumentam acima do limite aceitável. Nesse caso um posicionador pode fornecer maior volume de ar e abreviar o atraso; • Operação de atuadores pneumáticos sem mola: ao utilizar um posicionador nestes tipos de atuadores, como não é necessário comprimir a mola, geram-se força de assentamento de grande magnitude; • Aumento de velocidade de resposta: a velocidade de funcionamento de uma válvula em sistemas pneumáticos e hidráulicos são dependentes de alguns fatores como o volume do atuador, a distância entre a válvula e o controlador e a abertura da tubulação. A utilização de um posicionador aumenta a velocidade de resposta, pois, como o sinal de acionamento chega primeiramente no posicionador, o volume de ar ou de fluido que será aplicado na válvula será somente o necessário para que ela se desloque até o ponto desejado. Com um volume menor de ar sendo aplicado, mais rápida se torna a resposta da válvula; 8484 • Funcionamento com faixa dividida: o uso de um posicionador possibilita operar somente com uma parte da faixa da saída referente ao controlador; • Modificação de característica de vazão da válvula: posicionadores específicos permitem que a variação na posição da haste da válvula de forma não linear, de acordo com a saída do controlador; • Inversão de ação de válvula: como há posicionadores com ação direta e ação indireta, a inversão das ações podem ser feitas pela mudança do posicionador; • Banda larga proporcional: a utilização de posicionadores permite que a válvula responda a variações no sinal de entrada de magnitude pequena; • Aumento de força do fluido: a utilização de posicionadores pode garantir mais força para superar atritos decorrentes de aglomerações na válvula. Contudo, caso a válvula esteja dimensionada incorretamente, a velocidade de resposta do sistema seja muito inferior à resposta exigida pelo sistema ou o controlador tenha muita histerese ou banda morta, o uso de posicionadores é insuficiente. Portando, deve-se buscar outra alternativa para a resolução dos problemas. Nessa leitura fundamental foram evidenciadas as principais características de atuadores hidráulicos, elétricos e pneumáticos. Também foram observadas as principais vantagens e desvantagens de cada sistema, bem como algumas considerações na escolha de cada tipo. Por fim, foram apresentados os posicionadores, que podem ser elementos acessórios dos atuadores. 8585 85 TEORIA EM PRÁTICA Um dos atuadores elétricos mais simples é a solenoide, que é largamente utilizada para o acionamento de válvulas. Assim, quando é feita a especificaçãode uma válvula solenoide deve se determinar as características da válvula, observando o fluido a ser controlado, e também as do solenóide. Considere que você trabalha em uma indústria de cosméticos que está automatizando a sua linha de produção e você é o responsável por especificar quais atuadores serão utilizados nessa automação. Assim, cabe a você determinar qual válvula solenoide utilizar para controlar a passagem de um produto químico que circula por uma tubulação de baixa pressão com diâmetro de 1” e possibilidade de conexão via rosca NPT. Essa válvula deve ser acionada por um CLP, com tensão continua de 24 V. Para resolver esse problema, você deve fazer uma pesquisa sobre as especificações de uma válvula solenoide e especificar um modelo que possa ser utilizado nessa aplicação. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Os cilindros são exemplos atuadores hidráulicos que resultam em deslocamento linear. Considere um cilindro de dupla ação que possua uma haste de 28 mm e um diâmetro interno de 35 mm. Considere também que o cilindro esteja ligado a uma válvula direcional e a uma bomba com vazão de 16000 cm³/min e 180 bar. A Figura 2 ilustra o sistema. 8686 Figura 3 – Sistema envolvendo a utilizando de um cilindro hidráulico, uma válvula direcional e uma bomba hidráulica. Fonte: elaborada pelo próprio autor. Qual a velocidade de deslocamento desse cilindro quando o fluido é aplicado no ponto a e no ponto b? Adote π = 3,14. a. Ambas velocidades são 16,6 cm/min b. A velocidade no ponto a é 16,6 cm/min e a velocidade no ponto b é 46,2 cm/min c. Ambas velocidades são 1666,7 cm/min d. A velocidade no ponto a é de 1666,7 cm/min e a velocidade no ponto b é 4705,9 cm/min truck Destacar 8787 87 e. A velocidade no ponto a é 1666,7 cm/min e a velocidade no ponto b é 2599,7 cm/min 2. Os atuadores pneumáticos, hidráulicos e elétricos são amplamente utilizados. No processo de seleção de qual tipo de atuador utilizar, suas vantagens e desvantagens devem ser consideradas. Neste sentido, analise as informações a seguir: ( ) Os atuadores hidráulicos são recomendados em aplicações que exigem torque elevado. ( ) Os atuadores elétricos não são recomendados em ambientes sujeitos a altas temperaturas. ( ) Velocidade de resposta rápida representa uma vantagem do uso de atuadores pneumáticos. ( ) Velocidade de resposta rápida representa uma vantagem do uso de atuadores hidráulicos. Qual das sequências indica, respectivamente, de cima para baixo, quais afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)? a. V-V-V-V b. F-F-F-F c. V-F-V-V d. V-F-F-V e. V-F-V-F truck Destacar 8888 3. Posicionadores são elementos que podem ser utilizados para transmitir ao atuador a pressão exercida pela carga, movendo a haste da válvula de acordo com o sinal enviado pelo controlador. Qual das alternativas não representa uma recomendação de utilização de um posicionador? a. Compensar forças de atrito b. Aumentar a velocidade de resposta c. Facilitar a inversão da ação de uma válvula d. Aumentar o tempo de posicionamento da válvula e. Selecionar parte da faixa da saída controlador Referências bibliográficas ALCIATORE, D. G., HISTAND, M. B. Introdução à Mecatrônica e aos Sistemas de Medições. 4. Ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. FIALHO, A. B. Automatismos Pneumáticos - Princípios Básicos, Dimensionamentos de Componentes e Aplicações Práticas. São Paulo: Érica, 2015. FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações; 1. Ed. - São Paulo : Érica, 2015. OLIVEIRA, A. L. de L. Elementos Finais de Controle. Departamento Regional do Espírito Santo, SENAI, Espírito Santo, 1999. PARKER. Parker Hannifin Ind. Com. Ltda. Tecnologia Eletrohidráulica Industrial. Apostila. Jacareí, 2016. PARKER. Parker Hannifin Ind. Com. Ltda. Tecnologia Pneumática Industrial. Apostila. Jacareí, 2007. Disponível em: https://www.parker.com/literature/Brazil/ apostila_M1001_1_BR.pdf. Acesso em 10 abr. 2019. SE. Saber Elétrica. Tipos de Atuadores. 2014. Disponível em: https://www. sabereletrica.com.br/tipos-de-atuadores/. Acesso em 10 abr. 2019. https://www.parker.com/literature/Brazil/apostila_M1001_1_BR.pdf https://www.parker.com/literature/Brazil/apostila_M1001_1_BR.pdf https://www.sabereletrica.com.br/tipos-de-atuadores/ https://www.sabereletrica.com.br/tipos-de-atuadores/ truck Destacar 8989 89 Gabarito Questão 1 – Resposta D Primeiramente, transforma-se as unidades dos diâmetros de milimetro para centímetro. A área interna do cilindro pode ser calculada usando a equação 1, de tal forma que Ai = 3,14. (3,5²)/4 = 9,6 cm². Da equação 2, obtém-se que a velocidade de deslocamento em do lado a é Va=16000/9,6=1666,7 cm/min. Por sua vez, a área da haste é Ah = 3,14 . (2,8²)/4 = 6,2 cm². Assim, a área a ser considerada da coroa circular, é A = 9,6 – 6,2 = 3,4 cm². Então, no lado b a velocidade é Vb=16000/3,4=4705,9 cm/min. Assim, a alternativa d) é a correta. Questão 2 – Resposta A Todas as afirmações são verdadeiras, portanto a letra a) é a correta. Os atuadores hidráulicos fornecem torque elevadíssimo; Os atuadores elétricos de fato não são indicados em ambientes de alta temperatura, sendo preferível a utilização de cilindros hidráulicos, por exemplo; Tanto os atuadores pneumáticos e hidráulicos apresentam boa velocidade de resposta. Questão 3 – Resposta: D A alternativa d) não representa uma recomendação do uso de posicionador. O tempo de resposta do posicionador somado com o tempo de posicionamento da válvula deve ser mais rápido do que o tempo de atuação. Assim, o uso de um posicionador objetiva diminuir o tempo de posicionamento da válvula. As demais alternativas apresentam recomendações tradicionais dos posicionadores. truck Destacar truck Destacar truck Destacar 909090 Aquisição e interpretação de dados Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Compreender o fluxo de dados referentes a processos industriais; • Verificar elementos do processo de aquisição e tratamento de sinais; • Expor ferramentas utilizadas na interpretação e visualização dos dados; • Introduzir tendências relacionadas à inteligência e mineração de dados. 9191 91 1. Introdução A aquisição e interpretação de dados nos processos industriais permite às organizações um maior controle das operações e traçar estratégias. Além disso, permite reduzir custos, otimizar processos e aumentar a qualidade da produção, entre outras vantagens. Nas indústrias, diferentes dados relativos aos parâmetros físicos são constantemente coletados e processados. Usualmente, tais dados são utilizados pelos próprios controladores presentes na indústria, de forma a realimentar a malha de controle, ou são utilizados no monitoramento da linha de produção. As etapas básicas pelas quais os dados comumente percorrem dentro de um sistema de controle são indicadas na Figura 1. Figura 1 – Etapas percorridas pelos dados Fonte: Elaborada pelo autor. A primeira etapa consiste na detecção do sinal de entrada, convertendo grandezas como temperatura, umidade, pH e pressão em sinais elétricos (CASSIOLATO, 2019). Esta tarefa é feita por sensores ou transdutores. Em seguida, é realizado o condicionamento e processamento do sinal. Nesta etapa, o sinal é amplificado, linearizado e/ou filtrado, conforme a necessidade. Também ocorre a conversão do sinal de analógico para 9292 digital, visto que os dados são normalmente utilizados por controladores digitais ou computadores para efetuar alguma operação. Após processado, o sinal pode passar por 3 ações principais: • Seguir para um outro circuito para modificar a malha de controle em que está inserido; • Ser armazenado em bancos de dados ou arquivos de texto para futura consulta; • Ser visualizado em fluxo contínuo por algum software ou por elementos visuais presentes na indústria como painéis e displays para os usuários do sistema. Nesse estudo serão abordados elementos fundamentais relativos ao condicionamentoe processamento dos sinais de processos. Também serão expostas algumas ferramentas para interpretação e visualização que atribuem significado à informação adquirida. 2. Condicionamento e processamento do sinal Para que o dado observado seja fidedigno, a obtenção do sinal e o seu tratamento devem ser feitos corretamente. O sinal resultante do sensoriamento pode ter uma amplitude pequena, sendo necessária a amplificação do sinal. Para essa finalidade, amplificadores operacionais (amp-ops) podem ser utilizados. As configurações mais elementares de amplificação de sinal com amp-ops são as configurações inversora (Figura 2) e não-inversora (Figura 3). Figura 2 – Configuração do amplificador inversor Fonte: Elaborada pelo autor. 9393 93 Para a primeira configuração (amplificador inversor), o ganho A, que expressa a razão entre a tensão de saída (Vo) e a tensão de entrada (Vi), é dado pela Equação 1. Vo Vi =A = R2 R1 (1) Figura 3 – Configuração do amplificador não-inversor Fonte: Elaborada pelo autor. Para a segunda configuração, como amplificador não-inversor, o ganho corresponde ao apresentado pela Equação 2. Vo Vi = 1 +A = R2 R1 (2) Além das topologias de amplificadores apresentadas, existem outras que permitem a somatória ou subtração de dois sinais, em conjunto a aplicação de um ganho. Em casos onde há a necessidade do condicionamento de um sinal diferencial e/ou um alto ganho, a montagem mais utilizada é a do amplificador de instrumentação, apresentada na Figura 4. Figura 4 – Configuração do amplificador de instrumentação Fonte: Elaborada pelo autor. 9494 O amplificador de instrumentação gera uma saída baseada na diferença entre suas duas entradas, multiplicada por um ganho que é selecionado por meio da seleção dos resistores em sua montagem. Com isso, a tensão de saída da montagem apresentada na Figura 4 é representada pela Equação 3. (3) Além da montagem com a utilização de três amplificadores operacionais, pode-se empregar um circuito integrado que possui essa montagem internamente. Dessa forma, basta selecionar o valor do ganho por meio de um resistor externo. Um exemplo de circuito integrado de amplificador de instrumentação é o INA121, que possui seu diagrama interno apresentado na Figura 5. Além dos pinos de alimentação, entrada, saída e para colocação do resistor de ganho, o circuito integrado possui ainda o pino “Ref”, onde pode ser aplicada uma tensão a ser somada ao sinal de saída. Conforme dados contidos no datasheet deste circuito integrado, o ganho pode ser calculado conforme a Equação 4 (TEXAS INSTRUMENTS, 1998). (4) Figura 5 – Configuração do circuito integrado INA121 Fonte: Texas Instruments (1998, p. 1). 9595 95 Outra etapa relevante no processamento de sinais é a filtragem, que consiste na seleção de frequências do sinal de entrada. Os filtros podem ser classificados conforme três aspectos: tecnologia empregada, função executada e tipo de resposta aproximada. Com essas classificações é possível diferenciar e especificar o filtro corretamente conforme a aplicação. O primeiro aspecto dentro das classificações dos filtros é quanto a sua tecnologia e existem três fundamentais, que estão elencadas a seguir: • Os filtros passivos, como o próprio nome diz, são montados apenas com elementos passivos como resistores, capacitores e indutores. Eles são usualmente utilizados em sinais acima de 1 MHz, pois em baixas frequências exigem indutores muito grandes. Não possuem ganho de potência e são difíceis de ser sintonizados; • Os filtros ativos, são montados com uma associação de elementos passivos, normalmente resistores e capacitores, e elementos ativos, usualmente amplificadores operacionais, que podem proporcionar um ganho ao sinal não filtrado. Eles são fáceis de sintonizar e possuem a possibilidade de permitir ganho de potência, sendo utilizados para frequências inferiores a 1 MHz, devido à limitação do amplificador operacional; • Nos filtros digitais, o processo de filtragem é feito de forma digital, com o auxílio de um microcontrolador ou microprocessador. Nesse processo, o sinal analógico é convertido em digital por meio de um conversor A/D e então são aplicados algoritmos específicos que irão executar a filtragem do sinal amostrado. O segundo aspecto de estudo dos filtros é a função executada ou tipo de resposta ideal. Os principais tipos de respostas ideiais estão apresentados graficamente na Figura 6 e elencados a seguir: • Passa-baixas: idealmente permite a passagem de frequências inferiores à frequência de corte e rejeita as frequências superiores a ela. Como grande parte do ruído possui alta frequência, este tipo de filtro é comumente utilizado para atenuá-lo; 9696 • Passa-altas: idealmente permite a passagem de frequências superiores à frequência de corte e rejeita as frequências inferiores; • Passa-faixa: permite a passagem apenas uma banda (faixa) contida entre uma frequência de corte inferior e outra superior; • Rejeita-faixa: rejeita a banda localizada entre uma frequência de corte inferior e outra superior. Figura 6 – Resposta ideal dos filtros passa-baixas (a), passa-altas (b), passa-faixa (c) e rejeita-faixa (d). Fonte: Adaptada pelo autor de Malvino e Bates (2016, pg 790-793). A principal fonte de ruido para um sinal de instrumentação é a própria rede elétrica, que introduz um componente de frequência normalmente indesejável ao sinal (no Brasil, esse ruído se localiza em 60 Hz). Um filtro rejeita-faixa é uma opção que pode ser adotada para a atenuação desse 9797 97 sinal especifico. Pode também se aplicar um filtro passa-baixa com frequência de corte um pouco maior que 60 Hz para se minimizar esse sinal ruidoso do sinal de interesse. A função de transferência (H) desses filtros, quando analógicos, passivos e de primeira ordem, estão resumidos no Quadro 1. Nele, R, C e L correspondem, respectivamente, ao valor de resistência, capacitância e indutância dos elementos eletrônicos constituintes do circuito do filtro e w = 2pf representa a frequência angular. Quadro 1 – Funções de transferência básicas de cada tipo de filtro Tipo de filtro Função de transferência Passa-baixas Passa-altas Rejeita-faixa Passa-faixa Fonte: Elaborada pelo autor baseado em Alexander; Sadiku (2003). As respostas ideais ilustradas até então são impossíveis de serem obtidas com circuitos práticos. Assim, existem algumas aproximações das respostas ideais, que oferecem vantagens ou desvantagens dependendo do tipo de aplicação. Podem ser elencados quatro tipos de respostas aproximadas, que recebem o nome de seus criadores: 9898 Butterworth, Chebyshev, Cauer ou Elíptica e Bessel. Essas respostas aproximadas estão apresentadas na Figura 7, que ilustra a resposta de filtros passa-baixa de quinta ordem, projetados com cada uma das aproximações com frequência de corte em 2 GHz. Figura 7 – Respostas aproximadas dos filtros Fonte: Elaborada pelo autor. Como o processamento do sinal é comumente realizado por computadores, controladores lógico-programáveis ou microcontroladores, é comum a prática de converter um sinal analógico em sinal digital. Esse processo envolve duas etapas principais: amostragem e quantização. A amostragem consiste em ler o valor do sinal em tempos discretos. A Figura 8 exemplifica esse processo. Nela, o sinal analógico S(t) é representado em verde e as amostradas são tomadas a cada T segundos. Os valores das amostras Si, representados em azul, correspondem às amostras discretas. 9999 99 Figura 8 – Representação do processo de amostragem Fonte: Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Signal_Sampling.png. Acesso em: 24 de abr. 2019. ASSIMILE Quanto menor o período de amostragem T, maior será a similaridade entre o sinal analógico e o sinal amostrado. Contudo, limitações de hardware impedem que T seja tão próximo de 0 devido a limitações de armazenamento dos dados e velocidade. Não obstante, paragarantir a correta amostragem é necessário atender ao teorema de amostragem de Nyquist-Shannon, de tal forma que a frequência de amostragem seja maior do que o dobro da frequência máxima do sinal analógico. Porém, fazendo a amostragem com apenas o dobro da frequência do sinal original, muita informação do original é perdida. Desta forma, na prática, utiliza-se uma amostragem com frequencia ao menos dez vezes maior que o sinal orginal. 100100 A outra etapa da conversão analógico-digital é a quantização, efetuada por um conversor analógico-digital (A/D) propriamente dito, em que o valor do sinal amostrado é convertido para um número binário. O número de combinações possíveis (N) para a aproximação do sinal de entrada é dada em função do número de bits (n) do conversor A/D, de tal forma que N=2n. Assim, quanto maior o número de bits, maior o número de combinações possíveis, diminuindo o erro de aproximação do sinal analógico em relação ao sinal codificado. Após essas etapas, os sinais podem ser lidos em diferentes arquiteturas de controle digital, permitindo sequenciamento, temporização, operações aritméticas, comunicação, entre outras funcionalidades (ALCIATORE; HISTAND, 2014). Cada arquitetura possui especificidades, que devem ser consideradas na escolha da arquitetura que melhor se adeque à aplicação em que será utilizada: instruções, linguagens de programação, tamanhos de memória, quantidade de portas, funções e operações permitidas, tipo de comunicação, quantidade de portas, tipos de portas, tensões de entrada e saída, entre outras. 3. Atuação, visualização e armazenamento Após o processamento, as arquiteturas de controle digital podem gerar diferentes saídas para finalidades distintas. Quando o dado é enviado para um elemento final de controle, é utilizado para modificar o valor de alguma variável para que atinja o valor desejado. Quando se trata de sistemas mecânicos, atuadores hidráulicos, pneumáticos ou elétricos são utilizados para realizar movimento. Em relação à visualização, é possível utilizar elementos indicadores, que mostram o valor da variável por meio de ponteiros, escalas graduadas, barras gráficas ou dígitos (GONÇALVES, 2003). Também há a possibilidade de haver indicadores luminosos caso ocorra alguma anomalia na indústria. 101101 101 PARA SABER MAIS Outra forma de visualização é por meio de instrumento virtual, que é composto por um equipamento capaz de coletar dados e um software que permite substituir alguns elementos tradicionais como osciloscópios. Algumas das vantagens de sua utilização são a modularização das diferentes funcionalidades do instrumento, a personalização das funcionalidades e o menor custo. Além disso, as informações podem ser visualizadas localmente ou em painéis em salas de controle, por exemplo. Uma das técnicas para transmitir os valores do processo à distância é utilizar a telemetria, que possibilita a centralização de informações de diferentes instrumentos e controles em painéis de controle, de forma a permitir uma visão geral do funcionamento de diferentes elementos da unidade (GONÇALVES, 2003). Esses dados podem, então, ser consultados de forma contínua e agrupados de acordo com a necessidade. A Figura 9 mostra diferentes formas que os dados podem ser visualizados em uma sala de controle: gráficos, dígitos, mapas de calor, indicações luminosas. Figura 9 – Exemplo de telas de uma sala de controle Fonte: Martin Barraud/iStock.com. 102102 Em automação industrial, também são utilizados sistemas de supervisão e controle (SCADA), que permitem configurar arquivos de eventos e alarmes, relatórios e interfaces para controles de funções avançadas por meio de trechos de código (MORAES; CASTRUCCI; 2010). O módulo de configuração do sistema permite a definição de objetos gráficos de forma a mudar a cor ou a forma de um objeto de acordo com uma alteração no banco de dados (ALVES; 2017). Em relação ao armazenamento dos dados, é possível armazenar os dados em diferentes locais: localmente, em servidores, em dispositivos de storage ou então em nuvem. Os dados armazenados podem ser posteriormente interpretados por gráficos e pela realização de análises estatísticas. Ferramentas de inteligência de negócios (Business Intelligence, BI) têm sido cada vez mais sido utilizadas como sistemas de apoio à decisão e como base para a elaboração de planos estratégicos. O Quadro 2 mostra gráficos comuns que podem estar contidos em relatórios que analisam os dados. Quadro 2 – Descrição dos principais tipos de gráficos de análise de dados Tipo Descrição Vantagens Desvantagens Gráfico de barras A frequência de uma variável discreta é representada pela altura das barras, que podem estar dispostas na horizontal ou vertical. As barras possuem espaços entre si. Permite a comparação de forma imediata. Apenas informações simples podem ser representadas. Gráfico de barras agrupadas Os diferentes valores de uma mesma variável são dispostos em grupos. Permite a comparação de diferentes dados para a mesma variável. Apenas dados poucas variáveis e categorias estatísticas podem ser representadas. Pictograma Símbolos relacionados ao significado dos dados são adotados para representá-los. Permite a comparação de forma bastante inteligível. Possui limitações em relação à quantidade de informação apresentada e à precisão. 103103 103 Gráfico de linhas Apresentam a informação em função do tempo na forma de linhas. Permite a comparação entre dados e analisar a variação temporal. Apenas o período apresentado no gráfico pode ser visualizado. Gráfico de caule e folhas Os dados são dispostos em caule (lado esquerdo) e folhas (lado direito). Todos os números das folhas podem ser combinados ao respectivo número no caule. Permite a visualização de todos os valores dos dados sem a necessidade de criar uma tabela de frequências. Além disso, permite a visualização holística da distribuição dos dados. Apenas dados com um número médio de caules são indicados para serem representados dessa forma e quando os dados são bastante dispersos, dificulta- se a interpretação. Gráfico circular As diferentes categorias estatísticas são representadas de forma proporcional à sua frequência em um círculo. Pemite comparar as proporções das diferentes categorias de forma direta. Não deve ser utilizado quando se quer visualizar o valor real ou quando há muitas categorias. Histograma Utilizado para representar frequências de uma variável quantitativa contínua. As diferentes frequências são representadas por alturas de barras, sem espaço entre elas. Permite a visualização de forma imediata da distribuição do dado. Difícil construção quando feita manualmente se a amplitude dos intervalos é diferente entre si. Gráfico de caixa Possui o formato de um retângulo limitado dois segmentos de reta. Permite a visualização da distribuição completa dos dados, bem como a identificação direta da mediana, limites infeirores e superiores, quartis e de outliers. A construção depende do cálculo prévio do mínimo, máximo, 1º e 3º quartis e da mediana. Fonte: Modificado pelo autor baseado em Nunes (2019). Também podem ser utilizados para futuras análises preditivas, técnicas de aprendizado de máquina (DIAS, 2010), que tem o objetivo de reconhecer possíveis padrões nos dados. O campo de aprendizado de máquina pode lidar com problemas cujas saídas são conhecidas 104104 (aprendizado supervisionado) ou desconhecidas (aprendizado não supervisionado). No caso de aprendizado não-supervisionado, a alternativa mais comum para a compreensão dos dados é a criação de clusters (agrupamentos). Exemplos de algoritmos desse tipo de aprendizado são o k-means e db-scan. Já para o aprendizado supervisionado são criados modelos que mapeiam a relação entre a entrada e a saída do problema. Os problemas envolvidos nessa abordagem podemser tanto de classificação quanto de regressão. Problemas de classificação se referem àquelas cujas saídas são nominais ou categóricas, por exemplo: falha ou correto funcionamento; bom, médio ou ruim; aceitável ou não aceitável. Por sua vez, os problemas de regressão lidam com valores de saída contínuos, como é o caso de problemas cuja saída é alguma medida de nível ou temperatura. Alguns dos algoritmos mais utilizados são regressão linear, regressão logística, naive bayes, k-vizinhos mais próximos, redes neurais artificiais, árvores de decisão, florestas aleatórias e máquinas de vetores de suporte. Muitos dos algoritmos podem ser utilizados tanto para regressão quanto para classificação, entretanto alguns são específicos para algum tipo de problema. Outra área de aprendizado de máquina que pode ser aplicada aos dados de processo é mineração de fluxos (stream mining), que lida com aprendizado online, superando barreiras como limitação de memória. A criação de árvores incrementais é um exemplo de técnica utilizada nessa linha. Nessa leitura fundamental foram apresentadas as principais etapas de condicionamento e processamento de um sinal relativo ao processo industrial. Também foram vistas algumas formas de visualizar a informação obtida e ferramentas para interpretá-la. 105105 105 TEORIA EM PRÁTICA Praticamene toda a indústria possui motores elétricos que geram movimento para diversas partes do processo produtivo e em alguns casos para dimensionar corretamente um motor é necessário se conhecer o torque necessário para a movimentação de determinado elemento, como, por exemplo, de uma esteira. Considere que você é um profissional responsável pela automação da linha de produção de um frigorifico de abate de frangos, que possui uma grande quantidade de esteiras, todas acionadas por motores elétricos. Vários motores dessa linha de produção apresentaram problemas recentemente, que acabaram queimando por não conseguirem acionar as esteiras na velocidade desejada devido ao grande peso sobre elas. Assim, cabe a você projetar uma forma de medir o torque gerado pelos motores, de forma a averiguar se eles estão dimensionados corretamente para a aplicação. Você possui alguns extensômetros que podem ser utilizados nessa medição, mas como utilizá-los de forma a pemitir essa medição? Qual circuito de condicionamento pode ser utilizado? É necessário amplificar o sinal vindo do extensômetro? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A conversão de um sinal analógico em sinal digital é uma prática comum para permitir que as arquiteturas de controle processem os dados. A amostragem, que consiste em ler o valor do sinal em tempos discretos, é uma dessas etapas. 106106 Supondo que o sinal analógico possua frequência máxima de 100Hz, quanto deve ser a frequência de amostragem mínima para garantir uma correta amostragem? a. 100 Hz. b. 200 Hz. c. 50 Hz. d. 10 Hz. e. 1000 Hz. 2. O aprendizado de máquina pode ser utilizado na interpretação dos dados de processo de forma inteligente. Sobre seus conceitos básicos, analise as informações a seguir: ( ) O aprendizado de máquina pode ser classificado em supervisionado e não-supervisionado. ( ) Problemas de classificação são exemplos de problemas relacionados ao aprendizado não- supervisionado. ( ) Se a saída de um problema é conhecido e se refere a valores contínuos de pressão do processo, trata-se de um problema de regressão. ( ) Árvores incrementais podem ser utilizadas em aprendizado online. Qual das sequências indica, respectivamente, de cima para baixo, quais afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)? truck Destacar 107107 107 a. V-V-V-V. b. F-F-F-F. c. V-F-V-V. d. V-F-F-V. e. V-F-V-F. 3. Uma etapa relevante no processamento de sinais é a filtragem, que consiste na seleção de frequências específicas do sinal de entrada. Os filtros podem ser categorizados em 4 tipos principais: passa-baixas, passa- altas, passa-faixa e rejeita-faixa. A Figura 10 apresenta graficamente esses filtros. Figura 10 – Representações no domínio da frequência dos tipos básicos de filtros Fonte: Modificada pelo autor baseado em: https://en.wikipedia.org/ wiki/File:Bandform_template.svg. Acesso em: 25 abr. 2019. https://en.wikipedia.org/wiki/File:Bandform_template.svg https://en.wikipedia.org/wiki/File:Bandform_template.svg truck Destacar 108108 Quais das figuras mostradas na Figura 6 melhor correspondem às funções de transferência 1 1 + jwRC H(w) = e jwRC 1 + jwRC H(w) = , respectivamente? a. As figuras I e IV. b. As figuras II e III. c. As figuras IV e I. d. As figuras III e II. e. As figuras III e IV. Referências bibliográficas ALCIATORE, D. G.; HISTAND, M. B. Introdução à Mecatrônica e aos Sistemas de Medições. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos. Porto Alegre: Bookman, 2003. ALVES, J. L. L. Instrumentação, Controle e Automação de Processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. CASSIOLATO, C. Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados. 2019. Disponível em: http://www.smar.com/brasil/artigo-tecnico/sistemas-de-supervisao-e-aquisicao- de-dados. Acesso em: 22 abr. 2019. DIAS, R. R. de F. Internet das Coisas sem mistérios: uma nova inteligência para os negócios. São Paulo: Netpress Books, 2016. GONÇALVES, M. G. Monitoramento e Controle de Processos. Rio de Janeiro: Petrobrás; Brasília: SENAI/DN, 2003. MALVINO, A. P.; BATES, D. Eletrônica. vol. 2. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. 483 p. MORAES, C. C. de; CASTRUCCI, P de L. Engenharia de Automação Industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. http://www.smar.com/brasil/artigo-tecnico/sistemas-de-supervisao-e-aquisicao-de-dados http://www.smar.com/brasil/artigo-tecnico/sistemas-de-supervisao-e-aquisicao-de-dados truck Destacar 109109 109 NUNES, V. Tipos de Gráficos Estatísticos. 2019. Disponível em: https://www. matematica.pt/util/resumos/tipos-graficos-estatisticos.php. Acesso em: 25 abr. 2019. TEXAS INSTRUMENTS. INA121 datasheet. 1998. Disponível em: http://www.ti.com/ lit/ds/symlink/ina121.pdf. Acesso em: 26 abr. 2019. Gabarito Questão 1 – Resposta: B Para garantir a correta amostragem é necessário atender o teorema de amostragem de Nyquist-Shannon, que declara que a frequência de amostragem seja maior do que o dobro da frequência máxima do sinal analógico. Dessa forma, se a frequência máxima do sinal analógico é 100 Hz, a frequência de amostragem mínima deve ser de 200 Hz. Questão 2 – Resposta: C Todas as afirmações são verdadeiras, exceto a segunda, portanto, a sequência correta é V-F-V-V, letra (c). Em um problema de classificação, as saídas são nominais ou categóricas. Isto implica que a saída do problema é conhecida e, portanto, trata-se de aprendizado supervisionado. Questão 3 – Resposta: C A função de transferência H(w)=1/(1+jwRC) corresponde a um passa-baixas, como pode observado no Quadro 1 ou pela análise da expressão: quando a frequência é 0, H=1. Quando w tende ao infinito, H=0. (Figura 10. IV). Por outro lado, a função de transferência H(w)= jwRC /(1+jwRC) corresponde a um passa-altas, pois quando a frequência é 0, H=0. Quando w tende ao infinito, H=1. (Figura 10. I). Assim, as alternativas IV e I são as corretas. https://www.matematica.pt/util/resumos/tipos-graficos-estatisticos.php https://www.matematica.pt/util/resumos/tipos-graficos-estatisticos.php http://www.ti.com/lit/ds/symlink/ina121.pdf http://www.ti.com/lit/ds/symlink/ina121.pdf truck Destacar truck Destacar truck Destacar truck Destacar 110110110 Aplicações de sensores na indústria Autor: Giancarlo Michelino Gaeta Lopes Objetivos • Reconhecer os princípios operacionais dos sensores de proximidade; • Identificar os sensores mais adequados para determinada aplicação; • Observar aspectos de instalação que devem ser consideradas quando utilizados esses sensores. 111111 111 1. Introdução Um dos requisitos para a automação de processos é obter informaçõessobre as variáveis que estão envolvidas. Nesse contexto, os sensores são os elementos responsáveis por receber os dados do estado do processo e transformá-lo em grandezas elétricas para que possam ser utilizados em um processador (SOLOMAN, 2012). Uma indústria possui diferentes sensores para monitorar as grandezas desejadas. Alguns exemplos são os sensores utilizados para medir as grandezas físicas de temperatura, vazão, pressão e nível. Na automação dos processos, porém, os sensores de proximidade também são de grande relevância, apresentando diversas aplicações. A Figura 1 mostra um braço robótico equipado com um sensor de proximidade para realizar seus movimentos de forma correta. Figura 1 – Exemplo de uso de sensor de proximidade com um braço robótico Fonte: kynny/iStock.com. 112112 Dentre as diferentes aplicações, os sensores de proximidade podem ser utilizados para (SEIDEL, 2011; SOLOMON, 2012; THOMAZINI, ALBUQUERQUE, 2011): • Detecção de posição; • Contagem de peças; • Velocidade de rotação; • Medida de altura; • Detecção de nível; • Medição de velocidade; • Detecção de obstrução; • Detecção de forma; • Proteção e segurança; • Detecção de rompimentos de fios; • Detecção de ferramentas; • Acendimento de luzes, entre outras. Dada sua vasta aplicabilidade na indústria, nesse estudo serão abordados os principais sensores de proximidade que podem ser utilizados para as aplicações descritas anteriormente. Também serão abordadas as características comuns desses diferentes sensores, que devem ser consideradas em sua seleção, bem como instalação. 2. Sensores de proximidade Uma das principais classificações dos sensores se refere ao sinal de saída, podendo ser do tipo analógico (ou proporcional) ou digital (ou discreto) (FRANCHI, 2015). No tipo analógico, a saída assume valores numéricos de tensão, resistência ou corrente contínuos contidos 113113 113 entre um limitante superior e inferior. Os valores são proporcionais à grandeza que está sendo avaliada. No tipo discreto, a saída apresenta- se na base binária, comumente como desligado ou ligado. Dessa forma, pode ser utilizado em situações em que é necessário mostrar a presença ou ausência de algum elemento, bem como quando determinado nível foi ultrapassado. Com a finalidade de detecção de proximidade, uma das opções é a utilização de chaves eletromecânicas. Outra opção é a utilização de sensores eletrônicos como sensores de proximidade indutivos, capacitivos, óticos ou ultrassônicos. A segunda opção apresenta grandes vantagens em relação à primeira, como mostrado no Quadro 1, que compara os tipos eletrônico e eletromecânico. Quadro 1 – Comparação das características de sensores de proximidade eletrônico e eletromecânico Características Sensor Eletrônico Sensor Eletromecânico Necessidade de contato físico com o alvo Não Sim Velocidade de resposta Alta Baixa Frequência de comutação Alta Baixa Vida útil Sem limites de ciclo de operação Limitado número de contatos Custo Elevado Baixo Fonte: SEIDEL (2011, p. 24). Grande parte dos sensores de proximidade possuem algumas características em comum: • Face sensora: parte do sensor pela qual são emitidos os campos eletromagnéticos ou ondas. A Figura 2 mostra um sensor indutivo em que a área circular azul corresponde à face sensora; 114114 Figura 2 – Exemplo de sensor de proximidade indutivo Fonte: Morfey713/iStock.com. • Distância sensora nominal: distância máxima especificada pelo fabricante que um sensor consegue operar; • Distância sensora operacional: distância que o sensor consegue detectar a proximidade na prática devido a diferentes fatores; • Zona morta: área perto do sensor em que não é possível realizar a detecção do objeto. Quando discreto e binário, a saída do sensor pode ser normalmente aberta ou normalmente fechada. Se normalmente aberta, a saída do sensor encontra-se desativada quando não há algum elemento na região sensível, passando a energizar-se quando detecta algum elemento. Se normalmente fechada, a saída do sensor encontra-se normalmente energizada. As características operacionais dos principais sensores de proximidade são expostas a seguir: Sensor potenciométrico: utiliza a variação de resistência em um potenciômetro para obter uma variação na posição ou no ângulo. Para isso, o elemento que terá a posição alterada deve estar conectado ao ponto interno do potenciômetro. 115115 115 Sensor fotoelétrico (ou óticos): utiliza a luz para verificar se determinado objeto está presente ou ausente, ou ainda para determinar a distância entre o sensor e o objeto. O sensor é constituído essencialmente de uma fonte e um detector. A primeira é comumente um diodo emissor de luz, que envia um feixe no espectro de luz, podendo ser de luz visível ou infravermelha. Por sua vez, o detector é um fotodiodo capaz de perceber a existência de luz. O detector e a fonte podem estar localizados em partes distintas ou juntos, operando principalmente pelos seguintes princípios: • Por barreira direta: a fonte e o detector localizam-se em partes distintas, porém a face que emite a luz deve estar de frente com a face que detecta. Se houver um objeto entre os dois, o recebimento da luz será interrompido, indicando a presença do objeto. • Por difusão-reflexão: o detector e a fonte localizam-se na mesma parte. Quando um objeto atinge a região de sensibilidade do sensor, o feixe de luz é refletido para o detector, indicando a presença do objeto. A distância sensora operacional, denotada por Sa, depende da distância sensora nominal (Sn) e de alguns fatores de redução consequentes do tipo de material (Fm), da cor do objeto (Fc) e da atmosfera (Fatm), conforme a Equação 1. Sa = 0,81 · Sn · Fm · Fc · Fatm (1) Os Quadros 2 e 3 mostram os fatores de redução para alguns materiais e cores, respectivamente. Quadro 2 – Fatores de redução consequente do tipo de material do alvo para sensor ótico Material Fm Metal polido 1,2 a 1,8 Metal usinado 0,95 a 1,0 Madeira 0,7 a 0,8 Papelão 0,5 a 0,6 Fonte: SEIDEL (2011, p. 36). 116116 Quadro 3 – Fatores de redução consequente da cor do alvo para sensor ótico Cor Fc Branca 0,95 a 1 Amarela 0,9 a 0,95 Vermelha 0,7 a 0,8 Violeta 0,5 a 0,6 Preta 0,2 a 0,5 Fonte: SEIDEL (2011, p. 36). ASSIMILE Os valores apresentados nos Quadros 2 e 3 indicam que quanto menos reflexivo e mais escuro o material, menor é o fator relacionado ao tipo de material e à cor. Consequentemente, menor será a distância sensora operacional. O Quadro 4 mostra os fatores para alguns tipos de atmosfera. Nota-se que quando o ambiente possui elementos que impedem a passagem de luz, a distância operacional também diminui, podendo até inutilizar o sensor. Quadro 4 – Fatores de redução consequente do tipo de atmosfera para sensor ótico Atmosfera Fatm Ar puro e úmido 1 Ar com fumaça leve ou algumas partículas em suspensão 0,4 a 0,6 Ar com muita fumaça ou muitas partículas em suspensão 0 a 0,1 Fonte: SEIDEL (2011, p. 39). 117117 117 • Retro-reflexivo: o detector e a fonte estão unidos na mesma parte. Existe um espelho prismático que recebe o feixe de luz e o reflete. Quando há um objeto entre o sensor e o espelho, ocorre um espalhamento da luz em diferentes direções, interrompendo o recebimento de luz. Sensor indutivo: utiliza uma bobina na face sensora que gera um campo eletromagnético. Ao passo que um metal se aproxima do sensor, penetra no campo eletromagnético, absorvendo parte da energia do campo, que ocasiona a deteção. No caso de um sensor discreto, essa absorção é detectada pelo sensor e, passando de um limiar, acionada a saída. A distância sensora operacional é proporcional ao metal que é o alvo do sensor, segundo os fatores de redução (FR) apresentados no Quadro 5. Quadro 5 – Fator de redução consequente do tipo de metal para sensor indutivo Material FR Ferro e aço 1,0 Aço inox 0,85 Alumínio 0,4 Cobre 0,3 Fonte: SEIDEL (2011, p. 31). O uso dessetipo de sensor é bastante recomendado em aplicações de ambientes agressivos, em que estão presentes vibração, agentes químicos, vapores, colisões e muita sujeira. Também é utilizado em situações em que a velocidade de aproximação é elevada e quando as dimensões do objeto alvo são pequenas. Sensor capacitivo: utiliza a variação da intensidade do campo conforme a permissividade do tipo de material que está sendo detectado. Assim, com a aproximação do objeto ao sensor, a capacitância tende a aumentar e é feita a detecção. 118118 O Quadro 6 apresenta o fator de redução ao qual o sensor capacitivo está sujeito, dependendo do material. Nota-se que esse tipo de sensor pode ser utilizado para detectar materiais metálicos e não metálicos para diferentes aplicações. Quadro 6 – Fator de redução consequente do tipo de material para sensor capacitivo Material FR Metais 1,0 Água 1,0 Vidro 0,3 a 0,5 Plástico 0,3 a 0,6 Óleo 0,1 a 0,3 Fonte: FRANCHI (2015, p. 309). Sensor ultrassônico: utiliza ondas com frequência acima do espectro audível para detectar um objeto. Seu funcionamento baseia-se em algumas etapas. Primeiramente, o emissor envia uma onda. Se a onda entra em contato com alguma barreira, produz um eco. Considerando que o receptor se localiza junto ao emissor, a distância (d) entre e o sensor e o objeto pode ser calculada conforme a Equação 2. t x v 2 d = (2) Em que v representa a velocidade do som no ar (340 m/s), a divisão por 2 se justifica pelo fato de t corresponder ao período de ida e volta da onda. Algumas das vantagens do sensor ultrassônico são a independência da cor ou poeira. Encoder rotativo: é constituído de um disco cujo centro é posicionado no eixo. O disco possui furos dispostos de forma a obter uma saída discreta codificada ao passo que gira. Normalmente utiliza o princípio de detecção por barreira direta do sensor ótico para gerar o sinal de saída. Esse sinal varia conforme o disco, podendo informar a posição, velocidade e sentido de rotação. 119119 119 PARA SABER MAIS Uma classificação comum dos encoders é entre o tipo incremental e absoluto. No incremental, é possível obter a mudança de posição em relação ao início, e não a posição real. Por sua vez, o encoder absoluto registra a posição do objeto, pois possuem uma referência interna fixa. Transformador linear diferencial variável (LVDT): um núcleo magnético constituído de três bobinas constitui o transformador. O secundário é formado por duas bobinas que correspondem aproximadamente à metade da bobina única do primário. Entre o primário e o secundário localiza-se um núcleo ferromagnético. O deslocamento desse núcleo modifica a tensão induzida na saída do transformador. As aplicações mais comuns desse tipo de sensor são a verificação de deslocamento, modificação na espessura de peças, deflexão de estruturas, localização do êmbolo ou da haste em cilindros, em suspensões automotivas e em posicionadores que exigem precisão, tais como os empregados em robôs e diferentes ferramentas. Transformador rotacional diferencial variável (RVDT): as bobinas estão dispostas de forma semelhante ao LVDT, porém o núcleo ferromagnético possui formato de semi-círculo. Conforme o semi-círculo gira, a tensão de saída varia. 3. Instalação de sensores A instalação dos sensores de proximidade, e também de outros tipos de sensores, exige algumas atitudes para garantir o correto funcionamento. Alguns dos elementos que devem ser considerados são: 120120 Cabo de conexão: deve-se evitar que os cabos estejam muito tensionados para evitar sua ruptura. Também deve-se prendê-los de forma a evitar que seu excesso interfira na produção, na medição ou seja afetado por elementos externos, como braços robóticos ou peças; Fixação: é importante que o sensor esteja fixado a suportes para que evite sua colisão ou muita perturbação. Também é importante que a distância sensora seja respeitada e que esteja seguro em relação aos atuadores. Além disso, deve-se evitar usar muitos pontos de fixação. Condições: analisar condições e temperatura em que o sensor será instalado é bastante importante para verificar se está de acordo com o apresentado na folha de dados (datasheet). Outra questão é verificar se o ambiente de operação é sujeito à umidade e partículas sólidas. Sobre as condições do ambiente de operação, uma característica que classifica os sensores quanto à proteção a sólidos e líquidos é o índice de proteção (IP) (FRANCHI, 2015). Esse índice é denotado pelas letras IP seguidas de dois números: o primeiro varia de 0 a 6 e mostra a proteção contra sólidos; o segundo número varia de 0 a 8 e mostra a proteção contra água sem causar dano ao funcionamento do sensor. Os Quadros 7 e 8 mostram o significado do primeiro e segundo dígito, respectivamente. Quadro 7 – Primeiro dígito de IP, relativo à proteção contra sólidos Nível Proteção 0 Nenhuma proteção contra entrada de objetos ou contato 1 Proteção contra entrada de objetos maiores de 50 mm, sem proteção de contato 2 Proteção contra entrada de objetos maiores de 12,5 mm 3 Proteção contra entrada de objetos maiores de 2,5 mm 4 Proteção contra entrada de objetos maiores de 1 mm 5 Proteção parcial contra entrada de poeira e proteção completa contra contato 6 Proteção total contra entrada de poeira e contato Fonte: Adaptado de Lamb (2015, p. 175). 121121 121 Quadro 8 – Segundo dígito de IP, relativo à proteção contra líquidos Nível Proteção 0 Nenhuma proteção 1 Proteção contra gotejamento vertical de água 2 Proteção contra gotejamento de água com o sensor inclinado em até 15º 3 Proteção contra pulverização de água 4 Proteção contra espirro de água 5 Proteção parcial contra jatos de água feitos com um bico de 6,3 mm 6 Proteção parcial contra jatos fortes de água feitos com um bico de 12,5 mm 7 Proteção contra imersão em água de até 1 m de profundidade 8 Proteção contra imersão em água de mais de 1 m de profundidade Fonte: Adaptado de Lamb (2015, p. 176 e 177) Nesta leitura fundamental foram abordados os principais tipos e as principais aplicações de sensores de proximidade, que são bem amplas. Também foram identificadas algumas características essenciais que devem ser observadas durante a seleção e instalação desses sensores para seu correto funcionamento. TEORIA EM PRÁTICA A seleção do sensor correto a ser utilizado em uma determinada aplicação é determinante para o funcionamento correto da automação. Quando é necessária a detecção de um determinado objeto ou substância são utilizados sensores de proximidade, também chamados de sensores de presença. Considere que você trabalha em uma indústria envasadora de água mineral, sendo responsável pela linha de produção. Devido a um crescimento da demanda da indústria, será implementada mais uma linha 122122 de produção (envasamento). Essa nova linha de produção deverá ser mais precisa, já que estará trabalhando com uma nova água saborizada, que possui valor de venda mais alto. Dessa forma, deve ser especificado um sensor de proximidade que detecte com precisão a presença do nível correto de líquido dentro da garrafa, evitando que a garrafa seja preenchida a mais ou a menos que o indicado na embalagem. Qual modelo de sensor utilizar? Todos os modelos são capazes de detectar um líquido transparente? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Sensores de proximidade possuem diversas aplicações como a detecção de posição, contagem de peças e medida de velocidade. Sensores eletromecânicos ou eletrônicos podem ser utilizados para realizar essas tarefas. Analise as informações a seguir, que comparam as vantagens da utilização desses dois tipos de sensores: ( ) Uma das maiores vantagens de utilizar um sensor eletromecânico é seu menor preço em relação ao sensor eletrônico. ( ) Um sensor eletrônico não precisa ter contato físico direto com o objeto para detectar a presença. ( ) A velocidade de resposta de um sensor eletromecânico é maior do que a velocidadede resposta de um sensor eletrônico. ( ) A vida útil de um sensor eletrônico é maior do que a vida útil de um sensor eletromecânico. 123123 123 Qual das sequências indica, respectivamente, de cima para baixo, quais afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)? a. V-F-V-F. b. V-V-F-V. c. F-F-V-F. d. V-F-V-V. e. F-F-V-V. 2. Sensores óticos utilizam a luz para verificar se determinado objeto está presente ou ausente, ou ainda para determinar a distância entre o sensor e o objeto. Suponha um sensor ótico de saída analógica que possua uma distância sensora nominal de 20 mm. Qual a máxima distância sensora operacional, sabendo que operará em ambiente com fumaça leve para detectar um metal usinado de cor branca? a. 9,72 mm. b. 16,2 mm. c. 4,86 mm. d. 12 mm. e. 10 mm. 3. Os sensores podem ser utilizados em diferentes condições ambientais. Dependendo da aplicação, devem garantir proteção contra umidade e objetos sólidos. truck Destacar truck Destacar 124124 Para a proteção contra entrada total de poeira e imersão em água de até 1 m de profundidade, qual o grau de proteção IP mínimo exigido? a. IP56. b. IP57. c. IP66. d. IP67. e. IP68. Referências bibliográficas FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. LAMB, F. Automação Industrial na Prática. Porto Alegre: AMGH, 2015. SEIDEL, A. R. Instrumentação Aplicada. 3. ed. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2011. SOLOMAN, S. Sensores e Sistemas de Controle na Indústria. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. THOMAZINI, D.; ALBUQUERQUE, P.U. B. de. Sensores Industriais - Fundamentos e Aplicações. 8 ed. São Paulo: Érica, 2011. Gabarito Questão 1 – Resposta: B Analisando o Quadro 1, chega-se à conclusão de que a alternativa (b) é a correta. A primeira afirmação é verdadeira. A segunda informação também é verdadeira, pois, como visto, os sensores eletrônicos podem usar ondas ou campos eletromagnéticos para truck Destacar truck Destacar 125125 125 detectar o objeto. A terceira afirmação é falsa, pois a velocidade de resposta de um sensor eletrônico é bastante superior ao sensor eletromecânico. A quarta afirmação também é verdadeira, pois um sensor eletromecânico possui um número limitado de contatos. Questão 2 – Resposta: A Do Quadro 4, um ambiente com fumaça leve apresenta fator de redução Fatm de 0,4 a 0,6. Por sua vez, do Quadro 2 um metal usinado possui fator de redução Fm de 0,95 a 1. A cor branca, de acordo com o Quadro 3, possui Fc de 0,95 a 1. Utilizando a Equação 1 com os valores acima, tem-se que: Sa= 0,81 * 20 * 0,6 * 1 * 1 Assim, a máxima distância sensora operacional é 9,72 mm e a alternativa correta é a (a). Questão 3 – Resposta: D Dos Quadros 7 e 8, o número que corresponde à proteção total contra entrada de poeira é o 6. O número que corresponde à proteção em imersão de até 1 m de profundidade em água é o 7. Assim, a proteção IP67 é a mínima que o sensor escolhido deve ter, de forma que a alternativa (d) é a correta. Nota-se que a proteção da letra (e) também garantiria a proteção necessária, mas possivelmente teria um maior preço e não representam o IP mínimo do enunciado. truck Destacar truck Destacar truck Destacar 126126 Apresentação da disciplina Parâmetros e terminologia de instrumentação Objetivos 1. Introdução 2. Parâmetros físicos 3. Classificação dos instrumentos 4. Terminologia e simbologia dos instrumentos Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Métodos e características de medição Objetivos 1. Introdução 2. Sistema internacional de unidades 3. Processo de medição 4. Métodos de medição 5. Caracterização metrológica de sistemas de medição Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Medição de grandezas físicas em processos industriais Objetivos 1. Introdução 2. Medição de grandezas físicas Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Válvulas de controle de pressão e vazão Objetivos 1. Introdução 2. Características de construção e operação das válvulas de controle 3. Válvulas de controle de pressão 4. Válvulas de controle de vazão Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Atuadores Objetivos 1. Introdução 2. Classificação de atuadores 3. Atuadores pneumáticos 4. Atuadores hidráulicos 5. Atuadores elétricos 6. Posicionadores Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Aquisição e interpretação de dados Objetivos 1. Introdução 2. Condicionamento e processamento do sinal 3. Atuação, visualização e armazenamento Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Aplicações de sensores na indústria Objetivos 1. Introdução 2. Sensores de proximidade 3. Instalação de sensores Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito