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Aula 31 – Revolução Chinesa
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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
"(...) Para os mais velhos, Mao é um constrangimento. É raro
encontrar quem o defenda. Ao fim da viagem, quando eu já me
conformava com o ritmo lento e as respostas esquivas dos
chineses, testemunhei a única reação direta, quase intempestiva,
de um professor de Economia da Universidade de Tsing-Hua,
Denggao Long. Ao indagar se as mudanças na China mostravam
uma verdadeira revolução de Deng, Long deu um pulo na cadeira e
até arriscou o inglês: 'Revolução? Não! Reforma.' Eu sorri, e ele
continuou: 'Revolução, nunca mais na China. A Revolução Cultural
foi uma tragédia, um erro (...)'."
Revista "Época", 06/2008
Que aspecto da Revolução Cultural Chinesa, ocorrida entre as
décadas de 1960/1970, justificaria a afirmação destacada no trecho
anterior? Assinale a alternativa que responde, corretamente, à
questão.
a) A Revolução Cultural agiu em favor da burocratização do Estado
Chinês e da planificação excessivamente centralizada da
economia.
b) No plano econômico, a Revolução Cultural atrasou o avanço
tecnológico do país, entre outros aspectos, devido às inúmeras
perseguições a intelectuais, cientistas e educadores.
c) Por meio da mudança de mentalidade, o governo maoísta
pretendia consolidar os ideais revolucionários burgueses, em
detrimento da massa camponesa.
d) A Revolução Cultural combateu, duramente, o isolamento
tradicional da cultura chinesa, valorizando o cosmopolitismo e a
inovação criadora trazida pelo Comunismo.
e) Defendendo uma revolução proletária urbana, nos moldes da
Revolução Russa, Mao Tse-tung precisou usar de extrema
violência para conter a participação da massa camponesa, o que
resultou em massacre.
Questão 02
A China desponta nos dias de hoje como uma das possíveis
grandes potências do próximo século. Todavia, até meados do
século XIX, ela era um país em grande parte isolado do restante do
mundo e que, apesar de apresentar uma economia enfraquecida,
resistia à voracidade dos interesses ocidentais. Naquela época os
primeiros a quebrarem esse isolamento foram os ingleses
Assinale a ÚNICA alternativa que corresponde aos meios
empregados pelos ingleses para impor à China o comércio e outras
influências ocidentais:
a) a monopolização do comércio da região, pela Companhia das
Índias Ocidentais;
b) a Guerra do Ópio, com ataques às cidades portuárias chinesas;
c) a assinatura de tratados de livre comercialização do chá chinês;
d) a Guerra dos Boers, levando ao extermínio os nativos da região;
e) a imposição à China de uma nova forma de governo com feições
ocidentais.
Questão 03
Considere a expansão do bloco socialista no mundo, entre o fim da
Segunda Guerra Mundial e a década de 1960, e analise as
proposições abaixo:
I. A União Soviética contentou-se com os territórios ocupados no
Leste europeu e estabeleceu uma política de alinhamento e
cooperação com os países ocidentais, através do Pacto de
Varsóvia.
II. A China realizou sua revolução socialista na década de 1940,
definindo uma política de cooperação econômica e militar com o
Japão e a Índia.
III. A Revolução Cultural instalada na China, entre as décadas de
1960 e 1970, pretendia estabelecer uma grande transformação
ideológica, alterar profundamente as estruturas socioculturais e
garantir o poder de Mao-Tsé-Tung.
IV. A instalação do regime socialista na ilha de Cuba entrou em
choque com a política capitalista norte-americana, resultando no
episódio de invasão da Baía dos Porcos.
V. Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão estabeleceu uma
política de reconstrução nacional, proclamando a república e
organizando um governo de base socialista.
VI. A América Latina manteve-se distante das influências
socialistas, como resultado da severa vigilância dos seus governos
e da incapacidade de trabalhadores e intelectuais para organizar
partidos e associações de caráter socialista.
Pode-se afirmar que:
a) todas as proposições são verdadeiras.
b) apenas as proposições I, III e V são verdadeiras.
c) apenas as proposições II, IV e V são verdadeiras.
d) apenas as proposições III e IV são verdadeiras.
e) apenas as proposições V e VI são verdadeiras.
Questão 04
Quanto à Revolução Chinesa, podemos afirmar que:
I - a partir de 1905, com a pressão do Partido Nacionalista
(Kuomitang), se iniciam as tentativas de deposição da dinastia
Mandchu, ao mesmo tempo em que as rivalidades no interior do
partido acabam por dividir a China provocando conflitos entre
republicanos e partidários da manutenção do domínio dinástico.
II - os focos de resistência ao domínio dinástico, de tendência
comunista, iniciam-se em Xangai após a fundação, em 1921, do
Partido Comunista Chinês e acabam por provocar tensões entre os
nacionalistas, chefiados por Chiang Kai Shek, e os comunistas,
chefiados por Mao Tsé Tung, fato que dará início à Grande Marcha
de 1934 e conduzirá à proclamação da República Popular da China
em 1949.
III - a partir do término da 2a Guerra Mundial, em função dos
acordos firmados entre EUA e URSS, as duas Chinas, a de
Formosa e a continental, se unem sob a liderança de um colegiado
que incluía comunistas e nacionalistas e que desempenhou papel
importante na realização da Revolução Cultural de 1960.
Assinale a opção que contém a(s) afirmativa(s) correta(s):
a) Apenas I
b) Apenas I e II
c) Apenas II
d) Apenas II e III
e) Apenas III
Questão 05
Sobre as etapas do processo de construção do socialismo na
China, é correto afirmar que:
a) durante o governo republicano do Partido Nacionalista
(Kuomintang), de Sun Yat-sen, que havia proclamado a república
em 1911, a aliança com os chefes militares regionais ("Senhores
da Guerra") permitiu a extinção das zonas de influência ocidentais
e japonesas na China.
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b) o Tratado de Versalhes, em 1919, definiu a soberania chinesa
diante do Japão, o que permitiu a formação de um governo de
coligação nacional com o apoio popular, do qual participavam os
"senhores da guerra", o Kuomintang e os comunistas.
c) a Longa Marcha, em 1934-35, foi uma reação popular contra a
invasão da Manchúria pelos Russos, em 1931, que reuniu as
forças militares do Kuomintang e do Partido Comunista Chinês
para a libertação dessa região.
d) ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, acirraram-se as
rivalidades entre o Partido Comunista Chinês e a União Soviética
Stalinista, que passou a ajudar militarmente o Kuomintang em sua
luta contra os comunistas, lançando a China em um período de
guerra civil.
e) após a vitória dos comunistas, em 1949, foram implantadas
diversas reformas, que não conseguiram atender às exigências
sociais, o que provocou críticas crescentes que ameaçavam o
governo do Partido Comunista, culminando no "Movimento das
Cem Flores", em 1956.
Questão 06
A China atravessava grandes dificuldades econômicas em 1966,
quando Mao Tsé-tung deu início à Revolução Cultural, que se
declarava contrária a “quatro velharias”: velhas ideias, velha
cultura, velhos costumes e velhos hábitos”.
Apesar de propagar transformações nessas áreas, a revolução
Cultural foi também um movimento político, pois:
a) fortaleceu o poder de Mao Tsé-tung, em razão da repressão aos
líderes acusados de direitistas e do expurgo dos que faziam
oposição ao grupo maoísta.
b) possibilitou a consolidação da Guarda Vermelha no poder, a
qual reimplantou o burocratismo, o autoritarismo e o nepotismo
típico do modelo soviético.
c) ampliou a influência do modelo soviético sobre o comunismo
chinês, com o investimento de muitos capitais e contando com a
cooperação de técnicos soviéticos no planejamento da economia.
d) traçouuma nova diretriz para o país, com a qual Mao Tsé-tung
buscava o desenvolvimento de relações internacionais que
atraíssem capitais e empresas estrangeiras.
Questão 07
No Ocidente, as relações de Mao Tsé-tung com o marxismo foram
objeto de discussão. Alguns estudiosos questionaram se Mao era
realmente um marxista, enquanto outros argumentaram que seu
pensamento estava baseado no stalinismo e não acrescentava
nada de novo no marxismo-leninismo. As ideias de Mao só foram
reconhecidas internacionalmente pelo termo “maoísmo” depois da
Revolução Cultural.
Adaptado de LAWRENCE, Alan. China under communism. Londres/Nova Iorque:
Routledge, 2000, p.6.
O fato dos estudiosos ocidentais questionarem a filiação marxista
dos ideais de Mao Tsé-tung estava relacionado:
a) ao chamado conflito sino-soviético, que resultou na ruptura de
relações entre China e URSS.
b) à aliança de Mao e do Partido Comunista Chinês com Chang
Kai-shek e o Kuomintang durante a II Guerra Mundial.
c) à organização da Revolução Chinesa a partir de uma base
camponesa e não operária.
d) à Revolução Cultural e às críticas que surgiram à burocracia do
Partido Comunista Chinês.
Questão 08
A Grande Marcha empreendida nos anos 30 por Mao Tsé-tung e
seus seguidores foi:
a) uma fuga dos contingentes comunistas que estavam sendo
perseguidos pelas tropas do Kuomitang.
b) uma fuga dos seguidores de Mao perseguidos pelas tropas
japonesas que invadiram a Manchúria.
c) uma tentativa das tropas comunistas de cortar as linhas de
abastecimento das tropas nacionalistas.
d) uma tentativa das tropas de Mao de cercar as tropas japonesas
que haviam invadido a Manchúria e o norte da China.
e) a marcha empreendida pelos comunistas sobre Nankim para
derrotar as tropas do Kuomitang.
Questão 09
Para conseguir estimular a industrialização chinesa, Mao Tsé-tung
lançou um programa de planejamento econômico que ficou
conhecido como:
a) Plano Quinquenal.
b) Grande Marcha.
c) Plano Salte.
d) Revolução Cultural.
e) Grande Salto Adiante.
Questão 10
Utilizando seus conhecimentos sobre a Revolução Chinesa,
relacione as duas colunas abaixo:
A alternativa que indica corretamente a relação das duas colunas
é:
a) I-d; II-a; III-b; IV-c.
b) I-b; II-a; III-c; IV-d
c) I-c; II-a; III-d; IV-b
d) I-c; II-d; III-b; IV-a
Questão 11
“Em 1976, esgotava-se na China o fôlego da Revolução Cultural,
iniciada em 1966. Nesse ano morria Mao Tsé-tung, seu principal
idealizador. Em 1978, sob a liderança de Deng Xiaoping, o país
começaria a flexibilizar o regime socialista. Buscava-se então uma
difícil conciliação entre a abertura econômica em direção à
economia de mercado e à preservação do regime político
I - Grande Salto em Frente
(a) Movimento de contestação do
poder do Partido Comunista, que
posteriormente foi liderado por Mao
Tsé-tung, colocando-o contra seus
inimigos.
II – Kuomintang
(b) Recuo das forças do Partido
Comunista Chinês pelo território do
país, durante a guerra civil contra os
nacionalistas.
III - Grande Marcha
(c) Plano quinquenal que pretendia
impulsionar a industrialização
chinesa.
IV - Revolução Cultural
(d) Partido Nacionalista da China,
liderado por Chiang Kai-shek, e que
governou entre as décadas de 1920
e 1940.
Aula 31 – Revolução Chinesa
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autoritário sob a hegemonia do Partido Comunista Chinês.”
(ARRUDA, J. J. de A. e PILETTI, N. Toda a História. São Paulo: Ática, 2003. p.
465.)
A respeito da História da China, assinale a alternativa correta.
a) Mao Tsé-Tung chegou ao poder por meio da revolução armada
de orientação socialista que ficou conhecida como revolução
cultural.
b) O denominado Grande Salto para a Frente, realizado pela
Revolução Chinesa ocorreu quando Mao-Tsé Tung conduziu a
China ao capitalismo.
c) A abertura econômica iniciada a partir de 1978 com Deng
Xiaoping promoveu um intenso desenvolvimento da China que a
coloca, hoje, entre as maiores economias do planeta.
d) A abertura econômica iniciada por Deng Xiaoping estendeu-se
também à política e, hoje, a China vive uma democracia
semelhante aos países do Ocidente europeu.
e) Mesmo tendo uma população superior a 1,3 bilhão de
habitantes, a China constituiu-se no maior exportador de alimentos
do planeta.
Questão 12
Qual foi o principal objetivo de Mao Tsé-Tung (ou Mao Zendong)
com a promoção da Revolução Cultura Chinesa em 1966?
a) estabelecer uma abertura à liberdade de pensamento e de
expressão na China.
b) promover a integração das culturas tradicionais do Oriente e do
Ocidente.
c) reconquistar a hegemonia dentro do Partido Comunista e do
Estado Chinês.
d) estabelecer vínculos com os Estados Unidos e com a
contracultura.
e) desenvolver a cultura chinesa nas áreas da música erudita e das
artes plásticas.
Questão 13
A imagem acima, publicada na capa da revista americana The
Economist, em março de 2009, apresenta, de forma caricaturada, a
visão de mundo da atual elite chinesa.
De acordo com essa perspectiva, a China face ao restante do
mundo poderia ser percebida como:
a) Pátria do isolacionismo, em divergência com os problemas
comerciais da União Europeia e com a integração política na
África.
b) Território da democracia, em desacordo com as ambiguidades
políticas das nações desenvolvidas e com o autoritarismo do antigo
terceiro-mundo.
c) Nação urbanizada, em contraposição com a decadência parcial
do setor imobiliário americano e com a ruralização dos países
africanos e latino-americanos.
d) Potência emergente, em contraste com o relativo declínio das
demais potências econômicas e com a insignificância dos países
subdesenvolvidos.
Questão 14
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo,
referentes República Popular da China.
( ) No final da década de 1950, o Partido Comunista Chinês
contestou a hegemonia soviética sobre o bloco comunista, mas
nunca rompeu diretamente com Moscou.
( ) A Grande Revolução Cultural perseguiu diversos intelectuais e
tinha, como objetivo, depurar o Partido Comunista Chinês das
propostas revisionistas.
( ) O líder Deng Xiaoping promoveu mudanças a partir de um
plano de reformas que reestruturou a economia chinesa.
( ) A China, após as reformas econômicas, entrou em uma fase
de crescimento acelerado, tornando-se a segunda potência
econômica mundial.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima
para baixo, é:
a) V–V–F–F.
b) F–V–V–V.
c) F–F–V–V.
d) V–V–F–V.
e) V–F–V–F.
Questão 15
Em 12 de março de 1947, em mensagem enviada ao Congresso, o
presidente norte-americano Harry Truman, declarou "que
acreditava que a política dos Estados Unidos deve consistir no
apoio aos povos livres que estão resistindo à subjugação por
minorias armadas ou pressões externas".
Esse é o ponto de partida da Doutrina Truman. Essa doutrina é
reforçada em 1949, pois
a) começam a Guerra do Vietnã e a revolução socialista na
Mongólia.
b) a Iugoslávia comanda a criação do Pacto de Varsóvia e eclode a
revolução iraniana.
c) ocorre a Revolução Chinesa e há o primeiro experimento nuclear
bélico soviético.
d) forma-se o Mercado Comum Europeu e Stalin é afastado do
poder soviético.
e) a União Soviética invade a Hungria e o Egito nacionaliza o canal
de Suez.
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REVOLUÇÃO CUBANA (1959)
INTRODUÇÃO
No dia 31 de julho de 2006, faltando poucos dias para completar 80 anos, “el
comandante em jefe” Fidel Castro, há 48 anos no poder em Cuba, foi afastado do
governo devido à necessidade de se submeter a uma cirurgia de emergência. A nota
oficial do governo cubano falava de uma “hemorragia intestinal atribuída ao stress”,
nada mais. Com o afastamento de Fidel seu irmão RaúlCastro, outrora Ministro da
Defesa, a quem os cubanos chamam pejorativamente de “China” (devido aos traços
orientais), assumiu o poder.
A partir dessa situação, algumas delicadas questões passaram a ser levantadas:
O que acontecerá depois da morte de Fidel? Como ficará Cuba sem seu líder
revolucionário? Será o fim do regime castrista? Voltará Cuba a se reaproximar dos
EUA?
A fim de analisarmos todas essas questões, será necessário retrocedermos ao
século XX, quando ocorreu a Revolução Cubana (1959), que levou Fidel Castro ao poder e colocou a maior ilha do Caribe no foco da
atenção internacional.
Cuba, colônia da Espanha desde 1492, ocupava um importante papel nos primeiros séculos da colonização espanhola na América. Sua
capital, Havana, era um ponto de encontro dos navios que transportavam produtos das colônias americanas para a metrópole européia. A
partir da segunda metade do século XVIII, o açúcar se tornou o principal produto local, o que exigiu o crescimento do tráfico negreiro para
suprir a economia açucareira com a mão-de-obra do escravo africano.
No século XIX os EUA já eram uma nação independente e começavam sua trajetória de crescimento e desenvolvimento rumo ao “topo do
mundo”. A proximidade geográfica com o território cubano (menos de 200 Km separam Cuba de Key Islands, ao Sul da Flórida) levou a
uma aproximação econômica dos norte-americanos com o empreendimento açucareiro cubano. Os EUA financiaram a modernização da
produção açucareira cubana, obtendo da Espanha permissão para comprar diretamente dos cubanos o açúcar que os mesmos produziam
(o que, em tese, violava o pacto colonial: “a colônia só pode comercializar diretamente com sua própria metrópole”).
No final do século XIX, o governo norte-americano iniciou sua política de dominação das regiões do Caribe e América Central (Porto Rico,
Panamá e Cuba) como parte de uma estratégia de controle da região de ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Os EUA sempre
tiveram clara a importância da posição geográfica de Cuba dentro dessa política. Thomas Jefferson, um dos líderes do movimento de
independência norte-americana, disse em 1817: “Se nós conquistarmos Cuba, seremos senhores da América”.
Mapa da Cuba (repare na proximidade geográfica da ilha em relação ao estado da Flórida (EUA).
Fidel Castro, convalescendo num hospital cubano em 2006.
Aula 32 – Revolução Cubana
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Em 1895 eclodiu a guerra de independência dos cubanos contra o
domínio espanhol, sob a liderança do poeta José Martí. OsEUA
intervieram no conflito, combatendo as tropas espanholas e garantindo
a independência de Cuba (1899). O argumento do governo norte-
americano para justificar tal intervenção foi o de que era necessário
proteger as propriedades e as vidas de cidadãos norte-americanos que
viviam na ilha ou tinham negócios e investimentos em Cuba. A própria
elite cubana tinha interesses em manter os laços econômicos com os
EUA; muitos, inclusive, defendiam a incorporação de Cuba à
federação dos estados norte-americanos.
Em 1901, os EUA, sob a orientação da política do Big Stick,
formulada durante o governo do presidente Theodore Roosevelt (1901-
09), conseguiram inserir na Constituição de Cuba uma emenda que
ficou conhecida pelo nome do senador norte-americano que a
elaborou. A Emenda Platt reconhecia o direito dos EUA promoverem
intervenções militares na ilha “para proteger a vida, a liberdade e os bens de seus cidadãos”, além de permitir a instalação de uma base
militar norte-americana numa área de 117 km² na região de Guantánamo (observe o mapa abaixo).
A partir de sua independência, Cuba foi governada por governos colaboracionistas
e fiéis aos interesses de Washington. Grande parte das terras cubanas foram
arrendadas à United Fruit ou às empresas açucareiras.
A REVOLUÇÃO DE 1959
Em 1933, o Sargento Fulgêncio Batista lidera um golpe que o leva ao poder.
Batista deixou o poder em 1944, retornando em 1952, mediante um novo golpe.
Nesse período, cresce a oposição à ditadura de Fulgêncio Batista. E é nesse
contexto que, da Universidade de Havana, começam a despontar importantes
personagens da história do país, como Fidel Castro e Camilo Cienfuegos.
Em 1953, Fidel Castro, um jovem advogado, liderou um levante armado contra o
quartel de La Moncada, em Santiago de Cuba, com o objetivo de derrubar a
ditadura de Fulgêncio Batista. O ataque foi um fracasso: dos 120 homens que
participaram da operação sob a liderança de Fidel, a maioria foi presa, embora
muitos tenham morrido na ocasião.
Fidel foi condenado à prisão, sendo exilado, com outros companheiros, na Ilha de
Pinos. No entanto, Fidel conseguiu escapar da prisão, exilando-se no México. Foi lá
que Fidel conheceu um médico argentino, Ernesto “Che” Guevara, que se iria unir
aos exilados revolucionários cubanos para a derrubada do regime de Batista na
ilha.
O grupo, formado por 82 pessoas, desembarcou em Cuba no final de 1956,
iniciando uma guerra de guerrilha a partir do sudeste de Cuba (região da Sierra
Maestra) contra as forças de Batista. Aos poucos a guerrilha recebeu a adesão dos
camponeses da região, conquistando toda a ilha. Em janeiro de 1959, Fidel e seus
homens entravam vitoriosos em Havana. Fulgêncio Batista e alguns de seus
partidários fugiram para a República Dominicana, depois que os EUA se negaram a
conceder-lhes asilo.
A Revolução Cubana foi uma revolução socialista? Não, a princípio. Nos primeiros
momentos, foi, seguramente, um movimento nacionalista. No dia 17 de abril de
1959, numa conferência à imprensa, Fidel Castro afirmou: “Eu disse de maneira
clara e definitiva que nós não somos comunistas (...). É absolutamente impossível
SAIBA MAIS
A política do Big Stick (“Grande Porrete”)
Foi uma readaptação da Doutrina Monroe (“A América para os
americanos.”), sob o governo de Theodore Roosevelt (1901-09). Os
EUA reservaram-se o direito de promover intervenções militares na
América Latina “para proteger a democracia e as liberdades” no
continente. A frase do presidente Roosevelt que sintetiza a essência
da política externa norte-americana em relação à América Latina é:
“Devemos falar macio, mas carregar um grande porrete”.
Cuba Livre
Nome de um drink preparado pela mistura de Coca-Cola e rum.
Segundo a tradição, foi criada para evocar a independência cubana
conquistada com a ajuda dos EUA. Os ingredientes deixam tal idéia
bem clara: a Coca-Cola norte-americana e o típico rum cubano.
Entrada de Fidel Castro em Havana (janeiro de 1959). Che
Guevara é o terceiro, da esquerda para a direita.
http://www.google.com.br/imgres?q=fidel+castro+sierra+maestra&hl=pt-BR&biw=1024&bih=523&tbm=isch&tbnid=ptNJ5JQCuOvC3M:&imgrefurl=http://www.upi.com/News_Photos/Archives/Fidel-Castro-officially-steps-down-as-Cuban-leader/295/&docid=donNUJgG5AzG0M&imgurl=http://ph.cdn.photos.upi.com/collection/upi/48ab0e6793d863884a55311783919ab7/FIDEL-CASTRO-ARCHIVE_1.jpg&w=580&h=408&ei=I41FT-LXJNH0ggfftdGqBA&zoom=1
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que nós possamos progredir se não nos entendermos com os Estados Unidos”. Ainda em abril de 1959, Fidel esteve em Nova Iorque, nos
EUA. No dia 27 de abril, num discurso em pleno Central Park, disse: “A vitória só nos foi possível porque nós reunimos os cubanos de
todas as classes e de todos os setores em torno de uma única e mesma aspiração”.
Os primeiros meses após a chegada do novo governo ao poder foram de euforia e, ao mesmo tempo, de pânico. Fidel tomou várias
medidas de grande simpatia popular (fim da polícia política de Batista, nulidade da Emenda Platt e a volta da Constituição de 1940, a mais
democrática que Cuba havia tido). No entanto, a decisão do governo quanto à implementação de um programa de reforma agrária (que
incluía a indenizaçãodos proprietários) entrava em choque não só com os interesses da elite latifundiária, mas também das grandes
companhias norte-americanas instaladas na ilha. A nacionalização de empresas estrangeiras, especialmente refinarias norte-americanas, o
êxodo de milhares de cubanos para Miami e a postura nacionalista e independente do novo governo provocaram a ruptura nas relações
entre Havana e Washington.
Os planos de Fidel, ao assumir o governo em janeiro de 1959, não eram no sentido de implantar o socialismo e se aliar à União Soviética.
Entretanto, a postura dos
EUA diante do governo castrista acabou “empurrando” Cuba para a esfera de influência da URSS. Eis um resumo do que aconteceu:
• Em 1960, o governo norte-americano parou de importar o açúcar cubano e se recusou a fornecer crédito a Cuba.
• Em 1961, a URSS já era o maior comprador do açúcar cubano e maior
fornecedor de petróleo para a ilha. Refinarias norte-americanas se recusaram a
refinar o petróleo soviético. O governo cubano resolveu a questão
nacionalizando tais empresas.
• Ainda em 1961, um grupo de exilados cubanos, armados pela CIA, tentou
dessembarcar na praia Girón, na Baía dos Porcos, em Cuba, para iniciar um
levante contra o novo governo, mas acabou derrotado e expulso em apenas 72
horas após a invasão. A Casa Branca acreditava que a população cubana
apoiaria o ataque e derrubaria o governo de Fidel, o que não se confirmou (pelo
contrário, o episódio demonstrou a disposição dos cubanos em proteger o novo
regime!). Fidel não perdeu a oportunidade de usar, na tensa ocasião, sua
retórica: "Armaremos até os gatos", pilheriou ele, "se pudermos ensiná-Ios como
segurar uma arma."
• Foi nesse mesmo ano (1961) que Fidel proclamou oficialmente uma revolução
socialista no país e o alinhamento de Cuba com a URSS.
• Em 1962, a URSS iniciou a instalação de ogivas nucleares em Cuba, capazes de atingir Washington em apenas 15 minutos. Isso gerou a
chamada Crise dos Mísseis, considerada o momento mais tenso de todo o
period da Guerra Fria, quando o governo norte-americano, à época presidido
por John Kennedy, exigiu a imediata retirada das ogivas. A crise foi solucionada
com um acordo segundo o qual o governo de Moscou, à época sob a liderança
de Khrushchev, retiraria seu arsenal nuclear de Cuba em troca da promessa
norte-americana de que não invadiria ou ocuparia a ilha.
• A expulsão de Cuba da OEA (Organização dos Estados Americanos) ocorreu
em 1962, por pressão dos EUA sobre os demais países.
• Com o alinhamento cubano ao governo de Moscou, Fidel proibiu o
pluripartidarismo, instalando um sistema monopartidário. O único partido
legítimo passa a ser o Partido Comunista Cubano.
A partir de seu alinhamento com a URSS (1961), Cuba pode contar com a ajuda
de um significativo parceiro. Os soviéticos, para manter o regime cubano,
compravam o açúcar produzido pela ilha por um preço até três vezes mais caro
que o valor de mercado, fornecendo aos cubanos, por preços reduzidos,
petróleo e outros produtos. Foi isso que permitiu ao Estado cubano estender à
população os serviços de educação, saúde e previdência que tanto marcaram a
história da ilha até os anos 80.
No entanto, com o colapso do socialismo e a desintegração da URSS (1991),
Cuba mergulhou em crescentes dificuldades. Como o bloqueio econômico dos
EUA persiste, a solução foi buscar no turismo e nas relações com a América
Latina e com a União Européia os sonhados recursos. O potencial turístico da
ilha, posto de lado desde a chegada de Fidel ao poder, foi ressuscitado. Com
praias de areia branca e um mar de águas transparentes, Cuba vem atraindo
cerca de 2 milhões de turista ao ano. Muitos dos que visitam a ilha o fazem
atraídos também por história, música e cultura. Hotéis e resorts internacionais
tiveram permissão do governo para se estabelecer em Cuba, proporcionando
uma estrutura capaz de receber o fluxo crescente de visitantes.
Cubanos se preparam para enfrentar a invasão dos dissidentes
do regime na Baía dos Porcos (1961).
Charge satirizando a Crise dos Mísseis (à esquerda, Khrushchev,
líder da URSS; à direita, o presidente americano John Kennedy).
Fidel Castro discursando perante uma multidão em Havana.
SEMANA 32 - H GERAL - Revolução Cubana - MONTEIRO JR