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Literatura II -30

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144 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
c) um caso de amor passageiro, por isso se sentia enganado. 
d) uma angústia inevitável, por isso seria melhor aquele amor. 
e) uma opção equivocada, por isso sempre teve medo de amar. 
 
Questão 05 (Enem 2015) 
Cântico VI 
 
Tu tens um medo de 
Acabar. 
Não vês que acabas todo o dia. 
Que morres no amor. 
Na tristeza. 
Na dúvida. 
No desejo. 
Que te renovas todo dia. 
No amor. 
Na tristeza. 
Na dúvida. 
No desejo. 
Que és sempre outro. 
Que és sempre o mesmo. 
Que morrerás por idades imensas. 
Até não teres medo de morrer. 
E então serás eterno. 
MEIRELES, C. Antologia poética, Rio de Janeiro 
 
A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem 
em seu aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu 
interlocutor a perceber, como inerente à condição humana, 
a) a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar. 
b) o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo. 
c) o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas. 
d) a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente. 
e) um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas. 
 
Questão 06 (Enem 2012) 
Ai, palavras, ai, palavras 
Que estranha potência a vossa! 
 
Todo o sentido da vida 
Principia a vossa porta: 
O mel do amor cristaliza 
Seu perfume em vossa rosa; 
Sois o sonho e sois a audácia, 
Calúnia, fúria, derrota... 
 
A liberdade das almas, 
ai! Com letras se elabora... 
e dos venenos humanos 
sois a mais fina retorta: 
frágil, frágil, como o vidro 
e mais que o aço poderosa! 
Reis, impérios, povos, tempos, 
pelo vosso impulso rodam... 
MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 
(fragmento). 
O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da 
Independência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio 
histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma 
reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a 
linguagem: 
a) A força e a resistência humanas superam os danos provocados 
pelo poder corrosivo das palavras. 
b) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu 
equilíbrio vinculado aos significado das palavras. 
c) O significado dos nomes não expressa de forma justa e 
completa a grandeza da luta do homem pela vida. 
d) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às 
gerações perpetuar seus valores e suas crenças. 
e) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu 
alcance limitado pelas intenções e gestos. 
 
Texto 
No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
(Andrade, C. Drummond de. "Alguma Poesia". In Reunião 
 
Questão 07 (Pucsp) 
O texto suscitou, desde sua publicação em 1930, muita polêmica 
na literatura brasileira, provocando adesões e repulsas 
entusiásticas. É, contudo, um texto com posição marcada na 
produção de Carlos Drummond de Andrade. 
 
Da leitura dele pode-se entender que 
a) não chega a ser propriamente um poema, porque um simples 
jogo verbal e lúdico não faz despertar vibrações intelectuais de 
poesia. 
b) é um texto de forma aparentemente simples, mas o esquema de 
repetição, aí, quase absoluta, o descarta do universo poético. 
c) faz uso irreverente de modismos da linguagem coloquial, marca-
se pela repetição, e revela, como poema, consciência da realidade 
linguística brasileira. 
d) o uso do verbo ter por haver constitui um erro gramatical e 
impede o texto de realizar-se como poema. 
e) a estrutura prosaica da composição e a ausência de recursos 
imagéticos prejudicam a organização poética do texto. 
 
Questão 08 (Fac. Albert Einstein - Medicin 2016) 
 
Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro 
 
(...) 
Certamente não sabias 
que nos fazes sofrer. 
 
É difícil de explicar 
esse sofrimento seco (...) 
Não é o canto da andorinha, debruçada nos telhados da Lapa, 
anunciando que tua vida passou à toa, à toa. 
Não é o médico mandando exclusivamente tocar um tango 
argentino, 
diante da escavação no pulmão esquerdo e do pulmão direito 
Aula 30 – Poesia de 30 II 
 
 
 
 
 
 
145 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
infiltrado. 
Não são os carvoeirinhos raquíticos voltando encarapitados nos 
burros velhos. 
Não são os mortos do Recife dormindo profundamente na noite. 
Nem é tua vida, nem a vida do major veterano da guerra do 
Paraguai, 
a de Bentinho Jararaca 
ou a de Christina Georgina Rossetti: 
és tu mesmo, é tua poesia, 
tua pungente, inefável poesia, 
ferindo as almas, sob a aparência balsâmica, 
queimando as almas, fogo celeste, ao visitá-las; 
é o fenômeno poético, de que te constituíste o misterioso portador 
e que vem trazer-nos na aurora o sopro quente dos mundos, 
das amadas exuberantes e das situações exemplares que não 
suspeitávamos. 
 
O trecho acima integra o poema “Ode no Cinquentenário do Poeta 
Brasileiro”, da obra Sentimento do Mundo de Carlos Drummond de 
Andrade. 
Dele NÃO É CORRETO afirmar que 
a) utiliza construção que se faz por um jogo antitético 
consubstanciado por significativo uso de anáforas. 
b) indicia a figura do poeta Manuel Bandeira, objeto da Ode 
(homenagem), pelas citações de expressivos poemas que 
conformam seu universo estético. 
c) revela que o que importa não são os poemas nas 
particularidades de seus temas, mas o fenômeno poético mesmo 
em sua essência e que faz do poeta seu misterioso portador. 
d) apresenta uma quebra do ritmo poético motivada pelo uso 
reiterado do gerúndio e pela ausência de correlação sintática entre 
as orações que se mostram propositalmente incompletas. 
 
Questão 09 (Faculdade Albert Einstein 2016) 
Carlos Drummond de Andrade publicou em 1940 a obra 
Sentimento do Mundo, poesia de cunho social e político e marcada 
pela resistência diante dos totalitarismos. Poesia engajada e 
participante. 
 
Assim, indique nas alternativas abaixo a que contém trecho que 
indicia a recusa de escapismos e de fuga da realidade. 
a) Tive ouro, tive gado, tive fazendas. 
Hoje sou funcionário público. 
Itabira é apenas uma fotografia na parede 
Mas como dói! 
b) Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 
c) Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, 
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, 
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, 
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins 
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens 
presentes, 
A vida presente. 
d) A noite é mortal, 
Completa, sem reticências, 
A noite dissolve os homens, 
Diz que é inútil sofrer, 
A noite dissolve as pátrias, 
Apagou os almirantes 
Cintilantes! Nas suas fardas. 
A noite anoiteceu tudo... 
O mundo não tem remédio... 
Os suicidas tinham razão 
 
Questão 10 (Pucsp 2015) 
Lembrança do mundo antigo 
 
Clara passeava no jardim com as crianças. 
O céu era verde sobre o gramado, 
a água era dourada sob as pontes 
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados, 
o guarda civil sorria, passavam bicicletas, 
a menina pisou a relva para pegar um pássaro, 
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor 
de Clara. 
As crianças olhavam para o céu: não era proibido. 
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo. 
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos. 
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas, 
esperava cartas que custavam a chegar, 
nem sempre podiausar vestido novo. Mas passeava no jardim, 
pela manhã!!! 
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!! 
 
O poema ao lado integra a obra Sentimento do Mundo, de Carlos 
Drummond de Andrade. 
 
Da leitura que se possa fazer dele, NÃO é possível concluir que 
a) é um texto poético narrativo que se organiza a partir de um 
espaço exterior, com personagens leves e soltas, em ações 
tranquilas de suaves movimentos. 
b) se utiliza de verbos inteiramente no tempo passado como forma 
de configurar a lembrança de que fala o título. 
c) indicia, por exclusão, um tempo presente, marcadamente oposto 
ao configurado no poema. 
d) metaforiza o tempo e o espaço como elementos simbólicos de 
uma felicidade perdida. 
e) opera com linguagem fundamentalmente referencial, marcada 
por estrutura lógica, e distante de qualquer representação 
simbólica e poética. 
 
Questão 11 (Enem 2ª aplicação 2016) 
Anoitecer 
É a hora em que o sino toca, 
mas aqui não há sinos; 
há somente buzinas, 
sirenes roucas, apitos 
aflitos, pungentes, trágicos, 
uivando escuro segredo; 
desta hora tenho medo. 
 
[...] 
 
É a hora do descanso, 
mas o descanso vem tarde, 
o corpo não pede sono, 
 
 
 
 
 146 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
depois de tanto rodar; 
pede paz – morte – mergulho 
no poço mais ermo e quedo; 
desta hora tenho medo. 
 
Hora de delicadeza, 
agasalho, sombra, silêncio. 
Haverá disso no mundo? 
É antes a hora dos corvos, 
bicando em mim, meu passado, 
meu futuro, meu degredo; 
desta hora, sim, tenho medo. 
ANDRADE, C. D. A rosa do povo. 
 
Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro A rosa 
do povo revela desdobramentos da visão poética. No fragmento, a 
expressividade lírica demonstra um(a) 
a) defesa da esperança como forma de superação das atrocidades 
da guerra. 
b) desejo de resistência às formas de opressão e medo produzidas 
pela guerra. 
c) olhar pessimista das instituições humanas e sociais submetidas 
ao conflito armado. 
d) exortação à solidariedade para a reconstrução dos espaços 
urbanos bombardeados. 
e) espírito de contestação capaz de subverter a condição de vítima 
dos povos afetados. 
 
Questão 12 (Imed 2016) 
Leia os poemas a seguir, de Casimiro de Abreu e Carlos 
Drummond de Andrade, respectivamente: 
MEUS OITO ANOS 
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
- Que os anos não trazem mais! 
 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! […] 
 
Rezava às Ave-Marias, 
Achava o céu sempre lindo, 
Adormecia sorrindo 
E despertava a cantar! 
 
Que doce a vida não era 
Em vez das mágoas de agora. 
 
CONSOLO NA PRAIA 
Vamos, não chores... 
A infância está perdida. 
A mocidade está perdida. 
Mas a vida não se perdeu. 
 
O primeiro amor passou. 
O segundo amor passou. 
O terceiro amor passou. 
Mas o coração continua. 
 
Perdeste o melhor amigo. 
Não tentaste qualquer viagem. 
Não possuis casa, navio, terra. 
Mas tens um cão. 
 
Algumas palavras duras, 
em voz mansa, te golpearam. 
Nunca, nunca cicatrizam. 
Mas, e o humour? 
 
A injustiça não se resolve. 
À sombra do mundo errado 
murmuraste um protesto tímido. 
Mas virão outros. 
Tudo somado, devias 
precipitar-te, de vez, nas águas. 
Estás nu na areia, no vento... 
Dorme, meu filho. 
 
Analise as seguintes afirmações a partir dos poemas: 
I. Embora Casimiro de Abreu integre o período literário romântico, e 
Carlos Drummond de Andrade, o modernismo, ambos os poemas 
abordam a passagem do tempo e a ideia de perda de momentos 
da vida humana: infância e juventude. 
II. No primeiro poema, o eu lírico apresenta a infância com certo 
escapismo, fugindo, assim, do momento presente, o qual é 
resgatado no último verso. 
III. Identifica-se que, em ambos os poemas, o eu lírico mostra-se 
pesaroso e inconformado com a passagem do tempo e da vida. 
 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. b) Apenas III. c) Apenas I e II. 
d) Apenas II e III. e) I, II e III. 
 
Questão 13 (Fac. Albert Einstein - Medicin 2017) 
Oficina Irritada 
Eu quero compor um soneto duro 
como poeta algum ousara escrever. 
Eu quero pintar um soneto escuro, 
seco, abafado, difícil de ler. 
 
Quero que meu soneto, no futuro, 
não desperte em ninguém nenhum prazer. 
E que, no seu maligno ar imaturo, 
ao mesmo tempo saiba ser, não ser. 
 
Esse meu verbo antipático e impuro 
há de pungir, há de fazer sofrer, 
tendão de Vênus sob o pedicuro. 
 
Ninguém o lembrará: tiro no muro, 
cão mijando no caos, enquanto Arcturo, 
claro enigma, se deixa surpreender. 
 
O texto acima é de Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de 
Andrade. De sua leitura se pode depreender que 
 
a) é um poema que segue rigorosamente os procedimentos de 
construção do soneto clássico e tradicional, particularmente quanto 
à disposição e ao valor das rimas e ao uso da chave de ouro como 
fecho conclusivo do texto. 
Aula 30 – Poesia de 30 II 
 
 
 
 
 
 
147 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
b) é um metapoema e revela que o soneto que o autor deseja fazer 
é o mesmo que o leitor está lendo, como a evidenciar na prática a 
junção do querer e do fazer. 
c) utiliza-se de expressões como “tiro no muro” e “cão mijando no 
caos”, que, além de provocar mau gosto e o estranhamento do 
leitor, rigorosamente, nada têm a ver com a proposta de 
elaboração do poema. 
d) faz da repetição anafórica e do paralelismo dos versos, um 
recurso de composição do poema que o torna enfadonho e 
antiestético e revela um poeta de produção duvidosa e menor. 
 
Questão 14 (Upf 2016) 
Um sabiá 
na palmeira, longe. 
Estas aves cantam 
um outro canto. 
 
O céu cintila 
sobre flores úmidas. 
Vozes na mata, 
e o maior amor. 
 
Só, na noite, 
seria feliz: 
um sabiá, 
na palmeira, longe. 
 
Onde é tudo belo 
e fantástico, 
só, na noite, 
seria feliz. 
(Um sabiá, 
na palmeira, longe.) 
 
Ainda um grito de vida e 
voltar 
para onde é tudo belo 
e fantástico: 
a palmeira, o sabiá, 
o longe. 
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, Nova canção do exílio 
 
Considere as afirmações abaixo em relação ao poema “Nova 
canção do exílio”, de Carlos Drummond de Andrade. 
I. O poema retoma, de forma intertextual, o conhecido texto da 
“Canção do exílio”, do poeta romântico Gonçalves Dias. 
II. A estrutura repetitiva do poema deve-se, exclusivamente, à 
influência do texto de Gonçalves Dias, uma vez que a repetição 
não é um procedimento comum no autor de A rosa do povo. 
III. O exílio a que se refere o título do poema assume ao longo do 
texto uma dimensão que ultrapassa o aspecto geográfico, 
assumindo um caráter existencial. 
Está correto apenas o que se afirma em: 
a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) II e III. 
 
Questão 15 (Ufpr 2016) 
Leia, atentamente, o seguinte poema: 
 
Que pode uma criatura senão, 
entre criaturas, amar? 
amar e esquecer, 
amar e malamar, 
amar, desamar, amar? 
sempre, e até de olhos vidrados, amar? 
 
Que pode, pergunto, o ser amoroso, 
sozinho, em rotação universal, senão 
rodar também, e amar? 
amar o que o mar traz à praia, 
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, 
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? 
 
Amar solenemente as palmas do deserto, 
o que é entrega ou adoração expectante, 
e amar o inóspito, o áspero, 
um vaso sem flor, um chão de ferro, 
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. 
 
Este o nosso destino: amor sem conta, 
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, 
doação ilimitada a uma completa ingratidão, 
e na concha vazia do amor a procura medrosa, 
paciente, de mais e mais amor. 
 
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa 
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. 
 
O poema “Amar” integra a segunda parte, “Notícias Amorosas”, do 
livro Claroenigma, de Carlos Drummond de Andrade. Sobre esse 
poema, assinale a alternativa correta. 
a) As indagações repetitivas, nas duas primeiras estrofes, reiteram 
a inviabilidade do amor diante de um mundo em que tudo é 
perecível. 
b) O poeta estabelece uma intensidade da manifestação do amor 
com relação ao belo diferente da intensidade do amor dispensado 
ao grotesco. 
c) Para acentuar a condição inexorável de amar, o poema enumera 
coisas que, por sua concretude e delicadeza naturais, justificam o 
amor que já recebem. 
d) O poema postula uma condição universal, na qual se fundem o 
sujeito, a ação praticada e os objetos a que essa ação se dirige. 
e) A última estrofe é a chave explicativa desse soneto e reitera a 
ineficácia do amor diante de um mundo caótico e insensível. 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA 
Prof. Steller de Paula – VOLUME 2 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 31 - GERAÇÃO DE 45 – PROSA 
A GERAÇÃO DE 1945 - PROSA 
Fortemente marcada pelo fim da Segunda Guerra, pela derrubada 
da ditadura de Getúlio Vargas e pelo clima de euforia daí 
decorrentes no país, a geração de 45 colocou em segundo plano 
as preocupações políticas, ideológicas e culturais dos artistas da 
década de 30 e privilegiou a questão estética. Assim, a aventura da 
linguagem, a preocupação com a forma e com o rigor do texto 
tornam-se o objetivo básico desta geração, que teve grandes 
expoentes tanto na poesia, quanto na prosa de ficção. 
 
Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos. Mas 
sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres. 
CLARICE LISPECTOR 
PRINCIPAIS OBRAS 
Romances: Perto do Coração Selvagem (1943); O Lustre (1946); 
A Cidade Sitiada (1949); A Mação no Escuro (1961); A Paixão 
Segundo GH (1964); Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres 
(1969); Água Viva (1973); A Hora da Estrela (1977). 
Contos: Alguns Contos (1952); Laços de Família (1960); A Legião 
Estrangeira (1964), contos e crônicas; Felicidade Clandestina 
(1971); A Imitação da Rosa (1973); A Via Crucis do Corpo (1974); 
Onde Estivestes de Noite? (1974); A Bela e a Fera (1979). 
Crônicas e entrevistas: De Corpo Inteiro (1975), entrevista; Visão 
do Esplendor (1975) crônicas; A Descoberta do Mundo (1984) 
crônicas. 
Infantil: O Mistério do Coelho Pensante (1967); A Mulher que 
Matou os Peixes (1969); A Vida Íntima de Laura (1973); Quase de 
Verdade (1978). 
"Há três coisas para as quais nasci e para as quais eu dou minha 
vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever e nasci para 
criar meus filhos. (... ) A palavra é o meu domínio sobre o mundo. 
Eu tive desde a minha infância várias vocações que me chamavam 
ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei porque, 
foi esta a que segui. 
Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo 
aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a 
própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. 
É que não sei estudar. Adestrei-me desde os sete anos de idade 
para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, 
cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Essa 
capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o 
que eu chamo de viver e escrever." 
Clarice Lispector 
Clarice Lispector é a principal representante da nossa prosa 
intimista. Sua obra é, toda ela, uma obra de educação existencial. 
Segundo Alfredo Bosi, “há na gênese dos seus contos e romances 
tal exacerbação do momento interior que, a certa altura do seu 
itinerário, a própria subjetividade entra em crise. O espírito, perdido 
no labirinto da memória e da auto-análise, reclama um novo 
equilíbrio.”. 
Através de uma profunda introspecção psicológica, suas 
personagens estão constantemente se questionando, se 
interrogando, buscando o autoconhecimento. E ao 
acompanharmos esse processo, nós também passamos a nos 
conhecer melhor, a conhecer melhor a natureza humana, sua 
complexidade. 
Sua linguagem se constrói numa prosa-poética que apresenta uma 
aparência de simplicidade: o vocabulário é simples, a estrutura 
sintática é simples. Mas essa simplicidade é enganosa, pois a 
prosa de Clarice é extremamente metaforizada, exigindo do leitor 
uma capacidade de interpretação incomum. Observe: 
O Banho 
Imerge na banheira como no mar. Um mundo morno se fecha 
sobre ela silenciosamente, quietamente. [...] Seres nascidos no 
mundo como a água. Agita-se, procura fugir. Tudo — diz devagar 
como entregando uma coisa, perscrutando-se sem se entender. 
Tudo. E essa palavra é paz, grave e incompreensível como um 
ritual. A água cobre seu corpo. Mas o que houve? Murmura 
baixinho, diz sílabas mornas, fundidas. O quarto de banho é 
indeciso, quase morto. As coisas e as paredes cederam, se 
adoçam e diluem em fumaças. A água esfria ligeiramente sobre 
sua pele e ela estremece de medo e desconforto. Quando emerge 
da banheira é uma desconhecida que não sabe o que sentir. [...] O 
que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo? — Palavras 
muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma brilhante e úmida 
debatendo-se dentro de mim. [...] No momento em que fecho a 
porta atrás de mim, instantaneamente me desprendo das coisas. 
[...] No meu interior encontro o silêncio procurado. Mas dele fico tão 
perdida de qualquer lembrança de algum ser humano e de mim 
mesma, que transformo essa impressão em certeza de solidão 
física. [...] Ando sobre trilhos invisíveis. Prisão, liberdade. São 
essas as palavras que me ocorrem. No entanto não são as 
verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O 
que desejo ainda não tem nome. 
Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem. 
O enredo em Clarice, os fatos, os acontecimentos, têm importãncia 
secundária, importam como gatilhos que despertam reflexões, 
questionamentos, crises internas nas personagens. O objetivo de 
Clarice Lispector é sondar o universe interno das personagens. 
TEXTOS CRÍTICOS 
"Em relação a Perto do Coração Selvagem, se deixarmos de lado 
as possíveis fontes estrangeiras de inspiração, permanece o fato 
de que, dentro de nossa literatura, é uma performance da melhor 
qualidade. 
A autora - ao que parece uma jovem estreante - colocou 
seriamente o problema do estilo e da expressão. Sobretudo desta. 
Sentiu que existe uma certa densidade afetiva e intelectual que não 
é possível exprimir se não procurarmos quebrar os quadros da 
rotina e criar imagens novas, novos torneios, associações 
diferentes das comuns e mais fundamente sentidas. A descoberta 
do cotidiano é uma aventura sempre possível, e o seu milagre uma 
transfiguração que abre caminhos para mundos novos.“ 
	SEMANA 31 - LITERATURA - Geração de 45 - Prosa - STELLER

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