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310 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) Rio Grande do Sul Serras e Planaltos do Leste e Sudeste. Sofreu intensa erosão, apresentando formas bem diferenciadas. Na sua porção nordeste, predomina as formas tabulares – as chapadas -, tanto cristalinas (Diamantina e Borborema) como as sedimentares (Araripe e Apodi). “O planalto da Borborema encontra-se no leste do Estado de Pernambuco e as áreas mais elevadas atingem até 1000 m de altitude. Apesar da presença de segmentos de topos retilinizados, o modelado dominante apresenta formas convexas esculpidas em litologias do cristalino representadas por rochas intrusivas e metamórficas de diferentes idades, ao longo do Pré-Cambriano”. ROSS, Jurandyr. L.S. Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1996.p. 57. Na porção sudeste, predomina os relevos acidentados com serras ou escarpas, que aparecem na forma de “mares de morros”, característicos das serras do Mar e da Mantiqueira. É a parte do Brasil de mais elevada média altimétrica, sendo denominada de região das terras altas. Na divisa entre os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, localiza-se o Pico da Bandeira (2.891m), o terceiro mais alto do Brasil. Na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, encontramos diversos depósitos minerais formados durante a era Proterozoica, como o Quadrilátero Ferrífero. PLANALTOS SEDIMENTARES PLANALTO CENTRAL, o maior em extensão territorial do país, abrange terras das regiões centro-oeste, norte, nordeste e sudeste. Sua base é de origem cristalina, que foi intensamente recoberto por sedimentos do Paleozoico e, em menor escala do Mesozoico. Caracteriza-se pela modéstia de sua altitude e pelo domínio das formas tabulares - as chapadas. Entre elas destacam-se a dos Guimarães e a dos Veadeiros. Vale apenas destacar ainda os afloramentos cristalinos, onde rochas proterozoicas originam importantes reservas de minerais, como a Serra de Carajás – e na porção sul do país. Chapada dos Guimarães PLANALTO MERIDIONAL ocupa quase toda a porção centro-sul do país, estendendo-se do sul de Goiás até o interior do Rio Grande do Sul. O Planalto Meridional apresenta-se dividido em duas porções, a Depressão Periférica - uma faixa estreita de terras que se alonga de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, onde ocorreu a deposição dos arenitos paleozoicos. E o Planalto Arenito Basáltico que ocupa a porção ocidental, onde sobre os arenitos, ocorreu a sedimentação basáltica. A decomposição do basalto deu origem às manchas de terra roxa, solo extremamente fértil. Os limites entre o Planalto Arenito-Basáltico e a Depressão Periférica são definidos por uma linha de escarpas chamadas cuestas. Essas aparecem principalmente na serra de Botucatu (SP) e na serra Geral (PR). “O planalto Sul-rio-grandense, com litologias diferenciadas em idades e gêneses diversas ao longo do Pré-Cambriano, apresenta modelado com formas ligeiramente convexas. Os níveis altimétricos mais elevados não ultrapassam os 450 metros. ROSS, Jurandyr. L.S. Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1996.p. 57. PERFIL DO PLANALTO MERIDIONAL PLANÍCIES Note-se que as verdadeiras planícies do Brasil são restritas, constituindo um total bem inferior aos três oitavos indicados inicialmente por Fábio M. S. Guimarães. Bastaria lembrar que apenas 1% da Amazônia brasileira, conforme Pedro de Moura, é constituído por planícies e que vastas áreas do litoral brasileiro, mormente no Nordeste e no Sudeste, são constituídos por baixos platôs arenosos (‘tabuleiros’), colinas, outeiros, morrotes e níveis de terraços fluviais e marinhos. Tais fatos nos levam a insistir que nem todas as terras baixas de nosso país, situadas entre 0m e 200m, se enquadram perfeitamente no conceito de planícies; ao contrário, incluem extensões enormes de colinas tabuliformes e níveis de terraços elevados, situados a cavaleiro das planícies e dotados de um comportamento mais peculiar aos baixos platôs do que propriamente às áreas de sedimentação em processo. Por outro lado, cumpre lembrar que a mais típica e homogênea das grandes planícies brasileiras é o Pantanal Mato-Grossense, e não a Amazônia como geralmente se pensa. AB´SABER, Aziz. N. O relevo e seus problemas: Brasil – A terra e o homem; as bases físicas. São Paulo: Nacional, 1964.v1.p.143. Ocupando uma vasta porção do território, encontramos áreas de pequena altitude que não estão, necessariamente, sendo sedimentadas na atualidade. Por isso, são classificadas como terras baixas e não simplesmente planícies, onde a deposição de sedimentos é maior que a erosão. A região das PLANÍCIES E TERRAS BAIXAS DA AMAZÔNIA era considerada uma das maiores planícies do planeta, mas atualmente recebe outra classificação. Se considerássemos apenas a origem, seus 1,6 milhões de quilômetros quadrados formariam uma grande planície, pois é de origem sedimentar e se levássemos em conta a altimetria, também seria uma planície, pois não ultrapassa 150m. Considerando, no entanto, o processo erosivo-deposicional, percebemos que 95% da antiga Planície Amazônica é, na verdade, um planalto de baixa altitude, onde o processo erosivo se sobrepõe ao da sedimentação. O relevo dominante é um baixo planalto de origem sedimentar, restando à Aula 32 – Relevo Brasileiro I 311 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência planície verdadeira uma estreita faixa de terras próximo às margens dos rios da região. A PLANÍCIE DO PANTANAL corresponde a uma grande área que ocupa a porção mais ocidental do Brasil Central. É de formação sedimentar recente, apresenta altitudes muito modestas, em torno de 100m acima no nível do mar. É considerada a mais típica planície, pois está em constante processo de sedimentação. Fonte: Ricardo Azoury/Pulsar. Vista aérea do Pantanal Mato-Grossense. A PLANÍCIE COSTEIRA acompanha o litoral brasileiro do Maranhão até o Rio Grande do Sul. É constituído principalmente por sedimentos recentes de origem marinha e fluvial. Os terrenos quaternários formam praias, mangues e lagunas. DEPRESSÕES Nos limites das bacias com os maciços antigos, processos erosivos formaram áreas rebaixadas, principalmente na Era Cenozoica. São as depressões, onze no total, que recebem nomes diferentes, conforme suas características e localização. • Depressões periféricas: Nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e cristalinas, como, por exemplo, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense. • Depressões marginais: Margeiam as bordas de bacias sedimentares, esculpidas em estruturas cristalinas, como a Depressão Marginal Sul-Amazônica. • Depressões interplanálticas: São áreas mais baixas em relação aos planaltos que as circundam, como a Depressão Sertaneja e do São Francisco. AS PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES Atualmente, existem várias classificações do relevo brasileiro, feitas a partir de diversos critérios. Podem ser agrupadas com classificações didáticas (produzidas antes do projeto RADAM Brasil) e as classificações detalhistas (produzidas depois do projeto RADAM Brasil). O projeto RADAM Brasil, constitui num amplo levantamento, realizado entre 1971 e 1986 dos recursos naturais do Brasil: solos, relevo, riquezas minerais, etc. Os principais elementos desse projeto foram às fotos aéreas, obtidas com radares especiais, que retrataram cada metro quadrado do território nacional. VESENTINI, José William. AROLDO DE AZEVEDO (1940) Foi a primeira classificação feita do território brasileiro. Esta classificação tomou como referência científica os conceitos da geomorfologia estrutural (explica o relevo e seu modelado, tendo por base à estrutura do terreno), naquele momento havia uma preocupação grande com a altimetria. Com essa divisão o Brasil ficou com 4 unidades de planaltos e de planícies, porém os planaltos predominam na área. AZIZNACIB AB´SABER (1958) Com a evolução dos estudos de geomorfologia no Brasil, baseados na geomorfologia climática que se desenvolveu aqui em meados da década de 50, Ab´Saber classificou planaltos e planícies com base nas noções de erosão e sedimentação. Os planaltos seriam superfícies sempre em destruição, enquanto que as planícies passariam a ser estruturas em construção. Nesta classificação nosso país ficou dividido em dez unidades de relevo, entre planícies e planaltos, onde os planaltos continuavam predominando. Aziz Nacib Ab'Saber foi geógrafo e professor universitário brasileiro, considerado referência em assuntos relacionados ao meio ambiente e impactos ambientais decorrentes das atividades humanas. Membro Honorário da Sociedade de Arqueologia Brasileira, Grão Cruz em Ciências da Terra pela Ordem Nacional do Mérito Científico, Prêmio Internacional de Ecologia de 1998 e Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente - é Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade e ex- presidente e atual Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. 312 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) JURANDYR L.SANCHES ROSS (1989) Apoiando-se nos estudos anteriores, principalmente os do professor Aziz Nacib Ab´Saber, e nos relatórios e mapas elaborados pelo Projeto Radam Brasil, da qual fez parte como pesquisador, o professor Jurandyr L. S. Ross , da Universidade de São Paulo, propôs em 1989 uma nova divisão do relevo brasileiro. Baseados nas noções de morfoestrutura, morfoclimática e morfoescultura. PLANALTOS: 1- Planalto da Amazônia Oriental 2- Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba 3- Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná 4- Planaltos e Chapada dos Parecis 5- Planaltos Residuais Norte-Amazônicos 6- Planaltos Residuais Sul-Amazônicos 7- Planaltos e Serra do Atlântico-Leste- Sudeste 8- Planaltos e Serras de Goiás-Minas. 9- Serras Residuais do Alto Paraguai 10- Planalto da Borborema 11- Planalto Sul-Rio-Grandense. DEPRESSÕES: 12- Depressão da Amazônia Ocidental 13- Depressão Marginal Norte-Amazônica 14- Depressão Marginal Sul-Americana 15- Depressão do Araguaia 16- Depressão Cuiabana 17- Depressão do Alto Paraguai-Guaporé 18- Depressão do Miranda 19- Depressão Sertaneja e do São Francisco 20- Depressão do Tocantins 21- Depressão Periférica da Borda Leste do Paraná 22- Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense. PLANÍCIES: 23- Planície do rio Amazonas 24- Planície do rio Araguaia 25- Planície e pantanal do rio Guaporé 26- Planície e pantanal Mato-Grossense 27- Planície dos lagos dos Patos e Mirim 28- Planície e tabuleiro litorâneos. CLASSIFICAÇÃO DO RELEVO BRASILEIRO SEGUNDO AB´SABER Aula 32 – Relevo Brasileiro I 313 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência IMPORTANTE • MORFOESTRUTURA: Peso ou influência que a estrutura exerce na gênese das formas de relevo. • MORFOCLIMÁTICA: Explica a influência dos tipos climáticos atuais no perfil do relevo. • MORFOESCULTURA: Refere-se tanto a ação dos climas atuais como de ação dos paleoclimas (climas que atuaram no passado e estão presentes nas chamadas manchas da paisagem, na definição do modelado do relevo. O Brasil não possui depressões absolutas, somente relativas. As maiores alterações do mapa do Brasil propostas por Jurandyr Ross, em relação às anteriores, são: • Não foi baseada em observações por terra, contou com as imagens de aerofotogametria produzidas no projeto RADAM- BRASIL (1970-1985). • Surgimento de depressões, como a maior unidade em área e equiparada em número aos planaltos, 11 unidades. • Redução da Planície Amazônica (reduzida 5%de sua área anterior). • A maior planície passou a ser a do Pantanal. • Desaparecem os planaltos: Central, Meridional e das Guianas. PLANALTOS Jurandyr Ross, com base nesses critérios, definiu planalto como uma superfície de topografia irregular, com altitudes superiores a 300 m, em que predominam os processos erosivos. Alguns exemplos de planaltos brasileiros: • Planalto da Amazônia Oriental: constitui-se de terrenos de uma bacia sedimentar e localiza-se na metade leste da região, numa estreita faixa que acompanha o Rio Amazonas, do curso médio até a foz. Suas altitudes atingem cerca de 400 m na porção norte e 300 m na porção sul. • Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná: caracterizam-se pela presença de terrenos sedimentares e pelos depósitos de rocha de origem vulcânica da Era Mesozoica. Localizam-se na porção meridional do país, acompanhando os cursos dos afluentes do Rio Paraná, estendendo-se desde os estados de Mato Grosso e Goiás até o Rio Grande do Sul, ocupando a faixa ocidental dessa região, atingindo altitudes em torno de 1 000 m. • Planaltos Residuais Norte-Amazônicos: ocupam uma área onde se mesclam terrenos sedimentares e cristalinos, na porção mais setentrional do país, do Amapá até o Amazonas, caracterizando-se, em alguns pontos, pela definição das fronteiras brasileiras e, em outros, pela presença das maiores altitudes do Brasil, como o Pico da Neblina (2995.3 m), na divisa do estado de Roraima com a Venezuela. PLANÍCIES Segundo Jurandyr Ross, a planície é uma superfície de topografia suave, em que predominam os processos de sedimentação. Nessas áreas, as altitudes são inferiores a 100 m. Na classificação de Ross, é possível observar uma diminuição do número de planícies; isto se deve ao fato de que muitas áreas que antes eram consideradas planícies passaram a ser denominadas depressões e planaltos. Alguns exemplos: • Planície do Rio Amazonas: a região das Terras Baixas Amazônicas era considerada uma das maiores planícies do mundo, mas atualmente todo esse espaço divide-se em várias unidades, classificadas como planaltos, depressões e planícies. Considerando-se o processo erosivo e deposicional, cerca de 90% das Terras Baixas Amazônicas são, na verdade, planaltos ou depressões de baixa altitude, em que o processo erosivo se sobrepõe ao de sedimentação, restando à planície verdadeira uma estreita faixa de terra, às margens dos grandes rios da região. • Planície do Rio Araguaia: é uma planície estreita que se estende no sentido norte-sul, margeando o trecho médio do Rio Araguaia, em terras dos estados de Goiás e Tocantins. Em seu interior, o maior destaque fica com a Ilha do Bananal que, com uma área de cerca de 20 000 km2, é a maior ilha fluvial do planeta. • Planície e Pantanal Mato-grossense: corresponde a uma grande área que ocupa a porção mais ocidental do Brasil Central. É de formação extremamente recente, datando do Período Quaternário da Era Cenozoica; por isso, apresenta altitudes muito modestas, em torno de 100 m acima do nível do mar. É considerada a mais típica planície brasileira, pois está em constante processo de sedimentação. DEPRESSÕES Segundo Jurandyr Ross, a depressão é definida como uma superfície de topografia suave em que predominam os processos erosivos. Nessas áreas, as altitudes estão entre 100 e 500 m. Alguns exemplos: • Depressão da Amazônia Ocidental: corresponde a uma enorme área de origem sedimentar no oeste da Amazônia, com altitudes em torno de 200 m, apresentando uma superfície aplainada, atravessada ao centro pelas águas do Rio Amazonas. • Depressão do Araguaia-Tocantins: acompanha quase todo o vale do Rio Araguaia e apresenta terrenos sedimentares, com uma topografia muito plana e altitudes entre 200 e 350 m. Em seu interior, encontramos a planície do Rio Araguaia. • Depressão Sertaneja e do São Francisco: ocupa uma extensa faixa de terra que se alongadesde as proximidades do litoral do Ceará ao Rio Grande do Norte e o interior de Minas Gerais, acompanhando quase todo o curso do Rio São Francisco. Apresenta variedade de formas e de estruturas geológicas, destacando-se a presença do relevo tabular, as chapadas, como as do Araripe (PE-CE) e do Apodi (RN). PERFIS DO RELEVO BRASILEIRO Região Norte – Este corte tem cerca de 2 000 km de comprimento. Vai das altíssimas serras do norte de Roraima até o norte do Estado do Mato Grosso. Unidades observadas no sentido noroeste–sudeste: Planaltos Residuais Norte-Amazônicos, Depressão Marginal Norte-Amazônica, Planalto da Amazônia Oriental, Planície Amazônica, Planalto da Amazônia Oriental, Depressão Marginal Sul-Amazônica, Planaltos Residuais Sul- Amazônicos. Região Nordeste – Este corte tem cerca de 1 500 km de extensão. Vai do interior do Maranhão até o litoral de Pernambuco. As regiões altas são cobertas por mata, e as baixas, por Caatinga. Unidades observadas no sentido noroeste–sudeste: Rio Parnaíba, 314 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) Planaltos e Chapadas da Bacia do Rio Parnaíba, Escarpa (ex- Serra) do Ibiapaba, Depressão Sertaneja, Planalto da Borborema, Tabuleiros Litorâneos. Regiões Centro-Oeste e Sudeste – Este corte tem cerca de 1 500 km de comprimento, indo do estado do Mato Grosso do Sul até o litoral de São Paulo. Unidades observadas no sentido noroeste– sudeste: Planície do Pantanal Mato-grossense, Planalto e Chapadas da Bacia do Paraná, Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, Planaltos e Serras do Atlântico Leste e Sudeste.