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Débora Rodrigues – MED XXX bexiga EMBRIOLOGIA ……………………………………………………………………………………………………………………. O seio urogenital é dividido em três partes: • Parte vesical: forma a bexiga urinaria e é continua ao alantoide. • Parte pélvica: se torna a uretra no colo da bexiga, a parte prostática da uretra masculina e toda a uretra feminina. • Parte fálica: cresce em direção ao tubérculo genital (primórdio do pênis ou do clitóris). A bexiga e todo o epitélio da bexiga desenvolve-se principalmente da parte vesical do seio urogenital. As outras camadas da sua parede desenvolve-se do mesênquima esplâncnico adjacente. Inicialmente a bexiga é continua à alantoide (membrana fetal desenvolvida do intestino primitivo posterior). Logo, a alantoide se contrai e forma o úraco (cordão fibroso). Ele se estende do ápice da bexiga até o umbigo. Antes da fase adulta, o úraco se transforma no ligamento umbilical mediano. À medida que a bexiga aumenta, as partes distais dos ductos mesonéfricos são incorporadas à sua parede dorsal e formam o tecido conjuntivo do trígono da bexiga. Os ureteres abrem-se na bexiga, em parte por conta da tração que os rins sofrem para cima. Os óstios dos ureteres entram obliquamente pela base da bexiga. Nos homens os óstios dos ureteres entram na parte prostática da uretra à medida que as extremidades caudais dos ductos se desenvolvem nos ductos ejaculatórios. Nas mulheres, as extremidades dos ductos degeneram-se. Nos lactentes e crianças, a bexiga urinaria está no abdômen. A partir dos 6 anos, ela começa a entrar na pelve. Nos adultos, o ápice da bexiga é contínuo ao ligamento umbilical mediano. ANATOMIA ………………………………………………………………………………………………………………………… Débora Rodrigues – MED XXX A bexiga urinaria é uma víscera oca que tem fortes paredes musculares, é caracterizada por sua distensibilidade. É um reservatório de urina e varia em tamanho, formato, posição e relações. Quando vazia, a bexiga urinaria do adulto está localizada na pelve menor. Quando cheia, entra na pelve maior, podendo chegar ao nível do umbigo. Situa-se inferior ao peritônio, apoiada sobre o púbis e a sínfise púbica anteriormente e sobre a próstata (homens) ou parede anterior da vagina (mulheres), posteriormente. Em lactentes e crianças pequenas, a bexiga urinária está quase toda no abdome mesmo quando vazia. Em geral, a bexiga urinária entra na pelve maior aos 6 anos de idade; entretanto, só depois da puberdade está completamente localizada na pelve menor. A bexiga está relativamente livre no tecido adiposo, exceto por seu colo que é mantido no lugar por ligamentos laterais vesicais e pelo arco tendíneo da fáscia da pelve. Em homens, anteriormente, é mantido pelo ligamento puboprostático e, em mulheres, pelo ligamento pubovesical. Quando vazia, a bexiga tem formato tetraédrico e externamente tem ápice, corpo, fundo e colo. O ápice da bexiga aponta em direção à margem superior da sínfise púbica quando a bexiga urinária está vazia. O fundo da bexiga é oposto ao ápice, formado pela parede posterior um pouco convexa. O corpo da bexiga é a parte principal da bexiga urinária entre o ápice e o fundo. O fundo e as faces inferolaterais encontram-se inferiormente no colo da bexiga. As paredes da bexiga urinaria são formadas principalmente pelo musculo detrusor. As paredes da bexiga são formadas principalmente pelo músculo detrusor. Em direção ao colo da bexiga masculina, as fibras musculares formam o Débora Rodrigues – MED XXX músculo esfíncter interno da uretra, que é involuntário. Esse esfíncter se contrai durante a ejaculação para evitar a ejaculação retrógrada do sêmen para a bexiga urinária. Os óstios do ureter e o óstio interno da uretra estão nos ângulos do trígono da bexiga. Os óstios da ureter são circundados por alças do músculo detrusor, que se contraem quando a bexiga urinária se contrai para evitar o refluxo de urina para o ureter. ……………… IRRIGAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………. As principais artérias que irrigam a bexiga são os ramos da artéria ilíaca interna: • Artérias vesicais superiores: irrigam a parte anterossuperior. • Artérias vesicais inferiores: irrigam o fundo e o colo, • Artérias vaginais: enviam pequenos ramos para as partes posteroinferiores. Também são irrigadas por artérias obturatória e glúteas inferior. ……………… DRENAGEM … …………………………………………………………………………………………………. Correspondem as artérias e são tributarias as veias ilíacas internas. Além disso, é drenada pelo plexo venoso vesical, que drena através das veias vesicais inferiores. • Nos homens, o plexo venoso vesical é continuo com o plexo venoso prostático. Também recebem sangue da veia dorsal profunda do pênis, que drena para o plexo venoso prostático. • Nas mulheres, o plexo venoso vesical envolve a parte pélvica da uretra e o colo da bexiga, recebe sangue da veia dorsal do clitóris e comunica-se com o plexo venoso vaginal. ……………… INERVAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………. FIBRAS SENSITIVAS: • São fibras aferentes que seguem o trajeto de fibras parassimpáticas. Transmitem sensações de dor para a parte inferior da bexiga. • Detectam o grau de estiramento da parede da bexiga e da uretra posterior (responsável pela deflagração de reflexos que causam o esvaziamento da bexiga). FIBRAS MOTORAS PARASSIMPÁTICAS: • Fibras parassimpáticas são conduzidas pelos nervos esplâncnicos pélvicos e pelo plexo hipogástrico inferior. Quando as fibras aferentes são estiradas, ocorre contração (motora) do musculo detrusor e relaxamento (inibição) para o musculo esfíncter interno da uretra na bexiga masculina. FIBRAS SIMPÁTICAS: Débora Rodrigues – MED XXX • As fibras simpáticas são conduzidas dos níveis torácico inferior e lombar superior da medula espinhal até os plexos vesicais, pelos plexos e nervos hipogástricos. Essas estimulam a ejaculação, causando contração do musculo esfíncter interno da uretra para evitar refluxo do sêmen para a bexiga. Além disso, uma resposta simpática em outros momentos diferentes da ejaculação (ex: constrangimento ao estar no mictório na frente de uma fila de espera) pode causar contração do músculo esfíncter interno, prejudicando a capacidade de urinar até que haja inibição parassimpática do esfíncter. FIBRAS MOTORAS ESQUELÉTICAS: • Transmitidas pelo nervo pudendo para o esfíncter externo da bexiga. São fibras somáticas, que inervam e controlam o músculo esquelético voluntario do esfíncter. HISTOLOGIA ..................................................................................................................................................................................... A bexiga é um reservatório distensível para a urina. Seu tamanho e formato modificam-se com o seu enchimento. O trígono da bexiga (óstio dos ureteres e óstio interno da uretra) é relativamente lisa e de espessura constante, enquanto o restante da parede vesical é espesso e dobrado (bexiga vazia) ou fino e liso (bexiga cheia). Os cálices, a pelve renal, o ureter e a bexiga têm a mesma estrutura básica, embora suas paredes se tornem gradualmente mais espessas na direção da bexiga. Todas as vias excretoras para a urina apresentam: epitélio de transição, uma camada de musculo liso e uma camada adventícia de tecido conjuntivo. A mucosa da bexiga é formada por epitélio estratificado de transição (urotélio) e por uma lâmina própria de tecido conjuntivo, que varia de frouxo ao denso. Em tornoda mucosa, há tecido muscular liso. O epitélio de transição é um epitélio estratificado especializado, com grandes células em formato de cúpula (em guarda-chuva) que se projetam para o lúmen. As células em formato de cúpula apresentam membrana apical modificada contendo placas e vesículas fusiformes, que acomodam o excesso invaginado da membrana plasmática, necessário para a extensão da superfície apical quando o órgão é distendido. As células do epitélio de transição são responsáveis pela barreira osmótica entre a urina e fluidos teciduais. • Bexiga se esvazia: a membrana se dobra nas regiões delgadas, e as placas espessas se invaginam e se enrolam, formando vesículas fusiformes intracitoplasmáticas. • Bexiga se enche novamente: sua parede se distende, e ocorre um processo inverso, com transformação das vesículas citoplasmáticas fusiformes em placas que se inserem na membrana, aumentando a superfície das células. O musculo detrusor da bexiga apresenta musculo liso. Em direção à abertura da uretra, as fibras musculares formam o esfíncter interno da uretra (involuntário). Os feixes musculares e colágenos estão todos misturados aleatoriamente, dessa forma a contração do musculo detrusor comprime toda a bexiga e força a urina para dentro da uretra. A camada adventícia: envolve externamente as vias urinárias, exceto a parte superior da bexiga, que é coberta por um folheto peritoneal. Débora Rodrigues – MED XXX UReTRa EMBRIOLOGIA ................................................................................................................................................................................. O epitélio da maior parte da uretra masculina e toda a uretra feminina deriva do endoderma do seio urogenital. A parte distal da uretra na glande do pênis deriva de um cordão sólido de células ectodérmicas, que cresce anteriormente a partir da ponta da glande e se junta ao restante da parte esponjosa da uretra. Consequentemente, o epitélio da parte terminal da uretra deriva do ectoderma superficial. O tecido conjuntivo e o músculo liso da uretra em ambos os sexos derivam do mesênquima esplâncnico. ANATOMIA ........................................................................................................................................................................................ Débora Rodrigues – MED XXX URETRA MASCULINA É um tubo muscular que conduz urina do óstio interno da uretra na bexiga urinaria até o óstio externo da uretra, na extremidade da glande do pênis. Também é via de saída do sêmen. ……………… IRRIGAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………. • Partes intramural e prostática: ramos prostáticos das artérias vesicais inferiores e retais médias. • Partes membranácea e esponjosa: ramos da artéria dorsal do pênis. ……………… DRENAGEM ………………………………………………………………………………………………………. Enchimento → contração tônica (óstio pequeno e alto). Esvaziamento → relaxamento (óstio largo e baixo). Circundada pelo musculo esfíncter externo da uretra. Apresenta glândulas bulbouretrais que se abrem na parte esponjosa. Termina no óstio externo da uretra. O lúmen da parte esponjosa expande no bulbo do pênis para formar uma dilatação intratulbar e na glande do pênis formar a fossa navicular. Débora Rodrigues – MED XXX • Partes intramural e prostática: plexo venoso prostático. • Partes membranácea e esponjosa: acompanham as artérias e têm nomes semelhantes. ……………… INERVAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………. Os nervos são derivados do plexo prostático (fibras simpáticas, parassimpáticas e aferentes viscerais mistas). O plexo prostático é um dos plexos pélvicos (extensão inferior do plexo vesical) que se originam como extensões órgão-específicas do plexo hipogástrico inferior. A inervação simpática provém dos níveis lombares da medula espinal através dos nervos esplâncnicos lombares, e a inervação parassimpática provém dos níveis sacrais através dos nervos esplâncnicos pélvicos. As fibras aferentes viscerais seguem as fibras parassimpáticas retrogradamente até os gânglios sensitivos dos nervos espinais sacrais. O nervo dorsal do pênis, um ramo do nervo pudendo, é responsável pela inervação somática da parte esponjosa da uretra. URETRA FEMININA Tem cerca de 4cm de comprimento e 6mm de diâmetro. Segue anteroinferiormente do óstio interno da uretra na bexiga, posterior e depois inferior à sínfise púbica, até o óstio externo da uretra. A musculatura que circunda o óstio interno da uretra da bexiga urinária feminina não está organizada em um esfíncter interno. O óstio externo da uretra feminina está localizado no vestíbulo da vagina, diretamente anterior ao óstio da vagina. Seu eixo é paralelo ao da vagina. A uretra segue com a vagina através do diafragma da pelve, músculo esfíncter externo da uretra e membrana do períneo. Há glândulas na uretra, sobretudo em sua parte superior. Um grupo de glândulas de cada lado, as glândulas uretrais, é homólogo à próstata. Essas glândulas têm um ducto parauretral comum, que se abre (um de cada lado) perto do óstio externo da uretra. O músculo esfíncter externo da uretra está localizado no períneo e é abordado na seção correspondente. ……………… VASCULARIZAÇÃO ……………………………………………………………………………………………. • Irrigação: artérias pudenda interna e vaginal. • Drenagem: as veias seguem as artérias e têm nomes semelhantes. ……………… INERVAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………. Os nervos que suprem a uretra têm origem no plexo vesical e no nervo pudendo. O padrão é semelhante em homens, tendo em conta a ausência de um plexo prostático e de um músculo esfíncter interno da uretra. As fibras aferentes viscerais da maior parte da uretra seguem nos nervos esplâncnicos pélvicos, mas a terminação recebe fibras aferentes somáticas do nervo pudendo. As fibras aferentes viscerais somáticas partem dos corpos celulares nos gânglios sensitivos de nervos espinais S2-24. HISTOLOGIA ..................................................................................................................................................................................... Tubo que transporta a urina da bexiga para o exterior no ato da micção. No sexo masculino, a uretra dá passagem ao esperma durante a ejaculação. É formada pelas porções: • Parte prostática: situa-se muito próximo à bexiga e atravessa o interior da próstata. É revestida por epitélio de transição. Os ductos que transportam secreção da próstata abrem-se nessa porção. • Parte membranácea: o músculo esquelético do espaço profundo do períneo que circunda a parte membranácea da uretra forma o esfíncter externo da uretra. Esse segmento é revestido por um epitélio estratificado ou pseudoestratificado colunar. • Parte cavernosa ou peniana: é revestida por epitélio pseudoestratificado colunar (exceto em sua extremidade distal, na qual é revestida por epitélio estratificado pavimentoso contínuo com a pele do pênis). No sexo feminino, a uretra é curta e é um órgão exclusivamente do sistema urinário. Tem áreas de epitélio de transição (metade superior) e pseudoestratificado colunar (metade inferior). Próximo à sua abertura no exterior, a uretra feminina contém um esfíncter de músculo estriado,o esfíncter externo da uretra. As glândulas de Littré são do tipo mucoso e se encontram em toda a extensão da uretra, embora predominem na uretra peniana. Algumas dessas glândulas têm suas porções secretoras diretamente ligadas ao epitélio de revestimento da uretra, enquanto outras contêm ductos excretores. Produzem uma secreção alcalina. Camada muscular dos ureteres e uretra: duas camadas de músculo liso, sendo uma camada longitudinal (interna) e uma circular (externa). FiSiOLOgia Da MiCÇÃO TRANSPORTE DA URINA PELOS URETERES DESDE ON RINS ATÉ A BEXIGA: Não há alteração da composição da urina dos cálices até a bexiga. A urina que flui dos ductos até os cálices causa estiramento dos cálices, que provoca contrações na pelve renal, forçando a urina a fluir da pelve até a bexiga. Os ureteres adentram a bexiga através do musculo detrusor. O tônus normal do musculo detrusor tende a comprimir os ureteres, de forma que não ocorra fluxo retrogrado de urina a partir da bexiga quando a pressão aumenta durante a micção ou compressão vesical. Cada contração (parassimpático) que passa pelo ureter aumenta a sua pressão para que a urina flua para dentro da bexiga. REFLEXO DA MICÇÃO ................................................................................................................................................................... Débora Rodrigues – MED XXX A micção é o processo por meio do qual a bexiga urinaria é esvaziada após se tornar repleta. Esse processo envolve dois passos: • Primeiro: a bexiga se enche progressivamente até que a tensão em suas paredes aumente acima de um limiar. É possível observar que, conforme a bexiga é preenchida, muitas contrações de micção vão surgindo, resultante de um reflexo de estiramento deflagrado por receptores sensitivos de estiramento. Esse reflexos são conduzidos até os segmentos sacrais da medula espinhal pelos nervos esplâncnicos pélvicos, e o reflexo retorna à bexiga através de fibras nervosas parassimpáticas pelos mesmo nervos. • Segundo: a tensão gerada na parede da bexiga leva a um reflexo nervoso chamado reflexo de micção, que esvazia a bexiga ou, ao menos, elicita um desejo de urinar e causam maiores contrações do musculo detrusor. o Esse reflexo é de origem autônoma na medula espinhal, e, pode também, ser inibido ou facilitado por centros corticais cerebrais ou do tronco encefálico. EM RESUMO: bexiga preenchida → aumento da pressão da parede vesical → reflexo de estiramento → contração do musculo detrusor → reflexo de micção → retorno da pressão ao tônus vesical basal → relaxamento da bexiga → inibição do esfíncter externo. ARCO REFLEXO Fibras sensoriais partindo dos proprioceptores da parede vesical atingem nervos pré-sacrais (nível de S2, S3 e S4). • Quanto mais cheia a bexiga, mais impulsos são transmitidos à medula. Destes níveis, parte fibras motoras parassimpáticas passa pelas fibras pré-sacrais e atingem a parede vesical, estabelecendo sinapse nos gânglios intramurais, partindo dai as fibras motoras vesicais pós-sinápticas. Este arco reflexo também está sob influencia direta cortical, com mecanismos facilitatórios e inibitórios. A distensão vesical, por meio da medula, é informada ao córtex cerebral, que toma consciência da distensão vesical. ……………… FACILITAÇÃO OU INIBIÇÃO …………………… ……………………………. O reflexo de micção é um reflexo autônomo da medula, mas pode ser inibido ou facilitado por centros presentes no encéfalo, localizados no encéfalo (facilitação e inibição) ou no córtex cerebral (principalmente inibitório). 1. Os centros superiores mantêm o reflexo de micção parcialmente inibido, exceto quando há desejo de urinar. 2. Os centros podem impedir a micção, mesmo durante o reflexo de micção, por meio de contração tônica do esfíncter externo da bexiga, até que se apresente o momento conveniente de urinar. 3. Quando chega o momento de urinar, centros corticais podem facilitar centros de micção sacrais a fim de auxiliar a deflagração do reflexo de micção e, ao mesmo tempo, inibir o esfíncter urinário externo para que ocorra a micção. A micção voluntária é, em geral, iniciada do seguinte modo: primeiro, o indivíduo contrai voluntariamente os músculos abdominais, os quais aumentam a pressão vesical e permitem que mais urina adentre o colo vesical e pressionem a uretra posterior, estirando suas paredes. Essa ação estimula os receptores de estiramento, que deflagram o reflexo de micção e, simultaneamente, inibem o esfíncter uretral externo. Normalmente, toda a urina é eliminada, raramente restando mais que 5 a 10 mililitros na bexiga. FASE DE ARMAZENAMENTO ....................................................................................................................................................... Débora Rodrigues – MED XXX A fase de armazenamento ocorre quando a bexiga consegue acumular quantidades crescentes de urina em seu interior sem variações significativas de pressão, enquanto os esfíncteres urinários permanecem contraídos, o que estabelece uma pressão intra uretral maior do que a pressão vesical. Essa capacidade de armazenar urina sem que haja aumentos significativos de pressão é chamado acomodação vesical. Nessa fase o musculo detrusor está em repouso. Essa fase é estimulada pelo SNS dos receptores β-adrenérgicos dentro da parede vesical, causando relaxamento do detrusor. Ao mesmo tempo o SNS inibe o SNP. A estimulação simpática de α-adrenérgicos presente no colo vesical e uretra causa contrição do esfíncter interno. FASE DE ESVAZIAMENTO .... ................................................................................................................................................... Os receptores do interior do musculo detrusor emitem sinais aos centros corticais do cérebro para se iniciar a fase de esvaziamento. Para iniciar o processo da micção é necessário que o córtex reconheça o desejo miccional e decida a melhor hora para desencadear o esvaziamento da bexiga. A fase de esvaziamento acontece com a estimulação da contração do detrusor associada ao relaxamento esfincteriano, permitindo que a bexiga elimine seu conteúdo através de uma inversão desse gradiente de pressão, enquanto o córtex inibe o relaxamento simpático da bexiga. A bexiga libera seu conteúdo sob controle voluntário dependendo diretamente de uma atividade coordenada da uretra e do músculo detrusor. A ativação dos receptores colinérgicos parassimpático no músculo detrusor estimula a sua contração e a micção começa. EM RESUMO: ARMAZENAMENTO: fibras sensoriais atingem nervos pré- sacrais → impulsos são conduzidos à medula (S2, S3 e S4) → neurônios aferentes fazem sinapse com motoneurônios (T12-L2) → motoneurônio faz sinapse com nervo hipogástrico → libera noradrenalina → age nos receptores adrenérgicos → distensão vesical → sinal enviado ao córtex → centro pontino → fibras eferentes → (1) estimula SNS; (2) inibe M3; (3) nervo pudendo estimulado por acetilcolina (M1): contrai o esfíncter externo da uretra. ESVAZIAMENTO: fibras sensoriais atingem nervos pré-sacrais → impulsos enviados ao córtex → estimula centro pontino da micção e inibe centro pontino de armazenamento → (1) inibe nervo hipogástrico; (2) estimula nervo pélvico a liberar acetilcolina (M3); (3) inibe o nervo pudendo. CONTROLE CEREBRAL DA MICÇÃO .......................................................................................................................................... Β3-adrenérgicos Nervo hipogástrico.α1-adrenérgicos. Nervo hipogástrico M3 M3 Débora Rodrigues – MED XXX Permite ao individuo manter controle voluntario do arco reflexo. • A área aquedutal da zona cinzenta cerebral (AZC) é a região anatômica mais importante desse controle. Esta área faz parte do controle motor emocional do indivíduo. • A área cortical é responsável pela continência urinária social. A região anterior do lobo frontal é fundamental para o controle da micção. Esta área está associada à urgência miccional do idoso. FUNÇÃO VESICOURETERAL ........................................................................................................................................................ A avaliação da função vesicoureteral é feita pelo estudo urodinâmico. Esta análise realiza medidas de fluxo urinário e pressões intravesical e intra-abdominal, associadas a avaliações do volume infundido e da atividade eletromiográfica perineal. É um exame invasivo, visto que implica na inserção de sondas vesicais e abdominais, sendo geralmente monitorado por sonda intrarretral. PASSO A PASSO: 1. Para iniciar o exame, o paciente deve urinar em um coletor que está conectado ao aparelho de urodinâmica, obtendo-se o registro da fluxometria. Os dados são calculados eletronicamente pelo aparelho e comparados com nomogramas preestabelecidos, permitindo avaliar se o paciente está urinando dentro dos padrões da normalidade. 2. Em seguida, são posicionadas as sondas vesical e retal. São inseridas, via uretral, uma sonda de duplo lúmen ou duas sondas; tal procedimento permite fazer, por uma via a infusão, e por outra via o monitoramento contínuo da pressão vesical durante o enchimento. 3. Adicionalmente, é posicionada a sonda retal, com balão em uma de suas extremidades, o que possibilita o monitoramento da pressão abdominal. 4. Após o posicionamento das sondas, realiza-se a medida do resíduo pós-miccional e inicia-se a distensão vesical com a infusão de solução fisiológica. À medida que ocorre o enchimento, a sensibilidade informada pelo paciente é anotada. o Desse modo, pode ser diagnosticada a presença de contrações involuntárias (hiperatividade detrusora) e avaliado o aumento passivo da pressão com o enchimento (complacência vesical). 5. O paciente deve ser orientado a informar a sensação de distensão vesical, sendo anotado o primeiro desejo, o desejo normal e o forte desejo, bem como eventual sensação de urgência miccional. 6. Quando o paciente referir forte desejo miccional, é iniciado o estudo miccional. Testes de esforço podem ser realizados para avaliar se o paciente apresenta perdas por esforço. 7. Após as provas de esforço, o paciente é solicitado a urinar, medindo-se o fluxo urinário. 8. Com a utilização de nomogramas, pode-se avaliar a capacidade contrátil e se há ou não obstrução urinária. RECEPTORES .................................................................................................................................................................................... De modo geral, os receptores colinérgicos são responsáveis pela micção, enquanto os receptores alfa-adrenérgicos, pela continência. SISTEMA SIMPÁTICO O efetor do SNS é a norepinefrina. Porém, por meio dos receptores alfa ou beta, a ação pode ser de contração (α-adrenérgico) ou de relaxamento (β-adrenérgico) das fibras musculares. Com estímulos de fármacos bloqueadores, pode-se obter contração ou relaxamento das fibras musculares, depende da ação alfa ou beta adrenérgica SISTEMA PARASSIMPÁTICO Os receptores do SNP (M3 – nicotínicos) são intermediados pela acetilcolina. Fármacos anticolinérgicos têm ação de relaxamento das fibras musculares detrusoras e os colinérgicos exibem ação contração do detrusor. PaTOLOgia CONTINÊNCIA URINÁRIA ............................................................................................................................................................. Mecanismo que evita a perda involuntária de urina. Mecanismos de continência: • A musculatura lisa uretral da mulher se distribui ao longo da uretra, como fibras espiraladas, cuja contração pode ocluir a uretra. • Coxim submucoso: atua como selo, permitindo o completo fechamento uretral. • Musculatura estriada periuretral: pode colaborar na oclusão uretral. • Tecido elástico: permite que os mecanismos de oclusão funcionem. • Ligamento pubouretral: nas mulheres, permite a compressão uretral por angulação, pela fixação da uretra no púbis. CONTINENCIA NA INFANCIA: Débora Rodrigues – MED XXX De 1-3 anos, a criança começa a ter a percepção da plenitude vesical e consegue a inibição consciente da contração detrusora, inicialmente acordada e depois dormindo. A inibição da micção – postergando-a, apesar da bexiga já cheia, até o local e momento socialmente adequados – por meio da regulação cortical e inibição do arco reflexo pontino representa a aquisição da capacidade da continência urinária. Aos 3 anos, a maioria das crianças está continente durante o dia → após a continência existe um período variável, usualmente de até seis meses, em que o escape urinário pode ocorrer. INCONTINÊNCIA URINÁRIA ......................................................................................................................................................... Perda involuntária de urina, que pode ocorrer após esforços e aumento da pressão intra abdominal (levantar peso, evacuação). Pode ocorrer com ou sem sensibilidade (paciente sabe). BEXIGA NEUROGÊNICA ................................................................................................................................................................ Alterações vesicouretrais, causadas por disfunções neurológicas. ……………… PARALITICO MOTORA …… ……………… ……………………………. Lesão que compromete as fibras motoras, como neurite, poliomielite, traumatismo, tumor medular. Nessa situação, a sensibilidade está preservada e o paciente percebe o grau de distensão vesical, porém não consegue desencadear o reflexo miccional. OBS: pode ocorrer transbordamento de urina, devido as altas pressões dentro da bexiga. Como a pessoa não consegue eliminar toda a urina, muitas vezes é necessário passar uma sonda vesical. ……………… AUTONOMA ……… …………… ……………………………. Há comprometimento tanto das fibras sensoriais quanto das motoras. Ainda pode ter lesões abaixo ou no próprio cone medular. Nessa situação há incapacidade de se efetuar o arco reflexo. Como as mesmas vias neurológicas são responsáveis por outros reflexos, o reflexo bulbocavernoso e o reflexo cutâneo anal estarão igualmente comprometidos. Um paciente com retenção total de urina pode apresentar incontinência clínica, pois, à medida que vai ocorrendo o enchimento vesical, a pressão intravesical vai se elevando, até o momento que vence a resistência uretral, ocorrendo perda constante de urina; esta condição é denominada incontinência paradoxal. ……………… REFLEXA ……… …………… ……………………………. Quando a lesão ocorre acima do cone medular. O arco reflexo está liberado, ocorrendo contração vesical reflexa à distensão vesical. Essa contração vesical é involuntária e sem sensibilidade. Nesta situação, pode ocorrer contração esfincteriana simultânea à contração vesical, e o paciente tem micções de altíssima pressão, levando a repercussões graves do sistema urinário. Assim, pode gerar hidronefrose e posteriormenteDRC. BEXIGA HIPERATIVA ...................................................................................................................................................................... Síndrome que se caracteriza pela presença de sintomas de urgência miccional, com ou sem incontinência, frequentemente associada com aumento da frequência urinaria e da noctúria. Ocorre na ausência de causa infecciosa ou de outra doença obvia para a situação clínica. HIPERATIVIDADE DETRUSORA Pode ser identificada na avaliação urodinâmica, por meio da presença de uma contração involuntária do musculo detrusor. QUADRO CLÍNICO: urgência, urgeincontinência, frequência e noctúria. Além disso, pode haver hesitação, esforço miccional, história prévia de retenção urinária e intermitência. INFECÇÃO DO TRATO URINARIO – ITU ..................................................................................................................................... A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição comum, especialmente em mulheres, que ocorre quando bactérias ou outros microrganismos infectam uma parte do sistema urinário, incluindo a bexiga, uretra, ureteres ou rins. Os sintomas da ITU podem variar de acordo com a parte do trato urinário que está infectada e a gravidade da infecção, mas os sintomas mais comuns incluem: • Dor ou ardor ao urinar; • Urgência para urinar; • Frequência urinária aumentada; • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga; • Urina com odor forte ou aparência turva; • Dor no abdômen inferior ou na região lombar; • Náuseas e vômitos; • Febre, em casos mais graves. DIAGNÓSTICO: EAS. ……………… ITU alta …… … …………… ……………………………. Débora Rodrigues – MED XXX Essa é a forma menos comum de ITU, porém mais grave e afeta os rins (pielonefrite) ou os ureteres (ureterite). Os sintomas da ITU alta podem incluir do no abdômen ou na região lombar, náuseas e vômitos, febre e calafrios. A ITU alta também pode causar dor ao urinar, mas isso geralmente é menos comum do que na ITU baixa. COMPLICAÇÕES (PIELONEFRITE) Danos permanentes nos rins, cicatrizes renais, IR, HAS, sepse. ……………… ITU baixa ……… …………… ……………………………. Essa é a forma mais comum de ITU e afeta a bexiga (cistite) ou a uretra (uretrite) É caracterizada por sintomas como dor ou ardor ao urinar, urgência para urinar, frequência urinaria aumentada, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga (tenesmo) e urina com odor forte ou aparência turva. Geralmente os sintomas da ITU baixa são menos graves do que os da ITU alta. COMPLICAÇÕES (CISTITE) Infecção renal (pielonefrite), infecção da próstata, infecção testicular, infecção vaginal, infecção uterina, sepse, disseminação da infecção para outros órgãos. ……………… BACTÉRIAS ……… …………… ……………………………. E. coli (PRINCIPAL), Proteus, Klesbsiella, Staphylococcus saprophyticus, Entercoccus. • A E. coli, por meio de adesão urotelial, pelas fimbrias, consegue facilmente migrar para o trato urinário superior. PATOGÊNESE O trato urinário é estéril e resistente à colonização de bactérias apesar da contaminação frequente da uretra com bactérias colônicas. MECANISMO DE DEFESA: barreiras mucosas e imunológicas, válvulas vesicoureteral e esvaziamento completo da bexiga. 95% das ITU ocorrem por via ascendente (uretra → bexiga; ureter→ rins). Alguns fatores bacterianos de virulência, com as adesinas, ascendem pela uretra e bexiga, e então aderem-se em células e superfícies, que, vão facilitar a colonização no urotélio, e formar um biofilme, então, as bactérias se multiplicam e ascendem em direção aos rins.