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1. Entender a etiologia e as características do Desvio Fonológico; Desvio fonológico corresponde as dificuldades de domínio do padrão fonêmico da língua, na ausência de alterações detectáveis como deficiências auditivas e anormalidades anatômicas e neurofisiológicas. Porém, esses desvios não significam um sistema desorganizados, mas simplesmente um sistema cujo padrões não são idênticos à norma. Grunwell, descreve as seguintes características sobre o desvio fonológico: ● Fala espontânea quase completamente inteligível, resultante, sobretudo, de desvios consonantais ● idade acima de 4 anos, isto é, superior à idade na qual a fala normalmente é inteligível às pessoas estranhas ao ambiente social imediato da criança. ● Audição normal para fala. ● Inexistência de disfunção neurológica relevante a produção da fala. ● capacidades intelectuais e adequadas para o desenvolvimento da linguagem falada. ● Compreensão da linguagem falada apropriada a idade mental. As características evolutivas específicas dos desvios fonológicos em crianças são: 1: processos normais persistentes: os processos fonológicos normais de simplificação permanecem nas produções da criança além da idade em que estas já deveriam ser supridos, o desenvolvimento da criança encontra-se atrasada. 2- desencontro cronológico: a co ocorrência de processos fonológicos característicos de estágios iniciais com padrões e pronúncias posteriores do desenvolvimento fonológico. 3-processos incomuns: padrões de pronúncia que raramente foram constatados no desenvolvimento normal da fala, com o nasalização líquida, africação, desafricação, plosivação de líquida, e semi vocalização de nasais. 4-preferência sistemática por um som: uma única consoante utilizada no lugar de uma ampla gama de alvos, tendo como consequência a perda de contrastes fonológicos. Quanto à classificação dos desvios, sob uma perspectiva evolutiva, Mota cita 3 categorias gerais: ● desenvolvimento atrasado: a criança desenvolve os padrões de pronúncia com a velocidade mais lenta do que o esperado. ● desenvolvimento variável: a criança utiliza padrões e 2 ou mais estágios diferentes do desenvolvimento fonológico havendo um desencontro fonológico. ● desenvolvimento diferente: a criança usa padrões incomuns e atípicos, isto é, que não ocorre com frequência no desenvolvimento normal, sendo consideradas idiossincráticos. 2. Entender a etiologia e as características do Atraso de Linguagem; Para Aguado (1997), o atraso de linguagem pode ser definido como o não surgimento da linguagem na idade em que geralmente ela se dá. O autor considera ainda que a criança tem atraso de linguagem quando há presença ou permanência de certos padrões linguísticos encontrados em crianças de menos idade. No atraso leve da linguagem ocorrem geralmente formas diferentes de simplificação fonológica como: a segunda consoante ( C ) dos grupos ( CCV ) ( V= vogal) encontra-se ausente; nos grupos CVC e VC, a segunda consoante desaparece ou é assimilada à C seguinte; nos ditongos, costuma faltar a semi vogal nos descendentes e a semiconsoante nos ascendentes. Também pode ocorrer a ausência da vibrante múltipla (/R/) e uma grande instabilidade na colocação do /r/ ou sua substituição pelos fonemas /l/ ou /d/, ou mesmo, a substituição, não sistematicamente, do fonema /s/ por /t/. Apesar da criança ser capaz de produzir o primeiro quando solicitado, acontece geralmente por superproteção. Além das substituições e omissões podem ocorrer também algumas assimilações No nível semântico, embora a compreensão pareça sem problemas, a realização linguística de conteúdos cognitivos é ligeiramente mais escassa do que em crianças sem atraso da linguagem á no atraso moderado da linguagem irá ocorrer uma maior redução de padrões fonológicos. Além de ocorrer a simplificação fonológica descrita acima, apresenta-se também uma substituição das fricativas por suas correspondentes oclusivas; e a assimilação dos fonemas consonantais frontais por /p/ e /m/, e os palatais e velares, por /t/. A fala dessas crianças é muito infantilizada. Em relação à estrutura silábica, são produzidas V e VC, com o desaparecimento dos ditongos, consoantes finais e sílabas inversas e complexas. No nível semântico, percebe-se facilmente a pobreza de vocabulário. Há uma nomeação dos objetos familiares, mas desconhecimento do nome (em relação a todos os seus aspectos semânticos) de muitos outros objetos e conceitos que seriam de conhecimento de crianças da mesma faixa etária. Mas observa-se uma boa compreensão dessas crianças, como já foi exposto acima. Em relação à morfossintaxe, encontram-se, de forma normal à faixa etária, os sinais que determinam funções semânticas primárias: interrogação, negação, etc. Embora em relação a sinais os que determinam as funções semânticas secundárias de categoria nominal (gênero e número) e verbal (morfemas de tempo, etc.), estejam deficientes. Mas o atraso de linguagem é mais percebido nas dificuldades dos sinais de superfície. As funções da linguagem são realizadas com deficiência, evidenciando muitos imperativos e gestos verbais para chamar a atenção. Enfim, para o atraso grave de linguagem essas crianças têm padrões fonológicos muito reduzidos. O vocalismo é confuso e ocorre troca fonêmicas múltiplas. A compreensão é difícil fora do contexto. A sintaxe encontra-se muito primitiva na forma de holofrase e fala telegráfica. Na pragmática, ocorre uma conversação voltada para si mesmo. A maioria das funções básicas, por não possuírem uma forma lingüística apropriada, devem ser inferidas do contexto. Nessas crianças, é importante que seja realizado um diagnóstico diferencial em relação ao atraso intelectual leve, síndrome de desatenção e, especialmente, disfasia. Aguado (1997) aponta, ainda, algumas condições que poderiam ser os fatores causais do atraso de linguagem: O primeiro seria o enfoque neurobiológico fundamentado no fator genético. Sugere-se, também que esse fator é comum na gagueira. O atraso e o encaminhamento desses distúrbios dependeria do ambiente. Afirma que os casos mais graves de atraso de linguagem podem ter síndromes de disfunção cerebral mais generalizada, como a síndrome de desatenção-hipercinesia. Também relacionou o atraso de linguagem a agressões perinatais. O atraso de linguagem pode também ter origem nas perdas auditivas em consequência de otite no ouvido médio, principalmente quando acontecem em época de discriminação auditiva (de 2 a 4 anos). autor refere-se ainda à memória de curto prazo e à atenção, dizendo que a criança que possua uma memória de curto prazo deficitária irá persistir em seus erros fonológicos, já que os padrões corretos não foram armazenados na memória de longo prazo. Os fatores motores em que a criança com atraso de linguagem não teria uma exercitação correta dos órgãos fonoarticulatórios, o que dificultaria sua aprendizagem, pois a emissão da linguagem exige uma grande agilidade desses órgãos. os fatores psicossócioafetivos relacionados a várias causas ditas exógenas em que o estudo é complexo, porque se inter-relacionam umas com as outras. Afirma que o que deve ser relevado são aspectos como as relações afetivas entre pais e filhos, o nível cultural do meio, a personalidade da criança etc. Segundo Aguado, a maioria das crianças com atraso de linguagem apresentam erros educativos que afetam seu desenvolvimento afetivo e linguístico. E o que pode também causar na criança formas lingüísticas pobres e atrasadas são os níveis socioculturais baixos ou mesmo o meio familiar com pouca estimulação, ainda que seu nível sociocultural seja elevado. Entre as situações sociais que podem influenciar as dificuldades de linguagem estão os problemas na família, como ciúmes do irmão mais novo ou atitudes superprotetoras dos pais. O bilinguismo mal integrado também pode ser um fator. 3. Entender a etiologia e as características do Distúrbio Específico de Linguagem. o distúrbio específico de linguagem (DEL) é caracterizado por importantes prejuízos, quese configuram como atrasos e alterações persistentes na aquisição da linguagem, na ausência de patologia que desencadeie tal atraso ou alteração . O DEL pode apresentar grande variabilidade nas manifestações clínicas, estando na dependência do grau de gravidade do caso, e pode ser mutável durante o desenvolvimento . Algumas crianças apresentam dificuldades apenas na expressão, outras na expressão e compreensão da linguagem. O termo “específico” refere-se justamente a esta suposta natureza restrita dos déficits encontrados no DEL: as crianças não têm deficiências sensoriais, cognitivas, neurológicas, ou socioemocionais que respondam por seus problemas de linguagem. O DEL caracteriza-se por limitações significantes da função linguística que não podem ser atribuídas a perda auditiva, déficit cognitivo ou alterações da estrutura e função fonadora. Nesse sentido, a identificação e o diagnóstico de DEL são feitos geralmente a partir da exclusão de outras patologias, como o autismo em que também aparecem as alterações de linguagem. Dentre essas alterações tem-se a compreensão e a pragmática invariavelmente afetadas, e os achados incluem prosódia aberrante, ecolalia imediata e/ou tardia e perseveração (persistência inapropriada no mesmo tema). ETIOPATOGENIA: Pode estar associado ao desenvolvimento neurológico atípico de áreas corticais, fundamentais para a linguagem, Wernicke e Broca Anormalidades pré-natais no processo de migração neuronal- organização cortical não preparada para a aquisição desenvolvimento da linguagem DIAGNOSTICO DEL Inclui: ● QI mínima de 85 ● Linguagem receptiva abaixo em pelo menos 6 meses em reação a cronológica ● Linguagem expressiva abaixo em pelo menos 12 meses em relação a cronológica As crianças com DEL apresentam maturação de linguagem atrasada em pelo menos 12 meses em relação à idade cronológica, no entanto, não tem déficits intelectuais ou sensoriais, distúrbios invasivos do desenvolvimento, dano cerebral evidente, e, além disso, apresentam condições sociais e emocionais adequadas. Esses sujeitos levam um tempo maior no reconhecimento, recuperação, formulação e produção das palavras, devido à lentificação no processamento das informações, que pode estar relacionada a falhas nas representações semânticas e na organização cognitiva. Além disso, podem manifestar simplificações fonológicas, frequentemente desviantes (simplificações não observadas no processo normal de aquisição de linguagem); vocabulário restrito, com uso demasiado de dêiticos, perífrases e gestos representativos; estruturação gramatical simplificada e ordenação de palavras de forma não usual . Na compreensão observam-se dificuldades em entender sentenças ou palavras específicas como marcadores espaciais ou temporais, realização de comandos linguísticos de forma incorreta, respostas incorretas sob questionamento e dificuldade em manter o tópico de conversação. Em relação ao prognóstico, há evidências sólidas de que o DEL pode contribuir para o surgimento de problemas de leitura (especialmente de compreensão da leitura) e de linguagem escrita. Tal fato sustenta a necessidade de se atentar para este distúrbio já nos primeiros dois anos de vida, de modo a minimizar ou impedir o prejuízo linguístico, escolar e social dessas crianças. É importante ressaltar que no DEL, nem sempre todas as dimensões da linguagem estão afetadas. Subtipos de Distúrbio Específico da Linguagem: Distúrbio Expressivo: Distúrbio da programação fonológica: compreensão normal ou próxima do normal; aparecimento da fala é normal ou levemente atrasado; a fala é inteligível em razão das alterações fonológicas, mas fluente. Dispraxia verbal: a fluência pode prejudicada, com graves problemas de organização dos sons articulados; os enunciados pronunciados produzidos estão limitados a uma ou duas palavras. Distúrbio expressivo e de compreensão Distúrbio fonológico-sintático: compreensão prejudicada quando o enunciado é longo ou emitido com rapidez; o aparecimento da linguagem oral é atrasado; fluência é prejudicada pelas dificuldades de organização sintática. Distúrbio do processo de formulação central Distúrbio léxico-sintático: dificuldade de evocação do léxico, com uso constante de perífrases e dêiticos; podem ocorrer alterações fonológicas mas que não chegam a prejudicar sensivelmente a inteligibilidade da fala; a compreensão de palavras isoladas pode ser normal, mas não a de frases. Distúrbio semântico-pragmático: O aparecimento da fala pode ser normal; enunciados e articulação desenvolvem-se normalmente no com ligeiras dificuldades; a fala fluente, podendo haver emissão de frases complexas aprendidas de memória. as dificuldades ocorrem em nível pragmático: inadaptação da linguagem ao contexto, coerência temática instável ecolalia ; dificuldades de compreensão quando o enunciado é longo e apresenta um entendimento exageradamente literal das palavras. Divisão em subtipos favorece a compreensão do quadro mas nem sempre pode-se garantir que será possível, uma vez que muitas crianças com DEL nem sequer apresentam oralidade.