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ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL A presente pesquisa trata da atuação do orientador educacional no processo de inclusão escolar. Uma visão mais atenta nos leva a perceber a necessidade de refletir quanto a real importância deste profissional neste aspecto. A escola é um espaço de transmissão de conhecimento, de produção, de interação. Sendo assim, é o lugar ideal para se educar enfatizando as diferenças, bem como levar os alunos à reflexão sobre os direitos de cada cidadão. Neste sentido, é muito importante a execução de ações que promovam a inclusão. Esta palavra, tão falada atualmente, tem todo um significado. É uma nova estruturação do ensino regular que tem como principal objetivo a construção individual de cada aluno em um ser consciente dos seus direitos, e, portanto, um cidadão independente das suas peculiaridades. Neste processo de construção é essencial a participação da sociedade, oferecendo boas condições de acessibilidade para que estes indivíduos tenham oportunidades idênticas, tanto fora quanto dentro da escola. Neste contexto, uma escola inclusiva deve estar preparada para atender a todos os indivíduos, respeitando as suas diferenças e garantindo-lhes o direito à cidadania e a atuação na sociedade. A escola inclusiva deve ser o palco para a transformação social destes educandos, proporcionando a oportunidade destes de obter autonomia, através de ações pedagógicas que oportunizem a produção de novos conhecimentos. Surge então a importância de um profissional que seja o elo garantidor da integração entre escola e sociedade; promovendo o diálogo entre os diferentes agentes do processo e preparando estes indivíduos para conviver em uma sociedade diversificada e aberta as diferenças: o orientador educacional. Igualmente, é necessário enfatizar que nossa sociedade é cenário de enormes desigualdades, sejam elas no aspecto social, econômicos ou culturais. Logo, é essencial que o orientador educacional trabalhe tendo em mente que a escola inclusiva deve ter como prioridade o desenvolvimento e a integração dos alunos. Partindo deste princípio surgem os seguintes questionamentos: A escola está preparada para receber esses alunos, realizando a inclusão? Está disposta https://virtual.uninta.edu.br/course/view.php?id=7598 a buscar novos conhecimentos que promovam a inclusão destes alunos? As respostas a estas questões se pautam na criação de um currículo voltado para o trabalho com essas diferenças, bem como na preparação deste profissional para lidar com este público. É fundamental que o orientador educacional atue como mediador entre a escola e a família, pois esta conduta irá garantir a permanência dos alunos no ambiente escolar o tempo necessário para que haja a integração deste à comunidade escolar, e consequentemente à sociedade. Portanto, o trabalho do orientador educacional deve ser feito de forma consciente, sob pena de excluir mais do que incluir. Além disso, deve ser relevante a ponto de gerar ações pedagógicas favoráveis, a promover uma aprendizagem satisfatória e como resultado transformar alunos em cidadãos conscientes, participativos e atuantes no espaço social, independente das suas diferenças. Este trabalho apresenta a trajetória do Orientador Educacional enquanto profissional, permeando as dificuldades encontradas por este para que se realize um trabalho eficaz no tocante aos alunos e a comunidade escolar, considerando as diferenças entre estes, e agir mediante estes conflitos para garantir o sucesso de seu trabalho. Para isto, foi feita uma pesquisa baseada em autores como GRINSPUN (2006), LUCK (2006), LIBÂNEO (2002) e MAZOTTA (2005), entre outros. A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NO BRASIL Ao analisarmos a trajetória do Orientador Educacional no Brasil, percebemos que esta passou por inúmeras modificações no decorrer da sua história. A necessidade de uma formação para este profissional foi evidenciada a partir da década de 20, conforme Grinspun: Até a década de 1920, a Orientação Educacional no Brasil constituía-se de atividades esparsas e isoladas, em que fazia presente o cunho de aconselhamento, ligado a uma moral religiosa. A partir da década de 1920, houve a necessidade de formação para essa nova realidade de trabalho. (GRINSPUN, 2009, p.1) Porém, foi a partir da criação das Leis Orgânicas dos anos de 1942 a 1946 que a Orientação Educacional vai criando significado relevante. Essas leis instituíram legalmente a Orientação Vocacional como obrigatória no ensino secundário. Em 1958, a Portaria nº105 regulamentava a função e o registro do Orientador Educacional, e em 1961 a LDB 4024 classificava o orientador como “Educativo” (OE) E “Vocacional”, apto a oferecer orientação psicológica e social aos indivíduos Essas leis instituíram legalmente a Orientação Vocacional como obrigatória no ensino secundário. No ano de 1964 foram criadas e reformadas algumas disciplinas pedagógicas e as habilitações, possibilitando ao então Pedagogo se especializar em Supervisão e Administração. A partir deste acontecimento começaram a ser criadas associações de supervisores e de orientadores. Em 1971, a Lei 5692 versa sobre a orientação educacional, incluindo entre as suas atribuições a cooperação com os professores, a família e a comunidade. (BRASIL,1971). Porém, não era isso o que se via nas instituições escolares, segundo Grinspun: “A Orientação estava dentro da escola e não se deu conta do seu papel.” (GRINSPUN, 2006, p.20) Nas décadas de 80 e de 90 o foco era a formação. A orientação educacional começava a suscitar questionamentos quanto às metodologias e os processos de avaliação utilizados. Essa preocupação gerou uma polêmica em torno do curso de Pedagogia, gerando lutas sindicais, congressos e estudos sobre o assunto, o que culminou na extinção dos grupos então formados desde a década de 60 e em conquistas significativas para os então orientadores educacionais. Hoje, a LDB 9394/96 estabelece como requisito para a execução da função de Orientador Educacional a formação em Pedagogia ou em pós- graduação: a formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. (BRASIL,1996) Observando toda esta trajetória histórica, podemos dizer que o orientador educacional é essencialmente um facilitador no processo educativo, além de ser um auxiliar na construção social dos educandos, ou seja, uma das funções do orientador educacional é promover o ajustamento social dos educandos, considerando fatores socioeconômicos, étnicos e culturais. Cabe a ele fazer com que o aluno encontre a sua autoestima e que lute de forma crítica e consciente por seus direitos e deveres. Além disso, deve trabalhar de acordo com um currículo que priorize as diferenças, a fim de garantir uma educação inclusiva de qualidade. Sobre isso, Grinspun enfatiza: O Orientador é aquele que discute as questões da cultura escolar promovendo meios/estratégias para que sua realidade não se transforme em verdades intransponíveis, mas se articule com prováveis verdades vividas no dia-a- dia da organização escolar (GRINSPUN,2006, p.112) Além disso, o orientador educacional deve sempre ser o elo entre a família, a escola e a comunidade, propondo ações coletivas a fim de que haja a troca de experiências e o conhecimento do meio, o que influencia positivamente o aluno no processo de ensino e aprendizagem. Sobre a atuação do orientador educacional neste contexto, Luck salienta: A complexidade do processo de ensino depende, para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento, de ações coletivas de espírito de equipe, devendo ser esse o grande desafio da gestão educacional. E é neste sentido quese caracteriza esta gestão: na mobilização do trabalho humano, coletivamente organizado para a promoção de experiências significativas de aprendizagem. (LUCK, 2003, p.82) Espera-se, então, que o Orientador Educacional trabalhe com o objetivo principal de conscientizar o seu alunado de que, independente da classe social no qual estão inseridos, todos os cidadãos tem os mesmos direitos e deveres garantidos pela Constituição. Isso é um trabalho que deve ser realizado ao longo de sua escolaridade, e quando esta conscientização é deixada de lado, pode gerar a desmotivação dos alunos, produzindo o fracasso escolar. De acordo com este fator], discorre Grispun: Cabe aos orientadores criar, descobrir e propor novas formas viáveis e efetivas, de eliminação do fracasso escolar, tanto no nível de variáveis intra-escolares, que às vezes o mantém, como no de variáveis extraclasses, que não encontram meios de suprimi-lo. (GRINSPUN, 2006, p.86) Para tanto, a proposta pedagógica da instituição deve ser elaborada de forma a possibilitar o exercício democrático dos diversos setores da mesma, a fim de promover a aprendizagem e o desenvolvimento, contribuindo para a formação de uma sociedade justa e igualitária. Assim, de acordo com as considerações acima, podemos entender que ao Orientador Educacional cabe trabalhar visando essencialmente atender as diversidades do alunado, com vistas a garantir uma educação inclusiva de qualidade.