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Tema 03

Aula sobre análise de demonstrativos financeiros e indicadores de lucratividade. Define diferença entre lucratividade e rentabilidade, apresenta fórmulas e aplicações de margem bruta, operacional e líquida com exemplo em demonstrativo (valores 2020) e introduz análise vertical e horizontal.

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AULA 3 
ANÁLISE DE DEMONSTRATIVO 
FINANCEIRO E INDICADORES 
DE DESEMPENHO 
Prof. Thiago Fernandes Antunes 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Anteriormente, determinamos os principais objetivos de uma análise de 
demonstrativos financeiros. Na sequência, discutimos três metodologias de 
aplicação de indicadores: metodologia de avaliação intrínseca, índice-padrão e 
por comparativo histórico. 
Na continuação, iniciamos o estudo do ferramental utilizado na análise de 
indicadores, a saber, os índices de liquidez, de estrutura de capital (que 
abrangem os índices de endividamento e imobilização do capital) e de 
rentabilidade. Ao final, trouxemos um exemplo prático de aplicação das 
metodologias abordadas e dos índices, com análise posterior. 
Nesta aula, vamos abordar um quarto indicador passível de aplicação: o de 
lucratividade. Também conceituaremos as técnicas de análise vertical e 
horizontal, observando algumas de suas nuances e formas de interpretação. 
Ao final desta aula, você será capaz de conceituar, aplicar e interpretar 
os indicadores de lucratividade das instituições, além de conceituar, aplicar e 
interpretar os processos de análise vertical e horizontal. 
TEMA 1 – INDICADORES DE LUCRATIVIDADE 
Em conteúdo anterior, utilizamos um tripé de análise de indicadores: 
índices de liquidez, estrutura de capital e rentabilidade. Esses indicadores são 
extremamente importantes nesse processo analítico. 
Na sequência, vamos abordar um quarto grupo de indicadores, de 
lucratividade. Para isso, retomaremos o demonstrativo do resultado da empresa 
LAL S.A. 
DEMONSTRATIVO DO RESULTADO EMPRESA VaX S.A. - 2020 
 
 Descrição 2020 (em milhões de R$) 
 Receita de Venda de Bens e/ou Serviços 29177 
 Resultado Bruto 7519 
 Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos (LAJIR ou 
EBIT) 824 
 Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro (LAIR) 414 
 Resultado Líquido das Operações Continuadas 392 
 
 
 
3 
1.1 A diferença de lucratividade para rentabilidade 
Já constatamos que o processo de gestão financeira de uma empresa é 
fundamental para a sua manutenção e crescimento. Para contribuir ainda mais 
com esse processo, é importante compreender a diferença entre lucratividade e 
rentabilidade. 
Segundo Galhardo (2012), o conceito de lucratividade está atrelado a 
dados percentuais de lucro inferidos em razão das vendas (faturamento) das 
instituições em um determinado exercício. 
A título de exemplo, vamos supor que a empresa ABC vendeu 10 milhões 
no decorrer de um exercício, com um lucro de 1 milhão. Logo, a lucratividade foi 
de 10%. 
Se a empresa DEF também teve lucro de 1 milhão, mas um faturamento 
de 5 milhões, essa instituição é mais lucrativa que a anterior, pois obteve o 
mesmo valor absoluto de lucro com uma quantidade de vendas muito menor. 
Já a definição de rentabilidade está intimamente ligada à “capacidade de 
produzir lucro de todo o capital investido nos negócios (próprios e de terceiros)” 
(Reis, 2009, p. 288). Em outras palavras, ela está atrelada ao investimento 
realizado, e não ao montante de vendas. 
1.2 Margem bruta 
A margem bruta determina o quanto a empresa obteve de lucro bruto em 
razão da receita total, ou seja, a cada R$ 1,00 de venda, o quanto ela teve de 
lucro bruto. 
Fórmula: 
MARGEM BRUTA = 
 LUCRO (RESULTADO) BRUTO 
RECEITA TOTAL 
Aplicação: 
MARGEM BRUTA = 7519 = 0,26 
29177 
Nesse caso, para cada R$ 1,00 de vendas da LAL S.A., há um lucro bruto 
na ordem de R$ 0,26. Em outras palavras, a margem bruta é de 26%. 
 
 
 
4 
1.3 Margem operacional 
A margem operacional indica o quanto a empresa obteve de lucro 
operacional (lucro advindo exclusivamente da operação da empresa, 
anteriormente à subtração de despesas financeiras e imposto de renda) em 
relação à receita total. Em outras palavras, a cada R$ 1,00 de venda, o quanto ela 
teve de lucro com a operação. 
Fórmula: 
MARGEM 
OPERACIONAL = 
LAJIR (LUCRO OPERACIONAL) 
RECEITA TOTAL 
Aplicação: 
MARGEM 
OPERACIONAL = 
824 = 0,03 29177 
Em nosso exemplo, para cada R$ 1,00 de vendas da LAL S.A., chegamos 
a um lucro operacional de R$ 0,03. Em outros termos, a margem operacional é de 
3%. 
1.4 Margem líquida 
Por fim, a margem líquida indica o quanto a empresa lucrou com uma 
receita total de R$ 1,00, ou seja, a cada R$ 1,00 de vendas, o quanto ela teve de 
lucro líquido. 
Fórmula: 
MARGEM LÍQUIDA = LUCRO LÍQUIDO 
RECEITA TOTAL 
Aplicação: 
MARGEM LÍQUIDA = 392 = 0,01 
29177 
Nesse caso, para cada R$ 1,00 de venda da LAL S.A., ela lucra R$ 0,01. 
Saiba mais 
No ano de 1912, Donaldson Brown, funcionário de uma empresa química 
chamada Du Pont, desenvolveu uma metodologia de análise de demonstrativos 
para a sua empresa. Com a base teórica que construímos até o momento, essa 
ferramenta é aplicável e pode ser útil. Saiba mais no link: 
 
 
5 
ANÁLISE DUPONT. Mais retorno, 2021. Disponível em: 
<https://maisretorno.com/portal/termos/a/analise-du-pont>. Acesso em: 2 dez. 
2021. 
TEMA 2 – TÉCNICA DE ANÁLISE VERTICAL 
Os indicadores discutidos até o momento representam um ferramental de 
extrema relevância para o processo de análise. Considerando a sua conceituação 
e classificação, podemos determinar que ele nos remete a uma concepção 
abrangente. 
Por exemplo, quando abordamos os índices de liquidez, extraímos 
informações relacionadas à capacidade da empresa de arcar com seus 
compromissos de forma geral, em uma dinâmica de curto ou longo prazo. Já os 
indicadores de rentabilidade fornecem dados quanto ao retorno obtido em relação 
aos investimentos realizados, e assim sucessivamente. Tais fatores são 
analisados de forma específica. 
Por outro lado, as técnicas de análise vertical e horizontal são aplicadas em 
todos os dados, como disposto nos demonstrativos financeiros. Essa análise 
macro nos permite identificar pontos de limitação específicos, para assim abordá-
los de forma detalhada. 
Tendo isso em vista, na sequência vamos debater a análise vertical e suas 
nuances. 
2.1 Análise vertical 
A técnica de análise vertical pode ser definida como uma comparação, pela 
ótica percentual, empregada em um grupo de contas, ou de forma individualizada 
com um referencial, com elementos dispostos um mesmo demonstrativo (Assaf, 
2010). 
ANÁLISE VERTICAL (BP) = 
COMPONENTE ANALISADO DO BP 
ATIVO OU PASSIVO TOTAL 
Ou ainda: 
ANÁLISE VERTICAL (DRE) = 
COMPONENTE ANALISADO DO DRE 
RECEITA DE VENDAS 
Matarazzo (2010, p. 170) complementa que “o percentual de cada conta 
mostra sua real importância no conjunto.” Dessa maneira, a análise vertical nos 
 
 
6 
oferece subsídios sobre a relevância de um determinado ponto em relação ao 
todo, podendo ser aplicada em diversas situações cotidianas. 
Saiba mais 
Para entender mais sobre análise vertical e sua aplicação no dia a dia, acesse o 
link: 
GARCIA, A. 72% dos gastos familiares vão para alimentação, habitação e 
transporte. R7, 4 out. 2021. Disponível em: <https://noticias.r7.com/economia/72-
dos-gastos-familiares-vao-para-alimentacao-habitacao-e-transporte-04102019>. 
Acesso em: 2 dez. 2021. 
Buscando ilustrar a aplicabilidade dessa técnica, vamos supor que Amelie, 
28 anos, médica e empresária, seja cliente do banco Business S.A. Como nos 
últimos anos conseguiu estabelecer a sua atuação como médica e 
empreendedora em uma mesma cidade, ela pensa em adquirir um imóvel e sair 
do aluguel. 
O imóvel pretendido custa na faixa de R$ 1.000.000,00, e Amelie tem 
guardado o montante de R$ 200.000,00. Esses valores atendem às primeiras 
regras do banco Business S.A., pois seu limite de financiamento é de até 80% 
para pagamento em até 30 anos. Para dar sequência à análise, a instituição 
financeira solicitou os dados de sua renda, conforme segue: 
 
 NOVEMBRO 
 Salário Prefeitura R$ 5.000,00 
 Renda clínica (empresa) R$ 14.000,00 
 Vale Alimentação R$ 450,00 
 R$ 19.450,00 
Após efetuarsimulações com o seu gerente, a parcela do financiamento 
encontrada é de aproximadamente R$ 6.200,00 mensais. Em linhas gerais, o 
banco determina que Amelie pode assumir até 30% de sua renda mensal na 
parcela do financiamento, ou seja, como o seu salário é de R$ 19.450,00 por mês, 
temos algo em torno de R$ 5.835,00, o que viabiliza a contratação. 
No entanto, Amelie também tem gastos no dia a dia, como despesas para 
manutenção da sua atual moradia, carro, alimentação, saúde, entretenimento 
dentre outros. No mês de novembro, ela teve os seguintes gastos: 
 
 
 
 
7 
 NOVEMBRO 
 Habitação R$ 4.100,00 
 Transporte R$ 1.000,00 
 Alimentação R$ 1.500,00 
 Compras R$ 1.000,00 
 Cuidados pessoais R$ 2.000,00 
 Educação R$ 1.300,00 
 Saúde R$ 1.000,00 
 Entretenimento R$ 2.000,00 
 Despesas financeiras R$ 3.900,00 
 TOTAL DE GASTOS R$ 17.800,00 
Nessa tabela, notamos os gastos com internet, água, luz, gás, condomínio, 
eventuais reparos etc. (habitação); gasolina, revisão, pedágio (transporte); gastos 
com juros, tarifas de contas corrente, financiamento de veículo (despesas 
financeiras); e assim sucessivamente. 
Quando subtraímos a renda (R$ 19.450,00) de todos os custos mensais 
(R$ 17.800,00), encontramos uma sobra de R$ 1.650,00, um valor ainda abaixo 
da prestação pretendida pelo financiamento imobiliário. 
Desse modo, Amelie necessita dispor de uma visão mais ampla de seus 
gastos para tentar identificar possíveis pontos de redução e/ou corte. Uma 
ferramenta interessante que pode ser utilizada nessa ocasião corriqueira é a 
técnica de análise vertical. 
 
21%
5%
8%
5%
10%7%
5%
10%
20%
9%
Gastos vs Renda
Habitação Transporte Alimentação
Compras Cuidados pessoais Educação
Saúde Entretenimento Despesas financeiras
Sobra
 
 
8 
O gráfico de “pizza” é um excelente exemplo ilustrativo da aplicação da 
técnica de análise vertical. Na situação da dra. Amelie, temos um ponto de 
referência (a renda), com percentuais que indicam qual proporção desses 
recursos foi direcionada aos respectivos fins. 
 NOVEMBRO AV 
 Habitação R$ 4.100,00 21% 
 Transporte R$ 1.000,00 5% 
 Alimentação R$ 1.500,00 8% 
 Compras R$ 1.000,00 5% 
 Cuidados pessoais R$ 2.000,00 10% 
 Educação R$ 1.300,00 7% 
 Saúde R$ 1.000,00 5% 
 Entretenimento R$ 2.000,00 10% 
 Despesas financeiras R$ 3.900,00 20% 
 Sobra R$ 1.650,00 9% 
 RENDA R$ 19.450,00 100% 
Observarmos 21% da renda destinada a habitação, 20% de despesas 
financeiras, e 10% de cuidados pessoais e entretenimento. Com esse 
levantamento e interpretação dos dados, devemos considerar tais pontos como 
de especial atenção. 
A diminuição de gastos com entretenimento (como uma eventual viagem, 
idas a shows, baladas, barzinhos), a venda de um veículo financiado para 
liquidação da dívida e posterior compra de outro de menor valor, com consequente 
redução de gastos com despesas financeiras, são medidas que podem viabilizar 
o financiamento imobiliário, sendo as mais facilmente notadas após a aplicação 
da referida técnica de análise. 
2.2 Análise vertical e demonstrativos financeiros 
Da perspectiva do balanço patrimonial, habitualmente aplicamos a análise 
vertical em relação aos totais de ativo ou passivo. A título de exemplo, vamos 
imaginar que as empresas A e B detenham 1 bilhão cada em contas a receber 
no ativo circulante. 
O que isso quer dizer? Se a empresa A tem um ativo de 20 bilhões e a 
empresa B de 5 bilhões, a análise vertical nos permite apontar que 5% do ativo 
total da empresa A refere-se a recursos que vão entrar no decorrer do próximo 
exercício. No entanto, para a empresa B, o montante representa 20%. Em outras 
 
 
9 
palavras, a empresa B financia 4x mais a compra de seus clientes, ainda que 
tenha a mesma quantia no contas a receber. 
Já da perspectiva dos demonstrativos do resultado do exercício, 
geralmente aplicamos a análise vertical em relação à receita bruta de vendas. Por 
exemplo, as companhias C e D tiveram 1 bilhão de custos de mercadoria 
vendida. Entretanto, a empresa C deteve 2 bilhões de receita bruta de vendas, 
enquanto a empresa D apenas 1,2 bilhões. 
Nesse caso, a análise vertical nos permite determinar que a empresa C tem 
um custo de 50%, ao mesmo tempo que a empresa D tem um custo de 
aproximadamente 84%, sempre considerando as receitas totais. 
2.3 Fatores que interferem na análise vertical 
Eventualmente, a aplicação da técnica de análise vertical chega a um 
resultado que não representa a realidade, o que prejudica uma contemplação 
precisa e um entendimento adequado. 
Vamos imaginar que a empresa de calçados Confortável S.A. venha 
mantendo valores entre 5% e 7% de caixa em relação ao ativo total. No entanto, 
em um dado momento, esse indicador atinge 15%. Uma investigação nos leva a 
notar que esse incremento se deve à venda de equipamentos, e que seus 
recursos foram todos destinados ao caixa. 
Esse é um exemplo de fator que interfere diretamente na análise vertical. 
Eventualmente, quando ocorrem essas ou outras situações1, a aplicação da 
técnica de análise horizontal ou de indicadores será possivelmente capaz de 
identificar e esclarecer a sua origem. Todavia, é fundamental entender que isso 
pode acontecer. 
TEMA 3 – TÉCNICA DE ANÁLISE HORIZONTAL 
No tema anterior, abordamos a ferramenta de análise vertical, 
conceituando-a, exemplificando-a, aplicando-a nos demonstrativos e reportando 
a possibilidade de alguns fatores de interferência. 
Neste tema, vamos detalhar a abordagem pela ótica da análise horizontal. 
 
1 Por exemplo: reorganização do passivo, integralizações de capital em valores expressivos, 
ajustes referentes a exercícios de outros períodos etc. 
 
 
10 
3.1 Análise horizontal 
Segundo Assaf (2010, p. 105), o conceito de “comparação que se faz entre 
os valores de uma mesma conta ou grupo de contas, em diferentes exercícios 
temporais”, define a análise horizontal. O autor complementa que se trata de um 
processo de análise temporal, que pode ser determinada pela seguinte fórmula: 
ANÁLISE 
HORIZONTAL (BP) = 
CONTA DO BP ANO a 
CONTA DO BP ANO b 
Ou ainda: 
ANÁLISE 
HORIZONTAL (DRE) = 
CONTA DO DRE ANO a 
CONTA DO DRE ANO b 
Temos “conta do ano a” como a conta do ano a ser analisado e “conta do 
ano b” como conta do ano base. 
Matarazzo (2010) complementa que a análise horizontal demonstra rotas 
percorridas pela instituição e propensões a serem seguidas. 
A abordagem da análise horizontal pode ser facilmente encontrada em 
notícias atreladas ao mercado financeiro, principalmente em análises de 
resultados. A comparação de períodos é constante. O lucro da empresa X cresceu 
Y%; a companhia W teve seus custos financeiros aumentados em mais de Z% em 
relação ao último exercício; e assim por diante. 
Saiba mais 
Para entender mais sobre análise horizontal e sua aplicação de mercado, 
acesse o link: 
LUCRO DE EMPRESAS listadas na Bolsa tem alta de 125% no trimestre. 
Investing, 17 nov. 2021. Disponível em: <https://br.investing.com/news/stock-
market-news/lucro-de-empresas-listadas-na-bolsa-tem-alta-de-125-no-trimestre-
943219>. Acesso em: 2 dez. 2021. 
3.2 Bases de comparação 
A aplicação da análise horizontal pode ocorrer de duas formas: através de 
cálculos efetuados em relação a um período base (análise horizontal 
encadeada); e através de cálculos efetuados em relação ao período anterior 
(análise horizontal anual) (Matarazzo, 2010). 
 
 
11 
Vamos retomar o exemplo da cervejaria dos Brothers S.A. e recuperar os 
dados de caixas e equivalentes de caixa: 
 20x0 20x1 20x2 20x3 
 
Caixa e Equivalentes de 
Caixa R$ 50.000,00 R$ 30.000,00 R$ 40.000,00 R$ 50.000,00 
 Na abordagem da análise horizontal encadeada, temos:20x0 20x1 20x2 20x3 
 
Caixa e Equivalentes de 
Caixa 100% 60% 80% 100% 
A análise horizontal da ótica encadeada nada mais é do que o 
estabelecimento do ano base (no caso 20x0) como referência de cálculo para os 
outros anos. 
Em outros termos, no ano 20x1, a quantidade em caixa e equivalentes de 
caixa da cervejaria era de 40% em relação ao ano base (20x0); no ano 20x2, era 
de 80%; no ano 20x3, voltou a ter o mesmo valor do ano inicial (base), ou seja, 
um resultado de 100%. 
A partir de outra perspectiva, temos a seguinte análise horizontal anual: 
 20x0 20x1 20x2 20x3 
 
Caixa e Equivalentes de 
Caixa 100% 60% 133% 125% 
Nessa abordagem, o período de referência utilizado é sempre o ano 
anterior. Logo, o ano 20x1, em comparação a 20x0, representa 60% do caixa; 
20x2, em relação a 20x1, 133%; por fim, 20x3, em relação a 20x2, o valor de 
125%. 
É importante notar ainda que, em termos percentuais, no primeiro ano 
temos uma queda de 40%, seguida de um aumento de 73% e de uma nova queda 
de 8%. Ao efetuar a soma dos resultados, chegamos a um incremento aparente 
de 25% (-40+73-8=25). No entanto, em termos absolutos, temos o mesmo valor 
em caixa nos anos 20x0 e 20x3 (R$ 50.000,00). 
Isso ocorre porque o cálculo efetuado no ano de 20x1 decorre de uma base 
mais elevada em comparação aos outros anos, o que dá uma falsa impressão de 
recuperação e incremento da rubrica de caixa e equivalentes de caixa no período 
analisado. Por isso, ao utilizar a técnica de análise horizontal na metodologia 
anual, devemos ser cautelosos. 
 
 
 
12 
3.3 Base negativa 
Em algumas situações, é fundamental tomar certos cuidados, como quando 
nos deparamos com dados negativos. Imagine que uma companhia tenha dado 
lucros e prejuízos, conforme a tabela a seguir: 
 
 20x0 20x1 20x2 20x3 
 Resultado Líquido R$ 50.000,00 -R$ 10.000,00 -R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 
Nesse caso, quando aplicamos a análise horizontal, encontramos os 
seguintes resultados: 
 
 20x0 20x1 20x2 20x3 
 Resultado Líquido R$ 50.000,00 -R$ 10.000,00 -R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 
 AH (apuração anual) -20% 150% -33% 
Repare que os resultados referentes aos anos 20x2 e 20x3 não 
representam a realidade. O aumento de prejuízo de R$ 10.000,00 para R$ 
15.000,00 não pode ser traduzido em um incremento de 150%, como também um 
prejuízo de R$ 15.000,00 para um lucro de R$ 5.000,00 no ano seguinte 
representado por - 33%. 
A inversão de índices ocorre em razão da regra matemática de sinais. Por 
exemplo, se dividimos dois números negativos, obtemos um resultado positivo; no 
entanto, no indicador de análise horizontal de 20x2, houve uma queda para 150%, 
e não um incremento. 
Quando identificados os dados, é simples resolver as distorções – basta 
inverter os sinais dos resultados, conforme segue: 
 
 20x0 20x1 20x2 20x3 
 Resultado Líquido R$ 50.000,00 -R$ 10.000,00 -R$ 15.000,00 R$ 5.000,00 
 AH (apuração anual) -20% -150% +33% 
TEMA 4 – IMPORTÂNCIA DA INFLAÇÃO NAS ANÁLISES VERTICAL E 
HORIZONTAL 
Ao utilizar mais de um exercício no processo de análise dos demonstrativos 
financeiros, devemos considerar o fator da inflação no processo. Essa aplicação 
busca evitar a interpretação de dados de forma equivocada. 
Assim, neste tema, vamos conceituar a inflação, abordando seus efeitos no 
processo de análises vertical e horizontal, ambas aplicadas aos demonstrativos. 
 
 
13 
4.1 Inflação 
A inflação é o aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada 
pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação. 
Imaginemos que João tem um salário de R$ 2.000,00 e que deseja comprar 
uma televisão de 55 polegadas para assistir jogos de futebol. Após efetuar uma 
série de pesquisas, encontrou o modelo que quer na loja Eletros S.A., pelo valor 
de R$ 2.500,00. 
Como achou a TV muito cara, João resolveu esperar para poder juntar mais 
dinheiro e comprá-la. Depois de um ano, ao retornar na loja que havia encontrado 
a TV, o valor já não era mais o mesmo, e sim R$ 2.750,00. Por outro lado, o salário 
de João não havia sido reajustado nesse último ano, de modo que ainda estava 
na casa dos R$ 2.000,00. 
O reajuste de preço da TV é chamado de inflação. Já a diminuição da 
capacidade de compra do mesmo bem, em dois momentos distintos, com o 
mesmo salário, é conhecida como diminuição da capacidade de compra. 
Em outras palavras, no ano anterior, João conseguiria comprar “80% de 
uma TV” (2000/2500); no entanto, atualmente, a sua capacidade de compra é de 
“72% da mesma TV” (2000/2750), ou seja, a inflação de 10% sobre o bem, 
somada ao não reajuste de salário de João, ocasionou uma diminuição de seu 
poder de compra na casa dos 8%. 
Dentre os diversos índices presentes no Brasil, o IPCA é o utilizado para a 
mensuração e o controle da inflação pelo Banco Central do Brasil. Assim, é o 
índice que utilizaremos em nossas análises. Esse controle inflacionário existe em 
razão da política macroeconômica adotada pelo estado, intitulada “metas de 
inflação”. 
Saiba mais 
Para entender mais sobre o conceito de inflação e sua política de metas, 
acesse os links a seguir: 
BCB – Banco Central do Brasil. Metas para a inflação. Disponível em: 
<https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/metainflacao>. Acesso em: 2 dez. 2021. 
_____. O que é inflação. Disponível em: 
<https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao>. Acesso em: 2 dez. 2021. 
 
 
14 
4.2 Análises vertical e horizontal e o efeito da inflação 
Depois de abordar o tema da inflação, é relevante aplicar esse conceito em 
nossas análises, para garantir um resultado mais assertivo. Assaf (2010) define 
que é indispensável aplicar a correção pela inflação quando efetuamos análises 
comparativas entre diferentes períodos. 
Por exemplo, uma elevação de 5% no custo de mercadoria vendida (CMV) 
de um período para outro não necessariamente representa uma má gestão dos 
recursos da empresa, pois a inflação no período pode ter sido até superior a esse 
aumento. 
Dessa maneira, ao aplicar essas técnicas de análise, devemos considerar 
o efeito inflacionário em nossa interpretação. 
TEMA 5 – APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS DE ANÁLISE 
Neste último tema, vamos aplicar as técnicas de análise vertical e horizontal 
nos demonstrativos da empresa VaX S.A., interpretando os seus resultados. 
Vamos considerar inflação (IPCA) no exercício de 2020 de 4,52% (IBGE, 2021). 
5.1 Análise Demonstrativo do Resultado 2020 - 2019 
DEMONSTRATIVO DO RESULTADO EMPRESA VaX - 2020 e 2019 
 Descrição 
2020 
(em 
milhões 
de R$) 
AV AH 
2019 
(em 
milhões 
de R$) 
AV AH 
 Receita de Venda de Bens 
e/ou Serviços 29177 100% 146,72% 19886 100% 100% 
 Custo dos Bens e/ou Serviços 
Vendidos -21658 74,23% 151,11% -14333 72,08% 100% 
 Resultado Bruto 7519 25,77% 135,40% 5553 27,92% 100% 
 Despesas/Receitas 
Operacionais -6695 22,95% 156,98% -4265 21,45% 100% 
 (LAJIR ou EBIT) 824 2,82% 63,98% 1288 6,48% 100% 
 Resultado Financeiro -410 1,41% 585,71% -70 0,35% 100% 
 Resultado Antes dos Tributos 
sobre o Lucro (LAIR) 414 1,42% 33,99% 1218 6,12% 100% 
 Imposto de Renda e 
Contribuição Social sobre o 
Lucro 
-22 0,08% 7,41% -297 1,49% 100% 
 Resultado Líquido das 
Operações Continuadas 392 1,34% 42,52% 922 4,64% 100% 
Na análise vertical, inferimos uma elevação considerável da participação 
de custos e despesas. Mesmo que desconsideremos a inflação de 4,52%, ainda 
 
 
15 
notamos uma elevação significativa em seus gastos com os bens e serviços 
vendidos (aumento de 72,08% para 74,23%, que subtraído o efeito inflacionário 
ainda resulta um acréscimo de 20,5%) e das despesas operacionais (incremento 
de 1,5%). 
No entanto, nota-se uma elevação do resultado bruto, o que sinaliza um 
possível aumento das vendas. Já a contribuição do LAJIR caiu mais da metade 
(de 6,48% para 2,82%), o que pode ser explicado pela elevaçãodas despesas 
operacionais e do custo dos bens e serviços. 
Por fim, um resultado financeiro quase 4x maior (que pode ser 
fundamentado por um aumento do capital de terceiros), também contribuiu para 
uma queda de quase 3x no resultado líquido. 
Em resumo, a elevação em todos os indicadores de custos e despesas 
resultaram em um impacto notável no resultado líquido da empresa. 
A partir da ótica da análise horizontal, três fatores chamam a nossa 
atenção. Mesmo com uma análise concomitante da inflação, a sua representação 
continua expressiva. 
Primeiramente, um aumento de 1,5 vezes no CMV; depois, uma elevação 
de aproximadamente 5,85 vezes das despesas financeiras; por fim, um resultado 
líquido 0,42 vezes o anterior. Em outras palavras, uma retração de quase 2,5 
vezes. 
5.2 Análise Balanço Patrimonial 2020 - 2019 
BALANÇO PATRIMONIAL – ATIVO - VaX S.A. - 2020 e 2019 
 Descrição 31/12/2020 AV AH 31/12/2019 AV AH 
 Ativo Total 24647 100,00% 
124,54
% 19791 
100,00
% 
100
% 
 Ativo Circulante 16799 68,16% 130,81% 12842 64,89% 
100
% 
 Caixa e Equivalentes 
de Caixa 1681 6,82% 
551,15
% 305 1,54% 
100
% 
 Aplicações 
Financeiras 1222 4,96% 27,47% 4449 22,48% 
100
% 
 Contas a Receber 4762 19,32% 163,31% 2916 14,73% 
100
% 
 Estoques 5927 24,05% 155,89% 3802 19,21% 
100
% 
 Tributos a Recuperar 717 2,91% 82,99% 864 4,37% 100% 
 Outros Ativos 
Circulantes 2490 10,10% 
492,09
% 506 2,56% 
100
% 
 Ativo Não 
Circulante 7848 31,84% 
112,94
% 6949 35,11% 
100
% 
 
 
16 
 Ativo Realizável a 
Longo Prazo 1851 7,51% 
105,89
% 1748 8,83% 
100
% 
 Investimentos 387 1,57% 126,89% 305 1,54% 
100
% 
 Imobilizado 3723 15,11% 111,13% 3350 16,93% 
100
% 
 Intangível 1887 7,66% 122,14% 1545 7,81% 
100
% 
BALANÇO PATRIMONIAL Vax - 2020 e 2019 
 Descrição 31/12/2020 AV AH 
 31/12/2019
 AV AH 
 Passivo Total 24647 100% 124,54% 19791 100% 100% 
 Passivo Circulante 13416 54,43% 167,64% 8003 40,44% 100% 
 Obrigações Sociais e 
Trabalhistas 360 1,46% 101,41% 355 1,79% 100% 
 Fornecedores 8501 34,49% 143,24% 5935 29,99% 100% 
 Obrigações Fiscais 401 1,63% 113,92% 352 1,78% 100% 
 Empréstimos e 
Financiamentos 1667 6,76% 18522,22% 9 0,05% 100% 
 Outras Obrigações 2487 10,09% 183,95% 1352 6,83% 100% 
 
 Passivo Não 
Circulante 3906 15,85% 92,49% 4223 21,34% 100% 
 Empréstimos e 
Financiamentos 20 0,08% 2,39% 838 4,23% 100% 
 Outras Obrigações 2180 8,84% 111,68% 1952 9,86% 100% 
 Tributos Diferidos 25 0,10% 64,10% 39 0,20% 100% 
 Provisões 1380 5,60% 132,95% 1038 5,24% 100% 
 Lucros e Receitas a 
Apropriar 301 1,22% 84,55% 356 1,80% 100% 
 
 Patrimônio Líquido 
Consolidado 7325 29,72% 96,83% 7565 38,22% 100% 
 Capital Social 
Realizado 5952 24,15% 99,98% 5953 30,08% 100% 
 Reservas de Capital -213 -0,86% -107,58% 198 1,00% 100% 
 Reservas de Lucros 1575 6,39% 111,62% 1411 7,13% 100% 
 Outros Resultados 
Abrangentes 11 0,04% 366,67% 3 0,02% 100% 
Analisando verticalmente o balanço patrimonial da empresa VaX S.A. em 
ambos os anos, podemos elencar os seguintes pontos: 
• Uma diminuição de representatividade de quase 5 vezes da conta de 
aplicações financeiras (ou seja, resgate desses capitais), que pode ser 
explicado pelos aumentos de caixas e equivalentes de caixa (de 1,54% 
para 6,82%), estoques (de 19,21% para 24,05%) e contas a receber 
(concessão de prazo para os clientes de 14,73% para 19,32%). 
• No ativo não circulante não notamos mudanças substanciais, no entanto, 
da ótica do passivo, percebemos um aumento da representatividade de 
 
 
17 
contas com fornecedores (pagamento a prazo) e empréstimos e 
financiamentos (levantamento de recursos de terceiros) de curto prazo. 
• Por fim, uma queda considerável na conta de empréstimos e 
financiamentos de longo prazo nos leva a crer que a empresa aumentou 
seu endividamento de curto prazo e quase zerou o de longo. 
Do ponto de vista da análise horizontal, a elevação de aproximadamente 
5,5 vezes do contas a receber nos chama atenção. Podemos concluir que esse 
aumento vultoso da concessão de prazo para pagamento dos clientes pode ser 
explicado por uma boa negociação de condição de pagamento com fornecedores 
(elevação de 1,43 vezes dessa conta no passivo circulante) e concessão de linhas 
de crédito para antecipação de recebíveis atrativos (aumento de mais de 18 vezes 
da rubrica de empréstimos e financiamentos no passivo circulante). 
A maior concessão de prazo resulta em aumento da provisão, na casa de 
1,32 vezes. Isso ocorre porque a empresa se torna mais suscetível a calote por 
parte dos clientes. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ASSAF, A. N. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-
financeiro. São Paulo: Atlas, 2012. 
GALHARDO, M. Como calcular a Lucratividade? Exame, 7 maio 2012. Disponível 
em: <https://exame.com/pme/como-calcular-a-lucratividade/>. Acesso em: 2 dez. 
2021. 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IPCA – Índice Nacional de 
Preços ao Consumidor Amplo. Disponível em: 
<https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-
nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=series-historicas>. Acesso 
em: 2 dez. 2021. 
MATARAZZO, D. C. Análise financeira de balanços: abordagem gerencial. 7. 
ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
REIS, A. C. de R. Demonstrações contábeis: estrutura e análise. 3. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2009.

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