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<p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>Carolina Aparecida Lenzi Radel</p><p>SUMÁRIO</p><p>Esta é uma obra coletiva organizada por iniciativa e direção do CENTRO SU-</p><p>PERIOR DE TECNOLOGIA TECBRASIL LTDA – Faculdades Ftec que, na for-</p><p>ma do art. 5º, VIII, h, da Lei nº 9.610/98, a publica sob sua marca e detém os</p><p>direitos de exploração comercial e todos os demais previstos em contrato. É</p><p>proibida a reprodução parcial ou integral sem autorização expressa e escrita.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFTEC</p><p>Rua Gustavo Ramos Sehbe n.º 107. Caxias do Sul/ RS</p><p>REITOR</p><p>Claudino José Meneguzzi Júnior</p><p>PRÓ-REITORA ACADÊMICA</p><p>Débora Frizzo</p><p>PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO</p><p>Altair Ruzzarin</p><p>DIRETOR DE ENSINO A DISTÂNCIA (EAD)</p><p>Rafael Giovanella</p><p>Desenvolvido pela equipe de Criações para o Ensino a Distância (CREAD)</p><p>Coordenadora e Designer Instrucional</p><p>Sabrina Maciel</p><p>Diagramação, Ilustração e Alteração de Imagem</p><p>Igor Zattera, Julia Oliveira, Thaís Munhoz</p><p>Revisora</p><p>Camila Portela</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO: ANÁLISE VERTICAL E ANÁLISE HORIZONTAL 5</p><p>RELEMBRANDO AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 8</p><p>ANÁLISE VERTICAL 13</p><p>ANÁLISE HORIZONTAL 16</p><p>RELAÇÃO ENTRE ANÁLISE VERTICAL E ANÁLISE HORIZONTAL 19</p><p>SÍNTESE 22</p><p>TÉCNICAS DAS ANÁLISES ATRAVÉS DOS CÁLCULOS DE ÍNDICES 27</p><p>ÍNDICES DE LIQUIDEZ 28</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO E ESTRUTURA DE CAPITAL 32</p><p>ÍNDICES DE RENTABILIDADE 36</p><p>QUADRANTE COMPARATIVO 38</p><p>SÍNTESE 39</p><p>MÉTODO DUPONT, TERMÔMETRO DE INSOLVÊNCIA E CICLOS FINANCEIROS 42</p><p>ANÁLISE DE RENTABILIDADE PELO GIRO E MARGEM 43</p><p>CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO 48</p><p>ARTIGO – O MODELO DE FLEURIET 55</p><p>SÍNTESE 58</p><p>ANÁLISE DAS ESTRUTURAS DAS DEMAIS PEÇAS CONTÁBEIS 62</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) 63</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL) 70</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DO VALOR AGREGADO OU ADICIONADO E DAS</p><p>DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO ABRANGENTE 74</p><p>RELATÓRIOS DE ANÁLISE 77</p><p>SÍNTESE 78</p><p>3ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá, alunas e alunos, sejam todos bem-vindos!</p><p>Neste material, trabalharemos com a disciplina de Estrutura e Análise das De-</p><p>monstrações Contábeis. Lembrando que Demonstrações Contábeis, também conhe-</p><p>cidas como Demonstrações Financeiras, são levantadas por toda e qualquer empresa,</p><p>independentemente do seu porte e atividade, refletindo as informações a respeito de</p><p>sua posição econômica e financeira no período findo na data a ser determinada.</p><p>Segundo Iudícibus e Marion (2011) relatam que, frequentemente, estamos to-</p><p>mando decisões: a hora que levantaremos, que roupa vestiremos, qual programa ire-</p><p>mos assistir etc. Algumas vezes, são decisões importantíssimas: o casamento, a es-</p><p>colha da profissão, a aquisição de um imóvel, entre tantas outras decisões. É certo</p><p>que estas decisões mais importantes requerem uma atenção maior, uma análise mais</p><p>profunda sobre os dados disponíveis, sobre os critérios racionais, pois uma decisão</p><p>importante, mal tomada, pode prejudicar toda uma vida.</p><p>Dentro de uma empresa, a situação não é diferente. Diariamente, decisões são</p><p>tomadas nas empresas e quase todas importantes, vitais para o sucesso do negócio.</p><p>Por isso, há necessidade de dados, de informações corretas, subsídios que contribu-</p><p>am para uma tomada de decisão assertiva. São muitas as decisões possíveis de serem</p><p>tomadas: contrair uma dívida, comprar ou alugar uma máquina, o preço de um pro-</p><p>duto, reduzir custos, produzir mais, entre outras.</p><p>Através deste conteúdo será possível você identificar a estrutura patrimonial das organizações</p><p>através dos demonstrativos contábeis, conhecer e utilizar os indicadores econômicos e financeiros</p><p>para fins de análise das organizações e avaliar os indicadores traduzindo-os de forma analítica.</p><p>Nesta disciplina, será possível conquistar habilidades como: montar demonstrações contá-</p><p>beis simplificadas para fins de análise; localizar informações econômicas e financeiras relevan-</p><p>tes nas demonstrações contábeis; efetuar o cálculo referente à relação percentual dos demons-</p><p>trativos contábeis e financeiros para fins de análise vertical e horizontal; calcular os indicadores</p><p>econômicos e financeiros; analisar a empresa sob os aspetos econômicos e financeiros através de</p><p>uma análise descritiva dos indicadores e das análises vertical e horizontal e avaliar financeira e</p><p>economicamente os impactos sócio-ambientais nos resultados das organizações.</p><p>Para iniciar a análise de demonstrações contábeis, é preciso “saber ler” os números. Não</p><p>é uma prática fácil, pois há muitas coisas que estão somente nas entrelinhar e é preciso captar</p><p>entender o que está lá, captar o que não foi dito. Ter o conhecimento mínimo sobre a empresa, o</p><p>negócio e contabilidade, são fundamentais.</p><p>Uma boa análise visa relatar, com base na leitura das informações contábeis fornecidas pelas</p><p>empresas, a posição econômico-financeira atual, as causas que determinaram a evolução apre-</p><p>sentada e as tendências futuras. Em outras palavras, pela análise das demonstrações contábeis, é</p><p>possível extrair informações sobre a posição passada, presente e futura de uma empresa e ainda,</p><p>é possível comparar esta empresa ou outras do mesmo ramo de atividade.</p><p>4ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Este material foi desenvolvido com o principal objetivo de auxiliar você, aluno, a adquirir as competên-</p><p>cias e habilidades necessárias, tornando-se um profissional diferenciado com o foco no mundo do trabalho.</p><p>Atualmente, há uma cobrança maior para que os gestores do patrimônio sejam transparentes na</p><p>prestação de contas. Para isso, quanto mais informações a companhia oferecer, melhor avaliação terá</p><p>do mercado. Com o desenvolvimento econômico da sociedade, a contabilidade se reveste de grande im-</p><p>portância. A utilização da análise dessas peças contábeis torna-se ainda mais necessária, pois são os</p><p>resultados que mostrarão os caminhos a serem seguidos por investidores.</p><p>A análise dos demonstrativos contábeis é o exame da saúde financeira, econômica e patrimonial</p><p>da sociedade. É um diagnóstico estruturado da situação do patrimônio. É uma maneira de transformar</p><p>os dados em peças contábeis em valores relativos, tornando-se possível comparar com outras empresas</p><p>ou mesmo com o mercado.</p><p>Mas dizer que a empresa teve um lucro de X é fácil. Porém, para agregar valor é muito melhor dizer</p><p>que o lucro representa 12% do PL, que é superior ao rendimento da poupança, por exemplo. A informa-</p><p>ção se torna mais útil quando falamos que a empresa tem a capacidade de pagamento 2,5, por exemplo,</p><p>cada 1 real de dívida, você tem 2,5 para pagar. Para isso, vamos estudar os indicadores da situação patri-</p><p>monial: índices de estrutura, endividamentos, capacidade do índice de liquidez a curto e longo prazos,</p><p>com ou sem estoques, rentabilidade do investimento dos sócios. Vamos falar do método Dupont e ter-</p><p>mômetro de insolvência: métodos que associam vários indicadores para um mesmo resultado, ou seja,</p><p>análises conjuntas.</p><p>E então, vamos aos estudos?</p><p>5</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO:</p><p>ANÁLISE VERTICAL</p><p>E ANÁLISE</p><p>HORIZONTAL</p><p>As demonstrações contábeis refletem o panorama da posição financeira</p><p>da empresa em um período específico?</p><p>6ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Avaliar e comparar essa “fotografia” entre períodos distintos e entre em-</p><p>presas de um mesmo setor é uma forma de interpretar os números e identificar o</p><p>rumo a ser seguido no mundo corporativo. Uma das mais utilizadas técnicas são</p><p>as análises vertical e horizontal.</p><p>A contabilidade sempre avançou e evoluiu diante das necessidades da so-</p><p>ciedade, tornando-se o principal elo de informações da empresa com o mundo</p><p>externo. Seu principal objetivo é o de informar a seus usuários toda modificação</p><p>no patrimônio das entidades.</p><p>Na sociedade moderna, vivendo em um mundo globalizado, em que os merca-</p><p>dos se confundem e entrelaçam, a contabilidade se torna mais importante ainda. Na</p><p>busca em conhecer a atividade</p><p>de recorrer</p><p>a bancos para ser financiada no curto prazo.</p><p>• Imobilização dos Capitais Permanentes (recursos não recorrentes):</p><p>Quando é apurada a relação entre o Ativo de Investimento, Imobilizado e Intangível</p><p>(classificados como Ativo Não Circulante) e o passivo permanente (considerado por Passivo</p><p>Não Circulante e Patrimônio Líquido). É a utilização dos recursos não correntes na aquisição</p><p>do Investimento, Imobilizado e Intangível. Em outras palavras:</p><p>Investimento + Imobilizado + Intangível X 100</p><p>Patrimônio Líquido</p><p>Investimento + Imobilizado + Intangível X 100</p><p>Patrimônio Líquido + Passivo não Circulante</p><p>No caso de, por exemplo, o resultado do índice for de 0,95, significa que 95% do capi-</p><p>tal de longo prazo estão alocados no Ativo Não Circulante, restando a parcela restante de 5%</p><p>para financiar o capital de giro (Ativo Circulante). Quanto menor, melhor.</p><p>Na eventualidade deste índice apresentar um resultado acima de 1,0 (> que 100%),</p><p>é interpretado que o Patrimônio Líquido e obrigações de longo prazo não são suficientes</p><p>para cobrir os investimentos do Ativo Não Circulante. Em outras palavras, conclui-se que</p><p>o Passivo Circulante está financiando parte do Ativo Não Circulante, o que revela um dese-</p><p>quilíbrio financeiro na empresa entre o prazo de financiamento e o prazo necessário para a</p><p>geração de recursos para o pagamento do financiamento.</p><p>Até o momento, foi relacionado e apresentado dois pontos fundamentais do tripé da</p><p>análise: Liquidez (situação financeira) e Endividamento (estrutura de capital). O “terceiro</p><p>pé” se trata da Situação Econômica (Rentabilidade):</p><p>36ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Marion (2012) menciona que este tripé na empresa representa o equilíbrio</p><p>ideal. Pense no sustento de uma filmadora (câmera fotográfica), ou nos três po-</p><p>deres (Executivo, Legislativo e Judiciário), ou nas forças armadas (exército – ter-</p><p>ra, aeronáutica – ar e marinha – mar). O número três nos remete a equidade.</p><p>Os índices de Liquidez, Endividamento e Rentabilidade são suficientes para</p><p>ter uma visão considerável da empresa a ser analisada. Se já tratamos da Liquidez</p><p>e Endividamento, nos resta falar sobre...</p><p>ÍNDICES DE RENTABILIDADE</p><p>Sabemos que o objetivo de toda organização é a obtenção de lucro. Portanto,</p><p>o objetivo destes índices são o de evidenciar a rentabilidade sobre o capital inves-</p><p>tido e verificar se a empresa está obtendo sucesso econômico com isso.</p><p>Os quocientes de Rentabilidade servem para medir a capacidade econômi-</p><p>ca da empresa, isto é, evidenciam o grau de êxito econômico obtido pelo Capital</p><p>investido na empresa. São calculados com base em valores extraídos da Demons-</p><p>tração do Resultado do Exercício e do Balanço Patrimonial. (Ribeiro, 2014)</p><p>A rentabilidade evidencia os resultados empresariais: sucesso ou insucesso</p><p>e é calculada com base na receita líquida através de cálculos dos capitais que fo-</p><p>ram investidos na empresa.</p><p>• Giro do Ativo:</p><p>Mede a eficiência com a qual a empresa usa seus ativos para gerar vendas. Quantas vezes o</p><p>ativo total de renovou por meio destas, pelas vendas, e se a empresa está gerando um volume su-</p><p>ficiente de atividade.</p><p>Quanto maior o resultado obtido com esse indicador, mais eficientemente os ativos da em-</p><p>presa têm sido usados.</p><p>• Margem líquida:</p><p>Quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação à receita, indicando a capacidade da em-</p><p>presa em gerar lucro. Quanto maior, melhor.</p><p>• Rentabilidade do Ativo / Retorno sobre Investimento (ROI):</p><p>Também conhecido como taxa de retorno, esse índice apresenta a relação entre a quantidade de</p><p>dinheiro investido em uma empresa e o montante de dinheiro que retornou como ganho. Portanto, é</p><p>a relação do Lucro Líquido do exercício com os ativos. O resultado desse índice é obtido pela divisão</p><p>do Lucro Líquido com o total do Ativo.</p><p>Vendas líquidas X 100</p><p>Ativo total</p><p>Lucro líquido X 100</p><p>Vendas líquidas</p><p>37ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Esse índice mostra quanto de lucro a empresa gera em relação ao capital investi-</p><p>do por sócios e acionistas. Portanto, mede a capacidade da rentabilidade da empresa.</p><p>Indica a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido, do ponto de vista dos pro-</p><p>prietários, a exemplo da Empresa Alegria Ltda.:</p><p>A interpretação deste índice é para cada $1,00 investido pelos proprietários há</p><p>um ganho de $0,25. Isso significa, em média, que demorará quatro anos para que os</p><p>proprietários recuperem seus investimentos (payback dos proprietários).</p><p>• Rentabilidade da Empresa x Rentabilidade do Empresário:</p><p>Em inglês, ROI (Return on Investiment = Retorno sobre Investimento) e ROE</p><p>(Return on Equity = Retorno sobre o Capital Investido pelos Proprietários). A ren-</p><p>tabilidade é medida em função dos investimentos. As fontes de financiamento do</p><p>Ativo são Capital Próprio e Capital de Terceiros. A administração adequada do Ati-</p><p>vo proporciona maior retorno para a empresa. Por outro lado, os donos da empresa</p><p>querem saber quanto esse retorno (Lucro Líquido) representa em relação ao capital</p><p>que os donos investiram.</p><p>Indica qual foi o lucro líquido em relação ao ativo total. É um indicador de desempenho que</p><p>mostra o quanto a empresa foi rentável em relação ao total dos seus recursos. Quanto maior, melhor.</p><p>É a Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRI ou ROI), do ponto de vista da empresa, vamos</p><p>admitir os dados da Empresa Alegria Ltda.</p><p>Isso quer dizer que, em média, demorará cinco anos para que a empresa obtenha de volta</p><p>seu investimento (100% / 20%), ou seja, o retorno do investimento total (payback como mencio-</p><p>nado no mundo dos negócios = tempo médio do retorno) é calculado dividindo-se 100% pelo TRI.</p><p>Indica qual foi o lucro líquido em relação ao ativo total. É um indicador de desempenho que</p><p>mostra o quanto a empresa foi rentável em relação ao total dos seus recursos. Quanto maior, melhor.</p><p>• Rentabilidade do Patrimônio Líquido / Retorno sobre Patrimônio (ROE):</p><p>Rentabilidade do capital aplicado na empresa pelos sócios e a taxa de rendimento do capital</p><p>próprio. Rentabilidade do capital e não lucratividade. Quanto maior for o retorno, melhor. Quanto</p><p>o capital está sendo remunerado pelo lucro, o quanto se ganha sobre ele. Lucratividade é o quanto</p><p>a empresa está tendo de lucro sobre suas operações de venda.</p><p>Lucro líquido X 100</p><p>Ativo total</p><p>Lucro líquido X 100</p><p>Patrimônio líquido médio</p><p>TRI ou ROI = 185.162 = 0,20 ou 20%</p><p>925.744</p><p>TRPL = 185.162 = 0,25 ou 25%</p><p>740.644</p><p>38ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>QUADRANTE COMPARATIVO</p><p>Este quadrante foi criado com o intuito de facilitar a comparação de eficiência entre empresas de ativida-</p><p>des diferentes ou mesmo semelhantes. É abordado dois pontos principais da visão dos acionistas: rentabilida-</p><p>de e lucratividade. É utilizado dois indicadores: Margem líquida e Rentabilidade do Patrimônio Líquido médio.</p><p>Algumas características importantes deste quadrante:</p><p>• Quadrante 1: baixa lucratividade e rentabilidade, não conseguem rentabilizar adequadamente o capital</p><p>do acionista com o lucro obtido no período.</p><p>• Quadrante 2: empresa possui boa rentabilidade, mas têm baixa lucratividade sobre as operações das vendas.</p><p>• Quadrante 3: lucros sobre as vendas, mas pelo alto valor dos ativos, sua rentabilidade está comprometida.</p><p>• Quadrante 4: está sendo feita lição de casa corretamente.</p><p>Quadrante 3 -</p><p>Reduzir ativos</p><p>Quadrante 4 -</p><p>Manter posição</p><p>Quadrante 1 -</p><p>Rever gestão</p><p>Quadrante 2 -</p><p>Aumentar</p><p>produtividade</p><p>Exemplo:</p><p>Vamos relacionar o que aprendemos aqui sobre o Quadrante Compa-</p><p>rativo e o exemplo. Partindo das quatro empresas analisadas, através das</p><p>aplicações das fórmulas de Margem Líquida e Rentabilidade do PL, identi-</p><p>ficou-se os percentuais considerados no exemplo e utilizando as caracte-</p><p>rísticas de cada Quadrante é possível comparar</p><p>a situação de cada empresa:</p><p>• Empresa A: necessita aumentar a produtividade porque está com boa</p><p>rentabilidade, porém o lucro é baixo sobre as operações das vendas.</p><p>• Empresa B: deveria baixar os ativos porque tem lucro sobre as vendas,</p><p>mas sua rentabilidade está comprometida.</p><p>Margem líquida Rentabilidade do PL</p><p>Cia A 8,96% 24,88%</p><p>Cia B 18% 3,50%</p><p>Cia C 10% 10%</p><p>Cia D 23% 20%</p><p>39ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Empresa C: precisa rever a gestão pois possui baixa lucratividade e rentabilidade.</p><p>• Empresa D: manter a gestão no mesmo formato, pois sendo fazendo a lição de casa corretamente.</p><p>Deve ser definido eixos intermediários, utilizando o percentual de corte que separará os quadrantes, ou seja, o percentu-</p><p>al mínimo que o acionista considera aceitável como retorno de capital. Tomamos como exemplo a sugestão de média de uma</p><p>aplicação financeira e um adicional de risco. Este último é definido pelo investidor para compensar o risco do investimento.</p><p>SÍNTESE</p><p>Que unidade mais produtiva, não acha? Recapitulando o que vimos neste capítulo, tratamos do tripé fundamental</p><p>para análise das estruturas das principais demonstrações contábeis / financeiras (Balanço Patrimonial e Demonstração do</p><p>Resultado do Exercício):</p><p>• Índices de Liquidez: liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral.</p><p>• Índices de Endividamento: participação de capitais de terceiros, composição do endividamento, dependência financeira, de-</p><p>pendência bancária, imobilização do patrimônio líquido e imobilização dos capitais permanentes (recursos não recorrentes).</p><p>• Índices de Rentabilidade: giro do ativo, margem líquida, ROI (rentabilidade do Ativo ou Retorno sobre Investimento) e</p><p>ROE (rentabilidade do patrimônio líquido ou retorno sobre patrimônio.</p><p>• Quadrante Comparativo: através da margem líquida e ROE é possível fazer análises e comparação entre as situações fi-</p><p>nanceiras e econômicas de cada empresa.</p><p>40ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>1. Utilizar o seguinte Balanço Patrimonial e Demonstração do</p><p>Resultado do Exercício e calcular os índices aplicados na uni-</p><p>dade para os três exercícios (ano X1, X2 e X3), comparar os</p><p>resultados anual e relacionar, através dos conceitos, se hou-</p><p>ve melhora ou não dos resultados da empresa em questão:</p><p>a. Indicador de liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez</p><p>seca e liquidez geral. Informar os resultados de cada ano e</p><p>fazer uma análise entre os anos.</p><p>b. Índices de Endividamento: participação de capitais de ter-</p><p>ceiros, composição do endividamento, dependência finan-</p><p>ceira, dependência bancária, imobilização do patrimônio</p><p>líquido e imobilização dos capitais permanentes (recursos</p><p>não recorrentes).</p><p>c. Índices de Rentabilidade: calcular o giro do ativo, margem</p><p>líquida, ROI (rentabilidade do Ativo ou Retorno sobre Inves-</p><p>timento) e ROE (rentabilidade do patrimônio líquido ou re-</p><p>torno sobre patrimônio.</p><p>d. Elaborar um quadrante comparativo e opinar qual status</p><p>cada ano se encontra entre os quadrantes aplicados nesta</p><p>unidade.</p><p>ATIVO PASSIVO</p><p>X1 X2 X3 X1 X2 X3</p><p>Circulante Circulante</p><p>Disponível 100 200 300 Fornecedores 600 1.000 2.000</p><p>Clientes 700 1.000 1.500 Ctas. a Pagar 400 2.000 3.000</p><p>Estoque 1.200 1.800 2.200 1.000 3.000 5.000</p><p>2.000 3.000 4.000</p><p>Não Circulante</p><p>Não Circulante Empréstimos 2.000 2.000 2.000</p><p>Investimentos 500 1.000 2.000</p><p>Imobilizado 1.200 2.500 3.200 P. Líquido (PL)</p><p>Intangível 300 500 800 Capital 500 500 500</p><p>2.000 4.000 6.000 Reservas 400 1.000 1.500</p><p>Reservas de</p><p>Lucros</p><p>100 500 1.000</p><p>1.000 2.000 3.000</p><p>Total 4.000 7.000 10.000 Total 4.000 7.000 10.000</p><p>Balanço Patrimonial – Cia. Realidade S.A.</p><p>41ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>X1 X2 X3</p><p>Receita 8.000 9.000 10.000</p><p>CPV (CMV) (4.000) (5.000) (6.000)</p><p>Despesas (500) (2.000) (3.500)</p><p>Lucro</p><p>Líquido</p><p>3.500 2.000 500</p><p>Demonstração do Resultado do Exercício – Cia. Realidade S.A.</p><p>Aluna e aluno, este exercício é muito importante para a fixa-</p><p>ção e compreensão dos conceitos, faça com calma e concentração.</p><p>Explore e divague sobre as análises. Considere sendo analista dessa</p><p>empresa e apresentando os resultados e índices obtidos.</p><p>42</p><p>MÉTODO DUPONT,</p><p>TERMÔMETRO DE</p><p>INSOLVÊNCIA E</p><p>CICLOS FINANCEIROS</p><p>Métodos de análise das demonstrações contábeis/financeiras de</p><p>extrema importância para empresas e empreendedores.</p><p>43ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>O Método Dupont associa duas formas de levantar o lucro: giro e margem. Fala-</p><p>remos de falência, alguns estudiosos como Kanitz, por exemplo, estudaram a retros-</p><p>pectiva das empresas que faliram para tentar identificar alguns dados comuns entre</p><p>elas e descobriram que nenhuma empresa vai à falência da noite para o dia, como,</p><p>por exemplo, deixando de gerar lucro. Todas as informações para análise estão nas</p><p>peças contábeis. A associação de alguns indicadores, chega-se ao termômetro de in-</p><p>solvência. Também será apresentado a vocês o Ciclo Operacional e Ciclo de Caixa.</p><p>ANÁLISE DE RENTABILIDADE PELO GIRO E MARGEM</p><p>Iudícibus e Marion (2011) afirmam que expressar a rentabilidade somente em</p><p>números absolutos, tem utilidade informativa bastante reduzida. Afirmar que uma</p><p>empresa obteve lucro de R$10 milhões de reais e que outra teve um lucro de R$200</p><p>mil reais no mesmo ano, pode impressionar que uma empresa é maior que a outra,</p><p>no entanto, devemos analisá-las e compará-las qual das duas deu maior retorno re-</p><p>lativo. O lucro de um empreendimento deve ser relacionado com algum valor que ex-</p><p>presse a dimensão relativa dele.</p><p>A relação dos resultados com os números do próprio empreendimento pode ser</p><p>calculada através do volume de vendas, do ativo total, do patrimônio líquido, entre ou-</p><p>tros. Muitas variantes podem ser empregadas: lucro operacional, lucro líquido, tudo vai</p><p>depender do tipo de informação que o usuário desta informação necessita. É importante</p><p>que o conceito usado no numerador seja compatível com o empregado no denominador.</p><p>O lucro é o principal objeto de uma empresa, nada mais lógico que estudá-lo detalhadamen-</p><p>te. A lucratividade se dá pelo Giro, que é a medida de giro dos ativos da empresa:</p><p>• Giro do Ativo:</p><p>Demonstra a eficiência com que a empresa utiliza seus bens e direitos (Ativos), com o bem de ge-</p><p>rar reais de vendas. Quanto mais giro de vendas, mais eficientemente os ativos estão sendo utilizados.</p><p>O lucro é o principal objeto de uma empresa, nada mais lógico que estudá-lo detalhadamen-</p><p>te. A lucratividade se dá pelo Giro, que é a medida de giro dos ativos da empresa:</p><p>É no ativo que se encontra todo o patrimônio da empresa (bens e direitos). Nesta fórmula</p><p>avaliamos que as receitas são o resultado da utilização dos bens do ativo. Mede a eficiência da en-</p><p>tidade. Este indicador também é conhecido como a produtividade da empresa.</p><p>O ideal é a empresa conseguir mais receitas com o menor ativo: eficiência na gestão dos re-</p><p>cursos, ideal para o investidor. A ideia é produzir mais, vender mais, numa proporção maior que</p><p>os investimentos no Ativo.</p><p>Exemplo:</p><p>Empresa A: 500.000 / 400.000 = 1,25</p><p>Vendas Líquidas => a empresa vendeu o</p><p>Ativo total correspondente a ...... vezes seu ativo.</p><p>44ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Empresa B: 500.000 / 200.000 = 2,5</p><p>A empresa B possui o melhor Giro do Ativo por ser a melhor em sua produtividade.</p><p>• Margem de Lucro Líquido:</p><p>Também conhecida como Margem Operacional, compara o lucro com as vendas líquidas. É uma</p><p>forma de identificar quanto cada produto deixou de margem para a empresa e saber quanto de lucro foi</p><p>incluso no preço de venda dos produtos.</p><p>Compara-se o lucro líquido com o volume de vendas do exercício:</p><p>Se ao final da fórmula, aplicar a multiplicação (x100) se obtém em percentual a margem de lucro</p><p>sobre as vendas. Indicadores de Lucro sobre Vendas são conhecidos como lucratividade, ou seja, quantos</p><p>centavos se ganha por real vendido.</p><p>Exemplo:</p><p>Empresa A: 50.000 / 500.000 x 100 = 10%</p><p>Empresa B: 40.000 / 500.000 x 100 = 8%</p><p>A Empresa A é a mais lucrativa.</p><p>Lucro Líquido => R$ centavos de lucro para cada</p><p>Vendas Líquidas R$1,00 vendido.</p><p>• Análise do Giro do Ativo x Margem de Lucro Líquido:</p><p>Em muitos casos, como os exemplos citados anteriormente, uma empre-</p><p>sa é melhor na análise 1 (giro do ativo) e a outra empresa na análise 2 (margem</p><p>de lucro líquido). Assim, conforme a característica de cada empresa, o ganho</p><p>pode ocorrer numa concentração maior sobre o giro ou sobre a margem.</p><p>Na dúvida, para se decidir qual empresa é melhor investir, surge o Méto-</p><p>do Dupont, que cruza as duas fórmulas, identificando o Retorno do Ativo, ou</p><p>seja, verificando a rentabilidade do ativo utilizando o giro do ativo e margem</p><p>de lucro líquido.</p><p>Taxa de retorno: Giro do Ativo x Margem de Lucro Líquido</p><p>Exemplo:</p><p>Empresa A: 1,25 x 10% = 12,5%</p><p>Empresa B: 2,5 x 8% = 20%</p><p>Neste exemplo simplório, a Empresa B demonstrou ser a melhor empre-</p><p>sa, pois apresenta a taxa de retorno do ativo maior. Ou seja, utilizou os recur-</p><p>sos do Ativo na apuração de sua rentabilidade. Vamos explorar um pouco mais</p><p>esta metodologia de análise...</p><p>45ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>CONCEITOS DO MÉTODO DUPONT</p><p>O principal conceito é demonstrar a eficiência no uso dos ativos da empresa. Para falar</p><p>em eficiência das contas patrimoniais, deve-se tirar o efeito dos valores que compõem o cus-</p><p>to dos produtos ou despesas que ainda compõem o passivo. Em outras palavras, no cálculo do</p><p>Giro do Ativo, devemos utilizar as receitas divididas pelo Ativo Líquido, ou seja:</p><p>Ativo Líquido = Ativo Total – Passivo Operacional</p><p>(passivo operacional: obrigações oriundas da operação da empresa, como: matéria-pri-</p><p>ma, salários e tributos. Contas do passivo sem remuneração sobre seus valores)</p><p>Da mesma maneira, para utilizar a Margem do Lucro Líquido como indicador de efici-</p><p>ência deve ser o lucro líquido para fins de comparação com o ativo líquido. Entende-se como</p><p>operacional aquele insumo que se utilizou do ativo líquido, ou seja, todos os custos e despe-</p><p>sas realmente necessários à atividade da empresa, aquela sem a qual a empresa não consegue</p><p>vender ou administrar.</p><p>Pelo Método Dupont entende-se como lucro aquele obtido antes das despesas financeiras:</p><p>Lucro = lucro líquido + despesas financeiras</p><p>E vendas líquidas são:</p><p>Vendas Líquidas = vendas brutas – Devoluções e cancelamentos</p><p>46ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Exemplo da aplicação destes conceitos e do Método Dupont:</p><p>Ativo X1 Passivo X1</p><p>Circulante 208.000 Passivo Operacional 110.000</p><p>Não</p><p>Circulante</p><p>194.200 Passivo Financeiro 20.400</p><p>Patrimônio Líquido 271.800</p><p>Total 402.200 Total 402.200</p><p>DRE R$</p><p>Receita de Vendas Líquidas 693.300</p><p>Impostos sobre Vendas (29.000)</p><p>CMV (362.000)</p><p>Lucro Bruto 302.300</p><p>Despesas Operacionais (202.000)</p><p>Outras Receitas 20.000</p><p>Despesas Financeiras (42.200)</p><p>Impostos sobre Lucro (15.500)</p><p>Lucro Líquido 62.600</p><p>Vamos aos cálculos da rentabilidade do ativo pelo Método Dupont!!!</p><p>RA = Giro do ativo líquido x Margem de lucro líquido</p><p>Vendas líquidas = 693.300 – 29.000 = 664.300</p><p>Ativo Líquido = 402.200 – 110.000 = 292.200</p><p>Lucro líquido = 104.800</p><p>Ou seja,</p><p>Giro do Ativo = 664.300 / 292.200 = 2,27 vezes</p><p>Margem do Lucro Líquido = 104.800 / 664.300 x 100 = 15,78%</p><p>Retorno sobre ativo: 2,27 x 15,78% = 35,03%</p><p>O modelo Dupont tem o mérito de unir em uma análise única o Balanço Patrimonial (através do Giro do</p><p>Ativo) e a Demonstração do Resultado do Exercício (por meio da Margem de Lucro Líquido). Em outras palavras:</p><p>47ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>No emaranhado de indicadores que investigam a saúde financeira, sempre se pro-</p><p>curou o mesmo resultado: bom ou ruim, investir ou não, conceder crédito ou não. Os in-</p><p>dicadores servem para buscar um número final, que responda às respostas dos analistas.</p><p>TERMÔMETRO DE INSOLVÊNCIA</p><p>No Brasil, Stephen Charles Kanitz desenvolveu em 1974, um estudo de combinação</p><p>de quocientes com empresas que quebraram, e com outras bem-sucedidas e chegou a</p><p>uma escala para medir a possibilidade de insolvência da entidade analisada.</p><p>Segundo Martins, Diniz e Miranda (2012), Kanitz desenvolveu o primeiro modelo</p><p>brasileiro divulgado de análise para determinar previamente, com satisfatória margem</p><p>de segurança, o grau de insolvência das empresas. Ele criou uma espécie de termômetro</p><p>financeiro baseado na conjugação de alguns indicadores de liquidez, de endividamento</p><p>e de rentabilidade. É uma conjugação de índices financeiros que determina a situação ou</p><p>saúde financeira das empresas.</p><p>48ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Kanitz intitulou como termômetro de insolvência e fundamentou na seguinte fórmula:</p><p>TI = A + B + C – D – E</p><p>Em sendo:</p><p>Em aplicando a fórmula na empresa, o resultado encontrado seria identificado e men-</p><p>surado através do seguinte termômetro de insolvência:</p><p>A = (Lucro Líquido / Patrimônio Líquido) x 0,05</p><p>B = (Ativo Total / Passivo Circulante + Passivo Não Circulante) x 0,05</p><p>C = (Ativo Circulante - Estoques / Passivo Circulante) x 3,55</p><p>D = (Ativo Circulante / Passivo Circulante) x 1,06</p><p>E = (Passivo Circulante + Passivo Não Circulante / Patrimônio líquido) x 0,33.</p><p>-7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5</p><p>Insolvência Penumbra Solvência</p><p>• Área de Solvência: empresas com fator de insolvência acima de zero, são aquelas com</p><p>menores risco de quebrarem, a probabilidade de insolvência diminui na proporção que</p><p>o fator de insolvência se apresenta mais alto.</p><p>• Área de Penumbra: se trata de uma área perigosa, empresas com fator de insolvência</p><p>entre 0 e -3. Requer uma atenção.</p><p>• Área de Insolvência: empresas com fator de insolvência abaixo de -3, se referem às em-</p><p>presas com maior risco de falência.</p><p>Outros estudos semelhantes surgiram mudando apenas o peso de relevância aos índi-</p><p>ces, mas todos demonstram eficiência na utilização</p><p>CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO</p><p>O principal volume das operações de uma empresa está no CCL (Capital Circulante Lí-</p><p>quido). Uma boa gestão do capital de giro implica na possibilidade de aumento do lucro no</p><p>final de cada exercício e uma dessas maneiras de gestão é administrar os prazos da operação</p><p>na empresa. A Análise do Capital de Giro sendo bem administrada pode fazer diferença na</p><p>rentabilidade de uma empresa, isso porque é envolvido: caixa, estoques, contas a receber,</p><p>entre outros. O Capital de Giro também é constituído pelo volume de bens que constituem o</p><p>ativo circulante, considerando as obrigações do passivo circulante.</p><p>49ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Capital Circulante Líquido (CCL):</p><p>É a folga financeira da empresa, ou seja, o excesso ou falta de ativos circulantes</p><p>em relação aos passivos circulantes. Segundo Iudícibus e Marion (2011): “Ativo cir-</p><p>culante menos Passivo circulante evidencia o CCL, ou seja, a parte do Ativo Circulante</p><p>que não está comprometida com o Passivo circulante”.</p><p>CCL = Ativo Circulante – Passivo Circulante</p><p>Considerando, por exemplo, que uma empresa tenha um Ativo circulante de</p><p>R$1.700 e um Passivo circulante de R$900. Neste exemplo, se a empresa pagar todas as</p><p>suas obrigações, ainda sobrará R$800, porque se trata de um total que não está com-</p><p>prometido com as dívidas de curto prazo da empresa.</p><p>Resumidamente, quanto maior for o CCL de uma empresa, maior será sua flexi-</p><p>bilidade financeira, mais favorável a situação financeira porque a empresa demonstra</p><p>conseguir pagar suas contas. Assim como, no caso de uma empresa possuir o Passivo</p><p>circulante maior que o Ativo circulante, demonstrará uma situação desfavorável.</p><p>Para gerenciar as contas operacionais de qualquer empresa é necessário estu-</p><p>dá-las individualmente: manter níveis de estoques satisfatórios, obter financiamen-</p><p>tos para necessidade de caixa com taxas adequadas, ter uma boa cobrança para evitar</p><p>inadimplência, aplicar os recursos excedentes no</p><p>caixa etc.</p><p>É importante saber o volume exato de recursos a serem destinados: liquidez em excesso ou</p><p>o Passivo circulante maior que Ativo circulante não é bom.</p><p>O Capital Circulante Líquido não é o único índice ideal para esta análise, porque possui um</p><p>defeito: não identifica prazos, além disso tem contas que não fazem parte do ativo operacional.</p><p>50ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Necessidade de Capital de Giro (NCG):</p><p>A determinação da NCG e a análise de suas fontes de financiamentos não são apenas uma prática de estudo</p><p>de administração financeira, mas uma estratégia de crescimento e lucratividade.</p><p>NCG = ACO – PCO</p><p>Sendo, ACO (Ativo Circulante Operacional): estoques, contas a receber etc. e PCO (Passivo Circulante</p><p>Operacional): fornecedores, salários, tributos sobre vendas etc.</p><p>Os recursos utilizados para aplicação são oriundos das contas do exigível a longo prazo e do patrimônio</p><p>líquido. Para chegar ao Financiamento do Capital Circulante Líquido (FCCL):</p><p>FCCL = (ELP + PL) – (RLP-AP)</p><p>Sendo, ELP (Exigível a Longo Prazo = obrigações assumidas com terceiros acima do período de 12 meses</p><p>subsequentes, é o Passivo Não Circulante), PL (Patrimônio Líquido = obrigações com sócios), RLP (Realizá-</p><p>vel a Longo Prazo = bens e direitos que se realizarão no período acima de 12 meses subsequentes) e AP (Ativo</p><p>Permanente = Investimentos, Imobilizado e Intangível). Juntos o RLP e AP são o Ativo Não Circulante. O re-</p><p>sultado é o montante de recursos que financiam o ativo circulante e que não vieram do passivo circulante.</p><p>Há ainda que se observar a composição das contas do ativo circulante, pois se o grande volume for de</p><p>estoques e estes forem obsoletos, podem ter uma falsa impressão ao analisar o resultado do indicador.</p><p>Quando as fontes de financiamentos são maiores que as aplicações,</p><p>há tranquilidade financeira, pois os recursos são abundantes. Quando a ne-</p><p>cessidade de aplicações é maior que as fontes terá que se buscar recursos</p><p>externos, onerando as operações da empresa. Para avaliar detalhadamente,</p><p>deve ser estudado os ciclos ocorridos no patrimônio das empresas.</p><p>Os ciclos se referem aos prazos ocorridos com seus ativos. A combina-</p><p>ção desses índices nos leva aos ciclos da empresa.</p><p>a. Prazo Médio de Rotação dos Estoques:</p><p>O PMRE indica o tempo de giro médio dos estoques da empresa, des-</p><p>de a aquisição do material até sua requisição na produção, ou seja, o tempo</p><p>médio (em dia) que a matéria-prima permanece no estoque à espera de ser</p><p>consumida no processo de produção.</p><p>O DP se trata de dias de período, em outras palavras, se o CMV é de um</p><p>ano, o DP será 360. O ideal é também utilizar o estoque médio.</p><p>PMRE = Estoques x DP</p><p>CMV ou CPV</p><p>51ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>b. Prazo Médio de Recebimento das Vendas:</p><p>O PMRV informa a demora no recebimento das vendas da empresa. É o prazo con-</p><p>cedido para pagamento, incluindo as vendas à vista. Calcula o tempo médio em receber o</p><p>produto vendido, isso é, quanto tempo a empresa espera para receber as vendas realizadas.</p><p>Para o DP, mesmas considerações já mencionadas anteriormente.</p><p>c. Prazo Médio de Pagamento das Compras:</p><p>O PMPC revela o tempo médio que a empresa tem para pagar suas compras a prazo.</p><p>É o período em que a empresa tem para utilizar suas matérias-primas ou mercadorias,</p><p>antes de paga por elas.</p><p>Para o DP, mesmas considerações já mencionadas anteriormente. A informação de</p><p>Compras não consta nas demonstrações contábeis das empresas facilmente. Para este</p><p>caso, como não há o saldo mencionado diretamente, deve ser utilizado a seguinte fórmula:</p><p>CMV ou CPV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final</p><p>PMRV = Duplicatas a receber x DP</p><p>Receita bruta de vendas</p><p>PMPC = Fornecedores x DP</p><p>Compras</p><p>Toda e qualquer empresa, na consecução de suas atividades operacionais, persegue</p><p>sistematicamente a produção de bens ou serviços e, consequentemente, vendas e recebi-</p><p>mentos. É no desenvolver de todo esse processo que se identifica de maneira normal e repe-</p><p>titiva o ciclo operacional da empresa, o qual pode ser definido como as fases operacionais</p><p>existentes no interior da empresa, que vão desde a aquisição de materiais para a produção</p><p>até o recebimento das vendas efetuadas.</p><p>CICLO OPERACIONAL (CO)</p><p>Conforme descrito por Assaf Neto (2012), é a soma dos prazos de cada uma das fases</p><p>operacionais que denomina período de maturação. Em outras palavras, período de matu-</p><p>ração é o tempo decorrido desde a compra da matéria-prima até que seja transformada em</p><p>um produto final e vendida, se recebe seu importe de venda. Quanto mais logo se apresen-</p><p>tar o período de maturação, maior será o volume de recursos a ser destinado pela empresa</p><p>para financiar sua atividade.</p><p>52ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>O CO é tempo correspondente ao intervalo entre a compra das matérias-primas ou mercadorias e o</p><p>recebimento das vendas. É definido também como o tempo exato do processo operacional da empresa, en-</p><p>tre comprar, armazenar, produzir, novamente armazenar, vender, entregar e receber o produto da venda.</p><p>CO = PMRE + PMRV</p><p>Ou seja:</p><p>Os indicadores da atividade operacional são mais dinâmicos e permitem que seja analisado o de-</p><p>sempenho operacional da empresa e suas necessidades de investimento em giro.</p><p>Enquanto o ciclo operacional se inicia no momento da aquisição dos materiais, o ciclo financei-</p><p>ro (também denominado como ciclo de caixa) compreende o período entre o momento do desembolso</p><p>inicial de caixa para pagamento dos materiais e a data do recebimento da venda do produto acabado.</p><p>CILO FINANCEIRO OU CICLO DE CAIXA (CF)</p><p>Trata-se do tempo de necessidade de capital de giro, pois se inicia com o pagamento dos forne-</p><p>cedores e termina com o recebimento das vendas. É o tempo de comprar, armazenar, produzir, voltar a</p><p>armazenar, vender, entregar e receber, descontado o período de pagamento aos fornecedores.</p><p>CF = PMRE + PMRV – PMPC</p><p>ou</p><p>CF = CO – PMPC</p><p>Para Assaf Neto (2012), o CF é determinado basicamente pela diferença en-</p><p>tre o número de dias do ciclo operacional e o prazo médio de pagamento a forne-</p><p>cedores dos insumos.</p><p>53ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Exemplo: Através das informações contábeis fornecidas por uma empresa, são desen-</p><p>volvidos os cálculos de apuração do Ciclo Operacional e do Ciclo Financeiro, considerando</p><p>os respectivos giros de prazos médios:</p><p>Colocando em prática o estudado até o momento dos prazos e giros para o período de X2:</p><p>Os estoques totais (matérias-primas, produtos em transformação e produtos acabados)</p><p>permanecem, em média, 129,60 dias armazenados, determinando uma rotação anual de 2,78</p><p>vezes (360 dias dividido pelos dias obtidos no giro). Se a empresa considerar que este prazo</p><p>de estocagem é alto, é preciso reduzir essa imobilização, a empresa deve tomar decisões no</p><p>sentido de dinamizar o giro de seus estoques. Neste caso, as medidas envolvem políticas de</p><p>compras, fabricação, vendas e recebimento.</p><p>Balanço Patrimonial – Cia. Analisada S.A.</p><p>Demonstração do Resultado do Exercício – Cia. Analisada S.A.</p><p>ATIVO X1 X2 PASSIVO X1 X2</p><p>Circulante Circulante</p><p>Disponível 100 200 Fornecedores 600 1.000</p><p>Clientes 700 1.000 Ctas. a Pagar 400 2.000</p><p>Estoque 1.200 1.800 1.000 3.000</p><p>2.000 3.000</p><p>Não Circulante</p><p>Não Circulante Empréstimos 2.000 2.000</p><p>Investimentos 500 1.000</p><p>Imobilizado 1.200 2.500 P. Líquido (PL)</p><p>Intangível 300 500 Capital 500 500</p><p>2.000 4.000 Reservas 400 1.000</p><p>Reservas de Lucros 100 500</p><p>1.000 2.000</p><p>Total 4.000 7.000 Total 4.000 7.000</p><p>X1 X2</p><p>Receita 8.000 9.000</p><p>CPV (CMV) (4.000) (5.000)</p><p>Despesas (500) (2.000)</p><p>Lucro Líquido 3.500 2.000</p><p>PMRE = Estoques x DP => 1.800 X 360 => 129,60 dias</p><p>CMV ou CPV 5.000</p><p>PMRV = Duplicatas a receber x DP => 1.000 X 360 => 40 dias</p><p>Rec. bruta de vendas 9.000</p><p>54ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Observa-se que, as vendas a prazo da empresa, são liquidadas, em média em 40 dias,</p><p>renovando-se a existência de duplicatas a receber 9 vezes por ano. Esse indicador, auxilia</p><p>fornecendo elementos que se avalie a política de vendas a prazo adotado pela empresa, por</p><p>meio da segurança e liquidez de suas duplicatas a receber.</p><p>No caso do cálculo do PMPC, é preciso inicialmente calcular as Compras do período,</p><p>pois essa informação, como já mencionado anteriormente, não é destacada nas demonstra-</p><p>ções contábeis. No entanto, há uma fórmula que é possível identificar o total de Compras:</p><p>CMV ou CPV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final</p><p>5.000 = 1.200 + Compras – 1.800 => Compras = 5.600</p><p>Os resultados obtidos indicam que a empresa paga seus fornecedores com prazo médio</p><p>de 64,29 dias, o qual se apresenta superior ao prazo médio de clientes. Há uma defasagem</p><p>de 24,29 dias, o que é positivo para o equilíbrio financeiro da empresa, já que se recebe dos</p><p>clientes num prazo mais curto do que as obrigações com os fornecedores.</p><p>CO = PMRE + PMRV</p><p>CO = 129,60 + 40 => 169,60 dias</p><p>CF = CO - PMPC</p><p>CF = 169,60 - 64,29 => 105,31 dias</p><p>São transcorridos 105,31 dias entre o início das saídas de caixa e as entradas prove-</p><p>nientes de cobranças de venda a prazo. Neste intervalo, a empresa deve financiar seu ciclo</p><p>de caixa mediante outras formas de captação.</p><p>Idealmente, toda empresa desejaria apurar um ciclo financeiro negativo, que refletiria</p><p>sua capacidade de produzir, vender e receber antes dos pagamentos respectivos. Na prática,</p><p>essa situação é bastante difícil de ocorrer, devendo a empresa selecionar outras formas de</p><p>financiamento para lastrear suas necessidades do ciclo financeiro.</p><p>Diante da realidade de ciclos financeiros positivos, deve a empresa ainda desenvol-</p><p>ver estratégias de maneira a minimizar sua dependência por outras fontes de recursos, tais</p><p>como: maior giro dos estoques, redução da inadimplência, negociar prazos de pagamento</p><p>mais detalhados com os fornecedores, e assim por diante. (Assaf Neto, 2012)</p><p>PMPC = Fornecedores x DP => 1.000 X 360 => 64,29 dias</p><p>Compras 5.600</p><p>55ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>ARTIGO – O MODELO DE FLEURIET</p><p>Acredito que já deu para perceber a riqueza de informa-</p><p>ções que podemos obter ao saber analisar as estruturas das</p><p>demonstrações financeiras, certo?! São diversas as fórmulas</p><p>e possibilidades. Como já mencionado anteriormente, não há</p><p>regras e muitos são os autores que abordam este assunto.</p><p>No entanto, um autor que estudou mais recentemente</p><p>o assunto, eu entendo ser importante para compartilhar com</p><p>vocês neste material. Todo este capítulo está fundamentado</p><p>no artigo completo de Marques e Braga (1995) intitulado de</p><p>“Análise Dinâmica do Capital Giro: o Modelo Fleuriet”. Sua</p><p>leitura integral é possível através do endereço digital men-</p><p>cionado nas Referências, ao final do material.</p><p>O modelo Fleuriet para avaliação da liquidez e estrutu-</p><p>ra de financiamento é um importante instrumento de análi-</p><p>se e/ou controle para tomada de decisões financeiras. É uma</p><p>pesquisa com ênfase em avaliações dinâmicas do comporta-</p><p>mento dos elementos patrimoniais de curto prazo, em con-</p><p>traposição às análises financeiras convencionais com base</p><p>em relações quase sempre estáticas.</p><p>56ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• T = AGF - PCO</p><p>Este último componente corresponde ao saldo de tesouraria (T), obtido por meio da diferença entre</p><p>os elementos erráticos (não-ligados de forma direta às operações usuais) do ativo e passivo de curto prazo.</p><p>Quando positivo, indica disponibilidade de recursos para garantir a liquidez de curtíssimo prazo do empre-</p><p>endimento. Caso seja negativo, pode evidenciar dificuldades financeiras iminentes, em especial por ocasião</p><p>da manutenção de saldos negativos sucessivos e crescentes. O acompanhamento da evolução do T no de-</p><p>correr de exercícios sociais sucessivos, representa o cerne do modelo.</p><p>A combinação dos três elementos que compõem a posição de curto prazo da organização (CCL, IOG e</p><p>T) determina sua estrutura financeira em dado período, além da tendência assumida para um horizonte de</p><p>tempo mais dilatado. Marques e Braga (1995) identificaram seis situações possíveis:</p><p>Este modelo foi desenvolvido por Michel Fleuriet, em meados de 1980</p><p>e, em seguida outros autores aprimoraram determinados aspectos do mo-</p><p>delo original, inclusive no sentido de aplicá-lo a casos reais, bem como bus-</p><p>cando divulgá-lo de uma maneira articulada. Neste artigo foi utilizada uma</p><p>amostra de seis companhias abertas do ramo industrial, classificadas entre</p><p>as maiores por faturamento, que empregaram o modelo para a avaliação de</p><p>seus níveis de liquidez e solvência em 1993. Para compreender o modelo,</p><p>há necessidade de reorganizar as contas integrantes do balanço patrimo-</p><p>nial e de outros relatórios contábeis para um formato direcionado à análise</p><p>(maiores detalhes, recomendo fortemente que seja o artigo integralmente).</p><p>Nesse sentido, os principais conceitos discutidos por Fleuriet partiram des-</p><p>sa nova composição e basicamente três fórmulas foram aplicadas para que</p><p>se tornasse possível as análises de cada empresa:</p><p>• CCL = (ACF + ACC) - (PCO + PCC)</p><p>Sendo, CCL: Capital Circulante Líquido; ACF: Ativo Circulante Finan-</p><p>ceiro; ACC: Ativo Circulante Cíclico; PCO: Passivo Circulante Oneroso; e,</p><p>PCC: Passivo Circulante Cíclico.</p><p>• IOG = ACC - PCC</p><p>Sendo, IOG: Investimento Operacional em Giro; ACC: Ativo Circulante</p><p>Cíclico; e, PCC: Passivo Circulante Cíclico.</p><p>Tipos de estrutura e situação financeira</p><p>Tipo CCL IOG T Situação</p><p>I + - + Excelente</p><p>II + + + Sólida</p><p>III + + - Insatisfatória</p><p>IV - + - Péssima</p><p>V - - - Muito ruim</p><p>VI - - + Alto risco</p><p>57ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Sendo, indicativo de valor Positivo ( ) ou negativo ( ).</p><p>• As companhias do Tipo I possuem uma situação financeira excelente em razão do alto ní-</p><p>vel de liquidez praticado. O IOG negativo significa que o PCC é superior ao ACC, ou seja, os</p><p>itens do ativo circulante cíclico - em especial duplicatas a receber e estoques - apresen-</p><p>tam grau de rotação elevados e, assim, ciclo financeiro reduzido. Embora seja superior ao</p><p>montante do IOG, o CCL é inferior ao T, o que denota a existência de um ACF bem mais ex-</p><p>pressivo que o PCO. Essa configuração pode ser achada junto setor ao comercial varejista.</p><p>• O Tipo II caracteriza uma firma com situação financeira sólida, e representa a posição</p><p>mais usual encontrada no mundo real. O fato de os três elementos serem positivos faz</p><p>com que o T no máximo se iguale ao IOG, mas seja sempre inferior ao CCL. Nesse sen-</p><p>tido, os recursos de longo prazo investidos no CCL garantirão a continuidade de um T</p><p>favorável (positivo), desde que o nível de atividade operacional seja mantido. Caso esse</p><p>nível sofra modificações - sazonalidade ou recessão, por exemplo -, podem surgir de-</p><p>sequilíbrios financeiros.</p><p>• Os ramos de negócio que sustentam a estrutura do Tipo III evidenciam uma situação</p><p>insatisfatória. T negativo significa que o CCL se acha insuficiente para garantir a manu-</p><p>tenção do atual nível de atividade operacional, e que fontes de financiamentos de curto</p><p>prazo (PCO) vêm sendo empregadas como complementares. Essa situação pode agra-</p><p>var-se, por exemplo, na presença de recessão, ocasião em que itens do ACC encontrarão</p><p>dificuldades de realização (o ciclo financeiro aumenta), ao passo que o PCO tende a se</p><p>elevar em função das taxas de juros significativas.</p><p>• A situação financeira péssima proveniente da adoção da estrutura do Tipo IV tem sido co-</p><p>mum em certas companhias estatais, como as do ramo de geração de energia elétrica e de</p><p>transporte ferroviário. CCL negativo sinaliza que fontes de curto prazo financiam</p><p>investi-</p><p>mentos de longo prazo (ANC). Como há necessidades de capital de giro (IOG) e não se con-</p><p>ta com CCL para seu financiamento, o passivo oneroso passa a cobrir essa insuficiência.</p><p>• Na estrutura Tipo V a situação financeira caracteriza-se como muito ruim. Além do CCL</p><p>negativo, o que indica que fontes de curto prazo financiam ativos de longo prazo, o IOG</p><p>também é negativo, sendo seu valor superior ao do primeiro.</p><p>• Por fim, na situação de alto risco oriunda da utilização da estrutura do Tipo VI, perma-</p><p>necem negativos o CCL e o IOG, porém o valor deste é inferior ao do primeiro. Essa cir-</p><p>cunstância permite que o T seja positivo, e pode sinalizar para o fato de a empresa não</p><p>estar desempenhando suas operações de maneira adequada, embora possa estar apli-</p><p>cando recursos de curto prazo (ACF) com eficiência no mercado financeiro.</p><p>O artigo aborda com muito mais detalhe e com a contribuição de mais conhecimento,</p><p>além dos destacados até o momento. Este breve resumo é apenas para você, aluna e aluno,</p><p>associar este modelo com o Termômetro de Solvência e compreender as possibilidades exis-</p><p>tentes nas Estruturas e Análises das Demonstrações Financeiras. Este assunto não se esgota.</p><p>Ressalto que são muitos os autores, diversos são os livros, artigos e dissertações sobre</p><p>o assunto, não se fixe somente neste material, pesquise e explore mais sobre estes assuntos,</p><p>pois conhecimento nunca é demais.</p><p>58ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>SÍNTESE</p><p>Nessa unidade abordamos conceitos de Giro do</p><p>Ativo, Margem do Lucro Líquido e a relação entre estes</p><p>dois, com o objetivo de abordarmos e conhecermos o</p><p>Método Dupont e o Termômetro de Insolvência.</p><p>Também trabalhamos nesta unidade o Ciclo</p><p>Operacional e o Ciclo Financeiro (também denomi-</p><p>nado como Ciclo de Caixa). Verificamos que para ava-</p><p>liarmos os ciclos de uma empresa é necessário apli-</p><p>carmos algumas fórmulas denominadas de Capital</p><p>Circulante Líquido (CCL), Necessidade de Capital de</p><p>Giro (NCG) e os Prazos Médios (sendo, PMRE = Prazo</p><p>Médio de Rotação dos Estoques; PMRV = Prazo Médio</p><p>de Recebimento das Vendas e PMPC = Prazo Médio de</p><p>Pagamento das Compras).</p><p>Por fim, trouxemos mais uma modalidade de-</p><p>senvolvida por pesquisadores para que sejam ana-</p><p>lisadas as demonstrações financeiras: O Modelo de</p><p>Fleuriet – uma análise dinâmica do capital de giro.</p><p>59ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>Segue algumas questões realizadas em concursos públicos, para</p><p>você praticar seu conhecimento adquirido até este momento. O in-</p><p>tuito é fixação dos conceitos e fórmulas apresentados nesta unidade.</p><p>1. Considerando somente as informações apresentadas na tabela a</p><p>seguir, pode-se afirmar que o Ciclo operacional e o Ciclo de cai-</p><p>xa são, respectivamente, em dias:</p><p>a. 162 e 72</p><p>b. 90 e 162</p><p>c. 180 e 162</p><p>d. 252 e 162</p><p>e. 90 e 90</p><p>2. Uma empresa apresenta, em milhares de reais, os seguin-</p><p>tes valores:</p><p>Considerando o ano comercial (360 dias), o ciclo opera-</p><p>cional e o ciclo de caixa da empresa, em dias, são, respectiva-</p><p>mente, de:</p><p>3. Na área financeira das organizações é possível calcular o ciclo operacional total, o ciclo econômico e o ciclo de</p><p>caixa. A partir das informações obtidas junto às atividades operacionais de uma organização “hipotética” abai-</p><p>xo fornecidas, assinale a alternativa correta.</p><p>• Prazo médio de vendas: 10 dias</p><p>• Prazo médio de pagamento aos fornecedores: 15 dias</p><p>• Prazo médio das contas a receber: 20 dias</p><p>a. O ciclo de caixa completa-se em 5 dias.</p><p>b. O ciclo de caixa completa-se em 15 dias.</p><p>c. O ciclo econômico completa-se em 30 dias.</p><p>d. O ciclo operacional total completa-se em 20 dias.</p><p>a. 30 e 20 b. 30 e 45 c. 45 e 30 d. 55 e 75 e. 75 e 55</p><p>60ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>4. Para determinar o ciclo financeiro da Cia WCX, seu diretor financeiro levan-</p><p>tou as seguintes informações:</p><p>• O prazo médio para pagamento de compras é de aproximadamente 28 dias.</p><p>• O saldo médio do contas a receber é de R$ 40 milhões e sua receita operacio-</p><p>nal diária de 2 milhões.</p><p>• O prazo médio de estocagem de matérias primas e produtos acabados é de</p><p>40 dias.</p><p>Com base nas informações acima, o ciclo financeiro encontrado foi de:</p><p>a. 98 dias.</p><p>b. 68 dias.</p><p>c. 32 dias.</p><p>d. 48 dias.</p><p>e. 92 dias.</p><p>5. A combinação do resultado do Giro do Ativo com a Margem de Lucro dá resposta a qual indicador?</p><p>6. Se uma empresa tem um giro do ativo de 0,46 e uma margem de lucratividade de 5%. Qual será seu</p><p>grau de eficiência na geração de lucros, conhecido como Modelo Dupont?</p><p>a. 10,86%</p><p>b. 5,46%</p><p>c. 2,3%</p><p>d. 9,2%</p><p>7. Utilizando o termômetro de Insolvência do Prof. Kanitz, uma empresa tem grau de solvência igual</p><p>a -1. Qual será seu estágio de situação econômica?</p><p>a. Totalmente solvente</p><p>b. Em estado de solvência</p><p>c. Em Penumbra</p><p>d. Em estado de insolvência</p><p>a. Ciclo Operacional</p><p>b. Modelo Du Pont</p><p>c. Equivalência Patrimonial</p><p>d. Índice de rotatividade</p><p>61ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>8. O que é Ciclo Operacional?</p><p>a. É o período de apuração do lucro operacional das empresas.</p><p>b. É o tempo utilizado na operação d a empresa, entre a compra das mer-</p><p>cadorias ou matérias primas e o recebimento das vendas.</p><p>c. É o Sistema de controle das operações financeiras da empresa, que</p><p>compreende o gasto com financiamento das operações, entre a com-</p><p>pra o recebimento do produto da venda.</p><p>d. É o processo produtivo global das companhias, tempo de estocagem,</p><p>produção, distribuição e venda.</p><p>9. O que entendemos por Ciclo Financeiro?</p><p>a. É o tempo medido em dias que a empresa necessita de financiamento.</p><p>b. É o gasto financeiro com a operação da empresa.</p><p>c. É o tempo medido em dias que a empresa utiliza para comprar e vender</p><p>seus produtos.</p><p>d. É o período entre vender, entregar e receber (encargos financeiros des-</p><p>te período).</p><p>62</p><p>ANÁLISE DAS</p><p>ESTRUTURAS DAS</p><p>DEMAIS PEÇAS</p><p>CONTÁBEIS</p><p>A essa altura você já sabe que quando falamos de peças contábeis ou</p><p>demonstrações financeiras, não estamos tratando somente de Balanço</p><p>Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Há outras</p><p>demonstrações contábeis e que podem e devem ser analisadas.</p><p>63ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>No início deste material abordamos que as principais demonstrações financeiras</p><p>são o Balanço patrimonial (BP); a Demonstração do resultado do exercício (DRE), a</p><p>Demonstração do resultado abrangente (DRA), a Demonstração das mutações do pa-</p><p>trimônio líquido (DMPL); a Demonstração dos fluxos de caixa (DFC); a Demonstração</p><p>do valor adicionado (DVA) e as Notas explicativas (NE). Substancialmente as principais</p><p>análises utilizadas no mundo dos negócios se fundamentam no BP e DRE, como você já</p><p>pode ter observado, uma vez que, as últimas duas unidades se utilizaram basicamente</p><p>das informações financeiras destas duas peças contábeis.</p><p>No entanto, isso não quer dizer que as demais peças contábeis não podem ser</p><p>utilizadas para análises. Vai sempre depender do que o usuário da informação preten-</p><p>der obter de conhecimento sobre a saúde e estado financeiro e econômico da empresa.</p><p>Com o mundo atual, gestores buscam intensamente a diminuição dos custos e</p><p>das despesas e o aumento equilibrado da produção, a fim de gerar maiores volumes de</p><p>venda a preços adequados e competitivos. Por isso a importância de demonstrativos</p><p>que reúnam informações completas e confiáveis, capazes de oferecer dados que per-</p><p>mitam gerir a empresa de forma sadia e duradoura.</p><p>Planejar eficazmente a operacionalidade de uma empresa, a evolução comercial e</p><p>financeira ao longo do tempo, as tendências de produção e o sucesso financeiro como</p><p>um todo, depende de um planejamento bem elaborado, acompanhado e comparado</p><p>com seus resultados reais.</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC)</p><p>O planejamento financeiro e seus resultados reais possibilitam a análise das metas alcan-</p><p>çadas, a</p><p>revisão pontual dos projetos e dos níveis de desvios na obtenção e alcance desses resul-</p><p>tados, a mudança dos rumos da organização no momento oportuno, bem como o aprimoramento</p><p>dos conceitos utilizados na idealização e formalização do Fluxo de Caixa.</p><p>O planejamento e o controle financeiro devem estar relacionados a três dimensões temporais:</p><p>• Planejamento a longo prazo quando a ocorrência de fluxos corresponde às dimensões dos pro-</p><p>jetos de investimento e à dimensão temporal do plano de resultados a longo prazo (em média</p><p>5 anos). O planejamento a longo prazo é muito importante para a perpetuidade das empresas;</p><p>• Planejamento a curto prazo quando a ocorrência de fluxos está enquadrada no plano anual de</p><p>resultados;</p><p>• Planejamento operacional, em que as entradas e saídas de caixa são projetadas para o mês,</p><p>semanalmente ou o dia seguinte.</p><p>A DFC é uma ferramenta de análise das flutuações dos saldos em caixa, em bancos e nas</p><p>aplicações financeiras da empresa. É o produto final quando se compara as contas recebidas com</p><p>as contas pagas, pois obtém-se o fluxo de caixa realizado. Quando se compara com as contas pa-</p><p>gas futuras com as contas a serem realizadas, têm-se o fluxo de caixa projetado.</p><p>64ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>A DFC é uma fotografia pontual da situação financeira da organização.</p><p>É uma das ferramentas mais eficazes na gestão financeira das empresas.</p><p>• Análise a curto prazo => gerencia o capital de giro;</p><p>• Análise a longo prazo => avalia a capacidade de investimentos.</p><p>Ressalta-se que nenhum demonstrativo em separado, vai disponibilizar</p><p>a ferramenta adequada à administração financeira e operacional de uma em-</p><p>presa. Todos em conjunto é que propiciarão as análises adequadas para a base</p><p>de tomada de decisões de uma organização.</p><p>• Fluxo de Caixa realizado: como se comportaram as entradas e saídas de</p><p>recursos financeiros da empresa em determinado período. Serve de base</p><p>para o planejamento do fluxo projetado. Funciona como feedback, ge-</p><p>rando informações para o futuro decisório e para o planejamento futuro.</p><p>• Fluxo de Caixa projetado: através de relatórios auxiliares (inadimplên-</p><p>cia, contas a pagar futuras etc.), cria-se um demonstrativo capaz de in-</p><p>dicar níveis de excesso ou escassez dos recursos financeiros, ao longo do</p><p>tempo. Apesar de se basear em estatísticas passadas realizadas, conside-</p><p>ra eventos futuros para sua projeção (aumento de vendas, por ex.). Deve</p><p>ser revisado periodicamente.</p><p>A DFC permite que se analise, principalmente, a capacidade financeira da empresa em honrar seus</p><p>compromissos perante terceiros (empréstimos e financiamentos) e acionistas (dividendos), a geração</p><p>de resultados de caixa futuros e das operações atuais, e a posição de liquidez e solvência financeira.</p><p>(Assaf Neto, 2012)</p><p>Para Iudícibus e Marion (2011), o importante é avaliar se a empresa conseguirá cobrir todos os ou-</p><p>tros compromissos ou, caso contrário, como está buscando recursos para incrementar sua insuficiência</p><p>de caixa. Aqui faremos uma análise bem simplificada do Fluxo de Caixa, propondo inicialmente uma nova</p><p>disposição deste fluxo para um melhor entendimento.</p><p>ENTRADAS DE CAIXA</p><p>Recebimento de clientes</p><p>Resgate de aplicações financeiras</p><p>Captação de recursos financeiros</p><p>(=) Total dos ingressos (das entradas)</p><p>SAÍDAS DE CAIXA</p><p>Pagamento de fornecedores</p><p>Aquisição de imobilizado</p><p>Pagamento de empréstimos</p><p>(=) Total das destinações (das saídas)</p><p>(=) Saldo de Disponibilidade</p><p>65ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>A Demonstração do Fluxo de Caixa é obrigatória no Brasil e há duas formas de apresentação: método direto e método indireto:</p><p>• O método direto facilita ao usuário avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos financei-</p><p>ros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados.</p><p>• O método indireto é aquele cujos recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados com base no lucro líqui-</p><p>do ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado que não afetam o caixa da empresa.</p><p>Modelo de DFC – Método Direto Modelo de DFC – Método Indireto</p><p>I – Fluxos das Operações:</p><p>(+) Recebimento de vendas</p><p>(-) Pagamento de compras</p><p>(-) Pagamento de impostos</p><p>(-) Pagamento de despesas operacionais</p><p>(=) Caixa Gerado pelas Operações</p><p>I – Fluxos das Operações:</p><p>(=) Resultado do exercício</p><p>(-) Aumento das contas a receber</p><p>(+) Diminuição dos estoques</p><p>(-) Diminuição dos fornecedores</p><p>(=) Caixa Gerado pelas Operações</p><p>II – Fluxos dos Investimentos:</p><p>(-) Aquisição de investimentos/imobilizado</p><p>(+) Vendas de investimentos/imobilizado</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Investimentos</p><p>II – Fluxos dos Investimentos:</p><p>(-) Aquisição de investimentos/imobilizado</p><p>(+) Vendas de investimentos/imobilizado</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Investimentos</p><p>III – Fluxos dos Financiamentos:</p><p>(+) Integralização do capital</p><p>(+) Empréstimos bancários</p><p>(-) Amortização de financiamentos</p><p>(-) Pagamento de dividendos</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Financiamentos</p><p>III – Fluxos dos Financiamentos:</p><p>(+) Integralização do capital</p><p>(+) Empréstimos bancários</p><p>(-) Amortização de financiamentos</p><p>(-) Pagamento de dividendos</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Financiamentos</p><p>Variação Total das Disponibilidades: I + II + III Variação Total das Disponibilidades: I + II + III</p><p>Saldo inicial das disponibilidades Saldo inicial das disponibilidades</p><p>Saldo final das disponibilidades Saldo final das disponibilidades</p><p>66ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Observe que independentemente do método (direto ou indireto), em ambos os casos há a clas-</p><p>sificação de três categorias:</p><p>• Atividades operacionais: decorrentes da operação da empresa, descrevem substancialmente as</p><p>transações registradas na DRE:</p><p>Entradas de Caixa: recebimentos de vendas realizadas a vista, outros recebimentos como in-</p><p>denizações de seguros etc.</p><p>Saídas de Caixa: pagamentos a fornecedores por compras à vista, pagamentos de impostos,</p><p>pagamentos de encargos financeiros de empréstimos e financiamentos etc.</p><p>• Atividades de investimentos: são geralmente determinados por variações nos ativos não circulan-</p><p>tes (ativos de longo prazo) e destinados à atividade operacional de produção e venda da empresa.</p><p>Entradas de Caixa: recebimentos pela venda de títulos de aplicação de longo prazo (investi-</p><p>mentos), de imobilizado etc.</p><p>Saídas de Caixa: aquisições de títulos de longo prazo para investimentos, desembolsos para</p><p>participação acionária em outras companhias, compras à vista de bens imobilizados etc.</p><p>• Atividades de financiamentos: se referem às operações com credores e investidores.</p><p>Entradas de Caixa: captações captação de recursos dos proprietários, captação de emprésti-</p><p>mos de terceiros; integralização de ações emitidas etc.</p><p>Saídas de Caixa: pagamentos de dividendos e juros sobre o capital próprio aos acionistas,</p><p>amortizações de empréstimos e financiamentos (pagamento de principal), etc.</p><p>Vale lembrar que os modelos são ferramentas de apoio ao processo decisório,</p><p>construídas com base nas informações do Fluxo de Caixa realizado, destinadas a</p><p>atender aos usuários externos, informando-lhes a situação e a capacidade de gera-</p><p>ção de caixa que a empresa teve num determinado período.</p><p>Vamos a um breve exemplo para que possa absorver o conhecimento e enten-</p><p>der as possibilidades nas análises da estrutura da DFC:</p><p>Balanço Patrimonial – Cia. Exemplo Simples S.A.</p><p>ATIVO X1 PASSIVO X1</p><p>Circulante Circulante</p><p>Disponível 700 Fornecedores 100</p><p>Clientes 300 Empréstimos 500</p><p>Estoque 500 600</p><p>1.500</p><p>P. Líquido (PL)</p><p>Não Circulante Capital 1.500</p><p>Investimentos 100 Reserva de lucros 1.000</p><p>Imobilizado 1.000 2.500</p><p>Intangível 500</p><p>1.600</p><p>Total 3.100 Total 3.100</p><p>67ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Fatos a serem considerados no decorrer do exercício seguinte (X2):</p><p>VARIAÇÃO DO CAIXA</p><p>Entradas Saídas</p><p>700</p><p>1.400</p><p>200</p><p>100</p><p>500</p><p>50</p><p>Subtotal: 2.100 Subtotal: 850</p><p>Total: 1.250</p><p>DRE</p><p>Vendas 2.000</p><p>(-) Impostos</p><p>(400)</p><p>(=) Vendas líquidas 1.600</p><p>(-) CMV (250)</p><p>(=) Lucro Bruto 1.350</p><p>(-) Despesas Operacionais (300)</p><p>(=) Lucro Operacional 1.050</p><p>(-) IRPJ/CSLL (210)</p><p>(=) Lucro líquido 840</p><p>Levando em conta as operações no ano, é possível identificar a Variação do Cai-</p><p>xa, a DRE e o BP durante o período:</p><p>Considerando as informações até o momento elaboradas e com o breve conhecimento</p><p>apresentação sobre a DFC, vamos à apresentação da DFC deste exemplo, considerando os dois</p><p>métodos existentes.</p><p>• Receitas: R$2.000,00, sendo 70% à vista e o restante a prazo</p><p>• Impostos sobre vendas: R$400,00</p><p>• CMV: R$250,00</p><p>• Depreciação: 10% do imobilizado</p><p>• Impostos sobre o lucro: R$210,00</p><p>• Pagamento de outras despesas: R$200,00</p><p>• Pagamento dos fornecedores e do empréstimo (em dinheiro)</p><p>• Compra de um terreno: R$50,00 à vista</p><p>• Constituição de Reserva Legal 5% e Dividendos: R$400,00</p><p>Balanço Patrimonial – Cia. Exemplo Simples S.A.</p><p>ATIVO X1 X2 PASSIVO X1 X2</p><p>Circulante Circulante</p><p>Disponível 700 1.250 Fornecedores 100 -</p><p>Clientes 300 900 Empréstimos 500 -</p><p>Estoque 500 250 Impostos a Pagar - 610</p><p>1.500 2.400 Dividendos a Pagar - 400</p><p>600 1.010</p><p>Não Circulante</p><p>Investimentos 100 150 P. Líquido (PL)</p><p>Imobilizado 1.000 1.000 Capital 1.500 1.500</p><p>(-) Depreciação - (100) Reserva legal - 32</p><p>Intangível 500 500 Reserva de lucros 1.000 1.408</p><p>1.600 1.550 2.500 1.940</p><p>Total 3.100 3.950 Total 3.100 3.950</p><p>68ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>DFC – Método Direto</p><p>I – Fluxos das Operações:</p><p>(+) Recebimento de vendas 1.400</p><p>(-) Pagamento de compras (100)</p><p>(-) Pagamento de despesas operacionais (200)</p><p>(=) Caixa Gerado pelas Operações 1.100</p><p>II – Fluxos dos Investimentos:</p><p>(-) Aquisição de novos invest./imobilizado (50)</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Investimentos (50)</p><p>III – Fluxos dos Financiamentos:</p><p>(-) Amortização de financiamentos (500)</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Financiamentos (500)</p><p>Variação Total das Disponibilidades: I + II + III 550</p><p>Saldo inicial das disponibilidades 700</p><p>Saldo final das disponibilidades 1.250</p><p>Observe que as metodologias de apresentação entre o método direto e indireto são di-</p><p>ferentes, porém chegam ao mesmo resultado.</p><p>A pergunta é: Qual melhor método para ser utilizado? Não há resposta correta, tudo</p><p>vai depender do tipo de informação que se espera obter.</p><p>O importante aqui é saber que existem dois métodos, que possuem suas características</p><p>específicas e cabe a você, usuário da informação, definir a melhor forma de apresentação.</p><p>69ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>DFC – Método Indireto</p><p>I – Fluxos das Operações:</p><p>Resultado do Exercício 840</p><p>(+) Depreciação 100</p><p>(-) Aumento das duplicatas a receber (600)</p><p>(+) Diminuição dos estoques 250</p><p>(-) Diminuição de fornecedores (100)</p><p>(+) Aumento de contas a pagar e impostos 610</p><p>(=) Caixa Gerado pelas Operações 1.100</p><p>II – Fluxos dos Investimentos:</p><p>(-) Aquisição de novos invest./imobilizado (50)</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Investimentos (50)</p><p>III – Fluxos dos Financiamentos:</p><p>(-) Amortização de financiamentos (500)</p><p>(=) Caixa Gerado pelos Financiamentos (500)</p><p>Variação Total das Disponibilidades: I + II + III 550</p><p>Saldo inicial das disponibilidades 700</p><p>Saldo final das disponibilidades 1.250</p><p>A legislação permite que a DFC seja elaborada tanto pelo Método Direto como pelo Mé-</p><p>todo Indireto. As companhias brasileiras são incentivadas a adotarem o Método Indireto.</p><p>Como já vimos, o Método Indireto parte do lucro líquido do exercício para conciliar com o</p><p>caixa gerado pelas operações. O Método Direto destaca as movimentações financeiras ex-</p><p>plicitando as entradas e saídas de recursos de cada componente da atividade operacional.</p><p>70ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES</p><p>DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL)</p><p>A DMPL é considerada a melhor demonstração que evidencia as</p><p>contas que sofreram alterações durante o exercício, nas diversas contas</p><p>do Patrimônio Líquido (PL) e sua publicação é obrigatória por lei.</p><p>Usualmente essa demonstração apresenta no mínimo dois exer-</p><p>cícios anteriores para evidenciar as mudanças de valores pertencentes</p><p>aos sócios ou acionistas com a empresa.</p><p>A DMPL avalia a terceira parte do balanço, ou seja, o Patrimônio</p><p>Líquido. É onde se encontram o capital social e também os lucros ou</p><p>prejuízos do período. Segundo Ribeiro (2014), a Demonstração do Pa-</p><p>trimônio Líquido demonstra as variações do patrimônio líquido em um</p><p>período de tempo.</p><p>Ainda, segundo Assaf Neto, (2012) DMPL não tem uma estrutura</p><p>básica para se seguir conforme a lei, ficando a critério da empresa a ma-</p><p>neira que serão demonstrados os valores que dela fazem parte, porém</p><p>ela tem alguns dados que devem ser considerados em sua estrutura.</p><p>As principais contas contábeis que compõem o PL:</p><p>I. Capital social:</p><p>Investimento inicial feito pelos proprietários para a constituição da empresa e pode se subdividir entre:</p><p>• Capital subscrito (investimento inicial que deverá ser realizado pelos sócios);</p><p>• Capital social a realizar (corresponde a parcela do capital subscrito que ainda não foi integralizada).</p><p>II. Reservas:</p><p>Não são valores em dinheiro e sim percentuais predefinidos pela legislação e pelo estatuto da empresa.</p><p>Através da reversão das reservas, pode-se aumentar o capital da empresa ou amenizar/anular um prejuízo do</p><p>exercício, o que não pode é distribuir aos acionistas. Alguns tipos são:</p><p>• Reserva de capital:</p><p>Não se origina do resultado do exercício: ágio na emissão de ações (aumento do capital da empresa por</p><p>meio de emissão de ações com lucro, esse ganho é reserva de capital); doações e subvenções para investimentos</p><p>(vindas da iniciativa público ou privada, aumentando a riqueza da empresa. A destinação das reservas de capi-</p><p>tal: absorver prejuízos; incorporar ao capital; pagamento de dividendo das ações preferenciais.</p><p>• Reservas de reavaliação:</p><p>Não existe mais, foi permitido até 2007. Representa a contrapartida do aumento dos valores do ativo imo-</p><p>bilizado. O valor de reposição perante o mercado deve ser feito por empresa especializada.</p><p>71ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Ajustes de Avaliação patrimonial:</p><p>Os aumentos e diminuições do ativo e passivo em decorrência da avaliação a preço de</p><p>mercado que não foi computado no resultado do exercício.</p><p>• Reservas de lucros:</p><p>Decisão de como a companhia irá utilizar o lucro líquido do período. Essa destinação carac-</p><p>teriza-se pela transferência de percentuais deste resultado e é imposta pela legislação ou estatuto:</p><p>• Reserva legal: do lucro líquido, 5% são aplicados antes de qualquer destinação e não pode</p><p>exceder 20% do capital social. Quando superar não precisa constituir a reserva legal.</p><p>• Reserva para contingência: opcional e deve ser justificado sua constituição.</p><p>• Reserva de lucros a realizar: após destinação das reservas, manter nessa conta para pre-</p><p>caução do futuro.</p><p>• Dividendos:</p><p>Parcela do Lucro líquido distribuída aos acionistas como participação do resultado da com-</p><p>panhia, proporcional à quantidade de ações a ele pertencentes. Sociedades limitadas não são obri-</p><p>gadas a distribuírem dividendos. As regras para determinação dos dividendos, percentual e base</p><p>de cálculo ficam a cargo do estatuto da companhia. A legislação prevê dois tipos de dividendos:</p><p>• Dividendo obrigatório: após a distribuição das reservas um percentual mínimo obri-</p><p>gatório. Para as empresas Sociedades Anônimas, na ausência é a Lei que prevalece 25%.</p><p>• Dividendo de ações preferenciais: dividendo fixo (determinado percentual sobre o</p><p>capital ou lucro) e dividendo mínimo (corresponde às ações preferenciais que parti-</p><p>cipam do lucro distribuído em igualdade).</p><p>O dividendo que não for pago no exercício fica acumulado para pagamento no exer-</p><p>cício seguinte.</p><p>• Ajustes de exercícios anteriores:</p><p>Não existe mais – efeitos de mudança de critério contábil e retificação de erro.</p><p>Para Iudícibus (2010) a técnica da elaboração desta demonstração é bastante simples:</p><p>a. indica-se uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido (preferencialmente in-</p><p>dicando o grupo de Reservas a que pertence). Se houver a conta dedutiva Capital a Rea-</p><p>lizar, faz-se a subtração da conta Capital Social e utiliza-se a Conta Capital Realizado.</p><p>b. Nas linhas horizontais indicam-se as movimentações das contas de um período</p><p>para o outro.</p><p>Vejamos um exemplo:</p><p>72ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Balanço Patrimonial – Cia. Exemplo Simples S.A.</p><p>ATIVO X1 X2 PASSIVO X1 X2</p><p>Circulante (*) Circulante (*)</p><p>Não Circulante (*) Não Circulante (*)</p><p>Patrimônio Líquido</p><p>Capital 7.000 8.000</p><p>Reservas de capital - 2.800</p><p>Reservas de lucro</p><p>- Reserva legal 70 220</p><p>- Reserva estatutária 2.400 2.400</p><p>- Reserva p/ contingência 140 395</p><p>Lucros acumulados 950 1.790</p><p>Total do PL 10.560 15.605</p><p>Total (*) (*) Total (*) (*)</p><p>(*) Informações não apresentadas/não disponibilizadas, pois neste caso o foco é o grupo de Patrimônio Líquido.</p><p>73ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>É importante observar que a DMPL resumidamente se trata da abertura detalhada das contas contábeis que</p><p>constam no PL no Balanço Patrimonial e a movimentação entre os exercícios, é o reflexo do resultado do ano na</p><p>DRE e a destinação deste lucro ou prejuízo.</p><p>Por fim, depois de todas as movimentações feitas, o total do saldo final tem que bater com o valor do Patri-</p><p>mônio Líquido alocado no Balanço Patrimonial.</p><p>Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – Cia. Exemplo Simples S.A.</p><p>Movimentações</p><p>Capital</p><p>realizado</p><p>Reservas</p><p>de capital</p><p>Reserva de lucro Lucros</p><p>Acumula-</p><p>dos</p><p>TOTAL</p><p>Res. legal</p><p>Res.</p><p>estatutária</p><p>Res. p/</p><p>conting.</p><p>Saldos em X1 7.000 - 70 2.400 140 950 10.560</p><p>Aumento de capital 1.000</p><p>Constituição 2.800</p><p>Lucro Líquido do</p><p>Exercício (DRE)</p><p>1.245</p><p>Destinação do LL:</p><p>- Res. legal 150 (150)</p><p>- Res. p/ conting. 255 (255)</p><p>Saldos em X2 8.000 2.800 220 2.400 395 1.790 15.605</p><p>74ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DO VALOR AGREGADO OU</p><p>ADICIONADO E DAS DEMONSTRAÇÕES DO RESULTADO ABRANGENTE</p><p>Outras duas demonstrações contábeis que podem ser possíveis de suas estru-</p><p>turas serem analisadas é a DVA (Demonstração do Valor Agregado ou Demonstra-</p><p>ção do Valor Adicionado) e a DRA (Demonstração do Resultado Abrangente).</p><p>1. DVA:</p><p>Com a Lei 11.638/2007, a publicação desta demonstração se tornou obri-</p><p>gatória para as empresas de capital aberto. Considerada uma demonstração de</p><p>extrema necessidade para tomada de decisões, pois evidencia as variações fi-</p><p>nanceiras da empresa, fornecendo informações a respeito dos valores agregados</p><p>à riqueza da empresa.</p><p>Evidencia o valor das riquezas criadas pela sociedade durante seu processo</p><p>produtivo, em outras palavras, procura evidenciar para quem a empresa está ca-</p><p>nalizando a renda obtida, admitindo que o valor que a empresa adiciona por meio</p><p>de sua atividade seja um “bolo”, a ser repartido em fatias.</p><p>Evidencia a participação dos sócios não controladores e presta informações</p><p>aos usuários das Demonstrações Financeiras relativas à maneira como a riqueza da</p><p>empresa foi criada e seus procedimentos utilizados para a sua distribuição.</p><p>De maneira simplificada, podemos apurar o valor adicionado através do cálculo da diferença</p><p>entre o valor das receitas brutas ajustadas e o valor total dos insumos adquiridos de terceiros:</p><p>• Receitas brutas ajustadas:</p><p>Receitas adquiridas através de venda das mercadorias ou serviços, diminuídos do valor resul-</p><p>tante das devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos.</p><p>• Insumos adquiridos de terceiros:</p><p>Custo das mercadorias vendidas, matéria-prima e demais insumos consumidos, serviços ad-</p><p>quiridos de terceiros etc.</p><p>As fatias do “bolo”, ou melhor, a distribuição da riqueza apurada da empresa (valor adiciona-</p><p>do) levará em conta os seguintes valores:</p><p>• Pessoal e encargos</p><p>• Impostos, taxas e contribuições</p><p>• Juros e aluguéis</p><p>• Juros sobre capital próprio e dividendos</p><p>• Lucros retidos/prejuízos do exercício</p><p>75ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Modelo de apresentação da DVA</p><p>Riqueza Gerada:</p><p>Receitas operacionais e não operacionais</p><p>(-) CMV, CSP, CPV</p><p>(-) Serviços adquiridos de terceiros</p><p>(-) Materiais e insumos, energia, comunicação, propaganda etc.</p><p>(-) Outros valores</p><p>(=) Valor Bruto Adicionado</p><p>(-) Despesas de depreciação, amortização e exaustão</p><p>(=) Valor Líquido Adicionado</p><p>(+) Valores remunerados por terceiros (juros, aluguéis etc.)</p><p>(=) Valor Adicionado à Disposição da Empresa</p><p>Distribuição do Valor Adicionado</p><p>Remuneração do trabalho</p><p>Remuneração do governo (impostos e contribuições)</p><p>Remunerações de terceiros (juros, aluguéis)</p><p>Remuneração do capital próprio (dividendos e lucros retidos)</p><p>Outros</p><p>(=) Total do Valor Distribuído</p><p>Segundo Neto (2012) “a DVA é a demonstração do</p><p>quanto a empresa agregou de valor no período relacio-</p><p>nado e informado”.</p><p>É um relatório contábil que evidencia o quanto de</p><p>riqueza uma empresa produziu, isto é, o quanto ela adi-</p><p>cionou de valor aos seus fatores de produção, e o quanto e</p><p>de que forma essa riqueza foi distribuída (entre emprega-</p><p>dos, governo, acionistas, financiadores de capital), bem</p><p>como a parcela da riqueza não distribuída. (Ribeiro, 2014)</p><p>A elaboração da DVA deve apresentar:</p><p>• Receita de vendas pelo valor bruto e receitas não</p><p>operacionais pelo valor bruto do faturamento;</p><p>• Valor das matérias, com exceção do custo incorrido</p><p>com pessoal próprio;</p><p>• Valores relativos a materiais, energia e serviços de</p><p>terceiros;</p><p>• Outros valores: constituição e reversão das provi-</p><p>sões para PDD;</p><p>• Despesas ou custos do imobilizado.</p><p>Apenas para se ter um entendimento das informações</p><p>que são geradas por essa demonstração, é possível através</p><p>dos resultados calculados, obter a seguinte informação:</p><p>76ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Os principais componentes da distribuição da riqueza gerada pela entidade:</p><p>• Remuneração do trabalho com pessoal, incluindo os valores apropriados ao custo e</p><p>ao resultado: remuneração direta (salários, 13º. salário, honorários da administração,</p><p>férias); benefícios (assistência médica, alimentação, transportes) e FGTS.</p><p>• Impostos, taxas e contribuições: relativos ao recolhimento do empregador ou naqueles</p><p>incidentes das transações executadas. Em caso de compensação, considerar apenas os</p><p>valores devidos ou já recolhidos.</p><p>• Capitais de terceiros: valores pagos ou creditados aos financiadores externos de capital:</p><p>juros (despesas financeiras e variações cambiais decorrentes de empréstimos e valores</p><p>capitalizados); aluguéis (pagos ou creditados a terceiros) e outras remunerações repre-</p><p>sentativas de transferência de riqueza a terceiros.</p><p>• Remuneração de capitais próprios: remuneração atribuída aos sócios e acionistas (ju-</p><p>ros sobre capital próprio - JCP e dividendos) e Lucros ou prejuízos.</p><p>1. DRA:</p><p>A Demonstração do Resultado Abrangente, de acordo com Martins, Diniz e Miranda</p><p>(2012) se refere às mutações do Patrimônio Líquido que não sejam transações de capital com</p><p>os sócios e que não componham o resultado. Assim, fazer parte dela as variações a mercado</p><p>dos instrumentos financeiros disponíveis para venda, os ajustes de conversão de balanços</p><p>em outra moeda, reavaliação de ativos quando permitida etc. Em algumas situações, o que</p><p>existe são as denominadas reclassificações, que são transferência de valores de resultado</p><p>abrangente para o Resultado do Período, como as realizações das reservas de reavaliação,</p><p>transferidas para Lucros Acumulados, ou como as transferências de ganhos ou perdas acu-</p><p>muladas de conversão para o resultado etc.</p><p>Por se tratar de uma demonstração bastante específica, não se encontra facilmente</p><p>nas empresas. Sendo assim, não estenderemos no assunto, apenas é importante que você,</p><p>prezado aluno e aluna, saiba que essa demonstração é existente, quando aplicável.</p><p>77ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>RELATÓRIOS DE ANÁLISE</p><p>O cálculo, entendimento, intepretação e aplicação dos índices, percen-</p><p>tuais, quocientes e resultados apresentados em análises financeiras são for-</p><p>tes instrumentos de gestão e diagnóstico da performance empresarial.</p><p>Com a complexidade corporativa, a necessidade de informações com-</p><p>pletas e estruturadas passou a ser imprescindível para a avaliação de seus re-</p><p>sultados. Os relatórios de análise resumem-se a um grupo de informações,</p><p>redigidas de forma clara, lógica e estruturada, contendo a opinião e a conclu-</p><p>são do analista sobre os índices financeiros calculados nos diversos grupos de</p><p>resultados financeiros.</p><p>A preparação de um relatório comentado, acrescenta à visão do avalia-</p><p>dor uma ferramenta importante na tomada de algumas decisões dentro da</p><p>organização. Deve ser levado em consideração a peculiaridade da empresa e</p><p>do negócio, o tamanho da empresa e até mesmo a região onde atuam no mo-</p><p>mento da elaboração de um relatório de análise interpretativo.</p><p>Para o sucesso de uma empresa, um dos segredos é a melhor forma de</p><p>comunicação, interna e externamente, utilizando uma linguagem objetiva,</p><p>correta e concisa.</p><p>Resumindo para a elaboração de um relatório de análise financeira, devem ser reunidas as informa-</p><p>ções mais importantes dentro do contexto financeiro da empresa; produzir informações questionadoras,</p><p>cuja frase ou parágrafo indique a conclusão do raciocínio: facilitar o entendimento do leitor e convencê-lo</p><p>de que a interpretação está correta e completa.</p><p>Para Iudícibus (2010), basicamente o anseio de analisar os demonstrativos contábeis, e de seus</p><p>relacionamentos numéricos extrair indicadores de importância para determinado interesse decisório de</p><p>ordem econômica. A expressão “Análise de Balanços” deve ser entendida em sentido amplo, incluindo os</p><p>principais demonstrativos contábeis e outros detalhamentos e informações adicionais que sejam neces-</p><p>sários (por exemplo, no caso de a análise destinar-se à administração da empresa). Depreende-se que a</p><p>análise de balanços tem valor somente à medida que o analista:</p><p>• Estabeleça uma tendência (uma série histórica) dentro da própria empresa;</p><p>• Compare os índices e relacionamentos realmente obtidos com os mesmos índices e relacionamentos</p><p>expressos em termos de metas;</p><p>• Compare os índices e relacionamentos com os da concorrência, com outras empresas de amplitude</p><p>nacional e internacional.</p><p>É preciso, por outro lado, estarmos atentos ao fato de que a análise é uma arte, pois não existe um</p><p>roteiro padronizado que leve sempre s mesmas conclusões, dentro das mesmas circunstâncias.</p><p>78ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>SÍNTESE</p><p>Em nossa última unidade exploramos as estruturas das peças contábeis além daquelas</p><p>mais utilizadas, que são o Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício.</p><p>Foi abordado o conceito, estrutura e objetivo da DFC (Demonstração do Fluxo de Cai-</p><p>xa), DMPL (Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido), DVA (Demonstração do</p><p>Valor Adicionado), DRA (Demonstração do Resultado Abrangente) e dos relatórios de aná-</p><p>lises. É importante sabermos quais são essas demonstrações e saber ler os números que</p><p>elas apresentam para auxiliar-nos a identificar a situação de toda e qualquer empresa, in-</p><p>dependentemente do setor e do porte.</p><p>Eu como professora que elaborou este material, desejo que tenham aproveitado ao</p><p>máximo o compartilhamento de conhecimentos fundamentais para que possam explorar</p><p>as análises das estruturas das demonstrações contábeis. Não se norteiem apenas com este</p><p>material, explorem as referências bibliográficas e os materiais sobre estes assuntos. Estu-</p><p>dem, estudem e estudem, pois no fundo o maior responsável pelo conhecimento são vocês,</p><p>queridas alunas e queridos alunos, o caminho é de vocês!!!</p><p>“Estudar muito não é uma questão de horas, mas de número de horas realmente</p><p>aproveitadas” – Willian Douglas.</p><p>Para encerrar, vamos à prática de mais alguns exercícios de aprendizagem e fixa-</p><p>ção do conhecimento.</p><p>79ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>1. Uma sociedade empresária em seu exercício findo em 2012, apresentava os</p><p>seguintes dados extraídos da Demonstração das Mutações do Patrimônio</p><p>Líquido – DMPL.</p><p>De acordo com os dados acima, a variação total do Patrimônio Líquido,</p><p>apresentada na DMPL, foi de:</p><p>a. R$22.368,00.</p><p>b. R$22.704,00.</p><p>c. R$37.968,00.</p><p>d. R$38.304,00.</p><p>2. Uma sociedade empresária possuía, em 1º.1.2012, os seguintes saldos em suas contas patrimoniais:</p><p>• Capital Subscrito R$100.000,00</p><p>• Capital a Integralizar R$40.000,00</p><p>• Reserva Legal R$1.800,00</p><p>• Reserva para Contingências R$4.320,00</p><p>Durante o ano de 2012 ocorreram as seguintes movimentações:</p><p>• Integralização de capital no valor de R$15.000,00.</p><p>• Lucro apurado no exercício no valor de R$45.000,00.</p><p>Do resultado do período, 5% foi destinado à Reserva Legal, 12% à Reserva para Contingências e o</p><p>restante para Dividendos a Pagar. O valor total do Patrimônio Líquido ao final do ano de 2012 é:</p><p>a. R$68.770,00.</p><p>b. R$88.770,00.</p><p>c. R$126.120,00.</p><p>d. R$128.770,00.</p><p>80ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>3. Com base nas informações a seguir, elabore a Demonstração da Mutação do Patrimônio Lí-</p><p>quido (DMPL), e, em seguida, assinale a opção CORRETA.</p><p>• Patrimônio Líquido 31.12.2011</p><p>• Capital Social R$ 230.000,00</p><p>• Reservas de Lucro R$ 65.000,00</p><p>• Reserva Legal R$ 10.000,00</p><p>• Reservas de Lucro para Expansão R$ 30.000,00</p><p>• Reservas para Contingências R$ 25.000,00</p><p>• Total do Patrimônio Líquido R$ 295.000,00</p><p>Informações adicionais:</p><p>• O lucro do Exercício foi de R$70.000,00.</p><p>• A Reserva Legal é de 5% do Lucro do Exercício.</p><p>• Houve reversão total das Reservas para Contingências por deixarem de existir as razões que</p><p>justificaram a sua constituição.</p><p>• Foram constituídas Reservas de lucros para Expansão de R$50.000,00.</p><p>O valor destinado para dividendos é de:</p><p>a. R$41.500,00. b. R$45.000,00. c. R$66.500,00. d. R$91.500,00.</p><p>4. Com relação ao que determina a NBC TG 26 – Apresentação das Demonstrações</p><p>Contábeis, no tocante à informação a ser apresentada na Demonstração das Mu-</p><p>tações do Patrimônio Líquido (DMPL) ou nas Notas Explicativas, julgue os itens</p><p>abaixo e, em seguida, assinale a opção CORRETA.</p><p>I. Para cada componente do patrimônio líquido, a entidade deve apresentar, ou na</p><p>demonstração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas,</p><p>uma análise dos outros resultados abrangentes por item.</p><p>II. O patrimônio líquido deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os</p><p>ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em</p><p>tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos os lucros acu-</p><p>mulados e as demais contas exigidas pelas normas emitidas pelo Conselho Fe-</p><p>deral de Contabilidade.</p><p>III. A entidade deve apresentar na demonstração das mutações do patrimônio líqui-</p><p>do, ou nas notas explicativas, o montante de dividendos reconhecidos como dis-</p><p>tribuição aos proprietários durante o período e o respectivo montante por ação.</p><p>Está(ão) CORRETO(S) o(s) item(ns):</p><p>a. I e II, apenas.</p><p>b. I, apenas.</p><p>c. I, II e III.</p><p>d. II e III, apenas.</p><p>81ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>5. Na Demonstração do Valor Adicionado,</p><p>a despesa com aluguel, a energia elétrica</p><p>consumida no período e o resultado posi-</p><p>tivo de equivalência patrimonial são evi-</p><p>denciados, respectivamente como:</p><p>a. Insumos adquiridos de terceiros; insu-</p><p>mos adquiridos de terceiros e remunera-</p><p>ção do capital próprio.</p><p>b. Insumos adquiridos de terceiros; insu-</p><p>mos adquiridos de terceiros e valor adi-</p><p>cionado recebido em transferência.</p><p>c. Remuneração do capital de terceiros; re-</p><p>muneração do capital de terceiros e valor</p><p>adicionado recebido em transferência.</p><p>d. Remuneração do capital de terceiros; in-</p><p>sumos adquiridos de terceiros e remune-</p><p>ração do capital</p><p>das empresas desconhecidas ou mesmo conhecidas,</p><p>os investidores utilizam os dados dos balanços patrimoniais das empresas que es-</p><p>peram investimentos. A contabilidade se torna o principal termômetro para mos-</p><p>trar a saúde financeira das companhias. Tanto que para empresas de capital aberto,</p><p>as exigências são maiores e as informações contábeis melhores.</p><p>Além de fornecer dados aos usuários externos, é o balizamento na gestão dos</p><p>recursos internos da empresa. É um grande controle gerencial da empresa, pois todos</p><p>os fatos são registrados na contabilidade e isso é muito além de mostrar o mês a mês</p><p>do lucro ou prejuízo obtido pela empresa. EX: quanto de crédito pode ser ofertado,</p><p>empréstimos, venda da empresa, conquista de um grande cliente ou fornecedor etc.</p><p>A característica mais relevante na análise das demonstrações contábeis é a comparação, ou</p><p>seja, a análise de uma empresa só é possível ser realizada comparando os valores de determinada</p><p>conta, com os valores do período anterior, além disso, temos o relacionamento desses valores com</p><p>outros afins. De acordo com o professor Assaf Neto (2008) “o montante de uma conta ou de um</p><p>grupo patrimonial quando tratado isoladamente não retrata adequadamente a importância do valor</p><p>apresentado e muito menos seu comportamento ao longo do tempo”.</p><p>Acompanhem um simples exemplo para entenderem o que isso significa: Você foi convidado por</p><p>um investidor, que deseja comprar ações da Companhia Internacional S.A., para fornecer uma opinião</p><p>com relação à conta contábil de “empréstimo não circulante” (longo prazo) dessa empresa. O inves-</p><p>tidor te passa a seguinte informação e questionamento: “o total dos empréstimos de longo prazo é de</p><p>R$6.000.000,00 no final de 2017, isso é bom ou a empresa está muito endividada?” Simplesmente com</p><p>essa informação, você conseguiria desenvolver alguma análise? Seria bem difícil, não acha? Mas, e se ele</p><p>passar uma segunda informação: “o total dos empréstimos de longo prazo em 2016, ou seja, no ano an-</p><p>terior, era R$16.000.000,00”. Opa! Agora já é possível fazer alguma análise (comparação), vamos tentar?</p><p>• Primeiro momento: total dos empréstimos de longo prazo em 2016 era R$16.000.000,00</p><p>• Segundo momento: total dos empréstimos de longo prazo em 2017 era R$6.000.000,00</p><p>Vamos identificar a variação de um período para o outro?</p><p>• Variação: Período Final – Período inicial => 6.000.000,00 – 16.000.000,00 = (10.000.000,00)</p><p>ou (-62,50%).</p><p>7ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>O que esse resultado de 62,50% pode representar? Você já poderia afirmar</p><p>que esse resultado é excelente? E garantir que a empresa não está endividada??</p><p>Vamos seguir...</p><p>E, se o investidor te disser que o total do passivo da empresa, isso é, das</p><p>obrigações totais era de R$300.000.000,00 em 2017 e em 2016 ele representava</p><p>R$289.000.000,00? Bom, agora já possuímos mais informações.</p><p>Vamos ver quanto significava a conta de empréstimos de longo prazo no total</p><p>de passivo da empresa em 2017 e em 2016:</p><p>• Representação em 2017 = 6.000.000,00/300.000.000,00 = 2%</p><p>• Representação em 2018 = 16.000.000,00/289.000.000,00 = 5,5%</p><p>Bom, agora já possuímos boas informações e conseguimos apresentar um ra-</p><p>ciocínio e uma boa argumentação, como por exemplo:</p><p>O que temos é a seguinte situação: uma redução de 62,5% nos empréstimos da</p><p>Companhia Internacional S.A, o que pode ser considerada bom, mas a conta emprés-</p><p>timo de longo prazo, é pouco expressiva no total do passivo, ela só representava 2%</p><p>em 2017. Ou seja, tivemos uma excelente redução entre o ano de 2016 e 2017 (em tor-</p><p>no de 62,5%), mas essa conta tem pouca representatividade em relação ao passivo.</p><p>Sendo assim, quando comparamos os valores entre si e com outros de diferentes períodos</p><p>teremos um aspecto mais dinâmico e elucidativo da posição estática das demonstrações contábeis.</p><p>Inicialmente é importante reforçar sobre a obrigatoriedade da escrituração contábil em to-</p><p>das as empresas. Segundo o Novo Código Civil, Lei 10.406 de 2002, art. 1179: “o empresário e a so-</p><p>ciedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com</p><p>base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respecti-</p><p>va, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.”</p><p>E essa obrigatoriedade não se limita somente às empresas de grande porte, uma vez que a</p><p>Lei Complementar 123 de 2006, em seu art. 27 menciona que: “as microempresas e as empresas</p><p>de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade</p><p>simplificada para os registros e controles das operações realizadas”, ou seja, não se eximem sobre</p><p>a obrigação de ter uma contabilidade sobre suas operações.</p><p>8ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>RELEMBRANDO AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>As operações de qualquer empresa refletem em informações e dados que são</p><p>compilados através das demonstrações contábeis. Há uma padronização no for-</p><p>mato de apresentação dessas demonstrações a fim de que qualquer usuário, em</p><p>qualquer lugar do mundo, consiga interpretar os números das empresas, indepen-</p><p>dentemente do porte ou atividade da empresa. Saber compreender as estruturas</p><p>das demonstrações e analisá-las é fundamental para quem quer entender sobre a</p><p>saúde financeira das empresas.</p><p>Então, antes de adiantarmos nas modalidades de análises e interpretações</p><p>sobre os números de uma empresa, faz-se importante relembrarmos quais são as</p><p>demonstrações contábeis usuais e para o que elas servem. Ressalto aqui que este</p><p>subitem do material é apenas uma recordação, não se atenha somente neste mate-</p><p>rial caso identifique muita dificuldade em recordar as peças (demonstrações) con-</p><p>tábeis, pois estas são como um norte de toda a compreensão para o restante da ma-</p><p>téria. Mas vamos ao que interessa... relembrar sobre as demonstrações contábeis.</p><p>O objetivo principal da contabilidade é coletar, registrar, resumir, analisar e</p><p>demonstrar, em termos monetários (valores), informações do negócio da empresa.</p><p>A importância de registrar as transações (vendas, compras de estoque, aquisição</p><p>de maquinário, obtenção de financiamentos e empréstimos, dentre outras) de uma</p><p>empresa é proveniente de uma série de fatores, como, por exemplo:</p><p>• Dinamismo das companhias, já que as empresas estão sempre se adaptando para se tornarem</p><p>competitivas e sobreviverem;</p><p>• Necessidade de comprovar, com registros e documentos, a veracidade das transações ocorridas</p><p>(acionistas, autoridades fiscais etc.) e;</p><p>• Necessidade de se conhecer a performance da empresa ao longo dos anos: se as empresas estão</p><p>crescendo ou valorizando, se está com lucro ou prejuízo.</p><p>9ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Agora que relembramos alguns pontos primordiais da importância da contabilidade, precisamos</p><p>discorrer sobre o Pronunciamento Técnico - CPC 26 que estabeleceu o conjunto completo das demons-</p><p>trações financeiras para as entidades que atuam no Brasil. As peças contábeis são os produtos da con-</p><p>tabilidade e algumas são obrigatórias e outras facultativas.</p><p>A fim de recordar quais são as demonstrações contábeis (destaco novamente que você, caro alu-</p><p>no, precisa já ter o conhecimento sobre as demonstrações contábeis para avançar na disciplina. Este</p><p>conhecimento deve ter sido adquirido em outras disciplinas já cursadas, eu, como professora, farei</p><p>apenas menção para introduzir de fato a disciplina):</p><p>a. Balanço patrimonial:</p><p>Relata os bens e direitos da companhia, bem como as obrigações com terceiros e os recursos inves-</p><p>tidos pelos proprietários. O Balanço Patrimonial é considerado a principal demonstração contábil, em que</p><p>é quantificada a situação patrimonial e financeira da empresa em um determinado momento, geralmente</p><p>elas ocorrem no final do ano ou em um período prefixado (como por exemplo: final de cada trimestre).</p><p>Podemos dizer que o Balanço Patrimonial pode ser relacionado a uma</p><p>próprio.</p><p>6. Assinale a opção que apresenta exemplo de valores que reduzem o valor adicionado bruto, por estarem incluídos nos insumos adqui-</p><p>ridos de terceiros, na Demonstração do Valor adicional (DVA).</p><p>a. Salários de empregados, computados no custo dos produtos vendidos.</p><p>b. Estoque de matéria-prima.</p><p>c. Despesas com serviço de representação comercial, prestada por terceiros.</p><p>d. Aluguéis de máquinas utilizadas na produção.</p><p>7. De acordo com a estrutura definida pela regulamentação vigente para a elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), a amor-</p><p>tização de um financiamento (principal), o pagamento de dividendos e a aquisição de um imobilizado devem ser classificados, respec-</p><p>tivamente, no fluxo de caixa das atividades:</p><p>a. de financiamento, de investimento e operacionais.</p><p>b. operacionais, de investimento e de financiamento.</p><p>c. de financiamento, operacionais e de investimento.</p><p>d. de financiamento, de financiamento e de investimento.</p><p>e. de investimento, operacionais e operacionais.</p><p>82ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>8. O DFC (Demonstrativo de Fluxo de Caixa) pode ser elaborado por dois métodos distin-</p><p>tos. Preencha a lacuna assinalando a alternativa que indica o método correspondente.</p><p>O _______________________ registra e apresenta todos os pagamentos</p><p>decorrentes da atividade operacional da empresa. Como exemplos: compra a vista, quitação</p><p>de duplicatas decorrentes de compras a prazo e vendas a vista. Embora represente um pro-</p><p>cedimento mais trabalhoso na sua elaboração, é o método mais simples e elucidativo.</p><p>a. Método Indireto</p><p>b. Método Direito.</p><p>c. Método Objetivo.</p><p>d. Método Informal.</p><p>9. Julgue o item seguinte, relativos à demonstração dos fluxos de caixa (DFC). A análise da</p><p>DFC de uma entidade proporciona aos seus usuários uma base acerca da capacidade da</p><p>entidade de gerar caixa e equivalentes de caixa, nos diferentes fluxos que a compõem.</p><p>a. Certo</p><p>b. Errado</p><p>10. Os seguintes eventos afetaram a conta Caixa e Equivalentes de Caixa de uma empre-</p><p>sa em determinado período:</p><p>• Recebimento de valores decorrentes da venda de ativo imobilizado.</p><p>• Pagamento para resgatar ações da própria entidade.</p><p>• Recebimento decorrente da emissão de debêntures.</p><p>De acordo com a regulamentação vigente, na elaboração e divulgação da Demonstra-</p><p>ção dos Fluxos de Caixa (DFC), estes eventos devem ser classificados, respectivamente, no</p><p>fluxo de caixa das atividades:</p><p>a. de investimento, de financiamento e de financiamento.</p><p>b. operacionais, de financiamento e de financiamento.</p><p>c. operacionais, de investimento e de investimento.</p><p>d. de financiamento, operacionais e de financiamento.</p><p>e. de investimento, de investimento e de financiamento.</p><p>83ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>11. A gestão econômico-financeira envolve uma visão integrada dos de-</p><p>monstrativos contábeis, indicadores financeiros, custo e orçamento,</p><p>possibilitando uma visão ampliada das práticas organizacionais. Nes-</p><p>se contexto, o fluxo de caixa gerado a partir das operações regulares</p><p>da entidade, ou seja, a produção de bens e serviços, é conhecido como:</p><p>a. fluxo de caixa livre.</p><p>b. fluxo de caixa essencial.</p><p>c. fluxo de caixa operacional.</p><p>d. fluxo de caixa sequencial.</p><p>e. fluxo de caixa incrementai.</p><p>12. A Demonstração dos Fluxos de Caixa explica as variações nas aplica-</p><p>ções financeiras:</p><p>a. em duplicatas a receber.</p><p>b. no patrimônio líquido.</p><p>c. no Disponível.</p><p>d. no lucro líquido.</p><p>13. A apresentação da Demonstração do Valor Adicionado:</p><p>a. é obrigatória para todas as sociedades anônimas.</p><p>b. é exigida somente para as companhias abertas.</p><p>c. será obrigatória, a partir de 2009, para todos os tipos de sociedades.</p><p>d. será obrigatória para todas as sociedades de grande porte.</p><p>e. é facultativa e constitui-se em item das notas explicativas.</p><p>14. Na Demonstração do Valor Adicionado:</p><p>a. o valor das vendas de mercadorias, produtos e serviços não inclui o valor dos tributos recuperáveis.</p><p>b. a constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa deve ser somada ao valor das vendas para</p><p>determinar o valor total das receitas da entidade.</p><p>c. as receitas financeiras auferidas pela entidade integram o cálculo da riqueza criada pela própria entidade.</p><p>d. os impostos e contribuições não cumulativos, na distribuição do valor adicionado, devem ser calcula-</p><p>dos somente pelos valores devidos na operação de venda.</p><p>e. o resultado positivo da equivalência patrimonial integra o valor adicionado transferido por tercei-</p><p>ros para a entidade.</p><p>84ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>15. Na Demonstração de Valor Adicionado, o termo “valor adicionado” refere-se:</p><p>a. à riqueza criada pela empresa, de forma geral, medida pela diferença entre o valor das</p><p>vendas e os insumos adquiridos de terceiros.</p><p>b. ao valor adicionado ao ativo da empresa, criado de forma geral pelas atividades exercidas.</p><p>c. à riqueza criada pela receita de vendas ou dos serviços prestados a terceiros.</p><p>d. ao valor da diferença entre a variação do valor do ativo e do passivo no período.</p><p>e. ao valor adicionado relacionado às compras de bens no ativo.</p><p>16. Na Demonstração do Valor Adicionado, um item evidenciado como valor adicionado re-</p><p>cebido em transferência por uma empresa é:</p><p>a. juros de aplicações financeiras.</p><p>b. despesa com aluguel.</p><p>c. tributos não recuperáveis.</p><p>d. depreciação do ativo imobilizado.</p><p>e. lucros retidos pela empresa.</p><p>17. Sobre a “Demonstração do Valor Adicionado” (DVA), é correto afirmar que:</p><p>a. tornou-se obrigatória, por intermédio da Lei n. 11.638/2007 para todas as companhias</p><p>abertas.</p><p>b. como o conceito de “valor adicionado” está intimamente ligado à formação do Produto</p><p>Interno Bruto (PIB), da mesma forma que uma pessoa que realiza serviços para si mes-</p><p>ma não gera incremento no PIB, os ativos construídos pela própria empresa não devem</p><p>ser contabilizados na DVA.</p><p>c. o Valor Adicionado Líquido inclui resultados de equivalência patrimonial.</p><p>d. o Valor Adicionado Bruto contempla despesas com depreciação e exaustão.</p><p>e. Receitas Financeiras integram o Valor Adicionado Bruto.</p><p>18. Quanto à demonstração do Valor Adicionado, é correto afirmar que:</p><p>a. trata-se de um conjunto de informações divulgado pela companhia com o objetivo</p><p>de demonstrar o resultado da interação da empresa com o meio em que está inserida;</p><p>b. tem por objetivo evidenciar o valor da riqueza econômica gerada pelas atividades</p><p>da empresa como resultante de um esforço coletivo e sua distribuição entre os ele-</p><p>mentos que contribuíram para a sua criação;</p><p>85ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>c. tem por finalidade apresentar as alterações ocorridas no patrimônio líquido da en-</p><p>tidade;</p><p>d. apresenta todas as demais receitas e despesas que afetam o patrimônio líquido, mas</p><p>não afetam o resultado do período;</p><p>e. evidencia as transformações no caixa e equivalentes de caixa.</p><p>19. Quanto à Demonstração do Valor Adicionado (DVA), assinale a alternativa correta.</p><p>a. Para uma companhia que registrou lucro na Demonstração do Resultado do Exercício</p><p>(DRE), a soma do valor adicionado líquido mais o valor adicionado recebido em trans-</p><p>ferência é maior que o valor adicionado distribuído pela companhia no exercício.</p><p>b. De acordo com a Lei no 11.638/2007, a DVA é obrigatória para as companhias abertas</p><p>e fechadas.</p><p>c. O valor adicionado apurado na DVA destina-se, exclusivamente, à remuneração do</p><p>capital próprio, tais como dividendos, juros sobre capital próprio e lucros retidos</p><p>d. O valor adicionado recebido em transferência corresponde à parte da riqueza da em-</p><p>presa que foi produzida por terceiros e repassada à empresa.</p><p>e. A estrutura da DVA permite identificar quanto e como a riqueza é gerada, mas não</p><p>como foi distribuída.</p><p>20. A Demonstração do Resultado Abrangente deve evidenciar</p><p>a. somente as parcelas dos resultados líquidos apurados que afetem os acionistas não con-</p><p>troladores.</p><p>b. parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas, reconhecida por meio</p><p>do método de equivalência patrimonial.</p><p>c. ajustes de instrumentos financeiros de participações societárias avaliadas pelo método de</p><p>custo.</p><p>d. o resultado líquido após tributos das operações descontinuadas das entidades controladas.</p><p>e. o resultado antes do imposto sobre a renda e contribuições apuradas no período.</p><p>86ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>REFERÊNCIAS SUMÁRIO</p><p>ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços - um Enfoque Econômico e Fi-</p><p>nanceiro. 10ª. Ed. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2012.</p><p>IUDÍCIBUS, Sergio de. Análise de Balanços. 10ª. Edição. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2010.</p><p>IUDÍCIBUS, Sergio de; MARION, José Carlos. Curso de Contabilidade para Não Contadores.</p><p>7ª. Edição. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2011.</p><p>LEI 6.404/76</p><p>LEI 11.634/07</p><p>MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis – Contabilidade Empresa-</p><p>rial. 7ª. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2012.</p><p>MARQUES, José Augusto Veiga da Costa e BRAGA, Roberto. Análise Dinâmica do Capital de</p><p>Giro – O Modelo Fleuriet. Acessado em fevereiro, 2019. Disponível em http://bibliotecadi-</p><p>gital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/view/38205/36950.</p><p>MARTINS, Eliseu; DINIZ, Josedilton Alves e MIRANDA, Gilberto José. Análise Avançada</p><p>das Demonstrações Contábeis. 1ª. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2012.</p><p>RIBEIRO, Osni Moura. Estrutura e Análise de Balanços Fácil. 10ª. Ed. São Paulo: Editora</p><p>Saraiva S.A., 2014.</p><p>fotografia em um deter-</p><p>minado momento, em que, através dessa foto seria possível visualizar de uma só vez os bens, direitos,</p><p>obrigações e o capital dos sócios na entidade. Sempre devemos ter em mente que o Balanço Patrimonial</p><p>é estático, ou seja, retrata a empresa naquele momento. Demonstra a situação estática do patrimônio:</p><p>bens, direitos e obrigações da sociedade em um determinado período. Obrigatoriamente, para fins de</p><p>comparabilidade, deve ser publicado o balanço do ano corrente e do exercício imediatamente anterior.</p><p>Fica mais claro demonstrar a Equação Contábil básica que é ativo total é</p><p>igual a soma do passivo total com o patrimônio líquido. A figura ilustra:</p><p>Relacionando a imagem acima com as principais definições de cada grupo</p><p>contábil que faz parte do Balanço Patrimonial:</p><p>ATIVO PASSIVO</p><p>Circulante: Dinheiro e aquilo que</p><p>será transformado em dinheiro</p><p>rapidamente.</p><p>Circulante: Obrigações que serão</p><p>pagas rapidamente, no curto prazo.</p><p>Não Circulante: Representado por</p><p>bens e diretos. Espera-se muito</p><p>tempo para receber. E normalmente</p><p>não se vende, pois é para uso próprio</p><p>ou para renda.</p><p>Não Circulante: Demora-se muito</p><p>tempo para pagar as obrigações.</p><p>PATRIMÔNIO LÍQUIDO</p><p>Normalmente não precisa pagar,</p><p>enquanto a empresa estiver em</p><p>continuidade.</p><p>(Fonte: Iudícibus e Marion, 2011)</p><p>10ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>b. Demonstração do resultado do exercício:</p><p>Demonstra o lucro ou prejuízo do exercício</p><p>publicado, bem como a estrutura para apuração.</p><p>Obedece ao mesmo critério de publicação do BP:</p><p>comparando dois exercícios, o atual e o anterior.</p><p>Informa o resultado apurado pela companhia du-</p><p>rante o seu exercício social, seja lucro ou prejuí-</p><p>zo. Trata-se de um resumo ordenado das receitas</p><p>e despesas da empresa em determinado período.</p><p>De maneira bastante sintética: Caso as re-</p><p>ceitas de uma companhia sejam maiores que as</p><p>suas despesas e custos, a entidade terá tido lu-</p><p>cro no período. Em sendo suas despesas e custos</p><p>maiores que suas receitas, a empresa incorrerá</p><p>em prejuízo. Lembrem-se que as receitas, despe-</p><p>sas e custos devem ser reconhecidas pelo Regime</p><p>de Competência, ou seja, todo o reconhecimento</p><p>deve ser contabilizado independentemente do seu</p><p>pagamento ou recebimento. Mas, o que diz a Lei</p><p>6.404 de 1976 (Lei das S.A) sobre a DRE? Vamos</p><p>dar uma olhada no art. 187.</p><p>Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:</p><p>I - A receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas,</p><p>os abatimentos e os impostos; II - A receita líquida das vendas e</p><p>serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;</p><p>III - As despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas</p><p>das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas</p><p>operacionais; IV – O lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e</p><p>as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); V - O</p><p>resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão</p><p>para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados,</p><p>administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de</p><p>instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou</p><p>previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa;</p><p>(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); VII - o lucro ou prejuízo</p><p>líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.</p><p>§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão</p><p>computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período,</p><p>independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos,</p><p>despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a</p><p>essas receitas e rendimentos.</p><p>11ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Leram o artigo? Agora vamos à apresentação de uma estrutura básica de DRE: c. Demonstração do resultado abrangente:</p><p>Informa o resultado líquido (lucro ou prejuízo) e inclui os outros resultados abran-</p><p>gentes, ou seja, valores que foram registrados provisoriamente no patrimônio líquido.</p><p>d. Demonstração das mutações do patrimônio líquido:</p><p>Apresenta as modificações ocorridas nas contas dos acionistas da companhia e de-</p><p>monstra as modificações do PL, incluindo a formação do lucro e o seu destino.</p><p>e. Demonstração dos fluxos de caixa:</p><p>Demonstra as alterações ocorridas, durante o exercício, no saldo de caixa e equivalen-</p><p>tes de caixa. Torna-se evidente nesta demonstração de onde vieram os recursos da compa-</p><p>nhia no exercício e onde foram aplicados, é mais explicativo e detalhado.</p><p>f. Demonstração do valor adicionado:</p><p>Nesta demonstração consta a evidência clara do valor das riquezas criadas pela socieda-</p><p>de durante o seu processo produtivo, bem como os procedimentos utilizados para a sua dis-</p><p>tribuição. Evidenciar em que lugares foram distribuídos os valores adicionados ou agregados.</p><p>Essa demonstração é de obrigação somente às companhias abertas (ou seja, empresas</p><p>que possuem suas ações negociadas na Bolsa de Valores Bm&fBovespa) e demonstra o valor</p><p>da riqueza gerado pela companhia e sua distribuição entre os elementos que contribuíram</p><p>para a geração desta riqueza.</p><p>Faturamento Bruto (Venda bruta + IPI sobre o faturamento)</p><p>( - ) IPI sobre o Faturamento bruto</p><p>Receita Bruta de Vendas/Vendas Brutas/ Receita Operacional Bruta</p><p>( - ) Deduções da Receita Bruta</p><p>Abatimentos sobre Vendas</p><p>Devoluções e cancelamento de vendas</p><p>Descontos comerciais ou descontos concedidos</p><p>Impostos e contribuições sobre vendas e serviços (ICMS, ISS, PIS e COFINS)</p><p>Ajustes a valor presente sobre clientes</p><p>Receita líquida de vendas/Vendas líquidas/Receita Operacional líquida</p><p>( - ) Custo da Mercadoria Vendida</p><p>Resultado Operacional Bruto/ Lucro Bruto/Resultado com mercadorias</p><p>( - ) Despesas Operacionais (De vendas e/ou Administrativas)</p><p>( + ) ou ( - ) Resultado Financeiro Líquido</p><p>Resultado Operacional Líquido/Lucro ou prejuízo operacional Líquido</p><p>( - ) Outras Despesas</p><p>+ Outras Receitas</p><p>Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição sobre Lucro Líquido</p><p>( - ) Despesa com Provisão para Imposto de Renda e CSLL</p><p>Lucro Líquido ou Prejuízo do Exercício</p><p>12ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>g. Notas explicativas:</p><p>É a explicação dos métodos utilizados para a contabilização, bem como eventuais mudanças</p><p>nos critérios e o detalhamento de algumas contas.</p><p>São de fato notas explicando os critérios utilizados pela companhia para a elaboração das</p><p>demonstrações financeiras e outras informações necessárias para o entendimento das demons-</p><p>trações financeiras pelos seus usuários.</p><p>Todas as demonstrações contábeis mencionadas acima possuem seus objetivos e atendem</p><p>às demandas específicas, a depender do usuário e o objetivo das análises. De qualquer forma,</p><p>a padronização e uniformidade das informações é fundamental para que se possa comparar as</p><p>evoluções entre os anos.</p><p>Maior ênfase será dada às demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial e a Demonstração do</p><p>Resultado do Exercício, uma vez que, delas é evidenciada de forma objetiva a situação financeira. No</p><p>entanto, isso não diminui a importância e relevância das demais demonstrações mencionadas acima.</p><p>As duas principais características de análise de uma empresa são a comparação dos valo-</p><p>res obtidos em determinado com aqueles levantados em períodos anteriores e o relacionamen-</p><p>to desses valores com outros afins. Dessa maneira, podemos afirmar que o critério básico que</p><p>norteia a análise das demonstrações contábeis é a comparação. Esse processo de comparação,</p><p>indispensável ao conhecimento da empresa, são conhecidos por análise vertical e por análise</p><p>horizontal. (ASSAF NETO, 2008).</p><p>Antes de iniciarmos no aprofundamento dos índices e indicadores, é importante</p><p>ter um entendimento prévio para uma das técnicas de análises. Marion (2012) descre-</p><p>ver de forma bastante elucidativa: os indicadores (ou índices ou quocientes) signifi-</p><p>cam o resultado obtido da divisão de duas grandezas. Por exemplo, se</p><p>a empresa tiver</p><p>$1.500 a receber e $1.000 a pagar, obteremos um índice igual a 1,50.</p><p>(Numerador) = Contas a receber = 1,50 => índice/quociente</p><p>(Denominador) Contas a pagar</p><p>Essa é apenas uma etapa de cálculo com base na fórmula. A segunda etapa é a in-</p><p>terpretação, ou seja, como podemos explicar o 1,50. A terceira etapa é conceituar o índice</p><p>obtido, pois queremos saber se é um resultado bom, razoável ou ruim... Em outras pala-</p><p>vras, não basta saber calcular e utilizar das fórmulas, é preciso saber “ler os números”.</p><p>13ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>ANÁLISE VERTICAL</p><p>De acordo com Assaf Neto (2008), a análise vertical (AV) é um processo comparativo, ex-</p><p>presso em porcentagem, que se aplica ao se relacionar uma conta ou grupo de contas com um</p><p>valor afim ou relacionável, identificado no mesmo demonstrativo. Dessa forma, dispondo-se dos</p><p>valores absolutos em forma vertical, pode-se apurar facilmente a participação relativa de cada</p><p>item contábil no ativo, no passivo ou na demonstração de resultados e sua evolução no tempo.</p><p>A AV demonstra o percentual de cada conta, sua real importância no conjunto, ou seja, calcu-</p><p>la-se o percentual de cada conta em relação a um valor-base. Por exemplo, no caso da demonstração</p><p>de resultado do exercício, calcula-se o percentual de cada conta em relação ao valor da receita bruta.</p><p>O objetivo é demonstrar a importância dentro da demonstração financeira a que ela pertence</p><p>e, por meio de comparações com outros empresas do ramo ou com percentuais da própria de anos</p><p>anteriores, nos possibilitando diagnosticar se há contas contábeis fora dos padrões dos setores.</p><p>Vamos fazer um simples exemplo:</p><p>Balanço Patrimonial da Empresa Uruguai Ltda em 2017</p><p>• Passivo Circulante: R$100.000,00</p><p>• Passivo não-circulante: R$30.000,00</p><p>• Patrimônio Líquido: R$20.000,00</p><p>• Total Passivo + PL (Obrigações com terceiros e sócios): R$150.000,00</p><p>Realizando a análise vertical de cada conta, lembrando-se que esse exemplo é</p><p>simplificado, para seu melhor entendimento, utilizaremos contas reduzidas:</p><p>a. Passivo Circulante</p><p>O que isso significa esse percentual? Significa que 66,67% do total do passivo,</p><p>são de curto prazo, ou seja, a obrigação deve ser paga dentro de 12 meses do exercício.</p><p>b. Passivo não-circulante</p><p>Em palavras, 20% do total do passivo da empresa tem vencimento no longo prazo.</p><p>c. Patrimônio Líquido</p><p>Esse número representa que 13,33% é financiado com capital próprio, já que o</p><p>patrimônio líquido representa os recursos próprios, logo, podemos inferir que 13,33%</p><p>dos recursos dessa empresa são de origem própria.</p><p>Passivo circulante ÷ Passivo total =></p><p>100.000,00/150.000,00 => 0,6666 ou 66,67%</p><p>Passivo não circulante ÷ Passivo total =></p><p>30.000,00/150.000,00 => 0,20 ou 20%</p><p>Patrimônio líquido ÷ Passivo total =></p><p>20.000,00/150.000,00 => 0,1333 ou 13,33%</p><p>14ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Esses três valores trazidos para você: do passivo circulante, passivo não circulante e patri-</p><p>mônio líquido que são, respectivamente, 66,67%, 20% e 13,33%, o que eles significam ou repre-</p><p>sentam em sua opinião?</p><p>Resposta: NADA!</p><p>É o seguinte: o objetivo dessa disciplina é auxiliar vocês a se tornarem profissionais críticos,</p><p>competentes e capazes de trazer soluções no seu dia a dia de trabalho. Aceitar estes números e acredi-</p><p>tar que eles representam algo de forma tão simplória, pode tornar seu trabalho uma coisa superficial.</p><p>Vou te apresentar como utilizar estes números e transformar a análise de maneira mais robusta:</p><p>supomos que a empresa Uruguai Ltda atue no setor têxtil e que uma análise da Confederação Nacional</p><p>das Indústrias menciona que, para o setor, a análise vertical da média das empresas sejam a seguinte:</p><p>• Passivo Circulante.......... AV: 23% (média do setor)</p><p>• Passivo Não-circulante...AV: 50% (média do setor)</p><p>Agora vamos comparar nossa empresa em seu setor:</p><p>a. Passivo circulante: a análise vertical da empresa Uruguai Ltda demonstrou que o passivo circu-</p><p>lante representa 67,67% do total do passivo, enquanto em seu setor a média de representatividade</p><p>é de 23%. O que isso quer dizer? Que nossa empresa pode ter problemas com seu capital de giro. Já</p><p>que a maioria de suas dívidas vencem no curto prazo. Isso é um ponto de atenção, pois a empresa</p><p>está mais endividada no curto prazo do que a média das empresas no mesmo setor.</p><p>b. Passivo não-circulante: na análise vertical do balanço obtivemos de nossa</p><p>empresa exemplo, que essa conta representava 20% do total do total do pas-</p><p>sivo, enquanto a média de seu setor era de R$ 50%. Seguindo o raciocínio do</p><p>item anterior, temos que que o endividamento da empresa, está na contramão</p><p>de outras do setor. Possivelmente, ela terá problemas para cumprir com suas</p><p>obrigações de curto prazo.</p><p>A análise vertical é a análise da estrutura, avaliação da representatividade</p><p>(valores percentuais) de cada conta em relação ao total do ativo e passivo e da par-</p><p>ticipação de cada conta na formação do lucro ou prejuízo do período. Vamos a mais</p><p>uma breve exemplificação de AV:</p><p>Ano X1 AV Ano X2 AV</p><p>Ativo Circulante 154.500 46,20% 208.000 51,72%</p><p>Disponibilidade 35.000 10,47% 54.000 13,43%</p><p>Contas a Receber 119.500 35,73% 154.000 38,29%</p><p>Ativo Não</p><p>Circulante</p><p>179.900 53,80% 194.200 48,28%</p><p>Investimentos 34.500 10,32% 49.500 12,31%</p><p>Imobilizado 115.400 34,51% 122.700 30,51%</p><p>Intangível 30.000 8,97% 22.000 5,46%</p><p>Total 334.400 100,00% 402.200 100,00%</p><p>15ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>O Ativo Circulante aumentou a representatividade de um ano para o outro e as demais aná-</p><p>lises para cada conta contábil pode ser realizada neste formato.</p><p>Para a análise vertical em uma Demonstração do Resultado do Exercício, o cálculo do per-</p><p>centual % das contas do resultado é usualmente realizando dividindo cada conta ou grupo de</p><p>conta pelo valor da receita líquida.</p><p>Segue um exemplo do autor Assaf Neto (2008):</p><p>Analisando a DRE acima:</p><p>• Confirma-se a necessidade de um volume maior de receitas de vendas para cobrir</p><p>os custos. Em X1, 63,2% das vendas eram destinados a reporem os custos incorri-</p><p>dos, elevando-se para 66,7% em X2 e 77,8% em X3. Como consequência, reduz-se a</p><p>parte das vendas que representa o lucro bruto. Observa-se que a relação lucro bruto/</p><p>receita de vendas atingia 36.8% em X1, decaindo para 33,3% em X2 e 22,2% em X3.</p><p>• É de se notar que apesar de haver ocorrido uma redução proporcional das despesas</p><p>operacionais e financeiras na estrutura de resultados, a empresa teve de assumir</p><p>um prejuízo de R$8.100,00 em X3 equivalente a 0,4% de suas vendas. Nos exercí-</p><p>cios X1 e X2, apesar de ter apresentado um lucro líquido crescente em valores abso-</p><p>lutos, houve uma redução proporcional às vendas. Assim, em X1, 5,6% das vendas</p><p>eram transformados em lucro líquido, despendendo-se 94,4% das receitas para</p><p>cobertura dos custos e despesas. No exercício seguinte, no entanto, a companhia</p><p>teve de usar um percentual maior das receitas de vendas para os custos e despesas,</p><p>restante somente 4,3% como lucro líquido.</p><p>Essas análises podem representar diversos significados a depender do usuário</p><p>que está obtendo essa informação e qual o objetivo dele. Entenderam a necessidade de</p><p>sempre comparar? Um número-índice ou porcentagem, por si só, não representa nada.</p><p>Devemos sempre comparar, seja com o setor, seja sua evolução anual para ter uma no-</p><p>ção do todo e podermos oferecer propostas e respostas as dificuldades da empresa.</p><p>Ano X1 AV% Ano X2 AV% Ano X3 AV%</p><p>Receita de</p><p>Vendas</p><p>830.000 100% 1.260.000 100% 2.050.000 100%</p><p>- CMV (524.167) 63,2% (840.500) 66,7% (1.594.600) 77,8%</p><p>= Lucro Bruto 305.833 36,8% 419.500 33,3% 455.400 22,2%</p><p>- Desp. Operac. (139.500) 16,8% (190.000) 15,1% (277.500) 13,5%</p><p>- Desp. Financ. (88.000) 10,6% (140.000) 11,1% (186.000) 9,1%</p><p>= Resultado</p><p>Operacional</p><p>78.333 9,4% 89.500 7,1% (8.100) (0,4)</p><p>- Provisão p/ IR (31.333) 3,8% (35.800) 2,8%</p><p>- -</p><p>= Resultado</p><p>Líquido</p><p>47.000 5,6% 53.700 4,3% (8.100) (0,4)</p><p>16ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>ANÁLISE HORIZONTAL</p><p>A evolução de cada conta demonstra os caminhos trilhados pela empresa e as pos-</p><p>síveis tendências. Ela orienta-se na evolução de cada conta contábil em uma série de de-</p><p>monstrações financeiras básicas, geralmente a mais antiga da série (Matarazzo, 2003).</p><p>O objetivo da análise horizontal (AH) é demonstrar o comportamento das contas</p><p>das demonstrações financeiras através do tempo. Infere-se que a AH é um processo de</p><p>análise temporal, desenvolvido por meio de números índices.</p><p>Define-se como a comparação que se faz entre os valores de uma mesma conta ou</p><p>grupo de contas, em períodos (exercícios) distintos, ou seja, quando escutamos que as</p><p>vendas em determinada indústria cresceu 8% em relação ao anterior, está sendo apli-</p><p>cado nada mais, nada menos, que o conceito de análise horizontal, sendo processados</p><p>da seguinte maneira:</p><p>Consideramos o primeiro ano como base 100, e apuramos o percentual de evolu-</p><p>ção do ano seguinte. Esse número-índice seria a relação existente entre o valor obtido</p><p>de uma das contas (ou grupo de contas) em determinada data (valor da conta no perío-</p><p>do analisado) e o seu valor obtido na data base.</p><p>Número-índice: Valor da Conta no período analisado x 100</p><p>Valor da Conta no período base</p><p>17ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Vamos realizar uma breve análise horizontal da receita de vendas e do custo da merca-</p><p>doria vendida (CMV) de uma companhia entre os anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017:</p><p>O nosso ano base será 2013, os números índices das Vendas e do CMV entre os anos se-</p><p>rão obtidos na seguinte maneira:</p><p>a. Competência 2013:</p><p>• Vendas: ano base: valor 100</p><p>• CMV: ano base 2013: valor 100</p><p>b. Evolução da Competência 2013-2014:</p><p>• Vendas: R$ 116.000,00/120.000,00 *100 = 96,66%</p><p>• CMV: 48.000,00/50.000,00 * 100 = 96,00%</p><p>c. Evolução da Competência 2013-2015:</p><p>• Vendas: R$ 119.000,00/120.000,00 * 100 = 99,16%</p><p>• CMV: 49.500,00/50.000,00 * 100 = 99,00%</p><p>ANO 2013 2014 2015 2016 2017</p><p>Vendas 120.000,00 116.000,00 119.000,00 123.000,00 140.000,00</p><p>CMV 50.000,00 48.000,00 49.500,00 54.000,00 60.000,00</p><p>d. Evolução da Competência 2013-2016:</p><p>• Vendas: R$ 123.000,00/120.000,00 * 100 = 102,5%</p><p>• CMV: R$ 54.000,00/50.000,00 * 100 = 108%</p><p>e. Evolução da Competência 2013-2017:</p><p>• Vendas: R$ 140.000,00/120.000,00 *100 = 116,66%</p><p>• CMV: R$ 60.000,00/50.000,00 * 100 = 120%</p><p>A tabela a seguir resume a análise horizontal através de números-índices dos valores</p><p>das vendas e do custo da mercadoria vendida:</p><p>Restou alguma dúvida em relação a montagem do quadro? Caso tenha, volte e faça</p><p>uma leitura novamente para que possa evoluir na análise sem dúvidas. Se compreendeu,</p><p>vamos interpretar a tabela:</p><p>a. Competência 2013: só temos duas informações, que são: vendas no valor total de</p><p>R$120.000,00 e Custo da Mercadoria Vendida R$50.000,00. Elas são as bases para aná-</p><p>lise e será sobre elas que iremos acompanhar e comparar a evolução ao longo do tempo:</p><p>ANO 2013 AH 2014 AH 2015 AH 2016 AH 2017 AH</p><p>Vendas 120.000 100% 116.000 97% 119.000 99% 123.000 103% 140.000 117%</p><p>CMV 50.000 100% 48.000 96% 49.500 99% 54.000 108% 60.000 120%</p><p>18ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Competência 2013-2014: apresentou como número-índice o valor de aproxi-</p><p>madamente 97% para as vendas. O que isso significa? Isso significa que as ven-</p><p>das de 2014 tiveram uma queda 3,34% em relação ao ano anterior. Mas como</p><p>cheguei a essa diferença?? Isso é bem simples, é só fazer a diferença entre o</p><p>número-índice do ano base (100%) com o número-índice (96,66%) = -3,34%.</p><p>O sinal negativo significa redução, logo, o valor obtido significa que as vendas</p><p>reduziram em 3,34%.</p><p>E, como podemos interpretar o valor do CMV, o número-índice em 2014 foi de</p><p>96%. Isso quer dizer que os custos tiveram uma redução de 4%. É possível chegar a</p><p>esse valor da seguinte maneira: 96,00% – 100,00% = -4,00%.</p><p>O valor negativo indica uma redução.</p><p>• Competência 2013-2015: o número-índice do ano de 2015 é de 99,16%, ele re-</p><p>presenta uma queda de 0,84% nas vendas em relação a 2013 (ano base). Já em</p><p>relação ao CMV, em 2015 representou 99,00%, ou seja, uma queda de 1% em</p><p>relação ao anterior. E assim por diante.</p><p>Entenderam bem o conceito de número-índice? Vamos tornar nossa análise</p><p>um pouco mais interessante. Qual seria sua resposta se lhe pedissem que informas-</p><p>sem a variação das vendas entre os anos de 2015 a 2017? Você obteria facilmente essa</p><p>resposta, por meio da razão entre os número-índices de 2015 e 2017, como assim?</p><p>As variações dos números índices ocorrem sempre em relação ao ano base 2013. Para obter a</p><p>variação entre períodos que não constituem o ano base, devemos dividir um ano base pelo outro.</p><p>• Variação entre 2015 e 2017</p><p>116,66/99,16 = 1,1764, o que esse número significa? Um aumento de 17,64% entre os anos de</p><p>2015 e 2017. Vamos confirmar:</p><p>(140.000,00 – 119.000,00) /119.000,00 = 17,64</p><p>A análise horizontal é um processo de estudo que permite avaliar a evolução verificada nos di-</p><p>versos elementos das demonstrações contábeis ao longo de determinado intervalo de tempo. É atra-</p><p>vés desta análise que é possível avaliar a tendência passada e futura de cada valor contábil. Como a</p><p>análise horizontal é quando comparamos valores ou índices de dois ou mais anos, nossos olhos fi-</p><p>xam um sentido horizontal nas demonstrações contábeis.</p><p>É importante ter em mente que a análise horizontal e a vertical se complementam. Por exem-</p><p>plo: o imobilizado de certa empresa analisada pode ter aumentado significativamente de um pe-</p><p>ríodo para outro, em valores absolutos. Entretanto, sua participação percentual sobre o ativo total</p><p>da empresa, ou mesmo sobre o ativo não circulante, pode ter diminuído, no mesmo período ou em</p><p>certo ano da série. Este assunto de atenção deve ser considerado também a depender do objetivo da</p><p>empresa, pois nem sempre ter um valor relevante de imobilizado significa que a empresa é sólida.</p><p>Nesse e em outros casos, as análises horizontal e vertical devem ser utilizadas em conjunto para</p><p>uma melhor definição do assunto.</p><p>19ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>RELAÇÃO ENTRE ANÁLISE VERTICAL E ANÁLISE HORIZONTAL</p><p>É recomendável que a análise vertical e análise horizontal sejam realizadas de forma conjun-</p><p>ta. Como já mencionado anteriormente, não é correto tirar suas conclusões exclusivamente em um</p><p>item da análise horizontal, mesmo este item apresentando uma variação expressiva.</p><p>Por exemplo: pelo olhar de análise horizontal a conta de despesas financeiras apresenta uma</p><p>variação de 3.000% entre os anos de 2016 e 2017. No entanto, essa conta continuará a ser irrele-</p><p>vante dentro da demonstração financeira a que ela pertence, pela visão da análise vertical, caso</p><p>ela represente 0,6% do total das receitas brutas em 2016 e em 2017 represente 1,2%. Percebam</p><p>que mesmo tendo uma variação expressiva, ela não tem grande representatividade na Demons-</p><p>tração de Resultado de Exercício.</p><p>É importante que as conclusões obtidas com a análise vertical sejam complementadas com as</p><p>conclusões alcançadas pela análise horizontal. De acordo com Matarazzo (2003),</p><p>“na DRE pequenos percentuais podem ser significativos, visto que o lucro líquido costuma repre-</p><p>sentar também percentual muito pequeno em relação as vendas. Assim podem ocorrer, por exemplo,</p><p>que determinada despesa administrativa, que representa no primeiro ano 12% das vendas, passe para</p><p>18%. A variação de 12% para 18% não chama atenção do analista, porém uma análise horizontal po-</p><p>deria revelar uma variação de 50% (além do crescimento das vendas). Se as vendas tiverem cresci-</p><p>mento de 140% no período, as despesas administrativas terão crescido em 190%. Ao chamar atenção</p><p>do analista para um item que está fora de controle, a análise horizontal cumprirá o seu papel. Em</p><p>suma, ambas análises (vertical</p><p>e horizontal) devem ser usadas como uma só técnica de análise.”</p><p>OS OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL NO</p><p>BALANÇO PATRIMONIAL</p><p>O BP demonstra quais as origens dos recursos da empresa (Passivo + Patri-</p><p>mônio Líquido) e a forma como a empresa aplica esses recursos (Ativo). Por sua</p><p>vez, a análise vertical demonstra a composição dos recursos tomados pela entidade</p><p>(empréstimos ou financiamento), qual o percentual de capitais de terceiros a curto</p><p>e longo prazo (passivo circulante e não circulante), como é composto, por exemplo,</p><p>os itens do capital de terceiros (empréstimo, financiamento). Em relação ao ativo,</p><p>a análise vertical nos monstra quanto dos recursos a empresa destinou ao imobi-</p><p>lizado, ao passivo circulante, aos investimentos. Por exemplo, dentro da conta do</p><p>ativo circulante, temos a conta caixa, a conta clientes a receber ou a conta estoque.</p><p>Fazendo a comparação da análise vertical da empresa com a de seus con-</p><p>correntes, é possível saber se aplicação dos recursos ou a sua captação está de</p><p>acordo ou não para aquele determinado ramo de atividade. Isso já foi citado e</p><p>exemplificado anteriormente.</p><p>Com a análise do percentual de cada conta do ativo, é possível detectar a po-</p><p>lítica de aplicação da empresa em relação ao seu imobilizado, investimento, gestão</p><p>de caixa, duplicatas. Quando analisamos as contas do passivo, é possível a compre-</p><p>ensão da política de captação dos recursos da entidade, ou seja, recursos próprios,</p><p>financiamentos, empréstimos de curso ou longo prazo ou fornecedores.</p><p>20ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Já através da análise horizontal, conseguimos determinar quais itens a entidade está priori-</p><p>zando alocação de recursos e, paralelamente, de quais recursos adicionais ela tem se valido para</p><p>financiar as suas atividades. Por exemplo, por meio da análise horizontal, podemos verificar que</p><p>a empresa tem priorizado seus investimentos no imobilizado, comparativamente, tem se verifi-</p><p>cado, que no passivo não circulante, na conta financiamento, a um expressivo dessa conta. Deste</p><p>modo, infere-se que os investimentos no imobilizado da companhia, tiverem origem em opera-</p><p>ções de financiamento junto às instituições financeiras.</p><p>Ao longo da análise, é interessante analisar comparativamente as seguintes contas:</p><p>1. As contas do imobilizado, investimentos, intangível e do circulante e de cada um dos seus</p><p>principais componentes;</p><p>2. O crescimento do Patrimônio Líquido comparativamente ao exigível total;</p><p>3. Crescimento do Patrimônio líquido mais Passivo não Circulante comparativamente ao cres-</p><p>cimento das contas do imobilizado, investimentos, intangível;</p><p>4. Crescimento do Ativo circulante em comparação com o crescimento do Passivo circulante;</p><p>5. Verificação de quanto cada balanço da série contribuiu para a variação final obtida entre o pri-</p><p>meiro e o último balanço.</p><p>OS OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL NA</p><p>DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO</p><p>A análise vertical é extremamente útil quando aplicada na DRE. As empresas</p><p>existem com um intuito principal de gerar receitas e, consequentemente, lucros aos</p><p>seus sócios. São suas vendas ou modalidades de receitas que irão determinar o que a</p><p>entidade irá consumir em cada item da despesa.</p><p>Deste modo, na AV da Demonstração de Resultado do Exercício, as vendas são</p><p>nosso valor base, e todos os demais itens são obtidos atrás da razão entre o valor da</p><p>conta e o valor base. Utilizando como exemplo as contas das despesas, cada item da</p><p>despesa poderá ser analisado em relação as vendas totais.</p><p>APRESENTAÇÃO DE UM CASO PRÁTICO</p><p>Apresentarei para vocês um exemplo prático de como as combinações entre as</p><p>análises vertical e horizontal de uma empresa possibilita a identificação da política</p><p>de aplicação de recursos da entidade, bem como sua política de captação de recur-</p><p>sos. Por meio desta análise conjunta é possível entender o passado da empresa e</p><p>traçar diretrizes e soluções.</p><p>A seguir, o BP e a DRE dos períodos de 2015, 2016 e 2017 da empresa Uruguai</p><p>Ltda., bem como uma sugestão de análise vertical e horizontal relacionadas entre si.</p><p>21ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Agora apresento a vocês um parecer com base nas análises verticais e horizontais:</p><p>O total do ativo da empresa apresentou um crescimento quando comparado os períodos entre 2015 e</p><p>2017 de 46% em valores absolutos, a crise financeira nacional não impactou negativamente o crescimento</p><p>dos ativos da entidade. É possível identificar que este crescimento ocorreu substancialmente no</p><p>imobilizado da empresa, que apresentou um crescimento de 80% no período analisado, devendo-se levar</p><p>em consideração que essa conta contábil representa 30% do total das aplicações dos recursos da empresa.</p><p>Esse crescimento já estava previsto, devido aos anúncios da direção da empresa em 2015, na aquisição</p><p>de novos maquinários para expansão da unidade fabril, além da substituição da frota de caminhões que</p><p>já estavam obsoletos. Houve uma pequena alteração na estrutura dos ativos da empresa, em 2015 a</p><p>aplicação de recursos no ativo circulante representava 73%, em 2017 representa 65% do total dos recursos</p><p>aplicados no ativo. O ativo circulante cresceu 30% nos últimos 2 anos, enquanto o não circulante cresceu</p><p>89%. Das obrigações com terceiros, o principal grupo de contas que teve alteração expressiva nos últimos</p><p>três anos foi a conta “financiamento”, que apresentou um crescimento expressivo. Cabe salientar, que esses</p><p>financiamentos são de longo prazo, o que não afetará a liquidez da empresa no curto prazo. O Patrimônio</p><p>Líquido foi perdendo espaço ao longo dos anos e passou a representar cerca de 26% do total do ativo. No</p><p>período analisado tivemos um crescimento de 46% no total do passivo (passivo + patrimônio líquido).</p><p>22ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>O que você achou aluno deste breve exemplo de análise vertical e horizontal do Balanço Pa-</p><p>trimonial? O que você faria diferente? Que tal testar suas novas habilidades elaborando uma aná-</p><p>lise conjunta, vertical e horizontal, da DRE?</p><p>SÍNTESE</p><p>Nessa unidade, nós relembramos as principais demonstrações contábeis e foi apresentado</p><p>as definições e objetivos da análise vertical e análise horizontal, referem-se a duas técnicas bá-</p><p>sicas de análises das demonstrações contábeis.</p><p>As principais características das análises são as comparações de valores de um determinado</p><p>período com os valores apresentados em períodos anteriores e o relacionamento entre eles: com-</p><p>paração entre períodos.</p><p>Não há uma regra para utilizar e apurar essas análises, mas são metodologias conhecidas, es-</p><p>tudadas e aprovadas pelo mercado financeiro mundial. É recomendado a utilização em conjunto das</p><p>análises, pois elas se completam. Isso porque, por exemplo, pode ser obtido um aumento expressi-</p><p>vo de um ano para o outro, porém sem grande representatividade na relação geral na empresa.</p><p>É fundamental entendê-las, pois completam as análises feitas em índices financeiros (serão</p><p>vistos no decorrer desta disciplina) e fornecem uma visão detalhada das contas facilitando a identi-</p><p>ficação de fragilidades, ao passo que índices financeiros fornecem dados genéricos sobre a empresa.</p><p>23ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>Alguns exercícios de fixação do conteúdo aplicado até o momento. Substancialmente essas</p><p>questões foram realizadas em concursos públicos, o que evidencia a importância e relevância</p><p>deste assunto no mercado dos negócios.</p><p>1. Considere as afirmativas abaixo, acerca da situação patrimonial e do desempenho econômico</p><p>e financeiro da Companhia Curitiba para os períodos encerrados em 31/12/X1 e 31/12/X0:</p><p>• Em 31/12/X1 os ativos imobilizados representavam 60% dos ativos totais da Companhia Curitiba.</p><p>• Houve uma redução de 30% no montante de empréstimos a pagar entre 31/12/X1 e 31/12/X0.</p><p>• O resultado do período X1 cresceu 28% em relação</p><p>ao resultado do período X0.</p><p>• As receitas financeiras representaram 8% das receitas totais do período X1.</p><p>• Houve uma redução de 18% no valor das despesas gerais administrativas em X1 quando com-</p><p>paradas a X0.</p><p>Com base nos conceitos de Análise Horizontal e Vertical da Análise de Demonstrações Contá-</p><p>beis, assinale a alternativa com a sequência correta do tipo de análise efetuada, de cima para baixo.</p><p>a. Vertical – Vertical – Horizontal – Vertical – Vertical.</p><p>b. Horizontal – Vertical – Vertical – Horizontal – Vertical.</p><p>c. Horizontal – Horizontal – Vertical – Vertical – Horizontal.</p><p>d. Vertical – Horizontal – Horizontal – Vertical – Horizontal.</p><p>e. Vertical – Horizontal – Horizontal – Horizontal – Vertical.</p><p>2. As Demonstrações do Resultado do Exercício da Companhia V&H S.A., relativas aos</p><p>três últimos exercícios sociais, apresentaram os seguintes valores:</p><p>• Receita total no exercício social de 2017: R$160.000,00.</p><p>• Receita total no exercício social de 2016: R$120.000,00.</p><p>• Receita total no exercício social de 2015: R$100.000,00.</p><p>• Custo das mercadorias vendidas no exercício social de 2017: R$40.000,00.</p><p>• Custo das mercadorias vendidas no exercício social de 2016: R$40.000,00.</p><p>• Custo das mercadorias vendidas no exercício social de 2015: R$40.000,00.</p><p>Com base nas informações acima, é correto afirmar que a análise:</p><p>a. vertical permite concluir que a receita total apresentou diminuição ao longo dos</p><p>três exercícios sociais objetos de análise.</p><p>b. horizontal permite concluir que a receita total apresentou diminuição ao longo</p><p>dos três exercícios sociais objetos de análise.</p><p>c. vertical permite concluir que o custo das mercadorias vendidas, em termos relati-</p><p>vos, manteve-se constante ao longo dos três exercícios sociais objetos de análise.</p><p>d. horizontal permite concluir que o custo das mercadorias vendidas, em termos abso-</p><p>lutos, manteve-se constante ao longo dos três exercícios sociais objetos de análise.</p><p>24ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>3. Qual é a análise que facilita a avaliação da estrutura do ativo, passivo, bem como a participação de cada</p><p>item da demonstração de resultado na formação do lucro ou prejuízo?</p><p>a. Capital.</p><p>b. Vertical.</p><p>c. Horizontal.</p><p>d. Estrutural.</p><p>4. As técnicas de análise vertical e de análise horizontal permitem informar, por exemplo, quais são os prin-</p><p>cipais tipos de ativos e como a participação/relevância de cada ativo se alterou nos últimos exercícios. Esse</p><p>mesmo raciocínio pode ser estendido para os itens do Passivo mais o Patrimônio Líquido e, também, para</p><p>as contas de Resultado. Portanto, é CORRETO afirmar:</p><p>a. A análise vertical compara os valores de uma demonstração em determinado exercício social com as de-</p><p>monstrações em exercícios anteriores.</p><p>b. As análises vertical e horizontal devem ser empregadas de forma complementar, a fim de obter uma visão</p><p>mais completa da situação da empresa.</p><p>c. As análises vertical e horizontal da demonstração do resultado permitem avaliar a participação de cada</p><p>elemento na formação do lucro ou prejuízo do período.</p><p>d. O objetivo da análise horizontal concentra-se na verificação da estrutura de composição de itens dos de-</p><p>monstrativos, bem como a sua evolução no tempo.</p><p>5. Considere as seguintes afirmativas:</p><p>I. A análise vertical mostra a importância de cada conta em relação à</p><p>demonstração financeira a que pertence e por meio da comparação</p><p>com padrões do ramo ou com percentuais da própria empresa em</p><p>anos anteriores.</p><p>II. A análise horizontal mostra a evolução de cada conta das demons-</p><p>trações financeiras e, pela comparação entre si, permite tirar con-</p><p>clusões sobre a evolução da empresa.</p><p>III. A análise horizontal do balanço mostra a que itens do Ativo a empresa</p><p>vem dando ênfase na alocação de seus recursos e, comparativamente,</p><p>de que recursos adicionais se vem valendo.</p><p>Marque a alternativa correta.</p><p>a. Somente as afirmativas l e ll são verdadeiras.</p><p>b. Somente as afirmativas l e lll são verdadeiras.</p><p>c. Somente as afirmativas ll e lll são verdadeiras.</p><p>d. Todas as afirmativas são verdadeiras.</p><p>25ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>6. A análise das demonstrações financeiras representa um dos ramos da Con-</p><p>tabilidade. Nesse sentido, assinale alternativa que apresenta a função da</p><p>análise das demonstrações financeiras.</p><p>a. Consistem em verificar se os saldos das demonstrações contábeis estão</p><p>corretos.</p><p>b. Consiste em verificar a escrituração do livro diário e demais livros obri-</p><p>gatórios.</p><p>c. Consiste em utilizar métodos, conjunto de procedimentos, técnica, siste-</p><p>ma, arte, para verificar as demonstrações contábeis.</p><p>d. Consiste em fornecer informações sobre a evolução do patrimônio para os</p><p>seus parceiros de negócios.</p><p>e. Consiste em verificações, comparações, cálculos e estatísticas a partir de</p><p>demonstrações, pelo menos, de dois exercícios.</p><p>7. Com referência a análise econômico-financeira e seus indicadores típicos,</p><p>julgue o item a seguir: “Um percentual de 4% associado ao saldo da conta</p><p>estoques de determinado exercício, em uma análise horizontal, significa que</p><p>os estoques em questão representam dos ativos totais 1/25 do exercício”.</p><p>a. Errado</p><p>b. Certo</p><p>8. Tendo em vista que, na avaliação de uma empresa, além dos dados econômicos e financeiros que in-</p><p>tegram as demonstrações contábeis, outras informações de mercado e informações não financeiras</p><p>devem ser levadas em conta, julgue o item seguinte: “A análise vertical efetua comparativos entre</p><p>os períodos de tempo, ao passo que a análise horizontal se preocupa com o comparativo de itens no</p><p>mesmo período de análise”.</p><p>a. Certo</p><p>b. Errado</p><p>9. As análises vertical e horizontal são importantes técnicas de análise de demonstrações financeiras,</p><p>como, por exemplo, do Balanço Patrimonial. Por meio dessas técnicas, pode -se verificar quais são</p><p>os principais tipos de ativos e como a relevância de cada ativo alterou-se nos últimos períodos. Sobre</p><p>essas técnicas de análise, é correto afirmar:</p><p>a. a análise horizontal verifica a estrutura de composição de itens das demonstrações financeiras e a</p><p>sua evolução ao longo do tempo.</p><p>b. a análise vertical permite detectar os motivos pelos quais o resultado de uma organização melhora</p><p>ou piora de um período para outro.</p><p>c. a análise horizontal aponta como um componente de uma demonstração financeira alterou-se ao</p><p>longo do tempo, comparando os valores de um período para o outro.</p><p>d. a análise vertical compara os valores de uma demonstração de um determinado período com os va-</p><p>lores dessa mesma demonstração em períodos anteriores.</p><p>26ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>EXERCÍCIOS SUMÁRIO</p><p>10. Em relação à análise econômico-financeira de empresas, julgue o</p><p>item a seguir: “No balanço patrimonial, a análise horizontal procu-</p><p>ra identificar, prioritariamente, a evolução dos custos e das despe-</p><p>sas em relação ao volume de vendas, e seus reflexos sobre o lucro”.</p><p>a. Certo</p><p>b. Errado</p><p>11. Em relação à análise econômico-financeira de empresas, julgue o</p><p>item a seguir: “As duas principais características de análise de uma</p><p>empresa são a comparação dos valores obtidos em determinado pe-</p><p>ríodo com aqueles levantados em períodos anteriores e o relacio-</p><p>namento desses valores com outros afins. Dessa maneira, é correto</p><p>afirmar que o critério básico que norteia a análise de balanços é a</p><p>comparação”.</p><p>a. Certo</p><p>b. Errado</p><p>12. As técnicas de análise vertical e de análise horizontal permitem informar, por exemplo, quais são os prin-</p><p>cipais tipos de ativos e como a participação/relevância de cada ativo se alterou nos últimos exercícios. Esse</p><p>mesmo raciocínio pode ser estendido para os itens do Passivo + Patrimônio Líquido e para as contas de Re-</p><p>sultado. Neste contexto, marque a opção que contém o conjunto de respostas corretas.</p><p>a. Através da análise vertical, é possível detectar os motivos pelos quais o resultado de uma empresa melhora</p><p>ou piora de um período para outro.</p><p>b. As análises</p><p>vertical e horizontal devem ser empregadas de forma complementar, a fim de obter uma visão</p><p>mais completa da situação da empresa.</p><p>c. A análise vertical compara os valores de uma demonstração em determinado exercício social comas de-</p><p>monstrações em exercícios anteriores.</p><p>d. O objetivo da análise horizontal concentra-se na verificação da estrutura de composição de itens dos de-</p><p>monstrativos e a sua evolução no tempo.</p><p>e. As análises vertical e horizontal da demonstração do resultado permitem avaliar a participação de cada ele-</p><p>mento na formação do lucro ou prejuízo do período.</p><p>27</p><p>TÉCNICAS DAS</p><p>ANÁLISES ATRAVÉS</p><p>DOS CÁLCULOS DE</p><p>ÍNDICES</p><p>Para um mapeamento preciso da saúde financeira e econômica de toda</p><p>empresa, é preciso ter o domínio da função dos índices financeiros e</p><p>econômicos, bem como saber calcular através das fórmulas e interpretar</p><p>os resultados obtidos.</p><p>28ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Lembrando que não há legislação especial para definir sua utiliza-</p><p>ção, mas metodologias estudadas e aprovadas pelo mercado financeiro</p><p>mundial. A utilização dos índices fornece parâmetros para que se possa</p><p>analisar, avaliar e elaborar um diagnóstico preciso da situação em que</p><p>se encontra a empresa ou o setor. Pegue sua calculadora, pois daqui em</p><p>diante será bastante utilizada.</p><p>Iudícibus (2010) menciona que a análise das demonstrações contá-</p><p>beis encontra seu ponto mais importante no cálculo e avaliação do signi-</p><p>ficado de quocientes, relacionando itens e grupos do Balanço Patrimonial</p><p>e da Demonstração do Resultado do Exercício. A técnica de análise finan-</p><p>ceira por quocientes tem como finalidade principal permitir ao usuário</p><p>extrair tendências e comparar os quocientes com padrões preestabele-</p><p>cidos. A finalidade da análise é, mais do que retratar o que aconteceu no</p><p>passado, fornecer bases para inferir o que poderá ocorrer no futuro.</p><p>A periodicidade das análises depende dos objetivos que se preten-</p><p>de alcançar com a obtenção dessas informações. Basicamente cálculos</p><p>anuais ou semestrais são suficientes. No entanto, para análise geren-</p><p>cial interna nas empresas, alguns índices merecerão acompanhamento</p><p>mensal, outros até de intervalos mais curtos. Essa decisão dependerá de</p><p>quão crítico seja o índice como um dos sinais de alarme do sistema de</p><p>informação contábil-financeiro.</p><p>ÍNDICES DE LIQUIDEZ</p><p>Segundo Assaf Neto (2012), os indicadores de liquidez evidenciam a situação financeira de uma empresa</p><p>frente a seus diversos compromissos financeiros.</p><p>Os índices de liquidez são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, isto é, consti-</p><p>tuem uma apreciação se a empresa tem capacidade para saldar seus compromissos. Essa capacidade de paga-</p><p>mento pode ser avaliada, considerando: longo prazo (liquidez geral), curto prazo (liquidez corrente) ou prazo</p><p>imediato (liquidez seca). (MARION, 2012)</p><p>Estes índices são bons indicadores para eventuais problemas no fluxo de caixa, sinalizando possíveis</p><p>pressões de falta de caixa. A interpretação destes índices resumidamente é de que quanto mais alto o índice,</p><p>mais folga a empresa possuirá para gerenciar o fluxo de caixa ou, em outras palavras, mais dinheiro possui para</p><p>pagar suas obrigações com terceiros. Trata-se de uma relação direta entre os ativos da empresa e o passivo.</p><p>São os índices que evidenciam a capacidade financeira da empresa frente a seus compromissos com cre-</p><p>dores. O quociente de liquidez demonstra o grau de solvência da empresa e atesta a existência ou não de soli-</p><p>dez financeira para pagamentos a terceiros. (Ribeiro, 2014).</p><p>Neto (2012) complementa que os indicadores de liquidez evidenciam a situação financeira da empresa</p><p>frente aos diversos compromissos financeiros assumidos pela empresa. Ribeiro (2014) indica vários aspectos</p><p>a serem seguidos para obter um diagnóstico mais completo acerca da solidez financeira da empresa:</p><p>29ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>a. alto grau de solvência nem sempre é sinônimo de insolvência, ou seja, a</p><p>empresa pode estar endividada, porém pagará as suas contas no prazo;</p><p>b. a empresa poderá ter um alto grau de liquidez, porém pode não dispor de</p><p>dinheiro para cumprir seus compromissos em dia;</p><p>c. a empresa poderá apresentar alto grau de liquidez a curto prazo e baixo</p><p>grau de liquidez a longo prazo e vice-versa.</p><p>Os índices de liquidez têm as seguintes divisões e definições:</p><p>• Liquidez Imediata:</p><p>Revela a porcentagem das dívidas a curto prazo (circulante) em condi-</p><p>ções de serem liquidadas imediatamente. Esse quociente representa o valor</p><p>de quanto dispomos imediatamente para saldar as dívidas no curto prazo.</p><p>É o cálculo que mostra a porcentagem das dívidas em curto prazo que</p><p>podem ser pagas imediatamente. Seu cálculo é dado pela divisão das disponi-</p><p>bilidades pelo passivo circulante.</p><p>Cabe ressaltar que este índice já teve sua importância maior, isso porque se entende que disponível</p><p>ocioso (exemplo um montante financeiro relevante em conta corrente e não aplicado em algum Fundo de</p><p>Investimentos) não é bem quisto no mundo dos negócios.</p><p>Esse quociente é normalmente baixo pelo pouco interesse das empresas em manter recursos mone-</p><p>tários em caixa, como se estivesse “parado e sem utilização”.</p><p>Exemplo: A empresa Exemplo S/A possui as seguintes informações em seu balanço patrimonial em 20x1.</p><p>Para esse cálculo utilizamos os seguintes valores: 500.000 / 300.000 = 1,67, entende-se através dessa</p><p>análise que a empresa possui quase 2 vezes mais capacidade de quitar as suas obrigações de curto prazo.</p><p>Para Padoveze (2010), o índice de liquidez imediata é o que realmente apresenta a liquidez da em-</p><p>presa, pois considera os valores que podem ser disponibilizados imediata ou quase imediatamente para</p><p>pagamento das suas obrigações. Neto (2012) complementa que, para as empresas, esse índice é normal-</p><p>mente baixo, visto que há pouco interesse em manter recursos monetários em caixa, pois é considerado</p><p>um ativo operacional de pouca rentabilidade.</p><p>Ativo R$ Passivo R$</p><p>Caixa e equivalentes de caixa 500.000 Circulante 300.000</p><p>Estoques 200.000 Exigível a longo prazo 200.000</p><p>Realizável a longo prazo 203.000 Patrimônio líquido 403.000</p><p>Total do Ativo 903.000 Total Passivo + PL 903.000</p><p>30ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Liquidez Corrente:</p><p>Considerado como o melhor indicador da capacidade de pagamento</p><p>da empresa, evidencia a capacidade de satisfazer suas obrigações a mé-</p><p>dio prazo de vencimento. Este cálculo indica quanto a empresa possui em</p><p>dinheiro e bens disponíveis, para pagar suas dívidas no curto prazo (de</p><p>acordo com a Lei 6.404/1976, é o período que vai até o fim do exercício</p><p>seguinte, ao qual se refere o balanço analisado). Quanto maior o valor en-</p><p>contrado, melhor. Este índice é encontrado pelo quociente do Ativo Circu-</p><p>lante pelo Passivo Circulante:</p><p>É um índice frequentemente considerado como o ideal indicador da</p><p>situação de liquidez da empresa. É preciso considerar que no Ativo Cir-</p><p>culante, da fórmula mencionada anteriormente, estão contemplados os</p><p>itens como: disponibilidades, valores a receber no curto prazo, estoques</p><p>e entre outros bens e direitos do curto prazo. No denominador da mesma</p><p>fórmula são consideradas as dívidas e obrigações vencíveis no curto prazo.</p><p>Exemplo: A empresa Exemplo S/A possui as seguintes informações</p><p>em seu balanço patrimonial em 20x1.</p><p>Ativo R$ Passivo R$</p><p>Caixa e equivalentes de caixa 500.000 Circulante 300.000</p><p>Estoques 200.000 Exigível a longo prazo 200.000</p><p>Realizável a longo prazo 203.000 Patrimônio líquido 403.000</p><p>Total do Ativo 903.000 Total Passivo + PL 903.000</p><p>Se a empresa contabilizou um AC de 500.000 e um PC de 300.000, a LC será de 500.000/300.000 = 1,67.</p><p>Portanto, é aproximadamente uma capacidade 2 vezes maior de arcar com o pagamento das dívidas.</p><p>Para um melhor entendimento deste índice, algumas informações deverão ser consideradas:</p><p>a. o resultado encontrado poderá ser denominado</p><p>medida de solvência, visto que revela de uma forma real</p><p>a liquidez da empresa;</p><p>b. deve-se direcionar a interpretação deste índice a existência ou não do Capital Circulante Líquido (CCL):</p><p>A liquidez corrente indica o quanto existe de ativo circulante para cada R$1 de dívida a curto prazo. Se:</p><p>• Liquidez Corrente > 1,0: CCL positivo</p><p>• Liquidez Corrente = 1,0: CCL nulo</p><p>• Liquidez Corrente < 1,0: CCL negativo</p><p>31ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Liquidez Seca:</p><p>É o mesmo conceito da liquidez corrente só que descontando o valor dos Es-</p><p>toques do Ativo Circulante. Todas as contas que podem ser convertidas em dinhei-</p><p>ro com relativa facilidade antes do prazo normal. Deve-se excluir os estoques, pois</p><p>são itens que comprometem a análise. Em resumo se deve ter em mente a prudência</p><p>levando em consideração que se a empresa sofresse uma total paralisação de suas</p><p>vendas, ou se seu estoque se tornasse obsoleto, quais seriam as chances de pagar</p><p>as dívidas com saldo Disponível e Duplicatas a Receber?</p><p>Em resumo, a fórmula é semelhante à liquidez corrente e se exclui os Estoques:</p><p>Esta é uma análise bastante conservadora para se apreciar a situação financeira</p><p>da empresa. Quem aprecia este índice geralmente são os emprestadores de capitais,</p><p>por exemplo, um banqueiro compreende que o estoque é um item manipulável no ba-</p><p>lanço e pode tornar-se obsoleto a qualquer momento.</p><p>Exemplo: A empresa Exemplo S/A possui as seguintes informações em seu ba-</p><p>lanço patrimonial em 20x1.</p><p>Ativo R$ Passivo R$</p><p>Caixa e equivalentes de caixa 500.000 Circulante 300.000</p><p>Estoques 200.000 Exigível a longo prazo 200.000</p><p>Realizável a longo prazo 203.000 Patrimônio líquido 403.000</p><p>Total do Ativo 903.000 Total Passivo + PL 903.000</p><p>Para o cálculo desse índice, é utilizado (500.000 – 200.000) / 300.000 = 1. Nesse cálculo</p><p>é excluído o valor de estoques porque se supõem que eles não serão liquidados tão facilmente</p><p>numa situação de emergência.</p><p>• Liquidez Geral:</p><p>É a capacidade de pagamento dos financiamentos e dívidas a longo prazo. Quanto a empresa</p><p>tem de bens e direitos para cada R$1,00 de dívida. Ou seja, quanto maior o índice, melhor.</p><p>Este quociente serve para detectar a saúde financeira (no que se refere à liquidez) de longo</p><p>prazo do empreendimento. Ressalta-se que estes índices de liquidez não podem ser considerados</p><p>isoladamente, é importante associar os índices entre si. Quando possível, apreciar o indicador em</p><p>uma série de períodos (anos, meses) e comparar os índices com índices-padrão, ou seja, índices</p><p>das empresas concorrentes ou do mesmo ramo de atividade.</p><p>32ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Exemplo: A empresa Exemplo S/A possui as seguintes informações em</p><p>seu balanço patrimonial em 20x1.</p><p>Para o cálculo desse índice é utilizado os seguintes valores: 903.000 /</p><p>(300.000 + 200.000) = 1,81. Através do valor encontrado pode-se dizer que a</p><p>empresa teria condições de arcar com as suas obrigações em ambos os pra-</p><p>zos, curto ou longo.</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO E ESTRUTURA DE CAPITAL</p><p>Diversos indicadores podem ser utilizados para a análise das fontes</p><p>permanentes de capital de uma empresa. São através destes indicadores que</p><p>é possível avaliar o nível de endividamento da empresa e o grau de depen-</p><p>dência da empresa em relação ao capital de terceiros e o grau de imobiliza-</p><p>ção. Quanto menor ele for, melhor.</p><p>Ativo R$ Passivo R$</p><p>Caixa e equivalen-</p><p>tes de caixa</p><p>500.000 Circulante 300.000</p><p>Estoques 200.000 Exigível a longo prazo 200.000</p><p>Realizável a longo</p><p>prazo</p><p>203.000 Patrimônio líquido 403.000</p><p>Total do Ativo 903.000 Total Passivo + PL 903.000</p><p>NÃO SE ESQUEÇA:</p><p>Para compreensão total</p><p>destes indicadores é</p><p>importante lembrar</p><p>do conceito definido</p><p>por Marion (2012)</p><p>“sabemos que o Ativo</p><p>(aplicação de recursos)</p><p>é financiado por</p><p>Capitais de Terceiros</p><p>(Passivo Circulante</p><p>e Não Circulante) e</p><p>por Capitais Próprios</p><p>(Patrimônio Líquido).</p><p>Portanto, Capitais de</p><p>Terceiros e Capitais</p><p>Próprios são fontes</p><p>(origens) de recursos”.</p><p>33ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Participação de Capitais de Terceiros (Endividamento):</p><p>Determina o grau de dependência da empresa em relação aos capitais de terceiros. É obtido pela</p><p>relação entre o capital de terceiros (circulante e não circulante) e o capital próprio:</p><p>Neste indicador, é possível identificar quanto a empresa tomou de empréstimos para cada $1 de</p><p>capital próprio aplicado na empresa. Por exemplo, se o quociente da divisão da fórmula for igual a 0,85,</p><p>significa que, para cada $1.000 dos acionistas, a empresa assumiu de obrigações com terceiros R$850 de</p><p>dívidas. Ou, se aplicarmos a multiplicação mencionada (x 100), podemos identificar que 85% do capital</p><p>próprio encontra-se representado por dívidas. Uma observação cabe aqui: nem sempre é ruim utilizar</p><p>do capital de terceiros, por exemplo quando a empresa obtém juros pagos por esse capital menor que os</p><p>juros recebidos pelas aplicações financeiras.</p><p>• Composição do endividamento:</p><p>Resumidamente, apresenta do total que a empresa tomou de capital de terceiros, qual o percen-</p><p>tual de dívidas que vencerá em curto prazo. Quanto menor, melhor. Quando o % é alto, a empresa deve</p><p>tomar cuidado e avaliar se conseguirá honrar com as dívidas dentro no prazo acordado.</p><p>Endividamento = Capital de terceiros X 100</p><p>Patrimônio Líquido</p><p>Passivo circulante X 100</p><p>Capital de terceiros</p><p>34ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>Dependência bancária:</p><p>Revela o grau de participação das instituições de créditos nos re-</p><p>cursos investidos. Estes indicadores fornecem uma visão do risco fi-</p><p>nanceiro da empresa.</p><p>• Financiamento de ativo: percentual dos recursos da empresa</p><p>que está sendo financiado por bancos e instituições financeiras.</p><p>• Participação de instituições de créditos no endividamento:</p><p>percentual de participação das instituições no total dos re-</p><p>cursos tomados junto a terceiros. Quanto menor, melhor.</p><p>• Financiamento do ativo circulante por instituições finan-</p><p>ceiras: quanto os financiamentos no curto prazo representam</p><p>se comparados aos recursos correntes da empresa.</p><p>É interessante verificar, do endividamento total, qual a</p><p>parcela que vende dentro do curto prazo. Esse quociente pode</p><p>fornecer indicações sobre como a empresa está sendo financia-</p><p>da. A evolução desse quociente no tempo é mais importante de</p><p>analisar do que o nível atingido em determinado exercício es-</p><p>pecífico. Fundamental também é a comparação com as médias</p><p>do setor em que a empresa se situa.</p><p>• Dependência financeira:</p><p>Assaf Neto (2008) menciona que este indicador revela a</p><p>dependência da empresa com relação a suas exigibilidades to-</p><p>tais, ou seja, do montante investido nos ativos, qual a partici-</p><p>pação dos recursos de terceiros.</p><p>Exemplificando, se o índice for igual a 0,70, é possível</p><p>interpretar que 70% do ativo são financiados por dívidas (com</p><p>recursos de terceiros) e 30% por capital próprio (acionistas).</p><p>Quanto maior este índice, mais elevada é a dependência finan-</p><p>ceira da empresa pela utilização de capitais de terceiros.</p><p>Passivo total X 100</p><p>Ativo total</p><p>Empréstimos e Financiamentos X 100</p><p>Ativo total</p><p>Financiamento X 100</p><p>Capital de terceiros</p><p>Financiamento a curto prazo X 100</p><p>Ativo circulante</p><p>35ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS</p><p>SUMÁRIO</p><p>• Imobilização do Patrimônio Líquido:</p><p>É possível obter através desta fórmula o percentual de comprometimento do capital</p><p>próprio no Ativo Não Circulante (denominado por Investimento, Imobilizado e Intangível).</p><p>Quanto menor o indicador, melhor.</p><p>Quando na empresa utiliza-se grande parte dos recursos do Patrimônio Líquido em</p><p>investimento, imobilizado e intangível, a consequência é a necessidade de capital de tercei-</p><p>ros para financiar o ativo circulante.</p><p>O ideal são valores balanceados, evitando que a empresa tenha necessidade</p>