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Criptografia, Saneamento de Discos, Esteganografia e Técnicas Antiforenses Unidade 4 Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria NÁJILA MEDEIROS BEZERRA AUTORIA Nájila Medeiros Bezerra Sou Advogada, bacharel em Direito pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (FACISA), Campina Grande/PB. Pós-graduanda em Direito Civil e Processo Civil pela UNIPÊ. Durante a faculdade, participei do Núcleo de Estudos em Direito Civil e, no período entre 2013/2014, desenvolvemos a pesquisa “Privacidade e Risco: a utilização da internet por adolescentes na cidade de Campina Grande/PB”. Desenvolvi, também, trabalhos acadêmicos sempre voltados à área do Direito Digital, interligando o assunto aos direitos da personalidade. Atualmente sou membro da Agência Nacional de Estudos sobre Direito ao Desenvolvimento. Fui bolsista no programa “Santander Universidades”, tendo participado do Cursos Internacionales na Universidad de Salamanca, na cidade de Salamanca, Espanha, obtendo a certificação do nível Avançado em Espanhol. Participei do Grupo de Estudos em Sociologia da Propriedade Intelectual – GESPI – da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) com Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento (CESED) e Fundação Pedro Américo (FDA) e do Núcleo de Estudos em Direito Internacional (NEDI). Integrei o corpo editorial da Revista Científica A Barriguda. Fui Coordenadora Adjunta de Política Editorial do Centro Interdisciplinar de Pesquisa em Educação e Direito. Sou pesquisadora na área do Direito Civil, Processual Civil, Direito Digital e Direito Administrativo. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Criptografia .................................................................................................... 12 Conceito ................................................................................................................................................. 12 Ataques a Dados Criptografados ..................................................................... 17 Tipos de Criptografias ............................................................................................. 17 Saneamento de Discos ............................................................................. 21 Conceito ................................................................................................................................................. 21 Método Gutmann .........................................................................................................23 Método DOD 5250.22-M ..........................................................................................25 Método VSITR .................................................................................................................25 Técnicas Físicas ...............................................................................................................................26 Desmagnetização ........................................................................................................26 Destruição do Disco Rígido ..................................................................................26 Esteganografia .............................................................................................28 Conceito .................................................................................................................................................28 Tipos de Esteganografia .........................................................................................33 Esteganografia em Vídeo ....................................................................33 Esteganografia em Imagem ..............................................................33 Esteganografia em Áudio ....................................................................34 Técnicas Antiforenses ...............................................................................36 Evolução Tecnológica, Técnicas Antiforenses e seu Conceito ................... 36 Destruição de Evidências ...................................................................................... 38 Ocultação de Evidências ....................................................................................... 39 Eliminação de Fontes e Evidências ............................................................... 39 Falsificação de Evidências .................................................................................... 40 9 UNIDADE 04 Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 10 INTRODUÇÃO Caracterizada como um processo revolucionário e em constante ascensão, a globalização concretizou-se por meio da integração entre as economias e sociedades de vários países, a partir das grandes mudanças ocorridas nos últimos 30 anos. Ao mesmo tempo em que as tecnologias da informação e comunicação foram se desenvolvendo, as formas de crime foram se adaptando à realidade, fazendo com que surgissem os crimes cibernéticos. Para essa nova modalidade, também surgiram legislações e novas formas de fazer perícia, de modo que surge a necessidade de conhecer todos os aspectos que envolvem os crimes cibernéticos, como a história da sua evolução no campo digital e no Direito Penal, quais são os procedimentos para a investigação dos crimes ocorridos, quais são os seus reflexos jurídicos na sociedade, bem como apresentar o conceito da perícia forense e das suas técnicas. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar nesse universo! Venha comigo! Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender o conceito das técnicas antiforenses. 2. Explicar a evolução tecnológica e os crimes que foram surgindo ao longo do tempo. 3. Entender as técnicas antiforenses. 4. Compreender o uso e evitar as técnicas antiforenses. Então, agora convido vocês para ingressar nessa jornada em busca da ampliação dos nossos conhecimentos. Vamos juntos! Ao trabalho! Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 12 Criptografia OBJETIVO: Apesar da perícia forense e da tentativa da legislação de lidar com os constantes crimes cibernéticos, é possível encontrar as técnicas antiforenses. Mais um desafio ao perito. Neste próximo capítulo, vamos explanar a técnica da criptografia. Avante!. Conceito Revela a doutrina que a criptografia é uma área da criptologia que tem como finalidade precípua esconder o verdadeiro significado de alguma informação. A criptografia é consideradacomo uma das ferramentas mais importantes para a segurança da informação, consistindo em qualquer forma de transformar informação legível em informação ilegível, para que, assim, possamos manter informações em sigilo. Sendo assim, são necessários os seguintes elementos (REIS, 2013, s. p.): • Mensagem que se deseja transmitir. • Cifra: chave utilizada na conversão da mensagem original em código. • Código: resultado da conversão da mensagem original utilizando a cifra. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 13 Figura 1 – Criptografia Fonte: Freepik. Ressalta-se que esse tipo de técnica é realizado somente por pessoas autorizadas ou detentoras da chave criptográfica que dá acesso à mensagem criptografada. Os algoritmos de criptografia têm por principal característica a geração de chaves cada vez mais complexas. Portanto, muitos algoritmos já são considerados obsoletos devido ao avanço tecnológico dos hardwares de mercado (BARRETO, 2009, s. p.). De forma sucinta, podemos trazer a criptografia do seguinte modo: CRIPTOGRAFIA = SIGILO (remonta a algo que deve ficar em segredo) + AUTENTICAÇÃO (considera quem está do outro lado da tela do computador) + ASSINATURA DIGITAL (apenas uma pessoa pode produzi- la, mas qualquer um pode reconhecê-la). A criptografia pode ser usada não apenas na proteção dos dados, mas também na proteção dos programas (software), por exemplo, evitando que copias não autorizadas possam ser executadas pelo sistema. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 14 Assim, esse método pode ser utilizado para fins comerciais, indústria e governos como forma de proteção de dados. Sendo assim, é importante que o perito realize buscas no computador por softwares que empreguem a criptografia em arquivos ou textos. Como já estudamos, a criptografia pode ser aplicada nas mais diversas áreas, no entanto, em todas essas áreas, ela tem o mesmo significado, qual seja: realizar a proteção de informações que são consideradas especiais ou de qualidade sensível. Há, ainda, programas que permitem a criptografia de arquivos, mídias completas ou apenas parte delas, de modo que se tornam um grande desafio ao perito quando ele precisa encontrar as evidências, uma vez que é possível que estejam protegidas por criptografia. Entretanto, é necessário ter em mente que toda criptografia pode ser quebrada, principalmente se ela for implementada de forma incorreta. Assim, caso isso ocorra, ela não oferecerá segurança real para as pessoas. Atualmente, destaca-se no âmbito do mercado financeiro virtual a criptografia chamada Blockchain, utilizada para proteger as transações financeiras na nuvem, feitas por criptomoedas. Figura 2 - Exemplo do processo de criptografia Fonte: Constantino (2012, p. 48). Com isso, ao se deparar com conteúdo criptografado, o perito deve ao menos tentar as técnicas básicas de recuperação de senhas, limitando-se aos recursos computacionais e a um prazo de tempo de tentativa estipulado” (SILVA FILHO, s. d.). Nesse caminho, aduz a doutrina que a criptografia está integrada aos sistemas operacionais e aplicativos. Maués (2016) explica que, por meio dela, é possível: Proteger arquivos sigilosos armazenados em computadores: um exemplo é o sistema de arquivos com criptografia (ou Encrupting File System – EFS), recurso Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 15 da Microsoft, nativo em algumas versões do sistema operacional Windows. Restringir o acesso a volumes do disco rígido: o Bitlocker é um exemplo. O Bitlocker é um recurso da Microsoft que permite que dados sejam protegidos mediante a criptografia de volumes. Prover sigilo na troca de dados em redes de computadores. (MAUÉS, 2016, P.30) Assim, a criptografia tem dois lados: um em que é utilizada para garantir a privacidade das informações, e outro em que tem o poder de frustrar ações periciais, sendo considerada a técnica mais preocupante. Quadro 1 - Uso da criptografia TÉCNICA USO LÍCITO USO ANTIFORENSE Criptografia de disco Proteção de informações sigilosas Impedir o acesso a informações fraudulentas Fonte: Elaborado pela autora com base em Aranha (2015). Nesses moldes, a criptografia passa a ser, dia após dia, popular entre os indivíduos e as grandes empresas, tornando-se, dessa forma, um verdadeiro desafio ao perito forense computacional, tendo em vista que ele precisa ao máximo, encontrar evidências digitais, mesmo que estejam sob a proteção da criptografia. Figura 3 - Trabalhando com sistemas de arquivos criptografados Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 16 Criando uma imagem: Escrevendo dados aleatórios na imagem criada: Criptografando a partição: Montando a partição: Desmontando: Fonte: Rodrigues (2017). Figura 4 - Descriptografando senhas Criando senhas digest (comum para o apache2): Descriptografando a senha: Fonte: Rodrigues (2017). Nesse caminho, a doutrina elenca algumas formas de tratar a criptografia quando for identificada: • Persuadir o suspeito a fornecer a chave para decifrar os dados é o método mais fácil de superar a criptografia (CRAIGER; POLLITT; SWAUGER, 2005 apud MAUÉS, 2016). • Localizar cópias de dados não cifradas pode ser possível se, durante o processo de criptografia, os dados originais forem eliminados, e não sobrescritos (MAUÉS, 2016). Nessa hipótese, diz-se que pode haver prejuízo caso o disco seja cifrado. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 17 • Localizar chaves ou passphrases pode ser possível, pois, muitas vezes, estão armazenadas no próprio disco rígido ou em outras mídias de armazenamento de dados, localizadas na mesma área física da perícia (MAUÉS, 2016). Pode ocorrer que o criminoso salve a senha em um outro local, para evitar perdê-la. • Ataque de senha inteligente visa testar a força do mecanismo. A maioria das pessoas não cria chaves que sejam difíceis de adivinhar, e a maior preocupação é que sejam capazes de sempre lembrar suas chaves (WOLFE, 2002 apud MAUÉS, 2016). Ataques a Dados Criptografados Os ataques a sistemas com senhas são definidos em dois tipos: on- line, que são os sistemas em funcionamento na hora da ocorrência do ataque, e o off-line, que “tentam decifrar os dados já obtidos das mídias de armazenamento, mas que ainda não estão acessíveis por estarem criptografados” (SILVA FILHO, s. d.). Explica a doutrina que há um ataque famoso: o ataque dicionário. Nele, o indivíduo tenta todas as senhas de dicionário (ou lista de palavras), usando da criatividade. Pode ser o dicionário da língua portuguesa, dicionários temáticos, entre outros. Tipos de Criptografias A doutrina explica sobre os tipos de criptografias que podem ser encontradas. Assim, temos: • Criptografia simétrica, de difícil reversão dos dados - esse tipo de criptografia utiliza uma única chave, que é compartilhada pelo emissor para o destinatário do conteúdo. Essa chave constitui uma cadeia própria de bits, responsável por definir a forma como o algoritmo vai cifrar um conteúdo. • Criptografia homomórfica – constitui um esquema de criptografia em que é permitido trabalhar com dados em formato de criptografia sem que haja a necessidade de descriptografá-los, Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 18 fazendo com que haja uma redução da possibilidade de exposição das informações. • Criptografia polialfabética – constitui cifra que tem como base a substituição, utilizando diferentes alfabetos de substituição. A chave dessa criptografia é uma palavra que se torna responsável pela especificação do deslocamento, caractere a caractere, do texto cifrado. • Criptografia enigma – são códigos em formato de textos, cujo conteúdo apenas as pessoas que irão recebê-los saberão, valendo-se de muito raciocínio para compreender o que o texto quer transpassar como recado. Figura 5 – Enigma Fonte: Freepik. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 19 Ainda, há a criptografiaassimétrica. Sobre esse caso, o autor Braga (2009) ilustra da seguinte forma: Exemplo básico da criptografia assimétrica Diffie-Hellman: Digamos que existem dois computadores, o Computador Alfa e o Computador Bravo. Passo 1: O computador Alfa, envia uma mensagem ao Bravo oferecendo uma lista de 100 possíveis números primos e bases, para que ele escolha um. Passo 2: O Bravo retorna uma mensagem avisando que escolheu o número primo (p = 89) e a base (g = 5). Passo 3: O Alfa então escolhe um inteiro secreto iA = 6 (que seria resultante de sua chave primária em um contexto mais abrangente), retornando para Bravo: Alfa =( giA mod p) ou seja, A = 56 mod 89 = 50. Passo 4: O Bravo também escolhe um inteiro secreto iB = 15, retornando para Alfa: Bravo =( giB mod p) ou seja, A = 515 mod 89 = 21. Passo 5: Tanto Alfa quanto Bravo chegam a um mesmo valor de chave para efetuarem sua transação privada: O Alfa computa (BravoiA mod p) = 216 mod 89 = 25. E o Bravo computa (AlfaiB mod p) = 5015 mod 89 = 25. Portanto, a chave de criptografia desta sessão entre o computador Alfa e Bravo será 25, e esta chave só é conhecida por eles. Perceba que para um computador que estivesse fora desta transação, todos os números seriam conhecidos, menos iA, iB e a chave resultante. (BRAGA, 2009, p. 12-13) É possível, também, observar padrões criptográficos, todos desenvolvidos exclusivamente para proteção de informações, dados governamentais e, infelizmente, para os crimes. Assim, observa-se o verdadeiro desafio para o perito forense computacional, durante a sua análise, para identificar a ocorrência do crime cibernético no âmbito dos dispositivos computacionais. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 20 RESUMINDO: E então, compreendeu tudo que estudamos neste capítulo? Esperamos que sim, no entanto vamos revisar um pouco do que foi estudado para que a matéria fique fixada na mente. Estudamos neste capítulo o que vem a ser a criptografia e todos os seus tipos. Desse modo, por meio dos nossos estudos, vimos que a doutrina revela que a criptografia é uma área da criptologia que tem como finalidade precípua esconder o verdadeiro significado de alguma informação. Esse método pode ser utilizado para fins comerciais, industriais e governamentais como forma de proteção de dados. Sendo assim, é importante que o perito realize buscas no computador por softwares que empreguem a criptografia em arquivos ou textos. Ressalta- se que a criptografia tem dois lados: um em que é utilizada para garantir a privacidade das informações, e outro em que se tem o poder de frustrar ações periciais, sendo esta considerada a técnica mais preocupante. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 21 Saneamento de Discos OBJETIVO: A técnica de sanitização de discos consiste em apagar as informações armazenadas no disco. A seguir, vamos conhecer o seu conceito, suas técnicas e como podemos identificá-las. Vamos estudar e conhecer essa técnica? Vamos juntos! Conceito A técnica de sanitização de discos consiste em apagar as informações armazenadas no disco. Quando um disco é formatado ou um arquivo é excluído, o Sistema Operacional apenas informa ao sistema de arquivos que o espaço em disco reservado para armazenar o conteúdo daquela partição do disco está liberado e pode ser utilizado. (REIS, 2013, s. p.) Também chamada de wipe, a sanitização de dados exige protocolos, uma vez que depende da sensibilidade e da importância dos arquivos. Inclusive, recomenda-se que o local da mídia armazenada seja sobrescrito diversas vezes. Figura 6 - Exemplo de sanitização Fonte: Silva Filho (s. d.). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 22 A figura acima representa o programa Disk Wipe, que demonstra a técnica de sanitização de dados. Nela, observa-se a possibilidade de escolha sobre qual protocolo utilizar. De mais a mais, essa técnica é criticada porque a sanitização pode deixar sinais de que o sistema de arquivos foi apagado. Ainda, exige o envolvimento do indivíduo no processo e nem sempre se limpa correta ou completamente as informações. Os programas mais utilizados são: BCWipe, CyberScrubs, PrivacySuite, Disk Wipe e o AEVITA Wipe & Delete. Nesse caminho, essa técnica também é utilizada por empresas que têm a obrigação de manter informações sigilosas, de modo que é de sua responsabilidade a exclusão de arquivos quando submetidos a algumas situações, sendo elas: • Fim de aluguel. • Fim da vida útil ou no momento em que um aparelho computacional se torna obsoleto e é necessário fazer a eliminação de informações. • Uso para outro objetivo. • Quebra/conserto. • Terceirização, em casos de realocação. Importante publicação do NIST, 800 – 88 definiu quatro maneiras para a sanitização: 1. Descarte: descartar a mídia de maneira simples, sem a aplicação de qualquer método de sanitização, devido aos dados armazenados não terem nenhum valor ao usuário, por exemplo, o descarte de uma folha de papel impressa, que pode ser destinada a reciclagem; 2. Limpeza: nível de sanitização de dados mais elevado, pois prestigia a confiabilidade e a privacidade dos dados, devido à importância que o mesmo possa ter ao usuário. Neste nível as técnicas de sanitização podem atuar como garantia que estes dados originais sobrescritos por uma técnica lógica não poderão ser mais recuperados após o processo de sobrescrita ter ocorrido com êxito; 3. Purgar: nível de sanitização mais alto que o nível de limpeza, pois seu objetivo é o de proteger os dados Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 23 impedindo que os mesmos sejam recuperados por um ataque até mesmo em nível de laboratório [...]; 4. Destruição: destruição da mídia, por exemplo, um disco rígido que armazena os dados considerados sensíveis ao usuário. (KISSEL et al., 2014 apud SBAMPATO, 2018, s. p.) Assim, o correto é que a sanitização ocorra de forma que não haja resquícios dos dados originais, não importando o ambiente em que se está inserido. No entanto, apesar de todo um aparato para a proteção dos dados, ainda é evidente a ameaça de se obterem informações privilegiadas, uma vez que é possível encontrar, no mercado, dispositivos de armazenamento com dados confidenciais. Alguns fatores são considerados, como: falta de conhecimento; erros no uso das ferramentas; falta de preocupação com os dados; falha de hardware, entre outros. Além disso, segundo a Secure Data Sanitization (SDS), existem algumas formas de realizar a sanitização dos dados. Vamos estudá-las a seguir. Método Gutmann Como forma de obter uma eliminação segura dos dados, Gutmann (2008 apud BARRETO, 2009, s. p.), em seu método, especificou 22 padrões de dados para sobrescrever os discos. Ainda acrescentou quatro fases de padrões aleatórios com alternância de padrões e em diferentes frequências. Tabela 1 - Descrição dos passos utilizados para sanear um disco, conforme Gutmann Pass In Binary Notation In Hex Notation 1 (Random) (Random) 2 (Random) (Random) 3 (Random) (Random) 4 (Random) (Random) 5 01010101 01010101 01010101 55 55 55 Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 24 6 10101010 10101010 10101010 AA AA AA 7 10010010 01001001 00100100 92 49 24 8 01001001 00100100 10010010 49 24 92 9 00100100 10010010 01001001 24 92 49 10 00000000 00000000 00000000 00 00 00 11 00010001 00010001 00010001 11 11 11 12 00100010 00100010 00100010 22 22 22 13 00110011 00110011 00110011 33 33 33 14 01000100 01000100 01000100 44 44 44 15 01010101 01010101 01010101 55 55 55 16 01100110 01100110 01100110 66 66 66 17 01110111 01110111 01110111 77 77 77 18 10001000 10001000 10001000 88 88 88 19 10011001 10011001 10011001 9 99 99 99 20 10101010 10101010 10101010 AA AA AA 21 10111011 10111011 10111011 BB BB BB 22 11001100 11001100 11001100 CC CC CC 23 11011101 11011101 11011101 DD DD DD 24 11101110 11101110 11101110 EE EE EE 25 11111111 11111111 11111111 FF FF FF26 10010010 01001001 00100100 92 49 24 27 01001001 00100100 10010010 49 24 92 28 00100100 10010010 01001001 24 92 49 29 01101101 10110110 11011011 6D B6 DB 30 10110110 11011011 01101101 B6 DB 6D 31 11011011 01101101 10110110 DB 6D B6 32 (Random) (Random) 33 (Random) (Random) 34 (Random) (Random) 35 (Random) (Random) Fonte: Gutmann (apud BARRETO, 2009, s. p.). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 25 Nesses moldes, fica quase impossível a recuperação dos dados “até mesmo usando o método de leitura de superfície de disco via microscópio magnético” (BARRETO, 2009, s. p.). Método DOD 5250.22-M Elaborada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, essa norma requer que os discos sejam sobrescritos por três vezes da seguinte forma (BARRETO, 2009, s. p.): • Passo 1 – sobrescreve todos os blocos com o 0 (zeros). • Passo 2 – sobrescreve todos os blocos com o 1 (uns). • Passo 3 – sobrescreve todos os blocos aleatoriamente. Método VSITR Elaborado pelo Departamento Alemão de Segurança da Informação, propõe a remoção do seguinte modo (BARRETO, 2009, s. p.): • Passo 1 – sobrescreve todos os blocos com o 0 (zeros). • Passo 2 – sobrescreve todos os blocos com o 1 (uns). • Passo 3 – sobrescreve todos os blocos com o 0 (zeros). • Passo 4 – sobrescreve todos os blocos com o 1 (uns). • Passo 5 – sobrescreve todos os blocos com o 0 (zeros). • Passo 6 – sobrescreve todos os blocos com o 1 (uns). • Passo 7 – sobrescreve todos os blocos com o 0 (zeros). Em meio a esse cenário, surgiu a norma internacional, a NBR ISO/ IEC 27002, que foca as boas práticas para a gestão da segurança da informação. Nos dias de hoje, ela é fundamental para a consolidação de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI), garantindo a continuidade e a manutenção dos processos de segurança, alinhados aos objetivos estratégicos da organização. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 26 Técnicas Físicas Quando tratamos de sanitização, devemos considerar suas técnicas para que ela venha a acontecer da forma correta. Desmagnetização Aqui, utiliza-se a forma magnética do disco rígido, “alterando seu funcionamento e impedindo a recuperação dos dados no disco” (DATA, 2008, s. p.). A figura abaixo representa um equipamento desmagnetizador: Figura 7 - Degausser Fonte: Data (2008 apud SBAMPATO, 2018). Destruição do Disco Rígido Essa modalidade visa destruir, fisicamente, o disco rígido. O ato de amassar inutiliza o disco rígido, “entortando o prato e danificando toda a sua estrutura física” (PRODUCTS, 2016, s. p.). Há, também, a possibilidade de triturar todo o disco rígido, conforme demonstramos a seguir: Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 27 Figura 8 - Utilização dos equipamentos Próton PPD – 1 e 0300 Fonte: Datasheets (2018 apud SBAMPATO, 2018). É preciso considerar, ainda, que existem tentativas ou ataques para recuperar os dados em disco rígido, por meio de códigos maliciosos. “Há casos em que o disco rígido não pode mais ser ligado a um computador para essa recuperação, como, por exemplo, para discos com problemas ou término de sua vida útil” (SBAMPATO, 2018, s. p.). RESUMINDO: E então, compreendeu tudo que estudamos até o presente momento? Esperamos que sim, no entanto vamos revisar um pouco do que estudamos. Compreender que, também chamada de wipe, a sanitização de dados exige protocolos, uma vez que depende da sensibilidade e da importância dos arquivos. Inclusive, recomenda-se que o local da mídia armazenada seja sobrescrito diversas vezes. Essa técnica antiforense tem diversas modalidades, sejam as técnicas físicas, sejam as tecnológicas, por meio de softwares. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 28 Esteganografia OBJETIVO: Palavra de origem grega, cujo radical “stegano” significa “escondido”, enquanto “grafia” significa “escrita” ou “desenho”. Essa prática antiforense pode se revelar como um verdadeiro perito no momento de sua análise. Vamos estudar sobre o tema? Vamos juntos?. Conceito Palavra de origem grega, cujo radical “stegano” significa “escondido”, enquanto “grafia” significa “escrita” ou “desenho”, a esteganografia tem como finalidade esconder as informações para que outro indivíduo não as encontre. É comum o seu uso para arquivos de imagem, som, texto, vídeo e música. “Existem várias técnicas e protocolos para esconder informações dentro de um objeto” (CUMMINS et al., 2004, s. p.). Fato interessante é que a esteganografia é uma arte antiga, e suas origens remontam à Antiguidade. É de se observar que o seu uso se aplica ao envio de mensagens e é bastante útil nos tempos de guerra. Como exemplo, Julio, Brazil e Albuquerque (2007) citam: Mensagens também foram enviadas através de escravos de confiança. Alguns reis raspavam as cabeças de escravos e tatuavam as mensagens nelas. Depois que o cabelo crescesse, o rei mandava o escravo pessoalmente com a mensagem. [...] Os chineses e egípcios também criaram seus métodos de esteganografia na idade antiga. Os chineses escreviam mensagens em finas folhas de papel de seda que eram depois enroladas como uma bola e cobertos com cera. [...] Os egípcios usavam ilustrações para cobrir as mensagens escondidas. (JULIO; BRAZIL; ALBUQUERQUE, 2007, p.57) Com o passar do tempo, a esteganografia foi sendo desenvolvida e suas técnicas, evoluindo, perpassando pela Idade Média até os dias atuais. Vejamos um exemplo: Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 29 Figura 9 - Exemplar de “Schola Steganographica” publicado em 1680 Fonte: Petitcolas e Katzenbeisser (1999 apud JULIO; BRAZIL; ALBUQUERQUE, 2007, p. 58). Desse modo, propõe a doutrina as seguintes condições para aplicação da esteganografia (MAUÉS, 2016): • A integridade da informação deve ser preservada após ser incorporada ao objeto. • O objeto usado para ocultar as informações não deve sofrer alterações que possam ser percebidas a olho nu. • Mudanças nos objetos não devem marcas d’água. • Deve haver sempre a preocupação de que pessoas saibam que informações estão sendo escondidas no objeto. Sendo assim, a esteganografia difere da criptografia, uma vez que, na primeira, a mensagem verdadeira pode estar dentro de outro arquivo, mas camuflada. Algumas técnicas podem ser usadas, como a busca por palavras-chaves; a análise do tamanho de arquivo, que, se for grande demais, é indício de obstrução; em arquivos instalados, ao analisá-los, é possível encontrar softwares que utilizam a esteganografia. Um fato interessante sobre a esteganografia é que, comumente, ela é utilizada por empresas que desejam preservar os direitos autorais em suas obras ou rastrear a distribuição dos arquivos. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 30 No entanto, é uma grande dificuldade descobrir que essa técnica está sendo usada. “É impossível determinar através de um exame visual se um arquivo gráfico contém provas vitais incorporadas como dados ocultados” (CRAIGER; POLLIT; SWAUGER, 2005, s. p.). Figura 10 - Ocultando dados em arquivo JPF Fonte: Maués (2016). Figura 11 - Visualização da imagem após a inserção dos dados Fonte: Maués (2016). Figura 12 - Visualização dos dados inseridos no arquivo Fonte: Maués (2016). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 31 Nessa sequência de imagens, podemos observar a inserção de informações dentro de uma simples imagem JPG, sendo ela “senha de acesso 123456”. Figura 13 - Exemplo de esteganografia Fonte: Carvalho (s. d.). Figura 14 - Exemplo de esteganografia Fonte: Carvalho (s. d.). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 32 A sequência de imagens nos mostra alguns exemplos de como a esteganografia pode ser usada maliciosamente. Seja para ocultar um arquivo, como também uma mensagem (no caso acima, uma mensagem terrorista). Por outro lado, essa técnica pode ser utilizada como forma de ampliar sua privacidade, mantendo informações íntegras e protegidas. SAIBA MAIS: Veja o artigo“O que é esteganografia”, do site Boson Treinamentos. Nele, podemos observar o conceito dessa técnica antiforense, bem como métodos e exemplos de como ela pode ser utilizada. Você pode lê-lo aqui. São softwares para o uso da esteganografia, tanto para inclusão quanto para a extração da mensagem no arquivo: • OpenPuff. • Steghide. • Image Steganography. • Crypture. • rSteg. • OpenStego. Para a perícia forense computacional, são requisitos para qualquer sistema esteganográfico: segurança, já que o conteúdo deve ser invisível aos olhos do perito; a carga útil ou capacidade de inclusão suficiente na informação embutida; e a robustez ou a capacidade de resistir à compressão no meio computacional. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses http://www.bosontreinamentos.com.br/seguranca/o-que-e-esteganografia/ 33 Tipos de Esteganografia Vamos, então, compreender os tipos de esteganografia. Esteganografia em Vídeo Como estudado, a técnica da esteganografia é utilizada para esconder uma mensagem, e isso pode ser feito em qualquer veículo ou meio computacional. É de se saber que, na internet, temos uma vasta gama de informação, que se manifesta em textos, vídeos ou imagens, e é exatamente essa oportunidade que o indivíduo aproveita para cometer o ilícito. Nesse sentido, a esteganografia em vídeo é similar à que é realizada em imagens, exceto pelo fato de que as informações são escondidas em cada frame do arquivo de vídeo. No entanto, “quanto maior for a quantidade de informação a ser escondida no vídeo, maior será a possibilidade de o método esteganográfico ser percebido” (JULIO; BRAZIL; ALBUQUERQUE, 2007, p. 69). Esteganografia em Imagem Nesse método, a abordagem mais comum de inserção de informações inclui técnicas de acréscimo no bit menos significativo, algoritmos, transformações e técnicas de filtragem e mascaramento. “O método de inserção no bit menos significativo é provavelmente uma das melhores técnicas de esteganografia em imagem” (PETITCOLAS; ANDERSON; KUHN, 1999). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 34 Quadro 2 - Utilizando CJPEG e DJPEG para esteganografia Para esteganografar textos nas imagens, utilizamos o comando “CJPEG”; para a recuperação do texto esteganografado, é utilizado o comando DJPEG. Para efetuar tal operação, basta usar e abusar da opção “-steg”, respeitando a seguinte sintaxe de execução: Para testar, crie com seu editor de textos preferido (vim, pico, emacs) um arquivo .txt, denominado “teste.txt” e aplique esse comando sobre uma imagem .gif, seguindo o exemplo abaixo: Para realizar a desesteganografia, utilize o comando “djpep”, como pode ser visualizado abaixo: Dependendo do tamanho da imagem, você facilmente poderá incluir folhas de texto no interior delas. Fonte: Carvalho (s. d.). Esteganografia em Áudio Aqui, a esteganografia explora as vulnerabilidades do ouvido humano, sempre levando em conta a sensibilidade do sistema auditivo humano. Julio, Brazil e Albuquerque (2007) explicam essa técnica: Para se desenvolver um método de esteganografia em áudio, uma das primeiras considerações a serem feitas é o ambiente onde o som trafegará entre a origem e o destino. Há pelo menos dois aspectos que devem ser considerados: a representação digital do sinal que será usado e o caminho de transmissão do sinal. (JULIO; BRAZIL; ALBUQUERQUE, 2007, p. 69). Ainda mais, é preciso considerar a representação do sinal e o caminho de transmissão para a escolha do método de esteganografia, uma vez que a taxa dos dados “é muito dependente da taxa de amostragem e do tipo de som que está sendo codificado” (JULIO; BRAZIL; ALBUQUERQUE, 2007, p. 69). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 35 RESUMINDO: Finalizamos nosso capítulo e esperamos que você tenha compreendido tudo que foi estudado até o presente momento. No entanto, devemos realizar uma revisão do que foi visto neste capítulo. “Esteganografia”, palavra de origem grega cujo radical “stegano” significa “escondido”, enquanto “grafia” significa “escrita” ou “desenho”, tem como finalidade esconder as informações para que outro indivíduo não as encontre. Ressalta-se que a esteganografia difere da criptografia, uma vez que, na primeira, a mensagem verdadeira pode estar dentro de outro arquivo, mas camuflada. Algumas técnicas podem ser usadas, como a busca por palavras-chaves; a análise do tamanho de arquivo, se grande demais, dá indícios de obstrução; em arquivos instalados, ao analisá-los, é possível encontrar softwares que utilizam a esteganografia. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 36 Técnicas Antiforenses OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender o conceito das técnicas antiforenses, principais ocorrências e ferramentas para a sua prática. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Evolução Tecnológica, Técnicas Antiforenses e seu Conceito À medida que as tecnologias da informação e comunicação evoluem, os crimes cibernéticos surgem e se reinventam. Para cada avanço na perícia forense, há uma contramedida na prática do ilícito, uma técnica antiforense para mascarar o delito, o que é amplamente conhecida como “o lado negro da força”. Figura 15 – Novas formas de cometer crime Fonte: Freepik. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 37 Aduz a doutrina que não há uma definição para o termo “antiforense”, de modo que “alguns autores definem ‘antiforense’ como ferramentas de destruição ou que evitam a detecção de informações” (MAUÉS, 2016, p. 16). Estudiosos sobre a matéria, como Rogers (2006, s. p.), dividem as técnicas antiforenses quanto à ocultação de dados, eliminação de artefatos, ofuscação de evidências e ataques contra ferramentas ou computador”. Por outro lado, há quem recomende a divisão por “destruição, ocultação, manipulação ou prevenção de criação de evidências (MAUÉS, 2016, p. 16). O fato é que as técnicas antiforense são utilizadas com a finalidade de interferir nos resultados da investigação, ocultando, codificando ou excluindo as evidências. Assim, a utilização de criptografia, a sanitização de dados, a esteganografia e o uso de propriedades que são diferentes dos sistemas de arquivos são métodos de aplicação para essa prática. Explica Cândido (2019): O indivíduo que busca apagar seus traços em um dispositivo, rede, aplicação ou executar qualquer outra ação que dificulte o trabalho do especialista forense o faz por meio de ações baseadas nos processos envolvidos nestas metodologias. Porém estas ações podem indicar uma ação suspeita e serem correlacionadas também como evidências, como declara o Corolário de Harlan Carvey: “Ausência de evidências é uma evidência”. (CÂNDICO, 2019, s.p.) Nesse sentido, é preciso criar maneiras para que se evite esta ameaça ao processo forense digital. Aponta a literatura que, apesar dos estudos para a detecção de técnicas antiforenses, a ausência de um processo de identificação e avaliação de riscos “contribui para que técnicas de detecção não sejam incorporadas ao processo pericial ou que sejam aplicadas desnecessariamente” (MAUÉS; HOELZ, 2016, p. 724). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 38 Figura 16 – Criptografia Fonte: Freepik. Conforme anteriormente estudado, é preciso ressaltar que a ausência de leis eficientes que tipifiquem, apropriadamente, os crimes cibernéticos prejudica sobremaneira a punição do autor, além de que o fato de não haver uma recuperação dos dados às vítimas é preocupante. Destruição de Evidências Consiste na destruição das informações contidas no dispositivo informático. Não é uma técnica simples, uma vez que, como vimos, toda ação é passível de rastros ou até mesmo o software utilizado para a destruição pode criar evidências. Assim, ocorre em dois tipos: “a primeira é realizada apenas sobrescrevendo os dados repetidamente”; “a segunda, pela desmagnetização, quando asmídias são magnéticas ou, caso contrário, pela destruição total das mídias” (MAUÉS, 2016, p. 16). Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 39 Figura 17 – Destruição de evidências Fonte: Freepik. São métodos de destruição de evidências: desmagnetização de mídias, apagando a mídia com imã); alteração de atributos de arquivos, por meio da distribuição ou substituição de atributos do sistema; limpeza de arquivos; e destruição de artefatos de atividades de usuários. Ocultação de Evidências A ocultação de evidências consiste em deixar as evidências menos visíveis, dificultando a atividade do perito em um processo investigatório. Métodos como renomear os arquivos; salvar em locais onde normalmente o perito não examina; esconder dados em estruturas de sistemas de arquivos e a esteganografia ou o ato de esconder arquivos ou dados digitais dentro de outro arquivo. Eliminação de Fontes e Evidências Esse caso ocorre quando se evita a criação de evidências, sem a necessidade de destruir ou ocultar, ou seja, as informações não são criadas. A doutrina cita o exemplo de utilizar uma arma com luva, de forma Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 40 que não haverá registros de impressões digitais. Maués (2016) expõe alguns métodos, sendo eles: desativação de logs; uso de aplicações portáteis; uso de live distros, sistemas operacionais que funcionam a partir de dispositivos como CDs e pen drives; uso de syscall proxing ou chamada de sistema local; injeção de biblioteca remota ou seja, aplicações direto na memória RAM sem deixar rastros; utilização de navegadores in private. Falsificação de Evidências Essa ação tem a finalidade precípua de imputar a alguém a responsabilidade de um crime. Não há qualquer preocupação em ocultar ou destruir a evidência porque não terá validade. Dessa forma, temos que a falsificação poderá ocorrer quando: há a falsificação do endereço IP; casos em que há o sequestro de contas; modificação nos arquivos, como data e hora, nome ou qualquer ação que possa enganar ou induzir o perito forense ao erro. ACESSE: Leia o artigo “Técnicas antiforenses”, do Portal Educação. Você pode acessar o artigo completo aqui. Destacamos o seguinte trecho: “Para realizar a arte antiforense muitos especialistas em invasão de computadores e sistemas em geral utilizam vários sistemas, métodos e regras para poder se infiltrar em uma máquina, podem fazer instalação de ROOTKITS, BACKDOORS, ADS, SLACK SPACE, criptografia de dados, SNIFFERS”. Interessante trabalho proposto por Marcelo B. Maués e Bruno Werneck P. Hoelz, sob o título “Modelagem de ameaças antiforenses aplicada ao processo forense digital”, propõe um processo de modelagem de ameaças com o objetivo de reduzir os riscos de ameaças antiforenses, nos seguintes moldes: Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/tecnicas-anti-forense/54717 41 Figura 18 - Processo de modelagem de ameaças antiforenses Fonte: Maués e Werneck (2016). Assim, cada quadrinho revela objetivos necessários para o desenvolvimento da perícia forense computacional e para a compreensão de cada caso investigado, objetivando o levantamento de informações para o auxílio na tomada de decisões; a identificação dos meios de armazenamento de dados para o encontro dos vestígios e evidências digitais; a análise de cada fonte para saber se há ameaças antiforenses. Outro fato interessante, que se revela importante, é a gestão de riscos que as ameaças antiforenses oferecem em meio a uma investigação. Esse é um importante passo para determinar quais dessas ameaças devem ou não ser mitigadas. Por fim, o registro dos resultados, por meio de um relatório das etapas anteriores, “assim, é possível recorrer posteriormente a essa documentação para revisar a avaliação realizada pelo perito ou verificar ameaças que porventura não foram consideradas, mas que foram detectadas durante o exame” (MAUÉS; WERNECK, 2016, p. 725). Nesse sentido, interessante se faz expor, para fins didáticos, a gestão de riscos e a sua divisão em três partes: determinação do nível de risco; identificação de contramedidas; e mitigação de riscos. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 42 Figura 19 - Elementos envolvidos na gestão de riscos Fonte: Maués e Werneck (2016). Nesses moldes, para determinar o nível de risco para a ocorrência de uma ameaça antiforense, bem como o impacto das suas consequências, é preciso considerar os juízos de capacidade, motivação e oportunidade como forma de se estimar a probabilidade de ocorrência do crime. Segundo os autores Maués e Werneck (2016), é preciso observar, ainda, os fatores amplificadores, que são influências para a ocorrência do fato ilícito. São eles: Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 43 Quadro 3 - Pontuação associada à avaliação da capacidade, da motivação e da oportunidade Capacidade Motivação Oportunidade O suspeito possui amplas condições de fazer uso da ação antiforense O uso da ação antiforense pelo suspeito compensa muito a prática do delito investigado As circunstâncias são altamente favoráveis para aplicação da técnica antiforense O suspeito possui moderadas condições de fazer uso da ação antiforense O uso da ação antiforense pelo suspeito compensa moderadamente a prática do delito investigado As circunstâncias são moderadamente favoráveis para aplicação da técnica antiforense O suspeito possui poucas condições de fazer uso da ação antiforense O uso da ação antiforense pelo suspeito compensa pouco a prática do delito investigado As circunstâncias são pouco favoráveis para aplicação da técnica antiforense O suspeito não apresenta condições de fazer uso da ação antiforense O uso da ação antiforense pelo suspeito não compensa a prática do delito investigado As circunstâncias não são favoráveis para aplicação da técnica antiforense Fonte: Elaborado pela autora com base em Maués e Werneck (2016). Dessa forma, fica possível orientar o perito forense computacional para a detecção da ameaça, determinando o impacto da ameaça antiforense durante os procedimentos periciais. RESUMINDO: E então, compreendeu tudo que estudamos neste capítulo? Esperamos que sim, no entanto se faz necessário revisar um pouco do que foi estudado até o presente momento. Aduz a doutrina que não há uma definição para o termo “antiforense”, de modo que “alguns autores definem ‘antiforense’ como ferramentas de destruição ou que evitam a detecção de informações” (MAUÉS, 2016, p. 16). Para cada avanço na perícia forense, há uma contramedida na prática do ilícito, uma técnica antiforense para mascarar o delito, o que é amplamente conhecido como “o lado negro da força”. O fato é que as técnicas antiforenses são utilizadas com a finalidade de interferir nos resultados da investigação, ocultando, codificando ou excluindo as evidências. Crimes Cibernéticos e Técnicas Forenses 44 REFERÊNCIAS ALMEIDA, R. N. 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