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Responsabilidade Civil Objetiva

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Nesta nossa última aula, iremos examinar a responsabilidade civil objetiva, fazendo um retrospecto histórico do seu surgimento até os dias atuais na legislação pátria,
demonstrando que boa parte da doutrina tem entendido que o nosso Código Civil consagra, ao lado de uma regra geral de responsabilidade subjetiva, uma cláusula
geral de responsabilidade civil objetiva prevista no seu Artigo 927, parágrafo único.
Após um breve histórico, analisaremos algumas das hipóteses legais de responsabilidade objetiva, sempre com o intuito de demonstrar as suas novas tendências e
objetivos, correlacionando com os demais assuntos tratados nas aulas anteriores.
Ao final, teremos como objetivo examinar a responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor, demonstrando que a legislação consumerista tem como regra
a responsabilidade civil objetiva, pois visa à mais ampla proteção do consumidor. Ao final, será examinada especificamente a aplicabilidade das normas consumeristas
visando à reparação do dano decorrente do risco de desenvolvimento.
1. Estudar a responsabilidade civil objetiva, demonstrando a sua evolução histórica e legislativa, bem como examinando as previsões do Código Civil;
2. Analisar a responsabilidade civil nas relações de consumo, em especial o dano decorrente do risco de desenvolvimento.
Vamos relembrar o que é responsabilidade civil objetiva?
A responsabilidade civil objetiva, como já analisado na primeira aula deste curso, foi criada como um instrumento para facilitar o alcance do objetivo primordial da
nossa disciplina – o ressarcimento da vítima, afastando o principal obstáculo a tal concretização, a comprovação da culpa.
O seu surgimento tem ligação direta com a Revolução Industrial, com a mudança de uma sociedade eminentemente ruralista para uma sociedade industrializada, a
qual acarreta necessariamente na ampliação das hipóteses de riscos decorrentes destas atividades ou, como afirma Teresa Ancona Lopez (2006, p. 112), “os perigos da
nova sociedade comandada por máquinas de todos os tipos”.
A necessidade de comprovação do elemento subjetivo – culpa – como pressuposto para a condenação ao dever de indenizar acaba por ser uma barreira para o
alcance da função reparatória/compensatória da responsabilidade civil, diante da multiplicação dos danos decorrentes do surto do progresso e desenvolvimento
industrial.
Anderson Schreiber (2012, p. 17) exemplifica a dificuldade de fazer prova da culpa afirmando que:
A exigência de que a vítima demonstrasse a culpa em acidentes desta natureza – basta pensar em acidentes de transporte ferroviário ou em acidentes de trabalho
ocorridos no interior de fábricas – tornava-se verdadeiramente odiosa diante do seu desconhecimento sobre o maquinismo empregado, da sua condição de
vulnerabilidade no momento do acidente e de outros tantos fatores que acabaram por assegurar à prova a alcunha de probatio diabolica.
Diante de tão odiosa prova, a qual não era possível à vítima na grande maioria das situações, haja vista que os danos acabam surgindo do mero exercício da atividade
perigosa, o direito passou a criar instrumentos para o fim de driblar esta exigência e possibilitar o mais amplo ressarcimento da vítima, entre eles é possível se indicar
as hipóteses legais de presunção de culpa e a aceitação da teoria do risco (SCHREIBER, 2012, p. 18).
Probatio diabolica
Mesmo que prova diabólica, é aquela modalidade de prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida como, por exemplo, a prova de um fato negativo.
Você sabia?
O marco inicial da responsabilidade civil objetiva foi a obra de Raymond Saleilles, Les accidents de travail et la responsabilité civile: essai d’une théorie objective de la
responsabilité délictuelle, datada de 1897, a qual propunha a imposição do dever de indenizar por um princípio simples de causalidade, que não exigisse o exame do
comportamento do agente causador do dano.
Responsabilidade Civil: novas tendências
Aula 4: Responsabilidade Civil Objetiva
Introdução
Objetivos
Responsabilidade civil objetiva
1. Para que foi criada?
2. Como surgiu?
3. Comprovação de culpa?
4. Anderson Schreiber
Notas
Primeiros estudos
Outra obra de relevância para o estudo da responsabilidade civil objetiva é a de Loius Josserand, o qual “defendia a ideia de risco como critério de responsabilização”.
(SCHREIBER, 2012, p. 19).
A partir dessas obras doutrinárias, desenvolveu-se o estudo da responsabilidade civil objetiva e da teoria do risco como mecanismos facilitadores da indenização
da vítima em situações tais em que a prova da culpa é difícil, senão impossível.
Começam a surgir gradativamente legislações que abarcam a responsabilização independentemente de culpa, amadurecendo um dos principais institutos da nossa
disciplina na atualidade.
No direito brasileiro percebe-se, numa análise breve, que o legislador do Código Civil de 1916 se manteve na esteira da responsabilidade civil subjetiva, exigindo como
requisito indispensável para o surgimento do dever de reparar a comprovação da culpa do agente causador do dano.
Clique no PDF para saber mais sobre o assunto.
 [../downloads/a04_t04a.pdf]
Figura 2: Direito brasileiro
Fonte: ericsphotography/iStock.
Passada mais de uma década da vigência da nossa Constituição Federal, entra em vigência o Código Civil de 2012 consagrando, por definitivo, a responsabilidade
civil objetiva, ao lado da responsabilidade civil subjetiva.
O primeiro passo para esta mudança foi a separação da noção de ato ilícito (Artigo 186 e 187 do CCB) das disposições atinentes à responsabilidade civil (Artigo 927 e
segs do CCB), ficando claro que o dano é o principal pressuposto da nossa disciplina (LOPEZ, 2006, p. 113).
Ao lado da previsão da responsabilidade civil subjetiva (Artigo 927, caput combinado com o Artigo 186 do CCB), a nova legislação estabelece uma cláusula geral de
responsabilidade civil objetiva em seu parágrafo único:
“haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.”
Anderson Schreiber (2012, p. 21-22) afirma que esta norma teve como inspiração o disposto no Artigo 493 do Código Civil Português e o Artigo 2.050 do Código Civil
Italiano de 1942.
A partir da vigência do Código Civil de 2012, as duas regras, a responsabilidade subjetiva e a responsabilidade objetiva, devem conviver pacificamente no
ordenamento jurídico pátrio.
Atenção!
O Código Civil de 1916
O Código Civil de 2012
Artigo 186 e 187 do CCB
Artigo 927, caput combinado com o Artigo 186 do CCB
Atenção!
Responsabilidade subjetiva e objetiva
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t04a.pdf
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t04a.pdf
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/aula4/img/02direiroBR.jpg
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/aula4/img/02direiroBR.jpg
Na análise do caso concreto, deverá o intérprete analisar a aplicabilidade das regras partindo da responsabilidade civil objetiva e tendo como regra de remanescente
a responsabilidade subjetiva.
1. A partir da situação concreta deve o intérprete primeiro examinar se há legislação expressa prevendo a aplicação da responsabilidade civil objetiva (como o CDC, a
Legislação Ambiental, de Transportes, etc.).
2. Em caso negativo, deve examinar a aplicabilidade do parágrafo único do Artigo 927 do CCB, ou seja, se a hipótese se enquadra na categoria de atividade
normalmente desenvolvida que gere riscos para os direitos de outrem.
3. E, por último, desde que não se enquadre em nenhuma das situações anteriores, aplicável seria a regra da responsabilidade civil subjetiva.
Boa parte da doutrina nacional entende que a regra geral ainda permanece como sendo a responsabilidade subjetiva, sendo que na insuficiente desta é que será
aplicada a responsabilidade objetiva (Caio Mario da Silva Pereira, CarlosRoberto Gonçalves, Sérgio Cavalieri Filho, Teresa Ancona Lopez, entre outros).
A nossa aula se restringirá à análise detalhada da cláusula geral de responsabilidade civil prevista no parágrafo único do Artigo 927 do Código Civil Brasileiro.
Contudo, imprescindível se faz observar outra regra de responsabilidade civil objetiva prevista no Artigo 931 do Código Civil:
Artigo 931:
“ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as empresas respondem independentemente de culpa pelos danos causados pelos
produtos postos em circulação.”
Vamos examinar alguns pontos em que ainda pairam dúvidas na aplicabilidade do referido parágrafo. Vários questionamentos relevantes surgem, entre eles:
Quais seriam essas atividades de riscos?
Como caracterizar uma atividade normalmente desenvolvida?
Percebe-se, como bem observa Anderson Schreiber (2012, p. 23), que o legislador permitiu uma ampla discricionariedade jurisdicional, permitindo ao juiz, na análise
do caso concreto, partindo dos valores e princípios constitucionais, estabelecer o que é atividade de risco normalmente desenvolvida.
Várias são as interpretações possíveis dessas expressões.
Figura 3: Artigo 927 do Código Civil Brasileiro
Fonte: William_Potter/iStock.
Clique no PDF e saiba mais sobre o assunto.
Atenção!
Artigo 927 do Código Civil Brasileiro
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/aula4/img/03artigo927.jpg
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 [../downloads/a04_t07a.pdf]
O Código de Proteção e Defesa do Consumidor foi uma marco no âmbito da responsabilidade civil objetiva no Direito Brasileiro, pois estabelece expressamente como
regra geral que:
a responsabilidade nas relações consumeristas independe da comprovação da culpa do fornecedor.
Única exceção: a responsabilidade dos profissionais liberais, quando então é indispensável a comprovação do elemento subjetivo.
Se não bastasse o quase absoluto afastamento das regras da responsabilidade subjetiva, o CDC também instituiu como regra:
a responsabilidade solidária de todos os membros da cadeia produtiva e de distribuição dos produtos e serviços, demonstrando o caráter de socialização dos
danos.
Observe a nítida intenção do legislador em oportunizar a mais ampla proteção do consumidor nos seus primeiros artigos.
Isto acontece quando estabelece que as normas consumeristas são de ordem pública, ou seja, de observância obrigatória.
A responsabilidade civil no CDC parte de duas óticas distintas (BENJAMIN, 1990, p. 17):
Proteção da incolumidade físico-psíquica do consumidor através da responsabilidade civil pelo fato do produto ou serviço.
Proteção da incolumidade econômica do consumidor por meio da responsabilidade civil por vício do produto ou serviço.
Proteção da incolumidade físico-psíquica do consumidor através da responsabilidade civil pelo fato do produto ou serviço.
Sobre esta ótica estão enquadrados o que chamamos de:
- acidentes de consumo, ou seja, eventual defeito do produto ou serviço extrapola a simples utilidade do mesmo atingindo a integridade físico-psiquíca do
consumidor, trazendo danos à sua saúde.
Nessa circunstância, percebe-se que:
“o fundamento material da responsabilidade civil pelo fato do produto (...) é o defeito que está associado à quebra do dever geral de segurança.” (MENEZES, 2012, p.
14)
Vamos a um exemplo?
O defeito nos freios de um veículo acaba acarretando num acidente que causa a morte ou lesões à integridade física do consumidor ou de terceiros (consumidores
equiparados pelo Artigo 17 do CDC).
Ao lado do fato do produto ou serviço, o CDC impõe responsabilidade pelo vício do produto ou serviço, quando o produto ou serviço contratados possuem defeitos
que os tornem impróprios para a finalidade para a qual foram criados.
Portanto, relaciona-se à uma anomalia intrínseca do produto ou serviço que causa o seu mau funcionamento ou até mesmo o seu não funcionamento. Aqui seria o
próprio defeito nos freios, independentemente de causar outros danos.
Figura 4: Proteção da incolumidade físico-psíquica do consumidor
Fonte: aleksandarlittlewolf/Freepik.
Código de Proteção e Defesa do Consumidor
Proteção da incolumidade físico-psíquica do consumidor
Responsabilidade civil no CDC
Atenção!
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t07a.pdf
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O objetivo primordial deste item é examinar os riscos de desenvolvimento, por isso iremos nos ater às regras da responsabilidade pelo fato do produto ou serviço.
Mas o que seria o risco de desenvolvimento?
Vamos a dois exemplos:
O caso americano Sindell versus Abbott Laboratories, de 1980, “envolvendo droga cujo princípio ativo era o diethilstibestrol (por isso ficaram conhecidos como casos
‘DES’), indicado para mulheres grávidas a fim de evitar o aborto espontâneo, mas cujos efeitos colaterais, descobriu-se posteriormente, potencializavam o surgimento
de câncer em seus filhos” (LEVY, 2012, p. 10).
Outro exemplo de risco de desenvolvimento é o caso da Talidomida, “medicamento utilizado por gestantes para aliviar os enjoos da gravidez e que fora responsável
diretamente pelo nascimento de bebês com deformidades congênitas” (RODRIGUES, 2007, p. 4707).
Podemos citar diversas pesquisas que visam analisar os riscos do uso de alguns produtos e que ainda não chegaram a qualquer conclusão, como o uso dos celulares,
do micro-ondas, dos alimentos transgênicos, entre outros, os quais já são usados ou consumidos diariamente sem que se saiba ao certo se estes podem trazer um
prejuízo em longo prazo aos seres humanos.
A questão que se coloca em análise é sobre a possibilidade ou não de responsabilização dos seus fornecedores em caso de danos advindos num futuro muitas vezes
remoto.
Inicialmente cumpre advertir que a legislação consumerista não faz referência expressa a estes riscos de desenvolvimento e consequentes danos, muito menos sobre
a possibilidade de responsabilização dos fornecedores.
Cabe examinar as regras aplicáveis à responsabilidade pelo fato do produto ou serviço para se verificar a sua aplicabilidade nos casos de riscos de desenvolvimento.
Como vimos, a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço é aquela decorrente do acidente de consumo, quando o defeito no produto ou no serviço extrapola
a sua funcionalidade atingindo a integridade físico-psíquica do agente (Artigo 12 e 14 do CDC).
O próprio CDC estabelece que se considera defeituoso o produto ou serviço quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera (Artigo 12, § 1º e
Artigo 14, § 1º, ambos do CDC).
Examinando o disposto no Artigo 12 do CDC, percebe-se que o legislador estabelece a necessidade de análise de algumas circunstâncias para se averiguar a
constatação desse defeito.
Artigo 12. (...)
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as
quais:
I. sua apresentação;
II. o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III. a época em que foi colocado em circulação.
E é exatamente no limite temporal acima destacado que paira a dúvida sobre a possibilidade de responsabilização dos fornecedores pelo risco de desenvolvimento.
Vamos ler mais sobre este assunto? Clique no PDF.
 [../downloads/a04_t11a.pdf]
Joyceane Bezerra de Menezes (2012, p. 17), relembrando parte do já examinado na nossa disciplina, em especial a socialização dos danos e a tutela à dignidade da
pessoa humana, defende que:
“o cenário da sociedade de riscos está armado e os riscos de desenvolvimento são uma realidade”, porém “não se pode creditar apenas ao consumidor o ônus do
desenvolvimento”, razão pela qual não se pode negar a responsabilização do fornecedorpelos riscos de desenvolvimento.
Se fizermos uma retrospectiva do que já foi examinado até aqui durante todo o nosso curso, percebemos que, partindo-se:
das concepções da Constitucionalização e Repersonalização do Direito;
da evolução da responsabilidade civil para um Direito de Danos;
da socialização dos danos e dos riscos,
da criação de mecanismos extrajudiciais capazes de garantir o mais amplo ressarcimento das vítimas.
...não podemos negar que é dever do fornecedor indenizar os consumidores pelos riscos de desenvolvimento, até mesmo se partirmos de uma interpretação
teleológica do CDC, diante da nítida intenção do legislador em proteger o consumidor.
Riscos de desenvolvimento
Caso DES
Caso da Talidomida
Atenção!
O defeito no produto ou no serviço
O que seria este defeito capaz de atingir a incolumidade física ou psíquica do consumidor?
Artigo 12 do CDC
Considerações finais
Atividade proposta
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t11a.pdf
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Vamos fazer uma atividade relacionada ao tema visto anteriormente!
Elabore uma pesquisa sobre os riscos de desenvolvimento dos alimentos transgênicos, desenvolvendo análise sobre a responsabilização ou não dos produtores.
Para iniciar a pesquisa, primeiramente, é imprescindível examinar o que seriam os alimentos transgênicos. Para tanto, cita-se parte do voto do
desembargador Saldanha da Fonseca na Apelação Cível nº 2.0000.00.387120-5/000 do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Clique no PDF e visualize o restante da chave de resposta.
 [../downloads/a04_t13a.pdf]
Para saber mais sobre danos pelo risco de desenvolvimento, indica-se a leitura de: RODRIGUES, Arthur Martins Ramos. A tutela do consumidor frente aos riscos do
desenvolvimento.
 [../downloads/A tutela do consumidor frente aos riscos do desenvolvimento_aula 04.pdf]
Aprenda mais
Exercícios de fixação
Questão 1 - (TRT 1a> 2012 - FCC - JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO) No Código Civil atual, a responsabilidade civil:
Continua em regra como subjetiva, excepcionando-se, entre outras, a hipótese da atividade exercida normalmente pelo autor do dano com risco para os direitos
de outrem, quando então a obrigação de reparar ocorrerá independentemente de culpa.
É objetiva como regra, excepcionando-se situações expressas de responsabilização subjetiva.
É subjetiva sempre, em qualquer hipótese.
Em regra é subjetiva, admitida porém a responsabilidade objetiva do empresário, como fornecedor de produtos ou de serviços, na modalidade do risco integral.
É objetiva para as pessoas jurídicas, de direito privado ou público, e subjetiva para as pessoas físicas.
Questão 2 - (TRT 2R (SP) - 2014 - TRT - 2a> REGIÃO (SP) - Juiz do Trabalho) Ressalvados outros casos previstos em lei especial, é correto afirmar que os empresários
individuais e as empresas respondem pelos danos causados pelos produtos postos em circulação:
Se houver prova de dolo ou culpa
Apenas se houver prova de dolo
Apenas se houver prova de culpa
Independentemente de prova de culpa
Desde que tais produtos tenham sido gratuitamente entregues.
Questão 3 - Sobre o instituto da responsabilidade civil, assinale a alternativa incorreta:
A cláusula geral de responsabilidade objetiva prevista no Código Civil em vigor está ligada à teoria do risco criado.
Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
O disposto no parágrafo único do Artigo 927 do CCB se refere às atividades que geram risco fora do comum, um risco elevado, como as atividades de transporte
em geral, as atividades que dependem para seu exercício do uso de armas de fogo, algumas atividades esportivas, vendas de combustíveis, a construção
imobiliária, fábricas de fogos de artifícios, entre outras.
A legislação civil atual não adota a teoria do risco, apenas se fundamentando na teoria da culpa.
Questão 4 - A adoção da responsabilidade civil objetiva por meio de cláusula geral prevista no parágrafo único do Artigo 927 do Código Civil é um reflexo do processo
de Constitucionalização e Repersonalização do Direito.
Verdadeiro
Falso
Questão 5 - A legislação civil previu hipóteses de responsabilidade objetiva em que não há análise da existência de atividade de risco.
Verdadeiro
Falso
Questão 6 - (TRF - 4a REGIÃO - 2010 - TRF - 4a REGIÃO - Juiz Federal) O advogado que eventualmente perder o prazo de interposição de recurso contra decisão
prejudicial ao seu constituinte:
Responderá pelos danos causados em responsabilidade objetiva.
Nada responderá já que é de seu livre-arbítrio recorrer ou não.
Responderá por vício na prestação do serviço, devendo saná-lo.
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t13a.pdf
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/a04_t13a.pdf
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/A%20tutela%20do%20consumidor%20frente%20aos%20riscos%20do%20desenvolvimento_aula%2004.pdf
https://stecine.azureedge.net/webaula/pos.estacio/ATU059/downloads/A%20tutela%20do%20consumidor%20frente%20aos%20riscos%20do%20desenvolvimento_aula%2004.pdf
Nesta aula:
Compreendemos a responsabilidade civil objetiva, o seu desenvolvimento histórico e o seu estado atual, examinando a legislação civil e constatando que o
parágrafo único do Artigo 927 é uma cláusula geral da responsabilidade objetiva;
Examinamos a responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor, em especial, se há ou não a imputação de responsabilização pelos danos
advindos do risco de desenvolvimento.
CAVALLIERI FILHO, Sérgio. Programa de responsabilidade civil. São Paulo: Atlas, 2005.
GONÇALVES, Carlos Alberto. Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade Civil. v. IV. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
LOPEZ, Teresa Ancona. Principais linhas da Responsabilidade Civil no Direito Brasileiro Contemporâneo. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São
Paulo, v. 101, p. 111-152, jan./dez. 2006.
MENEZES, J. B. A Reengenharia da Responsabilidade Civil na Sociedade de Riscos – Da Culpa à Socialização dos Riscos. Disponível em:
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/joyceane_bezerra_de_menezes.pdf
[http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/joyceane_bezerra_de_menezes.pdf] .
_____. O direito dos danos na sociedade das incertezas: a problemática do risco de desenvolvimento no Brasil. Civilistica.com. ano 1, n. 1, 2012. Disponível em:
http://civilistica.com/direito-dos-danos [http://civilistica.com/direito-dos-danos] .
MORAES, Maria Celina Bodin de. A constitucionalização do direito civil e seus efeitos sobre a responsabilidade civil. Direito, Estado e Sociedade. v. 9. n. 9, jul/dez 2006.
p. 233-258. Disponível em: http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/Bodin_n29.pdf [http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/Bodin_n29.pdf] .
PÜSCHEL, F. P. Funções e princípios justificadores da responsabilidade civil e o art. 927, § único do Código Civil. Revista Direito GV, v. 1, n. 1, p. 091-107, mai.2005.
RODRIGUES, A. M. R. A tutela do consumidor frente aos riscos do desenvolvimento. Disponível em:
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/bh/arthur_martins_ramos_rodrigues2.pdf
[http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/bh/arthur_martins_ramos_rodrigues2.pdf] .
SCHREIBER, Anderson. Novos paradigmas da Responsabilidade Civil: da erosão dos filtros da reparação à diluição dos danos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. São Paulo: RT, 2007.
TARTUCE, Flávio. A responsabilidade civil subjetiva como regra geral do Novo Código Civil Brasileiro.
Responderá pelos danos causados, mediante verificação de culpa.
Todas as alternativas anteriores estão incorretas.
Questão 7 - (TJ-PR - 2010 - TJ-PR – Juiz) O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importadorrespondem, independentemente da existência
de culpa (responsabilidade civil objetiva) pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
utilização e riscos. Partindo desse contexto, marque a alternativa INCORRETA:
O produto é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado.
O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as
quais a sua apresentação; o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam e a época em que foi colocado em circulação.
O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não serão responsabilizados quando provarem que não colocaram o produto no mercado; ou quando,
embora tenham colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; ou ainda quando por culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
O comerciante é igualmente responsável; quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; quando o produto for
fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; ou não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
Questão 8 - Considere a seguinte situação hipotética. Em razão de falha no sistema de freios do automóvel de sua propriedade, recém-adquirido e com poucos
quilômetros rodados, Fábio atropelou Silas. Nessa situação hipotética, Silas pode acionar a montadora do veículo, sob o argumento da ocorrência de acidente de
consumo, em virtude de ser consumidor por equiparação.
Verdadeiro
Falso
Questão 9 - Assinale a afirmativa correta:
Não é admitido, pela doutrina e pela jurisprudência, enquadramento dos riscos de desenvolvimento como causa para responsabilidade civil pelo fato do produto.
Em se tratando de ações de responsabilidade civil de fornecedor de produtos e serviços de consumo, o réu que houver contratado seguro de responsabilidade
não poderá chamar ao processo o segurador, uma vez que o CDC veda qualquer espécie de intervenção de terceiros nesse tipo de ação.
No âmbito do CDC, a responsabilidade civil é em regra subjetiva e individual, tendo como exceção a responsabilidade do profissional liberal.
Uma pessoa jurídica contratou os serviços de uma empresa de transporte aéreo de valores para transportar vários documentos e instrumentos profissionais de
São Paulo para o Rio de Janeiro. Ocorre que, ao efetuar o transporte, a aeronave da contratada caiu sobre uma residência localizada na cidade do Rio de Janeiro.
Nesse caso, as pessoas atingidas em solo, vítimas do acidente, devem ser consideradas consumidoras, em conformidade com o que dispõe o CDC.
Questão 10 - Um exemplo da importância do desenvolvimento da doutrina em relação aos riscos de desenvolvimento é o caso da “Síndrome da Talidomida”. A
Talidomida é um medicamento que foi desenvolvido na Alemanha em 1954, inicialmente como sedativo, usado para controlar a ansiedade, tensão e náuseas. Em 1957
a Talidomida passou a ser comercializada mundialmente, mas apenas alguns anos depois, em 1960, descobriu-se que o referido medicamento, quando consumido
por gestantes nos 3 (três) primeiros meses de gestação, interfere na formação do feto, gerando casos de Focomelia, síndrome caracterizada pelo encurtamento dos
membros junto ao tronco do feto, podendo provocar ainda problemas visuais, auditivos, na coluna vertebral e em casos mais raros, problemas cardíacos e no tubo
digestivo. Assim, a talidomida foi retirada do mercado a partir de 1961. (Fonte: http://www.talidomida.org.br/oque.asp)
Verdadeiro
Falso
Síntese
Referências
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/joyceane_bezerra_de_menezes.pdf
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/joyceane_bezerra_de_menezes.pdf
http://civilistica.com/direito-dos-danos
http://civilistica.com/direito-dos-danos
http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/Bodin_n29.pdf
http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/Bodin_n29.pdf
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/bh/arthur_martins_ramos_rodrigues2.pdf
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/bh/arthur_martins_ramos_rodrigues2.pdf

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