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TONTURA A tontura é um sintoma inespecífico usado para descrever várias sensações comuns que incluem vertigem, pré-síncope, sensação de desmaio iminente, desmaio e desequilíbrio. Vertigem se refere a uma sensação de giro ou outro movimento que pode ser fisiológica, ocorrendo durante ou após uma rotação sustentada da cabeça, ou patológica, devido a uma disfunção vestibular • A vertigem é um sintoma de movimento ilusório. A vertigem também pode ser uma sensação de oscilação ou inclinação. Alguns percebem o movimento próprio, enquanto outros percebem o movimento do ambiente. • A vertigem é o sintoma predominante da disfunção vestibular Síncope é definida como perda transitória da consciência secundária à hipoperfusão cerebral difusa e caracterizada por início súbito, curta duração e recuperação completa e espontânea. • Síncope é a perda transitória da consciência e do tônus muscular de curta duração, de caráter súbito, autolimitado e com recuperação espontânea, secundária a distúrbios que causam hipoperfusão cerebral transitória. • Na pré-síncope há ocorrência dos sintomas sem a síncope subsequente • Síncope é um sintoma que se apresenta com perda abrupta, transitória e completa da consciência associada à incapacidade de se manter o tônus postural, com recuperação rápida e espontânea. O mecanismo presumido da síncope é a hipoperfusão cerebral Os pacientes podem apresentar episódios de síncope ou pré-síncope, ou ambos os tipos de episódios em ocasiões diferentes. • A síncope é uma perda transitória e autolimitada de consciência causada por um fluxo transitório, autoterminado e inadequado de nutrientes para o cérebro. Os episódios de síncope podem ou não ser precedidos por sintomas prodrômicos • A pré-síncope (ou quase síncope) é uma manifestação clínica que sugere uma síncope iminente, ocorrendo frequentemente em conjunto com um conjunto semelhante de sintomas prodrômicos*, refletindo as mesmas condições que podem levar à síncope no mesmo indivíduo em outros momentos. *tontura, sensação de instabilidade, sensação de estar quente ou frio/úmido, sudorese, palpitações, Náuseas, vômitos ou desconforto abdominal inespecífico, palidez relatada por outros, "desfoque" visual ocasionalmente evoluindo para escurecimento temporário ou "esbranquiçamento" da visão, Diminuição da audição e/ou ocorrência de sons incomuns (particularmente um ruído “assobiante”) Labirintite Muitas das doenças que geram tontura acabam equivocadamente ganhando a alcunha de “labirintite”. Isso é um vício de linguagem médico e deve ser evitado. • A “real” labirintite trata-se de um quadro infeccioso agudo do labirinto (usualmente bacteriano, podendo também ser viral) secundário a uma mastoidite, otite ou meningite complicada, havendo extensão do processo infeccioso ao labirinto gerando crise de vertigem aguda e duradora, associado a sintomatologia do quadro infeccioso adjacente (febre, cefaleia, rigidez de nuca, dor auricular, hipoacusia, queda do estado geral etc). • É um quadro que se resolve tratando a infecção (antibiótico, por exemplo, nos quadros bacterianos). • A “real” labirintite é extremamente rara, sendo encontrada em uma pequena minoria dos quadros de tontura. • Logo, é um termo que deve ser usado com cuidado e abolido como sinônimo de qualquer tontura /------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ Entendendo a origem da tontura Quando o paciente refere sentir “tontura”, é importante detalharmos tal queixa na anamnese, visando classificá-la em um dos tipos a seguir: • Vertigem: é a tontura rotatória, na qual o paciente tem a sensação de que ele ou o ambiente estão girando. É acompanhada de instabilidade, náuseas e vômitos. • Desequilíbrio: dificuldade em ficar de pé e em caminhar; pode haver quedas. • Pré-síncope: sensação de escurecimento visual, “quase desmaio” e desfalecimento. • Tontura inespecífica: mal-estar com descrição vaga, sem se encaixar nos tipos anteriores Etiologias • disfunção vestibular periférica (40%); • lesão vestibular central do tronco cerebral (10%); • distúrbio psiquiátrico (15%); • outros problemas, como pré-síncope e desequilíbrio (25%); • Diagnóstico permanece incerto (10%) Na maioria das vezes, ao se referirem a uma tontura, os pacientes descrevem sensações distintas que ocorrem em sua cabeça. Entretanto, uma minoria de pacientes se referem a tontura para relatar ao médico uma sensação de desequilíbrio. • Dessa forma, uma primeira e importante distinção é se a tontura que se está lidando está na cabeça ou nas pernas (desequilíbrio) As tonturas na cabeça podem ser divididas didaticamente da seguinte forma: 1. tontura de origem clínica/cardiológica (lipotimia ou clínica sistêmica, com sensação de fraqueza e malestar); 2. vertigem (com sensação de rotação ou de oscilação/balanço); 3. sensações cefálicas inespecíficas e situações especiais Vertigem é definida como alteração da percepção do espaço ou de movimento de si mesmo ou do ambiente, e pode ter caráter rotatório ou oscilatório. • Os pacientes muitas vezes apresentam vertigem como uma ilusão de movimento; alguns interpretam isso como movimento próprio, outros como movimento do ambiente. • A percepção mais comum é uma sensação de rotação; os pacientes também podem usar termos como "girar", "inclinar" ou "oscilar" (ocilopsia) • Oscilopsia: ilusão visual de movimento ambiental de vaivém e visão turva sempre que a cabeça está em movimento, é uma manifestação de um RVO prejudicado. • No relato espontâneo, a informação de girar ou rodar deve ser valorizada, e, por exemplo, o paciente pode fazer sinal com o dedo indicador ou a mão de que as coisas rodam • A falta de sensação de giro não pode ser usada para excluir doença vestibular, dada a dificuldade que muitos pacientes têm em expressar em palavras sua experiência de tontura • A anamnese deve ser incisiva para saber se realmente a sensação visual e sensitiva é de uma rotação, que, para entendimento do paciente, pode ser comparada com a sensação de estar em um carrossel ou gira-gira de parque de diversões, ou de oscilação, como em um barco navegando, por exemplo. O segundo passo é a caracterização da vertigem quanto a sua duração, (segundos, minutos ou horas), seu padrão de instalação e evolução (paroxística recorrente ou contínua), sintomas associados (náuseas e vômitos, sintomas auditivos) e desencadeantes • Náuseas e vômitos são típicos da vertigem aguda, a menos que sejam leves ou muito breves, como na VPPB. • A vertigem nunca é um sintoma permanente e contínuo (mais de algumas semanas). Mesmo quando a lesão vestibular é permanente, o sistema nervoso central adapta-se ao defeito, de modo que a vertigem desaparece ao longo de dias ou semanas. • A vertigem constante que dura meses não é vestibular (embora o desequilíbrio constante possa ser). • A tontura constante que dura meses geralmente é psicogênica e não vestibular. • No entanto, o médico deve deixar claro o que o paciente entende por "constante". Alguns pacientes que afirmam ter tonturas constantes durante meses, na verdade, querem dizer que têm uma suscetibilidade constante a tonturas episódicas frequentes; isso pode ser um problema vestibular. Uma categorização útil divide os pacientes com vertigem: • vertigem aguda prolongada grave (ex. neurite vestibular, AVC); • ataques espontâneos recorrentes (ex., doença de Ménière, enxaqueca vestibular); • ataques recorrentes desencadeados por posição (vertigem posicional paroxística benigna); e • ataques crônicos persistentes de tontura (por exemplo, ataxia psicogênica e cerebelar) • A vertigem posicional e a pré-síncope postural são duas condições comuns que são frequentemente confundidas. A chave para o diagnóstico é determinar se a tonturapode ser provocada por manobras que alteram a posição da cabeça sem reduzir a pressão arterial ou diminuir o fluxo sanguíneo cerebral. • Toda vertigem piora com o movimento da cabeça • A presença de nistagmo sugere que tontura é vertigem. O nistagmo representa a manifestação física da queixa de vertigem do paciente. A presença de nistagmo ajuda a confirmar que a queixa do paciente é vertigem, e não uma forma alternativa de tontura. Sua ausência não exclui vertigem. • Instabilidade postural: comum que pacientes com vertigem tenham dificuldade em manter a postura ereta e estável ao caminhar, ficar em pé e até mesmo sentar-se sem apoio, principalmente quando os sintomas são agudos. • Equilíbrio prejudicado sem vertigem: manifestação comum de perda vestibular bilateral aguda simultânea, como aquela que ocorre com a toxicidade do antibiótico aminoglicosídeo. A maioria dos pacientes com perda vestibular bilateral apresenta oscilopsia durante o movimento passivo da cabeça, como ao caminhar ou andar de carro em terrenos acidentados. O desequilíbrio é mais acentuado no escuro, quando as pistas visuais para a posição no espaço não estão disponíveis. Pré-síncope é o sintoma prodrômico de desmaio ou quase desmaio: • Geralmente dura de segundos a minutos e é frequentemente reconhecido pelo paciente como "quase desmaio" ou "quase desmaio" • O relato é de sensação de mal--estar generalizado associado a sensação de turvação ou escurecimento visual com atordoamento dos sentidos, podendo vir associado a palidez, sudorese e palpitações. • Os pacientes também podem relatar tontura, sensação de calor, sudorese, náusea e visão turva, ocasionalmente evoluindo para cegueira. • A observação de palidez por observadores geralmente indica pré-síncope. • A pré-síncope geralmente ocorre quando o paciente está em pé ou sentado e não em posição supina (neste último caso, deve-se suspeitar de arritmia cardíaca e não de hipotensão). • O paciente relata sensação usualmente breve (segundos a 1 ou 2 minutos) e apresenta alívio dos sintomas após se sentar, deitar ou cessar a atividade física que estava realizando. • A etiologia e a avaliação da pré-síncope são as mesmas da síncope. Hipotensão ortostática, arritmias cardíacas e ataques vasovagais são algumas das causas mais comuns A tontura de origem clínica sistêmica trata--se de sensação de mal--estar generalizado com sensação de peso e incômodo na cabeça e atordoamento, podendo ter padrão flutuante durante o dia com períodos melhores e piores: • Pode ocorrer em diversas situações clínicas como febre, descompensação pressórica ou glicêmica, desidratação, desnutrição, intoxicações medicamentosas, polimedicação, intoxicação exógena, náusea por motivos gastrointestinais, entre outros. Tontura inespecífica Sensações cefálicas inespecíficas se referem ao relato de sensações incongruentes ou muito abstratas como a de oco na cabeça, de flutuação ou pisar em ovos, inquietude dentro da cabeça ou algo que atordoa por dentro, parestesias de couro cabeludo etc • Distúrbios psiquiátricos podem ser a principal causa de tontura inespecífica em alguns casos (depressão, TAG, T. do pânico, T. Personalidade, somatização) • Em embora possa estar relacionado a patologias de fundo psiquiátrico, pode simplesmente refletir uma inabilidade do paciente em descrever seus sintomas (usar exemplos para que o paciente possa descrever o que sente a partir de sensações conhecidas). • Situações psiquiátricas somente serão consideradas após exclusão de outras etiologias Outras situações especiais são a oscilopsia e a cinetose: • Oscilopsia se caracteriza pela visualização de objetos em movimento ou do ambiente em movimento, e ocorre por falha do reflexo vestíbulo--ocular ou pela presença de nistagmo. • A cinetose é definida pela sensação de tontura, náusea e, às vezes, vômito, desencadeados pela divergência de informações sensoriais (visual e labiríntica) que ocorre quando um indivíduo está em um veículo em movimento A tontura que ocorre nas pernas se refere à sensação de desequilíbrio: O desequilíbrio pode resultar de neuropatia periférica, distúrbio musculoesquelético que interfere na marcha, distúrbio vestibular, distúrbio cerebelar e/ou espondilose cervical • Pode ocorrer por fatores biomecânicos ortopédicos como artrose articular avançada e desvios graves da coluna, secundário a lesões vestibulares periféricas ou centrais, ataxia cerebelar ou sensitiva, parkinsonismo, síndrome piramidal ou neuropatia periférica. • Pergunte sobre sintomas de distúrbios neurológicos e de marcha, especialmente aqueles sugestivos de parkinsonismo, incoordenação cerebelar ou neuropatia periférica /------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ Abordagem do paciente com tontura 1. É perigosa (p. ex., arritmia, AIT/AVC)? 2. É vestibular? 3. Se vestibular, é periférica ou central? A primeira etapa é delinear com mais exatidão a natureza do sintoma: Nos distúrbios vestibulares, os sintomas físicos dependem de a lesão ser uni ou bilateral e aguda ou crônica. • A vertigem, uma ilusão de que a própria pessoa ou o ambiente está se movimentando, implica assimetria dos impulsos vestibulares vindos de ambos os labirintos ou em suas vias centrais e, em geral, é aguda. • A hipofunção vestibular bilateral simétrica causa desequilíbrio, mas não vertigem. Devido à ambiguidade dos pacientes ao descreverem seus sintomas, o diagnóstico baseado simplesmente na característica do sintoma não costuma ser confiável. Assim, pergunte sobre: • É o primeiro ataque? • Qual a duração deste e de episódios prévios? • Fatores desencadeantes? • Há sintomas associados? Duração da tontura: • Tontura breve (segundos): vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) e hipotensão ortostática • Tonura de duração longa (horas): Crises de vertigem enxaquecosa e doença de Ménière • Tontura de duração intermediária (minutos): ataques isquêmicos transitórios da circulação posterior (embora a enxaqueca e várias outras causas também sejam possíveis) Os sintomas associados a vertigem podem ser úteis para distinguir lesões vestibulares periféricas de causas centrais. • Perda auditiva unilateral e outros sintomas auriculares (dor, pressão, plenitude na orelha) apontam para uma causa periférica. • Como as vias auditivas tornam-se rapidamente bilaterais quando entram no tronco encefálico, é improvável que as lesões centrais causem perda auditiva unilateral (a menos que a lesão se situe perto da zona de entrada da raiz do nervo auditivo). • Sintomas como visão dupla, dormência e ataxia de membro sugerem lesão do tronco encefálico ou cerebelar. Exame neurológico O foco particular deve ser na avaliação dos movimentos oculares, da função vestibular e da audição. • Dormência, fraqueza, comprometimento pronunciado da marcha, diplopia e disartria apontam para uma etiologia central da vertigem. Contudo, a sua ausência não exclui uma etiologia central Movimento ocular • Deve-se observar a amplitude dos movimentos oculares e se são iguais em ambos os olhos. • Os distúrbios periféricos dos movimentos oculares (p. ex., neuropatias cranianas, fraqueza de músculo ocular) em geral são desconjugados (diferentes em cada um dos olhos). • Deve-se verificar o fenômeno de “perseguição” do olhar (capacidade de acompanhar um alvo em movimento) e as sacadas (capacidade de olhar para trás e para frente acuradamente entre dois alvos) Problemas no fenômeno de perseguição ou sacadas inacuradas (dismétricas) em geral indicam patologia central, quase sempre envolvendo o cerebelo • Alterações das sacadas oculares não são esperadas em lesões periféricas • No teste de perseguição, limitação da capacidade de manter o olhar conjugado ou surgimento de diplopia apontam parauma possível causa central ou paralisia de nervos oculomotores O alinhamento dos dois olhos pode ser verificado com um teste de oclusão alternada: • Cover test ou teste de oclusão alternada dos olhos: ao ocluir de forma alternada e seguidas vezes cada olho, ocorre supressão da fixação visual no olho ocluído e, ao ser descoberto, nota-se um desvio vertical seguido de movimento de refixação da órbita recém- descoberta no plano vertical para cima ou para baixo. • Um desalinhamento vertical pode indicar uma lesão de tronco encefálico ou cerebelar Pesquisa-se a presença de desvio skew pelo teste de oclusão alternada de cada um dos olhos no paciente com síndrome vestibular • desvio skew: desalinhamento ocular vertical (um olho fica mais elevado que o outro) e na ausência de paresia de músculos extraoculares • Pacientes com desvio skew mantêm o mesmo desalinhamento, independente da direção do olhar. • Desvio skew pode ser encontrado em lesões centrais e periféricas, embora seja mais comum nas lesões centrais Ao ocluir um olho de cada vez alternadamente e solicitando ao paciente que mantenha o olhar em um mesmo ponto, ocorre uma sacada corretiva vertical em uma tentativa de manter a fixação visual no mesmo ponto. • Também ocorre alteração da percepção visual de verticalidade, e este achado é mais sensível que o desvio skew para apontar lesões na via graviceptiva no tronco encefálico. Deve-se certificar se há nistagmo espontâneo: • O nistagmo é mais frequentemente do tipo em sacudida, em que um desvio lento (fase lenta) em uma direção alterna com um movimento sacádico rápido (fase rápida) na direção oposta, que reajusta a posição dos olhos nas órbitas • Exceto no caso de vestibulopatia aguda (p. ex., neurite vestibular), se o nistagmo posicional primário for visto com facilidade na luz, é provável que tenha uma causa central. • Duas formas de nistagmo características de lesões nas vias cerebelares são o nistagmo vertical com fases rápidas para baixo (nistagmo inferior) e o nistagmo horizontal, que muda de acordo com a direção do olhar (nistagmo evocado pelo olhar). • Por outro lado, as lesões periféricas tipicamente causam nistagmo horizontal unidirecional. O teste mais útil à beira do leito da função vestibular periférica é o teste de impulso da cabeça ou Head Impulse Test (HIT), no qual o reflexo vestíbulo-ocular (RVO) é avaliado com rápidas rotações da cabeça em pequena amplitude. Permite uma efetiva avaliação da integridade das vias envolvidas no RVO horizontal • Teste: Com a visão fixada em um alvo ou no nariz do examinador, o paciente tem sua cabeça apreendida entre as duas mãos do examinador que a gira rapidamente e de forma inesperada para cada um dos lados em um movimento único e de baixa amplitude (10-20°). • Quando o RVO está intacto, os olhos do paciente se mantêm fixos no alvo. • A resposta anormal é que os olhos são arrastados para fora do alvo pelo giro da cabeça (em uma direção), seguido por um movimento sacádico de volta ao alvo após o giro da cabeça; esta resposta indica um RVO deficiente no lado do giro da cabeça, implicando uma lesão vestibular periférica (ouvido interno ou nervo vestibular) nesse lado O HIT pode identificar hipofunção vestibular unilateral (sacadas após rotação em direção ao lado fraco) e bilateral (sacadas após rotações em ambas as direções). • Quando há lesão unilateral do sistema vestibular periférico, o RVO fica comprometido na direção do lado afetado, e os olhos seguem o movimento da cabeça, perdendo a fixação. O examinador pode observar, então, uma sacada corretiva de retorno dos olhos do paciente de volta ao alvo e na direção oposta ao movimento da cabeça. Head Impulse Test: (A) teste normal, (B) teste normal com movimentação da cabeça para direita e atraso da correção do globo ocular na movimentação brusca da cabeça para o lado esquerdo, com sacada corretiva para a direita. O teste indica comprometimento da função labiríntica do lado esquerdo Todos os pacientes com tontura episódica, em especial se provocada por alterações na posição, devem ser testados com a manobra de Dix-Hallpike (padrão ouro para diagnóstico de VPPB de canais verticais), que pesquisa nistagmo posicional: • Neste teste, o paciente auxiliado pelo examinador, tem o segmento cefálico girado 45° para o lado que se deseja examinar e parte da posição sentada com pernas estendidas até a posição de decúbito dorsal, ficando com a cabeça pendente cerca de 30° para fora da maca • Ao final da manobra a cabeça fica levemente pendurada e rodada para o lado examinado • O paciente é mantido nesta posição até 30 segundos se não ocorrer nistagmo. O paciente então é colocado em posição vertical, observado por mais 30 segundos para nistagmo, e a manobra é repetida com a cabeça voltada para o outro lado • Quando positivo, o teste revela um nistagmo com latência de poucos segundos, esgotável em curto período (40s), vertical para cima no olho contralateral ao lado testado e torcional no lado examinado no caso da VPPB de canal posterior • O nistagmo tem um componente vertical para cima, e outro componente rotatório, batendo no sentido do ouvido comprometido, que fica mais baixa durante a manobra. • Outras características típicas do nistagmo na VPPB são: (1) a latência de pouco segundos até seu aparecimento; (2) duração curta, de até 40 segundos; (3) inversão da direção quando o paciente é colocado novamente sentado; (4) diminuição na intensidade e eventual desaparecimento com manobras repetidas, isto é, fatigabilidade • Na VPPB do canal posterior direito, o componente rotatório é então no sentido anti- horário (visto pelo examinador), e no posterior esquerdo é horário quando positiva, o que se observa é um nistagmo com componente vertical para cima e outro componente rotatório batendo no sentido do “ouvido de baixo” • Pode ocorrer inversão da direção quando o paciente é colocado novamente sentado • Quando o clássico nistagmo da VPPB é provocado pela manobra descrita, e os sintomas vestibulares habituais são reproduzidos, é pouco provável uma causa central. A manobra é dita positiva quando, após um período de latência, o paciente apresenta, vertigem e nistagmo rotatório na direção do ouvido que está mais baixo • A VPPB do canal horizontal, uma condição menos comum, poderia ser revelada na manobra de Dix-Hallpike como nistagmo horizontal • A VPPP de canal anterior é bastante rara e caracterizada por nistagmo vertical para baixo no olho contralateral ao lado testado e torcional no lado examinado na manobra de Dix- Hallpike • Este teste não deve ser realizado em contexto de síndrome vestibular aguda (náuseas, vômitos, vertigem ou tontura com nistagmo espontâneo e persistente sem ser desencadeado por variações de posição) porque, nestas condições, pouco acrescenta ao diagnóstico https://www.youtube.com/watch?v=D_gX5wVD3uY https://www.youtube.com/watch?v=D_gX5wVD3uY Quando, na realização da manobra de Dix-Hallpike, surge nistagmo vertical sem componente rotatório e que persiste por mais de 30-40 segundos ou enquanto a cabeça do paciente é mantida na posição provocadora, levanta-se suspeita de uma lesão central (vertigem paroxística posicional central). • Neste caso, a ausência de supressão à fixação visual e a ausência de vertigem exuberante compatível com a intensidade e duração do nistagmo favorecem o diagnóstico de uma possível lesão central Se o nistagmo não for característico de VPPB em termos de tipo, latência e fatigabilidade, é preciso aventar a possibilidade de lesão central Acuidade visual O teste de acuidade visual dinâmica é um teste funcional que pode ser útil para se avaliar a função vestibular: • Mede-se a acuidade visual com a cabeça estática e com a cabeça do paciente sendo girada para trás e para frente pelo examinador (cerca de 1-2 Hz). • Umaqueda na acuidade visual durante a movimentação da cabeça de mais de uma linha de texto em um cartão próximo ou na tabela de Snellen é anormal e indica disfunção vestibular. Exames complementares • A audiometria é útil para confirmar o diagnóstico da doença de Ménière e avaliar a perda auditiva em outras causas de vertigem periférica. • Exames de neuroimagem são importantes se houver suspeita de distúrbio vestibular central • A ressonância magnética e a angiografia por ressonância magnética (ARM) são indicadas para pacientes com suspeita de causa central de vertigem, incluindo aqueles com outros sinais ou sintomas de disfunção do tronco cerebral /-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ Revisando nistagmos Nistagmos são movimentos oculares rápidos, espontâneos ou induzidos, rítmicos e que possuem um componente rápido e pelo menos um componente lento ou fase lenta (sua marca é ter uma fase rápida e uma fase lenta). • Sua direção é determinada pela direção do seu componente rápido (“bate para aquele lado”). • A direção da fase lenta, quando de etiologia periférica, aponta para o lado da lesão. • Os nistagmos podem ser de dois tipos: espasmódicos (constituídos de uma fase rápida e outra lenta) e pendulares (constituídos apenas por fases lentas). • O principal sintoma relacionado com o nistagmo adquirido é a oscilopsia, que é descrita como a sensação de movimento ou oscilação dos objetos nos campos visuais e que geralmente está ausente entre os pacientes com formas congênitas. • Pacientes também podem referir visão borrada. • O nistagmo pode ser causado por lesões do tronco encefálico e cerebelo (nistagmos centrais), mas também pode ser ocasionado por lesões vestibulares periféricas (nistagmos periféricos), isto é, causado por doença do labirinto ou do oitavo nervo • Pode ser fisiológico ou patológico. • Nos casos fisiológicos, há nistagmo simétrico, geralmente, apenas nos extremos do olhar horizontal, não há mudança de direção ou amplitude nem da velocidade e se esgota após poucos segundos As principais características de um nistagmo central ou de causa neurológica são: • nistagmo muda de direção conforme o paciente muda a direção do olhar • persistente ou não esgotável; • pouco influenciado ou não suprimido pela fixação visual; • puramente rotatório ou vertical (upbeat ou downbeat); • não apresenta latência para início; • nistagmo associado a síndromes de grandes vias descendentes ou ascendentes; • Assimétrico; • nistagmo evocado pelo olhar com componente exclusivo vertical. As principais características de um nistagmo periférico são: • componente exclusivamente horizontal ou horizonto-rotatório; • suprimível pela fixação visual; • Unidirecional (ocasionalmente, sofrer mudança de direção); • pode apresentar latência e é esgotável nos casos de nistagmos em vertigem posicional. • obedece à Lei de Alexander, ou seja, aumenta de intensidade quando se pede para o paciente olhar na direção da fase rápida e diminui de intensidade ao olhar na direção da fase lenta. AICA, artéria cerebelar inferior anterior; SNC, sistema nervoso central. Enquanto um nistagmo puramente vertical, não suprimível pela fixação visual e que muda de direção, implica em uma causa central, o contrário não é verdadeiro, isto é, um nistagmo tipicamente periférico não assegura que a lesão é periférica. Isto porque existem situações centrais, como infartos cerebelares e migrânea vestibular, em que o nistagmo pode apresentar um padrão periférico • Nistagmos puramente verticais ou torcionais que mudam de direção em diferentes posições do olhar e não sofrem influência da fixação visual implicam em imediata investigação de causas centrais • O contrário não é verdadeiro, isto é, um nistagmo com características periféricas (unidirecional, horizontal, ou horizonto-torcional e suprimido pela fixação visual) não assegura que estamos diante de uma lesão periférica. Testar fixação visual (Penlight cover test) • utilizando uma fonte de luz posicionada a poucos centímetros de um dos olhos do paciente enquanto se oclui o contralateral com uma das mãos, o examinador pode suprimir a fixação visual no olho iluminado e, assim, observar um eventual nistagmo e suas características. • Descobrindo o olho inicialmente ocluído, enquanto se mantém a iluminação do olho examinado, pode- se observar o efeito da fixação visual sobre um eventual nistagmo. • O examinador pode solicitar ao paciente para cobrir e descobrir o olho seguidas vezes, enquanto observa o olho iluminado /------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ VERTIGEM NA EMERGÊNCIA Pacientes com tontura ou vertigem correspondem a 4% das visitas em um serviço de emergência • Destes pacientes, 30% têm doenças graves clínicas, cardiológicas ou neurológicas, ou seja, a queixa de tontura pode ser um sintoma inespecífico de uma doença clínica ou cardiológica grave subjacente. • Vertigem de início agudo e duração prolongada, os diagnósticos prováveis são: AVC (vertigem central) e neurite vestibular (vertigem de origem periférica) Considerando os casos com síndromes vestibulares agudas, a maioria dos pacientes tem vertigem de origem periférica, mas aproximadamente 11% dos pacientes com vertigem isolada, que mimetiza vertigem periférica, têm AVC, e entre estes, a maioria tem isquemia cerebelar (SUBDIAGNÓSTICADO). • Ao exame neurológico habitual devem ser acrescentados dados que aumentem a sensibilidade para identificação de vertigem de origem central e que a TC de crânio não auxilia neste diagnóstico, além de fornecer uma falsa segurança para o médico que a solicita • Um conjunto de achados no exame físico (HINTS ou HINTS plus) é mais sensível que os exames de neuroimagem para diagnóstico de causa central de vertigem. Síndrome vestibular aguda • É caracterizada por um episódio de vertigem de início rápido, náuseas, vômitos e desequilíbrio, com duração de dias a semanas. • É essencial diferenciar essa situação, na qual o paciente apresenta um episódio único e prolongado de vertigem, das vertigens recorrentes A síndrome vestibular aguda pode ter origem periférica (principal diagnóstico: neurite vestibular) ou central (AVC de fossa posterior). • A avaliação clínica tem o objetivo de diferenciar esses dois diagnósticos. • AVCs hemorrágicos de fossa posterior são facilmente detectados na TC de crânio; porém, a TC de crânio tem baixa sensibilidade para isquemia na fossa posterior, e mesmo a RM é falso-negativa em 12 a 13,3% dos casos de vertigem de origem central causada por AVC isquêmico nas primeiras 48 horas de sintomas Avaliação clínica Após a anamnese e a avaliação do tipo de queixa, duração da vertigem, desencadeantes e sintomas associados, deve ser possível identificar se o paciente tem uma tontura de causa clínica/cardiológica ou se tem um comprometimento vestibular, que pode ser um episódio único e prolongado, episódios curtos recorrentes ou não, ou vertigem posicional. No PS, no entanto, alguns aspectos merecem destaque, por exemplo, a presença ou não de sintomas e sinais de comprometimento de tronco encefálico e cerebelo. Se estes estiverem presentes, o diagnóstico de vertigem central é estabelecido sem dificuldade. • Mas o inverso não é verdadeiro, uma vez que o paciente pode não apresentar sinais inequívocos de comprometimento de tronco ou cerebelo, e ainda assim ter vertigem de origem central. Perda auditiva significa que a lesão é periférica? • O conceito clássico é que a associação de sintomas auditivos e vertiginosos aponta para uma lesão do labirinto ou nervo vestibulococlear e, portanto, uma lesão periférica de menor gravidade. • No entanto, pacientes com perda auditiva súbita e vertigemaguda têm maior probabilidade de lesão vascular, quando comparados com aqueles com vertigem isolada ou surdez isolada. • Nestes casos ocorre um comprometimento da artéria labiríntica, que na maioria dos indivíduos é ramo da artéria cerebelar anteroinferior (AICA). • A síndrome de infarto de AICA pode então ser muito semelhante à síndrome vestibular periférica, se o principal ou único ramo acometido for a artéria labiríntica Como diferenciar um paciente com vertigem periférica e vertigem central no PS? Escore ABCD2 O escore ABCD2 foi criado para estabelecer o risco de um paciente com ataque isquêmico transitório (AIT) apresentar um AVCI nas primeiras horas a dias após o evento inicial, e foi adaptado para avaliar o risco de lesão central em um paciente com episódio único de vertigem • O escore ABCD2, utilizado também para avaliar o risco de AVC isquêmico após AIT, permite- nos identificar dentre os pacientes com queixa de vertigem na emergência aqueles com maior risco de apresentarem vertigem central por AVC. Pacientes com vertigem aguda que procuram o serviço de emergência, escore ABCD2 > 3 é um preditivo de vertigem de origem central (lesão vascular) • O diagnóstico final de AVC ocorreu em 1% dos pacientes com ABCD2 ≤ 3 e 8,1% dos pacientes com somatória entre 4 e 7. Exame neurológico Déficits focais ao exame neurológico estão claramente associados à origem central da vertigem. • A vertigem aguda devido a um AVC vertebrobasilar é quase sempre acompanhada por outras evidências de isquemia do tronco cerebral, como diplopia, disartria, disfagia, fraqueza ou dormência. No entanto, o infarto do cerebelo pode se manifestar como vertigem sem outros sintomas • Entretanto, quando a vertigem é o único sintoma e o paciente não apresenta déficits grosseiros ao exame neurológico, devemos dar atenção especial ao exame da motricidade ocular extrínseca. • Três itens, quando avaliados em conjunto, têm maior sensibilidade e especificidade que a RM para o diagnóstico de AVC isquêmico causando vertigem, e os três formam o acrônimo HINTS. • Preferencialmente, o HINTS deve ser feito no paciente com nistagmo Assim, nos pacientes que se queixam apenas de vertigem, de início súbito e duração prolongada, sem alterações grosseiras ao exame neurológico, devemos fazer o HINTS HINTS Avaliação do nistagmo, do reflexo vestíbulo--ocular e do desvio skew. • É útil na diferenciação entre lesões periférica e central em um contexto de síndrome vestibular aguda • HINTS: Head Impulse Nystagmus Test of Skew (https://www.youtube.com/watch?v=1q- VTKPweuk&t=3s) • A identificação de apenas 1 destes 3 sinais sugestivos de vertigem de origem central é suficiente para indicar a internação e a investigação com RM https://www.youtube.com/watch?v=1q-VTKPweuk&t=3s) https://www.youtube.com/watch?v=1q-VTKPweuk&t=3s) • A correta aplicação destas etapas semiológicas permite 96 a 100% de sensibilidade e 96% de especificidade em identificar AVC em pacientes com vertigem com duração maior que 24 horas e um fator de risco vascular Head – Impulse (avaliação do VOR) • A presença de VOR normal é indicativo de lesão central. • A presença de um sinal alterado é sugestivo da lesão menos grave (lesão vestibular periférica) e a resposta normal sinal da lesão mais grave (lesão vestibular central). Teste: • Para a avaliação do reflexo vestíbulo-ocular, deve-se realizar um movimento rápido e abrupto de versão cefálica do paciente para cada um dos lados, enquanto ele mantém os olhos fixos no nariz do examinador • O paciente com reflexo normal mantém os olhos fixos no alvo durante o movimento. Quando o reflexo está alterado, o movimento ocular pode ser mais lento que o movimento da cabeça, os olhos se atrasam e podemos observar uma sacada de correção para que o olho chegue no alvo (nariz do examinador). • A aferência do reflexo é o nervo vestíbulo-coclear (VIII NC) do lado para o qual a cabeça do paciente foi virada; assim, na vertigem de origem periférica o reflexo vestíbulo-ocular está alterado https://www.youtube.com/watch?v=_aoCYjUABNQ Nystagmus (direção do nistagmo) • Nistagmo vertical ou que muda de direção conforme a direção do olhar horizontal é indicativa de lesão central. O nistagmo de origem central modifica-se, batendo na direção para a qual o paciente olha. https://www.youtube.com/watch?v=_aoCYjUABNQ • O nistagmo espasmódico da doença periférica ocasionalmente parece puramente horizontal, mas nunca é puramente torcional ou vertical https://www.youtube.com/watch?v=kUMh9eeiDKo • O nistagmo de origem periférica não altera sua direção conforme o olhar, batendo sempre para o mesmo lado (direito ou esquerdo). https://www.youtube.com/watch?v=NDVw_q4F6mo • Portanto, pacientes com lesões vestibulares centrais podem apresentar nistagmo horizonto- rotatório que inverte de direção conforme a direção do olhar, ou seja, o nistagmo bate para direita quando o paciente olha para direita e bate para esquerda quando o paciente olha para esquerda Teste: • A presença de nistagmo deve ser pesquisada na posição primária e no olhar lateral e vertical durante a pesquisa das 9 posições do olhar • Solicita-se que o paciente olhe para ambos os lados, para cima e para baixo Test -of- Skew: Desvio skew é um desalinhamento vertical dos olhos (um olho fica mais elevado que o outro) • A presença de desvio skew é indicativa de lesão central. • Na vertigem de origem periférica não haverá desalinhamento vertical do olhar; já na vertigem de origem central, por lesão de tronco encefálico, podemos ter olhos desalinhados. https://www.youtube.com/watch?v=zgqCXef-qPs Audição https://www.youtube.com/watch?v=kUMh9eeiDKo https://www.youtube.com/watch?v=NDVw_q4F6mo https://www.youtube.com/watch?v=zgqCXef-qPs Pode-se adicionar ainda a avaliação breve da audição com o esfregar de dedos (finger rubbing), o que junto com os dados de motricidade ocular extrínseca já citados foi chamado de HINTS plus • Considerando-se qualquer perda auditiva sugestiva de lesão central (o contrário do que o senso comum sugeria previamente), o HINTS plus teve uma sensibilidade de 99,2% e especificidade de 97% para vertigem de origem central Paciente sem nistagmo espontâneo • O HINTS é aplicável em pacientes que apresentem nistagmo espontâneo ou evocado pelo olhar no momento da avaliação. • Para pacientes com queixa de vertigem aguda e prolongada, sem nistagmo, a normalidade do reflexo vestíbulo-ocular não necessariamente sugere causa central O algoritmo STANDING (SponTAneous Nystagmus, Direction, head Impulse test, standiNG) inclui pacientes sem nistagmo espontâneo e propõe a avaliação clínica em alguns passos: 1. Verificar se há nistagmo espontâneo. 2. Na presença de nistagmo espontâneo, avaliar a direção. Se houver nistagmo vertical ou qualquer nistagmo que mude de direção conforme a direção do olhar do paciente, o quadro é sugestivo de lesão central e deve ser manejado como AVC agudo. 3. Na presença de nistagmo espontâneo que não muda sua direção conforme o olhar, deve ser feita a avaliação do reflexo vestíbulo-ocular. O reflexo alterado, ou seja, a presença da sacada corretiva, sugere vertigem de causa periférica. 4. Na ausência de nistagmo espontâneo devem ser feitas manobras posicionais diagnósticas e, se durante a manobra o paciente apresentar nistagmo típico de VPPB, podem ser feitas as manobras de tratamento. Se o nistagmo não foi típico de VPPB, deve-se prosseguir a investigação. 5. Se o paciente não apresentou nistagmo espontâneo e nem nas manobras posicionais, deve- se solicitar que fique de pé e caminhe. A presença de desequilíbrio importante sugere causa central para a síndrome vestibular aguda. Deve ser realizada avaliação cuidadosa do equilíbrio e da marcha de pacientes com síndrome vestibular aguda que não apresentem nistagmo no momentodo exame físico, para os quais o HINTS não é aplicável. UpToDate O AVC do tronco cerebral ou cerebelar é a causa central mais comum de vertigem sustentada de início agudo em adultos. • A presença de qualquer achado neurológico focal ou achado no exame HINTS que sugira disfunção vestibular central (teste de impulso cefálico normal, nistagmo de mudança de direção ou desvio Skew) é uma indicação para NEUROIMAGEM URGENTE. Uma causa periférica de vertigem sustentada de início agudo é mais provável em pacientes que apresentam TODOS os seguintes: 1. Sem achados neurológicos focais 2. Teste de impulso cefálico anormal 3. Nistagmo unidirecional 4. Skew ausente A perda auditiva e/ou zumbido associados também suportam origem periférica. Neurite vestibular e labirintite são as principais causas periféricas de vertigem sustentada de início agudo. • Raramente, os resultados do exame HINTS podem ser enganosos. • Em pacientes com infarto do ouvido interno resultante de acidente vascular cerebral isquêmico vertebrobasilar, os achados do exame HINTS são idênticos aos da disfunção vestibular periférica. • Portanto, pacientes com alto risco basal de acidente vascular cerebral (por exemplo, idosos com fatores de risco cardiovascular) que apresentam vertigem sustentada de início agudo também são candidatos à neuroimagem urgente. Investigação Aqueles pacientes que apresentam escore ABCD2 > 3, ou pelo menos 1 aspecto do HINTS diferente do esperado na lesão periférica, deve ser submetido a investigação com exame de imagem (RM de encéfalo) • Pequenas lesões isquêmicas podem não aparecer na sequência por difusão da RM, e se houver forte suspeita de lesão vascular, o exame deve ser repetido em 48 horas • TC de crânio é um método bastante limitado para identificar lesões isquêmicas de tronco e cerebelo. • 30% dos AVCS de cerebelo são dispensados do PS em uma primeira visita, e destes, 75% têm TC de crânio normal. Sugerem quadro de origem central: reflexo vestíbulo-ocular (VOR) normal, nistagmo que muda de direção, presença de desalinhamento vertical do olhar e prejuízo da audição. • Se houver um ou mais desses achados, deve-se manejar o caso como AVC agudo. Tratamento • Controle das crises e tratamento da causa propriamente dita Controle da crise • O controle das crises vertiginosas, independente de se tratar de mecanismo central ou periférico, pode ser feito com medicações antivertiginosas como dimenidrinado (Dramin®) e meclizina (Meclin®). • Benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, clonazepam) podem ser usados como alternativa, mas seu uso deve ser restrito devido à sua possível ação prejudicial na recuperação dos pacientes a longo prazo Sintomáticos para alívio da vertigem e náusea não devem ser usados por mais de 3 dias pois podem atrapalhar a compensação central, piorando o prognóstico. • Reabilitação vestibular precoce deve ser iniciada após a alta Tratamento da causa Pacientes com suspeita de AVC devem seguir a investigação e o tratamento específico da doença vascular. • Em relação ao comprometimento vestibular e à reabilitação, devem ser conduzidos da mesma maneira que aqueles com lesão periférica, ou seja, deve ser indicada precocemente Um dos mecanismos implicados na reabilitação vestibular é o de compensação central, ou seja, uma reorganização sináptica central que corrige o desbalanço do tônus vestibular provocado pela lesão unilateral periférica ou central. • E um dos aspectos mais importantes desta compensação é que ela é inibida pelo uso prolongado de antivertiginosos, portanto, estas medicações devem ser usadas pelo menor tempo possível, enquanto o paciente estiver com náuseas e vômitos, e devem ser diminuídas nos primeiros 7--10 dias do quadro clínico A terapia de reabilitação vestibular promove processos de adaptação central que compensam a perda vestibular e também pode ajudar o paciente a acostumar-se com a sensibilidade ao movimento e outros sintomas de tontura psicossomática. • A abordagem geral consiste em uma série gradual de exercícios que desafiam progressivamente a estabilização do olhar e o equilíbrio /-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ VERTIGEM Principais causas • As três causas mais comuns de vertigem são a VPPB (42%), a neurite vestibular (40%) e a doença de Ménière (10%), que, juntas, são responsáveis por mais de 90% das causas de vertigem Dica: • Episódio único e prolongado de vertigem: pensar em neurite vestibular e AVC • Vertigem posicional e recorrente de curta duração: pense em VPPB • Vertigem recorrente e longa duração: pense em doença de meniere Os episódios de vertigem recorrente podem ser desencadeados ou espontâneos: • Vertigem recorrente desencadeada: VPPB • Vertigem recorrente espontânea: são migrânea vestibular, doença de Ménière e ataque isquêmico transitório. Período Ambiente clínico sugestivo Característic as do nistagmo ¶ Sintomas neurológicos associados Sintomas auditivos Outros recursos de diagnóstico Vertigem posicional paroxística benigna Recorrente, breve (segundos) Movimentos ou posições previsíveis da cabeça precipitam os sintomas Característica s periféricas Nenhum Nenhum Manobra de Dix-Hallpike mostra achados característico s Neurite vestibular Episódio único, início agudo, dura dias A síndrome viral pode acompanhar ou preceder a vertigem Característica s periféricas Cai em direção ao lado da lesão, sem sintomas de tronco cerebral Geralmente nenhum Teste de impulso cefálico geralmente anormal Doença de Ménière Episódios recorrentes, últimos minutos a várias horas Início espontâneo Característica s periféricas Nenhum Os episódios podem ser precedidos por plenitude/dor auricular, acompanhado s de vertigem, perda auditiva unilateral, zumbido Audiometria mostra perda auditiva neurossensori al unilateral de baixa frequência Enxaqueca vestibular Episódios recorrentes, duram vários minutos a horas História de enxaqueca Característica s centrais ou periféricas podem estar presentes Dor de cabeça de enxaqueca e/ou outros sintomas de enxaqueca que precedem, acompanham Geralmente nenhum Entre os episódios, os testes geralmente são normais ou seguem a vertigem AIT vertebrobasil ar Episódios únicos ou recorrentes com duração de vários minutos a horas Paciente idoso, fatores de risco vascular e/ou trauma cervical Característica s centrais Geralmente outros sintomas do tronco cerebral Geralmente nenhum RM ou ARM podem demonstrar lesão vascular Infarto do tronco cerebral Início súbito, sintomas persistentes durante dias a semanas Como acima Característica s centrais Geralmente outros sintomas do tronco cerebral, especialment e sinais medulares laterais Geralmente nenhum; uma exceção é a síndrome da artéria cerebelar anterior inferior A ressonância magnética demonstrará lesão Infarto ou hemorragia cerebelar Início súbito, sintomas persistentes durante dias a semanas Paciente idoso, fatores de risco vascular, especialment e hipertensão Característica s centrais O comprometim ento da marcha é proeminente; dor de cabeça, dismetria dos membros, disfagia pode ocorrer Nenhum Ressonância magnética urgente, tomografia computadoriz ada demonstrará le NEURITE VESTIBULAR Neurite vestibular é o principal diagnóstico para um quadro de vertigem de origem periférica, unilateral, de início agudo ou subagudo e duração prolongada • Caracteriza--se pela sensação de vertigem, desequilíbrio,alteração no reflexo vestíbulo- ocular e nistagmo típico • Neurite vestibular é o principal diagnóstico para síndrome vestibular aguda de causa periférica • segundo distúrbio periférico mais comum, perdendo apenas para a VPPB Clínica A instalação do quadro é aguda e o paciente refere vertigem rotatória constante durando dias, que piora com qualquer tipo de movimento e tem uma melhora parcial com repouso. • Nos primeiros dias, náuseas e vômitos são sintomas frequentes. • Não há queixas auditivas, como zumbido, hipoacusia ou surdez. • Devido à presença de nistagmo, o paciente pode se queixar de oscilopsia • Há desequilíbrio, com dificuldade tanto à marcha como para se manter em pé. • Os sintomas são mais intensos logo após a instalação do quadro e há uma melhora progressiva ao longo de dias • Ao contrário da VPPB, a vertigem contínua persiste mesmo quando a cabeça não está em movimento. • Os principais sinais são nistagmo, alteração do reflexo vestíbulo-ocular e assimetria no ajuste postural, observada pela lateropulsão e desvio da marcha para o lado lesado. O nistagmo rotatório e a sensação de rotação do corpo ocorrem para o lado oposto ao da lesão, enquanto o ajuste do reflexo vestibuloespinhal e as quedas são para o lado lesado • Isso faz que o paciente apresente dois tipos de sensação em direções opostas, podendo estar se referindo a uma ou a outra. • A primeira sensação é a impressão de estar se movendo na direção da fase rápida do nistagmo, o que é absolutamente subjetivo. • A segunda sensação é de estar caindo para o lado da lesão, o que é acompanhado de um sinal objetivo: a queda para o lado lesado ao fechar os olhos quando em ortostase, o que é chamado de Romberg vestibular Teste de romberg • O paciente permanece de pé com os pés juntos com olhos abertos e depois fechados. • O teste é positivo (“Romberg vestibular”) quando, de olhos fechados, ocorre queda para o lado afetado nas vestibulopatias periféricas agudas, ou seja, para o lado contralateral à fase rápida do nistagmo espontâneo O nistagmo na neurite vestibular é horizonto--rotatório, batendo para o lado são. • Assim, o nistagmo periférico “bate sempre para o lado bom”, nunca invertendo sua direção • É tipicamente reduzido ou inibido pela fixação visual, aumentado quando os olhos são fechados • Obedece a lei de Alexander, que diz que a velocidade de fase lenta e amplitude do nistagmo aumentam com o desvio dos olhos na direção da fase rápida e diminuem quando os olhos estão na posição ou direção da fase lenta O nistagmo periférico é causado por assimetria entre tônus vestibulares direito e esquerdo: • O lado lesado pela neurite sofre diminuição de tônus e então o lado bom prevalece, “empurrando” os olhos na direção do lado lesado (fase lenta do nistagmo). • As vias centrais atuantes na motricidade ocular originam sacadas corretoras, para que os olhos retornem à posição habitual, gerando a fase rápida do nistagmo. O reflexo vestíbulo-ocular é alterado do lado da lesão • Ao se virar a cabeça para o lado da lesão, o movimento ocular desencadeado pelo VOR é lento e de pequena amplitude, sendo necessária uma sacada de correção para completar o movimento • O VOR pode permanecer alterado na evolução da doença, e mesmo na ausência de nistagmo espontâneo ou nistagmo de provocação, o VOR pode permanecer patológico ao virar a cabeça para o lado lesado, o que explica algumas queixas frequentes, como instabilidade ou “alteração visual” com instabilidade da imagem na retina com movimentos bruscos Diagnóstico • A neurite vestibular é um diagnóstico clínico, e quando todos os aspectos discutidos estão presentes, os exames complementares não são obrigatórios. Manejo • tratamento sintomático/da crise e tratamento específico O controle da crise vertiginosa pode ser obtido com as seguintes medicações: • Dimenidrinato 50 mg EV ou VO 8/8 h ou 6/6 h. • Meclizina 25 mg VO 8/8 h ou 6/6 h. • Benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, clonazepam) podem ser usados como alternativa, mas seu uso deve ser restrito devido à sua possível ação prejudicial na recuperação dos pacientes. O uso dos sintomáticos, supressores vestibulares, deve ser restrito aos primeiros 2 a 3 dias de sintomas, devido à sua possível ação prejudicial na recuperação dos pacientes, retardando a compensação central. Tratamento específico Encaminhamento à reabilitação vestibular • A compensação central de uma lesão vestibular periférica é promovida através de movimentos que desencadeiam aferências inadequadas e incongruentes. Isto é atingido instruindo o paciente a retomar o quanto antes as atividades diárias e encaminhando--o à fisioterapia para realização de exercícios de reabilitação vestibular • Os pacientes devem ser estimulados a reassumir o nível normal de atividade assim que seja possível, e a terapia de reabilitação vestibular dirigida pode acelerar a melhora. Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) • Causa comum de vertigem recorrente. • Causa mais comum de vertigem periférica • A VPPB é a principal causa de vertigem posicional e recorrente de curta duração • A VPPB é uma doença autolimitada, com resolução espontânea em muitos casos • O paciente geralmente tem história de vários episódios semelhantes prévios. • É mais comum em mulheres (2-3x) e com mais de 50 - 60 anos. Causa A VPPB é causada pelo deslocamento de cristais de carbonato de cálcio, denominados otólitos /otoconias, que normalmente permanecem aderidos à mácula dos órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), para o lúmen de canal semicircular • Os ataques são causados por otolitos flutuantes livres (cristais de carbonato de cálcio) deslocados da mácula utricular e que se movem para um dos canais semicirculares, em geral o canal posterior. Quando a posição da cabeça muda, a gravidade faz o otolito mover-se dentro do canal, ocasionando vertigem e nistagmo • É causada por partículas de carbonato de cálcio (derivada dos otólitos) que se desprendem da mácula do utrículo e caem no canal semicircular, induzindo aceleração anormal da endolinfa Clínica A VPPB de canal posterior é muito frequente e está associada a sintomas vestibulares paroxísticos e nistagmo desencadeados por variações de posição da cabeça. • Estes sintomas duram poucos segundos, e o nistagmo é rapidamente esgotável. Quadro clínico típico: episódios recorrentes de vertigem rotatória súbita e de curta duração (segundos) desencadeados por movimentos cefálicos bruscos tais como deitar--se na cama, levantar--se da cama, olhar para cima ou para baixo (flexão e extensão da cabeça), rodar de um lado para o outro na cama • Os pacientes referem sensações de vertigem, que são causadas pela movimentação da cabeça; • a vertigem é agravada quando se levantam ou se deitam na cama, ou quando mudam de posição enquanto dormem. • Nos casos típicos, o paciente não tem vertigem quando a cabeça está imóvel. • Esses episódios podem ser graves e provocar quedas • Os episódios são curtos (duram < 1 minuto e tipicamente entre 15-20 segundos); • Sempre provocados por alterações na posição da cabeça com relação à gravidade, como o paciente deitar, rolar na cama, erguer-se da posição supina e estender a cabeça para olhar para cima • O quadro de vertigem comumente é acompanhado de náuseas, vômitos e sudorese profusa • Situação que fala contra VPPB: o surgimento dos sintomas apenas ao levantar--se e nunca ao deitarse ou já em decúbito, sugerindo, neste caso, o diagnóstico de hipotensão ortostática • Os episódios recorrem periodicamente durante semanas a meses sem terapia Por se tratar de patologia que acomete o labirinto vestibular exclusivamente, a ausência de sintomas cocleares relacionados aos episódios de vertigem é muito importante para o diagnóstico diferencial da VPPB • não há perda auditiva, tinido ou sensação de plenitudeno ouvido. • Cerca de 50% dos casos começam depois de traumatismo craniano A observação de que os episódios ocorrem comumente ao deitar--se ou já deitado ou aos primeiros movimentos após o despertar é uma pista valiosa para o diagnóstico Nistagmos posicionais • Na VPPB do canal posterior, o nistagmo bate para cima e é torcional (os polos superiores dos olhos batem na direção da orelha acometida). • Menos comumente, o otolito entra no canal horizontal, resultando em um nistagmo horizontal quando o paciente está deitado com a orelha para baixo. • O acometimento do canal superior/ anterior é raro Diagnóstico O diagnóstico é clínico, sendo desnecessário o uso de exames complementares nos casos típicos ➢ O diagnóstico de VPPB é feito em um paciente que apresenta episódios recorrentes e breves (<1 minuto) de vertigem provocados por tipos específicos de movimentos de cabeça e é confirmado pela observação de nistagmo durante uma manobra provocadora (Dix-hallpike) A VPPB pode envolver qualquer um dos canais semicirculares, geralmente de forma isolada, e raramente pode comprometer dois ou mais canais • O canal semicircular posterior (CP) é o mais acometido (80--90%) de todos por conta da anatomia do labirinto, que favorece a migração dos otólitos para seu interior, sendo seguido em frequência pelo canal horizontal (CH) (10--20%) e pelo canal anterior (CA) (1-2%). O diagnóstico é firmado pela observação do nistagmo típico, desencadeado pela realização das manobras de Dix-Hallpike e da manobra de posicionamento lateral • Ambas as manobras devem ser realizadas rapidamente, uma vez que movimentos lentos não desencadeiam o ataque de VPPB • Quando a manobra é positiva, o paciente apresenta nistagmo vertical-giratório por alguns segundos, com latência e fatigabilidade Para o diagnóstico da VPPB do canal posterior, é importante observar a ocorrência das seguintes características típicas do nistagmo: I. latência: o nistagmo e a vertigem iniciam--se alguns segundos após a cabeça alcançar a mesa de exame; II. duração curta: o nistagmo dura < 1 minuto; III. direção com dois componentes: (1) vertical para cima e (2) rotatório para a lado comprometido (“orelha de baixo”), isto é, rotatório horário na VPPB posterior esquerda e rotatório anti-horário na VPPB posterior direita; IV. inversão do nistagmo: após o paciente retomar a posição inicial sentada poderá ser observado a ocorrência de um nistagmo batendo na direção oposta (devido ao movimento dos otólitos na direção oposta em relação àquele realizado ao deitar); V. fatigabilidade: após manobras sucessivas, o nistagmo e a vertigem diminuem de intensidade, podendo inclusive desaparecer Se o exame neurológico do paciente antes da manobra diagnóstica for normal, e na realização da manobra de Dix-Hallpike houver surgimento de nistagmo com características diferentes das descritas, o paciente não tem VPPB do canal semicircular posterior. • Os diagnósticos diferenciais seriam vertigem posicional central ou VPPB de canal semicircular horizontal ou anterior, condições mais raras. • Nessa situação deve-se encaminhar o paciente ao neurologista O diagnóstico de VPPB é incerto se nenhum nistagmo for observado no exame. • No entanto, o tratamento empírico com manobras liberatórias neste cenário é frequentemente eficaz se a história for altamente sugestiva de VPPB. Manejo O tratamento consiste em manobras de reposicionamento dos canalitos, que parecem deslocar os cristais e permitir que caiam dentro de um compartimento seguro do ouvido interno • Manobras de reposicionamento que utilizam a gravidade para eliminar o otolito do canal semicircular. • Na VPPB do canal posterior, a manobra de Epley é o procedimento mais comumente utilizado. • Recomenda-se realizar a manobra duas vezes e posteriormente encaminhar ambulatorialmente o paciente para reavaliação em 1 a 7 dias • Nos casos mais refratários de VPPB, pode-se ensinar aos pacientes uma variante dessa manobra que sejam capazes de fazer sozinhos em casa Manobra de Epley modificada: para tratamento da vertigem posicional paroxística benigna dos canais semicirculares posteriores da direita (no alto) e da esquerda (embaixo). Toda a sequência é repetida até que não se observe mais nistagmo: • Etapa 1. Com o paciente sentado, virar a cabeça dele em 45 graus para o lado da orelha afetada. • Etapa 2. Mantendo a cabeça girada, abaixar o paciente até a posição de cabeça pendente, mantendo essa posição por pelo menos 30 s e até o nistagmo desaparecer. • Etapa 3. Sem levantar a cabeça, virá-la 90 graus para o outro lado. Manter assim por mais 30 s. • Etapa 4. Girar o paciente de lado enquanto gira a cabeça mais 90 graus, de forma que o nariz aponte para baixo em 45 graus. Manter assim por mais 30 s. • Etapa 5. Sentar o paciente no lado da mesa. Após breve repouso, a manobra deve ser repetida para confirmar o tratamento bem-sucedido. • A manobra de Epley começa com o paciente sentado e a cabeça virada 45° para o lado que se deseja tratar. • O paciente é então deitado rapidamente com a cabeça pendente. • Vira-se 90° a cabeça para o outro lado e posteriormente mais 90°, deixando o paciente em decúbito lateral. • Em cada posição, deve-se aguardar 30 segundos. • Finalmente, o paciente é sentado A manobra de Semont modificada é ilustrada para canalitíase posterior esquerda : • O paciente sentado começa girando a cabeça 45° para a direita. • O paciente então inclina rapidamente o tronco para o lado esquerdo (1) com a cabeça voltada 45° para a direita. Esta posição é mantida por pelo menos 30 segundos ou até que qualquer vertigem provocada desapareça. • O paciente então senta-se rapidamente e deita-se sobre o lado direito sem parar na posição vertical (2), mantendo a cabeça virada 45° para a direita, de modo que a cabeça agora fique parcialmente voltada para baixo na cama. Esta posição é mantida por 30 segundos ou até que a vertigem desapareça. • Em seguida o paciente retorna à posição vertical (3). • Essa manobra é repetida três vezes ao dia até que o paciente fique assintomático. Na canalitíase posterior direita, a manobra deve ser realizada no sentido oposto, iniciando com a cabeça voltada para a esquerda. Medicamentos Os medicamentos não são úteis para os breves episódios de vertigem associados à VPPB, exceto quando a frequência dos episódios é muito alta Prognóstico • A VPPB é uma doença benigna, com remissão espontânea em dias a semanas mesmo sem tratamento adequado • Por outro lado, apresenta uma taxa alta de recorrência, em média de 50% ao longo da vida, sendo maior no primeiro ano DOENÇA DE MÉNIÈRE A doença de Ménière é uma síndrome vestibular periférica idiopática caracterizada por episódios recorrentes de vertigem rotatória espontânea, associada a sintomas de desequilíbrio, náuseas e vômitos e sintomas cocleares que incluem a hipoacusia, zumbido e sensação de pressão no ouvido (plenitude auricular). • Com a persistência das crises, os pacientes podem evoluir com hipoacusia e deficit vestibular permanentes. Etiologia • Acredita-se que a doença de Ménière se deva ao excesso de líquido (endolinfa) na orelha interna, daí a designação hidropsia endolinfática. Clínica O quadro clínico típico é caracterizado por crises de vertigem rotatória espontânea, com duração de minutos a várias horas, associadas a sintomas do ouvido interno: zumbido, perda auditiva neurossensorial e plenitude aural (sensação de pressão no ouvido) Sintomas: vertigem, perda auditiva e dor, pressão e/ou plenitude na orelha acometida. • Os sintomas de aura ou perda auditiva para baixas frequências são os aspectos mais importantes para distinguir a doença de Ménière de outras vestibulopatias periféricas e da enxaqueca vestibular • A audiometria no momento de uma crise mostra perdaauditiva assimétrica e de baixa frequência característica; a audição costuma melhorar entre as crises, embora às vezes possa ocorrer perda auditiva permanente. Diagnóstico Conduta • Os pacientes nos quais se suspeite de doença de Ménière devem ser encaminhados para um otorrinolaringologista. • Na fase aguda pode--se diminuir os sintomas com sintomáticos como meclizina e dimenidrinato • O tratamento medicamentoso da doença de Ménière é feito com betaistina na dose de 48 mg/dia a 96 mg/dia ou diuréticos, em ordem decrescente de uso, hidroclorotiazida, acetazolamida e clortalidona /--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------/ TRATAMENTO DA VERTIGEM O manejo adequado da vertigem requer o diagnóstico correto: • O tratamento da vertigem pode ser dividido em três categorias: aqueles específicos da doença vestibular subjacente, aqueles que visam aliviar os sintomas da vertigem e aqueles que visam promover a recuperação. TRATAMENTO SINTOMÁTICO Medicamentos para suprimir os sintomas vestibulares são mais bem utilizados para aliviar episódios agudos de vertigem que duram pelo menos algumas horas ou dias. • Esses medicamentos não são úteis para episódios muito breves de vertigem, como vertigem posicional paroxística benigna, exceto quando a frequência das crises é muito alta. Três classes gerais de medicamentos podem ser usadas para suprimir o sistema vestibular e/ou reduzir náuseas e vômitos associados A. Anti-histamínicos – meclizina , dimenidrinato , difenidramina B. Benzodiazepínicos – diazepam , lorazepam , clonazepam , alprazolam C. Antieméticos - ondansetrona , proclorperazina , prometazina , metoclopramida , domperidona Os anti-histamínicos são os medicamentos de escolha na maioria dos pacientes; a meclizina é a droga de escolha na gravidez. • Os benzodiazepínicos podem ser sedativos e são usados quando os anti-histamínicos não são adequadamente eficazes. https://www.uptodate.com/contents/meclizine-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/dimenhydrinate-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/diphenhydramine-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/diazepam-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/lorazepam-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/clonazepam-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/alprazolam-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/ondansetron-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/prochlorperazine-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/promethazine-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/metoclopramide-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/domperidone-united-states-available-via-fda-investigational-drug-ind-protocol-only-drug-information?topicRef=5097&source=see_link https://www.uptodate.com/contents/meclizine-drug-information?topicRef=5097&source=see_link Os tratamentos sintomáticos devem ser interrompidos o mais rápido possível após a cessação dos sintomas graves e dos vômitos (geralmente dentro de um ou dois dias) para evitar comprometer a adaptação a longo prazo à perda vestibular pelo cérebro • Tais medicações devem ser reservadas para o controle em curto prazo da vertigem ativa, como durante os primeiros dias de neurite vestibular aguda ou nas crises agudas doença de Ménière. • Elas são menos úteis para a tontura crônica e podem impedir a compensação central. • Uma exceção é que os benzodiazepínicos podem atenuar a tontura psicossomática e a ansiedade associada, embora os ISRSs em geral sejam preferíveis para tais pacientes. REABILITAÇÃO VESTIBULAR A reabilitação vestibular (fisioterapia) promove a recuperação em pacientes com hipofunção vestibular periférica unilateral ou bilateral permanente • Encaminhamos nossos pacientes para terapeutas treinados em reabilitação vestibular para desenvolver programas de exercícios personalizados. • A reabilitação vestibular pode ser realizada por meio de uma série de sessões com um fisioterapeuta, ou o paciente pode ser treinado para fazê-las de forma independente, em casa. • Alguns dados sugerem que o início precoce destes tratamentos pode maximizar os benefícios. A maioria dos pacientes com vertigem prefere ficar deitado com a cabeça imóvel. A reabilitação vestibular obriga-os a realizar exercícios de equilíbrio desafiantes com vários benefícios potenciais: • A atividade promove a adaptação • Atividade facilita a substituição estratégica • A inatividade tem efeitos negativos secundários