Prévia do material em texto
Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos Tumores odontogênicos ● Semelhança com cisto odontogênicos ● Causam destruição dos maxilares ● Podem sofrer alterações malignas ● Geralmente são benignos, mas existem alguns malignos ● Tamanho variável ● Seguem uma classificação Tumores de Epitélio Odontogênico ● São compostos por epitélio odontogênico sem a participação de ectomesênquima odontogênico. ● Diversos tumores distintivamente diferentes são incluídos nesse grupo; o ameloblastoma é o mais importante e o mais comum deles. AMELOBLASTOMA ● O ameloblastoma é o tumor odontogênico clinicamente significativo mais comum. ● Sua frequência relativa se iguala à frequência combinada de todos os outros tumores odontogênicos, excluindo os odontomas. ● Apresenta diferenciação de ameloblasto ● Os ameloblastomas são tumores de origem epitelial odontogênica. ● Podem surgir dos restos da lâmina dentária, de um órgão do esmalte em desenvolvimento, do revestimento epitelial de um cisto odontogênico, ou das células basais da mucosa oral. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Os ameloblastomas são tumores de crescimento lento, localmente invasivos, que apresentam um curso benigno na maior parte dos casos. ● Cresce por expansão, diferente do queratocisto ● Se vê assimetria facial ● É muito recidivante ● Pode sofrer alteração maligna, embora seja raro ● CONVENCIONAL, INTRA ÓSSEO OU SÓLIDO MULTICÍSTICO ● SEGUNDO MAIS COMUM ● Ocorre em pacientes jovens, mas pode ocorrer em crianças e idosos (30-60 anos) ● Não tem predileção de sexo ● 80% dos casos se localiza na região POSTERIOR DA MANDÍBULA (Mais raros na maxila e na região anterior da mandíbula) ● Cerca de 15% a 20% dos ameloblastomas ocorrem na maxila, geralmente nas regiões posteriores ● A característica radiográfica mais típica é aquela de uma lesão radiolúcida multilocular. ● O aspecto radiográfico da lesão é frequentemente descrito como em “bolhas de sabão” (quando as loculações radiolúcidas são grandes) ou como “em favos de mel” (quando as loculações são pequenas) ● A expansão vestibular e lingual das corticais geralmente está presente. ● Os ameloblastomas sólidos podem se apresentar, radiograficamente, como defeitos radiolúcidos uniloculares, o que pode se assemelhar a praticamente qualquer tipo de lesão cística ● As margens dessas lesões radiolúcidas, contudo, frequentemente mostram festonamento irregular ● Assintomáticos ● Pode causar aumento de volume variável ● Pode causar parestesia, dor…, mas é raro ● Multi ou uniloculares ● Pode fazer reabsorção da raiz (regular) uou/e óssea ● Muitas vezes associados a dentes não erupcionados (pode fazer diagnóstico diferencial com cisto dentígero - observar tamanho) ● Faz infiltração pelos espaços medulares ● Pode provocar erosão e absorção da cortical óssea ● Pode obliterar o maxilar ● Perfil genético - pela via MAP quinase (MAPK BRAFVG00E) ● Prognóstico bom ● Para ser removido precisa fazer OSTEOTOMIA PARA EVITAR RECIDIVA Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● AMELOBLASTOMA COM DESMOPLASIA ❖ Uma forma de ameloblastoma que não apresenta tais aspectos característicos é o ameloblastoma desmoplásico, uma variante que Eversole e colaboradores documentaram inicialmente na literatura em 1984. ❖ O ameloblastoma desmoplásico apresenta uma predileção marcante pelo acometimento nas regiões anteriores dos ossos gnáticos, principalmente na maxila. ❖ DESMOPLÁSICO É ALTERAÇÃO NO COLÁGENO ❖ Radiograficamente, esse tipo raramente sugere o diagnóstico de ameloblastoma, e geralmente lembra uma lesão fibro-óssea devido ao seu aspecto misto radiolúcido e radiopaco ❖ Esse aspecto radiográfico misto se deve à metaplasia óssea nos densos septos fibrosos que caracterizam a lesão, e não em decorrência da produção, pelo próprio tumor ❖ Prognóstico igual ao do Ameloblastoma comum HISTOLOGIA ● Muitos tumores frequentemente mostram uma combinação de padrões microscópicos. Os padrões folicular e plexiforme são os mais comuns. ● Padrões histopatológicos menos comuns incluem os tipos acantomatoso, de células granulares, desmoplásico e de células basais. ● PADRÃO FOLICULAR - é o mais comum e reconhecível. Ilhas de epitélio lembram o epitélio do órgão do esmalte em meio a um estroma maduro de tecido conjuntivo fibroso. Os ninhos epiteliais consistem em uma região central de células angulares arranjadas frouxamente, lembrando o retículo estrelado de um órgão do esmalte. Uma única camada de células colunares altas, semelhantes a ameloblastos, cerca essa região central. O núcleo dessas células está localizado no pólo oposto à membrana basal (polaridade reversa). Em outras áreas, as células da periferia podem se mostrar mais cuboides, assemelhando-se a células basais. A formação de cistos é comum e pode variar desde microcistos, que se formam dentro das ilhas de epitélio, até grandes cistos macroscópicos, que podem ter muitos centímetros de diâmetro ● PADRÃO PLEXIFORME - consiste em cordões longos e anastomosantes ou lençóis maiores de epitélio odontogênico. Os cordões ou lençóis de epitélio são delimitados por células colunares ou cúbicas, semelhantes a ameloblastos, circundando as células epiteliais arranjadas mais frouxamente. O estroma de suporte tende a ser vascular e arranjado frouxamente. A formação de cistos é relativamente incomum nessa variante. Quando ela ocorre, está mais frequentemente associada à degeneração do estroma, em vez de alterações císticas dentro do epitélio ● PADRÃO ACANTOMATOSO - Quando ocorre metaplasia escamosa extensiva, frequentemente associada à formação de ceratina, nas regiões centrais das ilhas epiteliais de um ameloblastoma folicular, o termo ameloblastoma acantomatoso às vezes é aplicado. Essas alterações não indicam um curso mais agressivo para a lesão; contudo, histopatologicamente, tal lesão pode ser confundida com um carcinoma de células escamosas ou com um tumor odontogênico escamoso Os ameloblastomas podem, às vezes, exibir transformação de grupos de células epiteliais lesionais em células granulares. Essas células apresentam citoplasma abundante preenchido por grânulos eosinofílicos, cujas características ultraestruturais e histoquímicas lembram Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos lisossomos. Apesar de ser considerado originalmente como uma consequência denvelhecimento ou da alteração degenerativa em lesões de longa duração, essa variante já foi observada em pacientes jovens e em tumores clinicamente agressivos. Quando há extensa alteração de células granulares nos ameloblastomas, a designação apropriada é ameloblastoma de células granulares ● PADRÃO DESMOPLÁSICO- contém pequenas ilhas e cordões de epitélio odontogênico em um estroma densamente colagenizado. Estudos imunoistoquímicos revelaram um aumento da produção da citocina conhecida como fator de crescimento transformador-B (TGF-B) associado a essa lesão, sugerindo que tal citocina pode ser responsável pela desmoplasia. Células periféricas colunares semelhantes a ameloblastos são inconspícuas nas ilhas epiteliais ● PADRÃO DE CÉLULAS BASAIS - A variante de células basais é o tipo menos comum de ameloblastoma. Essas lesões são compostas por ninhos de células basaloides uniformes e, histopatologicamente, são muito similares ao carcinoma basocelular da pele. Não há retículo estrelado na porção central dos ninhos. As células periféricas ao redor dos ninhos tendem a ser cúbicas em vez de colunares Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos AMELOBLASTOMA UNICÍSTICO ● O ameloblastoma unicístico, durante muitas décadas, foi considerado separadamente com base em suas características clínicas, radiográficas e patológicas. Apesar de sua resposta ao tratamento em relatos dos anos 1970 e 1980 sugerirem que essa lesão pode se comportar de maneira menos agressiva, relatos recentes contestaram esse conceito. ● 10% a 46% de todos os ameloblastomas intraósseos em vários estudos. ● Quer tenha o ameloblastomaunicístico uma origem de novo, sob a forma de neoplasia, quer seja resultado da transformação neoplásica do epitélio de cistos não neoplásicos, o assunto tem sido tema de um longo debate. Provavelmente, há a ocorrência de ambos os mecanismos, mas é praticamente impossível obter a prova de qual deles estaria envolvido em um paciente individualmente. ● Só é considerado unicistico se de fato for único CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os ameloblastomas unicísticos são mais frequentemente observados em pacientes mais jovens, com cerca de 50% de todos esses tumores diagnosticados durante a segunda década de vida. ● A média de idade foi de 23 anos. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Mais de 90% dos ameloblastomas unicísticos são encontrados na mandíbula, usualmente nas regiões posteriores. ● A lesão é frequentemente assintomática, ● Em muitos pacientes, essa lesão aparece tipicamente como uma imagem radiolúcida circunscrita que envolve a coroa de um terceiro molar inferior não erupcionado, lembrando, clinicamente, um cisto dentígero. ● Em alguns casos, a área radiolúcida pode apresentar margens festonadas, mas ainda assim é um ameloblastoma unicístico. ● O aspecto cirúrgico pode também sugerir que a lesão em questão seja um cisto, e o diagnóstico de ameloblastoma somente será feito após estudo microscópico do espécime. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● Três variantes histopatológicas do ameloblastoma unicístico foram descritas. No primeiro tipo (ameloblastoma unicístico luminal), o tumor está confinado à superfície luminal do cisto. A lesão consiste em uma parede cística fibrosa com um revestimento composto total ou parcialmente por epitélio ameloblástico. Tal epitélio exibe uma camada basal de células colunares ou cúbicas com núcleo hipercromático, que apresenta polaridade reversa e vacuolização citoplasmática basilar. As células epiteliais sobrejacentes estão frouxamente coesas e lembram o retículo estrelado. ● Na segunda variante microscópica, um ou mais nódulos de ameloblastomas se projetam do revestimento cístico em direção ao lúmen do cisto. Esse tipo é denominado ameloblastoma unicístico intraluminal. Esses nódulos podem ser relativamente pequenos ou preencher, em grande parte, o lúmen cístico. Em alguns casos, o nódulo tumoral que se projeta no lúmen demonstra um padrão edemaciado, plexiforme, que lembra o padrão plexiforme visto nos ameloblastomas convencionais. Essas lesões são, às vezes, referidas como ameloblastomas unicísticos plexiformes. ● A proliferação celular intraluminal nem sempre preenche os rigorosos critérios histopatológicos para diagnóstico de ameloblastoma e isto pode ser secundário à inflamação que quase sempre acompanha esse padrão. ● Na terceira variante, conhecida como ameloblastoma unicístico mural, a parede fibrosa do cisto está infiltrada por ameloblastoma típico folicular ou plexiforme. A extensão e a profundidade da infiltração por ameloblastoma podem variar consideravelmente. Em Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos qualquer suposto ameloblastoma unicístico, múltiplos cortes em diferentes níveis do espécime são necessários para descartar a possibilidade de invasão mural pelas células tumorais. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Os achados clínicos e radiográficos na maioria dos casos de ameloblastoma unicístico sugerem a presença de um cisto odontogênico. ● Portanto, esses tumores usualmente são tratados, como cistos, através de enucleação. ● O diagnóstico de ameloblastoma é feito somente após a análise microscópica do suposto cisto. ● Se os elementos ameloblásticos estiverem confinados ao lúmen do cisto, com ou sem extensão tumoral intraluminal, então a enucleação do cisto provavelmente foi o tratamento adequado. O paciente, contudo, deve ser mantido sob acompanhamento por longo período. ● Taxas de recidiva de 10% a 20% foram descritas após a enucleação e curetagem dos ameloblastomas unicísticos em muitas das antigas séries de casos. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos AMELOBLASTOMA PERIFÉRICO (EXTRAÓSSEO) ● O ameloblastoma periférico é uma lesão incomum, sendo responsável por cerca de 1% a 10% de todos os ameloblastomas. ● Esse tumor provavelmente surge dos restos da lâmina dentária sob a mucosa oral, ou das células basais do epitélio de superfície. ● Histopatologicamente, essas lesões apresentam as mesmas características que a variante intraóssea desse tumor. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS ● O ameloblastoma periférico geralmente é uma lesão indolor, não ulcerada, séssil ou pedunculada, que acomete a mucosa gengival ou alveolar. ● As características clínicas não são específicas e a maioria das lesões é considerada clinicamente como um fibroma ou um granuloma piogênico. A maioria dos casos mede menos de 1,5cm, mas já foram descritas lesões maiores ● O tumor pode ser encontrado em pacientes com uma ampla gama de idade, mas observa-se a maioria deles em pessoas de meia-idade, com idade média descrita de 52 anos. ● Os ameloblastomas periféricos são mais comumente encontrados na mucosa alveolar e gengival posterior e são mais comuns na mandíbula do que na maxila. ● Em alguns casos, o osso alveolar superficial se torna levemente erodido, mas não ocorre envolvimento ósseo significativo. Alguns poucos exemplos de lesão microscopicamente idêntica ao ameloblastoma periférico foram relatados na mucosa jugal, estando relativamente distantes dos tecidos moles alveolares ou gengivais. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● Os ameloblastomas periféricos apresentam ilhas de epitélio ameloblástico que ocupam a lâmina própria sob o epitélio superficial ● O epitélio em proliferação pode exibir qualquer uma das características descritas para o ameloblastoma intraósseo; os padrões plexiforme ou folicular são os mais comuns. ● Nota-se a conexão do tumor com a camada basal do epitélio de superfície em 50% dos casos. Ainda não há consenso se isso realmente representa a origem do tumor a partir da camada basal do epitélio, ou a fusão do tumor com o epitélio de superfície. ● Foram descritos carcinomas de células basais da mucosa oral, mas a maioria deles seria mais bem designada como ameloblastomas periféricos. Um fibroma odontogênico periférico pode ser microscopicamente confundido com um ameloblastoma periférico, particularmente se um componente epitelial proeminente estiver presente no último. A presença de dentina displásica ou de elementos semelhantes a cemento no fibroma odontogênico periférico e a ausência de células epiteliais colunares periféricas mostrando polaridade reversa do seu núcleo deveriam ser suficientes para distinguir as duas lesões. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Diferentemente do ameloblastoma intraósseo, o ameloblastoma periférico mostra um comportamento clínico inócuo. ● Os pacientes respondem bem à excisão cirúrgica local. ● Apesar de a recidiva local ter sido observada em 15% a 20% dos casos, uma nova excisão local quase sempre resulta em cura. ● Diversos exemplos de transformação maligna em um ameloblastoma periférico foram descritos, mas isso é raro TUMOR ODONTOGÊNICO ESCAMOSO ● O tumor odontogênico escamoso é uma neoplasia odontogênica benigna rara ● A maioria deles se localiza dentro do osso, apesar de alguns poucos casos periféricos terem sido relatados. ● Antes de 1975, acreditava-se que essa lesão provavelmente representava um ameloblastoma acantomatoso atípico, ou até mesmo um carcinoma de células escamosas. ● O tumor odontogênico escamoso pode surgir devido à transformação neoplásica dos restos da lâmina dentária ou talvez dos restos epiteliais de Malassez. ● O tumor parece se originar a partir do ligamento periodontal que está associado à superfície radicular lateral de um dente erupcionado. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os tumores odontogênicos escamosos têm sido encontrados em pacientes cujas idades variam de 8 a 74 anos (média de 38/40 anos). ● Predileção para sexo masculino ● São distribuídosaleatoriamente por todo o processo alveolar anterior da maxila e da mandíbula, sem predileção por um sítio específico. ● Parece TRIÂNGULO INVERTIDO ● É INFILTRATIVO ● Poucos pacientes apresentam múltiplos tumores odontogênicos escamosos que envolvem diversos quadrantes da boca; uma família com três irmãos afetados, com cada um deles apresentando múltiplas lesões, foi descrita. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Aparentemente não há predileção por gênero. ● Um aumento de volume indolor ou levemente dolorido na gengiva, com frequência associado à mobilidade do dente envolvido, é a queixa mais comum. ● Cerca de 25% dos pacientes descritos não apresentam sintomas e suas lesões foram detectadas durante o exame radiográfico de rotina. ● Os achados radiográficos não são específicos ou diagnósticos e consistem em um defeito radiolúcido triangular lateral á raiz ou raízes de um dente ● Em alguns casos, isso sugere perda óssea periodontal vertical. ● A área radiolúcida pode ser algo mal definida ou exibir uma margem esclerótica bem definida. A maioria dos casos se apresenta como lesões relativamente pequenas que raramente excedem 1,5cm em seu maior diâmetro. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● Os achados microscópicos de um tumor odontogênico escamoso são distintivos e consistem em ilhas de variados tamanhos de epitélio escamoso de aparência benigna em um estroma de tecido conjuntivo fibroso maduro. As células periféricas das ilhas epiteliais não exibem a característica polarização vista nos ameloblastomas ● Tem epitélio escamoso ● Parede fibrosa ● A vacuolização microcística e a ceratinização individual das células nas ilhas de epitélio são aspectos comuns. Os pequenos microcistos são algumas vezes observados dentro das ilhas epiteliais. ● Corpos calcificados laminados e estruturas eosinofílicas globulares, que não coram para amiloide, estão presentes dentro do epitélio em alguns casos. ● O primeiro provavelmente representa calcificações distróficas; e a natureza do último é desconhecida. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos . TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● A excisão local conservadora ou a curetagem parecem ser efetivas para os pacientes com tumores odontogênicos escamosos, e a maioria dos casos relatados não apresentou recidivas após a excisão local. ● Poucos casos de recidiva foram relatados, mas eles respondem bem a uma nova excisão local. ● Os tumores odontogênicos escamosos da maxila podem ser bastante mais agressivos do que as lesões da mandíbula, com maior tendência a invadir as estruturas adjacentes. Isso pode ser devido à natureza esponjosa e porosa do osso maxilar. ● As lesões multicêntricas tipicamente apresentam um curso menos agressivo, quase hamartomatoso, quando comparadas às lesões solitárias. Tumor odontogênico epitelial calcificante ● conhecido como tumor de Pindborg ● é uma lesão incomum que é responsável por menos de 1% de todos os tumores odontogênicos. ● De origem odontogênica, sua histogênese permanece incerta. ● As células tumorais apresentam semelhança morfológica com as células do estrato intermediário do órgão do esmalte; contudo, alguns investigadores recentemente Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos sugeriram que o tumor origina-se dos remanescentes da lâmina dentária, com base em sua distribuição anatômica nos ossos gnáticos. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● mais frequentemente encontrado em pacientes com idade entre 30 e 50 anos. ● Não há predileção por gênero. ● Cerca de dois terços de todos os casos descritos foram encontrados na mandíbula, mais comumente nas regiões posteriores ● Um aumento de volume indolor, de crescimento lento, é o sinal mais comum de apresentação. ● Assintomático ● Radiograficamente, o tumor exibe um defeito radiolúcido uni ou multilocular, com um padrão unilocular encontrado mais comumente na maxila. ● As margens do defeito lítico frequentemente são festonadas e em geral se apresentam relativamente bem definidas. Contudo, aproximadamente 20% dos casos apresentam uma periferia mal definida e outros 20% exibem uma margem cortical evidente. ● A lesão pode ser inteiramente radiolúcida, mas o defeito geralmente contém estruturas calcificadas de tamanhos e densidades variados. ● O tumor com frequência está associado a um dente impactado, mais comumente um molar inferior. ● As calcificações normalmente são esparsas dentro do tumor. Apesar de alguns autores sugerirem que elas são mais proeminentes ao redor da coroa de um dente impactado ● A descrição de um padrão em “flocos de neve” das calcificações parece ser muito menos comum do que se acreditava anteriormente. ● Poucos casos de tumor odontogênico epitelial calcificante periférico (extraósseo) foram relatados. Eles surgem como aumentos de volume gengivais sésseis não específicos, que acometem com maior frequência a gengiva anterior. Alguns deles estão associados a erosões do osso subjacente em forma de taça. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● Discretas ilhas, cordões ou lençóis de células epiteliais poliédricas em um estroma fibroso ● Os contornos celulares das células epiteliais são distintos e é possível observar as pontes intercelulares. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● O núcleo mostra variação considerável e núcleos gigantes podem ser observados. ● Alguns tumores mostram considerável pleomorfismo nuclear, mas essa característica não é considerada como uma indicação de malignidade. ● Grandes áreas de material extracelular amorfo, eosinofílico, hialinizado (semelhante a amiloide) também estão presentes com frequência. ● As ilhas tumorais comumente abrigam aumentos de volume desse material hialino o que resulta em um aspecto cribriforme. ● As calcificações, que são um achado característico desse tumor, se desenvolvem dentro do material semelhante a amiloide, formando anéis concêntricos (calcificações do tipo anéis de Liesegang), que tendem a se fusionar e formar aumentos de volume e complexos. ● Alguns tumores consistem em grandes lençóis de células epiteliais com mínima produção de material semelhante a amiloide e calcificações. Outros mostram grandes aumentos de volume difusos de material semelhante a amiloide que contém somente pequenos ninhos ou ilhas de epitélio. ● Foi descrita uma variante de células claras, na qual as células constituem uma porção significativa do componente epitelial, e também foi descrito que esse tumor apresenta um padrão de crescimento cístico. ● O material geralmente cora como amiloide (i.e., resultados positivos para coloração com vermelho Congo ou tioflavina T). Após a coloração com vermelho Congo, o amiloide exibirá uma birrefringência verde-maçã quando visualizado sob luz polarizada. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Embora se acreditasse originalmente que o tumor odontogênico epitelial calcificante apresentava praticamente o mesmo comportamento biológico que o ameloblastoma, a experiência acumulada indica que ele tende a ser menos agressivo. ● Tratamento CIRÚRGICO ● A ressecção local conservadora, de forma a incluir uma fina faixa do osso circunjacente, parece ser o tratamento de escolha, embora as lesões na maxila posterior provavelmente devam ser submetidas a um tratamento mais agressivo. ● Uma taxa de recidiva de aproximadamente 15% tem sido relatada; os tumores tratados por curetagem apresentam as maiores taxas de recidiva. ● O prognóstico geral parece ser bom. Tumor odontogênico adenomatoide ● tumor odontogênico adenomatoide representa 3% a 7% de todos os tumores odontogênicos, ● Apesar de, antigamente, a lesão ter sido considerada como uma variante do ameloblastoma, sendo designada como “adenoameloblastoma”, suas características clínicas e comportamento biológico indicam que ela é uma entidade à parte. ● Apesar de haver evidências de que as células tumorais são derivadas do epitélio do órgão do esmalte, os investigadores também sugerem que a lesão surja dos remanescentes da lâminadentária. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● em grande parte, limitados aos pacientes jovens, e dois terços de todos os casos são diagnosticados quando o paciente tem entre 10 e 19 anos. ● Esse tumor é definitivamente incomum em pacientes com mais de 30 anos. ● Há considerável evidência da ocorrência nas regiões anteriores dos ossos gnáticos, sendo encontrado duas vezes mais na maxila do que na mandíbula ● As mulheres são afetadas cerca de duas vezes mais do que os homens. ● A maioria dos tumores odontogênicos adenomatoides são relativamente pequenos. Eles raramente excedem 3cm em seu maior diâmetro, apesar de algumas lesões maiores terem sido descritas. ● As formas periféricas (extraósseas) do tumor também podem ser encontradas, mas são raras. Elas normalmente aparecem como pequenos aumentos de volume sésseis na gengiva vestibular da maxila. ● Clinicamente, essas lesões não podem ser diferenciadas das lesões fibrosas comuns da ● Os tumores odontogênicos adenomatoides frequentemente são assintomáticos, sendo descobertos somente durante o curso de um exame radiográfico de rotina, ou quando se solicitam radiografias para determinar a razão pela qual um dente ainda não erupcionou. ● As lesões maiores causam expansão indolor do osso. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Em cerca de 75% dos casos, o tumor aparece como uma lesão radiolúcida circunscrita, unilocular, que envolve a coroa de um dente não erupcionado, mais frequentemente o canino. ● Pode ser impossível diferenciar radiograficamente o tipo folicular de tumor odontogênico adenomatoide do cisto dentígero, que é mais comum. ● A imagem radiolúcida associada ao tipo folicular do tumor odontogênico adenomatoide às vezes se estende apicalmente ao longo da raiz, passando da junção amelocementária. Essa característica pode ser útil para distinguí-lo do cisto dentígero ● Menos frequentemente, o tumor odontogênico adenomatoide se apresenta como uma lesão radiolúcida unilocular bem definida que não está relacionada a um dente não erupcionado, mas, em vez disso, localiza-se entre as raízes de um dente erupcionado (tipo extrafolicular) ● A lesão pode se mostrar completamente radiolúcida; contudo, frequentemente, ela contém calcificações delicadas (em flocos de neve). Essa característica pode ser útil na diferenciação dos tumores odontogênicos adenomatoides com um cisto dentígero. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● O tumor odontogênico adenomatoide é uma lesão bem definida que geralmente está envolvida por uma espessa cápsula fibrosa. ● Quando a lesão é seccionada, a região central do tumor pode ser essencialmente sólida ou pode mostrar diversos graus de alteração cística ● Microscopicamente, o tumor é composto por células epiteliais fusiformes que formam lençóis, cordões ou aumentos de volume espiralados de células em um estroma f ibroso escasso. ● As células epiteliais podem formar estruturas semelhantes a rosetas ao redor de um espaço central, que pode estar vazio ou conter pequenas quantidades de material eosinofílico. Esse material pode corar com amiloide. ● As estruturas tubulares ou semelhantes a ducto, que são o aspecto característico do tumor odontogênico adenomatoide, podem ser proeminentes, escassas ou até mesmo ausentes em uma determinada lesão. Elas consistem em um espaço central delimitado por uma camada de células epiteliais colunares ou cúbicas. Os núcleos dessas células tendem a ser polarizados em direção oposta ao espaço central. ● não há elementos glandulares nesse tumor ● Pequenos focos de calcificação também podem estar dispersos por todo o tumor. Eles têm sido interpretados como uma formação abortiva do esmalte. ● Alguns tumores odontogênicos adenomatoides contêm áreas maiores de material de matriz ou de calcificação. Esse material tem sido interpretado como dentinoide ou cemento. ● Algumas lesões também parecem ter outro padrão, particularmente na periferia do tumor, adjacente à cápsula. Esse padrão consiste em cordões delgados de epitélio, frequentemente anastomosados, em uma matriz eosinofílica, frouxamente arranjada ● As características histopatológicas dessa lesão são distintas e não devem ser confundidas com qualquer outro tumor odontogênico. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● O tumor odontogênico adenomatoide é completamente benigno; devido à presença de sua cápsula, ele pode ser facilmente enucleado do osso. ● Tratamento cirúrgico ● O comportamento agressivo não foi documentado e a recidiva após enucleação, se ocorrer, é muito rara. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos Tumores de Epitélio Odontogênico e mesenquimais mistos benignos O grupo dos tumores odontogênicos mistos, compostos por epitélio odontogênico em proliferação em um ectomesênquima que lembra a papila dentária, apresenta problemas em sua classificação. Algumas dessas lesões mostram variados graus de efeitos indutores por parte do epitélio no mesênquima, levando à formação de variadas quantidades de esmalte e dentina. Algumas dessas lesões (como os odontomas, comumente encontrados) são claramente anomalias do desenvolvimento não neoplásicas; outras parecem ser verdadeiras neoplasias. A natureza de outras é incerta. Em alguns casos, os achados histopatológicos isoladamente não são suficientes para distinguir entre as lesões neoplásicas e as anomalias de desenvolvimento. As características clínicas e radiográficas são frequentemente de considerável auxílio na realização de tal distinção. Fibroma ameloblástico ● Um tumor misto verdadeiro, em que tanto o tecido epitelial quanto o mesenquimal são neoplásicos. ● Este é um tumor incomum, mas é difícil avaliar os dados a respeito de sua frequência, porque (particularmente em relatos mais antigos) algumas lesões que foram diagnosticadas como fibroma ameloblástico podem, na verdade, representar um estágio de desenvolvimento precoce de um odontoma. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os fibromas ameloblásticos tendem a ocorrer em pacientes mais jovens; a maioria das lesões é diagnosticada na primeira ou segunda décadas de vida. Essa lesão, contudo, ocasionalmente pode ser encontrada em pacientes de meia-idade. ● O tumor é ligeiramente mais comum em homens do que em mulheres. ● Os fibromas ameloblásticos pequenos são assintomáticos; tumores maiores estão associados a aumento de volume nos ossos gnáticos. ● A mandíbula posterior é o sítio mais comum; cerca de 70% de todos os casos estão localizados nessa região ● Radiograficamente, observa-se uma lesão radiolúcida uni ou multilocular, com as lesões menores tendendo a ser uniloculares. ● As margens radiográficas tendem a ser bem definidas e podem ser escleróticas. ● Um dente não erupcionado está associado à lesão em cerca de 75% dos casos ● Pode atingir grandes dimensões, e casos que envolvem uma considerável porção do corpo e do ramo da mandíbula foram relatados. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● O fibroma ameloblástico surge como um aumento de volume sólido de tecido mole com uma superfície externa lisa. ● Uma cápsula definida pode ou não estar presente. ● Microscopicamente, o tumor é composto de um tecido mesenquimal rico em células, que lembra a papila dentária primitiva, misturado ao epitélio odontogênico em proliferação. O último pode apresentar um ou dois padrões, ambos geralmente presentes em qualquer caso. ● O padrão epitelial mais comum consiste em cordões longos e delgados de epitélio odontogênico, frequentemente anastomosados. Esses cordões usualmente apresentam somente duas células de espessura e são compostos por células colunares ou cúbicas ● No outro padrão, as células epiteliais formam pequenas e discretas ilhas que lembram o estágio folicular do desenvolvimento do órgão do esmalte. Elas exibem células colunares periféricas, que circundam um aumento de volume de células epiteliais frouxamente arranjadas que lembram o retículo estrelado. ● Em contrastecom o tipo folicular do ameloblastoma, essas ilhas foliculares no fibroma ameloblástico raramente apresentam a formação de microcistos. ● A porção mesenquimal do fibroma ameloblástico consiste em células ovoides e estreladas volumosas em uma matriz frouxa, que lembra muito a papila dentária em desenvolvimento. ● A formação do colágeno é geralmente inconspícua. ● A hialinização justaepitelial da porção do mesênquima próxima ao tumor pode, às vezes, ser observada, e ocasionalmente áreas difusas de tecido lesional acelular hialinizado estão evidentes. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● TRATAMENTO CIRURGICO ● As recomendações recentes enfatizam a terapia conservadora inicial para o fibroma ameloblástico. ● A excisão cirúrgica mais agressiva deveria, provavelmente, ser reservada apenas às lesões recidivantes. ● Aproximadamente 45% dos casos do raro fibrossarcoma ameloblástico se desenvolvem no contexto de um fibroma ameloblástico recidivante. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos FIBRO-ODONTOMA AMELOBLÁSTICO ● O fibro-odontoma ameloblástico é definido como um tumor com características gerais de um fibroma ameloblástico, mas que também contém esmalte e dentina. Alguns investigadores acreditam que o fibroma ameloblástico seja somente um estágio no desenvolvimento de um odontoma e não o consideram como uma entidade separada. Certamente as características histopatológicas de um odontoma em desenvolvimento podem apresentar algum grau de sobreposição com aquelas do fibro-odontoma ameloblástico. Há exemplos bem documentados, contudo, desse tumor exibindo crescimento progressivo e causando consideráveis deformidade e destruição óssea. Essas lesões parecem ser verdadeiras neoplasias. Contudo, a distinção entre um odontoma em desenvolvimento e um fibro-odontoma ameloblástico pode ser difícil com base somente nos achados histopatológicos. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● O fibro-odontoma ameloblástico é usualmente encontrado em crianças com a idade média de 10 anos, sendo raramente encontrado em adultos. Semelhante ao que ocorre no fibroma ameloblástico, os fibro-odontomas ameloblásticos são mais frequentes nas regiões posteriores dos ossos gnáticos (Fig. 15-101). Não há predileção significativa por gênero. A lesão é comumente assintomática e é descoberta quando são realizadas radiografias para determinar a razão pela qual um dente ainda não erupcionou. Grandes lesões podem estar associadas ao aumento de volume indolor do osso afetado. Radiograficamente, o tumor mostra um defeito radiolúcido unilocular ou, raramente multilocular, bem-circunscrito, que contém uma quantidade variável de material calcificado, com radiodensidade compatível com a estrutura dentária. O material calcificado dentro da lesão pode se apresentar como múltiplas radiopacidades pequenas, ou como um aumento de volume conglomerado (Fig. 15-102). Na maioria dos casos, um dente não erupcionado está presente na margem da lesão, ou então a coroa de um dente não erupcionado pode estar incluída no defeito. Alguns f ibro-odontomas ameloblásticos podem conter somente uma quantidade mínima de esmalte calcificado e matriz de dentina, e aparecem radiograficamente como lesões radiolúcidas (Fig. 15-103). Essas lesões não podem ser diferenciadas de uma ampla variedade de lesões radiolúcidas uniloculares que podem acometer os ossos gnáticos. No outro extremo, alguns fibro-odontomas ameloblásticos aparecem como aumentos de volume amplamente calcificados mostrando apenas uma fina margem radiolúcida na periferia da lesão. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● O componente de tecido mole do fibro-odontoma ameloblástico é microscopicamente idêntico ao fibroma ameloblástico e apresenta cordões delgados e ilhas pequenas de epitélio odontogênico em um tecido conjuntivo frouxo de aparência primitiva que lembra a papila dentária. Os elementos calcificados consistem em focos de matriz de esmalte e dentina em formação em íntima relação com as estruturas epiteliais (Fig. 15-104). As lesões mais calcificadas mostram estruturas dentárias maduras na forma de dentículos rudimentares ou de aumentos de volume conglomerados de esmalte e dentina. Alguns pesquisadores designaram um tumor similar, em que o componente calcificado consiste somente em matriz dentinária e material dentinoide, de fibro-dentinoma ameloblástico. É questionável se essa lesão representa uma entidade separada, sendo provavelmente, mais bem considerada apenas como uma variante do fibro-odontoma ameloblástico. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Um paciente com um fibro-odontoma ameloblástico normalmente é tratado através de curetagem conservadora, e essa lesão, em geral, se destaca facilmente de seu leito ósseo. O tumor é bem-circunscrito e não invade o osso adjacente. O prognóstico é excelente, e a recidiva após a remoção conservadora não é comum. O desenvolvimento de um fibrossarcoma ameloblástico após a curetagem de um fibroodontoma ameloblástico já foi descrito, mas isso é extraordinariamente raro. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos Odontoma ● Os odontomas são os tipos mais comuns de tumores odontogênicos. Sua prevalência excede a de todos os outros tumores odontogênicos combinados. ● Os odontomas são considerados como anomalias do desenvolvimento (hamartomas), em vez de neoplasias verdadeiras. Quando totalmente desenvolvidos, os odontomas consistem principalmente em esmalte e dentina, com quantidades variáveis de polpa e cemento. ● Nos estágios mais precoces do desenvolvimento, estão presentes quantidades variáveis de epitélio odontogênico em proliferação e mesênquima. ● Os odontomas são ainda subdivididos em tipo composto e tipo complexo. ● O odontoma composto é formado por múltiplas estruturas pequenas, semelhantes a dentes. ● O odontoma complexo consiste em uma massa conglomerada de esmalte e dentina, que não exibe semelhança anatômica com um dente. ● Na maioria das séries de casos, os odontomas compostos são diagnosticados com maior frequência do que os odontomas complexos, e é possível que alguns odontomas compostos não sejam submetidos a exame microscópico porque o clínico se sente confiante com o diagnóstico clínico e radiográfico. Ocasionalmente, essas lesões podem exibir características tanto do odontoma composto quanto do complexo. ● MUITOS ODONTOMA A = SÍNDROME DE GARDNER CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● A maioria dos odontomas é detectada durante as primeiras duas décadas de vida e a idade média no momento do diagnóstico é de 14 anos. ● A maioria dessas lesões é completamente assintomática, sendo descobertas durante o exame radiográfico de rotina ou quando são realizadas radiografias para determinar o motivo pelo qual um dente ainda não erupcionou. ● Os odontomas são tipicamente lesões relativamente pequenas que raramente excedem o tamanho de um dente da região onde eles estão localizados. Contudo, odontomas maiores, de até 6cm ou mais de diâmetro, são ocasionalmente observados. Esse odontomas maiores podem levar à expansão dos ossos gnáticos. ● Os odontomas ocorrem mais frequentemente na maxila do que na mandíbula. Apesar de os odontomas compostos e complexos poderem ser encontrados em qualquer sítio, o tipo composto é mais frequentemente observado na maxila anterior; odontomas complexos ocorrem mais na região de molares de qualquer um dos ossos gnáticos. ● Ocasionalmente, um odontoma pode se desenvolver completamente dentro dos tecidos moles gengivais. ● Radiograficamente, o odontoma composto aparece como uma coleção de estruturas semelhantes a dentes de variados tamanhos e formas, cercados por uma delgada zona radiolúcida ● O odontoma complexo aparece como um aumento de volume calcificado com a radiodensidade da estrutura dentária, que também está cercada por uma delgada margem radiolúcida ● Um dente não erupcionado frequentemente se mostra associado ao odontoma, e o odontoma evita a erupção desse dente Autoria: Elen KissiaBarral Maltez dos Santos ● Alguns odontomas pequenos podem estar presentes entre as raízes de um dente erupcionado e não estão associados a alterações na erupção. ● Os achados radiográficos normalmente são diagnósticos e o odontoma composto raramente é confundido com outra lesão. ● Um odontoma em desenvolvimento pode mostrar pouca evidência de calcificação e aparecer com uma lesão radiolúcida circunscrita. Um odontoma complexo, contudo, pode ser confundido radiograficamente com um osteoma ou alguma outra lesão óssea altamente calcificada. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● O odontoma composto consiste em múltiplas estruturas lembrando pequenos dentes unirradiculares, contidos em uma matriz fibrosa frouxa ● As estruturas representadas por esmalte maduro das estruturas semelhantes a dente se perdem durante a descalcificação para preparação dos cortes microscópicos, mas quantidades variáveis de matriz de esmalte estão frequentemente presentes. ● O tecido pulpar pode ser observado na porção coronal e radicular das estruturas semelhantes a dentes. Em pacientes que apresentam um odontoma em desenvolvimento, estruturas que lembram os germes dentários estão presentes. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Os odontomas complexos consistem, em grande parte, de dentina tubular madura. Essa dentina envolve fendas ou estruturas ocas circulares que costumavam conter o esmalte maduro que foi removido durante a descalcificação. Os espaços podem conter quantidades pequenas de matriz de esmalte ou esmalte imaturo ● Pequenas ilhas de células fantasmas epiteliais eosinofílicas estão presentes em aproximadamente 20% dos odontomas complexos. Elas podem representar remanescentes do epitélio odontogênico que sofreu ceratinização e morte celular devido à anoxia local. ● Uma delgada camada de cemento com frequência está presente na periferia do aumento de volume. ● Ocasionalmente, um cisto dentígero pode surgir do revestimento epitelial da cápsula fibrosa de um odontoma complexo. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Os odontomas são tratados por excisão local simples e o prognóstico é excelente. Tumores de Ectomesênquima Odontogênico FIBROMA ODONTOGÊNICO CENTRAL ● O fibroma odontogênico central é uma lesão incomum e bastante controversa. ● considera tais lesões como representando apenas folículos dentários hiperplásicos, sendo que não deveriam ser consideradas como neoplasias. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os fibromas odontogênicos foram relatados em pacientes cujas idades variavam de 4 a 80 anos (média de idade, 40 anos). ● Desses casos relatados na literatura, uma razão de 2,2:1,0 entre mulheres e homens foi observada, indicando uma forte predileção pelo gênero feminino. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Cerca de 45% dos casos relatados ocorreram na maxila; a maioria das lesão maxilares estão localizadas em região anterior ao primeiro molar. Na mandíbula, contudo, cerca de metade dos tumores se localizam posteriormente ao primeiro molar. ● Um terço dos fibromas odontogênicos está associados a um dente não erupcionado. ● Fibromas odontogênicos menores em geral são completamente assintomáticos; lesões maiores podem estar associadas à expansão óssea localizada ou à mobilidade dental. ● Radiograficamente, os fibromas odontogênicos menores tendem a ser lesões bem definidas, uniloculares, radiolúcidas, frequentemente associadas à região perirradicular de dentes erupcionados ● Lesões maiores tendem a apresentar imagens radiolúcidas multiloculares. ● Muitas lesões apresentam uma margem esclerótica. ● A reabsorção radicular de um dente associado é comum e as lesões localizadas entre os dentes frequentemente causam divergência de suas raízes. Aproximadamente 12% dos fibromas odontogênicos centrais exibem flocos radiopacos dentro da lesão. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● f ibroma odontogênico simples é composto por fibroblastos estrelados, frequentemente arranjados em um padrão espiralado, com finas fibrilas colágenas e considerável substância amorfa. Pequenos focos de restos epiteliais odontogênicos podem ou não estar presentes. Ocasionais focos de calcificação distrófica podem ser observados. Alguns investigadores sugeriram que essa lesão, na verdade, pertence a um espectro do mixoma odontogênico e deveria ser designada como um mixofibroma. ● Um fibroma odontogênico mais colagenizado deve ser diferenciado do fibroma desmoplásico, que é uma lesão mais agressiva. O fibroma desmoplásico, contudo, não apresenta um componente epitelial. ● O fibroma odontogênico central, tipo Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta um padrão mais complexo, que frequentemente consiste em um tecido conjuntivo fibroso razoavelmente celular com fibras colágenas arranjadas em feixes entrelaçados. ● O epitélio odontogênico, na forma de longos cordões ou de ninhos isolados, está presente por toda a lesão e pode ser um componente proeminente. O componente fibroso pode variar de mixoide até densamente hialinizado. As calcificações compostas de material semelhante a cemento ou dentinoide estão presentes em alguns casos. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Os fibromas odontogênicos normalmente são tratados por enucleação e curetagem vigorosa. Apesar de o tumor não apresentar uma cápsula definida, parece possuir um potencial de crescimento limitado, principalmente nas regiões anteriores dos ossos gnáticos. ● Algumas recidivas foram documentadas, mas o prognóstico é muito bom. FIBROMA ODONTOGÊNICO PERIFÉRICO ● O fibroma odontogênico periférico é relativamente incomum, sendo considerado a contraparte nos tecidos moles do fibroma odontogênico central (intraósseo). No passado, alguns autores denominaram lesões similares clínica e histopatologicamente como hamartoma epitelial odontogênico ou como dentinoma fibroameloblástico periférico. Parece provável que todos esses termos se refiram a uma mesma lesão, e o fibroma odontogênico periférico parece ser a designação mais apropriada. Algumas séries dessa lesão foram descritas nas duas últimas décadas, perfazendo um número total de aproximadamente 175 casos na literatura. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● O fibroma odontogênico periférico se apresenta como um aumento de volume gengival firme, de crescimento lento, e geralmente séssil, recoberto por mucosa de aparência normal. ● Clinicamente, o fibroma odontogênico periférico não pode ser distinguido de outras lesões gengivais fibrosas muito mais comuns. ● A lesão é mais frequentemente encontrada na gengiva vestibular da mandíbula. ● A maioria das lesões mede de 0,5 a 1,5cm de diâmetro e podem causar, com pouca frequência, deslocamento dos dentes. ● Os fibromas odontogênicos periféricos foram relatados em pacientes com grande variação de idade, com a maioria sendo identificada da segunda à sétima décadas de vida. ● Estudos radiográficos demonstram uma aumento de volume de tecido mole que, em alguns casos, mostra áreas de calcificação. A lesão, contudo, não envolve o osso subjacente. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● características histopatológicas similares ao fibroma odontogênico central (tipo OMS). ● O tumor consiste em fascículos entrelaçados de tecido conjuntivo fibroso celularizado, que podem estar entremeados com áreas de tecido conjuntivo mixoide, menos celularizado. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Uma alteração de células granulares tem sido identificada raramente no componente de tecido conjuntivo, e regiões semelhantes ao granuloma de células gigantes foram descritas em algumas poucas lesões. ● Ilhas ou cordões de epitélio odontogênico estão dispersos por todo o tecido conjuntivo. Eles podem ser proeminentes ou escassos. ● As células epiteliais podem mostrar vacuolização. Dentina displásica, calcificações amorfas ovoides semelhantes a cemento e trabéculas de osteoide também podem estar presentes. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● O fibroma odontogênico periférico é tratado atravésde excisão cirúrgica local e o prognóstico é excelente. Contudo, a recidiva dessa lesão já foi documentada MIXOMA ODONTOGÊNICO ● Acredita-se que os mixomas dos ossos gnáticos se originem do ectomesênquima odontogênico. ● Eles exibem uma grande semelhança microscópica com a porção mesenquimal de um dente em desenvolvimento. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os mixomas são predominantemente encontrados em adultos jovens, mas podem ocorrer em um grupo com ampla faixa etária. A idade média para os pacientes com mixoma é de 25 a 30 anos. Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● Não há predileção por gênero. ● O tumor pode ser encontrado em praticamente qualquer região dos ossos gnáticos, e a mandíbula é acometida mais comumente do que a maxila ● Lesões menores podem ser assintomáticas e são descobertas somente durante um exame radiográfico de rotina. ● Lesões maiores estão frequentemente associadas à expansão indolor do osso envolvido. ● Em alguns casos, o crescimento clínico do tumor pode ser rápido, o que provavelmente está relacionado ao acúmulo de substância fundamental mixoide no tumor. ● Radiograficamente, o mixoma se apresenta como uma lesão radiolúcida uni ou multilocular, que pode deslocar ou causar a reabsorção dos dentes na região do tumor. ● As margens da lesão radiolúcida são frequentemente irregulares ou festonadas. ● O defeito radiolúcido pode conter trabéculas delgadas insignificantes de osso residual, que frequentemente se arranjam em ângulos retos umas com as outras ● Grandes mixomas da mandíbula podem apresentar o padrão radiolúcido em “bolhas de sabão”, que é indistinguível daquele observado nos ameloblastomas Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS ● No momento da cirurgia ou do exame macroscópico do espécime, a estrutura gelatinosa e frouxa do mixoma é óbvia ● Microscopicamente, o tumor é composto por células casualmente arranjadas de formato estrelado, fusiforme ou arredondado, em um estroma abundante, frouxo e mixoide, que contém somente algumas fibrilas colágenas ● Estudos histoquímicos mostram que a substância fundamental é composta por glicosaminoglicanos, principalmente o ácido hialurônico e o sulfato de condroitina. Imunoistoquimicamente, as células do mixoma mostram imunorreatividade difusa para os anticorpos dirigidos contra a vimentina, com reatividade focal para actina músculo-específica. ● Pequenas ilhas de restos epiteliais odontogênicos de aspecto inativo podem ser evidenciadas dispersas na substância fundamental mixoide. Estes restos epiteliais não são necessários para o diagnóstico e não são encontrados na maioria dos casos. Em alguns pacientes, o tumor pode apresentar uma tendência maior para formação de fibras colágenas; tais lesões são, por vezes, designadas como fibromixonas ou mixofibromas. ● O fibroma condromixoide deve exibir áreas de diferenciação cartilaginosa, enquanto o neurofibroma mixoide tende a apresentar células dispersas na lesão, positivas para anticorpos contra a proteína S-100. ● Alterações mixoides em um folículo dentário aumentado ou a papila dentária de um dente em desenvolvimento podem ser microscopicamente semelhante a um mixoma. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● Pequenos mixomas são tratados, geralmente, através de curetagem, no entanto, reavaliação cuidadosa deve ser feita periodicamente durante pelo menos 5 anos. ● Para lesões maiores, ressecções mais extensas podem ser necessárias, uma vez que os mixomas não são encapsulados e tendem a infiltrar o osso adjacente. ● A remoção completa de um tumor com grandes dimensões através de curetagem normalmente é difícil de se conseguir, e lesões da maxila é difícil de se conseguir, e lesões da maxila posterior, em particular, deveriam ser tratadas mais agressivamente 25% são relatadas em vários estudos. ● A despeito das recorrências locais, o prognóstico é bom e metástases não são observadas. ● É tratamento cirúrgico Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos Cementoblastoma ● (CEMENTOMA VERDADEIRO) ● Raro CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS ● Os cementoblastomas são neoplasmas raros, representando menos de 1% de todos os tumores odontogênicos. ● Mais de 75% surgem na mandíbula, com 90% surgindo na região de molares e pré-molares. ● Quase 50% envolvem o primeiro molar permanente. ● Dentes impactados ou nãoerupcionados também podem ser afetados raramente. ● Cementoblastomas afetam raramente dentes decíduos. ● Não há predileção significativa por gênero. ● O neoplasma ocorre predominantemente em crianças e adultos jovens com aproximadamente 50% surgindo antes dos 20 anos de idade e 75% ocorrendo antes dos 30 anos de idade. ● Dor e aumento de volume estão presentes em aproximadamente dois terços dos pacientes relatados. ● podem ser observados sinais de comportamento agressivo local, incluindo expansão óssea, erosão cortical, deslocamento de dentes adjacentes, envolvimento de múltiplos dentes adjacentes, envolvimento do seio maxilar e infiltração na cavidade pulpar e canais radiculares. ● Radiograficamente, o tumor aparece como um aumento de volume radiopaco que está fundido a um ou mais dentes e é circundado por um fino halo radiolúcido ● O contorno da raiz ou das raízes do dente envolvido está geralmente obscurecido como resultado da reabsorção radicular e fusão do tumor com o dente. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICA ● A apresentação histopatológica do cementoblastoma lembra bastante a do osteoblastoma, sendo que a principal característica de distinção é a fusão do tumor com o dente envolvido Autoria: Elen Kissia Barral Maltez dos Santos ● A maioria das zonas da lesão consiste em lençóis e trabéculas espessas de material mineralizado com lacunas posicionadas irregularmente e linhas reversas basofílicas proeminentes. ● Tecido fibrovascular celularizado está presente entre as trabéculas mineralizadas. Frequentemente estão presentes células gigantes multinucleadas e células blásticas margeando as trabéculas mineralizadas ● A periferia da lesão, correspondente à zona radiolúcida vista na radiografia, é composta de matriz não-calcificada, que frequentemente está arranjada em colunas radiais. ● Em poucos casos, as lesões podem se infiltrar na câmara pulpar e nos canais radiculares dos dentes envolvidos. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO ● O tratamento de um cementoblastoma geralmente consiste na extração cirúrgica dos dentes juntamente com o aumento de volume calcificado. ● A excisão cirúrgica do aumento de volume com amputação da raiz e o tratamento endodôntico do dente envolvido podem ser considerados. ● A quantidade da remoção está intimamente associada à recidiva.