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TrIsT
FISIOLOGIA
RESPIRATÓRIA
TrIsT
W518f West, John B.
Fisiologia respiratória : princípios básicos I John B. West ;
tradução Ana Cavalcan~ Carvalho Botelho e Edison Moraes
Rodrigues Filho.- 8. ed. - Pono Alegre : Artmed, 2010.
232 p. ; 23 em.
ISBN 978-85-363-2268-1
1. Fisiologia do sistema respiratório. 2. Pneumologia. I. Título.
CDU 612.215
Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB-10/1922
TrIsT
B. West, M.o., Ph.o., o.sc.
Ve- -z e Fisiologia da University of Califomia, San Diego,
2sc:olz ce ~edicina La Jolla, Califórnia.
FISIOLOGIA
ESPIRATÓRIA
?ri ncípios básicos
8Q Edição·
Tradução:
Ana Cavalcanti Carvalho Botelho
Edison Moraes Rodrigues Filho
-~ supervisão e revisão técnica desta edição:
Marcelo Basso Gazzana
~ ;.,;=-.c:ogista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).
----z c: Ciências Pneumológicas pela Universidade Federal
_:RGS). Especialista em Pneumologia pela Sociedade Brasileira de
--..;-....:. SBPT). Especialista em Endoscopia Respiratória pela Sociedade
_ __. ...... .:..::. ~roral (SBEP). Especialista em Medicina Intensiva pela Associação
____ ____...._ .... ~.._._ B!T!Sileira (AMIB). Médico intensivista do Centro de Tratamento
~-n'tl Adulto do Hospital Moinhos de Vento (HMV).
2010
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Prefácio
_ 3n"C de elaborar um texto introdutório para estudantes de
- _I!'as áreas da saúde, este livro foi publicado pela primeira
!:l=:~e então, tem sido bem recebido por estudantes e profis-
-- -=;;,s com traduções para 13 idiomas.
~:]de Fisiologia respiratória, o texto foi totalmente atualiza-
=-~ro. alterado para dar mais ênfase didática. São exemplos:
:.:= ~,...-ersos gráficos, a inserção de conceitos-chave ao longo
'=-=.: de múltipla escolha ao final dos capítulos e respectivas
:..: Jno, além dos quadros Fique atento, localizados ao final
--- ~-.:e reforçam o conteúdo abordado.
-:::: ..=.....05 capítulos poderem ser lidos isoladamente, colegas têm
~-;ão na ordem. Porém, acredito que a disposição atual per-== -..!XO mais claro de ideias, facilitando a revisão do assunto.
__ ::-os colegas recomendam que seja dado mais espaço para
.::oL_-.:os. relacionando as equações do texto a casos clínicos.
-.:.::a adequado na sala de aula, em que se pode enriquecer
--.=..;:uu~ ..... - .Je fato, esta obra é a fonte ideal para quem busca aliar
_........_ .,.. _ue esta obra concisa seja útil como revisão para residen-
- :=.=~ologia, anestesiologia e medicina interna, em especial,
- :=~-ar-ação dos exames.
John B. West
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-----=-----
Sumário
1 Estruturo e função: como o arquitetura pulmonar garante o suo funçõo .......................... 9
2 Ventilação: como o ar chego até os alvéolos .......................................................................... 23
3 Difusão: como o ar atravesso a membrana alvéolo-capilar ................................................ 37 -r.~
4 fluxo sanguíneo e metabolismo: como o circulação pulmonar remove
os gases dos pulmões e modifico alguns metobólitos ......................................................... 49
5 Relações de ventiloçõo-perfusão: como o equilíbrio entre sangue
e gás determino o troca gasoso ................................................................................................ 73 ...
6 Transporte dos gases pelo sangue: como são transportados
poro os tecidos periféricos .................................................................. ........................................ 97
7 Mecânico do respiração: como os pulmões se sustentam e se movimentam .............. 119
8 Controle do ventilação: como a troco gasoso é regulado ................................................ 153
9 Sistema respiratório sob est resse: como o troca gasosa é realizado
durante o exercício, em altos e baixas ~ressões e ao nascimento .................................. 173
1 O Testes de função pu lmonar: como o fisiologia respiratório
é aplicado poro medir o fu nção pulmonor ........................................................................... 195
Apêndice A Símbolos, unidades e equações .................................................................................... 213
Apêndice B Respostas às questões dos capítulos ........................................................................... 221
Apêndice C Crédito das figuras .......................................................................................................... 2 23
fndice ........................................................................................................................................................ 225
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------=====---- ------------- - --- --=- _-_ - - ------_- ---
Estrutura e função: como
a arquitetura pulmonar
garante a sua função
• Membronq alvéolo-capila r
• Vias Qéreas e fluxo aéreo
• Vasos e fJuxo sanguíneos
• Estabilidade alveolar
• Remaçõo de partículas
inaladas
Iniciaremos com uma revisão dos relações entre estrutura e função pulmonar.
Primeiro, veremos a membrana alvéolo-capilar, onde ocorre a {roca dos gases res-
piratórios. Depois, veremos como o oxigênio atinge essa membrana através das
vias aéreas, e então coma a sangue remove o oxigênio dos pulr1ôes. Finalmente,
dais potenciais problemas dos pulmões são abordados brevemef'te: como o alvéo-
lo mantém a sua estabilidade e como o pulmão é mantido lirmo erP ur1 ambiente
poluído.
..
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Fisiologia respiratória 11
FIGURA 1.1
Microscopia eletrônica mostrando um capilar pulmonar (C) na parede alveolar. Observe a
espessura extremamente fina da membrana alvéolo-capilar com cerca de 0,3 J.lm em algumas
porções. A seta maior indica o caminho de difusão do gás alveolar para o interior do eritrócito
(ER), e inclui a camada de surfactante (não mostrada nessa preparação), o epitélio alveolar (EA),
o interstício (1), o endotélio capilar (EC) e o plasma. Partes das células est ruturais conhecidas
como fibroblastos (F), membrana basal (MB) e um núcleo de uma célula endotelial também
são vistos.
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12 John B. West
FIGURA 1.2
Corte histológico do pulmão mostrando muitos alvéolos e um bronquíolo pequeno. Os
capilares pulmonares localizam-se ao longo das paredes dos alvéolos (Figura 1.1 ). Os orifícios
nas paredes alveolares são os poros de Kohn.
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Fisiologia respiratória 13
O ar atinge um lado da membrana alvéolo-capilar através das vias aéreas
e o outro pelos vasos sanguíneos.
VIAS AÉREAS E FLUXO AÉREO
As vias aéreas consistem em uma série de tubos ramificados que, quanro mais
se aprofundam no parênquima pulmonar, mais se tornam estreitos, curtos e
numerosos (Figura 1.3). A traqueia se divide em brônquio principal direito e
FIGURA 1.3
Molde das vias aéreas de ambos pulmões humanos. Os alvéolos foram retirados para permitir
que as vias aéreas condutoras sejam vistas desde a traqueia até os bronquíolos terminais.
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14 John B. West
brônquio principal esquerdo, os quais, por sua vez, se dividem em brônquios
lobares e, após, em brônquios segmentares. Esse processo continua até os
bronquíolos terminais, que são as menores vias aéreas sem alvéolos. Todos es-
ses brônquios formam os duetos condutores. Sua função é levar o ar inspirado
para as regiões pulmonares de troca gasosa (Figura 1.4). Como as vias aéreas
condutoras não contêm alvéolos e, portanto, não participam da troca gasosa,
elas constituem o espaço morto anatômico. Seu volume é cerca de 150 mL.
Os bronquíolos terminais se dividem em bronqu{olos respiratórios, os
quais ocasionalmente possuem alvéolos nas suas paredes. Por fim, chegamos
nos duetos alveolares, os quais são completamente recobertos por alvéolos.
Essa região alveolar, onde ocorre a troca gasosa, é conhecida como zona res-
piratória. A região pulmonar dista! aos bronquíolos terminais forma uma
z
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2
3
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5
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19
20
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22
23
FIGURA 1.4
Idealização das vias aéreas humanas de acordo com Weibel. Observe que as primeiras 16
gerações(Z) formam as vias aéraes condutoras, e as últimas 7, a zona respiratória (ou zonas
transicionais e respiratórias).
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- _- - --~~=-- --- - - ~
Fisiologia respiratória 15
unidade anatômica chamada ácino. A distância dos bronquíolos terminais aos
alvéolos mais distais é de poucos milímetros, mas a zona respiratória está
presente na maior parte do pulmão, com um volume entre 2,5 e 3 litros em
repouso.
Durante a inspiração, o volume da cavidade torácica aumenta e o ar é
puxado para dentro do pulmão. O aumento no volume se dá em parte pela
contração diafragmática, com movimento descendente do pulmão, e em parte
pela ação dos músculos intercostais, os quais elevam as costelas, aumentando
a área de secção transversal da caixa torácica. O ar inspirado flui até próximo
dos bronquíolos terminais por fluxo intenso, como água em uma mangueira.
Além desse ponto, a área das vias aéreas é tão grande, em função do vasto
número de ramos (Figura 1.5), que a velocidade do ar diminui considera-
velmente. A difusão do ar nas vias aéreas é o mecanismo predominante de
ventilação na zona respiratória. A taxa de difusão das moléculas gasosas nas
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Gerações das vias aéreas
~.GURA 1.5
:;.=agrama para mostrar o aumento extremamente rápido da área de secção transversal
:::tal nas vias aéreas da zona respiratória (comparar com a Figura 1.4). Em função disso, a
=-xidade do ar durante a inspiração se torna muito pequena na região dos bronqufolos respi·
";::'ios, e a difusão de gases é o modo principal de ventilação.
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16 John B. West
vias aéreas é tão rápida e as distâncias a serem percorridas são tão curtas que
diferenças em concentração dentro do ácino são praticamente abolidas em
menos de um segundo. Entretanto, como a velocidade do ar cai rapidamente
na região dos bronquíolos terminais, a poeira inalada se aloja frequentemente
fora desse local.
O pulmão é elástico e retoma passivamente ao seu volume pré-inspira-
tório quando em repouso. É facilmente distensível. Uma inspiração normal de
cerca de 500 mL, por exemplo, necessita de uma pressão de distensão inferior
a 3 em de água. Em comparação, um balão infantil pode necessitar de urna
pressão de 30 em de água para o mesmo volume.
VIAS AÉREAS
• Dividem-se em zona condutora e zona respiratória.
• O volume de espaço morto anatômico é cerca de 150 mi.
• O volume da região alveotar é cerca de 2,5 a 3 litros.
O movimento de ar na região ~veolar ocorre principalmente pe>r difusão.
A pressão necessária para movimentar o ar através das vias aéreas tam-
bém é muito pequena. Durante inspiração normal, um fluxo de 1 L/s necessita
de uma redução da pressão ao longo das vias aéreas menor do que 2 em de
água. Compare com um fumante de cachimbo, o qual necessita de uma pres-
são de aproximadamente 500 em de água para o mesmo fluxo.
VASOS E FLUXO SANGUfNEOS
Os vasos sanguíneos pulmonares também formam uma série de tubos ramifi-
cados da artéria pulmonar até os capilares, e de volta pelas veias pulmonares.
Inicialmente, as artérias, as veias e os brônquios correm em paralelo, mas,
na periferia, as veias se distanciam para passar entre os lóbulos, enquanto
as artérias e os brônquios seguem juntos o mesmo trajeto até o centro dos
lóbulos. Os capilares formam uma rede densa nas paredes alveolares (Figura
1.6). O diâmetro de um segmento capilar é cerca de 7 a 10 J.Lffi, com tamanho
suficiente para um eritrócito. A extensão dos segmentos é tão curta que a rede
densa forma uma lâmina quase contínua de sangue na parede alveolar, uma
anatomia muito eficiente para a troca gasosa. Em geral, as paredes alveolares
não são vistas frente a frente, como na Figura 1.6. O corte transversal fino
obtido num microscópio convencional (Figura 1. 7) mostra os eritrócitos nos
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Fisiologia respiratória 17
FIGURA 1.6
50011
Visão de uma parede alveolar (de um sapo) mostrando a densa rede de capilares. Também
':X>dem ser vistas uma artéria (à esquerda) e uma veia (à direita) pequenas. Os segmentos capilares
'ldividuais são tão curtos que o sangue forma uma lâmina quase contínua.
::apilares e enfatiza a enorme exposição do sangue ao gás alveolar, apenas
com a fina membrana alvéolo-capilar (comparar com a Figura 1.1).
A espessura muito fina da membrana alvéolo-capilar faz com que os
::apilares sejam facilmente lesados. Aumentando muito a pressão nos capila-
:-es ou inflando o pulmão a volumes elevados, pode elevar-se o estresse dos
MEMBRANA ALV~OLO-CAPILAR
• Extremamente fina (0,2 a 0,3 !Jr'n) na maior parte da sua área.
• Enorme área superficial de 50 a 100 m2•
• Possui uma extensa área, por conter cerca de 500 milhões de alvéolos.
• É tão1ina que aumentos significativos da pressão capilar podem lesar a barreira.
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18 John B. West
FIGURA 1.7
Corte microscópico do pulmão de um cão mostrando os capilares nas paredes alveolares.
A barreira alvéolo-art.erial é tão fina que não pode ser identificada aqui (comparar com a Figura
1.1). Esse corte foi preparado a partir de um pulmão que foi rapidamente resfriado enquanto
era perfundido.
capilares ao ponto no qual podem ocorrer alterações ultraestruturais. Então,
o plasma e mesmo os eritrócitos podem passar dos capilares para os espaços
alveolares.
A artéria pulmonar recebe todo o débito cardíaco das câmaras direi-
tas, porém a resistência da vasculatura pulmonar é espantosamente pequena.
Uma pressão de artéria pulmonar média de apenas 20 em de água (cerca de
15 mm Hg) é necessária para um fluxo de 6 L/min (o mesmo fluxo através de
um canudo de refrigerante necessita de 120 em de água).
Cada eritrócito gasta cerca de O, 75 segundo na rede capilar e prova-
velmente, nesse período, atravessa dois ou três alvéolos. A anatomia é tão
eficiente para a troca gasosa que esse tempo curto é praticamente suficiente
para se atingir o completo equilíbrio do oxigênio e do dióxido de carbono
entre o gás alveolar e o sangue capilar.
O pulmão tem um sistema sanguíneo adicional, a circulação brôn-
quica, que supre as vias aéreas condutoras até próximo dos bronquíolos
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Fisiologia respiratória 19
terminais.* Parte desse sangue é drenado do pulmão através das veias pul-
monares, e outra parte entra na circulação sistêmica. O fluxo através da
circulação brônquica é uma mera fração do que flui através da circulação
pulmonar. O pulmão pode funcionar muito bem sem essa circulação, como
ocorre, por exemplo, após transplante pulmonar.
Para concluir essa breve abordagem da anatomia pulmonar funcional,
daremos atenção a dois problemas especiais que o pulmão tem de superar.
ESTABILIDADE ALVEOLAR
O pulmão pode ser considerado um conjunto de 500 milhões de bolhas, cada
uma com 0,3 mm de diâmetro. Essa estrutura é naturalmente instável. Por
causa da tensão superficial de líquido recobrindo os alvéolos, há forças re-
lativamente grandes que tendem a colapsá-los. Felizmente, algumas dessas
células que recobrem os alvéolos secretam um material chamado surfactante,
o qual reduz drasticamente a tensão da camada superficial dos alvéolos (ver
Capítulo 7). Como consequência, a estabilidade alveolar é muito aumentada,
ainda que o colapso dos pequenos espaços aéreos seja sempre um problema
potencial, ocorrendo com frequência em situações patológicas.
VASOS SANGUINEOS
• Todo o débito cardíaco proveniente das câmaras direitas entra no pulmão.
• O diâmetro dos capilares é cerca de 7 a 10 1Jm.
• A espessura de boa parte da membrana álvéolo-capilar é inferior a 0,31Jm.
• O sangue d ispende cerca de 0,75 segundo durante sua passagem nos capilares.
REMOÇAO DE PART[CULAS INALADAS
Com a sua área superficial de 50 a 100m2, o pulmão possui a maiorsuperfí-
cie do corpo frente a um ambiente crescentemente hostil. Vários mecanismos
para lidar com as partículas inaladas se desenvolveram (ver Capítulo 9) . As
?artículas maiores são filtradas no nariz. As partículas menores depositadas
N. de R.T.: Embora pareça simples, a definição é fruto de grande confusão, pois as
ã.rtérias brônquicas têm origem em ramos da artéria aorta e, portanto, fazem parte
da circulação sistêmica - de origem no ventrículo esquerdo - e não da pulmonar - de
origem no ventrículo direito. Desta forma, a pressão sanguínea nas artérias brônquicas
~em nfvel sistêmico.
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20 John B. West
nas vias aéreas condutoras são removidas pelo muco, o qual constantemente
leva debris até a epiglote, onde é engolido. O muco, secretado pelas glândulas
mucosas e também pelas células caliciformes das paredes brônquicas, é em-
purrado por milhões de cílios minúsculos, os quais normalmente se movem
de forma rítmica, mas podem ser paralizados por algumas toxinas inaladas.
Os alvéolos não têm cílios, e as partículas que se depositam aqui são
engolfadas por grandes células nômades chamadas macrófagos. Então, o ma-
terial estranho é removido do pulmão por meio dos linfáticos ou do fluxo
sanguíneo. As células sanguíneas, como os leucócitos, também participam na
reação de defesa ao material estranho.
F ique atento
1 . A membrana alvéolo-capiiJr é extremamente fina, porém com uma área muito
extensa, tornando-a ideal para troca gasosa por difusão passiva.
2 . As vias aéreas condutoras se extendem até os bronquíolos terminais, com
um volume total de aproximadamente 150 ml. Toda a troca gasosa ocorre na
zona respiratória, que possui um volume entre 2,5 e 3 litros.
3. O fluxo convectivo" doar inspirado ocorre até próximo dos bronquíolos
terminais; além desse ponto, o movimento de gás na região alveolar é
predominantemente difusivo.
4. Os capilares pulmonares ocupam uma áreã imensa da parede alveolar, e um
eritrócito gasta cerca de 0,75 segundo no interior desses vasos.
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 • Em relação à membrana alvéolo-capilar do pulmão humano:
a) A parte mais fina tem uma espessura de 3 J.Lm.
b) A área total é de aproximadamente 1 m2•
c) Cerca de 1 Oo/o da parede alveolar é ocupada por capilares.
d) Se a pressão nos capilares se eleva a níveis não fisiológicos, a membrana pode
ser danificada.
e) O oxigênio atravessa a membrana por transporte ativo.
N. de R.T. : "Convecção" é o movimento de partículas dentro de um fluido (gás, líquido),
mas não em meio sólido. É a forma mais comum de transferência de calor e massa, e
ocorre por difusão - relacionada ao movimento browniano das partículas individuais- e
por advecção - relacionada ao transporte em larga escala através do respectivo fluido.
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Fisiologia respiratória 21
2. Quando o oxigênio se move do gás alveolar, através do lado fino da membrana
alvéolo-capilar, para a hemoglobina, atravessa as seguintes camadas, nesta ordem:
a) Epitélio, surfactante, interstício, endotélio, plasma e membrana eritrocitária.
b) Surfactante, epitélio, interstício, endotélio, plasma e membrana eritrocitária.
c) Surfactante, endotélio, interstício, epitélio, plasma e membrana eritrocitária.
d) Epitélio, interstício, endotélio, plasma e membrana eritrocitária.
e) Surfactante, epitélio, interstício, endotélio e membrana eritrocitária.
3. Qual é a Po2 (em mm Hg) do ar inspirado úmido de um alpinista no pico do Monte
Everest (assumindo-se uma pressão barométrica de 247 mm Hg)?
a) 32
b) 42
c) 52
d) 62
e) 72
4. Em relação às vias aéreas humanas:
a) O volume da zona condutora é aproximadamente 50 ml.
b) O volume pulmonar em repouso é aproximadamente 5 L.
c) Um bronquíolo respiratório pode ser diferenciado de um bronquíolo terminal
porque o últ imo tem alvéolos nas suas paredes.
d) Em média, há cerca de três ramificações das vias aéreas condutoras, antes do
primeiro alvéolo aparecer nas suas paredes.
e) Nos duetos alveolares, o fluxo de gás predominante é o difusivo, e não o
convectivo.
5. Em relação aos vasos sanguíneos pulmonares:
a) As veias pulmonares formam um padrão de ramificação similar ao das vias aéreas.
b) O diâmetro médio dos capilares é aproximadamente 50 11m.
c) A circulação brõnquica tem aproximadamente o mesmo fluxo sanguíneo da
circulação pulmonar.
d) Na média, em repouso, o sangue dispende cerca de 0,75 segundo durante sua
passagem nos capi lares.
e) A pressão média na artéria pulmonar é aproximadamente 100 mm Hg.
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Ventilação: como o ar
chega até os alvéolos
• Volumes pulmonares • Espaço morto fisiológico
• Vehtíloçõo • Diferenças regiono1s inferiores
• Espaço morto anotômíco
- oordaremos, de forma mais detalhada, como o oxigênio é levado até a membra-
-::: alvéolo-capi la r por meio da ventilação. Primeiro, os volumes pulmonares serão
-uisados rapidamente. Depois, serão discutidas a ventilação total e a vemilação
: veolar, isto é, a quantidade de ar puro que chega aos alvéolos. O pulmão que
-õo participa da troca gasosa é abordado em 11espaço morto anatôfT'ico" e "es-
:.aço morto fisiológiC011 • Finalmente, é feita uma introdução sobre a d'srr'buição
: esigual do ventilação causado pela gravidade.
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24 John B. West
Os próximos três capítulos abordam como o ar inspirado atinge os alvéo-
los, como os gases atravessam a membrana alvéolo-capilar e como eles são
removidos do sangue pelo pulmão. Essas funções são efetudas, respectiva-
mente, pela ventilação, pela difusão e pelo fluxo sanguíneo.
A Figura 2.1 é um diagrama altamente simplificado do pulmão. Os vá-
rios brônquios que formam as vias aéreas condutoras (Figuras 1.3 e 1.4) são
representados aqui por um único tubo denominado "espaço morto anatômi-
co". Este vai até a região de troca gasosa pulmonar, composta pela membrana
alvéolo-capilar e pelo sangue capilar. Em cada inspiração, cerca de 500 mL
de ar entram nos pulmões (volume de ar corrente). Observe como é pequena
a porção do volume pulmonar total representada pelo espaço morto anatômi-
co. Observe, também, o volume muito pequeno de sangue capilar comparado
ao do gás alveolar (comparar com a Figura 1.7).
VOLUMES PULMONARES
Antes de olhar o movimento do ar dentro do pulmão, é útil recordar os
volumes pulmonares estáticos. Alguns podem ser medidos com um espirômetro *
VOLUMES
Sangue capilar
pulmonar
70 ml
FIGURA 2.1
500 ml 7.500 ml/min
Volume de ar corrente ---r-I _ Ventilação total
Espaço morto anatômico
150ml
Gás alveolar
3.000 ml
Frequência
15/min
Ventilação alveolar
5.250 ml/min
+::.1
FLUXOS
Diagrama de um pulmão mostrando volumes e fluxos característicos. Há considerável va-
riação em torno desses valores.
- N. de R.T.: Os espirômetros modernos, diferentemente dos selados em água, conforme
relatado, baseiam-se na medida direta dos fluxos (por dispositivos, como pneumotacó-
grafos, turbinômetros ou terrnistores) e os valores obtidos são integrados com o tempo
da manobra, fornecendo as respectivas medidas dos volumes.
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Fisiologia respiratória 25
(Figura 2.2). Durante a expiração, uma campânula suspensa num reservatório
de água sobe, e a caneta desce, gerando um traçado no gráfico. Em primeiro
lugar, veremos a respiração normal (volume de ar corrente). A seguir, o indivíduo
exerce uma inspiração máxima seguida de uma expiração semelhante. O volume
expirado é chamado capacidade vital. Contudo, algum ar permanece no pulmão
depois de uma expiração máxima, chamado volume residual. O volume de gás no
pulmão após uma expiração normal é a capacidade residual funcional (CRF).
Nem a CRF nem o volume residual podem ser medidos com um espirô-
metro simples. Contudo, pode utilizar-se técnica por diluição de gases, como
mostrado na Figura 2.3. O indivíduo respira por meio de um equipamento
contendo uma concentração conhecida de hélio, a qual é praticamente in-
solúvel no sangue. Após algumas inspirações, as concentrações de hélio no
espirômetro e no pulmão seequilibram.
Como nenhum hélio é perdido, a quantidade presente antes do equilí-
brio (concentração vezes volume) é:
e igual à quantidade após o equilíbrio:
8
6
V\
e
:5 4
2
o
~Papel -----------------·--t
Capacidade
pulmonar
total
Capacidade
vital
__ .!_ __
Volume de
ar corrente
--~~~] __ __ __ +
Capacidade
residual Volume
funcional residual ___________ t _____ i
-= rGURA 2.2
Espirômetro
' , ' , ' . '
' I
I I
• • , .,. .. ··-- ... ~
"'iumes pulmonares. Observe que a capacidade pulmonar total, a capacidade residual funcional
-: :::- v<olume residual não podem ser medidos com o espirômetro.
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Fisiologia respiratória 27
PV=K
FIGURA2.4
Medida da CRF com um pletismógrafo de corpo inteiro. Quando o indivíduo faz um esforço
inspiratório contra uma via aérea fechada, há um leve aumento do volume pulmonar, a pressão
na via aérea cai, e a pressão na cabine aumenta. A partir da Lei de Boyle, obtém-se o volume
pulmonar (ver o texto).
Onde P3 e P 4 são as pressões bucais antes e depois do esforço inspirará-
rio, e V2 é a CRE Portanto, a CRF pode ser obtida.
A pletismografia do corpo inteiro mede o volume pulmonar total de gás,
inclusive o ar alçaponado além das vias aéreas fechadas (um exemplo é mos-
::rado na Figura 7.9) e que, portanto, não está em comunicação com a boca.
-\o contrário, o método de diluição do hélio mede somente o gás em comu-
aicação ou o volume pulmonar ventilado. Em indivíduos jovens e saudáveis,
esses volumes são praticamente idênticos, mas, em pacientes com pneumopa-
j as, o volume ventilado pode ser consideravelmente inferior ao volume total,
?Or causa do ar alçaponado além das vias aéreas fechadas.
VOLUMES PULMONARES
• O volume de ar corrente e a capacidade vital podem ser medidos com um
espirômetro simples.
• A capacidade pulmonar total, a CRF e o volume residual necessitam de uma
medição adicional por diluição do hélio ou pela pletismografia de corpo inteiro.
• O hélio é utilizado porque tem uma solubilidade muito baixa no sangue.
• O uso da pletismografia de corpo inteiro depende da Lei de Boyle, PV = K,
a uma temperatura constante.
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28 John B. West
VENTILAÇÃO
Suponhamos que o volume expirado em cada respiração seja 500 mL
(Figura 2.1) e que haja 15 movimentos respiratórios/min. Assim, o volume
total que deixa o pulmão a cada minuto é 500 x 15 = 7.500 mL/min. Isso é
conhecido como ventilação total. O volume de ar que entra no pulmão é ligei-
ramente maior, porque mais oxigênio é absorvido do que dióxido de carbono
é eliminado.
No entanto, nem todo ar que passa pelos lábios atinge o compartimento
dos gases alveolares onde a troca gasosa ocorre. De cada 500 mL inalados na
Figura 2.1, 150 mL permanecem no espaço morto anatômico. Então, o volu-
me de ar fresco que entra na zona respiratória a cada minuto (500- 150) x
15 ou 5.250 mL/min. Isto é chamado ventilação alveolar e é de importância
fundamental, porque representa a quantidade de ar puro inspirado disponível
para a troca gasosa (estritamente, a ventilação alveolar também é medida na
expiração, mas o volume é quase o mesmo).
A ventilação total pode ser facilmente medida com o indivíduo respi-
rando através de urna válvula que separa o ar inspirado do expirado e coleta
todo o ar expirado em um recipiente. A ventilação alveolar é mais difícil de
ser determinada. Um caminho é medir o volume do espaço morto anatômico
(ver a seguir) e calcular a ventilação do espaço morto (volume x frequência
respiratória). Este é, então, subtraído da ventilação total.
Podemos resumir convenientemente isso com símbolos (Figura 2.5).
Utilizando V para denotar volume, e as letras AC, EM e A significando, res-
pectivamente, ar corrente, espaço morto, e alveolar:
VAc = VEM + VA"
portanto,
onde n é a frequência respiratória.
Portanto,
onde V significa volume por unidade de tempo, VE é a ventilação total expi-
rada, e vfuV. e VA são, respectivamente, o espaço morto e a ventilação alveolar
(ver Apêndice A para um resumo dos símbolos) .
*Observe que VA aqui significa o volume de gás alveolar do volume de ar corrente, e
não o volume total de gás alveolar do pulmão.
TrIsT
--~~~~
Fisiologia respiratória 29
Então,
Uma dificuldade com esse método é que o espaço morto anatômico não
é fácil de medir, ainda que um valor possa ser assumido com pouca margem
de erro. Observe que a ventilação alveolar pode ser aumentada elevando-se o
volume de ar corrente ou a frequência respiratória (ou ambos) . Aumentar o
volume de ar corrente é frequentemente mais efetivo, porque reduz a propor-
ção de cada inspiração ocupada pelo espaço morto anatômico.
Uma outra forma de medir a ventilação alveolar em indivíduos saudá-
·:eís é a partir da concentração de C02 expirado (Figura 2.5). Como nenhuma
:roca gasosa ocorre no espaço morto anatômico, não há C02 no final da ins-
?iração (podemos negligenciar a pequena quantidade de co2 do ar) . Assim,
:orno todo o co2 expirado vem do gás alveolar,
· · %C0 2
Vco2 = VA X 100
::,:lde VC0 2 significa o volume de co2 exalado por unidade de tempo.
. Vc02 x lOO ~justando, V = ----"'---
A %C02
I
I
I
I , .
- - :me de ar corrente (VAd é uma mistura do gás do espaço morto anatômico (VeM) e do
, eolar (VA). As concentrações de C02 são mostradas como pontos. F, concentração fracionai;
__ ~ao; E, expirado. Compare com a Figura 1.4.
TrIsT
30 John B. West
A porcentagem de C021100 é frequentemente denominada "concentra-
ção fracionai" e é simbolizada por Fco2. Então, a ventilação alveolar pode ser
obtida dividindo-se a produção de C02 pela concentração fracionai alveolar
deste gás.
Observe que a pressão parcial de C02 (denotada Pco2) é proporcional
à concentração fracionai desse gás no alvéolo, ou Pco2 = Fco2 x K, onde K é
uma constante.
Portanto,
Como nos indivíduos saudáveis a Pco2 alveolar e a arterial são pratica-
mente idênticas, a Pco2 arterial pode ser utilizada para determinar a ventilação
alveolar. A relação entre a ventilação alveolar e a Pco2 é de importância crucial.
Se, por exemplo, a ventilação alveolar é reduzida pela metade (e a produção
de Fco2 perma_necer inalterada), a Pco2 alveolar e a arterial duplicarão.
ESPAÇO MORTO ANATÔMICO
É o volume das vias aéreas condutoras (Figuras 1.3 e 1.4). O valor nor-
mal é cerca de 150 mL, e aumenta com inspirações profundas por causa da
tração exercida sobre os brônquios pelo parênquima circunjacente. O espaço
morto também depende do tamanho e da postura do indivíduo.
O volume do espaço morto anatômico pode ser medido pelo método de
Fowler. O indivíduo inspira através de uma válvula, e um analisador rápido
de nitrogênio mede continuamente amostras de gás da boca (Figura 2.6A).
Após uma única inspiração de 02 a 100%, a concentração de Nz se eleva à
medida que o espaço morto é progressivamente ocupado pelo gás alveolar.
Por fim, uma concentração de gás quase uniforme é vista representando o gás
alveolar puro. Essa fase, frequentemente, é chamada "platô alveolar", ainda
que, em indivíduos saudáveis, não seja completamente plana e, em pacientes
pneumopatas, possa se elevar de maneira abrupta. O volume expirado tam-
bém é registrado.
O espaço morto é obtido examinando-se a concentração de N2 conjunta-
mente ao volume expirado e desenhando-se uma linha vertical, de tal forma
que a área A é igual à B, o que se vê na Figura 2.6B. O espaço morto é ovo-
lume expirado até a linha vertical. De fato, esse método mede o volume das
vias aéreas condutoras até o ponto médio da transição entre o espaço morto
e o gás alveolar.
TrIsT
A
80
N z
cu
-o
-ro
::l .... c
cu
u .... cu
a. 40
o
>lO
IJo e -c cu
u
c
o u
Início da
inspiração
~
Início da
expiração
~
t
Platô
alveolar
00 5 10
Tempo (s)
B
N z
cu
-o
-ro
::l - 40 c cu u ...
cu
a.
o
~~~
\J' e .... c
cu
u
c
o u
Volume expirado (litros)
-= GURA 2.6
Fim da
Fisiologia respiratória 31
Amostra
do tubo- -"létodo de Fowler para medir o espaço morto anatômico com um analisador rápido de
_ 4' Mostra que, após uma inspiração de 100% de 02, a concentração de N2 se eleva durante
: :... :>iração a um nível quase platô, representando o gás alveolar puro. (8) A concentração de N2
= ::..aminada em relação ao volume expirado, e o espaço morto é o volume até a linha vertical
--::Jada, a qual torna as áreas A e 8 iguais.
5PAÇO MORTO FISIOLÓGICO
Uma outra forma de medir o espaço morto é o método de Bohr. A Figura
~ ::tostra que todo o C02 expirado vem do gás alveolar e nenhum do espaço
~ :-;:o. Portanto, podemos escrever
TrIsT
32 John 8. West
agora,
portanto,
substituindo
VEM = FA - FE
VAC FA
de onde
Vimos, antes, que a pressão parcial de um gás é proporcional a sua con-
centração. Então,
V PAco -PEco
_]M_ = 2 2 (Equação de Bohr)
VAc PAco2
onde A e E se referem, respectivamente, ao alveolar e ao expirado misto (ver
Apêndice A). A relação normal entre espaço mono e volume de ar corrente está
na faixa entre 0,2 e 0,35 durante respiração em repouso. Em indivíduos saudá-
veis, a Pco2 no gás alveolar e no· sangue arterial são praticamente idênticas, de
tal forma que a equação frequentemente é escrita da seguinte maneira
H p -P
~= aco2 Eco2
VAc Paco2
Deve ser salientado que os métodos de Fowler e Bohr medem coisas um
pouco diferentes. O primeiro mede o volume das vias aéreas condutoras até o
nível onde ocorre a rápida diluição do ar inspirado com o já presente nos pul-
mões. Esse volume é determinado pela geometria das vias aéreas em expansão
rápida (Figura 1.5) e, por refletir a morfologia dos pulmões, é chamado espaço
VENTILAÇÃO
• A ventilação total é o volume de ar corrente x frequência respiratória.
• A ventilação alveolar é a quantia de gás fresco que alcança o alvéolo ou
(VAc- VEM) x n.
• O espaço morto anatômico é o volume das vias aéreas condutoras, cerca de
150 ml.
• O espaço morto fisiológico é o volume de gás que não é eliminado pelo C02.
• Os dois espaços mortos são quase iguais em pessoas normais, mas o ·espaço
morto fisiológico encontra-se aumentado em muitas doenças pulmonares.
TrIsT
-~
Fisiologia respiratória 33
"tlorto anatômico. O método de Bohr mede o volume pulmonar que não elimina
C:02. Como essa é uma medida funcional, esse volume é chamado espaço mor-
:o fisiológico. Em indivíduos saudáveis, esses dois volumes são praticamente
guais. Todavia, em pacientes com pneumopatias, o espaço morto fisiológico
X>de ser consideravelmente mruor, por causa da desigualdade entre fluxo san-
p.úneo e ventilação dentro dos pulmões (ver Capítulo 5).
:>JFERENÇAS REGIONAIS INFERIORES
Até agora, assumimos que todas as regiões pulmonares têm a mesma
-entilação. Contudo, tem sido mostrado que as regiões mais inferiores ven-
-:..am melhor do que as mais superiores. Isso pode ser comprovado com um
.::.divíduo inalando gás xenônio radioativo (Figura 2.7). Quando o xenônio
.33 entra no campo de contagem, sua radiação penetra na parede torácica e
-cde ser registrada por um grupo de contadores ou por uma câmara radioati-
-:.. Dessa forma, pode quantificar-se o volume de xenônio inalado atingindo
....: mais diversas regiões pulmonares.
A Figura 2. 7 mostra os resultados obtidos em uma série de voluntários
_ :ldáveis com esse método. Pode ver-se que a ventilação por unidade de
.ume é maior próximo à base pulmonar, reduzindo-se progressivamente
:=direção ao ápice. Outras medições mostram· que, quando o indivíduo está
?OSição supina, a diferença desaparece, com as ventilações apical e basal
'-lando-se similares. Contudo, nessa posição, a ventilação da região poste-
: supera a da região anterior. O pulmão dependente também é mais bem
::::::ilado no decúbito lateral. As causas dessas diferenças regionais na venti-
5o serão abordadas no Capítulo 7.
QJ
100
j Contadores
E !!Xe :::l
radioativos o > 80 I QJ "U QJ
t
"U
60 ro
"U ·c:
:::l
..... 40 o
o.
o
•ro
V' 20 ro
·.;:; Zona Zona Zona
c
inferior média superior ~ o
Distância
!::.2 das diferenças ventilatórias regionais com xenônio radioativo. Quando o gás é i na-
_:: radiação é detectada por contadores radioativos externos. Observe que, com o tórax
::ado, a ventiUação diminui, das regiões inferiores para as regiões superiores.
TrIsT
34 John B. West
F ique atento
1.
2.
3.
4 .
6.
Os volumes pulmonares que não podem ser medidos com um espirômetro
simples são a capacidade pulmonar total. a CRF e o volume residual. Esses
volumes podem ser determinados com a diluição do hélio e a pletismografia
de corpo inteiro.
A ventilação alveolar é o volume de ar puro (sem contar espaço morto) que
entra na zona respiratória a cada minuto. Pode ser determinada pela equação
da ventilação alveolar, ou seja, o C02 produzido dividido pela concentração
fracionai de co2 no gás expirado. .
A concentração de C02 (e, portanto, sua pressão parcial) no gás alveolar e no
sangue arterial é inversamente proporcional à ventilação alveolar.
O espaço morto anatômico é o volume das vias aéreas condutoras e pode
ser medido pela concentração de nitrogênio após uma única inspiração de
oxigênio.
O espaço morto fisiológico é o volume pulmonar que não elimina C02. É
medido pelo método de Bohr, utilizando C02 arterial e expirado.
As bases pulmonares são mais bem ventiladas do que os ápices, por causa dos .
efeitos gravitacionais sobre o pulmão.
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 . A única variável da lista a seguir que não pode ser medida com um espirômetro
simples e cr~nometrada é:
a) Volume de ar corrente.
b) CRF.
c) Capacidade vital.
d) Ventilação total.
e) Frequência respiratória.
2. Em relação ao ácino pulmonar:
a) Menos de 90% do oxigênio captado pelo pulmão é no ácino.
b) Durante a inspiração, a modificação percentual no volume acinar é inferior
à do pulmão total.
c) Sob CRF, o volume acinar é inferior a 90% do volume pulmonar total.
d) Cada ácino é suprido por um bronquíolo terminal.
e) No pulmão verticalizado, sob CRF, a ventilação acinar nas bases é inferior
à dos ápices.
TrIsT
Fisiologia respiratória 35
:3. Em uma medida da CRF pela diluição do hélio, as concentrações inicíal e final desse
gás foram, respectivamente, 1 O e 6% com o volume espirométrico mantido em 5
litros. Qual foi o volume da CRF em litros?
a) 2,5
b) 3,0
c) 3,3
d) 3,8
e) 5,0
Jm paciente é colocado em um pletismógrafo de corpo inteiro e faz um esforço
expiratório contra a sua glote fechada. O que acontece às pressões nas vias aéreas,
::o volume pulmonar, à pressão no interior da cabine e ao volume da cabine?
Pressão nas Volume Pressão no Volume
vias aéreas pulmonar interior da cabine da cabine
~> .!- t t .!-
:i) -!.. t -!.. t
- t -!.. t -1, ~
- i -!. -!. i ~
- t t .!- -!.
- :::a produção de C02 permanecer constante e<;~ ventilação alveolar for triplicada, a
=~ se estabilizará a que percentual do seu valor inicial?
~ 25
- 33 -- 50 -
- 100 -
- 300
=.- úma medida do espaço morto fisiológico por meio do método de Bohr, a Pco2
;.. eolar e a expirada mista foram, respectivamente, 40 e 30 mm Hg. Qual foi a fraçao
-~ espaço morto em relação ao volume de ar corrente?
=
0,20
0,25
0,30
~.35
0,40
TrIsT
-- - -----=--=----- -- --==-------=-------=-- --- - - - -
Difusão: como o ar
atravessa a membrana
alvéolo-capilar
• Leis do dlfusôo
• Limitações do difusão e do perfusõo
• Captação de oxigênio ao longo do
capilar pulmonar
• Medido da capacidade de difusão
• Taxas de reação com o '"'e,...,og obino
• Interpretação do copcc ccce
-de difusão para o CO
• Transferência de Co c;:-a es co
capilar pulmonar
-.:::Ji, abordaremos como o ar atravessa a membrana alvéolo-cap·lar po ... IT'e·o da
:. ~são. Em primeiro lugar, falaremos sobre as leis básicas da di'usão. Jepois,
: 3linguiremos os gases limitados pela difusão dos gases limitados pe c oe.-!~.;são.
- ::aptoção do oxigênio oo longo do capilar pulmonar será então onc ·seca, cor-t_~a seção sobre o medida da capacidade de difusão utilizando o monóxido oe car-
::;'lo. A taxa de reação limitada do o~ i gênio com a hemoglobina é abordado junto
: :·'usõo. Por último, há uma referência rápida à interpretação dos rredioas ae ca-
:...c:cidode de difusão das possíveis limitações da difusão do monóx.do de caroono.
TrIsT
38 John B. West
No capítulo anterior, vimos como os gases se movem da atmosfera até
os alvéolos e na direção contrária. Agora, veremos como os gases se transfe-
rem através da membrana alvéolo-capilar. Esse processo ocorre por difusão.
Há apenas 60 anos, alguns fisiologistas acreditavam que os pulmões secre-
tavam oxigênio para dentro dos capilares, ou seja, o oxigênio se moveria de
uma região de baixa pressão parcial para uma região de alta pressão parcial.
Pensava-se que esse processo ocorria nas bexigas natatórias dos peixes e que
necessitava de energia. Contudo, avaliações mais precisas mostraram que isso
não ocorre nos pulmões e que todos os gases se movem através da parede
alveolar por difusão passiva.
LEIS DA DIFUSAO
A difusão através dos tecidos é descrita pela lei de Fick (Figura 3.1).
Ela afirma que a taxa de transferência de um gás através de uma lâmina de
tecido é. proporcional à área tecidual e à diferença entre a pressão parcial do
gás dos dois lados e inversamente proporcional à espessura tecidual. Como
vimos, a área da membrana alvéolo-capilar é muito grande (50 a 100 m2),
enquanto a espessura é de somente 0,3 ,um em muitas partes (Figura 1.1), de
tal forma que essas dimensões são ideais para a difusão. Além disso, a taxa de
transferência é diretamente proporcional à constante de difusão, que, por sua
vez, depende das propriedades do tecido e do gás em particular. A constante é
diretamente proporcional à solubilidade do gás e inversamente proporcional
à raiz quadrada do seu peso molecular (Figura 3.1). Isso significa que Co2
difunde-se cerca de 20. vezes mais que o Oz através dos tecidos, porque possui
maior solubilidade, mas um peso molecular não muito diferente.
FIGURA 3.1
w
~Espessura
Difusão através de uma lâmina fina. A quantidade de gás transferida é diretamente proporcional
à área (A), à constante de difusão (0) e à diferença na pressão parcial (P1 - P2), e inversamente
proporcional à espessura (E}. A constante é diretamente proporcional à solubilidade (Sol) do gás
e inversamente proporcional à raiz quadrada do seu peso molecular (PM).
TrIsT
Fisiologia respiratória 39
LEI DA OIFUSAO D.E FICK
• A taxa de difusão de um gás através de uma lâmina de tecido é diretamente
proporcional à área e inversamente proporcional à espessura.
• A taxa de difusão é diretamente proporcional à diferença entre as pressões
parciais do gás.
• A taxa de difusão é diretamente proporcional à solubilidade tecidual do gás,
mas inversamente proporcional à raiz quadrada do seu peso molecular.
LIMITAÇÕES DA DIFUSÃO E DA PERFUSÃO
Suponhamos que um eritrócito entre em um capilar alveolar contendo
um gás estranho, como o monóxido de carbono ou o óxido nitroso. O quão
rapidamente se elevará a pressão parcial no sangue? A Figura 3.2 mostra o
tempo gasto pelo trânsito do eritrócito através do capilar, que é cerca de O, 75
segundo. Olhemos primeiro para o monóxido de carbono. Quando o eritrócito
Início do
capilar
Alveolar -+
o
-=IGURA 3 .2
0,25 0,50
Fim do
capilar
0,75
Tempo dentro dos capilares (segundos)
~ptação de monóxido de carbono, óxido nitroso e 02 ao longo dos capilares pulmonares.
:)oserve que a pressão parcial de óxido nitroso no sangue praticamente atinge a do gás alveolar
...,.,uito precocemente dentro dos capilares, de tal forma que a transferência desse gás é limitada
::.ela perfusão. Por outro lado, a pressão parcial de monóxido de carbono no sangue permanece
::.;a se inalterada, de modo que a sua transferência é limitada pela difusão. A transferência de 0 2
:.ode ser limitada pela perfusão ou parcialmente pela difusão, dependendo das circunstâncias.
TrIsT
40 John B. West
entra no capilar, o monóxido de carbono se move rapidamente através da
membrana alvéolo-capilar, do alvéolo até o eritrócito. Como consequência,
o conteúdo celular de monóxido de carbono se eleva. Contudo, por causa da
forte ligação que se forma entre o monóxido de carbono e a hemoglobina, uma
grande quantidade de monóxido de carbono pode ser captada pelo eritrócito
com quase nenhum aumento da pressão parcial. Portanto, quando o eritróci-
to se move através do capilar, a pressãó parcial de monóxido de carbono no
sangue raras vezes muda, de modo que não se desenvolve contracorrente, e o
gás continua a se mover rapidamente através da parede alveolar. Está claro,
portanto, que a quantidade de monóxido de carbono que atinge o sangue é
limitada pelas propriedades difusionais da membrana alvéolo-pulmonar e não
pela quantidade de sangue disponível.* Assim, a transferência de monóxido de
carbono é limitada pela difusão.
O tempo de trânsito do monóxido de carbono contrasta com o do óxido
nitroso. Quando o óxido nitroso se move para o sangue através da pare-
de alveolar, não ocorre ligação com a hemoglobina. Dessa forma, como os
eritrócitos não têm a avidez pelo óxido nitroso que têm pelo monóxido de
carbono, a pressão parcial se eleva com rapidez. De fato, a Figura 3.2 mostra
que a pressão parcial do óxido nitroso no sangue praticamente atinge a do
gás alveolar quando os efitrócitos percorreram apenas um décimo do cami-
nho ao longo dos capilares. Após esse ponto, quase nenhum óxido nitroso é
transferido. Portanto, a quantidade desse gás captada pelo sangue depende
inteiramente da quantidade de fluxo sanguíneo disponível e não das proprie-
dades difusionais da membrana alvéolo-pulmonar. Assim, à transferência de
óxido nitroso é limitada pela perfusão.
E o Oz? O tempo de trânsito do oxigênio está a meio caminho entre o
do monóxido de carbono e o do óxido nitroso. O Oz se combina com a he-
moglobina (ao contrário do óxido nitroso), mas não com a mesma avidez
do monóxido de carbono. Em outras palavras, a elevação da pressão parcial
quando o 02 entra no eritrócito é muito maior do que a que ocorre para o
mesmo número de moléculas de monóxido de carbono. A Figura 3.2 mostra
que a Po2 do eritrócito quando este entra no capilar já é cerca de dois quintos
do valor alveolar por causa do Oz no sangue venoso misto.** Em repouso, a
* N. de R.T.: Essa descrição introdutória da rransferência do monóxido de carbono não
é completamente precisa em virtude da taxa de reação do monóxido de carbono com
a hemoglobina (ver adiante).
** N. de R.T. : Sangue venoso misto é aquele proveniente do retorno venoso de toda
circulação sistêmica (veia cava superior, veia cava inferior e seio venoso), excluindo
o sangue desviado por shut intracardíaco ou sistêmico. O retorno venoso pulmonar
não é computado. Em suma, é o sangue que chega aos capilares para ser oxigenado.
Usualmente, é obtido através de uma amostra coletada na artéria pulmonar por um
cateter de Swan Ganz.
TrIsT
Fisiologia respiratória 41
?~ capilar praticamente atinge a do gás alveolar quando o eritrócito já tem
?€.rcorrido um terço do trajeto. Nessas condições, a transferência de 02 é
::mirada pela perfusão, como a do óxido nitroso. Contudo, em algumas cir-
:wlstâncias anormais, quando as propriedades difusionais são deterioradas,
:orno no espessamento da membrana alvéolo-capilar, a Po2 sanguínea não
atinge o valor alveolar até o fim do capilar. Nesse caso, também há alguma
:..:.:rutação pela difusão. ·
Uma análise mais detalhada mostra que o fato de um gás ser ou não
.imitado pela difusão depende basicamente da sua solubilidade na membrana
alvéolo-capilar em comparação com a sua solubilidade no sangue (na reali-
~ade, o declive da curva de dissociação; ver Capítulo 6). Para um gás como
o monóxido de carbono, essas solubilidades são muito diferentes, enquanto
que, para um gás como o óxido nitroso, elas são iguais. Uma analogiaé a taxa
:J.a qual um rebanho de ovelhas pode entrar em um campo através de um
?Qrtão. Se o portão é estreito, mas o campo é grande, o número de ovelhas
01e pode entrar em um dado momento é limitado pelo tamanho do portão.
Entretanto, se tanto o portão como o campo forem pequenos (ou os dois fo-
:-em grandes), o número de ovelhas é limitado pelo tamanho do campo.
CAPTAÇÃO DE OXIGÊNIO AO LONGO DO CAPILAR PULMONAR
Vamos deter-nos mais detalhadamente na captação de 02 pelo sangue
quando este percorre os capilares pulmonares. A Figura 3.3A mostra que a
?o2 no eritrócito ao entrar no capilar é cerca de 40 mm Hg. Do· outro lado da
membrana alvéolo-capilar, com urna distância de somente 0,3 J,Lm, está a Po2
alveolar com 100 mm Hg. O oxigênio flui com facilidade para o sangue graças a
esse gradiente de pressão, elevando rapidamente a Po2 nos eritrócitos. De fato,
como vimos, a Po2 sanguínea praticamente atinge a Po2 alveolar quando o eri-
:rócito já tem percorrido apenas um terço do seu caminho no capilar. Portanto,
em condições normais, a diferença de Po2 entre o gás alveolar e o sangue no
5nal do capilar é muito pequena, urna mera fração de 1 rnm Hg. Em outras
palavras, a reserva de difusão do pulmão sadio é muito grande.
Com exercício intenso, o fluxo sanguíneo pulmonar fica muito aumenta-
do. O tempo normalmente dispendido pelo eritrócito no capilar, que é cerca
de O, 75 segundo, pode ser reduzido até um terço disto. Nessa situação, o
rempo para a oxigenação é menor. Em indivíduos saudáveis, respirando ar
ambiente, não há queda medível na Po2 no final do capilar. Contudo, se a
membrana alvéolo-capilar estiver muito espessada, a taxa de elevação da Po2
nos eritrócitos será reduzida proporcionalmente à dificuldade de difusão do
oxigênio. Assim, a Po2 eritrocitária não atingirá a do alvéolo, mesmo tendo
percorrido todo trajeto no capilar. Nesse caso, poderá haver uma diferença
mensurável entre a Po2 do gás alveolar e a Po2 do sangue no final do capilar.
TrIsT
42 John B. West
Uma outra forma de testar as propriedades difusionais é reduzir a Po2
alveolar (Figura 3.3B) . Suponhamos que a Po2 alveolar seja reduzida para
50 mm Hg por um indivíduo praticando alpinismo ou inalando uma mistura
com baixo teor de oxigênio. Assim, mesmo que a Po2 no eritrócito no início
do capilar possa ser apenas cerca de 20 mm Hg, a diferença de pressão par-
cial responsável por promover o movimento de 0 2 através da membrana será
reduzida de 60 mm Hg (Figura 3.3A) para somente 30 mm Hg de 02, por-
tanto, movendo o oxigênio mais lentamente. Além disso, a taxa de elevação
A
B
FIGURA 3.3
Ol
I
E
E 50
N
rf
t
Exerd cio
o ~------~--------~--------~ o 0,25 0,50 0,75
~Alveolar
fso-~
8 ~
o. t Grosseiramente anormal
Exercício
o~----__. ___ ____ __.. _______ _,
o 0,25 0,50 0,75
Tempo nos capilares (s)
Tempos de trânsito do oxigênio nos capilares pulmonares quando a difusão é normal
e anormal (como, por exemplo, em virtude do espessamento patológico da membrana
alvéolo-capilar). (A) mostra o tempo de trânsito quando a Po2 alveolar é normal. (8) mostra a
oxigenação mais lenta quándo a Po2 alveolar é anormalmente baixa. Observe que, nos dois casos,
o exercício intenso reduz o tempo disponível para a oxigenação.
TrIsT
Fisiologia respiratória 43
::a Po2 para um dado aumento na concentração de Oz sanguínea é inferior ao
que era, por causa do declive acentuado da curva de dissociação da hemo-
globina quando a Po2 está baixa (ver Capítulo 6) . Portanto, por esses dois
:nativos, a elevação da Po2 ao longo do capilar é relativamente lenta, e uma
i:Icapacidade de atingir a Po2 alveolar é provável. Então, exercício intenso em
altitudes elevadas é uma das poucas situações nas quais a redução da capa-
cidade de difusão de Oz em indivíduos saudáveis pode ser convincentemente
demonstrada. Da mesma forma, é mais fácil revelar uma redução da difusão
an pacientes com urna membrana espessada se eles respirarem uma mistura
.:om baixo teor de oxigênio, especialmente sob exercício.
DIFUSAO DO OXIGtNIO ATRAVÉS DA MEMBRANA ALVÉOLO-CAPILAR
• Em repouso, a Po2 do sangue praticamente atinge a do alvéolo depois de o
erit1"ócito ter percorrido um terço do seu trajeto no capilar.
• O sangue, em repouso, dispende apenas cerca de 0,75 segundo durante
passagem pelo capflar.
• Sob exerddo, esse tempo é reduzido para cer<:a de 0,25 segundo.
• O processo de difusão é posto à prova pelo exerdcio, por hipoxia alveolar e
pelo espessamento da membrana alvéolo-capilar.
MEDIDA DA CAPACIDADE DE DIFUSÃO
Vimos que a transferência de oxigênio para o ·capilar pulmonar normal-
::aente é limitada pela quantidade de fluxo disponível, embora em algumas
circunstâncias também ocorra limitação pela difusão (Figura 3.2). Do contrá-
~o, a transferência de monóxido de carbono é limitada apenas pela difusão,
~rnando-o o gás ideal para medirmos as propriedades de difusão dos pul-
::1Ões. Antigamente, o Oz era utilizado sob condições hipóxicas (Figura 3.3B),
::1as essa técnica não é mais utilizada.
As leis da difusão (Figura 3.1) afirmam que a quantidade de gás trans-
~erida através de uma lâmina tecidual é diretamente proporcional à área,
a constante de difusão e à diferença na pressão parcial dos dois lados, mas
::1versamente proporcional à espessura dessa lâmina, ou
Vgas= A ·D· (P1 -PJ E
Contudo, para uma estrutura complexa como a membrana alvéolo-capi-
lar, não é possível medir a área e a espessura in vivo. Assim, a equação é
:-eescrita:
TrIsT
44 John B. West
onde D é a chamada capacidade de difusão dos pulmões e inclui a área, a es-
pessura e as propriedades de difusão da membrana e o gás de interesse. Então,
a capacidade de difusão para o monóxido de carbono é dada por
D= Yco
pl -P2
onde P1 e P2 são as pressões parciais, respectivamente, do gás alveolar e do
sangue capilar. No entanto, como vimos (Figura 3.2), a pressão parcial de
monóxido de carbono no sangue capilar é extremamente pequena, podendo
ser negligenciada. Então,
D = Yco
PAGO
ou, dito em palavras, a capacidade de difusão pulmonar para o monóxido de
carbono é o volume desse gás transferido em mililitros por minuto por mm
Hg da pressão parcial alveolar.
Um teste utilizado com frequência é o método da respiração única, em
que uma única inspiração de uma mistura de monóxido de carbono diluída
é realizada, calculando-se a taxa de remoção do monóxido de carbono no
gás alveolar durante uma pausa respiratória de 10 segundos. Isso geralmen-
te é feito medindo-se as concentrações inspirada e expirada de monóxido
de carbono com um analisador infravermelho. A concentração alveolar de
monóxido de carbono não é constante durante a pausa respiratória, mas se
considera como sendo para esse fim. O hélio também é adicionado ao gás
inspirado para fornecer uma medição do volume pulmonar por diluição.
O valor normal da capacidade de difusão do monóxido de carbono em
repouso é cerca de 25 mL · min-1 · mm Hg-1 e aumenta duas a três vezes esse
valor em exercício, por causa do recrutamento e da distensão dos capilares
pulmonares (ver Capítulo 4).
MEDIDA DA CAPACIDADE DE DIFUSAO
• O monóxido de carbono é utilizado porque a captação desse gás é limitada
pela difusão.
• A capacidade de difusão normal é cerca de 25 ml · min 1 • mm Hg·l,
• A capacidade de difusão é aumentada durante o exercício,
TAXAS DE REAÇAO COM A HEMOGLOBINA
Até agora, assumimos que toda a resistência para o movimento do 0 2
e do CO reside na membrana entre o sangue e o gás. Contudo, a Figura 1.1
TrIsT
~s
io,
:lo
:i e
:lo
i e
m
m
ia
lO
n-
lo
le
:n
:e
'2
1
Fisiologia respiratória 45
:nostra que a distância da parede alveolar ao centro do eritrócito excede a
Gia parede, de forma que parte da resistência à difusão está localizada dentro
:.o capilar. Além disso, há um outro tipo de resistência para a transferência
~o gás que é mais convenientemente discutida junto com a difusão, isto é, a:esistência causada pela taxa limitada de reação do 02 ou do CO com a he-
::!Oglobina dentro do eritrócito.
Quando o 0 2 (ou o CO) é adicionado ao sangue, a sua combinação com
~ hemoglobina é muito rápida, podendo ser completada em 0,2 segundo.
_ontudo, a oxigenação ocorre tão rapidamente no capilar pulmonar (Figura
3.3) que mesmo essa reação rápida retarda significativamente a oferta de 02
~a o eritrócito. Portanto, pode afirmar-se que a captação de 0 2 (ou CO)
:corre em dois estágios:
• difusão do 02 através da membrana alvéolo-capilar (incluindo o plasma
e o interior do eritrócito); e
• reação do 02 com a hemoglobina (Figura 3.4) . De fato, é possível
somar as duas resistências resultantes para produzir uma resistência
global à "difusão".
Vimos que a capacidade de difusão pulmonar é definida como D =
-- .:!S/' (PI-Pz), ou seja, como o fluxo de gás dividido pela diferença de pres-
-~o. Portanto, o inverso da D é a diferença de pressão dividida pelo fluxo,
t::!do, portanto, análoga a uma resistência elétrica. Consequentemente, a
-õistência da membrana alvéolo-capilar na Figura 3.4 é mostrada como
_ 'J~1, onde M significa membrana. Agora, a taxa de reação do 02 (ou do
U RA 3.4
Parede
alveolar
1 1 1 -=-+--
D DM 0· v,
- ==..pacidade de difusão do pulmão (O) tem dois componentes: um devido ao processo de
~o propriamente dito e outro devido ao tempo gasto pelo 0 2 captado para reagir com a
--~robina.
TrIsT
John B. West
CO) com a hemoglobina pode ser descrita por e, o qual fornece a taxa em
mililitros por minuto de 02 (ou de CO) que se combina com 1 mL de sangue
por mm Hg de pressão parcial de 02 (ou CO). Isso é análogo à "capacidade de
difusão" de 1 mL de sangue e, quando multiplicado pelo volume de sangue
capilar CVc), fornece a "capacidade de difusão" efetiva da taxa de reação do
0 2 com a hemoglobina. Ainda o seu inverso, l/(e · Vc ), descreve a resistên-
cia dessa reação. Podemos adicionar a resistência oferecida pela membrana
e o sangue para obtermos a resistência de difusão total. Então, a equação
completa é
1 1 1
-=-+--
D DM e.yc
Na prática, as resistências oferecidas pela membrana e pelo sangue são
quase iguais, tanto que uma redução patológica no volume sanguíneo capi-
lar pode reduzir a capacidade de difusão pulmonar. e para o co é reduzido
quando um indivíduo respira uma mistura com alto teor de 0 2, porque este
gás compete com aquele pela hemoglobina. De fato, é possível determinar
separadamente DM e Vc medindo-se a capacidade de difusão para o CO a
diferentes níveis de Po2.
TAXAS DE REAÇAO DO 02 E DO CO COM A HEMOGLOBINA
• A taxa de reação do <h é rápida, mas, como pouco tempo é disponível dentro
do capilar, essa taxa pode tornar-se um fator limitante.
• A resistência à captação de 02 que pode ser atribuída à taxa de reação provavel-
mente é quase a mesma da difusão através da membrana alvéolo-capilar.
• A taxa de reação do CO pode ser atterada modificando-se a Po2 alveolar.
Dessa forma, pode obter-se as contribuições Individuais das propriedades
de difusão da membrana alvéolo-capilar e do volume de sangue capilar.
INTERPRETAÇAO DA CAPACIDADE DE DIFUSAO PARA O CO
É claro que a capacidade de difusão medida para o CO depende n ão só
da área e da espessura da barreira, mas também do volume de sangue nos
capilares pulmonares. Além disso, no pulmão doente, a medida é afetada pela
distribuição das propriedades de difusão, do volume alveolar e do sangue
capilar. Por essas razões, a expressão fator de transferência é algumas vezes
utilizada (principalmente na Europa) para salientar que a medida não reflete
apenas as propriedades de difusão dos pulmões.
TrIsT
Fisiologia respiratória 4 7
~ANSFERÊNCIA DE C02 ATRAVÉS DO CAPILAR PULMONAR
Vimos que a difusão tecidual de C02 é cerca de 20 vezes mais rápida
.:o que a do 02, por causa da solubilidade muito maior do C02 (Figura 3.1).
i?Jnanto, à primeira vista parece improvável que a eliminação de C02 possa
;.çr afetada por dificuldades de difusão, e de fato esta tem sido uma crença ge-
:.eralizada. Contudo, a reação do C02 com o sangue é complexa (ver Capítulo
5 . e, ainda que haja alguma incerteza sobre as taxas das várias reações, é
:-ossível que uma alteração patológica da membrana alvéolo-capilar possa
:ausar uma diferença entre o sangue no final do capilar e o gás alveolar.
-
F ique atento
1 . A lei de Fick afirma que a taxa de difusão de um gás através de uma lâmina de
tecido é diretamente proporcional à área da lâmina e à diferença da pressão
parcial entre os dois lados e inversamente proporcional à espessura da lâmina.
2 . Exemplos de gases limitados por difusão e perfusão são, respectivamente, o
monóxido de carbono e o óxido nitroso. A transferência de oxigênio normal-
mente é limitada pela perfusão, mas alguma limitação por difusão também
pode ocorrer em algumas situações, como no exercício intenso, no espessa-
mento da membrana alvéolo-capilar e na hipoxia alveolar.
3. A capacidade de difusão é medida com a inalação de monóxido de carbono.
O valor aumenta significativamente durante o exercício.
4. A taxa limitada de reação do oxigênio com a hemoglobina pode reduzir a
sua transferência para o sangue, e o efeito é similar ao da redução na taxa de
difusão.
S . A transferência do dióxido de carbono no sangue provavelmente não é
limitada pela difusão.
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 . Utilizando a lei de Fick da difusão dos gases através de uma lâmina de tecido, se o
gás X é 4 vezes mais solúvel e 4 vezes mais denso do que o gás Y, qual é a relação
entre as taxas de difusão de X e Y?
a) 0,25
b) 0,5
c) 2
d) 4
e) 8
TrIsT
48 John B. West
2. Um indivíduo se exercitando respira uma baixa concentração basal de CO. Se a Pco
alveolar é 0,5 mm Hg e a captação de CO é 30 ml · min-1, qual é a capacidade de
difusão dos pulmões para o CO expresso em ml · min- 1 • mm Hg- 1 ?
a) 20
b) 30
c) 40
d) 50
e) 60
3. Em um indivíduo saudável, se a capacidade de difusão for duplicada, podemos esperar:
a) A Pco2 arterial se reduzirá em repouso.
b) Um aumento na captação de oxigênio, em repouso, quando o indivíduo respirar
uma mistura com 10% de oxigênio.
c) Um aumento na captação de óxido nitroso durante anestesia.
d) Um aumento na Po2 arteria l em repouso.
e) Um aumento no consumo máximo de oxigênio em altitudes extremamente
elevadas.
4. Se um indivíduo respirar várias vezes uma mistur.a com baixas concentrações de
monóxido de carbono e de óxido nitroso:
a) As pressões parciais de monóxido de carbono no gás alveolar e no sangue no
final do capilar serão praticamente idênticas.
b) As pressões parciais de óxido nitroso no gás alveolar e no sangue do final do
capilar serão muito diferentes.
c) O monóxido de carbono é transferido para o sangue ao longo de toda a exten-
são do capilar.
d) Pouco do óxido nitroso será captado no início do capilar.
e) A captação de óxido nitroso pode ser utilizada para medir a capacidade de difusão.
5. Sobre a capacidade de difusão:
a) t mais bem medida com o monóxido de carbono, porque este gás se difunde
muito lentamente através da membrana alvéolo-capilar.
b) A limitação da difusão da transferência de oxigênio durante exercício ocorre
mais provavelmente em nível do mar do que em altitudes elevadas.
c) A respiração de oxigênio reduz a capacidade de difusão medida pelo
monóxido de carbono, quando comparada à respiração de ar ambiente.
d) É reduzida pelo exercício.
e) Está aumentada na fibrose pulmonar, a qual espessa a membrana
alvéolo-capilar.
6. A capacidade de difusão para o monóxido de carbono é aumentada por:
a) Enfisema, que causa perda dos capilares pulmonares.
b) Asbestose, que causa espessamento da membrana alvéolo-capilar.
c) Embolia pulmonar, que interrompe o suprimento sanguíneo para uma parte do
pulmão.
d) Exercício, em um indivíduo saudável.
e) Anemia grave.
TrIsT
Fluxo sanguíneo e
metabolismo: como
a circulação pulmonar
remove os gases dospulmões e modifica
alguns metabólitos
• Pressões dentro dos vasos sanguíneos
pulmonares
• Pressões ao redor dos vasos sanguíne-
os pulmonares
• Resistência vascular pulmonar
• Medido do fluxo sanguíneo pulmonar
• Distribuição do fluxo sanguíneo
• Controle ativo do circulação
• Equilíbrio hídrico no pulmão
• Outros funções do circulação
pulmonar
• Funções metabólicos do pulmão
:Jitamos, agora, à forma como os gases respiratórios são removidos do pulmão.
::_..., primeiro lugar, as pressões dentro e fora dos vasos sanguíneos pulmonares são
:~nsideradas, e, depois, a res istência. vascular pulmonar é introduzida. Em segui-
::, consideramos as medidas do fluxo sanguíneo pulmonar total e sua distribuição
::sigua l ocasionada pela gravidade. Depois disso, abordamos o controle ativo da
: -culação e, em seguida, o equilíbrio hídrico no pulmão. Por fim, tratamos das
=-~ras funções da circulação pulmonar, particularmente as funções metabólicas
:: oulmão.
TrIsT
50 John 8. West
A circulação pulmonar tem início na artéria pulmonar principal, a qual
recebe sangue venoso misto bombeado pelo ventrículo direito. Essa artéria se
ramifica sucessivamente, bem como o sistema das vias aéreas (Figura 1.3),
acompanhando, de fato, as vias aéreas até os bronquíolos terminais. Depois
disso, elas se dividem para suprir o leito capilar que reside nas paredes dos
alvéolos (Figuras 1.6 e 1.7). Os capilares pulmonares formam uma densa
rede na parede alveolar, constituindo uma disposição extremamente eficiente
para a troca gasosa (Figuras 1.1, 1. 6 e 1. 7). Essa malha é tão rica que alguns
fisiologistas acreditam que seja equivocado falar de uma rede de segmentos
capilares individuais e preferem considerar o leito capilar como uma lâmina
de sangue corrente interrompido em certos locais por colunas (Figura 1.6),
algo muito parecido com um estacionamento subterrâneo. O sangue oxige-
nado é então coletado do leito capilar pelas pequenas veias pulmonares que
passam entre os lóbulos, as quais, por fim, se unem para formar as quatro
grandes veias pulmonares (em humanos) que drenam para o átrio esquerdo.
À primeira vista, essa circulação parece ser simplesmente uma pequena
versão da circulação sistêmica, a qual começa na aorta e termina no átrio
direito. No entanto, existem diferenças ímportantes entre as duas circulações,
resultando, com frequência, em confusão decorrente das tentativas de enfati-
zar as semelhanças entre elas.
PRESSÕES DENTRO DOS VASOS SANGUÍNEOS PULMONARES
As pressões na circulação pulmonar são extraordinariamente baixas. A
pressão média na artéria pulmonar principal é de cerca de apenas 15 mm
Hg; as pressões sistólica e diastólica se encontram em torno de 25 e 8 mm
Hg, respectivamente (Figura 4.1). Portanto, a pressão é bastante pulsátil. Em
contraste, a pressão média na aorta é de aproximadamente 100 mm Hg -
próximo a seis vezes maior do que na artéria pulmonar. As pressões nos átrios
direito e esquerdo não são muito diferentes - em torno de 2 e 5 mm Hg, res-
pectivamente. Dessa forma, as diferenças de pressão entre a entrada e a saída
dos sistemas pulmonar e sistêmico são de cerca de (15- 5) = 10 e (100- 2)
= 98 mm Hg, respectivamente - um fator de 10.
Por causa dessas baixas pressões, as paredes da artéria pulmonar e de
seus ramos são muito finas e contêm relativamente pouco músculo liso C com
facilidade são confundidas com veias), o que contrasta muito com a circulação
sistêmica, onde, de modo geral, as artérias exibem paredes espessas, e as arte-
doias em particular apresentam musculatura lisa abundante.
As razões para essas diferenças se tornam claras quando as funções das
duas circulações são comparadas. A circulação sistêmica regula o suprimento
de sangue aos vários órgãos, inclusive aqueles que podem se encontrar bem
acima do nível do coração (o braço estendido para cima, por exemplo). Em
TrIsT
FIGURA 4.1
Média = 15
Artéria
pulmonar
25/0
VD
120/0
VE
AO AE
2 5
Fisiologia respiratória 51
Média= 100
Artéria
sistêmica
20
Comparação das pressões (mm Hg) nas circulações pulmonar e sistêmica. São modificadas
::elas diferenças hidrostáticas.
contraste, o pulmão é exigido a receber todo o débito cardíaco continuamen-
:e. Raras vezes envolve-se no direcionamento de sangue de urna região para
_utra (a hipoxia alveolar localizada é uma exceção, ver a seguir), e sua pres-
-ão arterial é, portanto, baixa e consistente o suficiente para ~levar o sangue
-:é o topo do pulmão. Isso mantém o trabalho do coração direito tão pequeno
c:.as factível para a eficiência da troca gasosa que ocorre no pulmão.
A pressão dentro dos capilares pulmonares é incerta. A principal evi-
:encia sugere que se encontra a meio caminho entre a pressão pulmonar
c:...-rerial e a venosa, sendo provável que muito da redução da pressão ocorra
.:=nrro do próprio leito capilar. Por certo, a distribuição de pressões ao longo
_ circulação pulmonar é muito mais simétrica do que em sua contraparte
..stêmica, onde grande parte da redução da pressão ocorre a montante dos
-.....?ilares (Figura 4.1) . Além disso, a pressão dentro dos capilares pulmonares
~a de forma considerável pelo pulmão em virtude dos efeitos hidrostáticos
er mais adiante).
• ~ESSÕES AO REDOR DOS VASOS SANGUÍNEOS PULMONARES
Os capilares pulmonares são únicos, uma vez que são praticamente cir-
-=:dados por gás (Figuras 1.1 e 1. 7). É verdade que existe uma fina camada
-= ~élulas epiteliais que reveste os alvéolos, porém essa camada oferece pou-
suporte aos capilares, os quais, por consequência, ficam sujeitos a colapso
TrIsT
52 John 8. West
ou distensão, dependendo das pressões dentro e ao redor deles. Essa última
é muito próxima à pressão alveolar. (A pressão nos alvéolos é normalmente
próxima à atmosférica; na verdade, durante uma apneia com a glote aber-
ta, as duas pressões são iguais). Sob algumas condições especiais, a pressão
efetiva ao redor dos capilares é reduzida pela tensão superficial do líquido
que reveste os alvéolos. Entretanto, em geral, a pressão efetiva é a alveolar,
a qual, quando se eleva acima da existente no interior dos capilares, faz com
que eles sejam colapsados. A diferença de pressão entre o lado interno e o
externo dos capilares é, muitas vezes, chamada de pressão transmural.
Qual é a pressão ao redor das veias e artérias pulmonares? Pode ser
consideravelmente menor do que a pressão alveolar. Conforme o pulmão se
expande, esses vasos sanguíneos de grande porte são tracionados e abertos
pela tração radial do parênquima pulmonar elástico que os circunda (Figuras
4.2 e 4.3) . Por conseguinte, a pressão efetiva ao redor deles é baixa; na verda-
de, existem algumas evidências de que essa pressão se)a ainda inferior àquela
ao redor de todo o pulmão (pressão intrapleural). E possível explicar esse
paradoxo por meio da vantagem mecânica que se desenvolve quando uma
estrutura relativamente rígida como um· vaso sanguíneo ou brônquio é cir-
cundado por uma substância elástica que se expande com rapidez, como o
parênquima pulmonar. De qualquer maneira, tanto as artérias quanto as veias
aumentam de calibre à proporção que o pulmão se expande.
O comportamento dos capilares e dos vasos sanguíneos de grande porte
é tão diferente que muitas vezes são designados de vasos alveolares e extra-
t
t Alv~osalv;olares
t
Vasos extra-alveolares
y y y y
A A A A
~ ~ ~ ~ ~
FIGURA 4.2
Vasos "alveolares" e "extra-alveolares'~ Os primeiros são principalmente os capilares e estão
expostos à pressão alveolar. Os segundos são tracionados e abertos pela tração radial do parên-
quima pulmonar circundante, e a pressão efetiva ao redor deles é, portanto, inferior à alveolar.
TrIsT
Fisiologia respiratória 53
~-eolares (Figura 4.2). Os vasos alveolares estão expostos à pressão alveolar
= ::1cluem os capilares e os vasos ligeiramente maiores nos cantos das paredes
:.~s alvéolos. O calibre é determinado pela relação entre a pressão alveo-.::.: e a pressão dentro deles. Os vasos extra-alveolares englobam todas as
-.::érias e veias que se estendem pelo parênquima pulmonar. Seu calibre é
:~.srante afetado pelo volume pulmonar, pois determina a tração de expansão
:.~ parênquima nas suas paredes. Os vasos muitos calibrosos perto do hilo
= encontram por fora do parênquima pulmonar e estão expostos à pressão
...::::apleural.
VASOS ALVEOLARES E EXTRA-ALVEOLARES
• Os vasos alveolares estão expostos à pressão alveolar e são comprimidos em
caso de aumento dessa pressão.
• Os vasos extra-alveolares estão expostos a uma pressão inferior à alveolar e
são tracionados e abertos pela tração radial do parênquima circundante.
':! JRA 4.3
:.:.-..e de pulmão demonstrando muitos vasos alveolares e um extra-alveolar (neste caso,
:.a pequena vela) com sua bainha perivascular.
TrIsT
54 John B. West
RESISTÊNCIA VASCULAR PULMONAR
É útil descrever a resistência de um sistema de vasos sanguíneos como
a seguir:
Resistência vascular = Pressão de entrada - Pressão de saída
Fluxo sanguíneo
Decerto, esse número não consiste na descrição completa das proprieda-
des pressão-fluxo do sistema. Por exemplo, o número normalmente depende
da magnitude do fluxo sanguíneo. Todavia, muitas vezes permite uma com-
paração útil das diferentes circulações ou da mesma circulação sob condições
distintas.
Na circulação pulmonar, observamos que a queda da pressão total da artéria
pulmonar ao átrio esquerdo é de apenas alguns 10 mm Hg, contra aproximada-
mente 100 mm Hg na circulação sistêmica. Em virtude de o fluxo de sangue
pelas duas circulações ser praticamente igual, a resistência vascular pulmonar
corresponde a apenas um décimo da resistência da circulação sistêmica. O fluxo
sanguíneo pulmonar é perto de 6 1../min; portanto, em números, a resistência
vascular pulmonar = (15 - 5) I 6 ou cerca de 1,7 rnm · Hg · litro·1 · mirl.* **
A grande resistência da circulação sistêmica é causada principalmente pelas
arteríolas com significatico componente muscular que permitem a regulação
do fluxo sanguíneo aos vários órgãos do corpo. A circulação pulmonar não
apresenta tais vasos e parece ter uma resistência tão baixa quanto compatível
com a distribuição do sangue em uma fina partícula sobre uma vasta área nas
paredes alveolares.
Embora a resistência vascular pulmonar normal seja extraordinariamen-
te pequena, ela apresenta uma facilidade notável para se tomar ainda menor,
mesmo que haja a elevação da pressão interior. A Figura 4.4 demonstra que
o aumento, tanto na pressão pulmonar arterial quanto na venosa, promove
a queda da resistência vascular pulmonar. Dois mecanismos são responsáveis
por isso. Sob condições normais, alguns capilares se encontram fechados ou
abertos, porém sem fluxo de sangue. Conforme a pressão aumenta, esses va-
sos começam a conduzir sangue, reduzindo dessa forma a resistência total.
Isso é denominado de recrutamento (Figura 4.5) e, aparentemente, constitui
o principal mecanismo de diminuição da resistência vascular pulmonar que
ocorre à medida que a pressão na artéria pulmonar sofre elevação a partir
.. N. de R. T.: Algumas vezes, os cardiologistas expressam a resistência vascular pulmonar
na unidade dyn · s · cm-5. O valor normal se encontra, portanto, por volta de 100.
** N. de R.T.: A unidade mmHg ·lirro-1 · min também e denominada unidade Wood, que
foi introduzida pelo Dr. Paul Wood. Multiplicando-a por 80, obtemos o valor da resistência
em dynas · s · cm5. Para converter em unidade de Pa.s.m3 devemos multiplicar por 8.
TrIsT
300 c .E
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Fisiologia respiratória 55
Pressão arterial crescente
Pressão venosa
O L---------~--------~--------~
10 20 30 40
Pressão arterial ou venosa (em H20)
'=1GURA4.4
:-..edução da resistência vascular pulmonar conforme a pressão pulmonar venosa ou arterial
se eleva. Quando a pressão arterial sofreu alteração, a pressão venosa foi mantida constante a
.: em de água, e quando a pressão venosa foi alterada, a pressão arterial foi mantida a 37 em de
=-=..ia. (Dados provenientes da preparação pulmonar de um animal excisado.)
_;: níveis mais baixos. A razão pela qual alguns vasos não são perfundidos a
_afxas pressões não é completamente compreendida. No entanto, sua causa
-ode estar relacionada às diferenças aleatórias na geometria da complexa
-:C:e (Figura 1.3)} resultando em canais preferenciais para o fluxo.
Com pressões vasculares mais elevadas, ocorre o alargamento de
=gmentos capilares individuais. Esse aumento de calibre, ou distensão, difi-
:i::::tente é exagerado tendo em vista a membrana muito fina que separa o
.....:.;ülar do espaço alveolar (Figura 1.1). É bem provável que a distensão cor-
~7Qnda, sobretudo, à mudança na forma dos capilares, de quase planos a
=r:;s circulares. Existem evidências de que a parede capilar resiste fortemente
- estiramento. Parece que a distensão constitui o mecanismo predominante
~-a a diminuição da resistência vascular pulmonar a pressões vasculares re-
:::amente elevadas. Entretanto, o recrutamento e a distensão muitas vezes
... rrem ao mesmo tempo.
Outro determinante importante da resistência vascular pulmonar é o volu-
.-- ]Julmonar. O calibre dos vasos extra-alveolares (Figura 4.2) é determinado
~~ equilibrio entre várias forças. Como podemos observar, eles são traciona-
--= e abertos à proporção que o pulmão se expande. Em consequência disso,
-esistência vascular é baixa a grandes volumes pulmonares. Por outro lado,
~ ?élfedes contêm musculatura lisa e tecido elástico, o que resiste à distensão
TrIsT
56 John B. West
FIGURA4.5
____. ~~~.,~)---
Recrutamento / la:;~zzz: ~istensão
Recrutamento (abertura de vasos previamente fechados) e distensão (aumento do calibre
dos vasos). Esses são os dois mecanismos para a redução da resistência vascular pulmonar que
ocorre à medida que as pressões vasculares aumentam.
e tende a reduzir o calibre. Consequentemente, eles apresentam alta resistência
quando o volume pulmonar é pequeno (Figura 4.6). De fato, se o pulmão está
completamente colapsado, o tônus da musculatura lisa desses vasos é tão eficaz
que a pressão da artéria pulmonar precisa ser elevada em alguns centímetros
de água acima da pressão a jusante antes da possibilidade de qualquer fluxo.
Isso é chamado de pressão crítica de abertura.
A resistência vascular dos capilares é influenciada pelo volume pulmo-
nar? Depende de se a pressão alveolar se altera em relação à pressão dentro
dos capilares, isto é, se a sua pressão transmural sofre modificação. Se a
pressão alveolar se eleva em relação à pressão capilar, os vasos tendem a ser
comprimidos, e a resistência aumenta. Normalmente, isso ocorre quando uma
pessoa normal realiza uma inspiração profunda, pois a pressão vascular dimi-
nui. (O coração é circundado por pressão intrapleural, a qual sofre redução na
inspiração.) Entretanto, as pressões na circulação pulmonar não se mantêm
constantes após tal manobra. Outro fator a ser citado é que o calibre dos ca-
pilares é reduzido nas situações de grandes volumes pulmonares em função
do estiramento e do consequente adelgaçamento das paredes dos alvéolos.
Assim, mesmo que a pressão transmural dos capilares não seja alterada pelas
grandes inflações pulmonares, a resistência vascular aumenta (Figura 4.6).
Em virtude do papel da musculatura lisa na determinação do calibre
dos vasos extra-alveolares, as drogas que promovem contração dos músculos
aumentam a resistência vascular pulmonar, dentre as quais estão incluídas
serotonina, histamina e norepinefrina. Essas drogas são vasoconstritores par-
ticularmente eficazes quando o volume do pulmão está pequeno e as forças
de estiramento sobre os vasos são fracas. A acetilcolina e o isoproterenol são
drogas que podem relaxar a musculatura lisa na circulação pulmonar.
TrIsT
120
ê .E
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a:
~ GURA 4.6
50 100 150
Volume pulmonar (ml)
Fisiologia respiratória 57
Vaso
extra-alveolar
200
!feito do volume pulmonar na resistência vascular pulmonar quando a pressão transmural
=~capilares é mantida constante. Em pequenos volumes pulmonares, a resistência é alta, pois
-- rasos extra-alveolares se tornam estreitos. Com grandes volumes, os capilares são estirados, e
- :.:.ibre é reduzido. (Dados provenientes da preparação de um lobo pulmonar de um animal.}
RESIST~NCIA VASCULAR"PULMONAR
• Normalmente é muito pequena.
• Diminui com exercícios em virtude do recrutamento e da distensão
dos capilares.
• Aumenta com volumes pulmonares tanto grandes quanto pequenos.
• Aumenta com hipoxia alveolar em virtude da constrição das pequenas
artérias pulmonares.
IDA DO FLUXO SANGU(NEO PULMONAR
O volume de sangue que passa pelos pulmões a cada minuto (Q) pode
:alculado por meio do princípio de Fick, o qual afirma que o consumo de
_?{)r minuto (V02) é igual à quantidade de 02 captada pelo sangue nos pul-
- -~ por minuto. Sendo CV 0 2 a concentração de 02 no sangue que chega aos
--=ões (conteúdo venoso de oxigênio) e Cao2 a concentração no sangue que
saindo dos pulmões (conteúdo arterial de oxigênio), temos:
Vo2 == Q ( Cao2 - CV 02 )
TrIsT
58 John B. West
ou
· Vo2 Q = ---'=----
Ca02 -CVo2
o v02 é medido por meio da coleta do gás expirado em um grande espirôme-
tro e por meio da medida de sua concentração de 02. O sangue venoso misto
é retirado por meio de cateter na artéria pulmonar,* e o sangue arterial, por
punção da artéria braquial ou radial. O fluxo sanguíneo pulmonar também
pode ser medido pela técnica de diluição de um indicador, na qual um corante
ou um similar é injetado na circulação venosa e é registrada a sua concentra-
ção no sangue arterial. Ambos os métodos são de grande importância, porém
não serão considerados com mais detalhes aqui porque correspondem ao
ramo da fisiologia cardiovascular.
DISTRIBUIÇAO DO FLUXO SANGUÍNEO
Até agora, consideramos que todas as partes da circulação pulmonar se
comportam de maneira idêntica. Entretanto, há uma considerável desigualda-
de de fluxo de sangue dentro do pulmão humano, o que pode ser demonstrado
pela modificação do método do xenônio radioativo, o qual é usado para medir
a distribuição da ventilação (Figura 2. 7) . Para a medida do fluxo sanguíneo,
o xenônio é dissolvido em solução salina e inj~tado em uma veia periférica
(Figura 4.7). Quando chega aos capilares pulmonares, é transferido no gás
alveolar em virtude da sua baixa solubilidade, e a distribuição da radioativi-
dade pode ser medida por contadores sobre o tórax durante apneia.
No pulmão humano em postura ereta, o fluxo sanguíneo diminui quase
que linearmente de baixo para cima, alcançando valores muito baixos no ápi-
ce (Figura 4. 7). Essa distribuição é afetada pela mudança de postura e pelo
exercício. Quando a pessoa repousa em supino, o fluxo sanguíneo da zona
a picai aumenta, porém o fluxo na zona basal permanece praticamente inalte-
rado, resultante da distribuição quase uniforme do ápice à base. Entretanto,
nessa postura, o fluxo sanguíneo nas regiões posteriores (inferior ou depen-
dente) do pulmão supera o fluxo da região anterior. As medidas em pessoas
.. N. de R. T.: Cateter de artéria pulmonar, também conhecido como cateter de Swan-Ganz,
em homenagem aos seus inventores, Jeremy Swan e William Gan.z. A ideia para elabo-
ração do cateter surgiu da observação de veleiros navegando na água. O cateter tem um
balonete em sua extremidade distai que flutua no sangue. Após inserido em uma grande
veia sistêmica (geralmente subclavia,jugular ou femural), é levado pelo fluxo sanguíneo
até ramos da artéria pulmonar. Permite a medida de pressões venosa central, atrial e
ventricular direitas, pulmonares e, indiretamente, do átrio esquerdo (através da pressão
de encunhamento ou de oclusão obtida em um ramo da circulação pulmonar).
TrIsT
FIGURA4.7
Contadores
de radiação
Q)
E
:::J
o
>
Q)
150
-o 100
Q)
-o
ro
~
c:
:::J
o
Q)
.s
~ 50
c:
ro
"" o
X
:::J
ii
Fisiologia respiratória 59
Região inferior Região superior
o 5 10 15 20
Distância entre as regiões superior
e inferior do pulmão (em)
25
'r\edida da distribuição do fluxo sangufneo no pulmão humano em postura ereta usando o
xenônio radioativo. O xenônio dissolvido é transferido ao gás alveolar dos capilares pulmonares.
!,s unidades de fluxo sangufneo são tais que, se o fluxo fosse uniforme, todos os valores seriam
· 00. Observe o baixo fluxo no ápice.
suspensas de cabeça para baixo demonstram que o fluxo sanguíneo apical
?Ode exceder o fluxo basal nessa posição. Com o exercício leve, tanto o fluxo
:!e sangue da zona inferior quanto o da superior aumentam, e as diferenças
:-egionais se tomam menores.
A distribuição desigual de fluxo sanguíneo pode ser explicada pelas dife-
:-enças de pressão hidrostática dentro dos vasos sanguíneos. Se considerarmos
:> sistema arterial pulmonar uma coluna contínua de sangue, a diferença da
?ressão entre o topo e a base de um pulmão de 30 em de altura será de cerca
de 30 em de água ou 23 mm Hg. * Essa diferença de pressão é grande para um
sistema de baixa pressão como a circulação pulmonar (Figura 4.1), e seus efei-
:os no fluxo sanguíneo regional se encontram demonstrados na Figura 4.8.
É possível que exista uma região no ápice do pulmão (zona 1) onde a
?ressão pulmonar arterial cai abaixo da pressão alveolar (normalmente perto
da pressão atmosférica). Se isso ocorrer, os capilares serão comprimidos e
achatados, não possibilitando fluxo algum. Sob condições normais, não há
X de R.T.: 1 mrn Hg equivale a 1,36 em H20, a 133,3 Pa (pascal) e, na maioria das
situações, a 1 Torr.
TrIsT
60 John B. West
-
FIGURA 4.8
Alveolar
~
Pa~Pv
I ......_____, I
Arterial Venosa
Zona 1
PA > Pa > Pv
Zona2
P~ > PA > Pv
Zona3
Pa > Pv > PA
Explicação da distribuição desigual do fluxo sangurneo no pulmão, com base nas pressões
que afetam os capilares.
zona 1, pois a pressão pulmonar arterial é suficiente o bastante para elevar
o sangue até o ápice do pulmão, porém pode estar presente caso a pressão
arterial seja reduzida (após hemorragia grave, por exemplo) ou a pressão
alveolar seja elevada (durante a ventilação mecânica com pressão positiva).
Esse pulmão ventilado, porém não perfundido, não é útil para as trocas gaso-
sas e é chamado de espaço morto alveolar.
Mais abaixo no pulmão (zona 2), a pressão pulmonar arterial aumenta
em decorrência do efeito hidrostático e, agora, excede a pressão alveolar: No
entanto, a pressão venosa permanece muito baixa, inferior à alveolar, ocasio-
nando características marcantes de pressão-fluxo. Sob essas condições, o fluxo
sanguíneo é determinado pela diferença entre as pressões alveolar e arterial (e
não a diferença usual entre pressão arterial-venosa). Na verdade, a pressão ve-
nosa não exerce influência no fluxo, a não ser que exceda a pressão alveolar.
Esse comportamento pode ser demonstrado por meio da colocação de
um tubo de borracha flexível dentro de uma câmara de vidro (Figura 4.9).
Quando a pressão da câmara for maior que a pressão abaixo, o tubo de borra-
cha sofre colapso em sua extremidade, e a pressão no tubo nesse ponto limita
o fluxo. O leito capilar pulmonar é claramente muito diferente de um tubo
de borracha. Todavia, o comportamento como um todo é similar e, muitas
vezes, chamado de efeito queda d'água, represa ou resistor de Starling. Como
TrIsT
Fisiologia respiratória 61
FIGURA4.9
Dois resistores de Starling, cada um consistindo em um tubo fino de borracha dentro de
um contêiner. Quando a pressão da câmara excede a pressão a jusante como em A, o fluxo não
::dependente da pressão a jusante. Entretanto, quando a pressão a jusante excede a pressão
aa câmara como em B, o fluxo é determinado pela diferença a montante a jusante(porção
superior- porção inferior).
a pressão arterial está aumentando zona abaixo, mas a pressão alveolar con-
dnua a mesma por todo o pulmão, a diferença de pressão responsável pelo
:luxo cresce. Além disso, o aumento do recrutamento dos capilares ocorre
::1essa zona.
Na zona 3, a pressão venosa supera a pressão alveolar, e o fluxo é deter-
:ninado da maneira usual pela diferença de pressão arterial-venosa. Parece
que o aumento do fluxo sanguíneo nessa região inferior do pulmão é pro-
duzido principalmente pela distensão dos capilares. A pressão dentro deles
:encontrando-se entre a arterial e a venosa) aumenta zona abaixo, enquanto a
?ressão externa (alveolar) permanece constante. Assim, sua pressão transmural
se eleva, e, de fato, as medidas demonstram que a amplitude média aumenta.
O recrutamento de vasos previamente fechados também pode desempenhar
alguma função no aumento do fluxo sanguíneo por essa zona inferior.
O esquema demonstrado na Figura 4.8 resume o papel exercido pelos
capilares na determinação da distribuição do fluxo sanguíneo. Em pequenos
--olumes pulmonares, a resistência dos vasos extra-alveolares se torna impor-
:ante, e se observa redução do fluxo sanguíneo regional, que tem início na
~ase do pulmão, onde o parênquima é menos expandido (ver Figura 7.8).
"Sssa região de fluxo sanguíneo reduzido é muitas vezes chamada de zona 4 e
?Ode ser explicada pelo estreitamento dos vasos extra-alveolares que ocorre
quando o pulmão ao redor deles se encontra pouco inflado (Figura 4.6).
Outros fatores causam irregularidades do fluxo sanguíneo no pulmão.
Lrn. alguns animais, determinadas regiões dos pulmões parecem exibir resis-
:ência vascular intrinsecamente mais elevada. Também há evidências de que
TrIsT
62 John B. West
o fluxo sanguíneo reduz ao longo do ácino, sendo as regiões periféricas me-
nos supridas de sangue. Algumas medidas sugerem que as regiões periféricas
de todo o pulmão recebem menos sangue do que as centrais. Por fim, a dispo-
sição complexa e parcialmente aleatória dos vasos sanguíneos e dos capilares
(Figura 1.6) é em parte responsável pela desigualdade do fluxo sanguíneo.
CONTROLE ATIVO DA CIRCULAÇÃO
Vimos que os fatores passivos determinam a resistência vascular e a dis-
tribuição do fluxo na circulação pulmonar sob condições normais. No entanto,
uma resposta ativa importante ocorre quando a Po2 do gás alveolar é reduzida,
o que é conhecido como vasoconstrição pulmonar hipóxica, a qual consiste em
contração da musculatura lisa das paredes das pequenas arteríolas na região
hipóxica. Desconhece-se o mecanismo preciso dessa resposta, mas ocorre em
pulmões isolados excisados e, portanto, não depende das conexões nervosas
centrais. É possível demonstrar que os segmentos excisados da artéria pul-
monar apresentam constrição quando seu ambiente se toma hipóxico, logo
isso pode ser uma ação local da hipoxia na própria artéria. Uma hipótese é
que células no tecido perivascular liberam algumas substâncias vasoconstri-
toras em resposta à hipoxia, porém a pesquisa exaustiva não obteve suc,esso.
Curiosa mente, é a Po2 do gás alveolar, e não a do sangue arterial pulmonar,
que principalmente determina a resposta, o que pode ser provado por meio
da perfusão de um pulmão com sangue com Po2 elevada ao mesmo tempo em
que se mantém a Po2 alveolar baixa. Sob essas condições, a resposta ocorre.
A parede do vaso presumivelmente se torna hipóxica por meio da difusão
de oxigênio ao longo da curta distância entre a parede e o alvéolo circundante.
Devemos lembrar que uma artéria pulmonar pequena é intimamente rode-
ada por alvéolos (compare a proximidade dos alvéolos às veias pulmonares
pequenas na Figura 4.3). A curva estímulo-resposta dessa constrição não é
muito linear (Figura 4.1 O). Quando a Po2 alveolar sofre alteração superior
a 100 mm Hg na região, observa-se pouca mudança na resistência vascular.
Entretanto, quando a Po2 alveolar é reduzida abaixo de cerca de 70 mm Hg,
pode ocorrer grande vasoconstrição; e, em nível de Po2 muito baixa, o fluxo
sanguíneo local pode ser praticamente abolido.
O mecanismo da vasoconstrição pulmonar hipóxica permanece obscuro
apesar das inúmeras pesquisas. Estudos recentes sugerem que a inibição dos
canais de potássio voltagem-dependente e a despolarização de membrana
podem estar envolvidas, levando ao aumento da concentração de íons de cál-
cio no citoplasma. A concentração mais alta de íons de cálcio no citoplasma
constitui o principal estimulante da contração da musculatura lisa.
As substâncias vasoativas derivadas do endotélio desempenham uma fun-
ção. Demonstrou-se que o óxido nítrico (NO) constitui um fator relaxante para
TrIsT
Fisiologia respiratória 63
100 • •
80
Q;
o .... .... c
o u
~ 60
o
Q)
,S
::s
01
40 c
lll
Vl
o
X ::s
ü:
20
o 50 100 150 200 300 500
Po2 alveolar
-=JGURA4.10
?.feito da redução da Po2 alveolar no fluxo sanguíneo pulmonar. (Dados provenientes de um
;ato anestesiado.)
.:.s vasos sanguíneos derivado do endotélio. É formado a partir da L-arginina
~a catálise pela enzima óxido nítrico sintase (eNOS) e é uma via final comum
:.e processos biológicos. O NO. ativa a guanilato-ciclase solúvel e aumenta a
_!tese de 3',5' guanosina monofosfato cíclico (GMP cíclico), que promove
relaxamento da musculatura lisa. Inibidores da síntese do NO aumentam
·:asoconstrição pulmonar hip6xica em preparações animais, e o NO inala-
_.J reduz a vasoconstrição pulmonar hipóxica em humanos. A concentração
alada necessária de NO é extremamente baixa (cerca de 20 ppm), e o gás é
-uito tóxico em altas concentrações. Já foi demonstrado que a lesão no gene
._a eNOS causa hipertensão pulmonar em modelos animais.
VASOCONSTRIÇAO PULMONAR HIPÓXICA
• A hipoxia alveolar leva à contração de pequenos ramos das artérias pulmonares.
• Provavelmente é um efeito direto da Po2 reduzida na muscu•atura lisa vascular.
• A redução deste reflexo é fundamental ao nascimento na transição da
respiração placentária para a respiração do ar.
• Desvia o fluxo sanguíneo das áreas pouco ventilada-s de um pulmão doente
no adulto.
TrIsT
64 John B. West
As células endoteliais vasculares pulmonares também liberam poten-
tes vasoconstritóres, como a endotelina-1 (ET-1) e o tromboxano A2 (TXAz).
Sua função na fisiologia normal e na doença é matéria para extenso estudo.
Bloqueadores dos receptores de endotelina vêm sendo usados clinicamente
para tratar pacientes com hipertensão pulmonar.
Um efeito da vasoconstrição é o de direcionar o fluxo sanguíneo para
longe das regiões hipóxicas do pulmão. Essas regiões podem ser resultan-
tes de obstrução brônquica, e o desvio do fluxo sanguíneo reduz os efeitos
deletérios nas trocas gasosas. Em altas altitudes, ocorre vasoconstrição pul-
monar generalizada, que promove o aumento da pressão arterial pulmonar.
Contudo, é muito provável que a situação mais importante na qual esse me-
canismo ocorra seja o nascimento. Durante a vida fetal, a resistência vascular
pulmonar é muito alta, em parte por conta da vasoconstrição hipóxica, e ape-
nas 15% do débito cardíaco atravessa os pulmões (ver Figura 9.5) . Quando
a primeira respiração oxigena os alvéolos, a resistência vascular sofre queda
dramática em decorrência do relaxamento da musculatura vascular lisa, e o
fluxo pulmonar aumenta enormemente.
Outras respostas ativas da circulação pulmonar foram descritas. O pH
baixo do sangue promove vasoconstrição, especialmente quando a hipoxia
alveolar está presente. Existem também evidências de que o sistema nervoso
autônomo exerce fraco controle, aumento no. efluxo simpático causando enri-
jecimento das paredes das artérias pulmonares e vasoconstrição.
EQUIL(BRIO H(DRICO NO PULMÃO
Uma vez que apenas 0,3 f.l-m de tecido separa o sangue capilar do ar no
pulmão (Figura 1.1), manter os alvéolos sem líquido é essencial. Acredita-se
que a troca de líquidos pelo endotélio capilar obedeça à lei de Starling. A força
que tendea direcionar o líquido para fora do capilar constitui a pressão hi-
drostática capilar menos a pressão hidrostática no líquido intersticial, ou Pc- Pi.
A força que tende a direcionar o líquido para dentro é a pressão coloidosmótica
das proteínas do sangue menos aquela das proteínas do líquido intersticial,
ou 'TTc - m. Essa força depende do coeficiente de reflexão cr, o qual indica a
eficácia da parede capilar em evitar a passagem das proteínas. Assim,
Pressão efetiva de líquido para fora do capilar = K[(Pc- Pi)- cr (nc -ni)]
onde K é urna constante chamada de coeficiente de filtração.
Infelizmente, o uso prático dessa equação é limitado em virtude da nos-
sa ignorância de muitos valores. A pressão coloidosmótica dentro do capilar
é de aproximadamente 28 mm Hg. É provável que a pressão hidrostática ca-
pilar se encontre entre a pressão arterial e a venosa, porém é muito mais altã
TrIsT
Fisiologia respiratória 65
...c :-egião inferior do pulmão do que na superior. A pressão coloidosmótica
_: :iquido intersticial não é conhecida, porém é de cerca de 20 mm Hg nos
....::.=onodos dos pulmões. No entanto, esse valor pode ser mais elevado do que
-=_ele no líquido intersticial ao redor dos capilares. A pressão hidrostática
--prsticial é desconhecida; contudo, algumas medidas demonstram que ela
::ilistancialmente inferior à pressão atmosférica. É provável que a pressão
::..:va da equação de Starling seja para fora, causando um pequeno fluxo
::::ao co talvez de 20 mL/h em humanos sob condições normais.
Para onde o líquido vai quando deixa os capilares? A Figura 4.11 de-
:=.::Istra que o líquido que extravasa no interstício da parede alveolar
_F corre o espaço intersticial até o espaço perivascular e peribrônquico den-
-_ do pulmão. Inúmeros linfáticos passam pelos espaços perivasculares, os
:--lli ajudam a transportar o líquido para os linfonodos hilares. Além disso,
- :;;ressão nesses espaços perivasculares é baixa, formando, assim, um coletor
. . =ural para drenagem de líquido (comparar a Figura 4.2) . A forma mais
Espaço alveolar
Capilar
Parede alveolar
Brônquio
Espaço perivascular
FIGURA 4.11
Dois possíveis caminhos para o líquido que se move para fora dos capilares. O líquido que en-
:ra no interstício encontra seu caminho, em princípio, nos espaços perivasculares e peribrônquicos.
:losteriormente, o líquido pode cruzar a parede alveolar, preenchendo os espaços alveolares.
TrIsT
66 John B. West
inicial de edema pulmonar* é caracterizada por ingurgitamento desses espa-
ços peribrônquicos e perivasculares e é conhecida como edema intersticial. A
taxa de fluxo linfático do pulmão aumenta de forma considerável se a pressão
capilar for elevada durante um longo período.
Em um estágio mais avançado de edema pulmonar, o líquido pode atra-
vessar o epitélio do alvéolo para o espaço alveolar (Figura 4.11). Quando isso
ocorre, os alvéolos se enchem de líquido, um por um, e, por não serem venti-
lados, não é possível a oxigenação do sangue que flui por eles.** Não se sabe o
que impulsiona o líquido a começar a se mover para os espaços alveolares; no
entanto, é possível que isso ocorra quando a taxa máxima de drenagem pelo
espaço intersticial é excedida e a pressão então se torna muito elevada. O lí-
quido que chega aos espaços alveolares é ativamente bombeado para fora por
uma bomba de sódio-potássio ATPase nas células epiteliais. O edema alveolar
é muito mais grave do que o do tipo intersticial em virtude da interferência
nas trocas gasosas pulmonares.
OUTRAS FUNÇÕES DA CIRCULAÇÃO PULMONAR
A principal função da circulação pulmonar é mover o sangue para e a
partir da membrana alvéolo-capilar para que a troca gasosa possa acontecer.
No ent<lnto, também tem outras funções importantes. Uma é atuar como re-
servatório de sangue. Vimos que o pulmão apresenta uma grande capacidade
de reduzir a sua resistência vascular pulmonar, já que as suas pressões vas-
culares são elevadas por meio de mecanismos de recrutamento e distensão
(Figura 4.5). Os mesmos mecanismos permitem que o pulmão aumente seu
volume de sangue com elevação relativamente pequena das pressões pulmo-
nares arterial e venosa. Isso ocorre, por exemplo, quando uma pessoa deita
após estar de pé. O sangue, então, drena das pernas para os pulmões.
Outra função do pulmão é filtrar o sangue. Pequenos trombas de sangue
são removidos da circulação antes que possam alcançar o cérebro ou outros
órgãos vitais. Muitos leucócitos são aprisionados pelo pulmão e, depois, libe-
rados, embora a importância disso não seja conhecida.
* N. de R. T.: Para mais detalhes sobre edema pulmonar, recomendamos a leitura de JB West,
Fisiopatologia pulmonar - Prindpios básicos, 73 edição (Porto Alegre: Artmed, 2010).
** N. de R.T.: Edema alveolar difuso é classicamente o quadro do edema agudo de
pulmão, principalmente relacionado de origem cardiogênica. Ocorre por aumento da
pressão venosa pulmonar associada ao aumento das pressões de enchimento do átrio
esquerdo (p. ex., insuficiência cardíaca esquerda, estenose mitral). O edema pulmonar
não cardiogênico, cujo exemplo mais conhecido é a SARA, caracteriza-se pelo aumento
da permeabilidade da membrana alvéolo-capilar, o que conduz a passagem de líquido
do interstício para os alvéolos e consequente edema.
TrIsT
Fisiologia respiratória 6 7
-uNÇÕES METABÓLICAS DO PULMÃO
Além das trocas gasosas, o pulmão realiza outras funções metabólicas im-
-crtantes. Várias substâncias vasoativas são metabolizadas pelo pulmão (Tabela
-:) .Por ser o único órgão vital, além do coração, que recebe todo o fluxo sanguí-
-eo, o pulmão é singularmente apropriado para modificar substâncias originárias
:.:n sangue. Uma fração substancial de todas as células endoteliais no corpo está
::calizada no pulmão. As funções metabólicas do endotélio vascular são apenas
::-evemente citadas aqui, pois muitas dizem respeito à área da farmacologia.
O único exemplo conhecido de ativação biológica pela passagem através
:a circulação pulmonar é a conversão do polipeptídio relativamente inativo
:e angiotensina I no potente vasoconstritor angiotensina li. Este último é até
;:; vezes mais ativo do que o seu precursor e não é metabolizado durante
.:-.la passagem pelo pulmão. A conversão de angiotensina I é catalisada pela
~a conversora de angiotensina ou ECA, a qual se encontra localizada em
-~uenas depressões na superfície das células endoteliais capilares.
Muitas substâncias vasoativas são completa ou parcialmente inativadas
_ .:.rante a passagem pelo pulmão. A bradicinina é amplamente inativada (até
: ;%) , e a enzima responsável por isso é a ECA. O pulmão é o principal local
:~ inativação de serotonina (5-hidroxitriptamina), mas não por degradação
==zimática, e sim por processo de captação e armazenagem (Tabela 4.1).
a_~e da serotonina pode ser transferida às plaquetas no pulmão ou armaze-
.2da de alguma outrà maneira, e liberada durante uma reação anafilática.
-.s prostaglandinas E1, E2 e F2 também são inativadas no pulmão, o qual
~~:lStitui uma fonte rica das enzimas responsáveis. A norepinefrina também é
_.)Sorvida pelo pulmão até certo ponto (até 30o/o). Parece que a histamina não
_ afetada pelo pulmão intacto, porém é prontamente inativada em porções.
-~ELA 4.1 Destino de substâncias na circulação pulmonar
Substâncía
e:;tídeos
- ngiotensina I
-Agiotens/na 11
a.sopressina
:.·adicinina
--·nas
:5otonina
orepinefrina
- 'Jstamina
Jopamina
e-..abólitos do ócido araquidõnico
=-ostaglandinas E2 e F2a
>::Jstag/andina A2
=-ostaciclina (PG/2)
_;>tJcotrlenos
Destino
Convertida à angiotensina 11 pela ECA
Não afetada
Não afetada
Até 80% inativada
Quase que completamente removida
Até 30% removida
Não afetada
Não afetada
Quase completamente removidas
Não afetada
Não afetada
Quase completamente removidos
TrIsT
68 John B. West
Alguns materiais vasoativos atravessam o pulmão sem ganho ou perda
suficiente de atividade, dentre osquais podemos incluir a epinefrina, as pros-
taglandinas A1 e A2, a angiotensina II e a vasopressina (ADH).
Diversas substâncias vasoativas e broncoativas são metabolizadas no
pulmão e podem ser liberadas na circulação sob determinadas condições.
Importantes entre essas são os metabólitos do ácido araquidônico (Figura
4. 12). O ácido araquidônico é formado pela ação da enzima fosfolipase A2
sobre os fosfolipídeos ligados às membranas celulares. Existem duas vias
sintéticas principais, sendo as reações iniciais catalisadas pelas enzimas lipoxi-
genase e ciclo-oxigenase, respectivamente. A primeira produz os leucotrienos.
os quais englobam o mediador originalmente descrito como substância de
reação lenta da anafilaxia (SRS-A). Esses compostos promovem constrição
das vias aéreas e podem desempenhar importante papel na asma.* Outros
leucotrienos estão envolvidos nas respostas inflamatórias.**
As prostaglandinas são potentes vasoconstritores ou vasodilatadores. A
prostaglandina E2 desempenha importante função no feto, uma vez que aju-
da a relaxar o dueto arterial patente. As prostaglandinas também afetam a
agregação plaquetária e são ativas em outros sistemas, como na cascata de
coagulação calicreína-cinina. Também é possível que desempenhem papel na
broncoconstrição da asma.
Fosfolipídeo ligado à membrana l Fosfolipase A,
Ácido araquidônico
Lipoxigenase Ciclo-oxigenase
Leucotrienos Prostaglandinas,
tromboxano A2
FIGURA 4.12
Duas vias do metabolismo do ácido araquidônico. Os leucotrienos são gerados pela via da lipo-
xigenase, enquanto as prostaglandinas e o tromboxano A2 proveem da via da ciclo-oxigenase.
*N. de R.T.: Para mais detalhes sobre edema pulmona~ recomendamos a leitura de JB Wesr...
Fisiopatologia pulmonar- Princípios básicos, 73 edição (Porto Alegre: Artmed, 2010) .
.. N. de R.T.: A aspirina e os anti-inflamatórios não esteroides são inibidores da ciclo-
-oxigenase e têm papel no controle da dor e da inflamação. Os anti-inflamatórios ho:-
monais (corticosteroides) agem inibindo a fosfolipase Az, o que reduz tanto a atividade
da ciclo-oxigenase quanto a lipoxigenase, sendo úteis também em doenças inflamatória:
e alérgicas (estas últimas ligadas à produção de leucotrienos).
TrIsT
I
Fisiologia respiratória 69
Também existem evidências de que os pulmões exercem função no me-
:anismo de coagulação do sangue sob condições normais e anormais. Por
~emplo, há uma grande quantidade de mastócitos que contêm heparina no
..:1terstício. Além disso, o pulmão é capaz de secretar imunoglobulinas es-
-:eciais, em particular lgA, no muco brônquico, as quais contribuem para a
:efesa contra infecções.
As funções sintéticas do pulmão incluem a síntese de fosfolipídeos como
:iipalrnitoil-fosfatidilcolina, o qual constitui um componente do surfactante
: ulmonar (ver capítulo 7). A síntese de proteína também é importante, pois
: colágeno e a elastina formam o arcabouço estrutural do pulmão. Sob algu-
::las circunstâncias, as proteases são aparentemente liberadas dos leucócitos
::n pulmão, causando quebra do colágeno e da elastina, o que pode resultar
=::1 enfisema.* Outra área significativa é o metabolismo do carboidrato, em
~-pedal a elaboração de mucopolissacarídeos de muco brônquico.
f ique atento
1 As pressões dentro da circulação pulmonar são muito mais baixas do que
na circulação sistêmica. Os capilares também são expostos à pressão alveolar,
enquanto as pressões ao redor dos vasos extra-alveolares são menores.
2 A resistência vascular pulmonar é baixa e diminui ainda mais quando o débito
cardíaco aumenta em virtude do recrutamento e da distensão dos capilares.
A resistência vascular pulmonar aumenta em volumes pulmonares muito
pequenos ou muito grandes.
3 O fluxo sanguíneo é distribuído de forma desigual no pulmão em posição ereta.
Como resultado da gravidade, há fluxo muito maior na base do que no ápice.
Se a pressão capilar é inferior à pressão alveolar na região superior do pulmão,
os capilares sofrem colapso, e não há fluxo sanguíneo (zona 1 ).
4 A vasoconstrição pulmonar hipóxica reduz o fluxo sanguíneo nas áreas
pouco ventiladas do pulmão. A redução deste reflexo é responsável pelo
grande aumento do fluxo sanguíneo para o pulmão ao nascimento.
5 O movimento de líquido através do endotélio capilar é determinado pelo
equilíbrio de Starling.
6 A circulação pulmonar apresenta muitas funções metabólicas, com destaque
para a conversão de angiotensina I em angiotensina 11 pela enzima conversora
da angiotensina.
- de R.T.: A a.-1 -antitripsina é uma antiprotease existente no pulmão. A sua deficiên-
em geral geneticamente determinada, causa um desbalanço protease-antiprotese,
~rdo à destruição das paredes alveolares e consequente enfisema pulmonar (precoce,
z:acinar e predominando em bases pulmonares, diferente do enfisema do tabagista,
-E e centrolobular, mais tardio e prevalece nos ápices).
TrIsT
70 John B. West
TESTE SEU CONHECIMENTO
1. A proporção da resistência vascular sistêmica total em relação à resistência vascular
pulmonar é de cerca de:
a) 2: 1
b) 3: 1
c) 5: 1
d) 1 o: 1
e) 20: 1
2. A respeito dos vasos extra-alveolares do pulmão:
a) A tensão ao redor das paredes alveolares tende a estreitá-los.
b) As paredes contêm musculatura lisa e tecido elástico.
c) Estão expostos à pressão alveolar.
d) A sua constrição em resposta à hipoxia alveolar ocorre principalmente nas veias
e) O calibre é reduzido pela inflação pulmonar.
3. Um paciente com doença vascu lar pulmonar apresenta pressões pulmonares arteria
e venosa na média de 55 e 5 mm Hg, respectivamente, enquanto o débito cardíaco é
de 3 L por minuto. Qual é a resistência vascular pulmonar em mm Hg · L-1 • min?
a) 0,5
b) 1,7
c) 2,5
d) 5
e) 17
4. A redução da resistência vascu lar pulmonar com o exercício é ocasionada por:
a) Diminuição na pressão arterial pulmonar.
b) Diminuição na pressão venosa pulmonar.
c) Aumento na pressão alveolar.
d) Distensão dos capilares pulmonares.
e) Hipoxia alveolar.
S. Na medida do débito cardíaco por meio do princípio de Fick, as concentrações de 0 2
do sangue arterial e do venoso misto são de 16 e 20 mL · 100 mL-1, respectivamente,
e o consumo de 0 2 é de 300 mL · min-1• O débito cardíaco em L· min-1 é:
a) 2,5
b) 5
c) 7,5
d) 10
e) 75
TrIsT
ar
3S.
i ai
2
Fisiologia respiratória 71
6. Na zona 2 do pulmão:
a) A pressão alveolar excede a pressão arteria l.
b) A pressão venosa excede a pressão alveolar.
c) A pressão venosa excede a pressão arterial.
d) O fluxo sanguíneo é determinado pela pressão arterial menos a pressão alveolar.
e) O fluxo sanguíneo não é afetado pela pressão arterial.
1. A resistência vascular pulmonar é reduzida pela:
a) Remoção de um pulmão.
b) Respiração de mistura de oxigênio a 10%.
c) Expiração da capacidade residual funcional até o volume residual.
d) Elevação aguda da pressão venosa pulmonar.
e) Ventilação mecânica do pulmão com pressão positiva.
8. A vasoconstrição pu lmonar hipóxica:
a) Depende mais da Po2 do sangue venoso misto do que dos gases alveolares.
b) É desencadeada na transição da respiração placentária para a respiração do ar.
c) Envolve captação de C02 na musculatura lisa vascular.
d) Desvia parcialmente o fluxo sanguíneo de reg iões bem ventiladas de pulmões
doentes.
e) É aumentada pela ina lação de baixas concentrações de óxido nítrico.
9. Se as pressões nos capilares e nos espaços intersticiais no ápice do pulmão são de 3
e O mm Hg, respectivam ente, e as pressões coloidosmóticas do sangue e do líquido
intersticial são de 25 ~ 5 mm Hg, respectivamente, qual é pressão efetiva em mm Hg
que move o líquido para dentro dos capilares?
a) 17
b) 20
c) 23
d) 27
e) 33
1 O. As funções metabólicas do pulmão incluem:
a) Conversão da angiotensína 11 em angiotensina I.
b) Produção de bradicinina.
c) Secreção de serotonina.
d) Remoção de leucotrienos.
e) Geração de eritropoetina.
TrIsT
Relações deventilação-perfusão:
como o equi líbrio
/
entre sangue e gas
:letermina a troca gasosa
• Transporte de oxigênio do ar
poro os tecidos
• Hipoventiloçõo
• Difusão
• Shunt
• Relação ventilaçào-perfusõo
• Efeito do olteroçõo do relação
ventilaçõo-perfusõo de urna unidade
pulmonar
• Troco gasoso regional ho pulmão.
• Efeito do desequilíbrio entre
ventiloção-perfusõo na troco
gasosa total
• Distribuições das relações
ventilação perfusõo
• Desequilíbrio entre
ventilaçóo-perfusõo como
causa da retenção de C02
• Medido do desequilíbrio entre
ventilação perfusõo
:5~e capítu lo aborda a função primária do pu lmão, ou seja, a troca gasosa. Em
- ~ rneiro lugar, consideramos o pulmão ideal do ponto de vista teórico. Depois,
= ·somos os três mecanismos de hipoxemia: hipoventilação, limitação da difusão
= 5'1Unt. Introduzimos, então, o conceito de desequilíbrio entre ventilação-perfusão
= :>ara efeito ilustrativo, descrevemos essas diferenças regionais da troca gaso-
:: no pulmão humano em posição vertical. Em seguida, examinamos como o
~ssequil íbrio entre ventilação-perfusão prejudica o troca gasosa como um todo.
::-=atizamos que isso é válido não apenas para o oxigênio, como também para
: :·óxido de carbono. Os métodos de medida do desequilíbrio entre ventilação-
: : ....!usão são discutidos com brevidade.
TrIsT
74 John B. West
Até agora, consideramos o movimento de ar para a e a partir da interfa-
ce sangue-gás, a difusão do gás por meio dela e o movimento de sangue para
a e a partir da membrana alvéolo-capilar. Seria natural assumir que, se todos
esses processos fossem adequados, a troca gasosa normal no pulmão estaria
garantida. Infelizmente, isso não acontece, uma vez que o equilíbrio entre a
ventilação e o fluxo sanguíneo nas várias regiões do pulmão é essencial para
a troca gasosa adequada. De fato, o desequilibrio entre ventilação e fluxo
sanguíneo é responsável por grande parte da deficiência da troca gasosa nas
doenças pulmonares.
Nesta seção, examinamos atentamente a importante questão de como
as relações entre a ventilação e o fluxo sanguíneo determinam as trocas gaso-
sas. Em primeiro lugar, no entanto, consideramos duas causas relativamente
simples do comprometimento da troca gasosa - hipoventilação e shunt. Uma
vez que todas essas situações resultam em hipoxemia, ou seja, em Po2 baixa
de maneira anormal no sangue arterial, é válido examinar preliminarmente a
transferência normal de Oz.
TRANSPORTE DE OXIG~NIO DO AR PARA OS TECIDOS
A Figura 5.1 demonstra como a Po2 sofre redução conforme o gás se
move da atmosfera na qual vivemos para as initocôndrias, onde é utilizado.
A Po2 do ar é de 20,93% da pressão total de gás seco (ou seja, excluindo o
vapor d'água). Ao nível do mar, a pressão barométrica é de 760 mm Hg, e, à
temperatura corporal de 3 7°C, a pressão do vapor de água do gás inspirado
úmido (o qual é completé1mente saturado com vapor de água) é de 47 mm
Hg. Dessa forma, a Po2 do ar inspirado é de (20,93/100) x (760- 47) ou 149
mm Hg (diz-se 150).
A Figura 5.1 ilustra um pulmão perfeito hipotético e mostra que, no
momento em que o Oz alcança o alvéolo, a Po2 cai para em tomo de 100 mm
Hg, ou seja, um terço. Isso ocorre porque a Po2 do gás alveolar é determinada
pelo equilíbrio entre dois processos: de um lado, a remoção de 02 pelo sangue
capilar pulmonar; do outro, a renovação contínua pela ventilação alveolar. (A
rigor, a ventilação alveolar não é contínua, e sim respiração-por-respiração.
Entretanto, a flutuação na Po2 alveolar a cada inspiração é de apenas cerca
de 3 mm Hg, pois o volume corrente é pequeno em comparação ao volume
de gás no pulmão, logo o processo pode ser considerado contínuo.) A taxz
de remoção de 02 do pulmão é comandada pelo consumo de 02 dos tecidos
e varia pouco em condições de repouso. Na prática, portanto, a Po2 alveolar
é amplamente determinada pelo nível de ventilação alveolar. O mesmo se
aplica a Pco2 alveolar, que de modo geral é próxima a 40 mm Hg.
Quando o sangue arterial sistêmico chega aos capilares teciduais, o 02 se
difunde para a mitocôndria, onde a Po2 é muito mais baixa. A Po2 do "tecido-
TrIsT
Fisiologia respiratória 7 5
?rovavelmente difere de forma considerável pelo corpo, e, pelo menos em
algumas células, a Po2 é tão baixa quanto 1 mm Hg. Entretanto, o pulmão
constitui uma ligação fundamental na cadeia do transporte de 0 2, e qualquer
:edução da Po2 do sangue arterial resulta em Po2 tecidual mais baixa, mesmo
que outros processos sejam iguais. Pelas mesmas razões, o comprometimento
das trocas gasosas pulmonares promove a elevação da Pco2 do tecido.
QUATRO CAUSAS DE HIPOXEMIA
• Hipoventilação
• Limitação da difusão
• Shunt
• Desequilíbrio entre ventilação-perfusão
HIPOVENTILAÇÃO
Vimos que o nível da Po2 alveolar é determinado pelo equilíbrio entre a
::axa de remoção de 02 pelo sangue (a qual é determinada pela demanda me-
:.abólica dos tecidos) e a renovação de 02 pela ventilação alveolar. Assim, se a
=-GURA 5.1
Ol
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50
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Ar
Atmosfera
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Perfeito , ____ }f ______ ___ ___________ _
Hipoventilação
Tecidos
' ·- --------.. -
-----------...mitocôndria
~-uema das pressões parciais de 02 desde o ar até os tecidos. A linha sólida demonstra uma
.--3Ção perfeita hipotética, e a linha pontilhada representa hipoventilação. A hipoventilação
-=:..a a Po2 no gás alveolar e, portanto, nos tecidos.
TrIsT
1111
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111
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,I
76 John B. West
ventilação alveolar for anormalmente baixa, a Po2 alveolar cai. Por razões si-
milares, a Pco2 se eleva. Isso é conhecido como hipoventilação (Figura 5.1).
Causas de hipoventilação incluem drogas como a morfina e os barbitú-
ricos que deprimem o estímulo central aos músculos respiratórios, danos à
parede torácica ou paralisia dos músculos respiratórios e alta resistência para
mobilizar o ar (por exemplo, gás muito denso em grandes profundidades de
água). A hipoventilação sempre promove aumento de Pco2 alveolar e, conse-
quentemente, Pco2 arterial. A relação entre a ventilação alveolar e a Pco2 foi
obtida na p. 29:
Onde Vc02 é a produção de C02, VA é a ventilação alveolar, e K é uma
constante. Isso quer dizer que se a ventilação alveolar for reduzida à metade,
a Pco2 é dobrada, uma vez que o estado de equili'brio seja estabelecido.
HIPOVENTILAÇÃO
• Sempre aumenta a Pco2•
• Reduz a Po2, a não ser que 02 adicional seja inspirado.
• Hipoxemia é fácil de ser revertida adicionando-Se 02.
A relação entre a queda na Po2 e a elevação na Pco2 que ocorre na hipo-
ventilação pode ser calculada a partir da equação do gás alveolar se soubermos
a composição do gás inspirado e a razão de troca respiratória R, a qual é obtida
pela produção de CO.z/consumo de 02 e é determinada pelo metabolismo dos
tecidos em estado de equili'brio. Muitas vezes, é conhecida como quociente res-
piratório. Uma forma simplificada da equação do gás alveolar é:
PAco
PAo =P,o _ __ 2 + F
2 2 R
Onde F constitui um pequeno fator de correção (tipicamente em torno
de 2 mm Hg), que podemos ignorar. Essa equação demonstra que, se R apre-
senta seu valor normal de 0,8, a queda na Po2 alveolar é ligeiramente maior
do que a elevação na Pco2 durante a hipoventilação. A versão completa da
equação é encontrada no Apêndice A.
A hipoventilação sempre reduz a Po2 alveolar e a arterial, exceto quando
a pessoa respira uma mistura de 02 enriquecida. Nesse caso, a quantidade de
02 adicionada por respiração pode facilmente compensar o fluxo reduzido de
gás inspirado (tente a questão 3 na p. 94).
TrIsT
Fisiologia respiratória 77
Se, de maneira repentina, a ventilação alveolar aumentar (por exemplo,
: ~=- hiperventilação voluntária), a Po2 e a Pco2 alveolares podem demorar
:_guns minutos para assumir seus novos valores no estado de equilíbrio. Isso
..:erre em virtude das reservas diferentes de 02 e COz no corpo. As reservas
_e COz são muito maiores do que as de Oz em funçãoda grande quantidade
_e COz encontrada na forma de bicarbonato no sangue e no líquido intersti-
:_al (ver Capítulo 6). Portanto, a Pco2 alveolar demora mais para chegar ao
-~illlbrio, e, durante o estado de não equillbrio, o valor de R do gás expirado
=levado à medida que as reservas de COz são eliminadas. Alterações opostas
:orrem com o início da hipoventilação.
FUSÃO
A Figura 5.1 demonstra que, em um pulmão perfeito, a Po2 do sangue
_-erial seria a mesma do gás alveolar. Na realidade, não é assim que acon-
_e_ Uma razão para isso é que, embora a Po2 do sangue se eleve próxima
-~.1ela do gás alveolar à medida que o sangue passa pelo capilar pulmonar
--sura 3.3), a Po2 do sangue nunca consegue realmente alcançar aquela do
-:..;alveolar. Sob condições normais, a diferença entre a Po2 do gás alveolar
- do sangue capilar final resultante da difusão incompleta é incalculavel-
-~:::e pequena, porém é demonstrada de forma esquemática na Figura 5.2.
~o observamos, a diferença pode se tornar maior durante o exercício ou
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Cap I Art
Difusão Shunt
Tecidos
Atmosfera --------~Mitocôndria
~a da transferência de 02 do ar para os tecidos, mostrando a depressão da P02 arterial
----=por difusão e shunt.
TrIsT
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78 John B. West
com o espessamento da membrana alvéolo-capilar ou em caso de inalação C:e
mistura pobre em Oz (Figura 3.3B).
SHUNT
Outra razão pela qual a Po2 do sangue arterial é inferior àquela do gás
alveolar é o sangue desviado. Shunt se refere ao sangue que entra no sisteiDE
arterial sem passar pelas áreas ventiladas do pulmão. No pulmão normal, par-
te do sangue da artéria brônquica é coletada pelas veias pulmonares após a
perfusão dos brônquios e da redução parcial de seu Oz. Outra fonte é uma pe-
quena quantidade de sangue venoso coronariano que drena diretamente para
a cavidade do ventrículo esquerdo por meio das veias cardíacas mínimas. O
efeito da adição desse sangue pouco oxigenado é a redução da Po2 arterial.
Alguns pacientes apresentam uma conexão vascular anormal entre a artéria
e a veia pulmonar pequena (fístula arteriovenosa pulmonar). Em pacientes
portadores de doença cardíaca, pode haver adição direta de sangue venoso ao
arterial por meio de um defeito entre os lados direito e esquerdo do coração.
Quando o shunt é causado pela' adição de sangue venoso misto ao san-
gue drenado dos capilares, é possível calcular a quantidade do fluxo de shunt
(Figura 5.3). A quantidade total de Oz que deixa o sistema constitui o fluxo de
sang:ue total QT multiplicado pela concentração de Oz no sangue arterial Cao2
ou QT x Cao2, que tem de ser igual à soma das quantidades de Oz no sangue
desviado, Qs x Cvo2 e sangue capilar final, (QT - Qs) x Cc' o2. Assim:
ÓT x Cao2 = Qs x Cvo2 + (QT- Qs) x Cc' o2
Reorganizando, temos:
Ós - Cc~2 - Cao2
Ór - Cc~2 - CVo2
A concentração de Oz do sangue capilar final é normalmente calculada
a partir da Po2 alveolar e da curva de dissociação de oxigênio (ver próximo
capítulo).
Quando o shunt é causado por sangue que não apresenta a mesma con-
centração de 02 do que o sangue venoso misto (por exemplo, sangue da veia
brônquica), geralmente, não é possível calcular sua verdadeira magnitude.
Entretanto, muitas vezes é válido calcular um shunt "fictício", isto é, qual
seria o shunt se a redução observada na concentração arterial de 02 fosse
causada pela adição de sangue venoso misto.
Uma característica importante do shunt é a impossibilidade de abolir a
hipoxemia por meio do fornecimento de Oz a 100% à pessoa, pois o sangue
desviado que contorna os alvéolos ventilados nunca é exposto à Po2 alveolar
TrIsT
Fisiologia respiratória 79
Qs - Cc~2 - Cao2
QT Cc~2 - Cv o2
GURA 5.3
-=dida do fluxo de shunt. O oxigênio carreado no sangue arterial se iguala à soma do oxigênio
- ~ado no sangue capilar e daquele no sangue desviado (ver o texto).
- .:::s alta, continuando, portanto, a reduzir a Po2 arterial. No entanto, algu-
- _elevação da Po2 arterial ocorre em virtude do Oz adicionado ao sangue
--:.:ar do pulmão ventilado. Grande parte do 0 2 adicionado se encontra na
:::-:na dissolvida em vez de combinada à hemoglobina, uma vez que o sangue
t está perfundindo o alvéolo ventilado se encontra quase completamente
-.zado (ver próximo capítulo). A administração de 02 a lOOo/o ao paciente
:_:na medida muito sensível de medida de shunt, pois, quando a Po2 está
.-:.. uma pequena redução na concentração de 02 arterial ocasiona queda
.:_jvamente grande da Po2 errí virtude da forma quase horizontal da curva
- :lissociação de 02 nessa região (Figura 5.4) .
.:--Jormalmente, um shunt não resulta em elevação da Pco2 do sangue ar-
~. mesmo que o sangue desviado seja rico em COz. O motivo disso é que
~·li.miorreceptores percebem qualquer elevação da Pco2 arterial e respondem
---=:entando a ventilação, o que reduz a Pco2 do sangue não desviado até que a
_ arterial se normalize. De fato, em alguns pacientes com shunt, a Pco2 arterial
~porque a hipoxemia aumenta o estímulo respiratório (ver Capítulo 8).
SHUNT
• A hipoxemia responde pouco ao 02 adicional inspirado.
• Quando Ü2 a 1 00% é inspirado, a Po2 arterial não sofre elevação ao nível
esperado - um teste diagnóstico útil.
• Se a hipoxemia pelo shunt é causada pela redução de oxigênio no sangue
venoso misto1 sua magnitude pode ser calculada por meio da utilização da
equação de shunt.
TrIsT
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80 John B. West
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FIGURA 5.4
Curva de dissociação de 02
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I
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I
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\
\
\
\
' ' ' ' ' ' ' '
200
0 2a 100%
~
,
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----------
400
Po
2
mm Hg
600
Redução da Po2 arterial por shunt durante a respiração de 02 a 100%. A adição de uma~
quena quantidade de sangue desviado com sua baixa concentração de 02 reduz amplament:
a Po2 do sangue arterial. Isso ocorre porque a curva de dissociação de 02 é quase horizonr.:
quando a Po2 é muito elevada.
RELAÇÃO VENTILAÇÃO-PERFUSÃO
Até aqui, consideramos três das quatro causas de hipoxernia: hipoventi-
lação, redução da difusão e shunt. Agora, abordamos a última causa, a qua.
é, ao mesmo tempo, a mais comum e a de mais difícil compreensão, denomi-
nada desequilíbrio entre ventilação-perfusão. Em caso de desequilíbio entre c:
ventilação e o fluxo sanguíneo em várias regiões do puhnão, o resultado sera
o comprometimento da transferência tanto de 02 quanto de C02. A chave para
entender corno isso acontece se encontra na relação ventilação-perfusão.
Consideremos o modelo de uma unidade pulmonar (Figura 2.1) , nc
qual a captação de 02 é simulada por meio da utilização de corante e águ~
(Figura 5.5). O corante em pó é continuamente adicionado à unidade, re-
presentando a adição de 02 pela ventilação alveolar. A água é bombeada de
maneira contínua pela unidade, representando o fluxo sanguíneo que remon :
o 02. Um misturador agita os conteúdos alveolares a fim de misttuá-los, un:
processo normalmente realizado pela difusão gasosa. A questão-chave é: o
TrIsT
E
'=IGURA 5.5
Corante em pó (V)
Concentração (V/Q)
Agua (Q)
~ • . . .
Fisiologia respiratória 81
. .· .... · ~
Misturador
\odeio para ilustrar como a relação ventilação-perfusão determina a Po2 em uma unidade = .!lmonar. O corante em pó é adicionado pela ventilação na velocidade V e removido pelo fluxo
..i:..,.,gulneo Q, representando os fatores que controlam a Po2 alveolar. A concentração de corante
: :1ada por V /Q.
~e determina a concentração de corante (ou 0 2) no compartimento alveolar
=-portanto, a água efluente (ou sangue)?
É óbvio que tanto a velocidade na qual o corante é adicionado (ventila-
:=:.) quanto aquela na qual a água é bombeada (fluxo sanguíneo) afetarão a
~centração de corante no modelo. O que pode não estar intuitivamente da-
e que a concentração decorante é determinada pela razão entre essas duas
-.ocidades. Em outras palavras, se o corante for adicionado na velocidade
;:n" · min-1 e a água bombeada em Q L· min-1, a concentração de corante
compartimento alveolar e a água efluente serão de V / Q gm · L-1.
Exatamente da mesma maneira, a concentração de 02 (ou melhor, Po2)
=. qualquer unidade pulmonar é determinada pela razão entre a ventilação
::uxo de sangue e não apenas 02, COz, Nz e qualquer outro gás que esteja
:sente nas condições do estado de equilíbrio. Esse é o motivo pelo qual a
=:ão ventilação-perfusão desempenha papel tão importante na troca gaso-
-~onar.
ce R.T.: A sigla "gm" refere-se à "grama-molécula", que é a quantidade de uma
__ -__.::tcia com uma massa em gramas igual a seu peso molecular (p. ex., 1 gm de hi-
::::tio pesa 2 g, e 1 gm de água pesa 18 g (STEDMAN, Thornas Lathrop. Dicionário
-- J.ustrado. 25 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996, 1657p).
TrIsT
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82 John B. West
EFEITO DA ALTERAÇÃO DA RELAÇÃO
VENTILAÇAO-PERFUSAO DE UMA UNIDADE PULMONAR
Examinemos com atenção a maneira pela qual as alterações na relaçã.:
ventilação-perfusão de uma unidade pulmonar afeta suas trocas gasosas .. -
Figura 5.6A mostra a Po2 e a Pco2 em uma unidade com relação ventilação-
perfusão normal (em torno de 1- ver Figura 2.1). O ar inspirado possui Pc
de 150 mm Hg (Figura 5.1) e Pco2 de zero. O sangue venoso misto que pene=
tra na unidade possui Po2 de 40 mm Hg e Pco2 de 45 mm Hg. A Po2 alveolz:
de 100 mm Hg é determinada pelo equilíbrio entre a adição de 02 pela ver.-
tilação e a remoção pelo fluxo sanguíneo. A Pco2 alveolar normal de 40 :rn=
Hg é determinada de maneira semelhante.
Agora, vamos supor que a relação ventilação-perfusão da unidade se~:.
gradualmente reduzida pela obstrução da ventilação, deixando o fluxo sanglL:-
neo inalterado (Figura 5.6B). É claro que o 0 2 na unidade diminuirá e o CO_
se elevará, embora as alterações relativas dos dois não sejam imediatamente
óbvias.* Entretanto, podemos facilmente prever o que acontecerá quando E
02= 150 mm Hg
(02=0
l
() 0~------+------N-o-rm_a_l----~-------.oo~
Diminui
VAIO
FIGURA 5.6
Aumenta
VAIO
Efeito da alteração da relação ventilação-perfusão na Po2 e na Pco2 em uma unidad:o
pulmonar.
* N. de R.T.: A equação do gás alveolar não é aplicável aqui, pois a razão de troca res-
piratória não é constante. A equação apropriada é:
v (ca -Cv )
-Â=8,63·R· o2 o2
Q PAC02
É chamada de equação da relação ventilação-perfusão.
TrIsT
-- ---=-------- - - - -- --- - - - - - - ------~
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·es-
Fisiologia respiratória 83
=ntilação for abolida por completo (relação ventilação-perfusão de zero).
-._50ra, o 02 e o co2 do gás alveolar e do sangue capilar final precisam ser os
=esmos daqueles do sangue venoso misto. (Na prática, unidades obstruídas
--r completo eventualmente sofrem colapso, porém podemos negligenciar
::.:ses efeitos a longo prazo neste momento.) Observe que estamos assumindo
_.:e o que acontece em uma unidade pulmonar não afeta a composição do
~gue venoso misto.
Em vez disso, vamos supor que a relação ventilação-perfusão seja au-
=entada pela obstrução gradativa do fluxo de sangue (Figura 5.6C). Nesse
=..omento, o 02 se eleva e o C02 cai, alcançando, eventualmente, a composição
-: gás inspirado quando o fluxo sanguíneo é abolido (relação ventilação-
~-e~são tendendo infinito). Dessa forma, à medida que ocorrem alterações
--relação ventilação-perfusão da unidade, a composição gasosa se aproxima
_ _:~uela do sangue venoso misto ou do gás inspirado.
Uma maneira conveniente de representar essas alterações é usando o dia-
::-ama 02-C02 (Figura 5. 7), onde a Po2 está representada no eixo X, e a Pco2, no
_-:o Y Primeiro, localize a composição normal do gás alveolar, o ponto A (Po2
= 100, Pcp2 = 40). Se considerarmos que o sangue se equilibra com o gás alve-
_..ar no final do capilar (Figura 3.3), esse ponto pode representar bem o sangue
-?ilar final. Depois, encontre o ponto venoso misto v (Po2 = 40, Pco2 = 45).
- Jarra em cima do V significa "misto" ou "médio". Por fim, ache o ponto de
~?iração I (Po2 = 150, Pco2 = O). Observe também as similaridades entre
?iguras 5.6 e 5.7.
50
Zán
u.-- ~ ~""" ~.
O v!'""o ----+----!~A
VA/Ó. diminuindo
o 50 100 150
Po2 mm Hg
;.:URA 5.7
- E9Jãma OrC02 demonstrando a linha da relação ventilação-perfusão. A Po2 e a Pco2 de uma
:ade pulmonar se movem ao longo dessa linha, desde o ponto venoso misto até o ponto do
.,spirado I, conforme a relação ventílação-perfusão aumenta (comparar com a Figura 5.6).
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84 John B. West
A linha que une v a I e passa por A demonstra as alterações na compo-
sição do gás alveolar C e sangue capilar final) que podem acontecer quandc
a relação ventilação-perfusão ou é reduzida abaixo do normal (A ~ V) 012
aumentada acima do normal (A ~ I). De fato, essa linha indica todas as
possíveis composições do gás alveolar em um pulmão suprido por gás de
composição I e sangue de composição v. Por exemplo, tal pulmão não poderia
conter um alvéolo com Po2 de 70 e Pco2 de 30 mm Hg, pois esse ponto não se
encontra sobre a linha da ventilação-perfusão. No entanto, essa composição
alveolar poderia existir se o sangue venoso misto ou o gás inspirado fossen::
alterados para que a linha passasse, então, por esse ponto.
TROCA GASOSA REGIONAL NO PULMÃO
A maneira pela qual a relação ventilação-perfusão de uma unidade
pulmonar determina sua troca gasosa pode ser graficamente ilustrada obser-
vando as diferenças que ocorrem de cima para baixo no pulmão em posição
vertical. Vimos, nas Figuras 2. 7 e 4. 7, que a ventilação aumenta lentamente
da região superior para a inferior do pulmão, e o fluxo sanguíneo, com mais
rapidez (Figura 5.8). Em consequência disso, a relação ventilação-perfusão
é anormalmente alta na parte superior do pulmãó (onde o fluxo de sangue
é mínimo) e muito menor na base. Agora, podemos utilizar essas diferenças
0,15
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1'0
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Número da costela
Base
5 4 3 2
FIGURA 5.8
Distribuição da ventilação e do fluxo sanguíneo da região superior para a inferior do pulmão
na posição vertical (comparar com as Figuras 2.7 e 4.7). Observe que a relação ventilação-
-perfusão diminui da região superior para a inferior do pulmão.
TrIsT
-----~- - I -
Fisiologia respiratória 85
regionais na relação ventilação-perfusão no diagrama 02-C02 (Figura 5. 7)
com objetivo de representar as diferenças resultantes nas trocas gasosas.
A Figura 5.9 demonstra o pulmão em posição vertical, dividido em
·'fatias" horizontais imaginárias, cada uma com sua própria relação ventila-
ção-perfusão localizada na linha ventilação-perfusão. Essa relação é alta no
ápice, portanto esse ponto é encontrado direcionado para a extremidade di-
reita da linha, enquanto o ponto da base do pulmão se localiza à esquerda do
normal (comparar com a Figura 5.7). Está claro que a Po2 dos alvéolos (eixo
!:torizontal) diminui notavelmente de cima para baixo no pulmão, enquanto a
Pco2 (eixo vertical) aumenta muito menos.
A Figura 5.1 O ilustra os valores que podem ser lidos de um diagrama como
o da Figura 5.9. (É claro que haverá variações entre os indivíduos; o principal
~bjetivo dessa abordagem é descrever os princípios fundamentais das trocas ga-
sosas.) Observe primeiro que o volume pulmonar da "fatias" é menor nos ápices
do que nas bases, mas as diferenças no fluxo sanguíneo são mais marcantes.
:onsequentemente, a relação ventilação-perfusão diminui pulmão abaixo, e to-
=-as as diferenças entre as trocas gasosas decorrem desse fato. Repare que a Po2
se altera em mais de 40 mm Hg, enquanto a diferença na Pco2 entre o ápice e a
.:xtSe é muito menor. (A propósito, a Po2 elevada no ápice provavelmentejustifica
a preferência da tuberculose ~dulta por essa região, pois oferece um ambiente
60
0"1
:c 40
E
E
i
20
o
= GURA 5.9
40 60 80
~,
"'~
.......... , ....
100
Po2 mm Hg
',
' ' ' ' ' ' '
120
' ' ' ' ' ' \
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140
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I
I
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I
I
I
I
I
I
I
'I
:-õultado da combirnação do padrão do desequilíbrio da relação ventilação-perfusão
:..::monstrado na Figura 5.8 com seus efeitos sobre a troca gasosa, conforme mostrado na
=sura 5.7. Repare que a relação ventilação-perfusão elevada no ápice resulta em Po2 alta e Pco2
- a. Observa-se o oposto na base.
.~
TrIsT
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86 John B. West
V oi VA 16 VAIO Po2 I Pco2 1 PN2 o2 I co2 pH 0 2 ( 0 2
cone. absor- e limi-
(%) L/min (mm Hg) (ml/100ml) vi do nado
(mllmin)
L
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1\
v--I'\ I
7 0,24 0,07 3,3 132 28 553 20,0 42 7,51 4 8
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13 0,82 1,29 0,63 89 42 582 19,2 49 7,39 60 39
, - ----... >\). !.-- - - ...... , , , -.... _ ~ _·-- '-. , , .... , ' .. I ' ' I ' I ' I ' I ' I
~ (\~
FIGURA 5.10
Diferenças regionais na troca gasosa dos pulmões abaixo. Apenas os valores a picais e basa.s
são demonstrados para esclarecimento.
mais favorável para esse organismo.) A variação na PN2 é, na realidade, à reve-
lia, pois a pressão total no gás alveolar é a mesma por todo o pulmão.
As diferenças regionais na Po2 e na Pco2 sugerem diferenças nas con-
centrações capilares finais desses gases, as quais podem ser obtidas a partir
das curvas de dissociação apropriadas (Capítulo 6). Observe a grande e sur-
preendente diferença de pH através do pulmão, a qual reflete a variação
considerável na Pco2 do sangue. A contribuição mínima para a captação de 0 2
em geral realizada no ápice pode ser principalmente atribuída ao fluxo san-
guíneo muito baixo nessa região. A diferença no débito de C02 entre o ápice
e a base é muito menor, pois pode se mostrar mais intimamente relacionada
à ventilação. Em consequência disso, a razão de troca respiratória (elimina-
ção de C02icaptação de 0 2) é mais elevada no ápice do que na base. Com o
exercício, quando a distribuição do fluxo sanguíneo se toma mais uniforme,
o ápice assume uma parcela maior da captação de Oz.
TrIsT
EFEITO DO DESEQUIL(BRIO ENTRE
VENTILAÇAO-PERFUSAO NA TROCA GASOSA TOTAL
Fisiologia respiratória 87
Embora as diferenças regionais na troca gasosa discutidas anteriormente
sejam relevantes, o mais importante para o corpo como um todo é se o dese-
~uilibrio entre a ventilação e o fluxo sanguíneo afeta a troca gasosa pulmonar
5eral, isto é, a capacidade de captação de 02 e de eliminação de C02. Acontece
~e um pulmão com ventilação-perfusão desigual não é capaz de transferir
::.em 02 nem C02 como um pulmão uniformemente ventilado e perfundido,
?ertnanecendo os demais fatores inalterados. Ou, se as mesmas quantidades
:e gás são transferidas (pois são determinadas pela demanda metabólica do
:orpo), o pulmão com ventilação-perfusão desigual não consegue manter a
?o2 arterial tão alta nem a Pco2 arterial tão baixa quanto o pulmão homogê-
::eo, com os demais fatores permanecendo, mais uma vez, inalterados.
A razão pela qual um pulmão com desequilibrio entre ventilação e fluxo
sanguíneo apresenta dificuldade de oxígenação do sangue arterial pode ser
..:ustrada observando-se as diferenças encontradas da região superior para a
.:áerior no pulmão em posição vertical (Figura 5.11). Aqui, a Po2 no ápice é
~ torno de 40 mm Hg mais alta do que na base do pulmão. No entanto, a
-::incipal parcela de sangue que deixa o pulmão provém das zonas inferiores,
::1de a Po2 é baixa, o que resulta em redução da Po2 arterial. Em contraste, o
~ alveolar expirado provém de modo mais uniforme do ápice e da base por
: GURA 5.11
';;<iução da P02 arterial decorrente do desequilíbrio entre ventilação-perfusão. Nesse
.a~rama do pulmão na posição vertical, apenas dois grupos de alvéolos são mostrados, um no
...:::ee e outro na base. Os tamanhos relativos das vias aéreas e dos vasos sanguíneos indicam as
:-cilações e os fluxos sanguíneos relativos. Uma vez que a maior parte do sangue é proveniente
.:a oase pouco oxigenada, a redução na Po2 do sangue é inevitável.
TrIsT
d
•' ' I
88 John B. West
conta das diferenças de ventilação muito menores do que as de fluxo sanguí-
neo (Figura 5.8) . Pelas mesmas razões, a Pco2 arterial estará elevada, pois é
mais alta na base do pulmão do que no ápice (Figura 5.10).
A Figura 5.12 demonstra outra razão pela qual a desigualdade entre
ventilação e fluxo sanguíneo reduz a Po2 arterial. A figura ilustra três gru-
pos de alvéolos com relações ventilação-perfusão baixa, normal e alta. As
concentrações de 02 do sangue efluente são de 16, 19,5 e 20 mL · 100 mL-\
respectivamente. Em consequência disso, as unidades com as relações venti-
lação-perfusão elevadas adicionam relativamente pouco oxigênio ao sangue,
em comparação ao decréscimo causado pelos alvéolos com relações ventila-
ção-perfusão baixas. Assim, o sangue capilar misto exibe concentração de 0 2
mais baixa do que as unidades com relações ventilação-perfusão normais. Isso
pode ser explicado pelo formato não linear da curva de dissociação de oxigê-
nio, a qual significa que, embora as unidades com relações ventilação-perfusão
elevadas apresentem Po2 relativamente alta, a concentração de oxigênio no
sangue não aumenta muito. Esse outro motivo para a redução da Po2 não se
aplica à elevação da Pco2, uma vez que a curva de dissociação de C02 é quase
linear na faixa normalmente avaliada.
O resultado efetivo desses mecanismos é a redução da Po2 arterial para
abaixo da Po2 alveolar mista - a então chamada diferença de Oz alvéolo-capilar.
No pulmão normal em posição vertical, essa diferença é de magnitude dis-
creta, sendo cerca de apenas 4 mm Hg em função do desequilíbrio entre
Concentração de 0 2 14,6 16,0 19,5 20,0 17,9 mU1 00 ml
FIGURA 5.12
Outro motivo para a redução da Po2 arterial pelo desequilíbrio entre ventilação e fluxo san-
guíneo. As unidades pulmonares com relação ventilação-perfusão alta adicionam relativamentE
pouco oxigênio ao sangue em comparação com o decréscimo causado pelos alvéolos com baiXê
relação ventilação-perfusão.
TrIsT
Fisiologia respiratória 89
ventilação-perfusão. O seu desenvolvimento é descrito aqui apenas para ilus-
trar como a ventilação e o fluxo sanguíneo desiguais resultam em redução da
Po2 arterial. Na doença pulmonar, a redução da Po2 arterial por meio desse
mecanismo pode ser extrema.
DISTRIBUIÇÕES DAS RELAÇÕES VENTILAÇÃO-PERFUSÃO
É possível obter informações acerca da distribuição das relações venti-
:ação-perfusão em pacientes portadores de doenças pulmonares por meio da
..nfusão, em uma veia periférica, de uma mistura de gases inertes dissolvidos
:om várias solubilidades e, depois disso, da medição das concentrações dos
_5ases no sangue arterial e no gás expirado. Os detalhes dessa técnica são mui-
:a complexos para serem descritos aqui; é usada mais em pesquisa do que em
~oratório de função pulmonar. A técnica produz a distribuição da ventilação
= do fluxo sanguíneo representada em face à relação ventilação-perfusão com
;J compartimentos igualmente espaçados em uma escala logarítmica.
A Figura 5.13 demonstra o resultado típico de uma pessoa jovem nor-
- al. Observe que toda a ventilação e todo o fluxo sanguíneo vão para seções
::-óximas à relação ventilação-perfusão normal de cerca de 1,0 e que, em
I I I I
1,5 - -
........ c
E ~ Ventilação
d
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1- Fluxo sanguíneo -+ -
0'1
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~ 0,5 r- -
~ ...
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/Ausência de shunt j ~ o~,/ CL .L I
o 0,01 o, 1 1,0 10,0 100,0
Relação ventilação-perfusão
ouição das relações ventilação-perfusão em uma pessoa jovem normal. Observe a
: a "5âo estreita e a ausência de shunt.
~ .
TrIsTI I,
~·
I
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I
I
'li ~~ I
~ I
90 John B. West
particular, não há fluxo de sangue para a seção não ventilada (shunt). Muita:
vezes, as distribuições em portadores de doenças pulmonares são muito dife-
rentes. A Figura 5.14 exibe o exemplo de um paciente portador de bronquit~
crônica e enfisema. Observe que, embora grande parte da ventilação e d:
fluxo de sangue vá para seções com relações ventilação-perfusão próximas d;:
normalidade, considerável fluxo sanguíneo vai para seções com relações ver:-
tilação-perfusão entre 0,03 e 0,3. O sangue proveniente dessas unidades se~
pouco oxigenado e irá reduzir a Po2 arterial. Há, também, ventilação excesshc.
para as unidades pulmonares com relações ventilação-perfusão de valor até
1 O. Essas unidades são ineficientes na eliminação de C02. Esse paciente err.
particular tem hipoxemia arterial, porém Pco2 arterial normal (ver mais adian-
te) . Outros padrões são observados em outros tipos de doença pulmonar.
DESEQUIL(BRIO ENTRE VENTILAÇAO-PERFUSÃO
COMO CAUSA DA RETENÇÃO DE C02
Imagine um pulmão uniformemente ventilado e perfundido e que trans-
fere quantidades normais de 02 e C02. Suponha que, de maneira mágica, c
equilíbrio entre a ventilação e o fluxo sanguíneo é repentinamente afetado
'2 0,6 .E
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Q)
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01
0,4 c
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11'0 ~Ventilação v 0,2
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~
o
o 0,01 0,1 1,0 10,0 100,0
Relação ventilação-perfusão
FIGURA 5.14
Distribuição das relações ventilação-perfusão em um paciente com bronquite crônica e
enfisema. Observe particularmente o fluxo sangufneo para os pulmões com relações ventilação-
-perfusão muito baixas.
TrIsT
~--_-_ _ _ _
Fisiologia respiratória 91
enquanto tudo permanece inalterado. O que acontece às trocas gasosas? O
efeito desse desequillôrio entre ventilação-perfusão "puro" (isto é, tudo mais
permanece constante) é reduzir tanto a captação de 02 quanto a eliminação
de C02 do pulmão. Em outras palavras, o pulmão se torna menos eficiente
na sua função de troca gasosa dos dois gases. Portanto, o desequiliôrio entre
ventilação e fluxo sanguíneo acarreta hipoxemia e hipercapnia (retenção de
C0 2), com os demais fatores permanecendo iguais.
No entanto, na prática, pacientes com indubitável desequillôrio entre
~.-entilação-perfusão muitas vezes apresentam Pco2 arterial normal. A razão
?ara isso é que, sempre que os quimiorreceptores percebem a elevação de
?co2, ocorre aumento do estímulo ventilatório (Capítulo 8) . O consequente
aumento da ventilação para os alvéolos é normalmente eficaz para o retorno
ao normal da Pco2 arterial. Entretanto, tais pacientes podem manter a Pco2
::ormal apenas às custas dessa ventilação incrementada para os seus alvéolos;
.:. ventilação em excesso do que eles normalmente requerem é muitas vezes
::enominada de ventilação desperdiçada e é necessária uma vez que unidades
::;~onares com relações ventilação-perfusão anormalmente altas são inefi-
::entes na eliminação de C02. Diz-se que tais unidades constituem o espaço
-:.orto alveolar.
DESEQUIL(BRIO ENTRE VENTILAÇÃO-PERFUSÃO
• A relação ventilação-perfusão (VAIÓ.} determina a troca gasosa em todas as
unidades pulmonares.
• As diferenças regionais entre VAIÓ. no pulmão humano em posição vertical
ocasionam um padrão regional de troca gasosa.
• O desequilíbrio entre VAIÓ. compromete a captaçao ou a eliminação de todos
os gases pelo pulmão.
• Embora a eliminação de C02 seja prejudicada pelo desequilíbrio entre VAIÓ.,
é possivel corrigi-la por meio do aumento da ventilação para os alvéolos.
• Em contrasteJ não é possfvel abolir a hipoxemia resultante do desequilibrio
entre VAIÓ. com incrementos da ventilação.
• O comportamento diferente dos dojs gases é resultante dos formatos diferentes
das suas curvas de dissodação.
Ao mesmo tempo em que o aumento da ventilação do pulmão com de-
- :~líbrio entre ventilação-perfusão é, de modo geral, eficaz na redução da
: arterial, a eficácia no aumento da Po2 arterial é muito menor. A razão
-::=-= o comportamento diferente dos dois gases se encontra nos formatos das
~ ãS de dissociação de 02 e C02 (Capítulo 6). A curva de dissociação de
__ é quase reta na faixa fisiológica, e o resultado do aumento da ventila-
:..ncrementa a eliminação de co2 das unidades pulmonares com relações
TrIsT
92 John B. West
de ventilação-perfusão altas ou baixas. Em contraste, a parte superior qua-
se horizontal da curva de dissociação de Oz significa que apenas unidades
com relações ventilação-perfusão moderadamente baixas se beneficiam do
aumento da ventilação. As unidades que se encontram muito altas na curva
de dissociação (relação ventilação-perfusão elevada) aumentam bem pouco
a concentração de Oz no sangue efluente (Figura 5.12). As unidades que
apresentam relação ventilação-perfusão muito baixa continuam a enviar san-
gue com concentração de Oz próxima a do sangue venoso misto. O resultado
efetivo é que a Po2 arterial mista se eleva apenas modestamente, e um pouco
de hipoxemia sempre permanece.
MEDIDA DO DESEQUILÍBRIO ENTRE VENTILAÇÃO-PERFUSÃO
Corno é possível avaliar se há desequilfbrio entre ventilação-perfusão
em pulmões doentes? É possível utilizar gases radioativos para definir dife-
renças topográficas na ventilação e no fluxo sanguíneo do pulmão normal em
posição vertical (Figuras 2. 7 e 4. 7). Porém, na maioria dos pacientes, a dis-
cordância entre as unidades intimamente adjacentes é grande e não pode ser
distinguida por medidores sobre o tórax. Na prática, voltamos para os índices
com base no comprometimento resultante das trocas gasosas.*
Urna medida útil é a diferença da Po2 alvéolo-capilar, obtida por meio da
subtração da Po2 arterial da então chamada Po2 alveolar "ideal", a qual cor-
responde à Po2 que o pulmão teria se não apresentasse ventilação-perfusão
desigual e tivesse trocando gases na mesma taxa da troca respiratória, corno
o pulmão real. Deriva da equação do gás alveolar:
A Pco2 arterial é utilizada para o valor alveolar.
Por exemplo: suponha que um paciente que respira ar ao nível do mar
apresente Po2 arterial de 50 rnm Hg, Pco2 arterial de 60 mm Hg e R de 0,8. A
hipoxemia arterial poderia ser explicada pela hipoventilação?
A partir da equação do gás alveolar, a Po2 alveolar ideal é dada por
60
PA
0
= 149--+F= 74 rnrnHg
2 0,8
* N. de R.T.: Para mais detalhes, recomendamos a leitura de JB West, Fisiopatologia Pulmo-
nar- Princípios básicos, 78 edição (Porto Alegre: Artmed, 2010).
TrIsT
Fisiologia respiratória 93
ande a Po2 inspirada é de 149 mm Hg, e o pequeno fator F é ignorado. Assim,
a diferença da Po2 alvéolo-capilar é de cerca de (74- 50) = 24 rnm Hg. É anor-
:nalmente alta e indica que existe desequilibrio entre ventilação-perfusão.
Mais informações sobre medição do desequilíbrio entre ventilação-per-
:-J.são podem ser encontradas no Capítulo 10.
F ique atento
1.
2.
3.
4.
5.
6.
As quatro causas de hipoxemia são hipoventilação, limitação da difusão,
shunt e desequilíbrio entre ventilação-perfusão.
As duas causas de hipercapnia, ou retenção de C02. são hipoventilação e
desequilíbrio entre ventilação-perfusão.
Shunt é a única causa de hipoxemia em que a Po2 arterial não se eleva
ao nível esperado quando o paciente respira 02 a 1 00%.
A relação ventilação-perfusão determina a Po2 e a Pco2 em todas as unidades
pulmonares. Por ser alta no ápice do pulmão, nessa região, a Po2 é alta, e a
Pco2 é baixa.
O desequilíbrio entre ventilação-perfusão reduz a eficiência da troca gasosa
do pulmão de todos os gases. No entanto, muitos pacientes com
ventilação-perfusão desigual apresentam Pco2 arterial normal, pois
aumentam a ventilação alveolar. Contrariamente, a Po2 arterial é sempre
baixa. O comportamento diferente dos dois gases é atribuído aos formatos
diferentes das duas curvas de dissociação.
A diferença da Po2 alvéolo-capilar constitui uma medida útil do desequilíbrio
entre ventilação-perfusão. A Po2 alveolaré calculada a partir da equação do
gás alveolar por meio da utilização da Pco2 arterial.
:STE SEU CONHECIMENTO
• Um alpinista atinge a altitude de 4.500 m, onde a pressão barométrica é de 447 mm
Hg. A Po
2
do ar umidificado inspirado (em mm Hg) é de:
a) 47
b) 63
c) 75
d) 84
e) 98
TrIsT
d I I
111 I
lld ... ,
11 1
ti:
i'
~~ r .l i
94 John B. West
2. Um homem com pulmões normais e Pco2 arter'1a) à e 40 mm 'Hg ·mgere uma supeYào-
sagem de barbitúrico, que diminui pela metade a ventilação alveolar, mas não altera
a eliminação de C02. Se a taxa de troca respiratória é de 0,8, qual será a Po
2
arterial
(em mm Hg) aproximadamente?
a) 40
b) 50
c) 60
d) 70
e) 80
3. Na situação descrita na Questão 2, em quanto (o/o) a concentração de 0 2 inspirado
precisa aumentar para a Po2 arterial retornar ao nível original?
a) 7
b) 11
c) 15
d) 19
e) 23
4. O cateterismo de um paciente com pulmões normais, mas com shunt da direita para
a esquerda, revela conceritraç-oes ae oxrgeriro no sari·gue arteflal e nn venos-o nir5ro
de 18 e 14 ml · 100 mL-1, respectivamente. Se a concentração de 02 do sangue que
deixa os capilares pulmonares é calculada para ser 20 ml · 100 mL-1, qual é o shunt
em porcentagem do seu débito cardíaco?
a) 23
b) 33
c) 43
d) 53
e) 63
S. Se um alpinista no cume do Monte Everest (pressão barométrica de 247 mm Hg)
mantém Po2 alveolar de 34 mm Hg e se encontra em estado de equilíbrio (R !5: 1 ), a
Pco2 alveolar (em mm Hg) não pode ser superior a:
a) 5
b) 8
c) 1 O
d) 12
e) 15
6. Um paciente portador de doença pulmonar obstrutiva crônica grave que causa grande
desequilíbrio entre ventilação-perfusão apresenta Po2 arterial de 50 mm Hg e Pco2
arterial de 40 mm Hg. A Pco2 é normal. apesar da hipoxemia, pois:
a) O desequilíbrio entre ventilação-perfusão não interfere na eliminação de C02.
b) Grande parte do C02 é carreada como bicarbonato.
c) A anidrase carbônica acelera a formação de ácido carbônico.
d) O C02 se difunde mais rápido por meio do tecido do que o 02.
e) As curvas de dissociação de 02 e de C02 apresentam formatos diferentes.
TrIsT
de
Fisiologia respiratória 95
7. O ápice do pulmão humano em posição vertical em comparação à base apresenta:
a) Po2 mais alta.
b) Ventilação mais elevada.
c) pH menor no sangue capilar final.
d) Fluxo sanguíneo mais elevado.
e) Alvéolos menores.
8 . Se a relação ventilação-perfusão de uma unidade pulmonar é reduzida por obstru-
ção brônquica parcial enquanto o resto do pulmão permanece inalterado, a unidade
pulmonar afetada demonstrará:
a) Aumento da Po2 alveolar.
b) Redução da Pco2 alveolar.
c) Nenhuma alteração na PN2 alveolar.
d) Elevação do pH do sangue capilar final.
e) Queda da captação de oxigênio.
9. Um paciente com doença pulmonar que respira ar ambiente apresenta Po2 e Pco2 de
49 e 48 mm Hg, respectivamente, e taxa de troca respiratória de 0,8. A diferença da
Po2 (em mm Hg) alvéolo-capilar aproximada é de:
a) 10
b) 20
c) 30
d) 40
e) 50
TrIsT
Transporte dos gases
pelo sangue: como são
transportados para os
tecidos periféricos
~" ------~·~"'-~::.--1:-~ .: .. ~- .. :" .. -. ,'" _ .. - ~- .·- .... ~ - . ·:--. -~. -~
• Oxigênio
02 dissolvido
Hemoglobina
Curva de dissociação do 0 2
• Dióxido de carbono
Transporte de C02
Curvo de dissociação do C02
• Estado ácrdo-bósico
Acidose respiratória
Alcalose respiratório
Acidose metabólico
Alcalose metabólico
• Troca gasosa sangue-tecido
::11os aqui abordar o transporte dos gases respiratórios, oxigênio e dióxido de
:::~bono, pelo sangue. Em primeiro lugar, abordamos a curva de dissociação do
: gênio, inclusive os fatores que afetam a afinidade do oxigênio pela hemoglobina.
::oois, voltamo-nos para o dióxido de carbono, o qual é transportado no sangue
:e três formas. Em seguida, consideramos o estado ácido-básico do sangue e suas
: .. otro principais anorm~lidades: alcalose e acidose respiratórias e alcalose e aci-
- :;se metabólicos. Por fim, abordamos brevemente a troca gasosa nos tecidos
.-:~·fé ricos.
TrIsT
11. 1 I
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98 John B. West
OXIGÊNIO
O 0 2 é transportado no sangue de duas formas: dissolvido e combina:
com a hemoglobina.
02 dissolvido
Essa forma obedece à lei de Henry, ou seja, a quantidade dissolvida é p~
porcional à pressão parcial (Figura 6.1). Para cada mm Hg de Po2 há 0,003 mL '"-
0 2 · 100 m.L-1 de sangue (muitas vezes escrito como vol. 0,003 %). Assim, o sa:
gue ru:terial normal com Po2 de 100 mm Hg contém 0,3 mL de Oz · 100 mL-
1.
E fácil perceber que essa forma de transporte de 0 2 é inadequa&
Suponhamos que o débito cardíaco durante o exercício intenso seja de 30 _
· min-1. Uma vez que o sangue arterial contém 0,3 mL de 02 · 100 mL-1 c::
sangue (isto é, 3 mL de 0 2 · L-1 de sangue) sob a forma de 0 2 dissolvidc
a quantidade total que chegará aos tecidos será de apenas 30 x 3 = 90 ml
min-1. No entanto, as necessidades teciduais podem ser tão elevadas quant ...
100
80 02 combinado com Hb
~
.D
::t:
Q) 60
"O
o ,.,
....... .,
.....
:::1 40 ..... .,
Vl
20
o
20 40 60 80 100
Po2 {mm Hg)
FIGURA6.1
22
18
14
10
6
2
600
::J'
E
8
N
o
Q)
"O
o ,.,
....... .,
..... ..... c
Q)
u
c
8
Curva de dissociação do Oz (linha sólida) em pH de 7,4, Pco2 de 40 mm Hg e 37°C. A concen-
tração sanguínea total de 0 2 também é demonstrada para a concentração de hemoglobina de
15 gm · 100 mL-1 de sangue.
TrIsT
Fisiologia respiratória 99
3.000 mL de 02 · min·I, ficando clara a necessidade de outro método de
::ansporte de 02.
"'iemoglobina
Heme é um composto de ferro e porfirina; liga-se à proteína globina, a
_..la! consiste em quatro cadeias polipeptídicas. As cadeias são de dois tipos,
-~ e beta, e as diferenças nas suas sequências de aminoácidos dão origem
-~vários tipos de hemoglobina humana. A hemoglobina normal do adulto é
_:lhecida como A. A hemoglobina F (fetal) constitui parte da hemoglobina do
=~-nascido e é gradualmente substituída ao longo do primeiro ano de vida
- -s-natal. A hemoglobina S (de sickle- foice) apresenta valina em lugar de ácido
:.âmico nas cadeias beta. Isso resulta em desvio da curva de dissociação para
-=-eita; porém, o mais importante é que a forma desoxigenada é pouco solúvel
--;ire cristalização no eritrócito. Consequentemente, a forma da célula muda
:ironcava para uma forma em crescente ou em foice, com maior fragilidade
-=-dência à formação de trombo. Muitas outras variedades de hemoglobina já
===:;. descritas, algumas com afinidades bizarras pelo 02. Para mais informa-
- acerca de hemoglobina, consulte um livro-texto de bioquímica .
. \ hemoglobina normal A pode ter seu íon ferroso oxidado à forma férrica
~~-ersas drogas e substâncias químicas, dentre as quais citamos nitratos,
-=:.::amidas e acetanilida. Essa forma férrica é conhecida como metemo-
-~a. Há uma causa congênita na qual a enzima metemoglobina-redutase
.:=-~ciente no eritrõéito. A súrtemoglób·ma consfltül outra lorma anormà1 .
.:: compostos não são úteis para o transporte de 02.
r de dissociação do 02
:::> 0 2 forma uma combinação facilmente reversível com a hemoglobi-
~.J), dando origem à oxiemoglobina: 02 + Hb.,.......... Hb02. Suponhamos
:::"31emos uma quantidade de recipientes de vidro (tonômetros), cada um
:entendo pequeno volume de sangue, e adicionemos gás com várias
---~:rações de 02. Após o tempo suficiente para que o gás e o sangue al-
~__._..- o equilíbrio, medimos a Po2 do gás e a concentração de 02 do sangue.
_..-.,.;....-o que 0,003 mL de 02 serão dissolvidos em cada 100 mL de sangue/
-=~e Po2, é possível calcularmos o 02 combinado com a Hb (Figura 6.1).
= que a quantidade de 02 transportado pela Hb aumenta com rapidez
..::=.:. Po2 de cerca de 50 mm Hg; porém, acima disso, a curva se torna
=tais horizontal.
_-.quantidade máxima de 02 que pode ser combinada com a Hb é chama-= :apacidade de 02. Ocorre quando todos os locais de ligação disponíveis
--- ocupados \)Ot 02, podendo ser medida pela exposição do sangue à Po2
TrIsT
100 John B. West
muito alta (tal como 600 mm Hg) e subtração do 02 dissolvido. Um gran::
de Hb pura pode se combinar com 1,39* mL de 02, e, uma vez que o sangt:~
normal apresenta aproximadamente 15 gm de Hb · 100 mL-1, a capacidade d~
0 2 se encontra próxima de 20,8 mL de Oz · 100 mL-1 de sangue.
A saturação de 0 2 constitui a porcentagem dos locais de ligação dispon..-
veis que apresentam ligação com o 0 2 e é dada por:
0 2 combinado com Hb x 100
capacidade de 02
A saturação de 0 2 do sangue arterial com Po2 de 100 mm Hg é de cerca d~
97,5%, enquanto a do sangue venoso misto com Po2 de 40 mm Hg é em ton::
de 75%.
A mudança da Hb a partir do estado completamente oxigenado para :
estado desoxigenado (também chamado estado reduzido) é acompanhari:.
por uma alteração de conformação na molécula. A forma oxigenada constitL..
o estado R (relaxado), e a forma desoxi, o estado T (tenso). A compreensã~
das relações entre Po2, saturação de Oz e concentração de Oz (Figura 6.2) e
importante. Por exemplo, suponhamos que um paciente gravemente anêmicc
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FIGURA6.2
30 60 90 120
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(mm Hg)
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Efeitos da anemia e da policitemia na concentração e na saturação de Po2• Além disso, a linh:
pontilhada representa a curva de dissociação de 0 2 quando um terço da hemoglobina normal s=
encontra ligada ao CO. Observe que a curva está desviada para a esquerda.
* N. de R T.: Algumas medidas fornecem 1,34 ou 1,36 rnL. A razão disso é que, sob <E
condições normais do corpo, parte da hemoglobina se encontra na forma de metemo-
globina que não pode se combinar com o 02.
TrIsT
-
--- - - - - --==-------=-=-
Fisiologia respiratória 1 O 1
=concentração de Hb de apenas 10 gm · 100 mL·1 de sangue, apresente
-=nões normais e Po2 arterial de 100 mm Hg. A capacidade de 02 desse pa-
~-=re será de 20,8 x 10/15 = 13,9 mL · 100 mL-1. Sua saturação de 0 2 será
....: 97,5% (com pH, temperatura e Pco2 normais), mas o 02 combinado com
_:::> será de apenas 13,5 mL · 100 mL-1. O 02 dissolvido contribui com 0,3
=..:__ rotalizando a concentração de 02 de 13,8 rnL · 100 mL-1 de sangue. De
--do geral, a concentração de oxigênio do sangue (em mL de 0 2 · 100 mL-1
- ~ sangue) é fornecida por
-de Hb é a concentração de hemoglobina em gm · 100 mL·1, Sat é o percen-
- .L de saturação de hemoglobina, e Po2 está em mm Hg.
A forma da curva de dissociação de 0 2 apresenta várias vantagens fi-
.:. .ógicas. A porção superior mais horizontal significa que mesmo que a Po2
gás alveolar sofra alguma queda, o transporte de 0 2 será pouco afetado.
_.:>_:n disso, à medida que os eritrócitos captam 02 ao longo dos capilares
~ -=nanares (Figura 3.3), uma grande diferença de pressão parcial entre o
.::: alveolar e o sangue continua a existir mesmo quando grande parte do 0 2
:oi transferida. O resultado disso é a aceleração do processo de difusão. A
-~e inferior mais vertical da curva de dissociação significa que os tecidos
~:::..'"iféricos podem retirar grandes quantidades de 02 com apenas pequena
_eda na Po2 capilar. Essa manutenção da Po2 do sangue auxilia a difusão de
- _ para as células teciduais.
Visto que a cor da Hb reduzida é roxa, a baixa saturação de 0 2 arterial
casiona cianose. Entretanto; isso não é um sinal confiável de dessaturação
- -e, pois o seu reconhecimento depende de muitas variáveis, como as condi-
:es de iluminação e de pigmentação da pele. Urna vez que o importante é a
_antidade de Hb reduzida, muitas vezes a cianose é marcante quando há pre-
c::lÇa de policitemia; no entanto, é de difícil detecção em pacientes anêmicos.
A curva de dissociação de 02 é desviada para a direita, ou seja, a afini-
.....:-de pelo 02 da Hb é diminuída pelo aumento na concentração de H+, Pco2,
-2peratura e concentração de 2,3-difosfoglicerato nos eritrócitos (Figura
- 3). Alterações opostas desviam a curva para a esquerda. Grande parte do
-::iro da Pco2, conhecido como efeito Bohr, pode ser atribuída a sua ação na
-:lcentração de H+. Um desvio para a direita significa mais liberação de 02 à
.:;:::erminada Po2 em um capilar tecidual. Uma maneira simples de lembrardes-
=s desvios é levar em conta que um músculo em exercício é ácido, hipercárbico
= ?Iente, e se beneficia do aumento da liberação de 02 de seus capilares.
O ambiente da Hb no eritrócito também afeta a curva de dissociação
-= 02. O aumento no 2,3-difosfoglicerato (DPG), o qual constitui um pro-
- .:to final do metabolismo do eritrócito, desvia a curva para a direita. Uma
TrIsT
102 John B. West
100
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Po2 (mm Hg)
FIGURA6.3
Desvio para a direita da curva de dissociação do 02 pelo aumento de H+, Pco2, temperatura
e2,3-DPG.
maior concentração desse material ocorre em casos de hipoxia crônica, po:
exemplo, em grandes altitudes, ou na presença de doença pulmonar crônica.
Consequentemente, a liberação de 02 para os tecidos periféricos é favorecida
iEm contraste, o sangue armazenado em um banco de sangue pode sofre:
redução de 2,3-DPG, sendo a liberação de 02, portanto, prejudicada. UIIlê
medida útil da posição da curva de dissociação é a Po2 para a saturação de
50%, conhecida como Pso. O valor normal para o sangue humano é de cere2
de 27 mmHg.
CURVA DE DISSOCIAÇAO DE OXIG~NIO
• Pontos de uancoragem" úteis: Po2 de 40, So2 de 75%; Po2 de 1 00, So2 de 97%.
• A curva sofre desvio para a direita com aumentos de-temperatura, Pco2, H+ e
2,3-DPG.
• Uma pequena adição de CO ao sangue ocasiona desvio para a esquerda.
TrIsT
~
.
... ...
::2
Fisiologia respiratória 1 03
O monóxido de carbono interfere na função do sangue de transportar
~h ao combinar-se com a Hb para formar carboxiemoglobina (COHb). O
: o apresenta cerca de 240 vezes mais afinidade pela Hb do que o 02; isso
~er dizer que o CO se combina com a mesma quantidade de Hb que o 02
~uando a pressão parcial de CO for 240 vezes menor. De fato, a curva de dis-
mciação do CO é quase idêntica no formato da curva de dissociação de 02
:a Figura 6.3, exceto pelo fato de que o eixo da Pco é extremamente com-
?rimido. Por exemplo, em uma Pco de 0,16 mm Hg, 75% da Hb se combina
:-om CO na forma de COHb. Por essa razão, pequenas quantidades de CO
:ão capazes de saturar uma grande proporção da Hb no sangue, tornando-
::. desse modo, indisponível para o transporte de 02. Se isso acontecer, é
:-ossível que a concentração de Hb e a Po2 do sangue estejam normais; no
::::ranto, a concentração de 02 estará muito reduzida. A presença de COHb
:..m1bém desvia a curva de dissociação de 02 para a esquerda (Figura 6.2),
-=.:erferindo, assim, na liberação de 02, o que constitui outra característica
:a. toxicidade de CO.
:: ÓXIDO DE CARBONO
-"'ãnsporte de co2
O C02 é transportado no sangue de três maneiras: dissolvido, na forma
~ ~icarbonato e em combinação com proteínas na forma de compostos car-
.:a::úno (Figura 6.4)_
1.
2.
O C02 dissolvido, assim como o 02, obedece à lei de Henry; porém, o
C02 é cerca de 20 vezes mais solúvel que o 02, sendo a sua solubilida-
de de 0,067 mL · dL-1 · mm Hg-1. Como resultado, a forma dissolvida
desempenha importante papel no transporte de co2, já que cerca de
10% do gás emitido pelo pulmão proveniente do sangue se encontra
nessa forma (Figura 6.4) .
O bicarbonato é formado no sangue pela seguinte sequência:
_-\ primeira reação é muito lenta no plasma, porém rápida no eritrócito
!:Dnta da presença da enzima anidrase carbônica (AC). A segunda rea-
dissociação iônica do ácido carbônico, é rápida e sem necessidade de
-- enzimática. Quando a concentraçãodesses íons se eleva no eritrócito, o
- ~3 se difunde para fora; porém, o H+ não consegue com facilidade fazer o
=-=:o, pois a membrana celular é relativamente impermeável a cátions. Por
?ara manter a neutralidade elétrica, os íons de cl- se movem para dentro
TrIsT
1 04 John B. West
FIGURA 6.4
100% 5
90
0% 5
Sangue
arteria l
Carbamino
30
HC03 60
Dissolvido
10
Diferença
arteriovenosa
A primeira coluna mostra as proporções da concentração total de C02 no sangue arterial. -
~1.1!JUrrutrc.u1urra mosrra as proporções que fazem a d'lferença arteriovenosa.
da célula a partir do plasma, ocorrendo o então chamado desvio de cloreto
(Figura 6.5). O movimento do cloreto acontece de acordo com o equilíbrio de
Gibbs-Donnam."'
Alguns dos íons H+ liberados se ligam à hemoglobina reduzida:
Isso ocorre porque a Hb reduzida é menos ácida (ou seja, um melhor
aceptor de prótons) do que a forma oxigenada. Desse modo, a presença de Hb
reduzida no sangue periférico ajuda na captação de C02, enquanto a oxige-
nação que ocorre no capilar pulmonar ajuda na liberação. O fato de que a
desoxigenação do sangue aumenta sua capacidade de carrear C02 é conhecido
como o efeito Haldane .
.. N. de R.T.: Equilíbrio ou efeito de Gibbs-Donnam refere-se ao comportamento de
partículas eletricamente carregadas próximas a uma membrana semipermeável que
acarreta uma distribuição não uniforme nos dois lados da barreira. Sua causa habitual é
a presença de substâncias com diferentes cargas elétricas que não conseguem atravessar
a membrana e que então criam uma carga elétrica desigual.
TrIsT
----
02
~GURA6.5
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Fisiologia respiratória 1 OS
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--+--+ (02 --~~
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H20
Tecido Plasma Eritrócito
HHb
Hb02
:squema da captação de C02 e da liberação de 02 nos capilares sistêmicos. Eventos exata-
-,:"te opostos ocorrem nos capilares pulmonares.
Esses eventos associados à captação de C02 pelo sangue aumentam o
::reúdo esmolar do eritrócito, e, consequentemente, água penetra na célu-
- aumentando, assim, seu volume. Quando as células passam pelo pulmão,
.:;;..:s se retraem um pouco.
3. Os compostos carbamino são formados pela combinação de C02 com
grupos aminoterminais nas proteínas sanguíneas. A proteína mais im-
portante é a globina da hemoglobina: Hb·NHz + COz .-Hb·NH·COOH,
originando a carbaminoemoglobina. Essa reação ocorre rapidamente
sem enzima, e a Hb reduzida pode se ligar a mais C02 na forma de
carbaminoemoglobina do que na de Hb02. Dessa forma, mais uma vez,
a liberação de Oz nos capilares periféricos facilita a captação de C02,
enquanto a oxigenação causa efeito contrário.
_-\s contribuições relativas das várias formas de C02 no sangue à con-
~-ação total de COz se encontram resumidas na Figura 6.4. Observe que a
-=.::.e quantidade de COz se encontra sob a forma de bicarbonato. A quan-
.=e dissolvida é pequena, assim como a forma carbaminoemoglobina.
-=~anto, essas proporções não refletem as alterações que ocorrem quando
-:: é captado ou liberado pelo sangue. De toda a diferença arteriovenosa
TrIsT
1 06 John B. West
total, cerca de 60% são atribuídos a HC03; 30%, aos compostos carbamino, e
10%, ao COz dissolvido.
Curva de dissociação do C02
A relação entre Pco2 e a concentração total de COz do sangue é demons-
trada na Figura 6.6. Por analogia com o Oz, muitas vezes é referida como a
curva de dissociação de C02, sendo muito mais linear do que a curva de dis-
sociação de Oz (Figura 6.1). Observe também que, quanto menor a saturação
de Hb com Oz, maior a concentração de COz em uma dada Pco2. Como vimos.
podemos explicar o efeito Haldane pela maior capacidade da Hb reduzida de
capturar os íons H+ produzidos quando o ácido carbônico sofre dissociação
e pela maior facilidade da Hb reduzida de formar carbaminoemoglobina. A
Figura 6. 7 mostra que a curva de dissociação de COz é consideravelmente
mais vertical do que a de 02. Por exemplo, na faixa entre 40 e 50 mm Hg, a
concentração de COz se altera em cerca de 4, 7 em comparação com a con-
centração de Oz de apenas 1,7 mL/ 100 mL. Isso explica o motivo pelo qual a
diferença entre a Po2 do sangue arterial e a do venoso misto é grande (tipi-
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Pco2
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Dissolvido -----------
·---·-·-·-----------------------20 40 60 80
Pressão parcial de C02 (mm Hg)
Curvas de dissociação de C02 de sangues com diferentes saturações de 0 2. Observe que o
sangue oxigenado carreia menos C02 na mesma Pco
2
• O gráfico complementar demonstra a curva
"fisiológica" entre o sangue arterial e o venoso misto.
------
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Fisiologia respiratória 1 07
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Pressão parcial de 0 2 e C02 (mm Hg)
~ IGURA 6.7
:Urvas de dissociação de 02 e C02 tlpicas representadas nas mesmas escalas. Observe
:-e a curva de C02 é muito mais vertical; a e v se referem ao sangue arterial e ao venoso misto,
:spectivamente.
::.:.!llente em torno de 60 mm Hg), e a diferença de Pco2 é pequena (cerca de
~ :!l.IIl Hg).
ESTADO ACIDO-BASICO
o transporte de co2 exerce grande efeito sobre o estado ácido-básico do
-=.gue e do corpo como um todo. O pulmão excreta mais de 10.000 mEq de
.:o carbônico por dia, em comparação com menos de 100 mEq de ácidos
s pelo rim. Portanto, alterando a ventilação alveolar e, dessa forma, a
-:nação de C02, o corpo exerce controle importante sobre seu equilíbrio
o-básico. Esse assunto será abordado apenas brevemente, pois pertence à
- da fisiologia renal.
O pH resultante da solução de C02 no sangue e da consequente disso-
..;.o do ácido carbônico é dado pela equação de Henderson-Hasselbalch. É
-ada da seguinte maneira: Na equação:
-""I. lei da ação da massa fornece a constante de dissociação do ácido car-
~ .:nKA. como
(H+)x(HC03)
(H2C03 )
TrIsT
1 08 John B. West
CURVA DE DISSOCIAÇAO DO DIÓXIDO DE CARBONO
• O c-o2 é transportado na forma dissolvida, dé bicarbonato e carbamino.
A curva de C02 é mais vertical e mais linear do que a de 0 2.
A curva de C<b é desviada para a direita por aumentos na So2•
Uma vez que a concentração de ácido carbônico é proporcional à de
dióxido de carbono dissolvido, podemos mudar a constante e escrever
K = CH+) x CHco; )
A (C0 2)
Tomando logaritmos,
(H co-)
log K = log (H '" ) + log 3
A (COz)
onde
(H co-)
-log (H+) = - log K + log 3
A (C02)
Já que o pH é o logaritmo negativo,
(H co-)
pH = pK + log 3
A (C0 2)
Uma vez que o C02 obedece à lei de Henry, a concentração de C02 (em
mmol/L) pode ser substituída por (Pco2 x 0,03) . A equação então fica:
(H co-)
pH = pKA + log 3
0,03 Pc02
O valor de pi<A é 6, 1, e a concentração normal de HC03 no sangue arte-
rial é de 24 mmol/L. Substituindo, temos
24
pH = 6,1 + log ----
0,03 X 40
= 6,1 + log 20
= 6,1 + 1,3
Logo, pH = 7,4
Observe que, contanto que a taxa de concentração de bicarbonato
(Pco2 X 0,03) continue igual a 20, o pH permanece 7,4. A concentração de bi-
carbonato é determinada principalmente pelos rins, e a Pco2, pelos pulmões.
TrIsT
------
Fisiologia respiratória 1 09
As relações entre pH, Pco2 e HC03 são convenientemente demonstradas
no diagrama de Davenport (Figura 6.8). Os dois eixos mostram o HC03 e
o pH, enquanto linhas de Pco2 iguais percorrem o diagrama. O ponto A re-
?resenta o plasma normal. A linha CAB mostra a relação entre HC03 e pH
A 50
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10
- ~6.86,8 7,0 7,2 7,4 7,6 7,8
Unidades de pH
60
7,1
~---------------------+
7,4 7,7
pH
Alcalose Acidose
8,0
•
-a de Davenport demonstrando as relações entre HCOi, pH e Pcor (A) mostra a linha-
: --::rmal BAC. (B)representa as alterações que ocorrem na alcalose e acidose respiratórias e
.:as (ver texto). A distância vertical entre as linhas-tampão constitui o excesso de base.
TrIsT
11 O John B. West
conforme o ácido carbônico é adicionado ao sangue total, isto é, faz par:~
curva de titulação do sangue e é chamada de linha-tampão. A inclinação:_
sa linha também é mais vertical do que aquela medida no plasma separacc
sangue em virtude da presença de hemoglobina, a qual apresenta uma a==-
-tampão adicional. Em geral, a inclinação da linha medida no sangue to::L
vitro é um pouco diferente daquela encontrada em um paciente em virtud:=
ação-tampão do líquido intersticial e de outros tecidos corporais.
Se a concentração plasmática de bicarbonato é alterada pelos ri::;
linha-tampão é deslocada. O aumento na concentração de bicarbonato .:..::.
loca a linha-tampão para cima, como mostrado, por exemplo, pela linha:_
na Figura 6.8. Nesse caso, o excesso de base está maior e é dado pela distá::.::...._
vertical entre as duas linhas-tampão DE e BAC. Em contraste, a redução :.
concentração de bicarbonato desloca a linha-tampão para baixo (linha G:
ocasionando excesso de base negativa, ou déficit de base.
A relação entre bicarbonato e Pco2 pode ser alterada de quatro ma- ..c..
ras: ambos podem sofrer aumento ou diminuição. Cada um desses qua=-
distúrbios dá origem a uma alteração característica ácido-básica.
Acidose respiratória
A acidose respiratória é causada pela elevação na Pco2, que reduz _
relação HC03/Pco2, diminuindo, dessa forma, o pH. Isso corresponde ao n:-:-
vimento de A para B na Figura 6.8. Toda vez que a Pco2 sofre elevação. :
bicarbonato também aumenta até determinado ponto em razão da dissoc:é.
ção de ácido carbônico produzida. Isto se reflete na inclinação para cima =
para a esquerda da linha-tampão do sangue na Figura 6.8. No entanto, a rel.c.
ção HC03/Pco2 cai. A retenção de C02 pode ser provocada por hipoventilaçãc
ou incongruência entre ventilação e perfusão.
Se a acidose respiratória persistir, o rim responde conservando HC03.
Ele é estimulado a fazer isso pelo aumento da Pco2 nas células dos túbulos
renais, as quais excretam urina mais ácida, secretando íons H+. Os íons H-
são excretados como H2P04" ou NH4; os íons de HC03 são reabsorvidos. C
aumento resultante do HC03 do plasma move a relação HC03/Pco2 de volta
para cima, em direção ao seu nível normal. Isso corresponde ao movimento
de B para D ao longo da linha Pco2 = 60 mm Hg na Figura 6.8 e é conhecidc
como acidose respiratória compensada. Eventos típicos seriam:
24
pH = 6,1 + log = 6,1 + log 20 = 7,4
0,03 X 40
(Normal~
---- - - - -- - - -~-------- ----=--- ---· ~- - - - --- -- - - --
TrIsT
Fisiologia respiratória 111
28
pH = 6,1 + log = 6,1 + log 15,6 = 7,29
0,03 X 60
(Acidose
respiratória)
33
pH = 6,1 + log = 6,1 + log 18,3 = 7,36
0,03 X 60
(Acidose
respiratória
compensada)
Tipicamente, a compensação renal não é completa, e, por isso, o pH não
retorna totalmente ao seu nível normal de 7,4. A extensão da compensação
renal pode ser determinada a partir do excesso de base, ou seja, a distância
vertical entre as linhas-tampão BA e DE.
Alcalose respiratória
É causada pela redução da Pco2, a qual aumenta a relação HC03/Pco2
:. assim, eleva o pH (movimento de A para C na Figura 6.8). A diminuição
:ra Pco2 é provocada por hiperventilação, por exemplo, em altas altitudes (ver
:apítulo 9). A compensação renal ocorre por meio do incremento na excreção
..:e bicarbonato, fazendo com que, dessa maneira, a relação HC03/Pco2 volte
::o normal (C para F ao longo da linha Pco2 = 20 mm Hg). Após uma prolon-
;ada estadia em grandes altitudes, a compensação renal pode chegar perto da
-Jtal. Há um excesso de base negativo ou déficit de base.
QUATRO TIPOS DE DISTÚRBIO ACIDO·BASICO
Acidose
Respiratória
Metabólica
Alcalose
Respiratória
Metabólka
Hco-
pH = pK+Iog 3
0,03 P,02
Primária Compensação
HC03t
Pco2 -1-
HC03 -1-
frequentemente nada
TrIsT
112 John B. West
Acidose metabólica
Neste contexto, "metabólico" significa uma alteração primária no HC03, o_
seja, o numerador da equação de Henderson-Hasselbalch." Na acidose mera-
bólica, a relação HC03/Pco2 cai, diminuindo o pH. O HC03 pode ser reduzid-:
pelo acúmulo de ácidos no sangue, como no diabete melito sem controle, o_
após a hipoxia tecidual, que libera ácido lático. A alteração correspondenrt
na Figura 6.8 pode ser representada pelo movimento de A em direção a G.
Nesse caso, a compensação respiratória ocorre com o aumento da veü-
tilação, que reduz a Pco2 e eleva a relação HC03/Pco2 diminuída. O estím\L_
para incrementar a ventilação é principalmente a ação dos íons H+ sobre o:
quimiorreceptores periféricos (Capítulo 8). Na Figura 6.8, o ponto se mm=
na direção G para F (embora não tão longe quanto F). Há um déficit de bas::
ou excesso de base negativo.
Alcalose metabólica
Nesse caso, o aumento da HC03 eleva a relação HC03/Pco2 e, assim,~
pH. A ingestão excessiva de álcalis e a perda de secreção de ácido gástric:
pela êmese constituem as causas. Na Figura 6.8, o movimento se dá na e-
reção de A para E. Algumas vezes, ocorre alguma compensação respiratóri:
com a redução da ventilação alveolar, que eleva a Pco2• O ponto E se mo,·~
na direção de D (embora não todo o caminho). No entanto, a compensaçã'"
respiratória na alcalose metabólica pode, muitas vezes, ser pequena e esta:
ausente. O excesso de base sofre aumento.
Observe que, por vezes, ocorrem distúrbios metabólicos e respiratório:
mistos, o que pode dificultar o entendimento da sequência de eventos.
" N. de R.T.: Em contraponto à clássica equação de Henderson·Hasselbach, o fisiologis::
canadense Peter Stewart propôs um novo modelo para o entendimento do equilib n
ácido-básico. O princípio é que os distúrbios metabólicos são determinados pela di:e-
rença entre os íons fortes (SID - strong {ons difference), que é a subtração dos cárie_
fortes (sódio, potássio, cálcio, magnésio) e pelos ânios fortes (cloro, lactato). O valc::-
do pH é determinado então pela SID, pela concentração plasmática de ácidos fracos nã:
voláteis (tampões) e pela PC02. O HC03 seria uma mera consequência, e não causz.
no equilíbrio ácido-básico.
TrIsT
Fisiologia respiratória 113
TROCA GASOSA SANGUE-TECIDO
O Oz e COz se movimentam entre o sangue capilar sistêmico e as células
:eciduais por meio da difusão simples, exatamente como se movem entre o
sangue capilar e o gás alveolar no pulmão. Vimos, no Capítulo 3, que a taxa
de transferência de gás por meio de uma lâmina de tecido é proporcional à
area tecidual e à diferença na pressão parcial de gás entre os dois lados e
...;1Versamente proporcional à espessura. A espessura da membrana alvéolo-
-eapilar é inferior a 0,5 J.LID, mas a distância entre os capilares abertos no
::1úsculo em repouso é próxima a 50 J.Lm. Durante o exercício, quando o con-
sumo de 0 2 pelos músculos aumenta, outros capilares se abrem, reduzindo,
::essa forma, a distância de difusão e aumentando a área para este processo.
_·a que o COz se difunde com rapidez cerca de 20 vezes maior do que o Oz
;:elo tecido (Figura 3.1) , a eliminação de COz constitui um problema muito
.:::enor do que o fornecimento de Oz.
A maneira pela qual a Po2 reduz no tecido entre os capilares abertos ad-
::!:entes está mostrada de forma esquemática na Figura 6.9. Conforme o Oz se
~=unde para fora dos capilares, é consumido pelo tecido, e a Po2 diminui. Em
-- o equilibrio entre o consumo e a oferta de Oz (determinado pela Po2 capilar
= ~la distância intercapilar) resulta em Po2 adequada em todo o tecido. Em
~ a distância intercapilar ou o consumo de 0 2 sofreu aumento até que a Po2,
.:.:::1 determinado pontono tecido, caísse para zero, o que é considerado uma
_-:Iação crítica. Em C, existe urna região anóxica onde o metabolismo aeróbi-
.: (ou seja, que utiliza 02) é impossível. Sob essas condições, o tecido se volta
-z:-a a glicólise anaeróbica eorn a formação de ácido lático.
Cap Tecido Cap
50
C\
I
E 25 E
N
o
Q.
A B c
wama que mostra a queda da P02 entre os capilares abertos adjacentes. Em (A), o for-
- - --.ento de oxigênio está adequado; em (8), crítico; em (C), inadequado para o metabolismo
.-.: ICO no núcleo central do tecido.
TrIsT
114 John B. West
Existem evidências de que grande parte da queda da Po2 nos tecidos :pe--
riféricos ocorre na proximidade imediata da parede capilar e que a Po2 nE...
células musculares, por exemplo, é muito baixa (1 a 3 mm Hg) e quase unifc:-
me. É possível explicar esse padrão pela presença de mioglobina na célula q::::
age como um reservatório de 02 e aumenta sua difusão dentro da célula.
Até quanto a Po2 tecidual pode cair antes da utilização de 02 cessa:-
Em medições realizadas em suspensões de mitocôndrias hepáticas in vitro, :
consumo de 02 continua na mesma taxa até que a Po2 caia para a perto de ~
mm Hg. Dessa forma, parece que o propósito da Po2 muito mais elevada t::
sangue capilar é o de assegurar a pressão adequada para a difusão de 0 2 :.
mitocôndria e o de que, nos locais de utilização de 02, a Po2 possa ser muirr
baixa.
A Po2 anormalmente baixa nos tecidos é chamada de hipoxia teciduà.
Com frequência, é causada pela baixa oferta de 02, o qual pode se expressa:
pelo débito cardíaco multiplicado pela concentração arterial de 02, ou Q :;::
Cao2. Os fatores que determinam a Cao2 foram discutidos na pág. 101. A hi-
poxia tecidual pode ser decorrente de:
• baixa Po2 no sangue arterial provocada, por exemplo, por doença
pulmonar ("hipoxia hipóxica");
• redução da capacidade sanguínea de carrear 02, como nos casos de
anemia ou envenenamento por dióxido de carbono ("hipoxia anêmi-
ca"); ou
• diminuição do fluxo sanguíneo tecidual, tanto generalizado, come
em caso de choque, quanto em virtude da obstrução local ("hipoxia
circulatória").
A quarta causa é alguma substância tóxica que interfira na capacida-
de dos tecidos de utilizar 02 disponível ("hipoxia histotóxica"). O cianeto
constitui um exemplo, pois impede o uso de 02 pela citocromo-oxidase.x
Nesse caso, a concentração de 02 do sangue venoso é alta, e o consumo de
02 do tecido, extremamente baixo, pois estão relacionados pelo princípio
de Fick, conforme aplicado ao consumo de 02 periférico. A Tabela 6.1 resu-
me algumas das características dos diferentes tipos de hipoxemia e hipoxia
teci dual.
* N. de R.T. A citocromo oxidase é a última enzima na cadeia respiratória de transporte
de elétrons dentro da mitocôndria. O final do processo enzimático culmina na diferen-
ça transmembrana de potencial eletroquímico dos prótons que a ATP-sintetase utiliza
para gerar ATP (a molécula que a célula utiliza para armazenar energia). O bloqueio
da atividade da citocromo oxidase, então, impede a respiração celular.
TrIsT
~ - --==----------- - ------- -- -------------------
Fisiologia respiratória 115
TABELA 6.1 Caracterrsticas dos diferentes tipos de hipoxemia ou hipoxia tecidual0
Administração
PAoz PAcoz Paoz Pacoz Caoz Saoz Pvo2 Ciio2 de02é útil?
=>ulmões
Hipoventilação .J, t .J, t .J, "'
.J, .J, Sim
Comprometimento o o .J, o .J, .J, .J, .J, Sim
da d ifusão
Shunt o o .J, o .J, .J, .J, .J, Simb
Desequilfbrio VAIO Varia t ou o .J, t ou O .J, .J, .J, J. Sim
5angue
Anemia o o o o .J, o .J, J. Simb
Envenenamento o o o o "' 0'
.J, .J, Simb
porCO
-ecido
=nvenenamento o o o o o o t t Não
oorcianeto
"J. normal; t aumentado; J. diminuído.
"'Je algum valor (porém, limitado) em virtude do aumento do oxigênio dissolvido.
5.aturação de 0 2 é calculada pela hemoglobina não ligada ao co.·
F ique atento
1. A maior parte do 02 transportado no sangue se encontra ligada à hemoglobina.
A quantidade máxima capaz de se ligar é chamada de "capacidade de 02". A satu-
ração de 02 constitui a quantidade combinada com a hemoglobina divid ida pela
capacidade e é igual à proporção dos locais de ligação ocupados pelo 0 2.
2. A curva de dissociação do 02 é desviada para a d ireita (isto é, a afin idade pelo 0 2
da hemoglobina é reduzida) com aumentos de Pco2, W, temperatura e 2,3-DPG.
3. A maior parte do C02 no sangue se encontra sob a forma de bicarbonato e, em
quantidades menores, na forma dissolvida e de compostos de carbamino.
. 4. A curva de dissociação do C02 é muito mais íngreme e mais linear do que a do 0 2.
1
' S . O estado ácido-básico do sangue é determinado pela equação de Hendersõn-
Hasselbalch e, especialmente, pela relação entre concentração de bicarbonato
e Pco2• As anormalidades ácido-básicas incluem a acidose e a alcalose respirató-
rias e metabólicas.
6. A Po2, em alguns tecidos, é inferior a 5 mm Hg, e o propósito da Po2 muito mais
alta no sangue capilar é de fornecer gradiente adequado para a difusão. Os ·
fatores que determinam a oferta de 02 para os tecidos incluem a concentração
de 0 2 no sangue e o fluxo sanguíneo.
.:e R.T. Os oxímetros habitualmente utilizados medem a saturação da hemoglobina
oxigênio, mas desconsideram a hemoglobina ligada ao monóxido de carbono. Por
?acicntes intoxicados com CO podem apresentar cianose com saturação aparente-
---:e adequada. Existem oxímetros que medem a saturação de CO pela hemoglobina,
são menos disponíveis.
TrIsT
I
I
I,
f''
11111
116 John B. West
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 . A presença de hemoglobina no sangue arterial normal aumenta a concentração de
oxigênio em aproximadamente quantas vezes?
a) 10
b) 30
c) 50
d) 70
e) 90
2. Em qual das opções a seguir a elevação aumenta a afinidade do 0 2 pela
hemoglobina?
a) Temperatura.
b) Pco2•
c) Concentração de H+.
d) 2,3-DPG.
e) Monóxido de carbono adicionado ao sangue.
3. Um paciente com envenenamento por monóxido de carbono é tratado com
oxigênio hiperbárico, o que eleva a Po2 arterial para 2.000 mm Hg. A quantidade de
oxigênio dissolvida no sangue arterial (em ml · 100 mL'1) é de:
a) 2
b) 3
c) 4
d) 5
e) 6
4. Um paciente com anemia grave apresenta pulmões normais. Você esperaria:
a) Po2 arterial baixa.
b) Saturação de 02 arterial baixa.
c) Concentração de 02 arterial normal.
d) Concentração de oxigênio baixa no sangue venoso misto.
e) Po2 tecidual normal.
S. No envenenamento por monóxido de carbono, você espera:
a) Redução da Po2 arterial.
b) Concentração de oxigênio normal no sangue venoso misto.
c) Redução da concentração de 02 no sangue venoso misto.
d) Desvio para a direita da curva de dissociação de 02.
e) O monóxido de carbono possui odor distinto.
TrIsT
Fisiologia respiratória 117
6. Os exames laboratoriais revelam os seguintes valores dos gases sanguíneos arteria is
de um paciente portador de doença pulmonar grave que respira ar ambiente: Po2 de
60 mm Hg; Pco2 de 11 O mm Hg; pH de 7,20. Você conclui que:
a) O paciente apresenta Po2 normal.
b) O paciente apresenta Pco2 normal.
c) Há alcalose respiratória.
d) Há alcalose respiratória parcialmente compensada.
e) Os valores para a Po2 e a Pco2 são internamente inconsistentes.
7. A maior parte do monóxido de carbono transportado no sangue se encontra sob a
forma:
a) Dissolvida.
b) De bicarbonato.
c) Combinada à hemoglobina.
d) De compostos de carbamino.
e) De ácido carbônico.
um paciente com doença pulmonar crônica apresenta valores de Po2 e Pco2 arterial
de 50 e 60 mm Hg, respectivamente, e pH de 7,35. Qual é a melhor descrição do
estado ácido-básico?
a) Normal.
~) Alcalose respi ratória parcia lmente compensada.
c Acidose respi ratória parcialmente compensada.
d) Acidose metabólica.
e) Alcalose metabólica.
-· A Po2 (em mm Hg) dentr0 das células dos músculos esqueléticos durante o exercí-
cio é mais perto de:
a) 3
b) 10
c) 20
d) 30
e) 40
• Um paciente portador dedoença pulmonar crônica é submetido à cirurgia de
emergência. No pós-operatório, os va lores da Pco2 e Po2 arterial e do pH são de 50
'11m Hg, 50 mm Hg e 7,20, respectivamente. Qual é a melhor descrição do estado
ácido-básico?
a) Combinação de acidose metabólica e respiratória.
~) Acidose respi ratória sem compensação.
c) Acidose respiratória completamente compensada.
:i) Acidose metabólica não compensada.
::) Acidose metabólica completamente compensada.
TrIsT
I I
I .
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I J
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I
I
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111111
118 John B. West
11. O laboratório fornece o seguinte relato acerca do sangue arterial de um pacieP-.=..
Pco2 de 32 mm Hg, pH de 7,25, concentração de HC03 de 25 mmol · L-
1• Você co~
clui que há:
a) Alcalose respiratória com compensação metabólica.
b) Acidose respiratória aguda.
c) Acidose metabólica com compensação respiratória.
d) Alcalose metabólica com compensação respiratória.
e) Erro laboratorial.
12. A amostra de sangue arterial de um paciente dispneico que respira ar ambiente
ao nível do mar demonstra Po2 de 90 mm Hg, Pco2 de 32 mm Hg e pH de 7,30.
Considerando que a razão de troca respiratória é de 0,8, esses dados indicam:
a) Alcalose respiratória primária com compensação metabólica.
b) Diferença de Po2 arterioalveolar normal.
c) Saturação de 02 inferior a 70%.
d) Amostra equivocadamente colhida de uma veia.
e) Acidose metabólica parcialmente compensada.
- -- ------------~ ----~- -- - -"-<-=--
TrIsT
~ -- ---- - ---
Mecânica da respiração:
como os pulmões se
..4stentam e se movimentam
• Músculos da respiração
Inspiração
Expiração
• Propriedades elásticas do
pulmão
Curvo pressão-volume
Complacência
Tensão superficial
• Causas dos diferenças
,..egionois no ventilação
Fechamento das vias aéreos
• Propriedades elásticos do
oorede torácico
• Resistência dos vias aéreos
Fluxo de o r através de tubos
'fliteatao ao restsfencto das VIOS aéreas
Pressões durante o ciclo
respiratório
Local principal do resistêndo dos
vias aéreas
Fatores determinantes da
resistêncía dos vias aéreos
Compressão dinâmico dos vias
aéreos
• Causas do desequilíbrio do
ventilação
• Resistência teciduol
• Trabalho respiratório
Trabalho realizado no
pulmão
Trabalho respiratório total
"'lOS, no Ca pítulo 2, que o processo de ventilação permite a entrada e a saí-
: dos gases dos alvéolos. Vamos agora verificar as forças que movimentam o
-_-não e a parede torácica, bem como as resistências que elas superam. Em pri-
-= '"O lugar, consideramos os múscu los da respiração, tanto da inspiração quanto
:expiração. Depois, revisamos os fatores que determinam as propriedades elás-
:::s do pulmão, inclusive os elementos teciduais e a tensão superficial ar-l íquido.
- seguida, examinamos o mecanismo das diferenças regionais na ventilação
- :=-nbém, o fechamento das vias aéreas de menor cal ibre. Assim como o pul-
- ::l a parede torácica é elástica, assim, analisamos a interação entre os dois.
-..:::~damos os princípios físicos da resistência das vias aéreas, juntamente a suas
-::das, a localização de sua maior intensidade e fatores fisiológicos que a afe-
- Analisamos a compressão dinâmica das vias aéreas durante a expiração
:.:da, e, por fim, consideramos o trabalho necessário para movimentar o pul-
-::: e a parede torácica.
TrIsT
• I
120 John 8. West
MÚSCULOS DA RESPIRAÇAO
Inspiração
O músculo mais importante da inspiração é o diafragma, o qual consL-
em uma lâmina muscular fina, em forma de cúpula, inserida nas costelas...:.
feriores. É suprido pelos nervos frênicos provenientes dos segmentos cervieê..
3, 4 e S. Quando se contrai, os conteúdos abdominais são forçados para ba=-
e para frente, aumentando a dimensão vertical da cavidade torácica. A:_t::::'
disso, as margens costais são elevadas e movimentadas para fora, promoYe::.
do aumento no diâmetro transverso do tórax (Figura 7.1).
Na respiração corrente normal, o nível do diafragma se move cerca~-
1 em; porém, na inspiração e expiração forçadas, pode ocorrer uma excursã
total de até 1 O em. Quando o diafragma é paralisado, na inspiração, ele ~
desloca para cima em vez de para baixo em virtude da diminuição da pre:-
são intratorácica, o que é conhecido como movimento paradoxal. É possí~:::..
demonstrar esse movimento pela fluoroscopia quando o paciente faz o mo·-:-
mento de cheirar.*
Os músculos intercostais externos conectam as costelas adjacentes e inü-
nam para baixo e para frente (Figura 7.2). Quando se contraem, as costeie_
Diafragma
FIGURA 7.1
...
',
' ' ' \
\
\
\
\
\
I
\
\
I
\
I
I
I
I
I
I
I
I
Exp~- -- -~
Ativo ~
Passivo -- ---)-
Músculos
abdominais
Na inspiração, o diafragma em forma de cúpula se contrai, os conteúdos abdominais são
forçados para baixo e para fora e a caixa torácica é ampliada. Todos promovem o aumento
do volume do tórax. Na expiração forçada, os músculos abdominais se contraem e empurram o
diafragma para cima.
* N. de R.T. Fluoroscopia é uma técnica radiológica empregada para obter imagens em
movimento (em tempo real) . Consiste de uma fonte de raios X e uma tela fluorescente.
Os aparelhos mais modernos também possuem um intensificador de imagem e uma
câmara de vídeo eletrônica (CCD), que podem fomecer imagens digitalizadas.
TrIsT
Coluna
vertebral
FIGURA 7.2
intercostais
Fisiologia respiratória 121
Eixo de rotação
Quando os músculos Intercostais externos se contraem, as costelas são tracionadas para
dma e para frente, ocasionando rotação costal em torno do eixo que une o tubérculo e
a cabeça da costela. Em consequência disso, os diâmetros lateral e anteroposterior do tórax
3umentam. Os intercostais internos exercem ação oposta.
são tracionadas para cima e para frente, promovendo o aumento dos diâme-
:ros lateral e anteroposterior do tórax. A dimensão lateral cresce em função
:o movimento de "alça de balde" das costelas. Os músculos intercostais são
supridos pelos nervos intercostais provenientes da medula espinal no mesmo
Jivel. A paralisia dos músculos intercostais por si só não afeta gravemente a
:espiração, pois o diafragma é muito eficiente.
Os músculos acessórios da inspiração incluem os músculos escalenos, os
~ais elevam as duas primeiras costelas, c o esternomastoideo, que realiza a
=levação do esterno. A atividade desses músculos é pequena, se é que exis-
:e alguma, durante a respiração tranquila; entretanto, com o exercício, eles
;x:>dem se contrair com vigor. Outros músculos que desempenham mínima
::mção são os da asa do nariz, que promovem a abertura das narinas, e os
~quenos músculos da cabeça e do pescoço.
Expiração
Durante a respiração tranquila, a expiração é passiva. O pulmão e a pa-
-ede torácica são elásticos e tendem a retomar às suas posições de equihbrio
::.pós serem ativamente expandidos ao longo da inspiração. Durante o exercí-
::o e a hiperventilação voluntária, a expiração passa a ser ativa. Os músculos
--ais importantes da expiração são os da parede abdominal, englobando o
:=m abdominal, os oblíquos internos e externos e o transverso. Quando esses
~úsculos se contraem, a pressão intra-abdominal se eleva e o diafragma é
::mpurrado para cima. Esses músculos também se contraem forçadamente
:·.nante a tosse, a êmese e a defecação.
TrIsT
'1 ,,
122 John B. West
Os músculos intercostais internos auxiliam a expiração ativa tracioncu:::..
as costelas para baixo e para dentro (em oposição à ação dos músculos inre:
costais externos), diminuindo, desse modo, o volume torácico. Além diss_
eles tensionam os espaços intercostais para evitar que se salientem para fc::..
durante a expiração. Estudos experimentais demonstram que as ações é.-
músculos respiratórios, em especial os intercostais, são mais complicadas .:..._
que é sugerido aqui brevemente.
MÚSCULOS RESPIRATÓRIOS
• Durante o repouso, a inspiração é ativa e a expiração, passiva.
• O diafragma é o músculo mais Importante da inspiração; é suprido pelosner-
vos frênicos, que se originam na região cervical alta.
• Outros músculos incluem os intercostais, abdominais e acessórios.
PROPRIEDADES ELÁSTICAS DO PULMÃO
Curva pressão-volume
Vamos imaginar que pegamos um pulmão de um animal excisado, ca-
nulizamos a traqueia e o colocamos dentro de um recipiente (Figura 7.3.,
Quando reduzimos a pressão dentro do recipiente para abaixo da pressãc
atmosférica, o pulmão se expande, e um espirômetro é capaz de medir sua
mudança de volume. A pressão é mantida em cada nível, conforme indicad2
pelos pontos, por alguns segundos para permitir que o pulmão entre em re-
pouso. Dessa maneira, podemos ilustrar a curva pressão-volume do pulmão.
Na Figura 7 .3, a pressão de expansão ao redor do pulmão é gerada po:-
uma bomba; porém, em humanos, é desenvolvida pelo aumento de volume
da caixa torácica. O fato de que o espaço intrapleural entre o pulmão e a pa-
rede torácica é muito menor do que o espaço entre o pulmão e o recipiente na
Figura 7.3 não ocasiona diferença importante. O espaço intrapleural contéiL
apenas alguns mililitros de líquido.
A Figura 7.3 mostra que as curvas que o pulmão determina durante a
insuflação e a desinsuflação são diferentes. Esse comportamento é conhecido
como histerese. Observe que o volume pulmonar em qualquer pressão duran-
te a desinflação é maior do que durante a insuflação. Note, também, que o
pulmão sem pressão de expansão alguma apresenta um pouco de ar em seu
interior. De fato, mesmo que a pressão ao redor do pulmão seja elevada acima
da atmosférica, um pouco de ar não é expirado, pois as vias aéreas de pequeno
calibre se fecham, aprisionando o ar nos alvéolos (comparar com a Figura 7.9).
Esse fechamento das vias aéreas ocorre em volumes pulmonares mais elevados
com o avanço da idade e, também, em alguns tipos de doenças pulmonares.
- - --- ------· -------- --=--=--=--=-- - -
TrIsT
Fisiologia respiratória 123
Na Figura 7.3, a pressão dentro das vias aéreas e dos alvéolos pulmona-
res é igual à atmosférica, a qual é zero no eixo horizontal. Assim, esse eixo
:ambém mede a diferença de pressão entre a parte de dentro e a de fora
:io pulmão, conhecida como pressão transpulmonar, sendo numericamente
.gual à pressão ao redor do pulmão quando a pressão alveolar é atmosférica.
-=ambém é possível medir a relação pressão-volume do pulmão demonstrada
:1a Figura 7.3 por meio da insuflação com pressão positiva seguida de expo-
:iição da superfície pleural à atmosfera. Nesse caso, o eixo horizontal poderia
ser nomeado de "pressão das vias aéreas", cujos valores seriam positivos. As
:'..UVas seriam idênticas àquelas demonstradas na Figura 7.3.
Complacência
A inclinação da curva pressão-volume, ou a modificação de volume por
.::lida de de pressão alterada, é conhecida como complacência. Na faixa normal
?ressão de expansão de cerca de 5 a 10 em de água), o pulmão é notavel-
=:ente distensível ou muito complacente. A complacência do pulmão humano
= de cerca de 200 rnL · em de água·1. No entanto, em nível de pressões de
=xpansão elevadas, o pulmão é mais rígido, e a sua complacência é menor,
_ .... aforme mostrado pela inclinação mais horizontal da curva.
A redução da complacência é causada por aumento de tecido fibroso no
- .llmão (fibrose pulmonar). Além disso, o edema alveolar, que não permite a
Volume (L)
1,0
0,5
o -1 o -20 -30
Pressão ao redor do pulmão (em de água)
~ GURA 7.3
<!.<13da da curva pressão-volume do pulmão excisado. O pulmão é mantido em cada pressão
a guns segundos enquanto seu volume é medido. A curva não é linear e se torna mais ho-
-:=-:aJ a pressões de expansão elevadas. Observe que as curvas de insuflação e desinsuflação
-= :5ão as mesmas; isto é chamado de histerese.
TrIsT
11
124 John B. West
insuflação de alguns alvéolos, diminui a complacência. A complacência tam-
bém reduz se o pulmão permanecer não ventilado por um longo período
especialmente se o volume for baixo. Em parte, isso pode ser causado po:-
atelectasia (colapso) de algumas unidades, porém aumentos na tensão Sl.:.-
perficial também ocorrem (ver a seguir). Até certo ponto, a complacêncic.
também sofrerá redução se a pressão pulmonar venosa for elevada ou se c
pulmão se tornar ingurgitado com sangue.
O aumento da complacência ocorre em caso de enfisema pulmonar e
no envelhecimento normal do pulmão. Nas duas situações, é provável que z
responsabilidade seja de uma alteração no tecido elástico do pulmão. O au-
mento da complacência também acontece durante o ataque de asma, porér:-
o motivo é desconhecido.
A complacência de um pulmão depende de seu tamanho. É óbvio que ê.
modificação de volume por unidade de pressão alterada será maior no pul-
mão humano do que no do rato. Por essa razão, a complacência por unidade
de volume pulmonar, ou complacência específica, é muitas vezes medida quan-
do desejamos tirar conclusões acerca das propriedades elásticas intrínsecas
do tecido pulmonar. ·
A pressão ao redor do pulmão é inferior à atmosférica na Figura 7.3 (e
no tórax vivo) em virtude da retração elástica do pulmão. O que é responsáve_
pelo comportamento elástico do pulmão, isto é, por sua tendência a retor-
nar ao volume de repouso após a distensão? Podemos dizer que é o teci de
elástico, o qual é visível nos cortes histológicos. É possível observar fibras de
elastina e colágeno nas paredes alveolares e ao redor dos vasos e brônquios
Provavelmente, o comportamento elástico do pulmão está menos relacionadc
com o simples alongamento dessas fibras do que com sua organização geomé-
trica. Podemos fazer uma analogia com uma meia de náilon, a qual é muito
distensível em função da sua configuração emaranhada, apesar de ser muito
difícil esticar as fibras de náilon individuais. As alterações na retração elástica
que ocorrem no pulmão com a idade e nos casos de enfisema são presumivel-
mente causadas pelas alterações nesse tecido elástico.
Tensão superficial
Outro fator importante no comportamento da pressão-volume do pul-
mão é a tensão superficial do filme líquido que reveste o alvéolo. A tensão
superficial constitui a força (p. ex., em dinas) que atua ao longo da linha ima-
ginária de 1 em de comprimento na superfície do líquido (Figura 7.4A). Ela
surge porque as forças de atração entre as moléculas adjacentes do líquido
são muito mais fortes do que aquelas entre o líquido e o gás, fazendo com que
a área da superfície líquida se torne a menor possível. Esse comportamento e
observado com clareza em uma bolha de sabão inflada na extremidade de mr
TrIsT
lcm
~I I~
I I
I
I
I
I
111:1
111
A
FIGURA 7.4
Fisiologia respiratória 125
Bolha de sabão
8 c
.! ) Tensão superficial é a força (p. ex., em dinas) que atua sobre uma linha imaginária de 1 em
:e comprimento em uma superfície líquida. (8) As forças superficiais em uma bolha de sabão
::ndem a reduzir a área da superfície e a gerar pressão dentro da bolha. (C) Uma vez que a bolha
-enor gera uma pressão maior, ela enche a bolha maior.
:ubo (Figura 7 .4B). As superfícies da bolha se contraem o quanto podem,
:ormando uma esfera (menor área de superfície para um dado volume) e
;erando uma pressão que pode ser prevista pela lei de Laplace: pressão =
..! x tensão superficial)/ raio. Quando apenas uma superfície está envolvida
~ um alvéolo esférico revestido por líquido, o numerador apresenta o nú-
=:ero 2 em vez de 4.
A primeira evidência de que a tensão superficial pode contribuir para o
.:nmportamento de pressão-volume do pulmão foi obtida pelos primeiros fi-
~ologistas quando demonstraram que os pulmões inflados com solução salina
~ossuem complacência muito maior (são mais fáceis de serem distendidos)
: 'l que quando cheios de ar (Figura 7.5). Uma vez que a solução salina abole
~ forças da tensão superficial, porém presumivelmente não afeta as forças
:=ciduais do pulmão, essa observação quis dizer que a tensão superficial con-
-:"Juiu com grande parte da força de retração estática dopulmão. Algum
-~po depois, pesquisadores que estudavam a espuma do edema proveniente
:e pulmões de animais expostos a gases nocivos observaram que as pequenas
.: olhas de ar da espuma eram extremamente estáveis. Eles reconheceram que
:..:...o indicava tensão superficial muito baixa, uma observação que levou à im-
- x tante descoberta do surfactante pulmonar.
Hoje em dia, sabe-se que algumas células que revestem os alvéolos
a::retam um material que reduz acentuadamente a tensão superficial do
~:tido de revestimento alveolar. O surfactante é um fosfolipídeo, e o dipalmi-
~osfatidilcolina (DPPC) é um constituinte importante. As células epiteliais
_ -eolares são de dois tipos. As células do tipo I apresentam forma de ovo
=::o, com longas extensões citoplasmáticas que se espalham delgadamen-
=- sobre as paredes alveolares (Figura 1.1). As células do tipo II são mais
TrIsT
,,.
" I
126 John B. West
200
150
Insuflação
de ar
::J'
É
Q) 100 E
:J g
50
o ~--------------~------------~
o 10 o
FIGURA 7.5
Comparação das curvas pressão-volume de pulmões {de gato) cheios de ar e de soluçãc
salina. Cfrcu/os brancos, insuflação; cfrculos pretos, desinsutlação. Observe que o pulmão che :
de solução salina apresenta maior complacência e também muito menos histerese do que :
pulmão cheio de ar.
compactas (Figura 7.6), e a microscopia eletrônica mostra corpos lamelado~:
dentro delas projetados para os alvéolos e que se transformam em surfactante
É possível eliminar um pouco do surfactante dos pulmões de animais po_
meio da lavagem com solução salina.
CURVA PRESSÃO-VOLUME DO PULMAO
• Não linear; o pulmão se torna mais rfgido em volumes altos.
• Demonstra histerese entre insuflação e desinsuflação.
• Complacência é a inclinação ô.V/ô.P.
• Comportamento dependente das proteínas .estruturais (colágeno, elastina) e
da tensão superficial.
O fosfolipídeo DPPC é sintetizado no pulmão a partir de ácidos graxos
tanto extraídos do sangue quanto sintetizados pelo próprio pulmão. A sínte-
se é rápida, assim como a rotatividade de surfactante. Se o fluxo sanguíneo
para uma região do pulmão for abolido em consequência de um êmbolo, por
exemplo, o surfactante pode sofrer depleção na região em questão. O surfac-
tante é formado relativamente tarde na vida fetal, e crianças que nascem sem
TrIsT
Fisiologia respiratória 127
: GURA 7.6
· crografia eletrônica das células epiteliais do tipo 11 (x 1 0.000). Observe os corpos lamelados
3, o núcleo grande e as microvilosidades (setas). O detalhe no canto superior direito constitui
_...,a micrografia eletrônica de varredura que demonstra a vista da superfície de uma célula do
-:-o 11 com sua distribuição característica de microvilosidades (x 3.400) .
...s quantidades adequadas desenvolvem síndrome da angústia respiratória
p1da (SARA), podendo morrer.
Podemos estudar os efeitos desse material sobre a tensão superficial com
..=1a balança de superfície (Figura 7.7), a qual consiste em uma bandeja con-
=:tdo solução salina, sobre a qual uma pequena quantidade de material de
~-re é colocada. A área da superfície é, então, alternadamente expandida e
_ -mprimida por uma barreira móvel, enquanto a tensão superficial é medida
_ :;>artir da força exercida sobre uma tira de platina. A solução salina pura
_:nece a tensão superficial de cerca de 70 dinas/cm sem considerar a área
_ = sua superfície. A adição de detergente reduz a tensão superficial, porém,
-'7is uma vez, é independente da área. Quando lavados pulmonares são co-
cados em solução salina, obtém-se a curva demonstrada na Figura 7. 7B.
: Jserve que a tensão superficial muda muito com a área da superfície e que
TrIsT
...
128 John B. West
Transdutor
Tira de
platina
de força
FIGURA 7.7
Barreira
móvel
~ o
11:5
> ·z;
tO
~
tO
~
~
100
50
o 25 50 75
Tensão superficial (dinas/cm)
(A) Balança de superfrcie. A área da superfície é alterada e a tensão superficial, medida a rx.-
da força exercida sobre uma tira de platina mergulhada na superfície. (8) Ilustra a tensão .
perficial e a área obtida com a balança de superfície. Observe que os lavados pulmora =
revelam mudança na tensão superficial com a área e que a tensão mínima é muito peque-
Os eixos foram escolhidos para permitir a comparação com a curva pressão-volume do puii""-
(Figuras 7.3 e 7.5).
há histerese (comparar com a Figura 7.3). Observe também que a tensão ~
perficial cai para valores extremamente baixos quando a área é pequena.
Como o surfactante reduz tanto a tensão superficial? Aparentemente,:_
moléculas de DPPC são hidrofóbicas em uma extremidade e hidrofílicas =--..
outra e se alinham na superfície. Quando isso ocorre, as forças de rep~
intermolecular se opõem às forças de atração normal entre as moléculas :..:
superfície líquida responsáveis pela tensão superficial. A redução na tens2_
superficial é maior quando a membrana é comprimida, pois as moléculas c~
DPPC são aglomeradas e repelem umas as outras ainda mais.
Quais são as vantagens fisiológicas do surfactante? Primeiro, a reduçã:.
da tensão superficial nos alvéolos aumenta a complacência do pulmão e rê-
duz o trabalho da expansão a cada respiração. Em seguida, a estabilidade c:
alvéolo é promovida. Os 500 milhões de alvéolos parecem ser inerentemen:z
instáveis, pois, muitas vezes, áreas de atelectasia (colapso) se formam r:.:.
presença de doença. Esse é um assunto complexo, mas uma maneira de ve
o pulmão é considerá-lo uma coleção de milhões de bolhas minúsculas (en:-
bora isso seja obviamente uma grande simplificação). Em uma organizaçãc
como essa, as bolhas pequenas tendem a sofrer colapso e a promover o enchi-
mento das maiores. A Figura 7 AC mostra que a pressão gerada pelas forç~
superficiais em uma bolha é inversamente proporcional ao seu raio, fazendc
com que, se as tensões superficiais forem as mesmas, a pressão dentro dt
uma bolha pequena exceda àquela dentro de uma bolha grande. Entretanto
a Figura 7. 7 mostra que, quando há presença de lavados pulmonares, uma
pequena área de superfície é associada à pequena tensão superficial. Desse:.
TrIsT
Fisiologia respiratória 129
forma, a tendência de um alvéolo pequeno de se esvaziar em grandes alvéolos
é aparentemente menor.
A terceira função do surfactante é ajudar a manter os alvéolos secos.
Exatamente como as forças de tensão superficial tendem a colapsar os alvéolos,
elas também apresentam tendência a sugar líquido dos capilares para os espa-
;os alveolares. Na prática, a tensão superficial da superfície curva dos alvéolos
:eduz a pressão hidrostática no tecido do lado externo dos capilares. Ao dimi-
:mir essas forças superficiais, o surfactante evita a transudação do líquido.
Quais são as consequências da perda do surfactante? Com base nas suas
2mções discutidas anteriormente, acreditamos que seja o enrijecimento dos
?ulmões (baixa complacência), a presença de áreas de atelectasia e os alvéo-
..ns cheios de transudato. De fato, essas são as características fisiopatológicas
:a síndrome da angústia respiratória do recém-nascido, doença causada pela
:-...:sência desse material essencial. Na atualidade, é possível tratar essas crian-
E.S com a instilação de surfactante sintético no pulmão.
Existe outro mecanismo que aparentemente contribui para a estabilida-
= dos alvéolos nos pulmões. As Figuras 1.2, 1. 7 e 4.3 nos lembram que todos
- alvéolos (exceto aqueles imediatamente a~jacentes à superfície pleural)
-~circundados por outros e, portanto, apoiados uns pelos outros. Em uma
-...-utura como essa, com muitos elos, qualquer tendência de um grupo de
_dades a reduzir ou a aumentar seu volume em relação ao restante das
_-::-as estruturas sofre oposição. Por exemplo, se um grupo de alvéolos tende
-2: colapsar, grandes forças de expansão serão desenvolvidas sobre eles, já
- o parênquima ao seu redor se encontra expandido.
Esse apoio oferecido às unidades pulmonares por aqueles que as cir-
:::am é denominadode int~rdependência. Os mesmos fatores explicam o
::IVolvimento de baixas pressões ao redor dos grandes vasos sanguíneos e
~as aéreas à medida que o pulmão se expande (Figura 4.2).
SURFACTANTE PULMONAR
~eduz a tensão 5Uperficial da camada de revestimento alveolar.
= produzido por células epiteliais alveolares do tipo 11.
: ontém DPPC.
.... falta resulta em redução da complacência pulmonar, atelectasia alveolar e
-endência ao desenvolvimento de edema pulmonar .
.;,s DAS DIFERENÇAS REGIONAIS NA VENTILAÇÃO
::::os na Figura 2. 7 que as regiões pulmonares inferiores ventilam mais
:: :s superiores, e agora é o momento conveniente para discutir a causa
TrIsT
130 John B. West
dessas diferenças topográficas. Mostramos que a pressão intrapleural é me-
nos negativa na base do que no ápice do pulmão (Figura 7 .8). A razão diss:
é o peso do órgão. Tudo que é sustentado requer pressão maior na par.=
inferior do que na superior, a fim de equilibrar as forças do peso que atua::
para baixo. O pulmão, que é parcialmente sustentado pelo gradil costal e pe::
diafragma, não é exceção. Assim, a pressão perto da base é maior (meno_
negativa) do que no ápice.
A Figura 7.8 exibe a maneira pela qual o volume de uma porção plL-
monar (p. ex., um lobo) se expande à medida que a pressão circundanre
diminui (comparar com a Figura 7.1). A pressão dentro do pulmão é ames-
ma que a pressão atmosférica. Observe que o pulmão é mais fácil de se:
insuflado a baixos volumes do que a grandes volumes, quando se torna
mais rígido. Já que a pressão de expansão na base do pulmão é pequena
essa região apresenta um pequeno volume de repouso. Entretanto, por esta:
situado em uma parte íngreme da curva pressão-volume, expande-se berr:
na inspiração. Em contraste, o ápice do pulmão apresenta grande pressãc
+ 10
FIGURA 7.8
o
Pressão
intrapleural
-10 -20
Pressão intrapleural (em H20l
100%
50%
o
-30
Explicação das diferenças regionais de ventilação de cima para baixo no pulmão. Em vir-
tude do peso pulmonar, a pressão intrapleural é menos negativa na base do que no ápice. Em
consequência disso, a base pulmonar é relativamente comprimida em seu estado de repouso
porém é capaz de se expandir mais na inspiração do que o ápice.
TrIsT
__-·---- - --
Fisiologia respiratória 131
de expansão, grande volume de repouso e pequena alteração de volume na
. . ,., * msp1raçao.
Agora, quando falamos de diferenças regionais na ventilação, referimo-
:lOS à alteração de volume por unidade de volume em repouso. A Figura 7.8
~eixa claro que a base do pulmão apresenta tanto maior alteração de volume
~anto menor volume de repouso em comparação ao ápice. Assim, sua venti-
.ação é melhor. Observe o paradoxo de que, embora seja relativamente pouco
expandida em comparação ao ápice, a base do pulmão é mais bem ventilada.
-- mesma explicação pode ser usada para a maior ventilação do pulmão de-
-;,endente nas posições laterais e em supino.
Uma marcante alteração na distribuição da ventilação ocorre a baixos
~lumes pulmonares. A Figura 7.9 é similar à Figura 7.8, com exceção de que
-~presenta a situação no volume residual (ou seja, após a expiração máxima;
~ a Figura 2.2). Agora, as pressões intrapleurais são menos negativas, pois
+10
=':GURA 7.9
o
Pressão
intrapleural (RV)
-10 -20
Pressão intrapleural (em H20 )
-30
lOOo/o
OJ
SOo/o §
g
o
~ção em volumes pulmonares muito baixos. Agora, as pressões intrapleurais são menos nega·
:.: e a pressão na base excede a pressão das vias aéreas (atmosférica). Consequentemente, ocorre
":-.amento das vias aéreas nessa região, e nenhum gás penetra com pequenas inspirações.
=.ssa explicação é uma grande simplificação, pois o comportamento da pressão-volume
- .::na porção de uma estrutura como o pulmão pode não ser idêntico àquele de todo
=5à0.
TrIsT
132 John 8. West
o pulmão não é tão bem expandido e as forças de retração elástica são meno-
res. Entretanto, as diferenças entre o ápice e a base continuam presentes e=
virtude do peso do órgão. Observe que, agora, a pressão intrapleural na base
excede a das vias aéreas (atmosférica). Sob essas condições, a base pulmon<i:"
não está sendo expandida, mas comprimida, e a ventilação é impossível até qt:.e
a pressão intrapleural local fique abaixo da pressão atmosférica. Em contraste.
o ápice do pulmão se encontra em uma parte favorável da curva pressão-volu-
me e ventila bem. Assim, a distribuição normal da ventilação é invertida, e 2.:
regiões superiores ventilam melhor do que as zonas inferiores.
Fechamento das vias aéreas
A região comprimida do pulmão na base não tem todos os seus gases ex-
pulsos. Na prática, as vias aéreas de menor calibre, provavelmente na regia:
dos bronquíolos respiratórios (Figura 1.4), se fecham primeiro, aprisionanêc
assim, os gases nos alvéo]os distais. E~se fechamento das vias aéreas ocorre e=
pessoas jovens normais com volumes pulmonares muito baixos. Entretanrc
em pessoas idosas aparentemente rígidas, o fechamento das vias aéreas na..
regiões mais baixas ào pulmão ocorre em altos vol umes e pode estar presen :-~
ao nível da capacidade residual funcional (Figura 2.2). A razão disso é que
o pulmão envelhecido perde um pouco da retração elástica, e, por isso, as
pressões intrapleurais se tornam menos negativas, se aproximando da situa-
ção demonstrada na Figura 7.9. Nessas circunstâncias, as regiões pulmonar~
dependentes (isto é, as mais inferiores) podem ser apenas intermitentementE
ventiladas, o que leva à troca gasosa deficiente (Capítulo 5). Com frequência.
situação parecida se desenvolve nos portadores de alguns tipos de doenç.c:_
pulmonar crônica.
PROPRIEDADES ELÁSTICAS DA PAREDE TORÁCICA
Assim como o pulmão, a caixa torácica também é elástica. Isso poce
ser ilustrado com a colocação de ar no espaço intrapleural (pneumotórax ..
A Figura 7.10 mostra que a pressão normal fora do pulmão é subatmosféri-
ca, exatamente como no recipiente da Figura 7.3. Quando ar é introduzi<!~
no espaço intrapleural, elevando a pressão a nível atmosférico, o pulmão 5=
colapsa, e a parede torácica se expande. Isso mostra que, sob as condiçõc
de equilíbrio, a parede torácica é tracionada para dentro ao mesmo tem~:
em que o pulmão é tracionado para fora, e as duas trações equilibram u.r:.z
a outra.
É possível observarmos essas interações com mais clareza quando ilt::-
tramos a curva pressão-volume do pulmão e da parede torácica (Figura 7.1:.
TrIsT
Fisiologia respiratória 133
P= -5
P=O P=O
Normal Pneumotórax
FIGURA 7.10
A tendência do pulmão de se retrair ao seu volume desinsuflado é equilibrada pela tendência
da caixa torácica de expandir-se. Em resultado disso, a pressão intrapleural é subatmosférica.
O pneumotórax permite que o pulmão colapse e que o tórax se expanda.
?ara isso, a pessoa inspira ou expira em um espirômetro e, depois, relaxa os
:núsculos respiratórios, enquanto se mede a pressão das vias aéreas ("pressão
de relaxamento"). A propósito, esta manobra não é fácil para uma pessoa des-
:reinada. A Figura 7.11 mostra que, na capacidade residual funcional (CRF),
a pressão de relaxamento do pulmão e da parede torácica é atmosférica. Na
--erdade, a CRF constitui o volume de equilíbrio quando a retração elástica do
:;mlmão é equilibrada pela tendência normal da parede torácica de se projetar
:?ara fora. Em volumes superiores, a pressão é positiva; em volumes menores,
a pressão é subatmosférica.
A Figura 7.11 também mostra a curva apenas para o pulmão, a qual é si-
-.j]ar àquela da Figura 7.3, exceto que, para efeito de esclarecimento, não se
~~serva histerese e as pressões são positivas em vez de negativas. Constituem
~pressões que seriam encontradas pela experiência da Figura 7.3 se, depois
:e o pulmão ter alcançado determinado volume, a conexação com o espirô-
=etro fosse grampeada, o recipiente fosse aberto para a atmosfera (para que
: "t>Ulmão relaxe em relação à via aérea fechada) e a pressão davia aérea fosse
=edida. Observe que, sob pressão zero, o pulmão se encontra em seu volume
=inimo, o qual é inferior ao volume residual (VR).
A terceira curva é apenas para a parede torácica. Podemos imaginar sua
=edida em uma pessoa com parede torácica normal e ausência de pulmão.
: Jserve que na CRF a pressão de relaxamento é negativa. Em outras palavras,
-::sse volume, a caixa torácica tende a projetar-se para fora. A pressão de re-
.....::xamento alcança a atmosférica não antes de o volume aumentar em cerca
:~ -so/o da capacidade vital, ou seja, não antes de a parede torácica encontrar
-..: posição de equilíbrio. Em todos os volumes, a pressão de relaxamento do
_:...::não somada à da parede torácica constitui a adição das pressões pulmo-
.:....:!"es e da parede torácica medidas separadamente. Já que a pressão (em um
~.io volume) é inversamente proporcional à complacência, isso quer dizer
-=o inverso da complacência total do pulmão e da parede torácica é a soma
TrIsT
134 John B. West
~
~ ·s:
Q)
'"O
10
'"O
"ü
10 a.
10
u
FIGURA 7.11
100 ~--------------rT----------,~--~ 100 . /
80
60
40
20
o
Parede I '
torácica em I l • l
repouso 1 {J 1 r ·s
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s
CZI {J ·o , ·r: :
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Nível &I
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respiratório de f
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V~l~me :
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1
I
~~----~---L--~--~--t~~o
-20 -10 o +10 +20 +30
Pressão na via aérea (em de água)
Curva pressão-volume de relaxamento do pulmão e da parede torácica. A pessoa insp:
(ou expira) até certo volume do espirômetro, a válvula é fechada, e o indivíduo então relaxa~
músculos inspiratórios. A curva para pulmão+ caixa torácica pode ser explicada pela adição aa:
curvas individuais do pulmão e da parede torácica.
do inverso da complacência do pulmão e da caixa torácica medidas de fonm.
separada, ou 1/CT = 1/Cp + 1/CPT.
CURVA PRESSAO-VOLUME DE RELAXAMENTO
• As propriedades elásticas do pulmão e da parede torácica determinam seu
volume combinado.
• Na CRF, a tração para dentro do pulmão é equiUbrada pela tração para fora da
parede torácica.
• O pulmão se retrai em quaisquer volumes acima do mínimo.
a A parede torácica tende a expandir em volumes até cerca de 75% da capaci-
dade vital.
- - - - - ~- - - - - -- ---
TrIsT
- - -- - ---- -
Fisiologia respiratória 135
RESIST~NCIA DAS VIAS AÉREAS
Fluxo de ar através de tubos
Se o ar flui através de um tubo (Figura 7 .12), há diferença de pressão
':ntre as extremidades. A diferença de pressão depende da velocidade e do pa-
:.rão do fluxo. Em velocidades de fluxo baixas, as linhas de fluxo são paralelas
as laterais do tubo (A), o que é conhecido como fluxo laminar. À medida que
a velocidade do fluxo aumenta, ocorre o desenvolvimento de instabilidade,
=specialmente nas ramificações. Aqui, pode ocorrer separação das linhas de
~uxo da parede, com a formação de redemoinhos locais (B). Em velocidades
de fluxo ainda mais elevadas, observamos a completa desorganização das
..:.nhas de fluxo, consistindo em turbulência (C).
A relação pressão-fluxo característica do fluxo laminar foi descrita
:rimeiramente pelo médico francês Poiseuille. Em tubos circulares retos, a
-elocidade do volume de fluxo é dada por:
. P771'4
V=--
8nl
Onde Pé a pressão propulsora (ó.P na Figura 7.12A); r é o raio; n, a vis-
~sidade, e 1, o comprimento. É possível observar que a pressão propulsora é
:-:oporcional à velocidade do fluxo, ou P = KV. Uma vez que a resistência do
=.".lXo R é a pressão propulsora dividida pelo fluxo (comparar p. 55), temos:
8nl
. R=-
7Tr4
Observe a importância fundamental do raio do tubo; se o raio for redu-
:_:io a metade, a resistência aumenta dezesseis vezes! Entretanto, dobrar o
_-<Jmprimento apenas dobra a resistência. Note, também, que a viscosidade do
-~, e não sua densidade, afeta a relação pressão-fluxo.
Outra característica do fluxo completamente laminar é que o gás no
_entro do tubo se move duas vezes mais rápido do que a velocidade média.
:Jessa forma, uma porção de gás se movimenta rapidamente ao longo do eixo
:o tubo (Figura 7.12A). Essa alteração de velocidade pelo diâmetro do tubo
= conhecida como perfil de velocidade.
O fluxo turbulento possui propriedades diferentes. Nesse caso, a pressão
:::.ão é proporcional à velocidade do fluxo, mas, aproximadamente, ao seu
: .. Jadrado: P= KV2. Além disso, a viscosidade do gás se torna relativamente
c:n importância, porém o aumento da densidade do gás exacerba a queda
:.a pressão para um determinado fluxo. O fluxo turbulento não apresenta alta
elocidade de fluxo axial, uma característica do fluxo laminar.
TrIsT
1 ....
136 John B. West
Laminar Turbulento
A
FIGURA 7.12
Padrões do fluxo de ar em tubos. Em (A), o fluxo é laminar; em (8), transicional com forma~:
de redemoinhos nas ramificações; em (C), turbulento. A resistência é (P, - P2)/fluxo.
Se o fluxo será laminar ou turbulento vai depender, em grande extensãc
do número de Reynolds, Re, o que é dado por:
2rvd
Re =
n
Onde d é a densidade; v, a velocidade média; r, o raio; e n, a viscosida-
de. Uma vez que a densidade e a velocidade se encontram no numerador, e
a viscosidade, no denominador, a expressão fornece a relação entre a iné:--
cia e as forças viscosas. Em tubos retos de musculatura lisa, é provável que
ocorra turbulência quando o número de Reynolds excede 2.000. A expressã:
demonstra que a turbulência é mais provável quando a velocidade do flux:.
é alta e o diâmetro do tubo, grande (para uma dada velocidade). Observe..
também, que um gás de baixa densidade, como o hélio, tende a produzi:
menos turbulência.<,
Em um sistema de tubos tão complicado como a árvore brônquica coe
suas inúmeras ramificações, as alterações no calibre e nas superfícies i:'-
regulares das paredes dificultam a aplicação dos princípios anteriores. KE
prática, para que o fluxo laminar ocorra, as condições de entrada do tubo sã::
~ N. de R.T. Como o hélio é um gás inerte de baixa densidade, uma mistura de oxigênio e
hélio (heliox - 21 o/o de oxigênio e 79% de hélio, ou 30 e 70%) é utilizada no tratamento dt
exacerbações graves de pneumopatias obstmtivas, como, por exemplo, na crise asmática.
- - -~- ---------=-=====--
TrIsT
- - - -
Fisiologia respiratória 1 3 7
:Undamentais. Se a formação de redemoinhos ocorre contra o fluxo em um
:ocal de ramificação, o distúrbio é mantido no sentido do fluxo por alguma
distância antes de desaparecer. Assim, em um sistema de ramificação rápida
:orno o pulmão, é provável que o fluxo laminar completamente desenvolvido
"Figura 7.12A) ocorra nas vias aéreas bem pequenas, onde os números de
?..eynolds são muito baixos (aproximadamente 1, nos bronquíolos terminais).
:a maior parte da árvore brônquica, o fluxo é transicional (B), enquanto a tur-
::.tlência verdadeira pode ocorrer na traqueia, especialmente com o exercício,
~ando as velocidades do fluxo são altas. De modo geral, a pressão propulsora
-=determinada pela velocidade do fluxo e por seu quadrado: P = K1V + KzV2.
FLUXOS LAMINAR E TURBULENTO
• No fluxo laminar, a resistência é inversamente proporcional à quarta potência
do raio.
• No fluxo laminar, o perfil da velocidade demonstra que o gás no centro do tra-
jeto tem mais velocidade que nas outras porções.
• ~ mais provável que o fluxo turbulento ocorra com números de Reyoolds ele-
vados, ou seja, quando as forças de inércia dominam as viscosas.
edida da resistência das vias aéreas
A resistência das vias aéreas constitui a diferença de pressão entre os
=olos e a boca dividida pela velocidade do fluxo (Figura 7.12). A pressão
_':>oca é facilmente medida por um manômetro. A pressão alveolar pode ser
~ -..=..:·12ida a partir de medidas realizadas em um pletismógrafo de corpo intei-~.Iais informações sobre essa técnica são fornecidas nas p. 207-208.
: :ssões durante o ciclo respiratório
Vamos supor que meçamos as pressões nos espaços intrapleural e
=-alar durante a respiração normal.* A Figura 7.13 mostra que, antes de
-spiração começar, a pressão intrapleural é de - 5 em de água em virtude
:=o!ça de retração do pulmão (comparar as Figuras 7.3 e 7.10). A pressão
_o1ar é zero (atmosférica), pois, com a ausência de fluxo de ar, não ocorre
~_:a de pressão ao longo das vias aéreas. Entretanto, para que o fluxo inspi-
:::o possa acontecer, a pressão alveolar cai, estabelecendo, dessa forma, a
=~o propulsora (Figura 7.12). De fato, a magnitude da queda depende da
.;:-essão intrapleural pode ser estimada cõm a colocação de um cateter-balão no
~-
TrIsT
..
138 John B. West
FIGURA 7.13
I
Inspiração : Expiração
Volume
(L)
I
Pressões durante o ciclo respiratório. Se não houvesse resistência de via aérea, a pressão alveola·
permaneceria zero, e a pressão intrapleural seguiria a linha pontilhada ABC, a qual é determinada
pela retração elástica do pulmão. A resistência da via aérea (e do tecido) contribui para a porção
hachurada da pressão intrapleural (ver o texto). ·
velocidade do fluxo e da resistência das vias aéreas. Em indivíduos normais.
a mudança na pressão alveolar é cerca de apenas 1 em de água; porém, em
pacientes com obstrução ao fluxo aéreo, pode ser muitas vezes superior.
A pressão intrapleural cai durante a inspiração por dois motivos.
Primeiro, conforme o pulmão se expande, sua retração elástica aumenta
(Figura 7.3), o que, por si só, faz com que a pressão intrapleural se mova ao
longo da linha pontilhada ABC. Além disso, no entanto, a redução de pressão
ao longo da via aérea é associada à queda posterior a da pressão intrapleu-
ral, * representada pela área hachurada, logo, o verdadeiro caminho' da linha
* Existe, também, a contribuição da resistência tecidual, a qual é considerada mais
adiante neste capítulo.
- -- - -- -- - - -= -- - ~ - -------- - - -
TrIsT
Fisiologia respiratória 139
: AB'C. Dessa forma, a distância vertical entre as linhas ABC e AB'C reflete
_ pressão alveolar em qualquer instante. Como uma equação de pressões:
:'Oca - intrapleural) = (boca - alveolar) + (alveolar- intrapleural).
Na expiração, alterações parecidas acontecem. Agora, a pressão intra-
-.eural é menos negativa do que seria na ausência de resistência das vias
..=reas, pois a pressão alveolar é positiva. De fato, com a expiração forçada, a
-:-:essão intrapleural vai acima de zero.
Observe que a forma do traçado da pressão alveolar é similar àquele do
.=..:.xo. Na verdade, seriam idênticos se a resistência da via aérea continuasse
:astante durante o ciclo. A curva da pressão intrapleural ABC demonstraria,
:..:..:nbém, a mesma forma do traçado do volume se a complacência do pulmão
-ermanecesse constante.
_ocal principal da resistência.das vias aéreas
À medida que as vias aéreas vão em direção à periferia do pulmão, tor-
--11-se cada vez mais numerosas, porém muito mais estreitas (ver Figuras
3 e 1.5). Com base na equação de Poiseuille e o componente (raio)4, seria
=rural pensar que a principal parte da resistência se encontra nas vias aéreas
.=...:ito estreitas. Na verdade, acreditou-se nisso por muitos anos. Entretanto,
- medidas diretas da queda de pressão ao longo da árvore brônquica de-
-onstraram que o principal local de resistência se encontra nos brônquios
:~tamanho médio e que os bronquíolos muito pequenos contribuem relati-
:..:nente com pouca resistência. A Figura 7.14 mostra que a maior parte da
. _eda de pressão acontece nas vias aéreas até a sétima geração. Menos de
-~~i! pode ser atribuído às vias aéreas com menos de 2 mm de diâmetro (em
:no da oitava geração) . A razão para esse paradoxo aparente é o número
-Jdigioso de vias aéreas de menor calibre.
O fato de que as vias aéreas periféricas contribuem tão pouco para are-
_::ência é importante para a detecção precoce da doença na via aérea. Uma
-=:: que constituem a "zona silenciosa", é provável que uma doença impor-
-=re nas vias aéreas de menor calibre esteja presente antes que as medições
-~ais da resistência das vias aéreas possam detectar alguma anormalidade.
- sa questão será considerada com mais detalhes no Capítulo 1 O.
~=atores determinantes da resistência das vias aéreas
O volume pulmonar exerce efeito importante sobre a resistência das
-a..s aéreas. Tal como os vasos sanguíneos extra-alveolares (Figura 4.2), os
-~nquios são sustentados pela tração radial do tecido pulmonar circundan-
- e seus calibres aumentam à medida que o pulmão se expande C comparar
TrIsT
140 John B. West
0,08 ~
'iA
::::J 0,06-
o .....
:r:
Ql
"O
E
~
-~ 0,04-
c:
<QI ....
lll ·v;
Ql
• I
• •
• •
a:: Brônquios
FIGURA 7.14
segmentares
0,02 - 1
I
o 5
I
•
•
•
•
•
10
•
•
I
Bronquíolos
terminais
1 . . ~ ..
15
Geração das vias aéreas
-
-
-
-
20
Identificação do local principal da resistência das vias aéreas. Observe que os brônquios c=
tamanho intermediário contribuem para a maior parte da resistência e que relativamente pouc:
está localizado nas vias aéreas de menor calibre.
com a Figura 4.6). A Figura 7.15 mostra que, conforme o volume pulmona:
sofre redução, a resistência das vias aéreas cresce com rapidez. Se a recíprocc.
da resistência (condutância) for ilustrada em relação ao volume pulmonar, t
possível obter a relação linear aproximada.
Em volumes pulmonares muito baixos, as vias aéreas de menor calibrE
podem se fechar totalmente, em especial na base pulmonar, onde o pulmão se
expande bem menos (Figura 7.9). Muitas vezes, os pacientes que apresentar::.
maior resistência das vias aéreas respiram a altos volumes pulmonares, o que
ajuda a diminuir a resistência das vias aéreas.
A contração da musculatura lisa brônquica toma menor o calibre das
vias aéreas, aumentando a resistência. Isso pode ocorrer reflexamente por
meio da estimulação dos receptores na traqueia e nos brônquios de grossc
calibre por fatores irritativos, como o tabagismo. O nervo vago fornece a iner-
vação motora. O tônus da musculatura lisa é controlado pelo sistema nervosc
TrIsT
4
RVA
o 2
::IGURA 7.15
4
Condutância .,.,
.,/ .,., ,.,
6
Volume pulmonar (L)
Fisiologia respiratória 141
8
• ariação da resistência das vias aéreas (RVA) com o volume pulmonar. Se a recíproca da
3istência da via aérea (condutância) for ilustrada, o gráfico será uma linha reta.
-~..!tônomo. A estimulação dos receptores adrenérgicos promove broncodilata-
:io, como fazem a epinefrina e o isoproterenol.
O~ receptores (3-adrenérgicos são de dois tipos: os receptores ~1 ocorrem
--:incipalmente no coração, enquanto os receptores ~2 promovem o relaxa-
::ento da musculatura lisa de brônquios, vasos sanguíneos e útero. Hoje, os
;onistas seletivos ~2-adrenérgicos são bastante usados nos tratamentos da
-::la.
A atividade parassimpática promove a broncoconstrição, como faz a ace-
.:olina. A queda na Pco2 do gás alveolar causa aumento na resistência da via
::.:ea, resultante aparentemente da ação direta sobre a musculatura lisa dos
:::1quíolos. A injeção de histamina na artéria pulmonar provoca a constrição
: :núsculos lisos localizados nos duetos alveolares.
A densidade e a viscosidade do gás inspirado afetam a resistência oferecida
~uxo. A resistência é maior durante o mergulho em grande profundidade,
....=a pressão mais alta eleva a densidade do gás, a qual pode, entretanto,
:-eduzida pela inalação de urna mistura de hélio e 02. O fato de que as
.:::ações de densidade em vez de viscosidade exercem tal influência sobre a
s:ência evidencia que o fluxo não é puramente laminar nas vias aéreas de
--:;;;,.,ho médio, onde fica o principal local de resistência (Figura 7.14).
TrIsT
142 John B. West
RESIST~NCIA DAS VIAS AÉREAS
• Mais elevada nos brônquios de tamanho médio; baixa nas vias aéreasde me-
nor calibre.
• Diminui conforme o volume pulmonar aumenta, pois as vias aéreas se encon-
tram abertas.
• O músculo liso brônquico é controlado pelo sistema nervoso auti>nomo; a es-
timulação de receptores f3-adrenérgicos promove a broncodilatação.
• A inalação de gás denso, como na prática do mergulho, aumenta a resistência
Compressão dinâmica das vias aéreas
Suponha que uma pessoa inspire até a capacidade pulmonar total e ~=
pois expire o máximo possível até o volume residual. Podemos registrar u:::...
curva fluxo-volume como A na Figura 7.16, a qual mostra que o fluxo cres..::.
muito rapidamente até um valor alto, porém, depois, declina ao longo de gr-<G
de parte da expiração. Uma característica marcante dessa curva fluxo-voh1 -
é que é quase impossível transpor seus limites. Por exemplo, não importa s.-
começamos a expirar lentamente e depois com mais rapidez, como em B, c-_
se fazemos uma expiração menos forçada, como em C, a porção descende::::
da curva fluxo-volume toma praticamente o mesmo caminho. Assim, a15
consistente está limitando o fluxo expiratório, e, ao longo da maior parte c_
volume pulmonar, a velocidade do fluxo é independente de esforço.
Fluxo
CPT
Volume
VR
FIGURA 7.16
Curvas fluxo-volume. Em (A), a inspiração máxima foi seguida de expiração forçada. Em (8), c.
expiração foi inicialmente lenta e depois forçada. Em (Q, o esforço expiratório foi sub máxime
Nos três casos, as porções descendentes das curvas são quase superpostas.
- - -- - . - -'---------'="""-"'=----------
TrIsT
Fisiologia respiratória 143
Podemos obter mais informações acerca desse curioso gráfico ilustrando
os dados de outra maneira, como na Figura 7.17. Para isso, a pessoa reali-
za uma série de inspirações máximas (ou expirações) seguida de expirações
(ou inspirações) completas com vários graus de esforço. Se as velocidades
de fluxo e as pressões intrapleurais forem ilustradas no mesmo volume pul-
monar em cada inspiração e expiração, é possível obter as então chamadas
curvas pressão-fluxo isovolumétricas. É possível observar que, em altos volu-
mes pulmonares, a taxa de fluxo expiratório continua a crescer com o esforço,
como pode ser esperado. Entretanto, em médios e baixos volumes, a taxa
de fluxo alcança o platô e não pode ser aumentada com a elevação da pres-
são intrapleural. Sob essas condições, o fluxo é, portanto, independente de
esforço.
FIGURA 7.17
Fluxo expiratório
(L/s)
Alto volume pulmonar
Médio volume
Baixo volume
.. Pressão intrapleural
(em H20)
Curvas fluxo-volume isovolumétricas ilustradas para três volumes pulmonares. Cada uma
delas foi obtida a partir de uma série de inspirações e expirações forçadas (ver texto). Observe
aue, em alto volume pulmonar, a elevação na pressão intrapleural (obtida pelo aumento do
;:sforço expiratório) resulta em fluxo expiratório maior. No entanto, em médios e baixos vo-
:.~mes, o fluxo se torna independente do esforço depois de determinada pressão intrapleural
~r sido excedida.
TrIsT
144 John B. West
A razão para esse comportamento extraordinário é a compressão c.~
vias aéreas pela pressão intratorácica. A Figura 7.18 mostra, de maneira e:;
quemática, as forças que agem ao longo de uma via aérea, dentro do pulmã:
A pressão fora da via aérea é mostrada como intrapleural, embora isso se __
uma grande simplificação. Em A, antes que a inspiração tenha começado. :
pressão na via aérea é zero em todo lugar (ausência de fluxo), e, pelo fato c=-
a pressão intrapleural ser -5 em de água, há uma pressão de 5 em de ág-.:..=
que mantém aberta a via aérea. À medida que a inspiração começa (B), tan:::.
a pressão alveolar quanto a intrapleural caem 2 em de água (mesmo vol~
pulmonar de A e negligência da resistência tecidual), e o fluxo começa. E=
virtude da queda da pressão ao longo da via aérea, a pressão interior é C.t
-1 em de água, havendo a pressão de 6 em de água que mantém a via aére=
aberta. Na inspiração final (C), mais uma vez o fluxo é zero, existindo un::.
pressão transmural na via aérea de 8 em de água.
Por fim, ao início da expiração forçada (D), tanto a pressão intrapleura.
quanto a alveolar aumentam em 38 em de água (mesmo volume pulmonz:-
em C). Em virtude da queda da pressão ao longo da via aérea à medida qe~
o fluxo começa, há, agora, a pressão de 11 em de água, tendendo a feche
as vias aéreas. Ocorre compressão das vias aéreas, e a pressão a jusante que
limita o fluxo se torna a pressão fora da via aérea ou pressão intrapleura:
Desse modo, a pressão propulsora efetiva se torna a pressão alveolar menos ~
intrapleural. É o mesmo mecanismo do resistor de Starling que limita o flux.:
sanguíneo na zona 2 do pulmão, onde a pressão venosa passa a ser insigri-
ficante, assim como a pressão na boca (Figuras 4.8 e 4. 9). Observe que, se ~
pressão intrapleural é elevada mais adiante por maior esforço muscular né
tentativa de expelir gás, a pressão propulsora efetiva não é alterada. Assim, c.
fluxo é independente de esforço.
O fluxo máximo diminui com o volume pulmonar (Figura 7.16), po!s
a diferença entre a pressão alveolar e a intrapleural reduz, e as vias aére~
se tomam mais estreitas. Observe, também, que o fluxo é independente dê
resistência das vias aéreas ajusante ao ponto de colapso, chamado de ponrc
de igual pressão. À medida que a expiração progride, o ponto de igual pressãc
se move distalmente, mais fundo no pulmão. Isso acontece porque a resistên-
cia das vias aéreas cresce conforme o volume pulmonar diminui, e, por isso.
a pressão dentro das vias aéreas cai com mais rapidez com a distância dos
alvéolos.
Diversos fatores exacerbam esse mecanismo de limitação do fluxo. Un:
deles é qualquer elevação na resistência das vias aéreas periféricas, uma
vez que isso maximiza a queda da pressão ao longo delas, reduzindo, as-
sim, a pressão intrabrônquica durante a expiração (19 em de água em D).
Outro fator é o baixo volume pulmonar, pois diminui a pressão propulsora
(alveolar-intrapleural), a qual também sofre redução se a pressão de retração
(elastância) for diminuída, como no enfisema. Ainda nessa doença, a tração
TrIsT
Fisiologia respiratória 145
A. Começo da inspiração B. Durante a inspiração
o
C. Final da inspiração O. Expiração forçada
FIGURA 7.18
Esquema mostrando o motivo pelo qual as vias aéreas são comprimidas durante a expiração
forçada. Observe que a diferença de pressão ao longo das vias aéreas as mantém abertas, exceto
!1urante a expiração forçada. Veja o texto para detalhes.
:adiai nas vias aéreas é reduzida, e elas são comprimidas mais prontamente.
:>e fato, ao mesmo tempo em que esse tipo de limitação de fluxo é observa-
:o apenas durante a expiração forçada em pessoas normais, pode acontecer
: urante as expirações da respiração habitual, em pacientes portadores de
:oenças pulmonares graves.
No laboratório de função pulmonar, a taxa de fluxo durante a expiração
= áxima é, muitas vezes, determinada a partir do volume expiratório forçado
COMPRESSAO DINÂMICA DAS VIAS A~REAS
• Limita o fluxo de ar em pessoas normais durante a expiração forçada.
• Pode ocorrer em pulmões doentes em taxas de fluxo expiratório-relativamen-
te baixas, reduzindo, assim, a capacidade de exercício.
• Durante a compressão dinâmica, o fluxo é determinadO'pela pressão afveolar
menos a pressão pleural (não pressão na poca).
• ~exagerada em algumas-doenças pulmonares pela redução da retração elás-
tica pulmonar e pela perda da tração radial nas vias aéreas.
..
TrIsT
l·
146 John B. West
ou VEF1, o qual consiste no volume de gás que pode ser expirado em um se-
gundo após a inspiração máxima. Outra medida popular é o fluxo expiratório
forçado ou FEF2s-?S%, que consiste na média dos fluxos no meio da curva (por
volume) da expiração. Mais informações acerca desses testes podem ser en-
contradas no Capítulo 10.
CAUSAS DO DESEQUIL(BRIO DA VENTILAÇÃO
A causa das diferenças regionais na ventilação no pulmão foi discutidEna p. 130. Além dessas diferenças topográficas, existe uma incongruênci2
adicional na ventilação em qualquer nível vertical no pulmão normal, o que e
exacerbado em muitas doenças.
A Figura 7.19 exibe um mecanismo de desequilíbrio da ventilação. Se
considerarmos uma unidade pulmonar (Figura 2.1) como uma câmara elástica
conectada à atmosfera por meio de um tubo, a quantidade de ventilação de-
pende da complacência da câmara e da resistência do tubo. Na Figura 7.19, a
unidade A apresenta distensibilidade normal e resistência da via aérea. É pos-
sível observar que a sua alteração de volume na inspiração é grande e rápida
para que esteja completa antes que a expiração para todo o pulmão comece
(linha pontilhada). Em contraste, a unidade B apresenta baixa complacência,
e sua alteração de volume é rápida, porém pequena. Por fim, a unidade C
apresenta grande resistência das vias aéreas para que a inspiração seja lenta
e incompleta antes de o pulmão começar a exalar. Observe que, quanto mais
curto o tempo disponível para a inspiração (frequência respiratória rápida),
menor o volume inspirado. Di~-se que tal unidade apresenta urna constante
de tempo longa, cujo valor é fornecido pelo produto da complacência e da
resistência. Dessa forma, a desigualdade da ventilação pode ser resultante de
alterações tanto da distensibilidade local quanto da resistência da via aérea, e
o padrão de desigualdade dependerá da frequência da respiração.
Outro possível mecanismo de desigualdade da ventilação é a difusão in-
completa dentro das vias aéreas da zona respiratória (Figura 1.4). Vimos no
Capítulo 1 que o mecanismo dominante da ventilação pulmonar além dos
bronquíolos terminais é a difusão. De modo geral, isso ocorre com tanta rapi-
dez que diferenças na concentração de gás no ácino são praticamente abolidas
em frações de segundos. Entretanto, se existe dilatação das vias aéreas na re-
gião dos bronquíolos respiratórios, como em algumas doenças, a distância a ser
coberta pela difusão pode ser profundamente ampliada. Nessas circunstâncias,
o gás inspirado não é distribuído de maneira uniforme na zona respiratória em
virtude da desigualdade da ventilação ao longo das unidades pulmonares.
- - - ------ -
- ---==-==-- - -
TrIsT
Volume
B
FIGURA 7 .19
Fisiologia respiratória 14 7
I C
I
I
I
I
I
I
I -----------r - ----
Inspiração Expiração
Tempo--..
A
B
Efeitos da redução da complacência (8) e aumento da resistência da via aérea (Q sobre a
ventilação das unidades pulmonares em comparação com o normal (A). Nas duas situações,
J volume inspirado é anormalmente baixo.
RESISTÊNCIA TECIDUAI.:
Quando o pulmão e a parede torácica se movimentam, alguma pressão
::' necessária para sobrepor as forças viscosas dos tecidos, já que um desliza
:obre o outro. Assim, parte da porção hachurada da Figura 7.13 deve ser
3.tribuída a essas forças teciduais. Entretanto, essa resistência tecidual é cerca
.:e apenas 20% da resistência total (tecido + via aérea) em pessoas jovens
:.ormais, embora possa aumentar em algumas doenças. Essa resistência total
e algumas vezes chamada de resistência pulmonar com intuito de distinguir
:.a resistência da via aérea.
üRABALHO RESPIRATÓRIO
É preciso trabalho para mover o pulmão e a parede pulmonar, sendo
-:ais conveniente, neste contexto, medir o trabalho como pressão x volume.
TrIsT
148 John 8. West
Trabalho realizado no pulmão
Pode ser ilustrado em uma curva pressão-volume (Figura 7.20). Duran:=
a inspiração, a pressão intrapleural segue a curva ABC, e o trabalho realizac:
no pulmão é dado pela área OABCDO. Dessa área, o trapezoide OAECD:
representa o trabalho necessário para superar as forças elásticas, e a áréé.
hachurada ABCEA demonstra o trabalho que se sobrepõe à resistência viscos.:
(vias aéreas e tecido) (comparar com a Figura 7.13). Quanto maior aresistên6:
das vias aéreas, ou a taxa de fluxo inspiratório, mais negativa (para a direitc
será a excursão da pressão intrapleural entre A e C, e maior será a área.
Na expiração, a área AECFA compreende o trabalho necessário pare
superar a resistência das vias aéreas ( + tecido). Normalmente, encontra-Sé
dentro do trapezoide OAECDO, e, dessa forma, o trabalho pode ser realizad:
pela energia armazenada nas estruturas elásticas expandidas que ocorrer::.
durante a expiração passiva. A diferença entre as áreas AECFA e OAECIK
representa o trabalho dissipado na forma de calor.
Quanto maior a frequência respiratória, .mais rápida a velocidade do flu-
xo, e maior a área de trabalho elástico ABCEA. Por outro lado, quanto rnaio:-
o volume corrente, maior a área de trabalho elástico OAECDO. É interessanre
saber que pacientes que apresentam complacência reduzida (pulmões rígidos
tendem a ter respirações curtas e rápidas, enquanto aqueles com obstruçãc
grave de vias aéreas, muitas vezes, respiram lentamente. Esses padrões ten-
dem a reduzir o trabalho realizado nos pulmões.
Trabalho respiratório total
O trabalho respiratório total responsável por movimentar o pulmão e
a parede torácica é difícil de ser medido, embora estimativas tenham sidc
FIGURA 7.20
2
~ 0,5
u
10
E
'ü
10
Q)
E
::I
g
o c
A
o - 5 -10
Pressão intrapleural (em H20)
Curva pressão-volume do pulmão demonstrando o trabalho insplratório realizado para
superar as forças elásticas (área OAECDO) e viscosas (área ABCEA hachurada).
-- ------ - --- ---- -~ - -~ -- ~ - ------ ----= ----
TrIsT
Fisiologia respiratória 149
obtidas por meio da ventilação artificial em pacientes paralisados (ou volun-
:ários "completamente relaxados") em um tipo de ventilador de "pulmão de
:erro". Alternativamente, o trabalho total pode ser calculado medindo o custo
de 02 da respiração e assumindo uma figura para a eficiência dada por:
Trabalho útil
Eficiência% = ------------ ---
Energia total gasta (ou custo de 02)
Acredita-se que a eficiência seja de cerca de 5 a 10%.
X 100
O custo de 02 da respiração tranquila é extremamente baixo, sendo
:.nferior a 5% do consumo total de 02 em repouso. Com a hiperventilação
.. oluntária, é possível que aumente em 30%. Em pacientes com doença pul-
:nonar obstrutiva, o custo de 02 da respiração pode limitar a capacidade de
exercício.
F ique atento . . ·
1 . A inspiração é ativa, mas a expiração durante o repouso é passiva. O músculo
da respiração mais importante é o diafragma. .
2. A curva pressão-volume do pulmão não é linear e demonstra líisterese. A
pressão de retração do pulmão é atribuída tanto ao seu tecido elástico quanto
à tensão superficial da camada de revestimento alveolar.
3. O surfactante pulmonar é um fosfolipídeo produzido pelas células epiteliais
alveolares do tipo 11. Se o sistema surfactante for imaturo, como I}O caso de
alguns bebês prematuros, o pulmão apresent~ baixa complacência, mostran-
do-se instável e edematoso.
4. A parede torácica é elástica, assim como o pulmão, mas normalmente tende a
se expandir. Na CRF, a retração para dentro do pulmão e a tração para fora da
parede torácica são equilibradas. .
S. No fluxo laminar, assim como nas vias aéreas de menor calibre, a resistência é
inversamente proporcional à quarta potência do raio.
6. A resistência das vias aéreas pulmonares sofre redução com o aumento do vo-
lume do pulmão. Caso o músculo liso da via aérea se contraia, como na asma,
a resistência é reduzida pelos agonistas fh-adrenérgicos.
7. A compressão dinâmica das vias aéreas durante a expiração forçada resulta
em fluxo independente de esforço. Logo, a pressão propulsora consiste na
pressão alveolar menos a intrapleural. Em pacientes com doença pulmonar
obstrutiva crônica pode ocorrer compressão dinâmica durante o exercício
leve, causando incapacidade grave.
TrIsT
1 50 John B. West
TESTE SEU CONHECIMENTO
1. A respeito da contração do diafragma:
a) Os nervos responsáveis emergem da medula espinal no nível do tórax infer:
b) Tende a horizontalizar o diafragma.
c) Reduz a distância lateralentre as margens costais inferiores.
d) Promove o movimento da parede abdominal anterior.
e) Eleva a pressão intrapleural.
2. A respeito do comportamento pressão-volume do pulmão:
a) A complacência diminui com a idade.
b) O enchimento de um pulmão animal com solução salina diminui a complacê-
cia.
c) A remoção de um lobo reduz a complacência pulmonar total.
d) A ausência de surfactante aumenta a complacência.
e) No pulmão em posição vertical em nível da CRF, para uma dada alteração na
pressão intrapleural, os alvéolos próximos à base pulmonar expandem menos
do que aqueles perto do ápice.
3. Duas bolhas apresentam a mesma tensão superficial, porém a bolha X apresenta
diâmetro três vezes maior do que a bolha Y. A razão da pressão na bolha X em
relação àquela na bolha Y é de:
a) 0,3:1
b) 0,9:1
c) 1:1
d) 3:1
e) 9:1
4. O surfactante pulmonar é produzido por:
a) Macrófagos alveolares.
b) Células ca liciformes.
c)
d)
e)
Leucócitos.
Células alveolares do tipo I.
Células alveolares do tipo 11.
5. As regiões basais do pulmão humano em posição vertical são normalmente mais
bem ventiladas do que as regiões superiores, pois:
a) A resistência das vias aéreas nas regiões superiores é mais elevada do que nas
regiões inferiores.
b) Há menos surfactante nas regiões superiores.
c) O fluxo sanguíneo para as regiões inferiores é maior.
d) As regiões inferiores apresentam volume de repouso pequeno e aumento relati-
vamente grande de volume.
e) A Pco2 das regiões inferiores é relativamente alta.
TrIsT
Fisiologia respiratória 151
6. O surfactante pulmonar:
a) Aumenta a tensão superficial do líquido que reveste os alvéolos.
b) É secretado pelas células epiteliais alveolares do tipo I.
c) É uma proteína.
d) Aumenta o trabalho necessário para expandir o pulmão.
e) Ajuda a evitar a transudação de líquido dos capilares para os espaços alveolares.
7. A respeito da expi ração normal durante as condições de repouso:
a) A expiração é gerada pelos músculos expiratórios.
b) A pressão alveolar é inferior à pressão atmosférica.
c) A pressão intrapleural gradualmente cai (torna-se mais negativa) durante a
expiração.
d) A velocidade de fluxo do gás (em em· s-1) nas grandes vias aéreas excede àquela
nos bronquíolos terminais.
e) O diafragma .se move para baixo durante a expiração.
8. Um paciente anestesiado com paralisia dos músculos respiratórios e com pulmões
normais é ventilado com pressão positiva. Se o anestesiologista aumentar o volume
pulmonar 2 L acima da CRF e mantiver o pulmão nesse volume por 5 s, a combinação
mais provável de pressões (em em H20) é:
Boca Alveolar lntrapleural
a) o o - 5
b) o +10 - 5
c) +10 +10 -1 o
d) +10 +10 o
e) +10 o - 10
9. Quando uma pessoa normal desenvolve pneumotórax espontâneo no pulmão
direito, você espera que aconteça:
a) Expansão do pulmão direito.
b) Expansão da parede torácica à direita.
c) Movimento para baixo do diafragma.
d) Movimentação do mediastino para a esquerda.
e) Redução do fluxo sanguíneo para o pulmão direito.
1 O. De acordo com a lei de Poiseuille, a redução do raio de uma via aérea em um terço
aumentará a resistência em quantas vezes?
a) 1/3
b) 3
c) 9
d) 27
e) 81
...
TrIsT
152 John B. West
11. A respeito do fluxo aéreo no pulmão:
a) É mais provável que o fluxo seja turbulento nas vias aéreas de menor calibre
do que na traqueia.
b) Quanto mais baixa a viscosidade, menor a probabilidade de turbulência.
c) No fluxo laminar puro, dividir o raio das vias aéreas pela metade aumenta a
sua resistência em oito vezes.
d) Para que a inspiração ocorra, a pressão da boca precisa ser inferior à alveolar.
e) A resistência das vias aéreas aumenta durante a prática de mergulho.
12. O fator limitante da velocidade do fluxo mais importante durante grande parte
da expiração forçada a partir da capacidade pulmonar total é:
a) Taxa de contração dos músculos expiratórios.
b) Ação do diafragma.
c) Constrição da musculatura brônquica lisa.
d) Elasticidade da parede torácica.
e) Compressão das vias aéreas.
13. Qual dos seguintes fatores aumenta a resistência das vias aéreas?
a) Aumento do volume pulmonar acima da CRF.
b) Aumento da estimulação simpática da musculatura lisa das vias aéreas.
c) Viagem para altitudes elevadas.
d) Inalação de cigarro.
e) Respiração de uma mistura com 21 o/o de 0 2 e 79o/o de hélio (peso molecular de ~
14. Uma pessoa normal realiza um esforço inspiratório contra uma via aérea fechada.
Você espera que:
a) A tensão no diafragma caia.
b) Os músculos intercostais internos se tornem ativos.
c) A pressão intrapleural aumenta (se torne menos negativa).
d) A pressão alveolar caia mais do que a intrapleural.
e) A pressão dentro dos capilares pulmonares diminua.
TrIsT
Controle da ventilação:
como a troca gasosa
é regulada
• Centros de controle central
Trorfco en<;efálico
Córtex
Outros pGirtes do cérebro
• Efetores
• Sensores
Quimiorreceptores centrais
Quimiorreceptores periféricos
Receptores pulmonares
Outros reçeptores
• Respostas integradas
Respesta ao dióxido de carbono
Resposta ao oxigênio
Resposta ao pH
Resposta ao exercício
• P6drões anormais da respiração
' mos que a função principal do pulmão é trocar 0 2 e co2 entre o sangue e o ar e,
:ssim, manter os níveis normais de Po2 e Pco2 no sangue arterial. Neste capítulo,
3remos que, apesar das demandas completamente diferentes para captação de
: :! e el iminação de C02 realizadas pelo corpo, a ~o2 e o ?co2 ort~r\o\s s~o, d~
-odo geral, mantidas dentro de limites restritos. Essa notável regulação da troca
;Jsosa é possibilitada pelo controle cuidadoso do nível de ventilação. Em primeiro
_gar, consideramos os centros de controle do sistema nervoso central e, depois,
:s vários quimiorreceptores e outros receptores que os abastecem com informa-
:3es. Em seguida, descrevemos os respostas integradas ao dióxido de carbono, à
- ::)Qxia e ao pH.
': ..
'l
TrIsT
154 John B. West
Os três elementos básicos do sistema de controle respiratório (Figu:-_
8.1) são:
• Sensores, que reúnem informações e as levam para os
• Centros de controle central no cérebro, os quais coordenam as infc:
mações e, por sua vez, enviam impulsos para os
• Ejetares (músculos respiratórios), que promovem a ventilação.
Veremos que, geralmente, o aumento da atividade dos efetores dimin::.
o estímulo sensitivo para o cérebro, por exemplo, ao reduzir a Pco2 arteric:..
Esse é um exemplo de retroalimentação (feedback).
CENTROSOECONTROLECENTRAL
O processo automático normal da respiração se origina em impulsos prc-
venientes do tronco encefálico. O córtex pode prevalecer sobre esses centre-
caso o controle voluntário seja desejado. Outras informações provenientes c::
outras partes do cérebro ocorrem sob determinadas condições.
Tronco encefálico
A natureza periódica da inspiração e da expiração é controlada por neu-
rônios localizados na ponte e no bulbo, os quais foram designados centro.
Centros de
controle central
1
trada / Ponte, bulbo, outras ~ Eferen
En/ partes do cérebro ~te
Sensores I -.--- -~ ---- ~-------------- ---- I Efetores
Quimiorreceptores, receptores
pulmonares e outros
Músculos respiratórios
FIGURA 8.1
Elementos básicos do sistema de controle respiratório. Informações provenientes de vários
sensores são levadas ao centro de controle central, cujo estímulo é levado para os múscu·
los respiratórios. Alterando a ventilação, os músculos respiratórios reduzem os estímulos aos
sensores (retroalimentação feedback).
TrIsT
Fisiologia respiratória 1 55
respiratórios. Entretanto, não devem ser considerados núcleos distintos, mas
sim coleções de neurônios maldefinidas com vários componentes.
Três grupos principais de neurônios são reconhecidos.
• Centro respiratório bulbar, que se localiza na formação reticular do
bulbo, debaixo do assoalho do quarto ventrículo, compreendendo
duas áreas identificáveis: um grupo de células na regiãodorsal do
bulbo (grupo respiratório dorsal), o qual é principalmente associado
à inspiração; o outro, na área ventral (grupo respiratório ventral),
principalmente relacionado à expiração. Uma visão popular (embora
não aceita universalmente) considera que as células da área inspirató-
ria possuem a propriedade periódica e intrínseca de gerar estímulos,
sendo responsáveis pelo ritmo básico da ventilação. Quando todos os
estímulos aferentes conhecidos são abolidos, essas células inspiratórias
geram descargas repetitivas de potenciais de ação, as quais resultam
em impulsos nervosos que vão para o diafragma e para os outros
músculos inspiratórios.
O padrão de ritmo intrínseco da área inspiratória tem início com um
;>eríodo latente de vários segundos durante o qual não há atividade. Os poten-
ciais de ação começam a surgir, aumentando progressivamente ao longo dos
segundos posteriores. Durante esse tempo, a atividade do músculo inspirató-
:io se toma mais intensa em um padrão "ascendente". Por fim, os potenciais
de ação inspiratórios cessam, e o tônus da musculatura inspiratória retorna
ao nível pré-inspiratório.
A. ascensão inspiratória pode ser "desligada" prematuramente por im-
?ulsos inibitórios originários do centro pneumotáxico (ver a seguir). Dessa
-naneira, a inspiração se toma mais curta, e, em consequência disso, a frequ-
encia respiratória aumenta. A liberação de impulsos das células inspiratórias
~posteriormente modulada pelos impulsos provenientes à.os nervos vago e
~ossofaríngeo. Na verdade, esses terminam no trato solitário, o qual está
::ruado perto da área inspiratória.
A área expiratória se encontra quiescente durante a respiração tranquila
::ormal, pois a ventilação é obtida pela contração ativa dos músculos inspi-
-atórios (principalmente o diafragma), seguida do relaxamento passivo da
:mede torácica até sua posição de equilíbrio (Capítulo 7). No entanto, na
~spiração forçada, por exemplo, ao exercício, a expiração se torna ativa em
2 sultado à atividade das células expiratórias. Observe que ainda não existe
:::msenso quanto a como a ritmicidade intrínseca da respiração é controlada
:dos centros bulbares.
• Centro apnêustico, na região inferior da ponte. Essa área é assim cha-
mada porque, se o cérebro de um animal de laboratório for seccionado
. ;~,;
1\
TrIsT
1 56 John B. West
logo acima desse local, paradas inspiratórias prolongadas (apne_
interrompidas por esforços expiratórios transitórios ocorrerão . . -.:;
rentemente, os impulsos provenientes do centro exercem efe
excitatório na área inspiratória do bulbo, tendendo a prolonga:
potenciais de ação em ascensão. Não se sabe se o centro apnêus-
desempenha função na respiração humana normal, embora, em alg-_
tipos de danos cerebrais graves, observe-se esse tipo de respira:_
anormal.
• O centro pneumotáxico se encontra na região superior da po::·
Conforme indicado anteriormente, essa área parece "desligar'' _
inibir a inspiração, regulando, dessa forma, o volume da inspiraçãc :.
secundariamente, a frequência respiratória. Isso foi demonstrado :-
maneira experimental em animais por meio da estimulação elétr.~
àireta do centro pneumotáxico. Alguns pesquisadores acreditam ç_
o papel desse centro seja a "sintonia fina" do ritmo respiratório, pc_
é possível existir ritmo normal na ausência desse centro.
CENTROS RESPIRATÓRIOS
• Responsáveis pela geração do padrão rítmico da inspiração e da expiração.
• Localizados no bulbo e na ponte do tronco encefálico.
• Recebem estimules dos quimiorreceptores, dos receptores pulmonares e de
outros, e do córtex.
• O principal eferente é para o nervo frênico.
Córtex
A respiração se encontra sob controle voluntário até certo nível, sendo c
córtex capaz de prevalecer sobre a função do tronco encefálico limitadamen-
te. A redução pela metade da Pco2 arterial pela hiperventilação não é difícil.
embora a alcalose consequente possa causar tetania com a contração dos
músculos da mão e do pé (espasmo carpopodal). A redução pela metade da
Pco2 eleva o pH arterial em cerca de 0,2 unidade (Figura 6.8).
A hipoventilação voluntária é mais difícil. A duração da interrupção res-
piratória é limitada por vários fatores, inclusive pela Po2 e pela Pco2 arteriais.
O período precedente de hiperventilação aumenta o tempo de interrupção
respiratória, especialmente se oxigênio for inalado. No entanto, há o envol-
vimento de outros fatores que não os químicos. Podemos perceber isso se, no
ponto de ruptura da interrupção respiratória, uma mistura de gás for inalada,
TrIsT
Fisiologia respiratória 157
a qual promove a elevação da Pco2 e a redução da Po2 arteriais, mais um pe-
ríodo de interrupção respiratória será possível.
Outras partes do cérebro
Outras partes do cérebro, como o sistema límbico e o hipotálamo, po-
dem alterar o padrão da respiração, por exemplo, em estados emocionais
como a raiva e o medo.
EFETORES
Os músculos da respiração incluem o diafragma, os intercostais, os
abdominais e os acessórios, como o esternocleidomastóideo. As ações des-
~es músculos foram descritas no início do Capítulo 7. No que diz respeito
~o controle da ventilação, é de fundamental importância que esses vários
srupos musculares trabalhem de maneira coordenada; essa é a responsa-
.:>ilidade do centro de controle central. Existem evidências de que algumas
::ianças recém-nascidas, em particular as prematuras, apresentam atividade
:escoordenada da musculatura respiratória, especialmente durante o sono.
:lar exemplo, os músculos torácicos podem tentar inspirar enquanto os ab-
:ominais expiram. Isso pode ser um fator na síndrome da morte súbita do
-e<:ém-nascido .
.5ENSORES
imiorreceptores centrais
Um quimiorreceptor consiste em um receptor que responde a alguma
:eração na composição química do sangue ou de outro líquido ao seu redor.
-- receptores mais importantes envolvidos no controle minuto a minuto da
-entilação são aqueles situados perto da superfície ventral do bulbo, nos
::-edores da saída dos nervos IX e X. Em animais, a aplicação local de H+
_ C02 dissolvido nessa área estimula a respiração em poucos segundos. No
- :..:sado, acreditava-se que o próprio centro respiratório bulbar era o local
~ ação do co2, mas, na atualidade, aceita-se que os quimiorreceptores
_:ejam anatomicamente separados. Algumas evidências sugerem que se
:alizam cerca de 200 a 400 mm abaixo da superfície ventral do bulbo
-=-_wra 8.2) .
Os quimiorreceptores centrais são circundados por líquido extracelular
-==-ebral (LEC) e respondem a alterações na concentração de H+. Um aumento
TrIsT
.,
1 58 John B. West
Cérebro
Vaso sangumeo
FIGURA 8 .2
Ambiente dos quimiorreceptores centrais. Encontram-se banhados em líquido extracelu :
cerebral (LEC), pelo qual o C02 se difunde com facilidade a partir dos vasos sanguíneos para :
líquido cefalorraquidiano (LCR). O C02 reduz o pH do LCR, estimulando, assim, o quimiorreceptO'
Os íons W e HCOi não atravessam facilmente a barreira hematoencefálica.
na concentração de H+ estimula a ventilação enquanto uma diminuição a ini-
be. A composição do LEC ao redor dos receptores é controlada pelo líquidc
cefalorraquidiano (LCR), pelo fluxo de sangue e pelo metabolismo local.
Desses fatores, o LCR é aparentemente o mais importante. Encontra-se
separado do sangue pela barreira hematoencefálica, a qual é relativamente
impermeável aos íons H+ e HC03, embora as moléculas de C02 se difundam
por ela com facilidade. Quando a Pco2 sanguínea aumenta, o C02 provenien-
te dos vasos sanguíneos cerebrais se difunde para o LCR, liberando íons H-
que estimulam os quimiorreceptores. Assim, o nível de C02 no sangue regula
a ventilação principalmente por intermédio do efeito que exerce sobre o pH
do LCR. A hiperventilação resultante reduz a Pco2 no sangue e, portanto, no
LCR. A vasodilatação cerebral que acompanha a elevação da Pco2 arterial
aumenta a difusão do C02 para o LCR e o LEC.
O pH normal do LCR é de7,32, e, por conter muito menos proteína
que o sangue, possui uma capacidade de tamponarnento muito menor. Em
resultado, a alteração no pH do LCR para uma dada alteração na Pco2 é maior
do que no sangue. Se o pH do LCR for modificado por um período prolonga-
do, ocorre alteração compensatória no HC03 resultante do transporte através
da barreira hematoencefálica. Entretanto, de modo geral, o pH do LCR não
retorna totalmente para 7,32. A mudança no pH do LCR ocorre com mais
rapidez do que a do pH do sangue arterial pela compensação renal (Figura
--~ -- - - ~~ - - - ---------
TrIsT
a
n
Fisiologia respiratória 159
6.8), um processo que leva 2 a 3 dias. Uma vez que o pH do LCR retoma um
valor próximo ao normal mais rapidamente do que o pH do sangue, também
exerce efeito mais importante sobre as alterações no nível da ventilação e da
?co2 arterial.
Temos um exemplo dessas alterações quando observamos um paciente
com doença pulmonar crônica e retenção de C02 de longa data, o qual pode
:er pH do LCR próximo ao normal e, portanto, ventilação anormalmente re-
duzida para sua Pco2 arterial. Uma situação similar é observada em pessoas
normais expostas por alguns dias à atmosfera contendo 3o/o de co2.
QUIMIORRECEPTORES CENTRAIS
• Localizados perto da superfície ventral do bulbo.
• Sensíveis à Pco2, mas não à Po2 do sangue.
• Respondem à alteração de pH do LEC/LCR quando o C02 se difunde para fora
dos capilares cerebrais.
Quimiorreceptores periféricos
Os quirniorreceptores periféricos estão localizados nos glomos carotí-
~eos na bifurcação das artérias carótidas comuns e nos glomos para-aórticos
acima e abaixo do arco da aorta. Os glomos carótidas são os mais importantes
::os humanos, pois contêm células glômicas de dois tipos. As células do tipo
= demonstram coloração fluorescente intensa em virtude do seu grande con-
:eúdo de dopamina. Essas células se encontram em aposição às terminações
::o nervo do seio carotídeo aferente (Figura 8.3). O glomo carotídeo também
:ontém células do tipo li e um rico suprimento de capilares. O mecanjsmo
~reciso dos glomos carotídeos permanece incerto, mas muitos fisiologistas
2creditam que as células glômicas sejam os locais de quimiorrecepção e que
.:;. modulação da liberação de neurotransmissor das células glômicas por estí-
::mlos químicos e fisiológicos afeta a taxa de descarga das fibras aferentes do
~orno carotídeo (Figura 8.3A).
Os quimiorreceptores periféricos respondem às reduções de pH e P0 2
:llterial e aos aumentos na Pco2 arterial. Eles são únicos entre os tecidos do
.:orpo nos quais sua sensibilidade às mudanças na Po2 arterial começa em
:nrno de 500 mm Hg. A Figura 8.3B mostra que a relação entre a taxa de
:isparo e a Po2 arterial não é muito linear; relativamente pouca resposta
corre até que a Po2 arterial seja reduzida abaixo de 100 mrn Hg, porém,
..:epois disso, a taxa aumenta com rapidez. Os glomos carotídeos possuem
;:-ande fluxo sanguíneo em relação ao seu tamanho, e, por isso, apesar
:,
--•--------------------------.......... ..... TrIsT
160 John B. West
A
~Cap
!( Po2 .• Pco2 '
pH
FIGURA 8.3
75
~
E so
·:x
•11)
E
~
8. 25
Vl
&
B
50 100
Po2 arterial mm Hg
(A) Diagrama do glomo carotídeo que contém células dos tipos I e 11 com muitos capilares
(Cap). Os impulsos viajam para o sistema nervoso central (SNC) por meio do nervo do selo ca-
rotídeo. (8) Resposta não linear à P02 arterial. Observe que a resposta máxima ocorre abaixo dE
uma Po2 de 50 mm Hg.
da sua alta taxa metabólica, a diferença arteriovenosa de 02 é pequena.
Consequentemente, eles respondem à Po2 arterial em vez da venosa. Ares-
posta desses receptores pode ser muito rápida; de fato, sua taxa de dispare
pode alterar durante o ciclo respiratório em decorrência das pequenas alte-
rações cíclicas nos gases sanguíneos. Os quimiorreceptores periféricos são
responsáveis por todo o aumento da ventilação que ocorre nos humanos
em resposta à hipoxemia arterial. De fato, na ausência desses receptores, a
hipoxemia grave deprime a ventilação, presumivelmente por meio de efeitc
direto sobre os centros respiratórios. A perda completa do estímulo venti-
latório hipóxico foi demonstrado em pacientes com ressecção bilateral dos
glomos carotídeos.
A resposta dos quimiorreceptores periféricos à Pco2 arterial é menos im-
portante do que aquela dos quimiorreceptores centrais. Por exemplo, quandc
se oferece a um indivíduo normal uma mistura de C02, menos de 20% da
resposta ventilatória pode ser atribuída aos quimiorreceptores periféricos.
Entretanto, a resposta deles é mais rápida, e eles podem ser úteis no ajuste da
ventilação em casos de alterações abruptas na Pco2.
Em humanos, o glomo carotídeo, e não os glomos para-aórticos, res-
ponde à queda no pH arterial. Isso acontece sem se levar em consideração SE
a causa é respiratória ou metabólica. Ocorre interação dos vários estímulos.
Assim, a intensificação da atividade do quimiorreceptor em resposta às re-
TrIsT
Fisiologia respiratória 161
duções na Po2 arterial é potencializada por aumentos na Pco2 e, nos glomos
carotídeos, pelas reduções no pH.
Receptores pulmonares
Receptores de distenção pulmonar
Acredita-se que os receptores de distenção pulmonar, também conheci-
dos como receptores de distenção pulmonar de adaptação lenta, se encontrem
na musculatura lisa das vias aéreas. Eles atuam em resposta à distensão do
pulmão, e a sua atividade é mantida apesar da insuflação do pulmão; ou seja,
eles exibem pequena adaptação. Os impulsos percorrem o nervo vago através
de grandes fibras mielinizadas.
O principal efeito reflexo da estimulação desses receptores é o retardo
na frequência respiratória decorrente da ampliação do tempo expiratório, co-
nhecido como reflexo de insuflação de Hering-Breuer. É possível demonstrá-lo
por meio de um coelho preparado cujo diafragma contém urna tira de mús-
culo da qual registros podem ser obtidos sem interferir nos outros músculos
respiratórios. Experiências clássicas mostraram que a insuflação dos pulmões
rende a inibir a atividade de músculo inspiratório posterior. A resposta contrá-
ria também é observada; isto é, a desinsuflação dos pulmões tende a iniciar a
atividade inspiratória (reflexo de desinsuflação). Assim, esses reflexos podem
fornecer um mecanismo autorregulador ou retroalimentação.
Houve uma época em que se acreditava que os reflexos de Hering-
Breuer desempenhavam papel importante na ventilação, determinando a
frequência e a profundidade da respiração. Isso era possível por meio da
utilização das informações provenientes desses receptores de distenção, na
:nodulação do mecanismo de "desligamento" no bulbo. Por exemplo, a va-
gotomia bilateral, a qual remove o estímulo desses receptores, promove
a respiração lenta e profunda na maioria dos animais. No entanto, traba-
lhos mais recentes indicam que esses reflexos são amplamente inativos em
humanos adultos, a não ser que o volume corrente exceda 1 L, corno no
exercício. O bloqueio bilateral transitório dos vagos pela anestesia local em
:1umanos conscientes não muda a frequência nem o volume da respiração.
Existem algumas evidências de que esses reflexos possam ser mais impor-
:antes em crianças recém-nascidas.
Receptores de substâncias irritantes
Acredita-se que se encontram entre as células epiteliais das vias aéreas
e que sejam estimulados por gases nocivos, tabagismo, inalação de poeiras e
TrIsT
162 John B. West
ar frio. Os impulsos percorrem o vago em fibras mielinizadas, e os efeitos dos
reflexos incluem broncoconstrição e hiperpneia. Alguns fisiologistas preferem
chamar esses receptores de ''receptores de distenção pulmonar de adaptação
rápida", pois revelam rápida adaptação e estão, aparentemente, envolvidos
em outras funções mecanorreceptoras, bem como respondem aos estímulos
nocivos nas paredes das vias aéreas. É possível que os receptores de subs-
tâncias irritantes desempenhem função na broncoconstriçãodos ataques de
asma resultante da reposta à liberação de histamina.
Receptores J
Compreendem as terminações das fibras C não mielinizadas e, muitas
vezes, são assim denominados. O termo "justacapilar" ou J é usado porque se
acredita que se encontrem nas paredes alveolares, próximos aos capilares. r_
prova de sua localização é a rápida resposta às substâncias químicas injeta-
das na circulação pulmonar. Os impulsos percorrem o nervo vago em fibras
não mielinizadas de condução lenta e podem promover a respiração rápida
e superficial, embora a estimulação intensa cause apneia. Existem evidências
de que o ingurgitamento dos capilares pulmonares e os aumentos no volume
do líquido intersticial da parede alveolar ativam esses receptores. É possíve:
que desempenhem uma função na respiração superficial e rápida e na apneia
(sensação de dificuldade de respiração) associada à insuficiência cardíaca es-
querda e doença pulmonar intersticial.
Fibras brônquicas C
São supridas pela circulação brônquica em lugar da circulação pulmo-
nar, como é o caso dos receptores J descritos anteriormente. Elas responderr.
com rapidez às substâncias químicas injetadas na circulação brônquica. As
respostas reflexas ao estímulo incluem respiração rápida e superficial, brol!-
coconstrição e secreção de muco.
Outros receptores
Receptores das vias aéreas superiores e do nariz
O nariz, a nasofaringe, a laringe e a traqueia contêm receptores que
respondem à estimulação mecânica e química. Constituem urna extensão dos
receptores de substâncias initantes descritas anteriormente. Várias respos-
tas reflexas foram descritas, incluindo espirros, tosse e broncoconstrição
TrIsT
Fisiologia respiratória 163
Pode acontecer espasmo laríngeo caso a laringe sofra irritação mecânica, por
exemplo, durante a inserção de um tubo endotraqueal com anestesia local
insuficiente.
Receptores musculares e articulares
Acredita-se que os impulsos provenientes dos membros em movimento
façam parte do estímulo à ventilação durante o exercício, especialmente nos
estágios iniciais.
Sistema gama
Muitos músculos, inclusive os intercostais e o diafragma, contêm fu-
sos musculares que percebem o estiramento muscular. Essas informações são
usadas para controlar de maneira reflexa o comprimento da contração. Esses
receptores podem estar envolvidos na sensação de dispneia que ocorre quan-
do, raras vezes, grandes esforços respiratórios são necessários para mover o
pulmão e a parede torácica, por exemplo, em virtude da obstrução das vias
aéreas.
Barorreceptores arteriais
A elevação da pressão sanguínea arterial pode causar hipoventilação
reflexa ou apneia por meio da estimulação dos barorreceptores aórticos e do
seio carotídeo. Contrariamente, a redução da pressão sanguínea pode resul-
tar em hiperventilação. As vias desses reflexos são desconhecidas.
Dor e temperatura
A estimulação de muitos nervos aferentes pode ocasionar alterações na
ventilação. Muitas vezes, a dor promove um período de apneia seguido de
hiperventilação. O aquecimento da pele pode resultar em hiperventilação.
RESPOSTAS INTEGRADAS
Agora que já analisamos as várias unidades que constituem o sistema
de controle da respiração (Figura 8.1), é útil considerarmos as respostas do
sistema como um todo frente às alterações de 02, C02 e pH arterial, além
daquelas ocasionadas pelo exercício.
- - - ~----
!I
TrIsT
164 John B. West
Resposta ao dióxido de carbono
O fator mais importante no controle da ventilação sob condições nor-
mais é a Pco2 do sangue arterial. A sensibilidade desse controle é notável. No
curso da atividade diária com períodos de repouso e exercício, a variação da
Pco2 arterial é provavelmente mantida em 3 mm Hg. Durante o sono, é pos-
sível que se eleve um pouco.
A resposta ventilatória ao C02 é normalmente medida quando a pessoa
inala misturas de COz ou reinala ar de um saco para que a Pco2 inspirada se
eleve de forma gradativa. Em determinada técnica, o indivíduo reinala o ar de
um saco cheio com 7% de C02 e 93% de Oz. À medida que o indivíduo inala,
C02 expirado é adicionado ao saco, mas a concentração de 02 permanece
relativamente alta. Em tal procedimento, a Pco2 do saco aumenta na taxa de
cerca de 4 mm Hg/min.
A Figura 8.4 mostra os resultados de experiências nas quais a mistura
inspirada foi ajustada para produzir Po2 alveolar constante. (Nesse tipo de
experiência em indivíduos normais, a Pco2 e a Pco2 alveolares no final do
volume corrente são geralmente obtidas para revelar os níveis arteriais.) É
possível observar que, com Po2 normal, a ventilação aumenta em cerca de 2
a 3 L/min para cada mm Hg de Pco2. A redução de Po2 produz dois efeitos: a
ventilação para uma dada Pco2 se torna mais alta e a inclinação da linha, mais
vertical. Há variação considerável entre os indivíduos.
Outra forma de medir o estímulo respiratório é por meio do registro da
pressão inspiratória durante um breve período de oclusão das vias aéreas. O
indivíduo respira por meio de um bocal conectado a uma válvula cuja entrada
inspiratória possui um interruptor de fluxo. Durante a expiração, a entrada é
fechada (involuntariamente), para que a primeira parte da próxima inspira-
ção seja contra uma via aérea ocluída. O interruptor de fluxo é aberto após
cerca de 0,5 s. A pressão gerada durante o primeiro O, 1 segundo da tentativa
de inspiração C conhecido como Po,l) é obtida como a medida do estímulo
proveniente do centro respiratório. Isso não é amplamente afetado pelas pro-
priedades mecânicas do sistema respiratório, embora seja influenciado pelo
volume pulmonar. Esse método pode ser usado para estudar a sensibilidade
respiratória ao C02, hipoxia e outras variáveis.
A diminuição da Pco2 arterial é muito eficaz na redução do estímulo à
ventilação. Por exemplo, se um indivíduo hiperventila voluntariamente por
alguns segundos, ele não terá vontade de respirar por um curto período. Um
paciente anestesiado frequentemente para de respirar por um minuto mais ou
menos se, primeiro, for hiperventilado pelo anestesista.
Sono, idade e fatores genéticos, raciais e de personalidade reduzem a
resposta ventilatória ao COz. Mergulhadores e atletas treinados tendem a
apresentar baixa sensibilidade ao C02. Diversas drogas deprimem o centro
respiratório, inclusive a morfina e os barbitúricos. Por vezes, os pacientes que
~~-- - -
TrIsT
FIGURA 8.4
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30
Fisiologia respiratória 165
Po
2
alveolar
47
40
110°
OU 169 X
50
Pco2 alveolar (mm Hg)
Resposta ventilatória ao COz. Cada curva da ventilação total em relação à Pco2 alveolar é para
uma Po2 alveolar diferente. Nesse estudo, nenhuma diferença foi encontrada entre os valores
da Po2 alveolar de 11 O mm Hg e 169 mm Hg, embora alguns pesquisadores tenham achado a
inclinação da linha ligeiramente menor na Po2 mais elevada.
sofreram superdosagem de uma dessas drogas apresentam hipoventilação
marcante. A resposta ventilatória ao C02 também sofre redução se o trabalho
respiratório for aumentado. Isso pode ser demonstrado por uma pessoa nor-
mal que respira por meio de um tubo estreito. O estímulo neural proveniente
do centro respiratório diminui, mas não é tão eficaz na produção de venti-
lação. O mesmo mecanismo pode, em parte, explicar a resposta ventilatória
anormalmente baixa ao C02 e a retenção de C02 em alguns portadores de
doença pulmonar. Nesses pacientes, a redução da resistência das vias aére-
as com broncodilatadores muitas vezes aumenta sua resposta ventilatória.
Também existem algumas evidências de que a sensibilidade do centro respi-
ratório se encontra diminuída nesses pacientes.
Como vimos, o principal estímulo para incrementar a ventilação quan-
do a Pco2 arterial aumenta é proveniente dos quimiorreceptores centrais, os
quais respondem à maior concentração de H+ do LEC perto dos receptores.
TrIsT
166 John B. West
Um estímuloadicional vem dos quimiorreceptores periféricos em decorrência
tanto da elevação da Pco2 arterial quanto da queda no pH.
QUIMIORRECEPTORES PERIFÉRICOS
• Localizados nos glomos carotldeos e para-aórticos.
• Respondem à r@dução da Po2 arterial e ao aumento da Pco2 e H+.
• Respondem com rapidez.
Resposta ao oxigênio
A maneira pela qual uma redução da Po2 no sangue arterial estimula
a ventilação pode ser estudada por meio de um indivíduo que respira uma
mistura hipóxica de gases. A Po2 e a Pco2 medidas no final do volume corren-
te são usadas como medida dos valores arteriais. A Figura 8.5 mostra que,
quando a Pco2 alveolar é mantida em cerca de 36 mm Hg (por alternância
da mistura inspiratória), a Po2 alveolar pode ser diminuída para próximo de
50 mm Hg antes que qualquer aumento considerável na ventilação ocorra.
A elevação da Pco2 aumenta a ventilação em qualquer Po2 (comparar com a
Figura 8.4) . Observe que, quando a Pco2 é maior, a redução da Po2 abaixo de
100 mm Hg causa algum estímulo à ventilação, diferentemente da situação
na qual a Pco2 é normal. Assim, os efeitos combinados de ambos os estímulos
excedem a soma de cada estímulo dado separadamente; isso é referido como
interação entre estímulos de C02 alto e 02 baixo. Grandes diferenças de res-
posta são observadas entre pessoas diferentes.
Uma vez que a Po2 pode normalmente ser reduzida a tal ponto sem
provocar uma resposta ventilatória, o papel desse estímulo hipóxico no controle
diário da ventilação é pequeno. Entretanto, na ascensão para grandes altitudes.
ocorre grande aumento da ventilação em resposta à hipoxia (ver Capítulo 9).
Em alguns pacientes portadores de doença pulmonar grave, o estímulo
hipóxico à ventilação se toma muito importante. Esses pacientes apresentarr:
RESPOSTA VENTILATÓRIA AO DIÓXIDO DE CARBONO
• A Pco2 arterial constitui o estímulo mais importante à ventilação sob a maioria
das condições e, em geral, é com rigor controlada.
• A maior parte dos estímulos provém dos quimiorreceptores centrais, porém
os periféricos também contribuem, e sua resposta é mais rápida.
• A resposta é maximizada se a Po2 arterial estiver reduzida.
- ~·- --- ---
TrIsT
FIGURA 8.5
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Fisiologia respiratória 16 7
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20 40 60 80 1 00 120 140
Po
2
alveolar (mm Hg)
Curvas de resposta hipóxica. Observe que, quando a Pco2 é de 35,8 mm Hg, quase nenhum
aumento ocorre na ventilação até que a Po2 seja reduzida para próximo de 50 mm Hg.
retenção crônica de C02, e o pH do LEC retorna para perto do normal apesar
da Pco2 aumentada. Dessa forma, eles perdem a maior parte do estímulo à
ventilação do COz. Além disso, a depressão inicial do pH do sangue foi quase
abolida pela compensação renal, logo há pouca estimulação dos quimiorre-
ceptores periféricos fornecida pelo pH (ver a seguir). Sob essas condições, a
hipoxemia arterial se torna o principal estímulo à ventilação. Se a um paciente
como esse é dada uma mistura alta de 02 com objetivo de aliviar a hipoxemia,
a ventilação pode se tornar bastante deprimida. O estado ventilatório é mais
bem monitorado pela medição da Pco2 arterial.*
Como vimos, a hipoxemia reflexamente estimula a ventilação por meio
de sua ação sobre os quimiorreceptores dos glomos carotídeo e para-aórtico;
não exerce ação nos quimiorreceptores centrais; de fato, na ausência dos qui-
miorreceptores periféricos, a hipoxemia deprime a respiração. Entretanto, a
hipoxemia prolongada pode ocasionar leve acidose cerebral, a qual, por sua
vez, pode estimular a ventilação.
* N. de R.T.: Este mecanismo de controle ventilatório pela Po2 em pacientes pneumopatas
crônicos quando oxigeno terapia é oferecida pode levar ao estado de narcose carbônica.
A redução da ventilação é seguida por hipercapnia adicional, a qual é responsável por
rebaixamento do nível de consciência, causando piora na retenção de C02 e gerando
um ciclo vicioso. Pode haver progressão para coma e óbito.
TrIsT
168 John B. West
Resposta ao pH
A redução do pH sanguíneo arterial estimula a ventilação. Na prática
muitas vezes é difícil separar a resposta ventilatória resultante da queda no
pH daquela causada pela elevação concomitante da Pco2. Entretanto, em
animais de laboratório, nos quais é possível reduzir o pH em uma Pco2 cons-
tante, o estímulo à ventilação pode ser demonstrado de maneira convincente
Pacientes com acidose metabólica parcialmente compensada C como no caso do
diabete melito sem controle) que apresentam Pco2 e pH baixos (Figura 6.8) de-
monstram maior ventilação. Na verdade, a hiperventilação é responsável pela
redução da Pc02.
Como vimos, o principal local de ação do pH arterial reduzido é o qui-
miorreceptor periférico. Também é possível que os quimiorreceptores centrais
ou o próprio centro respiratório possam ser afetados pela alteração no pH
sanguíneo se ela for grande o suficiente. Nesse caso, a barreira hematoence-
fálica se torna em parte permeável aos íons H+.
RESPOSTA VENTILATÓRIA À HIPOXIA
• Apenas os quimiorreceptores periféricos estão envolvidos.
• Durante as condições normais, o controle é insignificante.
• O controle se torna Importante em grandes altitudes e na hipoxia em longo
prazo causada por doença pulmonar crônica.
Resposta ao exercício
Com o exercício, a ventilação aumenta prontamente e durante o esforço
extremo pode alcançar níveis muito altos. Pessoas jovens e em forma, as quais
atingem o consumo máximo de 0 2 de 4 L/min, podem apresentar ventilaçãc
total de 120 L/min, ou seja, cerca de 15 vezes o volume de repouso. Esse
aumento na ventilação coincide intimamente com maior captação de 0 2 e
eliminação de C02. É inacreditável que a causa do aumento da ventilação ao
exercício continue amplamente desconhecida.
A Pco2 arterial não se eleva com a prática do exercício; na verdade, de
modo geral, diminui ligeiramente durante o exercício intenso. Via de regra, a
Po2 arterial sofre pouca elevação, embora possa reduzir em níveis de trabalho
muito altos. O pH arterial permanece quase constante com o exercício modera-
do; contudo, durante o exercício pesado, diminui em decorrência da liberação
de ácido lático pela glicólise anaeróbica. Fica claro, portanto, que nenhum dos
mecanismos que discutimos até agora pode ser responsabilizado pelo grande
aumento na ventilação observado durante o exercício leve a moderado.
~ -- - - - - ~------
TrIsT
Fisiologia respiratória 169
Outros estímulos foram sugeridos. O movimento passivo dos membros
estimula a ventilação tanto em animais anestesiados quanto em humanos
conscientes; consiste em um reflexo com receptores presumivelmente locali-
zados nas articulações ou nos músculos. Pode ser responsável pelo incremento
abrupto na ventilação que ocorre durante os primeiros segundos do exercício.
v ma hipótese sugere que as oscilações na Pco2 e na Po2 arteriais estimulam
os quimiorreceptores periféricos, mesmo que o nível médio permaneça inal-
:erado. Essas flutuações são causadas pela natureza periódica da ventilação
e aumentam quando o volume corrente cresce como no exercício. Outra te-
Jria alega que os quimiorreceptores centrais aumentam a ventilação com o
objetivo de manter a Pco2 arterial constante por intermédio de algum servo-
:aecanismo (isto é, um circuito mecânico controlado eletricamente), assim
:orno um termostato é capaz controlar uma caldeira com pouca alteração
.:e temperatura. A objeção de que a Pco2 arterial muitas vezes reduz com o
~xercício é contestada pela afirmação de que o nível de Pco2 preferencial é
.:-eestabelecido de alguma maneira. Proponentes dessa teoria acreditam que a
:esposta ventilatória ao C02 inalado não pode ser considerada um guia confiá-
·el daquilo que acontece ao exercício.
Outra hipótese sugere ainda que a ventilação esteja ligada, de alguma
:orma, à carga adicional de C02 oferecidaaos pulmões pelo sangue venoso
::listo durante o exercício. Em experiências com animais, o aumento dessa
.:arga, produzido tanto pela infusão de C02 no sangue venoso quanto pelo
::.umento do retorno venoso, mostrou que se correlaciona bem com a ventila-
:ão. No entanto, o fato de que nenhum receptor adequado fora encontrado
.-onstitui um problema para essa hipótese.
Outros fatores que foram sugeridos incluem o aumento da temperatura
:orporal durante o exercício, o que estimula a ventilação, e os impulsos prove-
-.ientes do córtex motor. No entanto, nenhuma das teorias propostas até agora
e completamente satisfatória.
PADRÕES ANORMAIS DA RESPIRAÇÃO
Muitas vezes, pessoas com hipoxenia grave exibem um padrão marcante
:ie respiração periódica conhecido como respiração de Cheyne-Stokes, a qual se
caracteriza por períodos de apneia de 10 a 20 s separados por períodos apro-
ximadamente iguais de hiperventilação quando o volume corrente aumenta
e diminui de maneira gradual. Com frequência, esse padrão é observado em
zrandes altitudes, especialmente durante o sono, à noite. Também é encontrado
e:n alguns pacientes portadores de doença cardíaca grave ou dano cerebral.
O padrão pode ser reproduzido em animais de laboratório pelo aumento
da distância que o sangue percorre em direção ao cérebro desde o pulmão.
Sob essas condições, há uma grande demora antes que os quimiorreceptores
TrIsT
170 John B. West
centrais percebam a alteração na Pco2 ocasionada pela mudança na ventilz-
ção. Consequentemente, o centro respiratório busca a condição de eqtiilibrk.
sempre o excedendo. No entanto, nem todas as circunstâncias da respiraçã:
de Cheyne-Stokes podem ser explicadas nessa base. Outros padrões anorma:.:
de respiração também podem se instalar em caso de doença.
F ique atento
1 . Os centros respiratórios responsáveis pelo padrão rítmico da respiração estão
localizados na ponte e no bulbo do tronco encefálico. O comando desses
centros pode ser superado pelo córtex até certo ponto.
2. Os quimiorreceptores centrais se encontram perto da superfície ventral do
bulbo e respondem às alterações de pH do LCR, as quais são causadas, por sua
vez, pela difusão do C02 proveniente dos capilares cerebrais. As alterações nas
concentrações de bicarbonato do LCR modulam o pH e, com isso, a resposta
do quimiorreceptor.
3. Os quimiorreceptores periféricos, principalmente nos glomos carotídeos, res-
pondem à Po2 reduzida e à Pco2 e concentração de H+ aumentadas. A resposta
ao 02 é um pouco acima de uma Po2 de 50 mm Hg. A resposta ao aumento do
C02 é menos marcante do que aquela dos quimiorreceptores centrais, mas
pode ocorrer mais rapidamente.
4 . Outros receptores se localizam nas paredes das vias aéreas e dos alvéolos.
S. A Pco2 do sangue constitui o fator mais importante de controle da ventilação
sob condições normais, e grande parte do controle se dá por meio dos qui-
miorreceptores centrais.
6 . A Po2 do sangue normalmente não afeta a ventilação, mas se torna importante
em grandes altitudes e em alguns pacientes portadores de doença pulmonar.
7. O exercício promove grande aumento na ventilação; porém, sabe-se pouco
acerca do porquê, especialmente durante o exercício moderado.
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 . A respeito dos centros respiratórios:
a) O padrão rítmico normal da respiração tem origem nos neurônios localizados nc:
área motora do córtex.
b) A atividade inspiratória se origina no grupo de células respiratórias ventrais no
bulbo.
c) Os impulsos provenientes do centro pneumotáxico podem estimular a atividadE
inspiratória.
d) O córtex cerebral pode prevalecer sobre a função dos centros respiratórios.
e) O único estímulo proveniente dos centros respiratórios ocorre por meio dos
nervos frênicos.
TrIsT
Fisiologia respiratória 171
2. Quanto aos quimiorreceptores centrais:
a) Estão localizados perto da superfície dorsal do bulbo.
b) Respondem tanto à Pco2 quanto à Po2 do sangue.
c) São ativados pelas alterações de pH do líquido extracelular circundante.
d) Para uma dada elevação na Pco2, o pH do LCR cai menos do que aquela
do sangue.
e) A concentração de bicarbonato do LCR não pode afetar seu nível de estímulo.
3. No que concerne aos quimiorreceptores periféricos:
a) Respondem às alterações na Po2 arterial, mas não no pH.
b) Sob condições normais, a resposta às alterações na Po2 é muito pequena.
c) A resposta às alterações na Pco2 é mais lenta do que a dos quimiorreceptores
centrais.
d) São os receptores mais importantes que promovem o aumento da ventilação
em resposta à elevação na Pco2•
e) Apresentam fluxo sanguíneo lento por grama de tecido.
4. A respeito da resposta ventilatória ao dióxido de carbono:
a) É maior se a Po2 alveolar estiver elevada.
b) Depende apenas dos quimiorreceptores centrais.
c) É maior durante o sono.
d) É maior se o trabalho da respiração estiver intensificado.
e) É um fator importante no controle do nível normal da ventilação.
5. Quanto à resposta ventilatória à hipoxia:
a) Constitui o principal estímulo à ventilação em grandes altitudes.
b) É principalmente provocada pelos quimiorreceptores centrais.
c) É reduzida se a Pco2 também estiver aumentada.
d) Raramente estimula a ventilação em pacientes com doença pulmonar crõnica.
e) É importante no envenenamento leve por monóxido de carbono.
6 . O estímulo mais importante no controle do nível da ventilação em repouso é:
a) Po
2
nos quimiorreceptores periféricos.
b) Pco2 nos quimiorreceptores periféricos.
c} pH nos quimiorreceptores periféricos.
d) pH do LCR nos quimiorreceptores centrais.
e) Po2 nos quimiorreceptores centrais.
• O exercício é um dos estimulantes mais poderosos da ventilação.
Atua principalmente:
a) Baixando a Po1. arterial.
b) Elevando a Pco2 arterial.
c) Baixando a Po2 no sangue venoso misto.
d) Baixando o pH arterial.
e) ~enhuma das O?<;.Ões anteüotes.
TrIsT
172 John B. West
8. Quanto ao reflexo de insuflação de Hering-Breuer:
a) Os impulsos dirigem-se ao cérebro por meio do nervo do seio carotídeo.
b) Resulta em mais esforços respiratórios se o pulmão for mantido insuflado.
c) É observado em adultos em pequenos volumes correntes.
d) Pode ajudar a insuflar o pulmão do recém-nascido.
e) A abolição do reflexo em muitos animais acarreta em respiração superficial e
rápida.
TrIsT
Sistema respiratório sob
estresse: como a troca
gasosa é realizada
durante o exercício, em
altas e baixas pressões
e ao nascimento
• Exercício·
• Grande altitu~e
Hiperventilação
Polícitemia
Outras características da
aclimatização
• T oxicidode do Q~
Atelectas;a por absorção
• Voo espoetel
• Pressão oume.ntadd
Doença da descompressão
Narcose do gós inerte
Toxicidode do 02
Terapia de 02 hiperbórico
• Atmosferas poluídos
• Respiração de líquido
• Respiração perinota~
Troco 9ososo placentário
A primeira respir.açõo
Alterações ctícuh.tMâos
8 pulmão normal apresenta enormes reservas em repouso, o que permite suprir
;::;s grandes demandas das trocas gasosas durante o exercício. Além disso, o órgão
;unciona como a principal ligação fis iológica com o ambiente no qual vivemos; sua
área superficial é aproximadamente 30 vezes maior do que a da pele. A vontade
1umana de praticar esca ladas mais altas e mergulhos mais profundos coloca o
sistema respiratório sob grande estresse, embora essas situações sejam insultos
TlÍnimos se comparados ao processo do nascimento.
TrIsT
17 4 John B. West
EXERC(CIO
As demandas das trocas gasosas do pulmão são enormemente a ll.C=::
tadas pelo exercício. De modo geral, o consumo de oxigênio em repo
de 300 mL/min pode crescer para cerca de 3.000 mL/min em uma pes:
moderadamente em forma (e até 6.000 mL/min em um atleta de elite).:
maneira similar, a eliminação de COz em repouso de 240 mL/min aume=
para próximo de 3.000 mL/ min. Em geral, a taxa de troca respiratória ?
sobe de 0,8 em repouso para 1 ao exercício. Esse crescimento reflete a gra:::dependência do carboidrato em lugar da gordura para a produção da energ:.
necessária. De fato, R muitas vezes atinge niveis ainda mais elevados dura.=..:..-
o estado de desequilibrio do exercício intenso quando acido lático é produz:.:.
pela glicólise anaeróbica, e mais COz é, portanto, eliminado do bicarbona:-
Além disso, há maior eliminação de COz, uma vez que a concentração =~
H+ mais elevada estimula os quimiorreceptores periféricos, incremen.tanC.-
assim, a ventilação.
O exercício é convenientemente estudado em urna esteira ou bicicle:...
ergométrica. À medida que a taxa de trabalho (ou força) aumenta, o coilS"_
mo de oxigênio cresce de maneira linear (Figura 9.1A). Entretanto, acima c=
urna d~terminada taxa de trabalho, a Voz se torna constante, sendo conhecié..:
como Vozmáx. O aumento da taxa de trabalho acima deste nivel pode ocorre:
apenas por meio da glicólise anaeróbica.
Inicialmente, a ventilação também se intensifica de forma linear qua.I:-
do ~omparada à taxa de trabalho ou Vo2. No entanto, em valores elevado:
da Voz, a ventilação aumenta com mais rapidez em virtude do ácido láticc
liberado, o que incrernenta o estímulo ventilatório (Figura 9 .lB). Às vezes
ocorre uma ((quebra" clara na inclinação; isso tem sido chamado de limicr:
anaeróbico, embora o termo seja, de alguma forma, controverso. Pessoas
fora de forma produzem lactato em níveis de trabalho relativamente bai-
xos, enquanto indivíduos bem treinados são capazes de alcançar níveis de
trabalho bastante elevados antes que a glicólise anaeróbica substancial se
desenvolva.
Muitas funções do sistema respiratório mudam em resposta ao exercício.
A capacidade de difusão do pulmão se amplia em decorrência dos aumentos
da capacidade de difusão da membrana, DM, e do volume de sangue nos
capilares pulmonares, V c. Essas alterações acontecem por conta do recruta-
mento e da distensão dos capilares pulmonares, particularmente nas partes
superiores do pulmão. De modo geral, a capacidade de difusão cresce pelo
menos três vezes. Todavia, alguns atletas de elite em níveis de trabalho ex-
tremamente altos demonstram queda na Po2 arterial causada pela limitação
da difusão.
O débito cardíaco cresce linearmente com o nível de trabalho em decor-
rência dos aumentos de frequência cardíaca e volume sistólico. No entanto, a
TrIsT
Fisiologia respiratória 175
4 150
o v
Vo2máx
-~ 10 ~
"'C s '--.,
v 100 o o <1/
-~ -~ ·- c
..0 ·- :) ·v E 0\ -c, c
N <lld 5 ., . .g o VI . ., 50 o l)"o ....
..!!?
., -·.;::; v c .,
~
...J
o o
o 100 200 300 o 2
A Taxa de trabalho (Watts) B Vo2(L/min)
FIGURA 9.1
(!\)O consumo de 02 (V0 ) cresce quase que linearmente com a taxa de trabalho até que a
V 02máx seja alcançada. (a) Em princípio, a ventilação aumenta de forma linear com o consumo de
0 2, porém se intensifica com mais rapidez quando quantidades substanciais de lactato sanguíneo
são formadas. A"quebra" evidente na inclinação muitas vezes é chamada de limiar anaeróbico (LA).
O débito cardíaco aumenta mais lentamente do que a ventilação.
alteração do débito cardíaco é de apenas um quarto da elevação da ventilação
(em L/min), o que faz sentido, pois é muito mais fácil mover ar do que san-
gue. Se considerarmos a equação de Fick, Yo2 = Q(Caoz- Cvo2), o Vo2 maior
é ocasionado tanto pelo aumento do débito cardíaco quanto da diferença de
Oz arteriovenosa decorrente da diminuição da concentração de oxigênio no
sangue venoso misto. Em contraste, se considerarmos a equação análoga para
a ventilação, Vo2 = VE (Flo2 - FEo2), a diferença entre as concentrações de
Oz inspirado e expirado não muda. Isso é consistente com o aumento muito
maior na ventilação do que no fluxo sanguíneo. O débito cardíaco maior é
associado a elevações das pressões pulmonares arterial e venosa, o que é
responsável pelo recrutamento e pela distensão dos capilares pulmonares. A
resistência vascular pulmonar diminui.
Em indivíduos normais, o desequilíbrio entre ventilação-perfusão dimi-
nui durante o exercício moderado em virtude da distribuição regional mais
uniforme do fluxo sanguíneo. Entretanto, já que o grau de desequilíbrio en-
tre ventilação-perfusão em pessoas normais é pequena, isso ocasiona poucas
consequências. Existem evidências de que alguma desigualdade entre venti-
lação-perfusão se desenvolve em atletas de elite em níveis de trabalho muito
altos possivelmente por conta de edema pulmonar intersticial de graus leves.
É óbvia a necessidade da saída de líquido dos capilares pulmonares em decor-
rência da elevação da pressão no interior deles.
A curva de dissociação do oxigênio se move para a direita nos músculos
em exercício em função da elevação da Pco2, da concentração de H+ e de
TrIsT
176 John B. West
temperatura. Isso ajuda na liberação de oxigênio para os músculos. ~ _
o sangue retorna para o pulmão, a temperatura sanguínea diminui, e E _
sofre desvio para a esquerda. Em alguns animais, como cavalos e cachc::-
hematócrito aumenta com o exercício, pois eritrócitos saem do baço,:::..:.-
não acontece em humanos.
Nos tecidos periféricos, capilares extras se abrem, reduzindo as.
distância da via de difusão para a mitocôndria. A resistência vascula:- ~
férica diminui, pois o débito cardíaco não está muito associado à e:e-
da pressão arterial média, pelo menos durante o exercício dinâmico, · -
a corrida. No exercício estático, como o levantamento de peso, pode oc--
grande elevação da pressão arterial sistêmica. O treinamento com exer ......
aumenta o número de capilares e mitocôndrias no músculo esquelético.
Como vimos no Capítulo 8, a marcante intensificação da ventilaçãc _
ocorre durante o exercício ainda não possui uma explicação. Entretan~
resultado final é que a Po2, a Pco2 e o pH arteriais são pouco afetados;:-
exercício moderado. Com frequência, em níveis de trabalho muito alrc::
Pco2 cai, a Po2 aumenta, e o pH diminui em virtude do ácido lático.
GRANDE ALTITUDE
A pressão barométrica diminui com o distanciamento da superfície ::=
restre de maneira aproximadamente exponencial (Figura 9 .2). A pressã::.
5.800 m é de apenas metade dos 760 mm Hg normais, portanto a PD-l -
gás umidificado inspirado é de (380 - 47) x 0,2093 = 70 mm Hg (47~
Hg é a pressão parcial do valor de água na temperatura corporal). No p~
do Monte Everest (altitude de 8.848 m), a Po2 inspirada é de apenas 43 r.:-
Hg. A 19.200 m, a pressão barométrica é de 47 mm Hg, logo o valor da F-
inspirada é O.
Apesar da hipoxia associada à grande altimde, cerca de 140 milhões c_
pessoas residem em altitudes superiores a 2.500 m, e residentes permanente..
vivem em altimdes superiores a 4.900 m nos Andes. Quando humanos asce::-
dem a essas altitudes, ocorre aclimação significativa; a propósito, alpinistas_:_
moraram por alguns dias em altitudes que provocariam a perda de consciêr:-
cia em poucos segundos na ausência de aclimatização.
Hiperventilação
A característica mais importante da aclimação à grande altitude é a hi-
perventilação. Seu valor fisiológico pode ser observado quando consideramos
a equação do gás alveolar para um alpinista no topo do Monte Everest. Se a
Pco2 alveolar do alpinista fosse de 40 e a taxa de troca respiratória 1, a Po2
---- - -_ - - -- _____,.. - ----====-- -· -- -
TrIsT
Fisiologia respiratória 177
alveolar do alpinista seria de 43 - C 40/lr = 3 mm Hg! Entretanto, aumen-
tando a ventilação do alpinista em cinco vezes e depois reduzindo a Pco2 para
8 mrn Hg (veja p. 29), a Po2 alveolar sofre elevação para 43 - 8 = 35 mm Hg.
Tipicamente, a Pco2 arterial de residentes permanentes a 4.600 m é de cerca
de 33 mm Hg.
A estimulação hipóxica dos quimiorreceptores periféricos constitui o
mecanismo da hiperventilação. A alcalose e a baixa Pco2 arterial resultan-
te tendem a inibir a intensificação da ventilação; porém, após cerca de um
dia, o pH do líquido cefalorraquidiano (LCR) é restaurado parcialmente pelo
movimento de bicarbonato para fora do LCR, e após dois ou três dias, o pH
dosangue arterial retorna para próximo do normal pela excreção renal de
bicarbonato. Assim, essas paradas na ventilação são reduzidas e, posterior-
mente, aumentadas. Além disso, na atualidade, existem evidências de que
a sensibilidade dos glomos carotídeos à hipoxia se torna mais exacerbada
durante a aclimatização. O interessante é que as pessoas nascidas em gran-
des altitudes apresentam resposta ventilatória à hipoxia diminuída, a qual
é apenas lentamente corrigida pela residência subsequente ao nível do mar.
Altitude (pés)
o 10.000 20.000
800
Nível do mar 150
Ôl
:I:
E 600 Ôl .s :I:
100 E ~ aeronave
É. ·~ comercial .... fQ •QJ 400 -o E fQ ,_
E Habitação
50
·a.
ro "' .l:l humana .!:
o
mais alta
N
•ro 200 o "' 0.. "' QJ
0: o
o o 2.000 4.000 6.000 8.000
Altitude (m)
=tGURA 9.2
-:.e~ação entre altitude e pressão barométrica. Observe que a Po2 do gás inspirado úmido é
:2 cerca de 130 mm Hg a 1.520 m (Denver, CO, EUA), porém é de apenas 43 mm Hg no topo do
~te Everest.
~uando R= 1, o fator de correção mostrado na p. 76 desaparece.
TrIsT
178 John B. West
O contrário acontece com aqueles nascidos ao nível do mar que se muda=
para as grandes altitudes e mantêm a resposta hipóxica intacta por um long~
período. Parece, portanto, que essa resposta ventilatória é determinada muit::
cedo na vida.
Policitemia
Outro aspecto aparentemente valioso da aclimatização a grandes al-
titudes é o aumento da concentração de eritrócitos no sangue. A elevaçãc
resultante na concentração de hemoglobina e) 1>0rtanto, a maior c.alladda-
de de transporte do 02 significam que, embora a saturação de 02 e a Pc
arterial estejam diminuídas, a concentração de 02 no sangue arterial podE"
estar normal ou até mesmo acima do normal. Por exemplo, em residente5
permanentes em altitudes de 4.600 m nos Andes peruanos, a Po2 arteria~ é de
apenas 45 mm Hg, e a saturação de 02 arterial correspondente é de apenas
81 o/o. Normalmente, isso diminuiria de maneira considerável a concentraçãc
de 02 arterial, mas, em virtude da policitemia, a concentração de hemoglo-
bina cresce de 15 para 19,8 g/100 mL, fornecendo a concentração de 0:
arterial de 22,4 mL/100 mL, a qual é, na verdade, mais elevada do que c
valor ao nível do mar. A policitemia também tende a manter a Po2 do sangue
venoso misto, e, nos nativos andinos que vivem a 4.600 m, é comum que essa
Po2 esteja apenas 7 mm Hg abaixo do normal (Figura 9.3). O estímulo para
incrementar a produção de eritrócitos é a hipoxemia, a qual promove a libe-
ração de eritropoetina pelos rins, que, por sua vez, estimula a medula óssea.
Também é possível observar a policitemia em muitos pacientes com hipoxe-
mia crônica causada por doença cardíaca ou pulmonar.
Embora a policitemia da grande altitude promova o aumento da capa-
cidade de transporte de Oz do sangue, ela também aumenta a viscosidade
sanguínea. Isso pode ser deletério, e alguns fisiologistas acreditam que a poli-
citemia acentuada algumas vezes observada seja uma resposta inapropriada.
Outras características da aclimatização
Em altitudes moderadas, ocorre desvio para a direita da curva de dis-
sociação do 02 que resulta em melhor liberação de 02 no sangue venoso em
uma dada Po2. A causa do desvio é o aumento da concentração de 2,3-difos-
foglicerato (DPG) que se desenvolve principalmente em virtude da alcalose
respiratória. Em grandes altitudes, ocorre desvio para a esquerda da curva de
dissociação ocasionado pela alcalose respiratória, o que ajuda na liberação de
02 nos capilares pulmonares. O número de capilares por unidades de volume
nos tecidos periféricos cresce, e alterações nas enzimas oxidativas no interior
TrIsT
FIGURA 9.3
150
Ôl 100
:r:
E
5
50
Gás
inspirado
Gás
alveolar
Fisiologia respiratória 179
Sangue Sangue
arterial venoso misto
0 ~--------------------------------~
lalores da Po2 desde o ar inspirado até o sangue venoso misto ao nível do mar e em re-
sidentes em altitudes de 4.600 m. Observe que, apesar da Po2 inspirada muito mais baixa na
=. <itude, a Po2 do sangue venoso misto é apenas 7 mm Hg mais baixa.
:as células acontecem. A capacidade respiratória máxima aumenta, pois o ar é
=enos denso, e isso auxilia as ventilações muito altas (até 200 L · min·1) que
_,e desenvolvem durante os exercícios. No entanto, a captação de 02 máxima
..:.::nmui rapidamente acima de 4.600 m, o que é corrigido até certa extensão
=:nbora não por completo) pela inalação de 02 a 100%.
A vasoconstrição pulmonar ocorre em resposta à hipoxia alveolar, ele-
""':l."1do a pressão arterial pulmonar e o trabalho realizado pelo coração direito.
policitemia exagera a hipertensão, porque aumenta a viscosidade do san-
::""_e. Observamos hipertrofia do coração direito com alterações características
-- eletrocardiograma. Parece não haver vantagem fisiológica nessa resposta,
:eto pelo fato de que a distribuição regional do fluxo sanguíneo se toma
- :.:s uniforme. A hipertensão pulmonar é muitas vezes associada ao ede-
- de pulmão, embora a pressão venosa pulmonar seja normal. O provável
--canismo é a desigualdade da vasoconstrição arteriolar, ocorrendo extra-
-amento dos capilares danificados e desprotegidos. O líquido do edema
TrIsT
180 John B. West
exibe grande concentração de proteína, indicando que a permeabilidade do5
capilares está aumentada.
Com frequência, os recém-chegados às grandes altitudes se queixam de
cefaleia, fadiga, tonturas, palpitações, insônia, perda de apetite e náuseas.
Isso é conhecido como a doença aguda das montanhas, a qual é atribuída à
hipoxemia e à alcalose. Às vezes, os residentes de longa data desenvolveu:
uma síndrome mal definida caracterizada por fadiga, redução da tolerância
ao exercício, hipoxemia grave e policitemia marcante, a qual é chamada de
doença crônica das montanhas.
ACtJM~TlZAÇAo A. GRANb~S ALTITUDES._,
Aspecto mats imj:?ortanfe. é. a biljlerven:til~ão.
A policiterwa a@resenta desenvolvimentQ ·lento e de pouco valor.
Outros aspf:!ctos incluem_aumeotp d~s en~imas oxidativas celulares e da-
coA"centra~ão de capilares em alguns te·ftdos,
• A va~soconstt'iÇão purrnonaf bjpéx~ nãO é"benéficã.
TOXIDADE DO 02
A captação de 02 suficiente para o corpo constitui um problema comu~
porém é possível tê-lo em excesso. Quando altas concentrações de 02 são
inaladas por muitas horas, pode ocorrer dano pulmonar. Se a um preá for
administrado Oz a 100% à pressão atmosférica por 48 horas, ele desenvolve-
rá edema pulmonar. As primeiras alterações patológicas são observadas nas
células endoteliais dos capilares pulmonares (Figura 1.1). É difícil (talvez
felizmente) oferecer concentrações de Oz muito altas aos pacientes, porém
evidências de prejuízos nas trocas gasosas foram demonstradas após 30 horas
de inalação de Oz a 100%. Voluntários normais que respiraram Oz a 100% à
pressão atmosférica por 24 horas reclamaram de angústia subesternal agra-
vada pela respiração profunda e desenvolveram diminuição da capacidade
vital em 500 a 800 mL. É bem provável que isso seja causado por atelectasia
por absorção.
Outro risco oferecido pela inalação de 02 a 100% é observado em
crianças prematuras que desenvolvem cegueira decorrente de retinopatia da
prematuridade, isto é, formação de tecido fibroso atrás do cristalino. Nesse
caso, o mecanismo responsável é a vasoconstrição local promovida pela Po7
alta na incubadora, o que pode ser evitado com a manutenção da Po2 arterial
abaixo de 140 mm Hg.
TrIsT
Fisiologia respiratória 181
Atelectasia por absorção
A atelectasia por absorção constitui outro perigo da respiração de 02
a 100%. Suponha que uma via aérea seja obstruída por muco (Figura 9.4).
A pressão total no gás aprisionado é próxima de 760 mm Hg (podem ser
alguns mm Hg a menos, já que é absorvida em virtude das forças elásticas
do pulmão). No entanto, a soma das pressões parciais no sangue venoso é
muito inferior a 760 mm Hg. Isso porque a Po2 do sangue venoso permanece
relativamentebaixa, mesmo quando 02 é inalado. Na verdade, a elevação
na concentração de 02 do sangue arterial e venoso quando 02 é inalado é a
mesma se o débito cardíaco permanecer inalterado, mas, em virtude da forma
da curva de dissociação do 02 (veja Figura 6.1), o aumento da Po2 venosa é
de apenas 10 a 15 mm Hg. Assim, uma vez que a soma das pressões parciais
no gás alveolar excede bastante àquela no sangue venoso, o gás se difunde
para o sangue, e ocorre rápido colapso dos alvéolos. A reabertura de tal área
atelectásica pode ser difícil em virtude dos efeitos da tensão superficial nessas
pequenas unidades.
Ar
/~
0 2
(02
H20
02 40
02 55 (02 45
co2 45 N2 573
H20 47 H20 47 --
Total 147 Total 705
A 8
FIGURA 9.4
Razões para a atelectasia dos alvéolos além das vias aéreas bloqueadas quando 02 (A) e
ar {8) são inalados. Observe que, em ambos os casos, a soma das pressões parciais do gás no
sangue venoso misto é menor do que nos alvéolos. Em (Bt a Po2 e Pco2 são demonstradas entre
parenteses porque os valores mudam com o tempo. Entretanto, a pressão alveolar total permanece
dentro de poucos mm Hg dos 760.
TrIsT
182 John B. West
O colapso por absorção também ocorre em uma região bloqueada, mes-
mo quando ar é inalado, embora aqui o processo seja mais lento. A Figura
9.4B mostra que mais uma vez a soma das pressões parciais no sangue venoso
é inferior a 760 mm Hg, pois a queda na Po2 do sangue arterial para o venoso
é muito maior do que a elevação na Pco2 (isso é um reflexo da inclinação mais
vertical da curva de dissociação do C02 em comparação com a de Oz - veja
Figura 6. 7). Uma vez que a pressão total do gás nos alvéolos é próxima a
760 mm Hg, a absorção é inevitável. Na verdade, as alterações nas pressões
parciais alveolares durante a absorção são um pouco complicadas, porém e
possível demonstrar que a taxa de colapso é limitada pela taxa de absorção de
Nz. Dado que esse gás possui baixa solubilidade, sua presença atua como uma
"tala" que sustenta os alvéolos e retarda o colapso. Mesmo as concentrações
relativamente pequenas de Nz no gás alveolar exercem essa ação útil de sus-
tentação. Todavia, a atelectasia pós-operatória constitui um problema comurr:
em pacientes tratados com altas misturas de 02. O colapso é particularmente
provável na base do pulmão, onde o parênquima é bem menos expandido
(veja a Figura 7.8), e vias aéreas de menor calibre se encontram fechadas
(veja a Figura 7.9). Esse mesmo mecanismo básico de absorção é responsáve:
pelo desaparecimento gradual do pneumotórax e do enfisema subcutâneo.
VOO ESPACIAL
A ausência de gravidade causa várias alterações fisiológicas, e algumas
afetam o pulmão. A distribuição da ventilação e do fluxo sanguíneo se toma
mais uniforme com um pequeno incremento correspondente na troca gaso-
sa (veja Figuras 5.8 e 5.10), embora alguma desigualdade permaneça em
função dos fatores não gravitacionais. A deposição de aerossol inalado é mo-
dificada em virtude da ausência de sedimentação. Além disso, o volume de
sangue torácico inicialmente aumenta, pois o sangue não se acumula nos
membros inferiores, o que eleva o volume de sangue capilar pulmonar e a
capacidade de difusão. Com o retorno à Terra, ocorre hipotensão postura!;
isso é conhecido como descondicionamento cardiovascular. É possível que a
descalcificação óssea e a atrofia muscular se desenvolvam, presumivelmen-
te pelo desuso. Há também pequena redução na massa dos eritrócitos. A
doença espacial durante os primeiros dias de voo pode constituir um pro-
blema operacional grave.
PRESSÃO AUMENTADA
Durante a prática do mergulho, a pressão se eleva em 1 atmosfera a
cada 1 O m de descida. A pressão por si só é relativamente inofensiva, desde
TrIsT
Fisiologia respiratória 183
que seja equilibrada. ~~ No entanto, se uma cavidade de gás, tais como o pul-
mão, o ouvido médio ou os seios intracranianos, não conseguir se comunicar
com o exterior,. a diferença de pressão pode causar compressão na descida
ou expansão em excesso na subida. Por exemplo, é muito importante que
mergulhadores expirem à medida que voltem à superfície, a fim de evitar a
hiperinsuflação e possível ruptura dos pulmões. A densidade maior do gás na
profundidade aumenta o trabalho respiratório, o que pode resultar em reten-
ção de COz, especialmente com o exercício.
Doença da descompressão
Durante a prática do mergulho, a alta pressão parcial de Nz força esse
gás pouco solúvel em direção aos tecidos do corpo. Isso ocorre particularmen-
te na gordura, a qual apresenta relativa alta solubilidade ao N2. Entretanto,
o suprimento sanguíneo ao tecido adiposo é escasso, e o sangue é capaz de
carrear pouco Nz. Além disso, o gás se difunde lentamente em decorrência de
sua baixa solubilidade. Em resultado disso, o equilíbrio de Nz entre os tecidos
e o ambiente demora horas.
Durante a ascensão, o Nz é lentamente removido dos tecidos. Se a compres-
são for demasiado rápida, formam-se bolhas gasosas de N2, da mesma forma que
o COz é liberado quando uma garrafa de champagne é aberta. Algumas bolhas
podem se formar sem que nenhum distúrbio fisiológico ocorra, porém o gran-
de número de bolhas ocasiona dor, principalmente nas articulações (mal dos
mergulhadores). Nos casos graves, pode ocorrer distúrbio neurológico, como
surdez, comprometimento da visão e, até mesmo, paralisia promovida pelas
bolhas no sistema nervoso central (SNC) que obstruem o fluxo de sangue.
O tratamento da doença da descompressão é realizado por meio da re-
compressão, a qual reduz o volume das bolhas e as força de volta à solução
e, muitas vezes, resulta em redução dramática dos sintomas. A prevenção é
DOENÇA DA DESCOMPRESSÃO
• É causada pela formação de beH'las de N2 durante a ascensão de um mergulho
profundo.
• Pode resultar em dor (mal dos mergulhadores) e distúrbios neurológicos.
• Pode ser evitada pela ascensão lenta e em etapas.
• Tratada pela recompressão em uma câmara.
• A incidência é reduzida pela inalação de uma mistura de oxigênio-hélio.
• A centenas de atmosferas de pressão, as reações químicas são afetadas. Por exemplo,
a curva de dissociação do 02 é desviada.
TrIsT
184 John B. West
feita por meio da descompressão cuidadosa em uma série com etapas regu-
ladas. Existem programas com base parte na teoria e parte na experiência que
demonstram como o mergulhador pode emergir rapidamente com pouco riscc
de desenvolver o mal dos mergulhadores. Um mergulho rápido, mas muitc
profundo, pode requerer horas de descompressão gradual. Sabe-se hoje em di2.
que a formação de bolhas durante a ascensão é muito comum. Portanto, o obje-
tivo dos programas de descompressão é evitar que as bolhas cresçam muito.
O risco da doença da descompressão após mergulhos muito profundos
pode ser reduzido se uma mistura de oxigênio e hélio for inalada durante o
mergulho. O hélio apresenta cerca da metade da solubilidade do N2, logo me-
nos gás é dissolvido nos tecidos. Além disso, possui 1/11 do peso molecular do
N2 e, portanto, se difunde com mais rapidez pelo tecido (Figura 3.1). Ambos
os fatores reduzem o risco de mal dos mergulhadores. Outra vantagem da
mistura hélio-02 para os mergulhadores é a sua baixa densidade, a qual reduz
o trabalho da respiração. Misturas de 02 puro ou enriquecidas com 02 não po-
dem ser usadas em grandes profundidades em virtude do perigo de toxicidade
do 02 (veja mais adiante).
Mergulhadores profissionais que trabalham em grandes profundidades,
por exemplo, em tubulações, muitas vezes utilizam o mergulho de saturação.
Quando não estão embaixo d'água, eles ficam em uma câmara de alta pressão
no navio por vários dias, o que significa que não voltam à pressão atmosférica
durante esse Lempo. Dessa maneira, eles evitam a doença da descompressão.
No entanto, ao final do período em alta pressão, a descompressão segura
pode requerer horas.
Narcose por gás inerte
Embora normalmente pensemos no Nz como um gás inene fisiológico,
em pressões parciaisaltas, ele afeta o SNC. Na profundidade de cerca de 50 m,
uma sensação de euforia se instala (não diferente daquela após uma ou duas
doses de Martini). Sabe-se, inclusive, que mergulhadores já ofereceram seus
bocais a peixes! Em pressões parciais elevadas, pode ocorrer perda de coor-
denação e até mesmo coma.
O mecanismo de ação não é completamente compreendido, mas pode
estar relacionado com a alta lipossolubilidade do Nz, que é uma propriedade
geral de agentes anestésicos. Outros gases, como o hélio e o hidrogênio, po-
dem ser usados em profundidades maiores sem efeitos narcóticos.
Toxicidade do 02
Vimos anteriormente que a inalação de 02 a 1 OOo/o a 1 atmosfera pode
lesar os pulmões. Outra forma de toxicidade do Oz é a estimulação do SNC,
TrIsT
Fisiologia respiratória 185
ocasionando convulsões, quando a Po2 excede 760 mm Hg de maneira sig-
nificativa. As convulsões podem ser precedidas por sintomas premonitórios,
como náusea, zumbido nos ouvidos e espasmo do rosto.
A probabilidade de convulsões depende da Po2 inspirada e da duração
da exposição, sendo maior quando a pessoa se exercita. Com frequência, na
Po2 de 4 atmosferas, as convulsões acontecem em 30 min. Para mergulhos
cada vez mais profundos, a concentração de Oz é progressivamente reduzida
a fim de evitar os efeitos tóxicos, podendo, algumas vezes, ser inferior a 1%
da Po2 normal inspirada! O mergulhador amador nunca deve encher o seu
tanque com 02 em virtude do perigo de convulsão embaixo d'água. No entan-
to, o 02 puro é por vezes usado pelos militares para mergulhos rasos, pois um
circuito fechado de respiração com um removedor de C02 não deixa bolha
alguma. A base bioquímica dos efeitos deletérios da Po2 elevada sobre o SNC
não é completamente entendida, mas é bem provável que seja a inativação de
certas enzimas, em especial as desidrogenases, que contêm grupos sulfidrila.
Terapia com 02 hiperbárico
A elevação da Po2 arterial para níveis muito altos é útil em algumas
situações clínicas. Uma delas é o envenenamento grave por CO, no qual
a maior parte da hemoglobina se liga ao CO e fica, portanto, indisponível
:?ara o transporte de Oz. Ao elevar a Po2 inspirada para 3 atmosferas em câ-
::laras especiais, a quantidade de 02 dissolvida no sangue arterial pode ser
~crementada para cerca de 6 mL/100 mL (veja a Figura 6.1), e, assim, as ne-
:essidades dos tecidos podem ser satisfeitas sem a utilização da hemoglobina
::mcional. Ocasionalmente, uma crise anêmica é tratada dessa maneira. O 02
2iperbárico também é útil no tratamento da gangrena gasosa, uma vez que
:: organismo não pode viver em ambiente de Po2 alta. A câmara hiperbárica
-:::mbém é útil no tratamento da doença da descompressão.
O fogo e as explosões constituem perigos graves da atmosfera com 0 2 a
:=.JO%, especialmente em pressões aumentadas. Por essa razão, o 02 em uma câ-
~a de pressão é oferecido por uma máscara, e a própria câmara é cheia de ar.
~TMOSFERAS POLU(DAS*
A poluição atmosférica é um problema em muitos países em virtude do
:::-e.scimento do número de veículos motorizados e de indústrias. Os principais
?::...-a mais detalhes, recomendamos a leitura de JB West, Fisiopatologia Pulmonar -
---.ápios básicos, 7ª' edição (Porto Alegre: Artmed, 2010).
TrIsT
186 John B. West
poluentes são os vários óxidos de nitrogênio e enxofre, ozônio, monóxidc
de carbono, vários hidrocarbonetos e matéria particulada. Dentre esses, o~
óxidos de nitrogênio, os hidrocarbonetos e o CO são produzidos em grandes
quantidades pelo motor de combustão interna, os óxidos de enxofre provêm.
principalmente, das usinas termoelétricas, e o ozônio é formado principal-
mente na atmosfera pela ação da luz solar nos hidrocarbonetos e óxidos de
nitrogênio. A inversão de temperatura que evita o escape normal do ar da
superfície quente para a atmosfera mais alta aumenta a concentração de po-
luentes atmosféricos.
Os óxidos de nitrogênio causam inflamação do trato respiratório supe-
rior e irritação ocular e são responsáveis pela neblina amarelada da poluição
Os óxidos de enxofre e o ozônio também promovem inflamação brônquica
e o ozônio em altas concentrações pode produzir edema pulmonar. O peri-
go do CO é a sua propensão a ligar-se com a hemoglobina (veja p. 104), e
os hidrocarbonetos cíclicos são potencialmente carcinogênicos. Ambos estãc
presentes no cigarro, os quais são inalados em concentrações muito mais ele-
vadas do que qualquer outro poluente atmosférico. Existem evidências de
que alguns poluentes agem em sinergismo, ou seja, suas ações combinadas
excedem a soma das suas ações individuais, porém mais pesquisas nessa área
são necessárias.
Muitos poluentes se encontram sob a forma de aerossol, isto é, parti-
cuias muito pequenas que se mantêm suspensas no ar. Quando um aerosso~
é inalado, seu destino depende do tamanho das partículas. As partículas
grandes são removidas pela impacção no nariz e na faringe. Isso significa
que essas partículas são incapazes de "passar as bifurcações" com rapidez
em virtude da inércia, batendo na mucosa molhada e sendo aprisionadas
As partículas de tamanho médio se depositam nas vias aéreas de meno!"
calibre em função do seu peso. Isso é chamado de sedimentação e ocorre
especialmente onde a velocidade do fluxo é reduzida de maneira repentina
em decorrência do grande aumento das vias aéreas (Figura 1.5). Por essa
razão, a deposição é intensa nos bronquíolos respiratórios e terminais, e
essa região do pulmão de um minerador de carvão exibe grande concentra-
ção de partículas. As partículas menores (menos de 0,1 mícron de diâmetro.~
alcançam os alvéolos, onde se dá alguma deposição por meio da difusão às
paredes. Muitas partículas pequenas não são depositadas e são exaladas na
respiração seguinte.
Uma vez depositadas, a maioria das partículas é removida pelos vários
mecanismos de depuração. As partículas depositadas nas paredes brônquicas
são expelidas pelo muco e impulsionadas pelos cílios, sendo expectoradas ou
deglutidas. No entanto, a ação ciliar pode ser paralisada por irritantes ina-
lados. As partículas depositadas nos alvéolos são principalmente engolfadas
por macrófagos que saem através do sangue e dos linfáticos.
TrIsT
Fisiologia respiratória 187
RESPIRAÇÃO DE LÍQUIDO
É possível que mamíferos sobrevivam por algumas horas respirando lí-
quido em lugar de ar. Isso foi primeiramente demonstrado em camundongos
com a utilização de solução salina cuja concentração de Oz sofreu aumento
em função da exposição ao Oz a 100% em pressão de 8 atmosferas. Depois
disso, camundongos, ratos e cachorros sobreviveram um período respirando
fluorocarboneto exposto ao 02 puro a 1 atmosfera. Esse líquido apresenta
grande solubilidade tanto para Oz quanto para COz. Os animais retornaram à
respiração normal com sucesso.
Uma vez que os líquidos exibem densidade e viscosidade muito maiores
do que o ar, o trabalho da respiração sofre grande aumento. No entanto, a
oxigenação adequada do sangue arterial pode ser conseguida se a concen-
tração inspirada sofrer elevação suficiente. A eliminação de C02 constitui
um problema sério. Vimos, anteriormente, que a difusão nas vias aéreas é
a principal responsável pela troca gasosa que ocorre entre os alvéolos e os
bronquíolos respiratórios e terminais, onde o fluxo conectivo ocorre. Uma vez
que as velocidades de difusão dos gases no líquido são muito mais lentas do
que na fase gasosa, isso significa que uma grande diferença de pressão parcial
de COz entre os alvéolos e os bronquíolos terminais precisa ser mantida. Os
animais que respiram líquido, portanto, comumente desenvolvem retenção
de COze acidose. Observe que a pressão de difusão do Oz pode sempre ser
elevada pelo aumento na Po2 inspirada. Porém, essa opção não está disponí-
vel para ajudar na eliminação de COz.
RESPIRAÇÃO PERINATAL
Troca gasosa placentária
Durante a vida fetal, a troca gasosa acontece através da placenta. A sua
circulação é paralela à dos tecidosperiféricos do feto (Figura 9.5), diferente
da situação no adulto, no qual a circulação pulmonar se encontra em série
com a sistêmica. O sangue maternal penetra na placenta a partir das artérias
uterinas e entra nos pequenos espaços denominados sinusoides intervilosos,
que funcionam como os alvéolos nos adultos. O sangue fetal proveniente da
aorta é levado às alças capilares que se projetam nos espaços intervilosos. A
troca gasosa ocorre através da barreira sangue-sangue, de aproximadamente
3,5 ,um de espessura.
Essa disposição é muito menos eficiente para as trocas gasosas do que o
pulmão adulto. O sangue materno parece circundar os sinusoides de maneira
aleatória, havendo, provavelmente, grandes diferenças de Po2 dentro desses
TrIsT
188 John B. West
114 19
FO
22
VD VE
1
Tecidos
30
Placenta
FIGURA 9.5
Circulação de sangue no feto humano. Os números revelam a Po2 aproximada do sangue e~
mm Hg. Veja o texto para mais informações.
espaços sanguíneos. Os alvéolos cheios de ar, nos quais a rápida difusão ga-
sosa mistura os conteúdos alveolares, são um contraste a essa situação. O
resultado é que a Po2 do sangue fetal que deixa a placenta é de apenas 30
mm Hg (Figura 9.5).
Esse sangue se mistura com o sangue venoso drenado dos tecidos fetais
e chega ao átrio direito (AD) por meio da veia cava inferior (VCI). Em virtude
da corrente no átrio direito, maior parte desse sangue flui diretamente para o
átrio esquerdo (AE) por meio do forame oral (FO) e depois é distribuído pela
aorta ascendente ao cérebro e ao coração. O sangue bem menos oxigenado
retornando ao átrio direito pela veia cava superior (VCS) encontra seu cami-
nho para o ventrículo direito (VD), porém apenas uma pequena porção chega
aos pulmões. A maioria é desviada para a aorta (Ao) pelo dueto arterial (DA).
--- ---====-~------- ~ - - --- -~ --= -- __ -
TrIsT
Fisiologia respiratória 189
O resultado final dessa complexa organização é que o sangue mais bem oxi-
genado chega ao cérebro e ao coração e aos pulmões, que não trocam gases,
recebem apenas 15% do débito cardíaco. Observe que a Po2 arterial na aorta
descendente é de apenas 22 mm Hg.
Para resumir, as três diferenças mais importantes entre as circulações do
feto e do adulto:
• A placenta se encontra paralela à circulação para os tecidos, enquanto
o pulmão se encontra em série nos adultos.
• O dueto arterial desvia grande parte do sangue da artéria pulmonar
para a aorta descendente.
• A corrente dentro do átrio direito significa que o sangue oxigenado
proveniente da placenta é preferencialmente entregue ao átrio esquer-
do por meio do forame oval e, portanto, pela aorta ao cérebro.
A primeira respiração
A emergência de um bebê para o mundo exterior talvez seja o evento
mais cataclísmico da vida. De maneira repentina, a criança é bombardeada
com uma variedade de estímulos externos. Além disso, o processo de nas-
cimento interfere na troca gasosa placentária, resultando em hipoxemia e
hipercapnia. Por fim, a sensibilidade dos quimiorreceptores aparentemente
aumenta de rrianeira dramática ao nascimento, embora o mecanismo seja
desconhecido. Em consequência a todas essas mudanças, o bebê realiza sua
primeira respiração.
O pulmão fetal não se encontra em colapso, e sim insuflado com líquido
até cerca de 40% da capacidade pulmonar total. Esse líquido é continuamen-
te secretado pelas células alveolares durante a vida fetal e possui pH baixo.
Parte dele é expulso à medida que o bebê se movimenta pelo canal do parto,
e o restante desempenha importante papel na insuflação pulmonar subse-
quente. À medida que o ar penetra no pulmão, poderosas forças de tensão
superficial precisam ser superadas. Já que, quanto maior o raio da curvatura,
menores as pressões (veja Figura 7.4), essa pré-insuflação reduz as pressões
necessárias. Contudo, a pressão intrapleural durante a primeira respiração
pode cair para -40 em de água antes que qualquer ar penetre no órgão, tendo
sido registradas pressões de pico tão baixas quanto -100 em de água ao longo
das primeiras respirações. Essas grandes pressões transitórias são, em parte,
ocasionadas pela grande viscosidade do líquido pulmonar em comparação
com o ar. O feto realiza movimentos respiratórios rápidos e muito curtos no
útero ao longo de um período considerável antes do nascimento.
A expansão do pulmão é muito desigual em princípio. No entanto, o sur-
:actante pulmonar, o qual é formado relativamente tarde na vida fetal, está
TrIsT
190 John B. West
disponível para estabilizar os alvéolos abertos, e o líquido do pulmão é re:r:;:::-
vido pelos capilares e linfáticos. Em alguns momentos, a capacidade residt:E_
funcional já alcançou quase que seu valor normal, e a superfície adequaL
para a troca gasosa foi estabelecida. Entretanto, demora alguns dias an:Q:
que se consiga a ventilação uniforme.
Alterações circulatórias
Uma queda dramática na resistência vascular pulmonar se segue às p:-
meiras respirações. No feto, as artérias pulmonares estão expostas à pres~
sanguínea sistêmica total por meio do dueto arterial, e suas paredes são m~
muscularizados. Em resultado disso, a resistência da circulação pulmonar ~
intensamente sensível a agentes vasoconstritores como a hipoxemia, acido.=::
e serotonina e a vasodilatadores, como a acetilcolina. Diversos fatores s2-
responsáveis pela queda na resistência vascular pulmonar ao nascimento,=--
clusive a elevação abrupta na Po2 alve<?lar que abole a vasoconstrição hipóxi-::::
e o maior volume do pulmão que amplia o calibre dos vasos extra-alveolar:::.
(veja Figura 4.2).
Com o aumento resultante no fluxo de sangue, a pressão atrial esque:--
da cresce, e o forame oval em forma de retalho se fecha rapidamente . . -
elevação da pressão aórtica consequente à perda da circulação umbilical pé-
raleia também aumenta a pressão atrial esquerda. Além disso, a pressão atr..:...
direita cai conforme o fluxo umbilical cessa. O dueto arterial se constring=
alguns minutos depoi~ em resposta à ação direta da Po2 mais elevada sobr::
sua musculatura lisa. Além disso, essa constrição é auxiliada pelas alteraçõe::
nos níveis das prostaglandinas locais e circulantes. O fluxo pelo dueto arteri.ê..
se reverte conforme a resistência da circulação pulmonar diminui.
ALTERAÇÕES DURANTE E LOGO APÓS O NASCIMENTO
• O bebê reatiza grandes esforços inspiratórros e Fespira pela primeir:a vez.
()corre grande queda na resistêtKia vastular:pulmonar.
O dycto arterial se fecha, assim como o forame ovq.l.
• G líquido pulmonar é removido pe1os linfáticos e capitares.
- -- - - - -~-- " -- - - . - ... _ - ...- ~ - - ~- - - - - ---==-==---==----~~-
TrIsT
Fisiologia respiratória 191
F ique atento
1 . O exercício incrementa bastante a captação de 0 2 e a eliminação de C02. O
consumo de 0 2 aumenta de maneira linear com a taxa de trabalho até a
Vo2máx. Ocorre grande intensificação da ventilação, porém o débito cardíaco
aumenta menos.
2 . O aspecto mais importante da aclimatação à grande altitude é a hiperventila-
ção, a qual resulta em valores de Pco2 arterial muito baixos em altitudes
extremas. A policitemia eleva a concentração de 0 2 do sangue, porém se de-
senvolve lentamente. Outra característica da aclimatação inclui alterações nas
enzimas oxidativas e aumento da concentração de capilares em alguns tecidos.
3. Os pacientes que respiram alta concentração de 0 2 estão sujeitos ao desenvol-
vimento de atelectasia se uma via aérea for obstruída, por exemplo, por muco. A
atelectasia também pode ocorrer com respiração de ar ambiente, mas é muito
mais lenta.
4. Após o mergulho realizado a grandes profundidades, a doença da
descompressão pode se instalar em resultado à formação de bolhas de N1
no sangue, as quais ocasionam dor nas articulações (mal do mergulhador) e
também efeitos no SNC. A prevenção é feita por meio da ascensão gradativa,
e otratamento, pela recompressão.
S. Os poluentes atmosféricos frequentemente se encontramsob a forma de
aerossóis, os quais são depositados no pulmão por impacção, sedimentação
ou difusão, dependendo do tamanho das partículas. Em seguida, são removi-
dos das vias aéreas pelo "tapete" mucociliar e dos alvéolos pelos macrófagos.
6. O ambiente do feto é muito hipóxico, com a Po2 na aorta descendente sendo
inferior a 25 mm Hg. A transição da troca gasosa de placentária para pulmonar
resulta em alterações dramáticas na circulação, incluindo grande queda na
resistência vascular pulmonar e fechamento eventual do dueto arterial e do
forame oval.
TESTE SEU CONHIECIMENTO
1 . A respeito do exercício:
a) Pode aumentar o consumo de oxigênio em mais de dez vezes, em comparação
com o repouso.
b) A taxa de troca respiratória medida não pode exceder 1,0.
c) A ventilação aumenta menos do que o débito cardíaco.
TrIsT
192 John B. West
d) Em níveis baixos de exercício, as concentrações sanguíneas de lactato, em gera
crescem com rapidez.
e) A alteração na ventilação com o exercício pode ser totalmente explicada pela
diminuição do pH arterial.
2. Quanto à aclimatização a grandes altitudes:
a) A hiperventilação é de valor pequeno.
b) A policitemia ocorre rapidamente.
c) Ocorre desvio para a direita da curva de dissociação de 02 em altitudes
extremas.
d) A quantidade de capilares por unidade de volume no músculo esquelético
diminui.
e) As alterações nas enzimas oxidativas ocorrem dentro das células musculares.
3. Se uma via aérea de pequeno calibre é bloqueada por muco, o pulmão distai à obs-
trução pode se tornar atelectásico. Qual das seguintes afirmações é verdadeira?
a) A atelectasia ocorre com mais rapidez se a pessoa estiver respirando ar
ambiente em vez de oxigênio.
b) A soma das pressões parciais dos gases no sangue venoso misto é menor do
que no sangue arterial durante a respiração.
c) O fluxo de sangue ao pulmão atelectásico aumentará.
d) Um mecanismo diferente explica a absorção do pneumotórax espontâneo.
e) As propriedades elásticas do pulmão resistem fortemente à atelectasia.
4. Se misturas de hélio e oxigênio, em lugar de misturas de nitrogênio e oxigênio
(com a mesma concentração de oxigênio), são usadas para o mergulho em grandes
profundidades:
a) O risco de descompressão é reduzido.
b) O trabalho respiratório é intensificado.
c) A resistência das vias aéreas é aumentada.
d) O risco de toxicidade de 02 é amenizado.
e) O risco de narcose por gás inerte é aumentado.
S. Se um astronauta sentado realiza a transição de 1 G para OG, qual das opções a
seguir diminui?
a) O fluxo de sangue para o ápice do pulmão.
b) A ventilação para o ápice do pulmão.
c) A deposição de partículas aerossóis inaladas.
d) O volume de sangue torácico.
e) Pco2 nos alvéolos no ápice do pulmão.
TrIsT
Fisiologia respiratória 193
6 . Qual das seguintes opções aumenta pela maior porcentagem ao exercício máximo
em comparação ao repouso?
a) Frequência cardíaca.
b) Ventilação alveolar.
c) Pco2 do sangue venoso misto.
d) Débito cardíaco.
e) Volume corrente.
7. A transição da troca gasosa de placentária para pulmonar é acompanhada por:
a) Redução da Po2 arterial.
b) Aumento da resistência vascular pulmonar.
c) Fechamento do canal arterial.
d) Aumento do fluxo de sangue pelo fora me oval.
e) Fraqueza dos esforços respi ratórios.
TrIsT
Testes de função
pulmona r: como a
fisiologia respiratória é
aplicada para medir a
função pulmonar
. = ~--~ :. - -. . - .
• Ventilação
Expiração forçada
Volumes pulmonares
• Difusão
• Fluxo sanguíneo
• Relações venti laçõo-perfusào
Distribuição regional do
ventilação e da perfvsão
DeseqtJilíbrío da ventilação
Desequil/brio entre os relações
ventilação-perfusão
• Gases songufneos e pH
• Mecânico do respiração
Complacêneía pulmondr
F?esistência das vias aéreas
Volume de fechamento
• Controle da ventilação
• Exercício
• Perspectivas dos testes
de funçõo pu lmonar
Este capítu lo final dedica-se aos testes de função pulmona r, os qua is constituem
uma importante aplicação prática da fisiologia respiratória na clínica. Em primeiro
lugar, consideramos a expiração forçada um teste muito simples, porém bastante
útil. Depois, temos as seções dos re lações ventiloção-perfusão, dos gases sanguí-
neos, da mecânica pulmonar, do controle da ventilação e do papel do exercício. O
capítulo se encerra enfatizando que é mais importante compreender os princípios
da fisiologia respiratória contidos nos Capítulos 1 ao 9 do que se concentrar nos
detalhes acerca dos testes de função pulmonar.
Além disso, este capítulo é apenas uma breve introdução aos testes de fun-
ção pulmonar. Uma descrição mais detalhada pode ser encontrada em JB West,
Fisiologia Pulmonar - Princípios básicos, 7fJ edição (Porto Alegre: Artmed, 2010).
TrIsT
196 John B. West
O teste de função pulmonar constitui uma importante aplicação prática
da fisiologia respiratória. Esses testes são úteis em vários cenários, sendo o
mais importante o laboratório de função pulmonar hospitalar ou, em menor
escala, no consultório médico, onde esses testes ajudam no diagnóstico e no
manejo de pacientes com doenças cardíacas e pulmonares. Além disso, eles
podem ser valiosos no momento de decidir a elegibilidade do paciente para a
cirurgia. Outra maneira que é utilizado é na avaliação de incapacidade com
propósitos relacionados a seguros e compensações trabalhistas. Novamente,
alguns dos testes mais simples são empregados em pesquisas epidemiológicas
para avaliar os perigos industriais ou documentar a prevalência de doença na
comunidade.
O papel dos testes de função pulmonar deve ser mantido em perspecti-
va. Raras vezes constituem um fator-chave no diagnóstico definitivo de um
paciente com doença pulmonar. Pelo contrário, os vários padrões da função
comprometida se superpõem às doenças. Ao mesmo tempo em que os testes
são, muitas vezes, valiosos para o acompanhamento da programação de um
portador de doença pulmonar crônica e para a avaliação dos resultados do
tratamento, em geral, é muito mais importante para o estudante de medicina
(ou médico) entender os princípios de como o pulmão funciona (Capítulos 1
ao 9) do que se concentrar apenas nos testes de função pulmonar.
VENTILAÇÃO
Expiração forçada
Um teste de função pulmonar muito simples e útil é a medida de uma
única expiração forçada. A Figura 10.1 exibe um registro de espirômetro ob-
tido quando o indivíduo inspira ao máximo e, depois, expira o quanto for
possível. O volume expirado no primeiro segundo é chamado de volume ex-
piratório forçado, ou VEF1, e o volume total expirado constitui a capacidade
vital forçada, ou CVF (em geral, é ligeiramente inferior à capacidade vital
medida em uma expiração lenta, como na Figura 2.2) . Com frequência, a
VEF 1 corresponde a cerca de 80% da CVE
Na doença, é possível distinguir dois padrões gerais. Nas doenças res-
tritivas, como a fibrose pulmonar, a VEF e a CVF se encontram reduzidas,
porém, caracteristicamente, a VEFll CVF% se encontra normal ou aumen-
tada. Nas doenças obstrutivas, como a asma brônquica, a VEF1 se encontra
muito mais reduzida do que a CVF, o que dá origem a VEFll CVF% baixa.
Com frequência, observamos padrões obstrutivos e restritivos juntos.
Uma medida relacionada é a o fluxo expiratório forçado, ou FEF2s-7S%, a
qual consiste na média dos fluxos entre 25 e 750fo do CVF. De modo geral, é in-
timamente relacionada com a VEF1 embora, às vezes, esteja reduzida quando
TrIsT
A. Normal
FIGURA 10.1
VEF1 = 4,0
CVF = 5,0
o/o= 80
B. Obstrutivo
VEF1 = 1,3
CVF = 3,1
o/o= 42
Fisiologia respiratória 197
C. Restritivo
11 sI
VEF1 = 2,8
CVF = 3,1
o/o= 90
Medida do volume explratório forçado (VEF,) e da capacidade vital forçada (CVF).
a VEF1 está normal. Com frequência, outros índices também são medidos a
partir da curva de expiração forçada.
Uma maneira útil de visualizar as expirações forçadas é por meio das cur-
vas fluxo-volume (veja a Figura 7.16).A Figura 10.2 nos lembra que, após uma
quantidade relativamente pequena de gás ter sido expirada, o fluxo é limitado
pela compressão da via aérea e determinado pela força de retração elástica do
pulmão e de resistência das vias aéreas a montante ao ponto de colapso. Nas
doenças restritivas, a taxa de fluxo máxima está reduzida, assim como o volume
total expirado. No entanto, se o fluxo está relacionado ao volume pulmonar
absoluto (isto é, incluindo o volume residual, o qual não pode ser medido por
uma única expiração forçada) , a taxa de fluxo está, muitas vezes, anormal-
mente alta durante a parte final da expiração em virtude da retração elástica
aumentada (Figura 10.2B). Em contraste, nas doenças obstrutivas, a taxa de
fluxo é muito baixa em relação ao volume pulmonar, e uma aparência escavada
é às vezes observada após o ponto de fluxo máximo.
Qual é o significado dessas medidas das expirações forçadas? A CVF pode
estar diminuída na extremidade superior ou na inferior (veja Figura 10.2). Nas
doenças restritivas, a inspiração é limitada pela complacência reduzida do pul-
mão ou da parede torácica, ou pela fraqueza dos músculos inspiratórios. Na
doença obstrutiva, a capacidade pulmonar total está, de maneira típica, aumen-
ta acima do normal, mas a expiração cessa antes do normal. A razão para isso
é o fecl1amento precoce das vias aéreas ocasionado pelo tônus mais elevado
da musculatura lisa dos brônquios, como nos casos de asma, ou pela perda da
tração radial do parênquima circundante, como no enfisema. Outras causas
incluem edema das paredes brônquicas ou secreções dentro das vias aéreas.
TrIsT
Gabriela
Realce
Gabriela
Realce
198 John B. West
A Colapso das
( vias aéreas
' '
',,, Porção de esforço
'' ._ independente
' '
65 43 21 o
Volume pulmonar (L)
FIGURA 10.2
8
98 765 43 2 o
Volume pulmonar (L)
Curva fluxo-volume obtida pela velocidade de fluxo registrada em relação ao volume du-
rante a expiração forçada a partir da inspiração máxima. A figura exibe volumes pulmonares
absolutos, embora não possam ser medidos a partir de expirações únicas.
TESTE DA EXPIRAÇAO FORÇADA
• Mede a VEF1 e a CVF.
• De realização simples e, muitas vezes, informativa.
• Diferencia doença restritiva de obstrutiva.
A VEF1 (ou FEF2s-7s%) sofre redução em decorrência do aumento da
resistência das vias aéreas ou da diminuição da retração elástica do pulmão.
É notavelmente independente do esforço expiratório. A razão para isso é a
compressão dinâmica das vias aéreas, a qual foi discutida anteriormente (veja
a ·Figura 7.18). Esse mecanismo explica o porquê de a taxa de fluxo ser inde-
pendente da resistência das vias aéreas a jusante do ponto de colapso, mas ser
determinada pela pressão da retração elástica do pulmão e pela resistência
das vias aéreas a montante do ponto de colapso. A localização do ponto de co-
lapso se encontra nas vias aéreas de grosso calibre, pelo menos em princípio.
Assim, tanto o aumento da resistência das vias aéreas quanto a diminuição
da pressão de retração elástica do pulmão podem ser fatores importantes da
redução da VEF1, como, por exemplo, no enfisema pulmonar.
Volumes pulmonares
A determinação dos volumes pulmonares pela espirometria e pelas medições
da capacidade residual funcional (CRF) pela diluição do hélio e pela pletismografia
TrIsT
Fisiologia respiratória 199
de corpo inteiro já foi discutida anteriormente (veja as Figuras 2-2 a 2-4). A CRF
também pode ser conseguida pedindo-se a um indivíduo que respire 02 a 100%
por alguns minutos e eliminando-se todo o N2 pulmonar da pessoa.
Suponhamos que o volume pulmonar seja V1, que o volume total de gás
exalado ao longo de sete minutos seja Vz e que sua concentração de N2 seja
C2. Sabemos que a concentração de Nz no pulmão antes da eliminação era
de 80%, podemos medir a concentração deixada no pulmão retirando uma
amostra do gás expirado final com um medidor de N2 nos lábios. Chamamos
isso de concentração C3. Dessa forma, levando em conta nenhuma altera-
ção na quantidade de N2, podemos escrever: V1 x 80 = CV1 x C3) + CVz x
Cz). Assim, V1 pode ser calculado. Uma desvantagem desse método é que a
concentração de nitrogênio no gás coletado durante 7 min é muito baixa, o
que faz com que um pequeno erro de medição ocasione um grande erro no
cálculo do volume pulmonar. Além disso, parte do N2 eliminado provém dos
tecidos corporais, e isso precisa ser levado em conta. Esse método, como a
técnica de difusão do hélio, mede apenas o volume do pulmão ventilado,
enquanto, como vimos na p. 27, o método da pletismografia de corpo inteiro
inclui o gás alçaponado nas vias aéreas fechadas.
A medida do espaço morto anatômico pelo método de Fowler já foi des-
crita previamente (veja a Figura 2.6).
DIFUSÃO
Os princípios da medição da capacidade de difusão do monóxido de
carbono pelo método da respiração única foram discutidos na p. 43. A capa-
cidade de difusão de 02 é muito difícil de ser medida, sendo apenas realizada
em procedimentos de pesquisa.
FLUXO SANGU(NEO
A medida do fluxo sanguíneo pulmonar total pelo princípio de Fick e
pelo método de diluição do indicador foi referida nas p. 57-58.
RELAÇÕES VENTILAÇÃO-PERFUSÃO
Distribuição regional da ventilação e da perfusão
As diferenças regionais de ventilação e fluxo de sangue podem ser me-
didas por meio da utilização do xenônio radioativo, conforme já brevemente
descrito em um momento prévio (veja Figuras 2.7 e 4.7).
TrIsT
200 John B. West
Desequilíbrio da ventilação
Pode ser medida pelos métodos da respiração única e das múltiplas res-
pirações. O método da respiração única é muito parecido com aquele descrito
por Fowler para medir o espaço morto anatômico (Figura 2.6). Lá, vimos que,
se a concentração de N2 nos lábios for medida após a respiração única de 0 2,
a concentração de N2 do gás alveolar expirado é quase uniforme, originando
um "platô alveolar" quase horizontal. Isso reflete a diluição aproximadamen-
te uniforme do gás alveolar pelo 02 inspirado. Em contraste, em pacientes
portadores de doença pulmonar, a concentração de N2 alveolar continua a
crescer durante a expiração. Isso é causado pela diluição desigual do N2 alve-
olar pelo 02 inspirado.
O motivo pelo qual a concentração se eleva é o esvaziamento por último
dos alvéolos pouco ventilados (aqueles nos quais o N2 foi menos diluído)
presumivelmente porque possuem constantes de tempo longas (veja Figuras
7.19 e 10.5). Na prática, a alteração na porcentagem da concentração de N2
entre 750 e 1.250 mL de volume expirado é, muitas vezes, usada como índice
de ventilação desigual. Este teste é simples, rápido e útil.
O método das respirações múltiplas se baseia na taxa de eliminação de N2,
como demonstrado na Figura 10.3. O indivíduo é conectado a uma fonte de 0 2
a 100%, e um medidor de N2 de resposta rápida analisa o gás nos lábios. Se a
ventilação do pulmão fosse uniforme, a concentração de N2 seria reduzida na
mesma fração a cada respiração. Por exemplo, se o volume corrente (excluindo
o espaço morto) fosse igual à CVF, a concentração de N2 se reduziria pela meta-
de a cada respiração. Em geral, a concentração de N2 é CRF/[CRF + CVc- VM)]
vezes aquela da respiração anterior, onde V c e VM constituem o volume corren-
te e o espaço morto anatômico, respectivamente. Uma vez que o N2 é reduzido
pela mesma fração em cada respiração, o desenho do log da concentração de
N2 em relação ao número de respirações seria uma linha reta (veja Figura 10.3)
se o pulmão se comportasse como um compartimento único, ventilado de ma-
neira uniforme. Esse é quase o caso de uma pessoa normal.
Em pacientes portadores de doença pulmonar, entretanto, a ventilação
não uniforme origina um desenho curvado, pois as diferentes unidades pul-
monares apresentam seus N2 diluídos em taxas distintas. Dessa maneira, os
alvéolos de ventilação rápida promovem a queda inicial rápida de N2, en-
quanto os espaços de ventilação lenta são responsáveispela longa cauda da
eliminação (veja Figura 10.3).
Desequilíbrio entre as relações ventilação-perfusão
Uma maneira de avaliar o desequilíbrio entre a ventilação e o fluxo san-
guíneo dentro de pulmões doentes é aquela apresentada por Riley. Baseia-se
TrIsT
80
* N z
Q)
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o
'(3.. 40
r!:! ...,
c
Q)
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o
u o
. _....
Medidor de N2
/"
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/'
/'
I I .L
o 1 2 3 4 5
Número de respirações
FIGURA 10.3
Fisiologia respiratória 201
Normal Anormal
80
•
,)..:- Espaço rápido
\ ....
0,8
-\ ...
8 ,· •• ~
\ \'• ~··
\\ ·~
\ Espaço "-••\
\ lento
'
o 1 o 20 30 40 o 1 o 20 30 40
Número de respirações Número de respirações
Eliminação de N2 obtida quando um indivíduo inala 02 a 100%. Pulmões normais fornecem
desenho quase linear da concentração de N2 em relação ao número de respirações em um papel
semilogarítmico, mas esse desenho não é linear quando a ventilação desigual está presente.
nas medições de Po2 e Pco2 no sangue arterial e no gás expirado (os princípios
foram brevemente descritos no Capítulo 5). Na prática, o gás expirado e o
sangue arterial do paciente são coletados ao mesmo tempo, e vários índices
do desequilíbrio entre ventilação-perfusão são computados.
Uma medida útil é a da diferença arterioalveolar de Po2 . Vlllos, na Figura
5.11, como ela se desenvolve em decorrência das diferenças regionais de troca
gasosa no pulmão normal. A Figura 10.4 constitui um diagrama Oz-COz que nos
permite examinar esse desenvolvimento mais de perto. Primeiro, suponhamos
que não exista desequilíbrio entre ventilação-perfusão e que todas as unidades
pulmonares estejam representadas pelo ponto (i) na linha de ventilação-per-
fusão, conhecido como ponto "ideal". Agora, à medida que o desequilíbrio
entre ventilação-perfusão se desenvolve, as unidades pulmonares começam a
se dispersar para longe do ponto i em direção a v (relações ventilação-perfusão
baixas) e I (relações ventilação-perfusão altas) (compare com a Figura 5.7).
Quando isso acontece, o sangue capilar misto (a) e o gás alveolar misto (A)
também divergem a partir de i. Essa discrepância ocorre ao longo das linhas i
para v e i para I, as quais repres~ntam uma taxa de troca respiratória constante
(eliminação de COv' captação de Oz), conforme determinado pelo metabolismo
dos tecidos corporais.*
*Nesta descrição necessariamente simplificada, alguns detalhes foram omitidos. Por
exemplo, o ponto do sangue venoso misto sofre alteração quando a desigualdade entre
ventilação-pedusão se desenvolve.
TrIsT
202 John B. West
60
O' 40
I
E
E
8
0.. 20
o
FIGURA 10.4
-
v
Linha R
do sangue
40
a
60 80 100 120 140
Po2 mm Hg
Diagrama OrC02 demonstrando o ponto ideal (i), isto é, a composição hipotética do gás al-
veolar e do sangue capilar final quando não existe desigualdade entre ventilação-perfusão.
A medida que o desequilíbrio se desenvolve, os pontos arterial (a) e alveolar (A) divergem ao
longo de suas respectivas linhas R (taxa de troca respiratória). A diferença de Po2 arterioalveolar
mista constitui a distância horizontal entre os pontos.
A distância horizontal entre A e a representa a diferença arterioalveolar
de 0 2 (mista) . Na prática, pode apenas ser medida com facilidade se a venti-
lação for essencialmente uniforme, mas o fluxo de sangue desigual, pois só
depois uma amostra representativa do gás alveolar misto pode ser obtida. Às
vezes, esse é o caso da embolia pulmonar. Com mais frequência, calcula-se a
diferença da Po2 entre o gás alveolar ideal e o sangue arterial - diferença de
02 arterioalveolar (ideal). É possível estimar a Po2 alveolar ideal a partir da
equação do gás alveolar que relaciona a Po2 de qualquer unidade pulmonar
à composição do gás inspirado, à taxa de troca respiratória e à Pco2 da uni-
dade. No caso dos alvéolos ideais, a Pco2 é tomada como a mesma do sangue
arterial, pois a linha ao longo da qual o ponto i se move é quase horizontal.
Observe que essa diferença de Po2 arterioalveolar é ocasionada pelas unida-
des entre i e v, ou seja, aquelas com relações ventilação-perfusão baixas.
Outros dois índices de desigualdade entre ventilação-perfusão são fre-
quentemente calculados. Um deles é o shuntfisiológico (também chamado de
mistura venosa). Para isso, vamos supor que todo o movimento para a esquer-
da do ponto arterial (a) para longe do ponto ideal (i) (ou seja, a hipoxemia)
seja causado pela adição de sangue venoso misto (V) ao sangue ideal (i). Isso
TrIsT
Fisiologia respiratória 203
não é tão ilusório quanto parece em princípio, pois as unidades com relações
ventilação-perfusão muito baixas liberam sangue que apresenta essencial-
mente a mesma composição do sangue venoso misto (veja Figuras 5.6 e 5.7).
Na prática, a equação do shunt (veja Figura 5.3) é usada da seguinte forma:
Q Cio2 -Cao2
PS - -.:..--~
QT - Cio2 -Cvo2
Onde Qps/(h se refere à relação entre o shunt fisiológico e o fluxo total.
A partir da curva de dissociação de Oz e Po2 ideal se calcula a concentração
de Oz do sangue ideal.
O outro índice é o espaço morto alveolar. Aqui, vamos supor que todo o
movimento do ponto alveolar (A) para longe do ponto ideal (i) seja ocasio-
nado pela adição do gás inspirado (I) ao gás ideal. Mais uma vez, essa não
é uma noção ultrajante, como pode em princípio parecer, pois as unidades
com relações ventilação-perfusão muito altas se comportam de forma muito
parecida com o ponto I. Depois de tudo, uma unidade com relação ventilação-
perfusão infinitamente alta contém gás que apresenta a mesma composição
que o gás inspirado (veja Figuras 5.6 e 5.7). A equação de Bohr para o espaço
morto (veja p. 32) é usada da seguinte maneira:
V Pico2 - PAco
~= 2
VT Pico2
onde A se refere ao gás alveolar expirado. O resultado é chamado de espaço
morto alveolar para diferenciá-lo do espaço morto anatômico, ou seja, o vo-
lume das vias aéreas de condução. Uma vez que o gás alveolar expirado é
muitas vezes difícil de ser coletado sem que sofra contaminação do espaço
morto anatômico, o COz expirado misto é medido. O resultado é chamado de
espaço morto fisiológico, o qual inclui componentes dos espaços morto alveo-
lar e anatômico. Já que a Pco2 do gás ideal é muito próxima àquela do sangue
arterial (veja Figura 10.4), a equação para o espaço morto fisiológico é:
VMF = Pacoz- PEco2
VT Pacoz
O valor normal de espaço morto fisiológico é de cerca de 30o/o do volume
corrente em repouso menos o do exercício; compreende quase que comple-
tamente o espaço morto anatômico. Na doença pulmonar, pode aumentar
para 50% ou mais em virtude da presença da desigualdade entre ventilação
e perfusão.
TrIsT
204 John B. West
GASES SANGU[NEOS E PH
Po2, Pco2 e pH são facilmente medidos em amostras de sangue com ele-
trodos de hemogasometria. Um eletrodo de vidro é usado para medir o pH
de todo o sangue. O eletrodo de Pco2 é, na verdade, um pequeno medidor
de pH no qual uma solução tampão de bicarbonato é separada da amostra
do sangue por uma fina membrana. Quando o dióxido de carbono se difunde
pela membrana a partir do sangue, o pH do tampão se altera de acordo com a
relação de Henderson-Hasselbalch. O medidor de pH realiza, então, a leitura
da Pco2. O eletrodo de 02 consiste em um polarógrafo, isto é, um dispositivo
que, quando suprido com a voltagem adequada, fornece uma corrente-minu-
to proporcional à quantidade de 02 dissolvido. Na prática, os três eletrodos
são dispostos de modo a fornecer suas saídas no mesmo medidor por meio
de dispositivo adequado, possibilitando a análise completa da amostra de
sangue em alguns minutos.
Vimos, no Capítulo 5, que existem quatro causas de Po2 arterial baixa
ou hipoxemia:
• hipoventilação;
• comprometimento da difusão;
• shunt;
• desequilíbrio entre ventilação-perfusão.
Na distinção entre essas causas, mantenha em mente que a hipoventilação
está sempre associada à Pco2 elevada e que, apenas quando há presença de
shunt, a Po2 arterial cai paraelevar ao nível esperado quando 02 a 100% for
administrado. Em pulmões doentes, a difusão comprometida sempre vem acom-
panhada do desequihbrio entre ventilação-perfusão, e, de fato, normalmente é
impossível determinar quanto de hipoxemia é atribuída à difusão defeituosa.
Existem duas causas de aumento da Pco2 arterial:
• hipoventilação e
• desigualdade entre ventilação e perfusão.
Essa última nem sempre acarreta a retenção de C02, pois quaisquer ten-
dências de elevação da Po2 arterial enviam sinais aos centros respiratórios por
intermédio dos quimiorreceptores a fim de incrementar a ventilação e, dessa
forma, manter a Pco2 baixa. Entretanto, na ausência dessa ventilação aumen-
tada, a Pco2 precisa elevar-se. Alterações nos gases sanguíneos em diferentes
tipos de hipoxemia se encontram resumidas na Tabela 6.1.
A avaliação do estado ácido-básico do sangue foi abordada nas p.
110-111.
TrIsT
Fisiologia respiratória 205
MECANICA DA RESPIRAÇÃO
Complacência pulmonar
A complacência é definida como a alteração de volume por unidade de
pressão do pulmão. Para obtê-la, precisamos conhecer a pressão intrapleural.
Na prática, a pressão esofágica é medida quando a pessoa deglute um peque-
no balão na extremidade de um cateter. A pressão esofágica não é idêntica à
intrapleural, mas reflete suas alterações de pressão muito bem. A medida não
é confiável nas pessoas em supino em virtude da interferência do peso das
estruturas mediastinais.
Uma maneira simples de medir a complacência é pedir a uma pessoa
para expirar a partir da capacidade pulmonar total em um espirômetro em
etapas de, digamos, 500 mL, e medir a pressão esofágica simultaneamente.
A glote precisa estar aberta, e o pulmão precisa se estabilizar por alguns
segundos após cada etapa. Dessa maneira, obtém-se a curva pressão-volume
similar à linha superior na Figura 7.3. Toda a curva constitui a maneira
mais informativa de registrar o comportamento elástico do pulmão. É pos-
sível calcular índices do formato da curva. Observe que a complacência,
a qual constitui a inclinação da curva, varia de acordo com o volume pul-
monar usado. É convencional registrar a inclinação sobre o litro acima da
CRF medida durante a desinflação. Mesmo assim, a medida não é muito
reprodu tível.
A complacência pulmonar também pode ser medida durante a respira-
ção de repouso, como demonstrado na Figura 7.13. Aqui, podemos usar o
fato de que, nos pontos com ausência de fluxo (final da inspiração ou expira-
ção), a pressão intrapleural reflete apenas as forças de retração elástica, e não
aquelas associadas ao fluxo de ar. Assim, a diferença de volume dividida pela
diferença de pressão nesses pontos consiste na complacência.
Esse método não é válido em pacientes com doenças das vias aéreas,
pois a variação nas constantes de tempo por todo o pulmão significa que o
fluxo ainda existe dentro do pulmão quando cessa na boca. A Figura 10.5 de-
monstra que, se considerarmos uma região pulmonar que apresenta uma via
aérea parcialmente obstruída, ela ficará sempre para trás do resto do pulmão
(compare com a Figura 7.19). De fato, ela pode continuar a encher quando o
resto do pulmão já tiver começado a esvaziar, com o problema de que gás se
move para dentro dela a partir das unidades pulmonares adjacentes - então
denominado ventilação pendular. Conforme a frequência respiratória aumen-
ta, a proporção do volume corrente que vai para essa região parcialmente
obstruída se torna cada vez menor. Assim, cada vez menos o pulmão participa
das alterações de volume corrente, e, desse modo, o órgão parece se tornar
menos complacente.
TrIsT
206 John B. West
Resistência das vias aéreas
A resistência das vias aéreas constitui a diferença de pressão entre os
alvéolos e a boca por unidade de fluxo aéreo (Figura 7.12). Pode ser medida
em um pletismógrafo de corpo inteiro (Figura 10.6).
Antes da inspiração (A), a pressão na cabine é atmosférica. Ao início
da inspiração, a pressão nos alvéolos diminui à medida que o gás alveolar
se expande pelo volume !:1V. Isso comprime o gás na cabine, e a partir dessa
alteraçã-o a pressão !:.V pode ser calculada (compare com a Figura 2.4). Se o
volume pulmonar for conhecido, !:1 V pode ser convertida em pressão alveolar
por meio da lei de Boyle. Mede-se o fluxo de maneira simultânea, e, assim:
obtém-se a resistência das vias aéreas. É possível conseguir a medida durante
a expiração da mesma maneira. O volume pulmonar é determinado conforme
descrito na Figura 2.4.
A
c
FIGURA 10.5
B
D
I
t
I
I
I
I
Efeitos das constantes de tempo desiguais sobre a ventilação. O compartimento 2 apresenta
uma via aérea parcialmente obstruída e, portanto, uma constante de tempo longa (compare com
a Figura 7.19). Durante a inspiração (A), o gás demora a entrar e, portanto, continua a encher após
o resto do pulmão (1) ter cessado a movimentação (8). De fato, ao início da expiração (0, a região
anormal (2) pode continuar inalando enquanto o resto do pulmão já começou a exalar. Em (0), ambas
as regiões estão exalando, porém o compartimento 21ica atrás do compartimento 1. Em frequências
mais altas, o volume corrente para a região anormal se torna progressivamente menor.
TrIsT
Fisiologia respiratória 207
Também é possível medir a resistência das vias aéreas durante a res-
piração normal a partir do registro da pressão intrapleural obtida de um
balão esofágico (veja Figura 7.13). Entretanto, nesse caso, a resistência vis-
cosa tecidual também é incluída (veja p. 137). A pressão intrapleural reflete
dois grupos de forças, aquelas que se opõem à retração elástica do pulmão e
aquelas que se sobrepõem à resistência ao ar e ao fluxo tecidual. E possível
subtrair a pressão causada pelas forças de retração elástica durante a respi-
ração tranquila, pois é proporcional ao volume pulmonar (se a complacência
for constante). A subtração é realizada com um circuito elétrico. Temos, en-
tão, uma ilustração da pressão em relação ao fluxo que origina (vias aéreas +
tecido) a resistência. Esse método não é satisfatório em pulmões com doenças
graves das vias aéreas, porque as constantes de tempo desiguais não permi-
tem que todas as regiões se movam juntas (veja Figura 10.5).*
Volume de fechamento
É possível pesquisar urna doença das vias aéreas por meio da utilização da
eliminação de N2 de urna única respiração (veja Figura 2.6) e, assim, explorar
Pré-inspiração
A
FIGURA 10.6
Durante a
inspiração
I::N
B
Durante a
expiração
c
Medida da resistência das vias aéreas com a pletismografia de corpo inteiro. Durante a
inspiração, o gás alveolar é expandido, e, com isso, a pressão da cabine se eleva. A partir disso,
a pressão alveolar pode ser calculada. A diferença entre a pressão alveolar e a da boca, dividida
pelo fluxo, fornece a resistência da via aérea (veja o texto).
* N. de R.T.: A resistência das vias aéreas também pode ser medida pelo método da
oscilometria de impulso. Esse método consiste em um equipamento que emite ondas
em diversas frequências e mede o retomo das mesmas, cuja diferença pode estimar a
resistência das vias aéreas, inclusive separando o componente proximal do distai. O
paciente respira em volume de ar corrente, o que facilita a execução da manobra.
TrIsT
208 John B. West
as diferenças regionais da ventilação (veja Figuras 7.8 e 7.9). Suponha que
uma pessoa realize respiração de Oz a 100% e que, durante a exalação sub-
sequente, a concentração de N2 nos lábios seja medida (Figura 10.7). Quatro
fases podem ser reconhecidas.
Primeiro, o espaço morto puro é expinado (1) , seguido da mistura de
espaço morto e gás alveolar (2) e, depois, gás alveolar puro (3). Em direção
ao final da expiração, observa-se um aumento abrupto na concentração de N2
(4) . Isso sinaliza o fechamento das vias aéreas na base pulmonar (veja Figura
7.9) e é causado pelo esvaziamento preferencial do ápice, o qual apresenta
concentração de N2 relativamente alta. Arazão para o N2 mais alto no ápice
é a expansão menor dessa região durante a respiração vital total de Oz (veja
Figura 7.9), e, com isso, menos N2 é diluído com 02. Assim, o volume pulmo-
nar no qual as vias aéreas dependentes começam a se fechar pode ser obtido
a partir do traçado.
Em indivíduos jovens normais, o volume de fechamento é de cerca de
10% da capacidade vital ( CV). Aumenta gradativamente com a idade e é
igual a 40% da CV, isto é, a CRF, em tomo dos 65 anos. As doenças em está-
gios iniciais nas vias aéreas de pequeno calibre aparentemente aumentam o
volume de fechamento. Por vezes, a capacidade de fechamento é registrada;
constitui o volume de fechamento mais o volume residual.
CPT
50
1 :
I
I
I
40 I
~ I
"'
I
z I
(!) I
"' 30
I
o I
t (ll I
v- I
til I ,_ ..... 20 I c I (!)
I u
c I
o I u I
10 I
I
I
I
I
o
6
FIGURA 10.7
2
5
VR
cv ~
4
3 4
I
I
I
r
Volumede l
fechamento :
3
I
I
I
2
Volume pulmonar (L)
o
Medida do volume de fechamento. Se uma inspiração de capacidade vital de 0 2 a 1 00% for
seguida por uma expiração completa, quatro fases na concentração de Nz medida nos lábios
poderão ser reconhecidas (veja o texto). A última é causada pelo esvaziamento preferencial do
ápice pulmonar após as vias aéreas das zonas inferiores terem se fechado.
TrIsT
Fisiologia respiratória 209
CONTROLE DA VENTILAÇÃO
É possível medir a responsividade dos quimiorreceptores e do centro
respiratório ao C02 quando um indivíduo respira várias vezes em um saco de
borracha, como discutido na p. 164. Vimos que a Po2 alveolar também afeta a
ventilação; por isso, se a resposta ao C02 apenas for solicitada, a Po2 inspira-
da deve ser mantida acima de 200 mm Hg para evitar o estímulo hipóxico. A
resposta ventilatória à hipoxia pode ser medida de maneira similar se a pessoa
respira várias vezes a partir de um saco com Po2 baixa, mas Pco2 constante.
EXERCI CIO
Muitas vezes, é possível obter mais informações acerca da função pul-
monar se os testes forem realizados ao mesmo tempo em que o indivíduo
pratica exercício. Conforme discutido no início do Capítulo 9, o pulmão em
repouso possui grandes reservas; sua ventilação, seu fluxo sanguíneo, sua
transferência de 02 e C02 e sua capacidade de difusão podem ser diversas
vezes aumentados com o exercício. Com frequência, os pacientes com doen-
ças em estágio inicial exibem testes de função pulmonar dentro dos limites
normais, revelando, porém, anormalidades quando o sistema respiratório é
exigido pelo exercício.
Os métodos de exercício controlado incluem a esteira e a bicicleta ergo-
métrica. Normalmente, as medidas obtidas ao exercício incluem ventilação
total, frequência do pulso, consumo de 02, eliminação de C02, taxa de troca
respiratória e gases sanguíneos arteriais, e a capacidade de difusão pulmonar
do monóxido de carbono.
PERSPECTIVAS DOS TESTES DE FUNÇÃO PULMONAR
Neste capítulo, abordamos alguns dos testes de função pulmonar dispo-
níveis na atualidade. Para concluir, devemos enfatizar que nem todos esses
testes são comumente usados em um laboratório de função pulmonar hospi-
talar. Apenas alguns podem ser utilizados no consultório médico ou em uma
pesquisa epidemiológica.
O teste mais simples e útil no cenário clínico é a expiração forçada. Não
interessam muito os índices que são calculados a partir desse teste, mas a
FEV1 e a CVF são registradas com frequência. Depois, a possibilidade de me-
dir os gases do sangue arterial é fundamental caso pacientes com insuficiência
respiratória estejam sendo tratados e é válida em todos os casos. A importân-
cia relativa dos testes constitui mais uma questão de preferência pessoal; no
entanto, um laboratório de função pulmonar bem equipado é capaz de medir
TrIsT
21 O John B. West
os volumes pulmonares, a desigualdade da ventilação, a diferença arterioal-
veolar da Po2, o shunt e o espaço morto fisiológico, a capacidade de difusão
do monóxido de carbono, a resistência das vias aéreas, a complacência pul-
monar, a resposta ventilatória ao C02 e à hipoxia e a resposta do paciente ao
exercício. Em laboratórios grandes, são disponibilizadas medidas mais espe-
cializadas, como a distribuição regional da ventilação e o fluxo sanguíneo.
F ique atento
1 . As medidas de uma expiração forçada única são de simples realização e,
normalmente, muito informativas. Padrões específicos ocorrem na doença
pulmonar obstrutiva e na restritiva.
2. Os gases do sangue arterial podem ser rapidamente medidos com eletrodos
de hemogasometria, sendo essas informações muitas vezes fundamentais no
manejo do paciente crítico.
3. O grau de desequilíbrio entre ventilação-perfusão em um pulmão doente
pode ser avaliado a partir do cálculo da diferença alvéolo-arterial de Po2 de
uma amostra de sangue arterial. ·
4. É possível medir os volumes pulmonares e a resistência das vias aéreas em um
pletismógrafo de corpo inteiro de maneira relativamente fácil.
5 . Os testes de exercício podem ser valiosos na detecção de estágios iniciais de
doença pulmonar.
TESTE SEU CONHECIMENTO
1 . Quanto ao VEF,:
a) O teste pode ser usado para avaliar a eficácia dos broncodilatadores.
b) Não é afetado pela compressão dinâmica das vias aéreas.
c) t reduzido em pacientes portadores de fibrose pulmonar, mas não na doença
pulmonar obstrutiva crônica.
d) É normal em pacientes asmáticos.
e) O teste é difícil de ser realizado.
2. Qual das opções a seguir pode reduziraVEF, em um portador de doença pulmonar
obstrutiva crônica?
a) Hipertrofia do diafragma.
b) Administração de broncodilatador.
c) Aumento do esforço expiratório.
d) Perda da tração radial das vias aéreas.
e) Aumento da retração elástica das vias aéreas.
TrIsT
Fisiologia respiratória 211
3. A respeito do teste de nitrogênio em uma respiração única para a ventilação
desigual:
a) A inclinação do platô alveolar é reduzida na bronquite crônica em comparação
com a curva normal.
b) A inclinação se dá porque as unidades bem ventiladas se esvaziam na expiração
mais tarde do que as pouco ventiladas.
c) O último gás exalado provém da base do pulmão.
d) Um procedimento similar pode ser usado para medir o espaço morto
anatômico.
e) O teste consome muito tempo.
4. Na avaliação da desigualdade entre ventilação-perfusão com base nas medidas da
Po2 e da Pco2 no sangue arterial e gás expirado:
a) A Po2 alveolar ideal é calculada por meio da utilização da Pco2 expirada.
b) A Po2 alveolar é calculada a partir da equação do gás alveolar.
c) A desigualdade VAIÓ reduz a diferença de P02 arterioalveolar.
d) A desigualdade VAIÓ diminui o shunt fisiológico.
e) A desigualdade VAIÓ reduz o espaço morto fisiológico.
5. Se uma pessoa normal sentada expira até o volume residual (VR):
a) O volume de gás remanescente no pulmão é maior do que a metade da
capacidade vital.
b) A Pco2 do gás expirado cai um pouco antes do final da expiração.
c) Se o bocal estiver fechado no VR e a pessoa relaxar completamente, a pressão
nas vias aéreas é maior do que a pressão atmosférica.
d) A pressão intrapleural excede a pressão alveolar no VR.
e) Todas as vias aéreas de pequeno calibre no pulmão estão fechadas no VR.
TrIsT
Apêndice A: símbolos,
unidades e equações
SIM BOLOS
Símbolos primários
C Concentração de gás no sangue
F Concentração fracionada em gás seco
P Pressão ou pressão parcial
q Volume de sangue
Q Volume de sangue por unidade de tempo
R Taxa de troca respiratória
S Saturação de hemoglobina com Oz
V Volume de gás
V Volume de gás por unidade de tempo
Símbolos secundários para as fases do gás
A Alveolar
B Barométrico
EM Espaço morto (dead space)
E Expirado
I Inspirado
L Pulmão (de lung)
C Corrente
Símbolos secundários para fase do sangue
a Arterial
c Capilar
c
,
Capilar final
i Ideal
y Venoso
v Venoso misto
TrIsT
214 Apêndice A
Exemplos
Concentração de Oz no sangue arterial, Cao2
Concentração fracionada de N2no gás expirado, FEN2
Pressão parcial e 02 no sangue venoso misto, Pvo2
Unidades
Neste livro, foram usadas unidades métricas tradicionais. As pressões
são dadas em mm Hg; o torr é uma unidade quase idêntica.
Na Europa, as unidades do SI (Systeme International) são usadas comu-
mente. A maioria delas é familiar, porém o quilopascal, a unidade de pressão.
é confusa em princípio. Um quilopascal = 7,5 mm Hg (aproximadamente).
EQUAÇÕES
Leis dos gases
A lei geral dos gases é: PV = RT
onde T é temperatura, e R, uma constante. Essa equação é usada para corri-
gir volumes de gases em relação às alterações de pressão de vapor de água e
temperatura. Por exemplo, a ventilação é convencionalmente relatada como
BTPS, isto é, temperatura corporal (37°C), pressão ambiente e saturada com
vapor de água, pois corresponde posteriormente às alterações de volume pul-
monar. Em contraste, os volumes dos gases no sangue são expressados como
STPD, isto é, temperatura (0°C ou 273 K) e pressão-padrão (760 mm Hg) e
seco, como usual em química. Para converter um volume de gás em BTPS
para um volume em STPD, multiplique por
273 PB -47
--x~--
310 760
onde 47 mm Hg constitui a pressão do vapor de água a 37°C.
A lei de Boyle P1V1 = P2V2 (temperatura constante)
V
1
_ T
1 v -T. (pressão constante)
2 2
e a lei de Charles
constituem casos especiais da lei geral dos gases.
TrIsT
Apêndice A 21 5
A lei de Avogadro afirma que volumes iguais de gases diferentes nas mes-
mas temperatura e pressão contêm a mesma quantidade de moléculas. Uma
molécula-grama, por exemplo, 32 gm de 02, ocupa 22,4 L em STPD.
A lei de Dalton sustenta que a pressão parcial de um gás (x) em uma mis-
tura gasosa é a pressão que esse gás exerceria se estivesse ocupando o volume
total na mistura na ausência de outros componentes.
Assim, Px = P · Fx, onde Pé a pressão de gás seco total, desde que Fx se
refira ao gás seco. Em um gás com pressão de vapor de água de 4 7 mm Hg,
Px = (Pa- 47) · Fx
Nos alvéolos, Po2 + Pco2 + PN2 + PH2o = Ps.
A pressão parcial de gás em uma solução é sua pressão parcial em uma
mistura gasosa que se encontra em equilíbrio com a solução.
A lei de Henry afirma que a concentração de gás dissolvido em um líqui-
do é proporcional à sua pressão parcial. Dessa forma, Cx = K · Px.
Ventilação
VT =EM + VA
onde VA se refere aqui ao volume do gás alveolar no volume corrente.
VA = VE-EM
V co2 = V A · FAco2 (ambos V medidos em BTPS)
V = Vcoz xK
A p (equação da ventilação alveolar)
ACOz
Se V A é BTPS e V co2 é STPD, K = 0,863. Em pessoas normais, PAco. é
quase idêntica a Pac02.
2
Equação de Bohr
Ou usando a Pco2 arterial,
E p -P. _M_ _ 3 C02 EcOz
VT Pacoz
Isso fornece o espaço morto fisiológico.
TrIsT
216 Apêndice A
Difusão
Na fase gasosa, a lei de Graham afirma que a taxa de difusão de um gás~
inversamente proporcional à raiz quadrada de seu peso molecular.
Em um líquido ou em uma fatia de tecido, a lei de Fick'' sustenta que ~
volume de gás por unidade de tempo que se difunde pela lâmina tecidual e
dada por
onde A e T são a área e a espessura da lâmina, P1 e P2 consistem na
pressão parcial do gás nos dois lados; e D é a constante de difusão por vezes
denominada coeficiente de permeabilidade do tecido para um gás.
Essa constante de difusão está relacionada à solubilidade (Sol) e ao peso
molecular (PM) do gás:
Quando a capacidade de difusão do pulmão (D) é medida com monóxi-
do de carbono e a PCO capilar é tida como zero,
D Vco
PAco
Dois componentes constituem D. Um deles é a capacidade de difusão da
membrana alveolar (Dm), e o outro depende do volume de sangue capilar
CVc) e da taxa de reação do CO com hemoglobina, 0:
Fluxo sanguíneo
Princípio de Fick
1 1 1
-=-+--
D DM e-vc
" A lei de Fick foi originalmente expressa em termos de concentrações. No entanto, nos
são mais convenientes as pressões parciais.
TrIsT
Apêndice A 217
Resistência vascular pulmonar
onde Part e Pven constituem as pressões pulmonares arterial e venosa,
respectivamente.
Lei de Starling da troca de líquido pelos capilares:
Líquido para fora efetivo = K [Pc- Pi) - cr (7Tc- 7Ti)]
onde i se refere ao líquido intersticial ao redor do capilar; 7T, à pressão os-
mótica coloide; cr consiste no coeficiente de reflexão, e K é o coeficiente de
filtração.
Relações ventllação-perfusão
Equação do gás alveolar
É apenas válida se não houver C02 no gás inspirado. O termo entre
colchetes constitui um fator de correção relativamente pequeno quando ar é
respirado (2 mm Hg quando a Pco2 = 40, P102 = 0,21 e R= 0,8). Assim, uma
aproximação útil é
Taxa de troca respiratória
Se não houver presença de C02 no gás inspirado,
Shunt anteriovenoso
Ós - Cc~2 - Cao2
QT- Cc~2 -CV02
onde c' significa capilar final.
--- ------- --
TrIsT
218 Apêndice A
Equação da relação ventilação-perfusão
V 8,63R(Ca02 -CV02 ) -.-A = _ _ _..!...._..::_ _ _..:~
Q PACQ2
Onde as concentrações gasosas do sangue são dadas em mL · 100 mL·1.
Shunt fisiológico
Espaço morto alveolar
A equação para o espaço morto fisiológico se encontra na p. 215.
Gases sanguíneos e pH
co2 = Sol · Po2
onde Sol é de 0,003 mL de 02 · 100 mL de sangue·1 · mm Hg·1.
Equação de Henderson-Hasselbalch
(Hco-)
pH=pKA +log CO 3
2
Para esse sistema, normalmente pKA é de 6, 1. Se as concentrações de
HC03 e C02 estiverem na ordem de mmol!L, o C02 pode ser substituído pela
Pco2 (mm Hg) x 0,030.
Mecânica da respiração
Complacência = 1:1 V I l:lP
Complacência específica = 1:1 V I 01 · ~P)
Equação de Laplace para pressão causada pela tensão superficial de uma
esfera
P= 2T
r
TrIsT
Apêndice A 219
onde r é o raio, e T é a tensão superficial. Observe que, para uma bolha de
sabão, P = 4T/r, pois há duas superfícies.
Lei de Poiseuille para fluxo laminar
. Pm4
V=-
8nl
onde n é o coeficiente de viscosidade,* e P é a diferença de pressão através
do comprimento L
Número de Reynols
Re = 2rvd
n
Onde v é a velocidade linear média do gás, d é a densidade, e n, sua
viscosidade.
Queda de pressão para fluxo laminar, Pcx. V, mas para fluxo turbulento
Pcx. V2 (aproximadamente) .
Resistência das vias aéreas
onde Patv e P boca fazem referência às pressões alveolares e na boca,
respectivamente.
"'N. de R.T.: Isto é uma simplificação da letra grega 11 para aqueles que entendem pouco
de latim e menos ainda de grego.
TrIsT
- - ---~- ~~ - -----~-- -
Apêndice B: respostas às
questões dos capítulos
CAPITULO 1 CAPfTUL02
l.D l.B
2.B 2.D
3.B 3.C
4.E 4.0
S. O S.B
CAPITUL04
6.B
1.0
2.B CAPfTULOS
3.E
4.0 1.0
S. C 2.B
6.0 3.A
7.D 4.B
8.B S.B
9.A 6.E
10. D 7.A
8. E
CAPfTUL07
9. D
l.B
2.C CAPfTUL08
3.A
4.E l.D
5.0 2.C
6.E 3.B
7.D 4.E
B.D S. A
9.E 6.0
10. E 7.E
11. E 8.0
12.E
13. D
14.E
CAPITULO 10
I. A
2. D
3. O
4.B
S.B
CAPfTUL03
1. c
2.E
3. E
4.C
S. C
6.D
CAPfTUL06
l.D
2.E
3.E
4.D
S. C
6.E
7.B
B.C
9.A
lO. A
11. E
12.E
CAPÍTUL09
l.A
2.E
3.B
4.A
S. E
6.B
7.C
TrIsT
- ~~~~~~~-- - ------~~-~------
Figura 1.1
Figura 1.2
Figura 1.4
Figura 1.6
Figura 1.7
Figura 2.1
Figura 4.2
Figura 4.7
Apêndice C:
crédito das figuras
From Weibel ER: Respir Physiol 11:54, 1970.
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From Glazier JB, et al: J Appl Physiol26:65, 1969.
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Redrawn from Hughes JMB, et al: Respir Physiol 4:58, 1968.
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Figura 4 .10 From Barer GR, et al: J Physiol 211:139, 1970.
Figura 5.2 Modified from West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed.
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Figura 5.5 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed. S. Oxford:
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Figura 5.6 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed. S. Oxford:
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Figura 5. 7 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed. 5. Oxford:
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Figura 5.8 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed. S. Oxford:
Blackwell, 1990.
Figura 5.9 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed. S. Oxford:
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Figura 5.11 From West JB: Lancet 2:1055, 1963.
Figura 5.12 Modified from West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed.
S. Oxford: Blackwell, 1990.
Figura 5.13 Redrawn from Wagner et al: J Clin Invest 54:54, 1974.
Figura 5.14 Redrawn from Wagner et al: J Clin Invest 54:54, 1974.
Figura 7.5 From Radford EP: Tissue Elasticity. Washington, DC: American Physio-
logical Society, 1957.
Figura 7.6 From Weibel ER, Gil J. In West JB: Bioengineering Aspects of the Lung.
New York: Mareei Dekker, 1977.
TrIsT
224 Apêndice C
Figura 7.8 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange~ ed. S. Oxford:
Blackwell, 1990.
Figura 7.9 From West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange~ ed. S. Oxford:
Blackwell, 1990.
Figura 7.14 Redrawn from Pedley TJ, et al: Respir Physiol9:387, 1970.
Figura 7.15 Redrawn from Briscoe WA, Dubois AB: J Clin Invest 37:1279, 1958.
Figura 7.17 Redrawn from Fry DL, Hyatt RE: Am J Med 29:672, 1960.
Figura 7.19 Modified from West JB: Ventilation/Blood Flow and Gas Exchange, ed.
Figura 8.4
Figura 8.5
Figura 9.3
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Figura 10.6 Modified from Comroe JH: The Lung: Clinical Physiology and Pulmona-
ry Function Tests~ ed. 2. Chicago: Year Book, 1965.
TrIsT
- - ~~---~-----------
A
Ácido-básico
distúrbios, tipos, 111-113
estado, 107-113
Acidose
metabólica, 111-113
respiratória, 110-111
compensada, 110-111
Ácino, 13, 15
Aclimatização, a grandes altitudes,
177-181
Alcalose
metabólica, 111-113
respiraLória, 110-111
Alterações circulatórias, com respiração
perinatal, 189-191
Alvéolo-capilar
membrana, 10, 13-14
difusão de oxigênio através, 43-44
pH do sangue e, 203-206
resumo, 17-18
Alvéolos, 10, 13-14, llf, 12f
estabilidade, 9-10, 18-21
Amina, 67-68t
Anemia, concentração de oxigênio,
100-101f
Angiotensina I, 67-68t
Angiotensina 11, 67-68t
Anidrase carbônica, 103-1 OS
Ar para os tecidos, transporte de
oxigênio, 74-76, 74-75f
programa, 77 -78f
Área expiratória, 155-156
Artéria pulmonar, 15-17
Atelectasia
absorção, 180-182
causas, 181-182f
Atmosferas poluidas, efeitos
respiratórios, 185-187
/
lndice
B
Barorreceptores arteriais, 163-164
Bicarbonato, 103-105
Bradicinina, 67-68t
Bronquíolos, 10, 13-14, 12f
c
Capacidade de difusão
do monóxido de carbono,
interpretação, 46-47
medida, 43-45
Capacidade de respiração máxima,
179-180
Capacidade residual funcional (CRF),
24, 26, 132-134
pela diluição de hélio, 24, 26f
pletismografia, 26-27f
Capacidade vital, 24, 26
Capilares
adjacentes, abertos, pressão de
oxigênio entre, 113-114f
alterações estruturais, 17-18
diâmetro, 15-17
endotélio, llf
pulmão canino, 17-18f
Capilares pulmonares, 11f, 12f
captação de oxigênio ao longo dos,
40-44, 41-42f
dos fluxos de líquido, 65-66f
Células epiteliais do tipo 11, micrografia
eletrônica, 127-128f
Centro apnêustico, 155-156
Centro pneumotáxico, 155-156
Centro respiratório, 154-156
bulbar, 154-156
Cianose, 100-101
Circulação pulmonar/sistêmica, 50-52,
50-Slf
TrIsT
226 fndice
Circulação pulmonar/sistêmica, pressões
de, 50-52, 50-51f
Coeficiente de filtração, 63-64
Complacência, 123-124
diminuição, efeitos da, 145-147f
específica, 123-124
redução, 123-124
Composto ferro-porfirina, 98-99
Constantes de tempo desiguais,
ventilação desigual, 206-207f
Controlador central, 154-157
Córtex, 156-157
Curva do cloreto, 103-105, 103-105f
Curvas fluxo-volume, 142-144f
Curvas pressão-fluxo isovolumétricas,
142-144, 143-144f
Curvas pressão-volume
D
medida, 122-123f
pulmonar, 125-126
relaxamento, 133-134f
trabalho inspiratório, 148-149f
Débito cardíaco ao exercício, 17 4-176
Déficit de base, 110-111
Desequilíbrio entre ventilação-perfusão
exercício, 17 4-176
medidas, 91-94
redução da pressão arterial, 86-88f
resumo, 90-91
retenção de dióxido de carbono como
causa, 89-92
testes para, 199-200
troca gasosa total, 86-89
Desvio para a esquerda da curva de
dissociação, 177-178
Diagrama de Davenport, 109f
Diagrama dióxido de carbono-oxigênio,
202-203f
Difusão de hélio, capacidade residual
funcional (CRF), 24, 26f
Difusão, 10, 13-15, 34-47, 76-77
através da lâmina tecidual, 38-39f
conceitos-chave, 46-4 7
limitações de perfusão, 39-41
limitada, 39-40
testes, 198-199
Diminuição da complacência, 123-124
Dióxido de carbono, 103-106
concentração no sangue, 103-104f
curva de dissociação, 105-108,
107-108f
resumo, 107-108
dissolvido, 103-104
forma de recaptação, 103-105f
pressão parcial, 105-106f
resposta ventilatória, 163-16 7,
164-165f
retenção, desequilíbrio entre
ventilação-perfusão, 89-92
transporte, 103-106
Dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC),
68-69, 125-129
Distensão, 55-56
Doença da descompressão, 182-185
2,3-difosfoglicerato (DPG), 101-102
Dopamina, 67-68t, 159-160
E
Edema pulmonar, 179-180
Efeito de Bohr, 100-101
Efeito Haldane, 103-105
Efetores, 156-157
Enzimas oxidativas, 179-180
Epitélio alveolar, 1lf
Equação de Bohr, 31-32
Equação de Henderson-Hasselbalch,
107-108
Equação de Poiseuille, 138-139
Equilíbrio hídrico, no pulmão, 63-67
Equilibrio superficial, 127-128f
Eritrócito, 17-18
Espaço morto
alveolar, 91-92
anatômico, 23-24, 29-32
método de Fowler, 30-31, 30-3lf
fisiológico, 31-33, 203-204
Espirômetro, 24-25f
Estresse, sistema respiratório sob,
173-191
Excesso de base, 110-111
Exercício
desequilíbrio entre
ventilação-perfusão, 17 4-176
------=-=-----· _...,.- ----- --- - ~ --- ~------=--=-~--TrIsT
efeitos respiratórios, 174-176
consumo de oxigênio com, 174-175f
débito cardíaco, 17 4-176
resposta ventilatória, 168-169
hiperventilação, 176-178
testes, 208-209
Expiração, 121-122
Expiração forçada, 143-144
testes, 196-199, 196-198f
F
Fator de transferência, 46-47
Fechamento das vias aéreas, 122-123,
132-133
Feto humano, circulação sanguínea,
187-188f
Fibras brônquicas C, 161-163
Fluxo aéreo, através de tubos, 134-139
Fluxo expira tório forçado (FEF),
144-145
Fluxo independente de esforço, 142-144
Fluxo laminar, 134-135, 137-139
Fluxo sanguíneo pulmonar, 49-51,
50-51f
distribuição,. 56-62, 58-59f
fórmula, 56-58
medida, 56-58, 58-59f
outras funções, 66-67
pressão parcial de oxigênio alveolar,
62-63f
substâncias, 67-68t
Fluxo turbulento, 135-139
Fluxos de líquido
dos capilares pulmonares, 65-66f
fórmula, 63-64
Função pulmonar, testes de, 195-209-211
perspectiva, 208-211
G
Gás alveolar, 23-24, 40-41
equação, 76-77
Glomo carotídeo, 159-160f
Grande altitude
aclima tização, 177-181
efeitos respiratórios, 176-177
pressão barométrica, 176-177f
H
Heme, 98-99
Hemoglobina, 98-101
fndice 227
taxas de reação com, 44-46
Hiperventilação, exercício e, 176-178
Hipotálamo, 156-157
Hipoventilação, 74-77
resumo, 76-77
Hipoxemia
aspectos/tipos, 115t
causas, 74-76
Hipoxia tecidual, características/tipos,
115t
Hipoxia, resposta ventilatória, 166-168
Histamina, 6 7 -68t
I
Idealização das vias aéreas de Weibel,
14, 16f
Inspiração, 13, 15, 119-122, 119-121f
Interdependência, 129-130
Interstício, 1lf
L
Lei da difusão de Fick, 38-39
Lei de Boyle, 24, 26-27, 206-207
Lei de Fick da difusão, 37-39
Lei