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Unidade 21
Argumentação e linguagem
Maria Luiza Monteiro Sales Coroa
Iniciando
nossa conversa
Caro Professor, cara Professora,
Tudo que temos visto sobre língua e linguagem nos mostra como nossa própria
existência de seres humanos é moldada pela nossa capacidade de agir pela linguagem.
Distinguimo-nos de outras espécies animais porque somos capazes de nos constituir
humanos pelo exercício da faculdade da linguagem. Assim, cada cultura organiza
historicamente seus códigos de comunicação, seja na formação de seu vocabulário e
estruturação sintática e semântica, seja na adequação dos textos às situações sócio-
comunicativas. Pela linguagem organizamos o saber, a vida. Pela linguagem agimos
sobre nossos pares e sobre o mundo. Por isso, todos os seres humanos são, ao mesmo
tempo, origem e produto da linguagem, origem e produto da história que nos leva a
construir formas de comunicação e de atuação específicas.
Visto nessa perspectiva, todo uso da linguagem é argumentativo, pois estabelece
uma interação com o outro, uma relação de fazer social. E toda linguagem é, assim, um
processo sempre em movimento.
Também nosso tema transversal, corpo e saúde, tem natureza processual, pois falar
de saúde/doença é falar do desenvolvimento humano; é falar de transformações inerentes
à vida. Ao longo da vida, vivemos condições de saúde ou doença, condições que
refletem as capacidades de cada pessoa defender a vida1.
Os mecanismos intrincados que determinam as condições de vida das pessoas – e
suas vivências em saúde e doença – podem ser tanto físicos e biológicos quanto sociais e
culturais. Por isso, falar de saúde e de corpo é também falar de compromissos e valores
sociais; é falar de nossa inserção no mundo e de comunicação, na abrangência maior
dos sentidos, entre eles, a variedade de linguagens verbais e visuais.
Se, por um lado, a concepção de saúde que permeia as relações humanas não
deve ser compreendida de maneira abstrata e isolada, por outro, também marcamos
nossa presença no mundo, e na vida de outras pessoas, pelo concreto exercício da
linguagem porque somos seres historicamente situados.
Mesmo que a linguagem e as línguas em geral comportem definições e classificações
teóricas e abstratas, cada atividade de linguagem em que nos engajamos tem propósitos
e finalidades.
Se assim considerarmos, toda vez que nos comunicamos buscamos fazer algo,
impressionar o outro, buscar reações, convencê-lo. Esse é um uso argumentativo da
1 Esta concepção de saúde é encontrada nos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
TP6 - Leitura e Processos de Escrita II - Parte I
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Definindo nosso
ponto de chegada
linguagem, em seu sentido mais amplo. Somos seres argumentativos porque objetivamos
algo com o uso da linguagem.
Mas podemos distinguir essa argumentatividade mais ampla, inerente a toda
manifestação lingüística, de uma argumentatividade mais restrita, que caracteriza
especificamente os textos que têm por objetivo explícito convencer. É desta segunda que
trataremos mais detalhadamente nesta unidade: da construção de textos, verbais e visuais,
que buscam uma reação do interlocutor ou modificação no seu modo de ver o mundo.
Esperamos que as atividades aqui propostas possam contribuir para o
desenvolvimento de suas práticas pedagógicas e que as idéias dos textos trazidos para
análise possam integrar suas atividades didático-pedagógicas voltadas para o tema
transversal, corpo e saúde.
Assim, a primeira seção focaliza a argumentatividade como característica inerente
da linguagem. Em sentido mais restrito, essa argumentatividade corresponde a uma
organização textual que tem por finalidade específica convencer ou persuadir o interlocutor
a respeito de alguma idéia ou comportamento.
Na segunda seção, o foco recairá sobre a diversidade de argumentos que podem
ser utilizados para demonstrar uma idéia. Ou seja, vamos identificar e aplicar algumas
estratégias argumentativas que visam influenciar o interlocutor do texto argumentativo.
Por fim, a “saúde” de um texto argumentativo será o objeto da terceira seção, na
qual se tratará da qualidade da argumentação, procurando mostrar alguns dos defeitos
mais freqüentes na organização de textos argumentativos – e suas soluções.
As atividades aqui propostas pretendem contribuir para a compreensão do fenômeno
da linguagem, na sua dimensão argumentativa, e para a sistematização de recursos
lingüísticos que tecem um texto explicitamente argumentativo. Assim, temos como objetivos:
1- identificar marcas de argumentatividade na organização dos textos;
2- identificar e analisar diferentes tipos de argumentos que sustentam uma
argumentação textual;
3- reconhecer a qualidade da argumentação textual.

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