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13 Unidade 21 Argumentação e linguagem Maria Luiza Monteiro Sales Coroa Iniciando nossa conversa Caro Professor, cara Professora, Tudo que temos visto sobre língua e linguagem nos mostra como nossa própria existência de seres humanos é moldada pela nossa capacidade de agir pela linguagem. Distinguimo-nos de outras espécies animais porque somos capazes de nos constituir humanos pelo exercício da faculdade da linguagem. Assim, cada cultura organiza historicamente seus códigos de comunicação, seja na formação de seu vocabulário e estruturação sintática e semântica, seja na adequação dos textos às situações sócio- comunicativas. Pela linguagem organizamos o saber, a vida. Pela linguagem agimos sobre nossos pares e sobre o mundo. Por isso, todos os seres humanos são, ao mesmo tempo, origem e produto da linguagem, origem e produto da história que nos leva a construir formas de comunicação e de atuação específicas. Visto nessa perspectiva, todo uso da linguagem é argumentativo, pois estabelece uma interação com o outro, uma relação de fazer social. E toda linguagem é, assim, um processo sempre em movimento. Também nosso tema transversal, corpo e saúde, tem natureza processual, pois falar de saúde/doença é falar do desenvolvimento humano; é falar de transformações inerentes à vida. Ao longo da vida, vivemos condições de saúde ou doença, condições que refletem as capacidades de cada pessoa defender a vida1. Os mecanismos intrincados que determinam as condições de vida das pessoas – e suas vivências em saúde e doença – podem ser tanto físicos e biológicos quanto sociais e culturais. Por isso, falar de saúde e de corpo é também falar de compromissos e valores sociais; é falar de nossa inserção no mundo e de comunicação, na abrangência maior dos sentidos, entre eles, a variedade de linguagens verbais e visuais. Se, por um lado, a concepção de saúde que permeia as relações humanas não deve ser compreendida de maneira abstrata e isolada, por outro, também marcamos nossa presença no mundo, e na vida de outras pessoas, pelo concreto exercício da linguagem porque somos seres historicamente situados. Mesmo que a linguagem e as línguas em geral comportem definições e classificações teóricas e abstratas, cada atividade de linguagem em que nos engajamos tem propósitos e finalidades. Se assim considerarmos, toda vez que nos comunicamos buscamos fazer algo, impressionar o outro, buscar reações, convencê-lo. Esse é um uso argumentativo da 1 Esta concepção de saúde é encontrada nos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais. TP6 - Leitura e Processos de Escrita II - Parte I 14 Definindo nosso ponto de chegada linguagem, em seu sentido mais amplo. Somos seres argumentativos porque objetivamos algo com o uso da linguagem. Mas podemos distinguir essa argumentatividade mais ampla, inerente a toda manifestação lingüística, de uma argumentatividade mais restrita, que caracteriza especificamente os textos que têm por objetivo explícito convencer. É desta segunda que trataremos mais detalhadamente nesta unidade: da construção de textos, verbais e visuais, que buscam uma reação do interlocutor ou modificação no seu modo de ver o mundo. Esperamos que as atividades aqui propostas possam contribuir para o desenvolvimento de suas práticas pedagógicas e que as idéias dos textos trazidos para análise possam integrar suas atividades didático-pedagógicas voltadas para o tema transversal, corpo e saúde. Assim, a primeira seção focaliza a argumentatividade como característica inerente da linguagem. Em sentido mais restrito, essa argumentatividade corresponde a uma organização textual que tem por finalidade específica convencer ou persuadir o interlocutor a respeito de alguma idéia ou comportamento. Na segunda seção, o foco recairá sobre a diversidade de argumentos que podem ser utilizados para demonstrar uma idéia. Ou seja, vamos identificar e aplicar algumas estratégias argumentativas que visam influenciar o interlocutor do texto argumentativo. Por fim, a “saúde” de um texto argumentativo será o objeto da terceira seção, na qual se tratará da qualidade da argumentação, procurando mostrar alguns dos defeitos mais freqüentes na organização de textos argumentativos – e suas soluções. As atividades aqui propostas pretendem contribuir para a compreensão do fenômeno da linguagem, na sua dimensão argumentativa, e para a sistematização de recursos lingüísticos que tecem um texto explicitamente argumentativo. Assim, temos como objetivos: 1- identificar marcas de argumentatividade na organização dos textos; 2- identificar e analisar diferentes tipos de argumentos que sustentam uma argumentação textual; 3- reconhecer a qualidade da argumentação textual.