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CITOPATOLOGIACITOPATOLOGIA
CITOPATOLOGIA
Lisiane Cervieri Mezzomo
Nádia Aline Corroqué 
Lisiane Cervieri Mezzomo
Nádia Aline Corroqué 
GRUPO SER EDUCACIONAL
gente criando o futuro
O teste de Papanicolau, exame de rastreamento de rotina para câncer de colo uterino, 
foi descrito pela primeira vez em 1928 e sua e� cácia foi comprovada em 1941. Desde 
então, tem sido utilizado mundialmente como ferramenta para detecção precoce do 
câncer, com redução signi� cativa da mortalidade. O método é reconhecido como o 
avanço mais signi� cativo no controle do câncer no século XX. 
Esse exame consiste no estudo das células normais e alteradas pela doença, espon-
taneamente esfoliadas ou mecanicamente desalojadas (microbiópsia de superfície) 
para a detecção e diagnóstico de várias infecções, atividades hormonais anormais e 
especialmente lesões pré-cancerosas e cancerosas. O método permite visualizar al-
terações não visíveis a olho nu, que podem ser detectadas em células amostradas pelo 
esfregaço preparado pela técnica de papanicolau. Tendo em vista que a evolução do 
estágio pré-canceroso para o câncer é lenta, o exame de rastreamento das células 
esfoliadas do colo do útero pelo método o torna curável e totalmente evitável.
Essa obra aborda o contexto histórico e a importância da citopatologia ginecológi-
ca no diagnóstico das lesões pré-cancerosas e cancerosas do colo uterino. Você terá 
acesso às técnicas de coleta, preparo, � xação e coloração das lâminas citopatológicas 
e também às ferramentas de controle de qualidade no laboratório de citopatologia. 
Além disso, você conhecerá os agentes infecciosos mais comuns diagnosticados pelo 
exame citopatológico, bem como as alterações reacionais e reparativas celulares. Aci-
ma de tudo, serão abordados os critérios de malignidade e os critérios para avaliação 
das alterações pré-neoplásicas, bem como as diferenças entre as lesões escamosas, 
glandulares, atipias, lesões de alto e baixo grau, bem como os critérios morfológicos 
para o diagnóstico de carcinoma.
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© Ser Educacional 2021
Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro 
Recife-PE – CEP 50100-160
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio 
ou forma sem autorização. 
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do 
Código Penal.
Imagens de ícones/capa: © Shutterstock
Presidente do Conselho de Administração 
Diretor-presidente
Diretoria Executiva de Ensino
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos
Diretoria de Ensino a Distância
Autoria
Projeto Gráfico e Capa
Janguiê Diniz
Jânyo Diniz 
Adriano Azevedo
Joaldo Diniz
Enzo Moreira
Lisiane Cervieri Mezzomo 
Nádia Aline Corroqué
DP Content
DADOS DO FORNECEDOR
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
SER_BIOMED_CITOPA_UNID1.indd 2 30/04/2021 14:46:21
Boxes
ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
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Unidade 1 - Introdução ao estudo da Citopatologia, técnicas de preparação e 
controle de qualidade 
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13
Histórico e importância da citopatologia ginecológica como método diagnóstico .. 14
O surgimento e desenvolvimento do método ............................................................. 17
A importância da citopatologia ginecológica como método de estudo ............... 18
Sistema de Bethesda para a citologia cérvico-vaginal ............................................ 20
Técnica de coleta cervical, coloração e montagem da lâmina ................................. 21
A coleta cérvico-vaginal ................................................................................................ 23
Montagem da lâmina e fixação do material ............................................................... 27
Coloração das amostras ................................................................................................ 29
Controle de qualidade em citopatologia cérvico-vaginal ........................................... 32
Adequabilidade da amostra ........................................................................................... 33
Fatores obscurecedores ................................................................................................ 34
Princípios de escrutínio da lâmina ............................................................................... 35
Sintetizando ........................................................................................................................... 37
Referências bibliográficas ................................................................................................. 38
Sumário
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Sumário
Unidade 2 - Elementos epiteliais, não epiteliais e microrganismos em citologia 
cervicovaginal
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 41
Reconhecimento das células epiteliais encontradas em condições de normalidade ..... 42
Células escamosas superficiais, intermediárias, profundas e glandulares ......... 46
Células epiteliais glandulares ....................................................................................... 50
Metaplasia escamosa .................................................................................................... 53
Elementos não epiteliais encontrados no esfregaço citológico ................................ 55
Leucócitos e hemácias ................................................................................................... 55
Muco .................................................................................................................................. 57
Substâncias interferentes na amostra ........................................................................ 57
Identificação morfológica de microrganismos observados em citologia cervical ........... 59
Sintetizando ........................................................................................................................... 63
Referências bibliográficas ................................................................................................. 65
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Sumário
Unidade 3 - Processos inflamatórios e reações proliferativas benignas
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 70
Reconhecimento de processos inflamatórios .................................................................. 71
Bactérias ........................................................................................................................... 74
Fungos ...............................................................................................................................77
Protozoários ..................................................................................................................... 78
Vírus ................................................................................................................................... 80
Reações proliferativas benignas ..................................................................................... 81
Processos de proteção .................................................................................................. 82
Processos de reparação ................................................................................................ 87
Outros tipos de reações proliferativas benignas ....................................................... 89
Sintetizando ........................................................................................................................... 92
Referências bibliográficas ................................................................................................. 93
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Sumário
Unidade 4 - Nomenclaturas e o câncer de colo do útero
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 95
Atipias, lesões pré-malignas e malignas do colo uterino ................................................ 96
Atipias ................................................................................................................................. 96
Lesões pré-malignas ......................................................................................................... 102
Lesões malignas ............................................................................................................... 109
Nomenclatura para o diagnóstico citopatológico cérvico-vaginal..............................113
Evolução das classificações e nomenclaturas ................................................................. 113
Sistema Bethesda ............................................................................................................. 115
Sintetizando ......................................................................................................................... 118
Referências bibliográficas ............................................................................................... 120
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O teste de Papanicolau, exame de rastreamento de rotina para câncer de colo 
uterino, foi descrito pela primeira vez em 1928 e sua eficácia foi comprovada em 
1941. Desde então, tem sido utilizado mundialmente como ferramenta para de-
tecção precoce do câncer, com redução significativa da mortalidade. O método é 
reconhecido como o avanço mais significativo no controle do câncer no século XX. 
Esse exame consiste no estudo das células normais e alteradas pela doença, 
espontaneamente esfoliadas ou mecanicamente desalojadas (microbiópsia de 
superfície) para a detecção e diagnóstico de várias infecções, atividades hormo-
nais anormais e especialmente lesões pré-cancerosas e cancerosas. O método 
permite visualizar alterações não visíveis a olho nu, que podem ser detectadas 
em células amostradas pelo esfregaço preparado pela técnica de papanicolau. 
Tendo em vista que a evolução do estágio pré-canceroso para o câncer é lenta, 
o exame de rastreamento das células esfoliadas do colo do útero pelo método 
o torna curável e totalmente evitável.
Essa obra aborda o contexto histórico e a importância da citopatologia 
ginecológica no diagnóstico das lesões pré-cancerosas e cancerosas do colo 
uterino. Você terá acesso às técnicas de coleta, preparo, fixação e coloração 
das lâminas citopatológicas e também às ferramentas de controle de qualidade 
no laboratório de citopatologia. Além disso, você conhecerá os agentes infec-
ciosos mais comuns diagnosticados pelo exame citopatológico, bem como as 
alterações reacionais e reparativas celulares. Acima de tudo, serão abordados 
os critérios de malignidade e os critérios para avaliação das alterações pré-
-neoplásicas, bem como as diferenças entre as lesões escamosas, glandulares, 
atipias, lesões de alto e baixo grau, bem como os critérios morfológicos para o 
diagnóstico de carcinoma.
CITOPATOLOGIA 9
Apresentação
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Para Luiz Fernando, meu maior e melhor projeto.
A professora Lisiane Cervieri Mezzomo 
possui doutorado em Patologia-Bio-
marcadores pela Universidade Federal 
de Ciências da Saúde de Porto Alegre 
– UFCSPA (2016). É mestre em Patolo-
gia Geral e Experimental (2011) pela 
mesma instituição. É especialista em 
Citologia Clínica pela Sociedade Brasi-
leira de Análises Clínicas – SBAC (2016) 
e graduada em Farmácia, com ênfase 
em análises clínicas, pela Universidade 
de Passo Fundo – UPF (2004). É profes-
sora substituta no departamento de 
Métodos Diagnósticos. Foi professora 
de cursos de Especialização em Cito-
patologia e Análises Clínicas. Desen-
volve projetos na área de Medicina 
Laboratorial, Citologia/Citopatologia, 
Patologia e Biologia Molecular. É as-
sessora na área de controle de quali-
dade em Citologia/Citopatologia e Me-
dicina Laboratorial, revisora ad-hoc de 
revistas científicas e colunista de revis-
tas na área de citopatologia. É Tenen-
te-Farmacêutico do Exército Brasilei-
ro, com atuação em análises clínicas, 
citopatologia e controle de qualidade. 
É membro do Grupo de Trabalho em 
Análises Clínicas do Conselho Regional 
de Farmácia (CRF/RS). Tem experiência 
em Patologia e Análises Clínicas com 
ênfase em Citologia e Citopatologia. 
Atua na área de citopatologia gineco-
lógica há mais de 15 anos.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/0931097462473443
CITOPATOLOGIA 10
A autora
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Dedico este trabalho aos meus pais, meu irmão e meus sobrinhos, por 
todo o carinho e apoio, e aos meus alunos, que são a razão do meu 
apreço por ensinar. 
A professora Nádia Aline Corroqué é 
Doutora em Ciências Biológicas (Bio-
logia Celular e Molecular) pela Uni-
versidade Estadual Paulista “Júlio de 
Mesquita Filho” (2019), possui mes-
trado em Ciências Biológicas (Biologia 
Celular e Molecular) pela Universidade 
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Fi-
lho” (2014) e é Graduada em Ciências 
Biológicas (Bacharelado e Licenciatu-
ra) pela Universidade Estadual Paulis-
ta “Júlio de Mesquita Filho” (2012).
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/5450781843286665
A autora
CITOPATOLOGIA 11
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INTRODUÇÃO 
AO ESTUDO DA 
CITOPATOLOGIA, 
TÉCNICAS DE 
PREPARAÇÃO E 
CONTROLE DE 
QUALIDADE 
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Contextualizar o histórico e importância da citopatologia ginecológica como 
método diagnóstico;
 Demonstrar a técnica de coleta cervical, montagem e coloração da lâmina;
 Identificar ferramentas de controle de qualidade em citopatologia cervical.
 Histórico e importância da 
citopatologia ginecológica como 
método diagnóstico
 O surgimento e desenvolvi-
mento do método 
 A importância da citopatologia 
ginecológica como método de 
estudo 
 Sistema de Bethesda para a 
citologia cérvico-vaginal
 Técnica de coleta cervical, colo-
ração e montagem da lâmina 
 A coleta cérvico-vaginal
 Montagem da lâmina e fixação 
do material
 Coloração das amostras
 Controle de qualidade em 
citopatologia cérvico-vaginal 
 Adequabilidade da amostra
 Fatores obscurecedores
 Princípios de escrutínio da 
lâmina
CITOPATOLOGIA 13
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Histórico e Importância da citopatologia ginecológica 
como método diagnóstico
A história do desenvolvimento do 
método citopatológico é marcada por 
alguns nomes,especialmente o do 
Dr. George Nicholas Papanicolaou,
considerado o descobridor do méto-
do e o pai da citologia. 
O método citopatológico cérvi-
co-vaginal, ou de citologia cervical, 
também chamado de teste ou exame 
papanicolau, é utilizado mundialmen-
te em programas de rastreamento do 
câncer cervical. É considerado um dos 
testes de rastreamento mais efi caz e 
tem sido fundamental para a redução 
signifi cativa da incidência e da mortalidade por esse tipo de câncer. A técnica 
revolucionou a detecção precoce do câncer do colo do útero e levou a uma re-
dução de 70% das mortes por essa neoplasia.
Nascido em 1883, em Kymi, cidade portuária da ilha de Euboea, Grécia, 
George Papanicolaou obteve seu diploma de médico em 1904, na Universidade 
de Atenas. Após a formatura, ele ingressou no exército, servindo como auxiliar 
de enfermagem e cirurgião assistente por dois anos. Em 1907, ele foi para a 
Alemanha e concluiu o doutorado em diferenciação sexual em 1910, na Uni-
versidade Jena, Friburgo e Munique. Migrou para os Estados Unidos em 1913, 
juntamente com sua esposa Andromache (Mary) Mavrogeni, e trabalhou como 
assistente no Departamento de Patologia do Hospital de Nova Iorque e como 
pesquisador-assistente no Departamento de Anatomia do Cornell University 
Medical College, onde iniciou os estudos sobre ciclo ovulatório de porquinhos-
-da-índia. Sua esposa Mary também conseguiu um emprego na mesma univer-
sidade e o ajudou em suas pesquisas. O Dr. Papanicolaou passou os 47 anos 
seguintes no Cornell University Medical College. Ele estabeleceu o Laboratório 
de Citologia, onde conduziu sua pesquisa pioneira.
CITOPATOLOGIA 14
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Figura 1. George Papanicolaou e sua esposa Mary Andromache Mavrogeni trabalharam juntos no laboratório por 47 
anos. Fonte: CHANTZIANTONIOU, 2014. Acesso em: 05/01/2021.
Dr. Papanicolaou examinava esfregaços vaginais em seu microscópio e, a 
partir disso, traçava as alterações cíclicas ovarianas e uterinas, descobrindo 
que os ciclos ovulatórios podem ser examinados nos esfregaços citológicos 
cervicais de porquinhos-da-índia. Com isso, conseguiu coletar os oócitos no 
momento apropriado. 
Esses resultados contribuíram indiretamente para a descoberta dos efeitos 
do estrógeno e progesterona no ciclo sexual feminino. Os resultados dessa pes-
quisa sobre os padrões citológicos em cobaias foram publicados no American 
Journal of Anatomy, em 1917. Em seguida, Papanicolaou começou a transferir 
o estudo dos ciclos em humanos, utilizando os esfregaços da sua esposa Mary, 
que foi submetida a exames citológicos diários por 21 anos. Com essas coletas 
seriadas, ele observou mudanças temporais relacionadas ao ciclo reproduti-
vo em sua esposa. Posteriormente, começou a aplicar seu método em outras 
mulheres, passando a trabalhar com esfregaços vaginais obtidos de pacien-
tes atendidas na Clínica Ginecológica do Hospital Universitário de Cornell e no 
Hospital da Cidade de Nova Iorque. A partir daí, identificou a presença de célu-
las com alterações malignas em esfregaços de pacientes com câncer cervical. 
CITOPATOLOGIA 15
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Enquanto Papanicolaou apresentava, pela primeira vez, sua tese de que o cân-
cer uterino poderia ser diagnosticado por esfregaço vaginal, em 1928, sua apre-
sentação na Race Betterment Conference em Battle Creek, Michigan, foi recebida 
com ceticismo, pois naquela época os pesquisadores consideraram que a biópsia 
era a única maneira de detectar a doença. Em 1933, ele publicou uma monografia 
intitulada “O ciclo sexual da mulher humana revelado pelo esfregaço vaginal”, na 
qual ele descrevia a presença de células cancerosas esfoliadas do colo do útero.
Em 1939, iniciou a reavaliação do esfregaço vaginal para detecção do câncer, épo-
ca em que o câncer cervical era a principal causa de morte das mulheres em idade 
reprodutiva nos Estados Unidos. No Hospital de Nova Iorque, todas as pacientes 
foram solicitadas a fazer um esfregaço vaginal de rotina. O Dr. Herbert Traut, do de-
partamento de Obstetrícia e Ginecologia de Cornell University, colaborou com o Dr. 
Papanicolaou para validar o potencial diagnóstico do esfregaço vaginal. 
Ele conseguiu discernir as diferenças entre a citologia de células cervicais 
normais e malignas com uma visualização de coletas por swabs em lâminas mi-
croscópicas. Enquanto trabalhavam juntos na Cornell University, esses autores 
descreveram a presença de células cancerosas nos esfregaços e vislumbraram 
o interesse do método citológico no diagnóstico de câncer de colo uterino. 
Juntos, eles publicaram a importante obra Diagnosis of Uterine Cancer by the 
Vaginal Pap Smear, em 1943. Este trabalho significativo descreveu as mudanças 
fisiológicas do ciclo menstrual, a influência de hormônios e malignidade na ci-
tologia vaginal e detalhou como células vaginais e cervicais normais e anormais 
podem ser vistas em um microscópio e como devem ser classificadas.
Pouco depois disso, o esfregaço citológico se tornou o padrão ouro no ras-
treamento do câncer cervical, sendo utilizado como ferramenta de rastrea-
mento do câncer até hoje, em diversos países.
Apesar dessa notável publicação, Papanicolaou e Traut não foram os primei-
ros a mostrar que as células cancerosas podiam ser identificadas no microscó-
pio. Um século antes, o médico britânico Walter Hayle Walshe falou sobre esse 
fenômeno em um livro sobre doenças pulmonares. Já a detecção de anormali-
dades celulares pelo estudo de esfregaços cérvico-vaginais data de 1927. Nesse 
período, um médico romeno de nome Aurel Babeş usou um anel de platina 
para coletar células do colo do útero de uma mulher para detectar a presença 
de câncer. No entanto, a história ficou do lado do Papanicolaou, como o des-
CITOPATOLOGIA 16
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cobridor do teste de Papanicolaou, uma vez que os dois métodos eram consi-
derados substancialmente diferentes. Ainda assim, em homenagem a Babeş,
a Romênia se refere ao teste como Methode Babeş-Papanicolaou. George Pa-
panicolaou, entretanto, foi o pioneiro na elucidação da fi siologia e característi-
cas citológicas do sistema reprodutor feminino. 
Em 1954, o tratado científi co do Dr. Papanicolaou foi publicado. Era intitula-
do “Atlas of Exfoliative Cytology” e continha um compêndio de achados citoló-
gicos em saúde e doenças envolvendo múltiplos sistemas orgânicos do corpo 
humano. Isso lançou as bases da moderna especialidade de citopatologia.
No fi nal da Segunda Guerra Mundial, a citologia se instalou nos países da 
Europa e, posteriormente, nos demais países de outros continentes, com tra-
balhos demonstrando que o rastreamento e tratamento das lesões pré-cance-
rosas reduzem a taxa de câncer invasivo do colo uterino. Nos Estados Unidos, a 
mortalidade por câncer cervical diminuiu em mais de 60% desde os anos 1950.
O teste de Papanicolau revolucionou a detecção precoce do câncer cervical. 
O procedimento simples se tornou padrão-ouro no rastreamento dessa neopla-
sia. Como possui baixo custo, é de fácil realização e pode ser interpretado com 
precisão. É utilizado até hoje em diversos países do mundo como método de 
rastreamento do câncer cervical, além de ser efi caz para pesquisar a existência 
de lesões precursoras do câncer de colo uterino, contribuindo signifi cativamente 
para o controle desse câncer, por meio da detecção das suas lesões precursoras.
O surgimento e desenvolvimento do método 
Papanicolaou escreveu mais de 150 artigos científi cos e recebeu o Prêmio 
Borden da Associação de Faculdades Médicas Americanas (1940), o Prêmio 
Amory da Academia Americana de Artes e Ciências (1947), o Prêmio Albert Las-
ker de Pesquisa Médica Clínica de a American Public Health Association (1950) 
e a Medalha de Honra da American Cancer Society (1952). Ele foi eleito membro 
honorárioda Academia de Atenas. Em 1960, ele foi nomeado para o Prêmio 
Nobel de Fisiologia e Medicina e recebeu o Prêmio das Nações Unidas em 1962. 
Sua imagem foi apresentada na nota de 10.000 dracmas grega antes de sua 
substituição pelo euro e em vários selos gregos. Em 1978, o serviço postal dos 
Estados Unidos o homenageou com um selo comemorativo de 13 centavos.
CITOPATOLOGIA 17
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Foi predominantemente por meio dos esforços do Dr. Papanicolaou que a 
citologia se tornou aceita como base para o diagnóstico. A importância da ci-
tologia esfoliativa foi amplamente estabelecida como um teste relativamente 
rápido, fácil e preciso para câncer de alguns tipos.
DICA
A Papanicolaou Society of Cytopathology é uma organi-
zação que tem se dedicado, por meio de seus membros, 
a preencher a lacuna entre citopatologia e patologia 
cirúrgica, por meio de esforços educacionais nacionais e 
internacionais em citopatologia e histologia de pequenas 
biópsias, e ao desenvolvimento de diretrizes práticas 
baseadas em evidências práticas. 
A importância da citopatologia ginecológica como método 
de estudo 
Segundo a International Agency for Research on Cancer (IARC), o câncer do 
colo do útero é a segunda causa de câncer mais comum entre as mulheres em 
todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 
há uma estimativa de 16.590 novos casos para 2020. É o tumor ginecológico mais 
frequente em países em desenvolvimento. A frequência de câncer cervical após 
tratamento para displasia é inferior a 1% e a mortalidade é inferior a 0,5%.
O câncer cervical é uma doença evitável devido ao longo estágio pré-invasi-
vo. As alterações epiteliais cervicais iniciais podem ser identifi cadas pelo teste 
de triagem primário para a detecção das lesões pré-cancerosas. O rastreamen-
to consiste em aplicar o teste de todas as mulheres com risco de câncer cer-
vical, a maioria sem sintomas, e visa detectar alterações pré-cancerosas, que 
podem levar ao câncer quando não tratadas. O rastreamento é efi caz apenas 
se houver um sistema bem organizado de acompanhamento e tratamento.
Na década de 1980, estudos mostraram que praticamente todos os casos 
de câncer cervical foram causados pelo papilomavírus humano (HPV). Existem 
mais de 200 tipos de HPV, sendo que 40 podem ser transmitidos sexualmente, 
enquanto 15 são considerados HPV de alto risco ou causadores de câncer. Exis-
tem dois subtipos de HPV, o 16 e o 18, que causam cerca de 70% dos cânceres 
cervicais em todo o mundo. 
CITOPATOLOGIA 18
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A infecção cervical por HPV de alto risco é necessária para o desenvolvimen-
to de câncer cervical. No entanto, a infecção por HPV por si não é suficiente 
para a progressão da neoplasia. A maioria das infecções por HPV de alto risco 
são transitórias e não progridem para neoplasia intraepitelial cervical (NIC). 
Uma pequena parte das mulheres infectadas com HPV de alto risco desenvol-
verá câncer cervical.
PAPILOMAVÍRUS HUMANO HPV
PROTEÍNA
CAPSÍDEO
VÍRUS DNA
Figura 2. HPV. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/02/2021. 
Atualmente, existem dois tipos de testes diagnósticos para rastreamento 
de câncer cervical: o teste de papanicolau e o teste de HPV. O primeiro detec-
ta precocemente as lesões pré-cancerosas e cancerosas, enquanto o segundo 
detecta infecções por tipos de HPV que podem levar ao câncer. A maioria das 
infecções por HPV são autocuráveis e não causam alterações nas células pré-
-cancerosas; apenas a infecção crônica por tipos específicos de HPV podem 
levar a doenças cervicais e anormalidades celulares. Se essas anormalidades 
(pré-cancerosas ou lesões de alto grau) não forem tratadas, eles podem evoluir 
para câncer cervical após muitos anos.
No Brasil, o controle do câncer do colo do útero teve seu ponto de partida 
com a citologia e a colposcopia, a partir da década de 1940. Após a criação do 
SUS pela Constituição de 1988, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) passou a 
ser o órgão responsável pela formulação da política nacional de prevenção e 
controle do câncer.
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As taxas de prevalência do câncer de colo do útero continuam elevadas no 
Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento. Apesar dos pro-
gramas de rastreamento, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de tumor 
mais frequente no Brasil. 
O rastreamento do câncer do colo do útero consiste em examinar pessoas 
aparentemente saudáveis que podem estar sob risco do desenvolvimento do 
câncer. Esse rastreamento é realizado por meio do exame citopatológico, que 
é capaz de detectar lesões citológicas possivelmente invasivas e que podem 
progredir para o câncer. 
O exame é oferecido às mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos e que 
já tiveram atividade sexual. Além disso, de acordo com o Instituto Nacional 
do Câncer, priorizar tal faixa etária ocorre por se tratar do público com maior 
ocorrência das lesões de alto grau, passíveis de serem tratadas para que não 
evoluam para o câncer. Antes dos 25 anos, prevalecem as infecções por HPV e 
as lesões de baixo grau, que em geral regridem espontaneamente e, portanto, 
podem ser apenas acompanhadas conforme recomendações clínicas. Após 65 
anos, o risco de desenvolvimento do câncer é reduzido, dada sua lenta evolu-
ção, se a mulher tiver sido submetida a exames regulares. 
Recomenda-se a repetição do exame citopatológico a cada três anos, após 
dois exames normais consecutivos realizados com intervalo de um ano. A repe-
tição em um ano após o primeiro teste tem como objetivo reduzir a possibilida-
de de um resultado falso negativo na primeira rodada de rastreamento. Esses 
critérios foram estabelecidos em virtude da lenta evolução da doença.
Sistema de Bethesda para a citologia cérvico-vaginal
Desde a primeira classifi cação por Papanicolaou, em 1943, a nomenclatura 
mudou várias vezes. Papanicolaou desenvolveu um sistema de classifi cação dos 
esfregaços citopatológicos cervicais baseado em cinco categorias. A classe I re-
presentava os esfregaços sem evidências de neoplasia, e as classes seguintes 
representavam níveis crescentes de suspeita de malignidade. Essa nomencla-
tura foi substituída em 1954 por J. Reagan, que utilizou os termos displasia e 
carcinoma in situ. Richard posteriormente propôs uma nova classifi cação, com a 
denominação de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) para descrever as lesões 
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precursoras do câncer escamoso do colo uterino (NIC I, II e III). Atualmente houve 
o acordo de incorporar o sistema de classifi cação de Bethesda. 
A história desse sistema para relatórios cervicais remonta a mais de três dé-
cadas. A terminologia e o processo que o criou teve um impacto profundo sobre 
a prática da citologia cervical para laboratoristas e clínicos. A história do sistema 
Bethesda iniciou em dezembro de 1988, época em que um grupo de especialistas 
participou de um evento patrocinado pelo National Cancer Institute, em Bethes-
da, Maryland, com o objetivo de desenvolver um sistema para relatar os exames 
de papanicolau que comunicasse a interpretação da citologia ao clínico de forma 
clara e relevante, fosse uniforme e razoável, reprodutível entre citopatologistas 
e laboratórios, além de ser fl exível o sufi ciente para ser adaptada em uma ampla 
variedade de confi gurações de laboratório e localizações geográfi cas, fornecen-
do limites claros para o gerenciamento e a diminuição da variabilidade. 
O resultado dessa primeira reunião foi o Sistema Bethesda (1988), modifi cado 
nos anos de 1991, 2001 e 2014. Essas modifi cações foram realizadas tendo como 
base evidências científi cas e avanços no conhecimento da biologia do câncer do 
colo uterino, refl etindo o conhecimento mais atualizado da neoplasiacervical.
O sistema Bethesda 2014 é a versão mais atualizada. Essa atualização do sis-
tema ocorreu em virtude de várias mudanças na última década, desde o domínio 
do rastreamento até a prevenção e tratamento do câncer cervical. Isso inclui o au-
mento do uso de preparações em citologia líquida, a adição de coteste (Pap e teste 
de HPV de alto risco) e, mais recentemente, teste de alto risco do HPV 
primário como adicional para opções de rastreamento, mais informa-
ções sobre a biologia do HPV, mudanças na terminologia histopa-
tológica, aprovação e implementação de vacinas profi láticas contra 
HPV e diretrizes atualizadas para rastreamento de câncer cervical.
Técnica de coleta cervical, coloração e montagem da 
lâmina 
De acordo com o caderno Técnico em Citopatologia n. 2, publicado em 2012 
pelo Ministério da Saúde, as amostras citopatológicas são divididas em dois 
grandes grupos, dependendo da técnica empregada na coleta das amostras, 
conforme demonstrado no Quadro 1.
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QUADRO 1. GRUPOS CITOPATOLÓGICOS DIVIDIDOS A PARTIR DE TÉCNICAS 
EMPREGADAS NAS COLETAS
Punção Punção aspirativa com agulha fina (PAAF) ou por capilaridade. 
Raspagem
Raspagem de uma lesão ou de células que descamam naturalmente, ou seja, 
compreendem os imprints, raspados, escovados, lavados e também as análises 
de escarro, urina, secreção mamilar e líquidos cavitários.
Fonte: Ministério da Saúde, 2012, p. 11. (Adaptado).
A forma da coleta para a citopatologia cervical é a abrasiva, em que as cé-
lulas são desalojadas das superfícies corporais. Nessa técnica as células são 
esfoliadas espontaneamente ou desalojadas mecanicamente (microbiopsia de 
superfície) para a detecção e diagnóstico de várias infecções, atividades hor-
monais anormais e lesões pré-cancerosas ou cancerosas.
Embora o exame citopatológico seja o método mais difundido mundial-
mente para o rastreamento do câncer cervical e de suas lesões precursoras, 
ele está sujeito a erros de coleta da amostra, de preparo da lâmina e, ainda, 
precisamos levar em consideração o fator subjetividade na interpretação dos 
resultados, que podem comprometer a sua sensibilidade e especificidade. 
Variações nas técnicas têm o objetivo de melhorar a acurácia do exame. 
Dentre elas, podemos mencionar a citologia em meio líquido, também chama-
da citologia líquida. 
O Quadro 2 apresenta uma série de interferentes no exame citopatológico.
QUADRO 2. INTERFERENTES NO EXAME CITOPATOLÓGICO
Menstruação ou sangramento;
Inflamação vaginal e infecção por agentes microbianos;
Atrofia genital grave (menopausa);
Gravidez e lactação;
Exame digital precedente;
Creme ou fluido desinfetante, gel lubrificante;
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Medicação vaginal (menos de 48 horas antes da coleta da amostra);
Ducha vaginal (menos de 24 horas antes da coleta da amostra);
Colposcopia precedente com ácido acético (menos de 24 horas antes da coleta da amostra);
Cirurgia cervical (menos de três meses antes da coleta da amostra);
Radioterapia.
Além disso, nas 48 horas que antecedem o exame, a paciente deve ser ins-
truída a não ter relações sexuais, não utilizar duchas vaginais (lavagens) e a não 
utilizar medicamentos intravaginais (óvulos ou cremes vaginais). Por 
fi m, o profi ssional que realiza a coleta não deve usar lubrifi cantes no 
espéculo, não fazer exame de toque antes da coleta, deve visuali-
zar o colo do útero e coletar adequadamente da JEC e fi xar imedia-
tamente a amostra após a coleta para sua adequada preservação.
A coleta cérvico-vaginal
Existe grande variação nas técnicas de coleta, fi xação e preparação das 
amostras citopatológicas. Além disso, duas técnicas citológicas estão disponí-
veis: citologia convencional e citologia em meio líquido. 
De acordo com Stabile e outros colaboradores, em “Estudo comparativo 
dos resultados obtidos pela citologia oncótica cérvico-vaginal convencional e 
pela citologia em meio líquido”, publicado em 2012, a citologia em meio líquido:
[...] foi desenvolvida na tentativa de diminuir falhas da citologia 
convencional por meio da obtenção de uma lâmina com fundo 
mais limpo, sem superposições de células e obscurecimento de 
outros elementos, que podem prejudicar a análise e limitar a in-
terpretação da amostra. A técnica possui um sistema de filtros, 
que retêm células epiteliais, fornecendo uma lâmina com células 
em monocamada ou em camada fina (p. 467).
A citologia em meio líquido possui um custo mais elevado em comparação 
com a citologia convencional, bem como se faz necessário treinamento de pes-
soal para leitura de um aspecto morfológico celular diferente da citologia con-
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vencional, o que pode gerar maior número de esfregaços com atipias, já que 
células atróficas e de metaplasia imatura podem ser confundidas com células 
atípicas se mal interpretadas com essa técnica.
Por terem variações metodológicas, a coleta da amostra pode ter algumas dife-
renças. Assim, os espécimes de citologia cervical podem chegar ao laboratório já fi-
xados quando a amostra é obtida por espátula ou escova endocervical e distendidos 
sobre a lâmina (citologia convencional). Além disso, as amostras podem ser enviadas 
em meio de transporte para citologia em base líquida. Nesse último caso, o labora-
tório deve padronizar a metodologia de montagem da lâmina e fixação do material.
Na citologia convencional, a amostra é coletada com a espátula de Ayre e a 
escova cervical, sendo posteriormente espalhada na lâmina de vidro. A amos-
tra deve ser fixada imediatamente para a preservação dos detalhes celulares.
Duas técnicas de coleta são utilizadas para a citologia ginecológica: a es-
foliativa e a abrasiva. Um exemplo de citologia esfoliativa é o esfregaço da 
parede vaginal, que se baseia na obtenção das células descamadas esponta-
neamente das superfícies do colo e da vagina e se acumulam no fundo de saco 
vaginal posterior. Por outro lado, a citologia abrasiva consiste na remoção das 
células das superfícies da cérvice, da endocérvice e da vagina com o auxílio de 
um instrumento. Exemplos de citologia abrasiva são os esfregaços cervicais 
obtidos com o auxílio da espátula de Ayre e a escova endocervical.
Para que o material cervical seja adequadamente coletado, a extremidade 
mais longa da espátula de Ayre deve ser introduzida no canal endocervical, en-
quanto que sua parte côncava entra em contato com a ectocérvice. Com o au-
xílio de pequena pressão, o instrumento deve ser girado sobre seu eixo maior, 
de forma a realizar uma rotação completa, permitindo, assim, a amostragem 
de toda a superfície epitelial.
A escova endocervical possibilita a coleta das células colunares que reves-
tem o canal cervical. A utilização dessa escova aumenta a eficácia da detecção 
das lesões situadas nesse canal. Após inseri-la no canal endocervical, é preciso 
rodar completamente o instrumento. 
Assim, a coleta cervical é composta de material da ectocérvice obtido com 
o auxílio da espátula de Ayre e da endocérvice é obtido com o auxílio da escova 
cervical. A citologia abrasiva é superior ao esfregaço vaginal no que diz respeito 
à detecção de lesões pré-cancerosas e cancerosas da cérvice uterina.
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A área do colo onde o epitélio do tipo endocervical (colunar) encontra o epi-
télio estratifi cado escamoso é conhecida como junção escamocolunar ( JEC), 
também chamada de zona de transformação. Essa zona é particularmente im-
portante no estudo dos eventos neoplásicos do colo uterino.
Zona de transformação 
com detecção de 
células anormais
Cérvix
Vagina
Útero
Vagina
Ovário
Trompa de falópio
Figura 3. Imagem do sistema reprodutor feminino e da zona de transformação (ou junção escamocolunar - JEC). Fonte: 
Shutterstock.Acesso em: 02/02/2021. 
Antes da coleta, é necessário ter todo o material disposto. Para a coleta, a 
paciente deve estar em posição ginecológica, permitindo a colocação do espé-
culo (sem lubrifi cantes) para visualização de todo o colo do útero.
Para a coleta da amostra de citologia convencional, utiliza-se uma espátula 
de Ayre e uma escova endocervical. Há, também, escovas especiais fabricadas 
para realização de citologia em meio líquido ou para realização de exames es-
peciais, como captura híbrida para HPV ou clamídia.
• Utilizar a espátula de Ayre para coletar no fundo do saco posterior da va-
gina e ectocérvice e a escova cervical para realizar coletas na endocérvice em 
pacientes com história de histerectomia parcial;
• Coletar a secreção vaginal e ectocervical em paciente grávida;
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• Coletar com espátula de Ayre e escova cervical a amostra do fundo de saco 
posterior da vagina, ectocérvice e endocérvice de paciente não virgem;
• Retirar o excesso de secreção com gaze antes de coletar a amostra da 
ectocérvice.
Ainda, é importante ter em mente as informações contidas no Quadro 3.
QUADRO 3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
A porção fibromuscular inferior do útero mede de três a quatro centímetros de comprimento 
e 2,5 centímetros de diâmetro. Esses valores podem variar de acordo com a idade, paridade e 
estado menstrual de cada paciente; 
A ectocérvix é a porção mais facilmente visível do colo uterino. Ela é recoberta por um epitélio 
escamoso estratificado róseo que possui camadas de células. Além disso, um epitélio colunar 
avermelhado com uma única camada de células reveste o endocérvix. As camadas de células 
intermediárias e superficiais do epitélio escamoso contêm glicogênio;
A endocérvix é invisível e está próxima ao orifício cervical externo;
A localização da junção escamocolunar varia em relação ao orifício cervical externo de 
acordo com a idade, estado menstrual e outros fatores como gravidez e uso de métodos 
anticoncepcionais orais;
O ectrópio corresponde à eversão do epitélio colunar sobre a ectocérvice, quando o colo 
uterino cresce rapidamente e este aumenta devido à influência do estrógeno, depois da 
menarca e durante a gravidez;
A metaplasia escamosa do colo uterino indica a substituição fisiológica do epitélio colunar 
evertido na ectocérvice por um epitélio escamoso recém-formado de células subcolunares de 
reserva;
A região do colo uterino na qual a metaplasia escamosa ocorre é denominada de zona de 
transformação;
A identificação da zona de transformação é de grande importância na colposcopia, visto que 
quase todas as manifestações da carcinogênese cervical ocorrem nessa zona.
Fonte: SANKARANARAYANAN, 2003, [n.p.]. (Adaptado). 
A parte maior da espátula de Ayre deve ser colocada no orifício cervical 
e deve ser feito um movimento de rotação em 360° para coletar células de 
toda a circunferência da JEC. O objetivo é destacar células da JEC, isto é, a 
área em que o epitélio escamoso e a glandular se encontram, pois este é 
o local onde a maioria das alterações celulares neoplásicas e pré-neoplá-
sicas se localizam.
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Em seguida, o material citológico coletado deve ser espalhado sobre a lâmi-
na de vidro em movimentos suaves. Por fi m, a escova endocervical deve ser in-
troduzida no canal cervical, devendo ser girada no mesmo sentido. O objetivo 
é destacar células do canal endocervical.
Montagem da lâmina e fixação do material
Antes do profissional preparar o esfregaço, ele deve se assegurar da 
disponibilidade de lâminas de vidro limpas, de boa qualidade e com ponta 
fosca para a identificação da amostra. O procedimento para a distensão 
do material na lâmina deve ser padronizado e feito da forma mais rápida 
possível para evitar o dessecamento do material. Além disso, os seguintes 
passos devem ser seguidos:
• Identificar a lâmina na parte fosca com as iniciais da paciente utilizan-
do um lápis;
• Espalhar as amostras sobre a lâmina, utilizando a espátula de Ayre e a 
escova cervical, por meio de movimentos suaves;
• Distender o material coletado com a espátula de Ayre sobre a lâmina, 
utilizando um único movimento e evitando a superposição do material. O 
espalhamento deve ser rápido para evitar dessecamento;
• Espalhar sobre a lâmina a coleta endocervical com movimentos circu-
lares de rolamento, de forma que toda a superfície esteja em contato com 
a lâmina.
Figura 4. Confecção da lâmina com a espátula de Ayre e fi xação do esfregaço (citologia convencional). Fonte: FRAPPART 
et al, 2004, [n.p.]. 
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Entre as causas frequentes que impedem a coleta de uma amostra ade-
quada em citologia convencional encontra-se a não identificação do colo do 
útero, a transferência incompleta da amostra coletada para a lâmina, não co-
letar amostra da zona de transformação, o excesso de pressão ao estender a 
amostra (com sua consequente destruição), a secagem da amostra antes da 
fixação e o uso insuficiente ou inadequado do fixador.
ASSISTA
Assista ao vídeo produzido pelo INCA (Instituto Nacional 
do Câncer) sobre a coleta do exame citopatológico para 
entender melhor todo o processo desde o preparo da 
paciente, até a coleta da amostra e preparo da lâmina. 
A fixação dos esfregaços deve ser imediatamente após o seu preparo, para 
preservar as células contidas. É uma etapa fundamental do exame citopatológico. 
A fixação preserva as características morfológicas das células. A má fixação pode 
tornar a amostra insatisfatória para análise, pois o dessecamento pelo ar pode 
produzir modificações significativas nas propriedades morfológicas das células.
Os fixadores recomendados para citologia convencional não podem ser tó-
xicos e não podem evaporar a temperatura ambiente. Além disso, o fixador 
deve penetrar rapidamente na célula, de modo que seja mantida a morfologia 
celular detalhada. Deve, ainda, permitir a permeabilidade dos corantes em 
todos os compartimentos das células e fornecer o resultado esperado para o 
método de coloração utilizado, ser bactericida e permanente. 
O álcool (etanol 95%) é um fixador ideal, pois desnatura proteínas e ácidos 
nucleicos, tornando-os insolúveis e estáveis. O período de fixação deve durar 
em torno de 15 minutos. Os fixadores em forma de aerossol contêm iso-
propanol a 80% e polietileno glicol (carbowax), substância cuja função 
é proteger as células de dessecamento. 
Além disso, o uso de fixadores no formato de aeros-
sol deve obedecer a algumas regras, tais como locali-
zação do orifício de saída do fixador a 30 centíme-
tros da superfície da lâmina e sua remoção deve 
ocorrer antes da etapa de coloração da amostra, 
mediante lavagem com álcool.
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Coloração das amostras
A coloração de papanicolau é con-
siderada como padrão internacional e 
utilizada universalmente em citologia 
cérvico-vaginal, podendo também ser 
utilizada em outros materiais citológi-
cos de outros sítios biológicos, como 
amostras de PAAF, secreções, aspira-
dos de líquidos cavitários, urina etc. É 
uma coloração policrômica que permi-
te a diferenciação das células em eosi-
nófi las e cianófi las devido ao processo 
de oxirredução que ocorre na superfí-
cie da célula. Assim, o processo de coloração da amostra facilita o reconheci-
mento dos componentes celulares.
Desde a sua publicação, em 1942, muitas modifi cações foram propostas e 
diferem basicamente quanto à intensidade da coloração nuclear e citoplasmá-
tica. Tem como objetivos preservar as características citomorfológicas e reter 
certos elementos citoquímicos essenciais para a coloração, evidenciar certas 
estruturas celulares e diferenciar certos aspectos morfológicos, benignos, pré--malignos e malignos.
Para serem coradas por essa técnica, as amostras citológicas cérvico-va-
ginais devem ser previamente fi xadas em álcool etílico 70-90%, isopropílico a 
70-90% ou polietilenoglicol, porém, este deve ser eliminado do esfregaço antes 
da coloração por meio de imersão em álcool etílico. Amostras não fi xadas não 
são adequadas para a análise por essa técnica.
A coloração tem como objetivo a defi nição de detalhes estruturais do núcleo 
e da transparência celular. O método da coloração consiste nas seguintes fases: 
hidratação, coloração nuclear, desidratação e coloração citoplasmática. 
Nessa técnica, o material fi xado em lâmina é submetido à ação de um co-
rante nuclear (hematoxilina de Harris) posteriormente à ação de álcoois, co-
rantes citoplasmáticos (Orange G e EA36) e, fi nalmente, a ação desidratante do 
álcool e xilol.
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QUADRO 4. CUIDADOS COM A COLORAÇÃO DE PAPANICOLAU
Reagentes
Solução de hematoxilina de Harris (Hematoxilina de Harris, alúmen 
potássico e óxido de mercúrio): corante nuclear; por oxidação, o óxido de 
mercúrio se transforma em hemateína. A hematoxilina cora o núcleo em 
azul após mordaçagem pelo alúmen de potássio;
Orange G (corante citoplasmático);
Solução EA (verde-luz, eosina amarela e marrom Bismark);
Corante citoplasmático (os mais empregados são o EA36 e o EA50).
Armazenamento e 
precauções
Manter em temperatura ambiente, em local fresco, seco e isento da luz 
solar;
É comum, com o tempo, os corantes formarem precipitados, neste caso, 
recomenda-se a filtração sempre que tal situação for percebida;
Evitar deixar os frascos abertos desnecessariamente, pois os solventes 
podem evaporar e, consequentemente, pode haver alteração na 
concentração dos componentes. Tampar as cubas com as soluções 
corantes enquanto a bateria não estiver sendo utilizada;
Baixas temperaturas podem causar precipitação.
Materiais 
necessários para 
coloração
Lâminas com ponta fosca;
Espátula;
Lamínulas;
Fixador citológico;
Cubas para armazenamento dos corantes;
Etanol absoluto a 92,5%;
Xilol;
Água destilada;
Corantes (hematoxilina de Harris, Orange G e EA36);
Bálsamo do Canadá sintético.
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Em relação ao procedimento técnico da coloração de papanicolau modifica-
da, temos as seguintes substâncias, aplicadas nas seguintes ordens e com suas 
respectivas quantidades e tempos de ação: 
1. Água destilada: dez imersões;
2. Água destilada: dez imersões;
3. Hematoxilina de Harris: três minutos;
4. Água destilada: dez imersões;
5. Água destilada: dez imersões;
6. Álcool etílico a 95%: dez imersões;
7. Álcool etílico a 95%: dez imersões;
8. Orange G: dois minutos;
9. Álcool etílico a 95%: dez imersões;
10. Álcool etílico a 95%: dez imersões;
11: EA36: três minutos;
12: Álcool etílico a 95%: dez imersões;
13. Álcool etílico a 95%: dez imersões;
14. Álcool absoluto: dez imersões;
15. Álcool absoluto: dez imersões;
16. Xilol: um minuto;
17. Xilol: um minuto.
É importante montar as lâminas com bálsamo do Canadá ou resina sintéti-
ca para fixar a lamínula, procurando evitar a formação de bolhas de ar entre a 
lâmina e a lamínula.
Por fim, é fundamental ter em mente as precauções e cuidados especiais a seguir:
• Esfregaços muito espessos dificultam a coloração;
• A má fixação do material pode gerar problemas frequentes;
• É necessário deixar esfregaços de polietilenoglicol imersos em álcool 95% 
por alguns minutos antes de iniciar o processo de coloração;
• Não utilizar corantes contaminados ou com precipitados;
• Quaisquer sinais de hidratação do álcool etílico absoluto ou xilol implicam 
em substituição desses componentes;
• Conforme rotina diária, estabelecer cronograma de troca 
dos corantes, normalmente quando as colorações começam a 
ficar mais fracas;
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Figura 5. Amostra citopatológica cérvico-vaginal mostrando células escamosas em diferentes graus de maturação. Fonte: 
Shutterstock. Acesso em: 02/02/2021. 
• O tempo de imersão dos corantes deve ser observado com atenção. 
O citopatologista pode dar uma interpretação precisa somente se a amos-
tra celular for adequada e bem preservada.
Controle de qualidade em citopatologia cérvico-vaginal 
Apesar do exame citopatológico ser uma ferramenta importante para a de-
tecção das lesões precursoras do câncer do colo uterino e contribuir signifi cati-
vamente para a redução da mortalidade, o método apresenta falhas, com taxa 
de resultados falso negativos que podem variar de 2% a 50%. Esses resultados 
ocorrem principalmente devido a erros na coleta, no escrutínio da amostra e 
na interpretação dos achados citológicos. 
A qualidade dos exames citopatológicos se baseia em um conjunto de medi-
das que visam detectar, corrigir e reduzir defi ciências do processo de produção 
do exame dentro do laboratório. O controle de qualidade minimiza a ocorrên-
cia de erros diagnósticos, servindo também como orientação para a melhoria 
da coleta do material e como ferramenta educacional.
Os erros de coleta que podem prejudicar a análise representam de 20% a 
39% dos resultados falsos negativos. Esses erros ocorrem especialmente devi-
do a não representatividade JEC, à escassez de células neoplásicas que difi cul-
tam o diagnóstico, à sobreposição celular ou hipocelularidade, fundo necrótico 
ou infl amatório.
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O erro de escrutínio ocorre quando as células neoplásicas estão repre-
sentadas no esfregaço, mas não são reconhecidas ou identifi cadas. O erro de 
interpretação também é responsável por resultados falso negativos e ocorre 
quando as células neoplásicas são reconhecidas e interpretadas como benig-
nas ou são subavaliadas e classifi cadas erroneamente. Esse erro é atribuído à 
experiência insufi ciente, bem como as informações clínicas inadequadas. 
Para evitar esses erros e melhorar a qualidade do exame citopatológico, é ne-
cessário implementar, na rotina dos laboratórios, medidas para minimizar esses 
fatores, como a inclusão de programas de controle interno e externo da qualidade. 
A defi nição de critérios de qualidade em citopatologia visam melhorar o desempe-
nho diagnóstico do exame citopatológico na detecção de anormalidades celulares.
DICA
O Manual da gestão da qualidade para laboratórios de 
Citopatologia, do Instituto Nacional de Câncer José Alencar 
Gomes da Silva (INCA), foi produzido em adequação à 
Portaria n. 3.388, de 30 de dezembro de 2013. Esse manual 
tem como objetivo contribuir para melhorar a qualidade 
e a confi abilidade dos exames citopatológicos. Atende, 
também, à Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 302, 
de 2005, que dispõe sobre o regulamento técnico para 
funcionamento de laboratórios.
Adequabilidade da amostra
O esfregaço adequado deve ser representativo de todos os epitélios do colo 
e da vagina, bem como precisa conter um número sufi ciente de células que 
permita o reconhecimento de qualquer alteração. 
Na prática, é muito difícil determinar o número de células de um esfregaço 
citológico. Portanto, essa análise acaba sendo realizada por bom senso. Con-
sidera-se um esfregaço ideal em mulheres em idade reprodutiva contendo 
50.000 a 300.000 células epiteliais, embora o sistema de Bethesda recomende 
a celularidade mínima de 5.000 células para que um esfregaço seja satisfatório. 
Esfregaços de mulheres pré-púberes e menopausadas podem contar com me-
nor número de células. Amostras obtidas por citologia líquida podem ter uma 
menor celularidade devido à sensibilidade do método.
CITOPATOLOGIA 33
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Os esfregaços obtidos por raspagens ou escovagens muito vigorosas podem 
se apresentar obscurecidos por sangue, o que torna a amostra insatisfatóriapara análise. Outros fatores obscurecedores podem ser os leucócitos em casos 
de processos infl amatórios, agentes externos como talcos e cremes vaginais. 
Figura 6. Amostras insatisfatórias devido à baixa celularidade. Fonte: FRAPPART et al, 2004, [n.p]. 
É muito importante destacar que o conceito de esfregaço adequado pode 
ser aplicado somente em esfregaços negativos, ou seja, qualquer identifi ca-
ção de células anormais torna o esfregaço adequado para análise, mesmo nas 
amostras obscurecidas ou com baixa celularidade.
A presença de componentes da JEC nos esfregaços cervicais é um dos com-
ponentes fundamentais do exame citopatológico cérvico-vaginal. Essas células 
são consideradas evidências de um esfregaço adequado. O laudo citopatoló-
gico deve mencionar a existência ou ausência das células representativas da 
zona de transformação. A sua ausência no esfregaço citológico não torna a 
amostra insatisfatória.
No caso de mulheres menopausadas, a presença dos componentes da JEC 
pode não ser verifi cada.
Fatores obscurecedores
As amostras nas quais mais de 75% das células escamosas são obscure-
cidas devem ser insatisfatórias para análise. Quando 50-75% das células são 
obscurecidas, deve ser incluída uma informação no laudo que as células estão 
parcialmente obscurecidas.
CITOPATOLOGIA 34
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A preservação e a avaliação nuclear são de grande importância e, portanto, 
alterações como a citólise (degeneração celular) e o obscurecimento citoplas-
mático podem não interferir com a análise da amostra. 
Figura 7. Esquerda: esfregaço insatisfatório pobre em células, contendo sangue e raras células escamosas. (obj. 10x). 
Direita: esfregaço insatisfatório devido à infl amação e hemorragia. (obj. 5x). Fonte: FRAPPART et al, 2004, [n.p.].
A citólise abundante pode ser mencionada no laudo como um indicador de 
qualidade, mas não deve ser um fator de rejeição da amostra, exceto nos casos 
em que praticamente todos os núcleos estão sem o citoplasma.
Princípios de escrutínio da lâmina
As lâminas adequadamente fi xadas e coradas estão prontas para serem 
analisadas por meio do exame microscópico. Toda a lâmina citológica deve ser 
escrutinada, pois a presença de algumas células alteradas no esfregaço é sufi -
ciente para o diagnóstico de alterações citológicas.
Para que ocorra a padronização da leitura, todas as lâminas devem ser po-
sicionadas da mesma forma no microscópio, com a identifi cação para a direita 
ou para a esquerda, dependendo da preferência do observador. O posiciona-
mento adequado e padronizado da lâmina no microscópio torna mais fácil a 
identifi cação e marcação das alterações signifi cativas que merecem atenção.
Inicialmente, o rastreamento da lâmina de citologia é realizado com a obje-
tiva de 10x e uma ocular de 10x, permitindo uma análise mais ampla do esfre-
gaço. A análise pode ser horizontal ou vertical. O observador deve estar atento 
às superposições celulares e aos critérios citológicos. 
CITOPATOLOGIA 35
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Durante a observação sistemática, quaisquer anomalias devem ser exami-
nadas com a objetiva de maior aumento (40x e a ocular de 10x). A observação 
de células anormais ou não habituais deve ser identificada na lâmina e marca-
das com tinta/caneta. Essa marcação facilita a revisão das lâminas e auxilia na 
tomada de decisão diagnóstica.
A qualidade dos esfregaços é um fator que deve ser mencionado no laudo 
citológico, que deve obedecer aos critérios de Bethesda. O resultado da análise 
deve mencionar ainda, os fatores que tornaram a amostra insatisfatória ou 
que limitaram a análise, além da descrição da presença ou ausência dos com-
ponentes da JEC.
CITOPATOLOGIA 36
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Sintetizando
O exame citopatológico cérvico-vaginal, também chamado de teste de pa-
panicolau, é um procedimento de rastreamento para o câncer cervical. Ele 
identifica a presença de células pré-cancerosas ou cancerosas no colo do útero 
antes das lesões se tornarem invasivas. Seu nome é em homenagem ao desco-
bridor da técnica, Dr. George Papanicolaou. 
Durante o procedimento da coleta, as células do colo do útero (ectocervicais 
e endocervicais) são removidas com o auxílio de espátula de Ayre e da escova 
endocervical, dispostas sobre uma lâmina e imediatamente fixadas. Em segui-
da, as amostras podem ser coradas com a coloração de papanicolau (que evi-
dencia as características morfológicas celulares) para, posteriormente, serem 
examinadas sob microscopia óptica. Essa análise permite a visualização das 
características celulares e a identificação de alterações morfológicas em decor-
rência de processos pré-neoplásicos, reacionais ou inflamatórios. 
Para que a análise seja bem executada, é importante seguir alguns critérios 
de controle de qualidade padronizados, desde a coleta até a liberação do lau-
do. A amostra deve ser representativa da JEC, contendo as células da zona de 
transformação, ter uma celularidade mínima e ainda não estar obscurecida por 
leucócitos, hemácias ou outros componentes que podem prejudicar a análise. 
O conhecimento dos fundamentos das técnicas citológicas e das limitações 
da análise são fundamentais para um resultado fidedigno ao paciente.
CITOPATOLOGIA 37
SER_BIOMED_CITOPA_UNID1.indd 37 30/04/2021 14:47:22
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VIRTEJ, P.; VASILIU, C. Cytodiagnosis in cervical neoplasia: from the Babes/Pa-
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CITOPATOLOGIA 39
SER_BIOMED_CITOPA_UNID1.indd 39 30/04/2021 14:47:23
ELEMENTOS 
EPITELIAIS, NÃO 
EPITELIAIS E 
MICRORGANISMOS 
EM CITOLOGIA 
CERVICOVAGINAL
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conhecer os elementos epiteliais encontrados no esfregaço citopatológico 
em condições de normalidade;
 Identificar os elementos não epiteliais e artefatos na citologia cervicovaginal;
 Identificar os microrganismos mais comumente observados em citologia 
cervicovaginal.
 Reconhecimento das células 
epiteliais encontradas em
condições de normalidade
 Células escamosas superficiais, 
intermediárias, profundas
e glandulares 
 Células epiteliais glandulares
 Metaplasia escamosa
 Elementos não epiteliais
encontrados no esfregaço
citológico
 Leucócitos e hemácias
 Muco
 Substâncias interferentes na 
amostra
 Identificação morfológica de 
microrganismos observados em 
citologia cervical
CITOPATOLOGIA 41
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Reconhecimento das células epiteliais encontradas 
em condições de normalidade
O colo do útero varia de tamanho e forma a depender da idade da mulher, 
número de fi lhos e estado hormonal – e algumas dessas variações podem 
ser visualizadas no esfregaço citopatológico. Ele é recoberto por epitélio 
escamoso estratifi cado não queratinizado, que contém glicogênio; e epi-
télio escamoso colunar, que reveste o canal endocervical e é responsável 
pela secreção de muco. Esses dois tipos de epitélios encontram-se na junção 
escamocolunar ( JEC).
Para uma melhor compreensão dos epitélios de revestimento do colo ute-
rino, é importante familiarizar-se com suas estruturas histológicas. 
O epitélio escamoso estratifi cado não queratinizado reveste uma grande 
área da ectocérvice. Esse epitélio é opaco, tem múltiplas camadas de células 
(estratifi cado) – em média, de 15 a 20 – e coloração rosa pálida. A arquitetura 
histológica desse tecido revela, ao fundo, uma única camada de células basais 
arredondadas com grandes núcleos (alta relação nucleocitoplasmática – N/C), 
de coloração escura e citoplasma escasso, unida à membrana basal – um dos 
elementos da matriz extracelular (MEC) que separa o tecido epitelial da cama-
da subjacente de tecido conjuntivo. 
O epitélio escamoso, assim como outros epitélios de revestimento, não é 
vascularizado, e seu suprimento nutricional de oxigênio advém por difusão a 
partir do tecido conjuntivo. Caracteriza-se por apresentar células justapos-
tas (células aderidas umas às outras por meio de junções celulares), o que 
lhe confere a função de revestimento e proteção. A escassez de matriz ex-
tracelular entre as células, outra característica desse tipo de epitélio, ocorre 
devido à forte junção entre as células epiteliais, permanecendo a 
MEC concentrada na lâmina basal.
A primeira camada celular em contato com a mem-
brana basal é formada por células que aderem forte-
mente a ela. É chamada camada de células basais. 
Difi cilmente, essas células descamam esponta-
neamente, e são encontradas no esfregaço citoló-
gico em raras ocasiões.
CITOPATOLOGIA 42
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Figura 1. (A) Estrutura da ectocérvice: CT = tecido conjuntivo; BM = membrana basal; L1 = células basais (1 cama-
da); L2 = células parabasais (2 camadas); L3 = células intermediárias (cerca de 8 camadas); L4 = células superficiais 
(5 ou 6 camadas); e L5 = células esfoliantes da camada mais superficial. (B) Detalhes das camadas basal, parabasal 
e intermediária: tecido conjuntivo, células basais (uma camada), células parabasais (duas camadas), células 
intermediárias (algumas camadas), com pontes intercelulares. A relação N/C das células basais e parabasais é alta. 
Fonte: FRAPPART et al., 2004h; 2004i.
A endocérvice é o tecido que envolve o canal endocervical (conecta a ca-
vidade uterina ao lúmen da vagina) e é constituída por uma única camada de 
células do tipo colunar – também chamada epitélio glandular. 
Essas células são altas, com núcleos situados basalmente, adjacentes à 
membrana basal. Elas secretam muco, que dá lubrificação à vagina – e, durante 
a secreção mucosa ativa, os núcleos podem ser deslocados pelo muco e em-
purrados em direção ao centro das células. 
A cavidade uterina é revestida pelas células endometriais, que são células 
colunares achatadas menores que as células endocervicais. Essas células po-
dem ser eventualmente vistas no esfregaço citológico.
O segundo estrato, espinhoso, normalmente é formado por células um 
pouco menos achatadas, que compõem o estrato germinativo. O terceiro é 
o estrato granuloso, que está presente em grandes quantidades de folhetos 
– o epitélio estratificado pavimentoso apresenta seus folhetos superiores 
bem achatados.
L5
L4
L3
L2
L1
(BM)
CT
A B
CITOPATOLOGIA 43
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Figura 2. Epitélio glandular composto de uma camada de células mucossecretoras e células de reserva (seta). Abaixo 
da membrana basal, está o tecido conjuntivo de sustentação. Fonte: FRAPPART et al., 2004f.
Zona de transformação é o nome dado à área da cérvice que compreende 
o epitélio que sofreu metaplasia escamosa. Esse é o local em que a maioria das 
anormalidades escamosas pode surgir.
DICA
Para um maior acesso a conteúdo de Histologia e sobre o 
tecido epitelial de revestimento, acesse o material disponi-
bilizado on-line pela International Agency for Research on 
Cancer (IARC). No site, consta um atlas virtual de Histolo-
gia com muitas informações voltadas à aprendizagem da 
citologia do colo uterino. 
Um esfregaço cervical benigno deverá conter uma variedade de células do epi-
télio estratificado escamoso não queratinizado, compondo a grande maioria dos 
elementos do esfregaço; e poderá conter também células naviculares com glico-
gênio, células glandulares e da zona de transformação. Além disso, uma pequena 
quantidade de leucócitos polimorfonucleares, hemácias e muco poderão estar 
presentes. A flora vaginal normal mais comumente representada é a lactobacilar, 
que pode variar dependendo da fase do ciclo menstrual e da idade da mulher.
CITOPATOLOGIA 44
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QUADRO 1. COMPONENTES DO ESFREGAÇO CITOPATOLÓGICO CERVICAL NORMAL
Elementos celulares:
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
• Hemácias
Elementos não celulares:
Microbiologia da fl ora vaginal
• Lactobacilos
• Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: Candida sp., Trichomonasvaginalis, efeitos citopáticos virais
Outros elementos
• Muco
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Células epiteliais escamosas da ectocérviceCélulas epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
• Células naviculares
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas superfi ciais
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas intermediárias
• Células escamosas parabasais
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células epiteliais escamosas da ectocérvice
• Células escamosas intermediárias
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
• Hemácias
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
Outras células
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
• Hemácias
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Células metaplásicas
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
• Hemácias
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endocervicais
• Células colunares endometriais
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
• Hemácias
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Células colunares endometriais
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Leucócitos polimorfonucleares 
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Células colunares do canal endocervical e zona de transformação
• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados• Histiócitos e histiócitos gigantes multinucleados
Microbiologia da fl ora vaginalMicrobiologia da fl ora vaginalMicrobiologia da fl ora vaginal
• Lactobacilos
Microbiologia da fl ora vaginal
• Lactobacilos
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Microbiologia da fl ora vaginal
• Lactobacilos
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Microbiologia da fl ora vaginal
• Lactobacilos
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Outros elementos
Microbiologia da fl ora vaginal
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Outros elementos
• Muco
Microbiologia da fl ora vaginal
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Outros elementos
• Muco
• Exsudato infl amatório
Microbiologia da fl ora vaginal
Gardnerella vaginalis
• Microrganismos: 
Outros elementos
• Muco
• Exsudato infl amatório
Microbiologia da fl ora vaginal
Candida
Outros elementos
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
Candida
Outros elementos
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
• Espermatozoides
 sp., 
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
 sp., Trichomonas vaginalis
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis
• Exsudato infl amatório
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis
Contaminantes externos
• Espermatozoides
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis
• Grânulos de talco
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
Trichomonas vaginalis, efeitos citopáticos virais
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
, efeitos citopáticos virais
• Artefatos da montagem da lâmina
• Contaminantes fúngicos
, efeitos citopáticos virais
• Artefatos da montagem da lâmina
, efeitos citopáticos virais
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, efeitos citopáticos virais
• Artefatos da montagem da lâmina
, efeitos citopáticos virais, efeitos citopáticos virais, efeitos citopáticos virais
Os tipos de células epiteliais vistos em um esfregaço citológico cervical são 
determinados por diversas variáveis – entre elas, o grau de maturação do epi-
télio cervical e a fase do ciclo menstrual na qual o esfregaço foi 
colhido, as variaçõeshormonais na gravidez, o uso de contra-
ceptivos orais, ou o uso de terapia de reposição hormonal. 
Além disso, a localização da JEC e a presença de metaplasia 
também podem determinar os tipos de células presentes no 
esfregaço cervical normal.
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Células escamosas superficiais, intermediárias, profundas 
e glandulares
As células escamosas superfi ciais estão localizadas na camada superior do 
epitélio escamoso. São células usualmente eosinofílicas (coradas em rosa) grandes, 
que variam de 40 a 60 μm de tamanho, com abundante citoplasma que pode con-
ter grânulos de querato-hialina (um estágio precursor da queratinização celular). 
Essas células têm formato poligonal e geralmente se apresentam isoladas, 
devido à perda das junções celulares. Têm ainda pequeno núcleo picnótico 
central (com tamanho de aproximadamente 10 μm), caracterizado pela con-
densação da cromatina, que se torna escura, com núcleos indistintos. Devido 
à estimulação hormonal, esse tipo celular se apresenta predominante na fase 
ovulatória do ciclo celular. Uma vez que a completa maturação do epitélio ocor-
re como resultado da ação dos estrogênios, a picnose nuclear em células ma-
duras superfi ciais representa evidência morfológica da atividade estrogênica.
Figura 3. Esfregaço citológico apresentando predomínio de células escamosas superfi ciais e algumas células interme-
diárias com glicogênio. Em destaque, o detalhe de uma célula escamosa superfi cial com pequeno núcleo picnótico e 
numerosos grânulos de querato-hialina. Fonte: American Society of Cytopathology, 2015b.
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Algumas células escamosas anucleadas (escamas) podem aparecer em 
pequeno número no esfregaço citológico, e geralmente não têm nenhum sig-
nificado clínico quando em pequena quantidade – podem, inclusive, ser con-
taminantes da vulva na coleta do material citológico. Essas células são apro-
ximadamente do mesmo tamanho das células superficiais e intermediárias, e 
a área ocupada anteriormente pelo núcleo aparece como uma sombra clara 
(núcleo fantasma). O citoplasma usualmente é eosinofílico.
EXPLICANDO
A propriedade do citoplasma corar em rosa é relacionada à afinidade 
química com a eosina, um corante ácido utilizado na técnica de Papani-
colaou. Contudo, a coloração eosinofílica não é específica, e o citoplasma 
pode assumir as cores azul ou verde. No citoplasma das células super-
ficiais, podem ser vistos grânulos pequenos (grânulos querato-hialinos) 
escuros, considerados precursores de queratina, que, contudo, não é 
produzida em condições normais.
As células escamosas intermediárias têm tamanho semelhante às cé-
lulas escamosas superficiais, com citoplasma abundante, fino, transparente 
e uniforme. São usualmente cianofílicas (coradas em azul ou verde), mas 
podem ser eosinofílicas. Os núcleos são vesiculares (ou seja, redondos ou 
ovais), centrais, ligeiramente maiores que os das células superficiais, com 
um padrão de cromatina fino e uniforme; pode haver uma linha longitudinal 
e cromocentros visíveis. 
Os núcleos têm aproximadamente 35 μm e servem como uma referência inter-
na para a comparação das células (especialmente para a classificação das lesões 
escamosas). O corpúsculo de Barr (cromatina sexual) é ocasionalmente identificado. 
Essas células podem apresentar-se isoladamente ou em agru-
pamentos celulares e predominam no esfregaço no período 
pós-ovulatório do ciclo menstrual, durante a gravi-
dez e no início da menopausa. Seu predomínio é 
relacionado à ação da progesterona ou aos hor-
mônios adrenocorticais. São células que podem 
conter glicogênio, que se coram geralmente de 
amarelo fraco na coloração de Papanicolaou.
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Figura 4. Célula escamosa intermediária, com abundante citoplasma, forma poligonal e núcleo central; acima, dois 
polimorfonucleares neutrófilos. Fonte: American Society of Cytopathology, 2015c.
Figura 5. Abundante quantidade de lactobacilos e citólise. Fonte: FRAPPART et al., 2004c.
As células epiteliais da camada intermediária podem sofrer citólise, que 
significa lise das células, ou rompimento. Como essas células são ricas em gli-
cogênio, propiciam a proliferação de lactobacilos vaginais.
A citólise ocorre em condições fisiológicas ou patológicas. Durante a segunda 
fase do ciclo menstrual (fase lútea, ou progestacional), devido à estimulação hor-
monal, pode ocorrer citólise das células intermediárias, com aumento progressivo 
até o final do ciclo, quando praticamente todas as células do esfregaço estão lisa-
das. O esfregaço citológico caracteriza-se por abundante quantidade de bacilos de 
Döderlein, e núcleos isolados de células intermediárias e debris (restos) celulares.
CITOPATOLOGIA 48
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As células naviculares são um tipo especial de células intermediárias, 
observadas na presença de altos níveis de progesterona, como na gravidez, no 
pós-parto ou em pacientes em uso de anticoncepcionais à base de progestá-
genos exclusivos. Essas células apresentam um formato de barco (daí, o nome 
navicular), com uma borda espessada de citoplasma cianofílico ou eosinofílico 
– e núcleos excêntricos. Normalmente, o citoplasma cora-se em amarelo devi-
do ao glicogênio, que é abundante nesse tipo celular.
EXPLICANDO
Para diferenciar uma célula intermediária de uma superficial, é fun-
damental a análise da estrutura nuclear. Enquanto o núcleo da célula 
intermediária é vesicular, com cromatina delicada uniformemente 
distribuída e cromocentros (condensações de cromatina), o núcleo da 
célula superficial é picnótico, ou seja, com cromatina condensada, sem 
evidência de granulação.
As células escamosas parabasais 
são menores e mais imaturas que as 
células intermediárias, podendo ser 
ovais ou redondas. Medem em torno 
de 15 a 20 μm e têm um núcleo grande 
vesicular e central que ocupa aproxi-
madamente a metade do volume da 
célula e com cromatina granular fina e 
uniformemente distribuída – às vezes, 
com pequeno nucléolo.
O citoplasma cianofílico (basofílico) é relativamente escasso, com alta rela-
ção nucleocitoplasmática. O citoplasma aparenta ser mais denso, em virtude 
da forma arredondada da célula, quando comparada às células intermediárias 
e superficiais. 
Essas células podem aparecer no esfregaço citológico tanto isoladamente 
quanto em grupos. São raramente vistas em esfregaços de mulheres em fase 
reprodutiva, podendo ocorrer em distúrbios hormonais e em casos de erosão 
ou ulceração da mucosa. Entretanto, predominam em situações de deficiência 
estrogênica, como na infância, lactação e menopausa.
CITOPATOLOGIA 49
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Figura 6. (A) Células parabasais têm núcleos com tamanho aproximado de 50 μm e citoplasma menor quando 
comparadas às células intermediárias. A imagem contém uma célula parabasal e uma célula intermediária. (B) Células 
parabasais em um esfregaço de atrofi a profunda. Fonte: American Society of Cytopathology, 2015d; 2015a.
As células parabasais são especialmente predominantes nos esfregaços 
de atrofi a profunda, característicos de mulheres na pós-menopausa. Essa al-
teração fi siológica decorre da redução nos níveis hormonais, levando a uma 
diminuição da proliferação, maturação e descamação epitelial, diminuição da 
quantidade de glicogênio, da produção de muco e, em consequência, da altura 
do epitélio endocervical. As células maduras com aspecto imaturo apresentam 
alta relação nucleocitoplasmática e podem apresentar-se isoladas ou em gran-
des arranjos celulares.
Células epiteliais glandulares
No sistema genital feminino, há dois tipos de células epiteliais glandulares: 
as células glandulares endocervicais e as células glandulares endometriais.
As células glandulares endocervicaissão as células epiteliais do canal 
endocervical. Têm forma colunar, contendo cílios na superfície apical, que ra-
ramente aparecem no esfregaço citológico. São células secretoras de muco 
(mucossecretoras). Nos esfregaços, as células endocervicais apresentam cito-
plasma relativamente abundante, delicado, semitransparente, que cora fraca-
mente em azul e, às vezes, vacuolizado. Os núcleos são situados basalmente, 
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redondos ou ovais, com pequena variação de tamanho e cromatina finamente 
granular e uniformemente bem distribuída. 
Nos esfregaços, elas podem apresentar-se individualmente ou em con-
junto – e são simétricas em todo o plano longitudinal. Quando em con-
junto, constituem arranjos conhecidos como fila, ou paliçada. Quando os 
arranjos são vistos de frente, pode-se observar o agrupamento regular em 
conjuntos monoestratificados, quando perdem sua forma colunar e apre-
sentam, às vezes, bordas citoplasmáticas bem definidas, lembrando um 
favo de mel. Os núcleos arredondados mostram polaridade conservada, 
uma vez que a distância dos núcleos é relativamente constante, não ocor-
rendo sobreposição celular.
Devido à fragilidade do citoplasma dessas células, às vezes, ocorre sua rup-
tura no momento da confecção dos esfregaços, com o aparecimento de nú-
cleos desnudos com alterações degenerativas, imersos em muco.
Figura 7. Grupamentos de células glandulares endocervicais. (A) Favo de mel (B) Paliçada. Nesse caso, as células 
apresentam muco em seu citoplasma, deslocando o núcleo para a periferia da célula. Fonte: American Society of 
Cytopathology, 2015e.
Em algumas ocasiões, durante a colheita com a escova endocervical, pode 
ocorrer o desgarramento de grandes grupamentos de células endocervicais; 
nesses casos, as células apresentam arranjos papilares e glandulares.
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As células endocervicais devem ser diferenciadas das células glandulares 
endometriais, uma vez que apresentam maior tamanho e citoplasma mais 
abundante quando comparadas às células que revestem o endométrio.
Por sua vez, as células glandulares endometriais esfoliadas espontanea-
mente podem ser de origem epitelial ou estromal e aparecer no esfregaço de 
forma isolada ou em agrupamentos.
As células endometriais são tipicamente menores que as células endocer-
vicais, com uma área nuclear do tamanho do núcleo de uma célula interme-
diária. O nucléolo, em geral, não é proeminente, mas, em preparações de 
citologia líquida, pode ser mais facilmente identificado. A cromatina tende 
a ser densa, heterogênea e pode conter debris apoptóticos, em virtude das 
alterações degenerativas. 
Por serem colunares, essas células, em geral, têm formato arredondado, 
com citoplasma escasso, delicado, transparente e vacuolado. Quando esfolia-
das, são tipicamente organizadas em densos agregados e geralmente apare-
cem em grupamentos com bordas indistintas. Esses grupamentos tendem a 
ser tridimensionais. Por fim, coleções de células glandulares periféricas e célu-
las endometriais estromais (êxodo) são vistas tipicamente entre o sexto e o 10º 
dias do ciclo menstrual.
Figura 8. (A) Grupamento tridimensional de células endometriais com pequeno núcleo e citoplasma escasso. (B) Célu-
las endometriais agrupadas. Fonte: American Society of Cytopathology, 2015j.
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Metaplasia escamosa
O conceito de metaplasia escamosa é defi nido como uma alteração rever-
sível na qual um tipo celular adulto (epitelial ou mesenquimal) é substituído por 
outro tipo celular adulto. Pode representar uma substituição adaptativa das 
células que são sensíveis ao estresse por tipos celulares mais bem preparados 
para suportar o ambiente adverso, uma vez que o tecido metaplásico é mais 
resistente a agressões (KUMAR et al., 2010).
A metaplasia escamosa do colo uterino ocorre quando o epitélio colunar é 
substituído ou transformado em epitélio escamoso estratifi cado, mais resis-
tente, capaz de sobreviver às circunstâncias nas quais o epitélio especializado, 
mais frágil, teria, possivelmente, sucumbido.
Entre os exemplos de causas do processo metaplásico, estão o trauma, 
processos infl amatórios e infecciosos e irritações crônicas por agentes físicos 
ou químicos, ou até mudanças no pH vaginal. As células metaplásicas são for-
madas a partir da proliferação das células de reserva, também denominadas 
células basais.
DICA
Para saber mais sobre o processo adaptativo da metaplasia no 
contexto da patologia acesse o material publicado pela Univer-
sidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre o tema. 
As células metaplásicas apresentam tamanho variado, dependendo do seu 
grau de maturação – as imaturas são do tamanho aproximado das células esca-
mosas parabasais. Exibem vários formatos: redondas, ovais, triangulares, estre-
ladas ou caudadas, com citoplasma delicado e denso; eventualmente, com colo-
ração bifásica ou vacúolos. Os núcleos são um pouco maiores que os núcleos das 
células intermediárias e podem ser redondos ou ovais, centrais ou paracentrais, 
com cromatina fi namente granular e distribuída regularmente, e, às vezes, pode 
haver nucléolo. Essas células dispõem-se em agrupamentos frouxos. 
As células metaplásicas mais maduras lembram as células escamosas ma-
duras originais; porém, as primeiras apresentam citoplasma levemente mais 
denso e bordas citoplasmáticas mais arredondadas.
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Figura 9. (A) Grupamento de células metaplásicas com citoplasma denso e núcleos redondos com nucléolos evidentes. 
(B) Células metaplásicas com prolongamentos citoplasmáticos “aracnoides”, em virtude das junções celulares. Fonte: 
American Society of Cytopathology, 2015g; 2015f.
A zona de transformação estará representada no esfregaço citológico se 
houver a presença de células endocervicais ou células metaplásicas escamo-
sas. Para uma amostra ser considerada adequada para avaliação, um esfrega-
ço cervical deve conter, no mínimo, um grupamento de células endocervicais.
Como, na menopausa, a JEC retrai para o canal endocervical além do alcan-
ce da escova cervical, os esfregaços colhidos dessas pacientes raramente con-
têm células endocervicais. Por isso, é importante observar a idade e o estado 
hormonal da paciente, bem como a posição da JEC (que varia ao longo da vida) 
em uma avaliação citológica. 
A ectopia, uma condição fisiológica que se caracteriza pela presença de epi-
télio colunar na ectocérvice, pode predispor à presença de células colunares no 
esfregaço citológico. Ela está associada ao processo metaplásico.
DICA
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e 
Obstetrícia (Febrasgo) elaborou um manual que aborda os 
conceitos de ectopia, fisiopatologia e os fatores de risco 
da vulnerabilidade biológica. O manual aborda, ainda, o 
conceito de metaplasia e sua relação com a clínica. Vale a 
pena consultar. 
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Elementos não epiteliais encontrados no esfregaço 
citológico
Os elementos não epiteliais encontrados no esfregaço englobam uma va-
riedade de elementos, desde tipos celulares que não estão presentes no epi-
télio cervicovaginal, como componentes da imunidade (células mononuclea-
res e polimorfonucleares), hemácias e espermatozoides até contaminantes 
externos, como o aparecimento de cristais refringentes oriundos da conta-
minação por talco (presente em luvas cirúrgicas comumente utilizadas para a 
coleta da amostra) e pela utilização de artefatos devido ao uso de lubrifi can-
tes. Além desses, a má conservação da amostra pode promover o crescimen-
to de fungos contaminantes. 
A importância na identifi cação desses elementos está não apenas no reco-
nhecimento da sua morfologia,mas em sua presença como fator obscurecedor 
da amostra ou fator limitante da análise morfológica. O sistema Bethesda, 
aborda esses fatores obscurecedores e como eles limitam a análise citológica, 
além de fornecer critérios para aceitação e rejeição da amostra.
Leucócitos e hemácias
Os granulócitos polimorfonucleares são as células sanguíneas que partici-
pam do sistema de defesa inato do nosso organismo. 
Os polimorfonucleares neutrófi los, uma das células mais comumente 
encontradas nos esfregaços cervicais, tanto em condições de normalidade 
quanto em amostras contendo lesões, são células pequenas, de aproximada-
mente 7 μm, com núcleos segmentados. Nos processos infl amatórios, estão 
presentes em grande número, transformando, por vezes, os esfregaços em 
purulentos e, algumas vezes, difi cultando também a visualização.
Os histiócitos, células mononucleares derivadas dos monócitos sanguí-
neos, também estão envolvidos na imunidade inata. São encontrados nos es-
fregaços cervicais em quantidades variáveis e aumentam nos processos infl a-
matórios. São células de 7 a 10 μm, contendo um núcleo de cromatina fi na e 
escassa, frequentemente rendilhada. Além disso, costumam apresentar abau-
lamento nuclear, o que lhes dá formato reniforme.
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Histiócitos multinucleados são comumente vistos em esfregaços atróficos 
de mulheres menopausadas e não têm causa aparente. Não têm amoldamento 
nuclear, critério visto em algumas infecções por herpesvírus, e, portanto, não 
devem ser confundidos. Além disso, nesses esfregaços atróficos, em que pre-
dominam as células profundas (células pequenas, usualmente de aspecto mais 
arredondado), as células parabasais podem assemelhar-se aos histiócitos, em 
função da forma e da degeneração celular e vacuolização citoplasmática. 
O aparecimento de linfócitos, pequenas células mononucleares com nú-
cleos grandes corados pela coloração de Papanicolaou e citoplasma escasso 
e usualmente basofílico, é mais raro e não deve ser confundido com células 
neoplásicas ou pré-neoplásicas de lesões de alto grau. O aumento do infiltrado 
linfoide é visto em uma condição inflamatória conhecida como cervicite folicu-
lar linfocítica. Eosinófilos são raramente encontrados.
Figura 10. Mistura de polimorfonucleares (seta laranja) e histiócitos/macrófagos (seta azul). Fonte: FRAPPART et al., 
2004g. (Adaptado).
As hemácias (eritrócitos), bem e malconservadas, podem ser encontradas 
nos esfregaços. São células redondas, anucleadas, coradas habitualmente em 
laranja. As hemácias bem conservadas são relacionadas ao trauma na colheita 
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das amostras citológicas. São normalmente encontradas no período menstrual 
e podem obscurecer a amostra (por isso, não é recomendada a colheita do exa-
me nesse período). Fora dessa fase, sua presença no esfregaço é indicativa de 
trauma na colheita, erosão ou ulceração, ou ainda neoplasia cervical. Quando 
as hemácias mostram-se rompidas (rotas, lisadas) ou degeneradas, podem es-
tar relacionadas a casos de neoplasias cervicais e são um dos indicativos para a 
identifi cação da diátese tumoral encontrada nas lesões invasivas. 
A quantidade excessiva de células sanguíneas e leucócitos pode obscurecer 
a amostra, tornando-a insatisfatória para a avaliação. Se 50 e 75% das células 
epiteliais forem obscurecidas, os fatores obscurecedores devem ser relatados 
no laudo. Se mais de 75% das células epiteliais forem obscurecidas, a amostra 
é considerada insatisfatória para análise. Esses critérios, descritos no sistema 
Bethesda, são importantes fatores de controle de qualidade, e padronizam as 
condutas de análise citológica.
Muco
O muco é produzido pelas células epiteliais glandulares, cuja consistência é 
determinada pelos níveis hormonais: na fase estrogênica, é transparente e pra-
ticamente não encontrado nos esfregaços citológicos. No período ovulatório, 
torna-se ainda mais fi no.
Já na segunda fase do ciclo menstrual (fase lútea ou progestacional), torna-
-se mais grumoso e corável pela coloração de Papanicolaou, corando normal-
mente o fundo da lâmina nos esfregaços citológicos. 
A presença de muco no esfregaço não tem signifi cado clínico. Sua quantida-
de torna-se pronunciada em processos infl amatórios, quando pode aparecer 
aprisionando leucócitos, fl ora bacteriana e detritos celulares. É composto por 
uma rede acelular de fi lamentos fi nos.
Substâncias interferentes na amostra
Algumas substâncias externas podem ser eventualmente encontradas nos 
esfregaços citológicos. Essas substâncias podem difi cultar a análise – e, por 
isso, sua identifi cação assume relevância na técnica. 
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O talco é encontrado eventualmente nas amostras, e normalmente é deri-
vado do material utilizado para lubrificar as luvas utilizadas na coleta.
Figura 11. (A e B) Contaminação por talco, que representam cristais birrefringentes, com aparência de cruz de malta 
(setas); (C) Hemácias na amostra, mostrando um fundo hemorrágico; (D) Células lisadas e distorcidas em função da 
compressão no momento do espalhamento do material na lâmina. Fonte: BARROS et al., 2012, p. 25.
Elementos externos, como espermatozoides, podem ser visualizados nos 
esfregaços cervicais, e a identificação da sua presença, além de prejudicar a 
avaliação cito-hormonal, pode levar a falsos diagnósticos. Recomenda-se, por-
tanto, como uma ferramenta de qualidade, que a paciente não tenha relações 
sexuais nos dias que antecedem a coleta, para evitar que a presença dos esper-
matozoides interfira na análise.
Por vezes, os fungos podem contaminar as laminas citológicas. Um gênero 
normalmente encontrado é o Aspergillus, que geralmente se apresentam como 
numerosas hifas que se ramificam e que geralmente estão em um plano diferen-
te das células, facilitando sua identificação. Podem apresentar-se, ainda, como 
conidióforos, com vesículas e cadeias de conídias. Esse fungo normalmente apa-
rece quando as amostras são expostas de forma prolongada ao ambiente, o que 
aumenta a exposição a microrganismos presentes no ar, como os Aspergillus.
A
C
B
D
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Identificação morfológica de microrganismos
observados em citologia cervical
O objetivo principal da citologia cervicovaginal é a detecção de lesões pré-can-
cerosas do colo uterino, embora o método possibilite o reconhecimento da micro-
fl ora vaginal e, por vezes, alguns agentes causais de processos infl amatórios. 
Fisiologicamente, o ambiente vaginal contém uma microbiota constituída 
por diversos microrganismos, de bactérias aeróbicas e não aeróbias, e com a 
predominância de lactobacilos, que ajudam a manter o ambiente ácido, geral-
mente com um pH em torno de 4,5. 
Os lactobacilos (bacilos de Döderlein) são bacilos Gram-positivos, cujas enzi-
mas induzem a destruição proteolítica (citólise) das células epiteliais escamosas in-
termediárias que contêm glicogênio, que é metabolizado em ácido lático, principal 
guardião da cavidade vaginal contra as infecções por microrganismos patogênicos. 
Assim, a microfl ora vaginal representa um dos principais mecanismos de 
defesa da função reprodutora, mantendo o meio saudável e impedindo a prolife-
ração de microrganismos estranhos a ela. O predomínio de lactobacilos acontece 
na fase lútea do ciclo menstrual, na gravidez, na menopausa precoce e durante 
a administração de determinados hormônios, especialmente os progestágenos.
DICA
Para uma informação mais completa a respeito da fl ora va-
ginal, leia o artigo científi co de revisão de Linhares, Giraldo e 
Baracat, que aborda os conhecimentos sobre o ecossistema 
vaginal, as espécies de lactobacilos que compõem a fl ora vagi-
nal normal e a interação delas com mecanismos de imunidade.Entretanto, a composição da fl ora vaginal não é constante e sofre variações de 
fatores exógenos e endógenos. Entre os endógenos, podemos destacar as diferen-
tes fases do ciclo menstrual, gestação, uso de contraceptivos, frequência de inter-
curso sexual, utilização de antibióticos e outras medicações imunossupressoras.
As bactérias mistas (fl ora mista) compreendem uma mistura de bacilos e 
cocos, que somente podem ser identifi cados mediante cultura microbiológi-
ca. Em mulheres adultas assintomáticas, essas bactérias são consideradas um 
achado normal, que pode ser ou não associado a processo infl amatório.
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As bactérias cocoides presentes nos esfregaços podem ser Gram-positivas 
ou diplococos Gram-negativos. Os estreptococos representam mais de 30% 
das bactérias cocoides encontradas, desenvolvendo-se em pH alcalino e fre-
quentemente associados a Trichomonas vaginalis. Nos casos de atrofia, como 
na infância e menopausa, é comum o achado de bactérias cocoides. Não é pos-
sível a classificação dos cocos por meio do exame citológico.
Em alguns casos, os organismos microbiológicos, como alguns fungos e pro-
tozoários, podem ser identificados na lâmina devido à morfologia. Os vírus, por 
sua vez, causam um efeito citopático nas células que podem ser identificados, 
sugerindo, a partir daí, o agente infeccioso. 
Alguns agentes infecciosos específicos podem ser identificados na citologia 
– entre eles, o Trichomonas vaginalis e o Candida spp.
A vaginose bacteriana é sinônimo de Gardnerella vaginalis e inclui uma varie-
dade de microrganismos anaeróbios. As células indicadoras, também chama-
das células-guia, ou clue cells, podem estar presentes com um grande número 
de bactérias, obscurecendo os bordos celulares das células escamosas.
Figura 12. Gardnerella vaginalis. As bactérias são vistas ao fundo da lâmina e na superfície das células escamosas, 
resultando em clue cells (células indicadoras). Polimorfonucleares são ausentes ou raros. Fonte: FRAPPART et al., 2004b.
CITOPATOLOGIA 60
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A monilíase, ou candidíase, é geralmente causada por espécies de Candida 
spp. Na citologia, relata-se a presença de hifas e/ou esporos. Não é possível a 
identificação da espécie pelo exame citopatológico.
Figura 13. (A) Hifas e blastoconídeos de Candida sp. (B) Hifas de Candida sp. em um fundo inflamatório. Fonte: 
FRAPPART et al., 2004e; 2004d.
Figura 14. Trichomonas vaginalis. Fonte: FRAPPART et al., 2004a.
A infecção por Trichomonas vaginalis, causada por um protozoário, é uma 
doença sexualmente transmissível. Os protozoários podem ser identificados 
na citologia devido à morfologia.
A B
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Os vírus, por sua vez, não podem ser visualizados pela microscopia ópti-
ca comumente utilizada para o exame citopatológico. No entanto, dois vírus 
causam efeitos citopáticos que são visualizados na citologia e que auxiliam na 
identificação do agente viral causal. 
O primeiro é o papilomavírus humano (HPV), um vírus relacionado a lesões 
intraepiteliais cervicais e câncer cervical. As células escamosas apresentam um 
grande halo perinuclear, caracterizado por uma zona clara devido à replicação 
viral, marginalização periférica da cromatina e alterações nucleares, como bi-
nucleação e hipercromatismo.
Outro exemplo é o herpes simplex (HSV). A citologia das infecções causa-
das por esse vírus podem ser representadas por inclusões eosinofílicas ou em 
aspecto de vidro fosco, e as células infectadas apresentam três características: 
marginação da cromatina nuclear, amoldamento nuclear e multinucleação. A 
marginação periférica da cromatina é causada pelo acúmulo de partículas vi-
rais, e o amoldamento nuclear ocorre porque os núcleos ultrapassam a área 
citoplasmática e se mantêm em contato uns com os outros.
Figura 15. (A) Efeito citopático da infecção pelo herpesvírus: marginação da cromatina e aparência de vidro fosco. 
(B) Efeito citopático do HPV: o coilócito mostrando o halo perinuclear com espessamento periférico da cromatina e 
alterações nucleares. Fonte: American Society of Cytopathology, 2015h; 2015k.
A B
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Sintetizando
Nessa unidade, você conheceu as principais células que compõem o epitélio 
escamoso e glandular de revestimento, classificados como elementos epiteliais 
do esfregaço citopatológico. 
Você conheceu, ainda, alguns elementos não epiteliais encontrados no esfre-
gaço citológico normal, além da flora vaginal normal, com comensais e microrga-
nismos comumente vistos nos esfregaços citopatológicos cervicovaginais.
Entre os elementos epiteliais, o tecido escamoso estratificado faz o revesti-
mento da ectocérvice. Nesse epitélio, dependendo do grau de maturação, as célu-
las superficiais, intermediárias e parabasais podem ser visualizadas no esfregaço. 
As células superficiais são as mais maduras e as maiores células vistas no 
esfregaço citológico: apresentam amplo citoplasma e núcleo picnótico. As células 
intermediárias são as mais abundantes, têm um núcleo ligeiramente maior que 
o das células superficiais e podem conter glicogênio, que se cora geralmente em 
amarelo com a coloração de Papanicolaou. Já as células parabasais são as células 
da camada mais profunda do epitélio, e são comuns nos esfregaços atróficos. 
Além dessas, as células glandulares, mucossecretoras, são encontradas no 
canal endocervical e podem descamar como células isoladas, em fila ou paliçada, 
e em grupamentos semelhantes a favos de mel. Com as células metaplásicas, 
sua presença no esfregaço é um indicativo de qualidade da colheita. Em deter-
minados momentos do ciclo menstrual, podemos encontrar as células derivadas 
do epitélio endometrial, menores que as células endocervicais.
Entre os elementos não epiteliais comumente encontrados no esfregaço ci-
tológico, estão os polimorfonucleares neutrófilos e histiócitos/macrófagos. Sua 
presença no esfregaço citológico é um achado inespecífico, muitas vezes asso-
ciado a condições normais. Essas células participam do sistema de defesa inato 
e estão aumentadas em condições inflamatórias. 
As hemácias também podem estar presentes. Não é recomendada a colheita 
no período menstrual, pois essas células podem obscurecer as células escamo-
sas e, portanto, a amostra. 
Finalmente, componentes externos, como espermatozoides e contaminan-
tes fúngicos da lâmina, também podem ser visualizados – e, muitas vezes, com-
prometem a análise da amostra.
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A flora vaginal normal varia com a idade da mulher, sendo a flora lactobacilar 
predominante na fase reprodutiva. Alguns microrganismos podem ser identifi-
cados pela citologia, como os fungos Candida spp. e o protozoário Trichomonas 
vaginalis. Além disso, a coloração de Papanicolaou permite a visualização dos 
cocobacilos Gardnerella vaginalis. Vírus não podem ser vistos pela microscopia 
óptica, mas efeitos citopáticos virais nas células escamosas podem ser observa-
dos. Exemplos incluem o HPV e o herpesvírus.
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CITOPATOLOGIA 68
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PROCESSOS 
INFLAMATÓRIOS 
E REAÇÕES 
PROLIFERATIVAS 
BENIGNAS
3
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Compreender o que é inflamação no trato genital feminino;
 Compreender quais reações proliferativas benignas podem ocorrer no trato 
genital feminino;
 Descrever os tipos de processos inflamatórios;
 Descrever quais alterações celulares podem ocorrer nos processos inflamatórios;
 Identificar quais são os agentes agressores que podem causar lesões no trato 
genital feminino e suas classificações;
 Relacionaras alterações celulares com seus agentes agressores;
 Compreender quais são as reações de proteção e quais são as reações de 
reparação do trato genital feminino;
 Relacionar as alterações celulares com as reações proliferativas benignas;
 Interpretar os resultados de esfregaços cervicovaginais por meio de análises 
das alterações celulares. 
 Reconhecimento de processos 
inflamatórios
 Bactérias
 Fungos
 Protozoários
 Vírus
 Reações proliferativas benignas
 Processos de proteção
 Processos de reparação
 Outros tipos de reações proli-
ferativas benignas
CITOPATOLOGIA 70
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Reconhecimento de processos inflamatórios
A infl amação, por defi nição, é uma reação dos tecidos causada por um 
agente agressor, capaz de provocar a saída de líquidos e de células do sangue 
para o interstício. Essa reação de infl amação acompanha a maioria das lesões 
na fase inicial. Dessa maneira, os processos infl amatórios são importantes me-
canismos de defesa contra diversos agentes agressores, apesar de também 
causar vários danos ao organismo.
Devemos considerar que a citologia tem importante contribuição para o 
reconhecimento dos processos infl amatórios, assim como para avaliação da 
intensidade desses processos. Em alguns casos, ela pode também auxiliar na 
determinação da natureza do agente causador da infl amação. Assim, em ou-
tras palavras, ressalta-se que
Os leucócitos que saem dos vasos após agressões são os mais im-
portantes executores da resposta imunitária inata e adaptativa. São 
esses leucócitos que propiciam a eliminação ou contenção dos in-
vasores e os estímulos para o reparo da lesão. Assim como os me-
canismos usados para eliminar microrganismos invasores, tais leu-
cócitos são potencialmente lesivos para os tecidos e responsáveis 
por grande parte das lesões nos locais em que está ocorrendo a 
agressão (BOGLIOLO, 2011).
O processo infl amatório ocorre na seguinte ordem cronológica: lesões celu-
lares e teciduais, distúrbios circulatórios, exsudato e fenômenos proliferativos 
e reparadores. A infl amação é caracterizada por esse conjunto de fenômenos e 
pode ser dividida em aguda, subaguda, crônica e granulomatosa.
Processo infl amatório agudo: tem duração de poucos dias. Promove a necro-
se com destruição dos tecidos (pus) e apresenta leucócitos polimorfonucleares.
Processo infl amatório subagudo: tem duração pouco maior que o agudo. 
O processo de destruição e reparo ocorre com menor intensidade e apresenta 
leucócitos polimorfonucleares e histiócitos (células derivadas dos monócitos).
Processo infl amatório crônico: sua duração pode levar meses. Esse pro-
cesso tem como característica a persistência do agente agressor e, com isso, o 
processo de cicatrização não consegue se completar. Vale ressaltar que, nesse 
processo, os histiócitos também estão presentes.
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Processo inflamatório granulomatoso: possui evolução lenta e é caracte-
rizado por células diferenciadas, chamadas células epitelioides. Esse processo 
consiste em uma rara reação vaginal associada a agentes específicos, como 
Mycobacterium tuberculosis.
Os processos inflamatórios podem ser observados por características ci-
tológicas, tais como alterações no padrão celular (predominante no esfrega-
ço) esperado para a idade do paciente. A exemplo disso, temos o predomínio 
anormal de células escamosas parabasais (relacionadas à erosão do epitélio) 
em mulheres em fase reprodutiva. Essa alteração pode estar relacionada à in-
flamação genital severa.
Outra possibilidade seria de alterações no tipo e intensidade do exsudato. Em 
processos inflamatórios agudos são frequentes os leucócitos polimorfonuclea-
res neutrófilos e piócitos. Já em processos inflamatórios crônicos são frequentes 
os linfócitos, plasmócitos e histiócitos. Contudo, é importante ressaltar dois pontos: 
1) Nem todos os processos inflamatórios são acompanhados de leucócitos 
no esfregaço citológico;
2) Na segunda fase do ciclo menstrual, devido à ação da progesterona, é 
possível observar grande quantidade de neutrófilos, mesmo não apresentan-
do inflamação. Hemácias também podem se associar a processos inflamató-
rios severos, sendo mais comum em mulheres pós-menopausadas.
Há também a ocorrência de alterações celulares, sejam citoplasmáticas 
ou nucleares, que são comuns em processos inflamatórios. Algumas dessas 
alterações que podem ocorrer são: vacuolização no citoplasma, halos perinu-
cleares, anfofilia ou policromasia (coloração bifásica – quando a célula adquire 
dupla afinidade aos corantes ácidos e básicos) e perda da nitidez das bordas cito-
plasmáticas. No núcleo, as alterações podem ocorrer pelo aumento (tumefação) 
ou retração do núcleo, bordas nucleares com espessamento ou mal definidas, 
perda de definição da cromatina (núcleo com aspecto mais homogêneo), hipo-
cromasia ou hipercromasia (relacionados à intensidade de coloração do núcleo), 
células binucleadas ou multinucleadas (mais comum em células endocervicais).
No entanto, é importante ressaltar que os processos inflamatórios podem 
levar à necrose celular, observada pela presença de núcleos picnóticos (cro-
matina condensada), cariorrexe (núcleo fragmentado) ou cariólise (núcleo dis-
perso, em dissolução).
CITOPATOLOGIA 72
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A
C
E
B
D
F
Figura 1. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. A- Célula escamosa parabasal com vacuolização no citoplasma; 
B- Células escamosas com anfofi lia citoplasmática (afi nidade por corantes ácidos e básicos), microvacuolizações (dupla 
seta); C- Acúmulo de neutrófi los e piócitos sobre célula escamosa (“bala de canhão”) (seta), célula escamosa binucleada 
com anfofi lia (dupla seta); D- Necrose celular (cariorrexe); E- Células endocervicais multinucleadas; F- Células escamosas 
com aumento nuclear (tumefação) e espessamento das bordas nucleares. Fonte: LIMA, 2012, p. 34, 35 e 36. (Adaptado).
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A idade é um fator importante nas reações infl amatórias. Mulheres em idade 
reprodutiva possuem uma barreira contra essas lesões devido ao epitélio esca-
moso da ectocérvice ser altamente proliferativo. Já crianças e mulheres meno-
pausadas, por possuírem maior atrofi a desse epitélio, fi cam mais suscetíveis às 
infl amações. Devemos lembrar que o epitélio colunar simples (endocérvice) e 
endométrio são mais vulneráveis às infecções (TAVARES et al., 2007).
Dentre os principais processos infl amatórios que aparecem nas mucosas 
cervicovaginais, estão as vulvovaginites e cervicites. Nas vulvovaginites ou 
cervicocolpites, são afetadas as células do epitélio estratifi cado escamoso da 
ectocérvice e da vagina, sendo mais comum infecções como candidíase e tri-
comoníase. Nas cervicites ou endocervicites são afetadas as células do epitélio 
glandular do endocérvice. As principais infecções são causadas por Chlamydia 
trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.
Os processos infl amatórios podem ser desencadeados por diversos agen-
tes agressores, que são divididos em: 
• Agentes químicos: anticoncepcionais intravaginais e espermicidas, cre-
mes, lubrifi cantes (vaselina), preservativo, líquido seminal e saliva, contami-
nantes alimentares, medicamentos, poluentes ambientais.
• Agentes físicos: lesões traumáticas ou por perfurocortantes, 
lesões de partos, variações de temperatura e pressão atmosférica, 
radiação, dispositivo intrauterino (DIU), corpos estranhos.
• Agentes biológicos: bactérias, fungos, protozoários e vírus.
Bactérias
Destacaremos agora de forma mais detalhada algumas bactérias que po-
dem ser identifi cadas. 
Lactobacillus vaginalis (bacilos de Döderlein): são lactobacilos que compõem 
predominantemente (de 85 a 95%) a fl ora bacteriana vaginal de mulheres saudá-
veis, responsáveis pela manutenção do pH normal da vagina (ácido,entre 3,5 e 4,5). 
A presença desses lactobacilos está relacionada com a ação de hormônios, por 
isso são frequentes durante o período reprodutivo e mais raros antes da menarca 
e após a menopausa. O baixo nível de estrogênio está relacionado com epitélios 
mais delgados (entre 10 e 15 camadas), enquanto níveis mais altos de hormônios 
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fazem com que esses epitélios sejam mais espessos (entre 35 e 55 camadas). Com 
isso, há maior quantidade de glicogênio, que é liberado do processo de citólise das 
células descamadas. Esse glicogênio é metabolizado pelos lactobacilos, formando 
ácido láctico, que é responsável pela inibição de organismos patogênicos.
Célula epitelial revestida
com Gardnerella vaginalis
Célula epitelial
Figura 2. Flora vaginal contendo Lactobacillus vaginalis. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 24/03/2021. 
Figura 3. Célula epitelial vaginal revestida com Gardnerella vaginalis. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 24/03/2021. (Adaptado).
Gardnerella vaginalis: bactéria em forma de bastão (Gram-negativa ou 
Gram-variável), que se cora de azul pela técnica de Papanicolaou. Esse cocoba-
cilo se adere às células superfi ciais e intermediárias. 
No esfregaço, não há bacilos de Döderlein e poucos neutrófi los. Essas bac-
térias aparecem em grande quantidade, parcial ou totalmente aderidas à su-
perfície das células. Frequentemente associa-se a outras bactérias, ocasionan-
do o quadro conhecido por vaginose bacteriana (VB). 
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CITANDO
“Habitualmente, na VB são encontrados poucos leucócitos ou nenhum 
no esfregaço do conteúdo vaginal. Talvez não haja processo infl amatório, 
porque tanto a Gardnerella vaginalis, o Mobiluncus sp. e outras bactérias 
podem fazer parte da fl ora normal da vagina, não suscitando resposta 
infl amatória evidente mesmo em grandes quantidades. Outra possibilidade 
é que esses microrganismos possam liberar substâncias que inibem a 
quimiotaxia das células infl amatórias” (VALENTE, 2014).
Cocos: bactérias que se desenvolvem em pH alcalino. 
Dentre os cocos Gram-positivos, os mais comuns são estafi lococos e es-
treptococos, os quais podem ser vistos nos esfregaços cervicovaginais corados 
em azul, quando usada a técnica Papanicolaou. Geralmente, essas infecções 
são acompanhadas de exsudato infl amatório. 
Um dos cocos Gram-negativos mais conhecidos é a Neisseria gonorrhoeae, 
um diplococo causador da gonorreia. Esses diplococos são difíceis de se visua-
lizar em microscopia óptica, podendo ser identifi cados nos maiores aumentos, 
no interior ou na superfície de células escamosas metaplásicas. Geralmente 
infecções com diplococos são acompanhadas de exsudato infl amatório.
Monococcus
Tetracoccus
Diplococcus
Sarcina
Streptococcus
Staphylococcus
Figura 4. Formas esféricas de bactérias: monococos, diplococos, estreptococos, tetracocos, sarcina e estafi lococos. 
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 24/03/2021. 
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Actinomyces: bactéria fi lamentosa, Gram-negativa, muito relacionada ao 
uso de DIU. No esfregaço, pode ser vista como estruturas fi lamentosas que se 
irradiam de um centro escuro e denso. A infecção por essa bactéria frequente-
mente acompanha uma reação infl amatória intensa, que pode ser observada 
pela presença de neutrófi los polimorfonucleares e macrófagos.
Figura 5. Amostra cervical em meio líquido (Papanicolaou), mostrando a presença de Actinomyces sp. (bactérias fi la-
mentosas irradiadas de um centro escuro e denso). Aumento de 400x. Fonte: LIMA, 2012, p. 40.
Fungos
Após descrever algumas bactérias, segue na sequência os fungos que tam-
bém se fazem presentes.
Candida sp.: esse é o fungo mais comum nas infecções genitais, atingindo 
vulva, vagina e, raramente, o colo do útero. 
No esfregaço, pode ser visto sob a forma de pseudo-hifas (septadas) e espo-
ros (redondos ou ovais). Os esporos podem ser observados como pequenas es-
truturas de tamanhos entre 3 e 6 µm, com uma zona central clara e envolvida por 
uma cápsula. Já o fungo pode ser observado pela presença de fi lamentos, como 
ilustrado na Figura 6, constituídos por esporos longos, na forma de bambu, não 
envolvidos por cápsulas. Além disso, a infecção geralmente está relacionada com 
neutrófi los e piócitos. Há ainda a possibilidade de observar alterações celulares, 
como halos perinucleares, retração da borda nuclear e aumento nuclear. Sinto-
mas como prurido e corrimento vaginal esbranquiçado podem estar presentes.
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Figura 6. Infecção por Candida albicans, Papanicolaou. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 24/03/2021. 
Outras micoses, como criptococose, aspergilose, coccidioidomicose e blas-
tomicose, também podem ser observadas com baixa frequência nos esfrega-
ços cervicovaginais, no entanto não são conhecidas anomalias citológicas rela-
cionadas a esses fungos.
Protozoários
Já detalhamos as bactérias e os fungos, agora vejamos um pouco a respeito 
dos protozoários.
Trichomonas vaginalis: é um protozoário fl agelado causador da tricomo-
níase. O aumento do pH vaginal e lesões traumáticas do epitélio são condições 
favoráveis ao desenvolvimento dessa infecção. 
Esse protozoário pode ser facilmente identifi cado em exame a fresco, utili-
zando uma gota de secreção vaginal. Devido à sua motilidade, são prontamente 
observados nesse método. No esfregaço cervicovaginal, os protozoários apa-
recem como estruturas redondas ou ovais, algumas vezes de formato irregular, 
com núcleo excêntrico (deslocado do centro da célula), semitransparente e mal 
defi nido. Pode-se visualizar ainda acúmulos de neutrófi los que se sobrepõem 
às células epiteliais e são denominados “balas de canhão”, eosinofi lia citoplas-
mática (em células escamosas intermediárias e parabasais), halos perinuclea-
res e aumento nuclear. Necrose também pode ser observada pela ocorrência 
de cariorrexe e cariólise.
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A B
Figura 7. Esquema estrutural do protozoário Trichomonas vaginalis. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 24/03/2021. 
Figura 8. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. A- Células escamosas e vários Trichomonas vaginalis (seta), com 
núcleos excêntricos e semitransparentes; B- Trichomonas vaginalis (seta) e presença de Leptothrix vaginalis, que são as 
bactérias fi lamentosas encurvadas. Fonte: LIMA, 2012, p. 43. (Adaptado).
Portadoras de tricomoníase podem apresentar ainda uma bactéria 
Gram-negativa chamada Leptothrix vaginalis, que é uma bactéria fila-
mentosa, semelhante aos lactobacilos longos. Essa bactéria não causa ne-
nhuma anomalia citológica e costuma ser considerada uma saprófita (sa-
prófitos são organismos que absorvem substâncias orgânicas a partir da 
decomposição da matéria).
Amebas: várias espécies podem ser encontradas no trato genital feminino.
• Entamoeba histolytica – comum em regiões de ocorrência de colite causa-
da por ameba. Podem ser observadas em microscopia como células esféricas, 
com núcleos excêntricos e com eritrócitos fagocitados em seu citoplasma.
CITOPATOLOGIA 79
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• Entamoeba vorticella – protozoário ciliado que pode ser observado em 
mulheres de países em desenvolvimento.
• Entamoeba gengivalis – protozoário encontrado em mulheres que fazem 
uso de DIU. Ao contrário da Entamoeba histolytica, é importante ressaltar que 
essa ameba não fagocita eritrócitos.
Vírus
Por fi m, temos na sequência mais detalhes sobre os vírus.
Herpesvírus: promove lesões cutâneas e mucosas. Na maioria das vezes, o 
quadro de doença é causado pelo herpesvírus tipo 2, enquanto o herpesvírus 
tipo 1 é responsável por 15% dos casos. As alterações citológicas podem ser 
identifi cadas no período agudo da infecção,que ocorre aproximadamente en-
tre 2 e 3 semanas após o início da infecção.
No esfregaço, as alterações podem ocorrer nas células escamosas, meta-
plásicas e endocervicais. As primeiras lesões celulares ocorrem devido à repli-
cação viral no núcleo da célula. Em decorrência disso, pode haver o aumento 
da célula (citomegalia) e o aumento nuclear. Em seguida, o núcleo apresenta-se 
opaco, aspecto classifi cado como “vidro fosco”. Ocorre espessamento da borda 
nuclear e alterações estruturais da cromatina. Também podem ser observadas 
células multinucleadas, que são formadas pela fusão das células provocada 
pelo vírus. Tais células têm tamanho maior e possuem núcleos compactados, 
algumas vezes superpostos e com inclusões intranucleares, envolvidas por um 
halo. O citoplasma apresenta-se mais denso e opaco em consequência das al-
terações no citoesqueleto e à picnose.
Citomegalovírus: está relacionado ao herpesvírus, sendo adquirido pela 
placenta ou nos primeiros anos de vida. A infecção ocorre mais frequentemen-
te em células endocervicais.
No esfregaço, podem ser observadas volumosas inclusões nu-
cleares envolvidas por um halo claro. Essas alterações podem 
ter semelhança com as alterações induzidas pelo herpesvírus, 
difi cultando sua diferenciação quando utilizado somente os 
parâmetros morfológicos. Algumas técnicas de imuno-histoquí-
mica e cultura podem auxiliar nessa diferenciação.
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Figura 9. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou. Células infectadas pelo vírus herpes simplex. A imagem mostra as 
células multinucleadas, com núcleos superpostos, de borda espessa e aspecto de vidro fosco. Fonte: Shutterstock. 
Acesso em: 25/03/2021. 
Reações proliferativas benignas
Algumas condições adversas são capazes de promover danos que colocam em 
risco a estrutura e o bom funcionamento dos epitélios escamoso e endocervical. 
Quando isso ocorre, as células desses epitélios sofrem mudanças reacionais, que 
possibilitam a sobrevida e manutenção do seu funcionamento. Essas mudanças 
compreendem alterações morfológicas em diferentes níveis: epitelial e celular. 
As células possuem capacidade de se adaptar a determinadas situações, 
passando por mudanças reacionais no tamanho, no número e no tipo. Tais mu-
danças podem ocorrer de forma isolada ou em combinação, promovendo efei-
tos como o aumento da permeabilidade vascular, da migração de leucócitos e a 
modifi cação estrutural dos epitélios. 
Os agentes agressores podem destruir parcial ou completamente os epité-
lios (vaginal, ectocervical ou endocervical). No entanto, para reverter os danos 
causados, esses epitélios mobilizam mecanismos de proliferação e diferencia-
ção celular, os quais são denominados reações proliferativas benignas. 
São diversos os processos histológicos que podem ocorrer em 
função de uma agressão, dentre eles a acantose, a hiperquera-
tose, a paraqueratose, a hiperplasia, a metaplasia e o reparo. 
Esses processos serão detalhados em dois tópicos: processos de 
proteção e processos de reparação.
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Processos de proteção
Os processos de proteção podem ser divididos em duas categorias: hiper-
diferenciação e metaplasia escamosa.
A hiperdiferenciação representa os mecanismos de proteção utilizados pelo 
epitélio estratifi cado escamoso cervicovaginal em decorrência de estimulação 
crônica mais grave. Esses processos são divididos em três grupos: acantose, 
hiperqueratose e paraqueratose.
Acantose: etapa em que o epitélio aumenta sua espessura para poder 
ampliar seu poder de proteção. Histologicamente, é caracterizado pelo au-
mento no número de células e, em consequência disso, acontece o aumento 
da espessura do epitélio.
Hiperqueratose: consiste basicamente no espessamento do estrato cór-
neo associado com a queratinização. Em condições normais, o epitélio esca-
moso da ectocérvice e da vagina não é queratinizado, portanto não apresenta 
as camadas granular e córnea. Contudo, em determinadas situações, principal-
mente devido à irritação crônica, como no prolapso uterino ou após infl ama-
ção e traumatismos, o epitélio pode sofrer uma hipermaturação, que envolve o 
aparecimento de uma camada de células granulares e queratinização da cama-
da superfi cial do epitélio escamoso. 
É importante considerar que a hiperqueratose é caracterizada pelo surgi-
mento de placas brancas e bem delimitadas no colo uterino. As placas possuem 
essa cor em decorrência da presença de queratina. Essa área é denominada 
leucoplasia ou área de queratinização. Geralmente a leucoplasia é idiopática, 
mas também pode ser causada por irritação crônica decorrente de corpos es-
tranhos, infecção por HPV ou neoplasia escamosa.
Na citologia, são observadas escamas anucleadas (células 
escamosas maturas anucleadas) em número variável e com 
citoplasma orangeofílico (de coloração alaranja-
da, são células queratinizadas ou com tendên-
cia à queratinização). No centro das células, 
onde fi cava localizado o núcleo, é possível 
observar uma zona clara, denominada “nú-
cleo fantasma”.
CITOPATOLOGIA 82
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Figura 10. Amostra cervical, citologia de meio líquido, Papanicolaou, 400x. Escamas anucleadas, presença de núcleos 
fantasma (setas) e citoplasma de coloração alaranjada (orangeofílico). Fonte: LIMA, 2012, p. 67.
Paraqueratose: é um outro mecanismo de queratinização anormal do epi-
télio escamoso não queratinizado, caracterizado pela persistência dos núcleos 
no estrato córneo (queratinizado). Da mesma forma que a hiperqueratose, a 
paraqueratose também é causada por irritação crônica. Esse processo pode 
ser dividido em típico e atípico, dependendo do aspecto dos núcleos.
A paraquetose típica apresenta grupos ou camadas de células com citoplas-
ma orangeofílico, de núcleos geralmente pequenos, condensados e hipercro-
máticos. Os limites das células presentes nas camadas podem se apresentar 
não definidos, dando um aspecto sincicial. Já a paraqueratose atípica, ou dis-
queratose, tem como característica a intensa proliferação celular, com aumen-
to de mitoses, que, por sua vez, aumenta a predisposição ao surgimento de 
mutações. Nos esfregaços, são observados núcleos atípicos, hipercromáticos, 
apresentando margens irregulares, com cromatina grosseira e distribuída irre-
gularmente. As células podem ser observadas em grupos ou em camadas, com 
citoplasma orangeofílico.
EXPLICANDO
Basicamente, quando classificamos aspecto sincicial, a ideia é descrever 
características de massa multinucleada, formada pela junção de células 
originalmente separadas.
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A B
Figura 11. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. A- Conjunto de células escamosas pequenas e poligonais. 
Citoplasma denso, com coloração alaranjada (orangeofílico) e núcleos típicos. B- Células paraqueratóticas em arranjo 
concêntrico, com núcleos picnóticos e citoplasma orangeofílico. Fonte: LIMA, 2012, p. 68 e 69.
Após descrever a hiperdiferenciação, temos ainda outro processo de pro-
teção conhecido por metaplasia escamosa. Trata-se de um fenômeno fi sio-
lógico adaptativo que resulta em um novo tipo celular, com melhor aptidão 
para uma situação adversa. Um epitélio (adulto e diferenciado) é substituído 
por outro epitélio (adulto e diferenciado), porém esse segundo é portador de 
maior resistência. Para tal mudança, pode não ocorrer transformação celu-
lar verdadeira, mas sim uma resposta reativa do núcleo ou citoplasma. Esse 
fenômeno pode se desenvolver na cérvice uterina, mas também em outros 
órgãos, como esôfago e pulmões.
Vale ressaltar que são considerados fatores promotores de metaplasia 
aqueles que ocasionam mudança de meio ou ação de diferentes estímulos. 
Por exemplo, o pH vaginal ácido pode estimular a proliferação dascélulas de 
reserva em múltiplas camadas, o que representa a primeira etapa do processo 
de metaplasia escamosa. Os estímulos costumam ser duradouros, tais como 
irritação crônica (física ou química), infl amação persistente, mudanças endó-
crinas, uso de anticoncepcionais, pólipo endocervical e tecido ectópico (tecido 
que se encontra em uma posição ou localização anormal no organismo).
A metaplasia escamosa é um fenômeno de substituição de forma gradual, 
do epitélio colunar evertido para epitélio estratifi cado escamoso. Esse fenô-
meno envolve mecanismos genéticos, com inativação de alguns genes e desre-
pressão de outros. Além disso, trata-se de um processo irreversível, ou seja, o 
epitélio transformado (escamoso) não é mais revertido a epitélio colunar. A ve-
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locidade de progressão da metaplasia escamosa é variável nas diferentes áreas 
do colo uterino. Assim, podem ser observados diferentes graus de maturidade 
do epitélio escamoso metaplásico, com ou sem ilhotas de epitélio colunar.
Devemos lembrar que a metaplasia escamosa é composta por três etapas, 
sendo elas: 
Hiperplasia de células de reserva: primeira etapa da metaplasia esca-
mosa. Células de reserva subcilíndricas são pequenas, indiferenciadas e 
com potencial de diferenciação em células glandulares cervicais e escamo-
sas. Essas células de reserva são estimuladas e se proliferam em várias 
camadas, localizadas entre a membrana basal e o epitélio colunar endo-
cervical. Normalmente as células de reserva se diferenciariam em células 
colunares endocervicais, porém o que ocorre é que elas se diferenciam em 
células escamosas do tipo basal.
No esfregaço, as células de reserva são raramente observadas, podendo 
estar isoladas ou dispostas em pequenos grupos. Elas são pequenas e com 
formato retangular, com possibilidade de variar o tamanho entre colo de re-
cém-nascidas e cérvices de mulheres adultas. Assim, devemos considerar que
Esfregaços preparados mediante raspados diretos da endocérvice 
ou de ectopia agregam uma maior proporção de células de reservas. 
Histologicamente, deve haver no mínimo três camadas de células 
de reserva para se diagnosticar hiperplasia das células de reserva 
(CONSOLARO; MARIA-ENGLER, 2014).
O núcleo é cêntrico e pequeno, e seu formato pode ser redondo ou oval 
ou, algumas vezes, em forma de rim, com cromatina finamente granular, po-
dendo formar pequenos cromocentros. O citoplasma é cianofílico (cora-se 
em tons de azul ou violeta – Papanicolaou), finamente vacuolizado e com limi-
tes mal definidos.
Metaplasia escamosa imatura e madura: após a hiperplasia das células de 
reserva, elas adquirem características escamosas, constituindo a metaplasia 
imatura. As células metaplásicas se estratificam e desenvolvem uma camada 
basal, o que caracteriza esta última etapa – metaplasia madura. Com o decor-
rer do processo, as células metaplásicas tornam-se mais diferenciadas e, ao final, 
ficam idênticas às células escamosas originais. As células metaplásicas exibem 
tamanhos diferentes, variando de acordo com o seu grau de maturação.
CITOPATOLOGIA 85
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As células metaplásicas imaturas são aproximadamente do mesmo tama-
nho que células escamosas parabasais. Com relação à sua forma, podem ser 
redondas, ovais, triangulares, estreladas ou caudadas, com citoplasma delica-
do ou denso. Os núcleos são maiores que os das células intermediárias, com 
formato redondo ou oval, localização central ou paracentral, com cromatina 
finamente granular (distribuída regularmente) e às vezes com nucléolo. Fre-
quentemente essas células estão dispostas em agrupamentos frouxos.
Com relação às células metaplásicas maduras, podemos considerar que são 
muito similares às células escamosas maduras originais, apresentando peque-
nas diferenças, como citoplasma levemente mais denso e bordas citoplasmáti-
cas mais arredondadas. Essas células também podem se encontrar dispostas 
em agrupamentos frouxos. 
A
Células colunares altas Células epiteliais escamosas
BCDEF
Canal endocervical
Junção escamo-colunar
Ectocérvice
Útero
Vagina
Figura 12. Esquema identificando os tipos celulares do colo uterino (A) e a metaplasia escamosa (eversão do epitélio 
endocervical) (B até F): B- Camada de células de reserva recoberta por células colunares; C- Hiperplasia das células de 
reserva; D- Metaplasia escamosa imatura (início do processo de diferenciação escamosa); E- Metaplasia escamosa em 
maturação; F- Metaplasia escamosa madura (epitélio é idêntico ao epitélio escamoso original). Fonte: LIMA, 2012, p.14 
e 17. (Adaptado).
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Além da metaplasia escamosa, outras metaplasias podem ocorrer, como as 
apresentadas a seguir:
Metaplasia tubária: tem como característica a presença de epitélio cilia-
do da tuba uterina, substituindo o epitélio endocervical e, algumas vezes, o 
epitélio endometrial. É difi cilmente observado na análise citológica, porém um 
indicativo desse tipo de metaplasia é a presença de grande número de células 
colunares ciliadas nesses epitélios.
Metaplasia escamosa endometrial: essa metaplasia frequentemente é 
associada a situações infl amatórias endometriais crônicas. Envolve um grupo 
celular com morfologia heterogênea e com capacidade de proliferação e dife-
renciação, que pode ser observada em endométrio eutópico e ectópico.
Metaplasia papilar imatura atípica: é uma forma menos co-
mum de metaplasia e sua presença geralmente é associada ao HPV 
tipos 6 e 11. A análise histológica apresenta o melhor diagnóstico 
para caracterização desse tipo de lesão. Essa metaplasia apre-
senta regiões de proliferação celular imatura de aspecto pa-
pilífero, com atipia citológica variável e tendência a esten-
der-se ao canal endocervical. É possível ser diferenciada 
de condiloma típico, por não apresentar coilocitose nem 
outras evidências histológicas de infecção viral.
EXPLICANDO
Relacionado à célula com a presença de “coilócito: grande cavidade 
irregular perinuclear em células superfi ciais e intermediárias. Núcleos 
hipercromáticos, membrana irregular, citoplasma denso e eventual binu-
cleação. Efeito citopático do HPV” (NETO, 2020).
Processos de reparação
Os processos de reparo são necessários quando ocorrem danos nos epité-
lios causados por processos infl amatórios, biópsia, cauterização, criocirurgia, 
radioterapia e outros. As células de reparação epiteliais geralmente são deriva-
das das glandulares endocervicais, metaplásicas escamosas e, mais raramente, 
de origem escamosa. As alterações citológicas podem ocorrer em células dos 
seguintes epitélios: cilíndrico, escamoso ou metaplásico. 
CITOPATOLOGIA 87
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No epitélio escamoso, o processo de reparação se inicia com a prolifera-
ção basocelular na periferia da área onde ocorreu a lesão. Esse processo pode 
prosseguir até revestir toda a superfície danificada. No entanto, sabendo que 
as células epiteliais jovens possuem núcleos relativamente grandes e hiper-
cromáticos e ainda que a atividade mitótica pode ser intensa, essas mitoses 
observadas geralmente são normais, podendo ser, algumas vezes, atípicas. As-
sim, descobrimos que pode ocorrer também queratinização anômala.
Já no epitélio da endocérvice, o processo de reparação se inicia com a 
proliferação das células de reserva. Vale constatar que esse processo é carac-
terizado por células com núcleos grandes e nucléolos proeminentes, podendo 
ocorrer infiltração do epitélio endocervical por leucócitos polimorfonucleares.
A origem do reparo, seja escamosa ou endocervical, é de difícil diferencia-
ção quando analisada citologicamente. De forma mais geral, podem 
ser observados grupamentos celulares com citoplasma denso, ani-
sonucleose (variação no tamanho do núcleo), núcleos comcro-
matina granular e distribuição irregular e nucléolos evidentes e de 
contorno nuclear regular. Essas características são comuns 
no chamado reparo típico. No entanto, quando as alte-
rações nucleares são muito intensas e o contorno nu-
clear é irregular, o reparo é chamado de reparo atípico. 
Nessa situação, é difícil a diferenciação entre reparação 
e alterações associadas às neoplasias malignas.
Células basaisA
Células endocervicais
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Figura 13. Esquema de uma reação de reparação. A- Células basais provenientes do epitélio lesionado localizadas na 
periferia da área lesionada. B- Região em que ocorreu a lesão já preenchida por células basais em proliferação. Fonte: 
GOMPEL; KOSS, 1997, p. 61. (Adaptado).
Outros tipos de reações proliferativas benignas
É importante ressaltar que há outros tipos de reações proliferativas que po-
dem ser consideradas benignas. Na sequência, teremos alguns exemplos para 
melhor compreensão.
O primeiro tipo de reação que podemos citar é o uso de DIU, pois ele pode 
ser associado a alterações reativas das células endometriais, endocervicais e/ou 
metaplásicas escamosas. Essas alterações envolvem os núcleos e podem ser sig-
nifi cativas, simulando neoplasias malignas, principalmente o adenocarcinoma.
Figura 14. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. Alterações celulares causadas pelo uso de DIU. Podem ser 
observadas células endometriais com vacuolizações, deslocando os núcleos para a periferia. Fonte: LIMA, 2012, p. 58.
B
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Devido ao uso do DIU, as células endometriais podem se descamar em qual-
quer período do ciclo menstrual. É válido observar que essas células podem ser 
identificadas no esfregaço de forma isolada ou agrupadas, com grandes vacúo-
los citoplasmáticos, aumento nuclear com leve hipercromasia, adensamentos 
de cromatina e nucléolo.
Já com relação às células endocervicais, descobrimos que podem ser ob-
servadas como células colunares grandes, hipervacuolizadas, núcleos com au-
mento de volume e variação do tamanho e hipercromasia.
Além do uso do DIU, podemos citar a radiação como outra possibilidade de 
reação benigna. Contudo, é fundamental considerar que as alterações celula-
res induzidas pela radiação podem ser observadas nos epitélios escamoso e 
granular. Essas alterações podem ser agudas, persistindo até seis meses após 
a radioterapia, ou crônicas, quando as alterações se prolongam por um tempo 
muito maior, chegando a durar por anos. As células imaturas, ou com diferen-
ciação, são mais vulneráveis a lesões por radiação.
Figura 15. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. Alterações pós-irradiação, mostrando vacuolização do cito-
plasma e núcleo degenerado. Fonte: LIMA, 2012, p. 59.
Em pequenas doses, a radiação pode interferir na produção de RNA men-
sageiro e, com isso, diminuir a síntese proteica. Entretanto, doses maiores de 
radiação inibem a síntese de DNA, podendo causar danos irreparáveis, além de 
inibir a atividade mitótica.
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No citoplasma, podem ser observadas alterações como citomegalia (hiper-
trofia celular com aumento nuclear), anfofilia, vacuolização, bordas citoplas-
máticas mal definidas e aparecimento de células com formas anormais, com 
alongamento de núcleo e citoplasma. No núcleo, é possível que ocorra altera-
ções como aumento nuclear, binucleação e/ou multinucleação, anisocariose, 
cariorrexe e picnose. Entretanto, a relação nucleocitoplasmática normalmente 
não se apresenta alterada, uma vez que núcleo e citoplasma aumentam em 
escalas iguais.
Ainda podemos contar com a ação dos agentes alquilantes como mais uma 
opção. Muito utilizados na quimioterapia, eles podem induzir alterações no epi-
télio escamoso similares às alterações apresentadas nas lesões precursoras do 
carcinoma cervical. As células apresentam vacuolização e aumento celular, en-
quanto os núcleos variam no tamanho e na forma, e têm cromatina grosseira 
granular e hipercromática.
Por fim, há ainda a deficiência do ácido fólico. Mais comum em mulheres 
pós-menopausa, em grávidas e em mulheres que fazem uso de contraceptivos 
orais, as alterações que ocorrem em decorrência dessa deficiência são muito 
parecidas àquelas relacionadas à radiação. Nos esfregaços, é possível observar 
alterações como macrocitose (aumento do citoplasma e do núcleo) – cerca de 
duas vezes o tamanho normal do núcleo, porém sem alteração na relação nu-
cleocitoplasmática e células binucleadas ou multinucleadas. Também podem 
ocorrer formas celulares bizarras, com projeções citoplasmáticas. No citoplas-
ma, é possível notar alterações como vacuolização e citoplasma pálido, às ve-
zes, com anfofilia.
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Sintetizando
A inflamação é um importante mecanismo de defesa do organismo, no qual 
ocorre reação dos tecidos em resposta a uma lesão causada por um agente 
agressor. A citologia tem papel importante na avaliação dos processos infla-
matórios e como ferramenta para auxiliar na detecção do agente agressor. De 
acordo com o tempo de duração, os processos inflamatórios podem ser classi-
ficados basicamente em: agudos, subagudos e crônicos.
Para avaliação citológica dos processos inflamatórios, é importante 
fazer a observação das seguintes características: padrão celular predomi-
nante e suas alterações, alterações no tipo e intensidade do exsudato, al-
terações celulares (citoplasmáticas e nucleares) e a presença de necrose 
(picnose, cariorrexe ou cariólise).
Devemos ressaltar que os agentes agressores dos processos inflamatórios 
podem ser divididos em três grupos: agentes químicos (medicamentos, po-
luentes ambientais, cremes), agentes físicos (traumas, lesões, radiação, tempe-
ratura) e agentes biológicos (bactérias, fungos, protozoários e vírus).
Algumas situações adversas são capazes de promover danos que colocam 
em risco a estrutura e o bom funcionamento dos tecidos. Em resposta a essa 
situação, as células sofrem algumas mudanças reacionais a fim de torná-las mais 
aptas para sobrevida e manutenção do seu funcionamento. Para reverter os da-
nos causados, os epitélios mobilizam mecanismos de proliferação e de diferen-
ciação celular, que são chamados de reações proliferativas benignas. Essas rea-
ções se dividem em dois tipos: processos de proteção e processos de reparação.
Os processos de proteção se dividem em dois grupos: hiperdiferenciação 
e metaplasia escamosa. A hiperdiferenciação consiste basicamente no espes-
samento e queratinização do epitélio escamoso, em decorrência de uma lesão 
crônica mais grave. Já a metaplasia escamosa é um fenômeno fisiológico adap-
tativo em que ocorre a substituição das células (colunares) por um novo tipo 
celular (escamosas), com melhor aptidão para uma situação adversa. 
Os processos de reparação são necessários para reparar lesões causadas 
por outros agentes (processos inflamatórios, biópsia, cauterização etc.). Esse 
processo se inicia com a proliferação das células basais na periferia da área 
lesionada e pode seguir até o preenchimento de toda a superfície danificada.
CITOPATOLOGIA 92
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CITOPATOLOGIA 93
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NOMENCLATURAS E 
O CÂNCER DE COLO 
DO ÚTERO
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Compreender o que são atipias celulares;
 Interpretar as alterações celulares e identificar os diferentes tipos de atipias;
 Compreender o que são lesões pré-malignas e suas classificações;
 Analisar e diferenciar os tipos de lesões pré-malignas;
 Compreender o que são lesões malignas;
 Compreender as alterações celulares envolvidas nas lesões pré-malignas e 
malignas e diferenciá-las;
 Descrever o histórico das nomenclaturas utilizadas para o diagnóstico 
citopatológico cérvico-vaginal;
 Compreender o sistema Bethesda e relacionar com as outras classificações.
 Atipias, lesões pré-malignas e 
malignas do colo uterino
 Atipias
 Lesões pré-malignas
 Lesões malignas
 Nomenclatura para o diagnósti-
co citopatológico cérvico-vaginal
 Evolução das classificações e 
nomenclaturas
 Sistema Bethesda
CITOPATOLOGIA 95
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Atipias, lesões pré-malignas e malignas do colo uterino
O núcleo da célula, por meio de suas estruturas, expressa a atividade bio-
lógica daquela célula, enquanto o citoplasma exibe a diferenciação e atividade 
funcional da célula. Diferentes processos patológicos podem atingir as células, 
causando, assim, determinadas respostas celulares.
Para uma boa regulação dos processos biológicos da célula, é fundamental 
que o núcleo se mantenha com sua arquitetura intacta. Pequenas alterações 
na organização do ambiente nuclear podem levar a mudanças signifi cativas na 
regulação da expressão gênica, que, por sua vez, pode promover fenômenos 
como proliferação e diferenciação anormais nas células.
O método de citologia esfoliativa foi elaborado por Papanicolaou com o in-
tuito de estudar as células vaginais e do colo uterino e diagnosticar o câncer 
cervical nas mulheres. Essa técnica é considerada uma excelente ferramenta 
na avaliação preventiva, identifi cando precocemente alterações celulares que 
possam evoluir para um câncer de colo do útero. A observação de alterações 
nucleares em esfregaços citológicos é de grande importância em situações de 
perda de informações sobre a arquitetura do tecido. O grau das alterações nu-
cleares é progressivo e depende do estágio da lesão.
Dessa maneira, é importante o estudo das lesões pré-
cancerosas e cancerosas do colo uterino, de forma a melhor 
compreensão dos eventos que ocorrem no câncer. 
Atipias
Uma atipia seria um estado que não está de acordo com modelos ou tipos, 
logo as atipias celulares podem ser defi nidas como alterações celulares, tais 
como forma, tamanho, relação núcleo/citoplasma, entre outras, podendo re-
presentar anomalias no desenvolvimento e divisão celular.
É considerada uma lesão escamosa indeterminada a lesão em que não é 
detectada a presença de um agente causal e, ainda assim, são observadas 
alterações celulares signifi cativas. Tais alterações se sobrepõem às observa-
das na infl amação, mas são insufi cientes (quantitativa ou qualitativamente) 
para caracterizar uma lesão epitelial. A frequência desse tipo de alteração é 
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baixa, devendo ocorrer em até 5 % dos esfregaços realizados em laborató-
rios de citopatologia.
Essas alterações são denominadas atipia de células escamosas (ASC) e se 
dividem em dois grupos: ASC-US, que são as células escamosas atípicas de sig-
nificado indeterminado; e ASC-H, que são as células escamosas atípicas – não 
sendo possível excluir uma lesão intraepitelial escamosa de alto grau.
A ASC-US corresponde à maioria dos casos observados. A diferenciação en-
tre ASC-US e ASC-H tem relevada importância do ponto de vista clínico, uma 
vez que cada uma dessas categorias apresenta diferentes riscos associados à 
lesão intraepitelial escamosa (SIL). Enquanto a ASC-US está associada à SIL 
em cerca de 10 % dos casos, a ASC-H pode chegar a cerca de 42 % dos casos, 
com percentual significativo de lesões de alto grau.
Existe ainda a categoria das anormalidades epiteliais glandulares. A atipia 
glandular cervical não é uma observação comum e representa menos de 1 % 
dos diagnósticos cervicais. Além disso, a distinção entre atipia glandular e le-
sões glandulares é problemática, graças aos critérios não serem bem estabe-
lecidos. A metodologia de citologia cérvico-vaginal também não é a mais ade-
quada para o rastreamento dessas lesões, que se tornam mais evidentes na 
citologia em base líquida.
De acordo com o Sistema Bethesda, as anormalidades epiteliais glandula-
res podem ser classificadas em:
• Células glandulares endocervicais atípicas sem outra especificação (de sig-
nificado indeterminado, provavelmente não neoplásicas);
• Células glandulares endocervicais atípicas provavelmente neoplásicas (de 
significado indeterminado, provavelmente neoplásicas);
• Adenocarcinoma endocervical in situ (que será apresentado no estudo de le-
sões pré-malignas por ser um precursor do adenocarcinoma endocervical invasivo).
ASC-US
Essa categoria abrange as alterações citológicas que são sugestivas, mas 
não definitivas para o diagnóstico de lesão intraepitelial escamosa de 
baixo grau (LSIL). Portanto, tais alterações não podem ser in-
cluídas nos quadros de displasias (lesão intraepitelial esca-
mosa de baixo e alto grau), nem de inflamações e de reparo, 
sendo, então, um diagnóstico de exclusão.
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Ocorre comprometimento das células escamosas maduras superfi ciais ou 
intermediárias. Nas células, são observadas alterações sutis que envolvem 
principalmente o núcleo celular, tais como: 
• Aumento nuclear (de 2,5 a 3 vezes o tamanho do núcleo de uma célula 
intermediária normal).
• Borda nuclear lisa ou discretamente irregular.
• Discreto aumento na relação núcleo/citoplasmática.
• Cromatina fi namente granular, sendo uniformemente distribuída ou se apre-
senta como cromatina compacta.
• Leve hipercromasia nuclear.
• Binucleação ou multinucleação das células.
É necessário cuidado por parte do citologista, pois as alterações, por serem 
discretas, podem ser confundidas com alterações associadas à infl amação, 
reparo, paraqueratose, atrofi a, radioterapia, defi ciência de ácido fólico e HPV. 
Com relação à LSIL, é importante destacar que a lesão promove sinais nuclea-
res mais evidentes, como hipercromasia mais destacada, discreto enrugamen-
to da membrana nuclear e cromatina mais grosseira.
As alterações do tipo ASC-US correspondem a 90 a 95 % do total de diagnós-
ticos de ASC e representam entre 4 e 6 % do total dos esfregaços.
Figura 1. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou. A. Células superfi ciais e intermediárias, na seta é destacada uma 
célula com aumento nuclear (100x). B. Célula intermediária com núcleo discretamente aumentado, borda nuclear 
levemente ondulada e cromatina fi namente granular (400x). Fonte:LIMA, 2012, p. 87. (Adaptado).
A B
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ASC-H
Tal categoria abrange as alterações citológicas que são sugestivas, mas não 
definitivas para o diagnóstico de lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL). 
São células escamosas imaturas, observadas de forma espalhada na lâ-
mina, isoladas ou formando pequenos grupos (até dez células). Essas células 
apresentam atipia nuclear leve ou moderada, podendo ser observadas as se-
guintes características:
• Aumento nuclear (de 1,5 a 2 vezes o tamanho do núcleo de uma célula 
metaplásica normal).
• Relação núcleo/citoplasmática maior que na célula metaplásica escamosa 
normal.
• Núcleo levemente irregular.
• Cromatina finamente granular, distribuída uniformemente ou condensada.
• Hipercromasia leve.
Ressalte-se que características como a presença de hipercromasia, borda 
nuclear irregular e cromatina mal distribuída podem favorecer HSIL.
Por conta das semelhanças nas alterações, podem ser considerados como 
causas de erros de análise as células endocervicais reativas e isoladas, células 
endometriais degeneradas, macrófagos, metaplasia escamosa 
imatura, reparo, atrofia, gravidez e DIU.
ASC-H representa 5 a 10 % dos diagnósticos da catego-
ria ASC, frequência muito menor que a da 
ASC-US, no entanto, o risco de lesão de 
alto grau é bem elevado, em torno de 24 
a 94 %.
Após a identificação da categoria 
ASC-H, a paciente deverá realizar outros 
exames, como colposcopia e biópsias.
CITANDO
“A colposcopia é uma técnica que permite a ampliação estereoscópica dos 
tecidos do trato genital inferior de 6 a 40 vezes. Essa palavra deriva do 
grego e significa a observação atenta (skopeo) da vagina (kolpos). Foi ori-
ginalmente desenvolvida pelo médico alemão Hans Hinselmann, em 1925” 
(SILVA NETO, 2020, p. 270).
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Atipias em células glandulares endocervicais sem outra especificação
São alterações que estão além das alterações reativas e reparadoras, mas 
não apresentam as mesmas características do adenocarcinoma endocervical 
in situ ou invasivo.
Os achados glandulares atípicos se classifi cam conforme o tipo celular, 
como endocervical ou endometrial. No entanto, a distinção nem sempre é fácil 
e, por isso, muitas vezes é utilizado o termo “atipia de célula glandular”, sem 
a defi nição da origem.
As características dessas células englobam:
• Células agrupadas em monocamada, com amontoamento nuclear discreto;
• Citoplasma abundante, vacuolado e com bordas distintas.
• Aumento nuclear de 3 a 5 vezes o tamanho do núcleo de uma célula endo-
cervical normal, apresentando-se de modo redondo ou oval.
• Relação núcleo/citoplasmática alta.
• Hipercromasia leve.
A B
Figura 2. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou, 400x. A. Células metaplásicas escamosas imaturas com aumento 
nuclear, hiper cromasia, cromatina delicada e núcleo discretamente irregular. B. Células metaplásicas imaturas (nas se-
tas) com discreto aumento nuclear, borda nuclear levemente irregular, hipercromasia e cromatina fi namente granular. 
Como essas alterações são sutis e a quantidade de células com alterações é pequena, são classifi cadas como ASC-H. 
Fonte: LIMA, 2012, p. 90 e 91. (Adaptado).
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Atipias em células glandulares endocervicais provavelmente neoplásicas
Nessa categoria, verifi cam-se as alterações como indícios de lesão mais avançada, 
mas que ainda não pode se caracterizar como adenocarcinoma in situ ou invasivo.
São características de tais células:
• Células em placas, de forma irregular, com amontoamento e sobreposição.
• Aspecto de “rosetas” ou de “plumagem”.
• Citoplasma diminuído e com bordas mal defi nidas.
• Aumento nuclear, com leve ou moderada hipercromasia.
• Cromatina grosseira e irregular.
• Relação núcleo/citoplasmática aumentada.
• Mitoses ocasionais.
A B
A B
Figura 3. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou, 400x. Atipia de células endocervicais de signifi cado indeterminado, sem 
outra especifi cação. A. Conjunto discretamente desorganizado, com discreto aumento nuclear e leve hipercromasia. B. 
Células com núcleos aumentados e hipercromáticos, discretamente sobrepostos. Fonte: LIMA, 2012, p. 167. (Adaptado).
Figura 4. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou, 400x. Atipia de células endocervicais de signifi cado indeterminado, 
provavelmente neoplásicas. A. Conjunto de células com aumento nuclear e variação de tamanho, com bordas levemente 
irregulares e hipercromasia. B. Células com disposição em “tiras”, núcleos mais volumosos, de forma mais alongada e 
hipercromáticos. Fonte: LIMA, 2012, p. 168. (Adaptado).
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Lesões pré-malignas
As lesões pré-malignas ou pré-can-
cerosas são aquelas alterações que 
ocorrem gradualmente nas células 
normais do colo uterino e que podem 
se transformar em câncer. Histologi-
camente, as lesões são caracterizadas 
por: aumento da taxa mitótica, atipia 
citológica (alterações nucleares, for-
ma, tamanho) e organização anormal. 
Na lesão intraepitelial, as células alte-
radas estão restritas ao extrato epi-
telial e, portanto, não ultrapassaram 
a membrana basal, invadindo o es-
troma. Com isso, não é caracterizada 
uma microinvasão ou invasão.
A identifi cação de tais lesões precursoras nos esfregaços cérvico-vaginais é 
de grande importância para a prevenção e tratamento do câncer cervical.
Nos esfregaços, devem ser considerados os parâmetros de maturidade ci-
toplasmática e intensidade das alterações nucleares.
• Maturidade citoplasmática: quanto maior a relação núcleo/citoplasmáti-
ca, comparada com as células normais, maior o avanço da displasia.
• Intensidade das alterações nucleares: aumento nuclear, alterações da 
forma e da borda nuclear, modifi cações na cromatina e hipercromasia.
Alguns termos são usados para a descrição dessas alterações, tais como 
neoplasia intraepitelial de colo do útero (NIC), displasia e lesão intraepitelial 
escamosa (SIL).
As lesões intraepiteliais escamosas se classifi cam, no Sistema Bethesda), em:
• LSIL: lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau.
• HSIL: lesões intraepiteliais escamosas de alto grau.
• HSIL com características suspeitas de invasão.
As lesões glandulares são classifi cadas em uma categoria única:
• Adenocarcinoma endocervical in situ (AIS).
CITOPATOLOGIA 102
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Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL)
A LSIL corresponde à NIC-I e displasia leve, nas classifi cações das neoplasias 
intraepiteliais cervicais (Richart) e de Reagan e Patten, respectivamente.
As lesões do tipo LSIL apresentam atipias nas células escamosas maduras 
(superfi ciais e intermediárias). As características celulares desse tipo de lesão 
compreendem:
• Citoplasma abundante e bem defi nido.
• Células isoladas ou dispostas em pequenos grupamentos em monocamada.
• Disqueratose (queratinização intracitoplasmática) - células orangeofílicas.
• Relação núcleo/citoplasmática levemente alterada.
• Aumento nuclear em torno de três vezes o tamanho de um núcleo de uma 
célula intermediária normal.
• Hipercromasia.
• Cromatina de homogênea a granular irregular ou condensada.
• Contorno nuclear irregular.
• Nucléolo ausente ou não visível.
• Binucleação ou multinucleação.
• Coilocitose frequente.
Normal NIC 1 NIC 2 NIC 3
Células cervicais
em esfregaço
de Papanicolaou
Células escamosas
Células basais
Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
Figura 5. Estágios de displasia cervical e teste de Papanicolaou. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/04/2021. (Adaptado).
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Os coilócitos podem ser caracterizados por apresentarem um halo perinu-
clear com bordas irregulares, deslocamentoperiférico do citoplasma e atipias 
nucleares, como anisonucleose (tamanho anormal do núcleo), contorno nuclear 
irregular, hipercromia e bi ou multinucleação. Os coilócitos são resultantes de 
infecção por HPV.
A origem das lesões, na sua grande maioria, está relacionada à infecção e 
persistência do HPV, em uma frequência em torno de 90 %.
As anormalidades nucleares envolvem todo o epitélio, no entanto, a matu-
ração escamosa é preservada e, com isso, pode ser observada a maioria das 
anormalidades no terço inferior do epitélio.
Graças às similaridades, é necessário cautela na análise dessas alterações, 
podendo ser causa de erros: dessecamento, células naviculares (células con-
tendo depósitos de glicogênio), alterações inflamatórias, deficiência de ácido 
fólico, reparo, radiação, atrofia e atipia de células escamosas (ASC).
Inflamação LSIL
Agente causal Pode aparecer (microrganismos, DIU) Não possui
Coilócitos Ausente Presente
Citoplasma
Pode apresentar vacúolos. Bordas 
citoplasmáticas indefinidas. Halos 
perinucleares pequenos e uniformes, 
de borda regular
Pode se apresentar denso. Borda 
citoplasmática distinta. Ausência de 
halos perinucleares uniformes
Tamanho 
do núcleo
Aumento em torno de duas vezes em 
relação a um núcleo de uma célula 
intermediária
Aumento em torno de três vezes em 
relação a um núcleo de uma célula 
intermediária
Morfologia do 
núcleo
Contorno regular, cromatina fina e 
homogênea
Contorno irregular, cromatina irre-
gular e hipercromasia
Nucléolo Presente Ausente
Relação núcleo/ 
citoplasmática
Levemente aumentada De leve à aumentada
QUADRO 1. CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS ENTRE REAÇÃO INFLAMATÓRIA E LSIL
Fonte: SILVA NETO, 2020, p. 194. (Adaptado).
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Figura 6. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolau. Células escamosas com displasia leve (NIC I, LSIL) e coilócitos. É possível 
observar os halos perinucleares, com margens espessas e bem delimitadas, e também aumento nuclear e presença de 
binucleação. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 07/04/2021. 
Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL)
HSIL corresponde à NIC-II (displasia moderada) e NIC-III (displasia grave e 
carcinoma in situ) das classificações de Richart e de Reagan e Patten. Devido à 
amplitude das características citomorfológicas, algumas vezes, a HSIL recebe 
a subclassificação de NIC-II e NIC-III para a complementação do laudo, contri-
buindo para a tomada de decisões terapêuticas.
A partir das lesões de baixo grau (displasia leve), as anormalidades apre-
sentam continuidade morfológica até chegar às lesões de alto grau (displasia 
moderada/grave e carcinoma in situ). O extrato epitelial vai se comprome-
tendo de forma contínua, a partir da sua base, onde ocorre infecção das cé-
lulas basais pelo HPV. Enquanto houver diferenciação celular, considera-se 
como displasia; já quando ocorre perda da diferenciação celular e a camada 
epitelial se compõe por inteiro de células imaturas classifica-se, então, como 
carcinoma in situ.
Histologicamente, na NIC-II, a atipia nuclear acontece de forma mais signifi-
cativa nas porções inferior e central do epitélio, enquanto na NIC-III as alterações 
são mais uniformes com atipia nuclear em toda a espessura do epitélio.
As características desse tipo de lesão envolvem:
• Células do tipo metaplásico imaturo ou similares às células de reserva.
CITOPATOLOGIA 105
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• Células menores, isoladas, em agrupamentos planos ou em agrupamen-
tos sinciciais (carcinoma in situ).
• Citoplasma abundante nas lesões iniciais (NIC-II) e escasso nas lesões mais 
avançadas (NIC-III) ou queratinizado.
• Relação núcleo/citoplasmática elevada.
• Aumento nuclear (três vezes o tamanho do núcleo de uma célula intermediária).
• Núcleo geralmente hipercromático.
• Borda nuclear com irregularidades marcadas.
• Nucléolo eventual e cromocentro.
• Cromatina heterogênea, com variação de grânulos finos a grosseiros.
Determinadas características de tais lesões podem ser associadas a outras 
condições, causando erro na análise, tais como: metaplasia escamosa, agrupa-
mentos de células basais na atrofia, histiócitos, cervicite colicular, hiperplasia das 
células de reserva, células endocervicais e endometriais, DIU e hipercoloração.
LSIL HSIL
Citoplasma
Pode se apresentar denso. Bor-
da citoplasmática distinta. 
Abundante nas lesões iniciais 
(NIC II) e escasso nas lesões 
avançadas (NIC III)
Tamanho do núcleo
Aumento em torno de três 
vezes em relação a um núcleo 
de uma célula intermediária
Aumento em torno de três 
vezes em relação a um núcleo 
de uma célula intermediária
Morfologia do núcleo
Contorno irregular, cromatina 
irregular e hipercromasia
Contorno muito irregular, 
cromatina heterogênea e hi-
percromasia
Nucléolo Ausente Eventual
Relação núcleo/citoplasmática De leve à aumentada Elevada
QUADRO 2. CARACTERÍSTICAS COMPARATIVAS ENTRE LSIL E HSIL
HSIL com características suspeitas de invasão
Nesta categoria, as alterações relacionadas à HSIL apresentam intensida-
de ainda maior, como pleomorfismo (variação de forma e tamanho) celular e 
nuclear acentuado e queratinização com ausência de diátese tumoral. Tam-
bém é possível observar necrose epitelial celular focal, micronucléolos com 
presença de células inflamatórias e aparência de diátese tumoral, assim como 
Fonte: SILVA NETO, 2020. (Adaptado).
CITOPATOLOGIA 106
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esfregaços com fundo claro e limpo. Tais sinais citomorfológicos corroboram 
os quadros de microinvasão, diagnosticados na histologia.
CITANDO
“Diátese tumoral, caracterizada pela presença de um precipitado proteináceo gra-
nular, eosinofílico ou cianofílico, no fundo do esfregaço, que representa exsudato 
inflamatório e necrose das células tumorais. Além disso, observam-se também 
pigmento de sangue degenerado resultante de hemólise, leucócitos em degenera-
ção e fragmentos celulares, especialmente nos adenocarcinomas do endométrio e 
da endocérvice” (CONSOLARO; MARIA-ENGLER, 2014, p.129).
Figura 7. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolau. Células com lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL, NIC III, dis-
plasia grave) relacionada ao HPV. É possível observar aumento nuclear, aumento da relação núcleo/citoplasmática, borda 
nuclear irregular e cromatina heterogênea. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 07/04/2021. 
Adenocarcinoma endocervical in situ (AIS)
Pode ser considerado o equivalente à lesão escamosa do tipo NIC-
-III, sendo o precursor do adenocarcinoma endocervical invasivo. Esse 
precursor é capaz de ser detectado vários anos antes de se evoluir e se 
tornar invasivo.
CITOPATOLOGIA 107
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Por causa da sensibilidade da citologia cérvico-vaginal, a incidência do ade-
nocarcinoma invasivo é maior que a do AIS. O AIS pode estar associado às le-
sões intraepiteliais escamosas de 25 a 50 % dos casos. Além disso, em torno de 
40 % das atipias glandulares mostram-se como HSIL na análise histopatológica.
Características do AIS:
• Células com aparência colunar.
• Células endocervicais em quantidade moderada a abundante.
• Formam agrupamentos tridimensionais (aspecto de roseta, plumas, tiras 
com pseudoestratificação nuclear), com sobreposição dos núcleos.
• Aumento nuclear, com variação de tamanho e hipercromasia.
• Núcleos mais alongados, oval ou em forma de bastões.
• Cromatina granular grosseira.
• Relação núcleo/citoplasmática aumentada.
• Podem aparecer mitoses.
Figura 8. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolau. Adenocarcinoma in situ (AIS) de células endocervicais. É possível 
observar agrupamento em forma de pluma, com núcleos alongados e em sobreposição. Fonte: Shutterstock. Acesso 
em: 09/04/2021. 
CITOPATOLOGIA 108
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Lesões malignas
Historicamente, a descobertade câncer relacionado ao colo uterino foi data-
da em 1877. Depois, em 1920, foi desenvolvido pelo médico inglês Hinsermann 
um instrumento denominado colposcópio, cujos objetivos eram o de analisar o 
colo uterino e fazer biópsias. Em 1941, estabeleceu-se por Papanicolaou e Traut 
a possibilidade de diagnóstico de carcinoma de colo uterino mediante análise 
das células contidas nos esfregaços citológicos.
A base da citopatologia diagnóstica está nas alterações celulares caracte-
rísticas observadas nas células cancerosas. As alterações celulares de maior 
predomínio no diagnóstico de malignidade se referem às alterações nucleares, 
dentre elas aumento nuclear, alterações da borda nuclear, relação núcleo/cito-
plasmática, alterações nucleolares e no padrão da cromatina.
A lesão invasiva é caracterizada quando a lesão, além de comprometer 
toda a extensão epitelial, rompe a membrana basal, infi ltrando o estroma 
subjacente.
Carcinoma escamoso invasivo
O carcinoma escamoso é o tumor mais comum da cérvice e compreende 
cerca de 75 % dos casos de tumores malignos do colo uterino, que geralmente 
atinge mulheres entre 45 e 55 anos. O câncer de colo do útero é o segundo tipo 
de câncer mais comum entre mulheres no mundo e está relacionado a altas 
taxas de mortalidade.
Tal tipo de câncer tem como principal fator de risco a infecção persistente 
pelo HPV, no entanto, são necessários outros cofatores, como tabagismo, uso 
prolongado de anticoncepcionais e atividade sexual precoce ou com múltiplos 
parceiros, para a manifestação da doença. Nem todos os tipos virais do HPV 
são oncogênicos, então nem toda infecção por HPV pode desencadear um cân-
cer. Os tipos virais são divididos de acordo com o risco oncológico, como baixo 
e alto risco. Os de baixo risco mais comuns são os tipos 6 e 11, sendo os maiores 
responsáveis por verrugas genitais. Já os de alto risco mais comuns são os tipos 
16 e 18, responsáveis por cerca de 70 % de todos os casos de câncer. Os carci-
nomas escamosos são principalmente relacionados ao HPV 16.
A evolução do carcinoma escamoso ocorre a partir das lesões pré-cancero-
sas ou pré-malignas. As lesões de baixo grau conseguem evoluir para lesões de 
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alto grau, podendo ter suas células rompendo a membrana basal e invadindo 
o estroma subjacente, formando, assim, o carcinoma invasivo. Entretanto esse 
caminho não é obrigatório, e alguns tumores podem evoluir diretamente de 
lesões de alto grau, não sendo iniciados pelas lesões de baixo grau.
Nas lesões invasivas, as atipias celulares observadas nas lesões LSIL e HSIL 
são mais acentuadas e algumas outras alterações também se tornam presen-
tes, como a diátese tumoral, formada por material necrótico, sangue, polimor-
fonucleares e eventuais fibroblastos.
As características citológicas chegam a variar de acordo com o tipo histológico 
do carcinoma escamoso, podendo ser de três tipos: não queratinizante de grandes 
células, queratinizante e não queratinizante de pequenas células.
• Tipo não queratinizante de grandes células
• Ocorre com maior frequência.
• Localização: junção escamocolunar ( JEC).
• Diferenciação celular: pobre.
• Forma: células arredondadas e poligonais.
• Cromatina: grosseira, distribuída irregularmente.
• Queratinização eventual em células isoladas.
• Diátese tumoral: presente.
• Tipo queratinizante
• Frequência: 10 a 15 % do total de carcinomas escamosos.
• Localização: ectocérvice.
• Queratinização celular, pérolas córneas.
• Pleomorfismo celular.
• Diátese tumoral: menos comum.
• Núcleos: frequentemente picnóticos (cromatina condensada), formas 
anormais.
• Tipo não queratinizante de pequenas células
• Frequência: entre 5 e 10 % do total de carcinomas escamosos.
• Localização: endocérvice.
• Relação núcleo/citoplasmática: elevada (células pequenas).
• Cromatina: grosseiramente granular.
• Queratinização celular: ausente.
• Diátese tumoral: presente.
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Adenocarcinoma endocervical invasivo
A citologia é uma metodologia de rastreamento utilizada principalmente 
na detecção de lesões intraepiteliais e invasivas do epitélio escamoso, limi-
tando a análise das lesões glandulares à região do corpo uterino. A detec-
A
C
B
D
Figura 9. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou, 400x. Carcinoma escamoso. A. Pérola córnea (escamosa) maligna: arranjo 
concêntrico de células que ratinizadas, com núcleos hipercromáticos. B. Células gigantes exibindo cromatina irregular (setas); 
células queratinizadas, com núcleos irregulares e cromatina condensada, com espaços claros (dupla seta). C. Células com a 
forma arredondada ou poligonal, apresentando núcleos volumosos, irregu lares, com cromatina condensada; nas setas, mito-
ses anormais. D. Células pe quenas, com citoplasma escasso e mal defi nido, núcleo volumoso e relação núcleo/citoplasmática 
elevada. Fonte: LIMA, 2012, p. 152, 153 e 154. (Adaptado).
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ção do adenocarcinoma é dependente da presença de células esfoliadas na 
amostra coletada.
O adenocarcinoma endocervical in situ é considerado o precursor do 
adenocarcinoma endocervical. No entanto, é importante saber que uma inter-
pretação citológica de adenocarcinoma endocervical in situ pode corresponder, 
em aproximadamente 40 %, a um adenocarcinoma invasivo na análise histoló-
gica. Assim, o exame histopatológico é de grande importância para a diferen-
ciação entre as duas condições.
As características citológicas do adenocarcinoma endocervical abrangem:
• Maior número de células anormais, frequentemente colunares.
• Alterações arquiteturais semelhantes às do adenocarcinoma in situ.
• Formação de agregados sinciciais ou papilas.
• Quanto mais avançado, maior a perda da coesão celular.
• Núcleos maiores, maior pleomorfi smo, com bordas irregulares.
• Nucléolos frequentes.
• Cromatina distribuída irregularmente, hipercromática ou com clareamen-
to (espaços claros).
• Mitose frequente.
• Diátese tumoral eventualmente presente (metade dos casos ou menos).
A B
Figura 10. Esfregaço cérvico-vaginal, Papanicolaou, 400x. Adenocarcinoma endocervical invasivo. A. Células em agrupamento 
frouxo e desorganizado, citoplasma mal defi nido e com núcleos volumosos, de tamanho variado. B. Células agrupadas em 
“tira”, com núcleos volumosos, de tamanho variado, às vezes, pleomórfi cos. Fonte: LIMA, 2012, p. 177. (Adaptado).
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Nomenclatura para o diagnóstico citopatológico 
cérvico-vaginal
O exame citopatológico cérvico-vaginal ou esfregaço cérvico-vaginal, po-
pularmente conhecido como exame de Papanicolaou, é um exame preventivo 
e que permite o rastreamento do câncer de colo do útero. Com tal exame, é 
possível identifi car com antecedência se a paciente possui a predisposição ao 
desenvolvimento do câncer de colo uterino.
O câncer de colo do útero, ou câncer cervical, é principalmente causado 
por infecção persistente de alguns tipos de HPV (Papilomavírus Humano). A 
infecção por esse vírus é muito frequente nas mulheres, no entanto, na maioria 
das vezes, não é causador de doença. Em outros casos, a infecção pode causar 
alterações celulares que, posteriormente, podem evoluir para o câncer. Alguns 
fatores como imunossupressão, fumo, atividade sexual precoce, entre outros, 
aumentam o risco de desenvolvimento desse tipo de câncer.
O câncer de colo do útero tem incidência alta, sendo muito frequente na 
população feminina e também está entre os tipos de câncer com maior taxa de 
mortalidade entre as mulheres. Por esse motivo, é muito importante a realiza-
ção periódica do exame.
Dentro de tal cenário, a análise citopatológica é de fundamental valor no 
diagnóstico, seguindo padrões de classifi cação que facilitem a 
comparação dosresultados nacionais com os encontrados em 
publicações internacionais. A adoção dessas classifi cações e 
nomenclaturas contribui para o bom desempenho do labora-
tório, assim como para a relação entre citologia e clínica.
Evolução das classificações e nomenclaturas
Vários protocolos de classifi cação com nomenclaturas foram elaborados 
com o decorrer do tempo, de forma a melhor abranger os achados relaciona-
dos à citologia e à histopatologia cervical.
A primeira nomenclatura foi desenvolvida em 1943 pelo Dr. George Papa-
nicolaou. Tal nomenclatura graduava as classes de I até V, de acordo com a 
normalidade ou anormalidade das células observadas.
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Em 1949, Papanicolaou introduziu o termo “displasia” na histopatolo-
gia para designar as atipias celulares intraepiteliais. Por anos, as displasias 
eram pouco valorizadas do ponto de vista clínico, não sendo recomendado 
seu tratamento.
Em 1953, Reagan e colaboradores recomendaram o uso do termo displa-
sias para as lesões com menor gravidade que as do carcinoma in situ. Os au-
tores também sugeriram que a maioria dessas lesões era passível de regres-
são ou permaneceria inalterada por muito tempo, mesmo sem tratamento, 
enquanto o carcinoma in situ já era considerado precursor de um carcinoma 
invasivo, sendo indicada a histerectomia como tratamento.
Em 1961, foi realizado o Primeiro Congresso Internacional de Citologia, em 
Viena, sendo definidos alguns termos para designar citologicamente as le-
sões cervicais: carcinoma invasor, carcinoma in situ e displasias.
Uma nova classificação (Reagan e Patten) foi proposta, com aspectos 
histológicos, baseada na proporção do acometimento da espessura do epi-
télio. O termo displasia foi introduzido na classificação e subdividido em: 
leve, moderado e grave. Tal classificação se correlacionava com a de Papa-
nicolaou da seguinte forma: displasia leve (Classe III), displasia moderada 
ou grave ou carcinoma in situ (Classe IV) e carcinoma invasor (Classe V).
Nas décadas de 1960 e 1970, estudos importantes demonstraram que as 
displasias poderiam evoluir para carcinoma invasivo e que as displasias e o 
carcinoma in situ estavam muito relacionados. As observações foram a base 
de uma nova classificação proposta por Ralph Richart (1964), em que o ter-
mo displasia foi substituído por neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Essa 
classificação ficou definida em três graus (NIC-I, NIC-II e NIC-III), com fusão 
Classe Descrição
Classe I Ausência de células atípicas ou anormais
Classe II Citologia atípica, sem evidência de malignidade
Classe III Citologia sugestiva, mas não conclusiva, de malignidade
Classe IV Citologia fortemente sugestiva de malignidade
Classe V Citologia conclusiva de malignidade
QUADRO 3. CLASSIFICAÇÃO DESENVOLVIDA PELO DR. PAPANICOLAOU (1943)
Fonte: CONSOLARO; MARIA-ENGLER,, 2014, p. 135. (Adaptado).
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da displasia grave e carcinoma in situ em uma única categoria. Além disso, as 
lesões que anteriormente eram identifi cadas como displasias começaram a 
ter maior valor no aspecto clínico.
De forma geral, os laboratórios de citologia tinham suas próprias adapta-
ções de classifi cação, a partir da classifi cação de Papanicolau. Isso gerou mui-
tos problemas devido à confusão nas informações de condição clínica do pa-
ciente, por isso foi necessário criar uma padronização.
Sistema Bethesda
Em 1988, um grupo de profi ssionais da saúde especialistas em câncer cervi-
cal se reuniu em uma conferência patrocinada pelo Instituto Nacional do Cân-
cer, na cidade de Bethesda, nos EUA, com o intuito de padronizar os laudos 
produzidos pelos laboratórios de citologia e também de apresentar uma ter-
minologia diagnóstica mais uniforme, a fi m de facilitar a comunicação entre 
o laboratório e o clínico.
Nessa conferência, os participantes elaboraram um sistema de classifi ca-
ção para as lesões epiteliais cervicais, conhecido como sistema Bethesda.
Tal classifi cação incorporou vários conhecimentos e conceitos adquiridos, como:
• Células escamosas e glandulares presentes no esfregaço deviam ser ana-
lisadas separadamente.
• A concordância do exame citológico com o diagnóstico histológico não era 
absoluta.
• Já era conhecido o importante papel do HPV na carcinogênese do epitélio 
do colo do útero, reconhecendo que muitas lesões regrediam espontaneamen-
te e outras tinham a possibilidade de evolução para neoplasia invasora.
• Foi introduzida a análise da qualidade do esfregaço.
O sistema Bethesda classifi cou os achados citológicos e histológicos anor-
mais em quatro grupos: 
• O primeiro grupo se refere de forma genérica às atipias, que são achados 
citológicos de natureza inconclusiva, caracterizados pela presença de altera-
ções celulares insufi cientes para diagnosticar uma lesão intraepitelial, mas com 
alterações mais relevantes do que as observadas nos processos infl amatórios. 
Em 1988, tais atipias eram denominadas células escamosas atípicas de signifi -
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cado indeterminado (ASCUS – Atypical Squamous Cells of Undetermined Signifi-
cance). Na revisão de 2001, essas células foram reclassificadas em células es-
camosas atípicas (ASC), que, por sua vez, foram subdivididas em dois grupos: 
células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US) e células 
escamosas atípicas de significado indeterminado, não podendo excluir lesão 
intraepitelial de alto grau (ASC-H).
• Os outros dois grupos representam as lesões intraepiteliais escamosas, sen-
do divididas em lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL) e lesões intraepiteliais de 
alto grau (HSIL). As LSIL são correspondentes à NIC-I da classificação de Richart. 
enquanto as HSIL correspondem à NIC-II e NIC-III. Essa divisão é resultante do con-
ceito de que a lesão intraepitelial cervical não é um processo contínuo, mas sim 
um sistema de duas doenças descontínuas, com prognósticos diferentes. As LSIL 
têm menor probabilidade de progressão para um carcinoma invasivo, enquanto 
as HSIL são predominantemente causadas por tipos de HPV oncogênicos, tornan-
do-se lesões precursoras de carcinoma invasivo.
• O quarto grupo é formado pelos carcinomas invasivos das células escamosas.
Apesar de o sistema Bethesda ter sido criado em 1988, no Brasil ele foi in-
corporado de forma universal pelos laboratórios de citopatologia do Sistema 
Único de Saúde (SUS) somente a partir de 1998, juntamente ao Programa Na-
cional de Controle ao Câncer do Colo do Útero e da Mama. Em 2003, publi-
cou-se pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) o 
livreto Nomenclatura Brasileira para Laudos Citológicos Cervicais e Condutas Clíni-
cas Preconizadas, com base no sistema Bethesda, a fim de padronizar os laudos 
citológicos e orientar as condutas clínicas necessárias. Além disso, as seme-
lhanças da Nomenclatura Brasileira para Laudos de Citopatologia (NBLC) 
com o sistema Bethesda favorecem as comparações dos resultados obtidos no 
País com os resultados apresentados na literatura internacional.
DICA
A publicação Nomenclatura brasileira para laudos citológi-
cos cervicais, elaborada pelo Instituto Nacional de Câncer 
José Alencar Gomes da Silva (INCA), tem por objetivo padro-
nizar o laudo citopatológico e também melhorar a qualidade 
e a confiabilidade desses exames, sendo direcionada aos 
profissionais de saúde, laboratórios, vinculados ao Sistema 
Único de Saúde (SUS) ou não, e gestores.
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QUADRO 4. AS DIFERENTES CLASSIFICAÇÕES E NOMENCLATURAS CITOLÓGICAS E 
HISTOLÓGICAS RELACIONADAS AO CARCINOMA ESCAMOSO DO COLO UTERINO E SUAS 
LESÕES PRECURSORAS
Tipos de lesões
Classificação de 
Papanicolaou 
(1943)
Classificação de 
Reagan e Patten 
(1962)
Classificaçãode Richart 
(1969)
Sistema de Be-
thesda (2001)
Citológica Histológica Histológica Citológica
Sem evidências de 
doença
Classe I
Negativo para 
lesão intraepitelial 
ou malignidade
Atipias indefinidas Classe II ASC-US ou ASC-H
Lesões de baixo grau Classe III Displasia leve NIC I LSIL
Lesões de alto grau Classe IV
Displasia mode-
rada ou grave ou 
carcinoma in situ
NIC II ou 
NIC III
HSIL
Carcinoma invasor Classe V
Carcinoma in-
vasor
Carcinoma 
invasor
Carcinoma invasor
Fonte: CONSOLARO; MARIA-ENGLER, 2014, p. 140. (Adaptado). 
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Sintetizando
O esfregaço cérvico-vaginal, comumente conhecido como Papanicolaou, 
desenvolvido para o estudo das células vaginais e do colo uterino, é de grande 
importância para o diagnóstico preventivo do câncer cervical. Nessa técnica, 
é possível observar as alterações celulares presentes na amostra coletada da 
paciente. O grau das alterações é progressivo e varia de acordo com o estágio 
da lesão.
Tais alterações celulares são conhecidas como atipias celulares e podem ser 
observadas como alterações na forma, tamanho, relação núcleo/citoplasma, 
entre outras. As atipias celulares podem ser divididas em dois grupos de célu-
las: atipias de células escamosas (ASC) e atipia glandular cervical.
A ASC é subdividida em: células escamosas atípicas de significado indeter-
minado (ASC-US) e células escamosas atípicas – não sendo possível excluir uma 
lesão intraepitelial escamosa de alto grau (ASC-H). ASC-US é observada com 
maior frequência que a ACS-H. ASC-US são alterações celulares sugestivas, mas 
não definitivas para o diagnóstico de lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL), 
enquanto ASC-H são alterações celulares sugestivas, mas não definitivas para 
o diagnóstico de lesão intraepitelial de alto grau (HSIL).
A atipia glandular cervical pode ser dividida em: células glandulares en-
docervicais atípicas sem outra especificação (de significado indeterminado, 
provavelmente não neoplásicas) e células glandulares endocervicais atípicas 
provavelmente neoplásicas (de significado indeterminado, provavelmente neo-
plásicas). Na categoria das atipias sem especificação, as alterações são mais 
significativas que nas alterações reativas ou reparadoras, mas não tão avança-
das como as do adenocarcinoma endocervical in situ ou invasivo, enquanto as 
atipias provavelmente neoplásicas são alterações com indícios de lesão mais 
avançada, mas que também não pode se caracterizar como adenocarcinoma 
in situ ou invasivo.
As lesões pré-malignas se referem às alterações que ocorrem gradualmen-
te nas células do colo uterino, podendo evoluir para um câncer. Tais lesões são 
restritas ao extrato de origem, não ocorrendo invasão do estroma subjacente. 
A evolução dessas lesões está relacionada a dois fatores: maturidade citoplas-
mática e intensidade das alterações nucleares. Quanto maior a relação núcleo/
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citoplasmática e maior a intensidade das alterações, mais avançada será a le-
são. As lesões intraepiteliais escamosas (SIL) são classificadas em: lesões in-
traepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL) e lesões intraepiteliais escamosas 
de alto grau (HSIL). As lesões glandulares são classificadas em adenocarcinoma 
endocervical in situ (AIS).
As lesões malignas se caracterizam pelo predomínio de alterações nuclea-
res e também pela lesão invasiva. Tais lesões malignas no colo do útero podem 
ser classificadas em dois grupos: carcinoma escamoso invasivo (nas células epi-
teliais) e adenocarcinoma endocervical invasivo (nas células glandulares). 
Para análise e diagnóstico dessas células e lesões, várias nomenclaturas fo-
ram desenvolvidas. A primeira delas foi elaborada por Papanicolaou (1943), com 
classes de I a V, de acordo com a normalidade ou anormalidade das células. De-
pois, Reagan e Patten (1962) desenvolveram uma nova classificação, inserindo o 
termo “displasia” para as alterações celulares, sendo subdivido em displasia leve, 
moderada e grave. Uma nova classificação foi elaborada por Richart (1964), que 
substituiu o termo “displasia” por “neoplasia intraepitelial cervical (NIC)”, dividin-
do as anormalidades em três graus: NIC-I, NIC-II e NIC-III. Em 1988, uma nova 
classificação chegou a ser elaborada com o objetivo de padronizar os laudos dos 
laboratórios de citologia, apresentando uma terminologia de diagnóstico mais 
uniforme e mais compreensiva, conhecida como sistema Bethesda.
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