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UFRGSMUNDI • 1 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ORGANIZADORES
Ana Paula de Melo Pelegrinotti
Clara Rodrigues Brundo
Gabriel Tabbal Mallet
Gerson Carlos Soares da Silva Filho
Isabela Marcon Ciceri
PORTO ALEGRE, V.9, SET. 2021
UFRGSMUNDI Porto Alegre v.9 p.1-244 2021
GUIA DE ESTUDOS 2021
 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
REITOR
Carlos André Bulhões Mendes
FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
DIRETORA
Prof. Maria de Lurdes Furno
CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
COORDENADOR
Prof. Érico Esteves Duarte
EDITORA-CHEFE
Prof.ª Pâmela Marconatto Marques
CONSELHO CONSULTIVO
Prof.ª Analúcia Danilevicz Pereira (UFRGS); Prof. André 
da Silva Reis (UFRGS); Prof. Érico Esteves Duarte (UFRGS); 
Prof. Henrique de Castro (UFRGS); Prof.ª Jacqueline Haff ner 
(UFRGS); Prof. José Miguel Quedi Martins (UFRGS); Prof. 
Luiz Augusto Faria (UFRGS); Prof. Marco Aurélio Cepik 
(UFRGS); Prof.ª Silvia Ferabolli (UFRGS); Prof.ª Verônica 
Kerber Gonçalves (UFRGS)
CONSELHO EDITORIAL
Ana Paula Fraga (UFRGS, Brasil); Bruna Toso de Alcântara 
(UFRGS, Brasil); Bruno Ferreira (UFBA, Brasil); Eduardo 
Tomankievicz Secchi (UFRGS, Brasil); Elena de Oliveira 
Schuck (UFRGS, Brasil); Erik Herejk Ribeiro (UFRGS, 
Brasil); Fabian Scholze Domingues (UFRGS, Brasil); Luíza 
Buzzacaro Barcellos (Unisinos, Brasil); Luíza Gimenez Cerioli 
(Universidade de Marburg, Alemanha); Pedro Henrique 
Feliciano Dias Sampaio (UFRGS, Brasil); Rafaela Pinto Serpa 
(UFRGS, Brasil); Veridiana Dalla Vecchia (UFRGS, Brasil)
CONSELHO EXECUTIVO
Ana Paula de Melo Pelegrinotti; Clara Rodrigues Brundo; 
Gabriel Tabbal Mallet; Gerson Carlos Soares da Silva Filho; 
Isabela Marcon Ciceri
EDITORAÇÃO
Clara Rodrigues Brundo
CAPA E PROJETO GRÁFICO
Isabela Marcon Ciceri
APOIO
Pró-Reitoria de Extensão; Faculdade de Ciências Econômicas; 
Centro Estudantil de Relações Internacionais; Atlântica; 
Praxi; UFRGSMUN; Relações Internacionais para Educadores 
(RIPE); UFRGSMUN Back In School (BIS)
Os materiais publicados no guia de estudos UFRGSMUNDI 
são de exclusiva responsabilidade dos autores. É permitida 
a reprodução parcial e total dos trabalhos, desde que citada 
a fonte. Os artigos assinalados refl etem o ponto de vista de 
seus autores e não necessariamente a opinião dos editores 
desse periódico.
UFRGSMUNDI
Faculdade de Ciências Econômicas (FCE/UFRGS)
Av. João Pessoa, 52, Campus Centro, CEP 90040-000, 
Porto Alegre, RS - Brasil.
Email: ufrgsmundi@gmail.com
http://www.ufrgs.br/ufrgsmundi
Dados Internacionais de Catalagoção na Publicação (CIP)
UFRGSMUNDI
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Curso de Relações Internacionais, 
Centro Estudantil de Relações Internacionais - Ano 9, n. 9 (2021). – Porto Alegre: UFRGS/FCE, 2013
Anual.
ISSN 2318-6003.
1. Ciência Política. 2. Relações internacionais. 3. Política internacional. 4. Diplomacia.
CDU 327
Responsável: Biblioteca Gládis Wiebbelling do Amaral, Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
SUMÁRIO
04 EDITORIAL
06 GUIA DE REGRAS
16 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO
 Cobertura Jornalística do Evento
 Fernanda Andricopulo Noschang, Gabriela Benites Ferreira, Leonardo Bonetto Caberlon, Nicole Biancardi Goulart e Valentina Ruivo Bressan
32 ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS 
 Segurança e Soberania no Ciberespaço
Camila Heineck Schwertner, Esther Krüger Silveira, Giovana Tarquinio Demarco, Maria Vitória Paiva dos Santos, Nataly de Oliveira Lemos e 
Tiago Carvalho Rodrigues
55 ASSEMBLEIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE
 Proteção de Florestas Tropicais
 Arthur Dexheimer Trein, Bibiana de Castro Muller, Felipe Casanova, Gabriel Gomes Constantino e Thaís Lysakowski Ness
79 BANCO MUNDIAL
 Financiamento de Projetos de Desenvolvimento Urbano 
 Alecsander Hennig, João Pedro Lisbôa Silva, Julia Gomes Stoff els, Mariane Di Domenico e Sérgio Honorina Silva 
99 CÂMARA DOS DEPUTADOS
 Taxação de Grandes Fortunas
 Ariadne Garcia, Isabella Carpentieri, Luana de Meneses Borba e Magnus Kenji Hernandes Hübler Hiraiwa
113 CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DAS NAÇÕES UNIDAS
 Promoção dos Direitos Sexuais e Reprodutivos
 Ana Vitória Mendez, Bruna Queiroz Carvalho, Júlia Käfer Migot, Paula Monique Kunzler Schneider e Paulo Cesar Ribas de Oliveira Filho
134 CONFERÊNCIA SOBRE MEDIDAS DE INTERAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE CONFIANÇA 
 NA ÁSIA
 A Situação da Caxemira
Ana Luiza Loh, Daniel da Rosa Ludwig, Julia Marin de Oliveira, Matheus Chiot Teixeira e Thauane Medeiros da Silva
154 CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS 
O Confl ito em Nagorno-Karabakh (1993)
Arthur Schneider Gregório, Cláudio Albino Sotero Faes, Fernanda Boldrin de Paiva, Giuseppe Pitana Morrone e Júlia Bergamo de Carvalho
168 COMITÊ ESPECIALIZADO EM DEFESA, PROTEÇÃO E SEGURANÇA DA UNIÃO 
 AFRICANA
 A Situação na República Democrática do Congo
Felipe Guedes Moreira Vieira, Floriane Abreu da Silva, Lucca Medeiros da Silva, Mariana Carneiro Lima e Pietro Gomes Verdum
187 LIGA DOS ESTADOS ÁRABES
 A Guerra do Golfo (1990) 
 Fernanda Schorn Ebling, Leonardo Beheregaray Seben, Marcos Henrique Silva Alves, Nathália Luize Farias e Thagy Amanay do Amaral
202 ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS
 As Crises Democráticas no Continente Americano
 André Lucas Silva Pereira, Francielle Mazocco, Juliana Ribeiro Lobato, Kauany da Silva Garcia e Pedro Henrique de Almeida Longo
223 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA
 Medidas de Preservação da Herança Cultural
Bruna Biscaia Menezes, Francisca Marques Falcetta, Gianluca Palavro Hoff mann, Raquel Abifadel Fernandes e Tayssa do Rosário Zucchetto
UFRGSMUNDI • 4 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
EDITORIAL
 No Editorial feito ao Guia de Estudos da primeira edição do UFRGSMUNDI — Simulação das 
Nações Unidas para Secundaristas do Rio Grande do Sul — seu coordenador naquele ano, Professor 
Paulo Fagundes Visentini, situou a origem do Projeto na “ação de um grupo de estudantes da UFRGS 
que desejavam democratizar a tradicional simulação em inglês UFRGSMUN, voltada para universitários.” Os 
resultados obtidos naquela primeira experiência já anunciavam grande mobilização e envolvimento: 
uma equipe com mais de 40 graduandas1 envolvidas na organização do evento; uma estimativa de 150 
jovens de escolas públicas, em sua maioria, inscritas para discutir “desde a erradicação da pobreza até 
a liberdade de expressão na Internet”, organizadas em cinco comitês. Como legado daquela primeira 
edição, Visentini pontua que “a política internacional deixa, desta forma, de ser domínio de um grupo de 
experts, para se popularizar.”
 O ano era 2011. 
 Nesse prefácio, que se ergue em comemoração à 10ª Edição do UFRGSMUNDI, gostaria de 
propor dois movimentos: o primeiro, de conexão com a memória daquele momento inaugural, destacando 
pontos que merecem ser salvaguardados por terem constituído a base de um movimento; o segundo, de 
aceno ao presente-futuro, aos horizontes que já se projetam nessa nova edição, fi lha de tempos sombrios, 
testemunha de catástrofes que nos interpelam a todos e todas, exigindo respostas à altura.
 Recorro, para isso, a um ditado popular aymará, forjado pela sabedoria dos povos indígenas que 
habitam o altiplano boliviano, que diz uipnayra uñtasis sarnaqapxañani e que pode ser traduzido como 
“mirando atrás e à frente, ao futuro-passado, podemos caminhar no futuro-presente”. A imagem que 
acompanha esse aforisma é a de alguém que traça o caminho de volta a seu lugar de origem ao completar 
um ciclo, encarando de frente o seu passado e carregando o futuro nas costas. Sim: na sabedoria aymará 
é o passado que vai à frente, com seus legados, suas memórias, seus aprendizados constitutivos. O 
futuro vem às costas,resultado do movimento de quem caminha, mas nunca totalmente previsível, 
sempre portador de surpresa. 
 O passado que me parece imprescindível ter à frente nesse ano de 10º aniversário do 
UFRGSMUNDI emerge daqueles trechos selecionados de seu Primeiro Editorial, que conectam sua 
gênese a ímpetos de popularização, de democratização, de abertura e de conexão. É preciso lembrar de 
particularidades daquele momento histórico no que diz respeito especifi camente ao ensino superior: 
inauguravam-se dezenas de novas Universidades Federais, expandiam-se já consolidadas, ações 
afi rmativas eram implementadas em todo o Brasil. A própria UFRGS, que em 2008 havia implementado 
sua política de ações afi rmativas, vinha sendo vigorosamente impactada por esse movimento. É nesse 
fl uxo que se territorializa e ganha sentido a proposta de popularizar, de expandir um certo modelo, de 
insurgir-se contra elitismos excludentes, reprodutores de opressões, de segmentações, de privilégios. 
 As estudantes que dão início ao UFRGSMUNDI, em 2011, são fi lhas daquele momento, 
respondem às suas urgências, às suas demandas, às suas precariedades e conquistas. Olham para as 
simulações internacionais como eventos que devem ser repactuados, transformados, povoados por 
outros corpos, outras intensidades, mais públicas, mais democráticas. Olham para as escolas, para 
estudantes secundaristas e suas professoras, como parceiras estratégicas nesse projeto que também é o 
de expandir horizontes de futuro. Promovem, assim, proximidades ético-políticas cheias de aposta, de 
promessa, de possibilidades, entre ensino médio e universitário. 
 Por sua vez, a 10ª edição do MUNDI chega a esse ano marcante com um lema que funciona 
como convite, mas também como chamada: “Transforme o futuro, lute por novas possibilidades”. Isso 
não se dá por acaso. Essa edição se levanta em meio a um cenário convulsionado, em que a Pandemia do 
novo Coronavírus soma-se a outras crises, exigindo respostas multilaterais concertadas, forjadas sobre 
novas alianças, à altura das demandas civilizatórias que se impõem. A Universidade pública encontra-
se sob forte ameaça, sofrendo investidas de desmonte de suas iniciativas de pesquisa e extensão e de 
deslegitimação do conhecimento aqui produzido. O ENEM sofre revezes. Os processos de seleção para 
ingresso no ensino superior são suspensos, remarcados, adaptados. Imperam incertezas. 
 No entanto, o presente-futuro que se vai tecendo por essas estudantes - aquelas que organizam o 
1 A autora desse prefácio adotará o plural feminino como padrão de escrita mobilizado como decisão conectada às políticas de redução 
de inequidades de gênero.
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 UFRGSMUNDI • 5
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
evento, universitárias, e aquelas que nele se inscrevem, secundaristas - consegue projetar-se para além 
da consternação. O MUNDI também se transformou para resistir. Depois de uma reunião decisiva, em 
que concordamos que a resposta ética e responsável implicava adaptá-lo inteiramente para o formato 
online, a equipe organizadora passou a trabalhar, com inventividade e imaginação, para responder à 
necessidade de gerar proximidades, promover integração, nessa modalidade de interação tão marcada 
pelas distâncias que permite cultivar. Decidiram também realizar um Ciclo de Palestras que funcionou 
como evento a um só tempo preparatório e autônomo. O evento contou com palestrantes e temas que 
personifi cam as lutas travadas desde a primeira edição e teve mais de duzentos inscritos, provenientes 
de 22 diferentes estados brasileiros. 
 Chegamos, portanto, a 2021, com uma estrutura expandida. A resposta do MUNDI à Pandemia 
foi desdobrar-se, ganhar outros territórios, e não encolher. Mais de 80 estudantes universitárias 
estão engajadas na organização do evento, que ganha forma em seus 12 comitês (mais do que o dobro 
daqueles da primeira edição)! Nessa simulação temos a Agência de Comunicação (AC), responsável 
pela cobertura do evento; a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), discutindo Segurança e 
Soberania no Ciberespaço; a Conferência sobre Medidas de Interação e Construção de Confi ança na 
Ásia (CICA), discutindo a situação da Caxemira; o Banco Mundial (BM) debatendo o Financiamento 
de Projetos de Desenvolvimento Urbano; a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(ANUMA), discutindo a Preservação de Florestas Tropicais; o Conselho de Direitos Humanos (CDH), 
engajado na Promoção de Direitos Sexuais e Reprodutivos; o Comitê Especializado em Defesa, 
Proteção e Segurança da União Africana (DPS-UA), dedicado à Situação na República Democrática do 
Congo (RDC); o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), concentrado no Confl ito Nagorno-
Karabakh (1993); a Liga dos Estados Árabes (LEA), dedicada à Guerra do Golfo (1990); a Organização 
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), pensando em Medidas de 
Preservação da Herança Cultural; a Organização dos Estados Americanos (OEA), debruçada sobre as 
Crises Democráticas no Continente Americano; e a Câmara dos Deputados (CD) reunida em torno da 
Taxação de Grandes Fortunas. 
 Respondendo aos despojos e às ruínas que se anunciam, mas também evidenciando uma 
impressionante capacidade de resistir, de imaginar, de (re)criar e de comprometer-se com horizontes 
de futuro, a 10ª Edição do UFRGSMUNDI anuncia, a partir dos temas escolhidos para seus comitês, 
as urgências e emergências do tempo que lhe coube, anunciando agendas incontornáveis às Relações 
Internacionais. Essa edição, com ainda mais ênfase do que as anteriores, desvia dos clichês e contribui 
com determinação e coragem para a afi rmação de temas até então entendidos como domésticos ou 
locais como pauta multilateral, capaz de impactar futuros coletivos. 
 Legado dessas estudantes que aqui se encontram nesse momento, que fazem a universidade 
pública do agora, graças a um passado-presente que não perdemos de vista enquanto caminhamos, a 
10ª Edição do UFRGSMUNDI vai-se levantando, plena de convite, de ímpeto e de aposta. Vamos?
Profa. Pâmela Marconatto Marques 
Coord. acadêmica do UFRGSMUNDI
UFRGSMUNDI • 6 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
GUIA DE REGRAS
REGRAS GERAIS
1 ESCOPO
 As regras listadas a seguir devem ser aplicadas a todos os comitês simulados no UFRGSMUNDI 
2021, à exceção dos comitês com Regras Especiais de procedimento, as quais possuem precedência 
sobre as Regras Gerais. As Regras Gerais de Procedimento devem ser consideradas já antes das sessões 
e nenhuma outra regra de procedimento deve ser aplicada.
2 IDIOMA
 O idioma ofi cial da conferência é o português. Os delegados não terão permissão de se 
pronunciar à Mesa, aos organizadores ou aos demais delegados em outra língua.
3 DEVERES GERAIS DOS(AS) DELEGADOS(AS)
 Delegados(as) possuem o dever de respeitar as decisões da Mesa, obter a palavra antes de se 
pronunciarem, defender os interesses de seu país e atuar de acordo com a política externa de seu país 
— com decoro diplomático a todo o momento.
4 DEVERES GERAIS DA ORGANIZAÇÃO
 Cabe ao Secretariado a supervisão do bom funcionamento do evento. As Equipes Acadêmica 
e Administrativa também são responsáveis pela organização do evento. Qualquer problema ocorrido 
durante o UFRGSMUNDI poderá ser levado a esses responsáveis pelos(as) delegados(as).
5 DEVERES GERAIS DA MESA
 Cada comitê será presidido por uma Mesa, composta de um a seis Diretores(as) e Diretores(as)-
Assistentes. Além de exercer os poderes que lhe são designados ao longo dessas regras, a Mesa 
deve declarar a abertura e o encerramento das sessões, conferir o direito de fala e fazer anúncios. 
O reconhecimento de pontos e de moções também está a cargo da Mesa moderadora, bem como a 
determinação do tempo limite dos discursos, o controle e a responsabilidade sobre os procedimentos 
no comitê. A Mesa também pode sugerir moções que considere benéfi cas à fl uidez do debate. A Mesa 
deve tratar os(as) delegados(as)com cortesia em todos os momentos.
6 DECISÕES DA MESA
 As decisões da Mesa do comitê são fi nais e não são sujeitas à discussão. Os membros da Mesa 
possuem poder para substituir e interpretar as regras como quiserem, a fi m de garantir a evolução dos 
trabalhos do comitê.
7 PLÁGIO
 O plágio é entendido no escopo dessas regras como o uso não reconhecido das palavras ou ideias 
de outro indivíduo. Quando escreverem ou discursarem toda a sua participação na conferência, os(as) 
delegados(as) não têm permissão de usar fragmentos de documentos já existentes sem a referência 
adequada. Um(a) participante fl agrado(a) plagiando algum documento ou discurso será tratado(a) de 
acordo com a gravidade da ação. A punição pode incluir a negação dos direitos de fala e/ou voto e possível 
exclusão da conferência. As medidas legais aplicáveis podem ser tomadas a critério da organização.
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 UFRGSMUNDI • 7
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
8 RESPEITO À DIVERSIDADE
 Ações de desrespeito à diversidade não serão toleradas. Delegados(as) que promoverem atitudes 
de preconceito e/ou discrimação de cor, classe, gênero, região e/ou orientação sexual serão convidados(as) 
a se retirar da conferência.
REGRAS DE DEBATE
 Em todas as regras, uma maioria dos votos será necessária quando houver algum procedimento 
de votação. Essa maioria é uma “maioria simples”, calculada como sendo a metade da maioria possível 
de votos mais um, arredondando para baixo. Por exemplo, a maioria simples de 5 é 3.
9 QUÓRUM
 A presença de uma maioria simples de delegados(as) será necessária para que qualquer votação 
seja feita. A Mesa irá proceder com a chamada ao início de cada sessão, de modo a reconhecer a presença 
dos(as) delegados(as). A Mesa irá informar aos(às) delegados(as) o quórum sempre que necessário.
10 DISCURSOS
 Nenhum(a) delegado(a) poderá se dirigir ao comitê sem previamente obter permissão da Mesa. O 
tempo de fala deverá ser estipulado anteriormente pela Mesa, ainda que o comitê possa ser consultado 
antes de chegar a uma decisão sobre o assunto. Quando restar ao(à) delegado(a) dez segundos do seu 
tempo de fala, a Mesa sinalizará discretamente, por meio do canal de mensagens do Zoom. Quando o 
tempo total estipulado expirar, a Mesa irá chamar o(a) delegado(a) para encerrar.
11 DOCUMENTO DE TRABALHO
 Documentos de Trabalho são documentos informais que servem para auxiliar o comitê na 
discussão do tópico. Os(As) delegados(as) podem propor Documentos de Trabalho para consideração 
do comitê durante qualquer momento da Conferência.
 Esses documentos não precisam ser escritos em um formato específi co, mas devem ser 
aprovados pela Mesa para serem compartilhados com o comitê. Não há a necessidade de signatários 
no Documento de Trabalho. Observadores podem apresentar Documentos de Trabalho, mas suas 
assinaturas não contarão para os fi ns de introdução de um Rascunho de Resolução ou Emendas.
12 PONTO DE ORDEM
 O Ponto de Ordem é a ferramenta pela qual os(as) delegados(as) podem se dirigir diretamente à 
Mesa e serve para expressar difi culdades que estejam sendo enfrentadas pelos(as) delegados(as). Alguns 
exemplos de situações em que o Ponto de Ordem pode ser levantado são as seguintes: difi culdade de 
compreensão da fala de outro(a) delegado(a); problemas técnicos ou com a plataforma Zoom; e dúvidas 
em relação às regras e ao fl uxo do debate.
13 DEBATE
 Existem três formas de discussão pelas quais as sessões podem ser conduzidas. Os(As) 
delegados(as) podem requisitar a última a qualquer momento do debate, enquanto a primeira é 
obrigatória e exclusiva para a primeira sessão.
13.1 DINÂMICA DA 1ª SESSÃO: DEBATE FORMAL-FORMAL
 A primeira sessão de debate, por ser o momento de abertura das discussões, possui um 
procedimento diferente das demais sessões. Em um primeiro momento, ocorrerá uma Rodada de 
UFRGSMUNDI • 8 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
Discursos Iniciais, na qual cada delegação, em ordem alfabética, terá direito a uma fala para expor sua 
posição e suas principais ideias sobre o tópico por um período de tempo pré-determinado pela Mesa. 
Terminadas todas as falas, o debate iniciará em seu fl uxo normal.
13.2 FLUXO NORMAL DE DEBATE: DEBATE FORMAL-INFORMAL
 O fl uxo normal de debate é a forma pela qual será conduzido o debate ao longo das sessões, 
é chamado também de debate formal-informal e corresponde a um debate moderado pela Mesa. 
Delegados(as) que desejam se pronunciar durante o debate não moderado podem usar a ferramenta de 
“Levantar a Mão” do Zoom e serão reconhecidos pela Mesa a seu critério.
13.3 MOÇÃO PARA DEBATE NÃO MODERADO
 As Moções são a ferramenta pela qual os(as) delegados(as) podem sugerir a alteração do fl uxo 
normal de debate. Um debate não moderado leva a Mesa a suspender o debate formal-informal para que 
os(as) delegados(as) possam debater sem interferência, relaxando a estrutura do debate imposto pelos 
procedimentos gerais.
 Delegados(as) podem pedir um debate não moderado sempre que a palavra estiver disponível. 
Levantada a Moção, o(a) delegado(a) deverá informar por quanto tempo deseja manter o debate não 
moderado. A Mesa então irá perguntar aos delegados do comitê se há oposição a essa Moção. Não 
havendo nenhuma oposição, o comitê entra automaticamente em debate não moderado. Havendo 
oposição, a Mesa irá proceder com a votação, que requer uma maioria simples para ser aprovada. O 
debate não moderado tem limite de 45 minutos por sessão.
14 MOÇÃO PARA ADIAMENTO DA SESSÃO
 Quando a Mesa anunciar que a Moção para Adiamento da Sessão está em ordem, os(as) 
delegados(as) poderão pedi-la. Essa moção não será discutida, sendo submetida à votação no caso de 
não existir Ponto de Ordem, o qual possui precedência. Uma vez solicitado, a Mesa perguntará se 
alguma delegação se opõe. Caso não haja consenso sobre o adiamento da sessão, a Mesa conduzirá uma 
votação, sendo uma maioria simples necessária para sua aprovação.
 Após o adiamento da sessão, o comitê irá se reunir novamente no próximo horário marcado 
para a sessão. Assim como em todas as Moções, a Mesa pode defi nir a Moção para Adiamento da 
Sessão como fora de contexto.
ELABORAÇÃO, INTRODUÇÃO E VOTAÇÃO DE 
RESOLUÇÕES
15 RASCUNHO DE RESOLUÇÃO
 O Rascunho de Resolução é a versão da resolução que os delegados elaboram e apresentam ao 
comitê antes de votarem se a aceitam ou não. O Rascunho deve conter todos os aspectos presentes em 
uma resolução fi nal, mas pode ser alterado antes de aprovado, ou dividido, caso os(as) delegados(as) 
desejem votar partes separadamente (ver seção 19). Os(As) delegados(as) podem elaborar quantos 
Rascunhos de Resolução forem necessários, até que algum seja aprovado — mas uma vez introduzido, 
cada Rascunho é discutido, alterado e votado individualmente.
 Antes de serem introduzidos ao debate, todos os Rascunhos de Resolução devem ser submetidos 
à Mesa para verifi cação. Uma vez verifi cado e aprovado pela Mesa, o Rascunho será apresentado para 
debate. Nesse momento, a Mesa dará o direito de fala a delegações que se voluntariem a ler o Rascunho 
em voz alta a todos(as) os(as) demais delegados(as), levando o tempo que for necessário para tal. Depois 
de lido o Rascunho, a Mesa perguntará por dúvidas, que devem ser limitadas a questões de gramática 
ou assuntos técnicos no documento, não devendo remeter ao conteúdo do Rascunho de Resolução. A 
partir deste momento, o debate volta a seu fl uxo normal e passam a estar disponíveis para solicitação 
as Moções para Debate Não Moderado, para Introdução de Emenda, para Divisão da Questão e para 
Votação por Chamada.
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 UFRGSMUNDI • 9
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
16 DELEGAÇÕES E VOTO
 Cada representação deve ter um voto. Votações devem ser feitas por meio do recurso da 
ferramenta de “Levantar a Mão” do Zoom, exceto em ocasiões em que o procedimento de Votação por 
Chamada for requisitado. Cada delegado(a) poderávotar a favor, contra ou se abster de votar. Quando, 
porém, os(as) delegados(as) julgarem que há consenso com relação a alguma questão, não haverá 
necessidade de votação.
17 APROVAÇÃO POR CONSENSO
 Após a leitura do Rascunho de Resolução, a Mesa perguntará se a Resolução passa por 
consenso, ou seja, se todas as delegações estão de acordo com o texto proposto. Se todas as delegações 
responderem afi rmativamente, a Resolução é aprovada por consenso. Caso contrário, volta-se ao fl uxo 
normal do debate e outras Moções passam a estar em ordem.
18 MOÇÃO PARA INTRODUÇÃO DE EMENDA
 Delegados(as) podem emendar qualquer Rascunho de Resolução que esteja em discussão, ou 
seja, adicionar, subtrair ou modifi car partes de um Rascunho de Resolução. A Moção para Introdução 
de Emenda poderá ser levantada após a introdução do Rascunho de Resolução, e não precisa de votação 
para passar, devendo apenas ser aprovada pela Mesa. Essa moção tem precedência sobre as moções 
para Divisão da Questão e Votação por Chamada.
 Uma vez aprovada a moção para Introdução de Emenda, o fl uxo de debate será automaticamente 
alterado para a forma de debate não moderado, por tempo indeterminado ou até que todas as propostas 
de Emenda tenham sido debatidas. Neste momento, delegados(as) com propostas de Emenda devem 
apresentá-las aos demais, e a ordem em que as Emendas serão discutidas deve ser decidida pelos(as) 
próprios(as) delegados(as) durante o debate não moderado. A cada Emenda apresentada, as delegações 
devem, com a supervisão da Mesa, verifi car se há consenso para que seja aplicada. Caso haja consenso, 
a Emenda passa automaticamente em forma de Emenda Amigável e é incorporada diretamente ao 
Rascunho de Resolução em discussão. Se não houver consenso quanto à Emenda, a Mesa conduzirá a 
votação para Aprovação de Emenda, que requer uma maioria simples para ser aprovada. Caso rejeitada, 
os(as) delegados(as) devem debater as próximas emendas por meio do mesmo procedimento, até que 
não haja mais novas propostas. Quando não houver mais propostas de introdução de Emenda, o debate 
seguirá o fl uxo normal até que alguém introduza a Divisão da Questão, a Votação do Rascunho de 
Resolução ou o Adiamento da Sessão.
19 MOÇÃO PARA DIVISÃO DA QUESTÃO
A Divisão da Questão poderá ser solicitada por qualquer delegação e serve para dividir o 
Rascunho de Resolução em duas ou mais partes, para votá-las separadamente. Essa Moção estará 
disponível a partir do momento em que o Rascunho de Resolução for introduzido e tem precedência 
sobre a moção para Votação por Chamada. Uma vez solicitada, a Mesa perguntará se alguma delegação 
se opõe. Se não houver oposição, a moção automaticamente passa. Se, contudo, não houver consenso, é 
necessária uma maioria simples para passar. É importante frisar que as Cláusulas Preambulatórias da 
Resolução não podem ser divididas.
 Se for aprovada, o debate automaticamente assumirá a forma de debate não moderado, durante 
o tempo que for necessário ou que a Mesa julgar adequado. Durante esse tempo, os(as) delegados(as) 
poderão discutir, elaborar e apresentar diferentes propostas de Divisão de Questão e organizar a ordem 
em que serão votadas, da mais severa (mais divisões) para a menos severa (menos divisões). Se duas 
propostas forem igualmente severas, recomenda-se que se inicie pela primeira proposta apresentada. 
Uma vez organizadas as propostas, a Mesa encerrará o debate não moderado e conduzirá as votações 
de cada proposta, que precisarão de maioria simples para aprovação.
Se nenhuma proposta de Divisão da Questão for aprovada por maioria simples, o Rascunho de 
Resolução será votado como um todo. Se alguma proposta de Divisão da Questão for aceita, o Rascunho 
UFRGSMUNDI • 10 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
de Resolução será automaticamente dividido para votação da forma aceita pelos delegados, e haverá 
uma votação separada para cada parte dividida. Uma maioria simples é necessária para aprovação de 
cada parte dividida, e abstenções são permitidas. Uma vez votadas todas as partes, as Cláusulas que 
permaneceram no Rascunho de Resolução deverão ser votadas como uma Resolução inteira. Se todas 
as Cláusulas forem rejeitadas durante a Divisão da Questão, o Rascunho de Resolução será considerado 
como tendo falhado como um todo.
20 MOÇÃO PARA VOTAÇÃO POR CHAMADA
 A Votação por Chamada pode ser solicitada para qualquer votação relacionada à Resolução. A 
Moção para Votação por Chamada é automaticamente aprovada e não precisa ser votada para passar. 
Durante a Votação por Chamada, a Mesa reconhecerá, em ordem alfabética, cada delegado(a) votante, 
o qual deverá informar seu voto. Delegados(as) podem votar a favor, contra, ou se abster. Durante o 
procedimento, delegados(as) podem escolher “passar sua vez”. Nesse caso, a Mesa deverá refazer a 
chamada após ter chamado todas as delegações uma primeira vez, para que os(as) delegados(as) que 
passaram a vez possam dar seu voto defi nitivo. Contudo, após passarem sua vez, os(as) delegados(as) 
não poderão se abster quando forem chamados(as) de novo, devendo defi nir seu voto como “a favor” ou 
“contra”. Delegados(as) só podem passar uma vez.
TABELA COM REGRA/VOTOS/COMENTÁRIOS
REGRA VOTOS COMENTÁRIO
Ponto de Ordem Não se aplica
Pode ser pedido a qualquer 
momento, para tirar dúvidas com 
relação às regras ou para informar 
desconforto ou difi culdade por 
algum(a) delegado(a)
Moção para Adiamento da 
Sessão Maioria Simples
Usada para adiar a reunião até a 
próxima sessão do Comitê
Moção para Debate Não 
Moderado Maioria Simples
Tem como objetivo facilitar o 
debate. O tempo limite é proposto 
pelo(a) delegado(a) e aceito pela 
Mesa, não podendo ultrapassar 45 
minutos por sessão
Moção para Introdução de 
Emenda
Aprovada pela Mesa, não 
precisa ser votada
Uma vez aprovada pela Mesa, 
transforma o debate em informal-
informal
Votação de Emenda Maioria Simples
Emendas passam por consenso 
se aceitas por todos(as) os(as) 
delegados(as) durante o debate não 
moderado; caso contrário, a Mesa 
conduz uma votação. Nesse caso, 
é necessária maioria simples para 
aprovação
Moção para Divisão da 
Questão Maioria Simples
Moção para que a resolução seja 
votada em artigos individuais ao 
invés de como um documento 
único. Se aceita, transforma o 
debate em informal-informal 
automaticamente
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 UFRGSMUNDI • 11
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Moção para Votação por 
Chamada
Aprovada pela Mesa, não 
precisa ser votada
Realizada por chamada em ordem 
alfabética. Delegados(as) podem 
votar a favor, contra, se abster 
ou passar a vez. No caso de o(a) 
delegado(a) passar a vez, ele(a) será 
chamado(a) ao fi nal da votação e 
não poderá se abster novamente
21 ESCREVENDO RASCUNHOS DE RESOLUÇÃO
 Para comitês que simulam órgãos das Nações Unidas, não se aprovam “leis”, e sim Resoluções. 
A Resolução pode ser um meio de expressar uma opinião do comitê sobre algum assunto importante, 
recomendar ações a serem tomadas pelos países ou mesmo pressioná-los a tomá-las.
 Rascunhos de Resolução não devem ser elaborados por uma única delegação — para que 
possam ser introduzidos no debate, recomenda-se que tenham circulado entre o maior número 
possível de delegações, para que possam incorporar diversas perspectivas. Delegados(as) não podem 
trazer Rascunhos de Resolução prontos para a conferência, visto que isso aliena as outras delegações 
presentes no comitê. O processo de escrever Resoluções no comitê com outros(as) delegados(as) tem 
por objetivo ensiná-los(as) formas de negociação e concessão.
 Quando escrevendo e apoiando uma Resolução, tenha em mente que as palavras irão infl uenciar 
fortemente seu apelo. A Resolução, portanto, deve ser clara, concisa e específi ca. O assunto deve ser 
bem pesquisado e debatido, e deve refl etir o caráter e o interesse das nações apoiadoras.
22 ELABORANDO UMA RESOLUÇÃO
 Resoluções da ONU seguem um formato comum. Uma resoluçãoé uma longa sentença, com 
vírgulas e ponto-e-vírgulas usados para separar ideias, e um ponto no fi nal do documento. Elas devem 
ter apenas um espaço simples entre elas, com cada linha numerada na margem esquerda. Resoluções 
consistem em três partes principais: (i) Cabeçalho; (ii) Cláusulas Preambulatórias; e (iii) Cláusulas 
Operativas.
22.1 CABEÇALHO
 O Cabeçalho do Rascunho de Resolução deve ser como segue:
COMITÊ: o nome do órgão em que foi introduzido;
ASSUNTO: o tópico da resolução;
ELABORADO POR: lista de nações que auxiliaram em sua elaboração.
 Um número será dado ao documento como parte do cabeçalho e ele será referido por este 
número para a simulação.
22.2 CLÁUSULAS PREAMBULATÓRIAS
No preâmbulo de uma Resolução não serão encontradas cláusulas propondo ações nem 
declarações substantivas. As cláusulas preambulatórias explicam o propósito da Resolução e declaram 
as principais razões para as sugestões que seguem. É no preâmbulo que resoluções passadas da ONU 
(ou da organização simulada) são referenciadas e precedentes relevantes do direito internacional 
são citados. O preâmbulo também pode incluir apelos altruísticos ao senso comum ou aos instintos 
humanitários dos Estados-membros com referência à Carta das Nações Unidas, à Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, entre outros. Cada cláusula começa com uma partícula em itálico e contém uma 
vírgula ao fi nal da sentença.
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 As palavras a seguir são sugestões de introduções apropriadas para resoluções:
Acolhendo Percebendo
Acreditando Procurando
Acreditando completamente em Profundamente convencido
Afi rmando Profundamente perturbado
Alarmado por Profundamente preocupado
Aprovando Reafi rmando
Ciente de Reconhecendo
Confi dente Recordando
Convencido Tendo adotado
Cumprindo Tendo analisado
Declarando Tendo considerado
Deplorando Tendo debatido
Desejando Tendo em mente
Enfatizando Tendo escutado
Esperando Tendo estudado
Guiado por Tendo examinado
Lamentando profundamente Tendo recebido
Levando em consideração Totalmente alarmado
Notando com aprovação/lamento/satisfação Totalmente ciente de 
Observando Vendo com apreensão
22.3 CLÁUSULAS OPERATIVAS
As cláusulas operativas listam as recomendações para ação ou declaram uma opinião favorável 
ou desfavorável em relação a uma situação existente. Essas cláusulas podem requisitar ação dos Estados-
membros, do Secretariado ou de qualquer agência ou corpo da ONU. Essas ações podem ser vagas, 
como a denúncia de certa situação ou um convite a negociações, ou específi cas, como um convite a um 
cessar-fogo ou um comprometimento monetário para um projeto particular. Lembre-se de que apenas 
as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas são vinculantes aos Estados-membros; 
outros órgãos podem apenas fazer recomendações. Cláusulas operativas começam com um verbo ativo 
no tempo presente e são seguidas de ponto-e-vírgulas no fi nal da sentença. A primeira palavra de cada 
cláusula operativa é escrita em itálico. Cláusulas operativas são numeradas, começando com “1”.
 As palavras a seguir são sugestões de termos apropriados para iniciar cláusulas operativas:
Aceita Convida Decide Expressa Relembra
Afi rma Comanda Declara Lamenta Requer
Apoia Condena Demana Proclama Resolve
Aprova Condena fortemente Designa Reafi rma Toma nota de
Autoriza Congratula Encoraja Recomenda Transmite
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Chama a atenção Confi rma Endossa Recomenda fortemente Urge
Clama Considera Enfatiza Reitera -
23 EXEMPLO DE RASCUNHO DE RESOLUÇÃO
RASCUNHO DE RESOLUÇÃO Nº 1 Conselho de Segurança das Nações Unidas;
Problemas referentes à paz relativos a atos terroristas;
Elaborado por: Reino Unido, Togo, Marrocos, Guatemala e Rússia.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas,
Reafi rmando as resoluções 1269 (1999) de 19 de outubro de 1999 e 1368 
(2001) de 12 de setembro de 2001,
Reafi rmando também a condenação inequívoca dos ataques terroristas 
ocorridos em Nova York, Washington, D.C. e Pensilvânia, em 11 de setembro de 
2001, e expressando a determinação de prevenir esses atos,
Reafi rmando ademais que tais atos, como quaisquer outros atos de terrorismo 
internacional, constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional,
Reafi rmando o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva 
tal como reconhecido pela Carta das Nações Unidas e reiterado na resolução 
1368 (2001),
Relembrando a necessidade de combater por todos os meios, em conformidade 
com a Carta das Nações Unidas, ameaças à paz e à segurança internacionais 
causadas por atos terroristas,
Profundamente preocupado com o aumento, em várias regiões do mundo, de 
atos de terrorismo motivados pela intolerância ou o extremismo,
Instando os Estados a trabalharem urgentemente em conjunto para prevenir 
e reprimir atos terroristas, inclusive por meio de maior cooperação e 
de implementação integral das convenções internacionais específi cos sobre 
terrorismo,
Reafi rmando o princípio estabelecido pela Assembleia Geral na declaração 
de outubro de 1970 (resolução 2625 (XXV)) e reiterado pelo Conselho de 
Segurança na resolução de 1189 (1998) de 13 de agosto de 1998, qual seja 
o de que todo Estado tem a obrigação de abster-se de organizar, instigar, 
auxiliar ou participar de atos terroristas em outro Estado ou permitir, 
em seu território, atividades organizadas com o intuito de promover o 
cometimento desses atos,
Atuando ao abrigo do Capítulo VII da Carta das Nações Unidas,
1. Decide que todos os Estados devem:
a. Prevenir e reprimir o fi nanciamento de atos terroristas;
b. Criminalizar o fornecimento ou captação deliberados de fundos 
por seus nacionais ou em seus territórios, por quaisquer meios, 
diretos ou indiretos, com a intenção de serem usados ou com o 
conhecimento de que serão usados para praticar atos terroristas;
c. Congelar, sem demora, fundos e outros ativos fi nanceiros ou recursos 
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econômicos que perpetram, ou intentam perpetrar, atos terroristas, 
ou participam em ou facilitam o cometimento desses atos. Devem 
também ser congelados os ativos de entidades pertencentes ou 
controladas, direta ou indiretamente, por essas pessoas, bem 
como os ativos de pessoas ou entidades atuando em seu nome ou 
sob seu comando, inclusive fundos advindos ou gerados por bens 
pertencentes ou controlados, direta ou indiretamente, por tais 
pessoas e por seus sócios e entidades;
d. Proibir seus nacionais ou quaisquer pessoas e entidades em seus 
territórios de disponibilizar quaisquer fundos, ativos fi nanceiros 
ou recursos econômicos ou fi nanceiros ou outros serviços fi nanceiros 
correlatos, direta ou indiretamente, em benefício de pessoas 
que perpetram, ou intentam perpetrar, facilitam ou participam 
da execução desses atos; em benefício de entidades pertencentes 
ou controladas, direta ou indiretamente, por tais pessoas; em 
benefício de pessoas e entidades atuando em seu nome ou sob seu 
comando;
2. Decide também que todos os Estados devem:
a. Abster-se de prover qualquer forma de apoio, ativo ou passivo, a 
entidades ou pessoas envolvidas em atos terroristas, inclusive 
suprimindo o recrutamento de membros de grupos terroristas e 
eliminando o fornecimento de armas aos terroristas;
b. Tomar as medidas necessárias para prevenir o cometimento de atos 
terroristas, inclusive advertindo tempestivamente outros Estados 
mediante intercâmbio de informações;
c. Recusar-se a dar refúgio aqueles que fi nanciam, planejam, apoiam 
ou perpetram atos terroristas, bem como aqueles que dão refúgio 
a essas pessoas;
d. Impedir a utilização de seus respectivos territórios por aqueles 
que fi nanciam, planejam, facilitam ou perpetram atos terroristas 
contra outros Estados;
e. Assegurar que qualquer pessoa que participe do fi nanciamento, 
planejamento,preparo ou perpetração de atos terroristas ou 
atue em apoio destes seja levado a julgamento; assegurar que, 
além de quaisquer outras medidas contr o terrorismo, esses atos 
terroristas sejam considerados graves delitos criminais pelas 
legislações e códigos nacionais e que a punição seja adequada à 
gravidade desses atos;
f. Auxiliar-se mutuamente, da melhor forma possível, em matéria 
de investigação criminal ou processos criminais relativos ao 
fi nanciamento ou apoio a atos terroristas, inclusive na cooperação 
para o fornecimento de provas que detenha necessárias ao processo;
g. Impedir a movimentação de terroristas ou grupos terroristas 
mediante o efetivo controle de fronteiras e o controle da emissão 
de documentos de identidade e de viagem, bem como por medidas para 
evitar a adulteração, a fraude ou o uso fraudulento de documentos 
de identidade e de viagem;
3. Exorta todos os Estados a:
a. Encontrar meios de intensifi car e acelerar o intercâmbio de 
informações operacionais, especialmente com relação às ações ou 
movimentações de terroristas e de suas redes; com relação à fraude 
ou falsifi cação de documentos de viagem; com relação ao tráfi co de 
armas, explosivos ou materiais sensíveis; com relação ao uso de 
tecnologias de comunicação por grupos terroristas; e com relação 
à ameaça causada pela posse de armas de destruição em massa por 
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 UFRGSMUNDI • 15
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
grupos terroristas;
b. Intercambiar informações em conformidade com as leis nacionais e 
o direito internacional e cooperar em assuntos administrativos e 
judiciários para evitar o cometimento de atos terroristas;
c. Cooperar, particularmente por intermédio de arranjos e acordos 
bilaterais e multilaterais, para prevenir e reprimir o cometimento 
de ataques terroristas, bem como adotar medidas contra os 
perpetradores desses atos;
d. Tornar-se parte, tão logo quanto possível, das convenções e 
protocolos internacionais específi cos sobre terrorismo, inclusive 
a Convenção Internacional para a Supressão do Financiamento do 
Terrorismo de 9 de dezembro de 1999;
e. Incrementar a cooperação e implementar integralmente as convenções 
e protocolos internacionais específi cos sobre terrorismo, bem como 
as resoluções 1269 (1999) e 1368 (2001) do Conselho de Segurança;
f. Tomar as medidas apropriadas em conformidade com as disposições 
das legislações nacionais e do direito internacional, inclusive 
de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos, 
antes de conceder o status de refugiado, de modo a assegurar que 
o mesmo não seja concedido a solicitante que tenha planejado, 
facilitado ou participado da execução de atos terroristas;
g. Assegurar, em conformidade com o direito internacional, que 
o instituto do refúgio não seja indevidamente utilizado por 
perpetradores, organizadores ou cúmplices de atos terroristas, e 
que a alegação de motivação política do crime não seja reconhecida 
como fundamento para denegar a extradição de acusados de terrorismo;
4. Ressalta com preocupação a estreita ligação entre o terrorismo 
internacional e o crime organizado transnacional, o narcotráfi co, a 
lavagem de dinheiro, o contrabando de materiais nucleares, químicos, 
biológicos e outros materiais potencialmente mortíferos, e, nesse 
sentido, enfatiza a necessidade de incrementar a coordenação de esforços 
nos níveis nacional, sub-regional, regional e internacional de modo a 
fortalecer uma reação global a essa séria ameaça e desafi o à segurança 
internacional;
5. Declara que atos, métodos e práticas de terrorismo são contrários 
aos propósitos e princípios das Nações Unidas, e que o fi nanciamento, 
planejamento e incitamento deliberado de atos terroristas são igualmente 
contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas;
6. Decide estabelecer, nos termos da regra 28 das Regras Provisórias de 
Procedimento, um Comitê do Conselho de Segurança, constituído por todos 
os membros do Conselho, com o objetivo de monitorar, com a assistência 
de peritos, a implementação desta resolução; e exorta todos os Estados 
a informar àquele Comitê as medidas adotadas para implementar esta 
resolução no prazo de 90 dias, a contar da data de sua aprovação, e 
subsequentemente de acordo com cronograma a ser proposto por aquele 
Comitê;
7. Expressa sua determinação de tomar todas as medidas necessárias a fi m 
de assegurar a implementação integral desta resolução, de acordo com 
as responsabilidades que lhe confere a Carta;
8. Decide manter essa questão sob sua consideração.
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AGÊNCIA DE 
COMUNICAÇÃO
Cobertura Jornalística do Evento
Fernanda Andricopulo Noschang, Gabriela Benites Ferreira, Leonardo Bonetto 
Caberlon, Nicole Biancardi Goulart e Valentina Ruivo Bressan1
1 Graduandas e graduando dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO • 17
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QUESTÕES NORTEADORAS
(1) Qual você acredita que é a função do jornalismo?
(2) Como você vê as organizações internacionais nos meios de comunicação que você acompanha?
APRESENTAÇÃO 
Os Modelos das Nações Unidas reúnem estudantes para serem diplomatas de um determinado 
país, defendendo sua política externa em um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) ou em 
outras organizações. A Agência de Comunicação (AC) tem como função realizar a cobertura jornalística 
desse evento, desempenhando um importante papel na divulgação dos acontecimentos de maneira ágil 
e comprometida com a veracidade dos fatos. 
 O guia a seguir explica como é feito o trabalho da AC no evento UFRGSMUNDI. Assim, é de 
suma importância que os estudantes entendam como os jornalistas devem se comportar nas simulações 
e como deve ser estruturada uma notícia. Além disso, nesse guia ainda explicaremos como o jornalismo 
tem atuado durante a pandemia, seja em relação ao combate às fake news ligadas à COVID-19, ou à 
cobertura de pautas com temáticas relacionadas à saúde e à economia. Em síntese, apresentaremos os 
aspectos que aproximam a rotina da Agência de Comunicação da realidade da imprensa internacional, 
bem como a importância dos veículos de comunicação para as relações internacionais e para a sociedade. 
Diante disso, o objetivo deste guia é auxiliar na elaboração dos materiais textuais e audiovisuais que 
serão postados nas redes sociais ao longo dos dias de simulação. 
1 TEORIA E PRÁTICA 
Aqui apresentaremos o que se entende por jornalismo, qual a sua função enquanto instituição 
social e os processos pertinentes à construção da notícia, o principal produto jornalístico. Desse 
modo, este tópico está subdividido em três partes: a função do jornalismo, a notícia e os critérios de 
noticiabilidade e o processo de elaboração da notícia.
1.1 A FUNÇÃO DO JORNALISMO
O jornalismo é um campo profi ssional responsável por difundir informações que auxiliem 
na formação da opinião pública (GOMES, 2004). O jornalismo é entendido como um condutor de 
comunicação que serve “para equipar os cidadãos com instrumentos vitais para o exercício dos seus 
direitos e a expressão de suas preocupações’’ (BRUN, 2011). Os veículos jornalísticos também podem 
ser considerados como uma espécie de “cão de guarda”, ou seja, que atua na denúncia e na investigação 
de escândalos públicos. 
 O jornalismo, portanto, se torna extremamente necessário para a efetividade de uma democracia, 
já que averigua outros poderes, como o que acontece no âmbito político, por exemplo, e divulga essas 
informações para a sociedade, de maneira que o público tome conhecimento do que acontece no país 
e no mundo e possa tomar as próprias decisões no dia a dia de forma empoderada – não é à toa que 
a imprensa é considerada um “quarto poder” (TRAQUINA, 2005b). Nesse sentido, o jornalismo pode 
cumprir doispapéis:
1) com a liberdade “negativa”, vigiar o poder político e proteger os cidadãos dos eventuais 
abusos dos governantes; 
2) com a liberdade “positiva”, fornecer aos cidadãos as informações necessárias para o 
desempenho das suas responsabilidades cívicas, tornando central o conceito de serviço 
público como parte da identidade jornalística (TRAQUINA, 2005a, p. 50).
Para cumprir com o papel de guardião da democracia, é preciso que o jornalista tenha em mente 
dois conceitos centrais: a objetividade e a imparcialidade. Essas duas normas profi ssionais pretendem 
pôr em prática um jornalismo que seja livre de opiniões e ideologias, garantindo que as pessoas tenham 
acesso a notícias que sejam comprometidas com a realidade dos fatos. 
UFRGSMUNDI • 18 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
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A objetividade pode ser entendida enquanto um compromisso ético, do jornalista, ou como uma 
série “de técnicas aplicáveis aos modos de obter, trabalhar e narrar a informação” (LOPES, 2010, p. 881-
882). Considerando que a busca pela verdade é um princípio do jornalismo, a objetividade se trata dos 
métodos empregados pela imprensa para se aproximar ao máximo dos fatos, verifi cando as informações 
de forma rigorosa ao longo da apuração e da redação das notícias e reportagens (KOVACH; ROSENSTIEL, 
2001). É a partir da objetividade que o jornalista apresenta os acontecimentos “de modo claro, conciso, 
veraz, apresentando provas, equilibrando vozes das fontes envolvidas, evitando adjetivações e juízos de 
valor, mostrando independência em relação a interesses” (LOPES, 2010, p. 881-882). 
 No mesmo caminho que a objetividade, a imparcialidade lembra que o jornalista não deve 
colocar seus julgamentos pessoais e suas próprias opiniões nas notícias. A função do jornalismo é 
interpretar, analisar e apurar a veracidade das informações, de forma objetiva, garantindo que os 
indivíduos tenham os elementos necessários para entender o que ocorre no mundo contemporâneo. 
Nesse sentido, a imparcialidade deve ser utilizada como uma técnica que garanta que o jornalista seja 
justo em relação aos fatos e ao entendimento do público sobre eles (KOVACH; ROSENSTIEL, 2001). 
Assim, “esclarecer o cidadão e apresentar a pluralidade da sociedade” (REGINATO, 2016, p. 218) é um 
dos objetivos da prática jornalística.
1.2 NOTÍCIA E CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE
A notícia é um dos principais produtos do jornalismo: é nela que se exprimem as informações 
sobre um fato. Ela pode estar presente em diferentes canais: jornal impresso, sites de notícias online, 
televisão, rádio, entre outros. Mas é importante pontuar que não são todos os fatos cotidianos que 
viram notícia – é necessário seguir alguns critérios. Os critérios de noticiabilidade, ou valores-notícia 
— como são conhecidos —, variam de acordo com o veículo, mas existem alguns que são recorrentes 
em todos eles. Eles são divididos em dois grupos: os valores-notícia de seleção, que são aqueles que os 
jornalistas usam para escolher qual acontecimento se tornará notícia (subdivididos em substantivos 
e contextuais); e os valores notícia de construção, que são acionados na construção do texto, com o 
objetivo de simplifi car e ampliar o entendimento do acontecimento (TRAQUINA, 2008). 
 Os substantivos “dizem respeito à avaliação direta do acontecimento em termos da sua 
importância ou interesse como notícia” e são eles: a morte, a notoriedade da pessoa envolvida, a 
proximidade geográfi ca e cultural, a relevância do assunto, o tempo — como em aniversários de 
grandes acontecimentos, a infração, entre outros. (TRAQUINA, 2008, p. 78) Para a cobertura da 
Agência de Comunicação do UFRGSMUNDI, o critério de notoriedade é usado para dar destaque 
aos posicionamentos dos delegados representantes das nações e aos pronunciamentos das autoridades 
dos comitês. O critério de proximidade também se faz presente através da cobertura dos países 
geografi camente ou culturalmente próximos ao país de origem do jornal selecionado para cobrir o 
comitê. Em último, o valor de novidade será usado com frequência durante a simulação por ser a 
essência da notícia: o que é novo dentro das discussões dos comitês será noticiado. 
 Os critérios contextuais tratam exatamente do contexto da cobertura jornalística no dia-a-dia 
e são elencados como: a disponibilidade do jornalista em cobrir o assunto e o equilíbrio em relação a 
quantidade de vezes que o fato já foi noticiado. Outros valores de contexto são a concorrência, o dia 
noticioso e o apelo visual do assunto (TRAQUINA, 2008). 
 O segundo grupo são valores de construção e são compostos pela simplifi cação do texto, pela 
amplifi cação do acontecimento, pela personalização, dentre outros fatores. Esses critérios destacam 
alguns elementos dentro do acontecimento que merecem ser incluídos no texto da notícia. (TRAQUINA, 
2008).
 Para além desses critérios, a política editorial de um veículo comunicacional também infl uencia 
na construção da notícia. A separação em editorias — como economia, política, cidade, saúde — e 
revistas especializadas em determinados assuntos, contribuem para a maior ou menor cobertura de um 
assunto. A direção dos donos dos veículos também pode infl uenciar no peso dos valores-notícia, dando 
prioridade a um tema no lugar de outro (TRAQUINA, 2008). Essa característica guia a cobertura da 
simulação pelos jornais selecionados para cada comitê, que serão melhor abordados posteriormente.
 A defi nição de notícia e sua construção através dos critérios de noticiabilidade são elementos 
que contribuem para a função informativa do jornalismo. Além dos critérios de noticiabilidade, existem 
outros processos profi ssionais que envolvem a produção de uma notícia. Após defi nir qual fato vai virar 
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO • 19
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notícia ou não é preciso elaborar uma pauta e, em seguida, fazer a apuração do acontecimento: são 
essas técnicas que explicaremos a seguir.
1.3 PROCESSO DE ELABORAÇÃO DA NOTÍCIA
Elaborar uma notícia vai além de defi nir qual acontecimento será veiculado: o processo passa 
pela defi nição da pauta, pela apuração (com entrevistas e checagens), pela redação e pela edição. No 
entanto, essas etapas não são todas desempenhadas por um jornalista apenas. A etapa da edição, por 
exemplo, é feita pelo editor do jornal, cujo trabalho consiste em revisar a matéria já construída, fazendo 
as adequações necessárias no texto, seja em relação à linguagem ou estrutura, para que a notícia se 
enquadre na editoria em que foi proposta. Por serem duas técnicas fundamentais no trabalho de um 
jornalista, explicaremos, a seguir, como funcionam os processos de elaboração da pauta e da apuração 
de uma notícia. 
1.3.1 PAUTA
A pauta é o pontapé inicial para a formulação da notícia. É o momento de planejar quais temas 
serão abordados na próxima edição, ou seja, é ela quem guia todo o trabalho do jornalista. Em uma 
redação, as pautas podem ser sugeridas tanto pelos repórteres quanto pelos editores, ao selecionar 
os acontecimentos mais recentes e relevantes que devem ser noticiados, além de temas gerais que 
contemplem o interesse público. Então, estar sempre bem informado e atento ao que está acontecendo 
é essencial para ser um bom jornalista (LAGE, 2001). 
 Do ponto de vista prático, a pauta deve servir de roteiro para o repórter e, portanto, deve incluir 
em sua sistematização: o tema geral e os tópicos relacionados que devem ser apurados; perguntas sobre o 
tema, cujas respostas o repórter deve buscar ao longo da reportagem; nomes e contatos de possíveis fontes 
para a matéria; e recursos técnicos e fi nanceiros necessários, considerando, em uma matéria audiovisual, 
por exemplo, o uso de câmeras e os deslocamentos necessários para as gravações (LAGE, 2001). 
 Em relação ao tipo de pauta, ela pode ser factual ou não. As pautas factuais são conhecidas 
como “quentes”, ou seja, estão ligadas aos fatos que estão acontecendono agora, no presente, ou 
que aconteceram em um passado breve, mas que, por alguns fatores, ainda estão repercutindo no 
cotidiano da sociedade. Exemplos dessa categoria podem ser o aumento do dólar e o pronunciamento 
de um presidente. Já as pautas não-factuais, ou “frias”, são aquelas que não estão obrigatoriamente 
relacionadas com acontecimentos atuais, sendo mais utilizadas em reportagens. Assim, podemos 
exemplifi car com temas direcionados ao comportamento, como o crescente número de usuários nas 
redes sociais ou os pontos turísticos de uma cidade. Além disso, em casos em que o assunto perde seu 
valor noticioso ou algum fato mais urgente acontece, os jornalistas podem desistir da pauta, prática 
conhecida como o jargão “a pauta caiu”. Para exemplifi car, podemos citar a pauta que ia para o jornal 
sobre a reestruturação do centro histórico da cidade que precisou ser retirada da edição para dar espaço 
à cobertura de uma catástrofe (LAGE, 2001). 
1.3.2 APURAÇÃO 
A apuração é a etapa em que os jornalistas partem para a ação. Aqui, é necessário pensar quais 
fontes precisam ser consultadas para apurar da melhor maneira o fato. Nesse contexto, é importante 
seguir a Lei das Três Fontes, prática que consiste em entrar em contato com, no mínimo, três fontes 
e cruzar as informações obtidas para encontrar a versão verdadeira do acontecimento. O repórter 
não pode bancar uma informação sem antes consultar outras referências e a pressa não pode ser um 
motivo para uma apuração mal feita (PEREIRA JUNIOR, 2006). É fundamental que um jornalista tenha 
certeza da veracidade das informações que está veiculando e é nesse sentido que a apuração entra: tudo 
precisa estar devidamente checado, seja com uma fonte (pessoa) ou com um banco de dados público, 
por exemplo. 
 Assim, as fontes são classifi cadas como: “ofi ciais”, instituições relacionadas ao governo; 
“ofi ciosas”, as que não estão autorizadas a falar em nome de uma organização ou personalidade, e 
“independentes”, as organizações não governamentais (LAGE, 2001). Para exemplifi car, podemos citar 
o presidente do Banco do Brasil como fonte ofi cial, um agente administrativo da Companhia de Energia 
UFRGSMUNDI • 20 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
Elétrica do Estado como ofi ciosa, e uma dona de casa como independente.
A qualidade das fontes de acordo com cada fato é o que irá ditar a relevância das matérias 
produzidas. Nesse sentido, torna-se importante a hierarquização das fontes de informação (FOLHA 
DE SÃO PAULO, 2010). Essa prática ajuda a entender melhor a pluralidade das fontes e opiniões, 
dando maior qualifi cação para a produção da notícia. Dentro desse contexto, o jornalista deve sempre 
prezar pela imparcialidade ao apurar os acontecimentos. Logo, a apuração serve também para facilitar 
a objetividade e o entendimento do público sobre o assunto. “O jornal e o leitor não querem nem saber 
quais são as difi culdades que o repórter está encontrando — querem o fato bem contado” (KOTSCHO, 
1995, p. 26). 
 Dessa forma, uma apuração jornalística de qualidade é feita a partir do contato do jornalista 
com o maior número de fontes confi áveis possíveis. Assim, a habilidade do profi ssional em extrair e 
reproduzir as informações de forma clara para o público é o que ditará o apreço dos leitores pelo jornal. 
Logo, a boa apuração, unida à objetividade e à clareza, potencializam o alcance e relevância do trabalho 
jornalístico.
2 JORNALISMO DE TEXTO 
Os textos jornalísticos são vinculados a jornais, revistas, televisão, rádio ou qualquer meio que 
tenha como fi nalidade levar informação para o leitor de maneira simples e objetiva. A estrutura da 
notícia escrita, seja para um jornal, site ou revista, inicia pelo título, que em poucas palavras destaca 
o elemento principal da narrativa que vem a seguir. Para atrair e instigar o leitor, utiliza-se a ordem 
direta (sujeito, verbo e complemento) e o verbo na voz ativa e no presente, que garantem impacto, sem 
apresentar ponto fi nal, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências ou parênteses. Em 
seguida do título, vem o subtítulo, que complementa de maneira sucinta as informações básicas que o 
leitor vai encontrar na notícia, sem repetir as palavras do título (COMASSETTO, 2001).
 O primeiro parágrafo da narrativa é composto pelo lide, que provém da palavra em inglês lead 
e signifi ca “guiar”, “conduzir”. O lide funciona como uma pirâmide, colocando as informações mais 
relevantes no início do texto e deixando as menos relevantes para o fi nal. Ele precisa ser coerente com 
o título, dando efi ciência ao resto do texto e a sua intenção é responder as perguntas: quem, quando, 
onde, como, por que e para que. Portanto, ele deve ser constituído de maneira resumida, dando destaque 
aos acontecimentos principais de maneira atrativa ao leitor (LAGE, 2005).
 Em seguida, o texto é composto por um segundo parágrafo com as informações que não vieram 
no lide, até chegar aos detalhes do texto. A estrutura do texto também pode ser dividida por intertítulos 
para sintetizar e dividir o conteúdo que se apresenta na notícia, assim a leitura fi ca mais dinâmica e 
de fácil compreensão. Outro aspecto importante para o texto jornalístico é evitar o uso de adjetivos, 
priorizando utilizar substantivos e verbos. Enquanto no título é preferível apresentar os verbos no 
tempo presente, no texto eles devem ser apresentados no passado (BENASSI, 2009).
 O último passo antes da publicação é a revisão do texto, na qual é feita a correção para evitar 
erros e adicionar informações faltantes. Além disso, a correção é importante para afi rmar que os temas 
mais importantes estão expressos no texto e hierarquizar a informação levando em consideração o que 
seria atrativo para o leitor (FOLHA DE SÃO PAULO, 2018).
3 JORNALISMO AUDIOVISUAL E FOTOGRÁFICO 
Considerando o contexto atual da mídia, em que os conteúdos transitam por diversas plataformas 
de mídia constantemente, ao longo do UFRGSMUNDI os delegados serão incentivados a produzir 
fotografi as e boletins em vídeo para acompanhar a cobertura jornalística em texto. Os materiais 
audiovisuais e fotográfi cos podem ser utilizados de forma autônoma, ou seja, vídeos e fotos podem ser 
a própria notícia quando consideramos a veiculação na televisão, por exemplo. Contudo, na cobertura 
do UFRGSMUNDI, esses conteúdos servirão de apoio na divulgação das notícias em texto nos canais 
de comunicação do evento. 
 É conhecido o ditado popular que afi rma que “uma imagem vale mais que mil palavras”. De 
fato, as imagens e os vídeos ocupam hoje uma posição central enquanto materiais informativos. Assim 
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO • 21
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como acontece com o texto jornalístico, a imagem tem a capacidade de transformar acontecimentos da 
realidade em notícias e informações (TAVARES; VAZ, 2005). 
 Desde os primórdios da técnica fotográfi ca, as ideias de credibilidade e o status de documento 
são associados à fotografi a (BUITONI; PRADO, 2011). Além disso, com o fotojornalismo, é possível gerar 
uma conexão potente entre público e acontecimento, permitindo que os leitores consigam imaginar 
de forma mais concreta o cenário que envolve o fato retratado (TAVARES; VAZ, 2005). O poder de 
comunicação das imagens é inegável, mas, geralmente, elas também precisam de complementos. Nesse 
sentido, as legendas divulgadas junto às fotografi as são elementos importantes para a contextualização 
das imagens, já que a mesma foto, sem a contextualização necessária, pode acabar gerando diferentes 
interpretações por parte do público.
 Entretanto, vale destacar que assim como ocorre com o jornalismo de texto, “as fotografi as 
jornalísticas não são inocentes” (TAVARES; VAZ, 2005, p. 132). A fotografi a e outros formatos audiovisuais 
sempre carregarão os vestígios de quem os produziu. Desde a seleção da cena e do enquadramento até 
a edição, o trabalho do fotojornalismoenvolve diversas escolhas e intenções. Essa seleção não é apenas 
baseada em critérios técnicos, mas envolve um olhar fotográfi co que é construído e infl uenciado por 
fatores socioculturais, econômicos e políticos. Por isso, é importante para o jornalista refl etir sobre as 
narrativas que são construídas com as imagens que produz, além de fi car atento a quais signifi cados 
está buscando comunicar (BUITONI; PRADO, 2011). 
 Assim como as notícias que circulam nos jornais impressos, as notícias audiovisuais respeitam 
determinados critérios de noticiabilidade. Mas, como são materiais jornalísticos produzidos para 
plataformas diferentes, as preocupações do repórter audiovisual devem estar alinhados às noções 
técnicas de fotografi a e fi lmagem, para além dos critérios de noticiabilidade clássicos que apresentamos 
na primeira seção do guia (TAVARES; VAZ, 2005).
 O fotojornalismo é a atividade que produz imagens “informativas, interpretativas, documentais 
ou ‘ilustrativas’ para a imprensa ou outros projetos editoriais ligados à produção de informação de 
atualidade” (SOUSA, 1998, p. 5). Dentre as possibilidades do fotojornalismo, estão as fotos noticiosas 
e as fotorreportagens (BUITONI; PRADO, 2011). No UFRGSMUNDI, o formato mais utilizado será 
a foto notícia, que possui um alto teor informativo. (BUITONI; PRADO, 2011, p. 94). Esse tipo de 
fotografi a, mesmo quando não é acompanhada de título e legenda, consegue retratar o fato em si, 
comunicar o acontecimento central e mostrar a informação. 
 O processo de construção de uma notícia, apresentado no início deste guia, também é válido 
para a área do audiovisual. O jornalista também possui uma pauta, a partir da qual planeja fotografi as 
ou gravações com o objetivo de contextualizar os fatos, já estudando questões técnicas como luz e 
possíveis enquadramentos. Assim como na apuração para o jornalismo impresso, a pauta pode ter de 
ser modifi cada, e o repórter audiovisual precisa manter um olhar atento para os acontecimentos à sua 
volta que podem se tornar notícias (BUITONI; PRADO, 2011).
 Um fotojornalista deve ter em mente que as técnicas de fotografi a são essenciais para produzir 
imagens de qualidade. Há estratégias que podem ser usadas até mesmo a partir das câmeras dos 
celulares para qualifi car as fotografi as. A primeira delas é o enquadramento: é preciso prestar atenção 
em toda a cena que se fotografa, buscando equilibrar proporções, cores e todos os elementos presentes 
na imagem. Outro ponto técnico é a composição: a seleção e o arranjo dos elementos dentro do 
enquadramento. Em alguns casos, é possível rearranjar os objetos que fotografamos, mudando suas 
posições até alcançarmos o resultado desejado, mas como no fotojornalismo isso nem sempre é possível 
ou recomendado, a solução é ajustar o ângulo da câmera, o que pode ser feito movendo nosso corpo e a 
posição da câmera em relação ao objeto retratado (PALACIN, 2008). 
 A regra dos terços é outra conhecida orientação técnica para produzir fotografi as de qualidade. 
Essa regra prevê que a imagem espelhada no visor do celular ou da câmera seja visualizada como se 
fosse cortada por linhas que se cruzam e que formam nove retângulos. Há uma maior valorização e 
harmonização da composição da foto quando o objeto ou pessoa a que se quer dar destaque ocupa os 
pontos de cruzamento dessas linhas, como mostra a Figura 1 (PALACIN, 2008).
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Figura 1: Exemplo da Regra dos Terços
Fonte: Gay, 2018
No fotojornalismo, a pós produção envolve a seleção das melhores fotografi as, a edição 
e a elaboração da legenda. As palavras, neste caso, as legendas, devem ser pensadas de forma a 
complementar as fotografi as (SOUSA, 1998). As legendas não devem ser redundantes à foto, tampouco 
podem trazer informações desconexas da imagem. Uma boa legenda deve ser um “gatilho mental”, 
ou seja, deve complementar a imagem trazendo informações relacionadas, mas não contidas ou não 
evidentes na fotografi a, gerando curiosidade e levando o leitor a explorar ainda mais a obra (GURAN 
apud LUSVARGHI; ZARATTINI, 2012). 
 Em outras produções audiovisuais, como as desenvolvidas em vídeos, a noção de credibilidade 
passada pelas imagens permanece, e é intensifi cada com o telejornalismo (EMERIM, 2010). Combinando 
elementos do cinema e do rádio, o jornalismo televisivo estabelece uma maneira própria de comunicar 
e transmitir informações e se consolida como um dos meios de comunicação com maior abrangência 
e credibilidade no Brasil e no mundo (PORCELLO, 2006). A combinação das imagens em movimento e 
do som dá a impressão de que o que está sendo transmitido é a própria realidade, já que o telespectador 
consegue se inserir e acompanhar as notícias de maneira mais próxima (EMERIM, 2010). 
 Existem vários tipos de programas na televisão, desde os mais focados no entretenimento até os 
mais noticiosos, e para os propósitos do UFRGSMUNDI, iremos focar nos programas de reportagem 
e notícias. Os telejornais geralmente são estruturados em torno de três tipos de vídeo: 1) ao vivo, em 
que se transmite o acontecimento no momento em que ele ocorre, a partir do local ou do estúdio 
da emissora; 2) o boletim, que consiste no resumo de um fato, narrado por um repórter presente no 
local do acontecimento; e 3) o off , que é a gravação de texto da reportagem que irá cobrir as imagens 
gravadas relativas à notícia (PATERNOSTRO, 2006).
 Ao buscar comunicar pela combinação de imagens e narração, o jornalista televisivo precisa ter 
atenção à linguagem utilizada, e “deve ‘contar’ os acontecimentos do cotidiano de uma maneira que 
toda a sociedade entenda, como se estivesse conversando com uma pessoa” (PATERNOSTRO, 2006, 
p. 84). Isso não signifi ca que o jornalista utilizará uma linguagem completamente informal, mas um 
tom coloquial, usando palavras simples e de fácil entendimento para todos os públicos. Para produzir 
um telejornal, o jornalista deve escrever o texto que será lido no boletim ou no ao vivo, reunindo as 
informações e redigindo a matéria. Uma dica para o repórter é ler o texto produzido em voz alta várias 
vezes antes de partir para a gravação. Nesse sentido, frases curtas auxiliam na compreensão e a ordem 
frasal direta (sujeito, verbo e predicado) é mais facilmente entendida na pronúncia (PATERNOSTRO, 
2006).
 Em geral, uma matéria televisiva deve ter aproximadamente 1 minuto e 30 segundos de duração, 
podendo ser diminuída ou estendida de acordo com o assunto e o espaço do noticiário (PORCELLO, 
2006). No UFRGSMUNDI, trabalharemos principalmente com boletins, nos quais os jornalistas da 
simulação deverão produzir vídeos, como repórteres, com o resumo dos acontecimentos dos comitês. 
Além dos boletins, podem ser feitos vídeos mais rápidos e dinâmicos para redes sociais, utilizando 
ferramentas como os stories do Instagram ou o TikTok. Independentemente da plataforma, o jornalista 
da AC deve manter a postura adequada ao evento, considerando seu papel no contexto da simulação e 
das relações internacionais. 
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4 A IMPORTÂNCIA DO JORNALISMO NAS RELAÇÕES 
INTERNACIONAIS
 No século XIX, a Revolução Industrial e suas inovações tecnológicas (nos transportes e nas 
comunicações) iniciaram um processo de globalização. A comunicação tornou-se mais rápida e, assim, 
alterou a forma com que a notícia era produzida e distribuída. Nesse mesmo século, aconteceram dois 
marcos fundamentais para o jornalismo internacional: o primeiro registro de um correspondente para 
cobrir uma guerra, diretamente do campo de batalha — na Guerra da Criméia (1854-1856)1 — e também 
a criação das primeiras agências de notícias do mundo, como a Havas-Reuters2 e a Associated Press 
(CASTRO, 2006).
 A evolução tecnológica contribuiu para a aceleração, facilitação e modifi cação das formas de 
circulação das notícias dos outros lugares do mundo eisso se deu de diversas formas. No que tange 
a cobertura jornalística internacional, existem várias formas de atuação para o repórter. Como Agnez 
(2015, p. 315-316) sintetiza, essas são algumas delas:
• Correspondentes internacionais: fi guras mais tradicionais, defi nidos pela presença 
de jornalistas residindo e fazendo a cobertura regular de fatos em outra cidade ou país 
que não o da sede do veículo; 
• Enviados especiais: profi ssionais deslocados para outra cidade ou país para a cobertura 
pontual de um acontecimento; 
• Agências internacionais: produtoras tradicionais de conteúdo informativo com as 
quais veículos de todo mundo trabalham em parceria, assinando o serviço;
• Compra de produções jornalísticas locais: veículos podem comprar e distribuir 
conteúdos específi cos produzidos pela mídia de determinadas localidades; 
• “Assinatura” de veículos internacionais: jornais brasileiros, por exemplo, podem 
ter o direito de publicar regularmente conteúdos de veículos internacionais, mediante 
contrato. 
 Dessa maneira, reforça-se a importância do papel duplo do jornalismo (TRAQUINA, 2005b), 
de investigar os três poderes e de divulgar informações que possibilitam a manutenção da democracia, 
constituindo-se como um “quarto poder”. Logo, o jornalismo internacional também existe com esse 
papel, visto que os agentes internacionais também precisam ser vigiados e a comunidade internacional 
também deve ter essas informações para que consigam desempenhar seus deveres cívicos, principalmente 
no mundo globalizado que se vive hoje.
5 JORNALISMO EM TEMPOS DE PANDEMIA 
A partir do que foi abordado anteriormente no guia, entende-se que notícia é a apreensão dos 
fatos através de critérios pré-estabelecidos pelos veículos de comunicação. Entretanto, ela vai além 
disso e se torna uma fonte de conhecimento sobre realidade. A notícia tem uma extensão que circula na 
sociedade e interfere nas nossas vidas, desde a nossa sociabilidade ao repassar uma notícia até a nossa 
decisão de sair ou não com o guarda-chuva (PARK, 2008). 
 No momento de pandemia em que vivemos, a informação é uma forma de prevenção. Desde o 
início da epidemia de Covid-19, a mídia divulga o uso de máscaras, o distanciamento e isolamento social, 
o número de casos e mortes, as pesquisas, dentre outros fatos sobre a doença. Através da informação 
correta, a população é capaz de tomar suas decisões de maneira consciente. 
 Entretanto, vivemos também outra crise: a infodemia. A Organização Mundial da Saúde criou 
esse termo para se referir a grande quantidade de informações que recebemos todos os dias, mas sem 
conseguir diferenciar o que é verdadeiro do que é falso (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE 
SAÚDE, 2020). As notícias falsas, ou fake news, são entendidas como “todos os conteúdos falsos que 
atingem a divulgação pública, intencionalmente fabricados por várias razões” (SALAVERRÍA et al., 
2020, p. 4, tradução nossa). 
1 A Guerra da Criméia aconteceu entre 1854 e 1856, na qual estiveram de um lado, a França, a Grã-Bretanha e o Império Otomano e, 
do outro lado, a Rússia czarista. Foi um con� ito na península da Criméia, no Mar Negro, que tinha como objetivo a expansão territorial 
(TOREZANI, 2014).
2 Hoje em dia, Agência Reuters e Agence France Press (antiga Havas).
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 O compartilhamento desse tipo de conteúdo ocorre por causa das bolhas na internet. Nesse 
cenário, os usuários acessam apenas as informações que concordam com suas opiniões e preferências, 
literalmente criando uma bolha que não permite a entrada de postagens que mostram algo diferente. 
Assim, o usuário não vê a necessidade em checar se os conteúdos são verdadeiros ou não. (D’ANCONA, 
2018). 
 Nesse sentido, o jornalismo, com seu espaço e papel social, tem a responsabilidade de combater 
as informações que circulam e que não correspondem com a realidade dos fatos. No cenário da pandemia 
de Covid-19, por exemplo, Maluly (2020) questiona a decisão dos jornalistas de dar espaço para políticos 
ao invés de cientistas, além de pouco discutirem exemplos de êxito como a Nova Zelândia e a China. 
Por outro lado, existem iniciativas jornalísticas que fazem checagem de fatos, mostrando o que é falso e 
o que é verdadeiro nas notícias que circulam. Alguns exemplos são a Agência Lupa, Aos Fatos, Projeto 
Comprova, G1 Fato ou Fake, entre outros. Essas conclusões reafi rmam o entendimento sobre a notícia 
como forma de conhecimento no dia-a-dia e sua extensão nas relações sociais na medida que circulação 
da informação estimula as pessoas a agirem conforme seus próprios pensamentos (PARK, 2008). 
 Esse aspecto da informação reforça a relevância de quem a transmite, ou seja, dos jornalistas. 
A responsabilidade desse profi ssional é pautada pela divulgação correta, devidamente apurada, como 
foi visto na seção 1.3.2 deste guia, e pela consciência de seu alcance e impacto. Nesse momento de 
pandemia, esses valores fi cam ainda mais explícitos e são por eles que devem se guiar os participantes 
da Agência de Comunicação dentro do UFRGSMUNDI.
6 CONDUTA JORNALÍSTICA E REGRAS GERAIS 
Ao visar fornecer informações à sociedade, o exercício da profi ssão jornalística é 
fundamentalmente social, e dessa forma, a refl exão quanto à conduta profi ssional deve permear o dia 
a dia na imprensa. A seguir, apresentaremos as condutas éticas e as atitudes que esperamos que os 
participantes do UFRGSMUNDI tenham ao realizar a cobertura do evento, bem como questões mais 
técnicas e práticas que devem orientar a produção de notícias pela Agência de Comunicação. 
6.1 CONDUTA
Como vimos nas seções anteriores, a neutralidade absoluta é inatingível, afi nal, a subjetividade 
do jornalista está presente em todo o processo de produção de notícias, desde a escolha da pauta até 
as palavras usadas em uma matéria. No entanto, não se deve perder de vista as funções primordiais do 
jornalismo. O repórter deve ter como objetivo uma comunicação que busque a verdade, a transparência 
e a melhor apuração possível na construção das notícias. O jornalismo de qualidade depende da atuação 
responsável e ética dos profi ssionais da imprensa (PORCELLO, 2006).
 No UFRGSMUNDI, a AC será responsável pela cobertura dos acontecimentos dos comitês, em 
que os jornalistas participarão das sessões, produzindo materiais para divulgação. Antes da simulação, 
serão divulgados os comitês em que cada jornalista fi cará alocado, além de suas representações. Da 
mesma forma como os delegados de cada comitê representam, individualmente, países ou organizações, 
os jornalistas da AC representarão diferentes veículos de comunicação, de acordo com o comitê em que 
forem alocados. Para que uma boa cobertura seja feita, o jornalista deve se preparar, lendo, além do 
guia da Agência de Comunicação, o guia de estudos de seu respectivo comitê, e pesquisando mais sobre 
o assunto caso ache necessário (GIUSSANI et al., 2019).
 Durante as sessões, os jornalistas devem respeitar as regras do comitê, assistindo à simulação 
em silêncio, sem interferir no fl uxo dos debates e devem prestar atenção aos acontecimentos para que 
possam reunir as informações nas matérias da AC. Outro ponto importante é o trabalho em grupo: 
não há jornalismo sem trabalho coletivo, portanto, todo jornalista deve colaborar com seus colegas e 
respeitá-los.
6.2 RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS
Alinhado às diretrizes das Nações Unidas, o UFRGSMUNDI considera o respeito aos 
direitos humanos, à justiça social e à inclusão princípios fundamentais do projeto. Comportamentos 
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e manifestações racistas, LGBTfóbicos, machistas, que reforcem preconceitos de gênero, ou 
discriminatórios de qualquer tipo não serão tolerados e poderão implicar no desligamento imediato do 
participante. 
 O Código de Ética do Jornalista no Brasil postula que é dever “combater a prática de perseguiçãoou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação 
sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza” (FEDERAÇÃO NACIONAL DOS 
JORNALISTAS, 2007, p.2). Portanto, o jornalista deve estar sempre atento aos sentidos que podem ser 
gerados pelas suas matérias, evitando representações estereotipadas e prejudiciais a qualquer pessoa. 
O olhar crítico deve acompanhar todo o exercício da imprensa, que deve ter um compromisso com a 
representatividade plural naquilo que veicula. 
6.3 COBERTURA JORNALÍSTICA NO UFRGSMUNDI
No UFRGSMUNDI, a maior parte do tempo dos jornalistas da Agência de Comunicação será 
passada nos comitês, acompanhando a simulação. Assim como os demais comitês, a AC possui uma 
sala-sede própria, chamada de Central de Notícias. Nesse ambiente, os jornalistas podem redigir suas 
matérias e preparar materiais para divulgação. É também na Central de Notícias em que os Editores-
Chefe estarão disponíveis para tirar dúvidas e auxiliar os jornalistas ao longo do evento (GIUSSANI et 
al., 2019). No caso de simulações online, devido ao contexto de pandemia, cada comitê possuirá sua sala-
sede em plataformas de videochamadas, e o mesmo acontecerá com a Central de Notícias. A cobertura 
jornalística no UFRGSMUNDI terá como objetivo produzir materiais para diversas plataformas de 
comunicação: textos para publicação online, fotografi as e vídeos para divulgação nas redes sociais 
como Instagram e Twitter e conteúdo para postagem no Twitter. 
 Em seus textos, o jornalista da AC deve sempre utilizar a linguagem formal e seguir as regras 
gramaticais, seja na redação de notícias, legendas para fotografi as, entrevistas ou outros materiais. 
A exceção para esta orientação ocorre no Twitter, onde se pode utilizar uma linguagem coloquial, 
fazendo uso de memes, emojis e de vocabulário informal. Ao publicar tweets, deve-se usar hashtags para 
situar o leitor: uma com a sigla do comitê ao que o jornalista se refere e uma com o nome do veículo 
que cobre este comitê. Ou seja, tweets relativos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas deverão 
ser encerrados com as hashtags #CSNU e #NYT. Cabe destacar que a redação para internet intensifi ca 
a necessidade do uso de palavras curtas e precisas, como forma de comunicar sem excessos, exigindo a 
economia de palavras (FRANCO, 2008). 
 Por fi m, no que diz respeito tanto ao audiovisual quanto à cobertura em texto, o jornalista 
deve manter uma postura respeitosa em relação às pessoas retratadas, sendo proibida a divulgação de 
textos e imagens que coloquem qualquer participante do UFRGSMUNDI em posição prejudicial ou 
que incentive julgamentos de valor. Uma das práticas que será recorrente na cobertura jornalística 
do evento serão as coletivas de imprensa, momento em que os jornalistas da AC poderão buscar 
informações complementares para o desenvolvimento das notícias. A seguir, explicaremos como 
funciona a dinâmica das coletivas de imprensa. 
6.4 COLETIVAS DE IMPRENSA
As coletivas de imprensa são entrevistas concedidas por uma fonte que responde em conjunto 
às perguntas de repórteres de vários veículos jornalísticos diferentes (RABAÇA; BARBOSA, 2001). 
Esse tipo de entrevista está presente na cobertura cotidiana da imprensa, como nos casos em que um 
político convoca a imprensa para esclarecer medidas que serão implementadas ou quando empresas e 
artistas procuram os jornalistas para anunciar lançamentos. 
 No UFRGSMUNDI, coletivas de imprensa podem ser organizadas por iniciativa dos jornalistas 
ou dos Editores-Chefe. Em ambos os casos, os jornalistas da AC devem selecionar de 2 a 6 delegados 
de um determinado comitê para responder às perguntas da imprensa, e os Editores-Chefe devem ser 
avisados com antecedência. É recomendado que os jornalistas preparem as perguntas previamente 
tendo em vista a pauta já pré-estabelecida, mas novos questionamentos podem surgir ao longo da fala 
da fonte. No início da coletiva, os delegados selecionados serão convocados e, a partir deste momento, 
as perguntas devem ser feitas uma por vez. O delegado entrevistado tem o direito de resposta, réplica e 
tréplica. A duração estimada de uma coletiva no UFRGSMUNDI é de 15 minutos e, após o término das 
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perguntas e respostas, os jornalistas devem agradecer aos delegados e encerrar a entrevista. 
 Jornalistas alocados em outros comitês também podem assistir às coletivas e deve ser organizada 
uma cobertura audiovisual ao longo da entrevista. Por fi m, os jornalistas responsáveis pela cobertura 
do comitê devem produzir material sobre a coletiva de imprensa podendo ser textual, audiovisual, 
fotográfi co ou conteúdo para as redes sociais do evento. 
7 LINHAS EDITORIAIS NO UFRGSMUNDI 
Como dito na seção anterior, a cobertura jornalística do UFRGSMUNDI possui a importante 
designação de acompanhar e informar os participantes do que está acontecendo no evento. O jornalista 
da AC deverá seguir os princípios editoriais do veículo de comunicação que representará, de acordo 
com o comitê em que realizará a cobertura. Tendo isso em vista, abaixo serão apresentados os comitês 
e os respectivos veículos de comunicação que irão noticiar o UFRGSMUNDI 2021.
7.1 AGNU
 A Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) é um dos principais órgãos da ONU, sendo 
composta por todos os 193 Estados-membros. Nesse comitê, cada país tem um voto e são discutidas 
questões como recomendações sobre paz e segurança, eleições nos conselhos de Segurança e Econômico 
e Social e assuntos orçamentários (UNITED NATIONS, 2021). Em 2021, o assunto a ser tratado no 
comitê do UFRGSMUNDI será “Segurança e Soberania no Ciberespaço”.
 O meio de comunicação escolhido para fazer a cobertura da AGNU é o The Guardian. O jornal 
tem tiragem diária e foi fundado na Inglaterra, em 1821, como The Manchester Guardian, mudando 
de nome em 1959. A versão digital existe desde 1999 e é um dos portais mais acessados na internet. O 
jornal faz cobertura de múltiplos tópicos nacionais e internacionais com sua linha editorial considerada 
independente (THE GUARDIAN, 2021).
7.2 ANUMA
 A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ANUMA) é o órgão da ONU 
responsável pelas discussões e decisões mundiais sobre o meio ambiente. Assim como na AGNU, 
nesse comitê, todos os 193 países-membros participam ativamente na busca de soluções (UNITED 
NATIONS ENVIRONMENT ASSEMBLY, 2021). Em 2021, o tema a ser discutido no UFRGSMUNDI é 
“A Preservação de Florestas Tropicais”. 
 O assunto exige interdisciplinaridade dos participantes e, por essa razão, o veículo de 
comunicação selecionado para a cobertura desse comitê é o Nexo, um jornal digital e independente 
fundado em 2015 no Brasil. Conhecido por seu conteúdo explicativo com dados e estatísticas, o Nexo 
preza em sua linha editorial pelo equilíbrio, pela clareza e pela transparência, além da pluralidade na 
abordagem (NEXO JORNAL, 2021a; 2021b).
7.3 BM
 O Banco Mundial (BM) é uma instituição fi nanceira que ajuda países em desenvolvimento por 
meio de fi nanciamentos, assessoria política e assistência técnica com a intenção de diminuir a pobreza 
no mundo e aumentar a renda das famílias. O Banco Mundial é formado pelo Banco Internacional de 
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). As 
três instituições fazem parte do Grupo do Banco Mundial, composto por 189 países-membros (WORLD 
BANK, 2021). No UFRGSMUNDI de 2021, o assunto a ser tratado por esse comitê é o “Financiamento 
de Projetos de Desenvolvimento Urbano”. 
 O veículo escolhido para fazer a cobertura é o Valor Econômico, um jornal brasileiro fundado 
em maio de 2000 pela Folha de S. Paulo em parceria com o Grupo Globo que trata de economia, fi nanças, 
investimentos e negócios no Brasil e no mundo. Desde 2016, o jornal pertence somente ao Grupo Globo 
e segue sua linha editorial que destaca a isenção, acorreção e a agilidade da informação de qualidade 
(VALOR ECONÔMICO, 2021). 
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO • 27
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
7.4 CD
 A Câmara dos Deputados (CD) do Brasil foi fundada em 25 de março de 1824, pela Constituição 
brasileira do mesmo ano. Sua sede está localizada na praça dos Três Poderes, no Distrito Federal, e ela, 
junto ao Senado Federal, integra o Poder Legislativo da União. Sua composição se dá por 513 deputados, 
de todos os estados da federação, que são eleitos com mandatos de quatro anos. Seu funcionamento 
acontece através da Mesa da Câmara dos Deputados do Brasil, pelo Colégio de Líderes e por comissões3. 
No UFRGSMUNDI 2021, o debate no comitê da Câmara dos Deputados será “A Taxação de Grandes 
Fortunas”.
 O veículo escolhido para acompanhar as discussões na CD é o jornal Folha de São Paulo. A 
Folha é o periódico de maior circulação no Brasil e possui grande notoriedade nacional. Editado em São 
Paulo, a premissa de sua linha editorial é a “busca por um jornalismo crítico, apartidário e pluralista” 
(FOLHA DE SÃO PAULO, 2020). 
7.5 CDH
 O Conselho de Direitos Humanos (CDH) é parte do corpo de apoio da AGNU, sendo composto 
por 47 nações eleitas por 3 anos e com sede em Genebra. A missão do CDH é promover os direitos 
humanos em todo o planeta, e o UFRGSMUNDI 2021 trouxe para este comitê “A Promoção de Direitos 
Sexuais e Reprodutivos” como tema para debate, tendo em vista que este assunto é de suma importância 
na luta pelos direitos humanos.
 Para tratar deste tópico, a cobertura será feita pela British Broadcasting Corporation (BBC) — 
em português, Corporação Britânica de Transmissão. Sendo um veículo de informação através do rádio 
e da televisão, a BBC teve origem no Reino Unido e é reconhecida internacionalmente por sempre estar 
à procura de notícias de qualidade e exclusivas (BBC NEWS BRASIL, 2021).
7.6 CICA
 Proposta em 1992, a Conferência sobre Interação e Medidas de Construção da Confi ança na 
Ásia (CICA) é pautada na discussão dos países asiáticos para promover a cooperação e segurança 
para todo o continente ocidental. O comitê se baseia nos princípios da Carta da ONU, prezando pela 
igualdade, solução de confl itos pela paz e respeito à soberania e integridade territorial dos países. No 
total, são 27 Estados que participam dos debates e tomadas de decisão. Em 2021, a Xinhua será a mídia 
responsável por cobrir esse comitê, que irá tratar sobre “A Situação da Caxemira”. 
 Fundada em 1931, a Xinhua é a agência estatal de comunicação da China. É a principal empresa 
comunicacional do país e conta com 31 canais locais, além de cobrir outras línguas como o inglês, 
espanhol e português. A média diária de visualizações do site ultrapassa os 120 milhões e sua cobertura 
alcança mais de 300 milhões de pessoas. Assim, é a mídia mais infl uente para os chineses. A empresa se 
declara justa e objetiva, porém muitos críticos a consideram propagandista do governo. As publicações 
da agência são multimídia e cobrem assuntos como economia, cultura, tecnologia e sociedade. Para a 
cobertura internacional, a Xinhua está presente em 117 países, sendo um deles o Brasil. (XINHUANET, 
2021; XINHUA NEWS AGENCY, 2021a; 2021b).
7.7 CSNU
 O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) foi fundado em 1945, junto da própria 
criação da ONU. A responsabilidade primária do Conselho é a manutenção internacional da paz e da 
segurança e, diferentemente de outros órgãos da ONU, as decisões tomadas pelos seus 15 membros são 
mandatórias, ou seja, devem ser seguidas por todos os membros signatários da Carta das Nações Unidas. 
Cinco dos membros que compõem o Conselho são permanentes — China, Estados Unidos, França, 
Reino Unido e Rússia — e os dez demais são rotativos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 
2021). Nesta edição do UFRGSMUNDI, os delegados debaterão “O Confl ito Nagorno-Karabakh”, em 
uma discussão histórica que se passará em 1993.
 Para realizar a cobertura do Conselho de Segurança, foi selecionado o jornal diário estadunidense 
3 Essas comissões podem ser permanentes, de inquérito, temporárias ou especiais.
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The New York Times (NYT). Com a terceira maior circulação nos Estados Unidos, o jornal realiza uma 
cobertura vasta de diversos temas, e possui reconhecimento internacional (TURVILL, 2020). Fundado 
em 1851, o NYT defi ne como sua missão a busca pela verdade, com a realização da cobertura mais 
imparcial possível das notícias (THE NEW YORK TIMES, 2019) e com o objetivo de trazer um melhor 
entendimento acerca do mundo (NYT, 2021a). Hoje, o veículo de comunicação se apresenta como 
independente de fi liações partidárias, mas possui um histórico de apoio ao Partido Republicano e, 
posteriormente, ao Partido Democrata dos Estados Unidos (VIANA; LIMA, 2011). De modo geral, a 
linha editorial guia a produção noticiosa a partir de princípios liberais, e coloca como seu propósito 
fundamental a proteção da imparcialidade e neutralidade do jornal, com a manutenção da integridade 
de sua atividade informativa (NYT, 2021b).
7.8 DPS - UA
 Criado em 2003, o Comitê Especializado em Defesa, Proteção e Segurança da União Africana 
(DPS-UA) tem como objetivo promover a paz, a segurança e a estabilidade no continente africano. Além 
disso, trabalha na prevenção de confl itos entre os países da África e atua em situações de catástrofes 
e ações humanitárias. Em 2021, o All Africa será a mídia que irá cobrir esse comitê que tem como 
discussão “A Situação na República Democrática do Congo”. 
 O All Africa é uma plataforma online que produz e compartilha informações e conteúdos sobre 
o continente africano. Com produção média de 800 publicações por dia, disponibiliza suas matérias 
em inglês e francês. Além dos seus próprios repórteres, o site conta com a colaboração de mais de 140 
organizações e 500 instituições de notícias espalhadas pela África. Além disso, o meio de comunicação 
tem sedes em Cape Town, Dakar, Lagos, Monrovia, Nairobi e Washington D.C. O portal é considerado 
independente e tem como objetivo diminuir os estereótipos a respeito da África. Com uma produção 
multimídia, são tratados tópicos como política, entretenimento, sociedade, negócios, saúde, meio 
ambiente, esportes e viagens (ALL AFRICA, 2021).
7.9 LEA
 A Liga dos Estados Árabes (LEA) é uma organização regional fundada em 1945 no Egito. O 
objetivo fundador da Liga era o fortalecimento conjunto dos programas políticos, culturais, econômicos 
e sociais dos países integrantes. Atualmente, a organização conta com 22 Estados-membros e seis países 
observadores (ENCYCLOPAEDIA BRITTANICA, 2020). A questão a ser abordada pelos delegados da 
LEA é “A Guerra do Golfo (1990)”, sendo um comitê histórico. 
 O veículo de comunicação escolhido para realizar a cobertura do comitê é a CNN. A CNN é 
um canal privado de televisão norte-americano, parte do conglomerado de mídia WarnerMedia, que 
possui fi liais em diversos países e relevância global. Fundada em 1980, a CNN foi o primeiro canal de 
televisão a ofertar uma programação unicamente noticiosa 24h por dia (CNN, 2021). Segundo a rede de 
notícias, sua missão é realizar uma cobertura internacional completa e explicativa dos acontecimentos. 
A linha editorial tende a um posicionamento liberal, embora existam diferenças editoriais de acordo 
com a fi lial da rede. Durante a Guerra do Golfo, a CNN teve destaque como a única rede de notícias por 
satélite global a realizar uma cobertura contínua no Iraque (CNN, 2020; FORMANEK, 2016). 
7.10 OEA
 A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi criada em 1948, em Bogotá, na Colômbia, com 
a assinatura da Carta da OEA, que entrou em vigor em dezembro de 1951. A organização é considerada 
o mais antigo organismo regional do mundo. Ela tem como objetivo principal estimular entre os 
Estados americanos uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, intensifi carsua 
colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência. Suas principais 
bases são a democracia, os direitos humanos, a segurança e o desenvolvimento (OEA, 2021). Atualmente 
são membros da OEA os 35 Estados independentes da América, e obtiveram o estatuto de observador 
permanente 69 Estados e a União Europeia. Neste ano, o comitê da OEA no UFRGSMUNDI discutirá 
“As Crises Democráticas no Continente Americano”. 
 O jornal selecionado para cobrir os debates na OEA é o jornal Clarín, da Argentina. Fundado 
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO • 29
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em 1945, sendo o jornal de maior circulação da Argentina, o de maior tiragem da América Latina e o 
segundo em língua espanhola do mundo. Ele faz parte do grupo conglomerado de mídia Grupo Clarín 
e atinge praticamente todos os segmentos da população argentina em termos de poder aquisitivo, 
localização geográfi ca e faixa etária (REPOLL, 2010). 
7.11 UNESCO
 A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) é a 
agência das Nações Unidas que busca promover a paz no planeta através da educação, cultura e ciência 
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 2021). 
No UFRGSMUNDI 2021, o comitê irá debater “As Medidas de Preservação da Herança Cultural”. O 
tópico em questão está presente na luta diária da agência, que defende o patrimônio histórico e a 
memória coletiva, tendo em vista que são modos de acesso à cultura e consequentemente a informação 
e democracia. 
 Para tratar deste tópico, a cobertura será através do jornal El País. Fundado na Espanha, o 
jornal tem a maior tiragem do país e reproduz notícias do âmbito cultural, internacional, político e 
econômico (EL PAÍS, 2021).
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UFRGSMUNDI • 32 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ASSEMBLEIA GERAL DAS 
NAÇÕES UNIDAS
Segurança e Soberania no Ciberespaço
Camila Heineck Schwertner, Esther Krüger Silveira, Giovana Tarquinio 
Demarco, Maria Vitória Paiva dos Santos, Nataly de Oliveira Lemos e Tiago 
Carvalho Rodrigues1
1 Graduandas e graduando dos cursos de Relações Internacionais e Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS). 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 ASSEMBLEIA GERAL • 33
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
QUESTÕES NORTEADORAS
(1) Você já ouviu falar sobre ciberespaço ou sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)? 
Como você sente que esses fenômenos estão presentes no seu cotidiano?
(2) A constante evolução nas tecnologias está bastante vinculada ao que conhecemos como a Era Digital. 
De que formas você acha que essa nova realidade impactou — e ainda impacta — as relações entre os 
países, seja para cooperação ou para confl ito?
APRESENTAÇÃO
 A Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) é o maior órgão da Organização das Nações 
Unidas (ONU), além do único no qual todos os membros da organização estão representados e podem 
votar de maneira igualitária. Entre algumas de suas principais funções, estão: admitir novos membros 
à ONU; supervisionar outros órgãos; e eleger o Secretário-Geral. A atribuição mais importante, 
todavia, é agir tendo em vista os princípios de manutenção da paz, da segurança internacional e da 
cooperação entre as nações segundo o escopo da Carta da ONU. Assim, os 193 Estados-membros se 
reúnem uma vez ao ano — a não ser quando são convocadas sessões especiais — para discutir diversos 
temas relevantes na pauta internacional. O documento fi nal produzido pela AGNU é uma resolução 
que, quando aprovada, possui caráter recomendativo1. Compreendida a importância da AGNU, 
cabe aos delegados discutir de que forma a organização pode abordar um dos principais temas da 
agenda internacionalcontemporânea: a segurança e a soberania no ciberespaço (UNITED NATIONS 
GENERAL ASSEMBLY, 2021).
 As últimas quatro décadas acompanharam o surgimento e a difusão global das novas Tecnologias 
da Informação e Comunicação (TICs), as quais revolucionaram a vida humana ao encurtar distâncias, 
facilitar a pesquisa científi ca e o acesso ao conhecimento, aprimorar o comércio internacional e, em 
suma, introduzir o período da Era Digital2. O conceito de TICs pode ser compreendido a partir da 
relação de complementaridade entre comunicação e informação, facilitada pela tecnologia — nisso, 
se encaixam os hardwares e soft wares de computadores, as telecomunicações e a própria Internet 
(NAVARRO, 2009). Para que se possa compreender o impacto dessas mudanças, basta avaliar que 
aproximadamente metade da população mundial já se encontra online, e esse número vem crescendo 
rapidamente (GLOBAL COMMISSION ON THE STABILITY OF CYBERSPACE, 2019).
 Outro ponto basilar da Revolução Digital é o ciberespaço, que pode ser entendido como 
“um espaço virtual que permite que usuários de redes do mundo inteiro se comuniquem ou acessem 
informações para qualquer fi nalidade” (GCSC, 2019, p. 10, tradução nossa). Ressalta-se que a Internet 
não é sinônimo de ciberespaço, e sim que, na realidade, é uma das partes que o compõem. Esse novo 
ambiente permeia todo o tecido social, econômico, político e militar da vida na Era Digital, dado que os 
indivíduos, os Estados e as empresas estão cada vez mais conectados e dependentes da rede para suas 
atividades cotidianas e essenciais (ABAIMOV; MARTERLLINI, 2017).
 O ciberespaço traz inúmeros benefícios ao desenvolvimento dos países e à cooperação entre os 
Estados, mas também apresenta muitos desafi os, dado que pode ser utilizado tanto para fi ns positivos, 
quanto maliciosos. O presente guia de estudos pretende desenvolver essa questão, abordando alguns 
debates centrais sobre ciberespaço na pauta internacional. Em um primeiro momento, retoma-se 
historicamente a evolução das TICs e do ciberespaço, para, em seguida, apresentar e avaliar a ascensão 
de operações cibernéticas como uma arena política de confl ito. Posteriormente, o guia se debruça sobre 
os pontos principais da discussão: as formas como o ciberespaço desafi a as noções tradicionais de 
soberania; as ameaças de militarização e os riscos à segurança internacional; e, por fi m, as possibilidades 
de regulação desse novo espaço. Para concluir, são apresentadas as ações internacionais prévias e os 
posicionamentos dos países. 
1 Isso signi� ca que as decisões desse comitê não possuem caráter vinculante, ou seja, não são de cumprimento obrigatório. Não 
obstante, o fato de ser uma decisão da totalidade dos países da ONU torna as resoluções da Assembleia moralmente vinculantes, posto 
que aqueles países que não as cumprem podem vir a ser considerados violadores das regras estabelecidas pela maioria (UNGA, 2021).
2 A Era Digital tem início no � m do século XX, a partir da década de 1980. Dentre suas principais características, estão a capacidade 
de armazenamento e compartilhamento de informações, a integração mundial — especialmente via Internet —, e todos os avanços no 
meio técnico-cientí� co informacional (SILVA; FELIX, 2016).
UFRGSMUNDI • 34 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 
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1 HISTÓRICO
Nesta primeira seção, será explorado como se deu a formação do ciberespaço. A exposição 
tem início com o surgimento das TICs, que auxiliaram na formação desse novo ambiente das relações 
internacionais. Em segundo lugar, apresenta-se quais são os atores que estão envolvidos na dinâmica 
da segurança e da soberania no ciberespaço. Em seguida, é apresentado como as TICs passaram a 
ser usadas não somente para a conexão global, mas também para a condução de ataques e iniciativas 
militares por meio do ciberespaço. Por fi m, são apresentados alguns conceitos e exemplos para melhor 
compreender esse espaço técnico.
1.1 O SURGIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E 
COMUNICAÇÃO (TICS) E DO CIBERESPAÇO
O surgimento das Tecnologias de Informação e Comunicação foi marcado pelo objetivo do 
desenvolvimento de uma plataforma democrática e responsável pela difusão de conhecimento. No 
entanto, tem se consolidado como um mecanismo descentralizado, e de certa forma obscuro, em que é 
possível navegar de maneira livre sem a interferência governamental. Tal questão pode ser expandida 
para o plano internacional através da pluralidade de atores que atuam no ciberespaço, o que coloca em 
perspectiva a atuação tradicional do Estado3 (PARISER, 2012).
 O ciberespaço teve origem na pós-modernidade4, a fi m de servir como um local de conhecimento 
e comunicação em uma sociedade que se desenvolvia junto à tecnologia, o que resultou em mudanças 
nas formas de socialização, bem como na forma do ser humano se enxergar no mundo e dialogar com 
a realidade ao seu redor. Para isso, caracteriza-se o conceito como um espaço das redes digitais de 
interconexão mundial de novos confl itos e novas fronteiras — econômicas e culturais (LÉVY, 1998). 
Cabe ressaltar também que o ciberespaço é uma construção humana a fi m de suprir as necessidades 
da era globalizada, e como tal a humanidade se apropria desse espaço, age dentro dele e o transforma. 
Apesar disso, a atuação nesse mecanismo constrói relações ambíguas e contraditórias no mundo físico, 
como, por exemplo, os limites do público e do privado, as dimensões do tempo e espaço, assim como 
contrasta as noções tradicionais de soberania e fronteira (SILVA; TEIXEIRA; FREITAS, 2015).
 Atualmente, a agenda acerca da governança do ciberespaço possui forte presença no âmbito das 
relações internacionais, a fi m de compreender os impactos dessa nova era que busca a soberania no 
ciberespaço. Esse lugar difícil de ser precisamente gerenciado coloca inúmeros desafi os aos Estados 
— principalmente aos países em desenvolvimento —, como a erosão de fronteiras geográfi cas e o 
crescimento do papel de atores não-estatais. Segundo a defi nição de soberania, aplicada às redes, 
as atividades de informação dentro de território soberano podem ser controladas pelo Estado sem 
interferências externas (SCHMITT, 2013). No entanto, é importante se atentar que essa estrutura 
potencializa as disparidades entre os países, colocando os desenvolvidos como responsáveis pelo 
fornecimento de serviço e gerenciadores do mercado, enquanto aqueles em desenvolvimento são vistos 
como consumidores. Dessa forma, hoje o ciberespaço mostra “como a hegemonia pode estender a 
soberania de um único país no espaço global” (SHEN, 2016, p. 87).
 A igualdade soberana é um ponto crucial para o estabelecimento da governança no ciberespaço. 
Contudo, para isso ser desenvolvido são necessários acordos e reformas no sistema vigente, bem 
como paciência, pois é extremamente difícil mudar as regras e os princípios que até então eram 
responsáveis por manter o status quo de um único país, que tem por base a sua atuação na projeção 
internacional (CANABARRO, 2014).
1.2 OS ATORES ENVOLVIDOS NO CAMPO LEGAL DO CIBERESPAÇO
 Neste guia, considera-se que existem quatro grupos básicos de atores capazes de operar no 
ciberespaço como um todo. Esses infl uenciam o processo de regulamentação e exercem pressões 
3 O Estado-nação, como é conhecido atualmente, é responsável pela organização política nacional, pelo monopólio administrativo e 
pelo monopólio do uso da força. Além disso, também cabe ao Estado monitorar os aspectos da reprodução dos sistemas sociais sob seus 
domínios territoriais (FERREIRA, 2013).
4 Na pós-modernidade há o predomínio do instantâneo, da perda de fronteiras e da ideia de que o mundo está cada vez menor através 
do avanço da tecnologia. É um conceito que tem sido discutido com muito fervor nos últimos anos e que possui a capacidade de abarcar 
vários fenômenos em um movimento (LÉVY, 1998).
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que defi nem onível de segurança e de respeito à soberania nesse meio. São eles: os Estados-nação; 
as Organizações e Regimes Internacionais (OIs); as Organizações Não-Governamentais (ONGs); e a 
Indústria Cibernética (empresas) (SHEN, 2016). Juntos ou individualmente, esses agentes podem mudar 
as “regras do jogo” do ciberespaço de acordo com os seus interesses e as suas capacidades (BARNETT; 
FINNEMORE, 2004; SHEN, 2016).
 Os Estados-nação são protegidos por princípios do direito internacional como o do direito à 
soberania. Assim, esses atores possuem capacidades de efetivamente controlar o seu território e os 
agentes dentro dele (BARNETT; FINNEMORE, 2004). Além disso, os Estados usam o seu poder para 
construir conjuntamente leis em fóruns como a AGNU, tentando garantir seus interesses em diversas 
esferas do plano internacional, incluindo o ciberespaço. Dessa forma, são atores com grande poder 
individual nos debates referentes à regulamentação do ciberespaço. Com isso em mente, esse guia dá 
maior foco às ações dos Estados, por considerar que eles dispõem de mais recursos e relevância nas 
dinâmicas cibernéticas (SHEN, 2016).
 Organizações e Regimes Internacionais (OIs) são agentes criados por esses diálogos 
internacionais na intenção de mediar alguma questão específi ca, como a da segurança e soberania no 
ciberespaço (BARNETT; FINNEMORE, 2004). Um exemplo de OI é a própria AGNU, a qual funciona 
como um fórum dentro da ONU para discutir questões gerais da pauta global. OIs são originadas 
de Tratados Internacionais assinados pelos Estados, e suas normas e Medidas de Construção de 
Confi ança (MCCs) formam regimes internacionais a serem seguidos pelos participantes (BARNETT; 
FINNEMORE, 2004; RUHL et al., 2020).
 Enquanto as Organizações Não-Governamentais não possuem fi ns lucrativos e geralmente 
surgem de uma necessidade técnica do ciberespaço (controle de domínios, IPs ou servidores), a Indústria 
Cibernética é movimentada pelo lucro produzido por meio das inovações tecnológicas (RUHL et al., 
2020). Ambas são obedientes ao direito internacional e à legislação dos países em que estão inseridas, 
mas não são necessariamente vinculadas a um Estado. A Indústria é formada por várias empresas que 
assumem o papel de Provedoras de Serviços de Internet (PSIs) (PUYVELDE; BRANTLY, 2019).
 Apesar de existirem episódios onde indivíduos impactaram fortemente o ciberespaço e a política 
internacional, considera-se que quase sempre eles estão relacionados a algum “ciberator” (BARNETT; 
FINNEMORE, 2004). É o caso de Julian Assange, fundador da organização Wikileaks5. Apesar de ser 
um jornalista sem meios para infl uenciar o ciberespaço individualmente, Assange conseguiu criar 
uma organização capaz de expor milhões de dados chocantes de grandes empresas de todo o mundo 
(WIKILEAKS, 2015).
 Outro exemplo é o do ex-integrante da Agência Central de Inteligência (CIA, sigla em inglês), 
Edward Snowden, que conseguiu expor o governo dos Estados Unidos ao vazar cerca de 1,5 milhão de 
dados da Agência de Segurança Nacional (NSA)6 em junho de 2013. Snowden expôs suas denúncias por 
meio de jornais7 como o The Guardian, que divulgaram a rede de vigilância global dos EUA (Estados 
Unidos da América) sobre a sua população e inúmeros países (SZOLDRA, 2016).
1.3 O DESENVOLVIMENTO E A UTILIZAÇÃO DE CIBERATAQUES
 Desde a década de 1990, à medida que o ciberespaço se tornou o novo palco para as relações 
humanas, pesquisadores em segurança começaram a cogitar a possibilidade de uma transformação 
no caráter convencional da guerra com os recursos cibernéticos. Ao mesmo tempo, grande parte 
da infraestrutura e logística das organizações se tornou dependente de computadores e do acesso à 
Internet. Por isso, os ciberataques podem servir como arma para atingir fi ns políticos, até mesmo como 
instrumento principal ou complementar da guerra (SHAKARIAN, P.; SHAKARIAN, J.; RUEF, 2013).
 Fundamentalmente, os ciberataques são ações ofensivas articuladas no meio digital que 
objetivam afetar a disponibilidade, a integridade e a confi dencialidade de uma rede de informações, 
5 O Wikileaks é uma ONG sem � ns lucrativos internacional responsável por publicar mídias e dados secretos doados anonimamente. 
A organização foi fundada em 2006 pelo periódico em que Assange participou, a Sunshine Press, na Islândia. Como seu próprio nome 
diz, “Wiki” remete a uma biblioteca compartilhada de documentos que são “leaks” (do inglês vazamentos), ou seja, divulgados para 
denunciar crimes contra o bem-estar social no mundo (WIKILEAKS, 2015).
6 A National Security Agency, ou Agência de Segurança Nacional, é um órgão do governo dos Estados Unidos responsável por 
monitorar e estrategizar a segurança em todos os campos desse país (NSA, 2021). 
7 Os primeiros contatos de Edward Snowden foram Glenn Greenwald e Laura Poitras, fundadores do jornal internacional � e Intercept.
Esse periódico se destaca no campo de divulgação de dados vazados para denunciar maus tratos aos direitos humanos (WIKILEAKS, 
2015; THE INTERCEPT, 2021).
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resultando em dano físico a um sistema, uma empresa ou um indivíduo (SINGER; FRIEDMAN, 2014). 
Com isso, essa seção busca demonstrar o desenvolvimento e a utilização de ciberataques — desde vírus, 
malwares8, aos Distributed Denial of Service (DDoS) — através de casos emblemáticos que exemplifi cam 
cada um, com enfoque nas ameaças contra Estados.
1.3.1 DISTRIBUTED DENIAL OF SERVICE (DDOS): O CASO DA ESTÔNIA
Os Distributed Denial of Service (DDoS) (ou Negação de Serviço Distribuída) são ataques 
coordenados entre múltiplos servidores que se baseiam em sobrecarregar um sistema-alvo com uma 
quantidade exagerada de acessos simultâneos. Com isso, é possível inutilizar para os demais usuários o 
site, o servidor ou até mesmo a infraestrutura atingida (SHAKARIAN, P.; SHAKARIAN, J.; RUEF, 2013).
O primeiro caso que suscitou a ideia mundialmente da capacidade política de ciberataques ocorreu na 
Estônia, em 2007. A motivação dos ciberataques ocorreu devido à realocação de uma estátua simbólica 
da Segunda Guerra Mundial, em Tallinn, capital da Estônia. Isso resultou em uma onda de protestos 
políticos entre grupos estonianos de etnia russa e o governo estoniano, que eram respectivamente 
contrários e a favor da realocação do monumento (SILVA; LEÃO, 2018). Simultaneamente, através de 
ataques DDoS, hackers russos se infi ltraram na infraestrutura de computadores do governo da Estônia, 
conseguindo sobrecarregar e colapsar sites dos ministérios, servidores de bancos e de telecomunicação 
(MESQUITA, 2019).
 Somado a isso, conseguiram até mesmo desativar por 12 horas o e-mail dos parlamentares da 
Estônia (SHAKARIAN, P.; SHAKARIAN, J.; RUEF, 2013). Mesmo não sendo possível provar com certeza 
a autoria dos ciberataques, as autoridades da Estônia solicitaram medidas de apoio à Organização do 
Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com a convicção de que o Kremlin9 foi responsável. No entanto, 
devido à difi culdade de atribuição dos ataques e à inexperiência da organização sobre medidas de 
resposta a casos do tipo, a OTAN não reagiu (SPRINGER, 2017).
1.3.2 O VÍRUS STUXNET
 No dia 17 de junho de 2010, o mundo experienciou um acontecimento que revolucionou a 
noção de uso de armas cibernéticas e as relações internacionais no plano virtual: a fi rma de antivírus 
bielorrussa VirusBlockAda identifi cou o malware Stuxnet (SHAKARIAN, 2011). O Stuxnet foi o primeiro 
vírus de computador destinado a danifi car um sistema de controle industrial, que envolve desde a 
produção à distribuição industrial (de gás natural ou petróleo, por exemplo). No caso do Stuxnet, o 
mais afetado foi o Sistema de Controle e Aquisição de Dados (SCADA, sigla em inglês), responsável por 
possibilitar o monitoramento de dados de algum programa específi co e a manipulação de comandos a 
partir dele (SPRINGER, 2017). Assim, o Stuxnet buscou alterar as funções operacionais desse sistema,especialmente o funcionamento das centrífugas usadas no enriquecimento de urânio de Natanz, um 
dos centros do programa nuclear do Irã (SPRINGER, 2017). Os ataques foram atribuídos a uma ação 
conjunta entre a Agência de Segurança dos EUA e uma unidade cibernética governamental de Israel 
(LITWAK; KING, 2015).
 Entender o Stuxnet é compreender a dimensão do poder potencial na utilização de armas 
cibernéticas e as implicações disso para as relações militares. Primeiro, o ciberataque foi bem-sucedido, 
com a estimativa de ter atrasado por 2 anos o programa nuclear iraniano (SHAKARIAN, 2011). Segundo, 
tinha um alvo extremamente específi co — o SCADA — e manteve a contaminação de computadores 
pelo vírus restrita a esse alvo, evitando a danifi cação generalizada dos sistemas industriais (SINGER; 
FRIEDMAN, 2014). Pela efi ciência desse aspecto, o código do Stuxnet se aproximou muito do código 
original do sistema. Essa capacidade de discriminação tornou difícil identifi car o vírus e descontaminar 
os computadores dele (SINGER; FRIEDMAN, 2014). Por fi m, o Stuxnet utilizou as chamadas “zero 
days” (dias zero), vulnerabilidades dentro dos sistemas operacionais do Windows que eram previamente 
desconhecidas (SPRINGER, 2017). Dessa forma, o vírus Stuxnet ganhou muito destaque por ser 
considerado o primeiro caso de ciberataque à infraestrutura crítica de outro país que trouxe danos 
físicos. Com isso, abriu precedentes para as discussões sobre ética dentro do ciberespaço e intensifi cou 
8 Malware é um termo referente a um “código malicioso” (ou so� ware malicioso) de computador. O Stuxnet é considerado um “worm” 
(verme), um malware que se propaga para outros computadores através da auto replicação (CENTRO DE ESTUDOS, RESPOSTA E 
TRATAMENTO DE INCIDENTES DE SEGURANÇA NO BRASIL, 2017).
9 No sentido literal, Kremlin é a fortaleza onde reside o presidente da Rússia, situada no centro de Moscou próximo à Praça Vermelha. 
No entanto, utiliza-se comumente o termo para referir-se ao próprio governo russo.
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o sentimento de insegurança entre Estados na utilização de ciberataques (SHAKARIAN, 2011).
2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
 Nos próximos pontos desta seção são feitas refl exões sobre os problemas que hoje são uma 
ameaça para a soberania e a segurança no ciberespaço. Primeiramente, discute-se o controle de 
informações e o conceito de soberania para o meio cibernético. Em segundo lugar, explora-se a fundo 
como o ciberespaço é utilizado como um espaço de guerra e, sobretudo, por que ele se apresenta como 
um campo inseguro nas relações internacionais. Por último, analisamos quais são e como funcionam 
os processos de cooperação internacional para criar normas e leis capazes de tornar o ciberespaço 
mais seguro e estável. Conclui-se refl etindo sobre qual é o papel da AGNU e dos seus participantes na 
resolução desses problemas.
2.1 O CONTROLE DE INFORMAÇÕES E A SOBERANIA NO 
CIBERESPAÇO
 Em 1648, a assinatura dos tratados de Münster e Osnabruck, que constituíram então a Paz de 
Westfália, deu fi m à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e instaurou o sistema internacional como é 
conhecido hoje, estabelecendo princípios importantes para as relações entre as nações, como: soberania 
estatal, territorialidade e não-intervenção (JUBILUT, 2010). Até a fundação da Organização das Nações 
Unidas (ONU) em 1945, os debates e teorias sobre soberania eram majoritariamente europeus, porém a 
discussão se expandiu com a criação da ONU. A Carta da ONU (1945), no primeiro capítulo, artigo 2°, 
estabelece que “todos os membros devem abster-se, em suas relações internacionais, de ameaças ou uso 
da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer estado [...]” (UNITED 
NATIONS, 1945, p. 3). Assim, a soberania é a concepção de que os assuntos e as instituições dentro de um 
determinado território são de preocupação apenas do governo daquele território (POMERLEAU, 2019).
 Entretanto, a Internet acabou por desafi ar essa noção tradicional de soberania, tornando a 
questão mais complicada, já que não há linhas físicas às quais se ater. Destacando-se especialmente duas 
vertentes teóricas: o excepcionalismo cibernético e a governança da Internet com múltiplos atores. O 
excepcionalismo cibernético foi bastante popular na década de 1990 e argumenta que o mundo digital 
é diferente do mundo analógico. Portanto, é necessário que ele não seja tratado da mesma forma que as 
invenções tecnológicas prévias. A partir dos anos 2000, a governança da Internet com múltiplos atores, 
ou governança de múltiplas partes interessadas na Internet, ganhou espaço, defendendo que o foco 
deveria ser como aqueles que são afetados pela Internet deveriam administrá-la. De acordo com essa 
corrente teórica, o que ocorreria seria uma governança de várias partes interessadas cuja base seria a de 
abertura, inclusão, colaboração de baixo para cima e tomada de decisão consensual (FIFTH DOMAIN, 
2019; POHLE; THIEL, 2020; POMERLEAU, 2019).
 A ideia de uma governança digital conjunta acabou se enfraquecendo se for levado em conta 
a quantidade de confl itos internos que ocorrem por causa de problemas de coordenação, pois muitas 
vezes há diversos processos de governança paralelos, e também por causa da mudança temática de 
questões originalmente tecnológicas para questões políticas ou sociais. Além disso, cada vez mais 
ocorre tentativas de nações de regionalizar mais intensamente o desenvolvimento de redes digitais, 
o que vai de encontro aos princípios previamente estabelecidos na governança de múltiplas partes 
interessadas na Internet. Sendo assim, não parece possível retornar à ideia inicial da proposta 
(POHLE; THIEL, 2020).
 Esse tipo de acontecimento fez ressurgir o conceito de soberania como princípio na formulação 
de políticas digitais, mas a questão é que o debate sobre o mundo digital é tão novo na comunidade 
internacional que ainda não há consenso sobre defi nições e curso de ação. É possível dizer que a ideia 
que a maioria das pessoas possui sobre as comunicações digitais estarem em confronto com a soberania 
estatal não desapareceu, assim como os desafi os de se colocar essa soberania em prática no mundo 
digital. Assim, vários atores passaram a afi rmar a necessidade do estabelecimento da soberania no 
mundo digital, pautados normalmente em duas justifi cativas: o poder crescente dos atores corporativos 
que enriquecem na esfera comercializável da Internet e que possuem poder material e imaterial de 
reter estruturas sociais vitais. Outro argumento é o perigo de vigilância e manipulação estrangeira, que 
UFRGSMUNDI • 38 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
surgiu logo após a repercussão do caso Edward Snowden (FIFTH DOMAIN, 2019; POHLE; THIEL, 
2020; POMERLEAU, 2019).
 A partir da Conferência da ONU sobre Sociedade da Informação e Desenvolvimento (1996) e da 
Conferência Ministerial sobre Terrorismo (1999), fi cou estabelecido que a disseminação das Tecnologias 
de Informação e Comunicação estava diretamente ligada aos interesses da comunidade internacional 
como um todo e, por isso, um tema sobre o desenvolvimento da informação e da comunicação no 
contexto da segurança internacional deveria ser incluído na agenda da Assembleia Geral. A ONU 
relatou sua preocupação quanto aos riscos de que as novas tecnologias fossem usadas para fi ns que 
afetassem negativamente a segurança dos Estados e incentivou que todos os membros apresentassem 
relatórios sobre suas defi nições particulares de conceitos básicos de segurança da informação e se os 
princípios internacionais deveriam ser instituídos para tornar os sistemas globais de informação e 
comunicação mais seguros (FANG, 2018).
 O conceito tradicional de soberania foi largamente difundido como uma lei executável que 
tem seu respaldo em arranjos estruturais claros, como, por exemplo, o monopólio estatal da força. Os 
instrumentosde poder soberano criados no sistema westfaliano parecem simples, mas a constante 
inovação tecnológica fez com que a situação fi casse complicada. Em 2018, o procurador-geral britânico 
proclamou que operações cibernéticas de qualquer tipo não caracteriza violação da soberania, enquanto 
que, em 2019, os franceses alegaram que qualquer operação cibernética que cause efeito constitui uma 
violação da soberania. Ao longo de vinte anos de debate a respeito do tema, a Assembleia Geral salienta 
a necessidade da utilização da Carta das Nações Unidas e do princípio de soberania no ciberespaço 
para que haja melhora na segurança do uso das tecnologias de informação e comunicação. A ONU 
ainda enfatiza também que é de imensa relevância para todos que o mundo digital seja aberto, seguro, 
estável, livre de obstáculos e pacífi co, e que a construção disso necessita da cooperação dos Estados em 
prol da paz e segurança internacionais (FANG, 2018; FIFTH DOMAIN, 2019; POHLE; THIEL, 2020; 
POMERLEAU, 2019).
2.2 A DIMENSÃO MILITAR DO CIBERESPAÇO E AS IMPLICAÇÕES 
PARA A SEGURANÇA INTERNACIONAL
 Quando se trata das atividades no ciberespaço, um dos principais pontos de debate diz respeito 
à sua dimensão militar e aos impactos dos confl itos cibernéticos nas dinâmicas de poder a nível global. 
Com isso em mente, a presente seção busca desenvolver a relação entre cibersegurança e política 
internacional, tratando de questões securitárias10 pertinentes ao tema, como o avanço de uma corrida 
armamentista cibernética, a classifi cação dos países mais poderosos no meio digital, a utilização em 
massa da espionagem eletrônica e, em suma, os riscos associados à militarização do ciberespaço.
 Conforme visto, o ciberespaço é uma das maiores invenções humanas, um conjunto gigantesco 
de redes e conexões que revolucionou o tecido social, econômico e político da contemporaneidade, tanto 
a nível doméstico e individual, quanto nas relações interestatais em meio à comunidade internacional. 
Como uma dimensão importante da atuação do Estado, o setor militar também foi profundamente 
impactado pelas novas tecnologias, particularmente quando se considera o contexto em que os processos 
decisórios e a infraestrutura crítica dos países estão cada vez mais vinculados à rede (GCSC, 2019; 
GHERNAOUTI, 2013). O ciberespaço, assim, tornou-se um ambiente com a capacidade de hospedar 
confl itos e operações militares, podendo operar como uma ferramenta útil a fi ns maliciosos. Segundo 
o Center for Strategic and International Studies (CSIS), um centro de especialistas sediado nos Estados 
Unidos, é possível contabilizar mais de 680 ciberataques signifi cativos11 desde 2006 até março de 2021 
(CENTER FOR STRATEGIC AND INTERNATIONAL STUDIES, 2021).
 Para compreender por que um país opta por lançar ciberataques, é importante delinear algumas 
comparações entre armas cibernéticas — entendidas como ferramentas, especialmente malwares, 
10 Aqui, o adjetivo “securitário” faz alusão à ideia geral de segurança internacional. De modo geral, o conceito de segurança internacional 
envolve as diversas medidas tomadas por organizações e Estados, a nível global, para salvaguardar a sobrevivência e proteger-se contra 
ameaças à estabilidade. Isso envolve ações militares, mas também diplomáticas, tais como tratados e convenções (OSISANYA, 2021). 
11 A metodologia do CSIS entende um ciberataque signi� cativo como aquele que atinge agências estatais, setores de defesa e empresas 
de alta tecnologia, ou caso tenham ocorrido crimes econômicos com perdas de mais de um milhão de dólares (CSIS, 2021). Se fôssemos 
contabilizar ciberataques de maneira mais geral (considerando, por exemplo, o cibercrime de pequena escala, realizado por atores não-
estatais e com vistas à extorsão � nanceira e ao roubo de dados pessoais), o número diário de ocorrências chegaria à casa dos milhares. 
Durante o ano de 2018, por exemplo, foram mais de 30 milhões (PURPLESEC, 2021).
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capazes de executar ataques disruptivos no ciberespaço — e sistemas tradicionais, como armas de 
fogo e dispositivos explosivos. De início, pode-se pontuar que as armas cibernéticas têm um efeito 
indireto e geralmente complementar a outras atividades, ao passo que o impacto dos armamentos 
convencionais é direto e palpável. Ainda que sejam necessários gastos em pesquisa e desenvolvimento 
em ambos os casos, a aquisição de armas cibernéticas é comparativamente mais barata e simples, 
dado que os recursos essenciais12 a sua construção são bastante acessíveis, além da manutenção dessas 
capacidades também custar menos. Por fi m, conclui-se que a proliferação dessas armas pelo ciberespaço 
é substancialmente mais fácil que o transporte e a estocagem de sistemas tradicionais no mundo físico, 
o que levanta preocupações acerca da possibilidade de uma corrida armamentista cibernética entre os 
países (PUYVELDE; BRANTLY, 2019).
 Conforme apontado por Abaimov e Martellini (2017, p. 6, tradução nossa), existem várias possíveis 
motivações por detrás de um ciberataque, como, por exemplo, “[...] obter informação estratégica, impactar 
o Sistema de Comando e Controle13 de um inimigo, danifi car a infraestrutura crítica, e interromper o 
aparelho de alerta precoce e demais funções vitais”. Esses interesses são ainda mais potencializados por 
outras vantagens militares oferecidas por ataques cibernéticos, especialmente a capacidade de realizar 
operações furtivas e anônimas, sem que a origem possa ser facilmente descoberta. Ao mesmo tempo 
que os países se preocupam em proteger seus pontos vulneráveis contra ataques, portanto, eles também 
buscam formas de explorar as vulnerabilidades alheias, criando um cenário em que os Estados estão 
investindo em inovações tecnológicas e desenvolvendo armas cibernéticas cada vez mais sofi sticadas e 
perigosas (ABAIMOV; MARTELLINI, 2017).
 A situação descrita acima, em que dois ou mais países estão aumentando o número e a força de 
suas armas, é o que confi gura uma corrida armamentista. Geralmente, a competição se baseia no objetivo 
de fi car à frente dos outros, seja por desejo de ser o mais forte e dissuadir os demais, seja por medo 
de ser superado e estar em uma posição de insegurança. Esse tipo de disputa interestatal é um refl exo 
da crescente militarização do ciberespaço, embora seja difícil medir a real dimensão desse processo 
— comparativamente aos armamentos tradicionais, a natureza virtual das armas cibernéticas faz com 
que elas possam passar mais despercebidas, de modo que os próprios países não tenham noção efetiva 
das capacidades de seus adversários. Essa situação de competitividade interestatal é propulsionada 
pela ausência de consenso em torno de uma estratégia conjunta e de regulamentos internacionais para 
o ciberespaço, questão que será melhor desenvolvida na próxima seção (ABAIMOV; MARTELLINI, 
2017; PUYVELDE; BRANTLY, 2019).
 Com essas considerações em mente, levanta-se a discussão de como determinar o poder e a posição 
de um país no ciberespaço. Para isso, é importante defi nir o conceito de poder cibernético, que pode ser 
entendido como “a habilidade de usar o ciberespaço para criar vantagens e infl uenciar eventos em todos 
os ambientes operacionais e instrumentos de poder, visando alcançar os objetivos políticos da nação” 
(SHELDON, 2011, p. 95, tradução nossa). Esse processo é complexo e envolve muitos componentes, como 
estratégias governamentais, recursos fi nanceiros, participação do setor privado e liderança em inovações 
tecnológicas. Para que um Estado seja considerado uma potência cibernética, portanto, é necessário que 
ele desenvolva capacidades14 e efetivamente as utilize para defender e projetar seus diferentes interesses 
nacionais no ciberespaço (PUYVELDE; BRANTLY, 2019; VOO et al., 2020).
 Em 2020, o Centro Belfer de Ciência e Assuntos Internacionais publicou um estudo que classifi ca 
os países de acordo com seu poder cibernético.Para isso, os cientistas defi niram sete principais 
objetivos que costumam interessar aos Estados no ciberespaço (VOO et al., 2020). São os seguintes:
 1. A vigilância e o monitoramento das populações;
 2. O controle e a manipulação da informação;
 3. O fortalecimento das capacidades defensivas;
12 Como habilidades de programação, hardwares e so� wares. Em contrapartida, a construção de sistemas tradicionais depende de 
materiais mais rebuscados, de modo que a riqueza do país se torna um fator importante (PUYVELDE; BRANTLY, 2019).
13 Um Sistema de Comando e Controle, conceito geralmente associado ao meio militar, diz respeito ao “conjunto de instalações, 
equipamentos, sistemas de informação, comunicações, doutrinas, procedimentos e pessoal essenciais para o decisor planejar, dirigir e 
controlar as ações da sua organização” (BRASIL, 2019, p. 14). Trata-se, portanto, de uma cadeia de comando, responsável pela gestão 
de todas as forças em operação. 
14 Aqui, capacidades cibernéticas são compreendidas como o conjunto de ferramentas e recursos disponíveis a um Estado para que ele 
possa se proteger ou projetar in� uência no ciberespaço. Pode-se pensar, por exemplo, em quantidade e so� sticação de so� wares e armas 
cibernéticas, mas também em número de trabalhadores quali� cados, de patentes registradas e de centros de pesquisa e desenvolvimento 
sobre o assunto (PUYVELDE; BRANTLY, 2019; VOO et al., 2020). 
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 4. O desenvolvimento das capacidades ofensivas;
 5. A coleta de informação e inteligência estratégicas; 
 6. O crescimento do comércio e da indústria doméstica;
 7. A defi nição de normas cibernéticas e padrões técnicos internacionais.
 Dado que os países possuem recursos, interesses e prioridades diferentes, eles atingiram 
pontuações distintas em cada objetivo. Analisando o desempenho médio geral, ao longo dos sete temas 
propostos, foi possível estabelecer a classifi cação das dez principais potências no ciberespaço, quais 
sejam: Estados Unidos da América, China, Reino Unido, Rússia, Países Baixos, França, Alemanha, 
Canadá, Japão e Austrália (VOO et al., 2020).
 Na análise, foram consideradas duas variáveis importantes: intenção e capacidades. De modo 
geral, a primeira defi ne o nível de disposição do Estado para utilizar os meios cibernéticos em busca 
dos objetivos nacionais, enquanto as capacidades delimitam a real viabilidade desse processo, a partir 
dos recursos efetivamente disponíveis ao país. Um governo, portanto, pode possuir as capacidades 
necessárias para atingir determinado objetivo através do ciberespaço, mas pode não ter a intenção 
de fazê-lo. Em contrapartida, outro governo pode apresentar essa intenção, porém não os recursos 
fundamentais para concretizá-la. O gráfi co abaixo (gráfi co 1) demonstra como diferentes países se 
posicionam dentro das dinâmicas possíveis entre essas duas variáveis (VOO et al., 2020). 
Gráfi co 1: Classifi cação dos países a partir de capacidades e intenção
Fonte: VOO et al., 2020.
 Ainda tratando do debate sobre as implicações do ciberespaço para a segurança internacional, é 
importante destacar outra forma de rivalidade interestatal: a espionagem militar e a vigilância eletrônica 
em massa. A ciberespionagem é utilizada com frequência, e pode ser entendida como uma forma de 
conseguir acesso não-autorizado a redes e sistemas de outro país, de modo a obter dados e informações 
confi denciais. Quando aplicada ao âmbito militar, a espionagem comumente se refere, também, ao 
roubo de propriedade intelectual e de projetos ainda em desenvolvimento, dando ao país invasor uma 
vantagem estratégica (PUYVELDE; BRANTLY, 2019). Um exemplo pertinente de ciberespionagem é o 
caso conhecido como Titan Rain, cujo principal alvo foi o Departamento de Defesa dos Estados Unidos 
— especialmente o setor de inteligência militar —, além dos Ministérios da Defesa e de Relações 
Exteriores do Reino Unido. Os ataques ocorreram ao longo do período de 2002 até 2007, e quantidade 
considerável de informação foi roubada. Os Estados Unidos atribuem a autoria da operação à China, 
embora isso não seja comprovado (SHAKARIAN, P.; SHAKARIAN, J.; RUEF, 2013).
 O ciberespaço, portanto, vem progressivamente se tornando um ambiente em que países 
perseguem e defendem seus interesses nacionais, confi gurando-se, por conseguinte, como um local de 
disputa política. Nesse cenário de incerteza, os Estados constroem cada vez mais capacidades cibernéticas, 
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para defesa e para ataque, o que demonstra os riscos da militarização do ciberespaço e do desenrolar de 
uma corrida armamentista. Para diversos especialistas, a resposta se encontra em estabelecer normas 
e acordos internacionais, defi nidos em conjunto, que possibilitem a estabilidade do ciberespaço e o 
comportamento estatal responsável nesse domínio, limitando a proliferação de armas cibernéticas e 
incentivando a cooperação entre os países (ABAIMOV; MARTELLINI, 2017; GCSC, 2019).
2.3 O DEBATE ACERCA DA REGULAMENTAÇÃO DO 
CIBERESPAÇO
 Nas seções passadas, foi explorado como a natureza rápida, variada e em constante mudança do 
ciberespaço pode representar ao mesmo tempo grandes avanços e profundos perigos para o mundo. A 
partir disso, nesta próxima seção, refl etir-se-á sobre como os atores do mundo cibernético cooperam 
entre si para transformar esse ambiente em um espaço mais seguro. Busca-se entender quais são 
os benefícios e as difi culdades de regulamentar o ciberespaço. Depois, são elencadas as estratégias 
utilizadas pelos agentes e que interesses estão por trás das suas ações. Ao fi nal, conclui-se debatendo 
sobre o papel da AGNU nessa tarefa.
2.3.1 QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS E AS DIFICULDADES DE 
REGULAMENTAR O CIBERESPAÇO?
 Como vimos na seção anterior, os avanços tecnológicos que compõem o ciberespaço atualmente 
impactam o sistema internacional trazendo diversos benefícios e riscos. Instrumentos como as TICs são 
capazes de conectar boa parte do planeta, acelerando operações econômicas, facilitando a comunicação 
interestatal e contribuindo para o desenvolvimento mundial (RUHL et al., 2020). Ao mesmo tempo, essa 
alta conexão também abre brechas para o uso agressivo do ciberespaço. Cibercrimes e ciberataques 
podem ser conduzidos sem a necessidade de estruturas muito avançadas e, mesmo assim, causar enormes 
prejuízos por meio de vazamentos de dados ou até mesmo desestabilização de estruturas vitais de um 
Estado (AUSTIN, 2017; INTERNATIONAL INSTITUTE FOR STRATEGIC STUDIES, 2021).
 A regulamentação do ciberespaço é uma tentativa de diminuir esses riscos por meio da 
cooperação internacional. Nesse sentido, os atores cibernéticos buscam construir regras e normas para 
transformar o ciberespaço em um ambiente mais seguro e conectado (SLACK, 2016). Acordos e tratados 
internacionais são negociados pelos atores com a intenção de atingir interesses comuns dentro do 
ciberespaço, como a garantia da soberania para os Estados, a transparência em operações cibernéticas 
e o compartilhamento de conhecimento técnico nesse campo. Todas essas regras podem ser chamadas 
de Medidas de Construção de Confi ança (MCCs), pois elas operam para diminuir as tensões políticas 
no meio cibernético internacional (RUHL et al., 2020; SLACK, 2016).
2.3.2 AS ABORDAGENS DE POLÍTICA EXTERNA PARA O CIBERESPAÇO: 
MULTILATERALISMO, SISTEMA ABERTO E ACORDOS NÃO-
GOVERNAMENTAIS
Levando todos esses perigos em consideração, os agentes do ciberespaço desenvolveram 
estratégias distintas para a regulamentação, considerando os seus interesses externos. Podemos 
classifi cá-las em três tipos básicos: o Multilateralismo; o Sistema Aberto; e os Acordos Não-
Governamentais15 (SHEN, 2016; SLACK, 2016). Essas envolvem a construção de MCCs, tanto em tratados 
internacionais ofi ciais, quanto em normas acordadas informalmente. Além disso, elas compartilhamdos mesmos objetivos de garantir a soberania, preservar a segurança no ciberespaço e atingir um 
consenso entre os interesses dos atores participantes (RUHL et al., 2020). No quadro abaixo (Quadro 1), 
encontra-se um resumo, seguido pela explicação:
15 Essa classi� cação está presente nas obras acadêmicas “Cyber Sovereignty and the Governance of Global Cyberspace” de Yi Shen 
(2016) e “Wired Yet Disconnected” de Chelsey Slack (2016), ambas utilizadas como bibliogra� a de referência para a produção deste 
material. Uma explicação mais especí� ca está presente no Glossário.
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Quadro 1: Estratégias e Polarizações dos Regimes de Regulamentação do Ciberespaço
Regimes de 
Regulamentação UN GGE OEWG Comissão Global ICANN
Carta de 
Confi ança
Estratégia Multilateral Multilateral Sistema Aberto Não-estatal (ONG)
Não-estatal 
(Indústria)
Polarização EUA + OTAN Rússia e Outros*
França, 
Singapura, Índia, 
Think Tanks e 
Empresas
EUA + OTAN Não existente
Fonte: IISS, 2021; FANG, 2018; RUHL et al., 2020; SLACK, 2016.
 No ponto da polarização da Open Ended Working Group (OEWG), destacam-se “Outros” como 
países não alinhados com os EUA e as demais democracias liberais, mas que também buscam exercer 
sua soberania e expandir a sua infl uência no ciberespaço. É o caso do Irã, da Turquia, da Índia e do 
Vietnã, dentre outros países em desenvolvimento (SHEN, 2016).
2.3.3 OS REGIMES DE INTEGRAÇÃO JÁ EXISTENTES: UN GGE, OEWG, 
COMISSÃO GLOBAL, ICANN E CARTA DE CONFIANÇA
 A estratégia do Multilateralismo se trata de regimes de regulamentação que são quase 
exclusivamente focados nos Estados-nação, desconsiderando os demais grupos de atores. Esse é o caso 
do Grupo de Especialistas em Governança das Nações Unidas (UN GGE, na sigla em inglês), que reúne 
cerca de 25 Estados-nação e trata da desmilitarização do ciberespaço, da construção de MCCs e da 
aplicabilidade do direito internacional para o meio cibernético. Esse órgão produz recomendações a 
partir do consenso de todos os especialistas dos países membros, os quais são rotacionados de três em 
três anos (RUHL et al., 2020; UNITED NATIONS OFFICE FOR DISARMAMENT AFFAIRS, 2021a).
 Apesar de reunir grandes potências como Rússia e China, o GGE é fortemente patrocinado 
e utilizado pelos Estados Unidos como um meio de estabelecer os seus interesses na agenda 
internacional para o ciberespaço. Esse grupo de especialistas faz conexão com todos os países da 
Organização do Tratado do Atlântico-Norte (OTAN)16, os quais são, via de regra, aliados dos Estados 
Unidos (SLACK, 2016). Sua infl uência sobre o mundo se torna clara a partir da adoção de normas 
criadas pelo GGE em blocos como a União Europeia (UE) e a Associação das Nações do Sudeste 
Asiático (ASEAN, sigla em inglês) em 2015. Devido ao consenso necessário, os adversários dos 
Estados Unidos, como China, Rússia, Cuba e, por vezes, Índia, podem gerar difi culdades na produção 
de MCCs e restringir discussões sobre, por exemplo, espionagem de dados e privacidade digital 
(RUHL et al., 2020; PUYVELDE; BRANTLY, 2019).
 Outro exemplo de integração multilateral na ONU é o do Grupo de Trabalho Aberto (OEWG, 
na sigla em inglês). Essa iniciativa foi patrocinada e criada pela Rússia, contrapondo a GGE de 2017, 
que resultou em grande falta de consenso e abandono das medidas acordadas pelos países. A criação 
do OEWG foi aceita pela Assembleia Geral da ONU ao mesmo tempo da renovação da GGE em 2019, 
gerando atritos entre Rússia e Estados Unidos (UNODA, 2021b). Surge então uma polarização clara 
que pode atrasar a construção de MCCs e a regulamentação do ciberespaço. De um lado, está o GGE, 
apoiado pelos Estados Unidos e pelos membros da OTAN. Em oposição, está o OEWG, patrocinado 
pela Rússia e integrado por todos os países da ONU. As resoluções de ambos os órgãos, por vezes, se 
contradizem (RUHL et al., 2020).
 Contrapondo as estratégias multilaterais, a Comissão Global para a Estabilidade no Ciberespaço 
traz o exemplo de um Sistema Aberto de regulamentação. Esse tipo de integração inclui todos os quatro 
grupos de atores do ciberespaço para produzir normas e regras, gerando um espaço rico e diverso para 
16 A Organização do Tratado do Atlântico-Norte foi criada durante a Guerra Fria, consolidando o bloco capitalista e ocidental 
comandado pelos Estados Unidos em regra internacional (NORTH ATLANTIC TREATY ORGANIZATION, 2017). 
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a construção de MCCs (SLACK, 2016). A Comissão foi fundada a partir da iniciativa da França, dos 
Países Baixos e de Singapura. Além disso, reúne Think Tanks17 da Holanda e da Índia, diversas empresas 
privadas e outros Estados (GCSC, 2019). Assim como a maioria dos regimes, a Comissão também se 
baseia nos princípios da GGE. No entanto, diferente do Grupo de Especialistas em Governança, a 
Comissão não possui a autoridade da ONU para conferir legitimidade equivalente às suas ações. 
Representa um esforço interessante para estabelecer normas e regras mais informais, isto é, não 
obrigatórias em tratado. Além disso, sua grande variedade de membros propõe um panorama técnico 
completo e necessário para produzir avanços na regulamentação do ciberespaço (GCSC, 2019; RUHL 
et al., 2020).
Por último, a estratégia dos Acordos Não-Governamentais pode ser exemplifi cada pela 
Corporação da Internet para o Apontamento de Nomes e Números (ICANN). Essa estratégia não é 
controlada por Estados-nação ou OIs, mas também não exclui esses agentes do processo de integração. A 
ICANN foi fundada em 1988 como uma ONG sediada no estado da Califórnia e associada diretamente ao 
governo dos Estados Unidos. Desde então, ela proveu a organização dos domínios e operou18 garantindo 
a estabilização e unidade da Internet em escala global (PUYVELDE; BRANTLY, 2019). Em 2016, a ONG 
fi nalmente se tornou completamente independente dos Estados Unidos, depois de seguidas pressões 
internacionais para a quebra desse monopólio. No entanto, a ICANN permanece sediada na Califórnia 
e, de certa forma, ainda está sob a infl uência do país norte-americano. A ICANN foi por muito tempo 
um instrumento utilizado pelos EUA para expandir a sua hegemonia no ciberespaço internacional. 
Nesse sentido, ainda existe uma certa insegurança quanto à sua parcialidade (PUYVELDE; BRANTLY, 
2019; SHEN, 2016).
 Outro exemplo de Acordo Não-Governamental é o da Carta de Confi ança das corporações 
no ciberespaço. Essa iniciativa reuniu grandes empresas e Provedoras de Serviços de Internet (PSIs) 
alemãs e estadunidenses como Allianz, Dell Technologies, Cisco e Airbus para o compromisso de proteger 
os dados de clientes, empresas e infraestruturas e criar um espaço seguro para a evolução tecnológica 
ciberespacial. Apesar de se tratar do âmbito da AGNU, onde somente os Estados-nação possuem voz 
efetiva, os esforços desses atores são também extremamente signifi cativos e não podem ser esquecidos 
(PUYVELDE; BRANTLY, 2019; RUHL et al., 2020; SLACK, 2016).
2.3.4 PAPEL DA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS NA GARANTIA 
DA SOBERANIA UNIFORME NO CIBERESPAÇO GLOBAL
 O papel da AGNU termina por ser naturalmente focado em uma estratégia mais multilateral. 
Sobretudo quanto a questões de soberania e segurança no ciberespaço, a AGNU deve servir como 
um fórum representativo para todas as nações estarem incluídas neste debate (UNGA, 2021). Nas 
discussões para o ciberespaço, deve-se prezar pelo direito global ao acesso ao meio cibernético para 
que o direito igualitário à soberania seja preservado. Além disso, a AGNU deve buscar produzir 
consensos relacionados a essa grande problemática que envolve interesses políticos de centenas de 
nações, empresas, ONGs e outros regimes internacionais (GOLD, 2021; PUYVELDE; BRANTLY, 
2019; UNGA, 2021).
3 AÇÕES INTERNACIONAIS PRÉVIAS
Esta seção aborda esforços já realizados, fi nalizados ou não, referentes à segurança internacionalno ciberespaço, visando a reafi rmar a soberania no meio virtual. Além disso, revisa-se aqui processos-
chave de integração internacional mencionados ao longo da seção anterior.
17 � ink Tanks são órgãos que geralmente estão associados a centros de pesquisas ou universidades. A sua função é produzir 
conhecimento cientí� co para ajudar a re� etir e tratar diversas temáticas, como é o caso do ciberespaço (LEXICO, 2021).
18 Um domínio de Internet é uma etiqueta textual criada para identi� car e armazenar dados de usuários, sites e serviços da rede 
global. Os domínios fazem parte do Sistema de Nomes de Domínios (DNS, sigla em inglês), o qual é capaz de diferenciar os milhares de 
endereços existentes na Internet de forma que cada link esteja direcionado para o seu respectivo site, e-mail ou servidor. Dessa forma, 
o DNS e os domínios são justamente o que organizam as identidades da Internet em escala global, preservando a dinâmica utilizada 
atualmente no meio cibernético (SERBIAN NATIONAL INTERNET DOMAIN REGISTRY, 2021).
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3.1 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS - GRUPO DE 
ESPECIALISTAS EM GOVERNANÇA (UN GGE)
 O Grupo de Especialistas em Governança das Nações Unidas (UN GGE) é uma iniciativa da ONU 
com objetivo de estudar possíveis aplicações do Direito Internacional ao espaço digital, principalmente 
no que se refere à esfera estatal. Em outras palavras, o GGE busca adaptar, principalmente, as leis de 
confl itos armados ao meio virtual. Esforços semelhantes já foram feitos, como o Manual Tallinn, em 
2013. Porém, visto que o espaço virtual é altamente fl uido, é necessário adaptar a legislação existente. 
Alguns pontos do escopo estudado pelo GGE são os princípios da humanidade, da distinção entre 
combatentes e não-combatentes e da proibição de causar males supérfl uos e sofrimento desnecessário 
(TALPAI; BRANCO, 2020).
3.2 MANUAL TALLINN
 O Manual Tallinn é um documento elaborado em 2013 por especialistas de diversos países 
em Direito Internacional e tecnologia, inclusive representantes dos países-membros da OTAN. Sua 
elaboração se deu na Estônia, país que sofreu graves ataques cibernéticos, incentivando-o a adotar 
medidas urgentes de proteção no meio digital (MESQUITA, 2019). O objetivo do manual é estabelecer 
diretrizes para ataques cibernéticos por meio da aplicação do Direito Internacional, defi nindo quais 
procedimentos seriam adotados no caso de ataques do tipo (BUSTELO, 2017). Em 2017, foi lançado o 
Manual Tallinn 2.0, uma extensão do documento e que busca complementar o manual original, agora 
analisando crimes cibernéticos em período de paz (TALPAI; BRANCO, 2020).
3.3 RESOLUÇÃO 56/121
 A Resolução 56/121 é uma das resoluções mais importantes da ONU em relação ao cibercrime 
(APARÍCIO, 2017). No documento, a Assembleia Geral defi ne o que pode ser considerado como 
cibercrime, com objetivo de encontrar formas de combatê-lo na esfera internacional (UNGA, 2002).
3.4 POLÍTICAS DE SEGURANÇA DA UNIÃO EUROPEIA (UE)
 A União Europeia possui algumas estratégias de cibersegurança. Em 2005, foi estabelecida a 
European Network and Information Security Agency (ENISA, sigla em inglês), órgão cuja função é proteger 
a informação da UE, apoiando os Estados-membros e as instituições europeias contra ciberataques 
(PEREIRA, 2013). Atualmente, a UE tem buscado novas maneiras de assegurar a proteção no espaço 
digital. A Comissão Europeia, órgão que funciona como parlamento europeu, e o Serviço Europeu para 
Ação Externa (SEAE), equivalente ao Ministério das Relações Exteriores para a Europa, apresentaram, 
em dezembro de 2020, uma nova estratégia de cibersegurança para a UE. Focada em reforçar as barreiras 
europeias contra as ciberameaças, a estratégia vem aliada a propostas legislativas para enfrentar riscos 
de ataques virtuais: uma delas versa sobre diretrizes para melhor proteger os sistemas de informação e 
a outra se refere à resiliência das entidades responsáveis (COUNCIL OF EUROPE, 2021).
4 BLOCOS DE POSICIONAMENTO
 A Estratégia de Cibersegurança da República Federal da Alemanha consolida uma política 
civil-militar cibernética sob quatro principais eixos. Eles abrangem a necessidade de um ambiente 
digital seguro e auto-determinado, priorizam a ação conjunta entre indústria e governo, incentivam a 
arquitetura de uma cibersegurança sustentável e efetiva e um posicionamento ativo da Alemanha nos 
fóruns europeus e internacionais de cibersegurança (dentro do UN GGE e da OTAN) e nos debates 
sobre regulamentação do ciberespaço (SCHALLBRUCH; SKIERKA, 2018).
 A organização do Reino da Arábia Saudita sobre a temática de segurança e soberania do 
ciberespaço é um pouco diferente dos demais países apresentados, principalmente em relação aos 
países ocidentais. Por ser uma monarquia absolutista, esse posicionamento político refl ete na atuação 
e na organização da segurança cibernética do país. Sendo comandado pelo rei, tem como ênfase a 
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segurança informacional, a proteção de suas empresas, bem como a redução das ameaças cibernéticas 
no reino (CYBER SECURITY INTELLIGENCE, 2021).
 A República Argentina lançou a sua Estratégia Nacional de Cibersegurança em 2019, 
trazendo como alguns pontos principais a proteção de sua infraestrutura crítica contra ciberataques, 
e a necessidade de uma estrutura reguladora para as atividades no ciberespaço. O país defende que 
uma das principais prioridades internacionais deve ser a diminuição das desigualdades digitais entre 
países desenvolvidos e em desenvolvimento (UNITED NATIONS INSTITUTE FOR DISARMAMENT 
RESEARCH, 2021a).
 A Comunidade da Austrália defende que os princípios do Direito Internacional são aplicáveis 
às ações dos Estados no ciberespaço, também acreditando na importância de Medidas de Construção 
de Confi ança para possibilitar a cooperação entre os diferentes atores. Além disso, o país reconhece a 
importância do desenvolvimento cibernético para o crescimento econômico, e considera indispensável 
o fortalecimento de parcerias com o setor privado (FANG, 2018).
 A República Federativa do Brasil é um dos principais defensores da privacidade, da soberania 
no ciberespaço e da proteção de dados, defendendo que medidas devem ser tomadas para evitar a 
espionagem. O país também se opõe veementemente à utilização das TICs para fi ns militares, e 
acredita que é necessária a existência de uma estrutura legal que restrinja a crescente militarização do 
ciberespaço (FANG, 2018).
 O Canadá é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN); organização 
que iniciou seu programa cibernético em 2002 e que possui um funcionamento extremamente rico 
e organizado, atuando em inúmeras frentes no campo do ciberespaço, como: ambiente e segurança; 
defesa; serviços de informações; etc. A atuação do Canadá nesse projeto é promissora, de maneira 
que atua como agente regulador das operações assim como dispõe de infraestrutura e mão de obra 
qualifi cada. É importante ressaltar que a inter-relação Canadá-OTAN permite um desenvolvimento da 
soberania do ciberespaço de forma mútua e regulamentada (APARÍCIO, 2017).
 A República do Chile é um dos poucos países latino-americanos que fazem parte da Organização 
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); organização essa que busca soluções comuns 
para seus membros, principalmente na área de ataques informáticos em empresas e seus impactos 
econômicos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Segundo a Organização dos 
Estados Americanos (ORGANIZACIÓN DE LOS ESTADOS AMERICANOS, 2013), o conhecimento 
sobre a conjuntura das ameaças cibernéticas e as respostas emitidas pelos respectivos governos latino-
americanos ainda é incompleta, isso ocorre devido às infraestruturas e falhas de segurança dos sistemas 
desses países, o que acaba por difi cultar a atuação e o controle dos atores reguladores (MARTIN,2015).
 A República Popular da China é um ator fundamental na atual dinâmica de segurança e 
soberania do ciberespaço, sendo membro da atual UN GGE e da OEWG. Desde 2015, a China possui 
uma Lei de Segurança Nacional que também compreende o ciberespaço, ressaltando a posição de defesa 
do exercício da soberania dos Estados no meio cibernético (FANG, 2018; PUYVELDE; BRANTLY, 
2019). Sendo assim, a China adota uma política defensiva para o ciberespaço e defende a cooperação 
multilateral para a regulamentação do mesmo. Essa estratégia evita a interferência de agentes privados 
e organizações contrárias aos interesses chineses para o ciberespaço (SHEN, 2016; SLACK, 2016).
 O governo da Singapura criou, em 2020, a CSA lançou o Safer Cyberspace Masterplan 2020
(Programa Mestre para o Aumento da Segurança no Ciberespaço 2020, tradução nossa), com o objetivo 
de melhorar a segurança cibernética no país. O Programa conta com três pontos principais: (i) proteger 
a infraestrutura digital central; (ii) proteger as atividades no ciberespaço; e (iii) capacitar a população 
cibernética (CYBER SECURITY AGENCY OF SINGAPORE, 2020b, 2021).
A República da Colômbia, apesar de ter feito investimentos em estudos a respeito da análise 
da regulação normativa do ciberespaço, falhou em observar o nível de autonomia das forças militares 
em relação à segurança nesse meio e, de fato, evoluir nesse aspecto (VILLAMIL et al., 2020). Assim, o 
país carece de uma regulamentação atualizada e sólida para o meio digital, além de meios fi nanceiros e 
técnicos para combater novas ameaças que vêm surgindo com o avanço tecnológico (BURTON, 2015).
 A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) é considerada um dos atores mais 
relevantes no ciberespaço, embora não divulgue abertamente as suas estratégias e a dimensão de suas 
capacidades. O país entende o meio cibernético como um espaço útil para alcançar seus objetivos e 
garantir a segurança nacional, de modo que investe muito no desenvolvimento de armas cibernéticas, 
tanto para defesa quanto para ataque (RASKA, 2020).
 Para a República da Coreia, o ciberespaço é importante para o desenvolvimento social e 
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econômico e para a prosperidade global, mas a abertura e o anonimato geram ameaças que constituem 
desafi os complexos à segurança internacional, sendo necessário chegar a um acordo sobre um conjunto 
de normas internacionais e Medidas de Construção de Confi ança. O país também atua em fóruns 
regionais e internacionais sobre a questão, como o GGE (FANG, 2018).
 A República Árabe do Egito, ao longo da última década, vem tentando aprimorar suas 
estratégias de segurança cibernética. O país possui, desde 2015, uma instituição própria para garantir 
a efi cácia da cibersegurança do país, o Conselho Supremo para Cibersegurança (AMAZOUZ, 2019). 
Assim, busca defi nir quais ameaças afetam o ambiente virtual egípcio e as medidas que devem ser 
adotadas para a proteção do país (GOVERNMENT OF EGYPT, 2018).
 Os Emirados Árabes Unidos possuem uma forte Estratégia de Segurança Cibernética nacional, 
com objetivo principal de prevenção de riscos e de segurança no ciberespaço. Para o desenvolvimento 
dessa operação o país tem buscado conhecimento tecnológico e profi ssionais qualifi cados 
(TELECOMMUNICATIONS REGULATORY AUTHORITY, 2019). Em 2020, com o acordo de paz 
entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, os países se uniram aos EUA para estabelecer uma Agenda 
Estratégica para o Oriente Médio, com foco em diplomacia, economia, cooperação e segurança 
cibernética (CERIONI; ARANHA; TUON, 2020).
 O Reino de Espanha possui políticas de cibersegurança intrinsecamente relacionadas a 
organizações internacionais que promovem a cibersegurança (CHAMORRO; VILLALBA, 2010). 
Exemplo disso é a participação espanhola no Centro de Excelência de Ciberdefesa da OTAN e na 
ENISA, órgão europeu responsável pela cibersegurança na União Europeia. Apesar disso, possui 
iniciativas próprias, como a Estratégia Nacional de Cibersegurança (REINO DE ESPAÑA, 2019).
 A República da Estônia, que foi protagonista do emblemático caso de ciberataque em 2007, 
assumiu uma posição de liderança na construção da regulamentação internacional sobre cibersegurança 
e soberania no ciberespaço. Desde 2008 o país é pioneiro nos avanços da pauta de cibersegurança, 
defendendo a cooperação multilateral à promoção de uma sociedade digital sustentável e a inovação 
em cibersegurança. Assim, a participação dela no âmbito do CSNU e da OTAN tem forte ligação a esse 
debate (REPUBLIC OF ESTONIA, 2020).
 Os Estados Unidos da América são um dos países mais poderosos no ciberespaço, possuindo 
capacidades cibernéticas bem desenvolvidas, tanto defensivas quanto ofensivas. O país defende que 
o Direito Internacional é aplicável às dinâmicas no ciberespaço, particularmente o direito à legítima 
defesa no caso de ataques sofridos. Além disso, os Estados Unidos também apoiam o estabelecimento de 
normas voluntárias e não-vinculativas, além de Medidas de Construção de Confi ança, para incentivar 
o comportamento estatal responsável (FANG, 2018; UNIDIR, 2021c). Tradicionalmente, os EUA 
defendem uma estratégia de cooperação com todos os atores do ciberespaço, dado que isso permite 
uma maior expansão da sua soberania nesse âmbito (SHEN, 2016; SLACK, 2016).
 A República Francesa possui um sistema de cibersegurança e defesa centralizado na Agência 
Nacional de Segurança de Sistemas de Informação (ANSSI), órgão sob autoridade do Primeiro Ministro 
(VITEL; BLIDDAL, 2015). A estratégia francesa compreende a necessidade de defender a infraestrutura 
cibernética do país, aumentar a vigilância de dados pessoais, incentivar a especialização da estrutura de 
cibersegurança e liderar a regulamentação das relações internacionais no ciberespaço, especialmente 
dentro da Europa e da OTAN (RÉPUBLIQUE FRANÇAISE, 2015).
 Para a República da Índia, é necessário haver um entendimento comum da conduta nacional no 
ciberespaço e tomar ações para medidas de construção de confi ança e capacitação. Com participação 
ampla em fóruns internacionais, busca tornar o ciberespaço mais seguro, focando na construção de 
capacidades, no desenvolvimento de habilidades e nas parcerias público-privadas, assim como se 
atentando à importância das mídias sociais e à consolidação internacional do debate de segurança no 
ciberespaço (FANG, 2018).
 A República Islâmica do Irã defende que o Direito Internacional existente deve ser ajustado de 
modo a se tornar aplicável ao ciberespaço, porém enfatiza que qualquer norma estabelecida não pode 
ferir a soberania de cada Estado. O país se opõe ao uso das TICs para fi ns maliciosos e, também, advoga 
a favor do estabelecimento de Medidas de Construção de Confi ança para estimular o comportamento 
estatal responsável no ciberespaço (UNIDIR, 2021b).
 O Estado de Israel defende a importância de desenvolver capacidades cibernéticas para 
garantir a segurança nacional e a proteção da infraestrutura crítica, o que envolve tanto mecanismos 
de defesa quanto de ataque. Por conta de sua posição geoestratégica, o país tem a cibersegurança 
como um de seus principais objetivos nacionais, e considera que os princípios fundamentais do 
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direito internacional humanitário também são aplicáveis ao ciberespaço (HOUSEN-COURIEL, 2017; 
MIMRAN; SHANY, 2020).
 O Japão destaca cinco princípios essenciais em relação ao ciberespaço: livre fl uxo de informações; 
estado de direito; abertura; autonomia; e participação múltipla. Seus esforços em relação à cooperação 
internacional estão ligados ao estado de direito no ciberespaço, isto é, à promoção do entendimento 
comum das leis internacionais aplicadas ao ciberespaço e ao desenvolvimento de normas voluntárias 
de conduta nacional. O país também preza pela consolidação de estruturas de confi ança bilaterais e 
multilaterais, comoos fóruns regionais da ASEAN (FANG, 2018).
 Por estar vulnerável geográfi ca e conjunturalmente, o Reino Haxemita da Jordânia busca 
fortalecer as suas defesas cibernéticas, recebendo apoio da OTAN, que apoiou em julho de 2017 a 
inauguração da Equipe de Resposta a Emergências Computacionais (CERT). Essa cooperação é 
fortemente promissora para a região, bem como para a segurança e soberania do ciberespaço, uma vez 
que aprimorou a mão de obra local, o desenvolvimento tecnológico e operacional. Por fi m, é importante 
ressaltar a posição que a OTAN ocupa na Jordânia, de maneira que sua cooperação não se limita à 
defesa cibernética (NATO, 2017).
 Como a maioria dos países da região do báltico19, a República da Lituânia depende da OTAN para 
defi nir a sua agenda de segurança e, portanto, de cibersegurança, uma vez que possui, historicamente, 
relações tensas com a Rússia, a qual ainda apresenta interesses estratégicos sobre o seu território (IISS, 
2021). A Estratégia de Segurança Nacional da Lituânia envolve, portanto, uma participação ativa nas 
operações da UE e da OTAN e a construção de iniciativas como a nova lei de Mobilização e Suporte 
a Nações Sede de guerras e de proteção às tecnologias de comunicação no ciberespaço (DEFENSE 
PRICING AND CONTRACTING, 2014; IISS, 2021).
 Em 2020, o governo da Malásia anunciou a Estratégia de Segurança Cibernética da Malásia 
(MCSS, sigla em inglês) 2020-2024, que conta com pilares estratégicos para melhorar a segurança 
cibernética no país, como por exemplo: melhorar a governança da gestão da segurança cibernética do 
país e construir um ciberespaço de inovação e tecnologia mundial, pesquisa e desenvolvimento locais. 
Além disso, considera participar de mais ações bilaterais e multilaterais (YUNUS, 2020).
 O Reino de Marrocos tem observado a necessidade crescente de adotar estratégias para reforçar 
a gestão e a segurança da informação pública. Além de dispositivos relativos à segurança de sistemas 
de informação, o país implementou, ainda em 2012, a Estratégia Nacional de Cibersegurança, com o 
objetivo de analisar riscos relativos à informação estatal e métodos para desenvolver a cibersegurança 
no país (ROYAUME DU MAROC, 2012).
 Apesar de não ser membro da União Europeia, o Reino da Noruega participa ativamente da 
cooperação para segurança deste continente, especialmente na região escandinava. Nesse sentido, 
desde 2006 o país ratifi cou um acordo com a Agência Europeia de Defesa (IISS, 2021). Sua agenda para a 
segurança e soberania no ciberespaço está alinhada com a dos membros da OTAN, visto que a Noruega 
também está inserida no Grupo de Especialistas em Governança (UN GGE) até 2021 (UNODA, 2021a).
 Sendo um Estado pequeno, a Nova Zelândia se apoia em cooperações com outros países para 
sua cibersegurança, sem ter estruturas próprias efi cientes para combater ciberataques, o que afeta 
a segurança nacional (BURTON, 2013). O órgão responsável pela segurança nacional, o Sistema 
de Inteligência em Segurança da Nova Zelândia (NZSIS, sigla em inglês), prioriza, desde 2018, a 
neutralização de ciberataques internacionais (NEW ZEALAND, 2020).
 Com uma alta conectividade da população à Internet (95%), e sendo pioneiros na Europa quanto 
à pauta, os Países Baixos possuem um dos cinco melhores índices mundiais em infraestrutura digital 
(CISCO, 2020). Sua ampla estrutura em cibersegurança, formada por um plano estratégico, um centro 
nacional e diversas agências especializadas, está conforme os princípios da UN GGE e da OEWG, 
além de se alinhar ao Manual Tallinn 2.0 no que diz respeito ao direito internacional no ciberespaço 
(KASKA, 2015).
 A República Islâmica do Paquistão, até a criação do Centro Nacional de Segurança Cibernética 
(NCCS), não contava com uma estratégia de cibersegurança defi nida para orientar as instituições 
governamentais sobre como combater essa nova ameaça. A NCCS foi estabelecida em junho de 2018, 
e seu propósito é construir capacidades nacionais em segurança cibernética para formar profi ssionais 
locais no campo, o que tem sido a maior difi culdade do país nos últimos anos (NABEEL, 2018; 
NATIONAL CENTRE FOR CYBER SECURITY, 2021).
19 A região báltica é aquela que está rodeada pelo Mar Báltico. Este é uma extensão do Oceano Atlântico que beira países como a Suécia, 
a Alemanha, a Polônia e a Rússia. Essa área se localiza na região Centro-Norte da Europa (MUTTON, 2021).
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 A República da Polônia defende o diálogo com todos os atores do ciberespaço para produzir 
normas favoráveis à segurança e à soberania, alinhando-se com as iniciativas dos países da OTAN e 
da UE (FANG, 2018). Além disso, o país compõe um esforço regional chamado Plataforma da Escola 
Internacional de Negócios da China-Europa (CEIBS, sigla em inglês) para cibersegurança, produzindo 
e compartilhando conhecimentos com seus vizinhos (IISS, 2021).
 A República Portuguesa se alinha à UE e à OTAN, assim como com os princípios da UN 
GGE e das democracias liberais em geral (UNODA, 2021a). A nação ibérica é também responsável por 
sediar a Academia de Cibersegurança da OTAN, sendo um ponto fundamental para a segurança do 
ciberespaço dessa região (FANG, 2018; IISS, 2021).
 Com sua saída da União Europeia em 2020, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte 
pretende se estabelecer como uma nação líder, independente e soberana em questões internacionais 
de cibersegurança (GOVERNMENT OF THE UNITED KINGDOM, 2020). Com a pandemia do 
COVID-19, visando atender o aumento da dependência do ambiente virtual e das ameaças cibernéticas, 
a Estratégia Nacional de Cibersegurança do Reino Unido 2016-2021 foi atualizada para reafi rmar os 
objetivos estratégicos de detectar, investigar e responsabilizar agressões no ciberespaço ao Reino 
Unido. O objetivo foi aumentar as capacidades cibernéticas ofensiva e defensiva da nação, além de 
desenvolver pesquisa em cibersegurança (GOVERNMENT OF THE UNITED KINGDOM, 2016).
 Em 2011, a República Tcheca implementou um Centro Nacional para Cibersegurança, 
responsável principalmente por monitorar as atividades do CERT nacional, prevenir ameaças e crises 
cibernéticas, incentivar educação e pesquisa acerca da cibersegurança e representar o país nas resoluções 
de cooperação com OTAN e UE (NATIONAL CYBER AND INFORMATION SECURITY AGENCY, 
2020). Possui também um fórum interministerial, o Conselho de Cibersegurança, e um Centro Nacional 
de Ciberforças, que desenvolve a capacidade cibernética defensiva do país (MINÁRIK, 2016).
 A Federação Russa é atualmente um dos principais Estados envolvidos no debate da segurança 
e soberania do ciberespaço. O país está presente nos fóruns mais importantes de discussão do meio 
cibernético global, como o UN GGE e o OEWG e, assim como a China, adota uma estratégia multilateral 
para garantir sua participação no ciberespaço (RUHL et al., 2020; UNODA, 2021b). A liderança assumida 
na OEWG cria confl itos diretos com as resoluções da GGE no âmbito da ONU, visto que esse último 
grupo é fortemente infl uenciado pelos EUA e demais países da OTAN (DIGWATCH, 2021; FANG, 
2018). Em geral, Moscou adota uma postura defensiva em relação à não-intervenção nos assuntos 
internos de nenhum país por meio do uso de ciberataques, mas também é conhecida por conduzir os 
mesmos de acordo com seus interesses nacionais (IISS, 2021).
 A República do Senegal tem progredido muito no que se refere à tecnologia nos últimos anos, 
lançando iniciativas que têm como objetivo acelerar o desenvolvimento até 2035. No entanto, reconhece 
que ainda precisa defi nir políticas mais concretas relacionadas à cibersegurança e tem buscado reforçar 
leis referentes ao ciberespaço para que possa continuar crescendo (REPUBLIC OF SENEGAL, 2017).
 O Reino da Suécia tem como objetivo principal o desenvolvimento da sua estratégia nacional 
geral de cibersegurança. De acordo com a Comissão de Defesa da Suécia, o país objetiva levar isso a 
frente por meiodo estabelecimento de relações bilaterais e do aproveitamento da sua inserção em 
órgãos como a OTAN, a Organização para Segurança e Cooperação da Europa (OSCE, sigla em inglês) e 
a UE (DIGWATCH, 2021; FANG, 2018). Estocolmo é historicamente a favor da inclusão no ciberespaço, 
participando ativamente de eventos como o Fórum de Internet de Estocolmo e a “Aliança da Liberdade 
Online” (IISS, 2021; FREEDOM ALLIANCE, 2020).
 Em virtude dos 325.000 ataques cibernéticos nos últimos três anos, em 2020, a República da
Turquia desenvolveu um plano de segurança cibernética a fi m de proteger os dados e os serviços de 
seus cidadãos. Para isso, o país tem desenvolvido suas próprias tecnologias nacionais de segurança 
cibernética, bem como treinado profi ssionais e aprimorado sua infraestrutura, de forma a conquistar 
também a soberania no ciberespaço (TRT WORLD, 2020).
 A Ucrânia preza pela cooperação multilateral com a OTAN e a UE em assuntos de 
cibersegurança. Devido a vários ataques à infraestrutura energética e a sistemas governamentais, o 
país precisou desenvolver um sistema de segurança a partir de uma base legal para a classifi cação de 
cibercrimes e ataques. Esse sistema envolve a integração de atores nacionais de cibersegurança e defesa, 
órgãos de inteligência e policiamento cibernéticos, e de atores privados ligados à telecomunicação e à 
infraestrutura crítica (STRELTSOV, 2017).
 A República Socialista do Vietnã vem enfrentando diversos desafi os relacionados à segurança 
cibernética. Muitos ataques são direcionados a infraestruturas nacionais, como aeroportos e sistema 
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bancário, em formas avançadas de roubo de informações. Em junho de 2018, para lidar com essas 
ameaças, o governo vietnamita aprovou a Lei de Cibersegurança, cujas principais disposições contam 
com localização de dados, controle governamental sobre o conteúdo online e instalação de escritórios 
locais (DHARMARAJ, 2019).
5 QUESTÕES PARA DISCUSSÃO 
(1) De que forma o ciberespaço desafi a aspectos tradicionais das Relações Internacionais, como 
fronteiras e soberania?
(2) Quais são as possibilidades de uso do ciberespaço, tanto benéfi cas quanto maliciosas? Como o 
ciberespaço e suas potencialidades podem impactar na forma como são conduzidos os confl itos 
internacionais, e também as formas de cooperação? 
(3) Quais os riscos de uma crescente militarização do ciberespaço? O que a AGNU pode fazer para 
evitar que isso se concretize?
(4) Como tornar o ciberespaço um lugar mais seguro e confi ável para os seus atores? Apenas medidas de 
construção de confi ança (MCCs) são sufi cientes, ou são necessários acordos e tratados ofi ciais segundo 
o direito internacional? É possível regular o ciberespaço mesmo com todos os diferentes interesses dos 
seus atores (Estados, ONGs, OIs e Empresas)?
(5) Qual é o papel da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) na construção de um ciberespaço 
seguro, democrático e acessível em termos de soberania?
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• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ASSEMBLEIA DAS NAÇÕES 
UNIDAS PARA O MEIO 
AMBIENTE
Proteção de Florestas Tropicais
Arthur Dexheimer Trein, Bibiana de Castro Muller, Felipe Casanova, Gabriel 
Gomes Constantino e Thaís Lysakowski Ness1
1 Graduandos e graduandas dos cursos de Geogra� a, Letras e Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS).
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 ANUMA • 56
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
QUESTÕES NORTEADORAS
(1) Atente para as notícias sobre desmatamento das fl orestas tropicais que você viu nas mídias 
recentemente. Quais são as razões para que essa ação ocorra?
(2) Qual deve ser a posição da Agência das Nações Unidas para promover a proteção dessas fl orestas?
(3) Que medidas de proteção às fl orestas tropicais você já viu serem adotadas? Quais ações podem ser 
feitas pelos países para protegê-las?
APRESENTAÇÃO
 A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ANUMA) é o órgão gerenciador de 
políticas ambientais da Organização das Nações Unidas (ONU), criado em 2012, durante a Conferência 
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO +20). Sendo assim, a ANUMA é composta 
pelos 193 países membros da ONU, contando também com a participação de organizações não-
governamentais (ONGs), movimentos sociais e agentes do setor privado. O maior objetivo desse espaço 
é a promoção do desenvolvimento sustentável, a proteção do meio ambiente e o bem estar social, 
proporcionado pelo equilíbrio da natureza (UNITED NATIONS ENVIRONMENTAL PROGRAMME, 
2021).
 Durante este encontro da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente será discutida 
a “Proteção das Florestas Tropicais”, com objetivo de que os delegados busquem soluções visando à 
preservação dessas fl orestas, que são ricas em recursos naturais e em biodiversidade. Este guia trata 
sobre as fl orestas tropicais no contexto das mudanças climáticas e como o desmatamento e a exploração 
dos seus recursos naturais de forma desenfreada impactam o meio ambiente. Também será abordada 
a discussão sobre as possíveis intervenções internacionais, sendo exploradas mais a fundo nas Ações 
Internacionais Prévias. Por fi m, na última seção, traremos o posicionamento dos países dentro do 
debate sobre o tópico.
1 HISTÓRICO
 Nesta seção, traremos uma breve contextualização histórica acerca de como as fl orestas tropicais 
foram utilizadas e vistas desde os tempos coloniais até os dias contemporâneos. Iremos abordar os 
ciclos econômicos aos quais as fl orestas tropicais foram submetidas, assim como os impactos desses 
ciclos para a preservação dos seus recursos de fauna e fl ora.
1.1 COLONIZAÇÃO 
 Recursos naturais frequentemente são considerados possibilidades de ganhos econômicos por 
parte dos países detentores (SILVA et al., 2016). No período colonial, esta visão era dominante entre as 
potências coloniais. Esta subseção irá analisar brevemente os ciclos econômicos aos quais as regiões 
de fl orestas tropicais passaram durante a história: o ciclo da colonização e do extrativismo, o ciclo da 
borracha e o ciclo de diversifi cação das atividades econômicas com a industrialização da economia, no 
período contemporâneo (CANTO et al., 2020).
1.1.1 CICLO DA COLONIZAÇÃO
 Com o processo de expansão marítima dos países europeus, no século XVI, ocorreu a 
colonização de territórios principalmente localizados na América, na África e na Ásia, aos quais os 
países colonialistas buscaram estabelecer uma relação de dominância para obter metais preciosos e 
recursos naturais, como madeira e especiarias (PORTO-GONÇALVES, 2017). Nesse sentido, o primeiro 
ciclo econômico ao qual os países com fl orestas tropicais passaram foi o do extrativismo, que consistia 
na extração dos recursos naturais demandados pelos mercados internos dos países colonialistas (SILVA 
et al., 2016). 
UFRGSMUNDI • 57 ISSN: 2318-6003 | V.9, 2021 
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 A região da fl oresta amazônica brasileira foi ocupada pelos portugueses na primeira metade 
do século XVII, principalmente para garantir a posse do território. Porém, havia também o interesse 
em dois recursos que a região tinha a oferecer: matéria prima e mão-de-obra barata. A exploração teve 
início com o ciclo das drogas do sertão — baunilha, caju, cravo e canela —, produtos muito valorizados 
no exterior, os quais geraram grandes lucros para a coroa portuguesa (LUI; MOLINA, 2009). Ao fi nal 
do século XVII, iniciou-se a extração do cacau nativo, que se tornou uma das principais exportações 
da Amazônia no período colonial1. O cacau nativo crescia em abundância na região e sua extração era 
mais rentável do que investir na plantação do produto (GOMES, 2018). 
 Além do meio ambiente sofrer com a exploração, a população indígena da Amazônia também 
era vista como uma mercadoria pelos portugueses. As pessoas eram caçadas, capturadas e escravizadas, 
e eram obrigadas a ajudar no reconhecimento da região para a busca de matérias-primas. Há, além 
disso, indícios de que indígenas eram vendidos para as capitanias litorâneas de produção de açúcar. 
Quando a mão-de-obra começou a diminuir, expedições foram feitas para procurar nativos livres, 
adentrando ainda mais na Amazônia e aproveitando também as campanhas de procura das drogas 
do sertão para este fi m (OLIVEIRA, 2001). A partir da exploração do trabalho indígena, dos confl itos 
entre nativos e colonos e das epidemias de doenças trazidas pelos europeus, grande parte da população 
da região amazônica foi dizimada. Assim, enquanto a estimativa de nativos vivendo ao longo do Rio 
Amazonas no século XVI, anterior à colonização, era deaproximadamente 2 milhões, no século XVIII 
esses nativos já haviam quase desaparecido (MADALENO, 2011). 
 A região tropical africana também enfrentou o colonialismo. No caso da África, o Estado Livre 
do Congo — hoje República Democrática do Congo — foi criado na Conferência de Berlim2, em 1885, 
tornando-se posse do Rei Leopoldo II da Bélgica. Nessa época, a Europa passava pela Segunda Revolução 
Industrial, o que gerou uma busca incessante por colônias que possuíam recursos naturais e mão-de-
obra barata a serem explorados. A região do Congo tinha ambos, o que despertou a cobiça do monarca 
belga (BELLUCCI; LAMY, 2015). Logo após a instituição do Estado Livre do Congo, o marfi m passou 
a ser um recurso muito procurado, devido à demanda da burguesia europeia, que desejava ornamentos 
feitos desse material. Em razão disso, elefantes eram caçados para que suas presas fossem arrancadas. 
 Assim como ocorrido no Brasil séculos antes, a população nativa do Congo sofreu com o período 
colonial. O Rei Leopoldo II, apesar de adotar o discurso colonialista de que agia em prol da “civilização” 
do povo congolês, o escravizou e o torturou (TRAUMANN; MENDES, 2015). Há estimativa de que 
aproximadamente dez milhões de vidas foram perdidas devido à exploração, à fome e aos assassinatos 
causados pelos belgas. Essa submissão se perpetuou no pós-colonialismo, visto que a economia do país 
continuou a sobreviver da venda de recursos naturais (MACEDO, 2016). 
 Outra importante região tropical que possui cicatrizes da colonização é a Indonésia. Os 
holandeses chegaram às suas ilhas no século XVII, com a Companhia Holandesa das Índias Orientais3, 
com o intuito não de colonizar, mas sim de monopolizar o comércio com as índias orientais. Porém, 
surgiu o interesse de produzir açúcar nas terras indonésias, que seguiu como monopólio holandês até 
o século XIX (TILLEY, 2020). 
 Como era típico do sistema colonial, não apenas os solos das ilhas indonésias foram muito 
explorados com as plantações, mas também a população nativa, vista como mão-de-obra barata. Logo 
no momento da chegada dos holandeses ao país, a Companhia Holandesa das Índias Orientais fez o 
uso da força ao implantar o monopólio do comércio de especiarias, devastando a população local, que 
passou a viver em condições precárias, resultando em milhares de mortes. Ao longo dos séculos XIX e 
XX, a força militar era usada para diminuir os grupos de oposição e fazer a população mais obediente 
(LUTTIKHUIS; MOSES, 2012). O trabalho para os nativos era obrigatório, em regime de corveia4, 
com o argumento de que apenas a coerção poderia mostrar o valor do esforço e do trabalho, já que a 
população era vista como preguiçosa. Todo nativo era livre para entrar no trabalho de produção, mas 
1 O período colonial compreendeu o período entre 1530 e 1822. Ele se iniciou com uma expedição feita no litoral brasileiro, a � m de 
estabelecer vilas para o cultivo da cana-de-açúcar (ALVES, 2020).
2 Encontro ocorrido em Berlim, na Alemanha, em 1885, que reuniu líderes europeus para tratar sobre a partilha da África. O objetivo 
era dividir o continente entre os países colonizadores, o que foi feito sem levar em conta questões sociais, políticas ou econômicas das 
sociedades africanas (FISCHER; SAMPAIO, 2015). 
3 Criada em 1602 por um grupo de comerciantes para exploração do comércio. Devido ao sucesso, torna-se um órgão do governo 
holandês, com autoridade militar e poder de administrar mares e terras conquistadas (COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS, 2021).
4 Deriva do francês ������, que signi� ca trabalho gratuito. Era o trabalho prestado pelos camponeses ao seu senhor ou ao Estado 
(CORVEIA, 2021). 
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fi cava preso ao seu chefe devido a dívidas, não podendo sair dessa situação. Alguns trabalhadores não 
eram pagos nem recebiam alimento, e eram punidos com açoites, prisão ou morte quando infringiam 
os contratos de trabalho. Nas plantações de tabaco, por exemplo, as condições de saúde, higiene e 
alimentação eram precárias, gerando altas taxas de mortalidade e, além disso, com salários abaixo do 
nível de subsistência (LI, 2017).
1.1.2 CICLO DA BORRACHA
 O segundo ciclo econômico que as regiões de fl orestas tropicais passaram foi o da borracha. 
Com o desenvolvimento da indústria automobilística na Europa e na América do Norte, a demanda 
por látex5 aumentou enormemente, de modo que num primeiro momento, os países amazônicos sul-
americanos, principalmente o Brasil, tornaram-se os maiores exportadores desse insumo (FURTADO, 
2003). A fl oresta amazônica foi explorada de forma descontrolada para que houvesse uma grande 
extração de látex, causando prejuízos ao meio ambiente e à preservação da fl oresta tropical existente na 
região amazônica (ARAGÓN, 2014). Com o objetivo de reduzir o custo dessa commodity6, empresários 
europeus investiram no plantio de seringais no sudeste asiático, região que se tornou ao longo do 
tempo uma líder na produção e na venda de borracha para o resto do mundo, ocasionando o declínio 
das exportações sul-americanas e, consequentemente, encerrando o ciclo da borracha nesta região 
(ARAGÓN, 2014; FURTADO, 2003). 
 Assim como na fl oresta amazônica, a fl oresta do Congo também passou por esse ciclo. A 
população congolesa sofreu muito nesse período, visto que, como outras regiões do globo também 
conheciam o processo de extração de látex, houve grande competição entre essas regiões, ocasionando 
a intensifi cação da exploração em solo congolês, com o objetivo de obter maiores níveis de extração e, 
consequentemente, maiores lucros (LUNARDELLI, 2018). Da mesma forma, a borracha se tornou, no 
século XX, um produto lucrativo para os colonizadores da Indonésia (LI, 2017).
1.2 AS FLORESTAS TROPICAIS ENTRE OS SÉCULOS XIX E XX
 Entre o século XIX e XX, em que os países detentores de fl orestas tropicais estavam inseridos 
num contexto histórico de independência, tornando-se plenamente soberanos7 no plano nacional e 
internacional. Os países passaram a possuir autonomia em decidir se perpetuavam a visão extrativista 
colonial ou interrompiam tais atividades econômicas de extração desenfreada dos recursos naturais 
(SILVA et al., 2016).
 Entre o fi nal do século XX e o início do século XXI, ocorreu a diversifi cação das atividades 
econômicas desenvolvidas nas regiões de fl orestas tropicais, mas o extrativismo vegetal e mineral 
continuaram acontecendo (SILVA et al., 2016) de forma legal ou ilegal. A extração de madeira e de 
metais preciosos, por exemplo, ocorrem frequentemente de maneira ilegal e desenfreada (NOBRE, 
2014), tendo como consequência a poluição dos rios e a destruição da mata ciliar, necessária para a 
proteção dos leitos desses cursos d’água (CASTRO et al., 2017).
 A industrialização das regiões de fl orestas tropicais foi incentivada pelos países detentores 
desses espaços, como é o exemplo da iniciativa brasileira, na década de 1960, de desenvolver a região 
amazônica, com o estabelecimento da Zona Franca de Manaus, que atualmente é responsável pela 
produção de bens duráveis e com maior emprego de tecnologia (BECKER, 2005). Porém, apesar dos 
esforços para a industrialização das regiões de fl orestas tropicais com o intuito de diminuir a exploração 
desses biomas, percebe-se a continuidade do emprego de atividades econômicas como o extrativismo e 
a mineração, contribuindo para o desmatamento (SILVA et al., 2016; YEUNG, 2021). Nesse sentido, no 
ciclo econômico da diversifi cação das atividades produtivas, são desenvolvidas tentativas de promover 
um desenvolvimento sustentável nas regiões de fl orestas tropicais, aliando a preservação do meio 
ambiente ao desenvolvimento econômico, através de novas iniciativas de exploração.
 A exploração madeireira de baixo impacto é uma forma de reduzir os impactos do extrativismo 
5 Látex é a secreção da árvore seringueira, utilizada para a produção de borracha (LÁTEX, 2021).
6 Produto de extraçãovegetal ou agropecuário (soja, cereais, café), vendido sem ter passado por nenhum processo de transformação. 
Venda voltada ao mercado internacional (COMMODITY, 2021).
7 O conceito de soberania consiste no princípio de não subordinação dos Estados a qualquer autoridade, não reconhecendo, portanto, 
nenhum poder maior que o seu próprio (REZEK, 2014).
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mineral e vegetal, por meio de novas formas de extração. Nesse caso, mesmo que os madeireiros possuam 
uma grande extensão de terras, é permitido desmatar somente parte daquela área, com o intuito de 
diminuir os impactos ao ecossistema ali existente Essa medida é adotada porque o desmatamento 
aumenta as chances de ocorrer incêndios fl orestais, que causam a destruição da biodiversidade e do 
habitat de espécies de fl ora e fauna (FEARNSIDE, 2006). A fi scalização da extração de carvão vegetal é 
uma forma de promover a preservação ambiental, visto que o desmatamento causa prejuízos às fl orestas 
tropicais, assim como impactos sociais. Em locais com esse tipo de atividade, já houve registros de 
escândalos de trabalho escravo, violando direitos humanos e aumentando as desigualdades sociais 
(FEARNSIDE, 2006). 
 Outra medida adotada é a silvicultura, que corresponde à recuperação das fl orestas através do 
plantio de mudas de espécies regionais, para preservar os biomas locais, proteger os recursos hídricos 
e a biodiversidade existente naquele ecossistema (FEARNSIDE, 2006). Essa medida é muito efetiva 
num contexto em que a exploração de madeira se expandiu pelo mundo, principalmente nas regiões 
com grande presença de fl orestas tropicais, como a Indonésia, o Congo, os países amazônicos e a Índia 
(HENRIQUES, 2010), tendo em vista que os países asiáticos não são mais capazes de ofertar grandes 
quantidades de madeira como exige o mercado global, devido ao grande desmatamento causado nessa 
região e o esgotamento desse recurso (FEARNSIDE, 2006). 
2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
 Neste tópico, será primeiramente apresentada a questão ambiental envolvendo as fl orestas 
tropicais. A seguir, será explicitada a questão da governança global desses espaços, assim como a 
intervenção internacional nos países com fl orestas tropicais.
2.1 AS FLORESTAS TROPICAIS NO CONTEXTO DAS MUDANÇAS
CLIMÁTICAS
O Antropoceno (ou Quinário) é o nome dado ao período geológico no qual a Terra se encontra. 
Ainda não existe uma data específi ca para o início do Antropoceno, mas o que marca esse período 
é o fato de que as práticas humanas conseguiram superar os processos geológicos, biogeoquímicos8
e geomorfológicos9 naturais do planeta (CHRISTOPHERSON, 2012). Desse modo, cientistas têm 
discutido que os microplásticos (pedaços de plástico inferiores a 5mm) são um potencial marcador 
geológico do Antropoceno. Outros exemplos de práticas humanas que superam esses processos são 
as alterações em canais fl uviais, o uso inadequado do solo na agricultura, o uso de agrotóxicos, o 
desmatamento e a emissão de gases intensifi cadores do efeito estufa (OLIVATTO et al., 2018). Uma 
característica marcante do Antropoceno são as mudanças climáticas naturais intensifi cadas por ações 
humanas, já superando os processos naturais do planeta Terra (CHRISTOPHERSON, 2012).
 Já é consenso na comunidade científi ca que a liberação de gases fósseis, através da queima 
de carvão e petróleo, de gases armazenados em fl orestas, liberados por meio do desmatamento e da 
degradação ambiental, e a queima de biomassa contribuem para aumentar a concentração de gases de 
efeito estufa e, consequentemente, na elevação da temperatura global. O desmatamento também reduz 
a capacidade do solo de absorver o metano (CH4) atmosférico, um dos principais gases do efeito estufa. 
A agricultura possui um papel de destaque nas emissões de gases causadores do efeito estufa: pesquisas 
indicam que as atividades agrícolas são responsáveis por grande parte dessas emissões (PRIMAVESI; 
ARZABE; PEDREIRA, 2007). 
 Segundo relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura 
(FAO) e do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (PNUMA), as taxas anuais de 
desmatamento global têm diminuído nos últimos anos. Ainda assim, estima-se que foram perdidos por 
volta de 420 milhões de hectares de fl orestas desde 1990, a maior parte em zonas tropicais. As taxas de 
desmatamento em fl orestas por ano, durante a década de 1990, era de 16 milhões de hectares; de 2015 
a 2020 esse número baixou para 10 milhões de hectares por ano, uma queda signifi cativa, mas ainda 
8 Processos biogeoquímicos são aqueles que envolvem tanto os seres vivos quanto os sistemas da natureza, como o ciclo do carbono e 
o ciclo do hidrogênio (CHRISTOPHERSON, 2012).
9 Processos geomorfológicos são todos aqueles que dizem respeito à dinâmica natural do relevo (CHRISTOPHERSON, 2012).
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insufi ciente para reduzir os prováveis danos das mudanças climáticas. É importante ressaltar que a 
maior parte desse desmatamento foi na América do Sul e na África, continentes com maior área de 
fl orestas tropicais. Conforme o mesmo relatório, cerca de 40% do desmatamento em fl orestas tropicais 
foi motivado, exclusivamente, pela expansão agrícola para plantios de larga escala — para commodities,
como, por exemplo, a palma, a soja e o milho (FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION; UNEP, 
2020). 
De acordo com a FAO e o PNUMA, entre os principais causadores da redução das fl orestas 
tropicais estão a expansão da fronteira agrícola, a mineração e o aumento da urbanização. Todos esses 
processos ocorrem através do desmatamento e da degradação fl orestal. Nesta seção, vamos dar atenção 
a três maneiras de desmatamento: extração ilegal de madeira, incêndios fl orestais e introdução de 
espécies exóticas (FAO; UNEP, 2020).
 A extração legal de madeira em fl orestas tropicais acontece em limites determinados por leis 
federais, com determinadas condições e um mínimo cuidado com a biodiversidade. Isso acontece através 
da indústria madeireira ou para atender à indústria de carvão vegetal. A extração ilegal, por outro lado, 
acontece de maneira proibida e sem cuidado com a biodiversidade, muitas vezes abastecendo o tráfi co 
internacional de madeira. De acordo com Laporte et al. (2007), somente na República Democrática 
do Congo, cerca de 30% de toda a cobertura fl orestal estava, durante os anos 2000, sob licença para 
indústrias madeireiras estrangeiras; isso signifi ca uma redução de mais de 30% da cobertura fl orestal 
na região na década de 2000-2010, que ocorreu de maneira legal, ou seja, nem todo desmatamento 
ocorre de maneira ilegal. É importante ressaltar que a presença de indústrias madeireiras em fl orestas 
acarreta na alteração do ecossistema, na perda de biodiversidade e abre espaço para a caça ilegal de 
animais selvagens (LAPORTE et al., 2007). No Brasil, somente no estado do Pará, durante os anos de 
2015 e 2016, estima-se que cerca de 46.149 hectares de fl orestas tropicais sofreram com a extração 
ilegal de madeira (BRANCALION et al., 2018) — número que pode estar sendo subestimado devido 
à difi culdade de monitoramento. Outra problemática bastante discutida é que a abertura de estradas 
para a exploração madeireira tem como consequência a ocupação urbana e rural na região, que acaba 
por gerar uma maior degradação fl orestal. É importante diferenciar degradação de desmatamento: 
o desmatamento é o processo de conversão da fl oresta para outros usos da terra; já a degradação é 
o empobrecimento da fl oresta devido ao corte seletivo que ocorre de maneira legal e ilegal, e acaba 
deixando a fl oresta vulnerável e a biodiversidade abalada. De acordo com Roman (2019), de 2004 a 
2008, as taxas de degradação fl orestal em terras indígenas da Amazônia brasileira — que deveriam ser 
protegidas pelo Estado — eram quase o dobro das taxas de desmatamento. 
 Emrelação aos incêndios fl orestais, esses são fenômenos naturais das fl orestas tropicais 
sazonais, como no Cerrado ou nas savanas africanas, onde existe um clima tropical sazonal, com uma 
estação seca e uma úmida. Porém, esses fenômenos não são naturais em fl orestas tropicais equatoriais, 
onde o clima é predominantemente quente e úmido durante todo o ano, região nas quais os incêndios 
tropicais são mais preocupantes. Embora os incêndios fl orestais possam começar por fatores naturais, 
suas causas são majoritariamente por ação humana, relacionadas à expansão da fronteira agrícola e 
à expansão da pecuária, principalmente no Brasil, que está entre os maiores exportadores de carne 
bovina do mundo. Extração ilegal de madeira, mineração, expansão urbana e construção de rodovias 
também aparecem entre os fatores causadores de incêndios em fl orestas tropicais (JUÁREZ-OROZCO; 
SIEBE; FERNANDÉZ, 2017).
 A introdução de espécies exóticas nas fl orestas tropicais é um problema que, há décadas, rende 
discussão entre cientistas. Os eucaliptos exóticos, por exemplo, estão presentes nas regiões tropicais. 
De acordo com Brancalion et al. (2020), estima-se que as plantações de eucalipto cubram, globalmente, 
cerca de 20 milhões de hectares, com consequências que variam dependendo de fatores geográfi cos e 
técnicas de plantagem. Na América do Sul, os eucaliptos são bastante populares e, somente no Brasil, 
representam 71% das plantações agrofl orestais10; suas plantações impedem a regeneração natural de 
espécies nativas e resultam no chamado “deserto verde” , assim chamado pois se torna um local com 
baixíssima biodiversidade e solo empobrecido (BREMER; FARLEY, 2010). No continente africano e 
no Sudeste Asiático, o desmatamento da mata nativa para o extensivo plantio de palma, para extração 
de óleo, também é um problema. Cabe ressaltar que, dentre as 25 espécies de primatas que estão 
em extinção, 12 se situam nas fl orestas tropicais africanas, habitat que vem sendo constantemente 
ameaçado pela indústria da palma e indústria madeireira (BLACH-OVERGAARD et al., 2015). 
10 Plantações agro� orestais são aquelas que reúnem as culturas de importância agroeconômica junto de uma � oresta (EMBRAPA, 
2021). 
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 Portanto, os efeitos desses desmatamentos são diversos: erosão dos solos e assoreamento dos 
corpos hídricos; perda da biodiversidade e extinção de espécies animais ou vegetais; mudanças no ciclo 
hidrológico11, mudanças no ciclo do carbono, consequentes mudanças nos microclimas locais entre 
outras, além de que todos esses fatores são propulsores do aquecimento global (CHRISTOPHERSON, 
2012).
 Os impactos da degradação e do desmatamento da fl oresta, assim como uso indevido dos recursos 
fl orestais, não se limitam ao aspecto físico das fl orestas tropicais: as populações locais também sofrem 
diversos impactos. Toda e qualquer alteração na vegetação resulta em um abalo na vida da fl oresta. 
Assim, projetos de mineração e exploração mineral, queimadas, extração ilegal de madeira, construção 
de rodovias, desmatamento e megaprojetos de hidrelétricas nas fl orestas tropicais afetam direta e 
indiretamente a vida de centenas de populações indígenas e quilombolas (ROMAN, 2019). A degradação 
fl orestal em boa parte dos territórios indígenas no Brasil é tão grande que chega a comprometer a 
totalidade desses territórios. Um exemplo é a Terra Indígena Awá, no Maranhão, onde apenas 8% da 
fl oresta remanescente está preservada. Essa devastação nas terras indígenas e nas fl orestas afetam os 
indígenas de diversas maneiras, como com a falta de animais para caça, de alimentos, de materiais 
para construção de ferramentas e artefatos em geral e de água, além de aumentar as possibilidades de 
confl itos com invasores, que geralmente acarretam na morte de indígenas (ROMAN, 2019).
 2.2 A QUESTÃO DA GOVERNANÇA INTERNACIONAL EM 
FLORESTAS TROPICAIS
 O debate entre soberania e governança internacional das fl orestas abrange diversas variáveis. 
Neste subtópico abordaremos o contexto para que fosse pensado na proteção das fl orestas no âmbito 
internacional. Para entender a questão da transferência de certas pautas do âmbito nacional para o 
internacional, é preciso analisar o contexto posterior à Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nesse 
momento houve um direcionamento para o enfrentamento das questões internacionais de forma 
conjunta e a criação de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas simboliza 
esse cenário (ABDALA, 2007; SCHITZ; ROCHA, 2017). Nesse contexto, a proteção ambiental ocupou 
os espaços de discussão nos ambientes internacionais, como em 1972, com a Conferência das Nações 
Unidas Sobre o Meio Ambiente Humano, e em 1992, com a Conferência das Nações Unidas para 
o Meio Ambiente (Rio-92), que resultou em diversos mecanismos de proteção, como a Agenda 2112
(SECRETARIA DO ESTADO DO MEIO AMBIENTE, 1997).
 A Rio-92 foi responsável pela elaboração de diversos documentos sobre a questão ambiental. Essa 
contou com a participação de 179 países e tinha, entre os principais objetivos, a busca pela aproximação 
da legislação ambiental em âmbito internacional e a criação de estratégias globais de ação. A Declaração 
do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Declaração de Princípios 
sobre as Florestas são exemplos das resoluções dessa conferência (PATRIARCHA-GRACIOLLI, 
2015). O segundo princípio da Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 
Sustentável foi afi rmar que os países possuem o direito soberano de exploração em seus territórios, 
desde que adotando as medidas necessárias para com o meio ambiente (DECLARAÇÃO, 1992).
 No entanto, observamos que muitas vezes a exploração ocorre também por meio de Estados 
estrangeiros ou de projetos que, em tese, existem para proteger determinado espaço, porém atuam como 
agentes promotores da degradação ambiental. Diante disso, é válido considerar que há argumentos 
contrários e argumentos favoráveis à uma governança global para adoção de medidas mais efetivas 
em diversas áreas. De modo geral, norteava essas discussões a preocupação com o uso dos recursos 
naturais e as consequências para o meio ambiente por parte dos países desenvolvidos, propondo então 
medidas de conservação com abrangência internacional. Em contrapartida, países subdesenvolvidos 
ou em desenvolvimento argumentavam que o enfrentamento de questões econômicas e sociais, como 
a miséria, ainda era uma prioridade e para que isso fosse possível a dependência dos recursos naturais 
era iminente (SECRETARIA DO ESTADO DO MEIO AMBIENTE, 1997). Assim, cria-se uma tensão 
11 Dependendo do tipo de cobertura vegetal, os índices de evapotranspiração são diferentes e muitas espécies de plantas 
com raízes profundas são extremamente importantes para o abastecimento do lençol freático (CHRISTOPHERSON, 
2012).
12 A Agenda 21 é considerada o primeiro plano de ação sistematizado para a transição para um desenvolvimento 
sustentável (SECRETARIA DO ESTADO DO MEIO AMBIENTE, 1997).
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entre os países possuidores desses recursos fi nanceiros, ou seja, os países desenvolvidos e os países que 
possuem os recursos atrelados ao seus territórios, como é o casos dos países possuidores das fl orestas 
tropicais (BECKER, 2005).
 Apesar do debate ambiental já possuir conotações internacionais, a questão do buraco na 
camada de ozônio, na Antártida, em 1993, foi o marco para o entendimento da degradação ambiental 
como um problema transnacional. Nesse contexto, o aquecimento global passa a ser compreendido 
como resultado do padrão de produção e consumo da sociedade (SILVA, 2011). A partir da década de 
1990, tanto organizações internacionais como outros agentes internacionais passaram a atuar mais 
fortemente em direção à proteção das fl orestas tropicais. Recursosestrangeiros, sejam eles fi nanceiros, 
tecnológicos ou humanos, integraram a realidade das políticas envolvendo esses espaços (ABDALA, 
2007). 
 A década de 1990 também foi marcante para o início dos debates sobre governança global. A 
Comissão sobre Governança Global, de 1996, defi niu o termo como, entre outras coisas, a ação de atores 
estatais e não estatais (como ONGs e movimentos civis) na busca pela solução dos problemas de forma 
conjunta, materializados de diversas formas, como em conferências, fóruns e debates. Deste modo, os 
problemas ambientais, tais como conservação e manejo sustentável dos recursos naturais, preservação 
da biodiversidade, desmatamento, demarcação de terras indígenas e muitos outros, envolveriam não 
somente o Estado que possui aquele território, mas sim a comunidade internacional13 (ABDALA, 2007).
 A governança global do clima, no entanto, é complexa e engloba outras dimensões, como a 
economia e a segurança. No âmbito da pauta ambiental, existem três categorias que defi nem as 
potências climáticas e que são um fator fundamental para o debate sobre a governança global do clima. 
São elas: as superpotências, compostas pelos Estados Unidos, China e União Europeia; as grandes 
potências, grupo composto por Brasil, Coreia do Sul, Índia, Japão e Rússia; e as potências médias, grupo 
que integra os demais países. O primeiro grupo é formado pelos países/blocos indispensáveis para que 
os acordos globais tenham legitimidade. No caso do Brasil, que faz parte do segundo grupo, este pode 
atuar com alguma relevância, agilizando ou difi cultando o processo, mas não possui capacidade de veto 
(VIOLA; FRANCHINI, 2013). 
 Internamente, muitos países com territórios com fl orestas tropicais também preocuparam-se 
com a proteção desses espaços. Não há consenso, no entanto, sobre a postura política, pois alguns 
Estados optaram por defender a soberania e outros optaram pelos mecanismos internacionais 
de proteção. No caso do Brasil, a partir da constituição de 1988, surgiram as bases para o direito 
ambiental. Durante o Protocolo de Quioto, em 1997, quando surgiu o Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo, o Brasil, mesmo sendo favorável ao mecanismo, manteve a ressalva de que as fl orestas não 
entrassem no processo de comercialização de carbono. Em 2009, após a Cúpula de Copenhague (COP 
15), os países com territórios na Floresta Amazônica formaram o Fórum da Amazônia e solicitaram 
que o Brasil modifi casse sua postura para favorável à inclusão das fl orestas no MDL, como forma 
de diminuir o desmatamento (VIOLA; FRANCHINI, 2013). Já na República Democrática do Congo, 
o Código Florestal do Congo, de 2002, determinou que as fl orestas são propriedade do Estado. No 
entanto, houve abertura, desde o início de sua formalização, para concessões, tanto para a população 
como para a iniciativa privada. Além disso, o código fl orestal previu a incorporação de convenções 
internacionais sobre o clima (CRUZ et al., 2016). Podemos concluir, portanto, que, apesar da existência 
de mecanismos desenvolvidos internamente pelos Estados para proteção de suas fl orestas, o debate 
está fundamentalmente internacionalizado e caminha em direção a respostas coletivas.
2.3 A INTERVENÇÃO INTERNACIONAL EM FLORESTAS 
TROPICAIS
 A intervenção internacional em fl orestas tropicais ocorre desde o período da colonização, 
como já abordado anteriormente. No entanto, nos dias atuais, novas formas de intervenção surgiram, 
seja através da ONU, de setores governamentais de Estados estrangeiros, de movimentos sociais, 
de empresas privadas e de diversos outros. Neste subtópico, abordaremos, de forma crítica, alguns 
exemplos de intervenções estrangeiras nas três áreas de fl oresta tropical.
 Inicialmente, é válido considerar que esses movimentos intervencionistas não foram motivados 
13 Estão envolvidos na comunidade internacional movimentos sociais, organismos internacionais de cooperação e � nanciamento, 
empresas nacionais e estrangeiras, bem como a ação de estados estrangeiros (ABDALA, 2007).
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por ideais altruístas. Ao contrário, foram baseados nas descobertas científi cas que demonstraram que 
a destruição das fl orestas tropicais impactaria não somente o Sul Global, mas também as economias 
desenvolvidas do Norte14 (SILVA, 2011). Cabe destacar que as populações que vivem nas fl orestas e 
seus arredores são as que dependem dela mais diretamente, no entanto, atualmente, quase todos os 
indivíduos têm alguma relação com a biodiversidade que existe nesses espaços ou usufruem de algum 
modo de seus benefícios (FAO; UNEP, 2020). 
 O Protocolo de Quioto foi um grande marco para a governança global ambiental. Contando com 
cerca de 120 países, o protocolo tinha por objetivo reduzir as emissões de gases de efeito estufa, através 
do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, dando origem ao mercado de carbono no qual os países 
poderiam comercializar créditos de carbono (FARIAS et.al., 2013). Assim, uma das soluções discutidas 
foi a redução das emissões de desfl orestação e degradação de fl orestas, o que poderia ser realizado por 
meio de projetos de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) (LANG, 
2009). Nas três regiões fl orestais aqui abordadas, esse projeto teve ação; entretanto, os críticos do 
REDD apontam para o fato de que o mecanismo pode ter contribuído para que poucas mudanças nas 
estruturas produtivas, modo de produção de energia e transporte tenham ocorrido ao redor do mundo. 
Além disso, este pode ser interpretado também como uma forma dos países do Sul Global de monetizar 
a conservação das fl orestas. Há, ademais, uma preocupação por parte do Movimento Mundial pelas 
Florestas Tropicais em relação às populações locais, pois o projeto REDD facilita a apropriação de 
terra, bem como a concentração das transações fi nanceiras em direção às grandes empresas. Assim, 
ocorre a perda, muitas vezes, de suas condições de subsistência e a falsa acusação de serem responsáveis 
pela depredação ambiental em suas regiões (WORLD RAINFOREST MOVEMENT, 2010b). Mesmo 
com relevantes questões a serem discutidas, o projeto foi visto, tanto pelos países do Norte Global 
como pelas Nações Unidas no âmbito da Convenção sobre Mudança do Clima (UNFCCC), como uma 
alternativa importante para que houvesse a diminuição das emissões de carbono (KILL, 2016).
 Para Becker (2005), o que ocorre atualmente é um processo de mercantilização da natureza, 
ou seja, são estruturas que em tese não estão à venda, mas estão sendo vendidas. A autora afi rma 
que existem três regiões em que o interesse internacional está potencializado: a Antártida, os Fundos 
Marinhos e a Amazônia. A Amazônia era vista como uma reserva ecológica, por isso mereceria uma 
posição privilegiada nas políticas de proteção internacional (SILVA, 2011). O Programa Piloto para 
Proteção das Florestas do Brasil, PPG-7 é um exemplo da mobilização internacional pela Amazônia 
brasileira e da relevância desta para o debate de governança global das fl orestas. A parceria entre 
o Brasil e os integrantes do G715 tinha por objetivo estimular a preservação da biodiversidade e 
frear o desfl orestamento, para se tornar um exemplo de cooperação internacional (ABDALA, 2007). 
Paradoxalmente a essa preocupação dos países do G7 com a Floresta Amazônica, seus territórios não 
poderiam ser considerados exemplos de boa gestão ambiental. A Alemanha, país responsável por 
cerca de dois terços dos recursos destinados ao PPG-7, estava sofrendo um processo de perda de suas 
próprias fl orestas (SILVA, 2011). Na região também vigorou projetos de REDD e, mesmo com a escalada 
na destruição ambiental, percebida a partir de 2019, diversos estados brasileiros seguem recebendo 
recursos via REDD. Recentemente, o país recebeu uma quantia em torno de 100 milhões de dólares do 
Fundo Verde, através do governo da Alemanha para o programa no Acre (OVERBEEK, 2020). O FundoAmazônia, que é também uma iniciativa ligada ao REDD, foi proposto pelo Brasil em 2007. O projeto 
internacional busca captar recursos de doações para a preservação do território amazônico. O principal 
doador do fundo é a Noruega, agregando cerca de 93% dos recursos e dados de 2019 apontam que o 
fundo já conseguiu angariar cerca de 3,4 bilhões de reais em doações (FUNDO AMAZÔNIA, 2019).
 Na região da Floresta do Congo, a segunda maior fl oresta tropical do mundo e extremamente 
rica em biodiversidade, também ocorre um movimento internacional para sua preservação. Apesar 
disso, esse espaço vem enfrentando a exploração ilegal de seus recursos, principalmente da madeira. 
Durante muitos anos, os recursos da fl oresta forneceram alimento e materiais de construção para 
grande parte da população da República Democrática do Congo (RDC). No entanto, atualmente 
companhias estrangeiras, principalmente europeias, estão buscando fornecedores na região. Para 
alguns pesquisadores, a região da RDC é uma das mais importantes zonas para o futuro do planeta, 
14 Sul e Norte Global são de� nições que não referem-se propriamente a delimitações geográ� cas do Sul e do Norte do globo, mas sim 
a determinantes de desenvolvimento. Assim, países do Norte Global apresentam índices altos de desenvolvimento, enquanto países do 
Sul Global apresentam índices médios e baixos (FONSECA, 2016). 
15 Grupo formado pelos sete países mais industrializados na década de 1970: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, 
Japão e Alemanha (ABDALA, 2007).
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necessitando, então, do manejo sustentável para que se mantenha preservada (UNEP, 2019a). A 
exploração de madeira também ameaça a Floresta da Indonésia. Essa extração ocorre principalmente 
para atender às demandas por celulose de grandes empresas e gerou estragos consideráveis (LANG, 
2009). Em 2010, foi realizada uma parceria entre o governo da Indonésia e o governo da Austrália, por 
meio do programa de Iniciativa Internacional do Carbono Florestal, articulado pelo REDD. O projeto, 
em tese, tinha a fi nalidade de impedir o desmatamento que estava ocorrendo na região das fl orestas 
de Jambi. No entanto, foi acusado tanto por ONGs australianas como indonésias de ser apenas uma 
prerrogativa para que o governo australiano comprasse emissões de carbono, atingindo sua meta 
de redução de emissões, e seguisse sem atenções ambientais em seu próprio território (WORLD 
RAINFOREST MOVEMENT, 2010b). 
 Outro mecanismo importante internacionalmente que será atuante futuramente é o Fundo de 
Capital Semente de Restauração. O projeto, muito defendido pelas Nações Unidas, visa angariar fundos 
da iniciativa privada para a proteção e a restauração de fl orestas, para a conservação da biodiversidade, 
combate às mudanças climáticas e promoção de meios de subsistência sustentáveis. O projeto, ainda 
em fases iniciais, foi lançado pelo PNUMA, pela Escola de Finanças e Gestão de Frankfurt e pelos 
governos da Alemanha e de Luxemburgo e busca viabilizar que o investimento privado apoie essas 
medidas de conservação, principalmente nos países em desenvolvimento (UNEP, 2020). 
 3 AÇÕES INTERNACIONAIS PRÉVIAS
 Com o avanço das pautas ambientalistas nas últimas décadas, debates sobre a gestão, preservação 
e monitoramento de recursos naturais adentraram as discussões de importantes acordos internacionais 
e de conferências da ONU. As questões referentes ao manejo de fl orestas, dessa forma, também se 
tornaram objeto de consideração de importantes medidas locais e internacionais. Chegar a um acordo 
internacional juridicamente vinculante16 focado na problemática do gerenciamento de fl orestas, 
entretanto, provou-se uma árdua tarefa para órgãos internacionais, cujos esforços direcionados a tal 
sentido foram difi cultados pela polarização das opiniões de diferentes Estados sobre o direito de uso 
de regiões fl orestais (MCDERMOTT et al., 2010; SOTIROV et al., 2020). 
 Apesar de importantes tratados vinculantes trabalharem, mesmo que indiretamente, a questão 
das fl orestas como parte de seu escopo mais abrangente de direcionamentos de atuação, esses acordos, 
bem como outros programas similares que incorporam em si a questão fl orestal, há a necessidade 
de se ter uma “abordagem mais efetiva quanto à coordenação” (RAYNER et al., 2010, p.16, tradução 
nossa) se tais tratados visam à melhora da condição fl orestal (RAYNER et al., 2010). Assim sendo, ainda 
faz-se importante prosseguir o trabalho direcionado à governança internacional para a conservação 
fl orestal (RAYNER et al., 2010). Deste modo, trazemos nesta seção uma breve descrição das principais 
medidas internacionais relacionadas à questão debatida, na esperança de que uma análise de seus 
históricos possa oferecer um panorama da atuação internacional, elucidando, assim, suas conquistas e 
méritos, falhas e limitações, e proporcionando uma visão mais situada da questão fl orestal no cenário 
internacional. 
3.1 PROGRAMA PILOTO PARA PROTEÇÃO DAS FLORESTAS 
TROPICAIS DO BRASIL (PPG-7)
 Lançado na reunião do G7 em 1990, o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais 
do Brasil foi uma iniciativa dos países do grupo para abordar a questão da preservação das fl orestas 
tropicais brasileiras, nascendo em um contexto político propício ao desenvolvimento de similar acordo, 
com a abertura do Brasil ao mercado internacional e também com a vontade de países desenvolvidos de 
se envolverem com as pautas ambientais. Nesse contexto, o programa foi imaginado como uma forma de 
oferecer suporte à preservação e ao manejo de áreas fl orestais e à redução da emissão de gás carbônico 
(ABDALA, 2007; ANTONI, 2010). Com o desenvolvimento do programa, o Banco Mundial assumiu a 
posição de administração do Fundo Fiduciário de Florestas Tropicais (RTF), fundo de investimento 
pelo qual recursos fi nanceiros doados por países envolvidos eram captados e direcionados à aplicação 
local. Com o desenrolar das atividades do PPG-7, entretanto, operou-se o desengajamento dos países 
16 Em que há responsabilidade jurídica para os signatários (PIMENTA, 2018).
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apoiadores, resultando na retirada de suporte e no desamparo do projeto, que agora só “se tornava 
possível graças à liderança da Alemanha apoiada pela Comissão Europeia” (ANTONI, 2010, p. 304). 
Outras difi culdades se impuseram, ademais, com o despreparo do Brasil para receber um programa 
de tal aporte e com o descompasso presente na organização de projetos, fazendo com que o programa 
fosse considerado “mais um mosaico de subprogramas do que, a rigor, um programa convencional.” 
(ABDALA, 2007, p. 204-205). O programa acabou por encontrar grandes desafi os até chegar ao seu 
fi m em 2009 — mas sem estar ausente de benefícios, como os de natureza técnica e tecnológica e a 
internalização regional de um mais amplo movimento ambientalista (ABDALA, 2007; ANTONI, 2010). 
3.2 DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS SOBRE FLORESTAS, AGENDA 
21 E INSTRUMENTO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE FLORESTAS 
 Após uma década de crescente consciência acerca da pauta fl orestal e de suas relações com 
outras pautas ambientalistas e comerciais, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente 
e Desenvolvimento (CNUMAD), que ocorreu em 1992, foi o palco para uma discussão global das 
problemáticas relacionadas à gestão fl orestal. Embora tenha sido a vontade de um grupo de países 
desenvolvidos, não foi possível, entretanto, a elaboração de um documento juridicamente vinculante 
que abordasse o uso e preservação de fl orestas. O acordo encontrou uma oposição formada pela coalizão 
de países em desenvolvimento — a China e o G7717 —, que encontravam motivos para sua oposição, por 
exemplo, no interesse de países desenvolvidos em uma “convenção como meio de infl uenciar a gestão 
de fl orestas tropicais, enquanto se recusavam a reconhecer problemasem suas próprias fl orestas” 
(RAYNER et al., 2010, p. 10, tradução nossa; SOTIROV et al., 2020). Os países em desenvolvimento 
trouxeram à tona, ademais, seu “direito soberano de converter fl orestas em uso mais economicamente 
produtivo, assim como países então desenvolvidos fi zeram no passado [...]” (MCDERMOTT et al., 2010, 
p. 22, tradução nossa), argumentando, ainda, que deveriam ser compensados caso abdicassem de tal 
uso. É importante acrescentar, também, que “países-chave, incluindo o Brasil e outros membros da 
Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (ACTO)18 e os Estados Unidos permaneceram 
céticos quanto aos benefícios de uma convenção” (RAYNER et al., 2010, p. 10, tradução nossa). 
 Foi a partir da Conferência-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), 
produto da CNUMAD, que foram adotados dois importantes documentos: a Declaração de Princípios 
sobre as Florestas, para um consenso global quanto à gestão, à conservação e ao desenvolvimento 
sustentável de fl orestas de todos os tipos e o 11º capítulo da Agenda 21, intitulado “Combate ao 
Desfl orestamento”. Segundo Rayner et al. (2010, p. 9-10, tradução nossa), “esses documentos representam 
o primeiro consenso global sobre os múltiplos benefícios provenientes das fl orestas, as políticas 
nacionais necessárias para mantê-los para atuais e futuras gerações, e a cooperação necessária para 
auxiliar esforços nacionais”.
 Nos anos seguintes, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável, criada também a partir da 
CQNUMC, prosseguiu à criação do Painel Intergovernamental sobre Florestas e seu sucessor, o Foro 
Intergovernamental sobre Florestas, tendo os dois, juntos, mais de 280 propostas para a problemática 
fl orestal (RAYNER et al., 2010). Já no ano de 2000, foi criado o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, 
que visava a facilitar a gestão de fl orestas e a partir de qual seria lançado, em 2007, o Instrumento das 
Nações Unidas sobre Florestas (UNFA, na sigla em inglês) em 2015 (RAYNER et al., 2010; SOTIROV et 
al., 2020). 
 O UNFA tem como propósitos o fortalecimento do compromisso e da ação política para o 
manejo sustentável de fl orestas, aumentar as contribuições fl orestais aos objetivos de acordos com a 
Agenda 2030 e fornecer um guia para ação nacional e cooperação internacional; valendo-se, para tal, 
de objetivos globais como a reversão de perdas fl orestais com o uso de práticas de manejo fl orestal 
sustentável, o aumento dos benefícios econômicos, sociais e ambientais das fl orestas, o aumento 
das áreas de preservação fl orestal e a reversão do declínio de ações ofi ciais de assistência fl orestal 
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2016). É importante frisar, contudo, que esse documento 
possui caráter jurídico não-vinculante: ou seja, não há responsabilidade jurídica dos países para com 
os objetivos do instrumento. 
17 Organização intergovernamental de países em desenvolvimento, fundada em 1964, atualmente com 134 membros 
(THE GROUP OF 77, 2021).
18 Sigla em inglês para a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.
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3.3 REDD+ 
 O instrumento REDD+ constitui-se numa 
arquitetura internacional para políticas e incentivos a países em desenvolvimento para 
a redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da 
degradação fl orestal e o papel da conservação fl orestal, do manejo sustentável de fl orestas 
e do aumento dos estoques de carbono fl orestal (BRASIL, 2016, p. 1).
 Com um sistema de recompensas fi nanceiras para resultados “mensurados, relatados e 
verifi cados no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima” (BRASIL, 
2019, online), o REDD+ é uma maneira de conduzir os esforços dos participantes em direção à Agenda 
2030 para o Desenvolvimento Sustentável adotada em 2015 (UN-REDD PROGRAMME, 2016). 
 Elaborado a partir da CQNUMC, o instrumento tem pagamentos “realizados por resultados 
de mitigação, medidos em toneladas de CO2 equivalente, em relação a um nível de referência 
aprovado em avaliação conduzida no âmbito da UNFCCC” (BRASIL, 2016, p. 1). O fi nanciamento 
dos pagamentos pode vir de variadas “fontes, públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo 
fontes alternativas” (UNITED NATIONS FRAMEWORK CONVENTION ON CLIMATE CHANGE, 
2021, online), podendo países desenvolvidos usar os pagamentos de resultados REDD+ “como parte de 
seus compromissos de fi nanciamento relacionado à mudança do clima para países em desenvolvimento 
perante a UNFCCC” (BRASIL, 2019, online). Para ilustração de pagamentos de resultados REDD+, 
pode-se considerar os acordos mantidos pelo Brasil com a Noruega e Alemanha, em que os países 
se comprometeram à transferência de 600 milhões de dólares americanos e 100 milhões de dólares 
americanos, respectivamente, ao Fundo Amazônia, programa de doações para práticas anti-
desmatamento no Brasil (BRASIL, 2019; FUNDO AMAZÔNIA, 2021). Para que um país receba 
pagamentos de resultados de REDD+, ele deve ter um plano de ação nacional, um nível de referência 
de emissões fl orestais, um sistema de monitoramento de fl orestas e um sistema de informações de 
salvaguardas de REDD+ (BRASIL, 2017; UN-REDD PROGRAMME, 2016). 
 Entre outras entidades apoiadoras, o suporte para a implementação das ações do REDD+ 
é fornecido pelo Programa Colaborativo das Nações Unidas sobre Redução das Emissões por 
Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento (UN-REDD, na sigla em 
inglês), um organismo multilateral fruto colaboração entre a FAO, o Programa das Nações Unidas 
para o Desenvolvimento (PNUD) e o PNUMA (UN-REDD PROGRAMME, 2016). O fi nanciamento do 
programa é dependente de fundos voluntários, tendo já contribuído países como Noruega, Dinamarca, 
Japão, Luxemburgo, Espanha, Suíça e a Comissão Europeia (UN-REDD PROGRAMME, 2017). 
4 BLOCOS DE POSICIONAMENTO
 Não possuindo fl orestas tropicais em seu território, a República da África do Sul tem 7% de 
sua área coberta com fl orestas (FAO, 2016b) e 0,5% de área coberta com fl orestas naturais (SOUTH 
AFRICAN GOVERNMENT, 2021). As atividades econômicas relacionadas a tais, entretanto, são um 
grande contribuidor para a economia nacional, tendo o setor fl orestal somado 1,3% do PIB do país 
em 2002 (FAO, 2016b). Embora signatário do Acordo de Paris, o plano inicial de recuperação do país 
para o cenário pós-COVID parece não considerar um sistema de retomada sustentável da economia, 
intensamente afetada pela crise sanitária (CLIMATE ACTION TRACKER, 2020).
 Embora não possua fl orestas tropicais em seu território, a República Federal da Alemanha é 
uma grande contribuidora para a pauta ambientalista. Historicamente, o país foi um notável apoiador 
do PPG-7, sendo sua liderança uma importante base para a manutenção do Programa em determinado 
momento (ANTONI, 2010). Em 2015, juntamente com o Reino Unido e a Noruega, a Alemanha anunciou 
a doação de 1 bilhão de dólares por ano até 2020 para iniciativas do programa REDD+, compromisso 
reiterado em declaração conjunta pelos três países em 2019. A Alemanha contribui, ademais, com o 
Fundo Amazônia, tendo o país europeu já doado mais de 68 milhões de dólares para o Fundo (FUNDO 
AMAZÔNIA, 2021). Outras práticas de apoio ao país latino-americano, entretanto, foram postas 
em cheque com a advento de dúvidas sobre o comprometimento do Brasil para com a redução do 
desmatamento, tendo a Alemanha anunciado a retirada de 39,5 milhões de dólares de doações para 
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fundos ambientais à luz do avanço do desmatamento no país (MENDES, 2019). 
 A Comunidade da Austrália apresenta 3,6 milhões de hectares de fl oresta tropical, somando 
2,7% do total de fl orestas nativas do país (AUSTRÁLIA, 2019a). O país, após a adoção de políticas 
públicas para conservação das fl orestas, atingiu em 2013 a marca de 17% de extensão de fl orestas nativasprotegidas em reservas de conservação (AUSTRÁLIA, 2019b). Tais medidas de proteção, entretanto, 
contrastam com alarmantes dados de desmatamento no país: a Austrália é o único país desenvolvido 
citado entre as principais frentes de desmatamento, sendo a criação de pasto a principal razão do 
desmatamento no país (PACHECO et al., 2021; WORLD WIDE FUND FOR NATURE, 2017).
 O Estado Plurinacional da Bolívia é um país amplamente marcado pela presença de fl orestas 
tropicais primárias, que constituem aproximadamente metade do território do país (FAO, 2016a). A 
nação é caracterizada, entretanto, por um cenário notável de desmatamento, cujas taxas cresceram 
na década de 1990 (MONGABAY, 2006b) e apontam para um futuro crescimento, também, em regiões 
específi cas (PACHECO et al., 2021) — sendo a causa principal do desmatamento no país a expansão 
da fronteira agrícola (ANDERSEN, 2013). Quanto à sua parcela da Amazônia, que corresponde a 44% 
do país, a Bolívia já perdeu 8% de sua extensão de fl orestas (COSTA, 2020). Recentemente, o atual 
presidente Luis Arce chamou atenção para a necessidade de uma solução do sul global à crise ambiental 
em contrapartida às proposições dos países ricos (EL, 2021). 
 A República Federativa do Brasil é território para cerca de um terço das fl orestas tropicais 
primárias restantes no mundo. Por isso, é um país de grande importância na discussão ambiental. Em 
2009, o país lançou a Política Nacional sobre Mudança do Clima, visando à redução do desmatamento 
da Amazônia em 80% (SILVA JUNIOR et al., 2020). No entanto, em direção contrária à planejada, o 
país teve aumento no total de km² desmatados desde 2009, com 10.851 km² desmatados na Amazônia 
em 2020 (TERRABRASILIS, 2021). Tal desfl orestamento tem levantado preocupações de importantes 
agentes internacionais. Em 2019, após a Amazônia ser alvo de queimadas, 230 fundos de investimentos 
internacionais publicaram um manifesto pedindo por mais esforços contra o desmatamento na região 
(JUCÁ, 2019). 
 Um país majoritariamente agrícola, o Reino do Butão tem cerca de 70% de seu território 
fl orestado, sendo um dos dois únicos países negativos em carbono (GYELTSHEN, 2020). O país asiático 
conta, ainda, com legislação garantindo perpetuamente que 60% de seu território seja mantido fl orestado 
e proibindo a exportação de madeira pura (GYELTSHEN, 2020; MONGABAY, 2006a). Em 2018, com a 
criação do programa Bhutan for Life, uma parceria da WWF, do governo do país, doadores e apoiadores 
internacionais, foi mobilizado um fundo de 43 milhões de dólares para fi nanciar a proteção de rede de 
áreas protegidas do país, valor que é somado, ademais, por 75 milhões de dólares de investimento do Reino 
(WWF, 2021). Apesar de tal cenário, a pandemia de COVID-19 afetou negativamente o país, estando este 
a considerar um aumento na produção madeireira como resposta à situação (GYELTSHEN, 2020). 
 A República de Camarões enfrenta atualmente um processo de desertifi cação que impacta 
suas áreas fl orestais, localizadas na região central do país. Apesar de possuir algumas causas naturais, 
a exploração madeireira, que representa 42% do PIB do país, é a principal responsável. O país acredita 
que a cooperação internacional, principalmente a articulada pela ONU, é imprescindível para a 
superação dos problemas ambientais uma vez que esses são uma ameaça global à segurança mundial 
(CAMARÕES, 2020). 
 O Canadá anunciou em 2020 um novo plano para tornar-se mais comprometido com a 
proteção ambiental, eliminando gradativamente, por exemplo, o uso de plásticos em diversos objetos 
(POPPI, 2020). Apesar de proteger o meio ambiente internamente, empresas canadenses são acusadas 
de depredação ambiental em regiões de fl oresta tropical. Um exemplo disso é o caso da mineradora 
canadese, a Belo Sun, que estava em 2020, iniciando projetos em busca de ouro em reservas indígenas 
na Amazônia brasileira, mesmo com sua autorização suspensa (ANGELO, 2020). 
 A República Popular da China vem apresentando altas taxas de crescimento econômico. No 
entanto, esse crescimento tem impactado signifi cativamente o meio ambiente, tanto nacional como 
internacionalmente. Entre os pontos levantados estão a questão das emissões de carbono e o fato de seus 
investimentos em infraestrutura em diversos países estarem acompanhados de impactos ambientais 
e sociais para com as populações locais (CHINA, 2014). Para o enfrentamento dessas questões, 
o país defende as ações de cooperação multilaterais e a atuação da ONU e do direito internacional 
(CHINA…,2020).
 A República da Colômbia, em 2017, foi o país com território amazônico mais desmatado. 
Essa alta nas taxas de desmatamento foi apontada por autoridades como resultado dos acordos de 
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paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Isso porque as FARC 
ocupavam muitos espaços na fl oresta amazônica, agindo como autoridades e impedindo certas atitudes 
prejudiciais ao meio ambiente, como desmatamento. Em resposta a isso, o governo colombiano criou, 
no ano seguinte, o Conselho Nacional de Luta contra o Desmatamento (COSTA, 2020). O país acredita 
que a cooperação internacional é um meio para que a Colômbia atinja seus objetivos nacionais. Assim, 
sua postura é de conciliação entre os interesses internacionais e o interesse nacional (COLÔMBIA…, 
2020). 
 Em 2019, a República da Costa Rica recebeu o prêmio Campeões da Terra, da ONU. Esse 
prêmio foi motivado por seu papel internamente em relação à proteção ambiental e sua articulação 
política em prol de combater as mudanças climáticas. O país possui um plano de diminuir suas taxas 
de emissões de carbono através de modifi cações em suas estruturas de transporte, energia, resíduos e 
uso da terra (UNEP, 2019b). Além disso, é o primeiro país tropical a não só frear o desmatamento, como 
reverter essa problemática (JÚNIOR, 2016). 
 O Reino da Espanha apresenta ação positiva em relação ao meio ambiente, como o uso da 
energia eólica e a instauração de um Ministério Público especializado em crimes contra o meio 
ambiente. No entanto, entre os países europeus, o país apresenta um relativo atraso (SEDE, 2019). 
Apesar disso, o país está procurando posicionar-se como líder em medidas de proteção ambiental, 
sendo um exemplo mundial (UOL, 2021).
 Os Estados Unidos da América (EUA) é um dos países que mais emite gases intensifi cadores do 
efeito estufa do mundo, contribuindo com cerca de 20 a 21% das emissões mundiais. Mesmo tendo essa 
grande quantidade de emissões, pouco é feito em ações efetivas de combate às mudanças climáticas 
e de proteção às fl orestas situadas em regiões tropicais (MOREIRA, 2014). É importante salientar que 
os EUA, através da Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID, sigla em inglês) junto 
do Banco Mundial, vêm estimulando e fi nanciando projetos privados de titulação de terras em todo o 
mundo — e muitas dessas terras se encontram em áreas de preservação ambiental em regiões tropicais 
— o que pode piorar ainda mais os níveis de desfl orestamento mundial, uma vez que essas áreas são 
privatizadas e seus recursos naturais são explorados (MOUSSEAU, 2020). 
 A República Francesa fi nancia o Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (FFEM), 
que oferece 20 milhões de euros anualmente para subsidiar cerca de vinte projetos por ano voltados 
à preservação do meio ambiente, onde 75% desses recursos são para projetos que envolvem clima e 
biodiversidade (assuntos diretamente relacionados com as fl orestas tropicais) em países africanos, 
asiáticos e latino-americanos. Na mesma linha, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) 
ofereceu mais de 15 milhões de euros desde 2019 para combater o desfl orestamento nos países onde a 
Floresta Amazônica se concentra. Em contrapartida, o governo francês vem promovendo a mineração 
na Guiana Francesa, que muito prejudica as fl orestas tropicais locais (WRM, 2017). 
 A República daGuiné Equatorial é um país localizado em uma região tropical, na África Central. 
De acordo com estudos, é o país com a menor área percentual de fl orestas preservadas dos países da 
África Central (GRANTHAM et al., 2020). Neste país, a economia é baseada na extração de petróleo e 
de outros recursos minerais. Desde a época colonial, a agricultura está baseada em monoculturas de 
café, cacau e dendê. No entanto, devido à falta de estrutura rodoviária, não são atividades econômicas 
tão desenvolvidas. Entretanto, nos últimos anos, o país tem chamado atenção de países europeus e 
americanos para especulação em relação ao desenvolvimento rodoviário e posterior desenvolvimento 
agropecuário na região, uma vez que o país possui um alto potencial agrícola (WRM, 2010a). 
 Os Países Baixos (Holanda) são um país situado no noroeste da Europa. Desta forma, não 
possui fl orestas tropicais em seu território, mas é bastante conhecido por apoiar a preservação do meio 
ambiente. Por exemplo, o país foi contrário ao acordo do Mercosul com a União Europeia no ano de 
2020 por conta das altas taxas de desmatamento na Floresta Amazônica (GODOY, 2020). Entretanto, 
também é um dos países que possuem empresas que compram madeira advinda de desmatamento e 
extração ilegal da Amazônia (NIRANJAN, 2019) e apoia megaprojetos voltados ao transporte da soja na 
fl oresta amazônica que podem ser prejudiciais ao meio ambiente (KUIJPERS, 2018). 
 Ainda que a maioria das fl orestas tropicais indianas tenham sofrido com uma exploração 
extensiva de mineradoras, segundo estudos, a República da Índia tem apresentado uma transição 
fl orestal nos últimos vinte a trinta anos. Houve um aumento líquido na cobertura fl orestal do país 
graças às políticas de regeneração fl orestal, fruto do planejamento deliberado que envolve todos os 
níveis de governo, com atuação ativa das agências fl orestais nacionais (CHAZDON, 2012). Além disso, 
a Índia cooperou internacionalmente para o lançamento de um satélite brasileiro, que irá monitorar o 
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desmatamento da Amazônia e contribuir com a preservação das fl orestas tropicais (ROCHE, 2021).
 A República da Indonésia é um arquipélago localizado inteiramente em zona tropical com 
abundantes recursos fl orestais e que há décadas sofre com a degradação fl orestal e o desmatamento. Em 
2004, o Ministério das Florestas da Indonésia criou as Concessões para Restauração de Ecossistemas 
(CRE), cujo principal objetivo era transformar áreas de preservação em áreas de preservação produtivas. 
Essas áreas eram concedidas à ONGS e empresas privadas para que ocorresse, primeiramente, uma 
preservação e, posteriormente, retomar a extração de madeira. O que aconteceu é que o desmatamento 
aumentou ainda mais na Indonésia, principalmente por conta da mineração e da expansão agrícola 
das commodities de óleo de palma (HIGGINS, 2009) e as CREs viraram o que vem sendo chamado de 
“REDD indonésio”, ou seja: uma indústria de vendas de créditos de carbono. A presença de indústrias 
europeias nas CREs é signifi cante, uma vez que a Indonésia possui minerais estratégicos para que a 
União Europeia consiga fazer sua transição para a “energia verde” (OVEERBEEK, 2020a). 
 O Estado do Japão é um país insular que não possui fl orestas tropicais em seu território, devido 
ao seu clima temperado, porém atua internacionalmente cooperando em prol de iniciativas contra o 
desmatamento dessas áreas de fl orestas tropicais (KOBAYASHI, 2011). Além disso, para suprir sua 
demanda energética, o Japão está importando carvão vegetal, uma vez que desativou todas as usinas 
nucleares devido ao risco de acidentes por causa dos tsunamis e terremotos (JAPÃO, 2013).
 A República de Madagascar possui grande percentual de fl orestas tropicais em seu território, 
que estão diminuindo conforme o passar dos anos, devido à ação humana e à exploração desenfreada 
(TENNENHOUSE, 2020) . As fl orestas tropicais de Atsinanana, em Madagascar, estão na Lista da 
UNESCO de Patrimônios Mundiais em Perigo por causa da extração ilegal de madeira e da caça de 
animais, de modo que foi recomendado ao governo de Madagascar que atuasse de forma mais extensiva 
na proteção do meio ambiente (UNIC RIO, 2010).
 A República da Malásia é um país asiático que possui grandes áreas de fl orestas tropicais, 
que estão sendo fortemente exploradas pela indústria madeireira e pela agricultura, cooperando 
internacionalmente para aumentar a fi scalização no comércio internacional para barrar a compra 
de madeira extraída de forma ilegal (YONG, 2006). Além disso, o governo malaio está aumentando a 
legislação ambiental, com o objetivo de reduzir a exploração ilegal e o desmatamento desenfreado das 
suas áreas fl orestais (KEETON-OLSEN, 2021).
 O Reino da Noruega é um dos maiores fi nanciadores globais contra o desmatamento de 
fl orestas tropicais, provendo 40% de todas as doações realizadas pela comunidade internacional. Assim, 
é um dos maiores apoiadores dos fundos internacionais em prol da preservação do meio ambiente e 
do desenvolvimento sustentável (PARKER et al., 2018). A Noruega não possui fl orestas tropicais, mas 
fi nanciou o mapeamento de fl orestas tropicais, através de dados de satélites, fortalecendo a luta contra 
o desmatamento e a degradação do meio ambiente (AMOS, 2020).
 A República do Panamá possui áreas de fl orestas tropicais em seu território, que são ameaçadas 
pela exploração desenfreada, visto que a maioria da população vive em zonas rurais e faz usos de 
práticas convencionais na agricultura para terem sua subsistência, tal como o corte e a queimada das 
fl orestas. Desde os anos 2000, o desmatamento vem diminuindo no território panamenho, sendo esse 
um resultado dos esforços governamentais empregados, assim como da cooperação internacional 
desenvolvida, com o objetivo de elaborar e aprimorar as estratégias nacionais de adaptação e mitigação 
das mudanças climáticas relacionadas à depredação das suas fl orestas tropicais (FORESTS OF THE 
WORLD, 2021).
 A República do Peru possui extensas áreas de fl oresta amazônica, de modo que representa 
60% do seu território, contendo muita diversidade de fauna e fl ora (WRM, 2014) O governo peruano 
vem atuando na preservação das suas fl orestas, através da criação de um fundo para proteger 17 
milhões de hectares de fl orestas, como também fortalecer a participação das populações locais e 
indígenas na manutenção da fauna e da fl ora local, visto que o país sofre com o desmatamento e 
exploração ilegal dessas áreas (AFP, 2019). Além disso, o país está cooperando internacionalmente 
através do recebimento de investimentos externos para reduzir o desmatamento nas suas fl orestas 
tropicais até 2025 (GOV. UK, 2021).
 O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte tem se mostrado engajado na proteção 
de fl orestas tropicais, criando uma força tarefa a fi m de combater a mudança climática e preservar 
os recursos naturais. No fi nal de 2020, o país criou uma lei ambiental que tem por objetivo diminuir 
o desmatamento ilegal nas fl orestas tropicais. A lei prevê a proibição de compra de commodities — 
como soja, cacau, óleo de palma e carnes — que provenham do desmatamento ilegal dessas fl orestas, 
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abrangendo estabelecimentos como restaurantes, supermercados e demais empresas (REINO, 2020). 
Também, criou o Diálogo sobre Floresta, Agricultura e Comércio de Commodities, uma iniciativa para 
desenvolver um comércio de commodities mais sustentável, unindo países exportadores e compradores 
dos produtos para que juntos possam criar soluções que ajudem o meio ambiente, bem como o 
desenvolvimento econômico (MACHADO, 2021). 
 A República Centro Africana, situada na parte central da África, faz parte da Bacia do 
Congo e tem 36% de sua extensão coberta por fl oresta tropical. Porém, grande parte dessa fl oresta foi 
desmatada devidoà exploração de madeira (BUTLER, 2006). Essa exploração não afeta somente o meio 
ambiente, mas também a população local, visto que há milícias envolvidas no comércio madeireiro, 
causando opressão e mortes. Os países europeus são os principais compradores da madeira centro-
africana (PETIÇÃO, 2018). Para tentar diminuir o problema, o país conta com um Código Florestal, 
mas existem difi culdades para sua efetiva implementação, como os confl itos internos e a instabilidade 
governamental aos quais o país está sujeito (FOREST LEGALITY INICIATIVE, 2013). 
 Sendo possuidora de quase metade da fl oresta tropical da África, a República Democrática do 
Congo tem aumentado seus níveis de desmatamento nos últimos anos. Isso se deve principalmente à 
exploração de madeira, à agricultura e à produção de carvão vegetal (JONG, 2018). A maior parte da 
extração de madeira do país é ilegal. Uma tentativa de amenizar as perdas é por meio da REDD, além 
de possuir uma rede de áreas protegidas, como por exemplo o Parque Nacional de Virunga, primeiro 
parque nacional da África. Porém, por vezes esses esforços se voltam contra a comunidade, entendo 
que a população local é a principal destruidora da fl oresta (RAINFOREST FOUNDATION UK, 2021). 
Mas estudos realizados por pesquisadores de universidades congolesas mostram que a agricultura 
de subsistência não é a principal causa do desmatamento, mas sim a agricultura rentável, ou seja, 
plantações voltadas ao comércio dos produtos (ERICKSON-DAVIS, 2016).
 País com a segunda maior cobertura de fl oresta tropical do continente africano, a República 
do Congo possui um parque nacional — denominado Nouabalé-Ndoki — sendo uma área de proteção 
ambiental que abriga uma diversidade de fauna. Não apenas esse parque, mas cerca de 16% do país está 
sob algum tipo de proteção ambiental (BUTLER, 2020). Os recursos naturais do país são propriedade 
do Estado, que concede direito à exploração a empresas privadas. Para maior efetividade da proteção 
fl orestal, a República do Congo aderiu ao Plano de Ação para a Aplicação da Legislação Florestal, 
Governança e Comércio da União Europeia (FLEGT, sigla em inglês) — inciativa da União Europeia 
para combater a exploração ilegal de madeira — e também está engajado no programa nacional de 
REDD+ (FOREST LEGALITY INITIATIVE, 2014).
A Federação Russa (Rússia), apesar de não possuir fl orestas tropicais, possui fl orestas boreais. 
O país afi rma que é necessária ajuda externa para que consiga fi nanciar um manejo fl orestal mais 
sustentável (DAVYDOVA, 2015). Essas fl orestas sofrem principalmente com a extração de madeira, por 
vezes ilegal, mas também com queimadas e extração mineral. Na tentativa de diminuir os impactos da 
exploração, foram criados reservas naturais, parques nacionais e reservas de vida selvagem, além de 
contar com a ajuda da organização não-governamental WWF, para a criação do conceito de Florestas 
de Alto Valor de Conservação (HCVF, sigla em inglês), que impõe restrições na exploração madeireira 
(WWF, 2018). 
A República Bolivariana da Venezuela possui em seu território parte da Floresta Amazônica, 
que tem sofrido nos últimos anos com o garimpo, que exige extração da fl ora para acessar o ouro no 
subsolo. A atividade mineradora, além de causar o desmatamento, contamina rios e povos indígenas 
devido ao uso de mercúrio. Essa atividade cresceu muito desde 2014, devido à crise do petróleo 
vivida pelo país (COSTA, 2020). Por outro lado, a Venezuela possui o Parque Nacional de Canaima, 
que é Patrimônio Mundial da UNESCO, e vem sendo preservada há anos para proteger a fl oresta 
principalmente das queimadas, que são muito recorrentes na região. Para isso, há participação de 
indígenas que vivem na região, que encontraram um jeito de tornar o fogo seu aliado e assim diminuir 
os prejuízos ambientais. Por isso, especialistas ambientais e indígenas trabalham juntos para manter a 
proteção do Parque (IBARRA, 2020). Dessa forma, o país defende sua soberania na proteção da fl oresta, 
valorizando os conhecimentos da população local (PAÍSES, 2020).
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5 QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
(1) As ações desenvolvidas para a proteção das fl orestas tropicais levam em consideração a opinião das 
populações tradicionais? 
(2) O que os países podem fazer para que o desmatamento e a exploração ilegal das fl orestas tropicais 
acabem?
(3) De que forma as ações desenvolvidas para o combate ao desmatamento das fl orestas tropicais em 
nível internacional foram efetivas?
(4) Como os países podem cooperar para a preservação das fl orestas tropicais sem afetar a soberania 
dos países detentores?
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BANCO MUNDIAL
Financiamento de Projetos de Desenvolvimento 
Urbano
Alecsander Hennig, João Pedro Lisbôa Silva, Julia Gomes Stoff els, Mariane Di 
Domenico e Sérgio Honorina Silva1
1 Graduandas e graduandos dos cursos de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
• GUIA DE ESTUDOS - UFRGSMUNDI 2021 •
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QUESTÕES NORTEADORAS
(1) Quais são as principais diferenças entre cidades, metrópoles, megalópoles e regiões metropolitanas?
(2) Quais são os principais problemas que você observa na sua cidade e que te chamam a atenção?
(3) Você sabe como foi o processo de formação e crescimento da sua cidade?
APRESENTAÇÃO
 O Banco Mundial (BM) é uma organização fi nanceira internacional que realiza operações 
de empréstimos, fi nanciamento e doações para países em desenvolvimento. Atualmente, o Banco é 
formado por cinco instituições1 e é composto por 189 Estados-membros (WORLD BANK, 2021l). A 
princípio, a instituição foi criada com o intuito de auxiliar os Estados envolvidos nos confl itos da 
Segunda Guerra Mundial (1939-1945) na reconstrução de suas economias e infraestruturas. Alguns 
anos depois, com o início do processo de restabelecimento econômico desses países, o foco das ações 
do BM foi direcionado para operações nos países em desenvolvimento (WB, 2021c, 2021l).
 Nesse sentido, a instituição atua principalmente tendo em vista a eliminação da pobreza por 
meio da construção de infraestrutura e realização de projetos em diferentes setores2 (WB, 2021c, 2021l). 
O Banco busca realizar parcerias com governos locais, organizações da sociedade civil, setor privado e 
bancos regionais. Em conjunto, essas organizações trabalham na realização dos projetos — discutidos e 
elaborados no âmbito do Banco Mundial pelos representantes das esferas de organização mencionadas 
— que visam ao enfrentamento e à superação de desafi os em diferentes áreas de desenvolvimento, tais 
como saúde, educação, agricultura e urbanização (WB, 2021e, 2021l).
 Como um dos principais focos do BM, o desenvolvimento urbano apresenta uma área de 
atuação bastante extensa para a elaboração e implementação de projetos. Desse modo, o objetivo do 
Banco é oferecer “soluções integradas para melhorar as condições de vida em áreas urbanas por meio 
de planejamento, infraestrutura, desenvolvimento, reabilitação, fi nanças, habitação e prestação de 
serviços”3 (WB, 2016b, p. 73). Essas atividades se mostram ainda mais importantes devido às dimensões 
e à importância dos espaços urbanos na sociedade contemporânea. Atualmente, mais de quatro bilhões 
de pessoas residem em áreas urbanas em todo o mundo e são nesses ambientes que mais de 80% do PIB 
(Produto Interno Bruto) mundial é produzido (WB, 2020c, 2021e).
 O espaço urbano caracteriza o local no qual são concentradas e desempenhadas atividades 
administrativas, políticas e econômicas de uma região (ROLNIK, 1995). Os projetos de desenvolvimento 
dessas áreas dependem de diversos fatores, tais como a região geográfi ca, fatores econômicos, políticos 
e culturais de cada sociedade e lugar; contudo, algumas características do processo de urbanização são 
comuns, tais como: estratégias para a moradia, o transporte e o acesso a serviços básicos pela população 
residente (WB, 2020c). O crescimento acelerado das cidades nas últimas décadas foi acompanhado 
de questões relacionadas ao planejamento de espaços urbanizados que atendessem às necessidades e 
aos direitos humanos (CARRION, 1996; WB, 2021e). Além disso, apresentam-se vários desafi os para a 
promoção do crescimento e do desenvolvimento sustentável das cidades e a superação de problemas 
sociais, econômicos e de infraestrutura (MARTINS et al., 2020; WB, 2021e).
 Dessa forma, este guia de estudos busca apresentar questões que envolvem o desenvolvimento 
urbano. A seção que segue esta introdução aponta os principais acontecimentos e características que 
marcaram a formação das cidades. Em seguida, serão explorados alguns dos principais problemas que 
o desenvolvimento urbano contemporâneo enfrenta,como: a poluição do ar; a organização do espaço 
1 As instituições que formam o Banco Mundial são: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (IBRD, na sigla em 
inglês); a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês); a Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla 
em inglês); a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA, na sigla em inglês); e o Centro Internacional para Resolução 
de Disputas sobre Investimentos (ICSID, na sigla em inglês). Cada uma dessas instituições é focada em uma área e desempenha suas 
funções de forma autônoma, porém relacionada (WB, 2021l).
2 O Banco Mundial divide seus eixos de atuação nos seguintes setores: agricultura, educação, energia, setor � nanceiro, saúde, indústria 
e comércio, informação e comunicação, administração pública, proteção social, transporte e água, saneamento e gestão de resíduos 
(WB, 2021l).
3 Entre as atividades é possível destacar: infraestrutura e serviços urbanos; serviços e habitação para os pobres; transporte público 
urbano; planejamento urbano; � nanças municipais; água e saneamento urbano; gerenciamento de resíduos sólidos urbanos; sistemas de 
gestão urbana; terrenos urbanos e mercados de terras; regeneração urbana; segurança urbana, entre outros (WB, 2016b).
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urbano; e o acesso a tecnologias de informação e comunicação. Na quarta seção, serão abordadas as 
ações internacionais prévias referentes ao assunto no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) 
e do Banco Mundial. Por fi m, serão apresentados os posicionamentos dos países que participarão da 
reunião do Banco.
 1 HISTÓRICO
 O planejamento urbano é um processo técnico e político do desenvolvimento urbano focado 
no delineamento do ambiente das cidades, e inclui pautas como ar, água, saneamento básico, poluição, 
energia e a infraestrutura que gira em torno da população, como transportes (SANTOS, 2006). No 
momento ainda não há uma defi nição universal para o que signifi ca “urbano”, assim, as Organizações 
Internacionais se baseiam nas defi nições nacionais de cada país para a conceituação do espaço urbano 
(RITCHIE; ROSER, 2019). Nesta seção, busca-se apresentar alguns dos fatores que promoveram o 
crescimento urbano, especialmente no Ocidente, e as transformações que ocorreram nas confi gurações 
das cidades e do planejamento urbano.
 O desenvolvimento urbano acontece de maneira orgânica desde a pré-história, como durante o 
período neolítico,4 no qual o homem começa a organizar o espaço em que habita, cultivando plantas e 
domesticando animais, por exemplo (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995). Pode-se observar como o 
planejamento urbano sofreu mudanças ao longo da história através de exemplos basilares como a ágora 
de Atenas do século XIV a.C. e o fórum romano do século VII a.C. — centros políticos, comerciais e 
administrativos das cidades —, assim como pelas cidades muradas da Europa, construídas na Idade 
Média com o objetivo de proteger seus habitantes, ou cidades como Washington D.C., desenhada 
pelos franceses e a Cidade do México, construída no topo do antigo lago Texcoco (ABIKO; ALMEIDA; 
BARREIROS, 1995).
 O crescimento urbano aconteceu de forma lenta e gradual na maior parte da história. Até o 
século XVI, a população urbana representava cerca de 5% da população mundial (RITCHIE; ROSER, 
2019). Foi a partir da Primeira Revolução Industrial, entre 1760 e 1840, que a urbanização começou a 
ocorrer de forma mais intensa, com 21% da população europeia vivendo em áreas urbanas em 1800 
(RITCHIE; ROSER, 2019). A grande urbanização do período ocorreu em razão do grande êxodo rural, 
movimento migratório decorrente principalmente da “Lei de Cercamentos” na Inglaterra. A Lei previa 
a privatização de terras que antes eram de uso comum dos camponeses, forçando a população que antes 
se sustentava por meio dessas terras procurarem novas oportunidades de trabalho nas indústrias que 
estavam sendo criadas nas cidades inglesas, formando a “nova” classe operária (FERRARO JUNIOR; 
BURSZTYN, 2010).
 Com o surgimento de grandes cidades industriais no continente europeu no século XVIII se tornou 
possível observar a nova dinâmica capitalista da produtividade, na qual o comércio baseado na produção 
em larga escala surgiu junto à classe capitalista e à classe proletária, e que teve a urbanização como uma 
das principais consequências. Fatores como o aumento exponencial da população urbana e a rápida taxa 
de desemprego que surge devido ao excedente de camponeses que migra às cidades por perder sua antiga 
fonte de subsistência, criou cidades barulhentas, superlotadas e com péssimas condições sanitárias. 
Apesar das constantes tentativas de reformas sociais ao longo dos anos, a velocidade da agravação dessas 
condições fez com que qualquer tentativa de melhoria se tornasse insufi ciente, já que logo que executada, 
não atendia mais o número populacional (NOBRE; RAMOS, 2011).
 “Surge então a necessidade de uma ação pública, ordenando e propondo soluções que até 
o momento eram implementadas apenas [...] com objetivos individuais, de curto prazo e em escala 
reduzida” (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995, p. 40). Neste período são criadas diversas propostas 
para o desenvolvimento urbano com intenção de criar condições adequadas para o controle de epidemias 
recorrentes no século XIX, como a da cólera5. Um exemplo dessas propostas foi a criação da primeira 
4 Período que compreendeu de 8000 a.C. até 5000 a.C., também chamado de Idade da Pedra Polida é o período onde podemos observar 
a domesticação animal e a produção de agricultura. A estabilidade obtida por essas novas técnicas de domínio da natureza e dos animais 
também possibilitou a formação de grandes aglomerados populacionais (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995).
5 Durante a epidemia da cólera, que ocorreu na Inglaterra durante 1831, a taxa bruta de mortalidade nas áreas pobres, onde vivia a 
classe operária, excedeu a nacional (23 por 1000 habitantes) durante o período de 7 anos (FEE; BROWN, 2005).
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lei sanitária, a Public Health Act6 de 1848 (FEE; BROWN, 2005).
 1.1 SÉCULO XX
 Durante o século XIX até o início do século XX, aconteceram as Exposições Universais em alguns 
dos maiores centros econômicos do período, tais como Londres, Chicago e Rio de Janeiro (PEREIRA, 
2010). Estas exposições exibiram seus ambiciosos projetos de avanços tecnológicos proporcionados 
pela industrialização e visavam proporcionar um “retrato do mundo moderno” em todos os campos 
de conhecimento, e este incluía cidades que representavam o homem cosmopolita transnacional. Esta
cidade ideal continha avenidas pavimentadas, estruturas públicas, postes de iluminação e jardins 
adequados para o mundo moderno (BARBUY, 1996, p. 211).
 A partir das novas propostas de planejamento urbano divulgadas nas Exposições Universais, 
ocorreu a transição de um foco sanitário para um foco estético, no qual “os antigos cenários urbanos 
se dissolviam, abrindo caminho para a percepção do ambiente edifi cado como um artefato cultural” 
(RUFINONI, 2012, p. 08). Essa mudança pode ser observada no caso francês, quando o barão Haussman7
criou, em Paris, uma nova rede de avenidas, com edifi cações de caráter monumental, sendo o Arco do 
Triunfo e a Avenida Champs-Elysées os principais exemplos (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995).
 A segunda metade do século XX é marcada por uma nova transição, quando há mais um êxodo 
rural populacional, em busca de melhores condições de vida e mais oportunidades. Esse movimento 
migratório teve como uma das principais causas a industrialização agrícola, que substituiu a agricultura 
familiar, de subsistência, por um modelo industrializado e mecanizado de agricultura, com menor 
variedade produtiva e reduzida quantidade de trabalho por unidade produzida (AGRICULTURE..., 2021).
 Ao fi nal da SegundaGuerra Mundial, é criado o Banco Mundial e desenvolvido o Plano Marshall 
(1948-1952), com a missão inicial de fi nanciar a reconstrução dos países devastados no continente 
europeu pela guerra, que dispara uma expansão acelerada das cidades. No caso europeu, como apontado 
por Simon (2010), durante a execução do Plano Marshall, cerca de 18 bilhões de dólares foram entregues 
aos países aderentes ao Plano por meio de doações e empréstimos para o fi nanciamento da reconstrução 
desses países. Nos anos seguintes, os países envolvidos no confl ito foram marcados pela reconstrução 
da malha urbana, pelo baby boom8 e por uma notável expansão econômica dos países ocidentais que 
durou desde o fi nal da Segunda Guerra até a recessão da década de 1970, causada generalizadamente 
pela crise do petróleo9 e pelo fi m do padrão-ouro10 (MARGLIN; SCHOR, 1992).
 Esses fatores geraram uma urbanização descontrolada, na qual as cidades acabaram sendo 
urbanizadas sem planejamento, favorecendo o desenvolvimento de problemas socioeconômicos que 
permanecem até os dias de hoje, tanto nas áreas de periferia quanto nos centros das cidades, como a 
favelização,11 a hipertrofi a do setor terciário,12 a falta de infraestrutura, a poluição das águas, do ar e dos 
solos e a falta de uma rede de transportes que atenda a população (GOITIA, 1977). Para Goitia (1977, 
p. 21, tradução nossa), “os organismos ofi ciais, planifi cadores e urbanistas são lentos nas previsões e 
ainda mais nas realizações.” Nesse sentido, argumenta que o crescimento das cidades foge do controle 
técnico e tampouco é pausado ou organizado pela via natural (GOITIA, 1977).
6 Legislação sobre as condições sanitárias da Inglaterra, estabeleceu um conselho de Saúde Geral para lidar com o abastecimento de 
água, sistema de esgoto, qualidade de alimentos, remoção de lixo e outras medidas sanitárias. Um marco na história da saúde pública e 
o “início de um compromisso de uma saúde pública proativa, em vez de reativa” (FEE; BROWN, 2005, p. 867).
7 Prefeito do antigo departamento do Sena (que incluía os atuais departamentos de Paris, Hauts-de-Seine, Seine-Saint-Denis e Val-de-
Marne) entre 1853 e 1870 (ABIKO; ALMEIDA; BARREIROS, 1995).
8 Expressão utilizada para descrever a explosão demográ� ca devido ao aumento global na taxa de natalidade que ocorreu entre 1946 e 
1964 (BOTELHO et al., 2018).
9 Crise que se iniciou na década de 1970, devido a descoberta de que o petróleo seria um recurso não renovável e devido a diversos 
con� itos regionais, marcada por altas variações no preço do produto (MELO, 2008).
10 Sistema monetário em que o valor da moeda nacional é de� nido, legalmente, como uma quantidade � xa de ouro; ou moeda-ouro, 
como no caso do dólar-ouro (1944-1971) (PADRÃO-OURO..., 2021).
11 A favelização é o processo de surgimento e crescimento do número de favelas em uma dada cidade ou local (PEQUENO, 2008).
12 O setor terciário da economia é a área das atividades humanas pautada no oferecimento de serviços e na prática do comércio. A 
principal consequência da hipertro� a do setor terciário (termo utilizado para descrever o intenso crescimento do setor terciário) é o 
crescimento da atividade informal (sem vínculos registrados na carteira de trabalho ou documentação, assim, não sendo garantido 
benefícios como remuneração � xa e férias pagas) (SILVA, 2005).
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 2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
O desenvolvimento das cidades é um fenômeno de grande impacto social, ambiental e 
econômico. Geração de energia, transporte, gestão de resíduos, acessibilidade e segurança são algumas 
das questões envolvidas no planejamento do espaço urbano dada a necessidade de conciliar ambientes 
urbanos funcionais, sustentáveis e que atendam a população residente (WB, 2019b, 2020l). Nesta seção 
serão investigados alguns dos desafi os que acompanham os diferentes processos de crescimento e 
formação das cidades, tendo como foco a poluição do ar, a organização do espaço urbano e o acesso a 
tecnologias de informação e comunicação.
 2.1 POLUIÇÃO DO AR 
O processo de urbanização é um fenômeno caracterizado pela modifi cação do meio ambiente 
pela ação humana. A formação das cidades é caracterizada pela exploração e pela transformação de 
recursos naturais para o benefício dos seres humanos (ROLNIK, 1995). Uma característica das atividades 
urbanas é a emissão de partículas poluentes no ar, principalmente por meio de atividade industriais 
e de transporte (AKIMOTO, 2003; MAYER, 1999; NEIRA, 2018). Esse fenômeno foi intensifi cado a 
partir da Revolução Industrial, que marcou o crescimento do uso de combustíveis, da eletricidade e da 
mineração, alguns dos principais responsáveis pela poluição atmosférica (FALCON-RODRIGUEZ et 
al., 2016).
 A poluição atmosférica é caracterizada por uma mistura de componentes tóxicos encontrados 
no ar, denominada material particulado (MP).13 Esses componentes podem ser gasosos, sólidos, 
orgânicos e biológicos. Entre os compostos do material particulado é possível destacar ozônio (O3),
14
dióxido de nitrogênio (NO2)
15 e dióxido de enxofre (SO2)
16 (COHEN et al., 2004; FALCON-RODRIGUEZ 
et al., 2016). Essas partículas poluentes podem ser emitidas por fontes naturais — erupções vulcânicas, 
poeira e alguns tipos de incêndios — ou pela ação do homem, tais como as mencionadas atividades 
industriais, geração de energia, veículos motores e sistemas de aquecimento de ambientes internos
(FALCON-RODRIGUEZ et al., 2016; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021b).
 Em 2018, mais de 90% da população mundial estava exposta a ar com alto nível de poluição 
(INSTITUTE FOR HEALTH METRICS AND EVALUATION, 2020). De acordo com a Organização 
Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar interno e externo é responsável pela morte de mais de quatro 
milhões de pessoas todos os anos (WHO, 2021a). A maior parte desses óbitos ocorre em países em 
desenvolvimento, nos quais a industrialização e o crescimento das cidades têm acontecido de forma 
acelerada, o que, muitas vezes, difi culta o planejamento urbano necessário (HENDERSON, 2002). 
Essas fatalidades decorrem dos efeitos da inalação das partículas poluentes no organismo humano. 
Entre as consequências, destacam-se as doenças pulmonares e cardíacas, nascimentos prematuros e 
outras doenças crônicas que atingem principalmente crianças, idosos e mulheres (CHRISCADEN; 
OSSEIRAN, 2016; IHME, 2018; MANNUCCI et al., 2015; PIRLEA; HUANG, 2019).
 Além das consequências para o organismo humano, a poluição atmosférica também afeta 
o clima, a geração de energia renovável, a produção de alimentos e o meio ambiente (AKIMOTO, 
2003; MORAKINYO et al., 2016; SEDDON; CONTRERAS; ELLIOT, 2019; WHO, 2021b). As partículas 
poluentes possuem diferentes tamanhos e formas. Essas características podem afetar inclusive a 
intensidade da radiação solar na Terra, o que tem impactos diretos no ciclo de chuvas, na produção 
de alimentos e na geração de energia solar. Além disso, alguns dos poluentes que compõem o material 
particulado também são responsáveis pelas mudanças climáticas, tais como o ozônio, o metano e o 
carbono (SEDDON; CONTRERAS; ELLIOT, 2019).
 A poluição atmosférica não fi ca circunscrita ao ambiente próximo à fonte emissora, podendo 
viajar longas distâncias em poucos dias a depender da composição química das partículas e das 
13 O material particulado não é visível a olho nu. Seu tamanho pode variar entre 10 micrômetros (MP10 - grossa) a 2,5 micrômetros (MP 
2.5 - � na) e menores que 1 micrômetro (MP1.0 - ultra � na). Quanto menor a partícula, maior é a capacidade dessa entrar no organismo 
humano e causar danos à saúde (UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2020; YIN; HARRISON, 2008).
14 Ozônio é um poluente secundário produzido pela oxidação de monóxido de carbono (CO), metano e outros compostos voláteis 
(WHO, 2021b).
15 O dióxido de nitrogênio é um composto químico emitido por fontes de geração de energia, indústrias e transporte(WHO, 2021b).
16 O dióxido de enxofre é um composto químico emitido na queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. Também é o 
principal componente das chuvas ácidas (WHO, 2021b).
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condições ambientais (AKIMOTO, 2003; WHO, 2021b). Isso permite com que as partículas poluentes 
produzidas em países com um elevado número de indústrias seja transportada para países e/ou lugares 
que com menos fontes poluentes. Essa característica faz com que a população de todo o globo fi que 
vulnerável a variáveis níveis de poluição atmosférica (AKIMOTO, 2003).
 É importante destacar que nos países industrializados, o processo de urbanização foi mais 
lento do que está sendo nos países em desenvolvimento hoje em dia. Isso possibilita a esses países 
o planejamento urbano em diferentes áreas e maiores condições e mecanismos para mitigar as 
consequências da poluição do ar. O processo acelerado de urbanização nos países em desenvolvimento 
faz com que o planejamento precise ser feito de forma mais rápida e efi ciente (HENDERSON, 2002). 
Além do desafi o do planejamento urbano, os países em desenvolvimento lidam com as maiores 
concentrações de MP2.5 e, consequentemente, com seus efeitos (WB, 2021i).
Figura 1 - Poluição Atmosférica Mundial
Fonte: WORLD AIR QUALITY INDEX, 2021.
 Tendo em vista as características da poluição do ar para a saúde humana e para o meio ambiente 
em diferentes regiões do globo, busca-se formas de mitigar as consequências desse fenômeno e formas 
alternativas às fontes emissoras desses poluentes (AKIMOTO, 2003; COHEN et al., 2004). As principais 
medidas que podem ser tomadas nos espaços urbanos dizem respeito ao incentivo da utilização de 
meios de transporte coletivo e a construção de ciclovias, substituição de fontes de geração de energias 
tradicionais por fontes de energia sustentáveis, habitação com efi ciência energética, uso de tecnologias 
limpas nas indústrias, melhor gestão de resíduos e incentivo às cidades verdes, sendo importante 
adaptar cada medida à realidade local das cidades (NEIRA, 2018; WHO, 2018).
2.2 ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO
 As cidades surgiram como uma nova forma de organizar os seres humanos e suas formas de produção 
e vivência. Levando tal tema para contemporaneidade, têm-se um espaço urbano nos moldes capitalistas de 
produção, criando-se assim uma forma geral de tal modelo organizacional, geralmente conforme padrões 
norte-americanos e europeus. Sendo assim, o espaço urbano se tornou uma das principais exemplifi cações 
do sistema atual, seja no contexto social, político ou econômico (NILSSON, 2015). O espaço urbano se tornou 
presente na vida da maioria da população global atualmente, já que em grande parte ele se faz necessário 
para a sobrevivência das comunidades. Dessa forma, esse espaço se desenvolveu adquirindo certas formas 
e organizações semelhantes pelo mundo todo, as quais serão apresentadas nesse segmento, junto com uma 
apresentação geral das problemáticas que as acompanham (WB, 2020p).
 Primeiramente, ao caracterizar a organização do espaço urbano, tem-se que ter em conta o seu 
núcleo e a periferia, sendo essas as características mais importantes na organização do espaço urbano. O 
núcleo/centro é caracterizado por abranger a parte principal da economia e da política do espaço, sendo 
assim um lugar onde as decisões são tomadas e defi nidor das relações da cidade e/ou estados como um 
todo. O centro é defi nido como sendo comumente um espaço de construções verticais, no qual o objetivo é 
unir o setor terciário, escritórios, espaços administrativos e órgãos governamentais, longe de construções 
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horizontais, como casas ou pequenas indústrias. Em seguida, há a zona periférica do centro, que funciona 
como uma extensão do centro, ou seja, é onde funcionam atividades ligadas ao centro, como comércios, 
armazéns e zonas residenciais. Indo além desse centro, encontra-se a periferia, área que concentra em sua 
grande maioria habitações, assim como pequenos comércios (CORRÊA, 1989).
 Saindo então desse círculo central e indo em direção à periferia, tem-se que pontuar as áreas 
de habitação no espaço urbano, e nesse tópico a segregação social é destacada, expondo algumas 
problemáticas da organização espacial. Primeiramente tem-se os bairros, os quais se apresentam de 
forma organizada, onde a propriedade privada é bastante comum e organiza esses locais (CARLOS, 
2007; CORRÊA, 1989). Continuando a análise desse espaço, chega-se de fato nas periferias, as quais 
vem desde 1980 tendo um aumento do seu uso pela população, já que com a intensifi cação de políticas 
neoliberais17 e o impulsionamento do mercado no espaço urbano, criou-se uma crise na organização 
urbana e na distribuição de renda e moradia, criando zonas de habitações irregulares. Com isso se 
intensifi cou o surgimento de favelas e zonas de habitação, com uma infraestrutura frágil, como esgotos 
a céu aberto, difícil acesso de transportes públicos ou organização precária de loteamentos e vias de 
acesso (GONÇALVES; ROTHFUSS; MORATO, 2012). Sendo assim, políticas que priorizem a geração 
de lucro e acumulação de capital, acabam por relegar as necessidades de uma moradia ou um espaço 
coletivo e estruturado para vivência dos indivíduos. Por isso, conclui-se que é impossível entender 
a organização do espaço urbano sem entender o sistema econômico no qual vive-se e suas políticas
(CARLOS, 2015).
 Portanto, é importante defi nir quais são as forças que atuam e moldam o espaço urbano. Sendo 
assim, o espaço urbano se transforma em um meio ao desenvolvimento do capitalismo, como disse Ana 
Fani Alessandri Carlos (2015), cria-se uma ordem que torna a dominação do espaço urbano por aqueles 
que têm em mãos os recursos e meios para tal — dinheiro, propriedades, empresas, etc. — como algo 
naturalizado. Seguindo essa lógica, é observado que o espaço urbano se torna uma ferramenta para a 
acumulação (ou multiplicação) do capital, principalmente sua parte central. Dessa forma, acaba sendo 
criada uma hierarquia no espaço urbano que está diretamente ligada às classes sociais, o que acaba 
por explicar a segregação social exposta acima. Atenta-se, porém, ao fato de que nas últimas décadas 
foram desenvolvidas áreas de moradia para a classe média em longas distâncias além do centro, como 
o subúrbio, mas que não diminuem a concentração da periferia. Sendo assim, o espaço é dominado por 
aqueles que têm o capital, os quais o utilizam para dominar o espaço urbano. Consequentemente, isso
deixa as camadas sociais mais vulneráveis nas periferias, o que acaba por gerar a organização que é 
vista deste último (CARLOS, 2015; GONÇALVES; ROTHFUSS; MORATO, 2012).
 Isto posto, é possível observar que o espaço urbano atualmente apresenta diversas problemáticas, 
a principal delas evidenciando a desigualdade social existente nos grandes centros. O Relatório Social 
Mundial de 2020 da ONU evidencia essa disparidade social existente no mundo e destaca como a 
urbanização ainda concentra em si altos níveis de desigualdade, infl uenciando na marginalização e 
exclusão de classes vulneráveis (UNITED NATIONS DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL 
AFFAIRS, 2018). É um espaço caracterizado pelas diferenças de habitação e infraestruturas, onde 
o desenvolvimento desenfreado ajuda a acentuá-las, são problemas que afetam serviços públicos 
essenciais, como transporte, segurança, educação, etc. (CARLOS, 2015; GONCALVES; ROTHFUSS;
MORATO, 2012).
 O Banco Mundial tem diversos projetos que buscam remediar essas divergências sociais, 
tendo como um dos seus principais objetivos o de exterminar a pobreza e promover a prosperidade 
compartilhada, tendo como foco aumentar a inclusão dos 40% mais pobres do mundo. Com isso, 
fi ca claro que estas políticas do BM afetam o desenvolvimento do espaço urbano, como evidenciado 
pelos diversosprojetos promovidos por ele em diversas regiões do mundo, como os de construções 
habitacionais na Ásia, na África e em outras regiões18 (WB, 2021j). Por fi m, nota-se que existem diversos 
fatores que infl uenciam na organização do espaço urbano, as quais podem evidenciar as problemáticas 
em seu cerne, e para entendê-las e remediá-las é preciso levar em conta diversos fatores históricos, 
econômicos e/ou políticos (CARLOS, 2007).
17 Segundo a autora Cristina Pecequilo (2010), o neoliberalismo surge em meados da década de 1960, no contexto pós-Segunda Guerra 
Mundial, e tem como base a intervenção mínima do Estado no setor econômico. Desse modo, ele retoma antigas ideias liberais que 
defendem um mercado auto-regulador. Sendo assim, tais políticas visam o crescimento do mercado e o seu fortalecimento em relação 
ao Estado, tendo autonomia.
18 Só no Brasil o Banco Mundial atuou e ainda atua em diversos projetos, como o de criação de habitações na região metropolitana da 
cidade do Rio de Janeiro em 2005, o programa de transportes com foco na integração intermunicipal do Rio Grande do Sul em 2008, o 
de melhorar as condições de vida urbana para classes mais pobres no Amazonas em 2020 e diversos outros (WB, 2021j).
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2.3 ACESSO À ENERGIA E À TECNOLOGIA
O crescimento contínuo da população urbana traz consigo demandas cada vez maiores do setor 
energético que abastece as cidades. Atualmente, o uso energético dos ambientes urbanos já soma mais 
de 75% da energia consumida no mundo, com expectativas de que esse número aumente cada vez mais, 
tendo em vista que toda a expansão populacional dos próximos anos deverá ser basicamente urbana 
(GRUBLER et al., 2012). Além do aumento do consumo energético, a alta densidade populacional das 
cidades também infl uencia negativamente para a maior marginalização das populações periféricas, que 
não conseguem usufruir das oportunidades e dos serviços que as cidades oferecem. Considerando esses 
dois pontos, serão debatidas as razões e os impactos dessa realidade, além de possíveis medidas para 
atenuar esses problemas (BOWORA; CHAZOVACHII, 2010).
 A energia utilizada em uma cidade não se limita apenas a energia elétrica, abrangendo também 
os combustíveis utilizados para a geração de energia, como subprodutos do petróleo, carvão ou madeira. 
Dentre as áreas que a energia é utilizada, destacam-se: o ambiente doméstico, principalmente em 
questões como aquecimento, preparo de alimentos e iluminação; a indústria, com a energia empregada 
na produção e transformação de matéria-prima em bens; e os meios de transporte motorizados, públicos 
ou privados. Em cada um desses ambientes o tipo de energia disponível é de extrema importância para 
determinar os impactos na qualidade de vida urbana. Nos lares, a falta de energia elétrica determina que 
sejam utilizadas alternativas menos seguras para a iluminação, como por exemplo velas ou lampiões. 
Na indústria, a qualidade da rede de distribuição infl uencia no desperdício energético. Nos transportes, 
a distância entre as regiões periféricas e os centros urbanos, zona de concentração de empregos, aliada 
à queima de combustíveis, é responsável por uma parcela signifi cativa da poluição atmosférica nas 
cidades (GRUBLER et al., 2012).
 Desse modo, evidencia-se que a energia, sua produção e o seu uso, é um fator que modifi ca a 
vida urbana e, portanto, se constitui como uma preocupação no planejamento urbano. Das formas de 
conseguir maior volume de energia útil para as cidades, a busca por uma produção própria se mostra 
incapaz de suprir o consumo, sendo necessário que essa energia seja importada de outras regiões. 
Assim sendo, as soluções devem partir do aumento da efi ciência da estrutura energética, promovendo 
ações como o reaproveitamento da energia através do calor gerado pelas máquinas nas indústrias 
ou um planejamento urbano que facilite o deslocamento das pessoas para as várias áreas da cidade 
(GRUBLER et al., 2012).
 Além das mudanças físicas nas cidades, o uso e o desenvolvimento de Tecnologias da Informação 
e Comunicação (TICs) podem contribuir para uma melhor utilização da energia disponível nas cidades, 
principalmente na questão dos transportes. Ademais, as TICs também servem para proporcionar 
melhores condições e oportunidades para os cidadãos de baixa renda, muitas vezes vivendo em regiões 
mais afastadas do núcleo urbano (BOWORA; CHAZOVACHII, 2010).
 Dentre as funcionalidades que as TICs podem assumir, as mais interessantes para o 
desenvolvimento urbano são as ligadas à criação de oportunidades para os indivíduos social e 
geografi camente excluídos, moradores da periferia e de baixa renda. Para estes, elas podem servir de 
instrumento de acesso a mercados, a serviços de saúde, a microcrédito,19 a serviços governamentais, 
oportunidades de emprego, à educação e possibilitam a propaganda de suas atividades no setor informal. 
Dessa maneira, as TICs se apresentam como uma interessante alternativa para uma maior coesão social 
nas cidades, desde que se consiga torná-las acessíveis e compreensíveis para as populações mais pobres 
(BOWORA; CHAZOVACHII, 2010).
3 AÇÕES INTERNACIONAIS PRÉVIAS
O Banco Mundial tem um histórico extenso, desde sua criação na metade do século XX como 
uma agência autônoma do sistema da Organização das Nações Unidas, de fi nanciamento de projetos 
voltados ao desenvolvimento. Nesta seção será exposta uma amostra dos projetos prévios da instituição 
relacionados a tecnologia e infraestrutura urbana, com objetivo de auxiliar no entendimento do papel 
que ela exerce.
19 De� ne-se como: “Microcrédito é a concessão de empréstimos de baixo valor a pequenos empreendedores informais e microempresas 
sem acesso ao sistema � nanceiro tradicional, principalmente por não terem como oferecer garantias reais. É um crédito destinado à 
produção (capital de giro e investimento) e é concedido com o uso de metodologia especí� ca.” (BARONE et al., 2002, p. 11).
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3.1 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA 
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ODS-ONU)
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS-ONU) 
são 17 objetivos20 a serem alcançados a nível global até o ano de 2030. Conhecida como Agenda 2030, 
esses objetivos foram formulados comumente pelos membros da Assembleia Geral das Nações Unidas 
(AGNU) e pela comunidade civil global. Cada tópico se subdivide em outros objetivos subjacentes, 
totalizando 169 metas (ESTRATÉGIA ODS, 2021).
 Em particular, ao analisar a Agenda 2030 defi nida pela ONU, percebe-se que a temática do 
desenvolvimento urbano permeia diversos Objetivos. Isso ocorre não apenas de forma direta, como o 
objetivo das “cidades e comunidades sustentáveis”, mas também de forma indireta, como “redução de 
desigualdades e ação para mudança global do clima”, tendo em vista que os espaços urbanos concentram 
a maioria da população mundial e da produção industrial responsável pelos impactos ambientais 
negativos (RODRIGUES, 2019).
 O Banco Mundial opera de forma orientada com os ODS-ONU. Como destaca Bruno Rodrigues 
(2019), os bancos de desenvolvimento, como o BM, possuem capacidade de articulação junto aos setores 
público e privado, além de capacidade técnica e neutralidade, o que confere a essas instituições um 
papel-chave na articulação de projetos que efetuem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ou 
seja, a ação do Banco Mundial aumenta a viabilidade de concretização desses ODS. Em maio de 2019, 
o Banco Mundial lançou uma ação para captação de recursos para um fundo mundial direcionado 
para a concretização dos ODS, arrecadando 1,5 bilhão de euros (INTERNATIONAL INSTITUTE FOR 
SUSTAINABLE DEVELOPMENT, 2019).
3.2 CLEAN AIR INITIATIVE
Dentre as ações do Banco Mundial orientadas com os ODS e o desenvolvimento sustentável 
urbano está a Clean AirInitiative (CAI, na sigla em inglês), um projeto focado na melhora da qualidade 
do ar nos grandes centros urbanos mundiais. A CAI possui cidades-membros na Ásia, na América 
Latina e na África Subsaariana, onde os “braços” da organização recebem fi nanciamento organizado 
pelo Banco Mundial advindo de diversos acionistas, para dessa forma concretizar ações, estudos e 
parcerias internacionais a fi m de melhorar a qualidade do ar (CLEAN AIR INITIATIVE, 2021). A Clean 
Air surgiu para lidar com a externalidade da crescente urbanização que essas regiões do globo têm 
experienciado nas últimas décadas (CAI, 2021).
 O Banco Mundial reconhece a poluição do ar como uma problemática de caráter social, 
ambiental e de saúde pública. Os principais objetivos da CAI são: aumentar a conscientização sobre 
os perigos da poluição do ar urbano e sua relação com os veículos e combustíveis; medir emissões de 
veículos de linha de base, qualidade do ar, exposição à poluição e efeitos da poluição; identifi car as 
medidas mais econômicas visando mudanças em veículos, combustíveis e gerenciamento de tráfego; 
projetar, implementar e monitorar os impactos dos Planos de Ação da Qualidade do Ar para reduzir 
a poluição, incluindo metas claras, mensuráveis e exequíveis para a redução de poluentes; e fortalecer 
os conhecimentos locais sobre poluição do ar e desempenho de veículos e combustíveis. A Clean Air 
Initiative foi moldada a partir da estratégia de desenvolvimento urbano do Banco Mundial e trabalha 
tanto com governos nacionais quanto locais para atingir seus objetivos. Isso faz com que a iniciativa 
represente uma forte possibilidade de fi nanciamento para projetos (CAI, 2021).
3.3 PROGRAMA II DE DESENVOLVIMENTO MUNICIPAL DE 
MAPUTO
Dentre os projetos fi nanciados pelo Banco Mundial na área de desenvolvimento urbano, há o caso 
de Maputo, capital de Moçambique, que aprovou um suporte fi nanceiro de 105 milhões de dólares para a 
realização de um projeto amplo de desenvolvimento municipal. O programa de apoio fi nanceiro durou de 
20 De acordo com a Organização das Nações Unidas, esses objetivos são: i) Erradicação da pobreza; ii) Fome zero e agricultura 
sustentável ii) Saúde e bem-estar; iv) Educação de qualidade,; v) Igualdade de gênero; vi) Água limpa e saneamento; vii) Energia limpa 
e acessível; viii) Trabalho decente e crescimento econômico; ix) Inovação infraestrutura; x) Redução das desigualdades; xi) Cidades e 
comunidades sustentáveis; xii) Consumo e produção responsáveis; xiii) Ação contra a mudança global do clima; xiv) Vida na água; xv) 
Vida terrestre; xvi) Paz, justiça e instituições e� cazes; e xvii) Parcerias e meios de implementação (Estratégia ODS, 2021).
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2011 até 2017 e foi direcionado para a ampliação da cobertura e da qualidade dos serviços municipais de 
Maputo proporcionados aos cidadãos. O plano de ação do programa focava na fortifi cação institucional 
e orçamentária, para melhorar o sistema administrativo da cidade, desenvolvimento da infraestrutura 
urbana com ênfase no sistema de transporte de Maputo e para prevenção de enchentes (WB, 2017b).
 O projeto foi dividido inicialmente em cinco pontos principais: (i) Desenvolvimento 
institucional a fi m de ampliar a cobertura de serviços municipais; (ii) Garantir a sustentabilidade 
fi nanceira do governo de Maputo, buscando aumentar as receitas do município e diminuir seus gastos; 
(iii) Desenvolvimento de planejamento urbano a fi m de garantir administração justa e sustentável da 
terra; (iv) Manutenção e investimento na infraestrutura urbana com ênfase no transporte público 
essencial; e (v) melhoramento dos serviços municipais no tocante ao processamento do esgoto sólido 
e transporte. Ao fi nal do projeto, a instituição registrou como satisfatório o desempenho do programa 
e seu risco geral como moderado (WB, 2017b).
3.4 EXPANSÃO DE APLICATIVOS MÓVEIS NA ÁSIA POR MEIO 
DE REDES SOCIAIS — VIETNÃ
O projeto da expansão de aplicativos móveis no Vietnã é um exemplo de ação do Banco Mundial 
que busca o aumento do acesso à tecnologia em regiões periféricas do globo. Neste caso, a InfoDev, 
instituição subordinada ao Banco Mundial que incentiva o empreendedorismo e a inovação no mundo 
(INFODEV, 2021), realizou uma parceria com o governo do Vietnã e a empresa fi nlandesa Nokia a fi m 
de ampliar o acesso a aplicativos de celular na Ásia, em particular no Vietnã. O objetivo principal foi
incentivar a formação de empreendedores locais na área de aplicativos móveis, através da experiência 
de ambas empresas na área de tecnologia da informação e comunicação. A parceria com o Banco 
Mundial e o governo vietnamita durou de 2011 até 2013 (WB, 2016a).
 O projeto consistia na organização de eventos voltados a tecnologia da informação localmente a fi m 
de atrair investidores e companhias da área. Ao total, o país obteve um fi nanciamento de 40 mil dólares para 
custear os eventos. Os relatórios do Banco não deixam claro o sucesso da empreitada (WB, 2016a).
4 BLOCOS DE POSICIONAMENTO
A República da África do Sul tem apresentado avanços no setor da urbanização desde o 
fi nal do século XX. Atualmente, a taxa de urbanização está acima da média africana, beirando os 67% 
(PLECHER, 2020k). Porém, a partir da última década seu crescimento tem passado por difi culdades 
que afetam o desenvolvimento socioeconômico, como a alta taxa de desigualdade socioeconômica
(WB, 2021k). A África do Sul busca dentro do BM, por meio de projetos e fi nanciamentos, garantir seu 
desenvolvimento em diversas áreas, com foco em infraestrutura, agricultura, energia e outros. Portanto, 
o país tem contado com a ajuda do Banco para superar tais problemas e garantir uma estabilização de 
sua política interna (WB, 2021k). Apesar de ter uma taxa de votos no Banco Mundial baixa de modo 
geral, ainda é elevada em relação às representações africanas, sendo de 0,76% no Banco Internacional 
para Reconstrução e Desenvolvimento (IBRD, na sigla em inglês) (WB, 2021d).
 A República Federal da Alemanha, além de ser a quarta maior contribuinte ao Banco Mundial, 
tem como prioridade o desenvolvimento de políticas globais multilaterais e de práticas de desenvolvimento 
sustentável (WB, 2021b). Desse modo, o Estado demonstra se importar com o desenvolvimento urbano, 
vide a taxa de 77,38% de urbanização, além de fomentar políticas de desenvolvimento urbano internacional, 
como em países africanos, como na Namíbia e no Congo. Sendo assim, o país busca fomentar debates que 
busquem organizar o espaço urbano de forma mais sustentável, fazendo assim uso da sua porcentagem de 
4,26% dos votos no IBRD (PLECHER, 2020d; WB, 2021d).
 O Reino da Arábia Saudita é um parceiro importante do Banco Mundial, tendo infl uência 
também na Associação Internacional do Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês). O país é bastante 
urbanizado e a energia utilizada no país é, majoritariamente, advinda da queima de combustíveis fósseis. 
A intensidade energética21 do país é extremamente elevada, o que o torna um grande emissor de gases 
poluentes, situação que pede medidas como novas fontes energéticas ou ações que freiem a urbanização 
21 A intensidade energética de uma economia consiste na razão entre o consumo interno de energia e o seu Produto Interno Bruto 
(PIB). Historicamente, o crescimento económico implica um aumento do consumo de energia, elevando as pressões sobre o ambiente 
(PORTUGAL, 2019).
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(BELLOUMI; ALSHEHRY, 2016). O BM oferece assistência ao projeto saudita Saudi Vision 2030, sendo 
o foco deste projeto diminuir a dependência do país ao petróleo, aumentar os investimentos em energia 
limpa e a transformação das cidades em ambientes mais inclusivos e planejados (WB, 2019a).
 A República Argentina possui uma das maiores economias da América Latina, porém a 
inconstância dessa, alternando entre fases de crescimentoe de recessão, afeta negativamente a 
população urbana do país. A pobreza urbana alcança cerca de 40,9% dos cidadãos, enquanto 10,5% 
vivem em pobreza extrema. Quando analisadas apenas a situação das crianças, os índices apontam 
mais de 56% delas vivendo em condição de pobreza (WB, 2020a). O enfoque dado para os projetos 
desenvolvidos com o Banco Mundial é o de melhorar as condições sociais nas cidades, proporcionando 
moradias, acesso a serviços básicos e melhorias na infraestrutura urbana (WB, 2021g).
 A Comunidade da Austrália é um dos países mais urbanizados do mundo, com mais de 90% 
da sua população concentrada em cidades (WYETH, 2017). O país apresenta uma alta tendência de 
crescimento, que é acompanhada por desafi os relacionados ao acesso a moradia acessível, empregos 
e serviços (CRESSWELL; MURPHY, 2016; FROST; O’HANLON, 2009; MCGUIRK; ARGENT, 2011). 
A Austrália tem 1,36% do poder de votos no Banco e participa de projetos que envolvam soluções 
sustentáveis, tendo em vista a importância que o país dá a mecanismos que aliem o desenvolvimento à 
conservação da biodiversidade (CRESSWELL; MURPHY, 2016; WB, 2021d).
 A República Federativa do Brasil possui 87% da sua população vivendo em cidades, sendo essa 
a maior taxa de urbanização encontrada em países de dimensões continentais (WB, 2018c). Os projetos 
brasileiros em conjunto com o Banco Mundial buscam mitigar a pobreza urbana, a desigualdade e os 
danos causados por eventos climáticos. Para isso, há o fomento de cidades mais inclusivas, resilientes 
e sustentáveis. Assim, foram estabelecidas tanto parcerias diretas do BM com governos municipais 
brasileiros quanto ações mais gerais, como a linha de crédito do BM junto ao Banco Regional de 
Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), para cidades que busquem um maior preparo contra as 
adversidades climáticas (WB, 2020b).
 O Reino da Bélgica é o país mais urbanizado da Europa, com 98% de sua população residindo 
em ambientes urbanos em 2019 (PLECHER, 2020a). O processo de urbanização foi marcado pela rápida 
transição rural-urbana acompanhada por desafi os que permanecem até hoje, tais como a construção 
de residências econômica e fi sicamente acessíveis, infraestrutura, e do desenvolvimento econômico 
(HAMDI et al., 2009; URBACT, 2021a). No processo de decisão acerca dos projetos desenvolvidos no 
Banco, o país apresenta 1,52% do poder do voto no Banco (WB, 2021d).
 Apesar de ser a segunda maior economia do mundo, a República Popular da China precisa 
do apoio do Banco Mundial para superar problemas estruturais e econômicos, como a organização 
do espaço urbano e sua aliança com a área rural, a qual demonstra a desigualdade ainda vigente no 
país (WB, 2021a). Desde a abertura econômica o país tem mostrado avanços, porém ainda enfrenta 
certos desafi os, como a taxa de urbanização relativamente baixa ao ser comparada com outras grandes 
potências (WB, 2021a; PLECHER, 2020b). Atualmente a China usufrui de um papel importante dentro 
do IBRD, com uma porcentagem de 5,07% dos votos do Banco. Sendo assim, o país usa de sua posição 
para novos avanços, e por meio de fi nanciamentos foca em projetos que busquem seu desenvolvimento 
econômico, como a diminuição da disparidade social por meio da criação de empregos (WB, 2021d).
 A República da Colômbia é um país com alto nível de urbanização (WB, 2018c). Questões como 
a pobreza, diminuída pela metade nos últimos 10 anos devido a uma gestão macroeconômica e fi scal 
efi cientes, (WB, 2020c) estão sendo resolvidas de maneira bastante satisfatória no país. Mesmo assim,
ainda é necessário aprimorar a acessibilidade às cidades para grupos marginalizados, problemática 
que agrava a exclusão social, relega esses grupos à pobreza e à omissão das oportunidades presentes 
no centro urbano (HERNANDEZ; DÁVILA, 2016). O BM faz parceria com a Colômbia, através do 
programa Colombia Country Partnership Framework (CPF-FY16-21), incentivando o desenvolvimento 
territorial equilibrado e a inclusão social (WB, 2020c).
 Os Estados Unidos da América são o maior acionista do Banco Mundial, com 16,79% dos 
votos, sendo a sua colaboração de extrema importância para a elaboração dos projetos da entidade 
(WB, 2020q). O país atua como fi nanciador do Banco Mundial e não recebe empréstimos da instituição, 
concentrando-se em aumentar o alcance global do Banco e em favorecer a infl uência nas diretrizes do 
desenvolvimento global. Os EUA são responsáveis por diversos fundos de assistência e fi nanciamento, 
promovendo o desenvolvimento urbano organizado, a expansão da produção energética, a adoção de 
tecnologias limpas, o combate à pobreza e à corrupção, entre outros (WB, 2020q). No nível doméstico, 
os EUA vivenciaram ultimamente a eclosão dos protestos Black Lives Matter (MAGENTA; BARRUCHO, 
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2020), que surgiram como resposta à intensa desigualdade social e racial do país. Essa desigualdade 
refl ete também na esfera habitacional, uma vez que o número de pessoas em situação de rua cresce 
a níveis alarmantes, impulsionado pelo processo de aumento do custo de vida nos grandes centros 
urbanos e pela intensa gentrifi cação (AUMENTO..., 2018).
 A República Francesa tem uma posição privilegiada no debate de desenvolvimento sustentável, 
uma vez que tem 3,79% dos votos no IBRD e usa isso como forma de chamar atenção a seus interesses, 
formando coalizões multilaterais, incentivando políticas e tornando o assunto mais comentado 
(FRANCE DIPLOMACY, 2018; WB, 2020f, 2021d). O país tem uma alta taxa de urbanização, em 
2019 chegando em 80,71%. Portanto, isso faz o país compreender o quão importante são as medidas 
sustentáveis, levando em conta o cenário global atual (PLECHER, 2020c). Atualmente o país enfrenta 
problemas relacionados com a migração e pessoas procurando asilo, sendo assim, o BM atua dentro do 
país como um agente de colaboração, procurando soluções e parcerias benéfi cas para a estabilização 
das crises atuais (WB, 2020f). Além disso, o país tem uma posição importante no Banco, tendo 3,79% 
dos votos no IBRD, o que ajuda em seus interesses e em formar coalizões multilaterais (WB, 2021d).
 A República da Índia tem a segunda maior população do mundo e como esperado acompanha 
problemas proporcionais, apesar de registrar a redução da pobreza desde o início do século (WB, 2020g). 
No que tange à questão de desenvolvimento urbano, sofre com grandes difi culdades, com uma baixa taxa 
de urbanização, sendo muito menor que de países com a mesma escala econômica (PLECHER, 2020e; 
WB, 2020g). No que diz respeito ao papel da Índia dentro do Banco Mundial, ela representa 2,96% dos 
votos do IBDR, na qual aplica em projetos que buscam o crescimento econômico, como o fi nanciamento 
de infraestruturas e o aumento da ligação entre as áreas rural e urbana (WB, 2018a, 2021d).
 A República da Indonésia atualmente é a maior economia do sudeste asiático, porém ainda 
apresenta problemas estruturais, como a desigualdade social e a instabilidade econômica, vista na 
falta de emprego, juntamente à baixa taxa de urbanização, de 56%, acaba por fomentar tais problemas 
(PLECHER, 2020f; WB, 2020h). No âmbito do Banco Mundial, tem desenvolvido parcerias que visam 
remediar tais problemas e impulsionar o crescimento em diversas áreas, como econômica e de 
infraestrutura, destacando-se o seu plano de parceria de cinco anos (2021-2025), que tem como objetivo 
acabar com a pobreza extrema e aumentar a igualdade social (WB, 2021f). Apesar de não ter um peso 
grande em relação aos votos, — somente 0,96% no IBDR — considera muito importante a participação 
no Banco Mundial, para construir políticas de desenvolvimento que visem o crescimento econômico e 
estabilização política (WB, 2021d).
 A República Italiana é caracterizada pelo conjunto de várias áreas metropolitanas marcadas pela 
diversidade, seja territorial, demográfi ca ou social (URBACT, 2021b). As cidades italianas concentram 
cerca de 70%da população nacional e ainda apresentam alguns desafi os relacionados ao acesso à 
moradia, a problemas de locomoção de meios de transporte e a desigualdade social (ACCETTURO 
et al., 2019; PLECHER, 2020g). Ademais, a Itália tem 2,55% dos votos no IBDR, sendo relativamente 
infl uente no processo de decisão de aprovação dos projetos. Nesse sentido, o país defende a promoção 
de soluções sustentáveis para os desafi os do planejamento urbano retratados neste guia (WB, 2021d).
 Sendo a segunda maior fonte de capital para o Banco Mundial, o Estado do Japão é um dos 
países mais urbanizados do mundo, chegando a uma taxa de 91,7%, o que faz dele uma potência tanto 
na Ásia quanto mundialmente (CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY, 2020; PLECHER, 2020h).
Atualmente, o país dentro do BM tem como papel e objetivo o de auxílio a países em desenvolvimento, 
como fi nanciamento de projetos de ajuda humanitária ou de crescimento econômico, como por 
exemplo dentro da iniciativa de bolsas escolares por meio do Instituto do Banco Mundial (WBI, na sigla 
em inglês) (WB, 2020i). Sendo assim, o país tem grande infl uência mundialmente no que diz respeito 
ao desenvolvimento, e também na infraestrutura urbana. Portanto, por meio dos seus altos 7,47% dos 
votos do IBRD ajuda a impulsionar tais políticas e infl uências internacionais (WB, 2021d).
 Os Estados Unidos Mexicanos têm a segunda maior área urbana da América Latina, com 80,44%,
apesar de ter demonstrado um aumento no desenvolvimento nas últimas décadas, ainda apresenta 
problemas como a desigualdade social e instabilidade políticas, o que contribui para problemas como 
a violência na área urbana (ADRIENNE ARSHT LATIN AMERICA CENTER, 2014; PLECHER, 2020i; 
WB, 2020k). O país tem atualmente a segunda maior porcentagem de votos da América Latina no IBRD, 
de 1,58%, e dentro do BM busca fomentar projetos de desenvolvimento social e políticos, visando 
à redução da pobreza, como por exemplo o programa de assistência social do governo do México, 
“Oportunidades”, o qual tem a assistência do BM (WB, 2020k, 2021d).
 A República de Moçambique é um país predominantemente rural, sendo sua produção voltada 
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para a subsistência (WB, 2021h). Esse tipo de organização torna a economia moçambicana bastante 
frágil, sendo a urbanização uma saída para a diminuição da pobreza e para o fortalecimento econômico, 
fato corroborado pelo resultado das reformas políticas e econômicas introduzidas na década de 1990, 
que promoveram o desenvolvimento urbano. Para conseguir modifi car a estrutura de sua sociedade, 
é necessário que Moçambique encontre formas de gerar empregos urbanos produtivos e melhore a 
interconexão entre as regiões urbana e rural. Nesse sentido, o Programa de Gestão e Manutenção de 
Estradas e Pontes (Ph-2 AF3), parceria do BM com Moçambique, já foi responsável pela reforma e 
construção de centenas de quilômetros de estradas, além de outras estruturas que dêem maior proteção 
essas conexões perante as adversidades climáticas, como as enchentes (WB, 2017c, 2018b).
 A República Federal da Nigéria possui mais de 40% de sua população abaixo da linha da pobreza, 
além de 25% em situação de vulnerabilidade, com previsão de crescimento desses índices (WB, 2020l). O 
desenvolvimento urbano se apresenta como uma forma de diminuir a pobreza, podendo ser alcançado 
por meio de investimentos na infraestrutura física e social, sendo os melhores resultados encontrados 
com investimentos na última (OGUN, 2010). O BM presta assistência para a Nigéria nesse sentido, 
desenvolvendo projetos como o Projeto Rede Nacional de Segurança e o Projeto de Desenvolvimento 
Comunitário e Social e Social, nos quais promove programas assistenciais para a população e o acesso 
dos cidadãos a escolas, hospitais e outros serviços públicos (WB, 2020l).
 A República Islâmica do Paquistão teve uma urbanização acelerada e pouco planejada. A 
partir disso, diversos problemas surgiram nas cidades paquistanesas, principalmente nas regiões 
mais pobres, como a falta de recursos, saneamento básico e o abastecimento de água (HAIDER, M.; 
HAIDER, I., 2006). A estratégia de investimentos do BM com o Paquistão para os anos de 2015 a 2020 
(CPS-FY2015-20) teve como foco a prosperidade compartilhada e a diminuição da pobreza. Para isso, os 
investimentos se concentraram na transformação do setor energético, afetado por apagões e problemas 
na estrutura de transmissão, na inclusão dos mais pobres e socialmente excluídos e na reestruturação 
das cidades e dos serviços oferecidos à população (WB, 2020m).
 O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte é um dos membros fundadores do Banco 
Mundial, e tem como objetivo dentro do Banco a redução da pobreza e a fomentação de projetos que 
busquem o crescimento econômico (WB, 2019c). Atualmente o Reino Unido representa 3,79% dos 
votos dentro do IBRD (WB, 2021d). O país busca dentro do Banco promover projetos que aumentem 
os recursos dentro de países vulneráveis, e promover alianças maiores com tais atores. Sendo assim, o 
Reino Unido entende que uma organização urbana mais sustentável tem grande importância em ajudar 
a desenvolver regiões mais vulneráveis do mundo e a reduzir a pobreza (PLECHER, 2020m; WB, 2019c).
 A República Democrática do Congo (RDC) passou, no último século, por um processo 
de urbanização acelerada, fruto da independência do país e que permitiu a migração interna, além 
da vinda de refugiados das zonas de confl ito próximas à RDC. Devido a falta de planejamento e à 
concentração de pessoas, as cidades sofrem atualmente com problemas ambientais, esgotamento das 
suas infraestruturas, como a falta de moradias, empregos e saneamento básico, e com o aprofundamento 
da desigualdade socioeconômica (ERIC; SHOUYU; QIN, 2010). O Banco Mundial fi nancia diversos 
projetos focados no planejamento urbano, na expansão da matriz energética do país e na melhoria 
do sistema educacional, sendo exemplos disso os projetos Eastern Recovery Project (STEP), Kinshasa 
Multisector Development and Resilience Project e o DR Congo Emergency Equity and System Strengthening in 
Education. Dessa maneira, a RDC e o BM buscam melhorar as condições das cidades, trazendo maior 
segurança, oportunidades e capacidade de acolhimento aos cidadãos urbanos (WB, 2020d, 2020e, 2020j).
 Após o genocídio e a guerra civil (1990-1994), a República de Ruanda tem utilizado a urbanização 
como ferramenta para a reconstrução do país, sendo os principais focos o desenvolvimento econômico 
e a redução da pobreza. O processo de urbanização em Ruanda tem acontecido de forma rápida, sendo 
necessário o desenvolvimento de leis, políticas e instituições de gestão urbana sustentável e inclusivas, 
voltadas para a criação de empregos e renda, acesso à educação, saúde e outros serviços essenciais. 
Esses aspectos têm sido pontuados em projetos desenvolvidos por meio do Banco em parceria com 
diferentes países (JAGANYI et al., 2018; WB, 2017d).
 A Federação Russa dentro do Banco Mundial tem como objetivos para o seu país promover 
esforços para seu crescimento e prosperidade para sua população, buscando projetos que busquem 
o crescimento econômico (WB, 2020n). De forma geral tem uma participação considerável dentro 
do banco, com 2,59% dos votos dentro do IBRD (WB, 2021d). A Rússia apresenta atualmente um 
alto nível de urbanização, chegando a uma porcentagem de 74,59% em 2019 (PLECHER, 2020j). 
Além disso, mais de 85% da população vive em áreas urbanas, com isso o país busca junto ao Banco 
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desenvolver projetos que busquem a alta demanda da população, executando planos de habitação e 
serviços comunitários (WB, 2017a).
 A República Democrática Socialista do Sri Lanka é um país pouco urbanizado, mas com 
expectativas de crescimento desse índice. Taxas elevadas de emigração de seus habitantes, desastres 
climáticos e cidadesnão sustentáveis, com escassez de moradias e água potável, apresentam-se 
como problemas sérios para a urbanização do país (VAN HOREN; PINNAWALA, 2006). Como forma 
de atenuar essas questões, o BM promove 19 projetos no Sri Lanka, somando mais de 2,3 bilhões 
de dólares investidos no país, dos quais 65% estão voltados para o desenvolvimento sustentável e 
em melhorias estruturais do ambiente urbano, como a resiliência das cidades, o acesso a água e 
transportes, e 32% para o desenvolvimento humano, compreendido por setores como educação, saúde 
e proteção social (WB, 2020o).
 A República de Uganda apresenta taxas de urbanização crescentes, infl uenciadas pelo êxodo 
rural e pelo crescimento natural da população urbana, apesar de ser somente 24% (PLECHER, 2020l; 
WB, 2012). Essa tendência de crescimento atual pode superlotar a infraestrutura urbana, mostrando-
se necessária a atuação dos governantes locais no planejamento de serviços básicos, acessibilidade, 
infraestrutura e transporte que compreenda a população e demanda crescentes. Dessa forma, o 
país tem desenvolvido projetos no Banco que apresentam medidas rápidas e viáveis, voltadas para 
soluções sustentáveis para os problemas da urbanização nacional (GASHISHIRI, 2015; MBABAZI; 
ATUKUNDA, 2020).
5 QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
(1) Você acredita que o desenvolvimento urbano seja melhor atingido através de projetos de melhoria 
da infraestrutura das cidades, como o foco em qualidade das moradias e do transporte público, ou por 
políticas sociais mais amplas, como o combate à pobreza mediante programas de distribuição direta 
de renda?
(2) Qual você acha que deve ser a prioridade para cada âmbito de governo: locais, estaduais, nacionais e 
internacionais para lidar com os problemas apresentados?
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