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FUNGOS/VÍRUS RIBAVIRINA E DMSO POTENCIAIS AGENTES TERAPÊUTICOS FRENTE À CINOMOSE CANINA A cinomose é reconhecidamente uma doença infecto-contagiosa de origem viral, considerada, na primeira metade do século XX, como uma das doenças fatais mais comuns em cães em todo o mundo. O vírus da cinomose apresenta relação antigênica com o vírus do sarampo, da peste bovina e da peste de pequenos ruminantes e exibe três formas de apresentação clínica: aguda, subaguda e crônica, com manifestações gastroentéricas, respiratórias e neurológicas. Até o momento, não existe agente antiviral específico para o tratamento da cinomose. Visando estabelecer uma terapêutica promissora frente a esta patologia, estudos recentes vêm demonstrando a eficácia no uso da ribavirina para o tratamento de cães acometidos por cinomose na fase neurológica, bem como a eficácia do DMSO (dimetilsulfóxido) como permeante de membranas biológicas, por auxiliar na vetorização da ribavirina através da barreira hematoencefálica, o que otimizaria os efeitos da mesma. SUGESTÃO DE FÓRMULA: Ribavirina Vitamina A 10.000UI/0,2ml Vitamina E 10mg/0,2ml Dar 1ml para cada 5kg de peso a cada 24 horas por 15 dias. 30mg/0,2ml DMSO Famotidina 1mg/0,2ml Veículo qsp (pasta oral, suspensão ou xarope) 30ml 20mg/0,2ml O paciente deve ser acompanhado e monitorado através de exames complementares para verificar o possível surgimento de efeitos colaterais, mesmo que estes sejam reversíveis com a suspensão do tratamento. A ação da ribavirina resulta em melhora clínica ao redor do sétimo dia de administração. Aponta-se a hipótese de que a Vitamina A seja matéria-prima para algum mecanismo de resistência à infecção, possuindo assim ação inibitória sobre o vírus. A vitamina E possui ação antioxidante protegendo os tecidos nervosos e a famotidina previne a irritação gástrica provocada pela ribavirina. INDICAÇÕES DE USO E MECANISMOS DE AÇÃO: A ribavirina é um nucleosídeo sintético estruturalmente semelhante à guanosina, portanto, uma droga análoga de transcrição. Aponta-se o emprego da ribavirina como uma alternativa de tratamento, pois esta mostrou alguma eficácia contra Vírus Respiratório Sincicial, Vírus da Febre de Lassa e Vírus do Sarampo. Portanto, está indicada no combate à infecção viral durante a fase neurológica da cinomose canina por apresentar amplo espectro de ação, com atividade “in vivo” contra grande variedade de vírus DNA e RNA. Acredita-se que este antiviral exerça sua ação por atuar duplamente, inibindo a formação celular de inosina monofosfato, resultando na depleção intracelular de guanosina trifosfato (GTP) e também interferindo na síntese de RNAm viral. Já foram verificadas acima de trinta propriedades farmacológicas e terapêuticas do DMSO, das quais duas representam um papel muito importante no tratamento da cinomose canina: ação carreadora e potencializadora de outras drogas. Devido a sua capacidade de penetração, o DMSO atua como permeante de membranas biológicas vetorizando a ribavirina para o interior do sistema nervoso central (SNC) e potencializando seu efeito antiviral. RECOMENDAÇÕES DE USO: Ribavirina - Cães: 30mg/kg/q 24h – VO por 15 dias DMSO - Cães: 20mg/kg/q 24h – VO por 15 dias em associação à Ribavirina EFEITOS ADVERSOS E CONTRAINDICAÇÕES: Ribavirina: • Elevação reversível nos níveis séricos de bilirrubina, ferro e ácido úrico; • Anemia por hemólise extravascular devido ao acúmulo dos fosfatos da droga em eritrócitos, podendo ser causa para descontinuação do tratamento. A severidade da anemia é mais grave em macacos, seguidos dos humanos, roedores e cães; • Supressão da medula óssea: doses terapêuticas são levemente tóxicas à medula de cães e estes efeitos são reversíveis quando cessada a administração da droga; • Distúrbios gastrointestinais como vômitos e diarreia e irritação gástrica, podendo evoluir para gastrite; • Ratas prenhes tratadas com ribavirina desenvolveram deformidades embrionárias no esqueleto, podendo também ocorrer reabsorção fetal. Por isso, esta droga é contraindicada na gestação. Informativo de: FEV.2014 - Revisado em: DEZ.2021 DMSO • Bem tolerado em altas doses, não causando alterações cardíacas e no peso corporal; • Doses muito elevadas podem causar halitose, anemia, hemoglobinúria e aumento dos níveis de transaminase, prostração, convulsão, dispnéia, hipotensão, edema pulmonar, parada respiratória e morte, porém sua DL 50 está entre 2,5 a 8,9 g/kg. Outros medicamentos disponíveis para terapêutica da cinomose canina: Anemia Comprimidos palatáveis com ferro, vitaminas e sais minerais Até 2,5kg: ½ cp ao dia. Para cada 5kg: 1 cp ao dia ou dividido em 2 administrações Caquexia / carências nutricionais e imunomodu- ladoras Xarope imunomodulador com Timomodulina, complexo B e Vitamina C Dar 1ml para cada 10kg de peso a cada 12 horas. Composição do xarope: Timomodulina 20mg, Vit B1 1,5mg, Vit B2 1,5mg, Vit B6 1,2mg, Vit B12 15mcg, Vit K1 0,25mg, ác fólico 5mg, ác nicotínico 1,2mg, Pantotenato cálcio 1,2mg, Cobre 0,5mg, Ferro 4,5mg, Zinco 5mg, Vit C 50mg, Xarope qsp 1ml Diarreia Pectina 50mg/ml + Caulim 50mg/ml + Pool de lactobacilos 20 x 106 UFC 1ml para cada 5kg/q 6 – 8h – VO Terapêutica Princípio ativo Anorexia Dose Ferro quelado 0,44mg/kg/q 12h – VO Ciproheptadina 0,5mg/kg/q 12 – 24h – VO ou gel transdérmico Convulsão Brometo de potássio 120mg/kg/q 24h – VO por 5 dias, após 70 – 80mg/kg/q 24h – VO (como agente isolado) ou 30 – 40mg/kg/q 24h – VO (em associação com fenobarbital) Fenobarbital* 2 – 4mg/kg/q 12h – VO Sulfato ferroso 60 – 300mg/animal/q 24h – VO FUNGOS/VÍRUS REFERÊNCIAS ADAMS, H. RICHARD. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. BOOTH, N. H.; McDONALD, L. E. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992. GREENE, C. E. Infectious Diseases of the dog and cat. W.B. Saunders Company, 1990. MANGIA, S.H. Tratamento experimental de cães naturalmente infectados com o vírus da cinomose na fase neurológica com o uso de ribavirina e dimetil-sulfóxido (DMSO). Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu, 2008. ORLATO, D. Efeitos do DMSO (dimetilsulfóxido), administrado por via intravenosa, sobre as funções renal e hepática, perfil hidrossalino e hemograma de cães sadios. Dissertação (mestrado) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP, campus de Jaboticabal, 2006. PAES, A.C.; CORTÊS, J.D.A.; Potencialização da isoniazida pelo dimetilssulfóxido (DMSO) no tratamento de hamsters (Mesocricetus auratus), experimentalmente infectados com Mycobacterium bovis (AN5). Vet. e Zootec. v.15, n.3, dez., p.486-495, 2008. SPINOSA, H.S.; GÓRNIAK, S.L.; BERNARDI, M.M. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Desidratação Solução repositora de eletrólitos (cloreto sódio 0,35% + cloreto potássio 0,15% + citrato sódio 0,29% + glicose 5%) Grande porte: 40ml/kg/dia. Pequeno porte: 60ml/kg/dia. Filhotes: 60–100ml/kg/dia Desidratação leve (5 – 7%): 1,5x a dose recomendada. Desidratação moderada (8 – 9%): 2 – 2,5x a dose recomendada. Desidratação grave (10 – 12%): 3x a dose recomendada. Edema cerebral Dexametasona 2,5 – 5mg/kg/q 4 – 6h – VO por 5 – 7 dias com redução gradativa da dose até níveis anti-inflamatórios, após as primeiras 24h de tratamento Prednisona 15 – 30mg/kg/q 4 – 6h – VO por 5 – 7 dias com redução gradativa da dose até níveis anti-inflamatórios, após as primeiras 24h de tratamento Infecções secundárias Antibióticos de acordo com cultura e antibiograma De acordo com antibiótico de escolha Mioclonia, dor, convulsão, incontinência urinária Metocarbamol* 44mg/kg/q 8h – VO no 1° dia, passando a 22 – 44mg/kg/q 8h. Até 130mg/kg em casos graves. Descontinuar o uso, caso não haja resposta em 5 dias de tratamento Terapêutica Princípio ativoSequelas pós-traumáticas (cognitivas / visuais) Dose Fórmula com Ginkgo biloba 10mg/kg + Luteína 0,3mg/kg + Pentoxifilina 5mg/kg 1 dose ao dia Úlcera gástrica Sucralfato 0,5 – 1g/animal/q 24h – VO Gastrite Cimetidina 2,5 – 5mg/kg/q 6 – 8h – VO Famotidina 0,5mg/kg/q 12 – 24h – VO Omeprazol 0,5 – 1mg/kg/q 24h – VO Ranitidina 1 – 2mg/kg/q 12 – 24h – VO Infecções do trato respiratório superior ou Pneumonia por Bordetella bronchiseptica, Staphylococcus spp. e Streptococcus spp. Ciprofloxacina 5 – 15mg/kg/q 12h – VO Enrofloxacina 5 – 10mg/kg/q 12 – 24h – VO Neomicina 20mg/kg/q 6 – 12h – VO Norfloxacina Todos os antibióticos relacionados acima podem ser associados a expectorantes e/ou mucolíticos conforme a necessidade de cada paciente: ambroxol 0,5mg/kg + n-acetil-cisteína 10mg/kg a cada 12h – VO 15 – 20mg/kg/q 12h – VO Vômito Metoclopramida 0,2 – 0,5mg/kg/q 8 – 24h – VO ou gel transdérmico Ondansetrona 0,1 – 1mg/kg/q 12 – 24h – VO ou gel transdérmico * Medicamento controlado, exigência para prescrição: receita branca carbonada ou em duas vias