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ORGANIZAÇÃO E 
PLANEJAMENTO 
DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Manoel Carneiro de Oliveira Junior
Indaial - 2022
2ª Edição
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Impresso por:
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins 
Marcio Kisner
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: : Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
Copyright © UNIASSELVI 2022
O48o
 Oliveira Junior, Manoel Carneiro de
 Organização e planejamento do treinamento desportivo. / Manoel 
Carneiro de Oliveira Junior – Indaial: UNIASSELVI, 2022.
 151 p.; il.
 ISBN Digital 978-65-5646-548-7
1. Treinamento desportivo. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo 
da Vinci.
CDD 796
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
Histórico e Avaliações do Treinamento Desportivo ................7
CAPÍTULO 2
O Fator Planejamento no Treinamento Desportivo ..............51
CAPÍTULO 3
A Psicologia e a Nutrição na Contribuição do 
Treinamento Desportivo ..........................................................101
APRESENTAÇÃO
Para entendermos os conceitos do treinamento desportivo, é fundamental 
vermos os fatos históricos marcados em épocas distintas e que complementam 
tudo aquilo que vemos atualmente quando falamos de técnicas de treino. Se 
formos pensar em primórdios do treinamento, vemos o homem pré-histórico 
utilizando técnicas de corrida, lançamento e saltos, que eram importantes para 
a sua sobrevivência. A história do treinamento passa desde essa época até anos 
mais tarde, em que as técnicas de treino foram marcadas por grandes mudanças, 
como a era dos jogos modernos da Grécia, em que o Barão de Coubertin deu início 
às competições em nível de público, tornando os atletas pessoas consagradas e 
mostrando a todos como são importantes as técnicas e a disponibilidade de treino.
Não podemos pensar no treinamento desportivo como uma forma isolada de 
técnicas e treinos, temos que pensar também que existem “braços” no treinamento 
que ajudam em todos os aspectos na montagem e supervisão. Estamos falando 
das técnicas de aferição ou da antropometria, que é de extrema importância 
para determinarmos o andamento dos trabalhos que estão sendo conduzidos. 
Assim, no Capítulo 1, veremos a antropometria, uma valiosa ferramenta tanto nos 
treinamentos quanto na saúde dos avaliados, pois ela orienta os possíveis fatos e 
acontecimentos que podem fazer, por exemplo, que o atleta perca seu rendimento, 
passando por momentos fisiológicos importantes que não demonstram sucesso.
Um outro aspecto muito importante e que também está ligado à antropometria 
são as avaliações neuromotoras, nelas podemos avaliar e mensurar a força, a 
resistência muscular e a flexibilidade, o que ajuda em qualquer esporte treinado.
No Capítulo 2, abordaremos o planejamento do treinamento desportivo. A 
periodização deve ser organizada de forma global, respeitando todas as fases 
do desenvolvimento, evitando, assim, o abandono precoce da prática, devido 
a possíveis lesões ou transtornos causados pela falta de planejamento do 
treinamento. Uma vez estabelecidos de forma clara e concreta os objetivos da 
formação, respeitando os seus princípios científicos, as fases desse processo 
devem ser identificadas e organizadas, visto que a formação deve ser periódica.
A periodização representa uma linha de trabalho para estruturar e orientar 
o treinamento, levando em consideração o tempo disponível para as atividades, 
o público-alvo e o ambiente no qual o programa estará inserido. Essa divisão é 
uma estratégia para organizar variáveis de carga de trabalho, como intensidade, 
volume, frequência e períodos de descanso, permitindo uma variedade de 
sessões de trabalho e auxiliar no rendimento do indivíduo.
Por último, no Capítulo 3, abordaremos o trabalho da área nutricional e 
psicológica frente ao individuo que realizará o treinamento. Recentemente 
(Olimpíadas de 2021, em Tóquio), a atleta americana Simone Biles, da ginástica, 
desistiu de uma competição olímpica devido a problemas emocionais, o que 
justifica o uso da psicologia no esporte para manter não só o emocional, mas 
também a integridade dos atletas e/ou indivíduos que treinam. Abordaremos 
também o fator nutricional e como alguns parâmetros, como o metabolismo, 
podem interferir não só no rendimento, mas também na própria competição.
CAPÍTULO 1
HISTÓRICO E AVALIAÇÕES DO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Entender os fatos históricos do treinamento desportivo, passando por diversas 
épocas e fatos que trouxeram ferramentas para a sua constituição.
• Avaliar os tipos de análise e avaliações corpóreas e como elas podem nos 
ajudar na elaboração de um treinamento.
• Verifi car as análises, passando desde uma simples anamnese até a utilização 
de equipamentos para nos auxiliar no contexto do treino.
• Diferenciar as avaliações de medidas com as avaliações neuromotoras e 
entender como elas podem infl uenciar no contexto neuromuscular.
• Entender as dinâmicas do treinamento e ter uma noção ampla de como 
estruturar um ciclo de treino para um indivíduo. 
• Realizar medidas importantes para o contexto do esporte, utilizando técnicas 
simples e complexas para o desenvolvimento do atleta.
8
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
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ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Segundo Tubino (2003), treinamento esportivo é o conjunto de atividades 
físicas que são realizadas ao longo de um período prolongado, perfazendo de 
uma forma progressiva, cuja principal função é desenvolver as habilidades 
humanas, fi siológicas e psicológicas de um indivíduo. Se formos levar em termos 
práticos e simples, os treinamentos são exercícios bem planejados individual e 
sistematicamente para a evolução de um atleta ou de uma equipe.
Os objetivos do treinamento esportivo são diferentes, sendo o principal a 
evolução da forma física e técnica do indivíduo. Quando feito corretamente, ajuda 
a melhorar o desempenho, porém, certos princípios devem ser seguidos para 
atingir os resultados desejados em nível competitivo ou não.
Dantas (2014) preconiza que é altamente recomendado que um profi ssional 
com destreza e técnica, formado em educação física, seja o responsável pelo 
planejamento do treinamento para atender a todos os detalhes de cada indivíduo. 
Mesmo em equipes com muitos atletas, o treino deve ser individualizado, pois 
cada organismo tem uma resposta diferente aos estímulos, o que podemos 
chamar de individualidade biológica.
Embora os aspectos técnicos sejam bastante aprofundados, é importante 
afi rmar e ressaltar que, além dos conhecimentos técnicos, estes também devem 
abranger outras áreas, como psicologia e nutrição. O bom desenvolvimento 
mental é essencial para o alcance dos objetivos propostos, da mesma forma que 
o alimento pode ser um aliado ou um vilão nos resultados.
Não há esporte em que o treinamento esportivo seja mais adequado. Isso 
porque cada atividade possui suas especifi cidades e particularidades, além das 
suas peculiaridades, e cabe ao profi ssional buscar o conhecimento técnico e 
científi co para aplicar com efi cácia a metodologia. Além disso, como cada atleta 
possui características próprias, o treinamento individualizado deve ser utilizadoem qualquer esporte. 
2 HISTÓRIA DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
Quando pensamos em treinamento desportivo, logo vem à mente os jogos 
olímpicos na Grécia, mas será que a história do treinamento desportivo provém 
dessa época?
10
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Os jogos olímpicos são jogos denominados de excelência, que dispõem de 
sucessos, fracassos, além de serem uma grande vitrine de atletas e, através disso, 
temos métodos de treinamento que são mostrados ao mundo, demonstrando o 
seu poder ao grande público. Segundo Bompa (2000), é necessário considerar 
que, antes dos jogos olímpicos surgirem na Grécia Antiga, já existiam algumas 
práticas de treinamentos diversifi cados sempre em busca de um objetivo, que 
era a melhora do rendimento físico. Óbvio que nesse contexto não nos convém 
debater e discutir se existia efi ciência nesses treinos e sim a causalidade destes.
2.1 OS FATOS HISTÓRICOS DO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
Pensando em forma de treinamento e até fazendo um comparativo com os 
tempos ditos modernos, as práticas desportivas em forma de treinamento eram 
feitas de forma inconsciente e não com o objetivo de performance, como seria 
na Pré-História, em que o objetivo do homem apenas e tão somente era a sua 
sobrevivência em relação aos seus predadores, bem como os de sua própria 
espécie, e isso pode ser considerado devido ao seu condicionamento físico 
adquirido no dia a dia (TUBINO, 2003). 
Posteriormente, com a evolução do homem, principalmente na Grécia e 
na Roma Antiga, estas práticas, bem diferentes do treinamento desportivo da 
atualidade, passaram a obedecer a um senso lógico e comum, buscando além 
da estética (e, pensando na estética, a beleza corporal era considerada um 
alto elemento signifi cativo, principalmente para elevar o homem comum a uma 
condição social mais elevada). Óbvio que esse fator era importante também para 
a preparação para as guerras, bem como para outras competições desportivas 
menos importantes que os Jogos Olímpicos, como os Jogos Augustos e os Jogos 
Capitolinos.
Com o objetivo de iniciar uma nova discussão sobre o assunto, podemos 
exemplifi car a evolução do treinamento desportivo na história com a seguinte 
ordem cronológica:
1º - Período do Empirismo – duração: dos métodos arcaicos de preparação 
física das antigas civilizações até o surgimento do Renascimento (século 
XV).
2º - Período da Improvisação – duração: do surgimento do Renascimento 
(século XV) até as I Olimpíadas da Era Moderna (1896 - Atenas).
3º - Período da Sistematização – duração: das I Olimpíadas da Era Moderna 
(1896 - Atenas) - até as XI Olimpíadas (1936 - Berlim).
11
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Como aspecto profi lático (prevenção de doenças) existiam 
os exercícios físicos, através de jogos, de ginástica, de desporto 
(esporte), da dança, do excursionismo, que é a prática de exercícios 
por um gosto, das massagens e das saunas. Na Antiguidade, 
os exercícios eram orientados principalmente para os aspectos 
estabilizadores e terapêuticos, tendo por objetivo geral cooperar 
no desenvolvimento integral do indivíduo, além de manter esses 
indivíduos saudáveis. Assista ao vídeo Efeitos da pandemia sobre os 
esportes de alto rendimento, disponível em: https://youtu.be/A8nKn-
YG2ow.
4º - Período Pré-Científi co – duração: das XI Olimpíadas (1936 - Berlim) até 
as XIV Olimpíadas (1948 - Londres).
5º - Período Científi co – duração: das XIV Olimpíadas (1948 - Londres) até 
as XXI Olimpíadas (1972 - Munique).
6º - Período Tecnológico – duração: das XX Olimpíadas (1972 - Munique) 
até as XXV Olimpíadas (1992 - Barcelona).
7º - Período do Mercantilismo Desportivo – duração: a partir das XXV 
Olimpíadas (1992 - Barcelona) (COSTA, 1972).
Temos que pensar que muitos dos diferentes processos que implicaram na 
complicada estrutura esportiva atual têm sua origem na mais remota civilização. 
Desde o começo da aventura do homem sobre a Terra, foram transmitidas de 
geração em geração práticas utilitárias, principalmente para a sua sobrevivência, 
que foram obviamente observadas e imitadas, possibilitando-lhe viver em um 
meio hostil, e isso ajudou o homem a apurar seus sentidos. Iniciando pela Pré-
História, período em que o homem primitivo tinha sua vida cotidiana assinalada 
por grandes preocupações, principalmente atacar e se defender, passando pela 
Antiguidade, na qual alguns povos, como os do Oriente, Ocidente e do Novo 
Mundo, apresentavam um notável interesse em cuidar da alimentação, regime 
de vida e performance, até atingir o rigor tecnológico e científi co que conhecemos 
nos dias atuais.
12
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Na Antiguidade, podemos falar da enorme contribuição dos povos gregos e 
romanos para o desenvolvimento do treinamento desportivo. Temos na Grécia 
Antiga o exercício com o objetivo do culto ao corpo. Com os gregos era signifi cativo 
o número de jogos existentes, e podemos, obviamente, relatar o principal evento 
desportivo: os Jogos Olímpicos.
Para Tubino (1985), pode-se dizer que a preparação dos atletas helênicos 
(atletas que participavam de quatro festivais de jogos gregos: os Jogos Olímpicos, 
os Jogos Piticos, os Jogos Nemeus e os Jogos Ístmicos) era muito semelhante 
aos treinos empregados nos dias atuais, com uma preparação bastante eclética 
(corridas, marchas, lutas, saltos etc.). Esses atletas usavam sobrecargas para 
a melhoria do seu rendimento físico e tinham uma preparação psicológica 
apoiada no sofrimento. Eles utilizavam o aquecimento no início e a volta à 
calma acrescida de artifícios importantes, como massagens ao fi nal do treino, 
e já possuíam, a exemplo dos ideais científi cos modernos, os chamados ciclos 
de treino, denominados na época de “tetras”, e ainda eram estabelecidas dietas 
diferenciadas nos períodos de treino e competições.
Por outro lado, os povos romanos, chamados na época de ‘senhores do 
mundo’, atuando principalmente como conquistadores, desviaram totalmente 
os objetivos propostos através do esporte pelos gregos. Aproveitando os 
conhecimentos esportivos dos gregos, passaram a treinar seus soldados, a fi m 
de torná-los “indestrutíveis’ em um combate, e foi ainda sob a égide dos romanos 
que se passou a profi ssionalizar o esporte de forma degradante, assim, o esporte 
deixou de ser de um aspecto competitivo para se tornar um aspecto de força e de 
luta.
A partir do século XV, temos como característica a transição da mentalidade 
medieval para a mentalidade moderna. Isso ocorreu através do movimento 
renascentista, que foi originado na Europa com um amplo alcance intelectual, 
atingindo alguns setores, como o das artes, das ciências e da fi losofi a, trazendo 
como consequência a construção de uma nova sociedade, mais racionalizada e 
baseada no progresso das ciências e na difusão educacional dos conhecimentos 
entre os homens.
Para Cotrim (1987), com o aparecimento do Renascimento, surgiram 
os humanistas, que se encarregaram de transmitir a seus contemporâneos 
a necessidade de desenvolver amplamente a capacidade do homem, como 
também a interpretação da vida de uma maneira mais completa. Nesse contexto, 
os humanistas conseguiram ampliar, a exemplo dos povos antigos da Grécia, 
horizontes verdadeiramente amplos, conduzindo os propósitos dos indivíduos 
como realmente era necessário: com amplitude e profundidade, compreendendo 
de forma bastante criteriosa as mais importantes tendências da personalidade 
13
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
humana em todos os aspectos.
Dessa forma, como ponto de partida, esse período iniciou com os métodos 
arcaicos e antigos de preparação física das antigas civilizações, que não 
passavam de práticas perceptivas de treino, em que a busca de conhecimento 
passou a ser constante, e foi fi nalizado com o surgimento do período renascentista. 
Podemos afi rmarque algumas dessas práticas infl uenciaram também importantes 
modifi cações na educação física e nos desportos.
2.2 O PERÍODO DA SISTEMATIZAÇÃO 
No período da sistematização (século XX), evidencia-se a necessidade de 
um planejamento do controle e da ordem das cargas de trabalho para serem 
passadas durante um treinamento, estabelecendo caminhos e pontos básicos 
para serem seguidos em direção a uma meta estabelecida previamente.
Esse processo teve uma facilidade, uma vez que, apesar das difi culdades 
de comunicação e pouco conhecimento na época no que diz respeito aos treinos, 
o continente europeu adaptou seus métodos e meios de treino de acordo com 
as “inovações” apresentadas pelos americanos, surgindo, nesse período, outras 
tendências de treinamento esportivo.
Hegedus (1969) evidencia em seus estudos que o primeiro país a tomar a 
iniciativa dessa sistematização foi a Finlândia, destacando-se Lauri Tahko Pihkala 
(1888-1981), um treinador que, por volta de 1912, desenvolveu o sistema de 
treinamento fi nlandês. Suas ideias se voltaram para um tipo de treino denominado 
treinamento multilateral, aplicando um conceito do tipo ondulatório, que é o 
aumento da intensidade do trabalho, partindo de um trote lento até a velocidade 
máxima. Seus alunos faziam 4-5 vezes 100 a 200 metros com esforços intensos 
e pausas de 10-20 minutos. Por esse motivo, muitos alegam que foi Pihkala o 
criador do treino intervalado (interval-training) (TUBINO, 2003). O seu método 
apresentava as seguintes características:
• A inclusão do treinamento de velocidade para meio-fundistas e fundistas.
• Alternância de corridas curtas e intensas com intervalos longos para 
recuperação orgânica.
• Incrementar signifi cativamente tanto a quantidade como também a 
qualidade dos treinamentos.
Em 1920, na Alemanha, surgiram os estudos de Krummel, estudioso que 
seguia a tendência norte-americana, ele sistematizou o treinamento e publicou 
em seus trabalhos as seguintes demonstrações:
14
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
• Há diferenças entre resistência e endurance; sendo a resistência a 
capacidade de um músculo ou até um agrupamento muscular de 
manter contrações repetidas sobre uma carga em um período de 
tempo (prolongado). A resistência exigia do sistema cardiovascular 
um fornecimento energético muscular para manter um trabalho físico 
sustentado.
• Existia uma vantagem em utilizar intervalos entre estímulos.
• Era possível adquirir resistência e endurance através da aplicação de 
pequenas distâncias de treinamento (ALMEIDA; ALMEIDA; GOMES, 
2021).
O método fi nlandês constituía-se de várias correntes de trabalho, tendo um 
mesmo denominador comum, que parte do princípio a adaptação aos meios que 
a natureza oferece, a fi m de desenvolver as reservas naturais do homem por meio 
de esforços prolongados.
Com essa intenção, precisamente na cidade sueca de Bosöm, o treinador 
Gösta Holmér (1891-1983) desenvolveu o treinamento “Fartlek”, que consistia 
na superação de percursos com subidas, descidas, planos, trechos com areia, 
entre outros. Nos percursos, os atletas deviam apresentar variações de ritmos 
de trabalho, embora a intensidade da corrida variasse de acordo com as 
distâncias e o tempo dos esforços executados, partindo do princípio de que os 
atletas deveriam evitar, em seus treinamentos, o contato direto com os locais de 
competição, como as pistas, utilizando outros “terrenos”, como bosques, campos 
e áreas parecidas, que seriam os locais mais favoráveis para o desenvolvimento 
das capacidades funcionais, como a velocidade e a resistência (BOMPA, 2000). 
O método constava em sua forma original de:
• Esforços realizados em plena natureza, portanto, longe da pista de 
corridas, com 1 ou 2 horas de duração.
• Existência de uma combinação de todos os tipos de distâncias durante o 
seu transcorrer, com uma variação de 50 até 3.000 metros.
• Intensidade dos esforços de acordo com a distância das corridas.
• A pausa entre os esforços de acordo com as características das corridas, 
realizadas de tal maneira que o intervalo de recuperação fosse realizado 
em forma de marcha ou trote.
Apesar de esse método de treinamento passar por várias modifi cações 
ao longo dos anos, ainda hoje é largamente utilizado em todas as modalidades 
desportivas.
15
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Ainda em 1930, também na Suécia, na cidade de Valadalen, Gösta Ölander 
(1911-1984) amplia o cenário esportivo da época, criando um método que 
recebeu o nome de Treinamento de Valadalen, que tinha como características de 
treinamento:
• Alternar treinamentos “pesados” e “leves” para obter o efeito restaurador 
no organismo.
• Utilizar terrenos com alto grau de difi culdade (areia da praia e morros).
• Alegria e correção técnica durante a execução dos trabalhos.
Segundo Costa (1972), a escolha do tipo de treino que os atletas deveriam 
executar provocou uma divisão entre esses dois treinadores suecos. Holmér 
optava pelo trabalho relativamente prolongado com variação de esforço, ao que 
Ölander preferia fazer um trabalho mais curto, com algumas sessões com grande 
intensidade, uma vez que ele dava preferência ao princípio da intensidade em 
relação à quantidade.
Mesmo com essa divisão de preferência, o progresso no rendimento dos 
atletas foi muito satisfatório e a contribuição desses treinadores é notada nos 
tempos atuais, cuja tendência se volta para uma mesclagem dos dois tipos de 
treinamento preconizados na Suécia.
Esse período iniciou com a primeira olimpíada da era moderna (1896 – 
Atenas), durando até as XI olimpíadas (1936 – Berlim), quando Adolf Hitler 
promoveu a primeira grande manifestação ideológico-política dos jogos 
olímpicos, construindo toda uma estrutura que permitisse mostrar ao mundo a 
pseudossupremacia dos alemães arianos sobre os outros povos e raças.
2.3 O PERÍODO PRÉ-CIENTÍFICO
O período pré-científi co iniciou-se um pouco antes da Segunda Guerra 
Mundial, durando alguns anos após o fi nal da guerra. O que caracterizou essa 
época foi o aparecimento das primeiras tentativas de experimentos científi cos 
relacionados à preparação física, baseada nas observações experimentais até 
então vigentes no momento (BOMPA, 2000). Esses ensaios foram sensivelmente 
prejudicados pela escassez de recursos fi nanceiros, uma vez que o mundo voltava 
suas atenções para a guerra, o que estabeleceu nesse período uma profunda 
recessão econômica, o que não impediu o surgimento de novas tendências de 
trabalho com relação ao treinamento desportivo. 
No período pré-científi co, constata-se a contribuição do corredor tcheco Emil 
Zatopeck (1922-2000), o qual, por volta de 1945, a partir dos conhecidos trabalhos 
16
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
de Toni Nett, modifi cou gradativamente sua forma de treinar, começando a utilizar 
intervalos de recuperação entre as corridas (TUBINO, 2003). Na sequência, ele 
promoveu algumas mudanças na proposta original predita, até desenvolver seu 
próprio método, que constava de:
• Uma diminuição nas distâncias empregadas anteriormente.
• Uso somente das distâncias: 200 e 400 metros.
• Utilização de até 70 repetições das distâncias.
• Utilização de 60 segundos de intervalo entre as repetições.
Surgia, assim, o treinamento com intervalos, com o qual Zatopeck 
surpreenderia o mundo desportivo da época com resultados considerados 
excepcionais, apesar de hoje tornarem-se arcaicos, a ponto de serem conseguidos 
com facilidade por vários atletas.
No ano de 1948, com a utilização de esforços físicos intervalados fora 
da Alemanha e Tchecoslováquia (agora República Tcheca), pelo médico e 
treinador húngaro Mihály Iglói (1908-1998), que ganhou extrema notoriedade 
por considerar o fato de os atletas possuírem diferentes condições hereditárias 
(Miháloy começou a pensar em genética), os planos de treinamento deveriam ser 
individualizados (DANTAS, 2014).Atualmente, sabe-se ser esta a pedra angular 
sobre a qual deve ser edifi cado todo o processo de treino, porém, pela primeira 
vez, observa-se na história a preocupação com a individualidade biológica. O seu 
método de treinamento se baseava em:
• Uma grande dose de trabalho diário (20 a 40 quilômetros).
• Cargas de treino estritamente individualizadas.
Consideramos que esse período tenha durado das XI Olimpíadas (1936 – 
Berlim) até as XIV Olimpíadas (1948 – Londres).
2.4 O PERÍODO CIENTÍFICO 
Este período, apesar de iniciar-se ainda sobre os resíduos pouco 
fundamentados do período anterior, evoluiu rapidamente, com o mundo desportivo 
sendo estimulado por uma multiplicação impressionante de laboratórios de 
pesquisa do esforço físico, constituindo-se de três grandes tendências esportivas 
(FERNANDES, 1981). 
Na década de 1950, inicia-se uma época inovadora no treinamento 
desportivo, através da proposta de Percy Cerutty (1895-1975) na Austrália. Percy, 
17
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
que em 1952 foi a Helsinque (Finlândia) a fi m de assistir aos Jogos Olímpicos, 
aproveitou a oportunidade para visitar Ölander e aprender o funcionamento do 
sistema de treinamento (ALMEIDA; ALMEIDA; GOMES, 2021). 
De volta à Austrália, Percy procurou adequar a metodologia às possibilidades 
naturais existentes lá. Para isso, escolheu um local específi co na costa oceânica, 
entre Melbourne e Portsea, com uma extensão de 80 a 100 quilômetros, que 
passou a ser o centro de treinamento de corredores australianos e, obviamente, 
de outros países. Cerutty foi adepto de um trabalho muito intenso e até muito 
esgotador. Seus melhores atletas percorriam uma distância de até 150 
quilômetros por semana, no período de preparação geral, e 100 quilômetros no 
período que antecedia às competições. Eles utilizavam terrenos, como dunas de 
areia, buscando o desenvolvimento da resistência muscular localizada, para a 
qual alguns países, como EUA e Alemanha, recorriam ao treinamento de tempo 
(time-training) realizado em pistas de corridas (TUBINO, 2003).
A alegação utilizada por Percy Cerutty era de que, em terrenos como dunas, 
o atleta necessita de um desenvolvimento de maior esforço em uma unidade de 
tempo superior às solicitações de uma competição. O corredor desenvolveria, 
dessa maneira, uma condição física muito especial perante o sofrimento 
provocado por semelhantes esforços.
Com certeza seu método se ajusta perfeitamente a um dos princípios do 
atual treinamento de duração, cujos esforços prolongados são realizados sob um 
ritmo e intensidade especiais.
Percy Cerutty não gostava do treinamento intervalado, ele acreditava ser um 
sistema proveniente de laboratório, porque os resultados nem sempre estavam de 
acordo com o que existia na prática. Ele achava que, para se adquirir a resistência 
geral e específi ca, era necessário executar trabalhos prolongados e extensos e 
nunca esforços rápidos e breves (HEGEDUS, 1969; FERNANDES, 1981).
Arthur Lydiard (1917-2004), na Nova Zelândia, procurou pegar os pontos 
fortes do treinamento intervalado e do treinamento de duração, fazendo uma 
mesclagem dos dois tipos de sistemas. Assim, de acordo com a temporada de 
competições do seu país, dividia o ano em várias etapas de treinamento, nas 
quais se buscava um distinto objetivo (ALMEIDA; ALMEIDA; GOMES, 2021):
Etapa pós-competitiva
No fi nal da temporada das competições, iniciava-se esta etapa do treino. 
Nela, os corredores treinavam 6 vezes por semana, correndo entre estradas 
e bosques, fazendo um trote de 1 hora de duração, gastando uma média de 7 
minutos por milha, durante 2 ou 4 semanas.
18
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Etapa de competições nacionais de cross-country
Nesta etapa, era pedido ao corredor um trabalho feito nas mais diversas 
condições de terreno (areia, lama, pedras etc.), bem como nas mais diversas 
condições climáticas.
Na primeira metade da semana eram feitos apenas trotes, para, em seguida, 
ser intensifi cado o trabalho, incluindo uma grande variação de esforços, que 
iam desde 50 metros até quilômetros, chegando a quilometragens enormes 
feitas aos domingos. Isso era feito durante 12 semanas, quando começavam as 
competições de cross-country.
Etapa de treinamento de maratona
Quando terminavam as competições de cross-country, iniciava-se o 
treinamento visando às altas quilometragens, atingindo uma média de 100 milhas 
por semana. O ritmo desenvolvido nas corridas era ajustado à capacidade de 
cada um dos corredores e o maior número de quilometragem era percorrido aos 
sábados, num ritmo menor que os dias anteriores, cerca de 7 minutos por milha.
O total em quilômetros a serem percorridos durante a semana era distribuído 
de forma a alternar um dia com carga menor que o outro, cuja intensidade do 
trabalho variava conforme o terreno a ser utilizado para a corrida.
Etapa de treinamento em terrenos variados
6 semanas no total, esta etapa dava continuidade ao período anterior, e o 
local utilizado era um terreno acidentado com longos aclives, intercalando com 
partes planas e descidas, para exigir uma grande variedade de ritmos para a 
corrida. O percurso possuía uma distância de 3.200 metros e o total percorrido 
em cada dia atingia uma média de 20 quilômetros. No fi nal da semana, era feito 
um treinamento de maratona de 2 a 2,5 horas de duração.
Etapa de treinamento em estradas
Nesta etapa, já se iniciava a preparação para as competições na pista. Os 
corredores percorriam 13 quilômetros por dia durante 4 semanas, fazendo uma 
mesclagem de treinamento de duração com corridas de tempo e séries de sprints, 
portanto, um trabalho bastante semelhante ao que conhecemos como fartlek.
19
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Etapa de treinamento em pista
Após toda a etapa de preparação que antecedia às competições, iniciava-se 
o treinamento de pista, com uma duração de 12 semanas, período em que eram 
realizadas as competições.
Lydiard não utilizava o treinamento intervalado porque considerava as pausas 
muito lentas, o que ele acreditava não levar a resultados esperados. Ele preferia 
uma mescla de velocidade pura, velocidade prolongada e longas distâncias. 
Assim, seus corredores de meio-fundo faziam tanto velocidade prolongada 
quanto devia fazer um meio-fundista e o mesmo número de quilômetros que fazia 
um corredor de fundo (ALMEIDA; ALMEIDA; GOMES, 2021).
2.5 A ERA TECNOLÓGICA 
Após o advento do período científi co, os resultados esportivos, que já tiveram 
um crescimento signifi cativo, foram extremamente acelerados. Isso não se deve 
apenas ao surgimento de uma metodologia de treinamento com embasamento 
científi co, mas também ao constante avanço da tecnologia, como a fabricação 
de aparelhos, a confecção de roupas para atletas de elite, entre outros (TUBINO, 
1985; DANTAS, 1998). 
Novas tendências surgiram com o crescente interesse político pelos grandes 
resultados esportivos. Os países ocidentais aceitaram de bom grado o desafi o, 
razão pela qual atualmente as nações estão investindo orçamentos milionários 
na preparação de seus atletas em defesa de suas ideologias políticas, como pode 
ser visto nas competições internacionais, e com isso podemos destacar a China 
e a Rússia. 
Nesse momento, o uso de tecnologias de informação parece ser um 
elemento fundamental no diagnóstico morfofuncional e psicológico de atletas, no 
planejamento do treinamento esportivo, na prescrição de exercícios em volume 
e intensidade de treinamento, bem como na correção da análise técnica e tática 
das situações competitivas. Esses fatores podem ser vistos como determinantes 
no caso da ciência moderna do fi tness. 
Essa tendência tinha como líder das competições esportivas os Estados 
Unidos, seguido pelo Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, onde se 
tinha a universidade, que se constituía na principalfonte de pesquisas dentro 
das mais sofi sticadas condições tecnológicas, oferecendo total apoio aos seus 
atletas, que recebiam em troca os estudos na própria universidade, a orientação 
20
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
dos melhores técnicos desportivos do país, bem como utilizavam uma tecnologia 
e material desportivo de alto nível (FERNANDES, 1981; TUBINO, 2003).
Essa tendência foi liderada pela ex-Alemanha Ocidental, que tinha seus 
principais componentes em países europeus não socialistas, tendo o intercâmbio 
técnico-científi co facilitado pela situação geográfi ca dos países europeus, com o 
Brasil se benefi ciando enormemente de estágios realizados em seus principais 
centros de formação científi ca e pesquisa, como Colônia e Mainz e outros 
localizados em outros países integrantes de sua doutrina (FERNANDES, 1981; 
TUBINO, 1985).
Naquela época, havia alguns países que faziam parte dessa escola, 
principalmente Japão, Coreia e China. Nestes países, além de um rigoroso 
planejamento educacional, o esporte já recebia grande ajuda das suas inúmeras 
indústrias, com fábricas formando times esportivos. A característica mais marcante 
dessa tendência é que os aspectos capitalistas já eram evidentes e a cultura era 
usada como meio de motivação (TUBINO, 1985). 
2.6 O PERÍODO DA ERA 
MERCANTILISTA ESPORTIVA 
Sem dúvida, o esporte se tornou um dos produtos mais efi cientes para 
divulgar nome, marca, patrocínio e publicidade, em grande parte porque 
permitiu uma maior aproximação com seus clientes e com o mercado esportivo 
em particular. É importante ressaltar que o esporte mostra ao atleta como ter 
sucesso e isso é inconscientemente atribuído às empresas que o promovem e, 
principalmente, aos seus produtos. 
Dessa forma, o investimento no esporte solidifi cou um excelente negócio, 
com grande retorno publicitário em divulgação, valorização de imagem, ganhos 
fi nanceiros e impostos. Parte dessa era são os países capitalistas (EUA, 
Canadá, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Israel e países da Europa Ocidental), 
independentemente de sua localização geopolítica, com clubes e associações 
que quase sempre são subsidiados por empresas de apoio a atletas. 
O que mais chama a atenção nesse período é que as competições de alto 
rendimento tornaram-se verdadeiros espetáculos, independentemente do nível 
profi ssional, em que grandes empresas que desejam divulgar seus produtos 
utilizam estratégias publicitárias para investir milhões de dólares no fi nanciamento 
da formação de atletas ou equipes (são considerados verdadeiros astros), bem 
como a promoção e a gestão de eventos desportivos, sendo a universidade a 
principal fonte de investigação.
21
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
3 ANTROPOMETRIA 
A palavra antropometria, em seu contexto, é formada pela combinação de 
dois termos de origem grega: “anthropos”, que tem o signifi cado de “homem” ou 
“ser humano”, e “metron”, que signifi ca “medir”, e antes de falarmos sobre como 
devemos proceder, precisamos saber o que é antropometria. Antropometria é um 
ramo da antropologia, e é a ciência que estuda principalmente as medidas de 
diferentes áreas e partes do corpo humano (PETROSKI, 2001). 
3.1 O QUE É ANTROPOMETRIA
Segundo Franceschini et al. (2017), a ciência chamada antropometria está 
relacionada aos estudos da antropologia física ou biológica, e esta trata de analisar 
os aspectos genéticos e biológicos do ser humano e fazer uma comparação entre 
eles. A antropometria utiliza várias técnicas para medir cada uma das partes do 
ser humano. Por meio dessa medição fornecerá informações valiosas para atletas 
e pessoas sedentárias sobre aspectos de sua condição física e biológica. 
3.1.1 Finalidades da antropometria
Atualmente, a antropometria é utilizada em diversas áreas da saúde para 
estudar principalmente as doenças e anomalias que afetam as dimensões do 
organismo e da fi siologia humana. A puericultura é um ramo da antropometria 
que acompanha o desenvolvimento do corpo infantil, e este tipo de avaliação está 
sendo inserido no campo da pediatria (FRANCESCHINI et al., 2017).
Nesse contexto, também podemos destacar a antropometria nutricional, que 
pode ser utilizada como uma ferramenta para avaliar o estado nutricional de um 
indivíduo. A antropometria nutricional consiste na avaliação nutricional, verifi cando 
o Índice de Massa Corpórea (IMC), a análise de dobras cutâneas e o índice de 
gordura entre a cintura e o quadril.
A avaliação nutricional é um conglomerado de métodos de avaliação 
utilizados para diagnosticar o estado nutricional de indivíduos e/ou da população. 
Estes métodos incluem anamnese alimentar, exame clínico, dados bioquímicos, 
antropométricos e psicossociais, que permitem identifi car indivíduos em risco 
nutricional, possibilitando intervenções e monitoramento (PETROSKY, 2011).
22
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O estado nutricional é uma característica individual ou populacional que 
possui um grande dinamismo. Resulta do balanço entre a ingestão e a perda de 
nutrientes, levando em conta sua ingestão, absorção, utilização e excreção. Pode 
manifestar uma nutrição adequada, carência de nutrientes ou algum distúrbio 
nutricional.
A anamnese nutricional é o primeiro passo para se estruturar um plano 
alimentar adequado às necessidades do indivíduo. O questionário aplicado pelo 
nutricionista deve fornecer o maior número de informações possível, dentre 
estas é imprescindível ter os hábitos alimentares e as rotinas de horários, além 
da investigação sobre atividade física e o tipo de atividade, a qualidade do 
sono, os sinais e sintomas clínicos, como fadiga, unhas quebradiças, alopecia, 
adormecimento de membros inferiores, edema, cãibras, perda de memória, 
estufamento e má digestão, distúrbios alimentares, etilismo e tabagismo, além da 
quantidade de álcool e cigarro/dia. 
As medidas antropométricas, como peso, altura e medida de circunferência 
de cintura e de quadril, são utilizadas para o diagnóstico do estado nutricional e 
avaliação dos riscos para algumas doenças e têm sido demonstradas como um 
parâmetro indicado para avaliar o estado nutricional populacional, principalmente 
pela facilidade de obtenção das medidas, que podem ser válidas e confi áveis, 
desde que haja treinamento adequado e as aferições tenham padronização.
3.1.2 Principais medidas 
antropométricas
Segundo Leão e Gomes (2014), podemos avaliar com os seguintes 
parâmetros:
Peso: o peso mostra a dimensão da massa ou volume corporal total, 
constituído por todas as células, tecidos, órgãos e sistemas do organismo. 
Habitualmente chamada de peso, a massa é a soma de todos os componentes 
corporais e refl ete o equilíbrio energético-proteico do indivíduo.
Em adultos, o peso deve ser aferido em balança zerada, colocada em piso 
nivelado, com o avaliado de pé, de costas para a escala da balança, com os 
pés afastados lateralmente, no centro da plataforma, com olhar reto e fi xo para 
o horizonte. Deve estar usando o mínimo de roupa possível ou roupas leves e a 
medida deve ser feita, preferencialmente, no período matutino, em jejum, para 
evitar fl utuações de peso decorrentes de algum tipo de edema. Caso isso não 
23
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DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), é a medida 
da região do abdômen, no ponto médio entre a borda inferior da 
última costela e a borda superior da crista ilíaca, em que pode se 
concentrar principalmente a gordura visceral, diretamente relacionada 
a diversos riscos de saúde, como a hipertensão, diabetes mellitus e 
dislipidemias (doença que se caracteriza por anomalias nos níveis 
de lipídios no sangue), fatores que elevam o risco de doenças 
cardiovasculares.
FONTE: <https://www.saude.rj.gov.br/obesidade/noticias/2017/11/
muito-alem-do-imc>. Acesso em: 19 jan. 2022.seja possível, fazer o controle sempre na mesma hora do dia.
Estatura: a estatura demonstra a dimensão longitudinal ou linear do corpo 
humano. Ela é a soma dos membros inferiores, a pélvis, a coluna vertebral e 
o crânio. Frequentemente chamada de altura, a estatura é a distância entre o 
ponto mais alto da cabeça (ponto vértex) e a região plantar. É feita utilizando-se 
um equipamento chamado estadiômetro, trena ou antropômetro (LEÃO; GOMES, 
2014). Para essa análise, o indivíduo que será testado deve estar descalço e em 
posição ortostática: de pé, ereto, com os calcanhares unidos, braços estendidos 
ao lado do corpo, com as superfícies posteriores (calcanhar, quadril, costas e 
cabeça) em contato com o instrumento de medida e com a cabeça voltada para 
frente, paralela ao solo.
IMC: defi nido pelo peso em quilogramas dividido pela potência da altura em 
metros (altura)². O Índice de Massa Corporal (IMC) fornece uma boa avaliação da 
gordura corporal para grupos populacionais, porque a maioria das diferenças de 
peso entre adultos ocorre em virtude da gordura corporal. O IMC também pode 
ser um indicador de saúde.
Circunferâncias: Galisa (2018) preconiza que a medida de circunferência 
fornece o perímetro dos diversos segmentos corporais, como braços, pernas, 
cintura, quadril, tórax e pescoço, porém daremos mais ênfase às circunferências 
de abdômen e quadril. A aferição da circunferência de cintura é feita com o 
avaliado em posição ortostática, colocando a fi ta em um plano horizontal, 
passando por cima da cicatriz umbilical. 
24
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Circunferência de quadril: a pessoa a ser avaliada deve estar em posição 
ortostática, braços levemente afastados e pés juntos, colocando-se a fi ta em um 
plano horizontal no ponto de maior circunferência das nádegas. As medidas são 
feitas lateralmente.
Relação cintura x quadril (RCQ): é o cálculo que se faz a partir das medidas 
da cintura e do quadril, dividindo-se a medida da circunferência da cintura em 
centímetros pela medida da circunferência do quadril em centímetros. O índice de 
corte para risco cardiovascular é igual ou maior que 0,80 cm para mulheres e 0,90 
cm para homens.
Percentual de gordura corporal: é aferido principalmente para a proporção 
de gordura corporal em relação ao peso corporal total (%GC). Esse percentual 
permite, em conjunto com o peso corporal, determinar o peso de gordura total 
de um indivíduo. Ao estabelecer um %GC desejado, conhece-se qual peso o 
indivíduo teria se modifi casse apenas a massa gorda e mantivesse sua massa 
magra intacta (FRANCESCHINI et al., 2017).
Composição corporal: o corpo humano pode ser separado em dois grandes 
grupos: massa gorda (gordura corporal) e massa magra (parte muscular). Caso 
se subtraia a gordura do indivíduo, tudo o que sobra é a massa magra. Essa 
divisão didática é conhecida como modelo bicompartimental e permite simular 
administrações orais e inalatórias. A massa magra, por sua vez, é composta pela 
massa óssea (ossos do esqueleto), massa muscular e massa residual. A divisão 
corporal em quatro compartimentos (massa gorda, muscular, óssea e residual – 
a massa residual é a composição de água, vísceras e outros componentes de 
massa magra) é didaticamente conhecida como modelo tetracompartimental.
Bioimpedância: o principal objetivo da bioimpedância é determinar a 
quantidade de massa magra e massa gorda do corpo. Isso se torna importante 
ao imaginarmos dois indivíduos com o mesmo peso e estatura, porém com 
composições corporais diferentes (LEÃO; GOMES, 2014). A massa magra é 
composta por músculos, ossos e órgãos vitais, sendo o principal responsável pela 
queima de calorias, e a massa gorda é composta de gordura corporal. 
Orientações para a realização da bioimpedância: 2 horas de jejum absoluto, 
inclusive água; evitar exercício físico no dia do exame; evitar estimulantes, 
como cafeína (café, chá mate, chá preto, chocolate e refrigerante tipo cola) ou 
bebidas alcoólicas no dia do exame; e usar roupas leves. Pessoas portadoras de 
marcapasso não podem realizar este exame.
25
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
3.1.3 Componentes da avaliação 
antropométrica
Após a “coleta” ou adquirir as informações necessárias para determinar os 
parâmetros avaliativos, todas as obtenções avaliativas deverão ser comparadas 
e analisadas através de uma tabela de classifi cação. Lembrando que a avaliação 
antropométrica nutricional será o resultado dessas avaliações e, para isso, deve-
se ter certeza de que todos esses dados estão descritos de forma correta.
Por exemplo, o peso deve ser aferido no período matutino, de preferência 
com o avaliado em jejum, com a bexiga vazia e usando roupas confortáveis, 
que não sejam “pesadas”. O peso é a soma de todas as células corpóreas e 
seus componentes (órgãos e tecidos). Essa avaliação deve ser realizada 
preferencialmente em uma balança antropométrica (Figura 1, fotos 1 e 2), que 
esteja perfeitamente calibrada e com o analisado em posição ortostática, podendo 
estar ereto ou deitado. 
FIGURA 1 – BALANÇA ANTROPOMÉTRICA
Foto 1: Balança antropométrica (vista lateral) Foto 2: Balança antropométrica 
FONTE: O autor
Com relação à altura, esta avaliação deve ser realizada com o avaliado em 
pé, totalmente ereto e com os membros superiores ao longo do corpo. Devemos 
nos certifi car de que esteja olhando para o horizonte (ângulo de 90°) em relação 
ao chão e que os membros inferiores possuam um ponto de contato (como 
uma parede, por exemplo) com os pés bem fi xados no chão. Para aferir, basta 
somente a parte móvel da balança antropométrica “encostar” no topo da cabeça 
do paciente (comprimindo o cabelo). 
26
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
O IMC pode ser obtido após serem aferidos o peso e altura do avaliado, 
bastando somente realizar o simples cálculo: IMC = altura (m)² / peso (kg).
Com o resultado dessa conta podemos obter o volume corporal total de 
um indivíduo, porém somente com esse parâmetro não podemos verifi car a 
distribuição de massa corpórea. Isso signifi ca, por exemplo, que um atleta em 
plena forma física poderá ter um IMC de 27, mas isso não signifi ca que ele tenha 
sobrepeso. No entanto, se levarmos em consideração uma pessoa sedentária, se 
ela obtiver esse resultado, com certeza terá um risco alto de doenças coronárias.
Por fi m, as medidas antropométricas mais comumente usadas são a medida 
de circunferência e a medida de dobras (plicas) cutâneas, que é utilizada para 
identifi car em quais partes do corpo existe um acúmulo de gordura. Nesse 
contexto, são realizadas medidas no tórax, cintura, abdômen, quadril, braços, 
antebraços, coxa e panturrilha.
As medidas de dobras cutâneas são realizadas com um aparelho chamado 
adipômetro (Figura 2). Normalmente, este aparelho é encaixado em contato com 
dobras do corpo, como axilas, tríceps, abdômen e coxas.
FIGURA 2 – ADIPÔMETRO
FONTE: O autor
27
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Essa Nota Técnica do CONFEF, que veremos posteriormente na 
sua integridade, foi fundamentada nas diretrizes do American College 
of Sports Medicine (ACSM), que é a grande referência no mundo 
com relação à prática de atividade física de forma segura e orientada, 
e no livro Recomendações sobre condutas e procedimentos do 
profi ssional de Educação Física na Atenção Básica à Saúde, que 
está disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/
imagem/2363.pdf.
4 MEDIDAS DE AVALIAÇÃO DO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
Para direcionar os treinadores e os profi ssionais de educação física, 
principalmente a fi m de que estes possam oferecer um serviço com segurança e 
qualidade, o CONFEF elaborou a Nota Técnica nº 002/2012, que tem a premissa 
de orientar os profi ssionais a realizarem uma avaliação física detalhada antes da 
elaboração de um programa de exercícios.Óbvio que caso sejam observados 
alguns fatores de risco que possam ser agravados pelo treinamento, o profi ssional 
deverá solicitar uma avaliação médica especializada, buscando identifi car 
restrições e estabelecer linhas de orientação para prescrições de exercícios e 
treinos apropriados.
É importante para o treinador a capacidade de realizar uma avaliação física 
detalhada, utilizando protocolos de estratifi cação de risco, com conhecimento 
adequado dos testes, das indicações e contraindicações, das respostas 
hemodinâmicas e respiratórias ao treinamento, do preparo do benefi ciário, do 
conhecimento dos mecanismos de funcionamento dos equipamentos, bem como 
suas limitações e indicações de interrupção dos testes.
28
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Falando em profi ssional de educação física, quanto à profi ssão, 
o Conselho Federal de Educação Física estipula em suas diretrizes:
Resolução CONFEF nº 328/2016.
Dispõe sobre Especialidade Profi ssional em Educação Física na 
área de Avaliação Física.
Veja a Resolução na íntegra em: https://www.confef.org.br/
confef/resolucoes/405.
Quanto à Nota Técnica n° 002/2012, temos a seguinte premissa:
NOTA TÉCNICA CONFEF n° 002/2012
Assunto: A avaliação física em programas de exercícios físicos 
e desportivos
1. Apresentação
O Conselho Federal de Educação Física emite esta Nota 
Técnica na perspectiva de informar, orientar e padronizar condutas 
e procedimentos do profi ssional de Educação Física no uso da 
avaliação física como elemento principal para prescrição de 
exercícios físicos e desportivos.
Leia a Nota Técnica na íntegra em: https://www.confef.org.br/
confef/conteudo/837.
A grande pergunta de todo profi ssional que atua com atletas é: quando 
devemos realizar uma avaliação física, principalmente, quando devemos 
reavaliar? É importante realizar as avaliações sempre no início dos treinamentos, 
para determinar o nível de intensidade que será usado com o atleta; no decorrer de 
um período de treinamento, para determinar cargas de treino; e, principalmente, 
pelo sistema de adaptabilidade do indivíduo. Não podemos passar este capítulo 
sem falar desses princípios de treinamento. Começaremos pelo princípio da 
individualidade.
29
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
4.1 AS VARIAÇÕES DOS PRINCÍPIOS 
NAS AVALIAÇÕES DESPORTIVAS 
De acordo com Tubino (1985, p. 100), “chama-se individualidade biológica 
o fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o 
que faz que com que não existam pessoas iguais entre si”. Cada indivíduo possui 
uma estrutura e formação física e psíquica própria, nesse sentido, o treinamento 
individual tem melhores resultados, pois obedeceria às características e 
necessidades do indivíduo. Grupos homogêneos também facilitam o treinamento 
desportivo. Cabe ao treinador verifi car as potencialidades, as necessidades e 
as fraquezas de seu atleta para o treinamento ter um real desenvolvimento. Há 
vários meios para isso, além da experiência do treinador, que conta muito, os 
testes específi cos são primordiais. 
Uma das capacidades do rendimento esportivo é a capacidade 
biotipológica, que está dividida em capacidade constitucional 
fenótipo e capacidade constitucional genótipo. O genótipo 
é o responsável pelo potencial do atleta. Isso inclui fatores, 
como composição corporal, biótipo, altura máxima esperada, 
força máxima possível, percentual de fi bras musculares dos 
diferentes tipos, entre outros. O fenótipo é responsável pelo 
potencial ou pela evolução das capacidades envolvidas 
no genótipo. Neste se inclui tanto o desenvolvimento da 
capacidade de adaptação ao esforço e das habilidades 
esportivas como também a extensão da capacidade de 
aprendizagem do indivíduo (BENDA; GRECO, 2001, p. 34). 
O indivíduo deverá ser sempre considerado como a junção 
do genótipo e do fenótipo, dando origem ao somatório das 
especifi cidades que o caracterizarão, deve-se entender o 
genótipo como a carga genética transmitida à pessoa e 
que determinará preponderantemente diversos fatores e, 
os potenciais são determinados geneticamente, e que as 
capacidades ou habilidades expressas são decorrentes do 
fenótipo (DANTAS, 1998, p. 39). 
Para Dantas (1998), o campeão seria aquele que nasceu com um ‘dom 
da natureza’ e que, aproveitando totalmente esse dom, o desenvolve através 
de um perfeito treinamento. Nos Jogos Pan-Americanos de 2007, verifi camos 
em entrevistas de atletas brasileiros considerados fenômenos pela mídia, um 
discurso que os bons resultados obtidos não eram frutos somente de um dom, e 
sim de muito esforço, trabalho, treinamento, incentivos fi nanceiros e técnicos. 
Elevando a importância dos fatores ambientais, do fenótipo do atleta, 
consequentemente, elevamos a importância do treinador, do profi ssional de 
30
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
educação física e sua intervenção para o sucesso do atleta, de um campeão. 
Não cabe aqui discutir fatos históricos ligados às tentativas de manipulações 
das características genéticas, do genótipo de atleta, através, principalmente, 
dos ideais da eugenia no decorrer do século XX. Entretanto, sempre caberá em 
qualquer lugar o alerta com relação às tentativas de manipulação e violação do 
corpo, da integridade e dos direitos de todo homem.
Princípio da adaptação
Quando falamos de adaptação temos que pensar em adaptação como um 
princípio da natureza. Se não fosse esse princípio várias espécies não teriam 
sobrevivido ou ao menos conseguido sua sobrevivência a alguns ambientes e 
isso se deve graças à necessidade de adaptação. O próprio homem conseguiu 
“sobreviver” no planeta, como espécie ou ser vivo, devido a essa capacidade de 
adaptação. 
A adaptação é a lei mais universal e importante da vida. Adaptações em nível 
biológico se manifestam como mudanças funcionais e estruturais em quase todos 
os sistemas fi siológicos. Podemos defi nir ‘adaptações biológicas no esporte’ 
como alterações de órgãos e sistemas funcionais que aparecem em decorrência 
das atividades psicofísicas e esportivas (WEINECK, 2003).
 A adaptação ocorre constantemente e está dirigida à melhor realização 
das sobrecargas, representando a condição interna de uma capacidade que 
foi melhorada com o seu funcionamento, e esse processo existe em todos os 
níveis corporais. “O processo de adaptação e a sua capacidade pertencem ao 
processo evolutivo e são uma característica importante na vida. Os processos 
de adaptações são processos reversíveis e precisam constantemente ser 
revalidados” (ISRAEL, 1983, p. 141 apud WEINECK, 1991, p. 22). 
Weineck (2003) promulga em seus estudos que, no esporte, devido a 
múltiplos fatores de infl uência, o genótipo é completamente transformado em 
fenótipo raramente, mesmo se o indivíduo fi zesse um treinamento mais pesado. 
Para o autor, temos as fases sensitivas, que são zonas de limite, e que possuem 
uma maior adaptabilidade, sendo encontradas em diferentes períodos, para 
fatores de desempenho de coordenação e condicionamento. 
Nessa zona limite, é possível uma melhor expressão das características, 
e essa expressão é chamada de ‘período crítico’ (TUBINO, 2003). Quando 
temos a assimilação de estímulos, chamamos de capacidade de adaptação ou 
adaptabilidade, e isso se dá frente à mesma qualidade e quantidade de exercícios 
ou carga de treino. Ela pode ser atribuída à relação organismo e ambiente, sendo 
um ponto de vista da predisposição hereditária e sua expressão gênica (genética). 
31
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Esse princípio do treinamento esportivo está ligado de uma forma muito 
intensa ao fenômeno do estresse fi siológico. As pesquisas relacionadas ao 
estresse tiveram início em 1920, tendo um grande “boom” no período entre 1950 
e 1970, em que praticamente surgiu uma literatura científi ca básica sobre isso 
(TUBINO,2003). 
Para Tubino (2003), a homeostase se defi ne como o equilíbrio estável do 
organismo humano em relação ao meio ambiente. Em resumo, a homeostase 
representa o equilíbrio do ser humano, que se modifi ca por qualquer alteração 
ambiental, isto é, para cada estímulo há uma resposta. Por estímulos defi nimos 
o calor, os exercícios físicos, as emoções, as infecções, entre outros. Conclui-
se, com base num grande número de experiências e observações de diversos 
autores, que em relação ao organismo humano, temos: 
• estímulos débeis: não acarretam problemas; 
• estímulos médios: apenas excitam; 
• estímulos médios para fortes: provocam adaptações; 
• estímulos muito fortes: causam danos. 
Segundo Dantas (1998, p. 40), a “homeostase é o estado de equilíbrio 
instável mantido entre os sistemas constitutivos do organismo vivo, e o existente 
entre este e o meio ambiente”. Para o autor, a homeostase pode ser “quebrada” 
por fatores internos, geralmente provenientes do córtex cerebral, ou externos,
como calor, frio, situações inusitadas, provocando emoções e variação da 
pressão, esforço físico, traumatismo, entre outros. Sempre que a homeostase 
é perturbada, o organismo apresenta um mecanismo de compensação, que 
procura restabelecer o equilíbrio, portanto, todo estímulo provoca uma reação no 
organismo, acarretando uma resposta adequada sobre isso. 
Nesse sentido, o sistema fi siológico busca o equilíbrio constante, estando 
sempre em um estado constante de equilíbrio. Tubino (2003) relata que, quando o 
organismo é estimulado, imediatamente aparecem mecanismos de compensação 
para responder a um aumento de necessidades fi siológicas. Podemos afi rmar 
que deve existir uma relação entre a adaptação de estímulos de treinamento e 
o estresse, o que é explicado pelo princípio científi co da adaptação. A defi nição 
dada ao estresse por Tubino (2003) é a seguinte: estresse ou Síndrome de 
Adaptação Geral (SAG) é a reação do organismo aos estímulos que provocam 
adaptações ou danos, sendo que esses estímulos são denominados agentes 
estressores ou estressantes. 
32
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
A Síndrome de Adaptação Geral (SAG) costuma ser dividida em três fases, 
até que o agente estressante na sua ação atinja o limite da capacidade fi siológica 
de compensação do organismo: 
1ª fase: reação de alarme. 
2ª fase: fase da resistência (adaptação). 
3ª fase: fase da exaustão. 
A 1° fase, de reação de alarme, preconiza que os mecanismos auxiliares 
são mobilizados para manter a ansiedade, a fi m de que a reação não se difunda. 
É caracterizada pelo desconforto, e está dividida em duas partes: o choque e 
o contrachoque. Podemos defi nir como choque a resposta inicial do organismo 
a estímulos aos quais não está adaptado, provocando a diminuição da pressão 
sanguínea. O contrachoque seria uma inversão de situação, ou seja, quando 
ocorre um aumento da pressão sanguínea. 
A fase da resistência é denominada como fase da adaptação, que é obtida 
pelo desenvolvimento adequado dos canais específi cos de defesa, sendo essa 
etapa caracterizada pela dor e pela ação do organismo resistindo ao agente 
estressor e inicial, sendo a fase que realmente mais interessa ao treinamento 
esportivo. A fase da exaustão é aquela em que as reações se disseminam, em 
consequência da saturação dos canais apropriados de defesa, apresentando 
como característica a presença do colapso, podendo chegar até a morte. 
Tubino (2003, p. 103) ainda menciona que “Eüler observou três tipos de 
estresse, de acordo com a origem dos estímulos estressantes, sendo eles o 
estresse físico, o estresse bioquímico e o estresse mental”. É muito importante 
a utilização correta do princípio de adaptação, tendo cuidado na aplicação das 
cargas de treinamento, agentes estressantes. Não só de modo realista devemos 
enxergar o princípio da adaptação, em termos de treinamento, o critério adaptativo 
pode ser estendido a vários outros fatores além do treinamento fi siológico. 
Princípio da sobrecarga
Depois de aplicada a carga de trabalho, o organismo se recupera 
imediatamente com o objetivo de reconstruir a homeostase. 
[...] Usar o fenômeno de assimilação de compensação ou 
sobrecompensação permite a aplicação gradual do princípio 
de sobrecarga, e também pode ser severamente danifi cado 
pela má alocação do tempo de aplicação de carga. O equilíbrio 
entre a aplicação de carga e o tempo de recuperação garantirá 
que haja sobrecompensação permanente (DANTAS, 1998, p. 
43-44).
33
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
Segundo Tubino (2003), o momento exato de adaptação aos fatores 
estressantes (estímulos) é, sem dúvida, um dos assuntos mais polêmicos no 
treinamento esportivo. Há uma visão de que a adaptação é estabelecida durante 
o intervalo intermediário de treinamento, enquanto outros estudos sustentam o 
argumento de que a adaptação é feita após o último intervalo de treinamento. 
Segundo Hegedus (1969), os diferentes estímulos produzem 
desgastes diversos, que são substituídos quando o trabalho é 
fi nalizado, e nisso podemos reconhecer a primeira reação de 
adaptação, uma vez que o organismo é capaz de restaurar as 
energias perdidas pelos diversos desgastes. Ele se cansa e 
ainda se prepara para uma carga de trabalho mais pesada, que 
chama de fenômeno de assimilação compensatória. Assim, 
sabe-se que não apenas as energias perdidas são devolvidas, 
mas também são criadas maiores reservas de energia de 
trabalho. A primeira fase, que é a que restaura as energias 
perdidas, é chamada de período de restauração, que permite 
a chegada ao mesmo nível de energia anterior ao estímulo. 
A segunda fase é chamada de período de restauração 
prolongada, após o qual o organismo terá uma fonte maior de 
energia para novos estímulos (TUBINO, 1985, p. 105-106).
Para Tubino (1985), estímulos mais fortes devem ser aplicados sempre ao 
fi nal da assimilação compensatória, principalmente no período mais longo da 
fase de recuperação estendida, para que o limite de ajuste do atleta seja elevado. 
Esse é o princípio da sobrecarga, também chamado de princípio da progressão 
gradual, e sempre será fundamental em qualquer processo evolutivo atlético. 
Tubino (2003) dá algumas indicações para a aplicação do princípio da 
sobrecarga, que são referidas nas variáveis volume (quantidade) e intensidade 
(qualidade), em diferentes tipos de treinamentos, tais como contínuo, intervalado, 
circuito, musculação, fl exibilidade, agilidade e técnica. O professor ou técnico deve 
ter bom senso ao defi nir a sobrecarga que ele trabalhará com seu aluno ou atleta, 
observando todos os demais princípios do treinamento esportivo, sempre levando 
em consideração as necessidades e os desejos do atleta e, principalmente, o 
treinamento dentro da ética e dos limites.
Princípio da continuidade
Esse princípio está intimamente relacionado ao da adaptação, uma vez que 
a continuidade no tempo é essencial para que o corpo se adapte gradativamente. 
Uma condição atlética só pode ser alcançada após alguns anos consecutivos de 
treinamento, e os preparativos anteriores têm uma grande infl uência em qualquer 
programa de treinamento contínuo (TUBINO, 1985). Essas duas premissas 
explicam o chamado princípio da continuidade. 
34
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Pode-se acrescentar que este princípio compreenderá sempre 
no treinamento em curso de uma sistematização de trabalho 
que não permita uma quebra de continuidade, isto é, que 
apresente uma intervenção compacta de todas as variáveis 
interatuantes. Em outras palavras, considerando um tempo 
maior, o princípio da continuidade é aquela diretriz que não 
permite interrupções durante esse período (TUBINO, 1985, p. 
110).
A continuidade do treinamento evita que o técnico subtraia passos 
importantes na formação atlética de um esportista. Em geral, um atleta que 
tem um alto desempenho, certamente teveuma continuidade ao longo de sua 
preparação, treinamento e também do aprendizado do esporte praticado. 
A continuidade também é importante no treinamento amador e recreativo, 
não apenas em termos fi siológicos, mas também, por exemplo, em termos 
psicológicos e em outros aspectos, cujos fatores podem afetar a prática atlética.
Princípio da interdependência volume-intensidade
Esse princípio está intimamente relacionado ao da sobrecarga, pois o 
aumento da carga de trabalho é um dos fatores que melhoram o desempenho. 
Esse aumento será produzido em volume e intensidade. Para Tubino (2003), 
pode-se dizer que os sucessos de atletas de alto rendimento, independentemente 
da especialização esportiva, estão ligados a uma grande quantidade (volume) e 
a uma alta qualifi cação (intensidade) para trabalhar, sendo essas duas variáveis 
(volume e intensidade). As fases de formação devem ser sempre adequadas, 
obedecendo a uma orientação de interdependência entre elas. 
 “Na maioria das vezes, o aumento dos estímulos de uma dessas duas 
variáveis é acompanhado por uma diminuição do foco formativo da outra” 
(TUBINO, 2003, p. 110). As variáveis de volume e intensidade nem sempre são 
claramente explícitas para o treinador para que ele possa defi nir um treino ou 
ação com base na relação entre eles. Portanto, usando o bom senso, na dúvida, 
você nunca deve arriscar ou colocar o atleta ou praticante em risco. Um bom 
treinador pode ver mais claramente a relação interdependente entre o volume e a 
intensidade de uma ação ou atividade de treinamento.
Princípio da especifi cidade
De acordo com Dantas (2014), a partir do conceito de treinamento total, 
quando todo o trabalho de preparação passou a ser feito de forma sistêmica, 
integrada e voltada para objetivos claramente enunciados, a orientação do 
treinamento por meio de métodos de trabalho veio, paulatinamente, perdendo 
35
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
a razão de ser. Atualmente, nos grandes centros desportivos, essa forma de 
orientação do treinamento foi totalmente abandonada em proveito da designação 
da forma de trabalho pela qualidade física que se pretende atingir. 
Associando esse conceito à preocupação em adequar o treinamento do 
segmento corporal ao do sistema energético e ao gesto esportivo, utilizados na 
performance, ter-se-á o surgimento de um sexto princípio esportivo: o princípio 
da especifi cidade, que vem somar aos já existentes. Podemos dizer que esse 
princípio sempre esteve intrínseco em todo o treinamento esportivo, desde o mais 
rústico nas práticas utilitárias, mas tê-lo como princípio norteador e como um dos 
parâmetros que devem ser levados em consideração é essencial ao estudo e 
planejamento crítico e consciente nos treinamentos contemporâneos. 
O princípio da especifi cidade é aquele que impõe, como 
ponto essencial, que o treinamento deve ser montado sobre 
os requisitos específi cos da performance desportiva, em 
termos de qualidade física interveniente, sistema energético 
preponderante, segmento corporal e coordenações 
psicomotoras utilizados. [...] Ao se estudar o princípio da 
especifi cidade, de imediato sobressai um fator determinante, 
que é o princípio da individualidade biológica, estabelecendo 
limites individuais a esta capacidade de transferência. O 
princípio da especifi cidade irá se refl etir em duas amplas 
categorias de fundamentos fi siológicos: os aspectos 
metabólicos e os aspectos neuromusculares (DANTAS, 2014, 
p. 50). 
Isso serve, cada vez mais, para fi rmar na consciência do treinador que o 
treino, principalmente na fase próxima à competição, deve ser estritamente 
específi co e que a realização de atividades diferentes das executadas durante 
a performance com a fi nalidade de preparação física se justifi ca se for feita para 
evitar a inibição reativa (ou saturação de aprendizagem). O segundo componente 
dos aspectos neuromusculares é controlado, principalmente, pelo sistema nervoso 
central ao nível de cérebro, bulbo e medula espinhal e pressupõe que todos os 
gestos esportivos, realizados durante a performance, já estejam perfeitamente 
“aprendidos”, de forma a permitir que, durante a performance, não se tenha que 
criar coordenações neuromusculares novas, mas tão somente “lembrar-se” de um 
movimento já assimilado e executá-lo. 
Princípio da variabilidade
Também denominado de princípio da generalidade, encontra-se 
fundamentado na ideia do treinamento total, ou seja, no desenvolvimento global, 
o mais completo possível, do indivíduo. Para isso, deve-se utilizar das mais 
variadas formas de treinamento (COSTA, 1996). “Quanto maior for a diversifi cação 
desses estímulos – é óbvio que estes devem estar em conformidade com todos 
36
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
os conceitos de segurança e efi ciência que regem a atividade – maiores serão as 
possibilidades de se atingir uma melhor performance” (COSTA, 1996, p. 357). 
A atenção a esse princípio diminui a possibilidade do aparecimento de um 
plateau no treinamento, ou mesmo o aparecimento de fatores desestimulantes, 
agindo de forma contrária, atuando na motivação e, o mais importante, 
possibilitando o surgimento de novas técnicas de treinamento, de estratégia, 
táticas, entre outras, inclusive de novos gestos específi cos, que sob um 
determinado ponto de visão, sob um treinamento não variável, não seria possível 
ser identifi cado ou ter aparecido. Um dos alicerces desse princípio é a criatividade, 
tanto do atleta quanto do treinador. 
Princípio da saúde 
Segundo Costa (1996, p. 358), esse princípio encontra-se diretamente ligado 
ao próprio objetivo maior de uma atividade física utilitária que vise à saúde do 
indivíduo: 
Assim, não só a ginástica localizada em si e suas atividades 
complementares possuem grande importância. Também os 
setores de apoio da academia, como o departamento médico, 
a avaliação funcional e o departamento nutricional assumem 
relevante função no sentido de orientar todo o trabalho, visando 
à aquisição e à manutenção dessa saúde. 
Podemos colocar que esse princípio está fundamentado na 
interdisciplinaridade. No entanto, nem sempre o princípio da saúde tem sido o 
principal norteador, ou mesmo um dos princípios norteadores. 
Em práticas de atividades físicas hodiernas, verifi camos não somente aquelas 
ligadas à aquisição e à manutenção da saúde do praticante, mas também aquelas 
de alta performance, que podem trazer malefícios devido ao compromisso com o 
alto rendimento e resultados, e, ainda, as atividades que não têm compromisso 
algum com o aspecto saúde. Atualmente, pessoas colocam a vida em risco em 
esportes extremamente radicais quando tentam ultrapassar os limites físicos. 
Portanto, cabe perguntar: os treinamentos dessas atividades estariam sob o 
princípio da saúde? De certo modo, com relação ao preparo para a execução da 
atividade, sim, pois é necessário um certo nível de condicionamento e saúde para 
tais práticas, e pelo fato de os praticantes estarem fazendo algo que gostam, que 
é importante para a vida delas e lhes dá prazer. A correlação entre esse princípio e 
outras perspectivas do esporte é um ponto interessante para ampliar os estudos. 
37
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
1 Analise as afi rmações:
I. O processo de treinamento pode ser planejado e programado de 
acordo com certos princípios, chamados princípios do treinamento 
esportivo. Na prática, o técnico deve ser capaz de compreender 
esses princípios antes de traçar programas de longo prazo para a 
preparação de atletas, especialmente para jovens atletas. São: o 
princípio da sobrecarga; o princípio da reversibilidade; o princípio 
da especifi cidade; e o princípio da individualidade biológica. 
II. O princípio da sobrecarga consiste em sobrecarregar o corpo do 
atleta, de forma adequada, variando a frequência, a intensidade, 
o volumee a duração do treinamento. A sobrecarga deve ser 
individualizada e aplicada gradualmente ao longo do processo de 
treinamento. 
III. Quando o tempo dedicado ao período de regeneração é adequado 
às cargas de trabalho, os níveis de atividade enzimática e de 
substratos metabólicos são restaurados acima dos observados 
antes do treinamento, e as fi bras musculares são reduzidas. 
Regenera-se completamente do trauma sofrido.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) As afi rmativas I e III estão corretas.
b) Apenas a afi rmativa I está correta.
c) Apenas a afi rmativa II está correta.
d) Todas as afi rmativas estão corretas.
A inter-relação dos princípios 
De acordo com Costa (1996), faz-se lógico e transparente que essas leis 
não existem apenas por existir. Cada princípio, considerado individualmente, 
possui seu valor e função próprios, entretanto, a integração entre esses princípios 
adquire inestimável importância. Assim, cada princípio assume uma importância 
maior, um papel mais destacado quando associado aos outros princípios. 
Apesar dessa importante correlação, os princípios da adaptação, 
da sobrecarga, da continuidade e da interdependência volume-
intensidade é que vão não só dar corpo como orientar toda a 
aplicação prática do treinamento, ou seja, são os verdadeiros 
38
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
responsáveis pela “arrumação” de todo o processo de 
treinamento, traduzida na forma dos micro, meso e macrociclos 
de trabalho (COSTA, 1996, p. 358). 
Podemos certamente concluir que somente com o conhecimento de todos 
os princípios é possível realizar um treinamento ideal e efi caz. Provavelmente, 
a excelência em treinamento deve estar acompanhada do profundo saber 
de todos os princípios aqui comentados, além de outros tantos tópicos do 
treinamento esportivo. O saber profundo desses princípios e de mais outros 
tantos conhecimentos não é o único fator determinante para a excelência em 
treinamento. A excelência só será atingida se houver a inter-relação perfeita entre 
todos esses saberes e respectivas aplicações, e uma constante reformulação 
dessa inter-relação, pois esse conceito de reformulação está embutido nos 
próprios princípios. 
Componentes das avaliações físicas
Após ver todos os princípios é importante determinar e saber as etapas das 
avaliações para um melhor parâmetro de montagem de uma programação de 
treinamento.
É fundamental seguir alguns parâmetros baseados em antropometria. 
Uma sequência de fácil manuseio baseia-se em: anamnese, avaliação dos 
parâmetros fi siológicos, verifi cação da composição corporal e uma excelente 
avaliação antropométrica. É importante defi nir o local onde serão realizadas 
essas avaliações, levando em consideração que as avaliações deverão seguir 
sempre o mesmo local e horário em que foram realizadas desde a primeira vez. 
Essas podem ser feitas em laboratórios específi cos para avaliação física ou até 
no “campo” de treinamento. Oriente o indivíduo que realizará as análises do 
treinamento para trajar roupas que possibilitem o livre movimento, como shorts/
bermuda, top/camiseta, tênis e meia.
Importante reforçar que o atleta não deve ingerir nenhum tipo de bebida 
que contenha cafeína na sua composição. Nos dias dos testes, não ter praticado 
atividade física intensa e não se deve realizar os testes com o indivíduo em jejum 
prolongado.
Anamnese
Segundo Franceschini et al. (2017), para que ocorra uma excelente 
anamnese, devemos seguir alguns parâmetros importantes, que deverão ser 
arquivados e, posteriormente, comparados para ver o nível de evolução do 
avaliado. É importante conter na fi cha de anamnese alguns parâmetros como: 
39
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
diagnósticos clínicos (histórico de sintomas e enfermidades), em que serão 
anotadas todas as intercorrências importantes acontecidas durante um período 
de tempo que podem infl uenciar a prescrição de treinamento; exames clínicos 
e físicos realizados anteriormente: caso o avaliado possua algum exame físico 
anterior é importante para vermos como foi realizado e se houve algumas 
mudanças importantes. 
Problemas ortopédicos, uso de medicamentos e alergias são parâmetros 
importantes para defi nir uma meta de treino ou adaptar uma prescrição conforme 
a condição do avaliado. Importante também destacar, para o conhecimento do 
avaliador e treinador, outros hábitos, como tabagismo e etilismo, e profi ssão, caso 
o indivíduo labore em outros locais (LEÃO; GOMES, 2014).
Parâmetros fi siológicos
Segundo Leão e Gomes (2014), essas medidas são importantes para tipos e 
cargas de treino. São utilizados parâmetros como: idade; no caso de o avaliado ser 
do gênero feminino, o ciclo menstrual, para determinação do treinamento de força 
e de cargas para se evitar lesões durante o ciclo hormonal; importante também 
verifi car a frequência cardíaca em repouso e de treino para determinarmos o 
limiar aeróbio, além do IMC e da relação cintura quadril, o que pode nos dar um 
parâmetro importante de doenças cardiovasculares.
Questionário par-q (physical activity readiness questionaire)
O PAR-Q é uma ferramenta simples de autoavaliação, normalmente usado 
por treinadores para determinar a segurança ou os possíveis riscos do exercício 
com base no histórico de saúde, sintomas atuais e fatores de risco do avaliado. 
Também pode ajudar o treinador a criar uma prescrição de exercício ideal para um 
indivíduo. Todas as perguntas foram elaboradas para ajudar a descobrir qualquer 
risco potencial à saúde associado ao exercício. O risco potencial mais sério do 
exercício intenso é o de um problema cardíaco ou outro evento cardíaco súbito 
em alguém que não foi ainda diagnosticado com problemas cardíacos (WHALEY 
et al., 2006).
Embora o PAR-Q não seja um histórico médico completo, as perguntas visam 
revelar problemas cardíacos, circulatórios, de equilíbrio, médicos, emocionais e 
articulares que podem tornar os exercícios difíceis, ou mesmo perigosos, para 
algumas pessoas. Segundo Whaley et al. (2006), o PAR-Q pode e deve ser usado 
por qualquer pessoa que esteja planejando iniciar um programa de exercícios e 
mantê-lo, seja por conta própria ou com a ajuda de um treinador ou instrutor. 
Também é recomendado para quem deseja aumentar a intensidade de sua rotina 
de exercícios atuais. 
40
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Quais são as perguntas do PAR-Q? O PAR-Q contém apenas sete perguntas 
de sim ou não, tornando-o rápido e fácil de responder. Essas questões são: 
1. O seu médico já disse que você tem problema de coração e que só deve 
fazer atividade física recomendada por um médico?
2. Você sente dor no peito quando faz atividade física?
3. No último mês, você sentiu dor no peito quando não estava praticando 
atividade física?
4. Você perde o equilíbrio por causa da tontura ou perde a consciência?
5. Você tem algum problema ósseo ou articular que pode ser agravado por 
uma mudança em sua atividade física?
6. O seu médico está prescrevendo medicamentos (por exemplo, 
comprimidos de água) para sua pressão arterial ou problemas cardíacos?
7. Você conhece algum outro motivo pelo qual não deveria praticar 
atividade física?
Resultados PAR-Q
Segundo Adams (1999), as respostas a essas perguntas podem ajudar a 
determinar a prontidão para iniciar um programa de exercícios ou aumentar a 
intensidade do programa atual.
Se a maioria das respostas foram sim, o próximo passo é fazer o PAR-Q +, 
que é uma série de 10 perguntas de acompanhamento. Essas perguntas mais 
aprofundadas perguntam se o indivíduo tem problemas de saúde específi cos, 
como artrite e câncer. Tendo uma resposta sim a qualquer uma delas é 
recomendado que o indivíduo consulte um médico antes de fazer um teste de 
condicionamento físico ou aumentar substancialmente a atividade física. 
Se a maioria das respostas do PAR-Q foram não, pode estar razoavelmente 
certo de que o indivíduopode se exercitar com segurança e tem baixo risco de 
ter quaisquer complicações médicas decorrentes do exercício. Ainda é importante 
começar devagar e aumentar gradualmente. Também pode ser útil fazer uma 
avaliação de condicionamento físico para determinar por onde começar (ADAMS, 
1999).
IMC
Como vimos, o IMC é extremamente importante, porém não traz parâmetros 
fi éis, ainda mais com pessoas treinadas, em que o índice de massa deste indivíduo 
será maior devido a sua condição e isso está relacionado com o aumento de 
massa magra e não com o aumento de massa gorda (FIGURA 3).
41
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
FIGURA 3 – IMC
FONTE: <https://www.efdeportes.com/efd175/analise-do-imc-em-
escolares-na-zona-rural.htm>. Acesso em: 6 out. 2021.
RCQ – Relação Cintura-Quadril
Este é um parâmetro importante, pois correlaciona a concentração de massa 
gorda com os riscos cardíacos. Quanto mais elevada a concentração de gordura 
próxima ao sistema cardíaco, maior o risco para o desenvolvimento de doenças 
neste sistema (Figura 4). Para se calcular, devemos utilizar uma fi ta métrica em 
volta da região da cintura, na parte mais estreita, passar em volta do quadril, na 
parte mais larga, e o resultado deve ser calculado dividindo o resultado obtido da 
cintura pelo do quadril.
FIGURA 4 – TABELA DE RISCO CINTURA-QUADRIL
FONTE: <https://www.tuasaude.com/relacao-cintura-quadril/>. Acesso em: 6 out. 2021.
Análise visual postural
Esta análise é fundamental para se visualizar alguns desvios que podem 
prejudicar o indivíduo ou o treino que está sendo executado, é importante 
também para determinar a biomecânica do exercício. Neste tipo de avaliação, a 
importância da visualização será sempre a coluna vertebral (Figura 5), os joelhos 
(Figura 6) e os pés (Figura 7).
42
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
FIGURA 5 – COLUNA VERTEBRAL
FONTE: <https://pt.depositphotos.com/vector-images/escoliose.
html?qview=91303554>. Acesso em: 6 out. 2021.
FIGURA 6 – JOELHOS
FONTE: <https://www.researchgate.net/fi gure/Figura-1-Tres-diferentes-tipos-alinhamentos-
do-membro-inferior-A-geno-varo-B_fi g1_303486788>. Acesso em: 6 out. 2021.
FIGURA 7 – PISADA
FONTE: <https://rsaude.com.br/img/noticias/g/voce-cuida-da-sua-
postura-20122017172039.png>. Acesso em: 6 out. 2021.
43
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
1 Uma das medidas mais importantes na antropometria e de fácil 
aferição é a medida de peso. Para realizá-la, são importantes 
alguns parâmetros e, principalmente, alguns requisitos. Com 
relação à aferição de peso, assinale a alternativa CORRETA:
a) Verifi cado em uma balança calibrada, em que o indivíduo é 
posicionado em pé, descalço, no centro da balança e com roupas 
leves. O valor aferido representa o peso atual do indivíduo 
naquela data.
b) Defi nido com alguns parâmetros, tais como idade, biótipo, sexo 
e altura. Devido às variações individuais, o peso pode variar de 
10% para baixo ou para cima.
c) Referência na avaliação às mudanças recentes de peso e em 
caso de impossibilidade de aferição do peso atual. Geralmente, é 
o peso que se mantém por maior período.
d) O indivíduo deve estar em posição supina e com leito horizontal 
completo. Marcar o lençol na altura da extremidade da cabeça e 
da base do pé no lado direito do indivíduo com o auxílio de 
um triângulo.
5 AVALIAÇÃO NEUROMOTORA
É importante salientar que a avaliação neuromotora é essencial para a saúde 
e as funções fi siológicas dos indivíduos. Sempre buscamos analisar a força dos 
grupos musculares, denominados fl exores e extensores de tronco, com o objetivo 
de identifi car alguma assimetria na força desses músculos, já que possíveis 
diferenças de força entre esses grupos musculares podem estar ligadas a dores 
ou lesões nessa região (KENDALL, 2007). Poucos indivíduos vão a óbito pela 
falta de fl exibilidade ou uma força diminuída, no entanto, muitas pessoas sofrem 
com problemas lombares crônicos e a diminuição da força muscular com o fator 
de envelhecimento, isso associado à falta e/ou à carência de atividade física, 
tornando-se visível a importância de exercícios regulares para a manutenção do 
aspecto neuromuscular, baseados em fl exibilidade, força e resistência muscular 
localizada.
44
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
5.1 TESTES DE AVALIAÇÃO 
NEUROMOTORA
Dentre estes testes, podemos começar com os de fl exibilidade, que 
demonstram a qualidade física, que pode ser defi nida com uma certa amplitude 
do movimento em algumas articulações e apresenta relevante papel de níveis 
de aptidão física e saúde. Os testes de fl exibilidade podem ser realizados com 
medidas angulares, em que os resultados são expressos em graus realizados 
através de aparelhos próprios para eles. Os testes de medidas lineares, 
como sentar e alcançar, são os mais difundidos por prescindirem de alguns 
instrumentos para serem realizados. Os testes de medidas adimensionais 
avaliam a fl exibilidade, de forma passiva, com aproximadamente 20 movimentos 
específi cos (KENDALL, 2007).
Testes angulares são aqueles que possuem os seus resultados em ângulos 
(formados entre os dois segmentos corporais que se opõem na articulação). A 
medida dos ângulos é denominada de goniometria e tem sido o método mais 
frequentemente utilizado na literatura sobre fl exibilidade e mobilidade articular.
Instrumentos:
• Flexômetro de Leighton.
 Fleximeter – (baseado no Flexômetro de Leighton).
 Eletrogoniômetro.
• Goniômetro – (goniometria).
Testes adimensionais são os testes de fl exibilidade como adimensional 
quando não existe uma unidade convencional, tal como ângulo e centímetros, para 
expressar o resultado obtido. Como regra, eles não dependem de equipamentos, 
utilizando-se unicamente de critérios ou mapas de análise preestabelecidos. 
• Testes de Carter – Wilkinson e Beighton – Horan.
• Flexiteste – original (20 movimentos analisados).
• Flexiteste – adaptado (8 movimentos analisados).
Testes lineares se caracterizam por expressar os resultados em uma escala de 
distância, tipicamente em centímetros ou polegadas. Utilizam primariamente fi tas 
metálicas, réguas ou trenas para a mensuração. Os testes lineares apresentam 
como pontos fracos a incapacidade de dar uma visão global da fl exibilidade do 
indivíduo e a provável interferência das dimensões antropométricas sobre os 
45
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
resultados dos testes. 
Banco de Wells
 Sentar e alcançar – Seat and Reach Test. 
• Extensão de tronco e pescoço – Trunk-andreck Extension Test. 
• Afastamento lateral dos membros inferiores – Side Split. 
• Teste de Schoberlike – avalia a coluna cervical. 
• Teste de Schober – avalia a coluna torácica e lombossacro. 
• Teste de Ott – avalia a coluna torácica e lombossacro.
• Teste de tocar os dedos para fl exibilidade do manguito rotador. 
• Teste de Amplitude de Movimento das Costas Passivo.
• Teste de Amplitude de Movimento das Costas Ativo.
• Testes Combinados de Flexão do Tronco e da Articulação do Quadril de 
Calliet.
Teste de força
Segundo Kendall (2007), a avaliação de força é fundamental para uma 
prescrição efi caz, tendo como objetivo a promoção da saúde. É importante 
também para atenuar a diminuição de força muscular e densidade óssea, 
principalmente quando associada ao processo de envelhecimento. Os estudos 
de força têm mostrado uma redução dos riscos de lesão articular e musculares 
que podem ocorrer durante as atividades. Dentre esses parâmetros, podemos 
destacar também a resistência muscular, que é a capacidade de executar e 
contrair os grupos musculares repetidamente por um período específi co, podendo 
causar algum tipo de fadiga ou manter estatisticamente uma contração muscular 
voluntária máxima por um período prolongado.
Alguns testes de forçapodem ser aferidos de forma: isométrica ou estática, 
em que a musculatura envolvida nesse teste desenvolve tensão sem mudar o 
comprimento da fi bra muscular; isotônica, também conhecida como dinâmica, 
em que a tensão deve estar constante em toda a amplitude de movimento, 
podendo acontecer de forma concêntrica e excêntrica; e isocinética, que são 
testes realizados com contrações com velocidade constante em amplitudes de 
movimentos. Neste teste existe a necessidade de equipamentos especiais que 
permitem a velocidade constante na contração, independentemente da carga.
Para uma mensuração de força e resistência, são empregados desde 
aparelhos, como dinamômetros, tensiômetros e até pesos livres. Podemos 
classifi car esses testes em força máxima, força explosiva e força rápida.
46
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
1 Algumas pessoas são mais fl exíveis e possuem um talento natural 
para algumas atividades, como a ginástica artística ou para 
atividades mais comuns, como a yoga. Outras têm mais força, 
tendo uma maior facilidade para atividades, como musculação 
ou levantamento de peso, como atletas, e existem pessoas que 
têm uma maior potência aeróbia, sendo mais predispostas a 
atividades, como corrida e natação. Através disso, percebemos 
que existem pessoas diferentes, que apresentam diferentes níveis 
iniciais de aptidão física, tanto morfológica, cardiorrespiratória, 
muscular e articular. Lendo essa sentença, podemos defi ni-la 
com qual princípio de treinamento desportivo?
Testes de avaliação de força máxima podem ser classifi cados em testes 
dinâmicos, estáticos e isocinéticos. Os testes dinâmicos utilizam teste de peso 
máximo, também conhecido como o famoso teste de 1 RM (1 repetição máxima), 
que avalia a força dinâmica em um determinado músculo ou um grupo muscular, 
e se refere à quantidade máxima de peso levantado de uma só vez, de forma 
correta e completa.
O teste de 1 RM tem a fi nalidade de aferir a quantidade de força dinâmica 
máxima executando um movimento completo, abrangendo o arco articular como 
um todo. Devemos tomar cuidado com esse teste, pois ele deve ser aplicado em 
pessoas que já fazem uso de trabalho de força e tenham conhecimento corporal 
(KENDALL, 2007).
Para esse teste, serão utilizados aparelhos de treino de força que contenham 
diversos pesos ou barras e anilhas. Na metodologia do teste, constam as 
seguintes etapas: primeiro, escolhe-se o músculo ou grupo muscular que será 
testado. O avaliado realiza uma série de tentativas para determinar a maior 
carga que é capaz de mover em determinado movimento. A carga inicial deve ser 
leve, em função de ser a primeira tentativa, e vai aumentando a carga até que o 
avaliado consiga realizar no máximo uma repetição completa com a maior carga 
possível.
Teste estático: este teste utiliza equipamentos específi cos, que geralmente 
são os tensiômetros e os dinamômetros, para testar a força máxima isométrica. O 
tensiômetro tem a característica de ser leve, versátil, portátil, durável, fácil de usar 
e mensura a força em praticamente todos os ângulos na amplitude do movimento. 
A fi nalidade é mensurar a força máxima de um músculo ou grupamento em 
determinado ângulo do movimento.
47
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
a) Princípio da adaptabilidade.
b) Princípio da especifi cidade.
c) Princípio da individualidade.
d) Princípio da progressividade.
2 Este princípio estabelece que, para adquirir uma boa aptidão 
física, o organismo precisa ser submetido a esforços cada 
vez maiores (mais intensos ou por um tempo maior, ou ainda 
em maior frequência), de tal maneira que possa provocar no 
organismo reações de adaptação que acarretem na melhoria da 
aptidão. A isto, chamamos de:
a) Volume/intensidade.
b) Especifi cidade.
c) Reversibilidade.
d) Sobrecarga.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Vimos neste capítulo as referências históricas do treinamento desportivo 
e como esses fatos contribuíram para o que conhecemos atualmente. Vimos 
a evolução, principalmente tecnológica, e como ela infl uencia no planejamento 
individual e/ou coletivo. Vimos também o quão importante é a antropometria, que 
provém da antropologia. O principal fator da antropometria é a avaliação como 
um todo, e sendo uma avaliação de precisão, ela é extremamente importante 
para avaliar dimensões físicas, nutricionais e composição corporal no ciclo de 
treinamento.
Um fator muito importante de conhecimento são os métodos existentes de 
avaliação e como estamos inseridos em um “mar” tecnológico, muitos aparelhos 
estão sendo produzidos com a mais alta tecnologia, benefi ciando não só o 
avaliado, mas também o avaliador. Vimos que as técnicas que não são tão 
tecnológicas são também efi cientes, pois nem todos dispõem de uma condição 
fi nanceira favorável para a compra desses equipamentos. Portanto, mesmo 
utilizando técnicas menos tecnológicas, o planejamento do treinamento também 
consegue ser efi caz, e existem diversas técnicas, chamadas de técnicas “puras”, 
que conseguem realizar esses procedimentos.
48
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Por fi m, vimos as avaliações neurológicas e como elas são efi cientes no 
planejamento de melhora de performance de um atleta ou de uma equipe. Através 
de técnicas simples de avaliação de força, estrutura muscular e fl exibilidade 
podemos aumentar o rendimento de um atleta de forma excepcional.
Até o próximo capítulo!
REFERÊNCIAS
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Physician, [s. l.], v. 45, p. 992-995, 1999.
ALMEIDA, H. F. R. de.; ALMEIDA, D. C. M. de; GOMES, A. C. Evolução 
do treinamento desportivo através da história. Site dos Boleiros, 
c2021. Disponível em: https://sitedosboleiros.webnode.com.br/products/
evolu%C3%A7%C3%A3o%20do%20treinamento%20desportivo%20atraves%20
da%20historia%20(%20novo%20)/. Acesso em: 24 jan. 2022.
BENDA, R. N.; GRECO, P. J. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem 
motora ao treinamento técnico. Belo horizonte, MG: UFMG, 2001.
BOMPA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4. ed. São 
Paulo: Phorte, 2000.
CONFEF. Nota Técnica n° 002/2012. A avaliação física em programas de 
exercícios físicos e desportivos. Disponível em: https://www.confef.org.br/confef/
conteudo/837. Acesso em: 21 jan. 2022.
COSTA, L. P. da. Fundamentos do treinamento desportivo. Caderno Didático. 
Rio de Janeiro: Departamento de Educação Física e Desportes, 1972.
COSTA, M. G. da. Ginástica localizada: grupos heterogêneos. Rio de Janeiro: 
Sprint, 1996.
COTRIM, G. Educação para uma escola democrática: história e fi losofi a da 
educação. São Paulo: Saraiva, 1987.
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 4. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 
1998.
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 6. ed. São Paulo: Roca, 
2014.
49
ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 1 
FERNANDES, J. L. O treinamento desportivo: procedimentos, organizações, 
métodos. São Paulo: EPU, 1981.
FRANCESCHINI, S. do C. C. et al. Técnicas de aferição de medidas 
antropométricas e de composição corporal. São Paulo: UFV, 2017.
GALISA, M. S. Cálculos nutricionais: análise e planejamento dietético. São 
Paulo: Payá, 2018.
HEGEDUS, J. Treinamento desportivo. Coleção Educação Física Escolar. 
Volume I. São Paulo: Esporte e Educação Ltda., 1969.
KENDALL, F. P. Músculos: provas e funções com postura e dor. 5. ed. São 
Paulo: Manole, 2007.
LEÃO, L. S. C. S.; GOMES, M. do C. R. Manual de nutrição clínica para 
atendimento ambulatorial do adulto. 15. ed. São Paulo: Vozes, 2014.
PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 5. ed. São Paulo: 
Fontoura, 2001.
TUBINO, M. G. Metodologia científi ca do treinamento desportivo. 4. ed. São 
Paulo: Ibrasa, 1985.
TUBINO, M. G. Metodologia científi ca do treinamento desportivo. 13. ed. São 
Paulo: Shape, 2003.
WEINECK, J. Biologiado esporte. São Paulo: Manole, 1991.
WEINECK, J. Treinamento ideal. 3. ed. São Paulo: Manole, 2003.
WHALEY, M. H. et al. ACSM's Guidelines for exercise testing and 
prescription. 7th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2006.
50
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
CAPÍTULO 2
O FATOR PLANEJAMENTO NO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Planejar de forma técnica os tipos de treinamentos para pessoas e atletas 
pensando em tempo de treino.
• Entender como é a infl uência dos programas de avaliação e planejamento no 
tipo muscular e como a má gestão destes pode infl uenciar de modo negativo 
em uma competição de alto rendimento. 
• Aprender tanto o treinamento coletivo quanto o treinamento individualizado.
• Aprender como, onde e quando devemos intensifi car o treino, dar rest pause e 
incentivar os indivíduos com as mudanças de treino. 
• Entender as bases do treinamento personalizado frente à periodização de 
treino.
52
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
53
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Atualmente, em quase todos os esportes, o ano de treinamento é dividido em 
vários períodos e ciclos com o objetivo específi co de alcançar o alto rendimento 
por meio de uma preparação sistemática. Com isso aparecem fases e períodos, 
surgindo, assim, o termo periodização. 
Segundo Bompa (2001), entende-se por periodização a subdivisão da época 
de preparação em estágios com objetivos, diretrizes e características específi cos, 
o que implica a defi nição de procedimentos e diretrizes de treinamento específi cos. 
As fases são importantes no planejamento da formação, visto que têm uma 
infl uência decisiva na organização e estruturação da formação. Os fundamentos 
que justifi caram a necessidade de dividir a temporada em determinados períodos 
e fases de preparação residem, inicialmente, na necessidade de responder às 
especifi cidades do treino, determinadas pelas variações climáticas, adaptação 
do organismo e, por fi m, pelo reconhecimento de peculiaridades inerentes às 
diferentes modalidades esportivas, que devem ser atendidas e respeitadas pela 
lógica do processo de preparação. 
O conceito fundamental que promove a periodização é baseado na síndrome 
de adaptação geral, que sugere que a adaptação do corpo passa por três fases 
quando se depara com uma necessidade. Neste caso, o estímulo oferecido é 
chamado de choque: quando o corpo enfrenta um novo estímulo de treinamento, 
a “dor” (desconforto) se desenvolve e o desempenho realmente diminui. A 
segunda fase é a adaptação do estímulo: o corpo se adapta ao novo estímulo de 
treinamento e o desempenho aumenta (TUBINO, 2003).
Segundo preconiza Tubino (2003), a terceira fase é caracterizada pelo 
cansaço: o corpo já se adaptou ao novo estímulo, sem qualquer outra adaptação. 
Nessa fase, o desempenho pode não mudar ou, no caso de muitos atletas 
altamente motivados, o desempenho pode diminuir devido ao excesso de 
treinamento. A grande importância da periodização do treinamento esportivo 
reside na possibilidade de controlar o processo da forma esportiva como um 
estado ótimo de preparação (o melhor possível) do atleta para alcançar certos 
resultados esportivos.
Em geral, a forma esportiva é uma unidade harmônica de todos os aspectos 
(componentes) da capacidade ideal do atleta: físico, mental, técnico e tático. 
Somente a presença de todos esses componentes permite afi rmar que o atleta 
está em boa fase da forma, tentando fazer coincidir o período de bons resultados 
com o período das grandes competições. Nesse sentido, a periodização do 
treino desportivo visa organizar e orientar o processo de preparação para que a 
54
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
manifestação da forma aconteça durante a competição ou durante as competições 
mais importantes da temporada dividida em três períodos: preparação, competição 
e transição, que correspondem às três fases do formulário, respectivamente, 
aquisição, manutenção e perda temporária (WEINECK, 2003).
2 MONTAGEM E PLANEJAMENTO DO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
O programa anual é uma ferramenta que orienta o treinamento atlético. 
Segundo Bompa (2001), o treinamento é baseado em um conceito de 
periodização, que, por sua vez, é dividido em fases e princípios do treinamento. 
O conhecimento existente sobre planejamento esportivo, bem como o controle de 
treinamento, é algo que nenhum profi ssional deve ignorar. 
É igualmente verdade que os treinadores que atuam na área do alto 
rendimento esportivo aplicam esses conhecimentos de forma fundamentalmente 
artesanal e individual para melhorar o desempenho de seus atletas (FEAL; 
NAVARRO; FONTOIRA, 2001). O principal objetivo do treinamento é fazer com 
que o atleta atinja um alto nível de desempenho em uma certa circunstância, 
especialmente durante a principal competição do ano, perfazendo uma boa forma 
atlética (BOMPA, 2001). 
2.1 O FATOR PLANEJAMENTO NO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
Para uma boa estruturação, temos os conceitos da planifi cação:
• A planifi cação não é intuitiva. Pelo contrário, tem que seguir um processo.
• Os objetivos devem estar de acordo com os problemas e necessidades, 
devendo estabelecer-se claramente.
• As metas, os objetivos e, em última instância, os fi ns devem ser 
alcançáveis, realistas (o que não exclui uma certa ousadia e um certo 
nível de risco).
• A planifi cação é um processo sequencial e logicamente ordenado, não 
se desenvolve tudo simultâneo e nem caprichosamente.
• A planifi cação está imersa no meio ambiente, não podendo desprezá-lo 
e nem trabalhar à margem dele.
• Toda planifi cação pressupõe uma troca efetiva a respeito da situação 
existente.
• Planifi ca-se para a execução. Não se pode falar de verdadeira 
55
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Após as Olimpíadas de Tóquio, muitos atletas jovens têm 
se destacado e até ganhado medalhas em seus esportes, mas 
o que podemos dizer sobre o treinamento de alto rendimento com 
crianças? Leia a notícia sobre Giovanna Wacksman, atleta de futebol 
do Botafogo com 12 anos de idade, que já se revela uma superatleta, 
disponível em: https://www.fogaonet.com/noticias-do-botafogo/
giovanna-waksman-vai-jogo-botafogo-ganha-camisa-rafael-sera-
emprestada-internacional/.
planifi cação sem a intenção de pôr em prática o trabalho exclusivamente 
teórico, deve, portanto, existir vontade de fazê-la efetiva (SANCHO, 1997 
apud FORTEZA, 2001).
Nesse contexto, Forteza (2001) considera que o planejamento do treino 
desportivo é a organização de tudo o que acontece nas fases de preparação 
do atleta, portanto, o sistema que relaciona os momentos de preparação e 
competição. Essa defi nição deixa em aberto o problema atual do planejamento de 
desempenho competitivo. Estrutura e planejamento são dois termos indissociáveis 
no processo de preparação esportiva, mas são diferentes. A estrutura organiza o 
cronograma para treinamento e competição. A estrutura formativa é de carácter 
temporário, considera o início e o fi m do processo de preparação e qualifi cação e 
será determinada basicamente por:
• Calendário competitivo, que considera o número de competições, a 
frequência, o caráter e a dispersão ou concentração das competições 
em um período de tempo.
• Organização e dosifi cação das cargas, que considera se estas serão 
diluídas ou concentradas. A concepção adotada no caráter da carga, 
quer dizer, a proporcionalidade entre as cargas gerais e as especiais.
• As direções de treinamento, objetos de preparação, que consideram 
as direções determinantes do rendimento (DDR) e as direções 
condicionantes do rendimento (DCR).
A estruturação do rendimento desportivo é considerada hoje uma das 
principais condições para se ter umresultado esportivo e isso se aplica a qualquer 
esporte.
56
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Para analisar uma estrutura de formação atual, deve-se partir da estrutura 
formulada por Matveiev (1977), conhecida mundialmente como periodização de 
formação. Periodização e planejamento são conceitos diferentes: periodização 
é o período e planejamento é a integração do processo de receita. O objetivo 
deste estudo é mostrar as diferentes estruturas da periodização pedagógica do 
treinamento esportivo no contexto de uma pesquisa bibliográfi ca.
2.2 O TREINAMENTO ESPORTIVO 
COMO PROCESSO EDUCACIONAL
O treinamento esportivo moderno como processo educacional ocorre sob a 
orientação de princípios científi cos consagrados, que podem ser divididos em dois 
grupos básicos: gerais e específi cos (SIFF; VERKHOSHANSKY, 2000). 
A teoria do treinamento esportivo afi rma que o conhecimento dos princípios 
científi cos, comumente referidos como leis e regras, podem, na prática, 
pavimentar o caminho para o sucesso. O próprio regulamento apresenta objetivos, 
dependências e elos essenciais no domínio da atividade desportiva. Basta formar 
bases sólidas para a obtenção de resultados esportivos não subjetivos. A diferença 
entre as manifestações inconscientes das leis e as regras da atividade, que aqui 
também inclui o esporte, dá a liberdade de escolher uma de suas variantes e leva 
a resultados diferentes, dependendo da variante escolhida e das circunstâncias 
específi cas. 
Segundo Tubino (2003), o efeito de usar os mesmos meios e métodos de 
preparação esportiva em diferentes situações não é o mesmo. Por isso atribui 
particular importância à procura de objetivos e à consequente concretização de 
princípios consolidados, isto é, de teses, que no estado ideal revelam as regras 
fundamentais e, ao mesmo tempo, a liderança, mais precisamente das condições 
de prática esportiva. Portanto, o cumprimento do Regulamento de Preparação 
Esportiva está vinculado à elaboração dos princípios norteadores. 
Os princípios são adequados apenas se revelarem objetivamente as regras 
e não forem deduzidos ao acaso. É aqui que os princípios e regras relevantes 
trabalham juntos: as regras são primárias e os princípios (como uma representação 
das regras) são secundários. 
A implementação do plano, fundamentalmente, aborda os principais 
problemas metodológicos a serem elaborados nas formas de preparação 
esportiva. Existem pontos em comum quando se trata de fazer ajustes em 
um plano de preparação anual e um plano de preparação de longo prazo. 
57
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Veremos, agora, o plano de preparação do produto em cada estágio de seu 
desenvolvimento. As etapas do planejamento da preparação têm muito a ver 
com praticamente tudo aquilo que devemos fazer antes de chegarmos ao fi nal da 
elaboração de qualquer planejamento e devemos dar-lhe forma, anotando. Essas 
etapas estão profundamente ligadas aos problemas relacionados com os fatores 
que infl uenciam o planejamento (ZAKHAROV; GOMES, 1992).
É importante reunir e organizar as diferentes partes que, uma vez 
devidamente harmonizadas, constituem o próprio plano. Há um grande número de 
operações a serem realizadas, algumas das quais são muito diferentes. Estude, 
analise, compare, caracterize pessoas, construa baterias de teste e/ou controle 
de testes, entre outras.
Estes são alguns fatores que não devemos esquecer quando formos montar 
um plano de treino:
1. Análise da situação anterior. 
2. Conhecimento detalhado de modelos de competição e treinamento. 
3. Caracterização de cada atleta e seu respectivo grupo. Esta caracterização 
resulta da comparação dos dados dos dois fatores anteriores (modelos 
de jogo e preparação) com os resultados da análise da situação anterior. 
Dessa comparação, teremos dados sobre o que fazer a seguir: 
a) Estabelecer os objetivos da preparação: elementos fundamentais de 
ordem física, tática, técnica, psicológica e teórico-metodológica. Os 
objetivos da preparação podem ser determinados pelos grupos de 
atletas e individualmente. 
b) Estabelecer objetivos de desempenho: classifi cação na prova; 
promoções para níveis superiores; convocar jogadores para times 
estaduais, nacionais e internacionais. 
c) Defi nição de ideias de jogos (no caso de jogos desportivos): será com 
base nos objetivos estabelecidos e no conceito de jogo defi nido que 
veremos quanto tempo vai demorar para os atingir.
4. Conhecimento do calendário competitivo.
No caso de elaboração de um plano de preparação, basta conhecer as 
principais competências, o que lhe permitirá estabelecer o prazo específi co. 
• Para a elaboração de um plano anual de preparação, no entanto, 
é necessário conhecer todas as competições em que os atletas 
participarão, independentemente da sua natureza. 
58
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
• Estabelecido o calendário competitivo anual completo, é determinada 
a ordem de importância das partidas ou competições. É a ordem de 
importância que servirá de base para a periodização do processo 
de preparação anual e a determinação dos diferentes mesociclos de 
treinamento, cada um com sua especifi cidade. 
5. Programação de taxas de treinamento esportivo. Sendo a forma esportiva 
o resultado qualitativo do processo de preparação, parece claro que não 
deve continuar a ser avaliada por meio de frases, como ‘me sinto bem’, 
‘não me sinto bem hoje’ etc. Quantas vezes nós treinadores já ouvimos 
essas frases, ou semelhantes, que tentam demonstrar que o praticante 
se sente ou não capaz de realizar determinadas tarefas (no treinamento 
ou mesmo diretamente na competição). A forma desportiva é o objetivo 
do treino e é fundamental que possamos identifi cá-la. O desenvolvimento 
tecnológico, na era das tecnologias da informação, facilita essa ação. 
Portanto, a forma esportiva deve ser expressa, na medida do possível, 
por meio de dados objetivos obtidos em diagnósticos médicos biológicos, 
bem como por meio de dados específi cos fornecidos pela própria 
competição. Assim, é possível ter: 
a) resultados em testes de controle específi cos; 
b) valores de índices funcionais, consumo máximo de oxigênio, capacidade 
de esforço anaeróbio; 
c) resultados de comportamento psíquico. 
6. Estabelecer números de indicadores de prontidão; para cada mesociclo, 
o número de: dias de preparação; sessão de treinamento; jogos e 
competições; dias de descanso etc.
7. Teste. É necessário identifi car os momentos em que é conveniente 
e útil aplicá-los de acordo com a divisão em mesociclos obtida após 
a determinação da ordem de importância dos jogos e das diferentes 
competições. Os resultados são registrados em planilhas individuais. 
8. Controle médico. Pode ser geral ou parcial. As datas de implementação 
devem ser estabelecidas. Além disso, as marcações não podem ser 
escolhidas aleatoriamente, há momentos em que é necessária a 
supervisão médica e outros em que é aconselhável. Aqui estão alguns 
exemplos: 
• Antes de começar. 
• Antes de um período difícil de competição, para saber em que condições 
se encontram os atletas. 
• Antes do período de transição, para saber como organizar esse tempo 
para cada atleta. 
59
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
9. Meios de manter e restaurar a efi ciência. Eles serão específi cos 
dependendo das características dos mesociclos nos quais serão usados. 
10. Apoio científi co e metodológico. Também terá um caráter específi co, 
dependendo dos diferentes tipos de mesociclos, que podem ser: 
a) pesquisas laboratoriais (por exemplo, determinações bioquímicas); 
b) investigações de campo (por exemplo, observação e coleta de dados 
para avaliação estatística da própria equipe e dos futuros adversários; 
controle do treinamento por meios telemétricos). 
11. Aspectos materiais e administrativos. 
É você quemfi nalmente permite que o plano se concretize ou não. 
Precisamos ter uma ideia muito clara de ‘em que podemos confi ar’. Esta também 
é a área por excelência para uma cooperação estreita e efi caz com diretores de 
esportes. 
12. Elabore o plano e não se esqueça da documentação anexa (fi chas 
desportivas, principais grupos de recursos a utilizar no processo de 
treino, documentação de treino, aspectos de individualização de treino 
etc.). 
Como todo plano tem necessariamente uma parte descritiva e um gráfi co, 
cada treinador deve desenhar um certo número de formas (incluindo mesociclo, 
microciclo, treinos, formas de atleta etc.). 
2.3 PLANEJAMENTO DE LONGO 
PRAZO 
Atualmente, você difi cilmente pode esperar muito dos planos de curto prazo, 
que ocorrem em quase todas as áreas da vida. Parece não haver nada melhor do 
que exemplos (GOMES, 2009). Alemanha, Canadá e Cuba, três países que não 
pertencem ao grupo das grandes potências mundiais em termos de população, 
mas que se inserem no campo dos esportes de alto rendimento. 
Se muitos fatores diversos contribuíram para essa situação, que em cada 
caso foram necessariamente diferentes, a verdade é que esses países se 
benefi ciaram muito com a existência de planos de formação de longo prazo. 
60
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Quanto ao plano de preparação de longo prazo, existem duas alternativas 
para a sua elaboração. O primeiro refere-se à preparação dos atletas de um clube 
e o segundo aos componentes das diferentes equipes. Portanto, não é realizado 
para todas as categorias de atletas e inclui apenas os grupos devidamente 
selecionados. 
Esses planos costumam ter duração de quatro anos (infl uenciados pelos 
ciclos olímpicos), mas também podem ser desenvolvidos por um período mais 
curto (dois ou três anos), como superar o baixo nível de qualidade dos atletas 
de um determinado clube ou por muito tempo. Um plano de preparação de longo 
prazo consiste nos seguintes componentes:
Dados preliminares (parte descritiva) 
a) Caracterização do valor atual da respetiva modalidade e aprofundamento 
das suas tendências de desenvolvimento. Conhecer os modelos e analisar a 
situação anterior são aspectos que têm muito a ver com outros já mencionados. 
Além disso, também é necessário examinar com muito cuidado quais 
aspectos são fundamentais e decisivos para que os componentes individuais 
do processo de treinamento (físico, técnico e psicológico) alcancem resultados 
de alto nível. Outros aspectos estão relacionados à necessidade de prever os 
resultados e estabelecer a hierarquia de valores para cada modalidade. 
b) Composição do grupo e caracterização individual e detalhada dos atletas. 
Devem aparecer aqui os elementos que nos permitem ter a nossa disposição 
uma primeira imagem da matéria humana. 
É necessário ter a informação mais completa possível sobre cada atleta, 
referente à(a): 
• Idade, peso, altura, equipe em que compete. 
• Funções desempenhadas (alternativa principal), tempo de exercício, 
origem (antigo treinador). 
• Índices morfológicos e funcionais. 
Gomes (2009) explicita em seus estudos que é fundamental uma pequena 
anamnese destacando os dados relevantes (parâmetros do esforço anterior 
do atleta, elementos relativos ao último período imediatamente anterior ao 
planejamento, estado de saúde, trauma sofrido e características fundamentais 
do processo preparatório a que foi submetido). Todos esses elementos podem e 
devem ser registrados. 
61
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
c) Novos elementos em preparação. Precisamos estar atentos a novos 
desenvolvimentos, e o mais importante é saber exatamente como e quando 
podemos apoiar e enriquecer efetivamente o nosso processo de formação.
Elementos de conteúdo gráfi co
a) Defi nição de objetivos. Os objetivos serão divididos em gerais, grupais e 
individuais. Para atingir seus objetivos, você precisa se fazer algumas perguntas 
durante o processo de preparação. Para uma melhor e mais efi ciente organização 
do trabalho, é bom que tenhamos uma divisão muito clara dos problemas a 
resolver. Portanto, uns se referirão ao aprendizado, outros à correção de um ou 
outro detalhe, e outros apenas ao seu aprimoramento. 
Parece necessário destacar algumas considerações sobre a metodologia 
a ser seguida para a determinação dos objetivos. Em seguida, iniciaremos com 
uma análise do desempenho da equipe e dos atletas no ano esportivo anterior, 
bem como uma apreciação dos resultados esportivos alcançados. 
Os objetivos de desempenho podem ser de ordem diferente. Portanto, 
podemos ter, entre outras possibilidades, o seguinte:
• Classifi cações das várias competições (as principais) em que a equipe ou 
atleta participará. No caso da equipe, deve-se estabelecer a quantidade 
de pontos com que será possível obter a vaga desejada. Para o atleta 
individual, deve ser feita uma previsão do resultado necessário. 
• Promoção de um a dez atletas pela Seleção Nacional. Quanto aos 
objetivos de preparação, eles devem ser aumentados ano a ano e 
compreender os elementos fundamentais que permitirão o cumprimento 
do modelo e dos objetivos fi nais. Devem ser estabelecidas metas para 
cada componente do processo de treinamento esportivo (preparação 
física geral e especial, preparação técnica, preparação tática, preparação 
psicológica e preparação teórica) e para cada ano de sua duração.
• b) Calendário de competições. 
Inclui apenas as competições principais (campeonato nacional, competições 
internacionais ofi ciais), de acordo com as quais serão processadas. 
c) Formas e locais de preparação. As formas de preparação podem ser: 
fases (em altura, costa, entre outras), torneios multi-dias, fases especiais de 
preparação, preparação normal no clube, fases de preparação comuns com 
clubes ou seleções, entre outras. 
62
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
As formas e locais de preparação são escolhidos em função das 
possibilidades materiais existentes, dos objetivos propostos, da periodização do 
processo formativo e da necessidade de aperfeiçoamento. 
O diagnóstico e os exames médicos são importantes para conhecer a 
evolução dos índices (carta desportiva). 
d) Parâmetros de preparação. Este item deve incluir os dados mais 
signifi cativos e cruciais para o progresso: número de sessões de treinamento 
(com a equipe, com grupos de atletas, individualmente), número de partidas e/
ou competições, número de dias de preparação, número de dias de treinamento, 
viagem, número de dias de descanso, tempo dedicado à preparação física, tática 
e técnica, entre outros.
Plano anual de treinamento do ciclo 
O plano anual é um documento obrigatório para qualquer categoria de atleta. 
Portanto, pode ou não vir de um plano de preparação de longo prazo. Nesse 
caso, servirá para atingir gradativamente os objetivos traçados em segundo plano 
e deverá incluir elementos com infl uência direta, no que diz respeito à preparação 
dos atletas para as necessidades atuais e de longo prazo.
Um plano de preparação anual deve incluir: 
Conjunto de dados preliminares (parte descritiva). 
a) Equipe de especialistas. Serão apenas anotadas as mudanças que 
possam ter ocorrido e estudadas as possíveis consequências nas diferentes 
formas de colaboração e na dinâmica de relacionamento que deve existir entre os 
diferentes membros da equipe. 
b) Composição do grupo de atletas. 
c) Defi nição de metas. 
d) Calendário de competições. 
Com relação ao plano de preparação de longo prazo, Weineck (2003) relata 
que se devem considerar todos os jogos ou competições em que a equipe e/ou 
atletas competirão, independentemente de sua natureza. O calendário competitivo 
completo nos fornece a periodização do treinamento. 
A ordem de importância dos jogos nos leva a dividir o processo de preparação 
em diferentes mesociclos, cada um com sua especifi cidade bem defi nida. 
a) Formas e locais depreparação. 
63
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
b) Parâmetros de preparação e compromisso. Escalonado por mesociclos, 
com registro e controle estrito da relação entre o que é planejado e o que 
é feito. 
c) Testes de controle. Exame médico. Direção de moda esportiva. 
d) Meios de recuperação e esforço. 
e) Assistência metodológica científi ca (pesquisa, documentação, controle 
de treinamento, entre outros). 
f) Aspectos materiais e administrativos. 
 Análise detalhada da situação anterior (dos atletas e da equipe). Proceda 
conforme descrito no plano de preparação de longo prazo.
2.4 MONTAGEM DE PROGRAMAS DE 
AVALIAÇÃO
Durante todo o processo da atividade motora do indivíduo, muitas tarefas 
motoras têm que ser resolvidas. A solução dessas tarefas está relacionada 
à percepção da atividade motora (AM). A atividade motora, que faz parte da 
atividade integral do indivíduo, deve estar sempre atenta e orientada. A diferença 
entre o princípio da atividade motora e o movimento em função do organismo 
humano se manifesta por meio da locomoção motora humana de duas maneiras:
• manutenção constante da posição corporal (postura); 
• deslocamento do corpo em relação ao meio circundante ou deslocamento 
de algumas de suas partes em relação a outra (PLATONOVOV, 2008).
As ações motoras constituem um meio completo e específi co de preparação 
do atleta, e cada tipo de atividade esportiva se caracteriza pelo seu conjunto de 
ações motoras. Como regra geral, um movimento conjunto por si só ainda não 
constitui um AG independente. A ação com a qual o atleta resolve a tarefa motora 
é composta por movimentos articulares distribuídos e interligados no espaço e no 
tempo. Em cada ação motora, movimentos isolados podem ser condicionalmente 
distinguidos. Assim, no salto em altura, destacam-se: impulso, ação combinada 
de elevar a perna acima da barra e aterrissar (BARBANTI, 1997). 
O exercício físico é a base da preparação do atleta como processo 
pedagógico. Portanto, os exercícios físicos são a principal forma de utilização das 
ações motoras na preparação esportiva. O exercício físico integrado ao processo 
de preparação do atleta pode ser defi nido como a atividade motora incluída no 
sistema geral de possíveis infl uências pedagógicas destinadas a resolver as 
tarefas de preparação do atleta. A corrida, por exemplo, adquire importância no 
64
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
exercício físico quando é utilizada de acordo com as necessidades justifi cadas do 
ponto de vista de preparação do atleta (GOMES, 2009).
O exercício está necessariamente relacionado ao método, uma vez que o 
processo organizado, visando à melhoria de quaisquer qualidades do indivíduo 
e assumindo um sistema estável de ações repetidas, possui as interconexões 
necessárias para a solução das tarefas planejadas e não apenas um conjunto 
aleatório de operações. Portanto, tais ações, em essência, formam um método. 
Na linguagem esportiva, o termo “meio” indica o que é usado e o termo 
“método” como os meios são usados no processo de atingir a meta de preparação. 
Assim, o exercício representa os meios e a forma como é utilizado representa o 
método (TUBINO, 2003).
Ao lado das ações motoras, existem muitos outros fatores relacionados à 
mídia, cujo uso direcionado determina a efi ciência da preparação do atleta. Por 
exemplo, como meio de preparar o atleta, o seguinte deve ser considerado:
• Equipamentos especiais: o material desportivo, as instalações 
desportivas, os aparelhos de treino desportivos, os aparelhos de 
ginástica, a barra de ferro, a aparelhagem de diagnóstico – testes, 
piscinas. 
• Fatores da natureza: a infl uência do ar e da água, a radiação solar, as 
condições climáticas das zonas montanhosas etc. 
• Condições sociais e ecológicas de vida dos atletas: as condições de vida 
cotidiana, o regime de sono, os estudos, o trabalho, os fatores social, 
econômico e cultural etc. 
• Alimentação do atleta: deve ser vista como fator importante na 
preparação, o que determina, no organismo, a recepção das quantidades 
necessárias de substâncias ricas de energia, água, microelementos, 
vitaminas e sais. 
• Fatores de recuperação: a massagem, os preparados farmacológicos, a 
fi sioterapia, a sauna etc. 
• Infl uências informativas: a informação verbal e visual do técnico, a 
observação como forma de obter dados.
É costume caracterizar o exercício físico pela forma e pelo conteúdo. A forma 
do exercício físico é determinada pelos parâmetros dinâmicos e cinemáticos. 
A cinemática fornece a ideia do aspecto externo dos movimentos do atleta e 
caracteriza-se pelos seguintes parâmetros:
• Espaço: a posição do corpo e de suas partes e a amplitude do movimento. 
• Tempo: a duração do exercício. 
65
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
• Espaço e tempo: a velocidade, a aceleração e a desaceleração.
As características dinâmicas dão uma ideia das forças que infl uenciam 
o movimento do corpo. Esses parâmetros são infl uenciados pelas forças 
relacionadas ao movimento. A ideia integral da forma de exercício físico está 
expressa na ‘técnica do exercício físico’. O conteúdo do exercício físico é revelado 
no processo de atividade locomotora imediata do indivíduo e é caracterizado por 
sua “carga”.
É preciso orientar, na diversidade dos exercícios físicos, o que melhor 
corresponde, em volume mais completo, às tarefas de preparação. A seguir, você 
poderá ver algumas maneiras de classifi car os exercícios com base em diferentes 
indicações.
Classifi cação dos exercícios
Dependendo do regime de contração muscular em movimento, a contração 
muscular em exercício pode ser estática ou dinâmica. Os exercícios físicos 
estáticos são aqueles relacionados à manutenção da posição adotada, como a 
posição do corpo nos exercícios ginásticos nas argolas “cruzadas”. Os exercícios 
físicos dinâmicos estão relacionados ao movimento do corpo ou partes do atleta 
(por exemplo, exercícios para correr e pular). 
A divisão dos exercícios em dinâmicos e estáticos é muito convencional, pois 
a maioria dos movimentos é realizada combinando regimes dinâmicos e estáticos 
com contrações de diferentes músculos. Portanto, para realizar o movimento 
dinâmico da mão ou perna, todos os músculos do tronco devem primeiro se 
certifi car de que estão em uma determinada posição estática. Por outro lado, 
para manter a posição, é necessário que, antes de qualquer ação que perturbe 
essa posição, sejam realizados os correspondentes movimentos dinâmicos 
compensatórios (FORTEZA, 2001). 
Quanto à estrutura do movimento, os exercícios dinâmicos dividem-se 
em cíclicos, acíclicos e mistos (BOMPA, 2001). Os exercícios cíclicos são 
caracterizados pela repetição múltipla de ciclos de movimento em relação à 
estrutura biomecânica. Ao fi nal de cada ciclo de movimentos, todas as partes do 
corpo do atleta voltam à posição inicial (corrida, natação, ciclismo etc.), o que 
permite a possibilidade de repetição dos movimentos por muito tempo.
Os exercícios acíclicos caracterizam-se pela variação no fi nal do movimento 
em comparação com a inicial, o que exclui a possibilidade da repetição reiterada 
e ligada de tais movimentos (ex.: arremessos e ações motoras nos jogos 
desportivos).
66
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Quanto aos exercícios mistos, são os que combinam os movimentos do 
tipo cíclico e acíclico (ex.: o salto com vara). Dependendo do volume da massa 
muscular ativa que participa no movimento, os exercícios físicos classifi cam-se em 
exercícios localizados, regionais e globais (TUBINO, 2003). Os exercícios locais 
são aqueles cuja realização participa até um terço de toda a massa muscular 
do corpo do atleta (ex.: o exercício feito apenas com os músculos do braço ou 
da perna). Os regionais são os exercícios cuja realização envolve de um terço 
a dois terços detoda a massa muscular (ex.: exercícios com halteres deitado). 
Os exercícios globais são os que envolvem mais de dois terços de toda a massa 
muscular (natação, corrida, esqui etc.). Essa classifi cação é importante do ponto 
de vista do sistema energético do exercício (GOMES, 2009).
Weineck (2003) relata que, com todas as condições iguais, os exercícios 
globais têm valor energético maior. O aperfeiçoamento físico do indivíduo adquire 
uma orientação especial de preparação somente quando os exercícios são 
escolhidos considerando-se sua signifi cância para o aperfeiçoamento da atividade 
motora na modalidade desportiva praticada. 
A orientação especial constitui o pivô metódico, que determina a estrutura 
e o conteúdo dos meios de preparação do atleta. É por isso que se utiliza mais 
amplamente, na teoria e na prática de preparação dos atletas, a classifi cação 
dos exercícios físicos segundo a medida de semelhança das características 
cinemáticas e dinâmicas das ações motoras que compõem o exercício físico 
dado, com as ações motoras que baseiam a modalidade escolhida da atividade 
competitiva. De acordo com esse indício, todos os exercícios físicos dividem-se 
em exercício competitivo, preparatório especial e preparatório geral.
Exercício competitivo
É uma atividade motora integral, dirigida no sentido da solução da tarefa 
locomotora que constitui o objeto da competição e realizada de acordo com as 
regras da modalidade a ser competida.
É importante salientar os exercícios competitivos propriamente ditos, 
realizados em condições reais, com todos os requisitos próprios das competições. 
A forma de treino (modelo) do exercício competitivo coincide com a primeira forma 
pelas principais características cinemáticas e dinâmicas dos movimentos, mas 
cumpre-se nas condições do treino e é dirigida para a solução das tarefas deste. 
Como exemplo, podemos mencionar o combate no boxe ou a corrida na distância 
igual à de competição, objetivando obter o resultado máximo (GOMES, 2009).
67
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Exercício preparatório especial
Representa o exercício que é muito semelhante, por seu parâmetro, aos 
competitivos. A especialização é um princípio de melhoria muito importante em 
qualquer tipo de negócio. É por isso que esse tipo de exercício representa o 
principal meio que condiciona a melhoria dos resultados desportivos. Deve-se 
notar que os exercícios preparatórios especiais não são idênticos aos exercícios 
competitivos, caso contrário, não haveria razão para recorrer a ele. Esses 
exercícios são usados para garantir a infl uência mais considerável e seletiva 
que corresponde aos parâmetros determinados do exercício competitivo integral 
(MATVEIEV, 1977). 
Os exercícios preparatórios especiais representam um modelo seletivo dos 
componentes da atividade competitiva. São muito importantes na preparação 
especializada do atleta, visto que, nos estágios iniciais de preparação, a adesão 
total ao exercício competitivo é inacessível, devido ao baixo nível de aptidão 
física. Existe a possibilidade de modelar, no processo de treinamento, alguns 
parâmetros, com limitada reprodução simultânea de outros. Tudo isso torna o 
exercício acessível. 
Os exercícios preparatórios especiais aproximam-se gradualmente dos 
competitivos em seus parâmetros. Como exemplo dessa modelagem parcial, 
podemos usar um ciclista ao pedalar em ritmo de corrida, mas com transmissões 
baixas, ou em corridas com uma motocicleta na liderança. Nesse caso, um 
parâmetro corresponde totalmente ao fator rítmico dos movimentos, e o outro se 
limita ao regime de força do exercício (BOMPA, 2000).
Nos esportes cíclicos são muito comuns exercícios preparatórios especiais, 
nos quais são previstas distâncias menores que a distância da corrida, mas 
com a velocidade da corrida, ou, inversamente, trechos mais longos, mas com 
velocidade menor que a corrida. 
Em modalidades de coordenação complexa, como a ginástica, o exercício 
pode ser utilizado com a execução de toda a combinação de competição, mas 
com uma distribuição dos elementos mais longa no tempo do que o exercício de 
competição (competitiva).
68
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
1 A periodização é um dos conceitos mais importantes no 
planejamento do treinamento. O termo vem da palavra período, 
que é uma porção ou divisão do tempo em segmentos menores, 
mais fáceis de controlar, chamados de fases. Existem três 
períodos:
1) Período de planejamento.
2) Período preparatório.
3) Período competitivo.
4) Período transitório.
Quais seriam eles?
a) 1, 2 e 4.
b) 2, 3 e 4.
c) 1, 2 e 3.
d) 1, 3 e 4.
Exercício preparatório geral
Para Tubino (2003), o exercício pode ou não ser semelhante aos principais 
exercícios competitivos. Visto que o organismo humano é único, o desenvolvimento 
de algumas propriedades não ocorre isoladamente do desenvolvimento de outras. 
Uma especialização extremamente estreita, na qual o necessário desenvolvimento 
multilateral é ignorado, contradiz o desenvolvimento natural do organismo. 
Ter isso em mente é fundamental em crianças e adolescentes. Todas as 
experiências na preparação de atletas mostram que o sucesso da especialização 
esportiva em uma determinada modalidade depende em grande parte do 
desenvolvimento físico multilateral. De acordo com essa disposição, a melhoria 
do nível geral das capacidades funcionais do corpo do atleta é essencial para 
o sucesso da especialização desportiva. Essa importante tarefa preparatória é 
resolvida com a ajuda dos exercícios preparatórios gerais (ZAKHAROV; GOMES, 
1992).
A prática desportiva acumulou ao longo da sua história uma enorme 
quantidade de exercícios preparatórios gerais, porém, na resolução de tarefas 
preparatórias, tendo em conta a sua abordagem particular, a composição dos 
69
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
meios de preparação geral do atleta é escolhida de forma a poder contribuir 
precisamente para o desenvolvimento de qualidades dominantes no desporto 
escolhido. 
Todos os meios de treinamento esportivo mencionados não são apenas 
formas de preparação física, mas também de preparação técnica, tática e 
psicológica. Ao mesmo tempo em que são usados meios específi cos, são 
utilizadas formas variáveis de preparação intelectual, moral e estética. A seguir, 
serão descritos exemplos de exercícios para desenvolver habilidades motoras.
Métodos pedagógicos de preparação desportiva
O método de preparação desportiva está diretamente ligado ao objetivo 
pretendido, o qual representa um sistema estável de ações consecutivas 
direcionadas para a solução de tarefas programadas anteriormente.
A preparação integral do atleta pressupõe a obtenção de vários objetivos, 
que determinam os mais diversos meios e métodos de preparação desportiva.
Para cada componente do sistema de preparação do atleta, existe uma 
composição de métodos. Na sequência, será abordada apenas a característica 
geral dos métodos de infl uência pedagógica. Tais métodos, para podermos 
estudá-los com profundidade, serão divididos em três grupos: infl uência prática, 
verbal e demonstrativa (MATVEIEV, 1977).
A especifi cidade da preparação do atleta pressupõe a orientação 
predominante das infl uências sobre o aperfeiçoamento das capacidades 
locomotoras do organismo humano, que determina o signifi cado dominante dos 
métodos de infl uência prática.
No processo de preparação do atleta, tais métodos são apresentados, 
preferencialmente, pelos métodos de exercício físico. Os dois outros grupos de 
métodos, infl uência verbal e demonstrativa, são complementares para a ótima 
realização dos métodos práticos (ZAKHAROV; GOMES, 1992).
Os métodos de infl uência prática são referendados pelos métodos de 
exercício físico conhecidos como: programados, de jogos e competitivos.
Método de infl uência prática “programado”
A programação é uma condição necessáriapara a infl uência direcional 
dos métodos de treinamento e ajuda a resolver com efi cácia as tarefas de 
70
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
preparação. Qualquer método possui um certo grau de programação, mas o 
grau e os parâmetros são diferentes (TUBINO, 2003). Os métodos de exercícios 
programados prescritos são muito diversos. Os aspectos internos do conteúdo de 
cada método possuem características muito específi cas. É conveniente comparar 
as características de cada método com os objetivos específi cos de preparação do 
atleta. Cada método possui uma série de variáveis, que são utilizadas conforme a 
demanda pela tarefa de movimento aumenta. Portanto, apresentaremos a seguir 
apenas a classifi cação geral dos métodos com base em evidências externas 
baseadas em exercícios. Todos os métodos de exercícios programados podem 
ser divididos em dois subgrupos:
• Métodos orientados para o ensino da técnica das ações motoras. 
• Métodos orientados para o treinamento das capacidades motoras.
Essa divisão com certeza é considerada convencional, pois qualquer 
execução prática do exercício possui infl uência conjugada sobre diversos 
aspectos de preparação do atleta. Dessa forma, tal classifi cação permite distinguir 
os diversos elementos que são próprios desses métodos.
Métodos de ensino da técnica de ações motoras
Destacam-se dois enfoques metodológicos principais do ensino da técnica 
das ações motoras: o integral e o dividido.
a) Método de ensino integral
Sua premissa é realizar um estudo abrangente sobre a técnica do movimento. 
Sua principal vantagem é que a tecnologia da atividade esportiva pode ser 
assimilada na interação permanente de suas etapas de forma holística, de forma 
que o ritmo da ação e sua estrutura geral sejam mantidos.
Quanto às defi ciências, podemos destacar:
• A difi culdade de aplicar o método no ensino das ações motoras 
complexas. 
• As difi culdades na correção dos erros, pois o técnico não é capaz de 
corrigir imediatamente todos os erros cometidos durante a realização do 
exercício. 
• A difi culdade de prestar atenção seletiva ao aperfeiçoamento de certos 
elementos das Ações Motoras (AM). 
• O rápido cansaço do atleta promovido pela múltipla repetição do 
exercício.
71
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Esse método é utilizado para o aprendizado preliminar de movimentos 
motores relativamente simples, que envolvem técnicas ou movimentos, que 
não podem ser divididos sem destruir as etapas e os elementos destacados. É 
amplamente utilizado na fase de consolidação e aprimoramento da tecnologia 
AM. O método de execução integral múltipla de AM pode ser usado nas seguintes 
variantes (HARTMANN et al., 2009):
• execução repetida da AM com o consequente aperfeiçoamento dos 
elementos e dos detalhes;
• repetição múltipla da AM nas condições permanentes com o objetivo de 
sua consolidação;
• execução com as condições crescentes que se aproximam das 
realizadas em competição;
• execução nas condições complexas (com muito cansaço, com a 
presença do adversário, com as condições climáticas etc.).
b) Método de ensino dividido (analítico-sintético). 
Representa a divisão da atividade motora em elementos ou em fases 
relativamente independentes, que podem ser aprendidos de modo autônomo, 
com sua posterior ligação globalizada.
A possibilidade de uma concentração mais completa da atenção do atleta 
durante a fase de apostas, bem como melhorias mais detalhadas, constituem 
seus aspectos positivos. Ao utilizar os componentes dessa tecnologia, exclui-se a 
execução repetitiva das peças e etapas que não foram assimiladas. Dessa forma, 
erros estáveis podem ser evitados (destacados no método de ensino integral). 
Gomes (2009) afi rma que a execução da parte isolada não é tão cansativa quanto 
a execução da ação integral. Portanto, o número de repetições de elementos na 
ação pode ser aumentado. Recomenda-se dividir as atividades esportivas para 
minimizar o número de desfi gurações na parte destacada. Sua assimilação não 
pode ser considerada automação (nível de hábito).
Uma desvantagem considerável desse método é que ele não deve ser usado 
onde AM não pode ser segmentado (por exemplo, pular ou chutar na ginástica) ou 
não pode ser segmentado sem desfi guração signifi cativa da parte proeminente. 
Mesmo no caso mais vantajoso, quando partes ou fases relativamente 
independentes são destacadas na tecnologia AM, é impossível manter 
completamente suas próprias características na composição de um AM completo. 
Quando as partes separadas das atividades esportivas são apresentadas na 
forma de exercícios, chamados de ‘exercícios semelhantes’, as defi ciências dos 
métodos de ensino segmentados são reduzidas. Eles representam variantes 
simplifi cadas de ações de trabalho ou partes separadas da AM geral (FORTEZA, 
2001).
72
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
As principais variantes desse método são:
• o estudo separado dos elementos da ação com posterior ligação para o 
movimento total;
• o ensino consequente dos elementos da técnica da AM com sua ligação 
gradativa (ensino da técnica da AM com o método de “intensifi cação”; 
• o destaque dos elementos da AM, para curto período, para sua precisão;
• o aperfeiçoamento dos elementos da AM sob a forma de exercícios.
Métodos de treino das capacidades motoras
Na classifi cação geral dos métodos voltados ao treinamento de habilidades 
motoras fi nas, existem indicações externas para o exercício, portanto, o exercício 
pode ser realizado em um intervalo contínuo (permanente) ou em regime misto. 
Cada uma das variantes pode ser caracterizada por exercício constante ou 
variável. Os seguintes modos de exercício planejados são então destacados, 
aplicáveis para melhorar as habilidades motoras (TUBINO, 2003).
O método de exercício de carga contínua é caracterizado por desempenho 
de exercício prolongado sem mudanças frequentes de ritmo. As mudanças de 
ritmo de carga são programadas com antecedência e podem ser concentradas 
na prática de várias maneiras. Esse tipo de capacidade aeróbia (VO2 máx.) é 
utilizado nos esportes, principalmente nas modalidades em que o desempenho 
depende dessa fonte de energia, tais como natação, ciclismo, atletismo, remo, 
canoagem, entre outros (GOMES, 2009).
O método de exercício contínuo pode ser controlado em sua intensidade 
pelos parâmetros de frequência cardíaca, concentração de lactato e velocidade 
média de execução do exercício: o volume é controlado pela duração total do 
exercício. O importante é que o técnico observe com que dinâmica de carga 
pretende administrar o trabalho, pois esta está diretamente correlacionada com o 
nível apresentado pelo atleta. 
Método de exercício de carga com intervalo 
O exercício de carga com intervalo deve ser estruturado com o objetivo do 
treinamento em mente. Na organização da sessão de treinamento, o treinador 
seleciona a dinâmica de carga compatível com o seu objetivo de treinamento, 
determinando, assim, a dinâmica a ser utilizada ou o número de repetições ou 
séries que deve compor o programa de treinamento. O volume está diretamente 
relacionado ao tipo de esporte. Os exercícios de intervalo devem ser uma 
prioridade em esportes de combate, jogos de equipe e uma série de outros 
esportes de curta duração (BOMPA, 2000).
73
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Método de exercício de carga mista (intervalado e contínuo)
É importante observar a dinâmica das cargas mistas, em que a prioridade 
é sempre começar com cargas intervaladas e terminar com cargas contínuas. 
Na prática, é muito comum que o treinador decida, por exemplo, no início do 
treinamento, treinar o sistema anaeróbio alático e fi nalizar o treinamento com o 
sistema aeróbio, podendo compor o trabalho de diferentes formas, dependendo 
do esporte e da prioridade do treino (MATVEIEV, 1977).Os métodos discutidos não cobrem toda a multiformidade de meios para 
resolver as tarefas de treinamento de atletas. Na prática, várias variantes de 
métodos combinados têm sido amplamente utilizadas. Com base em métodos 
combinados, muitas vezes é possível resolver as tarefas de preparação com mais 
sucesso, pois ampliou-se as possibilidades de exercícios de prescrição. 
Método competitivo 
O método competitivo deve ter características de competições A competição 
é a expressão mais brilhante do método competitivo, que tem uma abrangência 
muito ampla e pode ser utilizado em qualquer modalidade baseada em exercícios 
físicos. A subordinação do desempenho do atleta à tarefa de vencer o adversário, 
ou seja, superar o resultado obtido anteriormente, é a pista mais característica do 
método competitivo do atleta (BOMPA, 2000). 
O fator rivalidade cria condições emocionais nas quais as mudanças 
funcionais no organismo do atleta são potencializadas. Nas condições do 
método competitivo, o efeito do treinamento é mais expressivo do que no caso 
da utilização de outros métodos. É justamente assim que se explica a particular 
importância do método na preparação de atletas de alto nível. A desvantagem 
desse método é a limitação da direção do atleta no processo de realização do 
exercício de forma competitiva, bem como a difi culdade de dosar e controlar a 
carga, garantindo o complexo de infl uência (conjugado) em diferentes aspectos 
da preparação e, portanto, é muito efi caz na fase de aperfeiçoamento esportivo. A 
aplicação do método competitivo na fase inicial de aprendizado da técnica AM, ou 
com baixo nível de desenvolvimento de habilidades, não é recomendada, pois o 
resultado pode ser negativo (TUBINO, 2003).
Método de jogo
O método de jogo se dá não apenas por meio dos jogos usuais (vôlei, 
futebol, basquete etc.), mas é muito mais amplo nos meios e formas de atuação. 
A principal peculiaridade do método de jogo é desenvolver a atividade locomotora 
74
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
do indivíduo. Como base para o desenvolvimento, podem ser utilizadas 
situações de vida imaginadas (jogos de imitação), certos movimentos e ações 
características do trabalho humano e da prática militar (ZAKHAROV; GOMES, 
1992). Se o mesmo exercício não tem um sentido de desenvolvimento semelhante 
e está totalmente subordinado à tarefa de aperfeiçoar a técnica de ação ou a 
velocidade de movimento, neste caso é o método de exercício planejado ou o 
método competitivo aplicado. No método de jogo, sempre há um confronto entre 
os participantes do jogo, mas está subordinado ao desenvolvimento do exercício. 
No caso em que um jogo esportivo passa a ser o conteúdo do exercício 
realizado com base no método do jogo e, dependendo do seu resultado, ocorre a 
competição, as diferenças entre os dois métodos desaparecem (BOMPA, 2000). 
A par da forma, a falta de uma programação rigorosa e a emotividade claramente 
expressa na atividade dos jogadores são os sinais mais característicos do método 
de jogo. 
A diversidade das situações de jogo exige uma independência criativa na 
escolha das soluções mais adequadas e mais efi cientes para as tarefas motoras. 
Nesse sentido, em geral, o complexo de diferentes hábitos e habilidades motoras 
se manifesta no jogo, características essas que potencializam o valor do método 
do jogo no processo de preparação de jovens atletas. Na aplicação do método de 
jogo, deve-se ter em mente que ele não permite a dosagem precisa da carga, uma 
vez que não há a possibilidade de prever as ações de cada um dos participantes 
(GOMES, 2009).
Métodos de infl uência verbal
A própria denominação desse método deixa claro o tipo de interação entre 
técnico e atleta que ele envolve. A solução de qualquer que seja a tarefa de 
preparação do atleta é impossível sem a utilização das formas verbais de contato. 
Dentre os métodos de infl uência verbal, podem ser citados a explicação, a 
conversa, o comando, a indicação corretiva, a análise verbal e a avaliação.
Convém relevar o conteúdo emocional e o sentido lógico (informativo) de 
cada método verbal (BARBANTI, 1997). O alto nível pedagógico do técnico 
manifesta-se, em grande medida, na maneira como são tratados os atletas, 
sabendo utilizar a palavra para a ativação e para a direção efi ciente da sua 
atuação. É muito difícil falar dos caminhos concretos de aplicação de tal ou qual 
método, pois são demasiadamente diversifi cadas as situações que determinam a 
escolha do processo pedagógico.
75
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
O técnico apoia-se frequentemente em critérios de difícil detecção e ligados à 
intuição, à experiência pessoal, ao conhecimento das particularidades individuais 
do atleta e à situação concreta. Não poderíamos, neste livro, analisar todas as 
situações possíveis e os métodos de infl uência verbal ligados a elas (TUBINO, 
2003). É por isso que temos de nos limitar à constatação geral do papel do 
método na preparação dos atletas.
Métodos de infl uência demonstrativa
No que diz respeito à demonstração, pretendemos utilizar, no processo 
de formação do atleta, as possibilidades dos diferentes sistemas sensoriais 
humanos. Existem três grupos de métodos de infl uência demonstrativos: 
• Os métodos de demonstração visual podem ser divididos em 
apresentação da atividade motora, demonstração do material de 
ensino e orientação visual. A demonstração da atividade motora é o 
método de ensino mais popular, aplicado na fase de aprendizagem. 
Na base do ensino, com a ajuda da demonstração, existe a imitação. É 
especialmente importante usar esse método ao trabalhar com crianças, 
pois elas têm uma capacidade altamente desenvolvida de imitar. O 
método de demonstração visual é sempre combinado com o método de 
infl uência verbal. 
Para criar uma ideia geral, a prova completa é aplicada, entretanto, para 
apresentar as peculiaridades da FA em detalhes, a prova adaptada é usada. 
Os movimentos são apresentados em ritmo lento e, na medida do possível, 
enfatizando expressivamente as posições do corpo com paradas (FORTEZA, 
2001). A demonstração do material didático oferece possibilidades adicionais 
para o atleta compreender os meios de resolução da tarefa motora: gravações 
de vídeo, cartazes, desenhos e diagramas. A orientação visual permite que o 
movimento no espaço e no tempo seja executado corretamente. Como pistas 
visuais, objetos ou sinais são usados, a partir dos quais o atleta deve construir 
seu movimento (por exemplo, são usadas “ondas” de luz ao longo da pista de 
corrida ou na piscina). 
• Os métodos de demonstração auditiva (som) criam os pontos sonoros 
de referência, necessários para o início e o fi m do movimento ou seus 
elementos. Com um sinal sonoro combinado com antecedência, é 
possível indicar o momento do esforço principal (por exemplo, a curva 
do corpo na execução de um elemento de ginástica no aparelho). Com 
o auxílio da demonstração sonora, o ritmo das ações motoras é bem 
assimilado, utilizando, para isso, um animador sonoro. 
76
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
1 Um indivíduo pretende correr uma maratona em 4 horas. 
Consequentemente, ele precisa de um plano de treino para 
atingir os objetivos. A proposta do educador físico que coordenará 
o plano de treinamento é de 180 dias até o dia da maratona. O 
período total para conseguir isso é chamado de:
a) Misociclo.
b) Mesociclo.
c) Ciclo semestral.
d) Macrociclo.
• Os métodos de demonstração motora (cinestésicos) visam organizar 
a percepção do atleta das sensações originadas do aparelho motor. A 
técnica de fi xar as posições do corpo ou de suas partes em momentos 
separados (por exemplo, a postura do ciclista ou do boxeador) também 
ajuda a ensinar esta posição. Será muito útil para o atleta sentir a posição 
correta versus a má posição (TUBINO, 2003).
3 PERIODIZAÇÃO APROFUNDADA
A periodização do treinamentodesportivo procura organizar e orientar o 
processo de preparação de modo que a ocorrência da forma aconteça por ocasião 
da competição ou das competições mais importantes da temporada. Assim, o 
treino, para obedecer ao ciclo da forma, deve ser dividido em etapas.
3.1 ETAPAS DE PREPARAÇÃO A 
LONGO PRAZO
A preparação de longo prazo é dividida em cinco etapas. 
Etapa 1: fase de preparação preliminar 
Na fase de preparação preliminar, as principais tarefas são: assegurar 
a preparação física multilateral e a formação harmônica do organismo em 
desenvolvimento, ensinar os vários gestos motores necessários à vida do 
77
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
indivíduo (correr, pular, jogar, nadar etc.), incluindo gestos básicos para futuras 
sessões de esportes. 
Desenvolver interesse em exercícios e regimes esportivos (treinamento 
regular, combinação de estudo e treinamento escolar, higiene etc.) é importante 
nessa fase (BOMPA, 2000). No processo de preparação preliminar, não é 
necessário precipitar-se para a especialização desportiva, seria mais correto 
dar ao atleta iniciante a oportunidade de experimentar diferentes exercícios 
desportivos e, só a seguir, defi nir o tipo de especialização futura.
Grupos de preparação física geral, nos quais as crianças não são 
responsáveis pela obtenção de resultados esportivos em uma determinada 
modalidade, são uma forma ideal de organizar o treinamento na fase preliminar. 
A análise retrospectiva da preparação dos atletas mais destacados mostra que as 
sessões dos primeiros dois ou três anos foram de caráter expressamente lúdico 
a partir do uso extensivo de elementos de diferentes modalidades, com o método 
de jogos preferido (TUBINO, 2003). 
Na fase de preparação preliminar, a estrutura do ciclo anual, característica 
das fases posteriores, ainda não foi formada. Na preparação de muitos atletas 
excepcionais, períodos prolongados de descanso e mudanças na atividade 
dos tipos motores, que geralmente são de dois a três meses ou mais, são 
características dos primeiros anos de treinamento. O microciclo semanal deve 
geralmente consistir em duas a quatro sessões de treinamento, cada uma com 
duração de 30 a 60 minutos (WEINECK, 2003). O volume total anual é de 100 
a 300 horas ou 10 a 15% do volume da fase de resultados superiores. A fase de 
preparação preliminar é geralmente de dois a três anos e depende da idade em 
que o esporte começa. Se a criança começa a praticar esportes relativamente 
cedo, a preparação preliminar leva quatro anos ou mais, mas se o início for tardio, 
o estágio pode ser reduzido de um ano para um ano e meio.
Etapa 2: fase de especialização desportiva inicial
O início desta fase deve estar condicionalmente vinculado ao esporte em 
que se encontra a especialização do atleta, em processo de preparação a longo 
prazo. A especialização inicial do atleta costuma ocorrer em escolas de esportes 
das categorias infantis (GOMES, 2009). Garantir a preparação multilateral geral 
dos jovens atletas deve ser considerada a tarefa mais importante da fase inicial 
de especialização e contribui para o aprimoramento efetivo das habilidades 
especiais do atleta. 
O organismo humano apresenta-se como uma unidade, e o retardo ou o 
desenvolvimento desproporcional de certos órgãos ou sistemas funcionais refl ete-
78
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
se inevitavelmente na atividade do organismo como um todo e, em particular, 
nas condições extremas de competição. O valor deve constituir o arranjo 
metodológico, que determina a estrutura e o conteúdo da preparação dos jovens 
nessa fase (GOMES, 2009). 
Na maioria dos esportes, a fase inicial da especialização coincide com 
o período da puberdade, condicionado pelo desenvolvimento impetuoso do 
organismo (aumento de tamanho e de massa corporal e alterações hormonais), 
o atleta recebe uma grande carga biológica além do treinamento. Portanto, os 
parâmetros das infl uências formativas devem ser rigorosamente dosados, 
levando em consideração os ritmos de desenvolvimento individual dos corpos dos 
adolescentes. 
O aprimoramento das habilidades motoras em jovens atletas deve seguir seu 
desenvolvimento natural. Além de atentar para a velocidade e a capacidade de 
coordenação, não se deve esquecer de melhorar a resistência, habilidade motora 
necessária para atletas de diferentes modalidades. Experiências tardias com 
cargas que aumentam a resistência causam danos essenciais ao desenvolvimento 
físico multilateral da criança e não permitem que o corpo se prepare gradualmente 
para grandes cargas de treinamento nos estágios fi nais de preparação a longo 
prazo (TUBINO, 2003). 
Na primeira fase da especialização, deve-se atentar para o desenvolvimento 
da força muscular nos jovens, devendo os exercícios que contribuem para o 
desenvolvimento da força ser acompanhados de tensão mínima, excluindo 
esforços prolongados e consideráveis. As crianças costumam ter defi ciências nos 
músculos abdominais, quadris, isquiotibiais, abdutores das pernas e músculos 
escapulares. Aqui, os exercícios gerais de preparação são o método dominante.
Seu percentual, no volume total, diminui, ao fi nal da etapa, de 80 para 50%. 
A redução dos meios gerais de preparação facilita o crescimento de meios mais 
específi cos, caracterizando-se como um dos sinais de conclusão da fase inicial 
de especialização (PLATONOV, 2008). Uma das tarefas centrais da fase inicial 
de especialização é dominar as técnicas da modalidade escolhida. É necessário 
que os atletas novatos comecem a aprender os fundamentos da técnica das 
ações motoras, e que a variedade de hábitos e de experiências motoras seja 
mais ampla, isso garantirá, posteriormente, o melhor aprimoramento na técnica 
esportiva. 
A estrutura do ciclo anual de preparação adquire, ao fi nal da fase inicial de 
especialização, os sinais da periodização tradicional, ou seja, com os períodos 
preparatórios prolongados e transitórios, os microciclos começam a se formar 
competitivos, os quais podem ser considerados como os com base no período 
79
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
competitivo. A estrutura e o conteúdo do ciclo anual estão geralmente sujeitos ao 
regime de aulas escolares para jovens. 
O maior volume de formação realiza-se durante as férias escolares, o 
que conduz ao aparecimento de microciclos e mesociclos durante as férias 
(TUBINO, 2003). Durante o período de férias de verão, são estruturados dois 
a três mesociclos de quase um mês cada. A preparação, durante as férias, 
deve, muitas vezes, levar em consideração o fato de as crianças estarem no 
campo de esportes, em que o número de treinos no microciclo pode aumentar 
consideravelmente. A regra geral é ter duas sessões de treinamento por dia, o 
que resulta em um aumento acentuado no volume de treinamento durante esse 
período. A carga de treinamento durante o mesociclo de um mês durante as férias 
escolares pode ser de 80 a 90 horas. Volume normal 30 a 40 horas (três a quatro 
sessões por semana) no ano um.
Etapa 3: fase de especialização profunda
A fase de especialização profunda é a continuação natural da fase de 
preparação inicial anterior e visa criar uma base especializada para a preparação 
do atleta. A preparação, nessa fase, exige um aumento substancial do tempo 
de trabalho e visa à obtenção de resultados desportivos. É por isso que 
apenas atletas que possuem potencial funcional sufi ciente para alcançar altos 
resultados esportivos em uma determinada modalidade podem iniciar a fase 
de especialização profunda. Formar uma motivação estável para alcançar altos 
resultados esportivos é uma tarefa importante nessa fase (GOMES, 2009). 
Uma das principais peculiaridades metodológicas da fase de especialização 
profunda é o aumento invariável do volume dos meios de preparação 
especializados em correlação absoluta e relativa com os meios depreparação 
física geral. No aprimoramento das habilidades motoras, o preparo da força e a 
velocidade do atleta merecem considerável atenção, pois permitem infl uências 
específi cas nos grupos musculares que, por sua vez, garantem a manifestação 
das possibilidades de força no esporte praticado. Ao se preparar para a velocidade 
e força, é aconselhável usar vários exercícios de salto com peso e exercícios 
especiais de corrida (ZAKHAROV; GOMES, 1992).
Para evitar a estabilização do nível de capacidade de velocidade (o aspecto 
da ‘barreira de velocidade’), as infl uências do treinamento devem ter um caráter 
de “contraste”. “A partir da idade de 15 a 16 anos, crescem intensivamente o 
interesse e a capacidade de vontade, o que se deve ao aumento do vigor do 
sistema nervoso, criando premissas para maior enfoque, durante a etapa de 
especialização profunda, no aperfeiçoamento da resistência especial” (GOMES, 
2009, p. 164). No início da fase de especialização profunda, os atletas já devem 
80
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
dominar as bases técnicas da modalidade escolhida, razão pela qual aos jovens 
atletas é confi ada a tarefa de uma consolidação sólida de técnicas. Técnicas de 
aprimoramento esportivo e alguns detalhes das ações motoras são resolvidos 
devido ao crescimento da condição física do atleta. 
Na fase de especialização profunda na modalidade escolhida, o método 
competitivo passa a ter um papel substancial no aprimoramento das técnicas 
esportivas, dessa forma, o jovem atleta aprimora suas habilidades táticas (defesa) 
e a individualização do treinamento nesse sentido. A transição para a fase de 
especialização profunda em muitos atletas está ligada ao início da preparação 
nas escolas para meninos.
Graças a isso, a preparação começa a desenvolver-se em função de uma 
dieta especializada, que permite ter, no fi nal da etapa, de dois a três treinos por 
dia (10 a 14 treinos no microciclo semanal) e aí há um aumento substancial do 
volume de treinamento que, em dinâmica, de acordo com os anos da fase de 
preparação, representa de 600 a 1000 horas por ano, e, em alguns aspectos, o 
número pode ser maior (GOMES, 2009). A estrutura do ciclo anual de preparação 
inclui períodos preparatórios, competitivos e transitórios. O período preparatório 
inclui as etapas de preparação geral e especial. O período competitivo tem uma 
duração mais curta do que as fases seguintes. 
Etapa 4: fase de resultados superiores
O objetivo desta fase é obter resultados superiores (máximo individual) 
na modalidade escolhida, cuja duração coincida com os limites da idade ótima 
correspondente ao período de resultados superiores. O objetivo de realizar o 
potencial funcional acumulado nas conquistas esportivas é determinar a estrutura 
e o conteúdo da preparação para o ciclo anual. Na fase de resultados superiores, 
o volume de treinamento atinge parâmetros máximos de 1000 a 1500 horas por 
ano e, em alguns casos, até 1800 horas. 
A participação do treinamento especial no volume de treinamento geral 
aumenta consideravelmente e se aproxima dos índices máximos (de 80 a 85%). 
O número de microciclos de “choque” também aumenta, mesmo com cargas 
concentradas apenas para um objetivo fi siológico. O número total de sessões 
pode ser de 15 a 20 no microciclo semanal, incluindo cinco a oito sessões de alta 
carga (GOMES, 2009). 
De forma alheia às condições climáticas locais, a preparação, no ciclo anual, 
é construída a partir de dois ou três macrociclos. Portanto, a preparação do atleta 
geralmente ocorre em clubes profi ssionais, escolas de esportes de primeira linha, 
centros de treinamento olímpico e seleções nacionais (ZAKHAROV; GOMES, 
1992). 
81
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Etapa 5: fase de manutenção de resultados
A principal tarefa da preparação é manter um alto nível de resultados 
esportivos. O número de atletas em processo de preparação a longo prazo que 
chega a essa fase está longe de ser grande, visto que a maioria termina suas 
carreiras no esporte em fases anteriores devido a circunstâncias diferentes. Há 
uma queda do nível de resultados desportivos provocada por erros metodológicos 
e pela necessidade de renúncia à prática desportiva por motivos profi ssionais, 
familiares etc. Para a manutenção dos resultados, os atletas precisam ser 
altamente qualifi cados e preparados, com o objetivo de continuarem a atuar em 
jogos desportivos. Esses atletas podem ser profi ssionais ou amadores.
3.2 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO 
TREINAMENTO NO CICLO OLÍMPICO 
O ciclo olímpico de treinamento separa uma olimpíada 
da outra. Com quatro anos de duração, são muitas as 
formas de estruturar o treinamento nos mais diversos 
desportos que compõem o calendário olímpico de 
competições. Alguns atletas da história da olimpíada 
chegaram a participar de 4 a 5 olimpíadas, totalizando 
16 a 20 anos de alto rendimento desportivo. Por mais 
talentoso que seja o atleta, esse nível de performance só 
é possível com a execução de exercícios rigorosamente 
selecionados e no tempo correto durante os vários ciclos 
olímpicos de treinamento (GOMES, 2009, p. 167). 
Existem duas variações na estruturação do ciclo olímpico: a primeira é a 
preparação do atleta para os primeiros jogos olímpicos, a segunda é a estrutura 
de carga a ser utilizada com atletas que já participaram dos jogos olímpicos. Os 
grupos de exercícios devem ser distribuídos durante a temporada de treinamento, 
respeitando as fases de trabalho com sua concentração fi siológica adequada.
O que é ser um treinador? Assista a este vídeo e veja Edu 
Gaspar falando sobre a gestão de treino. Disponível em: https://
youtu.be/lkCX-nKK47Q.
82
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
No período de competição, normalmente estruturada em um curto período, 
habilidades específi cas são aprimoradas, facilitando o grande momento, que é 
a forma esportiva de alto nível. Nos esportes coletivos, o período preparatório 
é menos importante, sendo muito mais curto do que nos esportes individuais 
(PLATONOV, 2008).
Determinar a duração do período preparatório e competitivo no esporte é 
uma discussão entre vários pesquisadores ao redor do mundo. A ciência ainda 
não conseguiu explicar quanto tempo leva para alocar cada período. A tendência 
atual mostra que a correlação do conteúdo do treinamento em cada etapa da 
preparação pode facilitar uma adaptação mais efetiva das infl uências em cada 
tipo de esporte. A composição do ciclo olímpico varia de país para país, o que 
está relacionado com a importância atribuída ao calendário internacional de 
competições.
As experiências científi cas mostram tendências na organização do processo 
formativo que têm permitido atingir resultados elevados todos os anos do ciclo. 
De modo geral, o período de preparação, no primeiro ano do ciclo olímpico, 
deve durar cinco meses no início da temporada; no segundo ano, o período de 
preparação é reduzido para quatro meses, aumentando o período de competição 
para sete, e, no terceiro ano, dois macrociclos são estruturados na temporada. No 
primeiro macrociclo, os períodos de preparação e competição são de três meses, 
no segundo macrociclo, apenas dois, e o período de competição sendo de três 
meses (TUBINO, 2003).
O objetivo principal, no terceiro ano do ciclo olímpico, é desenvolver ao 
máximo as habilidades competitivas e a resistência de participação dos atletas 
em competições. O quarto ano do ciclo competitivo, também estruturado com dois 
macrociclos, visa preparar o atleta diretamente para as competições. O período 
preparatório para o primeiro macrociclo é de apenas dois meses, sendo três 
meses para a competição (GOMES, 2009). O segundo macrociclo começa com 
um mês de preparação, no qual o conteúdo do treinamento é mantido de forma 
particular, dedicando os cinco meses seguintes ao período de competição, em 
que se pretende atingir o rendimento máximopossível do atleta. 
A construção do ciclo olímpico deve levar em consideração o tipo de esporte 
e suas particularidades. Quando falamos do ciclo olímpico nos esportes coletivos, 
temos que encurtar o período de preparação, dando maior ênfase ao período de 
competição (GOMES, 2009).
Nesse caso, são desenvolvidos modelos que atendem, em 
sua estrutura e conteúdo, todos os esportes que fazem parte 
do programa olímpico. Estruturar o sistema de treinamento no 
ciclo olímpico de atletas de alto rendimento não é uma tarefa 
83
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
fácil para o treinador, pois a diversidade dos esportes e das 
funções desempenhadas pelo atleta difi culta a elaboração do 
plano. Nesse contexto, a experiência apresentada na literatura 
internacional por alguns estudiosos pode servir como um 
ponto de partida, facilitando, assim, o trabalho do treinador na 
atualidade (GOMES, 2009, p. 169). 
3.3 ESTRUTURA DA SESSÃO 
(SEMANA) DE TREINAMENTO
A sessão de treinamento é o elemento integral inicial da 
estrutura de preparação do atleta, representando um sistema 
de exercícios relativamente isolado no tempo que visa à solução 
de tarefas de dado microciclo da preparação do desportista. 
A teoria e a metodologia referentes à estrutura coerente 
e ao conteúdo da sessão de treinamento baseiam-se nos 
princípios pedagógicos de estruturação de uma sessão, mas 
têm também algumas particularidades específi cas próprias 
do treinamento desportivo. Na classifi cação das sessões de 
treinamento, deve ser levada em consideração uma série de 
fatores, dentre os quais convém destacar os objetivos e as 
tarefas, os meios de organização dos atletas, a composição 
dos meios de treinamento e a grandeza da carga da sessão 
(GOMES, 2009, p. 171).
Dependendo de seus objetivos, os exercícios podem ser divididos em sessões 
de treinamento e controle (TUBINO, 2003). Os exercícios visam aumentar o nível 
de treinamento do atleta e podem resolver diversos problemas: treinamento de 
habilidades básicas e educação da personalidade do atleta, ensino da técnica de 
ações motoras, domínio de sistemas táticos etc. As sessões de acompanhamento 
pressupõem a avaliação preferencial da efi cácia do processo de formação. 
Sessão de treinamento 
Essas sessões podem ter como objetivo verifi car o nível de certos aspectos 
do estado de treinamento e pressupor uma avaliação complexa do estado de 
treinamento do atleta.
A sessão de treinamento pode ser tratada como uma unidade autônoma de 
tempo de ensino, com tarefas e objetivos operacionais bem defi nidos – como uma 
unidade diária cíclica (duas a três sessões de treinamento por dia) – com objetivos 
operacionais diferentes. Deve constituir-se como um todo funcional com cada uma 
de suas partes, cujas modalidades e conteúdos não devem ser programados ao 
acaso, mas devem estar interligados de forma a sanar a defi ciência apresentada 
pelo atleta ou pela equipe (BARBANTI, 1997). Em cada treino é comum destacar 
84
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
três partes devidamente interligadas: preparatória, principal e fi nal. A divisão da 
sessão em três partes é condicionada pelas peculiaridades do estado funcional 
do atleta.
Parte preparatória
Na fase preparatória da sessão, devem ser criadas as condições para 
a atividade efetiva dos atletas na parte principal. Com esse objetivo, podemos 
destacar a fase de organização e o aquecimento. Na fase de organização, todo 
o grupo se reúne e as tarefas a serem realizadas são explicadas em sessão, 
preparando o material a ser utilizado, que deve chamar a atenção dos atletas e 
motivá-los para o desenvolvimento da atividade (WEINECK, 2003). 
O aquecimento deve garantir a transição do corpo do atleta do estado de 
repouso para o estado de “trabalho”, o que efetivamente resolve as tarefas de 
preparação durante a parte principal do treinamento. Está conectado com a 
superação da inércia de sistemas de um organismo humano que não começam 
a funcionar imediatamente com o aumento no nível da atividade motora. Leva 
tempo para que tais sistemas passem de um estado de calma para um estado de 
mobilização e coordenação mútuas adequadas.
Assim, por exemplo, o volume de sangue por minuto, a ventilação pulmonar 
e o consumo de oxigênio atingem um nível ideal 3-5 minutos após o início 
do trabalho. Os órgãos respiratórios e o sistema cardiovascular não podem 
garantir imediatamente o fornecimento de oxigênio aos órgãos operatórios nas 
quantidades necessárias. Portanto, se um atleta competir sem aquecimento, ele 
pode chegar ao fi nal do exercício competitivo sem revelar seu potencial. Nesse 
caso, o resultado esportivo será inferior ao potencial do corpo (TUBINO, 2003). 
No aquecimento é necessário destacar a parte geral e a parte especial. 
O efeito interno da parte geral do aquecimento está ligado ao aumento da 
temperatura corporal, que está diretamente ligado à ativação do metabolismo, à 
atividade dos sistemas cardiovascular, respiratório e motor etc. (GOMES, 2009).
Recomenda-se começar com exercícios para os braços, região dos ombros 
e depois exercícios para o tronco e quadril, terminando com exercícios para as 
pernas (coxa, perna e pé). Esse trabalho muscular para cima e para baixo pode 
ser feito repetidas vezes. “Primeiro, devem ser realizados os exercícios para os 
grupos musculares menores” (GOMES, 2009, p. 172).
Cada exercício é geralmente repetido de 10 a 15 vezes (BARBANTI, 1997). 
O conjunto de exercícios contém de 10 a 15 exercícios. Depois vêm os exercícios 
85
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
que melhoram a mobilidade das articulações, que têm um alcance cada vez 
maior e contribuem para o alongamento dos músculos que intervirão ativamente 
nos seus movimentos. A função do aquecimento é preparar os músculos e 
ligamentos para movimentos futuros e a profi laxia de traumas, e não o aumento 
da fl exibilidade do atleta. A quantidade de exercícios e sua orientação dependem 
da atividade futura e das características individuais dos atletas (idade, nível de 
trauma sofrido etc.) (GOMES, 2009). 
A parte especial do aquecimento deve corresponder à atividade específi ca 
do aparelho motor e às funções vegetativas do organismo (além do estado mental 
do atleta), exigidas na parte principal da sessão, geralmente dura de 20 a 40 
minutos. O intervalo ideal entre o aquecimento e a parte principal da sessão não 
deve exceder 15 minutos, durante os quais o efeito de aquecimento persiste. No 
caso de intervalos maiores, o efeito de aquecimento desaparece gradualmente. O 
aquecimento pré-corrida merece atenção especial, pois continua sendo o principal 
método de mobilização das habilidades do atleta antes da largada (GOMES, 
2009).
Ao resolver uma tarefa, existem diferentes abordagens metodológicas para 
o conteúdo da sessão. Portanto, em alguns casos, a tarefa pode ser resolvida 
usando um único meio de treinamento, que será estável durante toda a parte 
principal da sessão. 
Em outros casos, tal tarefa pode ser resolvida recorrendo 
a um amplo círculo de meios de treinamento de uma 
orientação, aplicados no regime de um método. Por exemplo, 
o aperfeiçoamento da resistência aeróbia pode resolver-se, 
no primeiro caso, apenas mediante a utilização da corrida 
num regime correspondente e, no outro caso, com base na 
aplicação de repetição de alguns exercícios cíclicos (marcha, 
corrida, natação, trabalho em veloergômetro etc.) (GOMES, 
2009, p. 175).
A escolha de uma ou outra variante depende da fi nalidade da sessão e de 
sua inserção no sistema de treinamento de longa duração do atleta, pois afeta 
diferentes funções do corpo que determinam a revelação dessa habilidade 
(GOMES, 2009). Durante sessões com diferentes meios de comunicação 
com a mesma orientação, os jovens apresentam uma capacidade de trabalho 
signifi cativamente maior, sem risco de esgotamento mental, em comparaçãocom 
o caso de utilizar apenas um meio.
Na preparação de atletas de alto nível, essa variante da sessão de 
treinamento raramente é utilizada, principalmente com o objetivo de eliminar a 
tensão psíquica decorrente do monótono trabalho anterior. 
86
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Segundo Gomes (2009), à medida que a preparação e o nível desportivo 
aumentam, as sessões unidirecionais ganham cada vez mais importância, 
estruturadas em torno de um único meio de treino, atrelado principalmente a três 
condições metodológicas para a preparação dos atletas de alto nível. 
1. As possibilidades de adaptação do organismo do desportista 
aumentam à medida que diminui o número de fatores a que 
o atleta tem que se adaptar. Por conseguinte, a diminuição 
da diversidade motora das sessões de treinamento leva 
à especialização mais concreta dos sistemas funcionais. 
Se os exercícios são escolhidos e estão de acordo com a 
especifi cidade da modalidade desportiva, verifi ca-se o rápido 
crescimento dos resultados desportivos. 
2. A condição metodológica está ligada à interação dos efeitos 
de treinamento de cargas de diferente direção. Tal interação 
pode ter caráter positivo, neutro ou negativo. A interação 
negativa dos efeitos de algumas cargas obriga a seguir a 
variante de sessões de treinamento com uma direção. 
3. A condição metodológica está ligada à necessidade de 
elevação gradual de infl uências de treino concentradas 
na referida sessão. Caso contrário, torna-se impossível o 
crescimento posterior dos resultados desportivos (GOMES, 
2009, p. 175).
Nesse ponto particular, as condições naturais de vida do indivíduo 
(alimentação, sono, desempenho de funções sociais etc.) não permitem aumentar 
a duração das sessões de treinamento. Assim, passamos a um regime de dois a 
três treinos diários (GOMES, 2009). 
No treinamento dos atletas de alto nível, as sessões com 
objetivo seletivo constituem um dos principais fatores que 
estimulam a melhora dos resultados desportivos. Nos treinos 
dos jovens, a utilização de uma grande quantidade de sessões 
de direção seletiva com um meio nem sempre é justifi cada, 
pois está ligada à exploração ativa das possibilidades de 
adaptação do organismo e poderá levar à supertensão dos 
sintomas funcionais (GOMES, 2009, p. 175).
4 TREINAMENTO PERSONALIZADO
No treinamento personalizado, o indivíduo sempre irá dispor de um 
acompanhamento muito mais próximo, individualizado, o que nos remete àquela 
teórica da individualidade biológica, e totalmente focado nos seus objetivos, o que 
faz toda a diferença no resultado. 
Uma das suas principais vantagens é que, nesse tipo de treino, o professor/
treinador tem a oportunidade de ter um conhecimento melhor do atleta para 
montar um treino mais específi co e efetivo: seus hábitos alimentares, patologias, 
limitações, rotina e outros fatores relevantes. Saber das variáveis particulares 
87
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
da vida do atleta faz com que o treino funcione como uma prescrição médica, 
atuando de forma mais direta no que precisa ser trabalhado para cada caso.
4.1 CARGA DE TREINAMENTO NO 
MICROCICLO E SUAS DIVERSAS 
COMBINAÇÕES
A estruturação dos microciclos é determinada por uma série de fatores, entre 
os quais se destaca o caráter do efeito de treinamento das cargas aplicadas 
no microciclo. Um dos problemas mais complexos da teoria e metodologia de 
preparação é a descoberta de uma correlação ótima de cargas no microciclo, 
com o objetivo de obter o efeito sumário que permite resolver tarefas de 
aperfeiçoamento de diversos aspectos da preparação do atleta (PLATONOV, 
1986 apud GOMES, 2009). 
A primeira, preferencialmente entre as décadas de 1950 e 1960, formou a 
base teórica para a estruturação dos microciclos de treinamento. Considerava-
se que a interação dos efeitos de treinamento somente contribuía para uma 
dinâmica ascendente do crescimento do nível de treinamento do atleta no caso 
de a carga repetida no microciclo referir-se à fase de supercompensação depois 
da infl uência precedente ou à fase de recuperação consolidada (GOMES, 2009).
Realizar a sessão de treinamento com uma carga inferior de sub-recuperação 
foi considerado um erro metodológico grave que causava o sobretreinamento. 
Ressalta-se que tal abordagem ainda possui alguma importância metodológica, 
sendo aplicada, em particular, na preparação de atletas iniciantes (GOMES, 
2009). 
Nas décadas seguintes, muitos dados recebidos atestam que os processos 
de recuperação após o trabalho físico são heterocrônicos, ou seja, a recuperação 
e a sobrecompensação das diferentes funções do organismo não ocorrem 
simultaneamente, e a presença da fase de sobrecompensação não é uma 
condição obrigatória para alcançar mudanças adaptativas positivas. Em alguns 
casos, a recuperação da capacidade de trabalho ocorre apenas ao nível inicial, 
ocasionando a ausência da fase de sobrecompensação (GOMES, 2009). 
Pesquisas realizadas mostram que, mesmo com um regime de treinamento 
muito rígido, a capacidade de trabalho diminui sensivelmente apenas “com a 
primeira dose signifi cativa de carga. Mais adiante, à medida que o exercício é 
repetido, verifi ca-se a diminuição e a estabilização prolongada da capacidade de 
trabalho do indivíduo” (PLATONOV, 1986 apud GOMES, 2009, p. 187). 
88
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Dessa forma, o organismo, mesmo nas condições de sub-
recuperação, é capaz de manter um bom nível de treinamento, 
embora seja menos alto. No que diz respeito à preparação 
do atleta, tais dados podem servir de fundamento fi siológico 
de que a realização, dentro de certos limites de um regime 
rígido de combinação de cargas nos microciclos, pode levar ao 
aumento do nível de treinamento do atleta. A alta exigência das 
possibilidades do atleta, consequência do intenso trabalho sob 
determinada orientação, não signifi ca, de modo algum, que ele 
não seja capaz de manifestar alta capacidade de trabalho na 
esfera de uma outra orientação, realizada predominantemente 
por outros órgãos e mecanismos funcionais. Por exemplo, 
uma forte fadiga do sistema funcional, que determina o nível 
das capacidades de velocidade ou de força máxima do atleta, 
não impede que ele, passadas algumas horas, revele uma alta 
capacidade de trabalho na atividade aeróbia. Tais dados e a 
necessidade de elevação posterior dos resultados desportivos 
determinaram a segunda abordagem relacionada com a 
questão da alternância de cargas de grandeza e orientação 
diferentes no microciclo. Apoiando-se nesses pontos de vista, 
ocorreu, nos anos 1970, o aumento substancial (quase duas 
vezes) do volume geral de cargas em diversas modalidades, 
inclusive o volume de exercícios de alta intensidade. Na maioria 
dos casos, a preparação passou a constituir-se na base de 
duas ou três sessões de treinamento por dia, com o volume 
de trabalho de treinamento no microciclo semanal de até 32 
a 38 horas. Nos últimos anos, as características qualitativas 
dos microciclos adquiriram tendência à estabilização de seus 
parâmetros (PLATONOV, 1987 apud GOMES, 2009, p. 187).
No microciclo de orientação predominante, a combinação das sessões com 
a carga máxima requer atenção especial.
Orientação à fadiga 
Nesse sentido, a capacidade de trabalho do atleta, na segunda 
sessão, resulta consideravelmente diminuída, e ele geralmente 
não pode cumprir mais do que 75 a 80% do trabalho proposto. 
Levando em consideração essa circunstância, convém 
planejar, com muito cuidado, duas sessões seguidas com 
cargas de choque no microciclo somente para atletas 
qualifi cados e bem treinados. A introdução no microciclo 
das sessões com cargas estabilizadoras e recuperativas, na 
fase de alta fadiga, após as sessões de orientação seletiva, 
exerce, normalmente, infl uência favorável na adaptação 
do organismo do atleta. Não é conveniente utilizar duas 
sessões de orientaçãode velocidade com o volume máximo 
de exercícios, pois, ao repetir a sessão, perturbam-se as 
principais disposições metodológicas que condicionam o 
aperfeiçoamento das capacidades de velocidade. Durante o 
aperfeiçoamento das capacidades de força, seria conveniente 
prever, na segunda sessão, outros grupos musculares com 
a manutenção da orientação geral de força das sessões. 
89
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Na prática do treinamento desportivo, são mais difundidos 
os microciclos de caráter complexo, que permitem exercer 
infl uências equilibradas sobre diferentes aspectos da 
preparação do atleta em conformidade com as tarefas da etapa 
de preparação. Nas modalidades de coordenação complexas, 
nos jogos desportivos e nos combates, que se distinguem pela 
diversidade de ações motoras e por um grande número de 
fatores determinantes da atividade competitiva, o microciclo 
constitui a única forma aceitável de construção do processo de 
treinamento (PLATONOV, 1986 apud GOMES, 2009, p. 188).
A estruturação do microciclo com o objetivo de resolver tarefas complexas 
apresenta sérias difi culdades metodológicas, vinculadas à defi nição da 
combinação de sessões de diferentes cargas. Se, no microciclo de caráter 
concentrado, a carga orientada para solucionar uma tarefa constitui o principal 
fator, no microciclo complexo, o número de fatores aumenta proporcionalmente 
ao número de tarefas a solucionar. A soma de efeitos das cargas de diferente 
orientação, no microciclo, tem importante signifi cado para a determinação dos 
parâmetros de infl uência de treino sobre o organismo do atleta (GOMES, 2009).
Na literatura especializada, não se conseguiu encontrar dados 
convincentes sobre o efeito positivo da combinação direta 
de cargas de choque de diferente orientação. O especialista 
(PLATONOV, 1986) procura explicá-lo com o fato de a 
carga máxima exigir a mobilização das reservas profundas 
do organismo do atleta e a redistribuição da atividade dos 
processos que ocorrem no organismo de acordo com a 
orientação da carga. Devido à fadiga que se desenvolveu, tal 
processo possui uma estabilização signifi cativa. A aplicação da 
carga de outra orientação exige também mobilização máxima, 
mas já de outros sistemas, o que é pouco conveniente do 
ponto de vista da formação das reestruturações de adaptação 
a longo prazo. Tal combinação pode provocar descoordenação 
dos processos de adaptação, e mesmo falha de adaptação. 
Por isso, seria conveniente alternar, no microciclo, as cargas 
próximas das máximas com as cargas de grandeza moderada. 
No processo de preparação dos atletas de alta qualifi cação, 
depara-se, frequentemente, com um problema: a utilização de 
microciclos para solucionar tarefas complexas não assegura 
que infl uências de diferentes orientações sejam sufi cientemente 
capazes de estimular o aperfeiçoamento posterior imediato de 
alguns componentes da preparação do atleta (GOMES, 2009, 
p. 188-189).
A efi ciência de direção do processo de treinamento no microciclo é 
condicionada, em grau considerável, pela dinâmica do volume e da intensidade 
da carga. A análise dos microciclos de sete dias, com seis dias de treino, que 
são os mais difundidos na prática do treinamento de atletas qualifi cados, permite 
destacar variantes com a dinâmica de um, dois e três picos de volume e de 
intensidade de cargas (GOMES, 2009). 
90
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Normalmente, a carga máxima não é esperada no primeiro dia de microciclo, 
principalmente nos casos em que o microciclo anterior termina com um dia de 
descanso. “Não é desejável que ocorra, no organismo, uma brusca mudança, que 
poderá ser provocada pela passagem do estado de descanso a uma atividade 
que exija a completa mobilização das reservas do organismo” (GOMES, 2009, p. 
189-190).
O período de recuperação, após cargas próximas das máximas, dura 
alguns dias e, portanto, todos os exercícios subsequentes serão realizados 
com o objetivo de sub-recuperação, o que pode afetar negativamente 
a efi ciência geral do microciclo. Por isso, recomenda-se, no primeiro dia do 
microciclo, a carga com parâmetros não superiores a 60 ou 70% das máximas 
(GOMES, 2009).
Seria preferível planejar as cargas de alta intensidade, ligadas 
ao aperfeiçoamento das capacidades de velocidade, de força 
explosiva, assim como o ensino inicial das ações motoras 
complexas para o 1º e 2º dia do microciclo ou para o dia seguinte, 
após a sessão de treino recuperativo. Quanto aos exercícios 
com alto volume de carga orientada para o treinamento da 
resistência aeróbia, anaeróbia, glicolítica e de força, seria 
conveniente planejá-los de modo que o pico de intensidade 
adiante, em tempo, o pico do volume de cargas. O aumento do 
volume da carga além das grandezas determinadas provoca 
inevitavelmente a redução da intensidade (GOMES, 2009, p. 
190).
Com relação às particularidades dos processos recuperativos que 
determinam a estrutura do microciclo, convém levar em conta o fato de que a 
duração de recuperação, após as cargas máximas de diversas orientações, 
apresenta diferenças substanciais. As possibilidades dos sistemas funcionais, 
que asseguram o nível das capacidades de velocidade, de coordenação, a força 
máxima e de impulso, se restabelecem de uma e meia a duas vezes mais rápido 
do que as capacidades dos sistemas funcionais que determinam o nível de 
resistência aeróbia e anaeróbia glicolítica (GOMES, 2009).
Na construção do microciclo, deve-se levar em consideração que as 
capacidades de recuperação do corpo humano, após um trabalho pesado, 
mudam signifi cativamente sob a infl uência do treinamento. Atletas de alto 
desempenho não só superam os menos habilidosos em resultados esportivos e 
habilidades funcionais de diferentes sistemas, como, também, na capacidade de 
se restabelecerem rapidamente (GOMES, 2009). 
O treinador não deve esquecer também as peculiaridades estritamente 
individuais do organismo de diferentes atletas, relacionadas à duração da 
recuperação.
91
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
1 O treinamento esportivo de alta performance normalmente é 
dividido por algumas questões cronológicas. Qual a denominação 
dessa divisão?
a) Sobrecarga do treinamento.
b) Periodização do treinamento.
c) Adaptação do treinamento.
d) Microciclo de treinamento.
4.2 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO 
DO TREINAMENTO NO MESOCICLO 
INDIVIDUALIZADO
Classifi cação dos mesociclos
O mesociclo trata da estrutura de carga, que varia de 3 a 6 semanas, e 
representa o elemento da estrutura de preparação do atleta orientado para a 
solução das tarefas de determinado macrociclo (período) de preparação.
Quanto aos indícios que permitem classifi car os mesociclos, podem-se 
destacar:
• A principal tarefa a ser resolvida pelo mesociclo no sistema de 
preparação.
• O momento do referido mesociclo na estrutura do macrociclo de 
preparação.
• A composição dos meios e dos métodos de treino aplicados no mesociclo.
• Os tipos de microciclos que compõem o conteúdo predominante do 
mesociclo estabelecido.
• A grandeza das cargas e sua dinâmica no mesociclo (GOMES, 2009).
Mesociclo inicial 
Sua tarefa é garantir a transição gradual do corpo do atleta do estado reduzido 
da atividade de treinamento no nível competitivo para parâmetros elevados, 
muitas vezes próximos às cargas máximas de treinamento nos mesociclos. O 
92
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
conteúdo do mesociclo inicial consiste em 2-3 microciclos de recuperação ou tipo 
inicial e termina com o microciclo de recuperação. A intensidade relativamente 
baixa com um aumento gradual no volume total de exercícios é característica do 
mesociclo inicial (FORTEZA, 2001; GOMES, 2009). 
Mesociclo básico 
Agrupa alguns tipos de mesociclos, nos quais se realiza o trabalho de 
treinamento principal no que se refere ao aprimoramentode vários aspectos 
da preparação do atleta que, pela magnitude das cargas, dividem-se em 
desenvolvimento e estabilizadores (GOMES, 2009). 
Mesociclo evolutivo 
É a principal forma de organização das infl uências do treinamento, com 
o objetivo de alcançar o efeito cumulativo do treinamento, que é a base para 
aumentar o nível de treino do atleta. Tal ciclo é caracterizado pela quantidade 
considerável de cargas (geralmente próximas do máximo para um dado nível de 
preparação). A seguir, analisaremos algumas peculiaridades metodológicas de 
construção desse tipo de mesociclo (FORTEZA, 2001; GOMES, 2009). 
Mesociclo estabilizador 
Visa consolidar as alterações obtidas anteriormente, as quais são garantidas 
pela redução ou estabilização insignifi cante das cargas anteriormente realizadas.
Mesociclo de recuperação 
Aplica-se no período transitório de preparação, quando têm 
importância predominante as tarefas de recuperação completa 
do atleta após um período prolongado de cargas máximas 
de treinamento e de competição. O mesociclo recuperativo 
é importante para a adaptação do organismo do atleta, pois 
permite prevenir a transformação da fase de resistência na 
fase de profundo esgotamento e de fracasso de adaptação. 
O mesociclo caracteriza-se pela redução do volume e da 
intensidade das cargas (geralmente 20 a 30% em relação 
aos parâmetros do mesociclo básico de desenvolvimento). 
Têm sido aplicadas diferentes formas de descanso ativo que 
contribuem para a descarga psicológica do atleta (natação, 
jogos, passeios nas montanhas etc.). No processo de 
preparação de atletas qualifi cados, incluem-se, no mesociclo 
recuperativo, vários tratamentos fi sioterapêuticos que visam 
à eliminação das consequências de traumatismos sofridos e 
à profi laxia de doenças. Nesse mesociclo, seria conveniente 
efetuar uma análise médica aprofundada que permita avaliar o 
estado de saúde do atleta (GOMES, 2009, p. 193).
93
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Mesociclo de controle 
Geralmente, completa o período preparatório. Sua principal tarefa é garantir 
o controle multiforme da efi ciência dos mesociclos básicos anteriores e a 
adaptação progressiva do atleta às necessidades dos mesociclos de competição 
subsequentes. Desempenha a função de preparação e controle. Durante esse 
mesociclo, qualquer defi ciência na preparação do atleta pode ser corrigida 
(GOMES, 2009). 
Mesociclo pré-competitivo 
Destaca-se como componente estrutural que proporciona a preparação 
imediata para a competição principal do macrociclo.
Durante esse mesociclo, tarefas são resolvidas, em particular, a recuperação 
após a fase anterior de competições seletivas, a manutenção e a possível 
elevação do nível alcançado, a eliminação de pequenos defeitos de preparação, 
a resolução do estado mental do atleta, a adaptação das condições das principais 
competições etc. A necessidade de resolver essas tarefas condiciona a inclusão, 
na estrutura do mesociclo pré-competitivo, de diferentes tipos de microciclos, cujo 
conteúdo pode variar dependendo da condição do atleta. As particularidades da 
estrutura e da dinâmica geral das cargas, no mesociclo pré-competitivo, serão 
analisadas posteriormente (GOMES, 2009). 
Mesociclo agonístico 
Representa a base do período competitivo de preparação do 
atleta. A sua estrutura e o seu conteúdo são determinados 
pela especifi cidade da modalidade desportiva, pelo sistema de 
preparação competitiva, pelas particularidades do calendário 
de competições, pelo nível da qualifi cação do atleta e por 
outros fatores. A duração do período competitivo poderá 
ser de 6 até 8 meses, o que é característico, por exemplo, 
para os jogos desportivos. Nesse período, destacam-se 
geralmente 4 a 6 mesociclos competitivos. Nesses casos, 
quando as competições se realizam durante 1 a 2 meses, é 
conveniente destacar o mesociclo de competições principais 
e os mesociclos competitivos que resolvem outras tarefas (o 
mesociclo de competições seletivas, os preparatórios etc.). 
Dependendo do número de participações, do intervalo entre 
elas e da importância das competições, podem ser incluídos, 
na estrutura do mesociclo competitivo, além dos microciclos 
competitivos, outros tipos de microciclos (GOMES, 2009, p. 
193-194).
94
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Sua função é contribuir para a recuperação e garantir a manutenção da alta 
capacidade de trabalho do atleta ao longo do mesociclo competitivo.
4.3 COMPOSIÇÃO DOS 
MICROCICLOS NA ESTRUTURA DO 
MESOCICLO 
Dependendo das tarefas a serem realizadas no mesociclo e do nível de 
preparação do atleta, a carga dos microciclos pode variar em uma faixa muito 
ampla. Conforme o número de sessões de treino com cargas de choque e 
ordinárias e de sua distribuição nos microciclos, o processo de recuperação das 
possibilidades funcionais do organismo, depois da soma da carga do microciclo, 
poderá terminar dentro de algumas horas após a última sessão ou demorar alguns 
dias. Assim, o microciclo seguinte poderá realizar-se no período de recuperação 
depois da soma da carga do microciclo precedente ou no momento da fadiga 
residual. A dinâmica de cargas pressupõe a execução do trabalho de treino no 
terceiro microciclo no nível da fadiga do microciclo anterior, sendo que o microciclo 
de choque é planifi cado durante a recuperação relativa (GOMES, 2009).
Mesociclo preparatório para mulheres 
Ao planejar cargas de mesociclo para mulheres, a infl uência do biorritmo 
mensal deve ser levada em consideração. A alteração do estado funcional, que 
depende do ciclo biológico específi co, denominado ovulatório-menstrual, é uma 
peculiaridade do organismo feminino, cuja duração varia, na norma fi siológica, 
em média de 21 a 36 dias. Em 60% das mulheres, é de 28 dias (MARX et al., 
2001; GOMES, 2009). 
O ciclo é geralmente dividido em cinco fases: a primeira, a da menstruação 
(do 1º ao 3º dia); a segunda, pós-menstrual (do 4º ao 12º dia); o terceiro, ovulatório 
(do 13º ao 14º dia); a quarta, pós-ovulatória (de 15 a 25 dias); e o quinto, o pré-
menstrual (do 26º ao 28º dia). A duração da primeira metade do ciclo ovulatório-
menstrual (até a ovulação) é diferente e está relacionada às características 
individuais do organismo feminino, sendo a duração da segunda metade sempre 
constante (14 dias). É fundamental saber os prováveis dias de início da ovulação: 
com o ciclo de 21 dias, a ovulação começa do 7º ao 9º dia; com o ciclo de 28 dias, 
a ovulação ocorre entre o 12º e o 16º dia do ciclo; enquanto que, com o ciclo de 
36 dias, entre o 19º e 23º dia do ciclo (GOMES, 2009). 
95
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
Em condições normais, durante as diferentes fases do ciclo ovulatório-
menstrual, ocorrem uma alteração da atividade hormonal e uma alteração do 
estado funcional de todos os sistemas do organismo (KOROP; KONONENKO, 
1983; KEIZER, 1986). Índices de capacidade para o trabalho mais elevados 
durante este ciclo são característicos das fases pós-menstrual e pós-ovulatória 
(GOMES, 2009).
Essas variações têm um caráter expressamente individual e se manifestam 
de acordo com a especialização do esporte. Nessas fases há diminuição da força, 
velocidade, resistência particular e distúrbios da coordenação dos movimentos 
em considerável número de desportistas.
Nas fases pré-menstrual e menstrual do ciclo ovulatório-menstrual, a 
irritabilidade e a instabilidade emocional das atletas aumentam (MARX et al., 
2001). 
A literatura apresenta abordagens relacionadas com o 
problema da estruturação da preparação desportiva das 
mulheres. Continua a ser bastante discutido o ponto de vista 
dos técnicos que estruturam a preparação desportiva das 
mulheres idêntica à dos homens, ou seja, desconsideram as 
mudanças do estado funcional e as oscilações da capacidade 
de trabalho desportivo das mulheres durante o ciclo ovulatório-menstrual. Como principal argumento, aludem, nesse caso, ao 
fato de que as atletas obrigam-se a participar das competições 
em diversas fases do ciclo. Pelo visto, tal argumento já não 
pode satisfazer às exigências modernas da preparação das 
atletas altamente qualifi cadas. Deve-se dar atenção especial 
às variações individuais do estado funcional das atletas em 
diversas fases do ciclo ovulatório-menstrual (GOMES, 2009, 
p. 195).
Parece mais justifi cada a abordagem que se propõe a encarar o ciclo biológico 
feminino como uma formação estrutural integral (mesociclo) da preparação das 
desportistas. Nesse caso, convém que, na planifi cação do mesociclo, seja tomado 
como base o ciclo ovulatório-menstrual individual da atleta, e seus microciclos 
sejam relacionados com as fases do ciclo ovulatório-menstrual (GOMES, 2009).
Kraemer et al. (2003) preconizam que, tendo em conta o estado funcional 
da mulher, as tarefas correspondentes devem ser resolvidas em cada fase, 
determinando os meios de treino mais adequados para o choque. Para períodos de 
reduzida capacidade de trabalho, os microciclos devem ter cargas principalmente 
de caráter recuperativo. Como as oscilações mais pronunciadas das funções 
fi siológicas do corpo feminino ocorrem nas fases ovulatória, pré-menstrual e 
menstrual, deve-se enfatizar, no mesociclo, dois microciclos especiais: o primeiro, 
96
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
incluindo a possível fase de ovulação, e o segundo, que cobre o período de 1-2 
dias antes da menstruação.
O mesociclo de treinamento compreende, além de dois microciclos especiais, 
respectivamente, mais 2 a 3 microciclos de treinamento. O número e a duração 
dos microciclos devem ser planejados de acordo com a duração do ciclo individual 
e suas fases (GOMES, 2009). 
No caso do ciclo curto de 21 dias, é necessário prever, no primeiro microciclo, 
uma redução signifi cativa da extensão da carga nos dias de provável ovulação 
em atletas com ciclo ovulatório-menstrual reduzido, e o programa de treinamento 
principal deve ser concluído na segunda metade do mesociclo. Durante o período 
do microciclo especial, recomenda-se reduzir o volume total e a intensidade das 
cargas (KRAEMER et al., 2003; GOMES, 2009). 
As cargas mais aceitáveis são as que visam à manutenção da preparação 
técnica e da fl exibilidade, sendo que as cargas aeróbias em pequenos volumes 
exercem infl uência favorável. As cargas estáticas e dinâmicas globais sobre os 
músculos da zona pélvica e abdominal são contraindicadas (GOMES, 2009).
Estrutura do mesociclo 
Pré-competitivo 
As grandes competições são o objetivo da preparação do atleta, uma vez que 
o desempenho nessas competições depende do resultado da preparação anterior 
(às vezes vários anos de treinamento). Na fase que antecede as competições 
principais, a preparação do atleta visa criar as condições mais favoráveis para 
atingir o nível de capacidade de treino alcançado nos desportos de alto nível 
durante essas competições. 
O fato, porém, de o atleta ter o nível necessário de treinabilidade 
não signifi ca que, a qualquer momento, seja capaz de 
mostrar tais resultados altos. Na prática desportiva, há muitos 
exemplos em que, durante as competições principais, os 
atletas apresentavam resultados mais baixos, que não 
correspondiam aos resultados dos testes de treinabilidade. 
Segundo dados dos especialistas (ZAKHAROV, 1985; 
PLATONOV, 1986), 25 a 60% dos atletas demonstram os seus 
melhores resultados nas competições principais. A causa de 
falhas reside frequentemente na má estruturação do mesociclo 
pré-competitivo (GOMES, 2009, p. 196).
97
O FATOR PLANEJAMENTO NO TREINAMENTO 
DESPORTIVODESPORTIVO
 Capítulo 2 
1 A combinação das fases de estimulação e recuperação cria 
as condições necessárias para que ocorra o fenômeno da 
sobrecompensação, melhorando o nível de condicionamento do 
atleta. A menor fração do processo de treinamento é considerada:
a) Mesociclo de preparação.
b) Mesociclo de transição.
c) Microciclo.
d) Período pré-preparação.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Que bom que você conseguiu chegar até aqui. Neste capítulo, vimos como é 
realizado o planejamento e o que nós chamamos de periodização de treinamento, 
e esperamos que você tenha compreendido o quanto é fundamental esta 
periodização, tanto para a melhora de rendimento quanto para a preparação para 
a “não lesão” durante o fator competitivo. Vimos que a periodização é dividida 
em tempos, denominados micro e macrociclos, e a principal diferença entre eles 
é que o macrociclo é um plano de periodização que organiza o treino a longo 
prazo, podendo ser anual, bianual ou olímpico, com a duração de quatro anos. 
Já o mesociclo é o conjunto de microciclos, ou seja, o agrupamento de treinos 
menores. Cada mesociclo pode ter uma periodicidade de 1 a 12 microciclos.
Vimos aqui também o treinamento personalizado não como coletivo, mas 
sim como individual. Levamos em consideração o treino feminino no aspecto 
hormonal e como este período tem infl uência no treinamento, principalmente 
quando falamos de evolução de treino e hormônios. Assim, temos que levar em 
consideração que a maior quantidade de estrogênio e testosterona presentes 
no organismo após a menstruação interfere positivamente na sua disposição e 
favorece a construção da musculatura. Já, após a ovulação, quando os níveis 
desses dois hormônios despencam e a progesterona domina o organismo (ela 
prepara o corpo para a menstruação), é normal que o seu rendimento não seja 
mais o mesmo. 
Esperamos que este capítulo tenha elucidado algumas práticas e que ajude 
no seu dia a dia na construção dos seus treinos e que você consiga aumentar o 
rendimento dos seus atletas.
98
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Um grande abraço e nos vemos mais adiante.
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100
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
CAPÍTULO 3
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA 
CONTRIBUIÇÃO DO TREINAMENTO 
DESPORTIVO
A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Abordar a ajuda de duas áreas importantes para o treinamento coletivo e 
individualizado.
• Verifi car como a nutrição e a psicologia infl uenciam de forma positiva para o 
alto rendimento de atletas e como a não utilização destas pode acarretar danos 
psicológicos e/ou nutricionais.
• Abordar os macro e os micronutrientes, os fatores sociopsicológicos e as 
ferramentas para identifi car problemas nessas áreas.
• Interpretar de forma correta os problemas psicológicos que estão acometendo 
a equipe e/ou o atleta.
• Indicar a melhor solução para a estabilização esportiva. 
• Verifi car se o atleta e/ou a equipe estão se alimentando perfeitamente para 
cada tipo de esporte específi co e se isso está infl uenciando os resultados que 
deveriam ser obtidos.
102
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
103
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Nutrição e esporte são áreas que se complementam e é difícil pensar em 
um sem cuidar do outro. Muitas vezes, uma alimentação balanceada não é 
sufi ciente para manter o indivíduo com boa saúde, é necessário, também, fazer 
exercícios físicos adequados. Mesmo sabendo da importância de trabalhar as 
duas questões juntas, surgem as seguintes questões: Qual é a melhor abordagem 
para a nutrição no esporte? Como posso melhorar o desempenho atlético do meu 
cliente por meio do monitoramento nutricional? 
A nutrição, atualmente, está muito na mídia e quase todo mundo acha que 
domina o conteúdo, certo? Quem nunca recebeu de um amigo conselhos sobre 
uma dieta “milagrosa” que ele viu em algum lugar? 
Além disso, por se tratar de uma “nova” ciência, nós, profi ssionais, muitas 
vezes nos deparamos com mudanças de conceito e devemos aprender a lidar 
com esse fato diariamente. O mercado de esportes e atividades físicas está se 
fortalecendo no Brasil e, antes mesmo dos ajustes dietéticos necessários, as 
pessoas já usam diversos suplementos alimentares. Talvez um dos maiores 
desafi os do profi ssional que trabalha com nutrição hoje é fazer a pessoa entender 
que, mais importante do que o uso de qualquer suplemento é, sobretudo, regular 
a alimentação, porque é muito comum notar certas falhas na maneira como essa 
pessoa se alimenta.
Devemos estar cientes de que além de introduzir uma nova dieta, será 
necessário corrigir alguns erros para que o acompanhamento deste atleta ou 
praticante de atividade física tenha os resultados esperados. Isso não signifi ca 
que os alimentos ou suplementos escolhidos sejam prejudiciais, mas que seu uso 
sem o devido controle e dosagem não produzirá o efeito desejado e pode até ser 
prejudicial à saúde.
A psicologia do esporte é o estudo de fatores comportamentais que 
infl uenciam e são afetados pela participação e desempenho no esporte, exercício 
ou atividade física e a aplicação dos conhecimentos adquiridos por meio deste 
estudo à situação diária. Estudar psicologia aplicada ao exercício é estudar as 
causas e os efeitos dos eventos psíquicos que os seres humanos experimentam 
antes, durante e depois do exercício. Certamente você já percebeu que, mesmo 
para ingressar em uma simples academia, o seu estado mental afeta diretamente 
a forma como você treina. Alguns dias são melhores ou piores do que outros. 
Muitos desses sentimentos são consequências de pensamentos, considerações 
e percepções de si mesmo e do mundo. Como outros campos da psicologia, a 
psicologia do esporte surgiu justamente para estudar o efeito da mente na prática 
de esportes físicos, especialmente de alto rendimento e trabalho em equipe.
104
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Temas, como motivação, personalidade, agressividade e violência, liderança, 
dinâmica de grupo, bem-estar psicológico, pensamentos e sentimentos dos 
atletas e vários outros aspectos da prática esportiva e física da atividade exigiram 
o estudo e a atuação dos profi ssionais do setor. Com efeito, o nível técnico 
dos atletas e das equipes de alto nível deve tornar-se mais equilibrado, livre das 
pressões extremas que prejudicam a saúde das pessoas, o que é muito facilitado 
pela atenção especial à preparação.
2 ASPECTOS NUTRICIONAIS E O 
DESEMPENHO FÍSICO
Segundo Guyton e Hall (2002), a nutrição é responsável por fornecer ao 
corpo todos os nutrientes de que ele precisa, tanto em termos da necessidade 
de energia física para o esporte quanto em termos dos nutrientes de que o corpo 
necessita para equilibrar sua saúde e atingir seus objetivos. Na hora de escolher 
uma alimentação de qualidade, o corpo é o principal benefi ciado e se você deseja 
ter um corpo saudável ou perder peso, a nutrição esportiva é fundamental para 
isso. Ao fornecer os nutrientes certos em quantidades adequadas a sua rotina e 
qualidade de vida, a nutrição esportiva ajuda a equilibrar sua saúde.
2.1 A NUTRIÇÃO E O DESEMPENHO 
FÍSICO
A nutrição esportiva proporciona os seguintes benefícios: previne o desgaste 
natural da cartilagem e dos ossos; ajuda a melhorar o desempenho físico; evita 
que vitaminas e minerais do corpo percam o ritmo devido a novas atividades 
físicas incluídas na rotina; acelera a recuperação muscular; ajuda a reduzir a 
gordura corporal; ajuda a regular a quantidade apropriada de nutrientes para o 
exercício que o paciente está fazendo e também para os objetivos do paciente; 
ajuda o corpo a se recuperar mais facilmente após o treino etc. 
A hidratação é um aspecto importante para que o corpo tenha saúde, 
qualidade de vida e equilíbrio, portanto, além de seguir o plano alimentar pensado 
para a sua individualidade, é extremamente importante ingerir a quantidade ideal 
de água todos os dias (COLLINS, 2009).
Para confi gurar uma fonte de alimentação adequada, é importante que o 
atleta forneça uma maior variedade de informações para melhorar a prescrição 
da nutrição esportiva. O momento do treinamento físico é um aspecto que será 
105
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
levado em consideração pelo profi ssional que prescreverá a nutrição. Com 
relação à refeição após o treino, é importante fornecer nutrientes e garantir uma 
recuperação mais rápida do corpo após um curso de atividade física intensa. 
É frequente até que o médico peça exames para avaliar o estado de saúde do 
seu paciente, para que a partir dos dados construa uma alimentação saudável e 
totalmente personalizada (SHIRREFFS, 2009).
É importante ressaltar que o grande diferencial da nutrição esportiva é 
a melhora signifi cativa na saúde e no desempenho físico de quem procura um 
bom profi ssional. Uma pessoa que participa de um exercício físico de qualquer 
intensidade geralmente causa um desequilíbrio natural de seus minerais e 
vitaminas. Isso é normal devido à eliminação do suor e ao próprio treinamento, 
mas nenhum desequilíbrio é saudável, principalmente quando é gerado por uma 
pessoa tentando se autoalimentar ou seguindo uma dieta da moda. 
Consultar um nutricionista esportivo é uma escolha acertada para evitar 
problemas de saúde e difi culdades de desempenho. Pensando nisso, o 
praticanteentende as necessidades naturais do seu corpo, garantindo, através 
da alimentação, tudo o que precisa para se tornar mais saudável. Portanto, a 
dieta será uma fonte dos nutrientes exatos para garantir que o atleta alcance seus 
objetivos estéticos, bem como uma fonte de energia.
Até o momento, vimos que o trabalho da nutrição ajuda o atleta e o usuário 
a criarem uma rotina mais saudável e efi ciente, mas quais são os reais efeitos da 
boa alimentação nesses casos? 
Em termos da resposta física às mudanças dietéticas, o monitoramento 
nutricional é capaz de melhorar o treinamento energético, aumentar o rendimento 
e, o mais importante, ajudar na recuperação muscular e nas reservas de energia 
para que o atleta possa realizar sessões de treinamento sem afetar o desempenho 
e a saúde. Graças ao acompanhamento nutricional, o atleta e/ou praticante de 
exercício físico conseguem manter um bom estado nutricional, com um peso ideal, 
um bom percentual de gordura e massa muscular, um ótimo estado de macro 
e micronutrientes e bioativos compostos extremamente importantes para: a boa 
formação de energia (melhoria da função mitocondrial); o funcionamento ideal 
dos sistemas de defesa e melhoria da imunidade; combater o estresse oxidativo 
(gerado naturalmente pela atividade, mas que não deve ser excessivo) e a 
infl amação, pois reduz muito o risco de lesões musculares e articulares; melhorar 
a produção de hormônios; e corrigir desequilíbrios intestinais. Finalmente, com 
suporte nutricional, melhora não só o desempenho, mas também a saúde! 
106
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
1 Imagine a seguinte situação: um atleta, campeão brasileiro de 
mountain bike, te procura porque no fi nal do ano passado ele 
estava pesando 5 kg a mais e teve a impressão de que isso 
estava prejudicando o seu desempenho. O que o atleta não sabia 
é que não era apenas o peso que o impedia de ir bem nos treinos. 
Apesar de ter passado por vários profi ssionais, ele continuava 
cometendo os erros da maioria dos atletas de resistência 
(esportes fracos ou médios, intensidade e longa duração): tinha 
um consumo excessivo de carboidratos de baixa qualidade 
(comia pão branco com creme de avelã cheio de açúcar no café 
da manhã, colocava açúcar no café e comia massa branca com 
frequência), comia pouca proteína e ingeria suplementos. Como 
ele pode obter melhores resultados nas provas em que participa?
2.2 O ASPECTO HIDRATAÇÃO NA 
NUTRIÇÃO DESPORTIVA
Segundo Collins (2009), os fl uidos corporais são distribuídos nos 
compartimentos intracelular e extracelular, sendo este último formado pelo 
interstício celular e plasma sanguíneo. Cerca de 20% do peso corporal consiste 
em fl uidos intersticiais e plasmáticos, respectivamente, 3/4 e 1/4 dos 14 litros 
de compartimento extracelular existentes no homem médio de 70 kg. Na sua 
composição, predominam os cátions de sódio (142 mEql/l), secundados pelos 
ânions de cloro e pequenas quantidades de proteínas e potássio (4,2 mEq/l).
A composição do líquido extracelular é estritamente regulada por diferentes 
mecanismos, com ênfase na função renal, que mantém as células umedecidas 
em um líquido com concentração de eletrólitos e nutrientes sufi cientes para seu 
funcionamento adequado. No compartimento intracelular, existem 28 litros dos 42 
litros existentes no corpo, o que representa cerca de 40% do peso corporal de um 
indivíduo médio. O fl uido intracelular contém pequenas quantidades de cloreto e 
íons de sódio (14 mEql/l), grandes quantidades de íons de potássio (140 mEql/l), 
fosfato e quase quatro vezes a concentração plasmática de proteína (GUYTON; 
HALL, 2002).
A manutenção de um volume relativamente constante e de 
uma composição estável dos solutos dos líquidos corporais é 
essencial para a homeostasia do organismo. A necessidade 
107
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
diária de água varia individualmente, sendo infl uenciada por 
uma série de fatores, como as condições ambientais e as 
características da atividade física, como duração da sessão, 
intensidade do exercício e necessidade de vestimentas 
que interferem na termorregulação, por exemplo. A água 
do organismo provém de várias fontes, sendo ingerida sob 
a forma de água pura e de água que compõe os alimentos, 
inclusive os sólidos, que são as fontes exógenas. Existe, 
ainda, a produção endógena de água, decorrente da oxidação 
dos macronutrientes. A soma das fontes exógena e endógena 
precisa oferecer ao organismo humano a quantidade de água 
correspondente às perdas diárias. Além do débito urinário, 
cerca de 100 ml de urina/hora, ocorrem perdas pela pele e 
pelo trato respiratório, somando cerca de 700 ml/dia de perda 
insensível de água, perda pelo suor, que é bastante variável, 
podendo atingir até dois litros por hora durante a prática de 
exercícios físicos, além das perdas pelas fezes, cerca de 100 
ml/dia. Portanto, para que exista equilíbrio entre ingestão e 
excreção, cabe aos rins a tarefa de regular a perda de líquidos 
e eletrólitos, por meio de múltiplos mecanismos. Com efeito, 
o mecanismo essencial pelo qual o organismo mantém o 
equilíbrio hidroeletrolítico depende do bom funcionamento 
renal (GUYTON; HALL, 2002 apud CARVALHO; MARA, 2010, 
p. 144).
2.3 TERMORREGULAÇÂO
A efi ciência mecânica do organismo humano é baixa. Na caminhada 
rápida e na corrida, no máximo 25% da energia química advinda da oxidação 
dos nutrientes costumam se transformar em energia mecânica, responsável 
pelo movimento. O restante é transformado imediatamente em energia 
térmica. Posteriormente, inclusive a energia mecânica, que proporcionou o 
movimento, também é transformada em energia. Portanto, 100% da energia 
são transformados em calor. Essa energia térmica, que se acumula durante o 
exercício, elevando a temperatura corporal, deve ser dissipada, o que é feito por 
mecanismos termorreguladores, sem os quais o corpo entraria em colapso por 
superaquecimento em poucos minutos de atividade (CARVALHO; MARA, 2010). 
Dentre os mecanismos termorregulatórios, o mais efi caz durante a 
prática de exercícios é a evaporação do suor. Portanto, não basta suar, sendo 
necessária a evaporação do suor para que o calor seja liberado pelo organismo, 
algo infl uenciado pela umidade relativa do ar ambiente, ou seja, o aumento da 
umidade relativa do ar diminui a taxa de evaporação do suor, possibilitando, 
consequentemente, menor liberação do calor corporal. Os demais mecanismos, 
que são a condução, a irradiação e a convecção, têm importância menor durante a 
prática de exercícios, principalmente os mais intensos e prolongados. Na medida 
em que ocorre a elevação da temperatura externa, esses três mecanismos se 
tornam ainda menos efetivos (CARVALHO; MARA, 2010).
108
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Convecção é a transferência de calor por meio da movimentação 
interna dos fl uidos. A convecção ocorre quando há transmissão ou 
transferência de energia de um lugar para outro pelo deslocamento 
de meio material através de correntes que se estabelecem no interior 
do meio. Dois exemplos são a geladeira e o aquecedor de água.
FONTE: <https://www.if.ufrgs.br/~dschulz/web/conveccao>. Acesso 
em: 25 jan. 2022.
O fl uxo sanguíneo que banha as células do hipotálamo anterior permite 
ao corpo humano controlar o sangue ou a temperatura interna do corpo. 
Segundo Gisolfi e Duchman (1992), diante do aumento de temperatura central, 
desencadeia-se uma resposta eferente mediada por receptores adrenérgicos 
nos vasos sanguíneos, ocorrendo vasodilatação periférica e, consequentemente, 
desvio de sangue para a pele. Concomitantemente, ocorre estímulo dos receptores 
colinérgicos nas glândulas sudoríparas, que aumentam a taxa de produção do 
suor. Portanto, o aumento da temperatura central desencadeia o mecanismo de 
termorregulação, que culmina com a formação e a evaporação do suor.Os mecanismos da termorregulação e da manutenção da homeostasia 
cardiocirculatória podem se tornar confl itantes, principalmente se houver 
desidratação com diminuição do volume plasmático circulante, quando o 
organismo privilegia a manutenção do volume plasmático, em detrimento da 
termorregulação, ocorrendo, então, diminuição da vasodilatação periférica e da 
produção de suor. Com o aumento da temperatura central, a consequência é a 
gradativa diminuição do desempenho físico, que pode culminar com o colapso, 
a exaustão e a insolação, ocasionando até mesmo o óbito (MONTAIN; COYLE, 
1992).
O Comitê de Medicina Esportiva da Academia Americana de Pediatria (vide 
Tabela 1) recomenda que sejam levados em consideração para a prática esportiva 
os níveis de estresse térmico medidos pelo Índice de Temperatura do Globo e 
Bulbo Úmido. Esse índice combina as temperaturas de medida do ar (Tdb), 
umidade (Twb) e radiação solar (Tg), sendo determinado pela equação WBGT 
= 0,7wb + 0,2Tg + 0,1Tdb. Curiosamente, essa recomendação é mais relevante 
para atividades extenuantes e de longo prazo (CARVALHO; MARA, 2010).
109
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
TABELA 1 – EXERCÍCIOS FÍSICOS DE ACORDO COM 
OS NÍVEIS DE ESTRESSE TÉRMICO
FONTE: Carvalho e Mara (2010, p. 145)
2.4 DESIDRATAÇÃO
Guyton e Hall (2002) afi rmam que, em atletas de provas de longa duração, 
o mecanismo de desidratação se dá principalmente pela perda de suor, que 
pode chegar a ser de até dois litros/hora, sendo que fatores, como as condições 
ambientais, condicionamento físico, aclimatação, grau de intensidade de esforço 
e tempo de exposição infl uenciam o volume da perda. Principalmente, mas não 
somente, as atividades de longa duração em climas quentes expõem o indivíduo 
às doenças relacionadas com o calor, sendo importante o diagnóstico do estado 
de hidratação nesse contexto (LOPEZ; CASA, 2009). 
O uso de solução de reposição oral, recomendação que 
obrigatoriamente deve ser seguida pelos participantes de 
atividades de longa duração, inclusive os que percorrem 
trilhas, atividade que vem crescendo nos últimos anos, permite 
a adequada reposição de água, energia (carboidrato simples) e 
eletrólitos (principalmente o sódio). Portanto, a reposição ideal 
se faz por meio das soluções hidroglicoeletrolíticas, conhecidas 
popularmente como ‘bebidas desportivas’ (CARVALHO; 
MARA, 2010, p. 145).
110
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
O grau de desidratação pode ser determinado pela massa corporal verifi cada 
imediatamente antes e após a atividade física, sendo a perda de cada 0,5 kg 
correspondente a aproximadamente 480-500 ml de líquido (GUYTON; HALL, 
2002). A partir de certo ponto, a desidratação, que espolia os compartimentos 
intracelular e extracelular, acarreta diminuição do fl uxo sanguíneo periférico 
e do ritmo da transpiração, podendo mesmo interromper a dissipação do calor 
(SAWKA, 1992).
A desidratação, que reduz a massa corporal em 1%, compromete a 
termorregulação entre 3 e 5%, causando aumento da frequência cardíaca e 
da temperatura e diminuição do débito cardíaco, enquanto a desidratação, que 
reduz a massa corporal em 7%, geralmente causa colapso durante o exercício 
(SAFRAN; MCKEAG; VAN CAMP, 1998). O ambiente sempre deve ser levado em 
consideração, pois atletas com o mesmo percentual de perda de massa corporal 
apresentam melhor desempenho em clima frio ou ameno (20 ou 21° C) do que 
em clima quente (31 ou 32° C) (SHIRREFFS, 2009). 
Desidratação leve e moderada causa sinais e sintomas, como fadiga, perda 
de apetite, sede, vermelhidão da pele, intolerância ao calor, tonturas, oligúria 
e aumento da concentração urinária. A desidratação severa causa pele seca e 
enrugada, olhos fundos, visão embaçada, delírio, espasmos musculares, choque 
térmico e coma, podendo levar à morte (SCHWELLNUS, 2009).
2.5 REPOSIÇÃO HIDROELETROLÍTICA
Segundo Montain e Coyle (1992), a partir da desidratação que causa perda 
de peso corporal entre 1 e 2%, há um aumento na temperatura corporal de 0,4 
°C para cada percentual subsequente de desidratação. A reposição em volumes 
equivalentes às perdas previne o declínio no volume de ejeção ventricular, 
benefi ciando a termorregulação, favorecendo o fl uxo sanguíneo periférico e 
facilitando a transferência de calor. 
Especialmente no exercício de longa duração, água, eletrólitos e estoques 
de glicogênio são constantemente depletados e, a menos que esses elementos 
sejam repostos, podem ocorrer hipovolemia, hipoglicemia, hiponatremia, 
hipertermia e desidratação (GISOLFI; DUCHMAN, 1992). 
A inadequada reposição eletrolítica e a super-hidratação podem contribuir 
para a hiponatremia, cujos sinais e sintomas, muitas vezes semelhantes aos da 
desidratação, exigem a dosagem de sódio sérico capilar e a pesagem de massa 
corporal antes e após a atividade física, para que se estabeleça o diagnóstico 
diferencial (Tabela 2) (ADROGUÉ; MADIAS, 2000).
111
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
Você já imaginou o quanto os atletas de luta se desidratam 
tanto em competições quanto nos períodos de pré-competição? 
Muitos utilizam essas pseudotécnicas para perder peso e diminuir 
de categoria, mais o quanto isso é prejudicial para o atleta? Veja a 
matéria ‘O perigoso método usado por lutadores de MMA para perder 
7 kg em um dia’ e tire as suas conclusões sobre esse perigoso método. 
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-
39280340# :~ : tex t=Esse%20processo%20%C3%A9%20
potencializado%20com,gota%20de%20%C3%A1gua%20do%20
corpo.
A perda de sódio é dependente do estado de aclimatação do atleta e da taxa 
de suor, sendo uma grande preocupação em atividades de longo prazo. Além da 
perda de água e eletrólitos, exercícios prolongados podem causar hipoglicemia 
e depleção de glicogênio, fatores que contribuem para o aparecimento da fadiga 
relacionada ao clima e à atividade esportiva (SHIRREFFS, 2009). 
O Colégio Americano de Medicina Esportiva publicou um 
guia de orientação para a reposição hidroglicoeletrolítica 
fundamentado na duração e intensidade do evento desportivo, 
de modo que seja devidamente estimada a necessidade de 
reposição de água, eletrólitos e substrato energético. Tal 
reposição deve ocorrer antes, durante e após a sessão de 
exercício. Conforme a duração, os eventos são classifi cados 
em atividades de menos de uma hora, entre uma e três horas 
e acima de três horas. Em atividades com menos de uma 
hora de duração, a reposição de água visa evitar o aumento 
da temperatura central, não sendo necessária a reposição de 
sódio. Nessa situação, também, a reposição de carboidrato 
não é recomendada, principalmente porque em geral são 
atividades de alta intensidade, nas quais o esvaziamento 
gástrico é prejudicado. Eventos com duração entre uma e três 
horas são realizados geralmente entre 60 e 90% do consumo 
máximo de oxigênio, devendo ocorrer reposição hídrica e do 
substrato energético (CARVALHO; MARA, 2010, p. 146).
112
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
TABELA 2 – SINAIS E SINTOMAS DIFERENCIAIS 
ENTRE HIPONATREMIA E DESIDRATAÇÃO
FONTE: Carvalho e Mara (2010, p. 146)
Em eventos de longa duração, ou com duração maior que três 
horas, recomenda-se a ingestão de 300 a 500 ml de água antes 
da prova e de 500 a 1.000 ml por hora de atividade. A bebida a 
ser consumida durante a atividade deve ter temperatura entre 
5 e 15 ºC, e conter entre 6 e 8% de carboidrato e entre 20 e 30 
mEq/l de sódio. A reposição de potássio pode ser benéfi ca, na 
concentração entre 3 e 5 mEq/l (GISOLFI; DUCHMAN, 1992 
apud CARVALHO; MARA, 2010, p. 146). 
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, sobre 
modifi cação da dieta e reposição de eletrólitos, geralmente recomendam que o 
indivíduo comece a se hidratar com250 a 500 ml de água duas horas antes do 
exercício e mantenha a ingestão de líquidos a cada 15 a 20 minutos durante o 
exercício. O volume a ser ingerido varia de acordo com a taxa de suor, que pode 
variar de 500 a 2.000 ml/h (CARVALHO; MARA, 2010). 
A reposição de carboidrato, entre 30 e 60 g de glicose por hora 
de atividade, deve ser considerada apenas para as atividades 
intensas e contínuas com mais de uma hora de duração. Após 
o exercício, deve continuar a ingestão de líquido, para que 
sejam supridas as perdas adicionais pela urina e sudorese. 
Recomenda-se a reposição de 50 g de glicose nas primeiras 
duas horas após a atividade, para que se promova a ressíntese 
de glicogênio muscular e hepático (CARVALHO; MARA, 2010, 
p. 146).
113
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
2.6 RECOMENDAÇÕES 
NUTRICIONAIS
Segundo Carvalho e Mara (2010), para aqueles que praticam exercícios não 
competitivos, uma alimentação balanceada, recomendada para a população em 
geral, é sufi ciente para manter a saúde e permitir um bom desempenho físico. 
No caso do atleta, a necessidade energética é calculada por 
meio da soma da necessidade energética basal e o gasto 
energético médio em treino. Os macronutrientes (carboidratos, 
lipídios e proteínas) devem ser consumidos visando à 
recuperação muscular, manutenção do sistema imunológico, 
equilíbrio do sistema endócrino e melhora do desempenho 
desportivo. As necessidades nutricionais, em termos calóricos, 
correspondem a um consumo que se situa entre 37 e 41 
kcal/kg de peso/dia. Contudo, a depender dos objetivos, a 
necessidade calórica pode apresentar variações mais amplas, 
entre 30 e 50 kcal/kg de peso/dia (CARVALHO; MARA, 2010, 
p. 147).
Na atividade leve, abaixo de 70% da FC máxima, portanto, 
abaixo do limiar anaeróbio, a energia advém quase que 
exclusivamente das reservas de gordura (quociente respiratório 
igual ou pouco acima de 0,70). Durante uma atividade contínua 
e moderada, com intensidade entre 70 e 85% da FC máxima, 
algo em torno ou pouco acima do limiar anaeróbio, a obtenção 
de energia advém de fonte mista, ou seja, da mobilização 
de carboidratos e gorduras (quociente em torno de 0,83). 
Quando a intensidade se acentua, igual ou acima do ponto 
de compensação respiratória, a obtenção de energia depende 
exclusivamente dos carboidratos (quociente respiratório igual 
ou acima de 1,0). A energia decorrente dos carboidratos 
depende principalmente do glicogênio armazenado no 
músculo esquelético, ou seja, da glicogenólise e subsequente 
glicólise, enquanto a energia vinda da gordura decorre da 
oxidação de ácidos graxos, provenientes principalmente da 
lise de triglicérides (lipólise). Portanto, a determinação do 
substrato a ser utilizado como fonte de energia depende da 
duração e intensidade do exercício (CLAASSEN et al., 2005 
apud CARVALHO; MARA, 2010, p. 147).
Segundo Carvalho (2003), o glicogênio exige muito espaço para pouca 
energia, pois 3/4 do seu volume correspondem à água. A energia advinda 
dos carboidratos é de grande explosão, sendo facilmente depletável. 
Consequentemente, após cerca de 90’ de uma atividade contínua, moderada e 
intensa, costuma ocorrer a depleção quase total das reservas de carboidrato, 
tendo como consequências a fadiga e a indisposição, causadas principalmente 
114
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
pela hipoglicemia e pelo acúmulo de corpos cetônicos (cetose). Para que isso não 
ocorra, há a necessidade de consumo de carboidrato simples durante a atividade, 
mesmo quando existe uma boa reserva inicialmente. A reposição das reservas de 
carboidrato é importante no período de recuperação, evitando a fadiga crônica e 
preservando o desempenho desportivo e a saúde (HERNANDEZ, 2009).
A ingestão de carboidratos correspondente a algo situado 
entre 60 e 70% do aporte calórico diário atende perfeitamente 
à demanda de um treinamento desportivo. Para aperfeiçoar o 
processo de recuperação muscular, recomenda-se o consumo 
de carboidratos entre 5 e 8 g/kg de peso/dia. Em atividades de 
longa duração, recomendam-se até 10 g/kg de peso/dia para 
que ocorra adequada recuperação do glicogênio muscular. 
Para atletas de provas longas, recomenda-se consumo entre 
7 e 10 g/kg de peso/dia e entre 30 e 60 g de glicose para cada 
hora de exercício contínuo, para prevenção da hipoglicemia, 
da depleção de glicogênio e da consequente fadiga. 
Imediatamente após o exercício, recomenda-se a ingestão de 
carboidratos simples, de alto índice glicêmico, correspondente 
a algo entre 0,7 e 1,5 g/kg de peso. A ingestão de carboidrato 
simples imediatamente após o exercício favorece a ressíntese 
de glicogênio muscular de forma mais rápida, tendo sido 
demonstrado que altas taxas de ressíntese de glicogênio 
muscular podem ser obtidas com o consumo de cerca de 1,2 
g de glicose/kg a cada 30 minutos nas primeiras cinco horas 
de recuperação (GOFORTH et al., 2003 apud CARVALHO; 
MARA, 2010, p. 147).
Visando um maior acúmulo ou “supercompensação” de glicogênio muscular, 
Sherman et al. (1981) propuseram, para um grupo de atletas praticantes de 
atividade de longa duração, uma redução no volume e intensidade do treinamento 
e um aumento no consumo de carboidratos, de cerca de 9 a 10 g/kg/dia 
durante os quatro dias imediatamente anteriores ao teste, em uma abordagem 
considerada mais efi caz do que a proposta anteriormente por Bergstrom et al.
(1967), que haviam demonstrado que a sobrecarga de carboidratos produzia altas 
concentrações de glicogênio muscular após a corrida. Foi também demonstrado 
que a ingestão de bebida contendo carboidrato simples melhora o desempenho 
dos atletas durante a atividade de longa duração, na comparação com a ingestão 
de água ou placebo, sendo que a resposta metabólica não ocasionou elevação 
da temperatura corporal central, mesmo em temperaturas ambientes de 30 ºC 
(HULSTON; JEUKENDRUP, 2009 apud CARVALHO; MARA, 2010).
Em temperaturas de 30 °C, Keizer et al. (1987) verifi caram que, quando o 
consumo de alimentos à vontade era permitido, sem orientação específi ca aos 
atletas, eles não conseguiam repor adequadamente os estoques de glicogênio. 
Portanto, é importante monitorar e orientar a ingestão de carboidratos 
durante o período de recuperação dos atletas conforme prescrição necessária. 
115
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
1 A nutrição é uma ferramenta importante dentro da prática 
esportiva. É um dos fatores que pode favorecer o desempenho 
atlético, já que, quando bem orientada, pode reduzir a fadiga e as 
lesões ou ajudar na recuperação destas, aumentar as reservas 
de energia para a competição e auxiliar na preparação física. 
Assinale V para as afi rmações verdadeiras e F para as falsas: 
( ) Reduções signifi cativas na gordura dietética podem prejudicar 
o desempenho físico. Alimentos ricos em gordura devem ser 
consumidos antes da atividade física, pois a gordura é uma fonte 
de energia para exercícios de longa duração de alta intensidade. 
( ) Recomenda-se o consumo de carboidratos com índice glicêmico 
moderado imediatamente após uma maratona, a fi m de promover 
a ressíntese de glicogênio.
Isso indica que, para atletas de provas de longa duração, recomenda-se consumir 
entre 7 e 10 g/kg de peso corporal/dia e entre 30 e 60 g de carboidratos simples 
por hora de exercício contínuo, a fi m de prevenir hipoglicemia, exaustão grave 
de glicogênio e fadiga. Após a atividade física, são recomendados carboidratos 
de alto índice glicêmico, correspondendo a algo entre 0,7 e 1,5 g/kg de peso, no 
período entre quatro e cinco horas. Para a população em geral, consumir uma 
quantidade normal de carboidratos na dieta, dentro de 24 horas após atividades 
longas, é sufi ciente para repor os estoques de glicogênio, sem a necessidade de 
recomendação especial (KEIZERet al., 1987).
Com relação às proteínas, é sufi ciente para indivíduos 
sedentários o consumo entre 0,8 e 1,2 g/kg/peso/dia. Para 
atletas, a recomendação pode ser entre 1,2 e 1,6 g/kg/
peso/dia. Mesmo no caso de atletas de força (fi siculturistas, 
halterofi listas etc.) a recomendação é de no máximo 1,8 g/kg/
peso/dia, algo facilmente possível de ser obtido por meio de uma 
dieta balanceada, que, portanto, é sufi ciente para fornecer a 
proteína que permita a necessária síntese proteica, necessária 
para o ganho de massa muscular, não havendo necessidade 
de qualquer suplementação. Quanto às necessidades diárias 
de lipídios, os atletas necessitam das mesmas recomendações 
destinadas à população em geral, ou seja, 1 g de lipídio/kg 
de peso corporal, correspondendo a 30% do valor calórico 
total da dieta, devendo ser mantidas as proporções normais 
de ácidos graxos, ou seja, 10% de lipídios saturados, 10% de 
monoinsaturados e 10% de poli-insaturados (HERNANDEZ, 
2009 apud CARVALHO; MARA, 2010, p. 147).
116
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
( ) Indivíduos treinados têm maior capacidade de utilizar ácidos 
graxos e também economizar glicogênio muscular durante o 
exercício. 
( ) A ingestão de carboidratos durante o exercício não previne a 
fadiga muscular, mas retarda seu início. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) F, F, V, V.
b) V, F, V, F.
c) V, V, F, F.
d) F, V, F, V.
2.7 A SUPLEMENTAÇÃO NA VISÃO DA 
COMPOSIÇÃO CORPORAL
Ganho de força, aumento da massa muscular, redução da gordura corporal, 
aumento da capacidade aeróbica, redução da fadiga, recuperação rápida e outros 
fatores que melhoram o desempenho físico atlético são objetivos comuns em 
atletas. Para o ganho de massa muscular, é preciso ter um aporte adequado de 
nutrientes, contido em todos os grupos de alimentos, e, sobretudo, um aporte 
proteico adequado, pois o aumento da disponibilidade plasmática de aminoácidos 
leva ao anabolismo proteico muscular (KATSANOS et al., 2008).
Os suplementos alimentares estão no centro das atenções, ainda mais 
quando pensamos sobre seus possíveis efeitos no desempenho físico, e seu uso 
está cada vez maior, principalmente entre atletas (PENCHARZ; ELANGO; BALL, 
2012). Frequentemente, as necessidades de alta energia não são atendidas 
apenas pela dieta, o que requer a adição de ingestão de suplementos dietéticos 
(GOSTON; CORREIA, 2009). Macronutrientes são recomendados para atletas, 
de 1,2 a 2,0 g/kg p/dia de proteína, 60,0% de carboidratos e 20,0% de gordura. 
Criada em 10 de novembro de 1999, a Agência Mundial Antidoping (AMA) 
– em inglês, World Anti-Doping Agency (WADA) – estabelece regras e diretrizes 
para combater a dopagem em escala global, expandidas politicamente pela 
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) 
e outros órgãos (CFM, 2018). 
117
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
Suplementos abrangidos na RDC nº 18/2010 da ANVISA, especialmente 
formulados para auxiliar os atletas e atender suas necessidades nutricionais 
específi cas e auxiliar no desempenho do exercício: cafeína, creatina, suplementos 
energéticos, suplementos hidroeletrolíticos, suplementos para substituição parcial 
de refeições e suplementos proteicos (BRASIL, 2010). 
No entanto, essa regulamentação não abrange substâncias estimulantes, 
hormônios, entre outras consideradas como “doping”. Pessoas fi sicamente 
ativas, que praticam atividade física recreativa, por estética ou para a promoção 
da saúde não necessitam de nutrientes adicionais além dos obtidos por uma 
alimentação equilibrada, a não ser em condições especiais, sob prescrição 
de profi ssionais da área (GOSTON; CORREIA, 2009). Atletas envolvidos em 
treinos com considerável duração diária e semanal podem se benefi ciar do uso 
de suplementos, sendo estes adicionais a uma dieta adequada, visto que esses 
indivíduos precisam consumir energia sufi ciente para o treinamento (BECKER et 
al., 2016). 
A baixa ingestão alimentar pode levar à diminuição de massa muscular e 
densidade óssea, aumento do risco de fadiga, lesão muscular, entre outros 
(MALFATTI et al., 2008). É importante entender a legislação vigente para avaliar 
as características dos suplementos e os fatores associados ao seu consumo, 
visto que existe uma grande quantidade desses produtos no mercado atual, o que 
torna difícil entender corretamente os seus reais benefícios e quais são os mais 
adequados para uso em situações específi cas (COSTA JÚNIOR, 2012). 
A prescrição de suplementos pelo nutricionista deve ser baseada na 
avaliação do estado nutricional, na dieta do atleta, no ajuste do consumo alimentar 
e na defi nição clara do período de uso do suplemento. Fica clara a importância 
do trabalho multidisciplinar, visto que o nutricionista, em sua formação, não 
aprende satisfatoriamente todos os conteúdos sobre a fi siologia do exercício e do 
esforço e as características de cada tipo de treinamento, informações totalmente 
compreendidas pelo educador físico e pelo fi siologista (WLOCH et al., 2008).
Veremos, a seguir, alguns dos suplementos mais utilizados, seus efeitos e 
consumo segundo alguns estudos.
Suplementos à base de carboidratos 
Os carboidratos são combustíveis importantes para o sistema nervoso 
central, têm efeito anticetogênico, ação poupadora de proteínas e fator 
imunorregulatório (SANTOS, 2011). O uso de suplementação de carboidratos por 
atletas é interessante, pois dependendo da duração e intensidade do treinamento, 
118
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
há perda de fl uidos corporais, queda da glicemia e depleção dos estoques de 
glicogênio muscular (ACSM, 2011). As bebidas isotônicas, por exemplo, também 
são utilizadas por atletas por conterem concentrações adequadas de eletrólitos, 
que levam à rápida absorção dos líquidos, mantendo o corpo hidratado e 
equilibrado, visto que o equilíbrio eletrolítico visa aumentar o açúcar no sangue. 
O consumo de bebidas energéticas de 10 a 60 minutos antes do exercício pode 
ser benéfi co, melhorando o foco mental e o desempenho durante o treinamento. 
O uso dessas bebidas durante o treino é importante para a manutenção 
de níveis adequados de glicose, principal substrato para a geração de energia, 
porém, cuidados devem ser tomados, pois uma maior ingestão calórica pode 
favorecer uma ingestão de energia que às vezes não é considerada parte 
integrante do consumo energético diário total necessário. As bebidas isotônicas 
contêm de 4 a 8% de carboidratos em sua composição, como misturas de glicose, 
sacarose, frutose e maltodextrina, eletrólitos (sódio e potássio) e pode conter 
outros compostos, como proteínas/aminoácidos ou cafeína (BURKE; MAUGHAN, 
2010).
Costa et al. (2010) sugerem que a quantidade e o tipo de carboidratos 
utilizados são fundamentais para que seu uso seja efi caz, infl uenciando 
diretamente no esvaziamento gástrico. Concentrações de carboidratos acima 
de 8% diminuem a taxa de esvaziamento gástrico, retardando o processo de 
absorção. As recomendações para o consumo adequado de carboidratos em 
exercício serão descritas no Quadro 1. 
QUADRO 1 – CONSUMO DE CARBOIDRATOS RECOMENDADO PARA ATLETAS
FONTE: Becker et al. (2016, p. 97)
119
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
BCAA
Estudos já demonstraram que, para a síntese de proteínas musculares, 
uma mistura de aminoácidos de cadeia ramifi cada é tão efi caz quanto todos os 
aminoácidos essenciais combinados (MATA; NAVARRO, 2009). Com relação 
ao possível efeito antifadiga dos BCAA, Falavigna et al. (2012) comentam que 
a suplementação crônica com 3,57% de BCAA contidos em uma dieta padrão 
para roedores com livre acesso à ração aumentou o tempo de natação até a 
exaustão em ratos suplementados em comparação a um grupo comcontrole. A 
suplementação de BCAA possui efeito dose-dependente e uma ingestão crônica 
de grandes quantidades de BCAA pode levar à incapacidade de manter a força 
muscular, com consequente redução do desempenho, ao contrário do que se é 
esperado pelos atletas ao usarem a estratégia da suplementação (BECKER et al., 
2016).
Como não são decompostos diretamente no fígado, os BCAA ingeridos 
acabam na corrente sanguínea e estão disponíveis para os músculos esqueléticos. 
Dietas ricas em BCAA estão frequentemente associadas ao baixo peso corporal, 
sugerindo oxidação de ácidos graxos (KAINULAINEN; HULMI; KUJALA, 2013). 
“Enfi m, há a hipótese de que os BCAA são mediadores no catabolismo da glicose, 
há o aumento da utilização dos ácidos graxos para a β-oxidação, aumentando a 
capacidade aeróbia no exercício e também em situações de repouso” (BECKER 
et al. 2016, p. 98).
Arginina 
A associação da suplementação de arginina ao exercício físico pode 
melhorar o desempenho, uma vez que a arginina é substrato para a formação do 
óxido nítrico, levando a uma melhora na função endotelial com melhoria do fl uxo 
sanguíneo e também à redução da agregação plaquetária, melhora da resistência 
e crescimento vascular, aumento do ritmo de fi ltração glomerular, entre outros 
(LIMA et al., 2012).
A arginina tem sido estudada, também, como um aminoácido que estimula a 
secreção de hormônio do crescimento (GH), por meio da inibição da secreção da 
somatostatina, que é um hormônio que inibe a secreção de GH, podendo, então, 
aumentar os níveis de GH em repouso (NICASTRO et al., 2008 apud BECKER et 
al., 2016).
Creatina 
O exercício pode induzir lesões musculares e comprometer o desempenho 
do atleta, devido a isso, existe a justifi cativa das estratégias de suplementação 
120
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
nutricional, que visam interferir positivamente nesse aspecto (SOUZA et al., 2010). 
Essa pode ser uma ferramenta de modulação do metabolismo de carboidratos. 
Em alguns estudos, já foi observado que a creatina pode afetar a absorção 
de glicose, aumentando a secreção de insulina pancreática ou por ação direta 
nos tecidos periféricos, aumentando a expressão do transportador de glicose 
muscular (GLUT-4) aumentando o transporte de glicose para as células (FREIRE 
et al., 2008).
A melhor forma de administrar a creatina ainda é bastante discutida e, 
em alguns estudos, que não chegaram a uma conclusão em si, a absorção de 
creatina parece ser aumentada quando combinada com carboidratos em sucos 
ou bebidas esportivas (MAHAN; RAYMOND, 2011). Devido a isso, sugere-se que 
a ingestão de carboidratos simples estimula a secreção de insulina, resultando 
em aumento da atividade da bomba sódio-potássio e do transporte de creatina 
para o músculo.
A dose diária de suplementação segura e recomendada de creatina pode 
ser entre 3 e 5 gramas, e o recomendado é que a ingestão de creatina ocorra 30 
minutos antes do exercício. Estima-se que os estoques de creatina permaneçam 
elevados 2 a 3 meses após a suplementação com 20 gramas de creatina durante 
cinco dias.
Whey Protein 
A maioria dos estudos disponíveis conclui que o soro do leite ou proteína 
do leite (soro + caseína) ingerido imediatamente após o exercício de resistência 
aumenta a síntese de proteína muscular em comparação com o consumo de 
carboidratos imediatamente após o treinamento (HULMI; LOCKWOOD; STOUT, 
2010). Além disso, a proteína do soro do leite pode ter a propriedade de aumentar 
a resposta antioxidante, devido à produção de glutationa celular, que é um 
peptídeo composto por glutamato, cisteína e glicina, que tem efeito antioxidante. 
Durante exercícios, espécies reativas de oxigênio são liberadas, resultando em 
estresse oxidativo (TERADA et al., 2009).
Terada et al. (2009) demonstraram que a ingestão de proteínas hidrolisadas 
do soro do leite após o exercício leva à maior síntese de aminoácidos no sangue 
e de proteínas musculares quando comparado à ingestão de proteínas de soja 
ou caseína também pós-exercício. Observou-se, também, que a ingestão de 
proteínas de soja estimulou maior síntese de proteínas em relação à caseína. 
Sugere-se, então, que o consumo de um suplemento de proteínas hidrolisadas 
tem ação mais rápida, aumentando a disponibilidade de aminoácidos na circulação 
sistêmica que estarão disponíveis para o anabolismo de proteínas musculares. A 
suplementação de proteína do soro do leite é vista na maioria dos estudos como 
121
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
1 O processo de hipertrofi a ocorre quando a taxa de síntese 
proteica muscular ultrapassa a taxa de degradação, resultando 
em um balanço positivo do balanço proteico muscular. Assinale V 
para as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) O exercício de força induz a um aumento agudo no turnover e 
oxidação de proteínas durante o exercício. 
( ) A hidratação e a ingestão adequada de nutrientes (carboidratos 
e proteínas) durante o período pós-exercício atuam em conjunto 
para atingir o balanço proteico muscular positivo.
( ) Recomenda-se uma ingestão proteica entre 1,6 g/kg/dia e 2,0 g/
kg/dia com o objetivo de otimizar a síntese de proteína muscular.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F, F, F.
( ) V, V, V.
( ) F, V, V.
( ) F, V, F.
2 As recomendações dietéticas para homens e mulheres 
fi sicamente ativos visam atingir um equilíbrio entre a ingestão e 
o gasto de energia, promovendo uma melhora no desempenho 
físico, manutenção/ganho de massa magra, benefícios nas 
funções imunológicas, entre outros. Assinale a alternativa 
CORRETA:
a) O aumento do metabolismo na atividade física amplia a produção 
de radicais livres potencialmente prejudiciais. Para reduzir a 
possibilidade de estresse oxidativo e danos às células, sua 
dieta diária deve conter alimentos ricos em vitaminas e minerais 
antioxidantes. 
b) A suplementação de vitaminas em excesso aos valores 
encontrados em uma dieta balanceada pode melhorar o 
desempenho físico ou o potencial de treinamento, além dos 
poderosos benefícios antioxidantes que agrega à dieta. 
uma estratégia importante para aumentar a resposta de resistência ao exercício e 
hipertrofi a muscular, e a proteína do soro do leite pode ou não estar associada à 
ingestão de carboidratos. 
122
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
c) Não há recomendação precisa para a ingestão diária de gorduras, 
uma recomendação conservadora sugere não ultrapassar de 30 
a 35% do valor energético total e, dentro desse percentual, tentar 
chegar a 90% na forma de ácidos graxos insaturados. 
d) Para atender às necessidades diárias de energia e nutrientes e 
minimizar o risco de doenças crônicas, os adultos devem consumir 
entre 45 e 65% do valor energético total dos carboidratos, com 
ingestão máxima de açúcares adicionados de 25% do valor total. 
3 O METABOLISMO ATUANTE NO 
TREINAMENTO DESPORTIVO
“Nos momentos iniciais do exercício, ocorre predominância das fontes 
energéticas primárias ATP e CP” (LANCHA JUNIOR, 1996, p. 68). Este evento 
se deve à ressíntese do ATP pela quebra do CP; a enzima creatina fosfoquinase 
(CPK) controla a degradação desse CP. O metabolismo ATP-CP predomina em 
atividades de curta duração e alta intensidade. 
3.1 O METABOLISMO ENERGÉTICO 
NO TREINAMENTO DESPORTIVO
Cintra Filho (1997), estudando dois grupos de sedentários, negros africanos 
(de Camarões, Senegal, Zaire, Costa do Marfi m e Burundi) e caucasianos, 
descobriu que os africanos têm maior atividade da enzima CPK, envolvida 
no metabolismo do ATP-CP, e a enzima fosfofrutocinase (PFK), que atua no 
metabolismo glicolítico. Em comparação aos caucasianos, não houve diferenças 
signifi cativas. Assim, concluiu que “os negros africanos são, em média, bem 
dotados para provas de alta intensidade e curta duração com respeito às 
características enzimáticas” (CINTRAFILHO, 1997, p. 58).
O metabolismo ATP-CP predomina até 30 segundos, em seguida, o sistema 
glicolítico prevalece no exercício. Cintra Filho (1997) relata que os carboidratos 
são a fonte de energia do metabolismo glicolítico e alerta que esse carboidrato 
é transformado em glicose, para uso, ou convertido em glicogênio, para 
armazenamento no fígado e nos músculos. Segundo Hawley e Hopkins (1995), 
a degradação do glicogênio em glicose ou seu uso imediato pela glicose forma o 
ácido pirúvico; a fosfofrutocinase (PFK) controla a taxa do metabolismo glicolítico, 
123
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
1 O sistema fi siológico depende de uma molécula que constitui a 
principal forma de energia química, pois sua hidrólise é altamente 
exergônica. Qual é o nome dessa molécula considerada como a 
moeda energética dos seres vivos?
a) ADP.
b) ATP.
c) DNA.
d) RNA.
e o PFK de jovens de 16 e 17 anos apresenta menor atividade do que o de 
adultos. Nessa faixa etária, o ácido pirúvico se combina com os íons hidrogênio 
(H +) e forma o ácido lático (LA), que é o produto do metabolismo glicolítico e uma 
das causas do cansaço e da fadiga.
As características dos desportos e das atividades físicas do metabolismo 
glicolítico são ações de alta intensidade e maior duração que o ATP-CP; 
geralmente, o sistema predomina até três minutos. Tourinho Filho e Tourinho 
(1998) afi rmam que crianças e adolescentes apresentam défi cit no metabolismo 
glicolítico quando comparados aos adultos, pois a taxa de glicólise é menor. 
Exercícios com ácido lático devem ser evitados, principalmente em crianças que 
não estão preparadas para exercícios de alta intensidade. 
No entanto, o American College of Sports Medicine (1988) recomenda de 20 
a 30 minutos de exercícios vigorosos para crianças e adolescentes. Uma questão 
importante é o uso efi ciente do tempo nas aulas de educação física. 
Um importante assunto é o uso efetivo do tempo da aula de 
educação física. O estudo do tempo e da movimentação dos 
alunos durante as aulas de educação física tem sugerido que 
uma grande fração do tempo instrucional é dedicado à matéria 
teórica, ao tempo de espera, à troca de veste e ao banho. Em 
algumas aulas, os estudantes gastam não mais que 11 minutos 
do período de 50 minutos, e, durante grande parte do tempo 
disponível, a frequência cardíaca (FC) não atinge o limiar de 
treinamento de 150 batimentos por minuto (BPM) (SHEPHARD, 
1995, p. 72 apud MARQUES JUNIOR, 2001, p. 66).
124
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
3.2 O EFEITO EPOC
O gasto energético diário pode ser dividido em três componentes: TMR (taxa 
metabólica de repouso), efeito térmico da dieta e gasto energético associado à 
atividade física (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1988).
A primeira condição refere-se ao próprio gasto energético durante o 
exercício e durante a fase de recuperação; a segunda refere-se às alterações 
na taxa metabólica de repouso (TMR). Com relação ao efeito agudo, está bem 
estabelecido que, após o término do exercício, o consumo de O2 não retorna 
imediatamente aos valores de repouso. 
O excesso de consumo de oxigênio após o exercício consiste 
em um componente rápido e um componente prolongado. O 
componente rápido do EPOC ocorre dentro de 1h. Embora a 
causa precisa dessas respostas não esteja bem esclarecida, é 
provável que esses fatores contribuam para: a ressíntese de 
ATP/CP, redistribuição comportamental dos íons (aumento na 
atividade da bomba de sódio e potássio), remoção do lactato, 
restauração do dano tecidual, assim como restauração do 
aumento da FC e do aumento da temperatura corporal (BAHR; 
SEJERSTED, 1991 apud FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 
2006, p. 394).
Durante o componente prolongado, os processos de retorno da homeostase 
fi siológica ocorrem continuamente, mas em nível inferior. Esses processos podem 
incluir o ciclo de Krebs com maior uso de ácidos graxos livres; efeitos de vários 
hormônios, como cortisol, insulina, ACTH, hormônios da tireoide e GH; ressíntese 
de hemoglobina e mioglobina; aumento da atividade simpática; aumento 
da respiração mitocondrial pelo aumento da concentração de norepinefrina; 
ressíntese de glicogênio e aumento da temperatura (RICCIONI et al. 2004, BAHR; 
SEJERSTED, 1991).
Os resultados de vários estudos sobre a extensão e a duração do EPOC 
são confl itantes: enquanto vários estudos mostram que o EPOC pode durar 
horas, outros concluíram que o EPOC é transitivo e mínimo (FOUREAUX; PINTO; 
DÂMASO, 2006).
Vários trabalhos têm analisado a contribuição do EPOC em 
programas de emagrecimento, visto que este é o resultado de 
um balanço energético diário negativo entre consumo e gasto 
energético. Bahr et al. (1987) já haviam considerado o EPOC 
como um importante fator no controle do peso, uma vez que 
o exercício demanda uma energia extra além da prevista na 
atividade física (FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006, p. 394). 
125
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
O aumento do metabolismo durante a recuperação tem uma implicação 
importante na prescrição de programas de redução de peso. A perda de peso 
também está ligada a alterações crônicas na atividade física, ou seja, na taxa 
metabólica de repouso (TMR). 
A TMR é defi nida como o gasto energético necessário à 
manutenção dos processos fi siológicos no estado pós-
absortivo, chegando a compreender até 60-70% do gasto 
energético total, dependendo do nível de atividade física. 
Todo esse interesse na redução ponderal deve-se ao fato de 
a obesidade, atualmente, ser considerada pela Organização 
Mundial de Saúde um problema de saúde pública. Uma 
estimativa considerando a prevalência de pessoas obesas 
atualmente ressalta que, se essa proporção se mantiver, no 
ano de 2230, 100% da população norte-americana será obesa. 
Analisando a realidade brasileira, Meirelles e Gomes (2004) 
mostraram que, no Rio de Janeiro, 44% dos homens e 33% 
das mulheres na faixa etária de 26 a 45 anos apresentam 
sobrepeso ou obesidade (FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 
2006, p. 394).
Embora a obesidade esteja ligada a várias causas, tais como genéticas, 
fi siológicas, metabólicas, ambientais, emocionais e culturais, toda a atenção dada 
ao aumento do gasto energético total diário é de grande valia, uma vez que o 
balanço energético é determinado, por um lado, pelo consumo e, por outro lado, 
pelo gasto de energia, e um desequilíbrio energético positivo pode levar a um 
acúmulo excessivo de energia armazenada como gordura corporal (FOUREAUX; 
PINTO; DÂMASO, 2006). 
3.3 EFEITO DO EPOC NO AUMENTO 
DO GASTO ENERGÉTICO DIÁRIO 
TOTAL COM EXERCÍCIO AERÓBIO 
Segundo Imamura et al. (2004), as disparidades nos resultados relacionados 
ao EPOC podem refl etir diferenças em muitos fatores, como massa muscular 
envolvida no exercício; intensidade e duração; estado do treinamento; ingestão 
de alimento (efeito térmico da refeição); qualidade do sono da noite anterior; 
condições ambientais; familiaridade do sujeito com o protocolo; variações 
na temperatura e nas concentrações de catecolaminas; custo metabólico da 
remoção do lactato; utilização do substrato e fase do ciclo menstrual, no caso das 
mulheres; ansiedade pré-exercício; ritmo circadiano; presença de overtraining, 
em casos de atletas; entre outros.
126
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
O EPOC aumenta linearmente com a duração do exercício. No entanto, 
a intensidade do exercício parece afetar tanto o tamanho quanto a duração do 
EPOC; a duração do exercício, por outro lado, afeta apenas a duração do EPOC 
(IMAMURA et al., 2004). Portanto, estudos têm sugerido que exercícios de maior 
intensidade produzem aumento mais sustentado do EPOC do que exercícios de 
menor intensidade (quando em volume equivalente), devido ao fato de causar 
maior estresse metabólico,exigindo maior gasto de energia para retornar à 
homeostase. 
Além disso, um maior nível de atividade do sistema nervoso simpático 
(estimulado por catecolaminas) também pode contribuir para o aumento da taxa 
metabólica após o exercício, uma vez que adrenalina e norepinefrina estimulam 
a respiração e a função mitocondrial e celular, facilitando a passagem de sódio 
e potássio pela membrana celular, aumentando a produção de ATP e o uso de 
oxigênio (BORSHEIM et al., 1994). 
Existe um aumento de 20-35% na resposta lipolítica no adipócito após o 
exercício, no entanto, a taxa de oxidação lipídica é ainda maior após o exercício 
de alta intensidade porque a síntese de glicogênio é aumentada para substituir o 
glicogênio utilizado. A oxidação dos lipídios também está associada ao aumento 
do turnover dos ácidos graxos livres; ao mesmo tempo, o aumento do turnover 
de proteínas também pode contribuir para um maior EPOC. Além desses 
fatores, exercícios mais intensos estão associados a uma maior ressíntese de 
hemoglobina e mioglobina e parecem estar inversamente associados às taxas de 
obesidade (BAHR; SEJESTED, 1991).
Alguns trabalhos analisaram o EPOC e o gasto energético 
comparando protocolos de exercício contínuo e intervalado 
submáximos e exercício contínuo submáximo e intervalado 
supramáximo. Todos esses estudos demonstraram maior 
gasto energético para os exercícios mais intensos. Partindo-
se do princípio de que é possível realizar mais minutos à alta 
intensidade com o exercício intermitente se comparado com o 
exercício contínuo, pessoas com sobrepeso podem exercitar-
se por tempo menor a uma intensidade que produza um 
EPOC maior, visto que, na maioria das vezes, essas pessoas, 
além de descondicionadas, têm aversão à atividade física 
(FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006, p. 394).
No entanto, deve-se ressaltar que o EPOC é relativamente curto após 
exercícios de intensidade e duração moderada, < 70% do VO2máx. e/ou < 60 
minutos, visto que a magnitude do EPOC após o exercício aeróbio depende de 
ambos os fatores (intensidade e duração do exercício). Por outro lado, exercícios 
com duração > 60 minutos e/ou com intensidade > que 70% do VO2máx. parecem 
estar relacionados a um EPOC prolongado. Tem sido proposto, ainda, que para 
as pessoas que querem emagrecer, a magnitude do EPOC (custo energético) é 
mais importante que a duração (FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006).
127
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
3.4 EFEITO DO EPOC NO AUMENTO 
DO GASTO ENERGÉTICO DIÁRIO 
TOTAL COM O EXERCÍCIO 
RESISTIDO
Laforgia et al. (1997) apontaram que exercícios de endurance provavelmente 
causam maior perturbação da homeostase do que exercícios aeróbicos, sugerindo 
que, devido às altas intensidades envolvidas, podem requerer mais gasto de 
energia, tanto durante o exercício quanto durante a recuperação. Além disso, 
olhando apenas para o exercício resistido, sugere-se também que um protocolo 
mais intenso é mais efi caz no controle de peso (SCHUENKE; MIKAT; MCBRIDE, 
2002). 
Dois fatores foram atribuídos ao fato de o exercício de endurance produzir um 
EPOC mais alto: o primeiro fator refere-se às respostas hormonais, que podem 
alterar o metabolismo, especialmente catecolaminas, cortisol e hipertrofi a tecidual 
de GH, que se deve ao fato de a síntese de proteínas ser reduzida durante o 
próprio exercício. No entanto, após o exercício, há um fenômeno compensatório, 
no qual o turnover das proteínas parece ser estimulado. Além disso, o processo 
de síntese de proteínas requer uma alta demanda de energia (6 ATP por mol de 
peptídeo formado). Esse mecanismo também pode contribuir para um estímulo 
duradouro do gasto energético após o exercício. 
Um estudo acompanhou sete homens saudáveis em 
dois circuitos de treinamento de peso, um usando 20’’ de 
intervalo e outro usando 60’’ a 75% de 20 RM. Os resultados 
demonstraram que o EPOC foi signifi cativamente maior 
no protocolo de 20’’, se comparado com o de 60’’. O gasto 
energético em 1h de recuperação foi de 51 ± 2,84 kcal x 37 
± 1,97 kcal, respectivamente; essa diferença também foi 
signifi cativa, porém, o gasto de energia total (exercício + 1h 
de recuperação) foi signifi cativamente maior no protocolo de 
60’’ de intervalo (277,23 kcal) comparado com o protocolo de 
20’’ de intervalo (242,21 kcal). O protocolo de 20’’ resultou 
em maior componente rápido do EPOC, o que era esperado, 
uma vez que este é proporcional à intensidade do exercício 
(FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006, p. 395).
Parece haver uma combinação ideal de intensidade e duração em exercícios 
de endurance para maximizar o EPOC. No entanto, essa combinação ótima 
permanece incerta. No estudo de Schuenke, Mikat e McBride (2002), um EPOC 
foi encontrado além de 16h após 38' de exercício de endurance. Além disso, o 
128
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
VO2 também apresentou aumento constante ao longo do dia, atribuindo a isso 
o provável acúmulo de efeitos causados por atividades diárias, emoções e ritmo 
circadiano. O efeito do exercício resistido no EPOC foi verifi cado em homens 
de 22 a 40 anos previamente treinados com exercícios resistidos, nos quais foi 
observado que, após uma sessão de 90 minutos, a taxa metabólica permanecia 
elevada por mais de duas horas após o exercício. 
Outro estudo investigou o efeito de 45’ de exercício resistido 
em mulheres treinadas sobre o EPOC. Após 120 minutos de 
recuperação, observou-se elevação de 18,6% no metabolismo 
de repouso, se comparado com o controle. Em contraposição 
aos trabalhos mencionados anteriormente, um estudo analisou 
seis homens adultos por 42 minutos durante exercício 
de levantamento de peso (12RM), observando-os nos 60 
minutos iniciais da recuperação. A taxa metabólica estava 
signifi cativamente elevada ao fi nal dos 60 minutos, porém, 
apenas 19 kcal adicionais foram despendidas. Os autores 
ressaltaram que esse gasto energético de recuperação teria 
pouco efeito na regulação do peso. No entanto, o fato de o 
consumo de oxigênio ter permanecido elevado após o controle 
de uma hora impossibilitou que esses autores determinassem 
a verdadeira duração do EPOC e o verdadeiro gasto energético 
durante esse período. Visto isso, o consumo de oxigênio 
poderia ter retornado aos valores de repouso imediatamente 
após esse período, como pode ter permanecido elevado 
por horas (MELBY; TINCKNELL; SCHMIDT, 1992 apud
FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006, p. 395).
Existem muitos mecanismos potentes pelos quais o exercício regular poderia 
facilitar a manutenção ou a redução do peso corporal, o que inclui: aumento do 
gasto energético diário total, redução do apetite, aumento da TMR, da massa livre 
de gordura, do efeito térmico da refeição, do consumo excessivo de oxigênio após 
o exercício e da taxa de mobilização e oxidação de gordura (GORE; WITHERS, 
1990). 
Epoc e obesidade
Vários estudos mencionaram o efeito do EPOC no auxílio à perda de peso. No 
entanto, embora as palavras perda de peso e obesidade tenham aparecido com 
frequência na literatura, poucos estudos realmente analisaram essa população. 
Poehlman et al. (2002) analisaram o efeito do treinamento aeróbio e resistido 
em mulheres obesas; entretanto, não observaram o consumo de oxigênio após 
o exercício, o que reforça a importância de novos estudos analisando o EPOC 
nessa população específi ca. Esses autores também citam outro aspecto relevante 
ao contexto dos obesos: a TMR foi medida 10 dias após os seis meses de 
treinamento e não houve alteração crônica signifi cativa em nenhum dos grupos.
129
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
3.5 TMR: EFEITOS AGUDO E 
CRÔNICO DO EXERCÍCIO
A TMR é o principal componente do gasto energético diário, sendo 
modifi cada por diversos fatores como: horário do dia, temperatura, ingestão 
alimentar, ingestão de cafeína,tipo de exercício e estresse (IMAMURA et al., 
2004). Na massa corporal, isso se deve em parte a uma diminuição da massa 
corporal magra e da atividade do sistema nervoso simpático. Com relação 
aos efeitos agudos do exercício, Osterberg e Melby (2000) descobriram que o 
exercício resistido aumentou a TMR por 16 horas após o exercício em cerca de 
4,2%, sugerindo um aumento em cerca de 50 kcal/dia da TMR com o exercício. 
Um estudo de Hawley e Hopkins (1995) constatou que a TMR pela manhã 
após o exercício de endurance foi 4,7% maior do que a medida pela manhã antes 
do exercício. Para analisar o efeito crônico do exercício, mulheres obesas na pós-
menopausa foram acompanhadas por 16 semanas de treinamento de resistência. 
Além disso, as pessoas obesas experimentaram reduções signifi cativas na 
massa corporal, gordura corporal e porcentagem de gordura, indicando que o 
exercício resistido pode ser um importante componente integrado a programas de 
emagrecimento em mulheres pós-menopausa.
Schuenke, Mikat e McBride (2002) acrescentam um aspecto importante à 
literatura ao demonstrarem que o treinamento resistido acompanhado de redução 
da massa corporal não levou à redução da MTR. Confi rmando esse resultado, 
foi encontrado um aumento de 7,7% na TMR em homens idosos com protocolo 
semelhante. No entanto, Bahr et al. (1987) analisaram os efeitos de 12 semanas 
(3 vezes por semana) de exercícios aeróbicos e de resistência sobre o peso 
corporal, composição corporal e MTR em 18 idosos (aproximadamente 61 anos), 
que apresentaram diminuição da massa corporal 9 ± 1 kg em 11 semanas. 
Os resultados indicaram que nenhum dos dois tipos de exercício conseguiu 
reverter a diminuição da TMR de aproximadamente 15% (260 kcal/dia) ou a 
oxidação de gordura como consequência da redução da massa corporal anterior. 
Da mesma forma, dois grupos de mulheres não obesas foram treinadas, um grupo 
com exercício resistido e outro com exercício aeróbio por seis meses. O gasto 
energético diário foi mensurado 10 dias após os seis meses. Concluiu-se que os 
benefícios do treinamento físico no aumento do gasto energético é primariamente 
decorrente do efeito do exercício e não de elevação crônica do gasto energético 
diário em mulheres não obesas (POEHLMAN et al., 2002). 
130
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
No entanto, deve-se notar que os dados sobre os efeitos do treinamento 
de longa duração na MTR são confl itantes, talvez devido ao fato de ser difícil 
quantifi car o tempo exato de recuperação de um treinamento anterior, quando 
apenas o efeito crônico destina-se a ser medido durante o treinamento, excluindo 
o efeito agudo da última sessão (para não superestimar a RMR). 
Segundo Freake e Oppenheimer (1995), fatores genéticos e fi siológicos 
que infl uenciam a RTM, como níveis de hormônio tireoidiano circulante, turnover 
das proteínas desacopladoras 2 e 3 e níveis circulantes de leptina, também 
começaram a ser investigados. Esses aspectos do metabolismo de repouso 
indicam que a atividade física pode ter dois efeitos distintos na TMR. Além do 
efeito do treinamento no aumento da massa magra, um segundo efeito pode 
resultar desses processos fi siológicos que infl uenciam a TMR (FOUREAUX; 
PINTO; DÂMASO, 2006). 
A proteína de desacoplamento (UCP3) foi descoberta em 1997 (BOSS et al., 
1997). Essas proteínas transportam certos prótons ou ânions de ácidos graxos 
através da membrana interna da mitocôndria para produzir ATP e aumentar o 
gasto de energia. No entanto, também há evidências de que a principal função 
fi siológica da UCP3 não é a regulação do gasto energético, mas isso permanece 
obscuro (FOUREAUX; PINTO; DÂMASO, 2006). 
Foi sugerido por Lanouette et al. (2001) que a UCP3 pode estar envolvida 
com as adaptações induzidas pelo treinamento no metabolismo energético, 
exercendo uma downregulation na UCP3, que, por sua vez, está associada ao 
aumento do mecanismo de efi ciência no aproveitamento de energia. Deve-se 
ressaltar, no entanto, que, no exercício agudo, ocorre upregulation da UCP3, 
possibilitando maior oxidação de ácidos graxos. Entretanto, com o treinamento, a 
capacidade de oxidar ácidos graxos poderia aumentar, reduzindo a necessidade 
de altos níveis de UCP3.
3.6 TMB NOS OBESOS E LEPTINA
A leptina, um hormônio produzido pelo tecido adiposo, é o maior regulador da 
ingestão de alimentos e da taxa metabólica. O nível plasmático de leptina refl ete-
se nos estoques energéticos, uma vez que esse hormônio exerce um feedback 
negativo no eixo hipotálamo-pituitária-tireoide e eixo hipotálamo-pituitária-adrenal 
(RICCIONI et al., 2004). O mecanismo de ação da leptina envolve diminuição da 
ingestão alimentar e aumento do gasto energético, com consequente redução da 
massa corporal. 
131
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
A leptina também aumenta a atividade simpática, sugerindo aumento da 
termogênese no tecido adiposo marrom (regula o peso corporal após a compulsão 
alimentar), o que poderia ser um mecanismo pelo qual a leptina poderia regular 
a massa corporal. Um estudo mostrou uma redução de 43% na ingestão de 
alimentos com a administração de oxigênio de leptina, o que foi associado a 
um aumento na síntese de novas proteínas UCP (proteína desacopladora). A 
concentração total de UCP aumentou em 131% com a administração de leptina, 
promovendo a redução da massa corporal. A ativação do UCP aumenta a taxa de 
oxidação do substrato e a produção de calor. Os autores concluíram que a leptina 
aumenta o turnover da norepinefrina no tecido adiposo, porque a leptina aumenta 
a ativação simpática, aumentando a termogênese no tecido adiposo marrom e a 
expressão de UCP (ZHOU et al., 2000).
3.7 A PSICOLOGIA APLICADA AO 
DESPORTO
O rendimento esportivo está associado, por razões óbvias, 
aos resultados dos atletas; em geral, estamos de acordo que: 
melhores rendimentos produzem melhores resultados. Um dos 
aspetos que maior atração exerce sobre atletas, treinadores, 
preparadores físicos e psicólogos, é esse momento em que 
se produz a melhor execução possível, a excelência esportiva, 
ou a execução plena, utilizando a terminologia de Williams e 
Straub (1991). Alguns dos atletas mais experientes relevaram a 
enorme importância do fator psicológico: “no tênis profi ssional, 
95% é mental”, comentava Jimmy Connors, ou “se teu cérebro 
pode convencer teu corpo de que ele pode fazer algo, sem 
dúvida o fará”, falava Carl Lewis (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 
2012, s.p.). 
Segundo Williams e Straub (1991), é necessário assumir que o desempenho 
completo é consequência tanto de fatores físicos quanto mentais. Não podemos 
separar a mente do corpo. Podemos estimar que uma condição prévia para as 
execuções ótimas é ter um certo nível de condicionamento e domínio das tarefas 
físicas implicadas na execução. O psicólogo deve analisar quais habilidades 
psicológicas são mais relevantes e necessárias nas diferentes situações 
esportivas, bem como analisar e determinar as necessidades específi cas de cada 
atleta (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012). 
O psicólogo de esporte aplicado deverá conhecer e analisar as 
diferentes situações esportivas que se produzem ao longo de 
um jogo, uma competição, uma temporada ou um ciclo olímpico 
no esporte, em que será feito um treinamento psicológico, 
e deverá avaliar, em primeiro lugar, as necessidades e os 
132
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
recursos psicológicos de seus atletas e da equipe técnica com 
quem ele vai colaborar, para poder otimizar o rendimento e o 
bem-estar dos atletas com quem trabalha (CRUZ, 2002, p. 29).
3.8 ASPECTOS METODOLÓGICOS 
PARA O TRABALHO PSICOLÓGICO 
NO ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO
Para uma intervenção psicológica, é muito importante conhecer os aspectos 
característicos de cada esporte. Embora as variáveis psicológicas relacionadas 
ao desempenho sejam as mesmas para todos os atletas,o mesmo não 
acontece com as situações específi cas que terão de enfrentar, situações com 
potencialidades diferentes, cargas de estresse diferentes para cada esporte 
e para cada momento esportivo do mesmo esporte. Aspectos, como o sistema 
competitivo, a estrutura da temporada, os momentos de participação inativa na 
competição e a necessidade de um maior ou menor nível de ativação, exigem que 
o psicólogo do esporte tenha algum conhecimento do esporte em que intervirá 
(CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012). 
Tendo como proposta ideal o trabalho multidisciplinar no esporte, em que o 
objetivo é a otimização do rendimento do atleta, o psicólogo, como todos os demais 
profi ssionais: médicos, fi sioterapeutas, treinadores ou preparadores físicos, 
deve ter um conhecimento básico dos aspectos específi cos que fazem parte do 
trabalho dos colegas. Nesse aspecto, o psicólogo, tendo conhecimentos gerais 
de preparação física, treino desportivo, medicina e anatomia básica, mantém uma 
útil proximidade com o ambiente profi ssional. Em esportes específi cos, foram 
realizados estudos que indicam dentro de cada esporte a existência de uma fase 
mais ou menos importante para o atleta (ALZATE et al., 1997). Na verdade, não 
devemos perder de vista os seguintes pontos:
• Concentração.
• Deslocamento para o lugar da competição.
• Aquecimento prévio.
• Início da competição.
• Períodos de participação não ativa (faltas, arremessos livres, o saque 
em voleibol etc.).
• Diferenças no marcador.
• Reiniciar o jogo após o descanso.
• Quilômetros concretos em esportes de resistência.
133
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
1 Atualmente, falamos muito em qualidade de vida, mas o dia a dia é 
mais exigente. A tecnologia, feita para facilitar a vida das pessoas, 
está tornando o mundo cada vez mais complexo, implacável e 
sedentário, além da poluição, das obrigações, dos abusos etc., 
que afetam a saúde mental e o bem-estar psicológico. Nesse 
sentido, assinale a alternativa INCORRETA:
O atleta deve saber administrar as demandas psicológicas que cada um 
desses momentos exige. Na realidade, essas situações tornam-se um verdadeiro 
test bed para contrariar as técnicas, habilidades e estratégias aprendidas pelo 
atleta durante um treinamento psicológico prévio. Segundo Nitsch (1985, p. 
150), “o objetivo e a fi nalidade do treinamento psicológico é a modifi cação dos 
processos e estados psíquicos (percepção, pensamento e motivação), ou seja, a 
base psíquica para a regulação do movimento. Essa modifi cação será realizada 
com o auxílio de procedimentos psicológicos”. Os principais objetivos podem ser 
alcançados com medidas de treinamento psicológico: 
• Melhoria planejada e sistemática das habilidades psíquicas individuais e 
habilidades de desempenho.
• Estabilização e otimização do comportamento de corrida. 
• Aceleração e otimização dos processos de recuperação e regeneração 
psicológica.
• Otimização dos processos de comunicação social. 
No treinamento psicológico, os seguintes princípios éticos devem ser levados 
em consideração (BECKER JUNIOR; SAMULSKI, 2002): 
• A participação no treinamento psicológico deve acontecer por interesse 
próprio e sem pressão externa.
• Antes de aplicar o treinamento psicológico, deve-se informar aos atletas 
seus objetivos, métodos, indicações e efeitos.
• Os métodos aplicados no treinamento psicológico devem ser 
cientifi camente aprovados.
• O treinamento psicológico deve contribuir para o desenvolvimento 
da personalidade, da saúde, do bem-estar, da autodeterminação e da 
responsabilidade social.
134
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
a) A redução da ansiedade após o exercício físico ocorre 
independentemente da intensidade, da duração ou do tipo do 
exercício, embora os melhores resultados sejam obtidos em 
atividades aeróbicas.
b) O autoconceito é um termo usado para caracterizar os aspectos 
concernentes a quem o indivíduo é. É uma variável de baixa 
relação com a satisfação que um indivíduo tem quanto a sua 
vida.
c) As consequências fi siológicas do exercício para o bem-estar 
psicológico podem ser explicadas pelo aumento no fl uxo 
sanguíneo cerebral, pelo aumento e pela liberação do consumo 
de oxigênio no cérebro, pela redução da tensão muscular, entre 
outros.
d) O estresse produz poucos efeitos debilitantes em uma 
personalidade resistente e o exercício auxilia nesse processo.
3.9 O TRABALHO PSICOLÓGICO 
GERAL PARA O ESPORTE DE ALTA 
COMPETIÇÃO
O trabalho psicológico que se desenvolve na alta competição deve 
ser realizado ao longo do macrociclo de treinamento, sistematicamente 
durante a preparação física, técnica, tática e teórica, nas semanas que 
antecedem à competição e na própria competição. Seu objetivo é a educação, 
o aperfeiçoamento de todos os componentes psicológicos do sistema de 
regulação da ação e do comportamento do atleta, que infl uenciam na formação 
da personalidade. Por outro lado, com o trabalho psicológico, o atleta saberá 
adaptar-se melhor ao rigoroso esforço de trabalho exigido por pertencer a uma 
equipe de alto rendimento (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012). 
É importante considerar as diferenças individuais no desenvolvimento 
do plano de trabalho psicológico durante o treinamento, pois os atletas podem 
ter diferentes difi culdades. A identifi cação dos componentes psicológicos 
subdesenvolvidos em atletas é uma tarefa essencial para o desenvolvimento do 
trabalho psicológico geral, em que é necessário considerar o nível de expressão 
de qualidades psicológicas, processos e formações que não são alterados por 
dias ou semanas. Requer-se de longos meses de trabalho, às vezes, anos, no 
sentido de obter esse objetivo (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012). 
135
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
Segundo Samulski (2002), para elaborar um plano geral de trabalho 
psicológico, é necessário levar em consideração as fases do macrociclo, em que 
as tarefas específi cas serão introduzidas, pois a priorização dos componentes da 
regulação psicológica, dentro do macrociclo, dependerá do papel que cada um 
desempenha dentro das diferentes fases de preparação do atleta. 
Ao priorizar os componentes psicológicos, devem ser levadas em 
consideração as características do esporte. O desenvolvimento de um plano 
de trabalho psicológico para uma equipe de tiro não é o mesmo que para uma 
equipe de voleibol ou de outra disciplina esportiva. Cada modalidade tem sua 
especifi cidade e, portanto, seus requisitos essenciais. Segundo Cárdenas e 
Cárdenas (2012), os componentes psicológicos (de regulação orientadora) que 
determinam um alto rendimento no tiro esportivo são os seguintes:
• Capacidade de coordenação sensório-motora.
• Capacidade de reação.
• Rapidez de percepção óptica.
• Capacidade de concentração.
• Discriminação tátil.
Esses componentes não são os mesmos que determinam a qualidade do 
desempenho dos jogadores de voleibol. Nesses participam, como qualidades 
importantes de atenção, a distribuição e a velocidade de mudança. A distribuição 
tátil não é tão importante quanto os cálculos ópticos motores e as reações de 
antecipação etc. No trabalho psicológico geral, todos os componentes do 
sistema de regulação psicológico que dizem respeito à ação desenvolvida pelo 
atleta devem ser instruídos. Veja, a seguir, a periodização dos componentes 
psicológicos dentro de cada preparação do atleta de alto desempenho.
136
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
TABELA 3 – O TRABALHO PSICOLÓGICO ESPECIAL 
PARA O ESPORTE DE ALTA COMPETIÇÃO
FONTE: Cárdenas e Cárdenas (2012, s.p.)
O trabalho psicológico especial para o esporte de alta competição será 
responsável por garantir que o atleta possa se apresentar em uma competição 
com um estado ideal de desempenho.
Cada competição é ao mesmo tempo para o atleta: um meiopara comprovar 
a efi ciência de nosso trabalho; um momento de confrontação de possibilidades 
para o atleta; uma possibilidade para mobilizar a vontade e desenvolver o 
autocontrole; um meio a mais de treinamento em condições de alta tensão; uma 
137
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
forma ideal para integrar os membros da equipe num mesmo propósito; meta 
imediata para objetivos futuros (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
Portanto, podemos dizer que o trabalho psicológico especial possui 
características diferentes do geral, embora faça parte dele. Segundo Thomas 
(1982), um trabalho psicológico especial deve ser desenvolvido sempre que 
participamos com a equipe de uma competição. Pensar que apenas na 
competição mais importante deve ser feito um trabalho psicológico especial 
seria um erro, pois isso poderia levar a um estresse adicional para o atleta, já 
que ele não estaria adaptado a essa intervenção. Fazer todos os requerimentos 
de ordem psicológica, a fi m de que o atleta participe com a melhor disposição, 
nas diferentes atividades que se desenvolvem no macrociclo, adapta o atleta a 
receber as tarefas como algo normal e necessário.
Preparação pré-competitiva
Está compreendida em várias semanas antes da competição. O tempo 
dedicado a essa preparação é maior ou menor, em dependência da importância 
da competição e das características de nossa equipe. Seu objetivo é mobilizar as 
disposições e capacidades de rendimento do atleta, para que este obtenha, na 
data da competição, ou durante a temporada da competição, um estado ótimo 
que lhe permita obter altos desempenhos. Nela, são feitas tarefas específi cas, 
que pretendem “colocar em forma” tanto os aspetos de motivação, vontade, 
controle dos estados de tensão psíquica como todos aqueles componentes 
psicológicos sob os quais descansam as destrezas técnicas-táticas (CÁRDENAS; 
CÁRDENAS, 2012).
Preparação competitiva
Esta preparação compreende as tarefas que são feitas nas jornadas 
competitivas; seu tempo de duração é variável, tendo em consideração o tipo de 
esporte. Seu objetivo é manter ótimo o estado de desempenho, o qual começa a 
se modelar desde a preparação geral, mobiliza-se na preparação pré-competitiva 
e tem que se manter nos dias da competição. Nela, aplicam-se tarefas que 
são dirigidas fundamentalmente à regulação dos estados desfavoráveis e à 
concentração dos atletas nas ações imediatas, assim como na correção das 
ações da equipe durante a competição.
Pode-se observar que, no trabalho psicológico, existe uma 
interdependência entre o geral e o especial. Se excluirmos o 
trabalho psicológico geral, estaremos preparando as condições 
para o fracasso do trabalho psicológico especial, porque o 
atleta só poderá ter confi ança em si mesmo, e um alto grau 
de aspirações, caso se sinta com pleno domínio de suas 
138
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
habilidades motrizes, e se educamos nele os componentes 
indutores, que o permitem entregar-se totalmente na busca 
da vitória. Ao mesmo tempo, a preparação pré-competitiva 
é a base para a preparação competitiva, porque não se 
pode manter um estado que não se tenha mobilizado nas 
semanas anteriores à competição. Assim mesmo, o resultado 
de nosso trabalho com os atletas, durante o período de 
competição, repercutirá favoravelmente na sua disposição 
geral para enfrentar o próximo ciclo de treinamento, sempre 
que formos capazes, seja ante os êxitos ou ante os fracassos, 
de utilizar esses resultados de forma produtiva (CÁRDENAS; 
CÁRDENAS, 2012, s.p.).
1. Informação detalhada sobre a competição e os adversários
Forma de aplicação: comunicar ao atleta a data, a cidade e o provável 
local onde decorrerá a competição, o comportamento típico do público, julgar a 
possibilidade de participação, as condições de alojamento (durante uma viagem 
a outro local, estado ou país), o nível de treinamento e resultados competitivos 
das equipes ou a individualidade do adversário ou da equipe, os votos por eles 
impostos, as posições alcançadas em jogos anteriores etc. (muitos treinadores 
tiram fotos de seus oponentes e as colocam na academia ou no campo, para que 
sua equipe possa se relacionar com eles e se acostumar com suas características 
externas). Frequência de aplicação da tarefa: uma vez, no início dessa preparação 
(CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
2. Informação sobre as próprias possibilidades individuais e coletivas
Forma de aplicação: inicia-se com entrevistas individuais, em ambiente 
privado, com cada membro da equipe, em que são analisados os aspectos 
positivos e ainda não resolvidos nos dias que antecedem à prova. Além disso, 
informa-se ao atleta suas possibilidades reais para esse confronto a fi m de que ele 
possa ter uma aspiração real de rendimento, e evitar, dessa forma, uma vivência 
de fracasso que possa interferir em sua motivação futura. Posteriormente, reúne-
se a equipe e se analisa coletivamente a particularidade do nível de treinamento 
do grupo, utilizando sempre a mobilização de todas as suas disposições para 
a entrega ao trabalho, e refl etir sobre o resultado que consideram alcançar no 
confronto, se necessitam realizar um esforço supremo etc. Frequência de 
aplicação: uma vez, no início dessa preparação (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 
2012).
3. Fixação de aspirações de rendimento individuais
Forma de aplicação: individualmente, perguntar-se-á a cada atleta qual é 
o rendimento que ele aspira alcançar (exemplo: se é um jogador de handebol, 
deverá informar sua aspiração com relação à efi ciência em arremessos a curta, 
média e longa distância, passes etc.), infl uindo sempre inteligentemente, para 
que eleve ou diminua suas aspirações, quando consideramos que elas diferem 
139
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
de suas possibilidades reais. É importante que o atleta fi que convencido de que 
essas metas surgem dele e que não são impostas pelo seu treinador. Frequência 
de aplicação: uma vez, no início dessa preparação (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 
2012).
4. Fixação de aspirações coletivas de rendimento
Após a informação das metas individuais, reúne-se toda a equipe para 
informar, coletivamente, as aspirações individuais de rendimento, com o intuito de 
convertê-las em compromisso. Também, analisa-se, com todos os membros da 
equipe, de forma democrática, o possível lugar a alcançar na competição; é dizer 
as aspirações de rendimento da equipe, os apoiando nas experiências anteriores, 
nos resultados de confrontos passados, no nível alcançado pelos atletas durante 
o macrociclo, na qualidade dos adversários etc. Frequência de aplicação: uma 
vez ao início dessa preparação (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
5. Treinamento modelado
Faz-se necessário programar as tarefas gerais e particulares, tanto na ação 
prática como no plano mental, nas quais se deve fazer o seguinte:
• Treinamento ideomotor, a fi m de representar a participação pessoal nas 
diversas ações, nas condições prováveis da competição.
• Treinamento moldado à competição é dizer as atividades que serão 
feitas no treino, e estas deverão se ajustar às mesmas condições da 
competição (infl uências de sons gravados de barulho da torcida, música 
etc.), da forma mais variada possível.
 
É importante compreender que os estímulos aplicados nos treinos da última 
semana, similares aos que enfrentarão nossos atletas na competição, ajudarão 
para que estes apresentem um estado psíquico mais controlado e com melhores 
possibilidades de êxito. Frequência de aplicação: duas vezes por semana 
(CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
6. Regulação das tensões psíquicas pré-competitivas
Forma de aplicação: serão utilizadas técnicas variadas para o controle das 
tensões psíquicas, aprendidas durante a preparação psicológica geral. Nessa 
tarefa, é importante considerar que não é possívelincorporar ao treinamento 
que se desenvolve na etapa de preparação pré-competitiva aquelas tarefas 
para o controle dos estados de tensão psíquica que não foram apreendidas 
anteriormente, pois isso infl uirá negativamente sobre os resultados competitivos. 
Só deverá ser utilizada aquela tarefa que o atleta esteja identifi cado, dessa forma, 
poderá infl uir positivamente nessa etapa. Frequência de aplicação: todos os dias, 
sete semanas antes da competição (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
140
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
Como será a vida intensa de uma atleta frente a uma competição 
internacional? Simone Biles ainda não se sente segura para voltar 
a praticar a ginástica artística. A lendária ginasta confessou, em um 
programa de TV dos Estados Unidos, que ainda não conseguiu se 
recuperar da crise psicológica que teve nos Jogos Olímpicos de 
Tóquio. Biles se emocionou durante a entrevista. Leia a entrevista 
de Simone Biles e tente imaginar o que se passou na cabeça dela. 
Disponível em: https://ge.globo.com/ginastica-artistica/noticia/biles-
fala-sobre-seu-emocional-ainda-tenho-medo-de-fazer-ginastica.
ghtml.
Tarefas que podem ser feitas na preparação competitiva no trabalho 
psicológico especial:
• Antes de chegar ao lugar da competição, devemos ter em 
consideração as seguintes questões: mostrar alegria e levar confi ança 
e serenidade aos nossos atletas. Não é o momento de discutir com 
eles, nem de mostrar o nosso nervosismo ou as nossas preocupações. 
Não permitir que membros da torcida, jornalistas, familiares, diretores 
etc. pretendam, na última hora, falar com os atletas, exigindo-lhes um 
bom desempenho ou lembrando-os que todos estarão pendentes de 
sua atuação. Caso isso ocorra, só contribuirá para elevar os níveis de 
tensões psíquicas dos atletas, o que infl uirá posteriormente em seu 
desempenho Não permitir uma alimentação exagerada poucas horas 
antes do confronto. Se a competição ocorrer à tarde ou à noite, deve-se 
propiciar aos atletas que se distraiam, escutando música, vendo fi lmes, 
participando de jogos recreativos, lendo livros etc. Evitar a realização 
de atividades físicas intensas (dançar, nadar etc.). Deve-se vigiar o 
repouso do atleta durante o dia; se os atletas dormem depois do almoço 
e a competição é à noite, só deverão dormir o tempo de costume. Se 
a competição é à tarde, deverão repousar de 15 a 20 minutos, sem 
chegar ao sono profundo. Se nos deslocamos de ônibus para o lugar da 
competição, devemos estar atentos para que os atletas mantenham a 
alegria e a tranquilidade. Deverão ser medidas as pulsações dos atletas, 
e, se possível, a estimação do tempo (utilizando cronômetros), duas 
horas antes do início da competição, para determinar os que apresentam 
tensões psíquicas desfavoráveis, a fi m de tomar as medidas pertinentes. 
Os atletas que apresentem tensões psíquicas desfavoráveis deverão 
fazer técnicas de regulação das tensões psíquicas excessivas uma hora 
antes da competição, a fi m de que possam se apresentar num estado 
adequado para começar as ações (CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
141
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
• Ao chegar à competição: segundo Thomas (1982), ao chegar ao local 
onde decorrerá a competição, devemos considerar que as nossas tarefas 
psicológicas passam por três fases: 
1. Primeiro passo: orientação 
Os atletas devem olhar livremente o local da competição, adaptando-se aos 
estímulos de atuação (observar as características da instalação, onde estão os 
torcedores etc.). É importante que os atletas encontrem a semelhança do local da 
competição com o local onde realizam os seus treinamentos. 
2. Segundo momento: concentração 
Os atletas devem focar sua atenção no programa da primeira atuação. 
Deverão também eliminar gradualmente de seu pensamento todo conteúdo que 
possa desviar-lhe sua atenção no momento da execução da ação. Para isso, é 
necessário utilizar técnicas de autorregulação das tensões psíquicas excessivas, 
tais como Terapia Racional Emotiva (RET), treinamento ideomotor, Terapia Ativa 
(TA), sempre antes do aquecimento.
3. Terceiro momento: manter o estado ideal durante a competição 
O treinador sempre pode ajudar na valoração das ações, ainda 
em situações críticas, de forma calma e efi ciente, para cooperar com a 
precisão e modifi cação do programa tático estabelecido, e na regulação 
das tensões dos atletas durante a competição. Segundo Gorbunov (1988), 
é mais conveniente utilizar os termos ‘tranquilos’, ‘mas ativos’, fortes, 
a utilizar imperativos, tais como ‘controla-te’, ‘acorda’ etc. A conduta 
do treinador constituirá um espelho para o atleta, porque treinadores 
nervosos = atletas nervosos e treinadores calmos = atletas com maiores 
possibilidades de se acalmar.
Deve-se garantir o descanso e a recuperação nas saídas da quadra, entre 
os jogos etc. com meios rápidos de regulação das tensões psíquicas, como os 
exercícios respiratórios, regulação por imagens positivas, mudanças na direção 
do pensamento, música suave etc. O fi m da competição não é o momento de 
analisar os resultados. A análise deve ser feita depois, quando a equipe estiver 
descansada, e sempre tendo em consideração as vivências de êxito ou de 
fracasso que os atletas obtiveram ao fi nalizar. No caso de êxito, a análise pode 
começar pela informação dos erros que foram feitos, porque o estado de ânimo 
da equipe está elevado e pronto para receber novas informações. No caso de 
fracasso, deve-se estimular o estado de ânimo da equipe iniciando a análise pelos 
142
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
1 O esporte atualmente é caracterizado pela pressão para vencer 
e treinar durante o ano todo. As recompensas fi nanceiras para 
os melhores, assim como a publicidade e o status para atletas 
e treinadores têm levado ao prolongamento das temporadas, 
resultando em pouco tempo para o descanso e desgaste 
excessivo dos protagonistas esportivos. Analise as afi rmações a 
seguir: 
I. O desgaste mental tem como características: esgotamento físico 
e psicológico; sentimento de baixa realização; baixa autoestima; 
sentimento de fracasso; depressão; despersonalização; e 
desvalorização.
II. Ao vivenciar um desgaste psicológico, o atleta e o técnico buscam 
uma fuga psicológica, emocional e física, em resposta a um 
excessivo nível de estresse ou insatisfação. O afastamento do 
esporte é inevitável.
III. Apesar de pouco falado, o desgaste psicológico é bastante comum 
nos árbitros. Isso é gerado pelo alto nível de estresse e pelas 
poucas compensações da profi ssão. O medo do fracasso e de 
uma marcação equivocada acarreta avaliações negativas sobre o 
indivíduo, que pioram, ainda mais, o nível de estresse.
a) Assinale a alternativa CORRETA:
b) Apenas a afi rmativa II está correta.
aspetos positivos, dessa forma, eles poderão ativar sua atenção para processar 
a informação que vai sendo encaminhada para melhorar os erros apresentados 
(CÁRDENAS; CÁRDENAS, 2012).
A análise dos resultados ao fi nalizar a competição deverá contar, 
necessariamente, desde o ponto de vista psicológico, com vários aspetos: 
• Destacar as ações que têm contribuído para o sucesso coletivo. 
• Criticar ações que possam contribuir para o fracasso dos objetivos 
coletivos. 
• Analisar a disciplina mantida durante a competição. 
• Não criticar os atletas, mas sim os erros, os maus jogos. A expressão 
‘você estava muito mal’ é percebida de forma diferente de ‘a ação X 
não surtiu efeito’; a primeira tem uma conotação pessoal, que pode ser 
avaliada pelo atleta como agressão.
143
A PSICOLOGIA E A NUTRIÇÃO NA CONTRIBUIÇÃO 
DO TREINAMENTO DESPORTIVODO TREINAMENTO DESPORTIVO
 Capítulo 3 
c) Apenas a afi rmativa I está correta.
d) As afi rmativas I e II estão corretas.
e) Todas as afi rmativas estão corretas.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Estamos muito felizes quevocê tenha chegado até aqui. No Capítulo 3, você 
conseguiu ver e analisar como a nutrição e a psicologia são essenciais para a 
saúde do atleta, seja ele de alto nível ou não. Vimos que sem a nutrição existe 
uma depleção de nutrientes efi cazes para o atleta e que, atualmente, no esporte 
de alto rendimento, vitórias aleatórias são cada vez mais raras e a tendência à 
interdisciplinaridade tanto do controle dos estados mentais e emocionais é uma 
das condições básicas para o desempenho máximo do atleta em competição.
O esporte competitivo também é um estressor em decorrência de variáveis 
fi siológicas, biomecânicas e psicológicas, que desempenham um papel relevante 
no desempenho esportivo. Altos níveis de estresse estão ligados a perdas no 
desempenho esportivo, infl uenciando o nível de atenção, ansiedade, ativação e 
motivação do atleta, predispondo-o a situações de perda de controle, depressão 
e ansiedade. 
Atletas que possuem um maior controle emocional, administrando altos níveis 
de estresse e oscilações de humor, têm potencial para atingir níveis ótimos de 
ativação, com resultados favoráveis no momento da competição. Além do controle 
emocional, destaca-se a infl uência da dieta alimentar em atletas. Os efeitos da 
insufi ciência nutricional incluem aumento da propensão à fadiga, predisposição à 
desidratação, perda da composição corporal, entre outros, por isso a necessidade 
de termos esse conhecimento para auxiliar nossos atletas.
Esperamos que este capítulo tenha sido informativo a você e que continue 
estudando mais e mais sobre o mundo do esporte e como ajudar nossos 
competidores.
Uma excelente jornada.
144
 OrganiZação e Planejamento do Treinamento Desportivo
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