Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

INTRODUÇÃO ATUARIAL 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michel Dias Correa 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Os seguros estão presentes na vida de qualquer pessoa. Desde os 
primórdios, quando as Grandes Navegações se iniciaram, as operações de 
seguro também começaram, mesmo que de maneira bem rudimentar. 
A evolução foi inevitável, chegando aos dias de hoje, em que o mercado 
de seguros possui forte regulamentação, garante coberturas das mais variadas 
a toda a população e se apresenta como uma excelente área de estudos e de 
trabalho. 
Importante é saber não somente como funciona o mercado de seguros na 
prática, mas também as diferenças conceituais entre os diversos tipos de 
seguros, as instituições públicas e privadas que os regulamentam, além de toda 
a parte legal que norteia as operações entre seguradoras e segurados. 
É exatamente isso que começaremos a ver agora: os aspectos 
conceituais e legais dos seguros, vindos desde a época das Grandes 
Navegações até os dias atuais. 
CONTEXTUALIZANDO 
Você já comprou um carro ou já pensou em comprar? Você já comprou 
um imóvel ou já pensou em comprar? Esses itens podem ser muito caros, então 
você já comprou um celular ou pensou em comprar? É mais provável que sim. 
Pois saiba que até mesmo os celulares já possuem seguros disponíveis para 
alguns modelos. 
E se não existisse o seguro? O que aconteceria quando ocorre um 
acidente de carro em que o lado culpado notadamente não tem recursos para 
arcar com os prejuízos de todos? O seguro serve para isso: para “comprar” os 
riscos das operações mediante o recebimento de um valor chamado de prêmio. 
O que você consideraria na hora de contratar um seguro de veículo, que 
é um dos mais comuns no Brasil? O que faria uma seguradora ser considerada 
boa na sua opinião? São muitas questões e até agora nenhuma resposta, mas 
conforme você for lendo o material desta aula ficará claro o que deve ser 
considerado no momento da contratação de um seguro, seja para o celular, para 
a casa, para o carro ou para a vida. 
TEMA 1 – ASPECTOS CONCEITUAIS DE SEGUROS 
 
 
3 
Os seguros estão presentes na vida de todas as pessoas, quer elas 
queiram ou não. Muitas vezes nós fazemos seguros mesmo sem querermos, 
como é o caso dos veículos e de financiamentos imobiliários. A partir de agora 
nós veremos os aspectos conceituais de seguros no mundo, em Portugal e no 
Brasil. 
1.1 A história do seguro no mundo 
Em algum momento da sua vida você já fez ou deve ter pensado em fazer 
um seguro, seja qual for a razão específica. Pode ser para um veículo, para sua 
casa, um seguro de vida ou até mesmo ligado a atividades profissionais. Os 
seguros estão muito presentes em nossa vida, e isso ocorre praticamente em 
todos os momentos dela. 
Para entender melhor os aspectos conceituais dos seguros, é necessário 
que nós tenhamos em mente que o seguro, de uma maneira mais ampla, surge 
para realizar o controle de algo que nós, apenas com a nossa própria vontade, 
não conseguimos fazer: o risco. 
O seguro é algo muito antigo em sua operacionalidade, pois já na 
Babilônia – e isso há mais de 2 mil anos antes de Cristo – as caravanas com um 
grande número de camelos que cruzavam o deserto arcavam, em conjunto, com 
os prejuízos decorrentes da morte dos animais, expostos à mais cruel das 
intempéries naturais: a secura extrema desértica. Também na porção de terra 
onde hoje está localizada a China e na época do Império Romano, os seguros, 
ou algo próximo a isso, eram operacionalizados por meio de associações com o 
objetivo de ressarcimento de prejuízos de seus membros (Larramendi et. al, 
1997). 
Na China antiga, os comerciantes já reduziam os riscos nas operações 
com base em um princípio bem simples, o de não colocar todos os ovos dentro 
de uma mesma cesta. É claro que eles não viajavam com cestas e sim com 
carregamentos que completavam o espaço de cargas de um navio inteiro. Para 
evitar o problema de um navio afundar e todas as mercadorias serem perdidas, 
eles se juntaram entre si e passaram a distribuir de maneira igualitária e 
proporcional não somente os riscos, mas também as mercadorias a serem 
transportadas. 
No vídeo disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=QuuwYAriO
uU> fica mais clara essa forma de ajuda que os grandes navegadores utilizavam 
https://www.youtube.com/watch?v=QuuwYAriOuU
https://www.youtube.com/watch?v=QuuwYAriOuU
 
 
4 
de maneira constante para diminuir as perdas associadas aos eventos que eles 
não conseguiam gerenciar. E isso acontecia não apenas com embarcações 
chinesas, mas também com as embarcações árabes e com os camelos, os quais 
levavam uma parte dos bens de cada dono e não tudo. Caso ocorresse algo 
inesperado com um camelo, as perdas seriam bem menores. 
Logo após o Renascimento veio um período em que era maior a 
quantidade de negociação de mercadorias, algo que era denominado 
Mercantilismo. Naquele momento da história da humanidade, o gerenciamento 
de riscos ganhou mais importância ainda. Naquela época, o que havia era uma 
forma de seguro diferente da que temos hoje em dia, mas que era bem viável 
para os navegadores. Vamos ver como ela funcionava. 
Em uma grande viagem, se ocorresse sucesso no transporte, o 
equivalente ao segurador da época cobrava um valor do comerciante que 
realizou a viagem caso ele chegasse ao seu destino ileso, algo como o prêmio 
do seguro, conforme temos atualmente. Caso ocorresse algum fato inesperado 
e o navegador perdesse todo o seu produto durante o transporte, esse segurador 
pagaria todo o valor da carga, a qual já havia sido avaliada antes da embarcação 
zarpar. 
Nessa época, o seguro era operacionalizado por pessoas e não por 
empresas, e era comum a desconfiança por parte dos contratadores em relação 
a um eventual acionamento em caso de acidente, o que temos hoje como 
sinistro. 
A coisa foi evoluindo em forma e estrutura, e no ano de 1347, em Gênova, 
na Itália, há o registro da confecção do primeiro contrato de seguro do mundo, 
com diversas cláusulas que isentavam as empresas seguradoras do pagamento 
em caso de sinistros. Consequentemente, em 1385 e 1397 as primeiras apólices 
foram firmadas, respectivamente em Pisa e em Florença, ambas cidades 
italianas. 
Até que chegou a Revolução Industrial e o seguro se tornou algo tão 
comum que era peça quase obrigatória na formação de uma nova indústria. 
Desde aquela época até os dias de hoje, os processos produtivos e de 
distribuição têm potencial de gerar prejuízos enormes em eventualidades 
negativas como sinistros. Por essa razão, a atividade de uma empresa 
seguradora acaba por se tornar uma atividade de cunho social, pois garante a 
continuidade das atividades dentro de uma região qualquer. 
 
 
5 
1.2 A história do seguro em Portugal 
Considerando que o Brasil é uma ex-colônia portuguesa, não só nossos 
costumes como sociedade, mas também nossa herança comercial e de práticas 
mercantilistas é devida aos nossos descobridores. Por essa razão foi separado 
um tópico para que possamos ver como se estruturou o seguro em Portugal e, 
consequentemente, o que nós acabamos por adotar aqui. 
Inicialmente, no ano de 1293, o Rei D. Diniz de Portugal estabeleceu que 
os seguros deveriam ser exclusivamente destinados às atividades marítimas. 
Afinal de contas, Portugal era uma nação conquistadora, e tais conquistas eram 
predominantemente obtidas por vias marítimas. Então podemos imaginar que 
não somente as grandes descobertas, mas também prejuízos gigantescos 
derivavam das operações marítimas portuguesas. 
É de lá que vem o termo prêmio para os seguros, pois os mercadores 
pagavam quantias sobre as embarcações, as quais estavam vinculadas às 
operações futuras planejadas para cada uma delas. 
No ano de 1370, foram criadas as bolsas do Porto e de Lisboa por D. 
Fernando I, que determinou o pagamento de dois por cento sobre o valor das 
embarcações.Mas foi apenas em 1529 que o cargo de escrivão de seguros foi 
criado. Menos de três décadas depois, em 1552, foi criado um dos mais antigos 
tratados de seguros de toda a história, que é o Livro de Pedro de Santarém. 
Saiba mais 
Há mais informações sobre Pedro de Santarém em: 
<http://santaremhistorico.blogspot.com.br/2009/11/pedro-de-santarem.html>. 
Em 1578 foi criada a atividade do profissional responsável pela regulação 
dos seguros, que era o corretor de seguros. Ele tinha uma remuneração prevista 
de cinco vezes a do escrivão de seguros, e os seguros, a partir de então, só 
seriam considerados válidos se passassem pelas mãos de um corretor. 
Mas foi apenas em 1791 que as companhias privadas de seguros 
puderam operar em Portugal, por meio da criação da Casa de Seguros de 
Lisboa, criando o Alvará Régio naquele ano. Com isso, surgiu quase que 
automaticamente a primeira companhia portuguesa de seguros, denominada 
Companhia Permanente de Seguros. 
http://santaremhistorico.blogspot.com.br/2009/11/pedro-de-santarem.html
 
 
6 
Na sequência dos anos, muitas empresas foram criadas, algumas delas 
tendo atividades até os dias atuais, mas com outras denominações. Tais 
alterações ocorreram em decorrência de fusões e aquisições entre empresas, 
mas a base das operações continuou a mesma. Os seguros foram basicamente 
os seguros de incêndio e os terrestres, chegando aos seguros de vida, sem 
negociação prévia. 
A Revolução dos Cravos, período em que ocorreu a nacionalização das 
empresas privadas, foi sucedida pela volta das empresas às mãos privadas, e 
em 1982 foi criada a Associação Portuguesa de Seguradores. Atualmente há um 
sem-número de empresas e serviços oferecidos concernentes a seguros, todos 
seguindo a tendência mundial de coberturas e obrigações para os segurados. 
1.3 A história do seguro no Brasil 
Seguindo os passos dos colonizadores, no Brasil o seguro apenas se 
desenvolveu após a vinda da Família Real Portuguesa e da consequente 
abertura dos portos, o que apenas ocorreu no ano de 1808. O seguro marítimo 
foi o primeiro a ser oferecido, naturalmente, e a companhia seguradora pioneira 
no Brasil foi a Companhia de Seguros Boa-Fé, também criada em 1808. 
O Banco do Brasil foi criado nesse mesmo ano, e embora hoje trabalhe 
com seguros e possua uma empresa que oferece exclusivamente este tipo de 
serviço, foi criado com o propósito de servir de suporte para a sede da Coroa 
Portuguesa, que se instalou em terras brasileiras. 
Saiba mais 
Quer saber mais sobre a história do Banco do Brasil desde a criação até 
os dias de hoje? Então acesse <http://www.bb.com.br/portalbb/page22,3669,36
69,22,0,1,8.bb?codigoNoticia=29857> e navegue pelos mais de 200 anos de 
história do banco. 
As leis portuguesas regularam a atividade securitária em território 
brasileiro até o ano de 1850, quando entrou em vigor o Código Comercial 
Brasileiro. Esse Código foi o responsável por profundos e mais elaborados 
estudos em termos de seguro marítimo. 
Os seguros terrestres também passaram a ser comercializados depois da 
entrada em vigor do Código e, embora proibido, o seguro de vida passou a ser 
comercializado em 1855. O mercado tinha tanta representatividade que, a partir 
http://www.bb.com.br/portalbb/page22,3669,3669,22,0,1,8.bb?codigoNoticia=29857
http://www.bb.com.br/portalbb/page22,3669,3669,22,0,1,8.bb?codigoNoticia=29857
 
 
7 
de 1862, algumas empresas estrangeiras começaram a operar em território 
brasileiro por meio da instalação de filiais. 
Um problema que começou a ocorrer é que essas empresas, ao 
recolherem dos clientes os valores relativos aos prêmios, enviavam-nos para as 
matrizes em países estrangeiros. Isso provocava uma verdadeira fuga de 
divisas, e em 1895 um dispositivo legal, a Lei n. 294, foi constituído, obrigando 
as empresas a reinvestirem o capital obtido no Brasil para fazer frente aos riscos 
assumidos por elas dentro do próprio país. Isso fez com que algumas empresas 
saíssem do mercado nacional, descontentes com o cenário legal instituído. 
Desde o século XIX o Brasil vem evoluindo muito em termos de legislação 
e práticas comerciais relativas aos seguros, e várias seguradoras estrangeiras 
já voltaram para território nacional. Atualmente as operações de seguro são 
fiscalizadas pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), fundada em 
1966. 
TEMA 2 – LEGISLAÇÃO DE SEGUROS 
Há várias legislações diferentes que versam sobre o seguro, impondo 
normas ou simplesmente detalhando o que pode ou o que não pode ser feito em 
termos securitários. 
Essa normatização possui uma hierarquização formal muito bem 
constituída, começando pela Constituição Federal e terminando nas leis 
ordinárias, passando pelas leis complementares e pelo próprio Novo Código 
Civil. Vamos ver essas legislações com mais detalhes a partir de agora. 
2.1 A Constituição Federal 
Não apenas no que concerne aos seguros, mas a qualquer ponto relativo 
à nossa vida cotidiana, a Constituição Federal é a lei maior. Significa dizer que 
não há dispositivo legal que possa se sobrepor à Constituição. 
Vejamos a seguinte situação: imaginemos que um município ou um 
estado brasileiro queira implantar um novo seguro-desemprego, talvez mais 
completo e abrangente do que o oferecido pelo Governo Federal. Como todas 
as prerrogativas do seguro-desemprego estão evidenciadas na nossa 
Constituição Federal, não há legislação que, direta ou indiretamente, possa 
alterá-la, sob o risco de se tornarem nulas antes mesmo de entrarem em vigor. 
 
 
8 
Outro exemplo, fugindo da parte securitária, para enfatizar o poder que a 
Constituição Federal possui nas nossas vidas está relacionado à segurança. 
Imagine que um governador ou um prefeito mais liberal resolva liberar o porte de 
armas a qualquer cidadão que resida em determinado estado ou cidade do 
Brasil. Ele simplesmente não poderá emitir dita lei, pois a Constituição Federal 
expressamente determina que é ela mesma quem define os critérios relativos à 
armamento e desarmamento no país. 
Portanto, ela pode, no máximo, delegar a autoridade para outros 
dispositivos legais, como leis ordinárias, lei complementares, decretos ou 
equivalentes. Mas se qualquer um desses dispositivos passar por cima de algum 
ditame constitucional, automaticamente perde a validade jurídica. 
Saiba mais 
Quer ficar por dentro de alguns aspectos adicionais sobre a Constituição 
Federal vigente no Brasil? Então acesse 
<https://www.youtube.com/watch?v=m5U2FgB5xzA> e aprenda mais. 
2.2 Legislação básica de seguros 
A despeito da possibilidade de se comercializar o seguro de vida em terras 
nacionais, uma das primeiras legislações específicas sobre o tema é o Decreto-
Lei n. 5.384, de 1943. Após essa regulamentação específica, promulgada 
durante a Segunda Guerra Mundial, apenas no ano de 1964 é que a profissão 
de corretor de seguros foi regulamentada, também por uma legislação 
específica, a Lei n. 4.594 daquele ano. 
Dois anos depois, em 1966, foi criado o Sistema Nacional de Seguros 
Privados, o qual regulava todas as operações de seguros em território nacional. 
No ano seguinte, o Decreto-Lei n. 261 dispunha sobre as sociedades de 
capitalização, que é uma operação muito comum no Brasil e que, embora 
formalmente não seja uma operação de seguro, assemelha-se muito a uma, pois 
normalmente assegura uma parcela de capital durante determinado período. 
Vários dispositivos legais durante esses anos apenas tratavam de 
regulamentar, corrigir ou extinguir outros dispositivos legais mais antigos, e a 
legislação pouco evoluiu em termos práticos. Apenas em 1968 foi que a Lei 
n. 5.488 incluiu a correção monetária nos casos de liquidação dos sinistros 
cobertos exclusivamente por contratos de seguros. 
 
 
9 
Fora isso, nada andou muito ou teve alteração significativa até quase o 
meio da década de 1970, quando, em 1974, entrou em vigor a Lei n. 6.194, já no 
finaldo ano, quase em 1975, estabelecendo o Seguro Obrigatório de Danos 
Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), ou por 
sua carga, a pessoas transportadas ou não. 
À época, esse seguro, obrigatório como o próprio nome dizia, alterou toda 
a dinâmica de funcionamento securitário no Brasil, pois obrigava todos os 
veículos a possuírem a cobertura, mesmo que não fosse vontade expressa do 
proprietário. Para entender como funciona melhor essa lei, em vigor até hoje, 
você pode acompanhar o desempenho do DPVAT, que é o seguro veicular 
obrigatório vigente no nosso país acessando 
<https://www.seguradoralider.com.br/Centro-de-Dados-e-
Estatisticas/Desempenho-DPVAT> (acesso em: 12 jul. 2018). 
Novamente vivemos mais uma década meio apagada em termos de 
criação de legislações específicas para os seguros, e apenas em 1984 é que 
entrou em vigor a Lei n. 7.278, alterando alguns dispositivos previamente postos 
em vigor quando da regulamentação da profissão de corretor de seguros, a qual 
havia ocorrido duas décadas antes, em 1964. 
Outra importante lei que entrou em vigor em 1989 e que trata de seguros 
é a Lei n. 7.944, que instituiu a Taxa de Fiscalização dos mercados de Seguro, 
de Capitalização e da Previdência Privada Aberta. Este último ponto, inclusive, 
era pouquíssimo utilizado pela população em geral, que contava com os serviços 
da seguridade social para garantir a aposentadoria ao final da vida laboral. 
Hoje em dia é muito comum encontrarmos pessoas que já optam por não 
serem mais dependentes do seguro social, buscando formas alternativas de 
acumulação de capital para garantir tranquilidade financeira na aposentadoria, 
mas isso não é um assunto específico de legislação de seguros. Portanto, 
sigamos com nossa revisão das leis. 
De qualquer forma, verificando o aumento que ocorreu por serviços 
ligados à previdência privada (que na prática é uma espécie de seguro), o 
governo publicou em 1998 o Regimento Interno do Conselho de Recursos do 
Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de 
Capitalização por meio do Decreto n. 2.824 daquele ano. 
Já no novo milênio, o Novo Código Civil estabeleceu em capítulo 
específico algumas regulamentações para os contratos de seguro. Do art. 757 
https://www.seguradoralider.com.br/Centro-de-Dados-e-Estatisticas/Desempenho-DPVAT
https://www.seguradoralider.com.br/Centro-de-Dados-e-Estatisticas/Desempenho-DPVAT
 
 
10 
até o art. 802 há uma série de especificidades acerca dos contratos de seguro, 
as quais devem ser seguidas tanto pelas empresas ofertantes dos serviços 
quanto pelos clientes, os segurados. 
TEMA 3 – CONTRATOS DE SEGURO 
Os contratos de seguro são instrumentos muito utilizados durante toda a 
nossa vida, mas dificilmente eles são obrigatórios. No Brasil não são muitos os 
seguros obrigatórios, como o de veículos e a seguridade social. 
Independentemente das modalidades de seguros, todas apresentam as mesmas 
características gerais, que norteiam a análise tanto da empresa seguradora 
como dos segurados. É exatamente isso que veremos neste tópico: as 
características gerais dos contratos de seguro. 
3.1 Características dos contratos de seguro 
O contrato de seguro é o instrumento formal que faz com que o segurador 
se obrigue a garantir os direitos legítimos do segurado evidenciados em apólice, 
riscos estes previamente determinados, desde que tenha sido acordado o 
pagamento do prêmio respectivo. 
No Brasil, para que um seguro possa ser comercializado, é necessário 
que uma entidade seja formalmente constituída para tal fim e que seja 
legalmente autorizada para comercializar contratos de seguro. 
Saiba mais 
Você conhece as características dos contratos de seguros e como você 
pode resolver problemas que podem ocorrer em decorrência deles? O vídeo 
disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=mrdsGKTB1FQ> explica 
detalhadamente tal situação. 
Voltando às características dos contratos de seguros, quais são os itens 
mais comumente encontrados em um contrato celebrado no Brasil? Vamos 
começar a ver essas características agora. 
A primeira coisa que um contrato de seguro deve ter é a comprovação do 
pagamento do prêmio, que pode ser feita com a exibição da apólice ou do bilhete 
de seguro ou por qualquer instrumento que comprove o respectivo pagamento 
do prêmio ao segurador. 
 
 
11 
Os riscos e os interesses a serem garantidos para os segurados 
precedem a proposta de seguro propriamente dita, pois devem inicialmente ser 
definidos os pontos e itens a serem cobertos e, na sequência, é feita a avaliação 
de risco. 
Vamos pensar em uma situação em que o segurado quer que o seu 
veículo fique segurado. Ele procurará uma seguradora com os detalhes do 
veículo, itens opcionais e eventuais coberturas adicionais, como para-brisa ou 
outros itens que normalmente não são cobertos. 
É um procedimento normal a seguradora querer os dados pessoais do 
futuro segurado para identificar os riscos a serem cobertos. A idade, por 
exemplo, pode indicar estatisticamente a probabilidade do envolvimento em 
acidentes. Já os endereços residencial e comercial indicam possibilidades de 
roubos e furtos, de acordo com os índices oficiais divulgados. 
De qualquer forma, o objetivo é deixar o preço do prêmio o mais justo 
possível para ambas as partes: o segurador e o segurado. 
A nulidade do contrato é uma característica muito importante para os 
acordos de seguro celebrados. Nessa parte do contrato serão definidas as 
situações em que a garantia oferecida ao segurado deixará de existir, 
normalmente proveniente de um ato doloso do segurado, de um beneficiário dele 
ou de um representante legal de qualquer um dos dois. 
Por exemplo, ainda considerando o seguro de veículos, caso um 
segurado tenha buscado os serviços de uma seguradora para garantir cobertura 
no caso de roubo ou furto e for comprovado que ele abandonou o veículo em 
local ermo para que este fosse roubado, está atestada a má-fé e o dolo por parte 
do segurado. 
Essa situação pode fazer com que o segurador declare o contrato como 
nulo, pois estava expressamente definido que qualquer ação dolosa por parte do 
segurado teria como consequência a nulidade contratual. 
Outra característica, embora pareça óbvia, é que apenas terão direito de 
indenização os segurados que estiverem adimplentes com os respectivos 
pagamentos. Pode ser que haja parcelas vincendas, ou seja, que ainda não 
venceram, mas o que não pode ocorrer é a existência parcelas já estejam 
vencidas e não pagas. Nessas situações o segurado não terá direito à 
indenização. 
 
 
12 
Partindo-se do pressuposto de que todos os lados agem de boa-fé, não é 
permitida a declaração inexata ou a omissão de dados que possam influenciar a 
empresa seguradora na tarefa de aceitar ou não os riscos e definir o preço do 
prêmio a ser pago. Vamos ver um exemplo? 
Imagine que o seguro de veículo prevê uma análise do perfil do futuro 
segurado. São perguntas simples, mas que englobam a rotina da pessoa. Se for 
perguntado se utiliza o veículo para realizar trabalhos como motorista, vendedor 
ou similar e a resposta for não, caso haja um sinistro durante o transporte de 
passageiros ou em deslocamento entre um cliente e outro, a seguradora pode 
se recusar legalmente a pagar a indenização com base no fato de ter havido 
omissão de fatos ou inexatidão nas informações prestadas no momento da 
formalização do contrato e da emissão da apólice. 
Não é apenas a empresa seguradora que possui obrigações em um 
contrato de seguros. O segurado também possui diversas obrigações, e entre 
elas está a de comunicar à empresa seguradora, no primeiro momento em que 
tiver conhecimento, quaisquer eventos que possam influenciar de alguma forma 
os riscos originalmente cobertos. 
Caso o segurado não comunique de maneira imediata e seja constatada 
má-fé por parte dele pela empresa seguradora, elepode até mesmo perder o 
direito à garantia oferecida na apólice decorrente de eventos fortuitos. 
Exemplificando: se uma residência possui uma janela com problemas na tranca 
e o proprietário do imóvel não faz nada, mesmo sabendo que há o problema, se 
for comprovado pela seguradora a omissão do proprietário, no caso de um 
evento como um assalto ou um furto, nada será ressarcido pela empresa 
seguradora, pois o segurado não cumpriu com suas obrigações contratuais. 
A agravação de risco e a diminuição de risco são situações muito comuns, 
mas que não possuem o mesmo tratamento legal em se tratando de contratos 
de seguros. Vejamos a primeira situação: quando foi firmado um contrato de 
seguro de veículo, o proprietário declarou, verdadeiramente, que o carro possuía 
alarme antifurto. No entanto, devido a uma pane elétrica o alarme deixou de 
funcionar, não realizando o segurado a comunicação da agravação de risco à 
seguradora. 
Essa ocorrência deixou o veículo mais vulnerável ao risco de furto, já que 
não possuía qualquer dispositivo para evitar que isso ocorresse. Além disso, 
quando definiu o valor do prêmio, a seguradora considerou que o dispositivo 
 
 
13 
antifurto estaria disponível durante toda a vigência da apólice, funcionando no 
veículo. 
Dependendo do que seja o agravador do risco, a seguradora tem o direito 
de encerrar o contrato 15 dias após o recebimento da informação, comunicando 
o segurado diretamente. No entanto, tal encerramento contratual apenas será 
efetivo 30 dias após feita tal notificação, e os valores eventualmente pagos e não 
utilizados pelo segurado devem ser devolvidos pela seguradora. 
Se ocorrer o oposto, ou seja, houver uma diminuição do risco, que seria a 
situação inversa – por exemplo, um veículo que não possuía qualquer dispositivo 
antifurto e agora o possui –, isso não trará qualquer benefício obrigatório para o 
segurado e nenhuma obrigação para a seguradora. Só que, nesse caso, nada 
impede o segurado de solicitar uma revisão do prêmio pago e, em último caso, 
o encerramento do contrato se assim julgar justo. 
Quando ocorre um sinistro, o segurado deve comunicar imediatamente à 
seguradora e, a partir desse momento, todas as despesas de salvamento, desde 
o sinistro até o encerramento do contrato, devem correr por conta da empresa 
seguradora. 
Outro ponto que merece destaque é que, embora estejamos em níveis 
relativamente controlados de inflação, é obrigação do segurador efetuar a 
correção monetária dos valores devidos de indenização aos segurados, desde o 
momento do sinistro ocorrido até o efetivo pagamento. 
Há situações em que o segurador pode identificar um risco inexistente, o 
que o obrigaria a notificar ao futuro segurado sobre tal situação. Caso isso ocorra 
e o segurador ainda assim emitir a apólice, deverá pagar o valor estipulado como 
prêmio em dobro ao segurado. A título de exemplo, vamos verificar uma situação 
que é bem comum no Brasil. 
Você vai viajar e precisa fazer um seguro para cobrir os gastos com a sua 
viagem. Só que, ao comprar as passagens, você não se deu conta de que já 
havia um seguro de acidentes pessoais embutido no ticket emitido pela 
companhia aérea. Dessa forma, quando procurar uma seguradora, você levará 
os tickets emitidos para comprovar a sua viagem e solicitará uma cotação de 
seguro. Se a seguradora o emitir mesmo sabendo que você não necessita dele, 
há a situação de risco inexistente e a emissão da apólice sem necessidade e 
com ocorrência de má-fé por parte da seguradora. 
 
 
14 
A renovação do contrato de seguro pode ocorrer de maneira tácita, ou 
seja, automaticamente se estiver expressa no contrato de seguro, mas não 
poderá ocorrer mais de uma vez, devendo ser realizado novo procedimento de 
análise de riscos e, se for o caso, do perfil do segurado ou dos segurados. 
Normalmente a forma de pagamento mais utilizada pelas seguradoras é 
em dinheiro pelo valor equivalente à coisa segurada. Mas podem ocorrer 
situações em que seja convencionado em contrato o pagamento na forma de 
reposição da coisa ora segurada, dependendo da concordância expressa do 
segurado no momento da assinatura do contrato de seguro. 
Em termos gerais, essas são as características comuns a todos os 
contratos de seguros. É claro que, a depender do que esteja segurado, um 
contrato de seguro pode ter mais detalhes e minúcias, mas nunca fugirá do que 
foi visto neste tópico. 
TEMA 4 – ESTRUTURA DO MERCADO SEGURADOR 
É muito importante que nós conheçamos a estrutura do mercado de 
seguros no Brasil. Até mesmo para saber aonde ir quando necessitamos de 
alguma informação mais específica é fundamental este conhecimento. Saber, 
por exemplo, que os seguros de saúde possuem uma regulamentação 
totalmente diferente de todos os outros seguros é algo que deve ser uma 
preocupação para quem pretende ingressar nesse mercado tão concorrido e 
aquecido quanto o de seguros. 
Afinal de contas, você conhece alguém que nunca tenha utilizado os 
serviços de um seguro, seja ele de qualquer natureza? Bem difícil, não é 
mesmo? Então vamos ver a partir de agora como está estruturado esse mercado 
no Brasil. 
4.1 Sistema Nacional de Seguros Privados 
O Sistema Nacional de Seguros Privados foi criado por consequência de 
um instrumento legal, o Decreto-Lei n. 73, de 1966, que no decorrer dos anos foi 
sofrendo alterações de leis posteriores e possui atualmente os seguintes órgãos: 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP) e resseguradores. 
 
 
15 
A SUSEP, por ser um dos mais importantes órgãos relacionados aos 
seguros no Brasil, merece destaque no nosso material. No vídeo 
<https://www.youtube.com/watch?v=B1kiZoxeOKM> (acesso em: 12 jul. 2018) 
apresenta-se a comemoração do cinquentenário dessa instituição, servindo de 
ferramenta para vocês aprenderem mais um pouquinho sobre essa instituição. 
A nossa explicação mais detalhada vai se iniciar com o CNSP, que 
hierarquicamente é o órgão supremo do setor de seguros no Brasil. Esse órgão 
tem o poder regulatório e, consequentemente, pode ditar as regras e definir as 
políticas gerais de seguros e resseguros no Brasil. Também pode exercer a 
regulação na criação, na organização, na inspeção e no funcionamento tanto das 
seguradoras quanto dos corretores de seguros. 
Com relação aos seguros privados no Brasil, é responsabilidade do CNSP 
a fixação de diretrizes e normas de seguros. Tem como presidente o Ministro da 
Fazenda e contém representantes de diversos setores governamentais, entre 
eles o Superintendente da SUSEP, membros dos Ministérios da Justiça e da 
Previdência e Assistência Social, além de integrantes da Comissão de Valores 
Mobiliários e do Banco Central do Brasil (SUSEP, 2018). 
A SUSEP é uma autarquia de nível federal e apenas não fiscaliza nem 
regula os seguros de saúde, fiscalizando também os mercados de previdência 
privada e de capitalização. O CNSP estabelece as políticas regulatórias e a 
SUSEP as põe em prática. 
Trocando em miúdos, é como se o CNSP fosse o chefe de um 
departamento e a SUSEP fosse a funcionária, colocando em prática tudo o que 
tenha sido definido previamente pelo chefe. Entre essas tarefas está a 
supervisão de toda a parte operacional das seguradoras, desde sua constituição, 
passando pelos possíveis arranjos constitutivos que possam ocorrer, chegando 
à definição de limites operacionais praticados por elas. 
O terceiro componente do sistema são as resseguradoras, que possuem 
um papel importantíssimo no mercado de seguros, pois faz com que grandes 
apólices mantenham viabilidade, mesmo considerando a possibilidade de 
ocorrência de um sinistro com proporções gigantescas. 
Vamos imaginar uma empresa que trabalhe com mineração. Ela terá 
projetos muito grandes de exploração dos terrenos, e é certo que terá apólices 
vigentes para garantir a sobrevida das atividades operacionais.E se ocorrer 
algum sinistro e ela precisar acionar o seguro? É nesse momento que o 
https://www.youtube.com/watch?v=B1kiZoxeOKM
 
 
16 
resseguro entra, garantindo que as seguradoras não quebrem por causa de 
eventos maiores. É uma diluição de uma apólice entre diversas seguradoras. É 
como se fosse o seguro das seguradoras. 
4.2 Seguros, previdência complementar e capitalização 
Compondo este item estão o IRB Brasil Resseguros, a Agência Nacional 
de Saúde Suplementar (ANS) e a Escola Nacional de Seguros. O primeiro é uma 
sociedade de economia mista, sendo o controle exercido o estatal. Até o ano de 
2007 foi o único ressegurador atuante no país. Desde 1996 tal monopólio já havia 
sido revogado pela Emenda Constitucional n. 13, mas apenas com a Lei 
Complementar n. 126, de 2007, é que o mercado efetivamente foi aberto. 
A ANS também é uma autarquia e foi criada por lei em 2000, sendo 
vinculada ao Ministério da Saúde. A finalidade da ANS é bem clara, que é a 
promoção da defesa dos interesses públicos na assistência suplementar à 
saúde. Portanto, todos os seguros de saúde no país são regulamentados e 
fiscalizados por este órgão. 
O último organismo da estrutura do mercado segurador é a Escola 
Nacional de Seguros, criada em 1971 para espalhar o ensino, a pesquisa e o 
conhecimento de seguros de forma mais ampla em todo o território nacional. 
Possui convênios com instituições de dentro e de fora do Brasil, atuando 
fortemente também na educação continuada, responsável pelo alto nível de 
conhecimento dos profissionais de seguro no nosso país. 
Desde 2005 oferece no Rio de Janeiro um curso superior com ênfase em 
seguros e em previdência, atestando seu alto nível de comprometimento com a 
profissão. Com sede no Rio de Janeiro, possui outras unidades regionais 
espalhadas pelo Brasil, todas comprometidas com o mesmo propósito da sede, 
que é a difusão do conhecimento no setor de seguros. 
TEMA 5 – SEGURO DE PESSOAS 
Os seguros de pessoas são muito requisitados não somente por 
profissionais, mas por aqueles que querem que suas famílias fiquem 
resguardadas caso ocorra um infortúnio e a pessoa venha a faltar. 
Mas um seguro de pessoas não serve apenas para cobertura em caso de 
morte. Há desde os seguros que cobrem a atividade profissional por uma doença 
 
 
17 
temporária até aqueles que cobrem uma invalidez total e permanente. Há 
também os que são comercializados em conjunto, mas como se fossem um só, 
pois já se identificou que as pessoas sempre os contratam como se fossem um 
só. Vamos identificar essas modalidades a partir de agora. 
5.1 Formas de cobertura 
Há duas formas diferentes para se contratar um seguro de pessoas: com 
cobertura de risco e com cobertura por sobrevivência. A primeira delas é a que 
veremos agora. 
As coberturas de risco são muito comuns e contam com grande 
quantidade de ocorrências e características. Por exemplo, pode-se contratar um 
seguro para cobertura de acidentes pessoais, invalidez temporária ou 
permanente, sendo ainda total ou parcial, coberturas por incapacidade laboral 
temporária, cobertura de doenças graves, da perda de renda, cobertura de 
despesas médicas e odontológicas, dentre mais uma ampla quantidade de 
possibilidades de contratação, desde que esteja associado o contrato de seguro 
a um risco de ocorrência de algo. 
Algumas necessidades são tão comuns que já estimularam as empresas 
seguradoras a formarem pacotes de seguros, pois foi identificada a necessidade 
conjunta de transferência de riscos. Os financiamentos imobiliários, por exemplo, 
são oferecidos com um seguro prestamista e com um seguro residencial. Esses 
dois tipos de seguro são vendidos como se fossem um só, ganhando uma 
identidade única e sendo caracterizados praticamente como uma única 
operação. 
Saiba mais 
Veja neste vídeo – <https://www.youtube.com/watch?v=d4iZPRMXFAs> 
mais sobre o seguro prestamista. 
No caso da cobertura por sobrevivência, os objetivos são a compensação 
de algo que não está completo na vida do segurado, por exemplo, para 
complementar a renda da aposentadoria ou para o custeio da educação dos 
filhos. Nesse caso, o responsável pela formação do capital que será utilizado é 
o próprio segurado, no que se chama de regime de capitalização. 
https://www.youtube.com/watch?v=d4iZPRMXFAs
 
 
18 
Além de formarem o capital, esses recursos são associados a apólices de 
seguro, oferecendo segurança adicional aos segurados que, enquanto se 
capitalizam, mantêm-se segurados. 
A previdência privada é uma das formas mais buscadas ultimamente, pois 
o hábito de economizar para complementar a renda no futuro traz benefícios 
financeiros diretos, dado que diminui a dependência do seguro social, mas 
também gera benefícios indiretos como os seguros oferecidos em conjunto com 
esses planos. 
5.2 Formas de contratação 
Em se tratando de seguros de pessoas, a contratação pode ser realizada 
de maneira individual ou coletiva. Se for contratado na modalidade individual, 
esses seguros recebem contribuições exclusivamente do contratante. Quando 
um seguro é coletivo, ou seja, contratado por uma empresa para várias pessoas, 
essa empresa também pode capitalizá-lo, ou seja, incluir recursos em sua 
estrutura. 
Nesse caso, será a empresa que estipulará quem será o beneficiário e as 
condições para a retirada dos recursos por parte dos segurados. Para os casos 
de um seguro ser criado para garantir uma dívida, no momento do falecimento 
do segurado, por exemplo, a dívida deixará de existir, pois o seguro será 
acionado para quitá-la. 
Se houver algum saldo remanescente, ele deverá ser encaminhado aos 
herdeiros do segurado. Vejamos um exemplo: foi contratado um seguro para 
cobrir um financiamento realizado pelo chefe de determinada família. No 
momento da contratação, o seguro previa o pagamento total do financiamento, 
que estava em torno de R$ 150 mil. Passados alguns anos, a dívida foi 
diminuindo conforme o chefe dessa família ia pagando, e o valor a ser coberto 
foi sendo corrigido por índices oficiais. No momento do falecimento do chefe da 
família, a dívida estava em torno de R$ 70 mil, e o seguro cobria o total de R$ 180 
mil. Sendo assim, a cobertura serviu prioritariamente para a quitação da dívida 
a que estava atrelada, e a diferença, que era de R$ 110 mil, deverá ser 
encaminhada para os herdeiros do segurado. 
 
 
 
19 
Saiba mais 
Esta matéria mostra qual a melhor forma de contratar um seguro, 
considerando todas as variáveis possíveis que incidem nesse momento. Acesse 
<http://www.jornalahora.com.br/2017/07/31/qual-a-melhor-forma-de-contratar-
um-seguro/>. 
TROCANDO IDEIAS 
O que estimularia você a contratar um seguro? E o que faria você pensar 
duas vezes antes de contratar um? Itens como custo, riscos e os benefícios 
certamente serão considerados no momento da tomada de decisão entre a 
contratação ou não de um seguro. 
Poste no fórum um comentário citando um bem comum na vida dos 
brasileiros e as razões que fariam você procurar ou não procurar os serviços de 
uma seguradora, justificando de maneira clara sua decisão pela contratação ou 
não. 
NA PRÁTICA 
Você é funcionário de uma empresa seguradora e foi destacado para 
realizar uma diligência em determinado bairro para verificar se os segurados 
ativos de fato deixam os veículos dormir nos endereços indicados. Por ser um 
bairro de classe alta, os índices de roubo são baixos, o que faz com que a 
seguradora cobre menos dos segurados. 
No entanto, houve denúncias anônimas de que segurados estariam 
forjando comprovantes de endereço para pagar menos pelos seguros, além de 
frequentarem faculdades e utilizarem os veículos com ferramenta de trabalho. 
Você tem duas semanas para realizar esta diligência juntamente com sua equipe 
de mais três pessoas. O que você e seus colegas de trabalho devem levar em 
consideração? Quais são as consequências possíveis do trabalhode vocês? 
Passos para resolução do problema 
Na identificação do que deve ser feito, você e sua equipe devem verificar 
os endereços informados como residenciais, comerciais e acadêmicos dos 
clientes a serem investigados. Após isso feito, deve ser conferido o perfil de cada 
 
 
20 
um: quem estuda deve ter informado que estuda, quem usa apenas para se 
deslocar até o trabalho deve realizar esse trajeto de maneira predominante etc. 
Se possível, entre em contato com o Departamento de Trânsito para 
solicitar o endereço em que os veículos estão registrados. Caso isso não seja 
possível, sua equipe deve dividir os veículos que receberam as denúncias para 
averiguar. 
No texto é apresentado o ponto em que, se houver omissão ou inexatidão 
por parte do segurado, a seguradora perde a obrigação de cobrir os prejuízos 
eventuais decorrentes de um sinistro. Essa é a chave para a resolução da 
situação-problema. 
Resolução do problema 
Você e sua equipe devem sair em busca das informações junto a órgãos 
oficiais ou de maneira independente. O objetivo é averiguar se houve inexatidão 
ou omissão por parte dos segurados em relação aos riscos que supostamente 
eles correm e ao perfil apresentado à seguradora. 
No caso de ser constatada tal situação, a seguradora pode produzir as 
provas que suportem a não cobertura por falta do segurado, deixando de 
indenizá-los na eventualidade de ocorrência de um sinistro. 
FINALIZANDO 
Os seguros são ferramentas tão presentes no nosso dia a dia quanto 
tomar um transporte público ou assistir a um telejornal. No entanto, é preciso 
conhecer suas origens, seus meandros legais e sua evolução histórica para 
saber os passos que esta área deu desde a sua origem até os dias atuais. 
Adicionalmente, é necessário que se saiba quais são os órgãos 
governamentais ou não que regulam a atividade securitária, definindo regras que 
devem ser seguidas tanto por seguradoras quanto por segurados. A exatidão de 
informações e a boa-fé são pressupostos básicos para que a relação entre 
seguradora e segurado seja a melhor possível, não importando se sinistros 
ocorram ou não. 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, G. H. W. de. Seguros, matemática atuarial e financeira. São 
Paulo: Saraiva, 2008. 
GOLDBERG, I. Direito de seguro e resseguro. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
(Série FGV Direito Rio) 
POLIDO, W. Contrato de seguro: novos paradigmas. São Paulo: Roncarati, 
2010. 
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. Apresentação. Disponível 
em: <http://www.susep.gov.br/menu/a-susep/apresentacao>. Acesso em: 12 jul. 
2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO ATUARIAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michael Dias Correa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Provavelmente, você já ouviu falar sobre seguro de vida, seguro de 
prestação de serviços e capitalização. Mas, também é provável que você nunca 
tenha ouvido falar de cosseguro, de resseguro e de retrocessão. E é exatamente 
sobre todos esses itens apresentados e mais outros relativos a seguros que 
vamos nos debruçar nesta aula. 
Aprofundar conhecimentos e descobrir novos conceitos é sempre 
importante; mas, saber como funcionam operações que estão tão presentes em 
nossa vida é fundamental para aumentarmos o nível de cidadania e a forma 
como encaramos as empresas em nosso país. Vamos começar nossos estudos 
a partir de agora! 
CONTEXTUALIZANDO 
Quando você vai atrás do serviço de uma empresa seguradora, é normal 
você apenas se preocupar com a reputação que ela possua entre os seus 
amigos ou pessoas que já a contrataram. Dificilmente essas pessoas já 
utilizaram os serviços de maneira efetiva, normalmente só ficaram com o serviço 
à disposição, sem necessitar de acionamento da garantia. 
Mas, então, como se deve avaliar a efetividade dos serviços prestados 
por uma seguradora? Primeiramente, deve ser verificada a autorização para seu 
funcionamento junto aos órgãos governamentais. Se estiver tudo certo, deve ser 
verificado o status de grandes garantias oferecidas a grandes segurados. Se 
estiver tudo certo nessas situações, segurados menores tendem a estar seguros. 
É exatamente isso que vamos analisar, juntos, nesta aula: os meandros 
legais e operacionais dos contratos de seguro mais presentes em nossas vidas, 
finalizando a aula com terminologias mais técnicas e utilizadas, em sua grande 
maioria, apenas por grandes empresas. E, para começar, estudaremos um tipo 
de seguro muito comum para nós: o de danos patrimoniais. Mãos à obra! 
TEMA 1 – SEGURO DE DANOS PATRIMONIAIS 
Os seguros de danos patrimoniais possuem uma característica muito 
específica, que é a de garantir não a vida, mas a segurança patrimonial dos 
segurados. A partir de agora, vamos analisar com mais detalhes as 
características desse tipo de seguro. Vamos lá! 
 
 
3 
1.1 Condições gerais do seguro 
As apólices, que formalmente são os contratos de seguro, possuem um 
conjunto estruturado de cláusulas contratuais. Esse conjunto de cláusulas 
estabelece os direitos e os deveres tanto da pessoa segurada quanto da 
entidade seguradora. 
As condições gerais, de maneira mais ampla, estabelecem o objeto do 
seguro, o foro a ser utilizado no caso de lide, as obrigações de segurado e de 
seguradora, entre outros aspectos. Cabe ressaltar que há também as condições 
particulares ou especiais, também chamadas de acessórias. 
As condições particulares representam um conjunto de cláusulas que 
alteram as condições gerais de um plano de seguro qualquer, alterando, 
incluindo ou excluindo dispostos contratuais previamente existentes. 
As condições especiais ou acessórias, por sua vez, apresentam as 
diversas modalidades de cobertura que porventura se façam presentes em um 
mesmo contrato vigente. Essas condições especiais são anexadas ao contrato 
original, alterando as suas condições gerais. 
Voltando à seara das condições gerais, estas normalmente se 
apresentam com o objetivo do seguro. Em se tratando de um seguro de danos 
patrimoniais, a seguradora garante ao segurado, respeitando o limite máximo 
estabelecido inicialmente entre as partes, a indenização dos prejuízos 
comprovados e compatíveis com a apólice, desde que tenham ocorrido em local 
segurado e ocasionados por um risco identificado, mas coberto pelo contrato. 
Formalmente, uma empresa seguradora possui, desde o recebimento da 
proposta de seguro, o prazo corrido de 15 dias para se manifestar em relação à 
aceitação ou não da proposta. Se houver a recusa, a seguradora deverá entrar 
em contato com quem propôs o seguro, explicitando-lhe as razões que fizeram 
com que declinasse da proposta. 
Se já houver sido realizado pagamento do prêmio por parte do 
proponente, a seguradora deve ressarcir os valores corrigidos de desde a data 
do pagamento feito até a devolução dos valores. No entanto, a cobertura ainda 
seguirá vigente por mais dois dias úteis a partir do momento em que for dado 
ciência ao segurado de que a seguradora não aceita cobrir o risco. 
Desvinculando-nos do raciocínio sobre a aceitação ou não do contrato, a 
renovação da apólice de seguro legalmente pode ser feita de duas formas 
 
 
4 
distintas, sendo automática ou de comum acordo entre os interessados. A 
diferença é que, no primeiro caso, não há necessidade de haver qualquer arranjo 
entre as partes, já sendo estabelecido na assinatura do contrato que este será 
automaticamente prorrogado. Para o segundo caso, é necessário que ambas as 
partes entrem em acordo, como se fosse uma apólice de seguro nova. 
Continuando com as condições gerais, a vigência normal de um contrato 
de seguro de danos patrimoniais é de um ano, sendo iniciada desde o primeiro 
minuto do dia que consta como de início da vigência. Por exemplo, se um 
contrato de seguro de danos patrimoniais está previsto para ter vigência entre 4 
de março de um ano e 3 de março do ano seguinte, isso quer dizer que ele 
começaráa valer no primeiro minuto do dia 4 de março do ano em que foi 
firmado, vigorando até o último minuto do dia 3 de março do ano seguinte. 
Não há regra que especifique uma obrigatoriedade em relação ao período 
de vigência de um contrato de seguro de danos patrimoniais, mas o período de 
vigência refletirá no preço a ser acordado entre as partes. Da mesma forma, para 
prazos maiores, nada impede de as partes entrarem em comum acordo para 
firmarem uma apólice com até cinco anos de vigência. É natural que o valor do 
prêmio anual acabe sendo menor nesse tipo de contrato do que em um contrato 
anual, em virtude dos riscos assumidos pela seguradora. O que deve ser 
enfatizado é que o período de vigência de um seguro de danos patrimoniais não 
pode ser superior a cinco anos. 
Com relação à rescisão de um contrato de seguro de danos patrimoniais, 
nada impede que ela seja resolvida entre as partes, desde que acordadas entre 
si. Os valores já consumidos, proporcionais ao seguro total, podem ser 
descontados do valor a ser devolvido ao segurado. Caso em um contrato de 
seguro de 12 meses já tenha decorrido o prazo de 6 meses, a seguradora 
apenas devolverá ao segurado metade do prêmio pago relativa aos meses ainda 
não utilizados. O resto ficará retido, a título de serviço prestado. 
 
Curiosidade 
É usual que os seguros de danos patrimoniais sejam firmados para terem 
validade apenas em território brasileiro; mas, pode haver, por interesse do 
segurado, necessidade de cobertura internacional, o que acabará por majorar o 
valor do prêmio, sem inviabilizar a operacionalidade da prestação do serviço. 
1.2 Tipos de riscos 
 
 
5 
Com relação às formas de contratação, as condições gerais de cada 
contrato especificam que existe o risco absoluto, o risco relativo e o risco total. 
Esses riscos estabelecem de maneira clara os limites das garantias oferecidas 
pela empresa seguradora. 
Antes de analisarmos, juntos, os detalhes desses riscos, vamos ver outros 
pontos importantes: por exemplo, o limite máximo de garantia é definido pelo 
segurado de maneira livre, constituindo o valor máximo a ser indenizado pela 
seguradora em caso de sinistro comprovado e coberto. 
Já o valor em risco é o custo para a reposição dos bens patrimoniais em 
momento anterior à assinatura do contrato de seguro. Em alguns casos, o 
segurado pode optar pela reposição do item patrimonial e não pela indenização. 
Considerando o risco absoluto, nesse caso a companhia seguradora é 
que arca com os prejuízos identificados de maneira integral, considerando o 
limite estabelecido na apólice e deduzidos os valores de franquia, caso haja. 
Já o risco relativo é utilizado quando há a possibilidade de um item 
patrimonial ser atingido mais do que uma vez pelo mesmo evento sem que haja 
perda total. O segurado deverá declarar, quando efetuar a formalização da 
apólice, o respectivo valor em risco de cada item patrimonial segurado, que é 
chamado valor em risco declarado. 
O último modelo, que é o risco total, tem relação com os valores máximos 
definidos pelo segurado no momento da assinatura da apólice. Se, no momento 
da ocorrência de um sinistro, for constatado que o valor do limite máximo de 
garantia não cobre o valor então atual dos bens, deverá haver um rateio, também 
definido em cláusula contratual. Vejamos um exemplo para deixar essa situação 
mais clara. 
Imaginemos que um segurado tenha firmado uma apólice de seguro de 
damos patrimoniais no valor de R$ 100 mil de limite máximo de garantia. No 
momento de ocorrência do sinistro, foi constatado, por um perito nomeado pela 
seguradora, que o valor em risco era de R$ 120 mil, sendo o prejuízo, calculado 
pelo perito, de R$ 30 mil. Nesse caso, o limite máximo em garantia não pode ser 
coberto, pois R$ 100 mil não cobrem R$ 120 mil, sendo necessária a aplicação 
de cláusula de rateio. Com isso, o cálculo da indenização segue a seguinte 
fórmula matemática: 
 
Indenização = (limite máximo em garantia / valor em risco) x prejuízo. 
 
 
6 
 
Considerando a situação-exemplo exposta, o cálculo seria o seguinte: 
 
Indenização = (100.000 / 120.000) x 30.000 = R$ 25 mil. 
 
Nessa situação, o segurado receberia como indenização o valor de R$ 25 
mil, em decorrência do sinistro. Notem que, se fosse desconsiderar o valor então 
atual do item patrimonial, ele receberia o montante de R$ 30 mil para compensar 
o prejuízo. As seguradoras, para utilizarem esse cálculo simples, sem a cláusula 
de rateio, normalmente cobram maior valor de prêmio, pois o risco para ela é 
maior. 
 
Saiba mais 
O seguro não foi feito para fazer com que o segurado tenha aumento 
patrimonial nem saia beneficiado após a ocorrência de um sinistro. O seu 
princípio fundamental é a troca de riscos para que as eventuais perdas e danos 
patrimoniais sejam compensados, sem qualquer acréscimo patrimonial. Tanto é 
que a legislação brasileira não considera os valores recebidos a título de 
indenização de seguro como valores tributáveis, pois apenas farão a reposição 
de item que já constava anteriormente na estrutura patrimonial dos segurados. 
TEMA 2 – SEGURO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 
Pensando nas atividades profissionais exercidas nas mais diversas 
especialidades, os seguros de prestação de serviços surgem como garantidores 
das boas relações entre profissionais e clientes. Por mais gabaritado que um 
profissional seja ou por mais experiência que ele possua sobre determinada 
atividade, ninguém estará isento da possibilidade de cometer um erro durante a 
vida laboral, mesmo que não seja decorrente de má-fé ou negligência. Vamos 
ver as características desse tipo de seguro juntos, a partir de agora. 
2.1 Características do seguro de prestação de serviços 
Um seguro de prestação de serviços possui a característica básica de 
garantir ao segurado o reembolso de valores ligados à responsabilidade civil, 
 
 
7 
provenientes de sinistros involuntários, normalmente ocorridos em locais 
pertencentes a terceiros. Tais danos podem ser corporais ou materiais. 
Vamos exemplificar para facilitar a compreensão: imaginemos um 
shopping center que necessite de um prestador de serviços para realizar a 
manutenção de seus elevadores, escadas rolantes e sistema de ar-
condicionado. A primeira coisa a se fazer é, depois da escolha da empresa que 
fará a atividade citada, verificar se ela possui um seguro de prestação de 
serviços. 
Deve ser enfatizado que esse serviço pode ser, alternativamente, 
prestado por uma pessoa física, devendo o seguro ser contratado por ela para 
garantir a cobertura dos riscos associados à atividade. 
Esse contrato pode ser firmado entre a prestadora de serviço e uma 
seguradora para uma tarefa em específico, como é o caso do serviço do 
shopping center; ou ter vigência anual, servindo para assegurar todos os 
serviços prestados no intervalo de tempo em que a apólice estiver vigente. 
Esses seguros são muito indicados para prestadores de serviços que 
possuam estrutura empresarial pequena ou média e que não possuam 
descaracterização da pessoa física, como é o caso dos empreendedores 
individuais. Nesses casos, mesmo ocorrendo um sinistro em nome da pessoa 
jurídica, os bens da pessoa física podem ser arrolados como garantia, o que 
geraria a ruína do negócio, a depender do tamanho da indenização a ser 
realizada. 
O seguro de prestação de serviços protege tanto a pessoa física quanto 
a pessoa jurídica, pois qualquer dano involuntário, causado a um terceiro, que 
estiver coberto pelas condições da apólice será abrangido, sendo realizado pelo 
titular do negócio ou por qualquer um dos seus funcionários. 
Essa modalidade de seguro possui diversas vertentes, garantindo 
coberturas inclusive de atos ou de omissões realizadas pelo proprietário da 
empresa ou pelos seus funcionários. Algumas situações não são cobertas por 
esse seguro e, entre os casos, podem ser citados os prejuízos com multas,gastos ligados a resultados de processos criminais, a acidentes de trabalho, a 
desastres naturais, a sabotagem, a terrorismo e, o que é mais importante, ao 
descumprimento intencional de regulamentações e normas relativas à atividade 
operacional exercida. 
 
 
8 
Vejamos a seguinte situação: no mesmo caso do shopping center, uma 
empresa começou a realizar as devidas manutenções nos elevadores, escadas 
rolantes e sistema de ar-condicionado. No entanto, no decorrer das atividades, 
houve um acidente em que um funcionário se desequilibrou e caiu sobre um 
cliente que estava passando, gerando gastos hospitalares e alguns ossos 
quebrados para ambos os partícipes do fato. 
O que ocorreu foi que, além de o funcionário não ter utilizado todos os 
equipamentos de segurança, fato que foi atestado em perícia posterior, também 
não houve a correta sinalização e isolamento da área em que o serviço era 
prestado, deixando o funcionário de cumprir duas normas específicas: em 
relação ao uso dos equipamentos de segurança e ao isolamento da área em que 
o serviço de manutenção estava sendo realizado. 
Dessa forma, a seguradora tem o direito de se isentar da obrigação de 
qualquer pagamento relativo a indenizações, pois ficará comprovado como 
resultado da perícia realizada que houve negligência por parte do funcionário e, 
consequentemente, por parte da empresa segurada, colocando em risco, de 
maneira deliberada, não somente os próprios envolvidos no acidente, mas outros 
clientes e de maneira desnecessária, puramente por falta de cumprimento à 
regulamentação vigente de segurança do trabalho. 
 
Curiosidade 
Mesmo se tratando de uma situação em que a empresa não poderá 
acionar o seguro de prestação de serviço por causa do descumprimento das 
normas de segurança, o funcionário que permanecer sem condições de trabalho 
em decorrência de acidente poderá acionar o INSS para ter preservados os 
direitos relacionados ao período em que estiver sem condições de trabalho. 
2.2 Sobre as indenizações devidas 
Uma pergunta muito comum que os prestadores de serviço se fazem é 
com relação aos valores a serem cobertos em um seguro. É praticamente 
impossível precisar o valor que necessitará ser coberto a título de indenizações 
por responsabilidade civil por parte de empresas e prestadores de serviço em 
decorrência de problemas ligados às atividades profissionais realizadas. 
Embora não se tenha um valor preciso, é unânime que os valores 
contratados não devem ser baixos. Os valores mais comumente buscados para 
 
 
9 
cobertura de riscos decorrentes de prestações de serviço giram em torno de R$ 
1 milhão, mas essa quantia poderá ser maior ou menor de acordo com a 
necessidade identificada, além do tamanho da empresa e da qualidade dos 
clientes que normalmente a contratam. 
As indenizações desses contratos de seguros podem cobrir tanto serviços 
realizados em dependências físicas sob a responsabilidade do cliente quanto do 
próprio segurado, podendo eventualmente o serviço ser prestado em um terceiro 
local e, mesmo assim, a cobertura continuará vigente, desde que nenhuma 
cláusula da apólice seja desrespeitada. 
De maneira geral, as apólices possuem cobertura nacional para garantia 
das perdas e danos ocorridos durante a prestação do serviço, mas há casos de 
exportadoras que contratam este serviço com cobertura internacional, 
adicionando os países conforme as necessidades identificadas de cobertura. O 
que não pode ser deixado de lado é que, por transacionar com países 
estrangeiros, as empresas prestadoras de serviços também estarão sujeitas às 
regras vigentes naqueles países. 
Por fim, em se tratando de municípios brasileiros fronteiriços, ou seja, 
próximos a cidades estrangeiras, há opções que já congregam essas coberturas 
adicionais, principalmente nos países do Mercosul. Na Região Sul e na Região 
Centro-Oeste, é comum que prestadores de serviços localizados no Brasil se 
desloquem para países estrangeiros, como Uruguai, Argentina, Paraguai e 
Bolívia, para prestar serviços. 
Há também tal ocorrência na Região Norte. Mas, devido à geografia 
singular daquela região, a ocorrência é bem menor se comparada com o eixo 
sul-centro-oeste. 
Mas, e se ocorre um sinistro e há vários lesados com a cobertura, esta 
não sendo suficiente para indenização total de todos? Vamos verificar na prática, 
com um exemplo. 
Há um sinistro durante uma prestação de serviço que deixa duas vítimas, 
João e Mário. O seguro é acionado, mas a cobertura total é de apenas R$ 500 
mil. As indenizações devidas são de R$ 600 mil para João e R$ 200 mil para 
Mário, ultrapassando a cobertura da apólice. Portanto, o valor total devido é de 
R$ 800 mil. Proporcionalmente, R$ 600 mil representam 75% de R$ 800 mil e 
R$ 200 mil representam 25% dos mesmos R$ 800 mil. Seguindo esse critério de 
proporcionalidade, João e Mário receberão, respectivamente, 75% e 25% da 
 
 
10 
cobertura total de R$ 500 mil, ficando o primeiro com R$ 375 mil e o segundo 
com R$ 125 mil. 
O restante da indenização, que o seguro não cobrirá, poderá ser pleiteado 
por via judicial, não estando o responsável por ter causado os danos livre do 
restante da responsabilidade. 
 
Saiba mais 
Nesse caso, como houve um valor a ser indenizado maior que o valor total 
coberto e havia mais de um indenizado, utiliza-se o critério da proporcionalidade 
para definir quanto cada um vai receber da seguradora a título de indenização. 
TEMA 3 – SEGURO DE RENDA: PREVIDÊNCIA PRIVADA 
A previdência privada é caracterizada por ser um seguro para garantir 
fundos na época da aposentadoria, mas que não possui qualquer ligação com o 
INSS. A previdência privada possui a função de complementar os valores 
percebidos pelos segurados como aposentadoria regular e todos os planos de 
previdência privada oferecidos no país são fiscalizados pela Superintendência 
de Seguros Privados (Susep), órgão pertencente à União. Pois então vamos 
começar nossos estudos em previdência privada, já! 
3.1 Os diversos tipos de previdência privada 
Há duas tabelas de previdência privada, a regressiva e a progressiva e 
ambas possuem características muito distintas. A primeira, regressiva, é mais 
benéfica para os casos em que o segurado tenha a intenção de resgatar todo o 
dinheiro em uma única operação, pois os recursos entregues às seguradoras 
vão ficando “velhos” e, conforme isso vai ocorrendo, pagam menos tributos. 
Isso tem muita lógica, pois a tributação vai desde 35% até 10% sobre os 
valores, sendo de 35% se o resgate for em até 2 anos após o investimento e de 
10% se for feito depois de 10 anos de investido o dinheiro. O governo abre mão 
do recolhimento de impostos, mas apenas nos casos em que o dinheiro ficou 
guardado por, no mínimo, uma década. A razão disso é relativamente simples, 
pois essa pessoa que poupou dinheiro por tanto tempo dá menos trabalho à 
Previdência Social, já que possui o complemento de renda e, em contrapartida, 
o governo a recompensa por tal disciplina. 
 
 
11 
Já na tabela progressiva, os valores dos tributos sobre a renda cobrados 
seguem a tabela tradicional do Imposto de Renda. Vão de isentos a até 27,5%, 
dependendo da quantidade de renda que tenha sido gerada. Para valores 
segurados nessa tabela o ideal é que os saques sejam menores, periódicos e 
mais constantes. 
A título de exemplo, uma pessoa com 20 anos de idade e que queira se 
aposentar em 30 anos faz um único investimento de R$ 60 mil ao iniciar a vida 
laboral. Vejamos na Tabela 1 o que acontece com esse valor. 
Tabela 1 – Evolução dos valores na previdência privada 
 Tabela progressiva Tabela regressiva 
Saque único aos 50 anos de idade R$ 440.000,00 R$ 520.000,00 
Renda temporária dos 50 aos 70 anos R$ 2.500,00 R$ 2.300,00 
 
O que deve ficar claro é que esses valores são aproximados e 
correspondem ao valor do dinheiro em termos atualizados, ou seja, os valores 
podem serdiferentes em termos absolutos, mas terão o poder de compra dos 
valores apresentados na Tabela 1. 
Quando o segurado for assinar o contrato com a seguradora, é importante 
que ele defina e tenha consciência do regime tributário que será utilizado para a 
capitalização dos valores. Tudo porque a troca livre de regime tributário não é 
permitida, apenas podendo ocorrer da tabela progressiva para a tabela 
regressiva, mudança essa irreversível. Não é permitida a troca de um plano que, 
inicialmente, começou na tabela regressiva, pela progressiva. 
Trocando em miúdos, só existe possibilidade de troca uma única vez e 
exclusivamente para os planos que estão na tabela progressiva. 
Ainda falando sobre os contratos de previdência privada existentes, há 
dois tipos no Brasil, que são o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida 
Gerador de Benefício Livre (VGBL). Da mesma forma com que ocorre na escolha 
do regime de tributação, a escolha do tipo específico de plano define os rumos 
da cobertura financeira futura aos segurados. 
O PGBL é mais indicado para os indivíduos com renda mais elevada, 
porque permite abatimentos da base tributável para Imposto de Renda até o 
montante de 12% do total da renda bruta tributável. Se a sua renda for de R$ 
100 mil por ano, por exemplo, você entrega R$ 12 mil para a seguradora durante 
 
 
12 
o ano e sua base tributável cai para R$ 88 mil, além de o dinheiro investido ficar 
disponível para cobrir sua aposentadoria, no futuro. 
Deve ser feito um planejamento em relação aos saques, pois no momento 
da retirada a incidência tributária é realizada sobre o montante total e não apenas 
sobre os ganhos auferidos, já que houve isenção da parcela investida por meio 
da redução da base tributável, enquanto se estava trabalhando. 
No caso do VGBL, a diferença fundamental dele é que não pode ser 
utilizado como abatimento para efeitos de Imposto de Renda, sendo tratado mais 
como um investimento do que como um seguro propriamente dito. Também os 
impostos apenas incidirão sobre os ganhos obtidos e não sobre o valor total 
disponível. 
Uma característica dos planos de previdência privada é a possibilidade de 
escolha da forma de recebimento da renda, a qual pode ser por um período ou 
vitalícia. Outro ponto importante, definindo-a claramente como seguro, é a 
determinação de que os filhos ou o cônjuge continuem recebendo a renda na 
eventualidade de morte do titular da apólice. 
A adição de pecúlio por morte ou por invalidez também funciona como 
seguro, pois em caso de morte o dinheiro é direcionado para os herdeiros diretos. 
Se houver invalidez permanente, é o próprio titular quem dispõe dos recursos 
financeiros como forma de indenização. 
3.2 Diferenças em relação à previdência social 
Primeiramente, deve ser destacada a forma de capitalização dos valores, 
em um plano de previdência privada. De maneira distinta do INSS, em que você 
não escolhe quanto será destinado mensalmente para compor sua base de 
capital, na previdência privada é possível se definir quanto e quando será 
realizado um aporte financeiro para ser capitalizado. 
O que ocorre como consequência é que o valor a ser recebido no 
momento do saque, ou seja, após a aposentadoria, será proporcional ao valor 
total aportado durante o chamado período de acumulação. Quanto mais recursos 
estiverem lá, mais recursos estarão disponíveis. 
Outra característica dos planos de previdência privada e que os difere da 
previdência social é que, em caso de desistência do plano no meio do caminho, 
todo o valor aportado pode ser resgatado, descontando-se os tributos 
relacionados à modalidade que foi escolhida. Por isso é tão importante escolher 
 
 
13 
corretamente a melhor forma de tributação, ou seja, aquela que mais se adapta 
à realidade do segurado e de sua família. Já fica claro que não existe uma 
fórmula para que todos possam seguir e extrair os melhores benefícios de um 
seguro de renda, pois cada caso deve ser tratado de maneira exclusiva. 
Por fim, na previdência social apenas há uma forma de obtenção de 
benefícios, que é por meio da aposentadoria vitalícia, não sendo possível definir 
uma data em que os benefícios cessarão. 
 
Curiosidade 
Você sabe como funciona a previdência social em relação aos 
pagamentos e aos seus beneficiários? Veja o vídeo Diferença entre previdência 
social e privada (2014) e entenda um pouco mais. 
TEMA 4 – CAPITALIZAÇÃO 
A capitalização é, sim, uma forma de poupança. Embora muitas pessoas 
não gostem da capitalização como forma de investimento, ela é muito segura e 
toda regrada pela Susep. Isso é garantia para quem investe e risco de ganhar 
nos sorteios oferecidos pelas empresas que a oferecem. Você acha que entende 
bem de capitalização? Que tal verificarmos isso juntos, a partir de agora? Vamos 
lá! 
4.1 Uma forma segura de guardar dinheiro 
É verdade que a capitalização é uma forma de investimento, mas também 
é verdade que esse investimento apenas é capitalizado parcialmente, ou seja, 
uma parte dele não receberá qualquer tipo de remuneração. Tudo isso deve 
estar definido no próprio título de capitalização, nas condições gerais do título, 
deixando bem claro quando e quanto será pago aos investidores dos valores 
colocados à disposição dos ofertantes. 
A parte que não é capitalizada é utilizada justamente para custear os 
sorteios realizados, além das despesas administrativas decorrentes da gestão 
dos títulos por parte das empresas administradoras. É muito comum que haja 
esses sorteios como forma de atrair mais clientes, o que torna o plano inteiro 
mais robusto, financeiramente falando. 
 
 
14 
Nas condições gerais devem estar previstas a vigência do título e outras 
características gerais, entre elas a possibilidade de transferência de titularidade, 
se houver interesse, por parte do titular. As formas de resgate também precisam 
estar claras, assim como as penalidades aplicadas para resgates antes das 
datas previstas. 
Adicionalmente, devem ser especificados os índices utilizados para 
reajuste anual dos valores pagos pelos titulares e é expressamente proibida a 
cobrança de qualquer taxa que esteja ligada com o ingresso na capitalização. 
Os tipos de títulos disponíveis no mercado são três, chamados de PM, PP 
e PU. 
O PM é aquele que estabelece um pagamento mensal por parte do 
titular; já o PP não possui relacionamento entre o número de meses de 
vigência e o número de parcelas a serem pagas; e o PU é o título que 
possui apenas um pagamento, normalmente realizado no início do 
contrato (Susep). 
Há quatro modalidades distintas de títulos de capitalização, a saber: 
tradicional, compra programada, popular e incentivo. 
A tradicional restitui o total dos pagamentos efetuados, no mínimo, ao final 
do período de vigência, desde que todas as datas previstas tenham sido 
seguidas pelo titular. 
A compra programada prevê que seja devolvido ao titular, ao fim da 
vigência, o valor total pago ou a alternativa de escolher um bem ou serviço 
previamente evidenciado no momento do cadastro. A intermediação que deve 
ser feita com os fabricantes ou prestadores de serviço não é de responsabilidade 
do titular e, sim, de quem oferece os títulos ao público. 
A popular é aquela que permite a participação do titular em sorteios 
diversos, mas em que não há previsão para devolução integral dos valores 
pagos. Por fim, o incentivo possui vinculação a um evento promocional que seja 
do interesse direto do ofertante do título de capitalização, normalmente 
associado a uma oferta de serviço, mas sem se caracterizar por uma venda 
casada. 
Um título de capitalização possui uma vigência mínima de 12 meses e, no 
mínimo, deve possuir 10 mil títulos a serem comercializados. Todos os 
integrantes terão iguais direitos perante a empresa que subscreveu os títulos e 
os pagamentos são divididos formalmente em três partes distintas, sendo uma a 
cota de capitalização,outra a cota de sorteio e a última a cota de carregamento. 
 
 
15 
 
Saiba mais 
Sabe por que os brasileiros buscam tanto os serviços de título de 
capitalização? Veja um pouquinho mais no vídeo Especialista explica o que é 
título de capitalização (2015). 
4.2 Uma forma segura de apostar o dinheiro guardado 
Que o título de capitalização possui a cota de sorteio, aquela que faz com 
que você possa ganhar um dinheiro adicional de tempos em tempos, ninguém 
duvida. No entanto, qual segurança você possui, como investidor, de que os 
recursos estão, de fato, sendo direcionados para as três cotas, de acordo com o 
que deveria ser feito? 
É a Susep o órgão oficial que faz o controle e a fiscalização dos títulos de 
capitalização, baseando-se primeiramente no Decreto-Lei n. 261 de 28 de 
fevereiro de1967 (Brasil, 1967). Com base nesse texto legal, que é a base de 
toda a fiscalização, a Susep já emitiu uma série de circulares para normatizar 
efetivamente as empresas emissoras dos títulos. 
Até mesmo a mecânica de como os sorteios são realizados deve respeitar 
o estabelecido pela Susep e as autorizações para funcionamento das instituições 
emissoras de títulos só podem ser dadas por esse órgão de fiscalização. 
Os sorteios normalmente são realizados com base em loterias oficiais. 
Essa estratégia, por parte das emissoras de títulos de capitalização, possui uma 
explicação simples, que é a redução de custos. Para implementar uma 
modalidade própria para sorteio, todo o processo de validação e de auditoria 
deveria ser validado pela Susep, o que deixaria a gestão dos títulos muito mais 
complexa e cara, onerando mais ainda os titulares. 
Quando se utilizam índices oficiais, aceitos pela Susep, como referência 
para premiação, o resultado já vai pronto e é garantida a idoneidade dos 
procedimentos sem a necessidade do gerenciamento por parte da instituição 
emissora. 
A emissora dos títulos também deve definir de que maneira serão 
trabalhados os números de loterias oficiais e as formas de premiação dos 
titulares. Normalmente há múltiplos em relação aos valores pagos. Por exemplo, 
se um titular paga R$ 100 mensais e um título prevê o pagamento de 20 vezes 
o valor pago, o prêmio deve ser de R$ 2 mil. A emissora também deve definir se 
 
 
16 
os prêmios a serem pagos serão brutos ou líquidos, ou seja, se haverá ou não a 
incidência de Imposto de Renda. 
Após o sorteio, um título pode ou não permanecer em vigor, situação essa 
que deve estar expressamente prevista nas condições gerais do contrato, e o 
fato de o titular porventura ter sido sorteado em algum momento não faz com 
que o seu direito a receber os valores pagos até aquele momento se alterem de 
nenhuma forma. 
Por fim, não existe previsão legal que obrigue uma instituição emissora a 
estabelecer sorteios periódicos para os titulares concorrerem a qualquer 
premiação. Isso também define a cota de capitalização, pois, quanto maior for o 
volume de sorteios realizados e seus prêmios, a tendência é que sobre uma 
menor parte disponível para a cota de capitalização, que é a parte a ser devolvida 
para os titulares ao fim da vigência do plano. 
 
Curiosidade 
O título de capitalização é muito parecido com a própria loteria, no Brasil, 
e é muito popular justamente por esse caráter de manter o titular concorrendo a 
sorteios, tal como ocorre em uma loteria normal, mas possui a situação de 
poupança de recursos, algo que a loteria normal não oferece. 
TEMA 5 – COSSEGURO, RESSEGURO E RETROCESSÃO 
O cosseguro, o resseguro e a retrocessão são assuntos tão específicos 
que devem ser tratados em conjunto, pois ocorrem praticamente em conjunto. 
Ainda por cima, eles não estão tão ligados a nossas vidas cotidianas como os 
assuntos que vimos anteriormente nesta aula, pois fazem parte do conjunto de 
atividades que afetam as rotinas das companhias seguradoras. 
Mas, nós não estamos aqui apenas para verificar uma parte do conteúdo 
e, sim, o conteúdo completo. E vamos começar logo a fazer isso, porque o tempo 
não para! 
5.1 Conceitos de cosseguro, resseguro e retrocessão 
Conceitualmente, podemos dizer que o cosseguro é a divisão de 
responsabilidades provenientes dos riscos assumidos entre duas seguradoras 
ou mais. É quando, na prática, distribuem-se as responsabilidades entre as 
 
 
17 
empresas seguradoras, sendo que cada uma assume apenas parte dos riscos 
de uma apólice, tudo com o devido conhecimento do segurado. 
O resseguro é o seguro da própria seguradora, que é uma transferência 
parcial ou total dos riscos assumidos de um segurado. O ressegurador 
normalmente é o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que, no entanto, desde 
meados da primeira década do novo milênio deixou de ter o monopólio das 
operações de resseguro no Brasil, fazendo com que o mercado ganhasse em 
dinamismo e com redução dos preços e também houvesse riscos maiores, com 
a entrada de players internacionais nesse mercado. 
Já a retrocessão é uma operação que depende da presença do IRB. 
Nessa operação, é repassado ao mercado o excesso de responsabilidade que 
ultrapasse o que a seguradora tem condição de indenizar, ou seja, de cobrir em 
garantia. 
 
Saiba mais 
Você sabe como funcionam os resseguros no Brasil? Já ouviu falar sobre 
os resultados e as operações de resseguros? No vídeo Resseguro melhora 
resultados (Mendonça, 2016) você pode ficar mais atualizado com relação a 
esse assunto. 
5.2 Fluxo de operações no cosseguro e no resseguro 
Inicialmente, nós vamos mostrar os fluxos de operações que ocorrem no 
cosseguro e, na sequência, será mostrado o conjunto de fluxos de operações 
que ocorre no resseguro e na retrocessão. 
No cosseguro o segurado entra em contato com uma seguradora, a qual 
emite a apólice de seguro devidamente registrada e com os riscos conhecidos e 
cobertos de acordo com o interesse de ambos. É acordado o pagamento do 
prêmio, por parte do segurado. Até esse momento, o que ocorre é uma operação 
normal, tal como já vimos nesta aula, em diversas passagens. Mas, há mais 
detalhes no cosseguro e eles começam a ser descritos aqui. Essa seguradora 
passará a ser chamada de seguradora líder. 
Líder porque cederá à outra seguradora o prêmio de cosseguro que foi 
pago pelo segurado. Com isso, as duas seguradoras dividem de maneira 
proporcional e previamente acordada entre elas as responsabilidades e os riscos 
apresentados pelo segurado. 
 
 
18 
O fluxo de operações no resseguro e na retrocessão é um pouco diferente. 
Até o momento em que a primeira seguradora entra em comum acordo com o 
segurado, novamente não há diferença. A diferença está na forma de cessão 
que essa primeira seguradora utiliza. Nesse caso, o que ocorre é a cessão por 
meio de um contrato de resseguro, em que a resseguradora aceita receber o 
contrato da primeira seguradora, chamado contrato de retrocessão. O prêmio de 
resseguro acontece normalmente entre seguradora e resseguradora e, na 
prática, é como se a resseguradora garantisse as condições oferecidas pela 
seguradora ao segurado. 
Para finalizar, para o segurado não muda nada. Ele continua segurado, 
as condições contratuais não são alteradas em nenhum momento, mas a forma 
como essa garantia será transferida em caso de sinistro é que será alterada. 
 
Curiosidade 
Com o texto Entenda o resseguro (2018), você poderá entender um pouco 
mais as operações de cosseguro e resseguro, tão comuns no mercado brasileiro, 
mas que, devido ao fato de serem utilizadas apenas pelas grandes empresas, 
não são difundidas na mídia. 
TROCANDO IDEIAS 
Você já pensou em quando se aposentar? Se ainda não pensou, é hora 
de se preocupar com isso. O assunto é particularmente importante, pois a 
previdência social vem diminuindo constantemente o valor máximo a ser pago 
para as aposentadorias. 
Na década de 1980, os valores máximos giravam em torno de 10 a 15 
salários-mínimos; na década de 1990, esse valornão passava de 10 salários-
mínimos e, na primeira década deste milênio, o teto da aposentadoria pela 
previdência social equivalia, no máximo, a 8 salários-mínimos. 
Especialistas dizem que, por volta de 2030, o teto da aposentadoria na 
pela previdência social estará em torno de dois salários-mínimos. O que fazer, 
então? Preparar sua aposentadoria enquanto você trabalha, enquanto você tem 
condições de criar uma reserva financeira. Do contrário, sua maior preocupação 
durante a aposentadoria será continuar trabalhando para garantir o padrão de 
vida obtido enquanto ativo. 
 
 
19 
A previdência privada é uma solução para diminuir esses problemas 
financeiros, ao fim da vida laboral. Mas, além dos dois regimes tributários 
existentes, há duas modalidades de planos vigentes. O que faria com que você 
escolhesse o regime progressivo ou o regressivo? E o que faria você escolher o 
VGBL ou o PGBL? 
Poste no fórum suas escolhas e justifique-as, de acordo com seus planos 
de longo prazo. 
NA PRÁTICA 
Imagine que você, por necessidades que podem ser tanto pessoais 
quanto profissionais, resolveu contratar um seguro de vida para resguardar não 
apenas você, mas também a sua família, na eventualidade de um óbito. Você 
buscou os serviços de um corretor e ele lhe garantiu coberturas em casos de 
invalidez permanente e de morte, o que foi aceito por você imediatamente. 
Durante a vigência do contrato, você hipoteticamente sofre um acidente 
de trabalho e é obrigado a ficar hospitalizado, sendo atestado que deverá 
permanecer durante 180 dias sem exercer atividades laborais, ou seja, apenas 
em recuperação. 
Ao acionar o seguro e pleitear sua garantia, o corretor comenta que a 
garantia apenas cobre a invalidez permanente, mesmo que parcial, mas não 
indeniza invalidez temporária, mesmo que total. 
Qual foi seu principal erro ao contratar esse seguro, em se tratando de 
riscos cobertos? Aponte quais alternativas poderiam ser escolhidas para que 
todas as situações de risco fossem cobertas. Isso pode se dar com a contratação 
de um novo seguro ou com a adequação da apólice, durante a vigência. 
Passos para a resolução do problema 
Você deve identificar as necessidades do segurado ao contratar um 
seguro, para garantir tranquilidade financeira para ele e sua família. Isso consiste 
em verificar junto a um corretor quais situações precisam ser cobertas e quais 
podem ficar de fora, de acordo com o perfil apresentado. 
Esse procedimento prévio é o que faz com que erros sejam evitados no 
momento da contratação dos serviços de uma seguradora. 
Resolução do problema 
 
 
20 
Há duas alternativas simples e viáveis que poderiam ter sido escolhidas 
pelo segurado em questão. A primeira delas seria adicionar, logo no momento 
da assinatura do contrato de seguro ou em momento posterior, quando 
identificada a sua necessidade, uma cobertura em caso de invalidez temporária, 
o que não havia sido feito. 
Alternativamente, poderia ter sido contratado um seguro de atividades 
profissionais, que é um seguro que garante o pagamento de uma parcela por dia 
de internação ao segurado, desde que ele não possa realizar suas tarefas 
laborais. Esse seguro poderia ser contratado de maneira separada, em 
complemento ao seguro que foi efetivamente firmado, o que completaria a 
cobertura necessária. 
FINALIZANDO 
Seguros podem ser contratados durante a nossa vida toda, 
independentemente do momento em que estejamos. Mas é importante saber 
quais seguros são mais e menos interessantes para a nossa realidade. Esta aula 
mostrou exatamente isso: os detalhes dos seguros mais presentes em nossa 
vida. De maneira adicional, mostrou detalhes de operações que são 
preocupações das próprias empresas seguradoras, com vistas a garantir o 
cumprimento contratual com todos os segurados sob sua responsabilidade. 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, G. H. W. de. Seguros, matemática atuarial e financeira. 1. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2008. 
BRASIL. Decreto-Lei n. 261, de 28 de fevereiro de 1967. Dispõe sobre as 
sociedades de capitalização e dá outras providências. Diário Oficial da União, 
Brasília, 28 fev. 1967. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del0261.htm>. 
Acesso em: 15 jun. 2018. 
CRUZ, D. Diferença entre previdência social e privada. Videoexplicação. 
YouTube, 14 out. 2014. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=05f1YO2HvDs>. Acesso em: 15 jun. 2018. 
ENTENDA o resseguro. Tudo sobre seguros, 2018. Disponível em: 
<http://www.tudosobreseguros.org.br/portal/pagina.php?l=366>. Acesso em: 15 
jun. 2018. 
GOLDBERG, I. Direito de seguro e resseguro. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
(Série FGV Direito Rio). 
MENDONÇA, A. P. Publicado por Penteado Mendonça e Char Advocacia. 
Reprodução de programa televisivo Siga Seguro, veiculado originalmente no 
canal Band News em 18 de julho de 2015. YouTube, 2 fev. 2016. 
POLIDO, W. Contrato de seguro: novos paradigmas. São Paulo: Roncarati, 
2010. 
SINDSEG NNE. Especialista explica o que é título de capitalização. 
Videoexplicação. YouTube, 16 nov. 2015. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=bP83VsBDWok>. Acesso em: 15 jun. 
2018. 
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. Site institucional. 
Capitalização. Rio de Janeiro. Disponível em: 
<http://www.susep.gov.br/menu/informacoes-ao-publico/planos-e-
produtos/capitalizacao>. Acesso em: 15 jun. 2018. 
https://www.youtube.com/watch?v=05f1YO2HvDs
http://www.susep.gov.br/menu/informacoes-ao-publico/planos-e-produtos/capitalizacao
http://www.susep.gov.br/menu/informacoes-ao-publico/planos-e-produtos/capitalizacao
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO A ATUARIAL 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michael Dias Correa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O que leva uma empresa a assumir os riscos de outras como sua 
atividade principal? As seguradoras trabalham basicamente com essa atividade: 
garantir os direitos de outras pessoas para que elas possam desempenhar suas 
atividades de forma mais tranquila. 
No entanto, essa tarefa requer um capital mínimo, uma limitação com 
relação aos riscos assumidos e uma análise mais aprofundada das 
demonstrações contábeis, principalmente em relação aos índices econômico-
financeiros. Esses são os pontos em que nós vamos nos debruçar nesta aula. 
Estão prontos? Vamos lá! 
CONTEXTUALIZANDO 
Você já trabalhou ou conhece alguém que trabalhe ou já tenha trabalhado 
em uma empresa de seguros? Pois bem: essa é uma atividade extremamente 
rentável, mas consiste basicamente em garantir os direitos dos outros. 
Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já nos deparamos com 
a necessidade de contratar os serviços de uma seguradora. Mas, do ponto de 
vista contábil, como são registradas e controladas as operações contábeis de 
uma seguradora? Afinal de contas, ela não possui estoques para 
comercialização nem fabrica qualquer produto para ser vendido. 
Pois bem, os seguros representam um tipo tão específico de serviço que 
há normas e regulamentos específicos só para eles. Tais normas estão vigentes 
para garantir o seu direito, o nosso direito como segurados, desde que nós 
também cumpramos o que está estabelecido no contrato, que é a apólice de 
seguro. 
Dando enfoque apenas sobre a faceta contábil e formal da atividade 
securitária, iniciamos mais uma aula com objetivo de conhecer mais os 
meandros contábeis, operacionais, formais e gerenciais dessa atividade que, a 
cada dia que passa, cresce mais no nosso país. 
TEMA 1 – O CICLO ECONÔMICO DE UMA COMPANHIA DE SEGUROS 
O ciclo econômico mostra-se tão importante para as empresas que, no 
caso de um plano malfeito em relação a ele, os prazos podem ficar tão 
 
 
3 
desfavoráveis que façam com que determinada empresa seja obrigada a sair do 
mercado. E é isso que nós começaremos a estudar agora. Vamos juntos! 
1.1 Conceito de ciclo econômico 
Para queseja analisado o ciclo econômico, é necessário que sejam 
estudados os outros ciclos de uma empresa, que são os ciclos operacional e 
financeiro. De maneira isolada, o ciclo econômico não fornece as informações 
necessárias para que uma decisão de longo prazo seja tomada corretamente. 
O ciclo econômico avalia o tempo em que, na prática, uma mercadoria 
permanece no estoque de uma empresa. Isso é relativamente simples para as 
empresas industriais e para as comerciais, mas um pouco difícil de visualizar em 
se tratando de empresas prestadoras de serviços. 
Passando para o ciclo operacional, ele corresponde ao intervalo de tempo 
entre a data da compra e o recebimento da venda efetuada. Novamente, as 
prestadoras de serviços têm tratamento distinto das indústrias e empresas 
comerciais. Na situação hipotética de uma empresa apenas vender à vista, o 
ciclo operacional e o econômico se equivalerão entre si. 
O último que devemos analisar é o ciclo financeiro, compreendendo o 
tempo entre o pagamento aos fornecedores e o recebimento das vendas 
realizadas. Pensando em um bom ciclo financeiro, ele dependerá do prazo dado 
pelos fornecedores, ou seja, quanto mais tarde forem os pagamentos aos 
fornecedores, menor será o ciclo financeiro. 
Mas, agora que sabemos como conceituar cada um dos ciclos 
apresentados, como trabalharemos o ciclo econômico nas empresas 
seguradoras? Afinal de contas, elas não trabalham com estoques, mas mesmo 
assim perfazem um ciclo econômico. 
Curiosidade 
É muito comum empresas de setores distintos trabalharem com conceitos 
ligados à administração econômico-financeira de maneira distinta. Isso ocorre 
não somente com empresas seguradoras, mas com siderúrgicas, mineradoras, 
petrolíferas e outras empresas de grande porte. 
 
 
 
4 
1.2 O ciclo econômico em empresas de seguros 
Não somente em empresas de seguros, mas em empresas prestadoras 
de serviço, de maneira geral, que não gerenciam estoques, como se identifica o 
ciclo econômico? Temos que pensar da seguinte maneira: uma indústria entrega 
a seus clientes os produtos fabricados e uma empresa comercial entrega a seus 
clientes as mercadorias adquiridas para revenda. 
Uma empresa prestadora de serviços entrega para os clientes os serviços 
contratados e, sendo mais específico em relação às empresas de seguros, elas 
entregam para os segurados o direito de utilizar os serviços descritos nas 
apólices contratadas durante a vigência do contrato. Essa é a mercadoria 
comercializada por uma empresa de seguros e é isso que deve ser considerado 
no seu ciclo econômico. 
O ideal, então, seria encurtar o período de prestação de serviços para que 
o ciclo econômico se reduzisse também. Mas aí entra outro problema para as 
empresas de seguros: se um contrato de seguro é firmado e terá a vigência de 
um ano, como encurtar esse prazo? 
Para compreender esse item melhor com relação às seguradoras, é 
importante pensar da seguinte maneira: os funcionários que trabalham na linha 
de frente de uma empresa seguradora, ou seja, comercializando os seguros, 
conseguem comercializar determinada quantia de contratos. Vamos exemplificar 
como sendo 30 contratos por mês, por funcionário. O ciclo econômico é o 
período que esse funcionário leva para conseguir comercializar um contrato. 
E se ele conseguir aumentar esse número para 45 contratos 
comercializados? Significa dizer que o ciclo econômico, o qual dispensa os 
recebimentos financeiros, foi reduzido em 50%, pois eram 30 contratos e esse 
valor subiu para 45. Uma variação de 15 unidades que, comparadas com a 
quantidade inicial, que era de 30, equivale a um aumento de 50%. Podemos 
afirmar, então, que essa situação ensejou uma redução considerável no ciclo 
econômico. 
Essa, inclusive, é a única situação em que a atividade das empresas de 
seguros se diferencia das empresas industriais, comerciais e até de outras 
prestadoras de serviços. Isso porque, quando um serviço é prestado, ele 
geralmente é feito de uma vez ou durante um intervalo curto de tempo. É só 
imaginar quando nós vamos ao cabeleireiro ou vamos ao cinema. O serviço é 
 
 
5 
prestado no momento em que estamos presentes, iniciando-se e finalizando 
enquanto ainda estamos fisicamente no estabelecimento. 
Com os seguros a situação é diferente, pois ele segue sendo prestado 
durante todo o período de vigência, normalmente de um ano. Isso deve ser 
analisado para conseguirmos identificar as particularidades em relação ao ciclo 
econômico das empresas de seguro. 
Saiba Mais 
Para que você não fique apenas imaginando como esses ciclos todos se 
comunicam, no vídeo intitulado Ciclo operacional (Costa, 2009) há uma 
explicação mais detalhada sobre os ciclos econômico, operacional e financeiro 
de uma empresa. Ficará mais clara a importância de cada um para o seu 
processo de gestão. 
TEMA 2 – ESQUEMA CONTÁBIL E SUAS LIMITAÇÕES 
As empresas de seguros possuem uma estrutura contábil única, situação 
que também ocorre com as instituições bancárias. Só que essa estrutura única 
também possui certas limitações, principalmente se compararmos tais empresas 
com as outras empresas no cenário nacional. Neste ponto, identificaremos a 
parte contábil, especificando suas limitações. Vamos lá? 
2.1 Aspectos contábeis das empresas de seguros 
A contabilidade de uma empresa de seguros é composta de dois grandes 
campos de gestão: o operacional e o financeiro. Nesse caminho são desenhados 
os sistemas de controle para que os registros contábeis das suas operações 
possam ser realizados, além de possibilitarem a análise econômico-financeira 
dessas empresas ao fim de um período, normalmente um exercício financeiro. 
Como consequência dos registros contábeis, são geradas informações 
úteis para o processo decisório, as quais podem ser tanto de confecção e 
divulgação obrigatória como facultativa. Essas informações organizadas são 
denominadas livros contábeis e possuem como documentos obrigatórios o diário 
e o razão e como facultativos o livro-caixa, o livro de contas-correntes, os livros 
de apuração de impostos, entre outros que a seguradora julgar necessária a 
elaboração. 
 
 
6 
Adicionalmente, as empresas de seguros são obrigadas a realizar 
registros auxiliares em seus sistemas contábeis, sendo enquadradas nessa 
obrigação aquelas que operam nos chamados ramos elementares, como ramo 
vida, com previdência privada aberta e capitalização. 
Esses registros, além dos aspectos formais de elaboração, devem realizar 
emissão de apólices e outros documentos relacionados a prêmios a receber e 
cobranças de apólices, além de sinistros pagos e avisados. 
Se houver tais registros, também há a obrigatoriedade da escrituração de 
cosseguros recebidos e o conjunto integral dessas informações deve ser 
finalizado a cada mês por todas as seguradoras em território nacional. 
Em relação à documentação formal que deve ser obrigatoriamente 
constituída pelas empresas de seguros, estão os formulários de proposta de 
seguro, os que são emitidos antes da emissão das apólices, momento em que 
os segurados apresentam a intenção de contratar a cobertura. Essa solicitação 
pode ser aceita ou recusada pela empresa de seguros em até 15 dias. 
Outro formulário de preenchimento obrigatório é a ficha de compensação, 
a qual remete ao segurado a apólice que foi emitida juntamente com o aviso da 
cobrança bancária relativa ao prêmio contratado no momento da assinatura. 
Como os prêmios devem ser obrigatoriamente cobrados via rede bancária, antes 
desse procedimento o que era feito era a nota de seguro, a qual era remetida ao 
banco para cobrança e que era utilizada como comprovante do pagamento do 
prêmio, procedimento esse que também já era efetuado por meio da rede 
bancária. 
Por último e de envio obrigatório para a Superintendência de Seguros 
Privados (Susep) está o formulário de informações periódicas, conhecido como 
FIP, o qual tem o objetivode informar a situação administrativa, econômica e 
financeira de uma empresa de seguros, sendo apresentada uma série de 
informações contábeis e patrimoniais a seu respeito, tais como demonstrações 
contábeis, sobre sinistros, coberturas, informações de prêmios por área 
geográfica, entre outras operações que compõem a rotina de uma empresa de 
seguros. 
Curiosidade 
Embora tenha diferenças operacionais e de registros em relação às 
operações contábeis, os artigos 128 e 129 da Circular Susep no 517 de 30 de 
julho de 2015 tratam dos detalhes tanto de operações de seguros como de 
 
 
7 
operações de resseguros, no que concerne a planos de contas. Os códigos, 
nomenclaturas a serem utilizadas e outros detalhes estão especificados nessa 
circular (Susep, 2015). 
2.2 A prática contábil nas empresas de seguros 
As empresas seguradoras precisam atender aos critérios estabelecidos 
pelo artigo 130 da Circular Susep no 517/2015 (Susep, 2015), o qual estabelece 
que o relatório da administração, o balanço patrimonial, a demonstração do 
resultado do período, a demonstração de resultado abrangente, a demonstração 
das mutações do patrimônio líquido, a demonstração dos fluxos de caixa, as 
notas explicativas e o correspondente relatório do auditor independente sobre as 
demonstrações financeiras devem ser publicados até o dia 28 de fevereiro do 
ano seguinte ao da data-base, respeitando os critérios estabelecidos pela Lei no 
6.404 de 15 de dezembro de 1976 (Brasil, 1976). 
Para as empresas de seguros, há um plano de codificação das operações 
contábeis, o qual estabelece dois códigos a serem utilizados. O primeiro é um 
número composto por 10 algarismos, que indicam, na sequência, o que está 
descrito no Quadro 1. 
Quadro 1 – Códigos contábeis para empresas de seguros 
Sequência Descrição 
1º algarismo Classe 
2º algarismo Grupo 
3º algarismo Subgrupo 
4º algarismo Conta 
5º algarismo Subconta 
6º algarismo 1º desdobramento da subconta, se necessário 
7º algarismo 2º desdobramento da subconta, se necessário 
8º algarismo 3º desdobramento da subconta, se necessário 
9º algarismo 4º desdobramento da subconta, se necessário 
10º algarismo 5º desdobramento da subconta, se necessário 
Fonte: adaptado de Susep, 2015. 
É incumbência exclusiva da Susep a faculdade de criar a codificação que 
vá até o décimo algarismo. O código que vem na sequência, o segundo, é 
composto por quatro algarismos e indica o código do ramo, que é composto 
 
 
8 
pelos campos denominados grupo e identificador do ramo, podendo ser utilizado 
tanto nas contas patrimoniais quanto nas contas de resultado (Susep, 2015). 
Leitura Obrigatöria 
A contabilidade para seguradoras, assim como a contabilidade em geral, 
está em processo de harmonização com as normas internacionais de 
contabilidade. O artigo Contabilidade de seguradoras: estudo comparativo entre 
as normas brasileiras e as normas internacionais mostra os detalhes desse 
processo de harmonização (Souza; Silva, Lara, 2008). 
TEMA 3 – LIMITES OPERACIONAIS E LIMITES TÉCNICOS 
São várias as normatizações que regem o trabalho das empresas de 
seguro. A partir de agora nós vamos ver mais especificamente os limites 
operacionais e os limites técnicos que regem o trabalho de uma empresa desse 
ramo. Vamos caminhar juntos na busca por esses conhecimentos! 
3.1 Limites operacionais 
Uma empresa de seguros não pode atuar de maneira indiscriminada, 
arriscando-se a contrair problemas financeiros que prejudiquem a sua 
continuidade operacional. Isso é muito simples de se imaginar, pois em suas 
operações rotineiras está a garantia de patrimônios e direitos dos clientes 
segurados. Dessa maneira, há regras específicas que estabelecem limites 
operacionais para as empresas seguradoras. 
A Resolução no 321 de 15 de julho de 2015 do Conselho Nacional de 
Seguros Privados estabelece que o valor máximo de responsabilidade que uma 
empresa de seguros pode reter por contrato é de 4% do seu ativo líquido, que é 
o patrimônio líquido ajustado. Esse mesmo regramento também estabelece que 
os limites operacionais devem ser apurados com periodicidade semestral, 
calculados nos meses de fevereiro e agosto, sendo facultado o cálculo de novos 
limites para os outros meses (CNSP, 2015). 
Para tal, os valores calculados entre fevereiro e julho têm como base o 
valor do patrimônio líquido ajustado do mês de dezembro do ano anterior e os 
valores calculados entre os meses de agosto e janeiro consideram o valor do 
patrimônio líquido de junho. 
 
 
9 
Exemplificando, se uma empresa seguradora apresentar, em 30 de junho 
de um ano, o valor de ativo total de R$ 5 milhões e um passivo total de R$ 3 
milhões, o limite operacional, ou seja, a responsabilidade máxima que ela pode 
obter em uma única apólice é de R$ 80 mil, valor que representa 4% de R$ 2 
milhões, diferença entre o ativo total e o passivo total. 
No caso de haver aumento de capital após a data de apuração dos valores 
componentes do ativo líquido, desde que integralizado na forma de dinheiro ou 
de bens disponibilizados à empresa de seguros, eles deverão ser computados 
no cálculo do limite operacional. 
Não será estabelecido limite operacional para a empresa de seguros se o 
valor dos prejuízos acumulados registrados no patrimônio líquido forem 
superiores à soma do capital realizado e das suas reservas. Tampouco será 
definido limite operacional para as seguradoras que não possuírem o capital 
mínimo exigido para operação, haja vista que possuem atividade ligada à 
garantia de direitos de terceiros. 
Leitura Obrigatória 
É importante entender com detalhes os conceitos do limite operacional. 
Para tanto, leia o artigo Alternativas para análise de risco e retorno dos ativos 
frente às necessidades de reservas atuariais e cobertura de passivos (Mello et 
al., 2014), publicado na Revista Brasileira de Previdência, e que fala sobre os 
riscos assumidos por empresas do ramo de seguros. 
3.2 Limites técnicos 
A mesma Resolução no 321 do CNSP (2015) define a maneira de calcular 
os limites técnicos das empresas seguradoras, assim como o fizera para os 
limites operacionais. 
Da mesma forma que os limites operacionais são definidos com base nos 
ativos líquidos de uma empresa de seguro, assim também o são os limites 
técnicos. A resolução também estabelece que a expressão limite técnico pode 
ser substituída por limite de retenção, sem prejuízo de sua interpretação por 
parte do legislador. 
Em termos operacionais, os ativos líquidos também são representados 
pelo patrimônio líquido. Mas, de maneira distinta do limite operacional, o limite 
técnico deve ser definido pelas empresas de seguros com base em cada ramo 
de seguro e com o uso de algum método que seja cientificamente comprovado 
 
 
10 
e que tenha a possibilidade de gerar resultados consistentes com a realidade 
vivida por elas. 
É estabelecido o limite de retenção de até 5% do patrimônio líquido 
ajustado sem que haja necessidade de autorização prévia da Susep. Para 
valores superiores, é necessária prévia anuência do CNSP. 
Após serem realizados os cálculos e obtidos os valores de limite técnico, 
estes devem ser encaminhados para a sede da Susep, localizada no Rio de 
Janeiro. 
Da mesma forma que o limite operacional, o limite técnico também não 
será calculado quando os prejuízos constantes no patrimônio líquido superarem 
o capital realizado mais as reservas, nem quando a empresa de seguros não 
possuir o capital mínimo exigido para a manutenção de suas atividades 
operacionais. 
Por fim, cabe à Susep o encargo de definir um limite técnico diferente para 
uma empresa de seguros em específico, desde que sejam apontadas as devidas 
justificativas que motivaram o estabelecimento de novo valor. 
Curiosidade 
Desde 2012 a Susep vem divulgando consultas públicas com a intenção 
de alterar as normas vigentes e estabelecer novos limites de retenção, sendorealizadas diversas atualizações em suas normas, nos últimos anos, como nos 
informa.notícia vinculada pelo Sincor-GO (2013). 
TEMA 4 – MARGEM DE SOLVÊNCIA E CAPITAL MÍNIMO 
Ainda sobre os pontos relativos à parte operacional e às normas ligadas 
diretamente a tais atividades, agora é o momento de nós vermos os detalhes 
sobre a margem de solvência e sobre o capital mínimo de uma empresa de 
seguros. São exigências adicionais, que não cancelam o que já foi visto 
anteriormente, tudo com vistas a garantir os direitos dos segurados. Pois então 
vamos ver esses dois temas, a partir de agora? 
4.1 Margem de solvência 
Com periodicidade mensal, é uma preocupação de todas as empresas de 
seguros no Brasil: a elaboração da margem de solvência. Ela corresponde à 
 
 
11 
comprovação da suficiência dos ativos líquidos para realizarem a cobertura das 
atividades das empresas. 
A margem de solvência deve considerar duas situações distintas, nos 
seus cálculos: 
1. a primeira é 0,2 vez o total da receita líquida dos prêmios emitidos nos 
últimos 12 meses; 
2. a segunda é 0,33 vez a média anual do total dos sinistros retidos dos 
últimos 36 meses. 
Essas duas referências de valores devem ser consideradas, pois os ativos 
líquidos devem ser suficientes para cobri-las. Nesse cálculo devem ser 
computadas as operações de todos os ramos, exceto a previdência privada e a 
vida individual. 
No cálculo a ser realizado, devem ser excluídas quaisquer operações que 
tenham ligação com as sucursais ou matrizes estabelecidas em países 
estrangeiros e quaisquer bem, direito ou obrigação que a elas estejam 
vinculados. 
Se não houver suficiência de ativos líquidos para a cobertura das 
operações, a empresa de seguros deve apresentar um plano de regularização 
de solvência, diretamente à Susep, com o objetivo de cumprir o requisito em um 
prazo máximo de 18 meses a partir do mês subsequente ao do recebimento da 
comunicação de insolvência. 
Nesse plano de recuperação, os procedimentos a serem adotados para 
que a empresa de seguros consiga se restabelecer devem ser precisamente 
evidenciados, destacando-se as informações sobre aporte de recursos 
financeiros e a análise técnica das carteiras que apresentem uma nova política 
de absorção de riscos de terceiros. 
Após a submissão do plano de recuperação à Susep, esta poderá exigir 
da empresa o fornecimento de mais detalhes, se julgar necessário, e definir o 
prazo para o cumprimento das etapas apresentadas. A margem de solvência é 
uma das referências para aumentar a efetividade das operações das empresas 
de seguro, a fim de garantir os direitos dos segurados. 
Leitura Obrigatória 
Recomendamos a leitura do texto Margem de solvência: introdução à 
discussão, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS, 2017), que versa 
exclusivamente sobre a margem de solvência para os seguros de saúde, para 
 
 
12 
que os detalhes desse assunto também possam ser analisados com mais 
profundidade. 
4.2 Capital mínimo 
Para que possam operar com tranquilidade e cumprindo integralmente as 
regras vigentes, as empresas de seguros precisam, além de todos os pontos já 
mencionados nesta aula, ter estabelecido um capital mínimo para suportar as 
suas atividades. 
Isso é válido também para as sociedades resseguradoras, para as 
sociedades de capitalização e para as entidades abertas de previdência 
complementar. Para estas entidades, mensalmente é obrigatória a 
apresentação, juntamente com as demonstrações mensais, de um patrimônio 
líquido ajustado igual ou superior ao capital mínimo. 
Por meio da Resolução no 321/2015 (CNSP, 2015), os detalhes relativos 
ao capital mínimo requerido estão evidenciados e devem ser seguidos pelas 
empresas de seguros. Essa norma estabelece, por exemplo, que as empresas 
de seguros devem apresentar, juntamente com o pedido inicial de autorização 
para operação, um capital que seja igual ou superior ao mínimo requerido. 
Para garantir que o capital mínimo seja aceito pela CNSP, as empresas 
de seguro devem integralizar em dinheiro, equivalentes de caixa ou títulos 
públicos federais o mínimo de 50% do capital total e o restante em outros ativos 
aceitos como integralizáveis. 
Se, ao fim de determinado mês, ao entregar os dados de seu patrimônio 
líquido ajustado, uma empresa de seguros não conseguir alcançar o capital 
mínimo requerido, a Susep poderá determinar que essa sociedade empresarial, 
se estiver com insuficiência de até 30%, apresente um plano corretivo de 
solvência. Essa insuficiência deve ser evidenciada semestralmente, medida nos 
meses de janeiro e julho. 
De maneira diversa, caberá ao Conselho Diretor da Susep estabelecer as 
medidas a serem adotadas em relação às empresas de seguros que 
apresentarem uma insuficiência no patrimônio líquido ajustado em relação ao 
capital mínimo requerido superior a 30%. Esse controle será efetuado com 
periodicidade mensal. 
A norma também estabelece o capital-base, que é um montante fixo de 
capital que uma empresa de seguros deve manter a qualquer tempo. O capital-
 
 
13 
base total é de R$ 15 milhões e há uma parcela fixa de R$ 1,2 milhão, sendo 
que a parcela variável é determinada de acordo com a localização geográfica de 
cada empresa de seguros. 
Para os estados da Região Norte, exceto o Tocantins, e para o Piauí, o 
Maranhão e o Ceará, a parcela variável é de R$ 120 mil; para os outros estados 
da Região Nordeste, a parcela variável é de R$ 180 mil; os estados da Região 
Centro-Oeste e o Tocantins possuem parcela variável de R$ 600 mil; para os 
estados da Região Sudeste, exceto São Paulo, a parcela variável é de R$ 2,8 
milhões; para o estado de São Paulo, o valor é o mais alto, de R$ 8,8 milhões; e 
os estados da Região Sul possuem parcela variável de R$ 1 milhão. 
Leitura Obrigatória 
O Siscorp divulgou um material detalhado, que deve ser lido, sobre o 
capital mínimo nas empresas de seguro, intitulado Efeitos das regras de capital 
mínimo para as seguradoras (Faggion, 2008). 
TEMA 5 – PRINCIPAIS INDICADORES DO SETOR DE SEGUROS 
Em uma empresa normal, os indicadores econômico-financeiros são 
importantes para analisar não somente se a empresa está bem, considerando 
suas atividades da porta para dentro, mas também em comparação com seus 
concorrentes. Mas, em uma empresa de seguros, os índices a serem utilizados 
são um pouco diferentes, pois consideram características que apenas as 
seguradoras possuem. 
É exatamente isso que nós vamos começar a ver neste momento: os 
principais indicadores do setor de seguros. Esses indicadores nos ajudarão a 
identificar se uma empresa de seguros está bem não só interna, mas também 
externamente. Então, sem perder tempo, vamos começar? 
5.1 Análise financeira 
A partir de agora nós vamos direcionar nosso foco para as 
disponibilidades e exigibilidades de uma empresa de seguros. Vamos analisar 
tudo o que entra e tudo o que sai de recursos financeiros, leia-se caixa e 
equivalentes de caixa. Aquilo que não representa possibilidade de fluxo 
financeiro para uma seguradora está fora de questão aqui. 
 
 
14 
Serão tomados como referência todos os ativos realizáveis, tanto os de 
curto quanto os de longo prazo, assim como as obrigações circulantes e não 
circulantes, sendo representadas pelas dívidas de curto e de longo prazo de uma 
seguradora. Essa análise busca identificar a saúde financeira por meio da 
medição da liquidez de uma entidade, que também é chamada de solvência 
financeira, ou seja, o poder que uma empresa possui para pagar todas as suas 
obrigações. 
Para isso, há índices de liquidez, de solvência, de endividamento, de 
garantia de capitais de terceiros, de imobilização de capitais próprios, além da 
medição da independência financeira, do capital circulante líquido, da liquidez 
operacional e da cobertura vinculada. Por se tratar de empresas de seguros, uns 
índices detêm mais importância do que outros, sendomais analisados aqui. 
Os índices de liquidez verificam a capacidade que uma empresa tem de 
pagar suas obrigações, tanto de curto como de longo prazo. No geral, possui 
uma importância apenas mediana em comparação com outros índices, pois é 
mais importante que se analise o perfil da dívida, ou seja, se ela tem mais 
característica de curto ou de longo prazo, do que simplesmente verificar se há 
dinheiro disponível para pagá-las imediatamente. Outro fator que reduz a 
importância geral dos índices de liquidez é que apenas se analisa o seu 
momento atualizado, sem qualquer desdobramento da dívida. De qualquer 
forma, vamos verificar um exemplo de aplicação do índice de liquidez corrente. 
BALANÇO PATRIMONIAL (valores em R$) 
Ativo Passivo 
Ativo Circulante 150.000 Passivo Circulante 100.000 
Ativo Não Circulante 300.000 Passivo Não Circulante 110.000 
 Patrimônio Líquido 240.000 
Ativo Total 450.000 Passivo Total 450.000 
A fórmula para o cálculo do índice de liquidez corrente (ILC) é a seguinte: 
ILC = Ativo Circulante / Passivo 
Circulante 
Para calculá-lo, tomamos como referência os valores de R$ 150 mil e R$ 
100 mil, ativo e passivo circulantes, respectivamente. Da relação matemática se 
extrai o valor de 1,5. Isso quer dizer que, para cada R$ 1,00 que uma seguradora 
 
 
15 
possua de obrigações no curto prazo, ela terá R$ 1,50 de ativos com liquidez no 
mesmo prazo, ou seja, até o final do exercício financeiro seguinte. 
Para esse índice, quanto maior for o valor, melhor será para as 
seguradoras, assegurando-lhe uma boa saúde financeira no curto prazo. 
Embora não seja o único índice para ser analisado, já passa uma ideia de como 
a seguradora está, em termos financeiros. 
A solvência geral é outro índice que faz a comparação dos ativos com os 
passivos, mas o faz de maneira integral, comparando todos os bens e direitos 
de uma entidade com o total de suas obrigações exigíveis. A solvência geral, 
além de evidenciar a liquidez de uma entidade, também apresenta o capital 
próprio indiretamente, pois quanto maior for a solvência geral, maior será o 
capital próprio de uma seguradora. 
O endividamento faz a comparação do total de obrigações exigíveis com 
o total de ativos de uma seguradora. Aqui nós começamos a verificar a 
interligação entre os índices, pois, conforme o endividamento aumenta, a 
solvência de uma empresa de seguros diminui e vice-versa. Uma boa gestão dos 
níveis de solvência é, por consequência, uma boa gestão de dívidas, em uma 
empresa. 
Mudando o foco para a garantia dos capitais de terceiros, tal índice 
representa o quanto uma entidade consegue cobrir de suas obrigações com 
capital próprio. É mais um índice de controle do que um índice operacional, pois 
nunca deve ser analisado isoladamente, já que o patrimônio líquido, na prática, 
não pode ser oferecido como garantia em nenhuma operação realizada por uma 
seguradora. 
A imobilização dos capitais próprios também apresenta a relação do 
patrimônio líquido, mas sua outra parte é o ativo permanente, representado pelos 
ativos que não possuem intenção de se transformarem em dinheiro para uma 
seguradora. O que sobra dessa relação evidencia a sobra de recursos que é 
direcionada para o capital de giro, uma certa espécie de independência 
financeira, que é o próximo índice que veremos. 
Pois bem, a independência financeira compara o capital próprio de uma 
seguradora com o seu ativo total, também completando a análise do 
endividamento. Quanto menor for o patrimônio líquido em relação aos ativos 
totais, maior será o endividamento de uma seguradora e menor será a sua 
independência financeira. 
 
 
16 
Abordando mais a fundo o conceito de independência financeira, temos o 
capital circulante líquido, que é o capital de giro próprio, aquela parcela dos 
ativos de curto prazo que são, de fato, da empresa. Deve ser feita a comparação 
simples dos ativos e dos passivos de curto prazo. Se os ativos forem maiores, 
dizemos que o capital circulante líquido é positivo e os índices de liquidez estão, 
no mínimo, satisfatórios. Se ativos e passivos forem iguais, o que é 
extremamente hipotético, dizemos que o capital circulante líquido é nulo. Por fim, 
se ativos são superados pelos passivos, podemos dizer que o capital circulante 
líquido é negativo e os índices de liquidez não estão em bons níveis. 
A liquidez operacional, para uma seguradora, é muito importante, pois 
apresenta o grau de liquidez nos chamados créditos operacionais com seguros 
no ativo circulante e os débitos operacionais com seguros no passivo circulante. 
É uma espécie de índice de liquidez exclusivo das seguradoras e é mais 
abrangente, pois apresenta as relações de uma seguradora não somente com 
os segurados, mas também com outras seguradoras, resseguradoras e com 
seus agentes ou correspondentes. 
Por último e também mais específico para as empresas de seguro está a 
cobertura vinculada, que mensura o nível do comprometimento das aplicações 
de uma seguradora que são apresentadas como garantia para cobertura das 
provisões técnicas que ela possua. Na prática, as seguradoras procuram sempre 
manter o nível de cobertura vinculada em níveis baixos, garantindo suas 
atividades operacionais com mais tranquilidade. 
Curiosidade 
O texto Mercado de seguros regulados pela Susep: desempenho em jan./dez. 
de 2015 ([2017?]), do website Tudo sobre Seguros, apresenta várias 
informações sobre o desempenho das seguradoras no Brasil. É uma excelente 
fonte de dados históricos, mostrando a evolução desse setor tão importante na 
economia nacional. 
5.2 Análise econômica 
A última análise a ser considerada na nossa aula é a econômica, a qual 
leva em conta o capital investido nas empresas de seguro, além do seu volume 
monetário de receitas, o qual é proveniente dos prêmios de seguros recebidos 
durante determinado período. 
 
 
17 
Como índices econômicos, podem ser citadas as margens bruta, líquida 
e operacional, além da taxa de retorno do capital próprio, das retenções própria 
e de terceiros e da sinistralidade. Outros índices são os custos de 
comercialização e administrativo, o prêmio-margem, o resultado patrimonial e os 
índices combinado e combinado amplo. Vamos ver todos esses mais 
detalhadamente a partir de agora. 
Muito usadas em qualquer tipo de empresa, as margens também são 
utilizadas em empresas de seguros. A margem bruta faz a relação do resultado 
bruto com os prêmios de seguros obtidos; a margem operacional faz a relação 
das operações de seguros com os prêmios de seguros obtidos. Por último, a 
margem líquida já relaciona o lucro líquido do exercício com os prêmios de 
seguros obtidos. 
Muito parecida com a margem líquida, a taxa de retorno dos capitais 
próprios relaciona o lucro líquido com o patrimônio líquido médio, considerando 
a média aritmética do período atual e do imediatamente anterior. É com ela que 
os acionistas verificam como está a rentabilidade dos capitais investidos. 
A primeira retenção, a própria, indica em que nível ocorre a retenção 
própria em uma seguradora, considerando como base o total de prêmios de sua 
emissão. Esse índice de retenção indica a política de retenção de riscos, 
indicando mais ou menos operações de cosseguros e resseguros. 
A segunda retenção, a de terceiros, apresenta os riscos não assumidos 
em cada apólice, desde que tenham sido repassados ao IRB ou a empresas 
congêneres, e relaciona os prêmios de sua própria emissão com os prêmios que 
foram cedidos a terceiros. 
A sinistralidade é a relação entre o total de sinistros retidos e os prêmios 
obtidos com os seguros. É o valor que sobra de receita de prêmio para a 
cobertura de despesas administrativas e de comercialização. 
O primeiro custo a ser analisado, o de comercialização, relaciona as 
despesas de comercialização com os prêmios de seguros obtidos. Ele indica 
quanto sobra para fazer face às despesas administrativase com sinistros. 
O custo administrativo relaciona as despesas administrativas com os 
prêmios de seguros obtidos e complementa o custo de comercialização em 
termos informacionais, pois indica como está a política das áreas administrativa 
e comercial de uma empresa de seguros. 
 
 
18 
O prêmio-margem é a relação entre os prêmios de seguros obtidos e o 
patrimônio líquido, buscando a evidenciação de eventuais problemas ligados à 
solvência da seguradora, no futuro. Não devemos esquecer que o patrimônio 
líquido, embora sofra ajustes, é a base para a medida da margem de solvência, 
já analisada no Tema 4. 
O resultado patrimonial faz uma análise das operações que não estão 
ligadas com as atividades principais de uma seguradora, pois relaciona 
resultados com empresas coligadas, controladas e com aluguéis de imóveis, 
quando aplicáveis. Mostra quanto do lucro de uma empresa depende dessas 
atividades extras, relacionando tais resultados com o lucro líquido. Quando o 
resultado patrimonial é negativo, sabe-se que o resultado geral foi reduzido por 
causa dessas perdas. 
Os dois últimos índices econômicos, o combinado e o combinado amplo, 
mostram praticamente a mesma informação, mas o resultado patrimonial é que 
provoca a diferença entre os dois. 
A relação dos dois é feita com a soma dos valores retidos de sinistros, das 
despesas administrativas e de comercialização, sendo que o combinado 
relaciona as receitas e despesas apenas com os resultados operacionais, sendo 
as receitas representadas pelos prêmios de seguros obtidos. 
O índice combinado amplo, além de fazer a relação das despesas com os 
prêmios de seguros obtidos, também considera como receitas os resultados 
patrimoniais, os quais não possuem ligação com a atividade operacional de uma 
empresa de seguros. 
Saiba Mais 
A revista Apólice, especializada em operações securitárias, publicou uma 
reportagem com os resultados obtidos pelas principais empresas seguradoras 
durante o ano de 2016 (Seguradoras, 2017), sendo uma ótima fonte de leitura 
para aqueles que querem entender mais esse mercado tão dinâmico, que é o 
mercado de seguros. 
TROCANDO IDEIAS 
Os aspectos formais de uma empresa de seguros não representam mera 
burocracia para os gestores. Eles são, de fato, mecanismos de proteção tanto 
para a sociedade empresarial quanto para seus clientes. 
 
 
19 
No formato de wiki, que é um texto que sempre é complementado e 
melhorado, vamos discutir sobre o que você identificou, após a apresentação 
dos conceitos, que falta para que o controle das atividades de seguro se 
tornarem ainda mais garantidoras dos direitos do cidadão. 
Vamos lá! A sua contribuição ajudará outras pessoas a entenderem 
melhor os aspectos contábeis das empresas de seguros. 
NA PRÁTICA 
No decorrer desta aula você conseguiu identificar que os aspectos 
contábeis das empresas de seguro se diferem um pouco dos aspectos 
apresentados por uma empresa que não seja do setor securitário. 
Seja pela quantidade de normas específicas ou pelos regramentos mais 
genéricos, como de estruturação de demonstrações contábeis, os seguros 
possuem algumas particularidades que os diferem de outras atividades 
operacionais. 
Aponte, no mínimo, duas diferenças nos aspectos contábeis ligadas à 
atividade securitária em relação àqueles presentes nas empresas não 
securitárias. 
Passos para a resolução do problema 
Você deve apresentar aspectos únicos que influenciem os registros e as 
operações contábeis das empresas seguradoras. Há vários desses aspectos, os 
quais devem ser evidenciados, de preferência, com alguns detalhes sobre as 
diferenças entre as atividades securitárias e as não securitárias. 
Resolução do problema 
Diferenças: 
1. As vendas das seguradoras são denominadas prêmios de seguros e não 
receitas brutas com vendas, mantendo a mesma localização na 
demonstração do resultado do exercício. 
2. Periodicamente, as seguradoras devem enviar um relatório para a Susep 
evidenciando a estrutura do seu patrimônio e a sua compatibilidade com as 
operações, haja vista que garantias aos segurados precisam ser 
comprovadas. Isso não ocorre em empresas não securitárias, as quais não 
 
 
20 
necessitam apresentar a nenhum organismo governamental condições 
financeiras de quitar as obrigações com seus fornecedores, por exemplo. 
3. Há um patrimônio líquido mínimo para a operação das empresas de 
seguros, fator não obrigatório para empresas de outros setores, exceto as 
instituições financeiras. Esse valor mínimo depende da unidade da 
federação em que a seguradora esteja instalada, separando ainda uma 
parcela fixa e outra variável consideradas como mínimas. 
4. Índices financeiros específicos, com variáveis não aplicáveis a nenhuma 
outra atividade, como capacidade de cobertura para apólices, quantidade 
relativa de cosseguros e resseguros assinados, os quais mostram a saúde 
financeira de uma seguradora. 
FINALIZANDO 
Os aspectos contábeis de uma empresa de seguros são importantes tanto 
do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista estratégico, pois existem 
as normas aplicadas a todas as empresas presentes no mercado, mas há 
também as regras aplicáveis especificamente às seguradoras. 
Não somente as regras contábeis, mas também os índices econômico-
financeiros e as regulamentações sobre a formação do capital e os riscos que 
devem ser assumidos por uma seguradora são pontos importantes de serem 
aprendidos. 
Trabalhar com índices é uma tarefa árdua, que requer muito estudo e 
conhecimento do setor em que se trabalha, mas, uma vez que você esteja nesse 
mercado, é apenas uma questão de tempo para que esse conhecimento prático 
faça parte da sua rotina, ajudando-lhe no processo de gestão de uma empresa 
de seguros. 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar. Margem de solvência: 
introdução à discussão. Brasília: ANS, 2017. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/images/stories/Particitacao_da_sociedade/comissao_pe
rmanente_de_solvencia/material_de_apoio_introducao_margem_solvencia.pdf
>. Acesso em: 29 maio 2018. 
AZEVEDO, G. H. W. de. Seguros, matemática atuarial e financeira. 1. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2008. 
BRASIL. Lei n. 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades 
por ações. Diário Oficial da União, Brasília, p. 1, 17 dez. 1976. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 29 
maio 2018. 
CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados. Resolução n. 321 de 15 de 
julho de 2015. Dispõe sobre provisões técnicas, ativos redutores da necessidade 
de cobertura das provisões técnicas... Diário Oficial da União, Brasília, 17 jul. 
2015. Disponível em: < https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=287082>. 
Acesso em: 29 maio 2018. 
COSTA, R. Ciclo operacional. Videoexplicação. YouTube, 13 nov. 2009. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=NYO-ivVaBzU>. Acesso 
em: 29 maio 2018. 
FAGGION, F. Efeitos das regras de capital mínimo para as seguradoras. São 
Paulo: Siscorp Sistemas Corporativos, 2008. Disponível em: 
<https://capitalaberto.com.br/wp-
content/uploads/2012/05/Capital_Minimo_jul08.pdf>. Acesso em: 29 maio 2018. 
GOLDBERG, I. Direito de seguro e resseguro. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
(Série FGV Direito Rio). 
MELLO, E. D. et al. Alternativas para análise de risco e retorno dos ativos frente 
às necessidades de reservas atuariais e cobertura de passivos. Revista 
Brasileira de Previdência, São Paulo, 15 abr. 2014. Disponível em: 
<http://www.prev.unifesp.br/index.php/edicoes-anteriores/vol-3-novembro-de-
2014/38-risco>. Acesso em: 29 maio 2018. 
 
 
22 
MERCADO de seguros regulados pela Susep: desempenho em jan./dez. de 
2015. Tudo sobre Seguros, [2017?]. Disponível em: 
<http://www.tudosobreseguros.org.br/portal/pagina.php?c=1337>. Acesso em: 
29 maio 2018. 
POLIDO, W. Contrato de seguro: novos paradigmas. São Paulo: Roncarati,2010. 
SEGURADORAS divulgam resultados de 2016. Apólice, 9 fev. 2017. Disponível 
em: <http://www.revistaapolice.com.br/2017/02/seguradoras-divulgam-
resultados-de-2016/>. Acesso em: 29 maio 2018. 
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. 
São Paulo: Atlas: 1999. 
SINCOR-GO – Sindicato dos Corretores e das Empresas Corretoras de Seguros, 
de Capitalização, de Previdência Privada e de Resseguros no Estado de Goiás. 
Limites de retenção: Susep promove nova consulta. Goiânia, 2 set. 2013. 
Disponível em: <http://sincorgo.com.br/2013/09/02/susep-promove-nova-
consulta/>. Acesso em: 29 maio 2018. 
SOUZA, A. A.; SILVA, M. D. C. E.; LARA, C. O. Contabilidade de seguradoras: 
estudo comparativo entre as normas brasileiras e as normas internacionais. In: 
CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE, 18., 2008, Gramado. 
Anais... Gramado: Conselho Federal de Contabilidade, 2008. 
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. Circular n. 517 de 30 de julho 
de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, seção 1, p. 19, 11 ago. 2015. 
Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/circular-susep-517-
2015.htm>. Acesso em: 29 maio 2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO A ATUARIAL 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michael Dias Correa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A função de atuário, embora pouco conhecida no Brasil, apresenta alguns 
aspectos que elevam a sua importância para o desenvolvimento da nação, pois 
os atuários são responsáveis pela precificação dos seguros de qualquer 
natureza, além de calcularem os valores ligados à previdência, tanto à privada 
quanto à social. 
Para isso, a estatística é muito utilizada em qualquer ponto específico das 
ciências atuariais. Quando se imagina uma tábua de mortalidade ou de vida, por 
exemplo, que são bases para os pagamentos de indenizações de seguros de 
vida ou de pagamentos de benefícios previdenciários, nenhum valor pode ser 
definido sem o auxílio da estatística aplicada. 
Todas as variações de ditas tábuas ou tabelas são dependentes da 
estatística e, diferentemente do que se aprende em um curso regular, nas 
ciências atuariais elas são muito direcionadas para os produtos comercializados 
pelas empresas de seguros. 
CONTEXTUALIZANDO 
Já pensou em se aposentar? Quais são seus planos para o futuro? Para 
aquele futuro mais distante, o que eu quero dizer? Não pensando em profissão, 
mas em aspectos mais pessoais, como o ritmo de vida depois de 20 ou 25 anos 
de trabalho? 
Devemos ter um direcionamento muito definido e já construído em termos 
de aposentadoria. Isso porque, quanto menor o prazo para construção de uma 
reserva previdenciária, maiores serão os aportes financeiros necessários. 
Sabendo disso, as empresas de seguros buscam conscientizar os 
potenciais segurados mostrando-lhes dados de expectativa de vida crescente. 
Isso significa dizer que, se você não fizer nada pela sua aposentadoria, a 
tendência é que você viva mais tempo, mas com mais dificuldade financeira. 
Não seria muito mais interessante ter uma velhice mais longa, mas sem 
problemas sérios de ordem financeira? Uma aposentadoria digna não representa 
obter proventos milionários, mas o suficiente para bancar os custos de uma vida 
mais simples e menos demandante de recursos financeiros. Afinal de contas, os 
filhos já estarão criados, o imóvel já estará quitado e o carro não será uma 
necessidade tão grande, nem uma fonte de gastos. 
 
 
3 
Mas, para ter esse mínimo de dignidade, os serviços de uma empresa de 
seguros ou de previdência são essenciais e precisam ser buscados o quanto 
antes. 
Como cliente, você não precisa saber como calcular uma tábua de 
mortalidade, mas precisa saber que ela influencia nos valores que você pagará 
e que receberá no futuro. É sobre isso que nós vamos nos debruçar nesta aula: 
a influência da estatística e da matemática na vida das pessoas, mais 
especificamente nos seguros e na previdência. Vamos começar mais essa 
caminhada! 
TEMA 1 – A FUNÇÃO DE ATUÁRIO E A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA 
MATEMÁTICA ATUARIAL 
A função de atuário tem ligação direta com a evolução da matemática 
atuarial. Isso porque esse ramo específico da matemática suporta o atuário na 
tarefa de basear os cálculos realizados nos mais diferentes ramos possíveis para 
se trabalhar, que vão desde os seguros, passando pelo cálculo da expectativa 
de vida das pessoas, finalizando na previdência, seja ela social ou privada. É 
isso que nós vamos estudar neste tema. Vamos começar? 
1.1 A função de atuário 
Com o mercado de seguros em expansão no mercado brasileiro, 
expansão essa consolidada após a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a 
figura do atuário acabou por ganhar mais destaque se comparada com outras 
atividades. Vamos ver agora o que um atuário faz e quais são as suas 
responsabilidades. 
Você já deve ter feito uma pergunta para si mesmo(a), provavelmente 
antes de dormir, questionando-se sobre o que ocorrerá com você no momento 
da aposentadoria. Quanto você ganhará? O que e como você pode fazer para 
ganhar mais? Como é calculado o valor que você ganhará quando vier a se 
aposentar? Para todas essas perguntas há um profissional que pode ter as 
respostas: o atuário. 
Devemos admitir que a profissão não é das mais conhecidas pelos 
brasileiros em geral, mas é de extrema importância para o bom andamento dos 
mercados. Isso porque o atuário trabalha gerindo os riscos por meio da análise 
 
 
4 
das características gerais dos seguros e planos de previdência. Esses seguros 
podem ser tanto de curto quanto de longo prazos. 
Pela facilidade de trabalhar com números, também é um profissional 
muito requisitado para trabalhar no mercado financeiro e no mercado de capitais, 
podendo desempenhar atividades como consultor de empresas, em trabalhos 
mais específicos. 
O atuário tem todas as suas atividades desempenhadas em um ambiente 
que apresenta as incertezas de um mercado qualquer. Nos seguros, ele define 
a melhor quantia a se cobrar nos prêmios; na previdência, realiza a gestão de 
fundos de pensão. 
Por possuir uma formação sólida em matemática superior, ele calcula 
probabilidades de ocorrências de eventos que vão influenciar nos seguros e na 
previdência, como indenizações, benefícios, reservas técnicas, prêmios, além de 
avaliar os riscos de todas essas operações, definindo planos estratégicos de 
ação e políticas de investimento para a melhor utilização dos recursos 
financeiros por parte das empresas. 
A atuação de um atuário é predominantemente na área econômico-
financeira da sociedade e ele ficou mais conhecido por atuar no mercado de 
seguros desde a assinatura de uma apólice de seguros até a renovação por parte 
do cliente ou a sua liquidação, que pode ocorrer na situação de um sinistro. 
A profissão de atuário foi regulamentada em 3 de abril de 1970 por meio 
do Decreto no 66.408 (Brasil, 1970) e foi reconhecida pelo MEC no mesmo ano. 
Para ser considerado um atuário, o profissional precisa estar devidamente 
registrado junto ao Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), que é o órgão 
responsável pelo controle da profissão junto ao Ministério do Trabalho. 
Por mais que os profissionais tenham habilidades direcionadas para 
trabalhar com previdência privada e seguros, é o atuário o único profissional 
formado especificamente para atuar com seguros e previdência. Todo o 
conteúdo de matemática e estatística visto durante a graduação, aliado aos 
conteúdos de direito, administração, economia e contabilidade, deixam a sua 
formação bem sólida. É muito comum que os profissionais de atuária sejam 
convidados a trabalhar em empresas de auditoria justamente pelo perfil crítico 
que possuem, assim como pelos seus sólidos conhecimentos de matemática e 
estatística. 
Curiosidade 
 
 
5 
Para entender um pouco mais não somente a atividade do atuário, mas 
das ciências atuariais como um todo,que tal assistir ao vídeo Ciências atuariais: 
de onde vem, o que come, quais são seus hábitos (Econoweek, 2016)? 
1.2 A evolução histórica da matemática atuarial 
A matemática atuarial, por ser muito ligada às operações com seguros, 
também é conhecida como matemática dos seguros. Esse outro conceito é 
decorrente do foco que a matemática atuarial possui, direcionado aos cálculos 
específicos para avaliação de riscos e sistemas de seguros. 
Ela foi concebida no século XVII, no continente europeu, a partir da 
probabilidade identificada para os jogos de azar, mas vinculada à necessidade 
de haver um sistema com a capacidade de gerir os sistemas de previdência e de 
seguro, pois a sociedade começava a dar indícios de crescimento. 
Outros cálculos foram decorrentes da origem da matemática atuarial, 
como as tábuas de mortalidade e a teoria das anuidades, que consiste em 
pagamentos anuais vitalícios. À época, era chamada de anuidade de vida inteira. 
Atualmente, a previdência social herdou essas características, tal qual a 
previdência privada, desde que mantenha as características de planos de vida 
inteira. 
No século XVIII, a probabilidade acabou recebendo um impulso nas suas 
análises, conceitos e investigações, também como consequência da matemática 
atuarial, pois as fábricas já eram realidade nas cidades maiores, o que passou a 
demandar cálculos mais precisos sobre os riscos de acidentes de trabalho, 
afastamento e aposentadoria. 
Podemos dizer que a principal função da matemática atuarial, no âmbito 
da matemática geral, é a de, majoritariamente na área de seguros, calcular os 
riscos absorvidos para se assegurar determinado bem, identificando o valor de 
prêmio mais apropriado e justo para ambas as partes. 
Toda vez que você busca os serviços de um corretor de seguros ou de 
um banco comercial, você demanda serviços da matemática atuarial. Seja para 
calcular o valor justo para pagamentos do seu plano de previdência privada, de 
modo a garantir uma aposentadoria mais tranquila; ou simplesmente para deixar 
o carro segurado contra roubo, furto e incêndio, os cálculos vão considerar não 
somente os fatores objetivos, tais como valor do bem, tempo de uso e vida útil 
estimada, mas também fatores mais subjetivos. 
 
 
6 
E é exatamente isso que faz com que a matemática atuarial, embora se 
utilizando de conceitos das ciências exatas, seja uma ciência social, pois lida 
com o perfil dos consumidores juntamente com os valores matemáticos. O 
aspecto pessoal é único em cada seguro formalizado, fazendo com que o mesmo 
veículo, por exemplo, comprado no mesmo dia e na mesma loja, mesmo se 
contratado com a mesma empresa de seguros, possua valores de prêmios 
distintos, pois o perfil das pessoas que o contrataram é diferente. 
A tendência é que, por exemplo, um motorista com menos tempo de 
experiência comprovada na carteira de habilitação esteja mais propenso a sofrer 
um acidente de trânsito, mesmo que não queira, pois não possui horas de 
direção em número tão elevado quanto outra pessoa que já seja habilitada há 
mais de 30 anos. 
Isso não é uma garantia de não acidente para a pessoa habilitada há mais 
tempo, nem uma certeza de sinistro para o habilitado mais recente, mas são as 
probabilidades trabalhando em prol de uma precificação mais justa para ambos. 
Conforme o tempo for passando, esse habilitado com menos tempo ganhará 
experiência e pagará menos prêmio para ter o mesmo bem segurado. 
Aqui está uma das grandes diferenças da matemática atuarial para a 
matemática geral: ela não é tão lógica quanto parece. E é também por isso que 
ela faz com que a formação dos profissionais da área seja tão específica e 
direcionada, deixando-os com um conhecimento mais amplo e com maior poder 
de empregabilidade. 
Saiba Mais 
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 
(Dieese) publicou, em conjunto com outras entidades, um material muito rico 
falando exatamente sobre as inconsistências do modelo de previdência social do 
Brasil e a projeção para o ano de 2060. Com o envelhecimento da população, é 
interessante saber quais são as tendências de evolução da previdência social. 
Consulte esse material (Puty; Gentil, 2017). 
TEMA 2 – A ESTATÍSTICA E A CIÊNCIA ATUARIAL 
A ciência atuarial é muito dependente da estatística, embora esta não seja 
a prioridade absoluta nos trabalhos atuariais. De qualquer forma, além do perfil 
das pessoas e dos riscos apresentados, é primordial que a estatística seja bem 
 
 
7 
aplicada para que as ciências atuariais possam atingir o seu objetivo maior, que 
é a satisfação de ambas as partes: quem transmite o risco e quem recebe o risco. 
2.1 Não se confunde estatística com ciências atuariais 
Antes de qualquer análise, deve ficar claro que estatística não é a mesma 
coisa que ciência atuarial. Muita gente pode pensar que, por ser um atuário, a 
formação acadêmica de determinado profissional é a estatística. Não 
necessariamente. 
Um estatístico é formado para atuar de maneira mais ampla, podendo 
desempenhar estudos e pesquisas dentro de grandes empresas, em 
universidades ou trabalhar com consultorias específicas, de acordo com as 
necessidades de cada cliente contratante. No entanto, enquanto está no período 
de formação, o estatístico amplia mais o leque de conhecimentos com os quais 
ele tem contato, sendo consequentemente menos profundo o conhecimento de 
cada item estudado. 
Mudando a análise para o profissional graduado em ciências atuariais, a 
quantidade de conteúdos distintos ligados à estatística, em comparação com um 
profissional estatístico, é bem menor. Só que a profundidade e o direcionamento 
dado para o conhecimento da estatística são muito maiores para o profissional 
das ciências atuariais. Vejamos um exemplo simples. 
Um profissional da estatística, durante a sua formação, tem contato com 
os mais distintos tipos de regressão e combinação de valores na busca de 
relacionamentos entre variáveis distintas, como pode ser o caso de associação 
entre o hábito de fumar e a expectativa de vida. 
Para o profissional das ciências atuariais, o raciocínio e os objetivos são 
distintos. Ele não se preocupará especificamente com uma parte da população 
que fuma ou que faz exercícios físicos regularmente; ele se preocupará com o 
todo. Para definir o período de tempo em que alguém deverá contribuir para a 
previdência social, por exemplo, um atuário considera apenas a população 
economicamente ativa, não importando se ela é fumante, sedentária, instruída 
ou não. 
O fator primordial para o atuário é tratar toda a população como uma 
grande massa de estudo e análise, para tirar as conclusões que serão aplicadas 
a todos os indivíduos de uma sociedade. 
 
 
8 
Voltando o foco para os estatísticos, estes estão mais preocupados com 
desenvolver políticas específicas para aqueles que fazem pouca atividade física 
ou que fumam, pois o governo pretende, por exemplo, reduzir os gastos com 
internações devido a problemas cardíacos e pulmonares. Para isso, os 
estatísticos podem utilizar estudos e testes que identifiquem que aqueles que 
realizam menos atividades físicas e fumam estão mais propensos a utilizarem o 
serviço público de saúde. 
Evitando-se o fato que gerou a necessidade do uso, que é a atividade 
física reduzida ou o fumo em excesso, a tendência é que se gaste menos com a 
saúde desse grupo de indivíduos e mais leitos estejam liberados para 
acidentados, por exemplo. 
Outras políticas podem estar sendo desenvolvidas, ao mesmo tempo, 
para reduzir os acidentes de trânsito, de modo que se gastem menos recursos 
com deslocamentos de ambulâncias até os locais dos acidentes e também com 
internações. 
Mas é exatamente aqui que as duas áreas se juntam, pois as ciências 
atuariais não estão muito interessadas apenas na parcela de fumantes ou na 
parcela da população que realiza pouca atividade física. Mas, é dointeresse de 
um atuário ter conhecimento das estatísticas sobre acidentes de trânsito. Se são 
coletados, no momento de um acidente, o endereço de onde ocorreu, o local 
exato, o horário, o dia da semana, além de dados sobre o motorista ou os 
motoristas envolvidos no acidente, se houve vítimas fatais etc., com base nesse 
conjunto de dados específicos um atuário poderá identificar locais mais 
perigosos e locais que apresentem um menor risco, ou seja, uma menor 
probabilidade de ocorrência de sinistro. O que conseguimos notar é que um 
atuário depende dos dados gerais da estatística, os quais são gerados de 
maneira contínua e armazenados conforme a necessidade de cada usuário da 
informação. 
Como se define que uma cidade é mais perigosa do que outra? Por que 
em algumas atividades profissionais os indivíduos se aposentam com menos 
tempo de serviço e exigem um expediente de trabalho com carga horária 
reduzida? 
A resposta para todas as perguntas feitas no parágrafo anterior passa pelo 
uso da estatística geral e da estatística aplicada, esta última chamada de ciência 
atuarial. 
 
 
9 
Atualmente, é possível fazer um seguro de praticamente tudo. De um 
telefone celular, algo que se tornou tão importante quanto a própria roupa que 
vestimos, até as cordas vocais de um cantor famoso. Pode até parecer absurdo, 
mas, se há um interessado em repassar o risco de um sinistro e há, do outro 
lado, outro interessado em assumir o risco, existe a possibilidade de criação de 
uma apólice. Basta que se defina o valor do prêmio, e para isso os dados 
estatísticos são fundamentais. 
Curiosidade 
Você sabia que a profissão de atuário é uma das menos conhecidas no 
Brasil? Para comprovar isso, só indo para a rua e entrevistando as pessoas. No 
vídeo Mundo atuarial: versão 4 minutos você pode conferir o resultado dessa 
rápida pesquisa, além de descobrir mais alguns detalhes dessa profissão (Alan, 
2014). 
TEMA 3 – TÁBUAS DE MORTALIDADE 
A partir de agora nós vamos ver que as tábuas de mortalidade possuem 
importância em uma sociedade não somente para a sua utilização na definição 
de prêmios de seguros e para o planejamento de previdência, mas porque 
também servem como base para a definição das políticas públicas a serem 
implementadas em uma cidade, estado ou país. 
3.1 A importância das tábuas de mortalidade para uma sociedade 
É sabido que o aumento da expectativa de vida dos brasileiros tem 
afetado os hábitos de consumo e a forma como as próprias empresas passaram 
a oferecer certos serviços para parcelas distintas da sociedade. Na década de 
1990, além de a situação financeira do Brasil não ser estável, havia uma 
expectativa de vida mais baixa, o que fazia com que a terceira idade não tivesse 
tanta importância assim no planejamento das empresas. 
Hoje em dia, há programas e pacotes específicos de viagem, por exemplo, 
para pessoas idosas, o que atesta essa mudança de parâmetros e a emergência 
de um novo perfil de consumidor: aquele que já se aposentou. Mas, não foi 
apenas um novo nicho de mercado que surgiu com o aumento da longevidade 
dos brasileiros. A tábua de mortalidade precisou ser completamente revista, 
independentemente do interesse direto que ela tivesse. 
 
 
10 
Entre os anos de 2000 e 2010, por exemplo, houve um aumento na 
expectativa de vida média dos brasileiros de quase quatro anos, o que aumenta 
a dificuldade dos profissionais para garantirem valores acumulados que sirvam 
durante todo o período de aposentadoria até a morte da pessoa, fazendo com 
que a vida acabe antes e não o dinheiro. É exatamente esse déficit que se busca 
evitar e as entidades que administram planos de pensão e de aposentadoria 
estão se atualizando a cada dia que passa. 
Indiretamente, o aumento na expectativa de vida se transformou em fator 
de alto risco para o negócio previdenciário. Nesse sentido, as tábuas de 
mortalidade surgem como um diferencial no negócio, medindo os riscos na 
definição de quanto tempo cada segurado receberá o benefício. Elas identificam 
as probabilidades tanto de vida quanto de morte de uma determinada população, 
de acordo com as idades que essa população compreende. 
Agora a gente começa a verificar a ligação entre o valor a ser recebido de 
aposentadoria e a tábua de mortalidade. Ela não é a única, mas é uma das 
referências utilizadas para o cálculo dos benefícios a serem pagos em virtude da 
aposentadoria dos trabalhadores. E a ideia da tábua de mortalidade não é fazer 
o dinheiro sobrar e, sim, ser o mais eficiente possível com relação à disposição 
dos recursos financeiros para os cidadãos. 
Vejamos uma situação hipotética: quando você estiver prestes a se 
aposentar, você terá uma quantidade calculada de recursos financeiros 
acumulados durante os tempos de trabalho. Para a determinação do valor do 
benefício a ser pago a você a título de aposentadoria, um atuário será o 
profissional responsável por calcular os valores a serem pagos, de forma que 
eles não terminem enquanto o beneficiado ainda estiver vivo; mas também não 
fará um cálculo tão conservador a ponto de que o beneficiado morra e ainda 
possua uma grande quantia de dinheiro disponível. A ideia é que o dinheiro nem 
sobre nem falte, considerando, é claro, a morte natural dos beneficiados, não 
associada a acidentes ou ocorrências inesperadas. Para isso, deve-se 
complementar a cobertura com um seguro de vida. Na tábua de mortalidade, 
tanto as expectativas de morte quanto de vida estão definidas, de modo que o 
direcionamento do trabalho do profissional atuário seja único. 
Curiosidade 
Você sabia que, para se definir o fator previdenciário, que é utilizado para 
a determinação dos valores das aposentadorias da previdência social por tempo 
 
 
11 
de contribuição, utiliza-se a tábua de mortalidade do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE)? O texto Aposentadoria: tábua de mortalidade do 
IBGE altera cálculo do fator previdenciário mostra como os valores são 
calculados e os impactos que eles produzem nas vidas das pessoas (Secretaria 
de Previdência, 2016). 
3.2 A evolução na construção de uma tábua de mortalidade 
Nós já sabemos o que são tábuas de mortalidade, aquelas utilizadas pelos 
profissionais atuários na determinação de valores a serem pagos para os 
membros da sociedade. O termo tábua é uma tradução, que passou a ser 
largamente utilizada, do termo originalmente desenvolvido em inglês, table, que 
tem uma tradução mais utilizada como tabela, o que seria mais lógico em se 
tratando do uso das informações. 
No entanto, é o que existe e o que se tem de referência em termos 
atuariais, para o trabalho profissional. E as suas origens datam de 1663, quando 
John Gaunt e William Pett receberam dados de Londres relativos a mortes 
ocorridas. Só que os dados não eram tão precisos e não especificavam a idade 
na hora da morte da pessoa, por exemplo. Outro problema de Londres é que 
havia uma quantidade relativamente grande de população migratória e em 
expansão. 
Mas, 30 anos depois, em 1693, um renomado astrônomo, físico e 
matemático chamado Edmond Halley desenvolveu um excelente trabalho nas 
ciências atuariais, trabalho esse que é pouquíssimo lembrado, haja vista que tal 
astrônomo é muito mais conhecido por ter calculado sozinho a chegada do 
cometa que ganhou o seu nome. 
No entanto, Halley acabou por revolucionar não apenas a astronomia, 
mas também a demografia ao conceber a primeira tabela de mortalidade 
totalmente baseada em dados demográficos mais precisos que a anterior. Essa 
tabela foi chamada de tabela da vida. 
Embora não seja exatamente conhecido como tudo foi feito, Halley teve 
acesso aos dados demográficos de uma cidade chamada de Breslaw, que hoje 
fica na Polônia e se chama Wroclaw. Esses dados eram recheados de 
informações úteis, tais como os nascimentos e as mortes registrados nos últimos 
cinco anos, na cidade. Tendo esse conjunto deinformações, o cientista 
desenvolveu a tabela da vida, evidenciando a probabilidade de morte de acordo 
 
 
12 
com cada faixa etária, o que se tornou referência histórica para os cálculos 
atuariais, principalmente aqueles associados à definição de rendas vitalícias, os 
quais têm como base os dados atualizados da tabela criada por Halley. 
Saiba Mais 
Você sabia que o cálculo de aposentadoria no Brasil é realizado pela 
Previdência Social e possui como referência o cálculo histórico da tábua da vida 
de Halley? Há um material do IBGE bem completo e que apresenta a 
metodologia aplicada no cálculo da aposentadoria de todos os brasileiros 
(Castro, 2015). É uma ótima leitura! 
TEMA 4 – VIDA MÉDIA COMPLETA 
As tábuas de vida média completa também são chamadas simplesmente 
de tábuas de vida, muito utilizadas pelas empresas de seguros e de previdência. 
Já outras ocorrências, como a suavização e a tábua intergeracional, buscam a 
adequação à realidade dos mais diversos lugares e suas populações. É o que 
nós veremos neste tema! 
4.1 Tábuas de vida atuarial 
As tábuas de vida atuarial são aplicadas não somente pelo setor público 
de uma sociedade, mas também pelo setor privado no cálculo de probabilidades 
de vida e morte em função da idade. Elas realizam a análise demográfica com 
base em um modelo tabular validado e assim os estudos demográficos ganham 
em efetividade, servindo também de referência para a definição de políticas 
públicas. 
Os censos são a principal matéria-prima para a produção das tábuas de 
vida atuarial, além de dados de outras entidades oficiais. Dados de registros 
civis, livros de batismo e livros de enterros e também a experiência adquirida 
pelas empresas gestoras de fundos de pensão e de seguros de vida ajudam a 
aumentar a qualidade das informações geradas. 
Quanto mais apurados forem esses dados, mais precisas serão as 
projeções realizadas em relação à probabilidade de sobrevida e de morte de uma 
parcela da população, tendo a sua idade como referência. 
E como isso ocorre, na prática, com relação à assinatura de um seguro 
de vida, por exemplo? Vamos imaginar a seguinte situação: você tem 30 anos e 
 
 
13 
precisa contratar um seguro de vida para garantir a tranquilidade financeira de 
sua família, caso você venha a faltar. Quando você toma tal decisão, você 
transfere o risco da morte para a seguradora e ela cobrará o prêmio baseado na 
sua expectativa de vida. 
No Brasil, há expectativas de vida locais e uma expectativa de vida geral, 
em que é tirada a média para todo e qualquer brasileiro. Mas é fácil de se 
identificar que as empresas de seguros de vida não utilizarão a tabela nacional, 
pois particularidades de uma ou de outra cidade ficarão de fora. Para um cálculo 
mais preciso, é necessário que se obtenham mais dados acerca do local em que 
vive o futuro segurado e de alguns aspectos da vida cotidiana que ele leva. 
Não seria justo, por exemplo, que se cobrasse um prêmio de seguro de 
vida no mesmo valor de duas pessoas distintas, embora com a mesma idade, 
mas se uma desempenhasse a função de professora e a outra desempenhasse 
atividades profissionais como policial militar. A probabilidade de o segundo não 
atingir o máximo da expectativa de vida é muito maior do que a pessoa com 
mesma idade, que seja professora. 
E é por isso que os detalhes pessoais são tão importantes, pois fazem 
com que a cobrança seja mais justa para todos. Tanto para o policial, que, pela 
atividade que desempenha, apresenta um risco maior para a seguradora, quanto 
para o professor, que, no desempenho de uma atividade com baixo risco à vida, 
terá um valor de prêmio a pagar menor que o policial. 
Outros fatores são considerados, tais como endereço de residência, local 
de trabalho e modo de deslocamento, entre outros. Complementando, se o 
professor viver em uma área muito violenta, ou seja, que apresente altos índices 
de criminalidade, também apresentará um risco maior de não atingir a 
expectativa de vida média da população em geral. Considerando essa situação, 
o prêmio cobrado pela seguradora tenderá a ser maior também para o professor 
em decorrência dos níveis de criminalidade apresentados pelo local em que ele 
vive. 
Curiosidade 
O texto Como calcular o seguro de vida e a importância de ter um (2016) 
é uma ótima fonte de conhecimento sobre o cálculo do seguro de vida que é 
oferecido pelas instituições presentes em nosso país. São considerados, além 
da cobertura pretendida e da idade do futuro segurado, seus fatores pessoais e 
o estado geral de saúde que ele apresenta. 
 
 
14 
4.2 Suavização e tábua intergeracional 
Como podemos constatar simplesmente verificando o que ocorre em 
nossas famílias, hoje em dia se vive muito mais do que se vivia há 10 anos atrás. 
Da mesma forma que se vivia muito menos há 20 anos atrás e a tendência é de 
que, daqui a 10 anos, se viva mais do que se vive atualmente, pelo menos em 
termos de expectativa média de anos a serem vividos. 
Esse fator faz com que os trabalhos das empresas que se utilizam das 
tábuas de vida sejam constantemente reavaliados, pois um cálculo efetuado de 
maneira equivocada provoca cobranças injustas, que podem fazer com que um 
segurado pague menos ou mais para ter um mesmo direito. O ideal é que sempre 
se cobre o valor justo, de acordo com a cobertura acordada entre as partes 
celebrantes. 
As empresas de seguros e de previdência, principalmente as privadas, 
tendem a utilizar o que se chama de suavização em relação aos valores 
constantes nas tábuas de vida e de morte, tudo isso com o objetivo de fazer com 
que os efeitos do aumento da expectativa de vida sejam reduzidos por causa da 
redução de mortes. 
Vários são os fatores que fazem parte dessa suavização e a referência é 
a idade-raiz. Entre eles estão o número de pessoas no início da idade e que 
faleceram ao longo da idade, a probabilidade de uma pessoa com uma idade 
qualquer morrer antes da idade. 
Ainda há a discriminação por meio de gênero, consumo ou não de tabaco, 
classe social, histórico de saúde, dentre outros elementos. Quanto mais detalhes 
forem coletados, melhor e mais justa serão a análise do perfil e a definição do 
valor do prêmio a ser cobrado dos futuros segurados. 
Outro ponto a ser considerado em um cenário de aumento continuado da 
expectativa de vida é a tábua intergeracional, também chamada de tábuas 
geracionais, adequando-se às diferentes gerações em termos de expectativa de 
vida e de morte. Isso permitiu que fossem desenvolvidas tábuas mais 
apropriadas, sendo diferenciadas entre si pelo ano de nascimento de cada 
indivíduo em questão. 
Essas tábuas avaliam de maneira mais precisa tanto a mortalidade quanto 
a sobrevivência, avaliando de maneira antecipada os efeitos do aumento da 
expectativa de vida da população. Esse aumento é uma resposta natural à 
 
 
15 
evolução tecnológica, o que melhorou as condições de vida dentro das 
residências, oferecendo às pessoas mais conforto e diminuindo a necessidade 
de esforços físicos mais pesados. Se, por um lado, a expectativa de vida 
aumentou pela redução do esforço físico, por outro o aumento de tipos de 
doença antes inexistentes também foi consequência do aumento do 
sedentarismo das pessoas. 
Curiosidade 
Os jovens são os mais prejudicados pela evolução da tecnologia e a 
expectativa de vida deles, em comparação com algumas gerações mais antigas, 
vêm apresentando queda. Isso é consequência dos maus hábitos que lhes são 
incutidos desde a infância. Veja a reportagem reproduzida do programa 
televisivo Hoje em Dia (Misturanet, 2012) e verifique se a sua infância foi da 
forma como narrada pela matéria. 
TEMA 5 – TÁBUAS DE COMUTAÇÃO 
As tábuas de comutação são produtos de uma tábua de mortalidade 
qualquer, mas dependem adicionalmente de um fator de descapitalização dos 
recursos e da taxa de juros definida para os contratos. Vamos ver agoraas 
situações em que a tábua de comutação pode ser aplicada. 
5.1 As características das tábuas de comutação 
As tábuas de comutação são compostas de dados referentes às funções 
de sobrevivência, de morte e de número descontado de sobreviventes. Existe a 
possibilidade de uma mesma tábua de mortalidade originar diversas tábuas de 
comutação, desde que se altere a taxa de juros aplicada como referência. 
Como as tabelas de comutação são diversas, podemos ter inúmeras 
como referências para a definição de coberturas de um seguro qualquer. Para 
compreendermos melhor os detalhes das tábuas de comutação, vamos imaginar 
duas tabelas, uma considerando a idade de 80 anos e a outra considerando a 
idade de 90 anos como expectativa de vida dos indivíduos. 
O que ocorre na prática é que, quando for necessário se calcular seguros 
que estejam relacionados a rendas dos indivíduos e o evento ocasionador do 
benefício para o segurado for a sobrevivência, sempre a tabela a ser utilizada 
será aquela em que tiver evidenciada a maior expectativa de vida. Nesse 
 
 
16 
exemplo, a tabela a ser utilizada é a de 90 anos. Aqui, o risco da empresa de 
seguros está no fato de subestimar a sobrevivência do segurado. Analisando o 
caso de um segurado com 50 anos, ela se programa para realizar pagamentos 
durante o período de 40 anos, ou seja, até ele alcançar os 90. 
Esse raciocínio é bem simples, pois parte do conservadorismo financeiro 
que deve ser seguido por parte de qualquer entidade empresarial, que não deve 
estimar suas obrigações futuras com base em um período menor, quando há 
uma alternativa maior. São duas possibilidades: ela pode esperar pagar até os 
80 anos do segurado ou até os 90 anos. Se ela se programa para pagar até os 
80 e o segurado vive até os 90, já está configurado o desfalque financeiro. Mas, 
se ela se programa para pagar até os 90 anos do segurado e ele vive apenas 
até 80, há uma folga financeira de 10 anos para a empresa de seguros. 
O mesmo raciocínio deve ser seguido quando se tratar de benefício em 
caso de morte do segurado, mas de maneira invertida. Pensando na mesma 
situação de conservadorismo, uma empresa de seguros tem duas alternativas 
para analisar: o caso de o segurado com 50 anos morrer com 90 anos ou morrer 
com 80 anos. Pensando assim, a empresa de seguros deve se preparar para 
desembolsar os valores antes, ou seja, no intervalo de 30 anos, quando o 
segurado completar o máximo da expectativa de vida da tabela que apresentar 
a menor das duas expectativas. 
A ideia de serem seguidos esses raciocínios distintos para os casos de 
seguros de benefícios em vida e de indenizações por morte para os segurados 
tem um objetivo simples e claro: evitar problemas financeiros para as 
seguradoras no longo prazo, problemas esses que poderiam vir a gerar a quebra 
das empresas, caracterizada pela sua falência, o que prejudicaria não apenas 
determinado segurado em específico, quer seja de vida ou de morte, mas todos 
os segurados de uma empresa. 
Essas são as chamadas comutações de sobrevivência e as comutações 
de morte, as quais devem ser utilizadas de acordo com a referência de cada 
empresa de seguros. No Brasil, quem exerce a regulamentação específica 
dessas empresas são a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e o 
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), organismos governamentais 
muito claros em relação aos procedimentos que adotam. 
Saiba Mais 
 
 
17 
Os death bonds são títulos associados a seguros de vida, mas em que os 
titulares podem receber a indenização ainda em vida. Sim, isso existe e pode ser 
visto com mais detalhes no artigo Uma análise econômico-atuarial dos death 
bonds publicado pela Revista Brasileira de Economia (Carvalho; Afonso, 2012). 
Não deixe de ler! 
TROCANDO IDEIAS 
As tábuas de referência sempre foram a base para a definição das 
indenizações dos seguros, tanto os ligados à morte quanto os ligados à entrega 
de benefícios ainda em vida, como é o caso da previdência privada. 
Pensando exclusivamente na criação das tabelas, os dados que as 
compõem são todos ligados a nascimentos, mortes e às quantidades de 
ocorrências associadas a tais fatores. Com base nesses pressupostos de 
operacionalização, deixe seu comentário em um fórum que trata sobre o seguinte 
assunto: você acha justo que, além dos dados de nascimento e morte de 
determinada população, outros fatores sejam utilizados pelas seguradoras para 
definir quem paga mais ou menos para contratar um seguro de vida? Deixe seus 
comentários com justificativas para que todos possam ver o seu posicionamento 
sobre essa questão. 
NA PRÁTICA 
A confecção e a utilização das tábuas de mortalidade e de vida fazem 
parte da rotina de qualquer empresa de seguros. No entanto, a sua gestão é um 
processo complicado, pois a expectativa de vida das sociedades, principalmente 
das mais desenvolvidas, está em constante aumento. 
Países como o Japão, por exemplo, possuem altíssima expectativa de 
vida, fazendo com que as seguradoras tenham sérios problemas no momento 
de negociar um seguro de benefícios previdenciários em países como aquele. 
No Brasil, embora a expectativa de vida seja menor, por uma série de 
fatores, ainda assim não para de aumentar, ano após ano, pela evolução 
tecnológica e pela maior preocupação em deixar os níveis de qualidade de vida 
mais elevados. 
Mesmo assim, as empresas de seguros são rentáveis no Brasil e têm 
atraído grandes corporações internacionais para investimentos em terras 
 
 
18 
nacionais. Com base nessa situação mais ampla, quais são os aspectos que 
devem ser considerados por uma empresa para aventar a possibilidade de 
colocação de novos produtos no mercado? Um exemplo é a inserção de novas 
modalidades de previdência privada, como é o caso da renda vitalícia, da renda 
temporária, da renda temporária com herdeiros etc. 
Passos para a resolução do problema 
Devemos ter informações atualizadas sobre o mercado em que 
pretendemos entrar ou aumentar nossa participação. Em locais com altos 
índices de roubos e furtos residenciais, por exemplo, normalmente não se 
oferece seguro residencial como bônus para os segurados. Isso já é mais comum 
em locais com menor incidência daqueles sinistros. 
Da mesma forma, a indivíduos que exercem certas atividades 
profissionais não são vendidos seguros de acidentes profissionais ou de 
responsabilidade civil, o que diminui os riscos assumidos pelas seguradoras. 
Essa prática efetivamente possui o potencial de aumentar os ganhos das 
seguradoras, tornando os seus negócios mais viáveis, no longo prazo. 
Resolução do problema 
Além do uso das tábuas de mortalidade, é imprescindível trabalharmos 
com dados estatísticos atualizados de saúde, segurança pública, saneamento 
básico etc. Todas essas informações contribuem para que as empresas de 
seguros possam identificar os seus potenciais de maneira mais ampla, tornando 
as suas atividades viáveis e os preços dos prêmios praticados, mais justos. 
A ideia de oferecer apenas serviços mais interessantes para as próprias 
seguradoras é uma estratégia de mercado. Assim como lojas de departamentos 
não vendem casacos e jaquetas em locais geograficamente mais quentes, as 
seguradoras também não oferecerão alguns tipos de seguros para algumas 
parcelas da população, e a identificação dessas situações é de inteira 
responsabilidade das próprias empresas de seguros. 
FINALIZANDO 
Conseguiu identificar o quão importante é saber conteúdos de caráter 
estatístico e matemático, na área atuarial? Agora você sabe o quanto a 
 
 
19 
expectativa de vida influencia os gastos que você precisa ter para garantir uma 
boa aposentadoria. 
Além de conhecimentos específicos atuariais, conseguimos identificar um 
conjunto de fatores, mesmo não atuariais, que fazem uma enorme diferença nas 
vidas de todos os indivíduos, pois podem proporcionar que a velhice das pessoas 
sejamais tranquila ou mais penosa. 
Viu como a estatística e a matemática, não necessariamente, são 
conhecimentos que nunca serão aplicados em nossas vidas cotidianas? Agora 
que você já tem tais conhecimentos, use-os de maneira sábia, tanto de maneira 
teórica quanto prática! 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
ALAN, C. Mundo atuarial: versão 4 minutos. YouTube, 12 ago. 2014. Disponível 
em: <https://www.youtube.com/watch?v=eueBvhn2eUs>. Acesso em: 29 maio 
2018. 
AZEVEDO, G. H. W. de. Matemática financeira e atuarial: noções aplicadas ao 
seguro. Rio de Janeiro: Funenseg, 2005. 
_____. Seguros, matemática atuarial e financeira. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 
2008. 
BRASIL. Decreto n. 66.408 de 3 de abril de 1970. Dispõe sobre a 
regulamentação do exercício da profissão de Atuário, de acordo com o Decreto-
Lei nº 806, de 4 de setembro de 1969. Diário Oficial da União, Brasília, p. 2.537, 
6 abr. 1970. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1970-
1979/d66408.htm>. Acesso em: 29 maio 2018. 
CARVALHO, J. V. de F.; AFONSO, L. E. Uma análise econômico-atuarial dos 
death bonds. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 66, n. 2, p. 
187-206, abr./jun. 2012. Disponível em: 
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/download/3589/2652>. 
Acesso em: 29 maio 2018. 
CASTRO, L. G. de. Nota técnica sobre a metodologia adotada pelo Ministério da 
Previdência Social na extrapolação das tábuas de mortalidade IBGE para as 
idades acima de 80 anos. Ministério da Previdência Social: site institucional, 
Brasília, 1 jun. 2015. Disponível em: <www.previdencia.gov.br/wp-
content/uploads/2015/06/NOTA-TECNICA-ATUARIAL-EXTRAPOLACAO-DA-
TABUA-IBGE-MPS.pdf>. Acesso em: 29 maio 2018. 
COMO CALCULAR o seguro de vida e a importância de ter um. Compara Online 
Blog, 17 nov. 2016. Disponível em: 
<https://www.comparaonline.com.br/blog/seguros/seguro-de-
vida/2016/11/como-calcular-o-seguro-de-vida-e-importancia-de-ter-um>. 
Acesso em: 29 maio 2018. 
ECONOWEEK. Ciências atuariais: de onde vem, o que come, quais são seus 
hábitos. YouTube, 27 jun. 2016. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=rTerd608FiM>. Acesso em: 29 maio 2018. 
 
 
21 
GOLDBERG, I. Direito de seguro e resseguro. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
(Série FGV Direito Rio). 
MISTURANET. Hoje em Dia: pesquisa revela que crianças e jovens sedentários 
têm a expectativa de vida reduzida. YouTube, 9 nov. 2012. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=4jVQjURFG6A>. Acesso em: 29 maio 2018. 
POLIDO, W. Contrato de seguro: novos paradigmas. São Paulo: Roncarati, 
2010. 
PUTY, C. A. C. B.; GENTIL, D. L. (Org.). A Previdência Social em 2060: as 
inconsistências do modelo de projeção atuarial do governo brasileiro. Brasília: 
Anfip; Dieese; Plataforma Política Social, 2017. Disponível em: 
<https://www.dieese.org.br/evento/2017/aPrevidenciaSocialEm2016.pdf>. 
Acesso em: 29 maio 2018. 
SECRETARIA DE PREVIDÊNCIA. Ministério da Fazenda. Aposentadoria: 
tábua de mortalidade do IBGE altera cálculo do fator previdenciário. Brasília, 1 
dez. 2016. Disponível em: < 
http://www.previdencia.gov.br/2016/12/aposentadoria-tabua-de-mortalidade-do-
ibge-altera-calculo-do-fator-previdenciario/>. Acesso em: 29 maio 2018. 
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. 
São Paulo: Atlas, 1999. 
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO A ATUARIAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michael Dias Correa 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nas nossas vidas sempre estamos preocupados com o futuro. Seja o 
próprio futuro, seja o futuro da família e dos amigos. É normal que nos 
preocupemos com o que acontecerá em 10, 20 ou 30 anos a partir da data 
presente. 
No entanto, não podemos nos esquecer de que devemos trabalhar no 
"hoje", mesmo que com um objetivo maior no "amanhã". Parte desse trabalho 
nos dias atuais passa pela assinatura de contratos de seguro, os quais 
transferem riscos pessoais para empresas seguradoras, garantindo a 
tranquilidade dos segurados e dos seus parentes a partir do momento presente. 
Sejam seguros individuais, sejam coletivos, os seguros de pessoas são 
largamente comercializados em todo o país e devemos saber os detalhes sobre 
eles para evitar que erros em sua contratação sejam cometidos. 
CONTEXTUALIZANDO 
Não importa a sua idade, com certeza você já fez parte de alguma apólice 
de seguro, mesmo que indiretamente. Por que eu escrevi que "com certeza"? 
Você já esteve coberto por um seguro desde que você nasceu? A resposta a 
essa pergunta é relativamente simples. 
O Brasil é um dos únicos países no mundo em que existe um seguro para 
pessoas obrigatório, que é o seguro veicular, conhecido como DPVAT. Ele 
garante a cobertura contra morte, invalidez, entre outros aspectos, de todos os 
passageiros de um veículo, que tenham realizado o pagamento ou não, pois 
recai sobre o proprietário e faz a cobertura de todos os passageiros. 
Dessa forma, foi escrito com certeza logo na primeira linha, pois é quase 
certo que você tenha saído do hospital em que você nasceu dentro de um 
veículo, sem contar aqueles casos mais raros em que a pessoa já nasce dentro 
de um veículo a caminho do hospital. Pode-se dizer que essa pessoa já nasceu 
segurada! 
O raciocínio é esse e nos acompanha durante toda a nossa vida. 
Devemos sempre estar segurados. Fazemos isso instintivamente, pois se 
estudamos para uma prova, estamos fazendo um "seguro de aprovação", pois é 
muito improvável que quem estuda para uma prova não passe. 
 
 
3 
Com nossos bens e nossa vida, podemos pensar igual: se eu contratar 
um seguro para garantir minha renda, é como se eu estivesse estudando para 
fazer uma prova. O "estudar" é o processo de montagem da reserva financeira 
e a "prova" é a aposentadoria, considerando a garantia de rendas, ou a 
indenização em caso de morte, no caso do seguro de vida. 
Agora, vem a pergunta que não quer calar: você já começou a "estudar" 
para a sua "prova" da vida? Não corra o risco de ser "reprovado", pense no futuro 
hoje. 
TEMA 1 – CÁLCULO DE SEGURO DOTAL 
O seguro dotal, conforme o próprio nome indica, está relacionado a dote 
e possui a característica de ser um produto mesclado de vida com previdência, 
o que aumenta sua visibilidade. Vamos estudá-lo neste tema. 
1.1 Características e cobertura básica 
O seguro dotal está relacionado ao pagamento de um valor, o qual é 
chamado de dote, para o caso de um segurado sobreviver durante um período 
determinado de anos. O que ocorre, na prática, é que os segurados formam um 
grupo, que é o fundo dotal, pagando um prêmio único e, no período de anos 
determinado no contrato, as pessoas passam a receber a quantia acordada 
como seguro. 
Esse seguro não é um seguro de vida nem é um seguro de previdência; 
é uma mistura dos dois. Ele é uma alternativa para os segurados que querem 
manter todos os itens securitários em apenas um instrumento, sem a 
necessidade de ter duas preocupações distintas: vida e previdência. 
Por se tratar de um tipo de seguro com maior nível de sofisticação, acaba 
sendo voltado para um público-alvo mais direcionado. Também chamado de 
seguro dotal puro, ele prevê a garantia de indenização caso o segurado siga 
vivo. Por exemplo, uma pessoa faz a contratação quando tem 30 anos de idade 
de tal apólice por 30 anos. No momento em que completar 60 anos de idade, 
retira todo o dinheiro acordado no contrato. Mas se o segurado vier a falecer 
antes de completar os 60 anos de idade, o montante fica com a empresa 
seguradora. 
 
 
4 
O seguro dotal é diferente do seguro dotal misto, o qual será visto mais 
adiante e, por não oferecer qualquer benefício no caso da morte prematura do 
segurado, possui valores de prêmio inferiores, o que atrai muitos interessados 
em contratar tal segurança. 
O seguro dotal também pode ser contratado na modalidadecriança, ou 
seja, um responsável pode contratar para um filho com o objetivo de garantir os 
estudos ou qualquer outro suporte financeiro que julgar necessário. Nesse caso, 
o benefício é recebido pela criança quando o contrato chegar ao fim. A diferença 
entre o dotal puro é que mesmo que o titular da apólice tiver falecido ou 
apresentar invalidez permanente durante o período de vigência da apólice, a 
criança ainda sim fará jus ao recebimento do valor ao final do período. 
Planos como o seguro dotal puro são sempre comercializados pelas 
empresas seguradoras como produtos de benefício definido. Embora possa ter 
um terceiro definido como beneficiário, caracteriza-se como um seguro 
individual, avaliando características únicas do beneficiário que o contratar. 
Saiba mais 
 Para entender um pouco mais sobre o seguro de vida resgatável, o qual 
tem dote relativo ao seu momento de resgate, assista ao vídeo a seguir. 
O QUE é Seguro de Vida Resgatável. FranklinSeg Corretora de Seguros, 
17 nov. 2016. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=b8FgdWyNDWY>. Acesso em: 3jul. 
2018. 
1.2 Como se calcula o valor do seguro dotal 
Conforme foi visto no tema anterior, o seguro dotal possui a característica 
de fornecer um dote para a pessoa segurada apenas em caso de sobrevivência 
após o período do seguro. Para que seja calculado o valor do seguro, deve-se 
formar um grupo de pessoas com interesses idênticos e que paguem um prêmio 
único e puro. 
Esse prêmio único e puro estará vinculado à apólice e estabelecerá o 
momento em que as pessoas seguradas receberão a quantia acordada. Do 
ponto de vista da empresa seguradora, alguns procedimentos são necessários 
para que se possa calcular corretamente o valor do seguro dotal. Vamos conferi-
los com um pouco mais de detalhes a partir de agora. 
 
 
5 
Inicialmente, as empresas seguradoras devem igualar as receitas e as 
despesas previstas para o contrato todo, considerando todos os integrantes do 
grupo formado. É necessário que seja trazida para uma data inicial, chamada de 
data focal zero, sendo descapitalizado o valor segurado tantos anos quanto 
forem os estabelecidos na apólice. 
Exemplificando: se foi combinado que em 25 anos seria paga a quantia 
de R$ 300 mil para cada segurado componente do grupo que forma o seguro 
dotal, esse valor deve ser descapitalizado os mesmos 25 anos, ou seja, trazido 
para a data atual. Para isso, deve ser utilizada uma tábua de comutação válida 
para ser considerada a taxa de juros correspondente à valorização esperada até 
o fim dos 25 anos. 
Se nessa situação a tábua de comutação identificar uma taxa de juros de 
5% anuais, deve ser descapitalizado o valor total de R$ 300 mil por 25 anos a 
uma taxa de juros anuais de 5%. 
O seguro dotal possui uma série de vertentes e essa forma de cálculo 
apresenta a situação de um segurado que tenha optado por receber todos os 
recursos ao final da vigência da apólice e exclusivamente na situação de ter 
sobrevivido ao tempo. Mas há casos em que uma pessoa pode pagar um prêmio 
para receber determinado valor de maneira vitalícia ou por intervalo 
predeterminado de tempo. 
Por exemplo, pode ficar acordado que o recebimento será apenas durante 
10 ou 20 anos a partir do momento do início do direito aos recebimentos, não 
havendo recebimento integral. No entanto, tais circunstâncias não são 
consideradas seguros dotais puros, mas serão analisadas ainda nesta aula. 
Saiba mais 
 Atualmente, há vários seguros de vida resgatáveis no mercado brasileiro. 
Leia, no texto a seguir, algumas explicações adicionais sobre a 
importância e o funcionamento dele. 
NIGRO, T. O que é e como funciona o seguro de vida resgatável? 25 out. 
2016. Disponível em: <http://oprimorico.com.br/seguros/o-que-e-como-
funciona-seguro-de-vida-resgatavel>. Acesso em: 3 jul. 2018. 
 
 
 
6 
TEMA 2 – CÁLCULO DE RENDAS ANUAIS 
As rendas anuais têm feito cada vez mais parte dos planos dos brasileiros 
que pensam em manter o mesmo nível de vida durante a aposentadoria que 
tinham em seu período laboral. Mas nem todas as formas de obtenção de rendas 
anuais têm as mesmas características. Vamos verificar isso a partir de agora! 
2.1 Tipos de rendas anuais 
As rendas anuais, de maneira adicional ao fato de proporcionarem renda 
para aqueles que se planejaram e fizeram suas economias financeiras durante 
o período laboral, possuem alguns tipos distintos, variando de acordo com as 
necessidades identificadas de cada indivíduo. 
Conceitualmente, elas podem ser definidas como imediatas ou diferidas, 
temporárias ou vitalícias e antecipadas ou postecipadas. O procedimento acaba 
sendo o mesmo realizado previamente para o seguro dotal, quando as receitas 
e as despesas são igualadas e os valores distintos de rendas anuais a serem 
oferecidos devem ser trazidos ao tempo presente, data chamada de data focal 
zero. 
Para cada tipo de renda anual escolhida pelo segurado, há um cálculo 
específico a ser realizado pela empresa de seguros. E a maneira correta de 
trazer os valores para a data focal zero, que é o tempo presente, é com a 
utilização de tábuas de comutação. 
Curiosidade 
 O texto a seguir mostra com mais detalhes as maneiras de se utilizar as 
tabelas de comutação, chamadas CSO, para o cálculo dos benefícios. A 
título informativo, o próprio INSS utiliza esses dados para a definição de 
quanto cada trabalhador ganhará no momento em que se aposentar. 
BELTRÃO, K. I. et al. Tábuas de mortalidade no mercado brasileiro de 
seguros: uma comparação. Rio de Janeiro: IPEA, 2004. Disponível em: 
<http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_1047.pdf>. 
Acesso em: 3 jul. 2018. 
 
 
 
7 
2.2 Características e cálculos das rendas anuais 
Para se fazer os cálculos de rendas anuais, deve-se proceder ao controle 
dos fluxos de caixa referentes às rendas a serem concedidas, sejam elas 
vitalícias, constantes, antecipadas ou postecipadas. 
Vamos verificar as diferenças existentes entre os tipos de rendas e 
iniciaremos com a diferenciação entre as rendas antecipadas e as postecipadas. 
As primeiras são pagas no início de cada período em que o segurado faz jus aos 
valores; as postecipadas, no fim. Exemplificando: se um segurado fizer jus a um 
pagamento anual relativo a uma renda vitalícia ou não, ele deverá receber em 
janeiro de cada ano na modalidade antecipada e em dezembro de cada ano na 
modalidade postecipada. 
Isso influenciará nos valores a serem recebidos, pois as tábuas de 
comutação influenciarão nos direitos dos segurados. Nos contratos com 
recebimento antecipado, não há a incidência dos juros no ano em que se recebe. 
Já nos postecipados, existe tal incidência, pois o recebimento apenas ocorre no 
fim de cada ano. 
Conceitualmente também podemos diferenciar as rendas temporárias e 
as vitalícias. Aqui o raciocínio é bem simples, pois as rendas vitalícias serão 
devidas aos segurados durante toda a vida deles e as temporárias apenas por 
um período previamente acordado entre as partes. 
Vamos exemplificar esse caso agora: imaginemos um segurado que, aos 
seus 30 anos de idade, resolve criar um seguro de rendas anuais para sua 
aposentadoria. Ele acorda com o banco pagamentos mensais com valores fixos 
reajustados pela inflação oficial e um pagamento anual variável de acordo com 
a disponibilidade do segurado. 
A empresa seguradora oferece duas modalidades de pagamentos depois 
do momento da aposentadoria, também hipoteticamente definido como sendo 
quando o segurado completasse 65 anos de idade. A primeira é a renda vitalícia, 
em que o segurado receberá uma quantia mensal até a sua morte, sofrendo um 
reajuste anual de acordo com a inflação oficial ou outra taxa acordada. A 
segunda alternativa é definir uma renda a ser paga mensalmente, mas por um 
período fixo, que pode ser 10 anos, 20 anos ou outro período de interesse do 
segurado. 
 
 
8 
O que fica fácilde ser identificado é que, no caso da renda vitalícia, o 
pagamento mensal terá valores inferiores aos previstos para o período 
temporário, pois a expectativa de vida aos 65 anos pode ser superior à situação 
temporária, pensando no período de 10 anos, em que os pagamentos terminarão 
aos 75 anos do segurado. Na segunda situação, com 20 anos, talvez não haja 
muita diferença, pois a expectativa de vida ficará muito próxima dos 85 anos, o 
que faz com que muitos segurados optem pela renda vitalícia. 
O raciocínio utilizado pelos segurados faz muita lógica, pois caso eles não 
cheguem aos 85 anos, garantem uma renda vitalícia, embora percam alguns 
recursos pelo fato de não terem utilizado na integralidade, mas se eles 
ultrapassarem a expectativa de vida, ou seja, extrapolarem os 85 anos de idade, 
garantem a renda enquanto permanecerem vivos. 
Fica muito claro o conceito de seguro, pois se transfere o risco de o 
segurado passar da idade média geral da população, mas o benefício para a 
empresa seguradora é a ausência de necessidade de pagamentos no caso de 
morte antes do período médio esperado de vida. Embora haja situações em que 
os segurados podem transferir os benefícios temporários para herdeiros, a regra 
é que cessem os pagamentos. Essa última situação naturalmente gerará mais 
custos para os segurados, mas não é contratada de maneira obrigatória. 
Saiba mais 
 Os seguros contratados, como também é o caso da previdência privada, 
ajudam financeiramente os segurados e ainda facilitam em termos 
práticos por evitarem a necessidade de levantamento de inventário de 
bens quando o titular falece. Veja no vídeo a seguir uma explicação sobre 
esse assunto! 
PREVIDÊNCIA privada é boa opção para o planejamento sucessório? 
Exame.com, 21 nov. 2017. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=5dR08EKYHFc>. Acesso em: 3 jul. 
2018. 
TEMA 3 – CÁLCULO DE SEGUROS EM CASO DE MORTE E SEGURO DOTAL 
MISTO 
Na primeira parte desta aula, foram vistos aspectos sobre os seguros 
dotais, estabelecendo regras e formas de cálculo nas situações em que havia a 
 
 
9 
sobrevivência dos segurados, não representando a morte deles uma situação 
que obrigasse as empresas seguradoras a realizarem indenizações. A partir 
deste momento, veremos as situações em que a morte obriga as seguradoras a 
indenizarem as pessoas seguradas. 
3.1 Seguros em caso de morte 
Para falarmos de maneira mais genérica e serem consideradas 
praticamente todas as situações sobre os seguros em caso de morte, tomaremos 
como base o chamado seguro vida inteira. De maneira geral, os cálculos são 
idênticos aos casos anteriores, pois as receitas devem ser igualadas às 
despesas. O que se torna distinto dos casos já vistos é que, no que se refere às 
despesas, o valor a ser considerado será o de mortos, e não o de vivos. 
As indenizações são pagas pelas empresas seguradoras quando finalizar 
cada ano, o que ocasiona uma defasagem entre a data efetiva da morte e o 
momento do recebimento por parte dos beneficiários das apólices, podendo ser 
de quase um ano. Exemplificando, se um segurado vier a falecer durante o mês 
de janeiro, serão necessários mais de 11 meses até que o beneficiário possa 
receber a indenização correspondente. 
Para os seguros de morte, além do seguro contra morte vitalício, chamado 
de seguro vida inteira, há o seguro vida inteira diferido, o seguro temporário 
imediato e o seguro temporário diferido. Vamos ver um exemplo considerando 
cada um dos tipos de seguros apresentados neste parágrafo dentro de uma 
situação hipotética de pagamentos e eventos de morte e recebimentos de 
indenizações. 
Imaginemos uma pessoa de 35 anos que contrate um seguro de morte, 
com o objetivo de assegurar a importância de R$ 200 mil. Não entraremos nos 
detalhes dos cálculos, mesmo porque o objetivo da disciplina não é a realização 
de cálculos, mas sim a comparação dos valores e a compreensão das suas 
diferenças. 
No caso do seguro vida inteira, o valor do prêmio único puro será de 
R$ 30.914,30. Pensando em uma situação alternativa, com o seguro iniciando 
aos 55 anos do segurado, que é o seguro morte vida inteira diferido, o valor do 
prêmio será de R$ 19.942,60. Se analisarmos essas duas situações, as 
empresas seguradoras cobram valores menores para o segundo caso, pois o 
período de cobertura é maior e se o segurado vier a falecer antes de completar 
 
 
10 
os 55 anos de idade a família recebe a importância segurada na forma de 
indenização no momento do falecimento do segurado. 
Já o seguro contra morte temporário imediato será analisado como se 
permanecesse vigente até os 55 anos do segurado, gerando uma necessidade 
de pagamento de prêmio no valor de R$ 10.971,70 e, por fim, o seguro contra 
morte temporário diferido, vigente desde o momento em que o segurado 
completar os 55 anos de idade até completar os 70 anos. Para essa última 
situação o valor do prêmio será de R$ 14.415,75. 
Analisando esses dois últimos contratos de seguro, o último prêmio pago 
deve ser maior que o penúltimo, pois é muito mais provável que alguém morra 
entre 55 e 75 anos do que entre 35 e 55 e a indenização a ser paga pela 
seguradora ao beneficiário sempre é baseada nos valores pagos como prêmio 
de seguro. 
Saiba mais 
 O vídeo a seguir mostra o caso de um seguro de vida temporário, além da 
probabilidade de morte, evidenciando os cálculos passo a passo. 
SEGURO de Vida Temporário e Probabilidade de Morte - Khan Academy em 
português (12º ano). Khan Academy em Português de Portugal, 18 out. 
2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EihIR-nFF2k>. 
Acesso em: 3 jul. 2018. 
3.2 Seguro dotal misto 
O seguro dotal misto, por ser uma mescla de vários tipos diferentes de 
seguro, considera tanto a possibilidade de morte quanto de vida. Os beneficiários 
de um seguro desse tipo garantem o recebimento dos valores segurados quer 
seja permanecendo vivo durante o período de vigência da apólice ou vindo a 
falecer. Na última hipótese, a família é quem recebe os referidos valores. 
Fica líquido e certo que a empresa seguradora terá a ocorrência de uma 
despesa, pois, no caso do falecimento, a família recebe e caso sobreviva é o 
próprio segurado quem fará jus aos valores. Em termos práticos, o seguro dotal 
misto é uma mistura de seguro contra morte temporário e seguro dotal. Os 
segurados buscam vigências que variam de 5 até 30 anos, sendo 20 anos o 
período mais procurado. Comumente chamado de seguro misto, as empresas 
seguradoras o chamam de dotal. 
 
 
11 
Vamos imaginar uma pessoa com seus 40 anos completos e que deseje 
cobertura de seguro até completar 60 anos de idade no caso de falecimento e, 
na situação de sobreviver, que seja devida a importância combinada de 
R$ 200 mil. Para tanto, o valor do prêmio devido pelo segurado será de 
R$ 68.410,50. 
O uso das tábuas de vida e de morte por parte das empresas seguradoras 
tem várias intenções. Tanto para a situação de sobrevivência quanto de morte 
do segurado, as seguradoras sempre devem se manter prudentes com relação 
às finanças, aumentando a rentabilidade sempre que possível, mas 
principalmente evitando a insolvência financeira dela. A explicação disso está 
ligada ao fato de que os prêmios recebidos pelas seguradoras são referentes 
aos valores presentes das anuidades e das indenizações devidas, ambos 
multiplicados pelas probabilidades de sobrevivência ou de morte, 
respectivamente especificadas nas tábuas. 
Quando uma tábua possui maior expectativa de vida, acarretará em maior 
sobrevida por parte dos segurados, o que gera mais valores arrecadados a título 
de prêmio no que se refere a anuidades. Por outro lado, se uma tábua apresentar 
uma expectativa de vida reduzida, com maior probabilidade de morte, isso 
também permitirá a cobrança de valores mais elevados de prêmios quando se 
tratar de seguro de vida. 
Curiosidade 
 Pensando em quanto se pagade prêmio de seguro, as mulheres pagam 
mais valores de anuidades do que homens pelo simples fato de elas 
viverem mais do que os homens na média. O texto indicado apresenta 
com mais detalhes algumas das razões que fazem a sobrevida das 
mulheres ser maior que a dos homens. 
ROBSON, D. Que motivos fazem as mulheres viverem mais que os homens? 
BBC Future, 5 out. 2015. Disponível em: 
<http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151005_vert_fut_longevi
dade_sexos_ml>. Acesso em: 3 jul. 2018. 
TEMA 4 – CÁLCULO DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO 
Desde o início de nossas aulas, apenas nos preocupamos com os seguros 
individuais, seja do ponto de vista de sobrevida, seja de morte. A partir de agora, 
 
 
12 
passaremos a analisá-los sob o ponto de vista coletivo, ou seja, considerando 
um grupo de segurados, e não apenas um único indivíduo. Vamos começar! 
4.1 Conceitos do seguro de vida em grupo 
Como o foco neste ponto do nosso conteúdo é tratar dos seguros de vida 
em grupo, vamos verificar alguns itens importantes do ponto de vista conceitual. 
O primeiro conceito é o de estipulante, que não existia antes, quando os 
contratos de seguros apenas tinham o objetivo de oferecer garantias individuais. 
O estipulante pode ser pessoa física ou jurídica responsável pela contratação da 
apólice de seguro coletiva junto às seguradoras, além de ter plenos poderes para 
representar o conjunto de segurados junto às empresas seguradoras nos 
assuntos que tiverem relação com a apólice em questão. 
O conceito de garantia básica continua muito ligado aos contratos de 
seguros individuais, referindo-se à garantia de pagamento do capital do seguro 
ao beneficiário definido na apólice, na situação em que ocorrer a morte do titular 
da apólice. 
As garantias adicionais já são mais direcionadas aos seguros em grupo, 
pois existem de acordo com as necessidades identificadas pelo estipulante, 
devendo abranger todo o grupo de segurados e para qualquer tipo de seguro 
contratado, seja por morte, seja por invalidez. 
Garantias suplementares são distintas e específicas, permitindo o 
beneficiamento de cônjuge e filhos como recebedores de recursos em caso de 
morte do segurado. 
Por fim, a taxa média pura é a razão matemática existente entre o prêmio 
total puro, pago pelos segurados, e o capital segurado total, oferecido pela 
empresa seguradora. Essas taxas têm valores fixos de acordo com o objetivo a 
que se referem. 
Para indenização especial por morte acidental, o valor é de 0,08% para 
invalidez permanente total ou parcial por acidente; o valor é de 0,05% para 
invalidez permanente total por doença é de 15%. 
Curiosidade 
 Todas essas coberturas vistas são apresentadas na forma de siglas aos 
segurados, o que podem confundir no momento da assinatura e da 
discussão dos detalhes e coberturas das apólices. Esse artigo apresenta 
uma situação de Santa Catarina em que uma juíza determinou que todas 
 
 
13 
as siglas fossem esclarecidas aos futuros segurados. Uma ótima decisão 
para os consumidores, que normalmente são a parte mais fraca das 
relações comerciais, mesmo nas que envolvem as operações com 
seguros. 
PERDIDO em um cipoal de siglas, segurado busca e obtém amparo na 
Justiça. Jus. Estadual, 11 dez. 2012. Disponível em: 
<http://www.tribunadodireito.com.br/noticias-
detalhes.php?codNoticia=5611&q=Perdido+em+um+cipoal+de+siglas%2C
+segurado+busca+e+obt%E9m+amparo+na+Justi%E7a>. Acesso em: 3 jul. 
2017. 
4.2 Cálculos do seguro de vida em grupo 
Embora tenhamos todos os conceitos distintos, alguns apenas utilizados 
para os contratos de seguros de vida em grupo, é importante também que 
verifiquemos alguns valores médios calculados para esta modalidade de seguro, 
que traz mais robustez prática aos conhecimentos adquiridos. Vamos verificar 
um exemplo, agora, adaptado de Azevedo (2005). 
Imaginemos a situação de uma empresa que deseja contratar um seguro 
de vida em grupo para todos os funcionários registrados em sua folha de 
pagamento. Para tal, ela especificou os detalhes que devem constar no contrato 
final a ser firmado junto à empresa seguradora, que são o capital segurado como 
garantia básica no valor de 10 vezes o salário mensal de cada empregado. 
Também solicitou a garantia adicional IEA (indenização especial de morte por 
acidente), cujo capital segurado representa 1,5 vezes o valor da garantia básica. 
Há também a solicitação para a garantia adicional IPA (invalidez 
permanente total ou parcial por acidente), com capital segurado correspondente 
ao dobro da garantia básica. Como despesas e encargos contratuais, foi definida 
corretagem de 5%, pró-labore no valor de 4%, despesas operacionais e 
administrativas de 4% e custos ligados à publicidade na ordem de 2%. Os juros 
anuais foram definidos arbitrariamente e em comum acordo entre as partes em 
6%. Considerando todas essas variáveis, qual deverá ser o valor do prêmio a ser 
pago pela empresa? 
Os valores pagos serão mensais e as características dos funcionários são 
apresentadas na tabela a seguir. 
 
 
14 
Tabela 1 – Características dos funcionários 
Idade Probabilidade de morte Quantidade de funcionários Salários 
25 0,1608 30 200,00 
30 0,1775 40 400,00 
40 0,2942 15 600,00 
50 0,6933 10 1.000,00 
Fonte: Adaptado de Azevedo, 2005. 
Para os funcionários de 25 anos, o capital segurado individual é de 
R$ 2 mil; para os de 30 anos, R$ 4 mil; para os de 40 anos, R$ 6 mil; e para os 
funcionários de 50 anos, de R$ 10 mil. De acordo com a quantidade de 
funcionários em cada idade, define-se o capital segurado total de acordo com o 
que está na tabela a seguir. 
Tabela 2 – Capital segurado total 
Idade Quantidade de funcionários Capital segurado Capital segurado total 
25 30 2.000,00 60.000,00 
30 40 4.000,00 160.000,00 
40 15 6.000,00 90.000,00 
50 10 10.000,00 100.000,00 
Fonte: Adaptado de Azevedo, 2005. 
Para a empresa de seguros, o valor do prêmio a ser obtido deve ser 
calculado pelo produto da probabilidade de morte com o capital segurado total. 
De acordo com cada grupo de funcionários separados por idade, os que têm 25 
anos gerarão prêmio mensal de R$ 9,65, os de 30 anos gerarão prêmio de 
R$ 28,40, os de 40 anos, prêmio de R$ 26,48 e, por fim, os de 50 anos vão pagar 
prêmio de R$ 69,33. 
Facilmente podemos perceber que, em decorrência da probabilidade de 
morte dos mais velhos ser maior, isso faz com que os valores pagos a título de 
prêmio por parte da empresa contratante sejam maiores para eles. 
Considerando todas as despesas adicionais especificadas no início do 
exemplo apresentado e os valores obtidos no parágrafo anterior, o valor total a 
ser pago a título de prêmio total para que todos os funcionários permaneçam 
segurados é de R$ 245,92 por mês. 
Saiba mais 
 
 
15 
 Você sabia que o seguro de vida em grupo é tão completo que pode até 
mesmo cobrir casos de morte em caso de suicídio? Há algumas condições 
que devem ser consideradas, uma espécie de carência, mas, sim, isso 
pode ocorrer. Veja no vídeo mais detalhes sobre os seguros de vida em 
grupo. 
GARANTIAS do seguro de vida em grupo. Penteado Mendonça e Char 
Advocacia. 2 fev. 2016. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=hfuHxxgURAg>. Acesso em: 3 jul. 
2018. 
TEMA 5 – CÁLCULO DE RENDAS SUBANUAIS 
As rendas subanuais são formas de renda tidas como mais próximas da 
realidade dos brasileiros medianos, aqueles que não possuem tanto 
conhecimento financeiro assim, mas não deixa de ter a necessidade de 
assistência financeira, seja por seguro, seja por previdência. Vamos ver agora o 
funcionamento das rendas subanuais. 
5.1 Funcionamento de rendas subanuais 
Anteriormente, não somente nesta aula, mas nas outras aulas que já 
passamos, os procedimentos relativos aos cálculos das rendas anuais foram 
analisados de acordo com cada procedimento específico. O mais comum e mais 
fácil de se compreender é que os cálculos sejam realizadoscom base em tábuas 
de morte e elas são consideradas ano após ano dentro da realidade das pessoas 
seguradas. 
Só que as nossas necessidades como pessoas em relação a rendas e 
recebimento de seguros se dão em prazos menores, isso porque as 
necessidades financeiras ocorrem diariamente e é muito mais fácil 
considerarmos recebimentos de rendas em periodicidades menores, 
normalmente em intervalo mensal entre um recebimento e outro. 
Tornou-se necessário, então, transformar tal renda, antes anual, em 
valores pagáveis em intervalos menores dentro de um mesmo ano. Há de se 
considerar, é claro, o efeito exponencial dos juros nos pagamentos, pois são 
parcelas de juros compostos que atualizam o capital e não o juro linear, sempre 
com a mesma base como referência. 
 
 
16 
Outro fator que pode dificultar nos cálculos de rendas subanuais é o fato 
de que há valores supostos de mortes totais em um ano nas tábuas, mas não se 
discute se as mortes ocorrem mais no início, no meio ou no fim de cada ano. É 
óbvio que não há um mês preferível para deixar de viver nem estatisticamente 
tido como o mais perigoso ou o menos provável de se morrer. O fato é que, para 
efeitos de possibilitar os cálculos dos valores das rendas devidas, presume-se 
que as mortes ocorrem de maneira linear durante um ano, ou seja, se há 120 
mortes durante um ano qualquer, é admitido que ocorrem, na média, 10 mortes 
por mês. 
Já podemos identificar que não basta simplesmente tomar uma renda 
anual como referência, por exemplo, uma renda de R$ 24.000 anuais e dividi-la 
por 12, encontrando R$ 2.000 mensais devidos ao segurado. Devem ser 
consideradas as duas formas de análise, a exponencial e a linear, para que se 
encontre a medida mais correta para uma renda subanual mensal, por exemplo. 
Neste momento da aula, apenas nos preocuparemos com as rendas 
antecipadas, ou seja, pagas no início de cada período, pois não há atividade 
laboral que justifique o "merecimento" da renda. 
A título de exemplo, vamos verificar o caso de uma pessoa que tenha 50 
anos de idade e que deseje uma renda mensal de R$ 20 mil. A obtenção de tal 
renda deve ser dada com a aquisição de um seguro específico para rendas 
ofertado por uma empresa seguradora. 
Vamos analisar sempre com base mensal e na metodologia de renda 
antecipada. O caso mais comum será o primeiro a ser visto por nós, em que a 
renda é imediata e vitalícia. Na sequência, veremos a renda vitalícia, mas diferida 
por 10 anos. O terceiro caso será de uma renda temporária por 20 anos e 
imediata e o último caso será de uma renda temporária de 20 anos, mas diferida 
por 10 anos. 
No primeiro caso, considerando apenas um cálculo relativamente simples, 
pois a renda é vitalícia, é necessário que o prêmio a ser pago pelo segurado seja 
de R$ 2.871.812,06. Esse valor pode ser oferecido para a empresa seguradora 
de uma única vez no momento da obtenção da renda ou pode ser acumulado 
durante a vida laboral do segurado, seja em previdência privada, seja em 
qualquer modalidade de investimento que vise à aposentadoria. 
O segundo caso já tem um pouco mais de pontos a serem considerados 
no cálculo, pois há um diferimento de 10 anos na renda vitalícia obtida pelo 
 
 
17 
segurado. Essas situações normalmente ocorrem quando o segurado resolve 
continuar trabalhando por mais um período de tempo antes de iniciar os 
recebimentos efetivos provenientes da empresa seguradora. 
De qualquer forma, considerando a mesma renda de R$ 20 mil a ser 
obtida, mas agora com o diferimento, serão necessários R$ 1.133.264,66 em 
recursos aportados e disponibilizados para a empresa seguradora. 
O terceiro caso a ser analisado corresponde à renda temporária por 20 
anos. Nessa situação, o segurado garante o recebimento durante todo o período 
considerado, ou seja, até completar os 70 anos de vida, desde que tenha posto 
à disposição da empresa de seguros o montante de R$ 2.535.703,18. Note que 
o valor é muito parecido com o valor que deve ser posto à disposição da empresa 
seguradora como prêmio no caso da renda subanual vitalícia. Isso porque, de 
acordo com a expectativa de vida, aos 50 anos e com uma renda de 20 anos, a 
seguradora cessará os pagamentos em um período muito próximo do estimado 
para a morte do segurado. 
De qualquer forma, é mais comum que os segurados optem por garantir 
rendas vitalícias, pois quando se extrapola a expectativa de vida, eles continuam 
recebendo. No caso de a renda subanual ser temporária, não haverá qualquer 
recebimento para o segurado após os 70 anos de idade, estando ele vivo ou não. 
No último caso a ser analisado, há o caso da renda temporária por 20 
anos e diferida por 10 anos. Como o período de recebimento efetivo por parte do 
segurado ocorrerá apenas nos últimos 10 anos de vigência, os valores de prêmio 
também ficam reduzidos se comparados com o caso anterior. 
Serão necessários serem entregues à empresa seguradora a título de 
prêmio de seguro a quantia de R$ 1.075.076,72, os quais garantirão o 
recebimento de R$ 20 mil a partir dos 60 anos de idade até os 70 anos. É fácil 
verificar a similaridade com o segundo caso apresentado, em que a renda 
mensal era vitalícia, pois a expectativa de vida está muito próxima ao fim dos 
pagamentos por parte da seguradora, que é a idade de 70 anos. 
Mas por que as pessoas têm tanta preferência por receberem rendas 
vitalícias, mesmo sabendo que podem vir a falecer antes e terem os seus direitos 
cessados repentinamente? O que ocorre, na prática, é que as pessoas não estão 
muito interessadas no que perderão caso venham a falecer antes das previsões 
constantes das tábuas de mortalidade. O que elas querem é garantir que, 
 
 
18 
enquanto estiverem vivas, terão garantidos qualidade de vida e suporte 
financeiro. 
Mesmo que precisem trabalhar um pouco mais durante o período de 
diferimento, torna-se uma prioridade a garantia da renda "enquanto se respirar", 
conforme alguns segurados costumam dizer. A justificativa de muitos deles é 
que, vivendo 5 anos ou 20 anos recebendo as rendas subanuais e vindo a 
falecer, em nenhum momento ele passará por dificuldades financeiras, haja vista 
que sua renda é pelo tempo em que ele permanecer vivo. 
Se ocorrer a eventualidade de falecer de maneira prematura em relação 
às predições das tábuas de morte, é mais aconselhável que se pague um seguro 
de vida para que os parentes e outros herdeiros não sejam prejudicados 
financeiramente. Afinal de contas, a reserva constituída para a manutenção da 
renda subanual do segurado provavelmente só pode ser constituída com a ajuda 
e o suporte financeiro de todos os componentes da família, sendo eles herdeiros 
diretos ou não. 
Há também a alternativa de a renda temporária ser transferida para um 
beneficiário, que pode ser herdeiro ou não, mas o ajuste de tais condições deve 
ser acertado previamente com a empresa seguradora, o que pode acarretar 
pagamentos adicionais a título de prêmio único. 
Saiba mais 
 A previdência privada oferece a alternativa de ser resgatado o valor total 
acumulado durante a vida laboral ou a alternativa de renda vitalícia ou 
temporária, conforme o interesse de cada segurado. Esse texto mostra 
alguns valores que devem ser poupados e as rendas obtidas, além de 
fornecer alguns detalhes sobre esse dilema que pode influenciar em sua 
qualidade de vida na velhice. Confira! 
COUTINHO, E. Previdência privada: resgatar ou ter renda mensal vitalícia? 
2 set. 2015. Disponível em: 
<https://educandoseubolso.blog.br/2015/09/02/previdencia-privada-o-que-
compensa-mais-resgatar-ou-ter-renda-mensal-vitalicia/>. Acesso em: 3 jul. 
2018. 
 
 
19 
TROCANDO IDEIAS 
Terminamos de ver que existe uma infinidade de seguros para pessoas, 
garantindo diversas situações que ocorrem em nossas vidas. 
Considerando exclusivamente os seguros de rendas, apresente seu 
posicionamento sobre a melhor opção na hora de definiruma renda durante a 
aposentadoria: se temporária ou vitalícia. Apresente não apenas a sua escolha, 
mas as razões que levaram você a realizar tal escolha. 
NA PRÁTICA 
Com a clara intenção de garantir a tranquilidade financeira dos herdeiros, 
você começou a estudar quais seriam as atitudes mais prudentes que 
precisariam ser tomadas e assegurassem, no caso de sua eventual ausência 
não programada por morte, que todos não teriam problemas financeiros maiores 
dentro de sua família. 
Os objetivos eram os mais distintos: garantia de educação para os filhos 
menores, habitação e gastos rotineiros para o cônjuge. Também poderia 
simplesmente ser uma reserva financeira que permitisse a tomada de decisões 
com mais tranquilidade por quem ficasse. 
Dentre as diversas possibilidades de garantia de patrimônio, você acabou 
se direcionando para os seguros de pessoas, mais focados na situação de 
ausência por motivo de morte de quem fosse o titular da apólice. 
Aponte qual é a forma de escolher a melhor opção (ou conjunto de 
melhores opções) para alcançar o objetivo de garantir a tranquilidade financeira 
de sua família. 
Passos para a resolução do problema 
Primeiramente, deve ser identificado o perfil de gastos da família, além 
das idades dos filhos e o nível de educação e empregabilidade do cônjuge. Tudo 
isso influencia diretamente na escolha a ser feita, pois se os filhos forem muito 
novos, ou seja, ainda estiverem frequentando até o ensino médio, o raciocínio 
deverá ser um. No caso de os filhos já estarem em idade universitária, deve-se 
pensar de maneira distinta, pois é bem provável que o cônjuge já esteja mais 
próximo da aposentadoria. 
 
 
20 
O perfil familiar é muito importante, pois ele influencia diretamente nos 
produtos a serem contratados junto a empresas seguradoras. 
Resolução do problema 
Inicialmente, deve ser contratado um seguro de vida que garanta suporte 
financeiro aos filhos e ao cônjuge no caso de morte não esperada. Esse seguro 
pode ser dotal misto, que também assegura recebimento no caso de sobrevida, 
o que excluiria a necessidade de contratação de plano de previdência. 
Alternativamente, pode ser buscado um seguro de rendas para que os 
herdeiros recebam os valores das rendas mensais durante a vida do titular e, em 
paralelo, um seguro de morte, garantindo recursos financeiros para os herdeiros 
quando o titular estiver ausente por morte. 
Neste último caso, os valores do seguro de vida podem ser menores, pois 
apenas necessitarão cobrir os gastos de três dos componentes familiares: os 
dois filhos e o cônjuge que permanecer vivo. 
No exemplo, a família tinha dois filhos e os valores contratados a título de 
seguro de vida também são influenciados pela estrutura de gastos domésticos e 
pela idade dos filhos. 
FINALIZANDO 
Falar em seguro de vida é algo que chega a parecer pesado, macabro, 
pois o plano todo é feito considerando uma realidade em que o titular da apólice 
de seguros não está mais presente. 
No entanto, é necessário ter frieza e encarar o fato de que ninguém é 
eterno e é muito natural pensar que a morte é uma realidade. Afinal de contas, 
é a única certeza que temos enquanto vivemos. Por isso, é necessário, além de 
planejamento, conhecimento sobre a temática atuarial, tão nebulosa não 
somente nos bancos universitários, mas também na cabeça dos brasileiros. 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, G. H. W. de. Matemática financeira e atuarial: noções aplicadas ao 
seguro. Rio de Janeiro: Funenseg, 2005. 
_____. de. Seguros, matemática atuarial e financeira. São Paulo: Saraiva, 
2008. 
CONSENTINO, H. M.; COSTA, A. C. F. da; MOURA JÚNIOR, A. A. Matemática 
atuarial para administradores: seguro de pessoas. Série textos didáticos. 
Brasília: Escola Nacional de Seguros, 2016. 
GOLDBERG, I. Direito de Seguro e Resseguro. Série FGV Direito Rio. Rio de 
Janeiro: Forense, 2012. 
POLIDO, W. Contrato de Seguro. Novos Paradigmas. São Paulo: Roncarati, 
2010. 
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. 
São Paulo: Atlas, 1999. 
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO A ATUARIAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Michael Dias Correa 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula nós trataremos sobre a norma legal de benefícios a 
empregados. É um pronunciamento técnico que versa sobre os benefícios 
concedidos a empregados no curto prazo e no longo prazo, os benefícios pós-
emprego e os benefícios rescisórios. 
É importante que todos sejam devidamente conhecidos e diferenciados, 
pois apresentam similaridades práticas que podem confundir aqueles que não 
se aprofundarem no seu estudo. Dessa forma, vamos começar agora a ver esses 
conteúdos de grande importância para os controles empresariais e para a 
estrutura financeira das entidades. 
CONTEXTUALIZANDO 
Você sabe como uma empresa faz para diferenciar os benefícios de curto 
e de longo prazo pagos aos empregados? E os benefícios pós-emprego dos 
benefícios rescisórios? São ocorrências bem similares entre si, mas que 
precisam ser diferenciadas para cumprir as normas internacionais de 
contabilidade. 
O pronunciamento técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis 
(CPC, 2009b) no 33 trata especificamente sobre esse assunto, abordando com 
detalhes cada operação, servindo de instrumento para a correta diferenciação 
entre elas. 
Na prática, todas as operações representam saídas de recursos 
financeiros das empresas para os empregados, mas não são tratadas 
contabilmente da mesma maneira, tendo cada uma sua maneira distinta de 
reconhecimento, mensuração e registro contábil. 
Você já ouviu falar de programa de demissão voluntária? Algumas 
empresas o utilizam e pagam aos seus empregados incentivos no momento da 
demissão. Aqui está um exemplo do tratamento diferenciado de uma mesma 
situação: a perda de emprego. 
Vamos ver juntos, nesta aula, todos os detalhes dessas operações. 
Vamos lá! 
 
 
 
3 
TEMA 1 – CPC 33: BENEFÍCIOS A EMPREGADOS, ASPECTOS NORMATIVOS 
E CONCEITUAIS 
Qualquer empresa busca se diferenciar, nos mercados em que atuam, 
não somente com o produto ou com o serviço que oferecem. A sua, 
provavelmente, também investe em concessão de benefícios como forma de 
incentivo aos funcionários. Mas, como isso é registrado segundo a estrutura 
contábil? E quais são as normatizações que devem ser seguidas para isso? 
É exatamente isso que nós veremos nesta aula a partir de agora, iniciando 
com os aspectos conceituais e normativos estabelecidos no pronunciamento 
CPC 33. Vamos lá! 
1.1 Definições conceituais de benefícios a empregados 
O CPC 33 estabelece não somente a contabilização, mas também as 
formas com que devem ser divulgados os benefícios que são concedidos aos 
empregados. É necessário que a entidade reconheça um passivo no exato 
momento em que um empregado lhe presta um serviço em troca de benefícios 
que, de acordo com o contrato de trabalho, serão pagos em tempo futuro. 
Uma entidade também deve reconhecer uma despesa quando se utilizar 
de um benefício econômico que venha de um serviço recebido de um 
empregado, desde que realizado em troca de benefícios diretos a ele acordados. 
Ou seja, a sua empresa, por exemplo, deverá reconhecer a despesa no 
momento em que os serviços forem prestados. 
No entanto, se o pagamento for baseado em ações ou se o acordo tiver a 
previsão de pagamento futuro baseado em ações, não será objeto de análise do 
CPC 33 e, sim, do CPC 10, o qual trata especificamente dos pagamentos 
baseados em ações (CPC, 2010b). Da mesma forma, não se refere a 
demonstrações contábeis elaboradas pelos planos de benefícios a empregados 
ou por fundos de pensão e assemelhados. 
O CPC 33, de maneira bem direta, se aplica aos benefícios a empregados 
proporcionados por planos ou acordos formais entre a empresa e os 
empregados, que podemser indivíduos, grupos de empregados ou seus 
representantes legais. Isso significa dizer que, mesmo que você não tenha uma 
relação direta com a sua empresa, em termos de benefícios a serem recebidos, 
 
 
4 
uma instituição pode representá-lo, a qual pode ser um sindicato ou uma 
entidade de classe. 
As obrigações por parte das empresas também podem ser evidenciadas 
por acordos setoriais, quando tais acordos exijam a contribuição de planos 
adicionais, estatais, setoriais ou qualquer outro plano de benefícios a que você, 
como empregado, possa fazer jus. 
É comum que pensemos que os benefícios a empregados são, além do 
salário, as contribuições de seguridade social, assistência médica, auxílio-
alimentação, auxílio-transporte e férias. Só que temos mais benefícios do que 
imaginamos. Há empresas que oferecem participação nos lucros e bônus de 
produtividade, assistência-moradia, veículos, subsídios para bens de consumo, 
tais como computadores, tablets e outros acessórios de informática. 
Também há os benefícios que apenas são apresentados a nós, como 
empregados, após o período laboral, como podem ser citados os benefícios de 
aposentadoria, seguro de vida e assistência médica mesmo sem que você 
necessite estar empregado. A aposentadoria com valor integral também é um 
benefício que pode ser oferecido aos empregados, pois a previdência social 
apenas garante o pagamento dos valores de pensões até o teto legal 
estabelecido. 
Por fim, há os benefícios de longo prazo, que são ausências remuneradas 
de longo prazo, como licenças sabáticas ou por tempo de serviço. Há empresas 
em que você trabalha por um período de 10 anos ininterruptos e elas oferecem 
um período de 6 meses de ausência remunerada, sem contar com as férias, já 
estabelecidas em lei. Também podem ser citados benefícios por invalidez de 
longo prazo, além dos benefícios concedidos a título de rescisão do contrato de 
trabalho. 
Com relação à amplitude do alcance dos benefícios a empregados, 
também serão considerados como tal os benefícios extensivos aos dependentes 
e que possam ser liquidados por pagamento direto ao empregado ou aos seus 
dependentes. Eventualmente, tal pagamento pode ser feito por um terceiro, 
como é o caso de uma empresa seguradora. 
Os diretores ou administradores são considerados, de acordo com os 
preceitos estabelecidos no CPC 33, como empregados, embora a legislação 
trabalhista os trate de maneira diferente. E os empregados serão considerados 
tanto os de tempo integral, parcial, casual ou temporário. 
 
 
5 
Nós precisamos ver outros conceitos para que, nos próximos momentos 
de nossa aula, nós possamos abordar com mais profundidade cada um deles. 
Vamos iniciar a verificação de tais conceitos? 
Os benefícios a empregados são compensações pagas pelos 
empregadores em troca de serviços que são prestados pelo empregado ou 
provenientes da rescisão do contrato de trabalho vigente. 
Os benefícios podem ser classificados de acordo com o prazo, tendo 
algumas distinções nesse sentido. Os benefícios de curto prazo, não entrando 
no cômputo os benefícios rescisórios, são os benefícios que serão liquidados, 
ou pelo menos se espera isso, em um período máximo de 12 meses a partir da 
confecção das demonstrações contábeis que apresentem a obrigação ligada ao 
serviço que foi prestado. Como exemplo, você pode tomar o seu salário como 
base ou os valores devidos por férias e por décimo-terceiro salário. 
Os benefícios pós-emprego não podem ser classificados como de curto 
prazo nem como rescisórios e devem ser pagos logo após o período de emprego 
efetivo, normalmente com periodicidade máxima de um ano. Se a sua empresa 
tiver a política de pagar participação nos resultados, normalmente você receberá 
esses valores no momento da rescisão do seu contrato de trabalho. 
Há outros benefícios de longo prazo, sendo assim classificados todos 
aqueles que não sejam de curto prazo, pós-emprego ou rescisórios. Os últimos 
são os benefícios rescisórios, sendo devidos aos empregados em decorrência 
da interrupção do contrato de trabalho, que pode ocorrer por iniciativa do 
empregador, por rescisão ou por iniciativa do empregado, aceitando uma oferta 
de benefícios em troca da rescisão do contrato de trabalho (CPC, 2009b). 
Outras classificações podem ser dadas aos benefícios, pensando 
exclusivamente no pós-emprego, os quais se originam de acordos formais ou 
informais em que as entidades empregadoras se comprometem a proporcionar 
benefícios, após o período de emprego, para um ou mais empregados. 
Há também os planos de contribuição definida, que são pós-emprego, em 
que uma entidade patrocinadora efetua pagamentos fixos a um terceiro, que 
normalmente é um fundo, representado por uma entidade separada. Os planos 
de benefício definido, por sua vez, também são pós-emprego, mas possuem 
características que os distinguem dos primeiros, os de contribuição definida. 
Os últimos a serem citados neste ponto da nossa aula são os chamados 
planos multiempregadores, sendo caracterizados por contribuição definida ou de 
 
 
6 
benefício definido, sem contar com a previdência social. A principal característica 
desses planos é que são formados por contribuições de diversas entidades 
patrocinadoras com controle acionário distinto e que utilizam os ativos formados 
para oferecer os benefícios aos empregados de mais de uma entidade 
patrocinadora. 
A partir de agora nós veremos com mais detalhes todos esses tipos de 
planos de benefícios a empregados, iniciando com os mais comumente vistos e 
conhecidos, que são os benefícios de curto prazo. 
Saiba Mais 
Você já tinha ouvido falar de benefício definido e contribuição definida? O 
vídeo Entendendo as modalidades dos planos previdenciários (2013) pode 
explicar melhor esses e outros conceitos. 
TEMA 2 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE BENEFÍCIOS A 
EMPREGADOS DE CURTO PRAZO 
Quando um empregado prestar serviços a uma entidade qualquer em 
determinado período contábil, ela deverá reconhecer os valores dos benefícios 
de curto prazo aos empregados de duas formas. Primeiro, como passivo, como 
uma obrigação que será liquidada em momento futuro; e, depois, como despesa, 
afetando o resultado do período. 
Mas, e se a entidade quiser incluir os valores como ativo? Você deve ficar 
ciente de que isso só poderá ocorrer se os pronunciamentos que tratam de 
estoques e de ativo imobilizado assim o permitirem. 
Neste Tema 2 nós vamos verificar os detalhes de todos os benefícios a 
empregados oferecidos e que possuam características de curto prazo. Vamos 
lá! 
2.1 Licenças remuneradas de curto prazo 
As licenças remuneradas de curto prazo devem ser reconhecidas pelas 
entidades de forma cumulativa, quando o serviço prestado pelos empregados 
aumentar o seu direito a ausências remuneradas futuras; ou de forma não 
cumulativa, quando as ausências ocorrerem de maneira efetiva. As ausências 
remuneradas podem ter as mais diversas razões, entre elas feriados, doenças e 
 
 
7 
invalidez temporária de curto prazo, maternidade e paternidade, entre outras 
(CPC, 2009b). 
A título de exemplo, vamos verificar um caso de licença médica 
remunerada em uma empresa qualquer. Imaginemos que tal empresa oferece 
cinco dias anuais de licença médica remunerada, que, se não for utilizada em 
um ano, pode ser utilizada no ano seguinte. No último dia do ano 1, a média de 
dias de licença não utilizados é de dois dias por empregado. Com base em dados 
históricos, espera-se que essa tendência continue, sendo que noventa e dois 
empregados não tirariam mais do que cinco dias de licença médica no ano 2 e 
que apenas os oito empregados restantes tirariam uma média de seis dias e 
meio de licença, cada um. 
Como consequência, a entidade espera pagar um valor adicional 
referente a doze dias de auxílio-doença relativos ao período excedente da média 
de cada um dos oito empregados. Como a licençaé de cinco dias e eles tiraram 
seis dias e meio na média, cada um, o excedente é de um dia e meio para cada 
empregado, gerando tal obrigação para a entidade. 
Já as licenças remuneradas não cumulativas não possuem a prerrogativa 
de passarem de um período para outro e, no caso de desligamento dos 
empregados da entidade, não dão direito a recebimento de qualquer valor 
financeiro. 
Fica fácil para nós identificarmos essas situações em nossa realidade 
brasileira, pois se um homem ou uma mulher, na condição de empregados, 
permanecerem sem ter filhos durante todo o período em que o contrato de 
trabalho permanecer vigente, esse fator não gerará qualquer direito de 
recebimento futuro, em momento de demissão, pelo fato de não ter utilizado a 
licença-paternidade ou maternidade. 
Aqueles funcionários que tiverem usado a licença ganharam 
financeiramente os valores e poderão fazê-lo em momento futuro novamente, se 
tiverem mais filhos. Para os que não são pai nem mãe, não há qualquer direito 
financeiro previsto no momento da demissão, por conta de não terem utilizado 
tal benefício em forma de auxílio. 
Curiosidade 
Alguns órgãos governamentais buscam aumentar os direitos relativos à 
licença-maternidade para aumentar a qualidade de vida das mães e garantir a 
boa expectativa de vida do bebê. Por exemplo, a Prefeitura de Contagem, em 
 
 
8 
Minas Gerais, publicou em seu Diário Oficial matéria versando sobre a ampliação 
da licença-maternidade, cuja leitura recomendamos (Contagem, 2009). 
2.2 Planos de participação nos lucros e bônus 
Nenhuma entidade é obrigada a pagar parcela dos lucros obtidos aos 
funcionários a título de bonificação adicional. No entanto, há muitas empresas 
que agem dessa forma, mas impondo algumas condições para que os 
funcionários tenham tal direito, ao fim de cada ano. 
É possível que você trabalhe ou conheça alguém que trabalhe em uma 
empresa que paga participação nos lucros, mas os empregados geralmente 
recebem tal parcela adicional se permanecerem na entidade com vínculo ativo 
durante um período estabelecido, que normalmente é o ano civil. Caso o 
empregado peça demissão antes do fim do ano-base, não fará jus a qualquer 
recebimento. No entanto, se a empresa o demitir, ele manterá o direito 
proporcional ao tempo trabalhado. 
Existem empresas que realizam os pagamentos de maneira proporcional, 
tal como ocorre com o décimo-terceiro salário. Exemplificando, se o empregado 
trabalhar na empresa de janeiro a junho e for desligado, fará jus à metade da 
participação que um empregado com mesmo salário, mas que tenha trabalhado 
todo o ano, receberá. 
Mas, fiquem cientes de que o pronunciamento não estabelece que 
nenhuma empresa é obrigada a realizar pagamentos referentes à participação 
nos lucros, o que só ocorre se a obrigação construtiva estiver formalizada. 
Vamos verificar um exemplo em que uma empresa tem a política de 
participação nos lucros apenas para os empregados que permanecerem durante 
todo o ano-base. De acordo com os termos apresentados pela empresa, se não 
houver desligamentos de empregados durante o ano em questão a empresa 
deverá realizar o pagamento de 3% de seu lucro líquido aos empregados. Com 
base no histórico de rotatividade de pessoal obtido junto ao setor de recursos 
humanos, estimou-se de maneira confiável que é prudente que seja esperado 
um pagamento de 2,5% do lucro líquido. Como consequência, a entidade deve 
registrar uma despesa e um passivo correspondentes a 2,5% do lucro líquido 
obtido no período-base. 
Os planos de participação nos lucros de uma empresa devem ser claros 
com relação à operacionalidade dos cálculos e das bases a serem utilizadas 
 
 
9 
para definição dos valores a serem pagos aos empregados, assim como se 
apenas os funcionários que ficarem durante todo o tempo como empregados 
farão jus a esses valores ou se haverá pagamento proporcional. 
Todos os valores pagos como participação nos lucros aos empregados 
devem ser reconhecidos como despesas do período para a empresa e não como 
distribuição de lucros, sendo o lucro líquido apenas utilizado como base para 
cálculo, não sendo deduzido de outros cálculos. 
Curiosidade 
Por se tratar de um ganho para os empregados, os valores de participação 
nos lucros estão sempre sendo analisados sob o ponto de vista tributário. O texto 
Participação nos lucros e resultados é obrigatória? Saiba tudo sobre o benefício 
(Soares, 2016) nos esclarece sobre essa temática, tão discutida entre os juristas 
e por profissionais da área tributária. 
TEMA 3 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE BENEFÍCIOS PÓS-
EMPREGO 
Os planos de benefícios pós-emprego são definidos como acordos em 
que a entidade proporcione benefícios aos seus ex-empregados que envolvam 
ou não o estabelecimento de uma entidade separada de previdência para o 
recebimento dos aportes e pagamento dos benefícios, sejam essas entidades 
de previdência abertas ou fechadas. 
Nós vamos ver os dois tipos de planos, a partir de agora: os de 
contribuição definida e os de benefício definido. 
3.1 Plano de contribuição definida 
Nesses planos a contribuição é direta, pois os montantes devidos pela 
patrocinadora em cada exercício são determinados pelas contribuições no 
mesmo período. Por ser simples e direto o seu cálculo, não há qualquer premissa 
atuarial regendo os recebíveis e não há necessidade de desconto de qualquer 
valor, a não ser que as obrigações não sejam liquidadas no prazo de 12 meses 
a partir do momento em que o serviço foi prestado pelos empregados. 
Então, já sabemos que o fluxo de caixa descontado, tábuas de morte, de 
vida ou qualquer outro instrumento atuarial são desnecessários para a definição 
dos valores. 
 
 
10 
Tendo o empregado prestado serviços durante determinado período, o 
reconhecimento da contrapartida gerada por esses serviços prestados, por parte 
da empresa, deve se constituir na forma de passivo. Caso já tenham sido 
adiantados valores durante o período e sobre algum crédito para a empresa, 
esses valores devem ser reconhecidos como despesas pagas antecipadamente 
no ativo, devendo ser compensadas em períodos futuros ou em forma de 
reembolso, dependendo de como esteja acertado com os empregados. 
O reconhecimento também pode ser realizado como despesa, desde que 
não seja componente de estoques ou de ativo imobilizado, os quais possuem 
pronunciamentos específicos. 
Por fim, se não forem liquidados os valores devidos em um intervalo de 
12 meses, o próprio pronunciamento técnico CPC 33 estabelece, , em seu no 
item 83 , os critérios a serem utilizados para desconto dos valores (CPC, 2009b). 
Saiba Mais 
Outra forma de os empregados receberem benefícios é por meio dos 
fundos de pensão. Você sabe como eles funcionam? Se não sabe, o texto 
Fundos de pensão: o que são e como funcionam (Seabra, [2012?]) pode ajudá-
lo não somente a compreender, mas também a verificar se ele é uma boa opção 
para você. Boa leitura! 
3.2 Plano de benefício definido 
A contabilização e o reconhecimento dos planos de benefício definido são 
complexos, pois já são necessárias algumas premissas atuariais, diferentemente 
do plano que vimos anteriormente. Como consequência, abre-se margem para 
ganhos e perdas atuariais. 
Todas as obrigações geradas devem ser avaliadas em valor presente, 
pois existe a possibilidade de serem liquidadas apenas muitos anos após os 
empregados terem efetivamente prestado os serviços para as empresas. 
Esses planos não necessitam ter um fundo constituído, podendo ainda 
ser total ou parcialmente financiados por aportes da empresa e dos próprios 
empregados para a entidade gerenciadora ou o fundo escolhido pela entidade 
patrocinadora. Essa será a base para o pagamento dos benefícios aos 
empregados. 
Os pagamentos não dependem apenas da situação financeira e do 
desempenho do fundo, mas do interesse e da capacidade da patrocinadora de 
 
 
11 
cobrireventuais problemas financeiros do fundo. O que vemos é que a entidade 
patrocinadora acaba assumindo os riscos atuariais e de investimento do plano. 
O que também nos leva ao raciocínio de que as despesas efetivamente 
incorridas em decorrência do plano de benefício definido não serão 
obrigatoriamente os valores a serem pagos aos empregados, pois o 
desempenho financeiro do fundo também será uma variável considerada. 
Os planos de benefício definido são contabilizados de acordo com os 
passos que veremos a seguir: 
i) determinação de déficit ou de superávit; 
ii) determinação do valor líquido de passivo ou ativo de benefício definido no 
item i; 
iii) determinação dos valores que serão reconhecidos no resultado; 
iv) determinação das reavaliações dos valores líquidos para passivos ou 
ativos de benefícios definidos para serem transferidos a outros resultados 
abrangentes. 
No primeiro item, para que uma entidade determine se há superávit ou 
déficit, deve ser utilizada uma técnica atuarial ou outro critério para estimar o 
custo final, para a entidade, dos benefícios. Posteriormente, devem ser 
descontados o valor presente e os custos correspondentes. Por fim, deve ser 
deduzido o valor de ativos eventualmente existentes no plano para definição do 
valor presente da obrigação com benefício definido. 
O segundo item é a definição do valor líquido do passivo ou do ativo do 
benefício definido, ajustado sempre que houver alguma situação de teto de ativo 
alcançado, chamado de asset ceiling. 
No terceiro momento há o reconhecimento do custo corrente, de qualquer 
custo passado ou dos juros líquidos sobre o valor líquido. 
No último momento, os ganhos e perdas atuariais devem ser reavaliados, 
assim como o retorno sobre os ativos do plano e qualquer mudança que tenha 
ligação com o teto de ativo (asset ceiling). 
Curiosidade 
É provável que você saiba que os empregados de empresas privadas 
possuem regimes de previdência diferentes dos empregados do serviço público. 
O que provavelmente você não deve saber é sobre os detalhes dos planos de 
previdência dos empregados públicos. No texto Perguntas e respostas sobre 
 
 
12 
participante ativo alternativo (Funpresp, [201-]) você poderá saber como 
funciona a previdência dos empregados do setor público. 
TEMA 4 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE OUTROS BENEFÍCIOS DE 
LONGO PRAZO 
Não são apenas os benefícios de curto prazo que são considerados pela 
norma e que merecem preocupação e controles por parte das empresas. Os 
benefícios pagos aos empregados e que são classificados como de longo prazo 
também são tratados de maneira única, tudo especificado pelo pronunciamento 
técnico CPC 33 (CPC, 2009b). Vamos ver com detalhes esses benefícios, 
agora? 
4.1 Aspectos práticos para outros benefícios 
A primeira condição para que um benefício a empregado seja considerado 
de longo prazo é que não tenha a expectativa de ser liquidado em até 12 meses. 
Após completada essa condição, devemos encarar as possibilidades de 
ocorrência, que são as seguintes: ausências de longo prazo, desde que 
remuneradas, como ocorre com as licenças por tempo de serviço ou licenças 
sabáticas; jubileus ou quaisquer benefícios decorrentes de tempo de serviço; 
benefícios associados à invalidez com prazo longo, entre outras remunerações 
oferecidas aos empregados, pelas empresas. 
Essas remunerações de longo prazo são diferentes das remunerações 
pós-emprego, principalmente no que se refere à incerteza presente nestas 
últimas. Dessa maneira, podemos identificar uma maior simplicidade no registro 
contábil dos benefícios, concedidos aos empregados, que tenham característica 
de longo prazo. 
Devemos ficar cientes de que não há qualquer necessidade de 
reavaliação dos valores devidos em outros resultados abrangentes, o que deixa 
todo o processo mais claro e objetivo. 
O reconhecimento e a mensuração dos benefícios de longo prazo a 
empregados devem seguir as mesmas premissas dos benefícios pós-emprego 
a empregados, assim como as definições para o valor justo devem ser as 
mesmas dos benefícios de curto prazo a empregados. 
 
 
13 
A empresa também deve reconhecer os valores líquidos no resultado dos 
custos dos serviços que foram prestados pelos empregados, dos juros líquidos 
sobre o valor das obrigações geradas e das remunerações do valor líquido de 
passivo, no caso de benefício definido. Esse raciocínio só não deve ser seguido 
nas situações em que houver outro pronunciamento técnico que verse 
especificamente sobre o tema, como é o caso dos valores monetários que vão 
compor os bens em estoque ou os ativos imobilizados das entidades. 
Há outro benefício de longo prazo aos empregados, que é a chamada 
invalidez de longo prazo. Para o caso de o benefício estar atrelado ao tempo de 
serviço prestado, a obrigação deve surgir no momento da prestação de serviço. 
Além disso, tal obrigação deve refletir a probabilidade de o pagamento poder ser 
exigido e o tempo em que o pagamento for feito. 
Pode acontecer de o benefício ser idêntico para os empregados 
considerados inválidos, não importando o tempo de serviço que tenham 
prestado. Quando isso ocorrer, o custo esperado dos benefícios será 
reconhecido quando o evento que gerar o benefício de longo prazo decorrente 
da invalidez ocorrer. 
O pronunciamento técnico CPC 33 (CPC, 2009b) não exige divulgações 
específicas sobre outros benefícios de longo prazo concedidos aos empregados, 
mas existem outros pronunciamentos técnicos específicos que podem exigir 
essas divulgações, como são os casos do pronunciamento técnico CPC 05 
(CPC, 2010a), que trata da divulgação sobre partes relacionadas e pode solicitar 
divulgação de benefícios para os administradores de uma entidade. Nesse caso, 
os gestores são considerados como empregados. Esse último pronunciamento 
técnico, que versa sobre a apresentação das demonstrações contábeis, 
especifica os detalhes sobre a divulgações dos benefícios concedidos a 
empregados na forma de despesas, pelas demonstrações financeiras. 
Curiosidade 
Muitas empresas promovem um intervalo de tempo chamado de período 
sabático, para seus funcionários. É claro que nem todos os funcionários têm tal 
direito. Normalmente ele é destinado apenas aos ocupantes de cargos mais altos 
na hierarquia, mas é uma alternativa viável para reciclagem profissional e 
aumento do comprometimento desses funcionários com a própria empresa. 
É uma espécie de período de descanso, de reflexão, em que o empregado 
passa a se dedicar a si mesmo para depois voltar mais confiante e comprometido 
 
 
14 
à empresa. No vídeo Período sabático (Lima, 2017) há mais informações a 
respeito. 
TEMA 5 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE BENEFÍCIOS 
RESCISÓRIOS 
Os benefícios rescisórios são tratados no pronunciamento técnico CPC 
33 de maneira distinta dos outros benefícios concedidos a empregados, pois o 
seu evento gerador é distinto. No caso de benefícios rescisórios, estes são 
resultantes da decisão da entidade de rescindir o contrato de trabalho vigente ou 
da decisão do empregado de aceitar uma oferta de benefícios da empresa em 
troca da rescisão do contrato de trabalho, nos chamados planos de demissão 
voluntária, ambos não tendo qualquer relação com a prestação de serviço em si, 
que é o fato gerador de todos os outros benefícios concedidos a empregados 
(CPC, 2009b). 
A partir de agora nós vamos ver os últimos tipos de benefícios a 
empregados: os rescisórios. Pois então, vamos lá! 
5.1 Aspectos conceituais e práticos dos benefícios rescisórios 
Inicialmente, deve ficar claro que os benefícios rescisórios não incluem 
em seu escopo aqueles benefícios, devidos aos empregados, provenientes da 
rescisão do contrato de trabalho a pedido do empregado e sem uma oferta formal 
da entidade empregadora ou como consequência da aposentadoria compulsória, 
pois esses dois exemplos se tratam de benefícios pós-emprego. 
Existemempresas que oferecem benefícios menores, quando o 
empregado pede a rescisão do contrato de trabalho, quando comparados com a 
rescisão do mesmo contrato de trabalho sendo realizada pela própria entidade 
empregadora. A diferença monetária existente entre o primeiro benefício, que é 
um benefício pós-emprego, e o benefício maior, oferecido pela empresa quando 
ela promove a rescisão, é chamada de benefícios rescisórios. 
Vamos exemplificar: um empregado prestou serviços a determinada 
empresa, continuamente, pelos últimos cinco anos. Se ele viesse a pedir 
demissão, ou seja, se solicitasse a rescisão do contrato de trabalho contra a 
vontade da empresa, faria jus a uma parcela de R$ 50 mil. No entanto, caso a 
empresa ofereça uma proposta de bônus por demissão voluntária no valor de R$ 
 
 
15 
80 mil, naquele mesmo momento, por qualquer razão, a parcela devida de 
benefícios rescisórios é de R$ 30 mil, sendo constituída pela diferença entre o 
que seria recebido pelo funcionário no benefício pós-emprego, R$ 50 mil, e o 
valor da demissão voluntária, de R$ 80 mil. 
De maneira geral, os benefícios concedidos aos funcionários não estão 
ligados à rescisão do contrato de trabalho ou a serviços prestados por eles, 
sendo predominantemente parcelas pagas de uma única vez. 
De acordo com o pronunciamento técnico CPC 33 (CPC, 2009b), uma 
entidade deve efetuar o reconhecimento da despesa e do correspondente 
passivo relativo aos benefícios rescisórios na primeira situação a ocorrer, das 
duas apresentadas a seguir: 
1. quando não for mais possível para a entidade empregadora o 
cancelamento dos benefícios ofertados; 
2. quando houver o reconhecimento, por parte da entidade, dos custos de 
reestruturação previstos no pronunciamento técnico CPC 25, que trata 
especificamente de provisões, passivos contingentes e ativos contingentes 
e que envolvam o pagamento de benefícios rescisórios (CPC, 2009a). 
Você já deve ter ouvido falar dos planos de demissão voluntária, 
comumente oferecidos por empresas que desejam se reestruturar e ofertam tais 
benefícios para alguns funcionários. Há um momento em que as entidades 
ofertantes não podem mais efetuar o cancelamento das propostas de demissão 
voluntária e esse momento também é considerado o primeiro entre os dois 
apresentados a seguir: 
1. no momento em que o empregado aceita a oferta; 
2. no momento em que uma restrição impede a entidade de realizar o 
cancelamento da oferta. Essas exigências podem ser legais, regulatórias ou 
contratuais. 
Ainda de acordo com o pronunciamento técnico CPC 33 (CPC, 2009b), 
uma entidade deve mensurar os benefícios rescisórios com base no 
reconhecimento que tiver sido previamente realizado, fazendo valer quaisquer 
mudanças posteriores, de acordo com cada benefício concedido aos 
empregados e tendo como base que os benefícios rescisórios são uma melhoria 
dos benefícios pós-emprego. 
 
 
16 
A título de exemplo, vamos analisar a seguinte situação hipotética: 
determinada empresa foi adquirida por outra e, como política de aquisição, terá 
uma de suas unidades fabris desativada em futuro próximo. O prazo comunicado 
aos funcionários para que isso ocorra é de 10 meses e, ao fim de tal período, 
todos os funcionários terão os contratos de trabalho rescindidos. Não é intenção 
da empresa que todos os funcionários se desliguem da empresa imediatamente, 
pois ela ainda necessita do conhecimento que eles possuem sobre as operações 
para o total cumprimento de contratos vigentes com clientes. Dessa forma, a 
empresa anuncia que possui um plano de rescisão para todos os funcionários, 
com alguns termos simples. Vamos a eles: 
1. todo funcionário que permanecer até o fim das operações da fábrica 
receberá o pagamento em dinheiro de R$ 30 mil; 
2. todo funcionário que solicitar desligamento antes do encerramento das 
operações da fábrica receberá o pagamento em dinheiro e de forma não 
parcelada de R$ 10 mil. 
Ao todo, a fábrica a ser fechada possui o total de 120 funcionários e os 
diretores supõem que 20 funcionários solicitarão desligamento antes do 
encerramento das operações. Com isso, já projetam as saídas futuras de caixa, 
que estão assim evidenciadas: (20 funcionários x R$ 10 mil) + (100 funcionários 
x R$ 30 mil) = R$ 3,2 milhões. 
Sendo assim, os benefícios rescisórios são devidos em função da 
rescisão dos contratos de trabalho e os benefícios de curto prazo são devidos 
em troca de serviços prestados. Como será em 10 meses o fechamento da 
empresa e todos os funcionários terão os seus contratos de trabalho rescindidos, 
deve-se analisar com mais profundidade a situação. 
Independentemente de saírem antes ou não do encerramento das 
atividades da empresa, todos os funcionários terão os contratos rescindidos, o 
que dá um benefício rescisório de R$ 10 mil para cada. Como são 120 
funcionários, a entidade deve reconhecer o total de R$ 1,2 milhão como 
benefícios rescisórios. 
Todo o restante será considerado como benefícios de curto prazo, pois 
serão devidos aos funcionários conforme eles permanecerem prestando 
serviços para a empresa até o encerramento de suas atividades, durante os 
próximos 10 meses. A diferença de R$ 2 milhões será reconhecida ao longo dos 
10 meses imediatamente anteriores ao encerramento das atividades 
 
 
17 
operacionais da empresa de maneira linear, na proporção de R$ 200 mil por 
mês, representando o reconhecimento da despesa e o consequente passivo 
devido aos funcionários, a ser liquidado no momento do efetivo encerramento 
das atividades operacionais da empresa. 
Complementando, não há necessidade de se realizar divulgação 
específica sobre os pagamentos relativos aos benefícios rescisórios, embora 
outros pronunciamentos técnicos possam exigir tal divulgação de maneira 
mandatória. 
Saiba Mais 
Você sabia que o Banco Central do Brasil (Bacen) obrigou todas as 
instituições financeiras brasileiras, sem exceção, a realizarem divulgação de 
suas informações pertinentes aos benefícios praticados junto aos seus 
empregados? Isso serve para pequenas, médias e grandes empresas do setor 
e está regulamentado pela Resolução Bacen no 4.424 de 25 de junho de 2015 
(Bacen, 2015). 
TROCANDO IDEIAS 
Quando um contrato de trabalho é finalizado, do ponto de vista do 
funcionário, não existe diferença: o dinheiro apenas entra de uma vez só na sua 
conta-corrente e ele recebe uma espécie de relatório especificando os detalhes 
sobre os valores, nada mais do que isso. 
No entanto, para as empresas, embora os valores também tenham saído 
de um mesmo caixa, os registros na contabilidade devem ser distintos. Dessa 
forma, apresente a sua sugestão sobre como os controles dos registros podem 
ser melhorados de forma que os valores pagos a título de extinção do contrato 
de trabalho possam ser segregados. Não se esqueça de que há os benefícios 
de curto e de longo prazo, os benefícios pós-emprego e os benefícios 
rescisórios. 
NA PRÁTICA 
Vamos imaginar que você seja o responsável por uma das 20 unidades 
fabris de determinada empresa. Sua função é descobrir novos mercados e novas 
estratégias de mercado. Com a experiência de alguns anos em sua função, você 
 
 
18 
conseguiu identificar que a planta produtiva pela qual você é o responsável não 
oferece mais o rendimento mínimo necessário que a diretoria demanda. 
Mesmo após ajustes produtivos, treinamento de funcionários e inserção 
de novos itens no mix de produção, a viabilidade da planta produtiva foi atestada 
como abaixo do esperado, pelos membros da diretoria-geral. De posse dessa 
informação, você já sabe que terá que se desfazer não somente da estrutura 
física, mas também dos funcionários produtivos, sendo realocados apenas os 
supervisores e gestores. Ao todo serão 80 funcionários dispensados nos 
próximos 2 anos, período em que a empresa ainda possui contratos vigentes 
com alguns clientes importantes. 
Os diretores repassama informação de que os funcionários que 
permanecerem durante todo o período serão beneficiados com o valor de R$ 50 
mil adicionais no momento da rescisão contratual. Já aqueles que ficarem nos 
12 primeiros meses terão a bonificação reduzida para R$ 20 mil, na rescisão, e 
aqueles que optarem pela rescisão imediata do contrato de trabalho ganharão o 
valor de R$ 5 mil. 
A empresa espera que 60% dos funcionários fiquem até o fim dos 2 anos, 
30% fiquem durante os 12 primeiros meses e o restante solicite a saída imediata. 
De posse dessas informações, identifique os registros que devem ser 
realizados, de acordo com a sua natureza (benefícios de curto prazo, de longo 
prazo e rescisórios), além do valor total por natureza e global a ser 
desembolsado pela empresa, com a demissão dos 80 funcionários. 
Passos para a resolução do problema 
Primeiramente, deve ser calculada a parcela financeira a ser paga aos 
funcionários que permanecerem durante os 2 anos e multiplicá-la por R$ 50 mil. 
Na sequência, proceder-se ao mesmo cálculo para os funcionários que 
permanecerem durante 12 meses e, por fim, ao mesmo cálculo para os 
funcionários que solicitarem desligamento imediato. 
Não podemos esquecer de que todos os funcionários terão a parcela 
rescisória, mas alguns terão benefícios de curto prazo a receber e outros terão 
benefícios de longo prazo a receber. 
 
 
 
19 
Resolução do problema 
Considerando-se os 80 funcionários, 60% deles são um total de 48, os 
quais receberão R$ 50 mil cada por ficarem até o fim das operações, totalizando, 
assim, R$ 2,4 milhões. Trinta por cento deles ficarão durante os 12 primeiros 
meses, perfazendo 24 funcionários, e receberão R$ 20 mil cada, totalizando R$ 
480 mil. Os 8 funcionários que solicitarem desligamento imediato receberão cada 
um R$ 5 mil, totalizando R$ 40 mil. 
Dessa forma, o valor total a ser desembolsado pela empresa pelo 
encerramento das atividades é de R$ 2,92 milhões, mas ainda precisamos 
separar por tipo de benefício. 
Os 8 funcionários que pedirem demissão imediata receberão apenas o 
benefício rescisório (R$ 5 mil). Já os 24 funcionários que ficarem durante o 
primeiro ano receberão o benefício rescisório (R$ 10 mil) e o benefício de curto 
prazo (R$ 10 mil), totalizando assim R$ 20 mil cada. Por último, os funcionários 
que ficarem até o fim dos 2 últimos anos de operação ganharão o benefício 
rescisório (R$ 10 mil), o benefício de curto prazo (R$ 20 mil) e o benefício de 
longo prazo (R$ 20 mil). 
Os valores são distintos, pois o valor total pertinente aos funcionários que 
trabalharão durante 12 meses é de R$ 20 mil, sendo R$ 10 mil de rescisão e o 
restante de curto prazo. Já os funcionários que ficarão até o final receberão ao 
todo R$ 50 mil, sendo R$ 10 mil de benefício rescisório e o restante dividido em 
duas partes iguais, uma para o benefício de longo prazo e outra para o benefício 
de curto prazo, ambas de R$ 20 mil cada. 
Eis os cálculos detalhados: 
– benefício rescisório (por demissão de todos os funcionários): R$ 5 mil x 80 
= R$ 400 mil; 
– benefício de longo prazo (pelo recebimento durante o segundo ano de 
trabalho): R$ 20 mil x 48 = R$ 960 mil; 
– benefício de curto prazo (pelo recebimento durante o primeiro ano de 
trabalho): (R$ 20 mil x 48) + (R$ 10 mil x 24) = R$ 1,2 milhão. 
Ao serem totalizados os valores de R$ 400 mil, de R$ 960 mil e de R$ 1,2 
milhão, tem-se o total de R$ 2,56 milhões calculados anteriormente, mas aqui 
demonstrados por natureza de benefício concedido a cada funcionário. 
 
 
20 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula a importância de serem realizados registros corretos 
sobre os valores de benefícios pagos a empregados. Tais valores serão 
evidenciados nas demonstrações contábeis das empresas, mostrando as 
políticas de benefícios que praticam e também a forma como estão organizadas 
internamente, pois quanto mais fácil for a compreensão dos valores nas 
demonstrações, maior será o nível da qualidade informacional que elas 
prestarão. 
Não se faz a divulgação desse tipo de informação apenas porque a 
empresa deseja ter boa relação com a sociedade, mas porque existem regras 
específicas que as obrigam a fazê-lo. A regra é baseada no pronunciamento 
técnico CPC 33 (CPC, 2009b), o qual trata exclusivamente dos benefícios a 
empregados. 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, G. H. W. de. Matemática financeira e atuarial: noções aplicadas ao 
seguro. Rio de Janeiro: Funenseg, 2005. 
_____. Seguros, matemática atuarial e financeira. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 
2008. 
BACEN – Banco Central do Brasil. Resolução n. 4.424, de 25 de junho de 2015. 
Dispõe sobre o registro contábil e a evidenciação de benefícios a empregados. 
Diário Oficial da União, Brasília, seção 1, p. 37, 29 jun. 2015. Disponível em: 
<https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo
=/Lists/Normativos/Attachments/48522/Res_4424_v1_O.pdf>. Acesso em: 28 
maio 2018. 
CONSENTINO, H. M.; COSTA, A. C. F. da; MOURA JÚNIOR, A. A. Matemática 
atuarial para administradores: seguro de pessoas. Brasília: Escola Nacional 
de Seguros: 2016. (Série textos didáticos). 
CONTAGEM. Prefeitura Municipal. Prefeitura propõe ampliação da licença-
maternidade. Diário Oficial de Contagem, ano 18, v. 2.446, 26 fev. 2009. 
Disponível em: 
<http://www.contagem.mg.gov.br/arquivos/doc/2446web.pdf?x=201710050705
28>. Acesso em: 28 maio 2018. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento técnico CPC n. 
25. Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes. Brasília, 26 jun. 
2009a. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=56>. Acesso em: 28 maio 2018. 
_____. Pronunciamento técnico CPC n. 33. Benefícios a empregados. Brasília, 
4 set. 2009b. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=64>. Acesso em: 28 maio 2018. 
_____. Pronunciamento técnico CPC n. 5. Divulgação sobre partes relacionadas. 
Brasília, 3 set. 2010a. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=36>. Acesso em: 28 maio 2018. 
_____. Pronunciamento técnico CPC n. 10. Pagamento baseado em ações. 
Brasília, 3 dez. 2010b. Disponível em: < 
http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=64
http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=64
 
 
22 
http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=41>. Acesso em: 28 maio 2018. 
ENTENDENDO as modalidades dos planos previdenciários. Videoexplicação 
publicada por Funcef. YouTube, 26 set. 2013. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=UiyIpaJ1T0o>. Acesso em: 28 maio 2018. 
FUNPRESP – Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público 
Federal do Poder Executivo. Site institucional. Perguntas e respostas sobre 
participante ativo alternativo. [201-]). Disponível em: 
<https://www.funpresp.com.br/portal/wp-content/uploads/2015/04/FAQ-
Participante-Ativo-Alternativo.pdf>. Acesso em: 28 maio 2018. 
GOLDBERG, I. Direito de seguro e resseguro. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
(Série FGV Direito Rio). 
LIMA, J. Período sabático. Videoexplicação. YouTube, 14 fev. 2017. Disponível 
em: <https://www.youtube.com/watch?v=W0fWgxX6IOo>. Acesso em: 28 maio 
2018. 
POLIDO, W. Contrato de seguro: novos paradigmas. São Paulo: Roncarati, 
2010. 
SEABRA, R. Fundos de pensão: o que são e como funcionam. Quero Ficar 
Rico, [2012?]. Disponível em: <https://queroficarrico.com/blog/fundos-de-
pensao/>. Acesso em: 28 maio 2018. 
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. 
São Paulo: Atlas, 1999. 
SOARES, A. L. Participação nos lucros e resultados é obrigatória? Saiba tudo 
sobre o benefício. iG, São Paulo, 28 mar. 2016. Disponível em: 
<http://economia.ig.com.br/2016-03-28/participacao-nos-lucros-e-resultados-e-
obrigatoria-saiba-tudo-sobre-o-beneficio.html>.Acesso em: 28 maio 2018. 
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969.

Mais conteúdos dessa disciplina