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Código Logístico
59043
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6559-2
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 5 9 2
Análise de risco 
e de crédito
IESDE
2019
José Guilherme Vieira
© 2019 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos 
direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Freedomz/mertkan tekin/Shutterstock
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
V715a
Vieira, José Guilherme
Análise de risco e de crédito / José Guilherme Vieira. - 1. ed. - Curitiba [PR] :
IESDE, 2019.
86 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6559-2
1. Administração de crédito. 2. Avaliação de riscos. I. Título.
19-59924 CDD: 658.88
CDU: 658.88
José Guilherme Vieira
Doutor e mestre em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Bacharel 
em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). É consultor de investimentos 
especializado em mercado de capitais e bolsa de valores, conselheiro fiscal das Centrais de 
Abastecimento do Paraná S.A. (Ceasa/PR) e chefe do Departamento de Economia da Universidade 
Federal do Paraná (UFPR). 
Sumário
Apresentação 7
1 Crédito e risco: conceitos fundamentais 9
1.1 Os conceitos de crédito e de risco 9
1.2 Objetivos da análise de risco para pessoas físicas e jurídicas 14
1.3 Gestão de risco e de crédito 18
2 Operações de crédito e serviços bancários 23
2.1 Serviços bancários 23
2.2 Operações de crédito 31
2.3 Políticas de empréstimo 36
3 Análise de risco 41
3.1 Probabilidades 41
3.2 Modelos de risco 46
3.3 Riscos de serviços bancários e operacionais 55
4 Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 61
4.1 Crédito para pessoa física 61
4.2 Crédito para pessoa jurídica 64
4.3 Políticas de empréstimo para pessoas físicas e jurídicas 69
5 Análise da legislação bancária aplicada ao crédito 75
5.1 Normas do Banco Central aplicadas ao crédito 75
5.2 Compliance no processo de concessão de crédito 79
Gabarito 85
Apresentação
As operações de crédito são fundamentais para o desenvolvimento dos negócios. A economia 
capitalista precisa do crédito tanto ou mais do que do próprio capital. Conforme crescem e se 
desenvolvem, as empresas estabelecem relações complexas de confiança e cooperação entre elas e 
com pessoas que colaboram para a obtenção de resultados econômicos – não somente com aquelas 
que trabalham diretamente na produção ou na prestação de serviços, mas também com os clientes.
Muitas dessas relações são operações de débito e de crédito, como os empréstimos e os 
financiamentos de materiais, mercadorias e capitais, e todas elas envolvem riscos. A tomada de 
decisão de emprestar dinheiro é tão arriscada quanto a de concedê-lo. Porém, ambas as partes 
envolvidas nesse processo podem obter benefícios se procederem a análises cuidadosas dos 
impactos dessas operações nas estruturas de suas empresas, bem como dos impactos financeiros 
gerados pelo uso desses recursos e as probabilidades de perdas originadas pelas incertezas típicas 
das atividades empresariais.
Neste livro, abordamos as operações de empréstimo, financiamento e de crédito em geral 
e os riscos que elas proporcionam aos emprestadores e, também, aos tomadores de empréstimos. 
Tratamos das características e finalidades das principais operações de crédito disponibilizadas 
para pessoas físicas e jurídicas, sem olvidar, contudo, as operações de crédito fora das instituições 
financeiras, assim como os cuidados necessários na pactuação dessas operações e os critérios que 
devem ser utilizados para concretizá-las. 
Apresentamos, ainda, modelos de risco e normas relativas ao mercado de crédito com o 
intuito de alertar as pessoas para a necessidade de sempre acompanhar as operações, visando a 
evitar fraudes e perdas expressivas. Trata-se, portanto, de um livro destinado a diversos públicos: 
profissionais de crédito e gestão, pessoas físicas, administradores e gestores em seus mais variados 
níveis hierárquicos profissionais.
Bons estudos!
1
Crédito e risco: conceitos fundamentais
Este capítulo tem por objetivo introduzir conceitos e modelos de risco utilizados para a 
avaliação e tomada de decisões envolvendo crédito para pessoas físicas e jurídicas. Seja na sua vida 
pessoal, seja em atividades empreendedoras, compreender a importância da análise de risco evitará 
uma série de problemas que poderão resultar em ruínas financeiras.
De igual forma, o processo de tomada de decisão de investimentos em empreendimentos 
reais e/ou financeiros se constitui em objeto de estudo para diversos cursos na área de finanças e 
exames para a obtenção de certificações acadêmicas e profissionais.
1.1 Os conceitos de crédito e de risco
Para compreender a importância das análises de crédito e de risco é preciso 
partir das definições particulares de cada um desses termos para, com base nelas, 
assimilar o conjunto de fatores que interferem nas decisões dos agentes tomadores 
de crédito e de risco.
1.1.1 Crédito
A palavra crédito remete aos conceitos de confiança, crença fundada, fidúcia1 e se relaciona 
também com a reputação e o caráter. Dizemos que uma pessoa é “digna de crédito” quando 
podemos confiar nela. Esse conceito se aplica nas relações pessoais e nos ambientes de negócios 
entre as próprias empresas, e entre as organizações e as instituições financeiras. Também dizemos 
que possuímos crédito quando temos haveres de outras partes em negócios que ainda serão 
compensados ou liquidados.
No âmbito das pessoas jurídicas, as operações de crédito ocorrem entre as empresas, seus 
fornecedores e clientes. Uma fábrica de calçados concede crédito para um lojista quando lhe vende a 
prazo um estoque de produtos e toma crédito de um fornecedor de matérias-primas para a fabricação 
dos produtos. Assim, essa fábrica está, frequentemente, nos dois lados das operações de crédito: ora como 
tomadora (aquela que se beneficia do crédito), ora como prestadora (aquela que concede o crédito).
A Lei n. 6.404 (BRASIL, 1976), no seu artigo 178, dispõe sobre a classificação das contas 
no Balanço Patrimonial. Nos balanços das empresas, podemos identificar as posições credoras 
e devedoras registradas nos ativos e passivos patrimoniais, respectivamente. Assim, duplicatas a 
receber, registradas no ativo circulante de uma empresa, são posições credoras em que a empresa 
está prestando empréstimo (crédito) para seus clientes que tomaram esse crédito ao adquirirem 
produtos a prazo. Também são posições credoras de uma empresa as aplicações financeiras dos 
1 O termo fidúcia tem vários significados. Na área financeira, o melhor sinônimo é a palavra fé. Fé no recebimento, fé 
no pagamento correto; credibilidade.
Vídeo
Análise de risco e de crédito10
recursos disponíveis nas instituições financeiras – o dinheiro de caixa ou de precaução aplicado em 
fundos de curto prazo ou mesmo na conta corrente, assim como outros títulos de crédito mantidos 
no ativo circulante.
Por outro lado, as contas do passivo que registram as obrigações e dívidas da empresa com 
funcionários, fornecedores, tributos (governos) e empréstimos em bancos são posições devedoras, 
em que a empresa está tomando crédito de todas essas fontes. Os trabalhadores executam seus 
trabalhos e ficam com créditos contra as empresas que os liquidam nas ocasiões dos pagamentos 
de salários, férias e décimo terceiro salário, além de outras obrigações eventuais. De igual forma, 
os fornecedores que financiam matérias-primas, serviços ou estoques, possuem créditos contra as 
empresas que adquiriram esses bens e serviços – que, portanto, são devedoras.
Desse modo, as operações de crédito, costumeiramente observadas entre empresas e bancos, 
são apenas parte de um sistema de relações de débitos e créditos que movema economia. Por 
existirem outras relações de crédito além dos empréstimos bancários, é necessário dizer que os 
critérios para a tomada e a concessão de crédito precisam contemplar as diversas características de 
cada tipo de operação de crédito e das partes envolvidas nessas operações.
Entre as empresas, por exemplo, as operações de crédito podem se dar entre firmas de um 
mesmo grupo econômico por meio do fornecimento de estoques, matérias-primas ou capital, 
sem que o objetivo principal de tais operações seja a obtenção de lucros por parte de quem está 
concedendo o crédito. Isso ocorre porque empresas de um mesmo conglomerado2 podem estar 
cooperando para a obtenção de um resultado financeiro global do conglomerado ou, ainda, um 
resultado estratégico final que não pode ser comparado apenas com oportunidades alternativas, 
como a obtenção de uma taxa de juro.
Mesmo no caso das operações de crédito entre empresas pertencentes a conglomerados 
diferentes, questões estratégicas de mercado podem apresentar retornos que não são facilmente 
capturados pelos modelos tradicionais de análise de crédito. A Circular n. 1.273 (BANCO 
CENTRAL DO BRASIL, 1987, grifos nossos), no seu capítulo de normas básicas, classifica as 
operações financeiras de crédito quanto às modalidades como:
a) empréstimos – são as operações realizadas sem destinação específica ou 
vínculo à comprovação da aplicação dos recursos. São exemplos os empréstimos 
para capital de giro, os empréstimos pessoais e os adiantamentos a depositantes;
b) títulos descontados – são as operações de desconto de títulos;
c) financiamentos – são as operações realizadas com destinação específica, 
vinculadas à comprovação da aplicação dos recursos. São exemplos os 
financiamentos de parques industriais, máquinas e equipamentos, bens de 
consumo durável, rurais e imobiliários.
Para cada modalidade de crédito existem normas específicas que devem ser observadas 
pelas instituições financeiras. O regramento específico para cada modalidade estabelecido pelos 
órgãos reguladores pode ora limitar, ora facilitar as operações de crédito no sistema financeiro.
2 Conjunto de empresas do mesmo grupo econômico com participações societárias cruzadas de um ou mais sócios 
em mais de uma delas.
Crédito e risco: conceitos fundamentais 11
1.1.2 Risco
A definição de risco não é trivial. Na literatura financeira mais atual, encontramos autores 
como Gitman (2004) e Securato (2017) que associam a palavra risco a uma probabilidade de 
fracasso ou de perda de resultados de uma decisão de investimento ou de uma operação financeira.
O conceito de probabilidade em si refere-se à possibilidade de que um determinado resultado 
qualquer venha a ocorrer. A probabilidade de um evento pode ser definida, então, como sendo a 
chance de ocorrer determinado resultado. Por meio da atribuição de probabilidades aos resultados 
dos investimentos, por exemplo, torna-se possível estimar os valores esperados de seus retornos. 
No exemplo a seguir veremos que a probabilidade pode ser calculada de modo objetivo.
Suponhamos que saibamos que, das 100 últimas explorações petrolíferas 
submarinas, 25 tenham sido bem-sucedidas e 75 tenham sido infrutíferas. 
Sendo assim, a probabilidade de ¼ para sucesso é considerada objetiva, pois 
se baseia diretamente na frequência de experiências similares. (PINDYCK; 
RUBINFELD, 1999, p. 158, grifo nosso)
Quando não se possui experiência capaz de auxiliar na medição das probabilidades, elas 
não podem ser consideradas medidas objetivas, mas sim subjetivas. Segundo Pindick e Rubinfeld 
(1999), uma medida de probabilidade subjetiva consiste na percepção de que um resultado poderá 
vir a ocorrer com base em julgamentos ou experiências de uma pessoa, mas não necessariamente 
na frequência com a qual um determinado resultado tenha realmente ocorrido no passado.
A diferenciação entre os conceitos de probabilidades objetivas e subjetivas é útil para 
compreender a diferença entre os conceitos de risco e incerteza muitas vezes confundidos entre si, 
mesmo entre pessoas que trabalham diretamente com esses temas. O conceito de risco está muito 
mais associado com as probabilidades objetivas, isto é, quando dispomos de dados históricos de um 
ativo ou de uma operação de crédito ou de quaisquer ocorrências de resultados que nos permitam 
medir as frequências com que se manifestam e calcular as médias e os desvios padronizados desses 
eventos. Quando esses dados históricos não estão disponíveis e lançamos mão de distribuições de 
probabilidades subjetivas, estamos lidando com incerteza e não risco.
Podemos falar, por exemplo, em risco de perda de capital investido em uma aplicação 
financeira ou risco de perda de um investimento ou empréstimo concedido a um cliente como 
sendo as possibilidades de que tais resultados venham a ocorrer. Mas há vários tipos de riscos 
associados a essas operações e formas de medi-los. No caso de investimentos, podemos citar, pelo 
menos, cinco grandes grupos de risco: de mercado, de crédito, operacional, de liquidez e legal. Uma 
maneira de compreender o conceito de risco da maneira mais clássica, largamente utilizada no 
mercado financeiro, é associar esse conceito ao de probabilidade e ao desvio padrão dos retornos 
dos investimentos.
Para Harry Markowitz (1952), ganhador do Prêmio Nobel de Economia no ano de 1990 e 
autor da Teoria do Portfólio, as decisões de investimentos são guiadas por uma análise de risco-
retorno dos investimentos, e o desvio padrão dos retornos dos ativos financeiros foi apresentado 
como uma medida de risco. O desvio padrão é uma medida de dispersão dos dados em torno 
de seus valores médios, que podem ser facilmente calculados com base em séries históricas de 
Análise de risco e de crédito12
dados3. Quanto maior for o desvio padrão dos preços de um ativo ou de um retorno relativo a 
essas médias de preços ou retornos, maior será o risco4. De modo mais simples: quanto maior for 
o desvio padrão percentual de um ativo ou título, maior será o seu risco.
Nesse sentido, Gitman (2004) define risco como sendo uma probabilidade de perda. Bancos 
e empresas financeiras possuem modelos de risco para a concessão de empréstimos e demais 
investimentos que se baseiam em probabilidades de perdas (“calotes”) e se encontram hoje de tal 
maneira institucionalizados que os próprios órgãos reguladores fornecem dados acerca dos perfis 
e scores de pessoas físicas e jurídicas.
Instituições privadas especialistas em análises de risco, como a Serasa Experian e a Boa 
Vista SCPC, também fornecem assessoria acerca das probabilidades de não pagamento de um 
empréstimo em função de scores de crédito5 construídos com base na reputação de pessoas 
físicas e jurídicas em suas operações de empréstimos predecessoras. Os modelos de riscos dessas 
instituições se baseiam, em grande parte, em dados históricos obtidos de transações anteriores e, 
portanto, podemos dizer que se utilizam de modelos de probabilidades objetivas.
Há grandes empresas especializadas na elaboração de rankings de crédito a nível mundial. 
Essas empresas atuam na classificação de risco de crédito de empresas públicas e privadas, títulos 
públicos e privados e até mesmo risco de crédito de países. Trata-se das agências de rating. 
As maiores empresas desse setor são a Moody’s, a Standard & Poors e a Fitch. Essas empresas 
desenvolvem atividades independentes que se destinam a fornecer informações sobre as qualidades 
de crédito, as probabilidades de insolvência ou inadimplência de empresas e governos, por meio 
de trabalhos que utilizam metodologias próprias, com longas tradições e reconhecimento e que 
subsidiam as tomadas de decisões de investidores em bolsas de valores e mercados financeiros 
mundiais, tomadores e prestadores de recursos financeiros.
A despeito de tudo isso, cada instituição possui seus próprios modelos de risco, criados 
com base em todas essas informações externas, alimentados ainda por critérios próprios que são 
acrescentadose aperfeiçoados e se baseiam em metodologias consolidadas.
A Resolução n. 2.697 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2000) do Conselho Monetário 
Nacional (CMN)6, editada em 24 de fevereiro de 2000, estabeleceu que devem ser utilizadas as 
classificações de níveis de risco previstas no artigo 1º da Resolução n. 2.682 (BANCO CENTRAL 
DO BRASIL, 1999), que determinou que:
3 Demonstraremos esse procedimento no Capítulo 3.
4	 Usualmente,	representamos	o	desvio	padrão	pela	letra	s	ou	pela	letra	grega	σ	(sigma). Quando falamos de desvio 
padrão relativo à média de preços de um ativo ou de seus retornos, falamos de uma medida estatística bem conhecida, 
que	é	o	coeficiente	de	variação	(CV).	A	fórmula	do	coeficiente	de	variação	é	precisamente	esta:	CV	=	s	/	X	(em	que	CV	=	
coeficiente	de	variação,	s	=	desvio	padrão	e	X	=	média	dos	retornos	ou	das	cotações).
5	 Sistemas	de	pontuação	estabelecidos	pelas	instituições	financeiras,	agências	e/ou	empresas	de	classificação	de	
crédito elaborados com base em dados como pontualidade de pagamentos, históricos de negativações de dívidas e 
relacionamentos	com	empresas	(SERASA,	2019).
6 Órgão responsável pela formulação das políticas de moeda e crédito do Brasil cujos componentes são o ministro da 
Economia	(que	o	preside),	o	presidente	do	Banco	Central	e	o	secretário	especial	de	Fazenda	do	Ministério	da	Economia.
Crédito e risco: conceitos fundamentais 13
as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo 
Banco Central do Brasil devem classificar as operações de crédito, em ordem 
crescente de risco, nos seguintes níveis:
I – nível AA;
II – nível A;
III – nível B;
IV – nível C;
V – nível D;
VI – nível E;
VII – nível F;
VIII – nível G;
IX – nível H.
A Resolução n. 2.682, em seu artigo 2º, garante ainda que as metodologias de classificação de 
risco de operações de crédito de instituições financeiras são responsabilidade delas mesmas, mas 
estabelece que nesses modelos de risco devem ser considerados:
I – em relação ao devedor e seus garantidores:
a) situação econômico-financeira;
b) grau de endividamento;
c) capacidade de geração de resultados;
d) fluxo de caixa;
e) administração e qualidade de controles;
f) pontualidade e atrasos nos pagamentos;
g) contingências;
h) setor de atividade econômica;
i) limite de crédito;
II – em relação à operação:
a) natureza e finalidade da transação;
b) características das garantias, particularmente quanto à suficiência e liquidez;
c) valor. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 1999)
Essa resolução determinou ainda que as classificações de risco das operações financeiras 
deverão ser reavaliadas quando forem divulgados balanços ou balancetes ou em função de 
inadimplência dos pagamentos dos juros ou das parcelas principais previstos nos contratos. No 
caso de atrasos nos pagamentos, a classificação dos níveis de risco deve ser enquadrada, conforme 
o artigo 4º, como:
I - mensalmente, por ocasião dos balancetes e balanços, em função de atraso 
verificado no pagamento de parcela de principal ou de encargos, devendo ser 
observado o que segue:
a) Atraso entre 15 e 30 dias: risco nível B, no mínimo;
b) Atraso entre 31 e 60 dias: risco nível C, no mínimo;
c) Atraso entre 61 e 90 dias: risco nível D, no mínimo;
d) Atraso entre 91 e 120 dias: risco nível E, no mínimo;
e) Atraso entre 121 e 150 dias: risco nível F, no mínimo;
f) Atraso entre 151 e 180 dias: risco nível G, no mínimo;
g) atraso superior a 180 dias: risco nível H. (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 1999)
Análise de risco e de crédito14
Além disso, essa mesma resolução determinou reavaliações periódicas para os casos em 
que as operações de um mesmo cliente ou grupo econômico superem 5% do patrimônio líquido 
ajustado da instituição financeira que concede o crédito. Essa medida, em particular, serve 
para evitar que uma instituição financeira concentre muitas operações com um único cliente, 
ou seja, evitar exposição muito elevada da instituição financeira por baixa diversificação da 
carteira de crédito.
As reavaliações periódicas de risco devem ocorrer, segundo o artigo 4º da Resolução n. 
2.682, “uma vez a cada 12 meses, em todas as situações, exceto na hipótese prevista no artigo 5º” 
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 1999). A Resolução n. 2.697, por sua vez, alterou o artigo 5º da 
Resolução n. 2.682, que passou a vigorar com a seguinte redação:
As operações de crédito contratadas com cliente cuja responsabilidade total seja 
de valor inferior a R$50.000,00 (cinquenta mil reais) podem ser classificadas 
mediante adoção de modelo interno de avaliação ou em função dos atrasos 
consignados no art. 4º, inciso I, desta Resolução, observado que a classificação 
deve corresponder, no mínimo, ao risco nível A.
Parágrafo único. O Banco Central do Brasil poderá alterar o valor de que trata 
este artigo. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2000)
Assim sendo, notamos que a análise de risco cumpre diversos objetivos. Para as empresas 
financeiras, serve como uma atividade de defesa das carteiras de crédito e dos recursos próprios 
que disponibilizam em operações financeiras diversas. Já para os órgãos reguladores, serve para 
diminuir os riscos sistêmicos de contaminações e desconfianças sobre o sistema financeiro.
1.2 Objetivos da análise de risco para pessoas físicas e jurídicas
As análises de risco são muito importantes tanto para as pessoas físicas como 
para as jurídicas. Em ambos os casos, análises cuidadosas de riscos evitam perdas 
que possam comprometer os patrimônios pessoais e coletivos e, também, permitem 
que as atividades econômicas possam ter continuidade diante de algum sinistro7. 
Ainda que os estudos, cálculos e modelos de cálculo e gestão de risco sirvam para 
pessoas físicas e jurídicas, eles não são utilizados, normalmente, para os mesmos fins.
1.2.1 Pessoas físicas
A análise de risco para pessoas físicas pode servir para diversos fins. Em uma relação 
de consumo, por exemplo, pode servir para a tomada de decisão de compra de bens de valores 
elevados financiados por empréstimos de prazos longos – como casas, apartamentos e veículos – e 
de produtos financeiros, como seguros de automóveis, residência e saúde.
As pessoas fazem uso de análises de riscos e retornos para decidirem entre comprar ou 
não comprar bens ou produtos, de maneira a maximizarem as utilidades delas na condição de 
consumidoras. Isso porque, quando financiam uma casa, por exemplo, possuem uma determinada 
7	 A	palavra	sinistro é utilizada para designar um acontecimento que causa danos ou perdas. Também se utiliza para 
acidente, desastre etc.
Vídeo
Crédito e risco: conceitos fundamentais 15
renda e uma perspectiva futura profissional e patrimonial que poderá mudar ao longo do tempo. 
Levar em consideração todos os cenários que poderão se configurar no futuro e suas probabilidades 
é a atitude mais racional a ser tomada.
No caso da aquisição de seguros, os cálculos de riscos ajudam a verificar se a contratação 
de proteção contra sinistros decorrentes de furtos, acidentes ou outras perdas compensam os 
desembolsos necessários para adquiri-los. Assim, a decisão de consumir ou não algum desses bens 
e produtos deveria partir de uma análise metódica dos dados disponíveis – como as probabilidades 
de essas perdas ocorrerem e a quantificação dos prejuízos decorrentes delas – e da comparação 
com os custos para se evitar tais perdas.
Quando uma pessoa adquire uma casa financiada, várias opções de financiamento são 
apresentadas ao comprador. Se entre elas houver alguma que corrija os valores das parcelas por 
algum índice de reajuste com base em inflação ou taxas de juros, será importante considerar os 
cenários futuros desses índices para calcular as probabilidades de os valores das parcelas fugirem 
do controle do comprador.
Todavia, no que diz respeito às pessoas físicas, o uso mais comum da análise de risco se 
encontra nas decisões de investimentos, em que riscos e retornos são analisados e comparados com 
o objetivo de subsidiar a alocação de recursos entre os diversos investimentosna economia real e 
nas aplicações disponíveis no mercado financeiro. Em outras palavras, a análise de risco é muito 
utilizada para a tomada de decisão sobre investimentos de economias.
Na Moderna Teoria das Carteiras de Markowitz (1952), a análise de investimentos 
elaborada, que consiste na apuração dos riscos e retornos de uma carteira de investimentos, 
permite que os investidores possam escolher ativos nas quantidades exatas para minimizar os 
riscos de perdas de investimentos.
Em condições ideais, como aquelas em que a correlação8 entre dois ativos seja unitária negativa 
(igual a –1), é possível zerar os riscos dos investimentos, sendo esse um caso ideal. Raramente são 
encontrados ativos com correlações unitárias negativas no mercado que permitam que quando um 
ativo ou título de uma carteira perder 1% de seu valor seja compensado pelo ganho de 1% em outro 
ativo com correlação unitária negativa. Todavia, há instrumentos criados pelo mercado financeiro 
que proporcionam essa possibilidade. Compreender os modelos de riscos que permitam gerenciar e 
reduzir os riscos de perdas é, portanto, muito importante para as pessoas físicas.
Quanto à disposição a assumir riscos, as pessoas podem ser divididas em três grandes grupos: 
avessas ao risco (a maioria), indiferentes ou neutras ao risco e amantes do risco. Um indivíduo que 
prefira uma renda garantida em vez de um emprego com o mesmo valor esperado (renda), mas com 
risco mais elevado é considerado avesso ao risco. Um indivíduo indiferente ou neutro ao risco não vê 
diferença entre receber uma renda garantida e uma renda incerta proveniente de um emprego ou 
8	 Relação	 estatística	 de	 interdependência	 entre	 variáveis.	 Na	 estatística	 descritiva,	 o	 coeficiente	 de	 Pearson	 para	
medir a correlação entre as variáveis é uma das metodologias de maior destaque e é representado pelo coeficiente ρ . 
Um coeficiente ρ = 1 significa uma correlação positiva perfeita entre duas variáveis, ou seja, que as duas andam juntas na 
mesma	direção.	Por	outro	lado,	um	coeficiente ρ = –1 significa uma correlação negativa perfeita entre duas variáveis e, além 
disso, que elas variam em direções opostas nas mesmas proporções.
Análise de risco e de crédito16
outra atividade econômica. Já o indivíduo amante do risco prefere se arriscar em busca de retornos 
maiores com probabilidades elevadas de perdas.
Essas classificações podem parecer a princípio estranhas, mas não são difíceis de compreender 
se utilizarmos um exemplo numérico, como o do boxe a seguir.
Imagine um jogo do tipo cara ou coroa em que as regras sejam as seguintes: 
se der cara você ganhará R$ 1.000,00 e se der coroa você ganhará R$ 4.000,00. 
Antes de jogar a moeda, um indivíduo diz a você que pagará R$ 2.500,00 se 
você não a jogar. Sua escolha será entre ficar com R$ 2.500,00 garantidos 
ou com o resultado do jogo de cara ou coroa com uma moeda não viciada. 
Estatisticamente falando, o valor esperado do jogo da moeda será de 50% de 
chances de ganhar R$ 1.000,00 e 50% de chances de ganhar R$ 4.000,00. O valor 
esperado é uma medida de retorno bastante conhecida e é obtido por meio da 
soma dos produtos das probabilidades pelos retornos esperados.
VE = 0,5 × 1.000 + 0,5 × 4.000
VE = 500 + 2.000
VE = 2.500
As probabilidades de 50% para o resultado cara e 50% de chances de dar coroa foram 
apresentadas na forma decimal 0,5 e estão multiplicando os resultados possíveis para o jogo. Os 
valores esperados são iguais para o indivíduo escolher a renda garantida de R$ 2.500,00 ou o 
jogo de cara ou coroa. Mas, se o indivíduo for avesso ao risco (como a maioria), ele escolherá a 
renda garantida9.
A maioria das pessoas apresenta perfil conservador no que diz respeito ao tema investimentos. 
Estudos comportamentais vêm sendo desenvolvidos para a análise de decisões ancoradas em 
fatores psicológicos que são dificilmente explicados por cálculos objetivos. Todavia, a teoria das 
finanças tem contribuído com estudos estatísticos para capturar a parcela racional do processo de 
decisão envolvendo riscos.
1.2.2 Pessoas jurídicas
A atividade econômica empresarial é, por definição, arriscada. Quando alguém decide abrir 
uma empresa utilizando suas economias, está assumindo a possibilidade de perder um capital que 
já é certo, porque o possui. Além disso, assume dívidas de fornecedores, funcionários, governos 
e instituições financeiras que poderão comprometer ainda mais o seu patrimônio pessoal. A 
passagem de pessoa física para pessoa jurídica será, portanto, o primeiro momento em que será 
realizada uma análise de risco.
9	 A	suposição	de	que	a	probabilidade	de	dar	cara	ou	coroa	é	de	50%	para	cada	resultado	se	baseia	na	hipótese	de	que	
essa moeda será jogada várias vezes e não apenas uma vez.
Crédito e risco: conceitos fundamentais 17
Mas uma empresa é, também, uma sucessão de projetos de viabilidade econômica. A 
empresa começa como uma ideia e se converte rapidamente em um projeto que contempla 
um estudo de mercado, um estudo dos produtos, processos e de logística, e se conclui com 
a idealização da planta ou layout do negócio. Todavia, cada novo produto ou serviço, cada 
inovação ou lançamento que se concretizará a partir desse momento será classificado como 
um novo projeto. Por isso, podemos garantir que a atividade empresarial será sempre uma 
sucessão de projetos e os resultados econômicos obtidos por eles determinarão o crescimento ou 
decrescimento dos lucros e a expansão da empresa.
A análise de risco para pessoas jurídicas serve, portanto, para antecipar as potenciais perdas e 
ganhos da abertura de novos mercados, do lançamento de novos produtos, do lançamento de filiais 
ou da antecipação de plantas de produção ou sedes. As ferramentas mais usuais para gerenciar 
riscos dessa natureza são os estudos de viabilidade econômica, que identificam potenciais de 
mercados por meio de estudos do consumidor, receptividade do produto ou serviço a ser ofertado 
com pesquisas de campo, estudos de demanda, fornecedores e concorrentes, acompanhados de 
projeções de balanços acompanhadas de análises de sensibilidade.
Fazer análises de sensibilidade é fundamental em todos os projetos de viabilidades 
econômicas. Isso acontece porque frequentemente são ignoradas as variabilidades às quais estão 
sujeitas as matérias-primas que são utilizadas na produção de mercadorias, as variações das taxas 
de câmbio e seus impactos em custos e competitividade da empresa, os impactos da inflação sobre 
custos específicos, mudanças em legislações e outros choques e imprevistos.
Desastres naturais que causem perdas em colheitas, inutilização ou indisponibilidade de 
recursos, como água ou energia, problemas logísticos inesperados, como greves gerais, podem 
gerar impactos financeiros muito grandes e revelar grandes exposições ao risco, que precisam ser 
consideradas e calculadas.
Como observa Assaf Neto (2006, p. 119), além do cumprimento dos objetivos da empresa, 
a gestão de risco é importante para identificar a exposição ao risco e suas fragilidades (fraquezas 
da empresa), minimizar perdas financeiras e imunizar o capital da empresa. Todavia, eliminar 
os riscos é impossível. Assim sendo, as pessoas jurídicas deverão buscar ferramentas e modelos 
necessários para realizar essa tarefa.
As pessoas jurídicas precisam elaborar modelos próprios de concessão de crédito para 
pessoas físicas e para outras pessoas jurídicas. Esse crédito pode ser em dinheiro, no caso de 
empresas financeiras, ou em mercadorias ou serviços vendidos a prazo. Em um caso ou em outro 
será preciso avaliar as capacidades de pagamento desses clientes e a qualidade das garantias dessas 
operações de crédito.
A análise de risco é, a todo instante, necessária para julgar a viabilidade das operações das 
empresas. Negócios empresariais são arriscados e precisam dar retornos acima das aplicações 
financeiras de renda fixa. Assim, se os retornos são baixos e os riscos são elevados, isso é sinal de 
que a gestão da empresaprecisa de alguma mudança.
Análise de risco e de crédito18
1.3 Gestão de risco e de crédito
Fazer a gestão de risco e de crédito consiste em estabelecer normas para 
controlar perdas e/ou aumentar as probabilidades de se obter os retornos esperados 
de investimentos financeiros ou outras operações. Para isso, pessoas físicas e pessoas 
jurídicas formulam políticas de risco e políticas de crédito.
1.3.1 Diversificação
No que se refere à gestão de risco, a primeira regra fundamental é a diversificação dos 
investimentos. A diversificação também se aplica aos demais tipos de exposições, como a concessão 
de empréstimos. Nesta seção, abordaremos a diversificação como sendo peça fundamental na 
gestão de risco e de crédito.
Você deve conhecer o ditado popular “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”. O 
princípio que se esconde nessa frase é o da diversificação. No caso de um acidente como um 
tombo ou qualquer tipo de choque, muitos ovos poderiam ser perdidos se eles estivessem todos no 
mesmo recipiente. A diversificação pode ser definida, de maneira simples, como distribuição ou 
pulverização de investimentos, carteira de clientes, fornecedores e outras fontes e usos de recursos.
Antes de apresentar a utilidade da diversificação como estratégia de redução de riscos para 
investidores e instituições financeiras, vamos ilustrar como ela também é útil para os negócios 
entre firmas. Um exemplo disso é o conjunto de problemas de entregas de automóveis e peças 
automotivas por empresas japonesas após o tsunami de 2011. Como decorrência dessa catástrofe, 
várias instalações de fabricantes de automóveis japonesas foram afetadas, bem como operações 
portuárias, e isso fez com que plantas produtivas localizadas fora do Japão ficassem desabastecidas 
de componentes necessários, causando grandes prejuízos.
A tragédia no Japão deu muitas outras lições, mas, no tocante às empresas de automóveis, 
levou a uma reformulação da logística de modo que não ficassem tão dependentes, no curto prazo, 
de suas instalações em um único país. Essas empresas passaram a gerenciar estoques em outras 
localidades e estabeleceram novos planos de fornecimento de insumos envolvendo estocagem, 
escoamento e produção de peças em outros países.
No caso das instituições financeiras, Securato (2002, p. 28) apresenta as diretrizes das 
políticas de crédito que devem ser seguidas para evitar exposição demasiada ao risco. Podemos 
resumir as principais diretrizes tratadas por esse autor como:
• A distribuição da carteira por tipo de cliente, pessoa física ou jurídica.
• Entre as pessoas jurídicas, os percentuais dos recursos disponíveis para empréstimos a 
serem distribuídos entre os setores público e privado.
• A definição de qual será o mercado-alvo por meio da prospecção de clientes, da 
determinação de setores e ramos de atividades que serão atendidos e quais ficarão de fora.
• O estabelecimento da política de concentração de risco por cliente aceitável 
institucionalmente, observadas as regras de diversificação de risco estabelecidas pelo 
Banco Central.
Vídeo
Crédito e risco: conceitos fundamentais 19
Como podemos observar, a diversificação da carteira de clientes é parte fundamental da 
política de gestão de risco e de crédito, mas a diversificação não é um instrumento apenas de 
gestão de crédito. A diversificação é o principal instrumento de gerenciamento de riscos para todos 
os negócios. Quanto mais diversificados forem os investimentos, os fornecedores e os clientes, 
menores serão os riscos.
1.3.2 Cuidados na concessão do crédito
Dentro das instituições financeiras, a política de gestão de risco implica o estabelecimento 
de uma série de procedimentos direcionados a evitar não apenas os riscos de crédito oriundos de 
causas normais, como reveses financeiros dos clientes, que podem ser reduzidos pelos estudos 
estatísticos das probabilidades, mas também de fraudes provocadas por clientes mal-intencionados. 
Nesse sentido, o treinamento de funcionários de maneira continuada se faz necessário. É preciso 
que os funcionários compreendam os modelos de gerenciamento de risco das empresas onde 
trabalham para que valorizem os procedimentos padronizados nos sistemas para o oferecimento 
dos produtos dessas instituições.
As exigências de apresentação de documentos no momento da elaboração de cadastros, nas 
aberturas de contas correntes e de investimentos, assim como na concessão de empréstimos – 
incluindo aí toda a documentação relativa às garantias, quando se aplicarem – têm por objetivo 
dar maior segurança para o efetivo sucesso das operações financeiras e para o cumprimento dos 
contratos. Todas essas etapas sistematizadas integram a primeira fase de uma política de gestão de 
riscos de crédito e de investimentos.
É mais fácil de entender essa questão quando se fala de concessão de empréstimos, pois as 
falhas na identificação de riscos levam às perdas de capitais emprestados por bancos e financeiras ou 
créditos concedidos por empresas para outras empresas. Mas, de igual forma, contas fraudulentas 
abertas por criminosos para operações de lavagem de dinheiro, por exemplo, podem prejudicar 
a imagem da empresa e resultar no congelamento parcial de operações motivado por bloqueios 
judiciais ou pela suspensão de suas atividades por órgãos reguladores.
O estabelecimento de rotinas organizadas para que todas as etapas da análise de crédito 
sejam cumpridas com profissionalismo também é importante. Os cuidados dos funcionários 
dessas instituições no trato com os clientes é um princípio legal e ético indispensável.
Nas instituições financeiras, muitas operações necessitam de alçadas especiais. Formam-se, 
por exemplo, os comitês de análises de crédito, em que as decisões são tomadas por mais de uma 
pessoa para operações que superem valores elevados por envolverem maiores riscos de crédito, 
enquanto outras operações envolvendo valores menores recebem análises automáticas, feitas por 
sistemas que só precisam ser alimentados com informações básicas, que são fornecidas pelo cliente 
diretamente ao trabalhador da instituição financeira.
Os comitês de análise de crédito são órgãos compostos de mais de uma pessoa que se 
reúnem com periodicidade estabelecida previamente ou emergencialmente de acordo com alguma 
necessidade específica da empresa ou instituição financeira que concede empréstimos e créditos 
de modo geral.
Análise de risco e de crédito20
Esses comitês também deveriam ser formados por empresas não financeiras. Assim, os 
vendedores que executassem vendas de elevados valores a prazo deveriam precisar de autorização 
do comitê de análise de crédito dessa firma. Grandes empresas têm controles desse tipo. Pequenas 
empresas deveriam tê-los também, pois não há nada que as impeça. Aliás, quando há um pacto 
entre sócios de micro e pequenas empresas acerca dos ritos necessários no processo de tomada de 
decisão no atendimento de novos clientes ou da concessão de crédito para eles, isso já é a definição 
de um comitê de análise de crédito.
A formação desses comitês serve para que as decisões de concessão de crédito não estejam 
concentradas nas mãos de uma só pessoa. Além do fato de que duas ou mais pessoas podem chegar 
às melhores conclusões sobre a viabilidade ou não de uma operação por critérios técnicos, isso 
evita o risco de um único indivíduo decidir pelos interesses particulares dele mesmo ou de um 
favorecido, colocando em risco a instituição financeira. Cada empresa ou instituição financeira 
tem regras e prazos que variam bastante entre elas para o funcionamento de seus comitês.
Assim sendo, desde o processo de atendimento de um cliente, do enquadramento da proposta 
de crédito na linha mais apropriada para as necessidades dele, da abertura de cadastro e coleta de 
documentos e informações, a política de crédito e o gerenciamento de risco já estarão em ação. 
Visto que esses procedimentos, quando corretamente executados, evitam erros de planejamento e 
fraudes. É essencial que o processotodo se dê dentro das mais modernas práticas de governança 
que exigem, ainda, profissionalismo nas análises das propostas, observando os limites e as alçadas 
de competência dos vários grupos de profissionais envolvidos, e que as políticas de crédito e de 
risco da instituição sejam seguidas à risca.
1.3.3 Gerenciamento da carteira de crédito
Em uma instituição financeira são realizadas muitas operações de crédito. Essas operações 
podem ser de diversas modalidades, como: crédito para pessoa jurídica, crédito para pessoa física, 
carteira de cartões de crédito, crédito direto ao consumidor, cheque especial etc. Cada uma dessas 
modalidades tem um histórico de retornos ou lucros proporcionados para essa instituição e um 
histórico de problemas (atrasos e perdas). Estatisticamente, esses dados podem ser trabalhados 
para que alimentem modelos de risco e retornos de gestão de carteiras.
Alguns dos modelos de gestão de carteiras precisam de informações obtidas de séries de 
dados simples e disponíveis, como é o caso do Modelo de Gestão de Carteiras de Markowitz (1952). 
Nesse modelo, o risco de uma carteira de investimentos, que, no caso proposto aqui, é formada pelo 
total das operações de crédito da instituição financeira, é dado pelo desvio padrão da carteira. Com 
base em informações como os desvios padrões dos ativos componentes da carteira, das correlações 
entre esses ativos e de suas quantidades e da comparação com os retornos proporcionados pelos 
ativos, um gestor de carteira poderá tomar a decisão de aumentar ou reduzir as quantidades de um 
ativo e de outro, balanceando a carteira para diminuir os riscos e ampliar os retornos.
Cabe destacar que uma das maiores contribuições dadas pelo trabalho de seleção de 
carteiras de Markowitz foi a descoberta do poder que ativos com correlações estatísticas menores 
Crédito e risco: conceitos fundamentais 21
do que uma unidade positiva (ρ < 1) possuem para que se obtenham os melhores resultados da 
diversificação reduzindo o risco de uma carteira.
O cálculo do VaR (value at risk ou valor em risco, em português) de uma carteira de crédito 
também pode ser apontado como uma metodologia útil para compreender e gerir os riscos 
de perdas de uma instituição financeira ou mesmo dos riscos oriundos de carteiras de clientes 
de empresas não financeiras. É um cálculo que permite a verificação dos limites das variações 
esperadas (perdas máximas) em dinheiro para um determinado período de uma carteira de crédito 
e serve para investimentos ou ativos isolados ou em conjunto.
Em outras palavras, o modelo VaR permite encontrar a perda máxima esperada para cada 
período em uma carteira de crédito ou de investimentos. Esse modelo leva em consideração o 
montante de dinheiro ou crédito da carteira, um horizonte de tempo e nível de confiança estatística 
que deve ser escolhido pelo analista.
Esses modelos estão entre os mais reconhecidos métodos de gestão de risco de carteiras. 
Há, ainda, outras maneiras de aferir riscos utilizando estatística que se aplicam a outras atividades 
econômicas. Todavia, quando falamos de análise e gestão de crédito e de risco para pessoas físicas e 
jurídicas, temos em mente necessariamente a gestão de carteiras, seja de crédito ou de investimentos. 
Nos dois casos, as contribuições de Markowitz e o modelo VaR cumprem perfeitamente as tarefas.
Considerações finais
Neste capítulo apresentamos conceitos de crédito e risco e demonstramos a importância do 
conhecimento das variáveis que estão envolvidas nas classificações e no gerenciamento de riscos e 
de crédito por pessoas físicas e jurídicas.
Além disso, abordamos conceitos fundamentais, que ainda serão retomados ao longo deste 
livro, relacionados às ferramentas analíticas necessárias para uma compreensão aprofundada 
de temas que extrapolam as esferas das empresas e instituições financeiras, como as ideias de 
diversificação e de probabilidade, porque também interferem em outros processos de nossas vidas 
na condição de pessoas físicas.
Ampliando seus conhecimentos
• BERNSTEIN, P. L. Desafio aos deuses: a fascinante história do risco. Rio de Janeiro: Editora 
Elsevier, 1997.
Esse livro mostra a história do risco aplicada aos jogos de azar, mercados financeiros e 
outros contextos, desde a Grécia antiga.
• MOODY’S Brasil. Disponível em: https://www.moodys.com/Pages/default_br.aspx. 
Acesso em: 4 set. 2019.
Esse site é de uma agência de risco. Você pode conhecer a metodologia da análise de 
crédito de uma das maiores agências de ratings do mundo.
Análise de risco e de crédito22
Atividades
1. Qual é a importância da diversificação de carteiras de clientes das firmas?
2. Quais são os dados necessários para se fazer uma análise de risco de uma carteira de 
investimentos em termos de estatísticas no Modelo de Gestão de Carteiras de Markowitz?
3. Qual é a importância dos comitês de análise de crédito nas instituições financeiras?
Referências
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular n. 1.273, de 29 de dezembro de 1987. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 1987. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/circ/1987/pdf/circ_1273_v1_o.pdf. 
Acesso em: 3 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.682, de 21 de dezembro de 1999. Brasília: Conselho 
Monetário Nacional, 1999. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1999/pdf/res_2682_
v2_L.pdf. Acesso em: 3 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.697, de 24 de fevereiro de 2000. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2000. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2000/pdf/res_2697_v1_o.pdf. 
Acesso em: 12 ago. 2019.
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, seção 1, Brasília, 
DF, p. 1, suplemento, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404compilada.
htm. Acesso em: 3 set. 2019.
GITMAN, L. J. Princípios da administração financeira. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
MARKOWITZ, H. Portfolio selection. The Journal of Finance, v. 7, n. 1, p. 77-91, mar. 1952.
PINDYCK, R.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 4. ed. São Paulo: Macron Books, 1999.
SECURATO, J. R. Análise e avaliação do risco: pessoas físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul, 2002.
SECURATO, J. R. Decisões financeiras em condições de risco. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
SERASA. O que é score de crédito. São Paulo, 2019. Disponível em: https://www.serasaconsumidor.com.br/
ensina/aumentar-score/o-que-e-score-de-credito. Acesso em: 3 set. 2019.
2
Operações de crédito e serviços bancários
Este capítulo tem por objetivo apresentar os tipos de serviço bancário prestados por instituições 
financeiras, as operações de crédito mais contratadas por pessoas físicas e jurídicas, seus usos, suas 
características e suas finalidades e apresentar os elementos que são considerados pelas instituições 
financeiras para a concessão de recursos com base nas políticas de concessão de crédito.
2.1 Serviços bancários
Os serviços bancários podem ser de diversas naturezas. Muitas vezes, os 
profissionais que trabalham em bancos se referem a esses serviços como “produtos”, 
usando um linguajar financeiro próprio das instituições. Todavia, os serviços 
bancários são bem regulados pelo Banco Central e encontram-se especificados em 
legislação.
Na Resolução n. 3.919 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2010), o CMN classifica em quatro 
tipos os serviços prestados por parte das instituições financeiras (e demais instituições autorizadas a 
funcionar pelo Banco Central do Brasil) a pessoas físicas: essenciais, prioritários, especiais e diferenciados. 
Os serviços bancários essenciais são gratuitos e, de acordo com o artigo 2º dessa resolução:
É vedada [...] a cobrança de tarifas pela prestação de serviços bancários essenciais 
a pessoas naturais, assim considerados aqueles relativos a:
I – conta de depósitos à vista:
a) fornecimento de cartão com função débito;
b) fornecimento de segundavia do cartão referido na alínea “a”, exceto nos 
casos de pedidos de reposição formulados pelo correntista decorrentes de 
perda, roubo, furto, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição 
emitente;
c) realização de até quatro saques, por mês, em guichê de caixa, inclusive por 
meio de cheque ou de cheque avulso, ou em terminal de autoatendimento;
d) realização de até duas transferências de recursos entre contas na própria 
instituição, por mês, em guichê de caixa, em terminal de autoatendimento e/ou 
pela internet;
e) fornecimento de até dois extratos, por mês, contendo a movimentação 
dos últimos trinta dias por meio do guichê de caixa e/ou de terminal de 
autoatendimento;
f) realização de consultas mediante utilização da internet;
[...]
h) compensação de cheques;
i) fornecimento de até dez folhas de cheques por mês, desde que o correntista 
reúna os requisitos necessários à utilização de cheques, de acordo com a 
regulamentação em vigor e as condições pactuadas. (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 2010)
Vídeo
Análise de risco e de crédito24
Ainda de acordo com o artigo 2º da Resolução n. 3.919, também são considerados serviços 
bancários essenciais aqueles relativos às contas de depósitos de poupanças.
II – conta de depósitos de poupança:
a) fornecimento de cartão com função de movimentação;
b) fornecimento de segunda via do cartão referido na alínea “a”, exceto nos casos 
de pedidos de reposição formulados pelo correntista, decorrentes de perda, 
roubo, furto, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição emitente;
c) realização de até dois saques, por mês, em guichê de caixa ou em terminal de 
autoatendimento;
d) realização de até duas transferências, por mês, para conta de depósitos de 
mesma titularidade;
e) fornecimento de até dois extratos, por mês, contendo a movimentação dos 
últimos trinta dias;
f) realização de consultas mediante utilização da internet. (BANCO CENTRAL 
DO BRASIL, 2010)
Além disso, o artigo 19 da Resolução n. 3.919 obriga as instituições financeiras a 
disponibilizar aos clientes (pessoas naturais), até o dia 28 de fevereiro de cada ano, um extrato 
consolidado contendo os valores cobrados no ano anterior, detalhados mês a mês, “relativos a, 
no mínimo: I – tarifas; e II – juros, encargos moratórios, multas e demais despesas incidentes 
sobre operações de crédito e de arrendamento mercantil” (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 
2010).
Os serviços bancários prioritários são aqueles relativos à confecção de cadastro para início 
de relacionamento, às contas de depósitos, às transferências de recursos, à operação de crédito e de 
arrendamento mercantil, ao cartão de crédito básico e à operação de câmbio manual para compra 
ou venda de moeda estrangeira relacionada a viagens internacionais. Esses serviços são cobrados 
em função de seus fatos geradores e regulados pela Resolução n. 3.919/2010. No Quadro 1, a seguir, 
são apresentados os serviços prioritários e as regras de exibição nos extratos exigidas pelo Banco 
Central.
Quadro 1 – Padronização dos serviços prioritários – Pessoa física
Lista de serviços
Canais de entrega 
(formas de entrega)
Sigla no extrato
1. CADASTRO
1.1 Confecção de cadastro para início de 
relacionamento
*** CADASTRO
2. CONTA DE DEPÓSITOS
2.1 Cartão
2.1.1 Fornecimento de 2ª via de cartão 
com função débito
*** 2ª via-CARTÃODEBITO
2.1.2 Fornecimento de 2ª via de cartão 
com função movimentação de conta de 
poupança
*** 2ª via-CARTÃOPOUPANÇA
(Continua)
Operações de crédito e serviços bancários 25
Lista de serviços
Canais de entrega 
(formas de entrega)
Sigla no extrato
2.2 Cheque
2.2.1 Exclusão do Cadastro de Emitentes 
de Cheques sem Fundos (CCF)
*** EXCLUSÃO CCF
2.2.2 Contraordem (ou revogação) e 
oposição (ou sustação) ao pagamento de 
cheque
*** SUSTAÇÃO/REVOGAÇÃO
2.2.3 Fornecimento de folhas de cheque *** FOLHACHEQUE
2.2.4 Cheque administrativo *** CHEQUEADMINISTRATIVO
2.2.5 Cheque visado *** CHEQUE VISADO
2.3 Saque
2.3.1 Saque de conta de depósitos à vista 
e de poupança
Presencial ou pessoal SAQUEpessoal
Terminal de autoatendimento SAQUEterminal
Correspondente no País SAQUEcorrespondente
2.4. Depósito
2.4.1 Depósito identificado Presencial ou pessoal DEPOSITOidentificado
2.5. Consulta
2.5.1 Fornecimento de extrato mensal de 
conta de depósitos à vista e de poupança
Presencial ou pessoal EXTRATOmês(P)
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
EXTRATOmês(E)
Correspondente no País EXTRATOmês(C)
2.5.2 Fornecimento de extrato de um 
período de conta de depósitos à vista e 
de poupança
Presencial ou pessoal EXTRATOmovimento(P)
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
EXTRATOmovimento(E)
Correspondente no País EXTRATOmovimento(C)
2.5.3 Fornecimento de cópia de 
microfilme, microficha ou assemelhado
Fornecimento de cópia de microfilme, 
microficha ou assemelhado
MICROFILME
3. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS
3.1 Transferência por meio de DOC
Presencial ou pessoal DOCpessoal
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
DOCeletrônico
Internet DOCinternet
3.2 Transferência por meio de TED
Presencial ou pessoal TEDpessoal
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
TEDeletrônico
Internet TEDinternet
3.3 Transferência agendada por meio de 
DOC/TED
Presencial ou pessoal DOC/TEDagendado(P)
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
DOC/TEDagendado(E)
Internet DOC/TEDagendado(I)
(Continua)
Análise de risco e de crédito26
Lista de serviços
Canais de entrega 
(formas de entrega)
Sigla no extrato
3.4 Transferência entre contas na própria 
instituição
Presencial ou pessoal TRANSF.RECURSO(P)
Terminal de autoatendimento e 
outros meios eletrônicos
TRANSF.RECURSO(E/I)
3.5 Ordem de pagamento *** ORDEMPAGAMENTO
4. OPERAÇÃO DE CRÉDITO E DE ARRENDAMENTO MERCANTIL
4.1 Concessão de adiantamento a 
depositante
*** ADIANT.DEPOSITANTE
5. CARTÃO DE CRÉDITO BÁSICO
5.1 Anuidade – cartão básico
Nacional ANUIDADENacional
Internacional ANUIDADEInt.
5.2 Fornecimento de 2ª via de cartão com 
função crédito
*** 2ª via-CARTÃOCRÉDITO
5.3 Utilização de canais de atendimento 
para retirada em espécie
No País RETIRADA-País
No exterior RETIRADA-exterior
5.4 Pagamento de contas utilizando a 
função crédito
*** PAGAMENTOCONTAS
5.5 Avaliação emergencial de crédito *** AVAL.EMERG.CRÉDITO
6. OPERAÇÃO DE CÂMBIO MANUAL PARA COMPRA OU VENDA DE MOEDA ESTRANGEIRA RELACIONADA A VIAGENS 
INTERNACIONAIS
6.1 Venda de moeda estrangeira
Espécie VENDACÂMBIOespécie
Cheque de viagem VENDACÂMBIOcheque
Cartão pré-pago – emissão e carga VENDACÂMBIOprépagoemi
Cartão pré-pago – recarga VENDACÂMBIOprépagorec
6.2 Compra de moeda estrangeira
Espécie COMPRACÂMBIOespécie
Cheque de viagem COMPRACÂMBIOcheque
Cartão pré-pago COMPRACÂMBIOprépago
(P) Pessoal (E) Eletrônico (C) Correspondente no País (I) Internet
Fonte: Adaptado de Banco Central do Brasil, 2010.
Os serviços bancários especiais são aqueles referentes ao crédito rural, ao Sistema Financeiro 
da Habitação (SFH), ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ao Fundo PIS/PASEP, 
ao penhor civil, às contas especiais tratadas na Resolução n. 3.211 (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 2004) do CMN, às contas de registro e controle disciplinadas pela Resolução n. 3.402 
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2006a), bem como às operações de microcrédito. São previstas 
cobranças para o uso desses serviços.
Operações de crédito e serviços bancários 27
Já os serviços bancários diferenciados, conforme o disposto no artigo 5º da Resolução n. 
3.919 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2010), são aqueles relacionados ao abono de assinatura, 
ao aditamento de contratos1, à administração de fundos de investimento, ao aluguel de cofre, a 
avais e fianças, a avaliações, reavaliações e substituições de bens recebidos em garantia, a serviços 
de câmbio e outros serviços de câmbio não previstos no Quadro 1. Também são considerados 
serviços bancários diferenciados a carga e a recarga de cartão pré-pago,cobrada do titular do 
contrato, o cartão pré-pago e os cartões de crédito diferenciados.
Além desses serviços, temos, segundo o artigo 5º da Resolução n. 3.919/2010, o certificado 
digital, a coleta e a entrega em domicílio, a corretagem de títulos, valores mobiliários e derivativos, 
a custódia, o envio de mensagem automática de lançamento em conta de depósitos ou de cartão de 
crédito, o extrato diferenciado mensal contendo informações sobre contas de depósitos à vista e/
ou de poupança, o fornecimento de atestados, certificados e declarações, de cópia ou de segunda 
via de comprovantes e documentos, de plástico de cartão de crédito em formato personalizado, 
fornecimento emergencial de segunda via de cartão de crédito e leilões agrícolas. Todos esses 
serviços podem ser cobrados.
A Resolução n. 2.878 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2001) do CMN versa sobre 
procedimentos a serem observados pelas instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo 
Banco Central na contratação de operações e na prestação de serviços aos clientes e ao público em 
geral. Essa resolução estabelece princípios de transparência sobre os custos e as regras estabelecidas 
nos contratos, fazendo exigências de qualidade na prestação de serviços, estabelece prazos para o 
atendimento de demandas e reclamações dos clientes e se constitui em uma importante ferramenta 
para eles contra abusos praticados pelas instituições financeiras.
As instituições financeiras que oferecem os chamados serviços bancários, hoje em dia, vão 
muito além dos próprios bancos. Há uma evolução constante nas empresas que se dedicam às 
atividades financeiras e inovações constantes que fazem com que possamos encontrar os serviços 
que antes eram restritos ao universo dos bancos em mais de um tipo de instituição. A despeito 
disso, a legislação e a organização do sistema financeiro nacional definem as áreas de atuação de 
cada instituição de maneira clara.
As instituições financeiras são divididas em seis categorias, segundo a classificação do Banco 
Central do Brasil (2006b). As instituições financeiras não bancárias “não recebem depósitos à 
vista, nem podem criar moeda (por meio de operações de crédito). Elas operam com ativos não 
monetários, como ações, CDBs, títulos, letras de câmbio e debêntures” (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 2019). As entidades integrantes dessa categoria são apresentadas na Figura 1 a seguir.
1 É o ato de acrescentar algo a um contrato já em vigor. Um acréscimo de cláusula ou obrigação, direitos ou deveres.
Análise de risco e de crédito28
Figura 1 – Instituições financeiras não bancárias
Bancos de 
investimento
Bancos de 
desenvolvimento
Sociedades de 
arrendamento mercantil 
(leasing)
Sociedades de crédito, 
financiamento e 
investimento 
Não bancárias
Financeiras
Companhias hipotecárias
Agências de fomento ou 
investimento
Sociedades de crédito ao 
microempreendedor
Bancos múltiplos sem carteiras 
comerciais ou hipotecárias
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
Existem também as instituições financeiras de natureza especial, indicadas na Figura 2 a 
seguir. São especiais porque, além de executarem atividades de intermediação e, em alguns casos, 
exercerem papéis de bancos criadores de dinheiro, funcionam como braços dos governos que as 
controlam na implantação e execução de políticas públicas de fomento e distribuição de renda, 
prestando serviços importantes para a administração pública.
Figura 2 – Instituições financeiras de natureza especial
De natureza especial
Caixa Econômica Federal
Banco do Brasil
Banco da Amazônia
Banco do Nordeste
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 
(BNDES)
Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
Operações de crédito e serviços bancários 29
Temos também as instituições financeiras do Sistema Brasileiro de Poupança e 
Empréstimo (SBPE), conforme mostra a Figura 3 a seguir. Essas instituições prestam serviços 
para o setor imobiliário e oferecem recursos para financiamentos da construção civil e para 
obras de infraestrutura.
Figura 3 – Instituições financeiras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
Caixas econômicas
Sociedades de crédito 
imobiliário
Associações de poupança e 
empréstimo
Bancos múltiplos com 
carteira de crédito imobiliário 
que captam recursos do FGTS 
e das cadernetas de poupança
SBPE
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
Entre as instituições integrantes do sistema financeiro nacional encontramos, ainda, o 
sistema de distribuição de títulos e valores mobiliários. Nessa categoria se enquadram as 
entidades mostradas na Figura 4 a seguir. 
Figura 4 – Sistema de distribuição de títulos e valores mobiliários
Sociedades corretoras de câmbio
Sociedades corretoras de 
valores mobiliários
Sociedades distribuidoras 
de valores mobiliários
Agentes autônomos de 
investimentos
Sistema de distribuição de 
títulos e valores mobiliários
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
Análise de risco e de crédito30
Podemos encontrar nessa classificação também as prestadoras de serviços de liquidação 
e compensação. Entre essas instituições financeiras estão as administradoras de recursos de 
terceiros e o sistema de seguros privados e previdência complementar, conforme apresentado na 
Figura 5 a seguir. 
Figura 5 – Prestadoras de serviços de liquidação e compensação
Fundos mútuos de 
investimentos
Clubes de investimentos
Administradoras de 
consórcios 
Planos individuais de 
aposentadoria e pensão
Sociedades seguradoras
Sociedades de 
capitalização
Entidades fechadas de 
previdência privada
Entidades abertas de 
previdência privada
Sistemas de seguros privados 
e previdência complementar 
integrados pelo Instituto de 
Resseguros do Brasil (IRB)
Prestadoras de serviços 
financeiros não 
regulamentados integrados por 
sociedades administradoras 
de cartões de crédito, pelas 
sociedades de fomento 
mercantil (factoring) e pelas 
instituições bancárias
Sociedades administradoras 
de planos de seguro-saúde
Prestadoras de 
serviços de liquidação 
e compensação 
Bolsas de valores
Bolsas de mercadorias 
e futuros
Entidades do mercado 
de balcão organizado
Central de Custódia e 
Liquidação Financeira de 
Títulos (CETIP)
Companhia Brasileira de 
Liquidação e Custódia 
(CBLC)
Tecnologia Bancária 
(TecBan)
Sistema Especial de 
Liquidação e Custódia 
(Selic)
Sistema de 
seguros privados 
e previdência 
complementar
Administradoras 
de recursos de 
terceiros
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
Operações de crédito e serviços bancários 31
Cumpre ressaltar que as instituições bancárias – o último tipo de instituição em estudo 
– são entidades capazes de criar moeda escritural. Destacam-se as instituições elencadas na 
Figura 6 a seguir. 
Figura 6 – Instituições financeiras bancárias
Bancárias
Bancos múltiplos com 
carteira comercial
Cooperativas de 
crédito
Bancos comerciais 
cooperativos
Bancos comerciaisCaixas econômicas
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Banco Central do Brasil, 2006b.
De modo geral, algumas instituições financeiras atuam na intermediação de recursos entre 
credores e devedores, como é o caso dos bancos comerciais, e outras atuam prestando serviços 
específicos, como é o caso das corretoras de valores. Cada organização tem áreas de atuação 
específicas e regulamentadas pelas autoridades nacionais. Em um passado recente, a especialização 
em serviços bancários era mais restrita às instituições financeiras chamadas bancos. Todavia, 
inovações financeiras e o aumento da concorrência vêm fazendo com que os serviços bancários 
sejam oferecidos por diversas outras empresas também, a exemplo das administradoras de cartões 
de crédito e os fintechs2. Ainda assim, os bancos são as principais instituições financeiras prestadoras 
de serviços bancários.
2.2 Operaçõesde crédito
Como vimos no Capítulo 1, operações de crédito surgem entre pessoas físicas 
e pessoas jurídicas, entre pessoas jurídicas e outras pessoas jurídicas e entre pessoas 
jurídicas e instituições financeiras. As operações de crédito consistem em pactos 
entre diferentes “pessoas” para transferências ou intermediações de recursos com 
finalidades específicas, como a elaboração de projetos empresariais e aquisições 
de bens, ou sem finalidade específica, no adiantamento de consumo ou na cobertura de despesas 
já realizadas. Apresentaremos, a seguir, as principais operações de crédito entre pessoas físicas e 
jurídicas e instituições financeiras que são oferecidas nas instituições bancárias.
2.2.1 Crédito pessoal
Nessa categoria, encontramos os empréstimos sem finalidades específicas fornecidos por 
instituições financeiras para pessoas físicas. Os métodos de contratação de crédito pessoal são 
2 Empresas que oferecem soluções digitais para atividades que eram exclusivas de bancos.
Vídeo
Análise de risco e de crédito32
bastante simplificados hoje em dia, podendo ocorrer sem visitas às instituições financeiras, por 
meio de aplicativos, contatos telefônicos ou home bankings3.
Essas operações de crédito não possuem garantias colaterais e, por isso, representam elevado 
risco de crédito para os bancos e as instituições financeiras. Isso porque, na hipótese de inadimplência, 
não há garantias para serem executadas e, dependendo do valor emprestado, demandas judiciais de 
recuperação do crédito podem custar mais do que o próprio valor emprestado.
As instituições financeiras calibram seus modelos de concessão de empréstimos de modo 
que os valores emprestados sejam compatíveis com a renda e capacidade de pagamento dos clientes 
e cobram mais caro por esse tipo de operação em termos de juros do que pelo financiamento 
de automóveis ou habitação. Ainda assim, os empréstimos pessoais são mais adequados para as 
necessidades das pessoas físicas do que o uso de limites de cheques especiais.
2.2.2 Cheque especial
É uma linha de crédito pré-aprovada por um banco ou instituição financeira que fica 
disponível para aqueles clientes que passaram por um processo prévio de análise de crédito, 
realizado com base na utilização de modelos de risco que respeitem as políticas de crédito das 
instituições concedentes. Uma vez aprovada a linha de crédito de cheque especial, ela se encontrará 
disponível para a utilização imediata e automática e poderá ser acessada com a utilização de cartões 
de débito, guias de retiradas em guichês, cheques e transferências eletrônicas.
O cheque especial é um limite de recursos que serão disponibilizados na conta corrente do 
cliente para ser usado sempre que não houver saldo suficiente para pagamentos. Os juros cobrados 
nessa modalidade de crédito são bastante elevados, pois tecnicamente não possuem garantias 
colaterais e representam elevado risco para as instituições que concedem esse crédito.
É uma das principais linhas de crédito utilizadas por pessoas físicas e é um dos maiores 
responsáveis pelo alto grau de inadimplência dos clientes dos bancos, uma vez que é bastante 
comum que eles utilizem limites por longos períodos de tempo, incorrendo em taxas elevadas de 
juros e encargos que acabam saindo do controle.
2.2.3 Microcrédito
Bancos de desenvolvimento e agências de fomento trabalham com linhas de crédito para 
microempreendedores. Empreendedores individuais conseguem acessar recursos de microcrédito 
com valores reduzidos mesmo como pessoas físicas. As exigências para essas modalidades de 
empréstimo são mais simples que as linhas tradicionais. 
Valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil podem ser disponibilizados com a apresentação de 
avalistas e situação cadastral do Cadastro de Pessoa Física (CPF) sem restrições. Com taxas de juro 
abaixo das praticadas pelas instituições financeiras tradicionais, as operações de microcrédito são 
iniciativas de políticas públicas destinadas à geração de renda e encontram-se bastante difundidas 
por vários estados brasileiros.
3 Sistemas de software de interface que possibilitam ao cliente executar as operações financeiras por si só, sem 
necessidade de contato humano presencial ou telefônico.
Operações de crédito e serviços bancários 33
2.2.4 Financiamentos
Pessoas físicas e jurídicas muitas vezes desejam adquirir bens sem que possuam os 
recursos necessários para a quitação dos valores integrais desses bens. No caso da pessoa física, 
eletrodomésticos de valores elevados, veículos ou residências são exemplos de bens que são 
financiados. Pessoas jurídicas também financiam bens duráveis, veículos e até imóveis para que 
sejam utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Todavia, no caso de 
pessoas jurídicas, linhas de crédito e financiamento específicas mais adequadas para a natureza de 
seus negócios são oferecidas por bancos de investimento e desenvolvimento que não trabalham 
com essas mesmas linhas para as pessoas físicas.
O financiamento é uma liberação de determinado valor ou recurso para um cliente 
adquirir um bem. O cliente se compromete a quitar esse valor em parcelas periódicas e, 
nos casos de financiamentos de veículos, máquinas, equipamentos e imóveis, tem os bens 
financiados dados em garantia para a instituição financeira que concedeu os financiamentos. 
Nesse caso, esses bens ficam alienados fiduciariamente4 na instituição financeira.
2.2.5 Leasing
É um contrato denominado na legislação brasileira como arrendamento mercantil. A Lei 
n. 6.099 (BRASIL, 1974), por sua vez, define o arrendamento mercantil como sendo “o negócio 
jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, 
na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela 
arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta”.
O arrendador é o banco ou uma sociedade de arrendamento mercantil, e arrendatário é 
o cliente dessa instituição. O leasing não é um financiamento, ele se assemelha a um contrato de 
aluguel com a opção de compra do bem no final. Assim, o banco compra o bem escolhido pelo 
cliente e entrega a ele para que o utilize durante o período do contrato, que pode variar de acordo 
com as modalidades.
Apesar de não ser um financiamento, bancos e outras instituições financeiras acabam 
realizando contratos muito parecidos com os de financiamento em termos de prazos e parcelamentos. 
Mas há uma diferença: durante todo o leasing, a propriedade do bem permanece com a instituição 
financeira em todos os documentos.
Pode haver vantagens tributárias para empresas derivadas de operações de leasing, porque 
tecnicamente as parcelas de leasings são despesas.
2.2.6 Desconto de duplicatas
Essa é uma das operações mais tradicionais realizadas entre os bancos comerciais e seus 
clientes pessoas jurídicas. Trata-se de um adiantamento de valores faturados pela empresa 
realizado pela instituição financeira com um desconto. Esse desconto praticado por ela representa 
a taxa cobrada para adiantar o dinheiro à empresa. É uma operação destinada a viabilizar capital 
4 A propriedade do bem fica com o credor durante a fase de pagamento.
Análise de risco e de crédito34
de giro, uma vez que ela antecipa o recebimento de suas vendas a prazo, mas deve ser usada com 
moderação, pois pode comprometer a rentabilidade da empresa quando as margens de lucro 
de suas vendas estiverem muito baixas ou quando as taxas cobradas pelos bancos e instituições 
financeiras estiverem muito elevadas.
Além da necessidade de capital de giro, empresas utilizam o desconto de duplicatas em 
bancos e demais instituições financeiras como forma de viabilizar maior crédito para os clientes. 
Assim, conseguem dar prazos de pagamento maiores a esses clientes. Usualmente, descontam-se 
duplicatas em prazos para 30 ou 60 dias. No entanto, atualmente, devido a uma concorrência entre 
instituições financeiras, é possível antecipar duplicatasde bancos para diversos prazos: 30, 60, 90, 
120 e 180 dias são prazos bastante comuns. Porém, há incidência de Imposto sobre Operações 
Financeiras (IOF) nessas operações.
2.2.7 Conta garantida
É uma operação de empréstimo disponibilizada por instituições financeiras para pessoas 
jurídicas e físicas na modalidade de crédito rotativo. A instituição financeira faz uma análise de 
crédito do cliente interessado e disponibiliza limites para serem utilizados de maneira bastante 
rápida, pois, após a análise de crédito, eles são colocados imediatamente à disposição para serem 
movimentados pelos clientes.
As instituições financeiras aceitam como garantias diversos títulos e recebíveis, entre eles: 
investimentos do cliente em Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra de Crédito Imobiliário 
(LCI), Certificado de Depósito Bancário (CDB), cheques pré-datados, duplicatas, saldos a serem 
recebidos de vendas de cartão de crédito e garantias reais, como veículos e imóveis.
2.2.8 Vendor
A operação de Vendor consiste em uma operação de financiamento de vendas. Nesse tipo 
de operação, ocorre uma cessão de crédito da empresa vendedora para a empresa compradora (que 
pode ser pessoa física). A operação de Vendor permite que as empresas vendam seus produtos a 
prazo enquanto recebem os pagamentos à vista.
Nessa operação, o vendedor/fornecedor acaba representando o papel de fiador de seu 
cliente comprador e se responsabiliza pelo pagamento das dívidas desse cliente com a instituição 
financeira, se houver inadimplência.
A Vendor gera enorme vantagem para o vendedor à medida que ele passa a contar com 
maior quantidade de clientes em potencial por causa da facilitação do processo de vendas 
parceladas. Muitos clientes podem não preencher os requisitos das instituições financeiras para 
os empréstimos ou financiamentos e, se não fosse a Vendor, não conseguiriam comprar parcelado. 
A empresa vendedora geralmente assume o risco de crédito da empresa compradora por causa 
do relacionamento que possuem. Portanto, é um financiamento para empresas em que a empresa 
vendedora contrata o crédito e assume o risco do negócio e quem paga é a empresa compradora.
Operações de crédito e serviços bancários 35
2.2.9 Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame)
É o nome de um financiamento destinado à aquisição de máquinas e equipamentos para 
usos empresariais em estabelecimentos credenciados pelo BNDES. O Finame é oferecido por vários 
bancos intermediários, uma vez que esse banco de desenvolvimento não possui capilaridade e 
penetração por meio de agências próprias. Assim, o Finame pode ser acessado nos grandes bancos 
públicos e privados que repassam essa linha de crédito do BNDES.
De modo geral, o interessado pode escolher uma máquina, um equipamento, um veículo etc., 
em uma lista disponível no site do BNDES e depois procura um agente financeiro intermediário 
que trabalha com essa linha de crédito (todos os maiores bancos brasileiros trabalham com ela). Em 
seguida, a instituição financeira intermediária fará uma análise prévia do pedido de financiamento 
via Finame para ver se está tudo correto e realizará uma análise de crédito do cliente. Aprovada a 
proposta de crédito pela instituição intermediária, ela será encaminhada para a análise do BNDES. 
Se aprovada a proposta pelo BNDES, o vendedor da máquina ou equipamento entregará o bem 
ao cliente e o BNDES depositará o dinheiro relativo ao bem na instituição intermediária, que, em 
seguida, entregará o recurso para o vendedor do bem.
Assim sendo, fica claro que o interessado em financiar um bem (máquina, equipamento 
ou veículo) por meio do Finame não verá o dinheiro. O cliente receberá diretamente o bem 
do fabricante ou vendedor e este receberá o dinheiro diretamente do banco. Usualmente, o 
bem financiado poderá ser retomado em caso de inadimplência – já que ele também serve de 
garantia. O BNDES Finame possui linhas de financiamento, as quais podem ser observadas no 
Quadro 2 a seguir.
Quadro 2 – Linhas do BNDES Finame
BK Aquisição e Comercialização
Financiamento para aquisição e comercialização de máquinas, equipamentos, 
sistemas industriais, bens de informática e automação, ônibus, caminhões e 
aeronaves executivas.
BK Produção
Financiamento de capital de giro destinado à produção de máquinas, 
equipamentos e bens de informática e automação.
Moderniza BK
Financiamento à modernização de máquinas e equipamentos instalados no 
país, com fornecimento contratado com os proprietários dos bens.
Fonte: Adaptado de BNDES, 2019.
Para cada finalidade de empréstimo existem condições específicas de prazos, taxas e 
procedimentos necessários (apresentação de documentos, projetos e certidões). As instituições 
financeiras que fazem a intermediação dessas linhas de crédito auxiliam no melhor enquadramento 
das propostas dos clientes.
2.2.10 Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC)
O ACC é uma operação de crédito voltada para empresas exportadoras que faturam em 
moedas estrangeiras. É um financiamento para a exportação ainda na fase de produção ou de 
pré-embarque de mercadorias e é oferecido por bancos autorizados a trabalhar com operações de 
câmbio, com os quais o exportador desenvolve um relacionamento.
Análise de risco e de crédito36
Com base nesse relacionamento e em análise de crédito, os bancos concedem um crédito 
ao exportador, que pode antecipar os recebimentos das exportações antes mesmo de receber os 
pagamentos por elas provenientes do exterior. O exportador recebe um valor em reais equivalente 
ao valor exportado descontado de uma taxa de juro que o banco cobra por esse adiantamento.
Para o exportador, o ACC é uma excelente ferramenta para gerenciar capital de giro em uma 
fase importante, que é a da produção da mercadoria. Essa linha de crédito pode ser estendida para 
fabricantes de insumos utilizados na fabricação das mercadorias que serão exportadas também. 
O ACC, portanto, pode ser acessado por outros produtores da cadeia produtiva voltada para a 
exportação, não apenas os produtores dos bens finais que serão exportados.
2.2.11 Adiantamento de Cambiais Entregues (ACE)
Assim como o ACC, o ACE é destinado a empresas exportadoras. A principal diferença 
entre essas operações de crédito está na fase em que são realizadas. Enquanto o ACC é contratado 
na fase de produção de bens e mercadorias, o ACE é contratado na fase de comercialização das 
mercadorias ou após o seu embarque para o exterior.
A operação se faz em um banco autorizado a operar câmbio, para o qual o exportador 
entrega todos os documentos relativos ao embarque e despacho das mercadorias e então solicita 
o adiantamento de cambiais. O dinheiro será depositado em reais para o exportador na sua conta 
bancária aqui mesmo no Brasil. O ACE pode ser usado para que o vendedor conceda um prazo 
para o importador pagar pelas mercadorias sem que, com isso, ele fique descapitalizado.
Nesta seção apresentamos as operações financeiras mais utilizadas por pessoas físicas e 
jurídicas no Brasil. Há subconjuntos e variações dessas mesmas operações em mais de um tipo de 
instituição financeira e, a cada dia, novas soluções vêm surgindo para suprir as necessidades do 
mercado de crédito. Essa evolução tem sido mais rápida devido ao crescimento da participação dos 
bancos digitais nos últimos anos.
2.3 Políticas de empréstimo
Entendemos por políticas de empréstimo as diretrizes estabelecidas pelas 
instituições financeiras para conceder empréstimos para pessoas físicas e jurídicas. 
Todas as instituições estabelecem as suas próprias diretrizes para guiar os processos de 
análise de crédito e a concessão de empréstimos. Para tanto, elas utilizam modelos que 
levam em consideração variáveis específicas com vistas a minimizar os riscos de crédito 
(riscos de não pagamento) e, também, a maximizar os retornos oriundos dessas operações (lucros).
Ocorre que o lucro costuma ser maior conforme aumenta o risco da operação. Essa é uma 
característica natural de todos os negócios. Assim,buscando aumentar a quantidade de operações 
cujos lucros estão acima da média, as instituições podem correr riscos elevados e se colocarem em 
situações delicadas diante de crises.
Exatamente por isso, a legislação bancária estabelece limites para as operações de crédito 
e parâmetros mínimos que devem ser observados na elaboração das políticas de empréstimo 
Vídeo
Operações de crédito e serviços bancários 37
das instituições financeiras. Ao se basear nesses critérios, essas instituições podem estabelecer 
diretrizes próprias – em geral mais restritivas – a serem adotadas em suas políticas de empréstimo.
O Acordo de Basileia (Basileia I), firmado em 1988 na Suíça, deu origem às diretrizes 
estabelecidas pelo Banco Central do Brasil para nortear as políticas de empréstimo das instituições 
financeiras que atuam no território brasileiro. Na ocasião, os mais de cem países que participaram 
daquele fórum de bancos centrais ratificaram um acordo que previa que os bancos deveriam 
seguir critérios para seus limites de alavancagem (capacidade de emprestar) e manter coeficientes 
mínimos de capital, balanceados pelos riscos das operações de crédito por eles firmadas.
Os modelos de crédito que se originaram daquele acordo desestimulavam empréstimos 
arriscados por parte das instituições financeiras à medida que, para realizar tais operações, as 
empresas seriam obrigadas a comprometer maiores coeficientes de capitais próprios e seriam 
estimuladas a conceder empréstimos para clientes considerados de menor risco.
Por outro lado, se você já trabalhou em um banco na área de empréstimos bancários, deve 
ter ouvido uma frase mais ou menos assim: “Se o banco não está tomando ‘calotes’, há algo errado”. 
Essa frase até pode parecer estranha, mas ela faz sentido, pois, se o banco não está sofrendo com 
inadimplência, ainda que mínima, isso significa que ele não está correndo muitos riscos. Em outras 
palavras, está deixando de lucrar mais com operações mais arriscadas.
Securato (2002) relaciona as principais diretrizes de política creditícia que devem ser 
respeitadas pelas instituições financeiras. Citando as normas estabelecidas pelo Banco Central do 
Brasil, o autor afirma que as instituições devem observar a distribuição da carteira por tipo de 
cliente, entre pessoa física ou jurídica, e os percentuais alocados para os setores público e privado; 
a definição dos clientes em potencial e a segmentação dos setores de atividades; os portes das 
empresas que serão alvo das instituições financeiras; o estabelecimento da concentração máxima 
de risco por cliente e por tipo de operação.
A segmentação por ramo de atividade tem grande importância para a política de concessão 
de crédito, segundo Securato (2002), no que diz respeito à avaliação de risco. O autor aponta o fato 
de que a especialização dos profissionais das instituições financeiras que trabalham emprestando 
recursos para ramos específicos da economia, como pequenos empresários, profissionais liberais, 
revendedores de veículos ou de imóveis, ajuda a entender melhor os riscos envolvidos em cada 
operação e auxilia no processo de decisão sobre quais riscos vale a pena correr.
Quanto ao porte da empresa, a política de concessão de crédito deve considerar as 
especificidades de cada cliente. Avaliar crédito para uma pessoa jurídica de pequeno porte (micro 
e pequenas empresas) não é uma atividade muito diferente daquela relacionada a avaliar crédito 
para pessoas físicas. Isso porque, essas empresas giram em torno das capacidades financeiras de 
uma ou de poucas pessoas, que se constituem, muitas vezes, na mão de obra que empresariam. 
Os históricos de relações de crédito, scores pessoais dos sócios, avais e garantias reais consistirão 
na maior parcela das informações necessárias para se analisar uma operação de crédito a esse 
segmento. Mas isso não será suficiente para o caso de empresas de grande porte.
Análise de risco e de crédito38
As empresas de grande porte podem contar com diversas modalidades de crédito ao seu 
dispor – desde empréstimos e financiamentos intermediados por bancos até títulos de crédito 
de curto e longo prazos (notas promissórias e debêntures) lançados diretamente no mercado de 
capitais. Essa característica torna a análise de crédito uma tarefa muito mais complexa.
Essas empresas conseguem trabalhar com níveis mais elevados de alavancagem financeira, 
isto é, trabalham com mais dívidas. Assim, indicadores de endividamento que seriam inaceitáveis 
para uma instituição financeira conceder crédito a uma pequena empresa, não seriam impeditivos 
para que ela pudesse fazê-lo a empresas de maior porte5. As capacidades de geração de caixa 
oriundas de um novo empréstimo para a execução de um projeto lucrativo ou para a redução de 
custos que permitissem o aumento de lucros dessas empresas poderiam justificar empréstimos 
para empresas com elevados graus de endividamento. Mas, mesmo nesses casos, outras variáveis 
teriam de ser analisadas.
Em geral, contam pontos positivos para a liberação de crédito por parte de instituições 
financeiras o tempo de fundação (a idade da empresa), as garantias reais (imóveis, terrenos), os 
avais, o faturamento e a geração de caixa, o histórico de crédito (sem anotações de inadimplência), 
a situação fiscal (tributos em dia para a obtenção de crédito de linhas do BNDES) e o patrimônio 
líquido positivo.
Nas análises de crédito, o tamanho relativo do endividamento da empresa em relação 
ao patrimônio líquido também conta. As dívidas bancárias já contratadas são consideradas 
um comprometimento importante da capacidade de pagamento para novos empréstimos ou 
financiamentos. Quando as dívidas bancárias são muito elevadas em relação à capacidade de 
geração de caixa das empresas ou em relação ao patrimônio líquido, novos empréstimos acabam 
sendo mais limitados. Quando o endividamento das organizações se aproxima da proporção de 
um para um em relação ao patrimônio líquido, na maioria dos casos, elas começam a experimentar 
dificuldades para a obtenção de novos empréstimos. O histórico de lucros e a governança da 
empresa também são estudados.
O quesito governança vem ganhando importância. O profissionalismo da gestão, a 
delimitação de atividades e controles bem distribuídos e organizados com áreas de demarcação de 
funções e responsabilidades contribuem para o acesso ao crédito.
Aquilo que se entende por políticas de empréstimo é um amplo conjunto de normas e 
procedimentos internos e externos, seguindo a regulação do Banco Central, que se destina a balizar 
as atividades de empréstimo das instituições financeiras de modo a oferecer, também, segurança 
para elas.
5 Sobre os portes ou tamanhos das empresas, há muitas classificações em uso. Há classificações que levam em 
consideração o número de funcionários e classificações que levam em consideração o tamanho do faturamento das 
empresas. O critério de porte relacionado com o faturamento é o mais utilizado. Mesmo assim, é possível encontrar 
critérios diferentes em relação ao faturamento comparando, por exemplo, as classificações do Simples Nacional e do 
BNDES. No caso da classificação do BNDES, considera-se microempresa aquela que fatura até R$ 360 mil por ano. Já 
a pequena empresa é aquela cujo faturamento é maior que R$ 360 mil e menor ou igual a R$ 4,8 milhões. As empresas 
de porte médio são aquelas que faturam entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões. Acima de R$ 300 milhões, considera-se 
grande empresa.
Operações de crédito e serviços bancários 39
Considerações finais
Neste capítulo, abordamos conceitos de serviços bancários visando demonstrar a diversidade 
de serviços prestados por bancos e instituições financeiras com ênfase em operações de crédito. 
Selecionamos as operações mais comuns oferecidas pelas instituições financeiras para pessoas 
físicas e jurídicas com o objetivo de apresentar alguns produtos financeiros com os quais você 
certamente lidará no dia a dia de um departamento comercial ou financeiro de uma empresa.Além disso, procuramos demonstrar as variáveis que são levadas em consideração pelas 
instituições financeiras no processo de concessão de crédito, para auxiliar na compreensão dos 
pontos que as empresas devem fortalecer para obter sucesso quando precisarem de empréstimos e 
financiamentos.
Ampliando seus conhecimentos
• FORTUNA, E. Mercado financeiro: produtos e serviços. Rio de Janeiro: QualityMark, 
2011.
Esse livro mostra vários produtos financeiros oferecidos no mercado. Ideal para 
trabalhadores de instituições financeiras e para quem busca compreender a diversidade 
dos produtos e serviços financeiros existentes no mercado.
• A ASCENSÃO do dinheiro. Direção: Adrian Pennick. Roteiro: Niall Ferguson. Grã-
Bretanha: Log On, 2008. 3 DVDs (300 min), color.
Esse documentário de seis episódios se baseia no livro de mesmo nome, de autoria de 
Niall Ferguson. Apresenta a evolução do sistema financeiro, o surgimento de operações 
de crédito e o avanço e a complexidade que assumiram ao longo do tempo.
Atividades
1. Qual é a principal diferença existente entre as instituições financeiras de natureza bancária 
e as não bancárias?
2. Qual é a principal diferença existente entre um Adiantamento de Contrato de Câmbio 
(ACC) e um Adiantamento de Cambiais Entregues (ACE)?
3. Existem diferenças nas políticas de concessão de crédito das instituições financeiras quanto 
ao porte das empresas que solicitam empréstimos e financiamentos? Quais?
Análise de risco e de crédito40
Referências
BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que são instituições não bancárias? Brasília, 2019. Disponível em: https://
www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/instituicoesnaobancarias. Acesso em: 24 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.878, de 26 de julho de 2001. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2001. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2001/pdf/res_2878_v4_L.pdf. 
Acesso em: 9 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 3.211, de 30 de junho de 2004. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2004. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.
asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/46379/Res_3211_v3_P.pdf. Acesso em: 9 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 3.402, 6 de setembro de 2006. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2006a. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2006/pdf/res_3402_v2_L.pdf. 
Acesso em: 9 set. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Sistema Financeiro Nacional. Brasília, 2006b. Disponível em: https://www.
bcb.gov.br/Pre/bcUniversidade/Palestras/BC%20e%20Universidade%202.6.2006.pdf. Acesso em: 26 ago. 
2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 3.919, de 25 de novembro de 2010. Brasília: Conselho 
Monetário Nacional, 2010. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2010/pdf/res_3919_
v4_P.pdf. Acesso em: 9 set. 2019.
BNDES. BNDES Finame – financiamento de máquinas e equipamentos. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: 
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/finame/como-obter-inanciamento-finame/
bndes-finame-principal. Acesso em: 9 set. 2019.
BRASIL. Lei n. 6.099, de 12 de setembro de 1974. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 10589, 13 
set. 1974. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6099.htm. Acesso em: 9 set. 2019.
SECURATO, J. R. Análise e avaliação do risco: pessoas físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul, 2002.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%206.099-1974?OpenDocument
3
Análise de risco
Este capítulo tem por objetivo apresentar modelos de risco utilizados para a avaliação da 
tomada e da concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas no âmbito de operações de crédito 
e da concessão de crédito entre firmas. Para isso, apresentaremos as ferramentas analíticas que são 
levadas em consideração quando se tem de tomar decisões sobre o momento de investir e também 
de conceder crédito a pessoas físicas ou jurídicas.
Entre essas ferramentas, destacamos a importância dos estudos de probabilidade para a 
compreensão sobre como se forma o conhecimento dos níveis de risco com base nas frequências 
dos eventos ocorridos no passado. Também merecem atenção os modelos de risco adotados por 
agências de rating e demais instituições financeiras, bem como o que elas fazem para reduzir as 
exposições aos riscos.
3.1 Probabilidades
A medida da chance ou probabilidade com a qual podemos esperar que 
um evento ocorra é representada por um número entre o intervalo que vai de 
0 até 1. Quando estamos seguros de que um evento1 ocorrerá, dizemos que sua 
probabilidade será de 100% ou 1, mas, se estivermos seguros de que ele não 
acontecerá, dizemos que sua probabilidade será 0. Se, por exemplo, a probabilidade 
for de 1/4, concluímos que existe 25% de chance de esse evento ocorrer e 75% de chance de ele não 
acontecer. Da mesma forma, podemos dizer que as chances da não ocorrência desse evento serão 
de 75% contra 25%, ou seja, de 3 contra 1.
Saber qual é a probabilidade de ocorrência de um evento é muito importante para a elaboração 
de modelos de risco e para as estimativas de retorno de investimentos e operações financeiras, já 
que o conceito de probabilidade está ligado ao cálculo do valor esperado desses retornos.
O processo de tomada de decisão de investimentos e de concessão de crédito parte de uma 
análise relativa do retorno esperado comparada com os riscos das operações.
De acordo com Spiegel, Schiller e Srinivasan (2004), para calcular a probabilidade de um 
evento, existe mais de uma técnica. Na abordagem clássica, o procedimento adotado é dividir 
o evento pelo número de maneiras possíveis em que ele possa ocorrer, desde que elas sejam 
igualmente prováveis. Então, se tomarmos o evento pelo nome de h e representarmos o número 
de maneiras possíveis de h ocorrer por n, então, a probabilidade do evento será h/n.
No caso de um jogo de cara ou coroa, por exemplo, podemos chamar de evento o resultado 
cara, pois ele é um subconjunto do espaço amostral que representa todas as possibilidades (cara 
1 Evento, nesse caso, é um subconjunto de dados do chamado espaço amostral, expressão utilizada para designar a 
totalidade dos dados possíveis.
Vídeo
Análise de risco e de crédito42
+ coroa). Assim sendo, a probabilidade de sair cara em um jogo único de uma moeda não viciada 
passa a ser ½ (ou 50%). É impossível saber qual será o resultado de um jogo desse tipo antes de 
jogarmos a moeda, mas sabemos que temos uma chance em duas de esse resultado ocorrer.
Ainda segundo Spiegel, Schiller e Srinivasan (2004), temos a abordagem frequencista para a 
apuração do cálculo da probabilidade. Essa abordagem consiste em verificar, após muitas repetições 
de um experimento, quantas vezes ocorre o evento h. A abordagem frequencista da probabilidade 
também é conhecida por probabilidade empírica, justamente por se basear nos experimentos, como 
no exemplo fornecido pelos autores: “se lançarmos uma moeda 1.000 vezes e aparecer cara 532 
vezes, estimamos a probabilidade de ocorrer cara por 532/1.000 = 0,532” (SPIEGEL; SCHILLER; 
SRINIVASAN, 2004, p. 17).
É importante alertar, todavia, que tanto a abordagem clássica como a frequencista sofrem 
críticas. No caso da primeira, expressões como igualmente prováveis não são claras e deixam espaço 
para interpretações diversas. O mesmo ocorre na abordagem frequencista, porque o número de 
experimentos necessários para calcular a probabilidade não fica claro.
Ainda assim, estudos sobre frequências de ocorrências de eventos são muito úteis. A parte 
que mais nos interessa aqui é compreender como o cálculo das probabilidades pode ser útil para 
modelos de análise de risco e avaliação de retornos. Passaremos a discutir esse tema a seguir.
3.1.1 Probabilidade aplicada aos cálculos de risco
Analisando o histórico de concessão de crédito para diferentes pessoas físicas e jurídicas, 
é possível conhecer o perfil dos bons e dos maus pagadores e analisar afrequência de atrasos 
dos pagamentos de empréstimos de pessoas com determinada renda, grau de instrução, valor de 
garantias colocadas em contrato, idade, sexo etc.
Assim como, se nos basearmos nas frequências de eventos, como acidentes de automóveis 
e motocicletas, podemos verificar qual é o perfil do condutor que representa maior risco para uma 
seguradora. Os relatórios do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias 
Terrestres (DPVAT)2 apontam que os homens jovens são os principais envolvidos nesses acidentes, e é 
exatamente por isso que as seguradoras cobram mais pelo prêmio pago pelo seguro por esses indivíduos.
Os estudos das frequências em que ocorrem os sinistros estão nas bases de todos os modelos 
de seguro. No caso das empresas de planos de saúde, são reunidos dados indicando as idades em 
que as mulheres têm filhos com mais frequência e passa-se a cobrar mais pelo plano nessa faixa 
etária, já que a probabilidade, calculada com base na frequência de múltiplos eventos (partos) 
ocorridos no passado, aponta para essa determinada faixa etária como a mais provável.
Observe o seguinte exemplo para compreender como é feito o cálculo das frequências: 
suponha que estamos analisando a durabilidade de um tipo especial de lâmpadas de uso industrial 
e que os dados obtidos foram os que apresentamos na Tabela 1.
2 Você pode consultar essas estatísticas no link: https://www.seguradoralider.com.br/Documents/Relatorio-Anual/
RELATORIO%20ANUAL_2018_WEB.pdf. Acesso em: 4 out. 2019.
Análise de risco 43
Tabela 1 – Ocorrências de lâmpadas industriais queimadas de acordo com o número de horas de uso
Número de horas Ocorrências Frequência
0000-1.000 1 0,007518797
1.001-2.000 2 0,015037594
2.001-3.000 7 0,052631579
3.001-4.000 14 0,105263158
4.001-5.000 25 0,187969925
5.001-6.000 35 0,263157895
6.001-7.000 25 0,187969925
7.001-8.000 14 0,105263158
8.001-9.000 7 0,052631579
9.001-10.000 2 0,015037594
10.001- 1 0,007518797
Fonte: Elaborada pelo autor.
Nessa tabela, apresentamos o número de ocorrências de queima de lâmpadas em cada 
faixa de uso medido em horas. Assim sendo, entre 0 e 1.000 horas de uso, apenas uma lâmpada 
queimou. Esse foi, portanto, o número de ocorrências de queima de lâmpada na primeira faixa 
de uso analisada. O número da frequência 0,007518797 apresentado ao lado do número de 
ocorrências dessa mesma faixa de horas foi obtido dividindo o número 1 por 133, que é o número 
total de lâmpadas observadas, obtido pela soma de todas as ocorrências apresentadas nessa tabela. 
Podemos visualizar as frequências de outra maneira, com base nesses mesmos dados, conforme o 
gráfico a seguir.
Gráfico 1 – Ocorrências de lâmpadas industriais queimadas de acordo com o número de horas de uso
Frequências relativas
0,3
0,25
00
00
-1
.00
0
1.0
01
-2
.00
0
2.0
01
-3
.00
0
3.0
01
-4
.00
0
4.0
01
-5
.00
0
5.0
01
-6
.00
0
6.0
01
-7
.00
0
7.0
01
-8
.00
0
8.0
01
-9
.00
0
9.0
01
-1
0.0
00
10
.00
1-
0,2
0,15
0,1
0,05
0
Fonte: Elaborado pelo autor.
Análise de risco e de crédito44
A disposição dos dados sob a forma de gráfico de frequência ajuda a compreender o modo 
como as informações estão distribuídas, o que é importante para podermos extrair o máximo de 
cálculos de probabilidades.
Se, por exemplo, os dados seguirem uma distribuição de probabilidade normal gaussiana, 
isto é, se estiverem normalmente distribuídos, então poderemos afirmar muitas coisas sobre os 
resultados esperados das análises desses dados. Conforme observa Securato (2002, p. 176-177): “a 
probabilidade de a variável em estudo estar entre (μx – 1σx) e (μx+ 1σx) é de 68,3%. A probabilidade 
de a variável em estudo estar entre (μx – 2σx) e (μx+ 1σx) é de 95,5%. A probabilidade de a variável 
em estudo estar entre (μx – 3σx) e (μx+ 3σx) é de 99,7%”.
Os eventos mais prováveis são aqueles que se situam nas proximidades das médias. 
Especificamente, são mais prováveis os elementos que se situam a um desvio padrão de distância, 
para mais ou para menos, da média. Esse tipo de informação é bastante útil para compreender 
os valores esperados de carteiras de investimento e de riscos de perda em operações financeiras. 
Tomaremos como exemplo o estudo encomendado pela Comissão de Valores Mobiliários para a 
Fundação Getulio Vargas (CHAGUE; GIOVANNETTI, 2019), que buscou analisar os dados de 
pessoas que se dedicavam a realizar operações de day trade (compra e venda de ativos financeiros 
em um mesmo dia) na Bolsa de Valores de São Paulo (conhecida por B3) e chegou a uma conclusão: 
a probabilidade de um indivíduo viver apenas de day trade na bolsa é muito pequena.
Esse exemplo mostra a importância de estudos sobre frequências de eventos e probabilidades 
para a tomada de decisão de investimentos. Isso porque apenas 1% dos indivíduos conseguiu obter 
uma média de ganhos superiores a R$ 300,00 por dia – a maioria perdeu dinheiro no período 
analisado. Esse estudo foi muito comentado entre os investidores em bolsa de valores no ano de 
2019, pois contestou, com dados e estatísticas, as várias propagandas de analistas de ações que 
afirmavam que viver de bolsa é fácil, e concluiu que a probabilidade de obter sucesso fazendo 
day trade é muito baixa.
Ainda sobre a importância da probabilidade, cabe ressaltar que, frequentemente, utilizamos 
os estudos dos intervalos de confiança no entorno das médias para determinar se um investimento 
é mais ou menos arriscado que outro. Nesse sentido, buscamos obter os valores das médias dos 
retornos de investimentos no decorrer de longos períodos (superiores a três meses) e calculamos os 
desvios padrões desses retornos. Uma medida muito apropriada de risco pode ser obtida ainda da 
divisão do desvio padrão dos retornos dos investimentos pelas médias desses investimentos (que é 
o que chamamos de coeficiente de variação). Para dar início a uma análise de risco de investimentos, 
seguiremos os passos apresentados com base na Tabela 2.
Análise de risco 45
Tabela 2 – Taxas de juros mensais para investimento em renda fixa para o ano de 20X0
Mês Taxa de juro (% ao mês)
Janeiro 11,50%
Fevereiro 9,00%
Março 12,50%
Abril 13,90%
Maio 7,70%
Junho 12,20%
Julho 13,30%
Agosto 11,90%
Setembro 12,30%
Outubro 13,10%
Novembro 14,10%
Dezembro 13,00%
Fonte: Securato, 2002, p. 179.
Dadas as fórmulas da média e do desvio padrão , chegamos 
ao resultado da média = 12,04% e do desvio padrão = 1,8%, para esse exemplo.
Com a média e o desvio padrão calculados, supondo-se que a distribuição das taxas de juros 
seja normal, podemos esperar uma taxa futura de juros em torno de 12,04% – 1,8% = 
10,24% a.m. e 12,04% + 1,8% = 13,84% a.m.
Isso porque o intervalo que vai da média (12,04% a.m.) menos um desvio padrão até a 
média mais um desvio padrão contempla 68,3% das probabilidades de ocorrência dos eventos. Foi 
exatamente isto o que fizemos: calculamos o intervalo de valores mais prováveis para um dado, 
valor ou faixa de resultados.
Esses e outros usos podem ser realizados nos estudos de probabilidades. Um deles envolve 
o cálculo de risco de sinistros em seguros e em carteiras de empréstimos. Isso pode ser feito por 
meio da coleta de dados de sinistros e não pagamentos, que podem ser tabulados de diversas 
formas. Assim, é possível averiguar as frequências de ocorrência dos eventos e trabalhar com as 
probabilidades para a tomada de decisão envolvendo risco.
Como chegamos a esses valores da média e do desvio padrão? (passo a passo)
Para chegarmos aos resultados apresentados para a média e para o desvio padrão, 
buscamos resolver os somatórios apresentados nas fórmulas. Apresentaremos, a 
seguir, os resultados dos somatórios que foram utilizados.
O termo n significa o número de meses (dados) disponíveis. É fácil ver que n = 12.
Σ xi simboliza a soma de todos os dados da coluna das taxas de juros, que é 
onde estão os dados que chamamosde x. No caso, o resultado é 144,50% ou 
1,445.
1
n xi x =
2 n (x2)–( x)2
n2
( x + 1 x) =
( x – 1 x) =
Análise de risco e de crédito46
Σ (x2) é a soma dos quadrados de todos os dados da coluna taxa de juro:
[(11,50%)2 + (9,00%)2 + (12,50%)2 + (13,90%)2 + (7,70%)2 + (12,20%)2 + 
(13,30%)2 + (11,90%)2 + (11,90%)2 + (12,30%)2 + (13,10%)2 + (14,10%)2 + 
(13,00%)2] = 0,178005
(Σx)2 é o quadrado da soma dos valores de x que apresentamos anteriormente, 
isto é, o quadrado do número 144,50% obtido ou o quadrado de 1,145, se 
preferir. A resposta é 208,8025% ou 2,088025.
O conhecimento dos valores das médias dos retornos dos investimentos, das médias dos 
sinistros de bens segurados ou de quaisquer eventos estudados (como “calotes” de crédito), em 
conjunto com a apuração dos seus desvios padronizados, é de grande valia para qualquer modelo 
ou análise de risco. Isso porque o estabelecimento de intervalos de confiança para a ocorrência 
de eventos, calculados com base nessas medidas, permite que se saiba qual é a probabilidade 
de ocorrência de um evento fora desse intervalo. Em outras palavras, permite saber qual é a 
probabilidade de ocorrer resultados diferentes daqueles que são os mais esperados.
3.2 Modelos de risco
A palavra modelo possui diversos significados. Todavia, em se tratando 
da área de finanças, um modelo deve ser compreendido como uma descrição 
simplificada da realidade. Isto é, um extrato da realidade, uma simplificação que 
necessariamente não leva em consideração todos os aspectos dessa realidade. As 
principais vantagens da utilização de modelos são as seguintes:
• identificação das variáveis relevantes para a explicação de fenômenos;
• obtenção das relações de dependência e explicação dos fenômenos;
• obtenção de resultados rápidos;
• testes de significância de variáveis.
Por serem descrições ou recortes simplificados da realidade, os modelos são frequentemente 
questionados no quesito aderência com a realidade. Isto é, por não contemplarem todas as variáveis que 
interferem, explicam ou causam um fenômeno ou resultado, são considerados simplórios por muitos 
críticos, mas a ciência trabalha com modelos porque a realidade é um fenômeno muito complexo.
Se forem coletadas e utilizadas muitas variáveis no processo de elaboração de um modelo, então 
ele se aproximará cada vez mais da realidade. Por outro lado, ficará cada vez mais difícil trabalhar com 
as informações e obter resultados com base nelas. Os modelos podem ser representados por equações, 
algoritmos, fluxogramas de processos e procedimentos, listas contendo sequências de ações etc.
Já o chamado modelo de risco é destinado a identificar algum tipo de risco relacionado 
a um ativo, título de crédito ou investimento, ativo real ou sinistros em geral. Assim sendo, há 
uma quantidade grande de modelos de risco para cada finalidade. Neste livro, estudaremos riscos 
Vídeo
Análise de risco 47
associados ao crédito, em primeiro lugar. Vamos nos concentrar nos modelos que se destinam a 
medir esses riscos, em especial os que são mais associados ao crédito.
3.2.1 Modelos de risco das agências de rating
As agências de rating são empresas privadas especializadas no fornecimento (venda) de 
relatórios e análises de empresas, instituições financeiras e governos. Entre outras coisas, destacam-
-se pela utilização de modelos de risco que se destinam a facilitar as decisões de bancos em relação 
aos riscos de crédito e de mercado de determinadas operações, facilitar o processo de decisão de 
investimentos em ações de empresas, compra de debêntures e notas promissórias de uma empresa 
por parte de um investidor etc.
As mais famosas agências de rating do mundo são a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch. 
Os modelos completos de cada uma das agências são desconhecidos. Eventualmente, as variáveis 
relevantes e até mesmo detalhes importantes, como os pesos considerados nos cálculos, são 
divulgados parcialmente, uma vez que esses modelos se constituem nas principais ferramentas das 
agências de risco e, por isso mesmo, permanecem em segredo. Todavia, a agência Moody’s fornece 
em linhas gerais a sua metodologia, conforme mostra a Tabela 3 a seguir.
Tabela 3 – Fatores levados em consideração para a classificação do nível de risco de uma empresa
Fatores gerais de rating
Ponderação 
do fator
Subfatores de rating
Ponderação 
do subfator
Escala 5% Receita (bilhões de dólares) 5%
Perfil do negócio 15% Perfil de negócio 15%
Lucratividade e eficiência 30%
Margem operacional 10%
Volatilidade da margem operacional 10%
EBIT3/ativos médios 10%
Alavancagem e cobertura 40%
Dívida/capitalização contábil 10%
Dívida/EBITDA4 10%
EBIT/despesas com juros 10%
RCF5/dívida líquida 10%
Política financeira 10% Política financeira 10%
Total 100% Total 100%
Fonte: Adaptada de Moody’s, 2014, p. 5.
3  A sigla quer dizer Earnings Before Interest and Taxes. Em português, significa lucro antes dos juros e tributos, o que 
acabou gerando a sigla Lajir.
4 A sigla quer dizer Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português, significa lucro antes 
dos juros, impostos, depreciação e amortização ou Lajida.
5 Fluxo de Caixa Retido.
volatilidade: 
oscilação.
Análise de risco e de crédito48
Para detalhar como ocorre a classificação de risco com base no modelo da agência de rating, 
acrescentaremos a seguir os critérios específicos referentes ao fator de lucratividade e eficiência 
apresentado na tabela anterior.
Tabela 4 – Fator lucratividade e eficiência (30%)
Ponderação 
de subfator
Aaa Aa A Baa Ba B Caa Ca
Margem 
operacional
10% ≥ 30% 24% a 30% 18% a 24% 12,5% a 18% 7,5% a 12,5% 2,5% a 7,5% 1% a 2,5% < 1%
Volatilidade 
da margem 
operacional
10% < 2,5% 2,5% a 5% 5% a 10% 10% a 17,5% 17,5% a 25% 25% a 40% 40% a 50% ≥ 50%
EBIT/ativos 
médios
10% ≥ 25% 16% a 25% 11% a 16% 7% a 11% 4% a 7% 2% a 4% 1% a 2% < 1%
Fonte: Adaptada de Moody’s, 2014, p. 9.
Na Tabela 4, em margem operacional, o indicador de lucratividade utilizado na grade foi o 
lucro operacional dividido pela receita líquida. Já a volatilidade da margem operacional foi obtida 
pelo desvio padrão de cinco anos de margem operacional dividido por uma média de cinco anos de 
margem operacional. Por fim, EBIT/ativos médios relaciona o retorno nos ativos médios, indicador 
de capacidade da empresa de gerar um retorno constante e significativo da sua base de ativos6.
3.2.2 Modelo de classificação de risco de crédito
A Resolução n. 2.682 do Banco Central do Brasil (1999) estabelece regras para a elaboração 
de modelos de risco de crédito que se baseiam em provisionamentos para créditos de liquidação 
duvidosa oriundos da reclassificação de empréstimos concedidos de acordo com o grau de 
severidade da operação. As origens dessas regras se encontram nas ideias do Acordo de Basileia, 
que davam muita atenção para o risco de crédito. Nossa legislação permite autonomia considerável 
para que as instituições financeiras elaborem seus próprios modelos de risco, desde que cumpram 
algumas exigências mínimas, como o provisionamento de créditos (provisionamento para perdas) 
com base nos seguintes percentuais:
i. nível AA (0% de provisão);
ii. nível A (0,5% de provisão);
iii. nível B (1% de provisão);
iv. nível C (3% de provisão);
v. nível D (10% de provisão);
vi. nível E (30% de provisão);
vii. nível F (50% de provisão);
viii. nível G (70% de provisão);
ix. nível H (100% de provisão).
6 “O cálculo é feito sobre a receita antes dos impostos + despesas com juros + outras despesas não recorrentes 
(EBIT) divididas pela média de ativos totais (nos exemplos ilustrativos de mapeamento, isso é comumente calculado 
usando os dois últimos anos divididos por dois)” (MOODY’S, 2014, p. 9).
Análise de risco 49
A metodologia para classificar os riscos das operações entre os níveis AA e H, segundo a 
Resolução n. 2.682 (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 1999), foi descrita na seção 1.1 deste livro. 
Somaremos àquela classificação a determinaçãodo provisionamento de créditos para fazerem 
frente às possíveis perdas associadas com as probabilidades de não pagamento desses créditos por 
parte dos tomadores. A exigência dessas provisões em dinheiro, na prática, limita a capacidade de 
empréstimos das instituições financeiras. Vamos explicar agora as razões disso.
Quando um banco empresta dinheiro para pessoas físicas e jurídicas de alto risco – como 
aquelas que estiverem classificadas nos níveis G e H –, ele é obrigado a provisionar recursos nas 
ordens de 70% e 80%, respectivamente, para cada operação classificada naqueles níveis de riscos. 
Esse dinheiro ficará “parado”, por assim dizer, e diminuirá o montante disponível para que esse 
banco empreste para outras pessoas físicas e jurídicas. Consequentemente, ele irá cobrar juros 
mais altos desses perfis de empréstimo para poder compensar as perdas que terá por não poder 
emprestar aqueles recursos provisionados. Por outro lado, se o banco emprestar apenas para pessoas 
físicas classificadas no nível de risco AA, ele não será obrigado a fazer essa provisão para devedores 
duvidosos e sobrará mais dinheiro para ser emprestado para outros clientes. Nesse caso, poderá 
cobrar juros menores desse perfil de cliente, pois ele não ocasiona a formação dessas previsões que 
não geram recursos para os bancos.
Também em função disso, os bancos têm interesse em se livrar desses empréstimos de alto 
risco depois de um tempo, para que eles possam ser baixados de seus balanços e as provisões 
possam ser liberadas para novos empréstimos.
Assim sendo, é fundamental que exista zelo no processo de elaboração dos modelos de 
risco próprios dos bancos. Na prática, esses modelos consideram, em maior ou menor grau, a 
depender da instituição financeira e de seu perfil de atuação no mercado, os mesmos elementos 
que foram apresentados anteriormente, quando tratamos dos modelos de risco das agências de 
rating. A diferença recai em razão de perfil da operação, tamanho, garantias oferecidas e histórico 
de volatilidades.
Securato (2002) apresenta ainda as exigências de capital com base no Acordo de Basileia. 
Em linhas gerais, os bancos deveriam apresentar uma relação de capital sobre os ativos ajustados 
pelos riscos em uma ordem superior a 8%. Isso significa que o montante de capital próprio e de 
reservas dos bancos somado aos instrumentos utilizados por eles para a captação de recursos de 
terceiros, quando dividido pelos ativos ajustados pelo risco, deveria resultar em um número igual 
ou superior a 8%. Esse resultado pode ser encontrado utilizando a fórmula:
Capital
ativos ajustados
= ≥ 8%
O ajuste dos ativos pelos seus riscos, por sua vez, deveria ser realizado observando os perfis 
de risco dos devedores da seguinte maneira:
0% para ativos representados por caixa, títulos do governo e do Banco Central 
do país e dos membros da OECD (Organization for Economic Cooperation and 
Development), títulos garantidos pelos países da OECD;
Análise de risco e de crédito50
0%, 20%, 50% ou 100% (dependendo do país) para os ativos representados por 
papéis emitidos por empresas públicas ou empréstimos garantidos por essas 
instituições;
20% para os papéis de longo prazo emitidos por bancos de desenvolvimento ou 
por bancos dos países membros da OECD, ou por estes garantidos, e os papéis 
de curto prazo emitidos por bancos em outros países;
50% para os ativos representados por empréstimos garantidos por hipotecas de 
imóvel ocupado pelo tomador ou alugado;
100% para os ativos representados por empréstimos junto ao setor privado, 
papéis de longo prazo emitidos por bancos de países não membros da OECD, 
equipamentos, ativos fixos, ativos imobiliários. (SECURATO, 2002, p. 198-199)
Apesar desses esforços, nenhum modelo de crédito conseguirá evitar inadimplência de curto 
ou de longo prazo. Também não é possível evitar fraudes nem que os bancos ou as instituições 
financeiras incorram em riscos crescentes nas suas atividades. Essa tem sido a história do 
sistema financeiro e dos sistemas de regulação financeira ao redor do mundo.
3.2.3 Novas tendências nas análises de risco
O foco na tentativa de eliminar os riscos de crédito (isto é, os riscos de não recebimento) 
se revelou insuficiente para manter a estabilidade dos sistemas financeiros nas décadas de 1990 
e 2000. Nesse período, crises bancárias severas tomaram corpo na Ásia e nos EUA e foram 
fomentadas por outros tipos de riscos, como os de mercado e os operacionais. Entre os riscos 
que foram subavaliados pelas instituições financeiras até o início do século XXI, destacam-se os 
apresentados no Quadro 1 a seguir.
Quadro 1 – Definições de risco
Risco de mercado
É oriundo da volatilidade dos preços dos ativos de um determinado mercado. São exemplos 
de mercado de ativos aquele de moedas estrangeiras (operações de câmbio), o de ações da 
bolsa de valores, títulos de renda fixa (públicos e privados) ou mercado imobiliário. Assim, os 
riscos de determinados mercados serão maiores ou menores que os de outros à medida que 
as oscilações dos preços e dos retornos dos ativos que os compõem exibirem maiores ou 
menores variações.
Risco de liquidez
Na verdade, deveria se chamar risco de iliquidez, pois se refere à possibilidade de que os 
investidores ou credores experimentem perdas elevadas quando houver a necessidade de 
converter seus ativos ou créditos em dinheiro ao não existirem contrapartes em quantidades 
suficientes – ou seja, no momento em que o mercado para aquele ativo ou crédito estiver 
reduzido em tamanho. Nesse caso, para a conversão desses ativos ou créditos em dinheiro, 
seria necessário oferecer descontos elevados, pois eles se encontram reduzidos em número 
de participantes.
Risco legal
Origina-se da falta de padronização e regulamentação dos investimentos, da falta de 
segurança jurídica para determinadas operações ainda não completamente resolvidas no 
âmbito dos reguladores do mercado. Muitos produtos e serviços que são considerados 
inovações financeiras apresentam riscos legais elevados pela ausência de regulação.
Risco operacional
Está ligado com as falhas operacionais nas instituições financeiras, como erros de 
procedimentos de funcionários ou falhas de sistemas. Também ocorre fora do ambiente 
das empresas. Podemos falar de risco operacional nas operações de carga e descarga de 
mercadorias ao longo da cadeia logística e em outras situações. No ambiente das corretoras 
de valores, por exemplo, a execução equivocada de ordens de compra e venda de ações ou a 
queda nos sistemas de negociações demonstram esse tipo de risco.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Análise de risco 51
Em função de tudo o que foi exposto, no ano de 2001 uma nova regulamentação passou 
a fundamentar modelos de risco de instituições financeiras com base na difusão das regras 
do que ficou conhecido como Acordo de Basileia II. A regra para a análise da exposição e 
comprometimento de capital com operações financeiras passou a ser, de acordo com Securato 
(2002, p. 200):
Capital
Risco de crédito + [12,5 × (risco de mercado + risco operacional)]
= ≥ 8%
Para a análise do risco de crédito, encorajou-se a contratação de agências externas de rating, 
principalmente para as instituições financeiras de menor porte que não possuíssem grandes 
estruturas internas voltadas para a elaboração de modelos de riscos. Assim, os modelos de risco 
foram e continuam evoluindo e incorporando novos conhecimentos sobre as complexas inter- 
-relações entre os agentes do mercado, buscando dar maior eficiência para os processos que giram 
em torno das operações financeiras.
3.2.4 O modelo CAPM e a diversificação de Markowitz
Um dos modelos mais utilizados para avaliar risco das carteiras é o modelo capital asset 
pricing model (CAPM). Publicado na década de 1960, é largamente utilizado para medir os riscos 
assumidos pelos investidores.
O CAPM também é um dos modelos-padrão para a análise do custo de capital das empresas e 
instituições financeiras e se converteu na teoria básicaque liga o risco ao retorno de um ativo. O modelo 
foi uma construção conjunta de Jack Treynor, William Sharpe, John Lintner e Jan Mossin e as 
ideias contidas nele, em grande medida, continuaram e completaram os ensinamentos trazidos 
anos antes por Markowitz (1952) com sua Moderna Teoria das Crteiras.
Esse modelo foi construído sobre algumas premissas, por exemplo, a de que a variância dos 
retornos dos ativos (títulos, ações e afins) seria uma medida adequada para risco (assim como o 
desvio padrão). No trabalho de Markowitz (1952), o desvio padrão já tinha sido apresentado como 
uma medida de risco. Já o retorno esperado pelos investimentos foi considerado pelos autores do 
modelo com as justas recompensas pelos riscos assumidos por aqueles que compram títulos e/ou 
os mantêm em suas carteiras.
Uma das medidas obtidas pelo CAPM é o coeficiente β (lê-se beta), que mede o aumento 
necessário no retorno de um ativo para que ele remunere adequadamente o seu risco sistemático7 
e, consequentemente, atraia investidores.
O cálculo do coeficiente β apresentado na reta característica do mercado ajuda a compreender 
o impacto de variações no mercado sobre os títulos ou ativos isolados ou em carteira. Em termos 
7 Os riscos dos investimentos são divididos em dois componentes: o primeiro deles é o risco diversificável e o 
segundo é o risco não diversificável. O risco diversificável, às vezes chamado risco não sistemático, resulta de eventos 
incontroláveis ou aleatórios que atingem especificamente uma empresa. Como exemplo podemos citar greves de 
trabalhadores, desastre na planta de produção, proibições legais. São riscos de investimentos que podem ser eliminados 
por meio da diversificação. Já o risco não diversificável, ou o chamado risco sistemático, é oriundo de eventos que afetam 
todos os investimentos e, portanto, não podem ser evitados. A soma do risco diversificável com o não diversificável é 
chamada risco total.
Análise de risco e de crédito52
práticos, as principais informações do modelo CAPM são obtidas por meio do cálculo de uma 
regressão linear entre os retornos históricos dos ativos que procuramos medir e seus mercados. 
Dessa regressão podemos extrair o coeficiente β, que informa a exposição de nosso ativo ou título 
estudado ao mercado em que está inserido.
Antes de apresentarmos exemplos, convém mostrar o conjunto de hipóteses características do 
modelo e sua formulação. São hipóteses do modelo, segundo Assaf Neto (2006, p. 227):
Assume-se uma grande eficiência informativa do mercado, atingindo igualmente 
todos os investidores;
Não há impostos, taxas ou quaisquer outras restrições para os investimentos no 
mercado;
Todos os investidores apresentam a mesma percepção em relação ao desempenho 
dos ativos, formando carteiras eficientes a partir de expectativas idênticas;
Existe uma taxa de juro de mercado definida como livre de risco.
Para determinar a relação existente entre os retornos de um ativo e os retornos de seu 
mercado, é preciso definir o que seria o mercado desse ativo. No modelo CAPM, a carteira 
representativa do mercado seria composta de todos os títulos existentes nas proporções em que 
estariam disponíveis. Todavia, na prática o que acontece é que a definição de mercado nos estudos 
e análises de risco com base no modelo CAPM acaba sendo flexibilizada devido às dificuldades 
práticas de se dispor de dados relativos a todos os ativos existentes.
Assim, no processo de montagem dos modelos, o analista acaba assumindo por mercado 
o conjunto de ativos mais representativos da classe à qual o título ou a ação que o analista está 
estudando pertence. Por exemplo: o mercado que representa o ativo ação da Petrobras é o índice 
Ibovespa, que é composto de dezenas de ações de empresas representativas e líquidas do mercado 
de ações. O mercado que melhor representa um investimento de renda fixa pode ser o de títulos 
públicos, por ser integrado por um conjunto de ativos de baixo risco.
A reta característica do mercado de capitais que relaciona os retornos de um ativo aos do 
mercado e que serve para medir o prêmio de risco do ativo é dada por:
Rj – Rf = α + β (Rm – Rf)
Em que:
Rj = retorno do ativo ou título estudado
Rf = retorno da taxa livre de risco (renda fixa, caderneta de poupança ou taxa 
Selic, por exemplo)
α = coeficiente alfa. É o parâmetro linear da reta de regressão
β = coeficiente beta. É o parâmetro que indica a exposição do ativo ao retorno 
do mercado
Rm = retorno de mercado
Análise de risco 53
Analisando a equação da regressão linear apresentada, é possível ver que, antes do sinal da 
igualdade, há uma diferença entre o retorno do ativo e o retorno da taxa livre de risco. Em outras 
palavras, apresenta-se o retorno excedente do ativo em estudo em relação a uma aplicação segura. 
Já do lado direito da igualdade temos o parâmetro alfa, isolado, que nada fala sobre o mercado em 
si, e o parâmetro beta multiplicando uma diferença entre parênteses. O componente β(Rm – Rf) é 
o mais importante. Nessa relação, temos o coeficiente beta multiplicando o prêmio de risco de 
mercado – que é o retorno do mercado do ativo (Rm) subtraído do retorno da taxa livre de risco 
(Rf).
Dessa forma, olhando a equação característica do mercado do modelo CAPM, podemos 
dizer que ela apresenta: o retorno excedente de um ativo necessário para compensar a exposição 
dele “beta” vezes o prêmio de risco de mercado. Quanto maior for o valor do beta, mais retorno 
será exigido do ativo ou do título de crédito para compensar essa exposição ao risco.
Com o parágrafo anterior, chegamos ao propósito desta seção: o conhecimento do valor 
do beta de um ativo ajuda a compreender os impactos que poderão ser causados na rentabilidade 
de nossas carteiras pessoais (pessoas físicas) ou nas tesourarias de bancos e outras instituições 
financeiras (pessoas jurídicas) derivados da composição dessas carteiras. Aquelas carteiras 
compostas de ativos com betas elevados são mais arriscadas.
Para calcular a reta de regressão, você pode reunir os dados necessários em uma planilha 
eletrônica com grande facilidade. No exemplo dado sobre as ações da Petrobras, seriam necessárias 
as seguintes séries de dados: retornos diários do Ibovespa; uma série de retornos diários da 
Petrobras; e uma série de dados da taxa Selic diária. Rodando a regressão com esses dados e 
utilizando como variável X o termo (Rm – Rf) e como variável Y o termo Rj – Rf, os coeficientes α 
e β serão apresentados nos resultados do modelo automaticamente.
No caso de empresas bancárias que não possuem muitas informações sobre riscos de um 
cliente específico quanto ao desempenho de seus negócios em diferentes cenários econômicos, por 
exemplo, é possível tomar por base o beta de uma empresa parecida com a do referido cliente, como 
sendo uma aproximação da exposição de risco que esse cliente tem ao seu mercado. Tal estratégia não 
é a ideal, já que cada empresa possui suas peculiaridades, mas pode ser preferível a nada.
3.2.5 VaR (Value at Risk)
Outro modelo de medição de risco consolidado na literatura financeira é o VaR (ou 
valor em risco de uma carteira8). Saber qual é o VaR de sua carteira é muito importante para 
o investidor e para o detentor de títulos. Assaf Neto (2006) relaciona o conhecimento do VaR 
como uma medida de exposição do risco da carteira ao risco de mercado.
Em termos práticos, o VaR permite saber o montante de perdas ou ganhos que uma 
carteira de investimentos ou de títulos de crédito poderá experimentar ao longo de um período. 
Os cálculos mais comuns se centram em um horizonte temporal de um dia. É comum ler artigos 
e análises de risco afirmando que o VaR dá a perda máxima de uma carteira em um período de 
8 É um conjunto de ativos que podem ser tanto investimentos ou aplicações financeiras como títulos de crédito.
Análise de risco e de crédito54
um dia com determinado grau de confiança (usualmente trabalham com intervalos de confiança 
de 95% ou 99%). Contudo, tais considerações sãoincompletas, pois nem sempre as variações serão 
negativas. Para os casos em que as variações forem positivas, o VaR lhe informará o ganho máximo 
esperado para os ativos com determinado grau de confiança, escolhido pelo analista.
A propósito da confiabilidade dos resultados do VaR, cumpre observar que a confiança 
no resultado se baseia em estatísticas construídas por meio das observações dos dados passados 
– históricos de preços e retornos dos ativos, frequências com as quais eles apareceram ao longo 
do tempo e grau de variabilidade que assumiram ao redor de suas próprias médias (com base 
em suas variâncias e desvios padrões). Assumindo a distribuição normal, a confiabilidade vai 
depender do número de desvios padrões que serão utilizados para a demarcação dos limites 
das áreas de probabilidade que partem das médias em direção às caudas da curva de sino, que 
caracteriza a distribuição normal. A curva de sino com base no Gráfico 1 pode ser observada no 
Gráfico 2 a seguir.
Gráfico 2 – Distribuição normal (curva em forma de sino ou curva de Gauss)
Frequências relativas
0,3
0,25
00
00
-1
.00
0
1.0
01
-2
.00
0
2.0
01
-3
.00
0
3.0
01
-4
.00
0
4.0
01
-5
.00
0
5.0
01
-6
.00
0
6.0
01
-7
.00
0
7.0
01
-8
.00
0
8.0
01
-9
.00
0
9.0
01
-1
0.0
00
10
.00
1-
0,2
0,15
0,1
0,05
0
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Assim sendo, quando se calcula o VaR utilizando dois desvios padrões para a esquerda da 
média e dois para a direita dela, os resultados de perdas máximas obtidos serão mais confiáveis 
do que o cálculo de um VaR que utilize apenas um desvio padrão à esquerda e outro à direita da 
média, já que, neste último caso, estaremos escolhendo uma área de probabilidade menor do que 
a primeira.
Formalmente, o VaR de um ativo ou de uma carteira de ativos é calculado com base no 
desvio padrão do preço do ativo ou título analisado para um período, sendo o mais comum de 
análise o período de um dia. Para tal tarefa, são necessários os dados dos preços e dos retornos dos 
ativos. A partir daí será possível calcular o desvio padrão e, com isso, os intervalos mais prováveis 
em que se encontrarão os preços e os retornos ao final do próximo período.
Análise de risco 55
Securato (2002, p. 231) apresenta os procedimentos básicos para o cálculo do VaR:
VaR (Ativo, X%) = P0(A) × Kx × S(i)
Em que:
VaR (Ativo, X%) = valor em risco do ativo A, a nível de X% de probabilidade
P0(A) = preço a mercado do ativo A na data de hoje
Kx = coeficiente correspondente à cauda com X% de probabilidade
S(i) = desvio padrão da taxa ao período de variação dos preços do ativo, de modo 
que o VaR (ativo, X%) é o valor em moeda que tem X% de probabilidade de a 
perda ser maior que este valor ou que tem (1 – X%) de probabilidade de a perda 
ser menor do que o valor denominado VaR
Com os dados históricos dos retornos dos ativos, como os preços dos ativos (que podem ser 
tanto para investimentos como de uma carteira de crédito de uma tesouraria de uma instituição 
financeira), é possível calcular muito rapidamente o VaR de qualquer ativo financeiro.
3.3 Riscos de serviços bancários e operacionais
Como vimos até aqui, existem riscos de diversas naturezas. Citamos 
os riscos de mercado, de liquidez, de taxas de juros e os legais. De modo geral, 
todos esses riscos existem dentro dos serviços bancários. Nos serviços destinados 
ao oferecimento de investimentos, por exemplo, temos a presença dos riscos de 
mercado, juros e liquidez e os riscos associados aos procedimentos necessários para 
a comercialização desses serviços, que são riscos operacionais.
Por ser bastante específico e, ao mesmo tempo, representar grande desafio para as instituições 
financeiras atualmente, apresentaremos com maior detalhamento uma categoria de risco especial: 
o risco operacional.
3.3.1 Risco operacional
O risco operacional é aquele que se deriva de falhas nos procedimentos técnicos envolvidos 
nas operações. Segundo Assaf Neto (2006, p. 121),
o risco operacional, por seu lado, é o risco de perdas (diretas ou indiretas) 
determinadas por erros humanos, falhas nos sistemas de informações 
e computadores, fraudes, eventos externos, entre outras. Ou seja, é a perda 
estimada caso a gestão de riscos não atinja seu objetivo de evitar perdas. No 
contexto de atuação de um banco, o risco operacional pode se originar de três 
segmentos: pessoas, processos e tecnologia.
Antes de apresentar as causas e os procedimentos que devem ser adotados para reduzir esse 
tipo de risco, convém dar alguns exemplos de riscos operacionais:
Vídeo
Análise de risco e de crédito56
• Erro humano: falha na execução de operações financeiras ocasionada por funcionários 
desatentos ou despreparados, por exemplo, a realização de crédito ou débito em contas 
erradas por erros de digitação. Outros casos são compras, vendas ou execuções de ordens 
em quantidades ou valores errados em bancos ou corretoras por incompreensões de 
textos, mensagens de voz ou mesmo vocabulário utilizado no contato com o cliente.
• Falhas técnicas: falhas nas estruturas de suporte, como os sistemas de análise e execução 
de operações financeiras de bancos ou corretoras, quedas de servidores, quedas de energia 
e bugs lógicos.
• Fraudes: exploração de brechas em sistemas de controles e procedimentos que possam 
ser exploradas por funcionários mal-intencionados ou hackers que promovam perdas 
para a empresa ou para seus clientes.
Muitos problemas originados de falhas operacionais nunca chegam ao conhecimento 
dos clientes de instituições bancárias. Por outro lado, alguns erros em operações de depósitos 
e transferências de valores são bastante comuns – e, muito provavelmente, você deve conhecer 
alguém que tenha sido alvo de algum desses erros e tenha recebido estorno de valores em sua 
conta. Muito além de inconvenientes, falhas operacionais ocasionam perdas para as instituições 
financeiras e para seus clientes.
Imagine uma situação em que um depósito deixou de ser contabilizado devido a um erro 
do sistema de compensação do banco. Se a origem do erro for humana ou de máquinas, isso não 
importa. Será considerado problema operacional. O cliente que não teve o depósito compensado 
devido à falha poderá se ver sem fundos quando for apresentado um cheque ou uma ordem 
de pagamento contra si. Isso terá graves consequências para a instituição financeira em termos 
de perda de credibilidade perante o cliente e ainda poderá originar complicações legais e gerar 
demandas de indenizações.
Em uma corretora de valores, a queda de sistemas pode deixar os clientes sem condições de 
reagirem a uma virada do mercado. Imagine a seguinte situação: após vários dias de quedas nos 
preços das ações, em determinado dia o governo lança um grande pacote de medidas que passam 
a ser muito bem vistas pelo mercado. Como resultado dessas medidas, ocorre um grande impulso 
para compras de ações e isso ocasiona uma sobrecarga nos sistemas internos de uma corretora. 
Os sistemas, então, param de funcionar. Vários clientes poderão ser prejudicados, pois eles não 
conseguirão colocar ou retirar ordens de compra e venda do mercado se os sistemas não estiverem 
funcionando corretamente. Novamente, a corretora terá sua credibilidade com os clientes afetada. 
Além disso, poderá acabar sendo acionada judicialmente.
É necessário ter atenção na leitura dos contratos das operações que são realizadas nos 
bancos e demais instituições financeiras para saber quem arcará com os custos oriundos de erros 
operacionais. É comum que as instituições financeiras coloquem cláusulas contratuais se isentando 
de quaisquer responsabilidades sobre os riscos operacionais.
As instituições financeiras podem ainda se ver envolvidas em situações judiciais oriundas de 
fraudes. As mais clássicas são aquelas em que clientes apresentam documentos e referências falsas 
para a obtenção de empréstimos nos bancos. Os modelos de análise de risco estão preparados 
Análise de risco 57
para lidar com dados que são inseridosem sistemas de análise por funcionários das instituições 
financeiras. Esses dados e documentos fornecidos pelos potenciais clientes podem ser falsos.
A respeito dos profissionais que trabalham nas instituições financeiras oferecendo serviços 
bancários, nem sempre os erros cometidos são intencionais. Na realidade, a maioria dos erros 
cometidos nas operações financeiras dentro do ambiente bancário vem do despreparo para lidar 
com novos desafios que se originam de mudanças institucionais de normas e procedimentos, ou de 
simples desatenção aos procedimentos estabelecidos pelas empresas. Por isso, é importante investir 
em qualificação permanente para evitar que erros sejam cometidos.
Há riscos operacionais oriundos de falhas nos sistemas de compliance9 de bancos e instituições 
financeiras. Nos casos em que os funcionários são incentivados a fecharem operações para o 
cumprimento de metas isoladas de vendas, por exemplo, sem que sejam cobrados por resultados 
mais globais (como evitar operações de risco elevado para a instituição, evitar o estabelecimento 
de contratos com clientes com atitudes suspeitas), pode ocorrer falha nos sistemas de controle de 
risco e comprometimento dos lucros. As instituições podem acabar assumindo riscos maiores do 
que os desejados e planejados devido a falhas comportamentais de seus funcionários interessados 
em fechar contratos a qualquer custo. Esses riscos podem ser atribuídos a falhas nas políticas de 
incentivo das empresas.
Como vimos, existe uma agenda importante a ser empreendida no que diz respeito 
ao combate aos riscos operacionais. Todavia, para os demais riscos que se colocam diante dos 
serviços bancários (como os riscos de crédito, de mercado, de liquidez, de taxas de juros ou legais), 
existem diversas operações e procedimentos capazes de reduzi-los com grande eficácia. Por 
exemplo, para o risco de exposição excessiva aos riscos do mercado imobiliário, uma instituição 
financeira poderia contratar derivativos de crédito que funcionam como seguros contra “calotes” 
(os credit default swap – CDS). Para o caso de exposição aos créditos agrícolas, pode-se fazer 
seguros. As empresas seguradoras podem contratar companhias resseguradoras para reduzir os 
riscos de suas operações. Empresas e instituições financeiras muito expostas aos mercados de 
moedas estrangeiras podem operar no mercado futuro para a constituição de hedge10 sobre suas 
operações.
A atividade bancária e a prestação de serviços bancários envolvem riscos. De modo algum 
se espera que eles sejam reduzidos a 0, pois isso significaria que a instituição estaria deixando de 
cumprir uma de suas principais atividades: correr riscos. Todavia, esforços devem ser empreendidos 
para diminuir os riscos ao ponto de não comprometerem os resultados da instituição financeira.
9 Sistemas de verificação de conformidades. Em empresas grandes, costumam estar organizados como um 
departamento de compliance ou um subdepartamento que se dedica a verificar se os funcionários estão agindo conforme 
as regras da empresa.
10 É um termo equivalente a proteção. Diz-se “fazer um hedge” com o mesmo sentido de “fazer uma proteção” ou 
“fazer um seguro”. Para isso, diversas operações financeiras podem ser utilizadas.
Análise de risco e de crédito58
Considerações finais
Este capítulo teve por objetivo demonstrar como os cálculos de probabilidade e outras 
medidas estatísticas contribuem para a elaboração de modelos de risco e para o processo de 
gerenciamento e tomada de decisão envolvendo riscos. Tanto agências de rating como investidores 
isolados ou instituições financeiras buscam se certificar de estar em posse de um conjunto amplo 
de informações, que incluem históricos de eventos que possibilitam a elaboração de estratégias de 
montagem de carteiras otimizadas para ter o maior retorno possível em relação ao risco.
Ampliando seus conhecimentos
• A FRAUDE. Direção: James Dearden. Produção: Janette Day, James Dearden, Paul 
Raphael. Intérpretes: Ewan McGregor, Anna Friel et al. Roteiro: James Dearden. Música: 
Richard Hartley. Reino Unido: Pathé, 1999. 1 DVD (101 min). Baseado no livro Rogue 
Trader, de Nick Leeson.
Esse filme conta a história de um operador do Barings Bank, um banco de Londres, que 
levou a instituição à falência por exceder os controles internos de risco.
• ENRON: os mais espertos da sala. Direção: Alex Gibney. Produção: Alex Gibney. 
Intérpretes: Andrew Fastow, Jeffrey Skilling, Kenneth Lay, Gray Davis et al. Roteiro: 
Peter Elkind, Alex Gibney, Bethany McLean. Música: Matthew Hauser. EUA: Magnolia 
Pictures, 2006. (109 min). Baseado no livro The smartest guys in the room: the amazing 
rise and scandalous fall of Enron, de Bethany McLean e Peter Elkind.
Esse documentário retrata a falência de uma das maiores empresas do setor de energia 
dos EUA. Apresenta casos reais de fraudes e riscos em operações financeiras complexas 
envolvendo derivativos.
Atividades
1. Para a análise do risco de um ativo (como uma ação da Petrobras), quais contribuições 
poderíamos obter com base em estudos que envolvam cálculos de probabilidades?
2. Qual é o papel de uma agência de rating?
3. Aponte as fontes mais comuns de riscos operacionais.
Análise de risco 59
Referências
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.682, de 21 de dezembro de 1999. Brasília: Conselho 
Monetário Nacional, 1999. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1999/pdf/res_2682_
v2_L.pdf. Acesso em: 20 set. 2019.
CHAGUE, F.; GIOVANNETTI, B. É possível viver de day-trading? São Paulo: FGV/EESP, 2019. Disponível 
em: https://3m8rar3g688b2yuouxnr4ae1-wpengine.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2019/03/Viver-de-
day-trading.pdf. Acesso em: 20 set. 2019.
MARKOWITZ, H. Portfolio selection. The Journal of Finance, v. 7, n. 1, p. 77-91, 1952.
MOODY’S. Metodologia de rating: indústria mundial de materiais de construção. São Paulo: Moody’s Investors 
Service, 2014. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B0PyYqE_-M3JdlB4eEQ1ODZoZXc/view. Acesso 
em: 19 set. 2019.
SECURATO, J. R. Crédito: análise e avaliação do risco: pessoas físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul, 2002.
SPIEGEL, M. R.; SCHILLER, J. J.; SRINIVASAN, R. A. Teoria e problemas de probabilidade e estatística. 2. ed. 
Porto Alegre: Bookman, 2004.
4
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas
Este capítulo tem como objetivo demonstrar a sistemática envolvida na concessão de crédito 
para as pessoas físicas e jurídicas focando nas diretrizes seguidas pelas instituições concedentes 
para a liberação de crédito, nos passos para a concretização das operações e nos cuidados para que 
tanto os clientes como as instituições tenham suas necessidades atendidas.
Mais do que fizemos no Capítulo 2, no qual apresentamos algumas operações de crédito 
que são disponibilizadas no mercado, discutiremos agora as razões pelas quais essas operações 
devem ser contratadas, os elementos levados em consideração pelas instituições financeiras para as 
liberações e a maneira como devem ser conduzidas as operações dentro das instituições financeiras 
tendo em vista as políticas de empréstimo dessas instituições Assim sendo, iniciaremos abordando 
as principais informações que devem ser recolhidas antes do processo de concessão do crédito.
4.1 Crédito para pessoa física
O processo de concessão de crédito para pessoa física se inicia com a elaboração 
de um cadastro do cliente. Securato (2002) apresenta uma lista das principais 
informações coletadas nas fichas cadastrais das instituições financeiras destinadas à 
formalização de operações de crédito para pessoas físicas. Podemos destacar o conjunto 
das informações necessárias como sendo integrado por nome, CPF e RG do solicitante 
de crédito e do seu cônjuge, quando casado; endereço atual com as devidas comprovações; nome da 
empresa em que o solicitante trabalha e o conjunto de informações relativas ao seu vínculo com essa 
empresa(cargo que ocupa ou função que exerce, salário que recebe, tempo de contrato). Além disso, 
devem ser discriminados outros rendimentos e suas respectivas origens, como aluguéis recebidos por 
imóveis que o solicitante possui e outras rendas oriundas de serviços autônomos (SECURATO, 2002).
Outras informações pertinentes são aquelas que encontramos, frequentemente, nas 
declarações do Imposto de Renda, tais como relação de bens e direitos ordenados pelos seus valores 
de aquisição e/ou de mercado e ônus (alienações, por exemplo) que esses bens possuem, além de 
referências comerciais e bancárias do cliente.
Assim, conforme Securato (2002, p. 34), o dossiê básico de crédito de uma pessoa física será 
composto de:
i. [...] ficha cadastral;
ii. [...] comprovantes de renda (contracheques, declaração de Imposto de Renda 
ou outros documentos) e residência (contas de luz, água ou telefone);
iii. [...] eventuais comprovantes relativos aos bens declarados na posição 
patrimonial, bem como, dependendo do valor do crédito concedido, 
certidões negativas de ônus e alienações;
iv. [...] cópia autenticada dos documentos pessoais (CPF, RG).
Vídeo
Análise de risco e de crédito62
Após reunir esses documentos, o próximo passo no processo será o que Schrickel (1998) 
denominou ato ou decisão de crédito por parte da instituição financeira ou da empresa credora, 
que consiste basicamente em qualquer decisão empreendida internamente em uma instituição 
financeira que envolva ou comprometa seus recursos. O autor acrescenta, ainda, que todo e 
qualquer ato de crédito implica e requer uma decisão de crédito, a qual só pode ser tomada pelo 
nível de alçada1 apropriado. Ninguém sem alçada está autorizado a praticar atos e decisões de 
crédito. São típicos atos de crédito que requerem, portanto, decisões de crédito:
• Concessão de limites de crédito e empréstimos;
• Prorrogação da validade dos limites;
• Excessos sobre limites de crédito anteriormente aprovados;
• Aumentos e revisões (anuais) de limites;
• Modificações nas condições originais de aprovação (modalidade, valores, 
prazos e garantias), introduzindo novos e/ou maiores riscos em relação aos 
anteriores (substituição de garantias, prorrogação de prazos de vencimentos 
etc.);
• Perdão de dívidas;
• Cessão de créditos e troca de créditos (swaps);
• Venda de créditos;
• Conversão de dívidas (debt-to-equity conversion);
• Operações de investment banking;
• Constituição ou estorno de provisões sobre créditos. (SCHRICKEL, 1998, p. 
66-67, grifos nossos)
A decisão de crédito não é tomada de imediato. Todo o processo de coleta de dados, aqui 
descrito, será realizado por um profissional que será o responsável por reunir essas informações 
e inseri-las em modelos ou sistemas destinados a analisá-las. Esse profissional também será o 
encarregado pelo enquadramento do pedido de crédito realizado pelo cliente. Entendemos por 
enquadramento uma análise prévia do pedido de crédito que será realizada por esse primeiro 
profissional ou por um grupo – dependendo do tamanho da instituição –, que reconhecerá entre as 
linhas de crédito e o conjunto de produtos financeiros disponíveis aquele(s) que melhor atende(m) 
à(s) necessidade(s) do cliente. A análise de crédito será realizada assim que as informações forem 
inseridas e a operação for devidamente enquadrada.
Dependendo do montante envolvido na operação, a análise de crédito para pessoa física 
poderá ser realizada muito rapidamente. O próprio sistema em que as informações são inseridas 
pelo profissional que faz o primeiro atendimento pode autorizar a concessão de crédito com base 
em uma análise rápida desses elementos e checagens padronizadas dos bancos de dados internos e 
externos. Por outro lado, há casos em que a concessão de crédito é mais demorada e envolve um 
grupo maior de profissionais das instituições financeiras. Usemos como exemplo a concessão de 
crédito para compra da casa própria. Nesse caso, até mesmo a visita de uma equipe técnica ao 
imóvel pretendido será obrigatória, pois o imóvel a ser financiado será dado como garantia ou, 
como chamamos até aqui, colateral na operação.
1 É um termo próprio utilizado para definir uma instância, um nível de autoridade ou poder competente. Para 
exemplificar, nos tribunais, esse termo é utilizado para definir aquele poder (juiz, colegiado etc.) competente para realizar 
um julgamento.
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 63
O imóvel precisa ser avaliado por um técnico especializado, que normalmente é um 
engenheiro do quadro da instituição financeira, ou por outro profissional por ela credenciado para 
que se tenha a segurança de que o imóvel que será dado em garantia pelo empréstimo poderá ser 
executado em caso de não pagamento das obrigações do cliente que contrata a operação. Sem um 
laudo emitido por esse profissional, a operação não será autorizada.
Podemos analisar a capacidade de pagamento do cliente com base no conjunto de 
informações fornecidas e nos resultados das análises dos modelos de crédito utilizados pelas 
instituições financeiras. No caso da operação de financiamento de imóvel que descrevemos, há um 
histórico relativamente consolidado de parâmetros utilizados com frequência para a concessão de 
financiamentos. Um desses critérios é o limite de comprometimento de até 30% da renda da pessoa 
física com o pagamento da prestação do financiamento, isto é, o valor da parcela paga mensalmente 
não deve ultrapassar esse percentual, pois análises históricas de inadimplência apontam risco 
elevado de não pagamento em contratos que ultrapassam esse limite.
A utilização desse parâmetro, no entanto, não resume o que seria uma análise de capacidade 
de pagamento de pessoa física; há de se observar o conjunto de informações prestadas. Se, por 
exemplo, a mesma pessoa que pretende comprometer 30% da sua renda com as parcelas do 
financiamento de uma casa possuir dois outros financiamentos de automóveis que comprometam 
outros 50% de sua renda, ela dificilmente conseguirá executar a nova operação de crédito. Uma 
nova operação, nessas condições, representará risco elevado para a instituição financeira, uma vez 
que o cliente terá quase a totalidade de sua renda comprometida com parcelas de financiamentos.
As operações financeiras destinadas às pessoas físicas não vão muito além de empréstimos 
e financiamentos. Em geral, são variações dessas modalidades – como limite de cheque especial 
(que se trata de um empréstimo automático), cartão de crédito, operações de crédito direto ao 
consumidor, financiamentos de veículos, financiamentos de residências, financiamentos de bens 
duráveis, empréstimos consignados, operações de crédito em moeda estrangeira, investimentos –, 
que se resumem à aquisição de produtos financeiros padronizados e oferecidos ao varejo.
No caso das operações de tomada de crédito, que são as que nos importam agora, o processo 
de concessão de crédito é, na maioria das vezes, rápido e automático, pois a documentação fornecida 
pelo cliente e as naturezas das operações contratadas são de pouca complexidade. Isso não significa 
que não haja riscos elevados. Na realidade, as linhas de cheque especial e cartão de crédito estão 
entre as mais arriscadas para as instituições financeiras, e é exatamente por isso que elas cobram as 
mais elevadas taxas de juros nessas operações.
Grande parte das operações realizadas por pessoas físicas não apresenta garantias para as 
instituições financeiras. No caso dos financiamentos, por outro lado, as garantias são os próprios 
bens financiados, e a legislação permite a execução desses bens judicialmente em caso de não 
pagamento, o que reduz muito o risco e, ao mesmo tempo, permite que sejam cobradas taxas de 
juros mais baixas nessas operações.
Na contratação de crédito, a pessoa física deve tomar alguns cuidados. Além de realizar 
a leitura detalhada dos contratos, devemos ter em mente os reflexos que as operações financeiras 
contratadas terão sobre os orçamentos pessoais.É prudente, também, conhecer as implicações legais 
Análise de risco e de crédito64
do não cumprimento de cada tipo de contrato. A esse respeito, vejamos um exemplo envolvendo duas 
operações muito contratadas por pessoas físicas para a aquisição de veículos: o Crédito Direto ao 
Consumidor (CDC) e o leasing. Procuraremos demonstrar que as escolhas das operações financeiras 
exigem reflexões prévias acerca das vantagens e desvantagens existentes em cada uma delas.
Quando uma pessoa física adquire um veículo financiado por uma linha de CDC, ela passa a 
ser a proprietária desse bem, mas o deixa alienado imediatamente para a instituição que o financiou. 
Na documentação do veículo, a pessoa física aparece como proprietária, e a instituição financeira para 
a qual o veículo foi alienado aparece listada no mesmo documento. Na hipótese de não pagamento do 
financiamento, o veículo será facilmente recuperado pela instituição financeira (de modo amigável ou 
por busca e apreensão) e poderá ser leiloado para o pagamento dos débitos do cliente.
Uma vez apreendido o veículo financiado com débitos vencidos, o cliente terá um tempo para 
negociar os valores com a instituição financeira e evitar que o bem vá a leilão. Não ocorrendo acordo 
entre o cliente e a instituição financeira, o veículo será leiloado, e, caso o dinheiro obtido na venda do 
veículo retomado não alcance o total da dívida do cliente, será cobrada a diferença entre os débitos totais 
e o valor conseguido no leilão, uma vez que a relação entre o cliente e a instituição financeira não acaba 
com a entrega do veículo, mas sim com a quitação total do débito.
Já no leasing, na eventualidade de o cliente não conseguir honrar as parcelas, os impactos legais 
e financeiros decorrentes dessa circunstância são diferentes. A partir do momento em que o veículo 
é entregue para a instituição financeira, as parcelas que ainda estiverem por vencer deixarão de ser 
cobradas, e apenas as atrasadas precisarão ser honradas. Por ser o leasing uma operação que se assemelha 
a um aluguel, a devolução do veículo para a instituição financeira é um ato que deixa de gerar novas 
parcelas para o cliente e o tira dela a obrigação de assumir novos compromissos oriundos do veículo. 
Apenas as parcelas já vencidas e ainda não pagas (assim como as taxas e custos decorrentes desses atrasos) 
precisarão ser quitadas.
Em outras palavras, é muito mais fácil encerrar um contrato de leasing do que um CDC em caso de 
inadimplência, pois o veículo adquirido sob a forma de leasing é de propriedade da instituição financeira 
até a quitação total do contrato – o que representa menor risco e permite que a instituição cobre juros 
menores por essa operação.
Podemos observar que o conhecimento da dinâmica do processo de concessão de crédito é tão 
importante para a pessoa física que o toma quanto para os trabalhadores das instituições que concedem 
crédito. É de interesse de ambas as partes que a categoria de crédito mais apropriada seja a linha 
efetivamente contratada pelo cliente para que não gere implicações danosas. Se o cliente contratar um 
tipo de crédito que não seja apropriado às suas necessidades, poderá acabar tendo perdas que aumentarão 
os riscos de que a operação se converta em prejuízo também para a instituição financeira.
4.2 Crédito para pessoa jurídica
No processo de concessão de crédito para pessoa jurídica, as informações 
necessárias para uma decisão de crédito são muito mais complexas e envolvem 
documentações das empresas e das pessoas físicas que estão no controle ou no 
Vídeo
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 65
exercício de atividades-chave da organização. Entre essas informações, podemos citar a exigência 
da apresentação do contrato social, se for empresa limitada, ou de estatutos sociais/consolidação 
estatutária (assim como todas as alterações e atas das assembleias), no caso de sociedades anônimas.
Se a empresa for muito antiga ou se as informações históricas e as alterações societárias 
forem muito volumosas, podem ser solicitadas menos informações, exigindo-se, pelo menos, os 
dados dos últimos cinco anos. Entre essas informações, não poderão faltar a ata de eleição da 
diretoria do conselho de administração – em que constem os respectivos mandatos, os três últimos 
balanços devidamente assinados pelos gerentes administradores e pelo controlador responsável 
–, a ficha de informações para cadastro de pessoas jurídicas e a ficha cadastral elaborada pelos 
informantes próprios ou por agências especializadas.
Usualmente, são solicitadas dos sócios ou acionistas da empresa cópias de CPF e RG, 
declaração de imposto de renda do último ano, procurações, cartões de assinatura, ficha de 
informação de cadastro de pessoa física, ficha cadastral elaborada por informantes próprios ou por 
agência especializada e certidões emitidas por cartórios distribuidores da justiça civil e criminal 
(SCHRICKEL, 1998).
4.2.1 Análise dos documentos e informações
O processo de análise das informações prestadas pelo cliente começa pelo próprio sistema 
de análise de crédito da instituição financeira, que faz uma triagem na qual, normalmente, já 
identifica os casos que serão negados, como solicitações oriundas de superendividamento oneroso 
com bancos ou, ainda, situações patrimoniais críticas, além de problemas de liquidez.
Se, por exemplo, o patrimônio líquido do cliente estiver negativo, isso poderá impedir qualquer 
concessão de crédito, já que esse indicador é ponto de exclusão dos modelos de empréstimo. Os 
indicadores de liquidez também são considerados nas análises prévias; quando a empresa apresenta 
liquidez corrente menor do que 1 (um), esse dado significa que ela tem dificuldade de realizar os 
pagamentos de curto prazo com fornecedores, funcionários, governos e credores.
É claro que a situação poderá ser diferente em uma análise mais completa, que leve em 
consideração outras empresas do mesmo grupo que permitam uma melhora desses indicadores 
quando for considerado o conglomerado empresarial, ou seja, o grupo inteiro de empresas que 
possuam os mesmos donos.
Como dissemos anteriormente, no Capítulo 3, cada instituição financeira possui seus 
modelos de risco, nos quais os parâmetros (pesos utilizados para cada fator considerado) diferem 
bastante. Todavia, do conjunto de informações solicitadas para começar uma operação de crédito e 
das visitas das equipes de analistas das instituições financeiras aos clientes, são esperadas algumas 
análises padronizadas sobre essas informações. Vamos discutir, agora, os critérios utilizados para 
a concessão de empréstimos e financiamentos. Abordaremos aquilo que é considerado positivo e 
negativo, e aquilo que pode representar uma oportunidade de negócio tanto para o cliente como 
para a instituição financeira.
Schrickel (1998) oferece um exemplo de relatório típico de visita de uma equipe de analistas 
a uma empresa que se coloca como cliente em potencial.
Análise de risco e de crédito66
Quadro 1 – Relatório de visita
Histórico
Constituição 
Controle acionário (nomes e percentual sobre o capital votante) 
Evoluções acionárias 
Objeto social (atividade principal, produtos e percentual no faturamento) 
Escritórios, fábricas (localização, áreas), número de funcionários 
Mercado
Participação no mercado (percentual por produto – mais relevantes) 
Tamanho do mercado (volumes) do mercado e da empresa 
Concorrentes (percentual do mercado) 
Clientes (produtos que compram e percentual do faturamento) 
Fornecedores (matérias-primas que fornecem e percentual das compras) 
Evolução do mercado (crescimento nos últimos 3 a 5 anos e tendências) 
Capacidade de produção (instalada e utilizada) 
Vendas para o mercado interno e externo – preços e tendências 
Importações/exportações (países, compradores, prazos, formas de cobrança) 
Considerações econômico-financeiras
Vendas, lucros, endividamento bancário 
Aspectos mercadológicos
Tipos de negócio e valores potenciais/estimadosLinhas em moeda nacional (capital de giro) e estrangeira (câmbio, empréstimos) 
Linhas de longo prazo (repasses, leasing etc.) e garantias (fianças) 
Cobrança e outros serviços identificados potencialmente (seguros, banco remoto etc.) 
Rentabilidade estimada no relacionamento – spreads 
Linhas de crédito (e utilização) em outras instituições financeiras (se possível identificar) 
Follow-up (plano de ação, acompanhamento)
Próximo contato – passos a dar no estreitamento das relações 
Fonte: Elaborado pelo autor com base em Schrickel, 1998, p. 112.
O relatório de visita de Schrickel (1998) permite-nos discutir aspectos a serem considerados 
no processo de concessão de crédito. Essas informações também são relevantes para o tomador, 
uma vez que esclarece quais são os pontos observados pelas instituições financeiras e que precisam 
estar em conformidade para que o pedido de empréstimo ou de financiamento, principalmente de 
grande valor, possa obter sucesso.
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 67
Para começar, vamos abordar os tópicos histórico e mercado apresentados no Quadro 1. No 
tópico histórico, fica bastante claro que toda a evolução da empresa desde a sua fundação deve 
ser considerada, bem como seu tempo de vida. A idade de uma empresa é muito importante, 
uma vez que, quanto mais velha, maiores são as chances de essa empresa já ter passado por crises 
no mercado e sobrevivido, e menores são as chances de que se trate, na realidade,de um grupo 
de golpistas tentando obter recursos financeiros. Também deve ser observado quem realmente 
comanda a empresa, pois essa pessoa precisa ser entrevistada e compreendida. É preciso entender 
como se dá o processo de tomada de decisão e se há conflitos acontecendo na gestão. É o que 
chamamos de análise de governança.
Quanto ao estudo de mercado em si, esse processo consiste basicamente em uma análise 
dos elementos que caracterizam uma matriz SWOT. A matriz SWOT é aquela que relaciona os 
principais elementos que devem ser considerados por um empreendedor quando ele inicia um 
projeto empresarial, uma avaliação que trata da identificação das forças, fraquezas, oportunidades e 
ameaças ao negócio, ao projeto, ao empreendimento. Saber qual é o tamanho da empresa dentro do 
seu próprio setor e qual é a importância de cada produto no seu faturamento torna-se fundamental. 
A dependência da empresa em relação aos clientes – se suas vendas são muito concentradas para 
um cliente específico ou não – e aos fornecedores é relevante, pois é preciso saber o que aconteceria 
caso um cliente ou um fornecedor deixasse de existir.
A concessão de crédito para as grandes empresas costuma levar em consideração mais 
elementos que a simples análise de balanços ou de documentos. Muitas vezes, fatores políticos 
também podem estar envolvidos. Não é incomum que governos locais ou nacionais iniciem planos 
de obras públicas, construção civil, saneamento e infraestrutura. Para isso, linhas de financiamento 
específicas, contando com subsídios, são viabilizadas com maior facilidade, sobretudo em 
instituições financeiras de controle público (estatais).
Mesmo nas instituições privadas pode existir alguma liberalidade no processo de concessão 
de crédito para pessoas jurídicas. Uma longa tradição com a instituição financeira faz com que um 
cliente que eventualmente se encontre em dificuldades que poderiam torná-lo inadequado para 
receber crédito possa vir a consegui-lo em função de elementos subjetivos oriundos do histórico 
de relacionamento entre as partes. A rigor, com base puramente nos modelos de risco mais 
tradicionais, isso não deveria ocorrer. A realidade, no entanto, coleciona casos em que empresas 
que não passaram pelos filtros iniciais dos modelos de risco acabaram sendo ajudadas em alguma 
medida, enquadrando-se nesses filtros por funcionários da própria instituição financeira.
Para a concessão de linha de crédito de valor elevado, os procedimentos de liberação 
costumam ser mais complexos. Nesse caso, além do enquadramento inicial – com a elaboração 
de cadastro, coleta de dados, documentos e comprovações, elaboração de fichas da empresa, de 
seus sócios e de seus administradores, comprovantes de garantias, visitas técnicas dos analistas, 
um projeto detalhado para o uso do dinheiro incluindo as etapas de utilização dos recursos e as 
expectativas de retorno dos investimentos –, o processo de avaliação contará necessariamente com 
mais de uma equipe e será submetido a um ou mais comitês de análise de crédito.
Análise de risco e de crédito68
O objetivo desses comitês é permitir a tomada de decisão embasada em mais de uma 
competência. Costumam ser constituídos de profissionais com muita prática na concessão e na 
recuperação de crédito, experiência jurídica e em negócios. O comitê de análise de crédito integrado 
por profissionais dessa natureza é capaz de verificar questões específicas que, frequentemente, 
escapam aos controles mecânicos dos modelos de risco e de empréstimo tradicionais. Em outras 
palavras, nesses comitês encontramos pessoas capazes de tomar decisões que fogem do comum 
e que estão qualificadas para compreender a necessidade de ignorar alguma restrição que possa 
inviabilizar a concretização de uma determinada operação, dentro de patamares aceitáveis de risco.
Desde a primeira fase, denominada enquadramento em muitas dessas instituições, até a concessão 
de crédito, as equipes de analistas e os comitês averiguarão a aderência da proposta tanto à política de 
empréstimos como à política de risco da instituição financeira, analisando se alguma das exigências típicas 
para concessão de crédito não será violada, como o tamanho da operação em relação ao patrimônio 
líquido da instituição financeira ou ao total da carteira de empréstimos; enfim, questões que dizem 
respeito ao tamanho do risco assumido pela instituição financeira com aquela operação específica.
As pessoas jurídicas contam com uma gama bem maior de operações de crédito disponíveis. 
Além dos empréstimos de várias naturezas e prazos, dos descontos comerciais de duplicatas (que 
são operações bastante comuns para as pequenas empresas), dos descontos de recebíveis, dos 
financiamentos obtidos diretamente com os bancos ou por intermédio deles – acessando as linhas 
do BNDES, como o Finame e o cartão do BNDES –, as empresas de porte médio e grande conseguem 
emitir debêntures e notas promissórias, além de captar dinheiro diretamente no mercado.
As emissões de debêntures e de notas promissórias já foram exclusivas de grandes empresas, 
pois as organizações de menor porte não encontravam compradores para os seus papéis no 
passado. Atualmente, porém, esse mercado já é bastante desenvolvido e as empresas de menor 
porte também conseguem se financiar emitindo-as.
Tanto as debêntures quanto as notas promissórias são títulos de dívida das empresas 
colocados no mercado por instituições financeiras que não assumem os riscos da operação e que 
funcionam meramente como corretoras desses valores, recebendo uma taxa por isso. As debêntures 
são utilizadas para captar recursos de longo prazo, superiores a um ano, com a finalidade de 
investimentos em máquinas, equipamentos e bens de capital. As notas promissórias, por sua vez, 
são títulos de dívida de curto prazo, menores que um ano, destinados a financiar capital de giro.
Essas modalidades de crédito costumam custar menos para as empresas do que as 
modalidades tradicionais, mas não estão tão facilmente disponíveis por exigirem procedimentos 
burocráticos específicos, como aqueles em que são arregimentadas as garantias dessas operações, e 
procedimentos para a colocação desses papéis no mercado.
4.3 Políticas de empréstimo para pessoas físicas e jurídicas
Devemos começar a discussão sobre as políticas de empréstimo lembrando 
que empréstimo é o crédito concedido de alguém para alguém. Quando falamos de 
políticas de empréstimo para pessoas físicas e para pessoas jurídicas, não estamos 
Vídeo
Concessãode crédito para pessoas físicas e jurídicas 69
nos restringindo aos procedimentos e às diretrizes que norteiam as operações de crédito das 
instituições financeiras válidas para os clientes que as solicitam. Na realidade, as políticas de crédito 
(empréstimo) são muitas e, por isso, a separação desse tópico entre pessoas físicas e jurídicas não é 
suficiente. Há uma análise de crédito entre pessoas jurídicas e instituições financeiras e uma análise 
de crédito entre pessoas jurídicas e outras pessoas jurídicas não financeiras que são diferentes entre 
si. Existe também uma política de empréstimos entre pessoas jurídicas não financeiras e outra 
entre pessoas físicas e instituições financeiras.
Tendo em vista as diferenças de riscos, propósitos e estratégias que se colocam, de acordo com 
as partes envolvidas nas operações de crédito, distinguiremos os principais elementos envolvidos 
no processo de concessão de empréstimos para as pessoas físicas e jurídicas em cada uma dessas 
diferentes configurações.
4.3.1 Qual é o melhor modelo de política de crédito/empréstimo?
Não existe uma resposta certa para essa pergunta. Dependendo do estágio de desenvolvimento 
de uma empresa ou da estratégia comercial, ela poderá ter regras mais flexíveis ou mais rígidas para 
concessão de crédito, bem como para todas as fases que se sucedem a um empréstimo, como o 
acompanhamento de cobranças. Se a empresa estiver em fase de crescimento, buscando angariar 
novos clientes e, agora, quais são os elementos levados em consideração nesse processo. São eles:
• Ampliação da base de clientes: quando as empresas estão disputando o mercado e se 
encontram na busca por novos clientes, uma maneira de conseguir realizar isso mais 
rapidamente é conceder crédito com condições diferenciadas daquelas que os possíveis 
clientes encontram no mercado, ou seja, oferecer mais prazos ou maior número de 
parcelas para, com isso, atrair nova clientela. Muitas vezes, as empresas se encontram em 
condições financeiras para fornecerem vantagens dessa natureza para os seus clientes, e 
decidem, estrategicamente, proceder encarando a política de empréstimos (ou crédito 
facilitado) como uma espécie de investimento em crescimento da base de clientes. Os 
riscos aumentados de operações desse tipo podem ser considerados investimentos de 
risco que a empresa decidiu correr de modo planejado e, portanto, calculado.
• Eficiência produtiva: algumas vezes, as empresas precisam operar em uma determinada 
escala mínima a fim de evitar prejuízos operacionais e, ao mesmo tempo, encontram-se 
em situações nas quais o mercado está desaquecido e não comporta o volume de vendas 
adequado aos interesses delas. Em determinados momentos, as empresas podem variar os 
seus controles tradicionais de crédito e oferecer maior flexibilidade.
• Contestação de mercado: o termo contestar, quando aplicado a um mercado, significa 
tentar conquistar, derrubar a concorrência. Assim sendo, uma empresa pode praticar uma 
política de crédito agressiva para contestar a concorrência no mercado.
De uma forma ou de outra, quando falamos em política de empréstimo (ou crédito) ligada 
às estratégias empresariais, estamos nos referindo a ações planejadas que assumem, normalmente, 
riscos mais elevados do que os entendidos como usuais pelo mercado, por considerarem resultados 
financeiros que vão além daquelas taxas ou juros obtidos apenas pela operação financeira de 
Análise de risco e de crédito70
empréstimo ou de crédito. As empresas, nesse caso, estariam levando em consideração resultados 
mais amplos, como a facilitação das vendas, a eficiência da escala produtiva e a remoção de um 
concorrente do mercado.
4.3.2.1 Passo a passo da política de empréstimo entre empresas
A área de crédito de uma empresa, ao receber uma solicitação de linha de crédito de um 
cliente externo ao conglomerado, fará uma consulta ao birô2 de crédito da empresa, e este, por sua 
vez, executará as análises de praxe com os órgãos que fornecem informações cadastrais sobre o 
histórico de crédito que aquele cliente potencial possui no mercado.
Se o cliente estiver negativado nos órgãos que fornecem informações de crédito, ele 
provavelmente não terá a sua proposta sequer analisada pelas equipes que se encontram em alçadas 
superiores. Há uma exceção para aqueles casos em que as restrições cadastrais forem motivadas 
por valores insignificantes, oriundos, por exemplo, de débitos com empresas telefônicas. Também 
são checadas todas as informações colocadas nas fichas cadastrais para averiguar a veracidade e a 
idoneidade dos proponentes.
Utilizada inicialmente para a análise de crédito de pessoas jurídicas, a abordagem dos 5 Cs 
do crédito de Weston e Brigham (2004), segundo a qual o analista de uma instituição financeira 
deve identificar grupos de informações características das empresas para a análise de crédito, 
também pode ser aplicada para os casos das pessoas físicas com algumas adaptações.
O Quadro 2, a seguir, apresenta um resumo dos cinco grupos de informações definidos 
como os 5 Cs do crédito
Quadro 2 – 5 Cs do crédito
Caráter
Conjunto de informações relativas ao histórico de pagamentos de negociações, de contratos 
anteriormente firmados, honrados ou não honrados, e ao histórico dos sócios – índole, 
idoneidade e reputação da empresa e de seus diretores ou sócios. As informações sobre o 
caráter de uma pessoa física ou jurídica são obtidas com empresas especializadas, como o 
Serasa ou outro serviço de proteção ao crédito. Em síntese, como alerta Securato (2002), o 
caráter indica a intenção do devedor em cumprir as obrigações assumidas.
Capacidade
Quando falamos de capacidade, estamos nos referindo a uma análise da capacidade de 
repagamento dos recursos que foram tomados por empréstimo, isto é, estamos analisando 
as condições que o tomador de empréstimo possui para fazer o pagamento das parcelas 
ou da integralidade da obrigação assumida. Trata-se de uma análise de comprometimento 
da geração de caixa da pessoa jurídica ou da geração de renda da pessoa física com os 
compromissos assumidos. Em termos simples, quando a análise se refere a uma pessoa 
física, seria o mesmo que analisar se a parcela do empréstimo “cabe no bolso”. Por outro lado, 
quando estamos falando de pessoas jurídicas, a análise deve focar nos impactos gerados 
pelos pagamentos sobre os recursos destinados ao capital de giro e às outras necessidades 
das empresas.
Capital
Refere-se à solidez financeira do tomador de empréstimo, ou seja, ao conjunto de bens, 
direitos, ativos disponíveis, riqueza pessoal (no caso de pessoas físicas), que, de certa forma, 
representa um conjunto de informações objetivas e subjetivas a respeito do tamanho das 
operações financeiras comportadas por determinada quantidade ou estoque de capital.
2 Termo utilizado para se referir a uma equipe.
(Continua)
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 71
Colateral
O conceito de colateral está diretamente associado ao termo garantias. Nesse caso, não se 
deve confundir com o conceito de capital, pois o colateral é o bem ou direito efetivamente 
colocado como garantia de uma operação de crédito, que é, portanto, alienado. Para dar um 
exemplo da diferença entre os conceitos de capital e colateral, imagine uma situação em que 
um grande produtor rural que possui 200 hectares de terra contrata uma operação de crédito e 
coloca em garantia 50 hectares. O colateral dessa operação será essa parcela de 50 hectares, 
bem menor do que o capital total do produtor rural em questão.
Condições
O conceito de condições está relacionado com a conjuntura, o ambiente de negócios, as 
condições de mercado, como o aquecimento do setor no qual o tomador de empréstimo está 
envolvido, crises, ameaças ou seu oposto (oportunidades), enfim, com a atmosfera do ambiente 
de negócios. Nesse caso, alguns elementos subjetivos ou muito específicos podem entrar na 
análise, uma vez que o analista de crédito e a instituição financeira à qual elepertence deverão 
levar em consideração a possibilidade de sucesso no uso pretendido dos recursos tomados 
por empréstimo pelo cliente e, para isso, farão análises das condições de mercado.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Seguindo a lógica do modelo dos 5 Cs do crédito, a alçada superior compilará as informações 
financeiras do cliente para saber de sua situação em termos de liquidez de curto prazo (capacidade 
de pagamento) para, então, deduzir qual será a capacidade desse cliente para suportar novos 
pagamentos. Logicamente, a equipe de analistas irá considerar as transformações que ocorrerão no 
ciclo operacional e no ciclo financeiro do solicitante após a concessão de crédito, já que, usualmente, 
o novo contrato tenderá a aumentar a capacidade de pagamento do cliente.
Se o cliente for aprovado, uma linha de crédito será concedida, e o valor dessa linha de 
crédito dependerá de várias questões, incluindo estratégicas, como já mencionamos. No entanto, 
é comum que, quando se tratar de um cliente novo, com pouco tempo de mercado, esses limites 
iniciais concedidos sejam conservadores. A ideia é construir um relacionamento e compreender 
com maior segurança, ao longo do tempo, as características do cliente quanto aos pagamentos 
dos seus compromissos e quanto às necessidades de capital de giro que ele apresenta. À medida 
que esse relacionamento avança no tempo, os limites de crédito são reavaliados e aumentados ou 
diminuídos.
Para a concessão desses limites, sugerimos critérios com base no faturamento das empresas. 
No caso de empresas com restrições cadastrais, não se deve conceder limite de crédito. No caso de 
empresas com limites ruins, com scores baixos, deve-se começar por patamares reduzidos, como 
5% do faturamento da companhia como limite de crédito, ampliando até 40% do faturamento 
no caso de ela não possuir restrições e se encontrar nos níveis mais elevados de crédito, ou seja, 
possuir uma classificação “A”.
Toda e qualquer política de empréstimo deve prever como serão realizadas as cobranças 
e as punições às quais estarão sujeitas as empresas que não honrarem os seus compromissos, e 
as equipes que estiverem trabalhando com essa atividade de recuperação do crédito devem ser 
treinadas para identificar e saber lidar com as dificuldades oriundas do negócio, minimizando 
atritos que possam surgir no percurso de suas atividades.
Análise de risco e de crédito72
4.3.3 Políticas de crédito de instituições financeiras
As instituições financeiras costumam disponibilizar documentos referentes às suas políticas 
de crédito, e, nesses documentos, é possível ter acesso a todos os elementos que balizam suas 
atuações no mercado. Um documento típico de detalhamento da política de empréstimos de uma 
instituição financeira apresentará:
• as políticas de crédito de cada instituição ou empresa do conglomerado e suas segmentações;
• os segmentos atendidos pela instituição e subdivisões desses segmentos;
• as alçadas de decisão e as diretorias;
• os processos de análises de crédito;
• os elementos necessários para a formalização da operação;
• monitoramento da operação e das garantias;
• a política de recuperação de crédito;
• provisionamento para devedores duvidosos;
• testes de estresse.
Como já acontece em outros ambientes, as políticas de empréstimo poderão variar entre 
as instituições financeiras, mas essas variações serão menores do que aquelas observadas entre as 
empresas não financeiras, uma vez que a legislação bancária é mais rígida do que os controles de 
risco de empresas tradicionais.
Considerações finais
Este capítulo teve por objetivo demonstrar como as empresas procedem nas operações 
de empréstimo e concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas. Procuramos demonstrar 
os pontos que são levados em consideração nos procedimentos de contratação, análise e 
acompanhamento das operações e como são implantadas, na prática, as políticas de empréstimo e 
concessão de crédito entre empresas não financeiras, pessoas físicas e instituições financeiras.
Ampliando seus conhecimentos
• GIANNETTI, E. O valor do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
Esse livro apresenta uma noção ampla do conceito de juro, que é também fundamental 
para compreender a noção de crédito em diferentes contextos que extrapolam até questões 
financeiras.
• SANTOS, J. O. Análise de crédito: segmentos: empresas, pessoas físicas, agronegócio e 
pecuária. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
Esse livro é destinado àqueles que se interessam pelos critérios de aprovação de linhas de 
crédito para pessoas físicas e jurídicas.
Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas 73
Atividades
1. O que se entende por colateral? Para que serve?
2. O que se entende por conglomerado empresarial?
3. O que são debêntures?
Referências
SCHRICKEL, W. K. Análise de crédito: concessão e gerência de empréstimos. 4. ed. ver. e atual. São Paulo: 
Atlas, 1998.
SECURATO, J. R. Crédito: análise e avaliação do risco: pessoas físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul, 2002.
WESTON, J. F.; BRIGHAM, E. F. Fundamentos da administração financeira. São Paulo: Pearson, 2004. 
5
Análise da legislação bancária aplicada ao crédito
Neste capítulo, apresentaremos um conjunto de regras, leis, códigos, normas e resoluções 
que se aplicam às operações de crédito. O objetivo é apresentar os elementos centrais de cada uma 
dessas operações de modo que elas sejam o ponto de partida para consultas específicas. Em outras 
palavras, buscamos elaborar um mapa para a compreensão, de maneira geral, dos princípios e das 
regras para a concretização de operações de empréstimo e de crédito.
5.1 Normas do Banco Central aplicadas ao crédito
A regulamentação financeira existe e é necessária porque serve para corrigir 
as falhas de mercado. O termo falhas de mercado é utilizado para descrever as 
situações em que o mercado deixa de funcionar corretamente. São exemplos a 
existência de assimetria de informações, de monopólios naturais, de externalidades 
e a existência e a necessidade de bens públicos. Entre essas falhas de mercado, 
destacamos a assimetria de informações, que se dá quando uma parte tem mais informações 
sobre um produto ou serviço do que outra. Aquele que representa ou age em nome da firma ou 
instituição financeira, naturalmente tem mais vantagens em relação àquele que não as tem, pois 
conhece as diferenças entre os graus dos riscos e as características de cada operação financeira. 
Em várias ocasiões podemos verificar os prejuízos causados por assimetrias de informações – o 
exemplo mais clássico é o chamado problema dos limões.
O problema dos limões foi introduzido por Akerlof (1970) e se refere ao prejuízo causado 
pelas assimetrias de informações que vigoram no mercado de compra e venda de carros usados. 
O carro usado de má qualidade, malconservado, é chamado de limão. Em contrapartida, o carro 
usado de boa qualidade, bem conservado, é chamado de pêssego. O problema surge assim: quando 
um comprador aparece em uma concessionária, ele não sabe se o que está diante dele é um limão 
ou um pêssego e, portanto, poderá acabar comprando um limão pensando se tratar de um pêssego 
e sofrer um enorme prejuízo com isso.
Para evitar problemas como esse, existe uma regulamentação que obriga o vendedor a 
fornecer garantias mínimas de peças fundamentais para o funcionamento dos veículos e, assim, 
minimizar os prejuízos dos compradores e evitar fraudes que prejudiquem todo o mercado 
de veículos usados. É algo parecido com isso que o Banco Central faz quando, entre outras 
atividades, regulamenta as operações de crédito. Ao evitar que os clientes sejam enganados por 
vendedores mal-intencionados ou que instituições financeiras sejam fraudadas por clientes e 
funcionários, o Banco Central torna as operações financeiras mais seguras por meio das edições 
de normas e regulamentos.
Vídeo
Análise de risco e de crédito76
5.1.1 Lavagem de dinheiro
A lei que dispõe sobre lavagem de dinheiro e ocultação debens é uma das mais importantes 
para as atividades bancárias hoje em dia. Com base nessa lei, os controles internos nas agências 
bancárias e nas instituições financeiras em seus diferentes níveis passaram a ser aperfeiçoados para 
darem conta das novas obrigações no tocante à prevenção de crimes financeiros.
A Lei n. 9.613/1998, também conhecida como Lei da Lavagem de Dinheiro, obriga as 
instituições financeiras a manterem cadastros de clientes atualizados. As fichas cadastrais que 
são elaboradas nas aberturas de contas ou de operações têm por objetivo a identificação da 
pessoa física ou jurídica que responde por aquela conta ou operação. As normas específicas para 
a elaboração dessas fichas e dos procedimentos iniciais de quaisquer operações são reguladas e 
embasadas nessa lei.
Tais procedimentos já estavam de alguma forma contemplados pelas regulamentações 
específicas acerca das operações de crédito, mas não estavam sendo devidamente observados e 
fiscalizados na prática em muitas instituições.
A checagem da documentação necessária e de todas as conformidades é obrigatória para 
os funcionários da instituição financeira. É importante ter-se em mente que a lei responsabiliza 
e manda punir todos aqueles que tenham contribuído para a abertura de contas fantasmas ou 
para a realização de operações fraudulentas com o objetivo de dissimular valores. Assim sendo, a 
observação de regras, controles e checagens que são realizados pelas equipes de compliance, por 
exemplo, é uma medida que visa à segurança não só da instituição financeira, como também dos 
próprios funcionários envolvidos nas aberturas de contas e em operações de crédito em geral.
5.1.2 Lei n. 9.613, de 3 de março de 1998
Essa lei, que tipifica o crime de lavagem de dinheiro, avança também no combate à 
ocultação de bens, direitos e valores e busca evitar que o sistema financeiro nacional seja utilizado 
para cometer crimes. Ela vem como decorrência da adesão do Brasil aos pactos internacionais 
de combate aos crimes de lavagem de dinheiro – como os acordos de Basileia de que tratamos 
nos Capítulos 2 e 3. O objetivo da lei é, segundo seu artigo 1º, evitar a dissimulação da “natureza, 
origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores 
provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 
2012)” (BRASIL, 1998).
A referida lei criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que 
passou a fazer parte do Ministério da Economia (junção dos extintos ministérios da Fazenda; 
do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; da Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e do 
Trabalho), com a finalidade de verificar as ocorrências suspeitas de serem atividades ilícitas no 
âmbito do sistema financeiro.
A Medida Provisória n. 893 (BRASIL, 2019) transferiu o Coaf para o Banco Central e mudou 
o nome do conselho, que passou a se chamar Unidade de Inteligência Financeira (UIF). A Lei n. 
9.613 acabou por ser complementada por outros documentos, como a Circular n. 3.461, do Banco 
Central. Esse órgão deve ser comunicado pelas instituições financeiras sobre atividades atípicas, 
Análise da legislação bancária aplicada ao crédito 77
como movimentações de valores elevados, ou outros comportamentos suspeitos, como depósitos 
ou retiradas de valores em espécie na boca do caixa.
A Lei n. 12.683 (BRASIL, 2012) atualizou a Lei n. 9.613/1998 e tornou mais abrangente o 
conjunto de punições ao mesmo tempo em que facilitou condenações por crimes de lavagem de 
dinheiro. Isso ocorreu porque, a partir dela, deixou de ser necessária a comprovação da ligação do 
dinheiro “lavado” com algum crime específico, como ocorria na Lei n. 9.613.
5.1.3 Circular n. 3.461, de 24 de julho de 2009
Segundo o Banco Central do Brasil (2009), a Circular n. 3.461 se destina a informar as regras 
e os procedimentos que devem ser seguidos para a prevenção e o combate aos crimes previstos na 
Lei n. 9.613/1998.
De acordo com o que consta na Circular n. 3.654, de 27 de março de 2013, que alterou a 
Circular n. 3.461, as instituições financeiras devem realizar políticas, procedimentos e controles 
internos, de modo compatível com seu porte e volume de operações, e “destinados a prevenir sua 
utilização na prática dos crimes de que trata a Lei n. 9.613” (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 
2013). Essas políticas devem, conforme disposto no parágrafo 1º do artigo 1º da Circular n. 3.461:
I – especificar, em documento interno, as responsabilidades dos integrantes de 
cada nível hierárquico da instituição;
II – contemplar a coleta e registro de informações tempestivas sobre clientes, que 
permitam a identificação dos riscos de ocorrência da prática dos mencionados 
crimes;
III – definir os critérios e procedimentos para seleção, treinamento e 
acompanhamento da situação econômico-financeira dos empregados da 
instituição;
IV – incluir a análise prévia de novos produtos e serviços, sob a ótica da 
prevenção dos mencionados crimes;
V – ser aprovadas pelo conselho de administração ou, na sua ausência, pela 
diretoria da instituição;
VI – receber ampla divulgação interna. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 
2009)
O parágrafo 2º do artigo 1º da Circular n. 3.461 estabelece que os procedimentos adotados 
devem incluir medidas que permitam “I – confirmar as informações cadastrais dos clientes e 
identificar os beneficiários finais das operações; II – possibilitar a caracterização ou não de clientes 
como pessoas politicamente expostas” (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2009).
O artigo 2º da Circular n. 3.461 afirma que “as instituições mencionadas no art. 1º devem 
coletar e manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes permanentes” (BANCO 
CENTRAL DO BRASIL, 2009). Para exemplificar os tipos de medidas preconizadas por essa 
circular, apresentamos as exigências mínimas sobre as informações cadastrais, com redação dada 
pela Circular n. 3.654, que incluem:
I – qualificação do cliente:
a) pessoas naturais: nome completo, filiação, nacionalidade, data e local do 
nascimento, documento de identificação (tipo, número, data de emissão e órgão 
expedidor) e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e
Análise de risco e de crédito78
b) pessoas jurídicas: firma ou denominação social, atividade principal, forma 
e data de constituição, informações referidas na alínea “a” que qualifiquem e 
autorizem os administradores, mandatários ou prepostos, número de inscrição 
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e dados dos atos constitutivos 
devidamente registrados na forma da lei;
II – endereços residencial e comercial completos;
III – número do telefone e código de Discagem Direta a Distância (DDD);
IV – valores de renda mensal e patrimônio, no caso de pessoas naturais, e de 
faturamento médio mensal referente aos doze meses anteriores, no caso de 
pessoas jurídicas; e
V – declaração firmada sobre os propósitos e a natureza da relação de negócio 
com a instituição. (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013)
A Circular n. 3.654 estabelece, ainda, regras para a identificação de destinatários de 
recursos (nome completo e o número de CPF) para pessoas físicas e razão social e número de 
inscrição no CNPJ para pessoas jurídicas. Traz, também, um conjunto de regras e procedimentos 
específicos para caracterizar as Pessoas Expostas Politicamente (PEP)1, que passaram a contar 
com acompanhamento especial para a identificação dos fundos envolvidos em suas transações 
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013).
A Circular n. 3.461 detalha todos os procedimentos que devem ser adotados por 
profissionais das instituições financeiras a respeito de registros de origens e destinos de recursos 
financeiros, da procedência lícita ou suspeita deles, e dá encaminhamentos para a resolução de 
problemas enfrentados no âmbito dessas instituições. 
5.1.4 Resoluções n. 2.682, de 21 de dezembro de 
1999, e n. 2.697, de 24 de fevereiro de 2000
Essas resoluções dispõem “sobre critérios de classificação das operaçõesde crédito e 
regras para constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa” (BANCO CENTRAL 
DO BRASIL, 1999) e sobre “divulgação de informações em nota explicativa às demonstrações 
financeiras” (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2000).
Elas classificam os riscos das operações de crédito e dão instruções sobre os procedimentos 
que devem ser seguidos nos casos de inadimplência ou renegociação de contratos em atraso. 
São resoluções muito importantes para a análise de risco por conterem os critérios considerados 
adequados para a avaliação dos riscos das operações de crédito. Além disso, estabelecem critérios 
mínimos para a elaboração de modelos de risco e de análise de crédito por parte das instituições 
financeiras.
1 “Art. 4º [...]
§ 1º Consideram-se PEP os agentes públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, 
no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, 
assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo” (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 2013).
Análise da legislação bancária aplicada ao crédito 79
5.1.5 Resolução n. 2.451, de 27 de novembro de 1997
De acordo com o Banco Central do Brasil (1997), essa resolução estabelece “a obrigatoriedade 
de as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do 
Brasil promoverem a segregação da administração de recursos de terceiros das demais atividades 
da instituição”. No mercado financeiro, ela é associada ao conceito de Chinese Wall.
O Chinese Wall (Muralha da China) é um princípio que busca resguardar os clientes de 
instituições financeiras de conflitos de interesses. Diz-se que se deve colocar uma “Muralha da 
China” entre a administração de recursos e interesses próprios das tesourarias das instituições 
financeiras e os recursos dos clientes. A maneira mais fácil de fazer isso foi a partir da criação de 
empresas especializadas na gestão de ativos de terceiros, chamadas de Asset Management.
A Resolução n. 2.451 é uma das principais salvaguardas de investidores de fundos de 
investimento porque impede que os gestores confundam os seus interesses com os patrimônios 
dos clientes. Veja um exemplo: imagine que um banco possua uma debênture não paga por 
um cliente. Esse banco está tendo prejuízo com esse título. Se o gestor desejasse se livrar desse 
problema, ele poderia colocar essa debênture dentro de um fundo de investimento de terceiros por 
ele administrado. Ao obrigar a separação da administração de recursos próprios dos recursos de 
terceiros, criando uma empresa de administração diferente, essa resolução busca evitar os conflitos 
de interesses.
Listamos até aqui as normas mais importantes para aqueles que trabalham com a concessão 
de crédito ou fazem uso de operações desse tipo. Nosso objetivo foi fornecer um mapa de referência 
para temas relevantes que devem fazer parte do dia a dia do profissional do setor.
5.2 Compliance no processo de concessão de crédito
O termo compliance é utilizado para definir conjuntos de normas e 
procedimentos de conformidades. Isto é, trata-se de um setor, departamento ou 
equipe de profissionais que se dedica aos processos de checagem de conformidades 
dos demais profissionais da empresa ou instituição. Esse termo é derivado do 
verbo em inglês to comply, que tem o significado de cumprir regras. As equipes de 
compliance não são muito comuns em empresas pequenas ou muito antigas, nem nas empresas 
familiares no Brasil.
Nos países desenvolvidos, por outro lado, as equipes de compliance estão inseridas 
nas estruturas de empresas de todos os tamanhos. No Brasil, essas equipes vêm crescendo nas 
companhias que estão preocupadas em atender às exigências de certificadoras internacionais ou 
órgãos de controle que regulamentam empresas modernas, com elevados níveis de governança, que 
estejam no processo de abertura de capitais na nossa bolsa de valores ou em mercados financeiros 
mais avançados.
As organizações que têm equipes de compliance evitam grandes perdas e aborrecimentos 
oriundos de práticas inadequadas de seus funcionários. São preocupações dessas equipes a 
observação:
Vídeo
Análise de risco e de crédito80
• do cumprimento dos protocolos de atendimento aos clientes;
• de comunicações entre os funcionários e os clientes;
• do acompanhamento dos processos e dos procedimentos executados pelos funcionários 
com o objetivo de concretizar suas operações e tarefas, buscando evitar, principalmente, 
a elevação de riscos operacionais provenientes de desvios de comportamento ético dos 
funcionários e desvios de protocolos.
Você já deve ter sido abordado por profissionais tentando oferecer produtos financeiros 
por telefone. Esses representantes das empresas, ao oferecerem produtos do outro lado da linha, 
utilizam uma linguagem característica. Muitos funcionários parecem ler textos de maneira 
mecânica, utilizando uma linguagem padronizada, valendo-se de gerundismo2 e de um texto 
automatizado.
A razão para esse comportamento robotizado é evitar uma má compreensão das regras e 
dos riscos das operações oferecidas por telefone, que passarão a valer com a aceitação dos clientes 
contactados. Não pode restar dúvida, portanto, acerca daquilo que está sendo contratado, das 
taxas que serão cobradas, dos riscos das operações, dos rendimentos ou retornos esperados.
Se o cliente alegar que um funcionário fez algum tipo de oferta ou promessa que o tenha 
levado a cometer algum erro de julgamento, a empresa poderá responder judicialmente por isso. 
Para que ela não se coloque nessa situação, é fundamental investir em equipes de acompanhamento 
dos processos e procedimentos executados em todas as suas áreas de atuação, que evitem que os 
funcionários se comportem de maneira imprópria.
Portanto, as equipes de compliance se dedicam a detectar riscos operacionais que venham a 
causar prejuízos para as empresas. Riscos operacionais, como já frisado no Capítulo 3, são riscos 
derivados de erros humanos e de sistemas da empresa. Não se trata apenas de evitar fraudes, mas 
também condutas que caracterizem assédios (moral ou sexual) de chefes ou colegas de trabalho no 
interior da empresa e que podem levar a danos de imagem.
5.2.1 Resolução n. 2.554, de 24 de setembro de 1998
Conforme determinação do Banco Central do Brasil (1998), essa resolução regulamenta 
a implementação de controles internos das instituições financeiras para as atividades por elas 
desenvolvidas. Ela define, em seu artigo 1º, a implantação de sistemas de informações financeiras, 
operacionais e gerenciais e o cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis a esses 
sistemas.
§ 1º Os controles internos, independentemente do porte da instituição, devem 
ser efetivos e consistentes com a natureza, complexidade e risco das operações 
por ela realizadas.
§ 2º São de responsabilidade da diretoria da instituição:
2 Pode ser considerado um vício de linguagem, cuja característica é o uso excessivo de locução verbal com o verbo 
principal flexionado no gerúndio. Exemplo: “Vou estar transferindo a sua ligação para o setor responsável” em vez de 
“Vou transferir a sua ligação para o setor responsável”.
Análise da legislação bancária aplicada ao crédito 81
I – a implantação e a implementação de uma estrutura de controles internos 
efetiva mediante a definição de atividades de controle para todos os níveis de 
negócios da instituição;
II – o estabelecimento dos objetivos e procedimentos pertinentes aos mesmos;
III – a verificação sistemática da adoção e do cumprimento dos procedimentos 
definidos em função do disposto no inciso II. (BANCO CENTRAL DO 
BRASIL, 1998)
O estabelecimento de controles internos deixou de ser uma opção das instituições que 
desejavam se enquadrar em marcos estabelecidos por agências de classificação de crédito, agências 
de risco e certificadoras e passou a ser obrigação legal. Justamente por isso, não se pode pensar 
em outrocaminho que não seja canalizar recursos e esforços para estabelecer um bom sistema de 
compliance.
5.2.2 Treinamento
O treinamento dos funcionários é uma etapa do processo de criação de departamentos ou 
setores de compliance e precisa ser integral e constante. Ser integral refere-se à totalidade, isto é, 
é necessário que o conhecimento seja o mais amplo possível para que o treinamento tenha uma 
melhor aderência, abrangendo todas as áreas e processos da empresa que está implantando. Quando 
dizemos que o treinamento tem de ser constante, estamos dizendo que ele deve ser continuado, de 
modo a permitir o aperfeiçoamento dos métodos de trabalho e o treinamento para o uso de novas 
ferramentas que venham a ser introduzidas no mercado. Além disso, é preciso ensinar os valores 
da empresa aos funcionários.
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), 
por exemplo, aponta para a necessidade de um comportamento embasado em princípios éticos, 
como integridade, objetividade, competência, confidencialidade e profissionalismo.
A ética faz parte de qualquer planejamento, gerenciamento e execução de planos de 
compliance e as instituições financeiras associadas à Anbima são obrigadas a seguir um padrão 
mínimo de conduta a esse respeito, registrado no artigo 4º do código de ética da associação. Esse 
padrão de conduta exigido pela Anbima é apresentado na Figura 1 a seguir.
Análise de risco e de crédito82
Figura 1 – Padrão de conduta que as associadas devem observar no relacionamento com os clientes
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
(F)
(G)
(H) Praticar remuneração adequada 
na prestação dos serviços que 
lhes forem autorizados em 
decorrência de sua participação 
nos mercados financeiro e de 
capitais. 
Adotar providências no 
sentido de evitar a realização 
de operações em situação de 
conflito de interesses, visando 
a assegurar tratamento 
equitativo a seus clientes.
Utilizar-se de especial 
cuidado na identificação 
e cumprimento de seus 
deveres fiduciários com 
seus clientes. 
Zelar para que seu corpo 
funcional mantenha 
conhecimento e qualificações 
técnicas necessárias ao 
atendimento de seu público.
Manter sigilo sobre 
informações e dados confiados 
por seus clientes em razão da 
relação profissional que com 
eles possui. 
Oferecer a seus clientes 
todas as informações e 
documentação a respeito 
de seus investimentos 
efetivos ou potenciais, 
de modo a permitir-lhes 
uma adequada decisão de 
investimento. 
Não manifestar opinião 
que possa denegrir ou 
prejudicar a imagem de 
qualquer Associada ou, 
ainda, de qualquer outro 
integrante do Sistema 
Financeiro Nacional.
Recusar a intermediação 
de investimentos que 
considerar ilegais, imorais 
ou antiéticos. 
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Anbima, 2010.
Os princípios éticos da Anbima estão alinhados com programas de compliance. Isso ocorre 
porque, no processo de desenvolvimento de atividades fundamentais, são criados manuais de 
conduta que forçam o cumprimento das leis e das regras internas e externas à empresa e que 
garantem o bem-estar dos clientes ao mesmo tempo em que minimizam os riscos da organização.
Devem ser prioridades dos profissionais de instituições financeiras ou do mercado de 
capitais: indicar os produtos mais adequados às necessidades dos clientes, esclarecê-los sobre os 
riscos e manter o sigilo de suas operações e informações pessoais. Esse comportamento demonstra 
respeito pelos clientes, profissionalismo e ética, além de evitar problemas na esfera judicial.
Para colocar uma equipe de compliance em funcionamento dentro de uma instituição, é 
preciso criar uma cultura organizacional apropriada para o desenvolvimento das atividades de 
controle. Além disso, algumas etapas precisam ser executadas, como investimentos na elaboração 
Análise da legislação bancária aplicada ao crédito 83
de manuais de regras, cursos de treinamento de funcionários e preparação de local de trabalho 
específico para receber equipes.
Um último argumento em favor da necessidade de implantação de equipes de compliance 
nas instituições financeiras e nas empresas é a percepção de ganho de governança corporativa 
que a existência dessas equipes causa no mundo exterior aos muros da firma. Elas aumentam a 
credibilidade da empresa no mercado, incluindo as bolsas de valores. Isso decorre do fato de que 
os investidores e os analistas enxergam essas medidas como atos destinados à redução dos riscos 
operacionais nas companhias e, também, dos riscos de imagem oriundos de práticas profissionais 
malvistas pela sociedade, como atitudes discriminatórias, assédio e crimes ambientais.
Considerações finais
Este capítulo teve por objetivo apresentar algumas normas e regulamentações específicas 
que se aplicam nas instituições financeiras e nas operações de crédito. Buscamos apresentar um 
guia de referência para aqueles que precisam trabalhar com operações de crédito ou que precisam 
contratá-las. Além disso, apresentamos uma discussão acerca dos controles instituídos sobre as 
instituições financeiras para evitar lavagem de dinheiro e fraudes, discutindo-se a necessidade da 
implantação de equipes de compliance nessas instituições e nas empresas.
Ampliando seus conhecimentos
• LIMA, D. P. D. Compliance: prevenção de responsabilidade nos negócios e contratos. Rio 
de Janeiro: Lumen Juris, 2018.
Esse livro apresenta o conceito de compliance e as vantagens de se estabelecer controle sobre 
as atividades dos funcionários na efetivação de negócios e na elaboração de contratos.
• RIZZO, M. B. M. Prevenção à lavagem de dinheiro nas instituições do mercado financeiro. 
São Paulo: Trevisan, 2014.
Esse livro aborda a lei de combate à lavagem de dinheiro – Lei n. 9.613/1998 – e sua 
importância no dia a dia das instituições financeiras.
Atividades
1. O que são falhas de mercado e quais são as mais conhecidas?
2. Explique o que é assimetria de informações.
3. Defina o que é compliance.
https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_ebooks_1?ie=UTF8&field-author=Maria+Balbina+MartinsDeRizzo&text=Maria+Balbina+MartinsDeRizzo&sort=relevancerank&search-alias=digital-text
Análise de risco e de crédito84
Referências
AKERLOF, G. The market for “lemons”: quality uncertainty and the market mechanism. The Quarterly 
Journal of Economics, v. 84, n. 3, p. 488-500, ago. 1970. Disponível em: http://links.jstor.org/sici?sici=0033-
5533%28197008%2984%3A3%3C488%3ATMF%22QU%3E2.0.CO%3B2-6. Acesso em: 10 out. 2019.
ANBIMA. Código de ética da Anbima. 2010. Disponível em: https://www.anbima.com.br/data/files/0A/41/31/
B0/AFC575106582A275862C16A8/C_digo_20de_20_tica_1_.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular n. 3.461, de 24 de julho de 2009. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2009. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.
asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/47555/Circ_3461_v9_L.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular n. 3.654, de 27 de março de 2013. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2013. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.
asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/48975/Circ_3654_v1_O.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.451, de 27 de novembro de 1997. Brasília: 
Conselho Monetário Nacional, 1997. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/
downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/45480/Res_2451_v1_O.pdf. Acesso em: 
10 out. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.554, de 24 de setembro de 1998. Brasília: Conselho 
Monetário Nacional, 1998. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1998/pdf/res_2554_
v3_P.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 2.682, de 21 de dezembro de 1999. Brasília: Conselho 
Monetário Nacional, 1999. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1999/pdf/res_2682_
v2_L.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.
BANCO CENTRALDO BRASIL. Resolução n. 2.697, de 24 de fevereiro de 2000. Brasília: Conselho Monetário 
Nacional, 2000. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2000/pdf/res_2697_v1_o.pdf. 
Acesso em: 10 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 9.613, de 3 de março de 1998. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 4 mar. 
1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9613compilado.htm. Acesso em: 10 out. 
2019.
BRASIL. Lei n. 12.683, de 9 de julho de 2012. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 10 jul. 
2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm. Acesso 
em: 21 out. 2019.
BRASIL. Medida Provisória n. 893, de 19 de agosto de 2019. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 20 ago. 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/Mpv/
mpv893.htm. Acesso em: 10 out. 2019.
Gabarito
1 Crédito e risco: conceitos fundamentais
1. Na gestão de risco de empresas e clientes, o risco principal assumido pelas empresas 
é o de crédito (risco de os clientes não pagarem) para as compras que forem feitas a 
prazo, o que é prática comum no mercado. Há, também, o risco de uma dependência 
excessiva das empresas por um ou poucos clientes que representem grandes partes de 
seus faturamentos. No caso de uma empresa perder um cliente muito importante, com o 
qual realizava grandes negócios, ela não poderá substituir esse cliente facilmente, o que 
pode amargar prejuízos.
2. Séries históricas dos retornos, quantidades de ativos, desvios padronizados dos retornos 
dos ativos (ou títulos) e correlações entre os ativos. 
3. Tornam as decisões de concessão de crédito mais impessoais e menos subjetivas. 
Diminuem riscos de erros de análises de créditos intencionais ou não.
2 Operações de crédito e serviços bancários
1. A diferença é quanto à capacidade de criar moeda. As instituições financeiras de natureza 
bancária têm o poder de criar moeda escritural, enquanto as instituições financeiras de 
natureza não bancária não o têm.
2. A principal diferença decorre do momento em que são realizadas essas operações. 
No caso do ACC, ele é contratado ainda na fase de produção ou de pré-embarque 
das mercadorias. O ACE, por outro lado, é contratado na fase de comercialização das 
mercadorias ou na fase posterior ao embarque delas para o exterior. 
3. Sim. No caso das empresas de pequeno porte, há poucas diferenças no tratamento que é 
reservado a elas e às pessoas físicas pelas instituições financeiras. Já no caso de empresas 
de grande porte, há maior empenho e tolerância das instituições financeiras no que diz 
respeito, por exemplo, à alavancagem financeira – o que permite, normalmente, que 
consigam recursos mesmo estando mais endividadas que as empresas pequenas.
3 Análise de risco
1. Com base na coleta dos dados sobre os preços e os retornos das ações, podemos calcular 
a média e o desvio padrão da ação da Petrobras e encontrar um intervalo de variação 
mais provável para os preços das ações. Em síntese, podemos ter uma ideia do risco 
dessas ações. Com algumas dessas informações em mãos, podemos também calcular o 
VaR da ação.
86 Análise de risco e de crédito
2. Uma agência de rating avalia os dados obtidos por meio de balanços; as condições dos 
mercados em que as empresas estão inseridas; e as variáveis básicas da economia. Além 
disso, fornece relatórios que atestam as condições de crédito, solvência e risco de se manter 
operações, adquirir títulos de crédito ou ações de determinadas empresas ou outras 
instituições, incluindo até mesmo países.
3. As fontes mais comuns de riscos operacionais são erros humanos (de funcionários), falhas 
técnicas (de sistemas) e fraudes. 
4 Concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas
1. O termo colateral é usado com o mesmo significado de garantia e serve para reduzir os 
riscos das operações de crédito e empréstimos das instituições financeiras, assim como das 
não financeiras.
2. É um conjunto de empresas cujas propriedades são intercomunicantes, e os proprietários de 
uma delas também são donos de partes ou da integralidade das demais empresas do grupo 
econômico.
3. São títulos de crédito de longo prazo utilizados por empresas para financiar investimentos 
de capital.
5 Análise da legislação bancária aplicada ao crédito
1. As falhas de mercado são as ocasiões em que o mercado não funciona corretamente. 
Podemos citar: a existência e a necessidade de bens públicos; a existência de monopólios 
naturais; externalidades e assimetria de informações.
2. Assimetria de informações ocorre quando uma parte tem mais informações do que a outra 
ao celebrarem um negócio ou operação. Normalmente, o vendedor tem mais informações e 
leva vantagem explorando isso, causando prejuízo a um cliente.
3. Compliance é o conjunto de regras instituído em uma empresa com o objetivo de verificar 
se o trabalho e os procedimentos operacionais internos estão ocorrendo em conformidade 
com as boas práticas estabelecidas.
Código Logístico
59043
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6559-2
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 5 9 2
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