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Ele possibilita diversas formas de interação com o conteúdo, a qualquer hora e de qualquer lugar. Mas na
versão impressa, alguns conteúdos interativos são perdidos, por isso, fique atento! Sempre que possível, opte
pela versão digital. Bons estudos! 
Seguindo as origens do pensamento fundador dos
estudos literários, chegamos a um
entrecruzamento entre literatura e história
fundante da literatura comparada: a revolução
política do século XV que opera a definição das
fronteiras nacionais. 
É com a nacionalização que a literatura deixa
de ter um espectro universal para passar pela
necessidade de ser especificada,
nacionalizada, dotando de uma personalidade
estética para cada literatura nacional. 
A partir desse momento em que podemos falar de
“literaturas” que se passa a poder falar também de
um método comparativo e não apenas de
comparação como um pilar do pensamento (que
data da Antiguidade Clássica). Pois apenas quando
se tem a ideia de nação e, portanto, uma noção de
unidade nacional, que se passar a ter a
constituição de uma História Literária nacional e,
mundialmente, de histórias literárias que estudem
a formação de sistemas literários nacionais e sua
transformação ao longo dos séculos.
Carvalhal (2010) afirma que o surgimento da
literatura comparada acontecerá veiculado ao
pensamento cosmopolita, o que termina por
ilustrar a outra ponta desse processo histórico que
circunscreve esse fenômeno literário, como
também afirma Joseph Texte (1994, p. 33):
“[...] Se o nacionalismo nasceu da crítica
comparativa, o cosmopolitismo ou
internacionalismo originou-se igualmente
desta crítica.[...]”. 
Literatura Comparada
História da Literatura Comparada 
Unidade 1 - Seção 1
Assim sendo, a metodologia comparatista tem sua origem nesse duplo movimento de fortalecimento da
literatura nacional e, ao mesmo tempo, em uma maior comunicação entre povos e culturas vizinhas, no
sentido da configuração de uma literatura europeia. 
O alastramento do método comparatista acontecerá realmente no século XIX, quando os estudos
comparados se alastram pelas ciências.
A França terá um papel fundamental na
consolidação da literatura comparada: é em
território francês que esse conceito se alastra e é
legitimado mais rapidamente, assim como há
diversas publicações que determinarão a
passagem de teoria crítica para uma disciplina
reconhecida pelo meio acadêmico. O primeiro
registro é de 1816, o Curso de literatura
comparada, de Noël e Laplace, que se tratava, na
verdade, de uma coletânea de diversas antologias
sem um projeto coerente.
Tratava-se, na verdade, de uma coletânea de
diversas antologias sem um projeto coerente,
configurando-se, portanto, como os primórdios da
disciplina, ainda sem uma sistematização mais
concreta. Abel-François Villemain já parece ter
sido responsável por uma primeira divulgação
acadêmica, tanto utilizando-se dessa expressão
em seus cursos ministrados na Sorbonne em
1828-1829 quanto em sua obra Panorama da
literatura francesa.
Desse desenvolvimento, surgirão as primeiras
cátedras de literatura comparada em Lyon e
Sorbonne, nas quais atuaram nomes importantes
como, por exemplo, Joseph Texte, Fernand
Baldensperger e J.-M. Carré.
Desses movimentos de inserção da literatura
comparada nas disciplinas da Sorbonne e do
Collège de France, já se delineia as bases do
que seria a teoria comparatista francesa.
Desses movimentos de inserção da literatura
comparada nas disciplinas da Sorbonne e do
Collège de France, já se delineia as bases do
que seria a teoria comparatista francesa.
Em síntese, a formação da teoria comparatista clássica foi favorecida pelo espírito francês de valorização
de uma nova literatura, que abandonava os valores clássicos universais e adotava uma maior relatividade
nos textos literários, movimento estimulado já desde o século XVII. 
Foi a França, portanto, precursora dos estudos comparatistas e uma grande responsável por sua
consolidação, mas o seu estabelecimento enquanto disciplina nas principais universidades ocorreu nas
primeiras décadas do século XX apenas após movimentações análogas em outros países. 
Assim, na Alemanha, Moriz Carrière adota, pela
primeira vez, a expressão “história comparativa da
literatura” – que seria difundida como “ciência
comparativa da literatura” – na intenção de
integrar a literatura comparada à História Geral da
Civilização e seria em Berlim que surgiria o
primeiro periódico da disciplina comparativista,
editado por Max Koch.
Moriz Carrière
Fonte: https://goo.gl/kffpmC. Acesso em: 16 out. 2018
Na Inglaterra, foi Hutcheson Macaulay Posnett que utilizou a expressão, em 1886, em seu livro
Comparative Literature. Já na Itália, De Sanctis lecionaria literatura comparada em Nápoles de 1863 em
diante e, nos Estados Unidos, os estudos comparados surgiriam apenas na virada do século, com a
criação de Departamentos de Literatura Comparada nas universidades de Columbia, em 1899, e Harvard,
em 1904, mudando da orientação francesa – que é adotada inicialmente – para a linha inaugurada pelos
estudos de Irving Babbitt. 
Portugal também se destaca pelos estudos precursores de Teófilo Braga, Literatura comparada e crítica
de fontes, e de Fidelino de Figueiredo, estudo presente em seu livro A crítica literária como ciência
(1912), primeiro com enfoque metodológico. 
Esperamos, com esse apanhado geral, ter contextualizado a efervescência que compôs a consolidação da
literatura comparada como parte dos estudos literários e disciplina acadêmica. 
https://goo.gl/kffpmC

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