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PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 22 DE SETEMBRO DE 2023 
 
AVALIAÇÃO DO RISCO DE SUICÍDIO 
DADOS INTRODUTÓRIOS 
 
 
11 mil tiram a própria vida, por ano, em média 
Entre 15 e 19 anos: 
- quarta maior causa de morte 
- Em homens é a terceira maior causa de morte 
- Em mulheres é a oitava maior causa (métodos 
menos violentos 
 
CASO CLÍNICO 
Karen, 24 anos tem histórico de 5 tentativas de 
suicídio prévias, na maioria das vezes com 
medicação. Vem ao pronto socorro trazida pelos 
pais com cortes em ambos os pulsos 
apresentando sangramento. Um dos cortes talvez 
necessite de sutura. Faz tratamento psiquiátrico 
desde os 16 anos, com histórico de episódios 
bulímicos, comportamentos impulsivos e uso de 
canabis e álcool. Havia discutido com os pais pois 
lhe negaram dinheiro para uma viagem com as 
amigas. Ainda muito alterada, dizendo que não 
quer ser internada novamente, ameaçando fugir 
do pronto-socorro. O pai muito irritado diz que a 
filha é manipuladora e se quisesse mesmo morrer 
já teria conseguido. 
 
PREVENÇÃO E CONTROLE – OMS 
A prevenção do suicídio não tem sido 
adequadamente acessada devido a falta de 
conhecimento de que o suicídio é um grande 
problema de saúde pública e há tabus em muitas 
sociedades para que se discuta o suicídio 
abertamente. (Elemento crucial da prevenção) 
Medidas gerais 
 
 
Mitos 
• “Se eu perguntar sobre suicídio poderei induzir 
o paciente a isso”. 
• “Ele está ameaçando suicídio apenas para 
manipular”. 
• “Quem quer se matar, se mata mesmo”. 
Cerca de 50 a 80% das tentativas de suicídio foram 
precedidas pela comunicação da intenção suicida à 
família ou ao médico 
• “Quem quer se matar não avisa”. 
• “No lugar dele eu também me mataria” 
 
FATORES PREDISPONENTES E PRECIPITANTES 
Predisponentes 
Raiz dos problemas 
Transtorno psiquiátrico, tentativa prévia de 
suicídio, suicídio na família, abuso sexual na 
infância, impulsividade/agressividade, isolamento 
social, doenças incapacitantes/incuráveis, alta 
recente de internação psiquiátrica 
 
Precipitantes 
Fator que impulsionou 
Desilusão amorosa, separação conjugal, conflitos 
relacionais, derrocada financeira, perda de 
emprego, desonra, vergonha, embriaguez, fácil 
acesso a um meio letal 
 
Transtorno mental: um vulnerabilizador tratável 
 
FATORES DE RISCO 
Fatores sociodemográficos 
 Sexo masculino – violência da tentativa 
 Adultos jovens (19 a 49 anos) e idosos 
(>65) 
16 milhões de pessoas tentam o suicídio 
anualmente.
800.000 pessoas morrem por suicídio 
todo ano.
75% dos suicídios ocorrem em países de 
renda baixa ou média
Na faixa etária entre 15 e 29 anos o 
suicídio é a terceira causa de morte
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 22 DE SETEMBRO DE 2023 
 
 Estados civis viúvo, divorciado e solteiro 
(principalmente entre homens) 
 Orientação homossexual ou bissexual 
 Ateus, protestantes tradicionais > 
católicos, judeus 
 Grupos étnicos minoritários 
 
Transtornos mentais 
 Depressão, transtorno bipolar, 
abuso/dependência de álcool e de outras 
drogas, esquizofrenia, transtornos da 
personalidade (especialmente borderline) 
 Comorbidade psiquiátrica (coocorrência 
de transtornos mentais) 
 História familiar de doença mental 
 Falta de tratamento ativo e continuado em 
saúde mental 
 Ideação ou plano suicida 
 Tentativa de suicídio pregressa 
 História familiar de suicídio 
 
Fatores psicossociais 
Mais associado a precipitantes e que acontecem 
quando tem predisponentes 
 Desesperança, desamparo – não vê mais 
saída 
 Abuso físico ou sexual 
 Perda ou separação dos pais na infância 
 Instabilidade familiar 
 Ausência de apoio social 
 Isolamento social 
 Perda afetiva recente ou outro 
acontecimento estressante 
 Datas importantes (reações de aniversário) 
 Desemprego 
 Aposentadoria 
 Violência doméstica 
 Ansiedade intensa 
 Vergonha, humilhação (bullying) 
 Baixa autoestima 
 Traços de personalidade: impulsividade, 
agressividade, labilidade do humor, 
perfeccionismo 
 Rigidez cognitiva, pensamento dicotômico 
 Pouca flexibilidade para enfrentar 
adversidades 
 
Outros 
 Acesso a meios letais (arma de fogo, 
venenos) 
 Doenças físicas incapacitantes, 
estigatizantes, dolorosas e terminais 
 Estados confusionais orgânicos – fator de 
risco para suicídio sem intencionalidade 
 Falta de adesão ao tto, agravamento ou 
recorrência de doenças preexistentes 
 Relação terapêutica frágil ou instável – não 
confia no profissional que o atende 
 
SUICÍDIO NA POPULAÇÃO 
Associado na maioria das vezes a transtornos 
mentais 
35% relacionados a transtornos de humor 
(transtorno depressivo e TAB) 
22,4% transtorno por uso de substância 
11,6% esquizofrenia e transtorno de 
personalidade (principalmente borderline) 
 
Características que acompanham o aumento da 
intencionalidade suicida 
 
 
INVESTIGAÇÃO 
Intencionalidade suicida 
Precisa estar em um contexto de sofrimento 
Não começa direto perguntando sobre plano de 
suicídio 
Perguntar se tem fatores protetores (razões para 
continuar vivo) 
 
 
GRADAÇÃO 
Avaliação de risco de suicídio 
 
PSIQUIATRIA – JÚLIA COLOGNEZI 22 DE SETEMBRO DE 2023 
 
Onde no geral consegue enquadrar a pessoa 
 
TRATAMENTO/MANEJO 
 Identificação de 
risco/gravidade/intencionalidade 
 Tem diagnóstico de base? Qual é e se está 
sendo tratado adequadamente 
 Seguimento ambulatorial/internação 
psiquiátrica 
 Cautela em relação ao uso de BZD – 
benzodiazepínico funciona semelhante ao 
álcool no cérebro, reduzindo a capacidade 
crítica “fica corajoso” 
 Antipsicótico de primeira geração para 
efeito sedativo sem diminuir capacidade 
crítica ou de segunda geração 
 
Após uma tentativa de suicídio 
 Avaliar a maneira que ela tentou e tomar 
as medidas necessárias (atendimento 
específico da condição clínica relacionada 
à tentativa) 
 Não acusar/julgar/criticar; 
 O tratamento é o tto da doença de base 
 Não há psicofármacos específicos para 
situações de emergência 
 Psicoeducação do paciente e familiares 
 Internação psiquiátrica (analisar gravidade, 
intencionalidade, falta de suporte familiar 
e ausência de fatores protetores) 
 Lítio  ajuda para redução ideação 
suicida, controle da impulsividade (NÃO 
USA EM PS, é uso crônico como adjuvante 
do tto) 
 Antipsicóticos em PS  sedação 
 Evitar iatrogenia 
 
Caso clínico 
Kelly, 29 anos, professora, segue em tto no 
ambulatório de psiquiatria; teve transtorno 
depressivo grave com delírios de ruina (ideias que 
a família tinha perdido tudo) há 2 anos e na época 
teve ideação suicídio. Boa resposta e adesão ao 
tratamento ambulatorial 
Volta à consulta de rotina se queixando de 
tristeza, anedonia, insônia terminal 
Quando questionada sobre pensamentos de 
morte, diz que passa pela cabeça que ficasse 
doente e morresse para não ser um peso para o 
outro 
 
1 – como você classificaria o risco de suicídio 
dessa paciente? moderado (transtorno 
depressivo, tem rede de apoio) 
2 – qual dado da anamnese, se presente, poderia 
significar maior risco de suicídio? Tentativa prévia, 
abuso de substancia, impulsividade, 
planejamento, situação de desesperança.. 
3 – qual a conduta no pronto-socorro? Cuidado 
com ferimentos, observar risco de fuga, 
medicação para tranquilização, ajustar as 
medicações (otimizar antidepressivo), orientar a 
paciente sobre a depressão, chamar alguém da 
família para fazer a orientação, orientar que se 
esses pensamentos piorarem, procure ajuda.

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