Prévia do material em texto
Os ácidos nucleicos: DNA e RNA As diversas expressões dos genes são estudadas pela genética. Embora nossos genes tenham sido herdados de nossos genitores, eles podem sofrer mudanças ao longo de nossa vida. Logo, pode-se concluir que tudo o que é hereditário é genético, mas nem sempre o que é genético é hereditário. Mas, afinal de contas, o que é um gene? Uma definição mais moderna de gene é: segmento de DNA que transcreve um RNA específico. Obviamente, para compreender de modo mais claro este conceito, são necessárias algumas explicações sobre DNA, RNA e transcrição. Vamos a elas Analogia – célula Analogia – núcleo Analogia – cromossomo Cromossomos não saem do núcleo Analogia – gene Gene – cada gene tem seu lugar específico dentro de um determinado cromossomo. Descoberta da estrutura do DNA (1954) Watson & Crick Cristalografia de raios X do DNA Representação da dupla hélice 1) Estrutura geral do DNA O DNA (ácido desoxirribonucleico) é uma grande molécula composta de dois filamentos (ou fitas) que são mantidos emparelhados graças a ligações de hidrogênio ocorridas entre bases nitrogenadas vizinhas. Estas ligações são específicas: adenina (A) se liga à timina (T) e citosina se liga à citosina (C). Portanto, se uma das fitas é composta pela sequência ATTCGTCAT, a outra fita, que se mantém emparelhada a esta, apresenta a sequência TAAGCAGTA Subunidade do DNA: nucleotídeo Ligação das 2 fitas por pontes de hidrogênio ● Ligação pelas bases nitrogenadas. ● Ligação por pontes de hidrogênio. ● Adenina com Timina (A=T). ● Citosina com Guanina (C≡G). Duplicação do DNA A dupla fita se abre. E a fita antiga é usada como molde. Pela propriedade de A (Adenina) se ligar a T (Timina). Pela propriedade de C (Citosina) se ligar a G (Guanina). Ao final da duplicação, teremos duas duplas fitas iguais. Mutações Definição: qualquer alteração permanente do DNA. Principais tipos: substituição de nucleotídeo(s), deleções e inserções. Mutações podem ser espontâneas (maquinaria celular erra) ou induzidas, provocadas por radiações ionizantes ou agentes químicos. Estrutura do RNA 2) Estrutura geral do RNA O RNA (ácido ribonucleico) apresenta constituição química semelhante ao DNA. Duas diferenças importantes são: o RNA apresenta a base nitrogenada uracila (U) ao invés de timina, e é composto de apenas um filamento. O RNA é produzido pelo DNA, e este processo é denominado transcrição, em que um dos filamentos do DNA serve de molde a partir do qual será transcrito o RNA. Se o filamento-molde de DNA tem a sequência de bases ATTCGTCAT, o RNA transcrito terá a sequência UAAGCAGUA. I – Cromossomos, locos, alelos e genótipos O DNA fica armazenado no núcleo das células em uma estrutura denominada cromossomo. Há apenas um DNA por cromossomo. Nas células humanas existem, ao todo, 46 cromossomos, com exceção dos óvulos e espermatozoides, que possuem apenas 23 cromossomos. Durante a fecundação, ocorre a junção dos 23 cromossomos do óvulo com os 23 do espermatozoide, originando o zigoto, que é a primeira célula de um novo indivíduo. O zigoto, portanto, terá 23 pares de cromossomos, e, durante o desenvolvimento, irá originar todas as células que constituem o organismo (células somáticas). Estima-se que existam cerca de 35 mil genes distribuídos nos cromossomos humanos. A posição cromossômica exata em que se situa cada um desses genes é denominada loco gênico. Sendo assim, cada loco gênico é caracterizado por uma sequência de bases nitrogenadas. Em diferentes pessoas, a sequência de bases nitrogenadas de certo loco pode conter pequenas variações em sua composição, originadas por mutação gênica. Atribui-se o nome de alelos a essas sequências de bases nitrogenadas ligeiramente diferentes umas das outras. Os geneticistas costumam identificar essas variações gênicas por letras. Por exemplo, se identificarmos o alelo não mutante pela letra maiúscula A, podemos identificar o alelo mutante pela letra minúscula a. Uma pessoa pode herdar um cromossomo paterno contendo o alelo A e um cromossomo materno contendo o alelo a. Neste caso, diríamos que a combinação de alelos, ou seu genótipo, seria Aa. Embora pudesse ser também AA ou aa. O genótipo composto por dois alelos idênticos é denominado homozigoto, ao passo que o genótipo composto por alelos diferentes entre si é heterozigoto. EXERCÍCIO 1) O curso clínico da doença de Tay-Sachs é particularmente trágico. Os lactentes afetados parecem normais até 3 a 6 meses de idade, e aí sofrem deterioração neurológica progressiva até a morte aos 2 a 4 anos. A mutação que origina a doença já foi identificada, e está esquematizada a seguir: Sobre o alelo de Tay-Sachs: I. A proteína fabricada por este alelo será diferente daquela produzida pelo alelo normal. II. O RNA produzido por este alelo será diferente daquele produzido pelo alelo normal. III. Este alelo foi originado pela adição de 4 aminoácidos à sequência normal do DNA. IV. O alelo mutante apresenta uma sequência de bases nitrogenadas diferente do alelo normal. V. Este alelo foi originado por um processo de mutação ocorrido no alelo normal. São afirmações verdadeiras: a) I, II, III. b) II, IV, V. c) I, II, IV, V. d) I, III, IV. e) I, II, III, V. Formação do RNA: transcrição Para iniciar o processo de formação do RNA, primeiramente a dupla fita de DNA se abre. E uma das fitas é usada como molde, formando uma fita simples. A se liga ao U (Uracila). T se liga ao A. C se liga ao G. G se liga ao C. Formação da fita simples de RNA Código genético Tabela toda é o código genético, em que a cada 3 nucleotídeos, que chamamos de Códon, corresponde um aminoácido específico.Os aminoácidos são as subunidades das proteínas. Tradução: formação de proteína A sequência de bases nitrogenadas do filamento molde de um segmento de DNA é TTTCCGAAT. Logo, o RNA transcrito por esse segmento será: a) TTTCCGAAT. b) AAAGGCTTA. c) UUUCCGAAU. d) AAAGGCUUA. e) AUUCGGAAA. A síntese de proteínas Conforme já mencionado, a transcrição é processo de produção de RNA a partir de uma fita-molde de DNA. Há três tipos diferentes de RNA: RNA-mensageiro (RNA-m), RNA-ribossômico (RNA-r) e RNAtransportador (RNA-t). Estas moléculas de RNA trabalham em conjunto para a fabricação de uma proteína específica, fenômeno conhecido como tradução. Durante a tradução, os aminoácidos transportados pelo RNA-t serão interligados no interior do ribossomo, uma organela celular. A interligação em cadeia de várias moléculas de aminoácidos resultará na proteína final. Há vinte tipos diferentes de aminoácidos que entram na composição de proteínas. As proteínas diferem entre si pela quantidade, tipos e sequência de aminoácidos. O que define essas características proteicas é a composição de bases nitrogenadas do RNA-m. A equivalência entre a composição de bases nitrogenadas do RNA-m e os aminoácidos que irão formar a proteína final recebe o nome de código genético. A tabela fornecida abaixo ilustra algumas destas correlações existentes no código genético Portanto, se a sequência de bases nitrogenadas do RNA-m for AUGAUGUUU, a sequência equivalente de aminoácidos na proteína produzida será MET-MET-FEN. Existem milhares de proteínas diferentes no corpo humano. Podemos citar, como exemplo, os anticorpos (proteínas de defesa), a hemoglobina (proteína que transporta oxigênio no sangue) e a pepsina (enzima digestória estomacal). Cada uma delas é produzida seguindo essa regra básica da tradução. É importante lembrar que a informação para produzir cada proteína corresponde a uma sequência de bases do RNA-m, e que essa sequência de bases do RNA-m foi produzida tendo como molde um filamento específico de DNA. Logo, pode-se afirmar que a molécula de DNA contém as informações necessárias para a produção de todas as proteínas que constituem o organismo. A este conjunto de informações, damos o nome de genoma Conceitos básicos Algumas informaçõessão básicas, devemos lembrar sempre que o número normal de cromossomos da nossa espécie é de 46 cromossomos. Quando vamos ter filhos, contribuímos com a metade dos cromossomos, ou seja, 23 cromossomos, os outros 23 cromossomos virão do(a) companheiro(a), sendo assim, óvulos e espermatozoides normais têm 23 cromossomos. Esse processo sexuado de reprodução faz com que 2 indivíduos de gêneros biológicos diferentes (masculino e feminino) possam produzir uma infinidade de filhos geneticamente diferentes, não dependendo de mutações no material genético, como acontece em espécies que se reproduzem assexuadamente. Simbologia de heredograma Quando falamos de genética, é importante saber fazer um heredograma ou árvore genealógica. Para uma certa padronização, são utilizados símbolos específicos. O losango pode ser utilizado quando a pessoa não sabe o sexo de um bebê que acabou de nascer. Simbologia de heredograma Simbologia de heredograma As gerações são indicadas pelos números romanos, cuja geração mais idosa é a geração I. Os indivíduos são indicados por números arábicos, no caso dos filhos, muitas vezes a ordem de nascimento é importante. Vale salientar que famílias podem mudar, por nascimentos, mortes e casamentos. O heredograma também pode e deve mudar para refletir a mudança. II – Fenótipos, relações de dominância e heredogramas Um bom exemplo de como um loco e seus alelos determinam a expressão de uma característica humana é o Rh sanguíneo. Essa característica é definida pela presença ou ausência de uma proteína nos glóbulos vermelhos, o fator Rh ou antígeno D. A presença dessa proteína determina o Rh positivo, e a ausência, o Rh negativo. Essas formas diferentes de expressão de uma mesma característica são denominadas fenótipos. A definição dessa característica está a cargo dos alelos D e d, do loco D. O alelo D determina a produção desta proteína, enquanto o alelo d está associado à ausência dessa proteína. De acordo com as informações acima, podemos concluir que o genótipo dd determina o fenótipo Rh negativo, e o genótipo DD determina Rh positivo. E o genótipo Dd? Este genótipo também determina Rh positivo, apesar do alelo d presente em sua composição. Neste caso, dizemos que a informação do alelo D é dominante sobre aquela do alelo d. Sendo assim, dizemos que o alelo D é dominante e o alelo d é recessivo. Os fenótipos positivo e negativo constituem-se em exemplo de variação normal de uma característica humana, que é o Rh sanguíneo. No entanto, a genética humana muitas vezes se ocupa em compreender os mecanismos de herança associados a doenças hereditárias. Nesse caso, os fenótipos analisados são “normal” e “afetado”. Os geneticistas utilizam diagramas de hereditariedade, os heredogramas ou genealogias, para definir o mecanismo hereditário que melhor explica a transmissão de um distúrbio genético ao longo das gerações de uma família. Os símbolos utilizados na montagem de heredogramas encontram-se representados na ilustração abaixo. Conceitos em genética Cromatina/cromossomo: combinação de proteínas e DNA que contém os genes. Gene: segmento de DNA que comanda a síntese proteica. Genoma: totalidade de DNA de um organismo/espécie. Código genético: todas combinações de códons do mRNA que especificam aminoácidos individuais. Códons: grupo de 3 bases do RNA, cada um especificando um aminoácido/proteína (tradução) Alelo: sequência de DNA que um gene pode ter em uma população. Genótipo: constituição genética. Fenótipo: características observáveis de um indivíduo produzidas pela interação entre genes e ambiente. Locus gênico: localização cromossômica de um gene específico. Genes alelos: genes que ocupam o mesmo locus em cromossomos homólogos. Homozigoto: indivíduo que apresenta genes alelos idênticos para uma característica. Heterozigoto: indivíduo que não apresenta genes alelos idênticos para uma característica. Dominância: quando o fenótipo determinado por um alelo se manifesta, gene dominante representado por letra maiúscula, geralmente A. Recessividade: quando o alelo precisar estar em “dose dupla” para se manifestar, gene recessivo representado por letra minúscula, geralmente a Tipo Sanguíneo ABO e Tipo Sanguíneo Rh Importância do tipo sanguíneo Tabela de doação de sangue: Eritroblastose fetal Mulheres Rh-, que já tenham um filho Rh+, devem receber “vacina”, que nada mais é que anticorpo anti-Rh+, após o nascimento do seu filho, pois em uma gravidez posterior, se o(a) filho(a) for Rh+, a mãe começará a fabricar muitos anticorpos antiRh, que atacarão o feto, comprometendo a saúde dele. Quando se toma a “vacina”, a mãe não fabricará o anti-Rh+, protegendo o futuro feto Rh+ Eritroblastose fetal Quando a eritroblastose fetal pode ocorrer? Nos fetos/filhos Rh+ de mães Rh-, geralmente na segunda gravidez de uma criança Rh+ Procedimentos para eritroblastose fetal: 1. Identificar gestante de fator Rh-; 2. Se possível, verificar o fator Rh do pai; 3. Após a gestação da criança Rh+, aplicar anticorpos anti-Rh+, chamados erroneamente de “vacina”. No caso de já ter nascido uma primeira criança Rh+ e a mãe não tenha tomado a “vacina”, proceder a troca total de sangue da criança Rh+ por um sangue Rh, quando a criança nascer Interatividade Nos anos 2000, a genética humana apresentou um enorme avanço. Foi nessa época que desvendamos o nosso genoma, mas, na época, vários jornais confundiam genoma com código genético. Analise as seguintes afirmações: I. Genoma é saber toda a sequência do nosso DNA. II. Código genético é o significado da combinação de 3 nucleotídeos de RNA e seu significado em termos de aminoácido. III. Código genético é o significado das nossas características em relação ao nosso material genético. a) Somente a afirmação I está correta. b) Somente a afirmação II está correta. c) Somente a afirmação III está correta. d) Somente as afirmações I e II estão corretas. e) Somente as afirmações I e III estão corretas. O estudo do genoma humano permitiu estimar em cerca de 35 mil genes na nossa espécie. Genes localizados nos cromossomos autossômicos são denominados genes autossômicos. Genes localizados no cromossomo X, falamos em genes ligados ao cromossomo X. Conceitos básicos Padrões de herança básicos Herança cromossômica Herança monogênica Herança multifatorial Herança monogênica – Um par de genes, ou seja, dois genes. Genes localizados no X. No homem, um gene; na mulher, dois genes. 1. Padrão de herança autossômico dominante. 2. Padrão de herança autossômico recessivo. 3. Padrão de herança recessivo ligado ao X. 4. Caso especial de herança ligada ao X: a síndrome do cromossomo X-frágil PADRÕES DE HERANÇA MONOGÊNICA O estudo do genoma humano permitiu estimar em 35 mil o número total de genes de nossa espécie. Mutações que eventualmente ocorrem nesse conjunto gênico podem ocasionar o surgimento de doenças hereditárias. Muitas dessas doenças se manifestam como consequência da alteração ocorrida em apenas um gene, motivo pelo qual são designadas monogênicas. Estas doenças monogênicas podem apresentar padrões de herança reconhecíveis. Vejamos alguns desses padrões mais clássicos. 1) Padrão de herança autossômico dominante Uma herança é dita autossômica quando o loco do gene mutante encontra-se em um cromossomo do tipo autossomo. Cromossomos autossomos são aqueles indistinguíveis entre homens e mulheres, e são, ao todo, 44 cromossomos (22 pares). Quando o alelo mutante do gene em questão é dominante, classificamos a doença como dominante. Neste caso, o fenótipo normal é recessivo (aa) e o afetado é dominante (genótipos AA ou Aa). Um heredograma típico de herança autossômica dominante está representado abaixo. • Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. • Uma pessoa afetada tem pelo menos um dos genitores também afetado. • O fenótipo não salta geração. • A prole de um casal normal tambémé normal. Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são: a) Acondroplasia – os afetados apresentam falha no crescimento dos ossos longos e, por isso, apresentam baixa estatura (nanismo acondroplásico). b) Neurofibromatose – durante a puberdade crescem inúmeros tumores benignos sobre os nervos dos afetados por este distúrbio. c) Doença de Huntington – é um distúrbio neurodegenerativo que começa a se manifestar por volta dos 40 anos de idade. Os afetados apresentam movimentos involuntários e desenvolvem problemas cognitivos, emocionais, evoluindo para problemas neurológicos mais graves que levam o paciente ao óbito. 2) Padrão de herança autossômico recessivo Quando o alelo mutante que provoca uma doença genética é recessivo, dizemos que esta doença é recessiva. Logo, o fenótipo afetado é recessivo (genótipo bb) e o normal é dominante (BB ou Bb). Um padrão de herança tipicamente autossômico recessivo está representado no heredograma a seguir. As principais características do padrão acima são: • Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. • Uma pessoa afetada pode nascer de um casal normal. Dito de outra forma: o fenótipo afetado pode saltar geração. • Há um maior risco de nascer prole afetada se o casal é consanguíneo. As mutações recessivas costumam passar silenciosas ao longo das gerações de uma família, e não se manifestam justamente por serem recessivas. Quando um casal formado por duas pessoas aparentadas, como primo e prima em primeiro grau, resolve ter filhos, pode promover o encontro de seus alelos recessivos durante a fecundação e isso explica o risco aumentado desse tipo de doença em situação de consanguinidade. Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são: a) Albinismo – é um distúrbio caracterizado pela total ausência do pigmento melanina na pele, nos pelos e nos olhos. Pessoas albinas têm maior risco de desenvolver câncer de pele, dentre outros problemas. b) Fenilcetonúria (PKU) – é um distúrbio metabólico em que o afetado não produz a enzima PAH, e, por conta disso, não converte o aminoácido fenilalanina em tirosina. O acúmulo de fenilalanina em crianças fenilcetonúricas leva ao desenvolvimento de um quadro severo de retardo mental, motivo pelo qual se deve restringir a presença desse aminoácido na alimentação. O diagnóstico da PKU é feito poucos dias após o nascimento da criança, por meio do teste do pezinho (triagem neonatal). c) Galactosemia – também é um distúrbio metabólico, uma vez que os afetados são incapazes de produzir a enzima GALT, que converte a galactose em glicose. O acúmulo da galactose no organismo da criança, ainda em fase de amamentação, promove uma série de transtornos, dentre eles a catarata e o retardo metal. 3) Herança recessiva ligada ao X Além do grupo dos cromossomos autossomos, na espécie humana há também os cromossomos sexuais, que são aqueles cuja combinação é diferente entre homens e mulheres. Estes cromossomos são identificados pelas letras X e Y, e sua combinação nas mulheres é XX e nos homens é XY. Existem genes exclusivos dos cromossomos X e do As principais características do padrão acima são: • Há um predomínio numérico de homens afetados em relação às mulheres. • Um homem afetado não herda o distúrbio de seu pai, e sim de sua mãe normal heterozigota (também chamada de “normal portadora”, representada no heredograma pelo círculo com um ponto no centro). • O fenótipo salta geração. Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são: a) Hemofilia – trata-se de um distúrbio de coagulação sanguínea. Pequenos ferimentos evoluem para grandes hemorragias com muita facilidade. b) Daltonismo – é a incapacidade de a pessoa identificar com precisão as cores vermelha e verde, que são ambas vistas como uma mesma tonalidade de cor (amarelada). c) Distrofia muscular Duchenne – transtorno muscular em que o afetado perde progressivamente as funções musculares, resultando em morte ao início da segunda década de vida. 4) Caso especial de herança ligada ao X: a síndrome do cromossomo X-Frágil A síndrome do cromossomo X-frágil, também conhecida com síndrome de Martin-Bell, é responsável por um grande número de casos de retardo mental, especialmente em garotos. A mutação, neste caso, não é recessiva como nos casos descritos no tópico anterior, e nem tampouco dominante. O alelo normal e o mutante, quando presentes em um mesmo genótipo, se manifestam igualmente, o que caracteriza um fenômeno genético denominado codominância. Além de retardo mental, os afetados apresentam outros sinais típicos, como orelhas em abano, prognatismo e hiperflexibilidade nas articulações. Herança multifatorial e genética do comportamento Muitas características humanas são construídas pela ação conjunta de vários genes. Neste caso, portanto, a herança é poligênica. Além disso, o fenótipo final dessas características é influenciado, em maior ou menor grau, pelo ambiente (pré-natal e/ou pós-natal). Como esse tipo de fenótipo está sujeito à influência de um conjunto grande de fatores, genéticos e ambientais, dizemos que sua herança é multifatorial. Algumas características normalmente variáveis na espécie humana são consideradas multifatoriais: estatura, peso, inteligência etc. Há também distúrbios humanos que são tipicamente multifatoriais. A seguir, estão descritos alguns deles: • Lábio leporino – distúrbio caracterizado pela presença de fissuras nos lábios superiores, que podem ou não estar associadas a fendas palatinas. Este é um distúrbio que pode prejudicar a dentição, a alimentação e a fonação. Pode ser corrigido cirurgicamente. • Distúrbios de fechamento de tubo neural – o tubo neural é o nome dado à estrutura embrionária que irá originar o encéfalo e a medula espinal. Quando esse tubo não se fecha na região da cabeça, desenvolve-se uma condição conhecida com anencefalia. Se a falha no fechamento se dá na parte posterior do tubo neural, o distúrbio é denominado espinha bífida. Os distúrbios descritos acima dependem de um limiar multifatorial para se manifestarem. Este limiar corresponde, resumidamente, a uma quantidade mínima de mutações presentes no genótipo poligênico a partir da qual o indivíduo se torna predisposto a manifestar o distúrbio Genética do comportamento O comportamento humano, em suas diferentes expressões, é considerado multifatorial e, portanto, resultante de uma interação complexa entre vários genes entre si e com o ambiente. Alguns métodos de estudo são executados com o intuito de se determinar a magnitude das influências genética e ambiental sobre o comportamento. Alguns desses métodos serão descritos a seguir. a) Comparações comportamentais entre filhos adotivos e pais biológicos – a comparação feita entre pessoas que foram adotadas quando recém-nascidas e seus pais biológicos (que não interferiram na criação) muitas vezes revelam semelhanças comportamentais surpreendentes. Um exemplo é o caso do alcoolismo, que é mais provável de ocorrer nas pessoas adotadas se os pais biológicos forem alcoólatras, mesmo que tenham sido criadas por pessoas abstêmias. b) Comparações comportamentais entre gêmeos monozigóticos separados ao nascimento – os gêmeos monozigóticos são derivados de uma mesma fecundação (um óvulo e um espermatozoide), portanto são idênticos do ponto de vista genético. Comparações feitas entre gêmeos idênticos que foram separados ao nascimento e criados por famílias diferentes revelam muitas semelhanças e diferenças. Neste caso, as semelhanças normalmente são atribuídas à constituição genética idêntica que compartilham, e as diferenças são atribuídas às diferentes influências ambientais a que foram expostos ao longo da vida. c) Comparações entre gêmeos monozigóticos e gêmeos dizigóticos – a dificuldade em se obter grandes amostras de pares de gêmeos idênticos separados ao nascimento podeser contornada pela inclusão, em estudos de genética do comportamento, de gêmeos dizigóticos. Esse último tipo de gêmeos resulta da ocorrência de duas fecundações independentes (dois óvulos e dois espermatozoides), portanto, não são idênticos do ponto de vista genético. Os dados obtidos de estudos comportamentais realizados em pares de gêmeos monozigóticos e dizigóticos, mesmo que criados juntos, são usados para o cálculo de um índice conhecido como herdabilidade (h2). Valores de herdabilidade próximos a zero indicam baixa influência genética no traço comportamental comparado; valores próximos a 100% indicam forte influência genética Padrão de herança autossômico dominante Basta um alelo A para ter a doença. Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. O fenótipo não salta geração (uma pessoa afetada tem pelo menos um dos genitores também afetado). A prole de um casal normal também é normal. Padrão de herança autossômico dominante Padrão de herança autossômico dominante: neurofibromatose Surgimento de neurofibromas internos ou externos, geralmente não malignos. 50% resulta de mutação nova, de seus pais aa. Locus 17q11.2 (posição). Padrão de herança autossômico dominante: acondroplasia Tipo mais comum de nanismo. Apresenta nanismo de membros curtos com faces típicas e características radiológicas da coluna vertebral. Gene mapeado em 4p16.3. Padrão de herança autossômico dominante: Doença de Huntington Doença neurodegenerativa fatal caracterizada por movimentos involuntários e demência progressiva. No começo pode ser confundida com o Mal de Parkinson e com o Mal de Alzheimer. O aparecimento da doença se dá entre os 30-50 anos de idade, sendo 38 a idade média de aparecimento. Gene mapeado em 4p16 Padrão de herança autossômico recessivo Características Característica recessiva só aparece quando o indivíduo for aa. Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles. Pode pular geração, gene defeituoso pode ser passado silenciosamente. Maiores chances em casais consanguíneos. Padrão de herança autossômico recessivo Outras possibilidades de cruzamento Padrão de herança autossômico recessivo: albinismo oculocutâneo Um dos tipos de albinismo é o albinismo oculocutâneo, no qual existe a deficiência da enzima tirosinase que transforma Tirosina em Dopa e também transforma Dopa em Dopaquinona que por outros processos irá se converter em melanina. E como é um erro na reação química (metabolismo), chamamos de Erros Inatos do Metabolismo. Padrão de herança autossômico recessivo: albinismo oculocutâneo Pele é extremamente branca. Pele desenvolve eritemas quando exposta ao sol. Pode levar a câncer. Cabelos são amarelados ou brancos. Olhos são claros e também não possuem pigmento, provocando fotofobia e problemas de visão. O gene está localizado em 11q14-q21. Padrão de herança autossômico recessivo: fenilcetonúria Doença autossômica recessiva, cuja enzima hepática hidroxilase de fenilalanina, que converte a fenilalanina alimentar em tirosina, não está ativa, sendo a fenilalanina acumulada no sangue e no líquido cefalorradiquiano, diminuição de serotonina, formação deficiente da mielina, que levaria a lesões do sistema nervoso central. É erro inato do metabolismo. O gene está localizado em 12q24.1. Detecção – teste do pezinho. Simples e fácil. Tratamento – dieta pobre em fenilalanina. Não tratamento precoce leva ao acúmulo, resultando em retardo mental. Interatividade A fenilcetonúria é uma doença genética autossômica recessiva que pode ser detectada muito precocemente pelo teste do pezinho. Após o diagnóstico, a criança deve fazer uma dieta pobre em fenilalanina, pois esta se acumula, o que provoca a formação deficiente da mielina que levaria a lesões do sistema nervoso, o que levaria a um retardo mental. Como é chamado esse erro? E um casal normal com filho afetado por fenilcetonúria tem qual chance de ter um outro filho afetado? a) Erros inatos do metabolismo, 25% de ter filho afetado. b) Herança recessiva, 45% de ter filho afetado. c) Herança do metabolismo, 35% de ter filho afetado. d) Erros inatos do metabolismo, sem chance de ter filho afetado. e) Erros recessivos, 50% de ter filho afetado. Padrão de herança ligado ao cromossomo X recessivo Mulheres possuem 2 cromossomos X, sendo que um cromossomo X vem do pai e outro da mãe. Homens possuem 1 cromossomo X e um Y, o cromossomo X vem de sua mãe e o Y vem do seu pai. Nesse padrão de herança existe mais homens que mulheres sendo afetados, pois a mulher afetada tem que ser filha de uma mãe portadora ou afetada, e pai afetado. Padrão de herança ligado ao cromossomo X: hemofilia Hemofilia A Problemas de coagulação do sangue. Deficiência do Fator VIII. Tratamento é a infusão de fator VIII. Locus Xq28. Hemofilia B Problemas de coagulação do sangue. Deficiência do Fator IX. Tratamento é a infusão de fator IX. Locus Xq27.1. Problema básico é a coagulação. Problemas nas articulações principalmente, joelhos e cotovelos afetados pelo sangramento, provocando dor, perda de função e artrite degenerativa. Hemorragia muscular pode provocar necrose, contraturas e neuropatias. Padrão de herança ligado ao cromossomo X: daltonismo Incapacidade de enxergar algumas cores, 8% dos europeus ocidentais daltônicos. 75% verde, 25% vermelho. Ambos genes no Locus Xq28. Monocromatismo (visão em preto e branco) 1 em 100.000 Locus em Xq28. Padrão de herança ligado ao cromossomo X: distrofia muscular É caracterizado como degeneração progressiva dos músculos esqueléticos. Um gene que codifica a proteína Distrofina localizada na região Xp21, quando mutado pode provocar duas síndromes. Distrofia muscular tipo Duchenne Afeta 1 em 3.500 no masculino, início 3 aos 5 anos pelos membros inferiores e quadris, e, mais tarde, atinge os membros superiores, geralmente para de andar até os 16 anos. Morte precoce. 1/3 mutação nova. Distrofia muscular tipo Becker Afeta 1 em 30.000 no masculino. Sintomas mais leves que o tipo Duchenne. Geralmente, para de andar com uma idade mais avançada. Retardo mental ligado ao X (XRML) Presença de 25% mais homens com retardo mental em instituições. Maioria se refere a genes localizados no X. Foram descritos cerca de 150 genes associados a XRML com uma frequência total de 2,6 em 1.000. Mais frequente X frágil (FRAXA) Caso especial de herança ligada ao X: a Síndrome do Cromossomo X-Frágil Segunda causa genética de retardo mental, afeta 1 em 4.000. Primeira descrição por Martin & Bell (1943). Em seguida, essa síndrome foi correlacionada com uma “fragilidade” no cromossomo X (uma constrição). Gene descoberto em 1991. Genética complexa, não é considerada nem dominante nem recessiva. Afeta homens e mulheres, sendo que, nas mulheres, o comprometimento é menor. Caso especial de herança ligada ao X: a Síndrome do Cromossomo X-Frágil Características Retardo mental grave em ♂, mas muito variado em uma mesma irmandade. Retardo mental leve ou limítrofe em ♀. Hiperatividade. Aumento do volume testicular (macrorquidia) na fase adulta. Face típica: alongada, frontal alto e proeminente, orelhas grandes e em abano. Caso especial de herança ligada ao X: a Síndrome do Cromossomo X-Frágil Mecanismo de transmissão: A presença de repetições de trinucleotídeo (CGG)n em que: Alelo normal n=5-55 (estável). Alelo pré-mutação n=55-200 (instável). Alelo mutação completa n=+200 (quando o gene é inativado). Somente mulheres com a pré-mutação ou mutação completa tem filhos(as) afetados(as). Herança multifatorial Vários pares de genes envolvidos Influência ambiental, pré-natal e pós-natal Exemplos são as características variáveis Cor de pele, cabelo, olhos Peso Altura Inteligência Herança multifatorial: lábio leporino Lábio leporino: não fechamento do lábio superior, com ou sem comprometimento do palato. Pode causar problemas de dentição, alimentaçãoe fala. Necessita de cirurgia. Risco de recorrência baixo. Tratamento preventivo com ácido fólico Herança multifatorial: espinha bífida Espinha bífida: problema de fechamento da coluna vertebral, em que as células nervosas não ficaram dentro da coluna e não foram para a parte inferior do corpo, causando a paralisia dessa parte. Risco de recorrência baixo. Tratamento preventivo com ácido fólico. Herança multifatorial: anencefalia Anencefalia: doença causada pelo não fechamento do crânio no tempo correto, provocando a perda de células nervosas do cérebro. Sobrevida bem curta. Um dos poucos motivos para aborto legal. Tratamento preventivo com ácido fólico. Herança multifatorial: comportamento Todo comportamento possui herança multifatorial, sendo o comportamento normal ou não. Para saber a influência ambiental e genética, alguns métodos são utilizados: Comparações entre adotados e seus pais biológicos. Comparação entre gêmeos monozigóticos ou idênticos que se originaram de um único óvulo fecundado por um espermatozoide e que foram separados no nascimento. Comparação entre pares de gêmeos dizigóticos ou não idênticos que são originários de dois óvulos, cada um fecundado por um espermatozoide, e gêmeos monozigóticos. A partir desses estudos ficou comprovada a grande influência genética em doenças comportamentais como alcoolismo, esquizofrenia, distúrbio bipolar. Também vemos influências genéticas significativas no comportamento normal como sociabilidade, bem-estar, autoridade, desempenho, reações a tensões, alienação, agressividade, autocontrole, prevenção ao dano, tradicionalismo, sexualidade, preferência sexual. Interatividade Dentre os vários tipos de heranças, as heranças autossômicas recessivas ou dominantes, assim como as heranças ligadas ao X, são relativamente simples do ponto de vista genético, entretanto várias características e doenças são muito mais complexas, não seguindo os padrões monogênicos, são as heranças multifatoriais. Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta. a) Somente fatores ambientais são responsáveis pela herança multifatorial. b) Somente um par de genes é responsável pela herança multifatorial. c) Somente vários pares de genes são responsáveis pela herança multifatorial. d) Além dos vários pares de genes, fatores ambientais também influenciam na característica herança multifatorial. e) Somente um par de genes mais um fator ambiental influenciam a herança multifatorial. AVA QUESTIONARIO Em abril de 2003, a finalização do Projeto Genoma Humano foi noticiada por vários meios de comunicação como a “decifração do código genético humano”. Podemos afirmar que a informação acima está incorreta, ao considerar que: a. código genético é o conjunto de genes de um organismo, algo impossível de ser decifrado. b. não há um código genético exclusivo do ser humano: ele é universal e já havia sido decifrado muito tempo antes de 2003. c. o código genético humano era o único já decifrado antes, ao contrário do código de outros organismos. d. código genético é o conjunto de genes de um organismo, e só foi parcialmente decifrado para a espécie humana. e. não há código genético humano, pois somos a única espécie que não apresenta um conjunto de genes definido. Leia atentamente o texto a seguir. Dependendo de qual seja o objetivo do estudo, os genes podem ser analisados sob três pontos de vista diferentes: o molecular, o mendeliano e o populacional. A biologia celular, que os estuda do ponto de vista molecular, define o gene como “a sequência de DNA que contém a informação necessária para produzir uma molécula de RNA e, se esta molécula for um RNA mensageiro, construir uma proteína a partir dele”. Calcula-se que existam cerca de 20.000 genes distribuídos nos 46 cromossomos humanos, valor muito inferior aos 100.000 que haviam sido propostos anteriormente às análises mais recentes do genoma. ROBERTIS, E. M. F.; HIB, J. Biologia Celular e Molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. O DNA é um __________ encontrado no núcleo das células, cuja estrutura foi definida por Watson e Crick como uma____________. Essa molécula é estruturada por componentes denominados _____________ que, por sua vez, são compostos por um _____________, ligado a um ___________ e a uma _________________. Assinale a alternativa que reúne elementos para preencher corretamente as lacunas das afirmativas acima: a. Nucleotídeo, dupla hélice, ácidos nucleicos, açúcar, fosfato, base nitrogenada. b. Fosfato, base nitrogenada, nucleotídeos, ácido nucleico, açúcar, dupla hélice. c. Açúcar, dupla hélice, ácidos nucleicos, nucleotídeo, fosfato, base nitrogenada. d. Ácido nucleico, base nitrogenada, açúcares, fosfato, nucleotídeo, dupla hélice. e. Ácido nucleico, dupla hélice, nucleotídeos, açúcar, fosfato, base nitrogenada. Algumas crianças nascem com distúrbios genéticos em decorrência de mutações genéticas ocorridas no gameta materno ou paterno. Nestes casos podemos afirmar que a mutação alterou: a. o fenótipo, mas não o genótipo. b. o genótipo, mas não o fenótipo. c. o genótipo e o fenótipo. d. o DNA, mas não o fenótipo. e. o DNA, mas não o genótipo. O albinismo corresponde à ausência total do pigmento melanina, e é condicionado por um alelo recessivo. Três casais planejam se casar e desejam saber qual a probabilidade de terem filhos albinos. A seguir estão descritas algumas informações sobre eles: Casal I – embora ambos tenham pigmentação normal, cada um tem um genitor albino. Casal II – o homem é albino, a mulher é normal, mas o pai dela é albino. Casal III – o homem é albino e na família da mulher nunca houve albinos. Os riscos calculados para esses casais são, respectivamente: a. 50%, 50%, 100%. b. 100%, 50%, 0%. c. 25%, 50%, 0%. d. 0%, 25%, 100%. e. 25%, 100%, 10%. Um estudante de psicologia que foi estagiar na Apae constatou diversos casos de crianças portadoras de retardo mental. Como só conhecia previamente casos de retardo em crianças com síndrome de Down, ficou curioso de conhecer outras causas. Foi informado, na instituição, que muitas daquelas crianças eram portadoras dos seguintes erros inatos do metabolismo: a. Galactosemia e fenilcetonúria, causadas por erro genético na produção de certas enzimas, o que provoca acúmulo excessivo de substâncias no organismo. b. Síndrome do cromossomo X-frágil e fenilcetonúria, causadas por erro genético na produção de enzimas que promovem o pleno desenvolvimento cerebral. c. Neurofibromatose e galactosemia, as quais comprometem, de maneira irreversível, o metabolismo das células cerebrais desde o período fetal. d. Síndrome de Down e síndrome do cromossomo X-frágil, causadas pelo acúmulo de certas substâncias no organismo que levam a um erro genético na produção de enzimas cerebrais. e. Anencefalia e distrofia muscular tipo Duchenne, causadas pelo acúmulo de certas substâncias no feto que levam a um erro genético na produção de células cerebrais. A síndrome do cromossomo X-frágil é, numericamente, a segunda maior causa de retardo mental de origem genética na população. Sua incidência é estimada em cerca de 1/2.500 indivíduos. Estudos citogenéticos de amostras de retardados mentais em instituições especializadas indicam que a síndrome está presente em cerca de 5% dos afetados. A respeito da síndrome do cromossomo X-frágil, assinale a alternativa que corresponde a outra anomalia verificada no quadro clínico manifestado pelos afetados e o nome de um dos exames que confirma o diagnóstico: a. Mais de seis manchas café com leite, cariótipo. b. Defeitos de pigmentação, quantificação enzimática. c. Problemas musculares, biópsia muscular. d. Encurtamento dos ossos longos, raio x. e. Hiperextensibilidade das articulações, cariótipo. Em muitas culturas ao redor do mundo o casamento consanguíneo não é bem visto. Isso porque a quantidade de nascimentos com alguma anomalia genéticaé bem maior na descendência desse casamento do que em casamentos não consanguíneos. Há aumento de chance de ocorrência de nascimentos com alguma anomalia genética em casamentos consanguíneos porque tais casamentos: a. favorecem o encontro entre alelos recessivos deletérios, provenientes de um mesmo ancestral, e que passaram incógnitos ao longo de várias gerações. b. aumentam a chance de ocorrência de novas mutações na prole. c. reduzem a chance de ocorrência de mutações que protegem contra o surgimento de anomalias genéticas. d. promovem o encontro entre pessoas que possuem o mesmo tipo sanguíneo, e isto provoca anomalias genéticas. e. favorecem o encontro entre alelos dominantes deletérios, provenientes de um mesmo ancestral, e que passaram incógnitos ao longo de várias gerações. Leia atentamente o texto a seguir. Uma das principais dificuldades apresentadas pelos afetados por doenças genéticas e seus familiares é a compreensão do significado concreto dos riscos genéticos. Uma percepção distorcida desse significado no momento da comunicação do risco ao consulente e familiares pode resultar em efeitos psicológicos indesejáveis. Por exemplo, quando uma pessoa tem receio de que seja elevado o seu risco de desenvolver câncer ou de gerar uma criança defeituosa, sua ansiedade pode ser tamanha a ponto de predispô-la a distorcer sua compreensão do risco. Nesse momento é importante que o profissional envolvido na comunicação do risco esteja preparado para lidar com esse tipo de situação e até mesmo para avaliar se um caso de superestimativa do risco por parte do consulente demande outra forma de abordagem psicológica para auxiliá-lo a lidar com seus medos e ansiedades. Há diversas estratégias adotadas por profissionais da Genética Clínica para ajudar na compreensão dos riscos genéticos. Uma dessas consiste em tornar a ideia do risco mais concreta a partir da visualização de esquemas, como o representado abaixo: O quadro abaixo representa quatro grupos familiares aos quais deve ser comunicado o risco de nascimento de criança afetada pelas doenças mencionadas. Assinale a alternativa que relaciona corretamente o esquema ilustrado e os grupos familiares aos quais o esquema deve ser mostrado para melhor compreensão dos riscos: a. Esquema 1 – somente famílias 1 e 3. b. Esquema 2 – somente famílias 1 e 2. c. Esquema 3 – somente famílias 2 e 4. d. Esquema 1 – somente famílias 3 e 4. e. Esquema 2 – somente famílias 2, 3 e 4. Leia atentamente o texto a seguir: Há anos a busca de compreensão dos determinantes do comportamento instiga os psicólogos e alimenta o antigo debate em torno da questão inato vs. aprendido (nature vs. nurture). Sobre esse debate, estudos que relacionam medidas de inteligência em gêmeos mostram que os coeficientes de correlação entre gêmeos monozigóticos são claramente mais elevados do que entre os gêmeos dizigóticos, sobretudo na vida adulta. Assinale a seguir a afirmativa coerente com esses resultados: a. O ambiente neutraliza o papel da hereditariedade na determinação da inteligência. b. As medidas de inteligência em gêmeos monozigóticos distanciam-se na vida adulta. c. A determinação genética desvincula-se da história de vida, ao tratar de inteligência. d. As medidas de inteligência em gêmeos dizigóticos mantêm-se próximas na vida adulta. e. A determinação genética exerce um evidente e mensurável papel na inteligência. É comum em pacientes com trissomia do 21 um quadro clínico que inclua: a. Retardo mental, olhos de inclinação mongoloide e prega simiesca. b. Ginecomastia, problemas ósseos e malformações testiculares. c. Baixa estatura, malformações ovarianas e infantilismo sexual. d. Retardo mental, micrognatia, hipertonia muscular. e. Retardo mental, apetite incontrolável, obesidade.