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1 
Introdução 
 
 
Caros colegas, 
 
Desde o surgimento da ressonância magnética (RM) ocorreram vários avanços em relação 
ao tempo de exame e qualidade das imagens, o que fez com ela que se tornasse uma 
ferramenta diagnóstica fundamental nos dias de hoje, principalmente na ortopedia. Por este 
motivo, é fundamental que o médico solicitante esteja familiarizado com estes avanços para 
que o potencial diagnóstico da RM seja utilizado ao máximo. 
 
O objetivo deste informativo é esclarecer as principais dúvidas que surgem no dia a dia 
sobre indicação, realização, solicitação e contraindicações em relação aos exames de RM 
em formato perguntas e respostas, que espero ser de grande auxílio para os profissionais 
que lidam com a imagem musculoesquelética na sua prática clínica. 
 
Aproveite para conhecer o site de ensino em radiologia musculoesquelética mskrad.com.br 
onde este texto também está disponível em formato PDF na página PROTOCOLOS e onde 
você também encontrará casos, classificações, medidas e muitas outras informações que 
são utilizadas como referência para os radiologistas. 
 
Patrícia Martins e Souza 
 
Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) 
Mestre e Doutora em Radiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Responsável pela coordenação do Módulo Musculoesquelético do Grupo Fleury - RJ 
Médica radiologista da clínica Felippe Mattoso - RJ 
Médica radiologista do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO) 
 
 
 
 
 
___________________________________________________________________________________________ 
 
2 
 
Patrícia Martins e Souza 
www.mskrad.com.br 
Sumário 
Página 
 Abreviaturas 4 
I. Questões técnicas relacionadas à RM 
 1. Quais os pacientes que não podem ser submetidos a exames de RM? ................................................. 
2. Pacientes com próteses metálicas ortopédicas podem realizar RM normalmente? ................................ 
3. Existe algum tempo mínimo de espera entre a colocação de uma prótese ou material de osteossíntese 
metálica e a realização da RM? ........................................................................................................... 
4. Quais os tipos de material metálico habitualmente encontrados na prática clínica que podem ser 
submetidos a exames de RM? .......................................................................................................... 
5. Existe alguma contraindicação para pacientes que possuem fragmentos ou projéteis de armas de fogo 
(PAF)? ............................................................................................................................. ................... 
6. Pacientes com tatuagem também tem risco de aquecimento e queimaduras ao serem submetidos à 
RM? ............................................................................................................................. ....................... 
7. Existe alguma restrição para pacientes grávidas? ............................................................................... 
8. Quais as diferenças entre os tipos de equipamento de RM que existem atualmente? Como isso 
influencia na qualidade diagnóstica? .................................................................................................... 
9. Qual o significado de T1, T2 e DP e qual a importância da supressão de gordura? ................................ 
10. Preciso colocar no pedido médico as sequências a serem realizadas? ................................................. 
11. Qual seria a melhor forma de solicitar os exames de RM? ................................................................. 
12. Quanto demora a realização de um exame de RM de articulação? O tempo de exame tem relação com a 
qualidade do exame? ........................................................................................................................... 
13. Qual o contraste utilizado na RM? Existe alguma restrição ao seu uso? ................................................ 
14. A RM é um bom método para avaliação óssea ou a TC seria mais adequada? ....................................... 
15. O que seriam os exames com “supressão de metal”? ........................................................................... 
5 
5 
 
5 
 
5 
 
5 
 
6 
6 
 
7 
8 
8 
9 
 
9 
9 
10 
12 
 
II. Coluna vertebral 
 1. Por que alguns pacientes costumam ter problemas quando solicito RM de coluna toracolombar ou 
cervicotorácica? ................................................................................................................................... 
2. O que estaria incluído nos exames de coluna, além do segmento solicitado? ......................................... 
3. Por que em alguns exames as vértebras torácicas são nomeadas como D1 a D12 e em outros como T1 
aT12?............................................................................................................................. ..................... 
4. Qual a diferença entre RM da coluna lombar, lombossacra e sacro? ...................................................... 
5. Já recebi imagens de RM da coluna total com boa resolução. Como isso foi possível? .......................... 
6. Posso solicitar RM da coluna no pós-operatório imediato? ..................................................................... 
7. Qual o melhor exame na avaliação pós-operatória da coluna? ................................................................ 
8. É mandatório o uso de contraste venoso na coluna operada?.................................................................. 
9. Qual o melhor exame para espondilodiscite, RM ou TC? ............................................................................ 
 
15 
15 
 
16 
16 
18 
18 
19 
19 
19 
 
III. Ombro & Cotovelo 
 1. Quais as indicações da artroRM atualmente? A RM de 3 tesla substitui a artroRM? .............................. 
2. Ao suspeitar de uma lesão do labrum, devo pedir inicialmente uma RM convencional ou é melhor já 
solicitar uma artroRM? ..................................................................................................... ................... 
3. É possível a realização de artroRM em aparelho de magneto aberto? .................................................. 
4. O que significa “artroRM indireta”? ............................................................................... ........................ 
5. Qual o melhor exame na suspeita de capsulite adesiva? ...................................................................... 
6. Na suspeita de rotura completa do tendão da cabeça longa do bíceps seria mais aconselhável solicitar 
RM do ombro ou do braço? ................................................................................................. ................ 
7. A RM é sensível no diagnóstico de lesões na porção intra-articular do tendão da cabeça longa do 
bíceps? ......................................................................................................................................... ..... 
8. É possível quantificar a perda óssea da glenoide por RM nos casos de luxação recidivante? 
9. Quais as principais indicações da RM do cotovelo? .............................................................................. 
10. A RM do cotovelo é sensível no diagnóstico de lesões ligamentares? .................................................... 
11. Pode ser solicitada RM no cotovelo operado? ........................................................................................ 
12. Qual o melhor método para a avaliação óssea do ombro e cotovelo? .................................................... 
13. O que significa posicionamento FABS? ................................................................................................. 
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2021 
21 
21 
 
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3 
 
Patrícia Martins e Souza 
www.mskrad.com.br 
 
IV. Punho & Mão 
 1. Qual a cobertura anatômica na RM da mão? ............................................ ............................................. 
2. Como o paciente é posicionado durante a realização de uma RM do punho ou da mão? ........................ 
3. Como o posicionamento influencia na qualidade da imagem? ............................................................... 
4. Como devo então solicitar os exames? ................................................................................................. 
5. A RM do punho é sensível para diagnosticar lesões ligamentares? ........................................................ 
6. Na avaliação das estruturas ósseas do punho e da mão o ideal é a solicitação de RM ou de TC? ............ 
7. Qual o papel do contraste venoso na RM do punho e da mão? ............................................................... 
8. Qual o melhor exame para a avaliação das fraturas do escafoide, RM ou TC? ........................................ 
9. Quando estaria indicada a solicitação de artroRM do punho? ................................................................ 
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31 
32 
35 
36 
 
V. Bacia & Quadril 
 1. Existe diferença em solicitar RM da bacia e RM do(s) quadril(is)? .......................................................... 
2. Quais seriam as principais indicações para os exames de bacia e quadril? ............................................. 
3. E nos casos de suspeita de osteonecrose, onde é comum lesão bilateral? ............................................... 
4. Existem também outros protocolos específicos para a avaliação das demais estruturas ósseas da pelve? 
.............................................................................................................................................................. 
5. A sínfise pubiana costuma ser vista na RM da bacia. Na avaliação da pubalgia, posso solicitar como RM 
da bacia? ............................................................................................................................................. 
6. Nos casos dos estiramentos musculares, ao solicitar RM da coxa estaria incluída também a articulação 
coxofemoral? ........................................................................................................................................ 
7. A RM é um bom método para detecção do “bump” do impacto femoro-acetabular do tipo “cam” ou a TC 
seria mais indicada? ................................................................................................................................. 
8. Quando devo solicitar uma artrorressonância do quadril? ....................................................................... 
9. Por que em alguns casos é realizada artroTC do quadril associada a artrorressonância? ......................... 
10. Qual seria o melhor método para avaliação do ângulo alfa? ........................................................................ 
11. Como devo solicitar os exames para avaliação de outras medidas do quadril e de ângulos de versão / 
torção e inclinação? ...................................................................................................................................... 
12. Qual o melhor exame para a síndrome do piriforme? ................................................................................ 
13. Resumo das principais indicações dos exames mais comuns da cintura pélvica ...................................... 
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44 
 
VI. Joelho 
 1. Em quais casos seria mais aconselhável a realização da RM do joelho em aparelho de alto 
campo?.......................................................................................................................................................... 
2. O material metálico utilizado nas reconstruções ligamentares prejudica a avaliação da integridade dos 
enxertos na RM? ................................................................................................................................. 
3. Na avaliação das estruturas ósseas do joelho o ideal é a solicitação de RM ou TC? ................................ 
4. É possível o estudo da relação femoropatelar por RM, incluindo as medidas da distância TA-GT e os 
ângulos habitualmente realizadas por tomografia computadorizada? ........................................................ 
5. Qual o padrão ouro para a avaliação de re-rotura meniscal? ................................................................ 
6. Quando estaria indicada a realização de artroRM do joelho? ................................................................... 
7. Costuma ser utilizado contraste venoso na RM do joelho? ..................................................................... 
8. Qual o papel dos “mapas de cartilagem”? ................................................................................................... 
 
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VII. Tornozelo & Pé 
 1. É possível estudar o retro, o médio e o antepé em um único exame? ..................................................... 
2. Como os exames deveriam ser solicitados? .......................................................................................... 
3. Qual a melhor forma de solicitar uma RM no caso da suspeita de rotura completa do tendão de Aquiles - 
RM da perna ou do tornozelo? .............................................................................................................. 
4. No caso de suspeita de insuficiência do tendão tibial posterior, como deve ser solicitado a RM – 
tornozelo, pé ou ambos? ...................................................................................................................... 
5. A RM apresenta boa acurácia no diagnóstico de alterações nos sesamoides e na placa plantar? ............. 
6. Qual o papel do contraste venoso na RM do pé? ...................................................................................... 
7. Qual o melhor método de imagem para avaliar as fraturas do tornozelo, a TC ou RM? .............................. 
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Patrícia Martins e Souza 
www.mskrad.com.br 
 
Abreviaturas 
 
ArtroRM – artrorressonância 
ArtroTC – artrotomografia 
DIU – dispositivo intrauterino 
DP – densidade protônica 
FOV – field of view (campo de visão) 
PAF – projétil de arma de fogo 
RM – ressonância magnética 
RX – raios X 
T – tesla 
TC – tomografia computadorizada 
TCG – tumor de células gigantes 
 
 
 
 
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Patrícia Martins e Souza 
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1. Questões técnicas relacionadas à RM 
 
1. Quais os pacientes que não podem ser submetidos a exames de RM? 
Pacientes com marcapassos cardíacos e neuroestimuladores, assim como implantes ferromagnéticos 
(principalmente oculares e auditivos) e clipes utilizados no tratamento de aneurismas intracranianos são 
as contraindicações clássicas para a realização de um estudo por RM devido à possibilidade de 
movimentação do dispositivo ou de alguma interferência eletromagnética influenciando no 
funcionamento de alguns aparelhos. Porém, já foram desenvolvidos alguns modelos de clipes, 
implantes e marcapassos compatíveis com RM. Nestes casos, é necessária uma declaração do 
cirurgião ou cardiologista, respaldada pela descrição do fabricante, afirmando que o modelo do 
dispositivo utilizado pelo paciente é compatível com RM. No caso de marcapassos compatíveis, o 
técnico ou cardiologista responsávelcostuma acompanhar o paciente para, ao término do exame, 
reajustar e confirmar o funcionamento normal do aparelho. 
 
2. Pacientes com próteses metálicas ortopédicas podem realizar RM normalmente? 
Não existe contraindicação absoluta para a realização de RM em pacientes com próteses ou material de 
osteossíntese metálica. Entretanto, caso o objetivo do exame seja a avaliação da região onde existe o 
material metálico, os artefatos de susceptibilidade magnética podem prejudicar a análise das imagens e, 
em raras situações, pode haver aquecimento do material. Não é possível prever a magnitude dos 
artefatos, pois isto depende não só da composição do material, que é muito variável, como também do 
aparelho de RM e do ajuste das sequências para minimizar este problema. O risco de aquecimento 
também depende do material da prótese, do correto posicionamento do paciente e dos parâmetros 
físicos utilizados no exame. 
 
3. Existe algum tempo mínimo de espera entre a colocação de uma prótese ou material de 
osteossíntese metálica e a realização da RM? 
Não, o paciente pode realizar RM já no pós-operatório imediato. 
 
4. Quais os tipos de material metálico habitualmente encontrados na prática clínica que podem 
ser submetidos a exames de RM? 
Pacientes portadores de materiais metálicos que não sejam ferromagnéticos (como aço e titânio, por 
exemplo), clipes e fios cirúrgicos utilizados em cirurgias abdominais (como na colecistectomia e nas 
suturas de alças intestinais), dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, amálgamas e aparelhos fixos 
dentários, filtros de veia cava inferior e “stents” vasculares podem realizar RM sem problemas. 
Cateteres de derivação ventricular e cateteres venosos profundos de longa duração também não são 
contraindicados. Entretanto, alguns modelos de derivação ventricular com controle externo automático 
podem precisar de novos ajustes após a realização do exame. Alguns tipos de válvulas cardíacas 
metálicas são contraindicadas (a realização do exame dependente de verificação na descrição do 
fabricante sobre a compatibilidade com RM). 
 
5. Existe alguma contraindicação para pacientes que possuem fragmentos ou projéteis de armas 
de fogo (PAF)? 
A grande maioria dos pacientes com PAF pode ser submetidas a RM, pois os projéteis habitualmente 
não são ferromagnéticos. Porém, alguns raros projéteis antigos são ferromagnéticos e, nestes casos, os 
pacientes não devem ser submetidos à RM caso o PAF ou o fragmento metálico esteja próximo a 
órgãos vitais. Nestes casos, é necessária anamnese cuidadosa, verificação da proximidade do PAF de 
órgãos vitais através de outros métodos de imagem e avaliação do custo-benefício em relação ao risco 
da realização da RM. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Patrícia Martins e Souza 
www.mskrad.com.br 
 
6. Pacientes com tatuagem também tem risco de aquecimento e queimaduras ao serem 
submetidos à RM? 
Há um risco potencial de aquecimento e, apesar de muito raro, de queimaduras em pacientes tatuados, 
pois alguns pigmentos possuem partículas ferromagnéticas que podem aquecer durante o exame. 
Apesar de não ser uma contraindicação absoluta, alguns preconizam evitar a realização de RM em 
pacientes com tatuagem recente (4 a 6 semanas) e em aparelhos de 3 tesla caso a tatuagem esteja na 
região da bobina de radiofrequência. Caso o local da tatuagem coincida com a área que será 
examinada podem ocorrer artefatos de susceptibilidade magnética na região (figura 1.1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.1: Paciente submetido à artrorressonância do ombro, que apresentava tatuagem no terço superior do braço, gerando 
artefatos (a parte mais lateral da imagem apresenta uma “sombra” escura que impede a diferenciação entre os tecidos e não 
houve supressão da gordura do subcutâneo). 
 
 
7. Existe alguma restrição para pacientes grávidas? 
Gravidez não é uma contraindicação absoluta, mas recomenda-se evitar o exame no primeiro trimestre 
de gestação. 
 
No quadro 1 estão resumidas as principais contraindicações da RM, assim como algumas ressalvas e 
as dúvidas referentes aos materiais mais comuns encontrados na prática clínica que podem ser 
submetidos à RM. 
 
 
Contraindicações absolutas Contraindicação relativa e/ou 
com ressalvas 
Podem realizar RM 
Marcapasso cardíaco não compatível 
com RM 
1° trimestre de gestação Osteossínteses e próteses metálicas 
ortopédicas 
Eletroestimuladores não compatíveis 
com RM 
PAF próximo a órgãos vitais Clipes e fios cirúrgicos utilizados em 
cirurgias abdominais 
Clipes de aneurismas intracranianos 
não compatíveis com RM 
Clipes de aneurisma, próteses metálicas 
ou válvulas comprovadamente 
compatíveis com RM** 
“Stents” vasculares em geral 
Próteses de aorta 
Material metálico intraocular Filtro de veia cava inferior sem 
especificação do fabricante – realizar o 
exame após 8 semanas da colocação 
Cateteres de derivação ventricular 
Lentes de contato “Triggerfish” 
(avalia pressão intraocular) 
Cateteres venosos profundos de longa 
duração 
Próteses auditivas não compatíveis 
com RM 
Tatuagens*** DIU de cobre e diafragma 
Pacientes com prótese peniana podem 
realizar RM, exceto as marcas 
Duraphase e Omniphase 
Amálgamas e aparelhos fixos dentários 
Válvulas cardíacas metálicas não 
compatíveis com RM 
Bolsas de gastrostomia, colostomia, etc. 
Cateteres “duplo J” 
Implantes retroesternais para 
correção de pectus excavatum em 
crianças 
Sementes de braquoiterapia 
 
Bombas de insulina* 
 
Quadro 1: Contraindicações absolutas e relativas mais frequentes da RM, assim como algumas ressalvas e uma lista dos 
materiais mais comuns encontrados na prática clínica que podem ser submetidos à RM. 
 
* Bombas de insulina precisam ser retiradas e recolocadas após a realização do exame. 
 
 
 
 
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Patrícia Martins e Souza 
www.mskrad.com.br 
** Nestes casos, por questões de segurança, é necessária uma declaração do cirurgião, respaldada pela descrição do 
fabricante, afirmando que o modelo do dispositivo utilizado pelo paciente é compatível com o campo magnético do aparelho 
onde o mesmo fará o exame. 
*** A grande maioria dos pacientes pode ser submetidos à RM, mas em alguns casos, dependendo do pigmento utilizado, a 
tatuagem pode gerar artefatos ou aquecer, sendo geralmente evitado o exame de pacientes tatuados recentemente (4 a 6 
semanas) e em equipamentos de 3 tesla, principalmente se a tatuagem estiver na região de interesse. 
 
 
8. Quais as diferenças entre os tipos de equipamento de RM que existem atualmente? Como 
isso influencia na qualidade diagnóstica? 
A potência dos aparelhos de RM é medida pela unidade Tesla (T): quanto maior o tesla, maior será a 
indução magnética nos tecidos, melhorando assim a qualidade do exame. No momento, estão 
disponíveis para uso clínico, equipamentos de baixo campo (0.2T e 0.35T), chamados popularmente de 
“aparelhos abertos” e de alto campo (1.0T, 1.5T e 3.0T). Os aparelhos abertos de baixo campo são 
úteis para pacientes claustrofóbicos, porém a sua resolução espacial é inferior e possuem bem menos 
recursos quando comparados aos aparelhos de alto campo. Atualmente, existem outras alternativas 
para os pacientes claustrofóbicos, como os aparelhos dedicados às extremidades (que podem ser de 
alto ou baixo campo) e os aparelhos de alto campo conhecidos como de “amplo espaço”, cujo maior 
diâmetro do magneto tenta minimizar a sensação de confinamento. Entretanto, deve ser levado em 
consideração que o modelo do equipamento não é o único fator relacionado à qualidade da imagem: os 
parâmetros físicos utilizados, as condições do ambiente que influenciam o campo magnético, o ajuste 
fino das sequências, abrangência do estudo (FOV), bom posicionamento e colaboração do paciente, 
tipo e gradiente das bobinas, assim como a escolha da bobina adequada e a orientaçãoda marcação 
dos planos das imagens são fatores tão ou mais importantes que o tipo do aparelho. A figura 1.2 ilustra 
como bons aparelhos podem fornecer imagens de ótima ou de baixa qualidade, apenas com pequenas 
modificações nos parâmetros utilizados. A colaboração do paciente também é fundamental, pois a 
movimentação durante o exame pode inviabilizar a obtenção de imagens diagnósticas (figura 1.3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.2 A e B: Imagens do joelho no plano coronal oblíquo do mesmo paciente, realizadas em aparelho de alto campo com 
a mesma bobina. Na figura A foi utilizado o protocolo padrão, onde é possível identificar bem a presença de fratura subcondral 
no côndilo femoral (seta). Na figura B alguns parâmetros foram modificados, o que resultou em imagem de má qualidade, 
dificultando a identificação da lesão (seta). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.3 A e B: Artefatos de movimento involuntário degradando as imagens em paciente idosa com síndrome de Parkinson 
submetida a RM do ombro nos planos coronal (figura A) e sagital (figura B). 
 
B A 
 
B A 
 
 
 
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Patrícia Martins e Souza 
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9. Qual o significado de T1, T2 e DP e qual a importância da supressão de gordura? 
O que distingue estas ponderações é o tempo de repetição (TR) e o tempo de eco (TE): T1 tem TR e 
TE curtos, T2 tem TR e TE longos e DP (densidade protônica) tem TR longo e TE curto. A variação do 
sinal com base nos valores de T1, T2 e DP de cada tecido faz com que a água tenha sinal baixo na 
ponderação T1 e alto na ponderação T2, por exemplo. A supressão de gordura é uma ferramenta 
bastante utilizada nos exames de RM, pois ao se anular o sinal da gordura (presente em grande 
quantidade na medula óssea, tecido subcutâneo e adjacente a várias estruturas miotendíneas e 
ligamentares) as alterações do sinal podem ser destacadas, permitindo maior capacidade diagnóstica 
(figuras 1.4 e 1.5). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.4 A e B: Cisto intramuscular (seta) possui alto teor de água, comportando-se como estrutura de baixo sinal em T1 
(figura A) e alto sinal em T2 (figura B). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.5 A e B: Paciente com fratura por insuficiência no platô tibial medial, lesão do menisco medial e derrame articular 
(asterisco). Na ponderação T2 com supressão de gordura (figura A) o traço de fratura (seta) e o edema da medula óssea 
adjacente são bem identificados. Na ponderação DP sem supressão de gordura (figura B) no mesmo plano da imagem A tanto 
o traço de fratura quanto o edema não são identificados, apesar da alta resolução da imagem. Note que o líquido articular 
(asterisco) não tem o sinal tão elevado na ponderação DP em comparação com a ponderação T2. 
 
 
10. Preciso colocar no pedido médico as sequências a serem realizadas? 
Não. Novas sequências, protocolos e técnicas diferentes surgem a todo o momento e também variam 
de acordo com os equipamentos (tanto em relação ao tipo de aparelho como em relação ao fabricante) 
e a indicação. O mais importante é fornecer a indicação/suspeita clínica, para que o radiologista seja 
capaz de realizar o protocolo específico mais adequado e atual para cada caso, evitando descrições 
vagas, como “dor” e “impotência funcional”. Quanto mais específica for a indicação, maiores as chances 
do exame ser diagnóstico, pois permite que o radiologista busque ferramentas que aumentem a 
acurácia da RM (realizando sequências extras, administrando contraste, usando bobinas mais 
dedicadas, menor espessura, alterando o posicionamento, etc.). 
 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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Patrícia Martins e Souza 
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11. Qual seria a melhor forma de solicitar os exames de RM? 
Muitas dúvidas em relação à solicitação de exames decorrem do fato de que a maioria das seguradoras 
de saúde possuem apenas siglas genéricas, faltando siglas mais específicas, como dedo, parede, 
esterno, sínfise pubiana, etc. Para a realização de um exame de RM, além do magneto (a maior parte 
do equipamento), são utilizadas bobinas específicas de tamanhos variados, que são fundamentais para 
a obtenção de imagens com boa resolução. Dessa forma, quanto mais restrita for a área de estudo 
(menor o FOV), melhor serão as imagens e a capacidade diagnóstica da RM, devendo estar explícito no 
pedido qual a região de interesse. Por exemplo, em caso de suspeita de fratura do esterno será muito 
mais efetiva uma RM dedicada apenas ao esterno do que uma RM do tórax, porque apesar do esterno 
ser visualizado na RM do tórax, para a inclusão de toda a caixa torácica será necessário o uso de FOV 
e espessuras maiores, podendo a fratura em si não ser detectada. Da mesma forma, se a suspeita 
clínica é alteração na sínfise pubiana, um estudo direcionado será muito melhor que um estudo de toda 
a bacia. Outra questão deriva de muitos médicos extrapolarem para a RM o conceito da TC, onde 
podemos estudar uma área maior apenas aumentando o número de cortes, sem perda da qualidade, o 
que dificilmente funciona na RM. Caso seja necessária a avaliação de uma área mais extensa na RM, o 
ideal é a solicitação de dois exames (tornozelo e perna; pé e tornozelo; ombro e braço, por exemplo). 
 
12. Quanto demora a realização de um exame de RM de articulação? O tempo de exame tem 
relação com a qualidade do exame? 
Uma RM de articulação costuma demorar, em média, de 10 a 30 minutos, dependendo da indicação 
clínica, necessidade da utilização de contraste venoso, experiência e agilidade do operador do 
equipamento e da colaboração do paciente (caso ocorra interrupção ou movimentação durante a 
aquisição de uma sequência, esta tem que ser repetida, aumentando o tempo de exame). Em geral, 
exames realizados em aparelhos abertos tendem a demorar mais que os realizados em equipamentos 
de alto campo, e sequências com alta resolução espacial tendem a ser mais longas. Apesar disso, não 
é possível estabelecer uma relação direta entre tempo x qualidade, pois um exame pode ser rápido em 
virtude de um equipamento de alta performance, com protocolo bem ajustado, ou pelo uso de 
sequências com baixa resolução espacial para ganhar tempo. Da mesma forma, um exame pode ser 
demorado numa tentativa de obter ótima resolução espacial (como nos estudos de pequenas 
estruturas) ou pela necessidade de repetições constantes por movimentação do paciente. 
 
13. Qual o contraste utilizado na RM? Existe alguma restrição ao seu uso? 
O meio de contraste utilizado na RM é o gadolínio, um contraste paramagnético que basicamente 
promove a elevação do sinal na ponderação T1 nas estruturas onde se deposita. Por este motivo, as 
sequências pós-contraste são quase sempre ponderadas em T1 e, preferencialmente, utilizando o 
recurso de supressão da gordura (figura 1.6). As restrições principais ao seu uso são: história de alergia 
específica ao gadolínio (devendo o exame ser realizado sem contraste), alergia significativa a outras 
substâncias ou asma grave (nesses casos, alguns serviços utilizam preparo anti-alérgico), 
amamentação e insuficiência renal (devendo ser feito o cálculo do clearance de creatinina; o site 
sbn.org.br é muito útil, calculando o clearance usando a creatinina plasmática, idade, peso e gênero 
biológico, sendo considerado seguro quando o clearance é superior a 30ml/s). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
C D 
 
 
 
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Figura 1.6 A a D: Tecido localizado no subcutâneo plantar em relação ao 5° metatarso (seta), que apresenta sinal 
intermediário na ponderação T1 (figura A), baixo sinal na ponderação T2 (figura B) e discreto edema ponderação DP com 
supressão de gordura (figura C). Após a administração venosado meio de contraste (figura D), observa-se na ponderação T1 
com supressão de gordura intensa impregnação na região, caracterizando processo inflamatório em atividade. 
 
 
14. A RM é um bom método para avaliação óssea ou a TC seria mais adequada? 
Existe um mito de que a TC é o exame de escolha para avaliação óssea e que a RM seria um método 
de avaliação das partes moles. Na verdade, a RM também é um ótimo método de estudo do osso, pois 
a medula óssea se comporta à ressonância como um tecido de partes moles, com as características de 
sinal de seus componentes mais abundantes, como a gordura nos adultos. Dessa forma, edema, 
reação de estresse, fraturas e infiltrações neoplásicas ou infecciosas são detectadas precocemente na 
RM (Figuras 1.7 e 1.8). Entretanto, a detecção das fraturas na RM depende do plano da fratura e da 
sequência utilizada (Figura 1.9) e a TC é superior à RM no caso de detecção de alterações sutis e que 
exijam grande resolução espacial, principalmente na cortical óssea – como na avaliação de degrau 
articular discreto, extensão articular do traço de fratura, pequenas avulsões e fraturas em ossos 
pequenos (como os sesamoides, onde o edema pode mascarar o traço de fratura). No caso de fraturas 
patológicas, a alteração do sinal da doença de base também pode mascarar o traço de fratura, sendo 
recomendável a associação com TC (Figura 1.10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.7 A e B: Fratura de estresse no calcâneo (seta), identificada como traço de baixo sinal tanto na ponderação T1 
(figura A), quanto na ponderação T2 com supressão de gordura (figura B), onde o edema ao redor do traço é melhor 
identificado. Esta fratura era oculta ao RX e na TC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.8: Metástase de adenocarcinoma de pulmão para a patela. A lesão é bem identificada na ponderação T2 com 
supressão de gordura no plano transversal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
 
 
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Figura 1.9 A a D: Fratura do acetábulo. Na ponderação T1 plano transversal sem supressão de gordura não é possível 
individualizar bem o traço de fratura devido ao edema adjacente (figura A), porém na ponderação com supressão de gordura 
após o uso de contraste venoso a fratura (setas) é bem individualizada (figura B). No plano sagital sem supressão de gordura 
(figura C), a fratura pode ser vista, porém com o recurso da supressão de gordura (figura D) a sua individualização é mais 
fácil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.10 A a D: Metástase no fêmur proximal com fratura patológica. A lesão (seta) é bem delimitada na RM no plano 
coronal (figura A), porém já não é tão bem individualizada na TC (figura B). Já a fratura patológica (pontas de seta) não é 
vista à RM (figura C), porém é facilmente identificada na TC (figura D). 
 
 
 
 
A B 
C D 
 
A B 
C D
D 
 
 
 
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15. O que seriam os exames com “supressão de metal”? 
Ainda não existe técnica que suprima 100% os artefatos ferromagnéticos na RM, embora já existam 
aparelhos de TC que consigam praticamente anular os artefatos metálicos e seja possível reduzir os 
artefatos modificando parâmetros físicos, como aumentar KV/mAs, por exemplo (Figuras 1.11 a 1.13). 
Hoje também é possível o uso da RM para avaliação de pacientes com próteses, já existindo 
sequências específicas com nomenclaturas que variam dependendo do fabricante, como MARS 
(Philips) e MAVRIC (GE), assim como a modificação de alguns parâmetros físicos (como matriz e 
banda) também reduzem bastante os artefatos (Figuras 1.14 a 1.16). Atualmente a RM é o exame de 
escolha para avaliação de artrite séptica em pacientes com próteses. Entretanto, nem todas as próteses 
se comportam da mesma maneira na RM: as imagens de próteses de quadril e joelho ficam bem 
melhores em comparação com os pacientes submetidos à artroplastia do ombro, por exemplo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.11 A a C: Exemplos de TC do joelho em três pacientes com artroplastia total. Prótese de revisão (figura A) com 
artefatos adjacentes ao componente femoral (setas vermelhas). Em outro paciente que apresenta desvio em varo do 
componente tibial (figura B), os artefatos adjacentes à prótese (setas amarelas) são um pouco menos evidentes em 
comparação com o paciente da figura A devido a modificações na técnica do exame. Em outro paciente que apresenta 
osteólise ao redor da haste tibial (seta branca) os artefatos comprometem ainda menos a qualidade do exame (figura C). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.12 A a C: Exemplos de reconstruções tomográficas 3D em pacientes com artroplastia total do joelho mostrando que é 
possível diferenciar o osso da prótese que apresenta cor diferente (figura A) e isolar completamente o componente metálico 
da prótese (figura B). Já as reconstruções 3D de rotina deixando o osso e a prótese não costumam ser muito úteis, mesmo 
que a prótese tenha outra cor (figura C). 
 
 
 
 
 
A B C 
 
A B C 
 
 
 
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Figura 1.13 A a C: Exame tomográfico realizado em aparelho “dual energy” que permite exclusão quase completa dos 
artefatos metálicos, tanto nas reconstruções MPR (figura A), quanto nas reconstruções 3D de rotina deixando o osso (figura 
B) e nas reconstruções 3D deixando o osso com aspecto radiográfico e a prótese colorida (figura C). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.14 A e B: Imagens de RM do mesmo paciente no plano sagital em que foram deixados os parâmetros de rotina para 
os exames de joelho (figura A) e quando alguns parâmetros foram modificados (figura B), reduzindo bastante os artefatos, 
mesmo sem sequências específicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1.15: Imagem de RM do joelho no plano coronal em que foi utilizada sequência MARS mostrando importante redução 
nos artefatos ferromagnéticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B C 
 
 
A B 
 
 
 
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Figura 1.16 A e B: Imagens de RM do quadril em que foi utilizada sequência MARS na ponderação DP nos planos coronal 
(figura A) e transversal (figura B) também mostrando importante redução nos artefatos ferromagnéticos, sendo bem 
identificada a distensão da bursa do iliopsoas (seta amarela). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
 
 
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1I. Coluna vertebral 
 
1. Por que alguns pacientes costumam ter problemas quando solicito RM de coluna 
toracolombar ou cervicotorácica? 
Existem bobinas específicas, de tamanhos e modelos diversos para o estudo da coluna vertebral, além 
de ferramentas distintas entre os diferentes tipos de aparelhos de RM, o que faz com que a extensão 
anatômica possível de ser estudada em um único exame seja bastante variável, dependendo do 
equipamento disponível. Além disso, a solicitação de “coluna toracolombar” é ambígua, pois pode ser 
entendido como exame da coluna lombar, englobando as últimas vértebras torácicas, ou o exame 
completo da coluna lombar e da coluna torácica, gerando a dúvida se são dois ou apenas um exame. O 
ideal é fazer solicitações específicas pela área de interesse: coluna cervical, torácica, lombar, sacro ou 
sacro-cóccix. 
 
2. O que estaria incluído nos examesde coluna, além do segmento solicitado? 
Geralmente, uma ou duas vértebras do segmento adjacente costumam estar incluídas nos estudos da 
coluna, na dependência do biotipo do paciente e do equipamento utilizado. Como regra geral, pode ser 
considerado que: 
□ Coluna cervical: costuma incluir a transição crânio-cervical até D1-D2; 
□ Coluna torácica: costuma incluir pelo menos parte de C7 e de L1; 
□ Coluna lombar: costuma incluir D11-D12 e as primeiras peças sacras; 
□ Sacro: inclui o sacro e também as peças coccígeas. 
□ Cóccix: inclui o sacro, mas é mais dedicado às peças coccígeas, que são menores e com 
angulação variada, podendo neste caso não incluir a parte mais proximal do sacro em alguns planos 
(como o transversal) para ser possível obter imagens com menor espessura e maior resolução. 
Para melhor entendimento, a figuras 2.1 a 2.3 ilustram como são orientados os exames de coluna 
cervical, torácica e lombar de rotina na maioria dos centros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.1: Etapas da marcação da RM da coluna cervical. Primeiramente, a partir de uma imagem localizadora em baixa 
resolução (imagem à esquerda), é identificada a área de interesse e selecionado o campo de visão (retângulo amarelo). A 
região selecionada será estudada posteriormente com uma bobina específica para a coluna cervical onde é possível a 
obtenção de imagens com ótima resolução espacial (imagem à direita). Neste caso, foi possível incluir no estudo a transição 
crânio-cervical, as vértebras cervicais e as duas primeiras vértebras torácicas. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 2.2: Etapas da marcação da RM da coluna torácica. Primeiramente, a partir de uma imagem localizadora em baixa 
resolução (imagem à esquerda) é identificada a área de interesse, utilizando como referência C2 para a correta identificação 
das vértebras torácicas. Após a localização de D1 e D12 é selecionado o campo de visão (retângulo amarelo) a ser estudado 
com a bobina direcionada para a coluna torácica, onde é possível a obtenção de imagens com ótima resolução espacial 
(imagem à direita). Neste caso, foi possível incluir no estudo as vértebras torácicas (D1 a D12) e parte de C7 e de L1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.3: Etapas da marcação da RM da coluna lombar. Primeiramente, a partir de uma imagem localizadora em baixa 
resolução (imagem à esquerda), é identificada a área de interesse e selecionado o campo de visão (retângulo amarelo) a ser 
estudado com uma bobina específica para a coluna lombar, onde é possível a obtenção de imagens com ótima resolução 
espacial (imagem à direita). Neste caso, foi possível incluir no estudo as vértebras lombares, D12 e as três primeiras peças 
sacras. Note que a protrusão discal em L5-S1 (seta vermelha), bem vista no estudo com a bobina específica, não era 
identificada nas imagens de baixa resolução. 
 
3. Por que em alguns exames as vértebras torácicas são nomeadas como D1 a D12 e em outros 
como T1 a T12? 
A rigor, o correto seria denominar as vértebras torácicas como T1 a T12. Mas, como na RM existem as 
sequências ponderadas em T1 e T2, muitos serviços adotaram nomear D1 a D12 (D de dorsal) apenas 
para evitar confusão nos laudos entre o ‘T’ da sequência e o ‘T’ de torácica. 
 
4. Qual a diferença entre RM da coluna lombar, lombossacra e sacro? 
Conforme discutido anteriormente, o ideal é que os segmentos da coluna sejam discriminados 
isoladamente, evitando termos que englobem dois segmentos distintos como se fossem um só. Na RM 
da coluna lombar ou lombossacra geralmente são incluídas no estudo a(s) última(s) vértebra(s) 
torácica(s) e a coluna lombar. É importante salientar que o sacro geralmente é apenas parcialmente 
 
 
 
 
 
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visualizado, pois a prioridade é o estudo das vértebras lombares e os discos de L1 a S1 com a melhor 
resolução espacial possível (figura 2.4). 
 
 
 
Figura 2.4: Etapas da marcação dos planos sagital e transversal da RM da coluna lombar. Na marcação do plano sagital são 
utilizados como referência os corpos vertebrais lombares, que devem ser incluídos no campo de visão (retângulo amarelo). 
Note, entretanto, que as porções laterais do sacro (setas brancas) não são incluídas rotineiramente no plano sagital da coluna 
lombar. Da mesma forma, a marcação do plano transversal da coluna usa como referência o plano dos discos intervertebrais 
(linhas tracejadas amarelas da imagem à direita), não incluindo o sacro, apenas o disco de L5-S1 e a porção superior de S1. 
 
Mesmo quando é feito um estudo da coluna lombar no plano coronal, dificilmente o sacro é totalmente 
incluído. Por esse motivo, o termo “coluna lombossacra” não é o ideal, pois o sacro não é totalmente 
avaliado no estudo, apenas a transição lombossacra. Além disso, o estudo do sacro é bem diferente do 
estudo da coluna lombar, pois o posicionamento pode ter que ser modificado para a obtenção do sinal 
adequado, assim como a angulação e os tipos de sequências utilizados (figura 2.5). 
 
 
Figura 2.5 (A a D): Diferenças da marcação do plano coronal da RM da coluna lombar e do sacro. Na marcação do plano 
coronal da coluna lombar (figura A) é usado como referência o eixo dos corpos vertebrais lombares (retângulo amarelo), 
geralmente não sendo incluídas as peças sacrais distais (seta amarela) e nem a transição sacrococcígea. O coronal da coluna 
lombar/lombossacra (figura B) é util para identificar alterações mais grosseiras no sacro, como fraturas e sacroileíte e avaliar 
maior extensão das partes moles paravertebrais. Para um estudo direcionado para o sacro e articulações sacroilíacas (figura 
B A C D 
 
 
 
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C) deve ser respeitado o eixo das peças sacrais (seta dupla vermelha), que não só é diferente do eixo das vértebras lombares 
(seta dupla amarela), mas também das peças coccígeas (seta dupla azul). No plano coronal verdadeiro do sacro (figura D) a 
avaliação óssea, dos forames sacrais e articulações sacroilíacas é bem mais adequada. 
 
Como as angulações e anatomia das vértebras lombares, sacrais e coccígeas são muito diferentes, a 
especificação da coluna e a indicação são muito importantes para que o exame seja direcionado à 
suspeita clínica, permitindo maior acurácia da RM. Baseado nas indicações mais comuns, podemos 
considerar como regra geral: 
 
RM DA COLUNA LOMBAR (termo preferível à coluna LOMBOSSACRA): avaliação de discopatia (L1-
L2 a L5-S1), espondiloartrose e lesões vertebrais, geralmente incluindo D12 e com identificação de 
parcial e variável do sacro dependendo da rotina de cada serviço, biotipo do paciente e tipo de 
equipamento. 
RM DO SACRO: avaliação de fraturas do sacro, lesões expansivas e metástases nesta região. 
RM DA COLUNA SACROCOCCÍGEA: avaliação de fraturas nas peças coccígeas e coccidínea. 
 
 
5. Já recebi imagens de RM da coluna total com boa resolução. Como isso foi possível? 
Embora a extensão anatômica possível de ser estudada em um único exame seja variável, para 
imagens com resolução diagnóstica aceitável ainda é necessário obter separadamente as imagens da 
coluna cervical, torácica, lombar e do sacro na grande maioria dos equipamentos disponíveis. O que é 
possível em alguns equipamentos com software específico e determinados modelos de bobina para 
coluna é a somação das imagens adquiridas individualmente, “criando” uma coluna total. Este recurso é 
particularmente útil nas afecções do canal vertebral, medula espinhal e meninge para melhor 
visualização da extensão da doença(figura 2.6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.6: Imagens da coluna vertebral no plano sagital após a administração de contraste venoso em paciente com 
carcinomatose meningea, caracterizada pela impregnação nodular da meninge (setas). Alguns equipamentos possuem o 
recurso de “somar” as imagens adquiridas separadamente das colunas cervical, torácica e lombar em uma única imagem. As 
linhas horizontais brancas na periferia da imagem à direita indicam onde foi realizada a fusão das imagens. 
 
 
6. Posso solicitar RM da coluna no pós-operatório imediato? 
Sim, nenhum material de osteossíntese é contraindicação à realização de RM, com a ressalva de que 
os artefatos podem dificultar a interpretação das imagens. 
 
 
 
 
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7. Qual o melhor exame na avaliação pós-operatória da coluna? 
O ideal na coluna pós-operatória é a combinação de TC e RM, pois a TC permite a identificação precisa 
do posicionamento dos parafusos e dispositivos intersomáticos, a presença de osteólise e permite a 
diferenciação entre gás e material de vertebroplastia, detectando eventual migração, enquanto que a 
RM avalia melhor o sinal do osso, a medula e canal vertebral, discos e partes moles paravertebrais. 
 
8. É mandatório o uso de contraste venoso na coluna operada? 
No pós-operatório recente costuma ser rotina a utilização de meio de contraste, principalmente se as 
suspeitas clínicas forem de infecção, pseudomeningocele ou coleção, por exemplo. No pós-operatório 
tardio não existe um consenso e a decisão do radiologista costuma ser caso a caso, até porque muitas 
vezes a causa da dor é uma nova manifestação da doença de base ou progressão da doença 
degenerativa não necessitando de administração de contraste. 
 
9. Qual o melhor exame para avaliar espondilodiscite, RM ou TC? 
A RM é superior à TC, pois permite não só avaliar o sinal da medula óssea e do disco, mas também 
identifica alterações nas partes moles paravertebrais e no espaço epidural, como edema muscular e 
coleções. É sempre importante informar a suspeita clínica porque estão sempre surgindo sequências 
novas que auxiliam o diagnóstico, como a ponderação difusão que permite em um grande número de 
casos diferenciar entre a alteração de sinal com edema secundário a doença degenerativa (padrão 
Modic 1) da alteração do sinal decorrente de espondilodiscite. Quando a indicação é vaga, como “dor”, 
muitas vezes esses recursos deixam de ser utilizados no dia a dia, sendo realizadas apenas as 
sequências padrão da rotina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1II. Ombro & Cotovelo 
 
1. Quais as indicações da artroRM do ombro atualmente? A RM de 3 tesla substitui a artroRM? 
Os pacientes que mais se beneficiam da artroRM do ombro são os atletas de alta performance, 
pacientes jovens (idade inferior a 40 anos) e com alta suspeita de lesão labral e de rotura parcial 
extensa ou completa do manguito rotador, cuja RM não foi conclusiva. Apesar do avanço dos 
equipamentos de RM e da experiência acumulada pelos radiologistas, algumas lesões tendíneas são 
mascaradas pela presença de tecido de granulação, mimetizando tendinose ou até mesmo um tendão 
normal, e várias lesões labrais só são detectadas com a distensão da cápsula articular e/ou pela 
insinuação do meio de contraste entre o labrum e a glenoide (figura 3.1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Ao suspeitar de uma lesão do labrum, devo pedir inicialmente uma RM convencional ou é 
melhor já solicitar uma artrorressonância do ombro? 
Na luxação traumática aguda é comum haver derrame articular, o que proporciona um “efeito 
artrográfico” que facilita a avaliação das estruturas intra-articulares. Além disso, quando a RM é 
realizada em bons equipamentos, com protocolos ajustados e avaliada por radiologistas experientes, é 
possível a detecção da lesão labral em muitos casos (Figura 3.2). Entretanto, a artroRM pode ter um 
papel importante na avaliação das lesões SLAP e na instabilidade, principalmente nos casos de luxação 
recidivante, quando há tecido cicatricial associado. A detecção das variantes da lesão de Bankart, como 
lesões ALPSA e Perthes, também muitas vezes só é possível com a distensão da cápsula pelo meio de 
contraste e a realização de manobras especiais, como aquisição das imagens em abdução e rotação 
externa (ABER) (figura 3.3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.1: ArtroRM do ombro no plano coronal, mostrando lesão parcial extensa do 
tendão supraespinal (seta grande) associada a lesão SLAP (seta pequena), achados 
identificados devido à insinuação do meio de contraste intra-articular no interior das 
lesões. 
 
 
Figura 3.2: Luxação traumática aguda. RM do ombro no plano transversal, 
mostrando a lesão de Hill-Sachs (seta curva), associada a edema da 
medula óssea da cabeça umeral e da margem anterior da glenoide, e o 
destacamento do labrum anteroinferior (seta reta). O derrame articular 
facilitou a detecção da lesão labral. 
 
 
 
 
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Figura 3.3 A e B: Lesão de Perthes (seta). No plano transversal (figura A), a lesão labral pode ser identificada pela discreta 
insinuação do meio de contraste entre o labrum e a glenoide. Já no plano ABER (figura B), a separação do labrum é bem mais 
evidente. 
 
3. É possível a realização de artroRM em aparelho de magneto aberto? 
Os aparelhos de magneto aberto, além de terem a resolução espacial inferior aos equipamentos 
fechados de alto campo, geralmente não permitem o emprego de supressão de gordura na ponderação 
T1, a sequência mais utilizada na artroRM, por ser a que oferece maior contraste em virtude da 
presença do gadolínio intra-articular. Por estes motivos, não se costuma realizar artroRM em aparelhos 
de magneto aberto. 
 
4. O que significa “artroRM indireta”? 
A artroRM indireta consiste na realização da RM após a administração venosa do meio de contraste, 
seguida da mobilização ativa do ombro por alguns minutos, para que ocorra impregnação da sinóvia 
articular, o que aumentaria a conspicuidade na detecção de algumas lesões. Entretanto, não há 
distensão capsular, uma das principais vantagens da artroRM direta. Por estes motivos, a artroRM 
indireta geralmente é uma alternativa reservada para os casos em que o paciente se recusa a ser 
submetido a um procedimento invasivo. 
 
5. Qual o melhor exame na suspeita de capsulite adesiva? 
Apesar da capsulite adesiva ser tradicionalmente um diagnóstico clínico, nos casos duvidosos, com 
predomínio da inflamação sem tanta restrição de movimento ou quando é preciso afastar outras lesões 
concomitantes o exame mais indicado é a RM convencional (figura 3.4), que consegue demonstrar 
sinais bastante sensíveis, como o edema pericapsular no recesso axilar e o espessamento tecidual no 
intervalo rotador, que podem ter sua detecção prejudicada na artroRM em virtude das ponderações 
utilizadas (edema não é visível na ponderação T1 e as sequências com supressão de gordura 
mascaram também o tecido no intervalo rotador) e ao trauma decorrente da punção/infiltração 
anestésica que podem mimetizar ou mascarar o edema. A RM convencional, em conjunto com a 
avaliação clínica, são suficientes para o diagnóstico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
Figura 3.4: Imagem no plano coronal, mostrando espessamento e edema 
pericapsular no recesso articular (seta), caracterizando capsulite adesiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6. Na suspeita de rotura completa proximal do tendão da cabeça longa do bíceps seria mais 
aconselhável solicitar RM do ombro ou do braço? 
Na RM do ombro será possível avaliar a âncora bicipital e detectar o sulco bicipital vazio, confirmando a 
suspeita da rotura, além de permitir a detecção de outras alterações associadas, como lesões do 
labrum e do manguito rotador. Na RM do braço, será possível avaliar o “gap” da rotura, a localização do 
coto tendíneo distal e a presença de possível hematoma, mas a avaliação de lesões concomitantes no 
ombro será prejudicada (figura 3.5). Como as bobinas utilizadas nestes exames são diferentes, caso 
haja necessidade de avaliar o ombro e também o coto tendíneo distal e possível hematoma o ideal seria 
solicitar os dois exames. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.5: Rotura do tendão da cabeça longa do bíceps no plano do terço médio do braço. Na RM do braço é possível 
identificar o local da rotura (seta curva), porém a região do ombro não tem sinal adequado. Já na RM do ombro do mesmo 
paciente utilizando bobina específica é possível identificar facilmente a rotura do tendão do supraespinhal (seta). 
 
7. A RM é sensível no diagnóstico de lesões na porção intra-articular do tendão da cabeça longa 
do bíceps? 
Sim, a RM do ombro realizada com técnica adequada permite o acompanhamento do trajeto do tendão 
da cabeça longa do bíceps desde a sua origem na glenoide até a sua porção extra-articular proximal. 
 
8. É possível quantificar a perda óssea da glenoide por RM nos casos de luxação recidivante? 
O exame padrão ouro para a detecção e mensuração da perda óssea da glenoide ainda é a tomografia 
computadorizada, mas existe uma tendência em tentar adaptar medidas tomográficas para a RM como 
redução de custos (o paciente só seria submetido a um exame) e, principalmente, redução da dose da 
radiação ionizante e pela vantagem da RM em permitir a avaliação das partes moles. Diversos estudos 
têm demonstrado que a RM também pode ser utilizada para essa avaliação, mas na RM a imagem já 
tem que ser adquirida no plano correto da glenoide, o que não é feito de rotina em todos os serviços, o 
que torna este processo operador dependente e que necessita de maior experiência do radiologista 
para avaliação adequada. A medida da TC é bem mais reprodutível porque após a aquisição das 
imagens é possível a reformatação em qualquer plano ortogonal e também fornece reconstruções 3D 
da glenoide. A TC também é muito mais sensível na detecção de fragmentos ósseos destacados em 
comparação com a RM. A RM funciona bem como exame de triagem, identificando a lesão labral e 
indicando a presença de possível perda óssea significativa, com a TC reservada para mensuração mais 
precisa dos pacientes candidatos a tratamento cirúrgico e em que há suspeita de Bankart ósseo para 
confirmação e avaliação do estado do fragmento. 
 
9. Quais as principais indicações da RM do cotovelo? 
Avaliação de fraturas ocultas, lesões osteocondrais, lesões músculo-tendíneas e ligamentares, bursites 
e lesões expansivas. As figuras 3.6 a 3.8 ilustram alguns exemplos de indicações de RM do cotovelo. 
 
 
 
 
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Figura 3.7 A e B: Lipoma intramuscular no tríceps (asterisco). Na RM no plano transversal ponderada em T1 (figura A) o 
lipoma é caracterizado pelo alto sinal. Já na ponderação T1 com supressão de gordura no plano coronal (figura B) há 
supressão do sinal da lesão caracterizando tecido adiposo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 A e B: Bursite olecraniana heterogênea (seta) e tendinopatia do bíceps (seta curva), evidenciadas em RM do cotovelo 
nos planos sagital (figura A) e transversal (figura B) em paciente com gota. 
 
 
10. A RM do cotovelo é sensível no diagnóstico de lesões ligamentares? 
A RM do cotovelo, quando realizada em aparelhos de alto campo e com bobinas dedicadas, fornece 
ótima acurácia nas lesões ligamentares (figura 3.9). 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
A B 
 
Figura 3.6: Espessamento e lesão parcial (seta) do tendão comum dos 
extensores junto à sua origem no epicôndilo lateral. 
 
 
 
 
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Figura 3.9: RM do cotovelo no plano coronal mostrando rotura proximal dos ligamentos colateral lateral ulnar e colateral radial 
(seta vermelha) e do ligamento colateral medial (seta azul). É possível identificar a porção distal dos ligamentos colateral lateral 
ulnar (seta branca) e do colateral medial (seta verde) com alta definição. Note o edema na cabeça do rádio (seta amarela). 
 
11. Pode ser solicitada RM no cotovelo operado? 
O material de osteossíntese costuma gerar artefatos de susceptibilidade magnética, mas a RM pode 
auxiliar em casos específicos (figura 3.10). Atualmente também tem aumentado as indicações de 
exames seccionais na avaliação de pacientes com próteses na cabeça do rádio: TC para identificação 
de complicações como osteólise e “overstuffing” e RM para avaliação de derrame articular e das partes 
moles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.10 A e B: Paciente com fratura prévia da ulna fixada com material metálico, conforme radiografia em perfil (figura A), 
sofreu novo trauma, com suspeita de rotura do tríceps, confirmada na RM no plano sagital (seta) (figura B). 
 
 
12. Qual o melhor método para a avaliação óssea do ombro e cotovelo? 
Na avaliação óssea e, principalmente, na avaliação da artrose avançada, os métodos de imagem (RX, 
TC e RM) são complementares. Algumas deformidades podem ser melhor identificadas na RM em 
comparação com o RX devido a sobreposição de imagem (figura 3.11), enquanto que a TC oferece a 
possibilidade de reformatações multiplanares e 3D com alta definição (figura 3.12), além de ter alta 
resolução espacial, o que permite ótima avaliação da cortical óssea e a identificação de osteofitos ainda 
incipientes e de corpos livres ossificados. 
 
 
 
 
 
A B 
 
https://www.researchgate.net/figure/Overstuffing-of-radial-head-replacement-A-CT-scan-in-sagittal-view-10-months_fig1_281295821
 
 
 
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Figura 3.11 A e B: Paciente com depressão cortical e acentuada deformidade da margem medial da cabeça umeral, associada 
a edema da medula óssea subjacente, bem identificada na RM no plano coronal (figura A). Note também as outras alterações 
nas partes moles, como lesão parcial do manguito rotador (seta), derrame articular e sinovite. No RX da mesma paciente 
(figura B), a alteração óssea é muito sutil pela sobreposição, podendo facilmente passar como um RX normal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.12: Apesar da RM demonstrar bem as alterações degenerativas do cotovelo, como o afilamento das cartilagens de 
revestimento e o derrame articular, a TC oferece maior detalhe da cortical, além de permitir a realização de reconstruções 
multiplanares e 3D do cotovelo e de cada osso separadamente, o que auxilia no planejamento cirúrgico. 
 
13. O que seria o posicionamento FABS? 
Na avaliação do cotovelo é frequente a inserção do tendão do bíceps na cabeça radial não ser incluída 
do estudo, sendo importante constar na indicação quando a suspeita clínica for lesão do bíceps distal. 
Um recurso bastante útil é a realização de sequência adicional no posicionamento “FABS”, que significa 
o paciente realizar Flexão ABdução e Supinação (figura 3.13). Nesse posicionamento o tendão do 
bíceps é individualizadono eixo longitudinal, o que ajuda na identificação e mensuração mais acurada 
da retração no caso das roturas completas. 
 
 
 
A B 
 
 
 
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Figura 3.13: Posicionamento FABS. A bobina é colocada na região do cotovelo com o paciente em flexão, abdução e 
supinação. São obtidas imagens com orientação perpendicular ao rádio e no eixo longo do úmero (setas duplas vermelhas), 
permitindo que o tendão do bíceps seja individualizado no eixo longitudinal (setas amarelas) desde a junção miotendínea até a 
inserção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1V. Punho & Mão 
 
1. Qual a cobertura anatômica na RM da mão? 
É possível a aquisição de uma imagem que inclua desde o rádio distal até a extremidade dos dedos. 
Porém, a resolução espacial ficará prejudicada, assim como o sinal nas extremidades da área estudada. 
Também não será possível neste estudo com grande campo de visão utilizar bobinas específicas, que 
propiciam grande detalhe das estruturas por concentrar o sinal em uma pequena área. Por este motivo, 
o ideal é compartimentalizar o exame em PUNHO (engloba do rádio distal ao terço distal dos 
metacarpos), MÃO (metacarpos e dedos) e DEDO (estudo específico de um dedo), de acordo com a 
indicação clínica (figura 4.1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.1 A a C – RM da mão (figura A), englobando os metacarpos e os dedos; RM do punho (figura B), englobando o 
rádio distal, ossos do carpo e metacarpos e RM do dedo (figura C), incluindo as falanges e articulação carpometacarpiana. 
 
2. Como o paciente é posicionado durante a realização de uma RM do punho ou da mão? 
O ideal para que sejam adquiridas imagens com qualidade ótima na RM é que a estrutura examinada 
esteja o mais próxima possível do centro do magneto e da bobina. Quando o paciente está em decúbito 
dorsal, o membro superior fica ao lado do corpo e, por conseguinte, na extremidade do diâmetro do 
magneto e não no centro. Por este motivo, na maioria dos serviços a RM do punho e da mão são 
realizadas com o paciente em decúbito ventral, com o braço acima da cabeça, em posição conhecida 
como “do nadador” ou “do super-homem”, para que a mão e o punho possam ficar em posição mais 
central. Caso isso não seja possível, a RM é realizada em decúbito dorsal, com bobinas flexíveis e com 
o braço estendido ao longo do corpo. Atualmente alguns equipamentos possuem bobinas específicas 
que podem ser posicionadas com o braço ao longo do corpo, principalmente para os exames de punho. 
A maioria das bobinas, entretanto, tem uma limitação de tamanho, o que faz com que os exames de 
punho e mão tenham que ser realizados separadamente para que o exame tenha boa qualidade (figura 
4.2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B
B 
C 
 
 
 
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Figura 4.2 – Posicionamento para realização da RM da mão e do punho em bobina dedicada ao estudo das extremidades. Na RM da mão 
(figura à esquerda) o centro da área de interesse está no plano das articulações metacarpofalangianas (círculo vermelho), que deve ser 
posicionado no centro da bobina (seta tracejada preta). Na RM do punho (figura central), a área de interesse já se encontra no plano dos ossos 
do carpo (círculo vermelho) que é a região que deve ficar agora no centro da bobina (seta tracejada preta). Após o correto posicionamento, a 
bobina é fechada (figura à direita). Note que com este tipo de bobina não é possível realizar o estudo do punho e da mão ao mesmo tempo 
porque ou o punho ficará na extremidade da bobina onde o sinal é inadequado ou os dedos ficarão para fora. Com o exame dedicado é 
possível concentrar o maior sinal na área de interesse. 
 
3. Como o posicionamento influencia na qualidade da imagem? 
O ideal para o estudo de qualquer extremidade é que a área de interesse fique no centro da bobina, 
onde o sinal é ótimo, permitindo a obtenção de imagens com alta resolução espacial e supressão 
homogênea do sinal da gordura. Quando uma estrutura fica fora desta região, podem ocorrer problemas 
na qualidade da imagem, como ausência de sinal e falha na supressão, por exemplo (figura 4.3). Um 
recurso bastante utilizado é a colocação de um marcador cutâneo na região apontada pelo paciente, 
para destacar a área de interesse e posicioná-la no centro da bobina (figura 4.4). Por estes motivos, é 
fundamental informar a suspeita clínica para que o exame seja o mais direcionado possível, 
principalmente no estudo dos dedos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.3 – RM da mão de paciente com sequela de trauma e deformidade do 4º e 5º dedos. A paciente apresentava 
dificuldade de posicionamento. Note como as regiões fora do centro da bobina apresentam falha de supressão (setas), 
caracterizada pelo sinal muito alto em vez do cinza habitual quando a supressão da gordura é homogênea, podendo mimetizar 
edema ósseo e nas partes moles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 4.4– RM do 2º dedo no plano sagital de paciente com lesão do capuz extensor, nas ponderações T1 e T2 com 
supressão de gordura. A área de interesse, destacada pela presença do marcador cutâneo (setas), facilita o posicionamento da 
região da lesão no centro da bobina. Note que na ponderação com supressão de gordura a região localizada em situação mais 
periférica apresenta falha de supressão de gordura (ponta de seta), mimetizando edema ósseo. 
 
4. Como devo solicitar os exames? 
Quanto mais restrita a área a ser estudada melhor será a capacidade diagnóstica da RM. Por isso, 
devem ser evitadas solicitações de exames de extremidades tentando incluir em um só exame áreas 
distintas que podem ficar nas extremidades da bobina, como avaliação de estruturas localizadas no 
punho e nos dedos, pois o resultado final não será adequado nem para avaliar o punho, nem a mão. 
Baseado nas indicações mais comuns, podemos considerar como regra geral: 
 
RM DO PUNHO – avaliação do rádio e ulna distais, impacto ulnocarpal, ossos do carpo, fibrocartilagem 
triangular, porção proximal dos metacarpos, rizartrose, nervo mediano e síndrome do túnel do carpo, 
tendões flexores e extensores no seu trajeto do rádio distal até os metacarpos e lesões expansivas 
nestas regiões. 
 
RM DA MÃO – avaliação dos metacarpos, articulações carpometacarpianas (principalmente do 2º ao 5º 
dedos), metacarpofalangianas e interfalangianas, tendões flexores e extensores no seu trajeto a partir 
das bases dos metacarpos e lesões expansivas nestas regiões. Apesar dos dedos serem 
individualizados na RM da mão, para a inclusão da mão inteira a bobina utilizada é maior, permitindo a 
avaliação de lesões que não necessitem de grande nível de detalhe, como fraturas, artrose, artropatia 
inflamatória mais difusa, etc. No caso de lesões de pequenas estruturas dos dedos o indicado é realizar 
estudo específico com bobina menor. 
 Na rizartrose, a RM de punho avalia melhor a 1ª articulação metacarpofalangiana em 
comparação com a RM da mão, pois no exame do punho a base do 1º metacarpo está mais 
centralizada em relação à bobina em comparação com a RM da mão, onde a base do 1º 
metacarpo fica na extremidade (figura 4.5). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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www.mskrad.com.brFigura 4.5– Exame de RM do punho e da mão do mesmo paciente com rizartrose. Na RM do punho a 1ª articulação 
metacarpofalangiana (círculo vermelho) fica no centro da imagem, tendo mais sinal e resolução espacial. Como na RM da mão 
a 1ª articulação metacarpofalangiana (círculo branco) fica na extremidade da bobina, a resolução costuma ficar pior e a 
articulação até pode ser apenas parcialmente individualizada. 
 
RM DOS DEDOS E DO POLEGAR – avaliação das articulações metacarpofalangianas e 
interfalangianas do(s) dedo(s) específico(s) e dos tendões flexores, aparato extensor, placas volares, 
ligamentos, região subungueal e lesões expansivas nestas regiões. Apesar dos dedos estarem 
incluídos na RM da mão, para avaliação de rotura ligamentar, lesão de Stener, tendão terminal, aparato 
extensor, placa volar, tumor glômico ou nódulos muito pequenos o pedido deve ser direcionado para o 
dedo específico e não voltado para a mão toda. 
 O polegar apresenta orientação espacial diferente dos demais dedos, por isso o estudo do 
polegar é feito com posicionamento e marcação diferentes (figura 4.6) permitindo melhor 
avaliação de lesões que necessitam de mais detalhe, como roturas ligamentares e lesões 
subungueais. 
 
 
Figura 4.6– Posicionamento para realização de RM do polegar. Note que o estudo contempla apenas a avaliação do polegar, 
com os demais dedos ficando fora da bobina. Com isso é possível maior detalhe da imagem e marcação do exame orientada 
no plano do polegar. 
 
 
 
 
 
 
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5. A RM do punho é sensível para diagnosticar lesões ligamentares? 
A acurácia da RM para diagnóstico de lesões em estruturas finas, como os ligamentos, depende do 
grau de resolução alcançado que, por sua vez, depende não só do aparelho, mas também da bobina, 
protocolo escolhido, campo de visão a ser estudado (quando menor a área selecionada, maiores as 
chances de obter imagens de alta resolução), colaboração do paciente, bom posicionamento e 
experiência do radiologista e do operador do equipamento (figura 4.7). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.7 – RM do punho no plano coronal, realizada em aparelho de 1,5 T, com bobina específica e protocolo ajustado para 
a obtenção de imagens de alta resolução, mostrando as diversas porções do complexo da fibrocartilagem triangular (setas 
finas), o homólogo do menisco (ponta de seta) e os componentes distal e proximal do ligamento escafolunar (setas). 
 
 
6. Na avaliação das estruturas ósseas do punho e da mão o ideal é a solicitação de RM ou de 
TC? 
A TC multidetectores permite reconstruções 3D de alta definição (figura 4.8), que facilitam o 
planejamento cirúrgico, principalmente nos casos de fraturas complexas. Por outro lado, a RM permite a 
identificação de fraturas radiograficamente ocultas (figura 4.9), que também podem passar 
despercebidas na TC. Apesar da TC oferecer maior definição da cortical óssea, a RM permite a 
avaliação das partes moles e derrame articular (figura 4.10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.8 – TC do punho no plano coronal, realizada em aparelho multidetectores. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 4.9 A e B – RM do punho no plano coronal, nas ponderações T1 (figura A) e T2 com supressão de gordura (figura B), 
mostrando fratura radiograficamente oculta (seta). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.10 A a F – TC do punho no plano coronal de paciente com artrite reumatoide (figuras A e B), mostrando erosões 
sinoviais (setas pequenas), mais evidente no escafoide, onde se observa bem a rotura da cortical (seta curva). RM do punho 
no plano coronal nas ponderações T1 (figura C) e T2 com supressão de gordura (figura D), onde a interrupção da cortical não 
é tão evidente, porém é possível identificar melhor a extensão das erosões (setas), assim como o edema ósseo. No plano 
transversal na ponderação T2 com supressão de gordura (figura E), nota-se derrame articular com espessamento da sinóvia 
(pontas de seta) e distensão da bainha do tendão flexor radial do carpo (seta curva). Na ponderação T1 pós-contraste (figura 
F), observa-se intensa impregnação da sinóvia articular (seta dupla) e também da bainha do tendão flexor radial do carpo (seta 
curva), indicando tenossinovite. 
 
7. Qual o papel do contraste venoso na RM do punho e da mão? 
O contraste venoso aumenta a conspicuidade no diagnóstico de várias lesões, não só as tumorais 
(permitindo a diferenciação entre formações expansivas sólidas e císticas), mas também nas lesões 
inflamatórias e traumáticas pela impregnação da sinóvia e das partes moles perilesionais pelo meio de 
contraste (figuras 4.11 a 4.14). Não é também infrequente que processos inflamatórios, como 
tenossinovites (figura 4.15) e sinovites (figura 4.16) sejam muito sutis ou até mesmo não detectados nas 
sequências de rotina, mesmo as sensíveis a líquido, e o diagnóstico só seja possível com a 
administração venosa de contraste. Com o contraste venoso também é possível avaliar a 
vascularização da medula óssea, sendo útil no diagnóstico de osteonecrose do fragmento proximal nos 
casos de fratura do escafoide. 
 
 
 
 
A B 
 
A 
B 
C 
D 
E 
F 
 
 
 
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Figura 4.11 – RM da mão no plano transversal pós-contraste evidenciando diminuta formação nodular (seta amarela) 
adjacente aos tendões flexores do 3º dedo, identificada graças à impregnação periférica da lesão pelo contraste. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.12– Papel do contraste na diferenciação entre lesão cística x sólida. Paciente com cisto sinovial que apresenta sinal 
alto na ponderação T2 com supressão de gordura (seta amarela), semelhante ao sinal alto também encontrado em paciente 
com lesão sólida, neste caso um schwannoma (seta branca). Após a administração venosa de contraste, o cisto sinovial (seta 
amarela), mesmo quando associado a sinovite, apresenta impregnação apenas de sua parede revestida por sinóvia, sem 
realce do seu conteúdo. Já o schwannoma apresenta intensa impregnação elo contraste (seta branca), permitindo afirmar 
tratar-se de lesão sólida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.13– Paciente foi submetido a RM do dedo devido a lesão palpável no plano da articulação interfalangiana distal, onde 
foi colocado marcador cutâneo (ponta de seta). Na ponderação T2 com supressão de gordura a lesão apresenta baixo sinal 
 
 
 
 
 
 
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(seta branca), de difícil diferenciação com os tecidos adjacentes. Após a administração venosa de contraste, o realce pelo 
contraste permite a caracterização de lesão sólida (no caso TCG de bainha tendínea), sendo muito mais fácil a sua 
individualização e delimitação, tanto nos planos transversal quanto sagital (setas vermelhas). 
 
 
Figura 4.14– Paciente lutador de jiu-jitsu foi submetido a RM do dedo devido a lesão ligamentar no plano da articulação 
interfalangiana proximal, onde foi colocado marcador cutâneo (ponta de seta). Na ponderação T2 com supressão de gordura o 
ligamento colateral lateral encontra-se espessado e com sinal elevado (seta branca). Após a administração venosa de 
contraste nota-se intenso realce ao redor e é possível identificar melhor a rotura ligamentar (seta vermelha), assim como a 
lesão do ligamento colateral medial (seta amarela).Figura 4.15– Paciente com tenossinovite do IV compartimento extensor em correspondência com o marcador cutâneo (ponta 
de seta) em que há hipersinal muito sutil ao redor dos tendões (seta branca) na sequência T2 com supressão de gordura. Após 
a administração venosa de contraste é possível identificar o intenso realce ao redor dos tendões (seta amarela) caracterizando 
tenossinovite estenosante. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 4.16– Paciente com extenso processo inflamatório na região dorsal do punho (seta amarela), só identificado na 
sequência obtida após a administração venosa de contraste, sendo a alteração muito mais sutil na sequência T2 com 
supressão de gordura, podendo passar despercebida. 
 
8. Qual o melhor exame para a avaliação das fraturas do escafoide, RM ou TC? 
A TC e a RM se complementam, pois a TC permite a identificação da esclerose, processo de 
consolidação, identifica melhor eventual fragmentação e calcificações nas partes moles adjacentes e o 
posicionamento e osteólise ao redor do parafuso de fixação. Já a RM identifica o sinal do osso e com o 
uso de contraste é possível caracterizar melhor a vascularização do fragmento, permitindo a 
diferenciação entre a esclerose secundária ao processo de consolidação do osso e o fragmento que 
evoluiu com necrose avascular (figura 4.17). 
 
 
 
Figura 4.17 (A a D) – TC com reformatação no plano coronal (figura A) de paciente com fratura do escafoide que evoluiu com 
pseudoartrose (seta amarela). TC de outro paciente no plano coronal (figura C) mostrando processo de osteólise ao redor da 
porção distal do parafuso (seta vermelha). Imagens de RM do mesmo paciente no plano coronal com fratura recente do 
escafoide mostrando baixo sinal difuso da medula óssea na ponderação T1 (figura B) por edema (seta preta), mas com 
impregnação pelo meio de contraste venoso (seta branca) indicando vascularização do polo proximal (figura D). 
 
 
A 
B 
C 
D 
 
 
 
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9. Quando estaria indicada a solicitação de artroRM do punho? 
Na suspeita de lesões dos ligamentos intrínsecos do punho, cuja RM não foi conclusiva (figura 4.18). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.18 – ArtroRM do punho no plano coronal, mostrando lesão do ligamento escafolunar (seta), o que permitiu a 
passagem do meio de contraste administrado na articulação rádio-carpal para os demais compartimentos do carpo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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V. Bacia & Quadril 
 
1. Existe diferença em solicitar RM da bacia e RM do(s) quadril(is)? 
Sim. A diferença básica entre os dois exame é o tamanho da bobina, o campo de visão (FOV) utilizado 
e os parâmetros: quando se avalia a bacia, são necessários FOV, espessura e intervalo entre as 
imagens bem maiores em comparação com o utilizado para se estudar apenas um quadril (figura 5.1), o 
que resulta em menor resolução espacial (figura 5.2). Dessa forma, estruturas menores e alterações 
mais sutis e específicas podem não ser adequadamente avaliadas no estudo da bacia. Além disso, 
enquanto que na RM da bacia são realizadas aquisições apenas nos planos coronal e transversal do 
corpo, com a mesma angulação para ambos os quadris, no estudo do quadril as angulações são mais 
anatômicas, respeitando a anteversão fisiológica do fêmur, e são adquiridas imagens em outros planos, 
como o sagital e o axial no eixo do colo femoral, considerado o ideal para a avaliação do impacto 
femoroacetabular (figuras 5.3 e 5.4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.1 A e B – Na RM da bacia (figura A), o campo de visão é maior (retângulo amarelo), tanto no plano coronal, quanto 
no transversal, que engloba desde a espinha ilíaca até abaixo da articulação coxofemoral. Na RM do quadril (figura B), a área 
estudada é menor, mas a maior resolução espacial e a menor espessura utilizada permitem a identificação de lesões que 
podem passar despercebidas na RM da bacia, como lesões labrais e condrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.2 A e B – RM da bacia (figura A) mostrando lesão na cabeça femoral (seta). Na RM do quadril do mesmo paciente 
(figura B) a lesão pode ser vista com mais detalhe devido a melhor resolução espacial da imagem e menor espessura 
utilizada. 
 
 
 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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2. Quais seriam as principais indicações para os exames de bacia e quadril (is)? 
Um equívoco comum é considerar a RM da bacia superior à do quadril, pois na bacia a área estudada é 
mais abrangente e os quadris já estariam incluídos. Na verdade, diversas estruturas são identificadas, 
mas sem detalhe. Portanto, se o objetivo é detectar lesões esparsas mais grosseiras a RM da bacia 
estaria indicada, mas se a intenção é pesquisar lesões menores o estudo deve ser mais direcionado. As 
principais indicações para o estudo da bacia e dos quadris podem ser resumidas, de acordo com a 
suspeita clínica: 
 
RM da BACIA – necessidade de avaliação óssea ampla, como, por exemplo, na pesquisa de 
metástases e no trauma de alta energia ou queda em pacientes idosos, onde é comum a presença de 
fraturas múltiplas (figura 5.3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.3 A a C – RM da bacia em paciente idosa com história de queda nos planos coronal e transversal, mostrando fraturas 
radiograficamente ocultas (setas) em ambas as asas sacrais (figura A), no púbis (figura B) e no ramo ísquio-pubiano (figura 
C) à direita. Estas alterações não seriam completamente incluídas caso fosse solicitada RM do quadril. 
 
 
RM do QUADRIL – para avaliação articular e periarticular mais detalhada como, por exemplo, na 
suspeita de impacto femoroacetabular, bursites, lesão labral, condral, tendínea e/ou ligamentar e no 
trauma com dor localizada (figura 5.4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.4 A e B – RM do quadril no plano sagital (figura A), mostrando bem cisto paralabral anterossuperior (seta curva), 
secundário a lesão do labrum. No plano axial oblíquo do mesmo paciente (figura B), também é possível identificar o cisto 
paralabral (seta curva), além da proeminência da cortical (“bump”) na transição do colo com a cabeça femoral (seta), indicativo 
de impacto femoroacetabular. Estas alterações poderiam não ser identificadas na RM da bacia. 
 
 
A B 
C 
 
A B 
 
 
 
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3. E nos casos de suspeita de osteonecrose, onde é comum lesão bilateral, estaria indicado o 
estudo da bacia? 
Como a doença pode ser bilateral, nos casos de investigação diagnóstica, é útil a realização de 
imagens comparativas para a detecção de possível osteonecrose contralateral assintomática. Porém, 
para a avaliação adequada de cada uma das articulações, visando a identificação de alterações sutis, 
como pequenos colapsos da cabeça femoral e alteração na cartilagem, o ideal é que se realize o exame 
direcionado para cada articulação separadamente (RM dos quadris). 
 
4. Existem também outros protocolos específicos para a avaliação das demais estruturas ósseas 
da pelve? 
Sim. Ao contrário da tomografia computadorizada, onde é realizada apenas uma aquisição no plano 
transversal que permite que posteriormente sejam realizadasreformatações em múltiplos planos, na 
RM cada sequência ainda é adquirida separadamente em cada plano ortogonal. Dessa forma, para 
cada região de interesse (quadril, articulações sacroilíacas, púbis, sacro, etc.), a orientação do exame é 
diferente no que diz respeito a posicionamento, angulação, espessura/intervalo entre as imagens e 
parâmetros físicos para que se obtenha a resolução ótima necessária. A suspeita clínica também 
interfere na orientação do exame, uma vez que existem planos específicos que aumentam a 
sensibilidade para a detecção de algumas alterações específicas. 
 
5. A sínfise pubiana costuma ser vista na RM da bacia. Na avaliação da pubalgia, posso solicitar 
como RM da bacia? 
O ideal é solicitar RM do púbis ou como RM da bacia com ênfase no estudo da sínfise púbica. Quando 
o estudo é amplo, como no caso da bacia, é possível identificar o púbis, mas os parâmetros utilizados 
dificultam a análise de estruturas menores: o ideal é direcionar o exame apenas para a região de 
interesse para a obtenção de imagens com alta resolução espacial. Além disso, no estudo ideal o plano 
das imagens deve acompanhar o plano da sínfise e das estruturas miotendíneas para otimizar a 
detecção das lesões (figuras 5.6 e 5.6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.5 A a C – Na RM do púbis é realizada imagem no plano sagital (figura A), que não é feita no estudo de rotina da 
bacia, permitindo a identificação da inserção da aponeurose conjunta do reto abdominal/adutor longo (seta amarela). O plano 
sagital também permite a marcação dos planos no eixo longo (seta dupla azul) e no eixo curto (seta dupla vermelha) do púbis. 
No plano transversal (figura B) as margens da sínfise pubiana são identificadas em detalhe, nesse caso com edema ósseo 
bilateral (setas brancas). No plano coronal do púbis (figura C) os diferentes músculos são melhor diferenciados (setas verdes) 
devido à angulação mais adequada à anatomia dos adutores. 
 
 
 
 
 
 
A B C 
 
 
 
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Figura 5.6 A e B – Na RM dedicada ao estudo da sínfise pubiana no plano sagital (figura A) e no plano axial oblíquo (figura 
B), é possível identificar claramente a rotura parcial do tendão adutor longo esquerdo junto à sua inserção (seta), o que poderia 
não ser possível na RM da bacia. 
 
 
6. Nos casos dos estiramentos musculares, ao solicitar RM da coxa estaria incluída também a 
articulação coxofemoral? 
Deve ser levado em consideração que as bobinas específicas tem um limite em relação ao sinal, o que 
restringe a extensão da área estudada, pois o sinal nas margens da bobina não costuma ser adequado 
para diagnóstico (figura 5.7). Geralmente, o exame é centralizado na região dolorosa informada pelo 
paciente, e a cobertura adicional ficará condicionada ao tamanho da bobina disponível e ao biotipo do 
paciente. A marcação do plano transversal também costuma ser direcionada apenas à região de 
interesse, para que sejam obtidas imagens com menor espessura e maior resolução espacial (figura 
5.8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.7 – Na RM da coxa, a área com sinal ótimo está delimitada pelo retângulo tracejado. As regiões periféricas da bobina 
(setas vermelhas) não apresentam sinal adequado. Neste caso, a região de interesse (ponto doloroso referido pelo paciente, 
representado pelo asterisco) era no terço proximal da coxa, próximo ao quadril, e a bobina foi reposicionada (deslocada para 
cima), para obtenção de sinal adequado nesta região. 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
 
 
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Figura 5.8 – Mesmo paciente da figura 5.7. Após o reposicionamento da bobina, foram obtidas imagens no plano transversal 
dedicadas à área dolorosa apontada pelo paciente, mostrando estiramento do músculo reto femoral (seta curva). Porém, o 
terço distal da coxa ficou de fora do estudo no plano transversal. 
 
 
7. A RM é um bom método para detecção do “bump” do impacto femoroacetabular do tipo 
“cam” ou a TC seria mais indicada? 
O método de imagem ideal para avaliação do impacto femoroacetabular é a RM, pois não só é possível 
a detecção do “bump”, como também é possível avaliar outras alterações, como lesão labral, alteração 
do ligamento redondo, lesões tendíneas, edema ósseo, etc. Entretanto, deve estar clara a indicação 
clínica e ser solicitada RM do quadril, pois o plano ideal para a avaliação do “bump” ósseo (axial oblíquo 
em relação ao eixo do colo femoral) não costuma fazer parte do estudo padrão da bacia. 
 
8. Quando devo solicitar uma artrorressonância do quadril? 
A artrorressonância do quadril está indicada para a avaliação mais precisa das estruturas intra-
articulares (figura 5.9), tais como labrum, cartilagem articular e ligamento redondo, que podem não ser 
bem individualizadas na RM de rotina principalmente na ausência de líquido articular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.9 – A artroRM, devido a presença de contraste intra-articular, é indicada, principalmente, na avaliação de lesão do 
labrum acetabular, caracterizada pela insinuação do contraste administrado entre o labrum e a cartilagem (seta). 
 
 
9. Por que em alguns casos é realizada artroTC do quadril associada à artrorressonância? 
A artrorressonância, conforme visto acima, é o padrão ouro para a avaliação do labrum acetabular e do 
ligamento redondo. Porém, a TC multidetectores apresenta maior sensibilidade na avaliação da 
 
 
 
 
 
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cartilagem articular, na detecção de corpos livres calcificados e da ossificação labral. Por este motivo, 
quando disponível, pode ser associada à artroRM um estudo complementar com TC para aumentar a 
capacidade diagnóstica do exame (figura 5.10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.10 A e B – A artroRM (figura A) pode ser complementada com artroTC (figura B), que possui melhor definição da 
cortical óssea e da superfície da cartilagem articular. 
 
10. Qual seria o melhor método para avaliação do ângulo alfa? 
O ângulo alfa foi descrito como uma mensuração objetiva da presença do “bump” (abaulamento do 
contorno anterior na transição do colo com a cabeça femoral), achado que costuma estar associado a 
impacto femoroacetabular do tipo “cam” (came), descrito inicialmente para TC, mas que pode ser 
medido também na RM. Porém, a mensuração do ângulo alfa é pouco reprodutível, com alta 
variabilidade intra e interobservador, tanto na TC quanto na RM. Além disso, a medida do ângulo alfa foi 
descrita no plano axial oblíquo, que nem sempre é realizado de rotina nos exames de rotina de RM. 
 
11. Como devo solicitar os exames para avaliação de outras medidas do quadril e de ângulos 
de versão/torção e inclinação? 
Algumas medidas são realizadas na mesma articulação, como é o caso do ângulo cefalodiafisário, do 
índice de extrusão acetabular e do ângulo equatorial-borda, que utilizam estruturas que são incluídas 
rotineiramente no estudo do quadril. Já para a avaliação do ângulo de versão acetabular é preciso o 
estudo da bacia para obtenção da linha que tangencia a cortical dos ísquios. Um detalhe importante é 
que na aquisição dos exames da bacia o paciente é posicionado com os pés em rotação interna para 
facilitar a marcação na RM e reformatação na TC do plano coronal, uma vez que existe uma anteversão 
fisiológica que prejudica a obtenção do plano coronal quando o estudo é bilateral (figura 5.11). Ou seja, 
nos exames de rotina da bacia há uma “correção” artificial da anteversãofemoral, sendo fundamental 
que a indicação esteja bem explícita no pedido para que o exame seja realizado em posição neutra 
nestes casos. 
 
 
A B 
 
 
 
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Figura 5.11 – A anteversão fisiológica do colo femoral prejudica a obtenção do plano coronal da bacia, pois a marcação não 
ficará no eixo dos colos femorais (linha tracejada vermelha). Quando o estudo é unilateral, é possível marcar adequadamente o 
plano coronal independentemente da anteversão, pois a marcação é individualizada para cada quadril, respeitando o eixo de 
cada colo femoral (linhas tracejadas brancas). Para resolver este problema nos estudos da bacia, o paciente habitualmente é 
posicionado com os pés em rotação interna para reduzir a anteversão e, com isso, ser possível a marcação do plano coronal 
no eixo dos colos femorais (linha tracejada amarela). 
 
Quando a mensuração envolve estruturas de articulações diferentes é preciso que esteja incluído no 
pedido todas as articulações envolvidas. Por exemplo, para a mensuração da torção femoral é 
necessária uma aquisição do quadril e outra do joelho, assim como para a mensuração da torção tibial é 
necessária uma aquisição do joelho e outra do tornozelo. Portanto, as solicitações devem ser, 
respectivamente, TC dos quadris + TC dos joelhos e TC dos joelhos + TC dos tornozelos. Uma causa 
frequente de transtornos para os pacientes, com reconvocações e aumento da exposição à radiação 
ionizante é decorrente de solicitações de exames que não contemplam as articulações necessárias (por 
exemplo, pedido de apenas TC do quadril com solicitação de medida da torção femoral em que é 
necessária a inclusão do côndilo femoral no joelho). Também não deve ser solicitado TC do fêmur ou 
TC da perna inteira, pois não há necessidade de inclusão de toda a diáfise, apenas das articulações 
onde estão os reparos importantes (colo femoral, côndilo femoral, domus talar, etc.), evitando exposição 
desnecessária à radiação. 
 
Para consulta das referências utilizadas pela maioria dos radiologistas para as mensurações 
mais frequentes no quadril e acetábulo visite a página https://www.mskrad.com.br/qua. 
 
12. Qual o melhor exame para a síndrome do piriforme? 
O exame ideal seria a RM dedicada ao estudo comparativo dos músculos piriformes para detecção de 
assimetrias. Pode ser solicitado como RM da bacia, mas enfatizando que a indicação é a pesquisa de 
síndrome do piriforme, pois nesse caso será realizado estudo angulado no plano dos piriformes e 
sequências com espessura menor para avaliar a presença de músculos acessórios e compressão de 
ramos do nervo ciático (figura 5.11). 
 
https://www.mskrad.com.br/qua
 
 
 
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Figura 5.11 – Paciente com síndrome do piriforme à direita. No estudo específico dos músculos piriformes o plano coronal não 
é o da bacia, mas sim oblíquo marcado no eixo longo do sacro, evidenciando melhor as assimetrias musculares. Neste caso, o 
músculo piriforme direito (seta vermelha) é maior que o esquerdo (seta amarela). O plano transversal com espessura de 2 mm 
evidencia músculo piriforme acessório à direita (seta branca), com ramos do nervo ciático passando entre o ventre do piriforme 
o ventre acessório (seta laranja). 
 
É importante salientar que nas solicitações da bacia com indicação específica, como nos casos de 
pubalgia e síndrome do piriforme, as articulações coxofemorais não costumam ser incluídas no estudo. 
Caso exista suspeita clínica de lesões no quadril, deve ser incluído no pedido RM específica do quadril. 
 
Veja no quadro a seguir o resumo das principais indicações dos exames mais comuns da cintura 
pélvica: 
 
INDICAÇÃO SOLICITAÇÃO OBSERVAÇÕES 
- Fraturas trauma de alta energia 
e em idosos 
Trauma de baixa energia – 
RM da bacia 
 
Trauma de alta energia – TC 
da bacia 
RM é mais sensível para edema ósseo e fraturas 
ocultas, enquanto a TC evidencia melhor fratura com 
interrupção da cortical, depressão articular, 
fragmentos destacados, processo de consolidação e 
pseudoartrose. 
 
- Fratura por estresse / 
alendronato 
RM do quadril – colo ou calcar 
femoral 
RM é mais sensível na fase precoce para edema 
periosteal e na medula óssea, identificando fraturas 
ocultas. Os achados na TC são mais sutis e tardios. 
 
RM da coxa – diáfise femoral 
- Controle da reação/fratura por 
estresse ou insufuciência 
RM do quadril ou coxa Identifica a regressão do edema ósseo; o traço da 
fratura pode persistir por mais tempo, sendo mais 
fidedigna a resolução do edema. 
 
- Osteonecrose da cabeça 
femoral 
RM e/ou TC do quadril A TC e a RM são complementares: 
RM identifica alteração precoce, % da área de carga 
acometida, edema ósseo, status condral e artrose 
precoce. 
TC avalia melhor a depressão articular sutil nos casos 
duvidosos onde a perda da esfericidade da cabeça 
femoral é bem discreta. 
 
- Lesões tendíneas, ligamentares 
labrais, condrais e bursites 
RM do quadril Se sintomatologia é bilateral, mais indicado pedir RM 
dos quadris em vez de RM da bacia (RM da bacia não 
mostra bem cartilagem, labrum e ligamentos). 
 
- Impacto femoroacetabular RM do quadril RM – melhor avaliação condrolabral (principalmente 
artrorressonância) e edema ósseo. 
TC da bacia 
 
RX da bacia 
TC – melhor avaliação do “bump” mais sutil no 
impacto tipo “CAM” e ossificação labral. 
RX – Melhor avaliação da cobertura acetabular (tipo 
“PINCER”). 
 
 
 
 
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- Medidas acetabulares TC dos quadris 
 
 
 
RX da bacia 
TC - apenas os quadris são suficientes para 
mensuração. O estudo bilateral permite análise 
comparativa e não há aumento significativo da 
radiação. 
Técnica inadequada pode acarretar falsos (+) e (-). 
 
- Ângulo cefalodiafisário TC das coxas 
RX da bacia incluindo fêmur 
proximal 
Necessita aquisição dos quadris e dos fêmures. 
Na TC o estudo bilateral permite análise comparativa 
e não há aumento significativo da radiação. 
 
- Versão / torção femoral TC dos quadris + TC dos 
joelhos 
Necessária aquisição dos quadris e dos côndilos 
femorais. No estudo bilateral não há aumento 
significativo da radiação. 
 
- Versão / torção tibial TC joelhos + TC dos 
tornozelos 
Necessária aquisição dos côndilos femorais e do 
tornozelo. No estudo bilateral não há aumento 
significativo da radiação. 
 
- Diferença comprimento dos 
membros inferiores 
Escanometria por TC Acurácia é maior e a radiação é menor em 
comparação com a mensuração pelo RX. 
 
- Pubalgia do atleta 
 
RM do púbis A RM da bacia, embora identifique púbis, não avalia 
adequadamente a aponeurose conjunta. 
Se houver suspeita de outras alterações, como 
impacto femoroacetabular, solicitar também RM do 
quadril. 
 
 
- Lesão proximal dos adutores e 
isquiotibiais 
RM do quadril 
RM do púbis 
 
RM da coxa 
Quadril – origem isquiotibiais 
Púbis – lesão na aponeurose conjunta do adutor 
longo /reto abdominal. 
Coxa – se suspeita for rotura proximal com retração 
 
 
- Síndrome do piriforme RM dos piriformes 
 
O estudo deve ser direcionado aos piriformes, não 
incluindo totalmente as demais estruturas da cintura 
pélvica. 
 
- Pesquisa de metástases RM da bacia 
 
 
TC da bacia 
A RM é superior à TC na detecção de metástases 
ósseas e no acometimento das partes moles, sendo 
útil a administração de contraste venoso. 
A TC pode ser útil em alguns casos, como na 
avaliação de algumas fraturas patológicas, mas 
diversas lesões são muito sutis ou imperceptíveis na 
TC e apenas detectadas na RM. 
 
- Lesões tumorais solitárias RM e TC específica da região 
– quadril, fêmur,sacro, etc. 
No caso de lesões pequenas, o ideal é utilizar FOV 
menor para estudo da lesão com mais detalhes em 
vez de áreas extensas. 
 
- Sacroileíte RM das articulações 
sacroilíacas 
RM mostra alterações estruturais e inflamatórias, 
como anquilose, edema ósseo, sinovite e entesite. 
TC pode ajudar em casos duvidosos, como na 
diferenciação com artrose e osteíte condensante. 
 
- Coccigodínia RM do sacrocóccix 
RX dinâmico 
RM – fratura, edema ósseo e nas partes moles. 
RX dinâmico – pode ajudar nos casos crônicos. 
 
 
 
 
 
 
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VI. Joelho 
 
1. Em quais casos seria mais aconselhável a realização da RM do joelho em aparelho de alto 
campo? 
Apesar de muitos aparelhos de baixo campo permitirem o diagnóstico de muitas das lesões do joelho 
encontradas na prática clínica diária (figura 6.1), a sua resolução espacial ainda é bem inferior aos 
aparelhos de alto campo. Isto pode fazer diferença quando há suspeita de lesões que necessitam de 
maior resolução para melhor avaliação, como é o caso, por exemplo, das alterações das cartilagens 
articulares (figura 6.2), nas lesões de estruturas mais finas, como os ligamentos dos cantos posteriores 
do joelho e na pesquisa de alguns tipos de rotura meniscal, como pequenas lesões radiais e nova rotura 
em menisco operado, que podem não ser detectadas em aparelhos de baixo campo (figura 6.3). A 
avaliação das lesões tumorais também deve ser realizada em aparelhos de alto campo, pois estes 
equipamentos possuem recursos adicionais, como sequências de difusão e perfusão, que podem ser 
úteis na caracterização de alguns tipos de tumores e na avaliação da resposta ao tratamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.1 A a D: Imagens obtidas em aparelho de magneto aberto em que foi possível o diagnóstico de uma série de lesões: 
colapsos subcondrais por insuficiência (setas) associados a extenso edema da medula óssea no côndilo femoral medial (figura 
A) e em ambas as margens do compartimento medial em outro paciente (figura B); lesão do ligamento cruzado anterior (seta 
curva), bem identificada no plano sagital (figura C) e rotura complexa do menisco lateral (ponta de seta) no mesmo paciente 
(figura D). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.2 A a C: Imagem obtida em aparelho de magneto aberto (figura A), onde é possível identificar lesões mais grosseiras 
na cartilagem patelar, assim como o edema subcondral no vértice da patela. Entretanto, comparando com imagem de RM 
realizada em aparelho de alto campo (1,5T) em outro paciente (figura B), cujas cartilagens articulares são normais, é possível 
verificar que a resolução da imagem é muito superior, o que permite maior acurácia na detecção das alterações condrais, como 
no caso de irregularidades mais sutis (figura C). 
 
A B 
C D 
 
A B C 
 
 
 
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Figura 6.3 A e B: RM do joelho realizada em aparelho de alto campo. Imagem no plano coronal (figura A), mostrando bem a 
pequena lesão radial no menisco medial (ponta de seta). Imagem no plano coronal oblíquo de outro paciente (figura B), onde é 
possível observar estiramento do poplíteo (seta), assim como edema no canto posterolateral, associado a lesão no ligamento 
popliteofibular (seta curva). 
 
2. O material metálico utilizado nas reconstruções ligamentares prejudica a avaliação da 
integridade dos enxertos na RM? 
Os novos materiais cirúrgicos e o avanço dos equipamentos de RM permitem que os enxertos do 
ligamento cruzado anterior sejam avaliados de forma satisfatória com a RM de rotina de boa qualidade, 
onde os artefatos de susceptibilidade magnética quase não prejudicam a avaliação quando os 
parâmetros estão bem ajustados (figura 6.4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.4 A e B: RM do joelho nos planos sagital (figura A) e coronal oblíquo (figura B), mostrando bem o enxerto do 
ligamento cruzado anterior, apesar da presença de material metálico para fixação. 
 
3. Na avaliação das estruturas ósseas do joelho o ideal é a solicitação de RM ou TC? 
A TC multidetectores permite reconstruções multiplanares e 3D de alta definição (figura 6.5), que 
facilitam o planejamento cirúrgico, principalmente nos casos de fraturas complexas, multifragmentares, 
com diastase, desvio e/ou depressão articular. Por outro lado, a RM permite a identificação de fraturas 
radiograficamente ocultas (figura 6.6), que também podem passar despercebidas na TC, principalmente 
nos casos de fraturas por estresse. Apesar da TC oferecer maior definição da cortical óssea e 
apresentar maior acurácia na detecção de fragmentos deslocados, a RM permite também a avaliação 
dos tendões, ligamentos, cartilagens e meniscos. Em diversos casos a TC e a RM são complementares, 
sendo útil a solicitação de ambos os exames. 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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Figura 6.5 A e B: TC demosntrando fratura no platô tibial lateral com extensão articular (seta). Reformatação no plano coronal 
(figura A) e reconstrução 3D com remoção do fêmur (figura B) mostrando bem a extensão da fratura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.6: Fratura por estresse, oculta no RX e na TC. RM no plano coronal, mostrando bem o traço de fratura no platô tibial 
medial (seta), assim como o extenso edema da medula óssea adjacente. 
 
 
4. É possível o estudo da relação femoropatelar por RM, incluindo as medidas da distância TA-
GT e dos ângulos habitualmente realizadas por tomografia computadorizada? 
O exame tradicional para a avaliação femoropatelar ainda é a tomografia computadorizada, mas existe 
uma tendência em adaptar medidas tomográficas para a RM, como redução de custos (o paciente só 
seria submetido a um exame) e, principalmente, evitar a exposição à radiação ionizante, principalmente 
no caso de pacientes jovens. Alguns estudos comparando ambos os métodos demonstraram que não 
há diferença significativa entre a TC e a RM na avaliação femoropatelar e que a RM seria mais efetiva 
por permitir a avaliação não só das medidas (figura 6.7), mas também as alterações concomitantes, 
como lesões ligamentares, condrais e meniscais. Já outros autores afirmam que a RM tende a 
subestimar algumas medidas, como a distância TA-GT, propondo, inclusive, valores normais diferentes 
entre os métodos. Além disso, não é todo equipamento que permite a aquisição das imagens de RM 
com o joelho em flexão, e é necessária a aquisição de sequências extras que não fazem parte do 
protocolo de rotina na maioria dos serviços, o que ainda limita o seu uso em grande escala no nosso 
meio. O preconizado por alguns autores seria a realização inicial de RM em aparelho de alto campo 
com profissional experiente na avaliação femoropatelar para detecção de displasia troclear, lesões 
condrais, ligamentares, posicionamento da patela em extensão e flexão, etc. Se as medidas forem 
normais, o paciente não precisaria ser submetido à TC. Caso as medidas sejam limítrofes ou alteradas 
e seja cogitado tratamento cirúrgico, estaria indicada a realização da TC para confirmação das medidas. 
 
 
A B 
 
 
 
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Ou seja, a RM funcionaria como um método de triagem para a TC, além de permitir a detecção de 
alterações concomitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.7: Avaliaçãoda instabilidade femoropatelar por RM, onde foram realizadas as medidas mais solicitadas (altura 
patelar, distância TA-GT, ângulo de inclinação lateral da patela, ângulo da báscula da patela e ângulo do sulco troclear). 
 
 
5. Qual o padrão ouro para a avaliação de re-rotura meniscal? 
O avanço nos equipamentos de RM também permitiu um grande aumento na acurácia da RM no 
diagnóstico de novas lesões no menisco operado, em virtude de sua alta resolução. Entretanto, ainda 
há controvérsias entre os autores, com alguns defendendo que apenas a RM quase sempre é 
suficiente, enquanto outros afirmam que em vários casos só é possível o diagnóstico de nova rotura 
com a artroRM, através da entrada do meio de contraste no interior da lesão (figura 6.8). Deve ser 
levado em conta que a qualidade das imagens e a realização de determinadas sequências, como as 
ponderações DP com supressão de gordura com alta resolução e T2, são cruciais na detecção de 
novas lesões no menisco operado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 6.8: ArtroRM do joelho em paciente submetido a reparo de lesão meniscal prévia, com suspeita de nova lesão. Na 
ponderação DP observa-se traço de alto sinal, que pode representar nova lesão. Porém, na ponderação T2 o traço não 
apresenta sinal tão elevado quanto o líquido articular e na ponderação T1 com supressão de gordura não houve insinuação do 
contraste intra-articular na região. Estes achados são compatíveis com alterações pós-cirúrgicas e não com nova rotura. 
 
6. Quando estaria indicada a realização de artroRM do joelho? 
Atualmente, a artroRM do joelho costuma ser reservada, principalmente, para os casos com alta 
suspeita de nova lesão meniscal em paciente já submetido a reparo cirúrgico cuja RM convencional 
realizada em aparelho de alto campo não foi esclarecedora e em alguns casos de osteocondrite 
dissecante onde há dúvidas sobre a estabilidade do fragmento (figura 6.9). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.9 A-B: ArtroRM do joelho no plano coronal (figura A) onde é possível observar o meio de contraste ao redor dos 
meniscos. No menisco normal, como neste caso, não há insinuação do contraste no seu interior. Quando há rotura o contraste 
aumenta a conspicuidade na detecção das lesões. A artroRM também pode ser útil na avaliação da osteocondrite dissecante 
(figura B), como neste caso, onde é possível verificar que não houve insinuação do contraste intra-articular entre o fragmento 
osteocondral e a cortical do fêmur (seta), caracterizando estabilidade do fragmento. 
 
 
7. Costuma ser utilizado contraste venoso na RM do joelho? 
Na RM do joelho de rotina não costuma ser utilizado meio de contraste venoso, mas em alguns casos 
ele pode ser útil, principalmente nas alterações inflamatórias (figura 6.10), pelo realce da sinóvia, e 
quando é necessária a diferenciação entre lesão sólida x cística (figura 6.11). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.10 A e B: RM do joelho na ponderação T1 antes da administração venosa do meio de contraste (figura A) onde é 
possível observar tecido com baixo sinal adjacente ao côndilo femoral (seta), inespecífico. Após a administração venosa do 
meio de contraste (figura B) houve intenso realce na região caracterizando sinovite focal. 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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Figura 6.11: RM do joelho de paciente com nodulação palpável na face lateral do joelho, onde foi colocado marcador cutâneo. 
Na ponderação DP FS (com supressão de gordura) parece haver apenas discreta infiltração líquida (seta amarela). Mas, após 
a administração venosa de contraste, é possível caracterizar lesão nodular com intensa impregnação (seta vermelha) em 
correspondência com o marcador cutâneo. Realizada excisão da lesão e o histopatológico foi de sarcoma sinovial. 
 
 
8. Qual o papel dos “mapas de cartilagem”? 
A lesão condral é diagnosticada na RM por alterações de sinal, espessura, contorno e forma da 
cartilagem hialina, que na ponderação DP com supressão de gordura com alta resolução apresenta 
aspecto trilaminar - lâmina superficial com hipossinal, lâmina intermediária com hipersinal e lâmina 
profunda com hipossinal, mais evidentes nas cartilagens com maior espessura, como as da patela e da 
tróclea. Há alguns anos surgiram novas sequências com o objetivo de avaliar a composição bioquímica 
da cartilagem, que normalmente é formada por 70% de água e 30% por colágeno tipo II e 
proteoglicanos. Algumas dessas sequências já estão disponíveis, como o mapa T2, que demonstra 
áreas de maior ou menor conteúdo de água, representadas por um mapa em escala de cores, em que o 
aumento do tempo de relaxamento T2 em área focal na cartilagem é associado a dano na matriz 
condral. Outras, como o mapa de T1-rho, que avalia a depleção precoce de proteoglicanos, e o d-
GMERIC (delayed gadolinium-enhanced MRI of cartilage) adquirido após a administração venosa de 
contraste que é distribuído para áreas com baixa concentração de glicosaminoglicanos, ainda estão 
restritas principalmente a centros de pesquisa. O papel dos mapas de cartilagem seria a detecção 
precoce da lesão condral antes da ocorrência de lesão macroscópica, geralmente com exames seriados 
de acompanhamento, principalmente em atletas, antes do surgimento de sintomas, para que possam 
ser adotadas medidas preventivas para impedir a progressão do dano na cartilagem. Porém, no nosso 
meio, é bem frequente a solicitação de mapas de cartilagem quando o paciente tem dor e já apresenta 
alteração visível nas sequências de rotina, situação em que o mapa não teria muito valor, pois a 
cartilagem já apresenta alteração do sinal, fibrilação, fissuras e/ou erosões, melhor avaliadas na 
sequência DP com supressão de gordura com boa resolução. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VII. Tornozelo & Pé 
 
1. É possível estudar o retro, o médio e o antepé em um único exame? 
Apesar de ser possível a aquisição de uma imagem que inclua desde o calcâneo até a extremidade 
distal dos dedos, a sua qualidade será consideravelmente inferior quando comparada ao estudo 
direcionado. Atualmente, existem vários modelos de bobinas dedicadas ao estudo das extremidades, 
que propiciam exames com alta resolução espacial, porém suas dimensões nem sempre permitem 
englobar áreas muito extensas. Além disso, a indicação clínica influencia também no posicionamento do 
paciente: dependendo da suspeita, será melhor a realização do exame em decúbito ventral ou em 
decúbito dorsal (figuras 7.1 e 7.2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.1 A-B: Posicionamento para RM do tornozelo em bobina específica para extremidades. No estudo do tornozelo, o 
ideal é a realização do exame com o paciente em decúbito dorsal. Com a bobina aberta (figura A) é possível observar que a 
região de maior interesse está localizada bem no centro da bobina. Note na foto obtida com a bobina fechada (figura B) que o 
antepé está fora dos limites da bobina e, portanto, excluído do estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.2 A-B: Posicionamento para RM do antepé em bobina específica para extremidades. No estudo do antepé, o ideal é a 
realização do exame com o paciente em decúbito ventral, o que facilita a detecção de neuromas de Morton, por exemplo. Com 
a bobina aberta (figura A) é possível observar que a região de maior interesse está localizada bem no centro da bobina. Note 
na foto obtida com a bobina fechada (figura B) que o tornozelo está fora doslimites da bobina e, portanto, excluído do estudo. 
 
 
Existem também outras desvantagens em tentar realizar o estudo do retro e do antepé em uma mesma 
aquisição: 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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- O tornozelo é uma articulação particularmente difícil para a avaliação por ressonância magnética 
porque, na RM, cada sequência é adquirida em um determinado plano ortogonal e as diversas 
estruturas do retropé têm orientações diferentes em relação aos eixos dos demais ossos do pé. Logo, 
as angulações utilizadas irão priorizar algumas estruturas em detrimento de outras, que serão mal 
avaliadas (figura 7.3); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.3: Os eixos ortogonais que servem de base para a marcação das sequências para estudo do tornozelo (setas 
amarelas) são diferentes dos eixos dos ossos do tarso e metatarsos (setas azuis) e da articulação subtalar (setas vermelhas). 
Por este motivo, ao se tentar estudar o pé e o tornozelo em um único exame algumas estruturas não serão avaliadas no plano 
ideal. 
 
- O estudo de regiões mais extensas implica no uso de maiores espessura e intervalo entre as imagens, 
além de impossibilitar o uso de bobinas dedicadas ao estudo das extremidades, que propiciam 
qualidade de imagem superior, podendo resultar em um exame não diagnóstico (figura 7.4); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.4 A e B: RM dedicada ao antepé (figura A) realizada em aparelho de alto campo, com bobina específica para 
extremidades e uso de protocolo de alta resolução espacial, demonstrando avulsão da placa plantar (seta), com edema na 
medula óssea da base da falange proximal do 2º dedo. RM de outro paciente (figura B), também realizada em aparelho de alto 
campo, porém com protocolo direcionado para análise de região mais extensa, não sendo possível a individualização 
adequada da placa plantar. 
 
 
 
 
A 
B 
 
 
 
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- O estudo amplo de uma extremidade aumenta a chance de artefatos, como as “dobras”, onde parte da 
imagem de uma extremidade é deslocada para o outro extremo da imagem, o que pode prejudicar a 
análise das estruturas desta região (figura 7.5); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.5 A e B: RM do pé realizada em aparelho de alto campo, onde ocorreu o fenômeno da “dobra”: a falange distal foi 
deslocada para o outro extremo da imagem (seta amarela na figura A). Este artefato gerou uma sobreposição de imagem no 
calcâneo (seta), que prejudicou a avaliação da origem da fáscia plantar (figura B). 
 
- Um dos maiores desafios no estudo das extremidades é a supressão homogênea do sinal da gordura, 
que depende de uma série de fatores. Na tentativa de abranger uma região maior que a ideal, a 
obtenção da supressão adequada do sinal da gordura torna-se ainda mais difícil, principalmente na 
extremidade da bobina, onde é comum a ocorrência de falhas de supressão (figura 7.6); 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.6: RM do tornozelo. Note que a supressão de gordura está satisfatória no retropé, porém não está adequada no plano 
dos metatarsos (seta), mimetizando edema ósseo. 
 
 
2. Como os exames deveriam ser solicitados? 
Para que o potencial diagnóstico da RM seja utilizado ao máximo, o ideal seria solicitar: 
RM do PÉ – avaliação do antepé e ossos do tarso. Indicações mais frequentes: neuroma de Morton, 
metatarsalgia, fraturas por estresse, fraturas dos ossos do tarso (cuneiformes, navicular e cuboide), 
avaliação do ligamento de Lisfranc (figura 7.7), etc. 
 
RM do TORNOZELO – avaliação do retropé e fileira proximal do tarso (cuboide e navicular). Indicações 
mais frequentes: entorse, avaliação tendínea (lesão dos fibulares, insuficiência do tibial posterior, 
 
 
A B 
 
 
 
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tendão de Aquiles) e ligamentar, fasciíte plantar, síndromes de impacto e do seio do tarso, lesões 
osteocondrais e fraturas da tíbia e fíbula distais, do tálus e calcâneo, coalisão óssea, etc. (figura 7.8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.7: RM do pé: engloba os dedos, os metatarsos e os cuneiformes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.8: RM do tornozelo: engloba a tíbia e fíbula distais, tálus, calcâneo e parte dos ossos do tarso. 
 
Nos casos onde pode haver lesão em compartimentos distintos (suspeita de neuroma de Morton e 
também de lesão tendínea) e nas doenças sistêmicas (como as reumáticas e na avaliação de quadros 
infecciosos em pacientes diabéticos, por exemplo), o ideal é a solicitação de RM do pé e do tornozelo. 
 
 
3. Qual a melhor forma de solicitar uma RM no caso da suspeita de rotura completa do tendão de 
Aquiles - RM da perna ou do tornozelo? 
Se a suspeita for de rotura distal, o ideal é solicitar RM do tornozelo, que consegue identificar a lesão e 
o “gap” na maioria dos casos, com ótima resolução espacial, permitindo também melhor avaliação do 
restante do tendão e da extensão de eventual delaminação intrassubstancial. A RM da perna, por 
englobar uma região maior, geralmente não terá a mesma resolução, pois a espessura e o intervalo 
entre as imagens serão maiores (figura 7.9), devendo ser reservada para os casos em que há 
necessidade de avaliação muscular ou suspeita de lesão miotendínea proximal, idealmente em 
associação com a RM do tornozelo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 7.9 A e B: Rotura do tendão de Aquiles. Na RM da perna (figura A) é possível estudar uma extensão maior e detectar 
edema na musculatura da panturrilha (pontas de seta) e a rotura do tendão de Aquiles (seta). Porém, a resolução espacial não 
é tão boa quando comparada com a RM do tornozelo do mesmo paciente (figura B), realizada no mesmo aparelho, porém 
com bobina específica e protocolo diferenciado. Na RM do tornozelo, a rotura é vista com mais detalhe (setas), assim como a 
delaminação intrassusbtancial proximal (seta curva). 
 
 
4. No caso de suspeita de insuficiência do tendão tibial posterior, como deve ser solicitado a RM 
– tornozelo, pé ou ambos? 
O estudo do tendão tibial posterior até a sua inserção no navicular é englobado no estudo do tornozelo, 
que é suficiente na maioria dos casos de avaliação da insuficiência do tendão tibial posterior. 
 
5. A RM apresenta boa acurácia no diagnóstico de alterações nos sesamoides e na placa 
plantar? 
Sim, desde que o exame tenha sido realizado em aparelho de alto campo, com bobinas específicas e 
protocolos visando imagens com alta resolução (figura 7.10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.10 A e B: Sesamoide medial bipartido, observando-se edema da medula do ossículo proximal (seta) nos planos axial 
(figura A) e sagital (figura B), achado que está em correspondência com o marcador cutâneo (asterisco) colocado no ponto 
álgico referido pela paciente. Há também mínimo edema ósseo na margem medial do sesamoide lateral (ponta de seta). Note 
que o estudo foi direcionado apenas para o antepé, o que possibilitou maior resolução. 
 
 
 
A B 
 
A B 
 
 
 
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6. Qual o papel do contraste venoso na RM do pé? 
Apesar de não ser utilizado de rotina em todas as instituições, o contraste venoso é útil em várias 
situações, como nas lesões tumorais e alterações inflamatórias (figura7.11). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 A e B: Alteração inflamatória no coxim plantar subjacente ao 5º metatarso (seta), identificada no plano coronal na 
ponderação T1 antes (figura A) e após a administração venosa de contraste (figura B), onde foi observado intenso realce. 
Este achado poderia ser confundido com calosidade simples se não tivesse sido administrado o contraste venoso. 
 
 
7. Qual o melhor método de imagem para avaliar as fraturas do tornozelo, a TC ou RM? 
São métodos complementares, pois a TC multidetectores permite reconstruções multiplanares e 3D de 
alta definição (figura 7.12), que facilitam o planejamento cirúrgico, principalmente nos casos de fraturas 
complexas, enquanto que a RM permite a identificação de fraturas radiograficamente ocultas (figura 
7.13), que também podem passar despercebidas na TC, e propicia melhor avaliação das partes moles, 
o que pode ser útil nos casos de suspeita de lesões ligamentares e tendíneas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7.12: Reconstrução 3D de fratura do calcâneo obtida após aquisição em tomógrafo multidetectores. 
 
 
 
 
 
 
 
A 
B 
 
 
 
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Figura 7.13 A e B: Fratura por estresse do calcâneo (seta) radiograficamente oculta, porém bem identificada na RM do 
tornozelo (figura A). Na TC, realizada alguns meses após o início dos sintomas, foi possível a identificação de traço esclerótico 
na região da fratura secundário ao processo de consolidação (figura B). Caso a TC tivesse sido realizada em fase mais 
precoce, é possível que a fratura não fosse identificada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A B 
 
A B 
 
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