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O SISTEMA LOCOMOTOR, A MASTIGAÇÃO, A FALA E A DTM 
Introdução 
Os sistemas esquelético e muscular sustentam nosso corpo em conjunto e permitem uma 
enorme variedade de movimentos. Além disso, os ossos protegem os órgãos internos e suportam 
o peso do corpo, possibilitando que fiquemos em pé ou sentados ou ajoelhados. Os ossos ainda 
estocam cálcio e fósforo, que são elementos essenciais para a produção de células sanguíneas. 
Já os músculos e juntas puxam os ossos para um lado ou outro, permitindo inúmeros 
movimentos, como caminhar, correr, pegar objetos etc. A contração e o relaxamento dos 
músculos são controlados pelo sistema nervoso. 
Podemos, então, dizer que nossa movimentação é resultado da interação de três sistemas, 
ou seja, nervoso, muscular e esquelético. 
O sistema locomotor é formado pelos ossos, articulações e músculos esqueléticos e 
representa a integração entre o Sistema Esquelético e o Sistema Muscular, é o sistema 
responsável pela sustentação, locomoção e movimentação do corpo. Composto por dois 
sistemas que compõem o Sistema Locomotor: 
O sistema esquelético tem como função a sustentação do corpo, a proteção de órgãos 
internos, armazenamento de minerais e íons e produção de células sanguíneas. 
O esqueleto é constituído por diversos ossos e estruturas associadas, como as cartilagens, 
tendões e ligamentos. 
O crânio é a estrutura mais complexa do esqueleto. 
A coluna vertebral dá a sustentação ao corpo. É formada pelas vértebras, que se alternam 
com discos intervertebrais. 
O esqueleto é dividido em dois grandes conjuntos ósseos: 
• Esqueleto Axial: constituído pelos ossos da cabeça e da coluna vertebral; 
• Esqueleto Apendicular: constituído pelos ossos dos braços e pernas. 
 
https://www.todamateria.com.br/coluna-vertebral/
https://www.todamateria.com.br/esqueleto-axial/
 
O sistema muscular é representado pelos músculos, é responsável pela estabilidade 
corporal, produção de movimentos, manutenção da temperatura corporal e sustentação do corpo. 
 
Os músculos são constituídos por tecido muscular, cujas células possuem capacidade de 
contração. Uma das principais propriedades dos músculos é a capacidade de se contrair. É isso, 
que possibilita os movimentos. A contração muscular pode ser do tipo isotônica ou isométrica. A 
isotônica ocorre quando o músculo se encurta durante a contração. Se não ocorrer encurtamento, 
a contração é isométrica. 
Os músculos podem ser de três tipos: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso. 
O músculo estriado esquelético constitui grande parte da massa muscular do corpo 
humano. As suas extremidades costumam ser afiadas e terminam em cordões fibrosos de tecido 
conjuntivo denso modelado, os tendões, possui contração voluntária e vigorosa. 
O músculo estriado cardíaco, é o músculo do coração. Possui contração involuntária e 
rítmica. 
O músculo liso encontra-se nos órgãos viscerais, como estômago, intestino, bexiga, útero, 
entre outros. Possui contração involuntária e lenta. 
Aparelho Mastigatório, esse aparelho tem como funções mastigação, deglutição, 
fonação, expressão e estética facial e postura da mandíbula, da língua e do osso hióide. Dentre 
elas a mastigação é que gera o maior esforço oclusal. A mastigação é uma função fisiológica 
complexa que envolve atividades neuromusculares, que dependem do desenvolvimento do 
complexo craniofacial do sistema nervoso central e da oclusão dentária. 
Para uma mastigação eficiente é preciso saúde dos dentes e liberdade adequada dos 
movimentos mandibulares, coordenados pelas articulações temporomandibulares e pelo sistema 
neuromuscular. 
https://www.todamateria.com.br/tendao/
Molina (1989) descreve quatro funções principais da mastigação. A primeira e mais 
importante é a fragmentação dos alimentos em partículas menores, reparando-as para a 
deglutição e digestão. A segunda função é prover uma ação bacteriana sobre os alimentos 
colocados na boca. Uma terceira função da mastigação é promover força e função indispensáveis 
para o desenvolvimento normal dos ossos maxilares. E, a quarta função está relacionada com a 
manutenção dos arcos dentários, com a estabilidade da oclusão e com o estímulo funcional, 
principalmente sobre o periodonto, músculos e articulação 
Durante a mastigação contraem-se coordenadamente vários grupos musculares, sendo os 
mastigatórios os mais importantes embora também sejam fundamentais os músculos da língua e 
os faciais, especialmente bucinador e orbicular dos lábios. O ato de mastigar envolve atividades 
dos músculos da face, dos músculos levantadores da mandíbula, dos supra hióideos e da língua. 
Uma mastigação adequada deve ter um padrão bilateral alternado, corte do alimento com 
os incisivos, vedamento labial, sem ruído ou participação exagerada da musculatura perioral, 
lateralização de língua e mandíbula, além de simetria muscular A montagem geométrica dos 
músculos mastigatórios pode contribuir na estabilização da mandíbula. A orientação especial das 
fibras tanto do músculo temporal superior quanto do músculo pterigóideo lateral parece assegurar 
a estabilidade da mandíbula. 
Quatro pares de músculos são considerados músculos da mastigação: o masseter, o 
temporal, o pterigóideo medial e o pterigóideo lateral. São divididos anatomicamente em músculos 
elevadores e depressores da mandíbula. O grupo elevador consiste nos músculos masseter e 
temporal que estão localizados mais ou menos superficialmente e o músculo pterigóideo medial 
mais profundamente. Os músculos depressores estão localizados na base da mandíbula e 
consistem (do superior para inferior) dos músculos geniohioideo, do milohioideo e digástrico. O 
geniohioideo e o milohioideo conectam o osso hióide com o corpo da mandíbula. O digástrico 
conecta o processo mastóide no crânio com o corpo da mandíbula. O músculo masseter, 
especialmente em suas fibras superficiais, é um potente elevador da mandíbula; ele fecha a 
mandíbula e exerce pressão nos dentes. O músculo temporal, especialmente suas fibras 
posteriores tem sido requisitado como principal agente no movimento retrusivo da mandíbula e o 
principal posicionador da mandíbula durante a elevação. 
Durante o ciclo mastigatório é possível analisar uma constante modificação na dinâmica 
mandibular e, com ela, modifica-se a articulação temporomandibular. Uma mastigação que não 
ocorre adequadamente irá promover movimentos alterados de todo o sistema Estomatognático e, 
principalmente, da ATM. 
A ATM é uma articulação dupla bilateral, que se movimenta sinergicamente. É através dela 
que a mandíbula, único osso móvel do crânio, liga-se à base craniana. Constitui a parte terminal 
do osso mandibular e está intimamente relacionada com o crânio através do osso temporal. É 
constituída pelas superfícies articulares, no caso os côndilos e a cavidade temporal (fossa 
mandibular e menisco articular), a cápsula articular e os ligamentos de reforço e acessórios, a 
cápsula suprameniscal e inframeniscal (sinoviais). 
As articulações podem ser classificadas de diversas maneiras: fibrosas, cartilaginosas ou 
sinoviais. A ATM é uma articulação sinovial. Em uma articulação sinovial, dois ossos (ambos com 
uma superfície articular recoberta por cartilagem hialina) são unidos e circundados por uma 
cápsula criando uma cavidade articular. Vários ligamentos associam-se às articulações sinoviais 
para fortalecê-las e controlar os movimentos excessivos. 
A DTM tem origem multifatorial, por isso, a tentativa de isolar uma causa nítida e universal 
não tem sido bem-sucedida. Apesar disso, pesquisas relatam que a etiologia da DTM gira em 
torno de uma inter-relação entre três fatores: psicocomportamentais, oclusais e neuromusculares. 
Dessa forma, o entendimento da origem e das características dessas alterações, bem como o 
planejamento do respectivo tratamento, tem relevância no entendimento da DTM . 
Os fatores psicocomportamentais ou psicossociais, como ansiedade, estresse e 
depressão,são considerados atualmente como os principais fatores etiológicos da DTM. É 
mencionado que há uma depressão moderada ou grave nos pacientes portadores de DTM grave, 
e que todos os pacientes que apresentaram depressão grave apresentaram algum tipo de DTM. 
Pessoas expostas a vários fatores estressantes comumente demonstram um aumento de 
hiperatividade muscular. É importante lembrar que o tipo e a intensidade de estresse variam muito 
de um indivíduo para outro. Dessa forma, torna-se difícil julgar a intensidade de um fator 
estressante no paciente. Mesmo assim, o cirurgião-dentista deve estar atento ao envolvimento ou 
não de fatores psicológicos, emocionais e sociais nesses pacientes, pois muitos sintomas 
orgânicos têm substrato emocional. 
A participação dos fatores oclusais e os hábitos parafuncionais na etiologia da DTM são 
controversos. Segundo alguns estudos, esses distúrbios podem ocorrer em razão de alterações 
genéticas, traumas e/ou problemas psicossociais e podem produzir alterações suficientes para 
desencadear problemas na articulação temporomandibular7,15,16. 
A relação entre DTM e fatores de ordem econômica, nível de escolaridade e faixa etária foi 
determinada como sendo negativa. O gênero parece possuir papel importante na relação com a 
DTM, pois pesquisas dão conta de que essa alteração é mais comum em mulheres principalmente 
em idade fértil. Acredita-se que os níveis hormonais estão relacionados ao aumento da 
vulnerabilidade genética à DTM, explicando a alta frequência de DTM em mulheres. 
Os sintomas mais frequentes relatados pelos pacientes com DTM são dores na face, 
articulação e/ou músculos mastigatórios. A dor de cabeça pode ser resultado das estruturas 
temporomandibulares ou pode ser referida na ATM proveniente de outras áreas da cabeça. Essa 
coincidência se deve ao fato de que o nervo trigêmeo é o caminho final para a dor de cabeça e 
para a DTM, tornando a relação dor de cabeça e DTM um tanto confusa. Tem sido sugerido que 
a DTM e a dor de cabeça são entidades distintas, mas que podem estar associadas, atuando de 
forma recíproca como fatores agravantes ou perpetuantes. 
Manifestações como zumbido, plenitude auricular, otalgia, tonturas, além de desarranjo no 
disco articular com redução, que é caracterizado pela presença de estalidos durante a abertura e 
fechamento da boca, e desarranjos sem redução, que refletem uma limitação na abertura bucal, 
também podem ser manifestações de pacientes com DTM. 
Alterações no complexo temporomandibular também podem refletir em adaptações em 
todo o sistema muscular do indivíduo, desencadeando alterações posturais (posição da cabeça e 
da cintura escapular), podendo resultar em modificações em toda a biomecânica corporal. 
No que diz respeito ao diagnóstico da DTM, verifica- se que ainda não há método confiável 
de diagnóstico e mensuração da presença e severidade da DTM que possa ser usado de maneira 
irrestrita por pesquisadores e clínicos. Apesar disso, para o diagnóstico de casos individuais, a 
anamnese continua sendo o passo mais importante na formulação da impressão diagnóstica 
inicial. No exame anamnésico deve ser feita uma completa identificação de fatores 
predisponentes, fatores iniciadores e fatores perpetuantes. 
O cirurgião dentista, desde o início do diagnóstico, precisa estar atento ao envolvimento ou 
não de fatores psicológicos, emocionais (ansiedade, depressão e estresse), fatores cognitivos 
(expectativas e significados) e sociais, pois muitos casos de DTM têm substrato emocional. Dessa 
forma, ele poderá distinguir o grau de comprometimento psicológico na disfunção apresentada, e 
o quanto esses fatores psicossociais estão interferindo no desenvolvimento da doença, para, 
assim, poder indicar a necessidade de encaminhamento psicológico. 
Tratamento: A terapia de qualquer patologia depende da adequada avaliação do caso, 
além da consideração de aspectos importantes, como, por exemplo, se a desordem está ou irá 
influenciar posteriormente no tratamento. 
Um estudo com pacientes apresentando sinais e sintomas de DTM propôs tratamento 
utilizando placa oclusal miorrelaxante de acetato com 2 mm de espessura durante um mês. 
Decorrido esse período, verificou-se que o uso da placa permitiu melhora no quadro álgico na 
maioria dos indivíduos, além de melhor distribuição do lado de predominância mastigatória e 
alteração do lado de inclinação da cabeça. Controlar a dor, recuperar a função do aparelho 
mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema são os 
objetivos do tratamento da DTM, além do que tem sido proposto que a respiração e a postura 
exercem papéis importantes na DTM, e que a reeducação em relação a esses fatores podem ser 
relevantes no tratamento da DTM. Terapias inadequadas podem gerar iatrogenias, permitir a 
cronificação da dor, além de induzir o paciente a acreditar, equivocadamente, que sua patologia 
deveria ser tratada por profissional de outra especialidade. A utilização inicial de terapias não 
invasivas, como a educação, farmacoterapia, fisioterapia, treinamento postural, intervenção 
comportamental, são recomendadas em virtude da altíssima eficácia. A terapia com medicação 
opioide ou, ainda, o uso de antidepressivos e anticonvulsivantes quando corretamente 
empregados podem ser importantes auxiliares no tratamento da DTM. 
A prática cirúrgica na ATM é necessária em casos específicos, tais como anquilose, fraturas 
e determinados distúrbios congênitos ou de desenvolvimento. 
Dessa forma, embora mais pesquisas sejam necessárias, a aplicação da engenharia 
tecidual por meio da utilização de células-tronco poderá se apresentar como alternativa no 
tratamento de pacientes com DTM no futuro.

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