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anatomia do fígado O fígado está situado principalmente no quadrante superior direito do abdome, onde é protegido pela caixa torácica e pelo diafragma. O fígado normal situa-se profundamente às costelas VII a XI no lado direito e cruza a linha mediana em direção à papila mamária esquerda. O fígado tem uma face diafragmática convexa (anterior, superior e algo posterior) e uma face visceral. Existem recessos subfrênicos, o recesso sub-hepático e o recesso hepatorrenal (bolsa de Morisson). Todos os recessos da cavidade peritoneal são apenas espaços virtuais, contendo apenas líquido peritoneal suficiente para lubrificar as membranas peritoneais adjacentes. A face diafragmática do fígado é coberta por peritônio visceral, exceto posteriormente na área nua do fígado, onde está em contato direto com o diafragma. A VCI atravessa um profundo sulco da veia cava na área nua do fígado. A face visceral do fígado também é coberta por peritônio, exceto na fossa da vesícula biliar e na porta do fígado — uma fissura transversal por onde entram e saem os vasos (veia porta, artéria hepática e vasos linfáticos), o plexo nervoso hepático e os ductos hepáticos que suprem e drenam o fígado. Ao contrário da face diafragmática lisa, a face visceral tem muitas fissuras e impressões resultantes do contato com outros órgãos. O ligamento redondo do fígado é o remanescente fibroso da veia umbilical. O ligamento venoso é o remanescente fibroso do ducto venoso fetal, que desviava sangue da veia umbilical para a VCI, passando ao largo do fígado. O omento menor, que encerra a tríade portal (ducto colédoco, artéria hepática e veia porta) segue do fígado até a curvatura menor do estômago e os primeiros 2 cm da parte superior do duodeno. · Lobos Anatômicos Externamente, o fígado é dividido em dois lobos anatômicos e dois lobos acessórios pelas reflexões do peritônio a partir de sua superfície, as fissuras formadas em relação a essas reflexões e os vasos que servem ao fígado e à vesícula biliar. O ligamento falciforme e a fissura sagital esquerda separa um lobo hepático direito grande de um lobo hepático esquerdo muito menor. · Subdivisão funcional hepática Além dos lobos normais, existe internamente, porém sem demarcações, uma subdivisão funcional entre a parte direita e esquerda do fígado. Cada parte recebe seu próprio ramo primário da artéria hepática e veia porta, e é drenada por seu próprio ducto hepático. Na verdade, o lobo caudado pode ser considerado um terceiro fígado; sua vascularização é independente da bifurcação da tríade portal (recebe vasos de ambos os feixes) e é drenado por uma ou duas pequenas veias hepáticas, que entram diretamente na VCI distalmente às veias hepáticas principais. O fígado pode ser ainda subdividido em quatro divisões e depois em oito segmentos hepáticos cirurgicamente ressecáveis, sendo cada um deles servido independentemente por um ramo secundário ou terciário da tríade portal. · Segmentos hepáticos cirúrgicos Exceto pelo lobo caudado (segmento posterior), o fígado é dividido em partes hepáticas direita e esquerda com base na divisão primária da tríade portal em ramos direito e esquerdo, sendo o plano entre as partes hepáticas direita e esquerda a fissura portal principal, na qual está a veia hepática média. Na face visceral, esse plano é demarcado pela fissura sagital direita. . As veias hepáticas direita, intermédia e esquerda seguem nos três planos ou fissuras [portal direita (D), portal principal (P) e umbilical (U)] que segmentam o fígado em quatro divisões verticais, sendo cada uma servida por um ramo secundário (2o ) da tríade portal. Três divisões são subdivididas no plano portal transverso (T) em segmentos hepáticos, sendo cada um suprido por ramos terciários da tríade. A divisão medial esquerda e o lobo caudado também são considerados segmentos hepáticos, totalizando oito segmentos hepáticos cirurgicamente ressecáveis. Cada segmento tem sua própria vascularização dentro e drenagem biliar. As veias hepáticas existem entre os segmentos, drenando as porções dos vários segmentos adjacentes a elas. · Vasos Sanguíneos O fígado tem irrigação dupla: uma venosa dominante e uma arterial menor. A veia porta traz 75 a 80% do sangue para o fígado. O sangue porta, que contém aproximadamente 40% mais oxigênio do que o sangue que retorna ao coração pelo circuito sistêmico, sustenta o parênquima hepático (células hepáticas ou hepatócitos). A veia porta conduz praticamente todos os nutrientes absorvidos pelo sistema digestório para os sinusoides hepáticos. A exceção são os lipídios, que são absorvidos pelo sistema linfático e passam ao largo do fígado. O sangue da artéria hepática, que representa apenas 20 a 25% do sangue recebido pelo fígado, é distribuído inicialmente para estruturas não parenquimatosas, especialmente os ductos biliares intra-hepáticos. A veia porta, curta e larga, é formada pela união das veias mesentérica superior e esplênica, posteriormente ao colo do pâncreas. Ascende anteriormente à VCI como parte da tríade portal no ligamento hepatoduodenal. A artéria hepática, um ramo do tronco celíaco, pode ser dividida em artéria hepática comum, do tronco celíaco até a origem da artéria gastroduodenal, e artéria hepática própria, da origem da artéria gastroduodenal até a bifurcação da artéria hepática. Na porta do fígado, ou perto dela, a artéria hepática e a veia porta terminam dividindo-se em ramos direito e esquerdo; esses ramos primários suprem as partes direita e esquerda do fígado, respectivamente. Nas partes direita e esquerda do fígado, as ramificações secundárias simultâneas da veia porta e da artéria hepática suprem as divisões medial e lateral das partes direita e esquerda do fígado, com três dos quatro ramos secundários sofrendo ramificações adicionais (terciárias) para suprirem independentemente sete dos oito segmentos hepáticos. · Triângulo de Calot O triângulo de Calot, também conhecido como triângulo hepatobiliar, nada mais é do que um espaço anatômico, que será delimitado por algumas estruturas. Dentre essas estruturas que compõe os seus limites, temos: o ducto hepático comum central, o ducto cístico lateral e a borda inferior do fígado. Sendo assim, o triangulo vai possuir três limites para a sua identificação: o limite superior é a borda inferior do fígado. O limite medial, por outro lado, é o ducto hepático comum, e o limite inferior é o ducto cístico. O reconhecimento dessa estrutura é muito importante, pois, com isso, o médico cirurgião que estiver operando determinado paciente é capaz de identificar as estruturas que delimitam esse triangulo no momento da cirurgia, principalmente na cirurgia de colecistectomia (retirada de vesícula biliar), independente da causa de sua retirada, aonde a ligadura da artéria cística se faz necessária.