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@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
1 
DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITARIAS EM 
CIRURGIA AMBULATORIAL 
INTRODUÇÃO 
O diagnóstico e o tratamento de inúmeras afecções de 
origem infecciosa ou parasitária exigem, muitas vezes, 
medidas cirúrgicas com finalidades propedêutica e/ou 
terapêutica. Essas intervenções são, na maioria dos casos, 
de fácil execução e podem ser realizadas em regime 
ambulatorial. 
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA 
Pode classificar as doenças infecciosas e parasitárias de 
interesse em cirurgia ambulatorial, em: 
− Doenças produzidas por vírus: Molusco 
contagioso; Herpes-zóster; Verrugas. 
− Doenças produzidas por bactérias: Sífilis; 
Linfogranuloma venéreo; Tuberculose cutânea; 
Doença da arranhadura do gato. 
− Doenças produzidas por fungos: 
Paracoccidioidomicose; Esporotricose; 
Criptococose. 
− Doenças produzidas por protozoários: 
Leishmaniose cutâneo-mucosa. 
− Doenças produzidas por helmintos: 
Cisticercose cutânea; Larva migrans cutânea. 
− Doenças produzidas por artrópodes: Tungíase; 
Pediculose; Escabiose; Miíase. 
− Manifestações cutâneas na AIDS. 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR VÍRUS 
 
MOLUSCO CONTAGIOSO 
DEFINIÇÃO: é um DNA poxvírus responsável por 
doença humana benigna que atinge a pele e as mucosas 
(raro). 
TRANSMISSÃO: por contato direto de pele a pele, por 
meio de fômites, uso de toalhas ou esponjas de banho 
contaminadas e, pela autoinoculação, pelo ato de se coçar. 
Pode ser também por contato sexual, pois em adultos se dá 
muito nas partes genitais. 
 
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: varia de 2 a 7 semanas, 
podendo estender-se por até 6 meses. 
CARACTERÍSTICAS: As lesões, geralmente 
assintomáticas, podem ser solitárias ou múltiplas. 
Apresentam-se como pápulas arredondadas, da cor da 
pele, de 2 - 4 mm, com umbilicação central. Quando 
espremidas, deixam sair secreção esbranquiçada do tipo 
caseosa ou queratinosa. 
DIAGNÓSTICO: é feito com base no aspecto das lesões, 
exame histológico. 
DIAGNOSTICO DIFERENCIAL: verrugas, nevos, 
granuloma piogênico, foliculite e líquen plano. 
FATORES DE RISCO: pacientes HIV-positivos, 
crianças, vida sexual ativa. 
TRATAMENTO 
Muitas vezes tem resolução espontânea. 
Não existe tratamento sistêmico específico. Na presença 
de várias lesões, não é necessária a destruição 
individualizada de cada uma delas. 
Os principais tipos de tratamento local incluem: 
− Curetagem das lesões com pequena cureta afiada. 
− Punção das lesões com pequena lâmina ou agulha 
e espremedura; 
− Crioterapia com nitrogênio líquido, isoladamente 
ou precedendo a curetagem; 
− Cauterização com eletrocautério ou diatermia; 
− Aplicação de laser de CO2; 
− Cauterização química com fenol puro liquefeito, 
nitrato de prata, ácido monocloroacético, ácido 
tricloroacético a 10%, cantaridina a 0,7%, ácido 
salicílico, podofilina a 25% em álcool etílico a 
95% ou hidróxido de potássio 5% a 10%; 
− Imiquimod a 5%. Tem sido utilizado com boa 
resposta clínica em pacientes com doença 
disseminada e em pacientes HIV-positivos; 
− Radiocirurgia. 
 
HERPES ZOSTER 
ETIOLOGIA: varicela-zóster, responsável pela doença 
varicela. 
FATORES DE RISCO: idosos, imunossuprimidos, 
portadores de linfomas e leucoses, especialmente nos 
portadores da doença de Hodgkin e de leucemia linfoide 
crônica; e nos pacientes transplantados e naqueles 
infectados pelo vírus HIV. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
2 
MANIFESTAÇÕES: Os sinais premonitórios incluem 
dor em queimação e hiperestesia, geralmente 
correspondentes às áreas de distribuição de um ou mais 
nervos espinais ou cranianos (dermátomos). Muito 
importante é a unilateralidade das lesões que nunca 
ultrapassam a linha média. Depois dessa fase, que dura 
entre 3 e 5 dias, segue-se a formação de crostas, que se 
desprendem, raramente deixando cicatrizes. Na grande 
maioria dos pacientes, a cura das lesões e o 
desaparecimento espontâneo da dor ocorrem após 10 a 15 
dias, porém pode-se observar pigmentação da pele na 
região atingida, podendo permanecer durante algum 
tempo. Em alguns casos, mesmo após a resolução das 
lesões, pode persistir a sensação de dor, conhecida como 
nevralgia pós-herpética. 
COMPLICAÇÃO: No acometimento anogenital, a 
impossibilidade de urinar e defecar é complicação grave. 
DIAGNÓSTICO: é feito com base no aspecto das lesões, 
geralmente característico, e na história anterior de dor em 
faixa. 
TRATAMENTO: é sintomático e visa a combater a dor. 
Algumas vezes, analgésicos comuns são suficientes, 
porém pode ser necessário o uso de narcóticos. Os 
salicilatos não devem ser utilizados, pois podem 
desencadear a síndrome de Reye, especialmente nas 
crianças. 
O uso do aciclovir tem sido recomendado no tratamento 
do herpes-zóster em hospedeiros previamente sadios, já 
que diminui o número de novas lesões, reduz o tempo de 
formação destas, acelera a cura, alivia a dor local e a 
neurite aguda. Em adolescentes e adultos, a dose oral é 
de 800 mg, 5 vezes ao dia, por 7 a 10 dias. Em crianças de 
2 a 16 anos, a dose oral é de 20 mg/kg, 4 vezes ao dia 
(máximo de 800 mg por vez), durante 5 dias. 
As drogas antivirais são mais efetivas quando utilizadas 
até 72 h após o início do rash e 24 h após o início das 
lesões. Na fase aguda da doença, tem sido recomendado o 
uso da gabapentina associada ao valaciclovir. 
 
VERRUGAS 
ETIOLOGIA: São causadas pelo papilomavírus humano 
(HPV). Eles são hospedeiros específicos, e cada tipo está, 
na maioria das vezes, associado ao processo 
histopatológico específico. 
TRANSMISSÃO: pode ocorrer diretamente por meio de 
contato pele com pele, ou, indiretamente, mediante 
contato com partículas infectadas (fômites). A 
autoinoculação também pode ocorrer. 
TIPOS DE VERRUGAS 
Verrugas vulgares: Verrugas filiformes; Excrescências 
córneas cutâneas. Elas estão associadas principalmente ao 
HPV tipos 1, 2 e 4. Acometem de preferência crianças na 
idade escolar e adolescentes. Apresentam-se como 
pápulas hiperqueratósicas, vegetantes, pequenas, em geral 
com milímetros de diâmetro, de consistência firme e 
coloração amarelada ou pardacenta. Os limites são 
geralmente precisos, a superfície é rasa e áspera. 
Geralmente, as lesões são assintomáticas, embora possa 
ocorrer sangramento, ou dolorosas, se localizadas em 
regiões submetidas a pressão ou fricção. 
 
Verrugas plantares: estão associadas principalmente ao 
HPV tipos 1 e 2. Surgem geralmente nas áreas de maior 
apoio da região e apresentam-se quase sempre rodeadas de 
uma calosidade que, às vezes, mascara a lesão. São 
dolorosas e, em 66% dos casos, uma verruga isolada 
acompanha-se de grupos de verrugas-satélites que se 
desenvolvem ao redor da primeira. 
 
Verrugas planas (juvenis): estão associadas 
principalmen-te ao HPV tipos 3 e 10. São pequenas, pouco 
salientes, consistentes, de cor amarelada ou semelhante à 
da pele vizinha e de morfologia variada. Localizam-se 
predominantemente na face, região cervical e nas mãos. O 
ciclo vital é muito variável, podendo ocorrer resolução 
espontânea após alguns meses. 
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3 
 
Verrugas anogenitais (condiloma acuminado): estão 
associadas principalmente ao HPV tipos 6 e 11. 
Apresentam-se com aspecto vegetante, róseo e em forma 
de couve-flor, nas regiões genital e anal principalmente. 
Podem ter pequenas dimensões (menores do que 1 mm) ou 
mostrar-se como massas volumosas. Deve-se realizar 
exame vaginal e retal para correta avaliação da extensão 
das lesões visíveis. Essa lesão aparece na sífilis 
secundária, apresenta-se como placa de cumes achatados 
e coloração branca. O contato sexual prévio não é 
obrigatório para o desenvolvimento das lesões. Os vírus já 
foram identificados na fumaça liberada das lesões durante 
tratamento com eletrocauterização ou laser de CO2, sendo 
possível fonte de contaminação. Por isso, a utilização de 
óculos e máscaras é recomendadaaos profissionais que 
realizam esses tipos de tratamento. 
 
 
TRATAMENTO: não existe tratamento de escolha. Seu 
tratamento deve ser individualizado de acordo com o 
número de lesões e o local acometido. Inicialmente 
começa com o tratamento clínico (sobretudo nas lesões 
múltiplas). A intervenção cirúrgica fica reservada para 
quando ocorrer falha do tratamento clínico, especialmente 
nas lesões solitárias. 
Existe associação entre a infecção pelo HPV e o câncer do 
colo uterino. Por isto, as verrugas anogenitais sempre 
devem ser tratadas e os parceiros examinados. 
Podemos dividir as modalidades terapêuticas nos 
seguintes grupos: 
− Tratamento clínico: Medicamentos de uso 
sistêmico e de uso tópico. 
− Tratamento cirúrgico: Curetagem e 
cauterização, Radiocirurgia, exérese cirúrgica, 
Eletrocauterização, Criocirurgia e Cirurgia com 
laser de CO2. 
Tratamento clínico 
Medicamentos de uso sistêmico: A cimetidina, agonista 
dos receptores H2, tem sido utilizada no tratamento das 
verrugas recidivantes. A dose recomendada é de 30 a 50 
mg/kg/dia, dividida em 4 tomadas, por um período de 3 
meses. 
Medicamentos de uso tópico: Os principais são os 
cáusticos, ácidos e queratolíticos. Assim, para as verrugas 
vulgares, principalmente das mãos, podem ser usadas a 
solução saturada de ácido monocloro-acético a 80% ou os 
ácidos dicloroacético ou tricloroacético (30% a 90%) 
aplicados a cada 2 a 3 semanas durante até 16 semanas, e 
a pasta de ácido salicílico + ácido láctico + coloide elástico 
(1:1:4), aplicada a cada 24 h. 
Tratamento cirúrgico 
O tratamento de escolha, para a maioria das verrugas 
solitárias, é a curetagem com cauterização das lesões ou 
a radiocirurgia. A curetagem com cauterização é 
especialmente útil nas verrugas plantares. A radiocirurgia 
com eletrodo em alça pode ser utilizada no tratamento de 
verrugas solitárias. 
 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR BACTÉRIAS 
 
SÍFILIS 
DEFINIÇÃO: é uma doença infecciosa, de evolução 
crônica. 
ETIOLOGIA: causada pelo Treponema pallidum, que 
pode afetar vários órgãos. 
Na pele, causa lesões cutâneas polimorfas. Na evolução, 
períodos de atividade precoce (primário e secundário) e 
tardia (terciário) são intercalados por um período de 
latência. 
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4 
O período recente (sífilis primária e secundária) é 
caracterizado pela reversibilidade das lesões e riqueza de 
treponemas. O período tardio (sífilis terciária) é 
caracterizado por lesões destrutivas e baixo número de 
treponemas. 
TRANSMISSÃO: através da placenta (sífilis congênita) 
ou adquirida pelo contato sexual, beijo, transfusões de 
sangue ou inoculação acidental por agulhas ou material 
contaminado. A transmissão direta, de indivíduo para 
indivíduo, é quase que exclusivamente venérea, e, em mais 
de 90% dos casos, as lesões infectantes localizam-se nos 
órgãos sexuais. 
SÍFILIS PRIMARIA 
O período de incubação é de 21 dias, em média. Após esse 
período, geralmente surge, no local da inoculação, um 
cancro único e indolor. O cancro sifilítico, ou cancro 
duro, inicia-se como uma pápula circular de 1 cm a 2 cm 
de diâmetro, que pode rapidamente ulcerar e tornar-se 
endurecida. A base é frequentemente lisa e suas bordas 
elevadas e duras, com consistência cartilaginosa. 
> 90% dos cancros ocorrem na região anogenital 
(principalmente genitália externa). 
Acompanhando a lesão primária, ocorre 
linfadenomegalia regional, com linfonodos 
moderadamente aumentados de tamanho, indolores e não 
supurativos. Que persiste por um tempo maior. 
Os testes sorológicos só se positivam 1 a 2 semanas após 
o aparecimento do cancro. 
Diagnóstico diferencial: Cancro mole, Linfogranuloma 
venéreo, Granuloma inguinal (donovanose). 
SÍFILIS SECUNDARIA 
Caracteriza-se pela disseminação de treponemas pelo 
organismo, surgindo de 2 a 8 semanas após o 
aparecimento do cancro. 
Os testes sorológicos para sífilis são sempre positivos 
nessa fase, que é a mais contagiosa devido ao número das 
lesões infectantes. 
A lesão inicial na pele é a roséola sob forma de erupção. 
Pode ser muito esmaecida e, às vezes, de difícil visão. 
Geralmente as lesões surgem primeiro, no tronco e 
extremidades proximais, sendo bilaterais. Posteriormente, 
surgem máculas, pápulas, pústulas, rashes papulares 
(especialmente palmares e plantares). 
TRATAMENTO: O tratamento das sífilis primária, 
secundária e latente precoce pode ser feito com a dose 
única de 2.400.000 U de penicilina G benzatina, por via 
IM ou doxaciclina 100 mg de 12/12 h, VO, por um período 
de 15 dias. Nas sífilis latente tardia e terciária, um total de 
7.200.000 U de penicilina G benzatina, VI, divididas em 3 
doses de 2.400.000 U a cada 7 dias, deve ser utilizado. 
 
LINFOGRANULOMA VENÉREO 
É uma infecção sistêmica transmitida habitualmente por 
contato sexual. A doença é causada pela Chlamydia 
trachomatis, sendo o homem o seu hospedeiro natural. 
O período de incubação é de 3 a 30 dias, geralmente entre 
15 e 21 dias. No ponto de entrada, forma-se pequena 
pápula ou úlcera herpetiforme. As lesões geralmente 
são indolores e podem passar despercebidas. Ocorre 
cicatrização espontânea em alguns dias, sem formação de 
cicatriz. 
De 2 a 4 semanas após, ocorre o infarto dos linfonodos 
regionais. Eles aumentam de tamanho, se fundem e, 
juntamente com periadenite, formam um bubão 
volumoso com flutuação (adenopatia regional). De 
início, ele é consistente, mas, posteriormente, começa a 
apresentar flutuação e, em cerca de 50% dos casos, abre-
se para o exterior, formando uma ou mais fístulas. 
O acometimento linfonodal inguinal é mais frequente 
nos homens do que nas mulheres, pois, nestas, os 
linfáticos da vagina drenam diretamente para os 
linfonodos ilíacos profundos e perirretais, o que 
aumenta a possibilidade de retite estenosante. 
DIAGNÓSTICO: deve ser feito com base na história de 
contato sexual e exame da lesão. Laboratorialmente, o 
melhor método para o diagnóstico é o isolamento da C. 
trachomatis na cultura. Entre os testes que não dependem 
de cultura para detectar a bactéria, a pesquisa de DNA por 
PCR é o mais sensível. 
TRATAMENTO: Nas formas não complicadas de 
uretrite e cervicite mucopurulenta, é preconizado o uso de 
doxaciclina na dose de 100 mg VO, 2 vezes ao dia, durante 
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5 
7 dias, ou azitromicina na dose de 1 g VO, em dose única. 
Os bubões que apresentarem flutuação devem ser 
aspirados, para evitar ruptura espontânea e formação de 
fístulas. 
TUBERCULOSE CUTÂNEA 
A tuberculose, em sua forma cutânea, pode ocorrer devido 
a dois mecanismos básicos: colonização da pele pelo 
bacilo ou como consequência de processo de 
hipersensibilidade a um foco tuberculoso ativo em 
qualquer ponto do organismo (tubercúlides). 
A primoinfecção tuberculosa ocorre quando o organismo 
entra em contato, pela primeira vez, com o bacilo de Koch. 
É geralmente de localização pulmonar, mas pode, 
ocasionalmente, processar-se na pele, onde desenvolve o 
complexo primário cutâneo. 
A lesão inicial apresenta-se sob a forma de pequeno 
nódulo endurecido, avermelhado, doloroso, com cerca de 
2 cm de diâmetro. Esse nódulo ulcera-se, posteriormente, 
ficando recoberto por crostas escuras. 
O complexo tuberculoso primário cutâneo compreende: 
− Cancro de inoculação; 
− Inflamação perifocal; 
− Linfangite; 
− Linfadenite. 
 
TUBERCULOSE COLIQUATIVA (escrofuloderma): 
é a forma de tuberculose cutânea mais encontrada no 
Brasil. As lesões surgem geralmente no pescoço e são 
consequentes a processo tuberculoso linfonodal cervical. 
A lesão inicial é um nódulo avermelhado que, 
posteriormente, se rompe, dando formação a trajetos 
fistulosos com drenagem de secreção turva. Nessa região 
podem surgir úlceras. 
A biópsia linfonodal tem grande valor diagnóstico pelo 
encontro dos bacilos e aspecto histológico. Na suspeita,devemos biopsiar apenas um linfonodo. A pesquisa no 
exsudato das lesões geralmente é positiva. 
O diagnóstico diferencial deve ser feito principalmente 
com paracoccidioidomicose, esporotricose, actinomicose, 
hidrosadenite supurativa e formas graves de acne 
conglobata. 
ABSCESSO TUBERCULOSO METASTÁTICO: 
Ocorre por disseminação hematogênica de 
micobactérias de um foco primário durante período de 
baixa resistência ou imunodeficiência. Os abscessos 
podem ser cutâneos ou subcutâneos, únicos ou múltiplos. 
DIAGNOSTICO: histopatológico com coloração 
específica ou cultura de bactérias. 
O diagnóstico diferencial deve ser feito com todas as 
formas de paniculites, infecções fúngicas profundas, goma 
sifilítica e hidrosadenite supurativa. 
DOENÇA DE ARRANHADURA DO GATO 
(Linforreticulose Benigna de Inoculação) 
ETIOLOGIA: é a Bartonella henselae (Rochalimaea). 
TRANSMISSÃO: faz-se principalmente por 
arranhaduras, mordeduras ou lambidas de gatos jovens. 
Raramente, pode ser transmitida por cães ou por 
traumatismos com pedaços de madeira, espinhos ou 
objetos metálicos contaminados. 
A doença é mais comum em crianças na idade escolar e 
adolescentes, talvez pelo maior contato destes com os 
animais. Tem distribuição universal, e é sazonal nas 
regiões de clima temperado, com frequência maior no 
inverno. 
CARACTERÍSTICA: Após pequeno período de 
incubação, de 3 a 10 dias, surge, no local da inoculação, 
pápula eritematosa, que pode evoluir para pústula ou 
crosta. Concomitantemente (em torno de 2 semanas após 
a inoculação) ocorre linfadenopatia-satélite ipsilateral, 
que geralmente persiste por 2 a 4 meses. Os linfonodos 
mais acometidos são os das regiões axilar e cervical. Os 
linfonodos encontram-se aumentados de tamanho, são 
sensíveis e, algumas vezes, podem abscedar. 
DIAGNÓSTICO: é feito com base na história, presença 
de lesão cutânea provocada por animais e linfadenopatia-
satélite. 
Testes sorológicos para pesquisa de anticorpos, 
juntamente com a cultura, constituem os métodos 
laboratoriais de escolha. O exame anatomopatológico dos 
linfonodos corados por hematoxilina-eosina é bastante 
sugestivo. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: linfadenite 
piogênica ou fúngica, toxoplasmose, mononucleose 
infecciosa, tularemia, bru-celose, tuberculose linfonodal, 
linfogranuloma venéreo, sífilis, leucose. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
6 
TRATAMENTO: Os linfonodos abscedados devem ser 
drenados e o material enviado para cultura. A maioria dos 
pacientes necessita apenas de sintomáticos, uma vez que a 
doença, geralmente, cura-se espontaneamente. 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR FUNGOS 
 
PARACOCCIDIOIDOMICOSE 
DEFINIÇÃO: é uma doença sistêmica que se manifesta 
por lesões na pele, mucosas, linfonodos e outros órgãos. 
ETIOLOGIA: É causada por um fungo dimórfico, o 
Paracoccidioides brasiliensis. 
MANIFESTAÇÕES: Um dos primeiros sinais de 
infecção é uma linfadenomegalia progressiva, 
acompanhada de lesões cutâneas e/ou mucosas. As lesões 
cutâneas ocorrem principalmente na face ou bordas 
mucocutâneas, e são de diversos tipos: placas, pápulas, 
nódulos, abscessos, úlceras ou vegetações. 
DIAGNÓSTICO: é feito pela pesquisa direta ou cultura 
da secreção purulenta eliminada das lesões. A biópsia 
com estudo anatomopatológico é de importância 
fundamental no diagnóstico. Testes cutâneos não são úteis 
para o diagnóstico. 
TRATAMENTO: Antifúngicos, por VO, são eficientes e 
responsáveis pelo avanço significativo na terapêutica 
dessa doença. 
 
ESPOROTRICOSE 
DEFINIÇÃO: É infecção crônica devida à implantação 
do fungo Sporothrix schenckii na pele. Acomete 
tipicamente a pele, o tecido celular subcutâneo e os 
linfonodos regionais. 
Do ponto de implantação, o fungo pode disseminar-se, por 
via linfática ou hematogênica, e atingir principalmente os 
ossos e articulações. A infecção geralmente ocorre após 
implantação traumática do fungo na pele, causada mais 
frequentemente por ferimentos, espinhos e palha. 
A lesão inicial é uma pápula, pústula ou nódulo que, 
frequentemente, ulcera-se e desenvolve bordas 
eritematosas e elevadas. O tamanho inicial da lesão pode 
variar desde poucos milímetros a até 2 cm a 4 cm. Outras 
lesões secundárias podem formar-se em disposição 
linear, seguindo os ductos linfáticos até os linfonodos 
regionais. A localização mais frequente da lesão inicial 
são as mãos. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: deve ser feito com 
outras infecções micóticas, sífilis, erupção por 
medicamentos, tuberculose cutânea, lesões piogênicas, 
granuloma de corpo estranho e carcinoma. 
DIAGNÓSTICO: é difícil ser feito pelo exame 
anatomopatológico, pois o fungo não é usualmente visto. 
O diagnóstico geralmente é estabelecido pela cultura do 
Sporothrix schenckii. 
TRATAMENTO: O itraconazol é o medicamento de 
escolha. A dose preconizada é de 200 mg por dia, por 2 a 
4 semanas, após o desaparecimento de todas as lesões, 
geralmente de 3 a 6 meses. 
 
CRIPTOCOCOSE 
ETIOLOGIA: Infecção causada pelo Cryptococcus 
neoformans, fungo saprófito, capsulado e de distribuição 
universal. 
TRANSMISSÃO: É encontrado principalmente nas fezes 
de pombos, sendo esta a principal fonte de infecção para 
os homens. Pode também crescer nas florestas de 
eucaliptos das regiões tropicais e subtropicais. A 
transmissão ocorre principalmente por via inalatória. 
Em pessoas imunocomprometidas, ocorre disseminação 
hematológica para outros órgãos, principalmente para o 
SNC, ou seja, são mais susceptíveis a forma sistêmica. 
MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS: da criptococose são, 
em sua maioria, inespecíficas e podem simular grande 
variedade de lesões. As manifestações inespecíficas 
incluem: celulite, úlceras, abscessos subcutâneos, púrpura 
palpável, equimoses, vesículas, pápulas, nódulos, 
pioderma gangrenoso, lesões tumorais ou granulomatosas. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
7 
As lesões podem ser solitárias ou múltiplas, indolores ou 
dolorosas. 
DIAGNÓSTICO: é feito por meio da biópsia das lesões, 
com preferência para a biópsia excisional. A biópsia e a 
cultura são essenciais para o diagnóstico nos pacientes 
imunocomprometidos. 
TRATAMENTO: Diversos esquemas são preconizados, 
como doses elevadas de anfotericina B associadas ou não 
a flucitosina inicialmente, seguidas de fluconazol ou 
itraconazol, por via oral, a longo prazo. 
 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR PROTOZOÁRIOS 
 
LEISHMANIOSE CUTÂNEO-MUCOSA 
ETIOLOGIA: Doença infecciosa crônica produzida pela 
Leishmania braziliensis, que acomete usualmente a pele, 
podendo atingir secundariamente as mucosas. 
TRANSMISSÃO: A afecção não é contagiosa, sendo 
transmitida ao homem por insetos da família Lutzomyia. 
O homem e outros animais vertebrados funcionam como 
hospedeiros. 
CARACTERÍSTICAS: Os aspectos clinicomorfológicos 
são polimorfos, constituindo uma das principais 
características da doença. No local da picada do inseto 
surge pápula eritematosa pequena, única ou múltipla. 
Durante a sua evolução, a lesão torna-se papulovesiculosa, 
papulopustulosa, ulcerocrostosa. 
A úlcera tem contornos circulares, bordas elevadas e 
infiltradas (aspecto em moldura) e fundo com granulações 
grosseiras, de cor vermelho-vivo, recoberto por exsudato 
seropurulento ou seroso. 
 
DIAGNOSTICO: o diagnóstico clínico da leishmaniose 
ajuda, mas o diagnóstico de certeza só pode ser 
estabelecido após confirmação laboratorial. Os métodos 
incluem identificação dos amastigotas nas lesões, 
crescimento de promastigotas na cultura, histopatologia e 
testes imunológicos. Identificação do parasito nas lesões: 
pode ser feita pela raspagem (shaving) das bordas com 
bisturi ou por imprint de biópsias das bordas. 
TRATAMENTO: O medicamento de primeira escolha é 
o glucantime. Nas formas cutâneas não complicadas, é 
recomendada dose de 10 mg a 20 mg/kg de peso por dia 
por 20 a 28 dias. Nos casos resistentes ao glucantime,está 
indicado o uso de anfotericina B, na dose de 0,5 mg/kg a 
1 mg/kg de peso corporal por dia. Nesses casos, emprega-
se também a eletrocoagulação ou radiocirurgia 
(tratamento cirúrgico). 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR HELMINTOS 
 
CISTICERCOSE CUTÂNEA 
CARACTERÍSTICAS: manifesta-se como pequenos 
nódulos subcutâneos, duros, arredondados, indolores à 
palpação e recobertos por pele normal. O número de 
nódulos é variável, podendo haver apenas um, ou vários, 
distribuídos por todo o corpo. 
O homem pode adquirir a cisticercose por três 
mecanismos: 
− Heteroinfestação (ingestão de água ou alimentos 
contaminados por ovos do parasito, sendo a mais 
comum); 
− Autoinfestação interna (ruptura dos anéis 
grávidos dentro do tubo digestivo do homem); 
− Autoinfestação externa (ingestão de fezes com 
ovos de sua própria tênia). 
Na maior parte das vezes, o DIAGNÓSTICO só é feito 
após exame anatomopatológico. 
TRATAMENTO: exérese cirúrgica, com prévia 
anestesia local, nos cistos sintomáticos. 
LARVA MIGRANS CUTÂNEA 
É produzida pela migração de larvas de diversas espécies 
de nematódeos através das camadas superficiais da pele. 
As larvas originam-se das fezes humanas contaminadas e 
vivem em terras úmidas e praias. Elas penetram através da 
pele intacta e formam túneis na epiderme e na derme 
superior. 
Têm a forma de uma linha vermelha fina e tortuosa, que 
aumenta até 1 cm a 2 cm por dia. Inicia-se no local de 
entrada, poucas horas após a penetração, sendo 
acompanhado de dermatite, edema, pápulas e/ou 
papulovesículas. 
DIAGNÓSTICO: é feito principalmente pela história de 
exposição a áreas de risco de contaminação e pelo exame 
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físico. O exame histopatológico pode revelar as larvas, 
além de infiltrado inflamatório eosinofílico. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: deve ser feito com 
miíase e com Strongyloides stercoralis. 
TRATAMENTO: O tratamento é feito com tiabendazol 
VO (50 mg/kg/dia, divididos em 2 doses, por 2 a 3 dias) 
ou aplicação tópica na forma de cremes a 5% ou 10% em 
curativos oclusivos. 
 
DOENÇAS PRODUZIDAS POR ARTRÓPODES 
 
TUNGÍASE (BICHO-DE-PÉ) 
ETIOLOGIA: é a parasitose produzida pela Tunga 
penetrans, pulga que habita lugares secos e arenosos. Os 
suínos e o homem são seus hospedeiros habituais. As 
fêmeas fecundadas penetram na pele, introduzindo a 
cabeça e o tórax na epiderme e deixando para fora o 
estigma respiratório e o segmento anal para postura dos 
ovos. 
Ocorre prurido, na fase inicial, acompanhado de dor e 
intumescimento dos tecidos vizinhos. 
Algumas vezes, a lesão pode servir como porta de entrada 
a outras infecções, levando a abscesso, linfangite e 
adenite. 
O tétano é complicação grave que pode ocorrer nos 
indivíduos não vacinados. 
TRATAMENTO: consiste na extração da Tunga 
penetrans, usando-se agulha previamente esterilizada. Em 
alguns casos, pode ser necessário o uso de anestésico local 
e termo ou eletro cauterização. O uso de antibióticos está 
indicado nos casos de infecção secundária. 
PEDICULOSE 
ETIOLOGIA: Dermatose causada pelos piolhos, que são 
hematófagos exclusivos do homem. 
Os piolhos apresentam preferência por determinadas 
regiões da pele, sugando-a frequentemente para a sua 
nutrição. Nesses locais, por inoculação de saliva, forma-se 
um botão pruriginoso, podendo a pele, por efeito de 
coçadura, sofrer escoriações e infecção secundária 
(impetigo, foliculite e adenopatia cervical). 
ESCABIOSE 
ETIOLOGIA: Escabiose ou sarna é uma dermatose 
produzida por ácaros da espécie Sarcoptes scabiei, 
variedade hominis. 
Por outro lado, formas especiais, como a escabiose 
mínima de pessoa limpa, são muito mais comuns e difíceis 
de diagnosticar. 
O hospedeiro é infectado por fêmeas recém-fecundadas 
que penetram na epiderme, escavando galerias. 
TRANSMISSÃO: se dá por contato pessoal, 
independentemente de cor, sexo ou raça. A transmissão 
por meio das roupas ocorre ocasionalmente. 
 
MIÍASE 
DEFINIÇÃO: As larvas de algumas espécies de moscas, 
ao infectarem a pele normal, a ulcerada ou as cavidades 
naturais do organismo, recebem a designação genérica de 
miíase. 
As miíases compreendem dois grupos principais: 
− Larvas que se instalam em tecidos sadios ou 
cavidades naturais: Entre elas encontramos a 
larva da Cochliomyia hominivorax, Dermatobia 
hominis e Oestrus ovis. São conhecidas como 
berne. 
− Larvas que se instalam em lesões preexistentes: 
Entre estas, as mais comuns são larva de mosca 
doméstica, Cochliomyia macellaria, Fannia sp., 
Calliphora sp., Sarcophaga sp. Estas são 
conhecidas como bicheira. 
MIÍASE FURUNCULOIDE (BERNE): A larva da 
Dermatobia hominis, mosca nativa em nosso meio. 
Quando esses vetores picam o homem, a larva da 
dermatóbia se solta, penetrando pelo orifício da picada. O 
início da penetração da larva pode passar despercebido, 
formando-se depois, no local, nódulo semelhante a um 
furúnculo (donde o nome de furunculoide), com pequeno 
orifício central. Nesse orifício, pode-se observar, 
frequentemente, pequena protrusão da extremidade 
posterior do parasito. Não raro, pode complicar-se com 
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infecções secundárias: abscesso, linfangite, fleimão, 
erisipela, tétano etc., ou ser sede de deposição de outras 
larvas de dípteros, levando à “bicheira”. O tratamento visa 
à retirada do berne. Esse objetivo pode ser atingido por 
meio de medidas simples que impedem a natural 
respiração da larva, por oclusão do orifício cutâneo. 
Popularmente, utiliza-se o tamponamento do orifício com 
toucinho. Tal medida força a passagem do parasito para 
este, na tentativa de respirar. 
A oclusão do orifício com vaselina também é utilizada. 
Nesse caso, ocorre a saída da extremidade da larva, para 
respirar, o que permite a sua retirada após apreensão com 
uma pinça. Esta deve ser feita com extremo cuidado para 
não provocar ruptura da larva e consequente infecção 
secundária. Quando essas medidas falham ou quando há 
fragmentação da larva, está indicada a retirada cirúrgica. 
 
MIÍASE DE FERIDA (BICHEIRA): Necessitam de 
material necrosado para o seu desenvolvimento, pois as 
larvas consomem o tecido necrosado. Tem postura de ovos 
na ferida. O diagnóstico não traz dificuldades, já que as 
larvas são visualizadas movendo-se nas ulcerações. O 
tratamento visa à retirada mecânica das larvas com o 
auxílio de pinças, facilitada pelo uso prévio de éter ou 
cloreto de etila local, o que leva à morte das larvas.

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