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Natalia Quintino Dias Dislipidemias A Doença Cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte entre adultos, podendo apresentar-se de forma assintomática (cerca de 50%) até o surgimento de evento cardiovascular (CV). Entre os fatores predisponentes, as alterações lipídicas representam um dos mais importantes para o desenvolvimento e a progressão da doença aterosclerótica. Fisiopatologia Colesterol é precursor dos hormônios esteroides, ácidos biliares e vitamina D. Triglicérides (TG) são formados por 3 ácidos graxos (AG) ligados a uma molécula de glicerol; representam uma forma de armazenamento de energia e ficam depositados nos tecidos adiposo e muscular. Os lipídios são transportados no corpo por lipoproteínas, que são divididas em 4 classes: - Quilomícrons: muito ricos em TG, capturados pelo fígado para formação de VLDL. - VLDL (very low density lipoprotein – lipoproteínas de densidade muito baixa): ricas em TG de origem hepática. - LDL (low density lipoprotein – lipoproteínas de densidade baixa): captadas por células hepáticas ou periféricas pelos receptores de LDL (LDLR). - HDL (high density lipoprotein – lipoproteínas de densidade alta): ricas em colesterol, são formadas no fígado, intestino e circulação. São responsáveis pelo transporte reverso do colesterol (dos tecidos periféricos para o fígado) e pela proteção vascular contra a aterogênese. As lipoproteínas participam de 3 ciclos básicos de transporte de lípides no plasma Ciclo exógeno: as gorduras são absorvidas no intestino e chegam ao plasma sob a forma de quilomícrons, e, após degradação pela Lipase Lipoproteica (LPL), alcançam o fígado ou tecidos periféricos. Ciclo endógeno: as gorduras do fígado se direcionam aos tecidos periféricos; a VLDL é secretada pelo fígado e, por ação da LPL, transforma-se em IDL e, posteriormente, em LDL, a qual carrega os lípides – principalmente o colesterol – para os tecidos periféricos. Transporte reverso do colesterol: as gorduras dos tecidos retornam para o fígado; as HDL nascentes captam colesterol não esterificado dos tecidos periféricos pela ação da Lecitina-Colesterol Aciltransferase (LCAT), formando as HDL maduras; por meio da Proteína de Transferência de Ésteres de Colesterol (CETP), ocorre também a transferência de ésteres de colesterol da HDL para as VLDL. A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica de origem multifatorial relacionada ao acúmulo de LDL oxidado na região subendotelial e fagocitado por macrófagos, dando origem às células espumosas, que são o principal componente das estrias gordurosas (fase inicial da aterosclerose). A inflamação estimula a migração e a proliferação das células musculares lisas da camada média para a íntima, produzindo citocinas, fatores de crescimento e matriz extracelular, que formarão parte da capa fibrosa da placa aterosclerótica. Placas estáveis apresentam colágeno organizado em capa fibrosa espessa, escassas células inflamatórias e núcleo lipídico e necrótico de proporções menores. Placas instáveis apresentam atividade inflamatória intensa, grande atividade proteolítica, núcleo lipídico e necrótico proeminentes e capa fibrótica fina. A ruptura ou erosão da capa expõe material lipídico altamente trombogênico, levando à formação de um trombo sobrejacente (aterotrombose), sendo um dos principais determinantes das manifestações clínicas da aterosclerose. Natalia Quintino Dias Exames complementares Dosagem do colesterol O jejum interfere apenas no nível sérico de TG. O laboratório deve informar no laudo as 2 situações: sem jejum e jejum de 12 horas (recomendado para TG > 440 mg/dL, doença cardiovascular aterosclerótica precoce e história de hiperlipidemia genética familiar). Biomarcadores inflamatórios: Proteína C-Reativa de alta sensibilidade (PCR-us) pode contribuir para a identificação de indivíduos sob risco de desenvolvimento de Doença Cardiovascular (DCV) -> quando nível elevado = reclassificar risco intermediário para alto. Rastreamento O ACP (American College of Physicians) adota postura mais conservadora e recomenda o rastreamento a partir de 35 anos para homens e 45 para mulheres, recomendação seguida por diretrizes nacionais. Classificação De acordo com a etiologia Causas primárias Aquelas nas quais o distúrbio lipídico é de origem genética: - Poligênicas: são a maioria dos casos. Efeito cumulativo de genes. Não apresentam padrão de transmissão clássica (autossômica recessiva ou dominante). - Monogênicas: alteração em gene específico com aumento importante no perfil lipídico, ou aterosclerose precoce com traço familiar (autossômica recessiva ou dominante). Principal representante é a Hipercolesterolemia Familiar (HF). É uma doença hereditária autossômica dominante, caracterizada por concentrações de LDL aumentadas e risco importante de DAC precoce. Existem 2 fenótipos clínicos: HF heterozigótica relativamente frequente e HF homozigótica, muito rara. Os valores considerados para o diagnóstico são acima de 190 mg/dL para adultos. São pacientes assintomáticos na infância, mas que na juventude já podem ter exames que evidenciam aterosclerose subclínica. Ao exame físico, deve-se pesquisar xantomas tendíneos, xantelasmas e arco corneano. Natalia Quintino Dias Os critérios diagnósticos levam em consideração: níveis de LDL, história familiar de HF, história pessoal de doença aterosclerótica, teste genético e alterações ao exame físico Indica-se rastreamento em cascata, ou seja, de todos os parentes de primeiro grau e, a partir da identificação de novos casos, dos parentes de primeiro grau destes e assim por diante. São pacientes sempre de alto risco. O tratamento hipolipemiante agressivo deve ser instituído precocemente, em especial nos casos de HF homozigótica, que apresenta níveis ainda mais altos de LDL e incidência de eventos ainda mais precoce. Causas secundárias Estilo de vida, comorbidades ou medicamentos. Laboratorial As dislipidemias podem ser classificadas de acordo com a fração lipídica alterada, em: Hipercolesterolemia isolada: aumento isolado do LDL-c (≥ 160 mg/dL). Hipertrigliceridemia isolada: aumento isolado dos triglicérides (≥ 150 mg/dL ou ≥ 175 mg/dL, se a amostra for obtida sem jejum). Hiperlipidemia mista: aumento do LDL-c e dos TG. Se TG ≥ 400 mg/dL, o cálculo do LDL-c pela Fórmula de Friedewald é inadequado, devendo-se considerar a hiperlipidemia mista quando o não HDL-c ≥ 190 mg/dL HDL-c baixo: redução do HDL-c (homens < 40 mg/dL e mulheres < 50 mg/dL) isolada ou em associação ao aumento de LDL-c ou TG. Estratificação do risco cardiovascular É fundamental para definir o tratamento. Classificam-se os principais Fatores de Risco (FR) em maiores e menores, e em mutáveis e imutáveis. O Estudo Framingham demonstrou efeito aditivo dos FR sobre a incidência de eventos cardiovasculares fatais. Maiores e mutáveis: Diabetes Mellitus (DM), hipertensão arterial, tabagismo e dislipidemias. Maiores e imutáveis: a idade, o gênero masculino e a existência de doença cardiovascular prévia ou na família. Menores e mutáveis: incluem obesidade, sedentarismo, fatores psicossociais, hiper- homocisteinemia, hiperfibrinogenemia, aumento da Lipoproteína (a) e de proteína-C-reativa. Deve-se utilizar ferramentas de estratificação, como Escore de Risco Global (EGR) e ASCVD Risk. Natalia Quintino Dias Muito alto risco – Prevenção secundária Doença aterosclerótica significativa: coronária, cerebrovascular, vascular periférica (com ou sem eventos clínicos), obstrução ≥ 50% em qualquer território arterial. Alto risco - ERG > 20% (homens) e > 10% (mulheres). - Doença Aterosclerótica Subclínica (DASC): • US de carótidas com presença deplaca. • Índice tornozelo-braquial (ITB) < 0,9. • Escore de cálcio arterial coronariano (CAC) > 100. • Presença de placas ateroscleróticas na angiotomografia (angioTC) de coronárias. • Aneurisma de aorta abdominal. • Doença renal crônica definida por taxa de filtração glomerular (TFG) < 60 mL/min e em fase não dialítica. • Concentrações de LDL-c ≥ 190 mg/dL. • DM tipos 1 ou 2 com LDL-c entre 70 e 189 mg/dL + a presença de estratificadores de risco (ER): homem ≥ 48 anos e mulher ≥ 54 anos, história familiar para DCV prematura (parentes de primeiro grau < 55 anos, homem; < 65 anos, mulher), tabagismo, HAS, síndrome metabólica, relação albuminúria/creatinúria > 30 mg/g. Risco intermediário - ERG entre 5% e 20% (homens) e entre 5% e 10% (mulheres). - DM sem critérios de DASC ou ER. Baixo risco Escore de risco global < 5%. Metas terapêuticas A redução na taxa de desfechos proporcionada pela redução do colesterol plasmático é particularmente afetada pelos níveis de LDL-c. Quanto maior a redução absoluta do LDL-c, maior a redução do risco relativo de eventos cardiovasculares. A diretriz brasileira recomenda alcançar metas de LDL-c (primária) e de não HDL-c (secundária) variando de acordo com o risco cardiovascular. A meta de não HDL é igual à meta de LDL + 30 para cada categoria. Não há evidência de redução do risco CV com a redução dos níveis plasmáticos de triglicérides. Tratamento Não-farmacológico Deve ser recomendada a todos os pacientes com dislipidemia, incluindo terapia nutricional, exercícios físicos e cessação do tabagismo. Medidas para hipercolesterolemia Os ácidos graxos trans aumentam LDL-c e induzem intensa lesão aterosclerótica. A redução da ingesta está indicada para aqueles que apresentarem risco cardiovascular aumentado. O exercício físico reduz TG e HDL, porém tem pouco efeito no LDL. Medidas para hipertrigliceridemia Os TG são muito sensíveis às variações do peso corporal e às alterações na composição da dieta. A perda de peso pode reduzir até 20% do valor de TG em alguns casos. A redução de ingestão de açúcares simples e carboidratos, a substituição (parcial) dos ácidos graxos saturados por mono e poli-insaturado e o aumento da atividade física são outras medidas recomendadas. O consumo de alimentos ricos em ômega 3 pode contribuir para redução dos TG. Natalia Quintino Dias Outras medidas Os fitosteróis apresentam relação inversa com os níveis séricos de colesterol. O consumo de fibras solúveis possui efeito na redução de colesterol, enquanto a atividade física contribui para a redução dos fatores de risco cardiovasculares lipídicos e não lipídicos. A cessação do tabagismo apresenta benefício em qualquer fase da vida do fumante. Farmacológico Quanto ao risco Muito alto risco ou alto risco: iniciar com medicamentos já em associação com as modificações do estilo de vida a serem propostas. Risco intermediário ou baixo: iniciar apenas com as medidas do estilo de vida e reavaliação em 3 a 6 meses. Após esse período, associar medicamentos se necessário para obtenção das metas definidas do LDL-c. Quanto à dislipidemia Hipercolesterolemia isolada: os medicamentos recomendados são as estatinas (que podem ser administradas em associação à ezetimiba), mais recentemente inibidores da PCSK-9 e, eventualmente, colestiramina, fibratos ou ácido nicotínico. Hipertrigliceridemia isolada: os medicamentos recomendados são os fibratos. Em segundo lugar, o ácido nicotínico ou a associação de ambos; pode- se ainda utilizar ácidos graxos ômega 3. Se TG > 500 mg/dL, devido ao risco de pancreatite aguda, iniciar tratamento farmacológico imediato com fibratos em associação com medidas não farmacológicas. Hiperlipidemia mista com TG > 500 mg/dL: iniciar com fibrato, adicionando, se necessário, ácido nicotínico e/ou ômega 3 (redução do risco de pancreatite). Após reavaliação, caso haja a necessidade de redução da colesterolemia, pode- se adicionar estatina. Hiperlipidemia mista com TG < 500 mg/dL: iniciar o tratamento com uma estatina isoladamente e, se necessário, associando-se à ezetimiba, priorizando a meta de LDL-c ou não HDL-c. Estatinas Mecanismo de ação Inibição da HMG-CoA redutase, enzima fundamental na síntese hepática do colesterol, levando a uma redução do colesterol tecidual e consequente aumento na expressão dos receptores de LDL. O nível de redução do LDL-c depende do tipo e da dose de estatina. --> é a terapia mais validada. Reduzem significantemente os TG e geram pequeno aumento no HDL-c. Devem ser usadas preferencialmente à noite para se obter o efeito máximo, uma vez que a produção de colesterol endógeno pelo fígado é maior no período noturno (período de maior atuação da HMG-CoA). Efeitos colaterais São raros. Os mais comuns são os musculares, que podem surgir semanas ou anos após o início do tratamento. Variam desde aumento assintomático de creatinoquinase (CK), mialgia (com ou sem elevação da CK), rabdomiólise franca e miosite necrotizante autoimune. Sobre a dosagem de CK no tratamento Avaliada no início do tratamento. A dosagem rotineira não é recomendada em pacientes já em uso de estatina, exceto se ocorrerem sintomas musculares (dor, rigidez, câimbras, fraqueza e fadiga localizada ou generalizada) ou introdução de novos fármacos que possam interagir com estatina. Conduta em relação aos efeitos colaterais Assintomáticos com elevação pequena de CK (< 3x o Limite Superior da Normalidade – LSN) não necessitam suspender a estatina nem mudar a posologia. Em caso de sintomas intoleráveis ou elevação importante de CK (> 7x o LSN), deve-se suspender por 4 a 6 semanas e reiniciar com dose mais baixa. Se o paciente não atingiu a meta com dose máxima tolerada de estatina, a adição de ezetimiba é a primeira opção. A adição de inibidores de PCSK-9 seria a conduta seguinte, devido às limitações inerentes ao seu custo, colestiramina, fibrato ou fitosteróis podem Natalia Quintino Dias ser considerados caso a terapia com estatina mais ezetimiba não seja suficiente. Dosar o LDL 6 a 8 semanas após a introdução da terapia e depois anualmente pode ajudar a avaliar aderência terapêutica. Ezetimiba Mecanismo de ação É um inibidor da absorção do colesterol na borda em escova do intestino delgado através da inibição do transporte do colesterol por enzimas transportadoras específicas. Levam à diminuição do nível plasmático de LDL-c de 10% a 25%. Em comparação com monoterapia com sinvastatina, a associação (ezetimiba + sinvastatina) mostrou redução significativa de eventos CV após síndrome coronária aguda. Pode ser administrada a qualquer hora do dia, com ou sem alimentação, não interferindo na absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. Raros efeitos colaterais, como diarreia, são descritos. Inibidores de PCSK-9 Mecanismo de ação São anticorpos monoclonais que inibem a enzima responsável pela degradação do receptor do LDL (LDLR) na superfície do hepatócito. Com mais LDLR, mais LDL-c é capturado pelo hepatócito; logo, haverá menos LDL-c circulante. Os representantes dessa classe são alirocumabe e evolocumabe, ambos aplicados por via subcutânea. Capacidade de redução intensa de LDL-c em relação ao placebo (cerca de 60%) e, dentre as classes citadas nessa seção, é aquela com melhor nível de evidência quanto à redução de desfechos duros. Recomendados somente em pacientes com risco elevado, em tratamento otimizado com estatina e que não alcançam as metas. Uso atualmente limitado pelo custo elevado. Têm poucos efeitos colaterais, tais como náuseas, fadiga e aumento da incidência de reações inflamatórias no local da injeção. Fibratos Mecanismo de ação Estimulam receptores PPARα que aumentam aatividade da enzima lipase lipoprotéica (LPL), responsável pelo catabolismo das lipoproteínas ricas em TG. Devem ser tomados preferencialmente em horário afastado das estatinas, quando estas forem usadas concomitantemente, para diminuir o risco de toxicidade. Os mais utilizados são o ciprofibrato e fenofibrato. Deve-se evitar a associação da genfibrozila com estatinas, pelo risco de rabdomiólise. Outros medicamentos Resinas Mecanismo de ação: atuam reduzindo a absorção enteral de ácidos biliares. Podem ser recomendadas quando a meta de LDL-c não é obtida apesar do uso de estatinas potentes em doses efetivas. O efeito colateral mais frequente é a obstipação intestinal e tem baixa tolerabilidade. Além disso, pode interferir na absorção de outras medicações, como levotiroxina, tiazídicos e varfarina. Por isso, deve ser administrada longe de outras medicações. No Brasil, somente a colestiramina está disponível. Ácido nicotínico (niacina) Mecanismo de ação: reduz a atividade da lipase tecidual, reduzindo a síntese de TG e LDL-c. Natalia Quintino Dias Pode ser usado, excepcionalmente, em casos refratários à terapia com estatinas. Efeitos adversos: rubor facial ou prurido (ocorrem com maior frequência no início do tratamento). É contraindicado em portadores de úlcera péptica e hepatopatias. Pode ainda elevar a glicemia e o ácido úrico. Outros efeitos colaterais mais raros: hiperpigmentação cutânea, acantose nigricans, náuseas, vômitos, diarreia e miosite. Ômega 3 Mecanismo de ação: redução nos níveis plasmáticos dos triglicérides, aumento de HDL colesterol e ação anti-inflamatória ao reduzir a síntese de derivados do ácido araquidônico. Representantes: Ácido Eicosapentaenoico (EPA) e Docosa-Hexaenoico (DHA), encontrados nos óleos de peixes de águas frias e profundas, como salmão, arenque, atum e sardinhas. Estudos são conflitantes quanto ao benefício em termos de mortalidade. Uso recomendado como adjunto da terapia das hipertrigliceridemias. Situações especiais Idosos O tratamento da dislipidemia no idoso até 75 anos deve seguir as mesmas orientações do não idoso. Naqueles mais velhos (> 75 anos), as doses de hipolipemiantes devem ser individualizadas de acordo com a presença de comorbidades, a expectativa de vida e o uso de polifarmácia. Mulheres A terapia com estatinas deve ser evitada em mulheres em idade fértil e sem contracepção adequada. Em gestantes no 2º e 3º trimestres e em lactantes, a terapia com estatina não deve ser indicada devido a relatos de teratogenicidade. A colestiramina é o único fármaco com segurança bem estabelecida durante a gestação. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) deve ser evitada em pacientes em prevenção primária de alto risco e na prevenção secundária. Naquelas que fazem uso regular de TRH e apresentam evento CV, a TRH deve ser interrompida imediatamente. Doença renal crônica (DRC) O tratamento com estatina em pacientes com DRC (não dialítica ou pós-transplante) está indicado para adultos ≥ 50 anos, e entre 18 e 49 anos quando houver 1 ou mais fatores de risco (doença coronariana, diabetes mellitus, AVC isquêmico ou risco ou estimativa de incidência da morte coronariana ou IAM não fatal > 10% em 10 anos). É recomendado não iniciar estatina ou estatina mais ezetimiba em paciente com DRC dialítica. Insuficiência cardíaca (IC) Não é recomendado o início de uso de estatinas em pacientes com IC classe funcional II-IV. Não é recomendado o início de uso de estatinas em pacientes com IC classe funcional II-IV. • IC bem controlada, com expectativa de vida maior que dois anos. • Etiologia isquêmica. • Colesterol não HDL-c ≥ 160 mg/dL, ou LDL-c ≥ 130 mg/dL e ≤ 75 anos. Hipotireoidismo Existe risco aumentado de miosite nos pacientes com hipotireoidismo; por isso, a estatina só deve ser iniciada após regularização dos níveis hormonais. Existe uma maior prevalência de hipotireoidismo nos pacientes intolerantes à estatina. HDL-C baixo O HDL-c baixo é definido como valor abaixo de 40 mg/dL para homens e de 50 mg/dL para mulheres. A concentração de HDL-c no plasma é determinada por herança complexa, sendo influenciada por fatores genéticos e ambientais. Baixos níveis de HDL-c são preditores de risco cardiovascular, porém não foi estabelecido como causa da aterosclerose; portanto, não há benefício de terapia medicamentosa específica para aumento do HDL-c. Fármacos que reduzem o HDL-c: esteroides anabolizantes, antipsicóticos atípicos, terapia antirretroviral para HIV/Aids, betabloqueadores e agentes imunossupressores. Doenças que reduzem o HDL-c: doenças hepáticas, incluindo cirrose e estados inflamatórios agudos. Pensar em anormalidades genéticas quando Natalia Quintino Dias apresentam níveis muito baixos de HDL-c (<10 mg/dL). Medidas comportamentais não farmacológicas. Perda de peso: pode inicialmente diminuir os níveis de HDL-c. No entanto, com a estabilização de peso, os níveis de HDL-c geralmente aumentam. Nutrição: as dietas ricas em gorduras saturadas ou gordura trans tendem a diminuir o HDL-c. Carboidratos processados (aumentam rapidamente a glicose) podem diminuir HDL-c e aumentar TG. Cessar tabagismo: o estresse oxidativo e a inflamação induzidos pelo tabagismo levam à diminuição tanto da quantidade quanto da qualidade da HDL. A cessação do tabagismo leva a um aumento do HDL-c de aproximadamente 4 mg/dL, com um impacto mínimo sobre outros lipídios. Ingestão de álcool: redução do consumo pode aumentar HDL-c. Seu uso deve ser evitado se houver hipertrigliceridemia associada. HIV Com o aumento da expectativa de vida dos pacientes infectados pelo HIV, eles ficaram expostos por mais tempo aos fatores de risco CV, por 2 motivos: - A infecção pelo HIV mantém um estado crônico de agressão inflamatória associado à aterosclerose. - Efeitos colaterais da TARV: elevação de TG, redução de HDL-c, resistência à insulina e diabetes. Os inibidores de protease, classe de medicamentos no esquema TARV, apresentam interações com estatinas por compartilharem os mesmos sítios de metabolização hepática. Por isso, deve ser dada preferência para estatinas que atuem em sítios de metabolização distintos, como a pitavastatina e a pravastatina, evitando aquelas com metabolização exclusiva por esta via metabólica hepática, como a sinvastatina. Diabetes mellitus Achado mais comum no perfil lipídico: hipertrigliceridemia e HDL-c baixo. A classe dos fibratos é útil para a redução dos níveis de TG. Entretanto, os estudos clínicos com desfechos cardiovasculares não demonstraram benefício dessa classe de hipolipemiantes, como ocorre com as estatinas.