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WBA0938_v1.0
APRENDIZAGEM EM FOCO
PRINCIPAIS ABORDAGENS EM 
PSICOLOGIA CLÍNICA
2
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro
Leitura crítica: Itala Daniela da Silva
A Psicologia é uma ciência instigante e composta por diferentes 
áreas de atuação. Entre estas áreas está a Psicologia Clínica, cuja 
expressão foi usada pela primeira vez em 1896, por Witmer, para 
descrever os trabalhos de avaliação com crianças deficientes físicas 
e mentais. Após a Segunda Guerra Mundial, a Psicologia Clínica e 
suas diferentes abordagens tiveram um maior avanço decorrente 
do lugar de destaque que a Psicologia, de uma forma geral, veio a 
ocupar na sociedade.
Esta disciplina apresenta como um dos objetivos levar você a 
compreender os principais fundamentos teóricos e técnicos 
da clínica psicanalítica, cognitivo-comportamental, humanista 
e gestáltica. Outro objetivo de igual importância é entender as 
principais técnicas utilizadas por estas abordagens na área clínica. 
Por último, mas não menos importante, é o objetivo de identificar 
as principais diferenças entre as abordagens no que se refere ao 
referencial teórico, técnicas e relação terapeuta-cliente.
O conteúdo que abrange a disciplina está dividido em quatro 
escolas: Psicanálise, Cognitivo-Comportamental, Humanista e 
Gestalt. Em cada uma delas são apresentados, principalmente, 
seus pressupostos teóricos e técnicos, a relação estabelecida entre 
o terapeuta e o cliente e os procedimentos técnicos utilizados no 
atendimento clínico.
A disciplina Principais Abordagens na Psicologia Clínica tem o 
propósito de fundamentar e orientar seus estudos nesta área, de 
forma que você tenha um aperfeiçoamento cada vez maior na sua 
prática clínica. Vamos começar?
3
INTRODUÇÃO
Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira 
direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática 
abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar 
reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática 
profissional. Vem conosco!
A clínica sob a perspectiva 
psicanalítica 
______________________________________________________________
Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro 
Leitura crítica: Itala Daniela da Silva
TEMA 1
5
DIRETO AO PONTO
Muitos conceitos e recomendações técnicas permanecem 
inalterados ao longo dos anos, apesar das inúmeras contribuições 
que possibilitaram a evolução e expansão da Psicanálise. A 
fundamentação teórica e a utilização da técnica, na prática clínica, 
permitirão ao analista investigar a causa das queixas que levaram 
o paciente ao tratamento. A partir de sua história de vida, seus 
sentimentos, suas fantasias e suas formas de se relacionar 
na relação terapêutica, será realizada uma busca de sua 
compreensão, de forma mais profunda, para que seja possível o 
seu desenvolvimento emocional.
Este breve resumo de alguns manejos da técnica psicanalítica 
serve como ponto de partida para um contato mais próximo com 
esse instrumental de investigação dos processos inconscientes. 
A interpretação é o fundamento da clínica psicanalítica. A 
interpretação realizada pelo analista a partir do material trazido 
para a sessão pelo paciente, informa e dá a ele a possibilidade 
de organizar uma nova forma de pensar, de mudar o seu modo 
de ver a vida e as situações pelas quais vive. Pode haver um 
momento, no tratamento, que seja necessária a confrontação que 
mostra ao paciente duas situações contrapostas, com a intenção 
de colocá-lo em um dilema, para que perceba a contradição.
Em uma outra situação, durante o tratamento, pode ocorrer a 
clarificação que procura identificar algo que o indivíduo sabe, mas 
não percebe de forma clara. A partir das situações destacadas, há 
o favorecimento do insight do paciente, que é um processo muito 
específico resultado de uma série de momentos de elaboração, 
provenientes do trabalho interpretativo do analista.
6
Todas essas intervenções do analista ocorrem a partir da 
relação transferencial. A transferência é um fenômeno universal 
e espontâneo, que alia o passado ao presente em uma 
superposição de pessoas e desejos, que não são conscientes 
para o sujeito e onde o afeto não parece adequado, nem em 
qualidade e nem em quantidade, à situação real. Pelo lado do 
analista existe a contratransferência. Assim como o analisado 
faz a sua transferência, o analista também é afetado no 
trabalho psicoterapêutico, pelos seus sentimentos inconscientes 
despertados na relação com seu paciente. Para uma melhor 
compreensão do que foi desenvolvido, segue a figura abaixo.
Figura 1 – Esquema de algumas técnicas na 
relação psicanalista/paciente
Fonte: elaborada pela autora.
Para que ocorra a possibilidade de sucesso no tratamento 
psicanalítico, é necessária a aliança terapêutica que é estabelecida 
por meio de um relacionamento, relativamente racional, que 
permite ao paciente trabalhar a favor do tratamento. Essa aliança 
não depende apenas do paciente, mas também, do analista. Pelo 
7
lado desse último, a partir do seu trabalho em tentar compreender e 
superar as resistências do paciente e a aceitação deste como ele é.
Um desafio permanente na prática psicanalítica é a reação 
terapêutica negativa que consiste em um fenômeno que pode 
ser encontrado em alguns tratamentos em que é esperada uma 
melhora no progresso da análise surge um agravamento dos 
sintomas do paciente (LAPLANCHE; PONTALIS, 1995). Esta situação 
é um obstáculo à “cura” que deve ser trabalhado, pois há uma 
manutenção do sofrimento para o paciente.
Como pode ser visto, o posicionamento do analista na clínica é 
muito importante. A técnica para esse profissional não é apenas um 
instrumento que revela segredos ou descobre desejos escondidos. 
O objetivo na clínica psicanalítica é construir com o paciente um 
sentido para a sua vida e desenvolver a sua criatividade, a partir de 
uma relação estabelecida com respeito e ética.
Referências
LAPLANCHE, J; PONTALIS, J-B. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins 
Fontes, 1995.
PARA SABER MAIS
Os mecanismos de defesa foram descritos na Psicanálise por Freud, 
e definidos como ações mentais usadas pelo ego para se proteger 
contra a ansiedade. Em seus estudos, o criador da Psicanálise 
propôs diversos mecanismos como: a regressão; o recalcamento; 
a formação reativa; o isolamento; a introjeção: a projeção; e a 
anulação. Sua filha, Anna Freud, anos depois, introduziu outros 
mecanismos como a sublimação, o deslocamento, a negação e a 
identificação com o agressor. Estes mecanismos são fundamentais 
8
para a prática clínica, na medida em que são processos 
inconscientes que tem como objetivo a proteção contra sentimentos 
e pensamentos difíceis de conviver ou impulsos formados por 
desejos considerados perigosos ou conflitantes. O psicanalista deve 
estar atento para perceber as manifestações dos mecanismos de 
defesa durante as sessões. A seguir serão descritos, brevemente, 
oito mecanismos de defesa.
Recalcamento: é o mecanismo que impede que os impulsos 
ameaçadores, desejos, pensamentos e sentimentos dolorosos 
cheguem à consciência.
Negação: é o mecanismo que nega a realidade exterior, 
desagradável ou insuportável, e a substitui por uma outra realidade 
mais satisfatória.
Regressão: é o mecanismo de retorno para um estágio anterior do 
desenvolvimento, com o objetivo de fugir das situações conflitivas.
Deslocamento: é o mecanismo que consiste em projetar 
sentimentos em relação a uma pessoa para outra que a pessoa 
percebe ser menos ameaçadora.
Projeção: é o mecanismo a partir do qual a pessoa expulsa de si e 
localiza no outro qualidades, sentimentos, desejos que não aceita 
nela.
Isolamento: é o mecanismo que atua de forma a isolar, um 
pensamento ou comportamento, da consciência por causa da sua 
percepção ameaçadora.
Sublimação: é o mecanismo em que ocorre a transformação de 
impulsos inaceitáveis e/ ou egoístas, na pessoa, em realizações 
sociais e/ ou culturais.
9
Formação reativa:é o mecanismo de defesa em que a pessoa quer 
dizer ou fazer algo, entretanto, realiza o contrário, procurando não 
revelar algo inaceitável.
Referências 
FREUD, A. O Ego e os mecanismos de defesa. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 1996.
TEORIA EM PRÁTICA
Fragmento de um caso clínico.
A paciente de 32 anos procura atendimento por problemas 
conjugais, uma queixa frequente em adultos, já que é no trabalho 
e nas relações afetivas que mais se manifestam as consequências 
de conflitos mal resolvidos. Apresenta-se com uma profusão de 
queixas, repetidas exaustivamente, que procuram mostrar como 
o marido não a valoriza, não faz planos conjuntos, trata apenas 
de seus próprios interesses, vive para o trabalho, escuta mais os 
colegas do que ela, e assim por diante. Mesmo que seu relato 
apresente o marido como alguém que não a trata bem, o terapeuta 
sente certa irritação, já que parece não ter outra saída além de se 
aliar a ela na constatação de que o marido a maltrata. O terapeuta 
sente-se pressionado a tomar um partido, e é possível que essa seja 
a intenção inconsciente inicial da paciente.
Reflita sobre os limites do trabalho desse profissional, ou seja, aquilo 
que ele deve ter consciência para não comprometer o trabalho 
psicanalítico. Identifique e destaque os principais pontos que 
deverão ser trabalhados no atendimento da paciente. 
 
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
10
Referências 
MONDRZA, Viviane. Teorias da ação terapêutica. In: EIZIRIK, Claudio. 
Psicoterapia de Orientação Analítica. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
p.115-127.
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a 
videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
O capítulo indicado, da obra de Giovannetti (2018), tem como foco 
dar uma visão do autor sobre a figura do psicanalista, fazendo uma 
descrição do percurso deste profissional a partir de algumas obras de 
Freud. 
Indicações de leitura
11
GIOVANNETTI, M. de F. Clínica Psicanalítica: testemunho e 
hospitalidade. São Paulo: Blucher, 2018, p. 113-125.
Indicação 2
O capítulo indicado, da obra de Riedo e Rosa (2017), tem como 
objetivo apresentar os principais mecanismos de defesa, sua 
finalidade e o seu uso, convidando o leitor a entender como eles se 
desenvolvem no psiquismo.
RIEDO, C. R. F.; ROSA, W. M. de. Matrizes do pensamento 
em Psicologia: Psicanálise. Londrina: Editora e Distribuidora 
Educacional S.A., 2017. p. 61-72.
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
12
1. A __________ constitui um dos maiores obstáculos à efetividade do 
tratamento analítico, predominando nas pessoas a necessidade 
de permanecer doente e não a vontade de se curar. Esse 
fenômeno é denominado:
a. Negação.
b. Transferência amorosa.
c. Transformação rígida.
d. Reação terapêutica negativa.
e. Confrontação
2. No campo da clínica psicanalítica, Freud identificou certo 
fenômeno no qual os sentimentos do paciente para com o 
analista seriam manifestações de uma relação com figuras 
parentais. Tal fenômeno foi inicialmente concebido como 
uma resistência ao tratamento, para depois ser visto como 
sua principal força. Esse fenômeno chama-se:
a. Rememoração.
b. Fantasia.
c. Repetição.
d. Transferência.
e. Idealização
GABARITO
Questão 1 - Resposta D
Resolução: A transferência é o deslocamento dos sentimentos 
atribuídos a pessoas do passado, para a Psicanálise, figuras 
parentais, para pessoas do presente, no caso o analista no 
processo terapêutico. Os demais itens da resposta à questão 
podem fazer parte da sessão psicanalítica, mas não envolvem 
as manifestações de relações com figuras parentais. A 
13
rememoração seria a reativação de lembranças. A fantasia 
compreende a imaginação, o mundo imaginário, seus conteúdos 
e a atividade criadora. A repetição, na Psicanálise, estaria ligada 
ao sintoma do indivíduo. A idealização é um mecanismo de 
defesa que consiste na atribuição de qualidades perfeitas ou 
quase perfeitas a outras pessoas.
Questão 2 - Resposta D
Resolução: A reação terapêutica negativa se caracteriza por 
uma piora paradoxal no estado do paciente, isso quer dizer 
que ele piora quando deveria melhorar. As demais alternativas 
são: a transferência amorosa faz parte do processo analítico 
e é a partir dela que as questões amorosas aparecem, e 
principalmente a lembrança das primeiras relações de amor 
(pais), que são revividas dentro do consultório; a negação é 
um mecanismo de defesa em que a pessoa nega a realidade 
exterior, desagradável ou insuportável, e a substitui por 
uma outra realidade mais satisfatória; a confrontação é uma 
técnica, na Psicanálise, que permite abrir caminho para uma 
interpretação; e, a sublimação é um mecanismo de defesa 
em que impulsos ou idealizações socialmente inaceitáveis são 
transformados em ações ou comportamentos socialmente 
aceitáveis.
A análise cognitiva comportamental 
na clínica 
______________________________________________________________
Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro
Leitura crítica: Itala Daniela da Silva
TEMA 2
15
DIRETO AO PONTO
As terapias cognitivo-comportamentais tiveram como antecessora a 
Terapia Comportamental. O foco da Terapia Comportamental eram 
os comportamentos aprendidos que podiam ser desencadeados 
por estímulos internos e externos. No final dos anos 1960, 
surge um movimento gerado pela insatisfação com os modelos 
comportamentais, que não reconheciam a importância da cognição 
como desencadeadora do comportamento. Em meados da 
década de 1970, vários terapeutas comportamentais começaram 
a se identificar como cognitivo-comportamentais, pelo papel de 
importância dado à cognição nos seus procedimentos terapêuticos.
Alguns modelos terapêuticos podem ser destacados na Terapia 
Cognitivo-Comportamental, cada um com suas particularidades, são 
eles: a terapia racional emotiva comportamental de Albert Ellis; a 
terapia cognitiva de Aaron Beck; e a terapia de esquema de Jeffrey 
Young. A Terapia Racional Emotiva Comportamental dá ênfase nas 
emoções e comportamentos que se originam da forma como o 
indivíduo interpreta a realidade. A função do terapeuta é ajudar o 
cliente com seus pensamentos disfuncionais e substitui-los pelos 
pensamentos racionais e efetivos.
Na terapia cognitiva de Beck, a importância é colocada nas 
categorias atributivas que vão formar as fontes de afeto e as 
condutas funcionais e disfuncionais. A terapia cognitiva vai 
trabalhar, por meio de diversas técnicas a modificação das crenças 
e pensamentos disfuncionais. Por último, a Terapia de Esquema de 
Young, que considera o esquema uma construção que é realizada ao 
longo da vida, a partir de características inatas e experiências vividasna infância.
O tratamento a partir da Terapia Cognitivo-Comportamental é 
realizado de forma estruturada, diretiva, enfatizando o presente 
16
e a relação ativa entre o terapeuta e seu cliente. O terapeuta 
estrutura a sessão de acordo com o problema do cliente, fornece 
feedback sobre o que ocorre com o cliente e orienta a mudança de 
comportamento. No processo terapêutico, vários aspectos, devem 
ser destacados, como: características da pessoa do terapeuta; a 
capacidade empática; e a destreza terapêutica. Algumas barreiras 
podem ocorrer dificultando o desenvolvimento da terapia.
Figura 1 – Barreiras na Terapia Cognitivo-Comportamental
Fonte: elaborada pela autora.
O funcionamento da sessão de Terapia Cognitivo-Comportamental 
deve ser acessível ao cliente. Desde o início do processo terapêutico, 
o cliente é esclarecido sobre os princípios da terapia, seus 
objetivos e os compromissos que devem ser cumpridos para a 
modificação do comportamento disfuncional. As técnicas utilizadas 
para a realização do trabalho terapêutico são várias, entre elas, 
podem ser destacadas: questionamento socrático; experimentos 
comportamentais; relaxamento muscular; enfrentamento gradual; 
treinamento de habilidades sociais; role playing; dessensibilização 
sistemática e registro diário de pensamentos disfuncionais.
PARA SABER MAIS
As distorções cognitivas podem ser consideradas como maneiras 
inadequadas de vivenciar a realidade e que vão acarretar sofrimento 
à pessoa e/ou naqueles que a cercam e com quem convive. Estas 
distorções são formadas pelos pensamentos automáticos, que são 
17
disfuncionais. Estes pensamentos são semelhantes a informações 
emocionais distorcidas, que apresentam como ponto de origem uma 
aprendizagem inadequada, que torna a realidade incoerente em 
relação a crenças já previamente estabelecidas. Serão apresentadas, 
a seguir, algumas distorções:
1- Pensamento dicotômico ou polarizado.
Em geral, nas situações de vida, existem várias formas de interpretá-
las e várias direções a seguir. Quando o pensamento dicotômico ou 
polarizado ocorre, não há possibilidade desses fatos ocorrerem. A 
pessoa, nesta situação, encara a vida a partir de situações opostas e 
muito distantes do tipo “ou é sim ou é não”, revelando inflexibilidade 
no seu pensamento. Um exemplo que poderia ilustrar esta distorção 
seria uma pessoa que está participando de uma seleção para um 
emprego e começa a pensar que se não conseguir este emprego 
é porque é um péssimo profissional. Todas as condições que 
envolvem a situação não são analisadas, e as possibilidades se 
reduzem a apenas duas soluções dicotômicas.
2- Pensamento adivinhatório.
Esse tipo de pensamento pode ser chamado de preditivo ou 
premonitório. São distorções que acarretam hipóteses sem 
fundamento para situações que ainda estão por acontecer. Elas 
podem ser identificadas com aquelas ideias afastadas da realidade 
sobre a própria pessoa ou em relação a como outras pessoas 
podem se comportar. Podem ser exemplificadas a partir de 
colocações como: “Vou a esse encontro, mas não vou saber o que 
falar”; “O novo chefe que vai assumir a minha seção não vai gostar 
de mim”.
18
3- Negativismo.
A distorção cognitiva chamada de negativismo, como o próprio 
nome já evidencia, ocorre quando a pessoa apresenta uma visão 
negativa predominando a sua vida. É como se a pessoa ficasse tão 
voltada para os acontecimentos ruins na sua vida que não consegue 
perceber as situações positivas que a cercam ou que fazem e 
fizeram parte de sua vida. Um exemplo para ilustrar essa situação 
seria o da pessoa que não conseguiu uma viagem como prêmio 
pelo bom desempenho no trabalho e começa a achar que nunca 
foi um bom funcionário, negando todas as viagens de prêmio que 
conseguiu até essa data.
4- Catastrofização.
Esta distorção cognitiva acarreta bastante sofrimento à pessoa 
porque é como se a qualquer momento, com frequência, fosse 
ocorrer o pior com ela. A ansiedade que este tipo de pensamento 
desencadeia é muito grande e, por vezes, a pessoa se impede de 
realizar várias ações por causa do desfecho trágico que ela imagina 
que irá acontecer. Por exemplo, ela pode desistir de viajar porque 
irá sofrer um acidente; pode não ir a uma reunião porque vai ser 
desrespeitado; precisa falar com uma pessoa de sua família na hora 
que decide porque, caso contrário, ela pode ter sofrido um acidente 
e, por isso, não responde ao seu chamado.
5- Maximização e minimização.
Nestes tipos de distorções, ocorre uma inversão de valores realizada 
pela pessoa. Ela destaca muito valor às suas falhas, acarretando 
muito peso a elas e não enxergando que, muitas vezes, não foi 
totalmente sua responsabilidade. Em contrapartida, suas conquistas 
são não consideradas e, com frequência, vistas como um acaso ou 
mérito de outras pessoas.
19
6- Raciocínio emocional.
O raciocínio emocional é uma forma de distorção cognitiva em que 
uma certa forma de pensar transforma as emoções vivenciadas pela 
pessoa em fatos da sua vida. Neste caso, estão aquelas pessoas 
que apresentam um sentimento de desconfiança em relação aos 
outros e, por esta forma de sentir, acredita que todos desconfiam 
dela. Outro exemplo pode ser o da pessoa que se sente nervosa em 
uma reunião e acredita que está desta forma porque as pessoas não 
estão gostando do que ela está falando.
7- Rotulação
Na distorção de pensamento denominada de rotulação, o principal 
não é o que a pessoa faz, mas o papel que ela assume. Ocorre 
quando no lugar da avaliação do próprio erro ou do outro, como 
algo que pode acontecer e é, muitas vezes, até previsível, a pessoa 
avalia de forma desvalorizada a situação, rotulando o agente da 
ação. É o caso de quando uma pessoa comete algum engano, já se 
rotula: “Sou uma imbecil”. Outras vezes, quando alguém fala algo 
que ela não quer ouvir, vem a resposta: “Você é idiota”. 
8- Personificação.
Nessa distorção, a pessoa assume a culpa de tudo o que ocorre nas 
situações que vivencia. É constante, nestas pessoas, os pedidos de 
desculpas, mesmo que as situações não lhe digam respeito ou que 
elas não estejam envolvidas de forma direta. É a situação de dois 
amigos em que um pede desculpas ao outro por não ajudar em um 
trabalho que não era de sua área e competência.
Referências 
WENZEL, A. Inovações em Terapia Cognitivo-Comportamental: intervenções 
estratégicas para uma prática criativa. Porto Alegre: Artmed, 2018.
20
TEORIA EM PRÁTICA
Um homem de 45 anos procurou tratamento porque estava 
insatisfeito com muitas situações em sua vida. Nunca tinha tido 
relacionamento amoroso com nenhum homem ou mulher. Morava 
com os pais, de quem ele cuidava. Ele relatou que tinha duas irmãs 
mais velhas, casadas, que estavam preocupadas com ele, porque 
acreditavam que ele estava deprimido, perdido e sem perspectivas.
O cliente relatou que tinha concluído curso superior, mas não 
exercia sua profissão, pois não gostava de sua escolha. Também não 
gostava do seu emprego atual, porque não conseguia se relacionar 
com seus colegas, tinha certeza de que era considerado fechado e 
incompetente. No trabalho, sentia-se explorado financeiramente, 
mas não sabia como fazer para reivindicar melhores condições.
Durante a fase de avaliação, foi verificado que o cliente apresentava 
vários medos, como: sair sozinho; permanecer em lugares cheios 
de pessoas. Fumava cerca de dois maços de cigarros por dia, estava 
com o peso abaixo daquele considerado adequado à sua idade e 
altura, com recusa em se alimentar, pois preferia fumar nos horários 
das refeições. Dificuldade em gerenciar seu dinheiro, já que gastava 
mais do que devia, de forma impulsiva e para se consolar quando 
estava triste.
Após o período de avaliação, quais seriam os objetivos 
estabelecidos pelo terapeuta e o cliente para o início das mudanças 
comportamentais em um tratamento cognitivo-comportamental?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambientede 
aprendizagem.
21
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
O capítulo indicado tem como foco casos clínicos que decorrem do 
processo avaliativo, que vai permitir levantar hipóteses diagnósticas 
baseadas nas informações reunidas sobre o cliente e formular 
estratégias de atendimento.
WRIGHT, J. H. et al. Avaliação e formulação. In: WRIGHT, J. H. et 
al. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental: um guia 
ilustrado. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Cap. 3. p. 33-47.
Indicações de leitura
22
Indicação 2
O capítulo indicado tem como objetivo examinar e detalhar a 
importância do papel da empatia terapêutica na Terapia Cognitivo-
Comportamental. Além disso, tenta responder ao longo do 
desenvolvimento do trabalho algumas questões, por exemplo, 
evidências científicas sobre a importância do papel da empatia na 
terapia.
BURNS, D. D.; AWERBACH, A. Empatia terapêutica em Terapia 
cognitivo-comportamental: ela realmente faz a diferença? In: 
SALKOVSKIS, P. M. (org.) Fronteiras da Terapia Cognitiva. 2. ed. São 
Paulo: Casa do Psicólogo, 2012. p. 137-162.
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, pode-se afirmar que a 
pessoa aprende a:
a. Reestruturar suas crenças.
b. Interpretar os símbolos.
23
c. Superar a fase da dramatização.
d. Incorporar estruturas mentais atípicas.
e. Tornar consciente o inconsciente.
2. As três proposições a seguir são base de uma teoria e 
técnica psicoterápica: a primeira é o papel fundamental da 
cognição, que afirma que há sempre um processamento 
cognitivo; a segunda defende que a atividade cognitiva pode 
ser controlada e avaliada; e a terceira, que a mudança de 
comportamento pode ser alcançada pela cognição. O texto 
acima se refere a teoria e técnica psicoterápica:
a. Behaviorista.
b. Cognitivo-comportamental.
c. Existencial-humanista.
d. Gestalt-terapia.
e. Psicologia analítica.
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: A reestruturação de crenças é um processo 
psicoterapêutico da Terapia Cognitivo-Comportamental 
(TCC). Os outros procedimentos não fazem parte da Terapia 
Cognitivo-Comportamental. 
Questão 2 - Resposta B
Resolução: A Terapia Cognitivo-Comportamental é a teoria que 
trabalha com a ênfase no papel fundamental da cognição. As 
demais teorias não trabalham com essa ênfase e apresentam 
como objeto de estudo outros fenômenos psicológicos.
Abordagem humanista no 
contexto clínico 
______________________________________________________________
Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro 
Leitura crítica: Itala Daniela da Silva
TEMA 3
25
DIRETO AO PONTO
A Psicologia Humanista independentemente de sua variação teórica 
e técnica é uma abordagem que tem como ponto de encontro 
a crença no potencial humano e na capacidade da pessoa de 
buscar a sua própria felicidade, vivendo uma existência autêntica 
e congruente. Essa escola surgiu no final da década dos anos 
1950 e início dos anos 1960 em meio a uma série de fatores. Foi 
formada uma rede de psicólogos descontentes com os caminhos 
da Psicanálise e da Terapia Comportamental e cujo interesse era 
privilegiar a saúde psicológica e não mais a psicopatologia, se 
afastando do modelo médico.
Várias influências, além do movimento citado acima, foram 
importantes para o seu surgimento, entre elas destacam-se: as 
teorias neopsicanalíticas, com uma nova postura em relação 
ao comportamento do analista; as teorias gestálticas com a sua 
compreensão do homem como um todo; as Psicologias Existenciais, 
com predomínio da corrente filosófica existencialista europeia; 
alguns teóricos independentes das escolas americanas da 
personalidade; e, o movimento da contracultura com suas propostas 
de mudanças culturais, sociais e políticas, buscando uma maior 
harmonia e igualdade entre as pessoas.
A Teoria Humanista enfatiza a autorrealização, o bem-estar, o 
crescimento emocional e a saúde mental como pressupostos 
possíveis de serem alcançados pela pessoa. O seu modelo de 
homem não está vinculado às suas necessidades instintivas e nem 
a um funcionamento como máquina. É um ser consciente, otimista 
e que valoriza suas potencialidades e qualidades, a partir de uma 
avaliação subjetiva das situações em que se encontra envolvido. 
Para entender o comportamento de uma pessoa é necessário 
26
entendê-la. Abraham Maslow e Carl Rogers são considerados os 
expoentes desta abordagem.
Maslow é um estudioso conhecido pela sua teoria da hierarquia 
das necessidades humanas. O ser humano busca no decorrer 
de sua vida satisfazer suas necessidades que direcionam a sua 
motivação. Esquematicamente, Maslow dispôs as necessidades 
em forma de pirâmide tendo na sua base as necessidades mais 
básicas e aumentando a sua complexidade na medida em que 
chega ao seu ápice. As necessidades são representadas da 
seguinte forma: necessidades fisiológicas (comida, sono, sede); 
necessidades de segurança (da família, do corpo, da propriedade); 
necessidades sociais (amor, amizade, família); necessidades de 
estima (reconhecimento, status, reconhecimento); e necessidades de 
realizações pessoais (desenvolvimento pessoal, criatividade, talento). 
A terapia, para Maslow, de acordo com Barduke (2019), é uma 
forma de satisfazer necessidades que no decorrer da vida foram 
frustradas. O terapeuta é um facilitador deste processo levando o 
cliente à promoção de sua autorrealização. O nome dado a esse 
processo psicoterapêutico é terapia do insight.
Carl Rogers foi um importante estudioso que projetou a clínica de 
forma diferente da Psicanálise e da Psiquiatria. Ele desenvolveu um 
procedimento psicoterapêutico que primeiro nomeou de Terapia 
Centrada no Cliente, mas que, posteriormente, ficou conhecida 
como Terapia Centrada na Pessoa. Essa terapia leva em conta 
as subjetividades do cliente e do terapeuta, além de valorizar as 
vivências e as experiências de vida da pessoa. O sujeito, nesta 
abordagem, é considerado em relação dialética com a realidade 
em constante processo de formação e transformação, no seu meio 
que é físico, relacional, sócio-histórico-cultural e fenomenológico 
existencial. Apresenta crenças e convicções que se atualizam no 
decorrer de sua vida, em constante processo de crescimento.
27
Os principais construtos dessa teoria são: organismo, que 
representa a pessoa com a sua formação física e mental; self ou 
autoconceito que envolve o conjunto de percepções do sujeito em 
relação a ele e em relação aos outros, nas diversas áreas de sua 
vida; e congruência/incongruência, em que a primeira designa a 
adequação entre a experiência, a consciência e a comunicação, ou 
seja, as experiências do self e do organismo apresentam harmonia, 
e a última ocorre quando há uma divergência entre as experiências 
do self e do organismo.
Figura 1 – Construtos da Teoria de Rogers
Fonte: elaborada pela autora.Para Rogers, segundo Barduke (2019), a consideração positiva 
incondicional, que é a aceitação do outro como ele é e a tendência 
para a realização, que é a capacidade do indivíduo para construir 
uma vida de realizações, formam a dinâmica da personalidade. A 
partir da prática clínica será realizado o crescimento e a cura do 
cliente. O terapeuta tem uma postura empática e encorajadora, 
mantendo uma relação de pessoa para pessoa com o seu cliente. 
28
Ele incentiva a pessoa a participar deste processo a partir de suas 
experiências vividas.
Referências 
BARDUKE, E. V. Teorias e Técnicas humanistas e Grupoterapias. Salvador: 
SANAR, 2019.
PARA SABER MAIS
Condições para o crescimento do cliente na Terapia Centrada na 
Pessoa: 
O objetivo da terapia, segundo Rogers, é a percepção de integração 
do pensamento, sentimento e comportamento, que fazem parte 
da congruência. O processo terapêutico na Terapia Centrada na 
Pessoa é resultado da ação do cliente, seu envolvimento e seu 
grau de investimento neste processo. O terapeuta é considerado 
um facilitador, entretanto, algumas condições são primordiais 
para que a psicoterapia seja realizada: autenticidade do terapeuta; 
condição positiva incondicional; empatia ou compreensão empática; 
e percepção do cliente, em algum grau, da aceitação e empatia do 
terapeuta.
- Compreensão empática.
É a capacidade do terapeuta compreender o cliente a partir de seus 
próprios pontos de referência. O terapeuta empático não é apenas 
o profissional que reflete os pensamentos do seu cliente, mas 
sim, aquele que auxilia no desenvolvimento de um sentimento de 
autoaceitação, vivenciando uma “experiência emocional corretiva”, 
que é a compreensão de que suas emoções são válidas e fazem 
sentido.
29
- Aceitação incondicional positiva.
É a capacidade do psicólogo aceitar o cliente da forma que ele se 
apresenta, estimulando-o a se aceitar do modo que é, com seus 
valores pessoais. É importante conduzir o cliente dentro de um 
clima de segurança, no ambiente terapêutico, para que ele possa se 
descobrir e ser ele próprio.
- Congruência.
Para Rogers, um dos objetivos da terapia é fazer com que o cliente 
se sinta congruente. A congruência é sinal de saúde mental, 
que pode ser descrita como o grau de exatidão entre o que é 
comunicado e a expressão do que realmente ocorre. O terapeuta 
deve comunicar com respeito e de forma autêntica os seus 
sentimentos e percepções em relação ao seu cliente, levando-o a 
pensar sobre suas atitudes, apoiado pelo acolhimento do terapeuta. 
Referências 
ROGERS, C. Terapia centrada no paciente. São Paulo: Martins Fontes, 1974.
TEORIA EM PRÁTICA
Claudia resolveu buscar tratamento psicoterápico em uma 
abordagem humanista. Serão expostos abaixo alguns dados da 
cliente e fragmentos de sua fala ao terapeuta, que deverão ser 
identificados segundo alguns parâmetros da prática clínica nessa 
abordagem.
Nome: Claudia. Idade: 26 anos.
30
Estado civil: solteira. Ocupação: economista.
Demanda explícita: talvez com uma sessão vou resolver minha 
situação
Demanda implícita: preocupação com o futuro; sentimentos de 
pressão: insatisfação: frustração: não conformada com a escolha de 
sua carreira, o que a leva a problemas econômicos.
Algumas falas de Claudia, no decorrer das sessões deverão ser 
analisadas segundo a Terapia Centrada na Pessoa:
C: Não sei por que não sou a mesma de antes. Sempre buscava 
coisas interessantes, agora não... busco, porém não começo as coisas, 
quando chega o momento de começar, minha mente está em outra 
coisa.
C: Agora me sinto frustrada e, como te falo, enojada de mim mesma 
por não me movimentar para buscar um novo trabalho ou novas 
oportunidades.
C: Sempre é bom falar o que eu penso, porque ao escutar o que falo 
me parece mais real do que quando apenas penso. Quando apenas 
penso parece um pensamento irreal, fugaz. Te falava da minha 
independência econômica que vejo mais para o futuro, digamos que é 
algo novo...
Sua tarefa, neste exercício, deve estar voltada para o entendimento 
do material relatado pela cliente e a sua situação imediata, porque 
é no presente que a cliente se expressa e pode ressignificar suas 
vivências. Bom trabalho!
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
31
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
O artigo indicado tem como foco demonstrar que a eficácia da 
terapia centrada na pessoa está na atitude do terapeuta em 
demonstrar compreensão em relação ao paciente e vê-lo como uma 
pessoa dotada de autoconsciência e autodeterminação para dirigir 
o seu futuro. É utilizado no processo terapêutico um inventário de 
temperamento e caráter que descreve e prevê os aspectos positivos 
e negativos da saúde. A pesquisa conclui que o desenvolvimento do 
bem-estar é realizado por um conjunto sinérgico de mecanismos.
CLONINGER, C. R.; CLONINGER, K. M. Terapêutica centrada na 
pessoa (Tradução). Interação em Psicologia, Paraná, v. 23, n. 2, p. 
322-334, 2019.
Indicações de leitura
32
Indicação 2
Este artigo descreve, uma pesquisa de campo, qualitativa, na área 
da psicoterapia de grupo, a partir de uma abordagem humanista-
fenomenológica, sobre como psicoterapeutas e clientes vivenciam 
esta experiência. O instrumento de avaliação utilizado neste 
trabalho aborda as versões de sentido relatadas por dois terapeutas 
e dez clientes, sujeitos da pesquisa.
CORREIA, K. C. R.; MOREIRA, V. A experiência vivida por 
psicoterapeutas e clientes em psicoterapia de grupo na clínica 
humanista-fenomenológica: uma pesquisa fenomenológica. Psicol. 
USP, São Paulo, v. 27, n. 3, p. 531-541, dez./2016.
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Assinale a resposta correta e mais completa, de acordo com o 
enunciado: 
 
A hierarquia de necessidades de Abraham Maslow é uma 
teoria clássica de motivação, composta pelas necessidades:
33
a. Fisiológica, social e autoconfiança.
b. Social, segurança e estima.
c. Fisiológica, segurança, social, estima e autorrealização.
d. Segurança, autoconfiança e autorrealização.
e. Fisiológica, segurança, social, espiritual e autorrealização.
2. A abordagem terapêutica conhecida como Terapia Centrada 
no Cliente foi criada por: 
a. Daniel Goleman.
b. Robert Hare.
c. Erik Erikson.
d. Abraham Maslow.
e. Carl Rogers.
GABARITO
Questão 1 - Resposta C
Resolução: A alternativa C é a correta porque apresenta todas 
as necessidades estabelecidas por Maslow em sua teoria. As 
alternativas A, B e D estão corretas, mas não estão completas. 
A alternativa E apresenta a necessidade espiritual que não é 
contemplada na teoria de Maslow.
Questão 2 - Resposta E
Resolução: O criador da Terapia Centrada no Cliente foi Carl 
Rogers. Daniela Goleman foi a criadora da teoria da inteligência 
emocional.Robert Hare criou a Escala Hare para avaliar psicopatia. 
Erik Erikson criou a Teoria do Desenvolvimento Psicossexual. 
Abraham Maslow foi o criador da Teoria das Necessidades 
Básicas.
A clínica sob a ótica da Teoria da Gestalt 
______________________________________________________________
Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro 
Leitura crítica: Itala Daniela da Silva
TEMA 4
35
DIRETO AO PONTO
A Gestalt-terapia fez o seu surgimento, em 1951, com a publicação de 
seu primeiro periódico. O fundador desta abordagem foi Fritz Perls, 
que teve como principais colaboradores, na época, Laura Perls e Paul 
Goodman. Esta é uma psicoterapia original e eclética porque, em geral, 
é considerada localizada na intersecção entre a Psicanálise, terapias 
corporais reichianas, psicodrama, fenomenologia existencial e filosofias 
orientais. A existência humana é compreendida a partir das relações 
que são estabelecidas entre o organismo, o campo e o meio. O homem 
deve ser entendido como integrado em seus aspectos sociais, afetivos, 
intelectuais e espirituais.
Os conceitos básicos da Gestalt-terapia são vários e apresentam como 
característica uma interligação entre eles. São conceitos organizados 
para orientar os Gestalt-terapeutas em sua prática. Merecem destaque, 
entre eles: a temporalidade, identificada pelo aqui e agora, que para 
a Gestalt-terapia é a marca da existência da pessoa; a figura-fundo, 
em que o fundo e a figura devem ser fluidos em prol da saúde; a 
homeostase ou autorregulação organísmica que representa a busca de 
equilíbrio que ocorre em todo o organismo na sua relação com o meio; 
o self, integrador de experiências e percepções não apresentando a 
mesma definição de outras teorias psicológicas; e, awareness, que 
está relacionada a um saber associado a uma experiência anterior ao 
processo reflexivo.
Para a terapia gestáltica o contato é fundamental. Ele deve estar ligado 
a um organismo, inserido em um campo e acompanhado de todas 
as interações que possam vir a ocorrer nele. São quatro as fases que 
formam o contato: pré-contato, contato, contato final e pós-contato. 
O contato tem relação direta com a necessidade que determina a sua 
qualidade. Na Gestalt-terapia há a predominância do contato, criando o 
36
ciclo do contato, que pode representar tanto a relação como o bloqueio 
dela.
Figura 2 – Ciclo do contato
Fonte: elaborada pela autora
Além do contato, a Gestalt-terapia enfatiza o papel do corpo. Mente 
e corpo não podem ser isolados e forma a unidade organísmica. A 
corporeidade é a experiência do corpo vivida no mundo. Os gestos 
corporais têm relação com a percepção da pessoa em uma dada 
situação. As técnicas na Gestalt-terapia são inúmeras e variadas 
em relação ao corpo, à fantasia e à realidade. Os objetivos destas 
técnicas são inúmeros e vão desde o aumento da consciência das 
situações, a amplificação dos insights, a dramatização, o trabalho 
37
com polaridades, a ampliação da percepção até o trabalho com os 
sonhos, de uma forma diferente da Psicanálise.
Na relação cliente-terapeuta, na Gestalt-terapia, não há espaço para 
rótulos e diagnósticos tradicionais porque a forma de compreender 
o cliente com seu sofrimento é diferente. Por exemplo, a neurose é 
percebida como um excesso de gestalts não acabadas, originárias de 
necessidades que não foram satisfeitas, que acarretam constantes 
problemas entre o organismo e o meio. O trabalho terapêutico, 
nestes casos, é ampliar a consciência do sujeito sobre o seu modo 
de vida, sobre o que ele faz e o que não faz, possibilitando que ele 
alcance o seu equilíbrio.
PARA SABER MAIS
A questão do diagnóstico na Gestalt-terapia: 
Em geral, na clínica psicológica, o diagnóstico é considerado como 
uma investigação que vai possibilitar a intervenção psicoterapêutica. 
Esse modelo não é o utilizado pela Gestalt-terapia, em razão de 
sua visão de homem e o que considera ser um tratamento. A partir 
destes pressupostos teóricos, um diagnóstico, para esta abordagem, 
deve conter não apenas o sofrimento e as dificuldades da pessoa, 
mas, também, suas qualidades e potencialidades.
O diagnóstico é um processo dinâmico que acontece durante todo o 
tratamento psicoterápico, em contínua construção e desconstrução 
de gestalts. Ele não é um rótulo que retira a individualidade 
da pessoa e a marginaliza para a sociedade, sendo de pouca 
ajuda para a compreensão do cliente. Não se trata de abolir as 
classificações diagnósticas porque elas têm a sua importância no 
trabalho interdisciplinar porque promovem uma linguagem comum. 
Entretanto, para a Gestalt-terapia elas não são suficientes para a 
38
realização do trabalho clínico, visto que, é necessário ter um olhar 
sobre o dinamismo e a complexidade de cada pessoa.
Ao longo do atendimento psicoterápico, esse diagnóstico, chamado 
de processual por Frazão (2015), vai sendo realizado, identificando 
formas de ajustes funcionais, criativos e não funcionais, que não 
apresentam características de criatividade. O importante é que o 
terapeuta perceba como o cliente está em cada etapa do processo 
psicoterápico. O cliente relata uma situação, que é considerada 
figura, que está inserida em sua história de vida que é o fundo. 
Desta forma, é preciso compreender a relação entre o aqui e agora e 
entre a figura e o fundo.
O diagnóstico deve ser compreendido como um processo descritivo 
e compreensivo de cada indivíduo, em sua subjetividade e 
existência. Cada motivo de procura psicoterápica deve ser analisado 
a partir do que significa na vida da pessoa e qual o seu objetivo. O 
diagnóstico não deve estar ligado a uma descrição psicopatológica, 
mas sim, ao modo de existir da pessoa como um todo, em que o 
seu problema é uma parte de sua existência, entretanto, não é a 
totalidade de sua vida.
Referências 
FRAZÃO, L. M. Compreensão clínica em Gestalt-terapia: pensamento 
diagnóstico processual e ajustamentos criativos funcionais e disfuncionais. In: 
FRAZÃO, L. M.; FUKUMITSU, K. O. A clínica, a relação terapêutica e o manejo 
em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2015, p. 83-102..
TEORIA EM PRÁTICA
Fulano é um cliente de 30 anos, casado, com um filho de 2 anos que 
iniciou sua terapia seis meses passados. Na sua infância perdeu 
39
seu pai aos dois anos e foi criado junto com suas três irmãs, pela 
mãe e pelo padrasto com quem nunca se deu bem. Com frequência 
procura suas irmãs, bem mais velhas do que ele, para escutar 
histórias sobre o seu pai, como ele era e o que gostava de fazer. 
Sabia, por meio delas, que era uma criança muito amada pelo pai, 
principalmente, por ser um menino. Fulano falava em algumas 
sessões sobre a perda de seu pai e de como se sentia triste, com uma 
sensação de vazio e com medo de perder as pessoas que amava. Em 
uma determinada sessão, Fulano trouxe o retrato de seu pai.
Reflita sobre o trabalho do Gestalt-terapeuta e suas possibilidades 
técnicas. Como um Gestalt-terapeuta poderia entender a situação de 
Fulano? Qual estratégia técnica, o Gestalt-terapeuta poderia utilizar 
na sessão para melhorar o estado emocional de seu cliente? 
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
Indicações de leitura
40
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossaBiblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
No capítulo indicado, a autora aborda as mudanças sociais que 
ocorreram na sociedade e na qualidade das relações sociais, sob 
o olhar da Sociologia de Bauman e, também, das pesquisas das 
neurociências que têm sido referenciadas por diversos autores 
contemporâneos da Gestalt. É discutido no artigo, a importância da 
Gestalt-terapia na atualidade.
POPPA, Carla. Atualizações na concepção de saúde e adoecimento 
na abordagem gestáltica. In: MARRAS, M. (org.). Angústias 
contemporâneas e Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2020. p. 7.
Indicação 2
O capítulo indicado tem como foco a descrição de um caso clínico de 
uma mulher idosa que busca a terapia com um quadro de ansiedade 
e fobias. No artigo é realizada uma compreensão gestáltica sobre o 
processo de psicoterapêutico desta cliente.
YANO, L. P.; MENDES, A. de O. Rosa: da ansiedade pela perda 
do outro à awareness sobre a perda de si. In: FRAZÃO, L. M.; 
FUKUMITSU, K. O. (org.). Situações clínicas em Gestalt-terapia. São 
Paulo: Summus, 2019. p. 82-96.
41
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Com relação à Gestalt-terapia, é correto afirmar:
a. Sua abordagem central encontra-se no conceito do aqui-agora, 
sendo o presente fundamental para essa corrente.
b. Na sua abordagem central o inconsciente é considerado da 
mesma forma que na Psicanálise.
c. A valorização da realidade temporal não está entre os seus 
conceitos principais.
d. Jacob Levy Moreno é um dos fundadores da Gestalt-terapia.
e. A Gestalt-terapia nasceu da relação entre o teatro e a 
psicoterapia.
2. Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman são considerados 
idealizadores de uma importante teoria psicológica. Trata-se da:
a. Terapia Gestalt.
b. Terapia Centrada na Pessoa.
c. Terapia Psicodramática.
d. Terapia de Hierarquia de necessidades.
e. Terapia da Constelação.
42
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: A abordagem da Gestalt-terapia privilegia o conceito 
aqui-agora pela sua proposta de responsabilidade com a realidade 
vivida. A Psicanálise aborda o conceito de inconsciente de forma 
única em relação às demais teorias psicológicas. A valorização da 
realidade temporal é fundamental para a Gestalt-terapia porque 
a partir dela se constitui o entendimento do sujeito. Jacob Levy 
Moreno é o criador do psicodrama. O psicodrama nasceu da 
relação entre o teatro e a psicoterapia.
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman foram os 
expoentes da Gestalt-terapia. Carl Rogers foi o idealizador da 
Terapia centrada na pessoa. A teoria psicodramática teve Jacob 
Levy Moreno como seu iniciador. A terapia da hierarquia das 
necessidades foi idealizada por Abraham Maslow. A terapia da 
Constelação foi criada por Bert Hellinger.
BONS ESTUDOS!
	Apresentação da disciplina
	Introdução
	TEMA 1
	Direto ao ponto
	Para saber mais 
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 2
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 3
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Leitura fundamental
	Quiz
	Gabarito
	TEMA 4
	Direto ao ponto
	Para saber mais
	Teoria em prática
	Quiz
	Gabarito
	Inicio 2: 
	Botão TEMA 4: 
	Botão TEMA 1: 
	Botão TEMA 2: 
	Botão TEMA 3: 
	Botão TEMA 9: 
	Inicio :

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