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WBA0938_v1.0 APRENDIZAGEM EM FOCO PRINCIPAIS ABORDAGENS EM PSICOLOGIA CLÍNICA 2 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro Leitura crítica: Itala Daniela da Silva A Psicologia é uma ciência instigante e composta por diferentes áreas de atuação. Entre estas áreas está a Psicologia Clínica, cuja expressão foi usada pela primeira vez em 1896, por Witmer, para descrever os trabalhos de avaliação com crianças deficientes físicas e mentais. Após a Segunda Guerra Mundial, a Psicologia Clínica e suas diferentes abordagens tiveram um maior avanço decorrente do lugar de destaque que a Psicologia, de uma forma geral, veio a ocupar na sociedade. Esta disciplina apresenta como um dos objetivos levar você a compreender os principais fundamentos teóricos e técnicos da clínica psicanalítica, cognitivo-comportamental, humanista e gestáltica. Outro objetivo de igual importância é entender as principais técnicas utilizadas por estas abordagens na área clínica. Por último, mas não menos importante, é o objetivo de identificar as principais diferenças entre as abordagens no que se refere ao referencial teórico, técnicas e relação terapeuta-cliente. O conteúdo que abrange a disciplina está dividido em quatro escolas: Psicanálise, Cognitivo-Comportamental, Humanista e Gestalt. Em cada uma delas são apresentados, principalmente, seus pressupostos teóricos e técnicos, a relação estabelecida entre o terapeuta e o cliente e os procedimentos técnicos utilizados no atendimento clínico. A disciplina Principais Abordagens na Psicologia Clínica tem o propósito de fundamentar e orientar seus estudos nesta área, de forma que você tenha um aperfeiçoamento cada vez maior na sua prática clínica. Vamos começar? 3 INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática profissional. Vem conosco! A clínica sob a perspectiva psicanalítica ______________________________________________________________ Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro Leitura crítica: Itala Daniela da Silva TEMA 1 5 DIRETO AO PONTO Muitos conceitos e recomendações técnicas permanecem inalterados ao longo dos anos, apesar das inúmeras contribuições que possibilitaram a evolução e expansão da Psicanálise. A fundamentação teórica e a utilização da técnica, na prática clínica, permitirão ao analista investigar a causa das queixas que levaram o paciente ao tratamento. A partir de sua história de vida, seus sentimentos, suas fantasias e suas formas de se relacionar na relação terapêutica, será realizada uma busca de sua compreensão, de forma mais profunda, para que seja possível o seu desenvolvimento emocional. Este breve resumo de alguns manejos da técnica psicanalítica serve como ponto de partida para um contato mais próximo com esse instrumental de investigação dos processos inconscientes. A interpretação é o fundamento da clínica psicanalítica. A interpretação realizada pelo analista a partir do material trazido para a sessão pelo paciente, informa e dá a ele a possibilidade de organizar uma nova forma de pensar, de mudar o seu modo de ver a vida e as situações pelas quais vive. Pode haver um momento, no tratamento, que seja necessária a confrontação que mostra ao paciente duas situações contrapostas, com a intenção de colocá-lo em um dilema, para que perceba a contradição. Em uma outra situação, durante o tratamento, pode ocorrer a clarificação que procura identificar algo que o indivíduo sabe, mas não percebe de forma clara. A partir das situações destacadas, há o favorecimento do insight do paciente, que é um processo muito específico resultado de uma série de momentos de elaboração, provenientes do trabalho interpretativo do analista. 6 Todas essas intervenções do analista ocorrem a partir da relação transferencial. A transferência é um fenômeno universal e espontâneo, que alia o passado ao presente em uma superposição de pessoas e desejos, que não são conscientes para o sujeito e onde o afeto não parece adequado, nem em qualidade e nem em quantidade, à situação real. Pelo lado do analista existe a contratransferência. Assim como o analisado faz a sua transferência, o analista também é afetado no trabalho psicoterapêutico, pelos seus sentimentos inconscientes despertados na relação com seu paciente. Para uma melhor compreensão do que foi desenvolvido, segue a figura abaixo. Figura 1 – Esquema de algumas técnicas na relação psicanalista/paciente Fonte: elaborada pela autora. Para que ocorra a possibilidade de sucesso no tratamento psicanalítico, é necessária a aliança terapêutica que é estabelecida por meio de um relacionamento, relativamente racional, que permite ao paciente trabalhar a favor do tratamento. Essa aliança não depende apenas do paciente, mas também, do analista. Pelo 7 lado desse último, a partir do seu trabalho em tentar compreender e superar as resistências do paciente e a aceitação deste como ele é. Um desafio permanente na prática psicanalítica é a reação terapêutica negativa que consiste em um fenômeno que pode ser encontrado em alguns tratamentos em que é esperada uma melhora no progresso da análise surge um agravamento dos sintomas do paciente (LAPLANCHE; PONTALIS, 1995). Esta situação é um obstáculo à “cura” que deve ser trabalhado, pois há uma manutenção do sofrimento para o paciente. Como pode ser visto, o posicionamento do analista na clínica é muito importante. A técnica para esse profissional não é apenas um instrumento que revela segredos ou descobre desejos escondidos. O objetivo na clínica psicanalítica é construir com o paciente um sentido para a sua vida e desenvolver a sua criatividade, a partir de uma relação estabelecida com respeito e ética. Referências LAPLANCHE, J; PONTALIS, J-B. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1995. PARA SABER MAIS Os mecanismos de defesa foram descritos na Psicanálise por Freud, e definidos como ações mentais usadas pelo ego para se proteger contra a ansiedade. Em seus estudos, o criador da Psicanálise propôs diversos mecanismos como: a regressão; o recalcamento; a formação reativa; o isolamento; a introjeção: a projeção; e a anulação. Sua filha, Anna Freud, anos depois, introduziu outros mecanismos como a sublimação, o deslocamento, a negação e a identificação com o agressor. Estes mecanismos são fundamentais 8 para a prática clínica, na medida em que são processos inconscientes que tem como objetivo a proteção contra sentimentos e pensamentos difíceis de conviver ou impulsos formados por desejos considerados perigosos ou conflitantes. O psicanalista deve estar atento para perceber as manifestações dos mecanismos de defesa durante as sessões. A seguir serão descritos, brevemente, oito mecanismos de defesa. Recalcamento: é o mecanismo que impede que os impulsos ameaçadores, desejos, pensamentos e sentimentos dolorosos cheguem à consciência. Negação: é o mecanismo que nega a realidade exterior, desagradável ou insuportável, e a substitui por uma outra realidade mais satisfatória. Regressão: é o mecanismo de retorno para um estágio anterior do desenvolvimento, com o objetivo de fugir das situações conflitivas. Deslocamento: é o mecanismo que consiste em projetar sentimentos em relação a uma pessoa para outra que a pessoa percebe ser menos ameaçadora. Projeção: é o mecanismo a partir do qual a pessoa expulsa de si e localiza no outro qualidades, sentimentos, desejos que não aceita nela. Isolamento: é o mecanismo que atua de forma a isolar, um pensamento ou comportamento, da consciência por causa da sua percepção ameaçadora. Sublimação: é o mecanismo em que ocorre a transformação de impulsos inaceitáveis e/ ou egoístas, na pessoa, em realizações sociais e/ ou culturais. 9 Formação reativa:é o mecanismo de defesa em que a pessoa quer dizer ou fazer algo, entretanto, realiza o contrário, procurando não revelar algo inaceitável. Referências FREUD, A. O Ego e os mecanismos de defesa. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. TEORIA EM PRÁTICA Fragmento de um caso clínico. A paciente de 32 anos procura atendimento por problemas conjugais, uma queixa frequente em adultos, já que é no trabalho e nas relações afetivas que mais se manifestam as consequências de conflitos mal resolvidos. Apresenta-se com uma profusão de queixas, repetidas exaustivamente, que procuram mostrar como o marido não a valoriza, não faz planos conjuntos, trata apenas de seus próprios interesses, vive para o trabalho, escuta mais os colegas do que ela, e assim por diante. Mesmo que seu relato apresente o marido como alguém que não a trata bem, o terapeuta sente certa irritação, já que parece não ter outra saída além de se aliar a ela na constatação de que o marido a maltrata. O terapeuta sente-se pressionado a tomar um partido, e é possível que essa seja a intenção inconsciente inicial da paciente. Reflita sobre os limites do trabalho desse profissional, ou seja, aquilo que ele deve ter consciência para não comprometer o trabalho psicanalítico. Identifique e destaque os principais pontos que deverão ser trabalhados no atendimento da paciente. Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 10 Referências MONDRZA, Viviane. Teorias da ação terapêutica. In: EIZIRIK, Claudio. Psicoterapia de Orientação Analítica. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. p.115-127. Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 O capítulo indicado, da obra de Giovannetti (2018), tem como foco dar uma visão do autor sobre a figura do psicanalista, fazendo uma descrição do percurso deste profissional a partir de algumas obras de Freud. Indicações de leitura 11 GIOVANNETTI, M. de F. Clínica Psicanalítica: testemunho e hospitalidade. São Paulo: Blucher, 2018, p. 113-125. Indicação 2 O capítulo indicado, da obra de Riedo e Rosa (2017), tem como objetivo apresentar os principais mecanismos de defesa, sua finalidade e o seu uso, convidando o leitor a entender como eles se desenvolvem no psiquismo. RIEDO, C. R. F.; ROSA, W. M. de. Matrizes do pensamento em Psicologia: Psicanálise. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. p. 61-72. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 12 1. A __________ constitui um dos maiores obstáculos à efetividade do tratamento analítico, predominando nas pessoas a necessidade de permanecer doente e não a vontade de se curar. Esse fenômeno é denominado: a. Negação. b. Transferência amorosa. c. Transformação rígida. d. Reação terapêutica negativa. e. Confrontação 2. No campo da clínica psicanalítica, Freud identificou certo fenômeno no qual os sentimentos do paciente para com o analista seriam manifestações de uma relação com figuras parentais. Tal fenômeno foi inicialmente concebido como uma resistência ao tratamento, para depois ser visto como sua principal força. Esse fenômeno chama-se: a. Rememoração. b. Fantasia. c. Repetição. d. Transferência. e. Idealização GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: A transferência é o deslocamento dos sentimentos atribuídos a pessoas do passado, para a Psicanálise, figuras parentais, para pessoas do presente, no caso o analista no processo terapêutico. Os demais itens da resposta à questão podem fazer parte da sessão psicanalítica, mas não envolvem as manifestações de relações com figuras parentais. A 13 rememoração seria a reativação de lembranças. A fantasia compreende a imaginação, o mundo imaginário, seus conteúdos e a atividade criadora. A repetição, na Psicanálise, estaria ligada ao sintoma do indivíduo. A idealização é um mecanismo de defesa que consiste na atribuição de qualidades perfeitas ou quase perfeitas a outras pessoas. Questão 2 - Resposta D Resolução: A reação terapêutica negativa se caracteriza por uma piora paradoxal no estado do paciente, isso quer dizer que ele piora quando deveria melhorar. As demais alternativas são: a transferência amorosa faz parte do processo analítico e é a partir dela que as questões amorosas aparecem, e principalmente a lembrança das primeiras relações de amor (pais), que são revividas dentro do consultório; a negação é um mecanismo de defesa em que a pessoa nega a realidade exterior, desagradável ou insuportável, e a substitui por uma outra realidade mais satisfatória; a confrontação é uma técnica, na Psicanálise, que permite abrir caminho para uma interpretação; e, a sublimação é um mecanismo de defesa em que impulsos ou idealizações socialmente inaceitáveis são transformados em ações ou comportamentos socialmente aceitáveis. A análise cognitiva comportamental na clínica ______________________________________________________________ Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro Leitura crítica: Itala Daniela da Silva TEMA 2 15 DIRETO AO PONTO As terapias cognitivo-comportamentais tiveram como antecessora a Terapia Comportamental. O foco da Terapia Comportamental eram os comportamentos aprendidos que podiam ser desencadeados por estímulos internos e externos. No final dos anos 1960, surge um movimento gerado pela insatisfação com os modelos comportamentais, que não reconheciam a importância da cognição como desencadeadora do comportamento. Em meados da década de 1970, vários terapeutas comportamentais começaram a se identificar como cognitivo-comportamentais, pelo papel de importância dado à cognição nos seus procedimentos terapêuticos. Alguns modelos terapêuticos podem ser destacados na Terapia Cognitivo-Comportamental, cada um com suas particularidades, são eles: a terapia racional emotiva comportamental de Albert Ellis; a terapia cognitiva de Aaron Beck; e a terapia de esquema de Jeffrey Young. A Terapia Racional Emotiva Comportamental dá ênfase nas emoções e comportamentos que se originam da forma como o indivíduo interpreta a realidade. A função do terapeuta é ajudar o cliente com seus pensamentos disfuncionais e substitui-los pelos pensamentos racionais e efetivos. Na terapia cognitiva de Beck, a importância é colocada nas categorias atributivas que vão formar as fontes de afeto e as condutas funcionais e disfuncionais. A terapia cognitiva vai trabalhar, por meio de diversas técnicas a modificação das crenças e pensamentos disfuncionais. Por último, a Terapia de Esquema de Young, que considera o esquema uma construção que é realizada ao longo da vida, a partir de características inatas e experiências vividasna infância. O tratamento a partir da Terapia Cognitivo-Comportamental é realizado de forma estruturada, diretiva, enfatizando o presente 16 e a relação ativa entre o terapeuta e seu cliente. O terapeuta estrutura a sessão de acordo com o problema do cliente, fornece feedback sobre o que ocorre com o cliente e orienta a mudança de comportamento. No processo terapêutico, vários aspectos, devem ser destacados, como: características da pessoa do terapeuta; a capacidade empática; e a destreza terapêutica. Algumas barreiras podem ocorrer dificultando o desenvolvimento da terapia. Figura 1 – Barreiras na Terapia Cognitivo-Comportamental Fonte: elaborada pela autora. O funcionamento da sessão de Terapia Cognitivo-Comportamental deve ser acessível ao cliente. Desde o início do processo terapêutico, o cliente é esclarecido sobre os princípios da terapia, seus objetivos e os compromissos que devem ser cumpridos para a modificação do comportamento disfuncional. As técnicas utilizadas para a realização do trabalho terapêutico são várias, entre elas, podem ser destacadas: questionamento socrático; experimentos comportamentais; relaxamento muscular; enfrentamento gradual; treinamento de habilidades sociais; role playing; dessensibilização sistemática e registro diário de pensamentos disfuncionais. PARA SABER MAIS As distorções cognitivas podem ser consideradas como maneiras inadequadas de vivenciar a realidade e que vão acarretar sofrimento à pessoa e/ou naqueles que a cercam e com quem convive. Estas distorções são formadas pelos pensamentos automáticos, que são 17 disfuncionais. Estes pensamentos são semelhantes a informações emocionais distorcidas, que apresentam como ponto de origem uma aprendizagem inadequada, que torna a realidade incoerente em relação a crenças já previamente estabelecidas. Serão apresentadas, a seguir, algumas distorções: 1- Pensamento dicotômico ou polarizado. Em geral, nas situações de vida, existem várias formas de interpretá- las e várias direções a seguir. Quando o pensamento dicotômico ou polarizado ocorre, não há possibilidade desses fatos ocorrerem. A pessoa, nesta situação, encara a vida a partir de situações opostas e muito distantes do tipo “ou é sim ou é não”, revelando inflexibilidade no seu pensamento. Um exemplo que poderia ilustrar esta distorção seria uma pessoa que está participando de uma seleção para um emprego e começa a pensar que se não conseguir este emprego é porque é um péssimo profissional. Todas as condições que envolvem a situação não são analisadas, e as possibilidades se reduzem a apenas duas soluções dicotômicas. 2- Pensamento adivinhatório. Esse tipo de pensamento pode ser chamado de preditivo ou premonitório. São distorções que acarretam hipóteses sem fundamento para situações que ainda estão por acontecer. Elas podem ser identificadas com aquelas ideias afastadas da realidade sobre a própria pessoa ou em relação a como outras pessoas podem se comportar. Podem ser exemplificadas a partir de colocações como: “Vou a esse encontro, mas não vou saber o que falar”; “O novo chefe que vai assumir a minha seção não vai gostar de mim”. 18 3- Negativismo. A distorção cognitiva chamada de negativismo, como o próprio nome já evidencia, ocorre quando a pessoa apresenta uma visão negativa predominando a sua vida. É como se a pessoa ficasse tão voltada para os acontecimentos ruins na sua vida que não consegue perceber as situações positivas que a cercam ou que fazem e fizeram parte de sua vida. Um exemplo para ilustrar essa situação seria o da pessoa que não conseguiu uma viagem como prêmio pelo bom desempenho no trabalho e começa a achar que nunca foi um bom funcionário, negando todas as viagens de prêmio que conseguiu até essa data. 4- Catastrofização. Esta distorção cognitiva acarreta bastante sofrimento à pessoa porque é como se a qualquer momento, com frequência, fosse ocorrer o pior com ela. A ansiedade que este tipo de pensamento desencadeia é muito grande e, por vezes, a pessoa se impede de realizar várias ações por causa do desfecho trágico que ela imagina que irá acontecer. Por exemplo, ela pode desistir de viajar porque irá sofrer um acidente; pode não ir a uma reunião porque vai ser desrespeitado; precisa falar com uma pessoa de sua família na hora que decide porque, caso contrário, ela pode ter sofrido um acidente e, por isso, não responde ao seu chamado. 5- Maximização e minimização. Nestes tipos de distorções, ocorre uma inversão de valores realizada pela pessoa. Ela destaca muito valor às suas falhas, acarretando muito peso a elas e não enxergando que, muitas vezes, não foi totalmente sua responsabilidade. Em contrapartida, suas conquistas são não consideradas e, com frequência, vistas como um acaso ou mérito de outras pessoas. 19 6- Raciocínio emocional. O raciocínio emocional é uma forma de distorção cognitiva em que uma certa forma de pensar transforma as emoções vivenciadas pela pessoa em fatos da sua vida. Neste caso, estão aquelas pessoas que apresentam um sentimento de desconfiança em relação aos outros e, por esta forma de sentir, acredita que todos desconfiam dela. Outro exemplo pode ser o da pessoa que se sente nervosa em uma reunião e acredita que está desta forma porque as pessoas não estão gostando do que ela está falando. 7- Rotulação Na distorção de pensamento denominada de rotulação, o principal não é o que a pessoa faz, mas o papel que ela assume. Ocorre quando no lugar da avaliação do próprio erro ou do outro, como algo que pode acontecer e é, muitas vezes, até previsível, a pessoa avalia de forma desvalorizada a situação, rotulando o agente da ação. É o caso de quando uma pessoa comete algum engano, já se rotula: “Sou uma imbecil”. Outras vezes, quando alguém fala algo que ela não quer ouvir, vem a resposta: “Você é idiota”. 8- Personificação. Nessa distorção, a pessoa assume a culpa de tudo o que ocorre nas situações que vivencia. É constante, nestas pessoas, os pedidos de desculpas, mesmo que as situações não lhe digam respeito ou que elas não estejam envolvidas de forma direta. É a situação de dois amigos em que um pede desculpas ao outro por não ajudar em um trabalho que não era de sua área e competência. Referências WENZEL, A. Inovações em Terapia Cognitivo-Comportamental: intervenções estratégicas para uma prática criativa. Porto Alegre: Artmed, 2018. 20 TEORIA EM PRÁTICA Um homem de 45 anos procurou tratamento porque estava insatisfeito com muitas situações em sua vida. Nunca tinha tido relacionamento amoroso com nenhum homem ou mulher. Morava com os pais, de quem ele cuidava. Ele relatou que tinha duas irmãs mais velhas, casadas, que estavam preocupadas com ele, porque acreditavam que ele estava deprimido, perdido e sem perspectivas. O cliente relatou que tinha concluído curso superior, mas não exercia sua profissão, pois não gostava de sua escolha. Também não gostava do seu emprego atual, porque não conseguia se relacionar com seus colegas, tinha certeza de que era considerado fechado e incompetente. No trabalho, sentia-se explorado financeiramente, mas não sabia como fazer para reivindicar melhores condições. Durante a fase de avaliação, foi verificado que o cliente apresentava vários medos, como: sair sozinho; permanecer em lugares cheios de pessoas. Fumava cerca de dois maços de cigarros por dia, estava com o peso abaixo daquele considerado adequado à sua idade e altura, com recusa em se alimentar, pois preferia fumar nos horários das refeições. Dificuldade em gerenciar seu dinheiro, já que gastava mais do que devia, de forma impulsiva e para se consolar quando estava triste. Após o período de avaliação, quais seriam os objetivos estabelecidos pelo terapeuta e o cliente para o início das mudanças comportamentais em um tratamento cognitivo-comportamental? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambientede aprendizagem. 21 LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 O capítulo indicado tem como foco casos clínicos que decorrem do processo avaliativo, que vai permitir levantar hipóteses diagnósticas baseadas nas informações reunidas sobre o cliente e formular estratégias de atendimento. WRIGHT, J. H. et al. Avaliação e formulação. In: WRIGHT, J. H. et al. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental: um guia ilustrado. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Cap. 3. p. 33-47. Indicações de leitura 22 Indicação 2 O capítulo indicado tem como objetivo examinar e detalhar a importância do papel da empatia terapêutica na Terapia Cognitivo- Comportamental. Além disso, tenta responder ao longo do desenvolvimento do trabalho algumas questões, por exemplo, evidências científicas sobre a importância do papel da empatia na terapia. BURNS, D. D.; AWERBACH, A. Empatia terapêutica em Terapia cognitivo-comportamental: ela realmente faz a diferença? In: SALKOVSKIS, P. M. (org.) Fronteiras da Terapia Cognitiva. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012. p. 137-162. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, pode-se afirmar que a pessoa aprende a: a. Reestruturar suas crenças. b. Interpretar os símbolos. 23 c. Superar a fase da dramatização. d. Incorporar estruturas mentais atípicas. e. Tornar consciente o inconsciente. 2. As três proposições a seguir são base de uma teoria e técnica psicoterápica: a primeira é o papel fundamental da cognição, que afirma que há sempre um processamento cognitivo; a segunda defende que a atividade cognitiva pode ser controlada e avaliada; e a terceira, que a mudança de comportamento pode ser alcançada pela cognição. O texto acima se refere a teoria e técnica psicoterápica: a. Behaviorista. b. Cognitivo-comportamental. c. Existencial-humanista. d. Gestalt-terapia. e. Psicologia analítica. GABARITO Questão 1 - Resposta A Resolução: A reestruturação de crenças é um processo psicoterapêutico da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Os outros procedimentos não fazem parte da Terapia Cognitivo-Comportamental. Questão 2 - Resposta B Resolução: A Terapia Cognitivo-Comportamental é a teoria que trabalha com a ênfase no papel fundamental da cognição. As demais teorias não trabalham com essa ênfase e apresentam como objeto de estudo outros fenômenos psicológicos. Abordagem humanista no contexto clínico ______________________________________________________________ Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro Leitura crítica: Itala Daniela da Silva TEMA 3 25 DIRETO AO PONTO A Psicologia Humanista independentemente de sua variação teórica e técnica é uma abordagem que tem como ponto de encontro a crença no potencial humano e na capacidade da pessoa de buscar a sua própria felicidade, vivendo uma existência autêntica e congruente. Essa escola surgiu no final da década dos anos 1950 e início dos anos 1960 em meio a uma série de fatores. Foi formada uma rede de psicólogos descontentes com os caminhos da Psicanálise e da Terapia Comportamental e cujo interesse era privilegiar a saúde psicológica e não mais a psicopatologia, se afastando do modelo médico. Várias influências, além do movimento citado acima, foram importantes para o seu surgimento, entre elas destacam-se: as teorias neopsicanalíticas, com uma nova postura em relação ao comportamento do analista; as teorias gestálticas com a sua compreensão do homem como um todo; as Psicologias Existenciais, com predomínio da corrente filosófica existencialista europeia; alguns teóricos independentes das escolas americanas da personalidade; e, o movimento da contracultura com suas propostas de mudanças culturais, sociais e políticas, buscando uma maior harmonia e igualdade entre as pessoas. A Teoria Humanista enfatiza a autorrealização, o bem-estar, o crescimento emocional e a saúde mental como pressupostos possíveis de serem alcançados pela pessoa. O seu modelo de homem não está vinculado às suas necessidades instintivas e nem a um funcionamento como máquina. É um ser consciente, otimista e que valoriza suas potencialidades e qualidades, a partir de uma avaliação subjetiva das situações em que se encontra envolvido. Para entender o comportamento de uma pessoa é necessário 26 entendê-la. Abraham Maslow e Carl Rogers são considerados os expoentes desta abordagem. Maslow é um estudioso conhecido pela sua teoria da hierarquia das necessidades humanas. O ser humano busca no decorrer de sua vida satisfazer suas necessidades que direcionam a sua motivação. Esquematicamente, Maslow dispôs as necessidades em forma de pirâmide tendo na sua base as necessidades mais básicas e aumentando a sua complexidade na medida em que chega ao seu ápice. As necessidades são representadas da seguinte forma: necessidades fisiológicas (comida, sono, sede); necessidades de segurança (da família, do corpo, da propriedade); necessidades sociais (amor, amizade, família); necessidades de estima (reconhecimento, status, reconhecimento); e necessidades de realizações pessoais (desenvolvimento pessoal, criatividade, talento). A terapia, para Maslow, de acordo com Barduke (2019), é uma forma de satisfazer necessidades que no decorrer da vida foram frustradas. O terapeuta é um facilitador deste processo levando o cliente à promoção de sua autorrealização. O nome dado a esse processo psicoterapêutico é terapia do insight. Carl Rogers foi um importante estudioso que projetou a clínica de forma diferente da Psicanálise e da Psiquiatria. Ele desenvolveu um procedimento psicoterapêutico que primeiro nomeou de Terapia Centrada no Cliente, mas que, posteriormente, ficou conhecida como Terapia Centrada na Pessoa. Essa terapia leva em conta as subjetividades do cliente e do terapeuta, além de valorizar as vivências e as experiências de vida da pessoa. O sujeito, nesta abordagem, é considerado em relação dialética com a realidade em constante processo de formação e transformação, no seu meio que é físico, relacional, sócio-histórico-cultural e fenomenológico existencial. Apresenta crenças e convicções que se atualizam no decorrer de sua vida, em constante processo de crescimento. 27 Os principais construtos dessa teoria são: organismo, que representa a pessoa com a sua formação física e mental; self ou autoconceito que envolve o conjunto de percepções do sujeito em relação a ele e em relação aos outros, nas diversas áreas de sua vida; e congruência/incongruência, em que a primeira designa a adequação entre a experiência, a consciência e a comunicação, ou seja, as experiências do self e do organismo apresentam harmonia, e a última ocorre quando há uma divergência entre as experiências do self e do organismo. Figura 1 – Construtos da Teoria de Rogers Fonte: elaborada pela autora.Para Rogers, segundo Barduke (2019), a consideração positiva incondicional, que é a aceitação do outro como ele é e a tendência para a realização, que é a capacidade do indivíduo para construir uma vida de realizações, formam a dinâmica da personalidade. A partir da prática clínica será realizado o crescimento e a cura do cliente. O terapeuta tem uma postura empática e encorajadora, mantendo uma relação de pessoa para pessoa com o seu cliente. 28 Ele incentiva a pessoa a participar deste processo a partir de suas experiências vividas. Referências BARDUKE, E. V. Teorias e Técnicas humanistas e Grupoterapias. Salvador: SANAR, 2019. PARA SABER MAIS Condições para o crescimento do cliente na Terapia Centrada na Pessoa: O objetivo da terapia, segundo Rogers, é a percepção de integração do pensamento, sentimento e comportamento, que fazem parte da congruência. O processo terapêutico na Terapia Centrada na Pessoa é resultado da ação do cliente, seu envolvimento e seu grau de investimento neste processo. O terapeuta é considerado um facilitador, entretanto, algumas condições são primordiais para que a psicoterapia seja realizada: autenticidade do terapeuta; condição positiva incondicional; empatia ou compreensão empática; e percepção do cliente, em algum grau, da aceitação e empatia do terapeuta. - Compreensão empática. É a capacidade do terapeuta compreender o cliente a partir de seus próprios pontos de referência. O terapeuta empático não é apenas o profissional que reflete os pensamentos do seu cliente, mas sim, aquele que auxilia no desenvolvimento de um sentimento de autoaceitação, vivenciando uma “experiência emocional corretiva”, que é a compreensão de que suas emoções são válidas e fazem sentido. 29 - Aceitação incondicional positiva. É a capacidade do psicólogo aceitar o cliente da forma que ele se apresenta, estimulando-o a se aceitar do modo que é, com seus valores pessoais. É importante conduzir o cliente dentro de um clima de segurança, no ambiente terapêutico, para que ele possa se descobrir e ser ele próprio. - Congruência. Para Rogers, um dos objetivos da terapia é fazer com que o cliente se sinta congruente. A congruência é sinal de saúde mental, que pode ser descrita como o grau de exatidão entre o que é comunicado e a expressão do que realmente ocorre. O terapeuta deve comunicar com respeito e de forma autêntica os seus sentimentos e percepções em relação ao seu cliente, levando-o a pensar sobre suas atitudes, apoiado pelo acolhimento do terapeuta. Referências ROGERS, C. Terapia centrada no paciente. São Paulo: Martins Fontes, 1974. TEORIA EM PRÁTICA Claudia resolveu buscar tratamento psicoterápico em uma abordagem humanista. Serão expostos abaixo alguns dados da cliente e fragmentos de sua fala ao terapeuta, que deverão ser identificados segundo alguns parâmetros da prática clínica nessa abordagem. Nome: Claudia. Idade: 26 anos. 30 Estado civil: solteira. Ocupação: economista. Demanda explícita: talvez com uma sessão vou resolver minha situação Demanda implícita: preocupação com o futuro; sentimentos de pressão: insatisfação: frustração: não conformada com a escolha de sua carreira, o que a leva a problemas econômicos. Algumas falas de Claudia, no decorrer das sessões deverão ser analisadas segundo a Terapia Centrada na Pessoa: C: Não sei por que não sou a mesma de antes. Sempre buscava coisas interessantes, agora não... busco, porém não começo as coisas, quando chega o momento de começar, minha mente está em outra coisa. C: Agora me sinto frustrada e, como te falo, enojada de mim mesma por não me movimentar para buscar um novo trabalho ou novas oportunidades. C: Sempre é bom falar o que eu penso, porque ao escutar o que falo me parece mais real do que quando apenas penso. Quando apenas penso parece um pensamento irreal, fugaz. Te falava da minha independência econômica que vejo mais para o futuro, digamos que é algo novo... Sua tarefa, neste exercício, deve estar voltada para o entendimento do material relatado pela cliente e a sua situação imediata, porque é no presente que a cliente se expressa e pode ressignificar suas vivências. Bom trabalho! Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 31 LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 O artigo indicado tem como foco demonstrar que a eficácia da terapia centrada na pessoa está na atitude do terapeuta em demonstrar compreensão em relação ao paciente e vê-lo como uma pessoa dotada de autoconsciência e autodeterminação para dirigir o seu futuro. É utilizado no processo terapêutico um inventário de temperamento e caráter que descreve e prevê os aspectos positivos e negativos da saúde. A pesquisa conclui que o desenvolvimento do bem-estar é realizado por um conjunto sinérgico de mecanismos. CLONINGER, C. R.; CLONINGER, K. M. Terapêutica centrada na pessoa (Tradução). Interação em Psicologia, Paraná, v. 23, n. 2, p. 322-334, 2019. Indicações de leitura 32 Indicação 2 Este artigo descreve, uma pesquisa de campo, qualitativa, na área da psicoterapia de grupo, a partir de uma abordagem humanista- fenomenológica, sobre como psicoterapeutas e clientes vivenciam esta experiência. O instrumento de avaliação utilizado neste trabalho aborda as versões de sentido relatadas por dois terapeutas e dez clientes, sujeitos da pesquisa. CORREIA, K. C. R.; MOREIRA, V. A experiência vivida por psicoterapeutas e clientes em psicoterapia de grupo na clínica humanista-fenomenológica: uma pesquisa fenomenológica. Psicol. USP, São Paulo, v. 27, n. 3, p. 531-541, dez./2016. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Assinale a resposta correta e mais completa, de acordo com o enunciado: A hierarquia de necessidades de Abraham Maslow é uma teoria clássica de motivação, composta pelas necessidades: 33 a. Fisiológica, social e autoconfiança. b. Social, segurança e estima. c. Fisiológica, segurança, social, estima e autorrealização. d. Segurança, autoconfiança e autorrealização. e. Fisiológica, segurança, social, espiritual e autorrealização. 2. A abordagem terapêutica conhecida como Terapia Centrada no Cliente foi criada por: a. Daniel Goleman. b. Robert Hare. c. Erik Erikson. d. Abraham Maslow. e. Carl Rogers. GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: A alternativa C é a correta porque apresenta todas as necessidades estabelecidas por Maslow em sua teoria. As alternativas A, B e D estão corretas, mas não estão completas. A alternativa E apresenta a necessidade espiritual que não é contemplada na teoria de Maslow. Questão 2 - Resposta E Resolução: O criador da Terapia Centrada no Cliente foi Carl Rogers. Daniela Goleman foi a criadora da teoria da inteligência emocional.Robert Hare criou a Escala Hare para avaliar psicopatia. Erik Erikson criou a Teoria do Desenvolvimento Psicossexual. Abraham Maslow foi o criador da Teoria das Necessidades Básicas. A clínica sob a ótica da Teoria da Gestalt ______________________________________________________________ Autoria: Stella Luiza Moura Aranha Carneiro Leitura crítica: Itala Daniela da Silva TEMA 4 35 DIRETO AO PONTO A Gestalt-terapia fez o seu surgimento, em 1951, com a publicação de seu primeiro periódico. O fundador desta abordagem foi Fritz Perls, que teve como principais colaboradores, na época, Laura Perls e Paul Goodman. Esta é uma psicoterapia original e eclética porque, em geral, é considerada localizada na intersecção entre a Psicanálise, terapias corporais reichianas, psicodrama, fenomenologia existencial e filosofias orientais. A existência humana é compreendida a partir das relações que são estabelecidas entre o organismo, o campo e o meio. O homem deve ser entendido como integrado em seus aspectos sociais, afetivos, intelectuais e espirituais. Os conceitos básicos da Gestalt-terapia são vários e apresentam como característica uma interligação entre eles. São conceitos organizados para orientar os Gestalt-terapeutas em sua prática. Merecem destaque, entre eles: a temporalidade, identificada pelo aqui e agora, que para a Gestalt-terapia é a marca da existência da pessoa; a figura-fundo, em que o fundo e a figura devem ser fluidos em prol da saúde; a homeostase ou autorregulação organísmica que representa a busca de equilíbrio que ocorre em todo o organismo na sua relação com o meio; o self, integrador de experiências e percepções não apresentando a mesma definição de outras teorias psicológicas; e, awareness, que está relacionada a um saber associado a uma experiência anterior ao processo reflexivo. Para a terapia gestáltica o contato é fundamental. Ele deve estar ligado a um organismo, inserido em um campo e acompanhado de todas as interações que possam vir a ocorrer nele. São quatro as fases que formam o contato: pré-contato, contato, contato final e pós-contato. O contato tem relação direta com a necessidade que determina a sua qualidade. Na Gestalt-terapia há a predominância do contato, criando o 36 ciclo do contato, que pode representar tanto a relação como o bloqueio dela. Figura 2 – Ciclo do contato Fonte: elaborada pela autora Além do contato, a Gestalt-terapia enfatiza o papel do corpo. Mente e corpo não podem ser isolados e forma a unidade organísmica. A corporeidade é a experiência do corpo vivida no mundo. Os gestos corporais têm relação com a percepção da pessoa em uma dada situação. As técnicas na Gestalt-terapia são inúmeras e variadas em relação ao corpo, à fantasia e à realidade. Os objetivos destas técnicas são inúmeros e vão desde o aumento da consciência das situações, a amplificação dos insights, a dramatização, o trabalho 37 com polaridades, a ampliação da percepção até o trabalho com os sonhos, de uma forma diferente da Psicanálise. Na relação cliente-terapeuta, na Gestalt-terapia, não há espaço para rótulos e diagnósticos tradicionais porque a forma de compreender o cliente com seu sofrimento é diferente. Por exemplo, a neurose é percebida como um excesso de gestalts não acabadas, originárias de necessidades que não foram satisfeitas, que acarretam constantes problemas entre o organismo e o meio. O trabalho terapêutico, nestes casos, é ampliar a consciência do sujeito sobre o seu modo de vida, sobre o que ele faz e o que não faz, possibilitando que ele alcance o seu equilíbrio. PARA SABER MAIS A questão do diagnóstico na Gestalt-terapia: Em geral, na clínica psicológica, o diagnóstico é considerado como uma investigação que vai possibilitar a intervenção psicoterapêutica. Esse modelo não é o utilizado pela Gestalt-terapia, em razão de sua visão de homem e o que considera ser um tratamento. A partir destes pressupostos teóricos, um diagnóstico, para esta abordagem, deve conter não apenas o sofrimento e as dificuldades da pessoa, mas, também, suas qualidades e potencialidades. O diagnóstico é um processo dinâmico que acontece durante todo o tratamento psicoterápico, em contínua construção e desconstrução de gestalts. Ele não é um rótulo que retira a individualidade da pessoa e a marginaliza para a sociedade, sendo de pouca ajuda para a compreensão do cliente. Não se trata de abolir as classificações diagnósticas porque elas têm a sua importância no trabalho interdisciplinar porque promovem uma linguagem comum. Entretanto, para a Gestalt-terapia elas não são suficientes para a 38 realização do trabalho clínico, visto que, é necessário ter um olhar sobre o dinamismo e a complexidade de cada pessoa. Ao longo do atendimento psicoterápico, esse diagnóstico, chamado de processual por Frazão (2015), vai sendo realizado, identificando formas de ajustes funcionais, criativos e não funcionais, que não apresentam características de criatividade. O importante é que o terapeuta perceba como o cliente está em cada etapa do processo psicoterápico. O cliente relata uma situação, que é considerada figura, que está inserida em sua história de vida que é o fundo. Desta forma, é preciso compreender a relação entre o aqui e agora e entre a figura e o fundo. O diagnóstico deve ser compreendido como um processo descritivo e compreensivo de cada indivíduo, em sua subjetividade e existência. Cada motivo de procura psicoterápica deve ser analisado a partir do que significa na vida da pessoa e qual o seu objetivo. O diagnóstico não deve estar ligado a uma descrição psicopatológica, mas sim, ao modo de existir da pessoa como um todo, em que o seu problema é uma parte de sua existência, entretanto, não é a totalidade de sua vida. Referências FRAZÃO, L. M. Compreensão clínica em Gestalt-terapia: pensamento diagnóstico processual e ajustamentos criativos funcionais e disfuncionais. In: FRAZÃO, L. M.; FUKUMITSU, K. O. A clínica, a relação terapêutica e o manejo em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2015, p. 83-102.. TEORIA EM PRÁTICA Fulano é um cliente de 30 anos, casado, com um filho de 2 anos que iniciou sua terapia seis meses passados. Na sua infância perdeu 39 seu pai aos dois anos e foi criado junto com suas três irmãs, pela mãe e pelo padrasto com quem nunca se deu bem. Com frequência procura suas irmãs, bem mais velhas do que ele, para escutar histórias sobre o seu pai, como ele era e o que gostava de fazer. Sabia, por meio delas, que era uma criança muito amada pelo pai, principalmente, por ser um menino. Fulano falava em algumas sessões sobre a perda de seu pai e de como se sentia triste, com uma sensação de vazio e com medo de perder as pessoas que amava. Em uma determinada sessão, Fulano trouxe o retrato de seu pai. Reflita sobre o trabalho do Gestalt-terapeuta e suas possibilidades técnicas. Como um Gestalt-terapeuta poderia entender a situação de Fulano? Qual estratégia técnica, o Gestalt-terapeuta poderia utilizar na sessão para melhorar o estado emocional de seu cliente? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, Indicações de leitura 40 portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na construção da sua carreira profissional. Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da nossaBiblioteca Virtual e além! Sucesso! Indicação 1 No capítulo indicado, a autora aborda as mudanças sociais que ocorreram na sociedade e na qualidade das relações sociais, sob o olhar da Sociologia de Bauman e, também, das pesquisas das neurociências que têm sido referenciadas por diversos autores contemporâneos da Gestalt. É discutido no artigo, a importância da Gestalt-terapia na atualidade. POPPA, Carla. Atualizações na concepção de saúde e adoecimento na abordagem gestáltica. In: MARRAS, M. (org.). Angústias contemporâneas e Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2020. p. 7. Indicação 2 O capítulo indicado tem como foco a descrição de um caso clínico de uma mulher idosa que busca a terapia com um quadro de ansiedade e fobias. No artigo é realizada uma compreensão gestáltica sobre o processo de psicoterapêutico desta cliente. YANO, L. P.; MENDES, A. de O. Rosa: da ansiedade pela perda do outro à awareness sobre a perda de si. In: FRAZÃO, L. M.; FUKUMITSU, K. O. (org.). Situações clínicas em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2019. p. 82-96. 41 QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Com relação à Gestalt-terapia, é correto afirmar: a. Sua abordagem central encontra-se no conceito do aqui-agora, sendo o presente fundamental para essa corrente. b. Na sua abordagem central o inconsciente é considerado da mesma forma que na Psicanálise. c. A valorização da realidade temporal não está entre os seus conceitos principais. d. Jacob Levy Moreno é um dos fundadores da Gestalt-terapia. e. A Gestalt-terapia nasceu da relação entre o teatro e a psicoterapia. 2. Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman são considerados idealizadores de uma importante teoria psicológica. Trata-se da: a. Terapia Gestalt. b. Terapia Centrada na Pessoa. c. Terapia Psicodramática. d. Terapia de Hierarquia de necessidades. e. Terapia da Constelação. 42 GABARITO Questão 1 - Resposta A Resolução: A abordagem da Gestalt-terapia privilegia o conceito aqui-agora pela sua proposta de responsabilidade com a realidade vivida. A Psicanálise aborda o conceito de inconsciente de forma única em relação às demais teorias psicológicas. A valorização da realidade temporal é fundamental para a Gestalt-terapia porque a partir dela se constitui o entendimento do sujeito. Jacob Levy Moreno é o criador do psicodrama. O psicodrama nasceu da relação entre o teatro e a psicoterapia. Questão 2 - Resposta A Resolução: Fritz Perls, Laura Perls e Paul Goodman foram os expoentes da Gestalt-terapia. Carl Rogers foi o idealizador da Terapia centrada na pessoa. A teoria psicodramática teve Jacob Levy Moreno como seu iniciador. A terapia da hierarquia das necessidades foi idealizada por Abraham Maslow. A terapia da Constelação foi criada por Bert Hellinger. BONS ESTUDOS! Apresentação da disciplina Introdução TEMA 1 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 2 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 3 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Leitura fundamental Quiz Gabarito TEMA 4 Direto ao ponto Para saber mais Teoria em prática Quiz Gabarito Inicio 2: Botão TEMA 4: Botão TEMA 1: Botão TEMA 2: Botão TEMA 3: Botão TEMA 9: Inicio :