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Unidade 1
O mundo digital
ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO
Direito 
Digital
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ANDRÉA CÉSAR PEDROSA
Projeto Gráfico 
MANUELA CÉSAR ARRUDA
Autor 
JOANA ÁUREA CORDEIRO BARBOSA 
Desenvolvedor 
CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS
ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO
Oi! Meu nome é Anaïs Eulálio Brasileiro. Sou formada em Direito, 
com especialização em Direito Penal e Processual Civil, Mestre em Direito 
Constitucional, na linha de Direito Internacional, e agora, Doutoranda em 
Direito. Sou advogada desde 2016, mas ganhei mais experiência no ano de 
2019 ao trabalhar em um escritório com causas diversas. Posso dizer com 
certeza que sou apaixonada pela área do direito, principalmente a parte de 
estudar e pesquisar sobre os mais variados assuntos, transmitindo minha 
experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por 
isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito 
estudo e trabalho. Conte comigo!.
O AUTOR
Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo 
projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha 
de aprendizagem toda vez que:
ICONOGRÁFICOS
INTRODUÇÃO: 
para o início do desen-
volvimento de uma 
nova competência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamento 
do seu conhecimento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma ativi-
dade de autoapren-
dizagem for aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
A Sociedade da Informação 10
A globalização nos dias de hoje 10
A sociedade da informação: conceito e características 14
O Ciberespaço 18
A Declaração de Independência do Ciberespaço 18
Particularidades do ciberespaço 22
O domínio do ciberespaço 26
Domínios em geral 26
O Domínio do Ciberespaço 31
A Deep Web 33
A deep web 34
Camadas da Internet 37
Direito Digital 7
UNIDADE
01
O MUNDO DIGITAL
Direito Digital8
Você já percebeu que em todos os momentos utilizamos plataformas 
digitais para nos conectarmos? Não só isso. Você já observou que utilizamos 
o meio digital não apenas para o lazer, mas também para a vida acadêmica-
profissional? Cada vez mais estamos vendo possibilidades de recursos 
digitais para tornar nossas vidas interconectadas. Inclusive, a área digital é 
uma das maiores demandas na indústria, utilizando-se sempre do avanço 
da tecnologia. É responsável pela geração empregos, acontecendo casos 
em que sobram vagas por não ter pessoas capacitadas no meio digital. Isso 
mesmo. Há uma escassez de mão de obra qualificada, desde marketing 
digital, designers, pessoas da área de tecnologia e informação, pessoas 
que trabalham no campo jurídico-digital etc. Mas que meio digital é esse? 
O que esse mundo significa, exatamente? Para fazer parte dele, precisamos 
entender o que ele significa e todas suas particularidades e opções que ele 
oferece. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo 
junto comigo! Preparado?
INTRODUÇÃO
Direito Digital 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 01 – O Mundo Digital. Nosso 
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
1. Compreender em que consiste a sociedade de informação 
que estamos inseridos;
2. Analisar as características do ciberespaço e sua abrangência;
3. Identificar as possíveis formas de controle e as discussões 
sobre o ciberespaço;
4. Assimilar o universo da Deep Web e suas camadas.
E então? Pronto para entrar e desbravar esse universo? Vamos lá!
OBJETIVOS
Direito Digital10
A Sociedade da Informação
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender, a 
partir de uma contextualização do cenário da globalização, 
como funciona a sociedade de informação e o porquê de você 
e todos nós estarmos inseridos nela. Isso será fundamental 
para o a compreensão do mundo digital em si, a partir das 
pessoas e formas que o compõem. E então? Motivado para 
desenvolver esse aprendizado? Então vamos lá. Avante!
A globalização nos dias de hoje
Você já deve ter percebido que atualmente estamos vivendo em um 
mundo que se atualiza rapidamente. Estamos o tempo todo conectados à 
Internet, sabendo o que está acontecendo em tempo real com qualquer 
pessoa do mundo, com segundos depois de quando realmente acontece. 
Com o avanço da tecnologia, as barreiras físicas foram atenuadas 
de forma significativa, facilitando não apenas aquela sua viagem que você 
tanto quer para outro país, mas também o que chamamos de interco-
nexão da sociedade: é simples pesquisar o que pessoas de outros países 
vestem, comem e pensam.
A partir das características do nosso mundo, a sociedade é moldada. 
Estamos valorizando mais e mais essa interconexão, a aproximação social 
internacional e econômica, a flexibilização do que antes era apenas 
isolado. As novas tecnologias trazem rapidez e eficiência ao mundo digital 
de forma que a informação está a apenas um clique de distância.
Você certamente já ouviu falar na globalização, não é mesmo? De 
forma simples, entende-se que a globalização envolve um processo de 
evolução e desenvolvimento, com a presença constante do capitalismo 
que contribui com o fluxo econômico, e a própria universalização da cultura.
Apesar de não ser um termo novo, o fenômeno da globalização 
ficou bem mais conhecido após a Guerra Fria, no período em que o 
mundo começou a perceber que quanto mais tivéssemos uma inter-
dependência em termos de economia, cultura e sociedade, incluindo 
serviços e tecnologia e informação, mais fácil seria formar uma parceria 
Direito Digital 11
com outros países para que pudéssemos ter nossa economia e desenvol-
vimento mais sólidos.
A Guerra Fria, como ficou conhecida, foi o grande período (do fim 
dos anos 40 até início dos anos 90) de tensão geopolítica entre duas 
potências mundiais: Os Estados Unidos e a União Soviética. Por não 
ter havido conflitos armados diretos entre as potências e seus aliados, 
foi muito mais uma disputa psicológica para ver quem possuía mais 
influência, maior arsenal, melhor inteligência e forças armadas e um 
maior desenvolvimento.
Você já percebeu que quanto mais evoluímos, mais nos 
aproximamos um dos outros? Foi o que aconteceu nas primeiras 
ondas da globalização, quando criamos meios de comunicação como 
o telégrafo, para que as informações pudessem alcançar pessoas em 
outros locais, assim como os trens e navios a vapor.
Figura 1: Dois importantes meios de transporte advindos com 
o desenvolvimento da globalização: trens e navios a vapor.
Fonte: pixabay
Com meios e facilitações de comunicação, as primeiras ondas 
da globalização se configuraram como grande avanço na cooperação 
entre países. O processo foi interrompido durante as Duas Grandes 
Guerras Mundiais, procedidas por períodos de grande isolamento 
internacional com os fenômenos do protecionismo, nacionalismo e a 
Grande Depressão.
O protecionismo e nacionalismo incentivam a não comunicação 
com outros países, incluindo a inibição de importação ao deixar os 
produtos vindos de outros paísesmais caros por meios de taxas 
adicionais. Já a Grande Depressão se deu nos anos 30, demonstrando 
https://pixabay.com/pt/photos/barco-a-vapor-vaporizador-navio-1528154/
Direito Digital12
o colapso do capitalismo, com a taxa de desemprego exorbitante e 
grandes quedas do PIB (Produto Interno Bruto).
Com esse isolamento, a cooperação e relação entre os países 
ficou escassa. Entretanto, outra importante onda da globalização veio 
após a Segunda Guerra Mundial, em que a globalização foi apresentada 
como uma importante ferramenta na contribuição e facilitação da 
prosperidade e paz. A ideia veio com o sentimento de maior promoção 
de direitos humanos após as atrocidades acometidas na Segunda 
Guerra, com a necessidade de todos os países cooperarem para um 
mundo melhor.
Com esse objetivo, os países criaram Organizações Internacionais 
visando a participação e cooperação de todos, incluindo organizações 
com aspectos mais econômicos, como o FMI (Fundo Monetário 
Internacional) e o Banco Mundial, e também organizações com aspectos 
mais humanistas para evitar futuros conflitos armados que afetassem 
a humanidade como um todo, que é o caso da ONU (Organização das 
Nações Unidas).
Mas porque estamos falando tanto de globalização, você deve 
estar se perguntando. Nós já vimos que o mundo globalizado significa 
a maior cooperação entre os países, certo? Mas além disso, quais são 
os efeitos que a globalização traz para nós, membros da sociedade? 
Vejamos o quadro à baixo.
Figura 2: Efeitos da Globalização. 
Fonte: A Autora.
Direito Digital 13
De forma direta, a globalização afeta a forma em que os países 
se comportam com suas mercadorias, pois podem passar a produzir os 
mesmos tipos de produtos ou, observar que um país produz algo que outro 
necessita e não tem meios para produzir. 
Esse conceito é denominado de vantagens comparativas, o que 
acabam gerando produtos com preços bem mais acessíveis nas prateleiras 
dos mercados. Com mais comparações, o mercado chama atenção de mais 
consumidores, o que leva ao aumento de produção, que leva à ampliação 
dos negócios, bem como uma melhor qualidade e variedade.
Assim como os efeitos anteriores, o efeito da inovação significa 
que com o crescente número de negociações, a busca pela melhor 
forma de produzir as mercadorias com o melhor custo benefício contribui 
diretamente para o avanço de tecnologia e inovação, assim como admite 
novas possibilidades de empregos, e, consequentemente, sua maior 
rotatividade. 
O último efeito demonstrado no quadro, a menor desigualdade 
social, é um tanto controverso. Apesar de tecnicamente ajudar na 
diminuição de desigualdade, a globalização, em muitos casos, acaba 
resultando no contrário: um aumento de desigualdade. 
Uma das razões disso estar acontecendo é que a globalização 
acaba incentivando uma mão-de-obra mais qualificada para áreas que 
envolvem o mundo digital, enquanto outras áreas não incluídas acabam 
sendo marginalizadas, com salários significativamente menores. 
Mas a globalização não tem efeitos apenas econômicos. Ela 
influencia diretamente também em nós, membros da sociedade interna-
cional. Nunca estivemos tão próximos uns dos outros como agora.
RESUMINDO:
Vivemos em um mundo repleto de tecnologia que nos 
dão mais acesso uns aos outros, guinados pela última 
onda da globalização que nos incentiva a interagir cada 
vez mais. Sabendo da existência da globalização e essa 
fácil intercomunicação cultural e econômica, considera-se 
que estamos, portanto, todos inseridos na sociedade atual 
considerada A Sociedade da Informação.
Direito Digital14
A sociedade da informação: conceito e 
características
INTRODUÇÃO:
“A Sociedade da Informação” se caracteriza pela infor-
mação em si sendo a sua matéria-prima, através das ferra-
mentas de tecnologia, incluindo principalmente a Internet, 
em que todos estão interconectados através de uma rede 
flexível.
Figura 3: A Sociedade da Informação totalmente interconectada
Fonte: pixabay
Considerando essa conceituação, você deve compreender que 
a sociedade da informação possui cinco critérios importantíssimos para 
sua existência, como verificado no quadro à baixo.
Figura 4: Critérios caracterizadores da Sociedade da Informação. 
Fonte: A Autora
https://pixabay.com/pt/illustrations/social-meios-de-comunica%C3%A7%C3%A3o-sociais-3064515/
Direito Digital 15
Mas o que isso quer dizer? 
Bem, o critério da tecnologia é fácil de perceber quando verifi-
camos que quanto mais dispositivos tecnológicos, mais teremos meios 
de adquirir mais informação, que, como vimos, é a matéria-prima da 
sociedade da informação. 
O critério econômico pode ser mais complicado de ver sua relação 
com a sociedade de informação, mas a melhor forma de raciocinar é 
imaginando que quanto mais transações econômicas internacionais, 
mais teremos informações sobre os outros.
Além disso, o critério ocupacional significa que a ocupação, em 
termos de empregos, adquire uma nova perspectiva: quanto mais a mão-
de-obra for especializada e qualificada, melhor irá ocupar as vagas, o que 
irá contribuir mais e mais para a sociedade como um todo. 
O critério espacial quer dizer que as fronteiras espaciais e virtuais são as 
que devem ser consideradas, e não as fronteiras físicas. Ou seja, não importa a 
quantos quilômetros estamos um do outro, o que importa é a capacidade de 
se comunicar e interagir. Por fim, o último critério caracterizador é o cultural, 
que aproxima as pessoas e seus valores e costumes.
A economia acaba sempre ditando o meio de vida e os padrões 
necessários para, de fato, viver. Nesse caso, temos a globalização que 
incentiva a cooperação e interdependência dos países, a partir de transa- 
ções internacionais, com o avanço no mercado financeiro a partir de 
todas as características já vistas aqui.
Figura 5: A Tecnologia da Informação – Características.
Fonte: A Autora
Direito Digital16
Temos, assim, até nos países menos industrializados, uma tendência 
muito maior para se adequar a esse sistema, a partir do que se considera 
um novo paradigma: a tecnologia da informação. Vejamos as principais 
características desse novo paradigma e como ele se alinha ao contexto 
de globalização/sociedade de informação que estamos trabalhando aqui.
Ao contrário do que acontecia anteriormente, agora percebemos a 
informação como sendo de fato a matéria-prima desse novo paradigma. 
O que isso quer dizer? 
Significa que a informação incentiva o desenvolvimento de novas 
tecnologias para que nós possamos utilizá-las para que sejamos capazes 
de incrementar a própria informação. 
O cenário que tínhamos antes da sociedade da informação, 
mesmo com espécies de tecnologia, era que a informação é que era 
utilizada como ferramenta para chegar no objetivo de melhores tecnolo-
gias. Ou seja, temos o oposto agora.
EXPLICANDO MELHOR:
A tecnologia é uma ferramenta para alcançar altos patamares 
de informação, sendo a informação a matéria-prima, o ponto 
de partida para tudo, incluindo a vida em sociedade.
Tendo a informação como matéria-prima e consequentemente 
o desenvolvimento de mais tecnologias, temos, portanto, a segunda 
característica: a alta penetrabilidade. Quer dizer, já que a informação é um 
objetivo tão importante, as tecnologias que acabam sendo desenvolvidas 
acabam integrando o dia-a-dia de toda a sociedade, de forma individual 
ou coletiva.
Você acorda, toma café-da-manhã enquanto checa as redes 
sociais. Você se arruma para o trabalho e se lembra de pagar uma conta 
pelo aplicativo do seu banco. Chama um transporte por outro aplicativo, 
faz o pagamento pelo cartão de crédito ou débito pelo próprio celular. 
Até aqui, você já experimentou a tecnologia tão intrínseca na sua vida 
que você nem ao menos parou para pensar o que você faria sem ela.
Já a lógica de rede representa a interrelação existente entre a 
sociedade, pois, como já vimos antes, é extremamente difícil no mundoDireito Digital 17
atual que alguém (um indivíduo ou um país) sobreviva totalmente isolado, 
sem se relacionar com os outros. Essa comunicação com os outros é o 
motivo de considerarmos a lógica de redes como outra característica da 
relação existente na sociedade da informação.
Igualmente importante, temos a flexibilidade como característica 
fundamental que permite e até incentiva modificações e reorganizações 
para obtenção de melhores resultados que propiciem melhor qualidade 
de informação para a sociedade. 
Além disso, o aumento constante da convergência de tecnologias 
colabora para tudo o que vimos trabalhando até agora: o desenvolvimento 
da tecnologia contribui para o cotidiano social, conseguindo, a partir de 
uma interdisciplinaridade, oferecer dispositivos que que se interliguem 
nas mais diversas áreas, seja na comunicação digital, seja aspectos 
econômicos digitais ou até relacionados a saúde física e mental.
É fácil perceber como a sociedade da informação influencia positi-
vamente na nossa vida, principalmente nesse período de quarentena 
que o mundo inteiro está enfrentando. Todos estão em casa, conectados, 
participando de reuniões através de videoconferências, aulas online, 
entretenimento através de streaming de vídeos, redes sociais, mas será 
que só temos esses aspectos positivos?
A sociedade da informação possui diversos desafios a cada etapa 
de nova tecnologia de informação que surge. Um dos principais desafios 
que merecem ser mencionados aqui é o que foi falado brevemente 
anteriormente: a desigualdade social que acaba surgindo diante da 
nova necessidade de mais qualificação nas áreas digitais e aumento de 
desemprego nas demais áreas. 
REFLITA:
Você já parou para pensar na contrapartida da sociedade 
da informação? Em como estamos nos aproximando de 
quem está longe, e por vezes, nos afastando de quem 
está próximo de nós, fisicamente falando? Reflita se esses 
lados negativos da sociedade da informação possuem 
uma carga negativa maior do que a positiva.
Direito Digital18
E aí? Gostou da primeira parte do nosso material? Entendeu 
por que é importante aprender sobre que tipo de sociedade estamos 
inseridos atualmente e seu respectivo contexto? Agora, só para termos 
certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que o fenômeno da globalização incentiva que nos relacionemos uns 
com os outros, criando laços formados principalmente pela tecnologia. 
Além disso, esse contexto indica que a informação é o objetivo de toda 
nossa conexão, o que facilita o maior desenvolvimento de mercado e 
da própria tecnologia, capaz de integralizar nossa sociedade a ponto de 
que nem percebemos o quanto a utilizamos. Agora sim podemos dar 
continuidade à descoberta desse mundo digital! 
O Ciberespaço
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência, você poderá entender o 
que é o ciberespaço, sua abrangência e será capaz também 
de analisar suas características. Além disso, vamos dar uma 
analisada em como a cultura popular retrata o ciberespaço 
e ainda ver características próprias desse mundo digital! 
Vamos lá, seguir para o desdobramento da sociedade da 
informação?
A Declaração de Independência do 
Ciberespaço
A partir da conceituação de sociedade da informação, vimos que 
ela aproxima valores e culturas internacionais, fazendo com que ao redor 
do mundo a gente tenha a oportunidade de comer a mesma coisa, de se 
vestir de forma parecida, de ouvir as mesmas músicas e ver no cinema 
os mesmos filmes.
Nesse sentido, percebendo essa maior interação virtual e digital, 
interligada com aspectos econômicos, sociais e culturais, nota-se a 
importância de termos um espaço para lidar só com isso. Para esse 
espaço específico, se deu o nome de ciberespaço.
Direito Digital 19
Figura 6: Representação do ciberespaço sendo acessado pelo computador
Fonte: pixabay
“Ciberespaço” é o mundo digital, no aspecto virtual. É o espaço criado 
especificamente por links, a partir de computadores com Internet que 
possuam servidores e roteadores. É o espaço criado por meios eletrônicos 
para criar uma rede que facilite a comunicação entre a sociedade da 
informação.
Do inglês, Cyberspace, o termo teve uma de suas primeiras 
utilizações pelo Norte Americano William Gibson em 1982, que, em suas 
obras, descreveu o ciberespaço como sendo a criação de uma rede 
eletrônica no computador (apesar de acrescentar que o contexto do 
ciberespaço seria dominado por seres de inteligência artificial, tendo em 
vista que seus livros eram de ficção científica).
Aliás, algumas décadas atrás, era comum encontrarmos obras 
que tratassem de uma futura realidade virtual como se fosse algo 
distópico, antes mesmo de termos tecnologia suficiente para a criação 
de tais dispositivos.
SAIBA MAIS:
Se você tiver curiosidade e interesse na área de ficção 
científica, o livro de Gibson se chama Neuromancer, de 
1984. É interessante ler essa obra e perceber o que o autor 
conseguiu prever que existiria, como a própria realidade 
virtual. A trilogia do filme Matrix também se inspirou nesse 
livro para criar rua rede de computadores.
https://pixabay.com/pt/photos/trabalho-digita%C3%A7%C3%A3o-computador-731198/
Direito Digital20
Nos anos 90, o termo ciberespaço continuou a sendo utilizado, 
mas ainda na cultura popular. O termo foi utilizado para apenas descrever 
de forma simples o local virtual em que as pessoas podiam interagir 
quando usassem a Internet. 
Passou a ser o termo comumente utilizado para descrever o 
local em que acontecem os jogos online e as conversas instantâneas 
no que antes eram conhecidos como chats online, interações que 
passaram a de fato existir, ainda que no mundo virtual. Mais para frente, 
o ciberespaço começou a ser o lugar também para acolher os novos 
meios de expressões sociais e discussões, os blogs. 
Ainda nos anos 90, em sua segunda metade, começou a surgir a 
parte da sociedade, mais tarde chamada da informação, que defendia e 
acreditava que a realidade existente no ciberespaço deveria ser livre de 
qualquer ação regulamentadora governamental, não importando o país 
que tivesse interesse em cria-la, não importando as regras de convívio 
social existentes no espaço normal. 
Segundo eles, o ciberespaço seria, de fato, outro espaço, outra 
realidade. Com esse ponto de vista, o autor John Perry Barlow criou a 
Declaração de Independência do Ciberespaço, conhecido até hoje como 
o discurso mais inspirador a favor da liberdade na realidade virtual, sem 
qualquer interferência governamental. Dentre seus principais argumentos, 
destacamos:
Figura 7: A Declaração de Independência do Ciberespaço em tópicos. 
Fonte: A Autora
Com uma capacidade inspiradora surpreendente, Barlow deixa 
claro, primeiramente, que o ciberespaço é diferente do mundo real. 
Ele defende que esse mundo virtual consiste em ideias abstratas e 
relacionamentos com características próprias dessa realidade que são 
Direito Digital 21
traduzidas na linguagem digital como ondas estáticas na grande rede 
acessada e propiciada pelos computadores.
Por causa disso, o ciberespaço independe do mundo real. Não 
existem, portanto, países no ciberespaço. Existe apenas uma realidade 
virtual com avatares representando as pessoas e suas comunicações e 
desejos.
Sendo assim, Barlow defende fortemente que os governos do 
mundo real não possuem qualquer poder no ciberespaço. Eles não 
possuiriam direito algum de querer regulamentar um mundo que eles 
nem ao menos auxiliaram a criar, mundo o qual eles simplesmente não 
pertencem. Ninguém no ciberespaço escolheu qualquer governo para 
regulamentá-los, e isso deveria permanecer assim.
Seria, então, o ciberespaço sem ordem alguma na visão de Barlow? 
Não. Na própria declaração, Barlow aponta que a própria comunidade 
que participa do ciberespaço é que deve ser responsável pela criação 
de qualquer regulamentaçãono âmbito virtual, devendo também ser 
capaz de lidar com qualquer tipo de conflito existente lá.
EXPLICANDO MELHOR:
O ciberespaço é uma realidade virtual existente através de 
redes criadas e conectadas por dispositivos tecnológicos 
e internet. O ciberespaço não possui barreiras físicas 
limitadoras que determinem o que seria Brasil ou qualquer 
outro país ou região. É apenas uma grande comunidade. Por 
que, então, como Barlow defende, os Governos dos Países 
deveriam ter qualquer envolvimento em suas decisões e 
regulamentações?
Sendo a própria comunidade do ciberespaço a responsável pela 
criação de suas regulamentações, Barlow acreditava que o ciberespaço 
deveria ser independente do mundo real, mas não seria uma realidade 
anárquica. Teria seu próprio Contrato Social.
O sistema político da anarquia defende a negação e não 
aceitação de qualquer tipo de autoridade, organização e liderança. Já o 
Contrato Social o qual Barlow se refere, é o Contrato Social elaborado por 
Rousseau no mundo real, em que a sociedade concorda entre si com 
Direito Digital22
diretrizes básicas para o convívio social, considerando que sua ausência 
significaria numa completa destruição da vida em sociedade. Para 
Barlow, o Contrato Social do ciberespaço seria um contrato diferente do 
já existente no mundo real.
Além disso, Barlow também trata da liberdade de expressão, um 
direito humano tão buscado, defendido e violentado no mundo real. 
Segundo ele, o ciberespaço tem que ser o ambiente que garanta a 
todos a liberdade de expressão, ainda que os membros da sociedade se 
utilizem de avatares para se expressarem e se relacionarem. 
Aqui é válido destacar que o avatar aqui tratado não é o do filme 
ou do desenho animado, mas é um importante conceito no meio digital:
“Avatar é a manifestação corporal de alguém no espaço cibernético”, 
de acordo com o site de significados.
Barlow defende, apesar de não usar o termo “avatar”, a possibilidade 
das pessoas não se identificarem no ciberespaço, não precisando divulgar 
de onde são, onde moram e suas informações pessoais. Esse fator daria 
aos participantes da comunidade cibernética uma liberdade de expressão 
muito maior do que aquela existente no mundo real.
Por fim, o ciberespaço merece, para Barlow, sua independência por 
não possuir as mesmas limitações do mundo real. O ciberespaço promove, 
na verdade, a igualdade social à medida em que não existe rico ou pobre 
no mundo virtual já que todos são meras representações em avatares. 
SAIBA MAIS:
A Declaração de Independência do Ciberespaço é 
importantíssima! Vale a pena dar uma lida no texto, que 
você pode encontrar na íntegra traduzido para o português 
no link: <https://bit.ly/2YbImyY>.
Particularidades do ciberespaço
Certo, entendemos que o ciberespaço é uma realidade virtual 
em que se defende sua independência do mundo real. Mas além disso, 
como podemos entender o ciberespaço e suas relações, já que envolve 
um conceito de um mundo que não podemos literalmente tocar?
Direito Digital 23
A primeira coisa que podemos destacar é que o Ciberespaço 
conseguiu modificar as interações sociais além do plano virtual. Isso é, 
com o advento do mundo digital, é possível que pessoas de diferentes 
países se conheçam através das redes cibernéticas e desenvolvam um 
relacionamento verdadeiro de amizade, ou até mesmo amoroso. 
Levando a sério esses relacionamentos, eles podem sair do plano 
virtual para o real, o que conecta muito mais as pessoas nesses novos 
tempos e demonstra a força da comunidade cibernética.
Além disso, temos dois conceitos básicos no mundo real que são 
bem diferentes no mundo virtual: espaço e tempo. Sobre o espaço, já vimos 
anteriormente que o ciberespaço não possui os mesmos limites e fronteiras 
do mundo real, formando uma grande comunidade cibernética, mas e 
sobre o tempo? O tempo no ciberespaço pode ser sincronizado ou não, 
dependendo da plataforma utilizada, como pode ser visto na figura abaixo:
Figura 8: O tempo no ciberespaço. 
Fonte: A Autora
As mensagens instantâneas são utilizadas cada vez mais nos dias 
de hoje, em que precisamos de respostas rápidas e eficientes, nas quais, 
por vezes, alguns minutos tendem a parecer uma eternidade.
Já as plataformas que não precisam necessariamente acontecer 
de forma instantânea, como os e-mails, apesar de permitir a opção de 
resposta em tempo real, já não requerem uma sincronização instantânea. 
Ou seja, você pode estar em locais diferentes, com diferentes fuso-
horários e ver algumas horas depois, sem a necessidade fática de ser 
exatamente na hora.
Um autor que estudou e pesquisou muito as excentricidades 
do mundo virtual foi Pierre Lévy, nos anos 90. Para ele, o ponto chave 
desses aspectos do ciberespaço é justamente essa velocidade que 
altera as percepções de tempo e espaço. Ele diz que a velocidade das 
Direito Digital24
tecnologias não afeta só os meios de comunicação, que são os contidos 
na figura 8, mas também envolve os meios de transporte para aproximar 
os espaços físicos.
Sobre o assunto, é de extrema importância destacar o que Lévy 
(1996) diz sobre o mundo virtual e seus aspectos de tempo e espaço. 
É que para o autor, o ciberespaço faz com que exista uma unidade de 
tempo, que pode ser instantânea ou não como vimos, mas sem uma 
unidade específica de lugar.
Bem, o que Lévy quer dizer? Ele está apenas tentando explicar 
que no ciberespaço nós possuímos nossas próprias unidades de tempo 
baseadas na velocidade, mas o espaço em si não é tão importante.
No Youtube, por exemplo, temos a opção de livestreams – as 
transmissões ao vivo. Nelas, os youtubers podem transmitir eventos ao 
vivo (como até um torneio de videogame) e milhões de pessoas ao redor 
do mundo podem ter acesso ao vídeo de forma gratuita, basta ter Internet.
No ciberespaço, Lévy acaba afirmando que a unidade de espaço 
é substituída pela sincronização, enquanto a unidade de tempo é substi-
tuída pela interconexão.
Outra coisa muito importante que você deve perceber, é que aqui 
utilizamos sempre os termos “mundo digital”, “mundo virtual”, “realidade 
virtual” por um motivo muito específico: não é porque o ciberespaço só 
existe nas redes cibernéticas que ele não existiria. Todo o seu aspecto 
virtual se configura como realidade, ainda que essa realidade não seja 
palpável. Tudo que acontece nessa realidade virtual pode sim ter efeitos 
na vida real.
Certo, já vimos o que é ciberespaço, porque ele é considerado 
independente e real, e que ele possui particularidades diferentes das 
existentes no mundo fático, como as próprias unidades de tempo. Vimos 
também que duas importantes ferramentas do ciberespaço são os 
computadores e a internet.
Mas... Existe apenas uma finalidade dessas ferramentas? Bom, já 
entendemos que o produto dessa sociedade é sempre a informação, mas 
teríamos capacidade de afirmar que só existe um tipo de informação? 
Não, não é mesmo? Como até já mencionado, temos comunicação e 
transporte. Mas será que é só isso?
Direito Digital 25
Estudando sobre as formas de construção de informação através 
de computadores, Jungblut (2004) chegou à conclusão de que existem 
quatro diferentes formas de criação de informação através da Internet 
e dos computadores, como pode ser analisado no quadro abaixo e em 
seguida explicitado:
Figura 9: Criação de Informação. 
Fonte: A Autora
Nesse sentido, a Internet se apresenta como biblioteca digital quando 
consegue dispor da informação de forma estática, em que não pode ser 
alterada, como consulta mesmo. Como se fosse uma biblioteca normal que 
você consulta livros – aqui você consulta as informações digitais. 
Já a Internet como meio de comunicação indica mais opções e 
plataformas para a comunicação disponíveis através de computadores 
e smartphones, como as plataformas contidas na Figura 7.
A Internet como mercado eletrônico (o famoso e-commerce) se 
refere à todas as transações financeiraspossíveis através de dispositivos 
eletrônicos, desde compra e vendas online, como pagamento de conta 
ou contratação de serviços. 
Por fim, a Internet como o meio específico de construção de 
mundos digitais significa realidades criadas apenas no ciberespaço, 
como relacionamentos de pessoas que só se conhecem online (que 
podem sim vir a se encontrar no mundo fático).
Já deu para entender melhor esse tal mundo digital? Espero que 
sim! Nesta segunda parte aprendemos sobre esse espaço que só existe 
nas redes, o ciberespaço. Considerado como uma realidade virtual, deu 
para ver que ele é um espaço que independe do mundo fático e real, 
apesar de não podemos tocá-lo. Vimos que essa independência vem de 
Direito Digital26
suas próprias particularidades, como as diferenças de unidades de tempo 
e espaço, assim como as formas em que a informação se apresenta, 
atingindo vários escopos que vão além da mera comunicação!
O domínio do ciberespaço
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência você compreenderá o que 
se entende quando se fala de “domínio” de algum lugar, 
bem como será capaz de identificar como o ciberespaço é 
encarado pelo direito internacional para decidir quem tem 
controle sobre ele.
Domínios em geral
Antes de começar a tratar sobre o domínio do ciberespaço, você 
saberia dizer em que consiste essa expressão de domínio? Seria um 
sinônimo de controle apenas ou há diferentes conotações nas diferentes 
áreas?
Se você imaginou que os domínios possuem interpretações diferentes 
a partir do contexto utilizado, você está correto. Aqui vamos analisar, em um 
primeiro plano, quais os conceitos de domínio no âmbito virtual, no âmbito 
jurídico e estudar um pouco como se dá outros difíceis domínios no mundo 
do direito antes de aprofundar no domínio do ciberespaço.
No ciberespaço, o termo “domínio” é bem comum e você prova-
velmente já deve ter visto algum anúncio com propostas de vendas de 
domínio na internet ao buscar alguma coisa no Google. Mas o que isso 
significa? Com uma conceituação um tanto técnica, as plataformas de 
registro na internet determinam, de forma resumida, que:
“Domínio de Internet” abrange um conjunto de caracteres (letras, 
números ou símbolos) que você digita em qualquer navegador para chegar 
onde você quer, como se fosse o endereço eletrônico do seu objetivo. A 
internet consegue identificar o endereço através do servidor DNS (Sistema 
de Nome de Domínios), que codifica o endereço digitado para que o 
sistema encontre o IP (Protocolo de Internet, o endereço de fato que vem 
no formato de números) que se deseja. 
Direito Digital 27
O domínio é como se fosse o nome fantasia de um estabelecimento 
comercial. Você coloca o nome da loja por exemplo no GPS e o sistema 
consegue encontrar o caminho para o destino que você selecionou. 
Figura 10: Processo de tradução de Domínio do Google. Ao digitarmos o domínio 
www.google.com, o servidor DNS traduz o nome para o código de seu IP e o 
navegador acessa o endereço final em apenas alguns segundos.
Fonte pixabay
Já no âmbito jurídico, domínio está interligado aos conceitos de 
propriedade e posse no direito civil, conteúdos que não são importantes 
neste estudo. O que é importante destacar, entretanto, é a área legal 
especificamente do direito internacional, que trabalha o tema de domínio 
público internacional.
DEFINIÇÃO:
“Domínio público internacional” significa, essencialmente, as 
áreas que acabam gerando interesse a mais de um país ou 
até a sociedade global, ainda que pareça superficialmente 
que o local pertença a uma pessoa ou país em específico. 
É o caso do Alto Mar, Espaço Sideral/Corpos Celestes e o 
Continente da Antártica.
Apesar de haver autores que já considerem a Internet como domínio 
público internacional, o ciberespaço e seu conteúdo ainda não foram 
inseridos tecnicamente no campo do direito internacional público. Entretanto, 
os desafios que todas essas áreas enfrentam são muito semelhantes e 
merecem ser abordados aqui para a sua melhor compreensão.
http://www.google.com
https://pixabay.com/pt/illustrations/google-motor-de-busca-navegador-76517/
Direito Digital28
O domínio desses espaços passou a ser legalmente próprio da socie-
dade internacional durante o século vinte, quando os países concordaram 
acerca de três principais aspectos: a baixa probabilidade de haver uma 
espécie de autoridade particular em cada domínio, a regulamentação por 
tratados internacionais e certas limitações na área militar. Vejamos cada 
domínio com calma, para entender melhor esse assunto.
a. O Alto Mar
Entre todos os domínios públicos do direito internacional, talvez o 
que seja compreendido como sendo de todas as pessoas há mais tempo 
seja o Alto Mar. Desde séculos atrás, quando em meio da necessidade de 
enviar navios para transportar pessoas e mercadorias, para comerciar ou até 
mesmo durante conflitos com outras terras, a população já entendia que as 
águas internacionais eram uma situação distinta do território tradicional.
A primeira vez que houve qualquer registro sobre o direito do 
Alto Mar foi em 1958, em um tratado assinado em Conferência da ONU 
sobre o Direito do Mar. Na própria redação do documento é explicado 
que o tratado apenas estabelece por escrito certos princípios do direito 
internacional que já existiam tempos antes, como é o caso do Alto Mar.
EXPLICANDO:
Não é novidade que as águas do Alto Mar não possuem 
donos. Desde os primórdios da nossa sociedade, isso era 
tido como conhecimento de todos, como um costume 
em que todos concordavam de forma silenciosa porque 
sempre fez sentido e funcionou para todos. Navegar em 
Alto Mar era livre a todos.
Para ficar mais claro, precisamos entender que o direito considera 
como Alto Mar as partes de todos os mares que não fazem parte de 
qualquer território ou de qualquer zona econômica. Nenhum país ou 
pessoa física pode dizer que é o dono dessas águas e muito menos que 
possui qualquer controle e soberania em relação a elas.
Aqui, devemos entender soberania como característica comum 
a todos os países. É o princípio-regra que faz com que todos os países 
tenham capacidade de se auto regulamentar, desde que em seu próprio 
território, podendo delimitar suas regras e regular seus povos, assim como 
os interesses do país.
Direito Digital 29
Como você deve imaginar, quando dizemos que o Alto Mar é de 
domínio público do direito internacional, queremos dizer que existe uma 
Liberdade no Alto Mar. Com essa liberdade, é possível que qualquer 
pessoa, não importando sua nacionalidade, vá até o Alto Mar sem importar 
seu objetivo (contato que não seja nenhum crime ambiental por exemplo, 
ou até para cometer crimes). 
Não importa se você queira ir para o Alto Mar fazer pesquisa sobre 
água ou animais marinhos, navegar, pescar ou qualquer outra ação legal. 
Todos são livres para tal, desde que tenham intenções pacíficas.
A Convenção ainda trata que os navios que naveguem em Alto 
Mar devem seguir as regras de seus próprios países quando estiverem 
dentro do meio de transporte. No direito, utilizamos muito a expressão 
“bandeira do navio” para indicar a nacionalidade, a soberania e o país 
que está sendo tratado.
b. Espaço Sideral e Corpos Celestes
Mais ou menos na mesma época da Conferência sobre o Direito 
do Mar, o homem estava lançando seus primeiros foguetes e satélites 
no espaço sideral, durante a corrida armamentista da Guerra Fria, já 
mencionada anteriormente. 
A partir do momento que descobrimos que o homem podia, de 
fato, alcançar esse novo universo, a comunidade internacional entrou no 
consenso de que, assim como o Alto Mar, o espaço sideral deveria ser 
tratado como domínio público.
Agindo de forma rápida e eficiente, em 1958 a Assembleia Geral 
da ONU concordou através de resolução que o espaço sideral só deve 
ser utilizado para fins pacíficos, assim como foi determinado para o Alto 
Mar, declarando que os países estavam intencionandodeixar esse novo 
e recém descoberto ambiente livre das disputas internacionais.
Ao contrário do caso do Alto Mar, que já era tradição ser tratado 
como tal, o caso do espaço sideral e corpos celestiais (como a lua, por 
exemplo) foi diferente. 
Veja bem, eram tempos de Guerra Fria, nos quais os Estados 
Unidos e a União Soviética disputavam o tempo todo para saber quem 
era a maior potência mundial, e o que mais serviria para demonstrar isso 
além do ter o controle do espaço sideral? 
Direito Digital30
O fato de a União Soviética ter sido o país responsável pelo 
lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, fez com que o país 
fosse contra no princípio de o espaço sideral ser de domínio público.
A União Soviética alegava que o espaço sideral deveria ser 
tratado como o espaço aéreo, que não é de domínio público. No espaço 
aéreo, o espaço que estiver literalmente em cima do território de algum 
país, pertencerá por consequência a este, e deverá seguir todas as suas 
regras já que é considerado como parte do território soberano.
O que ganhou a discussão foi o fato de o espaço aéreo ser 
tecnicamente estático, já que segue obrigatoriamente o território físico 
do país. O mesmo não podia ser dito do espaço sideral, com toda sua 
relatividade geográfica.
Assim, ficou proibido que qualquer país levasse ao espaço sideral 
qualquer equipamento que fosse utilizado para seu interesse próprio, 
como colocar em órbita uma arma nuclear apontada para algum país 
específico. Descumpriria a regra maior de utilização para fins pacíficos.
Esse também é o caso da lua e demais corpos celestiais, que 
devem obedecer aos propósitos pacíficos, sendo matéria decidida em 
1979 – o que ficou conhecido como Tratado da Lua.
c. Antártica
Também diferentemente do que era entendido sobre o Alto Mar, o 
caso do continente da Antártica teve algumas divergências acerca de seu 
domínio. Entre os anos de 1908 e 1943, sete países (Argentina, Austrália, 
Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Grã-Bretanha) chegaram a 
tentar proclamar alguns territórios da Antártica, apesar de não serem 
reconhecidas pela ONU. Ainda hoje esses países tentam reivindicar a 
soberania de certos locais na Antártica.
Para tentar evitar que mais países fizessem o mesmo, ou até por 
questões de interesse próprio, em 1958 os Estados Unidos propuseram 
uma discussão específica acerca de um possível tratado sobre a 
Antártica, que acabou tendo sucesso e sendo assinado uma década 
mais tarde.
O tratado teve capacidade de congelar as reivindicações de 
soberania, sem, entretanto, anulá-las para evitar prejudicar qualquer 
um dos sete países. Isso quer dizer que, enquanto o tratado estiver em 
vigor, nenhum país pode agir como se dono do território fosse. Foi então 
Direito Digital 31
atribuído ao continente as mesmas normas do Alto Mar e Espaço Sideral: 
sua utilização exclusiva para fins pacíficos.
O Domínio do Ciberespaço
Apesar de todo o discurso de independência do ciberespaço, 
os países têm constantes discussões acerta do mundo digital como 
território e como seria seu domínio jurídico, já que o domínio técnico já 
foi explicado na figura 9. Eichensehr (2015) traz um estudo interessante 
acerca das perspectivas dos principais países em relação ao ciberespaço, 
tratados a seguir.
A China e a Rússia possuem o mesmo ponto de vista sobre o 
ciberespaço e seu domínio jurídico-legal, desenvolvendo a ideia de que 
o mundo virtual deveria ser tratado como o espaço aéreo: o ciberespaço 
responderia a autoridade soberana que representasse seu território 
extensivo físico. Para uma melhor compreensão, veja o entendimento 
do domínio do espaço aéreo normalmente:
Figura 11: Domínio do espaço aéreo.
Fonte: A Autora
Analogicamente ao ciberespaço, a China e a Rússia defendiam que 
os servidores existentes virtualmente que pertencessem a algum território 
nacional, deveriam responder apenas a sua soberania, assim como no 
esquema básico acima que demonstra o espaço aéreo pertencente ao 
território correspondente logo abaixo, não importando sua altitude.
Nesse raciocínio, o ciberespaço teria ciber-fronteiras, e os países 
responsáveis deveriam ter capacidade suficiente de parar qualquer 
Direito Digital32
ataque contra seus territórios cibernéticos. Acontece que essa defesa 
de fronteiras cibernéticas não é tão fácil quanto se imagina.
É como se fosse uma só grande Internet no ciberespaço, sendo 
impossível essa divisão em Internets Nacionais – até porque, diferen-
temente do espaço aéreo, não se dá para dimensionar o tamanho do 
ciberespaço e determinar exatamente onde começaria e terminaria os 
territórios nacionais correspondentes.
Do outro lado, temos países, como os Estados Unidos e Canadá, que 
defendem que o ciberespaço é um bem comum da sociedade internacional, 
ou seja, de domínio público.
Além dessas duas perspectivas, tem-se uma terceira que acredita que 
é difícil considerar o ciberespaço como domínio público internacional, 
com o argumento de que há hardwares físicos (dispositivos físicos 
capazes de criar redes pela internet, ainda que no ciberespaço) em 
territórios físicos de países que podem até ser de pessoas privadas – ou 
seja, de empresas. 
Apesar de ser um assunto controverso, não se pode negar que o 
domínio do ciberespaço possui semelhanças com os outros domínios 
públicos estudados anteriormente, seja por convenções e tratados ou 
seja por necessidade, fato é que: Nenhum desses quatro domínios são, 
atualmente, partidos ou totalmente pertencentes a soberania alguma, 
no sentido tradicional da palavra soberania.
SAIBA MAIS:
Quando dizemos sentido tradicional da palavra “soberania”, 
nos referimos ao tratado de Vestfália, que diz que todo país 
é soberano. Você pode ler mais sobre em que implica de 
fato esse conceito tradicional no artigo disponível no link: 
https://bit.ly/3cDxazA. Acesso em 27 de março de 2020.
Apesar de terem vários pontos em comum, é importante destacar 
também que o ciberespaço possui algumas diferenças dos outros domínios, 
certo? Por exemplo, ele não foi criado pela natureza, foi criado pelo homem. 
Além disso, o ciberespaço, ao contrário dos outros domínios públicos, não 
é um espaço físico, e sim virtual. Apesar de ser virtual, possui elementos no 
mundo físico, como computadores, roteadores, cabos, entre outros.
Direito Digital 33
Com tantos desafios, é difícil imaginar qualquer país como autoridade 
de partes do ciberespaço, já que além de ser um espaço indivisível, o 
mundo digital tem suas próprias unidades de espaço e tempo, como já 
visto anteriormente. Quer ver só um exemplo? Confira o esquema abaixo:
Figura 12: Desafios de reivindicar soberania sobre o domínio do ciberespaço. 
Fonte: A Autora
E aí? O que você achou dessa terceira parte? Captou esses conceitos 
que vieram do mundo do direito e do mundo tecnológico? Vamos relembrar 
um pouco comigo! Começamos vendo que a palavra “domínio” pode se referir 
a coisas diferentes, como o domínio técnico do ciberespaço, que é como se 
fosse o endereço do website que você quer, mas também pode querer dizer 
sobre quem tem o controle do espaço em comento não é mesmo? Depois 
disso, vimos alguns domínios públicos do direito internacional, que são o 
Alto Mar, o Espaço Sideral/Corpos Celestiais e o Continente da Antártica. 
Mas por que foi necessário entender um pouco como eles funcionam? 
Porque no fim, pudemos ver todas suas semelhanças com o ciberespaço e 
como o domínio do ciberespaço é considerado atualmente!
A Deep Web
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência você será capaz de assimilar o 
universo da Deep Web – o que significa, o porquê desse nome, 
como são classificadas suas camadas e o que podemos 
encontrar nelas. Essa é considerada a parte mais intrigante do 
Ciberespaço! Pronto para conhecê-la? Vamos lá!
Direito Digital34
A deep web
Como você já bem sabe, não encontramos apenas coisas positivas 
no ciberespaço. É comumver no jornal notícias sobre hackers, espionagem, 
contrato de assassinos de aluguéis e muito mais até do que podemos 
lembrar. Mas como isso acontece, com um mundo tão avançado, com 
tantas tecnologias? Em que parte do ciberespaço é possível encontrar 
esse lado obscuro do mundo digital?
A primeira coisa que temos que considerar, é que tudo que conhe-
cemos da Internet faz parte apenas do que se conhece como superfície. 
Sim, mesmo que você esteja pensando que a Internet é enorme e que 
tem coisas que você nem imagina... Sim, tudo isso é a superfície. 
O que acontece de ilegal no ciberespaço ocorre no local específico 
que é conhecido popularmente como a deep web – do inglês, é a expressão 
que significa a profundeza da internet. Ou seja, muito além do que 
podemos ver, há conteúdos no ciberespaço muito bem escondidos que 
nem a polícia ou o direito consegue atingir, por ser de difícil monitoração.
Para melhor visualizar esse cenário, imagine uma enorme praia 
vazia, estando você na areia, de frente ao mar. O que você consegue ver 
de água – as ondas, a superfície cristalina –, é a superfície da Internet, é 
a Internet que você está acostumado a acessar, como o Google, e-mails, 
redes sociais. 
Debaixo da superfície, temos a Deep Web. Não sabemos sua 
extensão, nem o que podemos encontrar lá de fato. Melhor: só pessoas 
com muito conhecimento do ciberespaço se atrevem a mergulhar na 
parte obscura desse oceano sem fim.
Na areia, onde você está, fica o conteúdo local de cada país, de fácil 
acesso e que geralmente apenas os membros do mesmo país conseguem 
entender, como os próprios memes da Internet. No céu, você pode 
encontrar as nuvens, que armazenam muitos dos dados compartilhados da 
superfície da internet e do conteúdo próprio da pessoa. A imagem abaixo 
demonstra exatamente esse cenário:
Tudo o que podemos acessar na superfície, podemos fazer por 
navegadores comuns, que conseguem identificar nossos IPs. Já na Deep 
Web, há navegadores específicos que garantem o seu anonimato o não 
rastreio, pois há websites lá que você não pode se identificar (nem se quiser).
Direito Digital 35
Figura 13: O cenário do ciberespaço.
Fonte: A Autora
É sabido que o conteúdo da superfície abrange apenas 4% de todo 
o conteúdo existente na Internet, sendo os 96% restantes pertencentes 
à Deep Web, dividido em suas camadas, que veremos mais para frente. 
Além disso, em razão da própria dificuldade em acessar a Deep Web, já 
que a maioria de seu conteúdo é protegido, dizem que esse conteúdo 
tem um valor imensurável e não possui apenas coisas ilegais.
A cada tempo que passa, a Deep Web se torna mais profunda, princi-
palmente com o surgimento de novas tecnologias que requerem maior 
conhecimento de informática, como é o caso das destacadas a seguir:
d. Computação ubíqua – é a forma de computação que você pode 
acessar de qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer dispositivo, de 
forma quase invisível. Ou seja, você não notaria que estaria dando coman-
dos ao dispositivo para acender as luzes do seu quarto, por exemplo.
e. Computação em Nuvem (distribuição e armazenamento) – é 
a tecnologia que permite tanto a distribuição quando o armazenamento 
de dados, que ficam em uma grande base de arquivos chamada de 
nuvem. Para acessar os dados lá presentes, você não precisa carregar 
qualquer dispositivo. É o caso do Dropbox, por exemplo.
f. Computação móvel – como o próprio nome indica, é a presente 
em dispositivos que permitem que você os carregue para onde quiser, 
como o celular que apresenta capacidades de computador com trans-
missão de dados, voz e vídeo.
Direito Digital36
g. Redes de Sensores sem Fio (RSSF) – um tipo específico de rede 
que permite uma estrutura sem fio de monitorar condições ambientais 
ou físicas, como temperatura, som, vibração, pressão, entre outros. É 
comum em locais que possuem algum tipo de perigo ou são de difícil 
acesso, como áreas militares ou áreas de aviação e tráfego.
h. Serviço de hosting – são servidores que conseguem suportar 
atividades de forma suficiente para que o seu site permaneça online, 
como se estivesse fazendo uma hospedagem da rede.
i. Criptomoedas e a Dark Wallet – são de fato as formas de 
comercializar na Internet. Antigamente, existiam apenas na deep web 
mas estão sendo transportadas para a superfície, como é o caso da 
Bitcoin. As moedas criptografadas funcionam como unidade de troca 
através de um sistema descentralizado com tecnologia de blockchain, 
funcionando basicamente como uma forma de pagamento anônima. 
A dark Wallet administra as criptomoedas, que garante o anonimato e 
permite situações de lavagem de dinheiro, por exemplo.
SAIBA MAIS:
Blockchain significa a tecnologia de lista de registro em 
blocos, protegidos e vinculados pela criptografia, de 
forma que apenas os envolvidos nas transações tenham a 
chave do código de acesso. Se você tiver curiosidade para 
saber quais as criptomoedas existentes atualmente, basta 
acessar o link: https://coinmarketcap.com/. Acesso em: 29 
de março de 2020.
É possível, na deep web, a contratação de hackers para fazer algum 
serviço, o qual será pago por criptomoedas. Além disso, como dito anterior-
mente, é possível a contratação e comunicação sobre serviços legais que 
mereçam privacidade absoluta, como é o caso de pessoas que lidam com 
segredos de Estados, como Edward Snowden por exemplo e diversos 
jornalistas e ativistas que conseguem informações valiosas por lá.
Mas... Como acessar a deep web, você pode estar se perguntando?
De fato, é necessário obter primeiramente conhecimentos infor-
máticos específicos a depender de quão profundo você deseja ir. De 
modo geral, a maioria dos usuários da deep web conseguem alcançá-la 
https://coinmarketcap.com/
Direito Digital 37
através de navegadores específicos que garantem o anonimato tanto dos 
donos dos websites quanto dos clientes que os acessam, como é o caso 
do TOR (The Onion Router), o I2P (Invisible Internet Project) e o Freenet.
Desses, o mais conhecido é o TOR, que possui até conteúdos mais 
maduros e mais bem desenvolvidos. É ele, portanto, que possui uma 
capacidade maior de conter atividades ilegais, como a venda de cartões 
de crédito clonado ou documentos de identidade falsos, por exemplo.
Acessar esse tipo de conteúdo não é tão fácil, pois as ferramentas 
de buscas normais que conhecemos não conseguem alcançar essa 
deep web – não adianta por exemplo pesquisar no Google. Isso se dá 
porque os conteúdos da deep web não são indexados na Internet, pois 
os padrões de indexamento são não contextuais e não roteirizados.
SAIBA MAIS:
Ainda está curioso para saber mais? Tem um canal no 
Youtube bem interessante que já gravou alguns vídeos 
sobre a deep web e você pode saber mais como se 
dá o acesso, o Nerdologia. O link do vídeo é https://bit.
ly/3bKAA2W. Acesso em 29 de março de 2020.
Camadas da Internet
Os estudos acerca da Deep Web hoje em dia já são mais extensos 
do que tínhamos antigamente. É justamente por isso que, para facilitar a 
melhor compreensão desse conteúdo, diversos autores preferem criar 
divisões na Internet, popularmente chamadas de “camadas da Internet”, 
que não passam, claramente, de categorias meramente metodológicas.
Dependendo dos autores, possuímos diferentes divisões da 
Internet. Aqui, vamos ver duas divisões que facilitam a compreensão e 
que são as mais utilizadas, sendo elas as categorizações segundo os 
autores internacionais e segundo a Escola de Magistrados do Brasil
No começo dos estudos acerca da Deep Web, os estudiosos 
entendiam que a Internet se dividia nas camadas visível e invisível 
(profunda, oculta e escura). Porém, essa era uma divisão que poderia 
prejudicar a compreensão, muito mais do que facilitá-la. 
Direito Digital38
Para Bergman (2001), inclusive, dizer que a Internet pode ser 
invisível não seria nem ao menos correto porque essa questão é muito 
mais básica do que o próprio conteúdoda Internet. 
Quer dizer, os dispositivos tecnológicos poderiam facilitar e deixar 
o conteúdo da Internet invisível, como é o próprio caso do que foi visto 
anteriormente de não deixar qualquer indexador nos websites para que 
se tornem de difícil acesso.
O autor defende que muito melhor do que o termo “internet 
invisível” é o próprio termo “Internet profunda” – Deep Web. Foi ele, 
também, um dos primeiros autores que constatou a imensidão da Deep 
Web, sendo muito maior do que imaginávamos antes (cerca de 400 a 
440 vezes maior do que a superfície).
A Internet visível seria a camada chamada de superfície no tópico 
anterior, fazendo referência à parte que pode ser pesquisada e indexada. 
Grande parte dessa visibilidade está no fato de ser um conteúdo que 
pode ser encontrado através das plataformas de busca, como o Google.
A parte da Internet que é invisível surgiu com o avanço das 
tecnologias no ciberespaço, como as nuvens e comércio digitais. 
É a camada também conhecida como Internet profunda e escura, 
justamente pela maior dificuldade em acessar seu conteúdo.
Coexistindo entre si na parte invisível, os estudiosos como Araújo 
(2001) defendem outras duas realidades desse lado cibernético: a oculta 
e a profunda. Ou seja, a Internet invisível, profunda e oculta não seriam 
termos sinônimos pois cada um representaria um nível diferente.
Já o estudo realizado e publicado pela Escola de Magistratura do 
Brasil oferece uma categorização bem mais simplificada, que facilita (e 
muito) a visualização da Internet através de camadas de fato.
A figura representa um Iceberg no oceano porque é exatamente 
assim que é compreendida a divisão de camadas da Internet. Com três 
camadas principais (a superfície, a deep web e a dark web), cada uma 
delas ainda possui subdivisões. Da superfície, podemos apenas ver a 
ponta do iceberg, sem nunca imaginar o que tem por baixo das águas.
 • A superfície
A primeira camada oficial se subdivide em três: Camada zero, 
superfície da Web propriamente dita e Bergie Web. A camada zero 
representa a área dos websites que são comuns, de fácil acesso, como 
a plataforma de busca Google e a rede social Facebook.
Direito Digital 39
Observe bem a figura abaixo e como ela se divide.
Figura 14: As camadas da Internet como se fossem em um iceberg. 
Fonte: A Autora
A superfície da web propriamente dita abriga websites como o 
Reddit (plataforma composta por fóruns de discussão que propõem 
o compartilhamento de ideias) e o Digg (website que funciona como 
âmbito de recomendações entre usuários).
A Bergie Web já contém websites que possuem um teor de 
invisibilidade, pois são ocultos nas pesquisas do Google por exemplo. É 
o caso de grupos fechados do Facebook por exemplo, que você precisa 
ser membro para poder ver o conteúdo e precisa até ser convidado 
para poder ver que o grupo existe. Essa subdivisão também abriga sites 
como o 4chan (é também um website de fóruns, mas que permite a 
comunicação anônima e é totalmente livre para debates).
 • A deep web
É a parte que dá início ao que não podemos ver do iceberg e 
da Internet, possuindo também subdivisões que não possuem necessa-
riamente nomes específicos. A partir dessa camada é interessante ter 
acesso através de Proxy, e é possível verificar conteúdos considerados 
ilegais para todos os países.
Direito Digital40
Enquanto na camada de deep web propriamente dita, você pode 
encontrar conteúdos ilegais como pornografia infantil, informações 
sobre vírus e pirataria, a próxima camada, conhecida como Charter Web, 
envolve conteúdos ilícitos de forma específica, como pornografia infantil 
com bebês, tráfico de animais, tráfico de drogas ou até filmes e vídeos 
banidos da superfície.
A terceira subdivisão da deep web é a que contém atividades 
ainda mais ilícitas com mais envolvimentos de outras pessoas e possíveis 
interações, como a possibilidade de contratação de assassinos de aluguel, 
seitas satânicas e o comércio ilegal de armas de fogo.
 • A Dark Web
A terceira camada oficial da Internet ainda faz parte da Deep Web. 
Entretanto, ela é muito mais obscura do que as demais, possuindo também 
suas subdivisões que são conhecidas como Muro da Morte, Névoa e 
Mariana’s Web. Nessa terceira camada, além do Proxy, é recomendada a 
computação quântica em razão da quantidade de conteúdos encriptados.
Mas o que é a computação quântica? É a tecnologia que ultrapassa as 
limitações tradicionais e o respectivo processamento de dados a partir do 
qubit (partícula subatômico que sobra a capacidade de processamento). 
Essa computação consegue criar chaves de criptografias específicas 
para desvendar os conteúdos bloqueados.
A camada da neblina (a névoa) é repleta de códigos maliciosos e 
armadilhas para que qualquer pessoa chegue lá. Por isso o nome, já que 
é mais difícil navegar por ela.
A última camada é chamada de Mariana’s Web, dona por si só de 
cerca de 80% do conteúdo total da Internet. Por ser a mais complicada 
de navegar e acessar, possui muitas lendas acerca do seu conteúdo. O 
que se sabe, porém, é que tem atividades de cunho ilegal sim, como é o 
caso de encontros e comunicações de grupos terroristas.
EXPLICANDO MELHOR:
O que é acesso através de Proxy? Significa que você está 
utilizando terceirizados para acessar seu destino. O Proxy 
consegue captar o destino que você quer chegar, codificá-
lo e repassá-lo para o navegador do seu dispositivo, e no 
fim, o destino registrará apenas um IP do Proxy, e não o 
seu – o que vai garantir seu anonimato.
Direito Digital 41
O que você achou dessa nossa última seção? Conseguiu entender 
esse mundo que é a deep web? Começamos vendo o que é a deep web, 
vendo suas tecnologias como a computação ubíqua, que facilita sua 
navegação, assim como que se faz para acessá-la. Depois, vimos que a 
deep web é como se fosse toda a parte de um iceberg no oceano que 
não conseguimos ver, repleta de divisões e camadas que facilitam o seu 
estudo, indo além da divisão mais filósofica entre Internet visível e invisível, 
com camadas subdivididas que deixam a visualização muito mais fácil. 
Vimos também sua importância, já que várias coisas (inclusive ilegais) 
acontecem por lá e nem imaginamos ou ao menos ficamos sabendo, 
lembrando também que a deep web possui também conteúdos legais e 
acadêmicos até. Espero que você tenha aproveitado o máximo possível 
desse mundo ainda em ascensão, que é o mundo digital. Até a próxima!
SAIBA MAIS:
O canal do Youtube “Você Sabia?” possui alguns vídeos 
interessantes acerca de teorias da deep web. Você pode 
acessar o vídeo no link https://youtu.be/lAw9Pay-Wso 
caso tenha curiosidade. Acesso em 30 de março de 2020.
https://youtu.be/lAw9Pay-Wso
Direito Digital42
BIBLIOGRAFIA
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