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Unidade 1 O mundo digital ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO Direito Digital Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor JOANA ÁUREA CORDEIRO BARBOSA Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO Oi! Meu nome é Anaïs Eulálio Brasileiro. Sou formada em Direito, com especialização em Direito Penal e Processual Civil, Mestre em Direito Constitucional, na linha de Direito Internacional, e agora, Doutoranda em Direito. Sou advogada desde 2016, mas ganhei mais experiência no ano de 2019 ao trabalhar em um escritório com causas diversas. Posso dizer com certeza que sou apaixonada pela área do direito, principalmente a parte de estudar e pesquisar sobre os mais variados assuntos, transmitindo minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!. O AUTOR Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: ICONOGRÁFICOS INTRODUÇÃO: para o início do desen- volvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoapren- dizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO A Sociedade da Informação 10 A globalização nos dias de hoje 10 A sociedade da informação: conceito e características 14 O Ciberespaço 18 A Declaração de Independência do Ciberespaço 18 Particularidades do ciberespaço 22 O domínio do ciberespaço 26 Domínios em geral 26 O Domínio do Ciberespaço 31 A Deep Web 33 A deep web 34 Camadas da Internet 37 Direito Digital 7 UNIDADE 01 O MUNDO DIGITAL Direito Digital8 Você já percebeu que em todos os momentos utilizamos plataformas digitais para nos conectarmos? Não só isso. Você já observou que utilizamos o meio digital não apenas para o lazer, mas também para a vida acadêmica- profissional? Cada vez mais estamos vendo possibilidades de recursos digitais para tornar nossas vidas interconectadas. Inclusive, a área digital é uma das maiores demandas na indústria, utilizando-se sempre do avanço da tecnologia. É responsável pela geração empregos, acontecendo casos em que sobram vagas por não ter pessoas capacitadas no meio digital. Isso mesmo. Há uma escassez de mão de obra qualificada, desde marketing digital, designers, pessoas da área de tecnologia e informação, pessoas que trabalham no campo jurídico-digital etc. Mas que meio digital é esse? O que esse mundo significa, exatamente? Para fazer parte dele, precisamos entender o que ele significa e todas suas particularidades e opções que ele oferece. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo junto comigo! Preparado? INTRODUÇÃO Direito Digital 9 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 01 – O Mundo Digital. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender em que consiste a sociedade de informação que estamos inseridos; 2. Analisar as características do ciberespaço e sua abrangência; 3. Identificar as possíveis formas de controle e as discussões sobre o ciberespaço; 4. Assimilar o universo da Deep Web e suas camadas. E então? Pronto para entrar e desbravar esse universo? Vamos lá! OBJETIVOS Direito Digital10 A Sociedade da Informação INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender, a partir de uma contextualização do cenário da globalização, como funciona a sociedade de informação e o porquê de você e todos nós estarmos inseridos nela. Isso será fundamental para o a compreensão do mundo digital em si, a partir das pessoas e formas que o compõem. E então? Motivado para desenvolver esse aprendizado? Então vamos lá. Avante! A globalização nos dias de hoje Você já deve ter percebido que atualmente estamos vivendo em um mundo que se atualiza rapidamente. Estamos o tempo todo conectados à Internet, sabendo o que está acontecendo em tempo real com qualquer pessoa do mundo, com segundos depois de quando realmente acontece. Com o avanço da tecnologia, as barreiras físicas foram atenuadas de forma significativa, facilitando não apenas aquela sua viagem que você tanto quer para outro país, mas também o que chamamos de interco- nexão da sociedade: é simples pesquisar o que pessoas de outros países vestem, comem e pensam. A partir das características do nosso mundo, a sociedade é moldada. Estamos valorizando mais e mais essa interconexão, a aproximação social internacional e econômica, a flexibilização do que antes era apenas isolado. As novas tecnologias trazem rapidez e eficiência ao mundo digital de forma que a informação está a apenas um clique de distância. Você certamente já ouviu falar na globalização, não é mesmo? De forma simples, entende-se que a globalização envolve um processo de evolução e desenvolvimento, com a presença constante do capitalismo que contribui com o fluxo econômico, e a própria universalização da cultura. Apesar de não ser um termo novo, o fenômeno da globalização ficou bem mais conhecido após a Guerra Fria, no período em que o mundo começou a perceber que quanto mais tivéssemos uma inter- dependência em termos de economia, cultura e sociedade, incluindo serviços e tecnologia e informação, mais fácil seria formar uma parceria Direito Digital 11 com outros países para que pudéssemos ter nossa economia e desenvol- vimento mais sólidos. A Guerra Fria, como ficou conhecida, foi o grande período (do fim dos anos 40 até início dos anos 90) de tensão geopolítica entre duas potências mundiais: Os Estados Unidos e a União Soviética. Por não ter havido conflitos armados diretos entre as potências e seus aliados, foi muito mais uma disputa psicológica para ver quem possuía mais influência, maior arsenal, melhor inteligência e forças armadas e um maior desenvolvimento. Você já percebeu que quanto mais evoluímos, mais nos aproximamos um dos outros? Foi o que aconteceu nas primeiras ondas da globalização, quando criamos meios de comunicação como o telégrafo, para que as informações pudessem alcançar pessoas em outros locais, assim como os trens e navios a vapor. Figura 1: Dois importantes meios de transporte advindos com o desenvolvimento da globalização: trens e navios a vapor. Fonte: pixabay Com meios e facilitações de comunicação, as primeiras ondas da globalização se configuraram como grande avanço na cooperação entre países. O processo foi interrompido durante as Duas Grandes Guerras Mundiais, procedidas por períodos de grande isolamento internacional com os fenômenos do protecionismo, nacionalismo e a Grande Depressão. O protecionismo e nacionalismo incentivam a não comunicação com outros países, incluindo a inibição de importação ao deixar os produtos vindos de outros paísesmais caros por meios de taxas adicionais. Já a Grande Depressão se deu nos anos 30, demonstrando https://pixabay.com/pt/photos/barco-a-vapor-vaporizador-navio-1528154/ Direito Digital12 o colapso do capitalismo, com a taxa de desemprego exorbitante e grandes quedas do PIB (Produto Interno Bruto). Com esse isolamento, a cooperação e relação entre os países ficou escassa. Entretanto, outra importante onda da globalização veio após a Segunda Guerra Mundial, em que a globalização foi apresentada como uma importante ferramenta na contribuição e facilitação da prosperidade e paz. A ideia veio com o sentimento de maior promoção de direitos humanos após as atrocidades acometidas na Segunda Guerra, com a necessidade de todos os países cooperarem para um mundo melhor. Com esse objetivo, os países criaram Organizações Internacionais visando a participação e cooperação de todos, incluindo organizações com aspectos mais econômicos, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, e também organizações com aspectos mais humanistas para evitar futuros conflitos armados que afetassem a humanidade como um todo, que é o caso da ONU (Organização das Nações Unidas). Mas porque estamos falando tanto de globalização, você deve estar se perguntando. Nós já vimos que o mundo globalizado significa a maior cooperação entre os países, certo? Mas além disso, quais são os efeitos que a globalização traz para nós, membros da sociedade? Vejamos o quadro à baixo. Figura 2: Efeitos da Globalização. Fonte: A Autora. Direito Digital 13 De forma direta, a globalização afeta a forma em que os países se comportam com suas mercadorias, pois podem passar a produzir os mesmos tipos de produtos ou, observar que um país produz algo que outro necessita e não tem meios para produzir. Esse conceito é denominado de vantagens comparativas, o que acabam gerando produtos com preços bem mais acessíveis nas prateleiras dos mercados. Com mais comparações, o mercado chama atenção de mais consumidores, o que leva ao aumento de produção, que leva à ampliação dos negócios, bem como uma melhor qualidade e variedade. Assim como os efeitos anteriores, o efeito da inovação significa que com o crescente número de negociações, a busca pela melhor forma de produzir as mercadorias com o melhor custo benefício contribui diretamente para o avanço de tecnologia e inovação, assim como admite novas possibilidades de empregos, e, consequentemente, sua maior rotatividade. O último efeito demonstrado no quadro, a menor desigualdade social, é um tanto controverso. Apesar de tecnicamente ajudar na diminuição de desigualdade, a globalização, em muitos casos, acaba resultando no contrário: um aumento de desigualdade. Uma das razões disso estar acontecendo é que a globalização acaba incentivando uma mão-de-obra mais qualificada para áreas que envolvem o mundo digital, enquanto outras áreas não incluídas acabam sendo marginalizadas, com salários significativamente menores. Mas a globalização não tem efeitos apenas econômicos. Ela influencia diretamente também em nós, membros da sociedade interna- cional. Nunca estivemos tão próximos uns dos outros como agora. RESUMINDO: Vivemos em um mundo repleto de tecnologia que nos dão mais acesso uns aos outros, guinados pela última onda da globalização que nos incentiva a interagir cada vez mais. Sabendo da existência da globalização e essa fácil intercomunicação cultural e econômica, considera-se que estamos, portanto, todos inseridos na sociedade atual considerada A Sociedade da Informação. Direito Digital14 A sociedade da informação: conceito e características INTRODUÇÃO: “A Sociedade da Informação” se caracteriza pela infor- mação em si sendo a sua matéria-prima, através das ferra- mentas de tecnologia, incluindo principalmente a Internet, em que todos estão interconectados através de uma rede flexível. Figura 3: A Sociedade da Informação totalmente interconectada Fonte: pixabay Considerando essa conceituação, você deve compreender que a sociedade da informação possui cinco critérios importantíssimos para sua existência, como verificado no quadro à baixo. Figura 4: Critérios caracterizadores da Sociedade da Informação. Fonte: A Autora https://pixabay.com/pt/illustrations/social-meios-de-comunica%C3%A7%C3%A3o-sociais-3064515/ Direito Digital 15 Mas o que isso quer dizer? Bem, o critério da tecnologia é fácil de perceber quando verifi- camos que quanto mais dispositivos tecnológicos, mais teremos meios de adquirir mais informação, que, como vimos, é a matéria-prima da sociedade da informação. O critério econômico pode ser mais complicado de ver sua relação com a sociedade de informação, mas a melhor forma de raciocinar é imaginando que quanto mais transações econômicas internacionais, mais teremos informações sobre os outros. Além disso, o critério ocupacional significa que a ocupação, em termos de empregos, adquire uma nova perspectiva: quanto mais a mão- de-obra for especializada e qualificada, melhor irá ocupar as vagas, o que irá contribuir mais e mais para a sociedade como um todo. O critério espacial quer dizer que as fronteiras espaciais e virtuais são as que devem ser consideradas, e não as fronteiras físicas. Ou seja, não importa a quantos quilômetros estamos um do outro, o que importa é a capacidade de se comunicar e interagir. Por fim, o último critério caracterizador é o cultural, que aproxima as pessoas e seus valores e costumes. A economia acaba sempre ditando o meio de vida e os padrões necessários para, de fato, viver. Nesse caso, temos a globalização que incentiva a cooperação e interdependência dos países, a partir de transa- ções internacionais, com o avanço no mercado financeiro a partir de todas as características já vistas aqui. Figura 5: A Tecnologia da Informação – Características. Fonte: A Autora Direito Digital16 Temos, assim, até nos países menos industrializados, uma tendência muito maior para se adequar a esse sistema, a partir do que se considera um novo paradigma: a tecnologia da informação. Vejamos as principais características desse novo paradigma e como ele se alinha ao contexto de globalização/sociedade de informação que estamos trabalhando aqui. Ao contrário do que acontecia anteriormente, agora percebemos a informação como sendo de fato a matéria-prima desse novo paradigma. O que isso quer dizer? Significa que a informação incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias para que nós possamos utilizá-las para que sejamos capazes de incrementar a própria informação. O cenário que tínhamos antes da sociedade da informação, mesmo com espécies de tecnologia, era que a informação é que era utilizada como ferramenta para chegar no objetivo de melhores tecnolo- gias. Ou seja, temos o oposto agora. EXPLICANDO MELHOR: A tecnologia é uma ferramenta para alcançar altos patamares de informação, sendo a informação a matéria-prima, o ponto de partida para tudo, incluindo a vida em sociedade. Tendo a informação como matéria-prima e consequentemente o desenvolvimento de mais tecnologias, temos, portanto, a segunda característica: a alta penetrabilidade. Quer dizer, já que a informação é um objetivo tão importante, as tecnologias que acabam sendo desenvolvidas acabam integrando o dia-a-dia de toda a sociedade, de forma individual ou coletiva. Você acorda, toma café-da-manhã enquanto checa as redes sociais. Você se arruma para o trabalho e se lembra de pagar uma conta pelo aplicativo do seu banco. Chama um transporte por outro aplicativo, faz o pagamento pelo cartão de crédito ou débito pelo próprio celular. Até aqui, você já experimentou a tecnologia tão intrínseca na sua vida que você nem ao menos parou para pensar o que você faria sem ela. Já a lógica de rede representa a interrelação existente entre a sociedade, pois, como já vimos antes, é extremamente difícil no mundoDireito Digital 17 atual que alguém (um indivíduo ou um país) sobreviva totalmente isolado, sem se relacionar com os outros. Essa comunicação com os outros é o motivo de considerarmos a lógica de redes como outra característica da relação existente na sociedade da informação. Igualmente importante, temos a flexibilidade como característica fundamental que permite e até incentiva modificações e reorganizações para obtenção de melhores resultados que propiciem melhor qualidade de informação para a sociedade. Além disso, o aumento constante da convergência de tecnologias colabora para tudo o que vimos trabalhando até agora: o desenvolvimento da tecnologia contribui para o cotidiano social, conseguindo, a partir de uma interdisciplinaridade, oferecer dispositivos que que se interliguem nas mais diversas áreas, seja na comunicação digital, seja aspectos econômicos digitais ou até relacionados a saúde física e mental. É fácil perceber como a sociedade da informação influencia positi- vamente na nossa vida, principalmente nesse período de quarentena que o mundo inteiro está enfrentando. Todos estão em casa, conectados, participando de reuniões através de videoconferências, aulas online, entretenimento através de streaming de vídeos, redes sociais, mas será que só temos esses aspectos positivos? A sociedade da informação possui diversos desafios a cada etapa de nova tecnologia de informação que surge. Um dos principais desafios que merecem ser mencionados aqui é o que foi falado brevemente anteriormente: a desigualdade social que acaba surgindo diante da nova necessidade de mais qualificação nas áreas digitais e aumento de desemprego nas demais áreas. REFLITA: Você já parou para pensar na contrapartida da sociedade da informação? Em como estamos nos aproximando de quem está longe, e por vezes, nos afastando de quem está próximo de nós, fisicamente falando? Reflita se esses lados negativos da sociedade da informação possuem uma carga negativa maior do que a positiva. Direito Digital18 E aí? Gostou da primeira parte do nosso material? Entendeu por que é importante aprender sobre que tipo de sociedade estamos inseridos atualmente e seu respectivo contexto? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o fenômeno da globalização incentiva que nos relacionemos uns com os outros, criando laços formados principalmente pela tecnologia. Além disso, esse contexto indica que a informação é o objetivo de toda nossa conexão, o que facilita o maior desenvolvimento de mercado e da própria tecnologia, capaz de integralizar nossa sociedade a ponto de que nem percebemos o quanto a utilizamos. Agora sim podemos dar continuidade à descoberta desse mundo digital! O Ciberespaço INTRODUÇÃO: Ao término desta competência, você poderá entender o que é o ciberespaço, sua abrangência e será capaz também de analisar suas características. Além disso, vamos dar uma analisada em como a cultura popular retrata o ciberespaço e ainda ver características próprias desse mundo digital! Vamos lá, seguir para o desdobramento da sociedade da informação? A Declaração de Independência do Ciberespaço A partir da conceituação de sociedade da informação, vimos que ela aproxima valores e culturas internacionais, fazendo com que ao redor do mundo a gente tenha a oportunidade de comer a mesma coisa, de se vestir de forma parecida, de ouvir as mesmas músicas e ver no cinema os mesmos filmes. Nesse sentido, percebendo essa maior interação virtual e digital, interligada com aspectos econômicos, sociais e culturais, nota-se a importância de termos um espaço para lidar só com isso. Para esse espaço específico, se deu o nome de ciberespaço. Direito Digital 19 Figura 6: Representação do ciberespaço sendo acessado pelo computador Fonte: pixabay “Ciberespaço” é o mundo digital, no aspecto virtual. É o espaço criado especificamente por links, a partir de computadores com Internet que possuam servidores e roteadores. É o espaço criado por meios eletrônicos para criar uma rede que facilite a comunicação entre a sociedade da informação. Do inglês, Cyberspace, o termo teve uma de suas primeiras utilizações pelo Norte Americano William Gibson em 1982, que, em suas obras, descreveu o ciberespaço como sendo a criação de uma rede eletrônica no computador (apesar de acrescentar que o contexto do ciberespaço seria dominado por seres de inteligência artificial, tendo em vista que seus livros eram de ficção científica). Aliás, algumas décadas atrás, era comum encontrarmos obras que tratassem de uma futura realidade virtual como se fosse algo distópico, antes mesmo de termos tecnologia suficiente para a criação de tais dispositivos. SAIBA MAIS: Se você tiver curiosidade e interesse na área de ficção científica, o livro de Gibson se chama Neuromancer, de 1984. É interessante ler essa obra e perceber o que o autor conseguiu prever que existiria, como a própria realidade virtual. A trilogia do filme Matrix também se inspirou nesse livro para criar rua rede de computadores. https://pixabay.com/pt/photos/trabalho-digita%C3%A7%C3%A3o-computador-731198/ Direito Digital20 Nos anos 90, o termo ciberespaço continuou a sendo utilizado, mas ainda na cultura popular. O termo foi utilizado para apenas descrever de forma simples o local virtual em que as pessoas podiam interagir quando usassem a Internet. Passou a ser o termo comumente utilizado para descrever o local em que acontecem os jogos online e as conversas instantâneas no que antes eram conhecidos como chats online, interações que passaram a de fato existir, ainda que no mundo virtual. Mais para frente, o ciberespaço começou a ser o lugar também para acolher os novos meios de expressões sociais e discussões, os blogs. Ainda nos anos 90, em sua segunda metade, começou a surgir a parte da sociedade, mais tarde chamada da informação, que defendia e acreditava que a realidade existente no ciberespaço deveria ser livre de qualquer ação regulamentadora governamental, não importando o país que tivesse interesse em cria-la, não importando as regras de convívio social existentes no espaço normal. Segundo eles, o ciberespaço seria, de fato, outro espaço, outra realidade. Com esse ponto de vista, o autor John Perry Barlow criou a Declaração de Independência do Ciberespaço, conhecido até hoje como o discurso mais inspirador a favor da liberdade na realidade virtual, sem qualquer interferência governamental. Dentre seus principais argumentos, destacamos: Figura 7: A Declaração de Independência do Ciberespaço em tópicos. Fonte: A Autora Com uma capacidade inspiradora surpreendente, Barlow deixa claro, primeiramente, que o ciberespaço é diferente do mundo real. Ele defende que esse mundo virtual consiste em ideias abstratas e relacionamentos com características próprias dessa realidade que são Direito Digital 21 traduzidas na linguagem digital como ondas estáticas na grande rede acessada e propiciada pelos computadores. Por causa disso, o ciberespaço independe do mundo real. Não existem, portanto, países no ciberespaço. Existe apenas uma realidade virtual com avatares representando as pessoas e suas comunicações e desejos. Sendo assim, Barlow defende fortemente que os governos do mundo real não possuem qualquer poder no ciberespaço. Eles não possuiriam direito algum de querer regulamentar um mundo que eles nem ao menos auxiliaram a criar, mundo o qual eles simplesmente não pertencem. Ninguém no ciberespaço escolheu qualquer governo para regulamentá-los, e isso deveria permanecer assim. Seria, então, o ciberespaço sem ordem alguma na visão de Barlow? Não. Na própria declaração, Barlow aponta que a própria comunidade que participa do ciberespaço é que deve ser responsável pela criação de qualquer regulamentaçãono âmbito virtual, devendo também ser capaz de lidar com qualquer tipo de conflito existente lá. EXPLICANDO MELHOR: O ciberespaço é uma realidade virtual existente através de redes criadas e conectadas por dispositivos tecnológicos e internet. O ciberespaço não possui barreiras físicas limitadoras que determinem o que seria Brasil ou qualquer outro país ou região. É apenas uma grande comunidade. Por que, então, como Barlow defende, os Governos dos Países deveriam ter qualquer envolvimento em suas decisões e regulamentações? Sendo a própria comunidade do ciberespaço a responsável pela criação de suas regulamentações, Barlow acreditava que o ciberespaço deveria ser independente do mundo real, mas não seria uma realidade anárquica. Teria seu próprio Contrato Social. O sistema político da anarquia defende a negação e não aceitação de qualquer tipo de autoridade, organização e liderança. Já o Contrato Social o qual Barlow se refere, é o Contrato Social elaborado por Rousseau no mundo real, em que a sociedade concorda entre si com Direito Digital22 diretrizes básicas para o convívio social, considerando que sua ausência significaria numa completa destruição da vida em sociedade. Para Barlow, o Contrato Social do ciberespaço seria um contrato diferente do já existente no mundo real. Além disso, Barlow também trata da liberdade de expressão, um direito humano tão buscado, defendido e violentado no mundo real. Segundo ele, o ciberespaço tem que ser o ambiente que garanta a todos a liberdade de expressão, ainda que os membros da sociedade se utilizem de avatares para se expressarem e se relacionarem. Aqui é válido destacar que o avatar aqui tratado não é o do filme ou do desenho animado, mas é um importante conceito no meio digital: “Avatar é a manifestação corporal de alguém no espaço cibernético”, de acordo com o site de significados. Barlow defende, apesar de não usar o termo “avatar”, a possibilidade das pessoas não se identificarem no ciberespaço, não precisando divulgar de onde são, onde moram e suas informações pessoais. Esse fator daria aos participantes da comunidade cibernética uma liberdade de expressão muito maior do que aquela existente no mundo real. Por fim, o ciberespaço merece, para Barlow, sua independência por não possuir as mesmas limitações do mundo real. O ciberespaço promove, na verdade, a igualdade social à medida em que não existe rico ou pobre no mundo virtual já que todos são meras representações em avatares. SAIBA MAIS: A Declaração de Independência do Ciberespaço é importantíssima! Vale a pena dar uma lida no texto, que você pode encontrar na íntegra traduzido para o português no link: <https://bit.ly/2YbImyY>. Particularidades do ciberespaço Certo, entendemos que o ciberespaço é uma realidade virtual em que se defende sua independência do mundo real. Mas além disso, como podemos entender o ciberespaço e suas relações, já que envolve um conceito de um mundo que não podemos literalmente tocar? Direito Digital 23 A primeira coisa que podemos destacar é que o Ciberespaço conseguiu modificar as interações sociais além do plano virtual. Isso é, com o advento do mundo digital, é possível que pessoas de diferentes países se conheçam através das redes cibernéticas e desenvolvam um relacionamento verdadeiro de amizade, ou até mesmo amoroso. Levando a sério esses relacionamentos, eles podem sair do plano virtual para o real, o que conecta muito mais as pessoas nesses novos tempos e demonstra a força da comunidade cibernética. Além disso, temos dois conceitos básicos no mundo real que são bem diferentes no mundo virtual: espaço e tempo. Sobre o espaço, já vimos anteriormente que o ciberespaço não possui os mesmos limites e fronteiras do mundo real, formando uma grande comunidade cibernética, mas e sobre o tempo? O tempo no ciberespaço pode ser sincronizado ou não, dependendo da plataforma utilizada, como pode ser visto na figura abaixo: Figura 8: O tempo no ciberespaço. Fonte: A Autora As mensagens instantâneas são utilizadas cada vez mais nos dias de hoje, em que precisamos de respostas rápidas e eficientes, nas quais, por vezes, alguns minutos tendem a parecer uma eternidade. Já as plataformas que não precisam necessariamente acontecer de forma instantânea, como os e-mails, apesar de permitir a opção de resposta em tempo real, já não requerem uma sincronização instantânea. Ou seja, você pode estar em locais diferentes, com diferentes fuso- horários e ver algumas horas depois, sem a necessidade fática de ser exatamente na hora. Um autor que estudou e pesquisou muito as excentricidades do mundo virtual foi Pierre Lévy, nos anos 90. Para ele, o ponto chave desses aspectos do ciberespaço é justamente essa velocidade que altera as percepções de tempo e espaço. Ele diz que a velocidade das Direito Digital24 tecnologias não afeta só os meios de comunicação, que são os contidos na figura 8, mas também envolve os meios de transporte para aproximar os espaços físicos. Sobre o assunto, é de extrema importância destacar o que Lévy (1996) diz sobre o mundo virtual e seus aspectos de tempo e espaço. É que para o autor, o ciberespaço faz com que exista uma unidade de tempo, que pode ser instantânea ou não como vimos, mas sem uma unidade específica de lugar. Bem, o que Lévy quer dizer? Ele está apenas tentando explicar que no ciberespaço nós possuímos nossas próprias unidades de tempo baseadas na velocidade, mas o espaço em si não é tão importante. No Youtube, por exemplo, temos a opção de livestreams – as transmissões ao vivo. Nelas, os youtubers podem transmitir eventos ao vivo (como até um torneio de videogame) e milhões de pessoas ao redor do mundo podem ter acesso ao vídeo de forma gratuita, basta ter Internet. No ciberespaço, Lévy acaba afirmando que a unidade de espaço é substituída pela sincronização, enquanto a unidade de tempo é substi- tuída pela interconexão. Outra coisa muito importante que você deve perceber, é que aqui utilizamos sempre os termos “mundo digital”, “mundo virtual”, “realidade virtual” por um motivo muito específico: não é porque o ciberespaço só existe nas redes cibernéticas que ele não existiria. Todo o seu aspecto virtual se configura como realidade, ainda que essa realidade não seja palpável. Tudo que acontece nessa realidade virtual pode sim ter efeitos na vida real. Certo, já vimos o que é ciberespaço, porque ele é considerado independente e real, e que ele possui particularidades diferentes das existentes no mundo fático, como as próprias unidades de tempo. Vimos também que duas importantes ferramentas do ciberespaço são os computadores e a internet. Mas... Existe apenas uma finalidade dessas ferramentas? Bom, já entendemos que o produto dessa sociedade é sempre a informação, mas teríamos capacidade de afirmar que só existe um tipo de informação? Não, não é mesmo? Como até já mencionado, temos comunicação e transporte. Mas será que é só isso? Direito Digital 25 Estudando sobre as formas de construção de informação através de computadores, Jungblut (2004) chegou à conclusão de que existem quatro diferentes formas de criação de informação através da Internet e dos computadores, como pode ser analisado no quadro abaixo e em seguida explicitado: Figura 9: Criação de Informação. Fonte: A Autora Nesse sentido, a Internet se apresenta como biblioteca digital quando consegue dispor da informação de forma estática, em que não pode ser alterada, como consulta mesmo. Como se fosse uma biblioteca normal que você consulta livros – aqui você consulta as informações digitais. Já a Internet como meio de comunicação indica mais opções e plataformas para a comunicação disponíveis através de computadores e smartphones, como as plataformas contidas na Figura 7. A Internet como mercado eletrônico (o famoso e-commerce) se refere à todas as transações financeiraspossíveis através de dispositivos eletrônicos, desde compra e vendas online, como pagamento de conta ou contratação de serviços. Por fim, a Internet como o meio específico de construção de mundos digitais significa realidades criadas apenas no ciberespaço, como relacionamentos de pessoas que só se conhecem online (que podem sim vir a se encontrar no mundo fático). Já deu para entender melhor esse tal mundo digital? Espero que sim! Nesta segunda parte aprendemos sobre esse espaço que só existe nas redes, o ciberespaço. Considerado como uma realidade virtual, deu para ver que ele é um espaço que independe do mundo fático e real, apesar de não podemos tocá-lo. Vimos que essa independência vem de Direito Digital26 suas próprias particularidades, como as diferenças de unidades de tempo e espaço, assim como as formas em que a informação se apresenta, atingindo vários escopos que vão além da mera comunicação! O domínio do ciberespaço INTRODUÇÃO: Ao término desta competência você compreenderá o que se entende quando se fala de “domínio” de algum lugar, bem como será capaz de identificar como o ciberespaço é encarado pelo direito internacional para decidir quem tem controle sobre ele. Domínios em geral Antes de começar a tratar sobre o domínio do ciberespaço, você saberia dizer em que consiste essa expressão de domínio? Seria um sinônimo de controle apenas ou há diferentes conotações nas diferentes áreas? Se você imaginou que os domínios possuem interpretações diferentes a partir do contexto utilizado, você está correto. Aqui vamos analisar, em um primeiro plano, quais os conceitos de domínio no âmbito virtual, no âmbito jurídico e estudar um pouco como se dá outros difíceis domínios no mundo do direito antes de aprofundar no domínio do ciberespaço. No ciberespaço, o termo “domínio” é bem comum e você prova- velmente já deve ter visto algum anúncio com propostas de vendas de domínio na internet ao buscar alguma coisa no Google. Mas o que isso significa? Com uma conceituação um tanto técnica, as plataformas de registro na internet determinam, de forma resumida, que: “Domínio de Internet” abrange um conjunto de caracteres (letras, números ou símbolos) que você digita em qualquer navegador para chegar onde você quer, como se fosse o endereço eletrônico do seu objetivo. A internet consegue identificar o endereço através do servidor DNS (Sistema de Nome de Domínios), que codifica o endereço digitado para que o sistema encontre o IP (Protocolo de Internet, o endereço de fato que vem no formato de números) que se deseja. Direito Digital 27 O domínio é como se fosse o nome fantasia de um estabelecimento comercial. Você coloca o nome da loja por exemplo no GPS e o sistema consegue encontrar o caminho para o destino que você selecionou. Figura 10: Processo de tradução de Domínio do Google. Ao digitarmos o domínio www.google.com, o servidor DNS traduz o nome para o código de seu IP e o navegador acessa o endereço final em apenas alguns segundos. Fonte pixabay Já no âmbito jurídico, domínio está interligado aos conceitos de propriedade e posse no direito civil, conteúdos que não são importantes neste estudo. O que é importante destacar, entretanto, é a área legal especificamente do direito internacional, que trabalha o tema de domínio público internacional. DEFINIÇÃO: “Domínio público internacional” significa, essencialmente, as áreas que acabam gerando interesse a mais de um país ou até a sociedade global, ainda que pareça superficialmente que o local pertença a uma pessoa ou país em específico. É o caso do Alto Mar, Espaço Sideral/Corpos Celestes e o Continente da Antártica. Apesar de haver autores que já considerem a Internet como domínio público internacional, o ciberespaço e seu conteúdo ainda não foram inseridos tecnicamente no campo do direito internacional público. Entretanto, os desafios que todas essas áreas enfrentam são muito semelhantes e merecem ser abordados aqui para a sua melhor compreensão. http://www.google.com https://pixabay.com/pt/illustrations/google-motor-de-busca-navegador-76517/ Direito Digital28 O domínio desses espaços passou a ser legalmente próprio da socie- dade internacional durante o século vinte, quando os países concordaram acerca de três principais aspectos: a baixa probabilidade de haver uma espécie de autoridade particular em cada domínio, a regulamentação por tratados internacionais e certas limitações na área militar. Vejamos cada domínio com calma, para entender melhor esse assunto. a. O Alto Mar Entre todos os domínios públicos do direito internacional, talvez o que seja compreendido como sendo de todas as pessoas há mais tempo seja o Alto Mar. Desde séculos atrás, quando em meio da necessidade de enviar navios para transportar pessoas e mercadorias, para comerciar ou até mesmo durante conflitos com outras terras, a população já entendia que as águas internacionais eram uma situação distinta do território tradicional. A primeira vez que houve qualquer registro sobre o direito do Alto Mar foi em 1958, em um tratado assinado em Conferência da ONU sobre o Direito do Mar. Na própria redação do documento é explicado que o tratado apenas estabelece por escrito certos princípios do direito internacional que já existiam tempos antes, como é o caso do Alto Mar. EXPLICANDO: Não é novidade que as águas do Alto Mar não possuem donos. Desde os primórdios da nossa sociedade, isso era tido como conhecimento de todos, como um costume em que todos concordavam de forma silenciosa porque sempre fez sentido e funcionou para todos. Navegar em Alto Mar era livre a todos. Para ficar mais claro, precisamos entender que o direito considera como Alto Mar as partes de todos os mares que não fazem parte de qualquer território ou de qualquer zona econômica. Nenhum país ou pessoa física pode dizer que é o dono dessas águas e muito menos que possui qualquer controle e soberania em relação a elas. Aqui, devemos entender soberania como característica comum a todos os países. É o princípio-regra que faz com que todos os países tenham capacidade de se auto regulamentar, desde que em seu próprio território, podendo delimitar suas regras e regular seus povos, assim como os interesses do país. Direito Digital 29 Como você deve imaginar, quando dizemos que o Alto Mar é de domínio público do direito internacional, queremos dizer que existe uma Liberdade no Alto Mar. Com essa liberdade, é possível que qualquer pessoa, não importando sua nacionalidade, vá até o Alto Mar sem importar seu objetivo (contato que não seja nenhum crime ambiental por exemplo, ou até para cometer crimes). Não importa se você queira ir para o Alto Mar fazer pesquisa sobre água ou animais marinhos, navegar, pescar ou qualquer outra ação legal. Todos são livres para tal, desde que tenham intenções pacíficas. A Convenção ainda trata que os navios que naveguem em Alto Mar devem seguir as regras de seus próprios países quando estiverem dentro do meio de transporte. No direito, utilizamos muito a expressão “bandeira do navio” para indicar a nacionalidade, a soberania e o país que está sendo tratado. b. Espaço Sideral e Corpos Celestes Mais ou menos na mesma época da Conferência sobre o Direito do Mar, o homem estava lançando seus primeiros foguetes e satélites no espaço sideral, durante a corrida armamentista da Guerra Fria, já mencionada anteriormente. A partir do momento que descobrimos que o homem podia, de fato, alcançar esse novo universo, a comunidade internacional entrou no consenso de que, assim como o Alto Mar, o espaço sideral deveria ser tratado como domínio público. Agindo de forma rápida e eficiente, em 1958 a Assembleia Geral da ONU concordou através de resolução que o espaço sideral só deve ser utilizado para fins pacíficos, assim como foi determinado para o Alto Mar, declarando que os países estavam intencionandodeixar esse novo e recém descoberto ambiente livre das disputas internacionais. Ao contrário do caso do Alto Mar, que já era tradição ser tratado como tal, o caso do espaço sideral e corpos celestiais (como a lua, por exemplo) foi diferente. Veja bem, eram tempos de Guerra Fria, nos quais os Estados Unidos e a União Soviética disputavam o tempo todo para saber quem era a maior potência mundial, e o que mais serviria para demonstrar isso além do ter o controle do espaço sideral? Direito Digital30 O fato de a União Soviética ter sido o país responsável pelo lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, fez com que o país fosse contra no princípio de o espaço sideral ser de domínio público. A União Soviética alegava que o espaço sideral deveria ser tratado como o espaço aéreo, que não é de domínio público. No espaço aéreo, o espaço que estiver literalmente em cima do território de algum país, pertencerá por consequência a este, e deverá seguir todas as suas regras já que é considerado como parte do território soberano. O que ganhou a discussão foi o fato de o espaço aéreo ser tecnicamente estático, já que segue obrigatoriamente o território físico do país. O mesmo não podia ser dito do espaço sideral, com toda sua relatividade geográfica. Assim, ficou proibido que qualquer país levasse ao espaço sideral qualquer equipamento que fosse utilizado para seu interesse próprio, como colocar em órbita uma arma nuclear apontada para algum país específico. Descumpriria a regra maior de utilização para fins pacíficos. Esse também é o caso da lua e demais corpos celestiais, que devem obedecer aos propósitos pacíficos, sendo matéria decidida em 1979 – o que ficou conhecido como Tratado da Lua. c. Antártica Também diferentemente do que era entendido sobre o Alto Mar, o caso do continente da Antártica teve algumas divergências acerca de seu domínio. Entre os anos de 1908 e 1943, sete países (Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Grã-Bretanha) chegaram a tentar proclamar alguns territórios da Antártica, apesar de não serem reconhecidas pela ONU. Ainda hoje esses países tentam reivindicar a soberania de certos locais na Antártica. Para tentar evitar que mais países fizessem o mesmo, ou até por questões de interesse próprio, em 1958 os Estados Unidos propuseram uma discussão específica acerca de um possível tratado sobre a Antártica, que acabou tendo sucesso e sendo assinado uma década mais tarde. O tratado teve capacidade de congelar as reivindicações de soberania, sem, entretanto, anulá-las para evitar prejudicar qualquer um dos sete países. Isso quer dizer que, enquanto o tratado estiver em vigor, nenhum país pode agir como se dono do território fosse. Foi então Direito Digital 31 atribuído ao continente as mesmas normas do Alto Mar e Espaço Sideral: sua utilização exclusiva para fins pacíficos. O Domínio do Ciberespaço Apesar de todo o discurso de independência do ciberespaço, os países têm constantes discussões acerta do mundo digital como território e como seria seu domínio jurídico, já que o domínio técnico já foi explicado na figura 9. Eichensehr (2015) traz um estudo interessante acerca das perspectivas dos principais países em relação ao ciberespaço, tratados a seguir. A China e a Rússia possuem o mesmo ponto de vista sobre o ciberespaço e seu domínio jurídico-legal, desenvolvendo a ideia de que o mundo virtual deveria ser tratado como o espaço aéreo: o ciberespaço responderia a autoridade soberana que representasse seu território extensivo físico. Para uma melhor compreensão, veja o entendimento do domínio do espaço aéreo normalmente: Figura 11: Domínio do espaço aéreo. Fonte: A Autora Analogicamente ao ciberespaço, a China e a Rússia defendiam que os servidores existentes virtualmente que pertencessem a algum território nacional, deveriam responder apenas a sua soberania, assim como no esquema básico acima que demonstra o espaço aéreo pertencente ao território correspondente logo abaixo, não importando sua altitude. Nesse raciocínio, o ciberespaço teria ciber-fronteiras, e os países responsáveis deveriam ter capacidade suficiente de parar qualquer Direito Digital32 ataque contra seus territórios cibernéticos. Acontece que essa defesa de fronteiras cibernéticas não é tão fácil quanto se imagina. É como se fosse uma só grande Internet no ciberespaço, sendo impossível essa divisão em Internets Nacionais – até porque, diferen- temente do espaço aéreo, não se dá para dimensionar o tamanho do ciberespaço e determinar exatamente onde começaria e terminaria os territórios nacionais correspondentes. Do outro lado, temos países, como os Estados Unidos e Canadá, que defendem que o ciberespaço é um bem comum da sociedade internacional, ou seja, de domínio público. Além dessas duas perspectivas, tem-se uma terceira que acredita que é difícil considerar o ciberespaço como domínio público internacional, com o argumento de que há hardwares físicos (dispositivos físicos capazes de criar redes pela internet, ainda que no ciberespaço) em territórios físicos de países que podem até ser de pessoas privadas – ou seja, de empresas. Apesar de ser um assunto controverso, não se pode negar que o domínio do ciberespaço possui semelhanças com os outros domínios públicos estudados anteriormente, seja por convenções e tratados ou seja por necessidade, fato é que: Nenhum desses quatro domínios são, atualmente, partidos ou totalmente pertencentes a soberania alguma, no sentido tradicional da palavra soberania. SAIBA MAIS: Quando dizemos sentido tradicional da palavra “soberania”, nos referimos ao tratado de Vestfália, que diz que todo país é soberano. Você pode ler mais sobre em que implica de fato esse conceito tradicional no artigo disponível no link: https://bit.ly/3cDxazA. Acesso em 27 de março de 2020. Apesar de terem vários pontos em comum, é importante destacar também que o ciberespaço possui algumas diferenças dos outros domínios, certo? Por exemplo, ele não foi criado pela natureza, foi criado pelo homem. Além disso, o ciberespaço, ao contrário dos outros domínios públicos, não é um espaço físico, e sim virtual. Apesar de ser virtual, possui elementos no mundo físico, como computadores, roteadores, cabos, entre outros. Direito Digital 33 Com tantos desafios, é difícil imaginar qualquer país como autoridade de partes do ciberespaço, já que além de ser um espaço indivisível, o mundo digital tem suas próprias unidades de espaço e tempo, como já visto anteriormente. Quer ver só um exemplo? Confira o esquema abaixo: Figura 12: Desafios de reivindicar soberania sobre o domínio do ciberespaço. Fonte: A Autora E aí? O que você achou dessa terceira parte? Captou esses conceitos que vieram do mundo do direito e do mundo tecnológico? Vamos relembrar um pouco comigo! Começamos vendo que a palavra “domínio” pode se referir a coisas diferentes, como o domínio técnico do ciberespaço, que é como se fosse o endereço do website que você quer, mas também pode querer dizer sobre quem tem o controle do espaço em comento não é mesmo? Depois disso, vimos alguns domínios públicos do direito internacional, que são o Alto Mar, o Espaço Sideral/Corpos Celestiais e o Continente da Antártica. Mas por que foi necessário entender um pouco como eles funcionam? Porque no fim, pudemos ver todas suas semelhanças com o ciberespaço e como o domínio do ciberespaço é considerado atualmente! A Deep Web INTRODUÇÃO: Ao término desta competência você será capaz de assimilar o universo da Deep Web – o que significa, o porquê desse nome, como são classificadas suas camadas e o que podemos encontrar nelas. Essa é considerada a parte mais intrigante do Ciberespaço! Pronto para conhecê-la? Vamos lá! Direito Digital34 A deep web Como você já bem sabe, não encontramos apenas coisas positivas no ciberespaço. É comumver no jornal notícias sobre hackers, espionagem, contrato de assassinos de aluguéis e muito mais até do que podemos lembrar. Mas como isso acontece, com um mundo tão avançado, com tantas tecnologias? Em que parte do ciberespaço é possível encontrar esse lado obscuro do mundo digital? A primeira coisa que temos que considerar, é que tudo que conhe- cemos da Internet faz parte apenas do que se conhece como superfície. Sim, mesmo que você esteja pensando que a Internet é enorme e que tem coisas que você nem imagina... Sim, tudo isso é a superfície. O que acontece de ilegal no ciberespaço ocorre no local específico que é conhecido popularmente como a deep web – do inglês, é a expressão que significa a profundeza da internet. Ou seja, muito além do que podemos ver, há conteúdos no ciberespaço muito bem escondidos que nem a polícia ou o direito consegue atingir, por ser de difícil monitoração. Para melhor visualizar esse cenário, imagine uma enorme praia vazia, estando você na areia, de frente ao mar. O que você consegue ver de água – as ondas, a superfície cristalina –, é a superfície da Internet, é a Internet que você está acostumado a acessar, como o Google, e-mails, redes sociais. Debaixo da superfície, temos a Deep Web. Não sabemos sua extensão, nem o que podemos encontrar lá de fato. Melhor: só pessoas com muito conhecimento do ciberespaço se atrevem a mergulhar na parte obscura desse oceano sem fim. Na areia, onde você está, fica o conteúdo local de cada país, de fácil acesso e que geralmente apenas os membros do mesmo país conseguem entender, como os próprios memes da Internet. No céu, você pode encontrar as nuvens, que armazenam muitos dos dados compartilhados da superfície da internet e do conteúdo próprio da pessoa. A imagem abaixo demonstra exatamente esse cenário: Tudo o que podemos acessar na superfície, podemos fazer por navegadores comuns, que conseguem identificar nossos IPs. Já na Deep Web, há navegadores específicos que garantem o seu anonimato o não rastreio, pois há websites lá que você não pode se identificar (nem se quiser). Direito Digital 35 Figura 13: O cenário do ciberespaço. Fonte: A Autora É sabido que o conteúdo da superfície abrange apenas 4% de todo o conteúdo existente na Internet, sendo os 96% restantes pertencentes à Deep Web, dividido em suas camadas, que veremos mais para frente. Além disso, em razão da própria dificuldade em acessar a Deep Web, já que a maioria de seu conteúdo é protegido, dizem que esse conteúdo tem um valor imensurável e não possui apenas coisas ilegais. A cada tempo que passa, a Deep Web se torna mais profunda, princi- palmente com o surgimento de novas tecnologias que requerem maior conhecimento de informática, como é o caso das destacadas a seguir: d. Computação ubíqua – é a forma de computação que você pode acessar de qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer dispositivo, de forma quase invisível. Ou seja, você não notaria que estaria dando coman- dos ao dispositivo para acender as luzes do seu quarto, por exemplo. e. Computação em Nuvem (distribuição e armazenamento) – é a tecnologia que permite tanto a distribuição quando o armazenamento de dados, que ficam em uma grande base de arquivos chamada de nuvem. Para acessar os dados lá presentes, você não precisa carregar qualquer dispositivo. É o caso do Dropbox, por exemplo. f. Computação móvel – como o próprio nome indica, é a presente em dispositivos que permitem que você os carregue para onde quiser, como o celular que apresenta capacidades de computador com trans- missão de dados, voz e vídeo. Direito Digital36 g. Redes de Sensores sem Fio (RSSF) – um tipo específico de rede que permite uma estrutura sem fio de monitorar condições ambientais ou físicas, como temperatura, som, vibração, pressão, entre outros. É comum em locais que possuem algum tipo de perigo ou são de difícil acesso, como áreas militares ou áreas de aviação e tráfego. h. Serviço de hosting – são servidores que conseguem suportar atividades de forma suficiente para que o seu site permaneça online, como se estivesse fazendo uma hospedagem da rede. i. Criptomoedas e a Dark Wallet – são de fato as formas de comercializar na Internet. Antigamente, existiam apenas na deep web mas estão sendo transportadas para a superfície, como é o caso da Bitcoin. As moedas criptografadas funcionam como unidade de troca através de um sistema descentralizado com tecnologia de blockchain, funcionando basicamente como uma forma de pagamento anônima. A dark Wallet administra as criptomoedas, que garante o anonimato e permite situações de lavagem de dinheiro, por exemplo. SAIBA MAIS: Blockchain significa a tecnologia de lista de registro em blocos, protegidos e vinculados pela criptografia, de forma que apenas os envolvidos nas transações tenham a chave do código de acesso. Se você tiver curiosidade para saber quais as criptomoedas existentes atualmente, basta acessar o link: https://coinmarketcap.com/. Acesso em: 29 de março de 2020. É possível, na deep web, a contratação de hackers para fazer algum serviço, o qual será pago por criptomoedas. Além disso, como dito anterior- mente, é possível a contratação e comunicação sobre serviços legais que mereçam privacidade absoluta, como é o caso de pessoas que lidam com segredos de Estados, como Edward Snowden por exemplo e diversos jornalistas e ativistas que conseguem informações valiosas por lá. Mas... Como acessar a deep web, você pode estar se perguntando? De fato, é necessário obter primeiramente conhecimentos infor- máticos específicos a depender de quão profundo você deseja ir. De modo geral, a maioria dos usuários da deep web conseguem alcançá-la https://coinmarketcap.com/ Direito Digital 37 através de navegadores específicos que garantem o anonimato tanto dos donos dos websites quanto dos clientes que os acessam, como é o caso do TOR (The Onion Router), o I2P (Invisible Internet Project) e o Freenet. Desses, o mais conhecido é o TOR, que possui até conteúdos mais maduros e mais bem desenvolvidos. É ele, portanto, que possui uma capacidade maior de conter atividades ilegais, como a venda de cartões de crédito clonado ou documentos de identidade falsos, por exemplo. Acessar esse tipo de conteúdo não é tão fácil, pois as ferramentas de buscas normais que conhecemos não conseguem alcançar essa deep web – não adianta por exemplo pesquisar no Google. Isso se dá porque os conteúdos da deep web não são indexados na Internet, pois os padrões de indexamento são não contextuais e não roteirizados. SAIBA MAIS: Ainda está curioso para saber mais? Tem um canal no Youtube bem interessante que já gravou alguns vídeos sobre a deep web e você pode saber mais como se dá o acesso, o Nerdologia. O link do vídeo é https://bit. ly/3bKAA2W. Acesso em 29 de março de 2020. Camadas da Internet Os estudos acerca da Deep Web hoje em dia já são mais extensos do que tínhamos antigamente. É justamente por isso que, para facilitar a melhor compreensão desse conteúdo, diversos autores preferem criar divisões na Internet, popularmente chamadas de “camadas da Internet”, que não passam, claramente, de categorias meramente metodológicas. Dependendo dos autores, possuímos diferentes divisões da Internet. Aqui, vamos ver duas divisões que facilitam a compreensão e que são as mais utilizadas, sendo elas as categorizações segundo os autores internacionais e segundo a Escola de Magistrados do Brasil No começo dos estudos acerca da Deep Web, os estudiosos entendiam que a Internet se dividia nas camadas visível e invisível (profunda, oculta e escura). Porém, essa era uma divisão que poderia prejudicar a compreensão, muito mais do que facilitá-la. Direito Digital38 Para Bergman (2001), inclusive, dizer que a Internet pode ser invisível não seria nem ao menos correto porque essa questão é muito mais básica do que o próprio conteúdoda Internet. Quer dizer, os dispositivos tecnológicos poderiam facilitar e deixar o conteúdo da Internet invisível, como é o próprio caso do que foi visto anteriormente de não deixar qualquer indexador nos websites para que se tornem de difícil acesso. O autor defende que muito melhor do que o termo “internet invisível” é o próprio termo “Internet profunda” – Deep Web. Foi ele, também, um dos primeiros autores que constatou a imensidão da Deep Web, sendo muito maior do que imaginávamos antes (cerca de 400 a 440 vezes maior do que a superfície). A Internet visível seria a camada chamada de superfície no tópico anterior, fazendo referência à parte que pode ser pesquisada e indexada. Grande parte dessa visibilidade está no fato de ser um conteúdo que pode ser encontrado através das plataformas de busca, como o Google. A parte da Internet que é invisível surgiu com o avanço das tecnologias no ciberespaço, como as nuvens e comércio digitais. É a camada também conhecida como Internet profunda e escura, justamente pela maior dificuldade em acessar seu conteúdo. Coexistindo entre si na parte invisível, os estudiosos como Araújo (2001) defendem outras duas realidades desse lado cibernético: a oculta e a profunda. Ou seja, a Internet invisível, profunda e oculta não seriam termos sinônimos pois cada um representaria um nível diferente. Já o estudo realizado e publicado pela Escola de Magistratura do Brasil oferece uma categorização bem mais simplificada, que facilita (e muito) a visualização da Internet através de camadas de fato. A figura representa um Iceberg no oceano porque é exatamente assim que é compreendida a divisão de camadas da Internet. Com três camadas principais (a superfície, a deep web e a dark web), cada uma delas ainda possui subdivisões. Da superfície, podemos apenas ver a ponta do iceberg, sem nunca imaginar o que tem por baixo das águas. • A superfície A primeira camada oficial se subdivide em três: Camada zero, superfície da Web propriamente dita e Bergie Web. A camada zero representa a área dos websites que são comuns, de fácil acesso, como a plataforma de busca Google e a rede social Facebook. Direito Digital 39 Observe bem a figura abaixo e como ela se divide. Figura 14: As camadas da Internet como se fossem em um iceberg. Fonte: A Autora A superfície da web propriamente dita abriga websites como o Reddit (plataforma composta por fóruns de discussão que propõem o compartilhamento de ideias) e o Digg (website que funciona como âmbito de recomendações entre usuários). A Bergie Web já contém websites que possuem um teor de invisibilidade, pois são ocultos nas pesquisas do Google por exemplo. É o caso de grupos fechados do Facebook por exemplo, que você precisa ser membro para poder ver o conteúdo e precisa até ser convidado para poder ver que o grupo existe. Essa subdivisão também abriga sites como o 4chan (é também um website de fóruns, mas que permite a comunicação anônima e é totalmente livre para debates). • A deep web É a parte que dá início ao que não podemos ver do iceberg e da Internet, possuindo também subdivisões que não possuem necessa- riamente nomes específicos. A partir dessa camada é interessante ter acesso através de Proxy, e é possível verificar conteúdos considerados ilegais para todos os países. Direito Digital40 Enquanto na camada de deep web propriamente dita, você pode encontrar conteúdos ilegais como pornografia infantil, informações sobre vírus e pirataria, a próxima camada, conhecida como Charter Web, envolve conteúdos ilícitos de forma específica, como pornografia infantil com bebês, tráfico de animais, tráfico de drogas ou até filmes e vídeos banidos da superfície. A terceira subdivisão da deep web é a que contém atividades ainda mais ilícitas com mais envolvimentos de outras pessoas e possíveis interações, como a possibilidade de contratação de assassinos de aluguel, seitas satânicas e o comércio ilegal de armas de fogo. • A Dark Web A terceira camada oficial da Internet ainda faz parte da Deep Web. Entretanto, ela é muito mais obscura do que as demais, possuindo também suas subdivisões que são conhecidas como Muro da Morte, Névoa e Mariana’s Web. Nessa terceira camada, além do Proxy, é recomendada a computação quântica em razão da quantidade de conteúdos encriptados. Mas o que é a computação quântica? É a tecnologia que ultrapassa as limitações tradicionais e o respectivo processamento de dados a partir do qubit (partícula subatômico que sobra a capacidade de processamento). Essa computação consegue criar chaves de criptografias específicas para desvendar os conteúdos bloqueados. A camada da neblina (a névoa) é repleta de códigos maliciosos e armadilhas para que qualquer pessoa chegue lá. Por isso o nome, já que é mais difícil navegar por ela. A última camada é chamada de Mariana’s Web, dona por si só de cerca de 80% do conteúdo total da Internet. Por ser a mais complicada de navegar e acessar, possui muitas lendas acerca do seu conteúdo. O que se sabe, porém, é que tem atividades de cunho ilegal sim, como é o caso de encontros e comunicações de grupos terroristas. EXPLICANDO MELHOR: O que é acesso através de Proxy? Significa que você está utilizando terceirizados para acessar seu destino. O Proxy consegue captar o destino que você quer chegar, codificá- lo e repassá-lo para o navegador do seu dispositivo, e no fim, o destino registrará apenas um IP do Proxy, e não o seu – o que vai garantir seu anonimato. Direito Digital 41 O que você achou dessa nossa última seção? Conseguiu entender esse mundo que é a deep web? Começamos vendo o que é a deep web, vendo suas tecnologias como a computação ubíqua, que facilita sua navegação, assim como que se faz para acessá-la. Depois, vimos que a deep web é como se fosse toda a parte de um iceberg no oceano que não conseguimos ver, repleta de divisões e camadas que facilitam o seu estudo, indo além da divisão mais filósofica entre Internet visível e invisível, com camadas subdivididas que deixam a visualização muito mais fácil. Vimos também sua importância, já que várias coisas (inclusive ilegais) acontecem por lá e nem imaginamos ou ao menos ficamos sabendo, lembrando também que a deep web possui também conteúdos legais e acadêmicos até. Espero que você tenha aproveitado o máximo possível desse mundo ainda em ascensão, que é o mundo digital. Até a próxima! SAIBA MAIS: O canal do Youtube “Você Sabia?” possui alguns vídeos interessantes acerca de teorias da deep web. Você pode acessar o vídeo no link https://youtu.be/lAw9Pay-Wso caso tenha curiosidade. Acesso em 30 de março de 2020. https://youtu.be/lAw9Pay-Wso Direito Digital42 BIBLIOGRAFIA AUTOR, [S.A]. Significados Br: Avatar. In:. Significados Br. [s.a]. [s.i]: Significados Br, []. p. 1-1. Disponível em: https://bit.ly/2KHJ1A8. Acesso em: 25 mar. 2020. BARLOW, John Perry. Declaração de Independência do Ciberespaço. 1996. Disponível em: https://bit.ly/2YbImyY. Acesso em: 25 mar. 2020. BERGMAN, M.K. White paper: the deep we surfacing hidden value. 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