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Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. VeigaMAD - Problema 4 Objetivos: 1. Compreender as características gerais do HIV 2. Entender a fisiopatologia, transmissão e história natural da infecção por HIV e AIDS 3. Conhecer as infecções oportunistas indicativas de AIDS 4. Entender o diagnóstico clínico e laboratorial e profilaxia da infecção por HIV e AIDS 5. Explicar o tratamento não farmacológico e farmacológico do HIV/AIDS 6. Discutir a epidemiologia do HIV e da AIDS em Arapiraca, Alagoas e Brasil Objetivo 1 Compreender as características gerais do HIV RETROVÍRUS MORFOLOGIA ● Envelopados→ adquirido no brotamento ● Capsídeo icosaédrico ● Duas fitas de RNA (diploide) simples, linear e de polaridade positiva ● Vírion ○ Codificam a transcriptase reversa, uma polimerase de DNA RNA-dependente A morfologia do nucleocapsídeo difere entre os vírus e pode ser utilizada como forma de classificação dos retrovírus A replicação ocorre por meio de um intermediário de DNA chamado de provírus. O provírus se integra aleatoriamente no cromossomo do hospedeiro e se torna um gene celular. Assim, os retrovírus se replicam por meio de um intermediário de DNA. A cópia de DNA do genoma viral é então integrada ao cromossomo do hospedeiro, tornando‑se um gene celular. O receptor do vírus é o determinante inicial do tropismo tecidual. SUBFAMÍLIAS Oncovírus/Oncovirinae ● HTLV-1, HTLV-2 e HTLV-5 (vírus da leucemia humana de células T) ● Únicos que podem imortalizar ou transformar células-alvo Lentivírus/Lentivirinae ● Infecções lentas, c/⬆ latência ● Nucleocapsídeo cilíndrico do tipo D Espumavírus/Spumavirinae1 ● Não causam doença clínica, mas causam citopatologia “espumosa” vacuolada característica GENÔMICA A transcrição do genoma é regulada pela interação de fatores de transcrição do hospedeiro com elementos promotores e iniciadores presentes nas sequências terminais repetidas longas do genoma. Nas extremidades 5' e 3' do RNA, existem estruturas que protegem o RNA de ser degradado: ● na extremidade 5’ uma proteção denominada CAP ● na extremidade 3’ uma cauda de poliadenilato (poli A), que são muitos nucleotídeos adenina Além disso, em cada extremidade do genoma existem sequências terminais repetidas longas (LTR), que contêm promotores, amplificadores e outras sequências gênicas utilizadas para a ligação de fatores de transcrição celular; Os retrovírus simples codificam os genes gag, pol e env. Os vírus complexos também codificam genes acessórios (p. ex., tat, rev, nef, vif e vpu para HIV). ● gag O gene gag codifica proteínas que compõem a estrutura do vírus, incluindo a cápsula viral, a matriz e o núcleo. ● pol O gene pol codifica as enzimas virais necessárias para a replicação do vírus, incluindo a transcriptase reversa, integrase e protease. ● env O gene env codifica a proteína de superfície do vírus, que é responsável pela ligação e entrada nas células hospedeiras. 1 Apesar de um spumavirus ter sido o primeiro retrovírus humano a ser isolado, na ocasião nenhum vírus dessa subfamília foi associado a doença humana Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Tabela. Genes dos Retrovírus e suas funções REPLICAÇÃO Dentro do HIV tem RNA, que traz junto dele uma enzima que vai favorecer a replicação, a transcriptase reversa. Esse vírus tem tropismo por células CD4, uma proteína do linfócito e esse vírus só consegue entrar para se reproduzir por essa célula, e nessa porta que é o CD4 ⤷ Por isso indivíduos que não tem essa proteína são imunes ao HIV A replicação viral, ocorre no interior da célula do hospedeiro e tem como etapas: adsorção, penetração, desnudamento, transcrição e tradução (síntese), maturação e liberação; INÍCIO A infecção se inicia com a ligação das espículas das glicoproteínas virais (trímero formado pelas moléculas gp120 e gp41) ao receptor primário, a proteína CD4 e, então, a um segundo receptor, o receptor de quimiocina ligado à proteína G com sete domínios transmembrana. A ligação ao receptor é o determinante principal do tropismo ao tecido e a gama de hospedeiro para um retrovírus ● CCR5 é o co-receptor utilizado na infecção inicial de um indivíduo; ● Depois, durante a infecção crônica de um hospedeiro, o gene env sofre mutações; ○ as mutações fazem com que a gp120 se ligue a um receptor de quimiocinas diferente (CXCR4), que é primariamente expresso nas células T (T-trópico); A ligação ao receptor de quimiocinas ativa a célula e aproxima o envelope viral e a membrana plasmática celular, permitindo que a gp41 interaja com as duas membranas, promovendo sua fusão. O HIV também pode se ligar a uma molécula de adesão celular, a integrina α-4 β-7, à DC-SIGN e a outras células. FASE PRECOCE Uma vez liberado o genoma no citoplasma, inicia-se a fase precoce de replicação. A transcriptase reversa utiliza o RNAt presente no vírion como um primer e sintetiza um DNA complementar (DNAc), de polaridade negativa. A TR também atua como uma ribonuclease H, degradando o genoma de RNA e sintetizando a fita positiva do DNA. Durante a síntese do DNAc do vírion (provírus), sequências de cada extremidade do genoma (U3 e U5) são duplicadas, dessa forma ligando as LTRs a ambas as terminações. Isso cria sequências necessárias para a integração e sequências promotoras e amplificadoras dentro da LTR para a regulação 2 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga da transcrição. A cópia de DNA do genoma é maior que o RNA original ⚠ A transcriptase reversa é muito suscetível a erros: essa instabilidade genética do HIV é responsável por promover a geração de novas cepas do vírus durante a infecção de um indivíduo, uma propriedade que pode alterar a patogenicidade do vírus e promover escape à resposta imune. INTEGRAÇÃO O DNAc de fita dupla é transportado para o núcleo e é e inserido no cromossomo do hospedeiro; ⤷ Integrase é a enzima que realiza esse processo, é codificada e transportada pelo vírus; A integração requer a multiplicação celular, mas o DNAc do HIV e de outros lentivírus pode permanecer no núcleo e no citoplasma na forma de um DNA circular não integrado até que a célula seja ativada; FASE TARDIA A fase tardia da replicação do HIV é a fase final do ciclo de replicação do vírus, onde o DNA viral integrado na célula hospedeira é transcrito e traduzido para produzir as proteínas virais e os novos vírus são montados e liberados da célula. Assim, o DNA viral integrado na célula hospedeira é transcrito (pela RNA polimerase II do hospedeiro) para produzir um novo RNA viral. Nos retrovírus simples, a molécula única de RNA que foi transcrita é processada para produzir vários RNAm Essa fase é importante para a disseminação do HIV no organismo, pois é nessa fase que ocorre a produção de novos vírus que podem infectar outras células hospedeiras e produzir sintomas. Para que isso ocorra a replicação viral na fase tardia, a célula hospedeira deve possuir certos fatores: ● extensão da metilação do DNA viral; ● taxa de multiplicação celular: se o vírus codifica oncogenes virais→eles levam ao crescimento descontrolado ● capacidade da célula de reconhecer as sequências promotoras e amplificadoras do LTR. A resposta a outras infecções (que liberam citocinas) produz fatores de transcrição que se ligam às LTR e podem ativar a transcrição do vírus. Então ter outras infecções aumenta a replicação desse vírus. TRANSCRIÇÃO DOS RETROVÍRUS COMPLEXOS HTLV e HIV são retrovírus complexos e passam por duas fases de transcrição (splicing) ● HTLV Durante a fase precoce, o HTLV‑1 expressa duas proteínas, denominadas Tax e Rex, as quais regulam a replicação viral. ● Gene rex: codifica duas proteínas que se ligam ao RNAm viral impedindo o processamento e promovendo seu transporte para o citoplasma; ● Proteína tax: é um ativador transcricional (↑ transcrição do genoma viral a partir da sequência promotora do gene LTR na extremidade 5’) A tax também ativa outros genes (para interleucinas - 2 e 3 - e seus receptores, e fator estimuladorde colônias de granulócitos e macrófagos). A ativação desses genes promove a multiplicação da célula T, o que aumenta a replicação viral; ● HIV A replicação do HIV é regulada por até seis genes “acessórios” ● Proteína Tat: assim como a Tax, é uma transativadora da transcrição de genes virais e celulares; ● Proteína Rev: age como a proteína Rex para regular e promover o transporte do RNAm viral dentro do citoplasma; ● Proteína Nef: reduz a expressão de CD4 na superfície celular e de moléculas do MHC I, altera as vias de sinalização de células T; ● Proteína Vif ⇒ promove a montagem, a maturação viral e se liga a uma proteína celular antiviral denominada APOBEC3G para impedi-la de hipermutar o DNAc viral, ajudando o vírus a se replicar nas células mieloides e em outras células. ● Proteína Vpu: reduz a expressão de CD4 na superfície celular e amplifica a liberação do virion; ● Proteína Vpr (Vpx no HIV-2): é importante para o transporte do cDNA para o núcleo e para a replicação viral em células que não se multiplicam, como os macrófagos; ○ ela também paralisa a célula na fase G2 do ciclo de multiplicação celular, ideal para a replicação do HIV. As glicoproteínas (gp120,gp41..) virais são sintetizadas, glicosiladas e processadas por retículo endoplasmático e complexo de Golgi Já as poliproteínas (gag, gag-pol e env) são clivadas para se tornarem proteínas funcionais; 3 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Ambas, e todas as proteínas faladas acima são essas proteínas virais que vão formar um novo vírus; junto de duas moléculas do RNA, promovem o brotamento do virion; MATURAÇÃO Ocorre após o brotamento (aquisição do envelope e saída da célula); As proteases virais clivam as poliproteínas Gag e Gag-Pol para liberar a transcriptase reversa e formar o núcleo do virion; ● isso garante a inclusão desses componentes dentro do virion; ● a ação da proteases virais é fundamental para a produção de virions infecciosos e, portanto, essas enzimas são importantes alvos de drogas antivirais. A aquisição do envelope (envelopamento) e a liberação dos retrovírus ocorrem na superfície celular; Durante o brotamento e a formação do envelope viral, o HIV capta proteínas celulares, incluindo moléculas do MHC; A replicação e o brotamento dos retrovírus não necessariamente destroem a célula; O HIV também pode se disseminar de célula a célula por meio da produção de células gigantes multinucleadas, ou sincícios; ● os sincícios são frágeis e sua formação aumenta a atividade citolítica do vírus. Sua replicação contradiz o dogma central da biologia: que a informação genética passa do DNA para o RNA e, em seguida, para as proteínas. VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) Há dois tipos: HIV-1 e HIV-2 HIV-1: encontrado em escala mundial ● Genótipos: M, N, O e P ● A maioria é do grupo M, dividido em 11 subtipos de A-K ○ a diferença é determinada pelas sequências dos genes env e gag ○ subtipo B é o mais comum no Brasil e infecta preferencialmente células mononucleares e parece ser transmitido prontamente durante o sexo anal ○ subtipo E infecta preferencialmente células do trato genital feminino e parece ser transmitido durante o sexo vaginal. HIV-2: encontrado principalmente na África Ocidental; dividido em subtipos de A-F; menos transmissível Tropismo pelas células T CD4+ auxiliares e células mieloides (ex.: monócitos, macrófagos, macrófagos alveolares pulmonares, células dendríticas e células microgliais do cérebro) ESTRUTURA ● Envelope tem glicoproteínas vírus-específicas: gp120 e gp41 ● 2 RNA + ● Enzimas do nucleocapsídeo: transcriptase reversa, integrase e protease GENOMA Genoma: gag, pol, env (genes retrovirais típicos) + regulatórios (tat, rev, nef, vif, vpr, vpu) Genes retrovirais típicos: ● gag: codifica proteínas internas do cerne como a p24 (usada para testes sorológicos) ● pol: codifica várias proteínas como a TR (DNA polimerase RNA-dependente), integrase (integra o DNA viral ao celular) e protease (cliva proteínas precursoras virais) ● env: codifica a gp160, uma proteína que é clivada para formar duas gp do envelope/superfície, a gp120 e a gp41 Genes regulatórios: Tat e rev são necessários para a replicação ● tat (transativação da transcrição - é a à ativação da transcrição de genes distantes do gene, isto é, outros genes do mesmo DNA proviral ou do DNA celular): codifica uma proteína que intensifica a transcrição de genes virais ● rev controla a passagem do mRNA tardio do núcleo para o citoplasma Nef, vif, vpr e vpu são requeridos para replicação - acessórios ● nef (junto com a tat) reprimem a síntese de proteínas MHC de classe 1, reduzindo a ⬇ capacidade de células T citotóxicas matarem as células infectadas por vírus 4 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga ● vif (viral infectivity): intensifica a infectividade do HIV ao inibir a ação de APOBEC3G (enzima apolipoproteínas B de edição do RNA; desamina citosinas do mRNA e do DNA retroviral, inativando, assim, essas moléculas e reduzindo a infectividade; é importante p/ defesa inata contra infecção retroviral), enzima que causa hipermutações no DNA retroviral Antígenos ● gp120 e gp41 (tipo-específicas) ○ gp120 projeta-se a partir da superfície e interage c/ o receptor CD4 da superfície da célula ■ anticorpos tentam neutralizar mas a gp120 sofre mutação rapidamente → variantes antigênicos ■ alça V3 é a região mais imunogênica de gp120 e é um dos sítios que tem mais variação antigênica ○ gp41 está embebida no envelope e medeia a fusão do envelope viral c/ a membrana celular no momento da infecção ● p24 (grupo-específico) ○ anticorpos contra p24 não neutralizam a infectividade de HIV, mas atuam como importantes marcadores sorológicos de infecção. A gama de hospedeiros naturais de HIV limita-se aos humanos, embora certos primatas possam ser infectados em laboratório, mas não desenvolvem AIDS, o que limita a capacidade de criação de vacinas (não há um modelo animal para isso) CICLO REPLICATIVO ● Entra na célula pela ligação de g120 - CD4 ● gp41 medeia a fusão c/ a membrana celular ● Receptores de quimiocinas, como as proteínas CXCR4 e CCR5, são requeridos para a entrada do HIV em células CD4-positivas ○ As linhagens de HIV com tropismo por células T ligam-se a CXCR4, enquanto as linhagens com tropismo por macrófagos ligam-se a CCR5 Indivíduos com mutações no receptor CCR5 são resistentes à infecção por HIV. ● Após a desencapsidação, a DNA polimerase RNA-dependente do vírion (TR) transcreve o RNA genômico em um DNA de fita dupla, o qual é integrado ao DNA da célula hospedeira ○ a integração é mediada pela integrase ● O mRNA viral é transcrito a partir do DNA proviral pela RNA polimerase celular, sendo traduzido em várias lipoproteínas grandes ● As poliproteínas Gag e Pol são clivadas pela protease codificada pelo vírus, enquanto a poliproteína Env é clivada por uma protease celular ○ gag é clivada em p24 (do cerne), p17 (da matriz) e várias proteínas menores ○ pol é clivada e origina a TR, integrase e a protease 5 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga ● O vírion imaturo contendo as poliproteínas precursoras é formado no citoplasma, e a clivagem pela protease viral ocorre à medida que o vírion imaturo brota através da membrana celular. A clivagem resulta no vírion maduro e infeccioso. REFERÊNCIAS MURRAY, Patrick R. et al. Microbiologia Médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e imunologia. 10ª ed. Porto Alegre : AMGH, 2011. SANTOS, Norma Suely de Oliveira et al. Virologia Humana. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015 Objetivo 2 Entender a fisiopatologia, transmissão e história natural da infecção por HIV e AIDS PATOGÊNESE DA INFECÇÃO PELO HIV CÉLULAS-ALVO Durante a transmissão sexual, o HIV infecta uma superfície de mucosa, entra e rapidamente infecta células dendríticas (DC) do tecido linfóide associado com a mucosa (MALT). Primeiro infecta as células de Langerhans(células dendríticas que se encontram nos linfonodos) e em seguida as células T auxiliares CD4+, as principais células-alvo. Os estágios iniciais são mediados pelos vírus M-trópicos (tropismo às células mieloides), que se ligam à molécula CD4 e aos correceptores CCR5 e CXCR4 (receptores de quimiocinas). Assim, as células que expressam essas moléculas, incluindo linfócitos TCD4 + , macrófagos e DC são potenciais alvos da infecção por esse vírus. Essas ligações esgotam o tecido linfóide intestinal de células T CD4+, levando à desregulação imune da microbiota intestinal, que resulta em vazamentos e diarreia. 🩸 HIV é encontrado no sangue 4-11 dias após a infecção Os macrófagos, as DCs, as células T de memória e as células estaminais hematopoiéticas são persistentemente infectados com HIV e são os principais reservatórios e meios de distribuição de HIV (cavalo de Troia). A proporção de monócitos circulantes infectados em pacientes é extremamente baixa, no entanto, a infecção de macrófagos diferenciados é observada em diferentes tecidos. Os macrófagos produzem vírus ativamente, mas de forma menos eficiente do que as TCD4+, e diferente dessas, a infecção de macrófagos não está associada à indução de efeito citopático marcante - tanto é que em pacientes infectados não se observa diminuição do número de macrófagos ou monócitos circulantes. As células dendríticas também não são tão significativas quanto os linfócitos T CD4+ no processo da infecção do HIV. 6 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Entretanto, as DC contribuem no processo de transinfecção dos linfócitos T. Além da molécula CD4 e receptores de quimiocinas, as DC expressam outro receptor utilizado pelo HIV, chamado DC-SIGN, um receptor do tipo lectina associado à endocitose do HIV, que é direcionado para vesículas dentro das DC. As DC podem migrar e manter o vírus intacto intracelularmente por alguns dias. A partir disso, o complexo HIV e DC-SIGN pode voltar para a membrana e ficar disponível para infecção das células TCD4+ A contribuição das células precursoras hematopoiéticas ainda é discutível, entretanto estudos sugerem que o HIV pode infectar essas células, contribuindo para deficiência na hematopoiese. Com a progressão da infecção, as mutações no gene env para a gp120 ocorre em alguns vírus, que viram T-trópicos. O HIV vai infectar tanto as células TCD4+ ativas quanto as em repouso, pois o início da infecção celular (adsorção, fusão e desnudamento) independe da ativação celular. Entretanto, para que a transcrição reversa, integração e expressão do genoma viral se completem, é imprescindível que as células entrem em estado de ativação, o que permite a disponibilidade de todos os elementos celulares requeridos para tais etapas do ciclo de replicação viral. Assim, as células TCD4+ ativas produzem o vírus de forma produtiva, enquanto as em repouso funcionam como reservatório viral. As células ativadas podem, ainda, se diferenciar em células de memória, que voltam ao estado quiescente, não proliferativo. Outro ponto é que as células em repouso podem ser ativadas quando o DNA não integrado do vírus (que não conseguiu completar a etapa de transcrição reversa pois a célula está em repouso) pode levar à expressão de proteínas virais como tat e nef, induzindo a ativação celular. 📌 Durante a infecção do hospedeiro, parte das células infectadas está produzindo vírus ativamente, enquanto outras células atuam como reservatórios virais - isso dificulta a TARV A infecção de células TCD4+, portanto, é a principal responsável pela carga viral plasmática. As células TCD4+ acabam morrendo por: ● citólise direta induzida pelo HIV (incluindo a formação de sincícios) ● citólise induzida por células T citotóxicas ● piroptose (as células T em repouso não permissivas cometem esse tipo de suicídio celular inflamatório induzido pela presença de grandes quantidades de cópias de DNA circular não integradas do genoma) SÍTIOS DE REPLICAÇÃO VIRAL Como visto, a porta de entrada do vírus HIV são as mucosas, onde estão as DC, como as células de Langerhans, e macrófagos. Essas células carregam os vírus para tecido linfóides e eles podem então atingir a circulação. Os tecidos linfóides são, por todo período de infecção, os principais sítios acometidos e responsáveis pela manutenção da replicação viral e disseminação do vírus no hospedeiro. Ocorre então lesão do tecido linfóide, seguida de deposição de tecido conjuntivo, assim como fibrose e destruição da arquitetura e função desses tecidos. Um dos tecidos linfóides acometidos é o MALT, um dos mais importantes sítios de replicação do HIV. O SNC também é um sítio importante da infecção e o HIV V é encontrado no cérebro em fases iniciais da infecção, principalmente em micróglia e macrófagos perivasculares. DINÂMICA VIRAL A infecção pelo HIV era altamente produtiva e a destruição de células TCD4+ é em sua maioria consequência direta da replicação viral. A infecção viral no paciente é altamente dinâmica, com taxa de produção diária de vírus da ordem de 1010 partículas virais e eliminação de metade dessas em um período de 2 dias, e igualmente rápido turnover da população de linfócitos T CD4+ (cerca de 15 dias). RESPOSTA IMUNOLÓGICA A infecção pelo HIV é caracterizada por 3 principais eventos associados à resposta imunológica que estão interrelacionados e contribuem para a incapacidade de controlar a infecção e para o desenvolvimento de imunodeficiência: ● Depleção e/ou disfunção de células e tecidos do sistema imune ● Ativação imunológica crônica ● Exaustão celular DEPLEÇÃO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO A depleção de células T CD4+ é o principal evento associado à infecção pelo HIV e pode ser resultado da própria replicação viral ou de excesso de ativação celular As células T citotóxicas perdem sua eficácia devido à morte de tantas células T CD4 auxiliares; desse modo, o suprimento de linfocinas, como IL-2, necessárias à ativação das células T citotóxicas, não é mais suficiente. As células vizinhas às células infectadas podem morrer, o que se deve à secreção ou expressão de mediadores pró-apoptóticos pelas células infectadas, ou pela secreção de componentes virais. 7 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Uma característica marcante de indivíduos progressores da infecção é a intensa ativação celular. Esse é um aspecto complexo, uma vez que a ativação de células do sistema imune é necessária para o controle da replicação viral, mas representa também maior disponibilidade de células-alvo para a replicação viral. A ativação crônica exacerbada está associada à morte celular induzida por ativação e à exaustão celular. EVASÃO DO SISTEMA IMUNE Mecanismos de evasão do sistema imune pelo HIV: ● Perda das células ativadoras e controladoras do SI ● Evasão da detecção por anticorpos, devido a: ○ Variação antigênica da gp120 ○ Disseminação direta a células e formação de sincícios ● Integração do DNA viral ao DNA da célula hospedeira, resultando em infecção persistente ● Alta taxa de mutação no gene env ● Inibição das proteínas MHC classe I CONTROLE DA INFECÇÃO A principal resposta imune à infecção por HIV consiste em linfócitos CD8+ citotóxicos. Essas células respondem à infecção inicial, controlando-a por vários anos. Essa resposta inicial está associada à queda da carga viral nessa etapa inicial, visto que além da propriedade citotóxica, as células T CD8+ citotóxicas também produzem mediadores com efeito antiviral, como beta-quimiocinas (MIP-1 alfa, MIP-1 beta e RANTES), que bloqueiam a entrada do vírus. Pacientes não progressores (que não chegam a ter AIDS) apresentam geralmente maior proporção de TCD8+. HISTÓRIA NATURAL DA INFECÇÃO PELO HIV A história natural da infecção pelo HIV pode ser caracterizada por três fases: ● Fase aguda ou infecção primária ● Fase persistente crônica ● Fase tardia ou AIDS Os marcadores de progressão para AIDS, que definem clinicamente essas etapas são a contagem de células TCD4+, a carga viral plasmática e a presençaou não de manifestações clínicas. 1. ESTÁGIO AGUDO A fase aguda, que consiste nas primeiras semanas de infecção, é caracterizada por intensa replicação viral, gerando altíssima carga viral2 plasmática, associada a uma queda brusca transitória de linfócitos TCD4+ circulantes. Devido à elevada carga viral no plasma e em fluidos corporais, essa fase é caracterizada por alta probabilidade de transmissão. Nessa fase o indivíduo pode ou não apresentar sintomas clínicos. Em 50-90% há um conjunto de sintomas definidos como Síndrome Retroviral Aguda (SRA), que aparece 2-4 semanas após a infecção) - esse é o período de incubação A SRA é um quadro similar à mononucleose infecciosa ou a gripe, com febre, letargia, faringite e linfadenopatia generalizada. Pode haver também erupção maculopapular no tronco, braços e pernas, sem envolvimento das regiões palmares e plantares, além de leucopenia, náuseas e perda de peso. Anticorpos contra HIV surgem tipicamente de 2 a 4 semanas após a infecção, e a maioria dos indivíduos apresentará soroconversão 3-4 semanas após a infecção. Essa fase regride após cerca de 2 semanas e a regressão é acompanhada de baixa viremia e aumento das células TCD8+, além de restauração parcial de células T CD4+ Após a viremia inicial, ocorre uma estabilidade viral (set point), que pode diferir de uma pessoa a outra. O set point 2 A carga viral pode ser estimada pelo uso de um ensaio de detecção do RNA viral no plasma do paciente. O ensaio detecta o RNA de vírions livres no plasma, não de vírions associados a células. 8 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga representa a quantidade de vírus produzidos, isto é, a carga viral, e tende a manter-se “estabilizada”, ou constante, por anos. Quanto mais elevado o set point ao final da infecção inicial, maior a probabilidade de o indivíduo progredir para AIDS sintomática. 2. ESTÁGIO INTERMEDIÁRIO Trata-se do período latente longo, etapa também chamada de fase crônica assintomática. É caracterizada pela manutenção dos níveis de células TCD4+ acima de 350/mm3 , e por uma concentração baixa, às vezes até indetectável, de HIV plasmático. Em pacientes não tratados dura cerca de 7 a 11 anos Com exceção do desenvolvimento de linfoadenopatia, comum à maioria dos indivíduos infectados, o indivíduo nessa fase apresenta-se clinicamente saudável. Embora o paciente esteja assintomático e a viremia seja baixa ou ausente, há produção de uma grande quantidade de HIV pelas células dos linfonodos, os quais, contudo, permanecem retidos no interior dos linfonodos. ⤷ Isso indica que, durante o período de latência clínica, o próprio vírus não entra em estado latente Uma síndrome denominada complexo relacionado à AIDS (ARC, do inglês, AIDS-related complex) pode ocorrer durante o período latente. As manifestações mais frequentes são febres persistentes, fadiga, emagrecimento e linfadenopatia. ARC frequentemente progride para AIDS. 3. ESTÁGIO TARDIO O estágio tardio da infecção por HIV corresponde a AIDS, manifestada por um declínio no número de células CD4, abaixo de cerca de 350 células por milímetros cúbicos, aumento na frequência e gravidade de infecções oportunistas e há altos níveis de vírus circulante. O aparecimento de infecções oportunistas e neoplasias é definidor de aids. Além das infecções oportunistas podem haver manifestações não infecciosas ou neoplásicas. A diarreia é um sintoma marcante da AIDS, que pode levar a perda de peso intensa. Sem tratamento, é relativamente comum o aparecimento da demência associada ao HIV. RELAÇÃO: QUANTIDADE DE CD4+ E DE HIV Durante a fase aguda subsequente à infecção, há uma grande explosão de produção de vírus (10^7 partículas/mL de plasma) Há proliferação de células T em resposta à apresentação do antígeno. A replicação viral ativa e a livre circulação do vírus na corrente sanguínea causam a formação de um pico de viremia por volta de 21 a 28 dias após a exposição ao HIV. Essa viremia está associada a um declínio acentuado no número de LT-CD4+. As células T CD8 matam muitas células infectadas e limitam a produção de vírus. Os níveis do vírus no sangue diminuem e o indivíduo permanece assintomático (período de latência), mas a replicação viral continua nos gânglios linfáticos, causando a interrupção da estrutura e função, e a contagem de células T CD4 continua a cair. Em uma fase tardia da doença, os níveis de CD4 diminuem para um ponto em que eles não conseguem manter a ação antiviral de células T CD8, e, em seguida, os níveis de vírus no sangue aumentam enormemente, os vírus T‑trópicos aumentam, as contagens de células T CD4 diminuem ainda mais rápido, a estrutura dos gânglios linfáticos é destruída e o paciente torna‑se imunodeficiente. 9 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga TRANSMISSÃO ● Suscetibilidade No Brasil, a epidemia de HIV está concentrada em alguns segmentos populacionais que representam a maior proporção de casos novos da infecção, como gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas trans e travestis e trabalhadoras(es) do sexo. Além disso, destaca-se o aumento da infecção pelo HIV em adolescentes e jovens. ● Meios de transmissão A capacidade de o HIV infectar um indivíduo depende de alguns fatores que são relacionados com suas características biológicas, assim como comportamentais. Fatores biológicos que influenciam a chance de infecção: ● Concentração no fluido biológico ● Integridade e vulnerabilidade da mucosa envolvida ● Duração da exposição ● Tipo de amostra viral transmitida Os fatores comportamentais estão diretamente relacionados: ● Múltiplos parceiros ● Não uso de preservativos ● Compartilhamento de seringas e/ou perfurocortantes contaminados O vírus está presente em diferentes tecidos por todo o organismo, além de sangue, sêmen, secreções vaginais e/ou cervicais, e leite materno de indivíduos infectados As principais formas de transmissão são: sexual, parenteral, vertical e ocupacional. TRANSMISSÃO SEXUAL É uma via natural de infecção, em que o vírus atinge mucosas. O risco de infecção varia de acordo com o sítio de exposição, sendo a exposição retal de maior risco, seguida de transmissão vaginal e oral. Doenças inflamatórias que atinjam a mucosa e infecção por outros patógenos no tecido (p. ex., HSV) estão associados a maior risco de infecção. TRANSMISSÃO PARENTERAL Ocorre pela inoculação de sangue contaminado por transfusão e compartilhamento de agulhas e seringas. Devido ao rigoroso controle de bancos de sangue e hemoderivados, a infecção por transfusão é um evento extremamente raro - apesar de esta ser a forma de transmissão menos frequente, é a que possui maior probabilidade de estabelecimento da infecção após o contato. TRANSMISSÃO VERTICAL A transmissão de mãe para filho pode ocorrer via placenta, no parto ou no aleitamento. A carga viral da mãe é determinante na probabilidade de infecção e estima-se que, na ausência de qualquer intervenção terapêutica, o risco de transmissão seja entre 15 e 30%. TRANSMISSÃO OCUPACIONAL O contato com sangue ou objetos perfurocortantes em acidentes de trabalho de profissionais de saúde representa risco de transmissão. É importante ressaltar que, embora o vírus já tenha sido isolado em outros fluidos corporais como saliva, urina, lágrima e suor, não existem relatos de infecção por quaisquer outras vias além das já descritas. Assim, contato por objetos contaminados, contato pessoal (que não sexual), ou picadas de insetos, por exemplo, não constituem vias de transmissão do HIV PREVENÇÃO As principais estratégias de prevenção incluem: ● Esclarecimento sobre as formas de transmissão e aos métodos de proteção ● Uso de preservativos ● Orientação quanto ao uso de agulhas e seringas ● Controle do sangue e hemoderivados ● Cuidados na exposição ocupacional a material biológico (biossegurança) ● Tratamento de outras ISTs que podem facilitar a infecção pelo HIV A PrEP (profilaxia pré-exposição) consiste na utilização diária e contínua de antirretroviraisantes de a pessoa ter contato com o HIV. Está indicada para grupos específicos!cos não infectados que tenham maior risco de adquirir HIV, como gays e outros HSH, trabalhadoras(es) do sexo, travestis e transexuais, e parcerias sorodiferentes A PEP (profilaxia pós-exposição) é uma estratégia de prevenção para evitar novas infecções pelo HIV, por meio do uso profilático de antirretrovirais após uma exposição de risco à infecção pelo HIV. REFERÊNCIAS SANTOS, Norma Suely de Oliveira et al. Virologia Humana. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015 MURRAY, Patrick R. et al. Microbiologia Médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Vigilância em Saúde. 5ª ed. Brasília, DF, 2021. 10 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Objetivo 3 Conhecer as infecções oportunistas indicativas de AIDS INFECÇÕES OPORTUNISTAS INDICATIVAS DE AIDS As doenças indicativas ou definidoras de AIDS incluem tanto as de diagnóstico definitivo quanto as de diagnóstico presuntivo. DIAGNÓSTICO DEFINITIVO DIAGNÓSTICO PRESUNTIVO Candidose de traqueia, brônquios ou pulmões Câncer cervical invasivo Criptococose extrapulmonar Criptosporidiose intestinal crônica Coccidioidomicose, disseminada ou extrapulmonar Histoplasmose disseminada Isosporidiose intestinal crônica Linfoma primário do cérebro Linfoma não Hodgkin de células B e outros linfomas dos seguintes tipos histológicos: linfoma tipo Burkitt ou não Burkitt e linfoma maligno imunoblástico Sepse recorrente por Salmonella (não tifoide) Reativação de doença de Chagas (meningoencefalite e/ou miocardite) Candidose do esôfago Citomegalovirose sistêmica Retinite por citomegalovírus Herpes simples mucocutâneo Leucoencefalopatia multifocal progressiva Pneumonia por P. jirovecii Toxoplasmose cerebral Micobacteriose disseminada (exceto tuberculose ou hanseníase) Outras incluem: Sarcoma de Kaposi, Leishmaniose atípica disseminada, Isosporíase intestinal crônica, Sífilis terciária Histoplasmose disseminada ● As lesões cutâneas consistem de erupção maculopapular difusa com descamação discreta, evoluindo para pústulas, pápulas, nódulos necróticos e úlceras. Reativação da doença de Chagas ● A meningoencefalite chagásica, já descrita na fase aguda da infecção pelo Trypanosoma cruzi, pode estar associada à reativação da infecção crônica induzida por imunossupressão. Neurotoxoplasmose ● Causa mais comum de lesões neurológicas focais com efeito de massa em PCHIV ● Cefaleia e evolução insidiosa de sinais focais (geralmente dias ou semanas). ● Febre, convulsões e alteração do estado mental podem estar presentes. ● Sinais focais como hemiparesia, disfasia e outras alterações motoras são comuns, uma vez que as lesões envolvem tipicamente gânglios da base Sepse recorrente por Salmonella ● Os sintomas incluem febre, dificuldade respiratória, pressão arterial baixa, ritmo cardíaco acelerado e confusão mental. Citomegalovirose sistêmica ● Citomegalovírus ● A citomegalovirose em indivíduos com HIV é causa comum de infecção da retina, trato digestivo e dos pulmões. Candidíase esofágica e orofaríngea ● A candidíase é a infecção mais comum em pacientes com imunodepressão pelo HIV ● Placas removíveis esbranquiçadas na mucosa. ● Pode-se apresentar também como queilite angular ou pápulas eritematosas na mucosa. Leucoencefalopatia multifocal ● Reativação do vírus JC, um papovavírus humano ubíquo tipicamente adquirido durante a infância e que permanece latente nos rins e em outros locais. ● Alterações focais, anormalidade na marcha Herpes simples mucocutâneo ● Herpes vírus ● A produzida pelo HSV-2, de transmissão sexual, é uma manifestação comum entre indivíduos com HIV; ● Há prurido, erosões, úlceras REFERÊNCIAS MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Vigilância em Saúde. 5ª ed. Brasília, DF, 2021. 11 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Objetivo 4 Entender o diagnóstico clínico e laboratorial e profilaxia da infecção por HIV e AIDS DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO POR HIV E DA AIDS Testes para detectar a infecção por HIV são realizados por uma de quatro razões: 1. Identificar indivíduos com a infecção nos quais a terapia medicamentosa antiviral possa ser iniciada; 2. Identificar portadores que possam transmitir a infecção a outros (especialmente doadores de sangue ou órgãos, gestantes e parceiros sexuais); 3. Acompanhar o curso da doença e confirmar o diagnóstico de AIDS; 4. Avaliar a eficácia do tratamento A doença pode ou não ter expressão clínica logo após a infecção, sendo importante que o profissional saiba conduzir a investigação diagnóstica quando houver suspeita de risco de infecção pelo HIV. Além disso, é imprescindível conhecer os conceitos de janela diagnóstica e de soroconversão. JANELA DIAGNÓSTICA ⤷ Tempo entre a infecção e o aparecimento ou a detecção de um marcador da infecção O marcador de infecção pode ser por exemplo: RNA viral, DNA proviral, antígeno p24 ou anticorpo. A duração desse período depende do tipo e da sensibilidade do teste, além do método utilizado para detectar o marcador. JANELA DE SOROCONVERSÃO ⤷ Período entre a infecção até a primeira detecção de anticorpos contra o agente infeccioso O termo “janela de soroconversão” é usado no caso de testes que detectam anticorpos (marcador de infecção) Esse período é em média 30 dias. Entretanto, deve-se considerar que muitos fatores podem contribuir para que o período de 30 dias não seja equivalente para todos os indivíduos, pois a soroconversão é algo particular de cada organismo, existindo a possibilidade de o tempo ser maior ou menor que esse. Caso persista a suspeita de infecção pelo HIV, uma nova amostra deverá ser coletada 30 dias após a data da coleta da primeira amostra. No período de janela imunológica, os únicos testes capazes de identificar o vírus são os testes de biologia molecular, com a detecção do material genético viral. DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS COM IDADE ≤ 18 MESES A identificação precoce da criança infectada verticalmente é essencial para o início da Tarv (Terapia antirretroviral), para a profilaxia das infecções oportunistas e para o manejo das intercorrências infecciosas e dos distúrbios nutricionais. A passagem transplacentária de anticorpos maternos do tipo IgG-HIV interfere no diagnóstico sorológico. Os anticorpos maternos podem persistir até os 18 meses de idade, portanto métodos que realizam a detecção de anticorpos não são recomendados para o diagnóstico em crianças menores de 18 meses É necessária a realização de testes moleculares, como a quantificação do RNA viral (carga viral) e o teste para detecção do DNA pró-viral. DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS > 18 MESES, ADOLESCENTES E ADULTOS É importante compreender detalhadamente o tempo de curso da viremia e da soroconversão durante a infecção recente pelo vírus. Assim, há um sistema de estagiamento laboratorial da infecção recente pelo HIV-1 (estágios de Fiebig), conforme detecção dos marcadores RNA viral, antígenos e anticorpos anti-HIV (IgM e IgG): 1. Inicialmente é possível detectar o RNA viral por meio de PCR 2. Depois, o antígeno p24 pode ser detectado por ELISA 3. Por fim, torna-se possível detectar anticorpos específicos para HIV-1 – a partir de ~ 20 dias com ELISA e ~ 30 dias com western blot 12 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Estágios de Fiebig. Estágios da infecção pelo HIV-1 de!nidos com base no padrão de reatividade de diferentes ensaios laboratoriais Para a investigação desses marcadores em amostras biológicas, podem ser utilizados: 1. Testes moleculares 2. Imunoensaios 3. Western blot/imunoblot/imunoblot rápido 4. Testes rápidos 1. TESTES MOLECULARES ⤷ Detectam diretamente o RNA viral ou DNA pró-viral RNA viral (teste qualitativo ou de quantificação da carga viral do HIV) ou DNA pró-viral (teste qualitativo de detecção do DNA pró-viral) Desempenha papel importante quando a detecção de anticorpos não é possível. 2. IMUNOENSAIOS (IE) ⤷ Detectam anticorpos anti-HIVAtualmente, os IE utilizados são os de 3ª e 4ª geração: Terceira geração → detecção simultânea de anticorpos anti-HIV IgG e IgM – com soroconversão de ~ 22 a 25 dias Quarta geração → detectam simultaneamente o antígeno p24 e anticorpos específicos anti-HIV – com soroconversão de ~ 15 dias O ensaio de terceira geração tem o formato “sanduíche” (ou imunométrico). É feito adicionando a amostra (antígeno) e depois o conjugado - a placa vem com o anticorpo primário; o conjugado se liga à amostra. A seguir, adiciona o substrato, que muda de cor na presença de anticorpos. O ensaio de quarta geração é o ELISA de competição. É feito adicionando a amostra (antígeno) e depois o conjugado - a placa vem com o anticorpo primário; o conjugado não se liga à amostra, mas sim ao anticorpo 13 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga primário. Desse modo, aqui quanto mais cor, menos antígeno na amostra. 3. WESTERN BLOT/ IMUNOBLOT RÁPIDO São ensaios que apresentam proteínas virais imobilizadas em suas membranas, capazes de se ligar a anticorpos anti-HIV específicos. Assim, permite a identificação e reconhecimento de antígenos com peso molecular definido. 4. TESTES RÁPIDOS São imunoensaios simples que majoritariamente utilizam a metodologia de imunocromatografia Não necessitam de estrutura laboratorial para sua realização e fornecem resultados em até 30 minutos. São realizados preferencialmente com a presença do indivíduo, com amostra de sangue total obtida por punção digital ou com amostra de fluido oral. Tendo em vista que os TR são desenvolvidos para detectar anticorpos anti-HIV em até 30 minutos, em comparação com o IE, que pode levar até 4 horas, os dispositivos são otimizados para acelerar a interação antígeno/anticorpo. FLUXOGRAMAS DE TESTAGEM PARA HIV Para a realização do diagnóstico da infecção pelo HIV, os serviços de saúde/laboratórios públicos, privados e conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) devem adotar os fluxogramas preconizados pelo Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças Desde o início da epidemia do HIV, o diagnóstico sorológico da infecção é realizado com pelo menos dois testes, um para triagem e um segundo, mais específico, para confirmar o resultado da triagem. O primeiro teste a ser realizado deve ser o mais sensível, seguido por um segundo teste mais específico, a fim de eliminar resultados falso-reagentes. ● Teste de triagem – deve ser mais sensível (se der negativo, terá pouca chance de ser falso negativo) ● Teste confirmatório – deve ser mais específico (se der positivo, terá grande chance de ser verdadeiro positivo) A combinação mais utilizada, padrão- ouro, é realizada por meio de um triagem com IE seguido pelo Western blot (WB), como teste confirmatório. Indivíduos na fase crônica da infecção são identificados com sucesso com qualquer combinação de testes de triagem (3ª ou 4ª geração), seguido por um teste confirmatório (WB ou teste molecular). Esses indivíduos constituem a maioria (> 95%) dos casos diagnosticados. Todos os indivíduos recém-diagnosticados devem realizar o exame de quantificação da Carga Viral - CV que, na realidade, compõe um terceiro teste e cujo resultado ratifica a presença da infecção no indivíduo. 📌 Os fluxogramas 1, 2 e 3 são os preferenciais por combinarem os testes mais modernos, os quais permitem agilizar o diagnóstico da infecção, sendo também os que apresentam melhor custo-efetividade. 14 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga FLUXOGRAMA 1 - Dois testes rápidos (TR1 e TR2) realizados em sequência com amostras de sangue Usado em: ● Redes de serviço de saúde sem infraestrutura laboratorial ● Programas do Min da Saúde ● CTAs e Unidades móveis ● Parcerias de pessoas vivendo com HIV/aids ● Abortamento espontâneo, independentemente da idade gestacional ● Pessoas em situação de violência sexual ● Prontos-socorros ● Acidentes biológicos ocupacionais (de trabalho) FLUXOGRAMA 2 - Um teste rápido utilizando fluido oral (TR1-FO) seguido por um teste rápido utilizando sangue (TR2) Preferencialmente utilizado fora de unidades de saúde, em campanhas de testagem e em populações de alta vulnerabilidade. As amostras de FO oferecem baixo risco biológico. 15 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga FLUXOGRAMA 3 - Imunoensaio de 4ª geração seguido de teste molecular como teste complementar Uma amostra reagente no IE de triagem, mas negativa no teste molecular, pode representar infecção pelo HIV-2 ou indicar infecção em um indivíduo com Carga Viral abaixo do limite de detecção. DEFINIÇÃO DE CASO INDIVÍDUOS COM MENOS DE 13 ANOS: ● Evidência de diagnóstico de infecção pelo HIV por testes sorológicos (de triagem, confirmatório e teste rápido) ou virológicos, normatizados pelo Ministério da Saúde de acordo com a idade atual da criança e ● Diagnóstico de pelo menos uma doença indicativa de imunode!ciência de caráter moderado ou grave e/ou Contagem de linfócitos T-CD4+ menor do que o esperado para a idade atual da criança Tabela. Contagem de linfócitos T-CD4+ de acordo com a idade da criança Faixa etária Contagem de LT-CD4+ (% do total de linfócitos) < 12 meses <1.500 células por mm3 (<25%) De 1 a 5 anos <1.000 células por mm3 (<25%) De 6 a 12 anos <500 células por mm3 (<25%) INDIVÍDUOS COM 13 ANOS OU MAIS ● Evidência de diagnóstico de infecção pelo HIV por testes sorológicos (de triagem, con!rmatório e teste rápido) ou virológicos, normatizados pelo Ministério da Saúde e ● Evidência de imunodeficiência: diagnóstico de pelo menos uma doença indicativa de aids (Quadro 2) e/ou Contagem de linfócitos T-CD4+ <350 células/mm3 Há também a escala de pontuação para cada sinal, sintoma ou doença do critério Rio de Janeiro/Caracas, uma ferramenta que pode auxiliar na de!nição de casos de aids para !ns de vigilância epidemiológica. REFERÊNCIAS: Ministério da saúde. Manual técnico para o diagnóstico da infecção pelo HIV. Brasília, dezembro de 2013. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 5ª ed. Brasília, 2021/2022. 16 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Objetivo 5 Explicar o tratamento farmacológico e não farmacológico do HIV/AIDS TRATAMENTO DO HIV/AIDS AGENTES ANTIRRETROVIRAIS Os objetivos do tratamento antirretroviral são reduzir a morbidade e mortalidade e prevenir a transmissão do HIV para outras pessoas A terapia inicial deve sempre incluir combinações de três ARV, sendo dois ITRN/ ITRNt associados a uma outra classe de antirretrovirais (ITRNN, IP/r ou INI). No Brasil, para os casos em início de tratamento, o esquema inicial preferencial deve ser a associação de dois ITRN/ITRNt – lamivudina (3TC) e tenofovir (TDF) – associados ao inibidor de integrase (INI) – dolutegravir (DTG). Esquema inicial preferencial: Lamivudina (3TC) + Tenofovir (TDF) + Dolutegravir (DTG) Figura. Ciclo de vida do HIV e ações dos agentes antirretrovirais 1. INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA ANÁLOGOS AO NUCLEOSÍDEO (ITRN) ● Zidovudina, Lamivudina, Abacavir, Entricitabina, Estavudina e Didanosina Os INTR são considerados como o “esqueleto” da terapia antirretroviral e, em geral, são usados em associação a outras classes de agentes ● Análogo ao nucleosídeo ● Tenofovir é o único análogo ao nucleotídeo3 ● São pró-fármacos 3 Nucleotídeo é uma molécula composta por uma pentose, uma base nitrogenada e um ou mais grupos fosfato. Nucleosídeo é um nucleotídeo sem a presença do grupo fosfato. 17 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga ○ acontece a fosforilação intracelular desses para ativação, até a tri-fosforilação (3 fosfatos) ■ quinases fazem esse trabalho ○ Tenofovir tem fosfato ligado à estrutura nitrogenada dele, portanto só precisa de 2 fosforilações ● Ativo contra: HIV-1 e HIV-2 MECANISMO DE AÇÃO Após a fosforilação intracelular, que ativa os fármacos, eles se tornam análogos aos nucleotídeos (subunidade formadora de DNA). Portanto, os ITRN competem com os nucleotídeospela transcriptase reversa na formação do DNA viral, inibindo a síntese de DNA viral (inibição competitiva da TR) Esses fármacos também podem agir nas nossas mitocôndrias e estão associados à toxicidade mitocondrial. São utilizados em conjunto, assim evitando mutações e transferências de cepas resistentes para outros vírus. FARMACOCINÉTICA ● Via Oral e Intravenosa ● Excreção urinária EFEITOS ADVERSOS ● Náusea, vômito, cefaléia e insônia ● Zidovudina pode levar a lipoatrofia e mielotoxicidade ● Estavudina e Didanosina - causam pancreatite e neuropatia periférica 2. INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA NÃO ANÁLOGOS AO NUCLEOSÍDEO (ITRNN) ● Efavirenz, Nevirapina, Delavirdina, Etravirina e Rilpivirina Ativo contra: HIV-1 Delavirdina, Etravirina e Rilpivirina - mais modernos, utilizados quando há resistência viral aos representantes principais MECANISMO DE AÇÃO Se ligam no sítio alostérico da transcriptase reversa que irá promover uma mudança conformacional na enzima e impossibilita a ligação com o RNA viral e a síntese de DNA viral. Ao contrário dos INTR, os INNTR não competem com trifosfatos de nucleosídeos nem necessitam de fosforilação para a sua atividade FARMACOCINÉTICA ● Via Oral ● Metabolismo hepático e excreção renal ● Vírus desenvolvem resistência rápida a esses fármacos EFEITOS ADVERSOS ● Tontura, Distúrbios no TGI e Hepatotoxicidade ○ indicado uso no período noturno para minorar sofrimento pela tontura ● Efavirenz tem poder neurotóxico levando a quadros de depressão e mania 3. INIBIDORES DA PROTEASE ● Saquinavir, Ritonavir, Atazanavir, Lopinavir e Darunavir MECANISMO DE AÇÃO Inibem a protease viral, bloqueando, então, a clivagem de lipoproteínas virais em proteínas funcionais. Assim, como protease do HIV é responsável pela clivagem de moléculas precursoras, produzindo as proteínas estruturais finais do cerne do vírion maduro, ao impedir a clivagem da poliproteína Gag-Pol, os inibidores da protease impedem o processamento das proteínas virais em conformações funcionais, resultando na produção de partículas virais imaturas e não infecciosas. Ao contrário dos INTR, os IP não necessitam de ativação intracelular. FARMACOCINÉTICA ● Via Oral ● Sofrem metabolismo de primeira passagem no fígado ○ Ritonavir é utilizado em conjunto com os outros da sua mesma classe como uma molécula suicida, ele é degradado no fígado para evitar com que os outros de ação mais forte sejam degradados EFEITOS ADVERSOS ● Distúrbios no TGI 18 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga ● Distúrbios metabólicos (resistência à insulina e aumento da glicemia) ● Lipodistrofia (alteração da distribuição de gordura no corpo) INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ● Benzodiazepínicos 4. INIBIDORES DA INTEGRASE ● Raltegravir, Dolutegravir e Elvitegravir Raltegravir ● Duas administrações diárias Dolutegravir ● Preferência da classe ● Uma administração diária, menor resistência viral Elvitegravir ● Exige reforço com um fármaco adicional como o cobicistate (inibe a CYP3A4) MECANISMO DE AÇÃO Inibe a integrase viral, logo bloqueiam a integração do DNA viral ao DNA do hospedeiro. Uso bem estabelecido para coinfecção com hepatites ● uso com co-infecção de tuberculose apenas o Raltegravir é recomendado EFEITOS ADVERSOS Dor de cabeça, náusea e diarreia. Entre outros efeitos adversos menos comuns 5. INIBIDORES DA FUSÃO E ENTRADA ● Enfuvirtida e Maraviroque Enfuvirtida Se liga e bloqueia a funcionalidade da Gp41 (proteína viral importante para fusão do vírus na célula hospedeira) Maraviroque Bloqueador de CCR5 das células potencialmente hospedeiras, impede com que o vírus ancore e penetre nela Ativo somente contra cepas M-trópicas, se ligando espeicalmete nos macrofagos PEP E PrEP PEP A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV reduz o risco de adquirir essa infecção. Está disponível no SUS. Necessidade de repetir a testagem 4/6 semanas e 12 semanas após a exposição, mesmo depois de completada a profilaxia. As situações de exposição ao HIV constituem atendimento de urgência Critérios para indicação da PEP O tipo de material biológico é de risco para transmissão do HIV? ● Sangue, Sêmen, Fluidos vaginais, Líquidos de serosas (peritoneal, pleural, pericárdico), Líquido amniótico e Líquor O tipo de exposição é de risco para transmissão do HIV? ● Percutânea (causadas por instrumentos cortantes), Membranas mucosas (exposição sexual desprotegida, contato com olho, nariz ou boca), Cutâneas em pele não íntegra, Mordedura com presença de sangue O tempo transcorrido entre a exposição e o atendimento é menor que 72 horas? ● Quanto mais cedo se inicia a profilaxia, maior sua eficácia A pessoa exposta é não reagente para o HIV no momento do atendimento? ● Amostra reagente (2 testes rápidos reagentes), a PEP não está indicada SE A RESPOSTA FOR SIM PARA TODAS AS PERGUNTAS, PEP É INDICADA A testagem da pessoa fonte do material biológico possivelmente contaminada pode ser realizada, se ela presente e disposta. Se tal mostra der não reagente (TR1 não reagente), a PEP não está indicada Se o status da pessoa fonte for desconhecido e o paciente preencher os critérios de indicação do uso, a decisão se usa ou não a PEP é individual. ► Esquema Antirretroviral Preferencial ● Coformulado de tenofovir/lamivudina + dolutegravir ● A duração da PEP é de 28 dias. 19 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga ● Usado em homens e mulheres, incluindo grávidas no 2 e 3 semestre de gravidez ● Grávidas no 1 semestre de gravidez usa tenofovir/lamivudina + efavirenz LOCAIS EM ALAGOAS QUE DISTRIBUEM A PEP PrEP A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV, consiste no uso de antirretrovirais (ARV) orais para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV Consiste no uso de um comprimido diário de Tenofovir + Entricitabina ► Candidatos ao Uso da PrEP A pessoa candidata que demonstraram interesse, enquanto o profissional irá avaliar suas motivações Critérios de Inclusão Considerar situações de vulnerabilidades e de riscos envolvidos nas práticas sexuais ● gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), pessoas transexuais, usuarios de drogas injetaveis e trabalhadores do sexo ● a partir de 15 anos (adolescentes não precisam da presença ou autorização de pais) ● pessoas com parceiros HIV+ com carga viral detectável ou desconhecida ● pessoas que têm múltiplos parceiros de sorologia desconhecida e não fazem uso de preservativo ● pessoas que apresentaram ISTs bacterianas nos últimos 6 meses ● Busca repetida por PEP Critérios de Exclusão ● Resultado de teste de HIV positivo ○ Necessário a realização de um teste rápido antes da indicação ● Função renal prejudicada O interesse à adesão à profilaxia de uso diário tem que ser bem demonstrado A transição para a PrEP pode ser feita após os 28 dias de uso da PEP e exclusão de infecção pelo HIV Indivíduos elegíveis para PrEP apresentam maior risco para a aquisição de outras IST ● recomenda-se realizar a testagem para sífilis, clamídia e gonococo ● testes de Hepatite C, B também são realizados. A realização do exame de HIV a cada consulta é obrigatória. Também segue uma avaliação de vários outros fatores como peso, sinais de infecção aguda e monitoramento da função renal. LOCAIS EM ALAGOAS QUE DISTRIBUEM A PrEP ● Unidade Dispensadora de Medicamentos em Maceió - CLINICA DA FAMILIA DR. JOAO FIREMAN, PAM SALGADINHO e SAE DR. MARCELO CONSTANT ● Unidade Dispensadora de Medicamentos em Arapiraca - Rua Padre Cicero, Centro. CTA também distribui. REFERÊNCIAS Conferência sobre “ANTIVIRAIS” - Profa. Aline Cavalcanti de Queiroz BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de risco à infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. 52 p. ISBN 978-85-334-2582-8 BRASIL. Manual Técnico para o Diagnósticoda Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Objetivo 6 Discutir a epidemiologia do HIV e da AIDS em Arapiraca, Alagoas e Brasil EPIDEMIOLOGIA DO HIV/AIDS Síndrome da imunodeficiência humana e o perfil de internações hospitalares: 10 anos de análise. 2022. Metodologia: descritivo, quantitativo; dados do DATASUS no período de 2011-2020 De acordo com o estudo, foram internadas 4.286 pessoas devido a Doença pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, sendo 4.097 (95,59%) internamentos de caráter de urgência. 20 Medicina UFAL Arapiraca, turma 9 | 4º período Taíssa N. Veiga Em relação a caracterização sócio demográfica, 2760 (64,4%) dos pacientes foram do sexo masculino, com predomínio de idade entre 30-49 anos (n= 2630). Desigualdades sociais na caracterização dos casos de HIV/Aids em Alagoas. 2023. Metodologia: descritivo, quantitativo e retrospectivo. 2010-2022. Dados extraídos do http://indicadores.aids.gov.br/index.php De acordo com os dados obtidos, conclui-se que o perfil epidemiológico dos casos de HIV/AIDS no estado de Alagoas entre os anos de 2010 e 2022, são de jovens entre 15 e 25 anos, do sexo masculino, de cor parda, com ensino fundamental incompleto e heterossexual DADOS DO DATHI E DO DATASUS 21 http://indicadores.aids.gov.br/index.php