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PRÁTICA DE PESQUISA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES AULA 1 Profª Kátia Cristina Dambiski Soares 2 CONVERSA INICIAL Olá alunos e alunas! Vamos iniciar nossa disciplina de Prática de Pesquisa e Formação de Professores abordando um tema muito importante, o conceito de profissionalização docente. Com base neste tema, a aula apresentará os seguintes tópicos de estudo: 1. Trabalho docente; 2. Formação docente; 3. Profissionalização docente; 4. Autonomia e Identidade docente; 5. Conhecimentos na formação do professor. Teremos como objetivo geral conhecer aspectos relacionados ao histórico e ao conceito de profissionalização docente, e como respectivos objetivos específicos: 1.1 Conhecer o conceito de trabalho docente; 2.1 Compreender aspectos importantes sobre a formação docente; 3.1 Conceitualizar a profissionalização docente; 4.1 Apresentar as características da autonomia e da identidade docente; 5.1 Identificar conhecimentos necessários à formação de professores. Todos os itens a serem trabalhados visam propiciar reflexão crítica sobre os assuntos, de modo que seja possível relacionar a teoria estudada com aspectos importantes da prática pedagógica. A partir desta aula, outros temas serão desenvolvidos; cada qual se articulará com a ideia de profissionalização docente. Serão centrais na discussão os conceitos de trabalho, formação e profissionalização docente. Esses três conceitos devem ser entendidos de forma articulada, além de estarem relacionados com questões da autonomia e identidade docente, bem como com a definição dos conhecimentos necessários para a formação e atuação do professor na direção da constituição da práxis pedagógica. Mas, o que é a práxis pedagógica? É a indissociabilidade entre teoria e prática. E, com esta base, vamos conversar, discutir, debater e refletir criticamente sobre o papel da pesquisa na formação de professores. Boa aula a todos! TEMA 1 – TRABALHO DOCENTE Para entender o trabalho docente, precisamos, primeiramente, compreender o conceito genérico de trabalho humano: A medida em que determinado ser natural se destaca da natureza e é obrigado, para existir, a produzir sua própria vida é que ele se constitui propriamente enquanto homem. Em outros termos, diferentemente dos animais, que se adaptam à natureza, os homens 3 têm que fazer o contrário: eles adaptam a natureza a si. O ato de agir sobre a natureza, adaptando-a às necessidades humanas, é o que conhecemos pelo nome de trabalho. Por isto podemos dizer que o trabalho define a essência humana. Portanto, o homem, para continuar existindo, precisa estar continuamente produzindo sua própria existência através do trabalho. Isto faz com que a vida do homem seja determinada pelo modo como ele produz a sua existência. (Saviani, 1994, p.152) O trabalho humano, portanto, entendido de forma genérica, é a maneira como as pessoas produzem as condições da sua existência. A partir da definição de trabalho em geral, podemos compreender a especificidade do tipo de trabalho realizado pelo professor. O trabalho docente é uma forma específica de trabalho que pode ser entendida como "trabalho não-material", de acordo com Marx (Cap. VI Inédito, do livro O Capital). Isto significa que esse tipo de trabalho difere de outros que geram coisas físicas, materiais, ou seja, um trabalho não material não gera um produto que tenha corporeidade, mas sim conhecimentos, valores, ideias, cultura, Desta forma, o trabalho do professor é diferente, por exemplo, do trabalho de um marceneiro. O produto do trabalho do marceneiro, a mesa ou a cadeira, tem corporeidade física. Já o produto do trabalho docente se põe no âmbito do conhecimento, da alteração de consciência, da formação humana. Isso não significa que esses tipos de trabalho não sejam articulados e não dependam um do outro, na medida em que se desenvolvem as relações sociais. Ensinar exige certo domínio teórico-prático presente na relação indissociável conteúdo-forma. No entanto, embora o trabalho docente sistematicamente organizado seja um ato consciente e intencionalmente planejado, nem sempre há clareza, por parte do professor, sobre quais são as bases teóricas, epistemológicas (relacionadas ao como se conhece) e ontológicas (relacionadas ao que é o conhecimento) sobre que se firma o seu trabalho. Isso nos parece decisivo para a própria possibilidade de desenvolvimento e efetividade da atividade de que se trata. (Soares, 2008, p. 23) A citação acima nos remete a uma reflexão sobre a relação entre a compreensão de trabalho docente e a necessidade de formação docente. Trabalho e formação docente são dois termos relacionados, dependentes, e não existem isoladamente. A formação de professores é elemento indispensável para a atuação profissional do professor. É sobre isto que trataremos no próximo tema. 4 TEMA 2 – FORMAÇÃO DOCENTE Conforme já definimos anteriormente, o trabalho docente é uma forma de trabalho não-material, pois está inserido no âmbito da produção de conhecimentos, ideias, valores. Dessa forma, esta definição também recai sobre o entendimento de formação de professores. Se o conhecimento muda constantemente e o professor trabalha diretamente com ele, esse profissional precisa de uma formação de qualidade. Vamos então, procurar entender o conceito de formação: Quando falamos sobre formação de professores, estamos nos referindo à ideia de formar para a ação, formar para a atuação profissional, para a qualificação do trabalho a ser realizado. Essa formação ocorre num processo contínuo e não linear, que envolve toda a vida pessoal e profissional do professor, desde suas experiências formativas estabelecidas nos diferentes espaços de convívio social, até a qualificação formal, por meio dos cursos de formação inicial e continuada. (Almeida; Soares, 2011, p.36-7) Conforme vimos, a formação envolve toda a vida do professor e, de maneira institucional, pode ser inicial ou continuada. A formação inicial é realizada nos cursos de Formação de Docentes em nível médio (Magistério) ou, preferencialmente, nos cursos superiores, de licenciatura, como é o caso do curso de Pedagogia, que forma os professores para atuar na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além da formação inicial, o professor precisar estudar continuamente; por isso, precisa de formação continuada, permanente e também em serviço. O desenvolvimento profissional docente se dá com base no tripé: formação inicial, formação continuada e experiência profissional, que ocorre na própria escola, na aprendizagem que realiza no seu cotidiano. TEMA 3 – PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE Buscar compreender a profissionalização docente significa pensar como se concede para uma pessoa o status de professor, e isto se dá, em uma primeira etapa, por meio de curso de formação inicial. Ao tratar sobre o conceito de profissionalização docente, precisamos entender inicialmente que existe, de fato, um processo de tornar-se professor. Ou seja, existe um desenvolvimento profissional docente. E, conforme já abordamos no tema 5 anterior, esse desenvolvimento envolve três aspectos centrais: formação inicial, formação continuada e experiência profissional. Alguém se torna professor, não por ter acesso apenas a um desses aspectos ou momentos, mas por ter a vivência privilegiada e articulada dos três. Ser profissional significa ser habilitado para exercer uma profissão e, no caso do professor, exige boa formação inicial, que é a sua base teórica e metodológica. Uma consistente formação continuada, que lhe dá aporte para atualização constante, além da experiência profissional, toda a vivência no seu cotidiano, as dificuldades, desafios e superações que o exercício profissional pode propiciar diariamente. As marcas de identidade dessa profissão apontam para um fazer vocacionado, como um ato de fé, mas que, no decorrer do desenvolvimento da escola, assume a condição de profissão. Uma das características fundamentais da profissão docente é acreditar na educabilidade dos seus alunos. A maioria dos professores considera muito importante gostar do que faz, ou seja, além do conhecimento, essa profissão envolve sentimentos. Além disso, a educação como prática social incorpora significado social para esta profissão. Implica compromisso, cientificidade, coletividade, competência e comunicabilidade. Torna-se inadmissível um professor realizar o ensino mecanicamente. (Romanowski, 2007, p. 17) Ser professor é mais do que assumir uma vocação. Não é algo inato, que nasce com a pessoa naturalmente, mas sim uma profissão historicamente constituída, que responde aos interesses da sociedade em determinado espaço e tempo, e que envolve múltiplas questões ressaltadas por Romanowski (2007), como compromisso, coletividade, competência e comunicabilidade. Além disso, a profissão docente se desenvolve, sobretudo, por meio da prática profissional: O trabalhador se educa no e a partir do seu processo de trabalho, com apoio da formação teórica adquirida nos cursos de formação inicial e continuada; mas é no trabalho, e através das relações estabelecidas a partir dele, que se constroem as competências profissionais, pela articulação entre conhecimento e intervenção. (Kuenzer, 2002, p. 301) Assim, podemos concluir este tema ressaltando que a qualidade da profissionalização docente depende de uma série de fatores, envolvendo a formação inicial destinada aos professores, bem como o acesso à formação continuada e experiências formativas enriquecedoras que acompanhem a prática profissional dos educadores. 6 TEMA 4 – AUTONOMIA E IDENTIDADE DOCENTE Como se constrói a autonomia e a identidade docente? Por autonomia docente, se compreende a possibilidade de o professor poder definir sua metodologia de trabalho, suas estratégias e encaminhamentos metodológicos, a perspectiva com que desenvolverá os conteúdos com seus alunos e, inclusive, o processo avaliativo. Entretanto, é preciso ressaltar que a autonomia se constrói com seriedade e responsabilidade, pois é sempre uma autonomia relativa ao projeto político-pedagógico da instituição, às normas emanadas das mantenedoras de ensino e à legislação educacional. Também devemos refletir sobre a identidade docente, sobre como nos identificamos com nossa profissão e com nossos colegas de trabalho: Essa identidade não é dada, ao contrário, é construída tanto pelo indivíduo ao longo de sua vida, como pelo coletivo de profissionais de uma determinada categoria de trabalhadores. Na configuração profissional desta categoria incluem-se as experiências realizadas no cotidiano, referenciadas, cultural e historicamente – no espaço social que unifica e corporifica – conferindo um status social de cada profissão, igualmente são incorporados lutas, conflitos, problemas, avanços de cada categoria. (Romanowski, 2007, p. 16) Assim sendo, a identidade docente não é apenas uma questão individual, mas parte da noção de coletivo, de classe, da categoria de trabalho a qual pertencemos. Envolve a necessidade de saber que se é professor, em um determinado contexto em que se está inserido, com uma determinada consciência de classe. Nessa direção, complementa Romanowski (2007, p. 16): O processo de constituição da identidade profissional é de desenvolvimento permanente, coletivo e individual, no confronto do velho com o novo, frente aos desafios de cada momento sócio- histórico. Essa identidade contém, concomitantemente, à unidade ensinar, uma multiplicidade de abrangências pela natureza da educação como prática social, como uma teia de interesses, significados e possibilidades. Essa teia de significados e interesses diversos, que envolve a profissionalização docente, nos dá uma ideia da dimensão complexa dessa profissão, dada sua importância no campo da formação humana. 7 TEMA 5 – CONHECIMENTOS NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR Os conhecimentos são fruto do trabalho humano, das relações sociais estabelecidas por meio do trabalho. Por meio deles, é possível melhorar as condições de vida e incrementar as possibilidades de atuação no mundo. Existem diversos tipos de conhecimento. Com certeza eles são cruciais para o desenvolvimento do trabalho realizado por professores. Os conhecimentos são essenciais para o trabalho docente e, portanto, fazem parte da sua formação de diferentes maneiras: “O conhecimento faz parte do trabalho do professor, tanto como objeto do seu trabalho, aquilo que vai ser ensinado ao seu aluno, quanto como condição necessária ao exercício da sua função, ou seja, enquanto saberes que subsidiam e orientam o desenvolvimento da prática pedagógica” (Almeida; Soares, 2011, p. 37). O professor precisa ter vários conhecimentos: conteúdos de ensino; disciplinas que leciona; desenvolvimento físico, psicológico e cognitivo de seus alunos; gestão escolar; projeto político-pedagógico da instituição; planejamento de ensino; avaliação da aprendizagem; materiais didáticos e tecnologias educacionais; metodologia de ensino; didática, entre outros. Enfim, são muitos os conhecimentos necessários para poder ser professor, ainda mais se pensarmos em um professor dedicado e comprometido com a qualidade de ensino. Professores devem ser elevados culturalmente, ou seja, devem estar sempre estudando e se aprimorando. Afinal de contas, os conhecimentos estão em constante transformação na nossa sociedade, e o professor tem a tarefa de trabalhar com conhecimentos científicos e elaborados. Cabe destacar este ponto: a importância do conhecimento científico na formação e no trabalho docente. Na nossa sociedade, existem diversos tipos de conhecimento, desde a opinião, o dogma, o senso comum, o saber advindo da experiência cotidiana, até o conhecimento filosófico e o que chamamos de conhecimento científico. O que distingue o conhecimento do tipo científico dos demais? A base metodológica, a busca da aproximação da verdade, a comprovação. Neste caso, a escola e o trabalho docente, embora permeados por diversos tipos de conhecimento, devem centrar seu trabalho no conhecimento de base científica. A criança ou o jovem não irá para a escola para repetir aquilo que já faz parte da sua vivência cotidiana ou do senso 8 comum. Este aluno, qualquer que seja a sua idade ou a sua fase de ensino, irá à escola para ter acesso a conhecimentos cientificamente elaborados, sistematizados, de modo que possa alçar níveis mais elevados de compreensão sobre o mundo e a existência humana, para que possa, com base nesses conhecimentos, ter condições de intervir na sociedade em que está inserido. À escola não cabe apenas reproduzir o que é senso comum (doxa), também não pode basear-se apenas nos conhecimentos adquiridos pelas pessoas por meio do seu tempo ou experiência de vida (sofia). A escola e, por consequência, o trabalho docente estão relacionados com a garantia da efetivação do processo ensino-aprendizagem de um conhecimento específico, que é o conhecimento elaborado e científico. Isso não significa que os outros tipos de conhecimento a que nos referimos não estejam também presentes no meio educacional, entretanto, eles não são o foco de sua atuação. (Almeida; Soares, 2011, p. 39) Se o professor não ampliar os seus conhecimentos, se parar de estudar após seu curso de formação inicial, com certeza haverá um comprometimento da qualidade das suas aulas, prejudicando, em última instância, o aluno, que depende, de alguma forma desse profissional para alcançar níveis cada vez maiores de conhecimento, de cultura. Professores mais cultos, mais atualizados, conectados com seu tempo, são capazes de estabelecer relações mais interessantes entre os conteúdos ensinados, e destes com a realidade do contexto em que está inserida a escola. Assim, com professores bem formados, ganham todos: o próprio professor, seus alunos, a escola em que leciona, a sociedade de modo geral. NA PRÁTICA Esta aula faz parte da disciplina Prática de Pesquisa e Formação de Professores e, portanto, requer conhecimentos e habilidades referentes ao campo da pesquisa em formação docente. Por esse motivo, vamos sugerir algumas atividades práticas ao longo da disciplina, com a proposta de experimentar práticas de pesquisa, mesmo que ainda incipientes, mas que podem ser desenvolvidas, por você, aluno, na continuidade de seus estudos. Para compreender melhor os assuntos que discutimos, procure realizar uma entrevista com um professor que atue na Educação Básica (Educação Infantil ou Ensino Fundamental ou Ensino Médio). 9 Elabore em torno de cinco questões com base no conteúdo desta aula. Por exemplo: Quanto tempo o professor atua na educação? Como foi sua formação inicial? O professor participa de cursos de formação continuada? Quais e de que maneira? Como é a sua prática profissional cotidiana, seus maiores desafios, problemas? Quais são as positividades, o que aprende com seu trabalho? Antes de iniciar, pergunte para o professor se ele permite que você grave um áudio da entrevista, assim você poderá, com calma, verificar as respostas ponto a ponto. Ao realizar uma entrevista com um professor, você estará desenvolvendo duas habilidades muito importantes: primeiro, está refletindo criticamente sobre os assuntos discutidos na aula; e segundo, poderá experimentar uma técnica de pesquisa importante, a entrevista. FINALIZANDO Nesta primeira aula da disciplina Prática de Pesquisa e Formação de Professores, procuramos refletir sobre questões que são basais para o entendimento teórico e prático da Formação Docente. Iniciamos conversando sobre a concepção de trabalho docente, como uma forma de trabalho não- material que, por esse motivo, se diferencia de outros tipos de trabalho na nossa sociedade. Na continuidade, discutimos o conceito de formação e de profissionalização docente. Esses conceitos nos levaram também à discussão sobre autonomia e identidade docentes, além da definição de conhecimentos que fazem parte da formação de professores. Neste quesito, destacamos a o papel do conhecimento do tipo científico na formação e no trabalho realizado pelo professor. Conforme vimos nesta aula, a identidade docente significa a consciência de pertencimento a uma determinada categoria profissional, o reconhecimento de que há uma cientificidade que dá suporte ao desenvolvimento da atuação docente. E, por esse motivo, a formação docente é essencial, dado que é ela 10 proporciona ao professor acesso aos conhecimentos necessários para a sua atuação. Essa formação, seja inicial ou continuada, precisa ter qualidade teórica e metodológica, ou seja, precisa buscar a excelência tanto na parte dos conteúdos da formação, quanto no que se refere ao aprendizado da metodologia de ensino. Fazemos questão de ressaltar que todos esses conceitos devem ser inseridos no contexto socioeconômico e político em que os professores desenvolvem a sua prática pedagógica, dado que apenas a práxis pedagógica dá sentido e intencionalidade de fato ao trabalho docente. Práxis é a união entre teoria e prática; elas são indissociáveis, articuladas, não sendo uma mais importante que a outra. 11 REFERÊNCIAS ALMEIDA, C. M. de; SOARES, K. C. D. Professor de Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental: aspectos históricos e legais da formação. Curitiba: IBPEX, 2011. KUENZER, A. Z. A. A escola desnuda: reflexões sobre a possibilidade de construir o ensino médio para os que vivem do trabalho. In: ZIBAS, D. M. L.; AGUIAR, M. A. de S.; BUENO, M. S. S. (Orgs.). O ensino médio e a reforma da educação básica. Brasília: Plano, 2002. ROMANOWSKI, J. P. Formação e profissionalização docente. 3. ed. Curitiba: IBPEX, 2007. SAVIANI, D. O trabalho como princípio educativo frente às novas tecnologias. In: FERRETTI, C. J. et all. (Orgs). Tecnologias, Trabalho e Educação: Um debate multidisciplinar. Rio de Janeiro: Vozes, 1994. p. 151-168. SOARES, K. C. D. Trabalho Docente e Conhecimento. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.