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A coluna vertebral é a porção do esqueleto axial responsável pela sustentação da cabeça, pescoço e tronco e pela proteção da medula espinal. A coluna é formada por um total de 26 ossos. Os ossos que formam a coluna vertebral dividem-se em 5 grupos: cervical, torácico, lombar, sacro e cóccix. A região cervical é formada por 7 vértebras que se organizam na curvatura chamada de lordose cervical; a região torácica corresponde as 12 vértebras organizadas em cifose torácica; a lombar é formada por 5 vértebras organizadas em cifose lombar; o sacro é uma estrutura formada pela fusão de 5 vértebras em curvatura de cifose, enquanto o cóccix é um conjunto de 3 a 5 vértebras fusionadas articuladas ao sacro. A coluna cervical, composta pelas 7 vértebras cervicais, sendo 4 típicas e 3 vértebras atípicas: o Atlas (CI), o Áxis (CII) e a Vértebra Proeminente (CVII). A vértebra CI articula-se com a porção occipital do crânio, garantindo sustentação da cabeça. A vertebra CII articula-se com a CI por meio do dente do Áxis, não por um disco intervertebral, essa articulação garante o movimento de rotação do crânio em relação a coluna. Já a vértebra CVII apresenta sua morfologia mais próxima de uma vértebra torácica, apresentando um longo processo espinhoso que pode ser palpado na base do pescoço. As vértebras cervicais típicas apresentam em sua morfologia corpo vertebral, forame vertebral (por onde passa a medula espinal), um arco vertebral, um processo espinhoso, processos articulares e um processo transverso que se abre em forames transversos responsáveis pela proteção de artérias e veias vertebrais que irrigam o encéfalo. Musculatura cervical: → Platisma: recobre toda a região anterior com função de tracionar o lábio inferior → Músculos supra-hióideos: digástrico, estiloióideo e miloióideo, responsáveis por movimentação da boca, do osso hioide e da língua → Músculos infra-hióideos: esternoióideo, tireoióideo e omoióideo → Esternocleidomastóideo: ação inspiratória e de tração do tórax, além de flexão, inclinação e rotação da cabeça → Escalenos: inclinação do cabeça, além de auxiliar função inspiratória → Reto lateral do pescoço: inclinação da cabeça → Longo da cabeça: flexão da cabeça → Reto anterior da cabeça: flexão da cabeça → Longo do pescoço: flexão do pescoço e inclinação → Reto posterior maior da cabeça: extensão e rotação da cabeça → Reto posterior menor da cabeça: extensão da cabeça → Reto lateral da cabeça: inclinação lateral → Oblíquo superior da cabeça: extensão e rotação da cabeça → Oblíquo inferior da cabeça: rotação da cabeça A n te ri o re s L a te ra is P ré -c e rv ic a is P o s te ri o re s A inervação somatossensorial do corpo, incluindo a cabeça, mantém um padrão de organização segmentar básico, que foi estabelecido durante o desenvolvimento embrionário. Trinta e três pares de nervos espinais fornecem a inervação sensorial e motora das paredes do corpo, membros e vísceras. O aporte sensorial para cada segmento da medula espinal é fornecido por neurônios sensoriais com corpos celulares no gânglio da raiz dorsal. A área da parede do corpo abastecida por um único par de gânglios da raiz dorsal é chamada dermátomo. Dor cervical é uma das condições álgicas mais prevalentes na prática médica; cervicalgia é síndrome dolorosa regional que acomete, acometeu ou acometerá 55% da população em algum momento. Estima-se que 12% das mulheres e 9% dos homens apresente cervicalgia crônica15. São mais propensos a desenvolvê- la os idosos, trabalhadores braçais, indivíduos tensos ou que executem atividade adotando vícios posturais. Fisiologia da dor: O sistema somatossensorial processa as informações sobre tato, posição, dor e temperatura. Os receptores envolvidos na transdução destas sensações são os mecanorreceptores, os termorreceptores e os nociceptores. Existem duas vias para transdução das informações somatossensoriais para o SNC: o sistema da coluna dorsal e o sistema anterolateral. O sistema da coluna dorsal processa as sensações de tato fino (epicrítico), pressão, discriminação entre dois pontos, vibração e propriocepção (posicionamento de membros). O sistema anterolateral processa as sensações de dor, temperatura e tato grosseiro (protopático). Os nociceptores respondem a estímulos nocivos que podem produzir dano tecidual. Existem duas classes principais de nociceptores: os nociceptores térmicos ou mecânicos e os nociceptores polimodais. Os nociceptores térmicos ou mecânicos são supridos por fibras nervosas aferentes A-delta finamente mielinizadas e respondem a estímulos mecânicos, como a dor aguda e puntiforme. Os nociceptores polimodais são supridos por fibras C não mielinizadas e respondem a certos estímulos químicos e a estímulos mecânicos ou quentes ou frios de alta intensidade. A pele lesionada libera diversas substâncias químicas, como a bradicinina, as prostaglandinas, a substância P, K+ e H+, que iniciam uma resposta inflamatória. Os vasos sanguíneos se tornam permeáveis e, assim, há edema local e eritema cutâneo. Os mastócitos próximos ao local da lesão liberam histamina, que ativa diretamente os nociceptores. Além disso, os próprios nociceptores liberam substâncias que sensibilizam nociceptores vizinhos a estímulos que antes não eram nocivos ou dolorosos. Este processo de sensibilização, denominado hiperalgesia, é a base de diversos fenômenos, inclusive a redução do limiar de dor. A experiência da dor depende tanto da percepção sensorial quanto do estímulo. A percepção da dor pode ser fortemente influenciada pelo sistema de analgesia endógena que modula a sensação de dor. A dor tem origem nociceptiva ou neuropática. Os receptores de dor (nociceptores) são terminações nervosas livres. Quando os nociceptores são ativados em resposta a uma lesão real ou iminente dos tecidos, a consequência é a dor nociceptiva. A dor neuropática resulta de lesão direta ou de uma disfunção nos axônios sensoriais dos nervos periféricos ou centrais. A cervicalgia é uma condição prevalente entre 10 a 20% da população adulta e os processos degenerativos da coluna cervical e condições musculoesqueléticas são as principais causas de dor aguda e crônica nessa população, como tensão muscular, espondilose cervical e problemas nos discos articulares. Radiculopatia pode ser uma causa da dor cervical, para isso é importante compreender os dermátomos e miótomos a fim de delimitar a provável origem da dor. A tensão cervical apresenta-se com dor e limitação da movimentação da região cervical. Pode apresentar história pregressa de lesão na região, mas uma das principais causas ocorre devido ao estresse físico causado pela postura, hábitos de sono e uso de tecnologias. O exame pode demonstrar sensibilização da região a palpação devido a processo inflamatório. Espondilose cervical corresponde a degeneração dos ossos da coluna cervical causados pela perda de produção de osteoblastos, com maior atuação de osteoclastos. Dor discogênica origina-se da degeneração dos discos intervertebrais, manifestada por dor e limitação da movimentação, podendo associar-se a dor nos membros superiores. A condição resulta da manutenção da posição da cervical por longos períodos, como o que ocorre com quem utiliza tecnologias. Uma consequência encontrada é a redução da amplitude dos movimentos cervicais. Não há sinais de radiculopatia. Lesão chicote (resultante de um mecanismo que promova hiperflexão e posterior hiperextensão cervical) é um mecanismo que leva a dor cervical, assim como osteoartrite cervical, síndrome da dor miofascial (tríade de pontos de gatilhos, tensão muscular e sensibilidade a pressão) e hiperostose difusa (condição em que ocorre deposição inapropriada de osso em ligamentos e tendões). Radiculopatia ou mielopatia são condições que despontam como causasda dor cervical. A radiculopatia cervical em sua maior parte é causada pela estenose do forame cervical ou por hérnia de disco, resultando em dor, anormalidades sensoriais e fraqueza em membros superiores. Mielopatia espondilótica cervical pode resultar em dor cervical por apresentar uma lesão na medula espinal ou disfunção causada por degeneração do canal. Decálogo da dor: Localização > Irradiação > Caráter ou qualidade > intensidade > duração > Evolução > Relação com funções orgânicas > fatores de piora > fatores de melhora > manifestações concomitantes O atendimento a paciente com dor cervical deve se iniciar tentando identificar “red flags” que possam tornar o caso mais complicado e com necessidade de intervenção imediata, como: dor associada a fraqueza de membros inferiores, incontinência fecal ou urinária, parestesia com a flexão da cervical, associação com febre, perda de peso, história familiar de neoplasias, dor de cabeça associada. Descartado esses casos, deve-se realizar uma anamnese completa com exame físico neurológico com testes de força muscular, testes de sensibilidade e testes para reflexos e sinais de radiculopatia. A inspeção no exame, deve-se atentar a movimentação da cabeça, cervical e tórax e postura do paciente. Na palpação deve-se atentar para sensibilidade e espasmos musculares, além de movimentar a região cervical (rotação, lateralização, flexão e extensão). Sinal de Spurling: lateralização da cabeça com pressão para baixo: avalia radiculopatia. Manobra destratora: com as mãos em cálice ao redor do pescoço do paciente, “puxar” para cima, realizando uma extensão muscular. Exames de imagem não são necessários na maioria dos casos de cervicalgia, entretanto, trauma cervical, infecção, malignidade, mielopatia e radiculopatia são indicativos de exame de imagem: radiografia detecta osteoartrite, hérnias e fratura. RM é mais sensível que a radiografia, mas inviabiliza a visualização medula espinal, nervos e medula óssea. A inflamação é uma resposta normal de proteção às lesões teciduais causa- das por trauma físico, agentes químicos ou microbiológicos nocivos. É a tentativa do organismo de inativar ou destruir os organismos invasores, remover os irritantes e preparar o cenário para o reparo tecidual. A ativação dos leucócitos leva à estimulação dos linfócitos T (a parcela do sistema imune me-diada por células), que recrutam e ativam monócitos e macrófagos. Estes secretam citocinas pró-inflamatórias, incluindo o fator de necrose tumoral α (FNT-α) e interleucina-1 (IL-1) para a cavidade sinovial. Todos os AINEs atuam inibindo a síntese das PGs. Assim, para entender os AINEs, é preciso compreender a biossíntese e as ações das PGs derivadas de ácidos graxos insaturados que contêm 20 carbonos e incluem uma estrutura cíclica anelar. O ácido araquidônico é o principal precursor das PGs e dos compostos relacionados. Ele é componente dos fosfolipídeos das membranas celulares. O ácido araquidônico livre é liberado dos fosfolipídeos teciduais pela ação da fosfolipase A2 por um processo controlado por hormônios e outros estímulos. Os AINEs são um grupo de fármacos quimicamente heterogêneos que se diferenciam na sua atividade antipirética, analgésica e anti-inflamatória. A classe inclui derivados do ácido salicílico (ácido acetilsalicílico [AAS], diflunisal e salsalato), do ácido propiônico (ibuprofeno, fenoprofeno, flurbiprofeno, cetoprofeno, naproxeno e oxaprozina), do ácido acético (diclofenaco, etodolaco, indometacina, cetorolaco, nabumetona, sulindaco e tolmetina), do ácido enólico (meloxicam e piroxicam), de fenamatos (ácido mefenâmico e meclofenamato) e do inibidor COX-2 seletivo (celecoxibe). Eles atuam, principalmente, inibindo as enzimas cicloxigenase que catalisam o primeiro estágio da biossíntese de prostanoides. Isso leva à redução da síntese de PGs, com efeitos desejados e indesejados. Os anti-inflamatórios esteroidais (AIEs) são drogas que mimetizam os efeitos do hormônio cortisol.