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WebAula 2 Contabilidade Avançada Profa. Ma. Maíra Jessika Fernandes Silva CONTABILIDADE AVANÇADA LIVRO 2 1ª EDIÇÃO GOIÂNIA Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS 2022 Catalogação: Biblioteca Anhanguera ____________________________________________________________ Contabilidade Avançada - WebAula 2 / Dr. Cosme Massi (orga- nizador); Maíra Jessika Fernandes Silva – Goiânia : Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS, 2022. 33 p. : il. ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X 1.Contabilidade Avançada. I. Massi, Cosme. II. Silva, Maíra Jessika Fernandes. III.Título. CDU: 658 ____________________________________________________________ 2022 Direitos exclusivos em língua portuguesa cedidos ao Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS Avenida João Cândido de Oliveira, 115, Cidade Jardim Cep: 74423-115- Goiânia - GO Tel: (62) 3246 1404Fax: 3246 1444 site: www.anhanguera.edu.br CONTABILIDADE AVANÇADA Organização Pró-Reitor de Ensino a Distância Dr. Cosme Massi Autora Profa. Ma. Maíra Jessika Fernandes Silva Produção Supervisão do Processo Instrucional (SPI) Supervisora Prof.ª Esp. Karina Adorno de La Cruz Instrução de Material Didático Impresso (IMADIM) Diagramador Hugo Sávio de Carvalho Melo Revisor de Língua Portuguesa Profª. Ms. Mairy Aparecida Pereira Soares Ribeiro ©2022 por Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito, do Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS. CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 5 WEBAULA 2 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) Prezado (a) acadêmico (a), Nesta WebAula você vai apren- der sobre o processo de consolidação das demonstrações contábeis que é o processo de combinação das demons- trações financeiras de uma empresa e suas subsidiárias. Serão apresentados os procedimentos de consolidação bem como um exemplo prá- tico das contabilizações necessárias. Você aprenderá também, sobre as transações entre par- tes relacionadas e sobre a divulgação dessas relações. Além disso, serão apresentadas as joint ventures, os consórcios de sociedade e as sociedades de propósito específico. Vamos lá? SUMÁRIO WEBAULA 2 Consolidação das Demonstrações Contábeis, Transações entre Partes Relacionadas, Joint Ventures, Consórcios e Sociedade de Propósito Específico (SPE) ............................................................................ 5 2.1 Consolidação das demonstrações contábeis ............. 6 2.2 Transações Entre Partes Relacionadas ................... 14 2.3 Joint Ventures .............................................................. 21 2.4 Consórcios e Sociedades de Propósito Específico – SPE ................................................................ 27 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 76 CONTABILIDADE AVANÇADA O processo de consolidação deve ser feito nas seguintes demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstra- ção do Resultado do Exercício, Demonstração do Resultado Abrangente do Período, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a Demonstração dos Fluxos de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado. De modo básico, são fei- tas as somas dos saldos das contas de cada demonstrativo financeiro para a consolidação. Para exemplificar, suponha um Grupo composto por duas empresas: Controladora A e Controlada B. Os Balanços Patrimoniais, no grupo das Disponibilidades, estão compostos assim: Verifique que, neste exemplo, o Balanço consolidado corresponde a soma dos saldos da respectiva conta de cada Balanço das empresas participantes do grupo. Mas a técnica de consolidação não se resume a tal soma, mas inclui também a eliminação dos saldos que guardam reciprocidade entre as empresas do grupo. 2.1 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS A consolidação das demonstrações contábeis é uma técnica contábil que rea- liza a unificação das demons- trações contábeis da entidade controladora e de suas con- troladas, com o intuito de apresentar a situação patrimonial, econômica e financeira de todo o grupo como se fosse uma única entidade econômica. O conceito é demonstrado na NBC TG 36, no apêndice A: “Demonstrações consolidadas são as demonstrações contábeis de grupo econômico, em que os ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora e de suas controladas são apresentados como se fossem uma única entidade econômica.” Os principais documentos que tratam da Consolidação das Demonstrações Contábeis são: • Lei n. 6.404/1976 − Arts. 249 e 250; • Instrução CVM n. 247/1996, alterada pelas Instruções CVM n. 464/2008 e 469/2008 − Arts. 21 a 41; Pronunciamento Técnico CPC n. 36 (R1) – Demonstrações Consolidadas; • NBC TG 15 – Combinação de Negócios, aprovada pela Resolução CFC n. 1175/2009; • NBC TG 36 – Demonstrações Consolidadas, aprovada pela Resolução CFC n. 1.426/2013; e ITG 09 – Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demons- trações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial, aprovada pela Resolução CFC n. 1262/2009 (RIBEIRO, 2017). CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 98 CONTABILIDADE AVANÇADA Em uma situação que a Controladora A tenha, por exem- plo, um direito a receber da Controlada B, no valor de R$ 6.000, esse valor aparecerá no Ativo do Balanço da Controladora A e no Passivo do Balanço da Controlada B. Neste exemplo tanto o direito como a obrigação devem ser eliminados e não aparece- rão no Balanço Consolidado. Além desses saldos, existem outras situações em que os saldos devem ser eliminados do Balanço Patrimonial e, alguns, aplicam-se também a Demons- tração do Resultado do Exercício. Além disso, alguns requisitos são necessários para a Consolidação, conforme a NBC TG 36 em seus itens B92 e B93: B92. As demonstrações contábeis da controladora e de suas controladas utilizadas na elaboração das demonstrações consolidadas devem ter a mesma data-base. Quando o final do período das demonstrações contábeis da controladora for diferente do da controlada, a controlada deve elaborar, para fins de consolidação, informações contábeis adicionais de mesma data que as demonstrações contábeis da controladora para permitir que esta consolide as informações contábeis da controlada, a menos que seja impraticável fazê-lo. B93. Se for impraticável fazê-lo, a controladora deve consolidar as informações contábeis da controlada usando as demonstrações contábeis mais recentes da controlada, ajusta- das para refletir os efeitos de transações ou eventos significa- tivos ocorridos entre a data dessas demonstrações contábeis e a data das demonstrações consolidadas. Em qualquer caso, a diferença entre a data das demonstrações contábeis da con- trolada e a das demonstrações consolidadas não deve ser superior a dois meses, e a duração dos períodos das demons- trações contábeis e qualquer diferença entre as datas das demonstrações contábeis devem ser as mesmas de período para período. A Lei n. 6.404/1976, em seu art. 249, limita a obrigato- riedade da Consolidação das Demonstrações Contábeis apenas para a companhia aberta que tiver mais de 30% do valor do seu Patrimônio Líquido, representado por investimentos em sociedades con- troladas. Porém, o parágrafo único desse mesmo artigo faculta à Comissãode Valores Mobiliários incluir, ou até mesmo em casos excepcionais, autorizar a exclusão de entidades dessa obrigatoriedade. Assim, a CVM, por meio do art. 21 da Instrução n. 247/1996, ampliou a obrigatoriedade contida no art. 249o da Lei n. 6.404/1976, ficando sujeitas à elaboração e divulgação de demonstrações contábeis consolidadas as seguintes entidades: • companhia aberta que possuir investimento em socie- dades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no art. 32. CVM n. 247/1996; • sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. Segundo a NBC TG 36, as entidades que controlam uma ou mais entidades devem elaborar demonstrações contábeis consolidadas. Ribeiro (2017) explica que basicamente a conso- lidação envolve as operações de soma e eliminação de saldos de contas. De acordo com o autor, deve-se realizar a seguinte sequência: • Primeiramente deve-se consolidar a Demonstração do Resultado do Exercício, procedendo a somas e eliminações de saldos de Contas entre as diversas DREs das empresas que par- ticipam do conjunto CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 1110 CONTABILIDADE AVANÇADA • Em seguida, deve-se efetuar o mesmo procedimento com os Balanços das empresas do conjunto. • E, finalmente, deve-se efetuar a consolidação da Demonstração dos Fluxos de Caixa e do Valor Adicionado. Convém ressaltar que, para consolidar a DFC e a DVA, é prefe- rível elaborá-las a partir do Balanço e da DRE consolidada, em vez de consolidá-las a partir das diversas DFCs e DVAs das empresas do conjunto. Focaremos no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do exercício para explicar o processo de consolidação. SOMAS DOS SALDOS DAS CONTAS Devem ser somados os saldos das contas que não apre- sentam correlação entre as empresas do grupo. * Essa soma aplica-se tanto ao Balanço como a DRE. Obs: Para facilitar a consolidação, é conveniente que todas as empresas do conjunto tenham adotado procedimentos contábeis uniformes durante o exercício social, objeto de con- solidação. É aconselhável que o estabelecimento controlador elabore normas que devem ser seguidas por todas as empresas do conjunto. Tanto a intitulação quanto o código das contas devem ser uniformes entre as empresas do conjunto, devendo estar previsto, inclusive, para facilitar o desenvolvimento da técnica de consolidação, subgrupos de contas especiais que permitam o registro das transações entre as empresas do con- junto (RIBEIRO, 2017). ELIMINAÇÕES DOS SALDOS DAS CONTAS Devem ser eliminados todos os saldos que guardem reci- procidade entre as empresas do conjunto. Os saldos que devem ser eliminados são descritos no artigo 250 da Lei 6.404/76. No Balanço são eliminados os direi- tos de uma empresa contra obrigações de outra. E na DRE eli- minam-se as Receitas de uma contra Despesas de outra. Para o conjunto, esses saldos não representam aumentos nem dimi- nuições do patrimônio global, uma vez que um anula o outro (RIBEIRO, 2017). Por exemplo, no Balanço Patrimonial, se uma empresa A tem um direito em relação a empresa B, esse direito será lançado no ativo de A como Contas a receber e será lançado no passivo de B como Contas a Pagar (RIBEIRO, 2017, p. 310). E na DRE, figurará uma Receita que poderá ser de Ven- das ou outra qualquer, como aluguel, juros etc. contra despesas ou custos de outra. Além de direitos/obrigações e receitas/des- pesas e/ou custos, é preciso, ainda, eliminar o valor dos inves- timentos registrados no Ativo Não Circulante da empresa investidora contra as contas do Patrimônio Líquido das empre- sas que receberam o investimento (RIBEIRO, 2017, p. 310). No caso da Demonstração Consolidada, o Patrimônio Líquido das empresas controladas inexiste, motivo pelo qual não se consolidam a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados nem a Demonstração das Mutações do Patrimô- nio Líquido, uma vez que se pode adotar como DLPA ou DMPL consolidada, a DLPA ou a DMPL da empresa controladora (RIBEIRO, 2017, p. 310). Exemplo de Consolidação A seguir é apresentado um exemplo de consolidação de uma controlada integral extraído de Almeida (2020, p.52). A CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 1312 CONTABILIDADE AVANÇADA (a)Representa a eliminação do investimento contra o patrimônio líquido de Beta. (b)Representa a eliminação dos dividendos a receber e a pagar entre Alfa e Beta. Observe que o patrimônio líquido de Alfa (R$ 670) é igual ao patrimônio líquido consolidado (R$ 670). (a)Representa a inclusão das receitas e das despesas de Beta, em contrapartida com a eliminação da receita de equiva- lência patrimonial. Repare que a coluna de Beta no papel de trabalho de con- solidação do resultado é somente informativa. A coluna do consolidado representa a coluna de Alfa ajustada pelos lança- mentos extracontábeis de débito e de crédito. Observe também que o resultado individual de Alfa (R$ 130) é igual ao resultado do consolidado (R$ 130). controlada integral é aquela que pertence 100% à controla- dora. Para realizar a consolidação, nesta situação, são somadas as contas do Balanço Patrimonial das duas empresas e elimina- -se o Investimento da Controladora em relação ao Patrimônio Líquido da Controlada. Na DRE, substitui-se a receita ou des- pesa de equivalência patrimonial contabilizada pela controla- dora, por receitas, custos e despesas incorridos pela controlada. Enquanto o processo de preparação do balanço patrimonial consolidado consiste em substituir o investimento na contro- lada pelos ativos e passivos da sociedade investida (ALMEIDA, 2020, p. 52). Consolidação de controlada integral Alfa adquiriu 100% do capital social de Beta em 01/01/20x1 pelo valor total de R$ 150, que corresponde ao valor do patrimônio líquido a valor justo da investida nessa data. Beta apurou um lucro de R$ 45 em 20x1 e declarou divi- dendos de R$ 35 em 31/12/20x1. Alfa procedeu aos seguintes lançamentos contábeis referentes a esse investimento em 20x1: Fonte: Almeida (2020, p.52). CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 1514 CONTABILIDADE AVANÇADA 2.2 TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS As transações entre partes relacionadas são trata- das pela Deliberação CVM nº 26, de 05 de fevereiro de 1986. Conforme a referida Delibe- ração, partes relacionadas podem ser definidas como: [...] aquelas entidades, físicas ou jurídicas, com as quais uma companhia tenha possibilidade de contratar, no sentido lato deste termo, em condições que não sejam as de comutati- vidade e independência que caracterizam as transações com terceiros alheios à companhia, ao seu controle gerencial ou a qualquer outra área de influência. Os termos "contrato" e "transações" referem-se, neste contexto, a operações tais como: comprar, vender, emprestar, tomar emprestado, remu- nerar, prestar ou receber serviços, condições de operações, dar ou receber em consignação, integralizar capital, exercer opções, distribuir lucros etc. Ribeiro (2017) especifica o que é parte relacionada e o que caracteriza essa relação, além de explicar o que não é con- siderado parte relacionada: Parte Relacionada: é a parte que está relacionada com a entidade: a. direta ou indiretamente por meio de um ou mais inter- mediários, quando a parte: i. controlar, for controlada por, ou estiver sob o controle comum da entidade (isso inclui controladoras ou controladas); ii. tiver interesse na entidade que lhe confira influência significativa sobre a entidade; ou iii. tiver controle conjunto sobre a entidade; b. se for coligada da entidade; c. se for joint venture (empreendimento conjunto) emque a entidade seja um investidor; d. se for membro do pessoal-chave da administração da entidade ou de sua controladora e. se for membro próximo da família ou de qualquer pes- soa referido nas alíneas (a) ou (d); f. se for entidade controlada, controlada em conjunto ou significativamente influenciada por, ou em que o poder de voto significativo nessa entidade reside em, direta ou indiretamente, qualquer pessoa referida nas alíneas (d) ou (e); ou g. se for plano de benefícios pós-emprego para benefício dos empregados da entidade, ou de qualquer entidade que seja parte relacionada dessa entidade. (RIBEIRO, 2017, p. 457) Conforme Ribeiro (2017, p. 459) as seguintes situações não são consideradas partes relacionadas: a. duas entidades simplesmente por terem administrador ou outro membro do pessoal-chave da administração em comum, ou porque um membro do pessoal-chave da adminis- tração da entidade exerce influência significativa sobre a outra entidade; b. dois investidores simplesmente por compartilharem o controle conjunto sobre um empreendimento controlado em conjunto (joint venture); CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 1716 CONTABILIDADE AVANÇADA c. 1. entidades que proporcionam financiamentos; 2. sin- dicatos; 3. entidades prestadoras de serviços públicos; e 4. departamentos e agências de Estado que não controlam, de modo pleno ou em conjunto, ou exercem influência significa- tiva sobre a entidade que reporta a informação, simplesmente em virtude dos seus negócios normais com a entidade (mesmo que possam afetar a liberdade de ação da entidade ou partici- par no seu processo de tomada de decisões); d. cliente, fornecedor, franqueador, concessionário, dis- tribuidor ou agente geral com quem a entidade mantém volume significativo de negócios, meramente em razão da resultante dependência econômica. Casagrande (2013) explica que nas transações entre partes relacionadas, o controle ou influência que uma das partes exerce sobre a outra é soberana, de modo que a parte minoritária não possui a permissão de decisão em favor de seus interesses. Os usuários interessados nas informações a respeito das transa- ções entre partes relacionadas incluem: acionistas minoritá- rios, analistas de investimentos, clientes, credores e demais usuários externos (CASAGRANDE, 2013). Em termos contábeis, as transações e os saldos existentes com partes relacionadas devem ser divulgados somente nas demonstrações contábeis individuais da controladora ou inves- tidora. Esses saldos existentes com partes relacionadas são eli- minados na preparação das demonstrações contábeis consoli- dadas do grupo (RIBEIRO, 2017). O objetivo da divulgação das transações entre partes relacionadas é possibilitar que as demonstrações contábeis da entidade evidenciem a existência de saldos bem como das pró- prias transações com essas partes que influenciaram na posi- ção financeira e nos seus resultados (RIBEIRO, 2017). As divulgações devem: a. Identificar relacionamentos e transações com partes relacionadas; b. identificar saldos existentes entre a entidade e suas partes relacionadas; c. identificar as circunstâncias em que é exigida a divul- gação dos itens mencionados nas alíneas (a) e (b); e d. determinar as divulgações a serem feitas relativamente a essas alíneas (RIBEIRO, 2017, p. 460). Mesmo que não tenha acontecido alguma transação entre as partes relacionadas, os relacionamentos entre con- troladora e controladas ou coligadas devem ser divulga- dos. Além disso, se a configu- ração for de uma estrutura societária com múltiplos níveis de participações, deve-se divulgar o nome da entidade controla- dora direta e, se for diferente, da parte controladora final. Se a entidade controladora direta e a parte controladora final não elaborarem demonstrações contábeis disponíveis para uso público, o nome da controladora do nível seguinte, se houver, deve também ser divulgado (RIBEIRO, 2017). A identificação de relacionamentos com partes relacio- nadas entre controladoras ou investidoras e controladas ou coligadas é uma exigência a mais em relação ao que já foi esta- belecido em normas aprovadas pelo Conselho Federal de Con- CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 1918 CONTABILIDADE AVANÇADA b. montante dos saldos existentes e: i) seus termos e condições, incluindo se estão ou não com cobertura de seguro, e a natureza da remuneração a ser paga; e ii) informações de quaisquer garantias dadas ou recebi- das; c. provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa rela- cionada com o montante dos saldos existentes; e d. despesa reconhecida durante o período a respeito de dívidas incobráveis ou de liquidação duvidosa de partes rela- cionadas. As divulgações exigidas no parágrafo anterior devem ser feitas separadamente para cada uma das seguintes categorias: a. controladora; b. entidades com controle conjunto ou influência signifi- cativa sobre a entidade; c. controladas; d. coligadas; e. joint ventures nas quais a entidade seja uma investi- dora; f. pessoal-chave da administração da entidade ou da res- pectiva controladora; e g. outras partes relacionadas. A seguir apresentam-se exemplos de transações entre partes relacionadas que devem ser divulgadas, conforme Ribeiro (2017). a. compras ou vendas de bens (acabados ou não acaba- dos); b. compras ou vendas de propriedades e outros ativos; c. prestação ou recebimento de serviços; d. locações; e. transferências de pesquisa e desenvolvimento; tabilidade. Ainda sobre divulgação, se nem a entidade contro- ladora e nem a parte controladora final emitirem demonstrações contábeis disponíveis ao público, a entidade deve divulgar o nome da controladora do nível seguinte que as produza (RIBEIRO, 2017). A controladora do nível seguinte é a primeira controladora do grupo acima da controladora direta imediata que produza demonstrações contábeis consolidadas disponí- veis para utilização pública. A entidade deve divulgar a remuneração do pessoal- -chave da administração no total e para cada uma das seguin- tes categorias, conforme Ribeiro (2017, p. 461): a. benefícios de curto prazo a empregados e administra- dores; b. benefícios pós-emprego; c. outros benefícios de longo prazo; d. benefícios de rescisão de contrato de trabalho; e e. remuneração baseada em ações. Nas situações em que houve transações entre as par- tes relacionadas, a entidade deve divulgar a natureza do relacionamento com as partes relacionadas, assim como informações sobre as transa- ções e saldos existentes, necessários para a compreensão do poten- cial efeito desse relacionamento nas demonstrações contábeis. Esses requisitos de divulgação são adicionais aos referi- dos no item 17 (da NBC TG 05) para divulgar a remuneração do pessoal-chave da administração. No mínimo, as divulga- ções devem incluir: a. montante das transações; CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 2120 CONTABILIDADE AVANÇADA f. transferências mediante contratos de cessão de uso de marcas e patentes ou licenças; g. transferências de natureza financeira (incluindo empréstimos e contribuições para capital em dinheiro ou equi- valente); h. fornecimento de garantias, avais ou fianças; i. liquidação de passivos em nome da entidade ou pela entidade em nome de outra parte; j. novação, perdão ou outras formas pouco usuais de cancelamento de dívidas; k. prestação de serviços administrativos e/ou qualquer forma de utilização da estrutura física ou de pessoal da enti- dade pela outra ou outras, com ou sem contraprestação finan- ceira; l. aquisição de direitos ou opções de compra ou qualquer outro tipo de benefícioe seu respectivo exercício do direito; m. quaisquer transferências de bens, direitos e obriga- ções; n. concessão de comodato de bens imóveis ou móveis de qualquer natureza; o. manutenção de quaisquer benefícios para funcioná- rios de partes relacionadas, tais como: planos suplementares de previdência social, plano de assistência médica, refeitório, cen- tros de recreação etc.; p. limitações mercadológicas e tecnológicas. Ademais, Casagrande (2013) enfatiza que mesmo que não ocorram transações entre as partes relacionadas, a demonstração do resultado do exercício e o Balanço Patrimonial podem ser afeta- dos. Isso acontece pois o fato de existir um relacionamento entre duas partes, pode impactar nas transações da entidade com outras partes. Por exemplo, uma controlada pode encer- rar relações com um parceiro comercial quando da aquisição pela controladora de outra controlada dedicada a mesma ativi- dade do parceiro comercial anterior. Ou também, uma parte pode abster-se de agir por causa da influência significativa de outra. Ou, ainda, uma controlada pode ser orientada pela sua controladora a não se envolver em atividades de pesquisa e desenvolvimento. (CASAGRANDE, 2013). 2.3 JOINT VENTURES Os negócios em con- junto denominados joint ven- tures são tratados no Pro- nunciamento CPC 19 (R2) – Negócios em Conjunto. Joint Venture significa “empreendimento controlado em conjunto”, e tem como principal característica o comparti- lhamento do controle societário entre vários investidores. Para a formação de uma joint venture, devem ser segui- das diversas etapas, conforme Junior e Oliveira (2020): • O primeiro passo é da assinatura do acordo, quando são estabelecidas as condições gerais para a criação da joint venture, tais como: a. divisão do poder entre as controladoras; b. contribuições de cada participante; c. normas internas; d. possibilidade de participação de outros investidores, além dos controladores (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144). Como a característica marcante de uma joint venture é o controle em conjunto, este deve ser exercido de modo igualitário CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 2322 CONTABILIDADE AVANÇADA por todas as empresas controladoras participantes do empreen- dimento independentemente do percentual de suas participa- ções individuais no capital social da nova sociedade. Pode ser incluída, em sua criação, a possibilidade da participação em seu capital social dos chamados investidores que não exerceram qualquer tipo de controle (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144). • Em seguida, devem ser estabelecidos: 1. os direitos e as obrigações dos venturers, incluindo a integralização de capital para a formação da nova empresa; 2. as condições comerciais, no sentido de impedir que a joint venture seja uma atividade complementar à das controla- doras, evitando, dessa maneira, competição entre elas; 3. os critérios para a distribuição e outras utilizações dos lucros; 4. o plano de auditoria, controle, verificações e fiscaliza- ções das contas. (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144). • Após transcorrida essa etapa inicial, inicia-se a execu- ção dos propósitos da joint venture, geralmente com a consti- tuição de uma sociedade anônima ou limitada, conforme a legislação do país-sede, seus estatutos e contrato social. Junior e Oliveira (2020) explicam que não, legalmente a figura jurídica joint venture. Há o compartilhamento do controle entre as controlado- ras, e este deve ser estabelecido contratualmente conforme acordo entre os sócios. E independentemente do percentual de sua participação, todos os sócios participam do controle. O CPC 19 (R2) especifica dois tipos de negócios em con- junto: • Operação em conjunto (joint operation) é um negócio em conjunto segundo o qual as partes integrantes que detêm o controle conjunto do negócio têm direitos sobre os ativos e têm obrigações pelos passivos relacionados ao negócio. Essas partes são denominadas de operadores em conjunto. • Empreendimento controlado em conjunto (joint ven- ture) é um negócio em conjunto segundo o qual as partes que detêm o controle conjunto do negócio têm direitos sobre os ati- vos líquidos do negócio. Essas partes são denominadas de empreendedores em conjunto. Na primeira modalidade, não há a criação de uma nova empresa. O que ocorre é a assinatura de um acordo entre duas ou mais empresas investidoras para a exploração de um empre- endimento temporário, nor- malmente de vida curta e definida. Contabilmente, o CPC entende que cada ventu- rer deve manter e reconhecer em suas próprias demonstra- ções contábeis: a) os ativos alocados ao empreendimento; b) os passivos gerados; e c) as despesas incorridas e sua parte das receitas auferi- das pela joint venture. Em termos gerenciais, os saldos contábeis devem ser registrados pela investidora de modo segregado das demais ati- vidades operacionais da empresa. Na segunda modalidade, a joint venture em si, representa maior complexidade, visto que por meio de uma associação de investidores constitui-se uma nova empresa. Logo, esta deve ter sua própria estrutura contábil, com registros e demonstra- CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 2524 CONTABILIDADE AVANÇADA ções contábeis. A entidade, conforme o CPC 19 (R2) deve man- ter seus próprios registros contábeis, preparar e apresentar as demonstrações contábeis conforme as exigências das normas. Além disso, Junior e Oliveira (2020) explicam que são de inte- resse da contabilidade os seguintes aspectos: •critérios para reconhecimento, na investidora, de sua participação societária na nova empresa; •procedimentos para a elaboração e divulgação de demonstrações contábeis consolidadas da investidora e da joint venture; •tratamento contábil dispensado aos acionistas minori- tários, se houver. Veja a seguir um exemplo de constituição de uma joint venture. O exemplo foi extraído de Junior e Oliveira (2020, p. 148). Constituição de joint venture As companhias Alfa, Beta, Celta e Delta interessam-se pela exploração de uma jazida de minério no Pará, para expor- tação ao Japão. Trata-se de uma excelente oportunidade de aplicação de capital, com excelentes perspectivas de retorno. Engenheiros especializados estimam em 30 anos o potencial da jazida, sendo que os consultores internacionais preveem um bom mercado para o minério nas próximas décadas. O capital próprio necessário é de $ 400 milhões, além de $ 200 milhões que podem ser financiados por bancos japone- ses. Tais recursos são necessários para: •aquisição dos direitos de exploração da jazida, de pro- priedade de uma mineradora canadense; •aquisição de veículos pesados, caminhões, máquinas e demais equipamentos, incluindo a construção de prédios para a administração, almoxarifado etc.; •outros investimentos com a estrutura, informática, logística etc. Isoladamente, as companhias interessadas não dispõem da totalidade dos recursos, bem como da estrutura operacio- nal, administrativa e comercial para tocar um empreendi- mento de tal envergadura, com longo prazo de retorno dos investimentos. A solução encontrada e esquematizada pelos consultores externos foi a constituição de uma joint venture para a explo- ração em conjunto da atividade. Após meses de negociação, resolveu-se montar a Empresa Mineradora do Pará S.A. (Emipa), com a seguinte composição do capital social: Observa-se que nenhuma das investidoras detém o con- trole da Emipa, caracterizando, portanto, uma joint venture, ou seja, uma sociedade controlada em conjunto. No caso, a Companhia Alfa e os demais investidores reconhecerão em suas demonstrações 25% do Patrimônio Líquido da Emipa por meio da Equivalência Patrimonial. CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS,TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 2726 CONTABILIDADE AVANÇADA 2.4 CONSÓRCIOS E SOCIEDADES DE PROPÓSITO ESPECÍFICO – SPE Os consórcios de sociedades são tratados nos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76. Os referidos artigos dispõem: “Art. 278. As companhias e quaisquer outras socieda- des, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consór- Exemplo de demonstrações contábeis da Companhia Alfa com sua participação na joint venture Emipa. a) Demonstrações contábeis da companhia Alfa Em 31-12-X1, a companhia Alfa encerrou suas demons- trações contábeis, apurando os seguintes saldos: b) Demonstrações contábeis da Emipa Na mesma data, as Demonstrações Contábeis da joint venture apresentaram os seguintes saldos, com destaque da participação proporcional da companhia Alfa: Fonte: Junior e Oliveira (2020, p. 150). CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 2928 CONTABILIDADE AVANÇADA cio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obriga- ções, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante con- trato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I – a designação do consórcio, se houver; II – o empreendimento que constitua o objeto do con- sórcio; III – a duração, endereço e foro; IV – a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V – normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI – normas sobre administração do consórcio, conta- bilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII – forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII – contribuição de cada consorciado para as despe- sas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas altera- ções serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada.” A constituição de um consórcio de sociedades é feita geralmente por empresas já existentes. Estas destinam parte de seu capital para a exploração conjunta de determinado empre- endimento. As principais características de um consórcio de empresas são: • A participação dos membros é feita, geralmente, em igualdade de condições. • O tempo de existência ou o período de atividades é essencialmente temporário com prazo de vida delimitado à execução do empreendimento para o qual foi criado; • No ato de constituição a sua finalidade é bem definida. Tendo em vista, que o consórcio é uma entidade sem per- sonalidade jurídica própria, a sua sobrevivência depende dire- tamente das consorciadas. Porém a lei menciona que a a falên- cia de uma das consorciadas não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras participantes. No contrato de consti- tuição deve haver a definição clara do empreendimento objeto do consórcio com a especificação e delimitação de sua atividade e o prazo. No Brasil, a maioria dos consór- cios são constituídos pelas empreiteiras para a realização de grandes obras públicas e outros grandes projetos de investi- mentos, pois essa atividade, exige além da parceria de capitais por conta dos altos investimentos necessários, a concentração de tecnologia de produção (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020). A Sociedade de Propósito Específico – SPE difere dos consórcios por possuir personalidade jurídica. Na lei de Falên- cias (11.101/2005) menciona-se a SPE ao prever: "Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação pertinente a cada caso, dentre outros: CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 3130 CONTABILIDADE AVANÇADA Saiba mais: Um estudo teve como objetivo principal analisar se um grupo econômico do ramo da construção (incorporação), Cia. Construtora, utiliza-se de sociedades de propósitos específicos (SPEs) como forma de planejamento tributário. Para isso, foi realizado um estudo de caso, com os dados contábeis de 2020 correspondentes a três SPEs. Como premissa do estudo, com- parou-se a carga tributária considerando o atual modelo de organização empresarial, com as SPEs, com outro, conside- rando os dados contábeis consolidados como de apenas uma empresa. Os resultados mostraram que a organização empre- sarial, com a utilização das SPEs, é instrumento imprescindí- vel de planejamento tributário, pelo fato que o faturamento das organizações é dividido. Leia o artigo completo de Batista e Machado (2021) inti- tulado “PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EM EMPRESA DA CONSTRUÇÃO CIVIL: O CASO DAS SOCIEDADES DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPES).”. O artigo pode ser acessado no link: https://www.seer.ufrgs.br/ConTexto/article/view/116751 Não deixe de conferir! Conclusão Nesta unidade você aprendeu sobre o processo de conso- lidação das demonstrações contábeis. Foram apresentados também os pormenores das transações entre partes relaciona- das, bem como as joint ventures, consórcios e sociedades de propósito específico. Não deixe de consultar a Biblioteca Vir- Fonte: Almeida (2020, p. 80-95). (...) XVI - constituição de sociedade de propósito espe- cífico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor." Desta forma, a Sociedade de Propósito Específico é defi- nida como o meio pelo qual duas ou mais pessoas físicas e/ou jurídicas unem suas habilidades, recursos financeiros, tecnoló- gicos e industriais, para executar objetivos específicos e deter- minados. Pode-se ainda dizer que via de regra, a SPE é o resul- tado da união de esforços para a consecução de um empreendimento específico, o que a faz lembrar os consórcios e as sociedades em conta de participação. A sua regulamenta- ção é feita pelo Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/02) A Sociedade de Propósito Específico – SPE é obrigada a se enquadrar em uma das formas de sociedade do Brasil. Limi- tada (Lei nº 10.406/02) ou Anônima (Lei nº 6.404/76). A Utili- zação da sigla Sociedade de Propósito Específico – SPE na for- mação do nome empresarial, deve seguir os seguintes critérios: a. se adotar o tipo Sociedade Limitada, a sigla SPE, deverá vir antes da expressão LTDA.; b. se adotar o tipo Sociedade Anônima, a sigla SPE deverá vir antes da expressão S/A; c. se adotar o tipo Empresa Individual de Responsabili- dade Ltda. – EIRELI, a sigla SPE, deverá vir antes da expressão EIRELI. Com relação ao objeto social, a SPE deve possuir um objeto específico e determinado, não sendo aceita a participa- ção em outras sociedades. Além disso, deve-se levar em consi- deração que a SPE não tem como objetivo desenvolver uma vida social própria, mas sim um projeto ou uma etapa de um projeto. E obrigatoriamente deve ser limitado ao término de objeto específico e determinado, ou seja, limitado à consecu- ção do próprio objeto social da empresa. https://www.seer.ufrgs.br/ConTexto/article/view/116751 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 3332 CONTABILIDADE AVANÇADA tual para ampliar o seu conhecimento. Agora é a sua vez de praticar, acesse os exercícios! Até a próxima! Referências ALMEIDA, Marcelo C. Contabilidade Avançada em IFRSe CPC . Grupo GEN, 2020. 9788597023930. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788597023930/. Acesso em: 15 fev. 2022. BATISTA, Ana Karolline Pontes; MACHADO, Lúcio de Souza. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EM EMPRESA DA CONSTRUÇÃO CIVIL: O CASO DAS SOCIEDADES DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPEs). ConTexto, v. 21, n. 49, p. 57-72, 2021. CASAGRANDE, Miguel Â; CASAGRANDE, Luis Alvaro L. Contabilidade e edição avançada para concursos, 1ª edição . Editora Saraiva, 2013. 9788502206649. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788502206649/. Acesso em: 15 fev. 2022. CPC. Comitê de Pronunciamento Contábil. Pronuncia- mento Técnico 15 – Combinação de negócios. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronun- ciamentos/Pronunciamento?Id=46 GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos; IUDICIBUS, Sergio de; MARTINS, Eliseu. Manual de Conta- bilidade Societária, 3ª edição. São Paulo: Grupo GEN, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788597016161/. JR., José Hernandez P; OLIVEIRA, Luis Martins de. Contabilidade Avançada - Texto e Testes com Respostas. Grupo GEN, 2020. 9788597023602. Disponível em: https:// integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597023602/. Acesso em: 15 fev. 2022. MÜLLER, Aderbal; SCHERER, Luciano; CORDEIRO, Claudio M. R. Contabilidade Avançada e Internacional - 4ED. 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