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WebAula 2
Contabilidade 
Avançada
Profa. Ma. Maíra Jessika Fernandes Silva
 
CONTABILIDADE 
AVANÇADA
LIVRO 2
1ª EDIÇÃO
GOIÂNIA
Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS 
2022
Catalogação: Biblioteca Anhanguera
____________________________________________________________
Contabilidade Avançada - WebAula 2 / Dr. Cosme Massi (orga-
nizador); Maíra Jessika Fernandes Silva – Goiânia : Centro 
Universitário de Goiás UNIGOIÁS, 2022.
33 p. : il.
ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X
1.Contabilidade Avançada. I. Massi, Cosme. II. Silva, Maíra 
Jessika Fernandes. III.Título. 
CDU: 658
____________________________________________________________
2022
Direitos exclusivos em língua portuguesa cedidos ao
Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS
Avenida João Cândido de Oliveira, 115,
Cidade Jardim Cep: 74423-115- Goiânia - GO
Tel: (62) 3246 1404Fax: 3246 1444
site: www.anhanguera.edu.br
CONTABILIDADE AVANÇADA
Organização
Pró-Reitor de Ensino a Distância
Dr. Cosme Massi
Autora
Profa. Ma. Maíra Jessika Fernandes Silva
Produção
Supervisão do Processo Instrucional (SPI) 
Supervisora Prof.ª Esp. Karina Adorno de La Cruz
Instrução de Material Didático Impresso (IMADIM)
Diagramador Hugo Sávio de Carvalho Melo
Revisor de Língua Portuguesa
Profª. Ms. Mairy Aparecida Pereira Soares Ribeiro
©2022 por Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida 
de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação 
ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
autorização por escrito, do Centro Universitário de Goiás UNIGOIÁS.
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 5
WEBAULA 2
CONSOLIDAÇÃO DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES 
RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE 
PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE)
Prezado (a) acadêmico (a),
Nesta WebAula você vai apren-
der sobre o processo de consolidação 
das demonstrações contábeis que é o 
processo de combinação das demons-
trações financeiras de uma empresa e 
suas subsidiárias. Serão apresentados os 
procedimentos de consolidação bem como um exemplo prá-
tico das contabilizações necessárias.
Você aprenderá também, sobre as transações entre par-
tes relacionadas e sobre a divulgação dessas relações. Além 
disso, serão apresentadas as joint ventures, os consórcios de 
sociedade e as sociedades de propósito específico.
 
Vamos lá? 
 
SUMÁRIO
WEBAULA 2
Consolidação das Demonstrações Contábeis, 
Transações entre Partes Relacionadas, Joint Ventures, 
Consórcios e Sociedade de Propósito Específico 
(SPE) ............................................................................ 5
2.1 Consolidação das demonstrações contábeis ............. 6
2.2 Transações Entre Partes Relacionadas ................... 14
2.3 Joint Ventures .............................................................. 21
2.4 Consórcios e Sociedades de Propósito 
Específico – SPE ................................................................ 27
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 76 CONTABILIDADE AVANÇADA
O processo de consolidação deve ser feito nas seguintes 
demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstra-
ção do Resultado do Exercício, Demonstração do Resultado 
Abrangente do Período, a Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido, a Demonstração dos Fluxos de Caixa e a 
Demonstração do Valor Adicionado. De modo básico, são fei-
tas as somas dos saldos das contas de cada demonstrativo 
financeiro para a consolidação.
 
Para exemplificar, suponha um Grupo composto por 
duas empresas: Controladora A e Controlada B. Os Balanços 
Patrimoniais, no grupo das Disponibilidades, estão compostos 
assim: 
Verifique que, neste exemplo, o Balanço consolidado 
corresponde a soma dos saldos da respectiva conta de cada 
Balanço das empresas participantes do grupo. Mas a técnica de 
consolidação não se resume a tal soma, mas inclui também a 
eliminação dos saldos que guardam reciprocidade entre as 
empresas do grupo. 
2.1 CONSOLIDAÇÃO DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
A consolidação das 
demonstrações contábeis é 
uma técnica contábil que rea-
liza a unificação das demons-
trações contábeis da entidade 
controladora e de suas con-
troladas, com o intuito de 
apresentar a situação patrimonial, econômica e financeira de 
todo o grupo como se fosse uma única entidade econômica. O 
conceito é demonstrado na NBC TG 36, no apêndice A:
 
“Demonstrações consolidadas são as demonstrações 
contábeis de grupo econômico, em que os ativos, passivos, 
patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da 
controladora e de suas controladas são apresentados como se 
fossem uma única entidade econômica.”
 
Os principais documentos que tratam da Consolidação 
das Demonstrações Contábeis são:
• Lei n. 6.404/1976 − Arts. 249 e 250;
• Instrução CVM n. 247/1996, alterada pelas Instruções 
CVM n. 464/2008 e 469/2008 − Arts. 21 a 41; Pronunciamento 
Técnico CPC n. 36 (R1) – Demonstrações Consolidadas; 
• NBC TG 15 – Combinação de Negócios, aprovada pela 
Resolução CFC n. 1175/2009; 
• NBC TG 36 – Demonstrações Consolidadas, aprovada 
pela Resolução CFC n. 1.426/2013; e ITG 09 – Demonstrações 
Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demons-
trações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência 
Patrimonial, aprovada pela Resolução CFC n. 1262/2009 
(RIBEIRO, 2017).
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 98 CONTABILIDADE AVANÇADA
Em uma situação que a Controladora A tenha, por exem-
plo, um direito a receber da Controlada B, no valor de R$ 6.000, 
esse valor aparecerá no Ativo do Balanço da Controladora A e 
no Passivo do Balanço da Controlada B. Neste exemplo tanto o 
direito como a obrigação devem ser eliminados e não aparece-
rão no Balanço Consolidado. Além desses saldos, existem 
outras situações em que os saldos devem ser eliminados do 
Balanço Patrimonial e, alguns, aplicam-se também a Demons-
tração do Resultado do Exercício. 
Além disso, alguns requisitos são necessários para a 
Consolidação, conforme a NBC TG 36 em seus itens B92 e B93: 
B92. As demonstrações contábeis da controladora e de 
suas controladas utilizadas na elaboração das demonstrações 
consolidadas devem ter a mesma data-base. Quando o final 
do período das demonstrações contábeis da controladora for 
diferente do da controlada, a controlada deve elaborar, para 
fins de consolidação, informações contábeis adicionais de 
mesma data que as demonstrações contábeis da controladora 
para permitir que esta consolide as informações contábeis da 
controlada, a menos que seja impraticável fazê-lo. 
B93. Se for impraticável fazê-lo, a controladora deve 
consolidar as informações contábeis da controlada usando as 
demonstrações contábeis mais recentes da controlada, ajusta-
das para refletir os efeitos de transações ou eventos significa-
tivos ocorridos entre a data dessas demonstrações contábeis e 
a data das demonstrações consolidadas. Em qualquer caso, a 
diferença entre a data das demonstrações contábeis da con-
trolada e a das demonstrações consolidadas não deve ser 
superior a dois meses, e a duração dos períodos das demons-
trações contábeis e qualquer diferença entre as datas das 
demonstrações contábeis devem ser as mesmas de período 
para período.
A Lei n. 6.404/1976, em 
seu art. 249, limita a obrigato-
riedade da Consolidação das 
Demonstrações Contábeis 
apenas para a companhia 
aberta que tiver mais de 30% 
do valor do seu Patrimônio 
Líquido, representado por investimentos em sociedades con-
troladas. Porém, o parágrafo único desse mesmo artigo faculta 
à Comissãode Valores Mobiliários incluir, ou até mesmo em 
casos excepcionais, autorizar a exclusão de entidades dessa 
obrigatoriedade. 
Assim, a CVM, por meio do art. 21 da Instrução n. 
247/1996, ampliou a obrigatoriedade contida no art. 249o da 
Lei n. 6.404/1976, ficando sujeitas à elaboração e divulgação de 
demonstrações contábeis consolidadas as seguintes entidades:
 • companhia aberta que possuir investimento em socie-
dades controladas, incluindo as sociedades controladas em 
conjunto referidas no art. 32. CVM n. 247/1996; 
• sociedade de comando de grupo de sociedades que 
inclua companhia aberta.
Segundo a NBC TG 36, as entidades que controlam uma 
ou mais entidades devem elaborar demonstrações contábeis 
consolidadas. Ribeiro (2017) explica que basicamente a conso-
lidação envolve as operações de soma e eliminação de saldos de 
contas. De acordo com o autor, deve-se realizar a seguinte 
sequência:
• Primeiramente deve-se consolidar a Demonstração do 
Resultado do Exercício, procedendo a somas e eliminações de 
saldos de Contas entre as diversas DREs das empresas que par-
ticipam do conjunto
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 1110 CONTABILIDADE AVANÇADA
• Em seguida, deve-se efetuar o mesmo procedimento 
com os Balanços das empresas do conjunto.
• E, finalmente, deve-se efetuar a consolidação da 
Demonstração dos Fluxos de Caixa e do Valor Adicionado. 
Convém ressaltar que, para consolidar a DFC e a DVA, é prefe-
rível elaborá-las a partir do Balanço e da DRE consolidada, em 
vez de consolidá-las a partir das diversas DFCs e DVAs das 
empresas do conjunto.
Focaremos no Balanço Patrimonial e na Demonstração do 
Resultado do exercício para explicar o processo de consolidação.
SOMAS DOS SALDOS DAS CONTAS
Devem ser somados os saldos das contas que não apre-
sentam correlação entre as empresas do grupo.
* Essa soma aplica-se tanto ao Balanço como a DRE.
Obs: Para facilitar a consolidação, é conveniente que 
todas as empresas do conjunto tenham adotado procedimentos 
contábeis uniformes durante o exercício social, objeto de con-
solidação. É aconselhável que o estabelecimento controlador 
elabore normas que devem ser seguidas por todas as empresas 
do conjunto. Tanto a intitulação quanto o código das contas 
devem ser uniformes entre as empresas do conjunto, devendo 
estar previsto, inclusive, para facilitar o desenvolvimento da 
técnica de consolidação, subgrupos de contas especiais que 
permitam o registro das transações entre as empresas do con-
junto (RIBEIRO, 2017). 
ELIMINAÇÕES DOS SALDOS DAS CONTAS
Devem ser eliminados todos os saldos que guardem reci-
procidade entre as empresas do conjunto.
Os saldos que devem ser eliminados são descritos no 
artigo 250 da Lei 6.404/76. No Balanço são eliminados os direi-
tos de uma empresa contra obrigações de outra. E na DRE eli-
minam-se as Receitas de uma contra Despesas de outra. Para o 
conjunto, esses saldos não representam aumentos nem dimi-
nuições do patrimônio global, uma vez que um anula o outro 
(RIBEIRO, 2017).
Por exemplo, no 
Balanço Patrimonial, se uma 
empresa A tem um direito em 
relação a empresa B, esse 
direito será lançado no ativo 
de A como Contas a receber e 
será lançado no passivo de B 
como Contas a Pagar (RIBEIRO, 2017, p. 310).
E na DRE, figurará uma Receita que poderá ser de Ven-
das ou outra qualquer, como aluguel, juros etc. contra despesas 
ou custos de outra. Além de direitos/obrigações e receitas/des-
pesas e/ou custos, é preciso, ainda, eliminar o valor dos inves-
timentos registrados no Ativo Não Circulante da empresa 
investidora contra as contas do Patrimônio Líquido das empre-
sas que receberam o investimento (RIBEIRO, 2017, p. 310). 
No caso da Demonstração Consolidada, o Patrimônio 
Líquido das empresas controladas inexiste, motivo pelo qual 
não se consolidam a Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados nem a Demonstração das Mutações do Patrimô-
nio Líquido, uma vez que se pode adotar como DLPA ou DMPL 
consolidada, a DLPA ou a DMPL da empresa controladora 
(RIBEIRO, 2017, p. 310). 
Exemplo de Consolidação
A seguir é apresentado um exemplo de consolidação de 
uma controlada integral extraído de Almeida (2020, p.52). A 
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 1312 CONTABILIDADE AVANÇADA
(a)Representa a eliminação do investimento contra o 
patrimônio líquido de Beta.
(b)Representa a eliminação dos dividendos a receber e a 
pagar entre Alfa e Beta.
Observe que o patrimônio líquido de Alfa (R$ 670) é 
igual ao patrimônio líquido consolidado (R$ 670).
(a)Representa a inclusão das receitas e das despesas de 
Beta, em contrapartida com a eliminação da receita de equiva-
lência patrimonial.
Repare que a coluna de Beta no papel de trabalho de con-
solidação do resultado é somente informativa. A coluna do 
consolidado representa a coluna de Alfa ajustada pelos lança-
mentos extracontábeis de débito e de crédito. Observe também 
que o resultado individual de Alfa (R$ 130) é igual ao resultado 
do consolidado (R$ 130).
controlada integral é aquela que pertence 100% à controla-
dora. 
Para realizar a consolidação, nesta situação, são somadas 
as contas do Balanço Patrimonial das duas empresas e elimina-
-se o Investimento da Controladora em relação ao Patrimônio 
Líquido da Controlada. Na DRE, substitui-se a receita ou des-
pesa de equivalência patrimonial contabilizada pela controla-
dora, por receitas, custos e despesas incorridos pela controlada. 
Enquanto o processo de preparação do balanço patrimonial 
consolidado consiste em substituir o investimento na contro-
lada pelos ativos e passivos da sociedade investida (ALMEIDA, 
2020, p. 52).
Consolidação de controlada integral
Alfa adquiriu 100% do capital social de Beta em 
01/01/20x1 pelo valor total de R$ 150, que corresponde ao 
valor do patrimônio líquido a valor justo da investida nessa 
data. Beta apurou um lucro de R$ 45 em 20x1 e declarou divi-
dendos de R$ 35 em 31/12/20x1. Alfa procedeu aos seguintes 
lançamentos contábeis referentes a esse investimento em 
20x1:
Fonte: 
Almeida (2020, 
p.52).
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 1514 CONTABILIDADE AVANÇADA
2.2 TRANSAÇÕES ENTRE 
PARTES RELACIONADAS 
As transações entre 
partes relacionadas são trata-
das pela Deliberação CVM nº 
26, de 05 de fevereiro de 1986. 
Conforme a referida Delibe-
ração, partes relacionadas 
podem ser definidas como: 
[...] aquelas entidades, físicas ou jurídicas, com as quais 
uma companhia tenha possibilidade de contratar, no sentido 
lato deste termo, em condições que não sejam as de comutati-
vidade e independência que caracterizam as transações com 
terceiros alheios à companhia, ao seu controle gerencial ou a 
qualquer outra área de influência. Os termos "contrato" e 
"transações" referem-se, neste contexto, a operações tais 
como: comprar, vender, emprestar, tomar emprestado, remu-
nerar, prestar ou receber serviços, condições de operações, 
dar ou receber em consignação, integralizar capital, exercer 
opções, distribuir lucros etc.
 
Ribeiro (2017) especifica o que é parte relacionada e o 
que caracteriza essa relação, além de explicar o que não é con-
siderado parte relacionada: 
Parte Relacionada: é a parte que está relacionada com a 
entidade:
a. direta ou indiretamente por meio de um ou mais inter-
mediários, quando a parte:
 i. controlar, for controlada por, ou estiver sob o controle 
comum da entidade (isso inclui controladoras ou controladas); 
 ii. tiver interesse na entidade que lhe confira influência 
significativa sobre a entidade; ou 
 iii. tiver controle conjunto sobre a entidade;
b. se for coligada da entidade; 
c. se for joint venture (empreendimento conjunto) emque a entidade seja um investidor;
d. se for membro do pessoal-chave da administração da 
entidade ou de sua controladora 
e. se for membro próximo da família ou de qualquer pes-
soa referido nas alíneas (a) ou (d);
f. se for entidade controlada, controlada em conjunto ou 
significativamente influenciada por, ou em que o poder de voto 
significativo nessa entidade reside em, direta ou indiretamente, 
qualquer pessoa referida nas alíneas (d) ou (e); ou
g. se for plano de benefícios pós-emprego para benefício 
dos empregados da entidade, ou de qualquer entidade que seja 
parte relacionada dessa entidade. (RIBEIRO, 2017, p. 457)
Conforme Ribeiro (2017, p. 459) as seguintes situações 
não são consideradas partes relacionadas:
a. duas entidades simplesmente por terem administrador 
ou outro membro do pessoal-chave da administração em 
comum, ou porque um membro do pessoal-chave da adminis-
tração da entidade exerce influência significativa sobre a outra 
entidade;
b. dois investidores simplesmente por compartilharem o 
controle conjunto sobre um empreendimento controlado em 
conjunto (joint venture);
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 1716 CONTABILIDADE AVANÇADA
c. 1. entidades que proporcionam financiamentos; 2. sin-
dicatos; 3. entidades prestadoras de serviços públicos; e 4. 
departamentos e agências de Estado que não controlam, de 
modo pleno ou em conjunto, ou exercem influência significa-
tiva sobre a entidade que reporta a informação, simplesmente 
em virtude dos seus negócios normais com a entidade (mesmo 
que possam afetar a liberdade de ação da entidade ou partici-
par no seu processo de tomada de decisões);
d. cliente, fornecedor, franqueador, concessionário, dis-
tribuidor ou agente geral com quem a entidade mantém volume 
significativo de negócios, meramente em razão da resultante 
dependência econômica.
Casagrande (2013) 
explica que nas transações 
entre partes relacionadas, o 
controle ou influência que 
uma das partes exerce sobre a 
outra é soberana, de modo 
que a parte minoritária não 
possui a permissão de decisão em favor de seus interesses. Os 
usuários interessados nas informações a respeito das transa-
ções entre partes relacionadas incluem: acionistas minoritá-
rios, analistas de investimentos, clientes, credores e demais 
usuários externos (CASAGRANDE, 2013).
 
Em termos contábeis, as transações e os saldos existentes 
com partes relacionadas devem ser divulgados somente nas 
demonstrações contábeis individuais da controladora ou inves-
tidora. Esses saldos existentes com partes relacionadas são eli-
minados na preparação das demonstrações contábeis consoli-
dadas do grupo (RIBEIRO, 2017).
O objetivo da divulgação das transações entre partes 
relacionadas é possibilitar que as demonstrações contábeis da 
entidade evidenciem a existência de saldos bem como das pró-
prias transações com essas partes que influenciaram na posi-
ção financeira e nos seus resultados (RIBEIRO, 2017). As 
divulgações devem:
a. Identificar relacionamentos e transações com partes 
relacionadas;
b. identificar saldos existentes entre a entidade e suas 
partes relacionadas;
c. identificar as circunstâncias em que é exigida a divul-
gação dos itens mencionados nas alíneas (a) e (b); e
d. determinar as divulgações a serem feitas relativamente 
a essas alíneas (RIBEIRO, 2017, p. 460).
Mesmo que não tenha 
acontecido alguma transação 
entre as partes relacionadas, 
os relacionamentos entre con-
troladora e controladas ou 
coligadas devem ser divulga-
dos. Além disso, se a configu-
ração for de uma estrutura societária com múltiplos níveis de 
participações, deve-se divulgar o nome da entidade controla-
dora direta e, se for diferente, da parte controladora final. Se a 
entidade controladora direta e a parte controladora final não 
elaborarem demonstrações contábeis disponíveis para uso 
público, o nome da controladora do nível seguinte, se houver, 
deve também ser divulgado (RIBEIRO, 2017).
A identificação de relacionamentos com partes relacio-
nadas entre controladoras ou investidoras e controladas ou 
coligadas é uma exigência a mais em relação ao que já foi esta-
belecido em normas aprovadas pelo Conselho Federal de Con-
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 1918 CONTABILIDADE AVANÇADA
b. montante dos saldos existentes e:
 i) seus termos e condições, incluindo se estão ou não 
com cobertura de seguro, e a natureza da remuneração a ser 
paga; e
 ii) informações de quaisquer garantias dadas ou recebi-
das;
c. provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa rela-
cionada com o montante dos saldos existentes; e
d. despesa reconhecida durante o período a respeito de 
dívidas incobráveis ou de liquidação duvidosa de partes rela-
cionadas. 
As divulgações exigidas no parágrafo anterior devem ser 
feitas separadamente para cada uma das seguintes categorias: 
a. controladora; 
b. entidades com controle conjunto ou influência signifi-
cativa sobre a entidade; 
c. controladas; 
d. coligadas; 
e. joint ventures nas quais a entidade seja uma investi-
dora;
f. pessoal-chave da administração da entidade ou da res-
pectiva controladora; e 
g. outras partes relacionadas. 
A seguir apresentam-se exemplos de transações entre 
partes relacionadas que devem ser divulgadas, conforme 
Ribeiro (2017).
a. compras ou vendas de bens (acabados ou não acaba-
dos); 
b. compras ou vendas de propriedades e outros ativos; 
c. prestação ou recebimento de serviços; 
d. locações; 
e. transferências de pesquisa e desenvolvimento; 
tabilidade. Ainda sobre divulgação, se nem a entidade contro-
ladora e nem a parte controladora final emitirem demonstrações 
contábeis disponíveis ao público, a entidade deve divulgar o 
nome da controladora do nível seguinte que as produza 
(RIBEIRO, 2017). A controladora do nível seguinte é a primeira 
controladora do grupo acima da controladora direta imediata 
que produza demonstrações contábeis consolidadas disponí-
veis para utilização pública. 
A entidade deve divulgar a remuneração do pessoal-
-chave da administração no total e para cada uma das seguin-
tes categorias, conforme Ribeiro (2017, p. 461): 
a. benefícios de curto prazo a empregados e administra-
dores; 
b. benefícios pós-emprego; 
c. outros benefícios de longo prazo; 
d. benefícios de rescisão de contrato de trabalho; e 
e. remuneração baseada em ações. 
Nas situações em que 
houve transações entre as par-
tes relacionadas, a entidade 
deve divulgar a natureza do 
relacionamento com as partes 
relacionadas, assim como 
informações sobre as transa-
ções e saldos existentes, necessários para a compreensão do poten-
cial efeito desse relacionamento nas demonstrações contábeis. 
Esses requisitos de divulgação são adicionais aos referi-
dos no item 17 (da NBC TG 05) para divulgar a remuneração 
do pessoal-chave da administração. No mínimo, as divulga-
ções devem incluir: 
a. montante das transações; 
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 2120 CONTABILIDADE AVANÇADA
f. transferências mediante contratos de cessão de uso de 
marcas e patentes ou licenças;
g. transferências de natureza financeira (incluindo 
empréstimos e contribuições para capital em dinheiro ou equi-
valente);
h. fornecimento de garantias, avais ou fianças;
i. liquidação de passivos em nome da entidade ou pela 
entidade em nome de outra parte;
j. novação, perdão ou outras formas pouco usuais de 
cancelamento de dívidas; 
k. prestação de serviços administrativos e/ou qualquer 
forma de utilização da estrutura física ou de pessoal da enti-
dade pela outra ou outras, com ou sem contraprestação finan-
ceira;
l. aquisição de direitos ou opções de compra ou qualquer 
outro tipo de benefícioe seu respectivo exercício do direito;
m. quaisquer transferências de bens, direitos e obriga-
ções; 
n. concessão de comodato de bens imóveis ou móveis de 
qualquer natureza;
o. manutenção de quaisquer benefícios para funcioná-
rios de partes relacionadas, tais como: planos suplementares de 
previdência social, plano de assistência médica, refeitório, cen-
tros de recreação etc.;
p. limitações mercadológicas e tecnológicas. 
Ademais, Casagrande 
(2013) enfatiza que mesmo 
que não ocorram transações 
entre as partes relacionadas, a 
demonstração do resultado 
do exercício e o Balanço 
Patrimonial podem ser afeta-
dos. Isso acontece pois o fato de existir um relacionamento 
entre duas partes, pode impactar nas transações da entidade 
com outras partes. Por exemplo, uma controlada pode encer-
rar relações com um parceiro comercial quando da aquisição 
pela controladora de outra controlada dedicada a mesma ativi-
dade do parceiro comercial anterior. Ou também, uma parte 
pode abster-se de agir por causa da influência significativa de 
outra. Ou, ainda, uma controlada pode ser orientada pela sua 
controladora a não se envolver em atividades de pesquisa e 
desenvolvimento. (CASAGRANDE, 2013).
2.3 JOINT VENTURES
Os negócios em con-
junto denominados joint ven-
tures são tratados no Pro-
nunciamento CPC 19 (R2) 
– Negócios em Conjunto. 
Joint Venture significa 
“empreendimento controlado 
em conjunto”, e tem como principal característica o comparti-
lhamento do controle societário entre vários investidores. 
Para a formação de uma joint venture, devem ser segui-
das diversas etapas, conforme Junior e Oliveira (2020):
• O primeiro passo é da assinatura do acordo, quando 
são estabelecidas as condições gerais para a criação da joint 
venture, tais como:
a. divisão do poder entre as controladoras;
b. contribuições de cada participante;
c. normas internas;
d. possibilidade de participação de outros investidores, 
além dos controladores (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144).
Como a característica marcante de uma joint venture é o 
controle em conjunto, este deve ser exercido de modo igualitário 
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 2322 CONTABILIDADE AVANÇADA
por todas as empresas controladoras participantes do empreen-
dimento independentemente do percentual de suas participa-
ções individuais no capital social da nova sociedade. Pode ser 
incluída, em sua criação, a possibilidade da participação em seu 
capital social dos chamados investidores que não exerceram 
qualquer tipo de controle (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144).
• Em seguida, devem ser estabelecidos:
1. os direitos e as obrigações dos venturers, incluindo a 
integralização de capital para a formação da nova empresa;
2. as condições comerciais, no sentido de impedir que a 
joint venture seja uma atividade complementar à das controla-
doras, evitando, dessa maneira, competição entre elas;
3. os critérios para a distribuição e outras utilizações dos 
lucros;
4. o plano de auditoria, controle, verificações e fiscaliza-
ções das contas. (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020, p. 144).
• Após transcorrida essa etapa inicial, inicia-se a execu-
ção dos propósitos da joint venture, geralmente com a consti-
tuição de uma sociedade anônima ou limitada, conforme a 
legislação do país-sede, seus estatutos e contrato social.
Junior e Oliveira (2020) 
explicam que não, legalmente 
a figura jurídica joint venture. 
Há o compartilhamento do 
controle entre as controlado-
ras, e este deve ser estabelecido 
contratualmente conforme 
acordo entre os sócios. E independentemente do percentual de 
sua participação, todos os sócios participam do controle.
O CPC 19 (R2) especifica dois tipos de negócios em con-
junto:
• Operação em conjunto (joint operation) é um negócio 
em conjunto segundo o qual as partes integrantes que detêm o 
controle conjunto do negócio têm direitos sobre os ativos e têm 
obrigações pelos passivos relacionados ao negócio. Essas partes 
são denominadas de operadores em conjunto.
• Empreendimento controlado em conjunto (joint ven-
ture) é um negócio em conjunto segundo o qual as partes que 
detêm o controle conjunto do negócio têm direitos sobre os ati-
vos líquidos do negócio. Essas partes são denominadas de 
empreendedores em conjunto.
Na primeira modalidade, não há a criação de uma nova 
empresa. O que ocorre é a assinatura de um acordo entre duas 
ou mais empresas investidoras para a exploração de um empre-
endimento temporário, nor-
malmente de vida curta e 
definida. Contabilmente, o 
CPC entende que cada ventu-
rer deve manter e reconhecer 
em suas próprias demonstra-
ções contábeis:
a) os ativos alocados ao empreendimento;
b) os passivos gerados; e
c) as despesas incorridas e sua parte das receitas auferi-
das pela joint venture.
Em termos gerenciais, os saldos contábeis devem ser 
registrados pela investidora de modo segregado das demais ati-
vidades operacionais da empresa.
Na segunda modalidade, a joint venture em si, representa 
maior complexidade, visto que por meio de uma associação de 
investidores constitui-se uma nova empresa. Logo, esta deve 
ter sua própria estrutura contábil, com registros e demonstra-
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 2524 CONTABILIDADE AVANÇADA
ções contábeis. A entidade, conforme o CPC 19 (R2) deve man-
ter seus próprios registros contábeis, preparar e apresentar as 
demonstrações contábeis conforme as exigências das normas. 
Além disso, Junior e Oliveira (2020) explicam que são de inte-
resse da contabilidade os seguintes aspectos: 
•critérios para reconhecimento, na investidora, de sua 
participação societária na nova empresa;
•procedimentos para a elaboração e divulgação de 
demonstrações contábeis consolidadas da investidora e da 
joint venture;
•tratamento contábil dispensado aos acionistas minori-
tários, se houver.
Veja a seguir um exemplo de constituição de uma joint 
venture. O exemplo foi extraído de Junior e Oliveira (2020, p. 
148).
Constituição de joint venture
As companhias Alfa, Beta, Celta e Delta interessam-se 
pela exploração de uma jazida de minério no Pará, para expor-
tação ao Japão.
Trata-se de uma excelente oportunidade de aplicação de 
capital, com excelentes perspectivas de retorno. Engenheiros 
especializados estimam em 30 anos o potencial da jazida, 
sendo que os consultores internacionais preveem um bom 
mercado para o minério nas próximas décadas.
 
O capital próprio necessário é de $ 400 milhões, além de 
$ 200 milhões que podem ser financiados por bancos japone-
ses. Tais recursos são necessários para:
•aquisição dos direitos de exploração da jazida, de pro-
priedade de uma mineradora canadense;
•aquisição de veículos pesados, caminhões, máquinas e 
demais equipamentos, incluindo a construção de prédios para 
a administração, almoxarifado etc.;
•outros investimentos com a estrutura, informática, 
logística etc.
 
Isoladamente, as companhias interessadas não dispõem 
da totalidade dos recursos, bem como da estrutura operacio-
nal, administrativa e comercial para tocar um empreendi-
mento de tal envergadura, com longo prazo de retorno dos 
investimentos.
A solução encontrada e esquematizada pelos consultores 
externos foi a constituição de uma joint venture para a explo-
ração em conjunto da atividade. Após meses de negociação, 
resolveu-se montar a Empresa Mineradora do Pará S.A. 
(Emipa), com a seguinte composição do capital social:
Observa-se que nenhuma das investidoras detém o con-
trole da Emipa, caracterizando, portanto, uma joint venture, 
ou seja, uma sociedade controlada em conjunto.
No caso, a Companhia Alfa e os demais investidores 
reconhecerão em suas demonstrações 25% do Patrimônio 
Líquido da Emipa por meio da Equivalência Patrimonial.
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS,TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 2726 CONTABILIDADE AVANÇADA
2.4 CONSÓRCIOS E SOCIEDADES DE 
PROPÓSITO ESPECÍFICO – SPE
 Os consórcios de sociedades são tratados nos artigos 
278 e 279 da Lei nº 6.404/76. Os referidos artigos dispõem: 
“Art. 278. As companhias e quaisquer outras socieda-
des, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consór-
Exemplo de demonstrações contábeis da Companhia 
Alfa com sua participação na joint venture Emipa.
a) Demonstrações contábeis da companhia Alfa
Em 31-12-X1, a companhia Alfa encerrou suas demons-
trações contábeis, apurando os seguintes saldos:
b) Demonstrações contábeis da Emipa
Na mesma data, as Demonstrações Contábeis da joint 
venture apresentaram os seguintes saldos, com destaque da 
participação proporcional da companhia Alfa:
Fonte: 
Junior e Oliveira 
(2020, p. 150).
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 2928 CONTABILIDADE AVANÇADA
cio para executar determinado empreendimento, observado o 
disposto neste capítulo.
§ 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as 
consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no 
respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obriga-
ções, sem presunção de solidariedade.
§ 2º A falência de uma consorciada não se estende às 
demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; 
os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e 
pagos na forma prevista no contrato de consórcio.
Art. 279. O consórcio será constituído mediante con-
trato aprovado pelo órgão da sociedade competente para 
autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual 
constarão:
I – a designação do consórcio, se houver;
II – o empreendimento que constitua o objeto do con-
sórcio;
III – a duração, endereço e foro;
IV – a definição das obrigações e responsabilidade de 
cada sociedade consorciada, e das prestações específicas;
V – normas sobre recebimento de receitas e partilha de 
resultados;
VI – normas sobre administração do consórcio, conta-
bilização, representação das sociedades consorciadas e taxa 
de administração, se houver;
VII – forma de deliberação sobre assuntos de interesse 
comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado;
VIII – contribuição de cada consorciado para as despe-
sas comuns, se houver.
Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas altera-
ções serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua 
sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada.”
A constituição de um consórcio de sociedades é feita 
geralmente por empresas já existentes. Estas destinam parte de 
seu capital para a exploração conjunta de determinado empre-
endimento. As principais características de um consórcio de 
empresas são: 
• A participação dos membros é feita, geralmente, em 
igualdade de condições.
• O tempo de existência ou o período de atividades é 
essencialmente temporário com prazo de vida delimitado à 
execução do empreendimento para o qual foi criado;
• No ato de constituição a sua finalidade é bem definida. 
Tendo em vista, que o consórcio é uma entidade sem per-
sonalidade jurídica própria, a sua sobrevivência depende dire-
tamente das consorciadas. Porém a lei menciona que a a falên-
cia de uma das consorciadas não se estende às demais, 
subsistindo o consórcio com as outras participantes.
No contrato de consti-
tuição deve haver a definição 
clara do empreendimento 
objeto do consórcio com a 
especificação e delimitação 
de sua atividade e o prazo. No 
Brasil, a maioria dos consór-
cios são constituídos pelas empreiteiras para a realização de 
grandes obras públicas e outros grandes projetos de investi-
mentos, pois essa atividade, exige além da parceria de capitais 
por conta dos altos investimentos necessários, a concentração 
de tecnologia de produção (JUNIOR E OLIVEIRA, 2020).
 
A Sociedade de Propósito Específico – SPE difere dos 
consórcios por possuir personalidade jurídica. Na lei de Falên-
cias (11.101/2005) menciona-se a SPE ao prever: 
"Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, 
observada a legislação pertinente a cada caso, dentre outros: 
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 3130 CONTABILIDADE AVANÇADA
Saiba mais: 
Um estudo teve como objetivo principal analisar se um 
grupo econômico do ramo da construção (incorporação), Cia. 
Construtora, utiliza-se de sociedades de propósitos específicos 
(SPEs) como forma de planejamento tributário. Para isso, foi 
realizado um estudo de caso, com os dados contábeis de 2020 
correspondentes a três SPEs. Como premissa do estudo, com-
parou-se a carga tributária considerando o atual modelo de 
organização empresarial, com as SPEs, com outro, conside-
rando os dados contábeis consolidados como de apenas uma 
empresa. Os resultados mostraram que a organização empre-
sarial, com a utilização das SPEs, é instrumento imprescindí-
vel de planejamento tributário, pelo fato que o faturamento das 
organizações é dividido.
Leia o artigo completo de Batista e Machado (2021) inti-
tulado “PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EM EMPRESA DA 
CONSTRUÇÃO CIVIL: O CASO DAS SOCIEDADES DE 
PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPES).”.
O artigo pode ser acessado no link:
https://www.seer.ufrgs.br/ConTexto/article/view/116751 
Não deixe de conferir!
Conclusão 
Nesta unidade você aprendeu sobre o processo de conso-
lidação das demonstrações contábeis. Foram apresentados 
também os pormenores das transações entre partes relaciona-
das, bem como as joint ventures, consórcios e sociedades de 
propósito específico. Não deixe de consultar a Biblioteca Vir-
Fonte: 
Almeida (2020, p. 
80-95).
(...) XVI - constituição de sociedade de propósito espe-
cífico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do 
devedor."
Desta forma, a Sociedade de Propósito Específico é defi-
nida como o meio pelo qual duas ou mais pessoas físicas e/ou 
jurídicas unem suas habilidades, recursos financeiros, tecnoló-
gicos e industriais, para executar objetivos específicos e deter-
minados. Pode-se ainda dizer que via de regra, a SPE é o resul-
tado da união de esforços para a consecução de um 
empreendimento específico, o que a faz lembrar os consórcios 
e as sociedades em conta de participação. A sua regulamenta-
ção é feita pelo Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/02)
A Sociedade de Propósito Específico – SPE é obrigada a 
se enquadrar em uma das formas de sociedade do Brasil. Limi-
tada (Lei nº 10.406/02) ou Anônima (Lei nº 6.404/76). A Utili-
zação da sigla Sociedade de Propósito Específico – SPE na for-
mação do nome empresarial, deve seguir os seguintes critérios:
a. se adotar o tipo Sociedade Limitada, a sigla SPE, deverá 
vir antes da expressão LTDA.;
b. se adotar o tipo Sociedade Anônima, a sigla SPE deverá 
vir antes da expressão S/A;
c. se adotar o tipo Empresa Individual de Responsabili-
dade Ltda. – EIRELI, a sigla SPE, deverá vir antes da expressão 
EIRELI.
Com relação ao objeto social, a SPE deve possuir um 
objeto específico e determinado, não sendo aceita a participa-
ção em outras sociedades. Além disso, deve-se levar em consi-
deração que a SPE não tem como objetivo desenvolver uma 
vida social própria, mas sim um projeto ou uma etapa de um 
projeto. E obrigatoriamente deve ser limitado ao término de 
objeto específico e determinado, ou seja, limitado à consecu-
ção do próprio objeto social da empresa. 
https://www.seer.ufrgs.br/ConTexto/article/view/116751 
CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, 
TRANSAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS, JOINT VENTURES, 
CONSÓRCIOS E SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE) 
 3332 CONTABILIDADE AVANÇADA
tual para ampliar o seu conhecimento. Agora é a sua vez de 
praticar, acesse os exercícios! 
Até a próxima!
Referências
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IFRSe CPC . Grupo GEN, 2020. 9788597023930. Disponível 
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
books/9788597023930/. Acesso em: 15 fev. 2022.
BATISTA, Ana Karolline Pontes; MACHADO, Lúcio de 
Souza. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO EM EMPRESA DA 
CONSTRUÇÃO CIVIL: O CASO DAS SOCIEDADES DE 
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57-72, 2021.
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Alvaro L. Contabilidade e edição avançada para concursos, 1ª 
edição . Editora Saraiva, 2013. 9788502206649. Disponível em: 
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CPC. Comitê de Pronunciamento Contábil. Pronuncia-
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http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronun-
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GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos; 
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RIOS, Ricardo Pereira; MARION, José C. Contabili-
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vel em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/
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SANDE, Silvio; NEIVA, André. Contabilidade Geral e 
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Imagens: Banco institucional Shutterstock e Adobe Stock.

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