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1 CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO PROJETO SALA DE AULA VIRTUAL DISCIPLINA: Direito Penal IV PROFESSOR: Rafael Piaia MONITORES: Elenilda Rufino, Benedito Igor, Geane Fontenele, Janyely Elias, Isabele Damasceno. TÓPICOS IMPORTANTE DICAS Lei Maria da Penha Lei n° 11.340, de 07 de agosto de 2006 - PONTOS INTRODUTÓRIOS ➢ Litígio Internacional – Esta lei ficou conhecida como Lei Maria da Penha, por conta dos atos de violência doméstica e familiar contra a Sra Maria da Penha, natural de Fortaleza/CE, a qual foi submetida às diversas formas de violência perpetradas pelo seu ex-cônjuge. Em 29 de maio de 1983, na cidade de Fortaleza/CE, a Sra. Maria da Penha foi atingida por um tiro de espingarda, enquanto dormia, desferido pelo seu até então marido. Em decorrência desse disparo, que veio a atingir a coluna da Sra. Maria da Penha, ela ficou paraplégica. Contudo, as agressões não cessaram. Mais ou menos uma semana depois, a Sra. Maria da Penha, mais uma vez foi vítima de violência por parte do seu então marido, nessa ocasião, ela recebeu uma descarga elétrica enquanto tomava banho. O autor das agressões foi denunciado em 28 de setembro de 1984, e sua prisão ocorreu somente em setembro de 2002, em virtude da quantidade de recursos interpostos. Em decorrência da morosidade do processo, e por envolver uma grave violação aos Direitos Humanos, o caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que publicou o relatório nº 54/2001, que entre outras coisas dispunha que a ineficácia judicial, a impunidade e a 2 impossibilidade de a vítima obter uma reparação mostra a falta de cumprimento do compromisso de reagir adequadamente ante a violência doméstica. O artigo 7 da Convenção de Belém do Pará parece ser uma lista dos compromissos que o Estado brasileiro ainda não cumpriu quanto a esses tipos de caso. ➢ Além disso, a Comissão de Direitos Humanos da OEA recomendou ao Brasil em: ➢ A Comissão Interamericana de Direitos Humanos reitera ao Estado Brasileiro as seguintes recomendações: ➢ 1. Completar rápida e efetivamente o processamento penal do responsável da agressão e tentativa de homicídio em prejuízo da Senhora Maria da Penha Fernandes Maia. ➢ 2. Proceder a uma investigação séria, imparcial e exaustiva a fim de determinar a responsabilidade pelas irregularidades e atrasos injustificados que impediram o processamento rápido e efetivo do responsável, bem como tomar as medidas administrativas, legislativas e judiciárias correspondentes. ➢ 3. Adotar, sem prejuízo das ações que possam ser instauradas contra o responsável civil da agressão, as medidas necessárias para que o Estado assegure à vítima adequada reparação simbólica e material pelas violações aqui estabelecidas, particularmente por sua falha em oferecer um recurso rápido e efetivo; por manter o caso na impunidade por mais de quinze anos; e por impedir com esse atraso a possibilidade oportuna de ação de reparação e indenização civil. ➢ 4. Prosseguir e intensificar o processo de reforma que evite a tolerância estatal e o tratamento discriminatório com respeito à violência doméstica contra mulheres no Brasil. A Comissão recomenda particularmente o seguinte: ➢ a) Medidas de capacitação e sensibilização dos funcionários judiciais e policiais especializados para que compreendam a importância de não tolerar a violência doméstica; 3 ➢ b) Simplificar os procedimentos judiciais penais a fim de que possa ser reduzido o tempo processual, sem afetar os direitos e garantias de devido processo; ➢ c) O estabelecimento de formas alternativas às judiciais, rápidas e efetivas de solução de conflitos intrafamiliares, bem como de sensibilização com respeito à sua gravidade e às consequências penais que gera; ➢ d) Multiplicar o número de delegacias policiais especiais para a defesa dos direitos da mulher e dotá-las dos recursos especiais necessários à efetiva tramitação e investigação de todas as denúncias de violência doméstica, bem como prestar apoio ao Ministério Público na preparação de seus informes judiciais. ➢ e) Incluir em seus planos pedagógicos unidades curriculares destinadas à compreensão da importância do respeito à mulher e a seus direitos reconhecidos na Convenção de Belém do Pará, bem como ao manejo dos conflitos intrafamiliares. ➢ 5. Apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, dentro do prazo de 60 dias a partir da transmissão deste relatório ao Estado, um relatório sobre o cumprimento destas recomendações para os efeitos previstos no artigo 51(1) da Convenção Americana. ➢ Decorridos cinco anos da publicação do referido relatório, com o objetivo de prevenir e reprimir a violência doméstica e familiar contra a mulher, entrou em vigência a Lei nº 11.340/06, que ficou conhecida como Lei Maria da Penha, por força das violências e violações de Direitos, sofridas durante anos pela Sra. Maria da Penha Maia Fernandes. ➢ Maria da Penha (Cearense - Fortaleza- CE); ➢ Cria mecanismos de proteção, com órgãos públicos especializados, rede de atendimento, medidas protetivas, dentre outras medidas preventivas e repressivas. 4 ➢ A violência de gênero é considerada violação de Direitos Humanos, e o Brasil aderiu às Declarações Universais de Direitos Humanos, Tratados de Direitos Humanos e Convenções específicas de combate à violência de gênero, tanto o âmbito da OEA, quanto da ONU. ➢ A saber: Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher (no âmbito da ONU) e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher - OEA, entre outros documentos. Nesse sentido, ressalta-se o que dispõe o Art. 6º da LMP (Lei Maria da Penha): Art. 6º A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. ➢ Um dos pontos mais importantes da Lei Maria da Penha, é o fato de que ela é considerada uma AÇÃO AFIRMATIVA. As AÇÕES AFIRMATIVAS podem ser entendidas como MEDIDAS ADOTADAS POR CERTO PERÍODO DE TEMPO, com objetivo principal de reverter a situação de desigualdade e discriminação, que em alguns grupos específicos sofreram e/ou sofrem no decorrer da história de condutas, comportamentos e costumes que o tratem de forma desigual no convívio social e comunitário. Vale ressaltar que as AÇÕES AFIRMATIVAS buscam alcançar a IGUALDADE MATERIAL, ou seja, a IGUALDADE DE FATO, e não somente a IGUALDADE FORMAL, ou seja, a IGUALDADE DE DIREITO. Em suma, a principal diferença entre a IGUALDADE MATERIAL e a IGUALDADE FORMAL, está no fato de que a primeira busca atingir a igualdade no plano real, fazendo com que todas as pessoas sejam realmente iguais, é exemplo de IGUALDADE MATERIAL e AÇÕES AFIRMATIVAS: as cotas em universidades, Estatuto do Idoso, Estatuto do Índio, Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros. A igualdade formal, por sua vez, já tem previsão constitucional; mas, na prática, mesmo iguais perante a legislação, na prática, somos desiguais, e as ações afirmativas buscam essa igualdade plena. É exemplo de IGUALDADE FORMAL: o Art. 5º da CRFB/88. Ademais, ressalta- se que não há prazo para o fim das AÇÕES AFIRMATIVAS, elas perduram até que seja 5 efetivada a igualdade formal, sem a necessidade de instrumentos jurídicos, já que a sociedade evoluiu e entendeu a importância de que todos tenham direitos e deveres igualitários. ➢ A violência de gênero, por sua vez, é uma herança imperial, e que decorridos anos do descobrimento do Brasil ainda permeia a nossa sociedade. ➢ Destaque: A Lei Maria da Penha promoveu pequenas mudanças no Código Penal, acrescentando, porexemplo, o parágrafo nono no art. 129 do CP, a inclusão da violência doméstica contra a mulher como circunstância agravante da pena. O foco da lei foi recrudescer o tratamento dado ao agressor e garantir a proteção da vítima, por meio de mecanismos de proteção dispostos na lei. - OBJETO DA LEI ➢ Sujeito Ativo (Agressor ou Agressora): Para ser sujeito ativo nos casos abrangidos pela LMP, o agente pode ser do sexo masculino, bem como do sexo feminino, haja vista que esse ponto não depende de orientação sexual. ➢ Sujeito Passivo (Vítima): O sujeito passivo é, em regra, mulher, mas os tribunais vêm ampliando a abrangência da lei, para aplicar a lei maria da penha para os transsexuais e transgêneros. Segue abaixo jurisprudência: A Lei 11.340/2006 (Maria da Penha) é aplicável as mulheres trans em situação de violência doméstica. STJ. 6ª Turma. REsp. 1977.124/SP, Rel. Min Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/4/2022. (Info 732). Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que a Lei Maria da Penha se aplica aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais. Considerando que, para efeito de incidência da lei, mulher trans é mulher também, o colegiado deu provimento a recurso do Ministério Público de São Paulo e determinou a aplicação das medidas protetivas requeridas por uma transexual, nos termos do artigo 22 da Lei 11.340/2006, após ela sofrer agressões do seu pai na residência da família. 6 "Este julgamento versa sobre a vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos, que não pode ser resumida à objetividade de uma ciência exata. As existências e as relações humanas são complexas, e o direito não se deve alicerçar em discursos rasos, simplistas e reducionistas, especialmente nestes tempos de naturalização de falas de ódio contra minorias", afirmou o relator, ministro Rogerio Schietti Cruz. O juízo de primeiro grau e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negaram as medidas protetivas, entendendo que a proteção da Maria da Penha seria limitada à condição de mulher biológica. Ao STJ, o Ministério Público argumentou que não se trata de fazer analogia, mas de aplicar simplesmente o texto da lei, cujo artigo 5°, ao definir seu âmbito de incidência, refere-se à violência "baseada no gênero", e não no sexo biológico. - SITUAÇÕES ESPECÍFICAS NA LEI: Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150, de 2015) I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; EXEMPLOS: Patrão que agride a empregada doméstica, que trabalha em sua casa; Pai que agride a babá, de seu filho. II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; EXEMPLOS: Marido que causa sofrimento psicológico a sua esposa; pai que agride a filha, irmão que agride a irmã. III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação; EXEMPLO: Namorado agride namorada. Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. 7 Art 5° LMP ATENÇÃO! 1. NÃO SE EXIGE COABITAÇÃO PARA CONFIGURAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR – ARTIGO 5°III, LMP. Súmula 600 do STJ: Para configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha, não se exige a coabitação entre autor e vítima. 2. LEI MARIA DA PENHA PODE SER APLICADA EM CASOS DE VIOLÊNCIA COMETIDA POR EX COMPANHEIRO/ESPOSO - artigo 5° III, LMP. É irrelevante o lapso temporal da dissolução do vínculo conjugal para se firmar a competência do Juizado Especializado nos casos em que a conduta imputada como criminosa está vinculada à relação intima de afeto que tiveram as partes. Na hipótese, conforme foi consignado pelas instâncias ordinárias, embora o matrimônio entre o agressor e a vítima tenha sido dissolvido há mais de 20 anos, por tratar-se de crime contra a honra perpetrado pelo paciente contra sua ex- cônjuge e na medida em que permaneceram casados por mais de 6 (seis) anos, tendo, inclusive, dois filhos, ficou evidenciada a violência de gênero a atrair a aplicação da Lei Maria da Penha e, por conseguinte, incapaz de afastar a competência do Juizado Especializado da Violência Doméstica para o processamento da ação penal.(HC 542.828/AP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 18/02/2020, DJe 20/02/2020). 8 - FORMAS DE VIOLÊNCIA Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. -ATENÇÃO|! 1. As relações eventuais e efêmeras não preenchem os pressupostos/requisitos, notadamente por não configuram o âmbito doméstico, familiar ou de qualquer relação íntima de afeto, estas relações estão amparadas pela legislação penal e 9 irão submeter o agressor às penas da lei, mas não haverá a incidência dos mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha. 2. Nos crimes de lesão corporal leve, se praticados no âmbito doméstico, aplica-se a Súmula 542 do STJ, que prevê natureza de ação penal pública incondicionada. Em outras palavras, aqui a manifestação da vítima é irrelevante, porque o Estado-Juiz deverá processar o réu pela agressão. Esse entendimento afasta a aplicação da Lei 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais), logo afasta a incidência do art. 88 da 9099/95. 3. Nos crimes de lesão corporal leve no âmbito comum (numa relação passageira, não eventual, sem qualquer vínculo anterior), aplica-se a Lei 9099/95, e o seu art. 88 prevê que a natureza da ação penal é condicionada à representação. Aqui a palavra da vítima é condição para o início da persecução penal. A Lei Maria da Penha criou, em suma, uma rede técnica de atendimento,com a criação de delegacias especializadas até juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher. A equipe técnica específica formada por especializadas de diversas áreas, dentre elas o direito, a saúde, a assistência social, psicologia, psiquiatria, sempre na busca da aplicação de mecanismos que promovam a igualdade material entre o homem e a mulher. 10 ATENÇÃO! Os Tribunais Superiores não têm admitido a aplicação do princípio da insignificância nos crimes aos delitos praticados no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher. Bem como NÃO ADMITEM a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, e ainda os benefícios da transação penal e da suspensão condicional do processo. -SÚMULAS STJ Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. Súmula 542 do STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada. Súmula 588 do STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Súmula 589 do STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticadas contra a mulher no âmbito das relações domésticas. Súmula 600 do STJ: Para configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha, não se exige a coabitação entre autor e vítima. Benefícios que o Agressor não poderá receber: Art. 17 LMP. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. Art. 41 LMP. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Art. 28-A CPP. Em não sendo caso de arquivamento da investigação, se o investigado http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9099.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9099.htm 11 tiver confessado a prática da infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecuçãopenal. § 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses: IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor. Dispositivos legais previstos no CP, de aumento da pena em crimes com violência doméstica e familiar: Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; Art. 121. Matar alguém: Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: Feminicídio VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: § 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: I - violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Violência Doméstica § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: IMPORTANTE! 12 Poderá ocorrer a exclusão do fato culpável de um agressor, que desferiu socos por ciúmes ou alegação de falta de atenção, fundamentando que no momento da agressão estava incapacitado em razão da paixão? Não! A paixão não exclui a culpabilidade, nos termos do Art. 28, inciso I, do CP. De acordo com a doutrina majoritária, existe crime quando for praticado fato típico, ilícito e culpável. Um dos elementos da culpabilidade é a imputabilidade, relacionada à capacidade do agente ter consciência de seus atos e determinar-se de acordo com esse entendimento. Ocorre que o Art. 28, inciso I, do CP, prevê expressamente que a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal. DADOS RELATIVOS À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: (Fonte: Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180/SPM) -DA EFETIVIDADE DA LEI MARIA DA PENHA 13 A Lei Maria da Penha incorporou O AVANÇO LEGISLATIVO INTERNACIONAL e se transformou no principal instrumento legal de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher no Brasil, tornando efetivo o dispositivo constitucional que impõe ao Estado assegurar a "assistência à família, na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência, no âmbito de suas relações” (art. 226, § 8º, da Constituição Federal). 1- É assegurado à mulher vítima de violência doméstica ou familiar, a manutenção do vínculo trabalhista, como dispõe o §2º, II, do Art. 9º da LMP: § 2º - O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua integridade física e psicológica: II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses. ATENÇÃO! 1. O juízo competente para julgar o pedido de manutenção do vínculo trabalhista é o juízo comum, e não o juízo do trabalho. 2. A mulher, vítima de violência doméstica tem prioridade na matrícula escolar dos filhos, direito este assegurado pelo Art.9, §7 da LMP. § 7º - A mulher em situação de violência doméstica e familiar tem prioridade para matricular seus dependentes em instituição de educação básica mais próxima de seu domicílio, ou transferi-los para essa instituição, mediante a apresentação dos documentos comprobatórios do registro da ocorrência policial ou do processo de violência doméstica e familiar em curso. (Incluído pela Lei 13.882/2019) - DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIAS: A LMP prevê em seus artigos, diversas medidas protetivas que podem ser aplicadas em caráter de urgência, e que obrigam o agressor, para fazer cessar as 14 violências que já foram praticadas contra a vítima, bem como evitar que sejam praticadas outras iguais ou piores. Nesse sentido, ensina BRASILEIRO: “Enfim, são medidas de natureza urgente que se mostram necessárias para instrumentalizar a eficácia do processo. Afinal, durante o curso da persecução penal, é extremamente comum a ocorrência de situações em que essas providências urgentes se tornam imperiosas, seja para assegurar a correta apuração do fato delituoso, a futura e possível execução da sanção, a proteção da própria vítima, ameaçada pelo risco de reiteração da violência doméstica e familiar, ou, ainda, o ressarcimento do dano causado pelo delito.” (BRASILEIRO, 2016, pg. 932) - DISPOSIÇÕES LEGAIS Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: I - Suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distânciaentre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 15 V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. VI – comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação; e (Incluído pela Lei nº 13.984, de 2020) VII – acompanhamento psicossocial do agressor, por meio de atendimento individual e/ou em grupo de apoio. (Incluído pela Lei nº 13.984, de 2020) Art.38A - Parágrafo único. As medidas protetivas de urgência serão, após sua concessão, imediatamente registradas em banco de dados mantido e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso instantâneo do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos órgãos de segurança pública e de assistência social, com vistas à fiscalização e à efetividade das medidas protetivas. (Incluído pela Lei 14.310/2022) ATENÇÃO! 1. Os incisos VI e VII do Art. 26 da LPM, foram incluídos pela Lei nº 13.984, de 3 de abril de 2020, que surgem como medidas pontuais para o combate do aumento do número de casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, que segundo as Delegacias dos Estados, esse aumento iniciou após o isolamento social em virtude da pandemia do COVID-19. 2. O parágrafo único do Art.38A foi alterado recentemente pela Lei 14.310/2022, instituindo o registro imediato das medidas protetivas contra o agressor no banco de dados, de modo a assegurar o acesso instantâneo aos dados pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, por órgãos de segurança pública e pela assistência social, como forma de garantia da fiscalização e da efetividade das medidas protetivas. Esse rol de medidas protetivas é exemplificativo e o juiz poderá aplicar outras medidas não expressamente listadas na Lei Maria da Penha. Vale ressaltar, no entanto, que o crime do art. 24-A somente se verifica se o agente descumprir uma medida protetiva prevista na Lei nº 11.340/2006. Se o sujeito http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L13984.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L13984.htm#art2 16 descumprir medida protetiva atípica, ou seja, não prevista expressamente na Lei Maria da Penha, não haverá o crime do art. 24-A. IMPORTANTE! Inexigibilidade de conduta diversa Uma das medidas protetivas de urgência previstas na Lei é a “prestação de alimentos provisionais ou provisórios” à mulher (art. 22, V). Se o agente não cumpre essa medida em virtude de impossibilidade econômica, não poderá ser punido pelo crime do art. 24-A, considerando que se trata de hipótese de inexigibilidade de conduta diversa, que consiste em causa excludente de culpabilidade. Habeas corpus Cabe habeas corpus para apurar eventual ilegalidade na fixação de medida protetiva de urgência (STJ. 5ª Turma. HC 298.499-AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 1º/12/2015). Esse entendimento ganha força agora com a inclusão do art. 24-A à Lei Maria da Penha. PRAZOS PARA AS AUTORIDADES: Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal: III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência; Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência; II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso, inclusive para o ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável perante o juízo competente;(Redação dada pela Lei nº 13.894, de 2019) III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. IV - determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a posse do agressor. (Incluído pela Lei nº 13.880, de 2019) ATENÇÃO! http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13880.htm#art1 17 Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá realizar, dentre outras dispostas neste artigo: I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826,de 22 de dezembro de 2003 -PEDIDO DE MEDIDAS PROTETIVAS Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. ATENÇÃO! Após alteração legislativa promovida pela Lei 13.827/19, o Delegado de Polícia ou policiais também podem deferir as medidas, se preenchidos os requisitos legais, conforme segue: Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) I - pela autoridade judicial;(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento da denúncia.(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) § 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) § 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida ou à efetividade da medida protetiva de urgência, não será concedida liberdade provisória ao preso.(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2 18 - PRAZO DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA As medidas protetivas de urgência, devem permanecer surtindo seus efeitos, até que as razões que motivaram a sua decretação, desapareçam. Apesar de a Lei Maria da Penha não ter estipulado, de forma expressa, um prazo de duração para as medidas protetivas de urgência, estas apresentam caráter excepcional e devem vigorar enquanto houver situação de risco para a mulher. Portanto, cabe ao Magistrado, observando critérios de proporcionalidade e de razoabilidade, analisar as peculiaridades de cada caso e definir um período suficiente para garantir a proteção da mulher em situação de vulnerabilidade, sem implicar excesso que viole injustificadamente o direito de ir e vir do réu. Nesse sentido, é importante destacar os seguintes artigos da LMP: Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimentodo Ministério Público ou a pedido da ofendida. 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público. Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. EFEITOS DO DESCUMPRIMENTO DAS MEDIDAS 19 O legislador, com o intuito de garantir a efetividade e a força coercitiva das medias protetivas de urgência, estabeleceu duas consequências jurídicas que incidirão quando o agressor descumprir a(s) medida(s) protetiva(s) que foram/foi decretada(s). A saber: Poderá ser decretada a PRISÃO PREVENTIVA do agressor, nos termos do Art. 313, III, do CPP, ressalta-se que a prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de quaisquer obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. E por fim, o agressor cometerá o CRIME de Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência, previsto no Art. 24-A. da LMP. Vejamos os dispositivos legais: Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei:(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) § 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu as medidas.(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) § 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança.(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) § 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis.(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) Vale ressaltar, no entanto, que o crime do art. 24-A somente se verifica se o agente descumprir uma medida protetiva prevista na Lei nº 11.340/2006. Se o sujeito descumprir medida protetiva atípica, ou seja, não prevista expressamente na Lei Maria da Penha, não haverá o crime do art. 24-A. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2 20 EXEMPLO: (FONTE: https://www.dizerodireito.com.br/2018/04/comentarios-ao-novo- tipo-penal-do-art.html. Acesso em março de 2020.) Maria decidiu se separar de João. Este, contudo, continuou a procurá-la insistentemente e a fazer ameaças caso ela não reatasse o relacionamento. Diante disso, Maria procurou a Delegacia pedindo que fossem tomadas providências. A autoridade policial lavrou o boletim de ocorrência e enviou um expediente ao juiz com o pedido de Maria para que João não se aproximasse mais dela (art. 12, III, da Lei nº 11.340/2006). O juiz deferiu o pedido da ofendida e determinou, como medidas protetivas de urgência, que João mantivesse distância mínima de 500 metros de Maria e não tentasse nenhum contato com ela por qualquer meio de comunicação (art. 22, III, “a” e “b”). Na decisão, o magistrado consignou ainda que, em caso de descumprimento de quaisquer das medidas impostas, seria aplicada ao requerido multa diária de R$ 100, conforme previsto no § 4º, do art. 22 da Lei nº 11.340/2006. João foi regularmente intimado. Apesar disso, uma semana depois procurou Maria em seu local de trabalho, fazendo novas ameaças. Quais consequências poderão ser impostas a João pelo descumprimento da medida protetiva? • a execução da multa imposta; e • a decretação de sua prisão preventiva (art. 313, III, do CPP). João também poderia ser processado criminalmente? A conduta de descumprir medida protetiva de urgência configura crime? A questão tem que ser analisada antes e depois da Lei nº 13.641/2018. ANTES da Lei nº 13.641/2018: NÃO Antes da alteração legislativa, o STJ entendia que: O descumprimento de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha (art. 22 da Lei 11.340/2006) não configurava infração penal. Neste caso, o agente não poderia responder nem mesmo por crime de desobediência (art. 330 do CP)? Também não. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. REsp 1.374.653-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. em 11/3/2014 (Info 538). STJ. 6ª Turma. RHC 41.970-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, j. em 7/8/2014 (Info 544). Por quê? O STJ entende que não há crime de desobediência quando a pessoa desatende a ordem e existe alguma lei prevendo uma sanção civil, administrativa ou processual penal para esse descumprimento sem ressalvar que poderá haver também a sanção criminal. - LEI MARIA DA PENHA https://www.dizerodireito.com.br/2018/04/comentarios-ao-novo-tipo-penal-do-art.html https://www.dizerodireito.com.br/2018/04/comentarios-ao-novo-tipo-penal-do-art.html 21 A Lei nº 11.340/2006 previa que o descumprimento da medida protetiva gerava consequências cíveis (multa) e processuais penais (prisão cautelar), mas não ressalvava a possibilidade de o agente responder também criminalmente. Logo, seguindo o raciocínio acima, não se podia condenar o agente por crime de desobediência. Nesse sentido: (...) 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que para a caracterização do crime de desobediência não é suficiente o simples descumprimento de decisão judicial, sendo necessário que não exista previsão de sanção específica. 2. A Lei n. 11.340/06 determina que, havendo descumprimento das medidas protetivas de urgência, é possível a requisição de força policial, a imposição de multas, entre outras sanções, não havendo ressalva expressa no sentido da aplicação cumulativa do art. 330 do Código Penal. 3. Ademais, há previsão no art. 313, III, do Código de Processo Penal, quanto à admissão da prisão preventiva para garantir a execução de medidas protetivas de urgência nas hipóteses em que o delito envolver violência doméstica. 4. Em respeito ao princípio da intervenção mínima, não há que se falar em tipicidade da conduta atribuída ao recorrido, na linha dos precedentes deste Sodalício. (...) STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1528271/DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 13/10/2015. ! DEPOIS da Lei nº 13.641/2018: SIM A Lei nº 13.641/2018 alterou a Lei Maria da Penha e passou a prever como crime a conduta do agente que descumprir medida protetiva imposta. O agente que descumprir a medida protetiva responderá por crime de desobediência (art. 330)? NÃO. A Lei nº 13.641/2018 incluiu um novo crime, um tipo penal específico para essa conduta. Veja: Do Crime de Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Assim, temos o seguinte cenário: A conduta de descumprir medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha configura crime? 22 Antes da Lei nº 13.641/2018:NÃO Depois da Lei nº 13.641/2018 (atualmente): SIM Antes da alteração, o STJ entendia que o descumprimento de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha (art. 22 da Lei 11.340/2006) não configurava infração penal. O agente não respondia nem mesmo por crime de desobediência (art. 330 do CP). Foi inserido novo tipo penal na Lei Maria da Penha prevendo como crime essa conduta: Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. -DA RENÚNCIA A renúncia pode ser entendida, como o ato de abster-se de exercer determinado direito, ou seja, é a sua não realização ou a sua disposição. ❖ Da Renúncia do Direito de Representação: No ordenamento Jurídico Brasileiro, existe basicamente dois tipos genéricos de Ação Penal: Ação Penal Pública e Ação Penal Privada. ❖ Nesse momento, o que nos interessa é a Ação Penal Pública, que se divide em: Ação Penal Pública Incondicionada e Ação Penal Pública Condicionada a Representação. Em suma, na primeira, o Ministério Público poderá oferecer a denúncia independentemente da vontade da vítima, em contra partida, nos crimes que são processados mediante Ação Penal Pública Condicionada a Representação, o Ministério Público só poderá oferecer a denúncia se a vítima demonstrar a vontade de ver o autor do fato delituoso responsabilizado criminalmente, nesse tipo de Ação, a Representação é condição de procedibilidade. A Lei Maria da Penha, prevê em seu Art. 16, a possibilidade de a vítima renunciar a representação, ou seja, demonstrar que não deseja ver o agressor responsabilizado, não exercendo o direito, nos casos de crimes condicionados a representação, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no próprio Art. 16: - Renunciar perante o Juiz - Audiência com finalidade especial 23 - Antes do Recebimento da Denúncia - Ouvido o Ministério Público O Art. 16 dispõe: Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. O crime de lesão corporal decorrente da violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da extensão dos ferimentos, deve ser processado mediante ação penal pública incondicionada, sendo, por essa razão, irrelevante a falta de representação da vítima ou sua retratação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.424/DF, e a Súmula 542 do Superior Tribunal de Justiça atribuíram interpretação conforme a Constituição Federal às disposições da Lei Maria da Penha. Súmula 542 - A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada. -DA DESISTÊNCIA DAS MEDIDAS PROTETIVAS As medidas protetivas de urgência possuem natureza jurídica de medidas cautelares, e por isso as mesma são concedidas quando estão presentes no caso concreto o fumus commissi delict (indícios da prática de violência) e o periculum libertatis (existência de risco contra a vítima e/ou a terceiros), nesse sentido, quando desaparecem do caso concreto, os referidos pressupostos, as medidas não se mostram mais necessárias, bem como não podem continuar surtindo seus efeitos. Ocorre que, em alguns casos pode ocorrer a desistência, por parte da vítima, das medidas que foram aplicadas contra o agressor. Essa desistência pode restar https://scon.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?livre=(sumula%20adj1%20'542').sub.#TIT1TEMA0 24 caracterizada quando o juiz aplica uma medida protetiva de urgência, por determinado período de tempo, e ele não recebe pedido de prorrogação da medida; a vítima pode manifestar a sua desistência em juízo, por meio de seu advogado ou Defensor Público, de maneira expressa e/ou manifestar perante o membro do Ministério Público, bem como pode ocorrer a chamada renúncia tácita, que fica caracterizada nos casos em que embora a medida esteja vigente, a própria vítima é quem descumpre a medida protetiva de urgência. EXEMPLO: Vítima aceita o retorno do agressor ao lar conjugal, embora o mesmo tivesse sido afastado, ou ainda no caso dela ir morar na nova residência do agressor, ou pode ocorrer ainda a desistência, quando a vítima adota medidas e comportamentos que demostram a desistência das medidas. .Ocorrendo alguma dessas situações citadas, fica evidenciada a desistência da vítima, devendo a medida que foi imposta ser revogada, se for o caso, devido ao fato de que não estará mais presente o pressuposto periculum libertatis, ou seja, o agressor não traz riscos a vítima e/ou a terceiros, não sendo mais necessária a vigência da medida. FUNÇÕES DA DEFENSORIA PÚBLICA PREVISTAS NA LEI FEDERAL 80/94, RELACIONADAS COM A VIOLÊNCIA DE GÊNERO Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras: VI – representar aos sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, postulando perante seus órgãos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009). XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do adolescente, do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de violência doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção especial do Estado; (Redação dada pela Lei Complementar nº /6132, de 2009). ALTERAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI 11.340/06, AO CÓDIGO PENA Algumas das inovações introduzidas pela LMP, foram as modificações de alguns dispositivos do CP, vejamos a previsão das alterações, disposta na LMP: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp132.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp132.htm#art1 25 Art. 43. A alínea f do inciso II do art. 61 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com a seguinte redação: f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; Art. 44. O art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940(Código Penal), passa a vigorar com as seguintes alterações: § 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. § 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. -JURISPRUDÊNCIA STJ Violência doméstica e familiar contra a mulher. Dano moral in re ipsa. Valor mínimo para a reparação civil. Art. 387, IV, do CPP. Posterior reconciliação. Irrelevância. Execução do título. Opção da vítima. A reconciliação entre a vítima e o agressor, no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, não é fundamento suficiente para afastar a necessidade de fixação do valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração penal. (REsp 1.819.504- MS, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10/09/2019, DJe 30/09/2019. Info 657) Violência doméstica. Lesão corporal leve. Representação. Retratação no cartório da Vara. Irrelevância. Art. 16 da Lei n. 11.340/2006. Audiência específica. Necessidade. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art61iif http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art61iif http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art129§9. http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=REsp1819504http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=REsp1819504 26 Não atende ao disposto no art. 16 da Lei Maria da Penha, a retratação da suposta ofendida ocorrida em cartório de Vara, sem a designação de audiência específica necessária para a confirmação do ato. (HC 138.143-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 03/09/2019, DJe 10/09/2019. Info 656) Medida protetiva. Art. 9º, § 2º, II, da Lei n. 11.340/2016 (Lei Maria da Penha). Manutenção do vínculo trabalhista. Afastamento do local de trabalho. Vara especializada em violência doméstica e familiar. Competência. Compete ao juízo da vara especializada em violência doméstica e familiar a apreciação do pedido de imposição de medida protetiva de manutenção de vínculo trabalhista, por até seis meses, em razão de afastamento do trabalho de ofendida decorrente de violência doméstica e familiar. Violência doméstica e familiar contra a mulher. Danos morais. Indenização mínima. Art. 387, IV, do CPP. Pedido necessário. Produção de prova específica dispensável. Dano in re ipsa. Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não especificada a quantia, e independentemente de instrução probatória. (REsp 1.643.051-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 28/02/2018, DJe 08/03/2018. Info 621) Cabe habeas corpus para apurar eventual ilegalidade na fixação de medida protetiva de urgência consistente na proibição de aproximar-se de vítima de violência doméstica e familiar. O eventual descumprimento de medidas protetivas arroladas na Lei Maria da Penha pode gerar sanções de natureza civil (art. 22, § 4º, da n. Lei 11.340/2006, c/c art. 461, §§ 5º e 6º do CPC), bem como a decretação de prisão preventiva, de acordo com o art. 313, III, do CPP (HC 271.267-MS, Quinta Turma, DJe 18/11/2015). Ademais, prevê o CPP o seguinte: "Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=HC138143 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=REsp1643051 27 casos de punição disciplinar". Se o paciente não pode aproximar-se da vítima ou de seus familiares, decerto que se encontra limitada a sua liberdade de ir e vir. Assim, afigura- se cabível a impetração do habeas corpus. (HC 298.499-AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 1º/12/2015, DJe 9/12/2015. Info 574) Qualificadora. Lesão corporal contra homem. Violência doméstica. O aumento de pena do § 9º do art. 129 do CP, alterado pela Lei n. 11.340/2006, aplica- se às lesões corporais cometidas contra homem no âmbito das relações domésticas. Apesar da Lei Maria da Penha ser destinada à proteção da mulher, o referido acréscimo visa tutelar as demais desigualdades encontradas nas relações domésticas. In casu, o paciente empurrou seu genitor, que com a queda sofreu lesões corporais. Assim, não há irregularidade em aplicar a qualificadora de violência doméstica às lesões corporais contra homem. Contudo, os institutos peculiares da citada lei só se aplicam quando a vítima for mulher. RHC 27.622-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/8/2012. Info 501) Lei maria da penha. Briga entre irmãos. A hipótese de briga entre irmãos - que ameaçaram a vítima de morte - amolda-se àqueles objetos de proteção da Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). In casu, caracterizada a relação íntima de afeto familiar entre os agressores e a vítima, inexiste a exigência de coabitação ao tempo do crime, para a configuração da violência doméstica contra a mulher. Com essas e outras ponderações, a Turma, por maioria, denegou a ordem de habeas corpus. Precedentes citados do STF: HC 106.212-MS, DJe 13/6/2011; do STJ: HC 115.857-MG, DJe 2/2/2009; REsp 1.239.850-DF, DJe 5/3/2012, e CC 103.813-MG, DJe 3/8/2009. HC 184.990-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 12/6/2012. Info 499) Se dentre os crimes imputados ao acusado está o delito de lesão corporal, sendo irrelevante, ainda que se trate de lesão corporal de natureza leve, posterior retratação da ofendida, razão pela qual não se mostra possível a realização da audiência prevista no art. 16 da Lei n. 11.340/2006. (STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 707.726/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/12/2021.) http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=HC298499 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=RHC27622 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=HC184990 28 JURISPRUDÊNCIA STF: É válida a atuação supletiva e excepcional de delegados de polícia e de policiais a fim de afastar o agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida, quando constatado risco atual ou iminente à vida ou à integridade da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, conforme o art. 12-C inserido na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). STF. Plenário. ADI 6138/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 23/3/2022 (Info 1048). Prefeitos têm competência para propor projetos de lei que, visando à preservação da moralidade administrativa, selecione quem pode ocupar cargos públicos. Com esse entendimento, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, deu provimento a um recurso extraordinário para reconhecer a constitucionalidade de lei do município de Valinhos (SP) que impede a administração pública de nomear pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) para cargos públicos. (STF. RE 1.308.883, Rel. Ministro Edson Fachin, julgado em 09/04/2021, Dje 13/04/2021). Habeas corpus Cabe habeas corpus para apurar eventual ilegalidade na fixação de medida protetiva de urgência (STJ. 5ª Turma. HC 298.499-AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 1º/12/2015). Esse entendimento ganha força agora com a inclusão do art. 24-A à Lei Maria da Penha. 29 QUESTÕES OBJETIVAS: 01- (FGV - 2022 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXXIV - Primeira Fase) Lorena, em 01/01/2019, foi violentamente agredida por seu ex-companheiro Manuel, em razão de ciúmes do novo relacionamento, o que teria deixado marcas em sua barriga. Policiais militares compareceram ao local dos fatos, após gritos da vítima, e encaminharam os envolvidos à Delegacia, destacando os agentes da lei que não presenciaram a briga e nem verificaram se Lorena estava ou não lesionada. Por sua vez, Lorena, que não precisou de atendimento médico, disse não ter interesse em ver o autor do fato processado, já que seria pai de suas filhas, não esclarecendo o ocorrido. Manuel, arrependido, porém, confessou a agressão na Delegacia, dizendo que desferiu um soco no estômago de Lorena, que lhe deixou marcas. vítima foi para sua residência, sem realizar exame técnico, mas, com base na confissão de Manuel, foi o autor do fato denunciado pelo crime de lesão corporal praticada no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher (Art. 129, § 9º, do CP, na forma da Lei nº 11.340/06). Durante a instrução, foi juntada apenas a Folha de Antecedentes Criminais de Manuel, sem outras anotações, não comparecendo a vítima à audiência de instrução e julgamento. Os policiais confirmaram apenas que escutaram um grito de Lorena, não tendopresenciado os fatos. Manuel, em seu interrogatório, reitera a confissão realizada em sede policial. No momento das alegações finais, o novo advogado de Manuel, constituído após audiência, poderá pleitear A) a absolvição sumária de seu cliente, tendo em vista que não houve a indispensável representação por parte da vítima e a lesão causada seria de natureza leve. https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2018-oab-exame-de-ordem-unificado-xxvii-primeira-fase 30 B) a nulidade da decisão que recebeu a denúncia, tendo em vista que não houve a indispensável representação por parte da vítima e a lesão identificada foi de natureza leve. C) a absolvição de seu cliente, diante da ausência de laudo indicando a existência de lesão, não podendo a confissão do acusado suprir tal omissão. D) a suspensão condicional da pena, já que não se admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos no crime, mas a representação da vítima era dispensável, assim como o corpo de delito. 2- (FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXII - Primeira Fase) Paulo e Júlia viajaram para Portugal, em novembro de 2019, em comemoração ao aniversário de um ano de casamento. Na cidade de Lisboa, dentro do quarto do hotel, por ciúmes da esposa que teria olhado para terceira pessoa durante o jantar, Paulo veio a agredi-la, causando-lhe lesões leves reconhecidas no laudo próprio. Com a intervenção de funcionários do hotel que ouviram os gritos da vítima, Paulo acabou encaminhado para Delegacia, sendo liberado mediante o pagamento de fiança e autorizado seu retorno ao Brasil. Paulo, na semana seguinte, retornou para o Brasil, sem que houvesse qualquer ação penal em seu desfavor em Portugal, enquanto Júlia permaneceu em Lisboa. Ciente de que o fato já era do conhecimento das autoridades brasileiras e preocupado com sua situação jurídica no país, Paulo procura você, na condição de advogado(a), para obter sua orientação. Considerando apenas as informações narradas, você, como advogado(a), deve esclarecer que a lei brasileira A- Não poderá ser aplicada, tendo em vista que houve prisão em flagrante em Portugal e em razão da vedação do bis in idem. https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2021-oab-exame-de-ordem-unificado-xxxii-primeira-fase 31 B- Poderá ser aplicada diante do retorno de Paulo ao Brasil, independentemente do retorno de Júlia e de sua manifestação de vontade sobre o interesse de ver o autor responsabilizado criminalmente. C- Poderá ser aplicada, desde que Júlia retorne ao país e ofereça representação no prazo decadencial de seis meses. D- Poderá ser aplicada, ainda que Paulo venha a ser denunciado e absolvido pela justiça de Portugal. 3- (FGV - 2021 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXXIII - Primeira Fase) Vitor foi condenado pela prática de um crime de lesão corporal leve no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher, sendo aplicada pena privativa de liberdade de três meses de detenção, a ser cumprida em regime aberto, já que era primário e de bons antecedentes. Considerando a natureza do delito, o juiz deixou de substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e não aplicou qualquer outro dispositivo legal que impedisse o recolhimento do autor ao cárcere. No momento da apelação, a defesa técnica de Vitor, de acordo com a legislação brasileira: A) não poderá requerer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, mas poderá pleitear a suspensão condicional da pena, que, inclusive, admite que seja fixada prestação de serviços à comunidade e limitação de final de semana por espaço de tempo. B) não poderá requerer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, mas poderá pleitear a suspensão condicional da pena, que não admite que seja fixada como condição o cumprimento de prestação de serviços à comunidade. C) não poderá requerer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos e nem a suspensão condicional da pena, mas poderá pleitear que o regime aberto seja cumprido em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2018-oab-exame-de-ordem-unificado-xxvii-primeira-fase 32 D) poderá requerer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, que, contudo, não poderá ser apenas de prestação pecuniária por expressa vedação legal. 04- (FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXVII - Primeira Fase) Cátia procura você, na condição de advogado(a), para que esclareça as consequências jurídicas que poderão advir do comportamento de seu filho, Marlon, pessoa primária e de bons antecedentes, que agrediu a ex-namorada ao encontrá-la em um restaurante com um colega de trabalho, causando-lhe lesão corporal de natureza leve. Na oportunidade, você, como advogado(a), deverá esclarecer que: A) o início da ação penal depende de representação da vítima, que terá o prazo de seis meses da descoberta da autoria para adotar as medidas cabíveis. B) no caso de condenação, em razão de ser Marlon primário e de bons antecedentes, poderá a pena privativa de liberdade ser substituída por restritiva de direitos. C) em razão de o agressor e a vítima não estarem mais namorando quando ocorreu o fato, não será aplicada a Lei nº 11.340/06, mas, ainda assim, não será possível a transação penal ou a suspensão condicional do processo. D) no caso de condenação, por ser Marlon primário e de bons antecedentes, mostra-se possível a aplicação do sursis da pena. 05-( FGV - 2016 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XX - Primeira Fase) A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e familiar que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial, desde que o crime seja cometido no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. Diante deste quadro, após agredir sua antiga companheira, porque ela não quis retomar o relacionamento encerrado, causando-lhe lesões leves, Jorge o (a) procura para saber se sua conduta fará incidir as regras da Lei nº 11.340/06. Considerando o que foi acima destacado, você, como advogado (a) irá esclarecê-lo de que A) o crime em tese praticado ostenta a natureza de infração de menor potencial ofensivo. https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2018-oab-exame-de-ordem-unificado-xxvii-primeira-fase https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2016-oab-exame-de-ordem-unificado-xx-primeira-fase 33 B) a violência doméstica de que trata a Lei Maria da Penha abrange qualquer relação íntima de afeto, sendo indispensável a coabitação. C) a agressão do companheiro contra a companheira, mesmo cessado o relacionamento, mas que ocorra em decorrência dele, caracteriza a violência doméstica e autoriza a incidência da Lei nº 11.340/06. D) ao contrário da transação penal, em tese se mostra possível a suspensão condicional do processo na hipótese de delito sujeito ao rito da Lei Maria da Penha. 06. (FGV - 2014 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XIII - Primeira Fase) Fernanda, durante uma discussão com seu marido Renato, levou vários socos e chutes. Inconformada com a agressão, dirigiu-se à Delegacia de Polícia mais próxima e narrou todo o ocorrido. Após a realização do exame de corpo de delito, foi constatada a prática de lesão corporal leve por parte de Renato. O Delegado de Polícia registrou a ocorrência e requereu as medidas cautelares constantes no Artigo 23 da Lei nº 11.340/2006. Após alguns dias e com objetivo de reconciliação com o marido, Fernanda foi novamente à Delegacia de Polícia requerendo a cessação das investigações para que não fosse ajuizada a ação penal respectiva. Diante do caso narrado, de acordo com o recente entendimentodo Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa correta. A) No âmbito da Lei Maria da Penha, nos crimes de lesão corporal leve, a ação penal é condicionada à representação. Desta forma, é possível a sua retratação, pois não houve o oferecimento da denúncia. B) No âmbito da Lei Maria da Penha, nos crimes de lesão corporal leve, a ação penal é pública incondicionada, sendo impossível interromper as investigações e obstar o prosseguimento da ação penal. C) No âmbito da Lei Maria da Penha, nos crimes de lesão corporal leve, a ação penal é pública incondicionada, mas é possível a retratação da representação antes do oferecimento da denúncia. D) No âmbito da Lei Maria da Penha, nos crimes de lesão corporal leve, a ação penal é pública condicionada à representação, mas como os fatos já foram levados ao conhecimento da autoridade policial será impossível impedir o prosseguimento das investigações e o ajuizamento da ação penal. 7- (FGV- 2022-PM-AM- Aluno Oficial da Polícia Militar) Três gerações da família Silva viviam sob o mesmo teto, o que decorria, principalmente, das dificuldades econômicas enfrentadas para que cada núcleo familiar pudesse ter uma https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/provas/fgv-2014-oab-exame-de-ordem-unificado-xiii-primeira-fase 34 moradia independente. Além disso, ainda moravam no local duas jovens, na faixa dos vinte anos, que foram acolhidas pela família, sendo reconhecidas por João e Maria, o casal de idosos dono da casa, como “filhas de criação”. Nesse ambiente de convivência, Pedro, neto de João e Maria, com dezoito anos de idade, proferiu diversas ofensas verbais contra uma das referidas “filhas de criação”, causando-lhe intenso sofrimento psicológico. À luz das normas vigentes, a conduta de Pedro: A) não pode ser considerada violência familiar e doméstica contra a mulher, em razão da ausência de laço natural com a “filha de criação”. B) não pode ser considerada violência familiar e doméstica contra a mulher, já que a “filha de criação” somente mantém vínculo com João e Maria. C) não pode ser considerada violência familiar e doméstica contra a “filha de criação”, pois ele é mais jovem que ela, não podendo subjugá-la psicologicamente. D)pode ser considerada violência familiar e doméstica, pois praticada no âmbito da família à qual estava integrada a “filha de criação” que sofreu as ofensas. E) pode ser considerada violência familiar e doméstica, desde que a “filha de criação” que sofreu as ofensas esteja residindo há mais de um ano com a família. Para os efeitos da Lei 11340/2006, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: 8- (Avança SP - 2022 - Câmara Municipal de Sorocaba - Procurador Legislativo) Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas dos itens. I - no âmbito da _____, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas. II - no âmbito da _____, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa. A) família / íntima relação. https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/avanca-sp-2022-camara-municipal-de-sorocaba-procurador-legislativo 35 B) íntima relação / unidade doméstica. C) unidade doméstica / família. D) família / unidade doméstica. E) íntima relação / família. 9- (MPE-RJ - 2022 - MPE-RJ - Promotor de Justiça Substituto - Concurso XXXVI) Assinale a alternativa que traz, expressamente, entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça no que concerne à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. A) Súmula 536: A suspensão condicional do processo, a suspensão condicional da pena e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. B) Súmula 600: Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5°da Lei no11.340/2006 (Lei Maria da Penha), não se exige a coabitação entre autor e vítima. C) Súmula 542: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal e de ameaça resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada. D) Súmula 588: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico não impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. E) Súmula 589: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas, admitindo-se sua discussão no caso de contravenção penal. 10- (CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia) No dia 16 de janeiro de 2021, por volta das 03:45 h, no interior de uma boate situada na Zona Sul do Rio de Janeiro, João ofendeu a integridade física de Simone, tendo-lhe desferido um soco no rosto, o que causou lesões corporais nela. A vítima e o agressor haviam mantido um relacionamento amoroso no passado, cerca de dois anos antes da data da agressão, a qual fora motivada por questões ligadas ao término do https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/mpe-rj-2022-mpe-rj-promotor-de-justica-substituto-concurso-xxxvi https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-cebraspe-2022-pc-rj-delegado-de-policia 36 relacionamento. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta. A) Houve crime de lesão corporal, sem o reconhecimento da violência doméstica, porquanto agressor e vítima já não mais tinham envolvimento amoroso. B) Caso Simone e João reatem o relacionamento, ocorrerá a extinção da punibilidade do crime praticado por ele. C) A agressão citada, por ter ocorrido em decorrência do relacionamento entre vítima e agressor, apesar de tal vínculo ter cessado, caracteriza violência doméstica, conforme hipótese prevista no inciso III do art. 5.º da Lei n.º 11.340/2006. D) O agressor cometeu crime de injúria real. E) João cometeu os crimes de lesão corporal e de tentativa de feminicídio, em concurso de crimes. 11 - (FUNDATEC - 2022 - Prefeitura de Esteio - RS - Mecânico de Veículos) A Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) define as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Nesse sentido, temos que a violência __________ é aquela entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Já a violência __________ é aquela entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima. A) psicológica – patrimonial B) patrimonial – psicológica https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fundatec-2022-prefeitura-de-esteio-rs-mecanico-de-veiculos 37 C) psicológica – moral D) patrimonial – moral E) física – psicológica 12- (OBJETIVA - 2022 - Prefeitura de Varginha - MG - Procurador Municipal) De acordo com a Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da Penha, analisar os itens abaixo: I. A violência doméstica e familiar contra a mulher constituiuma das formas de violação dos direitos humanos. II. Os danos patrimoniais resultantes de qualquer ação ou omissão baseada no gênero não podem caracterizar violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que a legislação abrange apenas as hipóteses de ação ou omissão amparada(s) no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral. III. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, a medida protetiva de urgência de prestação de alimentos provisionais ou provisórios. Está(ão) CORRETO(S): A) Somente o item I. B) Somente o item II. C) Somente o item III. D) Somente os itens I e III. QUESTÕES SUBJETIVAS 1- Beatriz e seu esposo José, no dia 02/01/2021, enquanto celebravam o aniversário de casamento em um restaurante, iniciaram uma discussão, José desferiu um soco no rosto de Beatriz, causando-lhe lesão corporal de natureza leve. Testemunhas presenciais do fato chamaram do fato chamaram a polícia, sendo José preso em flagrante, mas https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/objetiva-2022-prefeitura-de-varginha-mg-procurador-municipal 38 posteriormente liberado pelo magistrado, em sede de audiência de custódia. O Ministério Público ofereceu denúncia imputando a José a prática do crime do Art. 129, parág 9°, do Código Penal, havendo habilitando imediata de Beatriz, por meio de seu advogado, como assistente de acusação, já que ela não aceitou ter sido agredida pelo então marido. Na condição de advogado (a) de Beatriz, esclareça quais condutas você adotaria? 39 GABARITO 1-C 2-B 3-A 4-D 5-C 6-B 7-D 8-C 9-B 10-C 11-B 12-D 1- • Deverá ser encaminhado pedido de medida protetiva de urgência contra José; Poderá ser analisado pedido de alimentos; Rede técnica para acompanhamento com a vítima de violência doméstica - artigo 20 a 23 da Lei 11.340/2006. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CAPEZ, Fernando Curso de direito penal, volume 4 : legislação penal especial / Fernando Capez. – 14. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2019. NUCCI, Guilherme de Souza Curso de Direito Penal: parte geral: arts. 1º a 120 do Código Penal / Guilherme de Souza Nucci. – 3. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2019. LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação especial comentada: volume único/Renato Brasileiro de Lima – 4.ed. ver. Atual. e ampl. – Salvador: JusPODIVM.2016. BRASIL. Planalto. Portal da Legislação, 2022. Disponível em: http://www4.planalto.gov.br/legislacao/. Acesso em setembro de 2022. http://www4.planalto.gov.br/legislacao/