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UNIP – Instituto de Ciência da Saúde
Curso de Educação Física
Caroline Kaoana Franco 							RA: D31DCB-0
Eliza Palmeira do Prado Silva 						RA: D26023-5
Francesco da Silva Estevam 						RA: N1363A-5
Gabriela Cecília de Campos Bernardo 					RA: D4165C-6
Giovanna Deganello Carvalho 						RA: D422FJ-7
Guilherme Gonzalez 							RA: C865II-6
Hamilton Sprioli Rufino Batista 						RA: D2037G-0
Joyce Maria Ferreira Da Silva 						RA: D482DH-9
Taina Ferreira Rodrigues 							RA: N1159H-9
RELATÓRIO DE ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS
“Educação Física na Escola: Formar Atletas ou Cidadãos?
 
	
RIBEIRÃO PRETO
2019
Caroline Kaoana Franco 							RA: D31DCB-0
Eliza Palmeira do Prado Silva 						RA: D26023-5
Francesco da Silva Estevam 						RA: N1363A-5
Gabriela Cecília de Campos Bernardo 					RA: D4165C-6
Giovanna Deganello Carvalho 						RA: D422FJ-7
Guilherme Gonzalez 							RA: C865II-6
Hamilton Sprioli Rufino Batista 						RA: D2037G-0
Joyce Maria Ferreira Da Silva 						RA: D482DH-9
Matheus Silveira 								RA: D4534I-0
Taina Ferreira Rodrigues 							RA: N1159H-9
RELATÓRIO DE ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS
“Educação Física na Escola: Formar Atletas ou Cidadãos?
Trabalho apresentado à Universidade Paulista, UNIP, como parte integrante das avaliações do segundo semestre de 2019.
Professora Tutora: Izabele Surian Cera Filippini
	
RIBEIRÃO PRETO
2019
1. INTRODUÇÃO
A formação do educador físico no Brasil conta com várias vertentes, e a área escolar pode parecer desvalorizada, mas é parte importante na formação da criança e posteriormente do adulto. O esporte levará a diversos benefícios que serão vistos no trabalho, e vamos gerar a discussão sobre o que seria mais benéfico para a sociedade: formar atletas ou cidadãos.
1.1 Tema
Educação Física na escola: formar atletas ou cidadãos?
1.2 Disciplinas do Semestre relacionadas ao tema
Lutas, Natação, Metodologia do treinamento físico.
1.3 Objetivo
O trabalho de APS tem por finalidade, oportunizar aos acadêmicos construções sociológicas e práticas sobre os temas envoltórios da profissão da Educação Física, levando à atualização constante do conhecimento.
1.4 Justificativa
O tema escolhido é importante pois lida com o esporte escolar, que visa a socialização dos alunos e respeito às regras na escola, com a chance de ascensão por meio do esporte de rendimento, gerando o questionamento do qual se o esporte deve ser aplicado no intuito de integrar os jovens ou de formar atletas. 
2. DESENVOLVIMENTO
O esporte escolar tem várias funções dentro da disciplina da Educação Física, ele implica a cidadania através do reconhecimento das regras e do respeito às mesmas, ele proporciona que os alunos reconheçam suas capacidades e habilidades dentro de um aprimoramento do repertório motor, fazendo com que o desenvolvimento se dê de forma integral, aliando aspectos sociais e psicológicos com aspectos motores.
A importância dessa ferramenta é destacada desde o ensino fundamental ao médio, mas, será que é importante para detectar talentos esportivos? Será que a Educação Física escolar supre as necessidades dessa detecção? Será que os jovens mais aptos ás modalidades esportivas despertam esse interesse dentro da escola? 
Ao longo do trabalho, faremos uma releitura para destacar os principais fatores da importância do esporte escolar e a relação com a chance de ascensão profissional. 
O esporte escolar vem sido modificado no Brasil desde a década de 50, em que os jogos estudantis e campeonatos escolares davam vagas à grandes clubes esportivos. Visto isso, o investimento no esporte escolar era constante e estimulava cada vez mais estudantes a praticar alguma modalidade esportiva, objetivando representar o país em campeonatos mundiais.
O futebol era a grande sensação do momento, o esporte mais vivenciado nas ruas e nas escolas, o Brasil inventava e reinventava maneiras de jogar, dribles, táticas e vinha ganhando muitos títulos (MARQUES, SAMULSKI, 2009).
A inclusão social foi mostrada através do futebol quando Pelé subiu ao pódio de primeiro lugar na Copa do Mundo de 1958, revelando á vários jovens que um menino negro e pobre poderia chegar á esta ascensão, fazendo com que o país todo acreditasse na possibilidade de que seus jovens crescessem e fossem “alguém” á partir da carreira esportiva, deixando a procura pela educação de lado e focando no esporte (MELO; SOARES. ROCHA, 2014).
O que em contrapartida aconteceu foi que para participar de alguma modalidade esportiva, as crianças e jovens tivessem de estar matriculados regularmente em alguma instituição de ensino, fazendo com que a importância da relação entre esporte e escola se desse de forma obrigatória (MELO; SOARES. ROCHA, 2014).
Segundo Stelmastchuk e Rodrigues (2007), o perfil dos alunos atletas deveria ser compatível com as médias da escola, e isso instituía um ensino-aprendizagem esportivista e interativo por meio dessa troca; com isso, os alunos menos aptos ao esporte foram se sentindo deslocados frente à turma nas aulas de educação física; a falta de habilidade e pré-disposição para determinado esporte causava exclusão nas turmas, e os professores de educação física (cada vez mais esportivistas) tendiam a negligenciar as minorias (obesos, deficientes, não habilidosos, etc.), tornando as aulas uma obrigatoriedade não prazerosa para os excluídos e uma possibilidade de ser vistos para os atletas; o prazer da prática esportiva e a diversão que o esporte traz não era o objetivo principal das aulas, e por conseqüência, aos poucos as aulas tornaram-se chatas e não divertidas.
A cidadania se exercia de forma natural através das regras, a sociabilidade também (entre os que também gostavam do esporte), e com isso a escola se tornou mais regrada e rígida, fazendo com que as regras se estabelecessem naturalmente. O único problema com esta visão esportivista era a exclusão dos menos aptos, que aos poucos gerava grandes problemas e polêmicas escolares, fazendo com que a visão da Educação Física escolar sofresse uma necessidade de mudanças (MELO; SOARES. ROCHA, 2014).
Muitos talentos esportivos foram revelados naquela época, e as escolas eram as grandes instituições para revelar esses talentos, para Stelmastchuk e Rodrigues (2007), os campeonatos inter-escolares abriam um campo de visão aos interessados no esporte, e davam passagem direta aos futuros atletas, mas hoje consideremos a hipótese de que não daria certo.
A tecnologia afasta as crianças das atividades motoras, e tende a afastá-las cada vez mais; as brincadeiras que antes envolviam somente as capacidades do corpo hoje são desconhecidas, e a prática de atividade física vem tornando-se obrigatoriedade até mesmo nessa faixa etária, o que dificulta que o esporte seja praticado nas escolas com o intuito de detectar novos talentos e possíveis atletas, principalmente quando isso parte de iniciativas públicas, em que o sistema não cobre as demandas e deixa faltar materiais para todos os trabalhos e todas as disciplinas escolares, enfatizando na educação física, que depende intrinsecamente de bons materiais para exercer trabalho esportivo efetivo (MARQUES, SAMULSKI, 2009).
Uma crítica iminente que se faz hoje em dia sobre a relação entre esporte e escola é que não há uma concordância entre os dois, não estão mais interligados e com isso estudar e praticar esportes não se complementam, fazendo com que alunos atletas despertem o interesse pelo esporte e desencadeiem uma falta de interesse pela escola, deixando de estudar para empenhar-se mais na carreira esportiva, e assim sendo, buscar meios de atingir ascensão social (MELO; SOARES. ROCHA, 2014).
Os resultados mostraram que a maioria dos atletas está defasada com relação à série escolar correspondente à idade e mais da metade em algum momento parou de estudar para se dedicar ao futebol (MARQUES, SAMULSKI, 2009).
O caráter esportivista dos anos 50 destacava a possibilidade de detecção de talentos por meio das instituições escolares fazendo relações entre o esporte e educação, fazendo com que os alunos atletas tivessemde ser grandes exemplos educacionais antes de serem exemplos esportivos, denotando que não há bom atleta que não estude; o erro hoje em dia é que a falta de obrigatoriedade de continuidade escolar faz com que os jovens se dediquem somente ao esporte, deixando a importância da formação escolar de lado, repetindo várias vezes o mesmo ano (por ausência ou falta de interesse), não terminando os anos letivos e abandonando até mesmo a educação básica; através de um estudo com amostras populacionais com 5.429 jogadores de base de clubes oficiais do Rio de Janeiro, segundo Melo, Soares e Rocha, 2014, a obtenção de resultados foi esta:
Desse total de atletas que abandonaram a escola, temos um percentual de 65% de jovens que repetiram ao menos um ano escolar. Este valor representa uma proporção muito além do encontrado na amostra total, cujo resultado foi de 36,7% de atletas que reprovaram pelo menos um ano na trajetória escolar.
	Os autores ainda incitam o fato de que a maioria desses atletas tendem a desistir da escola, sempre alertando para o fato de que têm de “focar na carreira esportiva”, mostrando que a escola não tem mais a ver com a detecção de talentos, já que estes talentos não consideram a importância da escola.
Portanto, deve sim haver uma relação entre o esporte e a escola; o que acontece é que hoje em dia, a detecção de talentos está mais associada á iniciativa privada, então, em escolas públicas dificilmente projetos esportivos revelarão grandes atletas. 
O esporte escolar deve mostrar que a educação é o foco principal, deve mostrar á todos telespectadores que os campeonatos esportivos escolares servem para socializar e multiplicar conhecimentos esportivos, o que ocorre erradamente na maioria das vezes é a confusão por meio dos próprios organizadores, que tendem á incitar a violência esportiva massificando a competitividade e a busca intermitente pela vitória, sem salientar a idéia de que o importante é participar; Stelmastchuk e Rodrigues (2007) vêem nos campeonatos escolares uma grande defasagem do papel incentivador e educador dos professores de educação física, incitando que: o principal equívoco histórico do entendimento do esporte-educação é a sua percepção como um ramo do esporte rendimento. Nesta percepção equivocada, as competições escolares, que deveriam ter um sentido educativo, em vez disto, simplesmente reproduzem as competições de alto nível, com todas suas características, inclusive com seus vícios deformando qualquer conceituo de educação.
Ainda segundo Stelmastchuk e Rodrigues (2007) o professor de educação física inserido nas escolas deve proporcionar aos alunos que estes reconheçam uma boa gama de modalidades e escolham por qual mais se interessam, deve oportunizar o reconhecimento das habilidades e capacidades por meio de modalidades diversas e não específicas; se de repente notar maiores habilidades em alguns alunos “destaques”, deve o auxiliar a manter essas características e incentivá-lo a buscar alguma vaga para a prática do esporte em algum clube esportivo privado, ou mesmo nas instituições esportivas regionais, sempre levando em consideração o fato de que a escola e o esporte devem se interligar na vida de uma atleta, complementando os assuntos básicos pertinentes à escolaridade aos assuntos específicos pertinentes ao esporte, formando o indivíduo como um todo, exercendo a sociabilidade e cidadania antes mesmo de objetivar detectar talento esportivo.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa mostrou que a detecção de talentos por meio do esporte escolar foi levada em consideração no final dos anos 50, quando o Brasil passava por momentos gloriosos com o esporte, atentando clubes a procurar talentos nas escolas, forçando uma necessidade de interação entre a escola e o esporte, formando alunos atletas e cidadãos. 
Quando essa visão mudou a Educação Física escolar também se modificou, atentando para objetivos coletivos em relação ao caráter esportivo, buscando formar o indivíduo como um todo: capacidades físicas, sociológicas e psicológicas, e não somente objetivando uma aquisição de carreira esportiva aos mais aptos às modalidades. 
Através disso o esporte se desvencilhou da escola, e atualmente nos mostra que os atletas nem sempre são bons exemplos educacionais, largando os estudos na maioria das vezes, e focando somente na carreira esportiva, diminuindo o papel da educação na aquisição da ascensão social desses atletas, mostrando erradamente aos outros jovens a visão de que para se tornar um grande atleta é desnecessário estudar. 
Os professores de educação física inseridos nas instituições escolares (tanto públicas quanto privadas), e também os educadores responsáveis pelo treinamento de jovens atletas devem priorizar a educação, salientando que se caso a carreira esportiva não dê certo (por diversos fatores, como lesões precoces, falta de recursos, falta de habilidade necessária, ou mesmo falta de oportunidades frequentes), a educação irá suprir essas necessidades, oportunizando que o jovem dê continuidade aos estudos e possa ter outra carreira, sem ter de deixar o esporte de lado, mas, pelo menos tendo para onde ir e novos caminhos para seguir, sem sentir-se deslocado.
REFERÊNCIAS 
MARQUES, P. M.; SAMULSKI, M. D. Análise da carreira esportiva de jovens atletas de futebol na transição da fase amadora para a fase profissional: escolaridade, iniciação, contexto sócio-familiar e planejamento da carreira. Revista brasileira educação física e esporte, São Paulo, v. 23, n2, p. 103-19, abr./jun 2009. Disponível em: <\http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16714/18427/>. Acesso em 01 OUT. 2019.
MELO, S. B. L.; SOARES, G. J. A.; ROCHA, A. P. H. Perfil educacional de atletas em formação no futebol no Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira Educação Física e Esporte, São Paulo, 2014 Out-Dez; 25(4): 617/28. Disponível em: <\http://www.scielo.br/pdf/rbefe/v28n4/1807-5509-rbefe-28-4-0617.pdf/>. Acesso em 01 OUT. 2019.
STELMASTCHUK, S.; RODRIGUES, C. S. Esporte escolar X Esporte rendimento. Revista Digital Dia Dia Educação, 2007. Disponível em: <\http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1878-8.pdf/>. Acesso em 01 OUT. 2019.
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