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Livro-Texto Unidade I

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Questões resolvidas

What is the title of the book 'Artes Visuais na História Antiga' in English?


a) Visual Arts in Ancient History
b) Ancient Visual Arts
c) Ancient History in Visual Arts

As pinturas e gravuras rupestres da Europa: Espanha e França

A escultura, a arquitetura e a cerâmica pré-históricas

Antiguidade Oriental: contexto histórico

A Mesopotâmia e seus povos

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Questões resolvidas

What is the title of the book 'Artes Visuais na História Antiga' in English?


a) Visual Arts in Ancient History
b) Ancient Visual Arts
c) Ancient History in Visual Arts

As pinturas e gravuras rupestres da Europa: Espanha e França

A escultura, a arquitetura e a cerâmica pré-históricas

Antiguidade Oriental: contexto histórico

A Mesopotâmia e seus povos

Prévia do material em texto

Autores: Prof. Jorge Miklos
 Profa. Janaina Santiago
Colaboradores: Profa. Roberta Borges Hoff Matarazzo
 Prof. Adilson Silva Oliveira
Artes Visuais 
na História Antiga
Professores conteudistas: Jorge Miklos / Janaina Santiago
Jorge Miklos
Graduado em História e Ciências Sociais. Mestrado em Ciências da Religião e Doutorado em Comunicação em 
Semiótica, ambos na PUC de São Paulo. Há mais de duas décadas atua como professor em diferentes contextos. Desde 
2008, desenvolve trabalho como professor de História Antiga (Oriente e Ocidente) no campo da Licenciatura Plena em 
História, contribuindo para a formação de professores.
Janaina Santiago
A professora é graduada e mestre em História pela Universidade de São Paulo. É docente no ensino superior com 
experiência em graduação. Tem atuação universitária nas áreas de História da Arte; História da Imagem e do Som; 
Teorias e Técnicas da Comunicação; Comunicação Aplicada e Metodologia do Trabalho Científico.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
M636a Miklos, Jorge.
Artes Visuais na História Antiga. / Jorge Miklos, Janaina Santiago 
– São Paulo: Editora Sol, 2020.
180 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Pré-história. 2. Antiguidade oriental. 3. Antiguidade ocidental. 
I. Santiago, Janaina. II. Título.
CDU 7.01
U505.67 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Giovanna Oliveira
 Amanda Casale
Sumário
Artes Visuais na História Antiga
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 ARTE: DEFINIÇÕES E CONCEITOS .................................................................................................................9
1.1 Conceito de arte ......................................................................................................................................9
1.2 Origem e função da arte ................................................................................................................... 13
1.2.1 Origem da arte ......................................................................................................................................... 13
1.2.2 Função da arte ......................................................................................................................................... 17
2 A ORIGEM DO HOMEM E A VIDA DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO .................................................. 19
2.1 O surgimento do homem .................................................................................................................. 20
2.2 O surgimento do homem na América ......................................................................................... 31
2.3 A vida do homem pré-histórico ..................................................................................................... 34
2.3.1 Os primeiros povoamentos: caçadores e coletores nômades ............................................... 35
2.3.2 O homem do Neolítico: pastores e agricultores ......................................................................... 40
3 ORIGENS DA ARTE PRÉ-HISTÓRICA ......................................................................................................... 44
3.1 Homo sapiens e arte pré-histórica ................................................................................................ 44
3.2 A arte pré-histórica ............................................................................................................................. 45
3.2.1 A arte pré-histórica: sistemas de representações ..................................................................... 45
3.2.2 A arte rupestre: definições e temáticas ......................................................................................... 49
4 A ARTE PRÉ-HISTÓRICA DOS SÍTIOS INTERNACIONAIS: PINTURAS, GRAVURAS, 
ESCULTURAS E ARQUITETURA ....................................................................................................................... 53
4.1 As pinturas e gravuras rupestres da Europa: Espanha e França ........................................ 53
4.2 A escultura, a arquitetura e a cerâmica pré-históricas ........................................................ 64
Unidade II
5 ARTE VISUAL NA ANTIGUIDADE ORIENTAL ........................................................................................... 81
5.1 Antiguidade Oriental: contexto histórico ................................................................................... 81
5.2 A Mesopotâmia e seus povos .......................................................................................................... 82
5.2.1 A arte sumeriana ..................................................................................................................................... 82
5.2.2 Zigurates ..................................................................................................................................................... 83
5.3 A arte assíria e caldeia ........................................................................................................................ 85
5.3.1 Império Assírio (1300 a.C.-612 a.C.) ................................................................................................ 85
5.3.2 O Segundo Império Babilônico (612 a.C.-539 a.C.) ................................................................... 86
5.4 Arte babilônica ...................................................................................................................................... 88
5.4.1 Primeiro Império Babilônico (2000 a.C.-1750 a.C.) ................................................................... 88
5.5 A arte persa ............................................................................................................................................. 90
5.6 Arte aquemênida .................................................................................................................................. 91
6 A ARTE A SERVIÇO DA IMORTALIDADE: CIVILIZAÇÕES E A ARTE EGÍPCIA .............................. 92
6.1 O direito divino ...................................................................................................................................... 92
6.2 A coleção de Tutankhamon – joias e ornamentos ................................................................100
Unidade III
7 ARTE VISUAL NA ANTIGUIDADE OCIDENTAL ......................................................................................110
7.1 A arte egeia ...........................................................................................................................................111
7.2A arte cicládica ....................................................................................................................................111
7.3 A arte minoica .....................................................................................................................................112
7.4 A arte micênica ...................................................................................................................................113
7.5 A arte característica bizantina e cristã primitiva ..................................................................115
7.5.1 A arte cristã primitiva – a arte a serviço da nova religião ................................................... 116
7.5.2 A arte bizantina – retrato da riqueza e do poder .................................................................... 119
8 A ANTIGUIDADE CLÁSSICA GREGA E ROMANA................................................................................122
8.1 A antiguidade clássica grega .........................................................................................................122
8.1.1 Em busca da perfeição – a arte grega ......................................................................................... 122
8.1.2 Helênico ................................................................................................................................................... 133
8.2 A Antiguidade Clássica Romana ..................................................................................................139
8.2.1 Monarquia (VIII-VI a.C.) ..................................................................................................................... 140
8.2.2 República (VI-I a.C.) ..............................................................................................................................141
8.2.3 Império (27 a.C.-V d.C.) ...................................................................................................................... 144
8.2.4 A cultura romana ................................................................................................................................. 146
8.2.5 Arquitetura ............................................................................................................................................. 146
8.2.6 Outras obras de arte do Império Romano ................................................................................. 149
8.2.7 Arte etrusca .............................................................................................................................................151
7
APRESENTAÇÃO
Esta disciplina enfoca os estudos a respeito da arte pré-histórica e de como os homens se expressavam 
e se comunicavam artisticamente durante esse período.
Teremos a oportunidade de entrar em contato com conceitos como a definição e função da arte e a 
sua importância para o homem do Paleolítico e do Neolítico. Iniciando o trajeto de aprendizagem com o 
conhecimento sobre a origem do homem e sua dispersão pelo planeta, chegaremos à arte produzida 
durante a Pré-história e a sua importância na compreensão da história da humanidade e das artes visuais.
A História Antiga corresponde ao estudo das manifestações artísticas que abrangem a época da 
criação da escrita até o paleocristianismo, no qual emergem expressões artísticas de vários estilos dos 
períodos mesopotâmicos, a arte do vale do Nilo, celta e germânica, egeia, fenícia, a arte da Antiguidade 
Clássica, a arte cristã e suas respectivas civilizações.
Este livro-texto pretende reconhecer o estilo sumério, seus palácios e templos, o uso da madeira e a 
influência em nosso tempo, bem como distinguir a arte assíria com seus palácios, suas esculturas, uso 
dos tijolos e as portas das cidades.
Teremos a oportunidade de estudar a Babilônia, suas dinastias e seus monumentos que compuseram 
as maravilhas do mundo, discutir as tribos persas, o uso de seus artefatos e o estilo animalista.
Vamos procurar entender as funções das pirâmides e mastabas na sociedade egípcia e a arte 
funerária. Conheceremos a arte celta e seus objetos de vários metais. Estudaremos os povos germânicos, 
a contextualização da arte e a migração dos povos bárbaros.
Conheceremos a arte na Antiguidade Clássica correspondente à arte etrusca, grega, helenística, 
romana e ao Cristianismo.
Espera-se que o aluno seja capaz, por meio desta disciplina, de conhecer a arte na Antiguidade com 
seus respectivos estilos e as principais civilizações que influenciam até hoje as artes visuais.
INTRODUÇÃO
Para pensarmos em arte pré-histórica, antes de mais nada, precisamos definir um conceito para arte. O 
que é arte? Existe arte sem um artista e um observador? Podemos falar da existência de uma arte rupestre? 
Essas são questões que surgem sempre que estudamos as artes visuais e, em particular, a arte Pré-histórica.
O primeiro ponto ao analisarmos a arte do Paleolítico e do Neolítico é a própria origem do 
homem. Quem são e como surgiram os artistas desses períodos? Qual é a localização espacial 
desses homens? A arte rupestre só existe na Europa ou podemos encontrá-la em todo o mundo? 
Todos os objetivos a serem atingidos durante nossos estudos colaborarão diretamente para a 
compreensão da arte visual na Pré-história.
8
Este livro-texto abordará, ainda, as grandes tradições artísticas da Antiguidade Oriental num 
contexto histórico, cultural e comparativo. Observa-se que a maioria dos estudantes fica “encantada” 
com a pirâmides do antigo Egito, mas reúne pouca informação a respeito dessa civilização, bem como 
desconhece as articulações entre a arte, o modo de vida e de pensamento das sociedades antigas. 
Em outras palavras, as pirâmides fascinam os estudantes pela sua grandiosidade e perenidade, mas, a 
respeito do contexto no qual elas foram construídas, pouco sabem.
Qual o lugar da arte para as civilizações antigas? Por que esses povos (egípcios, sumérios, fenícios, 
cretenses, gregos e romanos) produziram algo que, apesar de não ter uma utilidade imediata, estiveram 
presentes em suas vidas e, de alguma forma, permanecem presentes em nossas curiosidades e devaneios?
Percebemos que os seres humanos não criam arte para um fim utilitário, mas, sobretudo, para 
expressar seus sentimentos (temores, alegrias, crenças, valores, sonhos, esperanças, utopias e distopias).
O ser humano é um animal que, além da sua natureza biológica, é simbólico. Assim, suas demandas 
não se resumem a alimento, água, abrigo, mas seu espírito se alimenta de sonhos, beleza, poesia e tudo 
aquilo que possa transcender a realidade imediata.
Esperamos que ao estudar a produção artística produzida pelos antigos povos do oriente, você, 
aluno, possa vislumbrar o melhor da humanidade.
9
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Unidade I
1 ARTE: DEFINIÇÕES E CONCEITOS
“A arte fora de um contexto histórico é arte sem memória.”
(Teixeira Coelho)
Qual é o conceito de arte? Realmente existe arte?
É difícil definir o conceito de arte, pois cada período histórico possui diferentes formas de expressão 
artística e cultural. Porém, é consenso entre os pesquisadores que todos os grupos humanos, desde a 
Pré-história, produziram algo a que se pode dar o nome arte. Além disso, é também consenso que, ao 
analisar uma obra artística, podemos reconstruir um momento histórico (roupas, costumes, crenças) sob 
o ponto de vista do artista que a produziu, o que mostra que a arte é fundamental para se compreender 
a história da humanidade.
1.1 Conceito de arte
O que podemos entender como arte? Qual é a melhor definição de arte? Existe um único conceito 
para arte? Para alguns autores, os desenhos feitos com terra colorida em cavernas ou os desenhos em 
diferentes superfícies feitos pelo homem contemporâneo são atividades que podem ser chamadas de 
“arte, desde que conservemos em mente que tal palavra pode significar coisas muito diferentes, em 
tempos e lugares diferentes” (GOMBRICH, 1998, p. 15).
Porém, se buscarmos a definiçãoem outros autores, o que encontraremos? No dicionário, a palavra 
arte está ligada à forma ou à maneira de se fazer algo, maneira esta concebida através de regras definidas. 
A palavra pode estar associada à ideia de êxito ou de habilidade. Também encontramos uma correlação 
com o ideal de beleza.
Certamente você deve ter uma ideia do significado do termo. Também já deve ter tido contato 
com algumas obras chamadas artísticas e, com certeza, consegue citar as obras de arte que são do seu 
agrado. Além disso, você, muito provavelmente, acredita que a arte está ligada à atividade humana e às 
suas manifestações estéticas e comunicativas.
Porém, ainda temos outros significados: em latim a palavra arte, ligada ao radical ars, tem o 
significado de técnica ou habilidade. A palavra latina ars ou artis corresponde ao termo grego tékne 
e relaciona-se à experiência, ao saber fazer, ou seja, à produção. Nesse sentido, mais do que a beleza, 
o termo está associado à destreza e à especialização em determinado ofício. A visão de arte ligada à 
inclinação racional para a produção faz parte da tradição aristotélica. Assim, faz parte dessa forma de 
interpretação de arte concebê-la como um devir, um fazer, um conjunto de regras.
10
Unidade I
 Observação
Aristóteles: nascido em 384 a.C., em Estagira, foi um influente filósofo 
grego e discípulo de Platão. É considerado o criador do pensamento lógico.
A ideia de arte relacionada à produção faz com que o conceito não se limite ao campo artístico, 
mas que se relacione também aos campos políticos e educacionais. Essa é a visão de arte proposta 
por Aristóteles.
 Saiba mais
Partindo, como Platão, do problema acerca do valor objetivo dos 
conceitos, mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um 
sistema inteiramente original.
ARANHA, M. L. de A. Filosofando: introdução à filosofia. 4. ed. São Paulo: 
Moderna, 2013.
ARISTÓTELES. São Paulo: Nova Cultural, 1991. 2. v. (Coleção os Pensadores).
Qual é a utilidade em conceber a arte como um conjunto de regras, um processo de produção?
A utilidade é a de perceber o quanto o conceito de arte pode ser problematizado e expandido, 
desmistificar a ideia de uma arte ligada exclusivamente aos museus e a espaços pré-concebidos. Ressignificar 
a produção artística inserindo-a em nosso dia a dia. Mas não podemos deixar de levar em consideração a 
complexidade da definição e conceituação do termo.
Muito se tem discutido sobre o conceito de arte. Os autores não têm um consenso sobre seu significado, 
entretanto podemos tentar delimitar seu campo de ação e ponderarmos sobre seu significado.
Vamos pensar na proposição de um importante estudioso de História da Arte:
É possível dizer, então que arte são certas manifestações da atividade 
humana diante das quais nosso sentimento é admirativo, isto é: nossa 
cultura possui uma noção que denomina solidamente algumas de suas 
atividades e as privilegia (COLI, 1995 p. 8).
O autor nos remete à noção de sentimento admirativo e de privilégio. Mas o conceito de beleza varia 
em função do tempo além do caráter pessoal e cultural do que é denominado belo. Janson e Janson 
11
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
falam em “um impulso irresistível de reestruturar a si próprio e ao seu meio ambiente de forma ideal” 
(JANSON; JANSON,1996, p. 6).
Podemos considerar o homem um inventor de símbolos. Dotado de uma imaginação criadora, 
transmite suas ideias de múltiplas e variadas formas. Recria o ambiente ao seu redor e a si mesmo em 
um processo carregado de símbolos de diversas interpretações. O próprio sonho dialoga com os símbolos 
e suas interpretações.
Quando sonhamos (e todos nós sonhamos) estamos, através da imaginação, formando imagens, 
estórias, representações em nossas mentes. O homem é capaz tanto de imaginar quanto de fazer relatos 
daquilo que imaginou. Esses relatos podem se dar tanto através do diálogo quanto da produção, do 
fazer artístico, quer seja em poesia, música, quadros ou em inscrições nas paredes. ”A imaginação é uma 
faceta misteriosa da humanidade, é o elo entre o consciente e o subconsciente [...] é a cola que mantém 
unidos a personalidade, o intelecto e a espiritualidade” (JANSON; JANSON, 1996, p. 7).
Não podemos deixar de levar em consideração que a arte é uma das primeiras manifestações do 
ser humano, ser humano esse que marcou sua presença no mundo e deixou seus registros para a 
posteridade. A produção artística faz parte da nossa vida e é essencial para a construção do mundo em 
sociedade. Além disso, o que é extremamente importante, representa a reconstrução simbólica que o 
homem faz do universo ao seu redor, da sua forma de ver o mundo: são os sentimentos, as emoções, as 
ideias transmitidas e reinterpretadas à luz do criador do objeto artístico.
Figura 1 – Alma: representação egípcia da alma do morto sob a forma de ave
Não podemos deixar de levar em consideração que esse processo de produção insere-se em um 
ambiente cultural que tem papel determinante, tanto na criação quanto no processo de compreensão 
do que foi produzido.
Compreender a produção artística significa interpretá-la à luz desse ambiente cultural, e é esse 
processo de interpretação que dá ao objeto o status de artístico. Dessa forma, cabe ao discurso e à 
crítica especializada, constituídos na inter-relação entre crítico, objeto cultural e público, o poder de 
classificar, privilegiando um ou outro objeto.
12
Unidade I
Nessa visão, é esse discurso, reconhecido como competente (COLI, 1995, p. 10), e os locais onde os 
objetos artísticos são expostos (galerias, museus e até mesmo as ruas das cidades), que nos trazem uma 
visão de arte sólida e privilegiada, porém com limites pouco precisos.
Podemos considerar a arte como processo, discurso; acreditamos que ela é repleta de imaginação, 
simbolismos e de significados que competem ao observador desvendar. Como afirma um famoso dito 
popular, “a arte é o tempero do mundo”. Essa ideia é abordada também no famoso verso da música 
Comida, da banda Titãs: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.
Exemplo de aplicação
Observe esses objetos:
Figura 2 – Cesta de basquete
Figura 3 – Carrinho de bebê, Dukley, 1919
13
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 4 – Vênus de Milo (final do século II a.C.), Museu do Louvre, Paris
Você considera que podemos caracterizar todos como obras de arte? Justifique sua resposta.
1.2 Origem e função da arte
1.2.1 Origem da arte
Quando surgem as primeiras obras de arte? Qual a origem da arte?
Para termos arte, temos que ter a obra e o artista. Esse é um processo de codependência, no qual o 
artista e o produto de sua produção estão inter-relacionados, um não existe sem o outro. É pelas mãos 
do artista que a matéria-prima se torna uma obra de arte.
14
Unidade I
Figura 5 – Atlas, de Michelângelo (Itália, 1475–1564), mármore – 1520
Figura 6 – Pietá, de Michelângelo (Itália, 1475–1564), mármore, 
Basílica de São Pedro, Roma – 1498-1500
15
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Essa conexão (artista/obra) nos remete a uma tríade composta pela formação de uma imagem na 
mente do artista; a comunicação dessa imagem através do objeto, feito pelo artista e pelo observador, 
que olha tanto a obra quanto o seu produtor.
Observador, obra e artista estão inseridos em uma dada realidade, em um determinado mundo.
Esse mundo pode ser entendido como um conjunto de significados articulados e com um sentido comum. 
É a conjuntura, entendida como um conjunto de circunstâncias ou acontecimentos em um determinado 
momento, que dá sentido a esse mundo. E é nele que a obra de arte ganha visibilidade, ele é o local privilegiado 
para sua construção.
Expressão humana por excelência, é através da arte que o homem manifesta sua visão de mundo e 
proclama suas ideias e sentimentos desde os tempos mais remotos.
 Observação
Não podemos esquecer que a percepção da arte varia em função da 
cultura e dos grupos sociais. Dessa forma, a compreensão da arte se dá a 
partirde um contexto específico e não pode ser separada do grupo que 
a construiu.
Figura 7 – No Egito antigo a arte, ligada à religião, refletia o 
Estado teocrático e a sociedade estamental
16
Unidade I
Figura 8 – Pintura de Diogo Rivera
No mundo contemporâneo, temos uma produção artística que se dissocia do contexto religioso e 
que reflete uma diversidade cultural.
Se a arte se inicia com o aparecimento do artista e com a produção de suas obras, podemos nos 
indagar em qual momento surgiram as primeiras manifestações artísticas e as primeiras obras de arte.
Podemos considerar que a origem da arte está nas produções e nos monumentos mais antigos que 
encontramos – os quais, a propósito, em sua grande maioria, datam dos últimos estágios do Paleolítico.
 Lembrete
Não podemos datar com precisão o início da arte. Porém, foi no final 
do Paleolítico que foram elaboradas obras que se conservaram até os 
dias atuais.
Contudo, nesses monumentos, já podemos perceber um refinamento e uma grande perfeição técnica. 
A habilidade e a precisão dos artistas se mostram tão presentes nas obras, que fica difícil acreditar que 
nelas resida a origem da arte.
Muito provavelmente a arte tem origem mais remota. É possível que tenha tido um longo e lento 
desenvolvimento com uma produção elaborada com materiais que não resistiram à ação do tempo. 
Desconhecemos completamente todo esse processo anterior de produção que pode ter ocorrido em 
madeira, argila, em areia e de inúmeras outras formas, constituindo uma evolução gradativa que foge 
completamente ao conhecimento e à observação do homem moderno. Porém, se a origem da arte não 
pode ser datada, catalogada e estudada, pode ser inferida.
17
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Exemplo de aplicação
Observe as imagens:
Figura 9 – Almoço na Relva, Picasso (Espanha, 1881–1973), 
114cm x 146cm, Museu Picasso, Paris
Figura 10 – Almoço na Relva, Manet (França, 1832–1883), 
208cm x 264cm, Museu d’Orsay, Paris, 1863
Existem semelhanças entre elas? Podemos dizer que uma se inspira na outra, ou seja, que uma é 
releitura da outra? Você acha que as duas obras foram feitas pelo mesmo motivo? Justifique.
1.2.2 Função da arte
Quanto à função da arte, estaria ela concentrada apenas no campo da percepção admirativa?
Proença nos indica que é através da arte que podemos ter a percepção, a sensibilidade, a cognição 
do mundo, além da sua visão individual de trabalhar o próprio eu. Ela é uma forma de interpretar 
18
Unidade I
simbolicamente o mundo dentro da concepção do indivíduo e representa uma linguagem que ultrapassa 
o processo de comunicação. É, portanto, uma forma simbólica de transmitir ideias e sentido ao que 
nos cerca.
Proença (2005) ainda atribui três funções primordiais para a arte: a pragmática, a naturalista e 
a formalista.
• Função pragmática: podemos considerar que a obra de arte tem um caráter utilitário, uma 
finalidade em si mesma, que não a artística. Essa finalidade pode ser utilitária, pedagógica, 
religiosa, política ou cultural.
• Função naturalista: nesse contexto, ressalta-se a representação da realidade. O objetivo é ser o 
mais natural e o mais próximo do real possível. A perfeição técnica é vista como forma de uma 
produção onde podemos reconhecer o real.
• Função formalista: nessa concepção, valoriza-se a forma, a concepção estética ganha destaque. 
Transmitem-se ideias e emoções minimizando os aspectos pragmático e naturalista.
Exemplo de aplicação
Observe os objetos e indique a qual função de arte cada um deles se aproxima:
Figura 11 – Vaso de cerâmica
19
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 12 – A morte de Marat, Jacques-Louis David (França, 1748–1825), 
tela, 165cm x 128cm, Museu Real de Belas Artes, Bruxelas, 1793
Figura 13 – Primeira Aquarela Abstrata, Vassili Kandinsky 
(Rússia, 1866–1944), aquarela, 50cm x 65cm, coleção Nina Kandinsky, Paris
2 A ORIGEM DO HOMEM E A VIDA DO HOMEM PRÉ-HISTÓRICO
Para compreendermos como o homem pré-histórico produziu arte, é necessário saber um pouco 
sobre o seu surgimento. Como era o homem na sua origem? Ele sempre possuiu a capacidade cognitiva 
de produzir arte? Vejamos um pouco sobre essas e outras questões.
20
Unidade I
2.1 O surgimento do homem
Um químico pode, a qualquer instante, combinar vários elementos em 
determinadas condições e proporções para comprovar um resultado obtido 
anteriormente. [...] O pesquisador que tem como matéria-prima o passado 
não tem esse recurso. Pelo menos, enquanto a máquina do tempo não for 
viabilizada (sonhar é preciso...), não temos como saber exatamente o que 
aconteceu no passado (PINSKI, 2013, p. 31).
Apesar de não sabermos pontualmente como o homem surgiu na face da Terra, podemos chegar a 
algumas hipóteses. Inúmeras discussões têm ocorrido quando se pensa na origem do homem na Terra. 
A possibilidade de consenso é bastante remota, porém duas teses têm orientado os debates a respeito 
dessa questão: a criacionista e a evolucionista.
A hipótese criacionista, extraída das concepções judaico-cristãs, surgidas da Bíblia, acredita que 
Deus tenha criado tudo e todos. Para o criacionismo, a posse de sentimentos, de vontade própria e de 
inteligência diferencia os homens dos demais animais.
Figura 14 – A criação de Adão – hipótese criacionista
A teoria evolucionista tem por base o livro de Charles Darwin A Origem das Espécies e propõe que 
todos os seres tiveram uma origem comum. Vivendo um processo de evolução gradual e contínuo, as 
diferenças teriam se dado pelo processo natural de seleção. Assim, indivíduos mais capazes adaptaram-se 
melhor ao ambiente e sobreviveram, deixando seus descendentes, que acabam sofrendo alterações em 
seu mecanismo biológico.
Darwin não foi o único a inovar o pensamento científico da época. Alfred Russel Wallace foi um 
naturalista inglês que chegou a uma teoria similar às de Darwin na mesma época em que o renomado 
cientista estava trabalhando na hipótese evolucionista. Wallace chegou a escrever uma carta relatando 
o seu trabalho a Darwin, o que apressou a publicação da teoria evolucionista.
Vejamos um trecho do trabalho de Attico Chassot para compreendermos melhor o evolucionismo 
defendido por Darwin.
21
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
[…] Durante cinco anos (1831-1836), o jovem Charles viveu o que, até sua 
morte, aos 73 anos, considerou como o acontecimento mais importante de 
sua vida, determinando toda a sua carreira de pesquisador e sepultando seu 
desejo de ser ministro religioso.
Nos cinco anos de viagem do Beagle, [...] estudou a floresta tropical 
brasileira, o pampa argentino, a vegetação andina, os desertos australianos, 
as formações geológicas da Terra do Fogo e do Taiti, as ilhas desflorestadas 
do Cabo Verde. Viu terremotos e maremotos, vulcões extintos e ativos, seres 
humanos que “de tão selvagens e destituídos de crenças, nem pareciam 
homens” [...]
De todas as suas múltiplas observações, as que mais surpreenderam 
Darwin ocorreram nas Ilhas Galápagos, no sudeste do Pacífico. 
Ali ele encontrou e estudou animais que, depois, pôde comparar 
com os existentes no continente sul-americano. Verificou que, 
embora semelhantes, esses animais apresentavam variados graus de 
diferenciação. Ou seja, nas ilhas, haviam desenvolvido características 
próprias, o que indicava processos evolutivos de adaptação aos 
alimentos disponíveis, ao isolamento geográfico etc. Suas observações 
tornavam cada vez mais difícil a crença no relato bíblico do Gênesis, 
segundo o qual Deus criara cada uma das espécies já completa, e que, 
portanto, deveriam ter chegado até nós inalteradas.
Ao retornar da longa viagem, Darwin discutiu suas observações com o 
geólogo Charles Lyell, que, em 1830, causara sensação no mundo científico 
ao publicar o primeiro dos três volumes da obra monumental Princípios 
de Geologia, reunindo estudos sobre processos naturais da alteração da 
superfície terrestre. Nos seis anos seguintes, Darwin leu uma grande variedade 
de publicações, livros de viagens, manuaisde agricultura e horticultura, de 
criação de animais domésticos e de história natural; discutiu com criadores 
e com peritos em diferentes cultivos; analisou e preparou esqueletos de aves 
domésticas; criou e cruzou diferentes variedades de pombos; reexaminou 
boa parte do material que havia coletado no Beagle. Em 1842, tinha o 
primeiro rascunho, com 35 páginas, do que se tornaria A Origem das Espécies. 
Dois anos depois, o esboço da obra estava mais completo. Em 230 páginas, 
procurava explicar o aparecimento e o desaparecimento das espécies, por 
que surgiam e se modificavam com o tempo, e por que muitas desapareciam 
para sempre.” (CHASSOT, 1994, p. 135-137).
A teoria evolucionista, apesar de ter passado por muitas revisões, recebeu e recebe amplo apoio dos 
meios acadêmicos. Aceitar essa teoria significa aceitar uma visão de mundo “racional e científica que 
não permite abordagens pessoais ou místicas.” (POLEGATTO; SILVEIRA JR; JOAQUIM. 2009, p. 74). Assim, 
22
Unidade I
as atuais pesquisas sobre as origens do homem baseiam-se nessa teoria.
Montar o quebra-cabeça da história da humanidade não é um trabalho fácil. Para isso, ciências como a 
antropologia biológica (que estuda fósseis humanos) e a arqueologia (estuda o passado humano a partir 
dos vestígios e restos materiais deixados pelos povos) são fundamentais. A maior parte das informações 
que temos hoje foi conseguida através da análise de vestígios encontrados em sítios arqueológicos 
espalhados pelo mundo, onde os pesquisadores nem sempre trabalham em condições favoráveis. Além 
disso, vale lembrar que, no início da humanidade, a escrita não era utilizada, complicando ainda mais a 
interpretação e a análise dos fatos.
O que é sítio arqueológico? É o nome do local em que os vestígios das atividades humanas do 
passado ficaram preservados. Existem vários tipos de sítios arqueológicos, como os sambaquis e os 
abrigos rupestres. Além disso, eles são muito variados, podendo ser desde uma cidade, como Pompeia, 
até um acampamento pré-histórico.
É através dos variados vestígios materiais deixados pelas sociedades antigas encontrados nos sítios 
arqueológicos que o arqueólogo procura reconstituir o modo de vida, as formas de sobrevivência, além 
das crenças, comportamentos e ideias dos povos antigos.
Os vestígios materiais constituem, portanto, peças do quebra-cabeça de que o arqueólogo dispõe 
para reconstruir o passado. Eles podem ser fragmentos de cerâmica ou artefatos de pedra, restos de 
sepulturas ou urnas funerárias, restos de fogueira, os buracos de estacas das cabanas, as pinturas 
e gravuras rupestres e até mesmo estruturas construídas pelo homem como ruínas de moradias e 
outros edifícios.
Figura 15 – Sítio arqueológico no Mato Grosso antes do início dos trabalhos
23
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 16 - Sítio arqueológico no Mato Grosso: início dos trabalhos
Figura 17 – Sítio arqueológico no Mato Grosso: descoberta 
de uma fogueira “fábrica” de líticos (pontas de flecha)
24
Unidade I
Infelizmente, as descobertas não traçam uma linha evolutiva firme e precisa, não existe roteiro, 
mas descobertas que algumas vezes elucidam e outras complicam a problemática evolutiva da espécie 
humana. Apesar disso, muito se avançou no estudo da Pré-história e atualmente algumas conclusões 
são consenso, como, o fato de que os primeiros hominídeos teriam surgido na África.
 Observação
Hominídeo é o grupo a que pertencem todos os primatas mais próximos 
dos humanos modernos que dos grandes macacos e, convencionalmente, 
utilizamos esse termo para nos referirmos a todos os ancestrais do atual 
ser humano.
Outra ideia comum é a que defende a existência há cerca de 12 milhões de anos, na Europa e na 
África, de pequenos seres cujo desenvolvimento pode ser associado à evolução do Homem. Pinski (2013) 
refere-se a esses seres como Ramapithecus, os patriarcas.
Durante a década de 1960, os pesquisadores Louis e Mary Leakey concluíram que os primeiros 
hominídeos teriam surgido há aproximadamente 2,5 milhões de anos numa região conhecida como as 
gargantas do Olduvai, na Tanzânia.
Em 1974, o pesquisador Yves Coppens participava de uma escavação arqueológica na Etiópia quando 
encontrou um esqueleto com aproximadamente 3,5 milhões de anos, representante de uma espécie que 
seria, provavelmente, ancestral do homem: o Australopithecus.
As pesquisas realizadas a partir do esqueleto concluíram que ele seria feminino tanto por seu 
tamanho (pequeno) quanto pela análise do osso da bacia. Assim, foi batizado de Lucy em homenagem 
à música Lucy in the sky in Diamonds, da banda The Beatles. Além disso, concluiu-se que a ela 
teria uma altura aproximada de 1,10 metro, pesaria 30 quilos e possuiria um volume cerebral 
de 430 centímetros cúbicos. A análise do esqueleto comprovou que os australopitecos seriam os 
primeiros hominídeos bípedes.
Mas, qual é a importância do bipedismo? A principal consequência do seu surgimento é 
a diminuição da mandíbula e o aumento da caixa craniana. Isso quer dizer que o fato de ele 
se locomover sobre os dois pés liberou o uso das mãos para pegar objetos. O fato de não ser 
mais necessário segurar objetos com a boca fez que, com o tempo, os ossos da mandíbula 
diminuíssem, dando espaço para o aumento dos ossos da caixa craniana, consequentemente, o 
cérebro também aumentou.
25
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
 
Figura 18 – Crânio de um Australopithecus
As pesquisas realizadas pelo casal Leaky, na Tanzânia, descobriram fósseis que comprovaram a 
existência de um novo gênero do qual seríamos descendentes: o gênero Homo. O esqueleto descoberto 
foi classificado de Homo habilis, pois teria desenvolvido a habilidade de produzir ferramentas.
O Homo habilis vivia no mesmo período do Australopithecus e era detentor de grande habilidade 
craniana e de uma postura ereta muito similar à dos seres humanos. Alguns estudiosos acreditam que 
tanto o Australopthecus quanto o Homo habilis descendem do Ramapithecus. Porém, ainda nos dias de 
hoje, não sabemos com certeza o motivo do sucesso de um grupo em detrimento do outro.
Durante muito tempo, acreditou-se que os fósseis encontrados na Tanzânia, Etiópia e Quênia, 
especificamente no Vale da Grande Fenda, uma grande formação geológica que atravessa essa região, 
fossem os mais antigos. Porém, pesquisas realizadas por Michel Brunet, que encontrou em Chade um 
crânio de 7 milhões de anos, levantaram a hipótese de que o primeiro hominídeo, chamado homem de 
Toumai, seria muito mais antigo do que se acreditava inicialmente.
O Homo habilis, que até então vivia restrito à África, deu origem a uma espécie que se disseminaria 
pelas Ásia e Europa: o Homo erectus, há aproximadamente 1,5 milhão de anos. Acredita-se que essa 
espécie, além de aperfeiçoar os utensílios de pedra (facas, machados, raspadores), provavelmente, 
iniciou a linguagem falada, começou a abrigar-se e a produzir fogo. Fisicamente, o Homo erectus não 
ultrapassava 1,5 metro de altura, tinha a arcada superciliar saliente e uma mandíbula maciça, desprovida 
de queixo. A cabeça articulava-se com a coluna vertebral de modo a ficar ligeiramente projetada para 
a frente.
26
Unidade I
Figura 19 – Reconstituição de duas subespécies do Homo erectus. Da esquerda para a direita: o Sinantropo e o Javantropo
Em aproximadamente 300.000 a.C., o Homo erectus sofreu uma série de adaptações que resultaram 
no surgimento de uma nova espécie: o Homo sapiens.
Vestígios da subespécie mais antiga do Homo sapiens foram descobertos pela primeira vez no vale do rio 
Neander, na Alemanha, e receberam o nome científico de Homo sapiens neanderthalensis. Posteriormente, 
exemplares semelhantes foram encontrados em vários locais na Europa, na Ásia e na África do Norte.
E como era esse novo homem pré-histórico? Ele não era muito alto, pois media em torno de 1,5 metro, 
tinha um crânio levemente achatado, com a testa bastante inclinada para trás; seus maxilares eram robustos 
e o queixo pequeno. A arcada superciliar eramenos saliente que nas espécies precedentes. Os estudos dos 
esqueletos encontrados mostram que ele era atarracado, robusto e que tinha as extremidades mais curtas.
Veja uma reconstituição facial de uma menina neandertalense.
Figura 20 – Menina de Neandertal
27
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
As pesquisas apontam que os neandertalenses caçavam em grupo e abrigavam-se do frio em 
cavernas. Eles teriam vivido entre 120.000 e 35.000 a.C. Sua extinção, como muitos acontecimentos 
do período pré-histórico, é um pouco nebulosa, porém uma das hipóteses mais aceitas é a de que uma 
parcela desse grupo miscigenou-se ou foi exterminada pela segunda e mais evoluída subespécie do 
Homo sapiens, denominada cientificamente Homo sapiens sapiens – ou seja, o homem atual.
Descobertas recentes defendem que os neandertalenses teriam deixado uma herança genética na 
população europeia.
 Saiba mais
Nos últimos anos, muitas pesquisas foram realizadas sobre o homem 
de Neandertal. Para saber um pouco mais sobre essa espécie, leia os textos:
PIRES, M. T. Nove mitos e verdades sobre os Neandertais. Veja, Ciência, 
Evolução Humana, São Paulo, 30 set. 2014. Disponível em: http://veja.
abril.com.br/noticia/ciencia/nove-mitos-e-verdades-sobre-os-neandertais. 
Acesso em: 24 mar. 2014.
WONG, K. Neandertais e Homo sapiens tinham comportamentos 
semelhantes. Scientific American Brasil, Notícias, São Paulo, s.d. Disponível 
em: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/neandertais_e_homo_sapiens_
tinham_comportamentos_semelhantes.html. Acesso em: 24 mar. 2014.
A) Australopithecus afarensis B) Homo erectus C) Homo neanderthalensis
Figura 21 – Reconstituição de homens pré-históricos
28
Unidade I
A)2,5 milhões de anos C)100.000 a 32.000 anosB)1 milhão de anos
Figura 22 – Esqueletos de homens pré-históricos
As datações fósseis apontam que por volta de 40.000 a.C. surgiu o homem de Cro-Magnon, que 
recebeu essa denominação pelo nome da caverna no sul da França onde os primeiros vestígios dessa 
espécie foram descobertos. Esses homens eram mais altos do que os neandertalenses, medindo em 
torno de 1,70 metro e pesando, aproximadamente, 70 quilos. Além disso, seu volume cerebral era muito 
maior do que o do homem de Neandertal, seus traços fisionômicos eram menos pesados e seu corpo era 
longilíneo e robusto.
O Homo sapiens sapiens (também chamado homem moderno) foi o responsável pelo aperfeiçoamento 
das técnicas utilizadas e pela estruturação de uma organização social e religiosa. Acredita-se que todos 
os grupos humanos do planeta tenham se originado desse homem moderno.
 Lembrete
Os fósseis mais antigos dos seres humanos foram encontrados na África.
O clima tropical e as condições geográficas africanas, como a formação das savanas, permitiram 
uma evolução lenta e gradativa. Apesar de raros, porém, alguns vestígios foram identificados, o que 
evidência sua presença na região nesse período.
29
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
1 - Australopithecus
2 - Homo Habilis
3 - Pithecanthropus (Homo Erectus)
4 - Homo Sapiens Sapiens
Figura 23 – Principais sítios arqueológicos de ancestrais humanos
Porém, os seres humanos não permaneceram na África. Por razões ainda pouco identificáveis 
saíram do território africano para povoar o mundo. Chegaram primeiramente à Europa e à Ásia e, 
posteriormente, habitaram o continente americano.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a rota dos hominídeos, consulte o artigo a seguir:
OS PRIMEIROS hominídeos imigrantes. Historianet, s.d. Disponível em: 
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=196. Acesso 
em: 24 mar. 2014.
30
Unidade I
Figura 24– A migração humana
Exemplo de aplicação
Observe o esquema simplificado do surgimento do homem
Homo sapiens antigo
Homo erectus
Homo habilis
Australopithecus
Homo 
neanderthalensis
Homo sapiens 
sapiens
Figura 25 – Esquema simplificado da evolução humana
A partir do esquema e do conteúdo apresentado, destaque a importância das contribuições de cada 
grupo da evolução humana.
31
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
2.2 O surgimento do homem na América
Pouco se sabe a respeito da chegada do homem no território americano, pois ainda existem muitas 
ambiguidades sobre a época e a origem do homem nesse continente.
Durante boa parte do século XX, acreditava-se que a chegada do homem à América teria ocorrido, 
basicamente, em dois momentos. O primeiro deles, aproximadamente entre 18 e 13 mil anos atrás, 
corresponde à hipótese de ocupação como resultado das migrações que ocorreram a partir da Ásia na 
época da glaciação. Essa teoria, chamada hipótese asiática, defende que a migração ocorreu da Ásia 
para a América graças a uma ponte de gelo que teria se formado no estreito de Bering, ligando esses 
dois continentes.
 Observação
A ocupação da América pelo Estreito de Bering também é chamada de 
Teoria Clóvis, pois foram encontrados vestígios em Clóvis, Novo México (EUA), 
que comprovariam, pela sua datação, a travessia realizada entre a Ásia e a 
América pelo homem pré-histórico.
Outra hipótese de migração aceita é a malaio-polinésia. Ela defende que os deslocamentos teriam 
sido feitos por grupos de ilhas do Pacífico que navegaram em embarcações primitivas até a costa sul do 
continente americano. Isso teria ocorrido há 10 mil anos.
Figura 26 – A hipótese de ocupação da América pelo Estreito de Bering
32
Unidade I
Entretanto, no final do século XX, as pesquisas arqueológicas levantaram a hipótese da existência de 
uma outra onda migratória para a América.
Por que os pesquisadores começaram a defender essa nova hipótese? Simples, foi encontrado 
um fóssil humano no Brasil na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Ao fazerem a reconstrução 
facial do fóssil, batizado de Luzia, os pesquisadores tiveram uma grande surpresa, pois os traços 
apresentados eram negroides e apresentavam notável semelhança com os aborígenes australianos. 
As datações comprovaram que o fóssil era muito mais antigo do que se acreditava, uma vez que 
tem 11.500 anos.
Figura 27 – Reconstituição do fóssil que recebeu a denominação de Luzia
Vejamos um pouco mais sobre a descoberta de Luzia:
Desenterrado em 1975, o crânio de Luzia é o mais antigo fóssil humano 
já encontrado nas Américas. Transportado de Minas Gerais para o Museu 
Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, permaneceu anos 
esquecido entre caixas e refugos do acervo da instituição. Foi ali que o 
arqueólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), o encontrou 
alguns anos atrás. Ao estudá-lo, fez descobertas surpreendentes. Os traços 
33
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
anatômicos de Luzia nada tinham em comum com o de nenhum outro 
habitante conhecido do continente americano. A medição dos ossos revelou 
um queixo proeminente, crânio estreito e longo e faces estreitas e curtas. 
De onde teria vindo Luzia? Seria ela remanescente de um povo extinto, 
que ocupou a América há milhares e milhares de anos e acabou dizimado 
em guerras ou catástrofes naturais? A hipótese de Walter Neves acaba 
de ser reforçada por um trabalho feito na Universidade de Manchester, 
na Inglaterra. Com a ajuda de alguns dos mais avançados recursos 
tecnológicos, os cientistas ingleses reconstituíram pela primeira vez a 
fisionomia de Luzia. O resultado é uma mulher com feições nitidamente 
negroides, de nariz largo, olhos arredondados, queixo e lábios salientes. 
São características que a fazem muito mais parecida com os habitantes 
de algumas regiões da África e da Oceania do que com os atuais índios 
brasileiros (TEICH, 1999).
Além da descoberta do crânio de Luzia, outras pesquisas que questionam a hipótese do Estreito de 
Bering como a primeira onda migratória do homem para a América são aquelas desenvolvidas por Niéde 
Guidon e sua equipe na Serra da Capivara, no estado do Piauí. Os estudiosos alegam que encontraram 
sítios com vestígios de cinzas de fogueira com datação de 48.500. Porém, muitos cientistas nacionais e 
internacionais contestam essa datação,uma vez que, pelos vestígios encontrados, é impossível garantir 
que essa fogueira tenha sido feita pelos hominídeos.
Como o campo da Arqueologia é dinâmico, novas descobertas podem ocorrer apoiando ideias 
ou aposentando outras. Uma das hipóteses mais aceitas para a chegada do homem no Brasil é a 
defendida por Walter Neves, que afirma que teriam ocorrido duas migrações separadas de dois 
grupos diferentes, ambas, porém, provenientes da Ásia. Segundo ele, a primeira teria ocorrido 
há cerca de 13 mil anos e seria de uma população com feições semelhantes às dos aborígenes 
australianos. Para ele, esses homens pré-históricos teriam entrado no continente americano pelo 
Alasca, provavelmente com o auxílio de canoas. Essa teoria explicaria as características encontradas 
na reconstituição do crânio de Luzia.
 Saiba mais
Para saber mais sobre Luzia e os primeiros americanos, leia:
NEVES, W. A.; BEETHOVEN, L. O povo de Luzia – em busca dos primeiros 
americanos. São Paulo: Editora Globo, 2008.
34
Unidade I
Figura 28 – Os mais antigos sítios arqueológicos da América
Seja como for, todas essas teorias e discussões fornecem pistas para responder a uma importante 
questão: afinal, de onde vieram os brasileiros?
Exemplo de aplicação
Reveja a imagem de Luzia e a imagem da menina de Neandertal. Elas são semelhantes? Quais são os 
traços da Luzia que mais causaram estranheza entre os pesquisadores?
2.3 A vida do homem pré-histórico
Após analisarmos as diversas teorias sobre o surgimento e a evolução do homem, vejamos como ele 
viveu, seus costumes, suas crenças e seu dia a dia.
35
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
2.3.1 Os primeiros povoamentos: caçadores e coletores nômades
O período anterior à descoberta da escrita é, comumente, designado de Pré-história. É sobre esse 
período que vamos nos debruçar para o conhecimento de sua história e de sua produção artística e visual.
A compreensão do universo artístico e simbólico desse homem, seu processo de se comunicar com 
o mundo só chegou até os nossos dias devido à sua necessidade de deixar seus registros grafados nas 
rochas e nas cavernas. É a partir da percepção visual que tentamos descobrir os mistérios desse passado 
tão longínquo e tão misterioso aos olhos do Homem pós-moderno.
Porém, só podemos adentrar no seu legado visual se tomarmos como ponto de partida sua 
forma de vida, seu processo de organização econômica e social, desvendada através dos resquícios 
por ele deixados.
É evidente que não temos de volta a sociedade que os produziu, mas 
temos um rico acervo cultural que narra a passagem do homem em 
determinadas regiões, em períodos cada vez mais remotos com estruturas 
semiológicas, ou seja, elementos organizados entre si compostos de 
significados que refletem, evidentemente, o presente de seus autores e 
os grafismos de uma expressão comunicativa das populações humanas 
primeiras. (ALVES, s.d., p. 62).
Muitos estudiosos realizaram uma periodização, tanto da história, quanto da Pré-história. Devemos 
considerar que toda e qualquer periodização tem finalidade didática e não qualifica um ou outro 
período. Afinal, os períodos coexistem e se inter-relacionam, não havendo linha divisória e nem mudança 
instantânea de um período para outro.
Mas, de qualquer forma, devemos pensar um pouco nessa periodização que pode ser feita, tanto 
através de utensílios (Idade da Pedra Lascada e Idade da Pedra Polida), quanto através do modo de vida 
(caçadores e agricultores). Essas periodizações representam etapas de um processo evolutivo que devem 
ser entendidas no seu conjunto.
Segundo Crosby (1993), apesar de a historiografia ter encarado esse processo como algo 
repentino e revolucionário e separar a coleta e a agricultura como duas etapas distintas e que não 
coexistiram, pesquisas atuais comprovam que essa transição aconteceu de forma lenta e gradual. 
Durante muito tempo, defendeu-se essa mudança repentina da forma de sobrevivência do homem 
pré-histórico, deixando de lado o fato de que a agricultura desenvolvida inicialmente era uma 
atividade complementar que enriquecia a alimentação e garantia maior sobrevivência para esses 
grupos de caçadores-coletores.
Trataremos, em um primeiro momento, dos povos caçadores e nômades. Esses viveram entre 
700.000 a.C. e 10.000 a.C. Eram povos nômades que viviam da caça, da pesca e da coleta vegetal.
36
Unidade I
 Saiba mais
Pesquisadores da Universidade de Harvard estudaram uma comunidade 
que ainda se mantém como caçadora-coletora, a comunidade Kung. 
Vivendo no deserto de Calaari, esse povo, além de viver da caça e da coleta, 
é nômade e pratica a divisão sexual do trabalho. Os homens se dedicam 
à caça e à coleta, atividade que implica mobilidade e silêncio total. Já as 
mulheres se dedicam à coleta, acompanhada dos filhos (é responsabilidade 
feminina o cuidado com os filhos devido à amamentação), atividade que 
desenvolvem de forma ruidosa e socializadora.
Pesquise mais sobre os Kung no site:
KWONONOKA, A. Os !Kung (Khoisan). O País, 21 jul. 2009. 
O homem desse período vivia em aldeias organizadas em sociedades, que tinham como principal 
característica não se fixar por um longo período em um mesmo espaço geográfico, mas mudar de um 
lugar para outro em busca do alimento necessário a sua sobrevivência.
Caso o local onde fixavam suas comunidades ou aldeias tivesse abundância de matérias e alimentos, 
a permanência do grupo poderia se estender por um longo período, mas, no momento em que os 
alimentos escasseavam, o grupo direcionava-se a um local onde houvesse uma maior abundância de 
recursos para sua sobrevivência.
Figura 29 – Grupos de caçadores e coletores nômades
37
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Esse foi um longo período, quando, além do nomadismo, o homem vivia de forma simples, sobrevivendo 
da caça de animais e da coleta de vegetais. A possibilidade de se proteger das intempéries da natureza 
era simples e limitada: peles de animais e a moradia em grutas e cavernas eram mecanismos de extrema 
importância para garantir sua sobrevivência. Seus abrigos eram cabanas feitas de galhos sustentados 
por pedras que, mesmo pequenas, protegiam do vento e dos animais carnívoros. Normalmente, essas 
cabanas eram construídas à beira de riachos ou próximas a lagos.
Figura 30 – Reconstituição de um abrigo pré-histórico
Inicialmente, esse homem pré-histórico não caçava, vivendo de grãos vegetais retirados da natureza 
e devorando a carne dos grandes animais, como mamutes e hipopótamos, encontrados mortos.
Com o tempo, esse hominídeo, organizado em plenos grupos, aprendeu a caçar. Provavelmente, 
esses povos eram dotados de alguma técnica de caça, como, forçar os animais rumo a desfiladeiros sem 
saída ou abismos. Uma vez acuados, esses animais eram direcionados a armadilhas feitas em covas ou a 
arapucas feitas com paus pontiagudos.
Com o passar do tempo, o homem foi se aperfeiçoando e construindo ferramentas para suprir suas 
deficiências corporais e favorecer sua luta contra uma natureza hostil.
Esse aprimoramento não ocorreu de forma isolada, mas sempre dentro de um complexo contexto.
Da mesma maneira que o desenvolvimento gradual da linguagem está necessariamente acompanhado 
do correspondente aperfeiçoamento do órgão auditivo, assim também “o desenvolvimento gradual do 
cérebro está ligado ao aperfeiçoamento de todos os órgãos do sentido” (MARX; ENGELS, 1967, p. 61).
Ossos, pedras e madeiras constituíam-se em uma grande fonte de matéria-prima, obtida na própria 
natureza que o circundava, para a construção dos instrumentos que facilitavam o recolhimento dos alimentos. 
Os homens pré-históricos construíram enxadas e enxós que, se hoje nos parecem muito rudimentares, na 
época eram utensílios que, além de essenciais, possibilitavam maior longevidade ao grupo. O sílex e a madeira 
eram utilizados para a fabricação de armas, quer fossem de impacto, quer fossem lâminas ou lanças.
Nesse período, para fazerem esses instrumentos de pedra, também denominados de artefatoslíticos, usavam a técnica do lascamento de pedras, formando o que os arqueólogos chamam de 
indústria lítica.
38
Unidade I
A técnica do lascamento, basicamente, consiste na modelagem de uma pedra retirando lascas 
(fragmentos) por choque com uma pedra mais dura ou por pressão.
Por percursão 
indireta
Por percursão 
direta
Retoque por 
pressão
Figura 31 – Técnicas de lascamento
A fabricação de instrumentos cada vez mais aperfeiçoados é resultante da utilização das mãos 
nesse trabalho. Ao fabricar essas ferramentas, os hominídeos permitiram operações mais complexas e 
passaram a utilizar uma área do cérebro que é a mesma que nos permite falar.
Lenta e gradualmente e, de certa forma, auxiliado pelo acaso, o homem foi conseguindo dominar o 
fogo, que a princípio era encontrado apenas pela queda dos raios. Com o passar do tempo, entretanto, 
o homem dominou a técnica de produção através do atrito entre duas pedras ou da fricção de pedaços 
de madeira em gravetos secos. Acredita-se que, antes de dominar essa técnica, existia o chamado “fogo 
cativo”, que era retirado de um incêndio natural e alimentado com ervas secas e galhos mortos. Para 
preservá-lo, cavavam pequenos buracos rodeados de pedra, onde as brasas ainda quentes podiam ser 
reanimadas. Assim, o fogo era tratado com muito cuidado pelo grupo.
Quantos benefícios esse avanço tecnológico trouxe à vida!
 Saiba mais
Os filmes a seguir podem trazer novas informações sobre esse período 
da Pré-história:
A GUERRA do fogo. Dir. Jean-Jacques Annaud. Canada, França, EUA: 
International Cinema Corporation/Ciné Trail/Belstar Productions/Stéphan 
Films, 1981. 100 minutos.
HOMEM pré-histórico: vivendo entre as feras. Dir. Pierre De Lespinois. 
Reino Unido: British Broadcasting Corporation (BBC)/Discovery Channel/
ProSieben Television, 2003. 4 episódios.
39
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Assistimos a uma mudança radical do seu modo de vida, pois houve a conquista de certa independência 
do meio natural. O fogo trouxe a possibilidade de aquecimento, iluminação e defesa dos animais que, à 
noite, sentiam medo de chegar próximos ao grupo quando percebiam o brilho incandescente do fogo. 
A sobrevivência em um clima rigoroso, onde o frio e a neve eram uma constante, tornou-se mais fácil. 
O homem também o utilizou de forma defensiva ou ofensiva, pois o dono do fogo acreditava-se forte.
Pesquisas arqueológicas na Zâmbia e na Espanha mostram que muitas pontas de lanças eram 
endurecidas passando-as pelo fogo.
Figura 32 – Instrumento lítico
 Observação
Instrumento lítico ou ferramenta lítica é o nome que se dá a qualquer 
objeto pré-histórico feito de pedra.
Que mudança na dieta alimentar! Foi uma verdadeira revolução gastronômica. Imagine, os vegetais 
passaram a poder ser cozidos ou assados, facilitando o processo de digestão. Isso também levou à 
produção de utensílios para cozinhar alimentos.
Como todos os outros animais, o homem pré-histórico vivia em bandos, porém, ao contrário das outras 
espécies, a cooperação era um fator circunstancial para a conquista do alimento necessário ao grupo.
Com os avanços da estrutura alimentar, esses grupos passaram a ser mais numerosos e, como já dito, 
começaram a edificar moradias rústicas, construídas com peles de animais, gravetos ou rochas.
Em maior número e vivendo num habitat mais bem elaborado, esses grupos desenvolveram maior 
sensibilidade para com o mundo que os cercava. Podemos perceber os rudimentos de uma vida espiritual 
através da descoberta de sepulturas que constatam a existência do culto aos mortos. Arte e magia se 
interligam na história de vida desses grupos. A presença de rituais funerários e a explosão de pinturas nas 
grutas e nas cavernas comprovam a existência de um homem com maior percepção e mais relacionado 
com o mundo, o que nos possibilita um maior conhecimento do período.
40
Unidade I
Figura 33 – Urna funerária
Acredita-se que, na Europa, durante a existência do homem de Neandertal, as práticas de 
sepultamento se tornaram mais comuns. Normalmente, cavava-se uma cova retangular ou oval para 
enterrar os mortos. A hipótese é que eram colocadas sobre as sepulturas flores e oferendas. A posição 
dos corpos variava e, às vezes, eram encontrados objetos junto a eles cujos simbolismos só podemos 
especular atualmente. Esse homem teria a crença numa existência após a morte? Existiria um lugar 
especial para os mortos? Não sabemos, mas o que podemos afirmar com certeza é que esse homem 
do Paleolítico já apresentava uma preocupação com a morte – evidenciando, assim, que se iniciava um 
pensamento religioso.
2.3.2 O homem do Neolítico: pastores e agricultores
Por um longo período, grupos humanos viviam deslocando-se de um lugar para outro em busca do 
alimento necessário à sua sobrevivência. A caça, a pesca e a coleta vegetal garantiam a sobrevivência 
dessas sociedades comunais que tinham como alimentos frutos, raízes, ervas e peixes, além dos animais 
provenientes da caça. É a partir dessa sociedade de caçadores e coletores que assistimos à transformação 
para uma sociedade de pastores e agricultores.
As marcas humanas que indicam o desenvolvimento da atividade agrícola surgem mais ou menos 
no ano 10.000 a.C. Nessa viagem da evolução, já somos Homo sapiens sapiens.
Os historiadores acostumaram-se a separar a coleta e a agricultura como 
se fossem duas etapas da evolução humana bastante diferentes e a supor 
que a passagem de uma à outra tivesse sido uma mudança repentina e 
revolucionária. Atualmente, contudo, admite-se que essa transição 
aconteceu de maneira gradual e combinada. Da etapa em que o homem era 
inteiramente um caçador-coletor passou-se para outra em que começava a 
41
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
executar atividades de cultivo de plantas silvestres [...] e de manipulação dos 
animais [...]. Mas tudo isso era feito como uma atividade complementar da 
coleta e da caça.
(VICENTINO, 2005, p. 21).
Essa modificação ocorreu dentro de um processo revolucionário, comumente denominado de 
Revolução Neolítica.
Pelos conhecimentos atuais supõe-se que a primeira atividade 
agrícola tenha ocorrido na região de Jericó, num grande oásis junto 
ao mar Morto, há cerca de 10.000 anos. A hipótese que atribuía ao 
Egito a condição de berço da agricultura já não tem tantos seguidores. 
Estabelecer uma certeza a esse respeito torna-se difícil. Não há como 
levantar uma documentação indiscutível: os trigais desapareceram 
com o tempo. Só por meio de comprovações indiretas – ruínas 
arqueológicas dos silos em que os cereais eram armazenados – é que 
se pode tentar datar o início de uma atividade agrícola sistemática 
(PINSKI, 2013, p. 45).
O fim do período de nomadismo foi acompanhado de uma grande modificação climática. A glaciação 
cedeu lugar a um novo clima (temperado, na Europa, ou semiárido ou desértico, norte da África) e, com 
ele, o desaparecimento dos grandes animais. A partir do momento em que a caça tornou-se mais difícil, 
o homem buscou novas técnicas para sua sobrevivência.
A associação entre uma cuidadosa observação da natureza e a relação causa–efeito (observar que 
o grão que cai no chão pode germinar e produzir) foi fator circunstancial para o desenvolvimento 
da atividade agrícola. Não podemos deixar de levar em consideração certa dose de casualidade e 
acidentalidade que contribui com o surgimento da agricultura.
A princípio, houve o cultivo de tubérculos, depois de plantas medicinais e, por fim, o desenvolvimento 
de produtos suficientes para o abastecimento do grupo.
A vida adquiriu novo significado, o homem começou a dominar a natureza, colocando-a a seu 
serviço. Grãos maiores e mais nutritivos foram desenvolvidos a partir da escolha das melhores sementes 
e, até mesmo, da produção de enxertos.
A mudança foi tão significativa que damos a ela o nome de revolucionária. E alterou-se até mesmo a 
densidade demográfica, pois mais alimentos significam uma maior longevidade e melhor sobrevivência. 
Consequentemente, esse homem tambémteve mais tempo para outras atividades que não estavam 
diretamente relacionadas com a procura de alimentos.
Contudo, não podemos pensar que essa foi uma mudança brusca, mas que ocorreu de forma gradual, 
como assinala Pinsky (2013, p. 51):
42
Unidade I
O conceito de revolução agrícola não deve ser entendido como o de uma 
mudança estrutural em ritmo acelerado, conotação que acompanha 
habitualmente a palavra revolução. Não se deve pensar que a passagem 
da atividade coletora para agrícola tenha se dado de uma maneira brusca 
ou através de um toque de mágica. Deu-se, antes, por meio de um longo 
processo que inclui cuidadosa percepção dos fenômenos naturais, elaboração 
de teoria causa/efeito e mesmo doses de acidentalidade. Um grão caído na 
terra começa a germinar e é observado em seu crescimento por algumas 
mulheres que estão coletando na área: aí temos, provavelmente, o ponto de 
partida da transformação”.
Se, por um lado, o avanço foi gradativo, por outro, não foi um ato isolado: povos da Índia, China, 
África Tropical e América de forma lenta, porém contínua, começaram a cultivar seus alimentos.
Esses grupos cultivavam produtos que variavam em função da região ou da necessidade: trigo, 
cevada, batata doce, mandioca e arroz foram as principais espécies cultivadas.
As inovações não se propagam com rapidez, dessa forma, caçadores e coletores convivem em 
conjunto. Porém, a existência da atividade agrícola para um determinado grupo requer a fixação em 
um determinado local, possibilitando que a natureza feche o seu círculo (semeadura, cultivo e colheita).
O local escolhido para a fixação de residência, além de ter algum curso fluvial (rios, córregos e riachos), 
tinha que ter recursos para o abastecimento do grupo. Algumas vezes, o crescimento populacional ia 
além dos recursos da região, provocando uma divisão interna e a busca de novas regiões. O tamanho do 
grupo variava em função da produtividade da terra.
O processo de sedentarização, então, seguiu-se de forma gradual e não necessariamente definitiva. 
Mesmo de posse do conhecimento da atividade agrícola, o bando enfrentava etapas de nomadismo e de 
fixação ao solo, que variava em função das necessidades mais prementes.
Vivendo nessa constante migração em busca de sua sobrevivência, o homem pré-histórico vivenciou 
uma difusão cultural. A agricultura passou a ser uma atividade irresistível e, por isso, a irradiação dessa 
nova forma de sobrevivência ocorreu de forma segura em direção a um futuro que, a princípio, se 
mostrava extremamente promissor.
Sem dúvida, esse foi um período de muitas mudanças, dentre elas a domesticação dos primeiros 
animais. Em busca dos restos de alimentos, os lobos aproximavam-se dos locais onde as tribos estavam 
fixadas. Os seres humanos, então, aproveitando-se dessa proximidade, começaram a utilizar alguns 
desses animais para facilitar a caça. O uso feito pelo homem desse animal promoveu uma seleção 
artificial, criando uma nova espécie.
O cultivo de plantas medicinais e dos alimentos necessários à sobrevivência trouxe consigo a 
proximidade dos animais. À medida que se aproximavam dos homens, uns habituavam-se ao convívio 
do outro, propiciando o surgimento da atividade criadora.
43
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
O confinamento de animais também deve ter ocorrido em um processo cheio de erros e acertos. 
Esse processo ocorreu por meio de um aperfeiçoamento vagaroso, conforme afirma Pinsky (2013, p. 48): 
como atividade complementar, “um pequeno número de animais, [ora] alimentados por pastos naturais 
em volta do aldeamento e por restos de colheita”; ora confinados e utilizados como reserva de caça.
Na medida em que a atividade pastoril começa a ganhar corpo, o homem percebe que, além do alimento, 
essa atividade traz consigo inúmeras outras vantagens, como o uso do leite, do couro, da lã, dentre outros.
Essas transformações possibilitam um tempo disponível que podia ser dedicado à construção de 
casas e fabricação de ferramentas que facilitavam o dia a dia. A técnica utilizada não é mais o lascamento 
e sim o polimento das ferramentas após sua confecção. Logo depois, o homem descobre a metalurgia.
Então, em vez da força, é a “tecnologia” a grande auxiliar na busca da sobrevivência. O homem desce das 
montanhas, sai das grutas e fixa residência onde a vida é mais fácil; no litoral ou próximo ao leito dos rios.
Surgem os primeiros aldeamentos, suas residências são feitas em material mais durável, como pedras 
e adobe. Posteriormente, essas aldeias dariam origem às cidades. O vestuário se modifica, deixando de 
ser exclusivamente de pele de animais: desenvolve-se a tecelagem.
Contudo, a evolução da sociedade não ocorre de forma harmônica e organizada. Não podemos 
acreditar que agricultores e criadores vivessem em paz e harmonia. Além dos conflitos inevitáveis para 
salvaguardar o grupo e suas posses, é razoável acreditar que esse processo revolucionário ocorreu em 
conjunto com uma diferenciação social e o surgimento de grupos que passaram a governar os demais.
As crianças, anteriormente um grande fardo para o transporte e a alimentação, se transformam em 
um importante fator para a sobrevivência do grupo. A mão de obra infantil, muito provavelmente, foi 
largamente utilizada.
Podemos, então, afirmar que a Revolução Neolítica, que possibilitou a sedentarização do grupo, 
junto com a agricultura e a domesticação dos animais, mudou a organização do grupo, instituiu a 
divisão do trabalho entre homens e mulheres e alterou a relação com o tempo.
Existia um tempo muito importante: o tempo entre a semeadura e a colheita. Provavelmente esse 
era um período dedicado à cestaria, à cerâmica e à tecelagem – além, naturalmente não podemos deixar 
de salientar – às atividades místicas e artísticas, nas quais esses homens se empenhavam em busca do 
auxílio divino e mágico em prol de uma colheita abundante para abastecer o grupo. As pinturas e as 
gravuras, assim, se modificam e surgem os monumentos megalíticos que veremos a seguir.
Exemplo de aplicação
Com a passagem do Paleolítico para o Neolítico, mudanças ocorreram em relação ao modo de vida 
e às formas de sobrevivência de nossos ancestrais. Reflita a respeito dessas mudanças e de como elas 
contribuíram para uma possível mudança na arte.
44
Unidade I
3 ORIGENS DA ARTE PRÉ-HISTÓRICA
Quando surgiu a arte pré-histórica? Foi o Homo sapiens ou o Homo sapiens sapiens que a criou? 
Muito se discute em relação à origem da arte pré-histórica e, com a constante realização de novas 
pesquisas, sempre se acrescentam informações sobre o tema.
3.1 Homo sapiens e arte pré-histórica
Quem foi o primeiro hominídeo a produzir arte? Esse é o ponto de partida para pensarmos sobre a 
antiguidade da arte paleolítica. Desde a descoberta das pinturas rupestres, muito se pensou a respeito. 
Os primeiros pesquisadores acreditavam que o chamado homem primitivo não possuía a capacidade 
artística e intelectual do homem moderno. Depois, atribuíram toda a produção artística pré-histórica ao 
Homo sapiens, pois este teria desenvolvido uma linguagem simbólica, abstrata e articulada.
O surgimento da arte pré-histórica como um florescer simultâneo em várias 
partes do mundo tem a ver com os processos de hominização, da evolução 
e o aumento da capacidade craniana, ou seja, o aumento do volume do 
cérebro, que permitiria o desenvolvimento dos processos de abstração no 
gênero homo. Considerando-se que o homem tem mais de dois milhões de 
anos e que a arte pré-histórica começou há 30.000, podemos aceitar que 
a arte rupestre seja “uma arte moderna”, afirmativa formulada por autores 
de áreas díspares do conhecimento estético como são o pré-historiador 
Eduardo Ripoll, o pintor Juan Miró e o romancista Ariano Suassuna (MARTIN, 
1996, p. 245).
Para muitos pesquisadores, o Homo sapiens sapiens teria desenvolvido essa capacidade de 
expressar-se de forma simbólica graças à evolução cerebral ocorrida com o desenvolvimento do lóbulo 
frontal. Outras característicasfísicas, como a presença de uma visão binocular (permitida em decorrência 
da verticalização da face), o bipedismo (que teria possibilitado a liberação das mãos, que passaram a 
ter o polegar opositor) e a posição da laringe (em decorrência de uma postura ereta) também teriam 
possibilitado as representações artísticas. O homem primeiro teria conquistado o universo simbólico da 
fala, para depois dominar o universo da imagem e das representações visuais. É verdade que todas essas 
mudanças ocorreram e foram importantíssimas para a nossa evolução,
porém, pesquisas atuais mostram que o uso precoce de pigmentos, considerado 
um dos indicadores de modernidade, ao lado de outros como a coleta e o 
transporte de cristais e fósseis, perfuração e gravação de objetos portáteis 
de pedra e osso, todos ligados à atividade simbólica, encontrados em sítios 
do Paleolítico Médio na Europa, não é recurso específico do homo sapiens 
anatomicamente moderno, contradizendo, assim o modelo de uma única 
espécie para a origem da modernidade comportamental (D’ERRICO et al, 2003). 
Parece ter havido aquisição gradual das modernas técnicas e habilidades 
cognitivas desde o Paleolítico Inferior em diante, mas na opinião de d’Errico 
et al (2003) as evidências continuam limitadas. (MAGALHÃES, 2011, p. 43)
45
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Apesar dessas descobertas, como a ocorrida em Twin Rivers (Zâmbia), que datam as pinturas 
rupestres em aproximadamente 400 mil anos, ainda é consenso entre os estudiosos que a arte rupestre 
como prática teria sido desenvolvida pelo Homo sapiens em torno de 40 mil anos atrás. Assim, para 
eles, a generalização do uso de pigmentos e o início das primeiras imagens e representações simbólicas 
seria responsabilidade desse homem moderno, como comprovariam as últimas datações em pinturas 
rupestres de regiões da Espanha e da França.
Para esses pesquisadores, a capacidade de um pensamento abstrato e de criar símbolos diferenciaria 
o ser humano de outras espécies e a arte rupestre seria uma forma de se utilizarem símbolos como 
forma de comunicação.
A arte rupestre refere-se a uma intervenção voluntária e definitiva nos 
abrigos, com potencial para atender a diferentes finalidades. Quaisquer que 
tenham sido elas, seu atendimento deu-se também por meio da comunicação 
que a materialidade dos sítios gravados ou pintados engendrava, isto é, por 
meio dos significados sociais, funcionais e simbólicos eles ajudavam a criar 
(RIBEIRO, 2006, p. 57).
Exemplo de aplicação
E você, o que pensa sobre isso? Reflita sobre essas controvérsias entre os pesquisadores.
3.2 A arte pré-histórica
“É a pedra que resiste ao tempo. Ela está presente em todas as épocas e em 
todas as culturas!” (Águeda Vilhena Vialou)
3.2.1 A arte pré‑histórica: sistemas de representações
Estudar arte na Pré-história nos leva a indagar se o conceito de arte se aplica aos povos da Pré-história. 
Se entendermos arte como um processo, como nos fala Argan (1994), ligado às técnicas desenvolvidas 
pela ação humana e a relação entre sua capacidade mental e de ação podemos associar essa produção 
aos povos anteriores ao aparecimento da escrita.
Podemos considerar que esses povos têm comportamentos semelhantes aos nossos, como prazer 
visual ou tátil, porém a palavra arte é contemporânea, não existia na época.
Desde tempos remotos, o homem representa o seu mundo e sua realidade através de imagens. 
Para os seres humanos, a ordenação visual sempre esteve presente, quer de forma figurativa, quer de 
forma abstrata.
Essa ordenação do mundo através de imagens, da criação de símbolos não pode ser considerada obra 
do acaso, deve ser admitida como representação do comportamento simbólico e social dos grupos que 
o produziram.
46
Unidade I
Uma imagem é composta de uma sintaxe própria, uma gramática visual 
que organiza a sua existência e conduz a sua compreensão. Para que esta se 
estabeleça, então são agrupados elementos, tais como ponto, que exerce uma 
visível e grande atração sobre o olhar, raramente apresentado isoladamente, 
considerado o “átomo” de toda expressão pictórica (idem, 2007, p. 7), a linha, 
que constrói as formas e determina sua complexidade e ainda o plano, a cor, 
a textura e o movimento, os quais podem inscrever-se sobre os mais variados 
suportes. Todas as imagens, da pintura à imagética virtual, são constituídas e 
dependem da articulação destes conceitos (SOUZA, 2009. p. 428).
A humanidade sempre teve necessidade de interpretar e organizar o mundo através dos 
elementos visuais.
O que leva um homem que ainda não domina técnicas que garantam sua sobrevivência de forma 
adequada a externar, através de símbolos, o mundo que o cerca?
Criando uma gramática visual própria, esse homem reproduz elementos de sua realidade, de acordo 
com sua visão de mundo. Trata-se de uma produção estética que foi feita para ser vista, logo, dá 
supremacia à visão e concretiza de forma plástica o mundo que os rodeia.
É a partir de uma realidade dada que esse “artista” cria um elo entre o espectador e o mundo e 
estabelece uma multiplicidade de percepções e de interpretações desse mundo circundante.
A seleção das imagens não é aleatória, expressa um recorte que não é apenas pessoal, mas que 
representa informações que são relevantes tanto para quem as produziu quanto para o grupo que vai 
visualizar e relacionar-se com o objeto da produção. Mesmo levando em consideração que algumas 
dessas imagens foram produzidas em grutas de difícil acesso, temos o período de produção e a observação 
que está relacionada, inclusive, com a pouca luminosidade do local.
É a partir da visão que reconhecemos o mundo ao nosso redor e reagimos a ele. Formamos uma 
imagem mental daquilo que vemos, e é a partir dessa imagem que decodificamos o mundo.
Essa é a mais primitiva forma de comunicação.
A compreensão de uma determinada imagem será feita a partir do repertório daquele que a observa. 
Os processos referenciais pessoais e do grupo são fatores determinantes para isso. A produção dessa 
imagem não pode ser considerada obra do acaso, pois está inserida em um universo de representações 
e significados.
Os primeiros registros de representação visual do mundo encontram-se na Pré-história. Nas grutas, nas 
paredes das cavernas e em pedras, os homens dessa época retratavam visualmente o mundo do período.
Surge uma representação estética de uma realidade que representa os registros dos nossos 
antepassados mais longínquos. No Paleolítico, temos representações naturalistas e figurativas de 
47
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
extrema fidelidade ao real; no Neolítico, vemos um mundo representado de forma geométrica. Mais do 
que o real, são símbolos e conceitos que se desvendam aos olhos de um observador que vê um mundo 
poetizado descortinando-se em sua frente.
Enquanto espectadores, temos a possibilidade de desvendar os códigos de produção imagética e o 
processo de fruição das imagens representadas. É a partir delas que podemos descobrir a relação que o 
homem estabelecia com o mundo, seus símbolos, suas crenças e sua forma de compreensão do ”real”.
Antes da escrita, houve um sistema de comunicação potencialmente 
capaz de registrar e conectar a linguagem com o real. A fala, se houve, 
não se manteve, mas o registro plástico pré-histórico nos possibilita acessar, 
sustentar e compreender nossa necessidade de manifestar o que entendemos 
como vida, morte, futuro e conquistas (SOUZA, 2009, p. 431).
Se podemos compreender um símbolo como um conceito ou figuração de uma determinada realidade, 
esse processo de figuração traz uma simbologia moral e intelectual que representa o momento em que 
foi produzido. O sentido só pode ser dado se for datado no momento mesmo em que é produzido.
Quando lemos imagens – de qualquer tipo, sejam pintadas, esculpidas, 
fotografadas, edificadas ou encenadas – atribuímos a elas o caráter 
temporal da narrativa. Ampliamos o que é limitado por uma moldura para 
um antes e um depois e, por meio da arte denarrar histórias (sejam de amor 
ou de ódio), conferimos à imagem imutável uma vida infinita e inesgotável 
(MANGUEL, 2006, p. 27).
Quando encontramos os primeiros vestígios de que os homens enterravam os seus mortos, 
entramos em contato com o universo simbólico do comportamento do homem pré-histórico. 
Podemos, então, inferir a existência de seres que apresentavam uma vida simbólica e um sistema 
de expressão e de comunicação.
Ornamentos, utensílios, armas decoradas, chifres de rena gravados, quando encontrados e 
catalogados, fazem que tenhamos de admitir, de forma inexorável, a ligação desse homem com o 
universo de uma arte; arte essa entendida como o processo de fruição e de percepção visual e tátil, 
arte que “desencadeia um sistema de relações, que produz interlocuções e faz andarem juntas duas 
modalidades de discurso: o imagético e o verbal” (MAGALHÃES, 2011, p. 40).
A presença desses objetos não é circunscrita a um único povo ou agrupamento, mas recorrente nos 
mais diversos sítios arqueológicos de múltiplas e variadas regiões. Onde quer que esses vestígios sejam 
encontrados, encontramos também um universo simbólico e de representações.
O arqueólogo Denis Vialou estudou esses sistemas de representações e afirmou que existem símbolos 
frequentes e recorrentes que podem ser classificados em função de um tema em comum ou dos locais 
em que foram elaborados. Desse modo, Vialou (2007, p. 66–71) indica quatro categorias metodológicas 
para pensarmos a arte pré-histórica. A primeira dessas categorias é a universalidade antrópica da arte 
48
Unidade I
pré-histórica e envolve a pesquisa antropológica a partir da evolução cerebral alcançada pelo homem 
moderno, disperso por todos os continentes. É a partir desse momento que surgem os primeiros sistemas 
de representações rupestres.
A segunda categoria é a ubiquidade natural que pressupõe a existência da arte pré-histórica em 
todos os continentes habitados pelo homem (de fato, as pinturas rupestres são encontradas em todos 
eles). A terceira é a unidade das representações, que parte do pressuposto de que a arte apresenta formas 
limitadas com a representação de sinais (formas geométricas) ou as representações figurativas 
(formas de seres vivos). Isso ocorreria, provavelmente, devido à homogeneidade cerebral dos “artistas” 
e à ubiquidade natural. A quarta e última categoria é a heterogeneidade cultural da arte pré-histórica 
e refere-se à grande diversidade de culturas existentes no mundo do homem moderno.
Ainda segundo Denis Vialou (2005, p. 245), os sistemas de representações que existem desde o 
Paleolítico Superior, apesar de serem universais, por pertencerem a uma mesma espécie, também 
compõem uma identidade cultural única. Assim, como sistemas de representações simbólicas, as artes e 
as línguas representam aspectos de identidade cultural dentro de uma escala temporal.
As informações contidas numa imagem, seja ela produzida por nossos 
antepassados ou não, são permeadas por símbolos, tanto as imagens 
representacionais que são identificadas na natureza, quanto as abstratas, que 
são resultado do desapego da forma, isso é, alheios a qualquer representação 
figurativa. Ambas precisam ser compreendidas, codificadas, interpretadas e, 
acima de tudo, visualizadas, porque visualizar é ter a capacidade de criar 
imagens mentais, etapa que possibilita avanço para um novo passo, que é 
reconhecê-la (ALVES, [s.d.], p. 71).
O que podemos afirmar com certeza é que a arte pré-histórica é uma arte que se apropria da 
natureza que cerca o homem que a produz, demonstrando o vínculo dessas sociedades com o entorno 
em que viviam. Dessa forma, podemos afirmar que o “artista” pré-histórico representou o ambiente em 
que estava inserido.
Pinturas e gravuras rupestres fazem parte de [...] sistemas visuais de 
comunicação. Estão constituídos por elementos gráficos que fazem 
parte dos padrões de apresentação social próprios das comunidades 
pré-históricas [...] A análise desses registros visuais deverá permitir 
identificar os padrões gráficos de apresentação social de seus autores 
e, portanto, segregar os grupos culturais responsáveis por essas obras 
gráficas (PESSIS, 2002, p. 30).
A arte pré-histórica, portanto, representa, entre outras coisas, a expressão das sociedades desse 
período a partir de sua complexidade cultural e de sua relação com o seu entorno.
49
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Exemplo de aplicação
Reflita sobre o significado do sistema de representações da arte pré-histórica.
3.2.2 A arte rupestre: definições e temáticas
O que é arte rupestre? O que induziu o homem pré-histórico a produzir arte rupestre? Existe uma 
arte rupestre? Essas são questões que, apesar de sua aparente simplicidade, geram muita polêmica até 
mesmo na atualidade.
Alguns arqueólogos defendem que o termo arte para a Pré-história seria equivocado. Para esses 
pesquisadores, nas sociedades pré-históricas não haveria um artista e, portanto, não existiria arte.
Porém, muitos são os estudiosos que defendem o conceito de arte rupestre e os arqueólogos que se 
interessam por esses registros.
O arqueólogo não poderá ignorar os registros rupestres na sua dimensão estética, 
considerando-se a habilidade manual e o poder de abstração e de invenção 
que levaram o homem a usar recursos técnicos e operativos nas representações 
pictóricas pré-históricas. Por muito que o arqueólogo queira inibir-se da valorização 
estética do registro rupestre, procurando utilizá-lo apenas como uma parte do 
contexto arqueológico, como ser humano sensível ao seu entorno, valorizará 
também o seu conteúdo ”artístico”. Se assim não fosse, não se teriam intensificado 
as pesquisas arqueológicas precisamente nas regiões onde os achados rupestres 
se apresentavam com maior beleza e conteúdo estético (MARTIN, 1996, p. 235).
Apesar de muitos pesquisadores utilizarem termos como registros rupestres ou grafismos, a 
expressão arte rupestre ainda é a mais comum, devendo ser mantida, principalmente, quando se parte 
do pressuposto de que arte é “o conhecimento de regras que permitem realizar uma obra perfeitamente 
adequada à sua finalidade” (GASPAR, 2003, p. 10).
 Lembrete
Como já definimos, arte rupestre são todas as representações gráficas 
feitas em paredes de cavernas pelos homens da Pré-história.
Mas desde quando os pesquisadores se preocuparam em analisar a arte rupestre? Do século XV até 
meados do século XX essas representações foram, basicamente, analisadas como arte pela arte, sendo 
ignoradas como fonte de informação sobre os povos que as produziram. Somente a partir dos trabalhos 
de Laming-Emperaire e Leroi-Gourhan é que se iniciou uma discussão em torno da necessidade de se 
criar uma metodologia de estudo da arte parietal e se defendeu a existência de uma estruturação lógica 
para as representações rupestres das cavernas da França, especialmente Lascaux e Chabot.
50
Unidade I
 Observação
Arte parietal é outra expressão utilizada para as pinturas e gravuras rupestres.
Assim, as análises das representações rupestres procuraram compreender o homem e o mundo que 
as produziram.
As populações humanas que constituíram suas singularidades culturais 
antes do período da escrita alfabética fizeram das imagens grafadas seu 
código de comunicação predominante, entre os grupos culturais da época 
em que viveram. Num artifício de duplicar, no sentido de representar, os 
utensílios, os animais e o próprio indivíduo, essas populações acabaram por 
nos legar uma forma de comunicação cujos contextos e detalhes foram e 
continuam sendo um enigma a ser decifrado (ALVES, [s.d.], p. 69).
A interpretação da arte pré-histórica sempre foi motivo de muita polêmica, e todos os pesquisadores 
desse período, de uma forma ou outra, abordaram seu significado e sua função. A maior parte das 
interpretações, contudo, era vaga, e durante boa parte do século XX, os pré-historiadores buscavam em 
sociedades contemporâneas respostas para as questões da Pré-história, ignorando, geralmente,as 
especificidades de cada povo e de cada realidade.
Ao longo do século XIX e início do século XX, entretanto, surgiram algumas interpretações balizadas 
pela concepção evolucionista de mundo. Essas interpretações defendiam, principalmente, a ideia da 
“arte pela arte”. Segundo essa teoria, o homem do Paleolítico teria muito tempo livre em períodos como 
o inverno, quando não ocorreria a caça. Assim, esse homem teria se preocupado em enfeitar o entorno 
em que vivia durante o seu tempo livre.
Como vimos anteriormente, essa linha de interpretação foi questionada em meados do século XX 
pelo trabalho de alguns pesquisadores franceses. Leroi-Gourhan foi um dos primeiros a defender uma 
linha estruturalista para a interpretação da arte pré-histórica. Assim como esse autor,
Laming-Emperaire enxerga o dualismo em relação aos gêneros masculino e 
feminino nas pinturas do conjunto franco-cantábrico e introduz a ideia de 
uma ordem em sua disposição no espaço dos abrigos ou cavernas em que 
foram realizadas (MAGALHÃES, 2011, p. 30).
Atualmente, a análise da arte rupestre é realizada por novos campos de interpretação, como o 
estudo de gênero e de fenômenos astronômicos, biológicos e acústicos. Porém, apesar disso, a hipótese 
mais corrente ainda é a que defende uma finalidade mágica para essas pinturas e gravuras relacionadas 
com rituais que tinham o objetivo de garantir a sobrevivência do grupo.
51
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
O homem do Paleolítico Superior desconhecia a agricultura e a criação de animais. Vivia na incerteza 
de uma boa caçada, dependente da sorte e das inclemências do tempo para a garantia de seu sustento. 
Representar animais significava possuí-los, propiciando a caça necessária.
[...] o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde 
que possuísse sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro 
desde que o representasse ferido mortalmente num desenho. Assim, para 
ele, os desenhos não eram representações de seres, mas os próprios seres 
(PROENÇA, 2000, p. 11).
Dessa forma, a representação possuía o poder de aprisionar o animal, e, ao pintá-lo, o caçador 
praticamente convocava a caça, possibilitando que a capturasse com maior facilidade.
Nesse sentido, é significativa a presença de pinturas de animais atravessados com flechas. Além 
disso, acredita-se que se utilizava a imagem para assegurar a morte do animal mais difícil de capturar 
ou para proteger-se contra seus ataques. Por isso, na Europa, era comum a presença dos bisões na arte 
rupestre, enquanto os cervos, principal fonte de alimentação segundo os vestígios encontrados nessa 
região, está praticamente ausente, pois eram “fáceis de caçar”. Sob essa perspectiva de interpretação, a 
caverna adquire o papel de santuário.
Não é amor realístico pelas formas dos animais, para com suas massas 
plásticas, ou seus atos irrompentes, o que impele o homem do Paleolítico a 
fixar-lhes a imagem. É, porém, a fome; a terrível fome, individual e coletiva, de 
uma humanidade que da caça obtém os meios de subsistência. A figuração, 
como ato mágico, se acrescenta aos métodos de caça, à pederneira, às 
armadilhas (PISCHEL, 1996, p. 12).
Como vimos, existe uma grande discussão acerca das interpretações da arte rupestre. Não podemos 
esquecer que o ser humano é complexo, então, por que deveria ser simples analisar sua produção? 
Um consenso, porém, entre os pesquisadores atuais é que, independentemente da linha interpretativa, 
a análise de uma pintura ou gravura em rocha não pode ser feita de uma maneira isolada, mas sim 
levando-se em conta todo o contexto em que ela é encontrada.
Além disso, apesar de todas essas controvérsias, devemos nos lembrar de que o artista do Paleolítico 
e do Neolítico
[...] que retratou nas rochas os fatos mais relevantes da sua existência, tinha, 
indubitavelmente, um conceito estético de seu mundo e da sua circunstância. 
A intenção prática da sua pintura podia ser diversificada, variando desde 
a magia ao desejo de historiar a vida de seu grupo, porém, de qualquer 
forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse ”belo” segundo 
seus próprios padrões estéticos. Ao realizar sua obra, estava criando arte 
(MARTIN, 1996, p. 235).
52
Unidade I
Assim, quais foram os elementos dignos de registros para os homens pré-históricos? Como visto 
anteriormente, o repertório do homem desse período envolvia a natureza que o cercava, tornando a 
temática da arte rupestre mundial homogênea.
A principal temática presente nesse tipo de acervo é representada na maioria 
das vezes por animais, seres humanos, desenhos geométricos e imagens 
representando plantas, as quais são denominadas imagens “fitomortas” 
(MARTIM, 1999). As figuras que representam desenhos de animais são 
encontradas em abundância em determinadas regiões; em outras há uma 
maior diversidade, aparecendo, além das representações de animais, figuras 
humanas e geométricas, plantas e objetos [...] sendo que as representações 
de animais são as que aparecem sendo desenhadas por um período de tempo 
mais extenso (ALVES, s.d., p. 62).
A presença de figuras humanas, de animais, sinais geométricos e símbolos da natureza, como o Sol e 
a Lua, são, portanto, elementos comuns na arte parietal das grutas e cavernas encontradas na Espanha, 
na França, em Portugal, na África e no Brasil, entre outros países ao redor do mundo.
Na Europa, por exemplo, é comum a presença de imagens de bisões, cervos, cavalos, renas, cabras, 
javalis e ursos representando o universo vivido por estes homens.
As cenas de caçada também são uma temática constante na arte rupestre mundial, demonstrando, 
mais uma vez, segundo os pesquisadores, a preocupação do homem com a sua sobrevivência.
 Exemplo de aplicação
Várias teorias de interpretação da arte rupestre foram apresentadas. Reflita sobre elas e escolha a 
que você considera a mais indicada. Feito isso, tente interpretar a imagem.
Figura 34 – Gruta de Lascaux
53
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
4 A ARTE PRÉ-HISTÓRICA DOS SÍTIOS INTERNACIONAIS: PINTURAS, 
GRAVURAS, ESCULTURAS E ARQUITETURA
Em que regiões aparece a arte pré-histórica? A arte pré-histórica, como comentado anteriormente, 
aparece em todos os continentes, com exceção da Antártida. O maior número de sítios existe no 
continente africano. A Austrália é outro território rico em arte rupestre (região de Laura, Pilbara e terra 
de Arnhem – Parque Nacional de Kakadu). Na Ásia, encontramos sítios na China, na Ásia Central, no 
Oriente Médio e na Índia. O continente americano apresenta sítios de norte a sul. No Brasil, acredita-se 
que os sítios de São Raimundo Nonato, no Piauí, sejam os mais antigos.
As grutas e cavernas europeias ainda hoje são as mais estudadas. A descoberta e as análises 
desses locais fizeram que, durante muitos anos, essa arte rupestre fosse considerada a mais antiga. 
Por isso, as informações e as interpretações realizadas na Europa foram norteadoras de todas as 
demais pesquisas.
 Saiba mais
PESQUISADORES descobrem na África do Sul oficina de pinturas 
pré-históricas. R7, 13 out. 2011. Disponível em: http://noticias.
r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/pesquisadores-descobrem 
-na-africa-do-sul-oficina-de-pinturas-pre-historicas-20111013.html. 
Acesso em: 26 mar. 2014.
4.1 As pinturas e gravuras rupestres da Europa: Espanha e França
Se pensarmos na história da humanidade, o descobrimento das pinturas rupestres é relativamente 
recente, pois foi somente no final do século XIX que se encontraram pela primeira vez exemplos dessas 
representações paleolíticas e neolíticas. Na realidade, desde o século XVI, existem registros de “achados” 
de pinturas e gravuras parietais, porém foi durante o século XIX que relacionaram, pela primeira vez, 
essas pinturas com os homens pré-históricos.
Em 1879, Marcelino Sanz de Sautuola escavava com sua filha de sete anos em busca de vestígios 
pré-históricos, quando descobriu, por acaso, as cenas de animais que recobriam o teto da gruta de 
Altamira, no municípiocântabro de Santillana del Mar, Espanha. Apesar de defender que os desenhos 
tinham sido feitos pelas mãos dos homens da Pré-história, morreu em 1888 sem conseguir que se 
reconhecesse o seu achado. Para muitos, essas pinturas eram meras falsificações ou a obra de pastores 
da região que haviam vivido durante a Idade Média.
As descobertas das grutas de Altamira, seguidas pelas descobertas das pinturas e gravuras parietais 
na França, levaram a comunidade científica do final do século XIX e começo do século XX a analisar essas 
representações como produções do homem pré-histórico. A partir daí, as descobertas foram sucessivas, 
e a última grande descoberta ocorreu em 1994, na França.
54
Unidade I
Já sabemos que foi durante o Paleolítico que surgiram as primeiras representações de arte rupestre, 
mas como analisar essa arte rupestre? Todas as cavernas e grutas encontradas apresentam desenhos da 
mesma época?
Um dos aspectos mais importantes para a análise da arte rupestre é o processo de datação. 
Muitas vezes, os arqueólogos recorrem às escavações em busca de vestígios que permitam uma 
datação absoluta (aquela que utiliza o carbono 14, que é um método radioativo de análise). Para 
isso, buscam pigmentos, instrumentos usados nas pinturas ou restos de carvão. Uma das técnicas 
usadas atualmente é a chamada radiocarbônica, que mistura materiais na preparação de amostras de 
carbono. Como essas técnicas de datação são muito recentes, no início, a interpretação dos desenhos 
era o método mais utilizado para analisá-las. Porém, como vimos anteriormente, nem sempre houve 
consenso nas interpretações.
Os pesquisadores, para facilitar os estudos, dividiram o Paleolítico em períodos e organizaram uma 
classificação levando em consideração a antiguidade dos vestígios encontrados e as técnicas utilizadas 
pelos homens para a elaboração de suas ferramentas.
Assim, podemos afirmar que existiam várias culturas paleolíticas, sendo a aurignaciana a mais antiga 
(40 mil a.C. – 28 mil a.C.). Foi durante essa época que começaram a ser produzidas as primeiras imagens 
e representações simbólicas. A cultura aurignaciana foi sucedida pela cultura gravetiana (28 mil a.C. – 
20 mil a.C.), que, por sua vez, foi sucedida pela solutreana (20 mil a.C. – 10 mil a.C.), que apresenta uma 
quantidade significativa de gravuras, e, por fim, a última seria a magdaleniana (10 mil a.C. – 5 mil a.C.) 
com pinturas como as encontradas em Niaux, França.
 Observação
Não podemos esquecer que toda classificação sofre variações 
dependendo das pesquisas realizadas, ainda mais quando trabalhamos com 
um período tão longo como a Pré-história e que apresenta apenas vestígios 
de cultura material para a análise.
Durante o período aurignaciano, os desenhos apresentam traços simples realizados, entre outras 
técnicas, com os dedos em argila mole. No repertório desse período, a presença de animais era comum, 
e eram pouco frequentes as representações humanas.
Outra representação desse período são as pinturas de mãos encontradas em grutas como a de 
Gargas, nos Pirineus franceses.
Não sabemos se, e até que ponto, o motivo rupestre da impressão da mão 
aberta, contornada, se reveste de significado mágico, como acontece com 
a maior parte das figurações do Paleolítico. Em todos os tempos, a arte 
apreciará a figuração da mão: raramente, porém, conseguirá a sugestão 
destas, que são gritos de presença e de conquista. Assinalando a meta 
55
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
de uma longa evolução biológica, são revelações conscientes do Homo 
sapiens, do Homo faber, o qual, com sua inteligência, sabe reagir em face 
de um ambiente natural inóspito e adverso e usa a mão como recurso para 
vencê-lo e dominá-lo. Trabalhos duros e árduos, no problema elementar da 
sobrevivência, afligiram, mais do que em qualquer outro tempo, estas mãos. 
Mas já aparece nítida a mão do homem (PISCHEL, 1996, p. 11).
Essas marcas de mãos apareciam em positivo ou negativo, dependendo da técnica utilizada. Quando 
as mãos eram apoiadas cheias de tinta nas paredes, o efeito conseguido era denominado mãos em 
positivo. A técnica utilizada para se obter as chamadas mãos em negativo era a seguinte:
“Após obter um pó colorido a partir da trituração de rochas, os artistas o sopravam, através de um canudo, 
sobre a mão pousada na parede da caverna. A região em volta da mão ficava colorida e a parte coberta, não. 
Assim, obtinha-se uma silhueta da mão, como num filme em negativo” (PROENÇA, 2000, p. 12).
Para muitos, foi somente depois de dominar a técnica das mãos em positivo e em negativo que o 
artista do Paleolítico passou a, efetivamente, desenhar, pintar e gravar nas paredes das grutas e cavernas.
 Saiba mais
Para visualizar exemplos de mãos em negativo e saber um pouco mais 
sobre elas, acesse o site:
GERSCHENFELD, A. Os neandertais poderão ter sido os primeiros 
artistas das cavernas. Publico, 14 jun. 2012. Disponível em: 
https://www.publico.pt/ciencia/noticia/os-neandertais-poderao 
-ter-sido-os-primeiros-artistas-das-cavernas-1550349. Acesso em: 26 
mar. 2014.
Partindo da hipótese interpretativa que considera que a arte rupestre possuía uma função mágica e 
que, ao executá-la, o homem garantia uma caça abundante para seu grupo, uma questão é levantada: 
o homem teria a única intenção de matar com a sua arte, ou também buscaria criar animais?
Isso ajudaria a explicar o incrível realismo dessas imagens, pois um 
artista que acredita estar realmente “criando” um animal tem maiores 
probabilidades de lutar por essa qualidade do que outro que simplesmente 
produzisse uma imagem para ser morta. Algumas das pinturas das cavernas 
dão-nos até mesmo uma indicação dessa magia de fertilidade: a forma de 
um animal frequentemente parece ter sido sugerida pela formação natural 
da rocha, de forma que seu corpo coincida com uma saliência ou que seu 
contorno siga um veio ou fenda. Um caçador da Idade da Pedra, com a 
mente repleta de pensamentos sobre as grandes caçadas das quais dependia 
56
Unidade I
para sobreviver, muito provavelmente reconheceria tais animais entre as 
superfícies rochosas de sua caverna e atribuiria um profundo significado à 
sua descoberta (JANSON; JANSON, 1996, p. 16).
Tudo isso, porém, são possíveis interpretações sobre a arte rupestre. O que podemos afirmar é que 
a principal característica da arte rupestre do Paleolítico é o naturalismo, ou seja, o realismo de suas 
representações. Além disso, outra característica da arte parietal paleolítica é o fato de os desenhos 
serem feitos em grutas e cavernas de difícil acesso.
Ao falarmos de pinturas e gravuras rupestres na Europa, devemos, sem dúvida nenhuma, destacar aquelas 
encontradas na região franco-cantábria, pois, desde sua descoberta, muito se avançou em suas análises.
Figura 35 – Vestígios da arte pré-histórica encontrados na Europa Ocidental
 Observação
O termo pintura franco-cantábria refere-se às pinturas que são 
encontradas na França (Dordogne, Lascaux) e no norte da Espanha (Altamira).
Mais uma vez, destacam-se o naturalismo das imagens e a capacidade do homem do Paleolítico 
de recriar a natureza que o cerca. Geralmente, os bisões são representados com traços que apresentam 
57
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
força e movimento, mas, “nas imagens que representam renas e cavalos, os traços revelam leveza e 
fragilidade” (PROENÇA, 2000, p. 12).
Nas pinturas rupestres franco-cantábricas, como nas demais representações parietais do Paleolítico, 
algumas características comuns são perceptíveis, sendo o naturalismo uma delas, com as figuras de 
animais isoladas sem formar cenas. Outra característica se refere às cores utilizadas, que variam da 
monocromia à policromia. Os homens pré-históricos utilizavam o preto, que conseguiam a partir 
do carvão vegetal, e cores como o amarelo e o vermelho, que obtinham do óxido de minerais. Esses 
pigmentos naturais eram mesclados com gordura animal e se utilizavam, provavelmente, os dedos e 
pincéis feitos de penas e pelos paraa pintura. Além disso, era comum que os artistas se aproveitassem 
das reentrâncias e das saliências das paredes para realizar as pinturas, encontradas, principalmente, nas 
áreas pouco iluminadas do fundo das cavernas e grutas.
As famosas grutas de Altamira apresentam pinturas dos períodos aurignaciano e magdaleniano. 
Provavelmente os artistas dessa gruta tenham utilizado inúmeras técnicas para os seus desenhos, 
sendo comum a sobreposição ou a presença de figuras inacabadas. Acredita-se que muitos “pintores”, 
inicialmente, com o auxílio de uma pedra afiada, gravassem sobre a parede da gruta a figura que 
desejavam. Na sequência, contornavam o desenho com carvão e o coloriam com os pigmentos nas 
cores vermelho, ocre e marrom obtidos a partir do óxido de ferro.
A temática mais frequente nas pinturas de Altamira é o bisão. Ele aparece em variadas posições: em 
repouso ou em movimento, com a cabeça voltada para o lado, mugindo e em outras posturas. Outros animais 
também impressionam por seu realismo, como os cavalos, cervos e mamutes. Seu conjunto de pinturas é 
muito impressionante e é o que fez essa gruta ganhar o título de “Capela Sistina da arte quaternária”.
 Saiba mais
Para obter mais informações, visite o site da gruta de Altamira, 
na Espanha:
http://museodealtamira.mcu.es/El_Museo/index.html.
Outra gruta que também impressiona pelas figuras representadas é Lascaux. As pinturas dessa gruta 
demonstram diversas técnicas, desde as figuras monocromáticas, passando pelas bicromáticas (nas quais 
se destacam as combinações amarelo e preto, vermelho e preto) e pelas policromáticas, com destaque 
para vermelho, amarelo e preto.
A gruta de Lascaux, no sul da França, foi descoberta em 1940, por Marcel Ravidat, que passeava uma 
tarde com seu cachorro pelos arredores. Como não conseguiu entrar num primeiro momento, voltou 
dias depois, acompanhado por amigos, e, juntos, finalmente entraram na cova. Qual não foi a surpresa 
dos rapazes quando, avançando pela gruta, chegaram a uma galeria estreita e, ao levantar a lanterna 
viram que o teto estava cheio de representações de cavalos e touros? Impressionados com o achado, 
58
Unidade I
avisaram a um professor aposentado da região que, por sua vez, entrou em contato com o abade Henri 
Breuil, uma das maiores autoridades em arte paleolítica da época.
Henri Breuil, ao iniciar seus estudos de Lascaux, chamou-a de “Altamira francesa” e acreditava 
que as pinturas e gravuras parietais encontradas na gruta fossem do período aurignaciano, porém as 
pesquisas posteriores comprovaram que as figuras eram do final do Paleolítico Superior, ou seja, do 
período magdaleniano. A temática comum é a presença de animais, com uma grande frequência de 
cavalos, touros e bisões.
No sul da França, encontramos a gruta de Niaux, uma das mais famosas do mundo. As pinturas, 
pertencentes ao período magdaleniano, destacam-se pela sua policromia e pelo uso do carvão 
e do óxido de ferro. A temática presente nas representações são animais como cavalos, cabras, 
bisões e cervos.
Em Niaux, existe uma grande sala circular subterrânea chamada de Salão Negro, onde a arte parietal 
se caracteriza pela presença de figuras delineadas em negro e policromáticas. Uma dessas figuras retrata 
um bisão ferido por flechas com os traços negros delineados com grande efeito realista.
Figura 36 – Bisão ferido por flechas, Niaux, sul da França
Apesar de diversas grutas com arte parietal terem sido encontradas na região francesa de 
Ardèche desde o século XIX, essas figuras não despertaram o mesmo interesse que aquelas da região 
franco-cantábrica. Porém, isso mudou quando, em 1994, três amigos descobriram uma gruta que 
recebeu o nome de Chauvet.
O nome Chauvet foi uma homenagem a uma das descobridoras da gruta. Jean-Marie Chauvet, e seus 
amigos Éliette Brunel e Christian Hillaire, espeleólogos amadores, resolveram explorar as cavernas do 
chamado círculo d’Estre, na região do rio Ardèche. Em expedições anteriores, haviam achado uma cavidade 
pequena que apresentava uma corrente de ar. Desta feita, contudo, resolveram verificar se era ou não a 
entrada de uma gruta. Quando finalmente o grupo entrou na gruta, realizou uma inspeção prévia, e ficou 
59
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
óbvio para todos que aquele lugar, provavelmente, servira de abrigo para homens pré-históricos. Porém, a 
grande emoção só ocorreu quando pensavam em sair do local, pois uma das pessoas do grupo iluminou 
as paredes, e eles puderam visualizar as pinturas e gravuras rupestres representadas com tanto realismo.
Logo que as autoridades francesas foram notificadas e os primeiros pesquisadores, como o 
pré-historiador Jean Clottes, chegaram à gruta para analisar a datação e a autenticidade das figuras, o 
sítio foi fechado para o público. Isso ocorreu devido a uma preocupação, por parte dos envolvidos, com 
a conservação do local, pois pretendiam evitar os danos que haviam ocorrido com algumas das pinturas 
encontradas em Lascaux e Altamira devido a agressões bioquímicas, como a presença do gás carbônico, 
relacionadas com a grande presença humana decorrente do turismo.
Além de ser o último descobrimento em relação a sítios de arte rupestre, o que mais ocasionou o 
repentino interesse dos pesquisadores pela gruta? O que o fez foram as datações iniciais com carbono 14, 
que comprovaram que as pinturas e gravuras não eram do período áureo da arte rupestre, como se 
pensava pelas análises interpretativas – ou seja, não eram do final do Paleolítico Superior, mas sim dos 
primórdios dessa arte durante o período aurignaciano.
As datações a partir dos carvões vegetais presentes nas pinturas e nos resíduos de tochas da gruta 
comprovaram que o local fora ocupado em dois momentos pelos homens do Paleolítico. A primeira 
ocupação teria ocorrido em torno do período de 32.000 a.C. a 29.000 a.C. A segunda ocupação, por sua 
vez, seria do período que de 27.000 a.C. a 24.500 a.C. Essas ocupações englobariam então os períodos 
aurignaciano e gravetiano.
Apesar dessa datação com o carbono 14, a discussão sobre a antiguidade desse sítio continuou 
sendo resolvida somente em 2012, quando as pesquisas geológicas comprovaram que a entrada da 
gruta tinha sido vedada por um terremoto há mais de 21 mil anos.
A arte rupestre da gruta de Chauvet é, atualmente, a representação humana mais antiga da Europa. 
Esse status permanece, pelo menos, até que se faça uma nova datação radioativa da arte parietal da 
gruta de El Castillo, na Espanha, a que se tem atribuído, inicialmente, uma idade de 40 mil anos.
 Lembrete
Não podemos esquecer que o estudo da Pré-história baseia-se, 
principalmente, em hipóteses que podem sofrer alterações de acordo 
com novas pesquisas. Assim, toda temática desse período histórico é 
aberta ao debate.
Mas por que tanta polêmica em torno da datação desse sítio de arte rupestre?
Toda essa discussão deve-se ao realismo, à elegância dos traços, ao sombreamento e ao dinamismo 
das imagens que levaram os pesquisadores a classificarem essa arte rupestre como contemporânea de 
Altamira e Lascaux.
60
Unidade I
O dinamismo e o realismo das representações são tão surpreendentes que podemos imaginar a cena 
de criação dessa arte: o artista paleolítico, com a ajuda de tochas para iluminar seu caminho, adentra 
a gruta e, ao encontrar o local ideal, pinta e grava animais de seu cotidiano. A possibilidade de que a 
gruta seja local de hibernação de ursos durante o inverno não desanima; ao contrário, parece ser fonte 
de inspiração, como mostra a figura do urso desenhado na parede da gruta.
Figura 37 – Urso desenhado na caverna de Chauvet
Como podemos observar na figura do urso, o artista lidava com o movimento e a perspectiva. 
Aproveitava-se das saliências e reentrâncias das paredes para conseguir o volume e representar a 
musculatura das figuras, recriando o movimento e a ação.
Na pintura, os materiais mais usados eram o carvão, a argila vermelha e outros pigmentos minerais, 
sendo as cores mais comunso preto, o vermelho e o amarelo. Uma técnica utilizada nesse local era a 
raspagem da superfície parietal até surgir uma camada mineral branca, onde os gravadores talhavam 
com pedras as figuras por eles escolhidas, ou alguns pintores realizavam seus desenhos.
Muitas figuras eram diretamente esboçadas nas paredes com carvão vegetal sem a raspagem prévia. 
Havia uma variedade de animais representados, como mamutes, cavalos, rinocerontes, leões, cervos 
gigantes (megáceros), ursos e até mesmo representações únicas no mundo, como panteras e corujas. 
Outra temática identificada foi a representação de mãos, principalmente, as que utilizavam a técnica de 
passar tinta na parede e depois apoiar as mãos de modo que deixassem uma impressão.
Além de questionar a hipótese do avanço linear no processo artístico, outro questionamento 
que se estabelece refere-se ao debate antropológico, pois teriam sido esses artistas neandertais ou 
Cro-Magnon? Ambos habitavam a região no primeiro período de ocupação da gruta. A tendência 
entre os pesquisadores é defender que essa produção foi levada a cabo pelo homem de Cro-Magnon. 
Além disso, os pesquisadores defendem a ideia de que esses homens da cultura aurignaciana foram os 
responsáveis pelo desenvolvimento das técnicas.
61
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
 Saiba mais
Para saber outras informações sobre Chauvet, veja os textos:
AGENCE FRANCE-PRESSE. Pigmento de pinturas rupestres 
é usado para blindar sonda espacial. Estado de Minas, Belo 
Horizonte, 26 mar. 2014. Disponível em: http://www.em.com.br/app/
noticia/internacional/2014/02/12/interna_internacional,497770/
pigmento-de-pinturas-rupestres-e-usado-para-blindar-sonda-espacial.
shtml. Acesso em: 26 mar. 2014.
FEIX, D. Cineasta Werner Herzog usa 3D para investigar arte pré-histórica. 
Zero Hora, 27 fev. 2013. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/
rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/02/cineasta-werner 
-herzog-usa-3d-para-investigar-arte-pre-historica-4057953.html. Acesso 
em: 26 mar. 2014.
E no Neolítico, com todas as mudanças que ocorreram, a arte continuava igual à do Paleolítico?
A pintura do Neolítico é marcada por representações estilizadas ou simbólicas, ao contrário 
do naturalismo do Paleolítico. A figura humana aparece mais frequentemente e se representam 
cenas de caça e de dança. Outra característica é que essas pinturas são, predominantemente, 
monocromáticas, com predomínio do vermelho, embora também existam algumas em preto e 
branco. Primeiro faziam o contorno do desenho e depois o preenchiam completamente. Outra 
característica é que essas pinturas foram realizadas ao ar livre, em abrigos rochosos, ao contrário 
das pinturas e gravuras do Paleolítico.
Mas não foi apenas a maneira de desenhar e pintar que sofreu modificações. 
Os próprios temas da arte mudaram: começaram as representações da 
vida coletiva. Como as pessoas passaram a serem representadas em suas 
atividades cotidianas, um novo problema se colocou para o artista: dar ideia 
de movimento através da imagem fixa [...]. E o artista do Neolítico conseguiu 
isso de maneira eficiente, como se pode notar nas pinturas de cenas de 
danças coletivas, possivelmente ligadas ao trabalho de plantio e de colheita.
A preocupação com o movimento fez com que os artistas criassem figuras 
leves, ágeis, pequenas e de pouca cor. Com o tempo, essas figuras foram 
se reduzindo a traços e linhas muito simples, que comunicavam algo para 
quem as via. Desses desenhos surge, portanto, a primeira forma de escrita, a 
escrita pictográfica, que consiste em representar seres e ideias pelo desenho 
(PROENÇA, 2000, p.14).
62
Unidade I
Na região chamada de Levantino Espanhol, que engloba lugares como Valência, Castellón, Alicante, 
Teruel, Lérida e Barcelona, entre outras, existe uma expressiva representação de arte rupestre que 
data do final do Paleolítico e do Neolítico. Assim, a arte rupestre dessa região apresenta as principais 
características da pintura neolítica citadas anteriormente. As representações levantinas esquematizam 
a figura a tal ponto que podem ser reduzidas a ideogramas. O ser humano, muitas vezes, é representado 
com traços que aludem à cabeça, ao tronco e às extremidades.
Mas não há uma norma que tenha validade universal para explicar a arte 
esquemática: em cada cova ou em cada abrigo há soluções diferentes, o que 
não impede estabelecer nexos ou círculos artísticos. Os paralelismos podem 
ser fixados no campo da cor [...], nos recursos utilizados para sintetizar as 
figuras, no ritmo das composições [...].
As pinturas neolíticas estão já muito perto dos esquemas que deram vida 
às primeiras formas de escritura de algumas culturas (LOPERA, 1995, p. 26).
Figura 38 – Pintura estilizada
63
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 39 – Ideia de movimento através da imagem fixa
Assim, o caminho da arte rupestre é longo, percorrendo um trajeto que vai do naturalismo e de uma 
representação da realidade até as figuras esquemáticas quase abstratas, antecipando nossa tendência 
contemporânea ao abstracionismo.
 Saiba mais
Na atualidade, é comum um paralelo entre arte rupestre e grafite (tipo 
de pintura mural). Para saber um pouco mais sobre essa arte contemporânea 
comum em grandes metrópoles, leia:
CZAPSKI, R. Graffiti SP. São Paulo: Ricardo Czapski, 2013.
Exemplo de aplicação
Escolha uma imagem de arte rupestre do Paleolítico e uma do Neolítico e compare-as, descrevendo 
as características presentes em cada uma.
64
Unidade I
4.2 A escultura, a arquitetura e a cerâmica pré-históricas
Além da arte rupestre, o homem pré-histórico desenvolveu a produção de esculturas e, posteriormente, 
da cerâmica e da escultura.
O nosso homem do Paleolítico, preocupado em levar adiante a aventura de sua sobrevivência, 
desenvolveu uma arte mobiliária, ou seja, pequenas estátuas que carregava consigo durante suas 
migrações. Esses artefatos, provavelmente, estivessem relacionados ao culto de fertilidade e, mais uma 
vez, representavam simbolicamente a realidade dos nossos ancestrais.
Acredita-se que o homem pré-histórico desse ênfase ao corpo feminino, pois ele representava a 
fecundidade. Estátuas com formas femininas foram encontradas em quase todos os lugares por onde 
ele passou.
Por serem representações femininas, essas estátuas receberam a denominação de “Vênus”. Eram 
pequenas, mais ou menos do tamanho da palma da mão. Sobre o assunto, afirma Proença (1995, p. 
12): “Predominam as figuras femininas com a cabeça surgindo como prolongação do pescoço, seios 
volumosos, ventre saltado e grandes nádegas”.
Assim, todas apresentam um estilo comum: o corpo feminino é apresentado com um grande realismo 
anatômico, apesar de exagerado, e o rosto está praticamente ausente ou é pouco detalhado. A mínima 
preocupação com o rosto, as pernas e os braços contribui para a hipótese de que essas figuras fossem 
realmente ligadas ao culto da fertilidade.
Esculpidas em marfim, madeira, pedra e ossos ou modeladas em terracota, por suas dimensões tão 
pequenas, as estátuas podiam ser facilmente transportadas e, consequentemente, difundidas por esse 
homem nômade que buscava na caça e na coleta a sua forma de sobrevivência.
 Saiba mais
Para saber mais sobre acerca do assunto, acesse:
ARQUEÓLOGOS encontram a mais antiga oficina para trabalhos 
em marfim. Veja, São Paulo, 26 set. 2012. Disponível em: http://
veja.abril.com.br/noticia/ciencia/arqueologos-encontram-a-mais- 
antiga-oficina-para-trabalhos-em-marfim. Acesso em: 26 mar. 2014.
65
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 40 – Vênus de Lespugue, França (réplica) Figura 41 – Vênus de Brassempovy, França (réplica)
Figura 42 - Vênus de Willendorf, Áustria Figura 43 - Vênus de Willendorf, Áustria
66
Unidade I
Como podemos perceber, a presença de representações masculinas é raríssima nas esculturas do 
Paleolítico. Assim como existe uma grande discussão em torno da representação da arte rupestre, o 
mesmo acontece com a escultura: existem hipóteses defendendoque a presença predominante dessas 
estátuas femininas representaria a importância do papel da mulher na organização do grupo; outras 
afirmam que essas estátuas com os exagerados traços femininos reforçariam a existência de uma 
divisão de trabalho entre homens e mulheres e que o papel feminino seria somente o de procriação. 
Não podemos provar nenhuma delas, porém a hipótese mais aceita é a de que essas estátuas estariam 
relacionadas aos rituais de fertilidade.
Um grande destaque da arte pré-histórica ocorre a partir do Neolítico e é a presença da arquitetura, 
como comentado anteriormente.
As mudanças ocorridas durante o Neolítico possibilitam o aumento demográfico e, posteriormente, 
o aumento da força de trabalho. A partir desse nosso ancestral Homo sapiens sapiens, que descobre a 
agricultura e a domesticação dos animais, o sedentarismo acaba por se impor. Desse modo, esse homem 
não precisa mais dedicar todo o seu tempo às atividades de produção, pois passa a ser produtor do seu 
alimento e a garantir sua sobrevivência.
Além do tempo conquistado por não precisar mais buscar a subsistência de modo tão desgastante, 
esse nosso antecessor não precisa mais mudar-se com regularidade. Pode, então, passar a pensar na 
construção de moradias utilizando matérias mais resistentes, como a pedra e o adobe, pois, para 
alguém que precisa se proteger do frio e das intempéries da vida, nada melhor do que um abrigo 
resistente e seguro.
É então que grupos agricultores se estabelecem próximo aos rios e lagos para garantir condições 
favoráveis ao desenvolvimento da agricultura e iniciam, a partir da elevação de suas moradias, a 
construção de aldeias. Dentre elas, vale notar que as estabelecidas na região dos rios Nilo, Tigre e Eufrates 
deram origem às civilizações egípcia e mesopotâmica.
Figura 44 – Reconstituição de uma aldeia neolítica
67
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Ainda no período Neolítico, encontramos os chamados monumentos “megalíticos”, que são blocos 
de pedras de dimensões gigantescas, provavelmente associados a questões de caráter religioso, já 
que, na maioria das vezes, encontram-se junto a eles sepulturas que apresentam um padrão de 
enterramento. Esses monumentos aparecem dispostos de formas variadas, como, muitas vezes, numa 
única estrutura de pedra fincada ao chão – menir, duas estruturas com mais uma sobreposta ou, 
ainda, estruturas dispostas em forma de círculos.
Se todas as obras megalíticas, pré-históricas ou de idade histórica, nos 
causam estupefação, pelas dificuldades técnicas superadas, também 
é certo que os menires e os dolmens originam em nós um estupor 
particular, por outros motivos além do da aura mágica que os aureola. 
Estes monólitos imanes, de grandes dimensões e peso, requereram, para 
serem colocados nos respectivos lugares, soluções de problemas que 
se nos afiguram sobre-humanos. Muitas vezes, foram transportados de 
muito longe, devendo ter sido rolados por cima de troncos de árvores, 
depois do seu laborioso destaque da rocha. No lugar, sua base era levada 
a deslizar para uma fossa profunda; depois, os blocos eram erguidos, 
puxados por grossas cordas aplicadas à sua extremidade superior. Mais 
complexa era a construção dos dolmens. Uma vez erigidos os suportes 
verticais, como acontecia para os menires, o intervalo entre uns e outros 
era momentaneamente enchido de terra de escavação; sobre esta, por 
meio de rolos, fazia-se deslizar a pedra de cobertura. Deste modo, o dólmen 
representa o início do critério construtivo trilítico (dois suportes verticais, 
sustentando um terceiro horizontal) (PISCHEL, 1966, p. 17).
 Observação
Dentre os monumentos megalíticos, podemos destacar:
• menir: grandes pedras isoladas erguidas em sentido vertical;
• dolmen: duas pedras verticais que sustentam uma terceira, 
posicionada horizontalmente;
• henge: aterro circular acompanhado por uma vala interna paralela;
• cromlech: pedras agrupadas em um ou mais círculos em torno de 
um dólmen.
68
Unidade I
Figura 45 – Dólmen ou mesa de pedra
Um dos monumentos megalíticos mais conhecidos é o de Stonehenge.
Figura 46 – Stonehenge
O que levaria esse homem neolítico, que não conhecia a roda ou a carroça, a carregar enormes 
rochas com cerca de quatro toneladas cada e empilhá-las a mais de 320 quilômetros de distância do 
lugar de onde foram retiradas?
Seu objetivo era religioso; aparentemente, o esforço contínuo necessário 
para construí-lo só poderia ter sido mantido pela fé – uma fé que, quase 
literalmente, exigia que se movessem montanhas. A estrutura inteira é 
voltada para o ponto exato em que o Sol se levanta no dia mais longo do 
ano, o que leva a crer que deve ter-se prestado a um ritual de adoração 
do Sol. Mesmo atualmente, Stonehenge tem características majestosas e 
sobre-humanas, como se fosse obra de uma raça esquecida de gigantes. Se 
devemos ou não chamar um monumento como esse de arquitetura, é uma 
questão de definição: temos uma tendência a pensar a arquitetura em 
termos de interiores fechados [...]. Talvez devêssemos consultar os gregos 
antigos, que criaram a palavra. Para eles, ”arqui-tetura” significa algo mais 
69
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
alto que a “tetura” convencional (isto é, ”construção” ou ”edificação”), 
uma estrutura diferenciada daquela de tipo exclusivamente prático e 
cotidiano, em termos de escala, ordem, permanência ou suntuosidade de 
propósitos. Um grego, certamente, chamaria Stonehenge arquitetura [...]. 
Se a arquitetura é a “arte de adaptar o espaço às necessidades e aspirações 
humanas”, então, Stonehenge faz mais do que preencher esses requisitos 
(JANSON; JANSON, 1996, p. 18).
 Saiba mais
Alguns filmes que podem propiciar uma inter-relação com os conteúdos 
da unidade.
A GUERRA do fogo. Direção Jean-Jacques Annaud, 1981, 100 min.
A ODISSEIA. Direção Francis Ford Coppola, 1997, 150 min.
300. Direção Zack Snyder. EUA: Warner Bross, 2007, 117 min.
O surgimento desse tipo de monumento megalítico é recorrente em toda a Europa; no entanto, 
consideram-se como os mais representativos, além do cromlech de Stonehenge, outros encontrados na 
Grã-Bretanha, na França e na Espanha.
Novas descobertas encontraram na região de Orkney, no norte da Escócia, um monumento megalítico 
anterior a Stonehenge. Vejamos:
Novas descobertas parecem ter identificado um precursor do santuário pré-histórico 
de Stonehenge. Também na Grã-Bretanha, o lugar fica no extremo norte da Escócia, 
nas ilhas Orkney, e seria cerca de 200 anos mais velho. Chamado de Ness of Brodgar 
(Promontório de Brodgar), apenas 10% desse enorme complexo neolítico está sendo 
estudado. Delimitado por uma parede de pedras de 4 metros de espessura, provavelmente 
milhares de pessoas se reuniam ali em rituais sazonais e para cultuar os mortos. 
De acordo com pesquisas recentes de datação por radiocarbono, Brodgar foi ocupado pela 
primeira vez em 3200 a.C. e abrigou centenas de construções no interior de uma monumental 
muralha. “Orkney é uma das chaves para entender o desenvolvimento da religião neolítica”, 
diz o diretor do Centro de Pesquisas Arqueológicas da Universidade de Orkney, Nick Card. 
Seus rituais podem ter prenunciado as festas de Stonehenge e Avebury, e suspeita-se que 
tenham surgido ali as cerâmicas entalhadas típicas da Inglaterra neolítica.
Fonte: UM PRECURSOR... ([s.d.]).
70
Unidade I
 Observação
Uma curiosidade específica de Stonehenge é sua disposição, pois 
sua base inferior tem uma orientação que coincide com o nascer do 
Sol, justamente quando se dá o solstício, o que permite inferir que está 
diretamente ligada a honrarias ao Sol.
Além da arquitetura, você imagina outras mudanças tecnológicas relacionadas com as novas 
condições econômicas e sociais do homem do Neolítico? Com o excedente de produção, cresce a 
preocupação em armazenar os grãos em recipientes e, assim, surge a cerâmica. É provável, entretanto, 
que essa técnica tenha se desenvolvido graças a uma boa dose de acaso e observação. Acredita-se que,ao observar o que ocorria com a argila quando entrava em contato com o fogo, o homem tenha 
criado essa nova técnica.
Figura 47 – Vaso de cerâmica do período Neolítico
A metalurgia é outro destaque que surge no Neolítico, já em sua fase final, permitindo que, aos 
poucos, o homem do período possa substituir os instrumentos de pedra.
O conhecimento que foi se acumulando a partir da fusão de cobre, estanho, bronze, até chegar 
ao ferro fortaleceu sobremaneira os grupos que puderam desenvolver essas técnicas, contribuindo, 
então, para o exercício de supremacia na defesa e consolidação de seu território, o que coopera com a 
sedentarização, que tem como consequência a formação das primeiras civilizações.
71
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Figura 48 – Guerreiros em bronze (norte da Europa): 
produção do período de transição para a metalurgia
As esculturas de metais são encontradas principalmente na Escandinávia e na Sardenha. É provável 
que utilizassem uma técnica chamada de método com fôrma de barro ou técnica da cera perdida para 
ser feitas.
Para o escultor que usava o método da fôrma de barro, o primeiro passo consistia em fazer uma 
fôrma com esse material. Nela era despejado o metal já derretido em fornos. O metal fundido era 
deixado dentro da fôrma até que esfriasse. Depois de frio, a fôrma era quebrada. Obtinha-se, assim, uma 
escultura com uma configuração anteriormente dada ao barro.
Já o trabalho do artista que usava a técnica da cera perdida começava com a construção de um 
modelo em cera. Esse modelo era revestido de barro aquecido. Com o calor do barro, a cera derretia e 
escorria por um orifício que era propositalmente deixado na peça de cerâmica. Obtinha-se, assim, um 
objeto oco. Depois, por esse mesmo orifício, preenchia-se o objeto com metal fundido. Quando o metal 
estivesse derretido e frio, quebrava-se o molde de barro. Dentro dele estava a escultura em metal igual 
à que ele tinha moldado em cera (PROENÇA, 2000, p. 15).
Essa ordenação do mundo através de imagens, da criação de símbolos não pode ser considerada 
obra do acaso, deve ser admitida como representação do comportamento simbólico e social dos 
grupos que a produziram.
72
Unidade I
 Resumo
Na sua origem latina, a arte está ligada ao processo de produção, à 
habilidade técnica. Ela pode também ser concebida como um processo de 
interpretação do mundo.
É difícil definir o conceito de arte, pois cada período histórico possui 
diferentes formas de expressões artísticas e culturais. Porém, é consenso 
entre os pesquisadores que todos os grupos humanos, desde a Pré-história, 
produziram algo a que se pode chamar arte. Além disso, é também consenso 
que, ao analisar uma obra de arte, podemos reconstruir um momento histórico 
(roupas, costumes, crenças) sob o ponto de vista daquele que a produziu, 
sendo a arte fundamental para se compreender a história da humanidade.
O crítico de arte é um elemento importante no processo de definição de 
arte, pois é ele quem julga, qualifica e dá a determinados objetos o status 
de artísticos.
Para termos arte, é necessária a presença do artista, da obra e do 
observador, sendo que todos esses elementos estão inseridos em uma 
dada realidade e em um determinado mundo. Esse mundo é dotado de um 
conjunto de significados que se inter-relacionam.
Datar o aparecimento dos primeiros artistas é tarefa extremamente 
difícil, porém é por volta de 30.000 a.C. que temos os registros mais antigos 
das pinturas encontradas nas cavernas. Essas pinturas devem ter sido 
precedidas por inúmeras outras obras que não resistiram à ação do tempo.
Podemos apontar que a arte tem a função de ver e interpretar o 
mundo e o indivíduo. Dentre as funções atribuídas à obra de arte, devemos 
considerar a cognição, a percepção, a sensibilidade e o simbolismo.
Graça Proença (2005) atribui ainda três funções à arte: utilitária, 
valorizada pela sua finalidade; naturalista, ligada à representação do real e 
formalista, associada à forma.
Duas teses têm orientado as discussões a respeito da origem do homem 
na terra: a criacionista, que acredita na origem divina do ser humano, e a 
evolucionista, de Charles Darwin, que propõe que ocorreu uma evolução 
dos seres humanos, com base na teoria da seleção da espécie.
Existem indícios de que o Ramapithecus habitava o planeta há 
cinco milhões de anos. Posteriormente, foram encontrados fósseis do 
73
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Australopithecus africanus e do Australopithecus boisei que conviveram 
com o Homo habilis. Esse, sim, deu origem ao Homo erectus, cujo lento 
desenvolvimento originou os Homo sapiens e o Homo sapiens sapiens.
É importante ressaltar que nossa espécie não surge de uma hora 
para a outra, mas resulta de um processo de evolução lenta e gradual, 
significando mudanças ao longo do tempo. Nossos ancestrais não tinham 
a mesma caixa craniana, a mesma altura média e o mesmo peso médio 
que temos hoje e, com um cérebro menor, não eram tão inteligentes 
como nós. Demorou para conseguirem uma postura totalmente ereta, 
mas quando conseguiram, foram evoluindo cada vez mais até chegar ao 
humano moderno.
Originário da África há aproximadamente cinco milhões de anos, o 
homem, por razões ainda desconhecidas, saiu do território africano em 
direção à América e à Europa, se espalhando pelo mundo, chegando ao 
Brasil (segundo as pesquisas recentes, em torno de 13 mil anos), sendo que 
o fóssil brasileiro mais antigo é de uma mulher que recebeu o nome de Luzia.
A chegada do homem ao Brasil causa controvérsias, pois os trabalhos 
atuais questionam a teoria que foi aceita durante anos de que o ser humano 
teria caminhado da Ásia até a América pelo Estreito de Bering durante a 
época da glaciação, pois datam a presença humana no país muito antes 
desse acontecimento. Dentre esses pesquisadores brasileiros, podemos citar 
Walter A. Neves e Niède Guidon.
Além da clássica periodização da Pré-história segundo as técnicas 
utilizadas para a elaboração de ferramentas (Idade da Pedra Lascada 
e Idade da Pedra Polida), podemos dividir os povos pré-históricos em 
caçadores e agricultores, mas devemos levar em consideração que toda 
e qualquer periodização é pouco precisa e que os períodos passam por 
lenta e gradual mudança.
Os povos caçadores eram nômades, viviam em bandos e retiravam sua 
sobrevivência da caça, da pesca e da coleta vegetal. Suas ferramentas eram 
de pedra lascada, ossos e madeira.
A descoberta do fogo concede a esse homem uma certa independência 
do meio natural.
Podemos constatar a presença de um mundo mágico através da 
presença de sepulturas, que indicam um culto aos mortos e às pinturas nas 
paredes das cavernas.
74
Unidade I
A Revolução agrícola ocorre por volta de 10.000 a.C., durante o Neolítico.
Através de uma evolução lenta e gradativa, o homem começa a cultivar 
raízes e tubérculos, plantas medicinais e, por fim, consegue desenvolver as 
técnicas que propiciam o cultivo de alimentos para abastecer o grupo.
De posse do conhecimento da atividade agrícola, o homem inicia 
o processo de sedentarização. Nomadismo e sedentarismo convivem em 
um mesmo habitat, porém são desenvolvidos por grupos diferenciados.
O cultivo de plantas medicinais e dos alimentos necessários à 
sobrevivência trouxe consigo a proximidade dos animais. Uma vez próximos 
aos seres humanos, os animais começaram a ser domesticados, ampliando 
significativamente a qualidade de vida do grupo humano.
Podemos, então, afirmar que a Revolução Neolítica, que possibilitou 
a sedentarização, junto com a agricultura e a domesticação dos animais, 
mudou a organização do grupo, instituiu a divisão do trabalho entre homens 
e mulheres e alterou a relação com o tempo. A partir da sedentarização, 
foram construídos abrigos em pedra ou adobe que, posteriormente, 
originaram as primeiras cidades.
Desde tempos remotos, o homem representa seu mundo e sua realidade 
através de imagens. Para os seres humanos, a ordenação visual sempre 
esteve presente, quer deforma figurativa, quer de forma abstrata.
Essa ordenação do mundo através da criação de símbolos não pode 
ser considerada obra do acaso, deve ser admitida como representação do 
comportamento simbólico e social dos grupos que o produziram.
Desde a descoberta da arte rupestre, existem numerosos campos de 
interpretação de análise dessa arte, como o estruturalismo, o estudo de 
gênero, os fenômenos astronômicos, biológicos e acústicos. Contudo, a 
hipótese mais corrente ainda é a que defende uma finalidade mágica para 
essas pinturas e gravuras, que seriam relacionadas com rituais que teriam 
o objetivo de garantir a sobrevivência do grupo, nos quais a representação 
possuiria o poder de aprisionar o animal. Assim, ao pintá-lo, o caçador 
praticamente convocava a caça, capturando-a com maior facilidade.
Um consenso entre os pesquisadores atuais é que, independentemente 
da linha interpretativa, a análise de uma pintura ou gravura em rocha não 
pode ser feita de uma maneira isolada, pois é necessário levar em conta 
todo o contexto em que ela é encontrada.
75
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
Assim, quais foram os elementos dignos de registros para os homens 
pré-históricos? Como já visto, o repertório do homem desse período 
envolvia a natureza que o cercava, tornando a temática da arte rupestre 
mundial homogênea.
A presença de figuras humanas, de animais, sinais geométricos e 
símbolos da natureza, como o Sol e a Lua, são elementos comuns na arte 
parietal das grutas e cavernas descobertas no mundo todo. Na Europa, por 
exemplo, é comum a presença de imagens de bisões, cervos, cavalos, renas, 
cabras, javalis e ursos representando o universo vivido por esses homens.
Foi durante o período Paleolítico que surgiram as técnicas das mãos em 
negativo e das mãos em positivo, o que deu início, junto com as representações 
de animais, à arte rupestre. As características comuns da arte rupestre do 
Paleolítico são o naturalismo e a presença de figuras de animais isoladas, sem 
formar cenas. Outra característica se refere às cores utilizadas, variando da 
monocromia à policromia. Eram muito utilizadas as cores preta (obtida a partir 
do carvão vegetal), amarela e vermelha (obtidas do óxido de minerais). Como 
ferramentas de pintura, eram usados, provavelmente, os dedos e pincéis feitos 
de penas e pelos. Além disso, era comum que os artistas se aproveitassem das 
reentrâncias e de saliências das paredes para realizar os desenhos com volume, 
principalmente, nas áreas pouco iluminadas do fundo das cavernas e grutas.
A pintura do Neolítico é caracterizada por representações estilizadas 
ou simbólicas. A figura humana é a que mais frequentemente aparece, e 
representam-se cenas de caça e de dança com regularidade. Outra característica 
é que essas pinturas são, predominantemente, monocromáticas, com predomínio 
do vermelho, embora existam pinturas em preto e branco. Acredita-se que 
primeiro fosse feito o contorno do desenho, que depois era preenchido 
completamente. Essas pinturas foram realizadas ao ar livre, em abrigos rochosos.
O maior número de sítios arqueológicos e rupestres existe no continente 
africano, embora eles também existam na Oceania, na Ásia e na América. 
No Brasil, acredita-se que os sítios de São Raimundo Nonato, no Piauí, 
sejam os mais antigos. Os exemplares europeus são os mais estudados, 
principalmente as grutas e cavernas encontradas em Altamira e na região 
levantina, na Espanha, em Lascaux, Niaux e Chauvet, na França.
Durante o período Neolítico, encontramos os chamados monumentos 
megalíticos, que são blocos de pedras de dimensões gigantescas, 
provavelmente associados a questões de caráter religioso, já que, na maioria 
das vezes, estão próximos a sepulturas que apresentam um padrão de 
enterramento. Esses monumentos aparecem dispostos de formas variadas: 
menir, dolmen, ou cromlech.
76
Unidade I
O surgimento desse tipo de monumento megalítico é recorrente em 
toda a Europa; no entanto, consideram-se como os mais representativos 
aqueles encontrados na França, na Espanha e, sobretudo, na Grã-Bretanha, 
em que se encontra o cromlech de Stonehenge.
Acredita-se que, ao observar o que ocorria com a argila quando entrava 
em contato com o fogo, o homem criou a técnica da cerâmica.
A metalurgia é outro destaque que surge no Neolítico, já em sua fase 
final, permitindo que, aos poucos, o homem do período possa substituir os 
instrumentos de pedra.
O conhecimento que foi se acumulando a partir da fusão de cobre, 
estanho, bronze, até chegar ao ferro, fortalece demasiadamente os grupos, 
que podem desenvolver essas técnicas, contribuindo, então, para exercer 
uma supremacia na defesa e consolidação de seu território, contribuindo 
para a sedentarização, com a consequente formação das primeiras 
civilizações. As principais técnicas eram o método da fôrma de barro e a 
técnica da cera derretida.
 Exercícios
Questão 1. O conceito de arte é abrangente e não consensual. Autores de diferentes épocas têm 
posicionamentos distintos acerca do que pode ou não ser considerada arte. Observe as imagens que seguem:
I − 
 
Figura 49 – Operários, de Tarsila do Amaral (1933)
77
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
II − 
 
Figura 50 – Coruja 
III − 
Figura 51 
78
Unidade I
IV − 
Figura 52 – Busto
De acordo com os posicionamentos adotados neste livro-texto acerca do conceito de arte, podem 
ser consideradas obras artísticas apenas as imagens:
A) I e IV.
B) I, II, III e IV.
C) I, II e IV.
D) I, III e IV.
E) II e III.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a pintura Operários, de Tarsila do Amaral, é uma obra artística. Retrata o momento 
da industrialização brasileira, principalmente a paulistana. Com Getúlio Vargas, o país passou a se 
industrializar e a classe operária começou a surgir. O quadro mostra a diversidade cultural de um povo 
79
ARTES VISUAIS NA HISTÓRIA ANTIGA
oprimido pela elite, representada pela fábrica ao fundo. Embora as pessoas estejam em primeiro plano 
e todas tenham traços diferentes, não é fácil diferenciá-las. Elas parecem todas iguais, representando, 
portanto, um sistema que massifica o cidadão. 
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a coruja, feita com fios de cobre por um artista popular da cidade mineira de São 
Thomé das Letras comprova a ideia de que a arte é resultado de uma imaginação criadora. O homem, ao 
criar uma obra artística, transmite suas ideias de múltiplas e variadas formas. Recria o ambiente ao seu 
redor e a si mesmo em um processo carregado de símbolos passíveis de diversas interpretações. 
III – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a bola está sendo mostrada como objeto utilitário. Não há, nesta imagem, nenhuma 
intenção artística.
IV – Afirmativa correta.
Justificativa: a escultura do busto, feita em argila, é uma criação artística, pois o escultor, ao criá-la, 
representou simbolicamente o universo ao seu redor, a sua forma de ver o mundo. A obra artística é 
repleta dos sentimentos e das emoções do seu criador.
Questão 2. Há, entre as esculturas do Período Paleolítico, predomínio de figuras femininas e ausência 
de figuras masculinas. As mulheres são comumente representadas com ancas largas e seios grandes. 
Essas características, observadas por estudiosos e historiadores, conduzem-nos à interpretação de que 
a arte paleolítica:
A) cultua o padrão estético de beleza da época.
B) cultua a fertilidade.
C) valoriza o erotismo.
D) valoriza a sexualidade.
E) valoriza o ideal de sobrevivência.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: a representação da figura feminina com ancas largas e seios grandes não tem relação 
com o padrão estético de beleza da época.
80
Unidade I
B) Alternativa correta.
Justificativa: com base nos vestígios encontrados, atribui-se às “Vênus” as primeiras formas de arte 
conhecidas pelo homem. Essas esculturas femininas com ancas largas, seios grandese poucos detalhes no 
rosto foram produzidas no Paleolítico Superior (30.000 a 18.000 a.C). Esculpidas em pedra ou marfim, elas 
têm pequenas dimensões e estão associadas ao culto à fertilidade. A chamada Vênus de Willendorf é uma das 
inúmeras estatuetas da fertilidade e, em forma arredondada e bulbiforme, sugere um “seixo sagrado” oval.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a representação da figura feminina com ancas largas e seios grandes não tem relação 
com a valorização do erotismo.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a representação da figura feminina com ancas largas e seios grandes não tem relação 
com a valorização da sexualidade.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: a representação da figura feminina com ancas largas e seios grandes não tem relação 
com a valorização do ideal de sobrevivência.

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