Prévia do material em texto
ENGRENAGENS CÔNICAS Engrenagens cônicas • São adequadas aos casos em que efetua a transmissão de potência entre árvores que se cruzam, ou melhor, em que não há paralelismo. Isto porque o engrenamento cônico serve a qualquer disposição geométrica das árvores, conforme mostrado, onde o ângulo de interseção pode ser menor ou maior. O caso em que estão perpendiculares é o mais comum e o de rendimento mais eficiente. Engrenagens cônicas de dentes retos • O par é empregado com mais frequência e eficiência quando as árvores se cruzam no ângulo de interseção em 90°. • Os dentes das rodas cônicas têm um formato também cônico, o que dificulta a sua fabricação, diminui o nível de precisão desta e requer uma montagem minuciosa para o funcionamento adequado. • A engrenagem cônica também é usada simplesmente para mudar o sentido de rotação e alterar a direção das forças. • Na figura ao lado observa-se que há uma correção nos dentes: o do pinhão está mais aguçado. Engrenagens cônicas de dentes retos • Engrenagens cônicas de dentes retos são utilizadas geralmente para velocidades no circulo primitivo de até 5m/s, quando o nível de ruído não é importante. Disponíveis em muitos tamanhos comerciais, elas apresentam um custo de produção menor que o de outras engrenagens cônicas, principalmente quando fabricadas em pequenas quantidades. A Figura ilustra ao lado ilustra bem a largura variável desse tipo de engrenagem com dentes retos. Engrenagens cônicas de dentes retos http:////upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/16/Bevel_gear.jpg Engrenagens cônicas de dentes retos http://www.flickr.com/photos/jaylake/2793508745/ Engrenagens cônicas de dentes retos Recomenda-se o uso em baixas velocidades, a menos que o processo de fabricação seja efetivamente preciso. Entretanto, são engrenagens de difícil execução. Segundo alguns autores, para não haver transmissões ruidosas, deve-se usar de uma redução de transmissão de até 1:4, enquanto para cônica espirais pode-se chegar a 1:7. Engrenagens cônicas de dentes retos Conforme ocorre usualmente com pares de engrenagens, deseja-se reduzir as velocidades angulares na fonte para ganhar torque. Mas nem sempre é assim. No caso ao lado, a entrada de potência ocorre pela coroa e atrelado ao eixo do pinhão está a ferramenta de operação, um esmagador de espigas. Engrenagens cônicas de dentes retos • A espessura variável das engrenagens cônicas faz com que seu processo de fabricação seja bastante elaborado. • A espessura frontal é tomada junto a circunferência primitiva, que governa a cinemática do componente. Engrenagens cônicas de dentes retos γ - ângulo primitivo do pinhão; Dpp = Diâmetro primitivo do pinhão; Γ - ângulo primitivo da coroa; Dpc = Diâmetro primitivo da coroa; Ao = geratriz do cone; b= largura da engrenagem; Engrenagens cônicas de dentes retos • Os diâmetros primitivos são definidos pelas bases dos cones primitivos, que por sua vez são definidos pelo ponto comum nas extremidades maiores dos dentes, de maior espessura. • Ângulos primitivos (δc e δp) são definidos pelos eixos das engrenagens e as geratrizes dos cones primitivos. Para θ= 90o tem-se: Engrenagens cônicas de dentes retos • Quando duas engrenagens cônicas se acoplam, seus cones primitivos se conectam ao longo de uma reta comum. • Para que se tenha o engrenamento perfeito, as extremidades maiores do par deverão se situar num círculo cujo centro está no vértice comum cujo raio é a geratriz dos cones primitivos. • Na realidade isso somente acontece em um ponto, fato que torna as engrenagens cônicas de dentes retos ruidosas e com trepidação. Quanto maiores os dentes e em menor número, maior a trepidação. • Perceba que este fenômeno não acontece com as ECR. Linha de ação trocada Dados construtivos Os dados construtivos são sempre os externos, ou seja, se referem à base maior dos cones primitivos. Chama-se de roda ideal aquela gerada pelo rolamento do cone complementar sobre um plano. Permite estudar o perfil do dente e escolher o número da fresa de disco. Estabelecido o número de dentes, estima-se por fórmulas adequadas o valor do módulo médio. O módulo médio é o que corresponde ao ponto médio do dente; porém, o módulo que caracteriza a engrenagem é o módulo externo, que corresponde à interseção da geratriz com a superfície do cone complementar. Estimado o módulo médio, determina-se o módulo externo, que é o valor normalizado. Fonte: Escola PROTEC - SP Engrenagens cônicas de dentes retos • A forma evolvental (evolvente esférica) não é usada por questões de fabricação, ou seja, não há um processo de geração capaz de produzir a forma evolvente. Se esta fosse usada, seria conforme mostrado na figura ao lado. O perfil normalmente empregado é o octóide. • Padronização: Embora não sejam intermutáveis (o par deve ser fabricado em conjunto, pois processos diferentes para obtenção de pinhão e coroa impedem o bom acoplamento) a definição das dimensões dos dentes é padronizada. • As normas estabelecem um único ângulo de pressão α=20o . Diferentemente das engrenagens cilíndricas, as dimensões dos dentes do pinhão e coroa são diferentes. Engrenagens cônicas - Padronização Pinhão 13 14 15 16 Coroa ≥ 30 ≥ 20 ≥ 17 ≥ 16 INTERFERÊNCIA Com base no ângulo de pressão frontal padronizado em 20º os números mínimos de dentes do pinhão e da coroa para evitar a interferência são os seguintes (veja que não pode haver acoplamento de duas engrenagens cônicas iguais com 13 dentes!) Fabricação de cônicas A chamada correção dos dentes das cônicas é feita para que o dente Tenha sua espessura variável, possibilitando o engrenamento do par. Fabricação de engrenagens cônicas Visita a ENGREMEC Engrenagens cônicas – fabricação Gleason tradicional • Engrenagens cônicas produzidas no sistema Gleason, desde módulo 1 a 22 em diâmetro máximo de 860 mm. Engrenagens cônicas – Gleason modificado Engrenagens cônicas - forças As forças atuantes em uma engrenagem cônica estão mostradas na figura. Considera-se que as forças estão atuando no ponto central do dente. Engrenagens cônicas - forças A componente tangencial é: As outras componentes são : Os cálculos das Fa e Fr devem ser feitos e computados para o correto dimensionamento das árvores. Tipos de Engrenagens cônicas • As engrenagens cônicas podem ser classificadas como: • Engrenagens cônicas de dentes retos ♣ • Engrenagens cônicas espirais♣ • Engrenagens cônicas zerol♣ • Engrenagens hiperbolóides (ou, abreviadamente, hipóides)♣ • Engrenagens espiróides (ou espiroidais)♣ Engrenagens cônicas Zerol Engrenagens cônicas ZEROL® são um tipo de engrenagem patenteada com dentes curvos, mas com ângulo de espiral nulo. Os esforços axiais neste tipo de engrenagem não são tão altos quanto aqueles das engrenagens cônicas espirais. Conseqüentemente, aplicam-se no lugar das engrenagens cônicas de dentes retos. A engrenagem zerol é produzida pela mesma ferramenta utilizada para gerar a engrenagem cônica de espiral comum. Para fins de projeto, geralmente, usa-se o mesmo procedimento indicado para engrenagens cônicas de dentes retos, substituindo, ao final, a engrenagem por uma zerol. Um par de engrenagens cônicas zerol é ilustrado pela Figura ao lado. Engrenagens cônicas espirais • Engrenagens cônicas espirais são recomendadas para maiores velocidades e para onde os níveis de ruídos forem importantes. As engrenagens cônicas espirais são a contraparte cônica das engrenagens helicoidais. A Figura ao lado mostra um par de engrenagens cônicas espirais engrenadas. Engrenagens cônicas hipóides • Engrenagens hipóides ou hiperbolóides são normalmente utilizadas no caso de aplicações envolvendo de engrenagens cônicas, mas com eixos deslocados, inversos, como em diferenciais automotivos. Tais engrenagenstêm este nome pois suas superfícies primitivas são hiperbolóides de revolução. A interação entre os dentes destas engrenagens consiste em uma combinação de rolamento com deslizamento ao longo de uma linha reta, sendo semelhante ao que ocorre nas engrenagens sem-fim. A Figura mostra um par de engrenagens hiperbolóides engrazada. Engrenagens cônicas espiroidais • Engrenagens espiróides são semelhantes às hipóides, porém com deslocamentos maiores, o pinhão começa a parecer com um parafuso sem-fim em cone. • A Figura ao lado auxilia na classificação de engrenagens cônicas em espiral. Falhas em engrenagens cônicas Falhas em engrenagens cônicas Redutor MAUSA Tipo RG 1-75 empresa Aracruz Celulose PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • O parafuso de rosca sem fim, ou o par coroa/parafuso-sem-fim (CPSF) é um tipo de engrenamento no qual o movimento circular gerado pelo parafuso movimenta uma engrenagem coroa. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • A transmissão de potência entre árvores não paralelas pode esquematizada de modo que diversos tipos de engrenamento sejam gerados pelo deslocamento do pinhão. Assim sendo, os eixos passam a não se cruzar. O caso extremo dessa natureza é o par coroa/parafuso-sem-fim (CPSF). PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • O sem fim é um parafuso especial de acionamento, assemelha-se a uma rosca ACME, mas suas medidas obedecem à padronização particular. • • • • • • A coroa é semelhante a uma engrenagem helicoidal, mas o formato dos dentes depende do seu processo de fabricação. • Na realidade, um parafuso poderia ser idealizado como uma engrenagem helicoidal, no qual seu dente realizou uma revolução completa em torno do seu eixo axial. Nestas condições hipotéticas, o perfil dos dentes do parafuso seria evolvental e este componente poderia ser usado para conduzir engrenagens helicoidais. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Mas os parafusos não são fabricados assim; são torneados ou então laminados. Entretanto, é possível garantir um acoplamento com a coroa nestas condições que a coroa tenha sido cortado por uma fresa com mesmo diâmetro e forma do dente do parafuso. O par CPSF será conjugado, mas a coroa não terá dentes evolventais, pois o parafuso possui superfícies típicas das roscas usuais. • O processo de fabricação da coroa de certo modo se beneficia desta característica, pois é feito exatamente por ferramentas de fresagem que são parafusos de corte. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Então, a mais das vezes as superfícies dos dentes das coroas são diferentes das ECH padronizadas, sendo retos no lugar de evolventais, por conta de seu acoplamento se dar com um parafuso. Também o formato superior dos dentes apresenta-se abaulado, por conta do acoplamento com o parafuso. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Características básicas: • Enquanto os parafusos comuns de acionamento costumam ter uma entrada, o PSF pode ter várias. Se não houvesse entradas múltiplas, o passo da coroa vai ser grande, resultando em dentes grandes e não padronizados, a razão de contato também diminui. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Pa(passo axial) é a distância de um ponto do filete a outro adjacente. • Pz (passo da hélice ou avanço) é a distância axial percorrida pelo SEM FIM em uma volta. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Na figura pode-se ver o ângulo de hélice ψ e seu complemento γ, caso o sem fim seja montado a 90º. O ângulo de hélice é grande no SF e é pequeno na coroa. O ângulo γ é o ângulo de hélice ψ da coroa. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Os círculos de pé, topo e primitivo são igualmente definidos no sem-fim. Pode-se falar de um cilindro primitivo que representa sem-fim. O mesmo vale para a coroa. A largura b é igual ao comprimento de uma tangente à circunferência primitiva do sem-fim, entre seus pontos de interseção com o círculo de cabeça. PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Análise cinemática • Critério Básico de Projeto:Na especificação do passo de um par coroa- sem fim, fixa-se o passo axial do sem fim como igual ao PC da coroa, se o ângulo entre eles é de 90o . PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Interferência: • Especificação do tamanho dos dentes no SF: PAR COROA E PARAFUSO SEM-FIM • Forças: Tangencial no sem fim é axial na coroa e vice-versa.