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Mecânica Aplicada 1 ENGRENAGENS CILÍNDRICAS RETAS (ECR) COMENTÁRIOS PRELIMINARES A transmissão de movimento rotativo de um eixo para outro é um procedimento extremamente comum em máquinas que atuam mecanicamente (existem máquinas eletrônicas e associações do tipo termomecânico, pneumático etc.). Tais máquinas podem ser do tipo de transmissão de potência, usadas em indústrias de transformação e veículos, ou voltadas para dispositivos de precisão e similares, que trabalham com baixo nível de esforço. Embora não se constituam no único meio para a transformação e transferência de energia (existem os cames ou excêntricos, os sistemas articulados, as uniões flexíveis, os parafusos etc.) são os elementos mais empregados nesse mister e talvez aquele que reúne um maior número de vantagens funcionais. Sua robustez, aliada à tecnologia de fabricação e projeto amealhada ao longo de muitas centenas de anos fazem das engrenagens um dispositivo popular, que não deve ser substituído completamente, pelo menos nas próximas décadas. Há muitos componentes modernos que já ocupam seu lugar em muitas aplicações arrojadas, como as CNT. Mas seu custo relativamente baixo em aplicações simples, acessibilidade de maquinário e fabricantes, aliados ao domínio da engenharia sobre massa crítica de conhecimentos a respeito de sua fabricação e projeto fazem-no um elemento de máquina emblemático. O estudo das engrenagens não é elementar. Particularmente os tipos elaborados, tais como os usados na indústria automotiva, detém particularidades que hoje são segredos industriais, tamanha é a tecnologia agregada a esses produtos. Por outro lado, existem aspectos relacionados a três principais ângulos: o projeto cinemático, que é a base do estudo, mas ao mesmo tempo é o aspecto mais acessível; o projeto estrutural, que hoje recebe ampla contribuição de sofisticados métodos computacionais; e o aspecto de fabricação, que se envolve com os dois primeiros e usualmente fica envolto numa atmosfera governada pela experiência industrial e muitas particularidades referentes aos diversos processos disponíveis. Grosso modo, as engrenagens não deixam de ser rodas denteadas, cujas características podem ser mais elaborada em certos casos, utilizados modernamente. Mecânica Aplicada 2 Nesse sentido, uma classificação básica referente à sua tipologia mais comum é a seguinte: A disposição dos eixos que se quer solidarizar é um fator muito importante. Assim encontram-se engrenagens cilíndricas com eixos transversos e as cônicas, com eixos que se cruzam, mas não em ângulos reto. No quadro anterior, pode-se também incluir a cremalheira, que é um caso importante dentro do grupo das engrenagens cilíndricas de dentes retos, em que a coroa (engrenagem de maior diâmetro) tem raio infinito e por isso é chamada cremalheira. Mecânica Aplicada 3 Na figura a seguir apresenta-se um típico par de engrenagens cilíndricas de dentes retos. Para que o leitor tenha uma idéia da possibilidade de generalização, existem engrenagens assim que não são circulares, por razões particulares de determinada aplicação do mecanismo. CARACTERÍSTICAS DE USO Está envolvida a transmissão de potências elevadas, nas quais o torque é significativo e as velocidades angulares são moderadas; é possível usá-las em situações nas quais isso não ocorre; mas, dependendo do sistema, outros dispositivos podem ser aplicados com custo menor. Distância entre árvores é pequena; mas há muitas exceções. As correias seriam mais adequadas para essa função no caso de grandes distâncias Todavia, em muitos casos a robustez da transmissão por engrenamento se impõe e a distância entre centros pode ser significativa. A identificação do que é grande ou pequeno é problemática, mas distâncias entre centros próximas de um metro podem ser consideradas grandes, mas não são incomuns pela razão exposta. Por outro lado, em certos casos deseja-se imprimir uma grande redução de velocidades usando-se coroas imensas, o que implica em uma distância entre centros grande. Um exemplo popular é a caixa de transmissão do bondinho do pão de açúcar no Rio de Janeiro, cujo raio da coroa está próximo de dois metros. Mas isto não é nada perto do que é mostrado na figura a seguir. Mecânica Aplicada 4 Precisão e durabilidade na transmissão; engrenagens bem projetadas, bem acabadas e com tratamento superficial adequado tem vida muito longa, sobretudo se não ocorrem sobrecargas constantes. Todos sabem da durabilidade das caixas redutoras dos veículos, mas os mecânicos de oficinas de reparos sabem perfeitamente o quão comum é aparecer um veículo “cross road” com engrenagens da transmissão totalmente dilaceradas pelo uso inadequado do veículo, em condições que estão fora das previstas pelos fabricantes. Quando potências reduzidas são envolvidas, como no caso dos dispositivos de precisão, não há o que discutir. A indústria relojoeira, particularmente a européia demonstra a imensa durabilidade de mecanismos constituídos por engrenagens. A razão entre as velocidades angulares, de entrada e saída, ser constante. Esta condição vigora se as engrenagens são circulares, obviamente. Esta condição distingue fortemente a aplicação dos quadriláteros articulados e outros mecanismos das engrenagens. CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS A figura a seguir ilustra algumas das grandezas que caracterizam o engrenamento das engrenagens cilíndricas. Mecânica Aplicada 5 Circunferência primitiva: circunferência teórica que governa o cálculo cinemático. Na análise cinemática, as circunferências primitivas representam o par coroa e pinhão, de modo que podem ser representados tais como discos e rolos, sem Mecânica Aplicada 6 qualquer prejuízo. Também a análise dinâmica, identificando-se as forças atuantes no engrenamento, é feita particularmente com base nos esforços que atuam na posição ditada por essas circunferências. Ressalta-se que, como há inúmeros pontos de contato entre duas engrenagens, a escolha das forças que atuam no ponto interceptado pelas circunferências primitivas é apenas uma escolha estratégica. Outro ponto importante é que a circunferência primitiva não é física. É uma grandeza matemática que pode ser alterada, não representando uma propriedade geométrica da engrenagem. Módulo: razão entre o diâmetro primitivo e o número de dentes (Z): é um valor padronizado que identifica o tamanho do dente no sistema internacional. Z Dpm [mm] Relação de transmissão: identifica a alteração de velocidades angulares envolvida. É comum se trabalhar diretamente com a freqüência angular: c p n ni nC velocidade da coroa [rpm] nP velocidade do pinhão [rpm] Mecânica Aplicada 7 O uso de engrenagens tem, como principal finalidade, transmitir potência de um ponto a outro na máquina. Contudo, a potência rotativa é dada pelo produto do torque versus a velocidade angular. Assim, na maciça maioria das vezes intenta-se alterar a composição do torque e da velocidade angular, perdendo o mínimo de potência. Assim, é comum reduzir a velocidade angular numa redução de modo a ampliar o torque. Também pode ocorrer o oposto, reduzindo-se o torque numa transmissão por engrenagens com o propósito de aumentar a velocidade angular. Distância entre centros (C): média das circunferências primitivas do par. 2 DD C c p p p A distância entre centros é uma grandeza muito importante na montagem do par. É fácil de ser medida, mas depende da montagem de outros componentes, sobretudos dos eixos nos quais as engrenagens serão montadas. Alterações em seu valor, distanciando-o daquele estabelecido no projeto, acarretam mudanças cinemáticas significativas, pois modificam as previsões de funcionamento, durabilidadee outros aspectos importantes, que são vistos com detalhe mais à frente. Passo circular frontal: m Z DPc P .. [mm] Mecânica Aplicada 8 Distância entre um ponto do dente e o mesmo ponto do dente adjacente, medida na circunferência primitiva. Diametral Picht ou passo diametral: é uma grandeza que também busca identificar o tamanho dos dentes, mas de modo inverso ao módulo. PD ZPd [pol –1] Observe que a medida para o diâmetro necessariamente é a polegada, e não o milímetro. Ressalta-se que no sistema norte americano de medidas, o passo diametral ainda faz o papel do módulo, sendo a grandeza normalizada que responde pela identificação do engrenamento. Isto mostra como é difícil substituir valores técnicos em países detém maior poder tecnológico, mesmo após anos de estabelecidos acordos em torno de um sistema universal de medidas, que é o sistema métrico. Espessura Circular frontal: é medida na circunferência primitiva, pois que as engrenagens cilíndricas de dentes retos possuem a espessura variável. 2 m. Z2 D. e P [mm] Em engrenagens padronizadas, a espessura é a metade do passo circular, o que significa que o tamanho do vão é igual a espessura na circunferência primitiva. O leitor pode imaginar que o engrenamento se processa sem folgas. Durante o estabelecimento das medidas nominais é assim, pois a folga é imposta a posteriori. Isto tem algumas implicações, que são discutidas mais à frente. Mecânica Aplicada 9 Largura da engrenagem (b): é constante nas engrenagens cilíndricas de dentes retos. No aspecto cinemático é uma grandeza de menor importância nas ECR. Mas no projeto resistivo e em aspectos relacionados à faixa prática de contato axial nos dentes ganha maior importância. É interessante, todavia, que as engrenagens não sejam muito estreitas, nem tampouco muito espessas (nesse caso, a inércia é um fator importante). Altura de cabeça, adendum ou saliência (hc): é a altura do dente medida da circunferência primitiva até o topo do dente. Altura de pé. dedendum ou profundidade (hp): é a altura do dente medida da circunferência primitiva até a raiz do dente. Altura total (ht): é a soma da altura de cabeça com a altura de pé. A figura a seguir ilustra estas duas grandezas. Folga no fundo (c): é a diferença entre as alturas de cabeça e de raiz. Foi estabelecida pela normalização com o primeiro intuito de permitir o acúmulo de impurezas sem implicar no imediato grimpamento do par. De qualquer modo, oferece um espaçamento importante para que a parte superior da outra engrenagem possa se acoplar sem danos, no caso de imprecisões de fabricação e outros fatores operacionais que podem afetar o engrenamento após algum tempo de funcionamento. Circunferência de Cabeça ou de Topo: Na figura anterior traçou-se uma circunferência que tangencia a parte superior disco da engrenagem, Mecânica Aplicada 10 caracterizando o maior diâmetro desta. Este maior diâmetro, denominado DT caracteriza a circunferência de topo. Diferentemente da circunferência primitiva, o diâmetro de topo é uma propriedade de uma engrenagem. Somente será alterado se a engrenagem for usinada e alterada em suas características geométricas. Circunferência de Pé ou de Raiz: Na citada figura também traçou-se uma circunferência que tangencia a parte inferior do sulco que caracteriza o vão entre os dentes. O diâmetro desta circunferência é denominado DR, caracterizando a circunferência de raiz. Tal como o diâmetro de topo, é uma propriedade de uma engrenagem. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ENGRENAMENTO É estratégico estabelecer dois princípios que são importantes para o entendimento e descrição do funcionamento das engrenagens. O primeiro é muito simples e provem dos fundamentos da cinemática de mecanismos, que abarca o estudo das engrenagens. O segundo é mais complexo, e apresenta novidades interessantes no campo da cinemática, que é o princípio de conjugação. 1º Princípio: As velocidades angulares num engrenamento são inversamente proporcionais aos diâmetros primitivos. 2 p Pp comum D v . e 2 c Pc comum Dv . cc pp p P c P c p n n D D . . 2 2 logo, p P c P c p D D n n i Com base na definição do módulo, m= D/z: Mecânica Aplicada 11 p c c p Z Z n n Logo, a razão entre as freqüências angulares (RPM) também é inversamente proporcional ao número de dentes das engrenagens. 2º Princípio: É conhecida como condição de conjugação e pode ser enunciada da seguinte maneira: “Se a linha de ação intercepta a linha de centros de um par de engrenagens sempre num mesmo ponto, a razão de transmissão é constante”. O conceito de linha de centros é imediato. Já o de linha de ação é preciso recordar alguns aspectos da cinemática de mecanismos. Na figura a seguir é possível observar que a linha de centros é cortada por uma linha perpendicular à tangente comum no ponto de contato. O ponto de interseção, num caso como este do mecanismo desenhado, vai variar ao longo do tempo. Esta situação deve ser distinta no contato dos dentes de um engrenamento que obedece à condição de conjugação. Os dentes das engrenagens têm seu perfil definido de modo a garantir que a linha de ação fique inalterável e a razão fique constante. Os dentes assim confeccionados são ditos conjugados. Mecânica Aplicada 12 Existem duas curvas cujas formas são capazes de obedecer a essa condição: a ciclóide e a evolvente. A ciclóide é a curva gerada pela trajetória de qualquer um dos pontos de uma circunferência que rola sem deslizar sobre uma reta. A ciclóide invertida é uma curva conhecida por suas propriedades como baquistócrona - capaz de fazer com que diferentes partículas sujeitas a um campo gravitacional percorram sua trajetória no mesmo tempo, independentes de onde são lançadas. Além disso, considerando partículas sob a ação gravitacional, sua trajetória fornece o menor tempo de chegada até a base do que qualquer outra curva, desde que lançadas da mesma altura. . Sabe-se que a velocidade de chegada será a mesma em todas as trajetórias, mas a que leva menor tempo é a curva ciclóide invertida. Mecânica Aplicada 13 Já a curva evolvente pode ser descrita pela trajetória no plano do ponto que caracteriza a extremidade de uma corda enrolada num cilindro, quando esta se desenrola gradativamente. A figura a seguir ilustra o exposto. Na figura anterior pode-se identificar o ângulo , que é denominado de ângulo de pressão da curva evolvente, e depende da extensão do desenrolar da corda, ou seja, qual é ponto da curva evolvente assinalado. Observe-se que a geração da evolvente obriga o ângulo a desenvolver-se de um valor nulo até um valor menor do que 90º. Na prática, não se usam valores assim tão altos. Pode-se identificar, visualmente, a formação do perfil dos dentes da engrenagem, no formato encontrado comumente. Existe uma formula na qual a curva evolvente é expressa matematicamente em função do ângulo de pressão da curva evolvente: Evolv(ϕ)= )()tan( rad As circunferências que geram as curvas evolventes são chamadas de circunferências de base e seus diâmetros são os diâmetros de base. Com ele se completa o quadro dos diâmetros característicos de uma engrenagem. Embora tenha sido o último dos diâmetros apresentados, de modo algum o diâmetro de base é menos importante do que os demais. É uma propriedade da engrenagem, ou seja, foi definido na fabricação e assim não pode ser alterado. Obviamente, não é difícil encontrar engrenagens que foram fabricadas por processos que não imprimiram o perfil evolventeà curva do dente, tampouco o perfil cicloidal. Engrenagens assim não gozam de importantes propriedades que serão discutidas assim e, embora muitas funcionem, não tem durabilidade e são extremamente ruidosas. Mecânica Aplicada 14 O perfil cicloidal é usado preferentemente em trabalhos de precisão no caso de ECR. Demonstra-se que ele produz rolamento puro entre os dentes e assim não produz atrito. A indústria de relógios européia é prova disso. Trens de engrenagens dos mecanismos marcadores do tempo duram séculos sem apresentar imprecisões significativas em seu funcionamento. Todavia, sua fabricação não é tão elementar quanto à do perfil evolvental, que é o perfil empregado na indústria que trabalha com máquinas operatrizes e elevada potência. Contudo, em engrenagens cônicas, a situação se inverte, pois perfis assemelhados ao ciclóide são encontrados em muitas engrenagens cônicas de veículos automotores. Mecânica Aplicada 15 Já foi visto que o perfil evolvente em ECRs pode ser gerado através do processo de geração, usando cremalheiras, que tem dentes trapezoidais, bem mais fáceis de serem fabricados. O trabalho de preparação de ferramentas para fresamento é laborioso e, por essa razão, o perfil evolvente ganha enorme vantagem funcional ao poder ser fabricado com ferramentas de arestas retilíneas. Neste texto, exceto quando mencionado, o perfil das engrenagens é evolvental. Adianta-se, no entanto, que há atrito no contato entre os dentes das ECR constituídos desse perfil, exceto no ponto principal, que é aquele no qual as circunferências primitivas se tangenciam. Como a linha de centros e a linha de ação passam pelo ponto de tangência, o ponto principal certamente é um ponto de contato. Neste, as velocidades tangenciais do pinhão e da coroa são iguais, perpendiculares que são aos raio-vetores que ligam o ponto principal ao centro das engrenagens. Nesta circunstância, já se demonstrou que o movimento relativo é de puro rolamento, sem deslizamento; portanto, sem atrito. Perceba-se ainda que se o contato se dá na superfície dos dentes e estes são gerados pela curva evolvente, cujo traçado é sempre definido por uma tangente à circunferência de base, todos os pontos de contato estão sobre esta tangente, que é a linha de ação. Assim, a condição de conjugação é obedecida, pois a interseção entre a linha de centro e a linha de ação não muda, e todos os pontos de contato se situam sobre esta linha. Mecânica Aplicada 16 Na figura a seguir são mostrados dois instantâneos do contato entre duas engrenagens. O ângulo de inclinação da linha de ação é denominado de ângulo de pressão do engrenamento ou frontal, e é um valor padronizado no projeto, conforme será detalhado posteriormente. Este ângulo nada mais é do que um valor particular do ângulo de pressão do engrenamento, quando o contato ocorre no ponto principal. Assim, quando duas engrenagens estão em contato no ponto principal (ponto de tangência das circunferências primitivas) o ângulo de pressão das curvas evolventes i são iguais e definem o ângulo de pressão frontal , que é uma característica do engrenamento, no valor escolhido pelo projetista, que deve tomar como referência o ângulo de pressão da ferramenta que o fabricou: Mecânica Aplicada 17 Pode-se adiantar que o ângulo de pressão frontal caracteriza o grau de robustez do dente devido à suavidade do perfil evolvental. Ângulos de pressão grandes na fabricação conduzem os dentes pontudos, que são mais resistentes aos esforços no flanco e na raiz dos dentes. Os valores menores conduzem a dentes mais largos, que apresentam maior concentração de esforços na raiz. Antigamente, os engenheiros observavam principalmente a magnitude do momento fletor, que é menor nas engrenagens com menor ângulo de pressão proporcionando mais de transmissão de energia e menos pressão sobre o rolamento; contudo, em termos de distribuição de tensões, os ângulos maiores são mais adequados. Fora do ponto principal, o ângulo de pressão do engrenamento e os ângulos de pressão nos pontos de contato das curvas evolventes do pinhão e da coroa são diferentes, a menos que as engrenagens sejam iguais. Mecânica Aplicada 18 A partir da circunferência de base é possível determinar algumas características das engrenagens. O cálculo mais elementar se refere à determinação dos ângulos de pressão da curva ou da distância dos pontos de contato até o centro da circunferência. Considere Rp como sendo o raio primitivo e Rq um raio qualquer. Sabendo-se o valor do raio da circunferência de base Rb, pode-se escrever: Com essa relação, pode-se determinar o raio base a partir do raio primitivo e vice- versa, se for conhecido o ângulo de pressão do engrenamento. É mais comum Mecânica Aplicada 19 determinar o raio base, pois a cinemática fornece de pronto o valor do diâmetro primitivo. Rb = Rp. cos α Também se pode escrever para um raio qualquer Rq: Rb = Rq. cos q Igualando as expressões, tem-se: Rp. cos α = Rq .cos q Ou melhor: Dq = (Dp. cos α)/cos q Outra potencialidade importante consiste do cálculo de espessuras quaisquer. Esta expressão está deduzida no Mabie: 21 1 1 22 2 2 evolevol R tRt ti espessura dos dentes evol i tg i - i (rad) e espessura na circunferência primitiva. Na prática, as grandezas relacionadas ao diâmetro primitivo, isto é, seu valor, o ângulo de pressão frontal e a espessura frontal todos são conhecidos, pois são a Mecânica Aplicada 20 base do projeto cinemático; são assim utilizadas para calcular a espessura num outro ponto qualquer da curva, desde que conhecido o ângulo de pressão e o diâmetro neste ponto. Ressalta-se que isto vale para qualquer ponto da curva evolvente, ou seja, desenvolvida a partir da circunferência de base. Note o leitor que não foi discutido ainda o posicionamento da circunferência de base com relação às demais. Esta é uma questão interessante, pois a circunferência de base pode ficar acima ou abaixo da circunferência de raiz, dependendo da especificação dos valores das grandezas do engrenamento. Sua posição pode diferir no pinhão e na coroa. Os exercícios detalharão pormenorizadamente ES circunstâncias que definem esse posicionamento. Ressalta-se, todavia, que se a circunferência de base se posiciona acima da circunferência de raiz, uma parte do perfil do flanco do dente não será evolvental. Contudo, essa parte não evolvente poderá ou não servir ao contato, tema este discutido no aspecto interferência no engrenamento. CARACTERÍSITICAS DO ENGRENAMENTO Contato entre os dentes: Inicia-se quando a parte inferior ou flanco da engrenagem motora, usualmente o pinhão, toca a circunferência de cabeça da movida. A situação se inverte no término do contato. A figura a seguir ilustra o exposto, num caso em que a circunferência de base tem diâmetro menor do que a circunferência de raiz, de modo que todo o perfil, da raiz até a cabeça do dente, é evolvental. Mecânica Aplicada 21 Faixa de contato: é definida pela intersecção das circunferências de cabeça com a linha de ação. A figura a seguir mostra o segmento da linha de ação, que é perpendicular às circunferências de base, que corresponde à faixa de contato. As duas situações estão associadas a ângulos de pressão distintos. Mecânica Aplicada 22 Quanto menor é o ângulo de pressão, menor é a faixa de contato. Podem-se definir também com base nas circunferências primitivas, os ângulos de aproximação e afastamento. Estes são normalmente são distintos para cada par de engrenagens, mesmo caso as engrenagens sejam iguais. É comum denominar-se de ângulo de ação à soma dos ângulos de afastamento e aproximação.Razão de contato ou grau de recobrimento (): fornece o número médio de dentes em contato durante o processo de engatamento de um par. Para melhor entender esse conceito, imagine que durante o período em que dois dentes estão em contato, as circunferências primitivas de cada engrenagem descrevem um arco, de mesma magnitude, denominado de ação ou arco frontal de transmissão. Espera-se que, antes deste par de dentes de dentes se afastar, outro par tenha iniciado o contato, para que não haja um vazio momentâneo no engrenamento. Em outras palavras, é importante que exista um intervalo em que o engrenamento se componha pelo contato simultâneo de dois pares de dentes, um Mecânica Aplicada 23 par prestes a concluir e outro iniciando o engrenamento. Para que isso aconteça, é preciso que a faixa de contato tenha magnitude superior ao arco de contato. Uma razão de contato igual a 1 significa que no momento que um par deixa de se contactar, outro par assume imediatamente o engrenamento, sem que haja solução de continuidade. Contudo, na prática, salvo exceções bem justificadas, é importante que, no mínimo, em 20% desse período de contato de um par, exista se contactando, resultando em um grau de recobrimento igual 1,2. Isto evita choques, ruídos e desgaste nos dentes. Ressalta-se tanto no início quanto no fim do engrenamento, ocorrem os maiores valores de força de atrito, de forma que se nesta condição desfavorável os esforços forem divididos com outro par, a durabilidade da engrenagem será maior. A forma mais adequada de se quantificar a idéia exposta é formular uma razão entre a faixa de contato e o arco frontal de transmissão. Todavia, é mais fácil calcular um quociente em que a faixa de contato se projeta sobre a linha de ação, conforme mostrado na figura. Mecânica Aplicada 24 Com esse intuito, se a linha AB consiste do passo circular frontal, sua projeção na linha de ação é chamado de passo base Pb: Pb = Pc. cos A razão de contato é dada por: Pb No numerador encontra-se o arco de transmissão, cujo cálculo segundo Mabie, é dado pela seguinte fórmula: sen. 2222 2222 C DDDD Pb P T C b C T A distância entre centro C é dada por: 2 P P C P DDC Os demais valores são: Diâmetro de topo DT = DP + 2hC hc = altura de cabeça Diâmetro de raiz DR = DP - 2hP hp= altura de pé Pode-se comentar que o valor da razão de contato está relacionado às características das engrenagens e dos valores padronizados do ângulo de pressão. Mecânica Aplicada 25 É possível alterá-lo, mas existem limites a sua extensão significativa. Percebe-se facilmente que o aumento do ângulo de pressão diminui seu valor e que o aumento da razão de transmissão tende opostamente a ampliá-lo. Em engrenagens cilindiricas helicoidais, a faixa de aumento da razão de contato é bem maior, pois existe uma componente de contato ditada pelo ãngulo de inclinação da hélice. Este é um dos fatores que concorrem para o maior uso das helicoidais comparativamente às ECR. Um estudo mais detalhado da razão de contato nas ECR será feito por ocasião da solução dos exercícios. Interferência: é um dos mais sérios problemas no projeto de engrenagens. Consiste do contato de partes dos perfis dos dentes que não são envolventais. É sabido que abaixo do circulo base a curva característica do perfil do dente não é evolvental. Assim, estas partes não podem pertencer a faixa de contato, ou seja, compõem o perfil do dente abaixo do círculo base, mas não podem ser utilizadas no engrenamento. Este espaço, todavia, é utilizado para o alojamento das partes superiores dos dentes que não engrenam e também para composição da folga no fundo. A figura a seguir ilustra exageradamente o problema da interferência. O problema é bem mais crítico no pinhão, pois há mais pronunciada tendência do dente da coroa penetrar neste do que a situação oposta, devido às alturas dos dentes serem iguais e o diâmetro de base do pinhão ser menor do que o diâmetro de base da coroa. A figura a seguir mostra exageradamente esta Mecânica Aplicada 26 situação, em que pode se observar que o diâmetro de topo da coroa chega a ultrapassar o centro das circunferências do pinhão. Na solução do problema da interferência, o ajuste das grandezas cinemáticas é um aspecto importante, mas o processo de fabricação das engrenagens pode interferir antecipadamente nesta questão, e não apenas através dos procedimentos de correção, cujo estudo às formas de engrenamento especiais. Isto porque a teoria referente ao tema fica bem mais complicada. Existem alguns procedimentos que combatem a interferência, alguns deles referentes à própria fabricação das engrenagens: Adelgaçamento: retirada de material, afilando o flanco do dente. Esta ocorrência pode até ser feita à posteriori, mas às mais das vezes é resultado do processo de usinagem. É preciso atentar que a usinagem é feita com uma ferramenta, que de certo modo se acopla com o disco, de um modo parecido como fará outra engrenagem durante o engatamento. Imagine então que a ferramenta atua como uma espécie de engrenagem e possui um número de dentes maior do que aquela que está sendo fabricada. Se o processo de fabricação é de geração com cremalheira (ou mesmo fresa caracol), para engrenagens com pouco número de Mecânica Aplicada 27 dentes haverá o adelgaçamento. Esta região não fará parte da faixa de contato, mas servirá para alojar o dente da outra engrenagem, particularmente o pinhão. Não é difícil perceber que o adelgaçamento enfraquece os dentes, e por conta disso, dependendo das características do engrenamento, a correção das engrenagens, afastando a ferramenta da posição originalmente prevista, se faz necessário. Usinagem usando uma ferramenta cujo número de dentes é menor do que a engrenagem que está sendo fabricada. Percebe-se que os dentes não estão adelgaçados. a) Rebaixamento dos dentes: consiste na diminuição do adendo ou altura da cabeça da coroa. b) Correção: alteração da distância entre centros das engrenagens. c) Controle do ângulo de pressão do engrenamento. Verifica-se que o problema de interferência ocorre devido ao número reduzido de dentes do pinhão. MABIE identificou o número mínimo de dentes do pinhão (ZP) capaz de evitar a interferência com uma cremalheira, que é o caso mais extremo. Os resultados são os seguintes: Mecânica Aplicada 28 14,5º 20º N 20º R 25º ZPmín. 32 18 14 12 No caso de engrenagens iguais: 14,5º 20º N 20º R 25º ZPmín. 23 13 10 9 1,84 1,44 1,15 1,26 Se não for possível obedecer diretamente as tabelas anteriores, relações geométricas mostram que caso: 2 1 22 2 2 cos..cos 4 .2 PP P PC T DC DCD Não há interferência. C C P C T hDD 2 Intermutabilidade ou intercambialidade: é a propriedade que garante a possibilidade de troca ou reposição de um dos componentes do par sem problemas, além da garantia de um bom engrenamento. As condições necessárias são: 1. Mesmo módulo 2. Mesmo tamanho de dentes 3. Mesmo ângulo de pressão na fabricação 4. Espessura de dente igual à metade do plano circular O leitor deve estranhar tal propriedade, pois em princípio qualquer par deveria obedecê-las. No entanto, em muitos casos, sobretudo com relação ao não atendimento dos itens três e quatro, é possível haver o engrenamento do par. Evidentemente, sem a devida eficiência no projeto. Além disso, as condições citadas Mecânica Aplicada 29 são necessárias, mas não suficientes. Em engrenagens helicoidais, é preciso que o processo de fabricação seja o mesmo para o par, ou então minimamente compatível, poisas características de fresamento nos diversos processos impõem diferenças significativas no par, sobretudo no desenvolvimento da hélice. Padronização ABNT: 14,5º 20º N 20º R 25º hC m m 0,8m m hP 1,157m 1,25m m 1,25m E PC/2 PC/2 PC/2 PC/2 C 0,157m 0,25m 0,2m 0,25m Tabela de módulos (m) Intervalo Espaçamento De Até 0,3 1,0 0,1 1,0 4,0 0,25 4,0 7,0 0,5 7,0 16,0 1,0 16,0 24,0 2,0 24,0 45,0 3,0 45,0 75,0 5 Forças nas engrenagens: - Devido às características do engrenamento, elas também se decompõem radialmente. - No ponto principal a resultante é normal à superfície do dente. Nesta situação costuma-se analisar os esforços nos dentes para seu dimensionamento. Mecânica Aplicada 30 2 D.FT P PT PP e 2 D.FT C PT CC P = 0,1047 T.n Onde, P Potência (Watts) T Torque (N.m) n rpm Algumas particularidades: 1 motora 2 meeira ou intermediária (usada para vencer distâncias) Mecânica Aplicada 31 2 . 2 2321 Ptt m DFFT , onde Tm = torque motor Mecânica Aplicada 32 PRIMEIRO EXERCÍCIO Dimensionar o par de engrenagens que vai transmitir 7,5 HP de potência através de um motor que gira a 1200 rpm e deve quintuplicar o torque que acionará o comando de uma manivela acoplada a uma ferramenta de dobramento. Solução: com base nos dados fornecidos nP = 1200 rpm P = 7,5 HP = 7,5 x 746 (fator de conversão para Watts) = 5595 W Nm54,44 1047,0 1. 1200 5595TP 5 e rpm240 5 P CP C n ninn Tc=5 x 44,54=222,7Nm Valores arbitrados: *Deve-se alojar uma biela no disco da coroa, que funcionará excêntrico como um sistema biela-manivela. Assim, seja 800 mm de diâmetro da coroa = DPC mm160 5 800 PPD Mecânica Aplicada 33 *Escolha do ângulo de pressão: = 20º *Arbitrando o módulo: m = 4mm 40 4 160 200 4 800 m DZ m DZ P PP C PC , hC = 4mm, hP = 5mm, e = 6,28mm e C = 1mm Verificando a interferência: Como na tabela para α =20º o numero mínimo de dentes para evitar interferência é bem menor do que os 40 dentes do pinhão, não haverá interferência. Para conferir, usando-se a fórmula: mm 480 2 800160C e Dcos.D.Ccos. 4 D C2 CT 2 1 2P P 2 2P P2 O radical versus dois vale: 2 x 410,15 = 820,3 Já o diâmetro de topo vale: 808)42(8002 xhDD C C P C T mm; Logo, não haverá interferência. Verificação da razão de contato: sen. 2222 , 2222 C DDDD P P b P T C b C T b Pb = Pc.cos Db=Dqualquer . cos Db=DP . cos DbP = 160.cos 20º = 150,3mm DbC = 800.cos 20º = 752,0mm Mecânica Aplicada 34 DraizP = DPP – 2hP = 160 – (2 x 5)= 150,0mm DraizC = DPC – 2hP = 800 – (2 x 5)= 790,0mm m.P OK! 78,1 81,11 11,21 º20cos.P 11,21 C C ϵ não deve ser menor que 1,2. SEGUNDO EXERCÍCIO Um pinhão de 22 dentes tem módulo de 6,5mm, gira a 1200 rpm e aciona uma engrenagem que gira a 660rpm. Determine o número de dentes da engrenagem e a distância entre eixos. Solução: mm143)22).(5,6(D 22 D z D 5,6m pP p P p p P Pelo primeiro princípio básico: mm260 660 1431200D D 143 1200 660 D D n n i 1 c Pc P c P p P p c )).(( Daí, tem-se: 40 5,6 260z z 260 z D 5,6m c cc c P Então: mm 5,201 2 143260 2 DD C c P p P Mecânica Aplicada 35 EXERCÍCIO EXTRA Calcular o módulo de uma engrenagem cilíndrica de dentes retos cujo diâmetro externo (diâmetro de topo) é igual a 45 mm e o número de dentes (Zp) é 28. Solução: Foi dado o diâmetro de topo, que de acordo com a norma, se relaciona com o diâmetro primitivo pela fórmula: DT=Dp+2hc Qualquer seja o ângulo de pressão, que não foi dado, a altura de cabeça padronizada é igual ao módulo, de forma que: hc = m Logo: DT=Dp+2m Mas: Dp=mzp Então: DT = mzp+2m = m(28)+2m=30m 45 = 30m → m=1,5mm Mecânica Aplicada 36 TERCEIRO EXERCÍCIO (a) Dados os seguintes valores: Dp=80mm; m=2mm; e α=20º calcule a espessura do dente para Φ=25º. A expressão geral que relaciona as grandezas referentes as espessuras em qualquer parte do perfil evolvente do dente da engrenagem é dada por: ])([ 21 1 1 22 evolevolD t Dt Particularizando de modo a introduzir as grandezas referentes à circunferência primitiva: ]evol)(evol D e[Dt p P 22 Sabendo que: Db=Dpcos(α) e Db=Dqualquercos(Φ) → Dpcos(α) =Dqualquercos(Φ) Tem-se: Dqualquer = Dp [cos(α)/cos(Φ)] = 80.cos (20º) / cos (25º)= 82,94mm e= π m/2= π(2)/2= π Calculando as funções evolventes: (veja: π→180o; x→20o; logo, x= π/9) Mecânica Aplicada 37 Evolv(200)=tang(200)- π/9=0,3640-0,3490=0,0149 Também, se π→180o, x→25o; logo, x= 25π/180= π/(7,2) Evolv(250)=tang(250)- π/(7,2)=0,4663-0,4363=0,030 mm004,2]030,00149,0 80 1415,3[94,82t 2 (b) Calcule a espessura do dente para Φ=0o, ou seja, circunferência de base do dente. Db/2=(Dp/2)cosα Neste caso, evolv (0o) = 0. Assim sendo: Db=Dpcos(20o) = 80cos(20o)=75,17mm mm070,4]0149,0 80 1415,3[17,75t b Para melhor avaliação dos dados do problema, o diâmetro de raiz vale: Dr=Dp-2hp=80-2x(1,25)x(2)=80-5=75mm Isso significa que a circunferência de raiz está situada 0,17/2=0,085mm abaixo da circunferência de base. Mecânica Aplicada 38 (c) Calcule a espessura do dente na circunferência de topo. O valor da circunferência de topo ou cabeça vale: DT=Dp + 2hc= 80+2x2=80+4=84mm Mais uma vez usando a relação: Db=Dpcos(α) e Db=Dqualquercos(Φ) Tem-se: DT = Dp [cos(α)/cos(ΦT)] → cos(ΦT)= [Dp cos(α)]/ DT cos(ΦT)= 80cos(20o)/84=0,8949→ ΦT=26,5o Assim sendo: mm52,1)036,00149,0 80 1415,3[84])5,26(evol0149,0 80 1415,3[84t oT Mecânica Aplicada 39 QUARTO EXERCÍCIO Uma transmissão consiste de um pinhão com dezesseis dentes e uma coroa com quarenta dentes. O módulo é 12mm. As engrenagens são usinadas com = 20º. (a) Calcular Pc, C, DbC, DbP. São dados: ZP = 16 e ZC = 40 m=12mm Então: mm 336 2 480192 mm4801240 mm 1921216 , 2 mm7,37. CxD xD Z D Z DmDDC mP C P P P C C P P P P C P P P C mm4,180º20cos192 mm 451º20cos480 xD xD P b C b (b) Na montagem dessas engrenagens, a distância entre eixos ficou 6 mm maior do que a prevista. Calcular os novos , DPC, DPP. Neste problema o próprio enunciado indica que as circunferências primitivas se alteram. No entanto, a razão de transmissão desejada deve permanecer. Logo, são duas equações para se determinar os novos diâmetros primitivos: Mecânica Aplicada 40 º6,22''cos.4,1954,180 mm 488,5 mm 4,195 (2) 5,2 D (1) 2 6 2 ' ' C P ' C' P ' '' Pb C P P P P P C P P P C C P P P C P P P D D D Dn n D D DDDD O Projeto original era bom? Inicialmente, é necessário verificar a questão da interferência. De acordo com a tabela de valor mínimo de dentes para pinhão e cremalheira, o número mínimo de dentes do pinhão para o ângulo de pressão do engrenamento de 20º é 18 dentes. O pinhão possui 16. É necessário, então, verificar a interferência pela fórmula: ciainterferên há Não mm 50424DD mm 23,506º20cos.192.336º20cos. 4 1923362 Dcos.D.Ccos. 4 DC2 C P C T 2 1 22 2 2 C T 2 1 2P P 2 2P P2 CONTRIBUIÇÃO DE ROBERTO PASSOS Analisando graficamente o limite de interferência, para que o par funcione, fez-se: Mecânica Aplicada41 É possível escrever a função f exclusivamente como função do módulo m. Chega-se então a: Para termos uma analise coesa, o número de dentes da coroa será fixado e as funções são parametrizadas pelo número de dentes do pinhão. Ou seja, como a função g não está em função do número de dentes do pinhão, tem-se uma constante, pois o módulo também é uma constante. Já na função f há, que é constante, e o número de dentes do pinhão variando. Plotando estas funções podemos ver claramente o limite, que começa a partir de 15 dentes no pinhão. Então, conclui-se que a partir de 15 dentes no pinhão não se tem interferência no contato. Como g=504 (constante) e tendo f(14)= 502,56 e f(15)=504,38. Mostra-se que o limite em 15 dentes está comprovado. No que tange a razão de contado, precisa-se usar a fórmula: sen. 2222 , 2222 C DDDD P P b P T C b C T b Mecânica Aplicada 42 mm 2162419224DD PP P T Os diâmetros de base já foram calculados: mm4,180º20cos192 mm 451º20cos480 xD xD P b C b Assim: mm97,5692,11404,81361166425,5085063504 20sen.3362,901085,225252 , P o2222 b O passo base vale: Pb=Pc cos(20º)=35,42mm Então: 61,1 42,35 97,56 Pb O projeto original estava bastante bom. É preciso examinar se com a alteração na distância entre centros as novas condições são tão satisfatórias quanto antes. No que se refere à interferência, não há problema, pois o aumento do ângulo de pressão inibe a produção desse fenômeno. A questão mais séria é com a razão de contato. Calculando-a nessa nova condição, verifica-se que os radicais constantes da expressão da faixa de contato não mudam; entretanto, a distância entre centros C e o ângulo de pressão se alteraram: Mecânica Aplicada 43 mm46,406,22sen.C96,352775,12653 43,131 Mas o denominador se altera bastante, pois o “passo base” agora mudou seu significado. Uma vez que o contato se inicia e termina e novos pontos, o arco de contato se modifica, e novas espessuras – tanto para o dente do pinhão quanto para o dente da coroa – precisam ser contabilizadas. Sabe-se que: DpC =480mm, DpC’ =488,5mm A fórmula para cálculo das espessuras, baseando-se nos valores conhecidos da espessura frontal, ângulo de pressão e diâmetro primitivos originais é: ]evol)(evol D e[Dt p P qq Então, a espessura do dente da coroa é: mm82,15]021815,0014904,0039269,0[5,488't ])6,22(evol)20(evol 480 1415,3x6[5,488't c oo c Para o pinhão, tem-se: DpP =192mm, Dpp’ =195,4mm Mecânica Aplicada 44 Logo, a espessura do dente do pinhão é: mm83,17]021815,0014904,009817,0[4,195't ])6,22(evol)20(evol 192 1415,3x6[4,195't c oo p Com esses dados, o novo “Pb” é dado por: Pb=(17,83+15,82)cos(22,6º)=31,066 Então: 302,1] 066,31 46,40[ 'P b Estabelecimento da folga no vão: O procedimento para se prover um espaçamento entre os dentes que se engatam é dado na montagem, e consiste em aumentar numa pequena proporção distância entre centros. Mabie na pag 120/121 deduz formulas para dentes padronizados e não padronizados. Para dentes padronizados, a folga f é dada por: )](evolv)'(evol[x)'C(x2f Onde C’ é o novo afastamento entre os centros. A folga f deve ser uma fração da espessura frontal, em torno de 5% a 6%. É interessante “traduzir” o afastamento acidental dado no problema em termos de uma folga. Assim sendo, nesse caso tem-se: evolv( Φ’) = evolv (22,2º) =tang (22,2º) – 0,387 = 0,408-0,387= 0,021 evolv( Φ) = evolv (20º) =tang (202º) – 0,349 = 0,408-0,349 = 0,015 mm1,4]015,0021,0[x)342(x2'f Mecânica Aplicada 45 A espessura frontal vale: e = πm = π(6)=18,85mm A folga controlada, em seu valor máximo, deveria ser de: f=0,05x18,85= 0,94mm Que é quatro vezes menor do que o produzido incidentalmente. QUINTO EXERCÍCIO Dimensionar o par de ECR de modo que transmita 10KW a 3000rpm. Não deve haver interferência, α = 20º, i = 6 e ε ≥ 1,69. A distância entre centros não pode ser maior que 350mm. Valores dados: α = 20º ε ≥ 1,7 C ≤ 350mm i= DpC / DpP=6 Valores arbitrados: Módulo m = 5mm, uma escolha arbitrária. Para evitar interferência com α = 20º foi escolhido zp=18 no caso mais crítico, pinhão com cremalheira. Com esses valores deve-se checar a distância entre centros e caso não tenham sido boas as escolhas os valores devem ser redefinidos. Daí: Dpp=mzp=5x(18)=90mm Dpc= 6Dpp = 6x(90)=540mm Mecânica Aplicada 46 A distância entre centros vale: C = (Dpp + Dpc) / 2= (90+540)/2=315mm OK! Calculando as demais grandezas dos dentes: Dbp = DpP cos(20) = 84,57mm Dbc = DpC cos(20) = 507,43mm DTp = DpP + 2hc = 100mm DTc = DpC + 2hc = 550mm Drp = DpP – 2hp = 77,5mm Drc = DpC – 2hp = 527,5mm Perceba que a circunferência de raiz da coroa está bem acima da circunferência de base, o que implica em todo o perfil do dente da coroa ser evolvental. Contudo, o diâmetro de base do pinhão está acima do diâmetro de raiz; porém, os valores adequados de projeto vão fazer com que esta parte não evolvente do dente não faça parte da faixa de contato. Calculando do arco de contato: φ = ²2/²2/ DbcDtc + ²2/²2/ DbpDtp - Csen(α) φ = ²2/43,507²2/550 + ²2/57,84²2/100 - 315sen(20) φ = 106,08 + 26,68 – 107,73 φ = 25,52 Pb = Pccos α = πmcos α = 5πcos(20) = 14,76 Logo; ε = φ / Pb = 25,52 / 14,76 ε = 1,70.............................................OK! Sejam os mesmos dados e agora se faz zp=17, como se fosse uma tentativa de melhorar o custo de fabricação do projeto, especialmente caso se precisassem fazer peças em série. O valor zp=18 corresponde ao acoplamento pinhão-cremalheira, o caso mais extremo; supõe-se que com o engrenamento pinhão-coroa, apesar da alta Mecânica Aplicada 47 relação de transmissão, não haja interferência. Logo a seguir se faz o teste para saber se há ou não interferência com zp=17. Neste ponto, agora, tem-se: Daí: Dpp=mzp=5x(17)=85mm Dpc= 6Dpp = 6x(85)=510mm A nova distância entre centros vale: C = (Dpp + Dpc) / 2= (85+510)/2=297,5mm OK! Novos diâmetros: Dbc = 510cos(20)=479,24mm Dbp = DpP cos(20) = 85cos(20)= 79,87mm DTc = DpC + 2hc = 520mm DTp = DpP + 2hc = 95mm Usando a fórmula para aferir se há ou não interferência: ciainterferên há não :520,66 queMenor mm 5201051010DD 6623,5208830.0x85x5,2978830.0x25,180625,885062 º20cos.85x5,297º20cos. 4 855,2972 Dcos.D.Ccos. 4 DC2 C P C T 2 1 2 1 22 2 2 C T 2 1 2P P 2 2P P2 Esta pequena diferença sugere que, para zp=16 dentes, já haja o problema da interferência no engrenamento. Calculando a razão de contato ou grau de recobrimento: φ = 100,907 + 25,7184 – 101,75=24,87 Pb = 5πcos(20) = 14,76 ε = φ / Pb= 24,87 / 14,76 =1,68 Mecânica Aplicada 48 A redução do número de dentes do pinhão afeta negativamente a razão de contato, ou seja, o maior número de dentes do par aumenta a razão de contato ou grau de recobrimento. Assim, esta proposta deve ser recusada por não atender ao imposto no enunciado. O gráfico mostrado retirado do trabalho de Bravim ilustra esse comportamento. Razão de contato x Zp com α = 20 ºe i = 6 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 Número de Dentes do Pinhão Ra zã o de c on ta to ε (Zp) Portanto, tomando o caminho de aumentar o número de dentes, vai se dimensionar as engrenagens para o caso extremo de C = 350 mm (esta proposta é ruim, pois depois se precisa dar a folgafrontal e a distancia entre centros vai aumentar!): 350 = (Dpp + Dpc) / 2 6Dpp = Dpc Assim: Dpp = 100mm Dpc = 600mm É necessária a escolha de um módulo que resulte em um número de dentes inteiros. Sendo m=5, essa condição é satisfeita: Zp = (DpP)/ m = (100)/ 5 = 20 dentes Zc= i Zp= 120 dentes E, de acordo com a tabela de Zp mínimo, há garantia de que não haverá interferência, pois no caso extremo de pinhão-cremalheira o Zp mínimo = 18 dentes. Mecânica Aplicada 49 Cálculo dos outros diâmetros: Dbp = Dppcos(20) = 93,97mm Dbc = Dpccos(20) 563,82mm DTp = Dpp + 2hc = 110mm DTc = Dpc + 2hc = 610mm Drp = Dpp – 2hp = 87,5mm Drc = Dpp – 2hp = 587,5mm Cálculo do arco de contato φ = ²2/²2/ DbcDtc + ²2/²2/ DbpDtp - Csen(α) φ = ²2/82,563²2/610 + ²2/97,93²2/110 - 350sen(20) φ = 116,42 + 28,59 – 119,71 φ = 25,3 Pb = Pccos α = πmcos α = 5πcos(20) = 14,76 Logo; ε = φ / PB = 25,3 / 14,76 ε = 1,714 Sendo assim, a condição inicial especificada foi também obedecida. EXERCÍCIO EXTRA (contribuição de Rodolfo Zamborlini Fraga, 2008) Esse exercício explora o exemplo anterior, analisando qual o efeito da razão de transmissão, ângulo de pressão e número de dentes do pinhão influenciam na razão de contato, mantendo-se os valores impostos no enunciado. Para começar, fazer a expressão da razão de contato ficar somente em função da razão de transmissão, ângulo de pressão e número de dentes do pinhão. Mecânica Aplicada 50 senCDDDD P B P T C B C T 2222 2222 Usando as equações seguintes na expressão acima e simplificando colocando m/2 em evidência, fica: C C P C T hDD 2 , mhC , C P P P T hDD 2 , cos C P C B DD , cos P P P B DD , C C P mZD , P P P mZD , 2 C P P P DDC . senZZmZZmZZm PCPPCC )(2cos22cos22 2222 Resolvendo os produtos notáveis: senZZmZZZmZZZm PCPPPCCC )(2 cos44 2 cos44 2 222222 Substituindo na fórmula de razão de contato: cosm cos2 )(44cos144cos1 2222 senZZZZZZ PCPPCC Ou seja, a razão de contato independe do módulo escolhido no projeto. Lembrando que: 22 cos1sen cos2 )(1414 2222 senZZZsenZZsenZ PCPPCC Sabendo que: PC ZiZ Logo: Mecânica Aplicada 51 cos2 11414 22222 seniZZsenZZisenZi PPPPP Usando a equação anterior se pode verificar como a razão de contato varia com essas variáveis. Na primeira verificação, foi feita adotando como constantes i = 6 e Zp = 18. A distancia entre centros fica definida como sendo 315 mm. Fez-se variar o ângulo de pressão de 10 a 30 graus, obtendo-se o gráfico a seguir: Razão de contato x Ângulo de Pressão com i = 6 e Zp = 18 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 10 ,0 11 ,0 12 ,0 13 ,0 14 ,0 15 ,0 16 ,0 17 ,0 18 ,0 19 ,0 20 ,0 21 ,0 22 ,0 23 ,0 24 ,0 25 ,0 26 ,0 27 ,0 28 ,0 29 ,0 30 ,0 Ângulo (α) Ra zã o de c on ta to ε (α) Na segunda verificação usou-se como constantes α = 20º e Zp = 18 e a razão de transmissão variando de 1 até 21. Essa combinação gerou o gráfico a seguir. Razão de contato x Razão de transmissão com α =20 ºe Zp =18 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1, 0 2, 0 3, 0 4, 0 5, 0 6, 0 7, 0 8, 0 9, 0 10 ,0 11 ,0 12 ,0 13 ,0 14 ,0 15 ,0 16 ,0 17 ,0 18 ,0 19 ,0 20 ,0 21 ,0 Razão de transmissão R az ão d e co nt at o ε (i) Mecânica Aplicada 52 No entanto, por ter Zp=18 com um ângulo de pressão de 20º, não há interferência, não importando a razão de transmissão, por conta dos valores padrão. Com essa configuração de Zp, para existir interferência dentro dessa faixa de razão de transmissão, o ângulo de pressão deverá ser menor que 19,26º e com i =21 neste caso específico terá razão de contato 1,78. Aumentando o valor do ângulo de pressão, este desloca o gráfico para baixo, enquanto o número de dentes do pinhão faz o inverso, mas não na mesma intensidade. Razão de contato x Razão de transmissão com α =25 ºe Zp =18 1,30 1,35 1,40 1,45 1,50 1,55 1, 0 2, 0 3, 0 4, 0 5, 0 6, 0 7, 0 8, 0 9, 0 10 ,0 11 ,0 12 ,0 13 ,0 14 ,0 15 ,0 16 ,0 17 ,0 18 ,0 19 ,0 20 ,0 21 ,0 Razão de transmissão Ra zã o de c on ta to ε (i) Não há interferência com α =25º e Zp =18 dentro da faixa de razão de transmissão especificada no gráfico anterior. Na terceira verificação, adotou-se como constantes α = 20º e i = 6 e o número de dentes do pinhão variando de 12 até 50. Essa combinação é a que gerou o gráfico usado no problema anterior, repetido por conveniência a seguir: Razão de contato x Zp com α = 20 ºe i = 6 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 Número de Dentes do Pinhão Ra zã o de c on ta to ε (Zp) Mecânica Aplicada 53 Há interferência quando o Zp é menor que 18, neste limite a razão de contato é 1,7. Alterando os valores de α e i, o ângulo de pressão desloca o gráfico para baixo, enquanto o a razão de transmissão desloca para cima. Verifique a seguir: Razão de contato x Zp com α = 20 ºe i = 12 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 Número de Dentes do Pinhão R az ão d e co nt at o ε (Zp) Com essa configuração a razão de contato com 18 dentes no pião é de 1,72, abaixo desse numero de dentes existe interferência no conjunto. Razão de contato x Zp com α = 25 ºe i = 6 1,35 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 Número de Dentes do Pinhão Ra zã o de c on ta to ε (Zp) Com essas novas constantes, para não ter interferência Zp deve ser igual ou maior a 18 dentes, e neste limite a razão de contato é de 1,49. Mecânica Aplicada 54 Conclusão Os dados e gráficos analisados mostram que durante o projeto do pinhão, pode se verificar até onde é importante a razão de contato ser aumentada pelo acréscimo do número de dentes do pinhão, de acordo com o tipo de serviço que será executado. Mostra também que no projeto pode-se sair dos padrões e fazer um pinhão com ângulo não usual para poder aumentar a razão de contato e se já feito o pinhão, até quando é viável usinar aumentando o ângulo de pressão sabendo que se perde bastante razão de contato com essa solução. O efeito da razão de transmissão é aumentar a razão de contato, e essa taxa é bem significativa com baixas razões de transmissão, se comparada com elevadas razões de transmissão que influem muito pouco na razão de contato. A interferência é um parâmetro importante para definir uma solução compatível e a com menor custo. Esse tipo de estudo ajuda o profissional dar uma solução eficaz e baixo custo para os projetos que lhe são propostos. SEXTO EXERCÍCIO Uma máquina operatriz tem razão de transmissão igual a 4. São empregadas duas ERC’s, sendo a distância entre centros igual a 205 mm. As engrenagens são padronizadas, têm módulo m=5 mm e não são corrigidas na fabricação. Quais eram os diâmetros primitivos originais se o ângulo de pressão α atual é de 19º? Quantos dentes têm as engrenagens? Havia interferência na condição inicial, antes da correção? Há interferência nesta condição? Calcule a razão de contato. Pois que o ângulo de pressão aferido na montagem do par é diferente dos valores padronizados, conclui-se que houve uma correção proposital do engenamento, feita durante a disposição das árvores. É a chamada correção zero, que não modifica os parâmetros das engrenagens na fabricação. Foi visto, anteriormente, uma situação parecida comesta, mas como resultado de um erro de montagem. Neste caso, Mecânica Aplicada 55 insinua-se foi feita uma tentativa última de melhorar o engrenamento, por algum motivo. Tal razão vai ficar clara no decorrer da solução do problema. Na situação vigente: α atual de 19º (α’) (D’pp+ D’pc)/2= C = 205 Logo: D’pp+ D’pc=2x 205 = 410 A razão de transmissão é dada: 4D’pp = D’pc Assim, substituindo este valor na expressão anterior: D’pp+ 4D’pp= 410 Daí: Dpp’ = 82mm Dpc’= 328mm É possível terminar os diâmetros de base: Dbp = Dpp’cos19º = 77,53mm Dbc = Dpc’cos19º = 310,13mm Provavelmente o ângulo inicial era de 14,5º; pois se fosse igual a 20º a redução iria causar sérios problemas de folga no vão, além de induzir a interferência. Assim, para alfa original de 14,5º, os diâmetros primitivos originais são calculados: Dpp = Dbp/ cos(14,5º) = 80,0mm Dpc = Dbc/ cos(14,5º) = 320,0 mm ou Dpc= 4Dpp Para calcular o número de dentes: zp = m Dpp = 5 80 = 16 dentes; zc = 4zp = 64 dentes (item b) Mecânica Aplicada 56 Na condição do projeto original certamente havia interferência, pois que o número mínimo de dentes do pinhão no caso de engrenagens iguais é 23 (o mais favorável para engrenagens iguais) e o valor calculado é 16! Esta é a razão para a correção zero, ou seja, durante a montagem das árvores. Na nova situação, após o afastamento, não deve haver interferência, mas é preciso fazer os cálculos. Vê-se que: Zp min para engrenagens iguais com alfa=20º é 13; Zp min para engrenamento com cremalheira com alfa=20º é 18; Assim, o número de dentes do pinhão (zp=16) se situa nesse intervalo, sendo possível que dos dados de projeto funcionem sem interferência; porém, é preciso conferir. Usando a fórmula geral: Dtc=Dpc+2hc=320 +2x5=330 mm 330 < 2 [ (205)² + 4 ²82 (cos19º)² - (205)(82)(cos19º)²]= 330 < 2 [ 42025 + 1681x0,894 - 15028,23]= 330 < 337,63 De fato, não há interferência. Cálculo da Razão de contato: φ = ²2/²2/ DbcDtc + ²2/²2/ DbpDtp - Csen(α) φ = ²/,²/ 2133102330 + ²/,²/ 25377290 - 205sen(19º) φ = 12,501 Dtp=Dpp+2hc=80 +2x5=90mm Pb = P’c cos(19º) = (t’p + t’p) cós 19º 462,7])19(evol)5,14(evol 80 1415,3x5,2[82't 699,5])19(evol)5,14(evol 320 1415,3x5,2[328't oo p oo c Mecânica Aplicada 57 Pb=(5,699+7,462)cos(19o) = 12,44mm Logo ε = φ / Pb = 12,501 / 12,44 ε = 1,005 O valor da razão de contanto é muito baixo e, em princípio, o projeto deve ser refeito. Havia recursos para evitar o procedimento mostrado? Com certeza sim, bastaria, em princípio, usar um ângulo de pressão do engrenamento (e consequentemente na fabricação da engrenagem) com um valor maior, como por exemplo, 20º. SÉTIMO EXERCÍCIO Projeta-se uma redução fixa para o SAE BAJA UFES 2010. A redução desejada é [4,75 ≤ i ≤ 4,9] com dois pares iguais, o mais compacta possível, com razão de contato elevada. Visando uma maior razão de contato possível, foi arbitrado o menor alfa possível: α = 14,5º O módulo foi igualmente arbitrado: m=1 mm Arbitrou-se também o diâmetro primitivo do pinhão: Dpp=40mm Conforme mostrado, i=2,2 para cada par. Logo: Dpc=40 x i = 40 x 2,2 = 88 mm → zp= Dpp/m =40 dentes Mecânica Aplicada 58 Este valor é maior que o valor de referência para o contato entre pinhão e cremalheira, o mais crítico: zp (min)=32 dentes para α = 14,5º. Assim, calcula-se: zc= 40 x 2,2 =88 dentes Outras dimensões: C=(Dpp+Dpc)/2=64mm e = (3,1415 x m)/2 = 1,571mm hc = m = 1 mm hp = 1,157m = 1,157 mm c=0,157mm Dbp = Dppcos(14,5) = 38,726mm Dbc = Dpccos(14,5) = 85,197mm Dtp = Dpp + 2hc = 42mm Dtc = Dpc + 2hc = 90mm Drp = Dpp – 2hp = 37,686mm Drc = Dpp – 2hp = 85,586mm Pb=Pccos14,5=2ecos14,5=3,042mm φ = ²/,²/ 219785290 + ²/,²/ 272638242 - 64sen(14,5º)= 14,504+8,129-16,024=6,609mm ε = φ / Pb = 6,609/3,042=2,173mm. Conforme esperado, há uma alta razão de contato. Não haverá interferência; mas, conferindo pela fórmula: Mecânica Aplicada 59 ciainterferên há Não mm 90 mm 29691513239925938740962 4 2 2 1 2 1 22 2 2 C T C T P P P P D ,,º, Dcos.D.Ccos. D C Cálculo da folga: )](evolv)'(evol[x)'C(x2f Novo C’ (afastamento entre os centros), arbitrado em C’=64,1mm (valor pequeno, mas obediente à formula). Assim, Dpc/Dpp=D’pc/D’pp=2,2→ D’pc=2,2 D’pp Também D’pc+D’pp=128,2mm Daí: D’pc= 88,138mm D’pp=40,062mm Então, retirando o novo ângulo de pressão: Dbp = D’ppcos(Φ’) →cos(Φ’) = 38,726/40,062 → Φ’=14,843º evolv( Φ’) = evolv (14,843º ) =tang (14,843º) – 0,259 = 0,006 evolv( Φ) = evolv (14,5º) =tang (14,5º) – 0,253 =0,0056 mm051,0]0056,0006,0[x)1,64(x2f )](evolv)'(evol[x)'C(x2f O valor recomendado seria 5% da espessura frontal ef (em torno 0,08mm). Conclusão: as árvores poderiam ser montadas com uma distância C’ maior do que a apresentada, que foi igual a 64,1mm. O décimo de milímetro a mais implicará numa folga maior do de 0,051mm e para 64,2mm estaria próximo do valor almejado. Mecânica Aplicada 60 Complementação do aluno Wildson Lesqueves 31/05/12 Este exercício confirma o que foi exposto anteriormente, Agora, propõe-se uma nova distância de centros (que será chamado de C’) a qual resulta numa razão de contato (ε) igual a 2. Para isso arbitra-se um C’, para chegar a uma razão de contato ε desejada. Arbitrando C’= 64,181mm resultam os diâmetros primitivos do pinhão (Dpp’) e primitivos da coroa (Dpc’) nos seguintes valores: Dpc’/ Dpp’= 2,2 Dpp’+ Dpc’= 2C’ Assim: Dpc’= 88,2488 mm Dpp’= 40,1131 mm Agora há um novo ângulo de pressão (α’): Dpc = Dpc’ cos α’ α’ = 15,1121° Calcula-se através da fórmula da curva evolvental e ângulo de pressão original (α) e o novo (α’): evol(Ø) = tan Ø – Ø evol α = 0,00554483 evol α’ = 0,00629144 A folga no vão será de: f = 2C’ x [evol α’ - evol α] f = 0.09583663 mm Para se avaliar os novos valores da razão de contato com o novo ângulo de pressão, encontra-se ⱷ’: ⱷ’= 5,9002 Em seguida calcula-se o passo da base Pb’: Pb’ = Pc’ cos α’ = ( tc’ + tp’) cos α’ tc’ = Dpc’[ ((m/2) x π) Dpc + evol α - evol α’] tc’ = 1,50935 tp’ = Dpp’[ ((m/2) x π) Dpp + evol α - evol α’] tp’ = 1,545288 Pb’ = 2,9490 mm Mecânica Aplicada 61 Assim o novo ε’ será de: ε’ = ⱷ’/ Pb’ ε’ = 2,000747 Portanto, aumentando a distância entre centros das engrenagens tem-se uma menor razão de contato no par. A seguir se tem uma tabela para mostrar que quanto maior a distância entre centros menor será a razão de contato: Distância entre centros C’ Ângulo de pressão (α’) Razão de contato (ε’) Folga (f) 64,05 14,6719° 2,1250 0,0260324 mm 64,10 14,8416° 2,0775 0,05240385 mm 64,15 15,0093° 2,0301 0,07911101 mm 64,20 15,1748° 1,9827 0,10615067 mm 64,25 15,3384° 1,9354 0,13351974 mm 64,30 15,4999° 1,8881 0,16121523 mm Vê-se que para 64,15 já se encontra bem próximo do valor de folga no vão ou folga frontal desejado, em torno de 0,08mm. OITAVO EXERCÍCIO Considere uma engrenagem padronizada, com alfa=20º. Caso seu diâmetro primitivo valha 150 mm e seu módulo vale 5mm, calcule: (a) O raio do pino que fará contato no ponto principal. Mecânica Aplicada 62 Solução: No ponto principal P concorrem a tangente comum às circunferências primitivas (a outra circunferência não foi desenhada), a linha de centros e, destacadamente neste caso, a linha deação, que é perpendicular a tangente comum (desenhada em vermelho) e permite a solução do problema. Inicialmente, considere o seguinte esquema, onde se destaca o raio do pino: Com os dados do problema pode-se calcular o número de dentes da engrenagem, pois foram dados o diâmetro primitivo e o módulo da engrenagem: Mecânica Aplicada 63 z= Dp/m = 150/5=30 Desse modo, é possível retirar o ângulo Φ mostrado na figura anterior, através do conceito de passo circular. Para 360 graus são 30 dentes; contudo, é preciso contabilizar a espessura do dente e o valor do vão, que são iguais: 2Φ= 360/2z → Φ = 360/(4x30)=3º Conforme destacado no desenho, o ângulo entre a linha de ação e o raio base é de noventa graus; sabe-se que alfa é 20º; e Φ foi calculado agora. Então: ∆ = (Db/2) tag 23º ; Db=Dpcos20o →∆ = 1/2(Dp cos 20º) tag 23º = 1/2(150 cos 20º) tag 23º= 75x 0,939 x 0,4244=29,91mm Conhecido o ângulo de pressão, que vale 20o, tem-se: d/2= raio do pino= ∆ - (Dp/2)sen 20º = ∆ - (Db/2)tag 20º = 29,91-75x0,342=4,25mm Na prática, comumente o procedimento mostrado é feito ao inverso. Sabendo-se qual é o ângulo de pressão, determina-se o diâmetro de base no caso de se saber o diâmetro primitivo, pois os diâmetros dos pinos são padronizados. (b) O diâmetro D’ medido entre dois pinos opostos. Mecânica Aplicada 64 Primeiramente é preciso atentar para se o número de dentes da engrenagem é par ou ímpar. Este problema cai no primeiro caso (zp=30) de modo que a conta é mais simples. Este esquema é mostrado na figura a seguir: NONO EXERCÍCIO Leandro Bastos Bergami A figura a seguir representa um mecanismo de redução. A árvore b é acionada por uma fonte de potência em a com 1,25KW girando a 1720rpm. A redução entre a e b é de 3,5; já a redução de b para c é de 4. O número de dentes do pinhão 1 é 24 e o número de dentes da coroa 4 é 120. A - Calcular o número de dentes nas engrenagens da árvore b (z2 e z3). B - Calcular as rotações das árvores b e c (nb e nc). C - Se a perda de potência é em 4% em cada engrenamento, determine o torque em cada árvore (Ta, Tb e Tc). Mecânica Aplicada 65 Dados do problema: ia/b = 3,5 ib/c = 4 P = 1,25KW na = n1 =1720rpm z1 = 24 z4 = 120 Item A: Para o engrenamento de 1 para 2 tem-se: ia/b = 3,5 A razão de transmissão pode ser expressão em função do número de dentes. Então: ia/b = (z2 / z1) z2 = ia/b . z1 z2 = 24 x 3,5 = 84 dentes Para o engrenamento de 3 para 4 tem-se: ib/c = 4 Do mesmo modo, equacionando-se em função do número de dentes, tem-se: ib/c = (z4 / z3) z3 = z4 / ib/c z3 = 120 / 4 = 30 dentes Item B: Como ia/b = 3,5 e tal relação é igual ao quociente das frequências angulares, tem-se: ia/b = na / nb nb = ia/b . na Mecânica Aplicada 66 nb = 491,43rpm. A rotação nb é comum às engrenagens 2 e 3. Como ib/c = 4 e tal quociente é i b/c = nb / nc nc = ib/c . nb nc = 122,86rpm. Item C: P = Ta . 0,1047 . na Ta = P / (0,1047 . na) Sendo na = 1720 e P = 1250W Logo, Ta = 9,55 Nm Considerando que há perda de potencia em cada engrenamento, apenas 96% da potência vai ser transmitida. Tal perda não se traduz em mudança nas velocidades angulares; estas são regidas por relações cinemáticas. A perda de potência se resulta em redução do torque a ser transmitido. Então: 0.96 P = (0,1047. Tb . nb) Tb = T2 = (P . 0.96) / (0,1047 . nb) Sendo nb = 491,43 rpm e P = 1250 Então: Tb = 23,32 Nm No outro acoplamento: (0.96 x 0.96) P = P4 = Tc . 0,1047 . nc . Tc = (P .0.96.0.96) / (0,1047 . nc) sendo nc = 122,86 e P = 1250 Tc = 89,56Nm Mecânica Aplicada 67 DÉCIMO EXERCÍCIO: Um motor de 7,5 KW aciona a engrenagem 2 a 1800rpm. A polia 4, por intermédio de uma correia plana, move a polia 5. Na árvore da polia 5 também está acoplado um ventilador. Pede-se: Item a - Calcular a velocidade e o torque na árvore do ventilador, sem considerar perdas por atrito. Item b - A força de tração no ramo frouxo da correia é 20% do valor no ramo tenso. Calcular essas forças considerando-as verticais. Item c - Calcular o torque na árvore intermediária b. Item d - Calcular a força exercida pela polia 4 sobre a árvore intermediária. Item e - Determinar as componentes x e y das reações dos mancais A e B sobre a árvore. Item f - Localizar e determinar o momento fletor máximo atuante na árvore intermediária. Mecânica Aplicada 68 Solução: (a) A rotação do motor é naturalmente a rotação experimentada pelo pinhão 2. Então: rpm 810n 125 75x1350.nn n n :se-seguir tem a mostrada cinemática análise Da nn :que implica riaintermediá árvore na comum rotaçãoA rpm 1350n 32 24x1800 Z Z.nn n n Z Z :básico princípio primeiro Do nn 5 5 44 5 5 4 4 5 34 3 3 22 3 3 2 2 3 12 A velocidade tangencial na correia, considerada inextensível nesta análise preliminar, é comum ao longo de toda a correia. Assim, pode-se equacionar: Mecânica Aplicada 69 Nm 5,88 810x1047,0 7500T n.T.1047,0P ,PPPPP :perdas há não Se n n Daí )n2( 2 )n2( 222 v 5 55554321 4 5 5 4 5 5 4 4 5 5 4 4 t Se houvesse perdas: 5 44 534 3 2 2 3 11 23 1112 . , ; :fazer se-pode perdas havendo Não ente.sucessivam assim e .. 0,1 ,. n nTTTT n n T T P PKKP KPKP Análise das forças no sistema: Na figura a seguir vê-se a linha de ação. O início de contato se dá quando a parte inferior do dente do pinhão toca a parte superior do dente da coroa. Vê-se também o ângulo de pressão frontal e as circunferências primitivas. No ponto principal, a força resultante está atuando exatamente em coincidência com a linha de ação. Nesta condição, não há força de atrito. Mecânica Aplicada 70 A análise dinâmica deve ser empreendida como se segue. A coroa é movimentada pelo pinhão. Assim, a força que o pinhão faz na coroa deve estar direcionada no mesmo sentido de rotação da coroa, pois de acordo com a primeira Lei de Newton, a coroa somente se movimenta porque uma força, naquele sentido, a obrigou a isto. Pela terceira Lei de Newton, se chega às forças que a coroa faz no pinhão. Examinando a árvore, vê-se o seguinte esquema dinâmico, com as forças exercidas pelas correias na polia. O equilíbrio de torques impõe que o ramo tenso se apresente conforme mostrado. É oportuno revisar o modelo de forças numa correia, seja ela plana ou trapezoidal. Mecânica Aplicada 71 (b) Demonstra-se que a relação entre os ramos tenso e frouxo numa correia é dado por: TF F T F,F ,e F F 20 :que dado foi já caso, no atrito de ecoeficient oabraçament de ângulo onde Mecânica Aplicada 72 N354F N1780F 2 125,0].F2,0F[5,88 2 ].FF[T F T TT 5 FT5 (c) O torque poderia ser calculado por: Nm1,53 2 075,0].3541780[T 2 ].FF[T 4 4 FT4 Ou simplesmente percebendo que o equilíbrio de torques na árvore impõe que: T3 = T4 Então: Nm 1,53 1350 18008,39 Nm 8,39 .1047,0 . 3 2 2 3 22 3 xT n PT n nTT (d) Diferentemente do que ocorre na composição dos torques, em que as forças no ramo tenso e frouxo nas correias se subtraem, agora no equilíbrio vertical as componentes se somam: Mecânica Aplicada 73 F4 = FT + FF F4 = 2124 N Ressalta-se que as forças são consideradas verticais, uma aproximação bastante razoável. (e) Para se calcular as forças nos mancais, é preciso determinar todas as forças nas engrenagens. A componente radial da resultante no contato entre os dentes no ponto principal nãofoi calculada. Contudo, a própria componente tangencial ainda não foi determinada. Isto é feito a partir do torque T3, já conhecido: N; 3,1106F mm 96Z.mD , D T.2F 3 T 33 P3 P 33 T Então: N 67,402tg.FF 3T 3 R Mecânica Aplicada 74 Esquema especial das forças: Plano x: RAy = -1316,4 N (se opondo ao sentido proposto) RBy = 298,7 N Plano y: Mecânica Aplicada 75 N 0,302 N 7,100 xR xR B A (f) Para determinar os momentos fletores, usa-se a seguinte aproximação: Nm 132106,131 Nm 42309,29 221 222 f f M M Nas figuras que se seguem apresentam-se os valores das duas seções retas onde se acoplam a polia e a coroa. Na figura à esquerda estão os valores dos momentos fletores em cada plano. Na figura a direita, a resultante. Pode-se considerar um “vetor momento fletor”, que no caso é traçado sem obedecer a convenção usual de torques e momentos, ou seja, as flexões ocorrem em planos perpendiculares aos vetores mostrados. Ressalta-se que no caso do momento fletor resultante, há uma variação espacial deste ao longo do eixo, como uma espécie de hélice. Em caso de flexão em dois planos na construção civil, onde se trabalha com concreto, é preciso reforçar as estruturas com ferragens num posicionamento correto, pensando nos efeitos trativos da flexão. Nestes casos, é possível perceber que tais ferragens devem ser retorcidas ao longo dos vigamentos. Mecânica Aplicada 76 (g) Dimensionamento estático do eixo Um problema como este deve ser dimensionado considerando a fadiga, pois a rotação da árvore faz com que as tensões devidas à flexão sejam alternadas. Contudo, é deixado por conta do leitor o desenvolvimento do projeto segundo esta metodologia mais adequada. Apenas para motivar, é apresentado a seguir um modelo de dimensionamento estacionário. O fato da seção reta da árvore intermediária ser circular permite uma adaptação estratégica das fórmulas padrão da Resistência dos Materiais para cálculo de tensões. Primeiramente, o cálculo das tensões normais de flexão considerando o momento fletor máximo: 333F 5,1344132x32M32 I2 M Em segundo lugar, faz-se o cálculo das tensões cisalhantes devido à torção na árvore: 333T 4,2701,53x16T16 J2 T Para seções circulares as fórmulas da flexão e da torção ficam homogêneas em termos do diâmetro ϕ, elevado à terceira potência. É possível traçar o círculo de Mohr e encontrar as tensões principais em função de ϕ. Mecânica Aplicada 77 59,72425,6724,270 4 5,1344 2 5,1344 22 2 2 T 2F 2 F II,I 3 Usando-se o critério de Von Mises em termos das tensões principais, tem-se: adm 22 IIIII 2 I Substituindo os valores: 7,14236,526,52x13961396)( 222IIIII 2 I 3 adm Considerou-se aqui, arbitrariamente, um material dúctil com limite de resistência em torno de 700 Mpa. Usou-se um coeficiente de segurança igual a 3 (um valor até reduzido, pois devia se fazer uma análise por fadiga). Para compensar, adotou-se o valor do limite de escoamento como referência, que na ausência de valores precisos, pode ser tomado como aproximadamente igual a 75% do valor do limite de resistência. Ressalta-se que em certos casos de análise, retira-se o valor do limite de resistência a partir do valor da dureza (Sres=036HB): MPa175 3 MPa700x75,0 3 S75,0 n S7,1423)( resesc3adm Então, resolvendo, encontra-se: mm11,20m0201122,07,142310x175 63