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Prof. Luiz Lourenço Hiperdia Destina-se ao cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde – SUS, permitindo gerar informação para aquisição e distribuição de medicamentos de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados. Benefícios: Orienta os gestores públicos na adoção de estratégias de intervenção; Permite conhecer o perfil epidemiológico da hipertensão arterial e do diabetes mellitus na população. Para se inscrever no programa o usuário Hipertenso ou Diabético deve passar pelo médico para confirmar diagnóstico da doença e prescrever os medicamentos de uso no programa. Hipertensão Hipertensão Arterial A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo. Ela é um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Define-se como pressão arterial SISTÓLICA maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial DIASTÓLICA maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva. É preciso ter cautela antes de rotular alguém como hipertenso, tanto pelo risco de um diagnóstico falso-positivo, como pela repercussão na própria saúde do indivíduo e o custo social resultante. Em indivíduos sem diagnóstico prévio e níveis de PA elevada em uma aferição, recomenda-se repetir a aferição de pressão arterial em diferentes períodos, antes de caracterizar a presença de HAS. Este diagnóstico requer que se conheça a pressão usual do indivíduo, não sendo suficiente uma ou poucas aferições casuais. A aferição repetida da pressão arterial em dias diversos em consultório é requerida para chegar a pressão usual e reduzir a ocorrência da “hipertensão do avental branco”, que consiste na elevação da pressão arterial diante a simples presença do profissional de saúde no momento da medida da PA. Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem que, mesmo com doses progressivas de medicamentos, não resultarão alcançar os níveis recomendados de pressão arterial. Apesar dessas evidencias, hoje, incontestáveis, esses fatores relacionados a hábitos e estilos de vida continuam a crescer na sociedade levando a um aumento contínuo da incidência e prevalência da HAS, assim como do seu controle inadequado. É preciso ter em mente que a manutenção da motivação do paciente em não abandonar o tratamento é talvez uma das batalhas mais árduas que profissionais de saúde enfrentam em relação ao paciente hipertenso. Para complicar ainda mais a situação, é importante lembrar que um grande contingente de pacientes hipertensos também apresenta outras comorbidades, como diabetes e obesidade, o que traz implicações importantes em termos de gerenciamento das ações terapêuticas necessárias para o controle de um aglomerado de condições crônicas, cujo tratamento exige perseverança, motivação e educação continuada. Diagnóstico e classificação AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL A pressão arterial é um parâmetro que deve ser avaliado continuamente, mesmo em face de resultados iniciais normais. Investigação Clínico-Laboratorial: objetiva explorar as seguintes condições: Confirmar a elevação da pressão arterial e firmar o diagnóstico. Identificar fatores de risco para doenças cardiovasculares e risco cardiovascular global. - Para atingir tais objetivos, são fundamentais as seguintes etapas: História clínica. Exame físico. Avaliação laboratorial inicial do paciente hipertenso Para a adoção de um esquema terapêutico adequado, o primeiro passo é a confirmação diagnóstica da hipertensão. Em seguida, é necessária a análise da estratificação de risco (baixo, médio e alto risco). Risco BAIXO - Ausência de fatores de risco e ausência de lesão em órgãos-alvo. Risco MODERADO - Presença de fatores de risco mas com ausência de lesão em órgãos-alvo. Risco ALTO - Presença de lesão em órgãos-alvo ou fatores de risco. AVALIAÇÃO CLÍNICA INICIAL Há duas abordagens terapêuticas para a hipertensão arterial: O tratamento baseado em Modificações do Estilo de Vida (MEV): perda de peso, incentivo às atividades físicas, alimentação saudável, etc.); E o tratamento medicamentoso. A adoção de hábitos de vida saudáveis é parte fundamental da prevenção de hipertensão e do manejo daqueles com HAS. ABORDAGEM TERAPÊUTICA Controle de peso Adoção de hábitos alimentares saudáveis Redução do consumo de bebidas alcoólicas Abandono do tabagismo Prática de atividade física regular TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO IMC BAIXO PESO <18,5 SAUDÁVEL 18,5 - <25,0 SOBREPESO ≥ 25 <30 OBESIDADE ≥ 30 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO O objetivo primordial do tratamento da hipertensão arterial é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular do paciente hipertenso, aumentadas em decorrência dos altos níveis tensionais. São utilizadas tanto medidas não-farmacológicas isoladas como associadas a fármacos anti-hipertensivos. Os agentes anti-hipertensivos a serem utilizados devem promover a redução não só dos níveis tensionais como também a redução de eventos cardiovasculares. Princípios gerais do tratamento O medicamento anti-hipertensivo deve: Ser eficaz por via oral; Ser bem tolerado; Permitir a administração em menor número possível de tomadas diárias, com preferência para posologia de dose única diária. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Agentes anti-hipertensivos: Diuréticos. Inibidores adrenérgicos. Vasodilatadores diretos. Antagonistas do sistema renina-angiotensina. Bloqueadores dos canais de cálcio. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO É recomendado o início de terapia combinada (2 anti-hipertensivos) se HAS estágio 2 e/ou se a PA medida estiver acima da meta em mais de 20/10 mmHg (sistólica/diastólica). Em idosos, considere “pegar mais leve” devido ao risco de hipotensão postural e quedas. Os fármacos de primeira linha permanecem os mesmos (tiazídico; iECA ou BRA; e BCC), mas é enfatizada a maior eficácia de tiazídicos e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC) em negros. Diabetes Diabetes Mellitus é uma doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e cuja função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em energia a fim de que seja aproveitada por todas as células. Caracteriza-se por hiperglicemia e está associada a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente rins, nervos, cérebro, coração e vasos sanguíneos. O diabetes apresenta alta morbimortalidade, com perda importante na qualidade de vida. É uma das principais causas de mortalidade, insuficiência renal, amputação de membros inferiores, cegueira e doença cardiovascular. Além dos custos financeiros, o diabetes acarreta também outros custos associados à dor, ansiedade, inconveniência e menor qualidade de vida que afeta doentes e suas famílias. O diabetes representa também carga adicional à sociedade, em decorrência da perda de produtividade no trabalho, aposentadoria precoce e mortalidade prematura. Na atenção básica, os cuidados e a investigação do diabetes podem ser efetuados: por meio da prevenção de fatores de risco como sedentarismo, obesidade e hábitos alimentares não saudáveis; da identificação e tratamento de indivíduos de alto risco para diabetes; da identificação de casos não diagnosticados de diabetes para tratamento; E intensificação do controle de pacientes já diagnosticados visando prevenir complicações agudas e crônicas. A classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Diabetes (ADA) e aqui recomendada inclui quatro classes clínicas:DM tipo 1, DM tipo 2, Diabetes mellitus gestacional; E outros tipos específicos de DM (problemas genéticos, doença no pâncreas, efeito colateral de medicamentos etc). Classificação Diabetes tipo I – o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. A instalação da doença ocorre mais na infância e adolescência e é insulinodependente, isto é, exige a aplicação de injeções diárias de insulina. Sintomas Os seguintes sintomas podem ser os primeiros sinais do diabetes tipo 1 ou podem ocorrer quando o nível de glicose no sangue está alto: Polidipsia; Polifagia; Sensação de cansaço; Visão embaçada; Perda da sensibilidade ou sensação de formigamento nos pés; Perda de peso involuntária; Micção mais frequente; Respiração profunda e acelerada; Pele e boca secas; Hálito com odor de fruta; Náusea, vômitos, incapacidade de reter líquidos; Dor estomacal. O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é a forma presente em 90-95% dos casos e caracteriza-se por defeitos na ação e na secreção da insulina. As células são resistentes à ação da insulina. A incidência da doença que pode não ser insulinodependente, em geral, acomete as pessoas depois dos 40 anos de idade; DIABETES TIPO II Qualquer intolerância à glicose com início ou diagnostico durante a gestação. Não exclui a possibilidade da condição existir antes da gravidez, mas não ter sido diagnosticada. Na maior parte dos casos, é provocado pelo aumento excessivo de peso da mãe. Pacientes com DM gestacional devem ser reavaliadas quatro a seis semanas após o parto. Na maioria dos casos há reversão para a tolerância normal após a gravidez, porém existe um risco de 17-63% de desenvolvimento de DM2 dentro de 5-16 anos após o parto. DIABETES GESTACIONAL A OMS recomenda detectá-la com os mesmos procedimentos diagnósticos empregados fora da gravidez, considerando como diabetes gestacional valores referidos fora da gravidez como indicativos de diabetes ou de tolerância à glicose diminuída. RASTREAMENTO E PREVENÇÃO DO DIABETES Cerca de 50% da população com diabetes não sabe que são portadores da doença, algumas vezes permanecendo não diagnosticados até que se manifestem sinais de complicações. Fatores indicativos de maior risco são: Idade >45 anos; Sobrepeso (Índice de Massa Corporal IMC >25); Obesidade central (cintura abdominal >102 cm para homens e >88 cm para mulheres); Antecedente familiar; Hipertensão arterial (> 140/90 mmHg); História de macrossomia ou diabetes gestacional; Falta de atividade física regular; Estresse emocional; Doença cardiovascular, cerebrovascular ou vascular periférica definida. RASTREAMENTO E PREVENÇÃO DO DIABETES Sintomas gerais do diabetes Os sintomas clássicos de diabetes são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso (os “4 Ps”). Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são: fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar, infecções de repetição e etc. Algumas vezes o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas como neuropatia, retinopatia ou doença cardiovascular. Exames laboratoriais para o diagnóstico de diabetes e de regulação glicêmica alterada Glicemia de jejum: nível de glicose sanguínea após um jejum de 8 horas; Teste oral de tolerância à glicose (TTG-75g): O paciente recebe uma carga de 75 g de glicose, em jejum, a glicemia é medida antes e 120 minutos após a ingestão; Glicemia casual: tomada sem padronização do tempo desde a última refeição. MÉTODOS E CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE DIABETES MELLITUS Atualmente são três os critérios aceitos para o diagnóstico de DM: Poliúria, polidipsia e perda ponderal acrescidos de glicemia casual acima de 200mg/dl; Glicemia de jejum ≥ 126mg/dl, porém o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia; Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga de 75g de glicose acima de 200mg/dl. ORIENTAÇÕES O estabelecimento de dieta para controle de pacientes com diabetes mellitus (DM) associados a mudanças no estilo de vida, incluindo a atividade física, são considerados terapias de primeira escolha. TRATAMENTO As causas modificáveis do diabetes tipo 2 são alimentação inadequada (qualidade e quantidade) e inatividade física. Fracionar 5 a 6 refeições/lanches diários; TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 1- ALIMENTAÇÃO ADEQUADA 2- ATIVIDADE FÍSICA TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA HIPERGLICEMIA NO DIABETES TIPO 2 Como o diabetes é uma doença evolutiva, com o decorrer dos anos, quase todos os pacientes requerem tratamento farmacológico, muitos deles com insulina, uma vez que as células do pâncreas tendem a progredir para um estado de falência parcial ou total ao longo dos anos. 1- Metformina 2- Sulfoniluréias 3- Insulina PAPEL DA ENFERMAGEM NA ATENÇÃO BÁSICA Capacitar e supervisionar os auxiliares de enfermagem e os agentes comunitários, de forma permanente; Realizar consulta de enfermagem, abordando fatores de risco, tratamento não-medicamentoso, adesão e possíveis intercorrências ao tratamento, encaminhando o indivíduo ao médico, quando necessário; Desenvolver atividades educativas de promoção de saúde com todos os pacientes hipertensos; Estabelecer, junto à equipe, estratégias que possam favorecer a adesão (grupos de hipertensos e diabéticos); OBRIGADOOO!